domingo, 31 de janeiro de 2010

Finalmente pivôs

"Sei que sou feio, mas pelo menos sou pivô, pessoal!"


Quando saiu a lista com os reservas para o All-Star Game, o nome de Al Horford como pivô do Leste foi o que causou mais indignação ao redor do mundo, incluindo greves de fome em todos os continentes, revoluções armadas, indícios de guerra nuclear e até uma ameaça da Tessália, do Big Brother, de não sair pelada na Playboy caso os técnicos da NBA não revejam a escolha. É claro que existem outras escolhas polêmicas na lista, jogadores que mereciam muito ter aparecido, e concordo plenamente com as escolhas e os comentários do Denis em sua análise dos reservas. Mas não consigo digerir o Al Horford indo para o jogo das estrelas quando, pela primeira vez em tanto tempo, temos pivôs de verdade disponíveis para a brincadeira.

Na última década, ainda antes do declínio do Shaquille O'Neal, vivemos uma época muito escassa em termos de pivô. Ter um jogador decente nessa posição era algo raro e que garantia enorme vantagem sobre os outros times. No entanto, como pouquíssimas equipes tinham qualquer pivô que prestasse, não ter ninguém na posição também não prejudicava muito ninguém. Foi assim que uma série de alas de força começaram a ser improvisados dentro do garrafão, numa reação em cadeia: se quase todos os times estão fazendo, e meu pivô é um bobão que não sabe nem amarrar os próprios cadarços, por que não faço também? Justamente por isso, todos os grandes pivôs que podemos citar nos últimos anos não são pivôs porcaria nenhuma, como o Duncan improvisado na posição até o Spurs desistir de procurar um pivô, o Amar'e Stoudemire dominando o garrafão do jogo de anões velozes do técnico Mike D'Antoni, ou o Chris Bosh rezando todos os dias para poder voltar a ser ala em algum dia de sua vida. É tanto improviso que até esquecemos como são os pivôs de verdade, o que eles fazem debaixo da cesta, como se alimentam e como procriam. O cara-de-nada conhecido como Tim Duncan é um dos melhores alas de força de todos os tempos (e ele nem sorri frente a essa constatação), mas colocá-lo na lista dos melhores pivôs da história é apenas um problema dos nosso tempos. Pergunte ao Duncan e ele vai te dizer que não é nem nunca foi um pivô de verdade, e depois disso vai dar um bocejo e ir tirar um cochilo.

Por causa da falta de jogadores na posição, o draft dos últimos 10 anos tem sido uma corrida desesperada para conseguir o carinha mais alto que não seja um monte de carne desforme e imprestável. Em 2001, as quatro primeiras escolhas foram Kwame Brown, Tyson Chandler, Pau Gasol e Eddy Curry (com o Desagana Diop não muito depois, em oitavo). Yao Ming foi a fácil primeira escolha em 2000, Darko Milicic foi escolhido na segunda posição antes de Carmelo Anthony (todo mundo sabe quão imbecil foi essa escolha) e seguido por Bosh e Chris Kaman em 2003, Dwight Howard e Okafor foram as primeiras escolhas de 2004 (e a porcaria do nosso brazuca Baby foi a oitava escolha, pra gente ver como qualquer merda comprida estava valendo), Andrew Bogut foi a primeira escolha de 2005, o lixo do Patrick O'Bryant (que nunca chegou a ter minutos de quadra na NBA) foi escolhido entre os dez primeiros em 2006, Greg Oden foi o primeiro draftado de 2007 (imagina só se o Blazers tivesse o Durant, que já é All-Star, ao invés do gigante de vidro), Brook Lopez estava entre os dez primeiros em 2008 e em 2009 tivemos a porcaria do Hasheem Thabeet sendo draftado com a segunda escolha. Isso sem falar na quantidade absurda de gigantes de todas as partes do mundo que foram draftados mas nunca chegaram a jogar na NBA ou simplesmente desapareceram antes de conseguir colecionar dez minutos de jogo na carreira.

A falta de pivôs fez com que o All-Star game tivesse umas aberrações, tipo o Brad Miller reserva em uma temporada medíocre ou o Ilgauskas ir duas vezes para o All-Star Game porque não tem ninguém melhorzinho. Era sempre um monte de estrelas e um pivô mais ou menos para dar número, tipo aquele moleque gordo que só é escolhido no futebol porque precisa ter um segundo goleiro. A solução para essa situação constrangedora foi ir aos poucos liberando alas de força para sempre escolhidos como pivôs, permitindo que Duncan e Amaré, por exemplo, pudessem fazer carreira nessa posição em All-Stars. Mas cedo ou tarde aquela caralhada de pivôs draftados na última década ia acabar rendendo alguém decente. Yao Ming é titular todo ano mesmo se não jogar, Dwight Howard ganhou seus votos na força e no carisma, mesmo que eu bata bastante na tecla de que ele nunca evolui seu jogo, mas o resto dos gigantes não poderia ser de todo ruim. Pivô é uma baita posição ingrata, não apenas porque é mais física e portanto está sempre sofrendo nas mãos da arbitragem inconsistente e das constantes alterações de leitura das regras que abrem o garrafão, mas também porque leva um tempão para se acostumar com os rigores da NBA e as mudanças táticas necessárias. Armadores costumam demorar para pegar o jeito, mas pivôs tendem a demorar ainda mais (em geral, a maioria leva a vida inteira pra pegar o jeito e mesmo assim não consegue bulhufas).

Nesse ano finalmente vemos os pivôs maduros de verdade. Muitos davam sinais de talento, dava pra ter esperança, mas foi só nessa temporada que pudemos ter certeza de que vários deles são pra valer. Chris Kaman está conseguindo aos poucos manter sua saúde afastada da maldição do Clippers e está ganhando jogos sozinho com médias 2o pontos, 9 rebotes, 2 assistências e 1 toco por jogo. Andrew Bogut mostrou que é o novo pilar da equipe, que segura as pontas até o Brendon Jennings dominar a armação e ganhar uns pelos na cara, e está com médias de 16 pontos, 10 rebotes, 2 assistências e mais de 2 tocos por partida. Brook Lopez é o grande ponto positivo da campanha terrível do Nets, provando que ele pode dominar jogos no garrafão, com médias de 19 pontos, 9 rebotes, 2 assistências, 2 tocos e acertando quase 83% dos seus lances livres, digno de Yao Ming. Andrew Bynum mostra cada vez mais consistência no Lakers, com médias de quase 16 pontos, 8 rebotes e 1 toco e meio por partida, segurando as pontas na contusão do Gasol. E até o irmão gêmeo do Brook Lopez, o cabeludo Robin Lopez (que, insisto, é secundário até no nome de ajudante!), está se saindo melhor do que a encomenda, defende melhor do que o irmão, tem um talento ofensivo escondido na manga (ou no cabelo), e na miúda roubou a vaga de pivô titular do Suns, tendo desde então médias de 13 pontos, 6 rebotes, 1 toco, e tudo em minutos limitados por partida.

E como é que a NBA premia essa safra de pivôs que finalmente apareceu depois de uma década esperando esses draftados mostrarem talento? Fácil: mantendo alas de força elegíveis como pivôs. É por isso que todos os pivôs citados acima ficarão de fora do All-Star Game enquanto alas de força improvisados, como Al Horford e Pau Gasol, estarão na partida. Seria legal ver o David Lee na partida? Seria, ele tá tendo uma temporada absurda, mas ele é mais um ala improvisado (oitocentas vezes melhor do que o Al Horford, pelo menos). O caso do Gasol é ainda pior porque faz um bom tempo que ele não joga de pivô improvisado no Lakers, mais motivo ainda para até o Bynum ter mais direito de comparecer do que ele. O que me tranquiliza nessa bagunça toda é que será difícil manter essa safra de pivôs fora do All-Star Game por muito tempo. Esqueçam Dwight Howard, pra mim Brook Lopez é fácil o melhor pivô da NBA no momento, e olha que eu assisti mais jogos do Nets na temporada do que qualquer ser humano com bom senso deveria experimentar. Ele tem velocidade, recursos, repertório, arremesso, lance livre, sangue frio e é um excelente defensor homem-a-homem. No Oeste, o cargo de melhor pivô é do Kaman, que é inclusive melhor e mais versátil do que o Amar'e (que anda se negando a pegar rebotes, vai entender) mesmo pra quem considera o jogador do Suns um pivô de verdade. Sem esquecer do Bogut, que rapidinho vai ser estrela conforme mais e mais gente assistir a jogos do Bucks querendo espiar o Jennings. O talento deles é grande demais e os times não devem feder por muito tempo, o Nets tem um núcleo jovem que vai fazer barulho se eles não caírem em depressão nessa temporada e não vai dar mais pra usar a desculpa de que "o time fede então o cara não pode ser All-Star". Ou seja, em um ou dois anos vamos ver um monte de pivôs de verdade sentados no banco de reservas do All-Star Game. E continuando sentados lá durante o jogo porque ninguém quer ver esses grandalhões sem graça numa partida que deveria ser divertida. Ué, do que é que eu estava reclamando mesmo?

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Os meus reservas

- oi eu sou um allstar....rs

Na última quinta-feira à noite finalmente foram divulgados os reservas para o All-Star Game. E se ontem pitacamos (existe o verbo pitacar, do latim, pitacus?) sobre as escolhas para o jogo dos novatos, hoje é dia de comentar os escolhidos para o principal evento do fim de semana, o jogo das estrelas no domingo à noite.

Os escolhidos oficiais foram:
Leste: Derrick Rose (Bulls), Rajon Rondo (Celtics), Paul Pierce (Celtics), Joe Johnson (Hawks), Gerald Wallace (Bobcats), Chris Bosh (Raptors) e Al Horford (Hawks)

Oeste: Chris Paul (Hornets), Deron Williams (Jazz), Brandon Roy (Blazers), Kevin Durant (Thunder), Dirk Nowitzki (Mavericks), Zach Randolph (Grizzlies) e Pau Gasol (Lakers)

A coisa mais difícil na hora de escolher os reservas é que cada um usa um critério diferente. Tem gente que acha que não se deve escolher jogador de time que está perdendo, outros acham que deve-se votar em quem dá show, outros que deve-se levar em consideração também a história do jogador e não só essa primeira metade da temporada. Se com critérios iguais já teríamos horas e horas de discussões, imagina quando não se concorda nem no que levar em consideração antes dos votos!

Pra mim a coisa é bem simples. Os titulares premiam o gosto (duvidoso) dos torcedores. Cada um vota em quem dá na telha, com os seus critérios, e eles vão lá jogar. Até por isso o Iverson, mesmo não sendo nem o terceiro melhor jogador do seu time, deveria ir jogar sem pedir desculpa pra ninguém. O público quer ver ele jogar, gastou tempo da sua vida indo lá votar pra ele ir, então que ele jogue e pronto.

Já os reservas são votos dos técnicos e aqui me coloco no lugar deles pra escolher os meus. Meus critérios são os seguintes: sendo um evento que acontece uma vez por temporada, deve premiar os melhores da temporada, ignorando a história que cada um tem dentro da NBA. A vaga no jogo das estrelas é um prêmio individual que premia a atuação de um jogador, não do seu time, para isso já existe aquela coisa chamada "playoff", então não acho certo tirar caras como o Brook Lopez ou o Monta Ellis da discussão só porque seus times fedem bem fedido. Considero, porém, o resultado do time, o fato do cara jogar bonito e até a história do jogador critérios justos de desempate, quando você fica preso entre dois jogadores e uma vaga.

Sendo assim e lembrando que deve-se escolher dois armadores, dois alas, um pivô e dois jogadores de qualquer posição, esses são meus votos:

Leste
Armadores: Rajon Rondo e Joe Johnson
Deixa eu aproveitar esse espaço pra babar ovo no Rondo. Ele é o melhor armador do Leste, o cara que está carregando o Celtics nas costas até agora na temporada, tem meu voto para entrar no time de defesa da NBA, é o melhor armador em rebotes desde os tempos áureos do Jason Kidd e vai ser um dos grandes armadores da próxima década. Ele também é bonito, sarado e cheira melhor do que pizza.

Pelo Joe Johnson eu não estou tão apaixonado assim, mas discreto como sempre, tem sido um dos melhores jogadores do Leste. Ele sempre joga mal no All-Star Game mas a vaga é dele, nem precisa pensar duas vezes.

Alas: Gerald Wallace e Chris Bosh
O Gerald Wallace está jogando demais nessa temporada, não fosse aquele número 23 do Cavs que eu esqueci o nome ele poderia até ser titular. Com seu jeito insano de pular com tudo a 100 por hora para um toco quando o seu time já está vencendo por 20, ele é o cara ideal para jogar para o Larry Brown e, assim como o Rondo, tem o meu voto para a seleção de defesa da temporada. Também será legal vê-lo pelas suas enterradas e pelo fator histórico, ele é o único Bobcat remanescente da primeira temporada da equipe e ontem se tornou o primeiro All-Star da história da franquia.

O Chris Bosh deveria estar no time titular ao invés do Garnett, que perdeu grande parte da temporada machucado. Mas tudo bem, fica na reserva mesmo. Ele tem seus defeitos, não acho que ele nunca vai ser tão bom quanto o KG era em seus melhores dias, mas isso não faz dele um jogador ruim, longe disso. Com aquela velocidade toda ele é um dos alas de força mais difíceis de parar no 1-contra-1.

Pivô: David Lee
Aqui é um voto difícil. Brook Lopez e Andrew Bogut são pivôs muito bons e até mereciam votos, mas eu acho que os dois são ainda muito irregulares, o que me faz pensar duas vezes. E aí tem o David Lee, que tem na regularidade seu maior trunfo nos últimos 3 anos, além de sempre melhorar alguns aspectos do seu jogo. O Lee não é um pivô nato mas joga assim no Knicks e joga bem mesmo quando enfrenta caras muito mais fortes do que ele. Entre Lopez, Bogut e Lee, apenas uma certeza absoluta: não votaria no Al Horford.

Os outros 2: Josh Smith e Derrick Rose
O Josh Smith foi uma escolha fácil. Amadureceu seu jogo em relação às temporadas passadas e hoje consegue ser um bom defensor, atlético, mestre em tocos e sem estragar tudo forçando arremessos de longa distância no ataque. Assumiu seu papel na equipe e tem sido bastante regular, escolha fácil. Quero ver como o Al Horford vai ter coragem de olhar pra cara do J-Smoove depois dessa inversão de valores no Hawks, se o time tem dois all-stars eles são Joe Johnson e Josh Smith. Só.

Os técnicos escolheram o Paul Pierce, eu quase escolhi o Andre Iguodala mas acho que a melhor escolha é mesmo o Derrick Rose. Tanto ele quando Iggy já tiveram momentos bons e outros nem tanto na temporada mas o bom momento do Rose impressionou mais. Aos poucos ele tem achado a medida certa entre armar para os outros jogadores da equipe e saber quando ele mesmo deve chamar o jogo para marcar seus pontos.



Oeste
Armadores: Chris Paul e Deron Williams
Precisa realmente explicar a escolha do Chris Paul? Já não basta ele estar mantendo os números e a qualidade das duas últimas temporadas, quando ele foi candidato sério ao prêmio de MVP? Pra completar ele ainda finalmente conseguiu colocar o Hornets na zona de playoff mesmo com o resto do time sendo um lixo e a diretoria tentando trocar todo mundo por escolhas de draft de 2020 para economizar uns trocados. Votar no Chris Paul para o All-Star é tão óbvio quanto votar na Alinne Moraes para as 100+ da VIP.

Dá pra acreditar que o Chris Paul vai para o seu terceiro All-Star e o Deron Williams ainda não tinha ido pra nenhum? Muito esquisito, mas erro corrigido. Deron foi o único ponto positivo do Jazz durante um grande período de tempo em que o Jazz era um time apático e lento, e agora que eles resolveram acordar e estão jogando o melhor basquete do Oeste ao lado do Nuggets ele continua sendo o melhor da equipe. Em uma entrevista divulgada hoje pela revista Dime, o novato Jonny Flynn elegeu o Deron Williams como o armador mais difícil de se marcar na NBA. "Ele é muito alto, é forte, dribla e sabe arremessar de longe". Bem-vindo à NBA, Jonny.

Alas: Kevin Durant e Dirk Nowitzki
Pra falar a verdade esses foram os meus votos no site para os titulares. Se meus votos tivessem feito a diferença eu estaria aqui votando em Duncan e Carmelo como reservas, então tá tudo certo.

O Durant tá jogando tão bem, mas tão bem, que ele foi a escolha de All-Star mais mal colocada na tabela que eu já vi nos últimos anos. Os técnicos levam bem a sério essa história de chamar caras de times vencedores e mesmo assim escolheram o Durant com o seu Oklahoma City Thunder em 11º no Oeste. Claro que deve ter ajudado o fato do Oeste ser tão difícil que o Thunder, apesar da colocação, está com 53% de aproveitamento, mas mesmo assim é uma baita conquista do KD. E bastante merecida. Ele tá jogando muito, fazendo muitos pontos e ainda é um pirralho, o puto nasceu em 88!

O Nowitzki é o Nowitzki. Sempre bom, sempre fazendo muitos pontos, sempre abusando de qualquer marcador, alto ou baixo, que tente marcá-lo, e sempre acertando aqueles arremessos impossíveis. Só precisa tomar cuidado para o arco do seu arremesso não bater no telão do estádio do Dallas Cowboys onde será feito o All-Star Game.

Pivô: Chris Kaman
A NBA sacaneou todos os pivôs do Oeste nessa temporada. Antes de começar a temporada todo mundo queria saber quem ia herdar a vaga deixada por Shaq e Yao, cogitou-se Al Jefferson, Chris Kaman e Andrew Bynum. Aí vão lá e colocam o ala Amar'e Stoudemire na lista de votos como pivô e ele ganha fácil. Aí na hora dos técnicos votarem eles liberam o Pau Gasol, que é ala de força no Lakers, para ser votado como pivô. Ganhou também.

Entre Gasol e Kaman eu acho o espanhol muito mais jogador, mas o fato é que nessa temporada ele não tem jogado nessa posição. O David Lee não é um pivô nato mas pelo menos joga por lá, o Gasol poderia jogar, mas não joga. Pela sacanagem e pelo talento incrível do Kaman, meu voto é nele.

Os outros 2: Zach Randolph e Tyreke Evans
Fiquei numa dúvida cruel entre Pau Gasol e Zach Randolph, é difícil apontar qualquer defeito na temporada dos dois, mas acho que o gordinho merece mais. Se na qualidade ficou difícil de escolher, tinha que apelar para outros motivos. O Gasol já jogou outros jogos das estrelas, já é campeão e vai disputar outro título nesse ano, é um cara consagrado. O Randolph conseguiu finalmente sair, com méritos, da sua fama de gordo preguiçoso, de talento desperdiçado, para ser o principal motivo do Grizzlies estar indo para os playoffs. Quem diria que o Grizzlies poderia estar na frente de Suns, Hornets, Rockets e Thunder?

Randolph é o líder da NBA em rebotes ofensivos e joga com uma vontade e determinação que eu nunca tinha visto antes nele. Outro dia o Grizzlies venceu um jogo apertado porque o Randolph defendeu bem, depois pegou um rebote ofensivo na raça e deu um passe picado lindo para o Rudy Gay. Defesa, vontade e toque de bola em menos de 2 minutos, esse é o novo Zach Randolph com seus Monstars Reverso. Merece muito uma vaga!

Por fim minha última escolha é o novato Tyreke Evans. Não seria nenhum crime ou injustiça tirar ele e no lugar colocar Brandon Roy, Monta Ellis ou Chauncey Billups, mas são poucas vagas pra muito jogador bom e de todos quem tem feito a melhor temporada é o novato. Quer dizer, será que ele é um novato mesmo? O cara sabe perfeitamente quando deve chamar o jogo pra ele, quando deve passar para os companheiros, ele é um líder dentro de quadra e todo mundo o respeita, ele sabe infiltrar, arremessar de meia distância e de longe, nunca se afoba, joga bem na posição 1 com o Kevin Martin do lado (esse tem jogado mal!) ou na posição 2 com o Beno Udrih armando. Acerta arremessos em momentos decisivos dos jogos e o Paul Westphal, técnico do Kings, disse que acha seu pupilo desde já um dos melhores marcadores de perímetro da NBA.

Como é possível um moleque fazer tudo isso nos seus primeiros meses de NBA? Deve ser gato! Tem alguma maracutaia que a gente ainda não percebeu! Ele é o time sub-20 com 30 anos de Gana.

Um exemplo claro de novato é o Jonny Flynn. Talentoso pra caramba mas tem dias que faz 20 e outros que faz 5 pontos. Parece às vezes muito confiante e depois bastante inseguro. Confessou na entrevista que eu citei antes para a Dime que ficou meio nervoso quando viu pela primeira vez seu ídolo Allen Iverson e contou em outra ocasião que quando enfrentava o Lakers tentou dar um passe picado e o Artest roubou a bola só esticando a mão. Flynn saiu rindo da jogada e disse depois para seus companheiros que nunca na vida dele imaginou que alguém seria capaz de alcançar aquela bola, muito menos de agarrar ela e sair com a redonda dominada. Esse é o tipo de aprendizado básico de um novato que o Tyreke Evans parece ter pulado como se fosse aquela baba de primeira fase do Super Mario do SNES.

Esses foram os meus votos, se o Danilo tiver um tempo aparece por aqui colocando as escolhas dele. Pitaquem (o verbo tem que existir!) na caixa de comentários!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Avaliação anual de pivetes

- Agora segurar novato com as duas mãos é falta, professor?


Ontem foram divulgados os times de novatos e dos sophomores (os jogadores de segundo ano) que irão se enfrentar na noite de sexta-feira do fim de semana das estrelas. Os times são os seguintes:

Novatos: Stephen Curry (Warriors), Jonny Flynn (Wolves), Brandon Jennings (Bucks), Tyreke Evans (Kings), James Harden (Thunder), Taj Gibson (Bulls), Omri Casspi (Kings), Jonas Jerebko (Pistons) e DeJuan Blair (Spurs)

Sophomores: Derrick Rose (Bulls), Russell Westbrook (Thunder), Eric Gordon (Clippers), OJ Mayo (Grizzlies), Danilo Gallinari (Knicks), Michael Beasley (Heat), Kevin Love (Wolves), Marc Gasol (Grizzlies) e Brook Lopez (Nets)

A primeira parte da nossa função de pitaqueiro é ver quem faltou. No time dos novatos eu senti falta do Ty Lawson, que vem jogando muito como reserva do Billups no Nuggets, ele está sendo melhor que o James Harden como sexto homem do Thunder, por exemplo. Sua ausência, porém, é facilmente explicada. O draft de 2009 teve armadores demais! O time já tem Curry, Flynn, Jennings e Evans. Além do Lawson podemos apontar ainda o Darren Collison, Eric Maynor, Jrue Holiday e AJ Price com boas temporadas até agora! Esses últimos nem estão jogando tão bem para merecer uma vaga no jogo, mas é assustador o número de bons armadores desse ano, e isso porque o Rubio amarelou e ficou na Espanha!

O excesso de armadores acabou prejudicando também os ala-armadores, os jogadores da posição 2. Provavelmente Curry e Evans vão dividir essa posição no jogo e com isso arrancaram a vaga de outros bons novatos como Wesley Matthews, DeMar DeRozan e Terrence Williams. Os três tem sido bons mas nem chegam perto do nível dos armadores, os dois últimos farão falta por causa do show, mas não mereciam mesmo uma vaga. Em compensação o DeRozan estará lá no intervalo do jogo para disputar uma vaga no campeonato de enterradas com o Eric Gordon.

Nada contra o Eric Gordon, mas ele é só um ótimo arremessador e não deveria estar lá. Ele mesmo disse que só esperava ser chamado para o campeonato de três pontos! Essa disputa deveria ser apenas entre novatos, com o DeRozan enfrentando o Terrence Williams. Vocês viram as duas enterradas dele na vitória (VITÓRIA!!!) do Nets sobre o Clippers (ah, era o Clippers...)?


Já o time dos sophomores é muito forte. Muito forte! Forte mesmo, tipo raios gama. A gente não botava tanta fé na classe dos novatos do ano passado mas eles saíram melhor que a encomenda. Se considerarmos o time titular com Rose, Mayo, Gallinari, Love e Lopez, isso quer dizer que o time reserva seria Westbrook, Gordon, Beasley e Gasol. São só 4 jogadores porque só 9 são chamados para o jogo, mas garanto que só os 4 em quadra já venceriam os novatos. Pela qualidade dos jogadores e por ter jogadores de mais de uma posição, acho que os sophomores vão manter a tradição e levar o jogo.

Entre as principais ausências do time dos sophomores estão a dupla do Kings Jason Thompson e Donte Greene, o Roy Hibbert, que é forte candidato a jogador que mais evoluiu na temporada, o George Hill do Spurs e até a Lady GaGa da NBA, o Ersan Ilyasova.

E já que estamos falando dos caras que foram novatos na temporada passada, é hora de relembrar de um post meu do ano passado. Na verdade eu nem lembrava que eu tinha feito essa porcaria, mas o nosso leitor João Inácio lembrou e me avisou. O post é esse aqui. Nele eu crio várias categorias para medir a qualidade dos atletas (desde Mega Estrelas até Pedaços de Carne Desformes e Imprestáveis) e digo onde cada novato irá se encaixar dentro de 5 anos.

Como sei que vocês não vão clicar pra ler o post antigo, vou postar aqui as partes mais importantes, onde explico as categorias e depois coloco os novatos do ano passado em cada uma delas.

.....
"1.Mega Estrelas: São aqueles jogadores que vão jogar bem todo dia, que vão liderar franquias, que vão vender doces, biscoitos, tênis e celulares com seu nome, serão entrevistados pela Angélica e vão participar de vários All-Star Games.
Exemplos: LeBron James, Kobe Bryant, Tim Duncan, Chris Paul.

2. Estrelas Light: Sem áçucar, a estrela de soja só é uma estrela dependendo do desempenho do time na temporada. O cara só é cotado para participar do All-Star Game se o time está bem. Geralmente esse atleta é mais discreto e não é unanimidade entre os fãs, apesar de serem excelentes.
Exemplos: Antawn Jamison, David West, Pau Gasol, Stephen Jackson.

3.Caolho em terra de cego: Caolho em terra de cego é rei, mas ainda é caolho e não pega mulher. Esse tipo de jogador é muito melhor que a maioria da NBA mas ainda não pode se achar tudo isso.

São os jogadores que obviamente tem muito talento mas que nunca vão ser cogitados para liderar um time a uma campanha vitoriosa como uma primeira opção, são aqueles caras que só funcionam sendo a terceira opção do time. Em geral são jogadores que sofrem um certo preconceito porque um dia acharam que eles seriam Estrelas Light, ou sofrem pressão porque são novos e acham que podem virar uma Mega Estrela.
Exemplos: Lamar Odom, Rajon Rondo, Josh Howard, Richard Jefferson, Jose Calderon.

4. Role Player Integral: Cheio de gordura mas sem ser o Zach Randolph são aqueles caras que têm um papel específico no time e que sempre fazem esse papel muito bem. Eles são os jogadores limitados mas que, o que sabem fazer, fazem com perfeição. Costumam ser o sexto-homem de um bom time.
Exemplos: Shane Battier, Eddie House, Travis Outlaw, James Posey, Roger Mason

5. Role Player Desnatado: Se não tiver integral vai desnatado mesmo. Têm a mesma função dos role players integrais mas são incompetentes demais para serem regulares e confiáveis. É o tipo de jogador que joga bem em casa e mal fora ou bem contra time ruim e mal contra time bom.(Edit: Hoje eu chamo esses jogadores simplesmente de Radmanovics.)
Exemplos: Sasha Vujacic, Jared Jeffries, DeSagana Diop, JJ Barea

6. Zé Alguém: São aqueles caras que você sabe que estão na NBA, que participam dos jogos, mas que em um jogo disputado e que vale alguma coisa nunca vão estar em quadra nos momentos finais a não ser que algo bizarro aconteça (muitas contusões, muitos jogadores eliminados por falta, chantagem atômica).
Exemplos: Hilton Armstrong, Ryan Hollins, Charlie Bell, Trenton Hassell

7. Pedaço de carne desforme e imprestável: É aquele tipo de jogador que entra ano, sai ano e por algum milagre divino o cara continua com contrato. Na prática é só um pedaço de carne desforme e imprestável que nunca entra em quadra, só esquenta banco, entrega gatorade, aplaude e depois da temporada arranja outro time pra fazer a mesma coisa. Eles estão na liga mas não jogam.
Exemplos: Sean Marks, Mark Madsen, Brian Cardinal, Lorenzen Wright

Só saberemos ao certo onde cada um dos novatos desse ano vai se encaixar daqui um tempo, mas eu como blogueiro isento da responsabilidade de falar coisa com coisa, posso dar meus palpites de como será o status dos jogadores draftados em 2008 daqui umas 5 temporadas baseado no que vi nessa de 2008-09.

1. Mega Estrelas: Derrick Rose e OJ Mayo
2. Estrelas Light: Brook Lopez, Michael Beasley, Russell Westbrook, DJ Augustin, Greg Oden
3. Caolhos em terra de cego: Kevin Love, Eric Gordon, Jason Thompson, Jerryd Bayless, Rudy Fernandez
4. Role Player integral: Danilo Gallinari, Courtney Lee, George Hill, Nicolas Batum, DeAndre Jordan, Mario Chalmers, Marc Gasol
5. Role Player desnatado: Brandon Rush, Mareese Speights, Roy Hibbert, JaValle McGee, Ryan Anderson, Darrell Arthur, Luc Mbah a Moute, Mike Taylor, Anthony Morrow
6. Zé Alguém: Joe Alexander, Robin Lopez, Anthony Randolph, Donte Greene, Chris Douglas-Roberts, Kyle Weaver
7. PCDI: Kosta Koufos, Goran Dragic
0. Estarão fora da NBA: Alex Ajinca, DJ White, JR Giddens
................

A minha previsão era para os próximos cinco anos, então não posso dizer o que acertei e o que errei com toda a certeza, mas bastou um ano para que eu, um cara de opiniões fortes, mudasse totalmente de idéia sobre vários jogadores.

Acho, por exemplo, que subestimei Jason Thompson e Kevin Love. Os dois alas de força são melhores do que eu imaginava e tem tudo para subir um nível e virarem Estrelas Light a base de soja. Já o Michael Beasley causa cada vez mais duvidas em mim, o cara obviamente tem muito talento mas desaparece das partidas mais do que o saudoso Souza que jogava no meio campo do Corinthians nos anos 90.

Um que está em baixa mas que eu acho que não errei é o DJ Augustin. Ele tem cada vez menos espaço na rotação do Bobcats (que, convenhamos, nem tem banco de reservas!) mas é só porque ele é treinado pelo Larry Brown e com o Larry Brown ou você defende bem ou você vale menos que um absorvente usado. O Disque Jóquei Agostinho não é um grande defensor mas é rápido, tem bom passe, ótimo arremesso de três e se estivesse no Knicks estaria jogando muito. Ainda tem muita carreira pela frente.

Errei feio com o Danilo Gallinari. Achei que ele acabaria sendo só um arremessador mas agora que seus problemas nas costas são passado, o galináceo tá jogando muito bem. Sabe puxar contra-ataque, controla bem a bola e sabe até infiltrar bem. No fim das contas o Knicks agradece quando ele resolve jogar como um cara completo e não só como um clone branco do Rashard Lewis. Gallinari, assim como o surpreendente Marc Gasol (quem diria que aquele desengonçado faz mais que pegar rebotes?), também subiram um nível na minha lista.

Mas onde errei mesmo foi na previsão dos "Zé Alguém". Donte Greene está se saindo um ótimo defensor e importante peça do Kings, o Anthony Randolph parece que vai ser um bom jogador quando se livrar das garras do Don Nelson, o Chris Douglas-Roberts finalmente conseguiu começar a jogar na NBA o que jogava na universidade, e o Robin Lopez, para minha surpresa, não é só um Brook Lopez ruim de um universo paralelo onde todo mundo é cabeludo (lembram do episódio do South Park onde todo mundo no universo paralelo tinha barba? Aquilo era humor.)

Por fim, errei também com o Goran Dragic. Aquele moleque inseguro que parecia que ia se mijar a cada vez que entrava em quadra hoje é a arma mais confiável do banco do Phoenix Suns. Bastaram alguns jogos razoáveis para ele se sentir mais confortável e jogar o que prometiam que ele iria jogar há um ano e meio atrás. Outro dia meteu 24 pontos só no primeiro tempo contra o Jazz. Ele é, no mínimo, um role player desnatado.

Se em um ano eu errei tanta coisa, nem quero ver daqui a quatro anos! Mas tudo bem, o importante é que vocês leitores esqueçam de todas as bobagens que a gente fala e continuem nos lendo porque somos engraçadinhos e temos o abdome definido. Vamos agora brincar de prever o futuro dos novatos dessa temporada? Afinal, pisou na merda, abre os dedos.

1. Mega Estrelas: Tyreke Evans e Brandon Jennings
2. Estrelas Light: Stephen Curry
3. Caolhos em terra de cego: Ty Lawson, Jonny Flynn, Omri Casspi, James Harden
4. Role Player integral: Jordan Hill, DeMar DeRozan, Hasheem Thabeet, Terrence Williams, Chase Budinger, Jonas Jerebko, DeJuan Blair
5. Role Player desnatado: Earl Clark, Jrue Holiday, Tyler Hasnbrough, Rodrigue Beaubois, Wesley Matthews, Marcus Thornton, Darren Collison, Eric Maynor, Jeff Pendegraph
6. Zé Alguém: James Johnson, Jon Brockman
7. PCDI: Gerald Henderson, Austin Daye
0. Estarão fora da NBA: BJ Mullens

Não coloquei Blake Griffin e Ricky Rubio na lista porque eles nunca jogaram na NBA, mas boto muita fé no futuro dos dois. Aqui ainda tenho um pouco de dúvidas sobre o Brandon Jennings, mas acredito que seus altos e baixos são mais porque ele é um novato do que por falta de talento. Com Flynn, Harden e Casspi fui cauteloso mas gostaria de ver pelo menos um deles continuar melhorando seu jogo para ganhar pontos de experiência e subir de level antes do último chefão.

Entre os desnatados ainda precisamos de tempo para ver Earl Clark e Tyler Hansbrough na NBA, os dois são os mais cotados para subirem nessa lista até o ano que vem.

Sobre o Tyreke Evans eu falo mais tarde no post em que vamos comentar os reservas do All-Star Game que serão divulgados hoje à noite. Sim, é isso mesmo o que vocês estão pensando, já confessei um dos meus votos.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Astros requentados

Kevin Garnett, depois do bingo, tira um cochilo em sua cadeira de balanço


Amanhã, quinta-feira, finalmente saberemos quem são os reservas para o All-Star Game, o tão aguardado "jogo das estrelas". Os reservas são eleitos pelos técnicos da NBA, ou seja, gente que acompanha os jogos de perto, e tendem a levar em conta o merecimento de cada jogador. Ser reserva no All-Star é, em geral, um prêmio por uma boa temporada, é o reconhecimento por estar jogando em alto nível, é ser aceito entre os grandes de acordo com o olhar dos técnicos que te enfrentam diariamente. É por isso que todo mundo dá palpite em quem deveriam ser os reservas, quem anda merecendo a vaga, quem deveria ser All-Star pela primeira vez, quem vai ser ignorado de novo pela milésima vez.

Mas quando falamos dos titulares do All-Star Game, não adianta dar palpite. Escolhidos por fãs ao redor do mundo, os titulares não estarão no jogo das estrelas por mérito, campanha impressionante ou números de alto nível. São eleitos porque são famosos, porque conseguem mais fãs, porque são de uma nacionalidade munida de bilhões de membros. Não há critério ou debate, os escolhidos são aqueles que o povo quer ver, seja lá qual for o motivo.

No começo desse blog, quase três anos atrás, escrevi sobre o absurdo que eram essas campanhas para votar no Nenê e no Leandrinho simplesmente por eles serem brasileiros, como se ter nascido dentro de uma estranha linha imaginária traçada no chão fizesse deles mais merecedores de ir ao All-Star Game do que outros jogadores, muito melhores. Mas ser titular não está relacionado com mérito, está relacionado com preferências muitas vezes idiotas, guiadas por patriotismo, bairrismo e um tanto enorme de desinformação.

Para os chineses, é legal ver o Yao Ming por lá como titular não importa o que aconteça. Se um monstro gigante atacar o Oriente, o Jaspion não conseguir derrotá-lo e o Yao Ming tiver as pernas arrancadas no processo, ele mesmo assim será eleito titular. Mas para o Yao e o resto do mundo, que estão vendo esses votos cegos e despropositados, é bastante vergonhoso. Imagino a cara de bunda do Yao se arrastando pra dentro da quadra sabendo que não deveria estar ali, mas está porque tem olhos puxados e o apoio de bilhões de chineses que não necessariamente assistem basquete.

São esses chineses quase levaram o Tracy McGrady para o All-Star Game esse ano. Apesar de jogar sete minutos por jogo num par de partidas até o técnico Rick Adelman deixar ele de castigo para sempre, quase foi titular porque os chineses são malucos pelo Houston Rockets. Se o T-Mac fosse deixar o All-Star mais legal, se ele fosse um jogador essencial, os votos até seriam justificados, mas a verdade é que provavelmente votaram nele porque não conheciam outro armador pra colocar no lugar. Eu entendo gente votando no Rafer Alston como titular pra ver se ele dá uns dribles de seus tempos de And 1, eu entendo gente votando no Shaq porque ele vai fazer quarenta piadas por minuto durante o jogo. Mas me entristece ver jogadores que estão ficando velhos receberem milhões de votos de torcedores que não sabem que os tempos mudaram e outras caras surgiram. Tem gente que vai votar no Vince Carter pelo resto da vida, nem lembrando que ele não enterra mais, passa os jogos inteiros do Orlando arremessando de três pontos (em geral uns três passos atrás da linha de três, como aconteceu na última partida da equipe contra o Grizzlies) e que outros jogadores, muito mais espetaculares, surgiram e estão cheirando a talco de nenê.

O Tracy McGrady não joga há praticamente dois anos, seu corpo está tão danificado que ele deveria começar a considerar um ritual de magia negra para transferir seu espírito para dentro de um boneco, no maior estilo "Brinquedo Assassino". Quando perguntado sobre sua vaga de titular no All-Star Game que se aproximava, T-Mac riu, disse que era culpa dos chineses e afirmou que não apareceria, que teria vergonha de jogar. Por sorte, Steve Nash acabou passando T-Mac nas votações finais, provavelmente graças à sua sensacional campanha:


O Nash vai para o All-Star depois de ter mostrado que consegue rir da própria cara, e o T-Mac vai ficar em casa (ou na enfermaria, o que é mais provável), por sorte. No entanto, Allen Iverson será titular porque as pessoas ainda acham que ele é o mesmo jogador de uma década atrás. Infelizmente preferiram requentar um ídolo velho e caindo pelas beiradas do que conhecer Joe Johnson, Rajon Rondo ou Derrick Rose. Pessoalmente sou um fã incondicional do Kevin Garnett, mas diabos, tenho a camiseta dele no Wolves aqui em casa, o que significa que já faz uns anos desde que ele era o melhor jogador dessa budega. Agora ele está mais velho, limitado por lesões, com pouco tempo de quadra e um estilo de jogo muito mais modesto, é hora de eu seguir com a minha vida e escolher outra pessoa para votar no All-Star Game. Que tal o Chris Bosh, que chuta traseiros (e tem um pescoço de dinossauro), ao invés de ficar insistindo num jogador que mal participou dessa temporada? Parece gente que passa uma década sem esquecer do ex-namorado e fica seguindo o sujeito pela rua. A vida continua, pessoal! Tá legal, o Duncan é o melhor ala de força de todos os tempos, mas não é hora da gente deixar de ver ele dando ganchinhos no All-Star Game quando sua produção tem caído com o passar dos anos?

Allen Iverson está envergonhado de ser titular esse ano. Ele tem que olhar para jogadores no vestiário que sabem que ele não deveria estar ali. Os torcedores que não fazem ideia de que ele não pertence à elite botaram o coitado numa situação constrangedora, uma última constatação de que ele está se arrastando na NBA graças a seu nome e sua fama, não seu jogo. É por isso que bato tanto na tecla de deixar para lá essa mania de ficar babando nos astros do passado. O Jordan foi fodão, legal, legal, mas o que os pirralhos estão fazendo agora? Ficar chorando que só Michael Jordan era realmente bom é perder a chance de acompanhar as novidades, é gerar comparações desnecessárias, é impor aos novatos um padrão a ser seguido. Quanto mais fácil for se desvencilhar do passado (lembremos com carinho, mas não fiquemos agarrados a ele!), mais jogadores terão a oportunidade de trilhar seus próprios caminhos, jogar com originalidade e criatividade, e jogar All-Star Games com gosto e vontade. O Allen Iverson nem tem mais tesão de jogar essa brincadeira, pra que levar ele pelos próximos 20 anos enquanto algum pirralho está doido pela oportunidade de fazer piada e se sentir reconhecido? Nós já entendemos que o All-Star é uma grande brincadeira e que quem leva a sério não tem senso de humor nem coração, então que as novas estrelas com o senso de humor necessário para tornar a brincadeira divertida participem. É hora de deixar os velhinhos dormindo em casa, eles são chatos e preferem tricô mesmo.

Mas amanhã pelo menos teremos os reservas para debater os critérios e os méritos de seleção, ao invés de uma votação aleatória de fãs vivendo no passado. Quem serão os reservas de cada conferência? Hora de arriscar os palpites, porque amanhã analisaremos a lista oficial assim que sair. Até lá!

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Ladrão que rouba ladrão

É claro que o Thunder perde: eles usam Nike


Na temporada passada, escrevi um post sobre a maldição que acometia o Thunder. Tendo roubado a franquia que pertencia a Seattle e levado para Oklahoma City, deixando incontáveis fãs órfãos de sua equipe favorita por quem torceram por décadas a fio, o Thunder acabou adquirindo uma terrível maldição pra ver se aprende a não ser ladrão. Ao invés da famosa maldição do Clippers, que contunde o time inteiro não importa quanto talento eles consigam reunir (e que, nessa temporada, contundiu o novato Blake Griffin, que tinha tudo pra chutar traseiros), a maldição do Thunder faz com que o time perca todos os jogos no final. A quantidade de partidas perdidas em arremessos de último segundo e placares apertados na temporada passada foi algo ridículo e vale uma conferida no post, ainda que velho, só para conferir. Nessa temporada o Thunder decidiu bem menos partidas no final, mas basta dar uma olhada no post do Denis com as estatísticas dos jogos decididos por pouco pra ver que, quando o placar está apertado, o ladrão de franquias desanda.

Com mais vitórias do que derrotas e lutando ativamente pela oitava vaga para os playoffs, deu até pra esquecer que a equipe era amaldiçoada um pouco. Nas duas primeiras semanas de novembro, o Thunder chegou a perder três jogos pelo mesmo placar de 101 a 98, contra Kings, Spurs e Lakers (uma das duas derrotas por apenas 3 pontos para o Lakers na temporada), mas depois disso as coisas ficaram bem tranquilas para eles no âmbito sobrenatural. Agora em janeiro, derrotas seguidas para o Spurs e o Mavs por apenas um ponto cada mostraram que a maldição estava voltando. Foi então que eles enfrentaram outra equipe também ladra de franquias: o Memphis Grizzlies.

O caso de ladroagem do Thunder e do Grizzlies é bem parecido. A equipe, que era de Vancouver, foi comprada por um sujeito que jurou de pé junto que a equipe continuaria no Canadá (afinal, o povo canadense precisa de um pouco de basquete num país que só tem para assistir hockey, ursos e árvores), mas sem que ninguém percebesse alegou que a torcida não era suficiente e correu para Memphis (onde a torcida é menos suficiente ainda). A diferença é que ninguém presta atenção nos times do Canadá (vale ler o post do Denis sobre a desatenção com o Raptors, por exemplo) então ninguém nem se deu conta da mudança. Além disso, a equipe não tinha a enorme tradição do Sonics e é mais fácil ninguém perceber um time que nenhum ser vivo jamais tinha ouvido falar.

No sensacional duelo de ladrões de franquia entre Thunder e Grizzlies o clima era de alegria, tipo primeiro dia na casa de Big Brother. Os dois times finalmente parecem ter saído da merda da temporada passada, têm mais vitórias do que derrotas, lutam para ir para os playoffs e conseguiram montar um núcleo incrível de jogadores jovens e baratos. O Grizzlies está chutando traseiros desde que se livrou de Allen Iverson, e não porque ele fosse uma grande dor de cabeça, mas sim porque a imprensa parou de torrar o saco de todo mundo por lá, a pressão foi embora, e a pirralhada tem espaço para provar que conseguem vencer sem nenhum grande nome em fim de carreira que está jogando por lá só porque não tem nada melhor passando na tevê. No momento em que o elenco percebeu que até o Zach Randolph está jogando bem (aliás, bem é apelido e se alguém soubesse da existência do Grizzlies ele provavelmente conseguiria finalmente ser All-Star), devem ter percebido que milagres acontecem e que eles podem vencer as partidas que quiserem, nada é impossível. O Thunder também está animadinho, as pessoas estão começando a notar que eles são um time de verdade para o futuro (não como o Bobcats, que é "o time do futuro" desde que nasceu e parece que nunca vai dar certo), mas não dá pra esquecer que eles são amaldiçoados. O resultado foi o Rudy Gay acertando um arremesso fodão na carinha de bebê do Kevin Durant no segundo final e vencendo por 2 pontinhos:



Na partida seguinte, o Thunder enfrentou o Cavs. Trechos ao vivo da partida passaram no meio do jogo que eu assistia, porque o jogo estava emocionante, então resolvi mudar de canal e ir acompanhar o time-outrora-conhecido-como-Sonics. Fui recompensado com uma partida incrível, muito disputada, o Shaq jogando como se estivessemos em 1999 e ainda estivesse na moda jogar tazos e falar "massa", e o Daniel Gibson jogando como titular depois de ser tão ignorado na temporada passada. O que me surpreendeu foi o trabalho defensivo do garoto, que supostamente não deveria saber fazer bulhufas além de arremessar de três pontos, e segurou muito bem o Russel Westbrook em jogadas decisivas. Foi então que, perdendo por um pontinho nos segundos finais de jogo, LeBron liderou um contra-ataque e deu uma assistência na medida para o Gibson converter seu arremesso de três e colocar o Cavs dois pontos na frente. Posse de bola final do jogo, bola nas mãos do Kevin Durant porque ninguém é burro, e finalmente LeBron foi marcar o pirralho depois de uma partida inteira em que os dois não se cruzaram muito. Durant cortou para dentro, LeBron não conseguiu manter a dianteira, e parecia haver um caminho simples para uma bandeja - até que LeBron alçou voo e deu o toco com a ponta dos dedos, mandando a bola para os ares e encerrando o jogo ali.



Pra começar, é um dos tocos mais incríveis que eu já vi. "Associação internacional de odiadores do LeBron James que vão dizer que eu fico babando ovo no rapaz", por favor me processem, mas esse é um dos raríssimos tocos em jogadas decisivas que saíram das mãos do jogador que fazia a marcação, e não de alguém que correu para a ajuda. Durant é mais alto, tem braços mais longos, já tinha deixado LeBron para trás com sua passada, e mesmo assim tomou o toco. Aliás, se o LeBron tivesse cortado as unhas a bola teria entrado (vai ver que é por isso que insistem tanto para que ele pare de roer as unhas em rede nacional toda hora). Foi tão bonito, tão emblemático do que é uma boa defesa mano-a-mano, que sequer consegui ficar com dó da pobre equipe amaldiçoada do Thunder. Até porque eles ainda têm bastante tempo para perder, feder, sofrer, e ainda assim a maior parte do elenco usar fraldas descartáveis. A maldição vai indo embora com o tempo, assim como aconteceu com o Grizzlies, que agora é um ladrão de franquias pronto para roubar vitórias - de times grandes, e de times ladrões de franquia também. É tudo uma questão de experiência aprender a lidar com esses jogos apertados, e ainda falta muito para o Thunder chegar lá, embora não falte talento.

O Kevin Durant está simplesmente tendo uma temporada absurda. Apenas ele, LeBron e Carmelo estão com médias de 29 pontos por jogo ou mais, o que coloca o pirralho dentro de um grupo muitíssimo restrito. Em seus primeiros anos de NBA, Durant recebeu carta branca para fazer o que quisesse, entrar em quadra pelado, arremessar de costas, até fazer piada com armas de fogo eu tenho certeza de que ele poderia. Embora essa falta de pressão, cobrança e responsabilidade tenha tornado o rapaz um tanto esfomeado, forçando demais o jogo mesmo quando não é necessário e segurando demais a bola no ataque, permitiu que ele refinasse aos poucos seu arsenal ofensivo. Se antes ele passava tempo demais no perímetro se aproveitando de sua altura, agora foi colocado para jogar mais perto da cesta, tem um excelente jogo de pés quando de costas para o garrafão, e tende a bater para dentro - e sofrer faltas - com muito mais frequência. Foi assim que ele aprendeu a ajudar seu time, foi assim que seu jogo foi amadurecendo. Às vezes, feder muito e deixar seus jogadores fazerem merda em quadra permite que eles aprendam e evoluam, desde que seus jogadores não tenham pânico de passar vergonha e desmoronem, como aconteceu com o Kwame Brown no Lakers, onde a filosofia do técnico Phil Jackson é deixar em quadra jogadores se ferrando pra ver se eles aprendem.

Agora, Durant está tentando se tornar um jogador defensivo mais completo, dando exemplo para um Thunder que aprendeu a jogar na correria temporada passada e que agora tenta aprender, na marra, a segurar os times adversários na defesa. As coisas vão devagar nesse sentido para Durant e sua equipe, mas ofensivamente parece que o time inteiro encontrou sua voz, sua identidade. Até mesmo por terem estilos opostos, é fácil ver Cavs e Thunder tendo duelos épicos nos próximos anos, com LeBron e Durant lutando cabeça a cabeça pelo posto de cestinha da NBA. O Durant é uma estrela indiscutível e não vai demorar muito para que ele receba a admiração que merece. Mas até lá, o Thunder vai continuar perdendo, se lascando e escorregando em jogos disputados, sem que ninguém fale da equipe nem perceba que Durant é um monstro. Eles são amaldiçoados, e a hora é de outras equipes. Enquanto o Thunder apodrece no anonimato, pagando o crime de ter roubado a franquia de Seattle, o Memphis Grizzlies vê sua maldição dissipando e a atenção da mídia se aproximando: é a hora deles de brilhar, com direito a vitória em cima do Magic ontem, a décima primeira seguida deles em casa. Quando chegar a hora do Thunder, vamos lembrar desses dias amaldiçoados e sorrir, porque vimos Durant começar. Talvez ele até ganhe algum tipo de pelo facial, pra não parecer que tem 4 anos de idade. Talvez.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Oh Canadá...

Alguém chama o esquadrão da moda agora, loca!


Na semana passada saiu uma matéria no NBA.com em que um dos analistas contratados pelo site, o Art Garcia, sugeria uma troca entre Thunder e Raptors que era basicamente Jeff Green, Serge Ibaka (ou DJ White) e duas escolhas de draft pelo Chris Bosh. Segundo Garcia, o Thunder era um dos poucos times com a as peças certas para tirar o melhor ala de força da primeira metade da temporada no Leste do time canadense.

A troca faz muito sentido para o Thunder. Eles perdem o bom Jeff Green mas ganham um super ala de força em troca, um cara para fazer o garrafão dos ladrões de franquia finalmente dar medo em alguém. O time continuaria com Russell Westbrook como ótimo armador, Nenad Krstic e Nick Collison revezando no pivô e nas posições 2 e 3 Kevin Durant, Thabo Sefolosha e o novato barbudo James Harden não fariam ninguém sentir falta do Green. Poderia ser muito bom também para o Bosh. Duvido que ele, sozinho, consiga carregar um time muito longe. Por melhor que ele seja, eu tenho minhas dúvidas sobre ele ser o líder de um time campeão como são Kobe, Wade ou Duncan, por exemplo. Acho que o Kevin Durant tem mais esse perfil e ao lado do Bosh seriam uma dupla avassaladora.

Só tem um problema nessa história toda: por que o Raptors iria querer trocar o Chris Bosh por um jogador que, por melhor que seja, nunca deverá chegar próximo de ser o que é o Bosh? A desculpa que o Art Garcia dá em seu artigo é a mesma que trocentas pessoas de dezenas de lugares diferentes dão, dizendo que é melhor o Toronto trocar o Bosh por alguma coisa agora do que perder ele em troca de nada quando a temporada acabar. Faz sentido, mas quem disse que o Bosh vai dar o fora?

O Bosh nunca disse que quer sair de Toronto. Ele já disse que quer brigar por títulos, que quer jogar em times fortes, mas nunca falou que pensa em deixar o Raptors ao fim da temporada. Pelo contrário, disse algumas vezes que gosta da organização, da cidade e do ambiente de Toronto. Seguindo essa linha de pensamento, por que ninguém sugere que o Miami troque o Wade antes do fim da temporada? Ou até indo para jogadores com menos nome, por que ninguém diz para o Spurs trocar o Ginobili antes de perdê-lo por nada? O argentino já disse que pensa em sair de San Antonio. Não falam do Dallas trocar o Dirk e nem mesmo o Josh Howard. Conseguem até falar mais do Bosh do que do Amar'e Stoudemire, outro que sempre tentam jogar pra fora do Suns.

A única explicação que eu tenho pra isso é que ninguém respeita o Toronto Raptors. Na cabeça dos torcedores e da mídia americana, nenhum jogador tem o desejo de jogar no Raptors, ninguém quer morar no Canadá e todo mundo quer se mudar para Nova York ou Los Angeles. Se forem fazer uma estatística é bem capaz que a maior parte queira ir para NY ao invés de Toronto, mas chegou a um ponto de exagero em que as declarações do Bosh, sempre a favor do Raptors, são ignoradas. Ele fez carreira em Toronto, gosta de lá e o time tem melhorado, se no começo da temporada chegou a ser uma das piores defesas da NBA, hoje já ameaça o quinto lugar do Miami Heat, não é como se o Bosh estivesse num time fadado ao fracasso.

Chegaram a comentar que o Bosh não ganhou a vaga de titular no All-Star Game porque ele joga no Canadá, que só isso poderia explicar porque o Garnett, mesmo com contusões e números baixos, o superou. Mas nesse caso achei exagero, o Vince Carter era sempre bem votado quando jogava por lá e é difícil para qualquer jogador superar o Garnett quando o assunto é apelo popular. Ele está na liga há muitos anos, todo mundo conhece ele no mundo inteiro e o cara conseguia ser incrivelmente famoso mesmo jogando no Wolves, um time com menos carisma e atenção que o próprio Raptors. Acho que o preconceito contra o Canadá até existe em certo ponto, mas não dá pra jogar a culpa de tudo nisso (lembrei agora do episódio dos Simpsons em que eles vão para o Canadá e em um momento o Bart vai jogar basquete, arremessa uma tijolada que só bate na tabela e um canadense grita "Ei, você consegue acertar a tabela, não quer ser o nosso pivô?").

Se eu fosse o manager do Raptors iria ignorar todos os boatos e todas as propostas de troca. Trocando o Bosh por um pacote como esse do Thunder, o time fica com boas peças em todas as posições mas sem um grande jogador para construir o time em volta. Mantendo ele na equipe, corre-se o risco de perdê-lo como Free Agent mas é só assim que também existe a chance de manter o seu melhor jogador no elenco. Ou seja, eles podem ser cautelosos e tentar apenas minimizar os danos ou podem se arriscar para tentar manter seu principal jogador e as chances de continuar melhorando.

Também não podemos esquecer que se o Bosh for embora, o Raptors ganha pelo menos uns 10 milhões de espaço salarial para investir em algum outro jogador, seria muito medroso da parte deles trocar o Bosh agora.

De todos os times que podem trocar jogadores importantes nesse meio de temporada, a minha maior aposta é no Suns trocando o Stoudemire. Para acreditar nisso tenho dois fatos: o primeiro foi que uma troca entre Suns e Warriors envolvendo o Amar'e esteve muito próxima de ser concretizada antes do começo da temporada; e segundo que o Suns, já em sexto lugar no Oeste depois de um começo animador de temporada, não vai longe nos playoffs. Juntando as duas coisas dá pra entender que o Amar'e não tem muito o que acrescentar ao time hoje e nem ele e nem o Suns tem muita intenção de continuar essa parceria para o ano que vem. Nesse caso sim, parece muito mais inteligente trocar o jogador e conseguir ganhar alguma coisa em troca.


Sobre a nossa promoção "Cai fora T-Mac"

Curiosidade sobre nossa promoção: na hora de pegar os endereços dos vencedores para enviar o boné, descobrimos que dois dos vencedores moravam no mesmo endereço! O Hennan e o Alfredo são irmãos!!! Entre as 100 propostas de troca enviadas escolhemos dois irmãos, os dois deveriam pensar em abrir um time de basquete.

Ainda falando sobre a promoção, eu sei que premiamos um que sugeriu a troca do Chris Bosh. Mas naquele caso além do Raptors receber um ótimo pacote em troca, foi a melhor sugestão de trocas bombásticas, envolvendo três times e estrelas, merecia um prêmio!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Descanso sem paz

Kobe tem problemas nas costas por andar no seu pequeno Delorean


Kobe Bryant precisa descansar. Ele é insano, workaholic, nerd e bitolado e por isso não vai tirar uns dias de folga, mas era disso que o Lakers mais precisava.

Foi até bom que o Kobe não jogasse mal contra o Cavs antes de eu escrever esse post, senão iria parecer apenas um comentário reagindo imediatamente a uma atuação ruim, mas não é o caso, ontem o Kobe fez um curativo novo no seu dedo quebrado, descansou as costas entre segunda e quinta-feira e conseguiu atuar bem e fazer um jogo disputado com o melhor time do momento na NBA.

O dedo do Kobe não me preocupa, ele já foi MVP da temporada com um dedo deslocado e campeão da NBA com um outro dedo estragado, ele não precisa de dedos. Se os Simpsons vivem bem com oito dedos e o Lula é presidente com nove, por que o Kobe não pode jogar com um a menos? Ele jogaria bem com 6 dedos e uma luva de goleiro. O que me preocupa mesmo é a dor nas costas que tem atingido nas últimas semanas. Existem contusões que exigem que um jogador mude um pouco como jogar, mas a dor nas costas incomoda até para viver, não dá pra jogar com ela. Alguém lembra do Larry Bird deitando no chão no fim da sua carreira por causa das dores nas costas? É uma dor cruel, um chute no saco por segundo.

Com a dor nas costas o Kobe teve aquela atuação horrível contra o San Antonio Spurs em que até teve que sair no meio do jogo, depois jogou muito mal contra o Orlando Magic, em que parecia mais lento não só para correr mas até nos seus já tradicionais movimentos de costas para a cesta. Não estava atrapalhando o time, isso seria demais, mas era óbvio que não era o melhor jogador em quadra.

No jogo contra o Orlando, com o Kobe não conseguindo marcar seus pontos (acabou com 11), o Lakers foi obrigado a apelar para todo o resto do elenco. O Bynum tentou atacar o Dwight Howard, o Gasol recebeu mais a bola, o Odom foi mais agressivo nas infiltrações e a dupla Jordan Farmar e Shannon Brown resolveu que a partir de agora o Lakers vai ter um banco de reservas decente. Todos eles juntos sofreram um bocado durante a sequência de pontos do Magic no terceiro quarto mas foram os mesmos jogadores que colocaram a cabeça no lugar e lideraram o time para a virada. Foi até bem divertido para a torcida ver, pela primeira vez em muito tempo, o banco de reservas garantindo uma vitória importante para o Lakers.

O que quero dizer com tudo isso é que o Kobe precisa descansar e ele tem dois momentos para isso. O primeiro é agora, o mais rápido possível antes que qualquer coisa mais grave aconteça. Ou no começo de fevereiro, logo depois que o Lakers acabar essa difícil e longa viagem com 8 jogos fora de casa que começou na última quinta contra o Cavs (e acaba num jogo amendontrador contra o Grizzlies, em Memphis. Nos últimos dois anos a combinação Bynum + Grizzlies-no-começo-do-ano resultou em um joelho estourado!).

Colocar o Kobe para descansar agora seria uma boa para a sua saúde. Durante essa sequência de jogos fora de casa acontecem 3 jogos back-to-back, que são aqueles jogos em dias consecutivos como o de ontem contra o Cavs e o de daqui a pouco (pelo menos na hora que estou escrevendo) contra o Knicks. Jogos em dias seguidos em cidades diferentes são terríveis para físico dos jogadores e as costas do Kobe podem sentir o tranco em algum momento. O risco de colocá-lo para descansar agora é a fria em que seus companheiros vão entrar. Eles vêm de derrota, de viagem desgastante, e vão ter que aprender a jogar sem o Kobe assim do nada, sem nem ter tempo para treinar. Isso poderia resultar em algumas derrotas embaraçosas e faria a confiança do time despencar.

O lado bom de um descanso para o Kobe seria justamente o contrário, uma injeção de confiança em alguns jogadores que andam meio apagados ofensivamente como o Ron Artest, Lamar Odom e Sasha Vujacic. Seria legal eles participarem mais, ganharem confiança ofensiva e continuarem rendendo assim quando o Kobe voltasse. É bem comum na NBA a contusão de algum jogador servir para revelar outros, é o que está acontecendo agora com o Blazers e o Jerryd Bayless, por exemplo, e foi o que aconteceu ano passado com o Paul Millsap aparecendo na contusão do Carlos Boozer.

A atual vantagem do Lakers para Denver Nuggets e Dallas Mavericks, empatados em segundo, é de quatro jogos, acho que o bastante para o time até perder alguns jogos e mesmo assim continuar na liderança da conferência. Perderia um pouco de terreno em relação aos líderes do Leste com quem o Lakers briga pelo mando de quadra nas finais, mas é o preço a se pagar para ter um Kobe 100% nos playoffs. Porque se tem uma coisa que ficou clara no jogo de ontem contra o Cavs e em tantos outros durante essa temporada é que o elenco do Lakers é muito bom e pode enfrentar qualquer um, mas precisam do Kobe para decidir. A grande diferença entre Lakers e Cavs no jogo de ontem foi que o Cleveland conseguiu ter a bola na mão do LeBron do jeito que ele queria quando o jogo estava para ser decidido, aí ele foi lá e fez o que sabe. O Lakers não conseguiu deixar o Kobe resolver, a bola caiu nas mãos do Gasol e ele falhou. Com o Kobe descansando, os outros jogadores seriam obrigados a decidir e poderiam, eventualmente, errar tudo também, mas é melhor correr esse risco agora do que ter um Kobe destruído nos playoffs e jogar a temporada inteira no lixo.

Já que o assunto são times que brigam pelo título e sofrem com contusão, temos que falar do Boston Celtics. Talvez eles estejam passando justamente pelo o que eu estou recomendando ao Lakers. O Kevin Garnett não tem condição de jogo e está fora há mais de 10 jogos (talvez volte hoje já!), nesse tempo o Celtics perdeu jogos fáceis, perdeu até em casa e a sua defesa caiu de produção. Mas se olharmos por outro lado, nesse tempo todo conseguiram manter o segundo lugar do Leste, fizeram o Rasheed Wallace ganhar minutos e ritmo de jogo, jogando algumas de suas melhores partidas como um Celtic e, principalmente, forçaram o Kendrick Perkins a mostrar que finalmente aprendeu a ser um jogador que é útil também no ataque. Desde que o Nemesis do Dwight Howard se tornou a única arma do Boston Celtics no garrafão (o Rasheed está com mais alergia ao garrafão do que a Andrea Bargnani), ele assumiu a responsa e agora distribui ganchos, arremessos curtos e enterradas como se fosse um Chris Kaman preto que engoliu um trator e uma lua pequena.

Agora quando o Kevin Garnett voltar ele terá ao seu lado, além dos sempre espetaculares Rondo, Pierce e Allen, o Rasheed Wallace com ritmo de jogo, o Perkins com confiança no ataque e, claro, o seu próprio joelho descansado e curado. Foram ou não foram algumas derrotas que valeram a pena? Mesmo com o Cavs jogando muita bola há mais de um mês, o Celtics ainda é, pra mim, o melhor time do Leste quando está com todo mundo em forma, assim como o Lakers é o melhor time da NBA quando tem o Kobe jogando sem dores.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Resultado da promoção "Cai fora, T-Mac"

Ninguém quer saber o que você achou das propostas, Tracy

E aí pessoal, ansiosos para saber quem foram os cinco vencedores da nossa primeira promoção em parceria com a adidas? Recebemos exatamente 100 propostas de troca e analisamos todas elas com muita atenção. Foram muitas idéias boas, muitas sem graça e outras tantas completamente absurdas, mas todas bem divertidas de analisar, me senti um General Manager com um produto valioso nas mãos. Acho que só o Mitch Kupchak deve ter recebido mais propostas quando disse que o Shaq estava disponível para trocas em 2004.

O critério de escolha não foi nada científico porque trocas na NBA não são uma ciência exata. Sem dúvida você que perdeu vai achar que a idéia que você mandou era melhor. Mas pode ter certeza de que não foi sorteado e nem aleatório, analisamos todas. Vimos o quanto a troca ajudaria o Houston Rockets e as outras equipes envolvidas tanto para o restante dessa temporada quanto para o futuro. Também levamos em consideração a criatividade na hora de bolar as trocas e quando mais de uma pessoa mandava uma mesma troca, a que mandou antes tinha vantagem.

Vamos aos vencedores:

A troca mais criativa por Carlos Henrique
Houston Rockets envia: Tracy McGrady e Shane Battier
Indiana Pacers envia: Mike Dunleavy Jr, TJ Ford e Jeff Foster

A troca já começou criativa por envolver o Indiana Pacers. Quase todo mundo ficou preso à trinca Knicks, Bulls e Jazz. Nessa troca o Rockets oferece não só o tentador contrato expirante do T-Mac como também um jogador para começar a reconstruir o Pacers, Shane Battier. O ala seria um bom defensor para um time que é obrigado a colocar o Danthay Jones sobre os melhores jogadores adversários, além disso Battier é exímio arremessador de três, parte essencial do esquema de Jim O'Brien.

O Pacers também se livra do TJ Ford, que está encostado e brigado por lá, e o Rockets só teria que mantê-lo até o fim da temporada e então liberar quase 9 milhões em salários para o ano que vem. Mas ao invés de só receber contratos expirantes em troca, como muita gente propôs, nesse caso o Rockets recebe outros dois que são contratos de dois anos. Assim Mike Dunleavy iria ganhar os minutos na posição do Battier e ser um jogador ofensivo mais confiável do que ele, enquanto Ariza segura as pontos como principal defensor.

Jeff Foster foi a sacada de mestre para fechar a conta: combina perfeitamente com o Houston por ser ótimo reboteiro ofensivo e seria um ótimo reserva para o Yao Ming na temporada que vem.

A troca bombástica por Israel Lopes
Houston Rockets envia: Tracy McGrady, Luis Scola e Carl Landry (recebe Bosh e Brad Miller)
Toronto Raptors envia: Chris Bosh (recebe Deng, Scola e Landry)
Chicago Bulls envia: Luol Deng e Brad Miller (recebe McGrady)

A troca é bem doida e envolve 3 times, é verdade, mas pelo menos um troca bombástica teria que ganhar um boné.

O Rockets não só perde T-Mac como perde seus dois melhores jogadores de garrafão, Scola e Landry, mas em compensação ganha a chance de seduzir seu garrafão novo, Bosh e Miller. Os dois serão Free Agents ao fim da temporada e o Houston, com os contratos que mandou, teria chance de ficar com os dois. Apresentando a dupla ao técnico Rick Adelman e ao ambiente do Rockets e talvez com uma boa campanha nos playoffs, o Rockets saía na frente na hora de montar esse forte garrafão para a próxima temporada. Imaginem um garrafão com Bosh e Yao com Brad Miller no banco? Espetacular! Não podemos esquecer que foi com Adelman, no Kings, que Brad Miller teve sua melhor fase na carreira e que o Bosh é nativo do Texas, ótimos atrativos.

O Raptors só faria isso se tivesse com muita certeza de que perderia o Bosh quando ele virasse um Free Agent. Aí nesse caso receberia o Luol Deng, um marcador de pontos nato para um time que sofre com isso devido à temporada fraca do Turkoglu. Landry e Scola fariam o trabalho sujo do garrafão como já fazem hoje no Rockets, deixando Bargnani continuar com alergia a garrafão.

O Bulls iria se livrar dos contratos enormes de Miller e Deng e abrir a carteira para Dwyane Wade. Eles teriam MUITO dinheiro, o Derrick Rose, o Joakim Noah, e são a cidade natal do armador do Heat, proposta irrecusável.

A troca Mágica por Bruno Petry
Houston Rockets envia: Tracy McGrady
Washington Wizards envia: Caron Butler e Mike Miller

O Bruno Petry não foi o único a enviar essa proposta, mas foi o primeiro. Também não foi o único a sugerir algo parecido envolvendo o Wizards, mas foi o que mandou a proposta mais simples e eficiente para os dois lados.

O Rockets ganharia dois jogadores para dar um boost no ataque da equipe até o fim da temporada e nem precisaria renovar com o Mike Miller, poderia usar os quase 9 milhões que ele liberará de salário para reforçar outras partes mais deficientes da equipe. O Caron Butler seria útil porque o Ariza, por melhor que seja, não consegue carregar um time nas costas no ataque. O Butler seria o que o T-Mac deveria ter sido para o Rockets e nunca conseguiu.

O Wizards com essa troca abriria muito espaço para começar a reconstrução que parece cada vez mais iminente na capital americana. O ideal seria conseguir trocar o Gilbert Arenas, mas como isso é quase impossível, troca-se jogadores da posição em que joga o Nick Young, que finalmente teria espaço para aparecer.

O Joe Dumars por Hennan Santos
Houston Rockets envia:Tracy McGrady
Detroit Pistons envia: Richard Hamilton e Tayshaun Prince

Não poderia ter uma promoção de trocas se não tivesse um cara metido a Joe Dumars para fazer o Pistons tentar se reerguer no Leste de uma hora para a outra. Essa troca livraria o Pistons de dois contratos enormes e com o contrato expirante do T-Mac possibilitaria à equipe entrar na briga por Free Agents pelo segundo ano seguido, dessa vez com a obrigação de correr atrás de jogadores de posições que eles realmente precisam!

Com os dois indo embora o Ben Gordon teria mais espaço na posição 2 e o Jonas Jerebeko teria a chance de ser o Tayshaun Prince versão 2.0 que ele promete ser. E o espaço salarial poderia ir para o Boozer, Bosh ou qualquer outro cara de garrafão.

Com essa troca o Rockets ganha um pontuador que se encaixaria perfeitamente no esquema do Rick Adelman, Rip Hamilton. Ele é inteligente, se movimenta sem a bola como poucos e tem o que quase ninguém no Rockets tem, jogo de meia distância. Cairia como uma luva! O Prince não é tão necessário quando já tem Ariza e Battier, mas poderia ser usado como ala de força improvisado enquanto não trocassem ele mesmo ou o até o Battier.

Começando do zero por Alfredo Queiroz
Houston Rockets envia: Tracy McGrady
Chicago Bulls envia: Brad Miller e Jerome James

Acho que 90% das trocas sugeridas envolviam o Rockets mandando o T-Mac e o outro time mandando algum mané ruim que também tinha o contrato acabando. Mas para o Rockets não é interessante só trocar salários, o legal seria ganhar também algum jogador que pudesse oferecer algo para a equipe durante essa temporada e nas temporadas seguintes.

Nesse caso gostei dessa proposta porque ela envolve o Brad Miller. Como disse antes, ele teve sua melhor fase na carreira (disparado!) com o Adelman e está com uma idade em que a única coisa que quer é estar em um time forte, vencedor. Não vejo uma razão para que ele não continuasse no Rockets no ano que vem recebendo um salário bem menor.

Nesse caso o Rockets ganha um pivô para usar o restante da temporada e que já conhece o sistema do time e ganha a chance de manter o cara no ano que vem mesmo ele sendo Free Agent, já que a situação tem tudo para agradá-lo. No ano que vem ele pode tanto jogar como reserva de ala de força quanto como pivô, transformando o Rockets em um timaço. O Jerome James viria só por questões salariais mesmo.

Para o Bulls seria bom porque liberaria muita grana para a temporada que vem, em que eles querem muito pegar o Dwyane Wade. Sem contar que o T-Mac, que se diz recuperado de contusão, poderia ser muito útil para fazer pontos, o ataque da equipe não é o mesmo desde que o Ben Gordon foi embora. O T-Mac poderia jogar como 6º homem e ser muito útil até o fim da temporada.

...
Agradecemos às 100 pessoas que mandaram suas propostas de troca pela participação, pedimos desculpas aos que acham que mandaram propostas melhores que as dos vencedores, mas podem ficar tranquilos que nós e a adidas já estamos planejando muitas outras promoções.

Entraremos em contato com os vencedores para pegar todos os dados necessários para o envio dos bonés!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Em busca de uma explicação (e de um culpado!)

Vince Carter tem sua bunda fotografada


A noite de segunda-feira teve um jogo que tinha tudo pra ter um clima de playoff, uma tensão no ar e os times com os ânimos à flor da pele. Mas acabou sendo mais um jogo comum da temporada regular. Foi a primeira partida entre Lakers e Magic desde a final do ano passado e por motivos difíceis de explicar, o jogo não era assim tão esperado. A NBA escolheu por dar à rodada de Natal Lakers-Cavs, que a torcida e a mídia abraçaram como um jogo imperdível, e eu, nesse post, sugeri que na verdade o grande jogo da NBA para o Natal ainda deveria ter sido Lakers e Celtics. E ninguém questionou dizendo que deveria ser uma revanche da final do ano passado.

Um dos motivos para essa aparente falta de respeito contra o Magic pode ser explicado pelo placar amplo da final do ano passado, 4 a 1, embora não dê pra esquecer que os jogos foram difíceis e que dois deles foram para a prorrogação. Talvez tenha faltado uma rivalidade maior, brigas, declarações polêmicas, sei lá. Outro motivo que justificaria um pouco esse descaso seria o time titular do Magic. 3 dos 5 que começaram aqueles jogos foram embora: Turkoglu, Rafer Alston e Courtney Lee.

Esses argumentos parecem válidos e certamente o são, mas tem uma outra coisa que eu acho que estragou tudo: timing. Se essa partida tivesse acontecido no meio de dezembro ela seria entre o líder do Oeste e o líder do Leste, os dois em grande fase. O jogo de ontem foi entre o líder do Oeste que perde terreno a cada semana e tem o Kobe muito baleado por dores nas costas, e o quarto colocado do Leste que perdeu mais do que ganhou nos últimos 20 jogos.

Se o problema do Lakers é bem claro, a saúde do seu principal jogador (que claramente precisa de pelo menos uma semana de descanso antes que desmonte como um lego mal montado), o problema do Magic é muito difícil de entender.

O jogo contra o Lakers foi o exato meio de temporada para o Magic, a partida de número 41. E essa metade pode ser cortada em mais dois pedaços pra mostrar como esse time não faz um puto de um sentido. Nos primeiros 21 jogos o Magic venceu 17 partidas e perdeu 4. Nas últimas 20 partidas ganhou 9 e perdeu 11.

A primeira reação a esses números é um sonoro "Que porra é essa, viado?". Se o time mudou muitas peças, perdeu três titulares dos playoffs do ano passado e precisa pegar todo o entrosamento de novo não deveria ser o contrário, começar mal e melhorar depois? E faz menos sentido ainda quando se pensa que o time ainda estava sem Rashard Lewis e Jameer Nelson no começo da temporada.

Um dos motivos destacados durante o começo da temporada para o sucesso do Orlando Magic era o seu elenco profundo e talentoso. Se Rashard Lewis não poderia jogar como ala de força titular o técnico Stan Van Gundy tinha a opção de um garrafão pesado usando o Brandon Bass ou manter o mesmo esquema com o Ryan Anderson. Para a contusão do Nelson tinha o Jason Williams jogando muito. Isso sem contar as combinações nas posições 2 e 3 com Vince Carter, Matt Barnes, Mickael Pietrus e JJ Redick, todos com condição de ser titular, oferecendo talentos diferentes.

O número e a qualidade do elenco do Magic, portanto, está longe de ser uma desculpa, talento é o que não falta por lá. Inclusive eu cheguei a apostar no começo da temporada que o Magic tinha tudo para ter um dos três melhores ataques, tamanho o domínio do time nas primeiras rodadas, com o Jameer Nelson e o Vince Carter machucando as defesas com as infiltrações, o domínio dos rebotes ofensivos do Dwight Howard e o bombardeio constante e eficiente nas bolas de 3. Eles pareciam imparáveis.

Durante um tempo eu cheguei perto de acertar minha previsão, mas com esses últimos 20 jogos a coisa mudou. Hoje o Magic é apenas o 11º colocado no ranking de pontos por jogo e o 9º no ranking que conta o número de pontos marcados a cada 100 posses de bola. Os próprios números também descartam a defesa como motivo da queda de rendimento, o Magic é o 8º melhor em pontos sofridos por jogo e o 6º em pontos sofridos a cada 100 posses de bola.

Uma derrota para o Lakers em Los Angeles não é motivo para eu vir aqui escrever um post falando que o Magic está fedendo, mas nos últimos 9 jogos eles conseguiram perder para Bulls, Pacers, Raptors e Wizards, todos times com recorde bem inferior ao deles. E quando pegaram times mais fortes, o Nuggets e o Blazers, não só perderam como tomaram surras que me lembraram a saudosa Dóris em "Mulheres Apaixonadas". A derrota para o Lakers, inclusive, foi até motivo de alguma comemoração por ter representado a melhor partida do time desde a última vitória sobre o Atlanta Hawks, equipe que hoje está na frente do Magic na classificação do Leste.

A gente comentou por aqui como o Dwight Howard estava jogando muito mal e muito abaixo do que se espera dele, e esse poderia ser um motivo para que o Magic estivesse mal das pernas, afinal é o melhor jogador do time. Eis então que na partida contra o Lakers o Superman resolve ligar para o Danilo, dizer "eu li teu post, moleque!" e começar a jogar como o Tim Duncan. Gancho pra cá, giro pra lá, vários arremessos usando a tabela e impressionantes 18 pontos no primeiro tempo contra o melhor garrafão da NBA. O Magic, no entanto, estava perdendo.

No segundo tempo o Magic começou a ter a síndrome do armador bom. É uma síndrome que ataca todo mundo que já jogou basquete em qualquer pracinha do mundo e funciona da seguinte maneira: se um armador ou qualquer outro jogador de perímetro está jogando bem e com confiança, ele não passa a bola para o pivô. Simples assim, não importa o quanto aquele grandalhão bobo fique balançando os braços. Foi o que aconteceu quando Jameer Nelson, Mickael Pietrus, Matt Barnes e principalmente o Rashard Lewis começaram a mandar bala no segundo tempo do jogo. E foi quando eles jogaram bem e o Dwight Howard nem enconstou na bola (foi dar seu primeiro arremesso no segundo tempo só no meio do quarto período) que o Magic cortou a diferença do Lakers e abriu mais de 10 de vantagem.

Até comentaram aqui no blog que não adiantava o Dwight Howard jogar melhor porque o time não jogava bem com ele como foco no ataque e a prova tinha sido o jogo contra o Lakers. Mas se você viu o jogo, deve ter percebido que enquanto o Dwight tomava conta do ataque, a defesa sofria com o Lakers acertando mais de 60% dos seus arremessos, enquanto no segundo tempo, quando o Magic abriu, o Lakers não conseguia fazer ponto nem arremessando papel amassado no lixo.

O Magic ideal é um mix disso tudo. O Magic pareceu melhor com o time correndo e todos os jogadores de perímetro envolvidos, mas só deu certo porque eles estavam jogando em contra-ataque, pegando a defesa do Lakers ainda na volta para a defesa. Quando a defesa do Magic funciona bem é que o time tem que partir rápido para o ataque e usar a velocidade de todos os seus jogadores, nenhum ala de força na NBA acompanha o Rashard Lewis na corrida. Dá para o Jameer Nelson ou o Vince Carter puxarem o contra-ataque e eles mesmos podem desmontar a defesa com uma infiltração e provavelmente outros três caras vão acompanhar e parar em diferentes lugares da quadra para se posicionar para o arremesso, é muito difícil marcar um time que sabe fazer um jogo de transição assim.

O Dwight Howard entraria para o jogo como o cara que pega o rebote para essa transição e principalmente para quando ela não desse certo. Ele tem que ser o foco ofensivo da equipe quando eles forem obrigados a jogar um basquete de meia quadra e quando isso acontecer ele deve ser o jogador que foi contra o Lakers, com recursos ofensivos e com arremesso de meia distância. Não vai ser sempre que vai dar certo, ele não desenvolveu esse jogo como deveria nos últimos anos, mas cedo ou tarde vai ter que começar.

Tudo isso parece bem óbvio e é mesmo, mas não é o que estamos vendo no Magic. A transição e o jogo de meia quadra como eu descrevi dependem de uma coisa básica para todo o time, a movimentação de jogadores e de bola. O Rashard Lewis só é um matchup ruim para um outro ala de força mais alto e mais pesado quando ele se movimenta bem pelo perímetro, o Jameer Nelson é um armador que mereceu ser chamado para o All-Star Game do ano passado quando usa e abusa dos bloqueios para achar arremessadores e seu próprio arremesso. O que a gente tem assistido é o Rashard Lewis parado em um canto para arremessar enquanto Jameer Nelson e Vince Carter passam 20 segundos driblando a bola e aí forçam um arremesso.

Parte da culpa é dos dois jogadores, principalmente do Carter. Ele está jogando tão mal, mas tão mal, que eu o colocaria como a maior decepção individual de toda a temporada, inclusive à frente do Turkoglu, que tem sido pior e menos útil do que o Jarret Jack no Toronto Raptors. O Carter está com uma patética média de 16 pontos por jogo, 38% de aproveitamento nos arremessos de quadra e só 30% nos três pontos. Isso sem contar os inúmeros jogos em que arremessou 15 bolas e acertou duas. A grande desvantagem de ter o Carter ao invés do Turkoglu na equipe é que o Magic perdia em movimentação de bola e passe, já que o Turko era um armador em corpo de ala, mas pelo menos ganhavam alguém que poderia marcar pontos criando o próprio arremesso quando o ataque estivesse estagnado. Alguém pra isolar e ganhar uns pontos só no talento.

Pois o Carter realmente não tem um terço da visão de jogo do Turkoglu, a bola não se mexe, o resto do time fica parado vendo o Carter jogar (isso não é culpa dele, no entanto) e ele não consegue marcar os seus pontos. Ele trouxe todos os pontos negativos que a gente esperava e não trouxe os positivos.

Sabe a última grande vitória do Magic que eu citei, a contra o Hawks? Ela foi seguida de uma vitória sobre o Kings e os dois jogos tinham uma coisa em comum entre eles e de diferente em relação à derrota anterior para o patético Washington Bullets: Vince Carter não estava jogando. Pois é, com o branquelo do JJ Redick no time titular e com ele dividindo os minutos com Pietrus e Barnes, o time foi infinitamente melhor do que com Vince Carter. Tá bom que não deu muito certo contra o Nuggets, mas é que o Redick oferece a movimentação e a filosofia que o Magic precisa para jogar, mas em compensação não é bom o bastante para se garantir como titular e fazer o time vencer o Nuggets em Denver.

Sem o Carter o time não tem pra quem entregar a bola e ficar esperando alguma coisa acontecer. O Jameer Nelson até é mais do tipo fominha mas não chega aos pés do Carter, e com a bola na sua mão o time se mexe mais e ele responde com mais passes.

O Vince Carter como o principal motivo do Magic estar jogando mal acaba respondendo uma crítica que eu tinha feito a ele no começo na temporada. Eu tinha falado que esperava que ele fosse mais do que só um arremessador e finalizador de contra-ataques como vinha sendo nos primeiros jogos e que se tornasse um líder, alguém que chamasse o jogo como fazia o Turkoglu, principalmente nos minutos finais do jogo. Errei feio. Carter não é Turkoglu e o time funcionava bem melhor quando o VC se limitava a ser um marcador de pontos, um cara que se posiciona para finalizar jogadas e só. Parece ridículo contratar um cara desse nome e desse porte só para isso mas era assim que o Magic jogava quando vencia.

Não custa lembrar esse post que eu escrevi depois de um mês de temporada, lá já me mostrei preocupado com a quantidade de tempo que o Vince Carter passava com a bola na mão. Naquele texto, porém, falei como é bom para eles ter um cara talentoso para arremessar umas bolas importantes no fim dos jogos, só falta achar equilíbrio.

Se eles voltarem a tirar a bola da mão do Carter e descobrirem quando usar o perímetro e quando apelar para o pivô que eles tem lá no meio, o Magic estará de volta à briga do título do Leste. Do jeito que eles estão jogando hoje eles não passam da segunda rodada dos playoffs nem com reza brava. E que atirem as pedras no Carter, mas não no ombro porque ele já está machucado.