sexta-feira, 31 de julho de 2009

Hora de aposentar

Phil Jackson chama um táxi para a terra da aposentadoria,
onde o Don Nelson mora mas ainda não sabe



Enquanto o Denis comemora a contratação do Lamar Odom pelo Lakers dançando pelado pelas ruas (ele volta depois para postar a respeito), eu lido com minha segunda amigdalite em um mês. E não tem nada que combine tão bem com amigdalite quanto a situação no Warriors.

A notícia mais recente por aqueles lados é de que Marco Belinelli foi mandado para o Raptors em troca de Devean George e um monte de verdinhas. O italiano Belinelli foi o melhor jogador das Summer Leagues por duas temporadas consecutivas, foi uma bela escolha de primeiro round para o Warriors, mas praticamente não entrou em quadra. A troca por George, completamente ridícula, nos leva a dar uma olhada no que o Warriors fez com suas escolhas de primeira rodada do draft nos últimos anos. Achei uma lista na internet que merece ser reproduzida com comentários. Então, se você está de pé, sente-se (até porque, veja bem, que tipo de débil mental usa o computador de pé?). Faça a gentileza também de tirar as crianças do recinto. O negócio vai ficar muito, muito feio.

...

2001: O Warriors draftou Jason Richardson com a quinta escolha do draft, para depois trocá-lo por Brendan Wright (que praticamente nunca entrou em quadra) e um vale-trocas de 10 milhões que o time nunca usou. Troy Murphy também foi draftado, na décima quarta escolha, para depois ser trocado para o Pacers. O Gilbert Arenas foi draftado na segunda rodada, com a trigésima primeira escolha, sacada de gênio. Mas quando seu contrato terminou, o Arenas foi abordado por vários times e resolveu literalmente decidir na moeda para qual iria: Warriors, Clippers ou Wizards. Todos nós sabemos que ele acabou indo parar em Washington e isso deixa bem claro que Clippers e Warriors são definitivamente times amaldiçoados.

2002: No draft, o Warriors escolheu com a terceira escolha Mike Dunleavy, que também foi trocado para o Pacers e só aí começou a render de verdade (na perto de "o próximo Larry Bird" como se esperava, mas quebra um galho)

2003: O Warriors escolheu Mickael Pietrus na décima primeira escolha, e ele sempre se disse insatisfeito na equipe, reclamando da falta de defesa, vontade de ganhar e seriedade técnica. Deu o fora de lá assim que seu contrato terminou, indo para o Magic.

2004: Também com a décima primeira escolha, mas no ano seguinte, o escolhido foi Andris Biedrins, que pelo menos está no time até hoje, embora volta e meia seja colocado aleatoriamente no banco de reservas e esteja em tudo quanto é boato de troca, incluindo aquela para o Suns que supostamente incluiria Amaré Stoudemire.

2005: O Warriors escolheu com a nona escolha o Ike Diogu, trocado para o Pacers junto com Troy Murphy e Mike Dunleavy, e que agora acabou de assinar com o Hornets. Mas pior do que trocá-lo é gastar uma nona escolha nele, credo.

2006: Por falar em gastar escolhas, o Warriors escolhe Patrick O'Bryant, que alega no dia do draft não ser bom o bastante para uma nona escolha. Como era de se esperar, ele nunca foi usado, fedeu bastante, e após seu segundo ano foi liberado da equipe.

2007: Draft do Marco Belinelli, na décima oitava escolha, que brilha nas Summer Leagues, não ganha nunca minutos em quadra e acaba de ser trocado para o Raptors. Pelo Devean George, aliás, o que é quase tão ofensivo quanto xingar a mãe. Foi nesse draft que o Warriors trocou o Jason Richardson pela oitava escolha, o Brandan Wright, que está acorrentado ao banco de reservas do time e não consegue sair nem pra usar o banheiro.

Escolha de primeira rodada em 2010, 2o11, 2012 ou 2013: Foi mandada para o Nets em troca do Marcus Williams, que era uma grande promessa mas nunca havia tido minutos atrás de Jason Kidd e, depois, atrás de Devin Harris. Finalmente o Nets deixou o garoto tentar a vida em outro lugar, mas o Marcus Williams sequer conseguiu entrar em quadra pelo Warriors, porque o técnico Don Nelson não deixou. Com isso o Marcus Williams foi liberado ao fim da temporada passada, acabou saindo um dos melhores jogadores das Summer Leagues desse ano, e acaba de assinar com o Grizzlies.

...

As escolhas de draft do Warriors não são tão ruins, eles acertaram um bocado apesar de cometerem uns erros desastrosos (Patrick O'Bryant, o pus nas minhas amígdalas te mandou lembranças). O que torna esse time tão ridículo, no entanto, é o fato de que os jogadores que vão parar lá não são utilizados, vão mofar no banco de reservas, são trocados ou até mesmo mandados embora. De que adianta draftar Belinelli, Wright e até mesmo o Anthony Randolph, tão elogiado e cheio de promessa, se nenhum deles entra em quadra? Pra que formar um núcleo com Jason Richardson, Murphy, Dunleavy, Arenas, se o time não consegue manter seus jogadores? Pra que gastar dinheiro de contratações com jogadores como Corey Maggette, de que o time não precisava e que claramente é cada vez mais deixado de lado na equipe? O caso do Marcus Williams, no entanto, é o que me lembra mais o incômodo da minha amigdalite. Ao chegar ao Warriors, trocado por uma escolha de primeira rodada, Marcus Williams foi acusado pelo técnico Don Nelson de estar fora de forma, tiveram uma discussão, e então o jogador já estava imediatamente fora dos planos da equipe. Preferiram se livrar do garoto, sem receber bulhufas em troca. O Clippers parece um circo mas lá parece haver um critério: conseguir jogadores bons, aleatórios, e colocá-los ao mesmo tempo em quadra. No Warriors, não há plano nem critério. Sabemos que o técnico Don Nelson gosta de jogar na correria, defendendo pouco, arremessando de fora e explorando os rebotes ofensivos, mas não há uma tentativa de draftar ou trocar por jogadores que se encaixem no padrão. Eles trocam primeiro para descobrir que não usarão o jogador logo depois, porque não se encaixa, porque não faz sentido dentro do conjunto. É assim que o Warriors é um time em reconstrução há quinhentos anos, quando jogava-se basquete com ovo de avestruz, e só chegou aos playoffs com aquele time aleatório que derrotou o Mavs, desmanchou-se e não repetiu a dose.

Sou obrigado a questionar a sanidade do Don Nelson, apesar de ter gostado tanto dele nos tempos de Mavs. Acredito em sua filosofia de jogo, no que ele pode fazer taticamente com uma equipe, mas já está bem óbvio que ele não tem mais idade para ficar lidando com os jogadores. Está o tempo inteiro brigando com alguém, fazendo experimentos bizarros, mandando titulares para o banco e nenhum jogador faz a menor ideia de quantos minutos terá em quadra. Suas trocas não fazem sentido e as contratações parecem tiradas na moeda, tipo as decisões do Arenas. Don Nelson não parece mais ter idade para a brincadeira e se alguém quer levar o Warriors a sério apesar do nome meio RPG, vai ter que se livrar do técnico gagá. Às vezes, por mais geniais que sejam, os técnicos podem atingir momentos em que mais complicam do que ajudam suas equipes.

Sei que alguém vai colocar agulhas de vudu na minha garganta e eu não vou sarar nunca da amigdalite, mas estou começando a achar que é o caso do Phil Jackson. O esquema dos triângulos é genial, assim como sua dedicação ao estudo do jogo, seu entendimento do que os times adversários estão fazendo em quadra, sua capacidade de alterar partidas e a motivação e independência que fornece aos jogadores do Lakers. No documentário "Kobe doin' work", do qual falaremos mais em breve aqui no Bola Presa, podemos ver um Phil Jackson que mal aparece nos tempos técnicos enquanto os jogadores meio que decidem as coisas sozinhos. Kobe é um nerd absoluto e vai se virando, conversando com os companheiros e compreendendo o jogo por si só. O que importa, mesmo, é o respeito que o Kobe tem pelo Phil Jackson e a compreensão do jogo que alcançou através da ajuda do técnico, bem menos do que a presença real do Phil em quadra. Mas o problema é que, com a idade, o técnico zen na verdade não tem muita paciência pra ficar lidando com a pirralhada. Ele quer que os jogadores aprendam sozinhos, com seus erros, mas já faz um bom par de anos que Phil Jackson não tem medo de queimar seus jogadores afundando-os no banco de reservas quando as cagadas começam a aparecer. Os novatos não tem vez, são humilhados, cuspidos e perdem suas chances em quadra. Para quem se lembra, Smush Parker tomava uns esporros do Phil que dava vontade de chorar por compaixão, e por fim acabou na lista negra e foi tacado no lixo da equipe apesar de ter feito um trabalho sólido num time que melhorava cada vez mais no Oeste. Sobre o Kwame Brown, nem se fala. Pra mim, Phil Jackson é o responsável por ter acabado com sua carreira. Com a pressão de ter que render num Wizards que queria ganhar imediatamente graças à ajuda do Michael Jordan nas quadras, pudemos perceber que o Kwame não consegue jogar quando é exigido e pressionado em níveis elevados. Ele precisa de papéis menores, funções mais restritas e menos cobrança para poder render um pouco. No Lakers, teve uma chance de ficar em segundo plano, atrás de Kobe, e mesclar-se num elenco que queria destacar-se pelo conjunto. Kwame só tinha que mostrar algum talento defensivo, comer pelas beiradas. Mas Phil Jackson não aturava a falta de compreensão do Kwame com o sistema dos triângulos, humilhava o pobre jogador, castigava-o com o banco de reserva por vezes em partidas inteiras, e a confiança do coitado que já era uma merda foi parar no esgoto. Passou a ser vaiado pela torcida e, nessas ocasiões, fazia umas cagadas dignas de risada. Se fosse apoiado, se a torcida vibrasse, se o Phil Jackson tivesse a paciência de outrora para lidar e motivar jogadores, Kwame Brown seria uma peça sólida no Lakers provavelmente até hoje.

Algo similar está acontecendo com o Bynum. Apesar de ter se saído muito bem antes de sua contusão em 2008, na temporada passada o Phil Jackson não teve qualquer paciência com o garoto. É preciso lembrar que ele tem um contrato monstruoso para ser um dos pilares do Lakers pela próxima década, mas é jovem, inseguro e ainda está aprendendo o jogo. Chegou a dominar algumas partidas mas ainda é inconstante. Definitivamente Phil não está ajudando em nada quando espinafra com o garoto e pune suas cagadas deixando-o em quadra apenas nos 5 minutos finais de uma partida de playoff. O pivô poderia estar sendo uma peça fundamental e contribuindo profundamente para a equipe, mas sem paciência, Phil prefere deixar o menino no banco e não ter que lidar com pirralhisse. Eu entendo, deve ser mesmo um saco treinar esses milionários que ainda não têm pêlos no saco, mas o Lakers precisa pensar em seu futuro - principalmente com relação a um jogador com quase 60 milhões em contrato pelos próximos 4 anos. Se ele ficar para sempre relegado ao banco de reservas, ou demonstrar os mesmos problemas de confiança do Kwame Brown (e do Greg Oden, pelo jeito, que agora está recebendo acompanhamento ferrenho de psicólogos especializados), o Lakers terá um problema gigantesco em mãos.

O Denis me avisou que o assistente técnico do Lakers, Kurt Rambis, recusou várias propostas para ser técnico e continuou no Lakers, apenas esperando a chance de assumir o cargo do Phil Jackson. Será uma boa, sangue novo para lidar com os jogadores mais jovens e alguém que domine o esquema tático do Phil o suficiente para o nerd do Kobe respeitar e não olhar completamente de cima. Titio Phil merece um descanso, mas sua saída, nesse ponto, será mesmo melhor para o Lakers. O mesmo acontece com o Don Nelson: espero que alguém com bom senso arrume um técnico novo para o Warriors e aconselhe o Don a simplesmente comprar um gato. Que, provavelmente, vai ser alimentado só às vezes, sem muito critério.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Correndo por fora (como sempre)

Foto mais estilosa do que seu arremesso

Sabe quais são os únicos dois times que podem dizer que tem pelo menos 50 vitórias em todas as últimas 10 temporadas? O primeiro é fácil, é o Spurs, o time mais regular da última década e vencedor de três títulos. Agora, e o outro?

Não é o Lakers. Apesar dos quatro títulos nessa década, passou por um momento de isntabilidade após a saída do Shaquille O'Neal. Também não é o poderoso Celtics que penou por anos a anos até voltar a ser o time bom que é hoje. Também não é o Kings, sensação do começo da década, e nem o Nets, que disputou duas finais seguidas. Muito menos o Detroit Pistons, que por alguns anos era o Spurs do Leste.

Não, o time mais regular de toda a década, junto com o Spurs, é o Dallas Mavericks. O time amarelão, o time que passou por umas três reconstruções e várias mudanças de técnico e filosofia nesse tempo todo sempre se manteve no topo da NBA. Também foi o único time fora do eixo Spurs-Lakers a vencer o Oeste desde 1999.

Então eu estou certo a colocar o Dallas como apenas quinta força do Oeste atrás de Lakers, Nuggets, Spurs e Blazers? Provavelmente não. Mas é que, assim como muitos outros, estou condicionado a achar que eventualmente o Mavs vai se ferrar.

Nós nos acostumamos a ver o Mavs nos playoffs e nos acostumamos a vê-los vencendo os times mais fracos durante a temporada regular. Mas costumamos também associá-los a derrota. A vitoriosa campanha até a final em 2006, com direito a vitória contra o Spurs em jogo 7 em San Antonio, é lembrada pelo 2 a 0 desperdiçado na final. A campanha do ano seguinte de 67 vitórias é lembrada pela derrota contra o Warriors.

Mas mesmo derrota após derrota o time se ergue de alguma forma. Já teve Nash na armação, depois Devin Harris, depois Kidd. Já passaram por lá Van Exel, Terry, Jamison, Van Horn, Antoine Walker, Shawn Bradley. No banco já tiveram Don Nelson, Avery Johnson e agora Rick Carslile. Desde os armadores até os técnicos, são estilos completamente diferentes, em comum apenas as temporadas de sucesso e, claro, Dirk Nowitzki.

Sobreviver a uma década com um time competitivo mesmo sofrendo inúmeras mudanças e decepções é um feito que deveria ser mais valorizado. Mas no mundo esportivo e da NBA em especial só se marca na história quem tem um título. E será que o Mavs tem time para vencer um título nessa temporada e coroar essa década? Depois dela o Dirk vira Free Agent e pode de vez acabar com essa era.

Para a próxima temporada as principais aquisições do Mavs foram o Shawn Marion e o Drew Gooden. Também contratou o Tim Thomas mas não sei se ele fará muita diferença, ele fez alguma coisa de útil na NBA desde aquele arremesso contra o Lakers em 2006?

A chegada do Shawn Marion é que deve agitar esse time. Um dos grandes problemas do Mavs sempre foi a de shooting guard, o segundo armador. Com a opção de usar o Jason Terry como sexto homem, já vimos aberrações como Maurice Ager e Antoine Wright por lá. Mas com o Marion no time, o Josh Howard pode ser deslocado para atuar ao lado do Kidd.

E por falar em Kidd, ele e o Marion tem histórico de muito entrosamento e bons resultados quando estavam no Suns. O Shawn Marion é um jogador inteligente e de físico alucinante, mas não sabe criar o próprio arremesso. Isolar ele com um marcador é colocar zagueiro de atacante.
Ele depende demais de um armador que consiga colocá-lo em situação de marcar pontos e o Kidd é um dos melhores da NBA nisso.

Também deverá ajudar o Marion ter o Rick Carslile, conhecido por ser um nerd tático, como técnico. Se souber utilizar bem as características bem únicas do Marion, o Dallas tem chance de dar um salto de qualidade. Ele tem que saber usar, por exemplo, a velocidade do Marion no contra-ataque e principalmente seu talento como reboteiro ofensivo.

O Mavs é um time que arremessa demais de média e longa distância e que precisa de segundas chances para ser um time mais periogoso. Com o Dirk geralmente longe da cesta, é importante que outros jogadores se aproximem para contribuir nesse quesito. Ano passado o Mavs foi o 13º time em rebotes de ataque. Para quem vive de arremessos, algo com aproveitamento bem menor do que de quem depende de jogadas de garrafão, é pouco.

Em seus bons tempos o Marion já teve 3 rebotes ofensivos por jogo. Aliás, reveja o link do arremesso do Tim Thomas que eu postei alguns parágrafos acima e observe quem pega o rebote ofensivo que dá a chance do empate para o Suns.

Mas imagino que a maior diferença de ter o Shawn Marion na equipe será no campo defensivo. Apesar de serem os dois melhores jogadores do time, Kidd e Dirk não são exímios defensores. O Dirk evoluiu demais nisso nos últimos anos, é verdade, antes era um Nash alto e loiro, mas ainda tem suas dificuldades. Já o Kidd foi bom nisso um dia, mas naquela época as crianças brincavam de pião na rua, não tinha violência, poluição e o maior medo era a guerra nuclear. Hoje ele não dá conta de Chris Paul, Tony Parker e esses armadores que parecem jogar de patins.

O Marion, por mais bizarro que isso soe, pode marcar tanto o cara que o Dirk é responsável como o do Kidd. É só lembrar daquelas séries clássicas contra o Spurs onde, às vezes num mesmo jogo, você via o Marion marcando o Parker, o Ginóbili e o Duncan. O ideal é não precisar que um cara marque o time adversário inteiro, óbvio, mas ter um cara versátil assim em um time bem montando faz muita diferença.

A chegada do Gooden é boa mas não vejo ela trazer grandes mudanças. A grana investida nele era a que estava guardada para adquirir o Marcin Gortat, que acabou tendo a proposta igualada pelo Magic. Mesmo time que tirou o Brandon Bass do Dallas. O Gortat, aliás, acho que seria ótimo para o Mavs, foi uma terrível perda. É verdade que foi hipervalorizado graças aos resultados do Magic, mas o rapaz é bom e seria uma grande melhora ofensiva em comparação ao Dampier.

O Gooden deve chegar para fazer o papel que o Bass fazia de substituir o Dirk e eventualmente até o Dampier quando um time que joga mais no perímetro for necessário. Mas achar que o Gooden era a peça que faltava para o título já é demais.

Repito que estou condicionado a achar que em algum momento o Mavs vai falhar. Que em algum momento dos playoffs vai parecer que o Mavs é bom-mas-nem-tanto, mas a verdade é que o elenco todo está aí. É o mesmo time forte do ano passado mas com um All-Star a mais em uma posição carente da equipe. Está nas mãos deles agora mostrar pra mim e pra todo mundo que não vão morrer na praia de novo.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Troca que não muda

- Shoryuken!

Finalmente uma movimentação! Estou torcendo para ter uma troca por semana para a gente ter o que falar no blog. Poderia até ser uma troca de James Augustine por Luther Head e um vale CD. Pelo menos essa troca renderia um desconhecido do mês para o Augustine, uma análise do nome de banda de metal do Head e as melhores opções de como gastar um vale CD na era do MP3.

Mas para nossa sorte a troca dessa semana envolve jogadores de peso que realmente fazem a diferença na NBA. O New Orleand Hornets mandou o Tyson Chandler para o Charlotte Bobcats em troca do Emeka Okafor.

No Twitter, com aquele limite patético de caracteres, só consegui dizer que os dois jogadores são muito parecidos: bons reboteiros, bons defensores e com ataque limitado. E que pareceria melhor quem jogasse ao lado do Chris Paul. Mantenho essa visão. No ataque os dois dependem muito das jogadas que são armadas para eles e nisso não há ninguém melhor que o Chris Paul, ele e o Chandler até tinham aquele pick-and-roll que acabava em ponte aérea que era marca registrada do time.


Mas além disso eles tem mais coisas em comum. Os dois foram segunda escolha de draft, o Chandler em 2001 e o Okafor em 2004. Os dois foram a segunda opção atrás de outro jogador de garrafão, o Chandler depois do fenômeno colegial Kwame Brown e o Okafor depois do fenômeno colegial Dwight Howard. Estes dois com histórias nem tão semelhantes na NBA.

Além do draft, a história dos dois na liga é ainda parecida. Os dois chegaram como promessa de jogadores fora de série. Para muitos na época do draft, o Okafor deveria ter sido o primeiro escolhido porque era uma opção mais segura enquanto Dwight era uma aposta no escuro. Em 2001 o Bulls trocou seu ótimo e regular Elton Brand para ter Tyson Chandler no elenco.

Anos depois os dois conseguiram o meio termo. Nenhum virou o Kwame Brown mas também não chegaram a ser as estrelas que deveriam ser, viraram titulares, importantes em seus times, mas com um jogo limitado e dependente.

Mas se são tão parecidos, para que trocar, certo? Segundo os managers e técnicos dos dois times, são pelos detalhes. O manager do Hornets, Jeff Bower (irmão mais novo do Jack Bauer), disse que o Okafor, apesar de ter tido contusões no começo da carreira, já não sofre com elas há algum tempo (não perdeu nenhum jogo nas últimas duas temporadas) e é uma opção mais confiável para jogar de pivô. Ele dá a entender algo que é realmente verdade, a inconsistência do Chandler, que além de perder muitos jogos com o dedão do pé machucado era capaz de fazer 15 pontos e 15 rebotes num jogo e 5 pontos e 5 rebotes no jogo seguinte.

Já o Larry Brown, técnico do Bobcats, disse que a troca foi puramente basquetebolística. Nada a ver com contusões, salários e etc. Ele simplesmente acha que o time será melhor com o Chandler no lugar do Okafor. Ele cita a velocidade do Chandler e a sua altura (é 8 centímetros maior que o Okafor) como fatores que farão o time melhor.

Acho que os dois tem sua dose de razão. O Chandler é mais rápido, mais alto e até mais atlético, talvez ajude a dar uma movimentação melhor ao ataque do Bobcats, que é muito lento. Já o Okafor no Hornets faz com que eles tenham um cara que pode ajudar o Chris Paul regularmente, o que não é o caso do Rasual Butler e do Stojakovic, por exemplo. Mas isso também quer dizer que eles estão resolvendo um problema e criando outro.

Nos seus dias apagados ou precisando descansar o dedão, o Bobcats terá que apelar para DeSagana Diop e o Hornets poderá dizer adeus àquelas pontes aéreas, o Okafor não é dessas coisas.

Acho que os dois times fizeram certo ao trocar. Apesar de ver apenas mudanças mínimas em suas características principais, era claro que nenhuma das duas equipes iria mais longe do que foram no ano passado sem algumas mudanças, melhor mudar pouco do que não mudar. E também acho que a mudança é válida porque os jogadores podem evoluir ao mudar de time e encontrar outros técnico e outro estilo de jogo.

Pode ser importante para o Emeka Okafor jogar ao lado do Chris Paul e ser treinado pelo Byron Scott. Se algum vestígio do bom jogador ofensivo que era prometido em 2004 ainda existe, são esses dois que podem fazê-lo despertar. Já para o Chandler, que há duas temporadas foi considerado por muitos o melhor reboteiro e um dos melhores defensores da NBA, poderá ser uma boa trabalhar com o Larry Brown, um dos caras que mais sabe montar defesas na NBA e transformou o Ben Wallace naquela máquina de defender no Pistons.

Quem sabe os dois jogadores limitados não ganham mais vida na NBA com essa troca de ares e de sistemas de jogo? Pode ser que eu só acordei bem humorado e otimista, tudo bem, mas é uma possibilidade. E que fique claro que o Hornets ainda não tem banco de reservas e que o Bobcats ainda não confirmou o Raymond Felton para a próxima temporada, sem essas duas coisas não há troca que resolva!


Três curiosidades:
1. Com a saída do Okafor agora o Gerald Wallace é o único remanescente do time original de Charlotte que entrou na NBA em 2004. Pra quem não lembra, aquele time tinha, além de Wallace e Okafor, caras como Brevin Knight, Eddie House, Jason Kapono, Keith Bogans, Primoz Brezec e Melvin Ely. O Bobcats acabou aquela temporada com 18 vitórias.

2. Essa foi a primeira troca entre o New Orleans Hornets e o time que o substituiu na cidade de Charlotte, o Bobcats. Todos devem lembrar que até a temporada 2001-02 existia o Charlotte Hornets e todo mundo aqui no Brasil tinha um boné, mochila ou pochete com aquela bendita abelinha. Só perdia para os produtos do Bulls.

3. Na temporada passada, Hornets e Bobcats acabaram exatamente empatados na média de rebotes por jogo. Tanto o time com Chandler como o com Okafor tiveram 39,7 rebotes por jogo. Apenas três times (Heat, Kings e Grizzlies) conseguiram ser piores.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Bola Presa na noite

Isso que eu vou postar não é muito interessante. No mínimo dispensável. Mas as coisas estão tão mornas no mundo da NBA que eu ocupo meu tempo antes dedicado ao basquete tentando chamar a atenção da Alinne Moraes no Twitter e procurando coisas divertidas sobre a NBA.

Uma das coisas bacanas que eu achei foi a conta "Ballers w/ Randoms" no Flickr. É um banco de imagens que, como o nome em gringolês diz, traz jogadores de basquete acompanhados de desconhecidos, em geral garotas atiradinhas em baladas.

Enquanto o Danilo organiza numa página as perguntas do próximo Both Teams Played Hard (juro!), a gente se diverte aqui com a vida noturna dos jogadores da NBA e as piriguetes de plantão. Separei as 10 melhores fotos, as outras vocês podem ver na própria página do Flickr.


10. Francisco Garcia

Um chicano com duas loiraças? O cara tem que ser bem rico mesmo. Só quero saber como as gurias ficaram sabendo que o Francisco Garcia é jogador da NBA! Você reconheceria ele na rua? Reconheceria o Ryan Gomes? O Juan Dixon? O Dee Brown? O Rasual Butler? Acho que nem o Chris Paul reconhece o Rasual Butler dentro de quadra.


9. Luther Head

Acho que ninguém reconheceria, mas as piriguetes tem o faro. Não só uma como três se deliciaram ao ver o gato do Luther Head na baladenha. Não duvido que elas tenham agarrado ele pensando que era um astro do rock só porque o seu nome é nome de banda de metal.


8. Gerald Wallace e Sean May

Fui só eu ou vocês também ficaram terrivelmente constrangidos com essa foto? Parece que o Sean May estava andando com o Gerald Wallace e as garotas pediram fotos com ele enquanto o May ficou lá atrás assistindo esperando alguém chamá-lo para a foto. Ninguém chamou e ele ficou de papagaio de pirata.
Elas não deveriam ter idéia que o amigo mais cheinho do G-Train era jogador de basquete também. Vida de gordo não é fácil.


7. Ron Artest

"Esse é o que bateu nas pessoas na arquibancada ou o estuprador do Colorado?"


6. Tony Parker, Kyle Korver e Chris Kaman


Nada contra as gordinhas. Meu diâmetro abdominal não deixaria eu desfilar um sem número de piadas de mal gosto sobre o estado atual das moças em questão. Mas as fotos não deixam de ser hilárias por causa disso! Garanto que não era o tipo de "vai chover mulher" que Korver, Parker e Kaman imaginavam quando ganharam seu primeiro milhão.

Minhas apostas são que o Korver está numa festa de celebração do time de boliche de Salt Lake, o Kaman fez uma palestra num acampamento de verão para jovens obesos e o Parker acabou de conhecer as tias fofoqueiras da família Longoria.


5. Calvin Booth

Alguém lembra do Calvin Booth? O formato do rosto dele é simplesmente errado, muito errado.


4. Delonte West

Essa foto é um desastre estético do começo ao fim. A própria cara do Delonte West, o Carlitos Tévez da NBA, não ajuda. Depois tem esse ar caseiro-amador de fotos tiradas com máquinas de filme nos anos 90. Faltou o "Guarujá 96" na etiqueta do lado da foto.


3. Martell Webster

É o Martell Webster mal-humorado segurando um celular ao lado de uma garota bêbada e gostosa vestida de policial. Melhor só se tivesse um anão jogando futebol no canto da foto.


2. Travis Diener

Essa é uma foto comum que uma garota comum tirou com seu coleguinha de ginásio comum. Por acaso o seu coleguinha de ginásio às vezes falta na aula para jogar no Indiana Pacers ou para cuidar das espinhas do rosto.


1. Channing Frye

Os anos 80 ligam pedindo a roupa de volta, Channing Frye. Ele só não pode tirar porque aí ficaria praticamente inteiro nu, com exceção do pequeno aparelho de som que ele usa como pochete. Repito: ele tem um pequeno aparelho de som, que também parece dos anos 80, amarrado na sua cintura. Sem mais.

(Espero que ninguém tenha levado esse post a sério, ele foi feito às 4 da manhã)

sábado, 25 de julho de 2009

O Blazers acerta de novo

- Olha mãe, sem olhar!

A gente até que é um blog bem puxa-saco do Portland Trail Blazers se você levar em consideração que nenhum dos que aqui escrevem torce para o time. Mas tem um explicação lógica: faz tempo que eles acertam bem mais do que erram e estão formando um time cada vez mais forte temporada atrás de temporada.

A última aquisição da equipe foi o armador mais old school da NBA, Andre Miller, que não ficou nada feliz ao receber uma proposta de apenas um ano para continuar no Sixers e topou um contrato de 3 anos (e 21 milhões de verdinhas) com o Blazers. Esse contrato de 7 milhões por temporada tem ainda o detalhe de o Blazers ter a opção de dispensar o último ano de contrato se quiser, o chamado "Team Option".

Não é o contrato dos sonhos para o Miller, que disse que queria pelo menos 10 milhões por temporada. Mas convenhamos que era um sonho distante esse. Quantos times estão por aí desesperados atrás de um armador? Alguns dos poucos que tinham deficiência nessa posição conseguiram boas promessas num draft recheado de armadores. Não é a toa que o Bulls está tentando trocar o Kirk Hinrich faz tempo (desde que descobriram que o Rose é mil vezes melhor que ele) e não conseguem.

O Knicks, um dos poucos times dispostos a investir e com necessidade de armador, não quer nem ouvir falar de contratos grandes nessa temporada. A chegada do Andre Miller seria ótima nesse ano mas já pensou se atrapalha a vinda do LeBron no ano que vem? Deusmelivre!

Percebendo que o mercado não estava a seu favor, o Andre Miller fez o melhor negócio possível. Ele ganha um bom salário (dá pra comprar vários números de telefone com tanto dinheiro ) e é titular num time forte e promissor. Com o limbo em que o Jazz vive por não sabermos se trocam mesmo o Boozer e por quem, e considerando a zica do Rockets, colocaria o Blazers hoje como quarta força do Oeste atrás de Nuggets, Spurs e Lakers e perto do Mavs já antes da chegada do Miller. Com ele por lá eles são quartos e com chance de passar alguém no caminho.

Na temporada passada o Blazer usou o Steve Blake como armador titular. Eu sou fã dele desde a sua passagem pelo Denver e acho que ele até dava conta do recado por lá. Mas apesar de bom, acho que a melhor definição sobre ele foi dada na revista Dime, que disse que o Blake "deixará de ser um dos piores armadores titulares para ser um dos melhores reservas da NBA". Acho que é bem isso, ele vivia nesse meio termo que não passava confiança total como titular e é bom demais para o nível padrão dos reservas.

Melhor que o Steve Blake o Andre Miller sem dúvida é na organização do jogo, na paciência e na hora de arriscar. O Blake é meio burocrático às vezes. Bom na hora de não cometer desperdícios de bola, ruim quando você precisa furar defesas bem montadas. Aqueles arremessos de meia distância do Miller, que eu não chamo de "jumper" porque ele não pula pra arremessar, são devastadores e costumam abrir bom espaço na defesa adversária.

Também é importante ressaltar que o Andre Miller se destacou no Sixers, que era um time que vivia de contra-ataques. Vivia mesmo. Sem os ataques em velocidade, iam acabar com uns 10 pontos por jogo, dados de favor pelo outro time. O Blazers, com Roy e Rudy Fernandez, são também ótimos em contra-ataques e ganham um ótimo parceiro para se tornarem um time mais completo.

No que o time perde muito é nas bolas de 3. O Blake tem ótimos 42% de aproveitamento nos arremessos de longe, o Miller tem 28% e isso porque costuma chutar só quando está livre! Uma solução para o time é usar na posição 3 alguém que bote as bolas de longe lá dentro. Pode ser o Nicolas Batum, que tem bom aproveitamento mas chuta muito pouco, ou até mesmo a eterna promessa Martell Webster, que perdeu boa parte da temporada passada machucado.

Mas mais importante que tudo isso é que o técnico Nate McMillan não confiava muito no Steve Blake nos momentos decisivos dos jogos. No fim das partidas costumávamos ver o Brandon Roy como armador principal e o Rudy Fernandez na posição 2.
Acho o Roy bem parecido com o Dwyane Wade. Não é que eles não dêem conta do recado como armadores principais, tem talento e visão de jogo pra isso, mas rendem tão mais quando tem um armador bom do lado pra ajudar que é um pecado usar eles na posição 1. Por isso acho que o Roy com a liberdade de jogar um pouco mais sem a bola nos quartos finais significará uma melhora ainda maior em um time que já decide jogos muito bem.

O Andre Miller, para alguns críticos que não devem fazer sexo faz tempo, não foi uma grande contratação porque já está velho. Ele realmente tem 33 anos, mas seu estilo de jogo é tão antigão e tão baseado na inteligência e não no físico que eu vejo ele jogando até os 40 anos numa boa. Sem contar que ele tem hoje a maior marca de jogos consecutivos na NBA, 530, sem nenhum histórico de contusões. Perdeu apenas 3 jogos nas últimas 10 temporadas.

Um lado pouco abordado é o quanto o Andre Miller pode ajudar o Greg Oden. Embora já tenha sido noticiado que o Blazers disse diretamente ao Oden (que tem cara de vô do Andre Miller) que querem que ele foque seu jogo completamente nos rebotes e na defesa, será um belo incômodo ter um pivozão zerando em pontos num jogo. E depois de anos fazendo aquela negação ofensiva do Dalembert fazer seus pontinhos em enterradas fáceis e pontes-aéreas, não deve ser muito pior fazer o Oden funcionar decentemente no ataque.

O Dalembert teve média de 7 pontos na temporada passada e 10 na anterior. Se o Oden desenvolver um ganchinho simples ou apenas conseguir se posicionar bem para algumas bandejas e enterradas, o Andre Miller, somado com as infiltrações do Roy, garantem uns 12 pontos por jogo pro Oden. A não ser que ele esteja no banco com o joelho fodido ou com 6 faltas, claro.

A única crítica que tinha para fazer do Blazers nos últimos tempos tinha sido a troca do Sergio Rodriguez para o Kings. Isso nos privou de dezenas de pontes aéreas lindas com o Rudy que apareceriam no Top 10 da semana, mas com a contratação de um armador top de linha como o Andre Miller a troca está mais que perdoada.

Engraçado que o Andre Miller era a terceira opção do Blazers. Antes eles tentaram, e ficaram bem próximos de conseguir, o Hedo Turkoglu e o Paul Millsap, dois excelentes jogadores mas que não eram tão necessários para o time como era conseguir um armador, além de serem mais caros. Até nos fracassos e tentativas frustradas o Blazers está acertando.

Uma outra curiosidade sobre a contratação do Miller é que é basicamente o primeiro grande reforço do time vindo como Free Agent. Roy, Webster, Bayless, Aldridge, Oden, Batum e Outlaw vieram todos em draft. É um raro exemplo de time que deu certo montado em escolhas de draft e que agora ganha o reforço de um veterano que acredita que a pivetada tem tudo pra dar certo.

...
Outra contratação confirmada é a do Jamario Moon pelo Cleveland Cavaliers. O Heat decidiu não manter o ala e com isso ele deixa o banco do Cavs ainda mais forte. O Moon é outro cara do estilo Steve Blake. Com defeitos demais pra ser titular mas um bom cara pra ajudar no banco.

Se considerarmos o time titular do Cavs com Mo Williams, Delonte West, LeBron James, Anderson Varejão e Shaq, o banco já tem Anthony Parker, Jamario Moon e Zydrunas Ilgauskas, além do promissor JJ Hickson, que deve aparecer pra valer nessa temporada. É um puta banco de reserva para um time que mantém a base do time da temporada passada, que já era muito bom. E eles só perderam o Pavlovic e o Ben Wallace, que a essa altura do campeonato valem menos do que meia dúzia de biscoitos maizena. Timaço!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Imagem do rei

Cada um enxerga o LeBron de um jeito


Antes do LeBron James saber que time ele ia jogar profissionalmente, a gente já sabia que ele estava na história da NBA. Se desse tudo perfeitamente certo ele seria o melhor jogador da história, se fosse só certo, um dos melhores. Se desse errado, seria motivo de chacota para o resto da vida como o garoto que chegou como grande promessa e não deu em nada. Por bem ou por mal ele já era personagem da história da liga.

Aliás, histórias de grandes promessas jovens que não deram em nada são comuns na NBA. Vivemos hoje ainda a era das piadas sobre o fracasso do Darius Miles, que só vira notícia na hora que rende prejuízo para o Blazers. E nos anos 90 o grande nome foi Harold Miner, o Baby Jordan, que teve uma carreira muito discreta e que hoje é um investidor na área de imóveis e que recusa todas as entrevistas e aparições públicas relacionadas ao basquete. Desse status o LeBron já passou, mas que imagem ele deixará ao fim da carreira?

Podemos começar a descobrir vendo que imagem ele tem hoje. Depois de 6 anos na NBA ele ultrapassou todas as dificuldades e críticas que enfrentou. A falta de habilidade com a mão esquerda ficou pra trás já na sua segunda temporada, os arremessos de longa distância melhoraram a cada ano, a ausência nos playoffs foi respondida com estréia de triple-double, atuações históricas e até com um título de conferência.

O apelido de LeBronze James, que ganhou depois das olimpíadas de 2004 e do mundial de 2006, acabou depois do ouro em Pequim.

O título de MVP na temporada 2008-09, conquistado em um time que teve a melhor campanha da liga, parecia coroar esses primeiros seis anos de carreira e de superação de LeBron James dentro da NBA. Depois de muita mídia, muito auê, muito hype, ele tinha finalmente se tornado o super jogador que todos esperavam que ele fosse. O rosto da NBA em sua era.

Porém, essa história de sucesso avassalador ganhou alguns detalhes inesperados nos últimos meses.

Tudo começou quando o Cleveland Cavaliers foi eliminado pelo Orlando Magic. Durante a série o LeBron deu entrevistas em que, nas entrelinhas, dava pra ler que ele estava terrivelmente decepcionado com a atuação e a postura de seus companheiros de time na série. Antes do jogo da eliminação ele disse que estava preparado para o último jogo, mas que só poderia falar por ele mesmo.

Questionamentos sobre sua liderança dentro do grupo começaram e só acabaram no jogo seguinte, quando o assunto virou então a falta de espírito esportivo do LeBron. Após a eliminação, o King James saiu correndo em direção ao vestiário e não cumpriu a regra padrão do Fair Play da NBA de cumprimentar os jogadores e comissão técnica do time adversário.

Um dia depois do maior feito do Orlando Magic em mais de uma década, a alguns dias da final da NBA, a mídia americana só falava de como o LeBron não tinha respeito pelo adversário, que era egocêntrico, que foi mal educado ou, como os que o defendiam falavam, era competitivo demais.

A poeira pareceu baixar com o fim da temporada, mas não baixou. Se você pensar, é justamente na offseason, quando falta assunto, que pequenas bobagens tomam grandes proporções por pura falta de opção. Em um evento em Nova York, o LeBron usou uma camiseta com os dizeres "LBJ MVP". LBJ, pra quem é lerdo, é a abreviação do seu nome.

Dias depois, em viagem pela França, flagraram o LeBron com outra camiseta, essa com a estampa "Check my $tats". Ou "Olhem minhas e$tatísticas".



Eu achei a primeira camiseta uma forma da Nike, sua patrocinadora, homenagear e promover um de seus principais parceiros e símbolos. A segunda eu achei que tem uma veia bem humorística, além de fazer muito sentido dentro da cultura do hip-hop em que a maioria dos jogadores americanos e negros da NBA se encontram.

Pois as duas camisetas começaram uma onda de perseguição ao LeBron na internet. Para uns ele tinha se tornado um babaca, que era imaturo, para outros tinha um ego maior que as banhas do Sean May e de que importavam suas estatísticas se não tinha nenhum título no currículo?

Procurem no Google e vão ver a quantidade de fóruns discutindo as camisetas do LeBron James. É assustador pela quantidade e assustador pelo ódio que muitas pessoas tem dele. E com esse ódio todo, tudo o que o LeBron não precisava era dar mais pano pra manga, certo?

Eis que algumas semanas atrás sai uma notícia dizendo que o LeBron James e a Nike tinham confiscado a fita de um jogo do camp do LeBron James. Esses camps são clínicas organizadas por jogadores e que reunem jovens jogadores de colegial e de faculdades. Em um dos dias de sua clínica o LeBron participou de um jogo e acabou tomando uma enterrada na cabeça, dada pelo Jordan Crawford, jogador da Universidade de Xavier. Logo depois do jogo a fita com a enterrada foi confiscada e ninguém viu a cravada.

Pronto. Mais pontos de impopularidade para o King James. Perdeu pontos por não ter espírito esportivo de novo e ainda virou motivo de chacota entre os que não gostam dele por ter tomado uma na cabeça. Finalmente ontem sairam uns vídeos, feitos da arquibancada por pessoas que estavam acompanhando o jogo, da tão famosa enterrada proibida.




Pois é, é isso. O cara atacou a cesta com velocidade, o LeBron tentou dar um toco pelo lado e não conseguiu. Nada que não aconteça em todo jogo de bom nível. Se não tivessem confiscado era capaz de esse ser só mais um vídeo perdido na internet, como é, por exemplo, esse vídeo do Michael Jordan perdendo um duelo de 1-contra-1 contra o desconhecido John Rogers, CEO de uma empresa de investimento. Assim como não viraria motivo de ótimas piadas como essa camiseta:



A repercussão negativa do confisco desse vídeo, somada a todas as polêmicas iniciadas na série contra o Orlando, criaram uma enxurrada de movimento anti-LeBron na internet entre os torcedores da NBA. Um movimento que, claro, não começou agora, mas ganhou bastante espaço.

Me aventurando por comentários em blogs e fóruns nacionais e gringos há anos, já vi muita gente que torce contra o LeBron haja o que houver. Alguém sabe o motivo disso? Meu palpite é excesso de mídia em cima do rapaz. Falam tanto dele que você acaba pegando birra, só acho que seria mais inteligente odiar a mídia e não o LeBron. É como Los Hermanos, mais chato que a banda, que é ok, são os fãs idolatrando como se fosse uma religião. Por isso odeio os fãs de Los Hermanos, não o grupo.

Depois de tudo isso volto à pergunta do início: qual será o resultado disso tudo na imagem que o LeBron irá deixar? Por um lado penso que tudo isso de agora será apenas temporário, uma má impressão deixada depois de um resultado frustrante e que será antigo como fóssil daqui um ano se ele for campeão ao lado do Shaq. Mas como será se daqui um ano tiver outra derrota? E se ele frustrar a cidade de Cleveland para partir rumo a Nova York em busca do maior salário da história da NBA, como dizem por aí?

Posso estar exagerando, mas as próximas atitudes do LeBron em grandes momentos irão definir que tipo de super ídolo ele irá se tornar. Pode realmente se parecer com o Jordan, que é admirado por todo e qualquer ser humano que saiba o que é basquete. Ou pode acabar seguindo os passos de seu parceiro de fantoche Kobe Bryant e se tornar um ídolo meio a meio. Amado por metade dos fãs e massacrado pela outra metade.

Só deixando claro que o LeBron não é uma simples vítima da mídia. Não quis dizer isso. No episódio das suas camisetas foi exagero de todas as partes, mas quando ele não cumprimentou ninguém depois do jogo ele não só foi mal educado com os outros atletas como não soube limpar sua barra depois. Uma mera entrevista dizendo que ele foi tolo e que estava de cabeça quente (com um bom motivo) já teria resolvido tudo.

Na questão do vídeo ele foi ainda pior. Não sei se a idéia de confiscar o vídeo partiu dele ou da Nike, mas os dois poderiam ter transformado isso em uma promoção da Nike e do próprio LeBron como um cara bacana e bem humorado. Alguns vídeos feitos pela Nike com o LeBron e o tal Crawford no YouTube tirando sarro da situação, e o LeBron passaria de mal perdedor para um cara bacana em instantes.

Por outro lado, essas atitudes que criam uma imagem negativa podem ser, apesar de todas as dores de cabeça que trazem, verdadeiras. O que temos a ver se o LeBron não cumprimenta ninguém depois de derrotas e não gosta de ser visto tomando enterradas na cabeça? Se tudo isso narrado aqui pode fazer com que o LeBron não seja mais o queridinho da NBA, pode ser que pelo menos possa servir para que possamos ver um LeBron mais verdadeiro.

Talvez ele seja mesmo mais tarado por vitórias e conquistas do que educado e correto. Talvez ele tenha um Ron Artest enrustido dentro dele. Talvez ele esteja pouco se ferrando pra imagem que ele tem perante o público. Concordando ou não com suas atitudes, sendo a sua imagem presente e futura boa ou ruim, creio que estamos vendo, com o passar do tempo, um LeBron James menos maquiado, mais real e mais humano.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Finalmente férias

Blake Griffin só joga de novo em outubro


Há algum tempo fizemos um Top 10 com os melhores jogadores da Liga de Verão de Orlando. Mesmo com só um punhado de times mequetrefes, até deu pra fazer uma lista legal, com bons jogadores. Mas agora a história é outra, tinha tanta gente jogando em Las Vegas que limitar a 10 jogadores seria colocar muito julgamento nosso em jogo e privar vocês de nossos essenciais e longos comentários sobre outros tantos jogadores interessantes.

Então vamos dividir os principais jogadores da Summer League em grupos de semelhantes. Assim todos podem saber do desempenho dos principais atletas que disputaram o torneio sem precisar ser idiota pra ficar vendo jogo de pivete em link ruim na internet (minha vida está indo pelo ralo):

Top de linha

Blake Griffin
Ele ganhou o troféu de melhor jogador do torneio e mereceu. Chegou lá, viu e venceu. 19 pontos e 10 rebotes de média, tudo distribuído em um arsenal de jogadas vasto e nenhuma expressão facial. Nos seus primeiros minutos como jogador da NBA ele acertou uma bandeja, um arremesso de meia distância e uma bola de 3. As cestas podem ser vistas no vídeo abaixo junto com algumas outras bem impressionantes.


Não sei se vocês pereceberam mas a cada cesta do Griffin o placar na tela contava pontos para o Lakers, não para o Clippers. Até no que não vale nada, o Clippers é um fracasso total. Se bem que nesse ano tudo pode e deve dar errado com o Clippers, mas provavelmente não terá nada a ver com o Griffin, o cara é bom demais. Ele deve jogar muito e o time deve continuar perdendo, uma pena.

Tyreke Evans
O garotão do Kings mostrou que pode jogar nas duas posições de armador. Teve médias de destaque em tudo: 19 pontos, 6 rebotes e 4 assistências. Os 4 turnovers por jogo foram números altos mas aceitáveis para um armador novo em um time sem entrosamento, ainda mais considerando a correria que todo jogo de Summer League é. Ele só não tem arremesso de 3, mas mesmo assim ninguém em Sacramento se arrepende de ter deixado o Rubio passar.

Jonny Flynn
Falando em Rubio, o seu principal adversário para ser armador titular no Wolves saiu na frente. Ele foi meio irregular mas acabou com médias de 15 pontos e 7,5 assistências por jogo, incluindo um jogo em que distribuiu 14. Além disso, a partir do segundo jogo conseguiu atacar bastante a cesta para cobrar lances livres. Arremesso não é o seu forte, mas quando ele consegue costurar a defesa, acha espaços para o passe.

E quando é ele que tem espaço, ele faz isso:


Brandon Jennings
Se alguém tinha alguma dúvida se o Jennings tinha aprendido alguma coisa na Europa, essa dúvida acabou nessa Summer League. Mesmo com companheiros de time de nível técnico bem mediano, ele não quis nunca resolver tudo sozinho e agiu em todos os momentos como o armador e líder do time. Ele acabou a liga com 8,2 assistências por jogo mas eram pra ser 9,5 se não fosse seu único jogo ruim, o primeiro da competição.

Jogando assim na temporada regular ele vai dar toneladas de assistências, esperem os números do Bogut e do Redd subindo muito. Todo mundo melhora ao lado de um grande armador e o Jennings definitivamente será um grande armador. E o com o cabelo mais feio da liga.


One hit wonders?

Anthony Randolph e Anthony Morrow
Os dois jogadores do Warriors deram um showzinho à parte em Las Vegas. O primeiro meteu 42 pontos em um jogo e o Morrow respondeu com 47 no outro. Jogadores espetaculares ou bons jogadores se aproveitando do nível da Summer League?

Para o Morrow eu diria que foi um bom arremessador em um bom dia contra uma defesa ruim. Ele não é um grande jogador mas quando não tem um grande defensor na sua frente e entra no modo Eddie House, fica difícil parar. Mas achar que esses 47 pontos mostram que ele é melhor que Griffin, Jennings ou outros que jogaram é valorizar demais os números.


Já o Anthony Randolph foi muito mais regular que o Morrow e finalmente deu pra ver porque o comparam com o Odom. Ele é bem versátil, rápido demais pra alguém da sua altura e não dá pra entender porque o Don Nelson não utiliza o cara no time. Ele é ideal pra correria deles! Alto, reboteiro, sabe bater bola, sabe arremessar e dá muitos tocos (média de 3 por jogo no torneio). É só colocar ele na posição 4, o Biendris de pivô, Curry, Ellis e Stephen Jackson pra fechar o time e teremos diversão e derrotas garantidas! E que mandem o Corey "Bad Porn" Maggette embora.


Boa, campeão!
Austin Daye
O grupo "boa, campeão!" é para aqueles que se saíram bem mas que não apareceram tanto devido ao destaque ainda maior de outros. Mas como o Bola Presa é coração de mãe, não esquece ninguém.

O Daye começou mal mas depois pegou as manha das bagaça e nos últimos jogos mostrou a que veio com boa precisão nos arremessos de longe e um bom número de rebotes. Pelo jeito ele é mesmo um mismatch ambulante à la Rashard Lewis que vai deixar muito marcador zonzo. Só precisa controlar as faltas, 4 por jogo, e os turnovers, 3,6, número alto demais pra alguém que nem deveria bater a bola no chão.

James Johnson
O nome mais sem graça da história da força nominal acertou só 37% dos seus arremessos, 15% das suas bolas de 3, e mesmo assim conseguiu 17 pontos e 7 rebotes por jogo. Tá ruim mas tá bom, champs. Dá pra ser banco do Luol Deng numa boa.

Jodie Meeks
O Meeks foi a quadragésima primeira escolha do Bucks no draft e quando poucos achavam que ele tinha lugar na NBA, conquistou sua vaga nessa Summer League. Foram 19 pontos por jogo, uma partida com 29 pra fechar o torneio e, embora não seja uma maravilha, se garantiu como um bom reserva para o Michael Redd.

Toney Douglas
A escolha comprada do Knicks rendeu o Toney Douglas, que chegou com fama de ser bom defensor. O que um defensor faz num time do D'Antoni? Também não sei. Mas parece que o garoto tem algum talento. Apesar dos 27% de aproveitamento nos arremessos, acabou com média superior a 8 assistências.


Maravilhas do fim da feira

DeJuan Blair
Todo mundo sabia que o Spurs tinha afanado um cara sensacional na sua escolha de segundo round e o moleque não decepcionou. 16 pontos por jogo e 8 rebotes, 3 deles ofensivos. Nada mal para um nanico.

Rodrigue Beaubois
Malditos americanos xenófobos já estão chamando o coidado de Roddy Beaubois, já basta o Didier Mbenga que virou DJ. O francesinho do Mavs se mostrou um bom armador e segundo alguns que viram muito mais jogos do que eu, era o jogador mais veloz do torneio. Chegou a fazer 34 pontos em um jogo mas foi bem irregular e sua média ficou nos bons 17.

Chase Budinger
Ele tem cara de ator coadjuvante de filme adolescente americano. Provavelmente você já viu ele jogando um nerd em uma lata de lixo na Sessão da Tarde. Mas isso é passado, agora o Chase Budinger é um atleta da NBA, um muito bom aliás.

Ele é um jogador de perímetro, que chuta de longa distância e que acabou os seus 5 jogos da Summer League com assustadores 68% de aproveitamento nos arremessos e 72% nas bolas de 3! Foi líder nas duas categorias. Sasha Vujacic que me perdoe, mas temos um novo "The Machine" na liga.

Uma pena que ele não terá a ajuda das marcações duplas no Yao para usar esse arremesso todo, mas mesmo assim existe uma vaga no elenco de qualquer equipe para um cara com esse nível de precisão.

Se eu tivesse esse tamanho eu tava na NBA

DeAndre Jordan
Fechando a dupla de garrafão do Clippers ao lado do Blake Griffin, tem o cara do sobrenome de ouro. Para ostentar um "Jordan" nas costas do uniforme precisa jogar muito e o DeAndre, embora seja uma Dilma Rouseff perto da Alinne Moraes que é o Jordan, está se esforçando para melhorar. E o jogo do pivô está mais bonito do que as plásticas da ministra.

O problema dele é que é inconstante. Varia jogos de 2 pontos e 5 faltas com outros de 20 pontos, 10 rebotes e 3 tocos. Se achar um meio termo mais regular vai ser ótimo para liberar o Clippers para trocar Camby ou Kaman. Já sua habilidade batendo a bola é típica de um pivô ruim, como dá pra ver nesse vídeo dele sendo desafiado pelo armador Mike Taylor.

JaValle McGee
O pivôzão do Wizards que faz saudações militares a cada grande jogada recebeu a missão de fazer o Blake Griffin se sentir na NBA. Foi ele o responsável pela primeira falta violenta sofrida pelo ala e pela primeira enterrada que ele tomou na cabeça. As duas jogadas podem ser vistas nesse vídeo:


Mas, mais do que uma nota de rodapé na carreira do Griffin, o McGee realmente jogou bem. Depois de uma estréia ruim ele fez jogos de 12, 19 e 31 pontos. Nesses três jogos também teve média superior a 5 tocos por jogo! Assustador!

Hasheem Thabeet
Lixo. Isso resume o torneio do Thabeet. L-I-X-O. E daqueles bem fedidos com resto de comida, papel higiênico e um furinho pra você sujar a mão enquanto leva o saquinho pra fora.
Suas médias: 8,2 pontos, 4,6 rebotes, 0,8 tocos e 5 faltas por jogo.

O aprendiz de Greg Oden sofreu muito nos seus primeiros jogos por não conseguir se impôr na defesa como fazia no basquete universitário. Pelo jeito, o Marc Gasol vai ser mais do que necessário para o Grizzlies enquanto o rapaz aprende a jogar na NBA. Não dá pra dizer que ele será um fracasso depois de meia dúzia de jogos, mas parece que a transição, como é para tantos pivôs, será lenta.

DeAndre Jordan e JaValle McGee estão aí para mostrar como dá pra evoluir depois de um ano na NBA. Como será que julgaremos o Thabeet daqui um ano? Talvez só como um saco de lixo cheiroso com poucos cotonetes.


Gangorra

Ty Lawson
Dei uma puta moral para o Ty Lawson no dia do draft e ele respondeu com atuações bem ruins na Summer League. Pelo menos foi assim nos primeiros jogos, quando acertou 1 de 15 arremessos e cometeu 6 turnovers para 7 assistências.

Aí de repente ele tomou a água mágica do Michael Jordan e começou a jogar muito. Nos últimos três jogos foram médias de 23 pontos, 4 assistências e pouco mais de 1 turnover por jogo. Prefiro acreditar que é esse Lawson bom que irá jogar em Denver. Mas quando ele quer ser ruim, não tem pra ninguém.

Stephen Curry
O cara gosta de arremessar, é fominha e está no Warriors, era o cenário perfeito. Mas ainda não deu certo. Os 17 pontos por jogo vieram com um aproveitamento de 32% nos arremessos e em 16 tentativas de arremesso por jogo. 17 pontos em 16 arremessos não é lá uma grande média.

Exagerou nas faltas em alguns jogos e forçou muito o jogo. Mas como é novato querendo aparecer acima de tudo, a gente deixa passar. Não é como se inconsistência fosse algo novo no Warriors. O Don Nelson deve até ter tesão por isso.

Andray Blatche
A carreira inteira foi marcada por atuações fenomenais seguidas de jogos em que fica mais apagado que o Keirrison em jogo decisivo. Na Summer League foi bem, ficou em segundo nos rebotes. Mas a verdade é que tudo o que a gente viu lá já tinha visto antes, falta ele fazer todo dia. E não vamos descobrir isso em joguinho de liga de verão.

Antes tarde do que nunca

Nick Young
Quando o Arenas disse que o Nick Young lembrava o Kobe quando era mais novo, o Michael Jackson ainda era vivo, o Twitter não era modinha, as crianças ainda brincavam de peão na rua e o Arenas ainda tinha joelho. Passou tudo isso de tempo e ainda estamos esperando o garoto estourar nas quadras.

Nessa temporada ele está concorrendo com o próprio Arenas, Mike Miller e Randy Foye por minutos, mas começou bem a batalha ao marcar 23 pontos por jogo em Las Vegas. E isso com 50% de aproveitamento nos arremessos e 40% nas bolas de 3. Se ele quer espaço nesse time, tem que jogar muito.

O Young foi humilde e trabalhadô ao dizer que quer jogar mas não se importa tanto com o número de minutos. Acho que ele está certo, o time esté preocupado em vencer e ele tem que estar também. Se o time ganha, todos que estão lá se valorizam, ele só tem a ganhar. Mesmo que não seja traduzido em números, aposto que esse é o ano em que o Nick Young se torna um grande jogador na NBA.

Adam Morrison
O time do Lakers em Las Vegas era tão ruim, mas tão ruim, que o Adam Morrison não tinha outra opção que não fosse marcar 20 pontos por jogo. Então ele foi lá e marcou e não tirou o bigode.

Mas mais importante do que os números foi que o bigodinho mais sexy da NBA se disse confiante, feliz que está num time que deu a chance dele se recuperar fisicamente sem pressões e que vai jogar esse ano para ficar na NBA. Se mantiver os 42% da linha dos 3 como teve em Las Vegas, os minutos do Vujacic na rotação já são dele.

Joey Dorsey
Antes do jogo contra o Lakers, o vice-presidente de operações do Houston disse para o Dorsey que era bom que ele pegasse 20 rebotes naquele jogo. O ala de força de apenas 2,03m que estava jogando improvisado de pivô foi lá e pegou 20 rebotes.

Não vai ser a resposta para o Yao Ming mas com essa atuação monstruosa e a média de 14 rebotes por jogo, acho que o Dorsey tem lugar garantido no Rockets para a próxima temporada. O Dorsey, para quem não lembra, estava naquele time vice-campeão universitário de Memphis com o Derrick Rose e o Chris Douglas-Roberts.

Marcus Williams
A história do Marcus Williams é um bocado triste. Chegou ao draft de 2006 como um dos melhores armadores daquele ano. Foi caindo, caindo e acabou sendo escolhido só na escolha 22, bem a do Nets, onde estava fadado a ser banco do Kidd.

Quando o Kidd foi trocado ele virou banco do Devin Harris e, sem convencer, acabou sendo trocado para o Warriors, que tinha acabado de perder o Baron Davis. Lá foi simplesmente humilhado pelo Don Nelson, que disse que não dava para tê-lo como armador titular de jeito algum, preferindo novatos desconhecidos como DeMarcus Nelson a ele.

Williams foi dispensado e agora em busca de um time conseguiu vaga no elenco do Grizzlies da Summer League. Acabou com médias de 13 pontos e como líder em assistências, com 8,2. Será legal demais vê-lo de volta à liga para mais uma chance.

...

E assim acabou a festa. Chegou ao fim a Summer League de Las Vegas, a liga que reuniu o maior número de jogadores desconhecidos desde o saudoso campeonato goiano de bocha de 1997. Com o fim desse torneio, a NBA só acontece mesmo nos bastidores agora. Alguns jogadores ainda não tem time, outros ainda podem ser trocados, mas no fim das contas está tudo na mão dos cartolas, para os jogadores resta esperar a pré-temporada em outubro.

Para nós blogueiros e fãs do basquete, ainda podemos sofrer com a seleção na Copa América e ficar falando de bobagens aqui no Bola Presa. Estamos planejando para um futuro breve coisas bem bacanas como análise de filmes de basquete, games de basquete, apelidos, o amistoso cheio de estrelas que acontecerá no Rio e, acreditem, até a volta do Both Teams Played Hard. Aguardem! Promessa feita no Bola Presa é (praticamente) promessa cumprida!

Retrô

Quentin Richardson mostra onde foi parar
sua carreira depois que saiu do Suns



Desde que o Suns trocou Shawn Marion por Shaquille O'Neal, criou-se um vortex espaço-temporal que engoliu a carreira de todos os envolvidos. Marion descobriu que não rende tão bem longe do Nash (ou, pra não sermos tão pentelhos, em times que não joguem na correria) e acabou de ir parar no seu terceiro time desde então, Shaq prometeu um título no Suns que não chegou nem perto de ser possível e agora já foi despachado pro Cavs, o Heat fede um bocado e tem sérias chances de não conseguir manter Dwyane Wade temporada que vem, e o Suns parece ter mergulhado de cabeça num processo de reconstrução.

Ao menos, essa era a impressão que tínhamos ao olhar para a equipe de Phoenix. Shaq trocado, Ben Wallace aposentado, dinheiro sendo economizado, boatos do Amar'e indo pro Warriors, declarações de amor para o armador Goran Dragic como futuro da equipe, e apostas em Leandrinho e Robin Lopez, que são fedelhos com potencial. Esse ano o Suns não vendeu suas escolhas de draft como sempre faz, ficou com dois novatos, e assinou o Channing Frye, pirralho que já foi intocável no Knicks mas que foi saindo de moda por não ter uma posição definida em quadra. É um elenco novo, jovem, cheirando a talco, em um time com coragem de não ficar para sempre no mais-ou-menos e disposto a começar do zero e feder por uns tempos.

Mas aí surge a notícia de que o Steve Nash assinou uma extensão contratual de dois anos por mais de 10 milhões por ano. O Nash já ganha 13 milhões de doletas, mas seu contrato acabaria na próxima temporada, permitindo ao Suns brincar de contratar uma das grandes estrelas que estarão disponíveis na maior leva de Free Agents do último milênio. Mas não, optaram por manter o canadense enfiando dinheiro em suas orelhas. Que diabos de processo de reconstrução é esse que mantém os mesmos jogadores com salários similares? Algum engravatado em Phoenix pipocou, amarelou, deu pra trás e todas essas gírias que eram tão comumente usadas com o time do São Paulo. Não teve coragem de desmanchar o time e tentar um troço novo, achou melhor renovar com o Nash mesmo por uma grana preta e sabendo que o armador não está mais no seu auge e nem nas mãos do técnico que fez sua carreira, Mike D'Antoni. O time também renovou com Grant Hill, que já está com 37 anos de idade, provavelmente pra poder ficar conversando sobre a série "Armação Ilimitada" com o Nash, que vai fazer 36. Vai ser a primeira vez que um time em reconstrução vai ter uma noite de bingo e um clube de tricô.

Talvez manter o mesmo núcleo por mais uns anos seja uma tentativa de amenizar o processo de renovação do time, treinando a pirralhada por baixo dos panos sem que ninguém perceba enquanto os veteranos tentam segurar as pontas e garantir uma oitava vaga nos playoffs. Se for o caso, seria uma decisão um tanto medrosa mas compreensível. No entanto, não acho que seja isso A renovação do contrato de Nash vem acompanhada por discursos sobre como o Suns vai voltar a jogar na correria, com relatos alegando que o armador canadense só topou continuar no Suns quando garantiram que a equipe jogaria em velocidade. O Nash é esperto e sabe o que lhe convém, num time lento sua carreira estaria acabada, ele precisa garantir que suas melhores qualidades estejam sendo utilizadas na melhor situação possível para que possa ser relevante na liga. Mas para o Suns, parece apenas a decisão de um saudosista, um arrependimento tolo por ter desfeito aquele time veloz com a troca do Shaq. Oras, aquele time era rápido, divertido, interessante e cheiroso, mas não ia ganhar nem campeonato de gamão. Se arrepender de ter destruído aquele time deve ser medo de morrer e ser julgado pelo Deus do Basquete Bonito, porque fora isso aquele time tinha mais é que tentar coisas novas e recomeçar mesmo. Não tem nada pior do que saudosismo fora de hora, como podemos perceber facilmente com essa moda horrível de retrô anos 80. Pior que isso, só quando estiver na moda o retrô anos 90 (e o Spurs de Duncan aposentado tendo nostalgia de montar uma retranca). Se aquele Suns não funcionou, não adianta insistir na mesma fórmula mas agora com peças estranhas de reposição. Ao invés de chances reais, o que esse Suns está conseguindo é atrasar o processo de reconstrução que dava bons sinais com o sangue novo que chegou ao elenco.

Aliás, outro membro daquele Suns de ouro também está sendo assunto hoje, no que parece mesmo uma moda retrô. Quentin Richardson, conhecido como "o homem que atira primeiro e pergunta depois", acaba de ser trocado pela terceira vez desde que a temporada terminou. Passeando pelo Grizzlies, Clippers e agora o Wolves, o Quentin Richardson está fazendo uma turnê nacional pelos piores times da liga. Boatos indicam que em breve ele deverá ser trocado para o Kings, só pra conhecer todo tipo de fedor.

O que acontece é que, por jogar ao lado de Steve Nash no papel bem específico de arremessador de três pontos, Quentin Richardson pareceu um jogador de verdade e conseguiu um contrato gigantesco oferecido por um babaca que não percebeu a lorota (no caso, quem assinou o cheque foi o Isiah Thomas, profissional gabaritado da arte de pagar contratos gigantes para jogadores que só parecem bons de longe, no escuro, e na neblina). Engraçado é que o Joe Johnson, que tinha a mesma função do Quentin e também conseguiu um contrato monstro com ajuda do Nash, acabou dando realmente muito certo - provavelmente só porque não foi o Isiah quem o contratou.

Agora, depois do conto do vigário, o contrato de quase 10 milhões do Quentin Richardson vai se encerrar e todos os times querem a chance de liberar teto salarial para brincar de tentar contratar LeBron, Wade, Bosh, Nowitzki ou Boozer em 2010. Passando de mão em mão, ele já foi trocado pelo Darko, depois pelo Randolph, e agora foi para o Wolves em troca de Sebastian Telfair, Craig Smith e Mark Madsen. Para o Wolves, isso simplesmente significa que eles realmente acreditam que vão manter seus dois armadores escolhidos no draft, Jonny Flynn e Ricky Rubio, apesar de toda a polêmica de que o Rubio deve permanecer na Europa. Se livrando do Telfair, que fez um trabalho decente em toda sua estadia com a equipe, o Wolves fica sem armador reserva a não ser que os dois novatos realmente topem jogar juntos. Espero sinceramente que alguém no Wolves saiba o que está fazendo (pouco provável, convenhamos) e que isso signifique que o Rubio vai mesmo pra NBA, depois de tantos dirigentes irem até a Espanha para tentar convencê-lo e negociar exaustivamente a recisão contratual. Tanto trabalho assim, crianças, só pra pedir a mão da Alinne Moraes, e olhe lá, que nem ela pode ficar regulando mixaria.

Para o Clippers, a troca volta a deixar o garrafão forte e povoado demais. Como pivôs, Chris Kaman, Marcus Camby e DeAndre Jordan, que arrasou na Summer League que terminou agora. Na ala de força, o novato e primeira escolha do draft Blake Griffin, que também chutou traseiros na Summer League, e agora Craig Smith, que sempre foi o clone que o Wolves tinha do Jason Maxiell, algo de que todo time precisa. Telfair chega para fazer dupla com o ex-novato Mike Taylor na armação reserva, mas como o titular é o Baron Davis - que se machuca até tirando meleca do nariz e ainda por cima está no Clippers, que é amaldiçoado por natureza - o time precisa ter dois reservas sempre dispostos a jogar muitos minutos. Esse circo que o Clippers está montando desde a temporada passada, esse Frankenstein basquetebolístico com partes aleatórias que não se encaixam, parece cada vez mais atraente. Não dá pra botar fé, até porque "fé" e "Clippers" não podem estar juntos na mesma frase, mas com a saída do Randolph o time parece mais sexy, charmoso, e agora tem até um banco de reservas. Vale ficar de olho: pode não ser o melhor elenco do mundo, mas pelo menos eles não estão se enganando e tentando voltar no tempo, como um certo time de Phoenix por aí. É como diz o filósofo, tem horas em que é preciso saber feder para poder sair da merda. Se o Pistons parece não curtir muito a ideia, o Suns parece aceitar ainda menos. Ao menos talvez eles façam uns 140 pontos por jogo e nos entretenham um pouco quando a NBA estiver chata, o Baron Davis e o Camby tiverem se contundido, e o Clippers estiver tendo que usar torcedores sorteados pra tapar buraco no time titular.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Na correria

John Kuester tenta impedir o técnico Mike Brown de enfiar o dedo no nariz


O Detroit Pistons foi parar numa daquelas situações em que nenhum time quer estar, que é quando a equipe não fede e nem cheira. Esse limbo, em que o time claramente não vai conseguir ser campeão mas é bom demais para conseguir boas escolhas de draft, exige decisões ousadas e polêmicas. Como os times que encontram-se nessa situação intermediária são bons, fica difícil tacar tudo na privada e não deixar os fãs descontentes com o desmanche. Os torcedores sempre acham que falta apenas uma peça final, apenas uma arrumadinha no elenco, apenas um técnico novo, apenas uma Alinne Moraes na torcida, e fica difícil convencer qualquer um de que seria melhor desmontar o time bom e feder por uns tempos, na esperança de montar um elenco que realmente possa chegar ao topo no futuro. O caso que me vem imediatamente à cabeça é aquele Nets que foi campeão do Leste em 2002 e 2003, mas que claramente não tinha qualquer chance de ganhar das grandes potências do Oeste. Foi ficando claro que o time não seria campeão, foi perdendo fôlego, e ao perder o topo do Leste para o Pistons, percebeu que não dava para ficar nesse limbo do "quase-lá". Aos poucos, o time foi desmontado num óbvio processo de reconstrução que dura até hoje mas que já mostra seus primeiros resultados.

O Pistons chegou a ganhar um anel de campeão e dominou o Leste por muitos anos consecutivos, logo depois do auge do Nets, mas a sensação sempre foi de que faltava alguma coisinha a ser arrumada na temporada seguinte para que eles dominassem pra valer. Muito se falava sobre motivação, sobre o time não ter mais saco de ficar aguentando joguinhos meia-boca pra no final acabar perdendo por algum motivo idiota, e talvez fosse isso que tanto incomodava a equipe. Em todo caso, óbvio a todos que o Pistons não tinha mais chances de ser campeão num Leste cada vez mais forte e competitivo, chegou a hora de começar de novo. Admitir que o time vai feder por uns tempos, não se apressar, e construir uma franquia vencedora com calma e inteligência. Afinal, não foi assim que o engravatado Joe Dumars construiu o Pistons que foi campeão em 2004?

Só que, pra mim, não parece ser bem isso que anda acontecendo em Detroit. Já critiquei as novas aquisições da equipe (ao que alguns fãs do Pistons caíram matando, afinal só existem dois pecados no mundo: questionar o Joe Dumars, e questionar sorvetes), mas agora é hora de criticar o novo técnico da equipe. A contratação já está até velhinha, mas aqui nunca é tarde para a gente meter a colher. Bola Presa, orgulhosamente trazendo notícias do mês passado com um saborzinho de lentilha de ontem.

Após as negociações com o Avery Johnson falharem, o escolhido para o emprego de técnico do Pistons foi o assistente técnico do Cavs, John Kuester. Convenhamos, é muito engraçado contratar o assistente de um dos piores técnicos da NBA, mas justiça seja feita: se o Cavs parece um time, se eles tem mais de uma jogada ofensiva, e se são minimamente suportáveis de assistir, é tudo culpa do Kuester. Antes dele o ataque do Cavs era uma bagunça, completamente amador, consistindo apenas de jogadas de isolação para LeBron. Agora, o time só isola o LeBron quando as jogadas (que existem!) não dão certo, e dá até gosto de ver como o Cavs cuida bem da posse de bola, sendo um dos times com menor número de desperdícios em toda a NBA. O técnico de verdade, Mike Brown, aprendeu no Spurs a montar defesas fortes - algo que sempre estabeleceu no Cavs com moderado grau de sucesso, mas nada mais. Se levou o título de melhor técnico do ano para casa, é apenas porque o prêmio não faz sentido nenhum e o John Kuester ajudou a balancear o time que dominou o Leste durante toda a temporada regular.

Mas o cara é um assistente técnico. Passou uns tempos com o Larry Brown no Pistons e com o Mike Brown no Cavs, só que sempre com a função de ensinar os esquemas de ataque. Aposto que Ben Gordon e Charlie Villanueva vão ficar muito felizes com o técnico que vem focar na parte ofensiva do jogo (Marbury deve pedir para ir jogar em Detroit em breve, assim que ouvir as boas novas), mas resta a dúvida quanto ao talento de Kuester nas outras áreas do jogo, incluindo o relacionamento com os atletas. Sem sombra de dúvida, Avery Johnson era uma escolha muito melhor: ele foi o homem que ensinou o Dallas a defender, sem desmantelar o ataque, e sagrou-se como um grande motivador dentro e fora das quadras. O problema foi que, além de pedir um pouco de grana a mais do que os engravatados no Pistons queriam pagar, Avery queria a garantia de um trabalho de longo prazo, ao menos 3 anos à frente da equipe, de modo que pudesse ter segurança para lidar com um time em reconstrução. Essa garantia não lhe foi dada, porque Joe Dumars pode ser gênio, mas todo gênio é maluco.

Desde que Dumars assumiu em 2001, o Pistons está em seu quinto técnico. O último, Michael Curry, era assistente técnico da equipe e assumiu o cargo principal com a fama de ser um motivador respeitado por todo o elenco, algo de que a equipe tanto precisava. Recebeu apoio irrestrito do Dumars quando começou seu trabalho e, ao término da temporada, mesmo com o fracasso nos playoffs e todas as brigas e desavenças com Richard Hamilton, recebeu a promessa do Dumars de que continuaria à frente da equipe. Promessa "se o Pitta não for um grande prefeito, nunca mais votem em mim" essa, porque o Curry foi pro olho da rua rapidinho.

Pelo jeito, não há paciência por aquelas bandas. É preciso aceitar que o time vai feder por uns tempos e entregar o elenco nas mãos de alguém que possa fazer um trabalho duradouro e sólido, principalmente quando se está lidando com jogadores jovens e um time sem identidade. Afinal de contas, esse Pistons é baseado em defesa e trabalho coletivo, como o que foi campeão em 2004, ou é baseado em ataque e superestrelas? Vai ter um jogo de perímetro ou um jogo de garrafão? É bastante maluco compor um elenco quando você não lhe deu uma identidade antes, mas agora que a merda está feita e Ben Gordon e Villanueva estão contratados de forma meio aleatória, que ao menos entreguem esse elenco para um técnico versátil e que possa colocar um padrão de jogo específico nesse grupo de jogadores. Não garantir um contrato longo para um técnico é, implicitamente, estar julgando diariamente o novo técnico e cada ação que ele faz. Haverá a pressão para que ele vença, e o próprio Dumars avisou que o processo de reconstrução deve ser quase imperceptível, muito rápido. O sujeito está correndo demais, acho que o pessoal tem medo de feder e acabar virando o Grizzlies.

A própria contratação de Gordon e Villanueva foi um pouco precipitada. Jogadores como Boozer e Okur, frente a uma economia abalada e um teto salarial que deve diminuir, decidiram manter seus contratos por mais um ano para garantir suas verdinhas. Isso significa que mais jogadores terão o fim de seus contratos em 2010, junto com LeBron, Wade, Bosh, Amar'e, Nowitzki, Joe Johnson e outros mais. Vários times estarão com espaço salarial pronto para tentar abocanhar as maiores estrelas, mas os salários devem estar menores, os tempos são outros no Banco Imobiliário do mundo real. Ninguém dará ao Boozer os 14 milhões que ele procura, alguns jogadores assinarão por menos do que pretendiam e muitas oportunidades surgirão para os times com espaço salarial e que queiram apenas um jogador para fechar o elenco, para suprir uma área específica. Entendo a vontade do Dumars de garantir seus jogadores agora, quando a maioria dos times está se focando no ano que vem, mas pagar 10 milhões por ano para o Ben Gordon não pode ser lucro para ninguém (a não ser para o próprio Ben Gordon e a mãe dele).

Temos também que concordar que Richard Hamilton não é um jogador fácil de ser trocado. Longe do seu auge, ganhando 12 milhões por ano durante mais 4 anos, e famoso por só render em esquemas táticos muito específicos. Qual time comprometerá seu espaço salarial, indo para 2010, arriscando encaixar Hamilton no elenco? Qual time em que ele se encaixaria bem teria grana ou jogadores de salários equivalentes para mandar em troca? Fica bastante complicado, mas já sabemos que ele não será capaz de render jogando ao lado de Rodney Stuckey e Ben Gordon. Por enquanto, o Pistons é apenas um amontoado pequeno de jogadores aleatórios, sem um critério óbvio, sem uma identidade, sem um cérebro, e que negou a um bom técnico a chance de estabelecer um trabalho duradouro. Joe Dumars está correndo desesperadamente, torcendo para que ninguém perceba que o time vai feder.

É claro que estou cutucando um ícone sagrado, afinal ele é o homem que entregou um título ao Pistons com um elenco montado na unha, vindo do nada, com sobras que outros times não quiseram. Mas ele também é o homem que draftou Darko Milicic e que disse que Amir Johnson era o futuro do garrafão do Pistons (pra depois contratar até o Kwame Brown). Por enquanto, a tentativa de fugir de 2010 rendeu, na minha opinião, contratos exagerados para jogadores que não se encaixam muito bem. Mas acompanharemos com bastante atenção como Dumars fará para compor o resto do elenco e estabelecer uma voz comum à franquia. Se deu certo uma vez, ele merece ao menos a nossa torcida para que funcione de novo.

Enquanto isso, o Jazz também deu um jeitinho afoito de escapar da bagunça de 2010. Certamente não estava nos planos da equipe que Boozer e Okur escolhessem manter o último ano do contrato, mas é que nos tempos de crise (em que um lanche do Mc Donald's custar 5 reais é uma promoção) os dois jogadores não achariam contrato melhor em lugar nenhum. Acontece que, em 2010, o contrato acaba e eles fogem para qualquer lugar que possa pagar alguma graninha. Imaginava-se um aumento muito grande dos salários (quando um time como o Grizzlies não conseguir o LeBron ou o Wade, vai acabar dando um contrato máximo para um jogador mais-ou-menos), mas com a diminuição do teto salarial da NBA e nenhum time disposto a pagar multas por excedê-lo, arrisco que vai ter muito jogador topando jogar por bem menos do que suspeitava em 2010. O Jazz, então, provavelmente vai perder o Boozer e o Okur na temporada que vem, e estará apto a brigar por esses grandes nomes que estarão disponíveis. Mas não, preferiram cuidar disso agora: igualaram a oferta do Blazers pelo Paul Millsap, que foi de 32 milhões por 4 anos.

Eu entendo o Jazz, eles gostaram realmente do Millsap no tempo em que ele foi titular quando o Boozer, pra variar, se contundiu. O garrafão da equipe é essencial para que Deron Williams possa continuar seu trabalho, e Millsap garante isso com o bônus de já ter sido titular, conhecer a formação tática e se dar bem com o técnico Jerry Sloan. Quando a gente lembra que o Marcin Gortat, que não fez nada de mais na vida, assinou um contrato de 33 milhões por 5 anos, percebemos que o Millsap saiu barato também. Mas agora o Jazz tem uma situação bizarra nas mãos: ou troca o Boozer imediatamente, por um pacote de biscoitos se for o caso, ou então vai pagar multas astronômicas por ter deixado o teto salarial da equipe mais esticado do que a Monica Mattos. Ou seja, Jazz e Pistons não quiseram brincar em 2010, correram com sede ao pote e garantiram contratos o mais rápido possível. Mas agora os dois precisam fazer trocas essenciais para o bom funcionamento de ambas as equipes. Vamos aguardar mudanças significativas, ou então teremos equipes muito bizarras em quadra - as duas, vejam que engraçado, com reservas ganhando por volta de 10 milhões de doletas.