terça-feira, 30 de junho de 2009

O peso

Yao Ming de terno, imagem já gravada em minha retina, se
despede de McGrady e Mutombo: os três viraram farofa


Em 2002, Bulls e Warriors tinham 22,5% de chance cada um de ter a primeira escolha daquele draft. O Houston Rockets tinha apenas 8,9% e, ainda assim, foi agraciado com o resultado das bolinhas da Tele Sena da NBA (que não tem seus resultados anunciados de hora em hora): ficou com o direito à primeira escolha e ganhou uma chance de começar de novo mesmo já tendo um elenco razoável. Com aquela escolha, o Houston Rockets adquiriu o pivô chinês Yao Ming.

Um grupo de especialistas, composto de americanos e chineses, formou-se para decidir cada passo do pivô. Toda ação era analisada em seu impacto cultural e econômico. Enquanto eu aguardava desesperado a chegada de Yao pra salvar meu Rockets ainda na pré-temporada, o chinês defendia a seleção de seu país conforme o grupo de especialistas havia decretado ser mais correto. Imediatamente me pareceu evidente que draftar Yao Ming não era como escolher um carinha qualquer no draft, vindo de uma universidade americana e com um cortador de grama na garagem. Havia um peso enorme, um grupo de velhos que decidia seu destino (parece coisa de desenho japonês), uma cultura, um plano, uma responsabilidade: draftar Yao era draftar toda a China.

Já escrevi sobre os boatos de que o Yao nasceu para as Olimpíadas, e também fiz um post mais sério sobre o papel do pivô no evento e a tentativa de mostrar que a China é um país como qualquer outro. Esse fardo veio de brinde na noite do draft, quando o chinês colocou aquele boné mequetrefe do Houston que mal cabia em sua cabeça: ao invés de um simples pivô, draftaram um homem com uma missão.

Não quero dizer que ele seja um espião comunista, ou que tivesse uma lista de objetivos políticos a cumprir após sua chegada na NBA. Sua função era silenciosa e, por vezes, creio que nem o próprio Yao Ming era capaz de compreendê-la em toda sua extensão ou magnitude: sua simples presença em território americano, levantando o meu Houston Rockets, já era o suficiente para que sua missão acontecesse. Mais do que aproximar duas culturas distintas, Yao Ming teve a responsabilidade calada de fundí-las, aniquilando ao máximo as diferenças, decepando a China.

Usando um exemplo do Lévi-Strauss (o antropólogo, que não tem nada a ver com a marca de calças jeans), culturas diferentes são como trens indo cada uma para um lado. Dentro do trem de nossa cultura, podemos olhar pela janela e ver com mais clareza os trens que estão próximos, que caminham na mesma direção, com velocidades parecidas. Os trens que estão muito longe, ou indo para direções brutalmente diferentes, não passam de uma mancha difícil de compreender e que nos incomoda por perturbar a paisagem. Por muito tempo, a cultura americana e a chinesa foram trens indo para lugares opostos, impedindo que seus passageiros olhassem de um trem para o outro. Recentemente, a China tenta não apenas ser um trem perceptível, mas ser efetivamente o trem americano. As diferenças culturais praticamente não são mais perceptíveis, não restou nada que não seja simples detalhe, hot-dog de cachorro. E o auge desse acontecimento reside nas mãos de Yao Ming e das Olimpíadas de Beijing.

Para nós, Yao era apenas um pivô lento e incapaz de mostrar emoções em quadra. Não gritava, não comemorava, não enterrava, quase como o chato do Duncan mas com uma diferença crucial: quando cometia algum erro, Yao demonstrava na face o peso da vergonha, abaixava a cabeça e corria tristemente para o outro lado da quadra. Começou muito mal sua carreira na NBA, com atuações sofríveis e um nítido despreparo físico. Chineses são tímidos, recatados, respeitosos, baixos e fracos, dizia o esteriótipo. Yao então começou a ter atuações mais sólidas e passou a levar a sério os duelos pessoais com Shaquille O'Neal. Enquanto milhões de chineses acordavam mais cedo para assistir aos seus jogos, Yao aprendia a dominar o garrafão, gritar com seus companheiros, provocar adversários e falar palavrão. O ídolo chinês ia perdendo, dia a dia, aos olhos de seu povo, os modos de sua cultura. Gradualmente, de modo que ninguém fosse capaz de perceber. Quando voltou a jogar pela seleção chinesa, já exigia aos gritos mais comprometimento de seus companheiros. Junto com os novos valores e trejeitos, Yao injetava auto-estima numa seleção e num povo. Quando a China acabou as Olimpíadas como líder absoluto no quadra de medalhas, o projeto se deu por completo: eles aprenderam que podem vencer.

Rapidamente, logo depois da primeira temporada, o Houston Rockets mudou as cores e os uniformes para representar uma nova fase sob o comando do pivô chinês. O vermelho-china da camiseta, de repente, não parecia acidental. O uniforme vendeu aos montes na terra do Yao, ao lado de Big Macs e tênis de basquete made in China com comerciais em mandarim usando T-Mac, Shaq e até Shane Battier e Damon Jones como garotos-propaganda. Enquanto isso, peguei um dos meus primeiros salários suados e fui comprar uma camiseta do Yao Ming de aniversário pra mim mesmo (meio autista?), que tenho e ostento orgulhoso até hoje. A extensão do que a NBA e o Yao representam avança mundo afora, e a prova foram as verdinhas que eu gastei no uniforme vermelho mesmo vivendo aqui na terra da caipirinha. Com isso, o Houston, a NBA e o David Stern encheram as orelhas de dinheiro, a China varreu as diferenças culturais para baixo do tapete, e um processo cultural longo viu sua cartada final acontecer dentro de quadras de basquete. Um tanto curioso pra quem acha que esporte é imbecilizante.

A condição de ídolo do Yao, essencial para todo esse fenômeno, só funcionaria se ele fosse realmente um grande jogador. Até hoje tem gente achando que ele nunca foi, exagerando suas falhas e exigindo ridiculamente que ele domine o jogo de basquete só porque tem 2,29m de altura (sem compreender que, mais do que uma vantagem, sua altura sempre lhe foi um problema). Os chineses acordavam de manhã para ver seu ídolo jogar porque Yao chutou traseiros, dominou partidas e nunca deixou de evoluir. Sempre foi um grande pivô em uma era sem pivôs, mas nunca foi muito bem aceito justamente pelo que lhe restava de "culturalmente chinês". Por não atacar o aro, não ser físico e nem agressivo, foi duramente criticado. A cultura americana e todos os outros trens andando mais ou menos na mesma direção e velocidade repudiaram esses traços culturais chineses, e Yao fez a mesma coisa que a China: aos poucos, ao invés de negar os valores alheios, foi negando seus próprios. Na busca por força, vitória e aceitação, tanto Yao quanto seu país foram perdendo suas identidades. Esse contato com o "outro" é sempre muito perigoso: por comparação, pode ressaltar aquilo que nos forma e que nos faz diferentes, mas também pode aniquilar as diferenças e devorar por completo a criatividade e a autonomia.

Yao Ming sempre esteve nesse impasse, sem saber se era chinês ou americano, sem saber que valores representar ou entregar a seu povo. Nunca deixou de falar bem de seu país ou de cumprir suas obrigações patrióticas, mas era cada vez menos chinês diariamente nas partidas da NBA que toda a população da China assistia. Todo mundo sabe, não adianta dizer uma coisa e fazer outra, as pessoas estão assistindo e serão guiadas pela ação, não pela fala. Yao cumpriu seu papel nas Olimpíadas dando credibilidade a uma seleção muito da fajuta, mas na verdade suas ações fora da seleção eram mais importantes: imerso na cultura americana, gritando em quadra, foi às Olimpíadas encontrar justamente uma China que tentava esconder suas diferenças aos olhos do mundo. Deu certo: agora, os povos podem dar as mãos, celebrar felizes as similariedades recém-descobertas como irmãos separados no berço em novela da Globo, e juntos comprar e vender os mesmos produtos. Trocentos chineses agoram usam Nike, e você?

Em quadra pelo Houston Rockets, Yao sempre levou nos ombros uma pressão maior do que podia carregar. Num limbo entre os Estados Unidos e a China, com obrigações em seu país e no seu time da NBA, tentando agradar todo mundo, observado por bilhões, modelo para toda uma cultura sem saber onde se encaixa na cultura que adentrou, Yao sempre foi cobrado em excesso e se cobrou em excesso como resposta. Uns acham que ele fede e que na verdade foi apenas um produto da mídia, enquanto eu acho que justamente por estar tão exposto à mídia - tente imaginar ser assistido por toda uma cultura em dissolução - é que não percebemos como o Yao realmente chutou traseiros. Mesmo que os resultados nunca tenham vindo.

Não vieram em parte porque o peso que o Yao sempre teve que carregar não é apenas metafórico: com 2,29m de altura e mais de 140 quilos, é humanamente impossível ser capaz de aguentar os rigores de uma temporada de 82 jogos (que, a gente nunca cansa de dizer aqui no Bola Presa, é insana e mais longa do que a existência da Praça é Nossa, daria pra ser menos da metade!). A carreira de Yao, então, foi sempre uma tentativa de lidar da melhor forma possível com as limitações do esqueleto humano, ou seja, com as contusões inevitáveis para alguém de suas proporções físicas.

Depois das primeiras temporadas, quando a pressão de jogar pelo Rockets e pela seleção chinesa não lhe permitiram tempo para descanso, as contusões viraram festa. Na temporada 2005-06, Yao perdeu 21 jogos com uma infecção num dedo lesionado. Depois, quando havia voltado às quadras, quebrou o pé esquerdo e perdeu os últimos 4 jogos da temporada. Na temporada 2006-07, quebrou a perna direita e perdeu 32 jogos. Em 2007-08, foram 26 jogos perdidos com uma fratura por estresse no pé esquerdo. Ainda assim, conseguiu participar das Olimpíadas e depois, sem muito descanso, voltou para a NBA. Perdeu apenas 5 jogos na temporada regular, com uma simples pancada no joelho, o que parecia um milagre, mas no terceiro jogo contra o Lakers, na segunda rodada dos playoffs, Yao fraturou de novo o pé esquerdo. Fica difícil cobrar qualquer resultado quando estamos lidando com alguém que quebra ossos enquanto coça o nariz ou vai ao banheiro, é pior que o Greg Oden que perdeu a temporada se contundindo ao levantar do sofá. Quando Tracy McGrady chegou ao Houston, finalmente teria um companheiro à altura para passar da primeira rodada dos playoffs, mas a verdade é que tanto Yao quanto T-Mac foram arrasados por contusões e nunca conseguiram jogar como poderiam. Em 5 temporadas no Houston, T-Mac só jogou com Yao em 220 partidas. Ganharam 146 e perderam 74, o que é um aproveitamento bem razoável, mas praticamente nunca estiveram na mesma quadra ao mesmo tempo. Patético, parece o tipo de coisa que só aconteceria com o Clippers.

A fratura do Yao na série contra o Lakers pareceu simples, a princípio, porque o chinês estava sem dores, andando normalmente, e dizendo que parecia uma contusão bem mais tranquila do que a fratura anterior, que quase lhe tirara das Olimpíadas. Mas o tratamento não teve as respostas desejadas e, agora, já se fala numa fratura problemática que tirará Yao de toda a próxima temporada e, talvez, encerre de vez sua carreira. Creio que ele tentará voltar às quadras e conseguirá, até porque não sente dores apesar da gravidade da lesão, mas provavelmente nunca será mais o mesmo. Sabemos que as fraturas são cada vez mais frequentes e preocupantes, sua perna já tem mais pinos do que partida de boliche, e não será possível usar o pivô por muitos minutos, fazendo com que seja relegado a uma posição bem secundária. Sua carreira agora não reserva grandes avanços ou promessas, apenas uma silenciosa aceitação de que seu papel na NBA parece estar se finalizando. Para o Houston, a notícia é terrível porque a equipe estará sem qualquer pivô para a próxima temporada e Tracy McGrady, que fez uma preocupante operação no joelho, deve perder no mínimo metade da temporada que vem. Vai dar trabalho convencer Ron Artest a ficar e tapar todos os buracos que surgem a cada segundo no elenco.

Mas a missão de Yao Ming parece completa. Como ele mesmo afirmou, após as Olimpíadas a sensação era de um vazio digno do dever derradeiro quando se vê terminado. Mesmo quando ele se aposentar, torcedores chineses continuarão acordando cedo para assistir às partidas do Houston Rockets. Comprarão os produtos da NBA numa cultura que foi assimilada brutalmente. Agora, eles fazem defitivamente parte de nós. Yao Ming, infelizmente, terá que descansar segurando mais esse peso. Ainda que aposentado, terá que vislumbrar a obra que, sem querer, ajudou a criar. Para ele, não há sono tranquilo: uma vida inteira com um fardo maior do que qualquer um poderia carregar.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Análise do Draft - Parte 2

Estamos de volta, pessoal. Pra quem perdeu a parte 1, é só clicar nesse link. Infelizmente nos comentários houve mais discussão sobre chamar o Michael Jackson de pedófilo do que sobre o draft, então está proibido falar de defunto nesses comentários, beleza?

Peço desculpas para quem se ofendeu com a piada, não quis acusar ninguém de nada. Não sei e nem quero saber se ele foi mesmo pedófilo ou se era só brother camarada dos pivetes. Aperto de mão virtual em quem ficou bravo e partimos pra próxima.
Então vamos falar de gente viva? Vamos lembrar dos selos de qualidade Bola Presa desse ano? Vamos parar de falar em forma de perguntas?

Nesse ano, como o dia do draft será sempre conhecido como "O dia em que o Michael Jackson morreu", os selos desse ano levam a marca do cantor-dançarino-performer-xxxxx mais querido do mundo. Vamos aos selos de avaliação desse ano:


Thriller: Sucesso absoluto, ótima escolha! O time com selo Thriller pode sair tranquilo e feliz do draft.




Black or White: O jogador draftado pode causar alguma dúvida por causa de sua posição, histórico ou situação do time, mas tem tudo pra dar certo.


Jackson 5: O jogador escolhido não deve passar de um role player, um jogador de equipe. Dependendo da posição onde foi escolhido isso pode ser bom ou ruim.


Moonwalk: Pareceu legal na hora mas olhando bem ele só está andando pra trás. Esse jogador não vai levar o time a lugar nenhum.


Plásticas no nariz branco: Ninguém vai reconhecer esse jogador daqui um tempo. Promessa falida, escolha horrível.



Da outra vez paramos na oitava escolha do Knicks, então continuamos com a nona escolha, o Raptors.


Toronto Raptors
DeMar DeRozan


O Toronto pegou uma das maiores potências nominais do draft. Como já disse o Sbub no nosso Mock Draft - Força Nominal, fica na cabeça o nome dele: DeMaaaaar DeRozaaaan! O nome dele é um imã de talento, impossível alguém com esse nome não ser alguém na vida.

Mas falando um pouquinho mais sério, o DeRozan chegar no draft desse ano na nona colocação é um pouco decepcionante para quem acompanhou sua carreira no colegial e imaginava que ele poderia ser pelo menos um Top 3. Mas sua carreira universitária de um ano mostrou que ele não estava tão pronto assim para ser uma estrela da NBA.

Ele tem um físico assustador, está evoluindo o seu jogo, mas o que vai definir se ele é o próximo Gerald Green, o próximo Rudy Gay ou o próximo Vince Carter é a sua vontade de evoluir, de treinar para superar seus defeitos, seu jogo ainda cru. E essa comparação com o Vince Carter é a que mais fazem desde os seus tempos de escola, não é uma ironia enorme ele cair no Toronto? O pessoal lá era apaixonado pelo Carter e hoje ele é o pior inimigo dos canadenses.

O Raptors fez certo, pegou um cara que não só é bom como também tem o potencial de ser bem melhor, e pra completar é justamente um cara da posição de que eles precisam: um que possa jogar nas posições 2 ou 3 e fazer o que ninguém faz naquele time, atacar a cesta. Não ganha selo Thriller porque ainda tenho um pouco de dúvida se ele vai dar tão certo na NBA.


Milwaukee Bucks
Brendon Jennings, PG
Jodie Meeks, SG

Acho que esse draft será recheado desse belo selo "Black or White". Muitos diziam que o draft desse ano não era grande coisa, mas o que eu acho é que na verdade é que ninguém tem idéia do que esperar dos novatos desse ano. Alguns dos principais nomes como Hasheem Thabeet, Ricky Rubio, Brandon Jennings, Jrue Holiday e DeMar DeRozan são enormes incógnitas. Os 5 podem ser All-Stars daqui alguns anos e os 5 podem ser reservas.

E acho difícil culpar um time que busca se erguer de apostar em uma dessas dúvidas, mas não dá pra afirmar também que foi um draft perfeito.
Se o Bucks não apostasse no Jennings, que pode ser espetacular, ia pegar quem? O Terrence Williams, um cara destinado a ser apenas um jogador mediano? O Bucks tem que sair do limbo de time médio que fica em oitavo, nono, e pra isso precisa arriscar, assim como tantos outros times. Por isso esse selo que significa "Só o tempo dirá se isso foi uma sacada de mestre ou uma sacada de merda".

Eu pessoalmente adoro o Brandon Jennings. Achei que ele teve três bolas no saco ao abdicar do ano na NCAA pra viver, jogar e ganhar bufunfa na Europa. Morar fora dos EUA deve ter sido uma experiência fora de série que ele não teria chance de viver antes da aposentadoria caso fizesse o caminho NCAA-NBA. E, mais do que isso, gosto dele porque ele parece realmente bom e porque chegou atrasado no próprio draft!

Pra quem não viu ao vivo, ele só foi lá apertar a mão do David Stern quando o comissioner apresentava a décima quarta escolha, o Jennings foi a décima! Isso porque ele estava em um hotel assistindo ao draft com a família, não quis ficar lá vendo ao vivo porque não tinha garantia de sair entre os 14 primeiros. Mas quando saiu resolveu que era hora de dar as caras. Um dos momentos mais legais da história do Draft da NBA.

Por ser agressivo e gostar de driblar, acho que o Jennings também pode ser um ótimo parceiro para o Michael Redd. Tudo o que o Redd precisa é de alguém pra confiar a bola na mão para que ele possa brincar de Ray Allen. Um armador que ataca a cesta também é sempre bom para criar situações de passe e rebote ofensivo para o pivô, então Andrew Bogut deve se dar bem nessa também.

Na segunda rodada o Bucks fez uma escolha segura e burocrática. Ao invés de pegar outra incógnita, pegou o arremessador Jodie Meeks, que parece ser um Kyle Korver da vida. Gosta de se movimentar, pegar corta luz e meter bola da linha dos 3. Nada mal para uma segunda rodada.

New Jersey Nets
Terrence Williams, SF


Um draft parecido com seu vizinho, o Knicks. Pensando em apenas ter um time bom para tentar o LeBron ou outro Free Agent caro em 2010, o Nets não arriscou e pegou um jogador que sabe que vai render. Provavelmente nunca vai ser All-Star ou ter média de 20 pontos por jogo, mas o moleque sabe jogar.

Terrence Williams fez os quatro anos de faculdade então todos os olheiros do Nets e de toda a NBA já enjoaram de ver ele jogar, sabem o que esperar do Williams: ele é um ala atlético, bom defensor e completo, contribuindo sempre em pontos, rebotes, assistências e em roubos de bola. Comparam ele no NBAdraft.net com o Corey Maggette, o que é longe até da descrição que eles mesmos colocam. Talvez fisicamente ele pareça o Maggette, por ser bem forte, mas em característica de jogo ele está mais para um Tayshaun Prince, outro bom defensor que contribui um pouco em todas as áreas do jogo.

Caso o LeBron não apareça por lá em 2010, o Nets pelo menos não fica com um rombo na posição 3, Williams deve dar conta do recado. Por enquanto a única posição carente mesmo no time é a de ala de força, onde já foi dito que o titular pra próxima temporada será o Yi Jianlian. Vai ser uma longa temporada pro Nets.

Charlotte Bobcats
Gerald Henderson, SG Derrick Brown, SF

O Bobcats estava numa situação complicada nesse draft. O time melhorou muito na temporada passada desde que chegaram Raja Bell e Boris Diaw, chegou bem perto de uma vaga nos playoffs mas no fim das contas ficou fora e com um dos piores ataques da NBA. Em número de pontos por jogo, aliás, era O pior.

Em parte essa deficiência ofensiva existe porque o Bobcats não tem jogo de garrafão. O Okafor faz pontos em infiltrações dos armadores e em rebotes ofensivos, só. O Boris Diaw joga bem, faz seus pontos, dá muitas assistências mas faz tudo isso longe da cesta. Por isso o ideal seria que o para o Bobcats seria draftar um ala de força ou pivô que pudesse fazer seus pontos no jogo de garrafão.

Aí eles vão e escolhem um outro armador. Eles já tem o Raja Bell e usam o Felton na posição 2 com o Augustin como armador principal. Pra que o Gerald Henderson? Mas antes de meter o pau, vamos dar uma olhada nos outros alas de força escolhidos em toda a primeira rodada: Tyler Hansbrough, Taj Gibson e DeMarre Carroll.

Os dois últimos não tem talento pra ser uma 12ª escolha, o Hansbrough é bacana, é atlético, é agressivo, é doido, mas não ia ajudar em nada o ataque do Bobcats. Primeiro porque a especialidade dele não é ataque em 1-contra-1 de costas pra cesta, o que o Bobcats mais precisa, outra e mais importante é que ele rende muito mais em ataques velozes do que no famoso esquema meia-quadra-em-câmera-lenta que o Larry Brown usa em Charlotte.

Por isso, devido à falta de opções para as reais necessidades do time, não foi uma má escolha o Henderson. Com a idade batendo nas pernas do Raja Bell, não é nada mal pegar um cara que sabe defender (embora não seja o Bell), tem um bom arremesso de longa distância (embora não seja um especialista) e ainda é capaz de bater para dentro de vez em quando (isso ele sabe fazer mesmo).

Curioso foi o fato de que Henderson jogava em Duke. Rival mortal de North Carolina, faculdade da onde sairam o Larry Brown, técnico do time, Michael Jordan, o outro responsável pela escolha, além dos jogadores Raymond Felton e Sean May.

Indiana Pacers
Tyler Hansbrough, PF AJ Price, PG

O Tyler Hansbrough me lembra, não em jogo, mas por causa da carreira, o JJ Redick. Os dois fizeram um sucesso absurdo na NCAA, os dois venceram o Naismith Award, o mais importante prêmio individual universitário (Redick em 2006, Hansbrough em 2008) e mesmo assim chegaram no draft sem moral. Ambos tem um estilo de jogo que ninguém acredita que dará certo na NBA.

O Hasnbrough foi a 13ª, Redick tinha sido a 14ª, foram quase iguais nisso também. Mas como o Redick é um shooter e o Hansbrough um ala de força, as semelhanças param por aí. O Tyler Hansbrough, que tem o melhor apelido da NBA, Psycho T, é baixo demais para jogar de ala de força na NBA e por isso acham que ele nunca vai se acertar na liga.

Como o Carl Landry, Paul Millsap e Jason Maxiell estão aí pra provar, não é bem assim que funciona. O que o Psycho T precisa fazer é compensar a falta de altura com outras coisas, assim como os alas citados, mas isso não será problema: ele não tem o apelido de Psycho à toa, ele é doido mesmo. Ele tem uma energia acima da média, algo pra deixar o Chris Andersen impressionado. Então não tenho dúvidas de que ele conseguirá superar as dificuldades e ganhar seu espaço na NBA.

Claro que ele não vai ser um jogador fora de série como em North Carolina, mas pode ser o principal reserva do Pacers a partir da próxima temporada e será também um dos jogadores favoritos da torcida. E como já disse antes, quando falava do Bobcats, Hansbrough é feito para ataques velozes e é o que o Jim O'Brien faz no Pacers. Na correria a sua falta de altura para a posição será ainda mais irrelevante. Dois selos pra eles porque a escolha foi muito boa mas Hansbrough não vai deixar de ser um role player.

Na segunda rodada o Pacers escolheu o AJ Price. O pessoal do NBADraft.net é cruel e assim como comparou o DeRozan ao Carter, comparam o Price ao Jamaal Tinsley. É pegadinha pro torcedor do Pacers entrar em desespero, né? De qualquer forma, não é tão parecido assim, afinal o Price sabe arremessar, coisa que o Tinsley nunca se deu ao trabalho de aprender. Mas talvez a semelhança seja porque os dois são mais famosos pelas polêmicas, contusões e histórias fora da quadra do que pelo que fazem dentro dela.

Desconhecido do mês versão pocket: O Price perdeu parte da sua temporada de freshman em UConn por causa de uma hemorragia cerebral que quase o matou. Depois de recuperado foi suspenso do time por ter roubado laptops do campus. Depois de voltar bem para o time, sofreu uma grave contusão no joelho. Finalmente na sua temporada de senior ele jogou muito bem e foi o líder do time que tinha como destaque o Hasheem Thabeet.

Phoenix Suns
Earl Clark, SF/PF Taylor Griffin, PF

O Suns vai começar do zero. O Shaq já foi trocado, o Amar'e quase foi trocado pro Warriors (talvez ainda seja) e já dizem que o Nash é o próximo. Pra começar a reconstruir um time, no entanto, eles vão usar uma fórmula já testada por lá.

Dizem que Earl Clark é um jogador que pode jogar de ala de força mas que tem habilidade de armador, que é ótimo passador e tem uma tremenda visão de jogo. Pra quem não sacou, o Earl Clark é uma versão americana e mais forte do Boris Diaw.

Eu gostei do draft em princípio porque sempre gostei do Boris Diaw e acho que ele vai se dar muito bem no Suns caso eles continuem jogando na correria como ameaçaram no final da temporada passada. Jogadores com bom passe e visão de jogo são mais que essenciais pra quem quer jogar na velocidade sem cometer um turnover por posse de bola.

Mas se o Nash é o próximo a ser trocado, por que não pegar o Ty Lawson ou o Jrue Holiday? Mesmo se o Nash ficar, não seria bom pegar um armador em um raro draft lotado de armadores e deixá-los um ano aprendendo com o mestre?

O Clark não irá conseguir se destacar nesse ano se o time estiver em desmanche. Ele, assim como o Diaw, precisa de um time montado e com bons jogadores ao seu lado para que seu principal talento, envolver outros atletas, apareça. Uma boa escolha mas que não resolve em nada a situação do Suns.

Na segunda rodada o Suns escolheu o Taylor Griffin, irmão mais velho do Blake Griffin. O Griffin nem era cotado pra ser draftado mas deu sorte e acabou no Suns. De qualquer forma é capaz que o Suns perca a oportunidade de ter o jogador no elenco caso ele tope o convite do Harlem Globetrotters, que o escolheu na primeira posição de seu próprio draft. Por aqui dá pra saber porque ele foi escolhido.

Detroit Pistons
Austin Daye, SF
DaJuan Summers, SF
Jonas Jerebko, SF

A escolha de Austin Daye na 15ª posição foi uma das grandes surpresas da noite do draft. Era praticamente certo que o Pistons iria escolher o pivô BJ Mullens. Diversas fontes de sites gringos garantiam que o Joe Dumars tinha prometido para o pivô a vaga no Detroit. No fim das contas o pivozão acabou indo cair na escolha 24, um desastre financeiro pra ele.

No lugar dele o Pistons pegou o ala Austin Daye. Ele é bem alto (2,10m) para ser um ala da posição 3, o chamado SMALL Forward, mas é que seu estilo de jogo combina mais com essa posição. Ele tem um bom arremesso de longa distância e boa mobilidade. Em uma época em que o Rashard Lewis faz sucesso como ala de força, o Pistons pode ter draftado o Daye pensando em usá-lo da mesma forma.

Ele é alto o bastante para encarar alguns alas de força pela liga e até tem um jogo de costas para a cesta, embora seja um jogo de pivô falso, meio Rasheed Wallace, que consiste apenas em poucos ganchos e muitos arremessos sobre o marcador. Nada que vai fazer do Pistons um time vencedor, mas o garoto parece ser competente.

Com as outras duas escolhas de segundo round o Pistons pegou outros dois small forwards, DaJuan Summers e Jonas Jerebko. Os dois eram cotados para entrarem no final do primeiro round mas acabaram escapando. Dos dois, apostaria que Jerebko fica mais um tempo no estrangeiro e o Summers ganha espaço na rotação do Pistons como um bom reserva do Prince caso o Daye jogue mesmo de ala de força.

Chicago Bulls
James Johnson, SF
Taj Gibson, PF

Posso estar completamente errado, não tenho notícias para basear isso, mas acho que a escolha do James Johnson pelo Bulls foi uma forma de tentar ter alguém para substituir o Luol Deng. Conseguir trocar o Deng vai ser um desafio maior que trocar o Kwame Brown pelo Gasol, devido ao seu contrato milionário e a atuação abaixo do esperado na temporada passada. Mas pode acreditar que eles vão tentar um bocado.

E caso consigam essa façanha, vão conseguir fazer o que querem, que é manter o Ben Gordon, usar o John Salmons na posição 3 e aí usar o draftado James Johnson como seu imediato reserva. Mas mesmo que não aconteça tudo isso, o novo JJ foi uma boa escolha.

Primeiro porque será difícil manter o Ben Gordon, o que pode empurrar o John Salmons para a posição de segundo armador e o James Johnson volta a ser o reserva imediato, dessa vez do Luol Deng. O JJ é um ala alto mas que sabe driblar e tem um bom jogo de meia distância, mais ou menos como o próprio Deng, mas parece ser um pouco mais versátil, já que no basquete universitário atacava mais a cesta. Um Luol Deng barato era tudo o que o Bulls queria nesse draft, nada mal!

Já enjoamos de falar como falta gente que marque pontos na posição de ala de força ou pivô no Bulls. Isso melhorou no ano passado com a evolução do jogo do Noah, do Tyrus Thomas e a aquisição do Brad Miller, mas não custava nada ter mais uma opção para o banco e é isso que vai ser o Taj Gibson. Ele vai ser secundário no Bulls mas pode ser bem útil pra marcar uns pontinhos quando entrar.

Philadelphia 76ers
Jrue Holiday, PG


No dia do draft, o site RealGM colocava o Jrue Holiday como a quarta escolha do draft para o Sacramento Kings. No mesmo dia ele era listado como a escolha 19 para o Atlanta Hawks. E isso reflete o nível de certeza que se tem sobre como o nome mais esquisito do draft se sairá na NBA.

Na UCLA, onde jogou apenas um ano, se consagrou por ser um combo guard (aquele armador que joga nas posições 1 e 2) que infernizava a vida dos defensores com seus dribles e infiltrações. Mas apesar do bom desempenho, esperava-se bem mais depois de todo o nome que ele trazia de sua carreira colegial. Muitos dizem que porque ele jogava fora de posição em UCLA, mas é mais convincente a explicação de que ele tem um arremesso péssimo e os marcadores o desafiavam a arremessar ao invés de cair nos seus dribles.

Será que o Sixers precisa de mais um armador que não sabe arremessar de longe? Eles já não tem um time especialista nisso?

Com o risco de perder o Andre Miller, acho que o Sixers deveria ter escolhido o Ty Lawson, que é mais experiente, tem mais visão de jogo e tem velocidade o bastante pra manter o Sixers no seu jogo de contra-ataques. Seria uma escolha mais segura e com menos chances de dar errado.

Se o Andre Miller ficar no time o Holiday pode se destacar jogando na posição dois, aparecendo com qualidade nos contra-ataques, mas nessa situação o Holiday não deixará de ser apenas mais do mesmo, não traz nada do que o time precisa para evoluir.

....

Foi bem divertida, embora ruim tecnicamente, a final da NBB ontem. Parabéns ao Flamengo e ao mais que odiado Marcelinho, o melhor jogador do campeonato. Para ler sobre a final você pode ir ao Rebote, BasketBrasil ou ao DraftBrasil.

Temos um vencedor

Depois de um longo e tenebroso inverno contando pontos e mais pontos eu não só decorei a ordem de escolhas do draft desse ano como também cheguei ao vencedor da Promoção Draft 2009 que irá levar para casa uma linda pelota de basquete da Nike.


Entre vários caras de pau que copiaram mock drafts de sites especializados (dois mandaram 30 palpites idênticos!) e outros que esperaram as últimas notícias para mandar o e-mail com as apostas em cima da hora, venceu, com 79 pontos marcados, um que mandou seus pitacos no dia em que a promoção foi anunciada.

O vencedor foi: Fillipi Pamplona, de Blumenau/SC

Parabéns, Fillipi! Entraremos em contato para pegar os seus dados.

Outra curiosidade é que nas regras do ano passado, contando apenas os que acertaram em cheio, o Fillipi ganharia também. Ele acertou 10 dos 30 possíveis na mosca. Impressionante!

sábado, 27 de junho de 2009

A Análise do Draft - Parte 1

Bem, pessoal, chegou a esperada hora de analisar time a time quem se deu bem, quem se deu mal e quem saiu igual da noite do draft. Vamos dividir em partes para ter a liberdade de analisar os 30 times sem nos preocupar em fazer um post maior que a Bíblia.


Os posts vão sair grandes, claro, a gente não consegue se controlar, mas será mais agradável ler aos pedaços. Sem mais enrolações, vamos apresentar o nosso sistema de avaliação dos times dessa temporada. No Draft 2007, analisamos usando boas e velhas notas em algarismos arábicos, ano passado fizemos os "selos de qualidade Bola Presa" usando mulheres como objetos-nota para avaliar os times.

Nesse ano, como o dia do draft será sempre conhecido como "O dia em que o Michael Jackson morreu", os selos desse ano levam a marca do cantor-dançarino-performer-pedófilo mais querido do mundo. Vamos aos selos de avaliação desse ano:


Thriller: Sucesso absoluto, ótima escolha! O time com selo Thriller pode sair tranquilo e feliz do draft.



Black or White: O jogador draftado pode causar alguma dúvida por causa de sua posição, histórico ou situação do time, mas tem tudo pra dar certo.


Jackson 5: O jogador escolhido não deve passar de um role player, um jogador de equipe. Dependendo da posição onde foi escolhido isso pode ser bom ou ruim.


Moonwalk: Pareceu legal na hora mas olhando bem ele só está andando pra trás. Esse jogador não vai levar o time a lugar nenhum.


Plásticas no nariz branco: Ninguém vai reconhecer esse jogador daqui um tempo. Promessa falida, escolha horrível.



Finalmente, a análise time por time.


Los Angeles Clippers
Blake Griffin, PF


O Clippers só tinha uma escolha e pegou o que todos acreditam ser o melhor jogador do draft, Blake Griffin. Fizeram o que tinha que ser feito, correram o menor risco possível. Claro que por ser o Clippers, tudo pode dar errado ainda. Na última vez que tiveram uma primeira escolha conseguiram o feito de pegar o Michael Olowokandi, então nem uma primeira escolha aclamada pela crítica é segura por lá.

O que eles precisam fazer agora é dar uma geral no time. Afinal, quem vai ser titular e quem vai ser reserva entre os alas e pivôs, já que eles tem Griffin, Randolph, Kaman e Camby? Com Shaq e Dwight no Leste deve ter um monte de time por lá que não recusaria o Camby ou o Kaman, talvez fosse uma boa hora de trocar um dos dois e começar a montar um banco de reserva.

O time com Baron Davis, Eric Gordon, Al Thornton, Blake Griffin e Marcus Camby é bacana, mas simplesmente não existem reservas nas posições 1, 2 e 3 e, como todo mundo sabe, haverá contusões nesse time.


Memphis Grizzlies
Hasheem Thabeet, C
DeMarre Carroll,
Sam Young,

A primeira escolha do Grizzlies, o Hasheem Thabeet, pivô de UConn vindo da Tanzânia, foi correta, acho que faria a mesma coisa no lugar deles, mas draftar pivôs gigantescos nas primeiras escolhas do draft é sempre arriscado. O Thabeet não é o primeiro negão gigante a ser comparado ao Mutombo e praticamente todos os que vieram antes não se saíram tão bem quanto o velho Dikembe.

O Thabeet dominou os garrafões da NCAA, média de 4 tocos por jogo, 2,22m de altura e ótimo posicionamento defensivo. Mas sabe quem fez a mesma coisa? Greg Oden. Quem garante que o Thabeet não será também uma máquina de fazer faltas e sem jogo ofensivo? Acho que o Thabeet pode acabar sendo daqui uns anos o novo Mutombo, o novo Dalembert ou o que vimos do Oden nesse seu primeiro ano de NBA. E dependendo desse desfecho poderemos julgar melhor essa escolha.

Mas o Grizzlies precisava correr esse risco. Com Conley, que terminou muito bem a temporada passada, OJ Mayo e Rudy Gay, eles tem um bom trio ofensivo e precisavam de uma força no garrafão, alguém comprometido na defesa. O Marc Gasol quebrou um galhão na temporada passada e pode ser titular em muitos times, mas nunca vai ser o jogador dominante na defesa que o Thabeet pode vir a ser. E quem sabe o Gasol não joga um pouco na posição 4 nessa temporada, a posição mais carente do time?

Já com a escolha 27 o Grizz escolheu o DeMarre Carroll, um ala que joga nas posições 3 e 4 e que parece que está destinado a ser reserva. Se render nos minutos que jogar já é lucro, mas acho que eles poderiam ter pego o Toney Douglas, que é um especialista em defesa de perímetro ou qualquer jogador da posição 4 disponível. Com sua última escolha, a 36, eles pegaram o Sam Young, um cara que pula muito, é bem atlético, diz que está melhorando o arremesso e parece mais velho que o Greg Olden.


Oklahoma City Thunder
James Harden, SG
BJ Mullens, C
Robert Vaden, SG

Alguns podem achar que o Thunder foi meio cagão ao pegar o James Harden na terceira posição. Afinal, eles poderiam ter pego o Rubio, usado o Russell Westbrook na posição 2 e ter um time ousado, muito veloz e ofensivo. Mas o Thunder melhorou a cada mês na temporada passada e não é a hora de mudar tudo.

James Harden é um jogador talentoso, que sabe atacar a cesta mesmo sem ser muito veloz e que chega na NBA já feito, sem aqueles rótulos de "precisa ficar mais forte", "precisa aprender a arremessar" ou "precisa aprender a jogar basquete". Assim ele chega pronto para ser titular, colocar o Kevin Durant na sua posição original de ala e garantir de vez que o Thunder jogará num small ball, com o Jeff Green como um ala de força sem tanta força. Escolha segura e que dará resultados!

Em uma das trocas mais tolas do draft, o Thunder conseguiu o pivô BJ Mullens. O Dallas pegou o Mullens na escolha 24 e mandou para o Thunder em troca do francês Beaubois que foi a escolha 25 do Thunder. Foi só uma artimanha do Mavs pra conseguir uma escolha de segunda rodada extra. Mas no resultado o Thunder pegou um jogador na posição mais carente do time, a de pivô, em que só tem o Nenad Krstic. O Mullen é o terceiro pivô em três anos a sair de Ohio State (Oden, Koufos) e possivelmente é o pior ou o menos preparado dos três para a NBA. Deve sair do banco, fazer suas cestas em pick and rolls ou rebotes ofensivos e voltar pro banco, mas pode dar resultado a longo prazo.

Na segunda rodada o Thunder pegou outro jogador que cobre uma falha do time, os arremessos dos 3 pontos. Robert Vaden seria trilhões de vezes mais legal se chamase Robert Vader, mas vale assim mesmo. Já fez 7 bolas de 3 em um tempo da NCAA e deve vir do banco para tentar ser um Eddie House da vida, mas não duvide se acabar virando um The Machine.


Sacramento Kings
Tyreke Evans, PG/SG
Omri Casspi, SF
Jon Brockman, PF

Pelo o que eu li por aí o Kings foi um dos times mais criticados do Draft. Meteram o pau neles por terem tido a chance de pegar o Rubio, o Flynn e o Stephen Curry e terem deixado passar pelo Tyreke Evans. Mas eu tô apostando que vai dar certo!

Minha maior dúvida era se o Evans poderia jogar como armador principal ao lado do Kevin Martin, já que pra mim ele era mais um jogador da posição 2, mas vários especialistas que assistiram ele de perto garantem que ele vai render e render muito bem como armador principal. Acreditando nisso aposto que foi a escolha correta, porque esse moleque parece bom demais.

Em treinos na última semana antes do draft o Evans foi o melhor jogador de todos os Top 10 e impressionou todo mundo que tinha uma escolha. E o Kings tem tradição em escolher jogadores baseados em seus treinos e não em seus nomes, foi assim que escolheram o Jason Thompson na 12º posição no ano passado e acertaram em cheio. Também gostei do Evans ser escolhido ao invés do Rubio porque o Kings precisa de jogadores que marcam pontos e o Evans é mais pontuador que o espanhol dos Jonas Brothers.

Com a sua escolha 23 o Kings pegou o que pode ser o primeiro israelense a jogar na NBA, Omri Casspi. Eu vi pouco dele, mas parece que ele é um mix de Rudy Fernandez e Turkoglu. O Rudy pelo jeito de jogar mesmo, o Turkoglu porque ele joga de ala mesmo com quase 2,08m de altura. A escolha não é ainda certeira porque esses gringos sempre correm o risco de demorar pra ir pra NBA, mas se for agora o Kings tem um bom jogador pra posição 3.

Por último uma escolha divertida. Jon Brockman tem nome de lenhador e é parceiro de faculdade do Spencer Hawes, que vai tirar sarro do seu novato e divertir o vestiário. Só isso.


Minnesota Timberwolves
Ricky Rubio, PG
Jonny Flynn, PG
Wayne Ellington, SG
Henk Norel, C

O Wolves foi o primeiro time a ter quatro escolhas de primeiro round no mesmo ano e não tiveram criatividade nenhuma na hora de escolher: três armadores nas suas três primeiras escolhas, em Rubio, Flynn e Lawson.

Todo mundo sabia que se o Ricky Rubio sobrasse lá eles não iam perdoar e fizeram muito bem em apostar nele, mas a escolha do Jonny Flynn depois causou uma baita confusão digna de filme da Sessão da Tarde. O Rubio falou logo depois do draft que não estava confortável com o fato do time ter draftado outro jogador da mesma posição logo depois e disse que por isso consideraria passar mais um ano na Espanha. Com isso começaram a chover propostas e rumores sobre o Rubio ir para o Knicks, Rockets, Suns e trocentos outros times. Para terminar, o Rubio não apareceu na coletiva de imprensa de apresentação dos jogadores.

Para baixar a poeira o novo General Manager do time, David "Gengis" Kahn, afirmou que entende a situação do Rubio mas que garante que ele será o armador titular da equipe a partir do momento que entrar lá. E, para não agradar só um irmãozinho, que o Flynn também pode ser titular. Será que cola e o Rubio aparece lá? Um mal entendido pode custar um ano sem o espanhol.

Apesar dos dois armadores serem nanicos à lá falecido Pitoco, o GM Kahn acredita em um esquema com dois armadores baixos como titulares e para isso citou formações famosas da idade da pedra como Isiah Thomas e Joe Dumars, Jerry West e Gail Goodrich e Danny Ainge e Dennis Johnson. Todos exemplos que o Rubio nem sabe que existem porque não era vivo quando a maioria deles jogava.

Eu gosto de times com dois armadores juntos. Gostava quando o Dallas usava Nash e Van Exel ou quando o Kings usava Bobby Jackson e Bibby. Até gosto hoje quando o Bobcats usa Felton e Augustin, mas isso são reservas atuando alguns minutos. Os dois como titulares implica em muitos minutos juntos e um dos dois marcando jogadores bem mais altos. Imaginam Rubio ou Flynn marcando o Kobe, o Ginobili ou até uns mais baixos como o Brandon Roy? Não tem como dar certo. Ou um vai dar o fora ou um vira um reserva insatisfeito.

Pra terminar, o time não tem técnico ainda! Seja lá quem eles vão contratar, vai ter que ser alguém que também acredita nessa teoria de que dois armadores baixos juntos podem dar certo. Mas o que salva o Wolves é que os dois são muito bons e que na pior das hipóteses eles podem conseguir uma boa troca. Foram escolhas boas pelo talento e péssimas pelas consequências que isso trouxe.

Ty Lawson, que pareceu uma piada na hora que foi draftado por ser mais um armador, acabou sendo trocado para o Denver Nuggets em troca da escolha do draft do Bobcats do ano que vem. Negócio bom para o Wolves, os melhores jogadores disponíveis nesse pedaço do draft eram armadores e ao invés de ter mais um, conseguiram uma posição parecida a essa (18º) no draft do ano que vem.

Com a escolha de Wayne Ellington, na segunda rodada, o Wolves tem finalmente um bom arremessador de 3 pontos, para o NBADraft.net é o melhor desse draft. Como não parece ter muito além disso, deve ter minutos limitados no time, mas é sempre bom ter um arremessador. Por fim, Henk Noel é um pivô holandês com cara de psicopata destinado a tomar enterradas na cabeça, se é que um dia vai jogar na NBA.


Golden State Warriors
Stephen Curry, PG


Eu adorei a escolha do Warriors. O Stephen Curry é um daqueles armadores que não são de organizar o time, é um armador finalizador, agressivo. Mesmo assim tem um bom arremesso e é um dos poucos, se não o único, armador desse Top 10 a ter um confiável arremesso de 3 pontos. Ou seja, ele tinha que sair pro Warriors ou para o Knicks para jogar na correria.

A torcida de Nova York só faltou chorar ao ver que ele chegou perto de NY e escapou pelos dedos, já a do Warriors deve estar dividida. Por um lado o Stephen Curry é ideal para deixar o Monta Ellis na posição onde ele joga melhor, na 2, e fazer uma das duplas de armação mais rápidas e difíceis de ser marcada na NBA. E ao contrário do Wolves, não importa quem eles vão ter que defender depois porque ninguém defende lá, simples assim.

Por outro lado, porém, o Don Nelson disse que o Curry é tão perfeito para o Warriors que eles não vão trocá-lo de jeito nenhum. "Ele pode desfazer as malas e até comprar uma casa", segundo o técnico pirado. Mas isso quer dizer que a troca que estava quase feita com o Suns pelo Amar'e Stoudemire está mais melada que Playboy. O Curry é bom e vai fazer pontos até explodir nesse Warriors, mas será que vale a perda da chance de ter o Amar'e? Talvez eles se arrependam disso um dia.


New York Knicks
Jordan Hill, PF
Toney Douglas, SG

Primeiro time a receber o selo Jackson 5. Isso porque os dois jogadores do Knicks, apesar de parecerem bons, não vão mudar a cara do time como, por exemplo, Stephen Curry iria. Curry entraria para ser o armador que conduziria o time, já Jordan Hill vai ser ou um pivô para deixar o David Lee de ala de força ou o cara que irá herdar a posição do Lee caso ele seja realmente trocado.

Comparam o Jordan Hill com o Chris Bosh, mas como o próprio Bosh disse, é só por causa do cabelo. Tirando isso eles não tem nada a ver. O Bosh tem muito mais recursos ofensivos e arremesso, o Hill vai se garantir na NBA por ser um bom reboteiro. Se é pra comparar com algum cabeludo, ele é o Joakim Noah menos desengonçado no ataque e menos drogado.

Se o Knicks quisesse ousar, poderiam ter ido de Jennings para ser o armador do time, mas se eles querem o LeBron no ano que vem talvez não seja a hora de arriscar, mas sim de pegar alguns jogadores mais sólidos para criar um ambiente melhor pro King Crab. Mais um ano de sofrimento para o Knicks com um time de medianos.

A escolha 29, que era do Lakers e o Knicks comprou por singelos 3 milhões de dólares, rendeu o armador Toney Douglas. Douglas parece ser um bom jogador, daqueles pra vir do banco dando um gás e marcando o melhor jogador adversário. Mais um bom role player para a coleção de ótimos role players que o Knicks tem.

...
Acabamos essa primeira parte antes que isso vire a Bíblia que eu prometi que isso não viraria. Encerro por hoje. Amanhã tem mais times, possivelmente mais 8 e depois os 14 que sobraram pra terminar. Os últimos 14 não vão render um post tão grande porque tem times como os finalistas Lakers e Magic, que somam uma única escolha de draft, a do genial Chinemelu Elonu na posição 59. Quem já leu tudo e quer ler mais pode conferir nosso glorioso Mock Draft da Força Nominal.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Chat e Draft 2009

Aconteceu na noite de ontem o Draft 2009, o equivalente à noite de Natal pra todo mundo que torce para um time que fede. Nada mais legal do que acompanhar, ao vivo, os jogadores que serão acrescentados a cada equipe e cada uma das quatrocentas trocas que em geral acontecem durante o próprio draft, e o Bola Presa foi o lugar certo para xingar, tirar sarro, torcer, vibrar e até mesmo ficar indiferente (rá, o Warriors draftou mais um armador, grandes merdas). Acompanhamos tudo em tempo real no nosso lendário chat do Bola Presa e foi muito legal, tinha muita gente e me diverti ao discutir as escolhas do Wolves, que conseguiu não estragar tudo mas que causou uma tremenda polêmica escolhendo apenas armadores puros - incluindo Ricky Rubio e Jonny Flynn, um com a quinta e o outro com a sexta escolha.

Em matéria de trocas, depois dos últimos dias tão atribulados, apenas coisas pequenas: Darko para o Knicks, Sergio Rodrigues para o Kings (uma troca do Amar'e para o Warriors, quase dada como certa, ainda aguarda os últimos detalhes).

Em breve teremos uma análise detalhada de todas as escolhas, trocas de posições no draft, e os times que se deram melhor ou pior utilizando o nosso sistema patenteado Bola Presa de Classificação (tm). Imperdível!

Até lá, não deixe de ler o nosso já tradicional Mock Draft 2009 - Força Nominal, com as 30 escolhas baseadas apenas na Força Nominal dos atletas. Vale mais a pena do que ler sobre a morte do Michael Jackson!

Em breve também divulgaremos o vencedor da nossa Promoção do Draft 2009, em que o prêmio é uma bola super bacanuda que será entregue em breve. Aguardem!

A voz da experiência

Não pula mais, joga bingo e faz tricô, mas virou um cara feliz


Pra mim chega. Não consigo comer, não consigo dormir, não consigo ler tranquilo no banheiro, toda hora que eu venho pra esse maldito computador alguma troca nova aconteceu. Quantos posts sobre trocas eu consigo fazer num único dia? Daqui a pouco, as pessoas vão começar a perceber que eu não tenho uma vida.

Primeiro, vamos dar uma recapitulada para eu perceber o tamanho do absurdo e me sentir produtivo: teve o Richard Jefferson para o Spurs, Randy Foye para o Wizards, Jamal Crawford para o Hawks e Shaq para o Cavs. Quem chegar na segunda-feira querendo saber o que aconteceu ultimamente na NBA vai ter leitura para uma vida inteira (fora o draft!), mas espero que até lá a NBA ainda esteja dividida em Leste e Oeste e o planeta Terra continue redondo.

A nova troca que me obriga a vir ao blog mais uma vez (ai, que fome, que sede, que vontade de ir ao banheiro, será que é dia ou noite lá fora?) mandou Vince Carter e Ryan Anderson para o Magic, e Rafer Alston, Tonny Battie e Courtney Lee para o Nets.

Mais surpreendido do que com a troca, estou é surpreso de ver quanto tempo demoraram pra trocar o Carter. Quanto começaram a desmontar aquele Nets que um dia havia sido uma força no Leste mas jamais teria chances de ganhar um anel de campeão, já era óbvio que o Carter não teria uma estadia muito longa por lá. Primeiro o Richard Jefferson virou farofa, o que por si só já era intrigante, afinal ele era o mais jovem do trio que era a base da equipe. Depois, até mesmo o Jason Kidd foi trocado, o que colocou o Nets num óbvio projeto de reconstrução a longo prazo. Se o Carter havia boicotado o Raptors, como diz a lenda, porque não aguentava jogar num time que fedia, como é que ele se sentiria num time que não tinha mais quaisquer intenções de vencer alguma coisa pela próxima década? A resposta foi surpreendente: Carter aceitou a equipe, abraçou o papel de líder, foi a voz da experiência e tornou definitivamente o time melhor. Por isso, até fez sentido mantê-lo lá por tanto tempo, muito embora fosse óbvio que a qualquer minuto ele teria que sentar para dar espaço para algum pirralho meia-boca ganhar minutos de jogo.

Enfim aconteceu, e agora Vince Carter chega a Orlando com uma fama completamente transformada pela sua estadia em New Jersey. Se antes ele era individualista, segurava demais a bola e boicotava sua equipe quando as coisas não iam como ele queria, agora Carter conseguiu mostrar que pode ser mais do que um grande companheiro de equipe - pode ser uma voz forte, de comando e liderança, experiente e capaz de direcionar os novatos em quadra. Com isso em mente, a chegada de Carter ao Orlando não poderia ser mais acertada.

O Magic escalou o Leste com um basquete coletivo, sem estrelas, focado no jogo de perímetro. Nisso Vince Carter se encaixa bem, sendo um ótimo arremessador de três pontos, cada vez mais focado em passar a bola e não muito interessado em ficar penetrando no garrafão. Só que o Magic enfrenta problemas quando as bolas não caem e precisa jogar um basquete lento e cadenciado, com dificuldades de criar jogadas individuais e quase uma inexistência do pick-and-roll e de outras táticas que levem os jogadores a atacar o aro. Quando o Dwight Howard está tendo problemas no ataque ou se encontra com excesso de faltas, o Magic é um time extremamente fragilizado. Turkoglu é o único que chama a responsabilidade para si, especialmente no final dos jogos, e embora tenha tido muito sucesso na empreitada, definitivamente não é o cara que o torcedor gostaria de ver com a última bola de uma Final nas mãos. Nessas horas mais cruciais é que o time carece de individualidade, experiência, maturidade e criatividade.

Um Vince Carter em seu auge provavelmente destruiria esse Magic, centralizando o jogo e acabando com qualquer chance da bola rodar e encontrar os arremessadores livres na linha de três pontos. Mas esse Carter velho, cansado e líder em New Jersey é perfeito para o papel do cara que decide no final dos jogos, imprime maturidade ao time, dá tranquilidade à equipe quando a rotação ofensiva não está funcionando, e tudo isso sem comprometer o esquema tático. Acredito que esse seja o momento perfeito da carreira do Carter para ele assumir um papel secundário frente a um esquema em que prevalece um todo. Mas, quando precisar, Carter poderá tomar decisões, ser criativo e decidir partidas - quer o Turkoglu esteja lá, quer ele tenha sido assinado por outra equipe.

De brinde na paçoca, o Magic ainda ganha o Ryan Anderson, que foi draftado justamente como sendo um Rashard Lewis dos pobres. Para vir do banco e manter o esquema tático, ele é perfeito, por ser um ala alto que arremessa de três pontos. Melhor do que colocar Dwight Howard e Marcin Gortat juntos em quadra como o Magic foi obrigado a fazer várias vezes contra o Lakers na Final, já que os dois pivôs têm o mesmo papel e só congestionam um garrafão que precisa estar mais livre para que o jogo de perímetro funcione.

Abrir mão de Tonny Battie, que é velho e machucado, e de Rafer Alston, que nitidamente era só um quebra-galho enquanto o Jameer Nelson estava machucado, foi até bem barato. Só fiquei triste pelo Alston, mesmo odiando ele, porque o coitado nunca consegue pertencer mesmo. Já tinha escrito sobre como ele sempre tentou fazer seu papel direitinho mas ainda assim foi descartado em Houston, e agora a mesma coisa aconteceu em Orlando, apesar do bom trabalho que ele desempenhou levando esse Magic a uma Final de NBA. Ninguém vai sentir falta dele por lá, é verdade, em Houston ninguém nem reconheceria o sujeito na rua (talvez se fosse para dar umas porradas), mas isso não deixa de ser triste. Em New Jersey, o coitado vai ser reserva do Devin Harris e terá minutos bem limitados. É o fim de sua carreira como titular, que sinceramente durou mais do que devia. Façamos um minuto de silêncio.

O único jogador importante que o Magic tem que abrir mão é o Courtney Lee, que se mostrou um defensor espetacular e cada vez mais impressionante no ataque. Será um grande jogador, sem dúvidas, mas o time de Orlando precisava de experiência. Três jogos seguidos da Final entre Magic e Lakers abriram com o Lee dando os primeiros arremessos, era bem claro que ele era deixado livre por ser mais jovem, limitado e inexperiente. Ele tentou decidir dois jogos no minuto final, incluindo uma ponte-aérea no último segundo que, se tivesse entrado, poderia ter transformado completamente aquela série - mas não entrou. Confiar e depender tanto de um novato não faz sentido para um time que chegou a uma Final e já tem um elenco bem jovem. Vida longa ao Courtney Lee, mas o Magic precisa de outra coisa.

No Nets, ele terá espaço para ser titular imediatamente e dominar a armação pela próxima década ao lado do Devin Harris. Desde que ele não se importe de estar num time que fede, tudo vai ficar bem. O Nets finalmente apertou o botão do apocalipse total e ninguém com idade suficiente para beber deve continuar no elenco, a reforma é generalizada. Ainda assim, parece que o elenco é mais forte e interessante do que a maioria das coisas que temos por aí, especialmente no Leste, e não acho que eles devam ficar muito tempo fora dos playoffs, especialmente se o Brook Lopez continuar sua evolução e se tornar um pokémon de verdade. Além disso, o Nets economiza uma graninha e começa a flertar com aquelas ideias malucas de contratar LeBrons e Kobes, coisa que nunca vai acontecer, mas eles estarão bem mesmo assim. Não bem como o Magic, claro, que agora tem que ser considerado uma força ainda maior do que já era. Bizarro, com as recentes trocas do Cavs, do Magic e a volta do Garnett no Celtics, não é que o Leste ficou verdadeiramente divertido?

Amado e odiado

Rubio olha para o céu e reza para não ir para o Grizzlies


Não tem assunto que rende mais discussão nesse draft do que o Ricky Rubio, certo? Salvo alguma troca surpresa envolvendo jogadores mega conhecidos, o grande nome da noite do draft será o espanhol.

Não porque ele será a primeira escolha, claro, já é mais do que certo que o número um será Blake Griffin. O coitado pode estar chorando ao pensar que está condenado a derrotas e contusões no Clippers, mas não há o que fazer para evitar, o negócio é pegar o boné no dia do draft e treinar algumas vezes para mostrar que já merece ser titular no lugar do Zach Randolph.

É tão certo que o Griffin será o primeiro escolhido que ele deverá passar despercebido pelo dia do draft, voltando a ser o centro das atenções apenas quando for fazer sua estréia nas summer leagues e posteriormente na NBA. Falaremos mais do Griffin no decorrer da offseason, mas adianto que pelo o que eu vi do garoto não tem como errar com ele, na pior das hipóteses não vira uma superestrela, mas bom jogador vai ser com certeza.

Por outro lado, o Rubio não é garantido na escolha número 2 como se acreditava há algum tempo, e nem na escolha 3. Notícias de hoje dizem que não é nem na escolha número 4.

Primeiro era certo que ele iria para o Grizzlies com a segunda escolha, mas aí o agente dele disse que não queria ver o Rubio em Memphis. Aí ele caiu para o Thunder, que primeiro disse que estava interessado, depois que não, e agora diz estar de novo. No meio do vai-não-vai do Thunder, o Rubio caiu para a quarta escolha, do Kings, mas alguns fofoqueiros/informantes disseram que o Kings estava mais a fim de escolher o armador Jonny Flynn, fazendo o Rubio cair para a quinta escolha, que agora é do Wolves.

Pra completar a confusão, dizem que o Knicks estaria disposto a trocar com qualquer time da segunda até a quinta escolha só para ter o Rubio. Ou seja, a opinião dos times sobre o Rubio é bem parecida com a dos especialistas e fãs: sem nenhum padrão.

Um olheiro de um time, que não quis se identificar em um entrevista para o site HoopsHype, já disse que o Rubio é o novo Pete Maravich, a lenda do basquete dos anos 70 que se você não conhece deve correr para o YouTube nesse exato segundo. Outro olheiro, no entanto, disse que Rubio é "um Steve Nash sem ataque", o que é o mesmo que dizer que o Rubio é um pedaço de almôndega mal cozido e estragado.

A chegada do Rubio está me lembrando a do Yao Ming, quando ninguém sabia ao certo se o china era o novo Olajuwon ou o novo Shawn Bradley. No fim das contas eu prevejo uma carreira parecida para os dois. O Yao começou sofrendo enormes dificuldades, precisou ganhar físico, velocidade, ser muito bem treinado mas no fim das contas acabou sendo uma ótima escolha. O Rubio deve ter dificuldade no começo, deve precisar melhorar muito, mas duvido que ele seja um zé ninguém na NBA.

Os que são contra o espanhol dizem que ele não tem arremesso de longa distância e que fisicamente irá ser engolido vivo na NBA. Os que são a favor dizem que ele tem uma visão de jogo absurdamente acima da média e uma liderança e qualidade de passe que pouquíssimos jogadores com a sua idade tem.

Quem tem razão nisso a gente, óbvio, só vai saber com o tempo. Mas não custa dar o nosso pitaco pra quebrar a cara depois. Eu acho que ele vai ser um jogador fantástico e o draftaria sem pensar duas vezes! Ter um armador bom é um primeiro passo fantástico para ter um time vencedor, ajuda bem mais do que ter um cara da posição 3 ou 4. Claro que tem uns LeBrons e Duncans que são exceções, mas no geral se você tem um time limitado e quer levá-lo a seu limite, contrate um armador bom. Armadores bons conseguem fazer jogadores limitados parecerem espetaculares, principalmente se forem daqueles que pensam primeiro coletivamente e depois em fazer seus pontos, o que é o caso do Ricky Rubio.

Tudo o que os críticos dizem, eles dizem com base. Vendo ele jogar, mesmo naquela bela atuação nas Olimpíadas do ano passado, ele pareceu sem arremesso e com um físico limitado, mas isso, sinceramente, é o de menos. Bota o moleque na academia, manda ele puxar uns ferros, contrata um preparador físico só pra ele e manda o garoto chutar umas 800 bolas de 3 por dia. Pronto, na pior das hipóteses ele fica com um arremesso e um físico padrão na NBA.

Podemos usar como exemplo do caso do arremesso um outro armador espanhol, o Jose Calderon. Ele chegou na NBA sendo criticado por não ter arremesso. Então treinou, treinou, treinou e hoje é mortal na linha dos 3 e acabou de terminar a temporada com o melhor aproveitamento de lances livres da história da NBA! Foi ele mesmo quem disse que só se dedicou tanto ao arremesso depois que chegou nos EUA e percebeu que precisaria desenvolver isso para evoluir na liga. Já o crescimento físico é comum, todo pivete que vinha do colegial quando isso ainda era permitido chegava magricelo e depois de uma ou duas temporadas estava com "corpo de NBA".

Então, repito, os críticos tem razão. E não estou aqui pra defender o Rubio dizendo que ele vai sair por aí enterrando na cabeça de pivô de 2,10m ou quebrando recordes de arremessos de 3. Mas é melhor draftar um cara com visão de jogo, liderança e bom passe e ensinar a melhorar arremesso e físico do que fazer aquilo que a maioria dos times faz, que é draftar aquele cara com um corpo perfeito, alto pra diabo, rápido, de ótima impulsão e que não tem noção de como se joga o basquete. Esses sim são difíceis de ver uma evolução, como Darius Miles, Stromile Swift, Gerald Green, Ndudi Ebi, Kwame Brown e tantos outros não podem negar.

Pensando no que tenho lido ultimamente, apostaria que se não acontecer nenhuma troca envolvendo as primeiras posições do draft, o Rubio vai, no pior dos casos, sair em quinto lugar no Wolves. Creio que se tiverem a chance vão pegar Rubio e o muito bom Tyreke Evans para ter uma dupla de armação novinha em folha pra jogar com Ryan Gomes, Kevin Love e Al Jefferson. Mas, como disse antes, o Knicks estaria pronto pra fazer uma troca e pegá-lo. Imagina o Rubio naquela correria? A crítica que fazem sobre ele defender mal ficaria irrelevante no Knicks.

Vamos descobrir tudo hoje à noite, às 21h, com acompanhamento ao vivo no chat do Bola Presa. E não deixem de ver também o nosso novo layout para o draft que o nosso glorioso Felipe fez, se ainda está com a imagem do Kobe aí em cima é só carregar no "atualizar" do seu navegador que você verá o novo trabalho.

E mande aí nos comentários o que você acha do Rubio. Prometemos que vamos ler e até dar um pouquinho de atenção. Aproveite o embalo no teclado e participe também da nossa promoção do Draft.

Começar de novo

Shaq e LeBron são miguxos, e o Kobe finge que não se importa


As trocas não param. Não me lembro de uma semana de draft tão movimentada há anos, as trocas sequer esperaram para acontecer na própria noite do draft como é de costume. Se eu continuar nesse ritmo, com um post novo para cada troca que acontece, vou ter que pedir aumento de salário e pagamento de hora extra. Mas aí eu vou perceber que estou sozinho no meu quarto, não trabalho pra ninguém, não ganho porcaria de salário nenhum e estou com um comportamento um tanto esquizofrênico pedindo aumento pra mim mesmo, pareço o Chaves se vendendo churros.

Recapitulando: nos últimos dias tivemos a ida de Richard Jefferson para o Spurs, Randy Foye e Mike Miller para o Wizards, e Jamal Crawford para o Hawks. E se a troca do Hawks parecia simples arrependimento do Warriors por ter apostado no Crawford, ela agora parece fichinha perto do tamanho do arrependimento da troca que acabou de rolar: Shaquille O'Neal vai para o Cavs, que manda Sasha Pavlovic e Ben Wallace para o Suns.

Lembram quando o Suns era um time de verdade que chutava o traseiro de todo mundo mas invariavelmente tomava um cacete do Spurs? Ah, bons tempos aqueles, a casquinha do McDonald's até custava um real. Na tentativa de variar o estilo de jogo, permitindo que o Suns jogasse também em meia quadra num ritmo mais lento (e de quebra ainda defender Tim Duncan), Shawn Marion foi trocado pelo Shaq. Aqui no Bola Presa, apoiei a troca mas com dor no coração: era o fim do Suns que eu amava, do basquete veloz e descompromissado, do basquete-arte, do basquete-moleque, mas pelo menos iria dar certo e eles conseguiriam enfim chutar o traseiro fedido do Spurs nos playoffs. Ao invés de dizer que eu errei, afinal a troca foi um fracasso e o time desmanchou, prefiro dizer que acertei a parte em que previ o fim do Suns que eu amava. Tentando implementar um estilo diferente de jogo, o time perdeu sua identidade, não sabia mais o que fazer em quadra, trocou de técnico, tentou se focar na defesa, e o resultado foi o fim do Suns que eu amava, o fim do Suns que eu odiava e o fim do Suns que não fedia-nem-cheirava, ou seja, o Suns morreu mesmo. O esquema vencedor montado pelo demitido Mike D'Antoni camuflava as falhas do time, utilizava os pontos fortes em todo seu potencial e usava ao máximo um elenco minúsculo. Sem ele, o time percebeu que era ruim, problemático, e ficou preso num estranho limbo, incapaz de abandonar os velhos hábitos e igualmente incapaz de abraçar uma nova filosofia. Shaquille O'Neal, coitado, ficou ali no meio da bagunça, tipo visita em briga de família. Não sabia se provava que podia jogar em velocidade ou se exigia a bola num jogo cadenciado e mudava a cara da equipe, desestruturando aquilo que sempre havia dado certo.

Parece que, aos poucos, os engravatados de Phoenix foram voltando atrás e se arrependendo da cagada que cometeram, apesar das melhores intenções. Conseguiram Jason Richardson para aumentar o poder ofensivo da equipe, esquecendo aquele lance de "defesa forte", e se livraram do técnico Terry Porter, retranqueiro e incapaz de conter as brigas que começaram a surgir no elenco. Agora, a última cartada nessa tentativa de voltar atrás foi se livrar do Shaquille O'Neal.

Sasha Pavlovic é um bom arremessador de três pontos (ou pelo menos era, nos seus 15 minutos de fama no Cavs) que terá um lugar no Suns, vindo do banco de reservas. Ben Wallace deve se aposentar e esfregar na nossa cara o quanto estamos ficando velhos, só pra gente se sentir mal. Então, a troca tem a função apenas de se livrar do Shaq, não de trazer reforços à equipe. Financeiramente, o Suns economiza quase uns 10 milhões de verdinhas em salários e taxas, mas o principal é que o time volta a não ter pivô, a depender de Amar'e Stoudemire no garrafão, e a jogar na correria. Parece uma tentativa de encenar o velho Suns de sempre, o equivalente a uma velhinha se vestindo de ninfeta gostosa. Ao que parece, será o último suspiro de um time que já está começando a se preocupar com outras coisas: economizar dinheiro, se livrar de contratos grandes, dar minutos para os novatos, colocar o Robin Lopez para jogar. Vocês reconhecem esse cheiro, crianças? É cheiro de time em processo de reconstrução, pronto para começar de novo. Não me surpreenderei se o Jason Richardson for trocado em breve e só sobrar o Amar'e e o Leandrinho nesse time, cercados por uma série de pivetes e uns jogadores contratados futuramente e cheirando a talco. É triste ver um time que sai das Finais do Oeste e vai parar em reconstrução desse modo, foi uma caída mais meteórica do que a Tiazinha. Mas é preciso admitir o erro e se preparar para começar de novo, ao invés de perder tempo insistindo numa fórmula fajuta como o Suns tem feito nas últimas duas temporadas. Dava pra ir empurrando com a barriga, ganhando umas partidinhas, arrumando uma oitava vaga nos playoffs, mas era claro que não daria pra chegar em nenhum lugar importante. Essas são as posições mais complicadas da NBA, os times que não cagam e nem saem da moita, sempre ali entre os piores dentre os melhores, não ganhando nada relevante e nem conseguindo boas posições no draft. É por isso que o Shaq foi embora e agora o Suns está se preparando para refazer o elenco, mesmo que demore algumas temporadas.

No Cavs, é justamente o contrário: a chegada de Shaq é sinal de urgência. LeBron James, como todos os mamíferos bípedes do mundo não param de comentar, pode sair do Cavs após a próxima temporada e assinar com qualquer equipe (presumidamente o Knicks, sempre o Knicks, mesmo que eles fedam). Com isso, a hora do Cavs ser campeão da NBA e provar para o LeBron que ele deve ficar na equipe é agora ou nunca. O contrato de Shaq também se encerra na próxima temporada, tornando a troca uma experiência de vida ou morte. Será apenas uma temporada em que qualquer coisa que não seja um anel de campeão será pouco. Se vencerem a NBA, LeBron pode ficar no Cavs sabendo que terá chances de ganhar outros anéis e Shaq poderá aceitar continuar na equipe, ainda que em papel reduzido, ganhando menos dinheiro. Se não vencerem, Shaq estará contemplando sua aposentadoria com dois fracassos seguidos e LeBron terá que questionar até que ponto o Cavs lhe dá as possibilidades de colocar seu nome na história.

Do ponto de vista tático, vejo o Shaq se encaixando bem na equipe. O Ilgauskas é o pivô do Cavs há anos e, convenhamos, ele sempre parece estar jogando basquete dentro de uma piscina, em câmera lenta. Shaq consegue até ser mais veloz, é mais competente na defesa, uma presença mais forte no garrafão, e inteligente o bastante para conseguir interagir com LeBron. Vai manter a característica do time nos rebotes ofensivos, atrair a atenção da defesa nas constantes isolações de LeBron no basquete de meia quadra lento e cadenciado, e não vai comprometer os contra-ataques que, em geral, são só o LeBron correndo sozinho mesmo. Shaq deve ter minutos bem limitados, dividindo tempo de quadra com o Ilgauskas, num caso muito bonito de união entre velhinhos - um ajuda o outro e aí é quase como se fosse um único jogador jovem em quadra. É a situação ideal para o Shaq encerrar a carreira: motivado pela chance de ganhar mais um título, não tendo sequer que ser titular no garrafão, podendo jogar apenas algumas partidas ou poucos minutos num time que se foca muito na defesa, nos rebotes, e não precisa de Shaq para carregar o fardo ofensivo. Eu disse que ele daria certo no Suns e errei feio, mas fica difícil achar um time em que ele se encaixaria melhor do que esse Cavs. Deixo o palpite de que ele virá do banco, não jogará partidas em dias seguidos, e terá um grande impacto quando estiver em quadra, nas partidas mais importantes.

Engraçado é que, durante o fim de sua carreira, Shaquille O'Neal teve a chance de jogar com três dos melhores alas-armadores do mundo: Kobe Bryant, depois Dwyane Wade, e agora LeBron James. Se for campeão com o Cavs na próxima temporada, como agora é sua simples obrigação, Shaq terá um anel com cada um desses jogadores espetaculares para colocar no currículo. O Suns não foi uma situação ideal, realmente, mas jogar com LeBron James não é uma situação ruim para ninguém (a não ser talvez pro Ricky Davis, que faria até uma trepada com a Alinne Moraes ser uma situação desagradável, provavelmente tentando arremessar ela dentro da privada). A troca permite ao Suns começar de novo, e o Shaq ganha a mesma oportunidade, mas no Cavs: começar de novo no que pode ser o último ano de sua carreira. Não dava para ser melhor e mais merecido para um jogador que por tantos anos foi a alma e o humor de toda a Liga. Com o LeBron em quadra, ao menos sabemos que ele certamente terá muitos motivos para sorrir. E duelos garantidos contra Dwight Howard e seus amigos.