sábado, 31 de janeiro de 2009

Os jogos que valem

Rashard Lewis é baleado no ar

Volta e meia algum leitor desocupado aparece falando "faça um post sobre isso", "faça um post sobre aquilo", como se fossemos máquinas de fazer textos encomendados. Um aviso: ofereça uma quantia boa em dinheiro antes, depois peça o post, funcionará bem melhor!

Mas tudo bem, eu sei que vocês não vão parar de pedir e volta e meia os pedidos nos inspiram a fazer algum post. Dois pedidos nessa semana me deixaram com um ar de "É, eu deveria ter falado disso". Então cá está um deles, o outro, um balanço sobre os novatos da temporada, fica para a semana que vem. E dois posts encomendados numa semana já é muito, se comportem!

O primeiro foi o pedido do João Inacio, que pediu pra eu falar sobre o jogo entre Orlando Magic e Cleveland Cavs na última quinta. Eu não falei do jogo porque estou preparando uma coluna "8 ou 80" que analisa todos os confrontos diretos entre os candidatos a título (Celtics, Cavs, Magic, Lakers, Spurs e Hornets), mas dou uma pitada porque a coluna pode acabar demorando e o jogo valeu a pena.

O Cavs começou massacrando o Magic com o LeBron infiltrando em cima de todo mundo como um lunático. Na defesa o pobre do Varejão fazia tudo o que podia para segurar o Dwight Howard, mas como ele não pode entrar na quadra com um trator ou uma arma de fogo, não estava conseguindo, mas pelo menos contava com uma boa ajuda do resto da equipe.

Mas a verdade é que o Cavs pulou na frente porque as bolas de 3 do Orlando não estavam caindo. O Cavs fazia montinho no Dwight no garrafão e tinham uma boa cobertura para quando a bola voltava pra linha de 3, assim a principal arma do Orlando não funcionava. Então eis que surge a grande arma do Orlando para essa temporada: a defesa.

Um ano atrás o Magic perderia por 20 pontos um jogo em que o Dwight fosse bem marcado e que as bolas de 3 não caissem, mas agora não, agora eles mantiveram o Cavs bem próximo durante todo o primeiro tempo. E foi no finalizinho da primeira metade que o Magic engrenou e cortou a diferença.

No terceiro quarto o jogo virou outra coisa. Primeiro o Cavs mostrou uma fragilidade que eu só tinha visto em um jogo, naquela derrota para o Lakers na semana passada. O LeBron não conseguia mais infiltrar, era obrigado a ficar arremessando (coisa em que ele é muito irregular) e os seus companheiros de time apagaram da linha dos três pontos. No primeiro tempo, quando tudo era festa e o LeBron conseguia entrar no garrafão, o Wally Szczerbiak fez 14 pontos em 11 minutos! A coisa tava tão fora de controle que o Cavs estava isolando o Wally contra o Turkoglu e estava tendo sucesso com isso! O Stan Vun Gundy foi obrigado a mandar o Mickael Pietrus sair do LeBron pra ir marcar o Wally Zoolander.

No segundo tempo, quando os planetas não estavam mais alinhados e o mundo voltou ao normal, o [Zãrbiake] jogou mais 10 minutos e não fez nada. E não só ele, o Varejão, o Ben Wallace, o Daniel Gibson e até o Mo Williams, que horas antes tinha descoberto que não era um All-Star e aceitou bem isso, jogando como um legítimo não-all-star.

O desastre ofensivo do Cavs foi igualzinho ao contra o Lakers e mostra algumas coisas:

1. O Cavs não é tão mortal fora de casa quanto é em casa. Eles tem que levar a temporada regular mais a sério que qualquer outro time porque se chegam nos playoffs com a melhor campanha e mando de quadra em todas as rodadas vai ser difícil pará-los.

2. Por mais que os narradores americanos quisessem dizer o quanto o banco do Cavs é bom, a verdade é que não é tão espetacular assim. Eles não são ruins, fazem o que tem que ser feito por um banco razoável, mas o Cavs não sobrevive sem seus titulares Delonte West e Zydrunas Ilgauskas contra os melhores times da liga.

3. O LeBron precisa que seus companheiros acertem arremessos de 3. Em dias ruins dele, os amiguinhos-adversários do LeBron fazem campo de força no garrafão e o LeBron vivendo só de jumpers de meia distância faz o outro time achar que está enfrentando um ala comum, não o jogador mais dominante da NBA.


Quando a defesa do Orlando funciona pra valer e eles puxam o contra-ataque, eles me lembram o Suns e o Knicks do D'Antoni. O time inteiro é leve, rápido e corre para o ataque. Sempre tem alguém correndo no meio que é uma ameaça iminente para a bandeja e pelo menos dois quebram as pernas da defesa ao correrem e pararem na linha dos três para os arremessos. Foi isso que eles fizeram em cada um dos erros de ataque do Cavs no segundo tempo e foi arrasador.

Tanto Turkoglu quanto Rashard Lewis acertaram só 3 das 10 bolas de 3 que tentaram, mas parece que as 6 foram uma em sequência da outra no momento em que o Cavs estava pior ofensivamente, o resultado foi que um jogo que o Magic liderava por 5 virou uma lavada histórica em cinco minutos. O quarto período começou com uma sequência de 22 a 2 pro Magic! Nesse mesmo período o LeBron chutou 7 bolas, errou todas e ainda errou dois lances livres.

O Magic tem pouca variação ofensiva mas uma coisa é fato: em algum momento do jogo as bolas de 3 vão começar a cair. E se a defesa faz o jogo ficar sempre parelho, no momento que as bolas começarem a entrar o Magic desanda para a vitória. É um time dificílimo de ser batido.

Na partida de ontem contra o Clippers, o Ilgauskas voltou da sua contusão e já meteu um double-double com 22 pontos e 11 rebotes. Tudo, como diz a Dime, sem dar um salto durante todo jogo. Difícil medir o quanto os arremessos e rebotes ofensivos do Ilgauskas são importantes para o Cavs, uma pena que ele não enfrentou o Lakers e nem o Magic, teriam sido jogos bem diferentes.

O legal desses jogos entre favoritos é ver o quanto os jogadores os levam a sério. É o que chamam de statement game lá na gringolândia, são os jogos em que os jogadores e times querem provar alguma coisa. O Lakers, por exemplo, tinha uma campanha quase perfeita, mas ela não valeria nada se eles não conseguissem vencer o Boston no dia de Natal, aquele era o jogo pra provar que o Lakers, além de time forte, era um time forte o bastante para vencer o Celtics.

São nesses jogos que vemos aquele clima de playoff, os jogadores levando tudo a sério e poucas risadinhas. Quem viu Cavs e Clippers ou o Lakers e Wolves de ontem sabe do que estou falando. O Lakers em especial jogou como se fosse um amistoso de pré-temporada, sempre com calma, conversando entre eles, com os juízes, dando risada, sabendo que iam ganhar quando quisessem. Às vezes dá errado e eles não ganham (vide jogo contra Bobcats e Pacers), mas o jeito de jogar é outro.

Se forem julgar um time, julguem por esses jogos contra adversários rivais, candidatos a título. São mais importantes do que o total de vitórias na temporada.

Próximo desafio da safra de favoritos para o Cavs: Lakers no domingo que vem.
Próximo desafio da safra de favoritos para o Magic: só no dia 18 de fevereiro contra o Hornets.


Mais uma coisa: Vocês preferem uma camiseta da NBA a uma puta luxo? Que tipo de pessoa lê esse blog?

Calderon não sabe arremessar

Ontem no jogo contra o Bucks (primeira vitória do Bucks desde a contusão do Michael Redd) acabou a sequência de lances livres acertados do José Calderon que durava desde o início da temporada. O espanhol acertou 87 em sequência e ficou a dez do recorde da NBA, que é de Michael Williams (menor força nominal da década) em seus tempos de Timberwolves no começo dos anos 90.


O momento trágico pode ser visto no vídeo abaixo. E dêem uma olhada em como a transmissão dá uma secada monumental ao colocar o recorde na tela do lado do Calderon quando ele arremessa.




Como o nosso leitor Marão Caetano disse nos comentários, se fossemos contar também olimpíada e playoffs do ano passado ele teria já alcançado o recorde, já que tentou 10 lances livres nas duas competições e acertou todos. Em competições oficiais, então, o Calderon está em uma sequência de 97 de 98 arremessos livres. Bem mais ou menos, não?

Na minha vida de jogador ruim em quadras fuleiras desse Brasil de meu deus acho que eu nunca acertei nem 10 em sequência. Uma vez acertei acho que 17 de 20 e me senti um Deus do basquete. Ah, esse mundo romântico dos amadores!

Uma coisa que me lembra o Calderon: vocês lembram na temporada passada quando ele roubou a posição de titular do TJ Ford, que ficou putinho? Ele foi então trocado pelo Jermaine O'Neal e virou titular do Pacers. Até a semana passada. Desde então ele tem vindo do banco para que o Jarret Jack seja titular! De novo, TJ? Que fase!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Todo ano a mesma história


O número 9 é por causa do ano, não do Rondo


Tem coisas que sempre vão acontecer. Sempre. Por exemplo:

- São paulino vai dizer que o mundial do Corinthians não valeu e corinthiano vai dizer que são paulino é bambi

- O Botafogo vai amarelar

- O Suns vai perder pro Spurs

- Ninguém nunca vai estar satisfeito com as seleções do All-Star Game


A parte futebolística pode ser discutida no boteco mais próximo, a gente aqui sabe que o mundial do Corinthians foi mais do que válido e não vai ficar discutindo isso, vamos sim é falar das convocações do All-Star Game.

Nem sobre Suns e Spurs, jogo de ontem que o Spurs venceu, vou comentar muito, já falamos tantas vezes disso que já cansou. O Suns é freguês e os jogos têm sempre o mesmo formato: o jogo começa disputado e o Suns abre uma meia dúzia de pontos. O Spurs então empata. O jogo fica pau a pau até o começo do quarto período, quando o Spurs abre 10. Você fica puto, ameaça desligar a TV e de repente o Suns diminui pra três. Então o Spurs vai lá e acerta umas bolas em sequência pra fechar o jogo. Fim.

O temporada do Suns é cada vez mais decepcionante, eles estão acabados mesmo. E o Nash, que os carregou nas costas durante tanto tempo, estará de fora do All-Star Game que será disputado em Phoenix. Os convocados do Oeste são:

Titulares:
Chris Paul, Kobe Bryant, Amaré Stoudemire, Tim Duncan e Yao Ming

Os reservas, divulgados ontem são:
Tony Parker, Brandon Roy, Chauncey Billups, Pau Gasol, Dirk Nowitzki, David West e Shaquille O'Neal.

O Nash ficou de fora, foi triste pra torcida, mas foi merecido. Ele está jogando bem mas não está no nível de Parker, Roy e Billups, e nem é porque os times dos três estão melhor classificados que digo isso. Acho ridículo quem acha que time vencedor tem que ter mais All-Star. A premiação para times vencedores são os títulos de divisão, conferência e da NBA, a presença no All-Star Game é uma premiação individual, para aquele jogador que está jogando bem, independente de ter bons ou maus companheiros de time.

Isso nos leva a falar do primeiro injustiçado da noite (tambores): Al Jefferson! Quem já cometeu a loucura de ver o Wolves jogar sabe que o Al Jefferson é um jogador fantástico! O time dele até tem melhorado, está bem nesse mês e é todo baseado no gigante. Ele está jogando demais e poderia facilmente estar com a vaga do Pau Gasol ou do David West. O West é bom mas nem tanto assim, essa temporada dele está pior que a do ano passado em pontos, rebotes, assistências, tocos e aproveitamento de arremessos.

Já o Gasol começou a temporada voando baixo, prefiro ele ao West, mas ele tem alguns jogos tão ruins, mas tão ruins, que não seria nenhuma ofensa pra mim, mesmo sendo torcedor do Lakers e fã do Gasol, se ele ficasse de fora. No lugar dele poderia entrar outro cara que eu não gosto muito mas que reconheço o talento: Carmelo Anthony, segundo injustiçado da noite!

As médias dele em pontos baixaram, é verdade, mas o jogo dele evoluiu em todos os outros aspectos, ele é hoje um jogador mais inteligente e que faz menos pontos porque percebeu que com Billups, JR Smith, Nenê, Kenyon Martin e até o Kleiza no time, ele não precisa arremessar o tempo inteiro. Detalhe que o Melo estava entrando como titular no Oeste até a última parcial divulgada, mas na hora de divulgarem os resultados finais o Amaré Stoudemire tinha ultrapassado ele por pouco.

Quem foi ultrapassado de última hora também foi o T-Mac. Ainda bem!!! Se ele entra de armador titular, o Chris Paul tem que vir de reserva e um dos três, Parker, Roy ou Billups, sairia do time. Já basta o Deron Williams ficar de fora mesmo com aquele talento todo. Muita gente justifica a saída do Williams dizendo que ele se machucou durante boa parte do começo da temporada e tem pelo menos uns 10 ou 15 jogos a menos que seus concorrentes. Como algum bom armador teria que ficar de fora, aceito essa desculpa esfarrapada.

Quem felizmente está dentro é o Shaq!!! All-Star Game sem o Shaq não é All-Star Game!!! Todo jogo das estrelas pra mim tinha que ter ele e o Vince Carter, independente do que eles tenham feito na temporada. Mas a verdade é que o Shaq está jogando demais e mereceu a vaga, hoje ele é o melhor pivô do Oeste, melhor que o Yao e melhor que o nosso Nenê, que se continuar nesse ritmo ganha vaga em um All-Star nos próximos anos.

Falando em Carter, ele ficou de fora. E é no Leste que deu mais polêmica na hora da convocação. Vamos lá!

Titulares:
Allen Iverson, Dwyane Wade, LeBron James, Kevin Garnett e Dwight Howard

Reservas:
Devin Harris, Joe Johnson, Jameer Nelson, Danny Granger, Paul Pierce, Rashard Lewis e Chris Bosh


Vou começar com o que eu gostei. "Er... vamos fingir que o Chris Bosh é um pivô para não precisar chamar o Kendrick Perkins, beleza? Beleza." O Bosh não é pivô, não estava listado como pivô na votação, mas a regra manda que um dos reservas tem que ser um pivô. Então na divulgação oficial eles colocaram o ala do Toronto como número 5 e acabaram com o negócio. Afinal o Dwight Howard não foi o cara mais votado à toa, simplesmente não tinha competição pra ele, o Joel Anthony não é tão bom quanto parece.

Gostei dessa saída da NBA, melhor dar uma burladinha nas regras que eles mesmos criaram do que sair por aí chamando cara ruim.

Depois disso começa a parte da reclamação. Reclamar é a coisa mais legal em dia de divulgação de quem vai pro All-Star Game! E já começo reclamando de todos os manés no mundo inteiro que votaram no Iverson! Porra! Não estamos em 2001! Votem no Chris Webber e no Stackhouse também se vocês são tão saudosistas! Ele não se adaptou nada bem ao Pistons e está tendo possivelmente a pior temporada da sua carreira, não merecia ser titular e nem reserva. Culpa dos fãs esse aí.

Para os reservas do Iverson como armadores, mais discussão. Escolheram Joe Johnson, Jameer Nelson e Devin Harris. Quanto ao JJ, está certo, o cara é genial, quanto aos outros dois eu não concordo nem um pouco.

O Jameer Nelson está jogando bem e é o cara de decisão para o Orlando. Ele jogar bem é que faz o Orlando deixar de ser um time que está quase lá no topo do Leste para estar mesmo no topo do Leste. Mas isso não é a mesma coisa que acontece com o Rondo?

Palavras dos jogadores do Celtics: quando o Rondo é agressivo e joga bem é quando jogamos melhor. Entre Rondo e Nelson, sou mais o Rondo e não chamaria nenhum dos dois para o All-Star Game.

Muito menos o companheiro do Nelson, o Rashard Lewis! Se eu não acho que o Nelson deveria ir, porque chamaria o Lewis, que é pior que o Nelson e até pior que o Turkoglu? O Rashard Lewis é importante demais no Orlando porque é um dos melhores arremessadores da NBA, mas é pra isso que existe o campeonato de três pontos. Bom, pelo menos agora o Magic pode dizer que paga quase 20 milhões de dólares em um All-Star.

E o Devin Harris? Esse é um caso complicado. Ele tem tido jogos fora de série em que desequilibra demais o jogo porque é praticamente imparável atacando a cesta, mas isso não faz dele um jogador completo. Ele ainda tem um arremesso fraco (embora esteja bem melhor do que nos tempos de Dallas) e não é um primor em visão de jogo para um armador. Eu o chamaria por falta de opção.

Tenho que deixar claro aqui que alguns caras que não são exatamente o que a gente vê como o estereótipo de um All-Star (um jogador de altíssimo nível, quase perfeito) acabaria entrando no time do Leste. Porque os melhores jogadores de lá ainda estão em uma fase da carreira em que estão evoluindo, tem defeitos evidentes. Para as vagas de armação poderíamos chamar os já citados Harris, Rondo e Nelson, além de Iguodala, Mo Williams e Caron Butler. Desses o meu favorito é o Butler, mas como ignoram caras em times ruins, o que esperar do cara que está no pior time?

A ausência do Mo Williams, armador de um dos melhores times, causou revolta entre os jogadores do Cavs. O LeBron disse que "o basquete de Cleveland foi desrespeitado" e o Ben Wallace disse que "Foi uma injustiça, uma tragédia e uma fraude". Ui, ficaram ofendidinhos porque o coleguinha não foi chamado. Mas sério, o Mo Williams não é e nunca será um All-Star.

Minha seleções para armadores reservas seriam: Joe Johnson e Ray Allen. RAY ALLEN, meus filhos!!!! Como vocês esqueceram dele? O cara foi o líder do Celtics durante aquela baixa depois do Natal e desde então é o melhor jogador do Boston, ele tá jogando muito bem o tempo inteiro, está jogando mais que o Paul Pierce, até! Ele foi o grande injustiçado dessa lista, disparado!

Para os alas eu chamaria o Paul Pierce e o Danny Granger, os dois que já foram chamados, assim como o pivô Chris Bosh. Para completar os sete reservas eu teria que votar em dois jogadores de quaisquer posições e é aí que colocaria o Devin Harris, que acho um pouco melhor que Rondo e Nelson e a última vaga é realmente difícil de premiar. Por um lado acho que o Iguodala merecia uma chance, assim como o Gerald Wallace. Mas os dois não são tão melhores assim que o Rashard Lewis que eu acabei de massacrar. Por isso que eu ignoraria essa regra idiota de não votar em caras de times ruins e daria esse meu último voto para um dos dois jogadores mais talentosos do Leste, Butler ou Jamison.

Como eu tenho certeza que duas pessoas não têm a mesma impressão digital e nem os mesmos reservas pra All-Star Game, podem meter o pau nas minhas decisões e nas decisões dos técnicos da NBA aí nos comentários. Só não xinga a mãe e nem questionem o título mundial do Corinthians, as outras críticas eu aceito.


Promoção do All-Star Game

Crianças, teremos promoção no All-Star Game de novo! Mesmo esquema do ano passado.
Vocês votam em quem ganha o jogo das estrelas, o jogo dos novatos e os primeiros e segundos colocados em todas as competições do sábado. A promoção começará a valer quando divulgarem os competidores do campeonato de três pontos e do Skill Challenge.

E já está na enquete aí do lado. Que prêmio você prefere, um DVD da NBA ou a camiseta de algum time? E se você votar na puta de luxo depois vote de novo com a sua opinião de verdade, ela importa!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

O basquete como janela

Bynum é osso duro de roer, pega um
pega geral, ele vai pegar você!



Graças à cotovelada de Andrew Bynum para tentar impedir uma cesta de Gerald Wallace, de que o Denis falou em sua análise do jogo, o pobre ala do Bobcats está sofrendo com pneumotórax e uma costela quebrada, condições um tanto complicadas que afastarão Wallace das quadras por algum tempo.



A notícia cai como uma bomba em cima de um Bobcats empolgado, embalado, com chances de playoffs e que agora se vê obrigado a colocar o Adam Morrison em quadra, provavelmente uma das piores terceiras escolhas de draft de todos os tempos e que, no fundo, só vale pelo bigodinho.

Essa não é, no entanto, a primeira falta dura que Bynum comete defendendo o garrafão. Contra o Cavs, estatelou o LeBron no chão para impedir uma enterrada inevitável e quase começou uma confusão porque o próprio LeBron não gostou tanto da pancada quanto gostaria de, deixe-me ver, sorvete, por exemplo. Já o Bobcats lidou melhor com a atitude de Bynum, Larry Brown e seus jogadores disseram que foi uma falta dura mas sem nenhuma intenção de contundir e que a NBA não deveria tomar medidas legais a respeito. Não que isso vá adiantar, claro, porque por lá qualquer espirro é punido mais tarde com multas milionárias e suspensões, afinal o David Stern é entediado e está se vingando dos coleguinhas esportistas que tacavam ele no lixo quando ele estava no colégio e era um nerd derrotado.

Compreendo que o Bynum não tinha intenção de matar ninguém, de colapsar pulmões, quebrar costelas ou mandar alguém para o hospital. Suas intenções eram, sim, impedir uma cesta a qualquer custo. Mais do que isso, como alegou no caso do LeBron: sua intenção era não permitir que enterrassem na sua cabeça, era manter intacta sua honra, era explicitar seu domínio do garrafão. Aí está a diferença brutal entre um cara como Bynum e alguém como o Yao Ming - que talvez até tentasse um toco, nada mais, e provavelmente tomaria uma cravada na cabeça e correria de volta pro ataque com a cabeça abaixada e aquele ar de "oops" (não o "oops" sexualizado da Britney, está mais para o "oops" do Silvio Santos quando caiu na piscina).

Entendo que a função de um pivô seja proteger o seu garrafão, que é seu trabalho, sua função, o motivo pelo qual ele ganha seu salário. Um advogado processa, um vendedor vende, um pivô às vezes quebra costelas. Mas, em geral, não é possível separar um indivíduo do modo como ele exerce sua função, e no esporte isso fica mais explícito: não apenas porque os jogadores estão fazendo aquilo que amam (um advogado não necessariamente faz o que gosta), mas também porque o esporte permite um nível de expressão que, filosoficamente, não o separa muito da arte.

É por isso que sempre digo que, ao ver basquete, estou na verdade vendo uma janela para o mundo. É um recorte do mundo real, é um modo de assistir a pessoas interagindo num mundo com regras bem definidas (o que pode e não pode ser feito, quais são os objetivos, as funções, as posições, as recompensas) e um local limitado (no caso, a quadra de basquete, ao menos em geral). Na impossibilidade de ver o mundo inteiro ao mesmo tempo, olhamos através da janela de nossas casas e vemos uma parte que, por sua vez, representa o todo em algum grau. Quando vemos basquete, estamos vendo uma parte do todo, estamos vendo o mundo de uma forma limitada e ordenada, embora ainda criativa, espontânea e munida de infinitas possibilidades.

O que isso significa? Na prática, quer dizer que o modo como alguém joga basquete é um espelho de sua relação com o mundo. E que, portanto, não adianta dizer que o Bynum "fez o seu trabalho". Ele agiu de acordo com o modo com que encherga as coisas ao seu redor, dentro ou fora da quadra. Não permitir que LeBron enterre na sua cabeça ou impedir Gerald Wallace a todo custo mostram quem ele é, sua relação com o ego, sua vontade de atingir sucesso não importando as consequências.

Os fãs do Bruce Bowen ainda me perseguem nas ruas, mas não tenho como deixar de criticá-lo mais uma vez (de cada cinco palavrões que eu disse em minha vida, três foram para o Bowen e dois foram para o Gilberto Barros). Defender a todo custo, impedir uma cesta dando uma voadora, alcançar a vitória contundindo adversários, tudo isso não é sua profissão, é uma demonstração de suas crenças pessoais. No esporte as pessoas costumam achar legal, "faz parte do jogo, o importante é vencer, tudo que interessa é a vitória" mas na vida real se um cara quebrasse seu pé para pegar a última Playboy da Alinne Moraes nas bancas (não custa nada fazer nossa fezinha) ninguém acharia legal. É engraçado como pessoas competitivas são obrigadas socialmente a manter isso escondido, meio por baixo dos panos, mas quando entram numa quadra para praticar um esporte descem a porrada em todo mundo, passam horas discutindo regras e em alguns casos são recompensadas por isso com "ele dá o sangue" ou similares.

Perdi horas da minha vida sentado numa quadra de basquete, bocejando e pensando no que comeria no jantar, enquanto jogadores competitivos brigavam e se exaltavam para saber de quem seria uma bola que saiu pela lateral. Agora, costumo levar um livro comigo quando jogo basquete (a tentativa inicial de levar travesseiros mostrou-se ineficaz, eu pegava no sono e só percebiam que eu estava ali quando o jogo recomeçava e alguém tropeçava em mim). Fora das quadras, esse comportamento não é aceito, ele é repugnante e detestável. Por que deveria ser aceito num esporte, por mais profissional que fosse?

Na minha carreira escolar, tentava explicar em vão para meu técnico porque eu não conseguia ser físico na defesa, porque eu preferia deixar alguém fazer uma bandeja a tentar um toco numa situação em que claramente farei uma falta. Oras, somos dois jogadores de basquete, compartilhamos a mesma linguagem, não tenho porque descer o sarrafo nele - aliás, eu odiaria que impedissem minha cesta com uma porrada, porque impediria a cesta do outro? Claramente não sou uma pessoa competitiva, não adianta. Eu faria diferente se me pagassem 20 milhões de doletas por ano? Dificilmente. O jeito com que jogo basquete é o jeito que eu sou, todos os dias. O Bruce Bowen pode até ser um cara legal, bem-humorado como muitos dizem que ele é, eu juro que acredito. Mas também posso deduzir que ele faça qualquer coisa para alcançar seus objetivos, não importa as consequências - seria muito ingênuo da minha parte imaginar que ele faça isso apenas em quadra e não atropele outras pessoas constantemente na sua vida aqui, no mundo real.

Não me importo nem um pouco com as ações que a NBA tomará contra o Bynum, na verdade nem acho que algo deveria ser feito. Regras e punições só tornam essas coisas piores, mais camufladas e mais chatas. Ontem, fui assistir à estréia do NBB entre Pinheiros e Flamengo, e fiquei enlouquecido com o fato de que qualquer besteira é marcada como "falta intencional" ou "anti-desportiva" (também fiquei enlouquecido com o relógio de 24 segundos que moscou na jogada final, e com os caras que enxugavam a quadra com um rodo de banheiro, mas disso eu falo mais tarde, com mais calma, provavelmente em um outro espaço que não o Bola Presa exatamente). Não acho que devam existir regras que inibam o jogo, que o amarrem e impeçam os jogadores de se expressarem. Apenas acho que devemos repensar o modo como lidamos com as atitudes de alguns jogadores. O Bynum vai defender o aro como puder, custe a quem custar, mas isso é legal? Deveria ser aplaudido? A maioria das pessoas dirá que isso está na regra, que é permitido e então pode, o que é um argumento surreal (você não mata porque não está na regra?), mas talvez isso já esteja por demais enraízado em nossa cultura esportiva. Mais importante, talvez, seja ver o outro lado: quando um jogador não tacar alguém no chão, quando não quebrar uma costela para vencer um jogo, talvez possamos entender isso apenas como uma faceta de sua personalidade, como o modo com que ele lida com o mundo, e não criticá-lo loucamente por ser frouxo, preguiçoso ou, como muito se diz na gringolândia, "soft".

O Yao Ming toma enterradas na cabeça? Legal. O Rasheed Wallace não quer bater pra dentro e enterrar, preferindo arremessar da linha de três pontos? Bacana. O basquete não é um mundo à parte, uma ilha isolada da vida humana, com regras que não se aplicam a mais nada no Universo. Ao menos um pouco, pensem no basquete como janela, e tenham certeza de que admiramos no mundo real inúmeras pessoas que passaram uma vida arremessando de três quando poderiam estar enterrando. Admiramos, seguimos e idolatrando gente que alcança seus objetivos sem quebrar costelas. Gente que deixa o outro enterrar, simplesmente porque vai ser legal.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Lakers freguês

Pau Gasol: fêmea

Eu adoro quando eu vejo que um time está bem, falo bem dele aqui no blog e depois ele vai lá e continua jogando bem pra eu não passar vergonha. Já basta o Bulls ter me humilhado no ano passado ao não ir para os playoffs, mas nesse ano estou melhor: acertei que o Bucks melhoraria bastante (estava em oitavo antes da contusão do Redd), que o Wolves era o time com mais futuro dos ruins do Oeste (está com 9 vitórias e 2 derrotas em janeiro) e que o Bobcats está jogando muito desde a chegada de Bell e Diaw.

Mas toda essa satisfação vai embora quando esses times resolvem ganhar do meu Lakers pra provar que estão bem! Mas se é pra ganhar, que seja em um jogão emocionante como o da noite passada.

Ontem os Bobgatos continuaram sua sequência de ótimos jogos defensivos e deram muito trabalho pro Lakers desde o primeiro minuto de jogo. Já que estamos falando de previsões do Bola Presa, minha previsão antes do jogo era que o Bobcats poderia variar Bell e Gerald Wallace sobre o Kobe, gastando faltas e dificultando a vida do atual MVP, mas achei que o jogo ia pro Lakers porque Okafor e Diaw não iam dar conta de Bynum e Gasol.

No primeiro quarto eu acertei. O Bell marcou muito bem o Kobe, que saiu zerado, ao mesmo tempo em que o Bynum deitou, rolou, fez embaixadinha e gol de bunda em cima do Okafor. O que eu não poderia esperar era que o Gasol seria anulado pelo Diaw! Se bem que ele jogou tão mal, mas tão mal, que é até difícil dar o valor que o Diaw merece pela defesa. Quem assiste o Lakers regularmente sabe que o espanhol tem uns dias de apagão em que simplesmente nada dá certo.

No segundo quarto, porém, eu cai do cavalo e decidi parar de tentar prever as coisas. "Por que você não pára de ser adivinho e não assiste só o diacho do jogo e vai trabalhar?", já diria minha mãe para o meu tio viciado em loteria esportiva. O Kobe começou a comer o Bell vivo, o Bynum não marcava mais pontos e o Bobcats abriu 10 pontos de diferença.

O time do Larry Brown estava jogando como um típico time do Larry Brown. Defendiam muito bem, com muita vontade, e no ataque jogavam sempre com muita calma (ou lentidão, pra quem não gosta deles). Assim como o Pistons dele jogava bem devagar, com o Billups bastante tempo com a bola na mão, esperando a movimentação dos outros jogadores para tomar uma decisão, o seu time de hoje concentra bastante a bola nas mãos de Felton e Diaw, esperando o Bell conseguir espaço para um arremesso ou qualquer outro confronto individual que dê vantagem pra eles, foi assim que surpreendentemente o Bobcats venceu a batalha de pontos no garrafão por 58 a 34.

No quarto período não tinha mais tempo pro Lakers ficar brincando e o jogo ficou com aquele clima de playoff. Estranho demais ver um jogo do Bobcats com clima de playoff, mas foi o que aconteceu mesmo. Liderados pelo Kobe, o Lakers foi lá, tirou a diferença, assumiu a liderança, perdeu a liderança e aí chegou a parte crítica do jogo:

Cinco pontos de vantagem para o Bobcats, Gerald Wallace bate pra dentro, sobe pra enterrada e... crack! O Bynum dá uma cotovelada nas costelas do coitado do Wallace que caiu no chão gemendo. Entendo que o Bynum não pode dar pontos fáceis e que ele disse que não vai aceitar que enterrem em cima dele, mas não precisa quebrar a costela de ninguém, você não é o Hulk Hogan, garoto! O Wallace mal conseguia ficar de pé e saiu de quadra pra não voltar mais, assim como já tinha saído o Ariza depois de ter batido a cabeça no começo do segundo quarto.

Com o Wallace não podendo bater os lances livres, os cats escolheram o Raja Bell para bater os lances livres, já que ele tem 86% de acerto na temporada. Errou os dois.

Na próxima posse de bola, que era do Charlotte já que a falta do Bynum foi flagrante, fizeram falta no Diaw. Errou os dois lances livres.

Com uma amarelada dessa, o Kobe não perdôou e meteu 5 pontos seguidos pra dar jogo de novo. O Bobcats ainda teve mais lances livres e errou outro, foram ao todo 5 errados em 6 tentados nos últimos dois minutos de jogo. Dá-lhe pipoqueiros!
Com a diferença em 3, o Lakers fez uma bela jogada que acabou em uma linda bola de 3 do Derek Fisher. O Felton tentou descontar depois mas não deu. Prorrogação.

Na prorrogação parecia que ia dar Lakers. A torcida estava no jogo e nos primeiros minutos o Kobe fez duas cestas, deu um lindo passe e abriu 6. Mas aos poucos o Bobcats, sempre liderado pelo Diaw, diminuiu a diferença pra três e então o desastre: Kobe fez sua sexta falta e saiu do jogo. Aí o Lakers virou Buchecha sem Claudinho, desaste iminente.

Na jogada seguinte o sempre genial Odom decidiu que era uma boa idéia deixar o Diaw livre de três para fechar uma infiltração do Felton. Tá bom que a bandeja do Felton não empataria o jogo, a bola de três não só empataria como realmente empatou, mas valeu a inteção, Lamar. Alguns desastres ofensivos depois e estávamos na segunda prorrogação.

Lembra que o Bynum estava almoçando o Okafor? Começou o jantar. Ele simplesmente dominou o Okafor e estava levando o Lakers nas costas até que o Farmar, Odom e Vujacic decidiram que eles eram bons também e que iam ganhar o jogo. Não ganharam, erraram três bolas seguidas e o Bobcats, com cestas do Okafor e até do improvável Shannon Brown, abriram uma diferença grande demais. Vitória dos gatinhos.

Engraçado que nos últimos anos os dois times se pegaram 6 vezes. CINCO vitórias dos Cats! Contando a de ontem, três delas na prorrogação. Já está na lista, o Lakers é freguês do Bobcats assim como o Suns é do Spurs, o Jazz do Blazers, o Knicks do Ben Gordon, o Clippers do basquete e por aí vai.

Não foi um bom começo para uma sequência bem difícil do Lakers. São 22 dos próximos 31 jogos fora de casa, uma sequência bem complicada que já tem na semana que vem os dois maiores desafios. Quinta-feira tem o segundo round de Lakers e Celtics e no domingo tem o segundo round de Lakers e Cavs. Se você quer uma camiseta bem legal para usar enquanto assiste a reedição da final passada, que tal essa aqui? Quem teve a idéia de fazer uma camiseta do Lakers assim verde? Foda-se o St. Patrick Day, quem vai ver um jogo do Lakers com uma camiseta verde assim? Vamos vender camiseta vermelha do Grêmio em homenagem ao Natal também.

O confronto contra o Cavs na semana que vem é em Cleveland, onde o Cavs ainda não perdeu. Ontem foi a vitória número 21, com uma atuação monstruosa do Mo Williams. O LeBron fez um triple-double com 23 pontos, 15 rebotes e 11 assistências mas o seu Robin foi melhor, com 43 pontos (7 bolas de três), 11 assistências e 8 rebotes! Já que falamos em previsões hoje, o Rodrigo Alves tava certo nessa do Mo.


Shaq attack!

O Shaq disse que está se sentindo tão bem em quadra que pode ainda jogar mais três anos numa boa. Depois dessa enterrada que ele deu segunda-feira contra o Wizards, eu não duvido que ele esteja em forma pra isso.

E se você não acredita que ele está se sentindo bem em quadra, dá uma olhada de como ele estava feliz e até romântico em Washington.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Temporada de caça

Alguém lá em cima não gosta do Redd;
alguém lá embaixo vai para os playoffs



Quando Ron Artest e Tracy McGrady entraram em quadra juntos contra o Pistons, levando meu Houston à vitória, já imaginei que alguém iria se machucar feio. Trata-se do princípio de equilíbrio que demonstrei recentemente, depois da volta do armador Monta Ellis às quadras. Pois bem, dito e feito: alguém em algum lugar teria que se contundir e, para meu alívio, não foi Yao Ming, que deve voltar a jogar já na próxima partida. O azarado foi Michael Redd, a estrela do Bucks, que está fora da temporada com uma lesão grave no joelho justamente quando estava esquentando. Em janeiro, ou seja, nas últimas 14 partidas, as médias eram de 24 pontos e mais da metade dos arremessos convertidos. Para um arremessador, os números eram incríveis, mas também não fazia muita diferença porque, oras, o Bucks fede. Com o Andrew Bogut sofrendo a temporada inteira com dores nas costas e praticamente não jogando, e o Richard Jefferson mostrando que é mais uma viúva do Kidd (ou seja, um daqueles jogadores que ganham contratos bilionários porque parecem bons pra burro apenas por jogar com o Kidd - Mikki Moore, estou olhando pra você!), não havia nada que o Redd pudesse fazer sozinho. Verdade seja dita, com Bogut saudável, Jefferson bem e o Redd acertando qualquer coisa que tacasse pra cima, também não daria pra concretizar muita coisa, o time fede em essência - é tipo a Roberta Close, pode parecer linda, mas você sabe que tem alguma coisa muito, muito errada.

Ainda assim, a contusão é uma pena. Não apenas pela fase do Redd, que estava chutando traseiros como na sua passagem pela seleção americana e era a única diversão nos jogos do Bucks que eu acabava assistindo (porque os jogos do Leste começam antes e eu assisto a qualquer coisa pra não morrer de tédio), mas também porque, de um modo ou de outro, os veados roxos estavam indo para os playoffs. Agora que três dos quatro melhores times da NBA estão no Leste, muita gente deixa escapulir que é a Conferência mais forte, mas isso só vale para quem não tem paciência de olhar a tabela de classificação até o final. O Heat mequetrefe bem posicionado? Bucks arrumando uma oitava vaga? Pois é, tão forte quanto novela da Bandeirantes, não é porque tem a delícia da Juliana Silveira que dá pra levar a sério.

Enquanto no Oeste algum time considerável deve ficar de fora (Suns, alguém?), no Leste alguma equipe mequetrefe vai ter a honra de ser o capacho em que LeBron James vai limpar os pés na primeira rodada dos playoffs. O Bucks ia capengando mas ia, só que sem o Redd podemos descartar a possibilidade. Ontem, contra o Wolves, a estrela foi Richard Jefferson e seus 3 arremessos certos em 15 tentados. Ele já pode dar as mãos para o Kenyon Martin e pular num abismo, gritando o nome do Kidd, e dar adeus às chances de voltar aos playoffs tão cedo. O engraçado é que, se o Bucks despencar, uma série enorme de times horríveis podem conseguir agarrar essa oitava vaga. Ou seja, no fundo a briga no Leste vai ser muito boa, embora de qualidade questionável. Tipo uma maravilhosa luta no gel entre várias mulheres, mas todas pertencentes à banda Fat Family.

Na prática, todas as equipes (tirando o Wizards, que já desistiu da brincadeira faz tempo e já está muito interessado - talvez até demais - na primeira escolha do próximo draft) têm chances concretas de chegar à pós-temporada. Mas algumas são claras favoritas: o Nets, embora um leitor nosso ache fogo de palha; o Knicks, que ontem venceu o Houston, com o banco marcando mais de 50 pontos pela terceira vez consecutiva; e o Bobcats, que é o favorito do Denis pra conseguir a vaga. Vai ter gente dizendo que o Bulls e o Pacers têm chances reais, e até é verdade, mas fica difícil ver os dois times aguentarem o ritmo dos outros três acima. É uma corrida de cegos ajeijados, mas alguns pelo menos sabem pra que lado estão correndo.

No nosso preview de temporada da Divisão Central, rolou chororô porque colocamos o Bucks na frente do Pacers, lembram? No fundo acertamos em termos, o Bucks tinha mais time até o Redd virar farofa, mas agora é o momento do Pacers escalar a tabela e deixar os viadinhos roxos para trás. O Troy Murphy teve uma conversinha com os Monstars, do Space Jam, e pelo jeito conseguiu recuperar seu talento de jogar basquete, o TJ Ford está saudável de novo e o Mike Dunleavy finalmente retornou ao elenco depois de passar quase toda a primeira metade da temporada de fora. Ou seja, as peças estão aí para uma arrancada rumo aos playoffs, graças principalmente ao nível em que Danny Granger está jogando. Tenho algumas ressalvas aos seus números, porque ele sofre da "Síndrome de Kevin Durant novato", que é poder atacar quando e como quiser porque todo mundo vai passar a mão na cabeça e agradecer. "Senhor Granger, você arremessou do meio da quadra? Muito bem, senhor, faça de novo! Você assaltou três bancos, matou duas mulheres, vestiu sua cueca na cabeça e enfiou moedas nas orelhas? Muito bem, senhor, continue o bom trabalho!" Ainda assim, não dá pra negar que o Granger é agressivo, atlético, inteligente e tem uma mira privilegiada da linha de três pontos. Havia uma dúvida muito grande sobre se Granger seria uma estrela capaz de ter um time construído à sua volta, mas agora creio que nenhum fã razoável se pergunte isso de noite, antes de dormir. O Granger não é mais a estrela do futuro, ele é real e vai carregar esse time porcaria por muitos, muitos anos. Se isso é bom ou ruim, deixo para os torcedores do Pacers decidirem.

Mas como o Sindicato dos Blogueiros de Basquete que Não Ganham um Centavo exige que façamos palpites (e sequer nos dão um plano dentário ou cesta básica!), eu fico com o Knicks e, apoiando a aposta do Denis, tenho uma fé no Bobcats. Simplesmente porque são os dois times com mais identidade, mais conscientes do que estão fazendo, mesmo quando as coisas não dão nem um pouco certo. O Knicks tem a cara do D'Antoni, ataca sempre do mesmo jeito e no mesmo ritmo e, como o antigo Suns, vence os times medianos mesmo que não tenha muita chance contra os times de verdade. O Bobcats tem a cara do Larry Brown, defende cada vez melhor, e embora não tenha o talento ofensivo para derrotar os grandes times, consegue anular alguns ataques e sair vitorioso. Com Nets e Pacers tão inconstantes (eles não tem cara de nada, é tipo a Sandy!), com o Bulls jamais escapando da mesma deficiência (pare uma pessoa alatória na rua, pergunte a ela qual é o problema do Bulls, e se ela não perguntar se o Jordan ainda está jogando, a resposta será "pontos no garrafão") e com o Raptors sequer estando nessa conversa (o que diabos aconteceu com eles?), acho que a luta pela oitava vaga estará nas mãos dos elencos mequetrefes com técnicos experientes.

Os veados roxos estão com uma mira nas costas, e é temporada de caça a esses animais bizarros. Quem passar o Bucks primeiro estará com um pé nos playoffs, e a disputa será muito aberta. O Leste finalmente merece respeito: as equipes boas são boas de verdade, e as equipes ruins vão todas caçar a oitava vaga. No mínimo será divertido - menos pro Michael Redd, claro.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Vídeo - Trilogia Steve Nash

O Nash chegou a fazer um trailer de filme com o Baron Davis. É um projeto que o Baron Davis estava envolvido em que as pessoas deveriam mandar trailers de filmes que não existem mas que seria legal se existissem. No deles, Baron e Nash são irmãos, andam de bicicleta e até dançam (o Nash é muito bom, diga-se de passagem!). Vale a pena dar uma olhada, é hilário!




Mas infelizmente a trilogia do Nash é diferente. São três enterradas, três temporadas diferentes e a mesma humilhação.


Tudo começou na temporada 2002-03, quando o saudoso Ricky Davis pulou o Steve Nash e deu a enterrada do ano. Destaque para o "Oh shit!" que o Ricky fala depois da enterrada, e para o sábio comentário do narrador: "Eu acho que ele pulou o Steve Nash". Você ACHA, seu imbecil?



Anos depois, nos playoffs de 2006, o Kobe repete a dose com a famosa enterrada que alimentava toda discussão sobre quem deveria ter sido MVP daquela temporada. Quem gostava do Nash dizia que era o canadense, quem gostava do Kobe mandava esse vídeo pra galera.



Por fim, nesse domingo o Josh Smith fechou a trilogia Steve Nash com a melhor enterrada da temporada. Deveriam mandar o Rudy Gay ir passear e levar de novo o J-Smoove para o campeonato de enterradas.


Está chegando a temporada das trocas

Mais ou menos nessa mesma época do ano passado, o Gasol estava indo para o Lakers, o Kidd para o Dallas, Shaq para o Suns e aquela palhaçada toda de trocas que transformaram a temporada passada em provavelmente a com mais trocas de All-Stars na história da NBA.

Esse ano deve ser diferente em quantidade, não devemos ver tanta gente boa assim mudando de time, mas devemos ver sim algumas trocas. Os times não resistem e ao chegar a data-limite de trocas em fevereiro, alguns times insatisfeitos mexem algumas peças em busca de um elenco melhor para ir aos playoffs ou de espaço salarial nas próximas temporadas.

Boatos e suposições são a base da imprensa esportiva americana, então material pra gente ficar imaginando não falta. Vamos dar uma olhada no que dizem por lá pra ver o que deve acontecer, o que não deve, e o que deve acontecer mas não deveria.


Shawn Marion por Jermaine O'Neal

Engraçado dizer isso mas o que falta para o Heat ser hoje um time de primeira linha no Leste é o O'Neal. Não o bichado do Jermaine, mas o velho do Shaq! O Heat tem uma dupla boa na armação com Chalmers e o Wade fazendo temporada de MVP. Na ala tem o sempre sólido e jamais espetacular Haslem e o Marion, que está tão inconsistente quanto o Beasley. Se o Shaq estivesse em forma e motivado como está hoje no Suns, o Heat poderia usar um time com o Beasley de titular na posição 3, o Shaq de pivô e o Heat seria candidato a título do Leste.


Como o Suns não deve aceitar o Marion de volta pelo Shaq, uma solução é o outro O'Neal. O time ficaria melhor do que é hoje, sem dúvida, o Danilo já até falou sobre isso aqui no blog, citando o dia em que o Yao arrasou o Heat só porque ele é grande. Com o Jermaine lá o Heat teria alguém pra jogar de pivô. Mas será que o Jermaine ia durar quanto tempo até se machucar? E mesmo se não se machucar, iria jogar bem o bastante pra levar o Heat até onde? Será que faria o Heat ser mais do que é hoje, sexto no Leste? Acho que não.

Com ou sem Jermaine, o Heat é time pra perder na primeira rodada dos playoffs. Melhor seria manter o Marion, deixar ele sair como Free Agent no fim da temporada e usar o espaço salarial pra pegar alguém melhor. Ou ainda arranjar algum outro pivô que esteja dando sopa por aí.


Shawn Marion por Brad Miller ou Chris Kaman

Dizem que o Kings quer se livrar do Brad Miller enquanto ele tem algum valor para conseguir bons jogadores ou salários expirantes em troca. Eles tem o promissor Spencer Hawes no banco que é um clone em desenvolvimento do Brad Miller, então podem se dar ao luxo de trocar um pivô. O único problema é que no ano que vem o Marion dá o fora de lá e ninguém vai pegar o lugar dele no Kings, nem por um salário enorme.
Nenhum jogador de renome jamais expressou algum desejo de jogar no Kings. Cidade pequena é assim mesmo, acontece. É ou não é, Botucatu?

Já o Clippers está numa cidade grande, o que atraiu o Baron Davis e pode atrair outros trouxas que não sabem que jogar no Clippers pode causar câncer. Então, para eles, ter o salário expirante do Marion é uma boa, eles podem se livrar dele na temporada que vem e usar o espaço salarial para contratar jogadores para o banco de reservas, já que o time titular com Baron Davis, Eric Gordon, Thornton, Randolph e Camby é bem promissor.

O Clippers ainda tem o bônus de ter achado até um reserva para o Camby, o novato DeAndre Jordan. O pivete era bem cotado no draft mas depois de alguns testes desastrados caiu para a segunda rodada, aí nunca teve tempo de quadra e só conseguiu virar titular porque ele é o único pivô que não está de muletas. A experiência tem dado certo: ontem foram 20 rebotes contra você-sabe-quem, 23 pontos, 12 rebotes e 4 tocos contra o Lakers e 8 pontos, 10 rebotes e 6 tocos contra o Wolves.

Mas uma dica para o Clippers: se acabar sobrando dinheiro pra temporada que vem, contratem alguma equipe médica que não tenha se formado só jogando Operação da Estrela.


Larry Hughes para o Wizards

Eu não gosto do Larry Hughes. Ele não sabe arremessar, se acha uma estrela e ganha um salário descomunal. Mas se tem um lugar onde ele realmente jogou bem foi no Wizards.

Com Hinrich e Gordon no time, o Bulls não precisa do Hughes, isso é óbvio. E em um time com Jamison, Butler e (um dia, um dia...) o Arenas, o Hughes pode se focar em defesa e infiltrações, não em arremessos, como ele teve que fazer no Cavs e agora no Bulls. Pra mim a troca não faz sentido só porque o Wizards não tem nada pra oferecer para o Chicago, mas se eles aceitaram uma Pringles, figurinhas repetidas do álbum do Paulistão e o coração fraco do Etan Thomas, seria uma boa para o Wizards deixar de ser o pior time da NBA e se tornar o segundo pior.


Pistons troca Allen Iverson ou Tayshaun Prince

Eu ficaria muito feliz se o Pistons trocasse o Iverson. Seria uma maneira deles admitirem que fizeram uma das piores trocas que um time poderia fazer! Falando sério, dá angústia ver esse Pistons jogar. Eles não sabem defender, atacam só na individualidade e não usam nenhuma das principais qualidades dos seus jogadores.

O Prince sempre foi um ótimo defensor porque ele era capaz de marcar qualquer um que joga na posição 2 ou 3. Ele é mais alto que praticamente todo mundo dessas posições mas não deixa a desejar em velocidade e agilidade. Agora com medinho de deixar uma estrela por muito tempo no banco, em inúmeras ocasiões o Prince joga na posição 4, marcando Nowitzkis, Duncans e Al Jeffersons da vida. Aí, ao invés dele ser um trunfo na defesa, vira um ponto fraco.

Pior é ver o Hamilton jogando 1-contra-1 como se ele fosse o rei do drible ou o Iverson driblando todos os adversários enquanto o resto do time fica parado assistindo. Esse time é um desastre que só vai ser arrumado com alguma troca. Eu não trocaria o Prince, o problema do time está no excesso de gente na armação. Ou melhor dizendo, excesso de jogadores bons mas que não combinam na armação. Stuckey, Iverson e Hamilton juntos é como um ataque com Romário, Edmundo e Sávio, bom no papel e terrível no campo.

Uma solução seria trocar o Iverson por um pivô, já que o Rasheed é ala de força e perde valor sendo improvisado na posição 5. As opções de novo seriam novamente Brad Miller, Jermaine O'Neal e Chris Kaman. Mas não há nenhum boato de que o Iverson deva sair em troca de um pivô, isso é só especulação minha mesmo. Mas ainda que não seja por um desses pivôs, o Iverson tem que sair de lá, ele não tem nada a acrescentar para o Pistons.


Stephon Marbury para o Celtics

A notícia de hoje é que o Marbury já tem um acordo verbal com o Celtics e que é só dar certo a sua saída do Knicks que ele vai para o time verde. O problema é esse "só dar certo" que já dura um tempão.

Para o Knicks, acho que o melhor seria acabar logo com isso. Mais cedo ou mais tarde, seja por salário ou por buyout, eles tem que pagar uma grana preta que tiraria muita empresa da crise para o bolso do Marbury. Então que paguem logo e que ele dê o fora de lá pra seguir sua vida.

Para o Marbury é perfeito. Ele sai de um lugar onde chegou como capitão do time de futebol que come a cheerleader e sai como um fracassado do clube de matemática (e que é ruim em matemática!) e vai para outro onde é amigo do capitão do time de futebol, o que quer dizer que ele não vai jogar mas que vai ser amigão de quem joga, vai pegar a amiga feia da gostosinha que o Garnett traçar.

Só é ruim para um dos lados: o do Celtics. Para que mexer no que está dando certo e colocar um cara conhecido por destruir elencos no time? Mesmo que ele seja um cara legal como foi com o Leandrinho em seus tempos de Suns, ele é o tipo de jogador que acaba com o time dentro da quadra. Ele não é um bom armador, ele não envolve seus companheiros e eu paro de ver NBA se ele ganhar um anel de campeão. O Celtics tem o Rondo que é muito mais útil para o time do que o Marbury jamais foi para Nets, Suns ou Knicks, e tem a máquina de três pontos do Eddie House no banco, além do Cassell que pode entrar nos playoffs se for preciso. Pra que Marbury?


Mike Miller trocado pelo Wolves

O Mike Miller foi peça fundamental na troca de OJ Mayo por Kevin Love. Foi dito abertamente por ambas as partes que se o Grizzlies não tivesse colocado o Miller na troca, hoje o Love estaria fazendo a dupla mais homossexual da liga com o Rudy Gay.

Mas o tempo passou e o Mike Miller não justificou a importância. Hoje ele concorre cabeça a cabeça com o Rip Hamilton e o Luol Deng como jogador que mais involuiu na temporada. São as piores médias da carreira em quase todos os quesitos, um desastre.

Alguns explicam essa queda devido a ele jogar no lixo do Wolves e que em uma situação melhor, em um time melhor, ele estaria mais motivado pra jogar, daí os rumores de troca. Para o Wolves não sei se é uma boa, já que o valor do Mike Miller está bem baixo, mas talvez dê pra conseguir uns bons pivetes pra reconstruir o time com trocas.



Esses são os caras mais falados, mas a verdade é que as trocas que acontecem são sempre as mais imprevistas, as que ninguém ficou mastigando antes na imprensa. Então esperem por trocas inusitadas no próximo mês. Provavelmente até envolvendo esses mesmos caras citados no post, mas com outros times, por outros jogadores.


Ok! Ok! Eu aumento mas não invento!

Dos gordinhos, quem foi para o Clippers foi o Zach Randolph, mas parece que foi o Eddy Curry. Ninguém na liga hoje é mais zicado que o pivô do Knicks.

1- Ele está machucado desde o começo da temporada. Voltou, jogou alguns minutos de um jogo, sofreu com as dores e está de volta à lista de contundidos.

2- Foi acusado por um motorista de limosine de assédio sexual.

3- Sua ex-namorada, mãe de seu filho de 9 meses, foi assassinada ontem.

Só falta ele não ser chamado para o All-Star Game agora...

sábado, 24 de janeiro de 2009

Uns vão, outros vem

Varejão mantém a fama dos brasileiros de
serem um povo caloroso e amigo

(enquanto seu cabelo mantém a fama
de que "o que aqui se planta, tudo dá")



Assim é a vida: enquanto um perde, outro ganha; enquanto um sai da enfermaria, outro se contunde; enquanto um beija a Alinne Moraes, outro dá uns amassos na Preta Gil. É como se o Universo fosse uma equação tentando se balancear. Por isso, quando vi que, repentinamente, Monta Ellis voltaria de sua polêmica contusão para participar da partida de ontem contra o Cavs, fiquei preocupado. Alguém em algum lugar provavelmente iria se machucar feio, e as chances eram boas de que seria no Clippers, no Jazz ou no Houston.

O Clippers, como sabemos, é completamente macumbado e nada lá jamais pode dar certo. Baron Davis, Chris Kaman e Marcus Camby fazem turnos para ver quem fica contundido de cada vez, e se os três ficarem saudáveis ao mesmo tempo o espaço-tempo irá implodir. O Jazz não tem um histórico de contusões mas nessa temporada o negócio está feio, e não há oração mórmon que resolva: Carlos Boozer está de molho, Deron Williams passou um bom tempo fora, o surpreendente Paul Millsap volta e meia se machuca e o Kirilenko vez ou outra não pode sair do banco. Parece que todo mundo no elenco já passou algum momento dessa temporada na lista de contundidos, de verdade - mas dá preguiça de ir checar. Já o Houston não preciso nem falar, McGrady não teve um jogo saudável na temporada e resolveu descansar o joelho de vez, Ron Artest sofre com um tornozelo e Shane Battier com um pé inflamado. Não faz muito tempo em que comentei a fase do Houston como o eterno aguardo da derradeira contusão, a de Yao Ming, que cedo ou tarde teria que acontecer. Ou seja, Monta Ellis voltando para as quadras, meu Rockets enfrentando o Pacers, e tudo na mesma noite. Mal sinal.

Para provar que um raio cai quinze vezes no mesmo lugar, principalmente se esse lugar for um pivô chinês gigante, Yao Ming tomou uma trombada no joelho e, embora tenha tentado voltar pra quadra mesmo assim, nao conseguiu retornar para o segundo tempo. Embora os exames não tenham mostrado complicações, a pancada foi forte e todo mundo sabe que o chinês é feito em Taiwan, então tenho razões para me desesperar. As coisas até que estavam indo bem em Houston apesar das contusões, Yao estava tendo grandes partidas, o time estava usando o gigante como deveria e as vitórias estavam acontecendo. Mas pedir pra vencer o Pacers sem T-Mac, Artest e Yao é chutar o pau da barraca, quero ver o Spurs ganhar qualquer coisa sem Duncan, Parker e Ginóbili!

O causador de tudo isso foi Monta Ellis e sua recuperação alienígena, que obrigou o Universo a se balancear subitamente. De um dia pro outro, Ellis voltou a treinar com o time em jogos leves e, de repente, avisou que estaria em quadra contra o Cavs, foi titular e não sentava para descansar durante o jogo! Muito se falou, quando o Monta se machucou andando de motinho, do Warriors cancelar seu contrato milionário, principalmente porque existiam dúvidas sobre se sua condição física voltaria a ser a mesma. Então o sujeito foi de ter sua saúde em dúvida para jogar 34 minutos no primeiro jogo depois da sua contusão! Não importa quão bem o Monta Ellis esteja, não me interessa que ele esteja enterrando como nos velhos tempos, o Don Nelson deve ser retardado pra colocá-lo para jogar tantos minutos logo de cara. Ah é, tinha me esquecido: o Don Nelson É retardado, e a água é molhada. Continuemos.

O Monta Ellis começou o jogo um tanto enferrujado mas rapidinho voltou a ganhar ritmo e pareceu cada vez mais retomar a confiança no próprio físico, acelerando mais e mais o seu jogo, quase alcançando a velocidade da luz que lhe era tão comum uns tempos atrás. Mas o mais engraçado é que o Warriors fede tanto que, apesar de terem trocado por um armador principal (o Jamal Crawford) de modo que o Ellis não tivesse que ser improvisado na posição, como era a idéia original no começo da temporada, o Crawford se contundiu e a improvisação teve que acontecer mesmo assim. Parece que essa coisa de equilíbrio no Universo acontece lá dentro do próprio Warriors mesmo.

Com a volta do jogador que deveria ser sua estrela, o Warriors deu sinais de ânimo e teve uma boa partida contra um dos melhores times da NBA. Mas, quanto mais o jogo parecia destinado a um placar apertado, maiores eram as chances de derrota no quesito probabilidade: o Warriors vinha de derrota no último segundo para o Thunder num arremesso espírita do Jeff Green, e antes havia perdido também num arremesso de último segundo para o Kings, graças ao John Salmons, num jogo de três prorrogações. Como diria minha mãe depois de ler O Segredo, "a gente atrai aquilo de que a gente tem medo", e eis que o Warriors se viu ganhando por um ponto mas com a última posse de bola nas mãos do Cavs. Parece até piada. Bola para LeBron, e o resultado vocês podem ver no vídeo abaixo:



Fora o arremesso, o vídeo tem tantos momentos bons que vou até dividir em ítens:
- o Turiaf marcando o LeBron, provavelmente porque ele é o único na equipe que sabe soletrar "defesa" e é capaz de levantar os braços
- o Varejão correndo pra cima do LeBron para comemorar e quase atropelando o Turiaf no processo
- a garota vestida de havaiana (não o chinelo, por favor!) empurrando os jogadores do Cavs e depois mandando eles embora, e tudo rindo
- o Maggette em sua pose "O Pensador"
- o Andris Biedrins com sua moda "Jade"
- o Monta Ellis e sua cara de "pra quê que eu fui voltar pra essa budega?" enquanto aguarda o replay

Ou seja, a volta do Monta Ellis foi ótima, seus 20 pontos foram impressionantes e ele mostrou ter um fator de cura mutante que ajudará a fazer valer o contrato estratosférico que ele assinou antes da temporada começar (se for demitido, pode tentar uma vaga nos X-Men). Mas ainda falta muita coisa para o Warriors ser um time e não um circo - quem sabe um pouco de consistência e menos narizes de palhaço?

Mas o Ellis não é o único que veio, e o Yao não é o único que foi. O técnico Marc Iavaroni, que estava apenas em sua segunda temporada no Grizzlies segurando um punhado de cocô na mão e tendo que fazer um bolo de chocolate, foi - pro saco. Eu até tinha uma certa vontade de conhecer o sujeito mas não deu tempo, alertamos sobre o potencial do Grizzlies e talvez por isso fosse importante passar a mensagem de que perder o tempo todo não será algo tolerado. Era inevitável, um técnico inexperiente guiando um time porcaria só poderia ser prejudicial para o próprio técnico, era uma situação em que ele só tinha como sair perdendo. Pro time, não fazia muita diferença mesmo quem estivesse no comando.

Já pelo lado dos que estão vindo - no caso, para os playoffs - acrescente o Bobcats. O Denis acabou de falar sobre a equipe e o impacto que tiveram nela Raja Bell e Boris Diaw. Ironicamente eu acabei de falar sobre o Suns e como eles viraram farofa recentemente, e aí está: um sobe, o outro desce. O Bobcats de Boris Diaw engoliu o Suns vivo, quer dizer, se você considerar que o Suns estava vivo depois de perder para o Knicks. O Shaq teve mais uma boa partida e ainda assim conseguiu ser pessimamente utilizado, o time tem menos identidade do que figurante da Malhação e até o Nash deu uma air ball que ficou mais perto de acertar a cabeça de um mesário do que de bater no aro, o que é sinal do fim dos tempos. Para o Universo se equilibrar, para um time lendariamente horrível como o Bobcats chegar aos playoffs, um time sensacional precisa ir para o lixo. Pois então chamem a vigilância sanitária, alguém precisa enterrar o Suns porque o corpo já tá fedendo. Nem meu Houston, que é amaldiçoado, passa tanta vergonha assim.

Mas, como sempre, vale finalizar relembrando que a maldição do Houston cada vez mais parece fichinha perto da maldição dos ladrões de franquia, o time outrora-conhecido-como-Sonics! Lembram como eles perderam trocentos jogos no último segundo como punição por terem se transformado no Thunder? Pois essa maldição vingativa consegue ser mais forte até do que a maldição do Clippers!

O primo amaldiçoado do Lakers jogou sem Zach Randolph, Baron Davis, Marcus Camby e Chris Kaman, todos machucados. Jogadores que estavam tapando buraco também se lascaram, como Brian Skinner, Mike Taylor e até o Mardy Collins, que saiu ainda no primeiro quarto contundido. Como ganhar um jogo assim? Pra piorar, Ricky Davis teve que ser o armador principal titular, e todo mundo sabe que sua simples presença em quadra significa milhões de arremessos sem sentido, nenhum passe para companheiros e uma derrota garantida no currículo. Some isso à melhor partida da carreira do Kevin Durant, com 46 pontos, 15 rebotes e 24 lances livres certos em 26 tentados, e teríamos uma vitória fácil para o Oklahoma! Não foi o bastante: o Ricky Davis causou fissuras no Universo errando todos os seus 6 arremessos mas dando 11 assistências (sem nenhum desperdício de bola!) e o novato Eric Gordon fez 41 pontos, acertando 12 de 19 arremessos. Não adianta, esse tal de Thunder não pode vencer. Mas é bom que o Eric Gordon saia do Clippers o mais rápido possível, ele é bom demais e, assim que um jogador voltar de contusão, é bem possível que o Eric Gordon acabe se lesionando. Isso ou o Shane Battier vai quebrar o cotovelo num acidente jogando peteca em Houston. Torcedor de time amaldiçoado sofre!


BolaPresa.com

Nosso endereço, bolapresa.com, voltou a funcionar normalmente! Matamos dois burocratas, três telefonistas, três cabras e dois coelhos, mas tudo agora já está de volta ao que era antes. Não precisa mais ficar procurando no Google, tentando lembrar como se digita "blogspot" e nem procurando a gente no Orkut pra saber o que aconteceu! Aproveite a deixa e bata na porta da sua vizinha gostosa, diga que nosso endereço está funcionando outra vez, e quando ela te olhar com aquela cara de "que diabos esse fedelho está falando", lasque um beijo na garota. Se der certo, o primeiro filho terá que chamar Yao Ming, combinado?

Aproveitem a volta do endereço, visitem diariamente e espalhem para os amiguinhos!

Esses novatos nunca aprendem

A função do Jason Thompson no Kings era simples: Como bom novato, ele deveria levar todas as manhãs para o treino do Kings alguns "bagels", aquelas rosquinhas tão famosas na América do Norte. Levar cream cheese também ajudaria seu status em relação aos veteranos.

Mas não, o novato não cumpriu sua obrigação e pagou o preço.
Teve seu carro inundado com... pipocas.



quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O feitiço contra o feiticeiro

Em terra de cego, quem tem 2,11 é pivô


É oficial: o Suns acabou. Está morto, terminado, podre e enterrado, embora ainda esteja passeando por aí, tipo o Silvio Santos. Um elenco cheio de estrelas, de possibilidades, de potencial, mas pode pegar tudo fora e tacar na privada. Se alguém ainda tinha qualquer resto de esperança de que esse Suns poderia dar certo, a derrota para o Knicks destruiu.

Na pré-temporada, escrevi como o Knicks não passava de uma cópia paraguaia do antigo Suns. Agora, as coisas mudaram. O Knicks ainda fede, porque algumas coisas são sempre as mesmas, mas todo o elenco absorveu bem o esquema tático do técnico D'Antoni e, mais assustador ainda, parece se sentir inteiramente à vontade na correria. Não existe mais afobação, embora os jogadores ainda não sejam gênios da física e o Quentin Richardson não saiba diferenciar uma bola de uma batata, e dá pra ver o time jogando com inteligência apesar de todas as evidentes limitações.

Lembro-me bem de que, quando o Mike D'Antoni foi contratado pelo Knicks, se apaixonou perdidamente pelo Jered Jeffries, que quinze minutos depois se contundiu sério e ficou meses de fora. O Jeffries era um ala que jogava na posição 3 no Wizards, ou seja, um "ala pequeno", capaz de fazer um pouco de tudo - o que também significa que ele não sabe fazer nada realmente direito. A campanha em Washington até que tinha sido promissora, ele tinha tamanho (2,11m) e volta e meia mostrava sinais de talento. Poderia ser um bom reserva em alguma equipe, quem sabe, mas o débil mental do Isiah Thomas foi lá e ofereceu um contrato de 6 gordos milhões para o rapaz, que deve ter pensado que era véspera de Natal. Desde então o Jeffries não tinha jogado nada, sempre contundido ou fedendo, e me assustei um pouco com o D'Antoni se impressionando com ele. Agora que ele está saudável, tudo faz um pouco mais de sentido: Jared Jeffries está jogando de pivô, apesar de ter o físico da Olivia Palito, correndo como um retardado em quadra, e marcando os armadores adversários na defesa.

Na partida contra o Suns, o pivô Jeffries era o responsável por marcar justamente o Steve Nash. Foi aí que eu percebi que o D'Antoni é completamente maluco e, talvez por isso, completamente genial. Ele está disposto a qualquer coisa para aproveitar da melhor forma possível a porcaria do elenco que tem em mãos, abraça uma filosofia de jogo e vai com ela até o final, custe o que custar. Mesmo não dando muitos resultados, o Knicks sabe qual é a proposta, quais são as regras da brincadeira, e leva isso a sério. Todo mundo no elenco sabe o seu papel, sabe como deve correr e em que situações deve arremessar. As loucuras, como colocar o Jeffries no Nash, são consistentes e fazem parte da imagem que o time tenta abraçar para si. Ou seja, fedendo ou vencendo, o time tem uma identidade e acredita nela - o elenco parece confiar no plano e no D'Antoni, que é seu mentor. Quando está dando tudo errado e as bolas não caem, o Knicks continua jogando da mesma maneira, numa estranha confiança de que, cedo ou tarde, as bolas vão cair, tudo vai dar certo e a Alinne Moraes vai chover dos céus em seus colos. Em geral sequer dá certo, mas eles continuam, assim com o Suns mantinha o estilo de jogo e atropelava todos os times mais-ou-menos, que não sabiam exatamente o que estavam fazendo em quadra.

Pois bem, na noite de ontem o Knicks manteve o estilo e o Suns foi o time mais-ou-menos que não sabia exatamente o que estava fazendo em quadra. Foi até vergonhoso ver como Duhon e David Lee fizeram à exaustão a mesma jogada que Nash e Amaré tanto aperfeiçoaram nos últimos anos, como se fosse algo simples que qualquer um pode fazer se tiver o esquema tático certo. Creio que a derrota para o Knicks deve ter abalado o ego de todos os jogadores do Suns, porque foi como demonstrar que seus feitos não eram méritos pessoais, mas sim ação de D'Antoni. Sabe aquele pick-and-roll, aquela ponte-aérea, a corrida por baixo da cesta, os arremessos livres de três pontos, as enterradas na cabeça? Deixam de ser mérito de Nash e Amaré se um zé ninguém como o Duhon consegue simulá-las com perfeição. Como será que o Amaré se sentiu vendo David Lee exercer perfeitamente a função que o próprio Amaré deveria estar exercendo? Foram 25 pontos e 16 rebotes para o Lee, o suficiente para que o Stoudemire sentisse que não é nem um pouco especial, que era apenas uma parte de uma engrenagem. Atores diferentes na mesma peça, e talvez o sucesso de todos fosse culpa apenas da peça, afinal de contas.

Mas também não pode haver exagero, claro, não há nem dúvidas de que o Nash é bilhões de vezes melhor do que o Duhon. Todo o elenco do Suns é superior em todos os aspectos que você quiser encontrar, a não ser no aspecto "peso corporal" porque o Eddy Curry e o Jerome James elevam demais a média da equipe e a tornam a de um planeta pequeno do Sistema Solar. Mas nem sempre o talento pode impor-se em quadra de modo a causar uma diferença. O que prevaleceu foi o elenco pior, utilizado de forma mais inteligente. Com o Jeffries marcando o Nash (que, portanto, não seria capaz de acertar um arremesso sequer) todo os jogadores do Knicks tiveram que "subir uma casa" na hora de defender. Ou seja, o Duhon marcava o Jason Richardson, e na outra ponta o David Lee marcava o Shaq. Bastaria saber utilizar essa desvantagem física e o Suns teria deitado e rolado, mas não foi o caso. O time pior impôs seu estilo de jogo, suas regras, e venceu.

Para ser justo com o Suns, confesso que eles pareciam mais confiantes nas propostas do Terry Porter do que de costume. No começo do jogo, em especial, tentaram um basquete mais focado no garrafão, deixando a bola nas mãos do Shaq - que é o velhinho mais ativo desde que o Hugh Hefner descobriu o Viagra. Quando abriram 13 pontos de vantagem, achei que finalmente aquele papo de jogo cadenciado e defesa tinha entrado na cabeça do pessoal de Phoenix. Mas rapidamente as bolas do Knicks começaram a cair, a defesa do Suns se desmantelou e dava para sentir o quanto eles desconfiam de que o Porter é um cego no meio de um tiroteio. O ritmo do jogo subiu demais, todo mundo no Suns começou a arremessar pra burro, e colocar a bola nas mãos do Shaq se tornou, repentinamente, uma tarefa mecânica, artificial. É como se tivesse dado saudade dos tempos de D'Antoni, como se eles achassem que era daquele jeito que iriam vencer o jogo.

Foi um duelo de confiança nos técnicos, e pelo jeito as duas equipes confiavam plenamente no D'Antoni, que acabou saindo como o grande vencedor da noite. O Suns tomou goela abaixo tudo aquilo que costumava fazer tão bem, e se negou a jogar pacientemente, com confiança, no estilo novo que deveria estar consolidado na equipe à essa altura do campeonato. O time de Phoenix é como uma adolescente em crise de identidade, não sabe se vira punk ou emo, se come soja ou bife, se beija meninos ou meninas. Ainda mantenho a opinião de que esse Knicks fede, de que o elenco é um circo de pulgas, e de que eles vão perder muito ainda nessa temporada. Mas temos que reconhecer não apenas o talento do D'Antoni, que agora surge cada vez mais como a alma daquilo que chamávamos de Phoenix Suns, mas também o comprometimento desse Knicks com sua filosofia. É com isso que eles vão ganhar de muitos times mais-ou-menos, e perder de muito time bom que conseguir impor seu próprio ritmo. Mas quem quiser correr contra a equipe de New York tem tudo para se dar muito mal, o que na prática significa a) vitórias contra os times que não interessam; b) derrotas para o Spurs, sempre, não importa o que aconteça.

O Suns tem um elenco incrível, o Shaq na melhor forma desde que foi campeão com o Heat, jogadores de perímetro e de garrafão, jovens e experientes. Mas pelo jeito não vai conseguir sequer ir para os playoffs se não aprender a utilizar todas as peças e dar qualquer tipo de identidade pra essa equipe. Se o Leandrinho jogar dois minutos num dia, vinte no outro, vai continuar sendo terrivelmente inconsistente e sem saber o que fazer em quadra. Afinal, ele deve armar e colocar a bola no garrafão, penetrar como um maluco ou arremessar de três pontos? Qual é, afinal, sua função? O Leandrinho deve sentir muita falta dos tempos de D'Antoni, em que antes de cada jogo ganhava uma série de anotações, em papel, delimitando apenas seu papel em quadra. Bons tempos aqueles, do basquete criativo, espontâneo, dava pra brincar de pião na rua e o Suns ia para os playoffs perder para o Spurs. Agora, Nash não será MVP e o Leandrinho não será o melhor Sexto Homem - afinal, não se premia equipes que acabem em nono lugar no Oeste.

O D'Antoni, por sua vez, também não levará o Knicks a lugar algum e não será Técnico do Ano. Mas sua visão ofensiva é poderosa, o time acredita nela, e talvez falte apenas uma grande estrela (não vai ser o LeBron, crianças, desculpe) para que o time deslanche de vez. Ainda quero, contra a lógica, acreditar que a loucura do Knicks pode chegar a algum lugar sem se preocupar com defesa e essas coisas de maricas. Talvez minha esperança seja simplesmente o fato de que o Spurs está na outra conferência - motivo mais do que suficiente para o D'Antoni respirar aliviado.