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sábado, 21 de janeiro de 2012

Lakers e Knicks: Elencos ricos e errados

Aproveitamento de arremesso dessa foto: 8/57


Dois dos times com mais torcida, mais fãs e mais "haters" estão com um começo cambaleante de temporada. São o New York Knicks e o Los Angeles Lakers. Os dois tem diversas coisas em comum: estão rendendo menos do que o esperado, são formados por um trio de grandes jogadores, o ataque não flui em nenhum caso e os dois times tem um All-Star que quer resolver os problemas sozinho arremessando por jogo o que o Ben Wallace arremessa em uma temporada. Ultimamente eles também tem tido em comum o fato de toda culpa cair nas costas de seus técnicos.

Vamos começar com o Lakers. O novo técnico Mike Brown prometeu duas coisas para essa temporada. Uma era um esquema tático que iria misturar algumas jogadas do triângulo ofensivo que levou o time aos dois últimos títulos (não como se usassem em toda jogada também, que fique claro) e algumas jogadas que o próprio Mike Brown viu em execução quando era assistente técnico de Greg Popovich no Spurs. Ele usaria Pau Gasol e Andrew Bynum como Pop usou Tim Duncan e David Robinson. A outra promessa era de melhorar o time defensivamente.

Uma delas ele conseguiu, a segunda. O Lakers, assim como no ano passado, tem a 6ª defesa mais eficiente da NBA. Mas em números gerais melhorou no aproveitamento dos arremessos do adversário (43% para 41%) e em bolas de 3 pontos (33% para 31%). Também permite 6 pontos a menos e força mais turnovers. Mas a melhora não tem dado tanto resultado porque o ataque piorou demais. Sim, às vezes usam os triângulos, mas pouco e sem muita eficiência. Assim como têm dificuldade em usar os dois pivôs o número de vezes que gostariam.

E acho que existe um bom motivo para as duas coisas não estarem dando certo: Tanto o triângulo como o uso da dupla Gasol/Bynum exigem que um dos jogadores do time esteja posicionado no pivô, de costas próximo à cesta. Os outros jogadores devem se movimentar em volta disso ou simplesmente se afastar e dar espaço. É o chamado espaçamento da quadra, posicionamento dos atletas de uma forma que atrapalhe a defesa adversária a fazer seu trabalho. O espaçamento só dá certo se esses jogadores se posicionarem em um local onde são um risco ao adversário, obrigando um marcador a se afastar de quem tem a bola para defender uma possível ameaça. Em outras palavras, se o Metta World Peace continuar com 12% de aproveitamento nas bolas de 3 pontos o seu marcador sempre vai deixá-lo livre para embolar a defesa sobre os pivôs.

E embora o outrora conhecido como Ron Artest seja o pior, o resto do elenco não se salva. O Lakers já não era lá uma maravilha no ano passado, com 35% de acerto nas bolas de 3, mas nesse ano caiu para 25%! O que vemos no ataque do Lakers é um time que não tem velocidade para sair no contra-ataque, que não tem bolas de 3 para espaçar a quadra e nem um armador bom o bastante para ser uma real ameaça no pick-and-roll. E mesmo quando Kobe Bryant tenta ser o homem do pick-and-roll, a defesa tem dobrado nele e ajudado no pivô, deixando alguém livre na linha dos 3 pontos com a certeza do erro. Não jogo a culpa em Pau Gasol ou Andrew Bynum, é simplesmente muito difícil marcar pontos em um ataque devagar e embolado.

O Kobe Bryant tentou fazer o que pode para ajudar. Em alguns jogos tentou ser herói e usou a estratégia Allen Iverson: Vocês defendem tudo e eu ataco sozinho arremessando bolas que se qualquer outro jogador tentar fica no banco pra sempre. Venceu alguns jogos contra times mais fracos, mas contra os fortes não chegou nem perto. Nos últimos dois jogos (contra Heat e Magic) tentou ficar mais sem a bola, se movimentou sem ela e forçou menos o jogo individualmente. Foi mais eficiente, aumentou seu aproveitamento e chutou menos bolas. O Lakers continuou mal da mesma forma, não mudou nada. O buraco é mais embaixo.

Segundo os boatos da imprensa americana o Lakers ainda insiste em querer trocar por Dwight Howard. Certamente não seria ruim ter aquela potência toda ao lado de Kobe, mas não resolveria os problemas que o time tem hoje. A não ser que por um milagre divino o Ryan Anderson viesse junto na troca (um favor improvável do Orlando Magic) o time continuaria sem ameaça de longa distância. Iriam dobrar a marcação no Dwight Howard assim como fazem no Andrew Bynum e a produtividade dele iria cair. Se o Kobe vai mesmo jogar mais tempo sem a bola, deveriam procurar um armador, assim como um ala que chuta de três pontos. O problema? Mandar quem em troca disso tudo? Que time em sã consciência vai querer Steve Blake, Metta World Peace, Troy Murphy ou o assassino Josh McRoberts para mandar alguém de qualidade? Ninguém. Tem outros times por aí precisando das mesmas coisas e com peças de troca mais interessantes.

Restam para o Lakers duas opções: A primeira é trocar Pau Gasol ou Andrew Bynum por alguém numa tática cobertor curto. Resolve-se a armação ou o chute de longa distância piorando o garrafão (era o que a troca Gasol/Odom por Chris Paul pretendia). A segunda é colocar Matt Barnes e outros jogadores para arremessar 900 bolas de 3 pontos por dia e ver se eles aprendem. Com um bom aproveitamento nos tiros de longe o time não vai virar o melhor ataque da liga, mas tudo vai ficar mil vezes mais fácil.

Agora o Knicks. O problema é o mesmo? Pior que é. Vocês devem pensar "Não, imagina. O Knicks tem uma defesa ridícula, Carmelo e Amar'e não marcam ninguém! Como é a mesma coisa que o Lakers?". Pois veja bem, o Knicks tem atualmente a 11ª melhor defesa de toda a NBA. Pois é, eu também não esperava. Volta e meia o Amar'e deixa uns caras passarem batidosou faz várias faltas bobas, o Carmelo não sai na ajuda de ninguém, mas o time tem se adaptado bem e permite apenas 101 pontos a cada 100 posses de bola, 10 a menos que na última temporada.

Não é uma defesa perfeita ou sufocante, isso é óbvio. Vimos ontem como não tiveram resposta pra o Brandon Jennings, mas estão na parte de cima da tabela nesse quesito, beirando o Top 10 da liga. Seria o bastante para eles se o ataque fosse como todos imaginaram que seria. Ano passado eram o 7º melhor ataque da NBA com 110 pontos a cada 100 posses de bola, nesse ano são apenas o 24º time ofensivo da liga, com 98 pontos a cada 100 posses. A queda é absurda.

A teoria ainda é a mesma do ano passado. O Mike D'Antoni manda seu time ser veloz e eles ainda são o 3º com mais posses de bola por jogo, mas a execução está péssima. O culpado é o excesso de jogadas de isolação, ou seja, com os jogadores indo no mano a mano. D'Antoni pede que Carmelo Anthony comande boa parte do ataque, sendo o jogador com a bola em pick-and-rolls. Mas ele faz isso com Tyson Chandler, não com Amar'e Stoudemire, que se posiciona do outro lado da quadra para o arremesso de meia distância. O resultado é que Melo não é um grande passador e dificilmente faz boas jogadas com Chandler (uma ou outra ponte aérea que vai pro Top 10 mas não resolve nada) e Amar'e é pouco usado. Sem confiança para passar, Melo tenta resolver sozinho. Quando passa para Stoudemire, este faz sua jogada mano a mano com quem o marca. É simplesmente o pior jeito de usar essas duas estrelas.

Vejam esses números: O Knicks é o time que mais faz jogadas de isolação na NBA, fazendo em 16% de todas as suas posses de bola. Porém faz apenas 0.67 pontos a cada uma dessas posses, a 3ª pior marca entre todos os times. O aproveitamento dos arremessos nessas situação é de apenas 29.3%, o pior entre as 30 equipes da NBA. Não faz sentido insistir naquilo em que você é o pior.

Outra tentativa foi de deixar a bola na mão dos armadores do time para eles tentarem construir jogadas. Primeiro Toney Douglas e agora o novato Iman Shumpert. Douglas tem tomado decisões horríveis e logo perdeu a vaga para Shumpert, que também não sabe o que faz no ataque, mas compensa com forte defesa e roubos de bola. A dupla Shumpert e Landry Fields tem sido responsável pela melhora defensiva, mas no ataque só atrapalham. O novato não é armador nato e muitas vezes, sem saber para quem passar, tenta resolver sozinho e arremessa demais.

É bem fácil jogar a culpa no técnico Mike D'Antoni, mas a culpa não é só dele, não é como se ele pedisse para forçarem jogadas de isolação, isso é o oposto do que ele gosta, aliás. Pense em um técnico de futebol ofensivo, que gosta de montar times com 3 atacantes e meias que sabem passar a bola e avançar. Aí a diretoria vai lá e contrata o Williams do Flamengo que não sabe dar um passe de 3 metros e chama Souza e Aloísio Chulapa pra fazer a dupla de ataque. Como o cara vai montar o time dele? Das duas uma, ou vai tentar fazer os jogadores se adaptarem ao jeito dele, o que provavelmente não dará certo por falta de talento, ou vai fazer o que não sabe. E como disse o Larry Brown na clínica que deu aqui no Brasil"nunca ensine para seus jogadores algo que você não sabe". Mike D'Antoni não é o Rick Carlisle, ele não é uma enciclopédia de basquete pronto para fazer jogadas de todo o tipo, ele tem um estilo de jogo, uma filosofia e o Knicks sabia disso quando o contratou.

E insisto nessa questão do estilo porque já estão colocando a culpa nele em coisas que não tem nada a ver. Quando eles perderam para o Suns cornetaram o D'Antoni porque ele pediu para o pivô e o armador sempre trocarem no pick-and-roll do Steve Nash com o Marcin Gortat, ou seja, ficou Tyson Chandler marcando Nash e Shumpert ou Fields acompanhavam o pivô polonês. "Um absurdo" que foi justamente a tática usada pelo Spurs em diversos momentos de todas as vezes em que eles eliminaram o Suns nos anos áureos do armador canadense. Com Duncan marcando Nash eles fechavam ângulos para passe e o forçavam a jogar sozinho. Muitas vezes ele arremessava na cara de Duncan e fazia, mas a longo prazo valia a pena. Dava certo também porque Tony Parker não ficava isolado contra Stoudemire, a ajuda vinha de todos os lados. Ou seja, é uma estratégia perfeitamente normal se bem executada. E, como já afirmamos antes, a defesa do Knicks tem melhorado nesse ano desde que o assistente técnico Mike Woodson chegou com essa responsabilidade.

O ponto é que os olhinhos do time brilharam com a chance de contratar Carmelo Anthony e depois com a possibilidade de ter um pivô que já levou um time ao título em Tyson Chandler. São bons jogadores, claro, mas não tem nada a ver com o estilo de jogo de D'Antoni e ainda não se entrosaram entre si. Para o Knicks sair desse marasmo as soluções podem ser duas: Uma é demitir o D'Antoni e achar um técnico que saiba o que fazer com o elenco (Phil Jackson e Larry Brown já são nomes sonhados), a outra é uma troca que traga um armador que saiba conduzir o time. Baron Davis pode ser ele, mas ainda demora para voltar da contusão, e outro ponto é o mesmo do Lakers, trocar quem? Eles não vão trocar seus queridos Melo ou Chandler, e Stoudemire tem uma cláusula de contrato em que pode vetar qualquer troca com o seu nome. O mais provável é que D'Antoni tenha vida curta no banco de Nova York.

Não quero com esse post defender D'Antoni e Mike Brown, que já critiquei durante anos por serem limitados. Têm o defeito de justamente não saber se adaptar ao elenco e precisar das coisas muito certinhas para darem certo. Mas pense bem, se eu que sou um blogueiro idiota sei disso, vai dizer que Knicks e Lakers não sabiam? Apostaram e não deram as peças necessárias. No caso do Lakers é ainda pior, já que tiraram Lamar Odom dizendo que era a primeira parte de uma troca maior que nunca aconteceu, o elenco é pior do que aquele que já ralou um bocado sob o comando de Phil Jackson no último ano, cobrar um time pronto para o título e ainda sem tempo de treino é pedir demais.

Lakers e Knicks, dois times grandes que, ao lado do Boston Celtics, eram exemplos de como equipes de mercado grande conseguiam se fortalecer mais do que os de cidade pequena, mas estão na sombra de Indiana Pacers, Philadelphia 76ers e Denver Nuggets até agora nesse começo de temporada e as perspectivas de melhora não são das mais animadoras.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Blazers, Lakers e TJ Ford

Blá, blá, blá, milhares de Free Agents. Blá, blá, blá análises. Sem enrolação dessa vez, pode ser?

...

Jamal Crawford 
Portland Trail Blazers - 10 milhões por 2 anos

Entendo perfeitamente quem queira argumentar que o Blazers precisava mais de jogadores de garrafão do que de mais um armador. Jamal Crawford não é armador nato, joga mais na posição 2 e quebra um galho como armador principal vindo do banco, duas funções que no Blazers já podem ser ocupadas por Raymond Felton, Armon Johnson, Wesley Matthews, Nicolas Batum e o novato Nolan Smith. Mas, se você pensar mais a fundo, verá que Armon Johnson é só um reserva limitado, Nolan é apenas um novato e que Matthews e Batum vão acabar também jogando muitos minutos na posição 3, seja na reserva de Gerald Wallace ou quando o Crash atuar na posição 4. Há espaço para todos.


E tem mais uma coisa, todos esses jogadores tem suas qualidades, mas nenhum deles é um pontuador nato. Nicolas Batum pode vir a ser no futuro, Matthews e Wallace tem seus dias bons, mas um cara consistente, que cria o seu próprio arremesso e é decisivo não existe no elenco do Blazers. Existia até o ano passado, o nosso querido e amado Brandon Roy, mas como você sabem, ele terá que se aposentar precocemente devido ao seu joelho destruído.

Jamal Crawford chega não para ser titular, mas para terminar os jogos. Para desafogar o ataque quando tudo estiver indo aos trancos e barrancos, comandar um quinteto reserva que é mais focado na defesa e criar, com seus dribles e arremessos de longe, mais espaço para o LaMarcus Aldridge agir. O contrato não é longo, é bem barato para o nível do Crawford e atinge o exato ponto que eles perderam com a saída do Roy. Contratação perfeita.


Greg Oden
Portland Trail Blazers - 8.9 milhões por 1 ano

Kurt Thomas
Portland Trail Blazers - 1.4 milhão por 1 ano

Craig Smith
Portlan Trail Blazers - ?

O Blazers tinha a opção de oferecer uma extensão de contrato a Greg Oden, mas não o fez. Foi o primeiro jogador a ser escolhido na 1ª posição do Draft a não receber uma extensão desde Kwame Brown. O Blazers, porém, não deixou o rapaz simplesmente ir embora, ofereceu um contrato de um ano, a tal Qualifying Offer, quando ele se tornou Free Agent restrito. Agora o pivô fica por mais um ano em Portland e ao fim dessa temporada vira Free Agent irrestrito.

A tal da oferta é enorme e o Greg Oden não sabe quando ou se um dia vai ficar saudável, mas é por apenas um ano. Todo mundo merece uma última chance. E no fim das contas, o Blazers atirou para todos os lados na busca de alguém que renda no garrafão além de LaMarcus Aldrige. Eles já tinham o sênior Marcus Camby, contrataram outro veterano, Kurt Thomas, e um dos meus jogadores-mais-ou-menos favoritos, o ala de força Craig Smith (que não tem o apelido de "Rinoceronte" à toa, é um monstro que sabe muito bem usar sua força), isso além do bichado-promessa Oden. Vão compensando com quantidade os problemas de contusão e idade. Algum tem que dar certo.

Podem argumentar que ao invés de vários jogadores com defeito torcendo para que um ou dois deem certo, poderiam ter apostado todo dinheiro em caras que passem mais segurança, como o ainda Free Agent Samuel Dalembert (enquanto escrevo isso ele parece próximo de fechar com o Rockets). Poderiam, mas eles podem simplesmente achar o Dalembert horrível como eu acho e as outras opções antes dele podem não ter aceitado salários de curta duração, nova obsessão da liga e principalmente do Blazers.

O time não se comprometeu a longo prazo com Oden, com Crawford, com Thomas e os contratos de Felton e Wallace acabam em breve. O time é pra ganhar logo, mas se precisar estão preparados para recomeçar do zero.


TJ Ford
San Antonio Spurs - 1.2 milhão por 1 ano

Não sei ainda direito o que achar dessa contratação, pra falar a verdade nunca achei que o Spurs fosse contratar um cara do estilo do TJ Ford. Vou falar de 3 memórias que tenho do armador.

1- Sabe o famoso Draft de 2003 considerado um dos melhores da história? Naquele ano de basquete universitário ele superou Carmelo Anthony, Kirk Hinrich, Chris Bosh e Dwyane Wade e foi eleito o melhor jogador universitário daquele ano. Foi draftado pelo Bucks e impressionou pela velocidade e boas decisões na armação.

2- Foi para o Raptors e lá, não sei se porque não confiava no resto do time, resolveu virar herói. Com pouco tempo de clube virou reserva do Jose Calderon, mesmo o espanhol sendo um dos piores defensores da sua posição na NBA.

3- Na fase do Pacers lembro de um jogo em que ele tentou uma bola de 3 pontos no último segundo para ganhar um jogo e errou. Detalhe, ele já tinha tentado 18 outras bolas de 3 na temporada e não tinha acertado uma sequer.

Mas talvez o que tenha faltado para o TJ Ford fosse um sistema tático mais rígido ou um treinador que soubesse tirar o melhor dele. Talento o cara tem de sobra, mas nos últimos anos, ao invés de melhorar com a experiência, passou a tomar decisões ruins dentro de quadra. Com sua velocidade e facilidade de infiltração pode fazer estrago parecido ao que o Tony Parker faz no próprio Spurs. Se der certo, ótimo, foi uma opção barata. Se der errado é torcer para que o armador novato Cory Joseph corresponda vindo do banco.

Jason Kapono
Los Angeles Lakers - 1.02 milhão por 1 ano


Troy Murphy
Los Angeles Lakers - 1.3 milhão por 1 ano


Josh McRoberts
Los Angeles Lakers - 6.2 milhões por 2 anos

Os dois primeiros dá pra resumir em poucas linhas: O Lakers precisa de jogadores que chutam de três, Kapono e Murphy sabem fazer isso, o segundo com o bônus de pegar rebotes e o lado ruim de ter o nariz mais feio da liga e um nome relacionado a uma lei nada agradável.

O Josh McRoberts, embora seja o nome mais desconhecido dessa lista, é o que mais pode oferecer. Além dos rebotes que o Troy Murphy também pode dar, é um cara que tem velocidade, sabe participar de contra-ataques, ataca a cesta muito bem. Pode dar um dinamismo ao banco de reservas que Luke Walton e Derrick Caracter não tem chance de dar. Ele também é oficialmente o novo responsável por colocar o Lakers no Top 10 de jogadas da semana no lugar do Shannon Brown:




Os três adicionam coisas de que o banco do Lakers, fraco na última temporada, precisava. Pensando nisso as contratações foram boas. Mas compensa a saída do Lamar Odom e recoloca o Lakers em posição de grande favorito? Não.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Tudo sobre Mike Brown

Mike Brown com cara de sedutor (VC QUER EU SEI)

Quando o Los Angeles Lakers estava atrás de um técnico me mandaram uma pergunta no nosso formspring querendo saber o que eu achava de uma possível contratação do Mike Brown para a posição. Eu disse que não aprovava, óbvio, afinal torço para o sucesso da franquia! Eis que poucos dias depois estava lá Mike Brown sorridente sendo apresentado para o seu novo trabalho à frente do Lakers. Enquanto todo mundo ficava me zoando e rindo da minha cara fui atrás de mais informações sobre ele, vi suas entrevistas e comecei a tentar ter um pingo de esperança de que a decisão não tivesse sido ruim assim. Vamos ver o que eu descobri.

A primeira coisa que me chamou a atenção foi a velocidade com que o Lakers decidiu seu novo comandante. O time foi eliminado dos playoffs em meados de maio e a próxima temporada, ignorando uma greve demorada, só começaria com o período de treinos no finalzinho de setembro, começo de outubro. Então para quê a pressa? Muitos argumentam com razão que é importante ter um técnico logo para poder direcionar as contratações e escolhas de Draft de acordo com o tipo de jogo que o novo treinador quer implantar, mas isso não fazia muito sentido para o Lakers. Eles não tinham escolhas de destaque no Draft (a primeira era a 41) e o General Manager Mitch Kupchak já tinha deixado claro desde sempre que nenhuma loucura seria feita para desmontar o elenco com trocas.

Acho que essa história das trocas até pesou levemente, já que com a greve todas as trocas deveriam ser feitas até o Draft, agora estão proibidas até que tudo se resolva. Mas pode ter pesado ainda mais o fato de muitos outros times estarem também no mercado atrás de novos líderes. Entre eles times de elenco interessante como Rockets e Warriors, além de times mais confusos como o Wolves e Pistons e alguns outros que não tinham confirmado a permanência dos que terminaram a temporada passada como Jazz e Pacers. Claro que na teoria a maioria dos técnicos daria preferência ao Lakers, uma franquia mais conhecida, que paga salários maiores e tem um elenco pronto para disputar títulos, mas ninguém por aí é louco de ficar recusando outras propostas só pela chance mínima de treinar um time. Quem demora, como está demorando o Pistons (eles enrolaram até para oficializar a demissão do John Kuester!), fica com cada vez menos opções.

Baseado nisso tudo o Lakers fez uma maratona de entrevistas. Conversou com Brian Shaw, antigo assistente de Phil Jackson, Mike Dunleavy, ex-Clippers, Rick Adelman, ex-Rockets, e o atual comentarista Jeff Van Gundy. Depois desses entrevistaram Mike Brown e não demoraram para anunciá-lo como a escolha final. Ele não é o meu favorito entre os cotados, mas entendo a decisão.

O Brian Shaw seria como continuar com o Phil Jackson mas sem a confiança e imponência que o Zen Master passava ao time e aos adversários. O ex-armador tem experiência e conhecimento para o trabalho, mas escolhê-lo seria apostar na manutenção do sistema de triângulos no ataque, uma tática que o próprio Phil Jackson estava usando cada vez menos nos últimos tempos. Kupchak queria mudanças em um time que pareceu muito previsível no ano passado e é compreensível que não tenha tido vontade de dar essa continuidade na escola de Phil Jackson. O que foi triste foi que Shaw tinha história no Lakers, como jogador e assistente, e parece ter sido tratado meio mal pela franquia, que o deixou sem resposta e sem feedback até que se anunciasse a contratação de Brown. Shaw, porém, já está empregado, acabou de ser contratado para ser assistente de Frank Vogel, efetivado como técnico do Indiana Pacers.

O curioso é que quando Shaw assumiu no Pacers, disse que estava ressentido com o fato dos assistentes de Phil Jackson não ganharem tanto espaço e admiração como os assistentes de Gregg Popovich, treinador do San Antonio Spurs. Segundo ele todo mundo faz careta quando ele começa a falar do seu tempo com Phil Jackson e suas experiências com os triângulos, enquanto qualquer assistente de Popovich ganha empregos por aí. É fato que o Phil Jackson ganha méritos sozinho por aquilo que toda uma equipe faz, Kurt Rambis no Wolves foi um dos poucos casos de assistentes de Phil Jackson a conseguir vaga como treinador principal nos últimos anos. De Popovich atualmente temos Monty Williams (Hornets) e o próprio Mike Brown com empregos de treinador na NBA além de uma dúzia de assistentes espalhados por aí, o último sendo Quin Snyder que está a caminho do 76ers para auxiliar Doug Collins (correção: Snyder estava no Sixers mas agora saiu do time para ir justamente para o Lakers, leia mais sobre ele nesse artigo do Lakers.com). Pode ser exagero até, mas queria saber mais dessas caretas que os times fazem por aí quando se comenta dos triângulos. Será que a imagem não é boa ao redor da liga? Estranho isso.

Pelo que Mitch Kupchak comentou no anúncio de Mike Brown podemos tirar duas razões para a não contratação de Rick Adelman. O Manager do Lakers disse que queria um treinador focado em defesa e que pudesse ficar na franquia por um longo período de tempo, Adelman é famoso por seu ataque e já está na idade em que diz que toda temporada pode ser sua última. Seria muito interessante ver ele implementando seu ataque veloz em um time com tantos bons passadores, mas a defesa era uma exigência de Kupchak que o histórico de Adelman não cobria. Já o Jeff Van Gundy é o oposto, é capaz de criar defesas fortíssimas mas tem dificuldade em fazer seus times jogarem um basquete minimamente gostoso de assistir no ataque. Sem contar que dizem por aí que o irmão do técnico do Orlando Magic está bem feliz na sua vaga de comentarista de TV e não planeja voltar para o stress da vida de treinador tão cedo.

Sobrou então Mike Brown. Ele é um especialista defensivo que colocou o Cavs como uma das quatro melhores defesas da NBA em duas das quatro temporadas que dirigiu o time e embora o ataque daquele time fosse bastante questionado, estatisticamente esteve entre os seis melhores da liga nos seus últimos dois anos de trabalho. Mike Brown também é jovem o bastante para passar anos no time ao mesmo tempo que não é inexperiente como Brian Shaw, treinou o Cavs por quatro anos e chegou em uma Final de NBA. Alguns ainda apontam que pesou a seu favor os anos de experiência lidando com o ego de LeBron James, o que seria um bom aperitivo para lidar com Kobe Bryant (que publicamente apoiava Brian Shaw), mas será mesmo que o Mike Brown soube lidar com o LeBron James? Não é porque eles estavam juntos e que o Cavs teve uns bons anos que o Brown teve sucesso no assunto, de qualquer forma parece ter sido um argumento que pesou.

Entendemos então o motivo que levou o Lakers a contratar o técnico: Idade, experiência, foco defensivo e calejo em lidar com egos maiores do que a Ásia, África e 24 territórios a sua escolha. Mas e então, o que sua história indica que ele pode trazer de concreto para o Lakers? E ele pode mesmo conseguir tudo isso?

Ele foi contratado para ter como o foco a defesa, um reflexo de um defeito que o Lakers deixou muito claro quando viu Chris Paul dilacerar Derek Fisher na primeira rodada dos playoffs e principalmente quando JJ Barea, Dirk Nowitzki e Peja Stojakovic fizeram o Lakers parecer um time amador na rodada seguinte. Mas aí temos, antes de mais nada, que lembrar que dois desses jogadores que infernizaram o Lakers são armadores velozes e talentosos, coisa que o Derek Fisher a essa altura da carreira nunca vai conseguir parar seja lá quem o estiver treinando. O outro problema é a defesa de pick-and-roll, usada exaustivamente tanto por Hornets quanto por Mavericks para acabar com o Lakers, e isso é algo que um técnico pode sim ajudar a resolver, é só ver como Erik Spoelstra e Tom Thibodeau duelaram muito bem nesse aspecto na última série entre Heat e Bulls.

Mas pera aí, o Mike Brown sabe fazer isso? O Cavs tinha mesmo números impressionantes na defesa, mas perderam aquela série para o Orlando Magic em 2009 justamente porque falharam miseravelmente na marcação de pick-and-roll. Quando o Hedo Turkoglu controlava a bola e recebia o corta-luz do Dwight Howard toda a defesa do Cavs ficava exposta e o Mike Brown não tinha idéia de como responder. No ano seguinte, em 2010, a mesma coisa. Eles foram eliminados pelo Boston Celtics com uma overdose de pick-and-roll entre Rajon Rondo e Kevin Garnett. O KG primeiro começou triturando o Antawn Jamison, que realmente é um péssimo defensor individualmente, e como resposta o técnico colocou o Shaq em cima do Garnett, sendo então destruído pelos arremessos de longa distância do ala do Celtics. Sem saber mais o que fazer, foram presas fáceis. Não parece que o Mike Brown possa resolver esse problema em LA.

Pode-se argumentar que pelo menos o Cavs tinha uma defesa boa no geral, e que essas falhas eram menores e só foram expostas porque eles enfrentaram bons times nos playoffs. Tudo bem, até é verdade, mas o mesmo vale para o Lakers do ano passado, então o time fica na mesma. A última impressão que ficou foi a de que o time angelino tinha uma defesa fraca, mas eles acabaram a temporada regular passada com a sexta melhor marca de pontos sofridos por 100 posses de bola entre os 30 times da NBA, à frente do campeão Dallas Mavericks (8º) e sua invejada defesa por zona. Segundo Chuck Person, que será assistente do Mike Brown na próxima temporada, a estratégia defensiva do Lakers não vai mudar em relação ao ano passado:

"O esquema defensivo será o mesmo. Iremos tirar a bola do meio da quadra e forçar o uso dos cantos, da zona morta. Então a ajuda poderá vir do outro lado, dobrar e manter a bola fora do garrafão. Isso não mudará em nada em relação ao ano passado. O que irá mudar é que os jogadores serão mais cobrados pela defesa, o Mike (Brown) vai perdoar alguns erros no ataque, mas vai cobrar bastante do outro lado da quadra"


Então o tal especialista defensivo irá simplesmente cobrar mais do que Phil Jackson. Isso quer dizer que dependem de Kobe Bryant, Ron Artest e os outros de abraçar tudo o que o Mike Brown cobra para que se veja alguma diferença. E com o elenco ficando na mesma, até por falta de opção, as limitações individuais continuam as mesmas e o Lakers pode contar com vários armadores costurando sua defesa como sempre.

Se a defesa não vai mudar muito, vamos ver então o ataque. A princípio eu fiquei assustado porque a gente lembra como era aquele time do Cavs que o Brown comandou, certo? O famosos "Fresh Prince of Bel-Air Offense" onde o LeBron James era o Will Smith e os outros quatro jogadores eram o Carlton mas sem a dancinha divertida. Era intrigante ver um time com um ataque tão amarrado, forçado e pouco criativo ter tanto sucesso, mas quando chegavam os playoffs e eles enfrentavam boas defesas por sete jogos em sequência tudo ficava mais claro e eles perdiam. Claro que ofensivamente aquele time do Cavs não tinha muitas opções, mas faltava criatividade também, explorar algumas outras coisas que os jogadores poderiam oferecer. Só ver como nesse último ano até o Anderson Varejão, com mais liberdade ofensiva, conseguiu contribuir bastante até se machucar.

O Lakers até que se daria melhor que o Cavs se jogasse com tantas jogadas individuais, por ter Kobe Bryant, Lamar Odom, Pau Gasol e Andrew Bynum que são quatro jogadores capazes de criar seu próprio arremesso, mas os momentos em que eles eram individualistas eram justamente os piores do time nos últimos anos. Eles apelavam para isso quando tudo dava errado e aí é que a coisa ia para o ralo mesmo, é uma das explicações de porque o Lakers, quando perdia, era de lavada.

Mas eu me animei um pouco quando vi a entrevista que o Mike Brown deu assim que assumiu o time, isso porque ele não disse uma palavra sobre seu tempo de Cavs. Disse que aspectos defensivos você pode levar de um time para o outro mas que de ataque não, que você deve se adaptar ao elenco que tem. E para esse time do Lakers ele iria usar mais o que aprendeu quando foi assistente de Gregg Popovich no Spurs de 2000 até 2003. Aquele time tinha sua força no garrafão com dois jogadores muito altos e muito bons, Tim Duncan e David Robinson, sua idéia é usar boa parte daquele estilo de jogo para explorar Pau Gasol e Andrew Bynum, uma dupla que há anos o resto da NBA tem dificuldade de parar.

Depois que Brown disse isso, o blog NBA Playbook, especialista em tática, fez um apanhado de como funcionava esse ataque do Spurs e destacou alguns pontos que podem ser aproveitados pelo Lakers do próximo ano.

Posicionamento
Naquele Spurs, como no Lakers de agora, os dois pivôs podem atuar nas posições 4 e 5. Então assim como Tim Duncan e David Robinson alternavam quem ficava mais perto da cesta e quem ficava mais longe, Bynum e Gasol farão o mesmo. Claro que Duncan e Gasol tem um arremesso de meia distância mais treinado, o que indica que eles ficarão longe mais vezes, mas nada fixo ou pré-determinado.

O Spurs, quando pegava os rebotes, sempre tentava um jogo de transição, mas não era correria. Era apenas um ataque um pouco mais veloz na tentativa de pegar um de seus jogadores de garrafão lá perto da cesta antes da defesa se posicionar. Mas ao contrário de times conhecidos pela velocidade, o Spurs não queimava passes para executar tudo em velocidade, se não havia a chance de jogada eles paravam e faziam o jogo de meia-quadra. E enquanto um dos pivôs tinha corrido para se colocar embaixo da cesta o outro pivô corria em outro ritmo para chegar, mais tarde, na cabeça do garrafão. Isso não só possibilitava o jogo high-low, entre os dois pivôs como era uma opção de pick-and-roll longe da cesta, jogada básica para iniciar uma movimentação de meia-quadra.

Essa facilidade de adaptação dos dois jogadores possibilita uma transição natural e fácil entre o jogo de velocidade e o de meia quadra, pode dar muito certo com os dois versáteis pivôs do Lakers. O elenco do Lakers, aliás, combina muito bem com esse estilo de jogo que é veloz mas que não é necessariamente de contra-ataque.

Ataque de meia quadra
O ataque do Spurs daquela época se baseava totalmente na habilidade de sempre colocar a bola em pelo menos um de seus dois pivôs em toda posse de bola. Para isso usavam duas estratégias. A primeira era deixar um pivô na cabeça do garrafão (geralmente Duncan) e outro mais perto da cesta, os passes altos entre os dois sobre uma defesa mais baixa eram um caminho fácil para a cesta. A segunda opção era deixar cada um de um lado do garrafão e então rodar bastante a bola até acha o ângulo certo de passe.


A jogada abaixo tem um pouco de tudo o que comentamos: Tim Duncan corre mais rápido e David Robinson espera, o último então espera um pouco na cabeça do garrafão até perceber que o melhor era se posicionar no lado oposto de Duncan no garrafão. Ao receber a bola então ele usa o passe alto para acionar Duncan que se livrou de seu marcador.



Ter duas ameaças no garrafão é essencial para que esses pivôs sofram menos com dobras na marcação e tenham espaço para agir, mas é importante ressaltar que o Spurs do começo da última década tinha ótimos arremessadores, o que é sempre importante para abrir espaço para os jogadores de garrafão, o Lakers não tem esses especialistas em longa distância no atual elenco.

Entrosamento
Gasol e Bynum já tem um grande entrosamento e ambos são bons passadores, os mesmos talentos eram encontrados na dupla do Spurs. Essas habilidades impediam que o marcador do outro pivô dobrasse a marcação no jogador que tivesse a bola. Essa jogada separada pelo NBA Playbook mostra bem como isso funciona.



O jogo entre os dois gigantes do Spurs, porém, ia além, eles até faziam pick-and-rolls usando os dois pivôs! Colocar os dois jogadores de garrafão tão próximos é muito raro em qualquer esquema, mas aqui está uma prova de como pode dar certo com os jogadores certos. Me lembra, de uma maneira um pouco distante, aqueles corta-luzes duplos que o Mavs fez nos playoffs com Dirk Nowitzki e Tyson Chandler, outra situação onde juntar os pivôs no mesmo lugar pode confundir toda a defesa adversária. Coincidência ou não, Mike Brown foi assistente técnico do campeão Rick Carlisle, então no Pacers, em 2004, logo depois que saiu do Spurs. Abaixo o pick-and-roll gigante:



O NBA Playbook fez outro post analisando o ataque de Mike Brown, dessa vez vendo como ele usava LeBron James no Cleveland Cavaliers e como ele poderia adaptar isso a Kobe Bryant. Importante que ele usou vídeos da temporada 2008-09 que foi, disparada, a melhor do Cavs ofensivamente. Naquele ano eles usaram como assistente e coordenador de ataque o John Kuester, que vai participar da comissão técnica do Lakers na próxima temporada. Kuester ganhou notoriedade após esse ano, quando dinamizou o ataque do Cavs e fez o Mo Williams render mais do que nunca na vida, mas depois foi contratado para ser treinador principal do Detroit Pistons e lá ele falhou completamente, até mais no relacionamento com os atletas do que taticamente. Com um elenco bizarro e sem armadores até dá pra perdoar más campanhas, mas foi ainda pior do que isso. Porém, o que vale para a gente nesse post é o que fez como assistente e especialista em ataque, que é o que irá fazer em Los Angeles.

Uma das jogadas que Kuester e Brown tentaram implementar naquele ano foi usar LeBron James no garrafão, jogando de costas para a cesta. O LeBron tem tamanho para isso, mas nunca foi um grande fã da jogada e prefere jogar de frente para a cesta. Aos poucos tem se rendido mais a essa jogada, mas ainda é pouco. Kobe, ao contrário, adora jogar de costas para a cesta e até era o principal alvo das jogadas de pivô do Lakers naquele período no começo da temporada retrasada quando o Pau Gasol estava machucado. Durante um bom pedaço daquele ano Kobe Bryant foi um dos líderes da NBA em pontos no garrafão, a maioria vindo desse tipo de jogada. Sem dúvida essa será uma jogada explorada pelo novo treinador.

Dentre as maneiras usadas para colocar LeBron embaixo da cesta uma das mais simples é a de tirar um dos pivôs de perto da cesta e colocar LeBron no lugar aberto. Isso daria muito certo com Kobe usando o espaço aberto por Gasol, que seria o próprio passador. Até vimos isso acontecer algumas vezes no ataque do Lakers dos últimos anos e não teria porque mudar. Curioso ver no vídeo abaixo como o LeBron muitas vezes tinha o posicionamento para jogar de costas pra cesta e mesmo assim decide se virar e jogar de frente.



Mas o que eu mais gostava desse Cavs de 2008-09 era como o LeBron James jogava mais sem a bola nas mãos, se movimentando sem ela e assim agindo mais como um pontuador e menos como armador. O NBA Playbook comentou também as jogadas "off the ball" do LeBron e elas serão importantes demais para o Lakers. Kobe gosta de jogar com a bola na mão, mas já não tem mais idade, físico e velocidade para fazer seus 25 pontos por jogo assim. Em um time que tem bons jogadores para controlar a bola e passar, como Lamar Odom, Gasol e Derek Fisher, Kobe pode se dar ao luxo de se movimentar mais e assim conseguir uns pontos mais fáceis.



A jogada acima é muito bem feita, com três jogadores ocupando um lado da quadra e atraindo a defesa do adversário enquanto LeBron ganha espaço do outro. O problema é que quandoo King James recebe a bola ele resolve parar, esperar o marcador e estragar tudo ao invés de só fazer o arremesso. Kobe, bem mais confiante no seu chute de meia distância, não terá problemas com isso.

A última jogada mostrada é a que foi apelida de "Kraken" pelo Cavs Blog, em referência ao polvo gigante e devastador das mitologias nórdica e grega. A jogada é realmente impressionante e arrasadora, muito difícil de ser marcada. Claro que funciona melhor com LeBron James do que com Kobe, pelo aspecto físico de cada jogador, mas o Lakers tem a vantagem de poder executar a jogada com jogadores diferentes. O próprio Kobe pode fazer a função do cara que infiltra e chama a defesa enquanto Lamar Odom pode ser o jogador que sai da cabeça do garrafão e corta em direção à cesta.



Apesar de LeBron James ser usado menos como armador nessa temporada, como essas últimas jogadas mostram, isso não quer dizer que ele era usado pouco, a comparação com os outros anos é que era injusta. Por isso e pela idade de Derek Fisher dá para esperar Kobe sendo utilizado como armador muitas vezes, mas por ter menos visão de jogo que LeBron James devemos ver mais de Steve Blake em quadra e muito de Lamar Odom na posição 1 também.

Já falamos de Chuck Person e John Kuester na comissão técnica do Lakers, mas falta mais um nome importante: Ettore Messina. O italiano é um dos técnicos com maior fama e sucesso no basquete europeu, venceu a Euroliga duas vezes com Virtus Bologna e mais duas com o CSKA Moscou. Lá também foi considerado um dos 10 melhores treinadores da Europa em todos os tempos. Passou os últimos anos no Real Madrid e agora decidiu tentar a sorte na NBA contribuindo com Mike Brown no Los Angeles Lakers.

O blogueiro Os Davis, do BallinEurope, comentou as características de Ettore Messina como técnico para saber como ele poderia ajudar o Lakers. Uma das primeiras coisas que ele deixou claro foi a preferência de Messina em usar jogadores de garrafão nos seus ataques, então o foco na dupla Gasol e Bynum que já havia sido deixado claro por Mike Brown deve realmente ganhar muita atenção. Segundo Davis muitos jogadores de garrafão sem muito destaque melhoraram muito sob o comando de Messina, com isso ele prevê melhoras no jogo de Bynum, Gasol e até de Derrick Caracter. O jogo lento que o italiano usava na Europa (com exceção de algumas temporadas no CSKA) também combinam com o elenco e idade do Lakers.

Sobre a mudança de estilo entre o basquete europeu e americano o próprio Messina já deixou claro que terá dificuldades e irá precisar de tempo. Nas palavras do Italiano, "Eu preciso primeiro ir lá descobrir se posso ser um bom assistente antes de tirar o emprego de alguém como técnico".  Mas quem entende e estuda basquete aprende com o tempo, será muito interessante acompanhar como um treinador europeu pode ajudar e mudar o basquete americano. A chegada dos jogadores estrangeiros já mudou muita coisa, legal que a mudança tenha chegado aos bancos de reservas.

O Mike Brown tem história em times bons e de qualidade defensiva, vimos como tem boas idéias para usar a dupla de garrafão do Lakers, o maior diferencial em relação aos outros times, e até como seu tempo em Cleveland mostra boas maneiras de aproveitar o talento de Kobe Bryant. Mas também não dá pra esquecer que ele já falhou feio nos playoffs nos seus anos de Cavs e que muitas vezes não soube como evitar que seu time fosse previsível no ataque. Ruim ele não é, mas tem muito o que provar para convencer a gente e todo mundo de que é um treinador capaz de tomar boas decisões na pressão dos playoffs para levar o time ao título. E pensando nisso é que o alto e bom investimento do time na comissão técnica pode fazer a diferença na próxima temporada.

......
Curiosidade tola: Mike Brown morou na gringolândia quando jovem. Fez o colegial e se formou em um colégio em Würzburg, na Alemanha. Dentre tantas cidades européias foi se meter justamente naquele onde nasceu e cresceu Dirk Nowitzki!

sábado, 2 de julho de 2011

Bravos com quem?

Queima de estoque

Terminada a Final da NBA, com Dallas Mavericks campeão, demos uma respirada por aqui. Não, o blog não acabou, não entramos em greve, não fomos raptados por alienígenas e nem passamos a fazer parte de uma gangue de anões que assaltam bancos, apesar dos boatos. Mas acompanhamos os últimos jogos da Final já meio aos trancos e barrancos, tentando assobiar e chupar cana ao mesmo tempo, então o final da temporada da NBA veio como um descanso necessário.

Agora, quase três semanas depois do título da Dallas, é oficial: temos greve na NBA. Jogadores e donos de equipes não entraram em acordo então todas as atividades relacionados à liga estão paralisadas - mais do que isso, estão proibidas, e por tempo indeterminado. Nada de trocas, contratos novos, treino, summer league, amistosos, viagens para a Europa para fazer propaganda da liga ou multas pro Gilbert Arenas no Twitter. Isso quer dizer que a NBA está congelada em carbonite, como o Han Solo no "O Império Contra-Ataca", então teremos bastante tempo para postar por aqui longamente sobre cada um dos escolhidos no draft, as trocas que aconteceram até agora, e principalmente a greve - vamos analisar não apenas as regras, mas também a situação econômica, o capitalismo, a rotação da Terra, essas coisas, e até analisar algumas alternativas para o sistema salarial da NBA.

Podemos tratar dessas coisas com tanta calma, já que sabe-se lá quando a NBA vai voltar de novo, que vou até aproveitar para tratar um pouco da Final da NBA, agora longe do calor do momento. Até porque no calor do momento o que predominou foi só bordoada para todos os lados - contra o Heat, que amarelou; e contra o Mavs, que só ganhou "porque o Heat amarelou". Foi melhor mesmo deixar as cabeças esfriarem no mundo ao invés de sair como um maluco lutando contra toda a internet, bloqueando oito manés no nosso Twitter por segundo, ou questionando cada um dos comentários infelizes nos sites por aí. Teria sido uma baita bobagem. Já escrevemos para o Bola Presa a tempo suficiente para entender que basquete não é tão sério assim e que perder minhas noites de sono discutindo contra odiadores na internet seria a segunda coisa mais inútil do mundo - só perdendo para aqueles botões idiotas que você precisa apertar para entrar em bancos agora; será que eles têm medo de ser assaltados por algum terrível ladrão sem dedos?

Confesso, no entanto, que mesmo sem ter tempo para postar acabei gastando mais tempo do que devia silenciosamente assistindo às reações diversas ao título do Mavs e a derrota do Heat. Blogs, comentários, Twitter, fóruns nacionais e gringos - aquele tradicional regime de masoquismo, em que se lê uma opinião mais estúpida do que a outra em sequência, sem parada, e que eu costumo chamar de "conhece a teu inimigo". Dado o tempo necessário tanto para esfriarem as críticas quanto a minha recepção delas, talvez seja hora de voltar ao assunto. Simplesmente porque elas são muito surpreendentes e, como sempre, dedam um bocado nossa cultura e nossos tempos - algo que acreditamos firmemente aqui no Bola Presa.

Eu já estava preparado para um jorro de ódio concentrado em cima de quem perdesse quando escrevi sobre nossa cultura do ódio, sobre como achamos o ato de torcer algo natural que na verdade é construído, apenas um filtro para delimitar o que olhar, um filtro para encaixar o indivíduo em um grupo ou em uma identidade, e que esse filtro ignora as perguntas profundas e realmente importantes para se contentar com o que é mais superficial - "ele é melhor", "ele é amarelão", "ele é o inimigo". Mas eu não estava nem um pouco preparado para que esse ódio recaísse tanto em cima dos perdedores quanto dos vencedores. A quantidade de horrores ditos ao Mavs - como se desse para ser campeão da NBA por acaso, "ops, escorreguei numa casca de banana e ganhei um título, hi-hi-hi, que divertido!" - me pegou completamente de surpresa e provou que o buraco é mais embaixo. Ninguém está a salvo.

Mesmo em meio à sua viagem interplanetária, o Denis fez questão de ressaltar os méritos do Mavs que levaram a equipe a ganhar um título. Às vezes parece que a vontade de desmerecer o Heat é tão grande que, para dizer que a equipe é uma merda e mesmo assim chegou a uma Final de NBA, é preciso desmerecer todo o resto - todas as outras equipes que perderam, todas as equipes fantásticas eliminadas, e até mesmo o Dallas Mavericks que, diabos, é "apenas" o campeão da budega inteira. É um dos claros exemplos de quando a vontade de rebaixar o adversário ofusca todo o resto e até o vencedor acaba indo pra casa melancólico, como se tivesse ganhado só porque todos os outros times eram uma porcaria. Por sorte, o Mavs foi lá e, com todo o dinheiro nerd do Mark Cuban (que pagou a festa em Dallas ao invés de deixar que a cidade tradicionalmente arque com os custos), fez uma festa monstruosa digna de um time fantástico que conseguiu superar uma NBA inteira - uma NBA forte, competitiva, de alto nível.

Eu entendo perfeitamente a vontade de torcer contra esse Miami Heat, do mesmo modo que se torceu tanto contra o Lakers com Malone, Shaq, Kobe e Payton, e até mesmo contra o Celtics que acabara de reunir Garnett, Pierce e Ray Allen. É a vontade de torcer contra o mais forte, contra o grande favorito, manter a esperança de que o fraco - como a maioria de nós, fracassados - ainda tem chances de superar o forte. Minha única ressalva é com o modo que essa torcida contra é feita, a ponto de acabar sobrando para o Mavs, diminuído como nenhum outro campeão da NBA na história recente. Isso porque se o Heat era tão ruim assim, tão amarelão, ou simplesmente "perdeu para si mesmo", não há mérito que pertença ao Mavs - e aí lhes arrancamos aquilo que é mais precioso em uma vitória esportiva, que é não a conquista a qualquer custo, mas a conquista merecida, conquistada. Talvez por isso haja tanta torcida contra esse Heat, porque sentimos que uma vitória deles não seria conquistada, que o time era "uma trapaça". Mas a derrota deles, ainda que na Final, prova que as coisas não são tão simples assim - não é trapaça justamente porque não adianta só juntar uns carinhas bons por aí.

Quando o Celtics foi campeão da NBA em 2008, Garnett, Allen e Pierce venceram o jogo coletivo do Pistons na Final do Leste. Muita gente torcia contra a apelação do trio. Mas bastou que eles vencessem o Lakers de Kobe na Final para se tornarem "a família que venceu o fominha solitário". A mentalidade de analistas, técnicos e torcedores passou a indicar que o melhor modo para vencer seria juntar três estrelas e forrá-las com jogadores velhinhos disponíveis, aproveitando o fato de que todo mundo topa ganhar pouco para poder jogar com essas estrelas e ter chance de título. Nos dois anos seguintes, o "fominha" Kobe foi campeão da NBA ao lado de Pau Gasol, finalmente reconhecido como estrela depois de tantas críticas de amarelão. Novamente, era óbvio que para ser campeão era preciso ter mais de uma estrela no seu time e cercá-lo de jogadores secundários sólidos. LeBron, Wade e Bosh foram jogar juntos seguindo a nova lógica predominante na NBA, nada absurdo, mas repentinamente se tornaram "as estrelas fominhas" jogando contra o jogo coletivo "benéfico" dos adversários. É mais do que memória curta, é negar completamente qualquer senso histórico.

Mas a relação de ódio com o Miami Heat é - assim como acontece com o ódio por Kobe - diferente. As críticas direcionadas a eles não são de que não jogam bem, de que o plano tático está errado, de que os estilos de jogo não funcionam. As críticas são morais. Kobe e LeBron são egocêntricos, apaixonados por suas imagens, pedantes, desrespeitosos, farsantes, que absurdo dizerem por aí que são como Michael Jordan, merecem perder. As críticas nao são preferências pessoais dos torcedores, questões táticas, estilos de jogo - as pessoas estão verdadeiramente bravas. Elas acusam, ofendem, denigrem, diminuem. Muito, muito bravas. Mas com quem, afinal de contas?

Basicamente, são se suporta a ideia de que esses jogadores sejam tão anunciados e vendidos como algo que parecem não comprovar ser em quadra. É muito falatório, muita imagem, muitas comparações com Jordan, programinha pra mostrar onde o cara vai jogar, filme pra mostrar o cara treinando. É terrível, é uma overdose, é um exagero, e esses jogadores parecem acreditar em tudo que se diz deles - se acham os melhores jogadores do planeta, agem como se fossem os melhores do planeta, e quando perdem a torcida tem aquele gostinho saboroso de ver uma mentira sendo desfeita bem diante dos nossos olhos. "Eu sabia que ele não era tudo isso". E a gente torce pra ele não ser tudo isso mesmo.

Estamos bravos com o marketing. Com a mídia. Com as campanhas publicitárias. Com imagens sendo vendida todos os dias. Estamos bravos, muito bravos, com uma cultura que cria imagens comercializáveis, que cria lendas, heróis, vilões, que trás de volta em versões em alta-definição todos os jogadores que já deram certo no passado. Bravos com essa realidade, na mídia, que tenta ser mais real do que o real.

Ninguém em sã consciência acha que LeBron não treinou o bastante, que ele e Wade se juntaram achando que iam ganhar sem ter que se esforçar. Todo mundo sabe que eles treinaram como malucos ao fim da última temporada, que o jogo dos dois ganha novas facetas a cada dia, que um dia o LeBron não teve mão esquerda, que o Wade não arremessava nenhuma bola de três pontos. Quando alguém diz que é bem feito que tenham perdido por acharem que podiam ganhar sem nenhum esforço ou treino, com certeza não acha de verdade que não houve esforço ou treino - isso seria ridículo, débil-mental. O que essa pessoa está dizendo, na verdade, é que está puto com a festa que o Heat fez ao contratar LeBron, Wade e Bosh, uma festa com fogos, música épica, luzes psicodélicas, e os jogadores prometendo oito mil títulos num discurso escrito horas antes por algum marqueteiro. Shaquille O'Neal prometeu títulos em todos os times em que jogou e só cumpriu no Heat, mas ninguém liga. Com ele não teve fogos, tecno, luzes piscantes e todos os jornais do mundo tagarelando sobre a mesma coisa. A dificuldade que o torcedor comum tem em engolir as besteiradas que os jogadores do Heat falam é como essas bobagens repercutem na mídia - como são criadas para e por ela, e tentam ser maiores do que qualquer realidade que o time tenha chances de apresentar em quadra. Nenhuma partida do Heat pode ser tão fantástica quanto o que aparece no comercial de TV e na campanha de internet. Não dá para comparar.

LeBron já mostrou que é decisivo nos playoffs. Fez um dos jogos mais espetaculares de todos os tempos, aquele em que marcou 29 dos últimos 30 pontos da equipe e levou o Cavs à vitória contra o Pistons fodão num Jogo 5. Mas isso nunca será o bastante se ele foi anunciado como o maior jogador de todos os tempos desde que tinha 16 anos de idade, se sua imagem é vendida todos os dias como sendo o melhor jogador do planeta, e se a mídia insiste em compará-lo com Michael Jordan. É por isso que eu digo, constantemente, que LeBron e Kobe não podem vencer: tudo que fizerem não será suficiente, e tudo que fizerem será criticado por gente que está de saco cheio do culto às suas imagens na era do 3D. É fato, essas imagens cultuadas são difíceis de engolir e só costumam descer pela goela dos próprios LeBron e Kobe - e mesmo assim só às vezes. O ponto é que se te dizem que você é um gênio desde os 16 anos de idade, se te dizem que você não precisa mais ser pobre, que sua mãe solteira não vai precisar mudar de emprego toda semana, e tudo porque você é fantástico e tem o poder não apenas para salvar a si mesmo, mas também sua mãe, seus amigos, sua comunidade, sua cidade, Cleveland inteiro... você acredita. É claro que acredita.

Crescemos com essa vontade enraizada de nos descobrirmos especiais. "Harry Potter" não é sucesso só porque a Emma Watson é a maior gracinha, todo mundo quer ser arrancado de sua família idiota e de sua escola imbecil e descobrir que é na verdade alguém fodão, essencial para a história da humanidade, alguém de que as profecias avisavam. Muitas das nossas lendas estão focadas na ideia do herói anunciado, e a cultura do capitalismo depende muito dessa ideia de que você pode se tornar herói do dia para a noite, basta se esforçar muito e ter um pouco de sorte. Então não adianta vir com falsa modéstia e dizer que qualquer um resistiria à chance de ser "O Escolhido" (como LeBron tatuou nas costas), o cara fodão que vai fazer história e salvar o seu povo. O capitalismo vive de vender essa imagem ("você também pode ser rico, se chegar até aqui"), as marcas vivem de vender o herói utilizando seus produtos (promessas de felicidade, de ser um pouco herói como eles se você usar um tênis novo), a mídia vive de vender esses heróis e o interesse por eles ("assista ao jogo, vai ser o melhor da história!") , e é claro que esses supostos heróis acreditam em si mesmos - se não acreditarem não serão heróis ou, pior, serão criticados por serem "amarelões", como assim o LeBron não quer decidir o jogo final? Não há a possibilidade do cara não comprar a imagem que tentam vender dele, dele não querer ser Michael Jordan. Estamos tão bravos com a imagem que é vendida que se o cara não for tão grande quanto a imagem que eu comprei, ele é uma farsa idiota. Mesmo que ele não tenha nada a ver, diretamente, com a imagem criada.

Há uma quantidade surreal de xingamentos direcionados, especialmente, a Kobe e LeBron em tudo quanto é site por aí, e nos comentários aqui no blog, no nosso Twitter e no nosso formspring. Nenhuma das ofensas ou acusações pessoais faz qualquer sentido porque não fazemos ideia de como essas pessoas são em suas vidas, ou de como seriam sem tamanho assédio, oportunidades, pressões, dinheiro, poder, idolatria, críticas, ofensas. É por isso que essas ofensas não são reais, são apenas uma raiva mal direcionada. A fúria é com a cultura que cria essas imagens enormes que não condizem - nem nunca poderiam condizer - com a realidade.

Nowitzki foi campeão e nunca haviam criado uma imagem dele. Não uma imagem positiva, pelo menos, só tacavam merda no alemão. Então ele vence, ganha um anel, e é o cara mais modesto do mundo, claro. Para os jogadores que, desde que nasceram, imagens foram criadas e talhadas a alturas impossíveis, nenhuma vitória poderá ser taxada de humilde, e nem mesmo de satisfatória. Todo erro, todo deslize será punido como um horror, uma discrepância inaceitável com a imagem que eu comprei e a realidade. Mesmo que LeBron e Wade estejam agindo como qualquer jovem da idade deles agiria na vida real. Mas eles não podem ser reais. Em nossa cultura, nunca ganharão essa chance.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Fim da linha

Bynum tenta abraçar Barea para dar parabéns pela vitória

Eu sei que o último post foi sobre o Lakers e que algumas pessoas vão se irritar que falamos sobre eles de novo. Mas podem ter certeza que dessa vez é a última pra valer. O atual campeão está eliminado, varrido pelo Dallas Mavericks e só joga na temporada que vem, que nem sabemos quando começa. Mas é que a repercussão da derrota categórica do Lakers na série, 4 a 0, e no jogo 4, 122 a 86, está rendendo mais comentários do que qualquer outra nos últimos anos. São todos os tipo de espécimes achados na fauna torcedorística: os indignados, os que colocam a culpa em tudo, os conselheiros da ONU que só querem saber da paz entre os atletas, os piadistas, os torcedores adversários, os Kobe-haters, os Kobe-lovers, os que sempre vão achar que o Lakers perde só para si mesmo, as viúvas de Phil Jackson, os que querem explodir tudo e começar do zero, os que culpam a arbitragem e por aí vai. Sério, ficar bem do lado de fora e só ver o circo pegar fogo pode ser uma experiência interessante sobre o comportamento humano diante de eventos que não podem controlar.

Vamos ter outras chances de comentar o Dallas Mavericks, no mínimo mais uma série, mas antes de falar do Lakers temos que lembrar que eles jogaram contra outra equipe de basquete e ela jogou bem demais. Eu sempre digo que vitórias muito expressivas em um jogo não são só mérito de um time e nem demérito de outro, diferenças de quase 40 pontos são uma soma das duas coisas, o mesmo vale para varridas em séries inteiras. Se só o Dallas fosse melhor a série poderia ter sido 4 a 2, se só o Lakers tivesse mal e o Dallas não espetacular poderia ter sido 4 a 1, sei lá, mas quando as duas coisas acontecem ao mesmo tempo dá no que deu. O Lakers foi superior mesmo nos três primeiros quartos do jogo 1 e durante pelo menos metade do jogo 3, só.

O interessante é que é muito normal um time começar uma série mais forte e o outro mudar algumas coisas, deixar mais difícil e aí o outro time responde e essas pequenas mudanças táticas ou de atitude que deixam uma série divertida. É o Zach Randolph e o resto do garrafão do Grizzlies dominando o jogo 1, sendo anulado no 2 e vencendo o 3 na série contra o Thunder. Ou o Celtics tomando pau em dois jogos para, em casa, vencer com um armador de um braço só. E isso é que decepcionou nessa série entre Lakers e Mavs, a série começou com uma estratégia tática do Dallas, o Lakers não conseguiu responder e a série acabou. Histórico para a NBA, sensacional para os torcedores do Mavs, mas uma série bem desinteressante de assistir.

A análise tática pode ser vista um pouco no nosso último post e nesse excelente texto do Fábio Balassiano em seu blog. A defesa do Mavs forçou os arremessos de longe, impediu a entrada da bola no garrafão (Kobe só fez uma bandeja e nenhuma enterrada em toda série!!!) e forçou o Lakers a arremessar, mas as bolas nunca caíram e a série acabou. Funhé. Fim de papo. Mas aí começa a parte difícil de aguentar e de responder: De quem foi a culpa e o que mudar para o ano que vem.

Culpa, antes de mais nada, do Rick Carlisle que reconheceu uma deficiência no jogo do Lakers e a explorou. Culpa também de enfrentar um garrafão que tinha defensores bons o bastante para segurar Gasol e Bynum, coisa que boas duplas como Perkins e Garnett, Boozer e Millsap ou K-Mart e Nenê não conseguiram no passado. Mas ok, ok, tem gente aí querendo tacar pedras, então vamos lá.

O Pau Gasol não jogou nada e ele admitiu isso, ao final da série disse: "aprendi a não deixar problemas de fora da quadra interferirem no meu jogo". Não sabemos exatamente do que ele está falando, mas as Sônia Abrão e os Nelson Rubens dos EUA afirmam que a história é a seguinte: Pau Gasol queria que sua namorada fizesse mais amigos em Los Angeles, ela então começou a sair com Vanessa Bryant, mulher de Kobe. A senhorita Bryant, porém, teria dito coisas sobre os bastidores do Lakers que teriam feito a namorada de Gasol dar um pé na bunda dele. Gasol então culpou Kobe por falar demais para a sua mulher e o clima teria ficado péssimo. Não sabemos se isso é verdade, de confirmado só a frase do Gasol dizendo que algo na vida pessoal dele tirou o foco do basquete. Só que eu preciso realmente me dar ao trabalho de responder todos os torcedores que estão xingando ele? Sério? Como disse um cara gringo no Twitter, "Quem reclamar do Gasol e exigir trocas merece ter Kwame Brown e Smush Parker de volta". Se o Lakers é um time de elite hoje é porque o espanhol chegou por lá.

O próximo alvo é Kobe Bryant, claro. E aqui mais do mesmo: "Ele deveria ter carregado o time nas costas", "ele não envolveu os companheiros", "ele não é capaz de carregar o time nas costas" e todo aquele papo que eu escuto desde que ouvi o nome de Bryant pela primeira na vez na vida. Sinceramente, Kobe teve nessa série os mesmos defeitos e qualidades que teve durante toda a temporada e durante boa parte da carreira, nada de novo. O que acontece é algo que pode surpreender muita gente: não se ganha ou perde jogos sozinho. Mas ei, shhh, não conta esse segredo pra ninguém, poucos sabem. Outro segredo de bônus para os assinantes VIP: Kobe Bryant não é o centro do universo, coisas podem acontecer sem que ele esteja diretamente envolvido.

Próximo tópico: O Lakers não sabe perder. Primeiro foi a falta dura de Ron Artest sobre o JJ Barea no jogo 2 e ontem duas expulsões, Lamar Odom e Andrew Bynum. Ambos, com o jogo já perdido faz tempo, fizeram faltas covardes sabendo que seriam mandados para fora do jogo. Coisa de gente nervosa, frustrada, que não sabe perder e que certamente merece e terá punição. Mas que note-se a diferença: Ron Artest ficou claramente arrependido e decepcionado no mesmo segundo que fez a falta, Odom e Bynum saíram com ares triunfantes de "foda-se o mundo, eu bato mesmo". Então por favor, xinguem o Artest por jogar mal, por não conseguir ser nessa série o bom defensor que geralmente é, o critiquem por não saber arremessar mesmo depois de uma década como profissional, mas não venham com o papo de que ele nunca mudou e pra sempre será um bad boy. E outra coisa, Kobe e outros jogadores do Lakers foram, depois do jogo, atrás de Barea para pedir desculpas por Bynum e perguntar se ele estava bem. A atitude idiota de uns não quer dizer que o time inteiro não sabe perder.

Alguns estão colocando a culpa dessas agressões no Phil Jackson, já que o comportamento dos jogadores em quadra deveria ser controlado pelo técnico. E isso vale principalmente para o Bynum, já que o Odom tinha sido expulso antes e dado uma razão para Phil chamar todo mundo de canto e dizer para eles se acalmarem. Mas quem diz isso nunca viu o Zen Master em uma partida de basquete. O Phil Jackson é o oposto daquela sua ex-namorada controladora e acha que os jogadores são homens adultos com capacidade de aprender sozinhos, se for pra chutar eu diria que Phil acha que o Bynum aprendeu e amadureceu mais sendo o vilão idiota e imaturo da noite do que se tivesse tomado só um puxão de orelha no banco de reservas. É como quando ele vê o seu time errando sem parar e não pede tempo para que eles aprendam a se virar sozinhos. Para um torcedor em desespero essa atitude pode parecer suicida, mas a longo prazo sempre vemos os times dele como um dos mais autoconfiantes da NBA. Autoconfiança que facilmente vira frustração se os resultados não confirmam sua expectativa, diga-se de passagem.

Se o Phil Jackson errou nessa série foi ao não conseguir mudar o time taticamente para conseguir furar a defesa do Dallas Mavericks, mas quando a coisa chega ao ponto que seus jogadores não acertam um arremesso sem marcação, a coisa complica pra qualquer técnico. Não diria nem que Phil Jackson errou, mas que ele só não conseguiu ser fora de série como sua fama e história sugerem. História essa que acabou na humilhante derrota de ontem, como prometido antes da temporada ele é agora um senhor aposentado. Até cheguei a pensar que talvez Phil Jackson ficasse envergonhado em sair de cena desse jeito e pensasse em continuar, mas logo mudei de idéia. Lembrei de Michael Jordan e Yao Ming: Jordan teve o final de carreira mais cinematográfico que alguém poderia imaginar, um arremesso vencedor depois de um drible desconcertante em um jogo de final da NBA, e mesmo assim não ligou de voltar, velho e sem metade do físico anterior, para jogar em um time horrível e passar dois anos sem ver a cara dos playoffs. Era a vida dele, a vontade dele e o cara foi lá e fez. Se alguém está preocupado com legado, imagem e em endeusar alguém somos nós, não eles. Mesma coisa com o Yao Ming respondendo aos tristes com sua centésima contusão que ele está bem, vivo e feliz. Imagino o Phil pensando da mesma forma, ele queria se despedir com um título (quem não quer?), mas não deu, paciência, hora de ir pra casa, descansar, fazer sexo e fumar charuto.

Ou seja, tentamos dar muita importância para essa derrota do Lakers mas os motivos são meio tolos. São muitos torcedores a favor, muita gente contra, muita expectativa sobre nomes como Kobe Bryant, Pau Gasol e Phil Jackson e aí tudo o que acontece fica muito grande. Mas o Kobe perde como outros jogadores perdem, o Lakers perde por motivos que outros times perdem. E esse pensamento é importante na hora de pensar o futuro da equipe, se fosse outra equipe, com menos pressão e atenção em cima, alguém pensaria que é hora de destruir tudo e começar do zero?

Eu acho que não. O Andrew Bynum e o Pau Gasol tiveram momentos ótimos na temporada e são claramente talentosos, com saúde física para um e mental para o outro podem ser a melhor dupla ofensiva da NBA. Kobe Bryant aos poucos vai perder mais e mais sua potência física, mas ainda faz muito estrago. Lamar Odom foi o melhor reserva da temporada com méritos. Ron Artest não jogou bem na maior parte do ano, mas em determinados momentos também foi ótimo, talvez seja o caso de procurar um titular para que ele fique no banco, mas trocá-lo seria não só tolo como inviável. Quem jogou mal durante quase o ano todo e precisa de mudanças é o banco de reservas, o Steve Blake foi a maior decepção do mundo pra mim, o Matt Barnes não fez grande coisa e chegamos a um ponto triste da nossa vida como torcedor quando ficamos sonhando em ter Vlad Radmanovic ou Sasha Vucjacic no banco só para acertar pelo menos uma bolinha de três num jogo. Só não me venham com esse papinho de torcedor megalomaníaco do Lakers de "Por que não trazemos Deron Williams e Dwight Howard?". Se fosse tão fácil eles não estariam esperando perder para o Mavs para contratar os caras, acreditem.

Eu sei que tem gente que vai discordar, que vai dizer que os adversários já sabem os defeitos do Lakers e que o time está velho. Para esses eu digo, de novo, olhem para o outro lado da quadra, o Lakers não joga sozinho. Para quem eles perderam? Para um time velho, que perdeu anos seguidos na primeira rodada e que toda temporada decide adicionar peças ao seu bom grupo ao invés de se desesperar e explodir tudo. Me parece um bom exemplo a ser seguido.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Lakers na beira do abismo

Uma imagem diz mais que um post inteiro do Bola Presa


Torcedor do Lakers é como nós, paulistas: Se acham o centro do mundo. Mas com uma diferença, os torcedores do Lakers não tem razão. Sempre depois de uma derrota, duas derrotas ou algumas partidas mal jogadas eles aparecem malucos, enfurecidos e perdidos exigindo uma explicação, como o Lakers pode estar perdendo? O que estamos fazendo de errado? Afinal o Lakers é o melhor time do planeta e ninguém pode nos vencer a não ser que a gente deixe.

Eu sou torcedor do Lakers, eu sou paulista, eu entendo como é isso. Mas simplesmente não é assim que funciona. Se vocês caçarem o histórico do blog, que acompanhou os três títulos seguidos do Oeste que Kobe e seus fiéis escudeiros venceram, irão encontrar uma enxurrada de críticas à equipe. Já que eu torço pra eles gosto de assistir aos caras jogarem e quanto mais você assiste, mais fácil é achar defeitos e qualidades. Escrevi muito sobre os defeitos deles. Em 2008 era a defesa que não acompanhava a boa produção ofensiva, em 2009 o time que tinha apagões constantes, em 2010 a ineficiência de furar defesas por zona. Nos três anos as inúmeras surras sofridas contra armadores velozes, os dias em que não tínhamos um arremessador confiável de três pontos e a eterna mulher de TPM que é o banco de reservas angelino. Isso sem contar as acusações de time soft, do Kobe forçar demais o jogo, das contusões do Andrew Bynum, da velhice do Derek Fisher, etc, etc, etc.

Não quero dizer que o Lakers é um time ruim, muito longe disso, posso mostrar uns vídeos do Minnesota Timberwolves se vocês querem ver um time ruim de verdade, mas não é porque eles ganharam títulos que isso apaga os erros. Aliás, só deixa o feito mais impressionante, já vimos times muito mais perfeitinhos como o San Antonio Spurs de 2005 ou 2007, o Boston Celtics de 2008 ou o Detroit Pistons de 2004 não conseguir sequer fazer duas finais seguidas, que dirá três e com dois títulos. Esse sucesso do Lakers se dá a uma qualidade essencial: Eles tem altos e baixos, mas jogam o seu melhor quando precisam. Foi assim quando viraram aquele jogo 1 quase perdido para o Spurs na final do Oeste de 2008, quando estavam tomando um pau do Phoenix Suns na final do Oeste do ano passado ou naquela série contra o Denver Nuggets em que parecia que Kenyon Martin, Nenê e Chris Andersen iriam cortar o garrafão do Lakers em pedacinhos e comer com azeite de oliva e pedacinhos de queijo. Foi contra a parede que eles acharam uma maneira de se safar e sair com a vitória. Vencer quatro vezes em sequência uma conferência, como o Lakers está tentando agora, é tão difícil que a última vez que um time fez isso a maioria dos nossos leitores nem tinha nascido! Foi o Celtics que venceu o Leste em 84, 85, 86 e 87.

Portanto, antes de mais nada, se o Lakers realmente perder para o Dallas esse é um dos motivos: É muito difícil para qualquer time manter o alto nível por tantos anos, sem encontrar pelo caminho nenhuma contusão, má fase, azar ou simplesmente um adversário que tenha assistido tanto ao Lakers vencer que tenha sacado uma nova estratégia para vencê-lo. No caso dessa série, eu apostaria muito nesse último caso.

O Dallas Mavericks tem um técnico da linha nerd-bitolado que tem dominado a NBA ultimamente. Rick Carlisle é conhecido por ter um livro do tamanho da envergadura do Lamar Odom de diferentes jogadas, ele estuda basquete e aos poucos transformou esse Dallas Mavericks de um time de jogadas de isolação (mais ou menos como é o Hawks hoje) em uma equipe cheia de variações que pode se adaptar a qualquer adversário. E que, isso é assustador de pensar, está sem Caron Butler, um cara que sabia atacar muito bem a cesta e dava ainda mais opções ofensivas para o time.

Mas sabe que apesar do massacre que o JJ Barea causou na defesa do Lakers no quarto período do último jogo (lembram do problema em marcar armadores velozes?), não é ali que a derrota está acontecendo. Tá, nem Pau Gasol e nem Lamar Odom são Gamarras defendendo o Dirk Nowitzki, o alemão acertou 9-16 arremessos contra Gasol e 8-16 contra Odom, mas é só ele que está deitando e rolando. Nenhum outro jogador tem média superior a 12 pontos por jogo nas duas primeiras partidas e a média de aproveitamento dos arremessos do Dallas está em 45%, não longe dos 44% a que o Lakers manteve seus adversários para ter a 5ª melhor marca da temporada regular.

É no ataque que o Lakers tem se complicado. E o motivo, por mais impressionante que isso pareça, é que o Mark Cuban, dono do Mavs, é um bilionário que não liga de gastar dezenas de milhares de dólares com pivôs. Na última offseason ele ofereceu uma extensão de contrato enorme para o Brendan Haywood, mas quando viu o Bobcats trocando o Tyson Chandler foi lá e conseguiu o cara quase de graça. Não importa que ele deixasse o milionário Haywood no banco e jogando só uns minutinhos por jogo. Agora são Chandler e Haywood que revezam minutos junto com Dirk Nowitzki para segurar Lamar Odom, Pau Gasol e Andrew Bynum. O Lakers quase sempre joga com uma escalação mais alta que a do adversário e toma vantagem disso, mas nessa série não é sempre que isso é possível. Quando Odom e Gasol formam o garrafão angelino contra o Nowitzki e Haywood, por exemplo, são mais baixos. Nos minutos em que o Lakers não é o time mais alto em quadra eles tomaram 43 pontos e marcaram 25 nesses primeiros jogos.

A combinação alta e de talento defensivo do Mavs tem feito o Lakers penar para marcar pontos dentro do garrafão. Kobe Bryant, por exemplo, tentou em média 7 arremessos perto do aro contra o New Orleans Hornets, contra o Mavs tem sido metade disso. E pior, de 58% de aproveitamento caiu para 28% nessas ocasiões. Outro número que mostra como o Mavs tem defendido bem o Lakers é o que mostra o número de vezes que o Andrew Bynum participou do jogo; ele esteve em quadra durante 78 posses de bola e apenas recebeu a bola em 15! Arremessou em 11 delas e acertou 8, um ótimo aproveitamento. Pau Gasol recebeu mais a bola, mas onde não devia. Nas posses de bola em que Pau Gasol recebeu a bola fora do garrafão, o Lakers como um todo acertou 6 de 16 arremessos, quando recebeu dentro da área pintada o aproveitamento foi de 7 em 10.

Para compensar a falta de jogo dentro garrafão, o Lakers tentou arremessar de longe e aí o bicho pegou. Tentaram 20 bolas de três pontos e acertaram duas, ambas quando o jogo já estava perdido nos minutos finais. O aproveitamento de 10% é o pior da história dos playoffs entre os times que tentaram pelo menos 20 bolas de três em um jogo. É pouca zoeira? Com dificuldades em marcar pontos perto e longe da cesta é de se surpreender que o Lakers não tenha tomado uma surra maior ainda.

Para a próxima partida, hoje, o Dallas tem uma estratégia simples: Mais do mesmo. Congestionar o garrafão, marcar por zona de vez em quando e continuar vendo por quanto tempo eles conseguem assistir ao Lakers errar arremessos de longe. Mas isso não impede o Rick Carlisle de dar um puxão de orelha em alguns jogadores, o Jason Terry precisa acordar. Contar que o JJ Barea vai fazer uma boa série em geral tudo bem, mas ele não é cara para decidir no quarto período sempre.

Já o Lakers precisa de uma pequena revolução. Primeiro de confiança e motivação, na última partida dava pra sentir no ar o desespero de não saber o que fazer, eles precisam da frieza que tiveram nos jogos importantes dos últimos anos. Só com essa frieza é que eles vão poder executar o seu ataque com a precisão necessária para chegar mais perto da cesta e conseguir vencer o duelo contra Haywood e Chandler. E se tiver dando errado não podem se contentar com arremessinhos forçados de meia distância, tem que forçar, tentar de novo, de outro jeito. É perto da cesta, com enterradas, bandejas e rebotes ofensivos que o Lakers ganha seus jogos. Admitir a derrota nesse duelo e tentar mudar o estilo de jogo é admitir a derrota em toda a série. Também é importante que Kobe pense assim, todos sabemos que ele pode acertar arremessos de qualquer lugar da quadra, o que não quer dizer que ele deve tentar arremessos impossíveis o tempo inteiro. O jeito mais fácil de abrir espaços no garrafão adversário é ter um jogador driblador que costure a defesa, Kobe precisa ser esse cara. Temos que ver se ele vai ser o Kobe frio que vai fazer tudo certo ou se vai ser o cara com cara de maluco que quer arremessar todas as bolas como se ele fosse o herói do universo.

Uma última notícia muito interessante que acabei de ler é que o Phil Jackson resolveu substituir o Ron Artest, que foi suspenso por essa falta no JJ Barea, pelo Lamar Odom no time titular! É muito, mas muito raro o Lakers jogar com Odom, Gasol e Bynum ao mesmo tempo. Phil Jackson percebeu que precisa do time mais alto e provavelmente vai usar os três para atacar a cesta e tentar pegar todos os rebotes ofensivos do mundo. Mas como fica a rotação? Odom joga mais minutos que o normal? E o entrosamento? Faz tempo que o Lamar Odom não joga na posição três. Medidas extremas para situações extremas, vai ser divertido de assistir.

E sobre o Artest: Foi uma falta dura, desnecessária e a punição até que é compreensível. Mas pegar todo o passado distante do cara e jogar na cara dele dizendo que "ele nunca mudou" é uma injustiça enorme. Faz anos que ele só aparta briga e não se envolve em nenhuma contusão, dessa vez fez uma falta dura e obviamente se arrependeu no mesmo segundo, dá pra ver na cara de bunda dele. Está suspenso, beleza, mas não cometeu nenhum crime e não merece a hostilidade que tem recebido da maioria dos torcedores e da imprensa.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Na cagada

Jamal Crawford: cagado


Muita gente apontou entusiasmada, tanto aqui no blog quanto no Twitter, que acertamos em cheio com nossa leitura da série entre Grizzlies e Thunder. Esperávamos que o Grizzlies não usasse nenhuma marcação especial para Durant e Westbrook, neutralizando os passes para o garrafão e o perímetro, e forçando os desperdícios de bola de Westbrook com forte defesa e incentivando um ritmo acelerado de jogo. Para minha surpresa o Grizzlies mudou sim um pouco a defesa contra o Durant, dobrando com Randolph em algumas oportunidades, e usando uma tática defensiva que eu chamo de "enlouqueça o Dirk Nowitzki", que é marcar o Durant no perímetro o mais perto possível, umbigo com umbigo, forçando o jogador a ter que colocar a bola no chão para cortar o defensor. No mais, o Thunder realmente tropeçou na própria velocidade, os turnovers viraram pontos fáceis para o Grizzlies, e a alta pontuação de Westbrook e Durant não foram o bastante. Até os números que indicamos se mantiveram: depois de cometer quase 17 turnovers por jogo contra o Grizzlies na temporada regular, o Thunder cometeu ontem 18 (sendo 7 deles apenas do Westbrook). No duelo de duas fantásticas defesas, o ataque atrapalhado do Grizzlies não é tanto um problema - especialmente porque Randolph continua achando pontos fáceis e o Grizzlies garantiu que ele não será incomodado pelo Perkins no garrafão, colocando nosso gordinho contra o Ibaka ou nos arremessos de média distancia (que o Marc Gasol também acertou, bem longe do titio Perk). Então eu desconfiava que, se a defesa do Grizzlies funcionasse do mesmo modo que conseguiu contra o Spurs, engoliria o Thunder. E tá lá, engoliu.

Essa leitura acertada da série não esconde, no entanto, o fato de que errei miseravelmente na série entre Magic e Hawks - e nem impede legiões de leitores frustrados de me cobrar diariamente uma retratação lá no nosso formspring. Que o Magic iria perder a série quase ninguém imaginava, erro normal, mas eu não tive receio de dizer que a série seria uma vergonha, uma lavada histórica do Magic, e que ninguém deveria sequer se dar ao trabalho de assistir a um jogo dessa palhaçada. Funhé. Disse a mesma coisa nos playoffs passados, quando o Magic eliminou o Hawks pela maior margem média de pontos da história da NBA, mas dessa vez as coisas simplesmente não funcionaram como o esperado. No primeiro jogo, o Magic claramente perdeu por ter acionado demais Dwight Howard, algo que gera turnovers demais e tira completamente os arremessadores do jogo, porque o pivô não consegue passar a bola para o perímetro. O Magic arrumou isso, isolou menos o Dwight nos outros jogos, passou até a fazer mais pick-and-rolls, que estavam faltando, entre Dwight e Jameer Nelson. E, mesmo assim, foi eliminado em 6 jogos. Era de se imaginar então que o Hawks tivesse tido atuações espetaculares, um plano tático fantástico, tivesse tirado o Magic de sua zona de conforto e vencido a série na raça, na unha. Mas não. O Hawks continua uma merda.

A defesa de perímetro da equipe de Atlanta é boa, sem dúvida, mas a rotação defensiva é uma vergonha. Isso quer dizer que eles defendem mal o pick-and-roll e não conseguem parar os arremessos de equipes que giram bem a bola, algo que sempre foi característica dos arremessadores do Magic. O Hawks fez um bom trabalho defensivo, Josh Smith se sacrificou na série saindo do garrafão e marcando arremessadores (o que é certamente seu ponto fraco defensivamente), e mesmo assim o Magic conseguiu um trilhão de arremessos simples de três pontos de jogadores que saíam do corta-luz completamente livres - só que ninguém converteu. É verdade que o Magic insistiu demais em jogadores isolados criando arremessos no perímetro e não rodou a bola como estava acostumado, mas ainda assim é seguro dizer que o Magic não forçou muitos arremessos idiotas. Tentou na maior parte bons arremessos, com distância dos marcadores, de jogadores recebendo livres. Só que nada caiu.

Os números são completamente assustadores: o Magic, como time, acertou apenas 26% dos seus arremessos de 3 pontos. JJ Redick, o especialista da equipe e que em geral só arremessa em jogadas desenhadas para que ele saia livre, acertou 1 dos 15 arremessos de três pontos que tentou. Turkoglu, o jogador que mais arremessou de 3 pelo Magic na série, acertou 7 de suas 30 tentativas. Jameer Nelson acertou 6 em 26 arremessos. Jason Richardson, o jogador que mais converteu bolas de 3 pontos na última temporada, acertou 8 em 25 arremessos (além de estar mal na série, conseguiu a proeza de pisar em vidro em casa e jogar a última partida com trocentos pontos no pé). Sempre dissemos que o Magic vivia e morria nas bolas de 3 pontos, podia abrir uma vantagem repentina de 40 pontos de uma hora para a outra, e perder a mesma vantagem numa fase ruim durante o mesmo período. É um time com muitos altos e baixos, típico de quem aposta nas bolas de fora, mas quando chegaram numa final da NBA ninguém mais questionava a tática. Ficou bem claro que os momentos bons compensavam os ruins e que numa série de 7 jogos é difícil manter a seca nos arremessos por muito tempo. Mas foi o que aconteceu com o Magic, e eu sequer posso dar o mérito para o Hawks por isso. As bolas não caíram mesmo quando eram arremessos simples, bem desenhados. Se existem culpados, além do azar a que times construídos assim se sujeitam a enfrentar, é o psicológico da equipe completamente abalado depois das trocas quando nenhum jogador sabia exatamente qual era seu papel, quando devia arremessar ou passar para o lado, quando dar o passe a mais ou quando forçar o arremesso e assumir a responsabilidade. Ninguém soube definir as funções desse elenco e isso teve os piores resultados possíveis durante essa série.

O mérito do Hawks foi conseguir construir uma boa defesa de garrafão para incomodar o Dwight Howard. Jason Collins mostrou que tem físico e posicionamento para atrapalhar o jogo atlético do pivô, a defesa soube apertar o garrafão para roubar bolas do Dwight constantemente, e souberam jogar com força e intensidade inclusive na hora de cometer faltas e deixar o Howard cobrando lances livres a noite toda (e cortando o ritmo do resto da equipe do Magic). Mas assim que perceberam que o Dwight não iria ganhar sozinho, que o Magic era pior acionando demais o pivô, e que o perímetro do Magic estava catastrófico, o técnico Larry Drew tirou Jason Collins e nada de ruim aconteceu. Não foi punido por isso. Conseguiu usar formações mais baixas, dando mais minutos para Jamal Crawford, Kirk Hinrich e Marvin Williams sem sofrer o peso de não ter um pivô de verdade para defender Dwight. Ou seja, a única cartada do Hawks sequer precisou ser utilizada, porque o Magic não confia no seu pivô, não sabe procurá-lo quando ele conquista posicionamento, e não acertou bulhufas no perímetro. Foi um total e completo desastre. O próprio Dwight deu os parabéns para o Hawks por não ter se desmontado apenas para ir atrás de um pivô para pará-lo, como fez o Cavs (ou o Suns para tentar vencer o Spurs). Mas esses parabéns significam simplesmente que o Hawks não precisa se preocupar com o Dwight se o resto do Magic não fizer o que deveria, o time não fez, e o Hawks vai para a semi-final de conferência. Mesmo sendo o time mais fraco. Mesmo não tendo vencido a série taticamente. Mesmo sendo uma porcaria.

A defesa do Hawks é o ponto positivo, eles conseguem vencer alguns jogos bem feios, mas o ataque se baseia em jogadas de isolação e arremessos forçados. Não há uma presença física no garrafão que atraia a marcação, o Al Horford se sente mais confortável arremessando da cabeça do garrafão. O Jamal Crawford acertou 17 bolas de 3 pontos (quase metade do que o Magic acertou coletivamente) e não consigo lembrar de uma única bola dessas que tenha sido pensada, construída, conquistada. Mesmo o arremesso do Crawford que venceu o jogo 3 foi forçada, ridícula, improvável e bateu na tabela antes de entrar. Enquanto isso, o Magic podia levar o jogo 6 para a prorrogação com um arremesso bem construído de JJ Redick, deixado livre na jogada, mas que não entrou - lembremos de novo, ele só acertou um dos 15 que tentou! Jamal Crawford foi demais para a defesa do Magic, foi a única força no perímetro da equipe e manteve o ataque do Hawks funcionando apesar de não haver nada trabalhado ali. O Hawks é um time muito, muito, muito ruim quando está atrás no placar, algo típico de equipes que não conseguem pontos fáceis, que não possuem um jogador capaz de decidir com facilidade ou uma jogada de segurança. O Magic e suas bolas de 3 pontos aleatórias costumam criar vantagens do nada, e bastaria isso acontecer uma única vez para o Hawks desmontar e não conseguir recuperar o placar. Mas as bolas do Magic nunca caíram, e o Jamal Crawford e suas bolas improváveis mantiveram o Hawks ofensivamente no jogo evitando que ficassem atrás no marcador.

Por mais defeitos que eu encontre nesse Bulls, e por mais problemas que Derrick Rose tenha tipo ao enfrentar um bom defensor como Paul George na série contra o Pacers, creio que o Bulls ainda tem tudo para deixar bem explícito como o Hawks está nas semi-finais por cagada. O Hawks tem problemas em parar armadores rápidos, é o ponto mais fraco da defesa, e a defesa do Kirk Hinrich (que foi tão importante contra Jameer Nelson) não estará presente, porque o Capitão Kirk lesionou a coxa e pode ficar fora a série inteira contra o Bulls. Derrick Rose será contestado apenas no aro, onde poderá acionar seus companheiros e quebrar a defesa do Hawks. O grande jogador de garrafão do Atlanta gosta de ficar nos arremessos de média-distância como o Boozer, então até ele se sentirá mais à vontade na defesa quando voltar de sua lesão num dedo do pé. Jamal Crawford e suas bolas aleatórias agora serão contestadas por uma das melhores defesas de perímetro da NBA, com um jogador designado apenas para ficar no seu cangote. Eu sei que eu já disse isso da série contra o Magic, sei que eu já disse isso ano passado, nos playoffs passados, mas isso aqui vai ser um massacre. Daqueles de desistir da NBA e levar a namorada no cinema. Eu sei, o Crawford pode acertar bolas espíritas, as jogadas individuais do Hawks podem estar num bom dia, Al Horford pode encontrar espaço se o Boozer feder e o Noah não sair de perto do aro, e o Derrick Rose pode comprometer a equipe se forçar demais o ritmo de jogo e cometer muitos turnovers (algo pelo que o Hawks reza, já que eles não sabem pontuar de outro jeito). Mas nada disso deve acontecer se as leis da física estiverem em vigor. Minhas reclamações do Bulls são porque eu sou chato e detalhista, contra o Hawks o Bulls é um time perfeito, uma Alinne Moraes para o Hawks versão Playboy-da-Mara-Maravilha.

Por isso mesmo, o jogo que importa hoje é Lakers e Mavs. Esse sim será disputado - aliás, mais disputado do que muita gente está achando por aí. Fisher está aliviado porque só terá que marcar Jason Kidd, o grande ponto fraco da defesa do Lakers não será explorado, mas o armador vovô do Mavs está com a mão calibrada nos arremessos e isso pode complicar bastante a defesa do Lakers. Aliás, como o Lakers lidará com a marcação do Nowitzki será algo para estudo: ele se incomodaria muito com o Artest marcando colado, mas alguém do garrafão vai ter que sair para contestar os arremessos. Por alguém, quero dizer provavelmente o Gasol, que anda mal defensivamente - e isso tem tudo para abrir espaço para rebotes ofensivos caso os grandões do Mavs, como Tyson Chandler e Brendan Haywood joguem o que sabem. O Lakers mostrou na série contra o Hornets que é muito melhor quando coloca a bola no garrafão, então Chandler e Haywood vão ser os responsáveis por manter a série competitiva. O Mark Cuban não tevo medo de gastar toda sua grana pra trazer alguns pivôs capazes de incomodar o Lakers - sabe, aquilo que o Dwight criticou que algumas equipes fazem e se lascam. Se der certo, teremos uma série bacana. Esqueçam Hawks e Bulls, troço chato, o negócio é ficar de olho nos pivôs do Mavs e o que eles representam: uma possível série competitiva contra os atuais campeões.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Pelo caminho errado

Kobe mantém a calma e concentração para não passar desespero para seus companheiros de time

Eu sei, eu sei, eu estava ausente na primeira semana dos playoffs. Mas viajei, tive dificuldade para ver os jogos, fiquei dias sem internet, passei horas em aeroportos, me estressei com problemas pessoais e foi uma semana cansativa que pareceu durar um mês. Para me recuperar, overdose de playoffs correndo atrás do tempo perdido! Assisti a algumas reprises no fim de semana mas ainda não tudo o que eu queria, o que eu mais consegui ver foi, claro, o meu time, o LA Lakers, pegando o New Orleans Hornets. Por ser a série que mais acompanhei, e por ser uma que está bem aberta, é dela que eu falo.

Antes da série começar eu estava bem animado com esse matchup para o meu Lakers, antes estava com medo da gente perder aquele jogo para o Kings na última rodada (o Lakers venceu no sufoco, na prorrogação) e acabar enfrentando o Blazers. Contra o time do Brandon Roy, o zumbi dos playoffs, o Lakers sempre tem dificuldades e normalmente perde fora de casa, contra o Hornets em compensação foram só passeios na temporada regular desse e dos últimos anos. As exceções foram apenas em momentos quando o Chris Paul e algum coadjuvante ficaram muito inspirados. Lembro do David West e até do Peja Stojakovic tendo dias mágicos contra o Lakers pelo Hornets. Mas, sinceramente, não convencia. Eram dias muito inspirados, claramente aberrações que não teriam como sobreviver a uma série de playoff. Quantas atuações alienígenas o Chris Paul, que explorava a deficiência do Lakers em marcar jogadores velozes, poderia ter? E o David West, que poderia limitar o poder da dupla de Pau Gasol e Andrew Bynum, nem está jogando, machucado. Parecia mamata.

Na temporada regular foi 4 a 0 para LA. O Chris Paul perdeu de vez o título de melhor armador da geração, suas contusões fizeram a balança pesar para o Deron Williams segundo a maioria dos críticos e o Derrick Rose é uma apelação de video game usando código e controle turbo, o papo de Chris Paul MVP de uns anos atrás parece tão atual quanto polaina e Smurfs. Meio esquecido e com números bem mais modestos ele caiu para um segundo plano, até tendo algumas partidas em que parecia mais lento e previsível. Não custa lembrar que o Chris Paul até passou jogos inteiros sem marcar pontos nessa temporada, ao invés de viver o seu auge ele parece um Jason Kidd com quase 40 anos, o que é bom, mas não como ele já foi. 

E também como esperar que o Hornets pudesse segurar o garrafão do Lakers? Se com o David West já era difícil, com o Carl Landry soa impossível. Sim, ele é raçudo e marca os pontos mais improváveis da NBA, só quando você percebe que ele tem a mesma sorte em todos os jogos é que se toca que não é pra chamar de sorte. Mas a sua deficiência defensiva já era destaque no Rockets, foi no Kings e nem com todo o esforço do mundo daria pra imaginar ele incomodando o Pau Gasol. Até dava pra imaginar o Trevor Ariza marcando bem o Kobe Bryant no perímetro, mas lá dentro parecia que seria uma surra.

Mas a série está 2 a 2, o Hornets convenceu nas suas duas vitórias e as previsões claramente foram para o beleléu. Sobra pra gente explicar o que aconteceu de inesperado para chegarmos aqui. A primeira e mais óbvia é que o Chris Paul renasceu das cinzas. O Ryan Schwan, que escreve para o blog Hornets247, comentou durante essa temporada sobre a mutação do CP3. No começo da carreira ele era um jogador muito veloz, driblador, agressivo e que tinha um estilo que lembrava demais o do Isiah Thomas nos tempos de bi-campeão pelo Detroit Pistons no fim dos anos 80. Mas com as contusões limitando a sua velocidade e força nas infiltrações ele, de repente, começou a virar, na opinião do blogueiro, um novo John Stockton. Comparações inúteis à parte, o que ele quis dizer é que diante das limitações físicas o Chris Paul estava mudando o seu estilo de jogo e ainda sendo eficiente em quadra. Dificilmente veríamos mais jogos de 30 pontos dele mas ainda veríamos um jogador inteligente, com precisão nos passes e ótima visão de jogo.

Eu acreditei nessa teoria até o início dos playoffs, mas inspirado pela importância dos jogos o Chris Paul resolveu esquecer as contusões e jogar como era há uns dois anos atrás. Claro que ajuda a incompetência do Lakers em marcar armadores rápidos e não podemos esquecer que nas duas derrotas o CP3 não foi tão bom assim, mas nas duas vitórias, uau, faltam adjetivos para descrever aquelas atuações. Então se queremos uma primeira explicação para entender porque a série está empatada, essa é a primeira, Chris Paul está voando. Obviamente não é a única, se bastassem inspirações esporádicas de um jogador para estar pau a pau com o Lakers nos playoffs o Warriors do Monta Ellis seria um timaço, mas precisa de muito mais.

A MySynergySports, empresa que faz estatísticas avançadas da NBA, enrolou a temporada inteira, mas finalmente fez parceria com a liga e tem alguns de seus muitos números divulgados no site oficial da NBA. O mais interessante deles mostra em que tipos de jogada de ataque cada time faz a maior parte dos seus pontos, e sabe que o Hornets não faz só a maioria dos seus pontos em jogadas de isolação e pick-and-roll, mais do que isso, o Hornets é o time que mais faz pontos nessas jogadas entre todos os 16 que disputam os playoffs! O Lakers teve uma das melhores defesas da NBA durante a temporada, mas sofreu bastante com duas coisas: a marcação homem a homem contra armadores velozes (lembrem dos jogos contra o Thunder, com o Westbrook matando a pau) e com pick-and-roll (lembrem do jogo de Natal contra o Heat). Os dois maiores defeitos da defesa do Lakers são os pontos positivos do ataque do Hornets, ou melhor, são quando o Chris Paul joga como Isiah Thomas. Quando é Stockton, como foi na temporada regular, só deu jogo fácil para o Lakers.

Ainda segundo o SynergySports, o Hornets consegue 0,98 pontos por posse de bola sempre que tenta o pick-and-roll e assustadores 1,1 ponto por posse de bola quando fazem uma jogada de isolação. O Lakers só tem números parecidos em três categorias:  Cortes para a cesta (quando alguém escapa do marcador e recebe um passe na corrida, indo para a cesta), em contra-ataques e quando os seus pivôs jogam de costas para a cesta.  Os dois primeiros acontecem muito pouco e a dos pivôs é a mina de ouro mal utilizada do Lakers nessa série. Eles usam essa jogada em mais de 15% das posses de bola, a terceira mais usada pelo time, mas ainda atrás da isolação e do arremesso parado. A isolação é quando um jogador cria a jogada dele sozinho, no drible, e o arremesso parado é o famosos spot-up shot, que é quando o cara fica paradinho, espera o passe e assim que recebe chuta, sem driblar nem nada. Ou seja, mesmo tendo um garrafão melhor, mais alto, mais forte e mais eficiente, o que o Lakers mais tem feito na série é tentar jogar sozinho e, quando não dá mais, tocar pra alguém e esperar este arremessar de longe. Se isso fosse uma boa estratégia de jogo, o Warriors...

Se a primeira explicação para esse empate é o Chris Paul, a segunda é tão simples que soa patética: O Hornets executa as jogadas que tem melhor aproveitamento e o Lakers não. O sistema dos triângulos, baseado em passes e movimentações sem a bola é ótimo para as movimentações cortando para a cesta, por isso o aproveitamento bom, mas elas acontecerem tão pouco mostra como o time às vezes é estagnado em quadra. O aproveitamento alto dos pivôs mostra como o caminho para as vitórias está lá, mas a marcação ativa e física do Hornets está inibindo o Lakers, que prefere arriscar menos os passes e fica muito concentrado na linha dos três pontos, com o tempo de posse de bola passando só resta arriscar uma jogada individual ou passar para alguém arremessar de longe. Esses arremessos de longe são também os que dão rebotes mais longos e imprevisíveis, que diminuem a importância de Gasol e Bynum no rebote ofensivo.

Outra coisa merece atenção nessa série. Vocês lembram desse post que eu fiz sobre o machismo na NBA, sobre ser "Soft" e tudo mais? Nele eu citava uma palestra do Henry Abott em que ele usava dois times como exemplos opostos de como decidir jogos. O Lakers era o time do macho alfa, de Kobe Bryant, que acredita que é sua obrigação arremessar as bolas decisivas de todos os jogos, já que é a estrela da equipe - ele não tem medo, não hesita, não treme. Do outro lado está Chris Paul, autor de uma frase que muitos consideram símbolo de falta de liderança: "No fim do jogo eu arremesso se estiver livre, senão eu passo a bola".

Pois com o jogo 4 para ser decidido, o Kobe tentou um arremesso doido de três para empatar o jogo e errou. O Chris Paul, bom, ele passou a bola para o cara mais frio do seu time, Jarrett Jack, zero arremessos feitos até então, e venceu.



Não tem certo e errado, cada um encara o jogo de um jeito diferente. Mas nesse jogo a vitória foi para o altruísta Chris Paul. Se o Kobe quer ter mais chances de tentar arremessos grandiosos assim e calar a boca de quem acredita na outra teoria, deve conseguir chegar ao fim dos jogos em condições de ganhar. Para isso precisa confiar mais nos seus pivôs e achar maneiras de envolvê-los mais nos jogos. Mesmo com Pau Gasol não jogando tudo o que sabe, Andrew Bynum, Lamar Odom e até Ron Artest podem executar a mesma jogada com sucesso. E para defender o Chris Paul? Bom, colocar o Kobe nele ao invés do Derek Fisher é melhor, mas não a resposta definitiva, eu diria que uma espingarda carregada daria conta do recado.