domingo, 2 de maio de 2010
Preview dos Playoffs - Lakers x Jazz
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segunda-feira, 26 de abril de 2010
Repeteco
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segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Nova geração de armadores
Houve um tempo, muito distante, em que a rivalidade entre dois armadores dominava os debates sobre NBA. As donas de casa fofocavam sobre eles na calçada, os bêbados escolhiam o prefererido e ficavam defendendo o queridinho nas mesas de bar, e o pessoal que acompanha basquete e comenta nos fóruns jogava a vida na privada teorizando sobre qual dos dois era melhor sempre que dava um tempinho no Ragnarok. Os armadores eram Deron Williams e Chris Paul, e mesmo que ficar alegando que um era melhor do que o outro fosse a mair perda de tempo (assim como nós dizemos, desde o começo do blog, que é uma perda de tempo surreal comparar dois jogadores diferentes), a rivalidade era muito divertida de se acompanhar.
Os dois foram draftados em sequência, com o Williams indo para o Jazz com a terceira escolha e o Chris Paul indo para o Hornets com a quarta. Por algum tempo Paul pareceu o jogador mais completo enquanto Deron era o melhor pontuador e arremessador, mas os dois foram mostrando mais e mais aspectos de seus jogos até que não dava mais para dizer o que um fazia melhor do que o outro. O que podemos dizer, sim, é que o Chris Paul sempre tinha seu traseiro chutado quando os dois se enfrentavam e, no entanto, começou a receber mais atenção do público com sua atuação monstruosa nos playoffs. Foi parar no All-Star Game duas vezes, muitos consideram o rapaz o melhor armador da NBA, e o Deron Williams foi ficando um pouco de lado e ainda não foi parar no jogo das estrelas, o que é um crime tão grande quanto deixar a Alinne Moraes tetraplégica.
Mas essa rivalidade agora é velharia, tipo Kinder Ovo que custava 1 real. Os dois armadores estão fora das quadras por uns tempos e seus reservas, dois novatos, estão chutando traseiros. Todo aquele papo de que o draft desse ano tinha uma boa safra de armadores não era só papo pra te comer, temos Brandon Jennings marcando 55 pontos e transformando o Bucks, Tyreke Evans assumindo a armação do Kings e tornando o time bizarramente bom, tem o Stephen Curry quebrando um galho no Warriors sem Stephen Jackson e tentando sobreviver ao circo, o Ty Lawson fazendo miséria no Nuggets quando o Billups vai pro banco, o Toney Douglas sendo um dos poucos aspectos positivos do Knicks e jogando melhor do que o titular Chris Duhon, o Jonny Flynn impedindo o Wolves de ter a pior campanha da NBA apesar das contusões (o Nets também ajuda o Wolves a não ter a pior campanha) e além de todos eles temos os novatos que substituem Chris Paul e Deron Williams: são o Eric Maynor e o Darren Collison.
Os dois também foram draftados em sequência, também com o Jazz escolhendo primeiro. Mas ao invés da terceira e quarta escolha, foram draftados na vigésima e na vigésima primeira. Mas, nessa safra de armadores abençoada por deus e bonita por natureza mas que beleza, os dois chutam traseiros como não se imaginaria de escolhas tão altas, principalmente levando em conta que armadores costumam levar mais tempo para pegar as manhas da NBA do que jogadores de outras posições.
Quando o Chris Paul torceu o pé, a impressão que deu foi a de que o time estava fedendo tanto que ele até preferiu se contundir pra ir assistir ao filme do Pelé. Das dez partidas que disputou, Chris Paul venceu apenas três, e isso enquanto marcava quase 24 pontos por jogo. Era bem claro que ele estava tendo que pontuar completamente sozinho, e como o Tracy McGrady aprendeu nos seus tempos de Orlando, dá pra fazer 60 pontos num jogo e ainda perder se o teu time não souber nem amarrar o cadarço. Sem o Chris Paul, quem assumiu a responsabilidade de armar esse time incapaz de acertar a cesta foi o Darren Collison, e o pirralho já ganhou três partidas - e só tendo disputado cinco. A derrota de ontem para o Heat, por exemplo, só veio nos segundos finais depois de um arremesso certeiro do Udonis Haslem, o que mostra que o rapaz não apenas está no caminho certo mas também está tornando seu time mais eficiente sem carregar tanto o fardo ofensivo. Com 15 pontos e 6 assistências de média nas partidas como titular, Collison está abrindo espaço para outros jogadores aparecerem, como o também novato Marcus Thornton, escolha de segunda rodada, que marcou 22 pontos por jogo desde que o Chris Paul foi passear. A verdade é que esse time fede, fede muito, e fedia mesmo quando o Paul levou a equipe aos playoffs e impressionou todo mundo a ponto da gente não perceber o tamanho da bomba (tipo um cara feio com uma namorada gostosa, você acaba pensando algo como "ele não deve ser tãaaaao feio assim). Se ele continuar segurando o rojão sozinho, o time não apenas vai estagnar como vai acabar torrando os últimos traços de paciência do armador, que pode, no maior estilo "Tropa de Elite", simplesmente pedir pra sair.
Enquanto isso, em Utah, parece existir uma espécie de maldição que aflige as filhas dos armadores do Jazz. Assim como o Fisher enfrentou problemas com a saúde de sua filha que, por fim, acabaram gerando um acordo que permitiu ao armador voltar a Los Angeles (e ao Lakers) para poder estar perto dos maiores centros médicos, Deron Williams também pediu dispensa do Jazz por uns tempos para lidar com problemas de saúde de sua filhota. Ficamos na torcida de que não seja nada sério, que o Deron Williams possa voltar às quadras feliz e tranquilo, e que essa maldição não seja tão séria quanto a que faz o Clippers sempre feder ou o Wizards sempre ter alguém contundido. Nas duas partidas em que o Eric Maynor teve que assumir a armação titular da equipe, suas atuações foram incríveis. Contra o Sixers foram 13 pontos e 11 assistências, e contra o Cavs foram 24 pontos e 4 assistências. Mais do que isso, Maynor mostrou domínio nas jogadas de "pick-and-roll" que tanto fizeram a fama de Stockton e Deron Williams, apresentando um grande entrosamento com o Carlos Boozer. Parte disso parece ser culpa do Jerry Sloan, porque parece que se um anão de biquini for colocado pra armar o jogo no Jazz vai dar tudo certo, lembro de ver jogadores bizarros assumindo a posição em momentos de desespero e funcionando bem, como Gordan Giricek, o Raja Bell por quase uma temporada inteira, e até o Kirilenko, todos bem fora de sua posição natural.
Para o Jazz, saber que o Maynor se deu tão bem na função e que o Sloan deixa a vida dos armadores tão fácil é uma descoberta essencial. Esse começo de temporada não está sendo fácil para a equipe e Carlos Boozer e Paul Millsap são como pistoleiros de faroeste, ou seja, a cidade é pequena demais para os dois juntos. Ambos precisam de minutos, mas os dois precisam de bons armadores que permitam o "pick-and-roll" para que possam render satisfatoriamente. Se Millsap entrar em quadra acompanhado do Maynor, o Jazz ganha um banco de reservas que não deve muito à dupla titular Boozer-Deron, e isso não é pra qualquer um. Além de ser uma base para o futuro, já que a equipe se comprometeu com o Millsap pelos próximos anos, é uma garantia de que as mesmas jogadas podem ser usadas pelo escalão reserva, que sempre foi um dos grandes pontos fracos do Jazz.
Da próxima vez que Jazz e Hornets se enfrentarem, e provavelmente o Hornets vai estar fedendo bem mais do que o Jazz, ninguém mais vai estar de olho no duelo entre Chris Paul e Deron Williams. Todo mundo vai querer ver Eric Maynor e Darren Collison se pegando, porque as duas equipes parecem destinadas a ter uma tradição de armadores rivais. O universo conspira para que sejam draftados em sequência, para que tenham chances no time titular ao mesmo tempo, e vai conspirar para grandes partidas entre os dois pelos próximos anos. Tudo graças à melhor safra de armadores puros que a NBA já viu, e olha que nem temos o Ricky Rubio nessa brindadeira ainda. Se bobear, é sorte dele: no meio de tanto, tanto talento, ele teria que suar as pitangas para fazer jus aos seus companheiros de posição. Afinal, armadores que substituem Chris Paul e Deron Williams à altura tem que ser espetaculares - e olha que nenhum deles fez 55 pontos. Ainda.
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sexta-feira, 17 de julho de 2009
Na correria
O Detroit Pistons foi parar numa daquelas situações em que nenhum time quer estar, que é quando a equipe não fede e nem cheira. Esse limbo, em que o time claramente não vai conseguir ser campeão mas é bom demais para conseguir boas escolhas de draft, exige decisões ousadas e polêmicas. Como os times que encontram-se nessa situação intermediária são bons, fica difícil tacar tudo na privada e não deixar os fãs descontentes com o desmanche. Os torcedores sempre acham que falta apenas uma peça final, apenas uma arrumadinha no elenco, apenas um técnico novo, apenas uma Alinne Moraes na torcida, e fica difícil convencer qualquer um de que seria melhor desmontar o time bom e feder por uns tempos, na esperança de montar um elenco que realmente possa chegar ao topo no futuro. O caso que me vem imediatamente à cabeça é aquele Nets que foi campeão do Leste em 2002 e 2003, mas que claramente não tinha qualquer chance de ganhar das grandes potências do Oeste. Foi ficando claro que o time não seria campeão, foi perdendo fôlego, e ao perder o topo do Leste para o Pistons, percebeu que não dava para ficar nesse limbo do "quase-lá". Aos poucos, o time foi desmontado num óbvio processo de reconstrução que dura até hoje mas que já mostra seus primeiros resultados.
O Pistons chegou a ganhar um anel de campeão e dominou o Leste por muitos anos consecutivos, logo depois do auge do Nets, mas a sensação sempre foi de que faltava alguma coisinha a ser arrumada na temporada seguinte para que eles dominassem pra valer. Muito se falava sobre motivação, sobre o time não ter mais saco de ficar aguentando joguinhos meia-boca pra no final acabar perdendo por algum motivo idiota, e talvez fosse isso que tanto incomodava a equipe. Em todo caso, óbvio a todos que o Pistons não tinha mais chances de ser campeão num Leste cada vez mais forte e competitivo, chegou a hora de começar de novo. Admitir que o time vai feder por uns tempos, não se apressar, e construir uma franquia vencedora com calma e inteligência. Afinal, não foi assim que o engravatado Joe Dumars construiu o Pistons que foi campeão em 2004?
Só que, pra mim, não parece ser bem isso que anda acontecendo em Detroit. Já critiquei as novas aquisições da equipe (ao que alguns fãs do Pistons caíram matando, afinal só existem dois pecados no mundo: questionar o Joe Dumars, e questionar sorvetes), mas agora é hora de criticar o novo técnico da equipe. A contratação já está até velhinha, mas aqui nunca é tarde para a gente meter a colher. Bola Presa, orgulhosamente trazendo notícias do mês passado com um saborzinho de lentilha de ontem.
Após as negociações com o Avery Johnson falharem, o escolhido para o emprego de técnico do Pistons foi o assistente técnico do Cavs, John Kuester. Convenhamos, é muito engraçado contratar o assistente de um dos piores técnicos da NBA, mas justiça seja feita: se o Cavs parece um time, se eles tem mais de uma jogada ofensiva, e se são minimamente suportáveis de assistir, é tudo culpa do Kuester. Antes dele o ataque do Cavs era uma bagunça, completamente amador, consistindo apenas de jogadas de isolação para LeBron. Agora, o time só isola o LeBron quando as jogadas (que existem!) não dão certo, e dá até gosto de ver como o Cavs cuida bem da posse de bola, sendo um dos times com menor número de desperdícios em toda a NBA. O técnico de verdade, Mike Brown, aprendeu no Spurs a montar defesas fortes - algo que sempre estabeleceu no Cavs com moderado grau de sucesso, mas nada mais. Se levou o título de melhor técnico do ano para casa, é apenas porque o prêmio não faz sentido nenhum e o John Kuester ajudou a balancear o time que dominou o Leste durante toda a temporada regular.
Mas o cara é um assistente técnico. Passou uns tempos com o Larry Brown no Pistons e com o Mike Brown no Cavs, só que sempre com a função de ensinar os esquemas de ataque. Aposto que Ben Gordon e Charlie Villanueva vão ficar muito felizes com o técnico que vem focar na parte ofensiva do jogo (Marbury deve pedir para ir jogar em Detroit em breve, assim que ouvir as boas novas), mas resta a dúvida quanto ao talento de Kuester nas outras áreas do jogo, incluindo o relacionamento com os atletas. Sem sombra de dúvida, Avery Johnson era uma escolha muito melhor: ele foi o homem que ensinou o Dallas a defender, sem desmantelar o ataque, e sagrou-se como um grande motivador dentro e fora das quadras. O problema foi que, além de pedir um pouco de grana a mais do que os engravatados no Pistons queriam pagar, Avery queria a garantia de um trabalho de longo prazo, ao menos 3 anos à frente da equipe, de modo que pudesse ter segurança para lidar com um time em reconstrução. Essa garantia não lhe foi dada, porque Joe Dumars pode ser gênio, mas todo gênio é maluco.
Desde que Dumars assumiu em 2001, o Pistons está em seu quinto técnico. O último, Michael Curry, era assistente técnico da equipe e assumiu o cargo principal com a fama de ser um motivador respeitado por todo o elenco, algo de que a equipe tanto precisava. Recebeu apoio irrestrito do Dumars quando começou seu trabalho e, ao término da temporada, mesmo com o fracasso nos playoffs e todas as brigas e desavenças com Richard Hamilton, recebeu a promessa do Dumars de que continuaria à frente da equipe. Promessa "se o Pitta não for um grande prefeito, nunca mais votem em mim" essa, porque o Curry foi pro olho da rua rapidinho.
Pelo jeito, não há paciência por aquelas bandas. É preciso aceitar que o time vai feder por uns tempos e entregar o elenco nas mãos de alguém que possa fazer um trabalho duradouro e sólido, principalmente quando se está lidando com jogadores jovens e um time sem identidade. Afinal de contas, esse Pistons é baseado em defesa e trabalho coletivo, como o que foi campeão em 2004, ou é baseado em ataque e superestrelas? Vai ter um jogo de perímetro ou um jogo de garrafão? É bastante maluco compor um elenco quando você não lhe deu uma identidade antes, mas agora que a merda está feita e Ben Gordon e Villanueva estão contratados de forma meio aleatória, que ao menos entreguem esse elenco para um técnico versátil e que possa colocar um padrão de jogo específico nesse grupo de jogadores. Não garantir um contrato longo para um técnico é, implicitamente, estar julgando diariamente o novo técnico e cada ação que ele faz. Haverá a pressão para que ele vença, e o próprio Dumars avisou que o processo de reconstrução deve ser quase imperceptível, muito rápido. O sujeito está correndo demais, acho que o pessoal tem medo de feder e acabar virando o Grizzlies.
A própria contratação de Gordon e Villanueva foi um pouco precipitada. Jogadores como Boozer e Okur, frente a uma economia abalada e um teto salarial que deve diminuir, decidiram manter seus contratos por mais um ano para garantir suas verdinhas. Isso significa que mais jogadores terão o fim de seus contratos em 2010, junto com LeBron, Wade, Bosh, Amar'e, Nowitzki, Joe Johnson e outros mais. Vários times estarão com espaço salarial pronto para tentar abocanhar as maiores estrelas, mas os salários devem estar menores, os tempos são outros no Banco Imobiliário do mundo real. Ninguém dará ao Boozer os 14 milhões que ele procura, alguns jogadores assinarão por menos do que pretendiam e muitas oportunidades surgirão para os times com espaço salarial e que queiram apenas um jogador para fechar o elenco, para suprir uma área específica. Entendo a vontade do Dumars de garantir seus jogadores agora, quando a maioria dos times está se focando no ano que vem, mas pagar 10 milhões por ano para o Ben Gordon não pode ser lucro para ninguém (a não ser para o próprio Ben Gordon e a mãe dele).
Temos também que concordar que Richard Hamilton não é um jogador fácil de ser trocado. Longe do seu auge, ganhando 12 milhões por ano durante mais 4 anos, e famoso por só render em esquemas táticos muito específicos. Qual time comprometerá seu espaço salarial, indo para 2010, arriscando encaixar Hamilton no elenco? Qual time em que ele se encaixaria bem teria grana ou jogadores de salários equivalentes para mandar em troca? Fica bastante complicado, mas já sabemos que ele não será capaz de render jogando ao lado de Rodney Stuckey e Ben Gordon. Por enquanto, o Pistons é apenas um amontoado pequeno de jogadores aleatórios, sem um critério óbvio, sem uma identidade, sem um cérebro, e que negou a um bom técnico a chance de estabelecer um trabalho duradouro. Joe Dumars está correndo desesperadamente, torcendo para que ninguém perceba que o time vai feder.
É claro que estou cutucando um ícone sagrado, afinal ele é o homem que entregou um título ao Pistons com um elenco montado na unha, vindo do nada, com sobras que outros times não quiseram. Mas ele também é o homem que draftou Darko Milicic e que disse que Amir Johnson era o futuro do garrafão do Pistons (pra depois contratar até o Kwame Brown). Por enquanto, a tentativa de fugir de 2010 rendeu, na minha opinião, contratos exagerados para jogadores que não se encaixam muito bem. Mas acompanharemos com bastante atenção como Dumars fará para compor o resto do elenco e estabelecer uma voz comum à franquia. Se deu certo uma vez, ele merece ao menos a nossa torcida para que funcione de novo.
Enquanto isso, o Jazz também deu um jeitinho afoito de escapar da bagunça de 2010. Certamente não estava nos planos da equipe que Boozer e Okur escolhessem manter o último ano do contrato, mas é que nos tempos de crise (em que um lanche do Mc Donald's custar 5 reais é uma promoção) os dois jogadores não achariam contrato melhor em lugar nenhum. Acontece que, em 2010, o contrato acaba e eles fogem para qualquer lugar que possa pagar alguma graninha. Imaginava-se um aumento muito grande dos salários (quando um time como o Grizzlies não conseguir o LeBron ou o Wade, vai acabar dando um contrato máximo para um jogador mais-ou-menos), mas com a diminuição do teto salarial da NBA e nenhum time disposto a pagar multas por excedê-lo, arrisco que vai ter muito jogador topando jogar por bem menos do que suspeitava em 2010. O Jazz, então, provavelmente vai perder o Boozer e o Okur na temporada que vem, e estará apto a brigar por esses grandes nomes que estarão disponíveis. Mas não, preferiram cuidar disso agora: igualaram a oferta do Blazers pelo Paul Millsap, que foi de 32 milhões por 4 anos.
Eu entendo o Jazz, eles gostaram realmente do Millsap no tempo em que ele foi titular quando o Boozer, pra variar, se contundiu. O garrafão da equipe é essencial para que Deron Williams possa continuar seu trabalho, e Millsap garante isso com o bônus de já ter sido titular, conhecer a formação tática e se dar bem com o técnico Jerry Sloan. Quando a gente lembra que o Marcin Gortat, que não fez nada de mais na vida, assinou um contrato de 33 milhões por 5 anos, percebemos que o Millsap saiu barato também. Mas agora o Jazz tem uma situação bizarra nas mãos: ou troca o Boozer imediatamente, por um pacote de biscoitos se for o caso, ou então vai pagar multas astronômicas por ter deixado o teto salarial da equipe mais esticado do que a Monica Mattos. Ou seja, Jazz e Pistons não quiseram brincar em 2010, correram com sede ao pote e garantiram contratos o mais rápido possível. Mas agora os dois precisam fazer trocas essenciais para o bom funcionamento de ambas as equipes. Vamos aguardar mudanças significativas, ou então teremos equipes muito bizarras em quadra - as duas, vejam que engraçado, com reservas ganhando por volta de 10 milhões de doletas.
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segunda-feira, 13 de abril de 2009
MIPWAL3SPITL
Principalmente por figurões como o Gilbert Arenas e o DeShawn Stevenson, o Wizards deve ser um dos times que mais foram citados aqui no Bola Presa. Nessa temporada, sem Arenas e sem vitórias, eles ficaram um pouco de lado. Mas vou dizer, eu gosto desse time, espero falar mais deles na temporada que vem e gosto porque eles têm alguns dos jogadores mais legais da NBA. Não dá pra torcer contra.
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Denis
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
As quebradeiras - parte 1
Ontem estava assistindo a lavada espetacular que o Lakers deu no Suns e em determinado momento a transmissão da ESPN gringa mostrou na tela uma lista com dados muito interessantes. Era uma lista com todos os machucados dos principais times do Leste e Oeste. Basicamente todos os 9 candidatos a vaga nos playoffs do Oeste e os 3 favoritos do Leste sofrem ou sofreram com contusões de peças importantes nessa temporada.
Eles ainda fizeram um paralelo legal dizendo como no ano passado, nessa mesma época do ano, a graça da temporada estava em ver como os times estavam lidando com suas novas aquisições (Gasol, Shaq, Kurt Thomas, Kidd, Korver, etc.) e nesse ano o interessante está em ver como as equipes estão se saindo ao perder jogadores.
Vou tentar não me alongar muito porque são muitos times, mas é essencial comentar como cada time está lidando com as perdas. Nesse ano não é um time ou outro que perdeu um grande jogador por contusão, foram praticamente todos e em uma liga disputada isso faz toda a diferença. E não, não vou comentar do Wizards sem o Gilbert Arenas, podem ficar tranquilos.
Los Angeles Lakers - O Lakers perdeu o Andrew Bynum como no ano passado mas não está com nenhum problema. Sem ele o Lakers venceu o Celtics em Boston e logo depois foi o único time a bater o Cavs em Cleveland. Na ausência do Bynum, o Gasol voltou a jogar de pivô, jogando até melhor do que antes, e o Odom está com atuações que renderiam até um lugar no All-Star Game se fossem no começo da temporada.Desde a contusão do Bynum, o Kobe tem mais ou menos uns 6 pontos a mais de média, o Gasol mais uns 4 e o Odom quase o dobro, os três estão dando conta do recado e até defensivamente o Lakers não tem sentido tanto a falta do Bynum como sentiu no ano passado. Quer dizer que o time de LA vai ser campeão mesmo se o Bynum não voltar? É possível, mas eu não apostaria dinheiro nisso.
San Antonio Spurs - Primeiro foi o Ginobili fora no começo da temporada, logo depois o Tony Longoria. As duas contusões comprometeram um pouco o começo da campanha dos Spurs em termos de números mas serviram para outras coisas: mostraram que o George Hill e o Roger Mason dão conta do recado e que o Bruce Bowen já pode começar a procurar por asilos confortáveis na região de San Antonio.Com os dois de volta, as vitórias apareceram e o Spurs entrou de novo entre os favoritos. Aí o Ginobili se machucou de novo, ficará de fora por pelo menos duas semanas e o Duncan está com fortes dores no joelho, desfalcando o time também. O resultado disso? 35 e 39 pontos para Tony Parker em jogos consecutivos contra Dallas e Portland. Como disse o Popovich, "O importante é todos estarem saudáveis nos playoffs". Até lá, de alguma maneira que a ciência não explica, o Spurs dá um jeito.
Utah Jazz - Se para o Spurs as contusões de Parker e Manu serviram para revelar Mason e Hill, no Jazz a contusão de Carlos Boozer serviu para eles verem que mesmo se perderem o ala na temporada que vem, o Millsap dá conta do recado. Quer dizer, mais ou menos.Muita gente disse que a surpresa do Millsap aparecer fazendo trocentos pontos na ausência do Boozer foi ótima porque assim o Jazz não precisa se preocupar em gastar uma grana preta pra manter o Boozer na temporada que vem. Mas acho que essa pode ser uma aposta errada. O Millsap jogou muito bem, teve números dignos do próprio Boozer, é mais jovem e nunca teve problemas de contusão. Mas até onde ele levou o Jazz? Com ele jogando muito bem o Jazz não foi tão bem, ficou sempre ameaçado de ficar fora dos oito classificados para os playoffs e só se recuperou mesmo quando o Deron Williams voltou da sua contusão e, com a ajuda de Kirilenko e Okur, botaram o time nas costas.
Ou seja, esse time funciona bem se Deron, AK47 e Okur estiverem bem, o talento de Millsap e Boozer são "apenas" o diferencial, entre o Jazz ser um time mediano e um que briga pelo título.
O Millsap é muito bom, isso é fato. Mas não tem o arremesso do Boozer, o que é importante demais pra esse Jazz. E ele pode levar o time tão longe quanto o Boozer? Se eu tivesse os dois como Free Agents e pudesse pagar apenas um, levaria o Boozer. E tudo indica que o Jazz não concorda comigo.
New Orleans Hornets - Nunca um time pareceu envelhecer tanto de um ano para o outro. Passou apenas um verão nos Estados Unidos e de repente o Stojakovic e o Morris Peterson pareciam ter 90 anos de idade, rugas e um estranho gosto por bocha.O sucesso do Hornets ficou na mão do Chris Paul, do David West e do Tyson Chandler. Até que o Chandler perde quase a temporada inteira e um time candidato a título se tornou um time de dois jogadores.
Para o Hornets ser um time bom eles precisam demais do Chandler como o principal reboteiro ofensivo da NBA, como um dos líderes em tocos e da sempre ameaçadora ponte-aérea dele com o Chris Paul. A contusão dele serviu para mostrar um Hornets limitado, dependente das suas poucas boas peças e mostrou também como o Chris Paul é o melhor armador do mundo. Sério, se ele fosse um armador só bom, não espetacular, esse time estaria em nono no Oeste facilmente.
Houston Rockets - O Rockets agora é um time forte. Ontem eles bateram o Cavs, limitaram o LeBron James a seu primeiro jogo na carreira sem assistências e o Yao se mostrou um novo homem: machucou o Ben Wallace (depois de uma trombada o Ben Wallace saiu do jogo com a perna quebrada) ao invés de sair machucado e enterrou na cabeça do LeBron James ao invés de ser marretado. É o mundo às avessas!Essa nova fase do Houston que venceu 8 dos últimos 10 jogos se deve a duas perdas, a do Tracy McGrady e a do Rafer Alston. A troca do Alston foi uma injeção de confiança no Aaron Brooks que transformou o Houston em um time com um ataque mais dinâmico, e ainda trouxe o Kyle Lowry que joga demais e é ótimo para se ter no banco. Já a perda do T-Mac foi bom porque fechou o grupo, ele finalmente parou com esse vai não vai e afirmou com certeza que não volta mais nessa temporada.
O Houston, então, agora sabe que não tem mais ninguém pra ser trocado, sabe ao certo quem é o time titular e sabe o papel de todo mundo. Depois de uma temporada cheia de lenga-lenga mais chato que a atual novela das 8, o Houston agora tem identidade, tem uma rotação fixa. É, afinal, um time. Um time bem forte, aliás, que o diga o LeBron, que além da enterrada do Yao sofreu com um mix de marcação do Artest e do Shane Battier. Eu prefiro apanhar de cinta a ser marcado pelos dois no mesmo jogo.
Denver Nuggets - Em comparação aos outros, é um dos times que menos sofreu com as contusões. Perdeu o Carmelo Anthony por 10 jogos (6 vitórias, 4 derrotas) mas acabou no fim das contas servindo apenas para a liderança da divisão noroeste ficar um pouco menor sobre o Portland, nada comprometedor. Mais preocupante é a atual contusão do Nenê, que ainda bem não parece séria. Se eles perdem o Nenê, dão adeus a qualquer resto de esperança de passar da segunda rodada dos playoffs.Você acha que as contusões param aí? Que nada, foi só metade. Amanhã falaremos mais de como as contusões de jogadores importantes em absolutamente todos os grandes times das duas conferências estão definindo os rumos dessa temporada.
Ainda temos que falar de Boston Celtics, Cleveland Cavaliers, Orlando Magic, Dallas Mavericks, Portland Trail Blazers e Phoenix Suns. Pra quem gosta de sangue e dor é um prato cheio!
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Denis
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sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Das coisas que aprendi com a pré-temporada
Estava eu, criança, numa aula entediante de soma ou subtração, essas coisas de primeira série. A monotonia me consumia, não havia nada a fazer, nada com o que se divertir. Foi então que, do mais puro e simples tédio, puxei a trancinha da garota da minha frente, que gritou de dor - e passou a saber quem eu era. Foi assim que descobri o sexo, as garotas e como fazer para que notem que nós, homens, existimos. E tudo isso sem ter um carro, veja bem.
O aprendizado mais profundo, no entanto, era que havia a possibilidade de descobrir algo, de compreender algo, mesmo na mais completa e absoluta chatisse. O que isso tem a ver com basquete? Simples: a pré-temporada é simplesmente uma das coisas mais chatas que existem no mundo e, portanto, o lugar ideal para colocar em prática minha teoria. O que somos capazes de aprender apesar do tédio desses jogos que não valem nada?
Bem, a primeira coisa que todos os que assistem à pré-temporada compreendem é que seus vícios foram longe demais. Ser maluco por NBA é compreensível, mas tente manter sua paixão pelo esporte no instante em que LeBron James senta no banco de reservas ainda no primeiro quarto, a quadra fica tomada por anônimos sem talento, e você sabe que LeBron não voltará mais porque tem coisas mais importantes para fazer, tipo cutucar o nariz ou aparar os pêlos do suvaco. Continuar acompanhando o jogo de seu time favorito quando todos os jogadores de verdade sentam é prova de que você está exagerando um pouco. Assistir a Bucks e Wizards sem torcer para nenhum dos dois é uma lição importante de que você foi completamente consumido por seu vício. Ou que precisa urgentemente de uma namorada ou de um peixinho dourado, o que estiver mais à mão.
Outra coisa que aprendemos com a pré-temporada é não confiar na pré-temporada. Os minutos são fajutos, as rotações absurdas e as atuações não valem coisa alguma. Ainda assim, alguns números revelam detalhes interessantes e é necessário saber filtrá-los. Se um jogador faz 40 pontos em um jogo de pré-temporada, o que isso significa? É preciso muita calma, tato, talento e vontade de chutar usando pouco fundamento para saber ler nas entrelinhas o que está acontecendo. Por isso, usarei minha experiência de muitos anos assistindo a esses jogos insuportáveis que não valem nada para separar os jogadores em alguns tipos mais comuns e, aproveitando, dar uma olhada em como estão se saindo alguns jogadores nessa pré-temporada que está rolando agora.
O jogador-máquina
Alguns jogadores são máquinas de precisões matemáticas: possuem a mesma produção não importa o que aconteça, pode ser na pré-temporada, na temporada regular, nos playoffs, nas férias, na festa de aniversário do sobrinho. Exemplos não faltam, mas são em geral jogadores de garrafão que vêm do banco de reservas mas quando são titulares na pré-temporada mantém os mesmos números. Ou seja, são eternos reservas mesmo quando são titulares.
Como exemplo, podemos citar o Brandon Bass, do Mavs, com seus 12 pontos e 5 rebotes por jogo, o Carl Landry, do Houston, com 12 pontos e 6 rebotes, o Paul Millsap, do Jazz, com 8 pontos e 6 rebotes, e o Leon Powe, do Celtics, com 11 pontos e 3 rebotes mas salvando o Celtics em praticamente todos os jogos até agora com cestas decisivas e lances livres nos segundos finais. Ou seja, igualzinho na temporada regular.
O astro de pré-temporada
Alguns jogadores só gostam de jogar pra valer quando não está valendo nada, o que é uma inversão bizarra de valores. É como se eles fossem muito tímidos e só pudessem mostrar o real talento quando ninguém está olhando (todos eles deveriam, então, ir jogar no Grizzlies - ninguém assiste uma partida sequer deles). Esses jogadores já são figurinhas carimbadas, todo mundo sabe com antecedência que eles vão destruir quando não servir pra nada.
Os mais clássicos membros dessa categoria são o Louis Williams, do Sixers, que está com 16 pontos por jogo, o Belinelli, do Warriors, com 11 pontos por jogo, o Aaron Brooks, do Rockets, com 12 pontos e 4 assistências, e o Tony Allen, cestinha do Celtics com 15 pontos por jogo. Quando o negócio esquenta eles vão sempre esquentar o banco, mas na pré-temporada chutam traseiros. Aí fica todo mundo comentando como dessa vez eles vão explodir pra valer, fazer estrago, ganhar minutos. Rá, tem gente que não aprende, é tipo os manés que acham que o Gugu ainda vai roubar minutos do Silvio Santos.
O "Agora vai"
A diferença entre o "Astro de pré-temporada" e o "Agora vai" é uma questão de fé e de experiência. Da primeira vez que o Aaron Brooks destruiu, eu (como bom torcedor do Houston) gritei "aê, agora vai!", só que não vou cair no mesmo truque duas vezes. Todo jogador com potencial e que mostre sinais de que pode ser bom mas nunca tenha feito nada se encaixa nessa categoria quando vai bem na pré-temporada.
O chinês Yi Jianlian, agora no Nets, está com média de 16 pontos por jogo, por exemplo. Além dele, David Lee está com absurdos 20 pontos e 12 rebotes por jogo no Knicks, o Mike Conley está finalmente armando alguma coisa no Grizzlies com 11 pontos, 5 rebotes e 4 assistências de média, e o Bargnani está com 14 pontos e 5 rebotes por jogo pelo Raptors. Até o Zach Randolph se encaixa aqui, mas não pelos 18 pontos e 11 rebotes por jogo, coisa que ele sempre fez. O nosso gordinho favorito cabe aqui porque está se saindo muito bem em quadra, correndo pra burro e se diz apaixonado pelo esquema de jogo do D'Antoni. Acho que agora vai!
Alguns parecem que finalmente vão mas não convencem tanto assim, tipo o Nenê com 10 pontos e 7 rebotes de média, o Sergio Rodriguez no Blazers com 9 pontos e 8 assistências por jogo e o Stuckey no Pistons com 11 pontos e quase 5 assistências de média. Os números são bons, o Nenê vai ser titular e o Stuckey deve ter minutos de titular, então parece que a coisa vai engrenar para os dois. O Rodriguez até pode se tornar o armador reserva, veja que honra. Mas o Nenê nunca ficou saudável, o Pistons fica completamente perdido com o Stuckey armando o jogo e o Blazers tem quinhentos jogadores por posição, fica difícil botar muita fé nos três.
O "Quem diabos é você?"
Na pré-temporada sempre surge uns carinhas aleatórios com atuações épicas, andando sobre a água, multiplicando pães, com números absurdos, mas você nunca ouviu falar nos sujeitos. Alguns têm nomes feitos para te enganar, tipo "B. Wallace", e você só percebe que o "B" é de "Bruno" e não de "Ben" ao notar que o cara acertou vinte bolas de 3 pontos ao invés de dar 20 tocos. O mais engraçado sobre esses caras é que, não importa quão bem eles joguem, não vão arrumar espaço num time nunca. Acho que todo mundo pensa "se eu não conheço o cara, ele não deve ser bom o bastante" e então ficam todos desempregados, desmoralizados e indo de um lado para o outro em busca de gana - tipo a bunda da Gretchen.
Os casos mais recentes são o Von Wafer, com média de 12 pontos por jogo e que dia desses acertou meio milhão de bolas de 3 pontos num jogo, o Bobby Brown, com 15 pontos e 3 assistências por jogo mas que não foi nem draftado em 2007, e o Mike Taylor, a quinquagésima quinta escolha do draft desse ano, que está com incríveis 18 pontos e 5 assistências por jogo. O Mike Taylor foi assinado pelo Clippers e vai ter um emprego nessa temporada, mas como ninguém tinha ouvido falar dele até ontem, a lógica de pré-temporada é que ele desapareça em breve, talvez engolido por leões.
O "Eu fedo até na pré-temporada"
Alguns jogadores mostram a verdadeira face na pré-temporada. Na temporada regular o cara parece bom e você acha que ele pode até ser genial um dia, mas aí quando enfrenta um monte de adversários meia-boca na pré-temporada, fede. Isso significa que o cara não consegue ser genial nem contra os melhores jogadores nem contra os piores, e aí a coisa começa a ficar feia.
Apesar de adorar o Luol Deng e dele ter chutado traseiros jogando pela Inglaterra nas férias, seus 11 pontos e 5 rebotes de média em exorbitantes 33 minutos por jogo (deve ser recorde de pré-temporada) mostram que ele não será um jogador dominante e que o contrato do Bulls foi, no mínimo, exagerado (evitei usar uma palavra escatológica aqui). Além dele, tem o Mo Williams mostrando que ele arremessa como um débil mental não importa quem sejam os adversários, e seu aproveitamento está em 30%. Ou seja, não dou nem 5 jogos quando estiver valendo para o LeBron dar umas porradas nelel. E tem também o Granny Danger (muito mais legal do que Danny Granger e algo que o Chapolim "não priemos cânico" adoraria dizer) acertando 15% dos seus arremessos, mostrando que o futuro do Pacers está em boas mãos mas em péssima mira. Mesmo caso do Ramon Sessions, que fez tanto sucesso no final da temporada passada dando milhares de assistências pelo Bucks, mas que na pré-temporada está acertando 21% dos arremessos e vai perder a vaga para o Ridnour, que fede mas que está com 9 pontos e 8 assistências de média, uma boa enganada.
O "Eu engano bem"
Pré-temporada é o momento em que uns malucos recebem carta branca para fazer o que quiser. O Mike James, por exemplo, está chutando o quanto quer e anda com 15 pontos de média. O JR Smith, por sua vez, é o cestinha do Nuggets com 18 pontos por jogo. Quem não conhece os dois acha até que eles são sujeitos bacanas e quer chamar os dois para uma cerveja, sem saber que assim que chegarem no bar eles vão tentar arremessar você dentro dos copos. Quando são as estrelas do time, se saem muito bem, mas na hora de jogar num time de verdade, ainda acham que são as estrelas - é um tipo de altismo. Para eles, a vida é uma eterna pré-temporada, hora de chutar muito e pensar pouco. O JR está acertando 21% de seus arremessos de 3 pontos, justo algo que deveria ser sua especialidade.
A cobaia
Alguns jogadores são colocados no meio de uma experiência bizarra e precisam usar a pré-temporada para se acostumarem com seus papéis. Não dá pra saber se o cara vai ser um bom jogador ou não através desses jogos, mas dá pra ter uma idéia se o cara está se acostumando com sua função.
O Devin Harris, por exemplo, está tendo que manter a bola nas mãos como um armador de verdade no Nets, o que não anda dando muito certo - são 4 desperdícios de bola por jogo. O Duhon está sendo obrigado a tornar-se o novo Nash, e apesar dos 12 pontos e quase 6 assistências, está perdendo a bola quase 5 vezes por jogo, inaceitável. O Bynum teve que tentar jogar ao lado de Gasol, e depois jogar vindo no banco, e depois sozinho, e depois com um anão de biquini, e com 10 pontos, 7 rebotes e 1 toco de média, parece que está tudo bem. Matt Barnes, que pra mim foi uma bela sacada do Suns, se encaixou muito bem no estilo do time e tem 11 pontos, 7 rebotes e 3 assistências por jogo. Outro que se deu bem é o Turiaf tendo que correr a quadra toda, até assistências o francês começou a dar. O único problema é que, com 3.3 assistências por jogo, ele é o líder da equipe no quesito. Ou seja, o negócio tá ruim.
O novato
Vamos ser sinceros, a gente aguenta os jogos chatos de pré-temporada porque fica morrendo de vontade de ver os novatos jogarem um pouquinho e ter alguma noção de como serão quando a coisa estiver valendo. Alguns novatos chutam traseiros mas nunca mais vão entrar em quadra porque não terão espaço, jogarão poucos minutos ou simplesmente vão desaprender a jogar. É difícil encaixar novatos nos outros grupos anteriores, então é melhor falar deles aqui, vendo cada caso.
O pivô Brook Lopes, do Nets, está com médias de 8 pontos, 11 rebotes, 2 roubos e 2 tocos. Os roubos são surpreendentes, o resto é mais do que sólido, e se ele não for titular é porque o técnico Lawrence Frank come meleca. Seu irmão, o Robin Lopez, está mostrando a veia defensiva com quase 3 tocos por jogo, mas está se mostrando um estabanado em quadra e comprometendo um pouco o Suns no ataque. Já o OJ Mayo, do Grizzlies, está com 14 pontos por jogo, o que era esperado, mas os dois roubos de bola por partida são um brinde extra. Seu companheiro de equipe, o Marc Gasol (também conhecido como "o Gasol que comeu demais"), até que não está fedendo tanto quanto eu imaginava, com 9 pontos e 5 rebotes. Já o Derrick Rose está fedendo como eu imaginava, embora mesmo assim seja espetacular: são 10 pontos e 6 assistências por jogo, mas quase 5 desperdícios de bola também. O Chalmers também tá fedendo um pouco, são apenas 3 assistências por jogo e a vaga de titular já era, deve ficar nas mãos do Marcus Banks. Com 10 pontos e 4 assistências, o Banks é candidato a "agora vai" mas está mais para "eu engano bem". Ele deve armar para o Beasley, que vai vir do banco porque não sabe defender mas que deve manter uma produção alta como na pré-temporada, em que tem 16 pontos e 8 rebotes de média, tudo enquanto boceja e coça as costas.
Dos que realmente surpreenderam tem o Roy Hibbert, pivô do Pacers com 12 pontos e 2 tocos de média, algo que ele deve ser capaz de manter porque em Indiana ninguém levanta os braços, a não ser em assalto. Outro pivô, o JaVale McGee, também deve ter muitos minutos porque o titular do Wizards, o Brendon Haywood, deve ficar de fora da temporada com uma contusão (sim, eles são mesmo o novo Clippers). Por enquanto ele foi muito bem, com 12 pontos e 6 rebotes por jogo.
E por falar em contusões, o Nicolas Batum, um dos cem alas disputando minutos no Blazers, deve ser o titular depois de atuações sólidas na pré-temporada e uma ajudinha do destino, que contundiu o Martell Webster. Quando eu analisei as possíveis escalações do Blazers, nem sonhei com o Batum, que supostamente deveria estar cru demais. Mas com 8 pontos por jogo, acertando mais da metade de seus arremessos, além de 1 roubo e quase 2 tocos por jogo, ele tem tudo para ser o ala defensivo que começa o jogo e senta logo para o Rudy Fernandez entrar.
...
Dá pra acreditar nos números? Não. Dá pra acreditar na virgindade da Sandy? Não. Mas dá pra ter uma noção de quem pode produzir, quais serão os papéis, quem deve se tornar titular e quem arrumará um lugar na rotação, mesmo que vindo do banco de reservas. Dá pra ver quem não consegue dominar nem quando a competição é fraca, quem tenta mostrar serviço, quem preferia ir ver o filme do Pelé. Dá pra ver que se você assiste demais essas partidas com gosto de chuchu, tem problemas. E se você vai atrás dos números dos jogadores da pré-temporada para fazer um post para o seu blog, precisa de ajuda médica. Urgente.
Mas, em breve, começa a temporada de verdade. Dê uma olhada nos jogadores acima e desista de assistir esses jogos porcarias, leve a namorada para sair, assista a uma peça de teatro, solte pipa e estude grego, porque em breve a coisa começa de verdade e você não terá tempo para essas coisas de gente normal. Arrume desde já um jeito de ler o Bola Presa até mesmo no banheiro. Eu avisei.
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Danilo
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terça-feira, 27 de maio de 2008
Máquina de fazer Jason Maxiells
Existe por aí, na NBA, uma máquina capaz de fazer Jason Maxiells em série. São centenas deles, produzidos em linha de montagem, circulando pelas ruas dos Estados Unidos, fazendo compras, comendo Big Macs. No entanto, a grande maioria deles tem empregos menores. Vários, após serem criados pela tal máquina, viraram caixas de supermercado, atendentes de telemarketing e seguranças de boate. Mas alguns estão jogando na NBA, já que felizmente alguns times já perceberam a importância de ter um Jason Maxiell no time.
Não estou falando apenas do Pistons, que teve nele a grande razão da vitória de ontem contra o Celtics, mas também de outras equipes da Liga: Houston, Wolves, Jazz. Meu amado Rockets fez um Jason Maxiell com a máquina de fazer Maxiells e batizou-o de "Carl Landry", um dos principais fatores da sequência de vitórias histórica durante a temporada. Já o Utah Jazz batizou sua cópia de "Paul Millsap", essencial no domínio do garrafão que levou o time dos mórmons chorões para o segundo round dos playoffs. E o Wolves, que amarga os últimos lugares da Liga, também tem sua cópia, chamada por eles de "Craig Smith", e que deve ser importante na recuperação da equipe de Minessota.
Eu adoraria saber o motivo que leva os outros times da NBA a não pegarem a máquina de fazer Maxiells emprestada para criar uma cópia para eles. Várias equipes alegam, seja durante o draft, as summer leagues ou os períodos de contratação, que jogadores assim são baixos demais para o garrafão da NBA, que eles serão dominados por jogadores mais altos e mais físicos. Preferem tentar jogadores mais altos e sem talento, e o que temos é um belo punhado de Patrick O'Bryants e Kwame Browns andando pelos ginásios enquanto cópias rejeitadas do Jason Maxiell engraxam sapatos nas ruas e ganham trocados como figurantes do Teste de Fidelidade do João Kléber. A vida não é fácil para esses alas de força com altura abaixo da média. Mas a vida dos times que apostam em seus talentos é bastante fácil depois de que percebem que tipo de ajuda estão recebendo.
Muita gente, ao apontar os motivos da vitória do Pistons ontem em cima do Celtics, vai falar sobre McDyess e Rip Hamilton, e com certa razão. A defesa-supostamente-poderosa do Celtics deixou McDyess livre para uma infinidade de arremessos de média distância e ele dominou nos rebotes, enquanto Hamilton mostra um jogo cada vez mais agressivo e surpreende mais e mais esse blogueiro que vos escreve. Mas mesmo assim, o real fator decisivo da noite foi o homem feito em linha de montagem. Maxiell trouxe uma intensidade defensiva para o Pistons, desde o primeiro segundo em que enfiou os pés na quadra, que acabou com o jogo imediatamente. Suas jogadas na defesa, sua explosão no ataque e sua paixão à flor da pele, decidiram o jogo logo no começo, deixando apenas uma carcaça de Celtics apodrecendo para o resto do elenco acabar de matar.
O Maxiell e suas cópias são jogadores físicos, intensos, que dão cabeçadas até em disputa de par-ou-ímpar. Contra o ataque desestruturado do Celtics, colocar um cara desses em quadra é uma humilhação, é ter a certeza de que os jogadores de Boston vão fugir, correr, chorar e errar todos seus arremessos. Até o Kevin Garnett, que come carne crua no café da manhã, queria voltar pro colo da mamãe. Duvida? Então dê uma olhada no vídeo abaixo e repare, dá até pra ver umas gotinhas amarelas escorrendo pelas pernas do KG.
E não é como se fosse a primeira vez, vale dar uma olhada no que o Maxiell já fez com o Garnett nessa série. Ele é simplesmente demais para o Celtics, principalmente se dita o ritmo para uma defesa forte de todo o resto do elenco. Aliás, se eu ganhasse um centavo para cada vez que digo que o ataque do Celtics é terrivelmente desorganizado, eu teria, tipo... uns 7 centavos.
O Pistons tira uns cochilos longos, às vezes, e ontem deixou o Celtics vivo no jogo tempo demais, ao invés de acabar logo com a brincadeira dando o golpe final, um "me dê sua força Pégasus" ou um "Cosmic Laser", pra quem lembra do golpe que o Jaspion dava usando o robô Daileon pra liquidar o inimigo. Dava para ter ganhado por uns 50 pontos ao invés de ficar dando mole. E se parece que eu estou puxando muito a sardinha para o lado de Detroit, vale lembrar que eu acho que ficar dando chance para o Celtics ao invés de liquidar a fatura pode custar caro demais. Num possível jogo 7, aposto minhas fichas no Boston simplesmente porque alguém lá pode fazer 80 pontos pra encerrar com tudo. Se o Pistons quer levar essa, é bom que aprenda com o Jason Maxiell e jogue com intensidade total desde o primeiro segundo, todos os jogos. Ou então será tarde demais e só vão ter intensidade no banheiro, em dia de caganeira.
Também torço para que os outros times olhem o Pistons e sua cópia do Maxiell e aprendam a lição. Da próxima vez que um ala de força dominar no basquete universitário e for parar no segundo round do draft porque é "baixo demais", vou vomitar. Mas feliz, porque pelo menos o meu Houston Rockets já garantiu o seu. Carl Landry, eu te amo!
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Danilo
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segunda-feira, 12 de maio de 2008
Eu taco fogo!
Sempre existe aquela coisa em que somos especialistas embora não nos orgulhemos disso nem um pouco. Pode ser todas as coreografias da época áurea do "É o Tchan" com a Carla Perez, o nome de todos os pokémons ou então todas as discussões do Toninho do Diabo e do Inri Cristo no programa da Luciana Gimenes. No meu caso, como blogueiro de basquete, a especialidade da qual não me orgulho é justamente sobre NBA: sou especialista quando o assunto é perder para o Utah Jazz.
Como torcedor do Houston Rockets, conheço cada pequeno detalhe que possa levar a uma derrota para o time de Salt Lake durante os playoffs. Basta um jogador do Jazz dar uma cutucada no nariz e eu sei dizer se seu time ganhará ou não. Ontem, no duelo entre Lakers e Jazz, todos os sinais da vitória vindoura estavam presentes: Okur passeando livre na linha de 3, Deron Williams deitando e rolando nos passes picados, Kirilenko participando do ataque, Millsap acertando jumpers da cabeça do garrafão.
Aliás, pode acreditar, já vi o Houston perder trocentas vezes assim: se o Millsap acertar arremessos da cabeça do garrafão, nem que seja apenas um ou dois, o Jazz vai acabar ganhando. É tipo o Sixers de uns anos atrás que era invicto nos jogos em que Iverson desperdiçava mais de 4 bolas na partida. Faz sentido? Não. Mas que funciona, ah, funciona.
O Lakers pode ser amplamente favorito, pode ter o MVP, pode ter feito a troca mais café-com-leite da história da NBA, mas nada disso importa quando se trata do Jazz. O negócio com esse time é que eles são capazes de vencer qualquer jogo de qualquer equipe e ninguém, nem mesmo eles, sabem o que vai acontecer em quadra. Talvez não vençam 4 jogos numa melhor de 7, é verdade, mas nenhum dos jogos terá um favorito: seja com quem for, o Jazz poderá vencer. Eles são simplesmente profundos demais, com recursos demais, e quando as coisas dão bastante certo, a vitória acaba saindo. Basta uns arremessos do Millsap, um par de bolas seguidas de 3 pontos de Okur ou Deron Williams (aliás, alguém sabia que o D-Will está acertando 56% de suas bolas de 3 pontos nos playoffs?!), uma cravada de Kirilenko, um arremesso de Kyle Korver e lá está, o time dos mórmons ganhou mais uma.
Na partida de ontem, Kobe Bryant estava sofrendo com dores nas costas, tomou uma pancada na perna esquerda e a dor pareceu torná-lo um psicótico completo. No quarto período e na prorrogação, arremessou sem parar de todos os lugares da quadra - sem acertar coisa alguma. Em um punhado de jogadas, Kobe ignorou movimentações ofensivas, tática ou mesmo bom senso e simplesmente arremessou por cima de seu marcador. Arremessos forçados e desnecessários, principalmente tendo em vista que Kobe estava engolindo seus marcadores vivos quando jogava de costas para a cesta, dentro do garrafão. O atual MVP estava fora de si, num estado mental lastimável. Se ele fosse técnico, provavelmente teria aceitado ir treinar o Knicks.
Apesar de Kobe numa noite atípica, bolas certeiras de Fisher no final do tempo regular colocaram o Lakers na partida, até Odom acertar um improvável arremesso de 3 pontos para empatar o jogo. Eu adoro Lamar Odom e Monta Ellis, são jogadores monstruosos que atacam a cesta como ninguém, mas prenda os dois num ginásio e só permita que saiam quando um deles acertar dois arremessos seguidos - meses depois, um terá assado o outro numa fogueira para sobreviver. Quando Odom acertou o arremesso sem sequer mexer a redinha da cesta e Fisher deu um toco em Deron Williams na posse de bola final, levando o jogo para a prorrogação, os torcedores do Lakers ficaram esperançosos. Ah, pobres ignorantes! Por acaso não viram o Millsap acertando arremessos da cabeça do garrafão logo no começo do jogo?! Não sabem o que isso profetiza?
A prorrogação foi demais para o Lakers numa noite em que Kobe estava com a barra de energia vazia e tudo funcionava para o Jazz na hora em que precisava funcionar, ainda mais com a partida sendo em Utah. Todos aqueles que apostavam num 4 a 0 para o Lakers obviamente não torcem para o Houston e não conhecem a minha especialidade. O Jazz pode perder as próximas partidas mas pode ganhar a série sem muitas dificuldades, o que fará 400 bilhões de chineses torcedores do Houston levantarem placas de "Eu já sabia". E depois voltarem a comer arroz.
Mas não se pode acertar todas, não é mesmo? Se eu apostava no empate do Jazz desde o princípio, mostrando toda minha genialidade, também apostei numa varrida do Hornets em cima do Spurs, mostrando toda minha burrisse, insanidade e ingenuidade. No entanto, eu tinha alguns argumentos para não acreditar numa recuperação do Spurs. Pra começar, a defesa que o Hornets arrumou para lidar com o Duncan é algo para ser ensinado nas escolas, de preferência no lugar das aulas de Química. Quando Tim Duncan começa a bater bola, a marcação dobra nele mas há uma rotação imediata, antes mesmo de Duncan passar a bola, de modo a manter um marcador sempre em cima dos jogadores mais próximos do Spurs na linha de 3 pontos. Um jogador corre para cobrir o espaço deixado por seu companheiro até que o jogador do Spurs que sobre livre esteja no canto oposto da quadra, dificultando assim os passes de Duncan pela distância e até pela imprevisibilidade da marcação. Some a isso o fato do técnico do Spurs, Gregg Popovich, ser um dos caras mais chatos e metódicos da história da humanidade. Ele é do tipo que taca a mulher pela janela se não puder dormir no seu lado de sempre da cama. Quem acompanha o San Antonio sabe o quanto Tony Parker sofreu até ganhar a pseud0-liberdade que tem hoje em quadra, e se o francês tivesse um pouco menos de paciência, estaria jogando gamão. Consequentemente, concluí que Popovich não iria mudar o estilo de jogo do Spurs de modo algum, algo que, aliás, ele pessoalmente afirmou depois de perder o segundo jogo em New Orleans. Mas o sujeito resolveu parar de frescura e colocou Ginobili como titular (afinal, ele já ganhou o prêmio de melhor 6o homem mesmo, não precisa mais manter as aparências), para meu espanto. Quando achei que isso era ousado, me deparei com as outras coisas que Popovich fez na série.
Depois de perder dois jogos para Chris Paul, o técnico do Spurs resolveu tirar Bowen de cima do homem. A idéia, provavelmente, era deixar Paul fazer o que quisesse e incentivar Tony Parker a fazer o mesmo, dando o troco. A série virou um duelo pessoal entre os dois que beira o ridículo e Bowen ficou livre para anular uma das armas ofensivas do Hornets na linha de 3 pontos: Stojakovic. Agora, Chris Paul faz o que quer mas tem menos ajuda no perímetro, enquanto Parker também faz o que bem entende e o Spurs ainda se garante nas bolas de fora. Além disso, Duncan foi instruído a agir diferente quando dobram a marcação em cima dele, sendo agora mais agressivo e aproveitando sua altura para passar a bola diretamente para o homem livre que fica do lado oposto da quadra. A defesa do Hornets ainda é eficiente nesse sentido, mas os passes de Duncan foram certeiros e Tyson Chandler, também agora vítima de sua versão do hack-a-Shaq, tem sido obrigado a descer o braço no Duncan mais do que seria o ideal.
Agora, virou xadrez. Se o Byron Scott nos fez acreditar, com sua defesa ousada, que o Hornets iria levar a série fácil, agora Gregg Popovich nos leva a crer que o Spurs vai ganhar as próximas partidas graças a contra-ataques certeiros às ações do adversário. E agora, qual será a inovação tática dos dois lados no Jogo 5 da série?
Lakers e Jazz fazem uma série imprevisível enquanto Spurs e Hornets jogam xadrez nas pranchetas. Não posso perder mais nenhum jogo, finalmente os playoffs estão mais legais do que aquelas discussões do Toninho do Diabo com o Inri Cristo que eu mencionei antes. Aliás, os dois dariam excelentes mascotes na NBA. Já consigo até imaginar uma propaganda na TV gringa, falando sobre como os playoffs estão pegando fogo, ao som do Toninho do Diabo cantando "Eu taco fogo!". Imperdível.
Defenestrado por
Danilo
por volta das
09:18
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