domingo, 31 de outubro de 2010

Período de adaptação

Esse é o estado de um jogador depois de enfrentar a defesa do Heat


Depois de uma offseason tão movimentada, uma das coisas mais legais de ver no começo da temporada é como os times iriam se adaptar. Afinal, nunca é fácil montar um time novo e é normal na NBA os times crescerem durante a temporada mais do que no período de treinos, já que são 82 longos jogos contra um mês de training camp.

Depois de ver pelo menos uns dois ou três jogos de cada equipe deu pra chegar a algumas conclusões. E depois de ver nessa tarde de domingo o jogo entre Nets e Heat, bateu uma vontade de falar desses dois em especial. Não tem como não falar do Heat nesse começo de ano porque eles são os protagonistas da temporada, é fácil odiar um time que recebe tanta atenção, mas é difícil não dar atenção pra eles. Depois daquele desastre em rede nacional (internacional, universal) contra o Celtics, eles embalaram três vitórias seguidas sobre 76ers, Magic e Nets, todas por diferenças astronômicas. Foi uma surra mais dolorosa que a outra, com especial atenção para a contra o Magic, já que é um dos outros candidatos ao título e foi completamente anulado pela defesa do Miami.

Assim como vimos contra o Boston, embora com menos intensidade, o Heat ainda está um pouco perdido no ataque: passa a bola para o vento, não confia no Carlos Arroyo para realmente armar o time e envolve pouco o Chris Bosh no jogo, aliás, faz o Udonis Haslem parecer melhor que ele! Mas em compensação a defesa deles é assustadoramente eficiente para um time que joga junto há tão pouco tempo. Acabo de ver eles roubarem bolas em pelo menos umas 5 posses de bola seguidas contra o Nets! Pra quem reclama que os roubos de bola no NBA 2k11 não são realistas, é porque não viram o Heat jogar. O LeBron James em especial tem se dedicado muito na defesa e parece estar jogando bastante focado, motivado com as ensurdecedoras vaias que ouviu em todos os jogos fora de casa até agora.

Falando em odiar o LeBron, vocês viram o comercial/resposta que ele fez com a Nike (que é bem menos legal e divertida que nossa parceira adidas)? Sem rancor, LeBron, sai dessa vida!



O Heat, portanto, lembra muito o time do Celtics de 2008. Aquela equipe ainda não tinha o Rondo no nível absurdo que tem hoje (alguém viu as destruidoras 24 assistências que ele deu contra o pobre Knicks?) e vivia de uma defesa sufocante e contra-ataques. Quando era obrigada a trabalhar na meia quadra ia para a simplicidade, usando o talento individual de Garnett, Pierce e Allen. Não é tão legal de ver como um ataque mais bem trabalhado, mas é um luxo que você pode se dar quando tem jogadores desse nível. O Heat tem feito o mesmo. Quando tentam inventar você vê o desentrosamento, mas aí eles fazem o jogo de 1-contra-1, abrem 20, 30 pontos de diferença e o jogo acabou.

Vendo o massacre que o Nets tomou do Miami aproveitei para ver o terceiro jogo deles na temporada. Estava curioso pra ver o novo time do Avery Johnson e é o time que eu mais assisti até agora. O time finalmente parece um time, é inacreditável a diferença em relação ao ano passado. Dessa vez eles tem jogadas, os jogadores parecem saber para onde devem correr durante o ataque e as coisas realmente funcionam. Mas o mais engraçado foi na vitória deles contra o Sacramento Kings. Uma das críticas que eu mais fazia ao time do ano passado era que eles não tinham idéia de como ganhar um jogo de basquete. Se a partida estava empatada no final eles conseguiam tomar as decisões mais idiotas possíveis e assim arruinavam as poucas chances que tinham.

Pois então eles estavam perdendo para o Kings no último minuto e decidiram que era uma boa idéia isolar o Devin Harris na cabeça do garrafão e deixar esse jogador, tão conhecido por tomar decisões idiotas, resolver o jogo. Harris, que arremessa de três tão bem quanto eu pinto quadros, resolveu pintar a Mona Lisa. E deu certo. Linda bola de três e Nets na frente. Na jogada seguinte, para matar o jogo, Harris isolado de novo, mas aí ao invés de uma bola de três ele foi calmo, inteligente e só tentou um arremesso forçado, caindo para trás e por cima de um marcador mais alto. Cesta.

Para os que não gostam do fato de que sou ateu, admito que essa pode ser a prova da existência do deus do basquete. Agora que eles jogam direitinho e até parecem decentes, têm o direito divino de vencer uns jogos com jogadas imbecis. Ainda tem muita coisa pra resolver e eles devem melhorar quando o Troy Murphy voltar de contusão, mas já saíram do fundo do poço. Ah, e o novato Derrick Favors ainda é mesmo muito cru para ser titular, mas tá jogando melhor do que eu esperava. Sempre pula nos rebotes ofensivos e não tem medo de atacar a cesta mesmo com marcação forte, tem feito boas jogadas. Vamos esperar mais uns jogos pra ver se chamamos isso de coragem ou de burrice mesmo. É como a sutil diferença entre teimosia e persistência, dependendo do resultado damos nomes distintos.

E pra fechar queria falar do Denver Nuggets. Não, eles não mudaram nada e não precisam se adaptar como o Heat e o Nets, e é justamente isso que me irrita. O time funciona tão bem, tem um elenco tão forte, é tão completo que é muito imbecil da parte do Carmelo Anthony insistir em pedir para ser trocado. Na última semana ele deu uma entrevista dizendo que gosta do time, mas que simplesmente "sente que é hora para uma mudança em sua vida". Sério, Melo? Não vou cair nesse papinho vago, tem que ter um motivo maior e mais importante do que esse.

Todo mundo em Denver ama ele, o time está montadinho perfeitamente para disputar o título pau a pau com qualquer outro time da liga e no ano que vem ele vai poder mudar para onde bem entender, pra que sair agora? A única explicação que eu consigo achar é até bem entendível, mas broxante pra gente que assiste de fora: dinheiro. O Carmelo Anthony decidiu que não quer mais jogar no Denver Nuggets na temporada que vem, mas a próxima temporada é quando a NBA e os jogadores precisam entrar em um novo acordo financeiro, ou seja, pode haver uma greve e os salários podem cair drasticamente. Na última semana o David Stern sinalizou que a queda pode chegar em 30% ou 40% e os jogadores vão resistir até o fim por uma decisão diferente.

Portanto todos os jogadores que tem tido a chance de assinar extensões de contrato nessa temporada estão aproveitando a chance. O Richard Jefferson fez isso optando por sair do seu contrato de Bill Gates, que só tinha mais um ano, pra assinar outro mais longo, o Tony Parker abandonou as especulações de querer jogar no Knicks para assinar uma extensão de 50 milhões por 4 anos com o Spurs e outros como o Jamal Crawford estão choramingando com seus times para chegar em um acordo logo.

O Carmelo não quer ser o bobão que não entrou na onda e ficou sem contrato milionário para o futuro. Mas também não quer aceitar a proposta de extensão que o Denver ofereceu por causa do papo de mudança na vida, aí resta pra ele ficar reclamando, dizendo que quer ser trocado e assim abandonar essa chance fantástica de ir bem longe nos playoffs. Você consegue imaginar qualquer outro jogador que não tem títulos recusando um elenco com Chauncey Billups, Kenyon Martin, Nenê, Al Harrington e George Karl? E ainda tem bons coadjuvantes como o Arron Afflalo, que está jogando demais da conta nesses primeiros jogos e até o lixo humano do Shelden Williams está bem nessa temporada (8 pontos e 12 rebotes por jogo depois de 3 partidas), quer chance melhor que essa?

O George Karl disse que acha que se o time começar a vencer o Melo vai mudar de idéia. Eu duvido cada vez mais disso, ele parece focado em mudar de time e a questão financeira pesa na hora de tomar decisões a longo prazo. Além disso equipes como o Bulls, Knicks e Nets estão babando em cima do Denver para conseguir roubar o Melo, é possível que quando chegar fevereiro e a data-limite para trocas, o time pense bem e veja que umas três escolhas de draft e o Luol Deng agora é melhor do que nada daqui uns meses. Se isso acontecer mesmo, o Denver vai ser mais um time se adaptando, como Nets, Heat e trocentos outros, mas bem quando todo mundo já tiver se acertado há meses.

sábado, 30 de outubro de 2010

Como ver jogos da NBA pela internet

Sorte que o Stern não fala português e nem lê o Bola Presa


Muita gente cai aqui no Bola Presa tentando saber como fazer para assistir aos jogos da NBA. Então tentamos sempre atualizar esse post para que ele fique o mais antenado possível nas últimas tendências da moda de assistir NBA. Essa é a versão da temporada 2010/11. Mas sem enrolações, senão os nossos novos leitores vão começar a achar que escrevemos textos enormes e cheios de abobrinhas. Vamos ao que interessa:

Hoje existem três formas de assistir aos jogos da NBA: Internet, TV a cabo e TV aberta. Começamos pela Internet.

Internet
International League Pass
É o paraíso de qualquer fã da NBA. Todos os jogos da NBA ao vivo e a opção de assistir a reprise de qualquer um deles no dia seguinte. São todos os jogos mesmo e dependendo do pacote que você comprar, tem até o All-Star Game e os playoffs.


Nos dois pacotes estão inclusos o All-Star Game e as narrações e comentários são em inglês. O pagamento é via cartão de crédito internacional (Visa, MasterCard, American Express, Diners) ou PayPal.

Para rodar os jogos você só precisa ter o flash instalado no seu computador. Se não tem é só baixar aqui.

Terra
O Terra já passou a NBA na temporada passada e irá passar de novo nesse ano. São dois jogos por semana sempre às terças e quintas. É ao vivo e de graça, é só entrar no portal Terra na hora do jogo e o link está sempre na página inicial.

A programação pode ser vista nesta página. É só clicar em "Brasil" e depois em "Terra.com".

Links Alternativos
Nem todo mundo tem grana para comprar o League Pass e às vezes o jogo que você quer não vai passar no Terra, certo? Para isso existe o farto mundo dos links alternativos para ver os jogos.

Live Sport Heaven - É clicar e correr para o abraço
SportsHunter - Muitos links aqui, se um não funcionar não desista, vá para o próximo.
FirstRowSports - Clique em "basketball" e escolha o jogo que quer assistir
ChannelSurfing - Visual meio feio mas é só caçar o jogo que você quiser e tentar
RojaDirecta - Às vezes só dá opção de jogos que precisam da instalação de programas, mas aí é só seguir o passo a passo.
LiveTv.ru - O site é russo e é bom que você tenha um tradutor no navegador (o Google Chrome tem um automático) pra ficar mais fácil de achar o jogo que você quer. Costumam ser bons links, mas alguns pedem a instalação de programas, como o bom SopCast.

Se nenhum deles estiver rodando você pode apelar para o pessoal da comunidade NBA na Internet Ao Vivo no Orkut, que sempre dá uma força, uns links e um bate-papo.

Como o David Stern não é um cara bonzinho que quer que todo mundo veja NBA numa boa de graça, alguns desses sites podem eventualmente sair do ar sem aviso prévio.


TV aberta
TV Esporte+Interativo
O único canal da TV aberta que passa NBA é o Esporte+Interativo, com dois jogos por semana, geralmente de terça e sábado. Porém, o canal só pega na TV aberta em São Paulo, no canal 36. Mas existem soluções, dá pra ver o canal no UHF, via Satélite e algumas redes de TV a cabo tem o canal também.

Para todos os detalhes de como acessar o canal é só clicar aqui e seguir as instruções.
Lá você irá ver que o canal pode ser assistido também pela internet. É só clicar aqui!

A programação pode ser vista nesta página. É só clicar em "Brasil" e depois em "TV Esporte Interativo"


TV a Cabo
ESPN
A ESPN é o canal que passa NBA há mais tempo aqui no Brasil. Nessa temporada vão passar dois jogos por semana (quartas e sextas) mais o All-Star Game e os Playoffs.

Muita gente implica com os comentaristas Zé Boquinha e Eduardo Agra mas os caras são bons e a transmissão costuma ser divertida e de boa qualidade. Chato mesmo é só quando ficam mais lendo e-mails dos telespectadores do que vendo os jogos, mas nada que tire o prazer de ver um basquete sentado no sofá ao invés de na frente do computador. Recomendamos, principalmente nos jogos que também estiverem disponíveis na ESPN HD. 

A programação pode ser vista nesta página. É só clicar em "Brasil" e depois em "ESPN Brasil"

Space
O canal Space é do mesmo grupo dono da TNT, canal que aqui passa só filmes mas que nos EUA transmite também NBA. Na América é uma rodada dupla toda quinta-feira, aqui será no mesmo dia mas apenas um jogo por semana.

A programação pode ser vista nesta página. É só clicar em "Brasil" e depois em "Space". A narração será de Mauro Cézar e os comentários de João Bosco Tureta. Atualizaremos aqui mais tarde para comentar a qualidade da transmissão.

O Canal Space está presente nas operadoras de TV a cabo Sky, Via Embratel, Oi Tv, TVA e Telefônica.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

League Pass - a resenha

É um carro? É um avião? Não, é o novo pacote Premium do League Pass!


Na temporada passada, a gente aqui do Bola Presa utilizou o League Pass do primeiro ao último jogo. A qualidade da nossa experiência variou de acordo com a velocidade de internet que tínhamos disponível, e obviamente tivemos um ou outro incidente chatinho (como viajar nos playoffs e ter que caçar acesso à internet porque o jogo desaparecia do arquivo em 48 horas), mas no geral o League Pass valeu cada centavo. Apenas aguardamos que a NBA liberasse os novos valores para poder resenhar o serviço que testamos à exaustão na temporada passada, mas eis que o novo League Pass está completamente diferente, aperfeiçoado e - ainda que seja difícil de acreditar - vale ainda mais cada centavo suado gasto com ele. O League Pass não é mais um serviço via internet, é agora uma ferramenta mística que ignora as leis da física e refaz as nossas noções de espaço e tempo. Vamos analisar por partes o maior avanço da ciência moderna desde Doc Brown, começando pelo pacote normal que infelizmente não tem um capacitor de fluxo e portanto não pode viajar pelo tempo:

Pacote comum (Standard)

Com ele, é possível assistir a todas as partidas da NBA durante a temporada regular, uma de cada vez. Ao apertar de um botão, surge uma janela com todas as estatísticas da partida e dos jogadores para serem acompanhadas em tempo real. Assim que uma partida chegar ao fim, pode ser assistida nas próximas 24 horas. Então se você perdeu um jogo, ou então dormiu na metade, tem até 24 horas para acessar seu League Pass e poder acompanhar aquela partida. Foi com esse pacote que nós acompanhamos toda a temporada passada sem problemas. Acompanhando os placares das partidas ao vivo numa barra superior, dá para mudar de um jogo para o outro procurando sempre o que estiver mais disputado ou interessar mais.

Preço: 60 dólares (com o dólar a R$ 1,70 = 105 reais)
Preço para adicionar os playoffs ao pacote: 30 dólares (51 reais)

Na temporada passada, nós resolvemos não adicionar os playoffs logo de cara e pagar mais pra frente, apenas quando a temporada regular terminou. Nos arrependemos muito, porque o preço é consideravelmente mais caro se você não adicionar ele ao pacote agora. Se você pretende acompanhar os playoffs sem sombra de dúvidas, vale a pena pagar já e economizar uma grana.


Pacote Premium


Parte 1: Alterando as leis de espaço

Com o pacote especial do League Pass, é possível destruir as leis da física e estar em mais de um lugar ao mesmo tempo. É possível dividir a tela do seu computador em duas partes (uma maior, ocupando a tela inteira, e outra menor, pequena, que você pode arrastar e colocar por cima da outra em qualquer lugar que quiser) ou em quatro partes (todas com o mesmo tamanho). Depois disso, basta ver na barra superior todos os jogos disponíveis e arrastar o jogo que você quer ver para cada uma das divisões que você criou. Ou seja, é possível ver até 4 jogos ao mesmo tempo!

Ao ver quatro jogos, a qualquer momento você pode pedir para que um jogo que esteja lhe interessando mais ocupe toda a extensão da tela, e quando tiver visto o que queria, basta um botão para que os 4 jogos voltem a aparecer na tela. Ao acompanhar apenas dois jogos, o som virá daquele que ocupa a maior parte da tela, mas basta um botão para que ele troque de lugar com o jogo da telinha menor, para que você possa acompanhar de perto sempre o jogo que quiser. A sensação é de ser o Ozymandias do Watchmen e é confuso ver tudo ao mesmo tempo, mas uma hora acostuma.

Parte 2: Alterando as leis do tempo

É nesse momento que todo mundo vai chorar e perceber que precisa comprar um pacote Premium. Com ele, não importam mais os horários em que você assiste aos jogos. Todos os jogos que já aconteceram ou que já tenham começado estão disponíveis para serem assistidos imediatamente desde o começo. Isso significa que você pode ficar sem NBA durante duas semanas e assim que chegar em casa escolher 4 jogos velhos para ver ao mesmo tempo para tirar o atraso.

Mas vai além: ontem, por exemplo, cheguei em casa e havia perdido apenas 4 minutos do jogo do Wizards. Uma droga, né? Que nada. Simplesmente pedi para assistir ao jogo do começo, então ao invés de ver o jogo ao vivo, eu estava 4 minutos no passado. Durante os intervalos, é possível avançar para cortá-los, até que rapidamente alcancei a transmissão ao vivo.

Destaque: fiz isso enquanto acompanhava outro jogo do dia anterior que eu havia perdido. A liberdade de não estar preso aos horários da NBA é fenomenal. Dá pra chegar em casa a hora que você quiser, assistir do começo um jogo já começado, um jogo que já aconteceu, um jogo que já aconteceu no mês passado, e sempre no horário que você tiver disponível. Esse recurso também permite que você esteja vendo o jogo e escolha voltar no tempo 10 segundos (com um simples botão) ou então voltar o quanto você quiser usando a barra de tempo do jogo, para ver um lance novamente.

O único motivo para ver os jogos ao vivo, agora, é comentar no Twitter, porque senão não faz sentido! Aliás, se você estiver vendo o começo de um jogo começado mas quiser acompanhar ao vivo para brincar de Twitter, por exemplo, há um botão que lhe manda de volta para o tempo presente imediatamente.

A barra temporal do jogo também tem outras grandes sacadas. Ao assistir a um jogo que já terminou, você pode pedir para que a barra seja dividida por quartos e que mostre qualquer tipo de eventos, como todas as cestas feitas, todas as assistências, todos os tocos, etc, e dividir isso por time. Um sinalzinho aparece na barra mostrando quando foi que o lance aconteceu, e ao colocar o mouse em cima é possível ver quem é que fez o lance. Ao clicar em cima do sinal, o jogo viaja pelo tempo e te mostra o exato lance. Dá pra escolher ver, por exemplo, apenas todas as enterradas do Knicks num jogo, se você for fã do Amar'e Stoudemire. As possibilidades são infinitas, especialmente para quem gosta de criar suas próprias estatísticas, vídeos no YouTube ou apenas ver um jogador de perto.

É claro que o que está disponível no pacote comum também conta, como as estatísticas em tempo real, e ainda há a opção no pacote Premium de usar o League Pass num dispositivo portátil como celular, iPhone ou iPad ou em celulares com sistema Android, mas isso ainda não testamos (se alguém trabalha em uma empresa de celular e quiser nos dar de presente, aceitamos sem pensar duas vezes). Para quem nunca está em casa, é uma mão na roda. Mas é claro que todas essas capacidades de moldar o espaço-tempo vão ser cobradas direto da sua carteira se você não tiver um pacote ilimitado de internet ou se não tiver em um lugar com wi-fi.

Preço: 100 dólares (170 reais)
Preço para adicionar os playoffs ao pacote: 70 dólares (119 reais)

Os playoffs são exatamente iguais à temporada regular, ou seja, se você acrescentou no Premium poderá ver os jogos quando quiser e vários ao mesmo tempo, e se acrescentou no Standard terá 24 horas (na temporada passada foram 48 horas, talvez aumentem de novo) e um de cada vez.

Outra coisa que é preciso avisar: muita gente está nos perguntando se dá certo comprar o League Pass com outras pessoas, rachando o preço, e aí usarem ao mesmo tempo. Finalmente temos a resposta: não funciona. Depois de 5 minutos, o League Pass avisa que você está conectado em outro dispositivo e te derruba, é preciso conectar de novo. Para quem quiser se aventurar no mundo do rachamento de preço, fica o aviso: tem que entrar um de cada vez, em horários diferentes, o que deve funcionar apenas para quem quiser o pacote Premium.

Mesmo pagando sozinho, o preço não é tão salgado se você pensar que vale para a temporada inteira (e para os playoffs, para quem quiser), é muito tempo de basquete. Ainda assim o troço é em dólar e com certeza vai pesar no bolso de muita gente (inclusive no nosso, e muito, mas pela NBA a gente dá um jeitinho). Quem não conseguir bancar o League Pass, é preciso lembrar que teremos provavelmente a melhor cobertura da NBA no Brasil talvez em todos os tempos: transmissões na ESPN, Space, Esporte Interativo e pelo Terra, várias vezes por semana. Mesmo para quem assina o League Pass, as transmissões brasileiras na TV e na internet são várias, um não exclui o outro. O League Pass acaba sendo para quem tem tempo para ele, quem quer ver vários jogos por dia, ou acompanhar a fundo um time específico (especialmente se for um time com menos atenção da mídia, como o Clippers). Para quem vai acompanhar apenas alguns jogos pelas transmissões brasileiras na TV e na internet, o Denis está preparando um post bem profundo para deixar a vida de todo mundo mais fácil.

Agora, vamos às questões de velocidade de internet para acompanhar o League Pass. Como as experiências variam como varia a internet de cada lugar, vamos dar nossos depoimentos separados aqui:

Danilo: Com internet de 3mb, compartilhada por uma rede wi-fi com outras pessoas, é possível ver um jogo de cada vez com qualidade máxima (HD) na maior parte das vezes. Quando a velocidade da internet varia um pouco (porque o serviço é uma merda ou mais gente passa a utilizar a internet), ao invés de travar o jogo, o que acontece é a queda de qualidade da imagem. O mesmo acontece ao ver 4 jogos ao mesmo tempo, em que a qualidade cai um pouco mas nenhum jogo trava, nunca. No meu caso, a queda é sutil e nunca chega a virar um quadro do Monet como sempre acontece nas transmissões "genéricas" por aí, mas se a ideia for assistir com qualidade de HD (ligando o cabo do computador na TV), é preciso escolher os melhores horários (madrugada, por exemplo) e se limitar a um jogo por vez.

A imagem praticamente nunca trava, em geral acontece apenas quando acabo de colocar num jogo (como se ele pegasse no tranco). O recurso de avançar 10 segundos ou de voltar 10 segundos é instantâneo, sem nenhuma lentidão, então dá pra ficar apertando o botão de "avançar" várias vezes para pular um intervalo comercial e não perder nenhum segundo do jogo no processo (aliás, vale lembrar: o novo League Pass não tem mais propaganda nem show do intervalo no Brasil, ficamos limitados a uma tela estática avisando que o jogo está no intervalo, mas é a oportunidade perfeita para colocar em uma janela menor um outro jogo e dar uma conferida).

Denis: A internet que eu estou usando aqui no Chipre é tão regular e constante quanto o JR Smith. Ou seja, em um momento você carrega um vídeo do YouTube em segundos e no outro você lembra, na marra, de como era abrir fotos pornográficas na era da internet discada. Fiquei com muito medo do League Pass não dar certo por causa disso, mas a minha experiência na primeira semana foi boa.

Quando a internet está boa eu coloco a transmissão na melhor qualidade, quando começa a travar eu troco para uma qualidade menor e continuo vendo numa boa. Mesmo a pior opção ainda é decente o bastante para ver o jogo sem maiores problemas, dá pra reconhecer todos os jogadores em quadra e até deixar em tela cheia sem parecer que está vendo um jogo em um Super NES. Depois de ver metade do jogo quase em HD é claro que você sente a mudança drástica de diferença, mas não entra em depressão por causa disso. Eu tento ver jogos do meu Corinthians por aqui via links alternativos e é muito triste quando eu acho um lugar que tem a imagem boa demais para a minha internet e tudo trava, queria ter esse luxo de poder escolher a qualidade em outras transmissões também.

Então se você mora em um lugar onde a internet não é muito confiável, use essa semana de League Pass de graça para fazer os testes como eu fiz. Mexa nos jogos, fique mudando de qualidade e na prática você vai ter certeza se vale a pena comprar ou não.

Só para deixar claro uma coisa que já nos perguntaram antes: A gente não ganha nada para promover o League Pass. Infelizmente, porque eu queria muito faturar uma graninha com isso. Apenas pensamos que muita gente está interessada em saber como funciona o League Pass e é difícil conseguir informações sobre isso em português. Além disso é bom para nós, que gostamos de escrever textos grandes e detalhados sobre NBA, que tenhamos um número grande de leitores que acompanhe a liga bem de perto. Agora bora para o site do League Pass para testar de graça e decidir se compram ou não.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Dia cheio

Faz carinha de quem tá gostando


A gente já cogitou aqui no Bola Presa fazer um resumo da rodada anterior todos os dias. Mas nunca fizemos porque não temos como garantir que teremos tempo de fazer todo dia, e porque isso tiraria o nosso tempo de fazer textos mais profundos analisando as coisas com calma que, acho, é o que a gente faz melhor aqui no blog.

Acontece que ontem rolou tanta coisa, foram tantas estréias, são tantos comentários que fica difícil escolher um assunto pra falar. Sem contar isso: o que eu posso falar de mais profundo depois de um jogo só? Então hoje vai ser sobre a renca de jogos de ontem, certo? Só não se acostumem com isso, assim que cada time começar a ter mais de um jogo de história ficará mais fácil falar deles e voltaremos ao formato de sempre.

O que mais me chamou atenção na rodada de Itu de ontem (13 jogos é muita coisa!) foi a vitória do Cavs sobre o Celtics, óbvio! Muito irônico o mesmo time bater o super time do LeBron e depois perder das viúvas. Duas teorias explicam o resultado:

1. O Cavs jogou melhor e venceu
2. O Celtics entregou o jogo só pra zoar com a cabeça do LeBron

O mundo seria um lugar mais divertido se a segunda opção fosse verdade, mas não é bem assim. Outras coisas explicam de verdade a vitória do Cavs e todas podem ser interpretadas em declarações dadas no pós-jogo. O Ramon Sessions, que jogou no lugar do Mo Williams, machucado, disse que "o ginásio estava com uma atmosfera de jogo 7 da Final", o Antawn Jamison, que jogou pouco, mal, mas fez cestas importantes no final, disse que "essa vitória foi para a cidade e para mostrar para os fãs que o Cavs vai sobreviver e que Cleveland ainda é um bom lugar para ver basquete". E o Shaq, do outro lado, disse: "Acho que não jogamos duro o bastante com eles".

Em outras palavras, a torcida e os jogadores do Cavs encararam essa primeira partida como a mais importante das suas vidas, a torcida apoiou o time como se fosse o jogo mais importante da história da franquia e o Celtics, um time velho, jogou pela segunda noite seguida e sem a motivação e a concentração necessária. E, falando em Celtics, vocês sabem porque o Rajon Rondo está jogando sem a sua tradicional hand band na cabeça? O motivo é absurdo: Ele era um dos poucos jogadores (JR Smith, Marcus Williams e Chris Wilcox eram os outros) a usar a faixa com o logo da NBA de ponta-cabeça.


E a partir desse ano o David Stern disse que os jogadores que usarem a faixa assim vão ser multados! Tem que deixar o Jerry West direitinho pra ele não ficar com todo o sangue na cabeça. Dá pra ser mais chato e pentelho que o Stern? O que deixa a história ainda mais estranha é que perguntaram da faixa para o Rondo durante a pré-temporada e ele disse que tinha parado de usar porque não estava mais a fim, essa nova regra veio só à tona numa entrevista do dono do Celtics, Wyc Grousbeck, a uma rádio de Boston. Alguém duvida que o Stern não só proibiu os jogadores de usar como de falar sobre o assunto? Eu não.

Teve gente na imprensa americana apostando em apenas 12 vitórias para o Cavs em toda a temporada. Eu acho isso um exagero descomunal. O time perdeu a sua peça mais importante, fato, mas ganhou um técnico de verdade e ainda tem bons jogadores, coadjuvantes, secundários, mas bons. A grande dúvida era como eles iriam encarar o campeonato, já que nos últimos anos entravam em quadra sabendo que eram um dos melhores times e pensando em título, jogar com ou sem confiança faz toda a diferença do mundo. Para o primeiro jogo a mentalidade deles foi perfeita, jogaram em um clima de "ele nos abandonou mas ainda temos uns aos outros", mas será que dura 82 jogos? Será que sobrevive a uma sequência de derrotas?

O Cavs tem elenco para ser um time de meio de tabela, mas pode ser muito mais ou muito menos dependendo da motivação com que os seus jogadores vão ter em quadra. Se o JJ Hickson continuar jogando bem, claro, também ajuda.

Enquanto isso o novo time do LeBron faturou sua primeira. Se perdessem do Sixers seria demais! Um dia depois de encarar Shaq e Garnett no garrafão deve ser um alívio ver Elton Brand e Spencer Hawes na sua frente. O LeBron continuou cometendo muitos turnovers (9 na noite de estréia, 8 ontem), mas compensou com alguns bons passes e cestas, James Jones acertou 6 bolas de três pontos e Dwyane Wade foi o cestinha da partida com 30 pontos. Lado negativo? Lembram do clássico drible do Iverson no Jordan no seu ano de novato? Temos uma versão light com o novato Evan Turner e o D-Wade.



Aliás, depois de ser um desastre nas ligas de verão e de ter momentos péssimos na pré-temporada, Evan Turner, segunda escolha do Draft 2010, acordou e jogou muito bem ontem. Acertou 7 de 10 arremessos, fez 17 pontos, 7 rebotes e 4 assistências. Nada, nada mal! Outros novatos também se destacaram:

O DeMarcus Cousins foi pivô titular no Kings (Dalembert está machucado) e fez 14 pontos, 8 rebotes e 5 assistências. Wesley Johnson marcou 13 para o Wolves no mesmo jogo, e ainda deu essa enterrada só pra começar bem a carreira. No mesmo jogo o Kevin Love, estrela do Wolves, jogou apenas 23 minutos. Segundo o técnico Kurt Rambis foi porque "o Anthony Tolliver estava jogando de maneira extraordinária". Ele jogou bem mesmo, é verdade, mas não dava pra usar os dois juntos? Tirar sua estrela do time, logo no primeiro jogo do ano, por causa do Tolliver? Acho que o Rambis acreditou que esse vídeo passou na ESPN:



O grande destaque entre os novatos, no entanto, foi o Blake Griffin. Sua primeira jogada como profissional foi essa:



Nada mal, hein? Foram 20 pontos, 14 rebotes e 4 assistências no total. Mas o Clippers é o Clippers e eles perderam do Blazers. Lembram que no preview deles eu tinha dito que o Baron Davis precisava voltar a jogar basquete? Pois é, ontem foram 8 pontos, 3-11 arremessos, 3 assistências e 4 turnovers. Errou todas as bolas de três que tentou e metade dos lances livres. Também foi assustador como o Clippers é ruim nos rebotes defensivos! O Blake Griffin em especial. Dos 14 que ele pegou 9 foram de ataque (DeJuan Blair parte 2) e só 5 de defesa, enquanto deixou o Blazers pegar 21 rebotes ofensivos. Em alguns momentos se via o Griffin e o Chris Kaman só olhando para o alto esperando a bola cair, sem fazer bloqueio em nenhum adversário. Marcus Camby fez a festa.

Outros momentos interessantes nos jogos de ontem. O Pistons (que teve o T-Mac zerado) vencia por 7 pontos quando faltava um minuto e meio para o fim do jogo, mas perderam. Para o Nets. Para o bendito Nets, que teve contribuição quase nula do novo zilionário Travis Outlaw (1-7 arremessos) e uma bola de três salvadora do outro estreante Anthony Morrow. Vai ser uma loooooooooooonga temporada para o Detroit Pistons.

O Atlanta Hawks venceu um Grizzlies sem garrafão. Marc Gasol está machucado e nosso gordinho-muso Zach Randolph caiu com as costas no chão ainda no primeiro tempo, tentou jogar no sacrifício (herói!) mas não deu certo. Imagina aqueles 900kg caindo com tudo nas costas, deve doer. O Hawks marcou 119 pontos e o Joe Johnson ao fim da partida disse estar apaixonado pelo esquema ofensivo do novo técnico Larry Drew. Segundo o jogador ele só não fez mais pontos nas muitas vezes que ficou livre porque estava excitado demais com o novo estilo de jogo, faltou calma. Vai ser legal ver como funciona esse ataque contra uma defesa de verdade.

Em um dos jogos mais empolgantes da noite o Chicago Bulls perdeu do Oklahoma City Thunder. Nada de surpresas ou bizarrices no jogo, tudo como o esperado: Show de Durant, Westbrook e Derrick Rose, milhões de rebotes para o Joakim Noah (18!) e o sempre esquecido Thabo Sefolosha fazendo todas as jogadas certas na hora certa para vencer o jogo. Vale uma olhada nos muitos melhores momentos do jogo.



No último jogo da noite, um presente de Golden State Warriors e Houston Rockets para todo mundo que tem seus jogadores nos seus times de fantasy. Foram números impressionantes pra todo mundo na vitória do Warriors por 132 a 128! 28 pontos para o Kevin Martin, 36 pontos e 16 rebotes para o Scola, 17 pontos, 16 rebotes e 6 assistências para o David Lee, 25 pontos e 11 assistências para o Steph Curry e um jogo NBA Live para o Monta Ellis: 46 pontos em 18-24 arremessos. Passar de 40 pontos com menos de 25 arremessos é para poucos, muito poucos. Só quem tem o Yao no time de fantasy que não ficou feliz, ele não jogou. Segundo as regras para se poupar nessa temporada, ele não joga jogos em dias consecutivos.

Hoje tem a estréia do Orlando Magic contra o Wizards do John Wall, não perco por nada nessa vida! Eu pareço empolgado com esse começo de temporada? Pareço? Pareço?

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Não é mais um preview

A beleza da NBA está de volta


Como o Rodrigo Alves disse no seu texto no Rebote, a noite de abertura da NBA foi divertida desde o Twitter até as quadras. No Twitter, geralmente um lugar desagradável onde tem mais gente tentando pagar de inteligente e/ou engraçado para as outras, o clima foi divertido, com comentários inteligentes, piadas, apostas e um monte de gente aprendendo a mexer no League Pass. Faremos uma análise do LP ainda essa semana, mas já avisamos aqui que durante essa semana ele está disponível de graça. É só entrar no site deles, se cadastrar e escolher o jogo que quer ver.

Ah, e também sei que não acabamos os previews antes do primeiro jogo! Faltaram Nuggets, Thunder e Knicks. Tudo culpa do Danilo, claro, nunca minha. Mas ele já cuidou disso e os links para todos os previews estão agora em um só post, esse aqui.

Eu não lembro de outra noite de abertura tão aguardada como a de ontem. Geralmente a NBA (ou mais especificamente esse cara) escolhe jogos que o pessoal está afim de ver, mas nunca tinha conseguido montar logo de cara um jogo com tamanha expectativa. Nada como a estréia do trio LeBron-Wade-Bosh contra o atual campeão do Leste que tem o seu próprio trio de ferro e mais Shaquille O'Neal, Rajon Rondo e Jermaine O'Neal. É muita gente boa ao mesmo tempo e um público na seca por basquete. Perfeito!

A partida começou com 8 jogadores na quadra que já foram All-Stars, os cinco do Boston e o trio do Miami. Apenas Carlos Arroyo e Joel Anthony destoavam. Pelo menos o porto-riquenho pode dizer que era uma estrela no basquete FIBA. No banco ainda tinham outros ex-all-stars, Jerry Stackhouse (recém-contratado pelo Heat), Jamal Magloire e Jermaine O'Neal. Em 2010 esse é um jogão em outubro, 10 anos atrás seria um jogão em fevereiro, no All-Star Weekend.

O Boston Celtics começou tentando explorar o pivô não-galático do Miami, jogando bastante a bola no estreante Shaq, que nas primeiras bolas errou arremessos ridículos embaixo da cesta, mas logo deu umas enterradas alucinantes, se pendurou no aro, pingou suor como um porco e até acertou lances livres, que foram motivo de vibração incontrolável da torcida.

Embalados por Shaq, por passes perfeitos do Rajon Rondo (17 assistências e nenhuma faixa na cabeça) e bolas de três do Ray Allen, o Celtics abriu quase vinte pontos de diferença já no primeiro tempo. Com uma defesa bem forte eles forçaram o Heat a apenas 9 pontos no primeiro período e 30 no primeiro tempo como um todo, marca pior do que o menor número de pontos marcados no primeiro tempo pelo Heat do ano passado. Sim, aquele time com Michael Beasley, Daequan Cook e Dorrell Wright. 

Muitas coisas explicam esse primeiro jogo, em especial o primeiro tempo, horripilante do Heat. Primeiro a falta total de entrosamento, o trio que controla a bola por 90% do tempo jogou junto só por 3 minutos durante a pré-temporada. Wade, machucado, mal treinou. E não é um time que tinha uma base e treinou pouco nos últimos meses, é um time que começou do zero. Também não é um time tradicional, com jogadores que se completam naturalmente, eles tem características conflitantes (tanto Bosh quanto Wade e LeBron gostam de segurar a bola e não são bons arremessadores, por exemplo) o que não significa que vão fracassar, mas que precisam de treino mais do que um time normal. Se você juntar um trio como Chris Paul, Kevin Durant e Dwight Howard, por exemploa coisa fluiria mais naturalmente.

Outra razão pode ter sido o nervosismo, afinal todos esperam o melhor time da história e eles tem uma reputação a zelar, deve bater um medo de fracassar. Alguns passes que eles deram para o meio da arquibancada e outras infiltrações precipitadas não foram só falta de entrosamento, foram desespero mesmo. Também não ajudou o fato deles terem o primeiro jogo fora de casa contra uma das melhores defesas da NBA nos últimos três anos! Se cometerem todos os mesmos erros de novo contra o Sixers aí sim o buraco é mais embaixo. O Celtics soube perfeitamente explorar as fraquezas que o Heat ainda tem: a falta de um pontuador dentro do garrafão (até LeBron tentou se arriscar lá dentro pra compensar, sem sucesso), a falta de arremessadores de longe (e meia distância) e assim deixou o garrafão congestionado para evitar as infiltrações.

No fim das contas, segundo o site HoopData, o Heat tentou 22 infiltrações, conseguindo finalizar 12 com sucesso, um número respeitável. Mas em todos os outros pontos da quadra eles acertaram 15 arremessos em 52 tentativas! O Celtics estava deixando o Heat arremessar porque estava um desastre. Era como se o outro lado tivesse 5 Rondos.

As coisas começaram a mudar quando o Celtics primeiro relaxou, fugindo do que estava dando certo e mostrando que eles também estão em ritmo de começo de temporada, depois mudou por completo, com o Heat chegando a diminuir a diferença para 3 pontos quando o Heat começou a jogar como, quem diria, o Cavs. Ironias da vida. Com Wade e Bosh no banco e jogando ao lado de Zydrunas Ilgauskas, Eddie House e James Jones o LeBron James fez o que fazia em Cleveland. Pegava a bola, recebia um corta-luz na linha dos três e atacava a cesta, aí era ou cesta, ou falta ou um passe para alguém na linha dos três. Básico, simples, Cavs.

Foi o bastante para colocar o Heat de volta no jogo, mas logo a defesa apertou e ficou aquele joguinho de LeBron tentando vencer sozinho de um lado e o Ray Allen matando o jogo com bolas de três do outro. Por um lado foi péssimo para o técnico Erick Spoelstra ver que vai ter muito trabalho pela frente e que durante esse trabalho vão ouvir piadas, críticas, vaias e gritos de "overrated" como da torcida de Boston, ontem. Por outro lado foi bom ver que depois de um jogo em que o time jogou de maneira mais desorganizada que a 25 de março em semana de Natal, perdeu só por 8 pontos, esteve perto da virada e mostrou alguns bons momentos na defesa.

Como tudo o que vamos falar em todos os posts nas próximas semanas, esses comentários sempre vêm com um "apesar de ser só o começo da temporada" embutido. Não dá pra querer achar que vai ser ruim assim pra sempre, mas também não dá pra ignorar que foi um fiasco.




O segundo jogo da noite foi Blazers e Suns em Portland. O time da casa começou bem, com Brandon Roy e Andre Miller mostrando algum entrosamento e sabendo dividir a responsabilidade da armação, mas o time não embalou porque LaMarcus Aldridge foi incapaz de tirar vantagem da sua estatura contra o Hedo Turkoglu. O Suns, mesmo sem convencer, jogou bem. Só foi estranho ver o Nash arremessando mais do que passando e triste ver o Turkoglu ajudando tão pouco, mas deu certo e no terceiro período eles estavam voando.

Porém, no último quarto um dos maiores candidatos a jogador que mais evoluiu na temporada, Nicolas Batum, fez 11 dos últimos 18 pontos do Blazers, que venceu o período final por 20 pontos de vantagem e levou a vitória pra casa. O Batum já era bom antes, ótimo defensor, bom arremessador e sabe bater pra dentro. Nesse ano como titular absoluto ele tem tudo pra ter grande destaque. Olho nele e peguem o rapaz na sua liga de fantasy.

Antes do jogo de ontem o próprio Nash disse que se estivesse vendo tudo de longe não apostaria no Suns como um time para ir para os playoffs. Bem racional da parte dele, mas o time já superou outras limitações de elenco antes e nem tudo está perdido, só vai ser bem difícil. Um bom começo seria o Nash confiar mais no Robin Lopez que, coitado, tentou brincar de Amar'e Stoudemire ontem e não recebeu um passe do Nash depois dos bloqueios que fazia, só ficava com a mão esperando a bola e nada aparecia.

No último jogo da noite tivemos o já famoso Bola Presa Classic. Meu Lakers contra o Rockets do Danilo. Finalmente a NBA nos ouviu e colocou esse jogo numa data importante. Antes da partida, claro, a entrega dos anéis de campeão para o Lakers. Em uma cerimônia fresca e ensaiada: o anel era dado para um jogador que pegava o microfone e chamava o coleguinha de classe. Para provar que era tudo ensaiado até elogiaram o Sasha Sharapova ao chamá-lo ao centro da quadra. O anel que eles ganharam era todo rico e brega, como sempre. Tem 16 diamantes, para simbolizar os 16 títulos do Lakers, pedaços de couro arrancados da bola usada no jogo 7 da final e a cara de cada jogador nos anéis. Doideira! Olha as fotos aí embaixo. Certo o Ron Artest que vai leiloar o dele.





O jogo de verdade começou com Aaron Brooks e Kevin Martin me dando a certeza absoluta de que vão ser a dupla de armação com mais bolas de três feitas na história da NBA. Aposto um chocolate nisso. E chocolate só não é a melhor coisa do mundo porque existe sexo, então a aposta é séria! O Rockets jogou muito bem durante toda a noite e até merecia a vitória, que só não veio porque o Shannon Brown resolveu achar que é o Anthony Morrow e acertou 4 bolas de três, quase todas no último período . E depois, quando o Houston vencia por um ponto a 18 segundos do fim, o estreante Steve Blake meteu uma bola de três para ganhar o jogo. Quem é Jordan Farmar mesmo? Não lembro. É muito difícil bater o Lakers quando Pau Gasol está bem (98% dos jogos) e as bolas de longe estão caindo.

O Lakers jogou o seu basquete preguiçoso de temporada regular. Muito bem durante uns momentos, relaxado em outros e bem sério quando a água bate na bunda nos minutos finais. Deu certo, mas o time ainda parece fora de ritmo, especialmente Kobe, que está bem lento na defesa. O Rockets pareceu mais entrosado, mais interessado e parece que vai dar trabalho pra valer. O Yao Ming jogou e até que tá bem para alguém todo quebrado, que não joga há um ano e que se move como se estivesse embaixo d'água. Mas o que me deixou mais surpreso foi ver como o Luis Scola pareceu mais à vontade no ataque no fim do jogo, chamando a responsa ao invés de aceitar ser coadjuvante. Ele é bom o bastante pra isso e sempre foi, mas no ano passado era mais comum a gente ver o Aaron Brooks querer bancar o herói.

Foi um bom primeiro dia, mas só o primeiro. Hoje tem mais 13 partidas, com quase todos os outros times fazendo seu primeiro jogo e aí vem a primeira grande dúvida da temporada: O que assistir no League Pass? Tem Miami tentando a sua primeira vitória contra o Sixers, a estréia do lixo do Cavs ou um potencial  jogão entre Bulls e Thunder. E mais tarda a estréia do Warriors sem Don Nelson e o primeiro jogo oficial do Blake Griffin, isso sem contar a estréia do Amar'e como um Knick e um empolgante Nuggets-Jazz. Por enquanto só sei que não vou ver Hawks contra o Grizzlies. Como eu vivi todos esses meses sem NBA todo dia?

Todos os previews!

Nem o Tim Duncan resistiu à alegria de ver isso terminado


Finalmente todos os previews estão no ar! Infelizmente não deu tempo de fazer tudo até começar o primeiro jogo da temporada, faltaram Knicks, Nuggets e Thunder, mas agora, antes desses times fazerem suas estreias, tudo já está publicadinho aqui no blog. Aproveitamos para deixar os previews mais fáceis de encontrar caso você não tenha achado o do seu time, queira ler o de alguma equipe específica ou só tenha ficado muito confuso porque postamos vários por dia nessa última semana. Os links estão abaixo:


Leste
Divisão do Atlântico
Boston Celtics - New Jersey Nets - New York Knicks - Philadelphia 76ers - Toronto Raptors

Divisão Central
Chicago Bulls - Cleveland Cavaliers - Detroit Pistons - Indiana Pacers - Milwaukee Bucks

Divisão Sudeste
Atlanta Hawks - Charlotte Bobcats - Miami Heat - Orlando Magic - Washington Wizards


Oeste
Divisão Sudoeste
Dallas Mavericks - Houston Rockets - Memphis Grizzlies - New Orleans Hornets - San Antonio Spurs

Divisão Noroeste
Denver Nuggets - Minnesota Timberwolves - Okalhoma City Thunder - Portland Trail Blazers - Utah Jazz

Divisão do Pacífico
Golden State Warriors - Los Angeles Clippers - Los Angeles Lakers - Phoenix Suns - Sacramento Kings

Preview 2010-11 / Denver Nuggets

"É a TUA mãe, aquela..."


Objetivo máximo: Uma final de Conferência
Não seria estranho: Se classificar no sufoco para os playoffs e rodar na primeira rodada
Desastre: Perder Carmelo Anthony e afundar na tabela

Forças: Um ataque muito forte
Fraquezas: Uma defesa capenga e um banco duvidoso, sem profundidade

Elenco:













.....
Técnico: George Karl

A passagem de Karl pelo Nuggets é cheia de altos e baixos. Sua fama foi sempre de treinar grandes ataques, equilibrados e com muitas armas ofensivas, mas só teve sucesso quando conseguiu montar defesas pelo menos decentes (como o Bucks de Glenn Robinson) e às vezes espetaculares (como o Sonics de Gary Payton). No Nuggets, teve muitos problemas de equilibrar o ataque, que era extremamente individualista (do tipo "quem pegar chuta"), e nunca conseguiu nada que sequer lembrasse uma defesa na equipe. Quando lidou com o Nuggets de Carmelo Anthony e Allen Iverson, a incapacidade de deixar os dois jogadores felizes e equilibrar as movimentações ofensivas fez com que perdesse o controle do time. Dizem que ninguém ouvia mais o técnico, JR Smith estava cansado de ficar no banco e ser mal aproveitado (já que o treinador não suportava seus arremessos sem critério), e o emprego do George Karl ficou por um fio. Apenas com a saída de Iverson e a chegada de Billups os engravatados e os jogadores resolveram dar uma última chance ao Karl, deixar que ele tentasse começar de novo. Com a liderança de Billups em quadra, Karl conseguiu montar um time mais organizado capaz de respeitar seu plano de jogo, JR Smith passou a ser bem utilizado em momentos importantes (e tirado do jogo quando seus erros custavam muito caro) e até a defesa ficou ao menos respeitável.

Quando foi diagnosticado com câncer na garganta, o carinho e a admiração dos jogadores do Nuggets ficaram muito claras em suas homenagens. O Nuggets passou a agir como um grupo que havia resistido às maiores adversidades e agora estava pronto para ser campeão, e grande parte do mérito estava no fato de que George Karl nunca parou de aprender, tanto na parte tática quanto no seu relacionamento com os jogadores. Seu plano de jogo agora é mais maleável, mas ele também é mais respeitado. Seu Nuggets estava em segundo lugar do Oeste quando Karl teve que se auxentar para tratar o câncer, e a pancada no time inteiro foi monumental: despencaram na tabela e foram eliminados dos playoffs. Já não se questiona mais a importância do técnico, que parece cada vez mais atingir com a experiência o equilíbrio ideal entre ataque e defesa, mas tem sempre que se virar com o excesso de contusões de seus jogadores também experientes (que é eufemismo para "velhinhos de joelho frágil").

....
Mais uma vez, recorro a um post bem recente do Denis sobre o Nuggets e a possível saída de Carmelo:

"Enquanto a maioria dos times gastou seu precioso tempo de offseason buscando novas contratações, o Nuggets se preocupou basicamente em segurar Carmelo Anthony. Ao contrário dos seus companheiros de Draft de 2003, Dwyane Wade, Chris Bosh e LeBron James, quando Carmelo fez seu último contrato, fez um maior que o dos amiguinhos. Dá pra entender, enquanto os outros três estavam em franquias que naquela época despertavam dúvidas, o Melo estava muito bem no Nuggets, que é no mínimo um bom time desde sua chegada.

Isso quer dizer que se todos viraram Free Agents agora, Melo será somente daqui a um ano e ver todos esses grandes jogadores mudando de time para ter a chance de ganhar um título deve ter dado um cagaço monstruoso no time de Denver. Já ofereceram mais de uma vez extensões de contrato de mais 3 anos e 65 milhões de dólares.

(...)

Entre os times que devem ir pra cima do Melo com tudo estão o New York Knicks e o New Jersey Nets. O Knicks não gastou tudo o que podia nesse verão americano e para a temporada que vem ainda tem, finalmente, o fim do contrato do Eddy Curry, que só não é maior do que a barriga do pivô. Já o Nets também não gastou tudo o que podia e acabou de trocar por Troy Murphy, cujo contrato também se encerra na próxima temporada. E não é só porque os dois podem pagar que eles são fortes concorrentes, tem também o apelo emocional. Carmelo Anthony nasceu em Nova York, gosta da cidade e até fez universidade em Syracuse, lá pertinho. Ir para qualquer um dos time seria voltar para casa. O Knicks é o time mais famoso, glamuroso e conhecido, e o Nets deve se mudar para o Brooklyn dentro de alguns anos, exata região onde nasceu Melo.

Deu pra entender porque o Nuggets está desesperado para conseguir essa extensão, né? Faz muito sentido ele sair após a próxima temporada. E ainda tem mais: o Nuggets é um time experiente, com jogadores que ou estão no auge ou já estão passando dele. Nenê ainda está em plena forma com 28, mas Kenyon Martin e Chauncey Billups, dois pilares da equipe, não são garantia de saúde e jogo em alto nível por muito mais tempo. 

Por essas tentações de novos ares é que eu acho que o Carmelo não deve e nem vai assinar essa extensão, criando no Nuggets uma sensação de urgência parecida com a que existiu no Cavs no ano passado. E também, como o time do LeBron no ano passado, existem chances reais de título, embora vá ser bem difícil.

Depois da dificuldade que deram para o Lakers na final do Oeste de 2009, o Nuggets entrou como um dos favoritos na temporada passada. Durante meio ano sustentou esse título por ficar em segundo no Oeste, ganhando de vários outros times grandes da liga, incluindo o próprio Lakers em Los Angeles. Mas no meio da temporada a maionese desandou. Primeiro foi a contusão do Kenyon Martin, o melhor jogador de defesa do time e grande reboteiro. Depois foi a volta do câncer do treinador George Karl, que teve que se ausentar durante muitas partidas, inclusive toda a série de playoffs contra o Jazz, quando tomaram uma surra de 4 a 1.

Os dois estão de volta para essa temporada, por isso não existe razão para não dizer que o time vai continuar sendo um dos melhores, mas a saída deles evidenciou algumas deficiências do time. Chauncey Billups já foi considerado o melhor armador da NBA na sua época de Pistons, mas claramente começa a viver a sua vagarosa decadência. Ele ainda é fora de série, mas no meio do caminho tem jogos discretíssimos, ele não consegue ganhar jogos quando dá na telha como fazia no Pistons, e na defesa, onde sempre foi ótimo, as pernas não acompanham mais. É só ver o baile que ele tomou do Deron Williams na última pós-temporada. Já que os dois são sempre comparados, foi o equivalente do Deron para o que o Chris Paul fez com o pobre vovô do Jason Kidd nos playoffs de 2008. Pois é, uma hora a juventude nos alcança e é hora de virar comentarista de TV, Chris Webber tá na NBA TV todo dia pra comprovar isso.

Em vários jogos em que o Billups não dava conta do recado, o Ty Lawson deu. Quando suas bolas não caíam, o JR Smith dava os arremessos mais imbecis da história do basquete (e eventualmente acertava) para dar a vitória ao Denver. Isso mostra que o time é bom, grande, mas que eventualmente depende de jogadores não muito confiáveis. É um time forte, mas como o Billups de hoje em dia, deixa sempre aquela dúvida no ar.

Outra questão que a contusão do K-Mart deixou clara foi a falta de profundidade do garrafão. Nenê, Chris Andersen e Kenyon Martin são o trio mais físico, tatuado e mal encarado da NBA na atualidade. Fazem uma rotação interessante e todos jogam nas duas posições do garrafão, mas e quando alguém se machuca? Dois são titulares e acabou. Sem banco para cobrir alguém cansado ou com problemas de falta. Isso machucou muito a equipe na temporada passada e para resolver o problema contrataram dois jogadores, o Shelden Williams e o Al Harrington.

Tem gente que até gosta do Shelden Williams, acho que o Danilo é um deles, mas eu acho um cara que não sabe fazer porcaria nenhuma numa quadra de basquete. A intenção de contratar um cara de garrafão foi boa, a escolha péssima. Sem querer pegar no pé do Shelden só porque o formato da sua cabeça me ofende, mas o DJ Mbenga seria mais útil. Já o Al Harrigton foi uma ótima adição. Ele arremessa de três e abre o jogo como o Linas Kleizafez tão bem pelo Nuggets naquela campanha de 2009, sabe jogar de ala de força e quebra um galho nos rebotes. Não sei se gostaria de ver ele de titular em algum time, mas como reserva e em especial nesse time veloz que é o banco do Nuggets, ele é pefeito. Imagina eles correndo com Ty Lawson, JR Smith, Al Harrington e Chris Andersen ao mesmo tempo? Tem tudo para dar dor de cabeça para os bancos das outras equipes.

O Nuggets fez pouco para essa temporada, mas as peças estão lá para irem longe de novo. O armador experiente, o garrafão forte, um bom defensor de perímetro (o ótimo Arron Afflalo), o banco de reservas talentoso, um técnico experiente e que conhece o time e a estrela/cestinha, Carmelo Anthony. Fácil esquecer deles depois dos playoffs ridículos do ano passado, mas vamos dar mais uma chance. Embora seja, provavelmente, a última."


Aproveito a deixa para defender o Shelden Williams, que para mim é um bom reboteiro, se posiciona bem na quadra, e poderia render muito melhor no ataque se tivesse a oportunidade. Na pré-temporada ele rendeu muito bem, e disse que o George Karl lhe incentivou a ser mais agressivo e atacar a cesta, coisa que ele não fazia desde os tempos de faculdade e que por isso seu cérebro tem dificuldade de associar as palavras "bola" e "pontuar". É legal ver o George Karl disposto a dar minutos, oportunidade e confiança até para jogadores mais-ou-menos que são tacados de um lado para o outro por aí. Se o Shelden Williams render um pouco, torna a rotação de garrafão do Nuggets ainda mais forte e versátil. Ele pode jogar de pivô, assim como Al Harrington pode jogar de ala de força, e o Nuggets ganha um time absurdamente veloz e ofensivo para quando a defesa já estiver na merda mesmo. A equipe é inteligente, os jogadores agora sabem que papel desempenham, e há mais espaço para novos jogadores cheguem para tapar os buracos na rotação da equipe assim como o Ty Lawson fez na temporada passada. Dá pra aproveitar a experiência do elenco para chegar a uma Final do Oeste se não houverem contusões ou cânceres à vista, mas a situação do Carmelo pode colocar tudo a perder. 

Como disse antes, deixei o preview do Nuggets por último porque o Carmelo pode ser trocado a qualquer momento agora. Ainda há a esperança de convencer o jogador a ficar, mas tudo isso depende dos resultados no começo da temporada. A chance de que a situação do Carmelo incomode os outros jogadores, fazendo-os pensar que a temporada não vale pra nada porque ele vai dar o fora de lá, é enorme. Se for o caso e o time começar a desandar, aí é que o Carmelo vai querer se pirulitar dali e a temporada vai mesmo pro saco. O ideal seria essa situação ser resolvida logo, mas se não trocarem o Carmelo vão ter que torcer para que vitórias iniciais animem o elenco. Mesmo que convençam Carmelo a ficar, essa pode ser uma das últimas chances de título desse elenco como o conhecemos, então vamos torcer para que dê tudo certo.

Preview 2010-11 / New York Knicks

 Cadê a Alicia Keys?

Objetivo máximo: Vão dizer que é ir para os playoffs, eu finjo que acredito
Não seria estranho: Não passar nem perto dos playoffs
Desastre: Feder a ponto do Carmelo Anthony ou do Chris Paul desistirem de ir para lá

Forças: Um ataque veloz e equilibrado
Fraquezas: Não defendem nem ponto de vista e não tomam boas decisões em quadra

Elenco:














.....
Técnico: Mike D'Antoni

Pra variar, relembremos nossa tradicional "Semana dos Técnicos":

O bigodinho mais famoso da NBA tornou-se praticamente uma lenda com a filosofia de "7 segundos ou menos", ou seja, a idéia de que as melhores oportunidades para pontuar acontecem nos primeiros 7 segundos de posse de bola. Na prática, isso significa correr como um maluco e arremessar o mais depressa possível. Parece estranho mas é uma tática funcional e responsável por formar um dos times mais velozes e divertidos de se assistir nos últimos anos.

A tática de D'Antoni é especialmente efetiva contra times mais fracos, sem identidade, que acabam sendo pegos na correria e tentam devolver na mesma moeda. Marcando trocentos pontos num ataque balanceado, evita-se que times com menos talento consigam manter o mesmo ritmo, mesmo que não exista esforço na defesa. Com isso, o Suns de D'Antoni chutou centenas de traseiros na NBA, aniquilando com facilidade os adversários mais frágeis mas suando contra adversários de peso. Ao enfrentar equipes equilibradas que joguem de maneira lenta e cadenciada, protegendo a posse de bola, a técnica de correr e arremessar (run 'n gun) de D'Antoni encontra graves problemas para funcionar. A encarnação na Terra da entidade cósmica do basquete lento e cadenciado é o Spurs de Gregg Popovich, que aniquilou ano após ano os "7 segundos ou menos", até que o Suns resolveu seguir em outro caminho.

Sempre insisti que o ataque do D'Antoni não é uma farsa, um sonho de criança, por ignorar a defesa e tentar vencer só no ataque. Na verdade, o plano dos "7 segundos ao menos" camufla uma série de limitações defensivas de suas equipes, pois obriga os adversários a jogarem rapidamente e tomarem decisões piores no ataque. Quando seu time não tem nenhum grande defensor nem consegue colocar em prática uma defesa coletiva, o melhor modo de lidar com isso é atacando em velocidade e forçando o adversário a fazer o mesmo. As defesas de Suns e do Knicks seriam ainda piores se um técnico defensivo assumisse e estipulasse um ataque lento, como vimos no Suns de Terry Porter. No entanto, precisei concordar um pouco com os odiadores do D'Antoni quando o Amar'e disse que, no Suns, nunca havia feito um único treino defensivo com  seu técnico. Nenhum! Dá pra acreditar num troço desses? Uma coisa é deixar a defesa em segundo plano se o ataque for melhor negócio, outra completamente diferente é ignorar a defesa por completo, jogar na privada e dar descarga. Às vezes, quando vejo o Knicks jogando, dá pra imaginar que realmente eles nunca nem brincaram de defender nos treinos, mas prefiro acreditar que isso é apenas exagero do Amar'e e ruindade dos jogadores.

A tática ofensiva do D'Antoni, no entanto, é bem menos efetiva no Knicks do que chegou a ser no Suns. O problema principal que o técnico enfrenta é a incapacidade que o time tem de tomar boas decisões em quadra. Ao contrário do que se imagina, atacar o mais rápido possível não significa dar qualquer arremesso de costas no meio da quadra como seu colega débil mental que não sabe fazer bandeja fica tentando na aula de Educação Física. É preciso saber onde colocar a bola para que surja a oportunidade de arremesso mais simples e rápida, e ter paciência quando ela não aparecer. O Knicks às vezes parece entender bem a ideia da coisa, mas em outros momentos apenas se afoba e tropeça nas próprias pernas, em parte pela falta de um armador que possa ser a voz de D'Antoni em quadra. Essas dificuldades sempre colocam em questão a viabilidade do esquema tático do D'Antoni em qualquer equipe, e sua capacidade de tentar outra coisa e se adaptar. Na temporada passada, o D'Antoni já foi mais maleável com a correria e o Knicks já se focou menos nos contra-ataques e mais em jogadas individuais de meia quadra, com foco no pick-and-roll, mas é óbvio que o técnico usa isso como útimo recurso apenas porque o time não consegue manter em alto nível o projeto inicial. Mas a chegada de Amar'e, que sempre floresceu nesse esquema tático do D'Antoni, pode lhe dar uma boa sobrevida e é capaz que o técnico experimente voltar um pouco à correria.

...

Quando analisou a chegada de Raymond Felton e de Amar'e ao Knicks, o Denis escreveu um post detalhado e gigaaaaante sobre o time que deixo aqui para ser lido na íntegra e mesmo assim colo quase inteiro aqui embaixo para todos aqueles que tem preguiça de dar um mísero clique com o mouse:


Para muita gente o dia da decisão do LeBron James de ir para Heat foi o símbolo do fracasso do Knicks nos últimos anos. Todos sabem que o time de Nova York passou pelo menos as últimas duas ou três temporadas mais preocupado em abrir espaço na folha salarial do que pensando em basquete de verdade, com LeBron sendo o alvo principal do plano. E pior,Wade Bosh eram as opções seguintes! Depois de tanto tempo, ficar com sua quarta opção é foda. É como passar anos planejando o casamento com a Alinne Moraes e na hora colocar a aliança no dedo da Wanessa Camargo.

No caso do Knicks até que era uma mulher mais gatinha que a Uanessa, o Amar'e Stoudemire é uma mina bem firmeza pra falar a verdade, mas uma que enjoa rápido. Como já dissemos no post em que comentamos a sua contratação, o Knicks fez a sua parte em garantir pelo menos uma grande estrela para não passar em branco. Quem se arriscou mesmo foi o Stoudemire, que corria o risco de não receber ajuda e ficar mais longe de títulos do que estava em Phoenix. E no fim das contas foi o que aconteceu. O Knicks perdeu a maior parte dos seus alvos e teve que se esforçar para colocar pelo menos alguns jogadores decentes em volta da sua nova estrela.

A maior contratação foi o Raymond Felton. O armador fez boas temporadas no Bobcats nos últimos anos, mas eu fui uma das muitas pessoas que esperava muito mais dele depois de vê-lo ter grandes atuações no seu ano de novato em 2005-06. No seu primeiro ano ele teve média de quase 12 pontos por jogo, nada mal, mas nunca conseguiu superar a casa dos 14. Nas assistências subiu variou de 5 a 7. Ele nunca foi ruim, mas também não foi espetacular como parecia que poderia ser. E ainda falhou em ser o líder do Bobcats. Quando o Larry Brown chegou em Charlotte, quis fazer com que Felton fosse o que o Billups foi naquele time do Pistons que ele treinou e foi campeão em 2004, alguém que controlasse a bola, o ritmo de jogo e chamasse o jogo nos momentos decisisvos. Ele até tentou e chegou a ter bons momentos de quarto período, mas o time só deslanchou quando o Stephen Jackson foi contratado e assumiu esse posto. Na defesa o líder sempre foi Gerald Wallace. Ray Felton era, em suma, o terceiro melhor jogador de um time que nunca foi mais do que o sétimo melhor time da conferência mais fraca da NBA.

Outra questão importante sobre o Felton é como ele vai se encaixar no time do técnico Mike D'Antoni. Mas para isso a gente precisa saber qual vai ser o esquema que o D'Antoni planeja usar. No seu primeiro ano de NY ele mandou o time correr como fazia no Phoenix Suns, era o segundo time mais veloz da NBA com 97,6 posses de bola por jogo. Depois de algumas derrotas humilhantes, resolveu se controlar um pouco e na temporada passada o time era outro. Com um pouco mais de jogo de meia quadra e apelando mais para os pick-and-rolls do que para os contra-ataques, foi apenas o oitavo time mais rápido, com 94 posses de bola por jogo. O que ninguém sabe é se o D'Antoni fez essa mudança porque acredita mais nela ou porque não tinha as peças para fazer diferente. E agora com Felton e Amar'e, vai decidir voltar ao plano anterior ou manter um time ainda rápido, mas um pouco mais controlado?

O time mais rápido passa por um armador rápido. Não tenho dúvidas de que um dos motivos (impossível saber todos) que fez o D'Antoni repensar o seu plano tático foi a incapacidade de fazer o Chris Duhon render em alto nível. Jogar na velocidade não é só ser rápido na corrida, é pensar, passar, driblar, infiltrar e tomar decisões inteligentes enquanto se corre. Steve Nash é o melhor da NBA nisso, Duhon era um rapazinho esforçado. O Felton é um meio termo. Ele sabe jogar na transição, fazia muito bem essas jogadas de contra-ataque com o Gerald Wallace no Bobcats, mas não é um jogador veloz. Eu vejo ele agindo bem em situações típicas de contra-ataque, como bolas roubadas ou tocos, mas não acho que ele tem a capacidade de fazer como o Nash de transformar qualquer posse de bola em um contra-ataque só com um pique e alguns passes longos e precisos.

Se o D'Antoni pensar como eu, o Knicks do ano que vem deve ser mais parecido com o da temporda 2009-10 do que com o de 2008-09, um time mais devagar. Espero que isso tenha sido levado em consideração na hora da contratação do Felton, que é mais um daqueles jogadores que são bons se você souber o que pedir deles.

Mas se a questão do tempo do jogo é um problema, o pick-and-roll não é. (...) Essa é a jogada que fez o Amar'e fazer 80% dos seus pontos na carreira, é onde ele mostra o seu melhor jogo. E nos últimos anos ainda foi capaz de fazer o pick-and-pop, que é quando, ao invés de correr para a cesta, quem faz o corta-luz fica parado para realizar o arremesso. Quando comentamos a sua contratação, pedimos um armador que soubesse fazer bem essa jogada, e Felton sabe. Sendo um bom passador (mas espere passes mais óbvios que os do Nash) e sendo, ao mesmo tempo, uma ameaça na infiltração e no arremesso vindo do drible, ele tem as ferramentas para fazer a jogada mais básica do basquete.

A outra conquista do Knicks nessa offseason foi ter conseguido um sign-and-trade com o David Lee. Um sign-and-trade é quando você assina com um jogador que era seu e virou Free Agent, caso do Lee com o Knicks, e logo depois o troca para o time que o jogador desejava ir. É um jeito do time não perder o seu jogador por nada e do time que recebe o jogador de abrir mais espaço salarial para receber um novo jogador. A troca foi com o Golden State Warriors, que mandou Kelenna Azubuike (eleito por mim no nosso formspring o jogador mais bonito da NBA), Ronny Turiaf (o melhor dançarino) e Anthony Randolph, um ala que já disputou duas temporadas da NBA e nunca foi citado numa frase sem a palavra "potencial" do lado. Típico caso do jogador que mistura partidas ótimas com outras medíocres e deixa todo mundo com um gostinho de que de lá pode sair alguma coisa interessante. Darius Milesestá aí para mostrar o perigo de jogadores assim, e Rajon Rondo para mostrar que de vez em quando os caras deslancham mesmo, e vão até mais longe do que se imaginava. Escolha o seu lado.

Para o Knicks, de novo, foi só uma saída para não sair com nada. Eles tiveram a chance de manter o Lee desde o ano passado, mas sempre se recusaram a oferecer uma extensão de contrato decente para que isso não prejudicasse o espaço salarial do time, agora pagam por isso. Perderam seu melhor jogador nos últimos anos, alguém que poderia jogar ao lado do Amar'e Stoudemire e que já se sabia que se dava bem em qualquer esquema do D'Antoni, para ganhar um monte de resto do Warriors. Azubuike, além de gatinho, sabe fazer seus pontos. Acho bem possível que ele acabe até virando titular nesse time, por falta de opções na posição 2, mas não deve estar para os planos em longo prazo do time.

O Turiaf pode dar certo demais no time. Basta uma de suas danças típicas depois de uma enterrada do Amar'e, para que ele vire um favorito da torcida e alguns tocos e rebotes ofensivos para que se torne a primeira opção do banco de reservas entre os jogadores de garrafão. Já o Anthony Randolph pode dar muito certo se conseguir ser mais regular nos seus melhores dias. Ele é bem alto, tem 2,10m, mas uma mobilidade e velocidade absurda. Para ele, sem dúvida alguma, seria melhor que o time fosse o mais veloz possível, pouquíssimos jogadores da sua altura conseguem acompanhá-lo na transição, e ele ainda é muito fraco tecnicamente para criar jogadas próprias no 1 contra 1 no jogo de meia quadra.

Outro problema é que ele joga na posição 4 e não tem chance alguma de ser pivô por ser muito magrelo. Se ele for ser titular, força Amar'e a jogar de pivô, coisa que ele já fez mas que reclamou de fazer a vida inteira, não seria surpresa se tivesse uma cláusula no contrato dele exigindo que ele fosse um ala de força. Isso sem contar a total incapacidade do Stoudemire de marcar jogadores mais altos que ele. Minhas dúvidas sobre como os dois podem funcionar juntos me fazem achar que Randolph vai vir do banco e que esse banco, se achar o armador certo, pode ser um time mais rápido que a equipe titular.

Talvez já pensando em um pivô que não seja o Eddy Curry para atuar ao lado de Amar'e, eles contrataram o russo Timofey Mozgov, que jogava no Khimki Moscou e na seleção russa. Eu não conhecia nada do jogador, mas pesquisando eu vi vários vídeos dele e recomendo esse que mostra os melhores momentos dele pela seleção russa enfrentando a Grécia. Acho que esse vídeo resume bem que é o Mozgov, um jogador que consegue ser ágil para o seu tamanho, 2.16m, tem um bom tempo para o toco, mas que dificilmente fará pontos na NBA que não sejam de rebotes ofensivos. Talvez o Knicks só queira ele para isso mesmo, um parceiro defensivo para o Amar'e, alguém para jogar 20 minutos por jogo. Se o plano foi esse, parece que foi uma boa contratação, mas melhor esperar para ver uns jogos dele antes."

Vale acrescentar ao post do Denis que o preview do Knicks e do Nuggets não foram os dois últimos porque não gostamos dos times ou algo parecido. Apenas enrolei os dois ao máximo porque a qualquer momento o Carmelo Anthony poderia ser trocado e ir parar em New York, e eu é que não ia ficar fazendo preview de novo, nem dei conta de lidar com esses aqui! Mas o ponto principal é que o Knicks não consegue ficar satisfeito. Sonhavam com LeBron, Wade, Amar'e, conseguiram só o terceiro. Abriram mão das últimas temporadas para concertar uma série de erros financeiros da última década e achavam que poderiam começar de novo com novas estrelas - que não vieram. Agora, frente a essa fracasso (ainda que a equipe já tenha melhorado muito), já sonham com Carmelo e com Chris Paul e se dizem dispostos a trocar qualquer um da equipe para que isso aconteça. O primeiro passo para isso já foi dado: Eddy Curry, o pivô gordo que literalmente desapareceu nas férias e botaram a polícia para encontrá-lo (como alguém perde um gordo daquele tamanho?), já recebeu parte do seu salário anual adiantado para que seja mais fácil trocá-lo ou mandá-lo embora. Seu contrato termina ao fim da temporada e enfim o Knicks vai ter dinheiro novamente para ir atrás de Carmelo, Chris Paul e o diabo a quatro. 

Por melhor que seja esse Knicks de agora, ele está me cheirando a bagunça (jogadores que precisam correr junto com jogadores que rendem melhor correndo menos, etc) e a temporada jogada no lixo para, pra variar, esperar os jogadores que podem ser conseguidos na temporada seguinte. Se o Carmelo deixar o pessoal do Knicks chupando o dedo, será que uma hora eles aprendem a se concentrar no presente e tentar montar um time com as peças disponíveis?