terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Importância em Detroit

Iverson e Kwame, tão necessários quanto
pintor de rodapé (ou a Adriane Galisteu)



Prestes a entrar em um novo ano, talvez fosse a hora de recapitular quantas vezes eu disse que engoliria meu pé em alguma aposta ou palpite que fiz. Esse balanço talvez servisse para mostrar que eu sou uma centopéia, já que costumo errar uma ou outra previsão por aí, e engolir um punhado de pés não é exatamente o que eu pretendia para a ceia de Ano Novo. Mas alguns dos palpites ainda estão no ar, já que não consigo resolver se eu estava certo ou não. O caso que anda atormentando minha mente é o de Allen Iverson no Pistons. Na época, disse que daria certo, que era uma injeção de ânimo na equipe e que ele com certeza seria o armador principal da equipe. Bem, mais de uma vez o armador principal foi Rodney Stuckey e o time parece funcionar melhor com ele em quadra, apesar da baixa estatura da equipe nessas condições (Prince vira o ala de força e o Rasheed vira o pivô). Mas Iverson ainda assim tem sido tão essencial para as vitórias do Pistons quanto responsável pelas derrotas. Por um tempo, o Denis e eu alternávamos atuações do time de Detroit: eu só assistia quando a equipe ganhava, ele só assistia quando a equipe perdia. Consequentemente, eu achava que estava dando tudo certo e ele achava que o time tinha desmoronado. Agora, com mais tempo acompanhando a equipe e um toque considerável do acaso, já posso dizer que nenhum de nós estava certo - o Pistons é, ao mesmo tempo, genial e uma porcaria, e consegue ganhar das melhores equipes com a mesma facilidade com que perde para os piores times.

Na noite de ontem, o Detroit venceu sem muitos problemas o Orlando Magic, que está lá no topo do Leste. Tá bom que é difícil levar o Magic a sério, porque eles sempre acabam perdendo na hora que mais importa, mas isso fica pra outro post. O que interessa é que ontem o Pistons teve um jogo bastante coletivo, em que ninguém segurou demais a bola, todos participaram, e ao mesmo tempo ninguém acertava porcaria nenhuma e muitas vezes a movimentação ofensiva parece feita no improviso. Às vezes dá certo, contra os grandes, mas dias atrás o time precisou de uma cesta do Iverson no estouro do cronômetro para derrotar o time-outrora-conhecido-como-Sonics. No fundo, o Iverson está aí para isso, acertar bolas nos segundos finais, assumir a responsabilidade quando a coisa aperta, pontuar mesmo quando o resto do time fede. Mas a palavra que passa pela minha mente enquanto eu vejo o Pistons jogar é "desperdício". Ontem, contra o Magic, Iverson teve um bom jogo. Mas inúmeras vezes ele batia para dentro do garrafão, abria algum espaço e então tocava para o lado, sem objetividade. Trata-se de uma estrela com um talento imenso a quem pediu-se para passar para o lado e envolver todos os companheiros. Eu gosto do conceito, mas é um conceito bem alienígena para o Iverson e às vezes faz parecer que ele está fazendo tudo no improviso mesmo, interrompendo seus impulsos na marra para obedecer o esquema tático. O resultado é que ele acaba sendo completamente desimportante e portanto desnecessário. Quando Iverson se contundiu e acabou saindo logo nos primeiros minutos da partida contra o Bulls, o Rodney Stuckey assumiu e meteu 40 pontos. Ele é tão agressivo quanto o Iverson e tão obrigado a passar pro lado quanto ele. Acabam sendo tão contidos que o Iverson não faria muita falta por lá se o Stuckey pudesse ficar em seu lugar.

Os dois têm funções que não são capazes de fazer. Ou melhor, que são capazes de fazer sim, mas que para isso deixam de lado todo seu talento e habilidades únicas. Você pode pedir para o Garnett armar o jogo, acredito piamente que ele seria capaz de fazer isso sem maiores problemas, mas as melhores coisas que ele pode fazer em quadra são mais perto do garrafão. Iverson e Stuckey são obrigados a envolver a equipe burocraticamente e todo o potencial ofensivo acaba ficando de lado. A princípio, parecia que o Pistons estava interessado em correr mais e deixar pra lá esse papo de armar jogadas, mas não durou tanto assim. Pra mim, não faz sentido. Se eles queriam alguém para armar o jogo como o Billups, então não era melhor ficar com o Billups e pronto? Agora, sem armador puro nenhum, Stuckey e Iverson comprometem o tamanho da equipe, o rendimento do Richard Hamilton e alguém precisa necessariamente vir do banco, a não ser que Prince jogue no garrafão - onde não vem rendendo necas.

O Iverson está se acostumando com o esquema tático, ontem confessou não estar acostumado a ter um bom jogo e ainda assim sair de quadra com apenas 16 pontos. Ele não é um kamikaze como alguns dizem. Mas não sei se essa adequação fará de Iverson uma peça valiosa para o Pistons. Pra mim, essa história me lembra o Devin Harris acorrentado em seu papel burocrático no Mavs e depois se tornando uma estrela no Nets, quando lhe deram liberdade. Assim como o Kidd apanhou pra produzir alguma coisa sendo que o time não adequou o estilo de jogo a ele. Pra que serva ter a Alinne Moraes se você já se decidiu a sair com o Fábio Júnior?

Mersmo assim, é interessante ver como o Pistons confia ao Iverson as últimas posses de bola, mesmo que às vezes ele próprio decida passar para algum companheiro ao invés de decidir a jogada por si só. Contra o Thunder, o Iverson tinha fedido boa parte do jogo e ainda assim recebeu carta branca na última jogada. Talvez seja só isso que esperam dele, seja apenas por isso que a troca foi feito afinal de contas. A inconstância da equipe até agora é até natural, se levarmos em conta que eles não estavam sendo um primor de constância antes mesmo da troca. Somemos a isso o fato de que o elenco está se acostumando com os novos armadores e que o Iverson ainda faça tudo burocraticamente na porra-louquisse, e talvez seja apenas algo passageiro. Nos playoffs, se o time estiver mais constante, ter Iverson no elenco pode ser crucial para decidir um par de jogos decisivos contra o Cavs ou o Celtics (o Magic nem importa, convenhamos). Então não dá pra saber se sua aquisição deu certo ou não, afinal, porque depende muito do que se espera. Sua chegada arrancou do Pistons a organização ofensiva (e defensiva, em algum grau), a armação consciente, o controle do ritmo de jogo. Mas não tinha como esperar que o Iverson trouxesse isso à equipe de modo algum, suas armas são outras e seus pontos fortes completamente diferentes - ainda que estejam sendo completamente ignorados até agora (seu ponto forte, por fim, pode ser justamente o término de seu contrato e espaço na folha salarial, que permitirá contratar outra estrela que será mal utilizada nesse esquema tático). Ainda assim, eles podem vencer o Magic a qualquer dia da semana, e isso deve significar alguma coisa.


Por falar em significar algo, todo mundo se lembra do incidente em que o Reggie Evans agarrou as bolas do Chris Kaman, que não ficou nem um pouco contente com a brincadeira? Muita gente tentou entender o significado daquilo, se foi uma brincadeira, um desejo irresistível, uma tática meio Bruce Bowen, ou apenas seu instinto de agarrar qualquer bola em seu caminho em busca de um rebote. Mas agora temos uma outra pista sobre o significado do incidente: Reggie Evans dessa vez estapeou o traseiro do Kyle Korver.



Não sei o que é mais engraçado nessa cena, se é o Evans colocando a mão bem pra trás antes do tapa como se o Korver fosse uma potranca de baile funk, se é o juiz apitar uma falta técnica num troço completamente inofensivo, ou se é o Korver não ter reagido de modo algum - parece que ele sequer sentiu a pancada. Convenhamos, um tapinha não dói, mas a pancada do Reggie Evans deveria ter sido no mínimo notada pelo magrelo do Korver.

Pessoal, feliz Ano Novo pra todo mundo, e assim que sua tia tomar um tapa no bumbum daquele seu tio bêbado, pense imediatamente no Reggie Evans. Vai ser uma visão maravilhosa para grudar na sua cabeça até o ano que vem. Divirtam-se!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Minhas férias

Kyrylo Fesenko, prestes a chamar a mamãe porque
algum cara grande e mau quer roubar sua bola



Aqui nos bastidores do Bola Presa, existe uma tradição. Quando um de nós vai viajar e fica distante da NBA por alguns dias, o outro faz um tipo de relatório das coisas mais importantes que aconteceram no período e envia por e-mail. Bem, o Denis tirou umas férias do mundo civilizado nessa semana e eu não fui exatamente um primor em regularidade no que se trata de posts para o Bola Presa, então ler o blog não será suficiente para cobrir tudo o que aconteceu nos últimos tempos. Resolvi então fazer um pequeno relatório para o Denis aqui, separando em tópicos curtos. Se você também tirou férias em algum buraco sem internet, TV a cabo e passou todos esses dias vendo novela da Globo, mais antenado com o flagrante na Flora do que com o que se passa na NBA, esse post pode lhe ser útil também. Então, vamos lá!


Votação para o All-Star

Saiu mais uma parcial dos mais votados para serem os titulares do All-Star Game dessa temporada. Pelo Oeste, o time pelo jeito será Kobe, T-Mac, Amaré, Duncan e Yao Ming. Vai ser no mínimo engraçado ver um garrafão com Duncan, Amaré e Yao, sem dúvidas o mais alto de todos os tempos. Mas o Carmelo Anthony ainda tem algumas chances de passar o Amaré, e Chris Paul pode merecidamente ultrapassar o McGrady, que muito provavelmente não estará saudável o bastante para participar da brincadeira.

No Leste, o time deve ser Wade, Iverson, LeBron, Garnett e Dwight Howard. Não deve haver nenhuma mudança, embora o Vince Carter não esteja tão atrás assim do Iverson. Mas o mais importante de tudo é o chinês Yi Jianlian estar atrás de LeBron e de Garnett na briga, ficando como terceiro ala mais votado. Isso já é débil mental o suficiente e pra mim é motivo de vergonha para o povo chinês, não significa que eles "dão valor ao que é deles", e sim que eles não têm bom senso, noção de realidade e definitivamente não sabem brincar. Se o Yi fosse titular, não só todo o All-Star Game estaria maculado, virando uma piada de mal gosto, como o próprio chinês se mijaria de vergonha de entrar em quadra, frente ao absurdo. Nunca é demais lembrar, favor não votar no Leandrinho e no Nenê, a não ser que você realmente ache que eles merecem uma vaga e que será divertido, não porque eles são brasileiros e você também nasceu na terra do samba.

Outra prova de que os chineses não sabem brincar é o Rafer Alston, do Houston, que está na frente do Brandon Roy, por exemplo. O Shane Battier também está na frente do LaMarcus Aldridge, provavelmente porque tem uma propaganda de tênis lá na China, que aliás já derreteu metade do meu cérebro de tanto que eu assisti tentando acompanhar meu Houston nas televisões de lá.

Alguns outros não tem a desculpa de serem garotos-propaganda na China para serem tão votados, no entanto. O Gilbert Arenas é o sexto armador mais votado no Leste e não chegou a pisar em quadra nessa temporada, provavelmente nem pise. Nada como ser blogueiro, engraçado e famoso para garantir umas centenas de milhares de votos, aposto que eu também conseguiria - se eu fosse famoso (ou se eu fosse engraçado?). Mas eu não vou conseguir dormir até descobrir o porquê do Luke Ridnour ser o oitavo armador mais votado do Leste, praticamente empatado com o Derrick Rose e na frente (e com folga) de Joe Johnson e Jose Calderon. Diabos, o Ridnour não consegue nem ser o melhor armador do time dele (cargo que cabe ao Ramon Sessions), como foi parar na frente de uma estrela em talvez o melhor ano de sua carreira, caso de Joe Johnson? O pessoal em Atlanta não deve dar a mínima para NBA mesmo, ou então eles não têm internet.


Campeonato de enterradas

O bom-humor do Dwight Howard, com capa de Super-Homem e tudo, trouxe de volta para o Campeonato de Enterradas uma atenção mais do que merecida. Nos últimos anos a coisa tem subido cada vez mais de nível, e dessa vez tem tudo para ser inesquecível. Pra começar, o Dwight estará de volta para defender seu título, de preferência com mais algumas piadas e um punhado de coelhos na cartola (idéia a se considerar: enterrar coelhos?). Para desafiá-lo, teremos o ratinho voador Super Mouse, também conhecido como Nate Robinson, que sempre tem boas idéias de enterradas, pula pra burro, mas em geral leva três ciclos lunares para conseguir acertar o que quer. Teremos também Rudy Gay, que com certeza sabe sair do chão embora não costume mostrar muita criatividade, e um quarto competidor, novato, decidido pela internet: o espanhol Rudy Fernandez, o armador ultra-explosivo Russel Westbrook, ou o ala Joe Alexander. Por mais que eu goste do Rudy, e ele pegue pontes-aéreas como ninguém, Alexander tem a fama de ser o jogador mais atlético do último draft, um dos que pula mais alto e, pra completar, é de Taiwan - certamente vai vencer essa votação. A não ser que os chineses que votaram no Yi Jianlian tenham um plano de vingança contra Taiwan e sua vontade de liberdade e por isso votem em massa em qualquer um dos outros competidores. Se são desocupados o bastante para votar na porcaria do ala do Nets a ponto de deixá-lo em terceiro lugar entre os alas do Leste, tudo é possível.


Karma

Lembra quando o Steve Francis foi draftado pelo Grizzlies (que, na época, era de Vancouver) e se negou a ir para lá, exigindo uma troca? Pois bem, muita coisa aconteceu desde então. Francis se tornou um dos armadores mais espetaculares de todos os tempos, pelo menos se o assunto era enterrar na cabeça de todo mundo, e garantiu seu lugar no YouTube com centenas de pontes-aéreas incríveis com o Cutino Mobley. Infelizmente, ele era um ala de força tipo o Amaré, mas preso no corpo de um armador tipo o Calderon, o que parece roteiro de um filme de Sessão da Tarde feito pela Disney. O Houston não venceu com ele, que acabou sendo envolvido na troca pelo T-Mac, se separou de seu melhor amigo (o Mobley), pisou no Knicks amaldiçoado e desde então nunca mais foi relevante. Seus joelhos pediram arrego mas ele continuou tentando, voltou para o Houston, só que desde o princípio eu sempre soube que era mais um ato simbólico para dizer "opa, foi mal por ter te trocado e acabado com sua carreira, mas ainda somos amigos!" do que uma contratação de verdade. Acabou não entrando nunca em quadra e agora foi trocado de novo, para poder se aposentar em paz e finalizar o que deve ter sido o declínio mais rápido de um ser humano em toda história, só perdendo para aquela gordinha que ganhou o "No Limite" da Globo uns anos atrás. Mas dentre todos os times da NBA, para onde o Francis seria mandado como parte de uma troca de escolhas de segundo round do draft? Aqui se faz, aqui se paga. Do pó viemos, ao pó retornaremos. A justiça tarda mas não falha. E outras frases de calendário da Seicho-No-Ie ou biscoito da sorte chinês. Ou seja: Steve Francis, bem-vindo ao Grizzlies.


A muvuca no Warriors

Lakers e Celtics foi épico, mas lá no post sobre o jogo tem um link para quem perdeu (vamos ver até quando vai durar). Depois do jogo, o Celtics perdeu feio para um Warriors que, de repente, mostrou uma defesa poderosa e atacou os rebotes com aquela agressividade que ficou famosa na vitória em cima do Mavs nos playoffs retrasados. O Warriors defendendo, vencendo um dos favoritos ao título mesmo sem Crawford e Maggette? Talvez seja sinal de alguma mudança. Mas o Lakers, que venceu o Celtics, derrotou o Warriors no dia seguinte sem maiores problemas, num jogo em que o Warriors não defendeu, não atacou, não assobiou e não chupou cana (bem, talvez tenha chupado um pouco de cana, sim). Pelo jeito, a vitória em cima do Celtics foi apenas para provar de vez que o Warriors não faz o menor sentido. Stephen Jackson disse que se encontrou com o Baron Davis e pediu desesperado para ele voltar, e o Baron Davis disse que adoraria. O técnico Don Nelson também afirmou que seria bom ter Davis de volta. O time é tão confuso que eles não apenas não têm critério com os jogadores que estão no elenco (Marco Belinelli foi de não ser nunca utilizado em jogo nenhum para agora ter 36 minutos de média por jogo nas últimas 5 partidas, assim como o Morrow foi de nunca jogar para ser titular absoluto para então ser reserva de luxo, de volta a titular e agora mal entrar nos jogos), eles também não têm critério com os jogadores que não jogam para o Warriors. O Baron Davis foi colocado no banco pelo Don Nelson no último jogo da temporada passada, que valia classificação, e depois deu o fora da equipe. Maggette foi contratado como a peça que faltava no ataque. Monta Ellis seria o armador principal e voltaria em breve de contusão. Agora, Baron Davis é chamado de volta, o Maggette é desimportante, o Monta Ellis só deve voltar a jogar no mês que vem e o Don Nelson não sabe como deve utilizá-lo, e é mais fácil acompanhar aquelas brigas por causa de teste de paternidade no Ratinho do que a situação do Warriors. Então, deixa pra lá.


Força nominal no garrafão

O Jazz já estava sem o Boozer, mas seu substituto Paul Millsap provou que era um substituto tão à altura que ninguém vai se lembrar de renovar o contrato do Boozer na temporada que vem. Mas aí o Millsap se contundiu também, assim como o Okur. Não restou ninguém no elenco com mais de 30 centímetros, o time de Utah virou Jerry Sloan e os sete anões. No desespero, dois reservas que praticamente não existem ganharam minutos: o pivô novato Kosta Koufos, que teve uma excelente Summer League, e o Kyrylo Fesenko, que tem um bom nível de força nominal mas é um ucraniano zé-ninguém que passou a maior parte da sua vida na Liga de Desenvolvimento da NBA. Pois bem, não é que os dois chutam traseiros? Contra o Dallas, foram 3 tocos de Fesenko e 18 pontos com 8 rebotes para o Koufos, o suficiente para esmagar os bagos do garrafão do Mavs e sair de quadra com a vitória apesar do time titular parecer seleção sub-21. De quebra, o Nowitzki ainda conseguiu ser expulso de quadra por dar um soco no pentelho do Matt Harpring, depois de ser empurrado pra burro na jogada. Talvez o Nowitzki também estivesse puto de ter presenciado um dos flops mais ridículos de todos os tempos, o Kirilenko sequer se deu ao trabalho de sincronizar sua queda com os movimentos do alemão:



Bem, esse mesmo Jazz com Fesenko e Kosta Koufos (a dupla de garrafão com maior força nominal na NBA) conseguiu levar o Houston para duas prorrogações, com os dois jogando bem demais. Artest estava com o pé torcido, mas quando o T-Mac avisou que não estava em condições de jogar, deve ter percebido que uma dupla de garrafão como essas iria humilhar o meu Rockets. Artest resolveu entrar em quadra, jogar mesmo contundido e foi crucial na segunda prorrogação para garantir a vitória. Quem precisa de Okur, Boozer e Millsap, não é mesmo? Viva a força nominal!


Vida dura de novato

Pela primeira vez assisti ao Greg Oden conseguir ficar em quadra por mais de 3 minutos. Em geral ele é tão destrambelhado que com dois bocejos e um espreguiço consegue sair de quadra com 5 faltas. Fico imaginando como ele se daria numa loja de espelhos. Contra o Raptors, ele não teve problemas com faltas, fez 16 pontos e pegou 10 rebotes, nada mals. Mas, diabos, como foi fácil a vida de Bosh e Jermaine O'Neal durante a partida! Sei que é arriscado e precipitado, e eu não tenho mais pés para apostar, mas o Oden não parece ter os traços de um grande defensor, embora distribua uma boa parcela de tocos. Acho que vai demorar mais do que se pensava para que ele seja de fato dominante dos dois lados da quadra. Mas o Blazers pode esperar. O Brandon Roy, recentemente, anda até multiplicando pães. Certeza de que será escolhido pelos técnicos para jogar o All-Star Game.


Fantasy

O time do Denis, o Interlagos Racecars, perdeu os dois jogos que disputou essa semana no nosso Fantasy do Bola Presa. Ter o Darko Milicic no time não ajudou muito, e Jose Juan Barea andou tendo seus minutos podados com a volta de Josh Howard (que, aliás, é do meu time, e demorou demais pra voltar, maldito!). Denis, não é por nada não, desculpa mesmo, mas por enquanto teu time fede!

sábado, 27 de dezembro de 2008

O jogo de verdade

"Fecha os olhos e adivinha quem é!"


Ah, o Natal! Família, presentes, aves geneticamente alteradas nas mesas de jantar, árvores secando cobertas de penduricalhos frágeis e idiotas, filmes infantis dublados na televisão, um punhado de idiotas testando os fogos de artifício comprados para o Ano Novo, álcool demais na cabeça daquele seu tio xavequeiro e sempre, sempre, alguém roncando na hora de lavar os pratos. Tudo isso, no entanto, está muito longe da verdadeira tradição natalina, daquilo que o Natal realmente significa: NBA. Não me venha com essa de que um cara nasceu há 2 mil anos atrás, por acaso você não viu todos aqueles Lakers contra o Heat, na época em que o Shaq havia sido trocado, ou aquela infinidade de Suns contra o Spurs, mesmo todo mundo sabendo qual seria o resultado? Isso sim é tradição, é por isso que todos nós esperamos um ano inteiro. Deixem as crianças acordarem babando nos presentes (pelo menos naquele curto período de tempo entre as crianças acharem que vão ganhar um Wii e elas enfim descobrirem que ganharam meias e uma camiseta justa demais), nós marmanjos acordamos pela manhã babando com a rodada de Natal na NBA. Todo o resto são apenas obstáculos que tentam nos afastar da simples e pura felicidade de um Lakers enfrentando o Celtics.

Confesso que os obstáculos foram bem grandes para mim esse ano, incluindo família, trânsito, chuva pra burro, um sedutor almoço feito com restos da noite anterior que acabou me tomando mais tempo do que o esperado, e acabei chegando em casa nos segundos finais de Spurs e Suns. Para a minha surpresa, o Suns vencia por dois pontos, mas como perfeitamente esperado por qualquer mamífero bípede que ande sobre a Terra, o Spurs conseguiu uma jogada manjada que permitiu ao Roger Mason converter uma bola de 3 pontos no estouro do cronômetro. O prêmio "Eu escolho Darko Milicic" da noite (em homenagem à escolha de Darko antes de Carmelo, Wade e Bosh) foi para o Jason Richardson, que ao invés de marcar o Roger Mason preferiu pular junto com o Tony Parker sabe-se lá porque.



Chega uma hora em que é preciso admitir a derrota. O Suns em seus tempos de correria fazia tudo direitinho mas alguma coisa sempre acontecia para o Spurs sair com a vitória. Foram quinhentas cestas de último segundo, jogadas perfeitas, erros oportunos, dores de barriga que acabaram dando certo. Com Shaq, mudanças no estilo de jogo, também não foi suficiente. Agora, o Suns é outro time, pelo jeito concentrou as bolas nas mãos de Shaq e de Amaré, que tiveram grandes partidas, num basquete de garrafão. Mas o resultado é sempre, sempre o mesmo contra o time de San Antonio. Coloquem quatro orangotangos com roupas de balé com o Duncan em quadra e ainda assim farão uma cesta de último segundo para vencer o Suns. Joguem o elenco fora, troquem os uniformes, mudem o esporte, coloquem os dois times para se enfrentar no "Passa ou Repassa" e o Suns ganhará na parte das perguntas, apenas para perder na prova final que vale 500 milhões de pontos a mais do que o resto do programa inteiro (sempre me perguntei, pra que se dar ao trabalho de se melecar no "Torta na cara" se o que decide mesmo a budega é a maldita prova final? Eu não participaria.)

Para nossa sorte, o jogo que veio a seguir não tinha um resultado óbvio e previsível. Eu não me conformaria em perder Lakers e Celtics por nada, principalmente levando em conta que eu de fato ganhei meias no Natal e tinha trocado dois jogos da rodada quíntupla por isso. A partida compensou as meias rapidamente, já que desde o princípio o que se apresentou diante de nossos olhos foi a partida mais feia e sensacional da temporada. Feia porque o jogo foi brigado, cheio de capotes, gente se tacando em cima de todo mundo e momentos que lembravam futebol feminino de escola, quando todas as garotas se atiram ao mesmo tempo em cima da bola o tempo inteiro. Mas sensacional pelo resultado, pela qualidade que surgia dessa bagunça. O melhor exemplo foi o tapa de vôlei que o Kobe deu na bola na briga por um rebote, que teria saído pela linha de fundo no outro lado da quadra se o Trevor Ariza não tivesse se atirado para salvar a bola dando uma assistência para o Vujacic no processo, que converteu a cesta apesar de sofrer uma falta. Ou seja, em todos os momentos da jogada, parecia que tudo iria dar errado, mas acabou dando certo. O próprio Trevor Ariza salvou outras bolas semelhantes durante o jogo, numa mistura de basquete, salto em distância e boliche. Em geral nunca é bom quando basquete parece estar misturado com boliche, mas dessa vez deu bastante certo: em parte porque era Natal e qualquer coisa seria melhor do que um par de meias (na verdade, dois pares), em parte porque o clima de final era palpável e o nível do jogo não foi comprometido por isso.

Dava pra saber que o Lakers estava encarando o jogo como se fosse a final da NBA simplesmente porque o Kobe pediu a bola em todas as malditas vezes que seu time esteve no ataque. Acho que não houve uma só vez que Kobe não tenha levantado a mão, desesperado, correndo pra lá e pra cá como um hamster no cio, exigindo receber um passe. No entanto, a marcação que recebeu foi implacável e, desde o começo do jogo, a opção do Celtics foi dobrar em Kobe em todas as ocasiões. Nas poucas vezes em que a marcação não dobrou, em geral porque não houve tempo, ele chutou o traseiro do Ray Allen, então a tática do Boston foi certamente bem acertada. Mas de modo algum suficiente: de fato impediu que Kobe recebesse a bola muitas vezes, e por isso lhe obrigou a demandar passes com tanta frequência, mas todas as vezes que tinha a bola em mãos e sofreu marcação dupla, teve a calma necessária para encontrar um companheiro livre. Colocou constantemente Pau Gasol em condições de pontuar, e foram os 7 pontos nos minutos 3 minutos finais do espanhol que deram a liderança decisiva para o Lakers, que depois foi alargada por lances livres todos apenas pra dar a impressão de que o jogo não foi disputado e impedir o suicídio dos coitados que não puderam ver o jogo. Aliás, se você é um deles, fica aqui a dica: dá pra ver o jogo inteiro, na íntegra, no YouTube. Está dividido em várias partes e, como bem sabemos, não vai durar muito - o David Stern é um velhinho muito entediado e possessivo, terrivelmente pentelho, e olha que ele nem ganhou meias, cuecas e um guarda-chuva de Natal como eu - e portanto quem quiser aproveitar o jogo precisa correr e clicar aqui.

O Gasol sem dúvidas foi um grande diferencial, se compararmos essa partida com a Final da temporada passada entre Lakers e Celtics. Na verdade, os dois times são bem diferentes hoje do que eram então. Pela equipe de Los Angeles, o espanhol está mais entrosado com o time e mais presente no garrafão. Trevor Ariza está saudável, desempenhando um papel importante, e Lamar Odom agora tem uma função diferente, vindo do banco. Mas a maior diferença foi Andrew Bynum, que passou grande parte da temporada passada e teve sua volta adiada mais e mais, até que a Final terminou e ainda estavam dizendo que ele iria voltar "no próximo jogo". Talvez se os playoffs fossem num formato "melhor de 42 jogos" o Bynum tivesse conseguido voltar, mas a verdade é que, ao menos pelo que vimos na partida de Natal, ele não teria feito tanta diferença assim. Não me entendam mal, o Bynum chuta traseiros e se eu tivesse que apontar um pivô para dominar a próxima década seria ele (ultimamente não ando botando muita fé em Greg Oden), mas ele ainda está longe de dominar os jogos e não influenciou muito no resultado final. Justiça seja feita, deu dois tocos em Rajon Rondo que acabaram desencorajando o armador a tentar de novo, mas no resto da partida foi meio invisível. Sua presença vale, sim, no conjunto geral da obra, porque o Lakers é um coletivo que parece funcionar cada vez melhor e evolui junto. É possível sentir a melhora de todos os jogadores de uma temporada para a outra.

Pelo lado do Celtics, as diferenças também são muitas, e o mesmo conceito da evolução coletiva se aplica. Ao invés de caírem de produção com a partida de James Posey, o time está ainda melhor porque todos os jogadores secundários subiram de nível, pura e simplesmente. Houve uma época em que o Celtics parou de usar o Mark Blount (que hoje em dia fede no Heat, mas na época era titular no Boston) alegando que "Kendrick Perkins é o pivô do futuro", e eu molhei minhas calças de tanto rir. Agora, quem diria, Perkins está provando que pode contribuir em muitos aspectos que não apenas sendo grande na defesa. O time pode contar com ele dos dois lados da quadra e, por alguns instantes, ele chega até a ser (pasmem!) uma força ofensiva. O reserva Leon Powe também está em alta, até porque ele e o Paul Millsap são clones feitos em laboratório e se o Millsap virou titular com a contusão de Boozer no Jazz e está com médias surreais de pontos, rebotes e até mesmo pontos, Leon Powe não poderia deixar de evoluir. Esses alas fortes, baixos, carregadores de piano, são sempre menospresados e acabam provando seu valor bem rápido. O Powe já tinha salvado um bom punhado de jogos para o Celtics na temporada passada, mas agora está cada vez melhor e impactando ainda mais os jogos. Mas nenhum deles evoluiu como Rajon Rondo. No final de sua primeira temporada, quando acabou sendo titular do Celtics por falta de elenco, já tinha mostrado seu potencial de Jason Kidd, pegando rebotes, puxando contra-ataques e não acertando arremessos. Na temporada passada, primeiro provou que não comprometia a equipe, e depois foi ganhando um jogo ou dois com seus rebotes ofensivos e bandejas inesperadas. Agora, por inúmeras vezes é indiscutivelmente o melhor jogador em quadra, domina jogos sem tentar um arremesso sequer e parece poder pontuar quando bem entender, simplesmente batendo para dentro do garrafão. O técnico Doc Rivers parece ter dado muito mais liberdade para o garoto, que agora divide o fardo ofensivo com Paul Pierce, Garnett e Ray Allen, e não posso deixar de lembrar de Tony Parker, que sempre pareceu poder pontuar quando bem entendesse mas só aos poucos foi recebendo a permissão para isso do técnico Gregg Popovich. Quando digo que o Rondo é uma mistura bizarra entre Jason Kidd e Tony Parker, não quero dizer necessariamente que ele será tão bom quanto os outros dois armadores, mas sim que ele tem traços deles que são impressionantes. Não acho que o Rondo jogaria tão bem em qualquer outro time que não tivesse três grandes estrelas para segurar as pontas, mas isso não é importante: ele tem as estrelas, melhora a cada jogo e o Celtics é um time melhor do que aquele que foi campeão na temporada passada.

Por isso mesmo é tão curioso notar que o Lakers acabou vencendo a partida. Isso deve significar que o time de Kobe e seus amigos é ainda melhor do que o imaginado, ou que o resultado foi apenas uma aberração - o que é difícil de engolir porque, tirando o Tony Allen que teve uma das piores atuações de um jogador não chamado Kwame Brown, o Celtics não jogou particularmente mal. O Lakers, por sua vez, sentiu muito nitidamente a falta de Jordan Farmar, o armador reserva que hoje em dia joga trocentas vezes melhor do que o Fisher, que fedeu bastante. O Farmar tem um dos desenvolvimentos mais perceptíveis e bem-vindos nesse elenco do Lakers mas passará um bom tempo fora, contundido. Se estiver de volta num próximo confronto, o Celtics terá ainda mais problemas para parar o ataque do Los Angeles.

O Boston não lidou bem com a derrota, que foi o fim da sequência de vitórias que compunha o melhor começo de temporada da história. A ressaca de Natal foi tão grande que ontem acabaram perdendo para o Warriors, que não é mais do que uma piada e ainda por cima estava sem Jamal Crawford e Corey Maggette, sem falar no Belinelli titular mais uma vez e finalmente liberto de sua pokébola. É aquela clara sensação de "bah, essa droga de temporada regular não serve para nada", também conhecida como "Complexo de Ron Artest" (o famoso "será que posso fugir do time para gravar um CD de rap e volto para os playoffs?"). De que adianta ganhar de todos os times se o que importa mesmo é ser capaz de derrotar o Lakers na Final? Os outros times que me desculpem, mas o Celtics não tem muito mais a se preocupar além do Lakers. O Spurs pode vencer o Suns o tempo inteiro, com um pé nas costas e um Roger Mason Jr. na zona morta, e eles até podem de fininho ter ido parar no segundo lugar do Oeste (como diabos eles fazem isso?), mas não parecem ter condições de vencer essa budega. Meu próprio Houston, que em seus altos e baixos alcança uns altos bem altos mesmo, nem sonha em levar um anel pra casa dessa vez. A rodada de Natal, que até teve outros jogos, provou na verdade justamente isso: essa parada é entre Lakers e Celtics, esses serão os jogos de verdade. Talvez seja ainda muito cedo, é verdade, e outros times possam subir freneticamente rumo ao topo. Mas nesse tempo em que estive fora e acabei nem postando, não parei de relembrar os lances do jogo entre as duas equipes, e no fundo é disso que se trata a NBA, grandes jogos inesquecíveis. Por enquanto, poucos podem se igualar a esse grau de intensidade, rivalidade, talento e técnica. Bem, talvez se o Suns ganhasse do Spurs de vez em quando pudessemos ter alguma competição. Mas por enquanto, é pra mim a rivalidade absoluta, o jogo pelo qual eu estou esperando. Minha Final favorita - escolhida com bastante antecedência e pedida para o Papai Noel. Espero ganhá-la como ganhei as meias, a cueca e o guarda-chuva. E gostar, dessa vez.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Rodada de Natal

"Feliz Natal, Deshawn Stevenson!"


Hô, hô, hô! Hoje é dia de, pela primeira vez desde que a temporada começou, não assistir NBA, não pensar no seu fantasy, não torcer pelo fim da sequência de vitórias do Celtics e não dar risada da defesa do Warriors. O basquete tira uma folga essa noite para você se fingir de gente normal e tentar ter uma conversa com sua família que não inclua as palavras "triple-double", "toco" e "LeBron James". Mas não se aflijam, ó mortais! O dia 25 terá uma rodada quíntupla: começa com Hornets e Magic, às 15h, o jogo que todo mundo vai acabar perdendo porque não é fácil se livrar daquele almoço que tem os restos da ceia da noite anterior. Depois tem Spurs e Suns às 17h30, para vermos como o novo Phoenix vai se sair contra seus antigos rivais, e quem perder esse jogo é a mulher do padre (pior, a mulher daquele padre que saiu voando de balão sem saber usar o GPS). No entanto, o jogo mais importante da rodada é a revanche do Lakers contra o Celtics, às 20h, num duelo que colocará as duas melhores campanhas uma contra a outra. Quando você estiver tendo convulsões porque não aguenta mais ficar com a cara enfiada no computador assistindo a uma bola quicante, dá pra tirar uma folga no Wizards e Cavs, às 23h, que não vai ter nenhuma graça porque a rivalidade é forte mas o Arenas está morto (embora sempre sobre uma cotovelada ou duas para alguém). Depois do intervalinho, tem Mavs e Blazers, 1h30 da madrugada, quando aquela sua tia chata já está roncando na sala e sua avó já está quase acordando para preparar o café-da-manhã.

Aqui no Bola Presa, vamos tentar no limite do possível acompanhar a rodada, distribuindo links para os jogos e reclamando de ter ganhado um monte de cuecas, tudo lá no nosso ancião chat Bola Presa! Todo mundo que conseguir se livrar da vida social (bah, muito superestimada) está convidado, embora eu mesmo talvez acabe demorando um pouco para aparecer.

Depois dessa rodada-esfola-crânio, o Bola Presa voltará à sua programação de posts normal, então pode arranjar um jeito de acessar a internet mesmo durante as festas. Como diria o Herbert Viana, a vida às vezes pára, mas o basquete não!

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

O futuro do Mavs

Devin Harris ainda está chocado com a facilidade
com que chuta o traseiro do Mavs



No post de ontem, comentando sobre a troca de Jason Kidd por Devin Harris na temporada passada, afirmei que a janela para título do Dallas Mavericks parecia definitivamente fechada. Não quero, no entanto, dar a impressão de que o Mavs fede. O começo ruim do time de Dallas, com derrotas para times questionáveis como Bulls e Clippers (e trocentas outras contra Cavs, Magic, Nuggets, Lakers, Spurs) criaram um clima de decadência na franquia aos olhos do público. Basta pensar no Mavs e imaginamos o declínio, o fracasso, os tornozelos do Kidd torcidos por um drible do Devin Harris. Essa espécie de aura não é muito racional, afinal o time tem melhorado de produção, se recuperou um pouco na tabela, está se acostumando com o novo técnico e passou tempo demais sem poder contar com Josh Howard, contundido. Mas a sensação é de descrença, parece que ninguém mais leva o Mavs a sério. Eles ainda são um grande time, isso é fato, mas bons o suficiente para sequer chegar aos playoffs no Oeste? A briga provavelmente será apenas entre 9 times (o Clippers não entra na lista porque a qualquer momento alguém por lá vai quebrar o pescoço escovando os dentes) e será que há algum motivo para acreditar que o Dallas conseguirá terminar a temporada acima da nona colocação?

Aquele Mavs com Devin Harris não parecia ter as condições pra chegar muito longe, mas talvez fosse apenas uma questão de estilo de jogo, não exatamente de elenco. Com Jason Kidd era possível juntar um dos melhores armadores dessa galáxia a um eterno candidato ao prêmio de MVP, Dirk Nowitzki. Era um risco, um comprometimento com a vitória imediata. Mas o estilo de jogo continuou o mesmo e Jason Kidd parecia tão amarrado e tímido quanto Devin Harris nos seus tempos de Mavs. Se os dois chutaram traseiros no Nets, a gente começa a desconfiar que o problema não são eles, mas o time de Dallas e seu modo de jogar basquete. Com um técnico novo, o Rick Carslile, Kidd está se sentindo bem mais à vontade em quadra - provavelmente porque foi implatada a mesma "princeton offense" com que ele estava acostumado em New Jersey. Mas agora não é mais questão de estilo, e sim de elenco: falta um jogador explosivo, agressivo, que ataque a cesta e crie espaços. Ou seja, eles precisam do Delorean para voltar no tempo, impedir a troca pelo Kidd, trocar o técnico e dar liberdade ofensiva para Devin Harris. Às vezes, o melhor modo de ajudar os companheiros arremessadores é atacar a cesta ao invés de passar a bola, algo que vem dando certo em algum grau lá no Nets e é justamente do que o Mavs precisa. É por isso que a torcida de New Jersey tem que agradecer que ninguém tem um capacitor de fluxo por aí. E agradecer ao Mark Cuban também, por ter feito a troca, como no vídeo abaixo.



Acho que o mais legal do vídeo é o Vince Carter rindo pra burro quando percebe o que a torcida está cantando. Ele olha pro Devin Harris, compartilha com o garoto a graça do momento e não parece ter muitas saudades dos velhos tempos. Desculpe Kidd, você é um dos melhores de todos os tempos, mas o Devin Harris apenas faz o Vince Carter melhor e permite que ele seja um líder em quadra - o que mais Carter poderia querer?

A função que Harris deveria estar exercendo no Mavs (mas que, como vimos, não exercia quando estava na equipe) continua vaga, não importa quão bem esteja Dirk Nowitzki. Ao contrário do bom senso popular, que acha que faz mal tomar banho de barriga cheia e misturar leite com manga, eu não acho que o Nowitzki seja um jogador que só sabe fazer uma coisa e que fuja do contato físico. Seu jogo evolui a cada partida, e se em algum momento ele era apenas um arremessador que preferia jogar vôlei pra não ter que tocar em ninguém, isso já faz parte do passado. O alemão não tem medo de bater para dentro do garrafão, tomar umas porradas e decidir jogos no finalzinho, coisas que ele continua tendo uma fama enganosa de não fazer. Mas uma coisa que o Dirk não tem e nunca vai ter é um primor de coordenação motora, tenho certeza de que ele jamais passaria naqueles testes de desenhar uma linha reta para tirar carteira de motorista. Quando bate pra dentro, em geral fica desequilibrado, torto, um animal fora de seu meio natural, algo como a Bruna Surfistinha atuando numa novela da Globo. Dá pra contar com o Nowitzki pra conseguir seus pontos de qualquer meio imaginável, ele está tendo uma das melhores temporadas ofensivas de sua carreira, mas não dá pra apostar que ele será físico e se sinta à vontade enterrando bola atrás de bola.

Josh Howard poderia ter essa função de atacar a cesta agressivamente e criar espaços, mas não só ele teve atuações preguiçosas e desencorajantes nos playoffs como também acabou de voltar de contusão e está indo aos poucos, sem ritmo para nada. Na sua ausência, Gerald Green ganhou uma oportunidade única ao ser titular e receber essa função. Acontece que, apesar de ser ex-campeão de enterradas, Green sonha em ser Kobe Bryant e prende-se muito aos arremessos de longe. Seu jogo também é muito cru nos outros aspectos e seus minutos foram sumindo com o tempo, especialmente pelas falhas defensivas. O mais novo experimento em Dallas foi usar JJ Barea, o homem que só sabe pontuar, no quinteto titular. Às vezes ele compromete completamente o ataque, por ser agressivo demais e talentoso de menos, mas tem horas em que sua mentalidade por si só já abre espaços para o resto do Mavs jogar como quer. O projeto poderia ter futuro, mas Josh voltou de suas férias e foi direto pra quadra, mesmo que vá levar semanas para estar em condições de jogo. Ainda assim, não é ele quem resolverá todos os problemas. Trata-se de um time pouco agressivo, nada físico, sentindo já o desânimo de não ser bom o bastante para um título e o peso fúnebre da idade. Mentalmente, parece que eles nunca se recuperaram da derrota para o Warriors nos playoffs, naquela zebra incrível em que perderam apesar de terem se classificado como líderes do Oeste. É como se eles sempre pensassem que não interessa o que façam, vão acabar perdendo mesmo porque falta alguma coisa. E a verdade é que o time é excelente, mas falta alguma coisa mesmo, não tem como negar. Ficar tentando ignorar isso não vai dar muito certo porque o tempo está correndo contra o time. Não importa o quanto o Mavs seja bom e o Mark Cuban esteja satisfeito com sua equipe, o elenco inteirinho irá pro lixo se eles ficarem fora dos playoffs ou se conseguirem apenas uma oitava ou sétima vaga seguida por eliminação para uma das equipes do topo. O contrato de Kidd acabará nessa temporada, certamente não será renovado, mas o Mavs ainda assim não terá dinheiro para contratar uma outra estrela no lugar, tendo em vista que eles estão muito, muito acima do limite salarial. Então continuará faltando algo, talvez falte ainda mais, e os resultados só vão ladeira abaixo.

O que fazer com esse time bom mas limitado, com falhas claras, assim que Kidd der o fora? Será o momento de decidir começar tudo de novo ou então abordar os defeitos e achar que algum remendo será suficiente para alcançar um título. Porque ficar no mais-ou-menos a gente sabe que não funciona, às vezes é simplesmente melhor feder por uns anos do que ficar mediano pra sempre.

Sobre isso, Dirk Nowitzki foi enfático: ele já tem os títulos pessoais, já foi MVP, agora ele quer deixar de ficar no "quase" e decidiu ganhar um título. Para isso, disse que estará disposto a aceitar menos dinheiro quando seu contrato acabar em 2010. O Mark Cuban ficou todo feliz e exaltou como o alemão é um cara legal, o que aliás é verdade. Dirk se importa com o esporte mais do que tudo, fez questão de abandonar a vida e ir jogar pela seleção alemã, levá-la para as Olimpíadas, e agora vai abrir mão de umas verdinhas para tentar ser campeão. Mas pra mim a afirmação do Dirk é bastante ambígua, ele falou que aceitaria menos dinheiro, mas não disse exatamente onde. Então não dá pra imaginar ele indo jogar num time com mais chances de título e deixando pra lá esse Mavs que deixou seu auge para trás e agora sofre com a falta de sei-lá-o-quê? Alguns, inclusive, afirmam que seria uma péssima idéia para o Mavs optar por montar (ou manter) um time em volta do Nowitzki, que seria muito limitado. Olha, se o time em volta do Joe Johnson deu certo, acho que qualquer coisa dá - basta ter as peças certas ao redor.

É triste, mas nos últimos anos testemunhamos o fim de quase todos os times que jogavam um basquete veloz e focado exclusivamente no ataque. Primeiro o Phoenix Suns, com o Shaq, resolveu abandonar a porra-louquisse. Agora o Mavs já está na marcha-lenta faz um tempo, quase se desmantelando apesar do talento inegável da equipe. Os poucos times que sobraram nessa linha, Warriors e Knicks, não passam de anedotas, piadas de papagaio, são times velozes e criativos que não metem medo em ninguém e que não podem ser levados a sério (são "pornô ruim", com penetração mas que ninguém gosta de ver, como disse o Denis). O Warriors em especial é um circo, o Don Nelson agora passou a defesa e o ataque para assistentes seus, está responsável apenas por sentar no banco e lidar com os jogadores, e parece ter perdido completamente a cabeça de vez (o Marco Belinelli ser titular é um dos sinais do Apocalipse, está na Bíblia!). O Don Nelson ganha um salário para ser maluco, não treinar a equipe e ficar no banco, e tem gente que acha que só o Marbury ganha dinheiro fácil...

O Mavs vai ter decisões complicadas para tomar em breve, e que dependerão da recuperação da equipe nessa temporada: se eles de repente dão muito certo, a esperança pode segurar essas peças juntas por mais um tempo. Mas eu não consigo imaginar um time melhor que esteja tão longe de ganhar um título em toda a NBA, o que pra mim deveria ser um sinal claro de "taque fora e comece de novo". Mas se no Warriors - que fede muito - não tacam a budega fora para reconstruir, não culpo o Mark Cuban por continuar acreditando em seu Dallas. Só que para acreditar de verdade, ele precisa remodelar um pouco, fazer umas trocas. O problema é aquele eterno medo de fazer merda outra vez, aquele maldito Devin Harris que puxa seu pé todas as noites.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

O mito da idade

Pagar milhões para um jogador desconhecido é
fácil, difícil é lhe arranjar um boné que sirva



O chinês Yi Jianlian mentiu a idade. Em outra notícia igualmente chocante, a água é molhada e às vezes cai do céu. Todos estão abismados com evidências recém-descobertas que apontam a idade de Yi como sendo 24 anos ao invés de 21. Sério? Abismado eu estou em ver a foto do documento escolar que mostrou a verdade e notar que Yi tem a mesma cara, o que me leva a crer que ele nasceu com 2 metros e a mesma fisionomia que tem hoje. Provavelmente isso seja o dado que faltava para considerar a hiopótese de que ele nasceu numa encubadora e é um projeto genético do governo chinês. Outros cinco mil chineses idênticos, da mesma safra, estão apenas esperando Yi Jianlian se contundir para substituí-lo. Certamente ele irá encerrar sua carreira sem jamais ter perdido um jogo por contusão e nós sequer desconfiaremos da conspiração.

Na época do draft de Yi, todos os sites especializados falavam sobre as dúvidas quanto à sua idade, então era algo de que todos estavam cientes. Diz a lenda que na China é muito fácil forjar a idade de qualquer um, graças à dificuldade em manter registros de quadrilhões de pessoas, mas se o governo chinês ganhar alguma coisa com essa idade forjada então podemos ter certeza de que é mais fácil ainda, basta meio bilhão de burocratas "olharem para o outro lado" e pronto. No caso de Yi, havia uma certa urgência para que ele fosse para a NBA desenvolver seu jogo a tempo de render nas Olimpíadas e quanto mais jovem ele fosse, maiores as chances de que conseguisse ser draftado como uma estrela ao invés de sumir em algum banco de reservas por aí. Tudo por causa daquela boa e velha palavrinha mágica: potencial.

O "pode ser" sempre parece ter muito mais força do que o "é" em nossa cultura, e isso não apenas no basquete ou no esporte. Qualquer coisa que possa valer milhões é melhor do que algo que já valha alguma coisinha, é nossa abordagem com o dinheiro. Nossa relação com o mundo também é mais ou menos assim, estamos cercados de objetos ao nosso redor mas estamos interessados no "pode ser", na divindidade que talvez exista por trás das coisas, em gnomos, alienígenas, no paranormal. O real, o agora, nunca é o bastante. Queremos as possibilidades do futuro, o improvável, aquilo que possa estar por trás - em detrimento do presente. No fundo, é mais ou menos como ficar esperando com tanta intensidade a Alinne Moraes tirar a roupa que o fato dela estar ali, na sua frente, acaba sendo completamente ignorado.

Alguém, em algum momento, olhou para o Kwame Brown e disse: "bem, ele tem mãos pequenas incapazes de segurar uma bola de golfe, não consegue pontuar quando está um passo longe da cesta, acha que "arremesso" é coisa de beiseball e tem a confiança de um jogador de Ragnarok no meio da mansão Playboy. Ele pode ser um bom jogador." Nesse ponto de vista, qualquer um pode ser bom jogador. O resultado desse raciocínio é um punhado de aberrações por aí, tipo o Stromile Swift. O cara não faz idéia do que seja basquete, dizem que ele até já ouviu falar, mas quando foi draftado era todo potencial. Nenhuma inteligência em quadra, habilidade, recursos, mas veja seu físico, veja como pula, ele vai chegar lá um dia. Minha impressão é que no basquete todo mundo drafta jogadores excelentes para participarem de atletismo e ganharem competições de salto em altura. Mais de oito anos se passaram desde que Stromile Swift foi draftado, passou por quatro equipes diferentes, deu boas enterradas. Alguns malucos ainda esperam o ano em que ele mostrará seu potencial, mesmo ano em que o Gugu assumirá os programas do Silvio Santos. Sempre tem um velhinho banguela gritando "vocês vão ver só".

Confesso que é impossível não lidar com jogadores da NBA em termos de potencial, mas isso ao menos deveria ser completamente secundário. O que o jogador apresenta naquele momento deveria ser sempre o crucial, o mais importante. E então a idade acabaria se tornando algo banal. Na cabeça de alguns, há muita diferença entre o Yi Jianlian ter 21 ou 24 anos. Uma questão de potencial, de quão alto ele poderia alcançar. Mas faz diferença quantos anos o Stromile Swift tem se ele nunca soube jogar basquete e provavelmente nunca saberá? O Yi é inconsistente, fraco na defesa, mas isso não é uma questão de idade de modo algum. E, ao contrário do Stro, Yi chegou na NBA com uma técnica invejável e apurada, um arremesso lindo, uma passada explosiva. Lembro muito bem, nos primórdios do Bola Presa, de ficar babando no chinês. Que ele seja mais velho, que ele tenha 30 anos, que diferença faz? O que ele precisa é de tempo de quadra, bons técnicos, ritmo, porque basquete ele já joga. Retiro o que eu disse e não vejo mais uma estrela nele, porque eu via apenas potencial. Escapando dessa contradição, prefiro ver o que o Yi Jianlian é agora: um jogador competente, inconsistente, que poderia ser um trintão e não faria qualquer diferença. Convenhamos, não é como se alguém fosse assinar um contrato de 20 anos com o rapaz e perigasse adentrar em sua velhisse por causa de uma mentira na certidão de nascimento.

Esse papo de potencial também está em alta por causa da troca da temporada passada entre Devin Harris e Jason Kidd. Tratava-se de uma troca entre potencial e realidade, juventude e experiência. Eu fui o mané do Bola Presa que foi a favor da troca pelo lado do Mavs (o Denis não achou boa idéia), mas o que eu tinha em mente é que Jason Kidd poderia ser o que faltava para o Mavs ganhar naquele momento. Para mim, a janela do Mavs estava se fechando, eles não durariam muito, e era preciso achar a receita certa o mais rápido possível. Eu posso ter errado a receita, o Jason Kidd não era o ingrediente correto, mas não errei o prognóstico: cada vez mais parece que a janela do Mavs se fechou de verdade, que as possibilidades de título morreram. Com o Devin Harris as coisas seriam diferentes? O Mavs deveria ter esperado pelo potencial do Harris se desenvolver? Coisa nenhuma. Não havia potencial em jogo ali, mas sim a atualidade, a realidade instantânea. O Devin Harris já havia torturado o Spurs, humilhava várias defesas adversárias, apenas não tinha espaço e liberdade para atuar na maioria do tempo. Minha mãe sabia que o Devin Harris chutaria traseiros se tivesse liberdade ofensiva, mesmo caso de Tony Parker e - por que não - de Rajon Rondo. Olhar esses jogadores jovens não é pensar o que eles poderiam ser se desenvolvessem seus talentos escondidos, se liberassem seu poder oculto como se isso fosse Dragon Ball Z, ou se atingissem o Sétimo Sentido em Cavaleiros do Zodíaco. Trata-se de ver o que eles podem fazer agora, nesse instante, e de como podem fazer ainda mais disso. O Mavs não seria melhor se tivesse Devin Harris e continuasse utilizando o armador daquele jeito burocrático que sempre utilizavam.

Não quero dizer com isso que jogadores não evoluam, longe disso, embora eu aposte meu pé em como o Rajon Rondo vai morrer sem aprender a arremessar. Mas é que os jogadores evoluem coisas que já estavam lá, e não o invisível, o improvável. Podemos ver tendências, mas o que se faz com os jogadores na época do draft, tão preocupados com idade e físico, parece ser um exercício de imaginação. Jogadores "de verdade" acabam sendo deixados de lado em nome de jogadores-fantasia, riscos que podem trazer alto lucro. O ápice disso foi o Kings, que ao draftar o ala Jason Thompson deixou todo mundo chocado. Um ala de verdade, que faz o trabalho sujo, com técnica e inteligência em quadra? Que loucura é essa, como assim não draftaram um dos pivôs togoleses que nunca pegaram numa bola de basquete mas que talvez, dizem por aí, engulam espadas flamejantes? Nunca mais vou me preocupar com a idade de jogador nenhum no draft, pode ser a idade real ou a idade do RG de balada. O cara sabe jogar agora? Pode contribuir? Manda pro meu time. Pode ficar com o Kwame Brown pra você, e divirta-se.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Notas de sexta-feira

Jeff Foster e Zach Randolph lutam judô.
Sim, Zach é peso pesado.


Não estou com tempo para fazer um post como eu queria, daqueles que eu falo sem parar e finjo entender do assunto. Mas a rodada de ontem teve muita coisa legal, então resolvi dar uma passadinha nem que fosse só para comentar algumas coisas por cima.

Também aproveitei e atualizei a barra lateral de estatísticas, agora lá tem tudo atualizadinho e mais alguns números novos. Como é bom ver o Rasheed de volta ao topo da lista de faltas técnicas!


- Ontem, horas antes de começar a rodada, mandei um scrap para um amigo meu que é torcedor do Nets e estava revoltado com o jogo anterior da equipe quando eles tinham vencido o primeiro período por 20 pontos e depois entregado o jogo para o Jazz. O scrap é esse abaixo, é só clicar para ler.






Dito e feito. O Nets é muito inconstante e imprevisível às vezes, mas não tinha nenhuma dúvida de que o Devin Harris ia meter pelo menos 40 no Mavs. Meteu 41, o Kidd não defende nem que sua vida dependesse disso e a torcida ainda saiu de quadra gritando "Thank You, Cuban" para o dono do Mavs que estava vendo o jogo.


- Uma das coisas que eu achei mais absurdas na troca que o Bobcats fez pelo Diaw e pelo Bell é que o Jason Richardson era a melhor opção ofensiva do time. Quem iria fazer os pontos deles? E quem ia chutar as bolas de 3, o Matt Carrol? Ou o Diaw?
Pois é, é o Diaw mesmo. Nos últimos 3 jogos ele fez 25, 16 e ontem 26 pontos. Nos dois primeiros jogos, ele meteu uma bola de 3, ontem meteu 4. E pior, o Bobcats venceu o Grizzlies marcando 112 pontos! Sétima vez em 27 jogos que eles passam de 100 pontos.

- O Matt Carroll fez 10 pontos.

- Quem passou sobrando de 10 pontos foi o Gerald Wallace. Ele fez 22 e pegou 9 rebotes.
Pra falar a verdade, eu nem imaginava que ele estaria em quadra depois de uma semana tão difícil. Ele primeiro perdeu a vó e dias depois perdeu o pai. Foi na mesma semana em que morreram as avós do Shaq e do Udonis Haslem, além da tia do Eddie House.
Juntando os 4 jogadores, aproveitando que o Gerald Wallace teve dois mortos e joga em duas posições, temos o All-Funeral Team, que certeza que ganharia do Thunder mesmo estando de luto.

- Será que existe algum banco de reservas pior que o do Clippers? Foram 5 pontos ontem, 7 no jogo anterior e 10 no que veio antes desse. Somando tudo dá 23 (tá bom, me avisaram já que dá 22, mas eu não sei contar, fazer o que?). Um amigo nosso do "Both Teams Played Hard" diria que o número 23 está aí por algum motivo obscuro. (O motivo obscuro é eu não saber contar, tá explicado)
Mas sério, eles precisam urgentemente mandar o Chris Kaman embora em troca de qualquer ser humano que possa fazer pontos vindo do banco de reservas.

- Mas apesar dos pesares, o Clippers venceu o seu segundo jogo seguido com duas prorrogações. O que pegou mal foi precisar de dois tempos extras para vencer um Pacers que começou com Jarret Jack, Brandon Rush, Stephen Graham, Jeff Foster e Roy Hibbert. Tem time universitário que vence essa equipe fácil, fácil.

- O Pacers começou com essa formação bisonha porque Marquis Daniels, Danny Granger, Troy Murphy e TJ Ford pegaram um vírus estomacal. O TJ Ford pegou mas jogou saindo do banco. O que eu não entendo é porque só os titulares pegaram esse vírus. Eles servem comida diferente para quem joga? O Granger come caviar e o Maceo Baston come orelha de porco?

- O Raptors está morto. Eles perderam para o Thunder. Vale ver o vídeo com os melhores momentos por vários motivos:
1. Vitória dos ladrões de franquia são raras
2. Pela enterrada do Desmond Mason no Jamario Moon
3. Pela enterrada do Durant no Jermaine O'neal
4. Pela bronca do Bosh no Moon depois de uma falta boba
5. Pela festa e êxtase dos jogadores do Thunder que parecem que venceram um título.



- Os experimentos do Don Nelson ficam mais engraçados a cada dia. Ontem ele decidiu que era dia do Rob Kurz e do Belinelli serem titulares. Mas depois de 5 minutos decidiu que o Kurz não entraria mais em quadra e que era dia do Brandan Wright jogar 30 minutos ao invés de ser distribuidor de Gatorades.
Por um lado deu certo, o Belinelli marcou 27 pontos e Brendan Wright 19. Por outro, o Warriors perdeu mais uma, claro.

- Eu sempre achei que o uniforme amarelo e vermelho do Cavs era só muito feio. Mas ontem achei uma definição melhor em um chat da JustinTV: "Parece que o time inteiro está trabalhando no McDonald's"
























- Só não foi melhor do que o que eu li sobre o Corey Maggette e sua atuação no Warriors:

"Começaram a chamar o Maggette de 'pornografia ruim' em vários fóruns sobre o Warriors. A justificativa deles é essa: Claro que existem penetrações e conclusões, mas você está realmente feliz com o que vocês estão vendo?

De agora em diante o Maggette é o Senhor Bad Porn para o resto de sua vida.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Freguesia que incomoda

"E daí que meu nome é Zaza?"

É com uns dias de atraso, mas não dá pra não falar do jogaço entre Boston Celtics e Atlanta Hawks que a ESPN transmitiu na quarta-feira.

Como eu disse na nossa coluna na primeira edição da revista Lance Livre, são poucas as rivalidades de verdade na NBA, aquelas como Corinthians e Palmeiras, Flamengo e Fluminense, Grêmio e Inter, que duram décadas e não mudam só porque um time está em alta e o outro em baixa.

Falam muito de Lakers e Celtics mas dúvido que alguém lembre de um bom Lakers e Celtics entre 95 e 2000, por exemplo. Ninguém dava importância, eles não jogavam na rodada de Natal, os jogos não passavam na TV e então, pra mim, não é uma rivalidade verdadeira. No basquete americano só há rivalidades assim no basquete universitário, não no profissional.

Logo, a NBA vive de realidades momentâneas, que duram algumas temporadas. Nos últimos anos tivemos Lakers e Kings, Pistons e Pacers, depois Suns e Spurs, Lakers e Suns, Cavs e Wizards e por aí vai. Mas com muitas dessas rivalidades já frias hoje em dia, podemos destacar outras, em especial Lakers e Celtics, que além da rivalidade tem alto nível técnico. Mas a verdade é que nenhum jogo da final teve um clima dentro da quadra tão forte como qualquer Hawks e Celtics.

Sei que parece ridículo, e é, mas a verdade é que nenhum time parece incomodar mais o Celtics do que o Atlanta. Contra o Lakers e Cavs nos playoffs os jogos foram difíceis, com emoções à flor da pele e no sufoco, mas contra o Hawks o Celtics parecia estar se sentindo ofendido por estar tomando sufoco de uma equipe que sempre foi um lixo.

O Hawks é aquele moleque mais novo e folgado que ficava tentando te dar rolinho nas peladas. Você é bem melhor que ele, mas ele é baixinho, rápido e fica te dando dribles na frente das meninas e isso irrita mais do que enfrentar os moleques mais velhos, os Lakers e Cavs, que te dão mais trabalho mas você resepeita.

E é engraçado ver como essa rivalidade nasceu. Porque foi somente baseada em coisas completamente improváveis.

1- O Atlanta conseguiu se classificar para os playoffs mesmo com 37 vitórias na temporada passada
2- O Atlanta conseguiu jogar bem em casa e vencer 3 jogos!
3- O Boston conseguiu jogar mal em todos os jogos fora de casa.
4- O Garnett conseguiu ter uma rivalidade com o Zaza Pachulia

Para quem não lembra, o Pachulia encarou de frente o Garnett no jogo 4:


E o Garnett devolveu no jogo 7:




Somando tudo isso que não deveria acontecer, nasceu um clima de playoff que durou até os jogos da temporada regular. Até o momento foram dois jogos e os dois emocionantes. No primeiro, em Boston, o Celtics venceu com uma cesta do Paul Pierce no último segundo. E no jogo dessa quarta-feira, o Atlanta deveria ter levado o jogo para a prorrogação se o Joe Johnson não tivesse amarelado na linha do lance livre nos segundos finais.

O único problema dessa rivalidade é que ela se parece muito com algumas das rivalidades que eu citei acima, como Suns e Spurs: ela só tem um vencedor. O jogo é bom, as disputas são emocionantes mas será que o Atlanta consegue vencer uma série de 7 jogos contra o Boston sem ter mando de quadra? Existem argumentos para dizer que sim, dizendo que o Hawks já chegou perto disso, mas quantas vezes o Suns não chegou perto de bater o Spurs e não bateu? Quantas vezes o Kings quase venceu o Lakers mas não venceu? É mais uma rivalidade fadada aos bons jogos, à emoção pura, mas ao mesmo resultado.

O Atlanta é um bom time, já fiz um post no começo da temporada dizendo como eles melhoraram e como os playoffs do ano passado, nas palavras dos próprios jogadores, fizeram eles terem confiança de que podem vencer qualquer um. Mas mesmo assim o time tem algumas limitações.

No ataque eles têm o pecado de não ter um bom jogador de garrafão que saiba jogar de costas para a cesta. O Al Horford é um dos melhores reboteiros da NBA mas seu jogo ofensivo se limita a arremessos curtos e aos rebotes ofensivos que ele arranja. O Josh Smith, que deu a enterrada mais legal do ano no Kendrick Perkins, é um jogador de explosão e de velocidade, ele marca seus pontos em infiltrações, quando está em movimento, mais ou menos como o Shawn Marion, e não em jogadas de costas pra cesta.

Então quando o Atlanta se vê diante de uma marcação forte e no ataque de meia quadra, eles não sabem direito o que fazer. Aí dependem de um corta-luz para o Bibby arremessar, de uma isolação para o Joe Johnson (que não pode ser feita durante todo o jogo!) ou dos momentos de inspiração do vaga-lume Marvin Williams. Falta para o time alguém que infiltre mais, é importante para eles que o Joe Johnson não confie tanto só no seu arremesso e bata para dentro, porque é isso que cria a movimentação e os espaços para o Horford e o Josh Smith marcarem seus pontos.

Eles conseguem ser um time tão forte porque a defesa deles está um absurdo de boa. O Boston, que é especialista em arrumar marcação dupla para deixar alguém livre de três, não conseguiu um arremesso livre sequer durante todo o jogo. E aí quando o Hawks consegue o roubo, toco ou rebote, eles saem em transição, e uma transição com um armador no meio, Josh Smith correndo de um lado e Marvin Williams de outro, a coisa fica bem mais fácil.

Em compensação, no final do jogo o Boston, que estava penando para se manter na partida, teve o que o Hawks não teve: alguém no garrafão capaz de marcar pontos. Porque não dá pra sobreviver um jogo inteiro de arremessos de fora, é preciso ter jogadas de garrafão, que são as de maior porcentagem de aproveitamento, e foi o que o Garnett, acertando 5 dos 5 arremessos que tentou no último período, trouxe ao Boston.

Méritos para o Hawks, são um bom time, adoro eles e torci muito para que a sequência de vitórias do Boston acabasse na mão deles para aumentar ainda mais a rivalidade, mas pra mim parece bem óbvio que serão eternos fregueses do Celtics.




As câmeras da ESPN deixaram bem claro o Kevin Garnett gritando e xingando como um retardado depois de toda cesta que fez no último período do jogo de quarta. E há quem diga que nessa temporada o KG está exagerando nas suas demonstrações de emoção e competitividade.

Eu acho que ele tem exagerado sim, mas acho que ele tem exagerado nos últimos 10 anos, então não é nada fora do esperado. Acho que a diferença é que no Wolves, perdendo na primeira rodada dos playoffs, ninguém percebia e no Boston campeão todo mundo vê.

A ESPN também mostrou outro dia o jogo contra o Blazers, quando ele gritou com o Glen "Big Baby" Davis e fez o bebezão chorar e no mesmo jogo ele ficou de quatro marcando o Jerryd Bayless na defesa como se tivesse acabado de cheirar coca. Mas esse sempre foi o jeito dele. Todo jogo ele fica marcando o armador adversário, bota as duas mãos no chão e não pára de falar consigo mesmo.

Já li jogador dizendo que não se incomoda porque tudo aquilo que ele fala e grita é com ele mesmo, ele fica afirmando pra si mesmo que é o melhor jogador do mundo, que é o fodão, para se motivar mesmo. E que quando não fala pra ele, não direciona o que fala pra ninguém, apenas incentiva o seu time a jogar mais e com mais vontade.

Talvez a única vez que ele tenha exagerado tenha sido no jogo contra o Raptors, quando provocou muito descaradamente o Jose Calderon. Mas não sei se eu marcaria uma falta técnica porque o Calderon gostou, aceitou o jogo, deu uma assistência e foi falar na cara do KG também.



Os jogos ficam tão mais legais quando tem essa carga emocional que até dá vontade de chegar logo os playoffs! Só vamos deixar ter mais uns meses de temporada regular porque eu sei que o Knicks tem muitos fãs e eles querem ver o seu time jogando, nos playoffs eles não têm essa chance.

Libertem Marbury!

Mike Tyson lutou pela liberdade de Kobe, mas
quem luta pela liberdade de Marbury?


A saga Marbury continua. Depois de retornar ao time antes da temporada iniciar disposto a jogar, alegar não ter problemas em vir do banco de reservas, jogar um par de bons jogos nas Summer Leagues, não ser utilizado por um minuto sequer quando a temporada começou, ter pedido então para ser colocado na "lista de inativos" e se negado a entrar em quadra em dois jogos em que foi requisitado por falta de jogadores, Marbury foi proibido de permanecer com o Knicks. Quer dizer, proibido é uma palavra meio forte, na verdade é como em escolas - em que, ao invés de ser expulso, você é "convidado a se retirar do colégio" - e Marbury, portanto, foi "convidado a permanecer em casa". Os cheques, ainda assim, continuam chegando. Afinal de contas, ele é ainda é funcionário do Knicks e não pode levar seus serviços a outro lugar.

Convenhamos, ser milionário sem ter que fazer nada é uma das coisas mais legais do mundo, só ficando atrás de arremessar anões. Todos nós que não somos lá muito fãs de nossos empregos sonhamos com a idéia de não ter que ir trabalhar todos os dias e ainda assim receber cheques milionários. Mas em alguns empregos não dá pra achar essa situação confortável. Pense num escritor, por exemplo. Pague milhões para ele ficar em casa e o proíba de escrever uma linha sequer. Na prática, isso é proibí-lo de ser quem ele é, de fazer aquilo que o define, aquilo que lhe mune de identidade. O escritor rico proibido de criar não seria coisa alguma, sequer estaria vivo. O mesmo pode se aplicar em inúmeras funções e, por que não, no basquete.

Muitos jogadores são aquilo que fazem, o basquete os forma. Não raros são os depoimentos de jogadores, agora na NBA, confessando ter encontrado nas quadras de basquete, ainda crianças, um refúgio, um templo, um local onde podiam se esconder e ser apenas eles mesmos. Isso significa que, desde a infância, "ser eles mesmos" significa ser no ato de jogar basquete. Com o passar dos anos, com a paixão, o tesão, a identificação com o esporte, o vínculo fica ainda mais forte e as demarcações que separam a prática esportiva e o indivíduo ficam tênues, às vezes inexistentes. O basquete, enquanto linguagem, é o único modo com que vários jogadores conseguem - ou querem - se expressar. É o modo também com que entendem uns aos outros, falantes da mesma linguagem, é aquilo que os une. Sem o basquete, o Kobe desapareceria no ar, viraria pó (ou purpurina, diriam as más línguas),

Impedir um jogador de entrar em quadra é algo terrível. Em muitos casos é negar ao jogador sua única forma de se relacionar com o mundo. Mas, pior, é deixar às claras o fato de que os jogadores são possuídos pelas suas equipes, que determinam seu tempo em quadra, sua presença com o time, suas reações nas entrevistas, seus hábitos e hobbies nas férias fora da quadra. Quando via Marbury lá, de terninho no final do banco apodrecendo como uma manga madura, eu não podia deixar de ficar triste. Ele é obrigado a ficar por lá como se fosse uma mercadoria, um vaso quebrado ou a Adriane Galisteu no SBT.

Mas aí é que entra a ganância. Por meses, o Knicks tenta negociar um término de contrato com Marbury. Para ser libertado, no entanto, ele teria que aceitar apenas uma parte do dinheiro que ganharia permanecendo com o time - algo que ele não quer fazer. De certo modo, a vontade de ganhar a grana toda que lhe foi prometida parece mais importante do que sua liberdade, sua vontade de jogar basquete, o que torna fácil criticar o Marbury. Mas eu sempre acabo achando um jeito de defendê-lo, sempre tentando entender o que se passa em sua cabeça. Acho que tenho um "Complexo de Drew Barrymore" pelo Marbury (esse termo é utilizado para definir aquela relação de carinho ou aprovação com algo ou alguém sem que seja possível encontrar uma causa plausível, como por exemplo minha fixação pela Drew Barrymore sem saber o porquê, e consciente de que ela é meio gordinha e tem um sorriso que indica certo retardamento mental).

Confessado meu "Complexo de Drew Barrymore" com o Marbury, tento entender seu lado. O cara nunca fez time algum vencer, pelo contrário, todos os times que se livram dele começam a vencer. Sua imagem ficou devastada na mídia depois de uma entrevista em que ele parecia estar bêbado, brigou com o ex-técnico e também parceiro de hospício Isiah Thomas, abandonou o time no meio da temporada e sua fama com o público despencou. Ele é um fominha, débil mental, completamente inconstante, mas talvez eu tenha justamente um apreço pelos birutas. Além do mais, Marbury foi um dos melhores armadores ofensivos que eu já vi jogar - seu comprometimento com fazer pontos é tão grande, mas tão grande, que ele não se importa de perder o jogo em nome desse "ideal" muito mais importante (dá pra imaginar ele no Warriors?). Tem também toda a história de sua amizade com o Leandrinho, que continua até hoje. Então ele é até um cara legal, mas convenhamos que ele nunca mais ganhará um salário muito significativo. Na verdade, embora o Marbury próprio diga que, assim que for libertado do Knicks, aceitará uma oferta de um time "surpreendente" que já entrou em contato, é bem possível que ele sequer consiga voltar a jogar na NBA. Além disso, sua marca de tênis de basquete com preços de banana (provavelmente feitos por crianças do país do Yao Ming) quase foi à falência, destruindo o futuro financeiro do rapaz (que já deve ter gastado boa parte de sua fortuna em manguaça). Muito provavelmente ele precisará de cada centavo que o Knicks lhe deve, seus custos de vida devem ser altíssimos e sua carreira está no suspiro final, se é que já não morreu.

Provavelmente eu estou vendo demais e o Marbury se importe pouco com a própria liberdade, tendo em vista seu descontentamento com a idéia de receber um pouco menos de grana para poder dar o fora de lá. Ainda assim, acho bastante incômoda a idéia de um time privar seu jogador de fazer aquilo que ele ama, aquilo para o qual ele foi pago. Esses escravos podres de ricos podem ser encontrados em todos os lugares. Basta olhar no próprio banco do Knicks (não vai ser difícil achar, pelo tamanho da criança) e encontraremos Eddy Curry, provavelmente comendo um pastel.

O pivô ainda não pisou em quadra nessa temporada e não está contundido, dizem que sequer está gordo. O técnico Mike D'Antoni simplesmente não quis usar o pivô lerdinho e pronto, aí está, uma carreira que vai ladeira abaixo. Curry quer jogar, quer ter minutos em algum lugar, quer uma troca, mas o Knicks não tem pressa. Quando a troca acontecer, pode ser tarde demais para Curry recuperar sua carreira: sem forma física, sem ritmo de jogo, com sua moral despedaçada e a fama destruída, pode nunca mais assinar um contrato.

O resto da NBA também tem casos similares. No Orlando Magic, o armador JJ Redick foi draftado como um dos melhores arremessadores que o Universo já viu, mas simplesmente não entrava em quadra, nunca. Quando seu contrato de novato finalmente iria acabar e Redick chegou a literalmente implorar para que o Magic não exercesse a opção de ampliar o contrato, a equipe de Orlando acabava de se ver numa situação desconfortável de total falta de armadores. Assim, exerceu a opção, ampliou o contrato e manteve Redick mais um tempo cativo, alegando que ele era "bom demais para ser perdido a troco de nada". Mas eis que o Magic foi reforçado com Pietrus e o JJ Redick voltou a ser desnecessário. Some a isso o fato de que ele fede nos minutos raros que ganha em quadra e temos mais um jogador aprisionado no fundo do banco, enquanto em outros times poderia estar atuando ao menos como um especialista. Aos poucos, agora, está entrando mais em quadra, se livrando das correntes que não ajudam em nada o pirralho a adquirir qualquer tipo de confiança ou aprendizado em quadra.

Com o italiano Marco Belinelli é a mesma coisa, mas pior porque o Don Nelson é biruta. Apesar de ter sido o melhor novato nas Summer Leagues em seu primeiro ano de NBA, sequer entrou em quadra pelo Warriors. Seu segundo ano chegou e também nada. Mas aí surgiu o Anthony Morrow, teve um grande jogo, virou titular, aí fedeu, deixou de entrar, aí foi titular de novo, aí reserva, e quanto mais cachaça o Don Nelson ingeria, mais o Belinelli entrava na dança. Agora, tem dias em que ele não entra em quadra nem por um minuto, às vezes tem apenas minutos simbólicos. Às vezes é titular e destrói, como aconteceram em seus últimos três jogos. Na verdade, são 15 pontos por jogo as últimas três partidas, mas do que devia ter feito em toda sua carreira somada. No Warriors, nenhum jogador sabe o que vai acontecer com ele quando acorda pela manhã, o dia é uma total incógnita. Então a escravidão do Belinelli, aparentemente encerrada, pode voltar a qualquer momento.

No Blazers tem também o Jerryd Bayless, que parece exatamente um clone do Belinelli em vários sentidos. Os dois ganharam o prêmio de melhor jogador de Summer League e os dois não entraram em quadra no primeiro ano. No caso do Bayless, o entrosamento entre Rudy Fernandez e Sergio Rodriguez rendeu muitos minutos para o excelente armador espanhol, que antes mal entrava em quadra. Brandon Roy se mostra cada vez mais efetivo armando o jogo e Rudy é novato mas tem bastante experiência. Sobrou pro Bayless ser o pirralho inexperiente de uma posição superlotada, não importa quão bom ele seja. Seu futuro parece aterrador quando olhamos casos como os do Redick e do Belinelli, que são agravados pelo fato de que nenhum deles está ganhando 22 milhões de verdinhas como o Marbury. Que por sinal continua aprisionado, humilhado, podado em toda sua liberdade criativa - mas tem o dinheiro que quiser para se consolar. E o Belinelli, o que faz com seu salário de novato frente à possibilidade de que, por não ter sido exposto no Warriors aos olhos dos outros times, talvez nunca mais consiga assinar com time algum?

Se bem que há sempre há esperança da história de Patrick O' Bryant. O pivô, que na noite do draft chegou a admitir ser ruim demais para ter sido chamado tão cedo (quando foi escolhido com a nona escolha), também nunca jogou em seus anos com o Don Nelson. Ainda assim, conseguiu um contrato recente com o Celtics, onde também nunca entrou em quadra, escravo no fim do banco. Mas pelo menos ele é ruim - ele até sabe disso - e sua carreira está sendo salva com esse contrato, não o contrário. Além do mais, ele terá um anel de campeão.

Aliás, será que, se Marbury for libertado de sua prisão milionária, jogará para um time com chances de título? Não acredito que a estrutura do espaço-tempo resistiria ao Marbury sendo campeão de qualquer coisa. Talvez o Universo como o conhecemos esteja com os dias contados. Talvez seja melhor deixar ele onde está.