Estou começando a ficar com dó do Toronto Raptors. Poucos times tem jogado com tanto esforço quanto eles (nível compatível a empolgação dos narradores locais) e isso em um momento onde eles tinham todos os motivos para estarem de cabeça baixa. Já perderam seu melhor jogador, Andrea Bargnani, contundido. Estão sem Jerryd Bayless, que estava em bom momento, e no jogo contra o New York Lins viram Linas Kleiza, que também estava melhorando bastante, torcer o pé. É uma contusão atrás da outra, sempre acompanhada de derrota apertada. Depois de perder para Knicks e Lakers na última bola, ontem perderam para o San Antonio Spurs também no finalzinho. Créditos para Jose Calderon, Amir Johnson e DeMar DeRozan (27 pontos, cestinha do time), que foram ótimos na noite de ontem. E curioso que uma das razões para a melhora do Raptors é sua defesa, que vive bom momento, mas ontem mesmo tomando uma porrada de pontos conseguiram se manter no jogo. Impressionante.
Não deu porque o Spurs é o time mais quente da NBA no momento. São 9 vitórias seguidas, 5 delas fora de casa. Manu Ginóbili está de volta, novamente é importante 6º homem e o time está bem entrosado e achou sua rotação. Todo mundo joga um pouco, no maior estilo Europeu também usado pelo Sixers, e todos marcam seus pontos. A exceção é, ironia, o europeu do time. Tony Parker tem mais tempo de quadra e total liberdade para arremessar mais que os outros. Ontem fez 34 pontos e deu 14 assistências. Quem está bem também é Tiago Splitter, que marcou 8 de seus 13 pontos no 4º período. Mesmo que não seja titular e que não receba tantos passes no ataque, dá pra perceber a importância do brazuca porque ele sempre está na quadra nos momentos críticos do jogo. Greg Popovich teve muita paciência na adaptação demorada de Splitter e tem dado resultado. De pouco em pouco e o Spurs já está em 2º no Oeste!
O Spurs encostou ainda mais no líder Oklahoma City Thunder, que ontem perdeu para o Houston Rockets. É possível um jogo bem apertado e decidido nas bolas finais ser ruim? É, esse foi, e nem compensou com emoção, os minutos finais foram vergonhosos mesmo. Nos últimos 2:30 de jogo, o Rockets precisava de 4 pontos para virar, e foi o que fez. Primeiro com uma cesta de Kyle Lowry, que pegou um estranho rebote ofensivo depois que um arremesso de meia distância de Samuel Dalembert (!!) deu airball. Bolas que não batem no aro ferram com qualquer pivô e Lowry deu sorte. Depois Kevin Martin, que se recuperou de seu primeiro jogo zerado em 6 anos com 32 na noite de ontem, conseguiu cavar uma falta estúpida do Kendrick Perkins para virar o jogo nos lances-livres. Até o que deu certo foi feio.
Mas e o Thunder, não atacou nesse tempo todo? Sim. E bastante. Primeiro Russell Westbrook tomou um belo toco de Dalembert, depois James Harden forçou um arremesso de 3 pontos, Kevin Durant, nesse período todo, tentou um arremesso de 3 pontos e mais 2 de meia distância e uma bandeja. Nada caiu. Na maioria das vezes o Thunder se dá bem em finais de jogos porque eles tem jogadas fáceis. Ao contrário de times como o Sixers ou o Wolves, que precisam construir jogadas, eles podem simplesmente apelar para a individualidade. E ontem isso nem parecia uma má ideia, afinal James Harden era marcado por Kevin Martin, que não é nenhum monstro defensivo e Kevin Durant, um dos jogadores ofensivos mais completos da NBA, estava encarando a marcação do novato-com-espinha-na-cara Chandler Parsons. O pivete jogou bem (14 pontos, 7 rebotes), mas em teoria deveria ter sido um massacre de Durant.
Após o jogo choveram críticas no Twitter de jornalistas gringos sobre o ataque do Thunder, inexistente na opinião deles, nos minutos finais de jogo. Concordo e discordo. Concordo que ontem em especial foi bem ruim, mas não que o problema sejam as isolações, mas sim as decisões que cada jogador tomou individualmente nesse caso. Está certo deixar Durant se virar contra um novato, mas aí o ala do Thunder precisa fazer sua parte e criar um arremesso decente, não forçar uma bola lá do quinto dos infernos. Ter uma ou outra jogada desenhada ou ensaiada não iria atrapalhar, é até obrigação, mas não vejo como um desastre também. Tem dado bem certo até agora, acho.
O Boston Celtics continua sua temporada de altos e baixos. Em alguns momentos ainda são a melhor defesa da NBA, aí de repente tomam uma renca de pontos de contra-ataque do Pistons e perdem para um dos piores times da NBA em casa. Vai entender. Ontem nem Paul Pierce (3/11 arremessos, 10 pontos) ou Ray Allen (1/5 arremessos, 10 pontos) conseguiram se achar no jogo, sobrou para Rajon Rondo fazer o máximo de pontos da sua carreira, 35, para pelo menos deixar o time na disputa. Mas algumas bolas de 3 de Ben Gordon no último período decidiram. E Greg Monroe foi até discreto com 22 pontos em 11/14 arremessos e 9 rebotes. Pelo Celtics estar sem o Garnett, machucado, achei que era dia pra ele meter uns 30.
Depois daquela semana de recordes desastrosos, o Orlando Magic aos poucos vai engrenando de novo. Difícil apostar se o time está bem mesmo ou só se despedindo com carinho de Dwight Howard, mas é fato que conseguiram ontem sua 3ª vitória seguida, esta sobre o forte Philadelphia 76ers. Em dias que o Magic roda bem a bola e acerta 15/25 bolas de 3 pontos fica difícil segurá-los para qualquer defesa. Ryan Anderson foi o cestinha com 27 pontos e espetacular aproveitamento de 7/10 em bolas de 3 pontos. Foi o jeito dele comemorar o fato de que estará disputando o torneio de 3 pontos no All-Star Weekend desse ano. Junto dele estarão o atual campeão James Jones além de Mario Chalmers, Anthony Morrow, Kevin Love e Joe Johnson.
Lembra que o Ricky Rubio disse que o Wolves deveria ser mais agressivo no início dos jogos? Não foram. Perderam o primeiro quarto e o primeiro tempo para o lixo do Charlotte Bobcats. Por sorte o Charlotte Bobcats é um lixo (já disse isso?) e deu pra virar. Nikola Pekovic jogou bem de novo, assim como sempre joga Kevin Love, mas a defesa do time caiu muito desde a saída de Darko Milicic e o time tem sentido o baque. Em compensação lembra que eu disse ontem que o Blazers tinha recorde de 1 vitória e 9 derrotas em jogos decididos por 5 pontos ou menos? E que aí questionei o Jamal Crawford? Ontem derrotaram o Warriors por 2 pontinhos e os últimos 5 pontos do time foram do Crawford. Em tempos de Jeremy Lin é bom ver pelo menos alguma coisa voltando a fazer sentido.
E por falar em Jeremy Lin, ontem ele resolveu mostrar que não é só de marcar pontos. A maior sensação da NBA deu 13 assistências na fácil vitória sobre o Sacramento Kings. Dessas 13, 4 foram em ponte-aérea, uma delas é uma das jogadas mais bonitas dos últimos tempos. Tanta gente odeia o Mike D'Antoni, mas ele cria umas coisas lindas no ataque. Amar'e Stoudemire recebe a bola, solta a bola para Jeremy Lin, como se fossem fazer um pick-and-roll, mas do outro lado da quadra Tyson Chandler está fazendo um bloqueio para a infiltração de Landry Fields, que recebe o passe. Simplesmente perfeito.
O Troféu Maria da Penha do dia é uma difícil decisão. Indiana Pacers ou Denver Nuggets? O Pacers perdeu do Cavs de apenas 11 pontos, mas isso porque se recuperaram no final, chegaram a apanhar de 20 de diferença no meio do 3º período e deram apenas 9 assistências o jogo todo! E foi contra o Cavs! Na temporada passada inteira em apenas 6 ocasiões um time falhou em dar pelo menos 10 assistências em uma partida, nesse ano é a 4ª vez que isso acontece, segunda do Indiana Pacers (Heat e Nets são os outros). Por outro lado o Nuggets precisou vencer o último período por 11 pontos para se dar ao luxo de dizer que perdeu só de 18 de diferença para o Dallas Mavericks. A ESPN brazuca sempre dá azar nos jogos que passa de quarta-feira. Teria sido até melhor ter transmitido o "Jogo-que-ninguém-assistiu-da-rodada", um clássico Bucks e Hornets, que foi decidido no final quando Ersan Ilyasova errou uma bandeja não muito difícil que poderia ter empatado o jogo. Vitória do Hornets com double-double do mexicano Gustavo Ayon, 12 pontos e 12 rebotes.
Em New Jersey o Nets teve a chance de derrotar o Grizzlies, mas dos 26 pontos de Deron Williams, nenhum aconteceu no último período. Em compensação Marreese Speights mostrou a que veio e jogou alguma coisa. Quer dizer, jogou pra caralho: 20 pontos, 18 rebotes (6 ofensivos) e foi decisivo no 4º período. Jogada da partida: Tony Allen abraça e beija Deron Williams após acertar um tapa na cara dele.
Estamos terminando. Em Phoenix o Suns chegou a abrir mais de 10 pontos sobre o Atlanta Hawks, mas é o Suns, 10 pontos de vantagem pra eles é como se fossem só 3 para um time comum. O Hawks respondeu com um gazilhão de jogadas boas do Josh Smith, incluindo até aquelas bolas de 3 e arremessos longos de 2 que eu abomino. Bom para o meu fantasy que ele acertou e acabou o jogo com 30 pontos, 17 rebotes, 7 assistências e 4 roubos. E me oferecem cada merda em troca dele que vocês não acreditam. O Suns ainda reagiu no final e Channing Frye teve um arremesso sem marcação para empatar o jogo no final, mas errou por muito. Para fechar teve a vitória do Lob Angeles Clippers sobre o Washington Wizards. Não vou gastar caracteres descrevendo ponte-aérea, vocês podem ver tudo no Top 10 da Rodada.
.... Fotos da Rodada
Kirk Hinrich nunca será respeitado com esses óculos
Eles não parecem se divertir com isso
É o co-fundador do YouTube assistindo o Warriors, mas pra gente é só alguém querendo parecer o Jeremy Lin
60% dos estupros são feitos por uma pessoa conhecida da vítima
3 Jogadores frustrados já comentaram:
http://www.basketball-reference.com/play-index/pgl_finder.cgi?request=1&player=&match=game&year_min=&year_max=2012&age_min=0&age_max=99&team_id=&opp_id=&is_playoffs=N&game_num_min=0&game_num_max=99&game_month=&game_location=&game_result=&is_starter=&is_active=&is_hof=&pos_is_g=Y&pos_is_gf=Y&pos_is_f=Y&pos_is_fg=Y&pos_is_fc=Y&pos_is_c=Y&pos_is_cf=Y&c1stat=pts&c1comp=gt&c1val=30&c2stat=trb&c2comp=gt&c2val=17&c3stat=ast&c3comp=gt&c3val=7&c4stat=stl&c4comp=gt&c4val=4&order_by=pts
O Josh Smith fez um jogo espectacular.
A última falta é penalty claro, o zagueiro faz a alavanca e sai com a bola dominada. HUAhuahuahuahuauh
À espera de Jeremy Lin: http://brazilianhornet.wordpress.com/2012/02/16/a-espera-de-jeremy-lin/
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