segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O basquete e a TV

Pau Gasol e Rafael Nadal duelam por sua audiência

Estou acompanhando essa Copa América via BasketBrasil, Draft Brasil e Rebote. Só. Nenhum motivo pra puxar o saco deles mas dá pra ficar bem atualizado com esses três. O Rebote acompanha in loco, o BasketBrasil é bem completo e o Draft Brasil é o mais crítico. O legal da cobertura crítica é que ela além de informar cria discussões interessantes e foi num post deles de hoje que eu me inspirei para o texto de hoje.

Via Twitter o pessoal do DB comentou que hoje começava o US Open de tênis e que com isso a cobertura da SporTV da Copa América ficaria comprometida. Nas palavras deles seriam "jogos de tenistas desconhecidos por uma semana, o dia inteiro, na sua telinha."

Acho que nessa eles foram longe demais mas ao mesmo tempo levantaram uma questão interessante, a relação dos esportes com o espaço na televisão. O Draft Brasil não foi o primeiro e nem o último a falar sobre isso. Vejo cada um defender seu peixe no mundo das transmissões esportivas. O pessoal do vôlei diz que só tem atenção para as seleções, os de vários esportes olímpicos reclamam que só tem transmissão a cada quatro anos, o pessoal do automobilismo reclama dos horários e todo mundo junto reclama do espaço excessivo do futebol.

Mas acontece que a TV não pode passar um monte de coisa ao mesmo tempo e quando há eventos em horários e dias iguais, tem que tomar uma decisão que sempre vai desagradar alguém. E nesse caso desagradou quem tinha que desagradar.

Pense bem, esses tenistas desconhecidos estão disputando um Grand Slam, um dos quatro torneios que mais valem pontos no circuito e onde estão presentes todos os melhores tenistas do planeta. Quem está na Copa América? O Brasil, o time B da Argetina, Porto Rico, um amontoado de jogadores dominicanos e o Esteban Batista? Não foi uma decisão difícil de tomar para a SportTV.

Vamos falar a verdade, essa Copa América está com um nível técnico patético. O Brasil tem jogado bem, a Argentina deu flashes de seu melhor basquete no último jogo e só. Duvido que qualquer torcedor sem interesse por qualquer dessas seleções assista a Copa América só pelo prazer de ver um jogo de basquete. A SporTV faz muito bem em transmitir o US Open ao invés de dar a mesma atenção à Copa América. Deixar de passar um jogo do Brasil pra passar John Isner e Radek Stepanek seria demais, óbvio, mas duvido que fariam isso.

Vejo muitos basqueteiros se sentindo vítimas da mídia e da televisão que não dá espaço para o nosso esporte, mas a gente que tem que aprender a viver sem a TV, ela, por ser muito cara, é o meio que mais é guiado pelos lucros e o basquete do jeito que anda não dá lucro porque não chama a atenção. Simples assim.

Então começa o dilema Tostines. Será que o basquete não chama atenção porque não está na mídia ou não está na mídia porque não chama atenção? Como é mais fácil o David Lee assinar um contrato hoje do que essa questão ter resposta, podemos entender que é um pouco dos dois.

Por um lado o basquete não faz a sua parte porque a seleção não tem resultados de expressão e até esse ano não tinha uma liga nacional organizada. Por outro lado a mídia nem sempre dá o devido valor às coisas boas que já acontecem no basquete, como os prêmios, vitórias e sucesso individual de Nenê, Varejão, Leandrinho e Splitter ao redor do mundo.

Poderíamos falar que as coisas estão evoluindo com a relação da Globo com a NBB ou podemos dizer que continua um lixo pelo descaso da ESPN Brasil em relação ao campeonato paulista, do qual tem os direitos e não transmite nada. Mas a verdade é que dane-se o que a TV faz. O futuro de todos os esportes e mesmo de todos os assuntos que não tem espaço nos veículos de comunicação em massa é a internet.

Se você gosta de bandas góticas eslovacas, ache outros fãs e músicas na internet. Se quer ver a final do mundial de badminton, internet. Se quer ver a NBA, internet. Como em muitos outros países o basquete é protagonista, queríamos ver isso acontecer aqui, mas não acontece. Basqueteiro aqui no Brasil é minoria, é tribo, então ajamos como tal. Vamos reafirmar nossa identidade entre nós na internet e podemos viver sem a grande mídia.

Não importa se não temos a SporTV porque temos um cara de lá, o Rodrigo Alves, fazendo uma cobertura ótima no Rebote e no Globoesporte.com. Não precisamos de uma mesa redonda como as de futebol porque temos as do Draft Brasil. Não precisamos do Chico Lang e do Avalone se temos eu e o Danilo.

E isso pode se estender para os comentaristas de todos os canais de que tanta gente reclama. Se lá não tem dedicação o bastante para correr atrás e fazer um trabalho bom como comentarista, fuja para a internet, o que não falta aqui é gente que entende ou que pelo menos tem o saco de pesquisar e dar a resposta pra suas perguntas. Se a televisão, ao contrário de você, prefere e investe em futebol russo, vôlei, Fórmula 1 e tênis ao invés de basquete, desligue a televisão e vá ler um blog.

...
E na TV oficial da internet, o YouTube, as 10 cestas mais malucas da temporada. A número 4, do Roy, é minha favorita:

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Como roubar doce de criança

Leandrinho faz careta e venezuelano que
eu não conheço olha para o horizont
e


Demorei pra acreditar que estávamos enfrentando o mesmo time que venceu a Argentina na noite de ontem. Para quem não sabe, a Venezuela, que humilhamos poucas horas atrás, bateu o time do Luis Scola com certa tranquilidade ontem. Mas vendo o jogo de hoje ficou difícil de acreditar que esse bando de peladeiro, que conseguiu um segundo quarto de 6 (SEIS) pontos, venceu a Argentina. Deve ter sido mentira, efeito especial.

O jogo foi bem fácil. A seleção brasileira já abriu 10 pontos de vantagem no primeiro quarto com um ataque veloz e eficaz, machucando o fraco garrafão da Venezuela. Aí de repente a vantagem, no fim do período, foi toda embora e o jogo ficou empatado. Duas razões pra isso: a primeira é que Marcelinho Huertas, nosso único real armador, foi para o banco, a segunda é que o jogo parecia tão fácil que os jogadores começaram a tomar decisões erradas na quadra, quiseram fazer o que queriam ao invés do que deveriam.

As duas coisas resultam em uma só: erros. Erros de passe, de decisão, de arremesso, de tudo. Um time sem um armador de verdade já é ruim, um time sem armador de verdade e que se acha à vontade o bastante para arriscar o que der na telha é pior ainda. Mas, como ontem contra os dominicanos, o momento ruim do Brasil durou pouco. Como não acontecia em anos anteriores a gente conseguiu ficar com a cabeça no lugar mesmo depois de fazer bobagem.

No segundo período, então, tudo voltou ao normal. O time não se afobou mais e a única correria que víamos era para aproveitar os inúmeros contra-ataques, frutos de uma defesa exemplar do Brasil somada a um ataque da Venezuela mais perdido que o Fluminense. Quando o segundo período acabou com vitória brazuca por 26 a 6, o jogo foi liquidado.

O resto da partida serviu apenas para Olivinha, Duda, Tavernari, JP Batista e Diego poderem dizer pros amigos que já jogaram na Copa América. Todos estes que não haviam entrado no jogo contra a República Dominicana tiveram seus minutos de suor. Como o jogo estava bem morno e o adversário já tinha entregado o jogo, não deu pra julgar nenhum deles, mas o Moncho gostou. Disse depois da partida que gostou da chance de testar o Guilherme na posição 3 e o JP Batista no garrafão ao lado de Splitter e depois de Varejão.

Não que o JP Batista tenha jogado demais, mas espero que tenha sido sólido o bastante para ter convencido o Monchão a desistir do Guilherme na posição 4. Hoje ele tentou duas jogadas seguidas embaixo da cesta, se achando o Yao Ming, que foram tenebrosas. Ele é tão bom como pivô quanto a Sasha é boa de gramática.

Logo após o jogo deu vontade de pegar o VT da partida de ontem deles com os argentinos pra ver se eram as mesmas pessoas em quadra. Será que a Argentina tá tão mal assim? Será que eram os mesmos venezuelanos em quadra ou ontem era um time de verdade vestido de roxinho? Eram eles. A que tudo indica ou o Brasil está mesmo muito acima da maioria dos seus adversários ou a Argentina está fedendo, fedendo muito.

Amanhã, às 14h30, num confronto direto com os argentinos, descobriremos a verdade.

Aqui os números de jogo e abaixo mais um resumão feito pelo BasketBrasil:

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O jogador mais importante

O mais importante é o do topete de mangá

Começamos por aqui nossa cobertura do Copa América de basquete. Como todo mundo sabe, o basquete internacional não é nossa especialidade e então não temos a pretensão de fazer uma cobertura melhor que a do BasketBrasil, do Draft Brasil ou do Rebote, por exemplo. Mas como às vezes é até melhor fazer as coisas meio sem responsabilidade, vamos nos divertir por aqui até o fim do torneio. Caso aconteça algo digno de revelância na NBA (Iverson no Grizzlies?) fazemos um parênteses na cobertura do torneio que dá vagas ao mundial de 2010.

A estréia foi boa, uma vitória sobre a República Dominicana. Uma seleção que nunca assustou muito nessas competições mas que num ataque súbito de patriotismo conseguiu de uma vez só chamar Al Horford, Charlie Villanueva e Francisco Garcia. O Trevor Ariza também foi chamado mas acabou não indo por contusão.

O elenco impressiona, mas a verdade é que eles não fizeram nenhuma preparação exemplar e nem jogaram juntos em anos anteriores. A minha previsão era que eles fossem para a briga com um esquema tático simples e recheado de jogadas individuais. Não foi desafiador como acertar o dia do apocalipse mas acho que acertei.

No primeiro tempo os dominicanos sobreviveram nas bolas de 3 do Francisco Garcia, o Chicão. Foi uma bola atrás da outra mesmo com o Alex tendo entrado no time titular só para marcar o ala do Kings. Só assim os dominicanos sobreviveram a um primeiro tempo fraco de Villanueva, que estava gordo e forçando um arremesso atrás do outro. Mal de jogador da NBA que joga basquete FIBA pela primeira vez achando que é uma mamata.

Esse primeiro tempo me assustou porque mesmo com só um grande jogador no time, os dominicanos sairam perdendo só por 2 pontos. O Brasil começou bem a partida, mesclando um bom jogo de meia quadra com a correria dos contra-ataques, coisa que não é fácil de fazer. Nem sempre um time sabe ler a jogada bem o bastante para saber se é hora de contra-atacar ou de esperar. Porém, essa boa execução estava acabando em muitos arremessos de 3 errados, não conseguíamos abrir diferença.

Nem todos os arremessos foram forçados, muitos eram em boa situação, mas a precisão não estava lá. E o drama aumentou quando Tiago Splitter saiu do jogo com 3 faltas. Sem o nosso pivô com topete de mangá, todo esse esquema vai pelo ralo. Os contra-ataques são mais escassos pela falta de rebotes, a defesa fica mais fraca e o jogo de garrafão some, já que o Varejão, como dito no nosso chat (que estará online em todo jogo do Brasil), tem o mesmo instinto ofensivo do Amaral.

Sim, o Leandrinho é nosso jogador mais talentoso. O Varejão é um grande reboteiro, bom defensor e líder em quadra, e o Alex foi até nosso herói do jogo de hoje com bolas de 3 certeiras nos momentos mais cruciais da partida. Mas a verdade é que esse time está todos nas costas do Tiago Splitter, ele é o pilar que sustenta todos os outros talentos e sem ele o Brasil não tem chance contra ninguém.

O primeiro motivo pra isso é que ele é nosso melhor defensor de garrafão. O segundo é que a maioria dos times do campeonato não tem um pivô bom o bastante para marcá-lo, e o terceiro e decisivo é que o Brasil não tem banco de reserva. Entraremos nesse assunto mais a fundo depois, mas a verdade é que hoje foi um jogo difícil e o Moncho Monsalve só confiou no Marcelinho Machado e no Guilherme, este último inclusive para entrar no lugar do Splitter quando ele estava com problemas de falta. A maior prova possível de que o Moncho não confia em nenhum pivô reserva.

Usar o Guilherme na posição 3 já não é grande maravilha, mas não compromete. Usar na posição 4 é pedir pra ele ser inútil, parece técnico de futebol colocando volante de lateral só pra queimar o coitado com a torcida. Com o Nenê ou qualquer outro bom pivô que soubesse jogar de costas para a cesta, o Brasil poderia descansar o Splitter e ainda ter um bom ataque que começasse jogando a bola no pivô.

Destaque também para a paciência do time do Brasil. Durante alguns instantes do terceiro quarto a República Dominicana parecia melhor e a seleção não sabia o que fazer, começou a bater o desespero e aqueles arremessos imbecis apareceram. Até o Varejão arremessou uma bola horrível de três que parecia a confirmação da derrota. Mas algumas boas defesas depois e o time retomou a calma.

Foi só o primeiro jogo e contra um time desorganizado e que perdeu Horford e Villanueva com cinco faltas no período derradeiro, é verdade. Mas deu pra ver mais coisas boas do que ruins na seleção brasileira. Com Splitter jogando bem e sem problemas de falta esse time vai longe no torneio.

Aqui tem a ficha do jogo e abaixo os melhores momentos do jogo em um vídeo do BasketBrasil:



Novos links
Dêem uma olhada na nossa barra lateral. Lá embaixo, após os links de blogs gringos de basquete, colocamos links para blogs de outros esportes. São blogs de tênis, futebol, Fórmula 1 e futebol americano. Já que sempre usamos referências a outros esportes aqui, acho que vale a divulgação, tem coisa boa por lá.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Os melhores posts

Greg Oden parece velho, mas ainda dá um caldo


Nos mais de dois anos de vida do Bola Presa, o blog acabou acumulando um volume enorme de posts. São textos sobre os mais diversos assuntos dentro do universo do basquete e, por vezes, sem muita coisa a ver com basquete no final das contas. São inúmeras análises de partidas, times, trocas, drafts e tudo o mais em que pudemos meter o bedelho. Muitos desses posts tratam de momentos específicos e, lidos agora, são meio datados. É por isso que, depois do nosso segundo aniversário (que, na correria com nossas vidas civis e com o próprio blog, acabamos nem comemorando!), decidimos coletar os posts que, de alguma forma, não envelheceram. Em geral são posts mais sérios, abordando facetas diferentes do esporte que tanto amamos. Mas tem também uma série de listas, vídeos e alguns textos que reproduzimos aqui há um bom tempo, todos ainda pertinentes ou atuais de alguma forma. Para quem foi chegando ao Bola Presa ao longo desses dois anos e perdeu muita coisa, queríamos dar um jeito de reunir esses posts mais interessantes num único lugar.

Escolher os melhores posts, os mais importantes, os que se negam a envelhecer, foi uma tarefa um tanto difícil (já que não é bonito eu dizer que a tarefa foi um pé no saco). São mais de 600 posts ao longo dos dois anos, então com certeza deixamos alguma coisa de fora. Se você é um daqueles caras sem vida com uma memória fantástica para coisas sem importância e se lembrar de algum post que não incluímos aqui, basta avisar nos comentários e juntaremos para uma próxima coletânea.

Esperamos que esse monte de posts reunidos ainda contenha algo divertido de ler e faça a alegria dos novos e velhos leitores que estão morrendo de tédio enquanto a temporada da NBA não começa. Para facilitar a leitura, principalmente de quem está procurando algum post específico, colocamos um pequeno trecho do post para que seja possível saber do que ele trata. Além disso, tentamos separar por temas comuns, embora a maioria dos posts acabe tratando de uma infinidade de assuntos diferentes que não se encaixam, necessariamente, com o tema em que os enquadramos.

Esperamos que os novos leitores possam descobrir alguns textos interessantes nessa bagunça, e que nossos leitores de longa data relembrem de bons momentos que passamos juntos nesses dois anos. É tipo um feliz aniversário, só que muito, muito, muito atrasado! Divirtam-se!

...

Kobe Bryant
Textos sobre sua relação com o basquete, LeBron James, e as críticas que acompanham sua carreira

O caminho, não o fim

"Evoluir não é apenas fazer melhor, é também descobrir como reagimos em situações que desconhecemos, é saber como somos frente a adversidades que poderíamos ter evitado. Há muito de punição e sofrimento naquilo que compreendemos como jornadas de auto-conhecimento, do jejum cristão no deserto à privação material budista, e Kobe puniu-se com um time ruim e tentou superá-lo (não foi, também, o que Jordan fez ao tentar retornar à NBA pelo Washington Wizards?)."

Chuva de confete

"Ao invés de copiar ídolos antigos, LeBron e Kobe influenciam o estilo um do outro. Os dois são apaixonados por basquete e dispostos a aprender o tempo inteiro. Nessa relação, um ensina o outro através dos jogos, das atuações monstruosas, dos chutes no traseiro inchado do Knicks. Se um faz o outro quer tentar fazer também, é perfeitamente saudável - mais do que isso, é um espetáculo para nós, pobres mortais."

Um mundo difícil para Kobe Bryant

"No fundo, a gente gosta de ver o Kobe jogar. Mas quando a série acabar e o Celtics tiver mais um anel de campeão pra coleção, a culpa será inteira do Kobe. Por passar demais, por passar de menos, por ter um elenco muito ruim, por ter um elenco bom demais. Nós nunca deixaremos Kobe acertar, até ser tarde demais."

Aproveitem Kobe Bryant

"Não comparar o Kobe com ninguém e apenas assistir aos jogos pra ver ele jogar é um favor que você faz a si mesmo como admirador do basquete. Se quiser torcer contra o Lakers, torça, é só um time, mas não deixe de admirar o que Kobe Bryant está fazendo em quadra, aquilo tudo é raro, são poucos que fazem, são poucos que já fizeram. É simples, aproveitem para assistir enquanto vocês tem a chance, assistam ao vivo, é melhor que viver do passado."

A vingança dos nerds

"O Kobe se acha melhor porque ele entende do jogo e sabe o que ele faz melhor do que todo mundo, ele sabe que treina mais do que todo mundo. Como disse Idan Ravin, personal trainer de vários jogadores da NBA, "por que o Kobe iria passar a bola para alguém que não treina tão duro quanto ele, para alguém que não se importa tanto quanto ele?". Não dá pra negar que faz sentido."


Yao Ming
Textos sobre sua identidade cultural, seu papel na cultura chinesa e sua função nas Olimpíadas

O peso

"Yao fez a mesma coisa que a China: aos poucos, ao invés de negar os valores alheios, foi negando seus próprios. Na busca por força, vitória e aceitação, tanto Yao quanto seu país foram perdendo suas identidades. Esse contato com o "outro" é sempre muito perigoso: por comparação, pode ressaltar aquilo que nos forma e que nos faz diferentes, mas também pode aniquilar as diferenças e devorar por completo a criatividade e a autonomia."

Quando as luzes apagam

"Se as Olimpíadas de Pequim tinham algo a ensinar para esse chinês, para os americanos, para o povo do mundo todo, é que ser humano é tudo a mesma merda. Toda a postura de estufar o peito e mostrar competência em festas de abertura, encerramento, organização do evento - em igual proporção ao esforço de ocultar as falhas, os erros, a ditadura - é um esforço de mostrar o mesmo grau de humanidade dos outros povos olhando de fora. A China quer se igualar aos grandes ao mostrar, de certo modo, que é pequena como todos os outros. Humana."

Encontro de dois mundos

"Yao Ming ainda tem muito a aprender em seu mergulho cultural para dentro da América. Sua próxima lição será, graças às ironias da vida, vinda do professor Ron Artest. O encontro entre o chinês e o "bad boy" é o choque de duas abordagens muito distintas - tanto de vida quanto de basquete. O que um pode ter a aprender com o outro, aliás, vai muito além das quadras."


Ron Artest
Textos sobre sua relação com Kobe, violência velada e humanidade no basquete

Basquete de playoff

"Assim como eu, Artest também expressou seu desejo de que os árbitros tivessem coibido a agressividade antes, o contato físico excessivo. Segundo ele, Kobe passou o jogo inteiro estapeando seus braços, batendo toda vez que Artest lhe marcava. "Você não vai iniciar nada, eu não vou reagir, vou deixar os árbitros controlarem você", disse para Kobe. Também alertou os juízes. Mas aí tomou a cotovelada, a arbitagem não fez nada, e ele surtou."

Lucha Libre

"Eu me divirto quanto o basquete deixa entrever as vidas que correm por baixo dele, quando percebemos que o espetáculo acontece por cima de um outro espetáculo: o da vida. Eles são seres humanos, afinal de contas, e é natural que dois jogadores que levam a sério suas paixões discutam animadamente em quadra, principalmente quando ninguém sai com o olho roxo. Por causa do Kobe, pela sua admiração, Artest quer ser um jogador melhor."

Santíssimo basquete

"Seres humanos reais, vale sempre lembrar nessa era pós-Duncan, têm emoções. Eu sou um jogador de basquete de araque, nem um pouco competitivo, mas já tive os ânimos alterados em quadra e todo mundo passa por isso. Não digo de dar um chute no saco de alguém, mas de ficar bravo com a atitude de algum jogador e então brincar de não deixar o sujeito tocar na bola, por exemplo. Responder no jogo e se divertir com isso. Seres humanos, destaco, se divertem."


Outros temas
Dicas, biografias e questionamentos acerca do esporte e da NBA

O doping e a nobreza no esporte

"Essa nobreza do esporte ainda faz sentido hoje em dia? Ela não funciona apenas como discurso para nos emocionar e valorizar o esporte enquanto mascara como nossa sociedade realmente funciona? Afinal, hoje somos uma sociedade movida a lucro e resultados em que tomamos remédios se queremos deixar de ficar tristes para ficarmos felizes e simplesmente diminuimos o tamanho do nosso estômago se queremos ficar mais magros."

O basquete que ganha jogos

"Não deveria existir o "basquete de temporada regular" e o "basquete de playoff" na NBA. É natural que o jogo seja mais disputado, mais tenso, com os jogadores se importando mais. Mas o jogo deve ser diferente para os jogadores, não para a arbitragem. Volta e meia tem comentarista gringo comentando que tal jogada teria sido falta na temporada regular mas que nos playoffs não é nada. Como assim? Falta é falta, o que não é falta não é falta.

Estrelas ganham títulos

"Desde o fim da era Jordan, por exemplo, são 4 títulos para o Tim Duncan, talvez o melhor ala de força da história da NBA, 4 títulos para o Shaq, um dos melhores pivôs da história, e um para um time que só tinha Kevin Garnett, Paul Pierce e Ray Allen. Faltou alguém? Faltou o Pistons de 2004. Tem muita gente que cai na lorota de que o Pistons é uma prova de que dá pra vencer na NBA sem grandes estrelas, mas o que aquele título na verdade prova é que a gente é muito ligado a nomes, a status, ao show, e não presta atenção no que está acontecendo de verdade."

Por que ignoramos o March Madness?

"Por que alguém que até pode ir a jogos da NBA prefere ficar vendo um bando de universitário jogar? Fiquei matutando sobre o assunto um tempo e a resposta é até bem fácil da gente entender e interessante de analisar: o basquete universitário é para os americanos como o futebol nacional é para nós. Enquanto a NBA é para eles como o futebol europeu é hoje para nós."

O basquete como janela

"É por isso que sempre digo que, ao ver basquete, estou na verdade vendo uma janela para o mundo. É um recorte do mundo real, é um modo de assistir a pessoas interagindo num mundo com regras bem definidas (o que pode e não pode ser feito, quais são os objetivos, as funções, as posições, as recompensas) e um local limitado (no caso, a quadra de basquete, ao menos em geral)."

Olhando no espelho

"Brasileiros cadeirantes, num país em que é um inferno pegar um ônibus até mesmo para andantes, estão em Pequim dando sufoco para australianos em quadra. São indivíduos de países e realidades completamente distintas que se encontram sob as mesmas circunstâncias - se em cadeiras de alumínio, titânio ou diamante, isso tanto faz. São circunstâncias desfavoráveis que foram vencidas através do esporte tanto aqui quanto lá, tanto no Brasil quanto na Austrália. O encontro em quadra é o encontro de vitórias muito maiores do que podemos compreender, todas atreladas a um estranho interesse em comum: encaixar uma bola alaranjada num aro pendurado horizontalmente num lugar alto. É ao basquete (e não a um país), então, que a seleção brasileira deve o esforço que empenha dentro e fora de quadra."

O mito da idade

"O "pode ser" sempre parece ter muito mais força do que o "é" em nossa cultura, e isso não apenas no basquete ou no esporte. Qualquer coisa que possa valer milhões é melhor do que algo que já valha alguma coisinha, é nossa abordagem com o dinheiro. Nossa relação com o mundo também é mais ou menos assim, estamos cercados de objetos ao nosso redor mas estamos interessados no "pode ser", na divindidade que talvez exista por trás das coisas, em gnomos, alienígenas, no paranormal. O real, o agora, nunca é o bastante."

Escravos milionários

"Os contratos são irreais, milionários, e a abordagem é lúdica, assina-se contratos como se estivessem escolhendo personagens de videogame. O jogador é, de fato, um personagem, não um ser humano real. Por assinar um contrato de 10 milhões de dólares, deixa de ser livre, de pertencer a si mesmo, e passa a pertencer ao time."

O caminho de Brandon Jennings

"O problema de se viver em sociedade é - além de não poder fazer xixi na rua, o que às vezes faz falta - a dificuldade de lidar com o indivíduo. Se cada caso é analizado individualmente, gasta-se muito tempo e todas as decisões podem ser questionadas, por serem baseadas em critérios subjetivos, tipo aquele tal de "bom senso". Mas ao instituir uma regra que trata todos como iguais, então alguns casos especiais acabam tendo que sofrer pela maioria, criando uma injustiça. Eis o que acontece com o David Stern e sua regra de que, para entrar no draft da NBA, todos os jogadores devem esperar ao menos um ano após a formatura no colegial."

As férias de Josh Howard

"Nas férias, o executivo ou dirigente vai pra onde quer, faz o que bem entender e fala o que bem entender. O jogador não pode por qual motivo? Por que o ambiente de trabalho se extende para todo o resto da vida do jogador e ele não pode nunca estar de folga? Pra mim, é tão ridículo quanto ator de novela da Globo apanhando na rua por aí, que é uma coisa que costuma acontecer bastante."

Comparar para quê

"Ao contrário do que muitos acreditam, os jogadores não têm um nível em pontos como no videogame que torne possível uma comparação. O que me leva a outro ponto, aliás: o critério para escolher o MVP. Muita gente acha que o MVP é o melhor jogador da Liga e pronto. Mas o que acontece é que um MVP nunca foi escolhido estando num time que tenha ganhado menos de 50 vitórias. Ou seja, ele tem que estar num time vencedor."

Considerações aleatórias sobre o prêmio de MVP

"O prêmio não vai para o melhor jogador da NBA. Não é essa a intenção. A intenção é premiar sem se fazer a menor idéia do maldito critério. Existem umas leis meio implícitas, que vivem ali por baixo do pano, exemplificando a bagunça. O prêmio tem que ir para um jogador bom, espetacular, mas que faça seu time vencer. Se você está num time fracassado ou mediano, não tem nenhuma chance."

Save Our Sonics

"Embora eu ache que Oklahoma City tenha sido uma ótima cidade, com um público maravilhoso nos seus tempos de Hornets, estou bem triste com a decisão. Não que eu me importasse ou torcesse muito com o Sonics, mas o que aconteceu soa como um assalto."

Cabeça de jogador

"Muito legal ver que mesmo que eles pareçam pessoas diferentes, que enxerguem as coisas de forma bem diferente, às vezes dá pra encontrar uns caras com quem a gente se identifica, que mesmo nesse mar de dinheiro, fama e busca pela glória, consagração e imortalidade na história da liga, alguns queiram somente ir lá e jogar o máximo de basquete possível."

Ser diferente

"Eu nunca vou me esquecer da atuação puramente individual do LeBron, e eu vibro com cada enterrada do Yao Ming na cabeça dos desavisados que ainda imaginam que ele só vive de ganchinhos. Mas ao mesmo tempo em que vibro e me divirto, também fico muito triste porque traços únicos de suas personalidades e estilo de jogo foram simplesmente arrancados fora para cumprir os padrões alheios de milhões de torcedores."

Streetball pra quê?

"Dois praticantes de basquete ou futebol sempre se entenderão, em qualquer lugar do mundo, ainda que não falem a mesma língua. Falarão através do esporte, mostrarão as diferenças culturais no modo que o praticam, mas na essência estarão compartilhando da mesma prática e do mesmo interesse. O único problema é que, para que isso aconteça, o esporte precisa sofrer uma série de delimitações e restrições."

Força Nominal

"O que poucos sabem, e menos ainda se interessam, é que este é um conceito altamente utilizado nas altas instâncias decisórias do esporte. Conceitua-se força nominal como o poder que o nome de um jogador exerce sobre seu jogo e sobre o jogo coletivo de seu time. "

Como aproveitar os playoffs

"Você é um ser humano e como ser humano, tem caganeira - use isso a seu favor. Faltas acontecem. Se o Kareen Rush disse que ia faltar no treino do Pacers pra ver o irmão jogar a final da NCAA, por que você não pode faltar? Seu trabalho é bem menos importante que o Pacers."

Desconhecido do mês

"Didier Ilunga Mbenga nasceu no Congo quando ainda era Zaire, não pegou numa bola de basquete até os 19 anos de idade e não fez isso porque sua vida era muito mais movimentada com outras coisas. Ele era de uma familia que fazia parte do governo nacional mas, depois de uma revolução, seu pai foi morto e Mbenga foi acusado de fazer parte de algum grupo que os novos líderes não gostavam nem um pouco. DJ ficou preso e foi condenado à morte, passou meses preso esperando a execução mas conseguiu sair porque seu irmão subornou um guarda para salvar a vida de Mbenga."

Como se divertir vendo um jogo da NBA

"Cada vez se usa mais a defesa por zona na NBA, mas nunca é durante o jogo todo e sempre os times acabam voltando pra defesa individual e é aí que você pode escolher a dupla mais interessante que se marca e assistir de perto. O ideal é você fixar o olhar nos dois desde o começo da jogada e ignorar um pouco a bola, veja como os dois vão até o campo de ataque, se eles se pegam o tempo todo, se só chegam junto quando a bola chega na mão de um deles, como é a briga para estabelecer posições e como cada um faz para superar ou intimidar o outro. É diversão garantida."


Listas e vídeos
Posts recheados de vídeos e fotos, ideais pro seu priminho analfabeto

They travel, you decide

"Ao invés de votar para escolher entre quem enterra no campeonato de enterradas, que tal votar na melhor andada que vocês já viram um juiz não marcar?"

Armadores que me assustam

"Essa não é uma lista de quem são os melhores armadores, que fique claro, é apenas uma lista daqueles armadores que eu acho que têm mais características que enchem o saco dos adversários da mesma posição."

As melhores ou piores tatuagens da NBA

"Achei muitas tatuagens em sites chamados "As melhores tatuagens da NBA" e depois a mesma em uma página "As piores tatuagens da NBA". Parece que não é tão fácil de julgar quanto a beleza feminina."

Quem mais erra enterradas na NBA

"Ele deve ser o cara que mais erra enterrada na NBA. Não tem uma estatística sobre isso? Agora tem. Acabei de fazer."

As 10 contusões mais bizarras da NBA

"Com a ajuda do Google e de bem-humorados sites gringos e até um pouquinho da minha memória, achei uma coletânea de jogadores que merecem sim ser zoados por terem se contundido."

Apelidos

"Pesquisei mais e mais no Google, em fóruns, lembrei alguns de assistir jogos (os narradores de cada time adooooram inventar apelidos ruins) e resolvi fazer uma listinha com os melhores, piores, mais criativos e pouco conhecidos apelidos da NBA."

Falta

"Quando um cara começa a se destacar por causa de seu próprio talento, ele cria uma imagem pra ele e os juízes, mesmo que seja de maneira inconsciente, compram essa idéia. Então a coisa mais comum é ver o Wade, o Ginobili ou o LeBron recebendo apitos de falta quando batem pra dentro, isso é tão comum que o juiz já vê acontencendo antes mesmo de acontecer."

Vídeos - Tayshaun Prince

"Aqui, 5 vídeos (e mais um bônus) de momentos decisivos de Tayshaun Prince."


Prêmios Alternativos
A premiação anual do blog, com categorias inusitadas e muito Zach Randolph

Prêmios Alternativos Bola Presa 08-09

Prêmios Alternativos Bola Presa 07-08


Polêmicos
Os posts que fizeram mais barulho, causaram mais polêmica e trouxeram os leitores mais chatos

5 razões para odiar o Spurs

"A mentalidade que fica visível na equipe de San Antonio é que todos os participantes vão fazer o que for preciso para sair com a vitória, mesmo que seja contundir o adversário, fingir milhões de faltas e transformar ouvido de juíz em pinico. Muitos times fazem o que for necessário mas nenhum como o Spurs, nenhum nesse nível, nenhum de forma que deixe tão clara a falta de espírito esportivo."

Bem na cara deles

"Foi uma coisa que chocou a todos nós. Não estávamos esperando isso. Eu sei que eles tentam entrar na nossa cabeça apenas pra nos atrapalhar, mas não sabia que eles seriam capazes de ser tão baixos, simplesmente não faz sentido!" E o povo lá é racista mesmo. Não é coincidência que o time é um com o maior número de brancos na NBA inteira. E não é por acaso também que o Korver, branquinho e religioso, tenha virado favorito da torcida em pouco tempo."

A análise do draft - Parte 1

"Nesse ano, como o dia do draft será sempre conhecido como "O dia em que o Michael Jackson morreu", os selos desse ano levam a marca do cantor-dançarino-performer-pedófilo mais querido do mundo."


Traduções
Textos e vídeos que não são nossos mas receberam nossas traduções mequetrefes para quem cabula as aulas de inglês

Ouça sua cabeça, siga seu coração

"A reportagem realmente chuta uns traseiros apesar de ser um pouco longa. Aconselho a ida até o final para conhecer o Rasheed, essa figura quase folclórica que caminha pela NBA."

O jogo que significa tudo para mim

"Trata-se de um texto escrito pelo próprio Kobe Bryant para a revista Dime há dois anos atrás, e que parece mostrar aspectos do tão amado e odiado Kobe que pouca gente conhece - e que com certeza acabaram levando-o a ganhar o prêmio de MVP num time que tem tudo pra (quem diria) levar o Oeste."

Torne-se lendário

"Eu e vários leitores aqui do Bola Presa nos deparamos pela primeira vez, através da transmissão americana, com um comercial de uma nova campanha televisiva dos tênis de Michael Jordan. Prometi que iria encontrar a propaganda e colocá-la aqui, acompanhada de mais uma de minhas questionáveis traduções."

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Quem não tem cão

Sozinho e abandonado no garrafão, talvez
Mensah-Bonsu até pegue um rebote



Não faz muito tempo, escrevi um post mais sério sobre a contusão de Yao Ming, que pode deixá-lo fora das quadras definitivamente. Desde então, o chinês passou pela faca numa cirurgia que foi considerada um sucesso. Foi o mesmo procedimento pelo qual o Ilgauskas passou anos atrás, então podemos concluir que Yao Ming deve ser capaz de jogar por mais alguns anos, mas com a velocidade de alguém que se movimenta debaixo d'água. No entanto, a situação de Yao não se modifica: sua missão cultural está encerrada e seu valor para a China e para o Houston Rockets começa a esvair-se. O pivô retornará às quadras com minutos limitados, importância diminuída, e é apenas questão de tempo para que o Houston tenha que começar do zero, montando um novo garrafão para compor um novo elenco. Será, então, um processo de transição em que Yao Ming vai segurando as pontas enquanto arruma-se alguém para ficar com o garrafão da equipe pelos anos seguintes.

Acontece que, para a temporada que vem, não tem transição, não tem ninguém pra ir segurando as pontas e empurrando com a barriga. O Houston precisa de pivôs imediatamente para tapar o buraco vazio e talvez ter esperança (ou fingir ter esperança, ao menos) de que um deles seja o pivô do futuro para a equipe. E tudo isso sem nenhum jogador relevante para ser trocado e nenhum espaço no orçamento para contratar um jogador de uma posição que já é mais escassa na NBA do que risadas no Zorra Total.

Levando isso em conta, devo admitir que o Houston Rockets fez um excelente trabalho. Conseguiu, sem nenhum esforço e a preço de banana, dois pivôs para tapar buraco. Os dois meio zé-ninguém, mequetrefes, mas cheios de potencial e pelo menos capazes de não passar (muita) vergonha. Pra quem achava que o pivô teria que ser o Olajuwon numa cadeira de rodas, estou quase soltando fogos.

A primeira aquisição foi o David Andersen. Ele é um pivô australiano de 2,13m que já jogou no CSKA na Rússia, foi campeão italiano trocentas vezes e acabou de ser campeão espanhol com o Barcelona. É um daqueles caras que nunca vão pra NBA, preferem ficar passeando pelo mundo, jogando pouquíssimos minutos e nunca dá pra saber se são capazes de fazer aquilo que seu potencial parece indicar. Nem na seleção australiana ele teve muitas oportunidades, o que é sempre um péssimo sinal. A NBA costuma ter um pé atrás com jogadores assim, deixando para escolher o Scola e o Ginóbili bem tarde no draft, no receio de que eles não funcionem num basquete mais físico ou, pior, nunca resolvam ir jogar nos Estados Unidos (basta pensar no Splitter, por exemplo, que parece que vai passar as próximas décadas na Europa e o Spurs daqui a pouco até esquece que ele existe). Scola e Ginóbili, no entanto, eram estrelas consagradas no basquete europeu, enquanto o David Andersen ainda é só uma aposta. Foi escolhido no draft pelo Hawks, na segunda rodada, em 2002. Sem contrato garantido, sem segurança, ganhando tufos de dinheiro na Europa, ele nunca viria brincar em Atlanta. Mas o Rockets mandou uma futura escolha de segunda rodada, uma grana, recebeu os direitos ao David Andersen e então foi negociar. Ajudou a pagar a recisão de contrato, garantiu o australiano na equipe por pelo menos dois anos (o terceiro é opcional) e colocou mais de 2 milhões nos bolsos dele por temporada. Pronto, agora o rapaz vai ser bonzinho e vir jogar na NBA.

Se a experiência der certo, Andersen foi uma grande sacada. Pelo seu tamanho, ainda permite que a defesa do Rockets afunile os jogadores adversários em sua direção. No ataque, Andersen gosta de jogar longe da cesta, arremessando de longe (e acertando cerca de 40% dos seus arremessos de três pontos!) e, portanto, não é tão diferente taticamente do que o Yao Ming gosta de fazer. Se ele for uma porcaria, também não ganha tanto dinheiro assim e depois de duas temporadas volta pra Europa continuar com a vida. Posso viver com isso.

A outra aquisição da equipe foi o Pops Mensah-Bonsu. E se você acha que esse é o nome de maior força nominal da última década, é porque não viu seu nome inteiro: Nana Papa Yaw Dwene Mensah-Bonsu. Minha nossa, é o nome mais bacanudo desde Dikembe Mutombo Mpolondo Mukamba Jean-Jacques Wamutombo! Só isso já justificaria sua contratação sem dúvida alguma, vou comprar uma camiseta agora mesmo - especialmente se eles conseguirem enfiar o nome inteiro nela, mesmo que tenha que ser frente e verso.

O Pops (eu prefiro chamar de "Nana Papa", que parece nome de banda ruim) teve uma carreira interessante no basquete universitário, atlético pra burro, cravando na cabeça de todo mundo e fazendo a festa no mundo do YouTube. Acontece que ele se machucou feio e passou um tempão fora das quadras, voltou meia-boca e acabou sequer sendo draftado na NBA (o que é meio bizarro, porque nas últimas escolhas da segunda rodada a força nominal conta muito!). Acabou tendo que se virar na Liga de Desenvolvimento da NBA, onde chutou traseiros, e também na Europa. Ganhou oportunidades com o Mavs e o Spurs, mas sempre jogando mais na D-League do que qualquer outra coisa, onde ele é atlético demais para o resto da criançada. Mas foi o Raptors quem decidiu dar para o Nana Papa uma chance de verdade, com minutos em quadra e um papel na equipe: vir do banco de reservas e trazer energia, enterradas e - por que não? - cabeçadas. Rapidinho virou um dos favoritos da torcida e o Houston percebeu que, em terra de cego, quem tem um olho é caolho. Ou seja, para um time sem pivôs, um cara que vem do banco para incendiar o jogo e dar um par de cravadas já é um baita avanço.

No fundo, o Pops é a reencarnação do Stromile Swift, embora o Swift ainda não tenha morrido (taí um caso para intrigar a mente dos budistas!). Cheio de potencial, vive em Top 10 de melhores enterradas, abarrotado de energia, mas deve morrer aos 80 anos sem ter feito muita coisa, sem evoluir seu jogo e ainda ouvindo papos, no leito de morte, de que tem muito potencial e deveria receber uma chance de algum time da NBA. O engraçado é que o Rockets já foi um dos 482 times do globo a apostarem no Swift e desistirem bem rápido. Se o Pops for minimamente superior, se ele for capaz de trazer qualquer outra faceta ao seu jogo (defesa, visão de jogo, cozinhar mariscos, costurar meias furadas), então a aposta terá dado resultado.

Com tantos times incapazes de acrescentar qualquer jogador (Heat, estou olhando pra você), é surpreendente que o Houston tenha arrumado duas apostas sei lá de onde. Pra mim está ótimo, o time vai feder uns tempos mas pelo menos tenho um par de jogadores para acompanhar de perto (e xingar pra burro, se for o caso) durante minha maratona assistindo aos jogos do Rockets na temporada (o League Pass vem aí, moçada!). Vou deixar todos vocês bem informados com o desempenho da dupla, e podem apostar em pelo menos alguns vídeos de enterradas do Pops aqui e no nosso Tumblr. Aliás, por falar em vídeos do sujeito, a Dime postou há um tempo atrás algo que me deixou um tanto sorridente (a não ser pela música, mas deixa pra lá):



Dá pra se entreter e salivar um pouco antes da Copa América, não dá?

domingo, 23 de agosto de 2009

Chat e Miss ao vivo

O mundo do basquete anda meio morno, sem novas contratações ou trocas na NBA, e com a Copa América começando apenas na quarta-feira. Dá vontade de hibernar e acordar apenas quando a temporada voltar, eu sei, mas até lá vamos arranjando uma coisa ou outra para entreter nossas mentes intoxicadas e dependentes de basquete.

É por isso que, repetindo o feito do ano passado, vamos acompanhar ao vivo o incrível, sensacional e ridículo Miss Universo 2009!

Basta ligar seu televisor às 22h na Bandeirantes ou na TNT (se você tem TV à cabo e quer curtir os comentários da delicinha da Natália Guimarães - mas eu aconselho deixar a televisão no mudo) e aproveitar para bater um papo com um bando de fãs de basquete que não entendem nada de concurso de beleza mas manjam de mulher, igual você! É só entrar no Chat do Bola Presa na única vez no ano em que não falamos sobre homenzarrões suados! Clique agora mesmo no link abaixo:


CHAT BOLA PRESA


Para dar uma animada na brincadeira, deixo a lista das minhas favoritas para a competição. Todas as participantes podem ser vistas no site oficial, com direito a cinco fotos de cada uma para ter certeza de que você não está sendo enganado. Depois de uma tonelada de fotos e trajes típicos ridículos, aí vão minhas preferidas:

Miss Indonésia






















A favorita do público e a número um no quesito "altas japinha firmeza".

Miss Venezuela






















A mulher mais bonita a ter uma cara de novela mexicana.

Miss Islândia






















Por essa foto, ela seria Miss Universo pelo próximo século, mas nas outras ela tem a maior cara de "mamãe". Uma incógnita.

Miss Colômbia






















Linda, mas é que nas outras fotos ela lembra um pouco a Sandy, o que é sempre meio broxa.

Miss Malásia






















Última na votação dos internautas e "Miss Baranga 2009" na opinião de todo mundo que acompanhou o meu processo de seleção. Devo ser o único a achar ela estonteante, então fica sendo meu azarão para o concurso de hoje. Vai, Malásia!

Aposte nas suas favoritas! Acompanhe o evento! Fale bobagem! Amanhã, prometemos, o basquete volta ao Bola Presa!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Quer pagar quanto?

Quanto você pagaria para aprender a treinar com Isiah Thomas?

Durante a minha pesquisa por coisas interessantes que resultou no post de ontem sobre o documentário do Seattle Sonics, achei algumas outras que não eram tão interessantes assim, mas que na falta de assunto e pela bizarrice da coisa, merecem um comentário.

Olhem só esse site, o CharityBuzz. É uma página que leiloa qualquer coisa desde que todo o dinheiro seja revertido para a caridade. Várias celebridades e esportistas contribuem com prêmios, como uma partida de golfe com o Samuel L. Jackson (atualmente em 5.000 dólares), uma participação como figurante na série Damages (atualmente em 3.000 dólares) e um almoço com o ex-prefeito de NY Rudolph Giuliani (1,300 dólares). Tudo coisa pra rico realizar sonhos idiotas enquanto paga de bonzinho.

A NBA também está nessa. Preço parecido com o do almoço com o ex-prefeito está uma aula de arremesso com o Ray Allen! Por 1.300 dólares tem alguém levando uma aula de arremessos de 30 minutos com um dos melhores arremessadores da história. A única exigência do anúncio é que o vencedor tenha paciência para conseguir se encaixar na agenda cheia do jogador. Não sei se dá pra aprender muita coisa nessa meia hora, mas acompanhar o Ray Allen arremessando de perto deve ser uma baita experiência pra quem gosta de basquete. Pena que gastei meus últimos 1.500 dólares com, nessa ordem, mulheres, drogas e gibis.

Procurando por mais coisas da NBA por lá achamos algumas coisas no mínimo excêntricas. No ano passado o Celtics leiloou uma chance de viajar no avião particular da equipe junto com todos os jogadores para algum jogo fora de casa . Lá não tem o valor final do leilão mas tem um "valor estimado" de 50.000 dólares!

Tem coisas mais baratas para caso você não tenha 50 mil sobrando: uma bola autografada e um vinho (!!!) do Larry Bird (700 dólares), uma bola autografada pelo Adam Morrison (500 dólares) , um tênis (o pé direito) do Kobe Bryant (500 dólares) e ainda uma camiseta, extra-grande provavelmente, do Eddy Curry (200 dólares).

Mas se você não quer uma aulinha de arremesso qualquer com o Ray Allen, não quer vinho do Bird e nem nada com uma assinatura de um jogador da NBA, mas sim algo que possa fazê-lo crescer como pessoa, crescer como fã e entendedor de basquete, e quer gastar 10.000 dólares e sentir que valeu cada centavo, eu recomendo isso aqui.

Acredite, em 19 de junho de 2007 algum ser humano pagou 10.000 dólares para ter um mini curso de uma hora sobre como treinar um time de basquete com o Isiah Thomas! Eu prefiro acreditar que quem pagou isso é um cara rico de Detroit que queria tirar uma foto com o Isiah Thomas jogador e nem ouvir ele falar sobre como treinar um time. Que pelo menos a instituição de caridade saiba investir melhor seu dinheiro do que o Knicks.

E que coisas da NBA você gostaria de ver em leilão? Eu gostaria de um jantar a luz de velas com o Marko Jaric e a Adriana Lima, de preferência no mesmo dia e hora de um jogo do Grizzlies. Mas o que iria bombar mesmo seria um curso de medicina caseira com o Stephon Marbury. Ia ter gente pagando os tufos por isso. Por que? Veja como o Dr. Marbury nos ensina a comer vaselina quando tivermos dor de garganta.


quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Seattle Documenta

Passei o dia passeando por essa internet de meu deus procurando coisas interessantes para mostrar para vocês, queridos leitores que eu não conheço, não converso, não sei a cara e mesmo assim tento agradar. Depois de umas boas horas finalmente achei algo mais interessante do que o novato do Bulls James Johnson dançando break.

O que achei foi o trailer do documentário "Sonicsgate". O nome é uma referência a Watergate, o caso que levou à renúncia do presidente dos EUA Richard Nixon nos anos 70. Desde esse episódio, inúmeros escândalos políticos ou processos receberam o sufixo "-gate", virou moda. O hilário blog Basketbawful até hoje chama o processo de estupro do Kobe Bryant de Kobegate.
O nome original, Watergate, foi motivado unicamente pelo complexo de prédios com o mesmo nome onde boa parte do escândalo se desenrolou, mas agora que a moda pegou, já era. As línguas são vivas e não podemos fazer nada a respeito.

Se o sufixo precisou de uma explicação, o resto do nome não precisa. Apesar de já ter passado um ano desde sua morte, todos ainda lembram do Seattle Supersonics. O time, de 41 anos de idade na NBA, mudou de cidade há um ano e agora tem bem menos força nominal, virou o Thunder.

O caso da venda do Sonics para o empresário Clay Bennet e sua decisão de tirar o time de Seattle para Oklahoma City foi explicado nesse post há mais de um ano. Naquela época o caso já parecia mal explicado, muitas coisas indicavam que o Bennet tinha comprado o Sonics já pensando em mudar a franquia de cidade e passou o tempo todo mentindo para os torcedores dizendo que era só a cidade construir um ginásio novo que a equipe ficaria por lá. Há ainda os que dizem que o David Stern estava do lado de Bennet o tempo todo apoiando a mudança de cidade.

Acusações pra lá e pra cá e o documentarista e torcedor do Sonics Jason Reid resolveu fazer um documentário sobre o assunto. Ele acompanhou os julgamentos sobre a quebra de contrato com a KeyArena (ginásio que tinha contrato com o Sonics até 2010) e entrevistou muitos dos envolvidos, desde advogados que participaram do caso até torcedores da fundação Save Our Sonics. Em uma entrevista dada a uma rádio de Seattle, Reid diz que só não conseguiu falar com Clay Bennet ou David Stern, claro, que se recusaram a falar. Mas que conseguiu falar com um advogado do empresário dono do Thunder.

O documentário ainda não saiu, o vídeo é só do trailer, mas parece promissor. A estréia será no dia 12 de outubro pela internet. Entrando no site Sonicsgate.org a partir desse dia você poderá assistir ao documentário, é só saber inglês, claro. Se o produto final for bom, porém, até podemos preparar umas legendas depois, vamos ver.

Eu acho melhor esperar pra ver se é bom porque o documentário, apesar de apresentar um tema que merecia uma investigação, tem tudo para ser tendencioso. O diretor Jason Reid é torcedor assumido do Sonics e provavelmente saiu para documentar já com uma opinião formada, o que é bem perigoso na hora de fazer um documentário. Além disso, os principais envolvidos do outro lado da história não quiseram nem dar um depoimento, empobrecendo a discussão.

Mas vamos dar uma chance à obra, claro. Não é porque ela não teve a chance de falar com todos que ela obrigatoriamente é ruim ou não vale a pena assistir. Dia 12 estarei aqui na frente do computador com um pacote de Doritos, uma coca-cola trincando de gelada e uma namorada mal-humorada do lado pra assistir ao filme.

O trailer, finalmente, está logo abaixo. Achei empolgante, gostei da música da abertura, parece tudo bem feito e é um tema que deveria ter sido mais explorado pela mídia americana. Um time de 41 anos de história simplesmente sumiu depois de algumas compras suspeitas e ninguém foi a fundo investigar isso?

É uma história que merecia ser contada e o documentário Sonicsgate se dispôs a isso.

Mulher à caça de macho

David Lee e Nate Robinson deixariam o Knicks boa pinta demais


A aposentadoria não foi muito divertida para Jason Williams. Conforme foi ficando mais velho, foi ficando também mais chato, deixou de dar passes com o cotovelo para virar um armador cada vez mais burocrático. Mas talvez ir pra casa jogar Banco Imobiliário tenha sido um pouco chato demais até mesmo para a versão sexagenária do J-Will, de modo que ele resolveu fazer um tour pela NBA tentando arrumar um emprego de volta. Dois times claramente interessados eram o Heat e o Knicks, mas pelo jeito não estavam interessados o suficiente. Após um breve treino em Orlando, Jason Williams acaba de assinar com o Magic como a cereja do bolo de uma offseason que viu a equipe acrescentar todas as peças certas.

Após a troca com o Nets para conseguir o Vince Carter, que acabou mandando o coitado do Rafer Alston embora porque ele nunca consegue receber nem um tiquinho de amor, o Magic ficou com apenas um reserva para Jameer Nelson, que volta de contusão. Trata-se do jogador de bingo e adepto do tricô Anthony Johnson, constituindo a única posição da equipe em que não há uma profundidade digna da Monica Mattos. Agora, com Jason Williams, a posição fica mais assegurada. Não dá pra ter certeza das condições físicas do J-Will, mas desconfio que ele não voltará às quadras rolando como o Eddy Curry e ao menos será um reserva sólido para um time que pode montar umas 3 equipes diferentes para competir ao mesmo tempo na NBA, se quisesse.

Mas mesmo chocado com o Magic depois de passar a temporada passada inteira dizendo que eles não tinham time pra chegar a lugar nenhum, o que me impressiona mesmo é a incapacidade do Knicks e do Heat de adicionar novos jogadores. Quando eu disse que o Heat está fedendo um pouco demais e periga não manter Dwyane Wade na equipe por conta disso, defesas vieram alegando que o time tem um núcleo que pode evoluir muito e que a franquia terá um dinheiro absurdo para assinar até a mãe do Papa em 2010. O engraçado é que, em busca dessa flexibilidade financeira, o Heat acabará a próxima temporada com apenas 3 contratos garantidos: Mario Chalmers, Michael Beasley e Daequan Cook. Os três são pirralhos com contratos pequenos e potencial (embora o Chalmers, por mais que eu goste dele, não fosse conseguir ser titular em nenhum outro time da NBA e só tenha evoluído tanto porque não tinha ninguém no Heat pra roubar minutos dele). Em todo caso, ter 3 jogadores e tentar reassinar o Wade é começar um time praticamente do zero, confiar que é possível contratar todo o resto do elenco dentro das finanças e fazer todo mundo combinar em estilo, pra não virar o zoológico que é o Clippers, por exemplo.

Não dá pra montar um time inteiro em apenas um ano recheando ele de Free Agents para todas as posições, assumindo que todo mundo vai querer jogar lá porque há dinheiro, praia e muamba da boa. A mesma coisa com o Knicks: eles tem que ter um time base interessante para atrair LeBron e outras estrelas, ao invés de tacar o time inteiro no lixo e começar de novo. No entanto, enquanto o Heat parece ter decidido por esse caminho do "não vamos adicionar ninguém e vamos reconstruir o time inteiro", o Knicks parece não ter uma opinião totalmente definida sobre isso e está empurrando suas decisões com a barriga.

Por um lado, eles precisam de grana para tentar pra valer LeBron James, e para isso se encontram quase na mesma posição do Heat, só que um pouco mais burra: só vão ter contratos garantidos dos novatos Jordan Hill e Toney Douglas, e de mais outros dois jogadores mais velhinhos. Um é o gordo do Eddy Curry, que só conseguiria jogar para o técnico D'Antoni se nascesse de novo e nunca colocasse, desde criança, as mãos num pacote de Cheetos. O outro é o Jared Jeffries, que tem um contrato ridículo dado pelo Isiah Thomas, mas que estranhamente se encaixa no jogo do D'Antoni e apesar de ser um ala-armador pode jogar até de pivô quando o objetivo for a correria. Só que esse núcleo não atrai nem mosca, e o Knicks precisa decidir basicamente se fica com dois de seus jogadores mais importantes: David Lee e Nate Robinson. O Lee está pedindo muita grana e, convenhamos, ele merece. Não apenas vem chutando traseiros nas últimas temporadas, também se dá muito bem na correria que o Knicks quer implantar. O Nate Robinson é mais questinável, por ser meio porra-louca, mas por diversas vezes segurou o fardo ofensivo sozinho na temporada passada. Mas vale comprometer o dinheiro de 2010 com eles?

Pra mim é questão de probabilidade, com o Knicks e o Heat escolhendo não adicionar jogadores e não reassinar o seu próprio elenco a chance de que um deles acabe se arrependendo feio é bem grande. Alguém não conseguirá os jogadores que queria e aí ter aberto mão de bons jogadores que estavam disponíveis vai ter sido uma cagada. O exemplo ideal para isso, do qual provavelmente riremos daqui há um ano, é Allen Iverson.

No seu Twitter, Iverson disse estar aguardando propostas de Heat, Knicks e Bobcats (e no Twitter do Bola Presa tem link para agentes do Iverson dizendo que um contrato será fechado muito em breve). Provavelmente será um contrato de apenas um ano, uma espécie de "teste" que não compromete o futuro financeiro das equipes. Só que mesmo assim o provável é que Knicks e Heat, mantendo o padrão, não assinem o rapaz.

É tudo um joguinho de acasalamento, pense nessas equipes como mulheres desesperadamente à procura de homens, seus machos. Se elas forem bonitas demais, intimidam. Se forem feias demais, ninguém se interessa porque falta estômago. É preciso parecerem razoavelmente bonitas, mas é necessário cuidado no uso de adereços: uma boa maquiagem pode enganar, esconder os defeitos, mas algo como seios postiços pode afastar porque os homens sabem que na hora do "vamo-vê" eles não estarão lá.

Passando isso pra NBA: os times não podem ser bons demais porque senão afastam as estrelas que querem brilhar e erguer franquias, e não podem ser ruins demais porque nenhum jogador quer desaparecer numa franquia arrasada. Uns jogadores que façam o time parecer bom, mesmo que na verdade não seja, enganam e ajudam a trazer estrelas. Mas adereços momentâneos como o Iverson, por exemplo, podem assustar porque ele provavelmente não estará no time na temporada seguinte e aí a estrela que vier não tem como saber se o time era bom mesmo ou se era apenas o Iverson chutando traseiros.

Nesse medo de agradar seus machos preferidos, Heat e Knicks deixaram ótimos jogadores passarem e ficam apenas parados vendo o Leste cada vez mais forte. Pelo jeito o David Lee deve até reassinar com o Knicks em breve, mas se for o caso será apenas o quinto jogador com contrato garantido em 2010, resquício de dois elencos que estão se desmaterializando pra começar do zero mesmo. Enquanto isso, o Bobcats é um time que fede mas tem potencial, um plano, um técnico com abertura para imprimir sua identidade, e jogadores que chegam prontos para desempenhar funções específicas e que combinam com o padrão de jogo e com os demais jogadores. É um time desses que pode se dar ao luxo de contratar Iverson e não ficar rezando por 2010. O técnico Larry Brown já disse que gostaria de trabalhar novamente com Iverson (ou seja, mentiu com classe) e tudo leva a crer que vai acontecer. Enquanto Heat e Knicks, mais uma vez, apenas olham, Iverson garante voltar à velha forma. É uma temporada cheia de medos e promessas, e cada um escolhe no que vai acreditar.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

"Both Teams Played Hard"

Na época da última coluna "Both Teams Played Hard",
Rasheed e Garnett ainda não eram miguxos


Você não está tendo alucinações! Não morreu e foi pro céu! Quando você pensou que o "Both Teams Played Hard" estava mais morto e enterrado do que ex-participante de Big Brother que não saiu na Playboy, eis que surpreendemos o mundo com uma coluna novinha em folha! Foram mais de quatro meses de espera, com fãs jejuando ao redor do mundo, na esperança de nos convencer a responder centenas de perguntas idiotas. Bem, não anda acontecendo muita coisa na NBA, fora o Marbury contar que curte um baseado (rá, e quem já não sabia?), então era a hora perfeita para atender aos pedidos desesperados de nossos leitores. Só que faz tanto tempo desde que as perguntas foram feitas que acabamos cortando algumas coisas, que não fazem mais sentido, que eram sobre palpites muito velhos, ou que eram apenas comentários que envelheceram mal. Você pode até não achar uma pergunta sua aqui, que nós cortamos, mas a verdade é que depois de 4 meses ninguém lembra mais do que perguntou.

É por isso que o Both Teams Played Hard agora tem novas regras. Cada um só pode fazer no máximo 3 perguntas. Não queremos dar uma de David Stern mas é que tem muita pergunta e muita pergunta cretina, ficamos sem vontade de fazer e fica muito longo (e chato) de ler. Agora cada um faz 3 perguntas e para isso precisa pensar bem como se fizesse 3 pedidos para o gênio da lâmpada. Só não precisa libertar a gente com o terceiro pedido, basta aceitar nossas condições, nossas limitações, e ficaremos felizes em responder tudo com mais velocidade e frequência.

E para quem é novato e começou a acompanhar o blog há pouco tempo, explico. O "Both Teams Played Hard" é a coluna deste blog que responde às suas perguntas sobre tudo. Desde basquete e futebol até relacionamentos e problemas psicológicos. Tudo isso sem cobrar consulta.

Como o tamanho é descomunal (nível Kid Bengala), a coluna agora está escondidinha. Para ler, basta clicar no link abaixo. As perguntas podem ser feitas tanto nesse post quanto no post do link a seguir:


BOTH TEAMS PLAYED HARD


Clique aí em cima, pergunte com sabedoria, e esperamos não demorar mais 4 meses pra responder essa palhaçada!

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Ruim um pouco demais

Wade finge que precisa mijar para poder dar o fora


O Quentin Richardson continua sua turnê pelos piores times da NBA. Desde o fim da temporada passada, já passou por Grizzlies, Clippers e Wolves. Mantendo a temática de seu passeio pelos Estados Unidos, imaginei que ele fosse acabar parando no Kings, mas na verdade ele acaba de ser mandado para o Heat. Não que a equipe de Miami seja tão horrível quanto as outras que Quentinho andou visitando, mas o Wolves tem potencial demais e, com uma carta aberta explicando que a pirralhada de lá vai ter minutos mesmo que isso signifique perder feio, uma troca era meio inevitável.

Nesse momento, ninguém em sã consciência quer o Quentin Richardson jogando em seu time. É verdade que ele é um bom arremessador de fora e um ótimo reboteiro para sua posição, mas sua mentalidade de "eu arremesso até minha mãe se eu puder" anda muito em baixa na NBA. Com um contrato exageradamente inflado (agradeça ao Nash por ter garantido o leitinho das crianças) e uma postura indesejada dentro das quadras, Quentinho só tem valor mesmo porque seu contrato termina ao fim da próxima temporada e gera espaço salarial para quem quiser arriscar aquisições como LeBron, Wade e Nowitzki, por exemplo.

É assim que o Quentin Richardson está mais rodado do que a Vivi Fernandes ou fita do "Lagoa Azul": vários times interessados em flexibilidade salarial em 2010 aceitam seu contrato gordo, mas trocam assim que surgir uma oportunidade melhor de economizar grana. O Wolves, por exemplo, trocou o Quentin Richardson pelo Mark Blount e, assim, conseguiu outro contrato que expira nessa temporada mas ainda economizou cerca de 2 milhões de verdinhas ainda nesse ano, porque o contrato do Blount é menor.

Isso significa que o Heat escolheu perder dinheiro para adquirir o Quentin Richardson! O espaço salarial de 2010 não foi comprometido, mas os bolsos dessa temporada acabam de ficar um pouco mais vazios para que o Heat tenha no elenco o cara que ninguém quer, aquele beijinho no meio dos brigadeiros gostosos em festa de criança (coco, como todos nós sabemos, não tem acento mas não engana: é escroto). Por que diabos o Heat se importou o bastante para fazer essa troca? A resposta acaba dedando a crise pela qual passa a equipe.

Pra começar, o elenco está tão fraco que o Quentin Richardson chega ao time com espaço garantido na rotação. O melhor arremessador daquelas bandas é o Daequan Cook, muito inconsistente e, convenhamos, longe de ser um arremessador legítimo. Diawara e Dorell Wright são bons defensores mas excessivamente limitados no ataque. Não há ninguém para substituir Shawn Marion e Jamario Moon, ninguém capaz de ser o ala titular. Se o Michael Beasley sair do garrafão e for jogar de ala pequeno, aí o Udonis Haslem é que não tem reservas. Ou seja, o elenco é um cobertor curto demais e ninguém, além do Wade, merecia ser titular. Num time sério (onde o Jamaal Magloire, clone ruim do Zach Randolph, não fosse considerado um jogador importante, por exemplo) a maioria dos membros do Heat esquentariam banco e teriam que lutar por minutos. No Heat, vão começar jogando, de modo que a chegada do Quentin Richardson traz profundidade ao time. Por "profundidade", entenda algo como a Mari Alexandre dizendo que leu "O Segredo": uma merda, mas a gente até comemora o fato dela não ser analfabeta.

Só que o buraco é mais embaixo, já diria o Mr. Magoo. Dwyane Wade não deu escândalo e nem tacou travesseiros como a gracinha do Kobe Bryant na época em que o Lakers só tinha ele, mas o Wade deixou bem claro que o elenco fede e que não há condições de que ele reassine com um time tão fraco. Pat Riley, doutorado na arte da discussão de Jardim de Infância e responsável pelas finanças, bate o pé e diz que não faz sentido gastar dinheiro agora com o time se o Wade não der certeza de que vai reassinar o seu contrato. No maior esquema do "dilema Tostines", os dois lados tem razão e portanto o time continuará parado nesse paradoxo, um estranho vórtex espaço-temporal que pode transformar o Heat no novo Cippers.

Em 2010 muitos jogadores geniais verão o fim de seus contratos e o mercado estará cheio de possibilidades para equipes que querem começar do zero. Se o Heat perder Wade, terá dinheiro para contratar jogadores de nível similar - caso, é claro, eles topem jogar em Miami. Com as estrelas contratadas, é possível comprometer-se com um plano de longo prazo e cercá-las com os jogadores mais apropriados, torrando uma grana louca neles. Agora, sem saber se Wade fica ou não fica, é complicado contratar ou trocar por jogadores porque o Pat Riley fica sem saber se está construindo um time ao redor do Wade ou do Carlos Boozer, por exemplo. Eu sei que o Clippers apenas soma jogadores aleatórios e coloca todo mundo pra rodar, mas no mundo real as contratações tentam ter um padrão e formar um todo coerente, de modo que o Wade precisa de uma decisão para que o Heat possa se preparar.

Mas o Wade seria débil mental de continuar num time tão porcaria se ele pode aceitar, na temporada que vem, propostas interessantes de times que estarão em condições muito superiores de brigar por um título. O que aconteceu é que o Heat se afundou demais na merda e perdeu aquele ponto de equilíbrio ideal: ser um time ruim, que precisa de alguns jogadores para crescer, mas que não é ruim demais a ponto de parecer um caso perdido. É isso que o Knicks quer tanto parecer ser, um time atraente, com potencial, mas que é claramente ruim porque precisa de uma grande estrela. Esse tipo de situação é tentadora para grandes jogadores que querem ressuscitar um franquia sem ficar em último lugar da NBA por uns anos. O Heat ficou em condições tão deploráveis que não dá pra levar muito a sério a ideia de que, com um par de jogadores novos, a franquia voltasse ao topo.

O Knicks caminha firme rumo a essa imagem de "eu fedo mas nem tanto, sou uma merda mas tenho esperança", meio que a garota feia dos filmes adolescentes com coque no cabelo, óculos enormes, e que a gente sabe que no final do filme vai soltar o cabelão, piscar os olhos com lentes de contato e maquiagem de primeira e ser uma delícia absurda. O Heat virou a garota obesa do fundo da sala, que pode até disfarçar o cecê passando vinagre mas não vai emagrecer o necessário nos próximos anos. Insistir na garota obesa seria um ato de fé e amor, mas acho que Wade não se encontra nessa situação. Desde o começo ele não gostou muito do draft do Beasley, alegando que a escolha deveria ter sido trocada por um jogador experiente (como o Kobe, tão puto da vida quando a franquia escolheu o Bynum), e não parece ter muitas expectativas de que essa dupla dê certo.

Sob esse aspecto, a contratação de Quentin Richardson é uma tentativa desesperada com toques de novela mexicana: mais do que melhorar um pouco o elenco mequetrefe, Quentinho é um dos melhores amigos do Wade e os dois treinam juntos ao fim de toda temporada da NBA. Foi uma tentativa de agradar o Dwyane Wade pelas beiradas, pegando no lado emocional. Pat Riley já tinha avisado que o Heat não iria contratar mais ninguém nessa temporada, que o time estava fechado, mas agora ele abriu uma exceção para trazer um amigo pessoal do Wade para jogar e, quem sabe, ser até titular. É muito golpe baixo, tipo dar flores e poeminha quando sua garota quer terminar com você. É feio, muito feio. Mas dá certo, crianças, então façam à vontade.

A vontade do Wade é de claramente dar o fora. Sua temporada passada foi surreal, depois dele dedicar toda suas férias em treinamentos insanos, específicos e exagerados que lhe permitiram ser o melhor jogador da seleção americana apesar de estar voltando de contusão (é como o treinamento que o Arenas tentou depois da primeira contusão, mas aí o joelho dele desmontou quenem Lego). Diz a lenda que o Wade está se dedicando num volume ainda maior de treinamentos, e se for verdade seus números de MVP vão estar ainda mais elevados. O problema é que ninguém falou das estatísticas débeis mentais do Wade na temporada passada, e nem levou a sério sua campanha para ser MVP, simplesmente porque seu time fede. É bem óbvio que o Wade não vai aturar isso mais uma vez: o Heat tem uma temporada, com o amiguinho Quentinho ajudando, para provar que pode ser ruim-mas-nem-tanto e colocar o Wade como concorrente real ao prêmio de MVP. Se não acontecer, o Heat provavelmente terá nova cara na temporada que vem - com uma nova estrela, se alguém aceitar jogar por lá. Talvez contratando mais amiguinhos dos jogadores famosos. Ou talvez as praias ajudem.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

8 ou 80 está de volta

Ei pessoal, lembram da saudosa coluna "8 ou 80" que eu tinha no BasketBrasil? Pois ela está de volta! Eu e o pessoal lá do site decidimos voltar com um formato um pouco diferente, em forma de blog e não de coluna. Assim as postagens serão mais curtas e mais frequentes.

O assunto continua sendo o mesmo: números e estatísticas sobre a NBA. Para essa offseason começo explicando toda a confusão que são as regras do teto salarial na liga. O primeiro texto já está no ar e pode ser lido aqui.

Os comentários e sugestões para futuros textos podem ser feitos lá no BB ou aqui mesmo!
Os textos antigos podem ser lidos clicando nos links na barra lateral aqui do Bola Presa.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Uma carta aos fãs (se é que eles existem)

Infelizmente o Kurt Rambis não será tão estiloso no banco do Wolves

Não é sempre que vemos isso, mas o novo General Manager do Timberwolves, David Kahn, fez uma carta aos torcedores da equipe em que explica como e porque escolheu Kurt Rambis como novo técnico da equipe.

O Kahn, apesar de algumas coisas já questionáveis que fez, do nome de vilão do Mortal Kombat e de goleiro alemão, está se saindo um dos managers mais comunicativos e interessantes dos últimos tempos. Ele não tem Twitter, não tem blog, mas sempre que questionam alguma atitude sua ele vai à imprensa dar a resposta. Logo no dia do draft explicou porque pegou tantos armadores, depois sempre foi atualizando a situação do Ricky Rubio e divulgou até as promessas de titularidade e minutos por jogo que tem feito para o espanhol.

Não sei exatamente se isso é bom ou ruim. Pra gente é bom, vendo as justificativas dos caras que tomam as decisões fica mais fácil dar uma opinião. Mas para ele não sei se essa super exposição é boa. Responder às críticas e questionamentos implicam em mais críticas e mais questionamentos que podem um dia transformar questões triviais em assuntos grandes. Para sorte dele, ele faz isso no Wolves e ninguém tá lá se importando muito com o que o Wolves faz ou deixa de fazer. Ter a mesma atitude no Knicks poderia ser mais problemático.

A primeira atitude questionável do David Kahn no comando do Wolves foi quando draftou Ricky Rubio e Jonny Flynn, ambos armadores, no draft. A sua justificativa era que ele achava que os dois, apesar de só jogarem na posição 1, poderiam jogar juntos, como jogavam Joe Dumars e Isiah Thomas no Pistons do começo dos anos 90.

Na teoria tá beleza, na prática não agradou muito o Ricky Rubio, que, receoso, talvez prefira passar mais tempo na Europa se enchendo de grana e sendo um jogador importante em seu time. Outra coisa é que na época o Wolves não tinha técnico e tinha dificuldade para achar um que agradasse, depois dessa escolha e das declarações do Kahn, a busca teria que ser por um técnico que também acreditasse que dois armadores jogando juntos pudesse dar certo. Pelo número de times que fazem isso regularmente na NBA, não seria tão fácil.

A busca durou meses e meses. Passou por inúmeros nomes até chegar em três finalistas: Mark Jackson, ex-armador do Pacers que atualmente é comentarista na TV, Elston Turner, ex-jogador dos anos 80 e assistente técnico do Houston Rockets, e por fim Kurt Rambis, ex-jogador do Lakers multi-campeão dos anos 80 ao lado de Magic, Kareen e cia. e que até a temporada passada trabalhava como assistente técnico do Phil Jackson no Lakers.

Até uma semana atrás o Mark Jackson parecia liderar a corrida. Eu não acreditava no Rambis porque, como o Danilo disse um tempo atrás, dizia-se que ele poderia herdar o cargo de técnico do Lakers na temporada que vem se o Phil Jackson se aposentasse, o que é bem provável.

Porém, o David Kahn conseguiu convencer o Rambis a abandonar a expectativa de treinar um time pronto pela chance de ser o responsável por erguer uma franquia quase que do zero. Nas palavras de Kahn em sua carta:

"Estou completamente confiante de que Kurt é o homem certo para ajudar a nos transformar em um time que possa brigar pelo título. Kurt foi treinado pelo Pat Riley e trabalhou com o Phil Jackson, os dois melhores técnicos da história da NBA. Ele está preparado para isso."

Depois disso o Kahn lista as três coisas que o candidato à vaga teria que preencher para ganhá-la. Curiosamente acho que essa era a única vaga no mundo que não pedia "pró-atividade", "saber trabalhar em grupo" e "Pacote Office".

Vamos analisar as três coisas que ele diz na carta:

1- Eu quero que nossa franquia se torne líder em desenvolvimento de jogadores, e o desenvolvimento do jogador começa com o técnico. É seu trabalho executar essa função.

Mesmo se o Rubio não vier agora, o time ainda se baseia em Al Jefferson, Kevin Love, Jonny Flynn e Corey Brewer. Ou seja, alguém que não se comprometesse a desenvolver jovens jogadores estaria entrando numa completa fria.

2- Nós seremos um time rápido, de velocidade. Sim, haverá momentos em que teremos que confiar no Al Jefferson e em um ataque de meia-quadra, mas nossa identidade será a de um time de velocidade e contra-ataque.

Como jogador, Kurt foi membro do Lakers dos tempos do "Showtime". Aquele time era veloz e mesmo assim sabia usar o jogo de meia-quadra quando necessário. Eles também jogavam uma defesa espetacular. Kurt está comprometido a colocar esse estilo de jogo.

Na teoria é perfeito. Usar como base um dos times de mais sucesso na história da NBA, um time que venceu 5 títulos nos anos 80 e que tinha defesa forte, velocidade e jogo de meia-quadra. Para a velocidade eles tem Flynn, Rubio e até o Kevin Love, que fez um tremendo sucesso no basquete universitário com seu "outlet pass", aquele passe que o cara dá quando pega o rebote e já liga direto o ataque lá na frente.

O jogo de meia quadra passa todo nas mãos do Al Jefferson, um dos melhores pivôs da NBA atualmente. Uns bons arremessadores do lado dele podem fazer um bom estrago também (de arremessador nato eles tem o Quentin Richardson, mas estão dizendo que o Q-Rich pode ser trocado de novo nessa semana, seria a quarta vez que ele seria trocado desde a temporada passada!).

Achei bem legal o time se basear no Lakers dos anos 80. É realmente admirável que um time coloque um padrão tão alto como parâmetro. Pode parecer e ser um objetivo bem irreal, mas melhor se espelhar em um time espetacular e não conseguir do que se contentar em ser um time mediano. Se não desanimar com as derrotas e com a distância astronômica que estão hoje de um título, vai ser um desenvolvimento legal de assistir.

3- Os minutos distribuídos entre nosso núcleo jovem nos próximos dois anos devem ser feitos pensando no futuro e não apenas no curto prazo. Isso quer dizer que o técnico deve colocar os jovens jogadores para jogar constantemente e deixá-los aprender com seus erros, mesmo que isso signifique sacrificar uma vitória ou duas no caminho.

Essa é a parte mais importante de toda a carta e deve ter sido a que recebeu mais ênfase nas entrevistas para a vaga. Quando um pivete faz muita bobagem em quadra é normal uma chiadeira da torcida, o desespero no técnico e a falta de confiança do jogador. Mas quando se tem um time jovem é importante deixar eles lá se virando na fria que criaram.

Acho que o Rambis não deve ter problema com isso porque o Phil Jackson, com quem trabalhava até outro dia, é um grande adepto da filosofia de deixar os jogadores se virarem. No Lakers ele não pede tempo depois de tomar enterrada ou bola de três e não substitui a cada burrada. Ele gosta de ver como cada jogador se vira em situações adversas. E isso será importante para a pivetada do Wolves.

O Kahn só foi simpático e mentiroso demais ao dizer que essa insistência em jogar sempre os garotos podem render "uma derrota ou duas". Na verdade vão resultar em umas 20 derrotas ou 30, mas tudo bem, ele não pode ser tão sincero assim em uma carta para a torcida.

Ano passado já dizia que, entre os piores, o Wolves era o de futuro mais promissor. Será mais ainda se o Ricky Rubio vier logo, mas de qualquer forma, com o espanhol ou não, ainda mantenho a minha opinião. Dos times fracos é o único que tem um pivô que domina jogos e um dos únicos com um plano de desenvolvimento organizado e com um técnico que, ao menos pelo que parece, não será mandado embora se vitórias não aparecerem logo de cara.

Vingança
Curiosamente o Kurt Rambis herdará a vaga de técnico deixada pelo Kevin McHale. Os dois eram rivais mortais nos anos 80 quando McHale jogava pelo Celtics e Rambis pelo Lakers. Você quer saber o quanto eles eram rivais? Dê uma olhada então na página Anti-McHale criada no site kurtrambis.com e no vídeo abaixo: