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sábado, 21 de janeiro de 2012

Lakers e Knicks: Elencos ricos e errados

Aproveitamento de arremesso dessa foto: 8/57


Dois dos times com mais torcida, mais fãs e mais "haters" estão com um começo cambaleante de temporada. São o New York Knicks e o Los Angeles Lakers. Os dois tem diversas coisas em comum: estão rendendo menos do que o esperado, são formados por um trio de grandes jogadores, o ataque não flui em nenhum caso e os dois times tem um All-Star que quer resolver os problemas sozinho arremessando por jogo o que o Ben Wallace arremessa em uma temporada. Ultimamente eles também tem tido em comum o fato de toda culpa cair nas costas de seus técnicos.

Vamos começar com o Lakers. O novo técnico Mike Brown prometeu duas coisas para essa temporada. Uma era um esquema tático que iria misturar algumas jogadas do triângulo ofensivo que levou o time aos dois últimos títulos (não como se usassem em toda jogada também, que fique claro) e algumas jogadas que o próprio Mike Brown viu em execução quando era assistente técnico de Greg Popovich no Spurs. Ele usaria Pau Gasol e Andrew Bynum como Pop usou Tim Duncan e David Robinson. A outra promessa era de melhorar o time defensivamente.

Uma delas ele conseguiu, a segunda. O Lakers, assim como no ano passado, tem a 6ª defesa mais eficiente da NBA. Mas em números gerais melhorou no aproveitamento dos arremessos do adversário (43% para 41%) e em bolas de 3 pontos (33% para 31%). Também permite 6 pontos a menos e força mais turnovers. Mas a melhora não tem dado tanto resultado porque o ataque piorou demais. Sim, às vezes usam os triângulos, mas pouco e sem muita eficiência. Assim como têm dificuldade em usar os dois pivôs o número de vezes que gostariam.

E acho que existe um bom motivo para as duas coisas não estarem dando certo: Tanto o triângulo como o uso da dupla Gasol/Bynum exigem que um dos jogadores do time esteja posicionado no pivô, de costas próximo à cesta. Os outros jogadores devem se movimentar em volta disso ou simplesmente se afastar e dar espaço. É o chamado espaçamento da quadra, posicionamento dos atletas de uma forma que atrapalhe a defesa adversária a fazer seu trabalho. O espaçamento só dá certo se esses jogadores se posicionarem em um local onde são um risco ao adversário, obrigando um marcador a se afastar de quem tem a bola para defender uma possível ameaça. Em outras palavras, se o Metta World Peace continuar com 12% de aproveitamento nas bolas de 3 pontos o seu marcador sempre vai deixá-lo livre para embolar a defesa sobre os pivôs.

E embora o outrora conhecido como Ron Artest seja o pior, o resto do elenco não se salva. O Lakers já não era lá uma maravilha no ano passado, com 35% de acerto nas bolas de 3, mas nesse ano caiu para 25%! O que vemos no ataque do Lakers é um time que não tem velocidade para sair no contra-ataque, que não tem bolas de 3 para espaçar a quadra e nem um armador bom o bastante para ser uma real ameaça no pick-and-roll. E mesmo quando Kobe Bryant tenta ser o homem do pick-and-roll, a defesa tem dobrado nele e ajudado no pivô, deixando alguém livre na linha dos 3 pontos com a certeza do erro. Não jogo a culpa em Pau Gasol ou Andrew Bynum, é simplesmente muito difícil marcar pontos em um ataque devagar e embolado.

O Kobe Bryant tentou fazer o que pode para ajudar. Em alguns jogos tentou ser herói e usou a estratégia Allen Iverson: Vocês defendem tudo e eu ataco sozinho arremessando bolas que se qualquer outro jogador tentar fica no banco pra sempre. Venceu alguns jogos contra times mais fracos, mas contra os fortes não chegou nem perto. Nos últimos dois jogos (contra Heat e Magic) tentou ficar mais sem a bola, se movimentou sem ela e forçou menos o jogo individualmente. Foi mais eficiente, aumentou seu aproveitamento e chutou menos bolas. O Lakers continuou mal da mesma forma, não mudou nada. O buraco é mais embaixo.

Segundo os boatos da imprensa americana o Lakers ainda insiste em querer trocar por Dwight Howard. Certamente não seria ruim ter aquela potência toda ao lado de Kobe, mas não resolveria os problemas que o time tem hoje. A não ser que por um milagre divino o Ryan Anderson viesse junto na troca (um favor improvável do Orlando Magic) o time continuaria sem ameaça de longa distância. Iriam dobrar a marcação no Dwight Howard assim como fazem no Andrew Bynum e a produtividade dele iria cair. Se o Kobe vai mesmo jogar mais tempo sem a bola, deveriam procurar um armador, assim como um ala que chuta de três pontos. O problema? Mandar quem em troca disso tudo? Que time em sã consciência vai querer Steve Blake, Metta World Peace, Troy Murphy ou o assassino Josh McRoberts para mandar alguém de qualidade? Ninguém. Tem outros times por aí precisando das mesmas coisas e com peças de troca mais interessantes.

Restam para o Lakers duas opções: A primeira é trocar Pau Gasol ou Andrew Bynum por alguém numa tática cobertor curto. Resolve-se a armação ou o chute de longa distância piorando o garrafão (era o que a troca Gasol/Odom por Chris Paul pretendia). A segunda é colocar Matt Barnes e outros jogadores para arremessar 900 bolas de 3 pontos por dia e ver se eles aprendem. Com um bom aproveitamento nos tiros de longe o time não vai virar o melhor ataque da liga, mas tudo vai ficar mil vezes mais fácil.

Agora o Knicks. O problema é o mesmo? Pior que é. Vocês devem pensar "Não, imagina. O Knicks tem uma defesa ridícula, Carmelo e Amar'e não marcam ninguém! Como é a mesma coisa que o Lakers?". Pois veja bem, o Knicks tem atualmente a 11ª melhor defesa de toda a NBA. Pois é, eu também não esperava. Volta e meia o Amar'e deixa uns caras passarem batidosou faz várias faltas bobas, o Carmelo não sai na ajuda de ninguém, mas o time tem se adaptado bem e permite apenas 101 pontos a cada 100 posses de bola, 10 a menos que na última temporada.

Não é uma defesa perfeita ou sufocante, isso é óbvio. Vimos ontem como não tiveram resposta pra o Brandon Jennings, mas estão na parte de cima da tabela nesse quesito, beirando o Top 10 da liga. Seria o bastante para eles se o ataque fosse como todos imaginaram que seria. Ano passado eram o 7º melhor ataque da NBA com 110 pontos a cada 100 posses de bola, nesse ano são apenas o 24º time ofensivo da liga, com 98 pontos a cada 100 posses. A queda é absurda.

A teoria ainda é a mesma do ano passado. O Mike D'Antoni manda seu time ser veloz e eles ainda são o 3º com mais posses de bola por jogo, mas a execução está péssima. O culpado é o excesso de jogadas de isolação, ou seja, com os jogadores indo no mano a mano. D'Antoni pede que Carmelo Anthony comande boa parte do ataque, sendo o jogador com a bola em pick-and-rolls. Mas ele faz isso com Tyson Chandler, não com Amar'e Stoudemire, que se posiciona do outro lado da quadra para o arremesso de meia distância. O resultado é que Melo não é um grande passador e dificilmente faz boas jogadas com Chandler (uma ou outra ponte aérea que vai pro Top 10 mas não resolve nada) e Amar'e é pouco usado. Sem confiança para passar, Melo tenta resolver sozinho. Quando passa para Stoudemire, este faz sua jogada mano a mano com quem o marca. É simplesmente o pior jeito de usar essas duas estrelas.

Vejam esses números: O Knicks é o time que mais faz jogadas de isolação na NBA, fazendo em 16% de todas as suas posses de bola. Porém faz apenas 0.67 pontos a cada uma dessas posses, a 3ª pior marca entre todos os times. O aproveitamento dos arremessos nessas situação é de apenas 29.3%, o pior entre as 30 equipes da NBA. Não faz sentido insistir naquilo em que você é o pior.

Outra tentativa foi de deixar a bola na mão dos armadores do time para eles tentarem construir jogadas. Primeiro Toney Douglas e agora o novato Iman Shumpert. Douglas tem tomado decisões horríveis e logo perdeu a vaga para Shumpert, que também não sabe o que faz no ataque, mas compensa com forte defesa e roubos de bola. A dupla Shumpert e Landry Fields tem sido responsável pela melhora defensiva, mas no ataque só atrapalham. O novato não é armador nato e muitas vezes, sem saber para quem passar, tenta resolver sozinho e arremessa demais.

É bem fácil jogar a culpa no técnico Mike D'Antoni, mas a culpa não é só dele, não é como se ele pedisse para forçarem jogadas de isolação, isso é o oposto do que ele gosta, aliás. Pense em um técnico de futebol ofensivo, que gosta de montar times com 3 atacantes e meias que sabem passar a bola e avançar. Aí a diretoria vai lá e contrata o Williams do Flamengo que não sabe dar um passe de 3 metros e chama Souza e Aloísio Chulapa pra fazer a dupla de ataque. Como o cara vai montar o time dele? Das duas uma, ou vai tentar fazer os jogadores se adaptarem ao jeito dele, o que provavelmente não dará certo por falta de talento, ou vai fazer o que não sabe. E como disse o Larry Brown na clínica que deu aqui no Brasil"nunca ensine para seus jogadores algo que você não sabe". Mike D'Antoni não é o Rick Carlisle, ele não é uma enciclopédia de basquete pronto para fazer jogadas de todo o tipo, ele tem um estilo de jogo, uma filosofia e o Knicks sabia disso quando o contratou.

E insisto nessa questão do estilo porque já estão colocando a culpa nele em coisas que não tem nada a ver. Quando eles perderam para o Suns cornetaram o D'Antoni porque ele pediu para o pivô e o armador sempre trocarem no pick-and-roll do Steve Nash com o Marcin Gortat, ou seja, ficou Tyson Chandler marcando Nash e Shumpert ou Fields acompanhavam o pivô polonês. "Um absurdo" que foi justamente a tática usada pelo Spurs em diversos momentos de todas as vezes em que eles eliminaram o Suns nos anos áureos do armador canadense. Com Duncan marcando Nash eles fechavam ângulos para passe e o forçavam a jogar sozinho. Muitas vezes ele arremessava na cara de Duncan e fazia, mas a longo prazo valia a pena. Dava certo também porque Tony Parker não ficava isolado contra Stoudemire, a ajuda vinha de todos os lados. Ou seja, é uma estratégia perfeitamente normal se bem executada. E, como já afirmamos antes, a defesa do Knicks tem melhorado nesse ano desde que o assistente técnico Mike Woodson chegou com essa responsabilidade.

O ponto é que os olhinhos do time brilharam com a chance de contratar Carmelo Anthony e depois com a possibilidade de ter um pivô que já levou um time ao título em Tyson Chandler. São bons jogadores, claro, mas não tem nada a ver com o estilo de jogo de D'Antoni e ainda não se entrosaram entre si. Para o Knicks sair desse marasmo as soluções podem ser duas: Uma é demitir o D'Antoni e achar um técnico que saiba o que fazer com o elenco (Phil Jackson e Larry Brown já são nomes sonhados), a outra é uma troca que traga um armador que saiba conduzir o time. Baron Davis pode ser ele, mas ainda demora para voltar da contusão, e outro ponto é o mesmo do Lakers, trocar quem? Eles não vão trocar seus queridos Melo ou Chandler, e Stoudemire tem uma cláusula de contrato em que pode vetar qualquer troca com o seu nome. O mais provável é que D'Antoni tenha vida curta no banco de Nova York.

Não quero com esse post defender D'Antoni e Mike Brown, que já critiquei durante anos por serem limitados. Têm o defeito de justamente não saber se adaptar ao elenco e precisar das coisas muito certinhas para darem certo. Mas pense bem, se eu que sou um blogueiro idiota sei disso, vai dizer que Knicks e Lakers não sabiam? Apostaram e não deram as peças necessárias. No caso do Lakers é ainda pior, já que tiraram Lamar Odom dizendo que era a primeira parte de uma troca maior que nunca aconteceu, o elenco é pior do que aquele que já ralou um bocado sob o comando de Phil Jackson no último ano, cobrar um time pronto para o título e ainda sem tempo de treino é pedir demais.

Lakers e Knicks, dois times grandes que, ao lado do Boston Celtics, eram exemplos de como equipes de mercado grande conseguiam se fortalecer mais do que os de cidade pequena, mas estão na sombra de Indiana Pacers, Philadelphia 76ers e Denver Nuggets até agora nesse começo de temporada e as perspectivas de melhora não são das mais animadoras.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O campeão dançou


O Tyson Chandler tem uma mão esquerda que flutua sozinha

Assim que o Tyson Chandler foi para o Knicks por um contrato de 14 milhões por ano, coisa de estrela, comparei seu caso com o de Kendrick Perkins no Celtics: o valor pago não é tanto para aquilo que o jogador pode fazer de verdade, mas por aquilo que ele representa, para a importância que pode ter na transformação de uma equipe. A saída de Perkins de Boston simbolizou o fim de uma família, de uma mentalidade, e a equipe perdeu uma âncora defensiva que antes de sua saída nem sequer tínhamos certeza de que existia. A chegada de Perkins no Thunder (e do Tony Allen no Grizzlies) foi como a chegada simbólica de uma nova atitude. Ambos instituíram em suas equipes um regime de reuniões de vestiário, de implicação de responsabilidades, e de ajuda mútua constante. Quando o Knicks suou as pitangas para conseguir Chandler, era isso que julgava estar adquirindo.

O lado do Knicks foi amplamente analisado por aqui. Eu só não imaginava que, assim como o Celtics sentiu a saída do Perkins, o Mavs sentiria a saída do Chandler. Então é hora de analisar o lado dos atuais campeões, até agora incapazes de conseguir uma vitória na temporada sem o seu antigo pivô no elenco.

Antes de mais nada, é importante lembrar que o Mavs não foi uma dessas super-equipes montadas de repente para disputar o título e que se sagrou campeã só porque conseguiu gastar mais grana do que as outras. A grana a ser gasta sempre esteve aí, desde que o bilionário nerd Mark Cuban assumiu a franquia, mas o elenco tem sido montado há uma década com resultados diversos. Às vezes, o excesso de grana até atrapalha um pouco: houveram tempos em que qualquer jogador bom dando sopa recebia um contrato do Mavs, que acabava adicionando peças bastante aleatórias e tinha que se virar para dar minutos para todo mundo. Adições de uma temporada para a outra nunca faltaram, aparecem às dúzias, mas não é sempre que elas aparecem com algum critério, tentando assumidamente arrumar algum buraco da equipe. Antes da temporada passada começar o Mavs tinha a consciência de que precisava de um pivô defensivo para segurar as pontas, e aí - porque o dinheiro não falta - acabou adicionando tanto o Brandon Haywood quanto o Tyson Chandler. O Haywood se mostrou um quebra-galho, mas o Chandler acabou por tornar real algo que a franquia sabia possível mas não sabia como executar: uma defesa matadora.

O DNA do Mavs está ligado ao pai bizarro Don Nelson, então é uma equipe em que o primeiro instinto é de jogar na  velocidade, no contra-ataque e abusar dos arremessos do perímetro. Só com a defesa instituída pelo técnico Avery Johnson, no entanto, o jogo ofensivo de velocidade adquiriu consistência. Times como os do Don Nelson ou do Mike D'Antoni abusam da velocidade em todas as situações, repondo a bola o mais rápido possível, correndo para o ataque e tentando pegar os adversários com a defesa desprevenida ou desorganizada. É comum que, impondo esse ritmo de jogo, eventualmente um armador esteja sendo marcado por um pivô, e com decisões rápidas no ataque é possível se aproveitar desses deslizes. O problema é que trabalhar em tanta velocidade aumenta o número de erros, de desperdícios de bola, de arremessos forçados, e ainda cansa os jogadores fisicamente. É complicado manter esse ritmo no ataque e ainda ter disposição física para defender, e quando forçados a jogar em meia-quadra por equipes que conseguem diminuir a velocidade do jogo, essas equipes não sabem como pontuar e acabam se baseando apenas em jogadas forçadas do perímetro. Os times do Don Nelson sempre foram pragueados por decisões ruins tomadas especialmente nos momentos cruciais das partidas, quando é importante saber diminuir o ritmo e ter uma bola de segurança. Já as equipes do Mike D'Antoni, que tomavam boas decisões porque contavam com o Steve Nash, sempre tiveram problemas contra as equipes como o Spurs, que impõe um ritmo mais lento de jogo e forçam os adversários a ter que trabalhar uma jogada.

O Mavs, então, nunca foi um desses times que rouba a bola na defesa e se aproveita do contra-ataque. A correria independia da defesa, era constante, e no caso do Mavs sempre terminou em bolas rápidas de 3 pontos. Quando Avery Johnson melhorou a defesa da equipe, começou uma tímida cultura de contra-ataques, mas ainda assim sempre houve muita dificuldade em jogar sem ser na velocidade. Em geral, quando forçado a jogar na meia-quadra, o Mavs sempre usou jogadas simples de isolação, quase sempre com o Nowitzki. É por isso que o Jason Kidd teve tanta dificuldade em se encaixar no Mavs: sem uma defesa capaz de gerar contra-ataques constantes, como aqueles em que estava acostumado nos tempos de Nets, grande parte da sua função era apenas passar a bola para o lado até que alguém fosse isolado. Definitivamente não era a melhor maneira de usar suas habilidades.

Nowitzki é o jogador perfeito para um basquete lento, cadenciado, mas incapaz de defender de maneira sólida; Jason Kidd  é perfeito para um basquete de velocidade, focado nos contra-ataques, e que depende de uma defesa feroz que cause erros do adversário. O Mavs nunca foi um time que se encaixa muito bem, como podemos ver, as peças sempre chegaram aleatoriamente e o Kidd não foi exceção, mas jogadores talentosos sempre dão um jeito de funcionar juntos.

Tyson Chandler foi mais uma peça aleatória, mas sua capacidade atlética no garrafão e sua mentalidade defensiva permitiu que o Mavs se concentrasse na defesa do perímetro, afunilando os adversários para o miolo do garrafão, onde o Chandler cuidava do resto. De repente o Mavs tinha um plano defensivo eficiente contra todas as equipes, os jogadores adversários passaram a ter medo de infiltrar no garrafão, e até o Kobe fez xixi nas calças e passou uma série inteira dos playoffs arremessando do meio da quadra pra não ter que se aproximar do aro. O Mavs se tornou um time orgulhoso defensivamente, solícito, forte, e que viu seu ataque em velocidade ser finalmente eficiente de verdade. Com mais rebotes, mais tocos, mais erros forçados, o Mavs conseguia impor mais correria, encaixar mais bolas de 3 pontos e não ter que depender tanto das jogadas de isolação. Aquilo que a equipe procurou desde o primeiro segundo em que o Don Nelson foi mandado embora só se consolidou com a chegada do Chandler, e aí o time foi campeão. Grana pra burro, dá pra contratar todo mundo do planeta, mas a coisa só funciona de verdade quando um plano de quase uma década ganha de repente as peças certas, e quando aquela semente do Don Nelson pode ser usada em toda sua potência com uma defesa que a permitiu florescer.

É uma história linda, pode virar filme com o Selton Mello ou novela do SBT, mas pelo jeito o Mark Cuban não entendeu muito bem a situação. Parece ter considerado que suas adições aleatórias à equipe podem continuar, que quem for embora pode ser substituído por outros jogadores aleatórios que estiverem disponíveis. Não percebe como a caminhada do Mavs ao título não foi por causa da grana, mas sim um longo processo até que os jogadores certos tornassem possível o plano tático certo. Deixando Tyson Chandler sair e trazendo outros caras nada a ver, como o Vince Carter, todo aquele longo processo foi para o saco.

Eu nem tenho nada contra o Vince Carter, pelo contrário. Acho o Carter um exemplo de jogador que foi capaz de se reinventar quando tantos outros, supostamente mais talentosos, não conseguiram. Todo mundo deve se lembrar daquela anedota do Carter nos tempos de Raptors, enfrentando o Celtics. Puto da vida querendo ser trocado, insatisfeito com seu time, Carter perdia o jogo por apenas um ponto com um par de segundos sobrando no cronômetro e pediu um tempo técnico para que sua equipe montasse uma jogada. Ao voltar do tempo técnico, o Carter passou na frente do banco do Celtics e falou algumas palavras. Diz a lenda que aquelas palavras eram exatamente qual jogada o Raptors iria fazer naquele arremesso final, o Celtics então defendeu aquela jogada como se soubesse o que iria acontecer e o Raptors perdeu o jogo. A anedota queimou o Carter feio, ficou conhecido como jogador vendido, marrento, estrelinha e causador da fome na África. Quando foi para o Nets jogar com Jason Kidd, deu uma caralhada de arremessos imbecis no final dos jogos, querendo ganhar tudo sozinho. Mas os poucos foi se acalmando, entendendo seu papel na equipe, e quando o Nets resolveu mandar todo mundo embora para se reconstruir, o Carter acabou sobrando por lá. Nem por um segundo reclamou de nada, não pediu para ser liberado ou trocado, não reclamou de passar longos períodos no banco de reservas para que os novatos da equipe jogassem, e o mais importante: não dedou mais nenhuma jogada nos segundos finais. Pelo contrário, todas as notícias vindas de New Jersey dizem que Carter tornou-se um líder no vestiário, ajudava os novatos, passou a obedecer o polêmico esquema tático (que era medonho, admito) e liderava pelo exemplo. Vince Carter ainda está na NBA, mesmo velho e muito longe do potencial que um dia teve, quando era uma das grandes estrelas da liga. Enquanto isso, companheiros da sua época como Marbury, Steve Francis e Allen Iverson, todos tão bons ou melhores do que ele, viraram farofa porque foram incapazes de mudar suas imagens perante a liga. O Carter é bom moço, maduro, focado e tem um emprego. Como isso aconteceu eu não sei, mas é mérito total dele numa época que expurgou como câncer todos os jogadores que ousavam querer brilhar mais do que os outros.

Mas esse Carter, por mais bacana que tenha se tornado, não traz nada de que o Mavs precise. No máximo o Mark Cuban deveria sair com o Carter para tomar um suco e comer um sanduíche, não precisa contratar o sujeito. Muitos dizem que o Carter é tão amaldiçoado quanto o Clippers, e que nenhum time em que ele pise jamais conseguirá ser campeão. Mesmo se não for o caso e o Carter não tiver sido amaldiçoado pelo Valdemort, ainda assim não é uma aquisição que supra os buracos que o Mavs enfrenta. Falta à equipe um pivô à altura do Chandler, capaz de intimidar a infiltração dos adversários, e falta também um jogador capaz de segurar a bola e costurar a defesa agora que JJ Barea escafedeu-se. O JJ Barea não é nenhum gênio, aliás sempre desconfiei que ele jogava melhor justamente nas vezes em que esquecia o cérebro na geladeira de casa, então é fácil substituí-lo - o próprio Roddy Beaubois, que volta de lesão, tem tudo para cumprir bem esse papel descerebrado. Mas sabe quem não tem condições de ficar costurando defesas e atacando a cesta? Vince Carter e seus joelhos de farinha. No máximo será um arremessador de luxo na equipe, algo que o Mavs já tem aos montes.

Mesmo a aquisição do Lamar Odom, que foi praticamente de graça depois que a troca do Lakers com o Hornets foi anulada, simplesmente não funciona - e por vários motivos. Primeiro, o Lamar Odom tem sérias dificuldades em se focar em quadra. Quando está concentrado e motivado, ele é um dos jogadores mais completos da NBA e um perigo constante no ataque porque seu tamanho e sua velocidade não casam com nenhum marcador adversário - ou os jogadores são muito menores do que ele, ou são lentos demais para acompanhar suas infiltrações rumo à cesta. O problema é que os torcedores do Lakers sabem muito bem quão difícil é o Odom estar com a cabeça no jogo, ele facilmente parece desinteressado, toma decisões estúpidas e se torna quase invisível em quadra. Trocado da equipe em que passou os últimos anos, sentindo-se indesejado, mandado para a equipe rival, e além de tudo para longe da cidade em que vive sua nova esposa, a Khloe Kardashian. Como diabos alguém esperava comprometimento do Odom frente a tudo isso? Não é de se espantar que ele tenha chegado tão fora de forma que foi obrigado pelo Mavs a treinar por duas horas, sozinho, no único dia que o time teve de descanso desde que a temporada começou. E não foi só isso: também foi obrigado a chegar algumas horas antes de seus companheiros no jogo contra o Thunder para continuar seus treinamentos físicos. O Odom está uma bolinha desmotivada, não serve pra nada.

O segundo motivo pro Odom não dar certo nesse Mavs é que não existe posição em que ele possa jogar. Em sua posição natural joga o Nowitzki, que deve sentar o mínimo possível. Como reserva do Nowitzki, o Odom teria como função ser isolado e arremessar, justamente o ponto fraco do seu jogo. Caso jogue como ala de força e o Nowitzki seja rebaixado para pivô, o Mavs passa a ser uma equipe ainda mais medonha em parar e intimidar infiltrações adversárias, comprometendo na defesa. Se jogar apenas como ala, Odom terá que defender grande parte das estrelas da NBA, algo que não conseguiria fazer e que atualmente é função de Shawn Marion. Vindo do banco, o papel de pontuador e de armador vai para o Jason Terry, e o Odom seria apenas um reserva secundário. Cabe a ele, então, uma função ainda menor do que tinha no Lakers ou então uma função enorme que vai comprometer o garrafão e o funcionamento da equipe que foi campeã da temporada passada.

O Lamar Odom veio de graça e é um belo jogador, Playboy dada não se olha os dentes, mas às vezes você dá de frente com a Playboy da Mara Maravilha e percebe que é melhor ter cautela se não quiser ter sua infância traumatizada por toda a vida (experiência própria). Odom só terá espaço nesse Mavs se houver um chato trabalho de reconstrução do funcionamento tático, algo que não aconteceu sequer quando o Jason Kidd chegou. Será que Odom é talentoso e focado o bastante para se adequar à equipe, ao que precisam que ele faça, e conquistar seus minutos? A resposta veio rápido: em seu primeiro jogo com o Mavs, completamente fora de forma, Odom reclamou do juíz e foi expulso rapidinho. No segundo jogo, errou as 5 bolas de três pontos que tentou (acertando só um de dez arremessos de quadra). No terceiro jogo, errou as 4 bolas de três que tentou (acertando 2 dos seus 11 arremessos de quadra). Temos então um Odom fora de forma que só arremessa uns tijolos do perímetro sem parar.

Mas também não é como se o resto da equipe estivesse fazendo muito diferente. Com uma defesa que não força erros, não tapa o aro e não consegue rebotes, o Mavs acaba dependendo de novo de jogadas de isolação e de arremessos de três pontos forçados. Contra o Heat, o Mavs tomou 44 pontos no garrafão, pegou 20 rebotes a menos do que o adversário, e tentou 28 bolas de três pontos (acertando 9). No segundo jogo, pequena melhora: foram "apenas" 40 pontos tomados no garrafão contra o Nuggets, acertando 8 das 27 bolas de três pontos que tentou.

O terceiro jogo, comentado pelo Denis no resumo da rodada de ontem, foi mais promissor: o Mavs conseguiu apertar mais a defesa e forçou muitos erros do Thunder. O problema é que o Thunder já mostrou que basta forçar o Westbrook a jogar em velocidade para que ele cometa 8 bilhões de erros por jogo, colocando tudo a perder, então há pouco mérito do Mavs. No resto, tudo igual: levou 36 pontos no garrafão e acertou 9 das 26 bolas de três pontos que tentou.

O ataque tenta se arrumar como pode, Delonte West entrou bem no time titular e foi capaz de girar mais a bola e criar algum espaço para os arremessos. Nowitzki continua sendo isolado, criando seus pontos, e encontrando companheiros livres no perímetro. Mas não se fala em outra coisa nos vestiários a não ser na defesa do Mavs que foi embora: teve o Nowitzki recentemente dizendo que é difícil jogar em velocidade quando não se consegue rebotes ou erros adversários, teve o técnico Rick Carlisle dizendo que terá que ensinar defesa tudo de novo para sua equipe, melhorar seu próprio trabalho, começar de novo.

Um time campeão capaz de começar a temporada com 3 derrotas seguidas, parecendo perdido em quadra e regredindo quase uma década em seu estilo de jogo? É pra já. Ficamos então com uma lição valiosa: Tyson Chandler não é gênio, não vai descobrir a cura da AIDS, não é o melhor defensor da NBA; mas se você finalmente monta um elenco capaz de colocar em prática um estilo de jogo que foi campeão da NBA, agarre esse elenco com unhas e dentes e dinheiros. Porque acreditar que dinheiro é capaz de trazer outras peças, reposições quaisquer, e que ninguém vai sentir falta dos jogadores que forem embora, isso é furada. Vimos com o Clippers que dá pra formar um bom time mesmo sem depender da grana. Agora vimos com o Mavs como dá pra jogar um time no lixo apesar de ter grana saindo pelas orelhas. Se não houver um reforço nesse garrafão, se o Mavs não encontrar um modo de retomar a defesa que lhe levou ao título, essa será uma temporada perdida para Nowitzki e seus amigos.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Anistia Já!

-Querem que eu fique? Mesmo?


O novo CBA ainda não foi oficialmente assinado, donos e jogadores ainda estão votando no que eles chamam de B-List, uma lista de pequenas coisas que não são importantes o bastante para quebrar o acordo, mas que precisam ser feitas para que tudo dê certo. Coisas como doping, por exemplo. Pois é, em um locaute regido pelo dinheiro, doping é questão secundária. De qualquer forma, a votação pode acabar já amanhã.

Mas algumas coisas, relacionadas à grana, claro, já foram decididas. Uma delas é a tal cláusula de anistia, muito comentada nos últimos dias. É essa regra que vem ditando quais times podem ou não entrar em disputa por Free Agents, logo é importantíssima nesse período frenético de contratações. Vamos explicar aqui alguns detalhes dela, começando por citar um post nosso que fala da última vez que essa regra foi válida, em 05-06.

"A regra foi adotada logo antes da temporada 2005-06 e permitia que os times dispensassem alguns jogadores e assim tirassem os seus salários da contagem das multas. O time continuaria pagando o jogador normalmente (mesmo ele sendo dispensado e atuando em outro time) mas esse salário não contaria no teto salarial.

Por exemplo, o Dallas Mavericks dispensou o Michael Finley, que na época ganhava por volta de 17 milhões por temporada. Continou pagando os 17 milhões para o Finley mas não pagava os outros 17 milhões que pagava de multa por esse salário ultrapassar o limite aceito pela liga. Foi uma baita economia mas que lhes fez perder o Finley para o Spurs. Em San Antonio ele ganhava os seus milhões do Mavs e mais um salário mínimo do Spurs.

A regra ganhou o nome de Allan Houston porque diziam que ela havia sido criada para beneficiar o Knicks, que na época pagava um dos maiores salários da NBA, cerca de 20 milhões de dólares por ano, para o armador que estava sempre machucado. Os gastos com multas eram enormes no Knicks, que na época tinha a maior folha salarial da NBA, beirando os 100 milhões de dólares. Porém, quando chegou a data de anúncio dos jogadores dispensados sob essa regra, o Knicks decidiu manter o Allan Houston e dispensar o Jerome Williams. Mesmo assim o nome pegou e podemos dizer que o Allan Houston não usou da regra Allan Houston."

A aprovação dessa regra pelos donos é uma grande prova de que eles não estão tão preocupados assim com os salários altos dos jogadores. Queriam mesmo era recuperar a porcentagem do BRI e o resto era menor. Afinal, dá para pensar numa regra que incentive mais a gastança? Você continua pagando um jogador caro, mas não usa mais ele e abre espaço para pagar mais por outro. Tá bom que em casos extremos, como era o do Mavs no exemplo do Michael Finley, você acaba gastando a mesma coisa, apenas com jogadores ao invés de multas. Mas não é o mesmo para os times abaixo do tal luxury tax, o limite das multas.

A regra da anistia já foi notícia essa semana porque o Portland Trail Blazers disse que já se decidiu e vai dar mais uma chance ao Brandon Roy. Ao invés de dispensar seu jogador de maior salário e segundo pior joelho, atrás apenas de Greg Oden, decidiram esperar pelo menos um ano para ver se ele consegue render pelo menos um pouco. O uso ou não da anistia era essencial para saber se eles teriam espaço salarial para assinar o Nenê, por exemplo.

Já o New York Knicks está com a mão coçando para usar a anistia no Chauncey Billups e abrir dinheiro para contratar alguém, possivelmente Tyson Chandler. O Washington Wizards, contra todos os prognósticos e reeditando o caso do Allan Houston, disse que não deve usar no Rashard Lewis. Já o antigo time do ala, o Orlando Magic, pode decidir usar ou não em Gilbert Arenas dependendo no que isso beneficia eles na busca por segurar Dwight Howard na franquia. No Cavs, Baron Davis é forte candidato a ser anistiado, assim como Travis Outlaw no Nets.

O uso dessas regras é importante também porque favorece muito os times que estão no topo da NBA, o que contraria o tal desejo dos times de uma liga mais igualitária, outra bobagem propagada nos tempos de locaute. Isso porque a anistia atinge jogadores de salário alto, que geralmente são veteranos, jogadores que passaram da fase de ter nome, ganhar dinheiro e que agora só querem estar em um time competitivo. Então se todos esses jogadores forem anistiados podemos ver eles topando salários ridículos, mínimos de veterano, para ir para o Miami Heat, Dallas Mavericks ou Los Angeles Lakers. Já estão ganhando seu salário gigante do ex-time mesmo, dá pra fazer um sacrifício de faturar só 1 milhão de dólares extra para ganhar um título.

É importante também conhecer algumas especifidades da regra da anistia antes de cobrar coisas do seu time:

1. A anistia não ficará disponível durante toda a temporada. Os times terão um período de sete dias, antes da temporada começar, para decidir se usam ou não. Depois disso acabou. Ainda é possível que ela seja aberta anualmente durante a offseason, mas isso ainda não ficou claro. Em 2005-06 ela foi usada apenas uma vez, sem repetição até essa de agora.

2. A regra da anistia só pode ser usada em contratos que o time já possui. Não adianta um time topar uma troca pelo Gilbert Arenas ou Hedo Turkoglu com o Orlando Magic pensando em usar a anistia em um desses jogadores, só o Magic pode fazê-lo.

3. O salário do jogador cortado não contará mais para o teto salarial, mas conta para o piso. Ou seja, o Washington Wizards, que tem uma folha salarial baixa, pode dispensar o Rashard Lewis sem se preocupar em ficar abaixo do piso salarial exigido pela NBA. E para os que não sabiam: Sim, a NBA tem um piso salarial (49 milhões de dólares) para que não exista um time que junte apenas uns 12 jogadores com salários mínimos.

4. O time que contratar jogadores anistiados terão que oferecer um contrato da mesma duração do que o jogador já tinha antes. Ou seja, se o Wizards dispensar o Lewis, quem o pegar terá que oferecer um contrato (de qualquer valor) de pelo menos 2 anos. Se pegarem o Roy, de 4 anos, porque é o que resta do seu contrato atual.

Acho que agora tudo ficou mais claro sobre essa regra. Talvez já na semana que vem os times possam começar a anunciar oficialmente quem eles vão dispensar e isso vai agitar o mercado de Free Agents. Estaremos aqui para analisar todas as mudanças.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O Mavericks e a zona

 Nowitzki conta para o árbitro que está chovendo


No sábado, o Dallas Mavericks teve o melhor primeiro quarto que eu já vi na vida - chegando a vencer por 29 a 4 em cima do coitadinho do Utah Jazz. O primeiro quarto espetacular não mostra apenas quão bom esse Mavs realmente é, ele nos mostra também - assim como nos mostra a reação do Jazz no mesmo jogo - a importância das defesas por zona na NBA.

Para quem não viu, os melhores momentos da partida estão aí abaixo:



Confesso que, já faz muito tempo, não sou um fã das movimentações ofensivas do Mavs. Nunca entendi times que preferem terminar contra-ataques com arremessos de três, e o ataque sempre se baseou muito na isolação de jogadores mesmo com um armador épico como o Jason Kidd em quadra. Eu reclamava bastante por aqui no blog de como o Kidd era mal utilizado, que ele ficava entediado num canto sendo obrigado a passar para o lado, e que o técnico Rick Carlisle, mesmo sendo um baita nerd de basquete, não tinha conseguido se utilizar da inteligência do armador. Mas as coisas no Mavs mudaram bastante no ataque graças a uma única mudança drástica - que foi do outro lado da quadra, na defesa.

Escrevi uns meses atrás sobre como tem gente por aí achando que a NBA não usa defesa por zona - o que é um engano enorme - mas que as regras da NBA incentivam os jogadores a infiltrarem, ao contrário do que acontece na FIBA, em que as bolas de três (e as defesas por zona) são regra absoluta. A NBA é a liga de basquete em que menos se arremessa de três no mundo, as regras privilegiam o jogador que ataca a cesta e procura o contato, as jogadas acabam tentando isolar jogadores para que infiltrem, e a defesa por zona tende a ser menos usada. Ainda assim, todos os times usam em vários momentos de todas as partidas com sucessos variados. Mas nenhum time usa a defesa por zona de modo integral, durante todos os minutos de todas as partidas, como o Dallas Mavericks tem feito nessa temporada.

Foi-se o tempo em que o Dallas, por não ter defesa ("D", como é carinhosamente chamada em inglês), era chamado de "Allas Mavericks". Assim que o Don Nelson deu o fora e o Avery Johnson assumiu a equipe, o Mavs deixou de ser uma peneira para se tornar uma defesa bastante respeitável. É claro que as deficiências individuais sempre comprometeram a defesa da equipe como um todo (faltava um pivô, Nowitzki tem problemas para defender o garrafão, Jason Kidd hoje em dia só defende as linhas de passe), mas nada que impedisse a defesa de ser sólida e muito distante daquele projeto-de-Warriors que era o Mavs da era Don Nelson.

Aquela mentalidade defensiva instaurada por Avery Johnson (que é muito melhor técnico do que lhe dão crédito) é o que tornou possível a defesa por zona em tempo integral de Rick Carlisle, um projeto ousado para a NBA atual. O Mavs inteiro se mostra comprometido com a defesa a um ponto tal que as deficiências individuais simplesmente desaparecem. Na prática, funciona assim: Jason Kidd marca individualmente o jogador que arma o jogo e que, portando, detém a bola. Mas dois jogadores marcam as laterais do jogador que arma o jogo, dois passos para trás do perímetro. As infiltrações ficam muito complicadas porque o jogador passa a enfrentar três marcadores, e os arremessos do perímetro são inibidos pela marcação homem-a-homem do armador do Mavs. O que sobra, claro, é um corredor paralelo à linha de fundo embaixo da cesta, em que os jogadores adversários podem transitar livremente e receber a bola sem dificuldade. Quando o Celtics usou essa mesma defesa nos playoffs passados para parar LeBron James, a solução para esse "corredor" era descer a porrada em quem recebesse a bola lá embaixo, forçando o Shaq a cobrar trocentos lances livres (já que ele fede no quesito). No caso do Mavs, a solução é, quem diria, Tyson Chandler. Todo mundo adora dizer que ele não sabe bem amarrar os próprios cadarços, mas a verdade é que ele nasceu para defesas por zona. Sua velocidade lateral garante a proteção dos dois lados do garrafão e torna o Mavericks um pesadelo de se enfrentar perto do aro. A solução contra a zona do Mavericks é amontoar o garrafão e ter que arremessar de fora, no espaço entre dois defensores - o que também significa, na prática, que existem dois defensores bem próximos tentando cheirar o seu pescoço. Contra o Jazz, a defesa por zona do Mavs anulou a movimentação ofensiva da equipe e pavimentou o caminho para o 29 a 4 inicial.

Mas o mais curioso, para mim, é como essa paixão pela defesa por zona no Mavs teve resultados positivos no ataque. O Mavs sempre gostou do jogo de perímetro, mas agora eles jogam em todas as partidas como se estivessem sempre enfrentando defesas por zona, procurando arremessar ao máximo. Isso porque usar a zona de modo tão eficiente também lhe ensina como vencê-la. O Mavs agora dá passes muito rápidos, gira a bola no perímetro, encontra os jogadores livres, e isola o mínimo possível. Dirk Nowitzki, contra o Jazz, acertou 10 de seus 12 arremessos, poderia ter arremessado mais umas 20 vezes, mas prefere não interromper a rotação da bola e premiar os companheiros de equipe livres. Quer aprender a vencer a defesa por zona do Mavs? Veja o Mavs jogar. Não dá pra um jogador sequer forçar arremessos, não dá pra centralizar o jogo, tem que colocar a bola nas mãos de todo mundo, passar o mais rápido possível, e sempre premiar com um arremesso o jogador que ficar sozinho contra a zona. Mesmo que ele seja ruim. Lembra de como a defesa por zona do Thunder deixava sempre o Artest livre na zona morta porque o arremesso dele fedia? Funcionou um jogo, funcionou dois, mas uma hora o Artest treinou e os arremessos caíram e o Lakers venceu a série. Simples assim.

Vale ressaltar, no entanto, que o Jazz conseguiu empatar o jogo com o Mavs no quarto período justamente porque passou a usar uma defesa por zona também. Foi antes de acabar o primeiro período ainda, uma defesa 3-2 focada no perímetro, e o Mavs teve problemas em estabelecer o ritmo que colocou no começo do jogo. Falta ainda para o Mavs um jogo forte de garrafão, uma jogada de segurança perto da cesta, e eu costumo insistir que é difícil levar a equipe a sério - especialmente nos playoffs - se a jogada de segurança, no final dos jogos, for um arremesso de longe, contestado, ou uma isolação para arremesso da cabeça do garrafão. É o mesmo motivo pelo qual não levo o Orlando Magic a sério (já que no final dos jogos não dá pra passar a bola para o Dwight Howard, que sofre a falta e não converte os lances livres). A dificuldade de jogar próximo à cesta ainda está lá no Mavs, mas a evolução do Nowitzki até mesmo nesse sentido é bem clara. O alemão não é apenas um dos melhores jogadores da NBA na atualidade, ele é um dos melhores de todos os tempos e ainda não atingiu seu ápice. Sua defesa melhora a cada dia, sua inteligência em defesas por zona só agora vem à tona, e seu ataque fica cada vez mais diversificado e agressivo próximo à cesta. Ele corre como se tivesse duas pernas esquerdas, mas e daí, seu jogo é eficiente e meu filho vai ter a mesma mecânica de arremesso que ele (vou fazer maratona de vídeos do Nowitzki e dar surra de chibata se ele arremessar como o Leandrinho, que parece um garçom segurando uma bandeja). Cada vez mais o Dirk sabe aproximar a bola do aro nas jogadas importantes e sua habilidade nos lances livres coloca medo nas defesas de descer o sarrafo. Mas ainda falta um bocado para que isso seja uma tendência na equipe e o Mavs consiga efetuar essas jogadas com naturalidade.

Me dou ao direito de ficar sempre com um pé atrás com o Mavericks enquanto o foco for exageradamente no perímetro, mas também me deu ao direito de babar no basquete que eles estão jogando agora. E babar muito, nível Alinne Moraes de babação. É a melhor defesa de se assistir em toda a NBA, e o ataque é muito mais inteligente do que foi nas últimas temporadas - o Jason Kidd até parece ser bem utilizado, o que é um milagre que já vale nossa admiração. Não fico mais tendo um aneurisma cerebram de ver o Kidd tendo que isolar o Shaw Marion de costas para a cesta ou o Caron Butler atrás da linha de três. Vencer 12 partidas seguidas não é acaso, nunca, e a contagem positiva só tende a continuar. Dia 20 de dezembro enfrentam o Heat, que vem de 8 vitórias seguidas, e vai ser legal ver como o ataque fraco de perímetro da equipe de Miami vai enfrentar a defesa por zona do Mavericks. Jogão, e o Mavs agora entra sempre como favorito. Não dá nunca pra respirar aliviado contra equipes com defesas fortes, e a fama do Mavs como melhor defesa por zona da NBA já está bem difundida. As equipes precisam se preparar para enfrentar a zona e acabam dando menos atenção para outros aspectos do jogo. O Mavs agora, finalmente, bota medo nos adversários - coisa que em geral nunca acontece em times sem jogadores físicos e que atacam pouco a cesta.

Mas voltando ao empate do Jazz contra o Mavs no finalzinho do jogo, vale também ressaltar que não foi apenas a defesa por zona que o Jazz colocou em prática a responsável por igualar o jogo. Grande parte da responsabilidade foi de Deron Williams colocando a bola debaixo do braço e resolvendo decidir sozinho. Parece que em todo começo de jogo do Jazz, o time acha que ainda tem o Carlos Boozer e começa com o jogo de corta-luz e arremessos de média distância com os jogadores de garrafão. As bolas não caem, a tática não funciona, e aí o Deron Williams começa a resolver sozinho. Infiltrando mais (já que é atualmente o armador mais forte da liga) cria espaços para os jogadores de garrafão; arremessando mais, a defesa vai para o perímetro e os jogadores de garrafão têm mais espaço para atuar. Paul Millsap e Al Jefferson possuem arremessos razoáveis, mas não são o Carlos Boozer, não molham as calças de alegria com um arremesso livre da cabeça do garrafão. Quanto mais ativo o Deron Williams é em quadra, mais Millsap e Al Jefferson podem ser ativos embaixo da cesta, onde realmente se destacam. Todas as reações históricas que o Jazz andou fazendo nessa temporada concordam nisso: o Jazz engrena quando o Deron Williams resolve ser o dono da budega.

Nesse ponto, aquela velha comparação do Deron Williams com o Chris Paul é praticamente impossível. Dia desses nos perguntaram no formspring o motivo do Chris Paul ser "passivo", não decidir os jogos sozinho como faz o Deron Williams. Pra começar, eles são jogadores muito diferentes. O Deron gosta mais de arremessar, é mais físico, procura o contato. O Chris Paul prefere a velocidade, os contra-ataques, é mais distribuidor. Mas, como sempre insistimos, a diferença sempre está ligada também aos companheiros de equipe, ao resto do elenco - nenhum jogador entra em quadra sozinho. Contra o Sixers, ontem, Chris Paul atacou a cesta (acertou 8 dos 12 arremessos, todas as duas bolas de 3 e os 7 lances livres que tentou) e passou mais tempo com a bola nas mãos - e a derrota foi vergonhosa. Na temporada passada, antes da contusão, o Chris Paul já estava pontuando como um maluco (chegou a ter mais de 30 pontos por jogo) na tentativa de evitar as derrotas constantes, e isso simplesmente não funciona. Parece absurdo, mas o elenco do Hornets é tão limitado que o único jeito de fazer com que saia de quadra com a vitória é minimizar as limitações e se aproveitar de suas qualidades. O Jazz é um timaço, o garrafão é forte, eles podem comer pelas beiradas, receber poucas bolas, viver de rebotes de ataque. O Hornets fede, se você não garantir que o Belinelli vai ter a bola naquele canto exato da quadra, ele não vai te render nada, bulhufas, não vai nem te pagar um refrigerante. O que o Chris Paul precisa fazer é garantir que todo mundo vai render ao máximo, porque ninguém ali naquele elenco é capaz de render sozinho, todo mundo é só carregador de piano. Eu avisei, quando o Trevor Ariza chegou em New Orleans, que ele não iria fazer nada sozinho, seria apenas mais um coadjuvante na equipe - isso porque eu o vi no meu Houston Rockets recebendo a responsa de criar o próprio arremesso e simplesmente sentando na calçada para chorar. Chris Paul tem que fazer todo o trabalho pesado para que os outros brilhem. Não vai dar certo sempre, mas é melhor do que o Chris Paul botar a bola debaixo do braço e assistir aos seus companheiros definhando até a morte, à espera da derrota certa.

Justamente por isso a defesa por zona também tem sido tão importante para o Hornets. O elenco limitado, quando se compromete com algo e joga em conjunto, consegue ser mais forte defensivamente. A defesa por zona exige trabalho coletivo, e maximiza a capacidade de Chris Paul de interceptar as linhas de passe e puxar contra-ataques. O problema é que a defesa por zona do Hornets é vulnerável no perímetro e, talvez por isso, só vem sendo usada nos minutos finais dos quartos (em geral nos 5 minutos finais do quarto perído), que é quando os times têm mais medo de arremessar (e motivo pelo qual o Mavericks precisa de jogadas embaixo da cesta para fechar os jogos, e o Magic depende tanto das infiltrações do Jameer Nelson). O que falta para o Hornets, claro, é encontrar uma consistência no ataque que permita ao time chegar aos minutos finais do quarto período com chances de vitória, algo que dificilmente acontecerá com o Chris Paul se focando apenas em pontuar.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Preview 2010-11 / Dallas Mavericks

Bolas Presas


Objetivo máximo: Título, sempre.
Não seria estranho: Jogar bem e cair no meio do caminho pela trocentésima vez seguida.
Desastre: Perder na primeira rodada dos playoffs.

Forças: Um dos elencos mais profundos da NBA.
Fraquezas: Sempre um dos times mais fortes da NBA, nunca o mais forte. Sempre perdem nos detalhes.


Elenco:








.....
Técnico: Rick Carlisle



Como jogador o Rick Carlisle foi o oposto do que é como técnico. Nas quadras não era grande coisa, mas venceu um título. Foi escolhido em 1984 pelo Boston Celtics na terceira rodada do Draft daquele ano (sim, ia bem além de duas rodadas) e acabou conseguindo uma vaga no time. Lá jogou pouquíssimos minutos por jogo, teve média de 2 pontos por jogo e tem seu anel de campeão pela conquista verde de 1986. Depois foi para o Nets onde durou 5 jogos e se aposentou por incompetência.

Aí começou sua carreira no banco, que é cheia de vitórias, times bem fodas e nenhum título. Em dois anos com o Pistons, 2001 e 2002, levou o time a 50 vitórias em cada temporada e longe nos playoffs, em 2002 foi eleito o técnico do ano. Curiosamente foi mandado embora para que o Pistons contratasse Larry Brown, que havia acabado de ter sido eliminado com o seu 76ers pelo Pistons de Carlisle. Brigas com a direção da franquia foram o motivo alegado.

Ele continuou sua carreira no Pacers e conseguiu lá a melhor campanha da temporada regular na liga, mas perdeu para seu ex-time, o Pistons de Larry Brown, nos playoffs. Antes disso já havia trabalhado na franquia como assistente de Larry Bird na campanha do Pacers até a final da NBA em 2000. Aliás, Bird queria ter colocado Carlisle no banco do Pacers logo no ano seguinte, quando saiu do cargo, mas na época ele não tinha o poder para isso e a vaga acabou com o saudoso Isiah Thomas. Assim que Bird assumiu a cadeira de operações de basquete no Pacers tratou de demitir Isiah e chamar Carlisle.

O Pacers do técnico era muito bom, um primor defensivo, mas o time se dissolveu depois de contusões de Jamaal Tinsley, Jermaine O'Neal e da suspensão de Ron Artest depois da briga de Palace of Auburn Hills. Depois daquela temporada ele foi demitido e assumiu o Dallas Mavericks, onde, de novo, montou um timaço, fez o Jason Kidd não só voltar a jogar muito como a defender muito bem, mas, claro, não ganhou nada.

O treinador é uma espécie de enciclopédia do basquete, um cara que manja tudo de tática, que enxerga o jogo como poucos e que pode citar exemplos táticos de vinte anos atrás. É o PVC do basquete. O problema é que para ser técnico não basta só entender do jogo, precisa saber ensinar tudo isso para os jogadores, lidar com o ego inflado deles, saber trabalhar os pivetes recém-milionários e nisso tudo o Rick Carlisle é um bosta.  Lembrando o que escrevemos sobre ele na Semana dos Técnicos em 2008:

"Dá pra imaginar o cara falando por uns 15 minutos, citando nomes de jogadas, números, dados, traçando linhas e mais linhas na prancheta com trezentas variações de ataque e infinitas movimentações ofensivas para, ao terminar, ouvir alguém como o Ben Wallace perguntar: "Peraí, professor, o que você quer é que a gente coloque a bola na cesta, é isso?""

Além disso tudo o Rick Carlisle agora é careca, viciado em tênis de mesa e irmão gêmeo do Jim Carrey.

.....
O Dallas Mavericks tem tudo para ser campeão, tudo. Quer um armador experiente e completo? Jason Kidd. Um dos melhores alas de força dos últimos 15 anos? Dirk Nowitzki. Especialista em defesa? Tyson Chandler, Brendan Haywood e Shawn Marion. Alguém para marcar pontos e tirar a pressão do Dirk? Caron Butler. Força no banco de reservas? JJ Barea e Jason Terry. Jogadores ruins para esquentar o banco? Alex Ajinca e Ian Mahinmi. Eles tem simplesmente tudo e um técnico inteligente e competente para treiná-los.

O problema é que essa deve ser a décima temporada seguida que eles tem todas as peças para serem campeões e não foram até agora. Já foram treinados pelo louco do Don Nelson, pelo ótimo Avery Johnson, há 2 anos pelo Carlisle e nada. Já tiveram Josh Howard, Michael Finley, Steve Nash, Antawn Jamison, Keith Van Horn, Nick Van Exel e nada adiantou. Todos jogaram bem, mas simplesmente não era o bastante. Quase sempre pararam no Spurs e nas poucas vezes que passaram pelo Tim Duncan deram um jeito de não aproveitar a chance.

Para esse ano podemos esperar mais do mesmo. A dupla Haywood e Chandler deve ser boa o bastante para o Dallas não ser dominado no ataque e nos rebotes por times como Lakers e Spurs, a defesa de Butler e Marion deve ser boa o bastante para eles não apanharem dos alas e armadores fortes do Oeste como Kobe Bryant, Carmelo Anthony, Tyreke Evans, dentre outros. E Dirk e Kidd vão comandar o ataque de olhos fechados como fazem faz tempo. É um time equilibrado (10º melhor ataque e 12ª melhor defesa no ano passado), que melhorou o elenco em relação ao ano passado (chegaram Chandler e o bom novato Dominique Jones) e deve ser um time que vai brigar forte por uma das três primeiras posições do Oeste e pela vantagem de decidir em casa nos playoffs.

Eu acho que o Mark Cuban tem todos os argumentos lógicos para dizer, como disse pouco tempo atrás, que o Mavs tem o melhor elenco do Oeste e é o time que mais ameaça o Lakers na conferência. Mas, apesar desse time ter todas as peças para ser campeão, você apostaria neles? Eu acho que é mais fácil que o universo em três dimensões onde vivemos seja apenas um holograma.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Em busca do pivô perfeito


Consegue apoiar uma bola no pescoço? Então está contratado pelo Mark Cuban

O Mark Cuban, dono bilionário do Dallas Mavericks, conseguiu um milagre desde que chegou no time há mais de 10 anos. Transformou uma franquia que era uma das maiores piadas da NBA em um time respeitado, vencedor e o único a conseguir furar o domínio de Spurs e Lakers no Oeste desde 1999. Muitos vão questionar a falta de um título e algumas derrotas traumáticas nos playoffs, é verdade, mas analisando um pouco mais de longe, não deixam de ser vitórias. Era impossível ver o Mavs dos anos 90 e pensar que 10 anos depois eles estariam quebrando recordes de temporadas seguidas com mais de 50 vitórias, é como pensar hoje em ver o Pacers ou o Wolves dominando a próxima geração da NBA.

Porém, se ele teve sucesso em mudar o time, falhou em um dos seus grandes sonhos: ter um grande pivô. Nos últimos 10 anos o Mavs teve um dos melhores alas de força da história, Dirk Nowitzki, os dois melhores armadores da década, Jason Kidd e Steve Nash, além de outros grandes jogadores como Nick Van Exel, Antawn Jamison, Michael Finley e Josh Howard. Mas pivô ele nunca conseguiu, e não foi por falta de tentativa!

Eu sempre digo que foi o Mark Cuban que tentou e não nenhum dos General Managers que passaram pelo time nesses anos todos porque o Cuban é o dono que mais interfere nos negócios do time em toda a NBA, de longe. Ele nunca contrataria um cara que quer independência para resolver tudo sem consultá-lo. Como Mark Cuban usa de sua fortuna pessoal para bancar muita coisa lá dentro, ele quer ter o direito de dar palpites. Uma atitude questionável, mas se em quase todo lugar quem tem dinheiro manda, nos EUA isso não é só verdade como também é bem aceito.

Cuban foi o primeiro a caçar na China um de seus pivôs gigantes. Antes de aparecer Yao Ming, a estrela era Wang Zhizhi, que apesar de não ser tão ruim, era fraco demais para a NBA. Ainda no exterior o Mavs foi atrás de Obinna (melhor que Eto'o e Shaq) Ekenzie, Mamadou N'diaye e outras aberrações. A de história mais curiosa é o russo Pavel Podkolzin. Ele apareceu do nada para a imprensa americana e no dia em que foi descoberto foi para a primeira (PRIMEIRA!) posição naquele site NBADraft.net, que faz uma aposta de como serão os drafts dos anos seguintes. Os depoimentos sobre um pivô de 2,26m que sabia bater bola, driblar, chutar de 3 pontos e jogar de costas para a cesta encantaram a todos. Alguns vídeos e treinos depois e perceberam que não era tudo isso, mesmo assim ele foi a escolha 21 do Draft de 2004 (antes de caras como Kevin Martin, Beno Udrih e Anderson Varejão). Ao mostrar que era ridículo nos treinos, participou de apenas 6 jogos em dois anos na NBA, marcou 4 pontos e decidiu voltar para a Rússia.

Depois disso ainda passaram por lá aqueles típicos jogadores que só servem para fechar elenco e aumentar a média de altura: DJ Mbenga, Evan Eschmeyer, Scott Williams, Ryan Hollins e um dos jogadores mais feios da história da NBA, Calvin Booth. Além, claro, do antológico Shawn Bradley, que deixou esse legado em Dallas:


Entre os de mais destaque, o Mavs apostou no Raef LaFrentz, um pivô bem ágil e com bom arremesso, que parecia ser a solução para o time não ficar baixo demais e ao mesmo tempo continuar a correria imposta pelo então técnico Don Nelson. Não é que deu errado, mas não solucionou o problema principal, ano após ano o Mavs enfrentava Tim Duncan, Shaquille O'Neal, Kevin Garnett, David Robinson, Brad Miller, Vlad Divac, Yao Ming e não havia uma alma capaz de detê-los. Tanto que no meio do caminho até apelaram para especialistas defensivos que não sabiam nem segurar a bola no ataque, como DeSagana Diop. Confesso que durante alguns jogos achei que ninguém marcou tão bem o Duncan quanto o Diop, mas o cara era uma parede com pernas, não um jogador de basquete.

Uma das grandes derrotas do Mark Cuban foi o verão de 2004, quando o Shaquille O'Neal tinha decidido junto ao Lakers que não continuaria em Los Angeles, buscando times para troca. O Mavs logo se apresentou: ofereceu qualquer pacote com qualquer jogador no elenco, apenas Dirk Nowitzki não poderia ser incluído. De resto o Lakers poderia pedir o time inteiro! Não querendo enfrentar o Shaq sempre nos playoffs e na temporada regular, o Lakers preferiu mandar o Shaq para a outra conferência, disse que só toparia uma troca com o Mavs se envolvesse Nowitzki.

Foi então que em 2005 o Mark Cuban decidiu que não iria gastar os seus milhões para manter o Free Agent Steve Nash, ao invés disso investiu grana parecida para tirar do Warriors o Erick Dampier. Desesperado por um pivô e sem ter conseguido Shaq, que revolucionou o Miami Heat naquele ano, foi atrás do Damp, que tinha feito uma boa temporada no Warriors. Mas mal ele sabia que o Dampier é o típico homem de contrato, que só joga bem no último ano de seus acordos para se valorizar para o ano seguinte. Essa armadilha também pode responder pelo nome de Bobby Simmons, Larry Hughes, Sasha Vujacic...

O Dampier não foi horrível na sua passagem pelo Mavs, mas não foi bom como o esperado e nem tão bom quanto o que sua folha salarial poderia sugerir. É um cara que faz poucas bobagens, pega seus rebotes, mas não faz questão nenhuma de chamar o jogo e pode passar despercebido por jogos inteiros. Não é facilmente batido na defesa, mas também nem nos melhores dias pode parar um grande jogador adversário. Ou seja, o Mavs dava um de seus maiores salários para um cara que tinha tudo pra ser um reservão. Típico da tara histórica de Mark Cuban por pivôs, que sempre achou que eles mereciam receber mais por serem mais raros e a chave para os títulos.

Na temporada passada o Mavs fez sua melhor manobra para ganhar um pivô. Mandaram um monte de porcaria para o Wizards para ter em troca Caron Butler e Brendan Haywood. Não precisou passar um mês da troca para ser óbvio como o Haywood, apenas por ser bem ativo nos rebotes e na defesa, era o melhor pivô do time em 10 anos. Ele também pareceu funcionar bem com o Jason Kidd e Caron Butler em suas infiltrações, era capaz de se posicionar para receber passes embaixo da cesta e marcar seus pontos sem precisar pensar, que não é o forte dele.

E o que aconteceu quando o Mavs finalmente achou um grande pivô? Enfrentaram o Spurs nos playoffs, que tantas vezes haviam lhes eliminado usando Tim Duncan e antes David Robinson, mas que dessa vez lhes bateu usando a tática do Mavs, o small ball. Ao invés de usar os pivôs (que nem tinha, pra falar a verdade), o técnico Popovich entupiu o Spurs com jogadores rápidos e baixos, como George Hill e Tony Parker e assim bateu o Dallas, que até afundou o Haywood no banco para tentar igualar a velocidade do Spurs sem sucesso.

Mais um fracasso não parou o Mark Cuban, que satisfeito com o Haywood, resolveu torná-lo mais um dos vários pivôs que vão pagar a faculdade dos bisnetos com o dinheiro do bilionário. Haywood assinou um contrato de 55 milhões de dólares por 6 temporadas!

Eu achei um bom negócio manter o Haywood, que é o melhor pivô que eles já tiveram, mas mesmo sendo o melhor, não é um cara completo. Se com ele o Mavs tem a defesa que sempre sonhou, ainda não tem presença de garrafão, já que Nowitzki trabalha bem apenas da meia distância pra trás. E ainda gastou uma nota preta, provavelmente porque o agente do Haywood sabe que do Mark Cuban dá pra arrancar muito dinheiro.

Talvez pensando nessa questão ofensiva, o Mavs não deu por encerrada a busca por mais um pivô. Por um lado é legal ver que o time é incansável na hora de tentar melhorar, mas foi esquisito vê-los correndo atrás de Shaquille O'Neal e Al Jefferson dias depois de pagar aquele caminhão de dinheiro para o Haywood. São 55 milhões para deixá-lo no banco, é isso? Faz algum sentido? Porque titular na frente desses dois ele não seria nem se a mãe do Haywood fosse a treinadora.

As negociações com Shaq, porém, não caminharam bem e o foco do time se tornou Al Jefferson. Mesmo ele não sendo um pivô nato, Big Al atuou com sucesso nessa posição pelo Wolves e se destaca justamente por ser um dos jogadores mais completos quando o assunto é atacar. Ele sabe se posicionar embaixo da cesta, tem bom movimento de pés e um dos fakes mais traiçoeiros da NBA. Seria o parceiro ideal para Nowitzki, que com ele do lado até teria mais espaço para atacar a cesta, coisa que ele tem tentado mais nos últimos anos.

As negociações estavam bastante avançadas porque o Dallas começou essa offseason com uma das moedas de troca mais valiosas do mercado, Erick Dampier. Não que ele seja bom, mas é que o seu contrato de 13 milhões (deus salve as criancinhas com fome!) não é garantido para a próxima temporada! Ou seja, um time poderia despachar para o Dallas alguém de salário enorme, receber em troca o Dampier e simplesmente dispensá-lo antes da temporada começar, sem precisar pagar toda essa bagatela. Muitos times estavam babando para se livrar de contratos ruins com uma troca pelo Dampier e o Wolves era um deles.

Mas como vocês sabem e já foi comentado aqui, o Al Jefferson foi trocado para o Utah Jazz, não para o Dallas Mavericks, e vocês sabem o motivo? Simples, o Dallas queria aproveitar a troca para se livrar também do contrato de quase 5 milhões de dólares do DeShawn Stevenson, que nem está sendo usado. O Wolves não aceitou, a troca empacou, ninguém cedeu e o Jazz aproveitou para entrar em ação.

Preciso comentar o nível de burrice dessa decisão? Eles estiveram a um "sim" de ter o pivô que o Mark Cuban sonha há 10 anos, um cara que mesmo jogando improvisado é melhor que Dampier, Haywood, LaFrentz e toda aquela renca junta! Mas não fizeram isso porque queriam se livrar do contrato do Stevenson? Por dinheiro? Depois de pagar tão caro por tantos pivôs eles não quiseram pagar um pouquinho a mais pelo DeShawn por um ano para ter o Al Jefferson? Porra, Mark Cuban, merece sofrer sem pivô por mais 10 anos!

No fim das contas o contrato não-garantido do Erick Dampier acabou sendo enviado para o Charlotte Bobcats em troca de não um, mas dois pivôs! Tyson Chandler e Alex Ajinca. O Ajinca é um desastre total! Falei mal do Johan Petro aqui outro dia mas acho que em um duelo 1-contra-1 o Petro vai parecer o Kevin McHale perto do Ajinca. Já o Tyson Chandler não é ruim, é muito bom quando não está machucado (o que tem sido raro), mas seus talentos são na defesa: toco, rebote e, no máximo, rebotes ofensivos e pontes-aéreas. Não é exatamente o que o Haywood faz? Gastaram o valioso contrato do Dampier para ter mais do mesmo.

Ah, e para não perder o hábito, o Mavs fecha suas ações de Off-Season contratando o glorioso Ian Mahinmi. Brendan Haywood, Tyson Chandler, Alex Ajinca e Ian Mahinmi, está satisfeito ou a busca continua, Mark Cuban?

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Troca que não muda

- Shoryuken!

Finalmente uma movimentação! Estou torcendo para ter uma troca por semana para a gente ter o que falar no blog. Poderia até ser uma troca de James Augustine por Luther Head e um vale CD. Pelo menos essa troca renderia um desconhecido do mês para o Augustine, uma análise do nome de banda de metal do Head e as melhores opções de como gastar um vale CD na era do MP3.

Mas para nossa sorte a troca dessa semana envolve jogadores de peso que realmente fazem a diferença na NBA. O New Orleand Hornets mandou o Tyson Chandler para o Charlotte Bobcats em troca do Emeka Okafor.

No Twitter, com aquele limite patético de caracteres, só consegui dizer que os dois jogadores são muito parecidos: bons reboteiros, bons defensores e com ataque limitado. E que pareceria melhor quem jogasse ao lado do Chris Paul. Mantenho essa visão. No ataque os dois dependem muito das jogadas que são armadas para eles e nisso não há ninguém melhor que o Chris Paul, ele e o Chandler até tinham aquele pick-and-roll que acabava em ponte aérea que era marca registrada do time.


Mas além disso eles tem mais coisas em comum. Os dois foram segunda escolha de draft, o Chandler em 2001 e o Okafor em 2004. Os dois foram a segunda opção atrás de outro jogador de garrafão, o Chandler depois do fenômeno colegial Kwame Brown e o Okafor depois do fenômeno colegial Dwight Howard. Estes dois com histórias nem tão semelhantes na NBA.

Além do draft, a história dos dois na liga é ainda parecida. Os dois chegaram como promessa de jogadores fora de série. Para muitos na época do draft, o Okafor deveria ter sido o primeiro escolhido porque era uma opção mais segura enquanto Dwight era uma aposta no escuro. Em 2001 o Bulls trocou seu ótimo e regular Elton Brand para ter Tyson Chandler no elenco.

Anos depois os dois conseguiram o meio termo. Nenhum virou o Kwame Brown mas também não chegaram a ser as estrelas que deveriam ser, viraram titulares, importantes em seus times, mas com um jogo limitado e dependente.

Mas se são tão parecidos, para que trocar, certo? Segundo os managers e técnicos dos dois times, são pelos detalhes. O manager do Hornets, Jeff Bower (irmão mais novo do Jack Bauer), disse que o Okafor, apesar de ter tido contusões no começo da carreira, já não sofre com elas há algum tempo (não perdeu nenhum jogo nas últimas duas temporadas) e é uma opção mais confiável para jogar de pivô. Ele dá a entender algo que é realmente verdade, a inconsistência do Chandler, que além de perder muitos jogos com o dedão do pé machucado era capaz de fazer 15 pontos e 15 rebotes num jogo e 5 pontos e 5 rebotes no jogo seguinte.

Já o Larry Brown, técnico do Bobcats, disse que a troca foi puramente basquetebolística. Nada a ver com contusões, salários e etc. Ele simplesmente acha que o time será melhor com o Chandler no lugar do Okafor. Ele cita a velocidade do Chandler e a sua altura (é 8 centímetros maior que o Okafor) como fatores que farão o time melhor.

Acho que os dois tem sua dose de razão. O Chandler é mais rápido, mais alto e até mais atlético, talvez ajude a dar uma movimentação melhor ao ataque do Bobcats, que é muito lento. Já o Okafor no Hornets faz com que eles tenham um cara que pode ajudar o Chris Paul regularmente, o que não é o caso do Rasual Butler e do Stojakovic, por exemplo. Mas isso também quer dizer que eles estão resolvendo um problema e criando outro.

Nos seus dias apagados ou precisando descansar o dedão, o Bobcats terá que apelar para DeSagana Diop e o Hornets poderá dizer adeus àquelas pontes aéreas, o Okafor não é dessas coisas.

Acho que os dois times fizeram certo ao trocar. Apesar de ver apenas mudanças mínimas em suas características principais, era claro que nenhuma das duas equipes iria mais longe do que foram no ano passado sem algumas mudanças, melhor mudar pouco do que não mudar. E também acho que a mudança é válida porque os jogadores podem evoluir ao mudar de time e encontrar outros técnico e outro estilo de jogo.

Pode ser importante para o Emeka Okafor jogar ao lado do Chris Paul e ser treinado pelo Byron Scott. Se algum vestígio do bom jogador ofensivo que era prometido em 2004 ainda existe, são esses dois que podem fazê-lo despertar. Já para o Chandler, que há duas temporadas foi considerado por muitos o melhor reboteiro e um dos melhores defensores da NBA, poderá ser uma boa trabalhar com o Larry Brown, um dos caras que mais sabe montar defesas na NBA e transformou o Ben Wallace naquela máquina de defender no Pistons.

Quem sabe os dois jogadores limitados não ganham mais vida na NBA com essa troca de ares e de sistemas de jogo? Pode ser que eu só acordei bem humorado e otimista, tudo bem, mas é uma possibilidade. E que fique claro que o Hornets ainda não tem banco de reservas e que o Bobcats ainda não confirmou o Raymond Felton para a próxima temporada, sem essas duas coisas não há troca que resolva!


Três curiosidades:
1. Com a saída do Okafor agora o Gerald Wallace é o único remanescente do time original de Charlotte que entrou na NBA em 2004. Pra quem não lembra, aquele time tinha, além de Wallace e Okafor, caras como Brevin Knight, Eddie House, Jason Kapono, Keith Bogans, Primoz Brezec e Melvin Ely. O Bobcats acabou aquela temporada com 18 vitórias.

2. Essa foi a primeira troca entre o New Orleans Hornets e o time que o substituiu na cidade de Charlotte, o Bobcats. Todos devem lembrar que até a temporada 2001-02 existia o Charlotte Hornets e todo mundo aqui no Brasil tinha um boné, mochila ou pochete com aquela bendita abelinha. Só perdia para os produtos do Bulls.

3. Na temporada passada, Hornets e Bobcats acabaram exatamente empatados na média de rebotes por jogo. Tanto o time com Chandler como o com Okafor tiveram 39,7 rebotes por jogo. Apenas três times (Heat, Kings e Grizzlies) conseguiram ser piores.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

A maior sapecada da história


Ia escrever antes sobre a lavada que o Hornets levou do Nuggets mas acabei combinando de ir jogar Winning Eleven com o Danilo e aí lá se foi todo o meu tempo livre do dia. Pior que eu jogo mal pra caralho o maldito viciante jogo de futebol. Fica aqui o texto que eu já tinha começado mas não terminado, embora o assunto já esteja um dia mais velho. Vale para não jogar fora os caracteres usados.


...

Foi simplesmente a maior lavada que eu já vi. Ou melhor, a maior lavada que eu já vi pela metade. Com o Heat e o Hawks se pegando em Miami eu não ia perder meu tempo vendo o coitado do Chris Paul que eu gosto tanto passar a maior humilhação da sua vida diante do Denver Nuggets.

Os 58 (CINQUENTA E OITO) pontos de diferença foram a maior diferença numa vitória na história dos playoffs. Dá pra imaginar que mesmo se o Hornets começasse o jogo com uma vantagem de 50 a 0 eles ainda teriam perdido o jogo? É tipo começar a jogar 21 com o seu primo mais novo, dar a vantagem dele começar com 19 a o e depois ganhar do pirralho.

Eu só fiquei um pouco feliz com a lavada por causa do post que tinha escrito no mesmo dia. Afinal, o jogo confirmou minha teoria de que grandes jogadores ganham jogos, não séries de playoffs. Aconteceu em New Orleans onde o Chris Paul não conseguiu o mesmo milagre do jogo 3 e aconteceu também no jogo que eu vi até o final, em Miami, com o Dwyane Wade jogando mal e cedendo o empate na série para o Atlanta.

O Miami, aliás, mostrou como é um time muito limitado no ataque. Com o Wade jogando mal eles estavam sofrendo para atingir a marca de 30 pontos com o primeiro tempo já acabando! Só voltaram para o jogo porque o James Jones conseguiu a proeza de fazer duas jogadas de 4 pontos em ataques consecutivos.

Mas logo que voltou o terceiro quarto, o Hawks abriu mais um pouco e no quarto período matou o jogo. O Wade estava num de seus piores jogos de playoff da carreira. Ele começou o jogo com uma airball na primeira posse de bola do jogo, assim como o Al Horford já tinha feito pelo Hawks no jogo 3. Mas o Wade continuou e deu mais 3 airballs só no primeiro tempo! Porra, nem eu faço isso jogando depois de comer feijão no almoço com vento forte na quadra descoberta.

O Heat é um time bom que pode vencer quase todo mundo na NBA, mas numa série de 7 jogos é difícil demais, eles não sabem mesmo o que fazer quando o Wade não está em quadra ou está mal. Qualquer uma das duas equipes que saia dessa série não ganha mais de 1 jogo do Cavs.

De volta ao jogo do Hornets, aquilo foi uma das maiores humilhações que eu já vi na minha vida esportiva. Mais destruidor que a derrota do Lakers no jogo 6 das finais do ano passado, mais devastador que a derrota do Spurs para o Pistons no jogo 4 das finais de 2005, mais embaraçoso que quando o Timão meteu 7 a 1 no Santos, talvez no mesmo nível de vergonha alheia da final de Roland Garros do ano passado e do 5 a 0 em anos consecutivos do Cruzeiro sobre o Galo.

Não tem explicação basquetebolística para o que aconteceu. 58 pontos de vantagem (com 26 turnovers para o Hornets) é supremacia mais que absoluta em todos os quesitos possíveis e imagináveis em uma quadra de basquete, acho que até o pinto dos jogadores do Nuggets eram maiores que os do Hornets naquele jogo.

Eu fico com dó do Hornets porque eles ainda vão ter que jogar mais uma vez contra o Nuggets e dessa vez em Denver, a chance de mais uma humilhação é altíssima. Mesmo que não por 58 pontos, por 20 já seria bem doloroso. Proponho uma nova regra para prevenir situações embaraçosas como essa: se um time vence um jogo de playoff por mais de 50 pontos o outro time está automaticamente eliminado e ganha um pirulito sabor framboesa pra ir pra casa da mamãe chorando as mágoas.

Vale também comentar o fato da torcida ter ido embora do ginásio ainda no terceiro período. É o tipo de coisa que você entende mas que nos faz lembrar daquela discussão sobre como os fãs de NBA não são tão apaixonados como os americanos são com a NCAA ou nós com futebol.

Adeus Hornets, que os Monstars devolvam o talento de Tyson Chandler, Mo Peterson e Peja Stojakovic no ano que vem e façam vocês serem de novo um dos times mais legais de se ver na liga.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

As quebradeiras - parte 1

O texto é sobre contusões de verdade, dá o fora Paul Pierce!

Ontem estava assistindo a lavada espetacular que o Lakers deu no Suns e em determinado momento a transmissão da ESPN gringa mostrou na tela uma lista com dados muito interessantes. Era uma lista com todos os machucados dos principais times do Leste e Oeste. Basicamente todos os 9 candidatos a vaga nos playoffs do Oeste e os 3 favoritos do Leste sofrem ou sofreram com contusões de peças importantes nessa temporada.

Eles ainda fizeram um paralelo legal dizendo como no ano passado, nessa mesma época do ano, a graça da temporada estava em ver como os times estavam lidando com suas novas aquisições (Gasol, Shaq, Kurt Thomas, Kidd, Korver, etc.) e nesse ano o interessante está em ver como as equipes estão se saindo ao perder jogadores.

Vou tentar não me alongar muito porque são muitos times, mas é essencial comentar como cada time está lidando com as perdas. Nesse ano não é um time ou outro que perdeu um grande jogador por contusão, foram praticamente todos e em uma liga disputada isso faz toda a diferença. E não, não vou comentar do Wizards sem o Gilbert Arenas, podem ficar tranquilos.



Los Angeles Lakers - O Lakers perdeu o Andrew Bynum como no ano passado mas não está com nenhum problema. Sem ele o Lakers venceu o Celtics em Boston e logo depois foi o único time a bater o Cavs em Cleveland. Na ausência do Bynum, o Gasol voltou a jogar de pivô, jogando até melhor do que antes, e o Odom está com atuações que renderiam até um lugar no All-Star Game se fossem no começo da temporada.

Desde a contusão do Bynum, o Kobe tem mais ou menos uns 6 pontos a mais de média, o Gasol mais uns 4 e o Odom quase o dobro, os três estão dando conta do recado e até defensivamente o Lakers não tem sentido tanto a falta do Bynum como sentiu no ano passado. Quer dizer que o time de LA vai ser campeão mesmo se o Bynum não voltar? É possível, mas eu não apostaria dinheiro nisso.


San Antonio Spurs - Primeiro foi o Ginobili fora no começo da temporada, logo depois o Tony Longoria. As duas contusões comprometeram um pouco o começo da campanha dos Spurs em termos de números mas serviram para outras coisas: mostraram que o George Hill e o Roger Mason dão conta do recado e que o Bruce Bowen já pode começar a procurar por asilos confortáveis na região de San Antonio.


Com os dois de volta, as vitórias apareceram e o Spurs entrou de novo entre os favoritos. Aí o Ginobili se machucou de novo, ficará de fora por pelo menos duas semanas e o Duncan está com fortes dores no joelho, desfalcando o time também. O resultado disso? 35 e 39 pontos para Tony Parker em jogos consecutivos contra Dallas e Portland. Como disse o Popovich, "O importante é todos estarem saudáveis nos playoffs". Até lá, de alguma maneira que a ciência não explica, o Spurs dá um jeito.


Utah Jazz - Se para o Spurs as contusões de Parker e Manu serviram para revelar Mason e Hill, no Jazz a contusão de Carlos Boozer serviu para eles verem que mesmo se perderem o ala na temporada que vem, o Millsap dá conta do recado. Quer dizer, mais ou menos.

Muita gente disse que a surpresa do Millsap aparecer fazendo trocentos pontos na ausência do Boozer foi ótima porque assim o Jazz não precisa se preocupar em gastar uma grana preta pra manter o Boozer na temporada que vem. Mas acho que essa pode ser uma aposta errada. O Millsap jogou muito bem, teve números dignos do próprio Boozer, é mais jovem e nunca teve problemas de contusão. Mas até onde ele levou o Jazz? Com ele jogando muito bem o Jazz não foi tão bem, ficou sempre ameaçado de ficar fora dos oito classificados para os playoffs e só se recuperou mesmo quando o Deron Williams voltou da sua contusão e, com a ajuda de Kirilenko e Okur, botaram o time nas costas.

Ou seja, esse time funciona bem se Deron, AK47 e Okur estiverem bem, o talento de Millsap e Boozer são "apenas" o diferencial, entre o Jazz ser um time mediano e um que briga pelo título.

O Millsap é muito bom, isso é fato. Mas não tem o arremesso do Boozer, o que é importante demais pra esse Jazz. E ele pode levar o time tão longe quanto o Boozer? Se eu tivesse os dois como Free Agents e pudesse pagar apenas um, levaria o Boozer. E tudo indica que o Jazz não concorda comigo.


New Orleans Hornets - Nunca um time pareceu envelhecer tanto de um ano para o outro. Passou apenas um verão nos Estados Unidos e de repente o Stojakovic e o Morris Peterson pareciam ter 90 anos de idade, rugas e um estranho gosto por bocha.

O sucesso do Hornets ficou na mão do Chris Paul, do David West e do Tyson Chandler. Até que o Chandler perde quase a temporada inteira e um time candidato a título se tornou um time de dois jogadores.

Para o Hornets ser um time bom eles precisam demais do Chandler como o principal reboteiro ofensivo da NBA, como um dos líderes em tocos e da sempre ameaçadora ponte-aérea dele com o Chris Paul. A contusão dele serviu para mostrar um Hornets limitado, dependente das suas poucas boas peças e mostrou também como o Chris Paul é o melhor armador do mundo. Sério, se ele fosse um armador só bom, não espetacular, esse time estaria em nono no Oeste facilmente.


Houston Rockets - O Rockets agora é um time forte. Ontem eles bateram o Cavs, limitaram o LeBron James a seu primeiro jogo na carreira sem assistências e o Yao se mostrou um novo homem: machucou o Ben Wallace (depois de uma trombada o Ben Wallace saiu do jogo com a perna quebrada) ao invés de sair machucado e enterrou na cabeça do LeBron James ao invés de ser marretado. É o mundo às avessas!

Essa nova fase do Houston que venceu 8 dos últimos 10 jogos se deve a duas perdas, a do Tracy McGrady e a do Rafer Alston. A troca do Alston foi uma injeção de confiança no Aaron Brooks que transformou o Houston em um time com um ataque mais dinâmico, e ainda trouxe o Kyle Lowry que joga demais e é ótimo para se ter no banco. Já a perda do T-Mac foi bom porque fechou o grupo, ele finalmente parou com esse vai não vai e afirmou com certeza que não volta mais nessa temporada.

O Houston, então, agora sabe que não tem mais ninguém pra ser trocado, sabe ao certo quem é o time titular e sabe o papel de todo mundo. Depois de uma temporada cheia de lenga-lenga mais chato que a atual novela das 8, o Houston agora tem identidade, tem uma rotação fixa. É, afinal, um time. Um time bem forte, aliás, que o diga o LeBron, que além da enterrada do Yao sofreu com um mix de marcação do Artest e do Shane Battier. Eu prefiro apanhar de cinta a ser marcado pelos dois no mesmo jogo.


Denver Nuggets - Em comparação aos outros, é um dos times que menos sofreu com as contusões. Perdeu o Carmelo Anthony por 10 jogos (6 vitórias, 4 derrotas) mas acabou no fim das contas servindo apenas para a liderança da divisão noroeste ficar um pouco menor sobre o Portland, nada comprometedor. Mais preocupante é a atual contusão do Nenê, que ainda bem não parece séria. Se eles perdem o Nenê, dão adeus a qualquer resto de esperança de passar da segunda rodada dos playoffs.



Você acha que as contusões param aí? Que nada, foi só metade. Amanhã falaremos mais de como as contusões de jogadores importantes em absolutamente todos os grandes times das duas conferências estão definindo os rumos dessa temporada.

Ainda temos que falar de Boston Celtics, Cleveland Cavaliers, Orlando Magic, Dallas Mavericks, Portland Trail Blazers e Phoenix Suns. Pra quem gosta de sangue e dor é um prato cheio!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

As últimas trocas

Finalmente chegou e já passou o dia limite para as trocas da NBA. Às vezes algumas trocas são feitas dentro do horário permitido mas acabam vazando para a imprensa apenas algumas horas depois, então talvez falte alguma. Mas até agora foram divulgadas as seguintes trocas:


Troca 1
Houston Rockets recebe: Kyle Lowry e Brian Cook
Memphis Grizzlies recebe: Escolha de 1ª rodada do Orlando
Orlando Magic recebe: Rafer Alston








Troca muito boa para todos os lados. O Rockets se livra do Rafer Alston que tanto enchia o saco de seus ávidos fãs, pergunte para o Danilo o quanto ele gostava do Alston e vocês entenderão porque devem estar soltando fogos em Houston. Ao mesmo tempo, eles recebem o Kyle Lowry que é um bom armador e deverá lutar por uma vaga no time titular com o excelente Aaron Brooks, aquele baixinho cabeçudo que sempre joga bem quando o Alston tá fora. Tá bom que eles receberam o Brian Cook também, mas nada é perfeito nessa vida, já diria minha tia avó.

Para o Orlando foi uma troca "Se não tem tu vai tu mesmo". Primeiro eles trocaram o Bogans pelo Tyronn Lue, mas não precisaram de mais de uma semana pra ver que nem Anthony Johnson, o reserva imediato, e nem Lue são capazes de ocupar o lugar que o Jameer Nelson deixou na armação do Magic.

O Alston não é o cara ideal também, mas de todos os disponíveis no mercado era a melhor opção: ele é experiente, defende até que bem, tem um arremesso de três que não é perfeito mas que está longe de comprometer, está acostumado a jogar com um pivô dominante (às vezes ele era um dos poucos caras do Houston que em toda jogada procurava mandar a bola para o Yao) e além disso teve seu principal momento na carreira na temporada passada quando comandou um ataque que tinha um pivô no meio e vários arremessadores em volta. Foi uma ótima saída para o Orlando. Eles ainda não vão ser campeões, mas não vão mais parecer frágeis como parecem desde que o Nelson saiu.

Para o Memphis não foi grande coisa, perderam um bom armador e receberam uma escolha de draft. Depois que eles escolherem alguém, dará pra medir melhor a qualidade dessa troca para eles, mas se tivessem trocado o Lowry no começo da temporada, quando ele estava mais valorizado, teriam recebido mais em troca.


Troca 2
Boston Celtics recebe: Escolha de 2ª rodada de draft
Toronto Raptors recebe: Patrick O'Bryant
Sacramento Kings recebe: Will Solomon






Nada como comentar trocas do nível da D-League, não é?

O Raptors recebe a reencarnação do Baby Araújo, o Patrick O'Bryant. Os dois são pivôs, os dois foram Top 10 no draft e nenhum dos dois é bom o bastante para estar jogando na NBA. O O'Bryant nunca jogava no Warriors, foi ridicularizado pelo Don Nelson por lá e acabou indo para o Celtics, onde só entregava toalhas e Gatorades. Para o Raptors a troca faz sentido só no papel, porque sem o Jermaine O'Neal eles precisam de reservas de pivô, mas entre ter o O'Bryant e ter um saco de papel higiênico molhado, eu prefiro o papel porque pelo menos dá menos trabalho na hora de tacar pela janela.

Para o Kings não foi ruim, mas também não foi bom. O Will Solomon fez algumas boas partidas quando o Calderon estava fora mas nunca teria espaço por lá com o espanhol e o Ukic no elenco. Ele será um bom reserva para outro gringo branco, o Udrih.

Para o Celtics essa troca pode ser mais interessante e importante do que parece. Liberando o Cassell no começo da semana e o O'Bryant agora, eles não só gastam menos dinheiro com salários como também deixam aberto dois espaços no elenco para assinar novos jogadores. No ano passado nessa mesma época eles tinham esses mesmos espaços e usaram para assinar PJ Brown e Sam Cassell, que foram importantíssimos nos playoffs. Dessa vez eles podem fazer de novo. Estão dizendo que talvez com Marbury e Joe Smith, que poderá ser dispensado pelo Thunder, e podem ser os candidatos desse ano.


Destroca 1
Oklahoma City Thunder DEVOLVE: Tyson Chandler
New Orleans Hornets DEVOLVE: Joe Smith e Chris Wilcox







E não é que a troca não deu certo? O Tyson Chandler parece que tem um problema no pé que assustou os médicos do Thunder e ele então não passou no exame médico, cancelando a troca. Só quero ver a cara que os dirigentes vão ter na hora de dar as boas vindas de volta para o Chandler. Que situação patética...

A última vez que eu lembro de ter visto um cara não passar no exame médico foi quando o Nets ia assinar o Shareef Abdur-Rahim mas desistiu na hora do exame por causa de um problema no joelho dele. O ala então foi para o Kings, jogou uma temporada inteira lá numa boa e só na metade da temporada seguinte é que ele foi ter um problema no joelho. Não sabemos se porque já estava bichado ou por macumba do Nets.


Troca 3
Memphis Grizzlies recebe: Chris Mihm
LA Lakers recebe: Futura escolha de draft









Isso mesmo, o Lakers recebe só uma escolha de draft. Dessa vez não teve roubalheira e o LA não levou o Rudy Gay e o OJ Mayo em troca do Chris Mihm e um autógrafo do Kobe. A troca serve para o Lakers não precisar gastar mais grana com o Mihm e também libera um espaço no elenco da equipe para algum outro jogador.

Para o Memphis é legal porque parece que eles têm uma coleção de pivôs brancos que não pára de crescer. Agora são Marc Gasol, Hamed Hadadi, Darko Milicic e Chris Mihm. Não sabia que nas cartas de objetivos da NBA uma delas dizia "conquistar pivôs brancos de 3 continentes diferentes". Eles já tem um asiático, dois europeus e agora um americano. Próximo passo é atacar 3 contra 2 Vladvostok no Alasca.


Troca 4
Sacramento Kings recebe: Rashad McCants
Minnesota Timberwolves recebe: Shelden Williams









Uma troca de uma furada por outra. Seria como trocar Kwame Brown por Michael Olowokandi.
O McCants foi a escolha 14 do draft de 2005, chegou para ser um cara pra marcar pontos no perímetro e ajudar a tirar pressão do Garnett e nunca conseguiu convecer. Era um jogo bom seguido de uns 10 em que ele não fazia absolutamente nada. Entrou ano saiu ano, trocaram o time e ele continuou sendo um zero à esquerda.

O Shelden Williams foi a escolha 5 do draft de 2006. O cara chegou com uma puta moral por ter tido uma carreria universitária de dar inveja: é recordista da história de Duke em tocos e rebotes e o jogador de Duke que mais pegou rebotes em uma única temporada. Também foi duas vezes jogador de defesa do ano na NCAA.

Mas aí chegou no Atlanta e nunca fez absolutamente nada além de continuar sendo conhecido como "o cara que come a Candance Parker e tem uma cabeça com formato de Antoine Walker". Ele não foi bem na defesa, não pegava rebotes, não dava toco e acabou indo para o Kings, onde afundou mais uma vez no banco. No Wolves terá um fim de temporada sem o Al Jefferson para poder mostrar se pelo menos merece continuar na NBA.


Essas foram talvez as trocas mais simples, as outras, envolvendo jogadores de mais peso serão analisadas de forma mais profunda pelo Danilo que está preparando um post com muito amor, carinho, afeto e atenção. Estas trocas maiores envolvem:

Thunder
levou: Thabo Sefolosha
perdeu: Wilcox, escolha de 2ª rodada

Knicks
levou: Larry Hughes, Chris Wilcox
perdeu: Tim Thomas, Anthony Roberson, o gordo do Jerome James e Malik Rose

Kings
levou: Andres Nocioni, Drew Gooden (o homem mais trocado da história)
perdeu: Brad Miller, John Salmons

Bulls
levou: Brad Miller, John Salmons, Tim Thomas, Anthony Roberson, Jerome James
perdeu: Andres Nocioni, Drew Gooden, Larry Hughes


Depois de hoje desafio alguém a falar o elenco do Kings de cabeça sem consultar o Google.

Até o Danilo postar a segunda parte da análise, você pode conhecer uma nova perna do Bola Presa, o nosso Tumblelog, ou só Tumblr.

Para quem não sabe, um Tumblelog, além de ter força nominal nula, é um lugar para se postar coisas rápidas, fáceis e de preferência que não são suas, é uma maneira de compartilhar o que você achou por aí andando na internet.

Então lá terão links para notícias interessantes, muitas fotos legais e todos os vídeos que vemos por aí e que não entram nos posts tradicionais do Bola Presa por serem de um assunto que não estamos tratando no texto.