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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Insistência premiada

Afflalo melhorou até na arte de sair em fotos estranhas


Pessoal, como disse essa semana, a coisa anda corrida no fim do semestre e os posts vão ser mais escassos nessa semana, mas aos poucos vão saindo. Até o fim de semana tem Filtro e uma promoção de Natal da adidas. E agradecemos a todos que comentaram sobre as camisetas, vamos pensar em alguns modelos e postar aqui no blog para vocês escolherem as que a gente vai colocar pra vender. Quer dizer, se a gente conseguir botar pra vender, é melhor não prometer nada antes de saber os preços. Vai que o Cavs é campeão antes da gente vender camisetas. Nunca brinque com a maldição de Dan Gilbert!

O post de hoje é uma continuação desse aqui. Antes tinha falado dos jogadores que tinham melhorado em relação à temporada passada depois de mudar de time (aliás, perdão por ter esquecido do metamorfoseado Marco Belinelli!), agora vou falar dos que melhoraram ficando no mesmo lugar, venceram pela insistência (a palavra bonita usada para designar a teimosia).

Talvez a história mais impressionante e interessante sobre os que ficaram no mesmo lugar já tenha sido contada aqui, é a do Richard Jefferson. Ele recebeu um ultimato do técnico Gregg Popovich, ou treinava como um desgraçado e melhorava o seu jogo ou já poderia começar a pensar em mudar de time. Resolveu treinar, hoje tem um arremesso de três maravilhoso e está ajudando o Spurs a ser o melhor time desse primeiro quarto de temporada. Para ler a história inteira sobre a mudança do Richard Jefferson, clique aqui.

Mas é interessante notar algo que não falei naquele post, que é como o Spurs está jogando diferente dos últimos anos. Dos últimos muitos anos. Explico, o Spurs é o terceiro melhor ataque da temporada até agora e a oitava melhor defesa. É a primeira vez desde que Tim Duncan chegou ao time, em 1997, que o Spurs é melhor ranqueado no ataque do que na defesa. Pra quem acompanha a NBA há pouco tempo pode parecer normal, mas quem viu o Spurs desses últimos quase 15 anos acha isso uma aberração. O Spurs atacando mais do que defendendo é insano como ver o Barcelona retranqueiro, no mínimo. E tem o ritmo de jogo, eles são hoje o 10º time mais veloz da NBA, nas outras temporadas da "Era Duncan" (adoro chamar períodos esportivos de "Era", me sinto falando de algo importante. Meu Corinthians só perdeu o Brasileirão por causa da "Era Adílson Batista") o Spurs ficou duas vezes com o 19º ataque mais veloz e depois disso sempre depois da casa dos 20, algumas vezes beirando as últimas posições.

A mudança de um jogo lento e defensivo para um mais focado na velocidade e no ataque devem ser levados em consideração também na hora de explicar porque o Richard Jefferson melhorou tanto em comparação à temporada anterior.

Outro que tem melhorado também é o Elton Brand. Nos números a mudança é discreta: Passou de 13 para 15 pontos de média, melhorou em dois rebotes e em 3% no aproveitamento dos arremessos. Mas na prática ele tem jogado muito melhor, o novo Sixers do técnico Doug Collins está deixando a bola menos tempo na mão do Andre Iguodala (o que não ajuda meu sofrido time de fantasy) e tentando envolver mais o Elton Brand. Depois de dois anos patéticos (e muito bem pagos) o ala está finalmente parecendo mais confortável em quadra, tem feito ótimas partidas em que participa do jogo e até tem jogadas desenhadas pra ele. É finalmente a opção que o time buscava no jogo de meia quadra, já que passaram os últimos anos vivendo só dos contra-ataques.

O problema é só que isso não é o bastante. Embora a defesa do Sixers seja aceitável, o ataque ainda é um dos piores da NBA. Sim, o Jrue Holiday melhorou, o Elton Brand melhorou e mesmo assim eles são bem ruins, é esse o tamanho do buraco em que está o Sixers. O problema parece ser mesmo as peças que não se encaixam e a solução acaba sendo fazer coisas idiotas como deixar o Thaddeus Young no banco para colocar o Jason Kapono só pela necessidade de ter pelo menos um arremessador em quadra, é perda absurda de talento para cobrir alguns buracos. E pior, Brand está jogando bem, mas não o bastante para que algum outro time se sinta tentado a pegar o seu contrato que ainda tem esse e mais dois anos de duração e quase 18 milhões por temporada. Elton Brand parecia destinado a não funcionar no Sixers, mas melhorou, uma pena que ainda não justifica um décimo do que recebe.

Merece atenção pela evolução também o Nate Robinson. Critiquei a troca do Eddie House por ele no ano passado porque não via o que o Nate poderia acrescentar que o House não fazia. Os dois são jogadores que sempre entram e, no linguajar americano esportivo, em referência ao beisebol, vão para o home run. Eles não tentam rebatidas simples e seguras para fazer o time andar, querem o mais difícil e valioso. Quando dá certo são os heróis do jogo, quando dá errado, é patético. A diferença está no estilo, Eddie House faz isso com bolas de três, Nate Robinson faz engolindo a bola só pra ele.

No entanto, ele mudou nessa temporada. Não é o Jason Kidd que parece dar um sorriso de Mona Lisa toda vez que descobre um jeito de finalizar uma jogada sem precisar arremessar, mas o Nate está passando a bola, entendendo o ataque do Celtics e servindo mesmo como um bom reserva para o Rajon Rondo. Parece ser o típico caso do jogador que chegou no meio da temporada e não entendia nada, mas que agora, depois de um training camp e tempo de estudo, conseguiu sacar o que estava fazendo em quadra. E nunca pensei que ia dizer que o Nate Robinson sabe o que faz em quadra, ele é o cara que arremessou contra a própria cesta só por diversão!



Mas acho que o meu favorito nessa brincadeira de pokémon de quem mais evoluiu é o Arron Afflalo. Ele precisa agradecer ao papai do céu (ou ao Joe Dumars) todos os dias por ter sido mandado do Pistons para o Nuggets em troca de fraldas usadas e um vale CD (também conhecido como uma escolha de 2º round de 2011).

No Pistons ele estaria brigando por posição com o Richard Hamilton e o Ben Gordon em um time que está completamente perdido e historicamente investe em jogadores velhos ao invés de apostar na pirralhada. E ao invés disso está em um time que precisava de um jogador com a suas características para o time titular e está no playoff todo ano. Quando ele chegou em Denver só pediram que ele defendesse bem o ala-armador adversário e, eventualmente, acertasse uns arremessos de três quando ficasse livre. No ano passado, seu primeiro ano no Nuggets, ele subiu de 16 para 27 minutos por jogo e dobrou sua média de pontos de 4 para 8. Foi um ótimo defensor e teve um aproveitamento de 43% nas bolas de 3 pontos, número de especialista.

Se ele só continuasse assim já seria muito bom e ele teria meu voto no inexistente prêmio Gilberto Silva de Role Player do ano. Mas não, ele melhorou ainda mais. Aos poucos o Chauncey Billups está piorando com a idade, o Carmelo Anthony, dependendo do seu humor, pode ser só mais um cara na quadra ou a melhor máquina ofensiva da NBA, e entre esses altos e baixos o Afflalo viu uma chance para chamar o jogo e ser mais que um simples arremessador. Ainda acerta suas bolas de longe, são 42% de aproveitamento nesse começo de temporada, mas aumentou o número de arremessos próximos à cesta (de 0,3 para 1,2 por jogo) e no aro (de 1,8 para 2,2), melhorando significativamente o aproveitamento nessas posições. Com isso sua média de pontos subiu de novo, de 8.8 para 12.8 por jogo. Ele também melhorou nos rebotes e dobrou sua média de tocos, de 0,4 para 0,8 por jogo. Parece pouco, mas para alguém de 1,96m e segundo armador, beirar a média de 1 toco por jogo é algo especial. Entre os jogadores da sua posição ele só fica atrás de Dwyane Wade (1,05) e Chicão Garcia (0,9).

Ou seja, o Afflalo invadiu partes do jogo que não eram lugar dele até o ano passado e tem surpreendido todo mundo por estar fazendo isso de maneira tão confiante e eficiente. Outro dia vi ele fazer várias infiltrações e puxando contra-ataques como quem sempre tivesse feito isso. É tão bizarro como ficar vendo o Kevin Love meter uma bola de três atrás da outra. Uma coisa é saber fazer, outra é fazer bocejando. Se o Melo sair mesmo do Denver em um futuro próximo eu espero que o Afflalo ganhe ainda mais espaço e melhore ainda mais seu jogo e estatísticas.

Alguns outros jogadores melhoraram sem mudar de time, mas ao contrário dos citados aqui, eles não estão exatamente na mesma situação de antes. Mesmo ficando na mesma franquia, estão em outras realidades. No Toronto Raptors, por exemplo, a evolução nítida de Sonny Weems, Reggie Evans e Andrea Bargnani se dá em muito porque agora eles tem mais tempo de quadra e mais responsabilidades nas mãos. Mesma coisa com Andray Blatche e JaValle McGee no Wizards, desde o fim da temporada passada eles receberam as duas vagas no garrafão do time e é natural que estejam melhorando. São novos, tem talento e pouco a pouco vão melhorando, embora ainda não o bastante para fazer o Wizards botar medo em alguém.

Mas dentre todos os que melhoram e os que foram citados nesse texto, só um tem uma chance clara e real de mostrar seu basquete melhorado no All-Star Game, o destruidor de brasileiros Luis Scola. E o engraçado é que eu acho que ele não mudou em nada o seu jogo dele em relação aos últimos anos, é o mesmo Scola de sempre. As mesmas qualidades e defeitos estão lá, mas agora o time finalmente se tocou do quão bom esse safado é. E ele também ganhou mais confiança e tem atacado mais o adversário. O resultado são os mesmos minutos de antes, o mesmo aproveitamento, mas os arremessos tentados aumentaram, os lances livres dobraram e sua média de pontos subiu de 16 para 21 por partida! O talento para ser um All-Star na NBA não é novidade pra quem já viu o Scola jogar na Europa e pela seleção argentina, mas só agora virou realidade nos EUA e ainda com um fator importante na América, apoio estatístico: 21 pontos e 9 rebotes por jogo é número de respeito. Entre os alas de força só Dirk Nowitzki e Amar'e Stoudemire pontuam melhor que Scola. Falta só o time ganhar um pouquinho mais dos seus jogos.

O assunto é bem grande e daria pra achar mais jogadores que estão melhorando, mas teremos mais chance para isso ao longo da temporada. Falaremos da evolução do Shannon Brown quando comentarmos do Lakers e da melhora do Joakim Noah (já posso dizer que ele é um dos melhores passadores entre os pivôs sem assustar ninguém?) quando falarmos do novo Bulls com Carlos Boozer.

O próximo post é para comentar o oposto, quem piorou. Mas preciso de mais tempo para meditar e entender porque Tyreke Evans, Darren Collison, Jason Thompson e Robin Lopez me fizeram ir no Google descobrir se a palavra "involuir" existe nos dicionários.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Montanha Russa (Canadense)

Vestido para dar o fora desse time bizarro, Bosh?


O Raptors é um dos times mais esquisitos da temporada. No ano passado eles foram uma espécie de Nets, tinham um elenco decente (ainda mais para o Leste) e federam bem fedido. Para essa temporada abriram a carteira e levaram o Hedo Turkoglu pra lá, era o parceiro de perímetro que o Chris Bosh precisava.

Começou a temporada e o Raptors não. As primeiras semanas do time canadense foram desastrosas! Pra começar temos o próprio Turkoglu, que teve alguns jogos em que mal arremessou a bola e não chegava nos 10 pontos, ficou durante muito tempo aquela dúvida entre se ele estava com dificuldade de se adaptar ao novo esquema tático ou se era mais um caso de Erick Dampiers e Bobby Simmons que desistem de jogar basquete depois de assinar um contrato grande e gordo.

Se fosse só isso tava bom, mas ele não era o único a começar mal. Ao contrário de aberrações como Brandon Jennings e Tyreke Evans, o novato do DeMar DeRozan demorou um bom tempo para começar a se acertar na liga. Ainda hoje ele tem dificuldades de se destacar, mas pelo menos ele participa mais das jogadas, acerta arremessos de meia distância, no começo ele só fazia pontos em enterradas de contra-ataque, nada mais.

Agora imagina o que era um trio com Hedo Turkoglu, DeMar DeRozan e Jose Calderon! O armador espanhol se destaca pelos passes, pelo controle de jogo, pelos poucos erros, nunca pelo número de pontos que marca. Se ele não faz ponto, o Turkoglu também não e nem o DeRozan, dá pra imaginar a carga que ficou nas costas do Chris Bosh e da garotinha Andrea B. O Bosh lidou bem com isso, claro, ele é monstruoso. Mas ficou na sua vidinha de Marbury, fazendo 25, 30 pontos e vendo seu time perder. A Andrea não dominou jogos como o Bosh, mas foi uma das poucas gratas surpresas do time no começo da temporada, melhorando nos rebotes e sendo uma ameaça constante nas bolas de 3.

Uma contusão do Jose Calderon forçou o técnico Jay Triano a trocar de armador, no lugar dele colocou o Jarret Jack. Foi quando o time começou a se acertar no ataque, o estilo mais agressivo e pontuador do Jack funcionou melhor para um time que precisava de pontos vindo de seus jogadores mais baixos e a equipe ameaçou uma reação. Só ameaçou, porque não dá pra fazer muita coisa tendo a pior defesa de toda a NBA. Sério, a menina desse vídeo faria cestas no Raptors de olhos vendados. Era impressionante como eles não tinham resistência nenhuma a infiltrações (nem Bosh e nem Bargnani são grandes bloqueadores) e qualquer armador mais rapidinho já costurava o time inteiro.

Mas defesa é algo que pode ser treinado. Mesmo sem grandes especialistas em defesa um time esforçado, dedicado e principalmente entrosado pode sair do status de medíocre para regular, e foi o que o Raptors fez para começar a crescer na temporada. Junto disso o Turkoglu começou a jogar bem melhor, foi quando ele deu a fatídica entrevista em que respondeu "Bola".

Para quem não lembra, vou colar aqui o escrevi no dia que postei da primeira vez esse episódio:

"-Depois de três meses de temporada o Turkoglu finalmente jogou uma partida boa. Tá bom que foi contra o Knicks e não contra o Cavs ou o Celtics, mas é um começo. Marcou 26 pontos, seu máximo na temporada, e foi entrevistado ao fim do jogo.

Repórter: Você ditou o ritmo do jogo desde o começo nessa noite, o que aconteceu de diferente?
Turkoglu: Bola."


Meus anos de estudo e de dedicação à interpretação de textos, aliados ao conhecimento do estilo de jogo do Turkoglu me fizeram interpretar essa aberração de entrevista da seguinte maneira: Ele quer a bola na sua mão, não quer ficar assistindo o Jack e o Calderon armarem enquanto ele fica quieto esperando um arremesso, ele precisa ter a bola com ele para criar seu próprio arremesso e armar jogadas para outros jogadores. Algo como ele fazia no Magic na temporada passada, em especial nos quartos períodos.

A gente nunca vai ter certeza disso porque ele só disse "bola", mas beleza, vamos com a minha interpretação porque ela até faz bastante sentido. Tanto que durante algum tempo o Raptors jogou assim, com mais atenção para o Turko e foi quando eles tiveram mais sucesso. Emendaram uma sequência de vitórias, ganharam do Lakers e de outros times grandes e alcançaram o quinto lugar do Leste. Durante algumas boas semanas eu tinha certeza que com esse elenco e com a melhora deles durante o ano era certeza que ficariam em quinto até o fim da temporada regular, podendo até engrossar contra o Hawks ou o Celtics na primeira rodada dos playoffs.

Então, do nada, a defesa entrou em colapso de novo. No começo de março eles tiveram uma sequência de 7 jogos em que perderam 6, veja o número de pontos sofridos nas derrotas: 114, 109, 113, 124, 109 e 115. A única e solitária vitória veio quando conseguiram tomar "apenas" 105 do Atlanta Hawks. O Raptors tem hoje, oficialmente e numericamente, a pior defesa da NBA mais uma vez. São 112 pontos sofridos a cada 100 posses de bola! Nets, Wizards, Warriors, Clippers, Wolves, todo mundo consegue ser melhor que o Raptors, é assustador!

O recorde do time por mês mostra como foi essa temporada montanha russa:

Novembro: (6 vitórias, 10 derrotas)
Dezembro: (9 vitórias, 6 derrotas)
Janeiro: (10 vitórias, 5 derrotas)
Fevereiro: (5 vitórias, 5 derrotas)
Março: (5 vitórias, 10 derrotas)

Como se não bastasse a queda do time desde novembro agora eles lidam com problemas disciplinares. O Turkoglu pediu para não jogar uma partida porque estava com dores fortes no estômago e foi poupado, o time perdeu e horas depois da partida ele estava numa balada de Toronto jogando seu xaveco ("Bola") para todas as canadenses firmeza de Toronto.

Os próprios torcedores do time dedaram o Turko para os dirigentes do Raptors, que puniram o jogador deixando-o no banco de reservas no jogo seguinte. Quando questionado sobre a situação o Turko foi bem humorado mas pareceu também de saco cheio:

"Tá tudo bem. Eu tenho lidado com isso o ano todo. Eles tem ficado em cima de mim sobre esse negócio de sair à noite desde que eu cheguei aqui. Mesmo se eu não estivesse doente eles falariam alguma coisa do mesmo jeito. Eu que não vou falar nada, temos 10 jogos até o fim da temporada e vou tentar terminar jogando bem".

Ele falou bem mais que "Bola" dessa vez, mas já que eu sou o intérprete oficial do Turkoglu no Brasil, vou dizer o que eu li disso tudo:

"Tá tudo bem, eu não me importo com o que esse bando de guarda florestal fala de mim. Eu saio quando eu quero e jogo quando eu quero, a temporada regular tá acabando e no fim das contas só vão lembrar do que eu fiz nos playoffs. Bola".

O problema no que esse Turkoglu estilizado que eu criei falou é que eles estão correndo sérios riscos de não irem para os playoffs. Depois de chegar ao quinto lugar e parecer um time bom, estão em oitavo e apenas uma vitória na frente do Chicago Bulls. Sim, o Bulls!!! O time do Derrick Rose trocou um monte de cara bom, perdeu jogadores machucados, chegou a perder 10 jogos seguidos e mesmo assim está na boca dos playoffs. Isso é o Leste, senhoras e senhores. No Oeste bastou uma sequência de 6 derrotas seguidas do Houston e do Grizzlies para que os dois dessem adeus a qualquer chance de classificação, são conferências muito desiguais.

Eu ainda aposto no Raptors para essa última vaga porque o Bulls está muito mal e porque o Raptors tem a vantagem no confronto direto e se classifica em caso de empate, mas se classificar será apenas algo simbólico, um jeito menos humilhante de acabar essa temporada. Na prática qualquer um dos times que passar para a pós-temporada tem tudo pra ser varrido sem dó nem piedade pelo Cavs. Um final melancólico para um ano cheio de expectativas altas e que, embora estejamos longe de qualquer definição, pode ser o último de Bosh por lá.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Exilado no Canadá

Shawn Marion mostra o número de
meses em que jogará no Raptors


Existe um joguinho ocorrendo entre os dirigentes da NBA para se divertir um pouco que não tem necessariamente nenhuma relação com ganhar partidas de basquete. Numa espécie de "Jogo do Mico" da vida real, o último time que ficar com o Marcus Banks perde. O Celtics se livrou dele na grotesca troca com o Wolves pelo Olowakandi. O time de Minessota não renovou o seu contrato mas o Suns quis continuar a brincadeira (dirigentes são entediados, sabe como é), assinou o Banks e mandou ele para o Heat na troca do Shaq. Agora, Marcus Banks acaba de ser trocado de novo, dessa vez para o Raptors - junto com Shawn Marion. A equipe de Toronto, por sua vez, manda para Miami o Jermaine O'Neal e o campeão de força nominal, Jamario Moon.

O Banks praticamente não jogou em todas as equipes em que foi parar, mas seu valor como piada interna, como jogo secreto, é inegável. Talvez sem ele a troca não tivesse saído, já que era cogitada há muito tempo mas faltava alguma coisa para que finalmente ocorresse de fato. Resta agora saber para qual time o Raptors vai mandar o Marcus Banks, e quem vai morrer com o mico na mão. Aposto que alguns sites de aposta devem estar criando uns bolões agora mesmo. Levando em conta que os jogadores que vão para o Clippers costumam morrer ou encerrar a carreira, eu acho que o Banks morre nas mãos deles e todos os outros dirigentes da NBA vão se divertir e voltar aos seus afazeres normais (coçar a bunda, claro).

Dado meu palpite, é hora de falar dos jogadores secundários nessa troca: Marion e Jermaine O'Neal. Para o Heat, a troca era óbvia. O Shawn Marion não deu muito certo por lá, pra começo de conversa. Não que ele estivesse fedendo, longe disso, mas você não contrata a Monica Mattos pra ficar na sua casa lavando louça, por mais que ela deixe seus pratos brilhando. O Marion até fazia o serviço bem feito, mas o Heat trocou por uma grande estrela capaz de fazer estrago no Leste, coisa que não aconteceu. Como o contrato do Marion acaba ao fim dessa temporada, o Heat tinha duas escolhas: trocar o Marion por qualquer coisa, nem que fosse uma paçoca para não sair de mãos vazias, ou então renovar com ele e mantê-lo na equipe por vários anos. É como dizem, em time que está ganhando não se mexe, então o Heat - que não está ganhando porcaria nenhuma - não podia manter o mesmo elenco e achar que Joel "Quem?" Anthony iria tapar o buraco no garrafão. O mais irônico dessa história é que, com Dwyane Wade plenamente saudável, Mario Chalmers saindo melhor do que a encomenda, e Beasley melhorando seu jogo, tudo que o Heat precisava agora para ter chances no leste era de Shaquille O'Neal, aquele que estava em fim de carreira e eles trocaram por um Marion que não deu certo. O time do Heat é baixo, sem nenhum jogador no garrafão capaz de acertar o próprio nome, e sem defesa alguma debaixo da cesta. Como uma troca Marion por Shaq de novo seria admitir o fracasso, o jeito foi trocar pelo outro O'Neal, aquele que está sempre contudido e tem um contrato ridículo.

Eu era um baita fã do Jermaine quando ele chutava traseiros lá em Indiana, mas até para mim assinar um contrato de 126 milhões por 7 anos (uma média de 18 milhões por ano, mas que na verdade lhe paga 23 milhões em seu último ano de contrato) pareceu completamente débil mental. Havia potencial, ele era uma estrela, mas alguém se empolgou demais na hora de assinar os cheques. Com tantas contusões, lembrar quanto dinheiro o Jermaine vai enfiar nas orelhas beira o ridículo, mas ele ainda é um jogador impressionante, principalmente no setor defensivo. Infelizmente ele nunca mais recuperou o ritmo nos arremessos que uma vez teve no Pacers, mas ainda é ao menos competente na hora de pontuar. Acontece que ele e o Bosh na verdade têm estilos similares, ou seja, não gostam muito de jogar muito próximos da cesta, e o Raptors rende melhor quando apenas um deles está em quadra e a posição de ala de força vai para o Andrea Bargnani, que anda jogando cada vez melhor apesar do nome de miguxa.

Trocar o Jermaine era meio inevitável, portanto. O Raptors deu trabalho para o Orlando Magic na temporada passada e agora, após perder o porra-louca TJ Ford e adicionar Jermaine O'Neal (o que deveria ter melhorado o time, se o Universo fosse lógico), foi parar no grupo de piores times do Leste. E convenhamos, é mais difícil ser o pior time do Leste do que ser o melhor, porque a disputa é mais acirrada. Deixar como estava não podia, o Bargnani merece passar mais tempo em quadra, e o Jamario Moon não estava numa boa fase: após uma ou duas jogadas bastante idiotas, se queimou com o técnico e com o Chris Bosh, e chegaram a cogitar que ele perderia numa partida de damas para o Kwame Brown, dado seu intelecto não muito privilegiado. O Raptors, então, não sai perdendo muito e ganha uma possível estrela em Shawn Marion. Se ele vai ser o mesmo dos tempos de Suns não se sabe, mas se não funcionar o contrato dele acaba e pronto, dinheiro para o time de Toronto gastar contratando algum urso ou guarda florestal.

Boto uma fé no Marion por lá, no entanto. O manager do Raptors, Bryan Colangelo, foi o responsável por montar o Suns da era corra-por-sua-vida e parecia determinado a repetir a dose no Canadá. Com TJ Ford e Bosh, tinha as bases de um time veloz e desencanado dessa tal defesa, mas aos poucos o projeto foi se desvirtuando: o ex-técnico Sam Mitchell foi diminuindo a velocidade e o time quase que deu certo antes de desmoronar. Com a saída de Jermaine e Shawn Marion podendo jogar em sua posição natural, de 3, pela primeira vez nos últimos 50 anos, o Raptors tem tudo para impôr uma correria amalucada e é bem capaz que dê certo. Como todo jogador de basquete, o Marion vai querer escapar de Toronto bem rápido e jogar num lugar que exista de verdade, mas se tudo estiver dando bem certo por lá até consigo vê-lo reassinando com a equipe. O próprio Marion, que assim que ouviu a troca deve ter pensado em se matar, disse que agora está mais calmo e talvez renove seu contrato com o Raptors para a próxima temporada. Quer dizer, isso se alguém convencer o Bosh a ficar por lá também, já que vazou um depoimento dele praticamente contando os dias para se livrar do Canadá. O negócio é o seguinte: se o time de Toronto quer ser uma equipe minimamente relevante pela próxima década, essa segunda metade da temporada tem que ser perfeita. Tudo tem que se encaixar perfeitamente, em total sincronia, para Marion e Bosh continuarem por lá. Ou seja, acho que já era.

Os ares em Miami parecem bem melhores, em parte por causa de milhares de gostosas de biquini, mas também porque o Heat passa a ser uma força legítima no Leste se o Jermaine ficar saudável. Jamario Moon pode trazer defesa para a equipe se o Beasley continuar vindo do banco, mas mais para frente deve ser uma opção na reserva com Beasley titular. E Jermaine cuidará da defesa do garrafão - tudo que ele fizer além disso será lucro. Talvez seja um pouco tarde para contar com o Heat chutando traseiros nos playoffs, é preciso um pouco de química, de tempo, de saúde. Mas as chances nessa temporada são muito boas e, para a temporada que vem, talvez dê para considerá-los até um time de verdade. Só o que melhor fica por vir: o contrato do Jermaine acaba na já lendária temporada de 2010, então o Heat vai ter grana para reassinar o Wade com um contrato máximo e de brinde assinar outro jogador com um contrato similar. Se o Jermaine não der certo, abraço no cara e não esqueça de escrever. Ironicamente, em 2010 poderemos ver um Heat com Wade e Bosh, por exemplo. O que já dá para babar um pouco, e é bem mais realista do que feder por anos e ficar contando com a boa vontade do LeBron de mudar de time, não é mesmo, Knicks?

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

O que fazer com Jermaine O'Neal?

Da série "acho que fiz caca"


Alguns times têm que decidir o que fazer com o Kwame Brown, outros o que fazer com o Eddy Curry. Portanto, decidir o que fazer com o Jermaine O'Neal é um luxo para poucos, mesmo que ele seja um problema em muitos aspectos e, às vezes, mais atrapalhe do que ajude.

Das 43 partidas do Raptors na temporada até agora, Jermaine jogou apenas 29, isso contando os jogos em que passou meia dúzia de minutos em quadra antes de sair mancando. É impossível contar com ele, montar um esquema consistente, depender de sua presença. Suas lesões têm destruído sua promissora carreira desde os tempos no Pacers, que eventualmente foi obrigado a decidir o que fazer com o rapaz. O pessoal de Indiana tinha em mãos um All-Star, um jogador técnico e dominante capaz de liderar um time para granfes feitos, mas como lidar com seu salário de mais de 20 milhões de dólares quando ele mal entrava em quadra? Sua ausência, aliada a terríveis decisões do pessoal engravatado, levaram o Pacers a feder - e muito. Jermaine pediu para ser mandado para um lugar onde pudesse ser aproveitado, onde pudesse fazer a diferença. Sua saúde dava sinais de melhoras no final da temporada e a produção em quadra parecia razão para esperança. Rapidamente, foi parar em Toronto numa troca que aparentava envolver duas estrelas potenciais em Jermaine e TJ Ford. Agora, olhando com mais calma, parece que as duas equipes simplesmente queriam se livrar o mais depressa possível da bomba que tinham em mãos, estrelas cujas contusões tornaram-nos um fardo grande demais para suas equipes.

É aquela velha história da galinha do vizinho ser sempre melhor do que a nossa, principalmente se a galinha do nosso vizinho é uma de raça, tipo a Mari Alexandre. O TJ Ford parece um excelente armador, jovem, veloz, reboteiro, joga demais, mas quem conhece de perto sabe todos os podres. O TJ é frágil, teve lesões graves na coluna, ameaçou se aposentar do esporte depois que médicos alertaram que ele quase ficara aleijado após uma queda feia. Além disso, é agressivo demais no ataque, o que compromete tanto sua condição física quanto a capacidade de controlar o ritmo da equipe, sabendo quando atacar a cesta e quando passar a bola. Os times de TJ Ford são muitas vezes obrigados a ficar parados, assistindo o nanico correr de um lado para o outro da quadra sozinho.

O Pacers queria se livrar do contrato exagerado do Jermaine O'Neal e de sua presença que não permitia que o time fosse bem - já que ele estava sempre machucado - nem que fosse absolutamente mal, porque acabava sempre dando uma força. Para se renovar e colocar o controle em novas mãos, mais jovens, é necessário ter a coragem de feder um pouco, por uns tempos, e às vezes se livrar dos jogadores que impedem esse processo natural e obrigatório. Dois times querendo se livrar de dois estorvos que pareciam ser bastante apetitosos aos olhos alheios: um casamento perfeito que só poderia ter como resultado final dois times insatisfeitos. Afinal, casamento em que as duas partes estão satisfeitas, só naqueles casamentos arranjados em que uma russa quer nacionalidade americana, e um americano rico quer comer uma russa. Fora isso, a gente sabe que vai dar merda.

O TJ Ford jogou 34 dos 41 jogos do Pacers até agora. Ou seja, sofreu novamente com contusões. O time está fedendo como nunca e está lá no fundo da tabela do Leste. E, pra ser bem sincero, às vezes parece que o Pacers joga até melhor sem ele, com a bola mais nas mãos do Danny Granger e mais oportunidades para Marquis Daniels (por quem tenho um estranho Complexo de Drew Barrymore desde os tempos dele no Mavs) e para Jarret Jack.

Com o Jermaine, a história é mais complicada. Quando está em quadra, não há dúvidas de que torne o Raptors um time melhor. O problema é que talvez ele não melhore o time o suficiente. A situação acaba lembrando mais ou menos a do próprio Pacers, quando decidiu trocar sua estrela para dar espaço para o "Granny Danger": o Raptors não fede nem cheira, não está dando certo, muito provavelmente ficará fora dos playoffs, mas não estará entre os piores times. Não há chances mínimas de título e nem planos de tacar tudo no lixo e começar de novo, o que acaba deixando o time inteiro no limbo, sem saber para onde correr. Jermaine não resolve todos os problemas do Raptors, mas resolve alguns. Ele tem seus dias de estrela, mas em geral está no banco vestindo um terninho - que aliás não combina em nada com sua eterna cara de bebê.

Creio que o Raptors não está em condições de aceitar soluções pela metade. A crença de que o time estava apenas a uma peça de alcançar grandes feitos no Leste ainda permanece, embora eu ache ela tão pertinente quanto achar que a Terra está flutuando em cima de uma tartaruiga espacial. Então, se o Jermaine não é a peça que faltava, existem duas opções: trocá-lo imediatamente pela peça que falta, pois a data limite para trocas termina em 19 de fevereiro, ou então mantê-lo e esperar seu contrato terminar para liberar espaço na folha salarial para a lendária temporada de 2010 (LeBron, Wade, Bosh, dizem que talvez até Jesus Cristo e Buda).

Como antigo fã de Jermaine O'Neal que se achou velho quando ele parecia não ser mais capaz de ficar em pé, confesso que fiquei surpreso com seu rendimento em Toronto. Sua defesa continua impecável, embora os arremessos não tenham conseguido voltar ao velho ritmo e seu corpo não aguente mais o jogo físico de trombada que ele, com muito custo, havia desenvolvido em Indiana. Agora, é um jogador que pode ao menos contribuir sempre que consegue levantar da cama, e acho que ainda há espaço para ele na NBA se a natureza deixar. Ainda assim, concordo que o melhor a fazer é deixar Jermaine ir embora, por troca ou fim de contrato. Não que outra peça venha suprir aquilo que ele não conseguiu, é apenas que o Raptors também tem um Danny Granger que precisa de espaço para se desenvolver. Trata-se de uma versão com nome de garota e hábitos alimentares de uma Tartaruga Ninja: Andrea Bargnani.

Quando o Jermaine está desmontado como se fosse feito de Lego, o Bargnani é titular e tem médias excelentes de 17 pontos, 6 rebotes, 1.3 tocos e acerta 45% dos seus arremessos de três pontos. Jogar com o Bosh permite a "tática Rashard Lewis" de obrigar o defensor adversário a sair do garrafão e acertar arremessos de fora se ele não o fizer. Quando Jermaine joga, Bargnani joga em outras funções, passa menos minutos em quadra, e com isso faz apenas 8 pontos, pega 3 rebotes e acerta somente 34% dos arremessos de fora. A diferença é grande demais e é hora do conterrâneo do Super Mario ganhar confiança. Pra mim, todo time que não parece ir a lugar nenhum deveria começar a pensar em suas futuras estrelas, e o Raptors deveria estar distribuindo minutos para o Bargnani, para o Ukic (o armador que volta e meia tanto me impressiona) e para qualquer urso ou guarda florestal que parecer promissor lá no Canadá. Até porque eu duvido muito que o Chris Bosh continue por lá quando seu contrato se encerrar.

Pelo que parece, o pivô perdeu a paciência com a equipe. Na última partida contra o Hawks, surtou por completo com os erros de seu coleguinha Jamario Moon (que merecia respeito ao menos pela sua força nominal). Com o Raptors na frente e 90 segundos para o final, Moon deixou Joe Johnson livre para uma bandeja em que sofreu falta, diminuindo a diferença para um ponto. Com 55 segundos para o final, caiu na "tática Billups" de "eu vou fingir que arremesso pra ver se você é imbecil e vai pular no meu cangote" usada pelo Mike Bibby e cometeu uma falta, que resultou em dois lances livres e o Hawks liderando por um ponto. Em seguida, com 36 segundos para o final, deu um arremesso idiota de três pontos precipitado e bem, bem errado, que terminou de vez com o jogo. O Bosh arrancou os cabelos e, assim que a partida terminou, criticou o Moon abertamente, tanto pelas falhas defensivas quanto pelo arremesso desnecessário. Acrescentou que a mentalidade do time está errada, que no final dos jogos eles fazem tudo equivocado, e que não dá pra vencer assim.

Desconfio que, com essa equipe, o Bosh não queira ficar em Toronto. Como o contrato do Jermaine acaba potencialmente junto com o do Bosh, talvez acabe sendo tarde demais para usar a grana para contratar alguém de peso e convencer o pivô com pescoço de dinossauro a ficar. A lógica, portanto, se os engravatados estiverem dispostos a manter sua maior estrela, seria trocar Jermaine imediatamente - por alguém que, preferencialmente, não comprometa os minutos do Bargnani.

Os Nelsons Rubens do mundo da NBA falam constantemente de uma troca de Jermaine por Shawn Marion. Esse é um dos meus boatos preferidos, só perdendo para aquele que diz que a Maísa é na verdade uma anã e tem mais de 40 anos. Para o Raptors, essa troca traria uma defesa mais do que necessária, uma ajuda nas bolas de três pontos, daria uma força nos rebotes e permitiria que o Bargnani fosse titular ao lado do Marion. Além disso, o Jamario Moon iria para o banco de reservas, lugar a que ele pertence, já que contribui e muito para uma equipe mas jogar os minutos decisivos já é demais. Para o Heat, a troca traria tamanho - simples assim. Assistir Houston e Miami foi hilário, porque o Yao Ming podia fazer o que quisesse, incluindo pegar rebotes ofensivos no meio de 4 defensores enquanto dançava a macarena, e acabou o jogo com 12 arremessos convertidos em 12 tentados. Com Jermaine O'Neal, o Heat não teria que usar como titular o pivô Joel "Quem diabos?" Anthony, e o novato Beasley receberia muito mais minutos - coisa que ele está precisando urgentemente para pegar o jeito da brincadeira.

Por que essa troca não seria feita? Bem, provavelmente porque o Heat não é otário de pegar um jogador que tenha que entrar em quadra de cadeira de rodas. Antes de mais nada, é preciso que o Jermaine prove que pode jogar, que está saudável, e isso é como pedir para que o Clippers não tenha ninguém contundido no elenco. No entanto, há sempre uma possibilidade. Como acho que a temporada do Raptors já era, a prioridade deve ser mostrar que o Jermaine ainda dá pro gasto e forçar uma troca. Se não for pelo Marion, será por qualquer outra coisa que convença o Bosh a ter um pouco de fé, nem que seja uma troca por uma cinta pra dar na bunda do Jamario Moon. Mas nesse mundo de casamentos que são perfeitos porque dão errado, fico torcendo para ver o Marion no Raptors. Seria uma combinação ideal, ainda que - pode apostar - o time de Toronto não vá chegar a lugar algum do mesmo jeito.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Mentira tem perna curta

"Como assim vão me demitir porque eu fedo?
Quer dizer que não sabiam?"



Quando, pouco antes da temporada começar, fizemos uma análise de todos os técnicos da NBA, apontamos a Divisão Atlântica como o lar dos incompetentes. Para mim, o técnico Sam Mitchell podia ser apontado como o pior de toda a liga, enquanto Mo Cheeks não se encontrava muito longe, sendo um dos técnicos mais invisíveis quando seu time está em quadra. Os dois levaram suas respectivas equipes para os playoffs e, após serem chamados de burros e incompetentes, foram consagrados "gênios incompreendidos" e receberam total apoio dos dirigentes. Foram extensões contratuais, milhões de dólares indo parar em seus bolsos, discursos de que todos acreditavam em seus trabalhos técnicos que agora estavam dando resultado. Legal, e eu sou a Vovó Mafalda. Um punhado de meses depois, os dois estão no olho da rua.

Eu queria muito compreender o critério por trás das demissões, de verdade. Nenhum dos dois técnicos tinha qualquer talento, isso todo mundo sabe, e a melhor coisa a se fazer era colocar ambos para vender cachorro-quente. Mas frente aos resultados de certo modo positivos, os dirigentes se comprometeram com os trabalhos, assinaram embaixo, deram aquele clássico soquinho no queixo seguido por um "continue assim". Pois bem, "continuar assim" foi justamente o que Sam Mitchell e Mo Cheeks fizeram. Como demitir alguém que está fazendo exatamente a mesma porcaria que fazia antes, e pelo qual foi tão elogiado, aliás? A impressão que dá é de que os responsáveis pelas franquias não fazem a menor idéia do que estão fazendo, apenas acompanham os resultados e julgam baseados inteiramente nos números. E não em números difíceis, como "posses de bola por 48 minutos", mas apenas no número de vitórias e derrotas - talvez no número de torcedores por partida também, vá lá. Isso é até normal, o objetivo das franquias é dar lucro, ninguém é bonzinho e financia uma equipe de basquete porque isso traz alegria para o mundo ou é uma linguagem que permite a ampla expressão de seus membros constituintes. Seria como dizer que o objetivo do McDonald's é alegrar as crianças e espalhar a arte gastronômica como forma de comunicação. Pois é, o Joâo Kléber também só queria tornar o mundo um lugar melhor, pobre gênio imcompreendido.

Mas justamente por visar ao lucro é que mais atenção deveria ser dada ao que diabos os técnicos estão fazendo em quadra. Se colocassem um gorila de circo no Raptors que passasse os jogos comendo bananas e trepando em cima do banco de reservas, e o time chegasse aos playoffs, seria ridículo parabenizar-lhe por isso - pior ainda seria lhe oferecer uma extensão de contrato. O que dizer, então, da demissão do gorila caso o time desse errado na temporada seguinte? Sua ação no time (comer bananas) sempre foi a mesma e provavelmente eu tive mais influência nos resultados da equipe quando tirei meu pijama pela manhã do que ele.

No caso do Mo Cheeks, ainda há o agravante de ninguém ter percebido o desastre óbvio que se aproximava. Nenhuma estrela jamais conseguiu se encaixar em um time seu, de Rasheed Wallace a Allen Iverson, basicamente porque seu estilo de jogo parece ser invariavelmente coletivo para alguns, ridiculamente inexistente para outros. Ele tornou a meia tonelada de jogadores secundários do Sixers um conjunto coeso, mas era óbvio que a chegada de uma estrela obrigaria que ele mudasse sua tática e explorasse as novas possibilidades, coisa que ele nunca seria capaz de fazer. De certo modo, Elton Brand foi o atestado de óbito de Mo Cheeks por vários motivos: a princípio, porque o obrigou a utilizar-se de uma estrela; depois, porque o time deixou de ser uma porcaria que surpreendeu todo mundo para se tornar um time de verdade que supostamente deveria ser capaz de vencer. Convenhamos, vencer sem querer é muito mais fácil do que vencer quando você precisa mostrar resultados. O técnico quebra-galho será Tony DiLeo, que pelo menos não terá muita responsabilidade de vencer porque pegou o bonde andando. Se ele tem chances eu não faço idéia, afinal escrevo sobre NBA mas tenho mais o que fazer na minha vida do que digitar o nome desse pentelho no Google.

Também não faço idéia de quem seja o novo técnico do Raptors, o Jay Triano, que era assistente técnico da equipe (e tem nome de boxeador latino). Mas assim é que é bom, a gente julga o trabalho do cara na prática, não graças ao seu nome ou resultados passados, o que também é uma excelente desculpa para esconder a preguiça de ir pesquisar sobre alguém que pode ser mandado embora em 15 minutos. Mas vale dizer que suas poucas alterações no time me pareceram muito bem-vindas. Antes de mais nada, colocar o Jason Kapono pra jogar já é motivo de alegria. Militantes dos Direitos Humanos festejaram a libertação de Kapono do fim do banco do Raptors, onde ele apodrecia vivendo a pão e água. Sua situação não era tão ruim quanto a do Belinelli ou do JJ Redick, que estão escravizados e utilizados como pesos de papel em suas equipes, mas também era bem feia. Sam Mitchell não faz a menor idéia de como utilizar jogadores unidimensionais, especialistas em fazer apenas uma coisa, e os arremessos de fora do Kapono foram abandonados no banco graças à sua dificuldade nas outras funções - ainda que tenha sido peça fundamental naquele Heat que foi campeão da NBA. É verdade que o Anthony Parker está contundido e abriu uma vaga, mas Kapono está tendo minutos que nunca teve em Toronto e nem teria com o Mitchell, sem contar que Jamario Moon retornou à escalação titular. Com isso Bargnani voltou ao banco, o que compromete sua temporada de claros aprendizados, mas o italiano ainda é inconstante demais e seu amadurecimento não pode ser feito às pressas. Na verdade, tem que ser secundário frente ao elenco do Raptors que deveria poder vencer agora, e tem que se preocupar mais em encontrar um equilíbrio entre Bosh e Jermaine O'Neal do que qualquer outra coisa. Ser técnico em Toronto parece fácil porque ninguém dos Estados Unidos presta atenção no Canadá, e os torcedores do Raptors estão mais interessados em hockey e em chegar em casa sem serem atacados por ursos. Mas esse elenco é na verdade uma bomba para o próximo técnico: bom demais para ficar fora dos playoffs, limitado demais para ser campeão do Leste, apesar da obrigação de vencer imediatamente. Essa é uma zona perigosa de mediocriedade que fada times ao fracasso. A intenção declarada alguns anos atrás de se tornarem "o Suns do Leste" pode na verdade ser uma maldição e apontar os problemas presentes e futuros: o eterno "quase-chegamos-lá". Quem pegar os dinossaurinhos roxos vai ter que decidir se esse será o modelo a ser seguido, se eles correrão, se defenderão, se apostarão em Jermaine O'Neal, ou se já é hora de se preocupar com uma possível partida de Chris Bosh e, portanto, começar tudo de novo.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Bons começos

O nome mais legal desde "Tirulipa Júnior"


Quando a temporada acaba de começar, todo mundo já quer saber se as boas atuações de um determinado jogador vão ser a regra ou se foram simplesmente a exceção. Ninguém tem paciência para esperar um pouco, já querem ficar rotulando os jogadores baseados em um jogo ou dois, que coisa feia. Mas como agora já foram, tipo, uns 6 jogos, e já faz, tipo, o maior tempão que a temporada começou, não vejo a hora de opinar sobre algumas surpresas! Viva!

Para opinar sobre possíveis candidatos a MVP ainda é muito cedo, talvez seja melhor esperar até amanhã, ou quem sabe até mesmo quarta-feira. Porque, sabe, sou um cara conservador e acho que tudo deve ser analisado no seu devido tempo, sem muita pressa. Analisar os melhores novatos também é algo que exige mais tempo, até mesmo porque um novato pode destruir hoje e amanhã esquecer qual mão é a que escreve - algo essencial para a arte de assinar cheques, parte importante do cotidiano de um jovem jogador. Então, vamos fazer algo um pouco mais simples: apontar alguns jogadores que estão surpreendendo, chutando uns traseiros, e ficar de olho neles pelo resto da temporada. Assim, traçaremos um roteiro de quem merece uma atenção redobrada para que a gente possa descobrir se eles manterão o ritmo ou não.

Vamos começar com o Brandon Roy, já que ele foi o primeiro nome que me veio à cabeça (o fato de eu estar olhando para um boneco de vudu com a cara dele me ajudou a lembrar do sujeito). Na temporada passada, ele foi até pro All-Star Game, mas de última hora e quando ninguém sabia muito bem quem era o rapaz. Se você cruzasse com ele na rua, provavelmente lhe daria uma esmola. Agora, todos os olhos estão voltados para o Blazers e, com Greg Oden contundido (mesma coisa que dizer que a água é molhada), Brandon Roy precisa ser uma estrela capaz de carregar o time nas costas. Acontece que seu estilo é bastante silencioso, ele é especialista em passar despercebido. Mas eis que, justamente contra o meu Houston Rockets, ele decidiu que era hora de ficar famoso. Num jogo com prorrogação e três mudanças de liderança nos dois segundos finais (e que por causa do Horário de Verão idiota deve ter acabado na hora em que eu precisava estar acordando), Roy acertou a cesta da vitória da putaqueopariu com 0.8 segundos restando no cronômetro. Foi uma cesta linda, maravilhosa, histórica, épica, mágica e cheirosinha, e os juízes usaram o replay para se certificarem de que o Brandon Roy tinha soltado a bola a tempo. Mas o que ninguém percebeu é que o cronômetro demorou um bocado de tempo para ser iniciado, o Roy já está no ar quando o cronômetro começa a rodar. Ou seja, eu torço para o Houston e me sinto roubado. Meus advogados vão estar entrando em contato para me conseguir uma grana num processo de danos morais que um dia vai virar filme no SBT.

Pior é que o Brandon Roy fez outra cesta muito parecida, dessa vez pra selar a vitória contra o Wolves. Mas, como é contra o Wolves, ninguém percebeu e não achei nem um vídeo. Se ele quer continuar seu plano maligno de ficar famoso na NBA, é melhor ele guardar essas bolas para prorrogações contra times fortes do Oeste.

Aliás, outro jogador surpreendente até agora é um amiguinho de Brandon Roy, o LaMarcus Aldridge. Sua defesa sempre foi falha e os rebotes que ele pegava eram apenas os que caiam dentro da sua orelha proeminente, sempre sem querer. Nos últimos jogos, os rebotes têm ultrapassado a marca da dezena e a média é de dois tocos por jogo. Somando isso ao seu ataque sempre impecável cheio de arremessos certeiros de longa distância, talvez Brandon Roy tenha companhia no All-Star Game.

Já o "Granny Danger", o melhor trocadilho desde "desculpintão", se recuperou da pré-temporada meia boca e está fazendo chover. O engraçado é que muita gente argumentou que o Granger não estava tendo boas atuações porque, com seu companheiro de equipe Mike Dunleavy machucado, a defesa adversária pode focar apenas nele e não precisa defender o perímetro. Isso até pode ser verdade, mas como explicar os 26 pontos por jogo que ele tem de média até agora? O rapaz é simplesmente o quarto cestinha da temporada, atrás de LeBron, Wade e do (gasp!) Tony Parker, que simplesmente não vale porque eu não quero que valha. Então pelas novas regras agora instituídas ele é o terceiro cestinha da temporada. Se o Dunleavy voltar, então o Granger vai ter uma média de 200 pontos por jogo, né? Somando isso aos seus números defensivos (1,6 tocos!) e uma ou duas vitórias surpreendentes, vai ser difícil não ver o Sr. Perigo num All-Star Game. E o Pacers vai continuar fedendo, vai por mim.

Tem também uma pirralhada que não vai para o All-Star mas que precisava mostrar serviço para não serem considerados fracassos completos na NBA. O Gerald Green, por exemplo, já foi trocado, demitido, emprestado, pisado, abusado, descartado, tudo que tinha direito. Sua vida é parecida com a de uma atriz pornô banguela que precisa pagar as contas. Potencial ele sempre teve, mas acontece que até mesmo na NBA o pessoal enche o saco de ficar pagando milhões de dólares por gente que só tem potencial e não sabe nem ir no banheiro sozinho. Volta e meia alguém ainda dá uma chance pro Kwame Brown, é verdade, mas só porque ele é alto. Pro Gerald Green, que deveria ser o novo Kobe mas na verdade tá mais para o novo Damon Jones, a paciência acabou esgotando e ele passou bastante tempo desempregado. A oportunidade que o Mavs lhe deu, no entanto, foi agarrada com unhas e dentes. Ele está sendo uma força vindo do banco, com quase 10 pontos de média em apenas 16 minutos por partida, e ontem, como titular no lugar do Josh Howard contundido, foi um excelente cover: 13 pontos e 12 rebotes. Talvez ele encontre seu lugar na NBA. Talvez o Kwame Brown aprenda a jogar basquete. Enquanto há vida, há esperança, já diria Chico Xavier.

Como ele, Andrea Bargnani não tem muito a seu favor: além do nome de garota, foi a primeira escolha do draft de 2006 e ainda não fez porcaria nenhuma na NBA. Às vezes tem um bom jogo, mas aí desaparece, faz umas cagadas e começa a perder minutos. Nessa temporada, está tendo alguns jogos mais consistentes, excelente aproveitamento nos arremessos, acertando mais da metade de suas bolas de 3 pontos e, o mais bizarro, jogando bem melhor na defesa. Ele ainda tem seus defeitos, claro, afinal ele é um branco europeu, mas está dando mais tocos e ajudando na marcação do garrafão. Quanto mais ele aprender a jogar como o cara alto que é, ao invés de como um armador nanico, maior vai ser seu espaço na Liga.

É o mesmo caso do pivô Spencer Hawes, do Kings. Ele é um gigante que joga como um anão, não gosta de contato, preferia estar jogando vôlei, arremessa de trás da linha de 3 pontos e não pega rebotes. Na época em que draftaram ele foi até engraçado, porque o Kings precisava justamente de gente atlética no garrafão, gente física, e o Hawes é justamente o oposto. Acontece que agora, com um pouco mais de experiência, ele está conseguindo equilibrar bem as coisas. Na defesa, está muito mais competente, pegando mais de 8 rebotes por jogo e dando 2 tocos por partida, o que é espetacular para os minutos um pouco limitados. No ataque, está arremessando de longe como gosta, inclusive sendo o melhor arremessador de 3 pontos da NBA até agora em porcentagem: acertou 9 de seus 12 arremessos tentados (campanha para ver ele no campeonato de 3 pontos do All-Star Game já!). Engraçado é que ele e Brad Miller estão dividindo minutos e os dois são muito parecidos: americanos brancos gigantes que não gostam de contato, chutam de fora e jogam com inteligência. Mas e o jogo físico de que o Kings precisa, cadê? Bom, o calouro Jason Thompson está dando uma mão, mas dele eu falo depois, porque os novatos são um capítulo à parte. Mas tem um deles que eu não vou resistir e vou ter que falar a respeito.

O nome do rapaz é Luc Mbah a Moute, um príncipe camaronês que foi para os Estados Unidos. Eu sei, eu sei, parece mentira. Aliás, parece aquele filme com o Eddy Murphy que passava na Seção da Tarde da Globo o tempo inteiro, em que ele é um príncipe africano que vai para a cidade do Knicks. Tinha algum nome bem óbvio, como "Um príncipe em Nova Iorque" ou algo assim. Mas tenho certeza de que o príncipe aprontava muita confusão.

Bem, o Mbah a Moute foi a 37a escolha do último draft apesar de ter uma das maiores forças nominais da NBA (aliás, na nossa Liga de Fantasy, quando ninguém mais sabia quem pegar no draft, ele foi escolhido alegadamente apenas por sua força nominal). Ninguém dava um centavo pelo príncipe camaronês mas ele está chutando traseiros. As médias de quase 10 pontos, 6 rebotes, 1 roubo e 1 toco já são incríveis, mas nas últimas partidas está ganhando cada vez mais espaço e importância num Bucks completamente desesperado por qualquer nota positiva. Se ele for o novo Ginóbili, a gente avisou aqui primeiro. Se ele for uma farsa, a gente muda de assunto... hum, você já assistiu o novo filme da Sasha Grey?

Para terminar as surpresas até agora, vamos falar do Shaquille O'Neal. Porque, após ser rebaixado a porteiro de boate nos círculos basqueteiros por aí, atuações sólidas são surpreendentes. Com 24 pontos, 11 rebotes e 4 assistências contra o Bucks, o Shaq destruiu e pôde até aloprar no seu Twitter:

"Bogut é o Erika Dampier com barba".

O Shaq nunca perde uma chance de zoar o Dampier, é sempre muito engraçado e seu Twitter é imperdível. Ou seja, torço para que ele tenha muitas atuações desse nível - jogo sim, jogo não. É que o Shaq está velho mesmo e a política no Suns é poupá-lo ao máximo para os playoffs. Ele sentou num jogo, ficou de terno só assistindo, e no outro jogou com tudo. Segundo o técnico Terry Porter, ele pode sentar sempre que quiser se, quando voltar, jogar como jogou contra o Bucks. Eu acho a idéia excelente, tem que ter bom senso e perceber que o Shaq não precisa jogar todas as partidas, ele deve sentar bastante mesmo durante a temporada, mas não é meio surreal o Suns de repente virar um asilo de velhinhos em fim de carreira? Um dia eles poupam o Shaq, no outro eles poupam o Grant Hill. Daqui a pouco vão poupar todo mundo e colocar cinco micos de circo pedalando monociclos em quadra. Bem, dentre as surpresas até agora, cinco micos sobre rodas com certeza ganhariam de todas elas. Tirando o príncipe camaronês, claro.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Preview da temporada - Divisão Atlântica

E você se perguntando porque Kevin Garnett joga tão motivado


Continuando com nossa análise do que vale a pena ver na próxima temporada, analisamos dessa vez a Divisão Atlântica, muito provavelmente uma das mais divertidas para assistir. Seja para torcer a favor, seja para torcer contra, todo mundo vai querer dar uma espiadinha nesses times jogando.

Daqui a pouquinho teremos mais uma Divisão, correndo como uns loucos para repor o tempo perdido e entrar com tudo na temporada regular, que começa nessa terça-feira. Mande as crianças para a casa da vó, brigue com a namorada, repita no colégio. É hora de ler uma tonelada de posts no fim de semana e depois devorar os primeiros jogos da temporada, tudo enquanto amaldiçoa o horário de verão que aumentou em uma hora o fuso horário. Idiotas.


Boston Celtics

Motivos para assistir:
Os atuais campeões conseguem satisfazer a todos os fetiches do planeta. Para quem gosta de estrelas, três jogadores (Garnett, Ray Allen e Paul Pierce) serão futuros membros do Hall da Fama e são alguns dos mais talentosos seres humanos a já tentar brincar desse esporte. Para quem gosta de jogadores secundários mas esforçados, o time perdeu James Posey mas manteve Leon Powe, cada vez mais essencial nos momentos decisivos das partidas de pré-temporada. Se o fetiche é jogador jovem com potencial, Rajon Rondo dá os sinais de cada vez mais ser um clone do Jason Kidd (ou seja, corre pra burro, passa bem a bola, pega rebotes e não faz a menor idéia de como dar um arremesso), sem esquecer também de Tony Allen que teve uma pré-temporada sensacional. Para os que tem fetiche por jogadores jovens com potencial mas que fedem, tem o Patrick O'Bryant, o pivô que nunca jogou no Warriors desde que foi draftado porque o Don Nelson só coloca em quadra gente com menos de um metro e meio. Se o fetiche são apenas jogadores ruins, tem o Scalabrine. E se o fetiche é por pés, bem, tem um monte de pés por lá, isso eu garanto.

O Celtics é um time para todos os gostos, uma mistura muito eclética de talentos unida por um ideal (e pelos gritos de Kevin Garnett) que dá tudo de si em todos os jogos. O ataque é meio estático, a defesa é meio confusa, mas como não gostar de ver um ataque tão cheio de talento e uma defesa tão intensa com o Garnett escorrendo sangue noite após noite? Aliás, como não gostar de ver o Garnett jogando, sempre com aquela impressão de que será o último jogo de sua vida e basquete fosse a coisa lógica a se fazer no leito de morte?

Pode confessar, eu sei que você costumava falar que o Duncan era o melhor ala da história do planeta mas mal tinha visto o Garnett jogar porque o Timberwolves não é um time de verdade. Então aí está um motivo, veja o Celtics jogar porque um dos melhores alas de todos os tempos vai eventualmente se aposentar e você perdeu a maior parte de sua carreira, só porque ele estava na porcaria do time dos timberlobos.

Motivos para não assistir:
Bem, eles são os atuais campeões, o que já é motivo para ser boicotado por muita gente. Em parte porque assistimos mais jogos do Celtics na temporada passada do que vimos matérias sobre a Eloá, então uma hora enjoa. O time é interessante, cheio de talento, mas não joga de maneira especialmente atraente para os olhos, enfrenta milhões de adversários do Leste que fedem demais para que o jogo tenha graça e em geral as partidas são tão fáceis que os titulares acabam jogando poucos minutos. No fim da temporada, as estrelas se dão ao luxo de ficar no banco de reservas cutucando o nariz - um prazer secreto compartilhado por todos os seres humanos (ou você tem dúvidas de que o polegar opositor só serve para fazer bolinhas de meleca?). Ou seja, a temporada regular não vale nada para o Celtics, que deve ser o primeiro colocado absoluto do Leste, e já tendo em mente que veremos trocentos jogos deles nos playoffs, talvez seja melhor não esgotar nossa cota de paciência com o time logo de cara.


Philadelphia 76ers

Motivos para assistir:
Na temporada passada, compreender como um time completamente mediano conseguia resultados surpreendentes era o motivo que fez todos os fãs de basquete prestarem atenção no Sixers, afinal a equipe tinha sido completamente ignorada por todo mundo até então. Era quase playoffs quando alguém percebeu que o Sixers estava chutando traseiros e a mensagem foi se espalhando, no boca-a-boca, tipo "telefone sem fio". A mensagem final que chegou aos meus ouvidos foi "o zíper peida", o que depois compreendi ser uma versão de "o Sixers reina" - sempre tem uma velha da Praça é Nossa para estragar o telefone sem fio. Aqui no Bola Presa, assistimos a muitos jogos tardios do Sixers para tentar resolver o mistério, escrevi um punhado de posts a respeito e nunca compreendi inteiramente. O técnico era ruim (os fãs pediam sua demissão), o elenco era fraco, e não havia nenhuma estrela; de repente o técnico era chamado de gênio, os fãs pediram para ele uma extensão de contrato (que veio), o elenco era sólido e profundo e Andre Iguodala firmou-se como algo que lembra vagamente uma estrela. Como diabos isso aconteceu? Não dá pra perder jogo algum desse time com um fenômeno desses acontecendo, principalmente se você for ufólogo.

Mas o que se dizia desse time é que faltava um pontuador de verdade dentro do garrafão, um cara que exigisse marcações duplas. Bem, Elton Brand foi vira-casaca e topou jogar pelo time mais intrigante da NBA. (Perceba que intrigante é a palavra que você usaria para definir uma garota bonita que talvez seja um homem.) Por via das dúvidas, pretendo ver muito esse time jogar e analisar como Elton Brand irá interferir na química da equipe. Eu recomendo.

Motivos para não assistir:
Bem, eles não são exatemente um time empolgante com várias estrelas dominando jogos. Iguodala tem "ajudante" escrito na testa, todos os outros são peças sólidas mas que não fazem muito barulho, e o Elton Brand é provavelmente a estrela mais silenciosa da NBA. Ele tem passado a vida fazendo 20 pontos, pegando 10 rebotes e dando 2 tocos todos os jogos (tudo com apenas 2,06m de altura), mas faz isso de uma forma tão discreta que não seria sequer reconhecido na rua. O Duncan é famoso por não ser famoso, ele é descolado por não ser descolado, ele é louvado por ter um estilo que não é louvável. Ou seja, um paradoxo que atormentará a filosofia ocidental pelos próximos anos. Mas o Elton Brand não é famoso por não ser famoso, ele simplesmente não é famoso e pronto. Passar a última temporada inteira contundido não ajudou muito também. Então, no fundo o Sixers não tem ninguém que chame atenção, ninguém que será certeza de emoção e de vitórias. O jogo mais coletivo nas mãos de jogadores ditos "de apoio", que é como o Pistons costumava ser antes de todo mundo por lá ser chamado de estrela, pode não ser uma das coisas mais tesudas de assistir e talvez não dê pra competir com o Superpop. Mas para quem gosta ou, ao menos, tem a curiosidade, esse motivo é uma besteira.


Toronto Raptors

Motivos para assistir:
Depois da novela mexicana "O Favorito" estrelada por Jose Calderon e TJ Ford, o Raptors finalmente escolheu deixar o time nas mãos do armador espanhol e se livrar do TJ o mais depressa possível. O Calderon joga demais, tem um dos arremessos mais tecnicamente impecáveis da NBA e nunca deperdiça a bola, foi cotado para ser All-Star na temporada passada e dessa vez terá todos os minutos que quiser. Perder isso na TV seria loucura, essa temporada é a grande chance de ver o Calderon finalmente alcançar a fama que merece.

Enquanto isso, o Chris Bosh vai poder pela primeira vez em sua existência deixar de jogar como pivô, posição da qual ele nunca foi lá muito fã. Isso porque Jermaine O'Neal está saudável e assumindo imediatamente o garrafão do Raptors. Os dois formam, pelo menos no papel, uma das melhores duplas de garrafão da NBA, atlética, técnica e, portanto, imperdível. Um time com novidades interessantes na armação e no garrafão tem nossa atenção garantida por uns tempos, no mínimo, só pelo fator novidade. Copiar um pouco o estilo veloz do antigo Suns também conta.

Além disso, o ala Andrea Bargnani teve uma ótima pré-temporada e dessa vez deve até mesmo ficar alguns segundos em quadra quando o jogo estiver valendo, já pensou? Para quem acha que os italianos são bigodudos de macacão vermelho que comem uns cogumelos e começam a achar que precisam salvar princesas das garras de dinossauros verdes, o Bargnani é um ótimo motivo para acompanhar o Raptors, principalmente se ele se tornar realmente o novo Nowitzki, só que menos feio.

Motivos para não assistir:
Bosh e Jermaine é uma das duplas mais bacanudas da NBA, fato, mas também é uma das mais amaldiçoadas desde Pepê e Neném. O Bosh sempre tem problemas no pé e o Jermaine O'Neal era saudável na época em que o Atari tinha gráficos de ponta (quem não exclamou, fascinado em plenos anos 80, que o céu do jogo Enduro era "foto-realista"?). Então eventualmente um dos dois (ou os dois) vai acabar virando farofa, o que vai tirar muito a graça do time.

Por mas divertido que o Raptors seja, sem Bosh ou Jermaine o time volta a ser basicamente o que era na temporada passada, ou seja, um time instável e frágil, perdendo jogos tolos e nunca sendo realmente empolgante de assistir. A culpa deve ser provavelmente do Sam Mitchell, o pior técnico da NBA, e quem diabos quer ver o pior técnico fazendo merda sentado num pinico? Bem, talvez seja um fetiche do qual nem mesmo o Celtics pode dar conta, consigo imaginar uns malucos mais escatológicos assistindo ao Sam Mitchell trabalhar só pelo prazer da coisa. Mas com todo mundo saudável, acho que não tem como o resultado ser uma merda completa e vale ao menos uma assistida esporádica. Assista enquanto estão saudáveis. Ou seja, assim que a temporada começar, depois estamos nas mãos do Acaso.


New York Knicks

Motivos para assistir:
A raça humana, depois da Guerra Fria, se divide em dois pólos: os que estão torcendo a favor do novo Knicks e os que estão torcendo contra. Eu, por exemplo, estou torcendo a favor, mas não sou um militante fanático, veja bem. Já vi o novo Knicks jogar e achei uma porcaria, mas o time vem melhorando aos pouquinhos, entendendo o esquema de jogo e ficando mais capacitados fisicamente para aguentar a correria (menos o Eddy Curry, claro, que está ficando mais capacitado para aguentar a crise dos alimentos, estocando comida debaixo da pele). Eu pessoalmente não acho que o Knicks vá dar certo, ao menos não nos moldes atuais, mas aí está o maior motivo para assistir aos jogos: descobrir se eles vão feder ou se vão se recuperar.

Não tem erro, não importa para qual lado você esteja torcendo, não dá para perder os jogos dos pupilos do técnico Mike D'Antoni. O Suns já era uma das coisas mais insanamente divertidas de se ver, então se o Knicks der certo a diversão está garantida. Se der errado, bem, todo mundo vai querer dar uma olhada na piada para poder criticar e ter o que falar nas conversas de bar enquanto não começa o novo Big Brother Brasil e não rola nenhum sequestro ou criança voando pela janela.

Motivos para não assistir:
Quem não gostava do estilo do Suns não tem muitos motivos para ver o Knicks jogar. É como não gostar do Elvis e ir assistir a um show de um cover gordinho do sujeito, sofrimento puro. É que o Suns não defendia e parecia jogar no ataque sem pensar muito, coisa que ofende o pessoal que tem fetiche por basquete lento e defesa forte. É justo, nos tempos modernos a gente respeita todo mundo, pode até comer cocô.

Se o Knicks começar a perder, aí é que surgem mais motivos ainda para deixar esse estilo porra-louca para lá na hora de escolher que jogo ver. A graça da coisa é que com um basquete veloz os jogos variam muito, diferenças gigantes de pontos são abertas e perdidas em questão de poucos minutos, toda partida está aberta e é emocionante. Se o Knicks faz isso e perde sempre, os jogos vão ser um porre. E o Marbury vai pirar de um dia para o outro, dizer que quer jogar na Finlândia e sumir uns dias, só pra deixar o clima da equipe bem bacana, bem "Família Scolari".


New Jersey Nets

Motivos para assistir:
Em geral, times em reconstrução são a coisa mais chata da Terra, só perdendo para shows de mímica. É estranho, então, dizer que o maior motivo para assistir ao Nets é justamente eles serem um time em reconstrução. Sem Kidd e com Richard Jefferson recentemente trocado para o Bucks, quem sobrou no barco (furado) foi o Vince Carter, que parece atrair esse tipo de situação, coitado. Mas acontece que o Carter parece ter abraçado bem o papel de estrela experiente que ajuda a pirralhada, e o berçário de New Jersey é um dos mais interessantes e divertidos da NBA. O Devin Harris tem tudo para ser um All-Star e pode levar esse time nas costas, Vince Carter ainda é um excelente pontuador, Yi Jianlian costuma feder mas tem toneladas de potencial, os homens de garrafão são todos talentosos mas ainda não fazem a barba, e até o novato da equipe, Brook Lopez, é um poço de talento bruto e destruiu na pré-temporada.

Pode ser questão de gosto pessoal, mas enquanto fujo de times ruins que estão tentando reconstruir a equipe, estou ansioso para ver o Nets jogar. Eles vão feder, vão ter seus traseiros chutados, mas o elenco é irresistivelmente jovem e inegavelmente cheio de talento. É tipo ficar amarradão naquela garota gorda sabendo que, por trás de todo aquele tecido adiposo, existe uma garota maravilhosa escondida. E eu tô amarradão. No Nets, por favor, não numa gorda.

Motivos para não assistir:
Por mais simpático que seja acompanhar um monte de crianças talentosas buscando seu lugar num mundo de gente grande (parece roteiro de Seção da Tarde), uma hora enche o saco ver um time que só apanha. Os caras talentosos começam a parecer burros porque vão sempre cometendo os mesmos erros, o excesso de derrotas vai acabando com o ânimo da equipe e aí fica aquele clima de "preferia ter um caso com a Preta Gil do que estar aqui nessa budega". E de deprimente basta a vida, ninguém quer ficar vendo um time fracassado lamentando pelos cantos, a não ser depois de acabar namoro porque aí é hora de curtir uma fossa, ouvir música emo e assistir ao Nets choramingar as derrotas.

Outro motivo para fugir do Nets é seu técnico, o Lawrence Frank. Ele é um nerd de basquete, estudioso e bem preparado, que não consegue fazer nada que funcione e tem as rotações mais idiotas possíveis. Então é bem provável que vários jogadores com potencial fiquem sentados no banco, contra toda a lógica e o bom senso, e assistir ao Nets seja uma completa tortura.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

"Both Teams Played Hard"

Rasheed não cometeu nenhuma falta técnica no All-Star Game, mas cabulou a coletiva de imprensa


Para quem teve o saco de esperar, aqui está mais uma coluna "Both Teams Played Hard", o seu espaço no Bola Presa para perguntar aquilo que te der na telha. Só não pergunte nada urgente porque, como deve ter dado para reparar, a coluna é semanal mas na verdade só aparece cada vez que o Tim Duncan dá um sorriso. Ou seja, às vezes pode demorar.

Esse foi um mês agitado, cheio de trocas, All-Star Game e problemas técnicos (o quê, você não sabia que seus blogueiros favoritos não vivem numa jaula escrevendo apenas para você diariamente?), mas aqui estão as respostas - na medida do possível, claro. Sinta-se livre para encher nossa caixa de comentários com todas as estranhas dúvidas que assolam sua cabeça, trocas imbecis, problemas amorosos ou seu trabalho de escola. Não garantimos que o trabalho esteja certo, que as respostas sejam verdadeiras ou que os conselhos românticos dêem certo. Mas responder, a gente sempre responde.

Nessa semana, gente não draftada, David Stern, Lakers e palpite para o BBB. Divirtam-se e até o próximo ano bissexto!

...

Carlos:
1 - Quem foi a 68º escolha do draft de 1974?
2 - Quem era o terceiro pivô do syracuse nationals de 1956?
3 - Como é o nome da prima de segundo grau por parte de pai do Yao Ming?
4 - O que o David West tá fazendo no All Star Game?
5 - Por que o Isiah Thomas teve a camisa abençoada se o Alvin Robertson foi melhor que ele?

Danilo:
1 - Nosso leitor Linelson respondeu para você:
NY Roy Ebron
SW Louisiana

Pronto, mudou tua vida?

Denis:
2 - Não sei. Mas aposto que já foi dar um alô pro Mário Covas.
3 - Não sei. Mas aposto que come arroz, cachorro e costura tênis da Nike.
4 - Não sei. Mas, como disse o Arenas, é engraçado um uniforme escrito "West" atrás e na frente.

Danilo:
5 - Nosso leitor Renan respondeu essa aqui:
"Quanto a pergunta 5, eu comentei esse assunto no meu blog, mas é Avery Johnson, não Isiah Thomas, e é camisa aposentada, não camisa abençoada, hahaha..."

...

Renan:
Por que diabos o Toronto Raptors escolheu o Andrea Bargnani na primeira escolha? O GM de nome esquisito pode ser inteligente por buscar elenco fora do país, mas também eles exageram...

Denis:
Na época, ser parecido com o Nowitzki era legal, ele era um ala moderno, diferente, inovador, revolucionário. Um cara que era impressionante porque mesmo com mais de 2,10m ele arremessava de longe. Agora, depois das finais contra o Heat e da derrota pro Warriors, o Dirk é ridículo porque ao invés de ir pra baixo da cesta ele insiste em arremessar de longe mesmo tendo mais de 2,10m, que idiota!

Danilo:
O mundo é bastante volúvel.

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enriquefsd:
Jogadores como Ben Wallace,Walter Herrmann,Reggie Evans,Louis Amundson não participaram do draft e mesmo assim entraram na nba.
Como isso aconteceu?
Existe outra maneira de entrar na nba
sem ser pelo drat?

Denis:
Isso é até bem comum. Aconteceu também com o Brad Miller e, nesse ano, com o Jamario Moon. Acontece dos caras se inscreverem no draft e acabarem não sendo draftados. A saída é correr atrás de times de ligas de verão ou de testes em equipes, alguns convencem e ganham uns contratos de um ano ou só aqueles de 10 dias mesmo, e acabam entrando na liga.
Com os gringos acontece às vezes deles passarem do limite de idade. Não se pode entrar no draft com 30 anos, por exemplo. Então se o cara vira sucesso na Europa e só chama a atenção da NBA depois de mais velho (Sarunas Jasikevicius, por exemplo), ele pode assinar com o time que quiser, quem oferecer o que ele procura leva.

Danilo:
Todos os caras da And 1, por exemplo, por em geral não terem conseguido participar do basquete universitário (más notas, má vontade, problemas pessoais, outras oportunidades melhores) ficam sempre naquele esperança de um dia serem chamados para a NBA através de atenção na mídia. Com o Rafer Alston, maldito seja, funcionou.

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Guilherme:
Um texto sobre a sequência de vitórias do Jazz incluindo D-Will colocando CP3 no bolso seria bem vindo.
Sim, eu sei que isso não é uma pertunta

Danilo:
Você sabe que isso não é uma pergunta? Parabéns, já aprendeu frases interrogativas na escola, né? Em todo caso, atendemos o pedido e o post saiu faz um tempo.

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Cassyus:
ae galera se tiver separados no nascimento semana que vem tem que ser do sandro goiano e do drew gooden

Denis:
Cassyus, você mandou essa sugestão no e-mail da promoção e eu te respondi lá. Estou pensando em um post com todos os separados no nascimento sugeridos por leitores, porque se forem ruins a culpa não cai em cima de mim.

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Diego:
1 - O lakers com a contratação do gasol esta acima do salaty cap ?????
2 - O lakers deveria tentar com lamar odom na 3 pra ver se ele volta a render ou fazer uma nova troca ???
3 - vcs consideram o time favorito ao titulo ???

Denis:
1 - Nessa temporada o salary cap é de 55,6 milhões de dólares. Somente Hawks, Bobcats e Grizzlies não ultrapassam esse número. O Lakers já estava acima antes da troca do Gasol e continua acima depois. O Lakers é o nono time que mais paga salário na NBA. O Dallas é o primeiro e o Knicks é o segundo.
2 - O Odom nasceu pra ser terceira opção! Não vale a pena trocá-lo.
3 - Sim. Mas o Suns, Spurs, Dallas, Celtics e Pistons também são. Então isso não quer dizer tanta coisa assim.

Danilo:
3 - Cada vez mais o Lakers me impressiona, e se eu tivesse que chutar um time para ser campeão nesse momento, chutaria a equipe de Los Angeles. E olha que o Bynum nem voltou. E olha que meu Houston ganhou 12 seguidas. A troca do Gasol não deveria ter valido, foi tipo no Street Fighter prender na parede dando hadouken, ou bater quando o boneco tá tonto. Ou seja, apelação. Parece troca de NBA Live. Ridículo.

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eric:
qual seria o parentesco entre jason kidd e lincoln burrows, de prison break(Dominic Purcell)?

Denis:
Como eu disse, vou fazer um post só com Separados no Nascimento sugeridos por leitores. Mas que bom que você assiste Prison Break, eu adoro! O T-Bag é o melhor personagem!

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Anônimo:
1. Quem vai ganha o bbb
2. em buraco de cobra, tatu caminha dentro?
3. qual o aumentativo de dacueba?

Denis:
1 - Eu apostaria no Rafinha. Mas muita gente gosta da Gyselle, então não sei.
2 - Biologia não é meu forte.
3 - Português também não. Só idiota faz faculdade de Letras.

Danilo:
1 - Não conheço ninguém do BBB, a não ser a tal da Natália porque ela já saiu pelada e eu não sou de ferro e dei uma espiada.

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JC:
Larry Brown falou que quer voltar a treinar, será q rola 1 repeteco no Pistons?

Denis:
Não falavam que os jogadores do Pistons não se davam bem com ele? Sei lá, só se eles estiverem dispostos a ter um técnico chato de novo só pra voltar a ganhar títulos.

Danilo:
Mais chato que o Flip Saunders?

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Di-w:
1 - Só eu que acho o Calderon parecido com o Zachary Quinto [que faz o Sylar de Heroes]?

2 - Será que Isiah Thomas tá planejando ser o ultimo colocado da liga pra pegar o Beasley ? Se for eu pago minha lingua né
Quem mais é realmente bom para o proximo Draft?


Denis:
1 - Orra! Essa foi boa! Realmente o Calderon parece o Sylar do Heroes. Mas Prison Break é melhor que Heroes...

Danilo:
1 - ... há controvérsias!

Denis:
2 - O Isiah Thomas não é tão esperto assim. Ele planejou ter a primeira escolha do draft desde que chegou no Knicks e mandou todas as trocas que eles tinham para o Bulls.
No próximo draft tem todos os amiguinhos de colégio do Beasley, dizem que é uma das melhores turmas de colegial dos últimos anos e que se ainda fosse permitido ir direto, todos já estariam na Liga. Entre eles estão OJ Mayo, Eric Gordon e Derrick Rose. Da gringolândia tem o Danilo Gallinari da Itália e o Nicolas Batum da França. Pra mais informações vá nos nossos links aí do lado e clique sempre no nbadraft.net.

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CaioJF:
1.Acho q o desconhecido do mes deve ser Carl Landry do houston rockets como vc mesmo cito ele e a surpresa do ano no time.

2.vcs (sendo ou nao a mesma pessoa) poderiam ao menos dizer a cidade em q vcs moram,ja q nao querem revelar a identidade,eh q e meio estranho eu posso ter jogado com vcs e nem ter percebido.

3.cara meu primo ta enchendo o saco com a lista dos melhores filmes da silvya saint tu podia po ai so pra sacia a vontade do muleke!

4.bem e como eu to de ferias(hj eu estou de ferias mas no dia q o post for pro ar nao estarei,talvez ate esse dia tenha terminado o ano letivo[feliz 2009])fico imaginando um monte de coisa ridicula q nao tenho coragem de conta pra alguem de tao besta q eh,mas hj me veio ate algo criativo:uma pulsera com os dizeres "O q sheed faria" acho q se existissem pulseras assim haveriam menos guerras no mundo!

1 - O Carl Landry só não é surpresa para o Houston, que (dizem) fez o que conseguiu para draftar o homem, já sabendo de seu potencial. Para mim ele é uma grata surpresa e veio em excelente hora, já que Mutombo deve se aposentar porque é mais velho que a Dercy Gonçalves. Dia desses eu faço um post sobre o Landry mas aqui no Bola Presa temos uma regra interna de não colocar novatos como "Desconhecidos do Mês", porque em geral todo novato é meio desconhecido mesmo.

2 - Quem disse que não queremos revelar nossa identidade? Em todo caso, você já foi completamente humilhado em quadra, tomando dezenas de enterradas na cabeça? Você já foi constrangedoramente anulado defensivamente por alguém? Já saiu de quadra chorando de vergonha? Não? Então você não jogou com a gente.

3 - Teu primo tá enchendo o saco, né? Sei, sei, primo, cla-aro. Se você quer os melhores, a lista deve ter o "Private Life of Silvia Saint" e todos os em que ela atua com o Rocco, como o primeiro "Rocco's Best Buttfucks" (clássico!) e o segundo "Rocco's Private Fantasies 2".

4 - Com pulseiras "O que Sheed faria", o mundo estaria cometendo muitas faltas técnicas por aí. Eu e o nosso amigo-leitor Sbubs vamos começar uma campanha para o Sheed cometer uma falta técnica no próximo All-Star Game, se você quiser uma pulseira ou uma camiseta da campanha, vá abrindo seus bolsos!

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Pedrowsky:
Pq que o Sheed é o garoto propaganda do Both teams played hard?

Denis:
Porque foi ele quem disse a frase "Both teams played hard". Leia a historinha e veja o vídeo no primeiro post da série.

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Renzo:
1.David Stern é o Ricardo Teixeira da NBA?
2.Quem colocou ele na chefia?
3.Não há mandato? Ele sai quando quiser? Os times podem tirá-lo?
4.Por que é chamado de "comissário"?
5. E a mais intrigante de todas as perguntas, talvez "irrespondível":
Afinal, por que diabos David Stern é quem convoca os substitutos de all stars contundidos?
Não seria essa uma tarefa para o técnico, quiçá para o público?

Denis:
Confesso que não entendo muito sobre como funciona tudo isso. Sei que o primeiro presidente da NBA foi Maurice Podoloff (o nome do troféu de MVP) e ele foi presidente (presidente mesmo, não "comissário"). Depois veio Walter Kennedy, que foi presidente até 1967, quando virou comissário. Agora qual a diferença entre uma coisa e outra e quem decide ou tira o comissário eu não sei e nem consegui descobrir. Se alguém souber, por favor ajude!

Danilo:
Eu só sei que o comissário da NBA é escolhido através de uma eleição em que só votam os donos dos times. Suspeito que o mandato seja vitalício ou até dar no saco, e que se os donos podem colocar o cara lá, também devem poder tirar. Fora isso, o poder do comissário parece bem irrestrito e todas as principais decisões caem no seu colo: suspensões, multas e até convocação para o All-Star Game em casos de contusão. O que é bem imbecil porque muito poder na mão de alguém sempre gera merda (proibições nas vestimentas, multas absurdas por qualquer besteira, suspensões risíveis) mas se eu falar demais vão achar que sou comunista e como criancinhas. Dia desses até podemos fazer um post sobre o David Stern e ver tudo que ele já aprontou na NBA, só pra ter alguém pra odiar mais do que o Isiah Thomas e o Bruce Bowen.