sábado, 25 de julho de 2009
O Blazers acerta de novo
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terça-feira, 3 de março de 2009
Duelo de titãs
Entrei em um concurso para o título de post mais clichê de todos os tempos, acham que eu me sai bem com o "Duelo de titãs"? De qualquer forma, é um título mais que apropriado para o confronto entre LeBron James e Dwyane Wade na noite de ontem.
Antes do jogo já estavam anunciando como um duelo pessoal imperdível, que prometia fortes emoções. Eu praticamente ignorei porque eu acho uma furada esses anúncios de jogos que só dão ênfase na estrela de cada time. Na maioria dos casos uma estrela acaba nem marcando a outra e os jogos só têm graça mesmo quando os times estão no mesmo nível, o que não é o caso de Cavs e Heat, em que o time do LeBron é muito melhor.
Porém, como as outras opções de jogos não eram muito boas, fui ver Cavs e Heat mesmo. Nada ia me fazer ver o Thunder jogando sem Kevin Durant e Jeff Green. Tá bom que depois eu fui ver o finzinho pra ver com meus olhos se era verdade que eles estavam trucidando o Mavs com direito a triple-double do Russell Westbrook. Alguém também acha que o Durant e o Green são o problema do Thunder como o Iverson é o do Pistons? Pra mim isso é bem óbvio agora. Dispensem o Durant!!! (e mandem ele pro meu Lakers)
Voltando às estrelas: Me animei quando na introdução do jogo a transmissão local me lembrou de um duelo memorável entre LeBron e Wade, em 2007, quando o Wade marcou 21 dos seus 41 pontos no quarto período e destruiu o Cavs mesmo com uma atuação monstruosa do LeBron: 47 pontos, 12 rebotes e 10 assistências. Se históricamente Kobe e LeBron fazem jogos sem graça quando se enfrentam, LeBron e Wade costumam brilhar um contra o outro.
E valeu a pena assistir o jogo. O Heat parece um time mais completo depois da troca do Shawn Marion, com o Jermaine O'Neal eles tem um jogador dentro do garrafão que recebe bons passes das infiltrações do Wade e o Jamario Moon parece que joga no Heat há uns 3 anos de tão bem que se adaptou ao esquema de defesa agressiva no perímetro e velocidade no ataque. Com isso, além das atuações boas dos dois, o jogo como um todo foi bem jogado. Com muitos turnovers pela velocidade da partida, mas mesmo assim bem jogado e muito divertido.
Comecemos idolatrando o LeBron James. Como já é de praxe, ele deu umas enterradas de video game em cima da defesa inteira do Heat e deu uns quatro passos em uma tentativa de bandeja, ou seja, vimos o que esperávamos ver do LeBron. Mas seus 42 pontos só vieram na verdade porque ele estava em um de seus bons dias nas bolas de 3 pontos. Foram 6 acertadas em 7 tentadas, sem contar as duas que ele sofreu falta tentando o arremesso no primeiro tempo, foram então 24 pontos conseguidos em bolas de 3.
Eu não consigo descrever como seria o LeBron se ele tivesse essa consistência nas bolas de 3. Provavelmente ele poderia, se quisesse (e provavelmente não quer), ter média de mais de 40 pontos por jogo. E eu falo sério, o cara já teve mais de 30 de média quando tinha um arremessinho vagabundo de meia distância! Na revista Dime desse mês ele disse que quer ser o melhor jogador de todos os tempos, eu não quero entrar no mérito da discussão porque falar que alguém pode ser melhor que o Jordan em um blog de basquete é como rasgar uma foto do Papa no meio do Vaticano, mas eu não apostaria contra o LeBron nessa empreitada, embora saiba do longo caminho que ele tem que traçar ainda.
Para quem quer saber, o LeBron atualmente tem 33% de aproveitamento nas bolas de 3. Nada de espetacular mas também não é horrível, o maior problema na verdade é que tem dia que ele acerta 8 bolas, como contra o Bucks, e tem dia em que os arremessos de 3 são tão confiáveis quanto lances livres do Ben Wallace.
Alguém lembra que logo depois do draft de 2003 os jogos entre Cavs e Nuggets eram transmitidos para o mundo todo porque a grande rivalidade que a NBA estava impondo pra gente era entre LeBron e Carmelo Anthony? Enfiavam goela abaixo do público uma sucessão de jogos em dias importantes envolvendo os dois mas acho que agora eles já desistiram, perceberam que naquele draft, se tem alguém que pode com o LeBron é o Dwyane Wade.
A sequência de jogos do Wade é histórica: 50 pontos contra o Orlando, 16 assistências contra o Detroit e depois de um jogo mais ou menos (20 pontos, 10 assistências) contra o Atlanta, 46 pontos, 10 assistências e com direito a 24 pontos no quarto período contra o Knicks.
O legal desse jogo contra o Knicks é que o Heat estava tomando uma sova até o momento em que o Danilo Gallinari, sem querer, acertou uma cotovelada na boca do Wade, que ficou sangrando e nem levou a falta. E se tem uma dica que eu daria para meus jogadores se fosse técnico seria "Tem jogadores que é melhor deixar na deles". Então não diga que o LeBron é superestimado, não se chame de Kobe-Stopper e não dê uma cotovelada na boca do Wade. Veja como ele sozinho trucidou o Knicks:
Depois da cotovelada o Wade entrou em modo Bersek e o jogo já era. Se eu estivesse no Knicks tinha pedido pra cagar e ia embora. Em um determinado momento o Wade fez mais uma cesta e saiu gritando "This is my house!" ("aqui é a minha casa!" em mau português). Por causa disso, ontem no jogo contra o Cavs o time distribuiu cartazes com a foto do Wade gritando e a frase dele ao lado para a torcida ostentar durante a partida. Marketeiros faturando em cima de um momento emocionante. Eu queria esse cartaz pra pendurar no meu quarto!
O Wade teve seu principal momento no jogo no terceiro período, quando liderou o time a vencer o quarto por 27 a 18. O quarto período começou também a favor do Heat, que abriu 11 pontos e aí apagou. Segundo o LeBron, chegou uma hora em que ele virou para o Mo Williams e disse "Agora é com nós dois". E foi. O Mo jogou muito bem e fez 15 dos seus 30 pontos nos últimos 7 minutos de partida, o LeBron terminou o serviço colocando algumas das suas bolas de 3 pra acabar com as esperanças do Heat, que pareceu um time amador nos últimos 5 minutos de jogo.
Depois de altos e baixos, o saldo final foi de 42 pontos, 8 rebotes, 4 assistências e 6 bolas de 3 para o LeBron. 41 pontos, 7 rebotes, 9 assistências e 7 roubos para o Wade. Como dá pra ver na tabela que o Rebote colocou hoje, foi o quarto jogo de LeBron e Wade com 40 pontos em seus 18 confrontos diretos, com 9 vitórias pra cada lado.
No duelo de times acabou vencendo o melhor time. Por mais que o Heat esteja melhorando, o Cavs é muito mais time principalmente porque sabe defender. E foi defendendo, forçando turnovers e arremessos horríveis, que conseguiram segurar o Heat no quarto período. O Wade, que cortou a defesa inteira do Heat em busca de cestas e assistências o jogo inteiro, passou o quarto período dando arremessos contestados de meia distância. E não porque ele queria isso, mas porque era a única coisa que era possível fazer contra aquela defesa. Mérito total do Cavs e do ridículo do técnico Mike Brown.
O que aprendemos hoje, crianças? O que marca para os fãs são esses duelos pessoais e as atuações monstruosas das estrelas, mas são as coisas mais chatas e sem graça que ganham os jogos. Opa, mas aprendemos isso umas dez vezes com o Spurs, não ontem. Então vamos parar de falar dessas coisas chatas. Melhor curtir os melhores momentos do jogo e calar a boca.
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Denis
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Exilado no Canadá
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Danilo
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terça-feira, 20 de janeiro de 2009
O que fazer com Jermaine O'Neal?
Alguns times têm que decidir o que fazer com o Kwame Brown, outros o que fazer com o Eddy Curry. Portanto, decidir o que fazer com o Jermaine O'Neal é um luxo para poucos, mesmo que ele seja um problema em muitos aspectos e, às vezes, mais atrapalhe do que ajude.
Das 43 partidas do Raptors na temporada até agora, Jermaine jogou apenas 29, isso contando os jogos em que passou meia dúzia de minutos em quadra antes de sair mancando. É impossível contar com ele, montar um esquema consistente, depender de sua presença. Suas lesões têm destruído sua promissora carreira desde os tempos no Pacers, que eventualmente foi obrigado a decidir o que fazer com o rapaz. O pessoal de Indiana tinha em mãos um All-Star, um jogador técnico e dominante capaz de liderar um time para granfes feitos, mas como lidar com seu salário de mais de 20 milhões de dólares quando ele mal entrava em quadra? Sua ausência, aliada a terríveis decisões do pessoal engravatado, levaram o Pacers a feder - e muito. Jermaine pediu para ser mandado para um lugar onde pudesse ser aproveitado, onde pudesse fazer a diferença. Sua saúde dava sinais de melhoras no final da temporada e a produção em quadra parecia razão para esperança. Rapidamente, foi parar em Toronto numa troca que aparentava envolver duas estrelas potenciais em Jermaine e TJ Ford. Agora, olhando com mais calma, parece que as duas equipes simplesmente queriam se livrar o mais depressa possível da bomba que tinham em mãos, estrelas cujas contusões tornaram-nos um fardo grande demais para suas equipes.
É aquela velha história da galinha do vizinho ser sempre melhor do que a nossa, principalmente se a galinha do nosso vizinho é uma de raça, tipo a Mari Alexandre. O TJ Ford parece um excelente armador, jovem, veloz, reboteiro, joga demais, mas quem conhece de perto sabe todos os podres. O TJ é frágil, teve lesões graves na coluna, ameaçou se aposentar do esporte depois que médicos alertaram que ele quase ficara aleijado após uma queda feia. Além disso, é agressivo demais no ataque, o que compromete tanto sua condição física quanto a capacidade de controlar o ritmo da equipe, sabendo quando atacar a cesta e quando passar a bola. Os times de TJ Ford são muitas vezes obrigados a ficar parados, assistindo o nanico correr de um lado para o outro da quadra sozinho.
O Pacers queria se livrar do contrato exagerado do Jermaine O'Neal e de sua presença que não permitia que o time fosse bem - já que ele estava sempre machucado - nem que fosse absolutamente mal, porque acabava sempre dando uma força. Para se renovar e colocar o controle em novas mãos, mais jovens, é necessário ter a coragem de feder um pouco, por uns tempos, e às vezes se livrar dos jogadores que impedem esse processo natural e obrigatório. Dois times querendo se livrar de dois estorvos que pareciam ser bastante apetitosos aos olhos alheios: um casamento perfeito que só poderia ter como resultado final dois times insatisfeitos. Afinal, casamento em que as duas partes estão satisfeitas, só naqueles casamentos arranjados em que uma russa quer nacionalidade americana, e um americano rico quer comer uma russa. Fora isso, a gente sabe que vai dar merda.
O TJ Ford jogou 34 dos 41 jogos do Pacers até agora. Ou seja, sofreu novamente com contusões. O time está fedendo como nunca e está lá no fundo da tabela do Leste. E, pra ser bem sincero, às vezes parece que o Pacers joga até melhor sem ele, com a bola mais nas mãos do Danny Granger e mais oportunidades para Marquis Daniels (por quem tenho um estranho Complexo de Drew Barrymore desde os tempos dele no Mavs) e para Jarret Jack.
Com o Jermaine, a história é mais complicada. Quando está em quadra, não há dúvidas de que torne o Raptors um time melhor. O problema é que talvez ele não melhore o time o suficiente. A situação acaba lembrando mais ou menos a do próprio Pacers, quando decidiu trocar sua estrela para dar espaço para o "Granny Danger": o Raptors não fede nem cheira, não está dando certo, muito provavelmente ficará fora dos playoffs, mas não estará entre os piores times. Não há chances mínimas de título e nem planos de tacar tudo no lixo e começar de novo, o que acaba deixando o time inteiro no limbo, sem saber para onde correr. Jermaine não resolve todos os problemas do Raptors, mas resolve alguns. Ele tem seus dias de estrela, mas em geral está no banco vestindo um terninho - que aliás não combina em nada com sua eterna cara de bebê.
Creio que o Raptors não está em condições de aceitar soluções pela metade. A crença de que o time estava apenas a uma peça de alcançar grandes feitos no Leste ainda permanece, embora eu ache ela tão pertinente quanto achar que a Terra está flutuando em cima de uma tartaruiga espacial. Então, se o Jermaine não é a peça que faltava, existem duas opções: trocá-lo imediatamente pela peça que falta, pois a data limite para trocas termina em 19 de fevereiro, ou então mantê-lo e esperar seu contrato terminar para liberar espaço na folha salarial para a lendária temporada de 2010 (LeBron, Wade, Bosh, dizem que talvez até Jesus Cristo e Buda).
Como antigo fã de Jermaine O'Neal que se achou velho quando ele parecia não ser mais capaz de ficar em pé, confesso que fiquei surpreso com seu rendimento em Toronto. Sua defesa continua impecável, embora os arremessos não tenham conseguido voltar ao velho ritmo e seu corpo não aguente mais o jogo físico de trombada que ele, com muito custo, havia desenvolvido em Indiana. Agora, é um jogador que pode ao menos contribuir sempre que consegue levantar da cama, e acho que ainda há espaço para ele na NBA se a natureza deixar. Ainda assim, concordo que o melhor a fazer é deixar Jermaine ir embora, por troca ou fim de contrato. Não que outra peça venha suprir aquilo que ele não conseguiu, é apenas que o Raptors também tem um Danny Granger que precisa de espaço para se desenvolver. Trata-se de uma versão com nome de garota e hábitos alimentares de uma Tartaruga Ninja: Andrea Bargnani.
Quando o Jermaine está desmontado como se fosse feito de Lego, o Bargnani é titular e tem médias excelentes de 17 pontos, 6 rebotes, 1.3 tocos e acerta 45% dos seus arremessos de três pontos. Jogar com o Bosh permite a "tática Rashard Lewis" de obrigar o defensor adversário a sair do garrafão e acertar arremessos de fora se ele não o fizer. Quando Jermaine joga, Bargnani joga em outras funções, passa menos minutos em quadra, e com isso faz apenas 8 pontos, pega 3 rebotes e acerta somente 34% dos arremessos de fora. A diferença é grande demais e é hora do conterrâneo do Super Mario ganhar confiança. Pra mim, todo time que não parece ir a lugar nenhum deveria começar a pensar em suas futuras estrelas, e o Raptors deveria estar distribuindo minutos para o Bargnani, para o Ukic (o armador que volta e meia tanto me impressiona) e para qualquer urso ou guarda florestal que parecer promissor lá no Canadá. Até porque eu duvido muito que o Chris Bosh continue por lá quando seu contrato se encerrar.
Pelo que parece, o pivô perdeu a paciência com a equipe. Na última partida contra o Hawks, surtou por completo com os erros de seu coleguinha Jamario Moon (que merecia respeito ao menos pela sua força nominal). Com o Raptors na frente e 90 segundos para o final, Moon deixou Joe Johnson livre para uma bandeja em que sofreu falta, diminuindo a diferença para um ponto. Com 55 segundos para o final, caiu na "tática Billups" de "eu vou fingir que arremesso pra ver se você é imbecil e vai pular no meu cangote" usada pelo Mike Bibby e cometeu uma falta, que resultou em dois lances livres e o Hawks liderando por um ponto. Em seguida, com 36 segundos para o final, deu um arremesso idiota de três pontos precipitado e bem, bem errado, que terminou de vez com o jogo. O Bosh arrancou os cabelos e, assim que a partida terminou, criticou o Moon abertamente, tanto pelas falhas defensivas quanto pelo arremesso desnecessário. Acrescentou que a mentalidade do time está errada, que no final dos jogos eles fazem tudo equivocado, e que não dá pra vencer assim.
Desconfio que, com essa equipe, o Bosh não queira ficar em Toronto. Como o contrato do Jermaine acaba potencialmente junto com o do Bosh, talvez acabe sendo tarde demais para usar a grana para contratar alguém de peso e convencer o pivô com pescoço de dinossauro a ficar. A lógica, portanto, se os engravatados estiverem dispostos a manter sua maior estrela, seria trocar Jermaine imediatamente - por alguém que, preferencialmente, não comprometa os minutos do Bargnani.
Os Nelsons Rubens do mundo da NBA falam constantemente de uma troca de Jermaine por Shawn Marion. Esse é um dos meus boatos preferidos, só perdendo para aquele que diz que a Maísa é na verdade uma anã e tem mais de 40 anos. Para o Raptors, essa troca traria uma defesa mais do que necessária, uma ajuda nas bolas de três pontos, daria uma força nos rebotes e permitiria que o Bargnani fosse titular ao lado do Marion. Além disso, o Jamario Moon iria para o banco de reservas, lugar a que ele pertence, já que contribui e muito para uma equipe mas jogar os minutos decisivos já é demais. Para o Heat, a troca traria tamanho - simples assim. Assistir Houston e Miami foi hilário, porque o Yao Ming podia fazer o que quisesse, incluindo pegar rebotes ofensivos no meio de 4 defensores enquanto dançava a macarena, e acabou o jogo com 12 arremessos convertidos em 12 tentados. Com Jermaine O'Neal, o Heat não teria que usar como titular o pivô Joel "Quem diabos?" Anthony, e o novato Beasley receberia muito mais minutos - coisa que ele está precisando urgentemente para pegar o jeito da brincadeira.
Por que essa troca não seria feita? Bem, provavelmente porque o Heat não é otário de pegar um jogador que tenha que entrar em quadra de cadeira de rodas. Antes de mais nada, é preciso que o Jermaine prove que pode jogar, que está saudável, e isso é como pedir para que o Clippers não tenha ninguém contundido no elenco. No entanto, há sempre uma possibilidade. Como acho que a temporada do Raptors já era, a prioridade deve ser mostrar que o Jermaine ainda dá pro gasto e forçar uma troca. Se não for pelo Marion, será por qualquer outra coisa que convença o Bosh a ter um pouco de fé, nem que seja uma troca por uma cinta pra dar na bunda do Jamario Moon. Mas nesse mundo de casamentos que são perfeitos porque dão errado, fico torcendo para ver o Marion no Raptors. Seria uma combinação ideal, ainda que - pode apostar - o time de Toronto não vá chegar a lugar algum do mesmo jeito.
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Danilo
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domingo, 17 de fevereiro de 2008
Sabadão com o Gugu
Já acabou. Campeonato de enterrada de novo só no ano que vem. Eu sei, também estou deprimido e vou ficar assim muito tempo ainda. Por um dia pra ser exato. Até o jogo das estrelas, aí fico bem de novo.
Mas não estou aqui para desabafar sobre minhas tristezas, estou aqui para falar de tudo o que aconteceu ontem na noite de sábado. Então vamos logo, sem enrolar, para uma passada em cada um dos eventos!
Haier Shooting Stars
Esse foi o único evento que não participou do bolão. O motivo é que estávamos com medo de que, como em anos anteriores, os participantes fossem revelados muito em cima da hora. Até que não foi assim mas, quando saíram, a promoção já estava no ar.
Mas de qualquer forma, não importa, ninguém ia acertar mesmo! Quem acreditaria que dois caras com mais de 2,10m de altura iriam vencer uma competição de arremessos? O negócio é que se você junta o Tim Duncan e o David Robinson, algo de bom acontece e eles vencem. Acho que se eles participassem do campeonato de NBA Live, já era pro Tony Parker e era capaz até de algum deles ganhar a Eva Longoria. Estou com a maioria dos que votaram na última enquete e não sou muito fã do Spurs, não gosto do Bowen, do Ginobili cavando faltas e de ver eles ganhando em cima do meu Lakers, mas do Duncan, apesar da cara de sonso, eu gosto. E ver ele e o David Robinson vencendo foi divertido.
E se você quer saber, acho que ontem a maioria das pessoas torceu para o San Antonio. O motivo não é nenhuma das torres gêmeas, mas sim aquela delícia da Becky Hammon! É o que eu sempre digo, por que deus é tão injusto e dá talento e beleza pra mesma pessoa? Ela podia ser só mais uma burra bonita, mas não, é uma puta jogadora de basquete. Quantas baranguinhas por aí não gostariam de ter o talento dela pra, pelo menos, descontar a raiva de ser feia na quadra? Mundo cruel.
Destaque para o time de Chicago que, se tivesse mais pontaria no arremesso do meio da quadra, teria levado o título. Mas pra NBA foi melhor ter Duncan e Robinson ganhando do que o Chris Duhon, que só foi bom uma vez na vida, semanas atrás quando meteu 34 pontos no Warriors. Seu dia de Gilert Arenas, comentaram por aí.
E a decepção do torneio foi o Mr. Big Shot, Chauncey Billups. Errou muitas e muitas bolas seguidas em seu primeiro local de arremesso. Pior que ele só a bola que o Laimbeer jogou na torcida.
Aqui os melhores momentos:
Playstation Skills Challenge
Aqui era o duelo de um veterano já campeão, Jason Kidd; o atual bi-campeão, Wade; e a melhor rivalidade da NBA, Deron Williams e Chris Paul.
Pra começar, o vovô Kidd. Ele mostrou ao Dallas o que pode fazer se for pra lá. Muitos dribles, velocidade, pontaria nos passes e NENHUM arremesso. Foi naquele arremesso da cabeça do garrafão que ele perdeu a chance de ir pra final do desafio. Ele nunca foi conhecido por seus arremessos, mas parece que ele está piorando com a idade. Mas nada contra ele, como dizem alguns (e eu concordo), ele é um dos únicos jogadores da NBA a conseguir dominar um jogo sem arremessar uma bola sequer. Ben Wallace era o outro que era capaz disso nos seus bons tempos.
Tinha grande expectativa para ver D-Wade atuar. Ele tem tido problemas físicos mas ainda é o "Flash" e tem seu orgulho a defender. Até apostei nele como MVP do All-Star Game porque acho que ele vai jogar bem sério para conseguir ter algo de bom nessa temporada. Mas até agora não tem nada de bom.O cara está zicado até o osso.
Primeiro errou um drible que ele nunca deve ter errado na vida, depois não conseguia acertar um arremesso sequer e, pra terminar, errou bandejas que nem aquele seu primo de 10 anos que você chama pra jogar com você quando está entediado erraria. Foi feio.
Na primeira rodada, tanto Chris Paul quanto Deron Williams foram bem, nada espetacular, mas já os garantiu na final. E quando o assunto é CP3 contra Deron, o cara de Utah sempre vence. É assim desde a primeira temporada dos dois. Paul pode até ser melhor no geral, regularmente, mas na hora do duelo de um contra o outro, o Deron Williams SEMPRE vence. Votei no Deron para esse Skills Challenge só porque sei do prazer que ele tem em vencer seu rival.
E, pelo menos nessa, eu acertei. Deron foi impecável e não deu chances ao garoto da casa. Uma bela e divertida vitória que você pode assistir abaixo.
FootLocker 3 point Shootout
Eu cheguei a pensar duas ou até mais vezes antes de colocar meu voto no bolão. Primeiro pensei que nunca é bom apostar contra o Kobe, depois pensei que o Hamilton sempre vence o Kobe nos duelos Pistons-Lakers e que ele poderia repetir a dose, depois pensei que o Nash nunca erra arremessos livres nos jogos. Mas depois vi esse vídeo e lembrei: ninguém arremessa como Jason Kapono.
E foi assim mesmo, Kapono não foi lá pra brincar e simplesmente destruiu os outros oponentes. Ontem nem Larry Bird era capaz de parar o Novak Djokovic do basquete. Por outro lado, a disputa pelo segundo lugar foi bem emocionante!
Rip Hamilton foi o primeiro a arremessar e, depois que esquentou, foi espetacular, teria feito 17 pontos se não tivesse pisado na linha nos arremessos finais. Depois foi a vez de Daniel Gibson arremessar muito bem, embora, como Hamilton, tenha demorado pra pegar o ritmo. Ele também fez 17, mas sem pisar na linha. Nowitzki, que tem o arremesso que eu vou ensinar para os meus filhos, foi bem parecido com os outros e só pegou o embalo depois de ouvir a torcida ameaçar uma risada depois de uma airball. 17 pro alemão.
A vergonha foi Steve Nash. Além de demorar uns mil anos pra arremessar cada uma das bolas, andou na velocidade de seu novo companheiro Shaq entre uma sequência e outra de bolas. No fim acertou apenas 9! Até o amigo do César, leitor do Bola Presa, que outro dia meteu 12, se sairia melhor. Já Peja não foi ruim, mas também não foi bom o bastante. Foi, como gosto de dizer, bege.
Espero ano que vem ver o Hamilton de volta pra não pisar na linha, o Kobe mostrando o que pode fazer, quero ver o Leandrinho e, claro, quero ver o Kapono ser o primeiro jogador a não errar nenhum arremesso em um campeonato de três pontos!
O resumo da disputa você pode ver aqui:
Sprite Slam Dunk Contest
Primeiro um desabafo: Rudy Gay, por que você pediu ajuda no YouTube se você não usou nenhuma daquelas idéias?! Ou, se usou, foi uma das mais chatas, porque eu vi coisas absurdas por lá e você foi o pior competidor de ontem! Uma vergonha!
Pronto, falei o que queria falar sobre o Rudy Gay e não vou mais tocar no seu nome porque ele não merece. A ponte aérea vinda do Kyle Lowry foi legal mas não convenceu.
Minha segunda revolta é contra os juízes. Eles não foram tão injustos como no ano passado com Dwight Howard mas nesse ano, por um ponto, deixaram o Jamario Moon de fora das finais.
A primeira cravada do jogador do Toronto merecia um 50! O problema da enterrada foi que ela não desceu forte no chão, ela bateu um pouco no aro e isso causou uma impressão pior para a plástica da ação, mas mesmo assim eu daria um dez. Já a segunda enterrada dele foi muito legal, mas quem ferrou ela não foram os juízes, mas ele mesmo. Primeiro por colocar o Kapono pra dar o passe. Com Calderon e TJ Ford no time, ele vai me escolher o Kapono pra dar o passe só porque ele já estava lá? Pagou o preço, o passe saiu bem mais ou menos.
Outro ponto negativo foi que ele passou longe DEMAIS daquela linha que ele mesmo colocou antes da linha do lance-livre. Quero acreditar que se ele colocou aquela linha lá é porque ele consegue pular de tão longe. Gostaria de ver ele de volta à ação no ano que vem, pulando daquele lugar e usando um bom passador para a enterrada.
Falando dos dois finalistas, Gerald Green foi o que mais tentou inventar. Primeiro foi aquele apagar de velas que me fez morrer de rir. Depois usou Rashad McCants segurando a bola na escada que, não foi uma enterrada pra 50, mas mostrou o quanto aquele maluco consegue pular!
Na final ele cometeu um erro que até é comum em concursos de enterradas: ao invés do mais bonito, ele foi para o mais difícil. Enterrar descalço não é fácil, dói, você não pega a mesma impulsão e nem a mesma velocidade. Mas quem é que se importa com isso se o resultado é uma enterrada que já vimos várias vezes antes?
Sua melhor enterrada, porém, veio na final. Foi aquele passe que veio do McCants (depois de mil tentativas) por trás da tabela e que ele pegou, passou por baixo das pernas e enterrou. Aquela foi linda demais!
Sobre a polêmica dele ter jogado o tênis na mesa dos jurados, achei aquilo invenção, não vi nada demais. Ele deu uma de mala só, qual o problema? Faz parte do personagem que está no campeonato de enterradas.
Agora, o que falar de Dwight Howard? Ele abusou da criatividade em todas as suas enterradas. Nos fez rir ao mesmo tempo que nos impressionávamos com suas fortes cravadas. Foi fabuloso.
Ele começou com aquela jogando a bola atrás da tabela, que, merecidamente, recebeu um 50. Depois fez a enterrada que é a imagem que ficará guardada desse campeonato de enterradas: a enterrada do Superman! Por um instante achei que ele ia tentar pular do lance-livre e enterrar com as duas mãos, como o Carter fez em 2000 e que recebeu o nome de "Superman Dunk", mas não, ele só pulou de muito longe e arremessou a bola na cesta! Nem enterrou, ARREMESSOU! Foi o máximo!!! Respondendo à enquete aí do lado, eu deixava a Jessica Alba de lado fácil fácil pra poder ver um campeonato de enterradas!
Na final, D-Ho usou uma enterrada que só não era nova pra quem viu o vídeo dele treinando. Aquele tapinha na tabela antes de enterrar, já no ar, foi algo lindo demais e que nunca tinha sido feito em um campeonato de enterradas! Coisa de doido! E pensar que hoje ele disse que começou a preparar as enterradas há duas semanas apenas. Haja criatividade!
Depois da enterrada da meia do Gerald Green, o Howard só precisava de uma boa enterrada pra garantir o título. E fez até mais do que isso. Fiquei um pouquinho triste com o fato dele não ter colocado a cestinha pequena em um lugar mais alto, como na altura de 2,60m que ele tinha pedido. Mas mesmo assim foi uma bela enterrada para finalizar um belo campeonato. Campeonato este que você pode ver os melhores momentos aqui:
Espero, do fundo do coração, ver Dwight Howard de volta no ano que vem para defender seu título. Por enquanto vamos ver se ele, pelo menos, garante umas boas enterradas hoje no All-Star Game.
Ah, e o Bibby foi para o Hawks em troca de uma escolha de segundo round, Shelden Williams, Tyronn Lue, Anthony Johnson e Lorenzen Wright. Mas falamos disso a fundo quando o All-Star Weekend acabar.
Bom All-Star game para todos e boa sorte na nossa promoção!
Defenestrado por
Denis
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terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
Os quentes da vez
O negócio é tão acirrado no Oeste que nenhum time consegue ser a "grande sensação da NBA" por muito tempo. O Blazers chutou o traseiro de todo mundo, chegou ao quarto lugar na tabela mas desde então teve partidas complicadas contra adversários de elite, perdeu ontem na prorrogação para o Nuggets e está agora fora da lista de 8 classificados para os playoffs. Além deles, o Lakers chegou ao topo da tabela mas o sucesso durou menos que o sucesso dos ganhadores do Ídolos, do SBT. Sem o Bynum, o Lakers tomou uma boa dose de realidade e voltou para o quinto lugar, aonde pertence. Outro que fez uma rápida visitinha ao topo para tomar chá foi o Hornets, mas não deu nem pra acabar de comer o bolinho. Outrora o time mais quente da NBA, perderam quatro seguidas incluindo um pequeno vexame para o Utah Jazz, o novo dono do título de sensação momentânea do Oeste.
Desde que foram draftados, a rivalidade entre Chris Paul e Deron Williams foi cultivada por todos os desocupados que comentem basquete. Qual dos dois armadores seria o primeiro a explodir? Qual dos dois seria melhor em 10 anos? Qual dos dois seria All-Star primeiro? Qual dos dois pegaria conjuntivite primeiro?
Como já escrevi num post mais antigo, minha religião não me permite ficar comparando jogadores, acho a maior perda de tempo. Então não vou entrar nos méritos de qual dos dois é o melhor, mas na partida de ontem entre Hornets e Jazz, o Deron Williams (como disse nosso leitor Guilherme) simplesmente colocou o Chris Paul no bolso. O negócio é que, talento bruto à parte, o CP3 costuma ganhar muito mais reconhecimento do que seu colega de draft. É claro que não dá para não se impressionar com os números do armador do Hornets, mas o Deron Williams está sempre logo atrás e com um grande diferencial: aproveitamento. D-Will é um dos raríssimos armadores que acerta mais de 50% de seus arremessos, incluindo o (para mim) arremesso de meia-distância mais mortal de toda a NBA.
Chris Paul teve sua vaga garantida de forma unânime no All-Star Game. Alguém sequer cogitou levar o Deron em suas listas de brincadeira apesar dos 19 pontos e 10 assistências que ele ostenta por partida? Nem a mãe dele. O armador do Jazz tem que ficar constantemente dando uns tapas na orelha de todo mundo para ser notado. O que ele fez defensivamente ontem contra o CP3 foi de dar pena, seu time deu uma baita de uma sova, e acho que esse foi um passo importante para que os dois armadores sejam tratados ao menos em pé de igualdade.
O Utah Jazz agradece a vontade do Deron de dar uns tapas na orelha, claro, mas os agradecimentos recentemente andam indo em direção de um outro companheiro de equipe: Kyle Korver. O fedelho com cara de surfista se encaixou perfeitamente na equipe, aprendeu direitinho o esquema do Jazz e impressionou o Jerry Sloan, que disse estar fascinado com a capacidade do Korver de se movimentar sem a bola. O Korver foi uma aquisição a que não se deu muita importância mas que mudou consideravelmente o poder da equipe de Utah. Me lembrou um pouco o caso do Ime Udoka indo para o Spurs, que eu achei algo grande mas falo disso num outro post, outra hora.
O shooting guard (ou seja, o armador designado para arremessar) do Jazz é o Ronnie Brewer, que vem tendo uma excelente temporada, é um grande defensor e ataca muito bem a cesta. Para se ter idéia, ele está em décimo lugar em número de enterradas na temporada, sendo de longe o jogador mais baixo do Top 10. Incrível, claro. Mas ele não acerta um arremesso nem se a vida dependesse disso. Na pré-temporada, Ronnie Brewer se contundiu em uma partida após apanhar pra burro no garrafão. Sobre isso, Jerry Sloan afirmou:
"Ótimo. Assim, quem sabe, ele percebe que precisa aprender a arremessar para se manter nessa Liga."
Virou moda marcar zona contra o Jazz, obrigando o time a chutar de fora do garrafão, e assistir eles errarem arremesso atrás de arremesso rumo ao fracasso. Kyle Korver veio mudar isso rapidinho. Duas ou três bolas de 3 acertadas em uma partida são o bastante para colocar medo, fazer a zona pensar duas vezes, e deixar Carlos Boozer fazer a festa no garrafão. Com o Korver entrosado no time, são nove vitórias seguidas. Só não fico assustado porque em breve eles vão ser o mais recente ex-time quente e voltar lá pra nova, décima posição. Mas não tenho dúvidas de que eles são, agora, um time muito mais perigoso do que eram quando a temporada começou.
Na cola do Jazz, os dois times mais quentes do Oeste são o Kings e o Houston. Meu time parece estar finalmente nos eixos com Scola titular, Mike James e Francis fora da rotação dando espaço para o novato Aaron Brooks, e Novak tendo minutos em quadra, tudo como eu havia sugerido. A surpresa dentro do time, e que eu não sugeri porque nem imaginava, é o Carl Landry. O novato é atlético, enterra na cabeça de todo mundo e sabe pegar rebotes. Foi deixando o antigo titular, Chuck Hayes, cada vez mais de escanteio. Daqui uns meses é capaz que ele receba um convite a se retirar e esteja fazendo companhia para o João Kléber em portugal.
Já o Kings está quente desde que enfim conseguiu usar todos os jogadores titulares. Bibby, Kevin Martin e Artest passaram boa parte da temporada regular contundidos e Brad Miller, saudável, tinha se esquecido de como jogar basquete. Acontece que os Monstars resolveram devolver seu talento após perder uma partida para Jordan e o Pernalonga: nas três últimas partidas, Brad Miller tem dois jogos com pelo menos 20 pontos, 20 rebotes e 4 assistências. Nas últimas cinco partidas, as médias são de 19 pontos, 14.6 rebotes, 4 assistências, 1.4 roubos e 1.6 tocos, além de 50% de aproveitamento dos arremessos e 62% dos arremessos de 3 pontos. Ou seja, números de All-Star. Engraçado é que o Brad Miller já teve problemas com os Monstars antes, ele fedia quando foi All-Star em Indiana mas de repente recuperou o talento e foi All-Star merecidamente na sua primeira temporada em Sacramento. Os alienígenas incomodam muito o branquelo desde que o Shawn Bradley se aposentou.
Com o Miller jogando nesse nível e Bibby, K-Mart e Bibby saudáveis, dá dó demais de desmontar esse Kings. Será que o Artest vai mesmo embora? Será que os dirigentes de Sacramento vão mesmo trocar alguém? Não tem como ter certeza de nada, a não ser de que a sequência de vitórias não deve durar muito porque nunca o Kings consegue ficar saudável. Depois das boas atuações recentes, o Brad Miller conseguiu se contundir lavando a louça. Foram 9 pontos no dedo indicador lavando uma faca e ele agora é questionável para o jogo de quarta-feira. O Mikki Moore tirou um sarro:
"Você faz um 20 e 20 e aí corta teu dedo fora? Isso é realmente muito esperto."
O Brad Miller já garantiu que o erro não se repetirá:
"É a última vez que ajudo com a louça."
A senhora Miller que se vire com os afazeres domésticos. Na Conferência Oeste, em que nenhum time dura muito tempo na sequência de vitórias, perder alguém para uma faca de cozinha é inaceitável. Ele que contrate uma empregada. Ou ganhe uns neurônios.
...
- Vale dar uma olhada no Jamario Moon treinando para o campeonato de enterradas. A última enterrada do vídeo é uma piada, uma pegadinha, ou apenas o gostinho de algo que ele só quer mostrar inteiramente no fim de semana do All-Star? Se esse troço for real, vai ser tão impressionante quanto a enterrada do Michael Jordan do meio da quadra no Space Jam! Mas, felizmente, sem o Bill Murray.
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Danilo
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segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
A saúde dos doentes
Ontem passei o dia fora e cheguei em casa feliz à noite porque daria tempo de ver meu Lakers jogar. Eram cinco vitórias seguidas, incluindo um sapeca-ia-ia em cima do Hornets, e no domingo era mais uma vitória à espera do LA. Pegar o Grizzlies em casa não era pra ser problema, mas foi.
Pra começar, Mike Miller estava simplesmente pegando fogo. Tudo o que ele arremessava caía e durante o jogo ele acertou pelo menos umas duas bolas de 3 a uns dois bons passos atrás da linha dos 3 pontos. Além disso, Gasol estava inspirado, seus 21 pontos, 18 rebotes, 8 assistências e 4 tocos fizeram uma bela diferença.
Porém, depois de colocar Kobe grudado em Mike Miller o tempo todo, o Lakers melhorou e, com uma sequência de 16 a 0 liderada por Jordan Farmar, o Lakers abriu 13 pontos e ficou tranquilão na liderança, era só aproveitar o show e ir pra casa com a vitória.
Até que o pior que poderia acontecer, aconteceu. Lembra do texto "Pânico de contusão" que o Danilo escreveu? Foi assim que eu me senti quando o Bynum pisou no pé do Odom, torceu o joelho e caiu no chão gritando de dor. O ginásio ficou em silêncio e eu fiquei em silêncio com as mãos na cabeça. Na hora, exagerado como qualquer mãe preocupada, já pensei no joelho do Shaun Livingston, nos tornozelos do Grant Hill, no quadril do Guga, no cérebro do Mike Tyson e em todas essas contusões praticamente irreversíveis que vemos por aí.
Andrew Bynum saiu de quadra carregado por companheiros de time (não deve ser fácil quando o mais pesado do time se machuca, haja pivô reserva pra levar o homem!) e no seu lugar entrou Kwame Brown. É, o pior ainda estava por vir!
Logo a diferença foi baixando, o Grizzlies não estava jogando mal desde o primeiro tempo, mas o aproveitamento do Lakers caiu de 55% para 25% nos arremessos de quadra no terceiro período, e a torcida estava em silêncio abobada com a contusão da grande surpresa do time na temporada.
O pupilo de Kareen Abdul-Jabbar está em uma temporada espetacular, fazendo a diferença para o Lakers. Sua média de 13 pontos e 10 rebotes não conta toda a diferença que ele faz em quadra. Nas palavras de Kobe Bryant: "Andrew faz minha vida mais fácil, o outro time tem que começar a pensar duas vezes antes de dobrar a marcação em cima de mim, assim tenho mais espaço para jogar".
Só vendo o jogo mesmo para ver a diferença que Bynum faz. A cada bobeada que o time adversário dá, é uma ponte aérea. Todo o jogo Kobe ou Farmar ou os dois lançam pelo menos uma bola pro grandão enterrar. E em vários jogos nessa temporada, Bynum foi claramente o melhor em quadra, nos dois jogos contra o Suns ele simplesmente anulou Amaré Stoudemire e liderou o Lakers à vitória. Como disse um narrador de um jogo dia desses, o Lakers conseguiu duas grandes contratações nessa temporada, Fisher, que tem sido incrível como armador, e Bynum, no garrafão. Porque esse garoto não estava jogando assim no ano passado. É como ter um pivô novo. E pensar que quase trocaram ele JUNTO com o Odom pelo vovô Jermaine O'Neal. Ah, taí outros dois jogos que Bynum dominou, as duas vitórias sobre o Pacers de Jermaine.
Voltando ao jogo, tudo isso que eu disse estava fora de quadra contundido e no lugar dele um cara tão ruim que nem ser a pior primeira escolha de draft da história ele consegue, já que o prêmio fica com o Olowokandi. Kwame Brown é o segundo.
Na hora eu tentei me animar, "vamô lá Kwame, é o seu jogo, sua hora de mostrar que você também é bom, que não é só motivo de piada!".
Um turnover aqui, um gancho errado ali, outro gancho errado, e eu já estava em desespero de novo. Enquanto isso, o quarto período rolava solto e Navarro e Gasol lideravam a virada dos Grizzles. Kobe Bryant então resolveu acabar com a brincadeira e praticamente sozinho botou o Lakers de volta no jogo com uma liderança de 3 pontos, até que Rudy Gay que, não sei se já comentamos, está tendo uma temporada espetacular, meteu uma bola de 3 e o jogo ficou empatado.
Momentos cruciais do jogo. Torcida de pé. Gritaria. Jogo empatado. Dobram a marcação em Kobe Bryant, a bola roda e alguém está livre, esse alguém é o pivô, o pivô é Kwame, ele sobe e... erra a enterrada! Fiquei com a boca aberta e cara de cu. Como ele tinha feito isso? Ele teve a chance de fazer a cesta da vitória e mostrar que não era apenas com o Bynum que não podiam dobrar no Kobe. Que grande idiota! Mas eis que aí ouviu-se o apito e foi marcada uma falta na hora da enterrada! O replay em câmera lenta prova um tapa na cabeça do Kwame igual àquele na cabeça do Ricky Davis contra o Dallas quando os juízes não marcaram nada.
Kwame, com seus incríveis 41% de aproveitamento, vai para decidir a partida. Ele acerta o primeiro e, aliviado, erra o segundo bem feio. O Grizzlies tem uma última chance para vencer o jogo e a bola fica na mão do bom armador Kyle Lowry. Ele bate pra dentro, sofre uma falta mais clara que a pele do Shawn Bradley cometida pelo Kwame e o juiz não marca nada. Fim de jogo, vitória do Lakers, Kwame (e todos os juízes) herói!
Na hora foi um alívio, era uma vitória necessária. Era preciso provar pra torcida, pra NBA e pro próprio Lakers que o time pode continuar vencendo mesmo se o pior acontecer ao Bynum. E foi isso que Kobe disse na entrevista após o jogo, disse que mesmo se Andrew passasse uns jogos foras eles iam continuar jogando duro e iam continuar vencendo.
Mas convenhamos, isso é conversa pra boi dormir, o Lakers virou um time bom porque finalmente tem um pivô bom para fazer dupla com Kobe, sem Bynum é o mesmo time razoável que fica em sétimo no Oeste e perde na primeira rodada. Vai ser difícil segurar a onda sem ele e o jogo contra o Suns na próxima quinta, se Bynum ainda não estiver de volta, será um ótimo teste.
Como alívio, no dia de hoje sairam os primeiros testes e parece que não é nada de sério com Andrew Bynum. Houve uma leve torção, ele até deve perder uns jogos, imagino, (ainda não saiu nenhuma notícia confirmando nada) mas pelo menos não é nada muito grave. E em outra boa notícia para o Lakers, o time de LA é o novo líder no Power Rankings da NBA.com. Irônicamente, pela primeira vez o Heat é o último da lista. Hoje em dia aquela troca do Shaq não parece tão ruim, não é?
Notas:
- Jamario Moon está praticamente confirmado na disputa de enterradas desse ano. Para concorrer com ele, provavelmente estará de volta o campeão Gerald Green e já dizem que Rudy Gay do Memphis também deve ser chamado. Se os três forem confirmados, independente do quarto concorrente, o torneio deverá ser espetacular!
- Sério, o que foi a derrota do Pistons ontem? Nem ser o quarto jogo em cinco noites explica. O Knicks, mesmo com aquele time, sempre tem momentos marcantes em toda temporada, lembra da vitória sobre o mesmo Pistons em 3 prorrogações na temporada passada? O time é ruim mas tem uns jogos de tirar o fôlego!
- O Cavaliers extendeu o contrato do técnico Mike Brown. Eu só não sei o motivo. Isolar o LeBron na cabeça do garrafão e esperar ele dominar o jogo não é lá tão difícil para um técnico, eu faria o mesmo pela metade do salário dele.
- Quer dizer que quando finalmente o Grant Hill não machuca nenhum tornozelo, joelho, cotovelo ou qualquer coisa assim, ele perde trocentos jogos por causa de apendicite? Quando o cara é bichado ele É bichado até o fim.
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Denis
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sábado, 12 de janeiro de 2008
Draftados em 2003 - parte 4
Finalmente chegamos à última parte de nossa série de artigos sobre os draftados em 2003. Até agora, acompanhamos uma a uma as escolhas da primeira rodada, analisando o passado e o futuro de cada jogador. Alguns compõe o seleto grupo dos melhores da Liga, outros fazem parte do enorme grupo de jogadores que desapareceram sem deixar rastros.
Na primeira parte, analisamos as primeiras escolhas, que incluiam aquele tal de LeBron James, que dizem que é bom. Depois, na segunda parte, David West salvou o grupo do ostracismo total. Na terceira parte, Leandrinho e Josh Howard, as duas últimas escolhas da primeira rodada, fizeram os outros times se arrependerem mais do que a mãe do Gilberto Barros.
Na ansiosamente aguardada (por mim, pelo menos) última parte do artigo, veremos algumas escolhas selecionadas do segundo round. E, para finalizar, farei um exercício de imaginação: como seria o draft se acontecesse nos dias de hoje?
30 - Maciej Lampe (New York Knicks)
O Lampe era um dos jogadores europeus mais promissores de todo o draft. Se falava absurdos dele e seu potencial deixava todo mundo boquiaberto. Começou sendo cotado como uma das primeiras 5 escolhas, depois como uma das primeiras 10 e enfim estacionou como uma das primeiras 15 escolhas. O que o fazia cada vez mais despencar nos "mock drafts" (ou seja, nos drafts de mentirinha em que os especialistas chutam, e chutam mal) era o valor da recisão de seu contrato com seu clube europeu, o Real Madrid. Ainda assim, Lampe aparecia em todas as fotos conjuntas das "estrelas do draft" e era um consenso o fato de que já teria sido escolhido antes da 16a escolha.
Não foi o que aconteceu. O Lampe ficou lá, sentadinho na sala, vendo um a um os jogadores sendo chamados para apertar a mão sebosa do David Stern. Ver Cabarkapa, Pavlovic e Planinic sendo escolhidos antes dele deve ter lhe causado uma síncope e ele nunca mais seria o mesmo. Quando o primeiro round (e a chance de um contrato garantido) acabou, Maciej Lampe ainda não havia sido escolhido. Seu nome só foi anunciado para iniciar o segundo round, e a torcida de New York foi ao delírio. Era um jogador que poderia ter sido uma das dez primeiras escolhas e havia escorregado até a trigésima, direto para as mãos do Knicks. Lampe foi aplaudido, ovacionado, adorado, amado e até gritaram "gostoso!". Na platéia, um rapaz levantou uma placa com os dizeres "Light the Lampe", um trocadilho até que muito bom, levando em conta que todos os trocadilhos fedem.
Na entrevista logo após ter sido escolhido, Lampe tinha sangue nos olhos e parecia que sua cabeça estava preparando chá. Suas palavras foram furiosas e diretas: iria fazer cada um dos times da NBA se arrepender profundamente por ter deixado ele passar no primeiro round. Era uma jornada pessoal, uma busca por vingança, um jogador telentoso querendo acabar com a raça daqueles times muquiranas.
O Knicks pagou a multa, o Lampe foi imediatamente para a NBA, mas obviamente havia algo errado: como assim Isiah Thomas havia draftado alguém de que a torcida gostava? Como assim os fãs estavam feliz com a escolha? Era preciso fazer alguma coisa. Lampe foi trocado, junto com McDyess e duas escolhas de draft, pelo Marbury e o Hardaway, que aliás se saiu muito bem em mamar nas tetas do Knicks sem jogar.
No Suns, Lampe foi pouco utilizado mas dava seus primeiros sinais de feder. Foi então trocado para o Hornets, onde até teve mais chances mas fedeu do mesmo jeito, e aí foi para o Houston, onde marcou um total de 4 pontos em 4 partidas e desapareceu para nunca mais voltar. Vingança frustrada, moral destruída. E a multa de seu contrato salvou um punhado de times de cometer o maior engano de suas vidas.
31 - Jason Kapono (Cleveland Cavaliers)
Nada mal para uma escolha de segundo round. Trata-se de um jogador especialista que, aliás, tem a melhor média de aproveitamento em arremessos de 3 pontos de todos os tempos. Ele não chuta em grandes quantidades mas acerta o bastante para ser útil em qualquer equipe. O Bobcats arriscou, pegou o garoto no draft de expansão, e então o trocou para o Heat onde foi parte fundamental da equipe que foi campeã da NBA. O Pat Riley tentou de tudo para mantê-lo no time para essa temporada mas o Raptors desembolsou mais verdinhas e o Kapono resolveu ir para lá ser um homem rico no banco de reservas. Se bem que é melhor ser reserva no Raptors do que qualquer coisa no Heat, convenhamos. O Kapono foi perdendo seus minutos principalmente com a ascenção maluca do Jamario Moon, mas ele sempre vai ter seu espaço, sua função, e o Raptors tem potencial para acabar com o Leste assim que o Ray Allen estiver de cadeira de rodas e o Garnett só puder tomar purê de maçã no asilo.
32 - Luke Walton (Los Angeles Lakers)
Eu amo essa escolha. Vamos fazer uma pequena retrospectiva: Mike Sweetney foi a nona escolha, Reece Gaines a décima quinta, Troy Bell a décima sexta. O Lakers mesmo escolheu o Brian Cook na vigésima quarta posição. Quanto dinheiro indo pelo ralo, quantas escolhas desperdiçadas, quantos torcedores tendo que tomar anti-depressivos. E aí no segundo round, com a trigésima segunda escolha, o Lakers consegue draftar um jogador inteligente o bastante para ajudar qualquer equipe da NBA. Ele toma decisões espertas o tempo inteiro, passa a bola surrealmente bem, sempre sabe o que fazer e ainda pode cuidar das finanças da equipe sem nem usar uma calculadora. O cara é um gênio do ponto de vista do basquete cerebral. Se não tem a mão tão calibrada, se o físico é o de uma menina de pré-escola, isso nem vem ao caso. Sua mente, suas decisões, melhoram times inteiros.
Shaquille O'Neal ficou intrigado nos playoffs da temporada 2003-04 quando percebeu, e disse isso para a imprensa, que Luke Walton conseguia passar a bola para suas mãos como nenhum outro jogador jamais havia conseguido. Taí algo que eu colocaria no meu currículo. E já seria motivo o bastante para o Heat tentar uma troca, hoje em dia.
38 - Steve Blake (Washington Wizards)
Outro com um cérebro feito para o basquete. No Wizards, nunca teve muitas chances, mas assim que seu contrato acabou, foi para o Blazers jogar com seu amigo (de faculdade e também do Wizards) Juan Dixon. Lá começou a mostrar seu potencial como um armador cheio de fundamentos, habilidade em passar a bola e visão de jogo. Quando o Blazers o trocou por Jamaal Magloire, o Blake ficou revoltado. Por que diabos os times da NBA insistem em acreditar que o Magloire vai fazer alguma coisa em quadra? Blake então foi trocado para o Nuggets e fez miséria, mostrando-se ser a peça que faltava para o Nuggets de Iverson e Carmelo. Ele era o elo de ligação entre as estrelas, o general da equipe, e o time de Denver fez o possível para mantê-lo. Acontece que o Blake nunca queria ter saído de Portland, gostava da equipe, da cidade, dos amigos. Voltou para lá mesmo ganhando menos, mostrando-se um homem de princípios e também de visão: de alguma maneira estranha, sabia que a administração do Blazers estava ajeitando as coisas e que a equipe tinha futuro e poderia chegar aos playoffs ainda nessa temporada. Agora, o céu é o limite tanto para o Blake quanto para o Blazers. O que os outros times estavam pensando quando deixaram ele escorregar quase para a quadragésima escolha?
Aqui, acho que é hora de abrir um parênteses. Nosso amigo-leitor Sbubs escreveu em seu blog um post muito divertido sobre a "força nominal". Com ele em mente, fica bem claro que os times que não fazem a menor idéia de quem draftar apelam para a força do nome dos novatos. No segundo round, isso é ainda mais óbvio. São nomes demais, jogadores internacionais aos montes, então na dúvida o nome é que faz a diferença. O Steve Blake, um armador talentosíssimo, por exemplo, foi escolhido atrás de nomes como Sofoklis Schortsanitis (o tal do Baby Shaq que nunca sequer chegou a jogar na NBA) e Szymon Szewczyk (que eu adoraria saber pronunciar). Força nominal? Com certeza.
41 - Willie Green (Seattle Supersonics)
Imediatamente depois de draftado, foi trocado para o Sixers pelo outro novato Paccelis Morlende, outro caso de força nominal. Green não fez nada até agora mas o caso dele é engraçado. Nos raros momentos em que o Iverson se machucava, Willie Green entrava como titular e fazia trocentos trilhões de pontos. Quando o Iverson voltava e o Green ia para o banco, não conseguia fazer coisa alguma. Ele é um Ben Gordon do Mundo Bizarro, que só produz quando titular. Pode ter certeza que ele estava na mente dos responsáveis pelo Sixers quando a troca do Iverson precisava ser feita, e Louis Williams e Green podem ser a base do Sixers daqui uns anos. É claro que vai ser a pior base da NBA, mas pelo menos é alguma coisa. Pergunta qual é a base do Miami Heat, pergunta.
45 - Matt Bonner (Chicago Bulls)
Todo mundo quer o próximo branquelo gigante que arremesse de 3 pontos e muitos europeus vesgos e mancos já foram draftados sem nunca sequer jogar, tudo em busca dessa promessa. O Bonner, quem diria, é algo bem perto disso. Foi trocado para o Raptors que gostou de seu potencial mas o mandou para a Europa por um ano enquanto eles arrumavam espaço no time. Quando voltou, teve boas atuações. Seu jumper é bom, ele pode ser bem físico, mas é muito engraçado quando tenta bater bola.
Em todo caso, chamou a atenção do pessoal no Spurs, que definitivamente sabe reconhecer um talento quando vê um, e foi trocado pelo Nesterovic. Ganhar minutos no Spurs não é fácil mas o Bonner conquistou seu espaço, jogando muito bem quando o Duncan estava machucado e saindo do posto de jogador-de-final-de-partida-ganha para assumir o papel que o Horry, agora embebido em formol, executava. Bom para o Bonner que, depois de ser obrigado a passar um ano de cão na Itália, tem chances de ganhar um anel de campeão.
47 - Mo Williams (Utah Jazz)
Como o Zach Randolph seria se fosse um armador baixinho e magro? A resposta: Mo Williams. Ele faz seus pontos, dá suas assistências (tá bom, tá bom, o Randolph não daria assistências) e deixa sua marca no jogo e nos boxscores, mas o sujeito é completamente psicótico, perdido, um buraco negro. A bola chega em suas mãos e só sai se for terrivelmente necessário, ele acha que pode decidir todos os jogos e arremessa mesmo se tiver os melhores companheiros de time livres do seu lado. Perdi a conta do número de vezes em que ele tentou dar o último arremesso de jogos importantes com o Michael Redd livre do seu lado.
Tem gente que gosta dele, diz que ele joga demais, e não deixa de ser verdade, ele é bom pra burro. Mas é o cara que dá vontade de pedir uma medida judicial para prendê-lo caso chegue a menos de 500 metros do seu time. Mesmo sendo bom, deixo claro.
Vale mencionar que ele foi draftado depois de sujeitos como Sani Becirovic, Malick Badiane e Derrick Zimmerman, obviamente porque o nome "Mo Williams" não vale nem 10 centavos.
49 - James Jones (Indiana Pacers)
Coisa de louco, mas sempre gostei do James Jones e nem é por causa do nome visivelmente poderoso (e falso). No Pacers, mal jogou. No Suns, chegou a ter um papel bem definido como o cara biruta que vem do banco para chutar como um louco e às vezes se saia muito bem, mostrando potencial atlético, chutes calibrados e rebotes acima da média. No entanto, foi só no Blazers que ele conseguiu minutos de verdade, já que o Suns não gosta muito de reservas. Em Portland, seu papel de atirador vindo do banco é bem específico e James Jones brilha desempenhando a função, acertando mais da metade de seus arremessos de 3. Ele tem talento, é parte importante dessa equipe cheia de futuro e pode ter um anel mais participativo do que aquele que o Darko ganhou no Pistons.
51 - Kyle Korver (New Jersey Nets)
Se você precisa de um cara ultra-religioso que saiba arremessar de trás da linha de 3 pontos, esse é seu homem. Tanto pela pontaria de fora quanto pela religião, ele é perfeito para o Utah Jazz.
O segundo round costuma ter vários jogadores que são mais especialistas em alguma coisa ao invés de serem cheios de potencial e bons em tudo quanto é aspecto do jogo. Depois do Korver, os escolhidos foram Xue Yuyang, Rick Rickert e Andreas Glyniadakis, forças nominais sem nenhum talento. Então o Korver foi uma barganha porque tem talento, é muito competente naquilo que faz e, após a recente troca para o Jazz, até mostrou que sabe defender. O time de Utah precisa dele e Korver vai ter chances de se mostrar, adquirir a carga tática necessária para se jogar para o Jerry Sloan e pode florecer por lá tendo um papel importante para o resto do time, talvez até titular, quem sabe. O futuro, pelo menos, é melhor do que o passado.
...
Agora, a hora da verdade: minha lista com o draft refeito. Como os times teriam escolhido se pudessem olhar numa bola de cristal rumo ao futuro, sabendo como os jogadores se sairiam? Como o Isiah Thomas teria feito se soubesse o futuro e, além disso, tivesse um cérebro?
Caso você não concorde com minha lista, coloque a sua própria na caixa de comentários para todo mundo ver e opinar. Só não vale não colocar o LeBron em primeiro lugar, porque a polêmica resultante de tal ação iria sobrecarregar os servidores e tirar o blog do ar. Não queremos isso, queremos? Então lá vai minha lista:
1 - LeBron James (Cleveland Cavaliers)
2 - Carmelo Anthony (Detroit Pistons)
3 - Dwyane Wade (Denver Nuggets)
4 - Chris Bosh (Toronto Raptors)
5 - Chris Kaman (Miami Heat)
6 - Josh Howard (Los Angeles Clippers)
7 - David West (Chicago Bulls)
8 - Leandro Barbosa (Milwaukee Bucks)
9 - Nick Collison (New York Knicks)
10 - TJ Ford (Washington Wizards)
11 - Mo Williams (Golden State Warriors)
12 - Kirk Hinrich (Seattle Supersonics)
13 - Boris Diaw (Memphis Grizzlies)
14 - Luke Walton (Seattle Supersonics)
15 - Steve Blake (Orlando Magic)
16 - Jason Kapono (Boston Celtics)
17 - Darko Milicic (Phoenix Suns)
18 - Jarvis Hayes (New Orleans Hornets)
19 - Travis Outlaw (Utah Jazz)
20 - Luke Ridnour (Boston Celtics)
21 - Willie Green (Atlanta Hawks)
22 - Kendrick Perkins (New Jersey Nets)
23 - Mickael Pietrus (Portland Trail Blazers)
24 - James Jones (Los Angeles Lakers)
25 - Matt Bonner (Detroit Pistons)
26 - Carlos Delfino (Minessota Timberwolves)
27 - Kyle Korver (Memphis Grizzlies)
28 - Marcus Banks (San Antonio Spurs)
29 - Aleksandar Pavlovic (Dallas Mavericks)
Alguns times ficariam bastante interessantes. Que tal o Bulls, que tem até hoje problemas em fazer pontos no garrafão, com David West mostrando seu arsenal ofensivo? Que tal o Denver de Wade e Iverson, cobrando uns 3 milhões de lances livres por jogo? E o Boston Celtics com Ridnour como reserva do Rajon Rondo? Tudo isso sem falar, claro, no Pistons de Carmelo Anthony. Teria o experimento fracassado por duelo de egos ou seria o Pistons, agora, o time mais vencedor dos últimos anos?
Sem bolas de cristal que funcionem, continuaremos vendo drafts com as escolhas mais estapafúrdias que sumirão em poucos minutos. Que outras escolhas será que assombram para sempre os drafts de outros anos? Nossa série continua num próximo post, analisando outra turma de novatos. Deixe aí, na caixa de comentários, qual ano do draft você gostaria que fosse o tema de nossa próxima série de textos. Enquanto isso, vou colocar o Carmelo no Pistons do meu videogame e dar uma olhada no tipo de estrago que dá pra fazer...
Defenestrado por
Danilo
por volta das
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terça-feira, 1 de janeiro de 2008
Madison Square Gordon
Feliz novo começo de calendário gregoriano para vocês todos leitores do Bola Presa. Mas vocês, assim como nós, sabem que o ano só acaba depois das Finais da NBA e começa de novo algumas semanas depois no draft. Eu, já faz um tempo, prefiro contar minha vida em temporadas do que em anos. Quem nasceu hoje não nasceu em 2 de janeiro de 2008, mas sim no começo do terceiro mês da temporada 2007-08. Simples assim. Falar de outra forma faz parecer que existem coisas mais importantes que NBA no mundo.
Entre a derrota do Portland, o Atlanta em quarto lugar, o Lakers usando shortinho e o Ben Gordon de volta a ser o sexto homem no Bulls, tenho que dizer que o que mais me surpreendeu foi o Ben Gordon. Em três jogos de volta à função que exercia tempos atrás ele tem médias de 31,7 pontos por jogo e tem acertado 56% dos seus arremessos. Nos 26 primeiros jogos, em que foi titular, ele chutou 38% para ter média de 17 pontos.
Nos dois primeiros jogos, em que fez 31 no Bucks e 25 no Knicks, você ainda podia dizer que era contra times fracos, com defesas furadas. Mas aí ele vai lá e pega o Orlando, que tá voltando a vencer depois de uma queda de produção, e mete 39 pontos em 16 arremessos certos de 27 tentados, incluindo uns de tirar o fôlego como o que ele fez em cima do Bogans no fim da prorrogação. O cara tava simplesmente pegando fogo. Ele estava sendo o Ben Jordon, como dizem alguns torcedores do Bulls. Então não tem mais desculpa, ele realmente está jogando melhor vindo do banco. E, acreditem, não é a primeira vez que ele faz isso.
Já na sua primeira temporada, depois de ter sido a terceira escolha no draft de 2004, ao invés de ser rookie do ano como todo rookie bom e normal, ele foi o sexto homem da temporada. E com méritos. Realmente ele fazia a diferença vindo do banco. Como premiação por isso ele foi promovido a titular. Não deu certo. Voltou ao banco e começou a jogar bem de novo, mas reclamando que queria ser titular. E nessa novela ficava sempre tudo igual, ele era um reserva espetacular que marcava toneladas de pontos mas quando era titular não rendia nem metade.
Até que na temporada passada ele recebeu mais uma chance e aproveitou, na bela campanha do Bulls da temporada passada Gordon foi titular o ano todo, jogou bem e parecia que ele tinha superado essa história de só se dar bem vindo do banco.
Só que ele tem fama e sabe como é, né? O Bulls estava fedendo, Skiles foi demitido e a primeira coisa que o novo técnico Jim Boylan fez foi colocar o Ben Gordon no banco. Todo mundo estava jogando mal mas o único a ir pro banco foi o Gordon. Parece perseguição, injustiça, pegar no pé do pobre coitado. Mas convenhamos que ele ajuda a ter essa imagem, como resposta à ida para o banco ele teve seus melhores jogos da temporada até agora. Assim o técnico não tem outra escolha a não ser manter o plano e dessa vez Ben Gordon parece até estar aceitando melhor seu papel. Mas o que eu ainda não engulo e que não entendo nem a pau e que me intriga muito é porque acontece isso, por que ele joga tão melhor quando vem do banco?!
Dizem que pode ser algo psicológico mesmo, que ele se sente mais à vontade vindo como reserva e pronto. Outros dizem que está mais ligado a coisas mais práticas. Jogadores que vêm do banco costumam ter uma função bem definida, ou você entra pra pegar rebotes, marcar, dar velocidade ou, como é o caso do Gordon, para marcar pontos. Então o Ben Gordon pode se sentir à vontade lá para simplesmente fazer o que sabe, que é arremessar muito bem e marcar seus pontos. E sem ter a responsabilidade de envolver os companheiros de time, de armar o jogo, de marcar o melhor cara da outra equipe e nem nada assim, é só ir lá e meter a bola na cesta.
Eu acho que é uma soma das duas coisas. Ben Gordon é um jogador limitado, não é daquelas estrelas do nível de Kobe e Wade, por exemplo, que fazem um pouco de tudo. Ele tem seu talento na hora de marcar pontos e só isso. De resto ele é bem fraco. Então acho que vindo do banco ele demonstra menos essas fraquezas (embora ainda mostre, porque mesmo vindo do banco você tem que participar do jogo em geral!), e o lado psicológico aparece no seu aproveitamento dos arremessos. Porque vindo de titular ele poderia comprometer o time em inúmeras coisas mas ainda sim ter um ótimo aproveitamento nos arremessos, mas isso não acontece, sua confiança fica abalada e ele acaba escolhendo mal os arremessos e errando tudo.
Tudo isso é só teoria, claro, só o Ben Gordon sabe o que se passa na cabeça dele. E se vocês querem saber, acho que nem o técnico do Bulls está interessado em saber o que se passa na cabeça de seu jogador, o que lhe interessa é que ele continue jogando do jeito que está agora, como o Ben Jordon.
Notas:
- AQUI tem um vídeo do jogo em que o Gordon fez mais pontos na carreira, 48, contra o Bucks. Na mesma noite, Michael Redd marcou 52.
- Se você não entendeu a referência aos shortinhos do Lakers no começo do texto, o que aconteceu foi que no jogo de domingo passado contra o Celitcs eles usaram não só a camiseta dos anos 80, mas os shorts também. Como não faço questão de ter uma foto das coxas do Andrew Bynum e do Luke Walton no meu blog, só vou colocar um link pra vocês darem uma olhada, é só clicar aqui.
- Vimos dia 31 que 35% de quem votou na nossa enquete acertou e o Portland perdeu finalmente ontem. Mas a maioria dos votos dizia que a derrota viria só nesse ano e erraram. O Jazz tinha sido derrotado duas vezes durante a sequência de 13 vitórias seguidas e não ia aceitar passar a vergonha de ser freguês assim de um companheiro de divisão.
- Se você também é dos que acham que o Larry Hughes consegue escolher arremessos em horas e posições piores que o Zach Randolph, então esse é o site pra você.
- Falando em Larry Hughes e também no meu último texto sobre jogadores que ganham mais do que deveriam, aqui tem uma lista com os piores e os melhores contratos da NBA, considerando o quanto ganham e o quanto produzem em quadra. Larry Hughes tem o segundo pior contrato, atrás apenas do Kenyon Martin.
- Lembram do texto sobre o Jamario Moon em que eu disse que o apelido dele era "Full Moon"? Hoje descobri mais dois: "Moonshine" e "Apollo 33". Eu gostei! Mas gostei mais ainda dessa enterrada dele aqui
Defenestrado por
Denis
por volta das
21:43
13
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Labels: Ben Gordon, blazers, bulls, larry hughes, michael redd, moon
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
Full Moon e Mr.Catering
Não vou fazer uma piadinha dizendo que o Jamario Moon está"voando para a lua" ou qualquer merda do tipo
Achou o título estranho? Acho que mais estranho é ver que Jamario Moon e Jose Calderon vêm sendo os dois melhores jogadores do Toronto Raptors na temporada. Sabemos da qualidade e do talento de Chris Bosh e cedo ou tarde ele vai voltar a jogar o que sabe, mas nessas primeiras semanas, tirando o jogo em que fez 41 pontos, Bosh não vem jogando tão bem e fazendo tanta diferença quanto os outros dois. Calderon é reserva de TJ Ford mas pra mim é muito mais jogador. Quando vi o Ford pela primeira vez no Bucks eu me apaixonei por ele (não no sentido John Ameachi da coisa) e fiquei encantado em ver como ele era rápido, agressivo e tinha boa visão de jogo. Mas o fato é que agora, mesmo continuando rápido, ele está distribuindo menos a bola e arremessando demais, sendo que o seu jumper é justamente seu principal defeito. Calderon, pelo contrário, tem um jumper lindo e alto aproveitamento, não força jogadas e sempre toma as decisões certas. Nos três jogos em que Calderon começou como titular foram médias de 11.3 assistências e apenas 1 turnover em quase 40 minutos de jogo, números pra nenhum Nash botar defeito. Começo aqui a campanha para o Calderon ser titular e o TJ Ford reserva, mas de qualquer jeito acho que o Raptors tem a dupla mais completa de armadores da liga. Outros armadores são melhores que ambos, mas nenhum tem um reserva à altura (considerando que o Leandrinho é mais reserva do Bell que do Nash). O outro destaque, Jamario Moon, é um daqueles fenômenos que não conseguimos explicar. Como um cara desses passou sem que ninguém visse em universidades, treinos pré-draft e por centenas de olheiros?
Querendo apenas ir pra NBA, o cara desistiu depois de um mês de jogar numa universidade grande (provavelmente porque tinha livros demais) e foi para uma universidade menor, mais tranquila. Ficou um ano lá só para eleger-se para o draft, mas não foi escolhido. Com tantos extrangeiros sendo draftados todo ano e vários nem sequer chegando a jogar na NBA, será que ninguém percebeu o talento do Moon? Foram necessários 6 anos de ligas menores, All-Stars e prêmios de Melhor Jogador Defensivo para alguém resolver dar uma chance pro cara? Engraçado, basta ser um europeu gigante e completamente abobalhado que ninguém pensa duas vezes antes de draftar. E nem me faça começar a falar do Kwame Brown...
Agora, algumas semanas depois do começo da temporada, Moon está merecendo sua vaga de titular. Ele é um ala no estilão Josh Smith e Shawn Marion, muita velocidade, raça, defesa e jogadas legais. Ontem ele simplesmente matou o Bulls (que eu não previ como campeão do Leste, JURO!). Ele fez 15 pontos mas o que impressionou mais foi a defesa, vários roubos e tocos, incluindo um no Nocioni em um arremesso de 3 que foi de tirar o fôlego. Vale lembrar mais uma vez que o Jamario Moon não é o único a vir do nada e brilhar na NBA. Temos inúmeros exemplos de jogadores não draftados brilhando por aí, como Ben Wallace, Brad Miller, Udonis Haslem e muitos outros. O que eu não lembro é de um que tenha se destacado tão cedo.
E, antes que me perguntem, já vou respondendo o que significa o apelido "Mr.Catering" do Jose Calderon: empresas de "catering" são as responsáveis por servir comida em festas e eventos, então é apenas um apelido chique pra não cair no cliché de chamar o armador espanhol simplesmente de "garçom".
Abaixo, um vídeo do Calderon chamando o Joey Graham mil vezes pra explicar uma jogada mas a anta não ouvia. Não é à toa que ficou sem espaço no time.








