sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

As quebradeiras - parte 2

Esses caras que caem no chão pra fazer cera me irritam


Depois de um fim de semana em que tentei fazer aquilo que os seres humanos chamam de "vida social", cá estou para terminar o prometido texto sobre as contusões que estão assombrando os grandes times da NBA. Para minha sorte, nenhuma contusão muito séria me fez mudar muito o texto, só o Scalabrine que se machucou mas isso acho que dá pra deixar passar.


Portland Trail Blazers - O Oden se machuca toda vez que volta de uma contusão. Mas o que esperar de um senhor de 70 anos, certo? O Blazers é um timaço mesmo sem o Oden, vai fazer muito barulho nos playoffs e tem talento pra dar e vender. Mas não é por isso que as frequentes contusões do Oden devem passar despercebidas.

Ter um pivô defensivamente forte é justamente o que separa o Portland de ser um time "que faz barulho" de um time que luta por títulos. E se outro dia a gente reclamava que o Oden não pegava experiência por causa de seus problemas com falta, imagina não jogando um minuto sequer? Alguém dê leite cheio de cálcio pro menino ficar bom logo, o Portland precisa dele mais do que parece.


Dallas Mavericks - O Dallas é um time baseado ("baseado" não no sentido Josh Howard, que fique claro!) em arremessadores. Toda a dinâmica ofensiva é baseada em que, em algum momento, algum bom arremessador fique livre, geralmente o Nowitzki ou o Josh Howard. E, em determinados momentos do jogo, o Jason Terry.

Com a contusão do Terry deu pra ver com mais clareza quais são esses momentos do jogo: os mais importantes. Por mais piadas que faça sobre o assunto, não sou daqueles que acham o Dirk Nowitzki amarelão, muito pelo contrário, confiaria arremessos decisivos a ele o tempo todo se fosse técnico, com raras exceções, como, por exemplo, ter o Jason Terry no time.

Quem é torcedor do Dallas sabe a quantidade de arremessos gigantescos que o Terry acerta em todo jogo. Seja quando o Dallas precisa de pontos fáceis, seja quando está para abrir grandes diferenças, e principalmente em quartos períodos. Segundo dados do 82games.com, o melhor site de estatísticas de NBA, o Terry é o sétimo melhor pontuador em quartos períodos em toda liga com 6,4 pontos por quarto período. Na frente dele apenas LeBron, Kobe, Granger, Wade, Roy e Devin Harris. E acho que todo mundo que já viu ou jogou um jogo de basquete na vida sabe quantos e quantos jogos não são decididos apenas no quarto período, em que a cesta parece menor e muitos jogadores desaparecem do jogo.

Só para constar, o Josh Howard tem média de 2,5 pontos por quarto período, o Dirk 4,6.


Phoenix Suns - Primeiro queriam trocar o Amar'e, mas ao invés disso trocaram de técnico e o Amar'e parecia feliz em jogar no Suns de novo. E dois jogos depois ele teve mais um problema no olho que o fez usar óculos no começo da temporada, e aí já era o ano dele.

Perder o Amar'e para o resto da temporada inteira para Suns é uma perda imensa, tanto que alguns jornais de Phoenix afirmam que gente lá do Phoenix disse que se soubesse da contusão antes da data limite para trocas teriam abandonado a temporada e trocado o Shaq.

Jogar sem o Amar'e obriga o Suns a jogar com uma formação mais baixa, geralmente usando o Grant Hill ou o Matt Barnes na posição 4, o que é legal durante uns minutos, mas o Shaq não é mais nenhum menino pra jogar 45 minutos por jogo, então quando ele descansa o Suns usa o Louis Amundson ou o Robin Lopez de pivô e ao lado dele um jogador baixo como ala de força, o que significa um garrafão mais fraco que o de muito time da NBB.

Em um Oeste cheio de contusões, com o Shaq motivado do jeito que está e com um time feliz em correr de novo, o Suns tem até bastante chance de ir para os playoffs, mas imaginar eles jogando dois minutos de um jogo de playoff com o Shaq no banco já é de dar medo. Podem contar mais um fracasso de primeira rodada para o Suns.


Boston Celtics - Bom, sem Garnett o Celtics perdeu para o Clippers, precisa dizer mais alguma coisa? Hoje eles perderam para o Pistons mas isso até dá pra perdoar porque o time de Detroit estava sem o Iverson, o que parece ser a fórmula mágica para eles.

Mas falando sério, a contusão do Garnett não parece séria o bastante para tirar ele de ação por muitas e muitas semanas ou meses, mas serve para mostrar uma certa fragilidade do Celtics. Nenhum dos três grandes jogadores do time é novinho e basta um deles cair que o Boston vira um time mais fraco, ainda forte, claro, mas mais humano.

E principalmente se quem machucar for o Garnett, principal peça do sistema defensivo do time, que é a marca registrada deles. Perder o Ray Allen pode ser mais aceitável se o Paul Pierce jogar mais minutos e em alto nível e se o Eddie House estiver inspirado, perder o Pierce pode ser aceitável se o Ray Allen jogar como nos seus tempos de Sonics, mas perder o Garnett exige que o Glen Davis jogue com um talento que ele não tem nem mesmo se você procurar em cada banha daquele corpo.

Outro risco para o Celtics é que essa contusão do Garnett está custando jogos que antes seriam vitórias garantidas, como o do Clippers que eu citei. Isso pode fazer a diferença na hora de definir o mando de quadra em uma possível final com o Lakers ou mesmo antes, em uma série contra o Cavs. Ano passado o Celtics acabou os playoffs como campeão mas com um patético recorde de apenas 2 vitórias (Pistons, Lakers) e 10 derrotas (3 Atlanta, 3 Cavs, 2 Pistons, 2 Lakers) fora de casa.


Cleveland Cavaliers - Um mês sem o Ben Wallace com a perna quebrada. Isso quer dizer mais um mês de festa pra todo mundo que tem o Varejão no seu time de fantasy. No começo da temporada foi o Ilgauskas que se machucou e o Varejão entrou muito bem no lugar dele, agora entrará no lugar do Big Ben e tem tudo pra dar certo de novo.

O porém aparece no banco de reservas. O novato JJ Hickson é bom mas terá muito mais minutos confiados a ele em um momento crucial da temporada em que o Cleveland tenta confirmar a liderança do Leste para ter mando de quadra nos playoffs. De qualquer forma o Cavs é o time com chance de título que menos sofre com as contusões nesse momento da temporada.


Orlando Magic - Eu achei a troca do Magic pelo Rafer Alston uma ótima sacada. Pegaram no último dia possível um armador que se encaixava no perfil que eles queriam e perderam muito pouco pra isso. Mas mesmo assim não passou de um remendo.

Minha aposta até um tempo atrás, mesmo com vitórias sobre todos os favoritos, era que o Magic não venceria o Leste jamais. Sem o Jameer Nelson não vão ganhar mesmo, mesmo que o Alston jogue melhor do que já jogou em toda carreira.

Além do Nelson ser muito mais defensor, ele é melhor preparador de jogadas e é uma ameaça muito maior no ataque, criando inúmeras chances para os outros jogadores marcarem cestas. Além disso, acontece aqui o mesmo caso do Dallas, o Nelson era o maior cestinha do Magic em quartos períodos. Com 4,9 pontos por período decisivo, ele fazia mais pontos que Rashard Lewis, Turkoglu e Dwight Howard. Nelson também conseguia ficar entre os 20 primeiros da liga inteira em assistências no quarto período, com números próximos aos do LeBron James, nada mal.

Se alguém aqui assistiu aos jogos em que o Magic venceu fora de casa o Spurs e o Lakers, irá lembrar dos arremessos decisivos do Nelson nos quartos períodos dos dois jogos. Sem o Nelson o Magic é um time ainda forte mas que volta e meia irá perder para adversários mais fracos. O sonho do título fica para o ano que vem, com o Rafer Alston como reserva.


Respondendo ao comentário do outro post, o título "Quebradeiras" é sim uma homenagem à péssima série da MTV. Eita programinha vagabundo...

As quebradeiras - parte 1

O texto é sobre contusões de verdade, dá o fora Paul Pierce!

Ontem estava assistindo a lavada espetacular que o Lakers deu no Suns e em determinado momento a transmissão da ESPN gringa mostrou na tela uma lista com dados muito interessantes. Era uma lista com todos os machucados dos principais times do Leste e Oeste. Basicamente todos os 9 candidatos a vaga nos playoffs do Oeste e os 3 favoritos do Leste sofrem ou sofreram com contusões de peças importantes nessa temporada.

Eles ainda fizeram um paralelo legal dizendo como no ano passado, nessa mesma época do ano, a graça da temporada estava em ver como os times estavam lidando com suas novas aquisições (Gasol, Shaq, Kurt Thomas, Kidd, Korver, etc.) e nesse ano o interessante está em ver como as equipes estão se saindo ao perder jogadores.

Vou tentar não me alongar muito porque são muitos times, mas é essencial comentar como cada time está lidando com as perdas. Nesse ano não é um time ou outro que perdeu um grande jogador por contusão, foram praticamente todos e em uma liga disputada isso faz toda a diferença. E não, não vou comentar do Wizards sem o Gilbert Arenas, podem ficar tranquilos.



Los Angeles Lakers - O Lakers perdeu o Andrew Bynum como no ano passado mas não está com nenhum problema. Sem ele o Lakers venceu o Celtics em Boston e logo depois foi o único time a bater o Cavs em Cleveland. Na ausência do Bynum, o Gasol voltou a jogar de pivô, jogando até melhor do que antes, e o Odom está com atuações que renderiam até um lugar no All-Star Game se fossem no começo da temporada.

Desde a contusão do Bynum, o Kobe tem mais ou menos uns 6 pontos a mais de média, o Gasol mais uns 4 e o Odom quase o dobro, os três estão dando conta do recado e até defensivamente o Lakers não tem sentido tanto a falta do Bynum como sentiu no ano passado. Quer dizer que o time de LA vai ser campeão mesmo se o Bynum não voltar? É possível, mas eu não apostaria dinheiro nisso.


San Antonio Spurs - Primeiro foi o Ginobili fora no começo da temporada, logo depois o Tony Longoria. As duas contusões comprometeram um pouco o começo da campanha dos Spurs em termos de números mas serviram para outras coisas: mostraram que o George Hill e o Roger Mason dão conta do recado e que o Bruce Bowen já pode começar a procurar por asilos confortáveis na região de San Antonio.


Com os dois de volta, as vitórias apareceram e o Spurs entrou de novo entre os favoritos. Aí o Ginobili se machucou de novo, ficará de fora por pelo menos duas semanas e o Duncan está com fortes dores no joelho, desfalcando o time também. O resultado disso? 35 e 39 pontos para Tony Parker em jogos consecutivos contra Dallas e Portland. Como disse o Popovich, "O importante é todos estarem saudáveis nos playoffs". Até lá, de alguma maneira que a ciência não explica, o Spurs dá um jeito.


Utah Jazz - Se para o Spurs as contusões de Parker e Manu serviram para revelar Mason e Hill, no Jazz a contusão de Carlos Boozer serviu para eles verem que mesmo se perderem o ala na temporada que vem, o Millsap dá conta do recado. Quer dizer, mais ou menos.

Muita gente disse que a surpresa do Millsap aparecer fazendo trocentos pontos na ausência do Boozer foi ótima porque assim o Jazz não precisa se preocupar em gastar uma grana preta pra manter o Boozer na temporada que vem. Mas acho que essa pode ser uma aposta errada. O Millsap jogou muito bem, teve números dignos do próprio Boozer, é mais jovem e nunca teve problemas de contusão. Mas até onde ele levou o Jazz? Com ele jogando muito bem o Jazz não foi tão bem, ficou sempre ameaçado de ficar fora dos oito classificados para os playoffs e só se recuperou mesmo quando o Deron Williams voltou da sua contusão e, com a ajuda de Kirilenko e Okur, botaram o time nas costas.

Ou seja, esse time funciona bem se Deron, AK47 e Okur estiverem bem, o talento de Millsap e Boozer são "apenas" o diferencial, entre o Jazz ser um time mediano e um que briga pelo título.

O Millsap é muito bom, isso é fato. Mas não tem o arremesso do Boozer, o que é importante demais pra esse Jazz. E ele pode levar o time tão longe quanto o Boozer? Se eu tivesse os dois como Free Agents e pudesse pagar apenas um, levaria o Boozer. E tudo indica que o Jazz não concorda comigo.


New Orleans Hornets - Nunca um time pareceu envelhecer tanto de um ano para o outro. Passou apenas um verão nos Estados Unidos e de repente o Stojakovic e o Morris Peterson pareciam ter 90 anos de idade, rugas e um estranho gosto por bocha.

O sucesso do Hornets ficou na mão do Chris Paul, do David West e do Tyson Chandler. Até que o Chandler perde quase a temporada inteira e um time candidato a título se tornou um time de dois jogadores.

Para o Hornets ser um time bom eles precisam demais do Chandler como o principal reboteiro ofensivo da NBA, como um dos líderes em tocos e da sempre ameaçadora ponte-aérea dele com o Chris Paul. A contusão dele serviu para mostrar um Hornets limitado, dependente das suas poucas boas peças e mostrou também como o Chris Paul é o melhor armador do mundo. Sério, se ele fosse um armador só bom, não espetacular, esse time estaria em nono no Oeste facilmente.


Houston Rockets - O Rockets agora é um time forte. Ontem eles bateram o Cavs, limitaram o LeBron James a seu primeiro jogo na carreira sem assistências e o Yao se mostrou um novo homem: machucou o Ben Wallace (depois de uma trombada o Ben Wallace saiu do jogo com a perna quebrada) ao invés de sair machucado e enterrou na cabeça do LeBron James ao invés de ser marretado. É o mundo às avessas!

Essa nova fase do Houston que venceu 8 dos últimos 10 jogos se deve a duas perdas, a do Tracy McGrady e a do Rafer Alston. A troca do Alston foi uma injeção de confiança no Aaron Brooks que transformou o Houston em um time com um ataque mais dinâmico, e ainda trouxe o Kyle Lowry que joga demais e é ótimo para se ter no banco. Já a perda do T-Mac foi bom porque fechou o grupo, ele finalmente parou com esse vai não vai e afirmou com certeza que não volta mais nessa temporada.

O Houston, então, agora sabe que não tem mais ninguém pra ser trocado, sabe ao certo quem é o time titular e sabe o papel de todo mundo. Depois de uma temporada cheia de lenga-lenga mais chato que a atual novela das 8, o Houston agora tem identidade, tem uma rotação fixa. É, afinal, um time. Um time bem forte, aliás, que o diga o LeBron, que além da enterrada do Yao sofreu com um mix de marcação do Artest e do Shane Battier. Eu prefiro apanhar de cinta a ser marcado pelos dois no mesmo jogo.


Denver Nuggets - Em comparação aos outros, é um dos times que menos sofreu com as contusões. Perdeu o Carmelo Anthony por 10 jogos (6 vitórias, 4 derrotas) mas acabou no fim das contas servindo apenas para a liderança da divisão noroeste ficar um pouco menor sobre o Portland, nada comprometedor. Mais preocupante é a atual contusão do Nenê, que ainda bem não parece séria. Se eles perdem o Nenê, dão adeus a qualquer resto de esperança de passar da segunda rodada dos playoffs.



Você acha que as contusões param aí? Que nada, foi só metade. Amanhã falaremos mais de como as contusões de jogadores importantes em absolutamente todos os grandes times das duas conferências estão definindo os rumos dessa temporada.

Ainda temos que falar de Boston Celtics, Cleveland Cavaliers, Orlando Magic, Dallas Mavericks, Portland Trail Blazers e Phoenix Suns. Pra quem gosta de sangue e dor é um prato cheio!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

A mesma fórmula

Claro que o Marbury estava feliz no Knicks

Lembra que falamos que a troca do Celtics na data-limite para movimentações era importante porque eles queriam abrir espaço no elenco? Pois é, eles usaram esse espaço para contratações de dois veteranos para fechar o elenco para essa temporada. De novo.

Os mais novos jogadores do Celtics são Mikki Moore e, finalmente, depois da novela mais longa desde Irmãos Coragem, Stephon Marbury, que foi dispensado pelo Knicks e vai assinar com o time de Boston em breve.

A primeira coisa que vem na cabeça, claro, é a temporada passada, quando o Boston fez exatamente o mesmo tipo de ação: esperou o meio da temporada e contratou dois experientes jogadores, um armador e um jogador de garrafão. Como todo mundo obviamente lembra, deu certo. Tanto Cassell como PJ Brown jogaram bem nos playoffs e foram importantes para o título.

Mas as semelhanças acabam por aí.

No ano passado a principal motivação das contratações eram os titulares do Celtics. Ninguém dentro do time e muito menos na imprensa sabia como o Rajon Rondo e o Kendrick Perkins iriam se comportar nos playoffs. O Rondo teve sérias dificuldades no começo da temporada passada quando enfrentou armadores mais experientes e o Perkins nada mais era do que um grandalhão desengonçado. Com o passar da temporada o Rondo melhorou mais do que a mãe dele poderia esperar e o Perkins acabou se transformando em um belo defensor. Cassell e Brown acabaram então sendo mais importantes como peças do banco de reserva para alguns momentos do jogo do que para arrumar as besteiras dos pivetes.

Nessa temporada não há mais dúvida de que o Celtics pode ser campeão com Perkins e Rondo no time, o Rondo em especial tem jogos fora de série e muita gente acha que ele deveria até ter ido para o All-Star Game. Mas em compensação o banco de reservas não inspira lá tanta confiança.

O Eddie House é uma máquina construída pelo governo para fazer bolas de 3, isso todo mundo sabe, mas tirando ele, quem tem no banco do Celtics? O Tony Allen está machucado e quando não está é um dos jogadores mais irregulares da NBA, é capaz de fazer 20 pontos ou de simplesmente errar tudo o que tentar. O Glen Davis, o ursinho carinhoso da NBA, é bom jogador mas só de pensar nele de titular em caso de uma contusão já dá arrepios até em mim que odeio o Celtics. Ontem ele foi titular contra o Clippers e eles perderam! Perder do Clippers é humilhação pública.

Sobram no banco então o Brian Scalabrine que, ué, é o Brian Scalabrine, e os novatos Bill Walker e JR Giddens, que nem entram em quadra. Quem se salva e se salva com louvor nesse banco é o Leon Powe, que saiu da fábrica de fazer Maxiells que já rendeu o Carl Landry, o Paul Millsap, e é o melhor reserva do Celtics. O único problema do Powe é que ele é baixo, em caso de uma contusão do Perkins ou do Garnett (que está mesmo machucado) ele não é a resposta ideal. O Powe é feito para jogar uns 20, 25 minutos por jogo, não o jogo inteiro.

Com um quinteto espetacular de titulares, House e Powe como ótimos reservas, acho que já dá pra colocar o Celtics como candidato a título. Mas é muito inteligente da parte deles saber que o banco pode ser melhor e que com ele mais eficiente talvez precisem de menos sofrimento para serem campeões nesse ano.

O Mikki Moore, nas palavras do técnico Doc Rivers, "Foi um presente dos céus" já que ninguém esperava que o Kings fosse dispensar ele. A primeira opção do Celtics para o garrafão era o McDyess quando o Denver o dispensou, mas ele preferiu ir para Detroit (perder) a ir para o Celtics. Depois eles queriam o Joe Smith, que deveria ser dispensado pelo Hornets, mas aí a troca do Tyson Chandler não deu certo e nada de Smith. Quando parecia que não tinham mais opções, o Kings fez o favor de ajudar o Celtics a ficar mais forte, valeu Kings.

Depois de uma carreira muito, muito discreta, o Mikki Moore apareceu de verdade quando ele foi o décimo sétimo jogador a ganhar o prêmio de "Jogador mais ou menos que parece bom porque joga com o Jason Kidd", prêmio que já consagrou Kerry Kittles, Keith Van Horn e principalmente o Kenyon Martin. Mas por incrível que pareça o Moore fez também uma boa primeira temporada no Kings sem o Kidd, com 9 pontos e 6 rebotes em menos de 30 minutos por jogo. Moore tem 2,13m de altura e chega para ser um cara experiente, grande e que saberá se aproveitar da atenção que a marcação dá para todos os outros jogadores do Celtics. Contratação perfeita.

Já o Marbury é um caso complicado. O Cassell no ano passado era um armador experiente, acostumado a jogar em times vencedores, um cara que sonha em ser técnico e que dizem que sabia como conduzir o time no vestiário, fosse com dicas para os companheiros ou só incentivando mesmo. Mas e o Marbury? Essas qualidades fora de quadra a gente sabe que ele não tem, mas será que ele tem falta de qualidade o bastante para criar um ambiente ruim dentro do vestiário do time?

Porque uma coisa é você não ser um líder, até aí tudo bem, mas outra coisa é ser aquele cara que está sempre arrumando confusão, tratando os outros mal, sendo mal educado, reclamando. O Marbury sai do Knicks com fama de quem estragou um time, da mesma maneira de quando saiu do Nets, onde dizia que arremessava demais a bola porque seus companheiros de time eram ruins. Além disso, saiu mal também do Wolves, seu primeiro time, onde jogou junto com o Garnett. Lá ele teve problemas com o técnico devido a seu papel no ataque e ele acabou pedindo pra ser trocado.

O engraçado da carreira do Marbury é que ele estava num lixo de Nets e foi só o Kidd chegar lá que o Nets foi duas vezes para a final da NBA. Depois quando ele saiu do Suns, foi só Nash chegar que o Suns virou uma potência da liga. Seria só coincidência ou o Marbury é fominha demais para ser o armador condutor de um time vencedor? O lado bom dessa questão para o Celtics é que ele não precisa ser o condutor do time, ele precisa apenas ser o cara que vem do banco e jogar bem durante alguns poucos minutos.

Se o Marbury colocar a bola debaixo do braço nos poucos minutos que jogar, fazer muitos pontos e depois voltar pro banco, eu acho que ele pode ser útil para o Boston. Ele poderia ser o que o Nate Robinson é hoje para o Knicks. Quando as coisas estão empacadas ele entra em quadra, faz o jogo rodar em volta da habilidade individual dele (tanto o KryptoNate quanto Starbury tem tanto talento quanto apelidos estranhos) para colocar o time de volta nos eixos.

O problema do Knicks é quando o Nate passa muito tempo na quadra e o jogo vira uma partida de streetball em que só o Nate Robinson joga e passa a bola só quando não tem mesmo outra saída. O Celtics foi campeão passando a bola, tudo o que eles não precisam é de um fominha na armação durante 30 minutos do jogo. O negócio do Marbury é entrar, jogar alguns minutos, fazer o que sabe e ir pro banco.

E "fazer o que sabe" do Marbury não é e nem nunca foi passar a bola e envolver os companheiros, a habilidade dele é jogar no 1 contra 1 e conseguir situações com seu drible e seu arremesso.

O Celtics está mais próximo do título com o Mikki Moore? Um pouco. O Celtics está mais próximo do título com o Marbury? Depende de muita coisa. Mas gosto de time que se arrisca e que muda quando sente que falta alguma coisa para ser campeão.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Liga Bola Presa 2



Fez muita bobagem enquanto estava bêbado no carnaval e agora quer se redimir fazendo alguma coisa bem legal? Que tal entrar para a Liga Bola Presa de Fantasy?

Não é a mesma liga que oferecemos a vaga um tempo atrás, estamos na verdade criando uma Liga 2 (precisamos de um nome melhor que não pareça de segunda divisão). E precisamos de participantes. Pegando os caras que já tinham mandado e-mails demonstrando sua vontade de participar da antiga liga, já montamos a base da nova, mas ainda precisamos de mais gente para fazer um campeonato com 24 participantes como a primeira liga.

Se você não sabe o que é fantasy, aprenda aqui. E se gostar você é bem-vindo, queremos alguns novatos!

Se você não conhece a Liga Bola Presa, aqui está o site dela. É um site próprio, fazemos tudo com nossas mãos, tem nossas regras, limite salarial, e o mais legal, os times sobrevivem entre uma temporada e outra, então se você está mal, não desanime, invista em pivetes, consiga boas escolhas de draft e cabeça na próxima temporada!

Não precisa ser experiente com fantasy, não precisa ser bom em fantasy, não precisa gostar do Bola Presa e nem nada disso. Queremos misturar jogadores experientes, inexperientes, homens, mulheres, brazucas, estrangeiros, tudo. Se você está interessado é só mandar um e-mail para bolapresa@gmail.com.


E quando eu disse "fez muita bobagem no carnaval" eu estava com esse vídeo em mente:


terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Sapato apertado

Essa foto só tem um problema: Billups não está nela


Após a derrota feia para o Boston Celtics no domingo, podemos ter certeza de que o Suns voltou ao normal: faz 140 pontos contra os times que fedem e é incapaz de defender sequer ponto de vista quando enfrenta times de verdade com ataques mais lentos, de meia quadra. Não há dúvida alguma de que o time melhorou e, ao mesmo tempo, não há dúvidas de que o Suns não seria capaz de ganhar uma série nos playoffs contra o Celtics ou, pior ainda, contra o Spurs. Sem o Amaré, então, nem se fala.

Ainda assim, o retorno ao basquete veloz no estilo "corram pelas suas vidas" era a única atitude que fazia qualquer sentido para a franquia. O elenco tem um punhado de jogadores versáteis, capazes de jogar tanto em transição quanto num basquete de meia quadra, como Steve Nash, Shaquille O'Neal e Jason Richardson. É óbvio que o rendimento do Nash é infinitamente superior quando está correndo, e que Shaq, pelo contrário, é muito mais dominante num jogo mais lento. No entanto, os dois são jogadores competentes capazes de produzir de qualquer modo, sendo as mudanças táticas na equipe a diferença entre ter em quadra um bom jogador, como o Nash do técnico Terry Porter, e uma estrela com um prêmio de MVP, como o Nash do técnico Mike D'Antonni. O mesmo ocorre com Jason Richardson, que pode ser o principal pontuador de uma equipe que jogue na correria, como ocorria no Warriors de Don Nelson, ou apenas um contribuidor sólido como ocorreu no Bobcats de Larry Brown.

Alguns jogadores, entretanto, não são capazes de manter algum rendimento em quaisquer condições. Num esquema tático mais cadenciado, Leandrinho torna-se um jogador inútil. Dificuldades em armar as jogadas ofensivas, decisões questionáveis com a bola em mãos, arremesso inconsistente e, acima de tudo, horrível em ajudas defensivas. Num esquema puramente ofensivo de transição, Leandrinho pode explorar sua velocidade, mostrar sua criatividade na hora de bater para dentro do garrafão, não tem que se preocupar em passar a bola e suas falhas defensivas são escondidas num esquema em que ninguém está defendendo mesmo. O mesmo acontece, em certa medida, com Matt Barnes. Um dos reforços mais ignorados dessa temporada, Barnes é um jogador versátil e completo para times que joguem em velocidade. Fora do seu estilo de jogo, tornou-se uma peça descartável e desapareceu no banco de reservas do Suns.

Mais do que chances de título, a volta à correria significa para o Suns a recuperação de uma série de jogadores: Leandrinho volta a ser uma estrela (com 41 pontos contra o Thunder), Matt Barnes passa a ser um dos melhores reservas da NBA (capaz de jogar em múltiplas posições, dentro e fora do garrafão, arremessar de três, jogar na defesa), Jason Richardson volta a ser uma máquina de pontuar (e de arremessar de três, já que foi o líder de arremessos do perímetro convertidos na temporada passada) e Steve Nash volta a ser um dos armadores de elite da Liga com seu estilo de jogo característico. O compromisso com o jogo de velocidade deixa de ser uma escolha pelas vitórias ou pelas chances de título e passa a ser uma simples questão de reabilitar os jogadores que compõe o elenco. Se você tem dez chineses trabalhando num restaurante, é melhor que eles façam comida chinesa - mesmo que ela não venda nada, mesmo que dê prejuízo - ao invés de mandar todo mundo cozinhar jerimum e perder os vestígios de talento possuídos. É como se todo mundo em Phoenix estivesse usando um sapato apertado para esconder o pé feio, é melhor tirar o sapato, deixar todo mundo sorrir e respirar aliviado, e mostrar o pé mesmo.

E o que fazer com Shaq? Bem, ele pode render menos na velocidade, mas é capaz de se adequar. No nosso Tumblr (o local em que postamos vídeos e fotos aleatórias sobre NBA), colocamos um vídeo do Shaq tentanto mostrar que pode puxar os contra-ataques. Ainda que ele não possa fazer isso o tempo todo, não usar suas principais qualidades é melhor do que não usar as principais qualidades de todo o resto do elenco. Passa a ser uma questão de lógica, não de sucesso garantido. Contra o Celtics, eles foram incapazes de defender Rajon Rondo, que fez 32 pontos (maior marca da carreira) praticamente apenas em bandejas, e mesmo atacando bem e encostando no placar diversas vezes, em nenhum momento conseguiram as jogadas defensivas necessárias para virar o placar. Foi um jogo típico do Suns contra o Spurs, em que o placar fica apertado mas no final não há dúvidas de quem será o vencedor. Não deu certo, não venceram, mas pelo menos as qualidades da equipe estão mantidas, ao invés de feder em tudo. Para que esmagar o pé feio com o sapato e deixar todo mundo triste, miserável e perdendo ainda mais?

O mesmo caso acontece com o Detroit Pistons, só que mais complicado. É como se o Pistons tivesse a Monica Mattos e a Fernanda Montenegro, apenas um filme para fazer, e tivesse que decidir o que dirigir: um filme pornô, mas aí perde-se o talento da atriz séria; um filme sério, mas aí perde-se o talento da atriz pornô; um filme pornô com historinha, daqueles que ninguém assiste e todo mundo pula a parte da história; um filme sério com pornografia, daqueles que ninguém leva a sério e chama de pornochanchada; ou então ficar com apenas uma das atrizes e se livrar da outra.

Pior: é como se o Pistons, ainda por cima, tivesse duas Monica Mattos, além da Fernanda Montenegro. Funciona assim: o Richard Hamilton precisa de um esquema para ele, que permita sua movimentação característica de hamster em rodinha pela quadra para então lhe entregar a bola em mãos para um arremesso. Enquanto isso, o Iverson precisa da bola em suas mãos o tempo inteiro e liberdade para atacar a cesta para, só então, ser efetivo. Mesmo caso do pirralho Rodney Stuckey, detentor das mesmas características, mas que quando tem a bola em mãos acaba anulando o Allen Iverson. Em teoria, é um pesadelo. Na prática, todos estão dividindo o tempo de quadra, cada hora joga-se um estilo de jogo, todo mundo sai prejudicado e o time é uma pornochanchada ruim com a Vera Fisher.

O clima na equipe não poderia ser pior: com a derrota para o Cavs na segunda, já são 6 derrotas seguidas e a pressão para que o Iverson volte aos "velhos tempos" aumenta sem parar. Acontece que, quando o Iverson ataca como um louco em Detroit, costuma de fato colocar o time nas costas e permitir ao menos um esboço de chances de vitória, mas o custo é alto demais - todo o resto do elenco está sendo desperdiçado. E se o Iverson não está pontuando sem pensar no resto da humanidade, que é aquilo que ele sabe fazer de melhor, para que serve tê-lo no time? Eis uma jogada típica do novo Pistons: Iverson vem armando o jogo, enfrenta seu marcador no mano-a-mano, dá alguns dribles, ensaia uma penetração, mas então passa a bola de lado seguindo o esquema tático que exige rotação de passes. Queimou-se então quase 10 segundos no cronômetro para nada, para a bola ser passada de lado, coisa que milhões de outros jogadores podem fazer por menos dinheiro - alguns até de graça, tipo eu - e com a vantagem de que não vão tacar na privada segundos preciosos num drible desnecessário. É o famoso "ou caga ou sai da moita", mas o Iverson é obrigado a ficar no meio termo. Se ele não ataca, o time fede e sente falta de seu talento para decidir; se ele ataca, o time deixa de usar todas as outras armas ofensivas que possui e desestrutura a química da equipe que funcionava há anos. Não dá pra vencer.

No Suns, a decisão era fácil. Até os reservas mais nada-a-ver, como o Goran Dragic, rendem muito mais correndo do que renderiam em milhares de anos de basquete cadenciado. Mas no Pistons, cada um rende em um esquema diferente e, não importa qual seja a abordagem tática, eles continuam sem ter um armador puro capaz de fazer a bagunça funcionar. No fim, quem acaba sofrendo mais é o Rasheed Wallace, que fica como cego no meio de um tiroteio. Preso num time subitamente sem identidade, tentando resolver o que fazer com suas quinhentas peças que não se encaixam, Rasheed não sabe o que fazer em quadra - e, em alguns jogos, parece que sequer se importa. Não consigo pensar numa troca tão desastrosa quanto essa do Billups pelo Iverson, e aí está um pé que estou engolindo. Para mim, um pontuador nato como o Iverson seria a resposta (sem trocadilhos, por favor) perfeita para um time que parecia falhar na hora de decidir jogos nos minutos finais contra times munidos de superestrelas. Na verdade, era justamente o contrário: sem a armação comedida de Chauncey Billups, o Detroit tornou-se um time sem resposta. Enquanto o Nuggets, que parecia um caso perdido, encontrou na armação aquilo que tanto faltava à equipe.

Espelhando-se no Suns que voltou à correria, talvez a única solução para o Pistons seja decidir por aquilo que beneficiará a maior parte do elenco. Não tenho dúvidas de que trata-se de um basquete lento de defesa forte, sem grandes estrelas ou individualismo, que rendeu ao Pistons um título da NBA não tanto tempo atrás. Iverson deve ir embora, mas com ele deveria partir Rodney Stuckey, figurinha repetida. Seria preciso um armador de verdade, retornar aos velhos tempos - mesmo que isso signifique perder para o LeBron, mesmo que signifique não ganhar um título. Às vezes, é melhor ater-se ao que o time faz de melhor do que feder por completo em todas as áreas, tirar o sapato apertado que tenta disfarçar o indisfarçável. É assim que o Knicks já igualou, nessa temporada, o número de vitórias que havia conseguido em toda a temporada passada. Não sabem defender e não vão arrumar um esquema que finja que eles são capazes nisso. Vão ganhar um título sem defesa? Diabos, provavelmente sequer cheguem aos playoffs. Mas o avanço já é alguma coisa: são cozinheiros chineses fazendo comida chinesa, são atrizes pornôs num bom filme das Brasileirinhas, quer a gente goste, quer não.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

140 ou mais

Terrorista Leandrinho dá uma bolada na bandeira americana


Eu não acho que um técnico quando é mandado embora de um time fique torcendo para que sua ex-equipe se dê mal só pra perceberem que não era culpa dele. Prefiro enxergar os técnicos como seres superiores, inteligentes e profissionais que sabem que nem sempre as coisas dão certo e que rancor não vai adiantar nada. Mas acho que o Terry Porter deve estar com uma dor no coração de ver o Suns jogando tão bem desde que ele foi embora.

Não digo isso porque o Suns venceu esses três jogos desde que trocou de técnico, afinal ganhariam mesmo se eu fosse o técnico. Foram dois jogos contra o Clippers e um contra o Thunder, sendo dois desses três jogos em casa. As vitórias, porém, vieram da forma mais convincente possível: 140 pontos no primeiro jogo, 141 no segundo e mais 140 ontem. É a primeira equipe desde 1990 a conseguir esse feito. Fato irônico é que o Terry Porter era o armador principal do Blazers que fez isso.

O que deve magoar mais o Porter é ver um minutinho de qualquer uma das partidas e já ter o olho ofuscado pelo sorriso de orelha a orelha na cara de todo mundo. O Nash e o Leandrinho pareciam cachorros que passam o dia inteiro presos e de repente são libertados em um quintal gigante. Está todo mundo tão feliz de não jogar no esquema do Porter que o clima lá é de carnaval e não tem nada a ver com a data no calendário. O Nash jogou melhor do que jogava sob o comando do Porter mas os números não mudaram muito, já o Leandrinho teve uma mudança inacreditável, acho que ele odiava mesmo jogar no esquema de meia-quadra do antigo treinador.

O nosso brazuca favorito fez 24 pontos no primeiro jogo contra o Clippers, 13 no segundo (em apenas 22 minutos) e 41 ontem! Foi a maior pontuação da sua carreira e ainda foi acompanhado de 7 rebotes, 7 assistências e 6 roubos. Depois do jogo ele falou umas coisas interessantes sobre a partida e sobre como é voltar a jogar na correria:

"Eu adoro jogar correndo pra cima e pra baixo. Acho que todo mundo gosta."

"Eu não sabia o que estava acontecendo na quadra no fim do jogo. A gente estava ganhando e o técnico mandava eu continuar indo pra cesta. Só depois do jogo que eu fui ver que estava com 41 pontos. Estou muito feliz mas mais feliz que o time fez isso junto."

O Leandrinho fez sem dúvida o melhor jogo dele na NBA em termos de números e agora terá que repetir a dose algumas vezes, afinal ele é o mais novo titular do Suns depois que o Amar'e Stoudemire teve um problema no olho e está fora da temporada. Alguns falaram que ele poderá voltar para os playoffs, outros dizem que talvez nem isso. Uma pena, afinal ele era outro que se libertou nos jogos sem esquema preso e meteu 42 pontos em 36 minutos no segundo jogo contra o Clippers. Só que para ele jogar nos playoffs o Suns precisa, primeiro, classificar-se para a pós-temporada. Hoje o time está em nono no Oeste, aquela posição medonha que não te põe nos playoffs e nem dá a chance de uma boa escolha de draft.

O novo técnico da equipe, Alvin Gentry, decidiu que o time voltaria a correr e, com a saída do Amar'e, decidiu que o time voltaria a jogar com uma escalação mais baixa, colocando o Leandrinho no lugar do machucado e o Grant Hill na posição 4. Contra o Thunder que é um time bem baixo e improvisa na posição 4 deu certo, mas será que dará certo pra sempre?

Em teoria sim, afinal o time volta a ser o mesmo que fazia sucesso nas temporadas passadas, com a diferença de ter o Shaq como pivô no meio e não o Amar'e. Com as mesmas qualidades voltam também os mesmos defeitos. Nem Nash e nem Leandrinho são grandes defensores e Grant Hill não poderá fazer nada contra alas de força fortes na defesa. Quando o Suns enfrentar equipes de garrafão pesado colocará quem em quadra? O Amundson? O Robin Lopez?

Acho que o problema do Suns foi não conseguir achar o meio termo e talvez eles percam mais uma vez por causa disso. Eles passaram anos tendo o melhor ataque da NBA e perdiam nos playoffs porque não sabiam defender. A solução que eles encontraram foi trazer o Shaq e jogar um jogo mais de meia quadra. Não funcionou. Então trouxeram o Terry Porter, técnico essencialmente defensivo, e também não deu certo. O Suns de repente não atacava mais tão bem e nem aprendeu a defender pra compensar isso. Em resumo, o Porter não conseguiu fazer o que a diretoria pedia e nem agradar os jogadores.

No desespero, a decisão foi a de mandar o Porter embora e voltar para o run and gun que dava certo. Opa, dava certo? Há exatamente um ano atrás o time não estava começando a abandonar o run and gun porque ele não rendia títulos? Agora vão voltar pra ele mesmo assim? O que eu entendo é que eles estão mais com medo de passar a vergonha de não ir para os playoffs do que realmente acreditando que possam vencer títulos.

Depois de três jogos para entupir o time de confiança, agora começam alguns desafios de verdade. No domingo eles pegam o Celtics e na quinta-feira pegam o Lakers. O jogo contra o Celtics não será fácil, claro, mas pelo menos será em casa e o atual campeão não terá o Kevin Garnett, que machucou o joelho e ainda não sabe quanto tempo ficará de fora (os resultados dos exames saem hoje), então até que dará para abusar um pouco da escalação mais baixa. Já contra o Lakers será difícil lidar com a dupla Odom e Gasol, que tem destruido todos os garrafões que enfrentam desde a contusão do Bynum.

O técnico Alvin Gentry já disse que "pode prometer que não vão fazer 140 pontos no domingo", mas se eles forem capazes de vencer esses dois jogos importantes, mesmo marcando 100, 120 ou 80 pontos, serão a prova de que esse Suns voltou pra valer. Se perderem, será mais um time que bate feio nos fracos e que não vence os favoritos ao título. Em outras palavras: o mesmo Suns do Mike D'Antoni.

E sejamos sinceros, se era pra ser o mesmo time das temporadas passadas, que mantivessem D'Antoni e Shawn Marion, que há exatamente um ano atrás estavam em primeiro lugar no Oeste.

E façam o favor de visitar nosso Tumblr. Tem vídeos e fotos novas lá todo dia.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Melhor sem eles

Aaron Brooks certifica-se de que não está chovendo
canivete: Rafer Alston finalmente foi embora



Foi um sonho realizado. Meu Houston Rockets estava envolvido em um ou dois boatos de troca, sempre algum cenário em que Tracy McGrady fosse embora, mas ao invés disso as trocas de ontem mandaram outro jogador do meu time: Rafer Alston. Sou um homem mais feliz, sou um homem pleno. Nem mesmo se tivessem mandado o LeBron James para o Houston eu teria ficado tão feliz quanto ver o Alston dando o fora do meu time. Para quem acompanha o Bola Presa a mais tempo, minha birra com o armador vem de longa data.

Tenho que reconhecer que o Rafer Alston tem seus méritos. Burocrático, sempre foi o único jogador do Houston a continuamente deixar a bola nas mãos do Yao Ming, custe o que custar. Sem ele em quadra, muitas vezes o pivô passa longos minutos sem tocar na bola, o que nunca é uma boa idéia para um time com problemas nos arremessos no perímetro. Na defesa, Rafer é competente e bastante capaz na hora de interceptar linhas de passe. Seus arremessos de três pontos são bastante úteis em alguns momentos do jogo, também. Mas tudo isso não passa de "Síndrome de Gustavo Nery", aquele conjunto de qualidades que escondem uma capacidade gigante de colocar o jogo a perder. Às vezes, Alston perde a noção dos esquemas táticos e começa a arremessar sem critério. Mesmo quando está calmo e controlado, ele sempre arremessa no "segundo toque", ou seja, caso a bola volte para ele depois de iniciado o ataque, ele arremessará. Quando impõe velocidade, é incapaz de tomar boas decisões com a bola e acaba causando inúmeros turnovers, tem problemas em bater para dentro do garrafão e não cava faltas porque nunca foi um bom cobrador de lances livres. A pontaria de trás da linha de três, que às vezes parece tão calibrada, é na verdade tão inconstante que parece aleatória. Mas nada disso é meu maior problema com ele.

O que tira do sério qualquer fã do Houston que acompanhe de perto é a vontade do Rafer Alston de ser herói. Aquele arremesso no último segundo dele pelo Heat não fez bem pra sua cabeça e montou um padrão: quando o jogo fica mais apertado, disputado, crítico, ou nos minutos finais, Alston começa a tomar o jogo para si numa série infinita de arremessos forçados ou tentativas de criar espaço para si mesmo. Às vezes dá certo e ele realmente ganha a partida, torna-se o diferencial, a peça que faltava. Mas nas outras, ele compromete de modo tão grave que não há como tolerar sua presença em quadra. O Houston Rockets depende demais de Rafer Alston, é ele quem acaba decidindo se o time sairá com a vitória ou com a derrota. E convenhamos, ele é o último jogador que deveria ter tanto poder, tanta responsabilidade. Sem ele em quadra, outros jogadores tentam coletivamente decidir os jogos, e o resultado é ao menos mais tranquilo. É difícil encarar um armador inconsistente que se acha o Kobe Bryant. Pense bem, se você torcesse para o Cavs, iria querer que as vitórias ou derrotas dependessem exclusivamente do Daniel Gibson?

O armador Aaron Brooks, seu reserva, assumirá as rédeas da armação no time titular. Sou um fã dele, que é um pontuador nato, mas ele certamente não é o jogador ideal para comandar o ataque de um time. Às vezes ele fica com um problema de vista e acha que o Yao é invisível, em outras exagera nas infiltrações. Mas como pontuador ele é mais constante, mais confiável e mais controlado, com a cabeça no lugar. Com McGrady na equipe controlando o ritmo de jogo e iniciando as jogadas de ataque, Aaron Brooks deveria ter sido o titular já faz muito, muito tempo.

Acontece que o T-Mac não está mais na equipe. Depois de uma temporada inteira com dores no joelho, sentindo que seu físico não permitia que ele fosse o mesmo em quadra, e sendo obrigado a descansar periodicamente deixando o time na mão, resolveu fazer exames mais detalhados que não mostraram sinais claros de contusão. Resolveu-se, então, optar pela cirurgia e tentar resolver aquilo que tanto o incomoda. É muito triste ver um jogador de tanto talento ter toda uma carreira diluída em contusões, em dor, em sacrifícios. Já foi cestinha da NBA, em seus tempos de Magic, apesar das terríveis dores nas costas que sofria. No Houston, as costas e o joelho nunca o deixaram em paz - assim como a pressão de passar da primeira rodada dos playoffs, de vencer ao lado de um pivô dominante. T-Mac nunca consegue se dar bem e ainda tem que lidar com uma chuva de críticas, em geral injustas e ridículas. Por exemplo, chorou ao ser eliminado pelo Jazz nos playoffs após ter dito que, se o Houston perdesse, seria sua culpa. Mas justamente naquele jogo ele havia feito chover e o resto do time é que perdeu sozinho, o que não poderia gerar outra coisa além de lágrimas - de frustração, de raiva, de vergonha, do que quer que seja. Parece que o psicológico do McGrady o está abandonando assim como seu físico, que o obriga cada vez mais a jogar como um velho, ficando longe do garrafão e conseguindo seus arremessos na base da experiência e da técnica, não da explosão e velocidade.

Assim que foi trocado para o Houston, o McGrady deu a entender em uma entrevista que se aposentaria em breve, talvez em mais dois ou três anos. Ele sabia que o corpo estava se desintegrando como a cara do Pedro de Lara e provavelmente imaginava ser campeão da NBA com Yao num futuro próximo e então parar com o esporte. Não conseguiu. O elenco sempre teve buracos e T-Mac e Yao nunca foram jogadores que se complementassem, uma dupla perfeita nos moldes de Kobe e Shaq. A verdade é que o Yao precisava de outras características em um companheiro. O ideal seria um jogador pior do que o T-Mac, mas especialista da linha de três (sempre achei que, bizarramente, o Houston seria melhor com Michael Redd). Assim, Tracy McGrady foi arrastando sua carreira, seu corpo deteriorado, perdendo jogos em todas as temporadas assim como o próprio Yao Ming, até que finalmente o Houston arrumou um elenco capaz de ser campeão. Com Artest no barco, um técnico excelente e um banco de reservas completo, era finalmente a hora de T-Mac ganhar um anel e parar com o basquete. Mas todos sabiam que esse elenco iria se desmanchar com lesões cedo ou tarde, e foi cedo. T-Mac não passou um segundo saudável nessa temporada, Artest só está ganhando ritmo agora depois de passar a primeira metade da temporada contundido. Agora, fora pelo resto da temporada, McGrady vai assistir um Houston desfalcado se tornar um time muito melhor sem ele.

Rafer Alston vai fazer um pouquinho de falta chamando as jogadas, mas Aaron Brooks vai carregar melhor nas costas a carga ofensiva necessária com T-Mac fora. Artest agora será titular, ao lado de Shane Battier, e terá mais responsabilidade e liberdade ofensiva no time (na defesa, os dois serão monstros juntos). O armador Kyle Lowry, vindo do Grizzlies, pode não ser um gênio mas é mais do que capaz de defender e armar o jogo. Talvez até seja titular, tem mais experiência na área do que o próprio Brooks. E assim o Houston ganhará uma identidade, ritmo, virará um time de verdade.

Nada estraga mais o entrosamento de uma equipe do que não saber se algum jogador importante vai entrar em quadra ou não. Todo jogo é a mesma história, T-Mac e questionável, então o Artest não sabe se ele ataca ou se defende, o banco não sabe qual função vai desempenhar, eles não sabem que tipo de esforço ou mentalidade levar para o jogo. Chega com essa besteira, é melhor deixar o T-Mac de fora e deixar que o time lide com isso. Agora eles sabem o que terão em quadra, quer seja um time bom ou um ruim, sabem que terão que lidar com isso e poderão se ater a um plano. Ninguém no time tentará bancar o herói, é hora do time entrar focado e consciente de suas possibilidades e de suas limitações.

Pode parecer coisa de fã, mas agora é a hora em que o Houston Rockets realmente terá um impacto na NBA. É o momento de escalar a tabela do Oeste, ganhar 20 jogos em sequência, chutar uns traseiros e deixar para trás os problemas de identidade e de química que assolaram o vestiário nos últimos meses. Infelizmente, é sem o T-Mac que eu finalmente passo a botar fé nesse time. Para ser sincero, torço para que ele volte temporada que vem saudável e pronto para destruir a NBA, mas no fundo eu fico numa torcida para que ele finalmente se aposente apesar de não ter nem 30 anos ainda. A NBA já foi cruel demais com ele, em muitos sentidos diferentes.

Fica aqui o palpite: se Yao conseguir finalmente passar uma temporada inteira sem uma contusão grave, e se Artest deixar para trás a lesão no tornozelo que infernizou seu começo de campanha com a equipe, o Houston vai realmente longe nos playoffs. Mas esse é sempre meu fardo como torcedor do Rockets, ter que contar com o "se" num time que invariavelmente vai se desmanchar e ir parar na enfermaria. Estou sempre prestes a ter um ataque cardíaco, mas ao menos dessa vez minha saúde agradece: Rafer Alston é coisa do passado. Deixe que o Magic permita ao rapaz arremessar quinhentas bolas de três por jogo, e que depois se negue a passar para o Dwight quando a coisa for realmente importante. Torcedores do Orlando, desejo a vocês boa sorte.

O Bola Presa cumpre!

Nas próximas eleições vote Bola Presa para vereador/deputado/senador/presidente do Corinthians.

Nós prometemos e cumprimos. Falamos que o vencedor da promoção do All-Star Game levaria uma camiseta da NBA e o Adriano Caldas já recebeu seu prêmio. Como ele nos disse que era um torcedor fanático pelo Pistons, conseguimos para ele uma camiseta do Rip Hamilton branca, muito bonita. Abaixo a foto do felizardo. A puta de luxo que ele ganhou disse que vai na casa dele depois do carnaval. Juro!


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O Quatrilho

Brad Miller tem fobia de garrafão


O último dia em que as trocas são permitidas na NBA é sempre, no sentido Alexandre Frota da expressão, o maior troca-troca. Todos os times colocam em prática seu jeitinho brasileiro e deixam tudo para a última hora, às vezes até para o último segundo. Parece que todo mundo mantém aquela esperança de que vai arrumar uma barbada, tipo Kwame Brown por Pau Gasol, até o horário limite. Quando nada parecido surge vindo do nada, os dirigentes acabam topando as trocas mais realistas e cheias de jogadores mequetefes no horário limite, para não sair com as mãos abanando.

O Denis listou todas as trocas anunciadas ao fim do horário permitido, analisando cada uma. Restaram apenas as trocas de mais peso, envolvendo quatro times, uma mais ou menos influenciando na outra. Podemos comparar com um relacionamento complicado de dois casais em que rola umas puladinhas de cerca entre eles que acabam influenciando a relação de todos. Então vamos dar uma olhada nesse quatrilho com cara de bacanal analisando, com calma, um time de cada vez.


O Kings está de olho na crise mundial que tinha acabado de forçar o Hornets a tentar trocar o Tyson Chandler mas, como vimos no post anterior, o Thunder voltou atrás. Ou seja, a equipe de Sacramento está interessada em economizar umas verdinhas e, ao mesmo tempo, manter o núcleo jovem da equipe. O primeiro passo foi mandar uma escolha de 2º round do draft para o Celtics em troca de Sam Cassell e um monte de grana. Foi dinheiro suficiente para enfiar o salário do Cassell nas orelhas dele e mandá-lo de volta para o seu planeta, e ainda sobrou por volta de meio milhão de doletas. O Kings também ficou sabendo que o salário do terrorista aposentado Shareef Abdur-Rahim vai ser quase integralmente pago pelo seguro, já que ele pendurou as chuteiras na temporada passada. Para completar, o Kings mandou Brad Miller e John Salmons para o Bulls em troca de Drew Gooden e do Nocioni. Financeiramente, o contrato do Nocioni é mais longo do que os outros, mas ele é um daqueles casos estranhos em que o contrato vai ficando mais barato com o passar dos anos. O Gooden encerra o contrato na próxima temporada e pode topar renovar o contrato por menos grana, se não quiser vai pra rua e ninguém no Kings vai dar muita importância. Economizando uma grana louca, a equipe de Sacramento ainda aproveita para colocar a molecada pra jogar: o pivô Spencer Hawes era bom demais para ficar no banco mas seu estilo de jogo era parecido demais com o do Brad Miller para os dois ficarem ao mesmo tempo em quadra. É legal ter um pivô branco que joga na habilidade, não enterra e sabe arremessar de três pontos, mas se você já tem um, pra que vai querer outro? É figurinha repetida, precisa trocar com algum coleguinha no intervalo. Já o John Salmons nunca foi apreciado no Kings, ele tem bons números, segurou as pontas na equipe nessa temporada quando o Kevin Martin se contundiu, mas todo mundo que acompanha o time sabe que o Salmons monopoliza o jogo e não sabe jogar em equipe. Sua saída dá mais minutos para o Francisco Garcia, que vem jogando cada vez melhor depois de uma boa Liga de Verão. O Kings só precisava que alguém caísse no conto do vigário do Salmons, e esse time foi o...

Bulls, que pelo menos leva junto um pivô de verdade, experiente e eficaz. Mas é um pivô que gosta de jogar no perímetro! Qual é o problema do Bulls que eles são incapazes de arrumar alguém que saiba fazer pontos no garrafão? Primeiro trocam pelo Ben Wallace (que só pontua se for cesta contra), depois draftam o Joaquim Noah (que tem todo o poder ofensivo de sua versão cover, o Anderson Varejão), e agora trocam pelo Brad Miller, que odeia contato físico e prefere ficar nos arremessos a uma distância segura da cesta. Minha nossa, tem time que nunca aprende. Mas a troca foi excelente para a parte financeira: o contrato do Miller vira farofa justamente na temporada 2010, em que o Bulls estará em sérias condições de assinar um par de estrelas. E se o Ben Gordon, na temporada que vem, pedir outra vez um contrato zilionário, o Bulls pode simplesmente mandar ele passear e dar a vaga para o Salmons sem muito peso na consciência, economizando trilhões. Mas para garantir a saúde financeira, o Bulls ainda tinha em mente se livrar de dois armadores que não teriam minutos com a volta do Kirk Hinrich. Um deles, o Thabo Sefolosha, foi para o Thunder em troca de uma escolha de primeiro round no draft que vem. O outro, Larry Hughes, ganha 12 milhões nessa temporada e 13 milhões na próxima. Quem aceitaria esse contrato bizarro? É aí que entra o...

Knicks, que aceitou o Larry Hughes e mandou em troca o gordo do Jerome James, o preguiçoso do Tim Thomas e o quebra-galho do Anthony Roberson. Achei engraçado porque o técnico Mike D'Antoni parecia gostar muito do Tim Thomas, afinal ele arremessava de três, corria bastante e nunca se esforçou pra defender, aliás ele nunca se esforçou muito em coisa nenhuma porque jogar basquete dá o maior trabalho, sabe como é. O Jerome James não joga desde os seus tempos de Sonics, e provavelmente só conseguirá chegar em Chicago carregado por um caminhão dos bombeiros, e se abrirem um buraco na parede para ele entrar no ginásio. Financeiramente a troca é idêntica para os dois lados, tanto em salários quanto em duração, então na prática é apenas uma preferência por posições: o Knicks precisava de um armador que jogasse na posição 2 e soubesse infiltrar, o Bulls precisava de alguém para tomar os minutos do Nocioni como reserva do Luol Deng. Pensando apenas em 2010 e na chance de conseguir LeBron James, o Knicks só pode fazer trocas que não comprometam em nada a folha salarial, então preferiram trocar peças parecidas apenas para dar uns ajustes no elenco. Outra troca nesse mesmo estilo foi mandar o Malik Rose, que sequer joga, em troca do Chris Wilcox, do...

Time-outrora-conhecido-como-Sonics. Como a troca do Chandler pelo Wilcox não deu certo, acho que receber o ala de volta ia ser muito constrangedor. A última coisa que um time tão jovem e com tanto potencial precisa é de um veterano reclamando porque quase foi trocado, fazendo cara de bunda no vestiário e jogando sem vontade. Ele é físico, corre bastante e vai se dar bem no Knicks até seu contrato acabar, é bem melhor do que o mané do Malik Rose que vem em seu lugar. O contrato dos dois termina na próxima temporada e, embora o Rose tenha até certo talento em seu meio metro de altura, acho que será apenas um "empréstimo" até o fim da temporada regular. Na pior das hipoteses ele pode ficar contando histórias de seus tempos de Spurs e ensinar para a pirralhada como é a sensação de, como é o nome daquele troço esquisito mesmo, ah sim, "vencer". O Thunder, que tem cinco escolhas de primeira rodada no draft dos próximos dois anos, se deu ao luxo de abrir mão de uma delas pelo Thabo Sefolosha, que aí sim deve ficar com o time por mais do que uma temporada. O suíço defende e infiltra bem, é excelente em rebotes para sua posição, e se saiu bem em um punhado de chances no Bulls. Lá, não teve espaço no meio da coleção de armadores, mas no Thunder pode se sair bem como reserva, é jovem, cheio de potencial, e uma boa escolha para um time cheirando a talco.


São quatros times, um trocou com um que trocou com o outro que trocou com o primeiro, mas resumindo, todos estão querendo garantir a saúde de suas finanças num momento de crise econômica, ter espaço na folha salarial para 2010 e pensar no futuro. Nenhum time ficou drasticamente melhor ou arrumou suas falhas: o Bulls não fará pontos no garrafão, o Kings não terá ninguém físico, o Knicks não terá um defensor e o Thunder não terá uma forma de escapar de sua maldição que o faz perder todos os jogos no último segundo (recentemente, foi mais uma derrota para o Nuggets, com outra bola decisiva do Carmelo). Mas todas essas trocas apontaram uma nova tendência de economia e planejamento para o futuro. Talvez, em breve, possamos ver alguns resultados, mas por enquanto foi tudo meio morno. Mais importante do que essas trocas foram as não-trocas: Amar'e continua no Suns, Vince Carter continua no Nets e T-Mac continua no Houston. Achei bom para os três times, e acho que eles terão sucesso imediato. Mas disso a gente fala em breve.

As últimas trocas

Finalmente chegou e já passou o dia limite para as trocas da NBA. Às vezes algumas trocas são feitas dentro do horário permitido mas acabam vazando para a imprensa apenas algumas horas depois, então talvez falte alguma. Mas até agora foram divulgadas as seguintes trocas:


Troca 1
Houston Rockets recebe: Kyle Lowry e Brian Cook
Memphis Grizzlies recebe: Escolha de 1ª rodada do Orlando
Orlando Magic recebe: Rafer Alston








Troca muito boa para todos os lados. O Rockets se livra do Rafer Alston que tanto enchia o saco de seus ávidos fãs, pergunte para o Danilo o quanto ele gostava do Alston e vocês entenderão porque devem estar soltando fogos em Houston. Ao mesmo tempo, eles recebem o Kyle Lowry que é um bom armador e deverá lutar por uma vaga no time titular com o excelente Aaron Brooks, aquele baixinho cabeçudo que sempre joga bem quando o Alston tá fora. Tá bom que eles receberam o Brian Cook também, mas nada é perfeito nessa vida, já diria minha tia avó.

Para o Orlando foi uma troca "Se não tem tu vai tu mesmo". Primeiro eles trocaram o Bogans pelo Tyronn Lue, mas não precisaram de mais de uma semana pra ver que nem Anthony Johnson, o reserva imediato, e nem Lue são capazes de ocupar o lugar que o Jameer Nelson deixou na armação do Magic.

O Alston não é o cara ideal também, mas de todos os disponíveis no mercado era a melhor opção: ele é experiente, defende até que bem, tem um arremesso de três que não é perfeito mas que está longe de comprometer, está acostumado a jogar com um pivô dominante (às vezes ele era um dos poucos caras do Houston que em toda jogada procurava mandar a bola para o Yao) e além disso teve seu principal momento na carreira na temporada passada quando comandou um ataque que tinha um pivô no meio e vários arremessadores em volta. Foi uma ótima saída para o Orlando. Eles ainda não vão ser campeões, mas não vão mais parecer frágeis como parecem desde que o Nelson saiu.

Para o Memphis não foi grande coisa, perderam um bom armador e receberam uma escolha de draft. Depois que eles escolherem alguém, dará pra medir melhor a qualidade dessa troca para eles, mas se tivessem trocado o Lowry no começo da temporada, quando ele estava mais valorizado, teriam recebido mais em troca.


Troca 2
Boston Celtics recebe: Escolha de 2ª rodada de draft
Toronto Raptors recebe: Patrick O'Bryant
Sacramento Kings recebe: Will Solomon






Nada como comentar trocas do nível da D-League, não é?

O Raptors recebe a reencarnação do Baby Araújo, o Patrick O'Bryant. Os dois são pivôs, os dois foram Top 10 no draft e nenhum dos dois é bom o bastante para estar jogando na NBA. O O'Bryant nunca jogava no Warriors, foi ridicularizado pelo Don Nelson por lá e acabou indo para o Celtics, onde só entregava toalhas e Gatorades. Para o Raptors a troca faz sentido só no papel, porque sem o Jermaine O'Neal eles precisam de reservas de pivô, mas entre ter o O'Bryant e ter um saco de papel higiênico molhado, eu prefiro o papel porque pelo menos dá menos trabalho na hora de tacar pela janela.

Para o Kings não foi ruim, mas também não foi bom. O Will Solomon fez algumas boas partidas quando o Calderon estava fora mas nunca teria espaço por lá com o espanhol e o Ukic no elenco. Ele será um bom reserva para outro gringo branco, o Udrih.

Para o Celtics essa troca pode ser mais interessante e importante do que parece. Liberando o Cassell no começo da semana e o O'Bryant agora, eles não só gastam menos dinheiro com salários como também deixam aberto dois espaços no elenco para assinar novos jogadores. No ano passado nessa mesma época eles tinham esses mesmos espaços e usaram para assinar PJ Brown e Sam Cassell, que foram importantíssimos nos playoffs. Dessa vez eles podem fazer de novo. Estão dizendo que talvez com Marbury e Joe Smith, que poderá ser dispensado pelo Thunder, e podem ser os candidatos desse ano.


Destroca 1
Oklahoma City Thunder DEVOLVE: Tyson Chandler
New Orleans Hornets DEVOLVE: Joe Smith e Chris Wilcox







E não é que a troca não deu certo? O Tyson Chandler parece que tem um problema no pé que assustou os médicos do Thunder e ele então não passou no exame médico, cancelando a troca. Só quero ver a cara que os dirigentes vão ter na hora de dar as boas vindas de volta para o Chandler. Que situação patética...

A última vez que eu lembro de ter visto um cara não passar no exame médico foi quando o Nets ia assinar o Shareef Abdur-Rahim mas desistiu na hora do exame por causa de um problema no joelho dele. O ala então foi para o Kings, jogou uma temporada inteira lá numa boa e só na metade da temporada seguinte é que ele foi ter um problema no joelho. Não sabemos se porque já estava bichado ou por macumba do Nets.


Troca 3
Memphis Grizzlies recebe: Chris Mihm
LA Lakers recebe: Futura escolha de draft









Isso mesmo, o Lakers recebe só uma escolha de draft. Dessa vez não teve roubalheira e o LA não levou o Rudy Gay e o OJ Mayo em troca do Chris Mihm e um autógrafo do Kobe. A troca serve para o Lakers não precisar gastar mais grana com o Mihm e também libera um espaço no elenco da equipe para algum outro jogador.

Para o Memphis é legal porque parece que eles têm uma coleção de pivôs brancos que não pára de crescer. Agora são Marc Gasol, Hamed Hadadi, Darko Milicic e Chris Mihm. Não sabia que nas cartas de objetivos da NBA uma delas dizia "conquistar pivôs brancos de 3 continentes diferentes". Eles já tem um asiático, dois europeus e agora um americano. Próximo passo é atacar 3 contra 2 Vladvostok no Alasca.


Troca 4
Sacramento Kings recebe: Rashad McCants
Minnesota Timberwolves recebe: Shelden Williams









Uma troca de uma furada por outra. Seria como trocar Kwame Brown por Michael Olowokandi.
O McCants foi a escolha 14 do draft de 2005, chegou para ser um cara pra marcar pontos no perímetro e ajudar a tirar pressão do Garnett e nunca conseguiu convecer. Era um jogo bom seguido de uns 10 em que ele não fazia absolutamente nada. Entrou ano saiu ano, trocaram o time e ele continuou sendo um zero à esquerda.

O Shelden Williams foi a escolha 5 do draft de 2006. O cara chegou com uma puta moral por ter tido uma carreria universitária de dar inveja: é recordista da história de Duke em tocos e rebotes e o jogador de Duke que mais pegou rebotes em uma única temporada. Também foi duas vezes jogador de defesa do ano na NCAA.

Mas aí chegou no Atlanta e nunca fez absolutamente nada além de continuar sendo conhecido como "o cara que come a Candance Parker e tem uma cabeça com formato de Antoine Walker". Ele não foi bem na defesa, não pegava rebotes, não dava toco e acabou indo para o Kings, onde afundou mais uma vez no banco. No Wolves terá um fim de temporada sem o Al Jefferson para poder mostrar se pelo menos merece continuar na NBA.


Essas foram talvez as trocas mais simples, as outras, envolvendo jogadores de mais peso serão analisadas de forma mais profunda pelo Danilo que está preparando um post com muito amor, carinho, afeto e atenção. Estas trocas maiores envolvem:

Thunder
levou: Thabo Sefolosha
perdeu: Wilcox, escolha de 2ª rodada

Knicks
levou: Larry Hughes, Chris Wilcox
perdeu: Tim Thomas, Anthony Roberson, o gordo do Jerome James e Malik Rose

Kings
levou: Andres Nocioni, Drew Gooden (o homem mais trocado da história)
perdeu: Brad Miller, John Salmons

Bulls
levou: Brad Miller, John Salmons, Tim Thomas, Anthony Roberson, Jerome James
perdeu: Andres Nocioni, Drew Gooden, Larry Hughes


Depois de hoje desafio alguém a falar o elenco do Kings de cabeça sem consultar o Google.

Até o Danilo postar a segunda parte da análise, você pode conhecer uma nova perna do Bola Presa, o nosso Tumblelog, ou só Tumblr.

Para quem não sabe, um Tumblelog, além de ter força nominal nula, é um lugar para se postar coisas rápidas, fáceis e de preferência que não são suas, é uma maneira de compartilhar o que você achou por aí andando na internet.

Então lá terão links para notícias interessantes, muitas fotos legais e todos os vídeos que vemos por aí e que não entram nos posts tradicionais do Bola Presa por serem de um assunto que não estamos tratando no texto.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

"Both Teams Played Hard"

Rasheed curte dançar quadrilha


Estamos de volta com mais uma coluna "Both Teams Played Hard"! A última saiu há pouco mais de um mês, ou seja, já tava mais do que na hora da gente tomar vergonha na cara. Acontece que com All-Star Game e alguns detalhes técnicos, fomos atrasando algumas respostas e, sempre que estávamos prestes a terminar, novas perguntas surgiam. É uma bola de neve, um serviço inesgotável, é como tentar arrumar a defesa do Suns. A coluna foi tão grande dessa vez que já estamos pensando em terceirizar o serviço de respostas para alguma empresa disposta a se sujeitar a isso em troca do dinheiro do busão.

Para quem ainda não sabe do que estamos falando, esse é o planeta Terra, ele é azul visto do espaço, e esse é o seu espaço para fazer perguntas e vê-las respondidas por nós, os charmosos escritores desse blog. O bom senso recomendaria que fossem feitas perguntas sobre basquete, mas quem precisa de bom senso, não é mesmo? Vale perguntar sobre qualquer coisa, de nanotecnologia a pagode modinha, de doenças sexualmente transmissíveis ao papel de Pokémon na sociedade pós-moderna. Nem sempre sabemos do que estamos falando, mas como o Google sempre sabe, a gente tem pelo menos um bom apoio moral.

Em tempos de crise mundial, a coluna "Both Teams Played Hard" é a única coisa que continua crescendo mês a mês - e portanto um bom lugar para você investir seu dinheiro. O inconveniente é que o tamanho da coluna está surreal, então exige dedicação, paciência e um chefe que não fique espiando o que você fica lendo durante o seu trabalho. Nessa semana, temos muito futebol, novela, as já tradicionais estatísticas do Denis, a pindaíba do T-Mac, Ray Allen, e o papel da Lua nas marés. Para não atrapalhar, as respostas ficam escondidinhas no link abaixo, é só clicar:

Both Teams Played Hard

Novas perguntas podem ser feitas tanto nesse post quanto na versão completa, presente no link acima. Abra o seu coraçãozinho e, depois, espere sentado. Mas a gente promete voltar em breve!

Negócio é negócio

A melhor dupla de ponte aérea na NBA não está mais junta

A data-limite de trocas da NBA é na quinta-feira, dia 19. Pasamos pelo menos um mês ouvindo dezenas de rumores e agora é a hora de ver quem abandona a temporada em busca de contratos expirantes e escolhas de draft e quem busca as peças finais para ir com tudo para os playoffs.
Porém, dessa vez existe um terceiro tipo de troca. Os times estão trocando para poder economizar e fugir da crise econômica.

As primeiras trocas já aconteceram hoje. O Celtics mandou o Sam Cassell para o Sacramento Kings em troca de uma troca de draft de segunda rodada de 2015(!!!). Dizem que a troca tem um monte de cláusulas que vão fazer com que a escolha nem chegue a ser do Celtics. No fundo foi uma maneira do Celtics se livrar do Cassell, que eles nem estavam usando em quadra, e pagar menos taxas por excederem o teto salarial. Junto com o Cassell, o Celtics mandou uma graninha para que o Kings, que entrou na troca apenas como um facilitador, dispense o Cassell.

Outra troca foi entre Pistons e Clippers, o Pistons mandou a super estrela Alex Acker em troca de uma escolha futura de segundo round também para liberar espaço salarial. E a situação do Pistons é mais delicada do que a do Boston.

Em matéria publicada ontem no site da NBA é dito como o Pistons está lutando para enfrentar a crise econômica, crise esta que atinge em cheio a cidade de Detroit, conhecida pela produção de automóveis, e que é uma das que mais sofre com a crise em todos os EUA. O símbolo da chegada da crise foi sentida pelo Pistons quando a sequência de 5 anos de ingressos totalmente vendidos no Palace of Auburn Hills chegou ao fim no dia 4 de fevereiro contra o Miami. A marca atingida foi a de 259 jogos de ingressos esgotados!

O que a matéria denuncia é que a sequência já deveria ter sido interrompida antes, só não aconteceu porque o Pistons sempre fazia promoções com preços baixos para a sequência não chegar ao fim.

Não só os torcedores estão indo embora do ginásio como os compradores de produtos relacionados ao Pistons não estão mais comprando como antes (os souveniers supérfluos são rapidamente cortados da vida de quem está em dificuldade financeira) e mesmo os torcedores que vão ao ginásio consomem menos lá, obrigando o time a fazer promoções de refrigerantes, cervejas e cachorros-quentes a 1 dólar para atrair o público.

Os patrocinadores do ginásio também estão de saída. Antigamente se você queria anunciar nos telões do ginásio do Pistons você tinha que fechar um contrato para todos os 41 jogos em casa, agora estão liberando contratos de 10 jogos para as empresas terem condições de bancar.

A outra troca que movimentou o dia foi a mais importante dentro da quadra. O Hornets mandou Tyson Chandler em troca de Chris Wilcox e Joe Smith. O próprio Hornets disse que a motivação da troca foi que os contratos de Wilcox e Smith acabam no fim desse ano e com isso o Hornets não ultrapassará o limite salarial na temporada que vem. A primeira notícia era que o Hornets queria trocar o Peja Stojakovic, mas como o mercado para ele estava fechado devido à sua idade, contusões e salário alto, foi mais fácil trocar o Tyson Chandler.

Com isso, o Hornets se torna talvez o primeiro ou pelo menos um dos primeiros times com chance de título a desistir de uma peça fundamental da equipe no meio da temporada apenas motivado por razões financeiras.

O engraçado é que isso também mostra a dimensão global das finanças na NBA, já que New Orleans é uma das poucas regiões dos EUA que não está sendo atingida pela crise econômica. Depois da devastação da cidade pelo Katrina, a cidade ficou aos cacos e pior que aquilo não ficava, então começou a crescer, a atrair empregos e hoje a taxa de empregos lá subiu quase 7% no ano passado enquanto no resto do país teve uma taxa de desemprego subindo 5,9%. Lá também não chegou a crise do setor imobiliário e a construção civil é uma das que mais emprega pessoas na cidade.

Porém, ao mesmo tempo, a cidade ainda não é rica como era antes e as finanças do time não dependem só dos moradores. Grande parte dos investimentos em propaganda são de empresas multinacionais que estão sofrendo com a crise, além dos produtos vendidos no mundo inteiro, que rendem bem mais dinheiro do que os comercializados apenas dentro de New Orleans. Além disso, muitas vezes são os milionários donos das equipes que precisam arranjar o dinheiro quando eles extrapolam o limite salarial, é o que acontece com o Dallas Mavericks, por exemplo.

Somando a crise econômica, o medo de pagar taxas desnecessárias por exceder o limite salarial e a tara pelo mercado de Free Agents de 2010, só podemos esperar que a próxima offseason seja bem morna e que os jogadores que estiverem em busca de contratos gordos e milionários vão se dar bem mal.

Pensando em termos apenas de basquete, acho que a troca acabou sendo boa para os dois lados, não era o ideal para o Hornets mas também não foi ruim.

Eu não acho que o Hornets com Tyson Chandler fosse capaz de ser campeão. Eles tinham até chance, mas bem menos que Spurs, Lakers, Celtics e Cavs. Com a saída de Chandler eles não só economizam para a temporada que vem como vão ter espaço em 2010 para assinar novos jogadores sem precisar perder Chris Paul, David West e James Posey, que já é um trio bom o bastante para atrair jogadores interessados em lutar por um título. E eles nem precisam entrar na luta por Bosh, Wade ou LeBron, com esse trio basta outras boas e baratas peças que o time já está de volta a disputa pelo título.

Para o Thunder foi perfeito. O Chandler ainda tem 26 anos, tem muito pra dar na NBA e é um dos grandes pivôs da liga. Pega rebotes, defende, é um dos melhores em rebotes ofensivos e seu único defeito é tudo o que o Thunder sabe fazer, atacar. O máximo que ele faz é pegar ponte-aérea ou enterrar as bolas que ele pega no rebote, mas com Durant, Green e Westbrook no time, o ataque não é uma grande preocupação. É só ele voltar da sua contusão e transformará o Thunder, que está com 50% de aproveitamento em vitórias desde o começo de 2009, em um time que brigará por vaga nos playoffs nas próximas temporadas.

Falando em dinheiro, hoje à noite tem o Blazers enfrentando o Grizzlies do Darius Miles, o jogador que faz o Blazers gastar 18 milhões de doletas pelos próximos dois anos mesmo jogando por outra equipe. Uns economizam milhões, outros gastam milhões em troca de nada. Negócio é negócio e vice-versa.