terça-feira, 29 de março de 2011
Vencendo sem querer
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terça-feira, 8 de março de 2011
Fetiche por gigantes
Com a chegada da data limite para trocas na NBA, trocentos times resolveram fazer mudanças importantes. Alguns resolveram que era época de reconstruir, outros conseguiram peças importantes para tentar chegar ao título. Desde então sentamos e analisamos todas essas trocas, Jeff Green para o Celtics, Hinrich para o Hawks, Mo Williams para o Clippers, Deron Williams para o Nets, Carmelo para o Knicks e Gerald Wallace para o Blazers, além dos jogadores que foram dispensados e trocaram de time após as trocas, como o Mike Bibby indo para o Heat e o Troy Murphy indo para o Celtics. Só faltaram duas trocas, que são a parte que me cabe neste latifúndio. Como bom torcedor do Houston, é meu dever de cidadão analisar a troca que mandou Aaron Brooks para o Suns pelo Goran Dragic mais uma escolha de draft e a troca que mandou Shane Battier de volta para o Grizzlies pelo Thabeet e uma escolha de draft. Legal, vamos voltar do carnaval (em que você passou o dia inteiro atrás de atualizações do Bola Presa clicando com cara de fracasso vendo sua lista vazia no MSN, ou então estava bêbado demais para se importar com basquete) e nos deparar com mais um texto sobre o Houston escrito pelo lambedor de bolas oficial do Yao Ming. Ah, não é uma delícia fazer o que a gente bem entende?
No post sobre a troca do Blazers, lembramos do processo de reconstrução da equipe que começou mandando embora Zach Randolph, então melhor jogador da equipe. Mesmo sem outras trocas, escolhas de draft ou contratações, o Blazers já melhorou imediatamente só de não ter o Randolph em quadra. Em parte porque ele era um buraco negro (quando a bola chegava nele, nunca mais escapava), em parte porque ele produzia bons números mas não defendia bulhufas, mas o motivo principal da melhora da equipe foi que a saída do Randolph abriu espaço para outros estilos de jogo e deu oportunidade para outros jogadores mais jovens. Cada caso é um caso, não é sempre que funciona, o Cavs sem seu melhor jogador virou um dos piores times da NBA, mas às vezes vale a pena perder uma peça que parece essencial e dar minutos ao resto do elenco. Curiosamente é o que está acontecendo com o Nuggets, por exemplo, que sem o Carmelo agora pode se dedicar a um sistema de jogo defensivo e dar minutos a um elenco bastante profundo. Com o Houston aconteceu algo parecido, mas em menor grau.
Desde que o Tracy McGrady foi boicotado e mandado embora, o time continua com sua política de manter um jogo coletivo e sem estrelas que consegue fazer estrago, mas que sem Yao Ming provou que não vai a lugar nenhum. Aaron Brooks foi um dos melhores jogadores da equipe nas duas últimas temporadas, foi líder da NBA em bolas de 3 pontos, deu sufoco para o Lakers nos playoffs e assumiu a responsabilidade nos momentos decisivos de inúmeras partidas - mas ele ainda era apenas mais um armador em uma equipe cheia até as orelhas de outros armadores. Rapidamente ele foi de jogador mais importante para jogador mais desnecessário - e a equipe melhorou muito sem ele.
Isso aconteceu porque a defesa do Houston desmontou inteira sem Yao Ming. Tendo que usar um garrafão muito baixo e com limitações defensivas graves (jeito simpático de dizer que todo mundo fede), a tática de afunilar a defesa para o centro do garrafão virou farofa. Os jogadores de perímetro passaram a ser responsáveis por impedir os adversários de infiltrar, e não de forçar a infiltração pelo meio como antigamente. O problema é que Kevin Martin e Aaron Brooks são simplesmente terríveis na defesa mano-a-mano, é de dar vergonha. Com os dois em quadra como titulares, a defesa da equipe virou uma peneira, mais aberta do que passista bêbada de escola de samba, e vários jogos foram perdidos por pouco no começo da temporada justamente porque o Houston não conseguia impedir pontos nos minutos mais importantes. A temporada foi pro saco bem no começo, com os jogos perdidos por pouco, e desde então o time não fez outra coisa além de correr atrás do prejuízo em busca de uma vaga nos playoffs.
Quando o Brooks se machucou e Kyle Lowry assumiu a armação da equipe, as coisas melhoraram muito. Lowry é um excelente defensor, um dos melhores na posição, e bastou que tivesse mais minutos (e se recuperasse da própria lesão que sofreu) para se acostumar com as funções do Brooks e começar a acertar os arremessos de três pontos que eram característica do antigo dono do cargo. A profundidade do elenco também apareceu com a contusão do Brooks: o Courtney Lee, também excelente defensor, joga muito bem quando tem minutos decentes. Chase Budinger se destaca nas bolas de três se o armador não arremessar tanto. Ish Smith, que teve minutos quando todos os outros armadores estavam lesionados, mostrou que consegue segurar as pontos. E Terrance Williams, que anda destruindo nos treinos da equipe, só não entra em quadra pra pontuar como um maluco porque ele é essencialmente igual ao Brooks no que tange à defesa.
Ou seja, não deu pra sentir falta do Brooks enquanto ele esteve contundido. Tem armador de baciada para entrar no seu lugar, incluindo um armador que sequer tem espaço para ser utilizado e que faz as mesmas coisas que ele. O time ainda tem suas dificuldades, continua perdendo, mas é melhor com Kyle Lowry armando e o resto dos armadores tendo oportunidade em quadra. O Brooks é bom, isso é inegável, mas Lowry é um armador mais experiente com uma carreira inteira em que foi reserva e merecia ser titular, é bonito ver ele finalmente morder a vaga e não largar mais.
Quando voltou de contusão, o Brooks foi pro banco de reservas. Sua vaga como titular estava tomada em definitivo, não adiantava chorar. Seu contrato acaba nessa temporada, então era bem óbvio que o Houston não iria reassinar o armador por uma bagatela e que o Brooks iria procurar outros ares. Seria normal perder o armador por nada e respirar aliviado com o espaço criado pela sua partida, coisa de elenco profundo e nenhuma chance de título, mas o Houston conseguiu trocá-lo numa jogada de mestre. Porque o Suns não sabe o que faz.
O Goran Dragic não estava jogando bem em Phoenix, é verdade, mas ele comandou o ataque do Suns nos playoffs passados com algumas partidas simplesmente espetaculares e é disparado o melhor defensor da equipe na posição (o que não quer dizer nada num time que tem o Nash, claro). Faz tempo que o armador esloveno está sendo cuidadosamente criado para assumir o time numa possível saída do Nash, mas parece que o Suns simplesmente encheu o saco. Mandaram o armador embora, junto com uma escolha de draft (do Suns, se eles não forem para os playoffs, ou do Magic, caso eles consigam ir) e pegaram o Brooks para assumir a reserva e o Ish Smith pra segurar as pontas quando Nash e Brooks jogarem ao mesmo tempo em quadra numa formação mais baixa. Caso a equipe tenha esperanças de se dar bem nos playoffs, o Brooks pode ser uma boa - ele fez chover contra o Lakers, é mais rápido que o Dragic, arremessa melhor e tem experiência levando um time nas costas na pós-temporada. Mas para assumir o lugar do Nash, a troca não faz sentido. O contrato do Brooks vai acabar nessa temporada e não há garantia de que ele vá reassinar com o Suns. A troca pareceu apenas um empréstimo para ver se a equipe consegue ir bem nos playoffs nessa temporada, o que é ridículo. Desde quando o Suns deveria se importar com essa temporada? Tudo bem que o time deveria feder mas nunca fede, que eles continuam ganhando mesmo quando a gente espera que eles desmontem, mas alguém realmente acredita que essa equipe que depende do Channing Frye e do Vince Carter vai a algum lugar? Quando finalmente achamos que o Suns vai se tocar, entrar em reconstrução e trocar o Nash, eles insistem em vencer uns jogos bizarros, continuam com chances de ir pros playoffs e fazem uma troca que não pensa em nada no futuro. Não entendo esse time nem lascando. Pra mim foi a troca mais desequilibrada da data limite, o Houston cometeu um assalto à mão armada e o Suns tá lá, feliz da vida, achando que dá pra vencer o Spurs nos playoffs e mandar o futuro às favas. Legal. Se eles forem campeões com esse time mequetrefe, sendo que não conseguiram com Amar'e e Jason Richardson, façam favor de jogar esse mundo fora porque não vou querer viver nele.
A outra troca do Houston tem muito em comum com a primeira. Os jogadores que ganharam espaço com a lesão do Aaron Brooks, como Courtney Lee e Chase Budinger, não apenas se mostraram competentes com os minutos como também são o futuro do Houston, que não tem motivo para pensar no agora. Shane Battier é um gênio, continua sendo um dos melhores defensores da NBA e é mais obediente do que cachorro de cego, respeita toda e qualquer instrução tática, lê bem o jogo e executa bem todas as pequenas coisas como se jogar no chão e dar cabeçadas em muros de concreto. Mas ele é o tipo de jogador essencial para equipes que querem ser campeãs, não para equipes que estão formando elencos profundos baseados em pirralhada. Ele era a peça final para levar Yao e Tracy McGrady ao titulo, o Houston até abriu mão do Rudy Gay novato porque não tinha paciência para esperar o pirralho amadurecer. Mas o título não veio, as lesões não deixaram, o Rudy Gay virou estrela no Grizzlies e o Battier agora não é mais necessário. Com o contrato expirante do Yao Ming, o Houston vai ter grana para decidir quais jogadores jovens manter e quem trazer para dar uma força, mas está longe de ter chances reais pelos próximos anos. O Battier estava sendo pouco aproveitado. Isso ficava óbvio quando o Houston vencia jogos graças às bolas de três pontos do Battier, não graças à sua defesa. Toda vez que ele entrava em quadra com a mira calibrada, as chances de vitória da equipe eram muito maiores. Pronto, agora o Houston pode usar o Chase Budinger de titular que é especialista nas tais bolas de três e o Courtney Lee pode brilhar na defesa arremessando muito melhor do que o Battier jamais arremessará. Ponto pra meninada.
No Grizzlies a situação é inversa. Agora o time se leva a sério, a reconstrução feita aos trancos e barrancos que começou com a troca do Pau Gasol deu resultado, e eles realmente acreditam que podem surpreender nos playoffs. O projeto do Grizzlies teve um monte de tropeços, o OJ Mayo deu dor de cabeça e foi deixando de ser usado, o Hasheem Thabeet veio com a segunda escolha do draft mas não está pronto para a NBA, o Rudy Gay se contundiu no meio dessa temporada (e só volta agora no final de março), e mesmo assim o Grizzlies continua impressionando todo mundo com uma defesa sufocante e vencendo jogos que não deveria vencer. É um time de verdade capaz de garantir uma vaga nos playoffs e surpreender qualquer adversário através da defesa. Quão bizarro é isso num time que tem Zach Randolph como titular? É maluco mas é real, e agora o Grizzlies precisa acreditar que pode vencer imediatamente, preparando terreno para a inevitável evolução da equipe. Tony Allen encontrou nova vida após o Celtics com a sua forte defesa individual, então Shane Battier com certeza vai se encaixar no esquema defensivo, quebrar um galho nos rebotes enquanto Rudy Gay está fora, e fazer as pequenas coisas que o time precisa nos playoffs. Ainda que o contrato do Battier também seja expirante como o do Brooks, tudo leva a crer que o Battier vai ter muitos movitos para continuar na equipe após essa temporada e terá um papel importante na campanha da equipe nos playoffs e no futuro.
Para conseguir Battier, o Grizzlies teve apenas que desistir de uma escolha de draft futura (provavelmente de 2013, quando eles esperam estar na elite da liga) e de uma cagada, o pivô Hasheem Thabeet. Todo mundo sabia que o pivô estava mais cru do que sashimi quando foi draftado, mas o Grizzlies insistiu em gastar uma segunda escolha com o rapaz. Agora que precisam vencer hoje mesmo, não dá pra esperar mais 10 anos até que o pivô aprenda a amarrar os próprios cadarços. O Houston pode ter essa paciência numa boa, e está tão desesperado por um pivô que vale até a pena arriscar um jogador que precisa de ajuda para se limpar quando vai ao banheiro. O lado positivo pro Houston é que o Thabeet não foi um fracasso completo como novato. Ele teve média de mais de um toco por jogo mesmo ficando em quadra por pouco mais de 10 minutos. Ele é um poste gigantesco com 2,21m de altura capaz de alterar muitos arremessos e bloquear outros tantos, mas com dificuldade para correr de um lado para o outro, técnica nenhuma no ataque e físico inferior ao do Justin Bieber. Se o Houston quer voltar a ter uma presença defensiva no garrafão para que a defesa do perímetro afunile em sua direção, como fazia com Yao e com o Mutombo, o Thabeet é uma esperança. O Grizzlies foi ficando bom e aí não fazia mais sentido dar minutos para o pirralho que só sabe dar tocos, o Houston pode esperar mas é bem capaz que também fique bom demais antes do pivô deslanchar, e aí não vai fazer sentido usá-lo. Por enquanto o Houston está sendo cauteloso, avaliando o Thabeet nos treinos, ainda vendo se a nova formação da equipe se encaixa e se tem chances de lutar por uma oitava vaga. Em breve ele vai ganhar mais chances e minutos, coisa de time com fetiche por pivôs com mais de 2,20m de altura. É legal ganhar um pivô com potencial em troca de um jogador que não era mais tão útil e cuja partida abrirá espaço para outros jovens promissores, mas convenhamos: ficar dependendo de pivôs gigantes mostra que o Houston definitivamente não aprendeu uma lição importante sobre a saúde desses jogadores-aberrações. Aposto que o Grizzlies agora respira aliviado por não ter que lidar com essa bomba, mesmo que no futuro o pivô venha a render alguma coisa. É melhor garantir umas vitórias agora do que ter que carregar o fardo de uma péssima escolha de draft pra vida toda. O fardo agora é do Houston, mas é mais leve porque é só uma pequena aposta que custou pouco - desde que a equipe não morra de amores pelo pivô e deposite todas as suas fichas nele. Mas como ele mal entrou em quadra desde que a troca aconteceu, não acho que seja o caso. Como torcedor, também não vou esperar grandes merdas, vou só ficar de olho porque, né, vai que dá certo?
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Danilo
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domingo, 19 de dezembro de 2010
Bagos gigantes
O Magic sempre mostrou que é um time disposto a arriscar. Quando o elenco parecia ter futuro e os comentários eram de que, com um grande arremessador de três pontos, eles seriam capazes de lutar pelo título, juntaram todas as moedinhas e ofereceram tudo que tinham disponível para o Rashard Lewis - na época um dos arremessadores mais badalados da NBA. O contrato foi ridículo, somando 124 milhões de dólares em 6 anos, e dá pra ter ideia do absurdo fazendo uma visita a esse site aqui, que calcula em tempo real quanto o Rashard Lewis ganhou no mundo real a partir do momento em que você entrou na página (adianto, é mais de 1 dólar por segundo). O jogador não vale tudo isso, nunca fez grandes coisas pela equipe, mas quanto você estaria disposto a pagar por um jogador que pode ser a última peça para vencer um anel? Na temporada seguinte à sua contratação, o Magic se tornou campeão do Leste e perdeu na Final da NBA para o Lakers. Não dá pra criticar a decisão.
Com a derrota, vieram novos papos. Supostamente o que faltava para ganhar o título era, então, alguém capaz de criar o próprio arremesso, decidir os jogos no final, encontrar uma bola de segurança que não fosse um arremesso de três forçado. Fizeram uma troca para conseguir Vince Carter, jogador longe de seu auge e com fama de fominha. Foi arriscado, mas o Magic preferiu apostar na imagem que o Carter construíra no ano anterior como tutor da pirralhada do New Jersey Nets. O sucesso do Carter foi moderado, por vezes parecia estragar o ritmo da equipe, por outras salvava o jogo, mas o Magic com ele chegou novamente à final do Leste - desse vez perdendo para o Celtics.
Não é estranho, portanto, que um time que chegou a duas finais de Conferência em anos consecutivos esteja sempre envolvido em tantos boatos de troca. Estão sempre dispostos a arriscar, a acrescentar uma peça final, a mudar o elenco vencedor para conseguir dar um passo a mais. É por isso que a resposta a uma fase de derrotas nessa temporada foi trocar vários jogadores - aquisições, como as de Carter e Lewis, arriscadas mas inteligentes. O Magic não tem aquela postura bizarra do Cavs da era LeBron, que trocava apenas por trocar e formou um circo de horrores, em Orlando as trocas tem uma visão de conjunto, um plano definido de qual é a identidade do time. Só trocam por quem se encaixa na brincadeira.
O primeiro passo do Magic nessa maratona de trocas anunciadas hoje foi se livrar do Rashard Lewis. Não que ele feda, como muita gente anda sugerindo recentemente. Longe disso, ele é um bom jogador, mas seu contrato vai até 2013 lhe pagando mais de 20 milhões por temporada bem quando o Magic não precisa mais de arremessadores. Todo mundo no elenco, até o garoto da água e a mãe do Dwight Howard, arremessam de três mesmo durante o sono. O processo de montar um elenco eficiente no perímetro que teria o Rashard Lewis como peça final deu tão certo, mas tão certo, que agora o Lewis é descartável. Já não fará nenhuma falta.
Em seu lugar, o Wizards manda nosso canalha favorito, Gilbert Arenas. Nos últimos anos Arenas sofreu com uma lesão, depois com a lesão resultante dele tentar voltar cedo demais para as quadras, depois com a lesão resultante dele treinar demais para se reabilitar mais rápido, e depois com a punição por ter feito uma piada com armas de fogo no vestiário (que ele ainda não engoliu muito bem e diz ter sido julgado injustamente). Faz tanto tempo que ele não pisa numa quadra de basquete que até dá pra esquecer que, uns anos atrás, ele era um dos jogadores mais fodões da NBA, cotado para ser MVP, marcando 60 pontos nos times com os quais tinha birra, e dando mais de 10 assistências por jogo em sua volta às quadras só pra provar que, se quisesse, teria fácil média de double-double como armador. Arenas era tão bom que recebeu um contrato de 111 milhões e um elenco de apoio de respeito para tentar um título do Leste, mas todo mundo do elenco se lesionou numa hora ou em outra (e quando estavam saudáveis perdiam pro Cavs de LeBron nos playoffs) e agora já era, desistiram do projeto, desmontaram o time, e já é tarde demais para o Arenas voltar e tentar fazer valer o contrato gigantesco Ele merecia esse contrato quando o Wizards queria ganhar naquela hora e acreditava em títulos, agora estão reconstruindo em volta do John Wall e o Arenas não apenas ganha dinheiro demais e é bom demais, mas também rouba minutos do novato John Wall porque jogam basicamente na mesma posição. Para o Wizards é melhor se livrar do Arenas por qualquer outro jogador que seja de outra posição e dê ideia de recomeço, de que o John Wall é a estrela, e se tiver um contrato mais curto é brinde. O Rashard Lewis tem um contrato um ano mais curto, não é metido a estrela (nem nunca foi, tem "jogador secundário" escrito na testa), e não vai roubar minutos do John Wall, pronto, tá ótimo. Enquanto isso o Arenas está jogando cada vez melhor, recuperando a forma, e pode criar o próprio arremesso como se esperava que o Carter fizesse na temporada passada. Fora que, como já provou que sabe passar a bola como armador principal, pode substituir Jameer Nelson numa das trocentas contusões anuais do garoto.
É claro que o Arenas pode pregar uma peça e envenenar a água de Orlando, exagerar e querer dar todos os arremessos finais do meio da quadra enquanto grita algo absurdo como "Colher!", e segurar demais a bola, mas é mais um risco para o Magic que simplesmente vale a pena. O Arenas tenta começar de novo e deixar as polêmicas para trás, vai querer ser bom moço na nova equipe, está cada vez em melhores condições de jogo e tem potencial para voltar a ser jogador digno de papo sobre MVP. Se fizer merda e forçar muito o jogo, não vai ser nada que o Carter já não tenha feito tantas vezes no último ano, com a vantagem de que o Arenas é mais versátil e pode jogar nas duas posições de armação.
Essa troca, além disso, permitiu que o Orlando fosse ainda mais além com seus bagos gigantes. Com a chegada do Arenas, ficaram livres para enviar o Carter para o Suns. Aproveitaram para enviar dois jogadores de valor mas que, assim como Rashard Lewis, eram cada vez mais inúteis na equipe: Mickael Pietrus e Marcin Gortat. O Pietrus era importante na equipe graças à sua defesa e às bolas de três, mas desde que o JJ Redick passou a defender o bastante para conseguir ficar em quadra e teve atuações memoráveis nos playoffs, tem tido prioridade. Já o Gortat nunca foi muito usado mesmo, mas ele teve alguns momentos brilhantes em quadra, mesmo que raros, e o Magic resolveu lhe dar um salário gordinho só para impedir que os outros times interessados contratassem o rapaz (sabe como é, pivô é raro hoje em dia). No Magic faltam oportunidades porque o Dwight Howard é o dono absoluto do garrafão e o Brandon Bass joga cada vez melhor, em especial porque ele tem um arremesso de média distância consistente e aí não bate cabeça com o Dwight. No fim, valeu a pena investir no Gortat porque ele agora virou moeda de troca, só isso. Nenhum desses jogadores, no momento, fará falta para o Magic. O risco está mesmo é no que eles recebem em troca.
Em troca de Gortat, Pietrus, Carter e uma escolha de primeiro round no draft, o Suns mandou Jason Richardson e Hedo Turkoglu, além do Earl Clark (que só vai junto porque deve ter entrado no avião sem querer). Pra mim, Jason Richardson é o jogador perfeito para o Magic atual. Sua temporada pelo Suns tem sido fantástica, seus arremessos andam precisos, seu basquete anda eficiente como nunca, ele cria o próprio arremesso, e tudo isso sem exigir a bola nas mãos. Até chega a forçar o jogo, especialmente no primeiro período (dizem que se ele domina o primeiro quarto, é certeza de que terá um jogo fodão), mas nunca segurando demais o jogor. J-Rich joga bem sem a bola em mãos, se posiciona bem no perímetro e está sempre cortando para a cesta. É o jogador ideal para continuar a tradição de arremessos de três do Magic, um especialista no quesito que já liderou a NBA mais de uma vez em bolas de 3 convertidas, mas capaz de se virar quando o perímetro não estiver funcionando - e tudo isso sem comprometer a rotação de bola e o ritmo da equipe. Com o Hedo Turkoglu o negócio é diferente, ele também arremessa bem de três mas segura muito mais a bola, gosta de jogar como armador, e agora o Magic parece ter excesso de gente assim. Mas mesmo que o turco tenha minutos limitados, já deve valer a pena. Postei no começo da temporada sobre como o estilo do Turkoglu não se encaixava com o Suns de modo algum, que ele não tinha como render lá, e que sofrera com a mesma questão em Toronto. No estilo do Magic, pelo contrário, o Turkoglu parece um bom jogador, usa suas principais qualidades. Então mesmo que seus minutos fiquem restritos pela presença de Brandon Bass, Jameer Nelson, Jason Richardson e Gilbert Arenas, será no mínimo um jogador que pode render um pouco ao invés daquela lástima que ele era no Suns, em que não rendia nada. O jogador foi salvo e o Magic ganha de volta um reforço que deve estar muito grato e já conhece todo o andamento da equipe. É arriscado porque o contrato do turco é enorme e ele pode bater cabeça com outros jogadores, mas é tentador conseguir por um preço baixo um jogador que você sabe que vai render muito mais justamente no estilo de jogo da sua equipe - e que não rende nada em nenhum outro lugar.
Pro Suns, é um alívio se livrar do Turkoglu e receber o Marcin Gortat é um motivo para ver alegria na vida outra vez. Hakim Warrick quebra um belo galho no garrafão ofensivo mas falta alguém que possa sequer se fingir de pivô desde que o Robin Lopes se contundiu. Se o Gortat for mesmo aquilo que se supunha e puder dominar na defesa enquanto contribui no ataque com enterradas e jogo físico, o Suns nem fica com tanta saudade do Amar'e e para de tomar um pau de qualquer jogador com mais de um metro e meio de altura. E se o Gortat for um jogador limitado e souber apenas levantar os braços, o garrafão do Suns também já fica imediatamente melhor - estavam numa situação tão ruim que se um torcedor sorteado fosse jogar de pivô, seria lucro. Para isso perdem J-Rich numa temporada magistral, o que é uma pena, mas o Carter tem ao menos em teoria a possibilidade de tapar o buraco. Precisa de entrosamento com o Nash, soltar a bola, correr um bocado, mas o Carter já começa se encaixando no time em um aspecto básico: ele nunca defendeu bulhufas mesmo.
O Wizards deu o último passo necessário em sua reconstrução - que pra mim foi, até agora, impecável e relâmpago - se livrando de seu melhor jogador e dando espaço para John Wall, e o Suns ainda se debate para conseguir um garrafão pós-Amar'e e vai tentar tapar o buraco do J-Rich enquanto tenta descobrir se pode sonhar com alguma coisa enquanto ainda possuem o Nash. São todas mudanças significativas, mas quem mais tinha a perder com tudo isso era o Magic, porque o Suns e o Wizards fediam enquanto o Magic é um timaço que vem de duas finais de Conferência. A equipe de Orlando tem testículos de jumentinho para arriscar a esse ponto, e pra mim só apostou em coisas que valem a pena - mesmo se derem errado.
Jameer Nelson já está confirmado como titular (enquanto não se contundir, ele nunca joga mais de 70 partidas numa temporada), Arenas já avisou que está sussa de vir do banco, então o resto do quinteto inicial deve ter Jason Richardson (no papel de Vince Carter) e Turkoglu (no papel de Rashard Lewis), com o garrafão reforçado por Brandon Bass. Subitamente o time mantém as características usuais, sua identidade como um time de arremessadores, mas todo mundo sabe criar o próprio arremesso e o garrafão fica mais forte. Gilbert Arenas pode vir do banco armando o jogo e, claro, criando as próprias situações de cesta, ao lado de JJ Redick, e nos momentos cruciais de jogo o quinteto pode ter Jameer Nelson, Arenas, J-Rich, Turkoglu de ala (como teve que jogar no Suns) e Dwight no garrafão. Lembra quando ninguém no Magic queria decidir? E a bola parecia batata quente? O Turkoglu passou a criar cestas mesmo que a contragosto, o Jameer Nelson aprendeu a bater para dentro e forçar pontos, Arenas tem história como um dos jogadores mais decisivos de sua geração, e o Jason Richardson sabe muito bem criar espaço para si mesmo. É um Magic irreconhecivel.
Passei muito tempo não levando esse Magic a sério, meio como se eles fossem um Mavericks do Leste, sabendo que eles poderiam chegar a uma Final de NBA e esfregar minha cara no troféu e mesmo assim eu sempre iria achar que tudo ia dar merda. É que acho difícil ter medo de times que se baseiam nos arremessos de três porque eles são inconstantes e é preciso ter uma bola de segurança pra quando tudo o mais falha, pra quando a água bate na bunda. Pois agora eles tem, ao menos no papel, tudo o que é necessário. Devem chegar a mais uma final de Conferência, mesmo com os inevitáveis problemas de entrosamento que surgirão nos próximos meses. E, mesmo se der tudo errado, aplaudo os bagos dos engravatados de Orlando. Essa equipe que arrisca e inova já tem, pra mim, muito mais valor do que qualquer equipe de sucesso que bate na trave e não tem coragem de mudar os rumos. Quero ser igual ao Magic quando eu crescer.
Outras equipes, como Lakers, Nets e Rockets, fizeram trocas recentemente e vamos comentar delas nos próximos dias (sei que estamos meio devagar, prometo que a gente engrena ainda esse ano). Mas pegar um time vencedor, com chances de título, e mandar embora peças tão importantes para trazer jogadores polêmicos é coisa para poucos. Só por isso, já merecia que desse certo. Bem que o Arenas poderia tentar não andar nos vestiários armado dessa vez só pra ajudar um pouco.
Defenestrado por
Danilo
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segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Um turco sem lar
Quando o Suns, meio desacreditado, venceu 54 jogos na temporada passada e eliminou nos playoffs o Spurs em 4 jogos, chegando à Final do Oeste e dando sufoco no Lakers, era inegável que o maior responsável pelo feito era Amar'e Stoudemire. Seu começo de temporada havia sido discreto, forrado de relatos sobre seu desentendimento com companheiros de equipe e boatos de que seria trocado. Mas depois do All-Star Game, Amar'e deixou tudo para trás e foi, quase de forma unânime, o MVP da segunda metade da temporada. Ou ele ficou mais tranquilo depois de saber que não seria trocado, ou então resolveu jogar pra valer porque seu contrato acabaria ao fim da temporada e ele precisava garantir o interesse dos outros times (a famosa "Síndrome de Jerome James", antiga "Síndrome de Erick Dampier").
Por isso, a reação natural à ida do Amar'e para o Knicks foi de desespero em Phoenix. Quando finalmente deu pra levar o time a sério e eles venceram seus arqui-inimigos, causando uma ruptura no espaço-tempo, o jogador que carregou muitas das partidas nas costas deu o fora. Mas como o Nash continua por lá, nenhum dos engravatados da franquia vai ter coragem de tacar o time na privada e começar do zero, então tentaram tapar o buraco. E a principal aposta para manter o time jogando em alto nível foi o Turkoglu.
Minha opinião sobre o turco depende da fase da lua. Em geral gosto do seu estilo de jogo e admito que ele é um jogador muito talentoso, mas não consigo lidar com a ideia de que times acham que ele seja uma estrela e ofereçam trilhões de dólares pra ele enfiar na orelha. O Turkoglu se encaixava muitíssimo bem no esquema tático do Orlando Magic e mesmo assim o time não sofreu muito com sua saída, é um absurdo achar que ele pode transformar um time e lhe oferecer muitas verdinhas. O Blazers cometeu uma cagada absurda tentando contratar o jogador, e deu a sorte de que o turco preferiu ir jogar em Toronto. Azar do Raptors, que percebeu rapidinho que o Turkoglu é um cara talentoso mas que não vai ganhar jogos sozinhos nunca. Tentaram de tudo pra ele render por lá mas o cobertor era curto demais: se ele segurava demais a bola o ataque do Raptors que é pura velocidade não funcionava, se ele não tinha a bola em mãos desaparecia do jogo e ficava frustrado.
Ou seja, quem viu o turco jogando no Raptors sabia que jogar no Suns não seria tarefa fácil. Os problemas enfrentados para se adequar e render na equipe seriam parecidos, e embora o Suns seja um time mais inteligente e o Nash sempre dê um jeito de deixar todo mundo feliz, não dava pra esperar nenhum milagre. É simples assim: o Turkoglu não pode levar o Suns até onde o Amar'e conseguiu levar nas últimas temporadas. O próprio turco disse que não veio para substituir ninguém, e com razão, mas ele teve que tapar o buraco deixado pelo Amar'e na marra, mesmo que todo mundo saiba que não pode dar muito certo.
O Turkoglu volta e meia jogava como ala de força no Magic, mas os jogadores da posição por lá são Rashard Lewis e Ryan Anderson, dois sujeitos com fobia de garrafão. Faz parte da estratégia do Magic deixar o Dwight embaixo do aro e abrir o ala de força para arremessar de três, então o Turkoglu quebrava bem o galho nessa função. No Suns, ao contrário, o ala de força sempre foi a única posição que jogava embaixo da cesta, já que o pivô costuma ser o Channing Frye. Não é a área do Turkoglu e seria absurdo tentar, então é claro que o turco faz a mesma função que executava no Magic e evita ao máximo o jogo de costas para a cesta. O resultado é bizarro: cheguei a ver um quinteto do Suns em quadra composto por Nash, Josh Childress, Jason Richardon, Turkoglu e Channing Frye. Parecia um time de handball, em que ninguém pode pisar dentro da linha de três pontos.
O Turkoglu funciona muito bem com a bola nas mãos porque ele sabe armar o jogo e usa bem a sua altura para conseguir criar espaço e dar os passes certos. Mas no Suns, a bola sempre vai para o Nash, que sempre cola no cangote do turco e pede a bola imediatamente, não deixa o coitado nem ter o gostinho de levar ela um pouco para o ataque. O que o Turkoglu pode fazer, então, já fica limitado. Ele acaba passando a bola apenas depois de recebê-la, mas em geral ele já recebe em condições de arremesso e acaba desistindo do arremesso livre para acionar outro jogador. O Suns sofre jogo após jogo com a falta de agressividade, porque todo mundo no elenco se acha arremessador, do gigante Channing Frye ao campeão de enterradas Jason Richardson, então quando o Turkoglu deixa de dar arremessos livres ou atacar o aro, o time perde muito. Mas o turco não sabe ser agressivo sem armar o jogo, e costuma ser bonzinho demais ao invés de arremessar sempre que tem oportunidade.
Já que sua passagem pelo Raptors foi desastrosa e resultou em pedido de troca imediata, tem gente achando que o Turkoglu vai pedir para sair do Suns rapidinho, já que as dificuldades são as mesmas e ele não tem rendido bulhufas nos jogos até aqui. Mas Turkoglu abriu mão de 5 milhões de seu salário só pela chance de escapar do Toronto e ir jogar com o Nash. Os dois se admiram, sabem da inteligência um do outro, e estão seguros de que conseguirão jogar muito bem juntos.
A resposta do turco para que isso possa acontecer tem sido treinar, todos os dias, os arremessos de três pontos. Ele tem um regime de treinamentos particular em horários diferentes dos outros jogadores do Suns apenas para calibrar suas bolas de fora. Quando receber a bola para armar poderá atacar mais a cesta, mas esses momentos são muito raros: com Nash no time, é bom que ele se acostume a dar arremessos sozinho o tempo inteiro. É um modo de ajudar a equipe, de render bem, e as bolas de três foram a arma que venceu o Lakers ontem. Mas na defesa o negócio ainda é muito feio e não tem previsão de melhorar. Turkoglu sempre foi um defensor muito fraco e agora só piorou por ter que marcar jogadores bem mais fortes do que ele no garrafão. O turco alegou que nunca teve que fazer isso na vida e está sofrendo para se acostumar, mas a verdade é que ele nunca defendeu ninguém em posição nenhuma, deve ser difícil até se acostumar com levantar os braços.
O técnico Alvin Gentry já avisou que ele não será usado contra os alas mais fortes e pesados do que ele, ou seja, todo mundo na NBA. O Turkoglu já está sendo relegado ao banco de reservas para não comprometer em excesso a defesa, e no ataque já está virando só mais um arremessador de três pontos. É triste ver que um jogador tão competente, que poderia ser a peça final numa série de equipes que brigam por título, não consegue encontrar uma casa que possa usar seus talentos. O Raptors não era o local certo, e o Suns também não é. Com tempo, costume e inteligência, o Turkoglu vai encontrar companheiros livres, atacar mais a cesta, armar o jogo de vez em quando, acertar muitas bolas de três. Vai parar de ter medo de dar arremessos livres, mal que também assolou Channing Frye quando ele chegou no Suns. Mas ainda assim não vai ser natural para o turco, não vai ser tudo aquilo que ele pode fazer, porque jogando de ala de força o seu tamanho não é um bônus, seu peso é um problema, e ele não tem a velocidade necessária para explorar seus marcadores. Ele não tapa os buracos do Suns, e acaba tendo que ser um jogador que ele não é.
Enquanto isso, engole minutos do Hakim Warrick, o único jogador realmente agressivo do elenco. É verdade que o Jason Richardson tem visto a necessidade e cada vez mais ataca a cesta, mas Warrick traz aquela sensação de "puta merda, ele vai enterrar na minha cabeça a qualquer momento" que o Amar'e trazia. Ele nem é forte o bastante, não tem recursos o bastante, mas sabe trabalhar com Steve Nash e finaliza perto do aro. Ele supre as necessidades do Suns muito melhor do que o Turkoglu nesse elenco em que até o faxineiro sabe arremessar de três pontos. É um desperdício deixar o turco no banco, mas também é um desperdício deixá-lo em quadra limitando seu jogo e podar o Warrick, que é verdadeiramente útil em quadra para esse equipe. Por enquanto, eles podem vencer qualquer time em dias felizes da linha de três. Mas nos playoffs, precisarão de jogo fisico e bolas de segurança, coisa que o Turkoglu jamais será capaz de dar.
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sábado, 23 de outubro de 2010
Preview 2010-11 / Phoenix Suns
Desastre: Sentir mais falta do Amar'e Stoudemire do que o Cavs do LeBron James
Forças: Um armador que faz até o Louis Amundson parecer um bom jogador e um elenco faz-tudo
Fraquezas: Tudo o que Amar'e fazia e Turkoglu não vai fazer
Elenco:
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Técnico: Alvin Gentry
É engraçado que esse trabalho à frente do Phoenix Suns tenha caído nas mãos do Alvin Gentry. Sua pouca experiência à frente de times chamava a atenção pelo trabalho com jovens e pela assistência a técnicos puramente defensivos. Agora ele está à frente de um time velho que não defende, vai entender!
Alvin Gentry já foi assistente técnico de Larry Brown (ao mesmo tempo que Gregg Popovich) e teve seu trabalho de maior destaque como técnico quando treinou o amaldiçoado Clippers de 2000 até 2003. Nos dois primeiros anos o técnico montou um time que parecia muito promissor, liderado por Lamar Odom, Quentin Richardson, Darius Miles e depois por Elton Brand. Todos eram bem jovens, pareciam ter um futuro brilhante pela frente e o time só precisava de um armador. Em 2003 eles contrataram Andre Miller, que havia liderado a NBA em assistências no ano anterior e o time piorou. Por quê? Sei lá, porque é o Clippers. Mas foi o que bastou para toda a animação em relação a Gentry e a pivetada acabar e ele ser mandado embora.
Logo depois ele já foi pro Suns e lá foi assistente de Mike D'Antoni e depois do desastre Terry Porter. A vaga caiu no colo de Gentry depois da demissão do segundo, mas ele ganhou o emprego em definitivo quando as coisas começaram a dar certo. Aos poucos ele conseguiu um bom equilíbrio entre manter o time ofensivo feito por D'Antoni e deixar o garrafão mais forte e mais defensivo como Terry Porter tentou sem sucesso. Não que a defesa seja forte, foi a 7ª pior da NBA no ano passado, mas já foi pior e principalmente a defesa de garrafão melhorou quando Gentry conseguiu juntar Amar'e Stoudemire e Robin Lopez no time titular. Foi a primeira real dupla de garrafão do Suns em uns 7, 8 anos.
Também foi ele o responsável por arriscar montar um time reserva que joga inteiro junto. Todos os titulares, ou pelo menos quatro deles, saem de quadra e um bando de reservas entra com outras características de jogo, outra velocidade. Deu muito certo nos playoffs e não deve ser fácil de fazer, é como treinar dois times diferentes ao mesmo tempo. Por pouco esse time reserva não bateu o Lakers na final do Oeste do ano passado.
Já vi gente dizendo que o Gentry não é um grande líder, mas que o Suns não sente falta disso porque tem o Steve Nash que é uma voz ativa no vestiário. Não sei se é verdade, mas faz sentido. De qualquer forma, se esse é um defeito dele, não tem feito muita diferença. Acredito que ele vai ter muito trabalho nesse ano para ajustar Hedo Turkoglu na rotação, mas entra com moral por tudo que fez no ano passado.
Abaixo o vídeo com o tapinha na bunda que ele recebeu do Kobe Bryant. Méritos por ele ter recebido o tapinha no bom humor, poucos técnicos teriam feito a mesma coisa.
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Não tenho muito mais do que falar do Suns porque falei deles já nessa offseason. Sério, o post foi em agosto, mas é um preview do Suns mais completo do que eu faria aqui. Falo da contratação do Turkoglu, dos motivos, das consequências, da perda do Amar'e, da perda do Leandrinho, de como podem usar Josh Childress e Grant Hill, tudo. Me sentiria um idiota escrevendo tudo de novo!
Então se você quer saber o que eu acho do Phoenix Suns, leia o post "O time da criatividade".
O que eu posso acrescentar de diferente são comentários sobre a pré-temporada. No último amistoso deles, por exemplo, tomaram 144 pontos do Denver Nuggets, um massacre que não pega bem nem em jogos que não valem nada e que foi o ápice de uma sequência de apresentações defensivas lamentáveis. Tomaram 129 e 121 em dois jogos contra o Raptors, 105 e 108 em dois jogos contra o Jazz e mais 109 do Kings! Bizarramente, só pra mostrar que é pré-temporada, tomaram poucos pontos do Warriors, uma estranhíssima vitória de apenas 92 a 87 entre os dois melhores ataques da liga. Além dessa vitória sobre o Golden State a única outra foi contra o Mavs em um jogo em Indian Wells, tradicional jogo outdoor que a NBA faz todo ano.
Ou seja, 2 vitórias, 6 derrotas esmagadoras e o Turkoglu de titular (a previsão de time com Nash, J-Rich, Hill, Turko e Robin aconteceu em todos os jogos) com patéticas médias de 5 pontos, 4 rebotes e 1 assistência em 20 minutos por jogo. As atuações do Turkoglu foram muito desanimadoras e foi também bem ruim ver que o time não apanhou só de times que tinham força no garrafão. Eles perderam do Jazz mesmo no dia que o Al Jefferson jogou pouco e tomaram dois sacodes do Raptors, que não tem nenhum jogador forte que jogue lá dentro. Nem dá pra jogar a culpa na história do time baixo.
É só pré-temporada, claro, todo mundo ainda pegando o jeito e bem desinteressado, mas não foi uma boa primeira impressão para um time que precisa se reinventar.
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Vocês viram ontem como foi decidido o jogo entre Mavs e Rockets pela última rodada da pré-temporada? O Jason Kidd, com nada mais nada menos que o Yao Ming na sua frente, mandou um passe perfeito para o Shawn Marion a 0.4 segundos do fim do jogo. Cesta e vitória! Kidd e Marion fizeram história juntos jogando justamente pelo Suns. Maldade que quem estava marcando o Marion era o Courtney Lee, que errou a bandeja em uma jogada muito parecida na final de 2009.
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segunda-feira, 2 de agosto de 2010
O time da criatividade
"Ball"Pessoal, antes de tudo foi mal pelos dias sem atualização. Como o Danilo disse no formspring, foi uma série de fatores que nos deixaram uns dias de longe, mas já passou e estamos de volta em ritmo normal. Durante a temporada, com coisas acontecendo de verdade, garantimos que vamos fazer de tudo para manter o ritmo de um post por dia, combinado? E se não cumprirmos, foi mal, não temos palavra.
Como disse antes, uns podem ser mais rápidos que outros, o esquema de jogo pode variar de acordo com as peças, mas todos são focados em fazer muitos pontos antes de pensar em defesa e sempre em velocidade. A exceção pode ter sido aquele time de 2007-08 que tentou virar o Spurs e ser certinho e só deu merda. E todos, com exceção desse mesmo time de metade da temporada 07-08, apelava para os mismatches.
Outra idéia dita por lá é que com o Turkoglu em quadra, o Nash irá se desgastar menos. Durante alguns momentos do jogo, em especial quando estiverem fazendo ataques de meia quadra ao invés de transição, o Turkoglu será o armador enquanto o Nash irá se posicionar para fazer outra coisa que sabe muito bem: arremessar. Mas que fique claro, ninguém confirmou que isso vai acontecer, a idéia pode ser jogada no lixo depois de um mês se der errado.


Como primeiro passo foi muito bom e criativo, mas julgaremos de novo daqui uns meses quando as peças começarem a ser treinadas para formar um time.
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Denis
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domingo, 30 de maio de 2010
O fator X

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sexta-feira, 28 de maio de 2010
Feio, emocionante e divertido

Eu disse que o Lakers precisava melhorar o ataque. O Kobe Bryant disse que o Lakers precisava melhorar a defesa. Adivinha quem o Phil Jackson escutou? Pois é, não dá pra culpá-lo, acho que o Kobe entende um pouco mais de basquete que eu. Mas só porque ele é mais velho, claro.
O ajuste defensivo do Lakers deu certo durante quase todo o jogo. A estratégia era trocar o marcador sempre que houvesse um corta-luz. Ou seja, se o Amar'e, marcado pelo Gasol, faz um bloqueio para o Nash, o Gasol marca o Nash e o Fisher tenta impedir o passe para a continuação da jogada. Essa estratégia faz com que o Nash fosse obrigado a passar mais tempo com a bola na mão e que ele fosse obrigado a arremessar mais e passar menos. O Steve Nash fez uma partida espetacular dentro dessa situação que o colocaram, com 29 pontos, a maioria arremessando sobre Gasol, Bynum, Odom ou qualquer gigante que fizesse a troca em cima dele.
Mas aqui vale a mesma observação que fizemos ontem sobre o Dwight Howard. Assim como o Magic joga melhor quando o Dwight toca menos na bola no ataque, o Suns joga melhor quando todo mundo participa, não quando o Nash faz tudo. Só com o Nash, o ataque fica mais previsível e todo mundo se movimenta pouco, deixando tudo mais fácil para o Lakers. Mas não foi só isso, o time de LA também jogou com mais inteligência, fechando o garrafão nas tentativas de infiltração do Suns, causando faltas de ataque e bem menos lances-livres.
Foi com essa defesa forte que o Lakers chegou a abrir 17 pontos no primeiro tempo. Mas não foi só assim, o ataque melhorou demais em relação aos últimos dois jogos. Para enfrentar a zona o Lakers resolveu, finalmente, atacar a cesta. O Odom fez a festa saindo do perímetro ou de trás de seu marcador para se posicionar no ponto fraco da defesa zona 2-3, entre as duas linhas de defesa, e então fazendo bandejas. Outra coisa que mudou foi o posicionamento dos pivôs, especialmente de Pau Gasol, que conseguiu ficar mais perto da cesta, aí era só receber a bola e finalizar rápido, antes que aquela marcação dupla ou tripla fizesse ele jogar a bola para fora do garrafão de novo.
Outro mérito enorme no ataque do Lakers vai para o Derek Fisher. Passamos a temporada inteira comentando como ele está velho, como não consegue mais marcar ninguém e repetimos tudo isso aqui mesmo nos playoffs, quando ele foi esmagado pelo Russell Westbrook na primeira rodada. Mas depois disso o Fisher se revolucionou. Na segunda rodada fez um ótimo trabalho marcando o Deron Williams e nessa série está marcando muito bem o Nash, em especial nos jogos 1 e 2. Ontem foi a hora de contribuir no ataque e toda vez que o Lakers se perdia naqueles passes sem objetividade ele aparecia para resolver acertando um arremesso longe. Foram 22 pontos e sempre nos momentos mais importantes e tensos do jogo.
Não faltaram momentos importantes nessa partida. Mesmo depois de abrir 17 pontos no primeiro tempo, o Lakers não conseguiu manter a diferença e o Suns respondeu diminuindo para 7. Depois, no segundo tempo, o Lakers abriu ainda mais, 18, mas de novo o Suns voltou. As corridas do Suns de volta no placar sempre aconteceram quando o centro do jogo não foi o Nash, que mantinha o time no jogo mas não era capaz de virar o placar só com seus arremessos de meia distância. Eles tiraram a vantagem quando conseguiam parar o ataque do Lakers e atacar na velocidade, na transição. Foram em jogadas assim que sairam os arremessos de 3 do Channing Frye, o arremesso de 3 com falta para o Jared Dudley e a bandeja com falta do Jason Richardson. Como disse o comentarista (e recém-contratado para a vaga de técnico do Philadelphia 76ers) Doug Collins, "Times que arremessam tão bem de 3 nunca estão completamente fora do jogo".
A reação do Suns nasceu na defesa, virou ataque e em poucos minutos os 18 pontos de diferença viraram 3 e o relógio marcava um minuto para o fim da partida. Então o Ron Artest deu um arremesso, errou e o Gasol pegou o rebote. O Lakers poderia matar 24 segundos do relógio e manter a diferença em 3 pontos, mas ao invés disso o Artest resolveu que era a hora de um segundo arremesso seguido e, tendo gastado só 2 segundos de posse de bola, chutou de 3, errando feio.
Esse erro do Artest poderia ser fatal, mas Channing Frye respondeu errando outra bola de três. Foi a vez do Lakers ir para o ataque e errar de novo, dessa vez Pau Gasol tentou enterrar na cara de Amar'e Stoudemire e acertou o aro. Para a sua última posse de bola no jogo o Suns foi de novo para a bola de três, aí Nash errou uma bola de 3, o Suns pegou o rebote, Jason Richardson errou outra bola de 3 e quando parecia que esse seria o minuto final mais desastroso dos playoffs, a bola caiu de novo para Jason Richardson, que acertou um arremesso de três usando a tabela (quem joga basquete sabe que isso não deveria valer!) e empatou o jogo.
Se já deixavam os outros arremessarem para marcar o Kobe antes, imagina o que o Suns ia fazer no último arremesso do jogo? Pois é, mandaram um monte de gente pra tentar parar o Kobe e conseguiram pará-lo. Saiu uma air ball feia da mão dele, mas assim como um erro do Kobe rendeu a cesta da vitória de Pau Gasol no jogo 6 contra o Thunder, ontem foi a vez do rebote ofensivo ser de Ron Artest, que fez a cesta no estouro do cronômetro. Nunca um minuto final com tantos erros foi tão emocionante e divertido!
Sério, as únicas duas cestas desse período foram um rebote de air ball e uma bola de três rabuda usando a tabela. Mas era exatamente esse tipo de emoção que a gente estava pedindo na pós-temporada. Mesmo com erros no final, o jogo foi bem jogado, Nash e Kobe jogaram muito e o jogo foi decidido no último segundo possível, os fãs não tem do que reclamar.
Quem tem é o Suns, que perdeu um jogo que tinha boas chances de ganhar e o fez tomando uma cesta do pior jogador ofensivo do Lakers. Muita gente tem falado que o Suns deve estar se matando porque perdeu um jogo simplesmente por não ter colocado um corpo na frente do Ron Artest, o famoso "box out". Essa crítica valia para o Thunder no jogo 6, na cesta do Gasol que eu citei, mas ontem nem tanto. Todo mundo que está no rebote sempre espera a bola bater no aro, pegar o rebote de um arremesso que passa reto é bem mais complicado, dá pra entender a falha.
Espero mais uma partidaça no jogo 6. O Lakers melhorou, se ajustou ao Suns, que vinha sendo o melhor time nos últimos jogos, e mesmo assim o jogo foi disputadíssimo. Não dá pra esperar que seja diferente no próximo, só esperaremos um final de acertos, não de erros.
Abaixo o vídeo da cesta do Ron Artest:
E tem outro vídeo, o do técnico Alvin Gentry, que não aguentou ver tantos erros do seu time.
Defenestrado por
Denis
por volta das
21:11
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