quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Comentários aleatórios vol. 1

- Sabe, sempre achei o Murilo só um cara grande, figurante do MIB (com aquele corpo largo e a cabecinha pequena, mais parece um alienígena). Acontece que a cada jogo ele me impressiona mais. Ele pode não ser um primor no quesito velocidade e se atrapalhar todo com contato físico, mas que o garoto é técnico, isso é. Tem um excelente trabalho de pés e joga com extrema classe indo em direção à cesta, especialmente no ar. Sabe fugir bem da marcação e parece sempre fazer a coisa certa embaixo do aro. Então mordo minha língua e dou crédito pro rapaz. Finesse!

- Esteban Batista merece a nossa total incredulidade: ele é um pivô branco (ou seja, não sabe enterrar), uruguaio e, mesmo estando na NBA, não conseguiu minutos justamente no Atlanta Hawks que usaria até o Boykins no garrafão, tamanha a falta de pivôs que assola o time. Então concluimos que deve haver alguma coisa muito, muito errada com o Esteban. Eu só não sei bem o que é. Porque, ao menos pelos jogos no pré-olímpico, ele parece muito rápido para sua altura, com um bom trabalho de pés e inteligência fora do normal. Continua sendo o terceiro pontuador em média no pré-olímpico com 21 pontos por jogo e o líder em rebotes disparado, com 12.7 rebotes por partida. Será ele o novo Carlos Arroyo, destruindo em campeonatos internacionais mas fadado a esquentar banco na NBA? E que tal um bolão para o motivo que fez o Esteban Batista não ter sido usado na NBA até hoje? Será cecê?

- Falando em cecê, o Marcelinho fede e tenho dito. Nada mais sobre ele precisa ser acrescentado.

- Aliás, quem não fede é o Guilherme, que sempre melhora em muito a produção ofensiva da seleção brasileira quando está em quadra. Mas, pelo que parece, o Lula decide quantos minutos o Guilherme vai ter num jogo tacando um dado de 20 faces: às vezes cai 20, às vezes cai 7.

- Que tal o novo arremesso de LeBron James? Agora ele está com uma mecânica bem diferente, sem se tacar para trás em tudo quanto é arremesso, bem mais equilibrado e estável. O resultado é um aproveitamento monstruoso da linha de 3. No jogo contra o Uruguai, jogou apenas o primeiro tempo e acabou com um aproveitamento de 100%, 11 arremessos feitos em 11 tentados, sendo 4 deles vindos de trás da linha de 3. Até agora na competição, tentou 20 arremessos de fora e converteu 14, um aproveitamento de 70%. Para todos os odiadores do Rei (não o Pelé e nem o Roberto Carlos, por favor), é bom arrumar novos argumentos porque criticar o arremesso do LeBron vai ser algo bastante infundado na próxima temporada. Se continuar nesse ritmo, daqui há alguns anos ele deve estar arremessando de costas enquanto engole espadas.

- Impressão minha ou o Tayshaun Prince pintou o cabelo?

- Enquanto eu escrevia esse post, Scola sofreu 302 faltas enquanto ia ao banheiro, cobrando portanto 604 lances-livres.

- Comi uma delícia de abobrinha refogada ontem. Recomendo.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

O Brasil fede

Nezinho deve ser muito bom de cama


Ainda é cedo, faltam muitos jogos e o Brasil pode muito bem garantir sua vaga nas Olimpíadas. Mas isso não significa que o Brasil, mesmo quando ganha, não feda. Porque fede.

Com tantos talentos na seleção, a reação óbvia é colocar a culpa na comissão técnica e, principalmente, no Lula. A última moda é xingar o Lula, seja no Palácio do Planalto, seja na seleção brasileira de basquete. Mas também pudera: ele é burro, despreparado e coloca seus protegidos em posições privilegiadas. (antes que surjam algumas reclamações, deixemos claro que estamos nos referindo ao Lula que tem 10 dedos nas mãos!) Dois gorilas com um pouco de conhecimento em linguagem de sinais fariam um trabalho mais competente e, definitivamente, mais consistente. No entanto, culpar apenas o técnico é sempre simplista demais. Vamos então dar uma olhada em alguns ítens que explicam, parcialmente, a origem do fedor terrível da seleção brasileira, e problemas mais profundos que a permanência de Lula acabam causando:

- Lula é terrível, claro. Minha mãe também faria um trabalho terrível na seleção, tenho que admitir. Minha mãe não tem culpa de não entender de basquete, o Lula não tem tanta culpa por ser uma anta. O problema maior é justamente quem colocou ele ali no cargo. Lembro-me bem de uma entrevista com Lula logo após o fracasso no Mundial em que lhe foi perguntado se ele ainda seria técnico da seleção. Sua resposta foi que seu maior interesse era o sucesso do time a longo prazo e que ele deixaria o cargo caso lhe fosse pedido e isso favorecesse a seleção. Por mais turrão que o sujeito seja, está disposto a dar lugar a outros em nome do futuro do basquete no Brasil. Mas um outro técnico nunca foi sugerido pelos responsáveis.

- Nenê, assim que voltou à seleção, foi emblemático na necessidade do Brasil contratar um técnico estrangeiro que pudesse trazer algo novo. O pedido passou completamente ignorado pelos responsáveis. O Grego está muito ocupado jogando game boy.

- Com Lula no cargo, a única atitude consistente que podemos esperar é que o Nezinho estará na seleção. Confesso que até gosto do menino, mas colocá-lo numa seleção é uma afronta pessoal ao Deus do Basquete. A única explicação plausível é que Lula e Nezinho tenham algum tipo de caso. Um bem quente, fogoso e duradouro.

- Ainda na hipótese de caso, acredito que Marcelinho se encaixe na mesma história. Deve ser um amante tão bom que merece até lugar no quinteto titular. Tenho certeza que, com qualquer outro técnico tomando conta da seleção, Marcelinho seria motivo de pesadelos e, caso fosse convocado, sentaria bonitinho no banco com apenas alguns minutos por jogo. Sei que muitos podem até discordar e muita gente caiu de amores por ele durante os Jogos Panamericanos. Mas imagine assim: você tem um cachorro que lhe traz o jornal todas as manhãs. Às vezes, sem mais nem menos, esse cachorro vai lá e te dá uma baita duma mordida. Você acorda todas as manhãs sem saber se hoje terá o jornal ou um pedaço da perna arrancado a dentadas. Só um louco manteria esse cachorro em casa. É justamente o caso do Marcelinho: ele causa muito mais prejuízos do que benefícios. Ele nunca dá um arremesso não-forçado. E o engraçado é que, quando o arremesso milagrosamente é bem trabalhado, costuma dar errado. Irch!

- Marcelinho titular também significa, infelizmente, Alex no banco. Com todas as deficiências defensivas e a falta de fibra do Brasil, é um crime punível com cadeira elétrica deixar o Alex tanto tempo fora da partida. Ele é o único jogador do elenco que joga defesa com intensidade o tempo inteiro, nos padrões do que a seleção americana vem fazendo. Aliás, um scout do Detroit Pistons disse esses dias que Alex deveria ter lugar garantido na NBA. A entrevista inteira, em inglês, pode ser lida aqui.

- O Brasil não consegue marcar zona. Não existe apoio ou ajuda na marcação. Parece que os jogadores nunca se viram antes e, acima de tudo, que nunca treinaram juntos. Fico imaginando o que será que a seleção faz nos períodos de treino. Chego a pensar que o único treino efetuado é o de correr como loucos, parar na linha de três e mandar um balaço. Talvez eles também treinem desperdícios de bola, porque estão ficando craques no assunto.

- Após quatro partidas, já deu pra perceber que a seleção só tem apenas uma jogada de ataque programada. Trata-se de um corta luz nos lados do garrafão por onde o Brasil faz uma rotação para que os alas e os armadores possam ir trocando bolas. Não é nada efetivo mas o time faz isso à exaustão e, fora isso, tem jogadas baseadas claramente no improviso ou individualidade.

- Tá todo mundo meio emburrado. Chega a ser engraçado ver qual é o clima na seleção. Acho que todo mundo fica com essa cara de "o Ron Artest me bateu" porque olham para o banco e vêem o Nezinho, um emblema do absurdo pelo qual passa o Brasil. Creio que a maioria dos jogadores deva ter bons técnicos, seja na Europa ou na NBA, e deve ser definitivamente frustrante vir jogar na seleção e ver que a comissão técnica não faz a menor idéia do que está fazendo. O Nenê deve estar repensando sua decisão de voltar, até jogar summer league nos EUA estaria sendo mais proveitoso. Com certeza os times lá têm mais de uma jogada programada no ataque.

Com tantos motivos, fica óbvio que nada disso será modificado a curto prazo. E é por isso que chego a ter medo do sucesso. Talvez vençamos a Argentina na individualidade, talvez garantamos uma vaga Olímpica. Mas aí vamos para Pequim com a mesma comissão técnica, com o mesmo Grego safado, com o mesmo Nezinho pendurado ali no cabide? Vamos apenas para ser humilhados pelas grandes potencias mundiais? Por outro lado, perder pode significar uma faxina geral ou então uma estagnação ainda maior: a morte final do basquete brasileiro.

Maldita seleção que só dá dor de cabeça. Falta muito para voltar a temporada da NBA?

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Pré-Olímpico 2007


Jogo 1
Uruguai 88 x 84 Panamá

Confesso que não assisti esse jogo completo. Por obra do destino, só pude ver o primeiro tempo da partida e o que eu vi não vale nada já que no primeiro tempo o Uruguai jogava muito mal e o Panamá não dava show mas comandva o jogo. Como o placar diz, tudo mudou e eu perdi um belo de um jogo. Esteban Batista arrebentou e o Uruguai venceu na prorrogação.

Jogo 2
México 100 x 89 Porto Rico
Melhor seria eu ter perdido esse jogo ao invés do jogo do Uruguai. O jogo foi muito, muito feio e cheio de erros. A intenção era boa, os dois times jogavam e deixavam jogar com esquemas (ou a falta de um) que favoreciam a velocidade, o contra-ataque, o placar alto. Mas uma coisa que todo aprendiz de técnico tem que aprender: só mande seu time correr o tempo todo e jogar quase que no improviso se eles forem talentosos!
Uma coisa é um time correr com Nash, Leandrinho, Amaré e Shawn Marion, outra é correr com um bando de jogador mais ou menos e sem nenhum entrosamento. Uma coisa é run'n'gun e outra coisa é ser porra louca!

PS1: Arroyo e Ayuso ganharam o troféu Troy Murphy de como esquecer como se joga basquete de uma hora pra outra.
PS2: Lembram do Uruguaio do handbol que ficou famoso no Pan porque era muito gordo? O mexicano Llamas não fica muito atrás dele.


Jogo 3
Brasil 75 x 67 Canadá
O jogo poderia ter sido muito mais tranquilo mas acabou até no sufoco. Enquanto o Brasil defendeu bem, o Canadá ficou, por falta de talentos individuais, sem saída e cometeu muitos erros, os quais o Brasil respondeu com um forte contra-ataque. Quando o Canadá trocava melhores passes e a defesa brasileira se perdia, o Canadá marcava seus pontos e obrigava o Brasil a atacar cinco contra cinco. Aí se repete tudo aquilo que falamos desde a época em que o Varejão da seleção era o Sandro: muita individualidade, arremessos precipitados, nenhum jogo no garrafão, falta de jogadas desenhadas. E dessa vez nem Valtinho salvou, a bola mal ficava na mão dele e o jogo foi muito mal organizado. Por sorte, dessa vez essa geração até se garante na individualidade e em vários jogos Leandrinho pode levar o time nas costas, marcar 30 pontos e garantir a vitória. Mas é bom não contar com isso, tem dia que a bola não cai.

PS1: Fiz a piadinha aí em cima mas a verdade é que nem temos um Varejão na seleção dessa vez, maldito Cleveland!
PS2: Vou esperar mais jogos pra comentar da volta do Nenê, mas o começo não foi muito bom, muita reclamação, lentidão e poucas boas jogadas. Mas vamos dar tempo ao cara.

Jogo 4
EUA 112 x 69 Venezuela

Mamata. Difícil julgar a seleção americana ou a Venezuelana por esse jogo porque o nível técnico era muito diferente, mas pelo menos vou dizer o que parece que vai acontecer.
A estratégia americana pra superar a defesa por zona que tanto a atrapalha é marcar muito forte na defesa e fazer a maioria dos pontos em contra-ataques originados de erro da equipe adversária. Acho que assim eles vencem esse pré-olímpico sem muita dificuldade. O problema que vemos é a longo prazo: nas Olimpiadas, contra Espanha, a Argentina com o time completo, Itália, Grécia, França, será que isso funciona? A defesa americana funcionar contra a Venezuela não quer dizer que funcionará contra os experientes times europeus.

Sobre a Venezuela, prefiro esperar um jogo mais equilibrado pra dizer algo, mas fiquei feliz ao ver a atitude deles, jogaram com vontade no ataque e na defesa o jogo todo como se não soubessem o placar. Mas peçam para aquele cara com o cabelo igual ao do Joakim Noah parar de dar toco na descendente, deixa a gente ver a bola entrar!

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Bola Presa: quem saiu ganhando na troca de KG?

Na coluna Bola Presa, cada um puxa prum lado!

Garnett mostra o real vencedor da troca: ele próprio


Por que o Celtics ganhou na troca de Kevin Garnett?
por Denis Botana

Simples. Porque com ele, o Celtics depois de tantos e tantos anos vai voltar a disputar títulos. Após tantos e tantos anos todos vão esperar pra ver o Celtics jogar. Depois de tanto tempo o torcedor do Celtics não vai dizer que seu time é o melhor baseado em coisas de 20 anos atrás. Os torcedores do São Paulo sabem do que eu estou falando. Quanto tempo eles não passaram só se vangloriando das glórias de Telê Santana até finalmente voltar a vencer? Chega uma hora que cansa só lembrar das coisas antigas e o torcedor quer coisa nova. Valeu Auerbach, valeu Telê, obrigado Raí, abençoado seja Larry Bird, mas queremos conquistas novas!

O segredo dessa reviravolta foi a troca por Ray Allen. Na entrevista coletiva da apresentação de Garnett, ele mesmo disse que não via com bons olhos a saída de Minnesota para ir para Boston, mas depois que viu que eles também iam ter Ray Allen, a coisa mudou. Todos imaginavam que o Boston usariam a sua escolha no draft, Al Jefferson e Gerald Green para conseguir uma estrela, mas no fim das contas bastou Delonte West e a escolha para conseguir Ray Allen e com isso se mantiveram todas as
estrelas jovens do time para servir de troca para KG. Jogada genial do duvidoso Danny Ainge.

Muitos podem falar que eles jogaram fora o futuro deles por um jogador já velho. Pô! Que mania é essa de juventude? Jogadores jovens dão show, pulam, ganham fãs, mas não ganham títulos. O Spurs já provou que os veteranos fazem a diferença nos playoffs. Al Jefferson é muito bom, Gerald Green pode ter um futuro fantástico, Telfair pode ser bom no fim das contas e Ryan Gomes é o jogador que todo time precisa. Mas de verdade, eles iam levar o Boston ao título? Durante muito tempo não. E quando Al Jefferson se tornar o all-star que todos pensam que ele vai ser, quantos anos terá Paul Pierce? E se Gerald Green não for tudo isso mesmo? E se o Al Jefferson cansar de perder e decidir sair da equipe quando for free agent? Já vimos muito disso por aí, o time drafta, cuida até o cara crescer e quando ele vai entrar no primor da carreira, dá o fora. Shaq mesmo dando alegrias a Orlando foi embora cedo, Jermaine saiu de Portland antes de mostrar quem era, Curry saiu de Chicago assim que começou a jogar bem e por aí vai. No fim das contas, o Celtics trocou as incertezas do futuro por um dos melhores jogadores do mundo que vai dar a chance deles disputarem um título pelos proximos 3 anos pelo menos.

Um time que serve de exemplo pro Celtics é o Miami Heat. O Miami também ficou com o elenco vazio quando mandou 3 titulares por Shaq. A solução foi atrair veteranos com sede de título para realizar o sonho de jogar com o pivô dominante. Então perderam Caron, Odom e Brian Grant mas em troca não ganharam só Shaq. Ganharam Shaq, Alonzo, Walker e Payton. E com isso ganharam o título. Pierce, KG e Ray Allen têm fama de bons moços que treinam bastante e de serem bons companheiros de time. Além disso eles tem a fama de serem espetaculares. Junte a isso a fama que o time de Boston tem e não deve faltar veterano pra encher essas vagas que a troca deixou em aberto. Reggie Miller já está sendo sondado, Allan Houston já apareceu nos rumores, mas nem precisamos ir tão longe com os já aposentados, o que não falta na NBA é jogador bom ou mediano atrás de um bom time para se consagrar.

Em resumo, o Wolves pode ficar sonhando com seus pivetes, achar que um dia algum deles possa dar alegria para sua torcida mas quem entra na briga de verdade agora é o Boston. Para todo mundo, principalmente o Dallas, o que interessa é playoff, é título, e não promessa para um futuro distante.

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Por que o Wolves ganhou na troca de Kevin Garnett?
por Danilo Silvestre

Trocas de grandes estrelas costumam, por regra, ser complicadas. É muito difícil conseguir uma troca justa que traga valores no mesmo nível da estrela sendo trocada. Num passado próximo, podemos lembrar de duas grandes estrelas que trocaram de time: Shaquille O'Neal e Allen Iverson. Shaq foi trocado por Lamar Odom, Caron Butler, Brian Grant e uma escolha de draft. Iverson foi trocado por Andre Miller, Joe Smith e duas escolhas de draft.

É sempre difícil ver o jogador principal de seu time partir por alguns jogadores de segundo escalão e um punhado de escolhas no draft. Ainda mais no caso de Kevin Garnett, um dos melhores jogadores dos últimos anos, cuja eficiência é inquestionável. Como fã de Garnett, fiquei feliz de vê-lo ser trocado porque ele merecia essa chance de competir pelo título antes que ele usasse bengala e tomasse purê de maçã na veia. Achei muito nobre que o Wolves permitisse a Garnett, que nunca pediu para ser trocado, a oportunidade de não ter que carregar de novo um time medíocre nas costas e ficar fadado à fama de amarelar nos playoffs.

Mas a nobreza que eu via no Wolves desapareceu assim que vi o outro lado da troca: o Celtics mandou Al Jefferson, Gerald Green, Sebastian Telfair, Ryan Gomes, o contrato-monstro prestes a expirar de Theo Ratliff e duas escolhas de draft.

É, sem sombra de dúvidas, a melhor troca por uma estrela de que eu consigo me recordar. Nada de Joe Smith aqui, garotada: estamos falando de jogadores realmente talentosos, competentes e jovens, muito jovens. O Celtics segurou suas jovens estrelas por um punhado de anos e, quando elas finalmente desabrocharam, foram trocadas. Isso quer dizer que o Celtics não mandou apenas jovens potenciais questionáveis: mandou também certezas.

Al Jefferson provou seu lugar na liga como um dos mais capazes jogadores de costas para a cesta. Ryan Gomes firmou-se como um pau-pra-toda-obra capaz de jogar em 3 posições com uma consistência invejável. Os outros são mais questionáveis, mas não verdadeiramente apuros: Gerald Green mostrou momentos de genialidade e deve evoluir muito com mais minutos, além de conseguir pular prédios de 10 andares e depois enterrar, o que sempre pode ser útil hoje em dia nesse mundo com tantos prédios. Sebastian Telfair, por sua vez, é absurdamente talentoso mesmo tendo o selo "Ron Artest de qualidade" em se meter em encrencas.

O Wolves com Garnett estaria eternamente fadado a ser como um dia no museu com Tim Duncan: monótono. O Minessota não brigaria nos playoffs e também não teria a primeira escolha do draft. Ficaria para sempre ali, no limbo da 8a ou 9a colocação no Oeste. E após a troca? O Wolves deve ter um ano difícil de adaptação e de amadurecimento de seus jovens jogadores, acabar lá no fundo da conferência Oeste, ter duas escolhas no primeiro round do draft, e então virá com tudo na temporada seguinte. Será o processo mais rápido de reconstrução de um time já visto. Isso porque o Celtics acabou de mandar seu próprio projeto de reconstrução para Minessota. Com o trabalho poupado, o Wolves só precisa contar com as peças jovens que já possuia (Randy Foye e Craig Smith), manter o Ricky Davis tomando seus calmantes e se preparar para tomar a Liga de assalto em poucos anos.

Boa sorte para os Celtics nos 3 anos que lhes restam de vida. Lá em Minessota é o começo de um império que se forma, e muito mais adiantado do que se imagina.
Al Jefferson, olha a pressão que estou colocando em você... seja um bom menino e eu prometo comprar sua camisa como All-Star lá em 2009, ok?