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sábado, 23 de outubro de 2010

Preview 2010-11 / Houston Rockets

Um dia comum na rotina de Yao Ming, após acordar e antes de passar na padaria


Objetivo máximo: Passar da primeira rodada dos playoffs pra mostrar que não foi sorte
Não seria estranho: Não se classificar para os playoffs, ficando na 9a posição
Desastre: Ter o Yao Ming contundido mais uma vez

Forças: Um elenco cheio de especialistas e disposto a jogar coletivamente
Fraquezas: A falta de uma estrela para decidir os jogos e séries mais complicadas, já que o Yao é de vidro

Elenco:










....
Técnico: Rick Adelman

Quando o Adelman assumiu o Blazers em 1989, o time era bom o bastante para chegar aos playoffs mas batia cabeça em quadra, não tinha identidade nem padrão ofensivo. Sob comando do Adelman, foram para os playoffs na temporada que ele assumiu e para a Final do Oeste nos três anos seguintes, ganhando o Oeste duas dessas vezes. Esse é um bom exemplo do que esse técnico pode fazer com um bom elenco. Quando assumiu o Kings em 98, tornou aquele elenco bacanudo num dos times mais legais de assistir de todos os tempos, levando-os a múltiplas finais do Oeste. O truque é uma versão modificada da "Princeton Offense", de que tanto falamos no preview do Cavs. A versão do Adelman se foca mais no jogo entre dois jogadores do que no de três, costuma tirar os pivôs de dentro do garrafão para que eles possam passar a bola para jogadores cortando pelo fundo, e pede mais velocidade e correria ao invés da enorme quantidade de passes e jogo contido da "Princeton Offense". Adelman gosta de contra-ataques e, assim como naquele Suns do Mike D'Antoni, insiste que os arremessos rápidos são melhores do que ficar passando a bola por 24 segundos. Seu ataque é criativo e instintivo, com pouca intervenção do técnico e muita liberdade para os jogadores. Os dois armadores trocam constantemente de papel um com o outro e em geral são os pivôs que iniciam as jogadas com um passe na cabeça do garrafão.

Todos os jogadores dizem que o sistema ofensivo do Rick Adelman é uma delícia de jogar, há liberdade para inovar e improvisar, velocidade e no entanto não tem porra-louquice, as movimentações são bem planejadas. O problema é que além de ser um sistema complexo para aprender e se acostumar, o fato de que ele precisa de criatividade e improviso exige jogadores inteligentes ou que, no mínimo, consigam manter calma e naturalidade nas movimentações. Além disso o sistema deve responder à defesa, sem que existam jogadas fixas, o que costuma deixar as estrelas de lado. Rick Adelman não vai chamar 40 jogadas seguidas para o Yao Ming, a bola deve chegar no pivô naturalmente, quando for possível, como resultado da postura da defesa. É comum ver estrelas jogando pelo Adelman sem receber a bola por longos minutos, o que não lhes deixa muito contentes, e no final dos jogos isso é sempre um problema. Os times de Adelman são famosos por amarelar nos jogos decisivos em parte porque não é natural para o sistema ofensivo colocar a bola nas mãos de um jogador só e deixá-lo decidir. O Kings fodão dos anos 2000 perdeu jogos fantásticos porque a última bola caía nas mãos de um Stojakovic livre - um baita arremessador que se borrava de medo de dar o último arremesso, mas que por estar livre deve receber as bolas no ataque de Adelman. 

O Houston sem Tracy McGrady e sem Yao Ming foi um sonho para o Adelman porque não havia qualquer estrela para encher o saco, seu ataque era seguido à risca, todo mundo recebia as bolas apenas quando elas faziam sentido, e a campanha da equipe foi fenomenal - mas não o bastante para ir para os playoffs numa Conferência Oeste disputada como nunca. Na temporada anterior, o Houston sem T-Mac e com Yao contundido levou o Lakers para um Jogo 7 na semi-final do Oeste, mas não foi o bastante para vencer. Ou seja, o esquema é lindo de se ver, envolve todo mundo, mas não costuma ser muito decisivo.

Além disso, o Adelman é famoso por saber lidar com todo tipo de personalidade. Ron Artest foi para o Houston por afirmar que o Adelman era o único técnico que o respeitava de verdade, e a postura "foda-se, faça o que quiser" do Adelman dá cabo de qualquer jogador-problema. No entanto, dizem que ele é meio relaxado, principalmente nos treinos, e deixa os jogadores livres demais às vezes. Não dá pra agradar todo mundo... 

.....
Esse Houston Rockets de agora levou bastante tempo para entender a fundo o sistema ofensivo do Rick Adelman. No começo, executavam tão mal no ataque que o Adelman tinha que chamar todas as jogadas, uma por uma, todos os jogos, na lateral da quadra. Aos poucos Aaron Brooks foi se acostumando com a armação, o elenco de especialistas sem estrela alguma abraçou a causa, os jogadores são incrivelmente inteligentes e executaram tudo com perfeição, e o Adelman pode dormir feliz mesmo com um elenco limitado. Em suas próprias palavras:

"Às vezes você tem alguns times que talvez não sejam tão talentosos quanto outros times, mas certamente dá para tirar deles o mesmo que você tiraria de times melhores. Se você consegue com que joguem com todo seu potencial, e joguem duro todas as noites e se esforcem todas as noites, isso já é satisfação. Você não vai ter sempre o melhor time." 

Mas para vencer nos playoffs, o time precisa de ajuda. Apesar de já ter provado que pode jogar sem Yao Ming, aumentando a velocidade dos contra-ataques e se focando mais nos arremessos de três pontos, com Yao em quadra o time ganha um defensor embaixo do aro - mantendo a tática, implementada por Jeff Van Gundy, de fazer com que a defesa afunile os jogadores em direção do Yao e de repente se choquem numa parede de quase 2,30m. Além disso, Yao é um excelente passador da cabeça do garrafão, essencial para iniciar as jogadas de Adelman, e o time é muito melhor com ele em quadra. 

Infelizmente o pivô chinês será limitado a 24 minutos por jogo, o que não tem qualquer relação com sua sexualidade, mas é uma grande sacada para evitar lesões em um esqueleto que não foi feito para carregar aquele peso e aquela altura pulando de um lado para o outro numa quadra de basquete. Quando ele estiver em quadra, ótimo, mas quando não estiver caberá ao recém-chegado Brad Miller assumir a função de pivô passador e arremessador. Brad Miller teve o melhor momento de sua carreira jogando no Kings do Rick Adelman e mostrou ser um excelente passador, além de sólido arremessador de 3 pontos. Na maioria dos outros times, seria mal usado, mas ele nasceu para jogar para o Adelman. Agora, com e sem Yao, o Houston terá um padrão de jogo no garrafão e poderá correr menos, poupando um pouco o fôlego durante a temporada regular.

Como parceiros de garrafão de Brad Miller e Yao Ming, o Luis Scola vem de um Mundial espetacular e como sempre renderá bem no ataque com seu cérebro super-desenvolvido encontrando os espaços livres, enquanto Chuck Hayes cuidará da defesa apesar de ser anão simplesmente incomodando os adversários, cutucando a bola e sendo o marcador mais irritante de toda a NBA. Com a saída de Trevor Ariza, agora Shane Battier volta a ser titular, o que aumenta o QI da equipe em oito mil pontos, garantindo a defesa de perimetro e a movimentação impecável do ataque, com os clássicos arremessos de três da zona morta. Courtney Lee, também nova aquisição, deve ser o reserva do Battier nas funções defensivas enquanto Chase Budinger (que poderia ser estrela de vôlei mas escolheu ir jogar basquete mesmo sendo pior) e seus arremessos precisos de três substituirão Battier no ataque.

A aquisição mais importante da equipe, no entanto, chegou já na temporada passada, mas estava lesionada e demorou para compreender o sistema ofensivo. Trata-se de Kevin Martin, um dos melhores pontuadores da NBA e que detesta a ideia de ter que carregar um time nas costas. Agora, em plena forma física depois de um longo regime de reabilitação e treinamentos nas férias, diz estar pronto para tomar as rédeas do time quando for necessário. Ou seja, Kevin Martin não vai se importar de estar num esquema coletivo que não colocará a bola em suas mãos, mas se diz disposto a decidir as partidas com seu enorme arsenal de movimentos de infiltração (e capacidade mutante de cavar faltas). Ao contrário de T-Mac, que só rende quando joga com a bola nas mãos o tempo inteiro, Kevin Martin brilha por se movimentar bem, arremessar ao receber a bola depois do corta-luz, e pode manter a bola nas mãos justamente nos momentos em que o Houston (e o Rick Adelman, em toda sua carreira) mas sofre: nos minutos finais. Creio que Adelman deve ter percebido que seu time perfeito, sem estrelas, e seguindo seu plano à risca, não foi o bastante para chegar aos playoffs, e que será necessário abrir espaço para Kevin Martin resolver algumas partidas. Se estiver ao lado de Yao Ming, que deve ser poupado para os minutos finais dos principais jogos, o Houston pode ser muito mais forte do que se imagina, com um excepcional elenco de apoio carregando o time quando necessário durante a temporada regular.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Yao e a seleção brasileira

Yao e Nenê têm tanto em comum que até andam de braços dados


Dia desses, Yao Ming afirmou em entrevista que se aposentará caso sua lesão no pé não evolua como esperado, que seu físico precisa ser poupado e que deixará de defender a seleção chinesa. Não se trata de um aviso de aposentadoria e nem é razão de pânico em Houston. Ao contrário do que se imaginava, sua lesão teve recuperação acima da esperada e Yao está em excelente forma física, pronto para atuar no primeiro jogo do Rockets na temporada. A afirmação de Yao Ming foi dirigida, implicitamente, ao seu país natal. Depois de anos sacrificando seu corpo pela seleção chinesa, Yao tentou se livrar desse fardo sem soar um desertor ou traidor.

Num dos posts mais sérios do Bola Presa, comentei sobre o papel que o chinês teve em aproximar duas culturas tão distintas. A China deixou para trás velhos esteriótipos e valores e rendeu-se a um modo americano ao mesmo tempo em que Yao mudava seu modo de agir e jogar dentro das quadras. Foi um projeto longo com seu ápice nas Olimpíadas, quando a China provou ao mundo que não era um país bizarro em que se come baratas, é apenas outro país com shoppings, grifes, marcas, muito dinheiro, e força para vencer no quadro de medalhas. Yao não apenas foi o pilar da campanha digna da seleção chinesa de basquete nas Olimpíadas, foi também responsável por uma missão diplomática: aos americanos, apresentou uma China simples e digna de respeito nas quadras e fora delas; aos chineses, apresentou os Estados Unidos como algo que pode ser tocado, compreendido, imitado. Quanto mais americano o Yao se tornava, melhor ele unia as duas culturas rumo às Olimpíadas. Lá, todo mundo se deu as mãos e agora ninguém tem medo da China ser "comunista" e nem acha que os chineses são fracotes, desnutridos, pobres ou que ficam citando pérolas de sabedoria. O projeto está terminado, a China cresce vertiginosamente, Yao é um ídolo que ficará para a história, e os Estados Unidos acham tudo isso bonitinho, são parceiros. Pronto. Agora, finalmente, o pobre pivô pode escapar de jogar por aquela seleção capenga.

É cada vez mais normal, tanto no basquete quanto no futebol, jogadores priorizarem suas equipes ao invés de se dedicarem às suas seleções. Na NBA, cada vez mais as grandes estrelas pedem dispensa de suas seleções para poder descansar, treinar, se concentrar em seus times. Isso faz muito sentido em nossos tempos. Vivemos na geração da internet, em que as fronteiras físicas são cada vez mais arcaicas e desnecessárias. Estamos ligados às pessoas por interesses em comum, não importando em que país vivam, e não estamos presos a um modo de pensar ou de agir exclusivo dos nossos vizinhos. Não existem mais limitações geográficas, tenho mais a dizer a um sueco fã do Houston Rockets do que teria a um brasileiro torcedor do Ipatinga - e agora eu posso dizê-lo. Antes, jogar por uma seleção era amor à pátria e a única chance de que algumas estrelas pudessem jogar em seus países, na frente de seus amigos, parentes e compatriotas. Agora, pátria é um conceito que definha até à morte, podemos acompanhar as nossas estrelas - e as estrelas de qualquer país - através da televisão e da internet, podemos eleger nossas estrelas e nossos times graças a afinidades de estilo ou ideologia, e não por terem nascido dentro da mesma linha imaginária em que nascemos. Recentemente, sem televisão, assisti à final do Campeonato Paulista numa transmissão pela internet de um canal polonês. Eles podem torcer para o Santos ao invés de para um time mequetrefe da Polônia. Bobagem essa história de "amor à pátria" quando sequer compreendemos mais o conceito de pátria. Podemos ver o Barcelona e assistir ao campeonato de handball polonês, para que servem as fronteiras? Frente a um basquete nacional de péssima qualidade, podemos assistir à NBA e escolher nossas estrelas entre as que mais se encaixam em nossas crenças pessoais.

Não faz mais sentido o Yao se sacrificar para jogar por uma seleção. Mesmo ele, que carregava todo um projeto cultural nas costas, pode se ver agora livre dessa bobagem. Yao chegou à NBA com a temporada já começada, quando novato, porque estava treinando com seu país. Abandonou o Houston com uma fratura por stress porque precisava se poupar para as Olimpíadas. Adquiriu a tal fratura por ter jogado durante as férias por sua seleção. Desde que entrou na NBA, Yao nunca teve férias graças à seleção chinesa. Suas lesões, cansaço, fraturas, tudo resultado de uma temporada cruel de 82 jogos e de uma seleção cruel que tinha algo a provar para o mundo. Até que uma lesão muito séria lhe tirou de quadra no meio de uma série de playoffs, não foi capaz de jogar durante toda a temporada passada, e agora volta debilitado ao time. Apenas se tiver seus minutos limitados em quadra e férias ao fim de cada temporada, Yao poderá render alguns anos ainda. Para garantir isso, o Houston trouxe de volta Luis Scola, que chuta traseiros no garrafão mesmo sem conseguir pular um centímetro sequer, e adicionou Brad Miller, um dos melhores pivôs de todos os tempos quando se trata de arremessar e passar a bola. O Houston disse que pagaria o preço que fosse para manter o Scola, ele segurou as pontas de um time sem garrafão, é muito consistente, ganhou alguns jogos sozinho, tem cérebro pra jogar com o Rick Adelman e quebra até um galho de pivô sempre que precisa. O Brad Miller já foi mais na cagada, ele foi disputado por muitos times mas topou ir para Houston apenas pelo carinho que tem pelo Rick Adelman, já que jogou pelo técnico em seus tempos de Kings. Assim como Yao prefere jogar arremessando e dando passes na cabeça do garrafão, Brad Miller passou a vida fazendo justamente isso. Na verdade, o papel que Yao exerce no time é apenas uma imitação do que o Brad fazia no Kings antigamente. Nada melhor, então, do que trazer o original (mesmo que velho e empoeirado) para dar descanso ao Yao. A situação não poderia ser melhor para o chinês, que terá dois grandes jogadores de garrafão pela primeira vez na vida, poderá descansar vários minutos por jogo, e conseguirá pela primeira vez dedicar-se exclusivamente à NBA. Para o Houston, o que parecia um projeto de reconstrução virou de repente um time promissor e imediato: McGrady deu o fora e cedeu lugar para Kevin Martin, um dos melhores pontuadores da NBA, e até o armador reserva Kyle Lowry, que é bizarramente essencial para o time, foi recontratado. Reconstrução mesmo precisa rolar na seleção chinesa, mas isso é outra história.

Curiosamente, apesar de minha felicidade com a fuga de Yao da seleção e nossa atitude contra o conceito tolo de "patriotismo", estou torcendo muito é pela seleção brasileira que disputará o mundial de basquete agora no fim de agosto. Em geral, não vemos porque dar cobertura especial para Leandrinho, Nenê ou Varejão apenas por eles terem nascido na mesma linha imaginária em que nascemos, mas dessa vez o caso é especial. Como sempre, faremos uma cobertura do Mundial de Basquete assim como fizemos das Olimpíadas, com foco nos jogadores da NBA, mas comentaremos bastante da seleção brasileira simplesmente porque nela reside as chances do crescimento do esporte em nosso país. Todos nós sabemos do apuro que é acompanhar ou praticar basquete no Brasil, de como falta apoio, incentivo, verba e até credibilidade. Nosso basquete esteve afundado durante décadas em corrupção, amadorismo, mal gerenciamento, foi ignorado pela mídia e pelas torcidas. Nós aqui do Bola Presa já tentamos, muitos anos atrás, levar a prática do basquete a sério, e recebemos muitos e-mails de gente que tenta seguir carreira na área, e portanto estamos cientes das dificuldades. O basquete precisa ser levado a sério no Brasil para que surjam reais oportunidades de praticar, acompanhar, torcer e escrever sobre o esporte que amamos.

Nossa postura por aqui sempre foi a de acompanhar o melhor basquete do mundo, afinal basquete é basquete, não importa o país, e a atenção do público brasileiro cresce cada vez mais com relação à NBA nos últimos anos. O público do Bola Presa aumenta mês a mês, sem parar, e tratamos isso como um interesse legítimo em basquete, puro e simples. Nosso formspring fica cada vez mais abarrotado de perguntas de iniciantes, gente querendo saber quais são as regras do esporte, onde se assiste, quem são as estrelas. E é tudo molecada, gente que está chegando agora e que não está sofrendo com a saída do Jordan, está é se divertindo com a última temporada do Kobe. Isso é ótimo, faz o esporte crescer, e o Bola Presa sempre teve a intenção de tornar a NBA mais fácil, gostosa e divertida de acompanhar num país com tão pouca cobertura de qualidade a respeito.

No entanto, para que as mídias convencionais levem basquete a sério, para que exista verba para as categorias de base, para que possamos assistir basquete ao vivo de qualidade, não adianta só a NBA. Precisa haver sucesso na seleção. A gente percebe bem rápido que brasileiro gosta mesmo é de torcer pela seleção brasileira. O patriotismo cada vez mais vira farofa, todo mundo tem camiseta do Barcelona e tem carinha aí querendo arrancar cabeças rivais porque torce para o Utah Jazz mesmo tendo nascido no Acre, mas mesmo assim fica todo mundo louco para acompanhar a seleção brasileira. Confesso que não entendo muito bem, assim como não entendi o motivo de tanta gente que achava a seleção do Dunga repulsiva ter torcido mesmo assim ao invés de torcer por outras seleções mais legais, mas o fenômeno é óbvio e precisamos aceitá-lo. Para o esporte ser levado a sério aqui por essas bandas, a seleção brasileira precisa ter sucesso nesse Mundial de Basquete.

Enquanto Yao tira férias de uma camiseta vermelha para se focar em outra, a do meu amado Houston Rockets, os jogadores brasileiros da NBA precisam se concentrar na seleção brasileira acima de tudo. Num momento em que seleções de países fazem cada vez menos sentido, a China dependeu da sua para mudar toda uma cultura, e agora dependemos da nossa para que o esporte que amamos receba o apoio que merece. Não faz sentido o basquete ser deixado de canto por aqui e a garotada ter tanta dificuldade em conseguir jogar seriamente. A solução, bizarramente, está nas mãos de Nenê, Varejão, Splitter e Leandrinho. Depois de tanta incompetência e falhas de tantos dirigentes por anos e mais anos, o peso acaba caindo nos jogadores que deveriam estar se esforçando é por suas equipes, que sempre lhes deram plenas condições de atuar em alto nível. Mas, assim como ocorreu com Yao, às vezes os jogadores precisam assumir pesos que não são seus. Desempenhar funções maiores do que eles mesmos.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Poderia ser melhor (mas já tá bom!)


Amém


A reação natural para os torcedores do Bulls depois da decisão de LeBron James de ir para o Miami Heat só pode ser de decepção. Não só porque ganhou um concorrente fortíssimo no Leste pelos próximos cinco anos, mas porque o time estava confiante de que ele poderia ser a bola da vez. O Bulls foi atrás dos três astros do Heat, Wade, Bosh e LeBron, com a esperança de conseguir pelo menos um. Não deu, perdeu os três, mas também não saiu de mãos abanando, contratou mesmo antes de LeBron anunciar a sua decisão um antigo companheiro de Cavs dele, Carlos Boozer. O contrato é de 75 milhões por 5 temporadas.

A segunda reação dos torcedores do Bulls é decepção. De novo. Pra quem sonhava com LeBron, Wade e/ou Bosh, ganhar Boozer não é lá muito espetacular. Mas pense bem, crianças, não é porque você achou que ia ganhar um carro no aniversário de 18 anos que um Playstation 3 não é legal. Eu não acho que o Carlos Boozer revolucione um time na NBA, que vá ter um jogo de 50 pontos nos playoffs e salvar a pele do Bulls contra um time difícil, mas ele vai dar 20 pontos, 10 rebotes, um ótimo posicionamento de quadra, poucos erros e uma boa defesa todos os dias. Lembra como o Bulls foi bom naquela série contra o Celtics quando o Tyrus Thomas acertou uma meia dúzia de arremessos de meia distância? O Boozer faz isso com a mesma dificuldade de respirar ou preparar um miojo.

Já escrevemos muitas vezes (muitas mesmo, é um tema básico do blog, tipo Artest, Yao Ming e Alinne Moraes) sobre como o Bulls peca por não ter um bom pontuador no garrafão. Falamos isso deles desde que o blog nasceu e o problema é ainda anterior a isso. Pensem bem, puxem da memória, qual é o melhor pontuador de garrafão da história recente do Chicago Bulls? Não estou falando jogador de garrafão, já que o Bulls teve bons defensores como o Tyrus Thomas, Joakim Noah e até um restinho mínimo da boa fase do Ben Wallace. Mas quero saber de ataque: Drew Gooden? Hakim Warrick? Malik Allen? O melhor jogador ofensivo da última década foi o Eddy Curry! Sim, o pivô gordo que demorou para embalar na NBA e embalou por tão pouco tempo que deveria tomar remédios para ejaculação precoce.

Essa peça que faltava comprometeu o Bulls em diversos momentos das últimas tentativas do time em ser grande. É difícil demais ganhar jogos, especialmente séries de playoff, sem alguém para pontuar perto da cesta. É um preceito básico do basquete. Alguém no garrafão tenta arremessos de aproveitamento maior e tira a defesa do perímetro, facilitando a vida dos outros jogadores. Pouquíssimos times na história da NBA tiveram sucesso sem uma boa presença ofensiva na área pintada. Uma exceção, curiosamente, foi o próprio Bulls nos últimos três títulos do Jordan. Mas a falta de um jogador nato para isso era compensado pelo próprio Jordan, que atuava mais perto da cesta, mais ou menos como o Kobe fez no começo do ano passado quando o Gasol estava machucado.

O Bulls também pode ficar mais tranquilo porque eles, talvez junto com o Clippers, eram os times menos desesperados por uma mega estrela. Acho que o Knicks sabe que não irá muito longe só com a dupla Amar'e e Gallinari. O Nets já viu muito bem onde chegou com a dupla Devin Harris e Brook Lopez, mas o Clippers ainda tem o Blake Griffin para jogar suas esperanças. Já o Bulls tem as suas esperanças no Derrick Rose, um jogador que parece que muita gente não acredita que pode ser o líder de uma franquia da NBA, mas que vem provando o contrário nos seus dois primeiros anos de NBA. Ele é um armador que sabe jogar em velocidade (é, talvez, o jogador mais rápido da NBA), sabe jogar em meia quadra, sabe criar oportunidades para os companheiros de time e cria seu próprio arremesso. Isso é muito raro e o Bulls tem em mãos. Falta ele melhorar mais o arremesso e a parte de criar arremessos para os outros, é verdade, mas ele ainda está começando e, claro, nunca teve um jogador de garrafão para ajudá-lo. Assim como Boozer deitava e rolava com os pick-and-rolls ao lado de Deron Williams, pode fazer até cansar com Derrick Rose. Uma jogada dessa era tudo o que o time precisava naqueles momentos em que o ataque está estagnado e tem que se apelar para o básico.

Ao lado de Boozer o Bulls já tem o Joakim Noah, que tem melhorado ano a ano e na última temporada se mostrou um dos melhores reboteiros e defensores da NBA. Dá pra deixar o Boozer com a finesse e o Noah com o trabalho sujo. E, por fim, ainda há o Luol Deng, que o Bulls tanto tentou trocar para abrir mais espaço salarial para contratações e hoje deve agradecer aos céus por não ter conseguido. Talvez ele receba mais dinheiro do que deveria, mas é um dos melhores (se não O melhor) arremessadores de meia distância na NBA.

É um quarteto muito bom, com características que se encaixam e eles ainda podem ter uma dupla de jogadores All-Star em Rose e Boozer. O time dos sonhos do Bulls era épico, mas o da realidade está longe de ser motivo de lamentações. Eu estaria feliz demais se torcesse para o Chicago! O Bulls já montou bons times várias vezes nos últimos anos e eu me animei mais do que devia com alguns deles, mas nenhum tinha a perspectiva de dois jogadores nível All-Star e nem um jogador forte no garrafão.

Nesse time com boas perspectivas só há uma coisa a se lamentar: todo o esforço gasto em abrir espaço salarial. Era muito time se desfazendo para poucas superestrelas. E como várias foram para o mesmo time o desastre fica mais evidente. É arriscado demais ficar perdendo jogadores à toa com a esperança vaga de atrair grandes jogadores. Trocar bons jogadores só por contratos expirantes e negar bons atletas só por conta de seu salário é muito arriscado. Queimar anos de NBA pela chance de negociar com um atleta é muito pouco.

O Bulls perdeu os direitos de renovar mesmo extrapolando o teto salarial com John Salmons e Tyrus Thomas trocando-os no ano passado e trocou Kirk Hinrich no dia do Draft junto com a escolha 17. Exagero. Eles poderiam ter mantido Hinrich para ser o segundo armador e especialista em defesa desse novo time do Bulls, além de pegar um sexto homem como Jordan Crawford ou Eric Bledsoe com a escolha 17. Ainda assim sobraria espaço para Carlos Boozer.

Agora para essa ótima contratação do Boozer ser um acerto ainda maior, precisam corrigir os erros. Compensar todas as trocas de talento por vento em contratações que completem o elenco de maneira satisfatória. O elenco do Bulls hoje é assim:

PG: Derrick Rose
SG:
SF: Luol Deng / James Johnson
PF: Carlos Boozer / Taj Gibson
C: Joakim Noah

Para o buraco na posição 2 o Bulls tem ido atrás de jogadores que mais tem cara de reservas do que de titulares: Kyle Korver, JJ Redick e Anthony Morrow são os nomes mais cotados. Eu sou fã do Redick, acho que ele daria ao Bulls mais um jogador inteligente, de bom posicionamento e que sempre joga no seu limite, o cara é incasável. O problema dele e até dos outros dois possíveis escolhidos é o mesmo: defesa. São todos fracos demais para tentar parar Dwyane Wade, Vince Carter ou até Joe Johnson em eventuais encontros na pós-temporada.

O Kirk Hinrich defendia bem, era um arremessador decente e ainda servia para ser reserva do Rose. O Bulls vai sentir tanta falta dele que chega a ser ridículo. Hoje para a reserva de Rose sobram opções como Jordan Farmar e Kyle Lowry, bem menos talentosos. Para o garrafão ainda há a esperança de convencer Brad Miller a ficar no time, seria ótimo não só porque ele é um bom reserva atualmente, mas também porque Celtics e outros rivais diretos do Leste já demonstraram interesse nele.

Se eu fosse o Bulls focaria o restante do espaço salarial em três contratações pequenas: Ronnie Brewer (bom defensor, bom no contra-ataque com Rose), JJ Redick (sexto homem perfeito para o time) e Brad Miller (já tem entrosamento e dá conta do recado mesmo velho). Mas nada garante que os três tem interesse em ir para o Bulls, claro. Faz parte do risco de se apostar tanto na Free Agency.

Essas ou outras boas contratações serão as que vão definir o sucesso da offseason do Bulls. Carlos Boozer foi um ótimo começo, não conseguir LeBron ou Wade um tropeço no meio do caminho. Falta o desempate.

Pensando só no Boozer também acho que a escolha foi boa. Já fazia tempo que ele namorava a possibilidade de sair do Jazz, o que dá a entender que não estava completamente satisfeito por lá. Agora ele mudou para outro time forte, que o pagou bem e onde ele terá espaço para jogar sem nenhuma sombra. Também acho que ele vai ficar mais feliz enfrentado os alas de força do Leste do que os do Oeste. Enquanto no Leste podemos listar Kevin Garnett ficando velho, Chris Bosh, Josh Smith e Amar'e como os top de linha, no Oeste a lista é interminável: Pau Gasol, Tim Duncan, Dirk Nowitzki, David West, David Lee (acaba de ir para o Warriors), Zach Randolph, Kenyon Martin e até os que nunca chegaram em All-Star, tipo o Luis Scola e o LaMarcus Aldridge, todos metem mais medo que a maioria da conferência oposta. Vai ser mais fácil para ele se destacar e fazer mais diferença.

...
Sobre o assunto LeBron, recomendo dois textos do site da revista Dime:
O primeiro é escrito por um torcedor do Cavs, morador de Cleveland, e explica a relação do time com o ídolo e porque a partida dele foi tão dolorosa.

O segundo é de um colunista do site que não vê problema na decisão de LeBron. Nas palavras dele "Quando você está numa pelada você sempre tenta escolher os melhores para o seu time, foi o que ele fez. Vamos começar a condenar um jogador por querer vencer?"

sexta-feira, 1 de maio de 2009

A melhor série de primeira rodada de todos os tempos

Essa é pelo tapa na cara do Brad Miller


Não consigo dizer o quanto eu estou maravilhado pelo jogo que acabei de ver. Essa vitória do Bulls sobre o Celtics depois de 3 prorrogações foi um daqueles jogos que causam a "Síndrome de Alinne Moraes".

Imagine um dia ter o prazer de beijar aqueles lábios carnudos da musa que ilustra o visual do nosso blog, seria o ponto alto da vida de um cidadão comum. Mas e no dia seguinte, você faz o quê? Vai trabalhar? Vai pra escola? Tem um papo sobre esse clima maluco no elevador? Não dá, depois de uma experiência dessa sua vida acabou, nada mais tem a mesma graça.

A mesma coisa acontece com essa série entre Bulls e Celtics. O que eu vou assistir depois de ver uma série desse nível? Até os jogos mais interessantes vão parecer uma partida amadora depois desse jogo 6. É sem dúvida uma das melhores séries de playoff de todos os tempos e com certeza absoluta a melhor de primeira rodada.

O Kenny Smith, ex-jogador e comentarista da TNT, diz que ainda acha que a série entre Mavericks e Warriors em 2007 foi melhor, opinião que eu não concordo e que acho que ela ainda pode e deve mudar caso o jogo 7 seja do mesmo nível do jogo dessa quinta-feira.

A partida já parece boa por ter ido até a terceira prorrogação, primeira vez que isso acontece nos playoffs desde 2004, naquele épico jogo entre Nets e Pistons que teve um arremesso surreal do Billups.

Uma outra coisa que o jogo de 2004 e o de agora tiveram em comum foi o Brian Scalabrine jogando os minutos decisivos porque os titulares sairam com 6 faltas. Hoje foram Glen Davis, Kendrick Perkins, Paul Pierce e Ben Gordon que sairam com 6 faltas.

Não tem muito o que falar do jogo porque tem muito o que se falar sobre esse jogo. Daria para escrever um parágrafo sobre cada posse de bola de cada prorrogação tamanha a qualidade da partida, das jogadas desenhadas, das variações causadas por cada duelo pessoal e pela mudança de momento e de personagens principais.

Durante a partida o Ray Allen foi o herói do jogo, depois o Brad Miller, depois Paul Pierce, depois o Glen Davis, depois o John Salmons, depois o Joakim Noah, depois o Ray Allen de novo e por fim o Derrick Rose. Sem contar que Hinrich, Gordon, Rose, Pierce e Perkins também foram vilões em tantos momentos cruciais.

Ainda tem os números impressionantes: 28 pontos pro Rose, 35 para o Salmons, 19 assistências para o Rajon Rondo e, claro, os 51 pontos (29 no primeiro tempo) para o Ray Allen. Nesse jogo ele igualou o recorde de arremessos de 3 em um jogo de playoff, foram 9. O recorde já era dele, que ele divide com Rex Chapman e Vince Carter.

Dos recaps do jogo que eu achei no YouTube, acho que esse é o melhor para quem não viu o jogo ou para quem só quer relembrar os melhores momentos desse jogo que já está na história. Tem desde a treta do Captain Kirk com o Rajon Rondo até a jogada do ano que foi a enterrada do Joakim Noah no Paul Pierce, com o toco decisivo do Derrick Rose no final, óbvio. Só ficou faltando mostrar os lances livres que o Brad Miller acertou, se redimindo dos erros no final do jogo 5.




A série
65 empates (10,8 por jogo)
106 mudanças de liderança (17,6 por jogo!)

A primeira série de playoff da história a ter três jogos com prorrogação.
A primeira série de playoff da história a ter quatro jogos com prorrogação.

7 prorrogações disputadas em 6 jogos
Apenas um jogo acabou com vantagem superior a 3 pontos (jogo 3, Boston 107-86)

Somando todos os jogos, o Celtics fez 20 pontos a mais que o Bulls:
Chicago 659 x 679 Boston

Tirando então o resultado do jogo 3, o Bulls fez um ponto a mais que o Celtics nas outras 5 partidas.

Segundo o Charles Barkley, que é comentarista na TNT junto como Kenny Smith, é a série em que mais vezes os times acertaram arremessos de 3 para empatar jogos no final. E ele tem toda razão, desde o jogo 1 a gente vê o Ray Allen, o Paul Pierce, o Ben Gordon e o John Salmons sempre acertando bolas de 3 quando mais interessa.

Você lembra de alguma série de primeira rodada melhor do que essa?

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Mais um clássico

KG tenta engolir a cabeça de Ben Gordon


Espero que todos que tenham votado na nossa enquete anterior dizendo que a série mais emocionante do Leste seria Pistons e Cavs estejam bem arrependidos. Sem dúvida alguma, de longe, a melhor série dessa primeira rodada é entre Boston Celtics e Chicago Bulls.

O jogo 4 em Chicago já tinha sido emocionante, hoje o jogo 5 em Boston foi sensacional de novo. Não é à toa que é a primeira série de playoff da história a ter três jogos com prorrogação (3 a 2 pro Boston na série, 2 a 1 para o Bulls nos jogos com períodos extras).

O jogo de hoje começou com dois dos grandes heróis da série, Ben Gordon e Paul Pierce, frios como minha ex-namorada, mas acabou com os dois quentes como o a Monica Mattos em dia de gravação. Começou no maior estilo festival de rock, onde ouvimos porcaria (tipo M.I.A) pra depois chegar à parte que interessa (Strokes). Em Boston assistimos um bom começo de jogo de Glen Davis e Kirk Hinrich pra só depois pegar os Casablancas da história.

Só no segundo tempo é que as estrelas da série começaram a aparecer. Deve ser porque já se acostumaram com a dinâmica dessa série: tirando o jogo 3, em todos os jogos ninguém abre mais de 5 pontos de diferença por muito tempo e o jogo está sempre empatado ou com trocas de liderança. Uma estatística que apareceu no meio do jogo (que já ficou desatualizada segundos depois) mostrava uma série com 45 empates e mais de 80 trocas de liderança! Assustador! Na série Heat-Hawks o Atlanta chegou a passar dois jogos inteiros sem assumir a liderança no placar, por exemplo.

E se todos se acostumaram que a série é assim, já sabem que o jogo se decide com quem acerta mais arremessos impossíveis no final das partidas. Derrick Rose e Rajon Rondo fizeram a sua parte trocando bandejas em contra-ataques nos momentos cruciais do jogo, um tentando provar para o outro quem é mais rápido e melhor em bandejas-Tony-Parker, um desafio alucinante que dessa vez foi vencido por Rajon Rondo, que mais uma vez beirou um triple-double com 28 pontos, 8 rebotes, 11 assistências e 2 roubos. Vocês sabiam que ele está com MÉDIA de triple-double nessa série (23-10-10)?

Se na armação a briga é boa, na posição dois ela também é e tem mais cara de briga. Ben Gordon e Ray Allen passaram quatro jogos correndo em torno de corta-luzes como ratinhos de laboratório, seja para conseguir arremessar ou para correr atrás de seu concorrente. Mas hoje o Ray Allen, velho de guerra e cansado de correr, resolveu que era hora de segurar a camisa do Ben Gordon e de parar o armador do Bulls, que jogou com dores musculares na perna, com faltas. Os juízes viram, não deram mole nenhuma vez, pegaram bastante no pé e o Ray Allen saiu com 6 faltas.

Nessa batalha o vencedor foi Gordon. O arremesso que ele acertou para abrir 2 pontos de vantagem a 16 segundos do fim do tempo normal foi coisa de gênio. Sem estar posicionado para o arremesso, com a marcação na sua frente e sem opções de passe, ele simplesmente jogou a bola pro alto e ela caiu. Fez isso mais uma vez na prorrogação em uma infiltração que ele nunca deveria ter tentado.

O Ben Gordon é uma versão do mundo bizarro da maioria dos jogadores da NBA: ele amarela nos três primeiros períodos e só joga bem nos minutos finais. E entendo os torcedores do Bulls que não gostam dele, apesar de salvar o time inúmeras vezes não dá pra não gritar "nãaaaao" a cada arremesso forçado que ele tenta.

No garrafão a batalha também é boa. Temos dois caras que sempre foram grossos e que estão jogando bem desde o começo da série, Tyrus Thomas e Glen Davis (que são amigos de infância, sabia?) e dois jogadores que estão achando o seu Dwight Howard interior, Joakim Noah (17 rebotes) e Kendrick Perkins (16 pontos, 19 rebotes e 7 tocos). A favor do garrafão do Bulls estava o banco de reservas, que contou com os precisos passes de Brad Miller. Porém, foi exatamente Brad Miller quem desperdiçou os dois lances livres que poderiam levar o jogo para uma segunda prorrogação.

Em uma jogada de lateral faltando poucos segundos para o fim do tempo extra, o Kendrick Perkins abandonou o Brad Miller para fechar o Ben Gordon na lateral, deixando o pivô completamente livre, que recebeu a bola e bateu pra dentro. Errou a bandeja depois de tomar um murro na cara do Rondo e com a boca sangrando errou os dois lances livres, o primeiro por amarelismo e o segundo por grosseria, quando tentou errar de propósito mas nem acertou o aro.

Com isso o jogo estava decidido e com herói: Paul Pierce. O ala do Celtics fez o confronto derradeiro do jogo 5, contra John Salmons. Os dois devem ter feito um acordo antes da série começar de acertar apenas arremessos um na cara do outro. O Salmons está jogando bem, mas joga ainda melhor quando arremessa de 3 com o Paul Pierce colocando a mão no seu olho. Assim como o Paul Pierce acertou três arremessos idênticos na prorrogação, incluindo o da vitória, com o Salmons fazendo bom trabalho defensivo sobre ele.

Pierce disse depois do jogo que com o Ray Allen fora com 6 faltas e o KG sem poder jogar, ele teria que elevar seu jogo. Ele tem toda razão. Embora o Mr.Triple-Double Rondo e o novo Bill Russell Perkins tenham feito um jogo espetacular, nenhum dos dois tem como característica acertar os arremessos decisivos do fim do jogo, com tudo preparado pelos role players era função do Paul Pierce terminar a bagaça.

Em uma jogada que não foi ele quem decidiu, deu muita merda: o Marbury sobrou livre para um arremesso mas borrou as calças com medinho de errar e resolveu passar na pior hora possível para o Rondo na fogueira, que perdeu o pequeno gancho. Foi patético e o Marbury nunca mais deveria pisar numa quadra da NBA.

O triste do jogo ter acabado com os erros do Brad Miller e não com um arremesso certo do Bulls (ou até na última bola do Paul Pierce) foi que a graça dessa série sobre as outras também disputadas (Rockets-Blazers, Magic-Sixers, Hawks-Heat) é que nessa os jogos são decidos com muitos acertos. A emoção está porque a cada posse de bola é um jogador diferente fazendo algo espetacular, enquanto nas outras séries, especialmente na do Orlando, é sempre alguém cometendo uma falha estupenda e pagando o preço por isso.

De todas essas séries disputadas, torço para que Bulls e Celtics cheguem ao jogo 7. E que o jogo 7 tenha umas três prorrogações, claro.


sexta-feira, 10 de abril de 2009

História repetida

O toque na tabela é pra fazer charme


Na temporada passada eu virei alvo de piadas, muitas feitas por mim mesmo, porque tinha dito no preview da temporada que o Chicago Bulls iria vencer o Leste. Achei que o novo Celtics ia morrer na praia, que o velho Pistons não tinha mais forças e que o jovem Bulls, que um ano antes tinha feito bonito nos playoffs ao varrer o então campeão Heat, iria colocar o Leste no bolso.

O pensamento fazia sentido até, mas alguns meses depois soava como dizer hoje que o Suns vai vencer o título. No fim das contas o único título que eles ganharam foi o de vencedor do sorteio do draft (pequena diferença) e com a primeira escolha draftaram o Derrick Rose.

Como já disse no último post, o Bulls acertou em cheio e pegou o cara mais talentoso do draft. O Derrick Rose chuta o traseiro gordo de 90% dos outros armadores da liga desde o primeiro dia que pisou numa quadra da NBA. Sem exageros, hoje eu o coloco apenas atrás de uma elite de armadores que tem Deron Williams, Chris Paul, Tony Parker, Jason Kidd e Steve Nash. Ter um ótimo armador já é um passo enorme para um time ser campeão. Com o grande armador e grande parte do elenco que brilhou nos playoffs de 2007, seria o bastante para o time voltar a brilhar?

A princípio o talento do Rose não serviu pra muita coisa porque o time continuava no mesmo esqueminha dos tempos de Scott Skiles: vamos ficar rodando a bola até a água bater na bunda e aí forçamos um arremessos de meia distância desequilibrado. Afinal, de que vale um armador que sabe infiltrar se o time não tem jogadas que utilizem esse talento? Que continuassem usando o Kirk Hinrich que pelo menos tinha um arremesso mais confiável.

Para resolver esse problema era necessário arrumar o elenco, que era feito para ser um time de arremessadores. O time do começo da temporada tinha o garrafão de trogloditas com Tyrus Thomas e Joakim Noah e os arremessadores Ben Gordon e Luol Deng. A mudança aconteceu no meio da temporada quando, em uma troca imensa, o Bulls perdeu de relevante apenas o Nocioni e o Drew Gooden e em troca conseguiu o John Salmons e o pivô Brad Miller. A troca rolou no dia 18 de fevereiro e o recorde do Bulls de março até agora é de 12 vitórias e 7 derrotas, aproveitamento muito superior ao de 27 vitórias e 33 derrotas de antes da troca.

Detalhe que essa nova fase do Bulls tem vitórias sobre adversários de recorde melhor que o do time de Chicago, como 76ers, Heat, Rockets, Hornets e até uma sobre o Magic e outra o Celtics.

O segredo para essa evolução está na maior quantidade de opções que o elenco tem agora, principalmente pela chegada do Salmons. Se antes só o Derrick Rose infiltrava, agora o John Salmons infiltra também, se antes só o Ben Gordon criava seu próprio arremesso em momentos difíceis do jogo, agora o ex-King também consegue. Mesma coisa com o Brad Miller, que mesmo não virando titular participa bem do jogo por ser um pivô de estilo bem diferente do Tyrus Thomas e do Joakim Noah, fazendo até os outros dois parecerem menos limitados.

O Brad Miller faz muito bem o papel do pivô que faz a bola chegar no garrafão e depois volta para o perímetro atrás de um jogador mais bem posicionado, ou mesmo indo buscar a bola na cabeça do garrafão e buscando jogadores mais bem posicionados embaixo da cesta.

O maior beneficiário dessa chegada do Brad Miller e do John Salmons é o Tyrus Thomas. Agora o homem que só sabe enterrar consegue receber passes de um companheiro de garrafão ou mesmo de um outro cara que infiltra, não precisando receber a bola de costas pra cesta pra tentar e errar uma jogada à la Tim Duncan. Basta pra ele se posicionar bem, receber o passe e subir pra enterrada.

O time está numa sequência ótima de jogos, venceu 7 dos últimos 10 jogos e está em sétimo lugar no Leste, meio jogo atrás do Sixers pela sexta vaga. Mas seja acabando em sexto ou sétimo, os prováveis adversários são os mesmos, Orlando o Boston. O Bulls não ganha uma série de jogos contra nenhum dos dois, isso é fato, mas acho que ele pode dar trabalho demais como deu ao Pistons nos playoffs de 2007.

Isso acaba revelando uma situação inusistada: dois anos depois de ser apontado como um time cheio de jovens talentos e pronto para explodir, o Bulls é, de novo, um time cheio de jovens talentos e pronto pra explodir. Porra viado, agora vai ou não vai?

Ano que vem o Bulls tem que lidar com o seu cestinha como Free Agent, o Ben Gordon. Não sei se o mercado estará cheio de propostas por ele, mas provavelmente ele não irá pedir pouca grana. Deve o Bulls aceitar pagar bastante e manter o cara ou eles deveriam apostar no John Salmons e na volta do agora contundido Luol Deng?

O Deng, aliás, fez uma temporada horrível para o que se espera dele e para o salário que ele ganha. Começou mal, em janeiro fez bons jogos, depois caiu um pouco de nível e agora está fora, machucado e pode nem jogar nos playoffs. Vale a pena manter o Deng mesmo ele estando meia boca? E se o Gordon ficar, vai colocar ele de reserva ou mantê-lo no time titular com o Deng no banco?

Tem também o caso do Kirk Hinrich, um cara com um talento enorme mas que não tem espaço no time titular porque faz o pecado de não ser melhor que o Derrick Rose e nem ser um segundo armador puro. O detalhe é que assim como o Deng, o Hinrich ganha uma nota preta. Com Hinrich, Deng e Brad Miller, o Bulls teria provavelmente o banco mais caro da história da NBA, uma má idéia numa época em que todos os times estão buscando gastar menos por causa da crise econômica.

Não tenho idéia do que vai acontecer com esse Bulls, talvez eles virem um timaço já no ano que vem (com ou sem trocas e Free Agents) ou talvez eles façam uma festa comemorando o décimo ano seguido em que são o "Time do futuro" com os Baby Bulls de 10 anos atrás aparecendo pra fazer uma boquinha na festança. Eu não aposto em nada dessa vez.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O Quatrilho

Brad Miller tem fobia de garrafão


O último dia em que as trocas são permitidas na NBA é sempre, no sentido Alexandre Frota da expressão, o maior troca-troca. Todos os times colocam em prática seu jeitinho brasileiro e deixam tudo para a última hora, às vezes até para o último segundo. Parece que todo mundo mantém aquela esperança de que vai arrumar uma barbada, tipo Kwame Brown por Pau Gasol, até o horário limite. Quando nada parecido surge vindo do nada, os dirigentes acabam topando as trocas mais realistas e cheias de jogadores mequetefes no horário limite, para não sair com as mãos abanando.

O Denis listou todas as trocas anunciadas ao fim do horário permitido, analisando cada uma. Restaram apenas as trocas de mais peso, envolvendo quatro times, uma mais ou menos influenciando na outra. Podemos comparar com um relacionamento complicado de dois casais em que rola umas puladinhas de cerca entre eles que acabam influenciando a relação de todos. Então vamos dar uma olhada nesse quatrilho com cara de bacanal analisando, com calma, um time de cada vez.


O Kings está de olho na crise mundial que tinha acabado de forçar o Hornets a tentar trocar o Tyson Chandler mas, como vimos no post anterior, o Thunder voltou atrás. Ou seja, a equipe de Sacramento está interessada em economizar umas verdinhas e, ao mesmo tempo, manter o núcleo jovem da equipe. O primeiro passo foi mandar uma escolha de 2º round do draft para o Celtics em troca de Sam Cassell e um monte de grana. Foi dinheiro suficiente para enfiar o salário do Cassell nas orelhas dele e mandá-lo de volta para o seu planeta, e ainda sobrou por volta de meio milhão de doletas. O Kings também ficou sabendo que o salário do terrorista aposentado Shareef Abdur-Rahim vai ser quase integralmente pago pelo seguro, já que ele pendurou as chuteiras na temporada passada. Para completar, o Kings mandou Brad Miller e John Salmons para o Bulls em troca de Drew Gooden e do Nocioni. Financeiramente, o contrato do Nocioni é mais longo do que os outros, mas ele é um daqueles casos estranhos em que o contrato vai ficando mais barato com o passar dos anos. O Gooden encerra o contrato na próxima temporada e pode topar renovar o contrato por menos grana, se não quiser vai pra rua e ninguém no Kings vai dar muita importância. Economizando uma grana louca, a equipe de Sacramento ainda aproveita para colocar a molecada pra jogar: o pivô Spencer Hawes era bom demais para ficar no banco mas seu estilo de jogo era parecido demais com o do Brad Miller para os dois ficarem ao mesmo tempo em quadra. É legal ter um pivô branco que joga na habilidade, não enterra e sabe arremessar de três pontos, mas se você já tem um, pra que vai querer outro? É figurinha repetida, precisa trocar com algum coleguinha no intervalo. Já o John Salmons nunca foi apreciado no Kings, ele tem bons números, segurou as pontas na equipe nessa temporada quando o Kevin Martin se contundiu, mas todo mundo que acompanha o time sabe que o Salmons monopoliza o jogo e não sabe jogar em equipe. Sua saída dá mais minutos para o Francisco Garcia, que vem jogando cada vez melhor depois de uma boa Liga de Verão. O Kings só precisava que alguém caísse no conto do vigário do Salmons, e esse time foi o...

Bulls, que pelo menos leva junto um pivô de verdade, experiente e eficaz. Mas é um pivô que gosta de jogar no perímetro! Qual é o problema do Bulls que eles são incapazes de arrumar alguém que saiba fazer pontos no garrafão? Primeiro trocam pelo Ben Wallace (que só pontua se for cesta contra), depois draftam o Joaquim Noah (que tem todo o poder ofensivo de sua versão cover, o Anderson Varejão), e agora trocam pelo Brad Miller, que odeia contato físico e prefere ficar nos arremessos a uma distância segura da cesta. Minha nossa, tem time que nunca aprende. Mas a troca foi excelente para a parte financeira: o contrato do Miller vira farofa justamente na temporada 2010, em que o Bulls estará em sérias condições de assinar um par de estrelas. E se o Ben Gordon, na temporada que vem, pedir outra vez um contrato zilionário, o Bulls pode simplesmente mandar ele passear e dar a vaga para o Salmons sem muito peso na consciência, economizando trilhões. Mas para garantir a saúde financeira, o Bulls ainda tinha em mente se livrar de dois armadores que não teriam minutos com a volta do Kirk Hinrich. Um deles, o Thabo Sefolosha, foi para o Thunder em troca de uma escolha de primeiro round no draft que vem. O outro, Larry Hughes, ganha 12 milhões nessa temporada e 13 milhões na próxima. Quem aceitaria esse contrato bizarro? É aí que entra o...

Knicks, que aceitou o Larry Hughes e mandou em troca o gordo do Jerome James, o preguiçoso do Tim Thomas e o quebra-galho do Anthony Roberson. Achei engraçado porque o técnico Mike D'Antoni parecia gostar muito do Tim Thomas, afinal ele arremessava de três, corria bastante e nunca se esforçou pra defender, aliás ele nunca se esforçou muito em coisa nenhuma porque jogar basquete dá o maior trabalho, sabe como é. O Jerome James não joga desde os seus tempos de Sonics, e provavelmente só conseguirá chegar em Chicago carregado por um caminhão dos bombeiros, e se abrirem um buraco na parede para ele entrar no ginásio. Financeiramente a troca é idêntica para os dois lados, tanto em salários quanto em duração, então na prática é apenas uma preferência por posições: o Knicks precisava de um armador que jogasse na posição 2 e soubesse infiltrar, o Bulls precisava de alguém para tomar os minutos do Nocioni como reserva do Luol Deng. Pensando apenas em 2010 e na chance de conseguir LeBron James, o Knicks só pode fazer trocas que não comprometam em nada a folha salarial, então preferiram trocar peças parecidas apenas para dar uns ajustes no elenco. Outra troca nesse mesmo estilo foi mandar o Malik Rose, que sequer joga, em troca do Chris Wilcox, do...

Time-outrora-conhecido-como-Sonics. Como a troca do Chandler pelo Wilcox não deu certo, acho que receber o ala de volta ia ser muito constrangedor. A última coisa que um time tão jovem e com tanto potencial precisa é de um veterano reclamando porque quase foi trocado, fazendo cara de bunda no vestiário e jogando sem vontade. Ele é físico, corre bastante e vai se dar bem no Knicks até seu contrato acabar, é bem melhor do que o mané do Malik Rose que vem em seu lugar. O contrato dos dois termina na próxima temporada e, embora o Rose tenha até certo talento em seu meio metro de altura, acho que será apenas um "empréstimo" até o fim da temporada regular. Na pior das hipoteses ele pode ficar contando histórias de seus tempos de Spurs e ensinar para a pirralhada como é a sensação de, como é o nome daquele troço esquisito mesmo, ah sim, "vencer". O Thunder, que tem cinco escolhas de primeira rodada no draft dos próximos dois anos, se deu ao luxo de abrir mão de uma delas pelo Thabo Sefolosha, que aí sim deve ficar com o time por mais do que uma temporada. O suíço defende e infiltra bem, é excelente em rebotes para sua posição, e se saiu bem em um punhado de chances no Bulls. Lá, não teve espaço no meio da coleção de armadores, mas no Thunder pode se sair bem como reserva, é jovem, cheio de potencial, e uma boa escolha para um time cheirando a talco.


São quatros times, um trocou com um que trocou com o outro que trocou com o primeiro, mas resumindo, todos estão querendo garantir a saúde de suas finanças num momento de crise econômica, ter espaço na folha salarial para 2010 e pensar no futuro. Nenhum time ficou drasticamente melhor ou arrumou suas falhas: o Bulls não fará pontos no garrafão, o Kings não terá ninguém físico, o Knicks não terá um defensor e o Thunder não terá uma forma de escapar de sua maldição que o faz perder todos os jogos no último segundo (recentemente, foi mais uma derrota para o Nuggets, com outra bola decisiva do Carmelo). Mas todas essas trocas apontaram uma nova tendência de economia e planejamento para o futuro. Talvez, em breve, possamos ver alguns resultados, mas por enquanto foi tudo meio morno. Mais importante do que essas trocas foram as não-trocas: Amar'e continua no Suns, Vince Carter continua no Nets e T-Mac continua no Houston. Achei bom para os três times, e acho que eles terão sucesso imediato. Mas disso a gente fala em breve.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Bons começos

O nome mais legal desde "Tirulipa Júnior"


Quando a temporada acaba de começar, todo mundo já quer saber se as boas atuações de um determinado jogador vão ser a regra ou se foram simplesmente a exceção. Ninguém tem paciência para esperar um pouco, já querem ficar rotulando os jogadores baseados em um jogo ou dois, que coisa feia. Mas como agora já foram, tipo, uns 6 jogos, e já faz, tipo, o maior tempão que a temporada começou, não vejo a hora de opinar sobre algumas surpresas! Viva!

Para opinar sobre possíveis candidatos a MVP ainda é muito cedo, talvez seja melhor esperar até amanhã, ou quem sabe até mesmo quarta-feira. Porque, sabe, sou um cara conservador e acho que tudo deve ser analisado no seu devido tempo, sem muita pressa. Analisar os melhores novatos também é algo que exige mais tempo, até mesmo porque um novato pode destruir hoje e amanhã esquecer qual mão é a que escreve - algo essencial para a arte de assinar cheques, parte importante do cotidiano de um jovem jogador. Então, vamos fazer algo um pouco mais simples: apontar alguns jogadores que estão surpreendendo, chutando uns traseiros, e ficar de olho neles pelo resto da temporada. Assim, traçaremos um roteiro de quem merece uma atenção redobrada para que a gente possa descobrir se eles manterão o ritmo ou não.

Vamos começar com o Brandon Roy, já que ele foi o primeiro nome que me veio à cabeça (o fato de eu estar olhando para um boneco de vudu com a cara dele me ajudou a lembrar do sujeito). Na temporada passada, ele foi até pro All-Star Game, mas de última hora e quando ninguém sabia muito bem quem era o rapaz. Se você cruzasse com ele na rua, provavelmente lhe daria uma esmola. Agora, todos os olhos estão voltados para o Blazers e, com Greg Oden contundido (mesma coisa que dizer que a água é molhada), Brandon Roy precisa ser uma estrela capaz de carregar o time nas costas. Acontece que seu estilo é bastante silencioso, ele é especialista em passar despercebido. Mas eis que, justamente contra o meu Houston Rockets, ele decidiu que era hora de ficar famoso. Num jogo com prorrogação e três mudanças de liderança nos dois segundos finais (e que por causa do Horário de Verão idiota deve ter acabado na hora em que eu precisava estar acordando), Roy acertou a cesta da vitória da putaqueopariu com 0.8 segundos restando no cronômetro. Foi uma cesta linda, maravilhosa, histórica, épica, mágica e cheirosinha, e os juízes usaram o replay para se certificarem de que o Brandon Roy tinha soltado a bola a tempo. Mas o que ninguém percebeu é que o cronômetro demorou um bocado de tempo para ser iniciado, o Roy já está no ar quando o cronômetro começa a rodar. Ou seja, eu torço para o Houston e me sinto roubado. Meus advogados vão estar entrando em contato para me conseguir uma grana num processo de danos morais que um dia vai virar filme no SBT.

Pior é que o Brandon Roy fez outra cesta muito parecida, dessa vez pra selar a vitória contra o Wolves. Mas, como é contra o Wolves, ninguém percebeu e não achei nem um vídeo. Se ele quer continuar seu plano maligno de ficar famoso na NBA, é melhor ele guardar essas bolas para prorrogações contra times fortes do Oeste.

Aliás, outro jogador surpreendente até agora é um amiguinho de Brandon Roy, o LaMarcus Aldridge. Sua defesa sempre foi falha e os rebotes que ele pegava eram apenas os que caiam dentro da sua orelha proeminente, sempre sem querer. Nos últimos jogos, os rebotes têm ultrapassado a marca da dezena e a média é de dois tocos por jogo. Somando isso ao seu ataque sempre impecável cheio de arremessos certeiros de longa distância, talvez Brandon Roy tenha companhia no All-Star Game.

Já o "Granny Danger", o melhor trocadilho desde "desculpintão", se recuperou da pré-temporada meia boca e está fazendo chover. O engraçado é que muita gente argumentou que o Granger não estava tendo boas atuações porque, com seu companheiro de equipe Mike Dunleavy machucado, a defesa adversária pode focar apenas nele e não precisa defender o perímetro. Isso até pode ser verdade, mas como explicar os 26 pontos por jogo que ele tem de média até agora? O rapaz é simplesmente o quarto cestinha da temporada, atrás de LeBron, Wade e do (gasp!) Tony Parker, que simplesmente não vale porque eu não quero que valha. Então pelas novas regras agora instituídas ele é o terceiro cestinha da temporada. Se o Dunleavy voltar, então o Granger vai ter uma média de 200 pontos por jogo, né? Somando isso aos seus números defensivos (1,6 tocos!) e uma ou duas vitórias surpreendentes, vai ser difícil não ver o Sr. Perigo num All-Star Game. E o Pacers vai continuar fedendo, vai por mim.

Tem também uma pirralhada que não vai para o All-Star mas que precisava mostrar serviço para não serem considerados fracassos completos na NBA. O Gerald Green, por exemplo, já foi trocado, demitido, emprestado, pisado, abusado, descartado, tudo que tinha direito. Sua vida é parecida com a de uma atriz pornô banguela que precisa pagar as contas. Potencial ele sempre teve, mas acontece que até mesmo na NBA o pessoal enche o saco de ficar pagando milhões de dólares por gente que só tem potencial e não sabe nem ir no banheiro sozinho. Volta e meia alguém ainda dá uma chance pro Kwame Brown, é verdade, mas só porque ele é alto. Pro Gerald Green, que deveria ser o novo Kobe mas na verdade tá mais para o novo Damon Jones, a paciência acabou esgotando e ele passou bastante tempo desempregado. A oportunidade que o Mavs lhe deu, no entanto, foi agarrada com unhas e dentes. Ele está sendo uma força vindo do banco, com quase 10 pontos de média em apenas 16 minutos por partida, e ontem, como titular no lugar do Josh Howard contundido, foi um excelente cover: 13 pontos e 12 rebotes. Talvez ele encontre seu lugar na NBA. Talvez o Kwame Brown aprenda a jogar basquete. Enquanto há vida, há esperança, já diria Chico Xavier.

Como ele, Andrea Bargnani não tem muito a seu favor: além do nome de garota, foi a primeira escolha do draft de 2006 e ainda não fez porcaria nenhuma na NBA. Às vezes tem um bom jogo, mas aí desaparece, faz umas cagadas e começa a perder minutos. Nessa temporada, está tendo alguns jogos mais consistentes, excelente aproveitamento nos arremessos, acertando mais da metade de suas bolas de 3 pontos e, o mais bizarro, jogando bem melhor na defesa. Ele ainda tem seus defeitos, claro, afinal ele é um branco europeu, mas está dando mais tocos e ajudando na marcação do garrafão. Quanto mais ele aprender a jogar como o cara alto que é, ao invés de como um armador nanico, maior vai ser seu espaço na Liga.

É o mesmo caso do pivô Spencer Hawes, do Kings. Ele é um gigante que joga como um anão, não gosta de contato, preferia estar jogando vôlei, arremessa de trás da linha de 3 pontos e não pega rebotes. Na época em que draftaram ele foi até engraçado, porque o Kings precisava justamente de gente atlética no garrafão, gente física, e o Hawes é justamente o oposto. Acontece que agora, com um pouco mais de experiência, ele está conseguindo equilibrar bem as coisas. Na defesa, está muito mais competente, pegando mais de 8 rebotes por jogo e dando 2 tocos por partida, o que é espetacular para os minutos um pouco limitados. No ataque, está arremessando de longe como gosta, inclusive sendo o melhor arremessador de 3 pontos da NBA até agora em porcentagem: acertou 9 de seus 12 arremessos tentados (campanha para ver ele no campeonato de 3 pontos do All-Star Game já!). Engraçado é que ele e Brad Miller estão dividindo minutos e os dois são muito parecidos: americanos brancos gigantes que não gostam de contato, chutam de fora e jogam com inteligência. Mas e o jogo físico de que o Kings precisa, cadê? Bom, o calouro Jason Thompson está dando uma mão, mas dele eu falo depois, porque os novatos são um capítulo à parte. Mas tem um deles que eu não vou resistir e vou ter que falar a respeito.

O nome do rapaz é Luc Mbah a Moute, um príncipe camaronês que foi para os Estados Unidos. Eu sei, eu sei, parece mentira. Aliás, parece aquele filme com o Eddy Murphy que passava na Seção da Tarde da Globo o tempo inteiro, em que ele é um príncipe africano que vai para a cidade do Knicks. Tinha algum nome bem óbvio, como "Um príncipe em Nova Iorque" ou algo assim. Mas tenho certeza de que o príncipe aprontava muita confusão.

Bem, o Mbah a Moute foi a 37a escolha do último draft apesar de ter uma das maiores forças nominais da NBA (aliás, na nossa Liga de Fantasy, quando ninguém mais sabia quem pegar no draft, ele foi escolhido alegadamente apenas por sua força nominal). Ninguém dava um centavo pelo príncipe camaronês mas ele está chutando traseiros. As médias de quase 10 pontos, 6 rebotes, 1 roubo e 1 toco já são incríveis, mas nas últimas partidas está ganhando cada vez mais espaço e importância num Bucks completamente desesperado por qualquer nota positiva. Se ele for o novo Ginóbili, a gente avisou aqui primeiro. Se ele for uma farsa, a gente muda de assunto... hum, você já assistiu o novo filme da Sasha Grey?

Para terminar as surpresas até agora, vamos falar do Shaquille O'Neal. Porque, após ser rebaixado a porteiro de boate nos círculos basqueteiros por aí, atuações sólidas são surpreendentes. Com 24 pontos, 11 rebotes e 4 assistências contra o Bucks, o Shaq destruiu e pôde até aloprar no seu Twitter:

"Bogut é o Erika Dampier com barba".

O Shaq nunca perde uma chance de zoar o Dampier, é sempre muito engraçado e seu Twitter é imperdível. Ou seja, torço para que ele tenha muitas atuações desse nível - jogo sim, jogo não. É que o Shaq está velho mesmo e a política no Suns é poupá-lo ao máximo para os playoffs. Ele sentou num jogo, ficou de terno só assistindo, e no outro jogou com tudo. Segundo o técnico Terry Porter, ele pode sentar sempre que quiser se, quando voltar, jogar como jogou contra o Bucks. Eu acho a idéia excelente, tem que ter bom senso e perceber que o Shaq não precisa jogar todas as partidas, ele deve sentar bastante mesmo durante a temporada, mas não é meio surreal o Suns de repente virar um asilo de velhinhos em fim de carreira? Um dia eles poupam o Shaq, no outro eles poupam o Grant Hill. Daqui a pouco vão poupar todo mundo e colocar cinco micos de circo pedalando monociclos em quadra. Bem, dentre as surpresas até agora, cinco micos sobre rodas com certeza ganhariam de todas elas. Tirando o príncipe camaronês, claro.

sábado, 30 de agosto de 2008

As 10 contusões mais bizarras da NBA

Isso vale 2 pontos no taekwondo
Não sei se vocês já sabem, mas o Monta Ellis se machucou e ficará sem poder jogar por pelo menos por 12 semanas. Isso quer dizer que ele vai perder boa parte da temporada. E já que o Warriors perdeu o Baron Davis e o Oeste é disputado pra diabo, isso quer dizer que o Warriors pode ter perdido sua vaga nos Playoffs mais de um mês antes da temporada começar.
O problema foi no tornozelo e precisou de cirurgia, que já foi realizada. Muita gente que torce para o time já está triste chorando no ombro de amigos. O próprio General Manager do Warriors, Chris Mullin, disse meio cabisbaixo que a pré-temporada seria importante para Monta se adaptar a sua nova função como armador principal e que agora terá que aprender com a temporada já rolando.
Deu até pra ficar com pena do jogador por um tempo. Ninguém quer se machucar, né? Até que, de repente, descobrimos que ele vai perder todos esses jogos porque se envolveu num acidente de MOTINHA! Sim, esse é o nome correto para scooters. O jogador tinha uma cláusula em seu contrato que dizia que ele não poderia andar de moto por causa do risco de lesões, então é claro que ele então MENTIU dizendo que tinha se machucado jogando basquete com amigos. Depois descobriram e a soma da quebra da cláusula e da mentira rendeu uma suspensão de 30 partidas. Isso quer dizer que ele não só não irá jogar, mas não irá RECEBER DINHEIRO pelas partidas que perder.
Fica um pouquinho pior: o técnico Don Nelson e o manager Chris Mullin não viram nada de mais na lesão do Ellis, o plano era não fazer nada a respeito. O presidente do time, Robert Rowell,  teve que intervir para lembrar que um cara que tinha acabado de assinar um contrato de 66 milhões de dólares já estava o descumprindo nos primeiros meses, prejudicando "o time, os negócios e a torcida".
O acidente de moto ilegal que virou uma crise entre os PODERES do Golden State Warriors é apenas uma das contusões bizarras que já povoaram a liga. Hora de lembrar de outras:

10 - Tony Allen
Quantas vezes vocês não continuaram jogando bola mesmo depois que o professor de Educação Física apitou? No esporte, desde as aulinhas da escola até a Copa do Mundo, o apito é quem manda. É o sinal de "pare". Se acontece alguma infração ou acaba o jogo, ouve-se um apito e então todos devem parar. O apito é a hora em que você pára de bater no outro cara para cumprimentá-lo e trocar a camisa.
Mas não para Tony Allen. Para ele o apito é sinal de "Vou mostrar pra todo mundo a enterrada que eu sei fazer".
O jogo parou. Tony Allen continuou, pulou, tentou enterrar, errou a enterrada, caiu de mal jeito, torceu o joelho e ficou fora da temporada. O vídeo dá uma certa agonia, sugiro nem assistir.




9- Ron Artest
Jogadores da NBA são ricos e gostam de comprar presentes para as pessoas que gostam. Mas a prova de amor de Ron Artest para sua mulher rendeu uma contusão bizarra.
O ala do Sacramento Kings comprou um Mercedes SL 500 para a esposa, mas ela simplesmente não achou que era seu estilo. Já que tinha comprado, o Artest decidiu que ele mesmo ia ficar com a máquina. Acontece que o teto do carro é baixo e o Artest é UM JOGADOR PROFISSIONAL DE BASQUETE, forçando-o a ficar corcunda. Depois de alguns dias de direção, as costas do Artest travaram e ele não conseguiu começar jogando uma partida que o Kings perdeu para o Memphis Grizzlies.
Não compre carros no impulso, cara, eles são caros.

8- Kendrick Perkins
O magrinho pivô dormia gostoso em sua cama quando um lado dela desabou. Ploft. Perkins foi tentar arrumar o desastre, levantou e quando mexia no outro lado da cama, a parte da cabeceira começou a cair! De pijaminha, aquele MURO HUMANO correu para tentar segurar a cabeceira, mas era tarde demais. Tudo desabou bem em cima do seu dedão do pé. Ele não jogou a partida seguinte contra o Sacramento Kings.

7- BJ Tyler
Para quem não lembra (todos menos a mãe do coitado), BJ Tyler foi a 29° escolha do draft de 1994, escolhido pelo Philadelphia 76ers. Jogou 55 partidas no seu primeiro ano, com humildes médias de 3,5 pontos e 3,2 assistências.
Antes do seu segundo ano, ele foi escolhido no draft de expansão pelo recém-nascido Toronto Raptors e foi para o Canadá. Lá deve ser tão frio, mas tão frio, que o Tyler conseguiu dormir enquanto fazia um tratamento com gelo no seu joelho! As horas de gelo causaram um problema no seu nervo (não me pergunte como) e ele nunca mais conseguiu ser o mesmo.

6- Brad Miller
O cara estava em alta. Foram dois jogos seguidos com 20 pontos e 20 rebotes e ele tinha sido eleito o melhor jogador da semana na conferência Oeste. E estou falando do Brad Miller do ano passado, nem é aquele dos seus bons tempos de parceiro do Chris Webber. Mas de repente, no meio da boa fase, ele aparece com 9 pontos no dedo da mão e não pode jogar. O que aconteceu?
"É a última vez que eu ajudo a lavar a louça."
Sim! Brad Miller se cortou feio com uma faca ao lavar a louça! Onde estão os imigrantes ilegais? Ele mora na Califórnia e é rico, pô! Mikki Moore também se revoltou:
"Você faz 20 pontos e 20 rebotes em dois jogos seguidos e depois corta o dedo fora? Isso não é muito inteligente."

5- Kobe Bryant
O humilde Brad Miller já não tinha desculpa pra não ter uma mísera máquina de lavar louças, então que desculpa teria Kobe Bryant? Ele ganha 20 milhões de dólares por temporada e ainda precisa passar o aspirador de pó em casa? O vídeo em que ele conta o caso já SUMIU, mas aconteceu.

4- Kevin Johnson

Lembram do Kevin Johnson? Os mais pivetes podem não lembrar, mas ele era um puta jogador, já foi da seleção americana, 7° escolha no draft de 1987, dava uns passes bem maneiros, foi um dos únicos três jogadores a ter média de 20 pontos e 12 assistências em uma temporada e depois se tornou PREFEITO DE SACRAMENTO! Difícil ser político, mas nada tão difícil quanto jogar com Charles Barkley...
Em um jogo de temporada regular pelo Phoenix Suns, Barkley fez uma MALUCA cesta da vitória no último segundo contra o Blazers. Então Sir Charles correu em direção ao companheiro e o abraçou com força. Muita força. Kevin Johnson saiu da quadra com a vitória e uma lesão no joelho:



3- Gilbert Arenas
Nas palavras do próprio Agente Zero:
"Quando eu era novato na NBA alguns veteranos do time me convenceram a depilar, você sabe, lá embaixo. Eles falavam que os pelos de lá fedem muito. Então peguei uma gilete da minha namorada, mas a lâmina era velha, ruim e me deu quelóide (quer ver o que são quelóide, NÃO veja aqui, Irgh!). Meu médico me deu um remédio para colocar só em cima das cicatrizes, mas eu já joguei e espalhei por tudo lá. Três dias depois acordei gritando. A pele estava queimada no meu saco, em tudo, era carne viva. Eu ainda tinha que ir lá, correr, jogar, então usei um spray para anestesiar durante um mês até sarar. Agora eu raspo com máquinas."
Melhor ter pentelho fedido.

2- Lionel Simmons
Conhecido como L-Train, a 7° escolha no draft de 1990 estava em grande fase na sua temporada de novato mas, claro, ainda era só uma criança. Logo após ter sido eleito o jogador da semana, Lionel Simmons foi para a lista de contundidos por causa de uma tendinite.
Muitas horas JOGANDO TETRIS NO GAME BOY não fizeram bem pra ele.
Se isso foi em 90 quer dizer que era aquele GameBoy-Tijolo com tela verde. Nem tinha Pokemón para ele trocar com os coleguinhas de time. E como o NBA All-Star Challenge era um lixo, deve ter sido só Tetris mesmo. Haja paciência.

1- John Starks
Ele poderia ter ficado famoso apenas pela enterrada que deu contra o Bulls nos playoffs de 93. Mas não, o destino não quis assim. John Starks é conhecido também como o cara que teve uma torção de testículo. Sim. Torção de testículo, a contusão mais bizarra da história da NBA. De longe!
Eu não sabia nem que isso existia, mas existe sim, veja o que site ABC da Saúde diz a respeito:
"É uma dor súbita no escroto (saco, saco escrotal) acompanhada de aumento de volume do mesmo. Pode estar acompanhada de sinais locais, tais como 'inchume', aumento da temperatura e 'vermelhidão'. Sintomas gerais como náuseas, vômitos e dor abdominal podem acompanhar o quadro. Geralmente crianças e adolescentes são mais afetados. É uma emergência cirúrgica."
OUCH!!!! Vocês conseguem imaginar como deve ser terrível ter uma dor assim nas bolas? Dizem que dá pra consertar em alguns casos mas em outros tem que tirar fora o testículo torcido, que foi o caso do John Starks, que sofreu isso quando jogava pelo Jazz e bem no meio de uma série de Playoff. Essa nem vou arriscar no Google Imagens.

UPDATE:
Outras lesões bisonhas na NBA:
  • Seguindo o exemplo de Monta Ellis, Vladimir Radmanovic mentiu para o LA Lakers após se machucar fazendo snowboard. Descobriram e ele ganhou o apelido de "Slalom" depois disso.
  • Derrick Rose já cortou o braço ao esquecer que tinha deixado uma FACA, usada para cortar uma maçã, em cima da cama.
  • Dirk Nowitzki torceu o pé em 2001 ao CALÇAR o tênis antes do jogo. Tava apertado e quando ele foi dar um pisão forte no chão para checar se estava firme, descobriu que não estava.
  • O que você faz quando acabou de operar o joelho? Joga boliche, né Andrew Bynum? Não acabou bem.
  • Sabe quando aqueles caras parecem muito machos fazendo flexões com o punho fechadoKevin Love tentou ser um desses machos e saiu de mão quebrada.
  • Num acesso de fúria, Amar'e Stoudemire quebrou a mão SOCANDO um extintor de incêndio do Madison Square Garden.
  • Enes Kanter deu uma porrada em algo menos destruidor, uma CADEIRA, mas quebrou o braço do mesmo jeito.