quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

De volta às origens

Ele está mais velho e o uniforme mais bonito do que era em 94


Está confirmado. Chris Webber está de volta ao Golden State Warriors.

Pra quem acompanha NBA há pouco tempo e não gosta de ler histórias antigas da liga, ou só tem memória fraca (tipo o Muricy, que não lembra que o Carlos Alberto não joga nada!), eu explico. Em 1993, Chris Webber foi a primeira escolha do draft, pelo Orlando Magic. Mas o Magic não queria Webber jogando com Shaq, então no seu segundo ano eles queriam um armador e mandaram o recém-escolhido para o Golden State Warriors em troca de Penny Hardaway.

Webber então foi para a ensolarada California jogar sua primeira temporada na NBA no Warriors, sob o comando do técnico Don Nelson. Sim, o mesmo Don Nelson de agora. Contando a história até agora parece que a volta de Webber é uma história bonita, que ele quer apenas encerrar a carreira onde começou com o técnico que deu sua primeira oportunidade. Seria bonito mesmo, mas não é bem assim.

Naquela temporada de 93-94, Webber foi destruidor, teve médias de 17,5 pontos, 9,1 rebotes e algumas atuações monstruosas. Ele foi o novato do ano e o Warriors voltava aos playoffs. Mas as coisas andavam mal nos bastidores. Don Nelson queria porque queria que Webber fosse um jogador de garrafão, que jogasse lá embaixo da cesta e servisse para atrair a atenção dos marcadores e liberar o arremesso de fora. Também queria que Webber pegasse muitos rebotes e fizesse seus pontos lá embaixo. Webber, por sua vez, sabia do seu talento como passador, como ala, e queria jogar lá fora, participar da correria e tudo mais. Não rolou a temporada inteira e os dois não paravam de se bicar.

No fim da temporada parecia que tudo ia voltar ao normal já que o Warriors tinha contratado um pivô e isso naturalmente levaria Webber à posição de ala de força. Mas o relacionamento desgastado entre técnico e jogador levou Webber a ser trocado para Washington.

No ano passado, quando o Warriors estava na luta para finalmente voltar aos playoffs, coisa que não aconteceu desde a saída de Webber, já se falava sobre finalmente quebrar "A maldição de Webber" que assolava o pessoal de Oakland há mais de 10 anos. Como sabemos, a maldição foi quebrada e o Warriors, de brinde, ainda derrotou o Mavs.

Depois dessa história trágica, uma reconciliação 12 anos depois? Sei lá, é esquisito. É como alguém fugir de casa brigado com os pais, sofrer, ralar, passar fome e aí, 12 anos depois, quando já está bem de vida, com casa, emprego e bufunfa, querer voltar pra casa dos pais. A mesma casa, os mesmos pais com quem brigava. Mais uma vez, esquisito.

Outra coisa curiosa é que Chris Webber tinha dito que estava buscando um time que lutasse pelo título, já que ele queria encerrar sua carreira ganhando pelo menos um anel. Cogitou-se o sempre candidato Mavs, o Pistons, que está a uma série contra o Boston ou o Cavs de vencer a conferência, e até o Lakers que, com Bynum e Kobe, é um time que pode chegar longe. E tinha o Warriors. Ele foi contra a lógica e escolheu o time com o pior recorde dentre estes e o time que dizem que ele tem menos a ver, o que ele menos se encaixaria. E o único com um técnico com quem ele brigou.

Acho que a única resposta que eu entenderia é se ele falasse que é pelo desafio e pela emoção que é voltar a um lugar em que as coisas deram errado e fazer tentar dar certo. Meio como quando o Phil Jackson tinha dito que era impossível treinar o Kobe, que ia embora e depois voltou para o Lakers até para provar pra ele mesmo que era possível. Vai ver que Webber quer provar que pode jogar com Don Nelson, vai ver que ele se sente em dívida com o Warriors, vai ver que ele não queria ser uma peça de reposição de luxo em alguns times já montados. Não só talvez seja isso como eu espero que ele tenha pensado nisso tudo.

No lado prático, na quadra, sinceramente acho que pode dar certo. Webber não tem nem um terço do físico que tinha antes, não aguenta a correria. Mas a verdade é que ele não precisa ficar em quadra 40 minutos por jogo. O Webber pode ser importante em muitos aspectos: o mais óbivo é na liderança, muitos times contratam caras velhos porque eles ajudam nas horas difíceis e Webber pode fazer isso. Já dentro da quadra, ele pode ajudar pelo simples motivo de ser muito inteligente.

Para correr no esquema do Don Nelson nao é só saber chutar de 3 ou correr, isso ajuda, claro, isso vai colocá-lo pelo menos na rotação. Mas pode ver que quando o bicho pega, nos momentos decisivos, a bola é confiada a quem tem mais cabeça. Dificilmente o jogo não é decidido por Baron Davis e Stephen Jackson. Até quando um arremesso decisivo é dado por outro, geralmente é uma jogada de um dos dois que acaba nas mãos de um terceiro. Webber pode ser mais um desses caras que pode ter a bola na mão em momentos importantes do jogo (e momentos importantes existem desde o primeiro quarto até o último) para tomar as decisões corretas.

Outra coisa que Webber pode ajudar é no jogo de meia-quadra do Warriors. Sabemos que ele mal existe, mas em algumas posses de bola eles são obrigados a trabalhar mais um pouco e ter um cara que joga no garrafão, tem um bom passe e um bom arremesso de meia-distância faz muita diferença. O Suns que o diga com o Grant Hill.

Pra terminar, a pergunta que fica: tá, Webber está motivado a voltar, ele pode se encaixar no run and gun de Don Nelson. Mas e o técnico, o que pensa disso tudo?

"Meu medo é que nosso time não seja forte o bastante nos playoffs caso o Webber não venha. Se ele vier será melhor para o time, para a relação dele comigo e para os jogadores do time. Ele pode fazer muitos de nossos jogadores jogarem melhor e fazer esse time melhor."

Se ele disse, quem somos nós pra discordar, né?

(esse post é em homenagem aos ZERO leitores que, segundo a enquete, torcem para o Warriors)

domingo, 27 de janeiro de 2008

Santíssimo basquete

Ron Artest prefere roupas larguinhas no verão


Fiquei sabendo com certo atraso do ocorrido na partida entre Kings e Jazz uns dias atrás. Ron Artest, dizem, ficou completamente pirado e descontrolado em quadra, causando uma situação embaraçosa e um péssimo exemplo para as crianças - quer dizer, para aquelas que não estavam jogando Pokémon. Se você, como eu, não assistiu ao jogo porque pensou que Kings e Jazz ia ser tão legal quanto uma partida de Batalha Naval, então aqui está nosso amigo YouTube para nos deixar interados:



Se você é tão preguiçoso para apertar "play" quanto o Zach Randolph é para pular, ou se seu computador é uma carroça dos tempos de Magic Johnson, vou dar uma resumida no que aconteceu. No segundo quarto do jogo, Harpring e Artest trombaram violentamente e nenhuma falta foi marcada. Artest, então, resolveu jogar o mais fisicamente possível contra Harpring, impedindo a todo custo que ele recebesse a bola. O duelo dos dois no garrafão é algo violentamente cômico e o Artest foi se animando cada vez mais com a brincadeira, gritando, batendo no peito e respondendo à torcida que vaiava sua atuação sem parar. Quando Kevin Martin tomou um tranco duro do Harpring e foi tirar satisfação, Artest separou os dois. E o fez, veja bem, sem tocar no Harpring em momento algum, apenas para evitar o confronto que ameaçava lhe roubar a brincadeira. Aí então voltou para sua partida frenética, que foi encerrada apenas com a chegada de sua segunda falta técnica. Saiu de quadra vaiado, com todos os jogadores do Kings o cumprimentando intensamente.

O Clube de Odiadores do Ron Artest deve dar brindes muito bons. A carteirinha de membro deve valer meia-entrada no cinema, pelo menos. Digo isso porque a reação praticamente geral às atitudes do Ron Ron são de raiva, indignação, ódio e vergonha. Em nome de um mundo de mais paz, amor, harmonia e essas coisas de hippie, vamos deixar a fúria de lado, tomar um Tang de laranja e pensar em algumas coisinhas sobre esporte, NBA e Ron Artest.

Antes de mais nada, NBA não é videogame. Quando ligamos a TV ou o computador para assistir uma partida, estamos vendo pessoas de verdade interagindo numa quadra de basquete batendo uma esfera alaranjada quicante, não pixels virtuais gerados pelo seu Playstation 2. Seres humanos reais, vale sempre lembrar nessa era pós-Duncan, têm emoções. Eu sou um jogador de basquete de araque, nem um pouco competitivo, mas já tive os ânimos alterados em quadra e todo mundo passa por isso. Não digo de dar um chute no saco de alguém, mas de ficar bravo com a atitude de algum jogador e então brincar de não deixar o sujeito tocar na bola, por exemplo. Responder no jogo e se divertir com isso. Seres humanos, destaco, se divertem.

Dá pra ver na cara do Artest o quanto ele estava gostando de tudo aquilo, aproveitando mesmo. Ele degustou a fundo as vaias da torcida, batendo no peito e vibrando, como um vilão daqueles campeonatos bregas de Luta Livre em que o vilão é vaiado por ser "violento" num esporte que consiste de pura violência. Aí o vilão vai lá e mexe com a torcida, é vaiado, cuspido, e tá lá se divertindo. Ele é um artista, aquilo é um espetáculo, ele dá o que o povo quer.

O Artest brincou de vilão, aquele cara que ama ser odiado. Enquanto isso, estava numa brincadeira pessoal com Matt Harpring. Seus olhos brilhavam como os de uma criança que encontra um coleguinha para brincar de lutinha, como os do Coringa ao ver que o Batman tem talento para desafiá-lo, como os do Goku ao ver que o Vegeta vai render uma boa batalha. Os dois estavam num lance todo especial, só entre eles, vendo quem arregava primeiro. Numa falta mais dura de Harpring, que Artest respondeu tacando os braços de seu nêmesis para cima, Harpring saiu com uma falta e Artest saiu com uma falta técnica. Essa era o tom do jogo, e também de toda a NBA.

Ron Artest é um ser humano, sujeito a emoções, com o direito de se divertir, de brincar, de vibrar. De bater no peito, de gritar "no more layups" ("sem mais bandejas"), de responder às vaias. Me entristeço ao ver que tudo que é explícito, ao invés de mascarado, é punido como "loucura" e "uso de drogas" na NBA. Vibre moderadamente, compita moderadamente, reclame moderadamente, bata por baixo dos panos. Basta alguém vibrar de verdade, se divertir inteiramente, bater na cara larga, e lá estão os vídeos surgindo e dizendo que o Artest deve ter se dopado no intervalo. Dopado é quem fica na quadra mudo, seguindo e esquema tático pré-definido, moderado, sem colocar os cotovelos em cima da mesa, sem incomodar ninguém, colocando de lado tudo que é humano e abraçando tudo que é robótico. Queremos mesmo ficar xingando, ridicularizando e reprovando o Artest na esperança de uma NBA bem-educada, inorgânica e totalmente sem sal?

Tive uma idéia genial um dia desses. Vamos tirar o Artest, o Tinsley, o Rasheed Wallace, todo mundo. Vamos colocar no lugar apenas freiras católicas apostólicas romanas. Eu vou torcer para o "Houston Holy Sisters" e o Denis vai torcer para o "Los Angeles St. Marys". Agora sim, um bom exemplo para as crianças, sem violência, sem pancadaria, sem palavrões ou roupas moralmente ofensivas. As crianças vão continuar no videogame, mas acho que a audiência dessa versão santa da NBA não vai ser pior do que é hoje em dia com o David Stern.

O único problema vai ser quando as freiras começarem a ficar competitivas, o que eventualmente deve acontecer. O que vai acontecer quando uma delas ousar mostrar senso de humor, deitando na mesa dos juízes, e acabar sendo atacada por um torcedor com um copo cheio bem na cabeça? Como será que a freira vai reagir à copada? Aliás, como você reagiria?

sábado, 26 de janeiro de 2008

Wild Wild West

Quem disse que a boca é tua, rapá?



Você sabe quando um time está bom das pernas quando ele lidera o Oeste. Liderar o Leste não é fácil, claro, mas lá não tem o mesmo valor; pra vocês terem uma idéia, o Houston do nosso glorioso Danilo está em décimo no Oeste, e no Leste eles estariam com a quarta melhor campanha, atrás de Boston, Detroit, Orlando e empatados com o Toronto. Sem contar que no Leste você só enfrenta times como Dallas, Spurs, Suns, Hornets e cia. duas vez por temporada, os do Oeste se pegam quatro.

Então com isso sabemos que o Hornets tá com moral! Líder do Oeste, 16 vitórias nos últimos 18 jogos e vitórias bem folgadas. Mas como o Lakers sabe bem, no Oeste de hoje em dia você é líder num dia e duas derrotas depois você já está em sexto. Com esse embolamento todo na conferência, o leitor Eduardo Ferreira sugeriu que eu falasse sobre essa muvuca que está a briga para playoffs.

Hoje são 10 times que aparecem nessa briga: New Orleans, Phoenix, Dallas, Denver, San Antonio, LA Lakers, Portland, Golden State, Utah e Houston. Coloquei na ordem da tabela mesmo, e pra ver como o bicho tá pegando, o Hornets está apenas 6 jogos na frente do Houston. Considerando que a cada semana os times jogam uns 3 jogos, daqui a duas semanas o Hornets pode ser décimo e o Houston pode alcançar as posições mais altas. Claro que o mais provável é que isso não aconteça, pelo menos não tão drasticamente, mas é uma possibilidade. No Leste, por outro lado, a diferença entre o primeiro colocado, Boston, e o décimo, Chicago, é de 17 vitórias.

Agora fica uma dúvida: quanto disso é realmente verdade? Será que os playoffs vão ser disputados assim em todas as séries? Será que Dallas, San Antonio e Phoenix ainda são os times a serem batidos? Ou os três só estão pegando leve porque é temporada regular?

A resposta para a terceira pergunta só será descoberta mais pro final da temporada. Se de repente os três times arrancarem para trocentas vitórias seguidas e roubarem os três primeiros lugares, é porque antes estavam pegando leve, se não, é porque estão embolados com todo mundo mesmo como a classificação indica.
Para as outras perguntas resolvi procurar a resposta nos números, decidi ver como esses dez times do Oeste estão se saindo uns contra os outros. Porque afinal, um time pode conseguir um recorde razoável batendo todo mundo no Leste e as porcarias do Oeste e na hora de pegar quem interessa, pode amarelar, muita gente diz que o Suns é assim. Para tirar as dúvidas e os mitos, vamos ver os números:


New Orleans Hornets (30-12)
Jogos contra os outros 9 oponentes: 17
Vitórias: 10
Derrotas: 7
Em casa: 4-2
Fora de casa: 6-5
58,8% de aproveitamento

Das 12 derrotas do time, 7 foram contra as forças do Oeste, sinal de que perdem pouco para os concorrentes fracos e fazem sua parte quando têm que fazer. Com a vitória esmagadora sobre o Spurs, o Hornets se tornou o único time a ter mais vitórias que derrotas nos jogos fora de casa. Não é à toa que é o líder.


Phoenix Suns (32-13)
Jogos contra os outros 9 oponentes: 13
Vitórias: 5
Derrotas: 8
Em casa: 2-3
Fora de casa: 3-5
38,5% de aproveitamento

A lenda se confirma. O Suns tem muita dificuldade em ter bons resultados contra os outros grandes times do Oeste. Contra o Leste foram apenas duas derrotas, no geral é o segundo melhor time da conferência, mas na hora de jogar com quem importa eles ainda precisam de três vitórias para conseguir os 50% de aproveitamento. Precisam abrir o olho pra não morrer de novo na praia.
Como lado bom da estatística, o Suns é o time que menos jogou em casa contra os outro 9 oponentes do Oeste.

Dallas Mavericks (31-13)
Jogos contra os outros 9 oponentes: 17
Vitórias: 12
Derrotas: 5
Em casa: 8-1
Fora de casa: 3-4
70,5% de aproveitamento

Esses números mostram exatamente o que queremos dizer quando falamos que o Dallas não tá nem aí pra temporada regular. Volta e meia eles perdem um jogo, não estão disparados na liderança da divisão e muito menos da conferência, mas na hora que interessa eles vão lá e ganham. Tá aí um time que eu aposto que vai crescer nos playoffs.

Denver Nuggets (26-18)
Jogos contra os outros 9 oponentes: 18
Vitórias: 7
Derrotas: 11
Em casa: 5-4
Fora de casa: 2-7
38,8% de aproveitamento

Um caso parecido com o do Suns. Volta e meia eles dão espetáculo e você acha que o time é pra valer e que esse é o ano deles. Mas os espetáculos são contra Bobcats, Bucks, Sonics e coisas do tipo. Na hora dos jogos importantes eles simplesmente não são a mesma coisa, é o típico time que é bom demais pra ficar fora dos playoffs mas ruim demais pra lutar por título.

Precisam pelo menos voltar a dominar os jogos em casa como faziam há duas temporadas atrás.


San Antonio Spurs (28-14)
Jogos contra os outros 9 oponentes: 18
Vitórias: 9
Derrotas: 9
Em casa: 8-2
Fora de casa: 1-7
50% de aproveitamento

Por essa eu não esperava. Nem antes da temporada e nem agora, tinha a impressão que o Spurs estava melhor contra os grandes do que realmente estão. Tudo bem que pelo menos umas três derrotas foram naquela fase cheia de contusões, mas mesmo assim isso não é típico do Spurs.
Será que estão guardando pros playoffs, sofreram com as contusões, ou simplesmente não conseguem ganhar títulos em sequência?

Detalhe que tanto Houston quanto o Golden State venceram o Spurs duas vezes e nenhum nunca teve grande fama de sempre vencer o Spurs.
Mas o que chama a atenção mesmo é o aproveitamento fora de casa, a única vitória foi contra o Hornets no comecinho da temporada. E é por números como esse que eu acho que, se é que o Spurs está se guardando, eles vão deixar de se guardar bem antes de começar os playoffs, pra conseguir garantir mando de quadra.

Los Angeles Lakers (27-16)
Jogos contra os outros 9 oponentes: 19
Vitórias: 11
Derrotas: 8
Em casa: 6-3
Fora de casa: 5-5
57,8% de aproveitamento

Como torcedor do Lakers, foi um prazer fazer esses números. O time realmente estava jogando bem demais e esse era o ano pro Lakers ter mando de quadra nos playoffs e ir bem longe. Mas a contusão do Bynum ferrou com tudo. Antes da contusão o recorde era de 11-4, depois da contusão é de 1-3. A única vitória foi contra o Denver, que é freguês do Lakers com três derrotas em três jogos. Agora resta para o Lakers se manter na luta até o Bynum voltar, aí arranjar uma vaga ns playoffs e lá, mesmo sem mando de quadra, voltar a jogar bem como há algumas semanas.

Portland Trail Blazers (27-18)
Jogos contra os outros 9 oponentes: 19
Vitórias: 10
Derrotas: 9
Em casa: 8-1
Fora de casa: 2-8
52,2% de aproveitamento

Para o Blazers não faz diferença se os times são do topo do Oeste ou não, não importa se os times são fracos, do Leste ou de Marte. O que importa pra eles é jogar em casa ou não. Praticamente todas as derrotas dessas 9 contra os nove times fortes do Oeste foram fora de casa, e quase todas as vitórias, com pouquíssimas exceções, foram em casa. Como são metade dos jogos em casa e metade fora, esse quase 50% de aproveitamente deve continuar.

Utah Jazz (27-18)
Jogos contra os outros 9 oponentes: 19
Vitórias: 9
Derrotas: 10
Em casa: 7-1
Fora de casa: 2-9
47,3% de aproveitamento

Isso é assustador. Se o Blazers parece se importar com isso, para o Jazz é quase uma religião. O Houston faz grande parte das exceções, já que foi o time do Yao e do Danilo que conseguiu a façanha de vencer o Jazz em Salt Lake City e ontem conseguiu ser, junto com o Golden State, os únicos times desses 9 a perderem pra eles em casa. Outra curiosidade é que tanto a vitória sobre o Warriors quanto a derrota em casa para o Houston foram nos dois primeiros jogos da temporada.

Golden State Warriors (26-18)
Jogos contra os outros 9 oponentes: 14
Vitórias: 6
Derrotas: 8
Em casa: 4-3
Fora de casa: 2-5
42,8% de aproveitamento

Aí, outro time que depende bastante de seu mando de quadra. Foram 3 derrotas em casa mas duas delas na primeira semana, quando Stephen Jackson estava suspenso. Desde que Captain Jack voltou ao time, eles tem um dos melhores recordes da NBA e só perderam em casa para o Hornets. Quanto às vitórias fora de casa, foram só duas, mas pelo menos foram recentes, contra Denver e Houston. Talvez seja um sinal de evolução.

Houston Rockets (24-21)
Jogos contra os outros 9 oponentes: 19
Vitórias: 8
Derrotas: 11
Em casa: 4-7
Fora de casa: 4-4
42,1% de aproveitamento

O Houston tem um ótimo recorde fora de casa com 50% de aproveitamento, isso contra grandes times é impressionante. Mas as sete derrotas dentro de casa machucam demais! Também é importante dizer que a maioria das vitórias veio no começo muito bom do Houston na temporada, ultimamente eles vêm jogando bem mal. Se o Houston tivesse um aproveitamento inverso em casa, com sete vitórias e quatro derrotas, estaria agora com um recorde de 27 vitórias e 18 derrotas, dentro dos oito classificados.




A briga pelas vagas no Oeste tem tudo pra ser uma das coisas mais legais dos últimos anos na NBA, pelo menos dentro da temporada regular. São 10 times muito parelhos, com números de vitórias e derrotas parecidos e que penam muito para ganhar um do outro. Mas o que eu acho que os times estão mais preocupados, afinal técnico nenhum é bobo e já tem esses números em mão, é não só classificar, mas classificar bem, com mando de quadra. Dos recordes fora de casa entre esses 10 times, apenas o Hornets tem mais vitórias que derrotas, e Lakers e Houston são os únicos com mesmo número de triunfos e fracassos, ou seja, quanto menos se jogar fora de casa, melhor! Essa segunda metade da temporada vai ser uma disputa diária pra conseguir mando de quadra nos playoffs. Vamos ficar de olho!


Aqui, o ranking final de aproveitamento, em porcentagem, nos confrontos entre os 10 melhores times do Oeste:

  1. Dallas, 70,5
  2. New Orleans, 58,8
  3. LA Lakers, 57,8
  4. Portland, 52,6
  5. San Antonio, 50
  6. Utah, 47,3
  7. Golden State, 42,8
  8. Houston, 42,1
  9. Denver, 38,8
  10. Phoenix, 38,5

Latem mas não mordem

Destrua sua ex-equipe em 3 lições básicas


Ontem a rodada estava recheada de grandes jogos: o Suns enfrentava o Cavaliers que está em boa fase, Magic e Pistons se enfrentavam sonhando com o título do Leste, meu Houston enfrentava a série de 12 vitórias seguidas do Blazers em casa, Lakers e Mavericks faziam o confronto que, se a temporada regular acabasse hoje, seria uma série de playoff. Mas na hora de escolher o jogo que iria assistir, eu sabia que nenhum desses se compararia a outro: Kevin Garnett e seu Celtics enfrentando, pela primeira vez, sua ex-equipe de Minessota.

Todo o jogo podia ser resumido ali, na expressão no rosto de Sebastian Telfair no quarto período: olhos raivosos, dentes à mostra, pescoço tenso, prestes a latir, grunhir e uivar. O Wolves era um bando de loucos raivosos em busca de vinçança, auto-estima e dignidade. Cada vez que o Telfair estripava o Rajon Rondo, era mais do que basquete. Era uma tentativa de provar que, apesar de ter sido praticamente demitido do Celtics e impedido de jogar por problemas extra-quadra, tinha talento para ser titular de um time com Allen, Garnett e Pierce com reais chances de título. Cada bandeja certa de Telfair exprimia a angústia de ter sido mandado embora a preço de banana enquanto Rondo é titular e está prestes a ganhar um anel.

Além dele, Al Jefferson, Ryan Gomes e Gerald Green também tinham algo a provar. Mas provar que trocar todos eles pelo Garnett foi um erro é mais difícil do que provar que o Michael Jackson é inocente. Difícil mas, como no caso do célebre amigo das criancinhas, não impossível.

Com o jogo prestes a começar, nada do Garnett aparecer na quadra. Pelo jeito, era uma dor aguda e esquisita no estômago que ninguém sabia do que se tratava. Oras, para mim é óbvio que se tratava da consciência. Do Grilo Falante. Da dúvida dura e cruel: "devo arrasar por completo o time em que passei toda minha carreira?"

Finalmente, Garnett resolveu entrar em quadra para chutar uns traseiros. Mas em poucos minutos de jogo já ficou bastante óbvio que ele estava em quadra, na verdade, para impedir que os traseiros dos seus companheiros de Celtics fossem chutados. Pode não ter sido a melhor atuação do Wolves, vários jogadores tiveram uma partida capenga, mas a agressividade e a intensidade foram inegáveis. O Gerald Green, em especial, mostrou sinais de talento que eu não tinha visto antes. Atacou a cesta, teve jogadas interessantes, atléticas, vigorosas. Não acertou nada, é um grosso, mas a gente releva. Al Jefferson e Ryan Gomes tiveram partidas sólidas, especialmente na defesa, e enquanto isso Telfair humilhava Rondo dos dois lados da quadra: fez 18 pontos em um punhado de bandejas fáceis e marcou Rajon de modo a tornar sua vida um inferno. Como resultado, o Wolves passou praticamente o jogo inteiro na frente. Garnett saiu de quadra com a tal dor no estômago no quarto período e quando voltou, faltando 2 minutos para o final do jogo, seu time perdia por 5 pontos. Telfair acabara de fazer uma bandeja acrobática e rosnava com dentes afiados para a torcida. A família do Marbury (já que Telfair é seu primo) não bate muito bem da cabeça.

Até os dois minutos finais, a intensidade dos jogadores vingativos do Wolves estava à flor da pele. A defesa da equipe funcionava como em poucas vezes durante a temporada, evitando rebotes ofensivos adversários que haviam sido rotina em todas as suas outras partidas. Marcações duplas muito bem feitas no final do jogo garantiam a vantagem no placar.

Aí caiu a ficha. O Wolves percebeu que suas vitórias e derrotas são espelhadas com as do Celtics: 7 vitórias e 34 derrotas para os lobinhos, 34 vitórias e 7 derrotas para os de-verde. O Wolves se tocou que não deveria estar ganhando, que aquilo era um momento histórico, um marco, um feito de homens crescidos. Poderia ser uma virada na temporada rumo aos playoffs, uma vingança merecida aos dirigentes do Celtics que os subestimaram, um jogo para dar um reconhecimento merecido à equipe e talvez até melhores ofertas de times ou salários para os jogadores. Que vitória! Que vitória!

Pensar em algo assim é exatamente o tipo de coisa que acaba com a vontade de ganhar e a substitui pelo medo de perder. Garnett voltou para a quadra, no sacrifício, e o Wolves estava desesperado com a possibilidade da derrota - ainda que vencendo o jogo por 5 pontos. Entraram num declínio pior do que o Miami Heat quando percebeu que o Shaq tinha 62 anos. Nos dois minutos finais, ninguém no Wolves conseguiu fazer uma cesta sequer enquanto metodicamente permitiram ao Celtics (que, aliás, fazia péssima partida) pegar uns 568 rebotes ofensivos seguidos. Num pedido de tempo, o novato Corey Brewer foi cobrar o lateral mas estava com tanto medo que acho que até vi um pouco de xixi escorrendo pelas suas pernas. Não conseguiu passar a bola, não pediu tempo e estouraram-se os 5 segundos. Bola desperdiçada, eis que o Celtics pegou mais 237 rebotes ofensivos em sequência para, enfim, assumir a liderança com uma cesta de (quem diria!) Kendrick Perkins, o cestinha do Celtics. Mais um tempo para o Wolves, mais um medroso mijão incapaz de colocar a bola em jogo. A mocinha da vez foi o Jaric, que pelo menos tem dois neurônios a mais que o Brewer e conseguiu pedir tempo. Na terceira tentativa o Wolves enfim colocou a bola em quadra e a alegria foi tão grande que até nublou a importância de se pensar em uma jogada planejada. Al Jefferson sobrou isolado no improviso, recebeu marcação dupla e passou a bola destrambelhado para o Telfair que não conseguiu dominá-la porque Garnett se tacou como um débil mental para cima dela, conseguindo o roubo de bola.

Como fã do Garnett que sou, fiquei meio triste de vê-lo comemorando o roubo de bola vencedor levantando o nome "Celtics" de sua camisa e mostrando para a torcida. Foi o tipo de coisa para machucar bastante os testículos dos fãs de Minessota, mas como o KG foi nobre o bastante para aguentar anos e mais anos por lá mesmo com times mequetrefes sem nunca, jamais, pedir para ser trocado, acho que está tudo bem extravasar um pouco.

No time perdedor, o desânimo era mais do que avassalador, era constrangedor. A equipe foi derrotada pelo desespero, pelo pavor, pela infantilidade. Se havia alguma chance de melhorar a auto-estima dos jogadores, essa chance durou menos do que popularidade de ganhador de Big Brother. Sebastian Telfair, Al Jefferson e Ryan Gomes são talentosos e uma das melhores bases jovens de qualquer time da NBA hoje em dia. Mas eles são uma base sem moral alguma, formados em ambientes que só perdem jogos atrás de jogos desde que entraram na Liga. Que tipo de fundação pode ser criada na derrota? Ninguém no Wolves sabe como é vencer e, justamente por isso, o time entrou em parafuso nos 2 minutos que o separava da vitória. O que fazer com um time desses, com tanto potencial mas incapaz, ainda, de conseguir as vitórias necessárias para moldar a equipe em uma franquia futuramente vencedora?

Eu sou um chato que insiste em dizer de 5 em 5 minutos para pessoas aleatórias nos elevadores e nos pontos de ônibus que eu acredito no Wolves desde que a troca do Garnett aconteceu. Que eu boto fé nessa pirralhada, que eles podem vencer um dia e que (como o Blazers provou) eles podem vencer agora mesmo apesar da pouca idade. Talvez o primeiro passo fosse um técnico novo para dar uma nova abordagem, dar uma nova esperança para esses jovens e, acima de tudo, ensiná-los como jogar defesa de forma menos patética.

Aquele Hawks jovem demais, com mais alas do que escola de samba, só agora está dando resultado e tem chances enormes de ir aos playoffs dessa vez. O Timberwolves tem ainda mais talento, melhor espalhado entre várias posições diferentes. A dupla Al Jefferson e Randy Foye, que aliás ainda não jogou nessa temporada por estar machucado, é uma base que faria o Hawks de anos atrás babar de inveja: ter um armador excelente apoiado por uma presença dominante no garrafão é a fórmula dos campeões.

Uma vitória em cima do Celtics poderia ter sido o primeiro passo para que esse time acreditasse em suas condições, e acho que esse derrota dolorida mostrou fraquezas que atormentarão essa meninada como as histórias da Loira do Banheiro atormentaram a minha geração. Fico preocupado com as repercussões que essa derrota terá em suas mentes pelo resto da temporada e, até mesmo, pelo resto de suas carreiras. Mas ainda assim acredito em suas capacidades. Esse é um time que estará em seu auge em alguns anos e será apenas uma questão de mentalidade: estarão preparados para vencer ou perderão para sempre sem sequer repor a bola em quadra? Vão ficar só latindo para sempre ou vão morder alguém eventualmente?

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

"Both Teams Played Hard"

Rasheed Wallace levanta a mão pedindo para responder mais uma maratona de perguntas


Bem-vindos a mais uma coluna "Both Teams Played Hard", seu espaço mais-ou-menos semanal para sanar suas dúvidas, pedir opiniões e falar o que pensa junto com a gente. Quer saber o que seu time deveria fazer para feder menos? Tem perguntas sobre o próximo grande jogador da NBA que vai sumir em 5 minutos? Pedidos de dieta rica em fibras? Problemas sentimentais com a namorada? Estamos aqui para tudo, sente-se no divã do nosso amigo Rasheed Wallace e prepare-se para uma dose cavalar de opinião e, às vezes, humor ácido porque ninguém é de ferro.

Nessa semana temos mais Knicks (pra variar), previsões dos classificados para os playoffs e um peteleco de leve na orelha do David Stern. Leiam enquanto está quente, e nos vemos na semana que vem, na mesma bat-hora, no mesmo bat-canal.

...

Você:
O Celtics quer trazer Cassel pro elenco agora. Isso ajudaria? Quem eles poderiam trocar em troca dele?

Denis:

O Celtics não tem gente sobrando assim pra poder mandar em trocas. Se eu fosse o Clippers, eu só toparia se fosse por um dos jogadores novos como o Rondo, Tony Allen ou Glen Davis. E acho que desses três, o Celtics só teria coragem de mandar o Tony Allen. Para o Celtics é perfeito e para o Clippers é uma boa conseguir um jogador jovem, mesmo que seja só razoável, e com contrato pequeno antes de perder o Cassell para a Free Agency.


...

LPS:
1. Porque o Fat Randolph é igualzinho o Sean Kingston?

Denis:
1- Sean Kingston e Zach Randolph serão os próximos na seção "Separados no nascimento". Mas honestamente eu prefiro o obeso Randolph, o obeso Kingston é MUITO chato com aquelas malditas "beautiful girls".

2. O que vcs acham do Kenny George, o cara de 7-8 e 360lbs, que consegue enterrar sem tirar os pés do chão?



Denis:
2. Acho que um cara com esse tamanho e que enterra sem sair do chão nunca vai saber o prazer indescritível que é enterrar uma bola.

Danilo:
2. Esses caras gigantes não sabem o prazer de enterrar e têm trocentos outros problemas, e nem estou falando de encontrar tênis (o Kenny George manda fazer sob medida em cima de pares que o Shaq manda para ele de graça), passar pela porta ou encontrar namorada. Estou falando na quadra mesmo, porque o excesso de tamanho vem associado à falta de explosão, velocidade e mobilidade na defesa. Como fã do Yao Ming, tenho uma admiração por esses gigantes que conseguem se encaixar no basquete mesmo assim e, portanto, torço para o George se der bem. Mas se ele um dia tiver minutos na NBA, eu como meu sapato. É muito improvável.

3. O que é preciso para se tornar colunista nesse nobre blog? Sim, não tenho o que fazer e creio que ajudaria escrevendo umas atrocidades de vez em quando.


Danilo:
3. Basta vencer qualquer um de nós dois num duelo de faca até a morte. Pelo menos foi assim que nos livramos dos donos anteriores. Se você tiver medinho de faca, aceitamos também um desafio de basquete jogando 21 corrido. O que aliás vai ser bem mais fácil do que o estágio que o Renzo mencionou.

4. Vou a um evento de animê que vai ter campeonato de basquete. Devo jogar por diversão na manha ou enterrar na cara dos nerds e quebrar as tabelas?


Denis:
4. Se você consegue enterrar e quebrar tabelas, você deve fazer isso SEMPRE! Não importa se em cima de nerds ou de negões de 2,15m. Mas só uma coisa: se você enterra e quebra tabelas, por que você perde tempo vendo esses desenhos de gente amarela? Vá pra uma quadra! Treina! Vira profissional! Desenho amarelo é muito chato! Só Cavaleiros do Zodíaco se salva.

4. É isso mesmo, vá treinar! E não adianta me dizer que você está aprendendo sobre basquete assistindo Slam Dunk. Por acaso algum japonês aprendeu a jogar futebol até agora? O fracasso deles nas Copas acontece apesar deles assistirem milhares de episódios de "Super Campeões" com o tal do Tsubasa dando "Chutes do Arco-Íris" e "Voleios da Garça Sagrada". Tudo, claro, muito realista.

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Caicao:
Por que será que a NBA está perdendo tantos fãs nos EUA? As finais perderam para Familia Soprano, etc.. Será isso culpa do David Stern? Enquando isso a horrorosa MLB e a ótima NFL vem crecendo cada vez mais.

Denis:
Pode ser culpa da Família Soprano, mas não vamos levar em consideração as Finais. O Spurs pode não ser tão chato como muita gente (até a gente!) diz, eles, como ontem no terceiro período contra o Lakers, sabem jogar bonito quando querem. Mas o fato é que ninguém dá a mínima pra isso, hoje todo mundo já odeia o Spurs não importa o que eles façam. E quem gosta do LeBron não assistiu as Finais porque sabia que ele não tinha chance.

Quem não é fanático por basquete não quer ver um jogo bem jogado só, quer espetáculo. E eis que nas Finais de Conferência do ano passado tinhamos Jazz e seus pick-and-rolls, o eterno Spurs, a pura defesa do Pistons e o Cavs e seu jogo amarrado. Não é à toa que não tinha audiência. Em compensação, times que dão show como Suns e Warriors estavam fora e times de massa como Boston, Knicks e Lakers estavam com elencos fracos.

Acho que é tudo isso. E culpa do David Stern, claro! Odeio ele.


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Eric:
porque o amigo caicao disse ''a horrorosa mlb''? oq ela tem de horror? abraços

Denis: Acho que a coisa mais horrorosa na MLB é uma temporada regular de 160 jogos. Quem aguenta jogar ou assistir isso? É patético! Se os 82 jogos da NBA já são um número ridículo, imagina o dobro.

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Di-W:
Sou torcedor do Knicks, o que não é bom, e outro dia estava pensando, o que também não é bom, em o que poderia ser feito pelo time para melhorar. Naturalmente tirar a anta do Ithomas antes dele fazer mais uma asneira antes do deadline foi a primeira que pensei. Perguntas: O Zach realmente é tão fominha assim? Dá pra conseguir um armador bom mandando ele e alguem tipo Nate na troca? O que presta no Knicks além do Lee ? Pq o Q-rich ainda é titular? nada contra ele mas ele seria um bom jogador vindo do banco na minha opiniao.

Denis:
Uma vez eu disse isso num post, mas repito: um narrador já chamou o Zach Randolph de "Buraco Negro" porque o que chega lá nunca volta. Acho que isso explica tudo.

No Knicks tem gente que presta sim, mas com o problema de que eles são só jogadores medianos e que não mudam a cara do time, mas que poderiam ser muito úteis em times bons em que só fossem reservas. São eles Renaldo Balkman, Nate Robinson, Jared Jeffries e Quentin Richardson. Este último é titular porque deve ser bom de cama, única explicação.

Como troca, acho que o Randolph não tem muito valor, não. Ele tem má fama na liga e o contrato dele é imenso, não vejo nenhum time que possa querer ele por enquanto.

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Charles:
O new Orleans na minha opnião é um dos times mais bem organizados em quadra da NBA, não sei se vocês concordam, mais tem um sério problema, mesmo com excelente armador, um pivô reboteiro, um ala chutador (em má fase claro, mas um chutador), e o West muito bem obrigado. O homem dá posição 2, o que define muitos ataques, que tem que acompanhar o Paul no contra ataque, tá falhando, que é o Morris Peterson, Pargo e Jackson são essenciais vindo do banco pra manter o ritmo do jogo na minha opnião, então. Qual a Solução pra esse problema com esse atual elenco ?

Danilo:
O New Orleans na temporada passada sentiu muita falta de um homem pra posição 2, ou seja, um armador que arremesse bem. Contratar um jogador com essas características e um bom arremesso de 3 pontos era a prioridade da equipe e então algum gênio na gerência do Hornets acordou um dia e achou que o Morris Peterson era esse homem. Até a mãe do Mo Pete sabia que ele se encaixava tão bem nesse papel quanto o Shaquille O'Neal no papel de gênio no filme Kazaam.

Quando jogava no Raptors, o Peterson até tinha uns bons jogos mas às custas de jogos absurdamente terríveis. Ele é aquele cara que arremessa não importa o que esteja acontecendo, nos dias bons e nos dias ruins. A sorte do Hornets é que o técnico Byron Scott sabe tirar o Peterson de quadra quando ele está fedendo. O azar do Hornets é que o Peterson está fedendo o tempo inteiro, então praticamente não fica mais em quadra. O jeito é jogar com dois armadores principais, o que não é um problema tão grande porque o Bobby Jackson estava acostumado com esse papel no Kings e o Jannero Pargo é fã do próprio arremesso de longa distância. Aliás, fico feliz que o Pargo tenha enfim conseguido um lugar para ele na NBA, ele é mediano mas merece estar jogando. Seus minutos no Hornets, no entanto, são menos méritos dele e mais culpa do Mo Pete fracassado.

Com o atual elenco, jogar com dois armadores principais é o que resta. Nos dias em que as bolas de fora do Stojakovic estão caindo, principalmente, funciona perfeitamente bem. Mas para a próxima temporada é bom que o imbecil que contratou o Mo Pete tenha uma idéia melhor dessa vez ao invés de chamar, sei lá, o Marbury ou o Gary Payton.

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Vítor:
1- A NBA ta querendo sacanear o Varejão ou foi sem intenção com essa foto?

Denis:
O que pega mal MESMO pro Varejão, que todo mundo vê e comenta, é esse cabelo ridículo, e isso não é culpa da NBA.


2- Percebi que na carreira toda do Shaq ele conseguiu meter uma bola de três, vc consegue arranjar esse vídeo ?

Denis:
Achei um vídeo só, bem mal feito, com som zoado e que diz que o Shaq fez duas bolas de 3 até aquele momento. Dá uma olhada aqui.


3- Você acha que talvez um dia Yao troque de time ou ele vai ficar no Houston até os 40?

Danilo:
Tenho certeza absoluta de que o Yao nunca sairá do Houston. Os motivos se extendem para muito além das linhas, invadindo o extra-quadra. Nem a NBA e nem o Houston Rockets são bobos o bastante para ignorar o que a presença do Yao Ming significa para o impacto da Liga no mercado emergente chinês. Graças ao Yao, o Houston se tornou uma marca reconhecida e lucrativa na China, e isso não se joga fora. Até o Shane Battier tem tênis próprio por lá! E vale sempre lembrar que a camiseta da NBA mais vendida na China não é do Yao, e sim, do Tracy McGrady, verdadeira unanimidade por lá.

Não importa o que aconteça, o Houston montará seu time em volta do pivô chinês, seja porque pivôs dominantes são raríssimos e constituem peça fundamental para esperanças de título, seja porque os chineses agora não vivem mais apenas de arroz e podem gastar verdinhas em produtos e camisetas do Houston Rockets. Da parte do Yao, não só tenho certeza de que ele sabe que o tipo de identificação que seu povo tem com ele e o Houston são agora por toda a vida, como também aposto que ele não estaria disposto a passar por uma nova adaptação em território extrangeiro. Ele já faz parte da consideravelmente grande comunidade chinesa em Houston, acostumou-se com a cidade e as pessoas, e tem uma casa por lá em que mora junto com os pais. Não vai ser de lá nunca, talvez nem quando se aposentar. E vai continuar morando com os pais...

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Marcelo:

Por que será que os Clippers não se mandam de LA? Lógico, deve haver um monte de motivos contratuais importantes, mas seria muito melhor para a franquia jogar em outra cidade, vocês não acham? Do jeito que vai, sempre será o “primo pobre de Los Angeles”, a “Portuguesa da NBA”. Sempre dará razão a esses clichês idiotas. Cidades sem time nos EUA têm aos montes.

Denis:
A NBA é um puta negócio milionário e pode ter certeza que o Clippers vai embora de LA rapidinho quando começar a dar prejuízo. Las Vegas e Oklahoma City estão babando pra ter um time da NBA e se ninguém comentou do Clippers trocar de cidade é porque os negócios vão bem.

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Philipe:
vcs acham q uma troca entre T-Mac e Ben Gordon resolveriam a situaçao dos dois times(houston e chicago)?

Danilo:
Não, essa troca não ia resolver a situação de ninguém. Quer dizer, talvez resolvesse a situação do Ben Gordon, que odeia ser reserva e obviamente seria titular no Houston. Mas o T-Mac está há anos-luz de ser o que o Chicago precisa. Mais um arremessador de fora pra quê? Ele é melhor defensor e passador que o Gordon, chama a responsabilidade pra si, mas o garrafão vai continuar uma porcaria no ataque e é isso que preocupa o Bulls.

Do lado do Houston, não vejo como a chegada de Ben Gordon melhoraria o time, ele não faz nada demais que o T-Mac não faça melhor. Qualquer troca entre Houston e Chicago, como alguns rumores inventaram, deveria obrigatoriamente incluir o Kirk Hinrich. O Houston precisa é de um armador para cadenciar o jogo, mas também tenho minhas dúvidas sobre como o Hinrich se encaixaria no esquema do técnico Rick Adelman. Realmente não sei se eu faria a troca T-Mac + Alston por Hinrich + Gordon ou algo assim. O bom da coisa é que como essa troca não deve acontecer nos próximos 2 mil anos, nem tenho que pensar muito sobre o que eu acho dela.

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Rodrigo Lakers:
1- Na opinião do blog, quem serão os 8 classificados para os Playoffs nas duas conferências? O T-Wolves ainda tem chances?

Denis:
1 - No Leste: 1-Boston, 2-Detroit, 3-Cleveland, 4-Orlando, 5-Toronto, 6-Washington, 7-Chicago, 8-Atlanta.
No Oeste: 1-Phoenix, 2-San Antonio, 3-Dallas, 4-Portland(por ser o campeão da divisão), 5-New Orleans, 6-LA Lakers, 7-Denver, 8-Golden State.

O Wolves só teria chance se todos os jogos que sobrassem até o fim da temporada fossem contra o Suns.

Danilo:
1 - No Leste: 1-Boston, 2-Detroit, 3-Toronto, 4-Orlando, 5-Cleveland, 6-Washington, 7-Atlanta, 8-Indiana.
No Oeste: 1-Phoenix, 2-New Orleans, 3-San Antonio, 4-Portland, 5-Dallas, 6-Denver, 7-Lakers, 8-Houston (se eu não acreditar, quem vai?)

Eu boto fé demais nesse Wolves, acho um dos times de mais futuro, o Ryan Gomes continua sendo meu jogador bucha-de-canhão favorito, mas se eu dissesse que eles vão pegar playoffs esse ano seria enviada imediatamente uma equipe da polícia para meu apartamento me acusando de compra e venda de alucinógenos proibidos. Deixa pra lá, fica pra temporada que vem.

2- Porque o Leandrinho amarela no Pré-Olímpico e contra o Lakers sempre acaba com o jogo?


Denis:
2- O Leandrinho não amarela na seleção, é o Valtinho que não é o Nash.

3- Quem é melhor? Kwame Brown, Samaki Walker, Olowakandi ou a minha mãe?

Denis:
3- Desses aí, o melhor que eu vi foi o Samaki Walker, porque mesmo sendo ruim ninguém nunca esperou nada dele. Mas sua mãe eu não conheço, um dia marcamos uma pelada com os leitores do Bola Presa e você pode levar ela. Na pior das hipóteses, ela leva um lanchinho e já foi mais do que o Kwame já fez por mim.

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Renan Ronchi:
Por que os drafts da NBA de antes chegavam a ter 10 ROUNDS se tinham menos times?? Com 10 rounds até eu era draftado...

Denis:
Não sei. Mas li por aí que isso foi coisa do David Stern para fazer parecer ser mais difícil, e com isso ser mais valorizado, ser um jogador da NBA. Tudo pela publicidade. Mas claro que essa não é a explicação oficial.

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Linelson:
O que o Miami Heat deve fazer com Shaq?

Denis:
Acho que a melhor coisa que o Heat pode fazer é torcer para ele não continuar se machucando toda semana e usá-lo. Não sei quantos times podem e/ou estão dispostos a pegar um pivô claramente no fim de carreira e pagar 20 milhões por ano pra ele, então na falta de negócio, use-o. Ele, quando saudável e aproveitado, é, pelo menos, ainda um dos 10 melhores pivôs da NBA.

Danilo:
Eu sou um dos que se recusam a admitir que o Shaq está velho. Em parte porque isso seria admitr que eu estou ficando velho, o que nunca é bom. Mas eu ainda acho que ele transforma o jogo em quadra, cria espaços e é uma presença defensiva (literalmente) grande. Ainda não é hora de mandar o Shaq virar porteiro de boate.

...

Sbubs:
Eu admiro a paciência de vocês em responder idéias de trocas. parabéns.

Denis:
Eu acho muito idiota ficar a vida toda cogitando trocas. Mas como é nisso o que eu penso quando estou entediado no trabalho, eu respeito quem pergunta!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Falsos Zach Randolph

Ao contrário da crença popular, um time com T-Mac não precisa de duas bolas em quadra


Recentemente, duas estrelas paradas por contusão acabaram por levantar a seguinte questão: seus times jogam melhor quando eles não estão em quadra? Estamos falando do Wizards, de Gilbert Arenas, que tem 20 vitórias e 12 derrotas sem seu astro falastrão na equipe; e do Houston de Tracy McGrady, com 7 vitórias e 4 derrotas desde que o sósia do Amaral precisou descansar o joelho.

Como meu Rockets anda fedendo e 11 partidas não é tanta coisa assim, o saldo positivo nem chega a ser tão gritante. Mas o caso do Wizards é tão berrante quanto o cabelo da Elke Maravilha: com o Arenas em quadra, foram apenas 2 vitórias e 5 derrotas. Nos últimos 6 jogos, ainda sem Gilbert, foram 5 vitórias, incluindo duas em cima do Boston e uma em cima do Mavs. Assim, fica fácil apontar dedos, criticar, julgar, queimar na fogueira e bolar a "troca do Arenas" número oito mil e duzentos para mandar pra nossa coluna "Both Teams Played Hard".

Como o Denis cansou de dizer desde esse post aqui, o Wizards joga melhor sem o Arenas não porque as coisas fluem magicamente melhor sem ele em quadra, mas porque o time sabe que sem ele por lá precisa fazer algumas coisas que em geral dá preguiça, tipo pensar. Ou defender.

A fama de "fominha" é uma coisa comum aos grandes pontuadores e tanto Arenas quanto T-Mac sofrem com ela. Muito embora os dois às vezes mereçam uns petelecos na orelha porque entram em uma bolha de plástico, esquecem do resto do planeta e só arremessam sem pensar em nada até os braços descolarem do corpo e caírem, em geral os dois são jogadores inteligentes dispostos a fazer o que for necessário pelo time. Tracy Mcgrady já passou daquela fase em que era apaixonado por si mesmo como o Damon Jones (que se acha o melhor arremessador do mundo). Bastou ser cestinha da temporada no Magic e mesmo assim amargar a lanterna da tabela para o T-Mac perceber que fazer pontos em vão é como assistir Big Brother quando não tem gostosa na casa: simplesmente não faz sentido. No Houston, McGrady já disse em mais de uma ocasião que a estrela do time é o Yao e que ele só está lá para tentar facilitar as coisas para o chinês e para seus demais companheiros. E, mesmo quando a mira está descalibrada (o que, admito, não é tão raro assim), a simples existência de T-Mac em quadra realmente torna a vida de todo mundo em Houston mais fácil. Não só o sujeito é inteligente e, em geral, sabe o que fazer com a bola, como também é o melhor passador da equipe (o que não é lá tão difícil quando o armador principal é o Rafer Alston, mas deixa pra lá). Sua presença obriga a defesa adversária a se preocupar com ele, abre espaços, gera confusão, e as assistências de T-Mac são certeiras. Mesmo quando suas atuações são piores que piada da Praça É Nossa, ainda assim o time é melhor com ele, não há dúvida. Sem ele em quadra, o jogo foca demais no Yao Ming e as marcações duplas e triplas tornam o jogo viciado, estático.

Kobe Bryant também abraçou esse papel de facilitador, e não é algo tão recente quanto muita gente imagina. Claro, marcar 81 pontos numa partida não faz lá muito bem para a fama de "jogador de equipe" (embora faça maravilhas pela sua carreira publicitária, para as vendas de suas camisetas e, consequentemente, para seu bolso), mas o Kobe também parece, salvas raras exceções, fazer aquilo que o jogo pede. Ele reage ao que está acontecendo como poucos jogadores na NBA. Se o jogo pede que ele pontue, ele arremessa, mesmo que nada esteja caindo. Se o jogo pede que ele envolva outros jogadores, ele irá envolvê-los. Kobe é capaz de fazer 30 pontos em um tempo e não dar nenhum arremesso no outro, apenas focando nos outros companheiros. Só estar ali, uma ameaça eterna de que pode pontuar a qualquer momento, já deve deixar todos os jogadores mais tranquilos, menos o Kwame Brown que só fica tranquilo quando come um sanduíche.

O Wizards agora movimenta a bola, pensa duas vezes antes de arremessar, tem paciência, foca suas jogadas nas alas. Caron Butler está cada vez melhor, Jamison sabe por experiência quando deve arremessar e quando deve se omitir, e até o "bege" do Pecherov voltou de contusão. Tudo parece um sonho para o time de Washington e a volta do Arenas só vem acrescentar a isso, não estragar. Ele pode falar demais, causar polêmica, ser controverso e oportunista, mas não é burro. Sabe que deve forçar o jogo quando o time pede que ele force, e que deve facilitar para os companheiros às vezes, só aguardando para dar os últimos arremessos das partidas. Muita gente anda dizendo que o Wizards deveria ir atrás de um armador principal puro, passador, para substituir Arenas, mas o sistema de jogo da equipe sequer necessita de um armador principal. DeShawn Stevenson, um arremessador de berço, não teve problema algum em assumir a função de armador principal por uns tempos. O negócio é deixar o Arenas por lá, vibrar com sua volta, torcer para o Wizards não entrar no mundo da preguiça só porque recuperou sua maior estrela, e então deixar que a simples presença de Gilbert torne as coisas mais fáceis para quem está em volta. Se vierem uns arremessos certeiros de último segundo como brinde, também, eu e o resto da NBA agradecem.

Chega de achar que toda estrela que se machuca e vê o time melhorar é um Zach Randolph da vida. O nosso gordinho mais aloprado desse blog é um destruidor de esquemas de jogo, de química em quadra, incapaz de reconhecer a presença de outros companheiros num raio de 2 km. O Marbury também sempre foi um caso dos que tornam seu time pior, e o fato é comprovado durante toda uma carreira, com provas concretas e incontestáveis em New Jersey, Phoenix e agora em New York. Mas Arenas, Kobe e T-Mac não estão no mesmo grupo, mesmo que para muitos não sejam considerados "ganhadores". Ao menos o Arenas, graças ao resto do Wizards, está muito próximo de acabar com esse fardo de não vencer, basta esperarmos sua volta - e os playoffs.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Desconhecido do mês

Tênis de Ivey usado logo depois da morte do seu antigo companheiro de Hawks, Jason Collier


Na ausência de Michael Redd, nosso gatoto teve quatro jogos como titular do Bucks e o resultado foi bom, 3 vitórias e apenas uma derrota, para o Lakers ("Kobe é um dos melhores a já ter jogado basquete. Ele é difícil de marcar", nas palavras de Ivey), e em todos os jogos Ivey passou pelo menos metade jogo em quadra, quase sempre como armador principal ao lado de Mo Williams.

Na volta de Redd, Ivey viu seu mundo voltar ao que era antes com pífeos 7 minutos jogados em uma derrota para o Suns e mais 7 minutos contra o Jazz. Mas como as coisas não iam bem. o téncico Larry Whateverzovski resolveu que era hora de colocar Ivey em quadra novamente:

"Ele (Ivey) traz energia para a quadra, com certeza. E ele defende muito bem quem está com a bola. Ele vai atrás dos caras, é um competidor. Quando ele marca alguém o jogador marcado sabe quem o está marcando! E ele ama jogar na defesa, mas além disso é capaz de ajudar bastante no ataque. Ele passou despercebido por anos na liga mas é uma jóia a ser lapidada por nós."

Ivey não vai tão longe como seu técnico, mas diz que seu negócio é defesa:

"Meu foco é na defesa. Pressionar e jogar duro, essa é minha maior qualidade no jogo. E depois jogo um pouco no ataque, ajudo, tento ajudar nos dois lados da quadra."

Depois de passar um tempo fora do time, com sua contribuição defensiva ele voltou à equipe titular duas partidas atrás, contra o Hawks. E o resultado foi bom, uma vitória e o Atlanta com apenas 80 pontos no jogo. Os jogadores marcardos por Ivey, Joe Johnson e Anthony Johnson, juntos acertaram só 7 de 22 arremessos. Nada mal.

Mas vamos ser sinceros, o Bucks anda mal das pernas e nenhuma alegria dura muito por lá. O jogo seguinte foi uma bela de uma derrota para o Warriors e o Michael Redd finalmente resolveu desabafar sobre como o Mo Williams fede na armação. Depois de marcar 20 pontos só no primeiro tempo, Redd chutou apenas 3 bolas no segundo e disse: "Eu estava lá, paciente, apenas esperando". Pois é, lá a bola não chega mesmo. Mas posso defender meu protegido, Royal Ivey foi o líder do time com 8 assistências (mas chutou 11 bolas, bastante para alguém focado só na defesa).

E podem reparar que nesse jogo contra o Warriors, Ivey foi listado como Small Forward, mas não liguem, ele é o faz tudo do time. Simplesmente é o reserva de todas as posições para qual tem altura pra jogar, e muitas vezes ele tem muitos minutos em quadra mas são poucos em várias posições diferentes. Ele não reclama: "Qualquer coisa que me chamarem pra fazer eu faço. Sou como um camaleão, tenho que mudar minha pele".

E mudando a pele de Ivey, vamos falar do cara fora de quadra. Sua batalha por minutos é interessante mas, concordo, é meio cansativa. Entra, sai, entra, sai, o Bucks perde, perde. E sabe como ele tira o stress? Jogando boliche. Ele diz que é um de seus grandes passatempos, mas não vão achando que ele é bom, o técnico Larry Krystkowiak e o outro desconhecido Awee Storey foram os que dominaram o jogo da última vez em que o time saiu para uma partida.

"Não era minha noite", disse Ivey.



Notas:

- Saíram os participantes do campeonato de enterradas! Como eu havia dito, Jamario Moon, Gerald Geen e Rudy Gay estarão lá. Para completar, estará de volta o dono da enterrada mais legal do campeonato passado, Dwight Howard. Será que nesse ano ele beija o aro como no treino?

- Okafor fez 21 pontos e pegou 10 rebotes enquanto o McInnis deu 9 assistências. Só pra calar minha boca bem no dia em que eu falei do Bobcats. Mas não há mudança que faça o Bobcats vencer o Spurs.

- Jermaine O'Neal pode ficar de fora do resto da temporada. Foi só pra estragar todos os milhares de rumores sobre sua troca pelo Pacers. Muito jornalista de Indiana agora não tem sobre o que escrever.

- Ontem o DJ Mbenga assinou e já fez seu primeiro jogo pelo meu Lakers! Para o bem dos dois lados, espero que ele se dê bem por lá e que seu contrato de 10 dias seja extendido.

5 passos para o Bobcats sair da pindaíba

A situação não é tão feia quanto o bigode do Adam Morrison, mas poderia ser melhor


O Danilo já fez um texto aqui com 5 passos para o Houston dele melhorar, depois eu fiz um sobre o Miami Heat. Agora resolvi dar um pouco de atenção para um time que a mídia deixa muito de lado, o caçula Charlotte Bobcats.

No começo da temporada eu estava no grupo que achava que esse ano era o do Bobcats, não o ano de levar título de alguma coisa, nem de divisão, mas que esse era o ano que eles oficialmente deixariam de ser um saco de pancadas que todo mundo olhava como coitadinho, afinal é o caçula fofinho queridinho da titia, e que iria ser visto agora como um bom time de playoff.
Por um lado eu acertei, não é mais o saco de pancada, mas talvez isso seja mais mérito do Heat, Wolves e Knicks do que do próprio Bobcats.

O time está em décimo segundo no Leste mas, ao mesmo tempo, está somente duas vitórias atrás do oitavo colocado, o imprevisível New Jersey Nets. Não é ruim, mas eu esperava mais e, como disse do Nuggets, o elenco deles é o bastante para eles conseguirem mais do que isso. E aqui vão os cinco passos que acho que o Bobcats precisa dar para ser um bom time no Leste.

1- Definir posições
Vendo só os boxscores já é uma confusão. Primeiro o Felton é armador titular, depois segundo armador, tem dia que o Jason Richardson é ala e tem dia que é segundo armador, o Gerald Wallace joga cada dia em uma posição de ala e o Okafor ninguém sabe se é pivô ou ala de força. Acho que todos esses jogadores tem o talento pra jogar em qualquer uma dessas posições que o técnico os coloca, mas o que não pode acontecer é ficar mudando toda vez que a lua muda de fase.
Tem que decidir se o Felton é armador ou segundo armador e pronto, aí usar ele assim, botar na cabeça do cara o que ele vai ser e treinar ele pra isso. Fico imaginando o Okafor no treino, ele não deve saber se fica treinando gancho e vai pra sala de musculação pra ser pivô ou se fica mais magro e rápido e treina jumper de meia distância pra ser ala de força.

2- Montar o elenco de acordo com as posições definidas
Depois de decidir onde cada um joga, é hora de montar um elenco que possa ajudar. Por exemplo: se for pra jogar com uma escalação pequena, um small ball, e usar o Okafor de pivô, talvez ter trocado o Hermann pra ter o Mohammed não tenha sido uma boa idéia, o Hermann é muito talentoso, grande arremessador e pode jogar de ala de força. Já o Mohammed também é muito bom, mas se for só pra jogar contra o Okafor nos treinos, é um talento desperdiçado.
Mas nesse caso acho que o maior problema é na posição de armador, o time agora está decidido a usar o Jeff McInnis junto com o Felton na armação. É um esquema que o antigo técnico usava, com o Brevin Knight junto com o Felton. Mas o negócio é que o McInnis tá fedendo! Foram vários jogos com números ridículos e resolvi então assistir uns jogos do time pra ver se o que ele fazia não aparecia nas estatísticas, e o fato é que não aparece em lugar nenhum.
Então se o plano é usar o Felton junto com outro armador, eles deveriam começar a pensar em fazer uma troca para pegar um armador ou até ir buscar um na D-League.

3- Okafor
Simplesmente Okafor. É até engraçado pensar que poucos anos atrás estávamos discutindo se o Orlando fez certo ao draftar Dwight Howard na frente do Emeka.
Dwight era um gorila-trator-gigante que tinha acabado de sair do colegial e Okafor era um campeão universitário com talento testado e aprovado. Eis que menos de 4 anos depois Dwight é o novo Shaquille O'Neal para alguns e Okafor se mata para conseguir uma média de 12 pontos e 10 rebotes, longe de ser uma média ruim, mas que é digna de David Lee, e não de uma segunda escolha de draft, escolhida para ser o pilar de construção do Bobcats.
Para que o Bobcats dê um salto de qualidade, Okafor tem que evoluir também, é sua quarta temporada na NBA e ele tem que começar a jogar com a regularidade de um veterano e tem que pelo menos dominar o jogo na parte defensiva, que era uma promessa de todos que o viam jogar em UConn.

4- Deixar de ser bege
Não sei se todo mundo conhece o que é ser "bege". Mas eu digo que algo é bege quando é sempre mediano, sempre meio sem sal, sem chamar a atenção ou até sem personalidade, acho que deu pra pegar o espírito.
Se você pegar o Bobcats, eles não se destacam em nada. Não estão entre os piores e nem entre os melhores em nada na liga. Pode escolher a categoria: defesa, ataque, tocos, roubos, assistências, porcentagem de aproveitamento de arremessos, de bolas de 3. Em tudo eles estão entre o décimo e o vigésimo lugar. Não que seja ruim ser um time equilibrado, mas talvez fosse bom arriscar mais e com isso ganhar uma característica que incomode outros times. O Warriors, por exemplo, é o time que mais toma pontos mas ao mesmo tempo é o com mais roubos e um dos que mais mete bolas de 3. Jogar com eles é muito diferente de jogar contra qualquer outro time e por isso existe uma preocupação especial ao enfrentá-los. Contra o Spurs ou o Pistons você se preocupa com a defesa; contra o Suns, com a velocidade; contra o Jazz, com os pick-and-rolls de Deron e Boozer; e por aí vai. O Bobcats precisa de uma identidade.

Ah, tem uma estatística em que o Bobcats é um dos piores, em aproveitamento de lances livres. É o penúltimo. Apenas um time é pior, e quem acertar que time é esse ganha uma viagem a Miami.

5- Treinar com Michael Jordan
Michael Jordan é um dos donos do Bobcats e mesmo não planejando o décimo quinto retorno às quadras (pra conseguir ter mais retornos à vida profissional do que o Romário teve de despedidas da seleção), MJ resolveu participar de uns treinos com o seu time, dando umas dicas e tudo mais. O resultado foram duas grandes e convincentes vitórias sobre Jazz e Knicks. Tá bom que depois disso eles voltaram a perder, mas treinar com o Jordan é legal demais, quem não ia querer? Atraso nos treinos não iam acontecer nunca mais, isso eu garanto.

sábado, 19 de janeiro de 2008

Os beijinhos de Artest

Ron Artest gosta tanto de ficar no banco quanto gosta de uma apendicite


Quando teu time tá fedendo, a solução é ficar torcendo para os jogadores contundidos voltarem logo. Meu Houston sem T-Mac, Clippers sem Elton Brand, e até o lixo do Wolves pode dar a desculpa esfarrapada de que está tendo que jogar sem o Randy Foye. O Heat colocou por um tempo a culpa no Shaq contundido, mas tanto nós quanto eles sabíamos que era balela, já são duas partidas sólidas de Shaq e o Heat mesmo assim tem 13 derrotas seguidas. Da última vez que o Heat ganhou uma partida, a Roberta Close ainda era homem.

O Kings, que eu já alertei como sendo um dos times mais injustamente menosprezados da NBA, tava lá só tomando na cabeça torcendo para seus jogadores voltarem logo de contusão. Sem eles, seria impossível ganhar do Pistons ontem, por exemplo.

Ainda sem ritmo de jogo, Mike Bibby, Ron Artest e Kevin Martin começaram a partida no banco. O resultado? Foram 60 pontos feitos pelo banco de reservas do Kings, 58 deles vindos do trio outrora contundido. Numa comparação injustamente divertida, o banco do Pistons fez 5 pontos, todos do Maxiell. Se o Kings mantivesse o hábito de começar as partidas com as 3 estrelas sentadinhas, o prêmio de Melhor Sexto Homem do Ano viraria uma palhaçada muito engraçada.

Tudo deu certo para o time de Sacramento, o banco engoliu o Pistons vivo e, ainda assim, Billups se espreguiçava entre uma posse de bola e outra. O que era aquele ar de tédio, seriedade e orgulho no rosto do Billups? Era a certeza de que eles poderiam vencer o jogo a qualquer momento. Sabe como os heróis de séries japonesas pacientemente aguardam o monstro ficar gigante para, só então, usar a arma ultra-poderosa para fazer o bicho virar poeira? É exatamente o que o Pistons estava fazendo. Mas eis que o jogador mais vaiado em quadra resolveu mudar o script mais manjado do mundo oriental. O monstro venceu o robô gigante debaixo das vaias de toda a torcida. O monstrengo, vaiado, odiado, excomungado, punido, suspenso, ajudou a selar a vitória do Kings. E, bem humorado, mandou beijinhos para a torcida.

Tem mais gente por aí que odeia o Artest do que guria de 13 anos na comunidade "Eu odeio acordar cedo" no Orkut. É normal. Há um esforço brutal por parte da mídia e da própria NBA para acabar com a indisciplina, com o comportamento moralmente duvidoso, com a individualidade. Ron Artest foi usado como exemplo de que tipo de conduta a NBA não estava disposta a tolerar, recebendo pela famosa briga em Detroit a maior punição da história da NBA, ou seja, 73 jogos em casa comendo pipoca. Tudo para mostrar que os velhinhos que comandam a brincadeira têm mão firme, paciência curta e poder absoluto. Não dá pra entender a punição de Ron Artest como um fato isolado. Ela foi apenas um dos passos num processo que permitiu proibir os jogadores de vestirem as roupas que querem, usar linguagem inadequada, criticar as arbitragens ou a Liga abertamente e, pra finalizar, trocar a bola de jogo, de couro para sintética, sem questionar ninguém. Jogador não tem voz, jogador não pode escolher nem como se vestir, como então vai escolher a bola com a qual jogar? É tudo um plano para tornar os jogadores todos iguais: bons moços, dóceis, asseados, sem expressão, mecânicos. Tudo um bando de Tim Duncan. Até o LeBron, que estava acostumado a roer as unhas loucamente quando sentava no banco de reservas, foi informado de que constituia mal exemplo para as crianças. Agora, é obrigado a ficar cortando a unha com um alicate. Pra que se preocupar tanto com as crianças, elas nem estão vendo NBA mesmo, estão jogando Ragnarok ou baixando pornografia na internet.

O Ron Artest se expressa. Seja tacando monitores de televisão no chão, seja deitando na mesa dos juízes ou mandando beijinhos pra galera. Todo mundo iria querer mandar beijos para a torcida de Detroit depois de toda aquela polêmica e ganhando uma partida na casa deles, mas ninguém tem coragem. Hoje em dia, nem o dedinho do Mutombo é permitido. Ninguém quer ser multado ou, ainda pior, criar uma fama que fará todos os juízes marcarem faltas técnicas no sujeito a cada espirro. Aí fica todo mundo quieto, robotizado, medroso. Digam o que quiserem do Artest, pra mim ele é um sopro de paixão na NBA. Às vezes ele é um soco de paixão também, claro. Mas ele é também o pouco que resta de irreverência e de humor. E isso é algo que aqui no Bola Presa, por algum motivo esquisito, a gente valoriza bastante.

O negócio é que na NBA se dá valor demais à violência dentro das regras, aquela cotovelada que ninguém está vendo, deixar o pé embaixo do jogador que arremessa (no maior estilo Bruce Bowen), fazer falta intencional para impedir uma cesta. Essa violência fria, meticulosa, programada, é incentivada e admirada. O Bowen todo ano está lá, na lista dos melhores defensores da NBA. Já a violência emocional, aquela do descontrole, do calor do jogo, aquela que está ali pra todo mundo ver e não pode ser escondida, essa é punida de todas as formas possíveis. Pra mim, não são violências tão diferentes assim. Mas pergunte para o David Stern qual das duas ele prefere. Pergunte para o Bowen com qual das duas é possível escapar sem ser penalizado.

O Artest, até quando é pra ser um maldito safado e sacanear alguém dentro das regras, consegue ser engraçado. Vale a pena dar uma olhada no vídeo abaixo pra ver o que ele fez para tentar parar o Paul Pierce.



Para quem ficou baixando pornografia ao invés de estudar inglês, a musiquinha do Artest é algo mais ou menos assim: "Paaaul, eu sinto muitíssimo por te humilhar na TV baixando os seus shorts, eu não vou fazer outra vez." E termina dizendo que não adiantou nada, que foi em vão, porque o Pierce meteu uma bola de 3 na cara dele de qualquer jeito. Da próxima vez, segundo o Artest, ele vai ter que tirar até o tênis para conseguir parar o homem. Acho que até o Paul Pierce deve ter rido dessa, vai.

Por falar em piada, o Leandrinho foi alvo de uma digna do mestre João Kléber, mas deve ter levado menos na esportiva do que o Pierce. Ligaram para o quarto de hotel do Barbosa pedindo para ele descer e falar com o GM do Suns porque ele havia acabado de ser trocado para o Knicks. Hoje em dia, ser trocado para o Knicks é o pior pesadelo de qualquer jogador profissional: além de jogar em um dos piores times da Liga e ter que aturar o Isiah Thomas, você ainda acaba ficando sem comida porque Curry e Randolph acabam com a despensa. O Leandrinho ficou arrasado, desesperado e desceu na hora para conseguir informações. Todo mundo morreu de rir da cara dele e o Dan D'Antoni, irmão do técnico Mike D'Antoni, ficou indignado que o brasileiro acreditasse num troço desses, que achasse possível ser trocado sem sequer terem ido falar com ele antes sobre a possibilidade. Acho que o Leandrinho realmente anda lendo muito sobre o Isiah Thomas por aí. Ele disse que só de ouvir a palavra "troca" ele já fica meio maluco e que foi uma sensação terrível. Tadinho!

Engraçado é que se fosse ao contrário e fizessem a piada com alguém do Knicks dizendo que ele havia sido trocado para o Suns, o cara desceria com uma garrafa de champagne aberta comemorando sem parar. Descobrir que era mentiria seria mais devastador do que a piada de mal gosto foi para nosso pobre brazuca...

O Artest, por sua vez, já disse um bocado de vezes que gostaria de jogar no Knicks, que ele curte um desafio e que ele acha que pode concertar qualquer problema. No entanto, o Kings com vitórias seguidas fora de casa, contra Pistons e Pacers, parece mais promissor do que se esperava. Mike Bibby ainda está completamente fora de forma e o técnico disse que ele ainda nem aprendeu todas as jogadas, mas em breve será titular com o Udrih trazendo sua baita estabilidade do banco, num belo combo de armadores. K-Mart vai continuar figurando na lista de cestinhas. E até o Brad Miller se lembrou agora que esse jogo esquisito consiste em colocar aquela esfera laranja dentro desse tal de aro. Acho que essa equipe vai ficar junta por mais algum tempo, sem Bibby no Cavs e nem Artest no Knicks. É só um palpite, mas como gosto do Artest, torço para ele ficar o mais longe possível de New York. Pior que ir pra lá, só se for pra Miami.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

O melhor e o pior da noite

Kleiza em pose de quem marca 41 pontos toda semana em que dá na telha


Todas as quintas-feiras a NBA tem no máximo três jogos, algumas vezes dois, culpa da TNT que guarda pra ela os jogos mais esperados da temporada e passa em rede nacional uma rodada dupla. Ontem, os jogos foram a revanche da final do ano passado entre Cavs e Spurs e mais uma rodada na rivalidade Lakers e Suns. O outro jogo, esse não transmitido em rede nacional, foi, porém, o que trouxe o melhor da noite. O pior ficou na costa Oeste, em LA, e tudo isso feito pelos coadjuvantes.

Comecemos pelo melhor, que foi a dupla Kleiza e Camby no Denver Nuggets. Se os dois jogassem assim sempre, Carmelo e Iverson seriam apenas bons coadjuvantes, porque é isso que foram ontem. Kleiza marcou 27 pontos só no primeiro tempo e terminou o jogo com 41. Não tenho a lista aqui mas se você pegar os jogadores que passaram dos 40 nessa temporada, só deve ter jogador de altíssimo nível como Iverson, Kobe, LeBron e Bosh. Kleiza entrou em um seleto grupo e ao mesmo tempo mostrou uma nova maneira que o Denver tem de jogar. Com Nenê fora (pelo jeito o tumor é benigno, pelo menos) a vaga na ala junto a Melo era de K-Mart. Com K-Mart também fora, ou a vaga era do esforçado garoto de Chiuaua, Eduardo Najera, ou o Denver ia no improviso. Foram no improviso.

Kleiza, que já chegou a ter minutos como Shooting Guard nessa temporada, começou como ala de força ao lado de Melo e deixando só Camby tomar conta de defesa. O resultado foi que Kleiza não parava de acertar arremessos e a infiltrar na defesa do Utah, Melo e Iverson fizeram o que fazem sempre e não foi surpresa ver o Nuggets chegando à marca dos 120 pontos.

O lado perigoso desse ataque do Denver é que eles acham que, já que se cansam muito no ataque, podem se dar ao luxo de não fazer nada na defesa. Ontem não foi tão diferente, mas um cara salvou a noite, Marcus Camby. Foram 24 rebotes e 11 tocos, ambos recordes na carreira dele. O que me revolta só é o fato de uma atuação dessa ainda resultar no time adversário fazendo 109 pontos. O Denver é um time empolgante, divertido, cheio de alternativas, só não podem depender de 40 pontos do Kleiza para conseguirem marcar mais pontos que o adversário. Mas se a estratégia é essa, então que usem o Kleiza mesmo de titular, porque o Kenyon Martin raramente passa dos 20 pontos, não acrescenta muito no ataque, e na defesa, onde ele costumava ser eficiente, não tem sido muito. Com exceção àquele jogo contra o Spurs em que o Nuggets ganhou jogando na defesa e, acho que pela primeira e única vez na temporada, ganhou um jogo marcando menos de 80 pontos.

Não quero que os torcedores do Nuggets, que imagino que sejam muitos, pensem que eu acho o time deles um lixo, não é isso, lixo é o Heat. O que eu acho é que se você pensar no elenco deles e até no bom técnico, eles ainda não atingiram nem metade do potencial que têm, talvez seja até um dos piores resultados levando em consideração apenas a relação talento/resultado. Com Melo, Camby, Iverson e coadjuvantes do nível de Nenê, K-Mart e até Kleiza, que se mostrou mais de uma vez um ótimo pontuador, eu não me contentaria com nada menos que o título.

O pior da noite, por outro lado, veio no jogo de Los Angeles. Nos dois primeiros jogos entre Lakers e Suns, Andrew Bynum tomou conta do jogo e acabou com o Phoenix, então o jogo de ontem serviria para mostrar do que esse Lakers sem Bynum é capaz e do quanto Kwame pode render como titular. O resultado?

Vitória do Suns. SETE turnovers para Kwame e, segundo alguns, "os piores dois minutos de um jogador na história da NBA". Uma pequena descrição que eu achei em um fórum gringo:

"Ele desperdiça a bola. Próxima posse ele erra uma enterrada. Depois erra outra. Depois perde outra posse de bola. Por fim erra uma bandeja sem marcação."

E não é exagero não. Ele realmente fez tudo isso em posses de bola consecutivas. Eu, pessoalmente, e não só porque sou torcedor do Lakers, morro de dó do Kwame. Só ver a cara dele depois de tantos erros, com a torcida vaiando ele muito alto como ontem, corta o meu coração. De verdade! Já aloprei muito ele desde que ele entrou na NBA, mas essa temporada não é a primeira que dizem que o Kwame está destruindo nos treinos e na hora H ele faz merda. Já disseram também, inúmeras vezes, que ele tem grandes problemas psicológicos, que basta uma jogada errada, um jogo ruim, para que a confiança dele fique mais baixa que a moral do Isiah Thomas na nossa última enquete.

E ontem foi o que aconteceu, ele errou uma bola, começou a ouvir as vaias e era visível que ele não tinha condição de continuar jogando. Phil Jackson, porém, não o tirou de quadra, o que é típico dele. Jackson tem o hábito de não pedir tempo e substituições em momentos óbvios, ele deixa o time se ferrar, gosta de ver como cada um se vira em situações adversas e acha que os jogadores podem crescer assim. Eu pessoalmente acho essa estratégia o máximo e depois de 9 títulos é até difícil discordar do Zen Master, mas ontem a situação do Kwame foi traumatizante, acho difícil ele jogar bem de novo (De novo? Pela primeira vez) pelo Lakers. O contrato dele acaba no fim da temporada, ele deve dar o fora e é candidatíssimo a ser um futuro desempregado.

"Foi definitivamente uma noite especial. Nunca vou esquecer dela para o resto de minha vida." As palavras são de Linas Kleiza, mas pode colocar na boca de Kwame e de Camby que também se encaixam perfeitamente.


Notas:

- Para os torcedores do Lakers, uma ótima notícia: o próximo encontro é contra o melhor da noite passada, o Nuggets. Seguido por Spurs e Mavericks. Ouch!

- Para quem quer ver os dois minutos de horror do Kwame, tem um pouco nesse vídeo aqui, por volta dos 2 minutos de vídeo.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

"Both Teams Played Hard"

Rasheed Wallace não tem amigos


Estamos de volta com mais uma coluna "Both Teams Played Hard", o espaço para perguntas, respostas e uma dose moderada de mau humor. Como sempre, a caixa de comentários está aberta para suas dúvidas, propostas de trocas birutas, ofertas de dinheiro e questões sentimentais. As respostas saem na semana seguinte ou então no próximo ano bissexto, depende um pouco. Mas em geral é mais ou menos na semana seguinte mesmo.

Nessa semana, mais alguém querendo trocar o Arenas, Randolph para o Nets, o Houston que só se lasca e a pseudo-vesguice de T-Mac. Divirtam-se!

...

Pedro:
1 - O Kings que quase tirou o lakers das finais da NBA, no esquema de Adelman, contava com bons jogadores, porém nenhum all star, embora Bibby e Webber fossem os melhores daquele time, mas nenhum cara que carrega o time nas costas, como Wade e Kobe. Com Adelman e o mesmo esquema no Rockets, eles podem conseguir excelentes jogadores trocando astros e buscando coisas novas. Então não seria ideal pro Houston trocar grande parte do elenco por jogadores veteranos, mas que fazem sua parte, como o Heat fez pra ter seu primeiro titulo?

Denis:
Não sei você, Pedro, mas eu achava que aquele Kings tinha muito all-star sim. O Webber era um dos melhores Power Forwards de toda a NBA naquele tempo, o Bibby era um jogador muito acima da média e o Stojakovic estava na melhor fase da carreira, e até chegou a ser all-star mesmo. O Brad Miller, que participou do fim daquele grande Kings, também já foi all-star.
Então acho que o problema do Houston não são as estrelas, acho que o que falta para o esquema do Adelman dar certo são jogadores com especialidades diferentes. O Rafer Alston não tem o jumper e nem a inteligência do Bibby, o Chuck Hayes não é um terço do Webber, e nem Battier, nem Wells e nem o T-Mac arremessam tão bem quanto o Peja. Esse esquema é baseado em muitas bolas de longa distância e bons passadores tomando decisõs certas, exatamente alguns dos motivos que fazem com que o Aaron Brooks e o Scola melhorem tanto o Houston quando entram em quadra
. Bonzi Wells, Alston, Francis, Hayes são todos bons jogadores mas acho que eles não se encaixam no esquema do Adelman por suas características de jogo, talvez só o Wells, como um cara que vem do banco, marca uns pontos, parte pra cima e depois sai, como o Bobby Jackson fazia naquele Kings.

Danilo:
Agora é um pouco tarde demais para o Houston ficar pensando em troca e em trazer veteranos. O time já está montado, capenga e fedendo, mas é questão de saber usar os jogadores certos e adequar o esquema tático às peças disponíveis. Provavelmente os jogadores do Houston só vão entender pra valer o esquema do Adelman e se sentir à vontade como parte dele na temporada que vem. O Denis tem toda razão em dizer que os jogadores não têm as características necessárias mas com o tempo eles irão adquirindo o que é preciso, Scola e Aaron Brooks vão ganhando o espaço e aí dá pra gente parar de tomar sova. Espero.

2- Falando em Miami, Pat, naquela vez, contratou Van Gundy para o cargo de técnico e pensou exclusivamente na reconstrução do Heat. Não está na hora dele fazer isso de novo?


Denis:
Sim, é só olhar pra cara de cu do Pat Riley pra ver que ele não tá nem um pouco feliz lá como técnico. Ele parece o já citado Webber que só quer jogar se for em time que já tá pronto pra ser campeão. Aproveito pra falar que acho que quem faz isso de só querer ir pra time pronto pra ser campeão é um baita idiota, folgado e cuzão! Ganhar anel assim é fácil, só o Malone que não conseguiu.


...

Bene:
O q aconteceu com melo, sua produção em pontos caiu desde a chagada de a.i., antes ele esta fazendo facilmente 30 ppg hoje raramente passa dos 25/26 ppg. Fala sobre o melo no blog, acho tbem ele com um dos melhores scoeres da liga

Denis
:
Ah, a NBA... uma caixinha de surpresas. Faz uma semana que o Bene deixou essa pergunta e nessa semana Carmelo fez 32, 35 e 36 pontos nos últimos 3 jogos. Acho que é normal em um time com mais de uma estrela que cada um tenha sua fase. O Iverson estava jogando demais e por um tempo era claramente visível durante os jogos que ele era a primeira opção ofensiva, mas de uns jogos pra cá isso mudou. Depois até faço um post falando melhor disso, mas concordo plenamente que o Melo é um dos melhores scorers da liga. Ele parece não se esforçar para pontuar e sem você perceber chega aos 28, 29 pontos.


...

Philipe:
vcs acham q manter um time jogando juntos por muitos anos vai um time ganhar, como por exemplo o spurs e o pistons ou apenas nesses dois casos isso funciona.

Denis
:
Joe Johnson, Josh Smith, Josh Childress e Zaza Pachulia estão há anos no Hawks. Algum resultado? Acho que dá resultado quando o elenco é bom, só assim, ou você acha que se o Corinthians mantivesse o time do ano passado por mais tempo ele iria voltar pra primeira divisão nos próximos 10 anos?


...

Caicao:
Oi, o que vcs acham de o Wizards trocar Arenas? é isso mesmo, o Wizards vem jogando de um jeito melhor sem ele, e o time tem um armador de qualidade já, o Antonio Daniels, com a troca o time pode reforçar o banco e conseguir um SG de bom nível!

Denis:
Eu fiz um post falando sobre o novo Wizards, é esse aqui. E nele até trato um pouco sobre esse assunto. Eu acho que apesar do Arenas não ser um armador puro, é um grande armador, e o esquema do Wizards (o famoso Princeton Offense) não exige um grande armador, e sim ótimos arremessadores e jogadores que se movimentam bem sem a bola. Arenas é muito bom nisso tudo, sem contar que decide muito bem os jogos no final. Então acho que trocar o Arenas, só em último caso, se ele pedir e se for pra receber em troca alguém que daria um jeito no problema de rebotes do time, alguém tipo Tyson Chandler.

E o Wizards está jogando bem porque resolveu se dedicar a coisas que eles se davam ao luxo de não se dedicar com o Arenas em quadra, como trabalhar mais a bola e defender. Jamison disse que assim que o Arenas se machucou eles decidiram fazer isso e o resultado está aí. Melhor que trocar o Arenas é não esquecer de defender quando ele voltar.
Além disso, é sempre bom ter o cara mais engraçado no seu time, pelo menos o vestiário e as viagens ficam mais divertidas!

...

Rodrigo Lakers:
1. O que vocês acham dos caras que já jogaram muito mas hoje em dia vivem "do nome" na NBA? Tipo Shaquille que tá velho, Kenyon Martin (Viuva do Jason Kidd), Antoine Walker, etc.

2. O T-Mac é vesgo mesmo?


Denis:
1. Eles não vivem do nome, vivem dos contratos que têm. Se você tem o Shaq ou o Kenyon no seu time e paga milhões por eles, é bom que você os use mesmo que hoje eles não passem de apenas bons jogadores. Se não fosse por esses contratos milionários e gigantes, os times já teriam dado adeus a muitos desses caras faz tempo.

Danilo:
2. O T-Mac não é vesgo, mas o Yao é surdo.

...

Alexandre:

1 - Vocês não acham que o Nets poderia tentar oferecer o Carter pelo FAT Randolph?Acho que seria bom para o Nets e para o New York.O que vocês acham?

Denis
:
Acho que o Carter ia tentar fazer tudo sozinho como o Eddy Curry, o Jamal Crawford e o Marbury já tentaram e não ia dar em nada, aí ele ia pedir pra ser trocado e iria embora brigado com todo mundo como no Raptors. O Randolph seria uma boa pro Nets se ele resolvesse defender (parte importantíssima no esquema do Nets e B-O-R-I-N-G no esquema do Randolph) e se ele saísse pelo menos um pouco mais do chão pra conseguir pegar as pontes-aéreas que o Kidd iria mandar.

Danilo:
Não é por nada não, Alexandre, mas em geral a gente numera a pergunta quando vai fazer mais de uma, saca?

...

caioJF:
to vindo aqui por que acabei de ter um pesadelo,sonhei que todos os jogadores do suns estavam bem velhos e sem nenhum anel no dedo,a ultima vez que tive um pesadelo o cleveland foi pras finais,por isso to com (muito) medo! e ja q eu perdi o sono mesmo gostaria de saber o q vc acha da campanha do cris-cowboybebum-bosh pra arrecadar votos pra o all star.

Denis
:
Da última vez que tive um pesadelo o Spurs foi campeão, da última vez que não tive pesadelo o Spurs também foi campeão e da última vez que eu tive medo o Spurs também foi campeão (e da última vez que a Regina Duarte teve medo, o Lula foi presidente), então acho que o negócio e relaxar e gozar. No ritmo das coisas, o Suns não vai ter anel nenhum mesmo.

O vídeo do Bosh é engraçado demais! Acho que ele ser o jogador da semana e meter 40 pontos em cima do Knicks ajudou mais do que o vídeo na hora de ganhar uns votinhos, mas ele merece ir mesmo. Já que Arenas e Shaq não devem ir pro All-Star desse ano, precisamos de algum outro piadista.


...

Anônimo:
Estou com vontade de depositar dinheiro na sua conta bancária qual é o numero dela?

Danilo:
Nunca tinha lido algo tão maravilhoso, meus olhos até se encheram de lágrimas, mas aí a razão foi voltando e a alegria morrendo: como assim você quer me dar dinheiro em troco de nada? Existem duas possibilidades aqui nesse caso. Uma é que você é um cara muito bacana que ama o Bola Presa, precisa da gente tanto quanto o Antoine Walker precisa arremessar uma bola de 3 pontos, e por isso quer nos dar dinheiro para que possamos abandonar nossos empregos e postar mais e mais. A outra possibilidade é que você é um hacker safado que com o número da minha conta vai roubar os 25 centavos que me restam. Algo me diz, sei lá porque, que a segunda possibilidade é mais provável.

Em todo caso, se você quiser mesmo financiar dois blogueiros, mandar cestas básicas para eu ter o que comer ou apenas me presentear com uma camiseta da NBA porque sou um sujeito muito do simpático, fique livre para entrar em um contato mais "íntimo" no nosso e-mail, o bolapresa@gmail.com!

...

Eu:
o que voces acham do Brandon Roy?

Denis: Caro senhor Eu, eu acho o Brandon Roy bom pra caralho. Pra mim, em uma comparação meio grosseira e simplória, é um Dwyane Wade com menos velocidade e explosão física mas com mais arremesso de média e longa distância. Se o Oden for dominante como dizem que pode ser, vejo ele ganhando alguns anéis ao longo da carreira.

Danilo:
Eu, teu apelido gera um monte de mal-entendidos e dores de cabeça, o pessoal que lê o blog fica achando que conversamos com nós mesmos. Onde estão os apelidos de antigamente, como Zazá, Mané, Juju? Ai, ai, essa juventude...