sábado, 31 de outubro de 2009

Caminho de gente grande

Fazendo pose, o Jennings parece até que sabe arremessar


Quando Brandon Jennings escolheu jogar na Europa ao invés de ir para o basquete universitário nos Estados Unidos, escrevemos um longo post sobre sua decisão. Além da possibilidade de ganhar um belo dinheiro e finalmente ajudar sua família tão sofrida (que passou maus bocados com o suicídio de seu pai), Jennings deixou bem claro que escolheu a Europa porque poderia jogar contra jogadores experientes, maduros, formados, e teria que desenvolver aspectos do seu jogo que o basquete universitário não exigiria. Na Europa, Jennings teria que enfrentar grandes jogadores e nunca dominaria um jogo, exigindo que ele constantemente fosse capaz de superar-se. Uma decisão arriscada, mas que mostra não apenas uma seriedade de sua parte para com o bem estar de sua família, mas também uma seriedade com o modo que ele compreende seu próprio talento no basquete.

Com a proibição de David Stern de que jogadores saiam do colegial e entrem diretamente na NBA, Brandon Jennings parecia estar inaugurando um padrão: ao invés de ir dominar uma universidade qualquer sem receber um tostão, ir para a Europa, ganhar uma grana, e enfrentar um desafio real. Muitos jogadores colegiais começaram a namorar com a ideia e trocentos agentes e empresários começaram a conversar com as equipes europeias. Mas agora, depois que Jennings voltou de sua experiência na Itália, é bem provável que todo mundo amarele tipo o São Paulo em mata-mata.

As coisas no basquete italiano não foram muito fáceis para Jennings. Além do problema com a língua, a maior reclamação do jovem armador foi a de ser tratado como uma criança, sem voz alguma na equipe. Os salários foram sempre pagos com atraso, e o armador nunca sabia se entraria ou não em quadra - às vezes jogava vários minutos, mas às vezes sequer saía do banco de reservas. Todas essas questões, no entanto, são pequenas perto da função que o time delegou ao rapaz. Sabendo que Jennings passaria apenas uma temporada com a equipe, não havia qualquer intenção de desenvolvê-lo, torná-lo um jogador melhor, ou dar-lhe minutos para que aprendesse em quadra. Brandon Jennings foi incubido apenas da tarefa de defender e arremessar única e exclusivamente quando estivesse livre. Ou seja, foi transformado num jogador qualquer.

Se por um lado o basquete universitário talvez não lhe trouxesse os desafios que esperava, o basquete europeu não lhe deu as oportunidades necessárias. Para seu clube, Jennings só presta no que pode oferecer agora e tanto faz se ele pode ou não tornar-se um jogador mais completo. Então o plano do armador pirralho não deu muito certo, ele acabou tendo minutos muito reduzidos, funções muito delimitadas em quadra, teve que deixar de lado vários aspectos do seu jogo que não teve a permissão de desenvolver, e ainda teve que lidar com toda a parte emocional de sair do colegial e ir morar em outro país, jogando com uma frequência absurda, treinando duas vezes por dia e se pegando com jogadores extremamente físicos enquanto tinha que lidar com pagamentos, salário e uma língua extrangeira. Do ponto de vista financeiro, o próprio Jennings garante que valeu a pena (que tal enfiar mais de um milhão de dólares na orelha em um ano em que, nos Estados Unidos, ele jogaria de graça?), mas do ponto de vista emocional foi um desastre. Jennings alegou sentir-se arrasado o tempo inteiro, interrompeu seu desenvolvimento como jogador em vários pontos, e ficou longe dos olhos da mídia americana enquanto permaneceu na terra do Mario e do Luigi. Seu empresário alertou que outros jogadores, psicologicamente mais frágeis, teriam facilmente desistido.

Acabou sendo escolhido com a décima escolha do draft, vários olheiros da NBA foram para a Itália acompanhar o garoto, e o Bucks apostou no armador o bastante para não se importar de perder o jovem e promissor Ramon Sessions para o Wolves. Então tudo deu certo no final. Mas o verdadeiro resultado da empreeitada de Jennings só apareceria nos primeiros jogos do rapaz. Foi por isso que acompanhei de perto as duas primeiras partidas do time de Milwaukee na temporada.

Contra o Sixers, Jennings terminou sua estreia na NBA quase com um trile-double: foram 17 pontos, 9 rebotes e 9 assistências. No entanto, acertou apenas 7 de 16 arremessos e cometeu 5 turnovers. Mas os números enganam um bocado: 3 desses turnovers e vários desses arremessos errados aconteceram nos últimos minutos de jogo, quando o Bucks começou a ficar desesperado e tentar qualquer coisa para diminuir a vantagem do Sixers. É por essas e outras que jogar no Bucks não ajuda muito, por um lado o Jennings pode ficar em quadra o jogo inteiro e fazer todas as merdas que quiser sem tomar puxão de orelha, mas ele também tem que aturar o time arrancando os cabelos no final dos jogos e dar assistências perfeitas para jogadores que fedem, como foi o caso de um passe milimétrico que deixou Gadzuric sozinho embaixo da cesta - para ele então errar a enterrada desastrosamente e quase cair de bunda no chão.

Então, deixando os números um pouco de lado, o que podemos dizer do garoto? A defesa parece ter se aprimorado bastante na Europa, com boa velocidade de pernas, jogo físico e inteligente. No ataque, Jennings é absurdamente veloz e pode pegar rebotes e disparar para o ataque, terminando a jogada com bandejas. Sua leitura de quadra é incrível, com passes bem dados o tempo inteiro - pena que trocentos deles foram parar, por exemplo, nas mãos do Ilyasova, que usa a máscara do Richard Hamilton, as meias levantadas do Van Horn, e o talento do Kwame Brown arremessando de três.

Mas não dá pra entender a quantidade de firula que o Jennings faz às vezes sem qualquer razão lógica. Para dar um passe para um companheiro do seu lado, Jennings pula, finge que vai passar para baixo, gira os braços, assobia, chupa cana, e aí manda um passe para cima, quando os defensores já viram o que está acontecendo e aparecem para interceptar a bola. É quase uma versão do Cristiano Ronaldo naquela época em que ele dava uns dribles aleatórios no meio de campo que não serviam para nada além de dar errado de vez em quando e virar um contra-ataque.

O técnico Scott Skiles analisou, junto com o Jennings, cada um de seus arremessos, passes bizarros, e cada desperdício de bola. Conversaram sobre como melhorar cada detalhe que ocorrera na partida, e por fim Skiles admitiu que foi uma das melhores partidas que ele viu de um novato em toda sua vida, ele apenas tinha que continuar melhorando. Jennings recebeu uma atenção, um carinho, que jamais havia conhecido na Europa (tirando as mulheres italianas, claro, que têm carinho de sobra). Acima de tudo, o pedido de que ele se torne um jogador melhor é que faz toda a diferença: preocupados com seu futuro, o Bucks fará o que for necessário para que ele evolua, jamais relegando ele apenas a um papel secundário de defesa e arremessos livres.

É por isso que na segunda partida do Jennings, dessa vez contra o Pistons, o armador recebeu carta branca para atacar a cesta no segundo tempo da partida. Nada parecia estar funcionando para o Jennings e para o Bucks no começo do jogo, a velocidade não estava adiantando e os passes não chegavam. O armador terminou o primeiro tempo com apenas 3 pontos e o Bucks perdendo por 11. Mas no segundo tempo Jennings voltou agressivo, correndo para conseguir bandejas e, o que é mais bizarro, apostando em seu arremesso. Apesar de ser tão criticado por não saber arremessar, Jennings apostou na longa distância com arremessos equilibrados e conscientes. Foi o técnico Skiles quem apostou no garoto para mudar o jogo, foi o Bucks que permitiu que o Jennings resolvesse quase todas as jogadas no mano-a-mano. E então ele marcou 16 pontos no terceiro período, incluindo 9 pontos em sequência, e virou o jogo para o Bucks. Terminou o jogo com 24 pontos, o Buck venceu fácil, e o Jennings pode colocar sua primeira jogada de YouTube no currículo de NBA:



Quando foi substituído ao final do jogo, para seu merecido descanso, o ginásio inteiro aplaudiu Jennings de pé. Eles finalmente tem um jogador para o qual torcer, com o qual vibrar, e um time divertido de se assistir, veloz, jovem, e que pelo menos não é tão ruim quanto a porcaria desse Detroit Pistons.

É seguro dizer que Brandon Jennings já se apresentou à liga. Em duas partidas, já teve que mostrar diferentes aspectos do seu jogo e teve sucesso em todos. Já lhe foi pedido para dominar um jogo, virar o placar, atacar a cesta, encontrar seus companheiros livres, ou seja, uma série de responsabilidades que ele nunca teria na Europa. É bem claro que Jennings amadureceu emocionalmente em sua empreitada pelo basquete italiano, ainda que na marra, mas não tenho dúvidas de que ele certamente está repensando o valor de se abandonar o basquete universitário. E se ele tivesse tido essas responsabilidades desde o seu primeiro dia, não estaria mais acostumado com essas pressões ao chegar na NBA? Seu lindo discurso sobre ir para a Europa em busca de evolução como jogador acabou tornando-se apenas um motivo financeiro, e é importante que a NBA repense sua política com os adolescentes que entram no basquete universitário. Vindos da periferia, com problemas financeiros graves, soa completamente irreal a proibição que esses atletas enfrentam no que se refere a assinar contratos, patrocínios, fazer propagandas, ganhar um dinheirinho. Qualquer estudante do planeta pode ter um emprego, nem que seja cortando grama, mas os jogadores universitários continuam proibidos de faturar qualquer trocado e considerando outras alternativas, como o basquete europeu - mesmo que, como Jennings nos mostrou, a tentativa seja um enorme tropeço rumo ao amadurecimento nas quadras.

Por sorte, os maiores prospectos do basquete colegial já acertaram com grandes universidades e não sei de nenhum jogador de peso que tenha topado ir para a Europa esse ano. Ninguém terá que ter um papel secundário na Itália sem saber quantos minutos jogará ou arriscando-se a ter uma contusão e voltar para casa sem um diploma universitário. Espero que ninguém tenha que passar os apuros de Brandon Jennings, mas também espero que ninguém tenha que passar os apuros de uma vida pobre e miserável esperando o milagre duvidoso de um contrato da NBA.

Só podemos abrir um sorriso porque para o Jennings deu tudo certo. A gente até vai começar a acompanhar uns jogos do Bucks para ver se o pirralho mantém o ritmo, e isso já é uma conquista maior do que ir para o basquete europeu e não ser engolido vivo. Jennings é o primeiro vencedor da turma de novatos desse ano, e nem me refiro às suas atuações em quadra. É que seu percurso foi muito, muito longo. Coisa de gente grande.

Adversários

A defesa do Warriors é tão forte que dá tempo de pedir ajuda do Amar'e pra enterrar


Nós, como todo mundo que lê o blog, estávamos ansiosos pelo começo da temporada e naturalmente temos vontade de sair julgando times e jogadores o mais rápido possível: o Jennings é o melhor novato por ter estreado com quase um triple-double (17-9-9), o Cavs vai ser um lixo, o Carmelo Anthony vai ser MVP e por aí vai. Natural, mas burro. Acontece que alguns times só jogaram uma vez até agora. Esse jogo único ou até os dois primeiros até podem indicar alguma coisa, mas muito também é definido pelo adversário que se enfrenta.

O exemplo mais claro até agora veio do Charlotte Bobcats. Jogaram duas vezes e não tiveram nenhum jogo, digamos, normal. No intervalo de três dias visitaram os dois extremos da NBA: primeiro pegaram o Boston Celtics, a melhor defesa da NBA e em Boston, para então duas noites depois enfrentarem, no conforto do lar, o New York Knicks, possivelmente a pior defesa. Impossível saber o que esperar do Bobcats regularmente.

Somando, subtraindo e fazendo raiz até dá pra tirar uma média e assistindo aos jogos dá pra arriscar. Contra o Celtics eles tiveram a pior estréia da história da NBA e contra o Knicks precisaram de duas prorrogações para chegarem aos 100 pontos, a que tudo indica que o ataque continua bem fedido. O Bobcats tem tudo pra ser um dos times mais feios de se ver jogar na NBA nessa temporada, quem quiser arriscar pra ver se essa previsão de primeira semana é verdadeira ou não, fique à vontade pra assistir aos jogos deles.

Outro jogo de extremos ontem foi o Suns e Warriors, correria maior do que em jogo de futebol de várzea. Os dois claramente se recusam a defender e apostam corrida pra ver quem consegue arremessar mais rápido, não dá pra julgar o desempenho geral de um time vendo ele atacar apenas contra cinco cones mal distribuídos.

No meu último post eu comentei que o Suns não tinha nem arremessado muito de três e nem conseguido encaixar contra-ataques na sua estréia contra o Clippers. Aquele jogo foi arrastado e eles venceram apenas com uma bandeja do Nash no finalzinho do jogo. Aliás, o Nash comentou sua cesta dizendo "Eu fui para o arremesso-de-velho-branco-no-clube e deu certo".
Em compensação, contra o Warriors o velho branco meteu 20 assistências, o Suns acertou 12 bolas de 3 (metade só do Channing Frye!) e eles conseguiram 30 pontos de contra-ataque, a melhor marca da temporada nessa primeira semana.

Mais uma vez fazendo a média só dá pra saber, por enquanto, que o Suns vai tentar correr. Se vão ter sucesso nisso só saberemos quando enfrentarem times um pouco melhores. O que deu pra perceber muito bem ontem é que ou você aperta um pouco mais o Nash ou ele vai te destruir mesmo com 90 anos de idade. No Suns, quem começou bem a temporada também foi o Leandrinho. No jogo contra o Clippers ele teria sido o responsável pela bola vencedora do jogo, um arremesso de 3 a 23 segundos do fim do jogo, se o Rasual Butler não respondesse empatando o jogo com um arremesso de três mais forçado que atuação do cigano Igor. No jogo de ontem, como titular, nosso Barbosa fez 23 pontos e foi o cestinha do Suns.

Ao mesmo tempo que levar em consideração os adversários que cada time enfrentou é inteligente e ajuda você a não fazer previsões furadas (como estou acostumado a fazer, né Atlético?), às vezes pode ser uma coisa bem perigosa. Só ver o Raptors, que na estréia derrotou com autoridade o Cavs e dois dias depois tomou porrada do Grizzlies! E não foi uma vitória qualquer dos ursinhos, foi marcando 115 pontos, com 6 jogadores passando dos 10 pontos e uma boa partida do Zach Randolph. Sim, o nosso obesinho favorito foi o cestinha do time com 30 pontos, deu mais assistências (3) do que cometeu turnovers (2) e ainda deu um toco! No Chris Bosh! Certeza que rolou uma churrascaria depois pra comemorar.

Foi o mesmo Grizzlies que antes tinha tomado uma sacolada do Pistons, que ontem perdeu do Thunder. Isso sem contar o Mavs, que perdeu em casa do Wizards sem Jamison mas bateu o Lakers com facilidade em Los Angeles. A milenar filosofia do "isso pode querer dizer alguma coisa ou não" da pré-temporada ainda vai durar algum tempo. Até lá vamos assistindo, matando a saudade e vendo Top 10 do dia. Babem nas enterradas de Rudy Gay e Shannon Brown.


quinta-feira, 29 de outubro de 2009

8 ou 80 - Bolas de 3 e contra-ataques

O número 8 é uma homenagem a Antoine Walker:
"chuto bolas de 3 porque não existem de 4 pontos"

O Orlando Magic, que já era aquela máquina de acertar bolas de 3, contratou Vince Carter, Ryan Anderson, Matt Barnes e Jason Williams. Todos, absolutamente todos, chutam da linha dos 3. No massacre de ontem contra o Sixers foram 16 bolas de três em 29 tentativas. Sete jogadores contribuiram com esse tipo de arremesso e Ryan Anderson foi o líder, com 4 acertos.

Essas 4 bolas representam ao mesmo tempo 1/4 de todas as bolas do Magic no jogo ou 4 vezes mais do que o número total de bolas de 3 feitas no jogo inteiro entre Nets e Wolves. Os dois times somados acertam 1 mísero arremesso. O Nets tentou 8 e errou todos, o Wolves tentou 7 e apenas o Brian Cardinal, justo ele, acertou uma bolinha.

Não dá pra falar de bolas de 3 sem falar do Knicks. Na derrota humilhante de ontem contra o Heat, o time do Mike D'Antoni conseguiu chutar 39 bolas de três pontos! Destes, acertaram apenas 10. Foi apenas a 29ª vez na história da NBA que um time arremessou pelo menos 39 bolas de 3 num mesmo jogo.

O recorde é do Mavs, que chutou 49 bolas de 3 em um jogo contra o Nets em 1996. Naquela partida o George McCloud tentou 20 arremesso de três e acertou 7. O recordista de ontem foi o Danilo Gallinari que, dos seus 14 arremessos de quadra, 13 foram da linha dos três. Pois é, pra ele tem carvão quente no garrafão.

O ala italiano foi apenas o oitavo jogador do Knicks em todos os tempos a tentar pelo menos 13 bolas de 3 em um jogo. Allan Houston, Latrell Sprewell, John Starks, Jamal Crawford, Quentin Richardson, Nate Robinson e Stephon Marbury foram os outros. Com 7 acertos nas 13 tentativas o Gallo fica em segundo no aproveitamento entre esses aprendizes de Antoine Walker. Melhor que ele só quando o Latrell Sprewell acertou 9 bolas de três em 14 tentativas em 2002.

Por curiosidade, o recorde de mais arremessos de 3 tentados em um jogo é de Damon Stoudamire, que tentou 21 em um jogo pelo Blazers contra o Warriors em 2005. Nos playoffs o recorde é de Ray Allen com 18.

O Suns, antigo time do D'Antoni e que também arremessava de três a rodo, está maneirando um pouco. Ontem foram 7 acertos em 15 tentativas, um pouco pior do que o Gallinari sozinho. O que time tinha prometido voltar pra correria nesse ano terminou sua vitória contra o Clippers com míseros 2 pontos de contra-ataque, o menor número, empatado com o Kings, entre os 24 times que jogaram ontem.

Nos números o destaque negativo da super rodada foi o Bobcats. Seus 59 pontos na derrota para o Celtics foi o número mais baixo de pontos em uma estréia de temporada desde a implementação do relógio de 24 segundos na temporada 1954-55. Os Bobgatos acabaram o jogo com aproveitamento de 31% nos arremessos de quadra, 52% no lance livre e nenhuma bola de três certa em 10 tentativas.

Do melhor ao pior

Eu acho que o anel está na mão direita!


O segundo dia de temporada foi bem mais movimentado que o primeiro, foram 12 jogos e agora 28 dos 30 times já jogaram pelo menos uma vez, faltam apenas Bucks e Bulls.

A estréia mais impressionante foi, sem dúvida, a do Orlando Magic. Jogou em casa contra o 76ers e foi uma lavada monumental, nem pareceu que se esforçaram. Foram 70 pontos no primeiro tempo, 50 pontos em um segundo tempo só pela formalidade e o Sixers não teve chance nem de respirar. Dava pra ver que o Phila não teria muitas chances quando o Dalembert deu uns 5 arremesses seguidos logo nas primeiras posses de bola do jogo. Eles podem não ter entendido ainda a Princeton Offense que o Eddie Jordan quer implantar, mas podem ter certeza que não envolve o Dalembert como a primeira opção ofensiva. O mascote aparece antes dele nessa lista.

No Orlando nem deu muito para analisar o Vince Carter, que jogou apenas 21 minutos, mas ao que parece sua função é exatamente a mesma do Turkoglu no ataque. Ele não deve ter dificuldade alguma em realizar isso. É melhor esperar para ver como ele se comporta em jogos mais disputados para analisar melhor, já que o Turkoglu era quem chamava o jogo no quarto período.

O Rashard Lewis não está jogando, cumpre 10 jogos de suspensão por doping, e foi substituído pela sua versão branca (logo, piorada), que meteu 4 das 16 bolas de três que o Magic acertou no jogo. Não tenho dúvida de que o Magic será o melhor ataque da NBA nessa temporada regular tamanha a quantidade de opções que eles tem, ontem nem se deram ao trabalho de se esforçar na defesa de tão fácil que estava marcar pontos. Parecia o Lakers, que volta e meia só dá migué na defesa pra poder atacar logo.

No meio de um jogo onde todo mundo jogou bem, o Jason Williams conseguiu se destacar ainda mais. Há pouco mais de um ano fizemos um post sobre sua aposentadoria, estávamos tristes de ver um cara que foi um ícone da NBA no final dos anos 90 e começo dessa década se aposentar quando ainda tinha idade pra jogar, ele pode não ser o mesmo mágico do começo de carreira mas ainda dava conta do recado.
Pois a aposentadoria virou ano sabático à la Glória Maria, mas sem Patrícia Poeta pra roubar seu lugar. O White Chocolate voltou com tudo e distribuiu o jogo, acertou 3 bolas de três, botou o time pra correr e parecia ter mais entrosamento com o resto do time do que o Jameer Nelson. O Magic tem, oficialmente, o melhor banco de reservas da liga.

Por outro lado a estréia mais horripilante foi a do Charlotte Bobcats. O relógio marcava 4 minutos para o fim do terceiro quarto e o placar do período era 21 a 2 para o Boston Celtics. No fim das contas conseguiram chegar aos 10 nesse período mas em nenhum passaram dos 20. O jogo acabou 92 a 59 e o cestinha do Bobcats foi o Gerald Wallace com 10 pontos.

O Bobcats tinha uma das melhores defesas na temporada passada e o pior ataque da NBA, com a contusão do Raja Bell eles perdem muito na defesa de perímetro e seu principal arremessador de 3. Como os reservas se resumem ao DJ Augustin e um banco de sucata feito de Yakult, o desastre foi épico.

Porém, embora o Bobcats tenha grandes chances de ser um fracasso nessa temporada, não se deve levar esse primeiro jogo tão em conta. O Tyson Chandler acabou de jogar seu primeiro jogo, nem tinha jogado na pré-temporada, e qualquer time com alguma dificuldade ofensiva fica completamente exposto quando enfrenta o Celtics. Contra outros times eles saem do nível "horripilante" para "feio arrumado" de ataque.

Por fim, a estréia mais surpreendente (negativamente) foi a do Cavs. Sim, ela aconteceu antes de ontem contra o Cavs mas ganhou uma continuação trágica ontem quando tomaram pau do Toronto Raptors. A sorte não parecia do lado do Toronto quando o Jose Calderon, que na temporada passada liderou a NBA em aproveitamento de lance livre e chegou a acertar 87 em sequência, errou suas duas primeiras tentativas da temporada. Mas depois disso outro gringo tomou conta do jogo.

Andrea Bargnani, o melhor jogador com nome de mulher desde a contusão da Tracy McGrady, arregaçou com 28 pontos, 21 deles no primeiro tempo. Bargnani fica na linha dos três e volta e meia acerta arremessos bem bonitos e outras corta em direção à cesta com velocidade para receber passes de quem infiltra, jogou demais! O Toronto teve um pouco de dificuldade no segundo tempo quando se focou muito nos arremesses de três mas no geral ficou no controle do jogo o tempo todo.

Engraçado pensar que esses dois primeiros jogos do Cavs lembram demais as derrotas do time para o Orlando nos playoffs da temporada passada. Contra o Celtics eles abriram quase 20 pontos de vantagem logo no primeiro quarto com um ataque veloz e envolvente e depois desistiram de jogar e ficaram assistindo ao LeBron James tentar vencer (e acabar perdendo) sozinho. Ontem contra o Raptors eles sofreram de novo contra um garrafão leve, veloz e com arremesso de longe. Ao invés de Lewis e Dwight eram Bargnani e Bosh, mas o resultado foi o mesmo.

Pode-se tentar justificar isso dizendo que o Shaq ainda está se adaptando, mas o problema vai muito além do entrosamento. O ataque está estagnado. Não tem contra-ataque, não tem movimentação, não tem nem improviso. São 4 jogadores parados na quadra esperando pra ver se o LeBron vai infiltrar e resolver ou infiltrar e passar pra eles. Muita culpa do patético Mike Brown, que repete as mesmas falhas há umas 3 temporadas, mas também culpa do LeBron, que deveria desistir de tentar resolver sozinho e começar a cobrar mais qualquer coisa dos seus companheiros.

Nos dois jogos o Mo Williams não jogou como armador principal, jogou como segundo armador. Ele dava a bola para o LeBron decidir e ia se posicionar pra arremessar, o que deixava, na prática, o LeBron na posição 1. Ridículo. Na temporada passada, antes do time se desesperar contra o Orlando, o Cavs tinha um ataque muito simples mas muito eficiente, com bastante movimentação e participação ativa do Mo Williams com a bola nas mãos. Nessa temporada voltaram a ser o time limitado de antes.

Não custa lembrar que quando o ataque do Cavs começou a funcionar no ano passado o Mike Brown creditou todo o sucesso a seu assistente técnico John Kuester, que treinava o ataque da equipe. Para essa temporada Kuester foi embora para ser o técnico principal do Detroit Pistons e o ataque do Cavs voltou a piorar. Também não custa lembrar que na NBA existe uma pequena maldição onde os técnicos eleitos como melhores de uma temporada costumam ser mandados embora um ou dois anos depois. Foi assim com Avery Johnson, Mike D'Antoni, Hubie Brown, Rick Carslile...

Dependendo do substituto essa maldição até que cairia bem para o Cavs.

Notas:
New Jersey Nets: Brook Lopez, Yi Jianlian e Devin Harris foram soberbos por 3 quartos, pareciam um timaço. Mas no fim deixaram escapar uma diferença de 17 pontos para o Wolves. O novato Flynn e Al Jefferson com um tocaço no último minuto resolveram a parada.
Damien Wilkins: Mais que coadjuvante no Wolves, não faz juz ao sobrenome mas ganhou um rebote ofensivo na sua mão e fez o primeiro arremesso vitorioso de último segundo da temporada.
DeJuan Blair: Apelidado por mim de "O bruxo", assombrou todo mundo com um belo double-double na sua estréia. Valiosos minutos de descanso para o Duncan à vista.
Tim Hardaway: O Mr. Crossover teve sua camisa 10 aposentada no Miami Heat.
Carmelo Anthony: Não tratou o Paul Millsap muito bem.


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Rápido no gatilho

Se você não chorou com a primeira bola
ao alto da temporada, não tem coração



Finalmente começou mais uma temporada da NBA, com quatro jogos na primeira rodada ontem e a gente aqui curtindo como se tivéssemos 4 anos de idade e fosse véspera de Natal com a Alinne Moraes de Mamãe Noel (se você quer acompanhar também, dê uma olhada em nosso post sobre como assistir aos jogos na TV e na internet). A empolgação é tão grande que nosso Twitter fervilhou de comentários durante as partidas e eu não vejo a hora de poder começar a fazer previsões. Não deveria começar ainda porque os primeiros jogos não valem muita coisa, os times ainda estão se acostumando com os novos elencos, pegando o jeito da coisa, e qualquer comentário ou palpite agora é precipitado e desnecessário. Mas sabe de uma coisa? Com um sabor subversivo na boca, típico de quem acorda de madrugada para abrir os presentes de Natal antes da hora, vou listar todas as minhas impressões precipitadas, apressadas e desnecessárias sobre as equipes que jogaram ontem. Para quê esperar se a gente pode errar agora mesmo? Não é como se eu fosse esperar para opinar com mais cautela e fosse acertar alguma coisa mesmo...

- O Ron Artest se encaixou no esquema dos triângulos do Lakers de um jeito bastante diferente do Trevor Ariza, o que vai exigir um tempo para todo mundo acostumar. Se a gente lembrar que em seu primeiro jogo com a equipe, quando tinha acabado de ser trocado no meio da temporada, Ariza parecia que já tinha jogado com o técnico Phil Jackson a vida inteira, o encaixe do Artest parece ainda mais complicado. No Houston, que colocou em prática ontem o esquema "corra pela sua vida", o Ariza tem muito mais dificuldade de criar o próprio arremesso do que o Artest tinha, e mal conseguiu pontuar. Ou seja, os dois times deveriam destrocar de jogadores imediatamente!

- O Greg Oden cometeu 5 faltas, é verdade, mas passou 26 minutos em quadra - uns 20 minutos a mais do que ele costumava passar porque cometia faltas quando coçava o nariz. Ele ainda faz um monte de besteira, de perder a bola a ficar parado olhando com cara de babaca, mas é notável o cuidado muito maior que ele está tendo em seus movimentos defensivos para não descer a marretada em ninguém. Simplesmente estar presente em quadra já muda bastante a postura defensiva do Blazers, então é bom sinal para a equipe o amadurecimento do Oden nesse sentido. Para aqueles que duvidam do nosso vovô favorito, podem ficar tranquilos!

- A campanha "Gilbert Arenas com média de 10 assistências por jogo" continua em bom caminho. Foram 9 no primeiro jogo, e isso sem deixar de ser o cestinha da equipe. Um leitor nosso perguntou se ele dá primeiro 10 assistências pra se livrar logo e depois volta a arremessar como um maluco, do jeito que ele gosta. Mas o bizarro é que o Arenas está muito mais controlado e inteligente em quadra, vai ser um dos líderes da NBA em assistências numa boa (pode muito bem ser o grande líder ao fim da temporada) e tudo isso enquanto o Wizards fica lá no topo do Leste.

- O mundo que me desculpe, mas continuar colocando o Mavs como um dos favoritos da Conferência Oeste é tipo acreditar na virgindade da Sandy: a gente sabe que não rola, mas tem gente que prefere fingir que é real para ter alguma esperança na humanidade. O Shawn Marion faz o trabalho sujo, mas milagre não tem.

- O Rockets vai ser o time mais asqueroso de se assistir em toda a NBA, vou ter que ver todas as partidas num banheiro porque vai dar até diarreia. Mas isso não quer dizer que a equipe não vai dar certo, ganhando uma quantidade considerável de jogos. Sem pivô, o Houston usa o Chuck Hayes na posição, um cara chato que fica desviando passes, cutucando, caindo, trombando, tornando o jogo uma grande luta de sumô de anões (ontem o Greg Oden perdeu a paciência com o nanico do Hayes torrando o seu saco). E com o garrafão mequetrefe o time acaba ficando na linha de três pontos, onde as coisas não costumam ser muito boas para a equipe. Vários times vão acabar perdendo para a correria, para a profundidade da equipe (todo mundo é carregador de piano e especialista em alguma coisa), mas não vai dar pra levar a sério e nem ter estômago de assistir, até o Bucks vai ser mais divertido.

- O Celtics é bom demais, todo mundo que disse que eles não vão ser campeões esse ano tem memória curta. Eles levam o Leste esse ano numa boa, mas é claro que para escrever isso eu me esqueci do Magic. Vai ver que meu cérebro só pode lembrar de uma dessas equipes de cada vez, é uma lei da física. E por falar nisso, achei que existia uma lei da física que impedisse Shaq e Ilgauskas de ficarem em quadra ao mesmo tempo, mas não, o gênio do técnico Mike Brown deixou os dois juntos um tempão. Que tal a experiência? Uma dica: fedeu.

- O LeBron James vai ser o melhor jogador de defesa do ano. Todo mundo percebeu nos playoffs que o Dwight Howard não é grande defensor coisa nenhuma, ele apenas pega rebotes e distribui tocos geralmente nos jogadores que ele não está marcando. Mas tudo bem, é um erro comum, em geral o prêmio acaba indo para quem parece jogar bem na defesa mas no fundo não é tudo isso. E é justamente por isso que o LeBron vai ganhar, ele está empolgado, distribuindo tocos a torto e a direito (já deu uma passadinha no nosso Tumblr hoje para ver os dois tocos do LeBron ontem?) e destruindo nas suas ajudas defensivas e roubando bolas cortando as linhas de passe. Não precisa nem marcar o homem dele, ninguém vai perceber até o prêmio já ter sido entregue.

- O circo do Clippers parece dar sinais de que pode dar certo. Os jogadores sempre pareceram uma mistura aleatória mas agora dá pra ver que é talento demais junto para não funcionar pelo menos um pouquinho. Sinal de que o Clippers daria certo: a maldição teve que contundir o Blake Griffin porque senão era capaz deles ganharem do Lakers.


Primeira noite de jogos e já arrisco campeão do Leste, prêmio de melhor defensor, líder de assistências, time mais feio, e o sucesso do Greg Oden. Pressa? Coragem? Burrice? Provavelmente um pouco de tudo. Se algum palpite te ofendeu, no entanto, não se preocupe. Hoje a noite tem mais uma rodada de jogos e posso mudar completamente de opinião sobre tudo. Não é divertido? Ah, que saudade da NBA...

terça-feira, 27 de outubro de 2009

NBA na TV e na Internet

Atualizamos o nosso post que ensina onde ver a NBA na Internet e na TV. Nesse ano tem novos canais na TV a cabo e até mais opções na internet. Os links alternativos não ficaram de fora.


Preview da Temporada - Divisão Atlântica

Rasheed parece até menos biruta com a camiseta do Celtics
(é que o Garnett deixou nosso padrão de loucura alto)



Enfim, o último preview para a gente poder acompanhar a temporada que começa logo mais, às 21h30, com Celtics e Cavs. Rá, conseguimos cumprir a promessa de entregar todos os previews a tempo, o que certamente causou uma fissura no espaço-tempo pior do que quando os Caça-Fantasmas cruzam os raios. Se você não acredita, pode abusar da barra de rolagem e conferir, lá embaixo no blog, todos os 6 posts dos nossos previews em sequência, descrevendo como seria a temporada "filme pornô" e a "drama mexicano" de todos os times da NBA. Ou seja, como seria a temporada perfeita, sabor Viagra, e como seria a temporada horrorosa, sabor veneno no vinho para o irmão gêmeo maligno ficar com a herança. Vamos ler rapidinho antes da temporada começar?

Divisão Atlântica

Boston Celtics
Temporada Filme Pornô: O time já foi campeão uma temporada atrás, antes do Garnett contundir, então já é um filmaço de sucesso que entrou na história, tipo "Garganta Profunda". Dá pra repetir a dose, mas dá pra fazer ainda melhor: com Rasheed Wallace o time é mais versátil no ataque, graças às suas bolas de três pontos, e mais versátil na defesa, graças à sua possibilidade de marcar pivôs. Com ele motivado por Kevin Garnett - o homem que bebeu energético pelas orelhas - não haverá corpo-mole, apenas dedicação em quadra e um Rasheed que não vemos há anos e que poderia ser uma das maiores estrelas da NBA se quisesse. Rajon Rondo vai ser All-Star, vencer jogos sozinho, ser o novo Jason Kidd - ou seja, fazer vários triple-doubles sem saber arremessar - e dominar partidas enquanto as estrelas de verdade sentam no banco e fazem tricô. Essa é a temporada para todo mundo jogar menos minutos, ganhando os jogos com mais facilidade, e chegar com muito gás e saúde para os playoffs pra ser campeão sem problemas.

Temporada Drama Mexicano: Rasheed Wallace pode não se encaixar na equipe, não conseguir jogar com intensidade, não gostar de ser reserva, não acertar os arremessos. Ray Allen pode entrar naquelas sequências em que ele não acerta nem o dedo no nariz, nenhuma bola entra e ele fica imprestável. Garnett pode se machucar de novo e deixar o time sem energia e sem técnica no garrafão. Glen Davis pode tropeçar e esmagar o banco de reservas, ou então engolir o Rajon Rondo quando estiver numa crise de fome. E mesmo assim o time chega nas semi-finais do Leste, e como favorito!


Toronto Raptors
Temporada Filme Pornô: De pornochanchada brasileira com a Vera Fischer, o Raptors se tornou uma bela produção da Brasileirinhas com gente de futuro como a Vivi Fernandes, que nunca foi tudo isso mas pode render horrores dependendo do que se filma. Nada de Shawn Marion, Kapono e Anthony Parker: na temporada perfeita, o Raptors terá um Chris Bosh (que ganhou músculos desde a última temporada) ajudado pelo Turkoglu, que mesmo em seus piores momentos ainda sabe criar para si mesmo e tem os culhões para decidir jogos no final com um grande arsenal de jogadas diferentes. Andrea Bargnani (que é nome de atriz pornô) terá finalmente a sua temporada de "o novo Nowitzki", com um sensacional jogo ofensivo e com sorte até pegando rebotes, enquanto Jose Calderon ficará saudável e será ajudado pelo Jarrett Jack, que sabe pontuar. Com Amir Johnson ajudando o garrafão que era magrela e o novato DeMar DeRozan trazendo sua força nominal e explosão física, o Raptors vai ter um dos melhores e mais eficientes ataques da NBA aliado à força no garrafão e profundidade do elenco, o bastante para uma segunda rodada de playoffs.

Temporada Drama Mexicano: Perceber que o Turkoglu não é lá grandes merdas pode abalar esse time, que precisa desesperadamente de um cara para decidir os jogos, dar ordens e querer ficar com a bola na mão. O Andrea Bargnani vai ser só mais um europeu que arremessa de longe mas não aguenta levar porrada, não pega rebotes e foge do garrafão, e o Jose Calderon vai machucar e deixar o time nas mãos do Jarrett, que de armador não tem nada. O Bosh odeia jogar de pivô, não tem saúde pra segurar o time sozinho, e aí além do time ficar nas últimas posições do Leste, o Bosh decide ir embora e assina com outro time ao fim da temporada.


Philadelphia 76ers
Temporada Filme Pornô: De volta da enfermaria, o Sixers recebe o Elton Brand, que até ir para o Sixers era o jogador mais consistente do planeta. E de volta do cemitério o Sixers recebe o Jason Smith, que não jogou uma partida sequer na temporada passada. Isso só pode ser bom sinal, e a temporada perfeita ainda terá Iguodala indo para o All-Star, Thaddeous Young sendo o novo Rashard Lewis (mas sem um salário absurdo) e o Marreese Speights mantendo o nível surreal da pré-temporada, em que ele mostrou que é um Elton Brand mais rapidinho. Com tanto talento, o time ainda terá Louis Williams como a reencarnação do Allen Iverson, um armador nanico que vai penetrar, pontuar e dar o que falar, como filme pornô com anões. Dá pra passar da primeira rodada dos playoffs, até porque mesmo quando o time fede às vezes continua dando certo, é tipo o Clippers mas ao contrário. Só que dessa vez com a famosa Princeton-offense, que o técnico Eddie Jordan vai implementar e que chuta uns traseiros.

Temporada Drama Mexicano: O Elton Brand esfarela o joelho de novo, fica fora por toda a temporada. Não há armador na equipe, com o Louis Williams tendo que assumir o time porque o Andre Miller deu o fora. O Williams não tem gabarito nem pra ser reserva, cérebro nem pra ser Big Brother, e vai complicar ainda mais um time que já não sabia muito bem o que fazer em quadra. Como é que um armador sem noção como o Williams vai entender a Princeton-offense, o ataque mais complexo da história do basquete? Na prática eles vão continuar sem arremessadores de três pontos, tacando a bola pra dentro do garrafão e não tendo ninguém pra pontuar lá porque o Elton Brand vai estar de férias no Havaí - numa maca, claro. Não seria surpresa alguma eles não irem para os playoffs.

New Jersey Nets
Temporada Filme Pornô: O potencial é para ser um filme dos bons, e ainda com uma chinesinha, o que é ótimo para quem tem o fetiche. Na temporada perfeita, o Yi Jianlian será titular absoluto e vai jogar tão bem quanto estão dizendo por aí que ele está jogando nas férias, em que passou treinando o tempo inteiro e chutando traseiros nos rachões em New York. Junto com ele, Brook Lopez vai formar um garrafão absurdo, já que o Lopez vai para o All-Star Game, vai se tornar o melhor pivô do Leste (mais completo e refinado do que o Dwight, é que o mundo nunca percebeu), e vai ter o benefício de jogar com um dos melhores armadores da NBA, que é o Devin Harris, o homem que ataca o garrafão com o ímpeto de uma atriz fogosa. Nada de Vince Carter, mas agora o Nets terá Douglas-Roberts, que enfim terá minutos para provar que é um dos melhores pontuadores que o jogo já viu, e Courtney Lee, que já foi estrela de jogo de playoff para o Magic e ficou tão puto de ser trocado que é bem capaz que ele se torne o novo Gilbert Arenas só de birra. Fora o novato Terrence Williams, que vem de uma ótima pré-temporada. Ou seja, um filme pornô cheio de ninfetas que pode até arrancar uma vaga nos playoffs quando ninguém imaginava possível.

Temporada Drama Mexicano: O Devin Harris pontua mas não passa a bola, o Yi Jianlian mostra que eu só acredito que ele vai dar certo porque tenho fetiches por chineses gigantes, e ninguém no elenco com idade para beber sabe pontuar. Todo mundo faz cocô nas fraldas durantes os jogos, um rouba a chupeta do outro, e o time não dá certo (menos o Brook Lopez, esse eu acredito mesmo) porque ninguém tem experiência fora do Jardim de Infância. Mas mesmo assim o Nets briga de longe pela última vaga dos playoffs, só pra perder no final e os bebês chorarem ainda mais.

New York Knicks
Temporada Filme Pornô: Podem me bater, mas na temporada perfeita o Knicks tem Nate Robinson e David Lee destruindo como as estrelas do time, o Danilo "Xará" Gallinari finalmente jogando basquete e virando o quadragésimo Dirk Nowitzki reencarnado, o Wilson Chandler virando um jogador completo e acertando bolas de três pontos até de costas, e o Duhon provando para todos que o Nash é uma enganação e que basta jogar para o técnico D'Antoni para ser uma estrela. E mesmo assim o Knicks fica fora dos playoffs. É tipo pornô com gordas, tem gente que gosta, dependendo de quem você é rola até um charme, mas não dá pra levar a sério.

Temporada Drama Mexicano: David Lee e Nate Robinson se sentem traídos pelo time, que na expectativa por um futura estrela não quis dar o dinheiro que os dois mereciam. Assim, eles fazem corpo mole porque sabem que o time não vai dar em nada e só quer convencer o LeBron mesmo, que por fim fica mesmo no Cavs. Descobre-se que o Gallinari é na verdade apenas um pirralho branco e magrelo, como exames pictográficos antes apontavam, e aí desistem do moleque. Eddy Curry passa fome e come o resto do elenco, o estádio do time e metade da cidade de New York, mas quando a outra metade da cidade percebe que o Jared Jeffries é titular, decide se matar por conta própria mesmo.

Preview da Temporada - Divisão Central

Só as cachorra!

A temporada começa hoje, terça-feira, então a gente aqui do Bola Presa está correndo contra o tempo. Ficamos na preguiça, coçando o saco e pesquisando atrizes pornôs, e aí de repente a temporada já está para começar e não temos todos os previews terminados. Então fique de olho, que até a noite dessa terça, antes da temporada começar, todos os previews estarão aqui para você poder acompanhar direitinho a primeira rodada do nosso ópio favorito.

Como sempre, os times são listados na ordem em que achamos que acabarão a temporada dentro de cada divisão, começando com o primeiro colocado e terminando com o último. A temporada "filme pornô" descreve como seria a temporada sonho de qualquer adolescente com espinhas na cara, enquanto a temporada "drama mexicano" descreve como seria a temporada horrorosa que só tua tia solteirona que passa o dia vendo novela poderia imaginar. Vamos lá!

Divisão Central

Cleveland Cavaliers
Temporada Filme Pornô: O LeBron James continua evoluindo mais rápido do que Pokémon, mas dessa vez com um jogador de garrafão que pelo menos gosta de ficar no garrafão, que é Shaquille O'Neal. Shaq se beneficia do basquete lento de meia quadra da equipe, e nem se preocupa em correr nos contra-ataques porque o LeBron cuida da velocidade depois do Shaq dar uma força na defesa. Delonte West volta da sua depressão querendo punir o mundo por ser tão idiota, e para isso chuta traseiros nas quadras de basquete se tornando o arremessador de três pontos de que a equipe precisa. Com Anthony Parker e Jamario Moon, o Cavs faz um time profundo demais para os adversários, Ilgauskas agradece os minutos de descanso no banco para se tornar o melhor pivô reserva da NBA, Leon Powe e JJ Hickson reforçam o garrafão, o Cavs bate o recorde de maior número de vitórias da história da NBA e LeBron é consagrado como sendo melhor do que o Jordan, provando até que tem um pinto maior.

Temporada Drama Mexicano: O Shaq deixa o jogo do Cavs mais lento, atrapalha as infiltrações do LeBron e começa a passar mais tempo no banco de reservas com a desculpa de que é pra "poupar seu físico pros playoffs". Delonte West amanhece numa forca e o time depende do Anthony Parker, que não acerta nenhum arremesso - assim como o Jamario Moon, que nunca soube arremessar. Sem ninguém efetivo na linha de três pontos, o LeBron tem que lidar com tudo sozinho e ainda puxar a orelha do Mo Williams, que só não parece fominha quando as coisas estão dando certo, mas é um maluco quando as coisas estão dando errado. O mundo percebe que por baixo do cabelo do Varejão existe apenas um alienígena que não sabe jogar basquete muito bem e aí, por precisar contar demais com os reservas, o Cavs perde na semi-final do Leste num jogo de azar em que o LeBron vai ser chamado de fracassado e ridículo e vai ter que lamber cocô de cabra dos tênis do Jordan.


Chicago Bulls
Temporada Filme Pornô: Com o Derrick Rose comandando a suruba, o time vai melhorar um absurdo apenas por causa de sua maior experiência com a NBA. Ninguém vai perceber que o Ben Gordon foi embora porque finalmente o John Salmons vai receber a admiração que merece, fazendo um trabalho muito mais completo, ajudando na pontuação, na defesa e nos rebotes. E aí quando chegarem os momentos decisivos, o Jannero Pargo vai arremessar como um maluco, deixar todo torcedor puto da vida, mas no fim vai dar certo e o Ben Gordon não vai fazer falta nem pra fechar os jogos e nem pra deixar torcedor nervoso. Os novatos James Johnson e Taj Gibson vão manter o nível altíssimo que mostraram na pré-temporada, ajudando dos dois lados da quadra, e junto com o melhor armador reserva da NBA, Kirk Hinrich, vão criar um dos times mais profundos que a NBA já viu, e tudo sem uma estrela, com o Derrick Rose bem humilde e jogadores brigadores como Joaquim Noah e Tyrus Thomas apenas fazendo o trabalho sujo. Todo mundo vai dizer que eles são o novo Pistons e aí eles perdem nas semi-finais do Leste para o LeBron pra provar que todo mundo acertou.

Temporada Drama Mexicano: Sem nenhuma estrela e com o Derrick Rose incapaz de levar sozinho a carga ofensiva do time, o Bulls se arrepende amargamente de ter se livrado do Ben Gordon, que era o único cara que sabia pontuar na equipe. O time inteiro fica arremessando de três pontos sem critério e os pivôs Noah e Tyrus Thomas mostram o mesmo defeito que a equipe tem há uma década: não sabem fazer pontos no garrafão. Com isso o time vai apanhando, o Derrick Rose tem que brincar de Tony Parker e ficar penetrando no garrafão, até ser acertado pela nova encarnação do cotovelo do Mutombo (pode ser o cotovelo do Pops Mensah-Bonsu) e ficar fora pelo resto da temporada, quando então o time é eliminado sem esforço na primeira rodada dos playoffs.


Indiana Pacers
Temporada Filme Pornô: Trepa bonita, bem feita, com posições sensacionais, apetrechos, várias raças, tamanhos e diversões - mas tudo filmado numa câmera vagabunda no fundo do quintal, com o dono da casa fazendo churrasco no fundo e o barulho do vizinho ensinando matemática para a filha. Divertido, quase imperdível, mas não é todo mundo que tem saco de ver um filme caseiro desses que obviamente deu errado. No mundo ideal, o Danny Granger vai ser um espetáculo, o cestinha da NBA, vai ganhar vários jogos sozinho, ser All-Star e vender milhões de camisetas. O Troy Murphy vai manter suas memórias de como jogar basquete acertando trocentas bolas de três pontos enquanto ainda lidera a NBA em rebotes, Dunleavy mostra que é mesmo o novo Larry Bird que esperamos há anos, e o Roy Hibbert se firma como o melhor pivô do Leste atrás apenas de Dwight Howard. O TJ Ford enferniza os adversários, não faz muita merda, o time parece o Suns de antigamente e eles fazem 200 pontos por partida sem nem pensar em defender, e tudo dá tão certo que eles conseguem a última vaga pros playoffs. No sufoco.

Temporada Drama Mexicano: O TJ Ford não tem cérebro, ele é uma máquina de correr, infiltrar, fazer merda e não saber arremessar mas tentar mesmo assim. Ele enlouquece o elenco, que não tem nenhum reserva decente, e continua em quadra mesmo assim. O Troy Murphy tem seu talento roubado pelos Monstars do "Space Jam" de novo (quem tem memória sabe que ele já teve seu talento roubado uma vez, e só foi devolvido sem alarde na temporada passada), o Dunleavy mostra que pode ser um baita jogador mesmo mas continua contundido como aconteceu na temporada anterior, e o Roy Hibbert ganha o prêmio de melhor Greg Oden do ano não conseguindo passar 30 segundos em quadra sem cometer dez mil faltas e ser expulso do planeta. Aí o time começa a reconstruir de novo até que alguém lembre que eles podem montar times legais se não forem atrás só de monges budistas que alimentem os gatinhos e ajudem velhinhas a atravessar a rua (dá saudade do Stephen Jackson, não dá, Pacers?).


Detroit Pistons
Temporada Filme Pornô: Filme de sexo hardcore com uma loira gigante peituda, um anão de pinto enorme, um travesti com olho de vidro e um urso. Como diabos isso pode dar certo? Mas talvez dê. O Pistons tem gente demais para posições de menos, com Will Bynum e Rodney Stuckey para jogar de armador e marcar trocentos pontos, Richard Hamilton e Ben Gordon para a outra vaga na armação, Tayshaun Prince e sua versão feita na máquina de clones chamada Austin Daye na ala, e Villanueva, Wilcox, Maxiell, DaJuan Summers e até o Kwame para jogar no garrafão. Todo mundo tem talento, e se isso encaixar direitinho pode ser um time com muita profundidade, muitas opções, muitos pontuadores, e um banco de reservas enorme com muita gente nova e cheia de energia. Dá pra levar a pirralhada para os playoffs se um milagre acontecer, e aí todo mundo ganha experiência e passa de nível.

Temporada Drama Mexicano: Não dou nem 5 minutos para o anão acabar cegando o travesti quando o urso subir na perna da loira gigante. Esse Pistons é uma bagunça e não vai dar certo nem de longe, é uma droga. Will Bynum e Stuckey são jogadores muitíssimo parecidos e deixa eu te dizer uma coisa, nenhum deles é grandes merdas não. O Rip Hamilton não sabe o que está fazendo nesse bacanal, não sabe se fica, se é trocado, se é reserva, se é titular, se fode ou se sai da moita, enquanto o garrafão é uma coleção de jogadores que não deram certo e que não tem qualquer tipo de técnica, como Wilcox e o Kwame Brown, que eventualmente antes de 2050 vai deixar de receber a confiança de técnicos e torcedores malucos. O Villanueva sabe jogar mas só se basquete virar um esporte individual como tênis, então essa tentativa apressada de reconstruir o time vai apenas queimar um monte de pirralhos enquanto o Ben Gordon recebe minutos para arremessar como um débil mental e o Pistons vai parar lá perto do último lugar do Leste.


Milwaukee Bucks
Temporada Filme Pornô: Sabe vídeo pornô de 15 segundos que a gente baixa da internet em sites gratuitos? Lembra do tempo em que a internet era apenas uma grande coleção desses vídeos em que você tinha que se satisfazer bem rapidinho? O Bucks vai ser um time rápido, veloz, de correria, com a delícia do Brandon Jennings armando o jogo com seus passes espetaculares, o Michael Redd mostrando toda sua técnica e profundidade no jogo ofensivo, e a nova aquisição Hakim Warrick enterrando como um maluco e indo parar nas melhores jogadas da semana. Mas vai durar pouco, como pornô de 15 segundos. Não dá pra assistir time que só perde, o garrafão depende unicamente do Bogut, vai ter horas em que o basquete do Bucks vai ser uma porcaria, e na melhor das hipóteses eles não ficam em último.

Temporada Drama Mexicano: O Joe Alexander tinha tudo para enterrar até derrubar alguma tabela na temporada, mas já começa machucado e deve passar meses fora. O Bogut é um bom pivô, embora limitado, e deve se machucar na primeira semana porque ele não consegue ficar saudável. E todos os reservas são horríveis, tornando o Bucks um dos times mais divertidamente frágeis da NBA. São a empregadinha que apanha do patrão, apanha feio, e mantém um sorriso no rosto porque vai tentar uma boa escolha de draft ano que vem e dar minutos pro Jennings deixar o time famoso no Top 10 de vídeos da NBA. Nada mais.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Preview da Temporada - Divisão Noroeste

Chris Andersen já entrou no clima de temporada pornô


Ok, esse já é o quarto preview da temporada então vou tentar explicar de forma cada vez mais sucinta como funciona o nosso preview: 6 divisões, 6 posts. Times listados na ordem que vão acabar a temporada. Temporada pornô é a ideal, temporada drama mexicano é a pior possível. Mais curto que isso só post-pílula do twitter.

Divisão Noroeste

Denver Nuggets
Temporada Filme Pornô: Tudo começa com o Arron Afflalo fazendo exatamente o que o Danthay Jones fazia, defesa e defesa, mas tudo pela metade do preço e mais a força nominal de brinde. O time, que dessa vez teve toda uma preparação com o Billups, já começa a temporada em forma e dispara para conseguir a primeira colocação na conferência e mando de quadra nos playoffs. Enquanto Lakers, Spurs e Mavs se ajustam aos novos contratados e ficam para trás.

Nos playoffs, JR Smith mostra que finalmente aprendeu a jogar basquete e não só jogar a bola pra cima e enterrar. Com 10 assistências ele é decisivo no jogo 7 contra o Lakers em Denver e o Nuggets vence a conferência. Nas finais Carmelo Anthony se mostra decisivo como quando foi campeão pela NCAA e joga pro lixo a fama de fominha perdedor que ganhou na NBA.

Temporada Drama Mexicano: Chris Andersen se rende ao mundo das drogas novamente e o Nuggets então se descobre com o pior banco de reservas dentre todos os times decentes da NBA. A cada contusão, suspensão ou licensa maternidade o time se vê obrigado a usar Johan Petro, Anthony Carter ou Malik Allen no time titular. Nos playoffs o time complica a vida dos grandes mas falha porque não aprofundou o elenco na offseason como seus rivais.


Portland Trail Blazers
Temporada Filme Pornô: O Portland não é só um filme pornô, é um filme pornô com ninfetas. Barely legal, 19 aninhos com cara de 17 assombrando a indústria pornográfica mundial. Mônica Mattos é favorita mas essa garota já tem um ano de experiência na vida e chega com muito talento e nada a perder (além de jogos de basquete, claro).

A temporada regular ideal do Blazers é, em números, a mesma do ano passado: ir para os playoffs com mando de quadra. A diferença tem que estar lá na hora de decidir, quando o time sentiu a pressão e jogou muito mal contra o Rockets. Para isso acontecer o Greg Oden precisa deixar de se machucar a cada lua cheia e começar a se impôr como uma força defensiva. Se ele for metade do pivô que as pessoas (presente!) pensavam que ele iria ser, o Blazers está feito.

Uma temporada perfeita também pede uma boa adaptação do Andre Miller. Tem tudo pra dar certo porque ele é um organizador, sabe achar o cara certo no lugar certo e caras assim costumam funcionar bem em times que tem talentos em todas as posições como o Blazers.

Temporada Drama Mexicano: Mas não esqueçamos o fato do Andre Miller ser lento e não ter arremesso de longe. Isso passa uma sensação imediata de que ele irá se embolar com o Brandon Roy no ataque de meia quadra. Não à toa, o técnico Nate McMillan já disse que Miller começa a temporada no banco com o Steve Blake de titular. Pegar um recém-contratado milionário e jogá-lo no banco de reservas é pedir um bom drama.

A pior temporada possível do Blazers começa com o Andre Miller choramingando por espaço no time titular e acaba com o Pryzbilla de pivô titular assistindo o time cair novamente na primeira rodada dos playoffs.


Utah Jazz
Temporada Filme Pornô: Em todo filme pornô uma discussão (mal encenada) é apenas um pretexto para um sexo ainda mais animal! Boozer e Okur não pensarão mais em Free Agency e irão jogar como se não houvesse amanhã. Juntos formam um dos melhores garrafões de toda a NBA e com a ajuda do Paul Millsap meterão medo (só medo, não meterão mais nada!) até no trio K-Mart, Nenê e Chris Andersen, a trinca mais mal-encarada da temporada passada.

Deron Williams finalmente disputa um All-Star Game e volta a transformar a sua eterna comparação com o Chris Paul em uma discussão de verdade. Andrei Kirilenko resolve que está afim de jogar basquete de novo e transforma o Jazz em uma potência defensiva. A torcida safada, cachorra e mal educada volta a ser também a mais barulhenta e o Jazz ameaça uma vaga na final do Oeste.

Temporada Drama Mexicano: Com um mês de temporada o Boozer resolve que cansou do frio das montanhas e pede uma troca. Acaba indo para o Heat em troca do Udonis Haslem e um scanner. O time desanima achando que não tem mais chance e o Kirilenko se preocupa mais em saber com quem irá usar seu vale-traição anual que sua namorada cede do que em jogar basquete.

Com um clima ruim na equipe Okur também se desinteressa pela temporada e Deron Williams tenta resolver tudo sozinho. O Jazz vira mais um time talentoso e com potencial enorme destruido por seus próprios jogadores.


Minnesota Timberwolves
Temporada Filme Pornô: Com toda a justiça do mundo, o Al Jefferson é eleito pivô do Oeste no All-Star Game, deixando Bynum, Nenê e Oden pra trás. Kevin Love volta de contusão em bom ritmo e faz a melhor dupla juvenil de garrafão da NBA Sub-20. A atriz pornô desconhecida Jonny Flynn faz cenas impressionantes e faz o público esquecer que sua contratação atrapalhou o contrato com Ricky Rubio, que era praticamente a nova Jenna Jameson.

Como cereja no bolo o Ryan Gomes se consagra como o melhor jogador de sobrenome latino da liga e o Corey Brewer joga bem como jogou na pré-temporada. Aliás, alguém mais reparou que ele jogou muito bem na pré-temporada? Se tudo der certo assim eles ficam na frente do Thunder, que todo mundo aposta como time que mais vai evoluir na temporada.

Temporada Drama Mexicano: Kevin Love passa mais tempo machucado do que o esperado e o garrafão, que deveria ser o forte do time, vira ponto fraco. Marcado como saco de pancadas da NBA, o técnico decide usar todos os titulares pivetes em todos os 48 minutos de jogo "para dar mais experiência" e todos tentam suicídio por cansaço e desgosto.

Em crise emocional o time perde, não desenvolve seus pivetes e mais uma vez não ganha a primeira escolha no draft. Kurt Rambis volta a usar óculos.


Oklahoma City Thunder
Temporada Filme Pornô: Os menininhos cresceram e até sabem listar os melhores filmes de cada grande atriz citada nessa série. Kevin Durant e Jeff Green estão no terceiro ano de suas carreiras e em momento de virarem grandes estrelas, Russell Westbrook já foi espetacular no primeiro e a eles soma-se o talentoso James Harden. Os 4 são ótimos e a união de seus poderes é impressionante, mas falta um garoto sul-americano para poder chamar o Capitão Planeta. Se o garoto sul-americano tiver 2,15m e for um baita pivô, melhor ainda.

No mundo perfeito do Thunder, o Nenad Krstic quebra o galho o suficiente de pivô e eles se tornam um time que não é vencedor mas que pelo menos arranca algumas vitórias de times grandes e que é divertido de ver jogar, o Pacers do Oeste.

Temporada Drama Mexicano: A maldição da franquia roubada não perdoa o Thunder e não importa quantos talentos eles coloquem no elenco, as derrotas virão. Acostumados a perder desde o primeiro segundo em que pisaram numa quadra da NBA, como as empregadinhas mexicanas que sofrem desde o primeiro capítulo nas mãos de patroas cruéis, o Thunder só irá conhecer a verdadeira felicidade no último capítulo. Mais ou menos lá pela temporada 2015-16.

sábado, 24 de outubro de 2009

Preview da Temporada - Divisão Sudoeste

Richard Jefferson (o da direita) mostra a diferença
entre uma bola e a sua cabeça de Tartaruga Ninja


Pra quem chegou por último e por isso é a mulher do padre, estamos postando diariamente nossos previews para a próxima temporada, que começa dia 27 de outubro. São seis posts cobrindo todos os times da NBA e, por enquanto, já entregamos na sua casa a Divisão Sudeste e a Divisão Pacífico, então coma enquanto está quentinho.

Em cada time fazemos um exercício de imaginação para analisar como seria para a equipe uma "Temporada filme pornô", em que tudo dá certo e uma ida ao dentista vira um bacanal com a secretária, e a "Temporada drama mexicano", em que tudo dá errado e mesmo quando alguém ganha na loteria não consegue comer a Maria Joaquina.

Apresentamos os times na ordem em que achamos que eles terminarão em suas divisões, do primeiro ao último colocado. Assim palpitamos sobre quem vai se sair melhor e podemos receber críticas daqueles fãs chatos que acham que o Grizzlies pode ser campeão. Então prepare sua pentelhação e vamos dar uma olhada na Divisão Sudoeste, do coitadinho do meu Houston Rockets:

Divisão Sudoeste

San Antonio Spurs
Temporada Filme Pornô: O Duncan não apenas para de envelhecer mas também volta no tempo, come a Sylvia Saint na época em que ela estava na indústria, e volta a dominar jogos tanto na defesa quanto no ataque. Saudáveis e viris, Tony Parker e Ginóbili não perdem jogos e nem ritmo. Parker é nomeado o melhor jogador de garrafão da NBA mesmo tendo meio metro de altura e vai pro All-Star Game como o pivô do Oeste, enquanto Ginóbili ganha o prêmio de Melhor Sexto Homem jogando melhor do que muita estrela por aí e decidindo todos os jogos no final. Richard Jefferson se encaixa no papel defensivo que cabia ao Bowen, ninguém sente falta daquele defensor safado, e o Jefferson ainda pontua como um louco deixando os jogos ainda mais fáceis e o ataque do Spurs um dos melhores da NBA. De quebra, DeJuan Blair entra na briga para ser um dos principais novatos do ano porque os jogos são tão fáceis que o Duncan nem precisa passar muito tempo na quadra. O Spurs é campeão sem suar, eu me mato de chorar, e eu aqui faço piada para dar a impressão de que tudo que eu descrevi acima não é perfeitamente plausível e pode acontecer numa boa. Porque a genta sabe que pode.

Temporada Drama Mexicano: O Duncan volta a ter problemas nas pernas (é o peso da idade), Parker faz 50 pontos por jogo mas se contunde na primeira semana da temporada, Ginóbili fica contundido o tempo todo e o Richard Jefferson enlouquece o técnico Gregg Popovich por atacar demais e defender de menos, provando que o Spurs jamais será campeão de novo sem o Bowen e fazendo com que o Jefferson seja assassinado durante o sono por um Popovich maluco após a eliminação do time nas semi-finais do Oeste.

Dallas Mavericks
Temporada Filme Pornô: Mais um filme pornô com roteiro brega de viagem no tempo, Jason Kidd voltaria a ter 25 anos, insaciável e dominador (com chicotinho na mão e tudo, porque o Josh Howard precisa), e colocaria ordem na casa ao invés desse ataque cheio de jogadas individuais e correria que acaba na linha de três pontos que é o Mavs de hoje em dia. Com um general em quadra, Shawn Marion iria voltar aos tempos do Suns em que ele corria como um louco ao lado do Nash, sendo efetivo no ataque e marcando todo mundo na defesa, de armadores a pivôs. Nowitzki não teria que fazer tudo sozinho, poderia jogar mais fora do garrafão com o Marion cuidando dos rebotes dentro e Josh Howard largaria as contusões (e a maconha) em nome de um jogo mais seguro, usando camisinha. Com Gooden reforçando o garrafão e todo mundo encaixado na liderança de um Kidd 20 anos mais novo, o Mavs pode chegar numa final do Oeste, onde a experiência de Jason Terry, Kidd e Nowitzki podem falar mais alto.

Temporada Drama Mexicano: O Kidd mostra que está ainda mais ancião e que a pipa do vovô não sobe mais, o Shawn Marion vira viúva do Nash e mostra para todo mundo (eu já sabia) que ele não consegue jogar em ataques de meia quadra, e o Nowitzki vai cansando de fazer tudo sozinho e tem que jogar cada vez mais perto da cesta, onde ele apanha mais, rende menos, e se contunde mais. O time não é especialista em nada, a profundidade do time engana porque o garrafão é meia-boca, o JJ Barea se torna um Marcelinho Machado com injeção de adrenalina, e aí o Mavs é eliminado na primeira rodada dos playoffs pelo Warriors de novo, num caso de vingança em que a empregada boazinha vence a velhota mais forte e poderosa.


Houston Rockets
Temporada Filme Pornô: Essa é a hora em que todo mundo bate em mim na rua, porque se a temporada do Rockets for um filme pornô, eles terminam fácil na frente do Hornets. O time já provou que pode jogar bem sem Yao Ming, e com tudo saindo perfeitamente bem a equipe correria mais, defenderia com mais ímpeto e pontuaria em contra-ataques velozes e criativos, mil e uma posições na cama. Aaron Brooks se tornaria uma estrela, carregando a carga ofensiva da equipe, e as novas aquisições para o garrafão como o Pops Mensah-Bonsu e o David Andersen tornariam o time mais rápido e mais atlético. O time já deu certo antes sendo mais veloz e jogando sem pivô, então se o Ariza se tornar um monstro na defesa e o Brooks liderar os contra-ataques, o Ariza vai poder finalizar com enterradas perto da cesta, onde ele se sai melhor, assim como todos os outros jogadores de garrafão como Scola e Carl Landry, que podem correr bastante e deixar os outros pivôs para trás. Como cereja do bolo e palmadinha no bumbum da Vivi Fernandes, o Tracy McGrady voltaria logo de contusão jogando como um maluco (ele treinou com o mesmo cara que fez o Wade ter uma temporada de MVP ano passado, e que fez o Arenas virar uma máquina de assistências nessa pré-temporada) e lideraria o Rockets para uma honrada eliminação na segunda rodada dos playoffs, acabando com sua maldição e gozando na cara de quem tirou tanto sarro dele a carreira inteira.

Temporada Drama Mexicano: O Ariza prova que foi uma aquisição horrível, só arremessando de fora, errando tudo e mostrando que ele só rende no esquema de triângulos do Lakers, o time se perde na correria por culpa da porra-louquisse do Aaron Brooks e todos os novos pivôs do elenco se juntam para formar apenas um dedo mindinho do Yao Ming, que morre tentando levantar do sofá e cai em cima do Tracy McGrady, que fica paraplégico e todo mundo acha normal porque uma hora ele não iria conseguir mais andar mesmo.

New Orleans Hornets
Temporada Filme Pornô: Bom filme pornô tem que ter uma estrela inigualável, e Chris Paul seria eleito MVP por comandar o bacanal sozinho. Nós sabemos que o Hornets é um time que joga devagar e deixa a bola nas mãos do Chris Paul o tempo todo, então na temporada perfeita ele manteria o time em seu controle e tornaria seus companheiros melhores. Julian Wright finalmente se tornaria o jogador esperado agora que vai ser titular, atacando a cesta e sendo explosivo, permitindo que o time tenha o pontuador de que sempre precisou. Stojakovic viria do banco para se tornar um dos melhores arremessadores da NBA, provando que ele só broxa nos campeonatos de 3 pontos do All-Star, e o David West seria chamado para o All-Star de novo por continuar a ser um jogador genial mas sem sal que ninguém presta atenção e portanto não lembra de marcar. Dá pra chegar longe nos playoffs e mesmo assim perder feio para qualquer time a qualquer momento, é um sexo cheio de surpresas.

Temporada Drama Mexicano: Numa temporada de dramalhão, todo mundo acreditaria no Chris Paul e no Hornets mas o time jogaria como está jogando na pré-temporada, em que eles são fácil-fácil um dos piores times da NBA. Stojakovic gastou todas as pilhas e não acerta mais nem o próprio nome, o Julian Wright é inconsistente e não sabe arremessar, o banco é fajutíssimo, e o Okafor que veio para melhorar a defesa do garrafão nunca foi uma estrela no Bobcats e pode afundar de vez a carreira se não conseguir render nada e não der um jeito de correr como um maluco, quenem o Tyson Chandler fazia para ao menos render umas pontes-aéreas. Se o Okafor não compensar na defesa, o esquema tático que já praticamente ignora os pivôs (eles tentaram se livrar do Chandler na temporada passada pra jogar só com alas) vai fazer o coitado do Okafor afundar nesse elenco que, se o Chris Paul estiver preso, machucado ou deprimido, tem tudo pra nem ir pros playoffs.


Memphis Grizzlies
Temporada Filme Pornô: O Iverson volta a ser o maior pontuador da NBA porque ele precisa provar que não fede e colocar seu nome na história, o OJ Mayo se torna uma das maiores estrelas da NBA e fica em segundo lugar na briga para ser o cestinha da temporada, Zach Randolph volta a marcar muitos pontos com seu jogo desinteressado e fominha, se tornando um dos alas mais pontuadores da NBA, Rudy Gay passa a dominar os jogos com o físico que ele bombou pra valer desde a última temporada, e a NBA deixa os jogos terem três bolas ao mesmo tempo para que todo mundo possa pontuar enquanto Marc Gasol e Thabeet viram os novos Shaq e Mutombo do século XXI. E, com tudo isso, os céus ainda se abririam e trompetas tocariam se eles conseguissem ir para os playoffs.

Temporada Drama Mexicano: Iverson entra num duelo de ego com OJ Mayo e um nunca passa a bola para o outro, como irmãos brigando pela herança da família, e pra piorar tudo o Iverson ainda não aceitaria vir do banco de reservas e criaria um colapso na equipe. Mike Conley, que tem que liderar a maior quantidade de fominhas por metro quadrado, já começa a temporada contundido porque se lascou na pré-temporada, e se tudo der errado ele pode não conseguir voltar direito pras quadras. Zach Randolph sempre piora os times em que joga, e pode complicar a situação do Grizzlies só com sua maldição, enquanto Rudy Gay vê o circo e pede pra ser trocado. Mesmo com muito mais talento, jogadores excelentes, grandes pontuadores e estrelas em todas as posições, o time pode se sair ainda pior do que na temporada passada e acabar em último no Oeste, para então se lascar no sorteio e nem conseguir um novato de qualidade no draft - de novo.