sábado, 29 de novembro de 2008

As melhores ou piores tatuagens da NBA

Pessoal, é sábado, o Sol está brilhando lá fora, meu cachorro (Kobe é o nome do vira-lata) quer passear, a namorada me espera e não estou muito a fim de ficar escrevendo um texto enorme, ok?

Mas ficar sem nada também não é divertido, então vou trazer à tona uma pequena pesquisa que eu estava fazendo dias atrás sobre as tatuagens dos jogadores da NBA. Só o Denver Nuggets já renderia um livro de tatuagens, mas infelizmente não é tão fácil assim achar fotos de todas.

Fazendo a pesquisa eu descobri que não tenho opinião formada sobre tatuagens. Umas parecem legais mas não sei explicar o motivo, outras parecem ridículas mas, pensando bem, não são muito diferentes das que eu acho legais. Também achei muitas tatuagens em sites chamados "As melhores tatuagens da NBA" e depois a mesma em uma página "As piores tatuagens da NBA". Parece que não é tão fácil de julgar quanto a beleza feminina.


Então façamos o seguinte, vou postar aqui as que eu achei mais interessantes e fazemos uma votação nos comentários para eleger as melhores e as piores tatuagens, fechado?


Acho que nada melhor do que começar com um cara que fez fama com as suas tatuagens, Dennis Rodman.



























Que tal? Até difícil comentar tanta coisa ao mesmo tempo, mas o que mais chama a atenção são os touros no peito. Seria uma alusão ao Chicago Bulls? E se ele fez um para cada título que ganhou, cadê o terceiro touro? E os dois pistões? Legais as tatuagens dele, mas eu prefiro o cabelo colorido.

Outro que fez fama com as tatuagens foi o Iverson, mas impressiona mais pela quantidade do que pela qualidade, até porque não dá pra perceber nada, só dá pra ler coisas como "Cuz we loz na da hood" que só fazem sentido no gueto dele.




























Ele era só um jogador da NBA, mas aí chamou o pessoal do "Made" da MTV e disse: eu quero ser um bad boy! Fez umas tatuagens, uma cara de mal e hoje é o adolescente revoltado da liga. Ou, como diz a Dime, "O adolescente gótico mais alto do mundo". Com vocês, Robert Swift.




























O LeBron é chamado de "O Escolhido" por muita gente, antes de entrar na NBA ele era chamado assim e até foi capa da revista Sports Illustrated com a chamada "The Chosen One". Ele gostou da idéia e tatuou a expressão nas costas.





















Mas podem contar como dois "Chosen ones" embora isso soe completamente errado. O Paul Pierce tem a mesma tatuagem. Aposto no duelo dos dois escolhidos, os Chosen Twos, na final do Leste desse ano.

Apesar de iguais, pelo menos os dois são bons o bastante para ter tatuagens assim. Pior é o Jameer Nelson com as costas cobertas pela frase "Todos os olhos sobre mim". Claro, claro, turnovers e atuações medianas chamam muito a atenção.



















Entre outros jogadores ruins, tem também a tatuagem do DeShawn Stevenson, que acho que é para que ele se sinta usando o uniforme do time o tempo inteiro, é a única explicação.






















De todas as que eu vi, a que achei mais legal é a do novato Darrell Arthur, do Memphis Grizzlies. Se todo mundo chama o LeBron James de "King James", por que não deixar o coitado do novato ser o Rei Arthur, certo?




















Um dos apelidos mais legais da NBA é o do Shawn Marion: The Matrix. Ele também achou legal e foi tatuar na perna, mas como desgraça pouca é bobagem, tatuou em chinês. E sem consultar o Yao Ming!
No fim das contas não sei se está certo, errado, meio certo ou se é um jeito dos chinas se referirem ao filme, mas o fato é que está escrito "Demônio Pássaro Mariposa Bolas" na perna do cara.






















Até agora brincamos com frases e significados, mas a coisa começa a ficar feia mesmo quando não entendemos o que diabos os jogadores querem dizer com suas tatuagens. Que tal esse cara explodindo a própria cabeça com uma espingarda? Idéia do Marquis Daniels.
























O mesmo Marquis Daniels que tatuou o mapa do estado da Flórida nas costas. Roots, bro! Tem o mapa físico também ou só o político?



























Epa, o que é isso nas costas do Duncan? É um palhaço? Um bobo? O Coringa? O Jóker? Que diabos ele quis dizer com isso? É uma mensagem subliminar dizendo que no fundo ele é um ser humano com sentimentos e bem humorado, e não uma máquina de jogar basquete? Gostei!



























Eu não sabia dos antepassados astecas/maias/egípcios do Rasheed, mas firmeza, a tatuagem ficou legal. Se eu fosse ele tatuaria no outro braço a imagem de um juiz dando uma falta técnica.



























O Gilbert Arenas, que tinha o apelido de Black President por jogar em Washington, disse que não vai mais usar o nome agora que o Obama é o verdadeiro presidente negro. E para homenagear o eleito, Arenas fez uma variação do mote da campanha de Obama "Change We Can Believe In". Algo como "Podemos acreditar na mudança", uma chamada bem Lulesca, diga-se de passagem.

















As tatuagens do Delonte West nem são feias, são bacaninhas até, mas acho que ele se mexeu muito na hora que estavam fazendo e acabou pegando no seu pescoço. No PESCOÇO!


























Outro mané que tem tatuagem no pescoço é o Kenyon Martin, mas a dele é pior, é um beijo no pescoço. Já não bastava ter um bebê tatuado no braço, agora tem batom eterno no cangote. Alguma coisa não funciona no cérebro do K-Mart, acho que os neurônios estão ocupados demais dizendo "Enterra! Enterra!".
















Agora a última. Uma que já é conhecida de vocês, que já postamos aqui no blog mas que sempre é bom colocar de novo. Senhoras e senhores, o Sr. Stephen Jackson e sua mão rezando segurando um revólver.



























Amém.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Mais um time do futuro

Sorria, você não está mais no Celtics


Nós falamos, repetimos e falamos de novo sobre o futuro promissor do Blazers. E sem precisar perder dinheiro ou pés em apostas, acertamos, o Blazers está aí jogando muito com todos os seus meninos de fralda provando que são bons mesmo. Então como o Blazers é muito semana passada, vou pedir para vocês abrirem os olhos para outro time que, por incrível que pareça, tem um futuro promissor. É o Timberwolves.

Antes que vocês pulem o texto inteiro para ir nos comentários me xingar, já explico, não estou dizendo que eles têm talento parecido com o do Blazers, nem um banco de reservas tão talentoso ou que está a alguns anos de títulos. Podem deixar que vou deixar tudo mais claro.

O princípio do futuro promissor do Wolves está em sua estrela, Al Jefferson. Todos os times ruins da liga têm uma superestrela em quem confiam e querem montar o time em volta: o Thunder tem o Durant, o Memphis tem Gay e Mayo, o Clippers tem o Baron Davis e o Knicks, bem, o Knicks tem o LeBron, fazer o quê?

Tirando o LeBron platônico do Knicks, o melhor jogador desses todos é, pra mim, o Al Jefferson. O rapaz é uma potência ofensiva sem tamanho, pega rebotes com facilidade e parece estar evoluindo a cada segundo que passa, ele deve comer talento no café da manhã. E não estou fazendo propaganda do chocolate (embora seja uma delícia e você deva comprar já!). Mas falando sério, não sou daquele tipo de gentinha que fica vendo jogo do Wolves o tempo inteiro, afinal eu gosto de basquete, mas cada vez que eu tomo coragem e vejo, o Al Jefferson parece melhor, é legal ver aquele moleque com potencial do Boston virar um jogador de verdade.

Sabiam que apenas ele, Dwight Howard e o Chris Bosh estão com médias superiores a 20 pontos e 10 rebotes por jogo? E hoje em dia qualquer um que está na mesma frase que o Chris Bosh já é um All-Star.

Quem sabe que o Al Jefferson é tão bom assim são todos os torcedores do Suns. No ano passado, o Suns conseguiu a proeza de perder duas vezes para o Wolves, sendo que nessas duas vitórias o Al Jefferson teve média de 35 pontos por jogo! O perigo é tanto que o Terry Porter, técnico do Suns, descansou o Shaq no jogo de antes de ontem só para ele entrar descansado contra o Wolves. Ele tinha usado a mesma tática contra o Bucks, já que segundo ele o Andrew Bogut sempre dava dor de cabeça pro Suns.

A tática deu certo por um lado, o Suns ganhou e o Al Jefferson saiu com 6 faltas, mas falhou por outro, já que o jogo foi apertado e o "Big Al" fez 28 pontos e pegou 17 rebotes, 12 deles ofensivos.

Então aí está um bom motivo para acreditar no futuro do Wolves, eles têm um jogador muito bom e de uma posição difícil de achar, um pivô, já que mesmo improvisado ele joga por lá. Do lado dele está o Kevin Love, que embora tenha o lado negativo de ter vindo numa troca pelo OJ Mayo- que é muito melhor-, é um bom jogador apesar de ser branco e pode muito bem se firmar como o Robin do Al Jefferson.

O risco maior da troca foi deixar as outras posições no limbo. Enquanto o Mike Miller é uma boa aposta para os arremessos de longe, foi como se o Wolves estivesse contando muito com a evolução do Sebastian Telfair, Randy Foye e Corey Brewer. O que, digamos, é uma aposta um pouco menos segura do que apostar em um título cor-de-rosa no Brasileirão desse ano. Mas, aos poucos, parece que a aposta vem dando resultado.

O Telfair nunca vai ser aquela superestrela que o Portland achava quando o draftou, mas é bom, assim como o Brewer definitivamente não é o cara que parecia que ia ser quando brilhou no título da NCAA pela Universidade da Florida mas é aceitável. Mas tudo isso pode ser esquecido se o Randy Foye virar um jogador mais regular, de preferência regularmente bom.

Quando ele joga bem, o time joga bem. Eles têm um arremessador fenômenal com o Mike Miller, um garrafão forte e bons coadjuvantes como o Ryan Gomes e o Craig Smith, é um elenco implorando por um bom armador. Os melhores jogos do Wolves no ano sempre tiveram uma boa atuação do Foye ou do Telfair.

E você deve estar se perguntando "E desde quando o Wolves tem jogo bom?". Pois saiba que nesse ano eles tiveram boas atuações sim, o problema é que eles sempre, sempre, perdem no final.

Contra o Thunder, na única vitória do Thunder na temporada, os dois times jogaram bem mal, mas o Wolves liderava até o quarto período, quando perdeu de 18 a 12 e o jogo por 88 a 85. Nesse jogo o Wolves não fez um pontinho sequer nos últimos 2 minutos e 41 segundos de partida.

Depois veio aquele jogo em que eles tomaram 55 pontos do Tony Parker. O jogo foi para duas prorrogações, o Telfair deu 10 assistências, mas eles não aguentaram o tranco dos tempos extras e tomaram pau.

Na semana seguinte eles perderam duas vezes para o Portland, uma por 4 pontos de vantagem e a outra por 5, para o Warriors por 3 pontinhos e por fim para o Nuggets por 6 de diferença graças a uma cesta fantástica do Billups no final do jogo. Depois disso veio aquela vitória sensacional de 26 pontos de diferença sobre o Pistons, em Detroit, com a melhor atuação do Foye na temporada.

Ou seja, o Wolves é um time bom. E vendo eles jogarem é possível ver que eles sabem o que estão fazendo em quadra, e é o mais simples possível. Pick-and-roll o tempo inteiro com o Al Jefferson para usar ele o máximo possível, quando não dá, o Foye ou o Telfair batem para dentro em busca de arremessos de longe.

Nos jogos que eu vi, a jogada que mais aconteceu foi a do armador atacar pela zona morta e, quando chega embaixo da cesta, passar para um arremessador livre de fora. Com Al Jefferson e Love lá dentro, sempre sobrava alguém de longe. Mais simples impossível, certo? E ainda acho que eles poderiam usar mais o Kevin Love na cabeça do garrafão para fazer aqueles passes estilo Brad Miller/Pau Gasol para quem corta em direção à cesta, nada é mais legal que um cara de garrafão passando bem a bola! Tá, sexo é mais legal, admito.

O time joga corretamente, apenas 8 times na NBA inteira cometem menos turnovers, tem bons jogadores jovens e um pivô sensacional. Acho que o começo está aí, pronto para ser desenvolvido. Eles só precisam melhorar mesmo a qualidade dos arremessos de longa distância (tirando o Mike Miller, todo mundo é de lua) e arranjar alguém que tenha sangue frio para decidir os jogos pra eles no final, porque amarelar no quarto período até para o Thunder é palhaçada.

Quem sabe em 2010 não sobra alguém pro Wolves? Afinal 2010 é o ano da salvação de todos os times, até o Corinthians vai contratar Free Agents e ganhar a Libertadores.
A NBA deveria fazer duas séries rápidas de playoff entre Lakers e Celtics e decretar que 2010 chegou, seria mais fácil.


Dois vídeos:

Comentaram na Dime sobre um drible lindo do Jamal Crawford no Ray Allen ontem e eu fui conferir, falaram que ele tinha feito o Ray Allen cair e que tinha sido um drible sensacional. Eu só achei que o Ray Ray caiu pra pedir falta, nada de mais. Vocês acham o quê?



Esse outro vídeo é um rap de um branquelo sobre NBA. Ele fala primeiro sobre a doença da velhice que ataca o LeBron e o Greg OLDen e depois diz que o MVP dessa temporada se chamará Chris, ou Bosh ou Paul. Eu só não coloco o player aqui porque ele dá play sozinho sempre que você abre a página, mas clica aí que vale a pena.

LINK VIDEO

Será que ele esqueceu do Chris Quinn ou só não tinha uma rima pra ele?

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

O futuro do Cavs

"Tinha um papagaio, um judeu e o Duncan, e aí..."


Não sei bem como dizer isso, é um tanto constrangedor, parece mentira quando sai da boca e, se ouvido por aí, me faz passar por maluco. Como dizer, então, sem ser dominado pela incredulidade? Bem, falemos de uma vez. O Cavs é... um dos melhores... times... da NBA.

Diabos, como isso foi acontecer? Tá certo, eu vi o Cavs ser campeão do Leste, vejo eles fazendo estrago nos playoffs todo ano, mas sempre afirmei que eles são "o melhor pior time do mundo". Ou seja, um time mequetrefe e sem talento mas que dá certo mesmo assim na base da defesa, dos rebotes (principalmente ofensivos) e do LeBron James. Pra piorar, o Cavs faz umas trocas meio aleatórias, sem critério, parece nunca saber que tipo de elenco está de fato montando e nunca tem a paciência necessária para aguardar a disponibilidade de um jogador que se encaixe no esquema proposto. Como se não bastasse, Mike Brown é um dos piores técnicos da NBA quando o assunto é atacar e sua tática favorita é a "passem para o LeBron e depois venham sentar aqui no colo do vovô comer um cookie, tomar um copo de leite e ouvir uma historinha". Com isso, me acostumei a tratar o Cavs como um time que faz meus olhos sangrarem mas que, mesmo assim, aguento o sofrimento de assistir em nome do punhado de jogadas de LeBron que costumam salvar tudo. A experiência de ver um jogo do Cavs sem LeBron, no entanto, só pode ser comparada à experiência de ter visto a Playboy da Mara Maravilha nos anos 90. Quem deu uma espiada e resistiu à vontade incontrolável de arrancar os próprios olhos com com um graveto sabe do que eu estou falando.

Mas agora tudo está diferente. O Cavs é um time funcional dos dois lados da quadra, o ataque está fluindo como nunca, há inteligência na movimentação de bola e dá até gosto de assistir aos jogos. Como explicar a mudança, a eficiência, a evolução, a segunda colocação no Leste atrás apenas do Celtics? Admito: tudo isso é, em parte, culpa do Mo Williams.

Fui o primeiro a alertar que o Mo Williams iria enlouquecer o LeBron em dois minutos de convivência por não passar a bola, querer decidir os jogos no final e não ter nenhuma lógica na escolha de seus arremessos. Colocar um jogador desses como armador principal de qualquer equipe é loucura, porque a bola acaba não chegando em quem deveria. No Bucks, por exemplo, o Michael Redd deveria ser o chefão da budega mas passava partes enormes dos jogos ignorado no ataque, mofando num canto, esquecido, tipo eliminado de Big Brother. No final de jogos disputados era ainda pior, o Redd queria mostrar serviço mas sequer via a cor da bola. Aposto que ele preferia ver a tal Playboy da Mara Maravilha do que jogar mais uma temporada com o Mo Will.

Como o Cavs resolveu esse problema? Como impedir que a bola passe longos minutos sem chegar nas mãos de LeBron James? Simples: deixando que LeBron seja o responsável por armar o jogo. Mo Williams até leva a bola para o ataque, correndo como um maluco com certa frequência, mas não é de forma alguma o armador do Cavs. É LeBron quem chama as jogadas (todas as duas), quem coloca a bola em movimento e quem decide o que fazer com ela. Mo Williams sequer tem a chance de ser fominha, permitindo que ele use sem contra-indicações suas maiores qualidades: velocidade na transição e seus arremessos de fora. Com isso, o Cavs como um todo é um time mais veloz, mais preocupado em impor velocidade no ataque. O estilo se encaixou bem com LeBron, que pode atravessar a quadra inteira de costas em dois segundos durante os contra-ataques. Vi uma jogada umas semanas atrás que não encontrei no YouTube - nela, LeBron parte para o contra-ataque contra dois defensores e simplesmente contorna os dois como se fossem cones. Enquanto os defensores deram dois passos, como seres humanos normais seriam capazes naquela passagem de tempo, LeBron deu uns quinze passos e não podia ser parado a não ser com um tiro de espingarda. Ou seja, por que o Cavs não resolveu correr antes?

Mas, além disso, o time também é muito mais mortal do perímetro, algo que sempre foi uma grande deficiência da equipe. E aí Mo Will é apenas parte da solução, porque toda a equipe parece mais competente no quesito. O arremesso de três pontos de LeBron vem se firmando aos poucos e, se não é confiável, pelo menos já não fede mais. Mas quando ele cria espaços para os outros companheiros simplesmente por respirar, dois armadores estão de prontidão no perímetro para acertar seus arremessos de fora: Mo Will e Delonte West. Na prática, com LeBron armando, o time fica com três armadores, três armas perigosas de fora, e todo mundo está acertando seus chutes. Mo está convertendo 40% de seus arremessos de três, West 45% (e absurdos 52% contando também os de dois pontos). Com isso, o Cavs é um time com mais opções e que aguenta melhor do que nunca os momentos em que LeBron vai pro banco. Na verdade, as vitórias andam tão fáceis que LeBron anda passando vários últimos períodos dos jogos no banco, assim como Kobe Bryant. Mas é claro que são níveis diferentes: LeBron, com 37 minutos por jogo, está com a menor média de minutos de sua carreira, é verdade, mas Kobe está jogando apenas 33 por partida - coisa que não acontecia desde sua segunda temporada na Liga, quando ele ainda engatinhava e comia papinha.

Quando LeBron senta, Mo Williams pode retomar seus velhos hábitos e monopolizar o ataque, mas o elenco de apoio agora é mais sólido do que nunca e, pela primeira vez, tem uma identidade. Todos os jogadores sabem suas funções tanto no ataque quanto na defesa, há uma consistência e uma profundidade capazes de resistir a um par de contusões. Ou seja, não só dá gosto de ver o Cavs jogar como eles também despontam como favoritos para levar o Leste sem muitas surpresas. O próximo Cavs e Celtics pode ser um bom termômetro das reais chances desse time, mas acredito que seja um duelo muito mais equilibrado do que na temporada passada.

Essa evolução da equipe, no entanto, não interessa apenas para esses playoffs. Na verdade, repercutem diretamente nas decisões que serão tomadas em 2010. Com as trocas feitas pelo Knicks para liberar espaço na folha salarial, nitidamente com intenções de contratar LeBron quando seu contrato terminar em 2010, não se fala em outra coisa além do futuro do astro. Na noite de ontem, o Cavs foi visitar o Knicks em New York e a cidade parecia até que iria receber a Alinne Moraes: camisetas exclusivas distribuídas por toda parte (com os dizeres "Testemunha", e não, não é aquele filme com o Harrison Ford), balões, quadras de rua decoradas, e uma torcida no Madison Square Garden que foi à loucura desde o primeiro segundo em que LeBron pisou na quadra. Depois das trocas o Knicks fede, o Cavs reina, foi um atropelamento, mas a festa continuou. Se a intenção era mostrar que LeBron vai ser amado, idolatrado e salve-salve pela torcida de lá, deu certo. Mas não acho que isso vá pesar muito na hora de LeBron decidir, em 2010, por qual time jogará.

Entendo que existem algumas decisões bem irracionais no mundo, que levam em conta fatores meio bizarros. Eu, por exemplo, não fui me vacinar contra a rubéola por medo da doença. Na verdade, tinha decidido não ir (afinal, dava trabalho e eu não sou muito fã de agulhas) até ver o sorriso sensacional da Fernanda Paes Leme num cartaz da campanha de vacinação. Então compreendo que o LeBron possa escolher jogar no Knicks por New York ser a meca do basquete mundial, por ser o maior mercado, ter a torcida mais fanática, o ginásio mais famoso, um técnico que LeBron chamou de "gênio ofensivo" e um uniforme "suuuper fashion". É possível. Mas numa corrida silenciosa contra Michael Jordan e o posto ilusório de melhor jogador da história da humanidade, o que deve importar para LeBron é o time que lhe der mais condições de ser campeão quinhentas vezes. O atual Cavs pode não ser esse time, convenhamos, mas o Knicks é que não vai ser mesmo. Praticamente não resta nada por lá e LeBron teria a tarefa de erguer o Knicks das cinzas, coisa que ele já fez com o Cavs e deve estar meio de saco cheio de fazer. Aos 23 anos, sinto que o LeBron já passou da fase "vamos ser estrela dessa budega" e deve estar interessado em deixar seu nome no exclusivo hall dos campeões, visitado por poucos jogadores inigualáveis como Brian Scalabrine, Darko Milicic e Bruce Bowen. Coisa fina.

Se o Knicks quer chances de roubar LeBron de um Cavs que, mais do que nunca, tem chances reais de ganhar um anel, é melhor começar a vencer o mais rápido possível. Caso David Lee, Nate Robinson e seus amigos formem algo que lembre de longe um grupo, um elenco promissor e interessante que pode alcançar grandes coisas, aí o assunto será outro. Por enquanto, no entanto, só veremos LeBron no Knicks em 2010 se ele for, metaforicamente, muito fã do sorriso da Fernanda Paes Leme. Ou algo assim.

Quem mais erra enterradas na NBA?

Líderes em alguma coisa, pelo menos

Hoje eu estava vendo o jogo massacre/humilhação/tortura/aula/lição do Cavs sobre o Knicks quando o Nate Robinson errou uma enterrada:

Denis: Nate Robinson errou uma enterrada agora mesmo!
Danilo: Ele deve ser o cara que mais erra enterrada na NBA. Não tem uma estatística sobre isso?

Agora tem. Acabei de fazer. E para surpresa do Danilo, não é o Nate Robinson quem mais erra enterradas, na verdade é o seu querido Yao Ming junto com o Carmelo Anthony. Nas estatísticas estão contabilizados as enterradas erradas sozinhas ou tomando toco, das quatro do Yao e do Carmelo, três foram erradas sozinhas e uma foi toco.

Em negrito eu deixei os novatos, achei bem expressiva a quantidade de novatos na lista, com destaque para as 3 enterradas erradas do armador nanico do Thunder, o Russell Westbrook. Acho que a pivetada chega querendo apavorar na NBA e não é bem assim que funciona, tem que tomar um toco (do aro ou de alguém) pra perceber que está na NBA.

Aqui está a lista:


Carmelo Anthony e Yao Ming: 4

LaMarcus Aldridge, Trevor Ariza, Andris Biendris, Tyrus Thomas, Russell Westbrook e Andrew Bogut: 3

Andrew Bynum, Pau Gasol, Charlie Villanueva, Reggie Evans, Chris Bosh, Nicolas Batum, Ronnie Brewer, Shaquille O'Neal, Mickael Pietrus, Amaré Stoudemire: 2

Dwight Howard, Chris Kaman, Jason Thompson, JJ Hickson, Nate Robinson, Kenyon Martin, Cat Mobley, Brendan Wright, Tim Duncan, Paul Millsap, Mike Taylor, Ronnie Price, Josh Smith, Travis Outlaw, Spencer Hawes, LeBron James, Gerald Wallace, Andre Brown, Jeff Green, Brian Skinner, JaValle McGee, Danthay Jones, Marcus Camby, Aaron Gray, Josh Boone, Kevin Durant, DeMarcus Nelson, Renaldo Balkman, Al Horford, Kwame Brown, Mareese Speights, Robin Lopez, Brook Lopez, Rasho Nesterovic, Vlad Radmanovic, Jamario Moon, Jason Maxiell, Hakim Warrick, Dirk Nowitzki, Kosta Koufos, Dominic McGuire, Kendrick Perkins, Carlos Boozer, Brandon Bass, Jermaine O'Neal, Ryan Hollins, Johan Petro, Solomon Jones, Drew Gooden, Yi Jianlian, Joakim Noah, Jerryd Bayless, Tracy McGrady, JR Smith, Robert Swift, Hilston Armstrong, Dwyane Wade, Al Jefferson, Anthony Randolph, Kobe Bryant, Jordan Farmar, Linas Kleiza, Kirs Humprhies, John Salmons, Ben Wallace, Mario Chalmers, Paul Davis, Matt Barnes e Kevin Love: 1

Se eu pudesse apostar, teria apostado no Tyrus Thomas como líder em enterradas erradas. Ele sempre está forçando a barra e geralmente erra. Mas fui eu que errei, deveria ter apostado no Yao, claro que quem mais erra enterrada é o cara mais alto da NBA, devia ter pensado nisso!

Para mais estatísticas bizarras e/ou interrantes, veja a nossa barra lateral do blog, lá tem os líderes de enterradas (as certas), os líderes em pontos em jogos fora de casa, os cestinhas dos jogos às quartas-feiras e os líderes em faltas técnicas na temporada. A nata dos números sobre basquete.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Você está demitido!

Eddie Jordan: cagando mas não andando

Depois do PJ Carlesimo ser o primeiro técnico demitido da história do Thunder ontem, foi a vez do Eddie Jordan ser mandado embora do Wizards. Eu não lembro de dois técnicos serem mandados embora tão cedo numa temporada da NBA, mas minha memória não é a do PVC então eu posso estar errado.

A situação dos dois é bem parecida, os dois estão no comando de times medíocres, com elenco fraco e que todo mundo sabia que ia dar errado. Mesmo assim os dirigentes foram lá e mandaram eles pra casa mais cedo. Mas por quê?

Para o Thunder (ainda me sinto ridículo dizendo esse nome) eu não sei direito o que houve. O Carlesimo nunca teve fama de grande técnico mas ele tinha conseguido sua grande função no time, que era desenvolver o Kevin Durant e o Jeff Green em jogadores muito bons, com o resto não dá pra fazer milagre, não era culpa dele que todo pivô que os enfrenta arregaça com o jogo. Mas talvez os dirigentes simplesmente não vissem mais futuro com o Carlesimo, ele fez a parte dele em desenvolver o jogo do Durant e do Green e agora é hora de outro continuar o serviço.

Outra opção é que eles podem achar que o time é bom o bastante para ter resultados melhores do que esses. Mas será que um time com Earl Watson, o novato Westbrook em seu primeiro mês de NBA, Durant, Jeff Green e a pior combinação de pivôs e alas de força de toda a liga tem alguma chance de ser melhor do que isso? É como mulher feia, você pode vestir ela melhor, maquiá-la e melhorar um pouco, mas mulher feia é mulher feia pra sempre. O capitão do time de futebol americano sempre vai preferir a cheerleader loira a ela.

Tem ainda outra teoria sobre a demissão, que é a que mais me convenceu. É que foi para agradar a torcida. O time é recém-chegado à cidade, teve seus ingressos de temporada esgotados e a cidade está em êxtase por ter um time da NBA. Aí eles vão lá, perdem 12 dos seus primeiros 13 jogos e com um mês de vida o ginásio antes tomado por festa é assombrado por vaias. Pega mal. A diretoria mandando o técnico embora mostra que está do lado da torcida, mostra que está fazendo o possível para fazer o time se tornar um sucesso. Pura jogada de marketing associada com a falta de competência do Carlesimo, ninguém mandaria um técnico insubstituível só pra agradar a torcida.

A situação do Wizards é um pouco diferente. Embora o time seja realmente ruim e com elenco limitado, esse elenco é limitado por contusões, não por deficiências na hora das contratações. Não é culpa nem da diretoria e nem do Eddie Jordan que o Arenas e o Haywood, armador principal e pivô titular do time, não estejam com a equipe.

Mas se ano passado a gente tinha visto um Wizards se superando com o Arenas fora da equipe, hoje vemos o oposto. Cansei de falar na temporada passada que o Wizards jogava melhor sem o Arenas porque, ao invés de parar e ver o Agente Zero jogar, eles viram que precisavam jogar como um time, defender, rodar a bola, atacar os rebotes e tudo isso que um time de basquete faz se quer mesmo vencer. E deu certo, eles foram um bom time no ano passado.

Mas nesse ano, lá estão eles na mesma situação. O que era pra ser uma superação apenas temporária aconteceu de novo e teve o agravante da perda do Haywood. Então parece que eles desanimaram de vez. Ao invés de um ataque mais organizado e uma defesa mais dedicada, eles responderam aos desfalques com uma atitude de "cada um na sua". Todo mundo faz o que bem entende no ataque, tenta os arremessos que quer a hora que quer e, se der tempo antes da novela, volta pra defesa.

Ver um jogo do Wizards hoje é ver tudo o que não deve ser feito em uma quadra de basquete. Eles conseguiram perder do Knicks sendo que o time de NY só tinha 7 jogadores prontos pra jogar e nem tinha garrafão. Abriram as pernas pro ataque do Knicks e se deram mal. Pessoas mais próximas ao time falaram pela imprensa americana que os jogadores nem ouviam mais o que o Eddie Jordan falava.

Era mesmo a hora de mudar. É como naqueles times que estão prestes a ser rebaixados no futebol, você sabe que a estrela do time foi vendida pra Europa, que o lateral-direito é amador, que o atacante não sabe nem cortar a unha sozinho, mas mesmo assim finge que a culpa é do técnico e traz um outro que tenha um discurso novo para ver se os jogadores mudam de atitude. Porque de talento não vão mudar de uma hora pra outra, mas de atitude é até possível.

Sim, a solução hoje para o Wizards é o Joel Santana. Eles precisam de alguém que faça os caras se animarem a jogar basquete de verdade outra vez. Então a demissão foi justa embora as derrotas não fossem culpa do técnico, faz sentido? A vida também não, nessas horas que a gente vê como o basquete é filosoficamente profundo.

O que eu não achei nada legal foi o que li num jornal de Washington, com um cara dizendo que o Wizards deveria desde já abandonar essa temporada, pegar um cara bonzão no draft do ano que vem e montar um time forte com a volta do Haywood e Arenas. Já começam a sonhar com um trio de Arenas, Butler e Brandon Jennings.

Em época que todo mundo tá pensando nos Free Agents de 2010, nem parece tão absurdo já pensar no draft do ano que vem, mas é! Estamos no primeiro mês de temporada, o Arenas volta em janeiro e qual é a graça de só ficar pensando no futuro? Planejamento é essencial, mas jogar fora o presente pra isso é tirar toda a graça do jogo, do campeonato. Se eu fosse torcedor do Wizards não assistiria mais jogos do meu time se ficasse claro que eles já estão pensando na temporada que vem. Mas confio no instinto competitivo do Arenas pra acreditar que isso não vai acontecer.

E uma dica para o novo técnico do Wizards: o Nick Young tem que jogar mais minutos por jogo do que o DeShawn Stevenson. O resto é com você.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O Andray Blatche fede

Para quem não sabe, o Andray Blatche é aquele ala do Washington Wizards que é uma promessa do basquete americano há 4 temporadas. Ao contrário das promessas à lá Kwame Brown, que nunca pareceu bom, ele é daqueles caras mais pro estilo Darius Miles, que sempre mostrou algum talento, o necessário pra todo mundo não odiar ele e dizer "ano que vem é o ano dele!".


Nesse ano ele fez uma ótima pré-temporada e todo mundo disse "Esse ano é o ano dele!". Não está sendo, claro. Ele está jogando mal, não consegue espaço em um time caindo aos pedaços e, claramente, fede.

A prova final de que ele fede foi conseguida pelo blog americano "Truth about it" lá de Washington. As fotos são uma sequência vista no jogo contra o Miami no dia 18 e o Dominic McGuire prova o que diz o título desse post.





























































Dá até pra ouvir daqui o McGuire perguntando pro Blatche se ele comeu urubu ou lixo no café da manhã.

Então está provado: O Andray Blatche fede.
Agora puxa meu dedo.

domingo, 23 de novembro de 2008

Mais um vídeo Bola Presa

Nosso projeto de filmar pessoas comuns agindo como estrelas da NBA em seus cotidianos continua! Nossa primeira empreitada, atravessar a rua do modo que LeBron James faria, você pode acompanhar aqui. Agora, resolvemos nos perguntar: como alguém metido a Manu Ginóbili se comportaria em uma simples caminhada pela Avenida Paulista, em São Paulo?

Assim como o primeiro vídeo, nossa segunda empreitada foi gravada com a ajuda dos prestativos leitores Vítor e Victor, que ganharam um sensacional aperto de mão como pagamento. Aposto que os dois nunca mais vão lavar a mão, tamanha a emoção! Em breve, tem mais vídeos feitos com a dupla.

Se você gostou da idéia, não fique aí parado ganhando peso no sofá (a não ser que você queira fazer um vídeo inspirado no Eddy Curry, claro)! Vista a camiseta de seu jogador favorito e filme, em seu cotidiano, uma situação típica de NBA! Tome uma advertência na escola usando uma camisa do Rasheed Wallace, por exemplo, aposto que seus pais vão entender. Depois de filmado, é só mandar o vídeo para o e-mail bolapresa@gmail.com e ter os seus 15 minutos de fama no melhor blog de NBA começado com a letra "B" em todo o hemisfério ocidental! Se ficar ridículo ou uma porcaria, melhor ainda!



Pegue uma camiseta, uma câmera, sua cara-de-pau e participe!

sábado, 22 de novembro de 2008

O dia da volta

Carter sempre fez isso em Toronto


Eu queria mesmo conhecer quem faz esse calendário da NBA. Não deve ser nada, nada fácil. O cara tem que colocar jogos bons para a televisão na quinta-feira para favorecer a TNT de lá, às sextas tem que ter os jogadores que a ESPN quer mostrar em jogos bons e ao mesmo tempo eles tem que fazer com que os times não tenham que fazer viagens insanas todos os dias. Isso sem contar os contratempos, como o Circo (Circo! E não é o Circo Espacial) que todo ano vai ao ginásio do Chicago no fim de novembro, ou quando tem rodeio no ginásio de San Antonio.

E no meio de toda essa palhaçada eles ainda conseguem fazer dias temáticos. Ontem foi o "Dia da volta para casa". Então tivemos o Vince Carter voltando a Toronto, o Elton Brand enfrentando seu velho Clippers, Kevin Garnett jogando em Minessota e o Hornets jogando em Oklahoma City.

Comecemos com o melhor jogo da noite: Raptors e Nets. Foi um daqueles jogos pra você virar fã de todo mundo. Todos jogaram bem, todos mostraram o que sabem, os dois times beiraram os 130 pontos, foi uma festa, principalmente se você não torce para o Raptors. Se você torce para eles é um jogo a ser esquecido.

Jose Calderon finalmente está de volta à equipe e fez a festa com o Chris Bosh nos três primeiros quartos de jogo. Os dois estavam simplesmente brincando com a defesa do Nets de todas as maneiras possíveis e imagináveis e até o Andrea Bargnani, o melhor jogador da NBA com nome de menina, estava na melhor noite da sua carreira.

Aí tudo começou a desmoronar, começando pelo joelho do Jermaine O'Neal. Tava bom demais ele passar 12 jogos sem nenhuma dorzinha sequer. Depois do Yao, T-Mac e Baron Davis já terem perdido jogos por contusão, estava na hora do Jermaine estourar o joelho. E pode ter sido grave o negócio, não tem nenhuma notícia oficial mas a imagem foi bem feia.

Com um Jermaine a menos, o Raptors conseguiu desperdiçar uma vantagem de 18 pontos, sendo 7 deles nos últimos 25 segundos de jogo. Tudo por causa do Vince Carter, que fez 12 pontos seguidos no final do jogo para levar para a prorrogação. Os últimos três foram em um arremesso sensacional de muito longe com a marcação do Anthony Parker grudada nele, um arremesso histórico que o Carter comemorou como um doido, como eu não via ele comemorando há anos.

Ele estava comemorando por vários motivos, não era só porque foi um arremesso tão foda que você sairia pulando até se fosse naquela cestinha que você deixa atrás da porta do quarto, era porque foi contra o Raptors. De maior ídolo da história da franquia, ele se tornou o maior vilão depois de ter implorado para sair de lá, toda santa vez que bota o pé em Toronto ele é vaiado. Aposto que as camareiras do hotel vaiam ele, o motorista do ônibus vaia ele, a mulher dele deve vaiar ele na cama quando estão em Toronto. O Carter fez um dos arremessos mais fodidos da carreira dele com vaias e mais vaias na orelha, não é à toa que vibrou tanto.

Com o jogo na prorrogação, foi mais um show de grandes jogadas. Primeiro dois arremessos do Devin Harris sobre o Calderon para abrir uma boa diferença, depois o Chris Bosh acertou um arremesso de 3 para diminuir a diferença pra 1, e com a vantagem de volta a três pontos o Anthony Parker acertou um arremesso-Raja-Bell para empatar o jogo. Foi então a vez do Carter brilhar mais uma vez, agora vencendo o jogo contra o seu maior rival pessoal com uma enterrada de costas em uma ponte-aérea. Que tal? Cinematográfico o bastante? Foi o bastante para ser um dos melhores jogos da temporada até agora, ou pelo menos o com o melhor final.

Para quem gosta de números (eu!), dêem uma olhada no nível das atuações de ontem. Defesa? Coisa de viado!
Jose Calderon: 26 pontos, 15 assistências
Andrea Bargnani: 29 pontos, 10 rebotes
Chris Bosh: 42 pontos, 9 rebotes
Devin Harris: 30 pontos
Vince Carter: 39 pontos, 9 rebotes, 2 arremessos de último segundo e 1 torcida irada.

O Raptors não é um time ruim, mas sempre me dá a impressão de que eles podem mais do que fazem. Eles são bons o bastante para não desperdiçar com derrotas o segundo jogo de mais de 40 pontos do Bosh (ele fez 40 pontos e 18 rebotes contra o Orlando outro dia). Assim como são bons o bastante para não perder uma vantagem de 18 pontos contra o Nets.

Para as principais jogadas do jogo de ontem, tem esse vídeo aqui com os melhores momentos:



Mais sobre o Vince Carter:

Sempre questionaram (eu também) a motivação do Carter. Nunca pareceu que ele realmente se importava em vencer jogos, ele parecia querer se divertir, fazer suas enterradas e então ir pra casa. Quando pareceu que ele queria vencer, criou inimigos - foi quando cansou de perder no Raptors e exigiu ser trocado.

No Nets ele começou a ser criticado porque não ajudou o Nets a ser o time vencedor que seu elenco mostrava que poderiam ser, aí quando o Kidd foi trocado estava todo mundo esperando ele exigir sua próxima troca. Mas surpreendeu todo mundo dizendo que não queria ser trocado, que gostava da molecada do Nets e queria ser um líder em New Jersey.

Mas além dessa idéia de ser líder, estou gostando mais do Carter nessa temporada porque ele está jogando melhor mesmo. Talvez essa motivação criada por ele em ser o líder seja o motivo, não sei, mas o fato é que está tomando decisões melhores dentro da quadra. Ontem ele soube perfeitamente quando arremessar de longe, quando usar sua habilidade de outro mundo de ilfiltração e, mais importante, quando ficar de lado e deixar o Devin Harris jogar.

Nada contra o Knicks, mas se eu fosse o LeBron eu iria preferir ir para o New Jersey (Brooklyn?) Nets jogar com Carter e Devin Harris do que ir para Nova York jogar com o Chris Duhon e o Al Harrington.

Ah, além disso tudo que eu disse, o Carter é também um grande e gigantesco mentiroso:

"Minha atuação contra o Cleveland foi inaceitável. Eu me considero o líder desse time e preciso jogar bem. Não tem nada a ver com o lugar em que estamos jogando ou contra quem, tem a ver com jogar melhor para ajudar meu time."

Tá bom. E se o Pitta não for um grande prefeito, nunca mais votem em mim.

Já as outras visitas não renderam grandes jogos:

Com o Garnett em Minessota, a torcida o aplaudiu de pé antes do jogo, coisa que eu não teria feito se fosse torcedor do Wolves, pelo menos não depois daquele final de jogo no ano passado em Boston, vocês lembram? Mas eles esqueceram e ontem deram essas boas-vindas, com as quais o KG pareceu não se importar muito:




O confronto do Elton Brand com o Clippers pode ser definido em três partes:

1. Baron Davis: "Eu não tenho nada pra falar pra ele."

2. O técnico Mike Dunleavy: "Tivemos 5 anos ótimos com o Elton aqui, eu amava ele. Mas agora existe um certo desapontamento porque eu não sei o que aconteceu, não sei porque ele foi embora. Nunca deixávamos passar 10 ou 15 minutos depois de uma mensagem ou ligação sem nos respondermos, de repente ele ficou em silêncio".

3. Elton Brand faz a cesta da vitória no último minuto de jogo. Sixers 89, Clippers 88.




A volta do Hornets foi bizarra. Esse vai-e-vem de times é uma confusão difícil de entender. Aposto que muita gente em Oklahoma City torce para o New Orleans por ter visto os dois primeiros anos da carreira do Chris Paul, quando o Hornets foi para Oklahoma City jogar temporariamente devido ao furacão Katrina. Imagina ter dois times diferentes na sua cidade em tão pouco tempo, deve ser uma sensação muito estranha mesmo. Mas se alguém estava na dúvida para quem torcer, o jogo serviu para o cara se lembrar que o Hornets é bom e que o Thunder é o pior time da NBA. Eita joguinho sem graça.

Pelo menos não foi um jogo completamente inútil:

"Visitei minha filha e vim no meu restaurante favorito em Oklahoma City".

Boa, Byron Scott. Alguma coisa de emocionante tinha que acontecer.

O Thunder, aliás, acaba de demitir o técnico PJ Carlesimo. Será que eles acham que a culpa do início de 1 vitória e 12 derrotas é por causa do técnico e não porque eles usam o Robert Swift e o Johan Petro de pivôs? Estranho.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

O apressado come cru

Fracasso de uma era: dois foram trocados,
os outros dois nem entram em quadra



Não deu tempo nem de dizer "parangaricutirimirruaru" e o Knicks trocou mais um armador. Não, também não foi o Marbury dessa vez, que continua cativo.

No post abaixo, falamos sobre a troca de Jamal Crawford por Al Harrington, mas já que queimei meu cosmo e atingi o Sétimo Sentido, escrevi na velocidade da luz e acabei tudo antes que uma nova troca fosse anunciada. Agora, a troca foi com o Clippers: Zach Randolph e o armador Mardy Collins em troca de Tim Thomas e Cutino Mobley. O que é, de longe, uma das trocas mais imbecis que eu já vi na vida. Agora sim uma troca que ajuda a trazer ao mundo alguns palavrões, já que eles andam em falta nesse planeta desde que a Dercy morreu.

Nós aqui do Bola Presa sempre estouramos nossa cota mensal de piadas com o Zach Randolph, mas é inegável que ele se deu melhor no esquema do técnico D'Antoni do que em qualquer outro esquema no restante da sua carreira. As médias de mais de 20 pontos e mais de 12 rebotes por partida mostram que a produção era alta, e seu estilo de jogo tinha tudo a ver com a nova fase do Knicks, puxando contra-ataques ele próprio, defendendo pouco e arremessando de longe (inclusive de 3 pontos). Muito se falava sobre as intenções de trocar nosso gordinho favorito antes da temporada começar, mas quando ele se deu bem na correria, os boatos calaram. Quando finalmente Randolph ganhou valor de fato e parecia se encaixar em algum lugar, foi trocado sem nenhum aviso aprévio. Será que alguém com 20 pontos e 10 rebotes de média na carreira foi tão indesejado quando o Zach Randolph na história da NBA?

Com a troca, David Lee volta a ser o titular. Ele começou a temporada com atuações monstruosas e mostrando porque as fofoqueiras de portão diziam que ele era, já há alguns anos, o melhor jogador do Knicks. Mas acontece que Zach e David Lee em quadra juntos é um time alto demais para o D'Antoni, que prefere jogar com apenas um homem de garrafão. Alguém tinha que ir para o banco e Lee era o mais acostumado com aquela área horizontal que deixa bundas quadradas. Agora, terá o espaço que merece como titular absoluto.

Zach Randolph estava tendo a melhor temporada da carreira, no entanto, e o que veio em troca são apenas jogadores em franca decadência. Dizem as más línguas que o Tim Thomas está em decadência desde que foi draftado na NBA, que seu sonho era ganhar uma graninha e depois disso sua missão estava terminada. Muita gente o aponta como o jogador que menos se esforça em quadra, sempre com aquela cara de "preferia ter ido ver o filme do Pelé". Com seu físico, poderia enterrar na cabeça de todo mundo quando bem entendesse, mas prefere arremessos de 3 pontos e tem temporadas medíocres, menos em ano de assinar contrato. Já Cutino Mobley ainda tem um pouco de gasolina sobrando no tanque, volta e meia tem uns grandes jogos, mas em geral tem um arremesso inconstante. Até vejo ele tendo minutos importantes no final das partidas, quando um pouco de experiência e canja de galinha não fazem mal a ninguém. Os dois certamente terão minutos de quadra num esquema que privilegia as bolas de três pontos e o novato Danilo Gallinari ainda não está em condições físicas de ser uma opção consistente no perímetro. Ainda assim, serão apenas peças secundárias para compor o banco e terem contratos que terminam antes de 2010. Porque essa troca tem um codinome, na verdade: Projeto LeBron 2010.

O Blazers já sabe bem que se livrar do Randolph ajuda a ganhar umas partidas, mas não há motivos para trocá-lo tão cedo numa temporada em que ele parecia ter se encontrado, a não ser liberar muito teto salarial a tempo de tentar contratar LeBron James em 2010. Sinceramente, o projeto parece tão científico quanto o "Projeto Ipatinga na Libertadores 2010" ou o estádio do Corinthians em 2010. Já falei bastante aqui sobre como o LeBron deveria dar o fora do Cavs o mais rápido possível, mas agora as coisas são diferentes, seu time está no topo do Leste e parece assustadoramente completo e funcional. O Knicks vai precisar de muita sorte para agarrar um jogador que será cobiçado por trocentos times e que, provavelmente, sequer abandonará o time que o draftou.

Mas a lógica do Knicks, por mais deturpada que seja, ainda é uma lógica. O Clippers não tem lógica nenhuma, a não ser tentar montar o elenco mais esquisito que o mundo já viu. O projeto de unir os jogadores mais incompatíveis uns com os outros numa mistura sem sentido ou critério parecia impecável até agora, resultando numa mistura só comparável com Supla e Alexandre Frota dividindo um quarto no finado Casa dos Artistas, do SBT. Mas agora esse projeto alcançou novos patamares nunca antes imaginados.

O técnico Dunleavy quer um estilo lento de jogo, o armador Baron Davis quer correr. Ricky Davis é famoso por tornar todos os seus times piores com sua mistura de individualismo e arremessos forçados. Al Thornton é um segundo anista tacado no meio de vovôs. Chris Kaman e Marcus Camby são dois pivôs e um deles é obrigado a jogar fora de posição. Isso não parece um time, parece simplesmente uma lista de ganhadores da Tela Sena, não dá pra imaginar que alguém pensou e montou esse elenco - a não ser através de um sorteio. Agora, acrescentemos Zach Randolph a esse caldeirão. Trata-se de mais um jogador famoso por não passar a bola e piorar todos os times dos quais participa. Sua simples presença obriga que ou ele, ou Camby ou Kaman se desloquem imediatamente para o banco de reservas, coisa que nenhum deles deve aceitar de bom grado. Por sorte (?!) o time é completamente amaldiçoado e Marcus Camby deve se contundir em breve, facilitando a escolha da escalação.

O Clippers parece um projeto de ciências ambicioso de uma criança de quarta série, são seis espécimes diferentes tentando se entender em cima de um cemitério indígena. Meu conselho para eles? Contratar o Palhaço Festinha, cobrir o ginásio com uma lona e montar um circo. No basquete, não vai rolar.

As coisas para o Knicks são mais promissoras, claro, mas se livrar de seu melhor jogador ainda no começo da temporada não parece ser das coisas mais inteligentes a se fazer. Quando surgia qualquer sinal de ritmo, o time se transforma por completo e o D'Antoni tem que começar de novo, sempre mantendo no cativeiro tanto o Marbury quanto o Eddy Curry, que aliás só está preso no cativeiro porque ficou muito gordo lá dentro e não passa mais pela porta.

Se puder existir uma troca que seja ruim para os dois lados, tem que ser essa troca. Pra mim, ninguém sai ganhando. E se o LeBron for para o Knicks de verdade em 2010, esqueçam o que eu disse, esse post nunca aconteceu e o Knicks é o favorito para os próximos quarenta títulos da NBA.

Libertos e cativos

- Aquela mulher não parece a Sônia Abrão?
- Mas técnico, o que isso tem a ver com o jogo?



Deve haver uma aposta rolando lá no Knicks: "quantas trocas e reformulações de elenco conseguimos fazer sem ter que lidar com Stephon Marbury?" O armador continua refém da equipe, sem ter entrado em quadra um segundo sequer, sem ser trocado e sem ser mandado embora. Diz a lenda que a polícia brasileira tem planos de invadir o Madison Square Garden para acabar com o sequestro assim que alguma garota de 12 anos topar participar da investida.

Quando fiquei sabendo que o Knicks havia trocado um armador, achei que a situação finalmente havia se resolvido. Coisa nenhuma, o armador foi o outro: Jamal Crawford. O mais inconstante pontuador da história da Humanidade acaba de ser mandado para o Warriors em troca do descontente Al Harrington.

O Al Harrignton ser trocado era só questão de tempo, ele surtou ainda no comecinho da temporada, disse que não aguentava mais o Don Nelson e exigiu dar o fora. Pra ser sincero, acho que o Al Harrington durou muito, até. Pelo seu talento e versatilidade, não fazia sentido se sujeitar a ficar esquentando banco para um técnico maluco. Em nenhum momento ele teve um papel definido na equipe, nem como sexto homem nem como titular, seus minutos sempre variaram sem qualquer critério e com o tempo isso deve tirar qualquer um do sério. No Knicks, no entanto, não terá do que reclamar: finalmente estará livre (o contrário do Marbury, vale ressaltar). É difícil imaginar um jogador mais perfeito para o estilo do técnico Mike D'Antoni do que o Al Harrington e me assusta ninguém nunca ter pensado nisso antes. Ele é um jogador veloz, que corre a quadra inteira, explosivo, pode jogar em qualquer posição (qualquer mesmo!) e arremessa muito bem de trás da linha de 3 pontos. Quando o D'Antoni quiser colocar um daqueles times de anões em quadra de que ele tanto gosta, Al Harrington pode jogar como pivô, papel que volta e meia exercia no Warriors, e arremessar tanto da linha de 3 quanto de média distância, como fazia Amaré Stoudemire no Suns. Quando for pra colocar um time mais alto, Al Harrington pode jogar de ala, com David Lee e Zach Randolph tomando conta do garrafão. Por fim, quando faltar armadores porque o Marbury continua sendo mantido em cativeiro, Al Harrington pode até armar o jogo sem muitos problemas. Parece um casamento perfeito e trás muito mais versatilidade para o Knicks, com muitas opções e jogadores que podem render em múltiplas posições. Dá até pra fazer um daqueles posts com os possíveis quintetos (como o Denis fez com o Bulls), passar a madrugada vendo que existem 500 versões e esquecer do jantar com a namorada (aconteceu com o amigo de um amigo meu, sabe como é).

Perder o Jamal Crawford parece não só um preço pequeno mas também uma melhora por si só. Não que ele seja ruim, longe disso, o Crawford é sensacional. Mas nomeie um jogador mais inconstante do que ele que não se chame Ben Gordon. Pois é, não existe. O Crawford pode fazer 50 pontos com um pé nas costas e na partida seguinte sair de quadra com 3 pontos. Sua velocidade, distância no arremesso e mentalidade puramente ofensiva parecem uma boa pedida para o Mike D'Antoni, mas a verdade é que seus arremessos não são lá muito inteligentes e a inconsistência machuca muito em times que não defendem. A idéia do esquema tático é arremessar em 7 segundos ou menos, mas se o Jamal Crawford ficar dando arremessos imbecis, a bola não roda e o Knicks não tem como se garantir na defesa nos dias em que essas bolas não caem.

No Warriors, o Crawford também terá inúmeras chances de correr e arremessar quando bem entender, mas será enfiado no banco de reservas muito mais vezes quando não estiver acertando nada. Como comentou o Denis comigo agora há pouco, o casamento entre Crawford e Warriors vai dar muito certo ou muito errado, a única certeza é que será "muito". Não haverá meio termo entre o inconstante Don Nelson e o inconstante Crawford de modo algum.

Sinceramente não acho que o time de Golden State sentirá muita falta do Al Harrington porque Brandan Wright e Anthony Randolph são jogadores jovens, atléticos, cheios de potencial e que merecem mais minutos em quadra, inclusive aproveitando que o Don Nelson agora deu pra colocar novatos pra jogar. Mas a presença de Jamal Crawford no time cria um excesso bizarro de armadores, olha só.

O novato Anthony Morrow parece ser o novo titular absoluto como armador arremessador e Don Nelson só falta mandar flores para o rapaz e convidar para jantar. CJ Watson e Kelenna Azubuike devem continuar com seus minutos de reservas. Belinelli vai continuar sendo mantido refém pelo time, nos mesmos moldes do Marbury, sem nunca jogar. Crawford deve ser o titular na armação, o que acabaria com os dias de armador de Stephen Jackson e permitiria que ele voltasse a ser ala, como sempre. Mas e o Monta Ellis, como fica? O que vai acontecer quando o armador que deveria ser a estrela do time voltar da sua contusão durante sua "dança da motinho"? Isso não está me cheirando muito bem. Boatos de que o Warriors iria tacar o contrato do Monta Ellis na privada por conta da violação contratual me pareciam tolos, mas agora podem fazer sentido - principalmente se o time estiver se saindo bem sem ele ou se, vai saber, ele não voltar em plenas condições de jogo.

Bem, na pior das hipóteses, a troca permite ao Warriors uma maior gama de opções na armação, o que é irônico porque uns meses atrás não tinha um armador sequer no elenco e tiveram que ir buscar o Marcus Williams, outro que virou refém e nunca vai jogar. Já para o Knicks, a troca significa mais minutos para Wilson Chandler e Nate Robinson e é uma aquisição que torna o time mais versátil e profundo. Estranho dizer isso mais uma vez, mas parece uma troca que faz sentido para as duas equipes, nenhuma delas sentirá muita falta do jogador que perdeu e as nova aquisições, para os dois lados, parecem se encaixar bem no estilo de jogo e ampliar as possibilidades.

É estranho falar de trocas e não aloprar nenhum dos lados envolvidos. Não achei que diria isso, mas deu uma certa saudade de Gasol sendo mandado em troca de um chaveiro e uma camiseta de deputado ou coisas assim. Bons tempos aqueles.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Macumba

T-Mac machucado, uma imagem mais famosa
do que camiseta do Che Guevara



Que o Clippers é amaldiçoado, todo mundo sabe. Por mais que eles montem grandes times, alguma coisa sempre acontece para tudo dar errado, em geral contusões. Quando Baron Davis e Marcus Camby foram para lá, não pude deixar de dar uma gargalhada. Dois jogadores que conseguem se contundir coçando o olho foram jogar juntos, num time amaldiçoado. Como se não bastasse, o Clippers adicionou à mistura o Ricky Davis, que é uma maldição ambulante. Ele é um punhado de azar bípede passeando por aí, todos os times que ousam contratá-lo falham miseravelmente em suas campanhas. Diz a lenda que o médico que fez o parto do Ricky Davis morreu 3 anos depois num acidente de carro. Será mera coincidência?

Quando uma coisa dá errado sem muita explicação óbvia, a gente aqui nos bastidores do Bola Presa costumava chamar de "Síndrome de Clippers". Nessa temporada, não está sendo diferente. O time é bom mas eles fedem, estão jogando mal pra burro, o Camby perdeu todo o começo da temporada contundido e o Baron Davis já se machucou duas vezes desde que chegou no time. O resultado dessa maldição são 9 derrotas e apenas uma vitória, contra o Dallas. Aliás, isso diz alguma coisa sobre o Dallas.

No entanto, a maldição do Clippers pareceu, ao menos por algumas horas na segunda-feira, coisa de criança perto da maldição do Houston Rockets. Todo mundo sabe que meu amado-idolatrado-salve-salve Rockets não passa da primeira fase dos playoffs nunca, não importa o que aconteça. Além disso, Tracy McGrady sempre teve problemas graves nas costas, que agora até parecem saudáveis perto do seu joelho bichado, e Yao Ming sofre o resultado da engenharia genética chinesa que criou soldados gigantes, já que o esqueleto humano não é feito para suportar tamanha altura e peso correndo de um lado para o outro de uma quadra de basquete. Ou seja, as contusões são coisa de rotina. Mas na segunda-feira, contra o porcaria do "time outrora conhecido como Sonics" (tipo quando o Prince resolveu que o nome dele era um símbolo impronunciável e só poderia ser chamado de "aquele que outrora fora conhecido como Prince"), o Rockets viu seus maiores pesadelos se tornarem realidade: Yao Ming machucou o pé numa jogada comum, o mesmo pé que havia fraturado e deixado o chinês de fora de boa parte da temporada passada; Artest torceu o pé quando caiu em cima de vários fotógrafos; e o joelho do T-Mac simplesmente morreu no meio de uma jogada, como motor de Fusca, fazendo meu coração parar por alguns segundos.

Sem os três, meu Houston Rockets não ganha nem do Ipatinga. Me tranquei no quarto, fiquei ouvindo música emo, passei sombra nos olhos e ameacei cortar os pulsos. Mas, aos poucos, notícias boas foram chegando e me retirando desse universo "NX Zero": Artest deve voltar no próximo jogo e o Yao deverá perder no máximo uma partida. Até mesmo o T-Mac está bem, mas o caso dele é complicado e não me passa muita confiança, até porque me lembra um famoso amaldiçoado na NBA: Gilbert Arenas.

Quando o Arenas se contundiu da primeira vez, o joelho não parou de doer durante o tratamento. Viciado em treinamentos, fortaleceu a perna sem parar no tempo em que esteve fora. Acreditou, meio na miúda e sem contar pra ninguém, que com o tempo a perna estaria forte o bastante para que a dor desaparecesse. Até que o joelho deu PT ("perda total", não "Partido dos Trabalhadores") e o Arenas teve que voltar para a mesa de cirurgia e aprender que o joelho não deve ser usado até estar perfeito, não importa o quanto ele resolver espernear. Com o T-Mac foi mais ou menos a mesma coisa, ele acabou voltando rápido demais para as quadras e admitiu ter jogado esse tempo todo com dores fortes no joelho. Até que, de repente, o joelho não aguentou o tranco e resolveu tirar umas férias. Tudo indicava que seria um retorno à cirurgia, começar a reabilitação toda novamente, mas algumas horas depois o McGrady disse que havia sido apenas o susto, cancelou os exames e resolveu jogar.

Peraí, rapaz, o joelho pode estar maravilhoso, forte, saudável, cozinhar, lavar e passar, mas você acabou de admitir que está jogando em cima dele apesar das dores constantes, alegou que seu baixo rendimento nessa temporada está diretamente relacionado com a falta de confiança no joelho, e mesmo assim quer continuar em quadra? Sejamos sinceros, Tracy McGrady não tem muitos anos sobrando em sua carreira. Ele é um jogador espetacular, um dos maiores talentos ofensivos que já surgiram, mas, vítima de contusões em demasia, já há alguns anos fala em se aposentar. Talvez ele tenha uma eterna sensação de que essa pode ser sua última temporada e de que ainda não conseguiu sair da primeira fase dos playoffs, o que explicaria sua vontade de jogar contundido e aproveitar o melhor elenco que já teve ao seu redor. Mas trata-se de uma atitude um pouco kamikaze. Sem pressa, com os devidos cuidados, T-Mac poderia aguentar mais tempo na Liga. Mesmo nessa temporada, se voltasse apenas depois do All-Star Game, estaria em plenas condições físicas e muito mais apto a fazer o que o time necessita, sem medo, sem dores, em alto nível. Como esse joelho dolorido vai estar nos playoffs, que é quando as coisas realmente importam? Talvez o T-Mac devesse ouvir algumas dicas do Ron Artest, que certa vez pediu pra ser dispensado do Kings durante a temporada regular para lançar seu CD de rap. O Artest sabe das coisas, temporada regular é uma besteira, vá descansar seu joelho amaldiçoado, T-Mac! Não queremos que você seja o novo Arenas, não é mesmo?

Se não bastasse não poder jogar há milhares de anos por causa dessa contusão que nunca desaparece (porque ele parece aquelas crianças que arrancam a casquinha dos machucados e nunca cicatriza), o Arenas tem que aturar um monte de gente dizendo que o Wizards é melhor sem ele. Engraçado, foi a mesma coisa com o Yao quando ele se contundiu na temporada passada. Fato estatístico aleatório: você sabia que, depois do péssimo começo de temporada do Spurs, o time perdeu apenas uma vez desde que Tony Parker se contundiu? Ou seja, obviamente o Spurs é muito mais time sem aquele armador francês idiota. Olha, uma moeda no chão, obviamente chovem moedas dos céus, aleluia!

O Spurs, aliás, também anda meio amaldiçoado, mas enquanto o Duncan puder andar e alguém no time souber defender, tudo estará bem, mesmo que no sufoco - eles sofreram pacas para vencer o Wolves, por exemplo. O que me lembra que o time dos lobinhos é também um dos mais amaldiçoados da NBA, não porque eles só perdem, mas pelas circunstâncias das derrotas. O Wolves só tem uma vitória e oito derrotas, mas sete dos oito fracassos foram por uma diferença de 6 pontos ou menos. Ou seja, no final sempre alguma coisa dá errado e eles dão um jeito de perder. O Denis lembrou bem que o Clippers era assim numa época mas, depois da contratação de Mobley e Cassell, começaram a vencer os jogos nos minutos decisivos e foram para os playoffs. Ou seja, a maldição do Wolves está a um Cassell de desaparecer e então eles certamente rumarão ao título.

Para finalizar o papo das maldições, não poderia deixar de citar o Marco Belinelli. Se ele fosse um cara comum, estaria em quadra jogando desde seu ano de calouro, fazendo seus pontinhos e tendo um ou outro grande jogo. Mas como ele nasceu em cima de um cemitério indígena, foi parar num time do Don Nelson. Quando finalmente parecia que ele ia começar a ganhar uns minutinhos em quadra, surgiu do nada o tal do Anthony Morrow que fez 37 pontos e seguiu essa atuação com mais um jogo sensacional, com 25 pontos e 4 bolas de três ontem. Segundo o próprio Don Nelson, a nova ordem no Warriors é todo mundo ficar de olho no Morrow e passar pra ele toda maldita vez que ele estiver livre. De desconhecido que sequer foi draftado para titular e principal foco do ataque do Warriors no perímetro. Coincidência, acaso, Don Nelson? Que nada. Num mundo de Clippers, Rockets, Wolves e Arenas, isso é culpa do Belinelli - chama-se "azar pra caralho".


Revista Lance Livre

A revista digital de basquete continua viva e acaba de lançar seu segundo número. Embora ainda exista um punhado de erros (minha coluna "Bola Presa", por exemplo, tem um pedaço repetido), fica óbvia a evolução do primeiro exemplar para o segundo. Não é uma evolução de Pikachu para Raychu, mas é um passo em frente e vale a pena apoiar a iniciativa. Você pode baixar a revista no blog do pessoal e deixar lá mesmo sua opinião, críticas e conselhos. Mas se tiver críticas sobre a coluna Bola Presa, não precisa reclamar não, ao invés disso elogie e mande os caras pagaram dez mil reais para os lindos e geniais autores.