sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O fim (do locaute) está próximo

George Cohen, com ajuda de viagens à Rússia e uma gripe, podem estar salvando a temporada


Perguntas sem resposta ainda existem aos montes quando o assunto é a greve/locaute da NBA. Mas uma que para mim nunca vai ter resposta satisfatória é "Por que tentar resolver as coisas tão em cima da hora?". Se fosse por aqui diríamos que é coisa da nossa cultura brasileira esperar a água bater na bunda para só então dar um jeitinho. Mas não, estamos falando dos EUA e de dinheiro, não é um assunto que eles costumam deixar de lado e resolver quando dá. Talvez parte da estratégia dos donos ou dos jogadores fosse deixar o outro lado nervoso com a perda de jogos, mas será que os joguinhos mentais valeram a pena? Começar a se reunir todos os dias apenas agora, em outubro, soa como burrice pra mim.

Sendo algo burro ou não, planejado ou não, a verdade é que as reuniões desse mês foram uma montanha-russa. A cada dia eram notícias diferentes relatando boas reuniões, brigas, gente chamando outros de mentirosos, acordos próximos de acontecer e qualquer coisa que você puder imaginar. Hesitei bastante em escrever aqui sobre o assunto porque tudo o que eu lia parecia inconsistente e pouco confiável. Mas ontem não. Após mais uma longa reunião, Billy Hunter, o principal representante da União dos Jogadores, e David Stern, o comissário da NBA que representa os donos, deram depoimentos semelhantes e em meio a sorrisos até fizeram gracinhas. Quando um repórter perguntou a Hunter se haviam feito algum acordo mais importante, Stern, rindo, respondeu de fundo "Amanhã! Amanhã!". E a que tudo indica é isso mesmo, a não ser que algum desastre aconteça na reunião de hoje, estamos vivendo o dia em que um novo acordo pode ser acertado e a paralisação da NBA pode chegar ao fim. Como chegamos até esse dia é uma loucura.

Embora o otimismo seja justificável, não seria a primeira vez que as partes estiveram tão próximas, portanto é sempre bom ter um, dois e até alguns pés emprestados atrás. No dia 4 de outubro houve uma reunião em que os donos estavam representados por David Stern, Adam Silver, braço-direito do comissário e Peter Holt, dono do Spurs. Os jogadores estavam com Derek Fisher, Billy Hunter e seus advogados, Ron Klempner e o temido Jeffrey Kessler. Este último havia dado a entender que os jogadores poderiam sim aceitar uma divisão do BRI, a soma de todos os ganhos da liga, em 50% para cada lado, apenas dependendo de muitas outras coisas, algo que animou os donos a fechar um negócio. Nada estava concluído, claro, mas Billy Hunter disse que "poderíamos viver tranquiliamente com o acordo que estávamos próximos a fechar". Foi então hora dos dois lados se separarem e irem conversar com os que representam: Stern, Silver e Holt iriam contar as novas para os donos e Fisher e Hunter para os jogadores que estavam presentes naquele dia.

Enquanto os donos ainda começavam a conversar, ouviram alguém batendo na porta. Eram os jogadores. Mas não Fisher, nem Hunter e nem qualquer outro dos que tem os cargos mais importantes da União, Maurice Evans, Chris Paul, Theo Ratliff, Matt Bonner, Roger Mason e Ethan Thomas, eram na verdade Paul Pierce, Kevin Garnett e Kobe Bryant, os três veteranos, que pouco participaram de todas as outras rodadas de negociação estavam lá para deixar bem claro que a União não iria aceitar a divisão em 50% em hipótese alguma. O pequeno racha entre os jogadores queimou o melhor clima para negociações desde o começo da paralisação da NBA em 1º de Julho.

Depois dessa inacreditável ducha de água fria o próximo passo encontrado pelas duas partes foi chamar um mediador. O escolhido foi George Cohen, que trabalha para o governo dos EUA como mediador de disputas trabalhistas e tem experiência em acordos realizados pelas ligas profissionais de Futebol Americano e Hóquei, o acordo da NFL foi um impasse resolvido há pouco tempo e Cohen teve participação direta. O cara tem tanta moral que foi indicado por Barack Obama como diretor da Federal Mediation and Conciliation Service que media qualquer tipo de impasse que possa estar atrapalhando a economia do país. A credibilidade dele entre os dois lados parecia ser o ponto que faltava para se chegar a algum acordo.

O trabalho de Cohen, segundo matéria do New York Times, inclui resolver problemas no setor de aviação, funcionários públicos e até entre músicos e as orquestras onde tocam. Para ele, existem grandes diferenças entre esses meios e o esportivo. "Os esportes tem uma diferença chave. Aqui você tem duas partes, os donos e a União, mas você também tem o comissário, que representa a Liga e é uma terceira parte. E por trás disso ainda existe uma quarta parte, os agentes que representam individualmente os jogadores e são uma voz ativa. Por fim ainda existe o interesse dos fãs que acompanham o esporte".


A sua estratégia, como ele diz que é em todos os casos, foi de começar com os assuntos menores, os mais fáceis de serem resolvidos para só depois alcançar os mais complicados. No caso da NBA, o difícil é a divisão do BRI. Isso explica porque após dois dias de reuniões que, juntas, quase chegaram em 20 horas, as poucas palavras ditas pelos envolvidos eram sobre tudo, menos a divisão do dinheiro.

O silêncio, contaram, era ordem de Cohen, que achava que a discussão pública das reuniões prejudicava o andamento delas. No terceiro e decisivo dia de negociações, foram mais umas 10 horas de conversa até que todos fossem dar suas entrevistas coletivas. Ao invés de ouvir que a liga não perderia jogos e teria suas 82 partidas normalmente, escutamos Adam Silver dizer que "Não conseguimos diminuir as distâncias entre as duas partes", e Fisher afirmar que "Vocês ouviram mentiras deles hoje. Os jogadores querem negociar, mas os donos se recusam a conversar sobre qualquer coisa se não aceitarmos a divisão em 50-50".  Pode piorar? Sempre. George Cohen disse que até estaria à disposição para consultas, mas que se retirava oficialmente da mediação depois daquele dia.

Última semana de outubro, consecutivos desastres nas reuniões, jogos cancelados e um mediador federal pulando pra fora. Quem estava otimista há uma semana era louco e/ou desinformado. Na busca por apontar vilões, foram aparecendo alguns nomes: Paul Allen, co-fundador da Microsoft e dono do Portland Trail Blazers, foi o primeiro. Ele não costumava aparecer nas reuniões, mas foi lá depois de reclamar que David Stern e Adam Silver não estavam sendo fortes o bastante na proposta inicial dos donos de oferecer 47% do BRI para os jogadores. Disseram para ele ir lá e propor isso de novo para o advogado Jeffrey Kessler e ver no que dava. Allen foi e, claro, saíram faíscas. Kessler foi também apontado como um dos culpados. Por ser muito duro ele não estava disposto a fazer nenhuma concessão, emperrando as negociações. Ele também estava nas negociações da NFL e se por um lado só houve resultado quando ele foi afastado do cargo, por outro muitos acreditam que os jogadores não conseguiram tudo o que poderiam. No fim os dois eram cabeças-dura demais em uma época em que não dava mais pra ficar batendo cabeça.

Nesse clima ruim a perspectiva de novas reuniões não era promissor, na última os donos haviam dito que se não fosse para ter uma divisão de 50-50, não haveria o que discutir. Se de repente eles se encontraram de novo nos últimos dias é porque essa divisão foi aceita? Não exatamente. Como explicado nesse ótimo post do JA Adande no TrueHoop, os donos perderam muita força com a mídia e os fãs depois que Derek Fisher chamou os donos de mentirosos. David Stern, que estava gripado e participou daquela reunião apenas por teleconferência, não estava lá para rebater e os jogadores pareciam ganhar a opinião pública para eles. Na análise de Adande, os donos perceberam que era hora de aproveitar sua vantagem no jogo (grande, segundo ele) antes que os jogadores começassem a se recuperar demais. Era hora de fechar negócio.

Foi então que as reuniões dos últimos dias então foram marcadas e ganharam ainda ajuda divina. Paul Allen não compareceu e Jeffrey Kessler, com compromissos profissionais na Rússia, não pôde ir. Isso sem contar que Kevin Garnett, Paul Pierce e Kobe Bryant ficaram novamente longe, claro. Com o ambiente mais leve era hora de negociar. Os jogadores deixaram clara sua proposta de 53% do BRI (número defendido por todos os jogadores), uma significante baixa em relação aos 57% que têm há cerca de 10 anos, mas ainda mais que a metade. Mas ao mesmo tempo deixaram claro que não estão fechados à ideia dos 50% desde que o sistema da NBA os favoreça.

Explico o lado dos atletas: eles não querem que a NBA tenha um hard cap (os donos já abriram mão disso), não querem o fim dos Bird Rights (direito dos times ultrapassaram o limite salarial para manter jogadores seus) e nem das exceções de contrato (coisas como o mid-level, que permite a times sem espaço salarial contratar jogadores). Essas regras dentro do sistema de funcionamento da liga dão aos jogadores maiores chances e garantias de contrato, não envolve diminuição do número de jogadores na liga e não os pune por atuarem mal, como alguns donos queriam. Esses luxos, se garantidos, poderiam compensar as perdas de porcentagem na divisão do BRI. Por outro lado, os donos podem aceitar 51% ou 52% para os jogadores se o sistema permitir que jogadores possam ser mandados embora com mais facilidade e os contratos máximos não sejam tão longos.

O que estão dizendo, embora, como disse, pouca coisa seja totalmente confirmada, é que essa abordagem de tratar o sistema antes da divisão do dinheiro foi uma herança positiva da atuação de George Cohen e algo decisivo para o sentimento de progresso. E que bastou as cabeças esfriarem desde aquela desastrosa última reunião com o mediador para os dois lados perceberem que poderiam estar próximos de um negócio. A perspectiva de que estamos alcançando a data limite para que a temporada ainda possa ser disputada em sua totalidade certamente ajudou a apressar as coisas.

Hoje é o grande dia. Mesmo que não se feche tudo nessa reunião, é esperado que após o encontro os dois lados afirmem que a formalidade do contrato assinado é questão de dias. Quando tudo estiver em pratos limpos as histórias desses dias de negociação devem começar a vazar e veremos o que aconteceu de verdade nesse vai-e-vem de milionários e bilionários dividindo seu rico dinheirinho.

Atualização - 29/10
Pois é, não foi ontem. A NBA diz que os atletas não fizeram as concessões necessárias e a União dos Jogadores diz que assim que a União fez algumas concessões, o olho da NBA cresceu e eles queriam mais e mais, obrigando a União a parar. Dessa vez não dá pra ficar do lado dos donos, se tem alguém fazendo concessões nessa brincadeira são os jogadores, que estão topando sair dos 57% do BRI para até 50%!

Os jogadores precisam mesmo segurar o ímpeto dos donos e sem desespero se manter ao que foi definido por eles. Os donos precisam entender que se conseguirem 50% ou até 51% já foi uma grande vitória deles.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Draftados em 2001 - Escolhas 11 a 20

Depois de ler os posts que fizemos sobre o Draft de 2001, um sobre o Top 3 e o outro sobre o resto do Top 10, você pode pensar que esse foi o pior Draft da história. Certamente não foi um dos melhores, mas é curioso que o que salva ele da lista de piores é o que iremos começar a ver agora. Os 10 primeiros escolhidos são realmente de nível duvidoso, mas depois começam a aparecer nomes que salvam esse ano. Aos poucos chegamos neles, vamos lá, vocês vão ver.



11- Kedrick Brown, SF (Boston Celtics)

Esperem, esperem, o filet mignon do Draft 2011 está realmente mais para trás, não começa logo na escolha 11. O Kedrick Brown é considerado por alguns como uma das piores escolhas da história do Boston Celtics. Logo após escolherem o Joe Johnson, os verdes tiveram outra escolha e dessa vez erraram feio. Em 3 anos que jogou (pouco) pelo Celtics, Brown mostrou-se atlético, rápido e só, nada de basquete. Não se destacou e acabou sendo trocado assim que o Danny Ainge assumiu a direção do time, indo para o Cavs junto de Tony Battie e Eric Williams em troca de Ricky Davis, Chris Mihm e Michael Stewart. No Cavs durou pouco e depois, no Sixers, jogou apenas 8 jogos.

Hoje Brown joga no Bornova Belediye da Turquia, mas é curioso que em 2009 ele chegou perto de voltar ao Celtics quando se destacou jogando pelo Anaheim Arsenal, um time já extinto da D-League. Na liga de desenvolvimento da NBA ele teve média de 18 pontos por jogo e ameaçou uma volta à liga, mas acabou não sobrando espaço pra ele, que voltou para a Europa. Brown é até hoje o primeiro e último jogador da Okaloosa-Walton Community College a chegar na NBA. Certamente não ficou uma boa impressão.


12- Vladmir Radmanovic, SF/PF (Seattle Supersonics)


Ah, Radmanovic! Saudade dos tempos dele no Lakers (só que ao contrário). Hoje em dia acho que o ala sérvio não seria escolhido tão cedo, mas naquele tempo os grandes arremessadores europeus estavam em alta. O Peja Stojakovic estava vivendo grande momento, Dirk Nowitzki era conhecido apenas como arremessador e essa era a imagem dos europeus em geral. Com exceção talvez de Arvydas Sabonis e Vlade Divac, pivôs, o resto dos atletas do velho mundo eram conhecidos por serem chutadores com pouco físico e nenhuma defesa. Um pouco desse estereótipo dura até hoje, aliás.

O Radmanovic abraçou o estereótipo e aceitou seu papel de arremessador. Em parte, talvez, porque não era bom o bastante para mudar seu jogo como Pau Gasol ou Dirk Nowitzki, em parte também porque foi escolhido por um time que vivia dos arremessos de longa distância e incentivava isso de seus jogadores o tempo todo. Em seu primeiro ano no falecido Sonics, jogava com o ainda bom Gary Payton e dividia bolas de longa distância com um jovem Rashard Lewis. Mas depois Payton foi trocado por Ray Allen e aí o time abraçou de vez as bolas de longa distância. Em 2004-05, com Allen, Lewis, Luke Ridnour, Antonio Daniels e Radmanovic, o time era fora de série nos 3 pontos e mesmo sem bons pivôs fez boa temporada, o que levou o time até o jogo 6 da semi-final do Oeste com o futuro campeão Spurs. Com 11.8 pontos por jogo e papel importante em um bom time, pode ser considerado o melhor ano da carreira de Radmanovic.

Com o desmanche daquele time, Vlad Rad foi para o Clippers, onde jogou pouco e depois foi como Free Agent para o Lakers. Lá ganhou destaque na temporada 2007-08 quando Trevor Ariza se machucou e o sérvio sobrou como titular em um time que foi até a final da liga. Lá vimos os limites do jogador. Como um arremessador que entra e dá uns chutes, ele é ótimo, teve mais de 40% de aproveitamento dos 3 pontos nos seus anos de Lakers, mas quando teve que jogar minutos importantes e marcar Paul Pierce na final se mostrou limitado demais e acabou comprometendo.

Curioso que o que acabou queimando o Radmanovic no Lakers não foi sua defesa ruim ou recursos limitados, mas quando ele machucou o ombro no meio da temporada e mentiu sobre a razão. Disse que havia escorregado e caído com o ombro no chão, mas com a consciência pesando ele foi atrás de Phil Jackson e contou que havia saído para viajar e fazer snowboard. Daí o ótimo apelido "Slalom Radmvanovic". Hoje, com 30 anos, Radmanovic joga pouco e faz pouco pelo Golden State Warriors.

Abaixo um vídeo em que o Radmanovic diz que os primeiros 10.000 torcedores que chegarem à KeyArena para assistir Sonics x Hawks irão ganhar... um cobertor? Não é à toa que o time acabou




13- Richard Jefferson, SF (Houston Rockets)
Trocado na noite do Draft para o New Jersey Nets em troca de Eddie Griffin




Aqui a lista vai começando a melhorar, acreditem. A imagem que o Richard Jefferson tem com os fãs mais novos não deve ser muito boa, ele foi mal no seu ano de Bucks, terrível na primeira temporada com o Spurs e apenas razoável no ano passado, apesar de ótimo começo de temporada. Mas saibam que antes disso ele teve uma carreira muito boa pelo New Jersey Nets, muito boa mesmo, chegou até a impressionantes 22 pontos e 7 rebotes por jogo na temporada 2004-05, quando quase foi para o All-Star Game.

O que aconteceu é que lá ele estava na situação perfeita. Ele chegou no Nets quando eles haviam acabado de trocar Stephon Marbury por Jason Kidd que, no auge da carreira, fazia qualquer ser humano que  soubesse andar e levantar os braços parecer o cara mais espetacular do mundo. Aquele era um time que tinha forte defesa e fazia pontos de contra-ataques, Jefferson era muito bom nas duas coisas e acabava parecendo até melhor do que era de verdade. É um caso tradicional de cara que só funciona no lugar certo, e ele teve sorte de começar a vida de NBA no lugar certo, a troca pelo Eddie Griffin pode ter salvado sua carreira.




14- Troy Murphy, PF (Golden State Warriors)

Não é estranho como agora a lista começa a ter mais nomes conhecidos do que o fim do Top 10 com DeSagana Diop e Rodney White? Troy Murphy, seguindo a lei que leva o seu sobrenome, teve o oposto da sorte de Richard Jefferson. Apesar de boa carreira, sólidos números e poucas contusões ao longo dos anos, só foi disputar nesse ano, aos 30, sua primeira série de playoff! Quer dizer, sua passagem pelo Celtics foi tão apagada que mal se pode considerar isso, ele só entrou em um jogo da pós-temporada e atuou por 3 minutos. Ele não é mais o bom jogador que impressionou no começo da última década.

Pelo Warriors atuou 5 temporadas e meia e passou dos 10 rebotes de média em 3 delas, nunca deixando de contribuir em pontos (geralmente na casa dos 15 por jogo) e muitas bolas de 3 pontos. Durante alguns anos era um jogador muito valorizado nos jogos de fantasy porque era um dos poucos alas de força que contribuíam em bolas de 3 e rebotes ao mesmo tempo. O resto do jogo não se destacou, o que é engraçado já que no basquete universitário ele até que ganhou certa fama por ter um bom jogo de costas para a cesta e pelo bom passe, mas nunca chegou perto de mostrar isso entre os profissionais.

Ao sair do Warriors continuou a fazer a mesma coisa no Indiana Pacers, que estava em momento péssimo, diga-se de passagem. Manteve os bons números até a temporada retrasada, mas ano passado perdeu espaço no Pacers, foi trocado para o Nets, conseguiu um buyout e então assinou com o Celtics na esperança de finalmente atuar por um time vencedor. Mas chegou no meio da temporada e não teve muito espaço atrás de Kevin Garnett e Glen Davis. Em um Draft com poucos talentos, Murphy foi um que tinha qualidade, mas foi mal aproveitado.


15- Steven Hunter, C (Orlando Magic)

A ilusão do pivô gigantesco no meio do Draft. Uma dica aos General Managers que certamente leem o Bola Presa: Se o cara tem o físico perfeito, a altura perfeita e sobrou até a sua 15ª escolha é porque provavelmente ele não sabe jogar basquete. Com raríssimas exceções de especialistas em defesa (tipo Kendrick Perkins e DeAndre Jordan) os pivôs escolhidos a partir da metade da primeira rodada costumam ser fracassos enormes. Mas toda garota acha que é ela, só ela, que vai transformar o bad boy em príncipe. Não funciona.

O Magic escolheu Steven Hunter para cobrir uma posição que naquele ano de estréia dele era dividia entre o já velho (e baixo para a posição) Horace Grant, o ridículo Andrew DeClerq e, acreditem, Patrick Ewing e seus joelhos castigados por 16 temporadas de NBA. Acreditem, foi triste ver Ewing acabar o ano com média de 6 pontos e jogando em câmera lenta, mas bem melhor do que ver Hunter não fazer nada.

O pivô, pelo seu tamanho e uma suposta boa defesa (que eu nunca vi), ainda conseguiu jogar 3 anos pelo Magic e depois em Phoenix, Philadelphia (onde foi mais relevante, até sendo titular muitas vezes), Denver e Memphis, seu último time em 2009-10.


16- Kirk Haston, PF (Charlotte Hornets)


Outro dia li uma análise de um cara que dizia que o Hornets foi o time que melhor draftou jogadores nos últimos 10 anos. A primeira posição certamente não foi por causa de Kirk Haston e sua aparência de jogador dos anos 50. Ou melhor, ele não é a cara do Phil Dunphy da série Modern Family?

Apesar da boa carreira universitária, poucos acreditavam que ele seria um bom jogador profissional. Não tinha o físico para sua posição de ala de força e muito menos a velocidade para compensar isso. Mas foi nessa temporada que a NBA liberou a defesa por zona e os times começaram a procurar jogadores que soubessem jogar contra essas defesas. Na época comentou-se que Haston, que tinha bom arremesso de meia distância, seria um bom nome para punir times que fechassem o garrafão com uma defesa por zona. Acabou sendo um exagero, já que quase ninguém naquele ano usou essa defesa e Haston não pôde usar seu trunfo.

Acabou ficando só duas temporadas na NBA, jogando 15 jogos na primeira e apenas 12 na segunda! Péssimo para um jogador escolhido no meio da primeira rodada. Ele foi então mandado para a Liga de Desenvolvimento da NBA, onde tinha boa média de 17 pontos e 8 rebotes até machucar feio o joelho e perder suas chances no basquete dos EUA. Ele ainda tentou em 2005 jogar na Itália, mas nova contusão no joelho acabou com as negociações. Hoje Haston é técnico do time da escola onde ele fez o colegial.


17- Michael Bradley, C (Toronto Raptors)


Se estiverem com preguiça de ler é só considerar que a história do Michael Bradley é a mesma do Hunter com um pitaco de Kirk Haston. Se tem um time que, ao contrário do Hornets, nunca foi conhecido por ir bem em Drafts, esse é o Toronto Raptors. E aqui eles também caíram no conto do vigário do pivô dando sopa. Tá bom que Bradley chegou a ter médias de 20 pontos e 10 rebotes no seu último ano de Universidade de Villanova, mas se mesmo com números expressivos ele foi ignorado por todo mundo é porque daí não ia sair nada mesmo.

Ele chegou a ter boas oportunidades nos seus primeiros anos de Raptors, mas o máximo que conseguia ser é aquele pivô que entra para pegar alguns rebotes enquanto o titular toma uma água e se prepara para voltar. Mais discreto e dispensável, impossível. Seu melhor momento na NBA foi seu segundo ano, quando chegou aos 20 minutos por jogo. Mas, precisamos dizer a verdade, era mais porque o titular da posição era o Jerome Williams do que por talento do Bradley.

Depois de passagens por Espanha, Alemanha, Lituânia e Dinamarca ele abandonou a carreira de jogador e hoje é técnico de um time de jogadores colegiais.


18- Jason Collins, C (New Jersey Nets)


Tantos pivôs ruins escolhidos em sequência, um recorde? O recorde de pivôs ruins escolhidos em uma única edição do Draft certamente é desse ano de 2001, chega a dar raiva. E dentro dessa lista de péssimos jogadores até dá pra achar que o Collins é um cara de grande talento e carreira vitoriosa.

Ao lado do outro novato do Nets, Richard Jefferson, Collins teve importância naquele time que chegou às finais contra o Lakers, jogando 18 minutos por jogo. Claro que nas finais sempre entrava em quadra só para tomar uma surra do Shaq, mas com quem era diferente naquela época, certo? E no ano seguinte ele até ganhou a posição de titular do time (que foi de novo para as finais) e se segurou entre os titulares do Nets até a temporada 2007-08. Com números baixos em todos os quesitos possíveis e imagináveis, muita gente sempre o questionou, mas Collins é um desses caras que não são favorecidos pelas estatísticas.

Apenas uma vez lembro que o site 82games.com fez uma lista de números complicadíssimos que tentava mostrar os melhores defensores da NBA e Collins estava entre os primeiros. Com o avanço do plus/minus, que mostra o desempenho do time com cada jogador em quadra, Collins também começou a ser mais reconhecido. Hoje ele é, ao lado de Kendrick Perkins, o cara que melhor consegue marcar o Dwight Howard, o pivô de maior destaque da atualidade.

O pivô do Nets, que depois passou por Grizzlies e hoje está no Hawks, era, porém, um freguês de Yao Ming e outros pivôs mais técnicos. Seu forte é mesmo marcar caras mais físicos e com menos recursos. Apesar de limitadíssimo, poderia ter recebido mais reconhecimento por sua defesa ao longo da carreira.


19- Zach Randolph (Portland Trail Blazers)


Falei que o melhor estava para depois! Dos 7 jogadores desse Draft 2001 que já foram para All-Star Games, Randolph é apenas o terceiro que já apareceu na nossa lista (Gasol e Joe Johnson foram os outros), para vocês verem como a nata ficou muito para trás.

Os novos leitores podem não ter percebido, mas o Zach Randolph é uma espécie de ídolo/piada/mascote/símbolo do Bola Presa. O zoamos muito quando era um gordo preguiçoso e fominha, ele já venceu Prêmio Bola Presa de pior jogada do ano e suas gordurinhas foram um dos assuntos mais discutidos dos nossos posts. Mas ele se redimiu, virou um grande jogador e nos últimos playoffs só não fez mais diferença que Dirk Nowitzki. Quem quer saber mais da história de Z-Bo pode ler esse post que fizemos para oficializar que nosso gordinho favorito não era mais uma piada, mas sim um dos melhores jogadores da NBA atualmente.


20- Brendan Haywood (Cleveland Cavaliers)
Trocado para o Orlando Magic e logo depois para o Washington Wizards antes mesmo da sua primeira temporada na NBA


Eu não estava brincando quando falei do recorde de pivôs! E quando Jason Collins e Brendan Haywood estão entre os melhores da lista é porque a coisa foi braba. O Haywood é um dos exemplos que eu gosto de usar quando questiono se é realmente interessante para um time escolher jogadores muito novos, mesmo que esses pareçam bastante promissores. É inegável que o Haywood teve bons momentos no Wizards e que bons pivôs são difíceis de achar, mas será que valeu a pena investir e esperar durante quase 6 ou 7 anos até que ele começasse a jogar em real alto nível?

Suas primeiras duas temporadas foram na sombra daquele time que o Michael Jordan montou as pressas para tentar chegar aos playoffs. Não era o ideal para um jogador crescer, mas depois ele teve espaço e foi pouco a pouco melhorando o seu jogo. Em 2007-08 apenas é que ele se estabeleceu como pivô titular e passou a jogar bons e consistentes minutos por jogo. Mas dois anos depois, buscando uma reconstrução, Haywood foi usado como moeda de troca ao lado de Caron Butler na troca que fizeram com o Dallas Mavericks. Quer dizer que finalmente quando o cara começa a jogar bem a relação está tão desgastada que é hora dele ir embora? Isso quando o jogador não pede para sair quando vira alguém.

No Mavs ele fez uma boa primeira temporada, o que rendeu uma extensão de contrato bem gorda. Mas então surgiu a chance do Mavs conseguir Tyson Chandler e eles não se incomodaram em pagar muito para Haywood ser reserva. Na sombra de Chandler ele fez temporada discreta e hoje é campeão da NBA.

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No próximo post da série fechamos a estranha 1ª rodada de 2001 que teve só 28 escolhas. Mais All-Stars a caminho, aguardem!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Draftados em 2001 - O Top 10

No último post anunciei essa nova série de textos sobre os jogadores que foram Draftados em 2001. No aperitivo que publiquei dias atrás falei sobre o Top 3 daquele ano, Kwame Brown, Tyson Chandler e Pau Gasol. Comentamos sobre as expectativas sobre eles quando entraram na liga e o que aconteceu com cada um nos últimos 10 anos.

Agora é hora de analisar os outros 7 jogadores que fecharam o Top 10 daquele Draft 2001.

4- Eddy Curry (Chicago Bulls)



Esse é um típico caso de "E se..." que para sempre vai inundar a imaginação dos fãs da NBA. E se Eddy Curry tivesse mais força de vontade? E se ele tivesse treinado mais? E se ele não fosse mais gordo do que uma convenção inteira de RPG? E se um dia alguém conseguisse entender o que se passa naquela cabecinha?

O pivô era um dos 3 jogadores mais badalados do colegial daquele ano ao lado de Kwame Brown e Tyson Chandler, e a definição da ordem do Draft foi decidida em duelos individuais. Em um treino pré-draft o Kwame Brown chutou o traseiro do Chandler de forma que hoje seria inimaginável, por outro lado Chandler anulou Curry em um encontro entre seus dois times de colegial. Curry passou o jogo inteiro apagado e participando pouco da partida, ninguém entendeu e ele perdeu muita moral.

Mesmo assim ele chegou no Draft recebendo scouts do tipo "Tem força parecida e técnica maior do que Shaquille O'Neal tinha na sua idade" e "Tem qualidades parecidas com Shaq e Wilt Chamberlain, mas sem o problema nos lances livres" e, para terminar, a frase que define sua carreira: "A única coisa que pode fazer Eddy Curry não ser a próxima força dominante da NBA é Eddy Curry".

E foi assim mesmo. Primeiro no Bulls, onde começou ao lado de Tyson Chandler em um time péssimo, sem líderes e ele se perdeu. Frustrado, jogava mal e parecia desinteressado e perdido. Pouco a pouco foi melhorando e em seu último ano de contrato no Bulls surpreendeu fazendo 16 pontos por jogo, dando um sinal de que talvez houvesse futuro ali. Os defeitos eram claros, porém, uma vez o então técnico do Bulls Scott Skiles foi perguntado o que Curry deveria fazer para virar um melhor reboteiro, o treinador respondeu secamente: "pular". O pivô passou da marca dos 10 rebotes em apenas 6 dos 63 jogos que disputou naquela temporada de 04-05.

Foi a vez do New York Knicks aparecer na sua vida. Naquela época, a temporada 05-06, o time de NY estava desesperado pela falta de perspectivas positivas e resolveu gastar muito dinheiro em jogadores ainda não estabelecidos na liga, investiram em Curry, Jerome James e Jamal Crawford, outro ex-Bulls. O primeiro ano foi bem ruim, mas sua segunda temporada foi animadora, com o pivô até beirando os 20 pontos por partida! Incomodava que sua média de rebotes ainda era pífia (7 por jogo em 35 minutos em quadra) e os tocos eram dignos de um armador de 1,80m (0.4 por partida), mas pelo menos ofensivamente ele parecia finalmente chegar um pouco perto do que deveria vir a ser. Doce ilusão: no ano seguinte ele fez a dupla peso pesado com Zach Randolph e os dois viraram chacota mundial por serem o garrafão mais pesado e preguiçoso da história do basquete, a dedicação defensiva deles fazia o glorioso meia Douglas parecer o Gamarra.

Então antes da temporada 08-09 Curry apareceu novamente muito acima do peso para o começo dos treinos com o Knicks. Foi a gota d'água para uma relação já desgastada com o técnico Mike D'Antoni. Naquele ano o pivô jogou apenas 3 partidas e teve média de 1.7 pontos por jogo. Mas 2009 não foi um ano traumático para Curry só por causa do que aconteceu (ou deixou de acontecer) dentro de quadra, foi nesse ano que a ex-namorada do jogador e sua filha foram assassinadas em Chicago. É pouca zoeira?

Depois disso Curry nunca voltou à boa forma e nem pareceu interessado o bastante para tentar uma nova chance. Eventualmente pipocam notícias de que ele estaria pegando pesado nos treinamentos e que o Miami Heat lhe daria uma chance, mas ninguém sabe se isso é verdade mesmo.

Abaixo um vídeo de um dos momentos mais bizarros da história recente da NBA: Bucks e Knicks jogavam em Milwaukee e o jogo estava empatado. Ruben Patterson (!!!) acerta uma bola de 3 usando a tabela (!!!) e coloca o Bucks à frente a 0.9 segundos do fim. Então é a vez de Eddy Curry acertar a segunda bola de três da sua carreira (!!!) e levar o jogo para a prorrogação! Curry acabou esse jogo com 43 pontos (!!!), o máximo de sua carreira. Outro detalhe bizarríssimo: Curry tem 100% de aproveitamento de 3 pontos na carreira, 2 acertos em 2 tentativas (!!!!!!!!!)




5- Jason Richardson (Golden State Warriors)


O Jason Richardson é um caso estranho nesse Draft de 2001: ele se tornou o que esperavam que ele iria virar. Tá bom que alguns analistas muito otimistas costumavam dizer lá pelos meios de 2004 e 2005 que a próxima temporada sempre seria aquela em que o J-Rich iria se tornar uma mega estrela da NBA. Exagerados e otimistas, mas em geral todos sabiam que ele era um bom pontuador e nada além disso. O Warriors o draftou por isso, foi o que ele fez e é o que faz há 10 anos.

A única diferença no seu jogo é que quando era mais novo, enterrava mais e batia para dentro do garrafão com mais frequência, hoje, mais velho, apela mais para as bolas de longa distância, no que é muito bom também. Abaixo o meu momento favorito do J-Rich, quando em um duelo de novatos contra segundo-anistas jogou a bola na testa do Carlos Boozer antes de acertar a sua sétima bola de 3 pontos no jogo.



6- Shane Battier (Memphis Grizzlies)


Bons tempos pré-Hasheem Thabeet em que o Memphis Grizzlies saía com dois dos melhores jogadores do Draft, né?

Shane Battier jogou 4 anos pela Universidade de Duke, levando o time a duas finais e um título. O ala era o líder do time, seu melhor defensor era considerado "o jogador que melhor sabe sofrer faltas de ataque na história do basquete universitário". A torcida era tão fanática por ele que a cada falta de ataque sofrida por ele, gritavam "Who's your daddy? Battier!".

A 6ª posição acabou sendo justa para ele, como veterano todos conheciam seu jogo e sabiam como poderia ajudar qualquer time, por outro lado todos descartavam a chance dele ser muito mais do que um role player de luxo. Não daria para esperar 20 pontos por jogo ou coisas do tipo. Assim como J-Rich, teve uma carreira como a prevista em 2001, virou um dos melhores defensores da NBA.


7 - Eddie Griffin (New Jersey Nets)
Trocado no dia do Draft para o Houston Rockets por Jason Collins, Richard Jefferson e Brandon Armstrong




Espero que ninguém fique deprimido ao ler essa série de posts, mas se ficarem, não será por falta de motivos. Já lemos a história derrotada do Kwame Brown, os percalços de Tyson Chandler até a glória do título e o fracasso da carreira de Eddy Curry que teve até filho assassinado. Agora some tudo isso: talento mal utilizado, mal comportamento fora da quadra, decepção dentro dela e morte, é a história de Eddie Griffin.

No seu único ano de Universidade em Seton Hall ele conquistou os EUA. Seu jogo era bonito, eficiente e seu semblante sério dentro da quadra fazia todo mundo lembrar de outro ala de força que há pouco havia entrado na NBA, Tim Duncan. Ele tinha arremesso, força, técnica e tudo isso muito desenvolvido quando só tinha 18 anos de idade, era um daqueles fenômenos difíceis de explicar. Mas como um cara desses cai para a 7ª colocação do Draft, certo?

Ele, ao contrário de Duncan, apenas aparentava calma, mas fora de quadra era explosivo. Chegou a brigar com um companheiro de time e abandonar o time antes de se colocar à disposição do Draft, preocupações em relação a seu comportamento tiraram a coragem de muitos times em escolhê-lo.

O Houston Rockets teve coragem para escolhê-lo, mas os resultados não apareceram logo de cara, sua primeira temporada foi bem irregular. Ele mesclou momentos em que conseguiu 25 pontos e 13 rebotes em jogos consecutivos para depois marcar 2 pontos e parecer que nem estava em quadra. Até normal para um novato, mas isso se manteve durante todo o seu segundo ano. O terceiro, que poderia ser o que ele estouraria, nunca aconteceu. Com problemas de alcoolismo e consecutivas faltas a treinos, o Rockets simplesmente o dispensou. Griffin não conseguiu outro time e passou o resto da temporada em um centro de reabilitação.

O Wolves o contratou depois disso, na época haviam rumores de que Kevin Garnett poderia ser um bom tutor e espécie de irmão mais velho para Griffin, que assim poderia evoluir dentro de quadra e amadurecer fora dela. Nada feito. Ele continuou sua carreira de grandes momentos, em que todos vislumbravam o dia em que ele resolveria jogar assim sempre, e outros em que parecia um jogador comum. O então técnico do Wolves, Dwayne Casey, chegou a dizer que todos na organização tentaram dar uma de psicólogo, amigo ou pai e ajudá-lo, mas em vão. Em 2006 o ala sofreu um acidente de carro em que estava bêbado. Pouco tempo depois o Wolves o mandou embora.

Com a imagem na NBA manchada, alguns amigos próximos diziam que Eddie Griffin se preparava para voltar à boa forma e tentar uma vaga no basquete europeu, mas não deu tempo. Em 17 de agosto de 2007 ele ultrapassou uma barreira de aviso em uma estrada e em alta velocidade bateu contra um trem em movimento, despedaçando o seu carro. Seu corpo foi queimado, muito machucado e somente cerca de 10 dias depois da batida o seu corpo foi reconhecido e todos puderam saber que Eddie Griffin havia morrido. Testes indicaram que ele estava bêbado, com álcool em nível 4 vezes maior do que o permitido no Texas, local do acidente. Como os avisos sobre a linha férrea eram claros, algumas pessoas cogitam que ele atirou o carro contra o trem de propósito.


8- DeSagana Diop (Cleveland Cavaliers)


Mais um da classe de super pivôs colegiais daquele ano. Apesar de ter nascido no Senegal, DeSagana Diop já jogava no high school dos EUA e um jogo em que defendeu Tyson Chandler com perfeição garantiu seu nome entre os principais do Draft. Pois é, naquele tempo achavam que deixar o Chandler sem fazer pontos era algum tipo de grande mérito!

Mas a verdade é que DeSagana Diop acabou virando um bom defensor na sua carreira, o problema é que ele só rendia contra alguns tipos de jogadores e chegava a atrapalhar em outros aspectos do jogo, é uma espécie de Jason Collins só que com o triplo da força nominal.

Nos 4 anos que passou no Cavs ele quase não jogava, era jogador para o famoso "garbage time" ou para entrar e fazer faltas no Shaquille O'Neal, lembro que naquela época não tinha League Pass e eu morria de curiosidade para saber como aquele negão enorme que chegou na NBA com tanta moral jogava.

Só fui descobrir em 2006, quando ele foi para o Dallas Mavericks como Free Agent e ganhou papel importante no time que se classificou para a final da NBA. O Diop que chegou na NBA veloz e razoavelmente magro ganhou tanta massa muscular que acabou perdendo sua mobilidade, porém a força e o bom posicionamento defensivo o fizeram ser o grande marcador do Tim Duncan que o Mavs precisou para vencer aquela série de 7 jogos na semi-final do Oeste contra o Spurs. Por anos eu o chamei, meio brincando e meio sério, de Duncan-Stopper. Contra pivôs um pouco mais velozes ele já era inútil, mas por algum motivo contra o TD ele parecia um gênio, é mais ou menos o caso do Jason Collins com o Dwight Howard.

Essa boa pós-temporada dele no Mavs garantiu contrato pra ele por mais uns anos, mas sempre sem o brilho daquela série contra o Spurs. Chegou a ter espaço em um Bobcats do Larry Brown, é verdade,  mas pode-se considerar Diop um one-hit-wonder da NBA.

No vídeo abaixo poucos grandes momentos de Diop: Um toco em Gilbert Arenas, outro em Tim Duncan (claro!) e um em Carmelo Anthony nos últimos segundos de um jogo que o Mavs vencia por 1 ponto.




9- Rodney White (Detroit Pistons)


Apesar de alguns dos fãs de NBA mais jovens provavelmente não conhecerem o Eddie Griffin e ignorarem a existência do DeSagana Diop, nenhum deles é mais desconhecido atualmente do que Rodney White. E nem é que ele seja realmente tão ruim, apenas é um caso de um jogador que sempre esteve no time errado, na hora errada.

White se destacou no basquete universitário porque apesar de ser bem alto, 2,08m, ele sabia bater a bola, arremessar de longe e tinha um jogo ofensivo bem variado. Como falamos na parte sobre Pau Gasol, jogadores altos que sabiam jogar longe da cesta eram tendência naquela época como short de cintura alta é hoje em dia.

Mas Rodney White não só era um péssimo defensor, era daqueles que nem parecem que estão se esforçando. Isso causou ira no então técnico do Pistons, o atual campeão da NBA Rick Carlisle, que o colocou para jogar em apenas 16 jogos na sua temporada de estreia. Sem perspectiva no clube, foi trocado no ano seguinte para o Denver Nuggets. Faça as contas: Draft de 2001, ano seguinte, Nuggets... é, White estava naquele time horripilante do primeiro ano do Nenê na liga americana! Ao lado de caras como Vincent Yarbrough, Junior Harrington, Chris Whitney e Juwan Howard, fizeram um dos piores times que já vi na vida, incluindo times de pelada de domingo no parque.

O técnico Jeff Bzdelik sabia das limitações do seu time e ele aceitava jogadores que cometiam erros mas tentavam, como o fraco Donnell Harvey, mas White o tirava do sério com seu descomprometimento. No ano seguinte, para piorar, o Denver conseguiu um jogador um pouco melhor justamente na posição de White, um tal de Carmelo Anthony. O ala caiu no esquecimento e até tentou continuar carreira no Warriors, mas estava acabado. Saiu da NBA em 2006 e desde então passou por dois times na Espanha e outros na Itália, Porto Rico, China, Israel e hoje é jogador do Anyang KGC da Coréia do Sul.


10- Joe Johnson (Boston Celtics)

Muita gente não lembra que o JJ jogou no Boston Celtics antes de começar a se destacar no Phoenix Suns no começo da última década. E não é à toa, depois de apenas 48 jogos com os verdes na sua primeira temporada ele foi trocado para o time do Arizona em troca dos veteranos Rodney Rogers e Tony Delk. A justificativa na época era que o Celtics estava desesperado por ajuda imediata para conseguir se classificar para os playoffs pela primeira vez desde 1995. Conseguiram, mas fizeram um negócio terrível no meio do caminho.

Não que Joe Johnson fosse bom como é hoje, na época não estava completamente preparado mesmo, mas a falta de paciência custou um excelente jogador que teria sido, a longo prazo, melhor parceiro para Paul Pierce do que foi Antoine Walker ou qualquer outro até as contrações de Ray Allen e Kevin Garnett. Joe Johnson é uma espécie de jogador-RPG que foi sempre evoluindo pouco a pouco (e em tudo!) durante toda a carreira. Quer dizer, até a temporada bem mais ou menos que fez no ano passado pelo Hawks, mas vocês entenderam.

Curioso ler o que o NBADraft.net escreveu sobre o jogador antes do Draft de 2001:

"Poucos com a altura dele tem a habilidade que Johnson tem com a bola nas mãos. Penny Hardaway, Lamar Odom e Magic Johnson são alguns dos outros. Tem ótima visão de jogo e passe, entende o jogo. Tem uma sensibilidade para o basquete que só os grandes tem. Sabe onde estar em quadra e o que fazer. Fraquezas: Precisa ficar mais forte e aprender um pouco mais sobre o jogo na NBA, entrou muito cedo na liga."


Exagerado, mas se o Celtics tivesse levado a sério e entendido a mensagem clara de que "espere que vai dar certo", eles teriam se dado muito melhor do que com Rodney Rogers e Tony Delk em fim de carreira.


-Agradeço ao leitor @GuiRodrigues23 pela foto do Joe Johnson no Celtics, essa foi muito difícil de achar!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Draftados em 2001 - O Top 3

É duelo de número 1 contra número 2! Pura emoção!


Um dos nossos posts antigos que mais fez sucesso na sua época (2007!) foi uma análise que o Danilo fez do famoso Draft de 2003, conhecido por ser um dos melhores de todos os tempos ao revelar jogadores como LeBron James, Carmelo Anthony, Dwyane Wade, Chris Bosh, Chris Kaman, Kendrick Perkins, David West, Josh Howard, Mo Williams, Leandrinho e muitos outros.

O esquema do post é bem simples, comenta-se um por um todos os jogadores escolhidos na 1ª rodada, e alguns da 2ª rodada. O objetivo é rever a carreira de cada um e principalmente comparar o que aconteceu com eles com o que se esperava quando foram escolhidos. E no final, de bônus no DVD pra quem for assinante do blog, ainda refazemos a ordem do Draft de como ele seria feito hoje, com o conhecimento que temos daqueles times e do que cada jogador se tornou. Em 2003 isso mandou o Darko Milicic da 2ª para a 17ª posição e o Leandrinho dentro do Top 10!

Mas já que fizemos com um dos melhores Drafts, por que não fazer agora com um bem mais contestado? Não chego ao extremo de tratar do Draft de 2000 porque não quero afastar as pessoas ainda mais da NBA, mas vou pegar aquele bem capenga que aconteceu um ano depois.

Então bora lá, Draft de 2001, aí vamos nós!

1- Kwame Brown (Washington Wizards)


Já começamos assim mesmo, chutando o pau da barraca! Há pouco para falar de Kwame Brown depois do post especial que já fizemos contando toda sua trajetória: família pobre de uma cidade minúscula, todas as expectativas do mundo sobre suas costas, cabeça fraca, nenhuma experiência em basquete universitário (nenhuma experiência de vida, aliás), a pressão de ser a 1ª escolha do Draft e ainda ser o principal parceiro do Michael Jordan que voltava à NBA no Wizards. Se isso já poderia ser o suficiente para explodir com os miolos de muita gente boa, imagina com o frágil Kwame!

O que aconteceu com ele nesses últimos 10 anos também todos devem se lembrar, já que ele nunca deixou de ser notícia e oficialmente a maior piada da década dentro da NBA. Foram anos esquentando o banco no Washington Wizards e depois uma bizarra ida para o Los Angeles Lakers, onde virou símbolo (talvez ao lado de Smush Parker) de como era ruim o elenco de apoio de Kobe Bryant nos anos pós-Shaq. De lá foi piada pela milésima vez ao ser trocado por Pau Gasol, mostrando o que aquele Lakers era realmente capaz com um jogador decente de garrafão. Em Memphis, Detroit e Charlotte se manteve na liga como um razoável defensor que atua alguns discretos minutos por partida.

O Wizards obviamente deve se arrepender de tê-lo escolhido, mas acho que erro pior foram os sacrifícios que fizeram em nome do Jordan. Prejudicaram muito a carreira da jovem equipe que tinham em mãos (além de Kwame, Brendan Haywood, Hubert Davis, Etan Thomas e outros) os colocando de lado em nome dos veteranos que Jordan pediu para ajudá-lo a voltar para os playoffs. Nunca saberemos, mas existia uma magra possibilidade do Kwame Brown ter se tornado um jogador bem melhor se não passasse por todos os traumas que aquele seu primeiro ano de NBA proporcionou.

O que muita gente ainda não entende é como ninguém percebeu que o jogador seria um fracasso. Alguns culpam o Wizards por tê-lo escolhido, mas foi um erro geral de percepção, veja o que o especialista NBADraft.net dizia sobre Kwame Brown na época do Draft de 2001:

"Como Garnett, Kwame tem um ótimo atleticismo. Já é mais forte do que KG e pode se transformar em um jogador mais com o estilo de Chris Webber no garrafão. Corre muito bem pela quadra, tem ótima impulsão. Tem bom passe e ótimo controle de bola para alguém do seu tamanho. Ótimo toque no arremesso e isso só deve melhorar. Jogo de costas para a cesta é sólido, é muito bom nos tocos".

Como já diria a internet, é tudo isso mesmo, só que ao contrário.


2- Tyson Chandler (Los Angeles Clippers)
Mandado no dia do Draft para o Chicago Bulls em troca de Elton Brand


Não tô aqui pra ficar humilhando o pobre NBADraft.net, coitados. Já me ajudaram muito a conhecer alguns pirralhos desconhecidos que cobiçavam a NBA, e para mostrar a minha gratidão vou mostrar como eles acertaram em cheio com o Tyson Chandler:

"Caras tão altos com esse atleticismo aparecem uma vez a cada 10 ou 20 anos. Chandler é excelente nos tocos e joga com muita vontade. Tem chance de ser um jogador especial em alguns anos, mas ainda não tem maturidade para entrar na liga. Tem vontade de jogar mais longe da cesta, mas não tem o talento com a bola para isso"

Mãe Dinah, tarô e búzios não teriam feito melhor trabalho. Em uma entrevista a Bill Simmon logo após o seu título com o Dallas Mavericks, Chandler disse que hoje percebe que entrou na NBA completamente despreparado para jogar entre os profissionais, e que estar em um time ruim como aquele Bulls só deixava as coisas piores para um cara acostumado a ganhar nos tempos de colegial. Ele entendia pouco de basquete, não tinha com quem aprender, perder o frustrava e por ser a 2ª escolha do Draft ele mesmo se colocava a pressão de ter que chegar na NBA dominando o jogo por completo.

A sorte foi que ele aprendeu a ter paciência, amadureceu e não se perdeu até achar uma situação onde conseguiu começar a render. Foi só no New Orleans Hornets, na longínqua temporada 2006-07, treinado por Byron Scott e recebendo mil pontes-aéreas do Chris Paul, que ele passou a usar o seu talento físico e técnico para algo de útil. Chegou à NBA com 19 anos e foi começar a render aos 25, então embora ele diga que não se arrepende, uma faculdade no meio desse processo provavelmente não teria feito mal a seu jogo.

Se hoje existe uma regra que obriga os jogadores de colegial a passar pelo menos um ano na faculdade, Tyson Chandler é uma das inspirações. Ah, e um dado curioso, no seu último ano de colegial Chandler acabou a temporada com médias engraçadíssimas de 26 pontos, 13 rebotes e 7 tocos por jogo! Pobres adolescentes que tentaram fazer bandeja em cima dele.


3- Pau Gasol (Memphis Grizzlies)


Vai parecer piada, mas sabiam que quando o Pau Gasol chegou na NBA os críticos diziam que sua posição natural era de small forward, a posição 3? E alguns ainda dizem que mesmo com seus 2,13m ele poderia até jogar na posição 2! Dá pra imaginar isso? Queria ver ele marcando o Dwyane Wade. O que mais valorizavam em Gasol quando ele chegou na NBA era o seu lado Nowitzki, um jogador alto que sabia driblar, controlar a bola e acertar arremessos de média e longa distância.

Essa valorização pode ser explicada pelo contexto histórico. Aquele era um tempo em que os grandes jogadores de força dos anos 90 já estavam aposentados ou em final de carreira, caras como Patrick Ewing, Hakeem Olajuwon e Charles Barkley, que gostavam de jogar perto do aro. No lugar deles estavam aparecendo garotos que mesmo com o corpo de jogadores de garrafão, eram caras que se sentiam mais confortáveis acertando bolas de 3 pontos e jogando fora do garrafão, com mais técnica que força. Era a época áurea de Rasheed Wallace, Chris Webber, Kevin Garnett e do começo da ascenção de Dirk Nowitzki. O maior vencedor dessa geração, Tim Duncan, era um híbrido entre os dois estilos.

Por isso que é curioso e até surpreendente que Pau Gasol tenha ido pelo caminho oposto do que era tendência da época e trabalhado seu jogo de garrafão e seu físico quando chegou aos EUA. Talvez tenha sido por acaso também, já que o Memphis Grizzlies no mesmo ano escolheu Shane Battier, um jogador clássico da posição 3 que chegou para ser titular. Mas acaso ou não, fez com que Gasol se desenvolvesse em um estilo de jogo que acabou por o consagrar. Hoje ele é considerado por muita gente como o jogador com o jogo de garrafão mais refinado da liga, nada mal para um small forward. 

Essa é uma série de posts para a gente ver como as coisas mudam demais com o passar dos anos. Veja esse duelo entre o jovem Gasol (de cabelo curtinho, bem estranho) e do Kevin Garnett. Quem iria dizer que alguns anos depois o KG estaria fazendo o espanhol ser chamado de soft por aí? E o que aconteceu com esse Gasol provocador que coloca a mão atrás da orelha e chama a torcida pro jogo? As coisas mudam rápido demais nessa liga.



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No próximo post fechamos o Top 10. E se preparem, teremos a presença de um de nossos gordinhos-símbolo!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Podcast - Edição Nº2

Demorou mas chegou! Vocês podem finalmente ouvir ou baixar a 2ª edição do Podcast do Bola Presa. 

Confesso que esse era pra ter saído faz alguns dias, mas eu apanhei como uma mulher de malandro do programa de edição, sou apenas uma garotinha aprendendo a viver nesse mundo tecnológico! É que meu microfone deu um problema na hora da gravação e nós só fomos perceber no final, então tudo o que eu falo ficou baixo, com ruído e às vezes meio complicado de entender. Cogitei apagar tudo e gravar um novo, mas decidi ver o que eu poderia consertar e fazer na marra. Acho que o resultado é longe do ideal, mas escutável. Portanto se a minha parte não ficou tão boa, desculpem, melhoraremos na próxima!

Em compensação o microfone do Danilo está melhor que na primeira edição, quem sabe não gravamos um podcast bem feito antes da NBA chegar em um acordo com os jogadores? Está lançada a corrida.

Também estamos estreando as musiquinhas de background rolando ao fundo. Na edição de hoje são só músicas tiradas de jogos de Video Game. Desafio vocês a adivinhar todas, mas já dou a dica que umas 3 ou 4 músicas que tocam são do mesmo jogo!

Para baixar o arquivo e ouvir no seu MP3 player, clique aqui com o botão direito do mouse e depois em "salvar link como"

Para ouvir direto no blog, clique no player abaixo:

domingo, 9 de outubro de 2011

8 ou 80: Eficiência e tipos de arremesso - Parte 3

Por algum motivo Kevin Martin cobra muitos lances livres


Chegamos à parte final desse especial sobre diferentes tipos de arremesso na última temporada da NBA. Até agora vimos os mais eficientes, os menos eficientes e os que mais tentam arremessos como bandejas e enterradas (na Parte 1) e arremessos de média e longa distância (na Parte 2). Hoje é dia de lances livres e de um ranking geral. Afinal, quem são os pontuadores mais eficientes da NBA?

Lembro mais uma vez que todo o crédito para essa série de textos é de um blogueiro gringo chamado Evanz, do Golden State of Mind, um blog especializado no Golden State Warriors. O cara teve o saco e a capacidade de analisar toneladas de dados e criar fórmulas complexas (e inteligentes) de analisar as estatísticas. Legal que ele percebeu muitos leitores vindos por links daqui e chegou a nos mandar uma mensagem pelo Twitter agradecendo a divulgação do trabalho dele. Pra quem torce para o Warriors e quiser acompanhar, o twitter dele é o @thecity2

A conta para dar o valor aos melhores e mais valiosos arremessadores de lances livres leva em conta os seguintes critérios: (1) média de lances livres tentados e aproveitamento da posição do jogador a cada 100 posses de bola, (2) arremessos tentados e convertidos pelo jogador a cada 100 posses de bola e (3) quantidade e aproveitamento do jogador em lances livres em situações de falta-e-cesta.

Vamos para a lista. Lembrando que PSAMS é o número resultante da conta que leva em conta os termos que a gente explicou acima.


O Kevin Martin leva essa com muita, mas muita facilidade. O número dele é tão impressionante que vocês verão mais tarde que ele entra na lista de pontuadores mais eficientes da NBA basicamente só pelo que ele conquista nesse quesito. Para se ter uma ideia, K-Mart chuta 12.2 lances livres a cada 100 posses de bola, a média de jogadores da sua posição, a de shooting-guard (2), é de 4.4! E o aproveitamento médio da posição é de 80%, o dele é de 89%. Sem contar que consegue uma jogada de falta-e-cesta 0.85 vezes a cada 100 posses de bola, número não muito distante de caras como o Dwyane Wade com seu ótimo 1.1.

A lista em geral não tem grandes surpresas porque sabemos quem são os jogadores que mais batem lances livres e qual seu aproveitamento, mesmo colocando novos elementos na conta os resultados não mudam tanto assim. Mas surgem umas surpresas escondidas no meio: Danilo Gallinari até uma temporada atrás era criticado por ser só um arremessador de três, hoje ele está aí empatado com o Manu Ginobili justamente porque passou a atacar mais a cesta e sofrer faltas no processo. Claro que o argentino tem mais situações de falta-e-cesta, sua marca registrada, mas o ala italiano do Nuggets consegue hoje em dia ir com regularidade para a linha do lance  livre.

Entre os 20 primeiros apenas quatro jogadores tem aproveitamento menor que 80% nos lances livres: Amar'e Stoudemire, Brook Lopez, Dwyane Wade e LeBron James. Eles compensam com quantidade de tentativas e jogadas em que convertem a cesta e sofrem a falta, mas dá pra imaginar como seriam eficientes se acertassem mais as muitas chances que tem? E em uma lista dominada por jogadores de perímetro é legal ver o Brook Lopez como primeiro pivô na 11ª posição. Esse especial serviu para entender melhor porque o Lopez é esse jogador que ninguém sabe direito o que achar ou esperar, em algumas coisas ele é ótimo, um dos melhores, em outras beira o ridículo.

E para quem comentou que o Nenê está bem na fita nessas listas, ele está em 25º na dos lances livres. Realmente o brasileiro é um pontuador bem eficiente, o que nos faz questionar porque ele é às vezes tão apagado nos jogos. No Nuggets do fim da temporada não era estranho ver ele ser apenas o quinto jogador com mais arremessos no time. Muita coisa disso é carma de pivô, que sempre é esquecido pelos outros jogadores, mas também pela postura às vezes passiva e de role-player assumido que o brasileiro toma.

Abaixo o show de horror, quem são os 10 piores titulares na lista de lances livres?


Surpresa seria o Rajon Rondo não estar no topo da lista. Mas que tal ele estar quase com o dobro de pontos negativos do segundo colocado? Uau! Não é à toa, ele tenta apenas 2.7 lances livres a cada 100 posses de bola e quando vai arremessar esses raros lances acerta só 55% deles. Ele é uma síntese asquerosa de todo o resto do Top 10 que tem jogadores que não atacam a acesta (Battier, Kidd, Bibby, Bogans, Thomas) e jogadores com aproveitamento pífio de lances livres (Martin, Bogut, Biendris, Wallace).

Abaixo o Top 10 com os melhores reservas:


O Corey Maggette só está na NBA há tantos anos porque sabe cavar faltas e tem um bom aproveitamento de lances livres. E eu não exagero quando uso esse "só" na frase. O resto do seu jogo é ultrapassado, comum ou simplesmente ruim, mas ele consegue muitos pontos fáceis no lance livre e complica o outro time em faltas, aí algumas equipes acabam dando contrato pra ele. Com esse PSAMS de 3.21 ele seria o 3º colocado na lista geral dos titulares, atrás apenas dos Kevins, Martin e Durant.

Falando em Durant, o terceiro da lista é seu companheiro de time James Harden. Comentamos muitas vezes aqui no ano passado que um dos motivos do Oklahoma City Thunder ser tão bom no ataque era o número e o aproveitamento de lances livres, as boas colocações de Durant, Harden e Russell Westbrook comprovam a tese. A lista dos reservas é praticamente inteira formada de jogadores que entram com a recomendação de "ataquem a cesta como se não houvesse amanhã", em geral caras que tem esse talento de infiltração mas pecam em outras áreas do jogo.

Para ver os números com mais detalhes e as listas divididas por posição é só conferir esse link do Golden State of Mind.

Depois de tantas contas complexas e números bizarros, finalmente uma conta para o nosso nível de matemática de primário. Para eleger os pontuadores mais eficientes da NBA como um todo apenas se somou o PSAMs (resultado das contas esquisitas) de cada quesito.

Na lista estão presentes as cestas próxima a cesta (INS), chutes de meia distância (MID), três pontos (3PT) e lances livres (FT).


E deu o campeão Nowitzki. Mas ninguém é perfeito mesmo, são pouquíssimos os jogadores dessa lista que não tem pelo menos uma nota negativa em alguma coisa. Na verdade são apenas cinco: Paul Pierce, Al Horford, Stephen Curry, Steve Nash e, surpresa, Brook Lopez.

O Nowitzki conseguiu o seu diferencial na lista ao virar o único mestre supremo do universo em arremessos de meia distância, ao mesmo tempo ainda é levemente eficiente nos 3 pontos e continua cobrando lances livres. LeBron James é o segundo com o seu arsenal completo que já conhecemos, incluindo aí o melhor arremesso de meia distância entre os small forwards. Peca mesmo apenas nas bolas de três pontos. Engraçado é o Kevin Martin em 3º com quase todos os seus pontos vindo dos lances livres, um absurdo, sem dúvida o pontuador mais chato de se assistir na NBA.

A lista consagra alguns nomes que todo mundo já sabia que poderia pontuar de tudo quanto é jeito, como Pierce e Durant, mas tem também caras como Nenê e Stephen Curry no Top 10 e Al Horford logo depois em 11º. São jogadores que jogam bem, são reconhecidos, mas não são as primeiras opções ofensivas de suas equipes.

A impressão que dá é que o Nuggets deveria ter usado mais o seu pivô, posição que hoje em dia tem poucos pontuadores eficientes, e Warriors e Hawks deveriam segurar mais o ímpeto de Monta Ellis e Joe Johnson em prol de seus jovens e eficientes jogadores. Mas a coisa não é tão simples assim, não é só tocar a bola para outro jogador. Hawks e Warriors sofrem de más decisões ofensivas e Ellis e JJ são apenas escapes que usam seus talentos individuais para compensar um sistema pouco eficiente; o que os técnicos desses times precisam entender é que eles não podem ter um ataque típico de times sem talento quando tem dentro do elenco caras tão bons quanto Steph Curry e Al Horford. Na pior da pior das hipóteses esses dois devem compartilhar os arremessos ruins. Outro destaque é a presença de Tyson Chandler fechando o Top 20, mostra que para ser um dos mais eficientes não precisa ser um grande cestinha. Mas claro que ele foi beneficiado porque as médias de tentativas e de aproveitamento dos outros pivôs da NBA não são grande coisa hoje em dia.

O legal dessa lista não é o ranking em si, isso é secundário, questionável, o legal mesmo é ver como ela mostra perfeitamente como cada jogador marca os seus pontos. O Chauncey Billups está muito bem em 10º lugar, mas com números bem ruins em pontos próximos à cesta e de meia distância, o armador do Knicks consegue seus pontos em bolas de três pontos e lances livres. Ele é um caso raro de jogador que mesmo sem ser uma grande ameaça nas infiltrações consegue cavar faltas com regularidade, resultado do seu bom jogo de costas pra cesta contra outros armadores e uma das melhores fintas em arremessos.

Outro caso interessante de analisar é o de Kobe Bryant, 13º da lista. A cada ano que passa ele tem menos pontos próximos à cesta (praticamente não fez um ponto em bandejas ou enterradas na série contra o Mavs) e cada vez mais tenta bolas de 3 pontos. Isso se chama frustração. Ele não tem mais o físico para costurar defesas fortes e precisa compensar com arremessos de longe. Kobe ainda é muito bom nos de meia distância e em seus dias mais inspirados pode decidir jogos com as bolas de longe, mas em geral, ao longo de toda a temporada, os seus chutes de longe são resultado de frustração por não conseguir arremessar dos lugares onde ele quer e de onde ele conseguia quando era um pouco mais jovem.

Abaixo a lista com os pontuadores menos eficientes entre todos os titulares da NBA:


Poxa, pessoal, não é só porque vocês são a nata defensiva da NBA que precisam ignorar o fato de que existe ataque no basquete! Mas tudo bem, em alguns casos não é nem culpa dos jogadores. Caras como Thabo Sefolosha, Luc Mbah a Moute e Keith Bogans são conscientemente excluídos do ataque de suas equipes e ficam com poucos pontos no ranking por tentar poucos arremessos ao longo dos jogos. Já Andrew Bogut paga o preço de tentar resolver sozinho e com jogadas individuais um dos ataques mais toscos da NBA, o do Bucks. O pivô australiano é bom, mas não é um gênio para carregar times ruins nas costas. Assim como ele precisou de um técnico especialista em defesa para virar um dos melhores bloqueadores da liga, precisa de alguém que desenhe boas jogadas para ele ser mais eficiente.

É triste ver Jason Kidd nessa lista, mas existe um bom motivo. Um dos princípios dessa lista era comparar o número de arremessos tentados em média por jogadores de cada posição, quem chutasse menos, na maioria dos casos, era punido por isso. Jason Kidd não só nunca foi muito de arremessar, prefere o passe, como também vive hoje uma era de armadores pontuadores. Não basta fazer poucos pontos, o armador do Mavs é comparado a Derrick Rose, Deron Williams, Russell Westbrook, Brandon Jennings, Tony Parker e outros que fazem 20 pontos em um jogo sem precisar suar muito a camisa. A lista tenta medir o quanto cada jogador é bom em fazer pontos, e nisso o Jason Kidd é realmente ruim, mas não quer dizer que ele não saiba compensar com muitas outras coisas.

A lista dos 10 melhores reservas tem Marcin Gortat (devo meu título do Fantasy do Bola Presa a esses números!), Corey Maggette (que tem números negativos em tudo, menos lances livres), Gary Neal, George Hill, Louis Williams, Hakim Warrick, Kyle Korver, Jason Terry, Thaddeus Young (o líder da liga em pontos próximos à cesta) e, para minha surpresa, Reggie Williams, discreto ala do Warriors.

Os piores reservas são liderados por um conhecido de quem acompanhou de perto a temporada do Lakers, Steve Blake. E tem além dele Earl Watson, Al-Farouq Aminu, Corey Brewer, Donte Greene, Vlad Radmanovic, Al Harrington, Rudy Fernandez, Joel Anthony e Brandan Haywood. Alguns nomes a gente desculpa, mas o que Vlad Radmanovic e Al Harrington tem a contribuir com um time de basquete se não sabem pontuar com eficiência?

Para as listas completas e divididas por posição, acesse a página do Golden State of Mind.
Agradeço a paciência de todos que não são tão fãs de números como eu. Os insatisfeitos podem continuar nos ajudando ao recomendar temas para posts nos comentários!

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

8 ou 80: Eficiência e tipos de arremesso - Parte 2

Nowitzki deveria ser o único jogador do mundo a poder arremessar dessa posição


Essa é a segunda parte de um especial de estatísticas sobre diferentes tipos de arremesso e quem são os jogadores mais eficientes em cada um deles. Na parte 1 analisamos os arremessos próximos ao aro e os dividimos em enterradas, bandejas, tapinhas e ganchos. E agora na parte 2 vamos falar de arremessos de média distância e chutes de 3 pontos.

Como informado na primeira parte, todos os dados foram computados pelo pessoal do Golden State of Mind, blog gringo sobre o Golden State Warriors. Ele usou dados do HoopData e dos play-by-play das partidas da última temporada para elaborar a lista.

Comecemos com as bolas de 3 pontos. A conta usada pelo pessoal para elaborar a lista é confusa, mas com um bom propósito. Leva-se em conta quatro coisas: (1) o número de arremessos de 3 pontos tentados pelo jogador,  (2) o número de arremessos tentados por jogadores da mesma posição, (3) a comparação de aproveitamento do jogador em relação a outros da mesma posição, e (4) a média do jogador em comparação ao resto da liga em aproveitamento geral de arremessos, o eFG%.

Finalizando a parte chata de entender, o eFG% é o "Effective Field Goal Porcentage", um número que tenta nivelar o nível de aproveitamento de arremessos entre os jogadores que arremessam mais de 3 pontos e os que chutam mais de 2. Explico: Um jogador finaliza um jogo com 4/10 arremessos sendo dois deles de 3 pontos, outro jogador acaba com 5/10 só em dois pontos, ambos fizeram 10 pontos em 10 arremessos e assim acabam com um eFG% de 50%. O importante é tentar entender que é uma lista que se esforçou para igualar as situações diferentes e as posições distintas que cada jogador atua e ver quem, no fim das contas, consegue ser mais eficiente nos arremessos de longe.

A primeira lista é a dos titulares, logo em seguida a dos melhores reservas. E não esqueçam, "PSAMS" é o número que define a lista, é o resultado da conta comentada acima.



Interessante ver que o Mike Bibby contando apenas os seus números no Atlanta Hawks acabou em 1º lugar, mas sabia que se contasse os números no tempo de Heat (não teve jogos o bastante para entrar na lista) ele também seria o líder? Isso faz a gente duvidar um pouco da conta, porque vimos que o Bibby jogou mal, mas na frieza dos números ele teve o melhor aproveitamento de três pontos na carreira na última temporada! 44% no geral, 45% só no tempo de Heat. Pode ter jogado mal em todas as outras áreas, errado os arremessos mais importantes, mas no geral fez o que foi pedido: acertou bolas de longa distância melhor do que ninguém.

O resto da lista surpreende pouco, Ray Allen e Chauncey Billups estão entre os melhores arremessadores da NBA faz tempo, não importa que conta tentem fazer para medir. Outros jogadores são reflexos e ao mesmo tempo responsáveis por equipes que na última temporada fizeram a festa da linha dos 3 pontos, como Spurs (com Richard Jefferson, Matt Bonner e Gary Neal) e Warriors (com Reggie Williams, Vlad Radmanovic e Steph Curry). Surpresa mesmo foi o Charlie Villanueva estar aí! Vai ver que de 3 ele acerta, erra quando tenta arremessos longos de 2 pontos com marcação dupla e ainda 20 segundos de posse de bola, sua marca registrada.

Quer saber quem são os piores de 3 pontos entre os titulares? Aí vai a surpresa:


Não surpreende ver vários caras que acertam menos bolas de 3 pontos do que você acerta papelzinho no lixo do escritório, caras como Gerald Henderson, Eric Bledsoe, Sonny Weems e o Tony Allen nem deveriam tentar esses arremessos. Mas que tal o arremessador menos eficiente ser o Joe Johnson? Por essa eu não esperava mesmo sabendo que ele vinha da pior porcentagem de acerto da sua carreira (27%), o que pegou pra ele foi acertar bem menos que o normal e continuar tentando como nos bons tempos em que acertava quase 40%. Aliás, ele teve um ano no Phoenix Suns em que fez 47% de suas tentativas!

Assim como JJ, outros nomes na lista estão aí porque esbanjam de prestígio em seus times. Os técnicos dão toda a liberdade do mundo para que Kobe Bryant, Dwyane Wade, Baron Davis e Tyreke Evans arremessem quando dá na telha. Não deveria ser assim, é verdade, mas também temos que lembrar que esses são os jogadores responsáveis por carregar o time nas costas nos jogos e momentos mais difíceis, algumas dessas bolas de 3 são no desespero, quando mais ninguém no time consegue chutar.

Os dois que não se encaixam nessa desculpa esfarrapada das estrelas é Travis Outlaw e Trevor Ariza, eles são coadjuvantes. O negócio é que o Ariza defende bem, sabe infiltrar, rouba bolas, puxa contra-ataque, pode ser eficiente mesmo (ou principalmente) sem as bolas de longe. Agora o que o Outlaw vai fazer da vida se decidir arremessar menos? Malabares na rua? De todos da lista de menos eficientes é o que menos pode ajudar em outras áreas. Veremos agora aos piores entre os reservas:


Existem nessa lista alguns bons arremessadores que pecam pelo exagero. É só ver a quantidade de arremessos a cada 100 posses de bola de Rudy Fernandez, CJ Miles e Leandrinho. A cada 10 posses de bola disputadas pelo espanhol ele chuta uma de três pontos! Se o Ray Allen não faz isso deveria ser proibido para outro jogador chegar a esse número.

Um dado curioso na divisão por posições. Entre os pivôs apenas Andrea Bargnani e Spencer Hawes tentam mais de 1 arremesso de 3 pontos a cada 100 posses de bola. O italiano lidera a lista de aproveitamento e o americano é o último. Para ver mais detalhes por posição e as listas completas dos 3 pontos é só clicar nesse link.

Passemos agora para os arremessos de meia distância, um arremesso que não deveria existir no seu time a não ser que você tenha Dirk Nowitzki no elenco. Ok, posso estar forçando a barra, mas veja que números impressionantes: A média de eFG% (expliquei acima!) da NBA é de 49,8%, é portanto a média de arremessos certos em geral (todos, desde bandejas até chutes com uma mão no meio da quadra) da liga como um todo. Mas de todos os 150 jogadores analisados pela pesquisa (atletas com mais de 40 jogos na temporada e mais de 25 minutos por jogo), apenas Dirk tem média superior a esses 50% nos arremessos de meia distância! O arremesso de meia distância é, no fim das contas, o pior tipo de arremesso da NBA.

Esse número assustador criou um impasse na hora de fazer a conta que define o ranking. Os jogadores que arremessam menos que a média de sua posição deveriam, portanto, serem beneficiados por isso? Afinal estão privando o time de um arremesso ruim. A solução encontrada pelo pessoal do Golden State of Mind foi fazer duas contas. Uma penaliza jogadores que tentam arremesso de meia distância, já que tirou a chance de um companheiro de time dar um chute melhor, a outra ignora esse fato e apenas compara o número do atleta com a média geral de acerto de arremessos de meia distância, 39%.

As listas abaixo são resultados de uma média entre os dois resultados. A primeira é com os melhores arremessadores de meia distância da NBA:


O Dirk Nowitzki não é só muito bom, ele está anos-luz à frente do segundo colocado, Al Horford. O alemão começou na NBA como um arremessador de três pontos, mas foi no arremesso de meia distância que ele achou o seu nicho. É praticamente o único especialista de verdade nesse tipo de arremesso e vimos nos últimos playoffs como é difícil defender o cara. O Elton Brand aparece em 3º e acredito que se fizessem essa lista uns 10 anos atrás ele poderia muito bem estar em primeiro, no seu auge ele tinha um arremesso quase germânico dessa distância.

Não surpreende ver na lista alas de força especialistas no pick-and-pop: David West, Kevin Garnett, Luis Scola e Brandon Bass, por exemplo. É uma jogada muito eficiente e que os times desses jogadores costumam usar em momentos decisivos das partidas, o aproveitamento deles mostra a razão. Temos também alguns especialistas em três pontos entre os melhores, como Steve Nash, Steph Curry, Ray Allen e Sasha Vujacic. Cada um tem seu motivo, mas o mais interessante parece ser o Ray Allen, que por causa da sua idade parece querer correr menos e fazer jogadas parecidas com a que sempre faz, usando os bloqueios dos companheiros, mas agora em um espaço reduzido. Corre menos, se desgasta menos e continua com alto aproveitamento.

Abaixo os piores em arremessos de meia distância:


Eu nunca vou ficar surpreso em uma lista que tem o Andray Blatche como o pior, seja ela qual for. O cara conseguiu uns números de destaque no ano passado, mas não passa em nenhuma prova de um número "avançado". Faz pontos porque força demais a barra, mas não sabe usar sua habilidade direito: não tem inteligência, físico e muito menos arremesso de meia distância. Investir nesse cara é o pior negócio que o Wizards pode fazer. Melhor é continuar insistindo no John Wall que, infelizmente, também está entre os piores. Quando a fase é ruim...

Outro que aparece na lista é o DeMarcus Cousins, que no ano passado chamamos a atenção aqui no blog por estar arremessando demais de meia distância depois de se destacar no basquete universitário como jogador puro de garrafão, que conquistava os seus pontos na força, embaixo da cesta. Precisa não ter medo dos pivôs da NBA e buscar seus pontos lá dentro. Mesma coisa vale para jogadores bons de infiltração como Tyreke Evans e Trevor Ariza, eles não são pivôs mas conseguem seus pontos em infiltrações, têm arremessos muito pouco confiáveis de qualquer canto da quadra.

Talvez surpreenda na lista a presença do Russell Westbrook, que conquistou um bom arremesso de meia distância depois do seu tempo de seleção americana. Mas ele tenta tanto esse chute, em situações tão imbecis, que não surpreende que essa estatística o tenha punido. Ao contrário do resto da lista, Westbrook tem bom chute, só precisa forçar menos e arremessar em melhores situações.

Para mais detalhes das listas e o ranking por posições, acesse esse link. Que tal o LeBron James ter o melhor número entre os jogadores da posição 3? Se até em arremesso de meia distância ele consegue ficar na frente de Kevin Durant, Paul Pierce, Luol Deng, Carmelo Anthony e Rudy Gay, como o pessoal ainda vai ter coragem de dizer que ele nem é tão bom assim? Vamos torcer contra, mas admitindo que ele é fora de série. Há alguns anos esse era o defeito dele, hoje ele não só melhorou como está entre os principais da liga.

Na parte final da série, mais curta, analisaremos os melhores nos lances livres e comentaremos a lista que soma todos os tipos de arremessos para saber quem, no geral, foram os pontuadores mais eficientes e completos da NBA na última temporada.

domingo, 2 de outubro de 2011

8 ou 80: Eficiência e tipos de arremesso - Parte 1

Todas as fotos do Leandrinho em ação são dele fazendo uma bandeja. Existe uma razão para isso.

Para quem é novo no Bola Presa, uma rápida explicação: A seção "8 ou 80" aparece esporadicamente no nosso blog para comentar e analisar estatísticas e números da NBA. Mas tentamos não ficar só nas médias de pontos, rebotes e etc. Gostamos de quem vai mais a fundo, analisa números complicados de encontrar e que tentam mostrar coisas diferentes, difíceis de perceber só acompanhando o jogo casualmente.

Hoje vou pegar várias listas feitas pelo Evanz, blogueiro do Golden State of Mind, um blog gringo focado no Golden State Warriors. Ele pegou dados dos play-by-play dos jogos, estatísticas de posicionamento de arremessos do HoopData e com esses dados fez um levantamento de quem seriam os mais eficientes jogadores em diversos tipos de arremesso: perto da cesta, de meia distância e três pontos. E depois ainda separou os arremessos de perto da cesta em enterradas, bandejas, tapinhas e ganchos.

A medição final que deu a ordem nas listas foi feita de acordo com uma conta que ele criou. Com pequenas variações de uma para a outra, em geral a fórmula leva em conta os arremessos tentados pelo jogador, seu aproveitamento e as médias dos jogadores da mesma posição em toda a NBA nessas mesmas duas coisas.  Essa maneira de analisar equilibra as coisas, afinal alguns jogadores se destacam por bom aproveitamento mas o fazem arremessando muito menos que outros. O Steve Nash, por exemplo, tem um aproveitamento espetacular em bandejas, mas só tenta 2 a cada 40 minutos de jogo, a média dos armadores da liga é de pouco mais de 4. Nash tem aproveitamento melhor porque tenta menos, corre menos riscos e só vai quando tem certeza, o que não quer dizer que ele é um "infiltrador" mais eficiente que alguém como o Derrick Rose.

...
Comecemos pertinho da cesta. Vamos conhecer, dentro dessa análise explicada, quem são os mais eficientes pontuadores próximos do aro.

Lembrando que "POS RANK" indica o lugar do jogador entre os jogadores da sua posição, que aí está indicada nos números de 1 a 5 na coluna "POS". "PSAMS" é o resultado da complexa conta que eu expliquei acima e que define a ordem do ranking.


É impressionante como o Thaddeus Young é muito melhor do que todo o resto da NBA nos arremessos próximos à cesta. O fato do Sixers jogar muito em transição, que resultam em bandejas fáceis, tem peso grande nisso, mas como ele é o único jogador do time entre os 20 primeiros fica claro que não é só isso. Ele também é muito bom jogando de costas para a cesta e geralmente enfrenta jogadores mais baixos do que ele.

Impressiona também ver LeBron James e Dwyane Wade entre os 4 primeiros. Todo mundo sabe que o Miami Heat se baseava demais nas infiltrações dos dois, montavam esquemas só para impedir isso e mesmo assim ambos estão ainda lá entre os melhores. Ainda faltam importantes detalhes para o Heat chegar ao título, mas com dois dos pontuadores mais eficientes próximos à cesta eles já estão muito bem na fita.

Também chama a atenção que entre os 20 primeiros só existem 5 jogadores de garrafão, Dwight Howard, Nenê, Blake Griffin, Marcin Gortat e Carlos Boozer. Na teoria os pivôs e alas de força não deveriam ter aproveitamento melhor perto da cesta? Por outro lado, parabéns aos nanicos Tony Parker e Russell Westbrook, únicos armadores da lista. O francês é um fenômenos por estar no 7º lugar, o aproveitamento dele para alguém do seu tamanho é surreal: Ele tenta 7 arremessos próximos à cesta por jogo contra uma média de 4 dos armadores, e seu aproveitamento é 65% nesses arremessos contra 60% dos seus companheiros de posição. Uma lavada.

Vamos ver agora a parte engraçada: quem são os piores em aproveitamento de arremessos próximos à cesta?  - (lembrando que só se qualificaram para entrar na lista jogadores com mais de 40 jogos na temporada e média superior a 25 minutos por jogo)


Pois é, a coisa tá feia. Os três piores são jogadores de garrafão! Marcus Camby sempre foi negação no ataque, Andrea Bargnani mostra o porque tem fobia de garrafão e o Channing Frye me surpreende porque a estatística prova que em algum momento da última temporada ele tentou um arremesso perto da cesta, alguém lembra disso? O resto da lista mostra outros jogadores que estão na NBA apenas por serem bons arremessadores de longe, como Daniel Gibson e Anthony Morrow, esses só tentam arremessos próximos à cesta em ocasiões especiais e, como visto, sem sucesso.

Mas me surpreende que jogadores como John Salmons, Brook Lopez, Brandon Jennings e Roy Hibbert estejam tão mal posicionados. Tudo bem que os quatro têm em comum o fato de terem tido no ano passado campanhas bem irregulares, mas será que os pontos baixos foram tão baixos assim? E Lopez e Hibbert são vistos como duas das mais promissoras apostas da NBA em termos de jovens pivôs, e mesmo assim estão lá perto do Kwame Brown. Para comparar, o Brook Lopez tentou no ano passado 4.8 arremessos perto do aro, acertando 3 por jogo (62%), o Dwight Howard tentou 7 por jogo, acertando 5.3 (74%). A média de aproveitamento dos pivôs como um todo da NBA é de 66%. Lopez tenta menos que a média e acerta menos que a média, um desastre. Veremos mais tarde como ele e Hibbert tentam compensar isso.

Para ver detalhes da fórmula e a lista por posições, entre nesse post do Golden State of Mind. Lá também, no final, tem a lista sem o ajuste por posições em que cada um joga. Nessa lista Dwight Howard é o líder, mas Thaddeus Young se mantém bem e é o segundo colocado. Nenê é o terceiro para desgosto dos que querem se convencer de que a seleção brasileira não seria muito diferente com ele em quadra.

Talvez um problema, ou pelo menos uma limitação, dessa estatística é que eles levam em consideração apenas a distância da cesta. Esses números que mostrei acima contam jogadas a cerca de 1 metro da cesta. Mas no fim das contas não sabemos o que cada jogador faz por lá. São bandejas, enterradas ou aquela coisa sem nome que o Shawn Marion faz? E sem contar que muitas vezes os pivôs usam ganchos, que são jogadas de pivô, de garrafão, mas um pouco mais longe do aro do que aqueles números computaram. Para isso foi feito outro post só contando o número de bandejas, enterradas, ganchos e tapinhas tentados e o aproveitamento. Os números mostram quantos arremessos de cada tipo os jogadores tentam a cada 100 posses de bola e a porcentagem de acerto.

Vamos começar com as enterradas:


Alguma surpresa em ver o LA Clippers dominando o Top 3? E nem a ordem dos jogadores me impressiona, o aproveitamento do Blake Griffin é naturalmente menor porque ele tem o hábito de tentar as enterradas mais difíceis e improváveis da história. A atenção dada para ele também libera muito espaço para que o DeAndre Jordan tenha mais oportunidades de enterrar. Quem impressiona na lista é o Andre Iguodala, único jogador que não é da posição 4 ou 5 a entrar no Top 20 de quem mais tenta enterradas. Entre jogadores que jogam nas posições 1 ou 2, o primeiro a aparecer é Dwyane Wade, em 25º, com 2.13 tentativas de enterrada a cada 100 posses de bola e 89.4% de aproveitamento.

Uma lista curiosa e cheia de armadores é a dos jogadores que não chegaram nem a tentar uma enterrada em toda temporada passada. Prepara-se que ela é meio extensa: Shane Battier, Andre Miller, Anthony Morrow, Kyle Lowry, Toney Douglas, Beno Udrih, Tony Parker, Richard Hamilton, Sasha Vujacic, Mike Bibby, Daniel Gibson, DJ Augustin, Chris Paul, Steve Nash, James Jones (surpresa!), Derek Fisher, Kirk Hinrich, DeShawn Stevenson, Jameer Nelson, Luke Ridnour, Jason Kidd, Chauncey Billups, Jose Calderon, Steve Blake, Keith Bogans, JJ Barea, JJ Redick, Mario Chalmers, Eric Maynor e Gary Neal.

Lembram dos bons tempos em que o Rip Hamilton dava aquelas enterradinhas marotas com as duas mãos? Já era. E não é à toa que se você digitar "Shane Battier dunk" no YouTube o ala do Rockets está sempre do lado errado da brincadeira. E os torcedores do Lakers vão guardar no coração o longínquo dia em que Sasha Vujacic enterrou e o banco foi ao delírio:



Abaixo a lista com o número de bandejas tentadas a cada 100 posses de bola e a porcentagem de acerto.


De Barbosa a Hilário estes são os 20 que mais tentam bandejas na NBA. O Leandrinho tenta um pouco mais de bandejas que o Tony Parker e tem um aproveitamento pior (62% a 65%), mas a diferença não está tão grande assim e temos que lembrar que o francês é absurdamente fora de série nesse quesito. Ponto para o brasileiro que mesmo já tendo passado do seu auge ainda pode render muito bem em times que saibam usar os seus pontos positivos.

Me surpreendeu ver o Tyreke Evans tão bem colocado em 8º lugar, isso porque no começo da temporada o jogador estava sentindo muito uma contusão no pé e isso levou ele a despencar em números de bandejas tentadas em relação ao seu ano de novato. Estava tentando viver de jumpers de média e longa distância e falhando miseravelmente nisso. Ele terminou melhor a temporada e esse número mostra o motivo, voltou a atacar a cesta como deve fazer para ser eficiente, porém foi um dos poucos desse Top 20 com aproveitamento abaixo dos 60%, dá pra melhorar. Outros bons jogadores com aproveitamento abaixo dos 60% são Carmelo Anthony e Derrick Rose, para os dois o motivo é bem claro: tentam bandejas demais até quando elas não parecem a jogada mais apropriada. A resposta do Rose ao fato do Bulls estar bem marcado e empacado no ataque é abaixar a cabeça e ir para a bandeja. Quando dá certo é lindo, mas não dá pra ser um dos líderes da liga em aproveitamento fazendo isso. Pra falar a verdade, 57% de acerto fazendo essas loucuras é algo louvável.

E lembram que eu chamei a atenção anteriormente ao fato do LeBron James e do Dwyane Wade estarem entre os melhores da NBA em pontos próximos à cesta? Pois o Miami também tem jogadores de destaque em outra área: os jogadores que menos tentam bandejas na liga.

O James Jones é recordista com 0.07 tentativas de bandeja a cada 100 posses de bola. Isso quer dizer que ele precisa de 1.428 posses de bola para finalmente tomar vergonha na cara e tentar uma bandejinha. O segundo colocado na lista é outro arremessador puro, o Kyle Korver, mas até ele tem um número mais digno com 0.53 tentativas a cada 100 posses. No Top 10 dos que menos tentam o Miami também tem o Joel Anthony e o Mike Bibby.

Hora da lista dos tapinhas, os Tip-In.


Lembra que o Marcus Camby era o pior em aproveitamento de arremessos próximos à cesta? Ele é líder em tentativas de tapinhas, mas tem um aproveitamento péssimo nesse tipo de chute. Sem querer pegar no pé, mas o Marcus Camby de hoje em dia é inútil ofensivamente e sua maior contribuição na área, os rebotes ofensivos e tapinhas, não costumam render muita coisa. Ter ele no time é atacar com 4 jogadores. Em aproveitamento quem lidera os tapinhas é o Zydrunas Ilgauskas, com 65%. Atrás dele no Top 5 estão o novato Greg Monroe (62.5%), Amir Johnson (61.2%), Zach Randolph (60%, achei que seria líder) e Ben Wallace (59%).

Por fim a lista de quem mais tenta ganchos, na esquerda, e o ranking de aproveitamento na direita.


O Brook Lopez eu ainda não perdoo, mas o Roy Hibbert ganhou alguns pontos com essa lista. Lá pertinho do aro ele está longe de ser bom como deveria, mas um pouco mais longe é um especialista em ganchos. Tenta bastante, é o 3º da lista, e tem o 6º melhor aproveitamento em ganchos com 54% de acerto. O Brook Lopez tenta dois ganchos a menos que o Hibbert a cada 100 posses de bola e tem 3% a menos de acerto, precisa melhorar, garoto.

O Andrew Bogut é o cara que mais tenta ganchos, mas tem apenas o 21º melhor número em aproveitamento. Isso porque seu arsenal de jogadas não é dos mais extensos, é gancho toda hora em qualquer situação e de qualquer canto do garrafão. Com 7.93 ganchos a cada 100 posses de bola ele está com quase o dobro de tentativas do Brook Lopez, o 5º colocado! O Darko Milicic é outro que tenta bastante e tem aproveitamento parecido, me surpreende sempre o quanto o Wolves envolve o pivô sérvio no ataque, além desse número de destaque em ganchos, é um dos jogadores mais envovlidos em pick-and-rolls, mais até que seu companheiro Kevin Love. O cara é um defensor mediano e só, deveriam deixar ele ser mais secundário no ataque.

O líder em aproveitamento é o Boris Diaw, com 61%, mas ele tenta poucos ganchos, apenas 1.84 a cada 100 posses de bola, aliás ganchos são arremessos pouco tentados na NBA atualmente. E dos 20 que mais tentam esse chute, 9 são gringos, não é muito da cultura americana mesmo.

Um número que assusta é o do Blake Griffin com o 5º melhor aproveitamento em ganchos, 55%! Às vezes a gente acha que o cara só enterra, mas ele tem bom passe, boa visão de jogo quando sofre a marcação dupla, é ótimo nos rebotes de ataque e até gancho ele acerta. Um pouco mais de dedicação defensiva, alguns rebotes a mais e eventualmente uns tocos e esse cara vai dominar a NBA, ele é de outro mundo.

Para ver com mais detalhes as listas postadas e citadas aqui com as tentativas e aproveitamentos em bandejas, enterradas, tapinhas e rebotes, vejam esse post do Golden State of Mind.

Na parte 2 desse post irei mostrar as listas com os arremessos de 3 pontos e os temidos e odiáveis arremessos de meia distância, será que tem alguém melhor que o Dirk Nowitzki nisso?