Splitter não se assusta com as enormes narinas de JJ Hickson
Podemos ficar oficialmente com medo do San Antonio Spurs? Desde sempre eles são aquele time que você pensa mil vezes antes de deixar fora da briga pelo título, e quando você toma coragem e afirma "é um bando de velho" eles aparecem lá para encher o saco. Ano passado o time surpreendeu acabando a temporada regular em 1º lugar no Oeste, mas caíram logo de cara nos playoffs. O que esperar da versão 2012 do Spurs que atualmente está em 2º na conferência, vêm de 9 vitórias seguidas e perdeu apenas 1 jogo em casa?
No ano passado os números de ataque eram absurdos, o segundo mais eficiente de toda a NBA. Mas ver o time correndo tanto e mandando bolas de 3 na cabeça de todo mundo era não só esquisito demais como também falhou na hora H, nos playoffs. Nessa temporada algumas coisas parecem diferentes, estão com um jogo mais consistente e vencendo com coisas mais confiáveis e resistentes que bolas de 3 de Matt Bonner. Ao invés disso eles tem Tim Duncan em boa forma, Tony Parker imparável nas infiltrações e, isso é bem importante, Tiago Splitter envolvido no ataque.
Quem nos lê há algum tempo sabe que não somos nem um pouco patriotas. Tipo, nem um pouco mesmo. Não gosto mais ou menos do Leandrinho do que gosto do Anthony Morrow, por exemplo. Por isso nada de patriotada em reconhecer a importância de Tiago Splitter nesse time do Spurs. Há anos que eles estão a procura de um parceiro de garrafão para Tim Duncan, e não só não encontram como veem Duncan envelhecendo e piorando cada vez mais. O Duncan de hoje em dia não tem metade dos recursos ofensivos que tinha até 2005, por exemplo. Até um tempo atrás a vontade era ter um jogador de garrafão que pudesse liberar Duncan para jogar na posição 4, de ala de força, mas hoje isso nem importa tanto. Duncan até rende melhor de pivô mesmo e apenas precisa de outro jogador que pegue rebotes e que o deixe descansar. Com menos minutos em quadra ele tem parecido menos cansado, mais veloz e, portanto, mais decisivo. Splitter tem tido valor duplo: Joga ao lado de Duncan ou na posição dele.
A presença de Splitter também é importante porque, nas palavras de Gregg Popovich, ele tem "uma inteligência para o basquete fora do comum". Ao saber se posicionar no pick-and-roll ele tem feito a vida de Tony Parker bem mais fácil nas infiltrações. Não que o francês não infiltre mesmo no meio de um corredor polonês, mas qualquer ajuda é bem vinda. E se aos poucos Splitter vai pegando pontinhos no ataque, na defesa ele também tem ajudado. Ele é um dos vários responsáveis pelo Spurs tomar 3 pontos a menos, em média, dentro do garrafão em comparação a temporada passada. Parece pouco, mas na média faz bastante diferença e a evolução de Splitter faz diferença nessa conta.
Contando os pontos marcados e feitos a cada 100 posses de bola, resultados parecidos em relação ao ano passado. O ataque marca 4 pontos a menos, a defesa sofre 4 pontos a menos. Como esses números se repetem em muitos times e até nas estatísticas gerais da liga, acho que podemos colocar isso na equação locaute + calendário + falta de training camp. Mas mais importante que os números totais é como o Spurs consegue ou evita esses pontos. Como citei acima, a defesa pode ter eficiência parecida no geral, mas melhorou no garrafão, justamente onde perdeu a série para o Memphis Grizzlies nos playoffs do ano passado.
No ataque alguns números ainda são bem parecidos. O time ainda marca 23% de seus pontos em bolas de 3pontos, marca altíssima, a 5ª da liga, atrás apenas de atiradores pirados como Magic, Warriors, Nets e Clippers. Os pontos no garrafão ainda são os mesmos 42 por jogo, maior parte deles cortesia de Tony Parker, não tanto dos pivôs. Onde finalmente vemos um número que chama atenção pela mudança é nos pontos de contra-ataque. Ao invés de 15 por jogo como no ano passado, agora são só 11. O time não tem menos jogadores capazes de jogar assim, pelo contrário, mas simplesmente escolheu correr menos e tomar mais conta da bola. Não à toa o time subiu de 8º para 2º no rankingde turnovers por posse de bola, só o Sixers erra menos.
Com tantos chutadores de 3 pontos, como Gary Neal, Danny Green e mesmo Manu Ginóbili, o Popovich não tem muita opção senão usar o que tem e esperar que as bolas caiam. Mas por experiência em vencer o Suns ele sabe que somar bolas de 3 e correria já é suicídio demais, então baixou um pouco o ritmo da equipe e cortou erros. Ele Spurizou um pouco seu Spurs, pra não perder a identidade, acho. Outra coisa que mudou em relação ao ano passado é a distribuição de minutos. Na temporada passada 3 jogadores (Parker, Jefferson e Ginóbili) tinham mais de 30 minutos por jogo, com outros 5 tendo mais de 20. Nesse ano apenas Parker passa dos 30 e são 10 jogadores no total jogando pelo menos 20 minutos por jogo.
Com o time confiando em mais gente e poupando melhor seus jogadores, ao mesmo tempo que joga num ritmo menos alucinado, podemos esperar o Spurs pelo menos mais inteiro e com pernas nos playoffs, algo que pareceu faltar no ano passado. Mas a conclusão que podemos ter mesmo é que no fundo esse é o mesmo time de 2011, com alguns pequenos e pontuais ajustes. Embora isso possa soar desanimador, não é. O Spurs do ano passado teve muito azar. Pegou na pós-temporada um time que sempre o deu problemas, que estava em ótima fase e mesmo assim a série foi disputada. Todos os times venceram seus jogos em casa com exceção do Jogo 1, que o Spurs jogou sem Manu Ginóbili.
Se você pensar bem e com calma, lembrará que aquele time era sim muito bom. Apenas teve azar e alguns defeitos expostos naquela série. Mas ao invés do time entrar no desespero e querer tacar tudo para o alto, atacaram na medida do possível esses problemas. O ritmo é mais lento, o time erra menos, chuta duas bolas de 3 a menos por jogo (embora a porcentagem de pontos vindos desse tipo de chute seja a mesma, como vimos) e Tiago Splitter tem sido trabalhado para melhorar a defesa de garrafão. Somente na hora do vamos ver, de novo, saberemos se foi o bastante. Mas fizeram o possível e são o time em melhor forma na NBA no momento. Quer dizer, não que isso importe para eles, segundo o Richard Jefferson: "Em San Antonio sequências de vitórias não significam nada. Popovich ainda quer que a gente melhore e vai estar muito bravo a cada pedido de tempo".
A série de Draftados em 2001 ficou parada por causa de uns textos sobre o locaute que parecia perto do fim. Mas essas negociações em velocidade de sexo tântrico não estão indo pra frente, então vamos voltar e terminar o especial sobre os jogadores que entraram na NBA há uma década.
Até agora já analisamos o Top 3 estrelado por Kwame Brown, Tyson Chandler e Pau Gasol, depois vimos o resto do Top 10 com o falecido Eddie Griffin e o espaçoso Eddy Curry. No último post vimos o miolo da primeira rodada, com estrelas do nível de Vladmir Radmanovic e nosso muso Zach Randolph.
Hoje vamos ver o final da primeira rodada. Mas não, não é da escolha 21 até a 30. Primeiro porque ainda não existia o Charlotte Bobcats, então a liga só tinha 29 times. Depois porque o Minnesota Timberwolves não teve direito a sua escolha de primeira rodada por ter quebrado regras do salary cap. Para quem não lembra, eles ofereceram um contrato pequeno de 3.5 milhões de dólares por 1 ano para o Joe Smith com a promessa de um contrato maior no futuro, já que depois de alguns anos no time (a história dos Bird Rights, lembram?) poderia haver a renovação estourando o teto salarial. Essas negociações adiantadas eram proibidas e o Wolves acabou pagando uma multa e perdendo 3 escolhas de primeira rodada como punição.
..... 21- Joseph Forte (Boston Celtics, SG)
Já começamos com um bom exemplar de força nominal. Dá pra imaginar o número de piadinhas sem graça e trocadilhos se existisse Twitter acompanhando o Draft de 2001? Seria de "O Boston sai FORTE do Draft" pra baixo. Pior que isso só a carreira do coitado.
Forte se destacou na Universidade de North Carolina. Lá jogava na posição 2, apesar de apenas 1,90m de altura, mas na NBA tentaram adaptar ele, por causa do tamanho, a ser um armador principal. Não deu nem um pouco certo. Ele simplesmente se recusou a tentar jogar na posição, bateu o pé e disse "não" ao técnico. Dá pra entender por que quase não jogou? Ele também chegou a brigar trocentas vezes nos treinos e as pessoas nem entendiam a razão, parecia aleatório. "Uma mulher sociopata esquizofrênica na menopausa" foi como o blog I Heart Celtics descreveu a condição psicológica do rapaz.
É difícil escolher sua história mais legal nos treinos do Celtics. Foi quando simplesmente foi embora no meio do treino ao enfrentar uma defesa por zona ou quando chegou no ginásio usando uma camiseta do Lakers?
Para os torcedores do Celtics ele é conhecido até hoje como "O cara que usou uma camiseta do Scooby-Doo durante um jogo dos playoffs". Fácil entender porque o Celtics o trocou ao fim dessa primeira temporada. No Seattle Supersonics foi dispensado depois de problemas legais envolvendo drogas e posse ilegal de arma. Nunca mais pisou numa quadra da NBA.
Tentou a vida na D-League em 2005, depois jogou basquete de rua e então partiu para a Europa. Lá viveu opostos ao ser campeão italiano em 2007 pelo Montepaschi Siena e ser dispensado do Snaidero Udine em 2009 por problemas de comportamento. Hoje joga na segunda divisão da Itália. Para quem entende italiano, tem um vídeo com toda a história dele contada por um comentarista da TV de lá.
22- Jeryl Sasser (Orlando Magic, SG)
Confesso que nos meus bons tempos de jogar NBA 2K2 no Dreamcast eu jogava bastante com o Jeryl Sasser. Não que eu quisesse ou fosse um fã, mas é que eventualmente o Tracy McGrady tinha que descansar ou passar a bola, acontece.
Na sombra de McGrady, Sasser teve pouco tempo de quadra no Orlando Magic. Jogou apenas 7 jogos em sua primeira temporada e só na segunda apareceu mais, com média de quase 14 minutos por jogo. O que chamou a atenção no seu jogo no basquete universitário era o alto número de rebotes para a sua posição e a capacidade de organizar o jogo. No Magic não foi usado para organizar nada, apenas para arremessar e atacar a cesta, o que ele não sabia. Oposto de Forte, era um armador em corpo de ala.
Logo após isso foi dispensado e partiu para a carreira internacional. E nisso ele ganha de todo mundo em termos de bizarrice! Vemos gente indo pra China, Itália, Espanha, Grécia e achamos estranho quando o cara vai para o Leste Europeu. Que tal o Sasser que depois de passar por Israel e França foi parar no Kuwait! Jogou lá de 2007 a 2009, sendo campeão nacional uma vez pelo Al Arabi.
23- Brandon Armstrong (New Jersey Nets, SG)
Completamos com Brandon Armstrong o possível pior trio da mesma posição já escolhido na história da NBA. Tivemos uma sequência péssima de pivôs no meio da primeira rodada, mas a sequência Forte, Sasser e Armstrong é patética. Os três novatos juntos marcaram 80 pontos em 50 jogos disputados na temporada 2001-02 da NBA. Aproveitamento? Vamos lá: Forte teve 8% (1-12), Armstrong 31% (27-85) e Sasser 21% (3-14). Armstrong pode até se gabar de dar goleada nos outros.
A fama do Draft 2001 é explicada por esses jogadores. Não é que não tiveram jogadores bons, os 7 All-Stars são um bom número, mas é que quando o pessoal era ruim, era de dar pena. E não é como se a concorrência fosse pesada. Apesar desse Nets ter ido para a final, foi tudo porque o Jason Kidd fazia HiPhone parecer iPad. A disputa de Armstrong por minutos era com o limitado Kerry Kittles e com Lucious Harris. Isso diz tudo.
Após 3 anos de Nets ele saiu da NBA. Tentou voltar em 2004 mas foi dispensado pelo Warriors antes da temporada começar. Saiu então do país e jogou um ano na Itália, no BT Roseto. Voltou, atuou na D-League e partiu então para atuar na poderosíssima (só que ao contrário) liga polonesa.
24- Raül López (Utah Jazz, PG)
Sabiam que a grafia do nome do "Spanish Fly" é com trema no u? Eu não sabia. Coisas da estranha língua catalã, imagino. Mas não só o nome de Raül López era pouco entendido no começo de sua carreira. Por algum motivo chamavam ele de "John Stockton Espanhol" no começo de sua carreira, o que ia muito de encontro com as suas características de jogo muito veloz, agressivo e muitas vezes pontuador que ele exercia. Será que o pessoal do Jazz foi mais pelo apelido do que pelo olho na hora de escolher o rapaz?
De qualquer forma, acho que a falta de sorte foi essencial para a falta de sucesso do espanhol na liga americana. Dizem ele deveria ter esperado mais para ir para os Estados Unidos, era bem jovem quando foi para lá e talvez pudesse ter se saído melhor se tivesse esperado. Mas isso é pura especulação que sempre se escuta quando o cara dá errado, quando vai tarde e não dá certo deveria ter ido antes para ter mais tempo de adaptação. Comentário de resultado.
Eu acho que o real motivo de não ter dado certo foi uma boa dose de azar. Ele não foi para a NBA logo depois de ter sido draftado, foi um ano depois, quando machucou o joelho e perdeu uma temporada inteira. Foi jogar mesmo na temporada 2003-04, uma época em que o Jazz estava desesperado atrás de um armador para cobrir em parte o espaço deixado por John Stockton. Com Lopéz de novato a vaga ficou com Carlos Arroyo, que estava na melhor fase da carreira na NBA. Sem contar que naquele ano até o Raja Bell estava jogando muito bem como armador do time. Sei que soa uma aberração, mas juro que ele era usado nessa posição e se saia consideravelmente bem.
No segundo ano de López ele se machucou e perdeu mais da metade da temporada. E foi bem no ano em que o Arroyo jogou poucos jogos e o espanhol, em teoria, teria mais espaço para mostrar o seu jogo. Tanto que o fraco Howard Eisley e Raja Bell, de novo, compartilharam as funções de armar o time.
Ele se recuperou ao fim da temporada, mas aí veio o Draft de 2005 e o Utah Jazz conseguiu achar no Draft um tal de Deron Williams. Sem a necessidade de um armador, trocou López na maior troca da história da NBA até então, uma envolvendo 13 jogadores e 5 times. Foi aquela troca que levou Jason Williams, James Posey e Antoine Walker para o Heat, montando o time do título de 2006. López acabou caindo no Grizzlies, time que já tinha vários armadores (Chucky Atkins, Bobby Jackson e até Mike Miller jogava bastante na posição) e o recém-chegado acabou sendo dispensado. Voltou para a Espanha para jogar pelo Girona e depois Real Madrid, hoje está no Khimki Moscow da Rússia.
25- Gerald Wallace (Sacramento Kings, SF)
Meu deus! O que é isso?! Um jogador bom no meio desse Draft? Bizarro! Como eu disse antes, quando é pra ser o bom os caras de 2001 detonam, quando são ruins... Gerald Wallace é do primeiro time, um jogador que todo o técnico pediu a deus.
Gerald Wallace começou na NBA em um dos melhores times da liga, o Sacramento Kings, que na época era a única real ameaça ao Los Angeles Lakers. O mega time formado por Mike Bibby, Peja Stojakovic, Hedo Turkoglu, Chris Webber e Vlad Divac era tão bom, mas tão bom que o pobre novato mal conseguia entrar em quadra. Nos seus três anos de Kings nunca teve média maior do que 12 minutos por jogo, e mesmo assim nunca foram minutos importantes. Nos playoffs a média nunca passou de 7 minutos em quadra por partida!
Todos reconheciam o seu talento, e valorizavam ainda mais a vontade absurda com que ele entrava no jogo. Se jogava em todas as bolas, marcava como se a vida de sua mãe dependesse disso e não tinha limites para o seu esforço físico. Seu estilo de jogo ultra agressivo causou, além de muitas contusões em tentativas bizarras de rebotes, tocos e roubos, o apelido de "Crash". Mas não rendeu tempo de jogo.
A reviravolta na carreira de Wallace aconteceu na temporada 2004-05, quando o Charlotte Bobcats passou a integrar a NBA. Para alimentar o novo time com jogadores, a nova franquia ganhou a 4ª escolha do Draft (que eles trocaram com o Clippers para virar a 2ª, Emeka Okafor) e o chamado "Expansion Draft". Nele todos os outros 29 times protegiam 8 jogadores de seu time e o resto estava livre para o Bobcats roubar para si. O Kings, com um elenco cheio de jogadores importantes, decidiu deixar o promissor ala de fora e ele foi sabiamente escolhido pelo Bobcats ao lado de jogadores menos expressivos como Sasha Pavlovic, Zaza Pachulia, Lonny Baxter, Jason Kapono, Loren Woods e Jeff Trepagnier. Desses, aliás, muitos foram já trocados ou dispensados antes da temporada começar. Wallace foi um dos poucos que sobreviveu até o começo daquela terrível primeira temporada dos Cats na NBA.
Por pura falta de opção, Gerald Wallace foi titular e líder daquele time desde o princípio. Sofreu muito com o fato de estar num time tão ruim, mas aproveitou a oportunidade para se desenvolver absurdamente como jogador. Melhorou sua condição física, a defesa, os rebotes e passou até a ser mais efetivo no ataque, antigamente sua parte mais fraca. Em 2006 se tornou o 3º jogador na história da NBA (Hakeem Olajuwon e David Robinson foram os outros) a ter média de mais de 2 roubos e 2 tocos na mesma temporada.
Apesar das milhares de contusões em todas as partes do corpo que vocês podem imaginar, Wallace jogou sempre que pode e sempre foi bem pelo Bobcats. Foi a cara da franquia até o ano passado, quando, depois de discretamente se mostrar insatisfeito com a fase ruim do time depois da demissão de Larry Brown. Então ganhou como prêmio uma troca para o Blazers. Finalmente está em um time decente.
Abaixo um vídeo com enterradas e tocos do Gerald Wallace. Digam se não são os tocos mais legais de toda a liga!
26- Samuel Dalembert (Phiadelphia 76ers, C)
Depois de comentar tanta gente ruim nesse Draft até fico meio mal de criticar o Sam Dalembert, que foi uma super estrela em comparação a outros pivôs que passaram por aqui. Mas a verdade é que o pivô de cidadania canadense e nascido no Haiti teve uma carreira broxante.
Ele chegou na NBA recebendo críticas como essa do NBADraft.net: "É um ótimo bloqueador. Pode, com seus tocos, alterar todo o ataque adversário. O potencial é imenso, mas o jogo ofensivo precisa de melhora". E então, 10 anos depois o que podemos dizer sobre Dalembert? Bom, ele realmente sabe dar tocos, mas o jogo ofensivo precisa começar do zero para pensar em ser relevante. Ele também não é tão bom defensor no 1-contra-1 e tem uma das piores marcas em assistências que um jogador com sua média de minutos já teve. Mas já disse que ele sabe dar tocos?
Na temporada 2008-09, Dalembert acabou a temporada inteira com 18 assistências! Sim, 18 passes que viraram cestas em 82 jogos disputados. Por mais que não seja a função dele, é só passar para um cara que acerte um arremesso que na NBA isso já é assistência. Não é tão difícil, ele mesmo já fez mais que o triplo disso em outros anos. Quer fazer um jogo legal? Entre no Basketball-Reference e tente descobrir se na história algum outro jogador já conseguiu o feito de ter dado menos de 20 assistências em uma temporada inteira tendo mais de 24 minutos por jogo de média e tendo jogado pelo menos 50 partidas na temporada. O resultado indica somente Dalembert e... Eddy Curry. Caso encerrado. Draft de 2001 vence de novo! Curiosidade: Dalembert deu suas 18 assistências em 82 jogos, Curry deu 19 em 72.
De legal mesmo só a relação que o pivô construiu com o seu país natal, o Haiti, depois do terremoto que destruiu o país em 2010. Viajou várias vezes para lá, bancou muita coisa para eles e da última vez que li sobre o assunto, estava planejando um enorme complexo esportivo para a capital Porto Príncipe. Um ótimo jeito de gastar a enorme quantia que, inexplicavelmente, o Sixers pagou para ele em todos esses anos antes de finalmente mandá-lo embora em uma troca com o Sacramento Kings.
27- Jamaal Tinsley (Indiana Pacers, PG)
Já fui muito fã do Jamaal Tinsley. Nos meus tempos de escola via ele jogando e podia sonhar em um dia ser um jogador profissional. Afinal Tinsley não é alto, não é atlético, não é rápido ou forte e até é meio gordinho. Mas bastava ver o cara jogar, perceber sua visão de jogo e habilidade com a bola para ver que o cara tem que ser muito bom para chegar na NBA mesmo sem todos esses atributos físicos.
A vida de Tinsley é roteiro desses filmes que nos dão lição de moral mostrando a vida nos guetos norte-americanos. Ele teve problemas familiares, uma renca de amigos envolvidos com o crime e ficou sempre entre o basquete (de rua, ficou famoso no lendário Rucker Park em Nova York) e uma vida fora da lei, com confusões de diversos tipos. Já foi detido por furto e posse de drogas antes de entrar na NBA.
O basquete acabou triunfando e ele conseguiu se formar no colegial e ir para uma faculdade, Mt.San Jacinto Community College, universidade nada tradicional em basquete, mas que o deixou famoso o bastante para chamar a atenção de Iowa State, onde jogou os dois últimos anos de basquete universitário. De lá foi escolhido pelo Indiana Pacers do então técnico Isiah Thomas. O aposentado armador resolveu apostar no novato e surpreendentemente lhe deu a condição de titular desde o início da temporada, o pimpolho respondeu jogando como veterano e liderando o time com 8.1 assistências por jogo.
Sua carreira, que parecia promissora, começou a desmanchar quando Rick Carlisle assumiu o Pacers duas temporadas depois. Ele rebaixou Tinsley a terceiro armador, atrás de Kenny Anderson e Anthony Johnson. Por conta de contusões, Tinsley até conseguiu voltar a ser titular e jogar bastante nos playoffs, quando o Pacers foi até a final de conferência e perdeu para o Detroit Pistons. Mas claramente Tinsley não era o armador dos sonhos de Carlisle. O técnico é um cara dominador, gosta de ter controle do que os jogadores fazem no jogo, sempre chama jogadas na beira da quadra. Já Tinsley, mais ao gosto de Isiah Thomas, é cheio de improvisos, de jogadas de basquete de rua (adorava passar a bola por entre as pernas de pivôs enormes) e jogava arriscando, tentando passes difíceis.
Como se não bastasse as questões dentro de quadra, o Pacers passava também por uma limpeza de imagem. Depois que Ron Artest subiu nas arquibancadas do Palace of Auburn Hills para distribuir porrada nos torcedores do Pistons, o Pacers, pouco a pouco, quis se livrar da imagem de time de bad boys. Foi assim que se livraram de Artest e Stephen Jackson, por exemplo. Com Tinsley, porém, estava mais difícil, nenhum outro time o queria. Ele continuou jogando e teve bons momentos, mas ao fim da temporada 2007-08 o Pacers resolveu romper com o jogador mesmo com ele ainda estando sob contrato. Lhe proibiram de ir até o clube treinar, disseram que ele estava fora dos planos e que iriam tentar trocá-lo o quanto antes. Não conseguiram.
O armador perdeu um ano da carreira nesse limbo. Tentou voltar em 2009-10 no Memphis Grizzlies que na época recrutava jogadores excluídos de outros times. Deu certo com Zach Randolph, mas não com Allen Iverson ou Jamaal Tinsley. Ele durou 35 jogos por lá e deu o fora.
Quando todos pensavam que ele não pertencia mais à NBA, uma surpresa. Na semana passada aconteceu o Draft anual da D-League, e o Tinsley foi a primeira escolha geral! Irá jogar pelo Los Angeles D-Fenders e, quem sabe, poderá voltar para a NBA em breve. Não se envolvendo mais com apreensões de maconha e tiroteios em casas noturnas (quase morreu em um!) como no passado, pode dar certo.
28- Tony Parker (San Antonio Spurs, PG)
William Anthony Parker tem nome inglês, é francês, tem pai americano, mãe holandesa e nasceu na Bélgica. Também foi a última escolha da primeira rodada do Draft de 2001 e um dos mais impressionantes achados do San Antonio Spurs no exterior.
A história de como o Spurs decidiu escolher o Parker é curiosa. Eles já conheciam o armador francês de olheiros e depois que o jogador foi espetacular em um jogo contra o time americano no Nike Hoop Summit dois anos antes. O chamaram então para treinos em San Antonio e foi um desastre: o colocaram para jogar 1-contra-1 contra Lance Blanks, olheiro do Spurs e ex-jogador da NBA. A defesa física e agressiva acabou com Parker. Segundo o técnico Gregg Popovich, a vontade era a de dispensar Tony Parker depois de 10 minutos. Mas depois, assistindo a um vídeo de melhores momentos de Parker, o técnico do Spurs resolvou dar uma segunda chance ao rapaz. Ele tinha que ser melhor que aquilo! E foi. Impressionou todo mundo e quando sobrou na 28ª posição (o que não foi difícil, já que os outros times mal o conheciam) o Spurs o levou.
Até poderia rolar um "foram felizes para sempre" se pensarmos que Parker foi titular nos títulos de 2003, 2005 e 2007, mas o caminho até lá foi penoso. A relação de Popovich com Duncan é de admiração e confiança, com Ginóbili é um misto de um ataque do coração prestes a acontecer com um "deixa o cara ser doido que sempre funciona". Já com Parker a relação é a de um pai exigente e um filho que não para de tentar agradar o velho.
Desde seu primeiro ano quando só tomava bronca até em 2007, quando o armador tinha um número máximo de bolas de 3 para chutar em um jogo, Popovich tenta controlar Tony Parker. No início era a velocidade que ele impunha ao time, depois a necessidade de distribuir mais a bola ao invés de bater para dentro, depois controlar os arremessos de longe. Não é à toa que Parker flertou com a ideia de jogar no New York Knicks, um pouco de liberdade é sempre tentador. Quem assistia às primeiras temporadas de Parker se impressionava com a facilidade com que ele cortava todo mundo, logo depois se irritava com o fato dele, mesmo sob a cesta, tocar para alguém na zona morta arremessar. Ordens de cima.
Popovich já reconheceu que já pegou mais pesado com Parker do que com os demais, principalmente no começo da carreira, mas segundo ele era para o jogador amadurecer rápido e se tornar mais forte mentalmente. Não sei se foi só isso, mas deu certo. Tony Parker hoje é um armador mais maduro, sabe quando passar e quando infiltrar e é o único representante desse Draft a ter um troféu de MVP: Foi eleito o melhor jogador das finais de 2007 contra o Cleveland Cavaliers.
Nota muito importante: Em uma era de Maria Sharapova e Kardashians, Parker tem que ser lembrado como o primeiro da sua geração a relembrar os bons tempos de Dennis Rodman e Carmen Electra ao se casar com a atriz Eva Longoria. Obrigado por enfeitar as transmissões do Spurs com sua ex-mulher por tantos anos!
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Na próxima e última parte teremos as boas escolhas da segunda rodada e uma lista de como seria o Draft 2001 se todos os times tivessem conseguido prever o futuro.
Todas as fotos do Leandrinho em ação são dele fazendo uma bandeja. Existe uma razão para isso.
Para quem é novo no Bola Presa, uma rápida explicação: A seção "8 ou 80" aparece esporadicamente no nosso blog para comentar e analisar estatísticas e números da NBA. Mas tentamos não ficar só nas médias de pontos, rebotes e etc. Gostamos de quem vai mais a fundo, analisa números complicados de encontrar e que tentam mostrar coisas diferentes, difíceis de perceber só acompanhando o jogo casualmente.
Hoje vou pegar várias listas feitas pelo Evanz, blogueiro do Golden State of Mind, um blog gringo focado no Golden State Warriors. Ele pegou dados dos play-by-play dos jogos, estatísticas de posicionamento de arremessos do HoopData e com esses dados fez um levantamento de quem seriam os mais eficientes jogadores em diversos tipos de arremesso: perto da cesta, de meia distância e três pontos. E depois ainda separou os arremessos de perto da cesta em enterradas, bandejas, tapinhas e ganchos.
A medição final que deu a ordem nas listas foi feita de acordo com uma conta que ele criou. Com pequenas variações de uma para a outra, em geral a fórmula leva em conta os arremessos tentados pelo jogador, seu aproveitamento e as médias dos jogadores da mesma posição em toda a NBA nessas mesmas duas coisas. Essa maneira de analisar equilibra as coisas, afinal alguns jogadores se destacam por bom aproveitamento mas o fazem arremessando muito menos que outros. O Steve Nash, por exemplo, tem um aproveitamento espetacular em bandejas, mas só tenta 2 a cada 40 minutos de jogo, a média dos armadores da liga é de pouco mais de 4. Nash tem aproveitamento melhor porque tenta menos, corre menos riscos e só vai quando tem certeza, o que não quer dizer que ele é um "infiltrador" mais eficiente que alguém como o Derrick Rose.
...
Comecemos pertinho da cesta. Vamos conhecer, dentro dessa análise explicada, quem são os mais eficientes pontuadores próximos do aro.
Lembrando que "POS RANK" indica o lugar do jogador entre os jogadores da sua posição, que aí está indicada nos números de 1 a 5 na coluna "POS". "PSAMS" é o resultado da complexa conta que eu expliquei acima e que define a ordem do ranking.
É impressionante como o Thaddeus Young é muito melhor do que todo o resto da NBA nos arremessos próximos à cesta. O fato do Sixers jogar muito em transição, que resultam em bandejas fáceis, tem peso grande nisso, mas como ele é o único jogador do time entre os 20 primeiros fica claro que não é só isso. Ele também é muito bom jogando de costas para a cesta e geralmente enfrenta jogadores mais baixos do que ele.
Impressiona também ver LeBron James e Dwyane Wade entre os 4 primeiros. Todo mundo sabe que o Miami Heat se baseava demais nas infiltrações dos dois, montavam esquemas só para impedir isso e mesmo assim ambos estão ainda lá entre os melhores. Ainda faltam importantes detalhes para o Heat chegar ao título, mas com dois dos pontuadores mais eficientes próximos à cesta eles já estão muito bem na fita.
Também chama a atenção que entre os 20 primeiros só existem 5 jogadores de garrafão, Dwight Howard, Nenê, Blake Griffin, Marcin Gortat e Carlos Boozer. Na teoria os pivôs e alas de força não deveriam ter aproveitamento melhor perto da cesta? Por outro lado, parabéns aos nanicos Tony Parker e Russell Westbrook, únicos armadores da lista. O francês é um fenômenos por estar no 7º lugar, o aproveitamento dele para alguém do seu tamanho é surreal: Ele tenta 7 arremessos próximos à cesta por jogo contra uma média de 4 dos armadores, e seu aproveitamento é 65% nesses arremessos contra 60% dos seus companheiros de posição. Uma lavada.
Vamos ver agora a parte engraçada: quem são os piores em aproveitamento de arremessos próximos à cesta? - (lembrando que só se qualificaram para entrar na lista jogadores com mais de 40 jogos na temporada e média superior a 25 minutos por jogo)
Pois é, a coisa tá feia. Os três piores são jogadores de garrafão! Marcus Camby sempre foi negação no ataque, Andrea Bargnani mostra o porque tem fobia de garrafão e o Channing Frye me surpreende porque a estatística prova que em algum momento da última temporada ele tentou um arremesso perto da cesta, alguém lembra disso? O resto da lista mostra outros jogadores que estão na NBA apenas por serem bons arremessadores de longe, como Daniel Gibson e Anthony Morrow, esses só tentam arremessos próximos à cesta em ocasiões especiais e, como visto, sem sucesso.
Mas me surpreende que jogadores como John Salmons, Brook Lopez, Brandon Jennings e Roy Hibbert estejam tão mal posicionados. Tudo bem que os quatro têm em comum o fato de terem tido no ano passado campanhas bem irregulares, mas será que os pontos baixos foram tão baixos assim? E Lopez e Hibbert são vistos como duas das mais promissoras apostas da NBA em termos de jovens pivôs, e mesmo assim estão lá perto do Kwame Brown. Para comparar, o Brook Lopez tentou no ano passado 4.8 arremessos perto do aro, acertando 3 por jogo (62%), o Dwight Howard tentou 7 por jogo, acertando 5.3 (74%). A média de aproveitamento dos pivôs como um todo da NBA é de 66%. Lopez tenta menos que a média e acerta menos que a média, um desastre. Veremos mais tarde como ele e Hibbert tentam compensar isso.
Para ver detalhes da fórmula e a lista por posições, entre nesse post do Golden State of Mind. Lá também, no final, tem a lista sem o ajuste por posições em que cada um joga. Nessa lista Dwight Howard é o líder, mas Thaddeus Young se mantém bem e é o segundo colocado. Nenê é o terceiro para desgosto dos que querem se convencer de que a seleção brasileira não seria muito diferente com ele em quadra.
Talvez um problema, ou pelo menos uma limitação, dessa estatística é que eles levam em consideração apenas a distância da cesta. Esses números que mostrei acima contam jogadas a cerca de 1 metro da cesta. Mas no fim das contas não sabemos o que cada jogador faz por lá. São bandejas, enterradas ou aquela coisa sem nome que o Shawn Marion faz? E sem contar que muitas vezes os pivôs usam ganchos, que são jogadas de pivô, de garrafão, mas um pouco mais longe do aro do que aqueles números computaram. Para isso foi feito outro post só contando o número de bandejas, enterradas, ganchos e tapinhas tentados e o aproveitamento. Os números mostram quantos arremessos de cada tipo os jogadores tentam a cada 100 posses de bola e a porcentagem de acerto.
Vamos começar com as enterradas:
Alguma surpresa em ver o LA Clippers dominando o Top 3? E nem a ordem dos jogadores me impressiona, o aproveitamento do Blake Griffin é naturalmente menor porque ele tem o hábito de tentar as enterradas mais difíceis e improváveis da história. A atenção dada para ele também libera muito espaço para que o DeAndre Jordan tenha mais oportunidades de enterrar. Quem impressiona na lista é o Andre Iguodala, único jogador que não é da posição 4 ou 5 a entrar no Top 20 de quem mais tenta enterradas. Entre jogadores que jogam nas posições 1 ou 2, o primeiro a aparecer é Dwyane Wade, em 25º, com 2.13 tentativas de enterrada a cada 100 posses de bola e 89.4% de aproveitamento.
Uma lista curiosa e cheia de armadores é a dos jogadores que não chegaram nem a tentar uma enterrada em toda temporada passada. Prepara-se que ela é meio extensa: Shane Battier, Andre Miller, Anthony Morrow, Kyle Lowry, Toney Douglas, Beno Udrih, Tony Parker, Richard Hamilton, Sasha Vujacic, Mike Bibby, Daniel Gibson, DJ Augustin, Chris Paul, Steve Nash, James Jones (surpresa!), Derek Fisher, Kirk Hinrich, DeShawn Stevenson, Jameer Nelson, Luke Ridnour, Jason Kidd, Chauncey Billups, Jose Calderon, Steve Blake, Keith Bogans, JJ Barea, JJ Redick, Mario Chalmers, Eric Maynor e Gary Neal.
Lembram dos bons tempos em que o Rip Hamilton dava aquelas enterradinhas marotas com as duas mãos? Já era. E não é à toa que se você digitar "Shane Battier dunk" no YouTube o ala do Rockets está sempre do lado errado da brincadeira. E os torcedores do Lakers vão guardar no coração o longínquo dia em que Sasha Vujacic enterrou e o banco foi ao delírio:
Abaixo a lista com o número de bandejas tentadas a cada 100 posses de bola e a porcentagem de acerto.
De Barbosa a Hilário estes são os 20 que mais tentam bandejas na NBA. O Leandrinho tenta um pouco mais de bandejas que o Tony Parker e tem um aproveitamento pior (62% a 65%), mas a diferença não está tão grande assim e temos que lembrar que o francês é absurdamente fora de série nesse quesito. Ponto para o brasileiro que mesmo já tendo passado do seu auge ainda pode render muito bem em times que saibam usar os seus pontos positivos.
Me surpreendeu ver o Tyreke Evans tão bem colocado em 8º lugar, isso porque no começo da temporada o jogador estava sentindo muito uma contusão no pé e isso levou ele a despencar em números de bandejas tentadas em relação ao seu ano de novato. Estava tentando viver de jumpers de média e longa distância e falhando miseravelmente nisso. Ele terminou melhor a temporada e esse número mostra o motivo, voltou a atacar a cesta como deve fazer para ser eficiente, porém foi um dos poucos desse Top 20 com aproveitamento abaixo dos 60%, dá pra melhorar. Outros bons jogadores com aproveitamento abaixo dos 60% são Carmelo Anthony e Derrick Rose, para os dois o motivo é bem claro: tentam bandejas demais até quando elas não parecem a jogada mais apropriada. A resposta do Rose ao fato do Bulls estar bem marcado e empacado no ataque é abaixar a cabeça e ir para a bandeja. Quando dá certo é lindo, mas não dá pra ser um dos líderes da liga em aproveitamento fazendo isso. Pra falar a verdade, 57% de acerto fazendo essas loucuras é algo louvável.
E lembram que eu chamei a atenção anteriormente ao fato do LeBron James e do Dwyane Wade estarem entre os melhores da NBA em pontos próximos à cesta? Pois o Miami também tem jogadores de destaque em outra área: os jogadores que menos tentam bandejas na liga.
O James Jones é recordista com 0.07 tentativas de bandeja a cada 100 posses de bola. Isso quer dizer que ele precisa de 1.428 posses de bola para finalmente tomar vergonha na cara e tentar uma bandejinha. O segundo colocado na lista é outro arremessador puro, o Kyle Korver, mas até ele tem um número mais digno com 0.53 tentativas a cada 100 posses. No Top 10 dos que menos tentam o Miami também tem o Joel Anthony e o Mike Bibby.
Hora da lista dos tapinhas, os Tip-In.
Lembra que o Marcus Camby era o pior em aproveitamento de arremessos próximos à cesta? Ele é líder em tentativas de tapinhas, mas tem um aproveitamento péssimo nesse tipo de chute. Sem querer pegar no pé, mas o Marcus Camby de hoje em dia é inútil ofensivamente e sua maior contribuição na área, os rebotes ofensivos e tapinhas, não costumam render muita coisa. Ter ele no time é atacar com 4 jogadores. Em aproveitamento quem lidera os tapinhas é o Zydrunas Ilgauskas, com 65%. Atrás dele no Top 5 estão o novato Greg Monroe (62.5%), Amir Johnson (61.2%), Zach Randolph (60%, achei que seria líder) e Ben Wallace (59%).
Por fim a lista de quem mais tenta ganchos, na esquerda, e o ranking de aproveitamento na direita.
O Brook Lopez eu ainda não perdoo, mas o Roy Hibbert ganhou alguns pontos com essa lista. Lá pertinho do aro ele está longe de ser bom como deveria, mas um pouco mais longe é um especialista em ganchos. Tenta bastante, é o 3º da lista, e tem o 6º melhor aproveitamento em ganchos com 54% de acerto. O Brook Lopez tenta dois ganchos a menos que o Hibbert a cada 100 posses de bola e tem 3% a menos de acerto, precisa melhorar, garoto.
O Andrew Bogut é o cara que mais tenta ganchos, mas tem apenas o 21º melhor número em aproveitamento. Isso porque seu arsenal de jogadas não é dos mais extensos, é gancho toda hora em qualquer situação e de qualquer canto do garrafão. Com 7.93 ganchos a cada 100 posses de bola ele está com quase o dobro de tentativas do Brook Lopez, o 5º colocado! O Darko Milicic é outro que tenta bastante e tem aproveitamento parecido, me surpreende sempre o quanto o Wolves envolve o pivô sérvio no ataque, além desse número de destaque em ganchos, é um dos jogadores mais envovlidos em pick-and-rolls, mais até que seu companheiro Kevin Love. O cara é um defensor mediano e só, deveriam deixar ele ser mais secundário no ataque.
O líder em aproveitamento é o Boris Diaw, com 61%, mas ele tenta poucos ganchos, apenas 1.84 a cada 100 posses de bola, aliás ganchos são arremessos pouco tentados na NBA atualmente. E dos 20 que mais tentam esse chute, 9 são gringos, não é muito da cultura americana mesmo.
Um número que assusta é o do Blake Griffin com o 5º melhor aproveitamento em ganchos, 55%! Às vezes a gente acha que o cara só enterra, mas ele tem bom passe, boa visão de jogo quando sofre a marcação dupla, é ótimo nos rebotes de ataque e até gancho ele acerta. Um pouco mais de dedicação defensiva, alguns rebotes a mais e eventualmente uns tocos e esse cara vai dominar a NBA, ele é de outro mundo.
Para ver com mais detalhes as listas postadas e citadas aqui com as tentativas e aproveitamentos em bandejas, enterradas, tapinhas e rebotes, vejam esse post do Golden State of Mind.
Na parte 2 desse post irei mostrar as listas com os arremessos de 3 pontos e os temidos e odiáveis arremessos de meia distância, será que tem alguém melhor que o Dirk Nowitzki nisso?
Em 2009 a grande brincadeira era que o San Antonio Spurs voltaria para ser campeão de novo. Afinal eles foram o time mais estável dos últimos 10 anos mas nunca conseguiram vencer dois títulos em sequência, insistiam em vencer só em benditos anos ímpares: 1999, 2003, 2005 e 2007. Mas a volta por cima não foi o que aconteceu, o Spurs tomou de 4 a 1 do quase sempre freguês Dallas Mavericks e começamos a achar que a era de ouro de Tim Duncan e Gregg Popovich começava a virar passado.
Sentindo a mesma coisa, Popovich e o General ManagerRC Buford mudaram uma de suas regras básicas nesses anos de sucesso e decidiram abusar no dinheiro e trocar por Richard Jefferson. Ultrapassariam o limite do salary cap, pagariam multas e tudo isso que eles sempre abominaram, mas parecia o jogador que faltava para dar um empurrão no envelhecido time. Não foi o que aconteceu, Jefferson teve uma temporada bem abaixo da média no ano passado e a única ajuda além do trio Duncan, Ginobili e Parker veio de contribuições esporádicas dos jovens George Hill e DeJuan Blair. Pouco para compensar as várias contusões e maus momentos de vários jogadores do elenco.
Para essa temporada a grande esperança estava na adição do brazuca Tiago Splitter, que se consagrou na última temporada espanhola e teria tudo para ser um novato diferente, já mais velho e experiente que o resto da pivetada que acabou de sair do Draft. Mas Splitter perdeu boa parte da pré-temporada machucado, pegou o bonde andando e ainda está com dificuldades, ganhando poucas oportunidades para jogar. Ele faz bons jogos volta e meia, em outros não faz nada de errado sem se destacar e em outros fica apagado por não entrar ou só fazer faltas. Se a grande mudança no elenco não está nem jogando às vezes, como o Spurs tem a melhor campanha da liga depois de um terço da temporada?
Essa é uma pergunta que eu demorei muito para poder esboçar uma resposta. Assisti a mais jogos do Spurs nesse ano do que nas últimas duas temporadas juntas e percebi uma coisa logo de cara, estava mais divertido do que costumava ser. Placares altos, infiltrações de Parker e Ginobili, rebotes ofensivos do Blair e um show de três pontos do trio Gary Neal, Richard Jefferson e Matt Bonner. Sim, o Spurs era uma potência ofensiva até nos dias em que o Tim Duncan mal tocava na bola. O Spurs, conhecido por jogar sempre do mesmo jeito até quando mudava de jogadores, revolucionou a sua maneira de jogar. Comecei a explicar isso em outro post semanas atrás:
"Dos últimos muitos anos. Explico, o Spurs é o terceiro melhor ataque da temporada até agora e a oitava melhor defesa. É a primeira vez desde que Tim Duncan chegou ao time, em 1997, que o Spurs é melhor ranqueado no ataque do que na defesa. Pra quem acompanha a NBA há pouco tempo pode parecer normal, mas quem viu o Spurs desses últimos quase 15 anos acha isso uma aberração. O Spurs atacando mais do que defendendo é insano como ver o Barcelona retranqueiro, no mínimo. E tem o ritmo de jogo, eles são hoje o 10º time mais veloz da NBA, nas outras temporadas da "Era Duncan"o Spurs ficou duas vezes com o 19º ataque mais veloz e depois disso sempre depois da casa dos 20, algumas vezes beirando as últimas posições."
Desde que escrevi isso poucas coisas mudaram. Hoje o Spurs é o ataque mais eficiente da NBA (112 pontos a cada 100 posses de bola), marcando 105.3 pontos por jogo (4º melhor) e é o 11º time mais veloz, com 93 posses de bola por jogo. Outros números mostram a mudança: hoje o Spurs é o quarto time que mais faz pontos em contra-ataque, 16.2 por jogo, 4 a mais que no ano passado e à frente de time conhecidos por seus contra-ataques como OKC Thunder e Phoenix Suns. No ano passado o Spurs era o 8º pior no mesmo quesito.
Nesse texto eu já disse muitas das razões do Richard Jefferson ter subido de produção da temporada passada para essa, mas é também bem claro que ele se beneficiou dessa maior velocidade do time. Desde os tempos do Nets que ele gosta e sabe sair no contra-ataque e finalizar perto da cesta. Essa maior liberdade ofensiva do time favoreceu também o Manu Ginobili, que é o cara mais criativo do mundo desde Leonardo Da Vinci e ainda passa a bola melhor que o faz-tudo italiano. Além do Tony Parker, que finalmente pode gastar à vontade e sem restrições toda a velocidade que tem. Desses, o Ginobili merece o maior destaque, ele está jogando mais tempo com os titulares do que o normal e ganhou mais responsabilidades de armação do que no passado recente, resultado não só da mudança de estilo do time como também da recuperação física do argentino, que parecia meio baleado nas duas últimas temporadas. E sejamos honestos, é assim há um bom tempo: se Ginóbili joga bem, o Spurs joga bem. Nessa temporada até em alguns jogos em que o time não esteve no seus melhores dias ele estava lá pra fazer tudo certo no final. Foi assim contra o Pacers nessa semana e contra o Bucks no começo da temporada, e tantas vezes entre esses dois jogos.
Uma das qualidades do Ginobili está em saber quando tomar conta do jogo e quando envolver todo mundo. E geralmente ele não precisa ser o herói, porque caras imprevisíveis como o novato Gary Neal e Matt Bonner estão jogando melhor do que qualquer cara mais otimista no melhor do seus dias e depois de uma boa noite de sexo poderia prever, é por causa deles que hoje o Spurs é o 2º melhor da NBA em aproveitamento de 3 pontos, 39% por jogo, atrás apenas do Warriors. É compartilhando a bola que o Spurs consegue ser um dos melhores ataques mesmo com Duncan em seu pior ano ofensivo na carreira e nenhuma aberração tipo Kevin Durant no elenco, hoje o time do Popovich é o 5º com mais assistências na liga. Para finalizar as qualidades, impressiona como eles conseguem correr bastante e ser o 8º time que menos comete turnovers.
Eu estou impressionado com a capacidade do time de se reinventar de uma hora para a outra e mais ainda em ver como isso deu resultados tão positivos rapidamente. Muitas vezes times tentam mudar de atitude de uma hora para a outra mas não sabem como, mas como esse texto do blog Spurístico "48 minutes of Hell" confirma, o Spurs sabe contratar. E contrataram bem para cobrir os defeitos ofensivos do time desde a temporada passada e estão colhendo os frutos. Mas apesar de tudo isso, esse post não é uma babação de ovo no melhor time da temporada.
Numa ironia das mais profundas dos últimos milênios, o Spurs pode estar caindo no conto do vigário que ele mesmo ajudou a expor tantas e tantas vezes nos últimos 10 anos. Lembram do espetacular Dallas Mavericks de Steve Nash, Dirk Nowitzki, Michael Finley e Don Nelson? Ou do encantador Phoenix Suns do mesmo Nash e Amar'e Stoudemire? Foram duas das equipes que mais encantaram e divertiram a liga americana em uma época dominada por Spurs e Lakers. Eles faziam tudo isso que o Spurs faz nessa temporada, eram rápidos, criativos, com jogadores talentosos, coadjuvantes que metem bolas de longe com altíssimo aproveitamento e estavam sempre entre os melhores ataques da NBA. Porém, quando chegavam os playoffs esses times tomavam na cabeça. Na hora de passar pela defesa forte e ataque disciplinado do Spurs eles eram desmascarados e caíam quando estavam chegando perto do título.
Foi esse estilo de jogo defensivo e equilibrado (que outros times praticam mas que sempre foi a marca do Spurs) que fez o Mavs largar mão da super velocidade e o Suns ir até atrás do Shaq pra mudar de estilo de jogo (sem sucesso, como lembramos). De repente, em uma das muitas voltas que o mundo dá, o Spurs é o time que ataca, ataca, encanta e defende mal. Tá bom que não é tãaao mal assim, ainda estão com a 11ª melhor marca da NBA, mas volta e meia eles enfrentam times que mostram todos os vários defeitos do sistema defensivo da equipe. Atualmente eles são apenas o 18º no ranking de times que menos cedem pontos no garrafão, o 9º time que mais sofre arremessos de quadra por partida e no aproveitamento de 3 dos adversários é o 3º pior time, só (argh!) Cavs e Clippers são piores. E as bolas de três são porque protegem o garrafão? Necas, são só o 18º também em proteger a área pintada.
Como nem tudo pode mudar tão drásticamente, a Terra ainda é redonda, comer carne humana não é bem aceito socialmente e o Popovich está insatisfeito. Olha o que ele disse sobre essa questão ataque/defesa do Spurs: "Isso não é a gente, nós não jogamos assim. Eu não tenho idéia de como estamos marcando tantos pontos. Eu não estou comprando essa idéia". Quer dizer que o Spurs revolucionou o seu estilo de jogo e nem era isso que eles queriam? Não faz sentido. Mas pelo menos é uma pequena mostra de que não estão satisfeitos com sua defesa.
Se você pegar os jogos que eles fizeram contra o Mavs (aquele sem o Nowitzki) e o contra o Lakers, verá que esse time é capaz de executar uma defesa bem forte, mas até agora esses jogos foram exceção, não regra. Contra o time de LA a dupla Manu Ginobili e George Hill deu uma aula de como defender Kobe Bryant e a pressão nos passadores no perímetro fez com que eles pouco utilizassem Pau Gasol. Mas em compensação, o que foi aquela derrota para a o Knicks essa semana ? Foi a primeira vez em toda a carreira do Duncan no Spurs que eles tomaram 128 pontos em um jogo sem prorrogação. Aliás, a última vez que o Spurs tinha tomado mais que 128 pontos em um tempo normal havia sido em 1993, quando os hoje técnicos Vinny Del Negro e Avery Johnson ainda jogavam na equipe.
E no dia seguinte outra derrota, dessa vez para o Boston Celtics. Perder para o Celtics em Boston não é nenhum desastre, mas foi mais um exemplo de como o Spurs é um Phoenix Suns de 2011. O jogo foi pau a pau, talvez o melhor da temporada até agora, mas tomaram 105 pontos, deixaram o Boston chutar acima dos 60% nos arremessos de quadra e tomaram 34 pontos no garrafão, incluindo algumas bandejas bem fáceis nos minutos finais de jogo.
O Spurs é mesmo o melhor time desse começo de temporada, talvez por pouco sobre Boston Celtics e Dallas Mavericks e levando em conta que o Miami Heat demorou pra engrenar. Mas reconhecer isso não é dizer que eles tem um futuro fácil pela frente, eles precisam se manter saudáveis (o que foi impossível para eles nos últimos anos) e arrumar um jeito de acertar essa defesa se querem ser realmente levados a sério na disputa pelo título. O Popovich já disse que quer isso e o Duncan afirmou que "nós queremos ser é um clube defensivo", então a vontade está aí, é transformar em realidade para não ser mais um dos times velozes, ofensivos e perdedores que o próprio Spurs ajudou a destruir na última década.
Bango ganhou o prêmio de melhor mascote da temporada passada. Foi merecido!
O Filtro Bola Presa é uma coluna semanal que eu criei como teste no fim da temporada passada. Achei divertido de fazer e a maioria dos leitores pareceu gostar, então ela está de volta. Mas como ganhamos leitores novos durante os playoffs e a offfseason, é melhor explicar o que ela é: Nós não postamos sobre tudo o que acontece na NBA aqui, algumas coisas não passam pelo nosso filtro e não viram posts grandes e detalhados. Mas isso não quer dizer que as histórias que não viram post não são interessantes, então resolvemos criar um lugar só para comentar essas coisas menores. São alguns casos engraçados, estatísticas, histórias, notícias. Alguma dúvida? Não importa, vamos começar.
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- Os últimos meses foram cheios de papo de dinheiro, contratos e mais dinheiro. Acha que acabou? Nada disso! Todos os jogadores que tem a chance estão se matando para conseguir uma extensão de contrato antes que apareçam novas regras no acordo entre NBA e jogadores na temporada que vem. A ameaça de greve e cortes de salário está aí, então é melhor não se arriscar. Nos últimos dias alguns jogadores assinaram suas extensões:
Tony Parker, 50 milhões por 4 anos - O Spurs preferiu pagar um pouco mais do que o francês realmente vale para não correr o risco de perdê-lo como Free Agent na próxima temporada. Eles precisam de Parker para aproveitar os últimos anos de Duncan e Ginobili na NBA. Mais um jogador que o Knicks paquera, paquera e toma bota.
Al Horford, 60 milhões por 5 anos - Sim, é muita grana. Por um lado entendo, agora que eles tem o Joe Johnson por lá durante mais 6 anos precisam garantir gente boa do lado dele, mas eles tem como bancar isso? Um dia depois do anúncio da extensão já estão pipocando boatos de que o Josh Smith pode ser trocado. Entre Josh Smith e Horford é difícil escolher, mas acho que o Hawks fez sua decisão. Jamal Crawford é o próximo a encher o saco da diretoria por um contrato novo.
Mike Conley, 45 milhões por 5 anos - Cof, cof!! Desculpa, vomitei no teclado. Sério?! Como disse o melhor comentário que li sobre o tema, "O Conley salvou as filhas do dono do time de um ônibus em chamas ou algo assim?". Tá bom que ele teve uma primeira semana de temporada fantástica, mas até um mês atrás eles estavam no mercado atrás de um armador novo. E eles não sabem que são um time dos que mais passam dificuldades financeiras e que precisam segurar, já no ano que vem, os Free AgentsMarc Gasol e Zach Randolph? E o OJ Mayo daqui dois anos? E que acabaram de acertar um contrato Eike Batista com o Rudy Gay? Não se paga tanto dinheiro para o seu quinto melhor jogador.
Jared Dudley, 22 milhões por 5 anos - O Dudley é aquele jogador que consegue ser útil e importante mesmo sem ser espetacular em nada, simplesmente faz as coisas certas na hora certa e não inventa. Importante segurar um jogador assim e nem saiu tão caro para os padrões atuais. Bom negócio para o Suns e para o Dudley.
- O Shaq transformou, em pouquíssimo tempo, o time mais marrento da NBA no mais engraçado e divertido. Isso mesmo que vocês leram, vou falar de Celtics e diversão na mesma frase. Não defesa, trash talk e faltas técnicas, diversão!
Tudo começou quando ele decidiu ir para a Harvard Square, na famosa faculdade de Harvard em Boston, para brincar de estátua. Shaq chegou lá, sentou num banco e passou uma hora parado, só olhando para frente enquanto uma multidão de pessoas tirava fotos em volta dele. O Shaq disse que fez isso por dois motivos, o primeiro era porque sempre havia admirado os famosos guardas ingleses que não demonstram nenhuma reação e queria testar a sua concentração fazendo o mesmo, e segundo porque queria poder dizer para os amigos que foi para Harvard. Morra de inveja do Jeremy Lin, Shaq. Aqui tem uma matéria com vídeo sobre o Shaq de estátua.
E não foi só isso. Depois da estátua ele prometeu que no Halloween ele iria se vestir de mulher, uma personagem que ele chamou de Shaquita. E eis Shaquita cantando a segunda melhor música da Beyoncé, 'Sweet Dreams' (só perde pra 'Halo')
O Celtics entrou no clima e fizeram primeiro uma festa no vestiário, que foi gravada pelo Paul Pierce e postada no Twitter. Dá pra ver o vídeo aqui. E depois fizeram uma festa de Halloween que teve algumas fantasias bizarras, como o KG vestido de um troço laranja gigante, o Ray Allen de Michael Jackson, e uma fantasia GENIAL, o Rajon Rondo de Tiger Woods.
Nesse link do excelente Ball Don't Lie você consegue ver a fantasia do Ray Ray na primeira foto e o Marquis Daniels de padre na última. Irônico, eu sei.
- Só pra não dizer que tudo é festa no mundo verde, na semana passada o Delonte West deu um soco no companheiro de time Von Wafer. Pelo jeito algum repórter disse que um jogador, que ele não deu o nome, disse alguma coisa sobre o Delonte e ele diz ter certeza que foi o Wafer. Em um 3-contra-3 no treino o Delonte desceu o braço no Wafer, que, puto, saiu no meio do jogo. O que não adiantou nada, já que West foi atrás dele para brigar no vestiário. Lembra quando eu disse que achava o Delonte West perfeito para o meu Lakers? Deixa pra lá.
- Outro dia o Miami Herald contou com detalhes como aconteceu a renovação de contrato do Udonis Haslem com o Miami Heat. Pra gente, na época, só foi uma coletiva de imprensa anunciando que ele ficaria, nenhuma surpresa, mas por trás foi uma coisa corrida e meio doida.
A coletiva era pra anunciar que o Haslem não ia mais continuar no time, anunciar seu carinho, apoio e amizade ao Pat Riley e ao Dwyane Wade e então provavelmente aceitar uma proposta bem rica do Mavs ou Nuggets, que tinham 34 milhões de doletas na mesa para Haslem, enquanto o Heat não chegava perto disso depois que acertaram as idas de LeBron e Bosh. Haslem até cogitou continuar no time por um contrato mínimo de um ano, mas com muitos familiares para sustentar e em especial sua mãe, que está seriamente doente e vive no hospital há meses, decidiu ir atrás de mais dinheiro. Segundo ele até dava para aceitar menos dinheiro do que nos outros times, tudo para ficar mais perto da sua mãe, do time que o descobriu e de Wade, um de seus melhores amigos, mas negar 30 milhões de dólares era demais.
Então Haslem mandou uma mensagem de texto dizendo para Wade que "você sempre será meu irmão", se despedindo. Foi então que o armador do Heat decidiu fazer alguma coisa, ligou para Bosh e LeBron e perguntou algo que muita gente não imagina perguntar para outra pessoa sem tomar um soco na cara, "Vocês topariam cortar cada um 15 milhões do total dos seus salários para podermos manter o Haslem? Eu cortarei 17 do meu". Segundo o Wade os dois toparam sem questionar e mesmo só conhecendo o Haslem por dar oi e tchau a cada jogo contra o Heat.
Então Wade ligou para o agente de Haslem que interrompeu os preparativos da entrevista para conversar com seu cliente e Pat Riley. Em uma hora tudo mudou e a entrevista para anunciar a despedida de Haslem serviu para anunciar o novo contrato do ala com o Heat. Logo após a entrevista Haslem ligou para Bosh e LeBron para dizer que "vocês não vão se arrepender", e para Wade para dizer "I love you, Bro". Bromance total em Miami!
A história é meio piegas, eu sei, mas achei interessante para mostrar como o Miami Heat está lidando com o fato de ser o time mais odiado dos Estados Unidos. Já que todos odeiam eles, se apoiam um nos outros.
- Querem outra história bonita de amor? A população de Cleveland está se unindo para conseguir roupas para moradores de rua. Ou, para ser mais específico, está coletando camisetas do LeBron James e querendo mandar elas para os moradores de rua de Miami.
Um morador de Cleveland chamado Chris Jungjohan criou uma fundação chamada "Break up with LeBron", algo como "Terminando com o LeBron", num sentido de relacionamento amoroso mesmo. No site, poucas linhas que explicam o sentimento de boa parte da torcida:
"Querida Cleveland e região nordeste de Ohio, sentimos sua dor. Entendemos o seu coração partido. E dessa vez foi diferente, foi um dos nossos nos dispensando em rede nacional. Nós merecemos mais do que isso. LeBron, o problema não é com a gente, é com você. Obrigado por ótimos sete anos. Mas acabou e estamos aqui para devolver suas coisas."
Em semanas o grupo conseguiu pelo menos 400 itens entre camisetas, tênis e outras roupas, e tentou mandar para Miami, mas o governo da cidade recusou o presente/piada. Dá pra entender, os moradores de rua precisam de toda ajuda que as pessoas puderem dar, mas serem usados para uma piada dessas já é demais. Li num lugar que o grupo agora estaria tentando vender as camisetas para então doar para os moradores de rua de Miami, mas não consegui confirmar ser era mesmo verdade.
- Viram as duas enterradas do Eric Gordon contra o Spurs ontem? Espetaculares! Splitter teve estréia discreta, Blake Griffin não estava inspirado, jogo fácil. Só as duas jogadas que valeram muito a pena. São as número 3 e 1 do Top 5 abaixo.
- Nunca apareceu nenhum boato que dissesse que o Marcin Gortat pudesse ir jogar no New York Knicks, mas na minha cabeça ociosa que pensa em NBA mais do que deveria, sempre achei que seria o lugar perfeito para ele jogar. Sairia da sombra do Dwight Howard, seria um bom parceiro para o Amar'e Stoudemire, é ótimo no pick-and-roll que o D'Antoni tanto ama. Como ele chegaria lá eu não sei, mas é um cara que o Knicks deveria correr atrás.
Até ontem. O glorioso Polish Hammer deu uma entrevista dizendo que Nova York "é uma cidade suja, horrivelmente suja". Tá, depois disso ele desembestou de elogios à Big Apple, mas o estrago estava feito. Agora é notícia em todo lugar e provavelmente ele é odiado por todo mundo que mora em NY. Os nova-iorquinos não só amam sua cidade como são motivos de piada nos EUA por acharem que não precisam viajar para outros lugares do mundo porque tudo acontece em Nova York. Boa, Gortat, sempre bom arruinar suas chances com outras equipes. Próximo passo é imitar o Bola Presa e fazer piada com os mórmons e Salt Lake City!
- Top 10 da primeira semana. O número 9 do Rudy Gay já vale por toda a lista.
8 ou 80 O cantinho das estatísticas desnecessárias
- O Raptors tem oficialmente o garrafão que mais se completa na NBA. O arroz e o feijão, Romário e Bebeto, Lindomar e Romerito, unha e carne, bacon e meu estômago. Depois de uma semana de NBA o Reggie Evans, o cara que não sabe jogar basquete, tem médias de 2,7 pontos e 16,3 rebotes. A Dedé Bargnani tem médias de 23,3 pontos por jogo e 3 rebotes. Se a ciência conseguisse juntar os dois em uma só pessoa seria alguém bem feio e um ótimo pivô negro de sotaque italiano.
- O blog Round Ball Mining Company, que trata só do Denver Nuggets, fez uma excelente análise estatística comparando Carmelo Anthony com Kobe, LeBron, Wade, Durant e Kevin Martin para saber porque o Melo não tem reconhecimento do mundo das estatísticas como um jogador tão eficiente como esses citados. O resultado ficou ótimo, vale uma lida.
- Com os 40 pontos de ontem sobre o Blazers, o Luol Deng se tornou o quinto jogador de Duke da era Coach K a conseguir pelo menos 40 pontos em um jogo da NBA. Os outros foram Grant Hill, Elton Brand, Carlos Boozer e Gene Banks.
- Com os 30 pontos e 16 rebotes contra o Thunder no domingo, Paul Millsap se tornou o quarto jogador da história do Jazz a conseguir pelo menos 30 pontos e 15 rebotes num jogo. Karl Malone fez isso 69 vezes, Carlos Boozer 11 e Mehmet Okur uma vez.
- Com o triple-double que fez no dia de seu aniversário, Brandon Jennings se juntou a Elgin Baylor como os únicos jogadores da história a conseguirem um jogo de 50 pontos e um triple-double dentro dos seus primeiros 100 jogos de NBA.
- O Cavs desperdiçou uma liderança de 16 pontos no último período para perder para o Kings na última semana. Nas últimas duas temporadas completas o Cavs só havia perdido um jogo onde haviam liderado por mais de 15 pontos no quarto período, foi um jogo contra o Magic no qual o LeBron James não jogou.
- Mas nem tudo são más notícias numéricas para o Cavs. O Basketball-Reference, o site mais fodido em termos de números de basquete, fez previsões otimistas para o time do Varejão. Todos os anos eles fazem uma tonelada de previsões de números individuais para todos os jogadores. Aí eles juntam esses números e simulam num programa de computador toda a temporada. Mas não fazem isso uma vez, fazem 2.500 vezes! São diversas simulações usando essa previsões citadas, outras de plus/minus e outras contas mais complexas como o Win Shares.
O resultado final com a média de todas as simulações foi postado aqui. Pela previsão estatística deles, usando o complexo Win Shares (tem uma explicação sobre o termo aqui) o Heat vence o Leste e depois a final da NBA contra o Lakers. Mas para chegar até lá eles precisam vencer na segunda rodada dos playoffs o quarto melhor time do Leste, o Cavs! Bizarro, essa foi só pra perder a credibilidade. No Oeste o Lakers bate o Blazers na final de conferência.
- A combinação de pelo menos 11 assistências, 7 rebotes e 7 roubos de bola de Mike Conley no último jogo contra o Wolves só foi alcançada uma vez nas últimas duas temporadas, no ano passado pelo então novato Stephen Curry.
- Na surra que o Magic tomou do Heat na última sexta-feira eles conseguiram apenas 5 assistências no total! Nas últimas 30 temporadas de NBA só dois times conseguiram igualar um número tão baixo, o Clippers (claro!)contra o Bulls em 1999 e o Hawks contra o Knicks também em 1999.
- Na estréia de Kings e Wolves na temporada o time de Sacramento venceu por 1 ponto de diferença. Foi só a segunda vez na história da liga que houve uma vitória de apenas um ponto em um jogo onde os dois times faziam seu primeiro jogo na temporada.
- Na estréia de LeBron James como jogador do Heat ele deu 12 arremessos, enquanto seu companheiro Wade deu 20. Foi só o segundo jogo da carreira de LeBron em que um jogador do seu time deu pelo menos 8 arremessos a mais do que ele, o outro jogo foi o segundo da carreira de LeBron em 2003, quando ele arremessou 17 bolas e o Ricky Davis (irgh!) tentou 25.
Splitter já sorriu mais que o Duncan em sua carreira pelo Spurs
O Spurs já foi o time mais odiado de muita gente. Eu, por exemplo, já torci mais contra o time do Texas do que a favor de outros durante anos. Os motivos eram, basicamente, três:
1- Eles ganhavam demais. A gente sempre quer ver o time mais forte perder para algum que seja mais fraco e simpático.
2- Na época que eles eram o grande time da NBA eu não era lá muito fã de times muito defensivos, fui começar a ver graça nisso um tempo depois.
3- O Tim Duncan, a estrela do time e um dos melhores jogadores da história do basquete, não é lá o cara mais carismático e que dá espetáculo. Preferia ver meus outros ídolos ganhando campeonatos.
Com o tempo isso foi caindo por tabela. Apesar do Duncan ainda não ser tão carismático, ele passou a ter mais graça dentro dessa nova geração de jogadores que gostam tanto de tatuar os próprios nomes nas costas e usar correntes com cifrão pendurados no pescoço. Ele é tão diferente do padrão da liga que passou a ser mais legal. Também passei a gostar muito mais dele quando foi um dos poucos jogadores a se revoltar contra a decisão do David Stern, em 2005, de criar um código de vestimenta na NBA, obrigando todos os jogadores a abandonarem as roupas que costumavam usar (incluindo aí até as correntes com cifrão que o Duncan nem usava) para se apresentarem sempre com roupas sociais. Paul Pierce, Allen Iverson e Stephen Jackson também se manifestaram contra, mas deles eu esperava a revolta, do Duncan não. Ele mostrou, finalmente, a pessoa que existe por trás da poker face.
Hoje também não dá pra odiar eles por vencerem demais. Não ganham um título desde 2007 e nos últimos três campeonatos só chegaram uma vez perto, indo para as finais do Oeste em 2008. Estão sempre entre os melhores, mas não ganham, aí viraram o Dallas e ninguém odeia o Dallas, seria como odiar a Portuguesa.
Por fim, tem a questão da defesa. No seu auge o Spurs era um time defensivo que servia apenas para arruinar com nossos sonhos de ver times lindos como o Suns vencer um título, era o bastante para nos irritar. Hoje acho até bem legal ver como um time monta sua defesa e não me incomodo com times focados nesse lado da quadra. E mesmo se ainda me incomodasse, o Spurs não é mais aquele ferrolho. Nos últimos três anos, na média de pontos a cada 100 posses de bola, eles caíram do terceiro lugar para o quinto, e ano passado foram oitavos. Nesse tempo Bruce Bowen se aposentou, o Duncan não consegue ser mais efetivo como antes e eles até usaram o Matt Bonner como titular.
Em plena decadência, com muitos jogadores acima de 30 anos e com outros se aposentando, o Spurs chegou à hora de tomar uma decisão difícil. Sai trocando todo mundo e monta um time jovem ou tenta juntar mais gente velha em torno dos antigos jogadores para montar um time que se perder vai ser chamado de velho e se ganhar, de experiente?
Não dá pra dizer qual das duas formas é certa e qual é errada, as duas já deram todo tipo de resultado. Depende de quem são os veteranos, quem são os pivetes por onde passa a renovação, se os treinadores sabem lidar com esse tipo de time e muitas outras coisas. Não existe roteiro para a vitória.
O Spurs tentou primeiro a opção dos veteranos. Na temporada 2008-09 tinha Kurt Thomas, Fabricio Oberto, Michael Finley e Bruce Bowen no elenco. Não deu certo. No ano passado ainda insistiu nos mais velhos, afinal usava Antonio McDyess sempre que podia ao lado de Tim Duncan, mas o time só melhorava quando tinha bons momentos dos novinhos George Hill e DeJuan Blair.
Quando para muitos essa era a mensagem de que o time deveria ir pelo caminho da renovação, o Spurs entendeu que a mensagem era de que era hora de misturar. Afinal George Hill estava jogando bem, mas manteria o mesmo nível sem Ginobili e Duncan do seu lado? Os mais novos não são tão bons para bancar uma renovação (como seria o Rondo para o Celtics, se eles quisessem) e os mais velhos não dão conta do recado sozinhos. Era hora de misturar.
Mesmo antes do fim da temporada passada o time já fez um novo contrato com o Manu Ginobili, que quando esteve saudável na temporada passada mostrou que ainda pode alcançar o sétimo sentido durante alguns minutos de jogo e se tornar o melhor jogador da galáxia. Acontece com menos frequência do que antes, mas quando ele está pegando fogo não existe arma de fogo que possa pará-lo.
Depois disso veio o presente dos deuses. No ano passado o Spurs aceitou pela primeira vez em anos ultrapassar o limite salarial e pagar multas por excesso de salário. A extravagança foi para contar com Richard Jefferson, o ala que parecia ser o que faltava para o time. Parecia, acabou tendo a pior temporada da carreira, foi um zero à esquerda em muitos jogos e ainda tinha mais um ano de contrato ganhando 15 milhões de dólares. E não é que ele desistiu do contrato? Por motivos bem explicados pelo Danilo nesse post, preferiu sair dos 15 milhões para conseguir um contrato mais longo, e conseguiu: 38 milhões de dólares por 4 anos com o próprio Spurs.
Apesar do Jefferson não ser uma maravilha, eles não tinham conseguido ninguém para a posição dele entre os Free Agents. Então até que acabou sendo bom negócio manter o mesmo jogador mas pagando 8 milhões ao invés de 15.
Depois de manter o quarteto de Tony Parker, Manu Ginobili, Richard Jefferson e Tim Duncan, estava na hora da renovação. Ainda tem George Hill e DeJuan Blair, um ano mais experientes, e buscaram no draft o promissor James Anderson. Depois da Summer League, assinaram com o bom arremessador Gary Neal. A cereja do bolo foi trazer, finalmente, o brasileiro Tiago Splitter.
Muita gente fazia piada nos Estados Unidos dizendo que o Splitter não existia. Falam dele ir pra NBA desde que ele tem uns 18 anos e ele só foi agora, com 25! Uma vez ele desistiu de ir pro draft, depois adiou, depois foi escolhido mas decidiu ficar na Europa, foi uma novela gigantesca, mas podemos afirmar hoje que valeu a pena. O brasileiro ficou mais forte fisicamente, aprimorou sua técnica e até a liderança (era capitão no Caja Laboral) e ganhou mais nome ao sair da Espanha como MVP do campeonato nacional e campeão. Ele é a síntese do que o Spurs quer ser na próxima temporada: é novo, afinal é até um novato na NBA, mas tem mais bagagem e talento que muito veterano da liga.
E como diria o Polishop, não é só isso. Splitter também é o primeiro jogador em sei-lá-quantos anos a deixar o Tim Duncan voltar para a posição 4. É um bocado ridículo ter o melhor ala de força de todos os tempos no elenco e usá-lo fora de posição! Agora vão poder deixar o Splitter na posição cinco e o Duncan poderá sair mais do garrafão, onde poderá usar seu arremesso de meia distância usando a tabela (marca registrada) e onde tem mais opção, liberdade e espaço para usar seu arsenal infinito de jogadas ofensivas.
Dá pra dizer dessa vez com certeza que o Spurs voltou como dissemos no ano passado com o Richard Jefferson? Não, mas dá vontade.
Se eu fosse listar 5 coisas que o Spurs precisava melhorar do ano passado para esse, seriam defesa de perímetro, arremessos de 3, pivô, tocos e movimentação ofensiva.
A defesa de perímetro não melhora nada até o James Anderson provar o que alguns analistas dizem, que ele pode vir a ser um especialista na área. Mas se isso não acontecer nesse ano, não vai ser com Richard Jefferson ou Manu Ginobili que eles vão parar grandes jogadores de ataque. O arremesso de três deve melhorar com o próprio Anderson e o Gary Neal. Os dois são novatos, mas eu confio mais nos olheiros do Spurs do que na minha mãe. Sério, os caras não erram nunca. São muito bem pagos, viajam o mundo inteiro atrás de grandes talentos e não à toa o Spurs sempre acha alguém escondido no fim do draft, já foi assim com Tony Parker, Manu Ginobili, Luis Scola, Goran Dragic, Leandrinho, Tiago Splitter, DeJuan Blair, Beno Udrih, John Salmons, todos escolhidos depois da posição 20 em drafts recentes.
A parte do pivô é resolvida com o Tiago Splitter, que dá segurança para a posição, deixa o Duncan sair do garrafão e é um bom defensor, também dando uma ajuda nos tocos. O Spurs era um garrafão muito vulnerável quando tinha McDyess ou Matt Bonner em quadra.
A movimentação ofensiva ainda é um mistério. Deve melhorar com Duncan participando mais do jogo e Richard Jefferson deu sinais nos playoffs, em alguns jogos, de que pode ser muito útil quando se mexe ao invés de ficar parado para ser o arremessador que não sabe ser, mas vai entender a cabeça do Tartaruga Ninja.
O Spurs poderia ter tentado uma troca por um dos alas que estavam dando sopa e não saíram caro, como Ronnie Brewer, Josh Howard ou Matt Barnes, todos seriam mais úteis que o Richard Jefferson, então não dá pra dizer que a offseason foi perfeita. Também dava pra ter cogitado e feito propostas envolvendo o Tony Parker, que já deu sinais de que não ficaria nada ofendido com uma troca. Não foi perfeito, mas com bons nomes muito jovens para dar um gás nos veteranos, tem tudo para ser um time melhor que o do ano passado. O Spurs não voltou, mas pode voltar.
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Para quem não é fã do Spurs, os últimos 10 anos não foram tempos muito divertidos. Desde 2003, parece que o Spurs não fez outra coisa além de chutar o traseiro do Phoenix Suns. Quanto mais a NBA ficava defensiva, quanto mais os times se transformavam em enormes retrancas, quanto mais os times pareciam todos iguais tentando arranjar peças similares umas às outras, mais o Suns se levantava como uma alternativa viável, um basquete diferente, uma mentalidade quase insana, mas que também era capaz de dar resultado. Com apenas um único problema: não era capaz de dar resultado coisa nenhuma. Porque o Spurs não deixava.
Como acontece com todo projeto político, para provar que seu plano dava resultado, o Suns teve que - funhé! - abandonar seu plano. Primeiro foi a contratação de Shaquille O'Neal, dando ao Suns um jogo de meia quadra e um cara para trombar com Tim Duncan, depois foi a mudança de técnico para tentar se focar na defesa. Não deu certo.
Os erros foram se acumulando, o tempo foi passando, e a gente desistiu de um monte de coisas: a Alinne Moraes não vai ficar pelada, eu não vou ganhar na loteria, e o Suns não vai ganhar do Spurs. Como surpresas, no máximo esperamos um pneu furado pela manhã que nos poupe de chegar no trabalho, ou um incêndio que acabe com o escritório, talvez um Jogo 7 nos playoffs entre o Spurs e o Suns e olhe lá. Mas não conseguimos acreditar na vitória mesmo quando ela era mais provável.
Levou anos para o Spurs finalmente não ter as peças necessárias para colocar em vigor o esquema tático absurdamente rígido do técnico Gregg Popovich. Faltava um defensor no perímetro, um arremessador de três da zona morta, arremessadores experientes que gostem de arremessar com os pés parados, um biruta de posto no garrafão pra fazer faltas duras no lugar do Duncan. Levou anos para o Spurs sem as engrenagens certas ainda contar com lesões de Ginóbili e Tony Parker, tirando da equipe qualquer esperança de ritmo de jogo, algo tão essencial para um time regular como esse. Durante as últimas semanas recuperaram todos os jogadores de contusão, conquistaram algum ritmo, conseguiram descobrir em George Hill alguém para defender e arremessar da zona morta. Mas ainda ficaram claros os buracos no elenco que Popovich não podia tapar sem jogar seu plano de jogo pela privada.
Levou anos para o Spurs ser um time de defesa mais capenga e que, portanto, depende mais do ataque e joga melhor em velocidade. Levou anos para o Suns ser um time com melhores reboteiros, que joga melhor num ataque de meia quadra, defende melhor e corre menos. Com o Spurs correndo mais, querendo usar um time mais rápido e mais baixo (Parker, Ginóbili e George Hill) e o Suns correndo menos, tendo mais opções no jogo individual (Jason Richardson, Grant Hill), não dava nem pra saber qual dos dois times jogava mais na correria do que o outro. E mesmo assim a gente achava que o Suns iria ganhar sem sequer confiar nas nossas próprias palavras. No fundo aquela certeza de que o Spurs ia dar um jeito, como sempre deu. O Ginóbili iria arrumar um modo de ganhar os jogos no final se tacando no chão argentinamente.
Os quatro jogos da série viram Grant Hill sair contundido para voltar minutos depois como se nada tivesse acontecido, e Steve Nash sair sangrando de quadra para voltar minutos depois - com 6 pontos tomados na cabeça e um olho a menos na cara - como se nada tivesse acontecido. Ué, os dois não deveriam ter morrido misteriosamente enquanto alguém aleatório do Spurs (eu chutava o Matt Bonner) marcaria 50 pontos inesperados? O Nash não deveria morrer em quadra vítima do ataque de um navio bucaneiro por estar jogando caolho, fantasiado de pirata?
Tudo deu certo para o Suns e bizarramente errado para o Spurs. Foi um encontro muito diferente daquele que ficamos acostumados, com um Spurs diferente e baleado que se encaixou muito pior em um Suns diferente e reforçado em aspectos mais diversos do que só o campo ofensivo. É até difícil acreditar que, mais do que vencer o Spurs, o Suns varreu a equipe de San Antonio com um estrondoso 4 a 0 na série. Fico feliz de não ter sido com Shaquille O'Neal, às custas do projeto de um Suns ofensivo, se vendendo apenas para se livrar do rival. Mas não há como não ficar com um pingo de tristeza ao ver as consessões que o Suns fez para sair vitorioso dessa série, jogando com um pivô, segurando a bola, pegando rebotes ofensivos. Há muito do Suns de resistência, do Suns rebelde e subversivo que aprendemos a amar, como um Nash vovô jogando muito, Amar'e pontuando mas incapaz de defender, um pivô chamado Channing Frye que só arremessa de três pontos, um banco de reservas que corre como louco (até mais do que o time titular). Mas essa vitória não muda nem compensa as derrotas anteriores - agora é tarde.
Assisti emocionado ao Duncan se aproximar de Nash, após o fim da partida, e pedir desculpas pelo talho que abriu na cabeça do canadense. Duncan estava sorridente, sinal claro do apocalipse. Depois, Duncan foi dar tapinhas no ombro do Amar'e e dizer que agora é a hora do garoto. Parker abraçou o Nash com nobre admiração, depois de ter dito um dia antes que é um grande fã do armador canadense e que aprendeu muito assistindo a ele jogar durante os últimos anos. Até o Ginóbili conseguiu abraçar Grant Hill sem se jogar no chão e pedir uma falta. Esse time do Spurs é grandioso, saiu de quadra com um sorriso no rosto, consciente de que perde apenas porque a máquina não tem mais as mesmas peças. Simplesmente chegou a hora do Suns de ir em frente. É claro que a equipe de Phoenix respira aliviada e se sente parcialmente vingada, mas pegou um adversário combalido e o enfrentou depois de anos adulterando seu elenco. Legal, estou feliz pra burro e torço para o Suns coroar essa vitória com um anel de campeão depois. Mas ficamos longe de ter aquela vingança, aquela vontade de sangue que as séries passadas tiveram. Não apenas estamos fadados a nunca ver um Jogo 7 entre Suns e Spurs, como também só vimos o Suns vencer frente a esse Spurs sem muitas chances, quase desistente, dócil, cheio de abracinhos no final. Bowen e Horry não abraçariam ninguém, a não ser para bater carteiras - mas felizmente o basquete os engoliu faz um tempo.
O San Antonio Spurs é como chocolate amargo, parece horrível perto do docinho gostoso que estamos acostumados desde bebês tomando Ovomaltine. Mas aos poucos vamos acostumando e tomando gosto pela coisa. Com os anos aprendi a apreciar mais e mais o basquete do Spurs, admirar Tim Duncan e bater palmas para o jogo subversivo de Tony Parker e Ginóbili que, muito aos poucos, foram dobrando o esquema tático de Popovich. Mas esse não é o mesmo Spurs que chegou numa semi-final de conferência passando bolas decisivas para o Richard Jefferson errar seus arremessos livres. Dá pra imaginar o Suns não tendo que marcar um dos arremessadores do Spurs? Culpa do Spurs que apostou as fichas no cara errado, mérito do Suns que fez as trocas certas e soube reforçar fraquezas do time sem colecionar grandes defensores.
Nem acredito que vi o Suns passar do Spurs, resolvi até postar rápido antes que a NBA resolva cancelar o resultado por doping ou alguma loucura do tipo, haverá tempo de se falar melhor dessa partida mais pra frente, enquanto esperamos o vencedor de Lakers e Jazz. Mas uma parte de mim percebe claramente que não há uma vingança acontecendo aqui: um Suns diferente venceu um Spurs mais diferente ainda. Em quatro partidas fáceis, quase sem graça. Todo aquele desgosto de ver o Suns experimento de cientista maluco ser eliminado por um Spurs brutal e violento continuará para sempre entalado na garganta. O Nash sangrou por uma cotovelada sem querer de um Duncan que até pediu desculpas constrangido, é uma outra realidade. A vitória dessa noite vem com alegria para o Suns e com aceitação para o Spurs, que sabe de sua necessidade de, agora, reconstruir. Mas não há espaço para alivio na equipe de Phoenix. Os tempos são outros e o Spurs era uma equipe babinha: pela frente, deve vir Lakers. Não vai adiantar nada se livrar de uma zica que durou uma década para ser eliminado de novo. Se não for campeão, esse Suns vai desmontar e se vender de novo, cada vez mais longe do projeto inicial. Quem será que contratarão, na temporada que vem, pensando apenas em parar Kobe e Gasol?