quarta-feira, 29 de abril de 2009

Jogo 7

A NBA anunciou hoje que o Dwight Howard está suspenso para o jogo 6 contra o Sixers que acontecerá amanhã na Philadelphia. Ele será suspenso por uma tentativa de homícido contra o Samuel Dalembert. Na verdade foi uma tentativa de cotovelada, mas como é o Dwight Howard, se pega na cabeça é capaz de matar. Como diria minha vó, se pega no olho...


Pra deixar o Magic com menos chances ainda de vitória, o Courtney Lee, que saiu machucado do jogo 5, não vai se recuperar a tempo e ficará de fora do jogo. Detalhe que o Lee se machucou por causa do cotovelo do Dwight, que acertou seu rosto depois de um toco do pivô que estava em seu dia de Karl Malone.

Considerando ainda o Jameer Nelson como titular, o Magic jogará a partida que pode fazer eles passarem da primeira rodada dos playoffs pela primeira vez desde que foram para as finais do Leste em 96 (edit: esqueci do ano passado, mas faz tanto tempo...) sem três titulares e fora de casa. Sinto cheiro de jogo 7.

Há alguns anos a cotovelada do Dwight teria sido só mais um lance de jogo, mas de um tempo pra cá a NBA não deixa barato essas coisas. A diferença é que o normal teria sido a expulsão imediata do jogo e nenhuma punição depois, mas como os juizes deixaram quieto porque o Dwight não é o Artest, a punição veio depois.

Aqui tem o vídeo do lance entre Howard e Dalembert:


Mais um clássico

KG tenta engolir a cabeça de Ben Gordon


Espero que todos que tenham votado na nossa enquete anterior dizendo que a série mais emocionante do Leste seria Pistons e Cavs estejam bem arrependidos. Sem dúvida alguma, de longe, a melhor série dessa primeira rodada é entre Boston Celtics e Chicago Bulls.

O jogo 4 em Chicago já tinha sido emocionante, hoje o jogo 5 em Boston foi sensacional de novo. Não é à toa que é a primeira série de playoff da história a ter três jogos com prorrogação (3 a 2 pro Boston na série, 2 a 1 para o Bulls nos jogos com períodos extras).

O jogo de hoje começou com dois dos grandes heróis da série, Ben Gordon e Paul Pierce, frios como minha ex-namorada, mas acabou com os dois quentes como o a Monica Mattos em dia de gravação. Começou no maior estilo festival de rock, onde ouvimos porcaria (tipo M.I.A) pra depois chegar à parte que interessa (Strokes). Em Boston assistimos um bom começo de jogo de Glen Davis e Kirk Hinrich pra só depois pegar os Casablancas da história.

Só no segundo tempo é que as estrelas da série começaram a aparecer. Deve ser porque já se acostumaram com a dinâmica dessa série: tirando o jogo 3, em todos os jogos ninguém abre mais de 5 pontos de diferença por muito tempo e o jogo está sempre empatado ou com trocas de liderança. Uma estatística que apareceu no meio do jogo (que já ficou desatualizada segundos depois) mostrava uma série com 45 empates e mais de 80 trocas de liderança! Assustador! Na série Heat-Hawks o Atlanta chegou a passar dois jogos inteiros sem assumir a liderança no placar, por exemplo.

E se todos se acostumaram que a série é assim, já sabem que o jogo se decide com quem acerta mais arremessos impossíveis no final das partidas. Derrick Rose e Rajon Rondo fizeram a sua parte trocando bandejas em contra-ataques nos momentos cruciais do jogo, um tentando provar para o outro quem é mais rápido e melhor em bandejas-Tony-Parker, um desafio alucinante que dessa vez foi vencido por Rajon Rondo, que mais uma vez beirou um triple-double com 28 pontos, 8 rebotes, 11 assistências e 2 roubos. Vocês sabiam que ele está com MÉDIA de triple-double nessa série (23-10-10)?

Se na armação a briga é boa, na posição dois ela também é e tem mais cara de briga. Ben Gordon e Ray Allen passaram quatro jogos correndo em torno de corta-luzes como ratinhos de laboratório, seja para conseguir arremessar ou para correr atrás de seu concorrente. Mas hoje o Ray Allen, velho de guerra e cansado de correr, resolveu que era hora de segurar a camisa do Ben Gordon e de parar o armador do Bulls, que jogou com dores musculares na perna, com faltas. Os juízes viram, não deram mole nenhuma vez, pegaram bastante no pé e o Ray Allen saiu com 6 faltas.

Nessa batalha o vencedor foi Gordon. O arremesso que ele acertou para abrir 2 pontos de vantagem a 16 segundos do fim do tempo normal foi coisa de gênio. Sem estar posicionado para o arremesso, com a marcação na sua frente e sem opções de passe, ele simplesmente jogou a bola pro alto e ela caiu. Fez isso mais uma vez na prorrogação em uma infiltração que ele nunca deveria ter tentado.

O Ben Gordon é uma versão do mundo bizarro da maioria dos jogadores da NBA: ele amarela nos três primeiros períodos e só joga bem nos minutos finais. E entendo os torcedores do Bulls que não gostam dele, apesar de salvar o time inúmeras vezes não dá pra não gritar "nãaaaao" a cada arremesso forçado que ele tenta.

No garrafão a batalha também é boa. Temos dois caras que sempre foram grossos e que estão jogando bem desde o começo da série, Tyrus Thomas e Glen Davis (que são amigos de infância, sabia?) e dois jogadores que estão achando o seu Dwight Howard interior, Joakim Noah (17 rebotes) e Kendrick Perkins (16 pontos, 19 rebotes e 7 tocos). A favor do garrafão do Bulls estava o banco de reservas, que contou com os precisos passes de Brad Miller. Porém, foi exatamente Brad Miller quem desperdiçou os dois lances livres que poderiam levar o jogo para uma segunda prorrogação.

Em uma jogada de lateral faltando poucos segundos para o fim do tempo extra, o Kendrick Perkins abandonou o Brad Miller para fechar o Ben Gordon na lateral, deixando o pivô completamente livre, que recebeu a bola e bateu pra dentro. Errou a bandeja depois de tomar um murro na cara do Rondo e com a boca sangrando errou os dois lances livres, o primeiro por amarelismo e o segundo por grosseria, quando tentou errar de propósito mas nem acertou o aro.

Com isso o jogo estava decidido e com herói: Paul Pierce. O ala do Celtics fez o confronto derradeiro do jogo 5, contra John Salmons. Os dois devem ter feito um acordo antes da série começar de acertar apenas arremessos um na cara do outro. O Salmons está jogando bem, mas joga ainda melhor quando arremessa de 3 com o Paul Pierce colocando a mão no seu olho. Assim como o Paul Pierce acertou três arremessos idênticos na prorrogação, incluindo o da vitória, com o Salmons fazendo bom trabalho defensivo sobre ele.

Pierce disse depois do jogo que com o Ray Allen fora com 6 faltas e o KG sem poder jogar, ele teria que elevar seu jogo. Ele tem toda razão. Embora o Mr.Triple-Double Rondo e o novo Bill Russell Perkins tenham feito um jogo espetacular, nenhum dos dois tem como característica acertar os arremessos decisivos do fim do jogo, com tudo preparado pelos role players era função do Paul Pierce terminar a bagaça.

Em uma jogada que não foi ele quem decidiu, deu muita merda: o Marbury sobrou livre para um arremesso mas borrou as calças com medinho de errar e resolveu passar na pior hora possível para o Rondo na fogueira, que perdeu o pequeno gancho. Foi patético e o Marbury nunca mais deveria pisar numa quadra da NBA.

O triste do jogo ter acabado com os erros do Brad Miller e não com um arremesso certo do Bulls (ou até na última bola do Paul Pierce) foi que a graça dessa série sobre as outras também disputadas (Rockets-Blazers, Magic-Sixers, Hawks-Heat) é que nessa os jogos são decidos com muitos acertos. A emoção está porque a cada posse de bola é um jogador diferente fazendo algo espetacular, enquanto nas outras séries, especialmente na do Orlando, é sempre alguém cometendo uma falha estupenda e pagando o preço por isso.

De todas essas séries disputadas, torço para que Bulls e Celtics cheguem ao jogo 7. E que o jogo 7 tenha umas três prorrogações, claro.


A maior sapecada da história


Ia escrever antes sobre a lavada que o Hornets levou do Nuggets mas acabei combinando de ir jogar Winning Eleven com o Danilo e aí lá se foi todo o meu tempo livre do dia. Pior que eu jogo mal pra caralho o maldito viciante jogo de futebol. Fica aqui o texto que eu já tinha começado mas não terminado, embora o assunto já esteja um dia mais velho. Vale para não jogar fora os caracteres usados.


...

Foi simplesmente a maior lavada que eu já vi. Ou melhor, a maior lavada que eu já vi pela metade. Com o Heat e o Hawks se pegando em Miami eu não ia perder meu tempo vendo o coitado do Chris Paul que eu gosto tanto passar a maior humilhação da sua vida diante do Denver Nuggets.

Os 58 (CINQUENTA E OITO) pontos de diferença foram a maior diferença numa vitória na história dos playoffs. Dá pra imaginar que mesmo se o Hornets começasse o jogo com uma vantagem de 50 a 0 eles ainda teriam perdido o jogo? É tipo começar a jogar 21 com o seu primo mais novo, dar a vantagem dele começar com 19 a o e depois ganhar do pirralho.

Eu só fiquei um pouco feliz com a lavada por causa do post que tinha escrito no mesmo dia. Afinal, o jogo confirmou minha teoria de que grandes jogadores ganham jogos, não séries de playoffs. Aconteceu em New Orleans onde o Chris Paul não conseguiu o mesmo milagre do jogo 3 e aconteceu também no jogo que eu vi até o final, em Miami, com o Dwyane Wade jogando mal e cedendo o empate na série para o Atlanta.

O Miami, aliás, mostrou como é um time muito limitado no ataque. Com o Wade jogando mal eles estavam sofrendo para atingir a marca de 30 pontos com o primeiro tempo já acabando! Só voltaram para o jogo porque o James Jones conseguiu a proeza de fazer duas jogadas de 4 pontos em ataques consecutivos.

Mas logo que voltou o terceiro quarto, o Hawks abriu mais um pouco e no quarto período matou o jogo. O Wade estava num de seus piores jogos de playoff da carreira. Ele começou o jogo com uma airball na primeira posse de bola do jogo, assim como o Al Horford já tinha feito pelo Hawks no jogo 3. Mas o Wade continuou e deu mais 3 airballs só no primeiro tempo! Porra, nem eu faço isso jogando depois de comer feijão no almoço com vento forte na quadra descoberta.

O Heat é um time bom que pode vencer quase todo mundo na NBA, mas numa série de 7 jogos é difícil demais, eles não sabem mesmo o que fazer quando o Wade não está em quadra ou está mal. Qualquer uma das duas equipes que saia dessa série não ganha mais de 1 jogo do Cavs.

De volta ao jogo do Hornets, aquilo foi uma das maiores humilhações que eu já vi na minha vida esportiva. Mais destruidor que a derrota do Lakers no jogo 6 das finais do ano passado, mais devastador que a derrota do Spurs para o Pistons no jogo 4 das finais de 2005, mais embaraçoso que quando o Timão meteu 7 a 1 no Santos, talvez no mesmo nível de vergonha alheia da final de Roland Garros do ano passado e do 5 a 0 em anos consecutivos do Cruzeiro sobre o Galo.

Não tem explicação basquetebolística para o que aconteceu. 58 pontos de vantagem (com 26 turnovers para o Hornets) é supremacia mais que absoluta em todos os quesitos possíveis e imagináveis em uma quadra de basquete, acho que até o pinto dos jogadores do Nuggets eram maiores que os do Hornets naquele jogo.

Eu fico com dó do Hornets porque eles ainda vão ter que jogar mais uma vez contra o Nuggets e dessa vez em Denver, a chance de mais uma humilhação é altíssima. Mesmo que não por 58 pontos, por 20 já seria bem doloroso. Proponho uma nova regra para prevenir situações embaraçosas como essa: se um time vence um jogo de playoff por mais de 50 pontos o outro time está automaticamente eliminado e ganha um pirulito sabor framboesa pra ir pra casa da mamãe chorando as mágoas.

Vale também comentar o fato da torcida ter ido embora do ginásio ainda no terceiro período. É o tipo de coisa que você entende mas que nos faz lembrar daquela discussão sobre como os fãs de NBA não são tão apaixonados como os americanos são com a NCAA ou nós com futebol.

Adeus Hornets, que os Monstars devolvam o talento de Tyson Chandler, Mo Peterson e Peja Stojakovic no ano que vem e façam vocês serem de novo um dos times mais legais de se ver na liga.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Na unha

"Eu tenho a força!"


O post do Denis analisa muito bem qual o papel e a importância das estrelas num time que quer ser campeão da NBA. Na partida entre Bulls e Celtics, no domingo, era até difícil dizer quem ali não era estrela. Há pouco tempo atrás, ainda me lembro de um Boston Celtics que fedia mas começava a apontar para um futuro promissor com três pirralhos que seriam grandes jogadores: Rajon Rondo, Kendrick Perkins e Al Jefferson. Sem nenhum medo (é o famoso "pisou na merda, abre os dedos"), aquele Celtics horrível começou a se livrar de seus jogadores mais experientes e competentes para abrir espaço para a molecada que parecia ter algum potencial. A armação foi completamente entregue para o Rondo, em detrimento até mesmo de outro calouro talentoso na época, o Sebastian Telfair. No garrafão, na esperança de que se tornaria um monstro defensivo, Perkins ganhou todos os minutos que eram então de Mark Blount. Enquanto isso, Al Jefferson começava a ter jogadas planejadas para ele, dividindo a bola com a estrela de longa data que aturava aquele time cheirando a fralda, Paul Pierce. As apostas deram muito certo: Perkins se tornou um pivô competente, coisa rara nesse mundo pós-Clodovil, Al Jefferson se tornou uma estrela (e foi trocado por outra estrela, Kevin Garnett) e o Rondo, bem, o Rondo é um caso à parte.

Esse Celtics atual deveria ser a equipe de Ray Allen, Paul Pierce e Kevin Garnett, três futuros membros do hall da fama do basquete, três estrelas incontestáveis. Só que volta e meia, na temporada passada, Rajon Rondo conseguia um rebote ofensivo que acabava decidindo o jogo, em meio a caras que poderiam (e deveriam) estar colocando o jogo no bolso. Pelas beiradas, foi conquistando seu espaço, ganhando confiança, e agora quem disser que ele não é uma estrela merece uma surra bem dada. Rondo terminou o domingo com seu segundo triple-double da série contra o Bulls e sem dúvida alguma é o jogador mais importante do Celtics no momento. Ninguém no time tem vergonha de colocar a bola em suas mãos e deixar as coisas acontecerem, suas infiltrações têm precisão cirúrgica e seu jogo é completo demais. A confiança está nas alturas, vê-lo chamando jogadas dando indicações para Ray Allen ou então brigando com o vovô do Marbury chega a ser uma experiência cômica. Durante toda a partida, o Celtics foi o time de Rajon Rondo, estrela inquestionável, enfrentando o Bulls da estrela Derrick Rose, que mal tem idade para encher a cara de pinga. Os dois penetram no garrafão como se fosse filme pornô com a Vivi Fernandes, é fácil, rápido e indolor (para quem penetra, não para quem defende, deixemos claro).

Mas a quando a coisa apertou, no fim do tempo regular, a bola foi parar nas mãos de Ray Allen para uma cesta de três pontos certeira que levou a partida para a prorrogação. Aposto que todo mundo tinha até esquecido que o Ray Allen estava nesse time, não é comum um time ter tantas estrelas assim. O Doc Rivers desenhou a clássica e super-eficiente jogada que deixa o Ray livre e ele foi lá e fez o que precisa ser feito, no maior estilo Steve Seagal, Chuck Norris e Charles Bronson, doa a quem doer, custe o que custar. Sempre tem alguém dizendo que ele está velho, que ele amarela, e ele sempre vai lá e prova que a pessoa não tem internet, não viu nenhum jogo e não entende bulhufas de basquete.

Aliás, quase foi o meu caso. Estava vendo o jogo no chat do Bola Presa com um punhado de gente e então nosso link simplesmente expulsou todo mundo da transmissão, alegando que um limite de brasileiros havia sido ultrapassado (bem dizem que brasileiro dá em árvore). Não vimos a cesta do Ray Allen, acompanhamos apenas descrições na internet, batemos a cabeça contra a parede, ameaçamos pular pela janela, cortamos nossos pulsos e escrevemos frases de efeito pelo chão da sala ao som de músicas do NX Zero. Ofereci minha vida em troca de um link que funcionasse, e então ele veio, dos céus, com um link sagrado: uma alma caridosa no chat do Bola Presa ganhou minha vida e agora vai ter que arcar com as minhas responsabilidades, pagar minhas contas e postar de graça diariamente aqui no blog. Por enquanto, não passou para receber seu prêmio.

A prorrogação, então, todos pudemos acompanhar juntinhos, pra esquentar nesse inverno. A quantidade de estrelas na partida era imensa: enquanto Rondo e Derrick Rose faziam o que bem entendiam, Ben Gordon jogava como se seu salário dependesse disso (bom, acho que ele tem razão) e Ray Allen como se o Garnett fosse engolir ele com azeite e sal em caso de derrota. Foi o Allen quem acertou duas bolas de três seguidas para colocar o Celtics três pontos na frente, e foi o Ben Gordon que, sob os gritos de "sá-lá-rio", acertou a cesta mais improvável de sua carreira. A Mari Alexandre me mandou uma mensagem dizendo que o Ben Gordon ia arremessar, todo mundo sabia que ele estava forçando o jogo, que a última bola seria sua, não importava quão bem o Derrick Rose tivesse jogado nas horas anteriores. Ele foi bem marcado, pressionado, mas o Ben Gordon sempre traz aquela dúvida: ele deve ou não ser levado a sério? Ele é ou não estrela? Ele ajuda ou atrapalha o time? Ele é humano ou um anão alienígena com poderes psiônicos? Em todo caso, a bola caiu e lá estava de novo o jogo empatado. Simples mágica:



Quatro segundos para o final, bola do Celtics, dou uma bala pra quem adivinhar a jogada pedida pelo Doc Rivers. Pois é, meu amigo, perdeu uma bala - e hora que era uma das muito úteis balas 7Belo. A bola não foi para Ray Allen, e sim para Rajon Rondo, o exato oposto do que o Celtics fez na posse de bola anterior. A idéia deve ter sido simples, se o Rondo estava dominando até então, porque não deixar ele continuar seu trabalho já que dá pra ganhar numa simples bandeja ao invés de mais uma bola de três pontos? (some a isso o fato de que Ray Allen não luta pelo seu futuro salário.) Não me levem a mal, eu adoro o Rondo, acho ele o melhor reboteiro do planeta (atualmente ele é o sexto dos playoffs, com 10.8 por jogo) e um monstro batendo para dentro, mas ele não é nenhum gênio da física nuclear e também nunca será um bom arremessador. A soma desses dois fatos impediu que ele batesse para dentro do garrafão, cavando uma falta, e preferisse dar um arremesso muito do vagabundo para tentar a vitória. Quase nem deu aro, nem as estrelas podem ser perfeitas. Mais uma prorrogação, ao que eu muito agradeci já que o link sagrado que havia surgido dos céus continuava funcionando.

Foi na segunda prorrogação que, mais do que nunca, deu pra perceber que o Denis tem razão: estrelas são fundamentais para vencer jogos, com bolas de três pontos decisivas e jogos dominados do começo ao fim, mas é o resto do elenco que faz as pequenas coisas necessárias para vencer uma série. Hora de dar os méritos devidos, portanto, para dois sujeitos menores do Chicago: Kirk Hinrich e John Salmons. O primeiro foi duramente criticado na temporada passada pela queda no seu aproveitamento nos arremessos, sua tendência a fazer cagadas na hora de comandar as jogadas e sua falta de liderança na equipe, mas tem uma coisa que não dá para criticar no moço: sua defesa. Me aponte um armador principal que marque tão bem quanto ele e também de dou aquela bala 7Belo que você perdeu minutos atrás. Hinrich é esquecido porque foi apodrecer no banco, passou tempo demais contundido e porque tem cara de vendedor de seguros, mas o trabalho que ele fez em Paul Pierce durante a partida de domingo foi espetacular. Rachou o trabalho com o John Salmons, que também defende bem e vem se superando no ataque. Já faz um tempo que seu jogo atingiu o ápice, mas no Kings não havia espaço para ele. Quando o Kevin Martin se contundia (toda quarta-feira, praticamente), Salmons assumia a vaga e jogava em alto nível, mas bastava a contusão sumir e o Salmons tinha seus minutos reduzidos a zero. Revoltado, o coitado sempre exigia explicações, que nunca vinham. Não precisa ser gênio para compreender que a prioridade era deixar a pirralhada jogar, não importa quão bom o Salmons fosse. Com isso em mente, foi trocado junto com o velho do Brad Miller. Foi justamente o Salmons quem, após assistir Paul Pierce meter uma bola de três importantíssima, apertou a defesa na última posse de bola que poderia definir o jogo. O toco em Pierce no arremesso final acabou com a partida e consagrou os jogadores secundários. Não dá pra esquecer também que meu queridinho Joaquim Noah, que pra mim tem toda a técnica de um cortador de lenha, manteve as prorrogações sob controle graças a uma forte defesa, tocos precisos e rebotes salvadores com muita raça e pouco talento. Às vezes, no meio de tanto talento com Derrick Rose e Ben Gordon, e exatamente de falta de talento que o time precisa para vencer. A vitória em geral não vem no talento, mas na unha.


Foi o caso do meu Houston Rockets, que abriu 3 a 1 na série contra o Blazers. Ao fim do jogo, os comentaristas da ESPN gringa estavam dizendo que alguns jogadores do Houston só servem pra alguma coisa se jogam com vontade, e por essa razão eles jogam sempre com vontade. Se o Battier faz corpo mole, ele vira um monte imprestável e desforme de carne inútil, e ninguém quer ser inútil numa série de playoff com toda sua família assistindo. Ele sabe que não poderá contribuir com sua técnica, com sua liderança, com seus passes, sobra então fazer cara de mal e tomar pancada. Foi assim que Scola aproveitou todo o espaço que Yao lhe forneceu, Carl Landry trombou no garrafão, Shane Battier esteve em todos os lugares da quadra (inclusive para arremessos decisivos), Von "Bolacha" Wafer arremessou sem parar e Chuck Hayes usou seu corpo gordo e corajoso (suas únicas qualidades) para cavar uma falta de ataque em Brandon Roy que acabou decidindo o jogo. Basicamente, o Houston ganhou o jogo porque o time fede e todo mundo teve que suar as pitangas. O Blazers, com mais recursos, mais jogadores técnicos e menos brutamontes, simplesmente não conseguiu lidar com o nível de energia imposto na quadra. Brandon Roy é uma estrela, um dos cestinhas desses playoffs, mas sua atuação foi desperdiçada. Já Artest, que é cada vez menos estrela e teve uma partida que deixou muito a desejar, jogou com uma raça impressionante e ganhou suas poucas cestas no músculo, na trombada, com direito até a mostrar o muque pra torcida. E isso, crianças, abre espaço para que as estrelas possam realmente ser efetivas.

Depois de Scola receber bons passes para finalizar, acertar seus arremessos, de Carl Landry pegar rebotes ofensivos e atrapalhar no garrafão, e de Battier e Von Wafer arremessarem bolas que sobraram para eles quase por engano, o Blazers percebeu que a marcação dupla em cima de Yao Ming gerava espaços demais na quadra para o resto de um elenco tão animado e disposto a fazer alguma coisa. Com a marcação simples, Yao tirou de letra o Pryzbilla Gorila e nem viu a cor do Greg Oden, que não consegue parar de fazer faltas nem quando vai ao banheiro. Em suma, foram os jogadores grossos que permitiram à estrela fazer aquilo que ela deveria. Do mesmo modo que Ben Gordon teria tido mais uma atuação fenomenal seguida por derrota se não fosse pelo Hinrich e o John Salmons, jogadores mais-ou-menos. Alguém tem que decidir o jogo, mas alguém precisa segurar as pontas.


Pro Magic, aliás, o problema é sempre esse: um cara pra decidir, porque segurar as pontas todo mundo lá consegue. É possível argumentar que a equipe tem muitas estrelas (pelo menos pra quem der uma espiadinha nas contas bancárias), mas não há ninguém ali que seria merecedor de uma bola decisiva. Da última vez, coube ao Dwight Howard, que converteu seus lances livres. Dessa vez, a bola foi pro Turkoglu. Justiça seja feita, ele acertou trocentas bolas dessas na temporada passada, quando foi cotado para ser o jogador que mais evoluiu e começou a comentar por aí que queria ganhar mais grana e iria terminar seu contrato assim que pudesse. Nessa temporada, no entanto, ele fedeu muito (bate papo com os Monstars, alguém?) e certamente deixou todos os torcedores do Magic desesperados com a idéia dele arremessar a última bola. Boatos dizem que tentaram colocar o Jameer Nelson em quadra, mesmo numa maca. Mas Turkoglu foi lá e, com bagos de jumentinho, converteu uma desnecessária bola de três pontos com a graça de quem arremessa de mais longe só porque podia. Decidiu o jogo.


Pelo Pistons, quem tentava decidir o jogo, não apenas no domingo mas em toda série, era o zé-ninguém do Will Bynum. E justamente por isso, não posso dizer nada além de um "bem feito" para a eliminação humilhante do Pistons pelo Cavs (quem responder "beija a bunda do prefeito" eu vou ter que ficar de mal). O negócio é o seguinte: Iverson chegou como uma opção para definir jogos, criar jogadas individuais quando necessário, resolver as partidas que o Pistons insistiu em perder no finalzinho nos playoffs mais recentes. O elenco não aceitou a brincadeira, alegou que seu estilo não se encaixava, que a família estava desfeita, que não fazia sentido, rejeitaram o Iverson, apertaram o botão vermelho e chamativo da autodestruição e depois deram a descarga. Uma misteriosa contusão alienigena atacou Iverson, que alegou "não estar em condições de jogar", e o casamento estava desfeito. E aí, contra o Cavs, desesperados por alguém capaz de pontuar e chamar o jogo para si contra uma das melhores defesas da NBA, eles são obrigados a colocar a bola nas mãos do Will Bynum? Vai me dizer que não era melhor ter o Iverson, fosse como fosse? Não quiseram, não aceitaram, o ego falou mais alto. O descontentamento não permitiu que se encontrasse uma maneira de fazer funcionar, e o resultado foi um time experiente e calejado dependendo de um moleque de Liga de Desenvolvimento e tomando de quatro (sem duplo sentido, ou talvez só com um pouco) do Cavs nos playoffs. Ridículo.

Pois bem, para Celtics, Bulls, Magic e Rockets, não faltaram estrelas e nem elencos de apoio, gente menos capacitada disposta a dar uma força, mesmo que seja na unha. Mas para o Pistons, faltaram repentinamente estrelas. Mesmo que, para encontrá-las, bastasse olhar para o banco de reservas, vestindo um terninho e ganhando uma grana preta. Pra ficar parado, assistindo uma das maiores humilhações que eu já vi nos playoffs. Maior até do que a humilhação do Hornets na partida de segunda contra o Nuggets, mas dessa a gente já fala daqui a pouco.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Estrelas ganham títulos?

Kobe não percebe que tem um Brewer na sua frente

Muitos fãs (chatos) de basquete que preferem um bom jogo da Euroliga ou da NCAA a um jogo da NBA dizem que pensam assim por gostar da maneira mais focada no jogo coletivo dessas ligas. Acham que na liga americana a coisa é muito focada no jogo individual, com times esperando que suas estrelas vençam os jogos e façam jogadas de efeito.

A NBA é a liga das estrelas mesmo. Quem joga é o Lakers de Kobe Bryant contra o Utah Jazz de Deron Williams. Todos os times têm esse aposto com o nome de seu jogador principal, são esses nomes que vendem o time. Não era raro ver uns anos atrás mais transmissões na TV do mediano Lakers do Kobe ou do medíocre Cavs do novato do LeBron ao invés de jogos em rede nacional dos fortes, defensivos e coletivos Pistons ou Pacers.

Como a NBA é a liga com mais cara de business no mundo inteiro, é natural que se valorize assim as estrelas, também é mais aceitável porque é na NBA que jogam os melhores jogadores do planeta. Estaríamos aqui metendo o pau no David Stern se ele não estivesse usando Wade, LeBron e cia. pra promover a liga.

Mas tá, usar a imagem dos jogadores como heróis, como ídolos, é muito legal e entendemos os motivos do negócio. Mas o quanto isso vale para o jogo propriamente dito? Essas super estrelas resolvem mesmo? Dá pra ser campeão sem um estrela de primeiro porte no time?

O último sábado me inspirou a falar sobre o assunto porque em todos os jogos tivemos estrelas com atuações muito acima da média. Kobe fez um dos jogos mais impressionantes dos últimos tempos marcando 38 pontos quase que exclusivamente em arremessos de meia distância muito contestados. D-Wade cobrou o escanteio e foi cabecear, já diria minha vó, com pontos de longa distância, com enterradas, tocos, defesa e ainda armou para o resto do time. Chris Paul levou o Hornets, que parece cada vez um time pior, para uma inesperada vitória sobre o Nuggets e por fim o Tony Parker mostrou que o melhor jogador de garrafão de NBA tem 1,90m e é francês.

No domingo o LeBron ainda fechou a conta das superestrelas ao engolir mais uma vez o Pistons em Detroit.

Dos 4, apenas Tony Parker, que ainda contou com a ajuda de quase um triple-double de Tim Duncan, saiu com a derrota. Kobe, Wade, LeBron e Paul, que não tiveram outra nenhuma atuação espetacular para acompanhá-los, conseguiram vencer.

Ao ver uma atuação brilhante como a do Kobe, por exemplo, pensamos na hora que não dá pra vencer um time com um cara jogando daquele jeito. Parecia que toda vez que o Jazz pensava em fazer alguma coisa pra reagir, o Kobe estava lá pra acabar com eles. Fica a impressão de que o Jazz não vai ganhar nunca porque não tem Kobe Bryant.

Mas ao ver Tony Parker furando a defesa do Dallas o tempo inteiro com as bandejas mais malucas que você pode imaginar e mesmo assim perdendo, você pensa que não adianta nada o cara jogar sozinho se do lado dele tem o Matt Bonner e o Ime Udoka.

A sabedoria popular da NBA diz que um bom jogador ganha um jogo, um bom time vence uma série. E acho que a sabedoria popular acertou dessa vez. Podemos passar horas e horas aqui elogiando cada toco do Wade, cada arremesso impossível do Kobe sobre o coitado do Ronnie Brewer, mas quem vence uma série é sempre o melhor conjunto.

Claro que isso não quer dizer que você possa vencer um campeonato sem uma grande estrela na equipe, que fique muito claro! Isso simplesmente não existe na NBA!

Desde o fim da era Jordan, por exemplo, são 4 títulos para o Tim Duncan, talvez o melhor ala de força da história da NBA, 4 títulos para o Shaq, um dos melhores pivôs da história, e um para um time que só tinha Kevin Garnett, Paul Pierce e Ray Allen. Faltou alguém?

Faltou o Pistons de 2004. Tem muita gente que cai na lorota de que o Pistons é uma prova de que dá pra vencer na NBA sem grandes estrelas, mas o que aquele título na verdade prova é que a gente é muito ligado a nomes, a status, ao show, e não presta atenção no que está acontecendo de verdade. O Billups naquele ano já estava jogando como um dos melhores armadores da NBA e na final foi mais que isso, foi fora de série. O Rasheed Wallace já tinha sido muitas vezes all-star e o Ben Wallace já tinha se consagrado como o melhor defensor da liga.

Eles podiam ter um estilo de jogo bem coletivo, podiam não ter um cestinha com 30 pontos por jogo, mas dizer que eles não tinham estrelas é demais. O que acontece é que na época, em 2004, muitos deles ainda não tinham se consagrado em outras equipes ou não vinham de 10 temporadas sensacionais seguidas, ainda se tinha o medo deles serem meio fogo de palha ou time de temporada regular. Mas eram estrelas e ninguém percebeu, foram perceber depois quando Billups, Hamilton, Rasheed e Big Ben foram all-star na mesma temporada. O time sem estrelas de repente tinha 4.

Estrelas sozinhas ganham um jogo ou dois em uma série, mais que isso só se o adversário for bem fraco. Times bons vencem séries. Deu pra sacar, né? Mas acontece de dois times bons se enfrentarem, é o que geralmente acontece em finais de conferência ou nas finais da NBA mesmo. Muitas vezes (esqueça 2007) não fica muito óbvio qual é o melhor time.

E aí, entre dois times muito bons e parelhos, aquele único joguinho que a estrela ganha sozinha faz muita, muita diferença, alimentando de novo os argumentos de quem acha que estrelas vencem campeonatos sozinhos. Balela, uma herança maldita de quem acha que o Jordan ganharia 6 títulos mesmo se jogasse com o Zach Randolph e o Brian Scalabrine do lado.

São 30 times, os melhores jogadores do mundo e uma temporada enorme e desgastante. Você precisa de estrelas, de um time sólido, de união, de defesa, de confiança e de sorte para ser campeão.

...

Mais tarde o Danilo aparece com um texto bem bacana sobre o jogaço entre Bulls e Celtics, o melhor dos playoffs até agora e que por falta de uma teve uma renca de estrela. Até o John Salmons brincou de superstar na tarde de domingo.

domingo, 26 de abril de 2009

Falha no Universo

Sean Marks só faz essa força no banheiro


Tudo estava normal com o mundo: o sol brilhando, os pássaros cantando, a Scheila Carvalho posando pelada, a Britney Spears com cabelo, o Nuggets ganhando do Hornets por 22 a 6 no primeiro período, tudo como deveria ser. Foi então que surgiu uma irregularidade: após o Tyson Chandler feder (como sempre) e cometer sua segunda falta na partida, quem entrou em quadra para substituí-lo foi nosso concorrente para o prêmio de "melhor atuação de jogador ruim", Sean Marks. O Universo não contava com essa e ficou confuso, não era uma opção programada. Como se a coesão universal fosse um cobertor curto demais, tornar a entrada de Sean Marks algo "normal" acabou por desestabilizar todo o resto do Universo. Estrelas morreram, a Mari Alexandre disse que nunca mais vai posar nua, o Barrichello terminou a corrida em quinto, e o Denver Nuggets não conseguiu escapar ileso. O jogo já estava praticamente terminado ainda no primeiro quarto, mas então Billups cometeu o primeiro desperdício de bola da série (nos dois jogos anteriores, não cometera nenhum turnover) e, em seguida, errou seu primeiro lance livre do mês. Era óbvio que Sean Marks havia comprometido a estrutura do espaço-tempo, gritando como um maluco em quadra, jogando com força, energia, injetando ânimo num Hornets que praticamente havia desistido da partida no primeiro par de minutos. Pegou rebotes ofensivos, deu tocos e até finalizou com confiança perto da cesta, com um punhado de enterradas. Se no começo do jogo apenas Chris Paul conseguira pontuar, após a entrada de Sean Marks o time inteiro se empolgou e começou a fazer o trabalho direito. Contando isso no chat do Bola Presa para um torcedor que chegou atrasado no jogo ontem, tive medo de que ele me achasse mentiroso.

Qualquer tentativa de recuperar a normalidade da partida era inútil, e Billups terminou o jogo com mais um turnover e mais um lance livre errado, sinal claro de que as coisas não iam bem. Sua pontaria, até então mais do que calibrada, estava um tanto torta. Nada dava certo para o Nuggets, mas ainda assim tiveram a chance de ganhar o jogo, num roubo de bola que deu a eles a última posse do jogo com o time apenas um ponto atrás do placar. Vale dar uma olhada no resumo do jogo e adiantar para o final, apenas para essa jogada:



Carmelo Anthony infiltra no garrafão e tenta um passe para um Chris Andersen livre embaixo da cesta para enterrar. Mas então o passe é interrompido no meio do caminho, e por qual motivo? Isso mesmo, a bola bate num cara branco, careca e desengonçado: Sean Marks! A bola é desviada e sobra para Anthony tentar um último arremesso, forçado, que acabou não caindo.

Ou seja, se o garrafão do Nuggets havia se apresentado como um dos mais fortes da liga com Nenê, Kenyon Martin e Chris Andersen (que vem chutando traseiros), o garrafão do New Orleans acaba de se mostrar ainda superior com Tyson Chandler lixo, David West e o gênio Sean Marks. Detalhe esquisito: no fim da partida, todos os jogadores de garrafão acima mencionados estavam eliminados com 6 faltas, com exceção de Chris Andersen e Sean Marks, que acabou decidindo o jogo na defesa. Se o Univero vai ser pego de calças curtas de novo eu não sei, mas o Hornets ao menos respira na série, Billups tornou-se humano, e o Chris Paul aprendeu a se livrar da marcação do Dahntay Jones (alguém se lembra de um jogador marcando melhor o pobre armador do Hornets?) pelo menos dessa vez, com 32 pontos, 12 assistências, e até acertando alguns arremessos de fora.


Ainda vítima do cobertor curto que não soube lidar com Sean Marks, o Spurs também teve um dia um tanto bizarro. Mas não para Tony Parker, que prova cada vez mais que é o melhor jogador de garrafão da NBA. Se eu tivesse que escolher alguém para acertar uma bola debaixo do aro, deixaria pra lá Dwight Howard, Yao Ming, Shaq, e deixaria com o francês comedor de Evas Longorias. Após acertar quinhentas bandejas seguidas (e, é preciso deixar claro, quase nunca ele faz isso em transição, é tudo em basquete lento de meia-quadra mesmo) começa a surgir espaço para ele arremessar de onde quiser. Com tanto espaço, até ele consegue acertar um arremesso ou outro (para desespero do Popovich, que prefere uma sonda anal do que ver o Parker arremessando) e aí o caminho está aberto para 31 pontos ainda no primeiro tempo, como aconteceu ontem. Duncan também jogou bem, parecia tudo maravilhoso, mas o placar acusava uma derrota para o Mavs - ninguém mais no Spurs conseguia pontuar.

Ao fim do jogo, Parker e Duncan combinaram para 68 pontos dos 90 da equipe. Ao todo, o resto do time acertou apenas 6 arremessos, enquanto Duncan por si só acertou 7 e Parker, usando gameshark de videogame, acertou 18. No entanto, eu ainda não estou pronto para subir no ônibus do "o Spurs é um time velho e por isso todo mundo fede". Para mim, a culpa ainda é do Sean Marks no jogo anterior. Parker e Duncan sempre seguraram as pontas, Ginóbili sempre salvava tudo quando as jogadas davam errado, mas sempre foi o elenco de apoio improvável do Spurs que garantia os anéis. Horry fedia e acertava bolas decisivas, Stephen Jackson de repente não errava bolas de três, Speedy Claxton começava a infiltrar, Francisco Elson pegava uns rebotes ofensivos. Agora, o elenco tem Drew Gooden (que é bem talentoso ofensivamente), Roger Mason (que acertou vários arremessos para decidir jogos durante a temporada), Matt Bonner (e suas bolinhas de três), Ime Udoka (o próximo Bruce Bowen) e até mesmo o novato George Hill (que jogou muito bem durante a contusão do Parker e ontem acertou as duas bolas de três que tentou). Tudo isso além de Michael Finley e Kurt Thomas que, esses sim, estão bem velhos - mas pra mim sempre foram, nasceram com 50 anos. Talvez a idade esteja de fato atrapalhando Tim Duncan, mas ontem com 25 pontos, 10 rebotes e 7 assistências, quem é que perceberia? A culpa foi do resto do time que de velho não tem muita coisa, e que fede um pouco assim como todo "restolho" de qualquer equipe do Spurs sempre fedeu. Francisco Elson tem um anel no dedo, crianças, por que Matt Bonner não poderia ter também? Alegar que esse time é velho é uma desculpa não muito convincente. Os joelhos do Duncan, que - dizem - estão atrapalhando um bocado, não alteram seu jogo que sempre foi pouco físico e muito técnico. Ontem, jogou bem como sempre jogou. Fora o desiquiíbrio que Sean Marks causou, o peso cai mesmo sobre Manu Ginóbili. Com ele em quadra fazendo sua mágica de sempre e tirando o peso do resto do elenco de apoio, é muito mais provável que caras como Drew Gooden e Roger Mason acertem seus arremessos com mais calma e sem tanta obrigação de salvar a equipe do buraco no placar. O argentino faz uma falta gigantesca principalmente quando o Dallas defende bem, complica a jogada programada que o Spurs tenta fazer, e aí com o cronômetro prestes a estourar precisa colocar a bola nas mãos de alguém para que algo aconteça. Ontem, era comum ver o Spurs desesperado, sem saber o que fazer, tacando a bola nas mãos do Parker para um arremesso desequilibrado e desesperado. Achei que morreria sem ver isso, de verdade. Mérito também da defesa do Mavs, que cada vez mais poda as armas principais do time de San Antonio, e até uns jogadores nada-a-ver entram em quadra e surpreendem defensivamente. O Sean Marks do Dallas Mavericks tem nome: o pivô Ryan Hollins. Praticamente nunca joga, fede pra burro, é apenas um corpo grande, mas entrou com tanta força e energia no jogo que acabou fazendo o Spurs se mijar de medo. Pegou vários rebotes ofensivos, distribuiu 3 tocos e ainda enterrou na cabeça do Duncan. Definitivamente, um dia anormal para o Universo.

Dwyane Wade e Kobe Bryant não perceberam nada demais, atropelaram seus adversários e deram um bocejo. Alguns, eles nos lembram, simplesmente fazem a própria sorte.

sábado, 25 de abril de 2009

Dando um jeito para feder

Dwight dá uns amassos no prêmio de melhor defensor
antes
que descubram que ele não merece



Quando a transmissão interrompeu meu sagrado Houston contra Portland para mostrar, ao vivo, os últimos momentos de Magic e Sixers, fiquei imediatamente com dó da equipe de Orlando. Pra mim era claro que eles iriam perder de algum jeito patético e humilhante, e agora todo mundo seria testemunha de como eles são uns derrotados. Se parte do público estivesse assistindo o Houston, pensei, pelo menos a humilhação não seria tão pública.

A situação era a seguinte: perdendo por 2 pontos, 6 segundos para o fim do jogo, o Magic tinha que cobrar um lateral para repor a bola. Esse é o momento que arrepia qualquer torcedor da equipe, no desespero da dúvida sem resposta: quem deveria receber essa bola? Jameer Nelson fora contundido, Hedo Turkoglu perdeu seu talento para os Monstars do Space Jam nessa temporada, Rashard Lewis é o homem mais bem pago da equipe e no entanto é apenas um arremessador, sem um histórico de liderança ou arremessos finais. Na noite de ontem, a bola foi inesperadamente para as mãos de Dwight Howard que, obviamente, recebeu uma falta na hora. Lá se foi o pivô para a linha de lances livres. O aproveitamento na temporada foi abaixo de 60% (ô, mal de pivô) mas, na partida, Howard havia acertado 10 em 12 tentativas. Com a pressão de empatar o jogo, fora de casa, com a torcida na sua orelha, aqueles troços fálicos infláveis balançando atrás da tabela, era a hora de ver se o Dwight já se tornara um hominho. Dá pra confiar nele para dominar jogos, fazer a última cesta, acertar lances livres? Seria uma bela arma para esfregar na cara do Shaquille O'Neal.

Acertou o primeiro. Barulho pra burro, a torcida fazendo escândalo (em Golden State, a torcida do Warriors teria considerado essa comoção "apenas um peidinho"). E aí Dwight Howard acertou também o segundo, empatando o jogo e coroando sua incrível atuação: 36 pontos, 11 rebotes (6 ofensivos), 3 tocos, 12 arremessos certos em 16 tentados, e apenas dois lances livres errados em suas 14 tentativas. Ainda assim, foi para o banco de reservas sem vibrar muito, interagindo timidamente com seus companheiros. De algum modo, ele também sabia que os torcedores que antes viam Houston e Portaland agora veriam seu Magic passar vexame.

Como já tinham tomado uma bola decisiva do Iguodala no primeiro jogo da série e um golpe nunca funciona duas vezes contra um Cavaleiro do Zodíaco, a defesa fez um bom trabalho em negar a bola para o Iggy. O Andre Miller tinha chutado o traseiro do Magic até então, e também lhe negaram muito bem a bola. Sobrou, no desespero, um passe para o pirralho do Thaddeus Young, que é novinho até no nome. Tá certo que ele foi fundamental na classificação e nos playoffs do Sixers na temporada passada, mas não é por isso que alguém em sã consciência iria querer a última bola de um jogo de playoff em suas mãos. Pois o moleque recebeu na zona morta, bateu para dentro do garrafão, quase perdeu a bola de costas para Dwight Howard e, então, girou em cima do pivô para fazer a cesta final sem muita dificuldade.



Não muito longe dali, Shane Battier dava uma risada. "Então esse aí é o Melhor Defensor do Ano?", Battier deve ter se perguntado. Diabos, Dwight! Por que um cara com o troféu de melhor defensor, com quinhentos metros de altura, forte pra burro, se abaixa como uma menininha colhendo amoras ao invés de erguer os braços, trombar fisicamente, tirar o espaço do Thad Young para a cesta? Ainda mais porque, como vim a saber depois, todos os relatórios dos olheiros alertam que o Young só sabe girar para a sua direita, e o Dwight ficou lá na esquerda, todo bobão. Um momento só não faz um homem (a não ser se o momento for ir para a cama com a Alinne Moraes), mas estou seguro de dizer que o Dwight Howard não é um bom defensor no mano-a-mano. Seu talento em desviar arremessos quando a defesa afunila os adversários em sua direção no garrafão não é muito diferente de Yao Ming e Marcus Camby, por exemplo, com a única diferença de que ele é atlético e consegue sair do chão. E todos nós sabemos que Yao e Camby não são nem nunca foram bons defensores individuais. É por isso que esses prêmios são uma piada, eu duvido que qualquer um dos jornalistas e "especialistas" que votam nessas porcarias tenham assistindo o Dwight Howard marcar alguém em suas vidas.

Aliás, as votações para os prêmios esse ano tiveram um punhado de gafes um tanto engraçadas. Para o prêmio de "Melhor Sexto Homem", que o Jason Terry ganhou, alguém votou no Paul Millsap, que não poderia concorrer por não ter vindo mais da metade de seus jogos do banco de reservas. Para o "Melhor Defensor", receberam votos de algum maluco por aí o Turkoglu e o Ronny Turiaf! Seja quem votou no Turiaf, essa pessoa não tem televisão e nunca ouviu falar que a defesa do Warriors é motivo de piada. Mas o pior aconteceu na votação para novato do ano: alguém votou no Robin Lopez como melhor calouro! Isso mesmo, o irmão sem talento do Brook Lopez, o Danny DeVito do Arnold Schwarzenegger, o cara que trocou habilidade por cabelo (ver foto ao lado), o homem que mal entra em quadra como reserva do Shaq e que não faz porcaria nenhuma além de dar um ou outro toco nas raras partidas em que vê a cor da bola. Não tenho dúvida alguma de que o infeliz que deu esse voto simplesmente confundiu os irmão e deveria ser demitido, seja no que ele trabalhar. Lavador de pratos, engenheiro químico, físico de foguetes? Pro olho da rua, mané, não sabe nem diferenciar os irmãos Lopez!

Seja como for, o prêmio do Dwight foi dado no escuro e o Magic, não importa o que aconteça, dá um jeito de feder. Cortar o jogo do Houston foi crueldade com o próprio Magic, apontando pra mais gente o fato inquestionável de que eles não conseguem vencer. O time simplesmente tem falhas demais, fragilidades demais, falta um jogador decisivo, falta decidir o que fazer com o Turkoglu (que vai querer um contrato maior mesmo tendo desaprendido a jogar basquete), saber como o Jameer Nelson vai voltar, e como será a evolução constante do próprio Howard. Eu gosto desse time, vejo um futuro brilhante para eles, mas como tanto alertamos (nossos palpites estão disponíveis para todo mundo fuçar até o fim dos tempos), ainda falta alguma coisa para esse time ser levado a sério - não importa o recorde, não importa quão bem eles tenham ido na temporada regular.

No fundo, é o mesmo que acontece na série entre Houston e Portland. O Blazers pode ter ido melhor na temporada regular, pode ter o melhor recorde em casa, pode até ser mais time. Mas ainda falta alguma coisa que meu Rockets, ao contrário, exala pelos poros: experiência. Mesmo quando tudo está dando errado, o Ron Artest não consegue acertar um arremesso sequer, o Yao Ming sequer recebe a bola, ainda há uma sensação estranha de que tudo está sob controle. Em parte isso é a experiência do técnico Rick Adelman, que não teme fazer o que é melhor para equipe. O Yao sofreu com a dura marcação mais uma vez do Blazers, mal tocou na bola, mas quando foi questionado sobre isso ao fim do jogo, apenas afirmou: "Nós vencemos, não? Então não me importo." Para mim é triste, mas não há dúvidas de que o time está fazendo algo inteiramente funcional em quadra, usando o Yao para atrair marcadores enquanto o Luis Scola fica livre, trocando passes velozes bem perto do aro com Yao e Carl Landry, e mantendo uma calma que o Blazers simplesmente não tem, assustados e exageradamente dependentes do astro-cheirando-a-bunda-de-neném Brandon Roy. Engraçado é que, se o T-Mac estivesse em quadra, talvez isso não estivesse acontecendo simplesmente pela sua fama, pela maldição a ele associada. Ninguém quer olhar para um time e pensar que, não importa o que aconteça, eles vão dar um jeito de perder de novo. Não é mais o caso do Houston Rockets mas, infelizmente, é o caso do Orlando Magic. Para a sorte deles, espero que nenhuma transmissão mais seja interrompida para mostrar ao mundo como eles, de um modo ou de outro, fedem.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Prêmios Alternativos do Bola Presa 08-09

Quem acompanha o blog desde a temporada passada deve se lembrar dos Prêmios Alternativos do Bola Presa, certo?


Para quem nos conheceu há pouco tempo, explicamos: são prêmios que damos aos melhores jogadores da NBA em algumas categorias que nunca terão prêmios na NBA de verdade. Afinal, qual é a graça em dizer quem achamos que deveriam ser o novato do ano, o melhor defensor, o melhor reserva e etc. A NBA nem nos dá direito a voto oficial, então criamos nossos próprios prêmios. Veja os vencedores do ano passado aqui.

Mas nesse ano será um pouco diferente do ano passado. Tentando fazer uma média com nosso público e dando uma de moderninho da web 2.0, vamos deixar vocês leitores escolherem os vencedores nas nossas 14 categorias.

Nós vamos explicar cada uma delas e dar três candidatos, você tem o trabalho de entrar nos comentários e votar. Daqui uma semana mais ou menos voltamos com os resultados, ok? Então vamos aos candidatos.


1. Jogada "Bola Presa" do Ano:
Esse é o troféu dado para a jogada mais bisonha da temporada. Aquela em que o cara faz e a gente não consegue nem rir de tanta vergonha alheia. Os candidatos desse ano são:

A. Zach Randolph e sua cesta contra.
Z-Bo enfrentava o seu ex-time, o Knicks, e em uma das poucas vezes que saiu do chão o fez para meter a bola contra o próprio patrimônio. A torcida do Madison Square Garden foi ao delírio.



B. Airball de Zach Randolph.
Sim, o gordinho favorito do Bola Presa de novo. Aqui ele está jogando contra o Cavs e recebe a bola na mão com mais de 5 segundos no relógio e o time perdendo por dois. Ao invés de conseguir um arremesso melhor com os 5 segundos que restam ou pelo menos passar a bola para um arremessador de 3, Randolph simplesmente arremessa de muito longe e dá uma air ball que cai fora da quadra antes do fim dos 5 segundos de jogo. Patético.



C. LeBron James faz o crab dribble.
Bem contra o Wizards, o time que mais pega no seu pé, LeBron James dá uma andada bem feia nos segundos finais do jogo. Até aí tudo bem, todo mundo erra, mas passar uma semana inteira negando e tentando dizer que fez um tal de "crab dribble" (drible do siri)? Patético.




2. Troféu Kareen Rush de melhor atuação de um jogador ruim:
Lembra do jogo 6 da final do Oeste de 2004 quando o Lakers venceu o Wolves graças a 6 bolas de 3 do lixo do Kareen Rush? Pois é, volta e meia sempre aparece um cara bem ruim em um dia inspirado pra carregar um time nas costas. Vamos aos candidatos.

A. Anthony Morrow faz 38 pontos contra o Clippers
Você pode até dizer que o Morrow é novo e que não é tão ruim assim, mas mesmo para um jogador mediano fazer 38 pontos é demais da conta, ainda mais em seu primeiro jogo como titular.



B. Sean Marks faz 18 pontos contra o Wolves
Tá, 18 pontos não é tudo isso mas temos que levar em consideração que é o Sean Marks, o branco neozeolandês que está na NBA há 9 anos e é terrivelmente ruim! Se a atuação não é tão boa quanto a do Morrow, pelo menos ele fede bem mais que o ala do Warriors.

C. Will Bynum faz 32 pontos contra o Bobcats
Jogo decisivo para conseguir a oitava vaga no Leste e o Will Bynum, o pior Bynum da NBA, vem do banco de reserva para marcar 32 pontos, 26 no quarto período e assim não só garante o Pistons na pós-temporada mas também quebra o recorde do Isiah Thomas de mais pontos em um quarto na história da franquia. E ele é ruim!



3. Troféu Lonny Baxter para jogador que só joga em summer league:
Sabe aquele jogador que brilha nas ligas de verão, chuta um monte de traseiro de caras com nomes esquisitos e aí quando chega na NBA não faz nada? Pois é, todo ano tem alguns e aqui escolhemos quem mais nos enganou.

Detalhe que no nosso post sobre a summer league, falamos que o provável vencedor desse prêmio nesse ano seria o Marcin Gortat, que arregaçou no verão passado. Achamos que ele ia feder demais na temporada mas na verdade o polonês foi uma grata surpresa e não fez feio quando entrou no lugar do Dwight Howard.

A. Jerryd Bayless
O cara cobrou uns 200 lances-livres por jogo nas summer leagues e foi, com méritos, eleito o MVP da bagaça. Chegou na temporada e mal entrou em quadra. A seu favor o fato dele jogar no Blazers e não ter espaço lá atrás de Blake, Roy e Rodriguez. Quando ele entrou, entrou bem, mas para um MVP de summer league foi pouco, esperávamos mais.

B. Donte Greene
O novato do Rockets chegou arregaçando e marcou 40 pontos em um jogo como se ele fosse o Kobe brincando no parque. Ganhou moral e foi envolvido na troca do Ron Artest. Ele estava na situação perfeita: Time ruim, espaço pra aparecer, brilhar e garantir seu lugar na NBA. Não deu. Atrás de Salmons, Kevin Martin, Francisco Garcia e cia. ele não apareceu bem por toda a temporada.

C. Marco Belinelli
Teremos um bi-camepão? Belinelli foi o vencedor desse prêmio na temporada passada e é forte candidato a vencer de novo. Teve média de mais de 20 pontos nas ligas de verão e mais uma vez foi esquecido pelo Don Nelson no banco de reservas.


4. Troféu Isiah Thomas de troca do ano
Aqui damos o prêmio à troca mais burra da temporada. Aquela que você pensa que só o Isiah Thomas poderia ter pensado em fazer. No ano passado o prêmio foi fácil com a troca do Kwame Brown por Gasol, nesse ano a coisa está mais disputada.

A. A Troca destrocada do Tyson Chandler
A princípio a troca não parecia tão absurda. Era Tyson Chandler e DeVon Hardin por Chris Wilcox e Joe Smith. Ruim para o Hornets, claro, mas não tão absurda. O ridículo foi que dias depois a troca foi desfeita com uma desculpa esfarrapada que o Chandler não passou nos exames médicos do Thunder. História mal contada e situação patética para as duas franquias.

B. The Tyronn Lue Trade
O seu time acabou de perder o armador titular, All-Star, e não quer perder a chance de lutar pelo título. O que fazer? Mandar o Keith Bogans pelo Tyronn Lue, claro! Por sorte o Orlando Magic percebeu rapidinho que o Lue não era resposta nem pra entregar água no banco e conseguiu trazer o Rafer Alston. Hoje o Lue afunda no banco atrás do Anthony Johnson.

C. A troca Iverson-Billups
Se na temporada passada o Lakers recebeu de presete o Gasol, tudo o que time precisava na hora. Com o Denver Nuggets aconteceu o mesmo com o Billups. Eles precisavam de um armador que soubesse tomar conta do jogo, controlar aquele bando de jogador ofensivo e dar uma presença defensiva para o time. Poucos armadores são bons assim mas um caiu no colo deles porque o Joe Dumars, que geralmente acerta, achou que era uma boa hora de limpar a folha salarial e começar a reconstruir o Pistons com o Stuckey de titular.

Resultado: Nuggets em segundo do Oeste com o Billups destruindo e o Pistons em oitavo do Leste com o Iverson implorando pra ir embora.


5. Troféu Grant Hill de jogador bixado do ano
O coitado do Grant Hill talvez nem mereça mais o nome do troféu porque ele jogou a temporada todinha pelo Suns, mas não dá pra esquecer todo o seu contrato com o Magic sendo pago para frequentar o hospital. Aqui votamos no cara mais amaldiçoado pelas contusões:

A. Andrew Bynum
Precisa comentar? O cara mais uma vez perdeu metade da temporada regular por machucar o joelho contra o mesmo time na mesma época do ano. Por sorte dessa vez ele voltou antes dos playoffs e suas chances de ser bi-campeão como bixado do ano diminuiram.

B. Gilbert Arenas
As notícias é que ele ia voltar no meio de dezembro. Depois no fim. Depois em janeiro. Depois ele disse que o time tava tão ruim que não valia o esforço voltar. Enrolações a parte ele voltou no último mês, jogou uns três jogos meia boca e prometeu que ano que vem está com a corda toda. Alguém acredita?

C. Tracy McGrady
No início da temporada ele perdeu alguns jogos para se poupar. Depois disse que o seu joelho tinha abandonado ele. Mesmo assim voltou por um tempo até que não aguentou mais as dores e disse que a temporada tinha terminado pra ele. E ainda tem as dores nas costas...


6. Troféu Darius Miles de atuação surpresa na última semana
Há alguns anos o Darius Miles estava prestes a se tornar um Free Agent e não tinha moral alguma no Portland. Eis que na última semana de temporada ele faz 47 pontos num jogo, lembra todo mundo de seu famoso "potencial" e consegue encher o bolso de grana. Ano passado vocês devem lembrar que o vencedor foi o Ramon Sessions com suas 24 assistências.

A. Ike Diogu: 28 pontos e 13 rebotes contra o Wolves
No último jogo da temporada o recém-contratado Ike Diogu tenta provar que não foi um desperdício completo de uma 9° escolha no draft de 2005 (uma antes do Andrew Bynum).

B. Ike Diogu: 32 pontos e 11 rebotes contra o Denver
Mas o pior é que aquele foi o segundo jogo seguido do Diogu com um double-double! Dias antes ele tinha metido 32 pontos no garrafão do Denver que parece tão forte nesses playoffs. E fez isso acertando 14 de 20 arremessos! Contrato a vista!

C. CJ Watson: 38 pontos, 9 assistências e 7 rebotes contra o Utah Jazz
A gente sabe que última semana tem umas loucuras, sabe que qualquer um armando no Warriors pode volta e meia uns números acima do normal. Mas 38 pontos e 9 assistências enfrentando o Deron Williams? Essa foi demais! Meu voto de grande atuação bizarra na última semana iria para ele.


7. Troféu Royal Ivey para jogador titular que jogou menos minutos na temporada:
Na temporada 2005-06, Royal Ivey foi titular em 66 jogos apesar de ter apenas 13 minutos por partida. Por algum motivo ele era titular e aí depois da metade do primeiro período o cara já saia e só voltava se o jogo já estava ganho ou perdido. Alguém entende? Nessa temporada não teve ninguém como o Ivey, mas alguns outros jogadores se destacam por ser titulares que jogam minutos de jogadores de final de banco.

A. Erick Dampier
O Dampier é o pivô titular de um time que não pode se gabar de ter muitas opções de banco para o garrafão, mesmo assim o Dampier só joga 23 minutos por jogo. Ele foi titular nos 81 jogos que disputou na temporada.

B. Danthay Jones
O especialista em defesa do Nuggets é apenas um jeito de deixar o JR Smith esquentando banco por um tempo pra ele não ficar arremessando de três desde o tapinha inicial do jogo, só isso. Danthay joga apenas 18 minutos por jogo apesar de ter sido titular em 71 jogos na temporada.

C. Willie Green
Assim que o Elton Brand machucou o Iguodala foi para a posição 3 e o Willie Green herdou sua posição no time titular. Mas nem valeu de muita coisa, seu tempo em casa continua pior do que muito reserva por aí com 22 minutos por jogo. Ele foi titular em 60 jogos.



8. Troféu Shawn Bradley de melhor cravada na cabeça:
No ano passado o DJ Mbenga levou o troféu pelo conjunto da obra. Foram tantas enterradas na cabeça que dava pra perder a conta. Nesse ano os candidatos disputam o troféu Shawn Bradley apenas por uma enterrada sofrida e lque nunca vão esquecer.

A. Erick Dampier é humilhado por LaMarcus Aldridge
Tá bom que o Aldridge é bom, mas podia ir dormir sem essa né Dampier?



B. Darko Milic consegue a proeza de tomar uma enterrada do Ursinho Carinhoso
Do Glen Davis, Darko? Ele nem consegue pular!



C. Francisco Garcia e Cedric Simmons levam uma do Sasha Vujacic
Tomar enterrada do The Machine é pior que do Glen Davis, pra mim esse quesito já tá ganho.




9. Troféu Chris Crawford para jogador que desapareceu na temporada:
Alguém se lembra de Chris Crawford, ala do Atlanta Hawks na temporada 2003-04? Com Shareef Abdur-Rahim contundido, Crawford levou o time sozinho depois do intervalo para o All-Star Game, com médias de quase 19 pontos por jogo em 36 minutos por partida (jogava apenas 8 minutos antes do All-Star). Muitos se impressionaram com seu potencial mas na temporada seguinte ele não conseguiu assinar um novo contrato e desapareceu por completo da NBA.

Nesse ano não tivemos um caso extremo como o do Chris Crawford que simplesmente sumiu. Quem saiu da liga foi na verdade encher o bolso de grana na Europa, como Carlos Delfino ou Jannero Pargo, mas temos casos de jogadores que ficaram dentro da liga e simplesmente desapareceram dentro do seu próprio time.

A. Sean Williams
O aprendiz de Josh Marley apareceu na temporada passada como um novato promissor. Alto, forte, veloz e uma máquina de dar tocos. Muitos achavam que era o complemento ideal para a finesse do Brook Lopez no Nets, mas acabou a temporada sem nem ficar no banco de reservas.

B. Morris Peterson
O cara não era titular do Hornets que quase chegou na final do Oeste no ano passado? Esse ano ele começou mal, perdeu a vaga de titular para o Rasual Butler e agora nem entra mais nos jogos! Ele acabou a temporada com média de 4 pontos por jogo em 12 minutos. Passou dos 10 pontos apenas 4 vezes na temporada (incluindo um jogo de 21 pontos logo na primeira semana)

C. Gerald Green
Esse é um caso especial. Ele já estava sumido antes da temporada, apreceu muito bem no começo da temporada, jogou bem, virou titular, foi motivo de muitas matérias o elogiando eteve uns jogos espetaculares onde parecia um dos melhores arremessadores da Liga. Depois desapareceu da rotação do Mavs atrás de caras como Antoine Wright e JJ Barea. Desde fevereiro jogou mais de 10 minutos apenas em 6 jogos.


10. Troféu SEM NOME de volta frustrada
No ano passado o troféu se chamava "Ronaldo Fenômeno" mas depois do que ele fez com os bambis no final de semana não dá pra chamar essa volta do gordinho de frustrada e precisamos de um novo nome.
O troféu é dado ao jogador que tentou uma volta triunfal nessa temporada e falhou miseravelmente.

A. Gilbert Arenas
Sabe como todo mundo (inclusive eu) está dizendo que ano que vem o Arenas volta pra valer e o Wizards vai ser bom? Pois é, não era pra ser nessa temporada assim que o Arenas voltasse em dezembro? Mais uma vez o joelho o venceu e frustrou as expectativas dos torcedores de Washington.

B. Elton Brand
Ano passado o Elton Brand sofreu ao ver seu Clippers afundar enquanto estava machucado. Nessa temporada tentou acabar com essa carreira cheia de fracassos ao ir para o Sixers e transformar o time em um candidato ao título. Pois bem, ele passou metade da temporada fazendo o Sixers ser um time terrível e a outra machucado.

C. Eddy Curry
Ele até jogou a temporada passada, mas ficou de fora da pré-temporada do Knicks com o Mike D'Antoni e quando ninguém acreditava que ele teria chance de jogar no rápido sistema ofensivo do novo técnico, ele dizia que queria jogar e que iria jogar bem quando voltasse. Voltou por 3 jogos, não fez porra nenhuma e machucou de novo.


12. Troféu Zach Randolph de melhor jogador em time que só perde:
Sabe como o nosso gordinho é sempre o cestinha de um time que só perde? Pois por isso ele leva o nome do troféu do melhor jogador de um time que fede muito.

A. Kevin Durant
O cara é nível de All-Star Game, um dos cestinhas da NBA e um dos jogadores que mais evoluiu da temporada passada pra essa. Mas o time dele é um lixo enorme.

B. Al Jefferson
É o atual campeão do troféu e por mim ganharia de novo. Ele é bom demais como ala de força e está jogando bem demais de novo como pivô, é sem dúvidas um dos melhores pivôs de toda a NBA mas ninguém percebe porque ele só perde jogando em um dos times mais secundários da NBA.

C. Caron Butler
Outro com nível All-Star e que afunda por estar em um time ridículo. É um dos melhores jogadores da NBA na posição 3 sem dúvida alguma.


Temos também alguns prêmios novos que não tivemos na temporada passada:

13. Troféu Gary Payton de jogador que mais involuiu
Lembram como o Gary Payton esqueceu como se jogava basquete quando foi para o Lakers em 2004? Esse prêmio homenageia o The Glove premiando quem mais baixou o nível do seu jogo em relação a temporada passada.

A. Allen Iverson
Ano passado o Iverson não conseguiu levar o Nuggets além da primeira rodada dos playoffs, mas pelo menos fez isso jogando bem individualmente. Nessa temporada nem quando ele tentava jogar sozinho saia alguma coisa, foi a pior temporada de um dos melhores baixinhos da história da NBA.

B. Mike Miller
Sabiam que o Grizzlies quase não trocou o Kevin Love pelo OJ Mayo porque não queriam perder o Mike Miller? Na última hora resolveram trocar e acabou sendo uma bela escolha. O Mayo foi um dos melhores novatos do ano e o Mike Miller simplesmente esqueceu como se joga basquete. Ou talvez ele só queira dar o fora do Wolves, vai saber...

C. Elton Brand
Há não muito tempo atrás eu diria sem dúvida que o Elton Brand é garantia certa de 20 pontos e 10 rebotes por jogo. Fez isso como novato no Bulls, fez isso a carreira toda no Clippers e por que razão não faria isso quando finalmente está em um time bom? Não sei, mas não fez. 13 pontos e 8 rebotes de média para o cara que ganha 13 milhões de dólares por temporada.


14. Troféu Bruce Lee Bowen de jogada suja do ano
Precisa explicar o nome do troféu? Acho que não.

A. Andrew Bynum manda Gerald Wallace para o hospital
Não só foi uma falta dura como quebrou a costela do ala do Bobcats que teve que passar um bom tempo no hospital porque não podia pegar um avião.



B. Trevor Ariza nocauteia Rudy Fernandez
E quem disse que o Lakers não sabe jogar duro? Olha mais um laker aí! Eu acho que não foi na maldade, mas o Ariza mandou o Rudy para o hospital com essa tentativa de toco.



C. Shaq desintegra Rodney Stuckey
Consegue imaginar um transatlântico batendo em você enquanto você está no ar? O Stuckey consegue.



Provavelmente esquecemos coisas em todos os quesitos, mas o que vale é a diversão. Vote em quem você achar melhor e semana que vem teremos os resultados!