sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Knicks café-com-leite

Mardy Collins mostra sua cordialidade: "Dá um abraço aqui, amigão!"


Com seu time perdendo por 52 pontos ao vivo em rede nacional, após um torcedor do Knicks presente no ginásio em Boston ter tacado a camiseta de seu time no meio da quadra, Isiah Thomas deve ter olhado para baixo e se certificado de que não estava sentado no banco de reservas sem roupa, apenas de cueca. Para seu azar, ele estava vestido - não se tratava de um pesadelo.

Com 26 segundos para o fim do jogo, Rondo mostrou espírito esportivo e, ao invés de tentar aumentar a liderança, deixou o cronômetro de 24 segundos estourar. Espírito esportivo ou talvez medo: alguém se lembra daquele Knicks e Nuggets em que o time de New York perdia por 20 pontos mas o Nuggets manteve os titulares em quadra e o Isiah, normal como é, colocou o Mardy Collins em quadra com a intenção de descer o braço no primeiro titular do Nuggets que tentasse fazer uma cesta? Para quem não se lembra, aqui tem um vídeo da falta e da briga que a seguiu. Maior pancadaria, incluindo a legendária tática ninja de "dar um soquinho e sair correndo" do Carmelo Anthony.

Rajon Rondo, com boa vontade ou puro medo, deixou o cronômetro expirar e permitiu que o Nate Robinson acertasse uma cesta do meio da quadra. Cesta de bundão mesmo, de quem não sabe brincar. Essa bola de 3 pontos estragou os números: deixou de ser a maior vitória de todos os tempos para o Celtics, a pior derrota de todos os tempos para o Knicks, e tornou Nate o único jogador de sua equipe com mais de 8 pontos.

Essa sova histórica tem vários culpados, do técnico ao Marbury, mas talvez o principal fator tenha sido Quentin Richardson. Num discurso "Stephen Jackson versão pobre", ele disse que o Celtics não era tudo isso porque ninguém tinha um anel (e nem ele, claro). Também afirmou que, tirando o poderoso Trio Verde (que parece nome de filho de hippies) a qualidade da equipe era muito baixa e o banco fraco demais. Bacana. Que o Quentin é burro e arremessa todas as bolas que consegue eu já sabia, mas que ele é burro e fala todas as merdas que consegue eu nem imaginava. A declaração foi parar no quadro branco de táticas do Celtics antes do jogo e a equipe inteira (principalmente o banco) resolveu engolir o Knicks vivo com um pouquinho de azeite e sal. O gordo do Glen Davis, o novato obeso mais talentoso da NBA, poderia ter engolido o nanico do Nate Robinson numa mordida só se estivesse com mais apetite, mas ele deve estar de dieta...

Ao fim da partida, Kevin Garnett disse que não se lembrava de nunca ter descansado tanto tempo no banco (o tipo de comentário que nosso querido Duncan nunca teria o humor ácido para fazer). Ele passou todo o quarto período e momentos consideráveis do terceiro tricotando meias. O Ray Allen tricotou polainas.

Frente a essa surra estupenda, e tendo em vista que o Knicks só consegue ganhar do Bulls, (que foram de candidatos a título do Leste para candidatos a vice-campeões de basquete mirim do Jardim de Infância Riacho Feliz) o que fazer com o time de New York? Tacar fora e comprar outro? Envenenar Marbury? Deportar ele pra Itália? Dar o Nate Robinson de café da manhã para o Curry e o Randolph? Mudar de técnico e trazer o Larry Brown? (não, péra, isso eles já tentaram!)

O mínimo que deve acontecer é o Isiah Thomas perder o emprego. Hoje, amanhã, em uma semana, em um mês? Acho que ele vira farofa amanhã mesmo. Quem quiser pode colocar suas apostas nos comentários, aquele que acertar o dia da saída do Isiah leva de prêmio a fama de ser cagado. Boa sorte!

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

A clássica revanche do jogador trocado sobre o seu terrível ex-time

E o técnico diz que não é nada pessoal. Sei, sei...


Eu sei, eu sei, o jogo foi no começo da semana mas era tanta coisa a se dizer que esse assunto acabou esquecido e eu achei que merecia uma atenção especial.
Na última segunda-feira, o Spurs foi a Sacramento pegar o Kings.

No time titular da equipe de Sacramento estava, no lugar do machucado Mike Bibby, o ex-Spur Beno Udrih. O resultado foi a terceira derrota do Spurs na temporada, a primeira para um time que não é um rival do Texas e 27 pontos de Udrih.
Sei que é cliché pacas falar da vingança de um jogador contra seu ex-time, isso acontece o tempo todo e vemos matérias do tipo todo mês no Globo Esporte, a última foi aquela palhaçada do gol do Roger Chinelinho pra cima do Todo Poderoso Timão. Mas é que eu não me aguentei e tive que falar disso porque sou fã do jogo do Udrih há muito tempo e sempre achei que ele merecia mais chances no Spurs.

Udrih jogou 3 temporadas pelo Spurs e apenas 9 jogos pelo Kings. Todos os seus máximos de carreira (menos o máximo de assistências, 10) estão nesses 9 jogos com o time de Sacramento. Sinal de alguém mal aproveitado, não?
Sempre que via o Udrih entrar no "garbage time" dos jogos que o Spurs tinha esmagado alguém eu ficava impresisonado com a sua velocidade e sua precisão nos arremessos. Ele era o típico jogador que poderia vir do banco e botar fogo no jogo, mas por algum motivo o Greg Popovich nunca fez isso. Imagino os motivos: primeiro que ele já tinha o Ginobili para essa função e o próprio Pop já disse que fica com o coração na boca quando vê o Manu jogar porque não sabe o que esperar dele. Com o Udrih na quadra seriam dois pra tirar o técnico certinho do sério. O segundo motivo é uma dedução, Udrih não deve ser um bom marcador. No Spurs quem não marca bem simplesmente não tem chance, sempre foi assim e vai continuar sendo. Digo que é uma dedução porque só vi o Udrih nesses momentos sem importância dos jogos e lá ninguém marca mesmo, quem pode dizer se ele marca bem de verdade é quem via os treinos do Spurs. O que derruba esse motivo é a marcação do Udrih sobre o Parker no jogo de segunda, talvez o Udrih marque mal em geral mas marque bem o armador que ele marcava nos treinos dos últimos 3 anos.

Como Udrih foi parar no Kings é uma história meio triste para o garoto da Eslovênia. O Spurs o trocou porque não queria ultrapassar o limite de salários da NBA e pagar multa, então mandou ele, junto com dinheiro, para o Wolves em troca de uma escolha de draft de segundo round. O Wolves não queria Udrih e o dispensou em seguida, a troca foi feita só para ganhar uma bufunfa e não ter muito prejuízo quando eles fizeram o buyout do caro contrato do Juwan Howard. Então, depois de todos os times se acertarem financeiramente, ficou lá o pobre Udrih sem time. A sorte foi que o Bibby machucou e o Kings precisava desesperadamente de um armador, foram atrás do Udrih e logo deram pra ele a posição de titular, de tão desesperados que estavam.
Udrih aproveitou a chance e começou com grandes partidas, tendo seu auge na segunda-feira ao destruir o ex-time. O técnico do Kings Reggie Theus disse pra Udrih antes do jogo: "Deixe o jogo ir até você, não force o jogo, seja agressivo mas lembre de não levar o jogo pro lado pessoal". Pois é, acho que ele levou sim e isso foi muito bom pra todo mundo. O Udrih se vingou, mostrou que tem espaço na liga, o Kings ganhou um ótimo reserva pro Bibby e o Spurs aprendeu a dar chance para os jogadores mais novos.

Aliás, falando em dar chance, sabe qual era o antigo máximo de pontos do Udrih em um jogo? 25 pontos quando, por algum motivo qualquer, o Spurs o deixou ser titular por uma partida. Ou seja, chance ele até teve, aproveitou, e mesmo assim não teve mais.


Falando um pouco menos do Udrih e mais do Spurs, lembrei agora que na temporada passada o
Greg Poppovich disse que se arrependeu de ter trocado o Leandrinho para o Phoenix no dia em que ele foi draftado. O que eu penso é que o Leandrinho é um jogador veloz, com um jumper preciso, ótimo pontuador, mas que tem extrema dificuldade em defender. Hum... já disse algo parecido nesse post, não é? Mesmo achando o Leandrinho muito mais jogador que o Udrih, tenho certeza que no Spurs ele ia ter o mesmo caminho, ia ficar enterrado no banco até aprender a defender, o que nunca ia acontecer. Foi muita sorte o Leandrinho ser trocado e ainda mais sorte para o Phoenix, em que o estilo do Leandrinho se encaixa perfeitamente e em que ele convenceu o Nash a ser corinthiano. Imagina se ele faz o Manu e o Duncan corinthianos, aí sim que eu ia ter vergonha de torcer pro Timão, mais vergonha do que se cair pra segundona.

Comparar para quê?

Quem é melhor eu não sei, mas quem tem mais "cara de nada" é fácil de responder


Se tem uma coisa que me irrita é estar no banheiro e perceber que não tem papel. Mas como isso não tem nada a ver com basquete (pelo menos não na maioria dos casos), vou dizer outra coisa que me irrita um pouco: aquelas conversas de "que jogador é melhor".

Quando eu assistia jogos da NBA pela Globo.com, puxava meus cabelos e batia a cabeça contra a parede porque a maior parte das transmissões consistia de gente perguntando: quem é melhor, Kobe ou Jordan? LeBron ou Magic Johnson? Baby ou Kwame Brown? Duncan ou Pipoca? Pelé ou Tsubasa? O jogo lá correndo, a Eva Longoria aparecendo na torcida, arremessos levando pra prorrogação, história sendo feita, e as pessoas ignorando tudo e apenas interessadas em saber: em gravidade zero, usando apenas uma das mãos, quem ganharia um jogo de 21 entre Larry Bird e JJ Redick?

Isso me lembra criança quando começa a ler quadrinhos de heróis. Ao invés de apreciar o Super-Homem e o Homem-Aranha, cada um na sua, e até escolher um favorito, o fedelho não consegue tirar da cabeça a pergunta "quem ganharia um duelo entre os dois." Olha, às vezes pode até ser divertido comparar jogadores, principalmente se você está muito entediado esperando alguém te levar papel no banheiro. Mas em geral essas comparações não levam a nada porque envolvem uma infinidade de fatores que não são (e normalmente nem podem ser) levados em consideração: a época em que jogaram (o que inclui qualidade técnica da NBA no período, arbitragem, estilo de jogo), equipe (qualidade do próprio time) e os adversários (qualidade dos outros times). Quem ganharia um duelo entre Kobe e Jordan? Depende, em que época? Quantos anos cada um teria? Qual seria o time de cada um? O Jordan estaria com o Wizards ou com o Bulls? O Kobe teria Shaq ou Kwame Brown?

É mais ou menos como nerds (como eu) discutindo sobre quadrinhos. Quem venceria um duelo Hulk e Super-Homem? Depende. O Super-Homem antes ou depois da morte? Voando ou só dando saltos longos? O Hulk verde ou o Hulk cinza? Vale chute no saco? E dedo no olho?

Com essa infinidade de fatores fazendo uma diferença brutal, a resposta sempre será "não sei". É inútil o esforço. Ao contrário do que muitos acreditam, os jogadores não têm um nível em pontos como no videogame que torne possível uma comparação. O que me leva a outro ponto, aliás: o critério para escolher o MVP.

Muita gente acha que o MVP é o melhor jogador da Liga e pronto. Mas o que acontece é que um MVP nunca foi escolhido estando num time que tenha ganhado menos de 50 vitórias. Ou seja, ele tem que estar num time vencedor. O critério é um pouco engraçado porque, indiretamente, ele julga a qualidade de um jogador pela capacidade de fazer um time vencer. Como se um jogador sozinho fizesse um time vencer (o LeBron não vale). Duncan e Nowitzki, por exemplo, têm troféus de MVP nas estantes de casa. Isso teria acontecido se o Duncan fosse a estrela solitária no Hawks e o Nowitzki fosse o único cara do antigo Celtics com mais de 12 anos? Nah.

O troféu de MVP, mais do que julgar a capacidade de um jogador em vencer jogos, acaba julgando a sorte do jogador de estar num time que lhe dá as ferramentas para vencer. Assim, julgar o valor de um jogador pelo número de anéis de campeão que ele tem segue o mesmo princípio. Dia desses o Stephen Jackson deu uma entrevista dizendo que o Celtics não é de nada porque ninguém lá tem um anel e ele, Stephen Jackson, tem um. Ah, parabéns, ele tem um anel por jogar no Spurs. Alguém aí avisa ele que o Darko também tem um. E o Mark Madsen. E o Antoine Walker Cabeça-de-Lego.

Já vi uma infinidade de gente dizer que o Duncan é muito superior ao Garnett porque tem mais anéis e conseguiu vencer mais partidas nos playoffs. O Darko também é melhor que o Garnett então, ele estava no Pistons campeão e conseguiu vencer várias partidas sem sequer vibrar no banco (acho que por não entender a língua ele nem devia saber que estava acontecendo. "Por que tá todo mundo comemorando?") Vamos fazer um pequeno exercício de abstração aqui: vamos colocar o Duncan no Wolves e o Garnett no Spurs pela última década. Sei que o que não falta por aí é fã que quer casar com o Duncan e faz macumba comigo quando digo que ele é mais chato do que limpar privada com escova de dentes, mas até alguns desses fãs vão ter que reconhecer: o Spurs com Garnett teria os mesmos anéis, enquanto o Wolves com Duncan não teria ganho nada (mas o Duncan seria sempre cotado para MVP, seria líder em rebotes da NBA, essas coisas simplizinhas que o Garnett cansou de fazer). O time é fator fundamental, tanto para escolha do MVP quanto para ser campeão quanto para ficar comparando "quem é melhor".

Vamos fazer uma analogia para a geração Cavaleiros do Zodíaco: se dois cavaleiros de ouro se enfrentam, eles lutam para sempre sem que haja um vencedor. Mas se um deles for ajudado por mais cavaleiros de ouro enquanto o outro é ajudado por cavaleiros de aço, sabemos quem vai levar a melhor.

O quê, você nunca viu Cavaleiros? Então deixa pra lá, não vou fazer uma analogia com Pokémon se você for mais novo e nem uma analogia com Vila Sésamo se você for mais velho. O importante é ter na cabeça que ter 10 assistências passando a bola para o Scott Pollard é mais complicado do que passando a bola para o Boozer. E que vencer com o Marbury no seu time é mais complicado do que com QUALQUER OUTRO jogador da NBA.

Da próxima vez que tiver gente se esbofeteando enquanto comparam jogadores (a comparação da moda é Chris Paul versus Deron Williams, aliás), lembre-se que a comparação vai mais além, em direção ao Boozer e ao Tyson Chandler, ao técnico, ao estilo do time. E pense: quero mesmo me enfiar nisso ou será que tenho uma vida para viver? Guarde essas discussões tolas para quando você estiver jogando ludo com o Duncan. Aliás, também leve um bom livro. E não se esqueça do papel higiênico.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

O melhor pior time do mundo

A cabeleira do Varejão no banco de reservas está impedindo
alguém da torcida de ver essa enterrada



Para mim, o pior melhor time do mundo foi o Lakers de 03-04, aquele com Payton, Kobe, Malone e Shaq. Dentre todos os "melhores times do mundo" que surgiram por aí, eles são os piores da lista. Nesse mesmo raciocínio, o Cavs é justamente o contrário. Dentre todos os "piores times do mundo", o time de Cleveland é o melhor deles. Baita time ruim, mas que chuta uns traseiros!

Quando o Cavs chegou na Final na temporada passada, algumas pessoas que acompanhavam a NBA só de leve vinham me perguntar se o time era bom mesmo, e minha resposta ("o time é uma merda!") gerava certa confusão. Todo mundo queria saber, então, como eles estavam na Final se o time fedia tanto, e "LeBron James" não era uma resposta boa o bastante. Afinal, Kobe é o melhor jogador da Liga mas assistiu às Finais pela televisão. (o que já é melhor que assistir por boxscore, vai.)

O Cavs é um mistério. O time não tem jogadas planejadas, parece tudo mais no improviso do que o sexo na praia da Cicarelli. Os jogadores são medianos se você é fã do time, nem-fede-nem-cheira se você é indiferente, e medíocres se você tem pirraça. O banco é tão engraçado quanto o moicano do Pollard, que aliás fazia parte do banco na temporada passada, junto com o Damon Jones, o cara que se auto-proclama o melhor arremessador do mundo mas não deve conseguir nem acertar o mijo dentro da privada. Alto nível.

Tá, mas pra chegar nas Finais da NBA, o time tem que fazer alguma coisa certo, né? (além de ter escolhido o LeBron com a primeira escolha, claro). Bem, eles sabem defender. Não é a melhor defesa do planeta, mas faz bem seu papel, é organizada, joga com vontade, tem tamanho. Mas o principal mesmo, a palavra mágica para o time, é outra coisa: rebotes ofensivos. Eles lideram a Liga nesse quesito. É isso que matou o Pistons nos playoffs e é isso que matou o Celtics ontem à noite - rebotes ofensivos nos momentos cruciais.

O Cavs é como uma garota feia que, quando vai sair com as amigas, avacalha o cabelo e a maquiagem delas para parecer mais bonita. O Cavs joga mal, feio, capenga, destrambelhado - mas dá um jeito do outro time parecer jogar ainda pior. Aquele Celtics que muita gente já quer mandar os anéis de campeão pelo correio teve sua partida mais feia até agora. O Cavs é péssima compania se o Celtics queria arranjar gatinhos na balada.

A combinação defesa + rebotes + LeBron James foi demais para o Celtics e vai continuar sendo demais para muita gente. Uma pena que é o tipo de coisa horrorosa de se assistir, mas como o LeBron não liga para banalidades como as Leis da Física, às vezes dá até gosto de ver.

Engraçado é que os odiadores do LeBron foram todos embora desse Universo, acompanhados pelos apoiadores do Dunga como técnico da seleção e de todo mundo que votou no Lula para presidente. Sumiram. Há pouco tempo atrás, chamavam o LeBron de amarelão, diziam que ele tinha medo de dar o último arremesso. Falavam que ele não tinha mão esquerda, que não sabia arremessar. Agora ele tem 4 mãos direitas, dominou o jogo contra o Celtics ali no mundo do arremesso de meia-distância e decide todos os jogos no final.

Claro, ainda tem gente que mete o pau no lance livre dele, que volta e meia é bom mas volta e meia fede bastante. Vamos dar uma analisada: LeBron está acertando apenas 69% dos lances livres cobrados nessa temporada. Ontem, no entanto, foram 14 convertidos em 15 tentados. Enquanto isso, do lado dos verdes-musgo, Ray Allen vem acertando 91% de seus lances livres mas ontem fez apenas 4 de 6. E o pior: errou dois lances livres seguidos que teriam dado a vitória para o Celtics. Como diria o Nelson, dos Simpsons, "ha-há!"

Por enquanto, o Celtics ganhou - por mérito e às vezes por milagre - todos os jogos contra os times café-com-leite. Só que na hora de enfrentar Dwight e LeBron, perderam nas duas vezes. O que isso significa? Bem, a princípio, que Magic e Cavs podem ser facilmente campeões do Leste. Sim, esse Cavs aí ruim pra burro, sem talento, que não se reforçou e não trouxe o Varejão de volta.

Pronto, falei do Varejão e vou ter que entrar nessa questão. Olha, se você quer ler um texto informativo, sem críticas, sem julgamentos, vá para um mosteiro virar monge zen. Eu sou humano, o blog é meu, a bola é minha, eu não vou ser goleiro senão não brinco e vou julgar sim: o Varejão fez merda.

Nesse mundo da NBA, salário não significa a grana pura e simples. A diferença entre ter 60 reais nas mãos ou 100 reais nas mãos é bem grande. Ter 6 sanduíches de presunto ou 10 sanduíches de presunto seriam uma diferença gigantesca para o Chaves. Mas a diferença entre 6 milhões e 10 milhões não dá nem pra perceber na prática, são milhões, é uma caralhada de zeros. Jogador da NBA faz charminho por esses salários porque são uma medida de quão bom você é, uma espécie de medalha para o seu valor. Quando o Nenê conseguiu aquele contrato absurdo de 10 milhões por ano (que o Nuggets deveria estar muito arrependido, afinal o Nenê tem muita dificuldade em ficar saudável e nenhuma dificuldade em ficar gordo como uma almôndega) um monte de pivôs meia-boca da NBA queriam 10 milhões com um simples argumento: "eu sou tão bom ou melhor do que o Nenê!" Reduza os esportes ao seus elementos básicos e tudo vai virar coisa de criança: um monte de marmanjo querendo valer mais do que o amiguinho porque consegue colocar uma bolinha laranja dentro de um círculo num poste. Bah.

Do mesmo jeito que o Nuggets foi um asno de pagar 10 milhões pro Nenê e o Isiah foi um Isiah por pagar 6 milhões pro gordo do Jerome James que nunca entrou em quadra, o Cavs foi esperto de não pagar os 10 milhões pro Varejão. Jogador que se taca atrás de bola, pega rebote, cava falta de ataque e dá air ball no lance livre deve ter de monte por aí nos drafts e na Liga de Desenvolvimento. Tá bom que o cabelo do Varejão é insubstituível, mas mesmo assim. Seria legal ter o Varejão de volta? Seria, claro. Mas ficar pobre por um cara que é bucha de canhão e tá querendo ganhar mais que os amiguinhos? Ah, faça-me o favor.

Enquanto isso, a defesa do Cavs vai bem, obrigado. Os rebotes ofensivos continuam lá, basta perguntar para o Celtics. O Pavlovic, que aceitou um contratinho mais modesto e camarada, está ajudando o LeBron a vencer. O tal do Dwayne Jones, um cara grande que também dá air ball nos lances livres, está sendo treinado para ser o novo Varejão. E, assim, o Cavs continua vencendo, chuta o traseiro do Todo Poderoso Boston Celtics, pode até ser campeão do Leste e em breve nunca mais vai sequer se lembrar do brasileiro que não conhecia tesoura nem modéstia.

O Varejão vai ficar rezando para algum Isiah Thomas da vida pagar os 10 milhões que ele quer, fazendo um sign-and-trade com ele. Dado o cérebro de ameba de uns dirigentes na NBA, é possível que aconteça, ele pode ir para o Sixers ou para o Kings, por exemplo. Mas caso ninguém se interesse, o Varejão vai ter que dar outro jeito de sobreviver. Provavelmente vai usar seu cabelo para contrabandear coisas do Paraguai. Pelo menos, é o que EU faria...

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Full Moon e Mr.Catering

Não vou fazer uma piadinha dizendo que o Jamario Moon está
"voando para a lua" ou qualquer merda do tipo



Achou o título estranho? Acho que mais estranho é ver que Jamario Moon e Jose Calderon vêm sendo os dois melhores jogadores do Toronto Raptors na temporada. Sabemos da qualidade e do talento de Chris Bosh e cedo ou tarde ele vai voltar a jogar o que sabe, mas nessas primeiras semanas, tirando o jogo em que fez 41 pontos, Bosh não vem jogando tão bem e fazendo tanta diferença quanto os outros dois.
Calderon é reserva de TJ Ford mas pra mim é muito mais jogador. Quando vi o Ford pela primeira vez no Bucks eu me apaixonei por ele (não no sentido John Ameachi da coisa) e fiquei encantado em ver como ele era rápido, agressivo e tinha boa visão de jogo. Mas o fato é que agora, mesmo continuando rápido, ele está distribuindo menos a bola e arremessando demais, sendo que o seu jumper é justamente seu principal defeito. Calderon, pelo contrário, tem um jumper lindo e alto aproveitamento, não força jogadas e sempre toma as decisões certas. Nos três jogos em que Calderon começou como titular foram médias de 11.3 assistências e apenas 1 turnover em quase 40 minutos de jogo, números pra nenhum Nash botar defeito. Começo aqui a campanha para o Calderon ser titular e o TJ Ford reserva, mas de qualquer jeito acho que o Raptors tem a dupla mais completa de armadores da liga. Outros armadores são melhores que ambos, mas nenhum tem um reserva à altura (considerando que o Leandrinho é mais reserva do Bell que do Nash). O outro destaque, Jamario Moon, é um daqueles fenômenos que não conseguimos explicar. Como um cara desses passou sem que ninguém visse em universidades, treinos pré-draft e por centenas de olheiros?

Querendo apenas ir pra NBA, o cara desistiu depois de um mês de jogar numa universidade grande (provavelmente porque tinha livros demais) e foi para uma universidade menor, mais tranquila. Ficou um ano lá só para eleger-se para o draft, mas não foi escolhido. Com tantos extrangeiros sendo draftados todo ano e vários nem sequer chegando a jogar na NBA, será que ninguém percebeu o talento do Moon? Foram necessários 6 anos de ligas menores, All-Stars e prêmios de Melhor Jogador Defensivo para alguém resolver dar uma chance pro cara? Engraçado, basta ser um europeu gigante e completamente abobalhado que ninguém pensa duas vezes antes de draftar. E nem me faça começar a falar do Kwame Brown...

Agora, algumas semanas depois do começo da temporada, Moon está merecendo sua vaga de titular. Ele é um ala no estilão Josh Smith e Shawn Marion, muita velocidade, raça, defesa e jogadas legais. Ontem ele simplesmente matou o Bulls (que eu não previ como campeão do Leste, JURO!). Ele fez 15 pontos mas o que impressionou mais foi a defesa, vários roubos e tocos, incluindo um no Nocioni em um arremesso de 3 que foi de tirar o fôlego. Vale lembrar
mais uma vez que o Jamario Moon não é o único a vir do nada e brilhar na NBA. Temos inúmeros exemplos de jogadores não draftados brilhando por aí, como Ben Wallace, Brad Miller, Udonis Haslem e muitos outros. O que eu não lembro é de um que tenha se destacado tão cedo.

E, antes que me perguntem, já vou respondendo o que significa o apelido "Mr.Catering" do Jose Calderon: empresas de "catering" são as responsáveis por servir comida em festas e eventos, então é apenas um apelido chique pra não cair no cliché de chamar o armador espanhol simplesmente de "garçom".

Abaixo, um vídeo do Calderon chamando o Joey Graham mil vezes pra explicar uma jogada mas a anta não ouvia. Não é à toa que ficou sem espaço no time.


Triple-double Machines

A briga pra ver quem tem média de triple-double. Mas ignorem o Jefferson, ele está na foto por acaso e parece uma tartaruga ninja.


Depois de um tempinho acompanhando NBA muitos anos atrás, eu descobri o que era um triple-double. Achei impressionante um cara conseguir fazer pelo menos 10 pontos, 10 rebotes e 10 assistências em um jogo e fiquei mais impressionado quando vi que alguns malucos faziam os triples com roubos ou tocos. Comecei a reparar mais nisso e sempre vibrava quando via alguém fazer um triple-double, o que, descobri também, era bem raro.

Não demorei pra perceber que o jeito mais fácil de achar um triple double na NBA é olhando para o Jason Kidd. O cara é um monstro nisso e às vezes faz um triple e você vendo o jogo nem percebe, de tão naturalmente que ele faz. O Kidd é atualmente o terceiro jogador na história da NBA com mais triples, atrás apenas do Magic Johnson e do Oscar Robertson. O Magic todo mundo conhece, o Oscar Robertson nem todo mundo. Eu o conheci logo que descobri os triple-doubles muitos anos atrás e pesquisava pra saber quem já fez, como já fez e tudo mais. Descobri que o Big-O já tinha tido até uma temporada com MÉDIA de triple-double. Achei primeiro que era mentira, depois que devia ter alguma coisa errada e depois só achei absurdo mesmo. Fiquei até triste porque achei que nunca ia poder ver algo daquele nível assim como nunca veria um cara marcar 100 pontos num jogo e nem ter média de 40 ou 50 pontos por jogo como o Wilt Chamberlain já fez.

Eis que, agora, temos na mesma temporada dois jogadores muito próximos de uma média de triple-double. Se eles vão manter ou aumentar o nível até o fim da temporada eu não sei, ainda estamos no primeiro mês, mas estou torcendo.

Um deles é o próprio Jason Kidd, que está com médias de 11.4 pontos, 8.4 rebotes e 10.4 assistências. É muito rebote pra um armador baixinho branco, chega a assustar. Acho que o segredo ele esconde na careca, se vocês virem ele com o cabelo maior vão perceber que ele não é tãaao branco assim, e isso já explica muita coisa (pelo menos eu prefiro acreditar que sou um jogador ruim e não enterro só porque sou branco).

O outro é o rei. E não é Pelé, nem Roberto Carlos e sua perna mecânica nem o que mandou o Hugo Chavez calar a boca (única menção a política que vocês vão ler no Bola Presa até o fim dos dias). O rei é LeBron James. Ele está com médias absurdas de 31.3 pontos, 8.3 rebotes e 8.1 assistências. É o mais próximo que alguém pode chegar de Oscar Robertson já que ele teve a média de triple-double em um ano em que marcava 28 pontos por jogo.

Kidd, se conseguir a média, será raspando, com um 10-10-10 no máximo, mas LeBron pode fazer história. Suas médias estão em níveis estratosféricos e fico indignado de ver como ele consegue tantas assistências com companheiros de time tão ruins. LeBron já é líder na corrida pelo título de MVP da temporada e não é nem pelos números surreais, é pelas vitórias que consegue. Ontem, pela milésima centésima vez, o Cavs segurou na defesa o jogo até o final e nos minutos decisivos LeBron fez uma caralhada de cestas seguidas, tomou faltas, fez lances-livres (errou dois, é verdade) e roubou bolas que dariam a chance de vitória pro adversário. E lembrar que, no primeiro ano dele na NBA, ainda falavam que ele amarelava no quarto período.


Dica: Essa dica é de um texto velho do Inside Hoops mas com algumas coisinhas a mais. Se você quer uma garota que deixe você ficar em casa em dias de jogos legais da NBA você deve, antes de namorar com ela, ver se ela conhece basquete pra entender o seu lado. Pergunte pra ela quem foi o melhor jogador de basquete de todos os tempos. Se ela responder Oscar, desista, ela só viu basquete no Esporte Espetacular; se ela responder Michael Jordan está bom, ela tem um conhecimento básico; se ela responder Magic Johnson quer dizer que ela manja do assunto; se ela responder Oscar Robertson, case com ela no mesmo momento.
Se ela responder Kobe Bryant, vocês nunca ficarão sem assunto para o resto da vida, é só ver os fóruns de NBA por aí.

domingo, 25 de novembro de 2007

Sorte de campeão

Às vezes o mais difícil para um time grande é ganhar dos times meia-boca. Você se concentra para enfrentar Spurs, Mavs, Pistons, e aí é obrigado a ir pra Charlotte enfrentar os Bobgatos, que estão sem o Gerald Wallace, ainda por cima. É o tipo de jogo em que você boceja e não tem muita vontade de se dedicar - menos o KG, claro, porque ele se dedica, ele corre, ele grita, ele estoura as veias do pescoço, tem aneurismas e derruba a parede do ginásio com uma cabeçada se for preciso.
Fora o Garnett, que não é humano, é natural dar uma relaxada em jogos assim. Mas o Celtics parece ter tudo a seu favor e, até quando devia perder, ganha meio sem querer.

Perdendo por 2 pontos, 4 segundos para o final, cobrança de lateral com posse de bola para o Bobcats. Jogo perdido para os verdes, né? Se ao invés desse Celtics fosse o Clippers azarado, ou o Hawks, a bola bateria na mão do Eddie House e entraria numa cesta contra, aumentando a vantagem do Bobcats para 4 pontos. Mas não: a bola bate nas mãos do Eddie House, cai nas mãos do Pierce, que manda pras mãos do Ray Allen, que faz história. Cagadas de time campeão mesmo.

O Jason Richardson, que cobrou o lateral com o mesmo talento com que o Scott Pollard penteia o cabelo, pediu desculpas para seus companheiros ao fim da partida, dizendo que ele sozinho havia perdido o jogo que seu time havia ganhado. Coitado, fiquei até com dó. Mas não é nada que ganhar 10 milhões não faça ele esquecer logo...

Agora, dê uma olhada no vídeo do arremesso e tente descobrir quem é o coitado do Bobcats que desaba no chão quando vê que perdeu o jogo...

Francis está de volta

Francis não deve sentir muita saudade de seus tempos de Knicks.
O Marbury, se pudesse dar o fora, também não sentiria



Nesses tempos em que o run 'n gun voltou à moda com o Suns e um monte de outros times que, sem capacidade, talento e entrosamente para defender, resolveram apelar pra tática da porra-louquisse, times defensivos acabam dando um pouco de sono. O Houston de Van Gundy era um time puramente defensivo, mantendo seus adversários com a menor porcentagem de aproveitamento nos arremessos da Liga. Defesa é útil, defesa ganha jogos, defesa traz estabilidade, defesa, defesa... bah. Olha, vamos ser sinceros: se todo mundo gostasse tanto assim de defesa, o Parreira ainda seria o técnico da seleção brasileira.

Quando o Rick Adelman chegou no Rockets, colocou aquele ataque livre e solto do antigo Kings em prática, aquele basquete arte, basquete moleque. Todo mundo tem muito mais liberdade para finalizar, arremessar, ir pra cesta.

O único problema é que liberdade é um troço complicado. Você dá liberdade para o Kobe, ele faz 81 pontos. Você dá liberdade para o Kidd, ele passa a bola pra todo mundo. Você dá liberdade para o Billups e ele arremessa quando precisa. Você dá liberdade para o Antoine Walker e ele arremessa 250 bolas de 3 pontos por partida, incluindo algumas do meio da quadra. Você dá liberdade para o Marbury e o Knicks perde, simples assim.

Então, como o Houston está se saindo com a tal liberdade? Vejamos: o Rafer Alston parece um armador sensato à primeira vista, traz a bola normalmente e passa para alguém. Se devolverem a bola pra ele, ele chuta. Não importa o que aconteça, nunca devolva a bola para ele quando ele estiver a) de costas b) na quadra de defesa c) com as mãos algemadas. Isso porque ele vai dar um jeito de arremessar mesmo assim, como se fosse um bug de videogame.

E que tal o Mike James? O sujeito é viciado nas próprias estatísticas, e inclusive já admitiu isso. Arremessa o tempo inteiro com aquele arremesso fajuto de arco exagerado. Como todo mundo na vida, às vezes ele acerta, claro. Não importa quão ridículo seja seu arremesso, de vez em quando a bola entra. Se não fosse o caso, o Shaq teria 0% de aproveitamento nos lances livres.

Enquanto essa dupla de débeis-mentais comandava a armação do Houston, o Francis fora de forma estava lá esquentando banco. Depois de 4 derrotas seguidas o Adelman resolveu ver como o Francis se saia com a doce liberdade. E o resultado foi mais do que positivo. Ele parecia faminto por aproveitar a oportunidade, chutou pouco, imprimiu velocidade, passou bem a bola, deu toco, se tacou no chão o tempo inteiro (para roubar bolas, não para espernear como um nenê, deixo claro) e se saiu bem na defesa. Em 20 minutos, fez mais do que Alston e Mike James em todos os jogos até agora. Merece até ser titular. Saiu de quadra embaixo de gritos de "Steve, Steve, Steve".

Será que o Francis já ouviu gritarem "Steve" no MSG quando ainda jogava pelo Knicks? Será que os torcedores de New York gritam alguma coisa hoje em dia além de "Demitam Isiah"?

Enquanto Francis saia aclamado, O Knicks tentava impedir a nona derrota seguida. Para a sorte deles, foi contra o Bulls que, além de capenga, em crise e com um par de chifres, ainda está sem o Luol Deng que, de um modo ou de outro, é o melhor jogador da equipe. Aposto que todo mundo está olhando a tabela de jogos de sua equipe para ver quando vão ter a sorte de enfrentar o Bulls pra ter uma vitoriazinha sossegada.

O Marbury é titular do Knicks de novo depois daquela perda de tempo de "você vai pro banco", "mas se for assim eu não brinco", essas briguinhas de casal que nunca dão em nada. Randolph e Curry acabaram com o Bulls mesmo que pegar um rebote seja mais difícil pra eles do que passar um dia sem comer açúcar.

O Francis pode ter sido afundado no banco do Houston, pode nem sequer voltar às quadras mesmo depois da atuação sólida de ontem, mas qualquer coisa nesse mundo é melhor do que jogar no Knicks hoje em dia.

Pensando melhor, nem qualquer coisa é melhor do que jogar no Knicks. Pergunte ao Eddy Curry: garanto que ele, pelo menos por uns dias, vai lhe dizer que é melhor estar em New York do que passar vergonha em Chicago. Sabe, o Bulls deveria dar um jeito de contratar o Stephen Jackson. Para o Warriors funciona...

Separados no nascimento


A do Djokovic com o Kapono vocês podem ter discordado, mas a do Zen Master com o tiozinho do KFC não! Eles são a mesma pessoa!

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Rivalidades

Um Caron Butler vale uns 12 Kwame Browns e mais umas 3 Eva Longorias


Ontem foi uma rodada recheada de rivalidades interessantes. Shaq contra Yao teve o Diesel como vencedor, o Yao eliminado com 6 faltas e o Wade decidindo o jogo. Lakers contra Celtics até chegou a apimentar no final, quando não dava mais tempo. Chris Paul contra Deron Williams acabou sendo um duelo meio morno em uma partida fácil demais para o Jazz.

Mas o mais interessante mesmo foi uma rivalidade meio brega, o Clássico RPG: os Magos contra os Guerreiros. (temos que admitir: a NBA fica bem mais ridícula quando traduzimos os nomes dos times)

Pelo lado dos Guerreiros, Baron Davis fez um triple-double com 33 pontos, 11 rebotes e 15 assistências. É inacreditável o que o B-Davis pode fazer quando está saudável. Contra o Mavs nos playoffs, bastava tacar a bola pra cima para ela entrar. E sem esquecer, claro, da cravada legendária na cabeça do Kirilenko pra ver se o russo chorão ficava menos entediado. Se o Davis não fosse tão frágil quanto a defesa do Corinthians, teria seu lugar reservado na lista dos 5 melhores armadores da NBA. Parem de vaiar, por favor, e largue esse tomate! Eu acho ele elite e pronto!

Já pelo lado dos Magos, Caron Butler teve mais uma partida espetacular sem o Arenas em quadra. Na partida anterior, uma vitória na prorrogação contra o Bobcats, foram 39 pontos, máximo de sua carreira. Dessa vez, foi nada mais nada menos que um triple-double: 26 pontos, 11 rebotes e 10 assistências.

Às vezes, enquanto durmo à noite, vejo nos meus sonhos o T-Mac machucando as costas, o Ginobili fingindo tomar uma falta e o Caron Butler sendo trocado pelo Kwame Brown. Em todos esses casos, acordo suado e desesperado. Sou um sujeito perturbado.

O Lakers tem Bynum, evoluindo cada vez mais, Turiaf, Chris Mihm, se deu ao luxo de se livrar do Cook, que fedia mas pelo menos era alto. Será que o Kwame era mesmo necessário? Ele até tem certo talento, mas além das mãos minúsculas - dizem que o tamanho das suas mãos sempre interferiu em sua capacidade de segurar a bola - é um dos jogadores mais burros da NBA e não consegue nunca tomar as decisões certas em quadra. Perto dele, Scott Pollard parece um estrategista com olhos na nuca.

Kwame Brown e o Michael Olowokandi têm que ser as piores primeiras escolhas de draft da história da NBA. Não preciso nem olhar para a lista de escolhas de todos os anos para confirmar isso, porque para ser pior que os dois só se alguém draftasse o Gustavo Neri com a primeira escolha.

O pior de tudo, no entanto, é comparar o que aconteceu com cada um. Olowokandi amargou um punhado de bancos até não ser renovado pelo Celtics, perder o emprego e agora vender limonada na rua. Já o Kwame foi trocado pelo Caron Butler, um All-Star que acabou de fazer um triple-double, sempre entre os líderes da NBA em roubos de bola e com uma média de 22 pontos e 8 rebotes na temporada. A única coisa boa de trocar pelo Kwame é pensar que, pelo menos, a troca não foi pelo Baby.

O triple-double do Butler e os 30 pontos do Jamison só não foram o suficiente para vencer o Warriors porque o Stephen Jackson está de volta e, preciso admitir, ele tem poderes cósmicos que fazem seu time ganhar, vai entender o porquê. É o mesmo poder do Marbury, só que ao contrário.

Respondendo ao nosso leitor Vinicius Giannini, eu vou assistir o Wizards para, na falta do Arenas, ver o Butler jogar. Esperar mais triples. E pensar em como ele estaria chutando uns traseiros em Los Angeles com Kobe, Bynum e o resto da galera meia-boca.

Por falar em Los Angeles, vale a pena, para terminar, dar uma olhadinha em alguns momentos do Lakers vs Celtics. Que jogada primorosa! Que maravilha!



Pivôs sofrem

Yao e Shaq tomando cuidado para não pisar na Aguilera


Pivô é uma posiçãozinha muito da ingrata. Se você é bom, não faz mais do que a obrigação, afinal tem todo esse peso e altura. Se você é ruim, então é uma vergonha porque não sabe usar o tamanho. Todo pivô alguma vez na vida ouviu alguém dizer "Ah, se eu tivesse seu tamanho não ia errar isso aí." Menos para o Rasheed Wallace, porque o primeiro cara que dissesse isso para ele iria jogar basquete de cadeira de rodas.

Já faz muito tempo que a NBA sofre com uma terrível falta de pivôs. A grande maioria são apenas caras grandes e largos com pouco impacto nas partidas. O técnico do Nets, Lawrence Frank, volta e meia elogia o Jason Collins, cuja única função é ser grande e dar uma atrapalhada no garrafão defensivo. Quando o Collins recebe elogios, dá pra saber que a coisa tá feia. Ainda no Nets, o roliço do Jamaal Magloire está sentado no banco de reservas. Na temporada 02-03, Magloire foi para o All-Star Game na época em que o Hornets estava no Leste e o Shaq no Oeste. Nada poderia gritar mais em nossas orelhas "a NBA não tem pivôs!" do que o Magloire num All-Star Game. Dá pra imaginar? Foi um tapa na cara de todo mundo e as vozes ao redor do globo se levantaram: "Jamaal Magloire? Ah, se eu tivesse o tamanho dele também estaria lá." É, nesse caso, é bem provável mesmo.

Foi nessa era "Magloire All-Star" que o Yao Ming chegou à NBA. Os duelos Shaq vs Yao traziam uma rivalidade meio esquecida nos garrafões da Liga. É claro que o Yao ainda não tinha condições de enfrentar o Shaq a princípio, mas com Shaq dizendo que iria ensinar um pouco de "Shaq Fu" para o Yao e com todo mundo querendo ver o chinês tomando um vareio, o duelo era imperdível. Yao Ming sempre se superava nessas partidas e os duelos eram, em geral, em alto-nível - muito embora quem decidisse aqueles jogos fossem, sempre, Kobe Bryant e Steve Francis.

Quanto mais experiência o Yao ganhava, melhores os encontros com o Shaq ficavam. Já faz um tempo que o chinês sai invariavelmente vencedor desses confrontos. Na última vez, foram 34 pontos de Yao contra 15 pontos de Shaq. E o grande Diesel, apelando como criança de pré-escola, disse que o Yao só era alto, nada mais. Ah, se o Yao fosse o Rasheed...

Mas esquecendo um pouco a rivalidade e as desavenças, Yao e Shaq (que se enfrentam hoje às 23h na ESPN) têm algo em comum que vem se tornando rotina para eles: problemas com a arbitragem.

Há uns dois anos atrás, o gênio entediado David Stern, um cara que não sabe nem amarrar os cadarços mas tá sempre preocupado em enfiar o nariz em alguma coisa (tipo aquele tal de Bush), ficou preocupado com as pontuações baixas da NBA e teve uma conversinha com os árbitros. Tocar o jogador com posse de bola atrás da linha de 3 pontos virou falta imediata, surgiu a política de tolerância zero (espirrou, falta técnica!) que expulsou o Sheed de uns 3 jogos seguidos (mas que não durou muito) e contato no garrafão começou a ser tratado de uma forma diferente. As pontuações da NBA subiram mesmo, graças a uma tonelada de lances livres cobrados por jogo. Idéia horrível, mas temos que ficar felizes do Stern não ter feito as bolas de 3 valerem 4 pontos ou coisas assim.

Sei que tem gente louca pra dizer que o Shaq tá velho e acabado, e é claro que ele está velho mesmo. Outros estão logo usando a teoria de que os Monstars roubaram seu talento. Mas, para mim, grande parte da culpa de seu declínio é justamente a arbitragem. O Shaq sempre foi absurdamente físico, nunca poupou cotoveladas e engolia seus defensores com um pouquinho de azeite e sal. Só que, de uns tempos pra cá, todas as velhas (velhas não, clássicas, olha o respeito) táticas do Shaq são recompensadas com uma falta de ataque. Ao mesmo tempo em que, sei lá porque, ele começou a ir cada vez menos para a linha de lances livres. Para os conspiradores, algo a pensar: alguma coisa na conversa do Stern com os árbitros transformou a carreira do Diesel.

No auge de sua frustração, puto da vida por ficar pendurado com faltas todos os jogos e recebendo cada vez menos apitos ao seu favor, disse: "Só porque sou grande, quando me batem não marcam falta nenhuma achando que posso aguentar. E quando toco em alguém, só porque a diferença de peso é grande, marcam falta na hora. Oras, se eu piso no seu pé, vai doer em você! E se você pisa no meu pé, vai doer em mim! O tamanho não importa."

Um pisão do Shaq me deixaria incapacitado por toda a vida, mas isso não vem ao caso. As reclamações antes não eram nem necessárias, agora são uma constante. Do mesmo modo, Yao Ming vem tendo problemas com a arbitragem. Quando chegou à NBA, Yao seguia à risca aquelas normas de conduta esquisitas da China: não expressava suas emoções em público, não xingava, não reclamava, tentava não brilhar mais do que os companheiros de equipe, não enterrava por ser falta de respeito, e o pior: comia carne de cachorro. Com o tempo, foi comendo mais hambúrgueres, ouvindo mais rap, usando cartão de crédito, vendo a Britney fazer papel de ridículo e aparecer sem calcinha e começou a pegar o jeito do mundo ocidental. Agora mostra suas emoções em quadra, dá socos no ar o tempo todo (tipo o Pelé e o Raí), briga com os companheiros, enterra e até fala palavrão. Não acredita? Dá uma olhada aqui no "fuck" do moço.

Além disso, agora o chinês reclama da arbitragem - e cada vez mais. Anda tendo os mesmos problemas de seu rival Shaq. Por causa de seu tamanho, recebe contato e nenhuma falta é marcada. Basta assoprarem o Ginobili e o Wade para seus corpos franzinos de moça delicada desabarem no chão com uma falta marcada. Shaq e Yao são baleados pelos amigos do Ron Artest à queima-roupa e nada acontece. "Tá sangrando? Ah, pegou de raspão. Continua aí."

Contra o Mavs, Yao Ming reclamou tanto das pancadas que começou a perder a cabeça. Tomou uma falta anti-desportiva grotesca do Devin Harris e até levantou pra ir pra cima do nanico. O Yao indo pra cima de alguém? Sinal do Apocalipse!

Claramente perturbado, errou o primeiro lance livre da falta antes de voltar a se acalmar com algum tipo bizarro de respiração chinesa. Em entrevista recente, Yao disse que voltará a se concentrar no jogo e deixar a reclamação com a arbitragem para alguém que não perca tanto a cabeça quanto ele. O Rasheed, aliás, deveria fazer o mesmo, de preferência contratar um gorila treinado que reclame por ele.

No duelo de hoje entre Shaq e Yao, o fator decisivo pode muito bem ser a arbitragem. Quantas vezes cada um irá para a linha de lances livres? Poderá o Shaq ajustar seu jogo, evitando os contatos que - agora - o colocam em foul trouble? É sempre triste como a arbitragem, às vezes mais, às vezes menos, é capaz de decidir a carreira e o futuro de um jogador.

Enquanto eu escrevia isso, Manu Ginobili tacou meu monitor no chão. Não tive nem tempo de me mexer mas o juiz marcou uma falta minha nele. Agora uma técnica. Duas. Estou expulso.

Traduzindo o Agente Zero

Como nosso leitor Vítor Sampaio pediu umas traduções das histórias do blog do Gilbert Arenas para quem não entende gringuês, resolvi (inspirado pelo comentário de outro Vitor, que me lembrou dessa história) traduzir um trecho de um post do mês passado, no blog antigo do Arenas.

Mais uma vez, fica só entre nós. O Arenas é bem-humorado e tudo mas não quero tomar uma sova. Lembrem-se: pirataria é crime, não assaltem outros navios.


Se o Arenas ficou bravo quando o Baron Davis roubou sua barba,
imagina o que ele vai fazer quando souber que peguei seu texto


Com vocês, Gilbert Arenas:

"Isso me lembra uma história.
É uma história pra se sentir bem, mais ou menos. Eu tinha um amigo no colegial chamado Eddie. Nós o chamávamos de "Asa de Galinha" porque ele era mais magro do que o Tayshaun Prince quando ele entrou na NBA.

Nós éramos em cinco e tínhamos nosso próprio timinho aos 14 anos. Bem, Eddie costumava dizer sempre que ele conseguia enterrar. Toda vez que a gente aparecia no parque e ele já estava lá ele dizia "Ei gente, eu enterrei hoje! Eu enterrei hoje!" E nós ficávamos todos "éeee, claaaaaro."

Isso continuou acontecendo por anos. Começou quando tínhamos 14 anos mas então fomos pro primeiro colegial, segundo, terceiro e em nenhum desses anos ele conseguia enterrar a bola.

Então quando eu fui para a faculdade, no verão antes de eu começar, recebi um telefonema. Meu amigo estava na linha e disse, "Ei, o Eddie falaceu." E eu disse, "O quê?! O que aconteceu?"

E ele começou a gargalhar.

Então eu perguntei, "Do quê diabos você está rindo?"

Ele falou, "É engraçado, mas não é engraçado."

"OK, dá pra você explicar porque diabos você tá rindo?!"

E ele, "Bem, nós estávamos jogando cinco contra cinco."

"Sei."

"E o Eddie subiu e enterrou e ficou tão contente que teve um colapso."

E quer saber de uma coisa? Eu esqueci completamente dele ter morrido e disse, "O Eddie enterrou?! Você tem que estar brincando. Ele realmente enterrou?!"

Eles disseram que ele realmente enterrou e que ficou tão feliz de finalmente ter enterrado na frente dos seus amigos que acabou falacendo. Ele morreu ali mesmo na quadra em que nós crescemos.

Pra um garoto que joga basquete, se eu tivesse que falecer, essa seria a maneira que eu gostaria de falecer - tipo se eu tivesse ganhado um campeonato e estivesse tão feliz que eu faleceria lá mesmo.

Essa é uma memória com a qual eu sempre posso conviver.

Ele não faleceu com um tiro ou com isso ou com aquilo. Ele faleceu fazendo algo que ele amava. Não foi uma história que me fez sentir mal quando eu ouvi pela primeira vez. Eu estava tão empolgado que ele finalmente tinha provado que estávamos errados e ele enterrou, e ele estava tão feliz de ter provado que estávamos errados e ele enterrou que ele faleceu por isso.

Seu jogador favorito era o Allen Iverson então nós enterramos ele com uma camiseta do Allen Iverson e eu ia até mesmo usar o número 3 quando fui pra faculdade, mas o número já estava sendo usado e eu tive que ir com o zero."

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Arenas retardado

Arenas faz um strip e mostra seu físico de jogador-de-videogame


Quem acha que o mundo de Gilbert Arenas se resume a blogar, jogar Halo (ele é um dos melhores do mundo na Xbox Live), NBA Live 08 (em que ele está na capa mas o jogo fede mesmo assim) e enfrentar novatos em partidas de paintball está bastante enganado. O sujeito é completamente maluco por treinos e perfomances em um nível tal que, às vezes, acaba mais se prejudicando do que ajudando.

Arenas estava tão preocupado com a contusão que, viciado que é nos pesos e bicicleta, acabou forçando demais o joelho. Não entendo patavinas de medicina, joelhos e nem de cinema iraniano, mas mesmo assim estava achando óbvio que algo estava errado com o ritmo em que o Arenas estava sendo obrigado a ter o joelho drenado. (não importa quão leigo eu seja, uma agulha tirando líquido do seu joelho o tempo todo não tem como ser bom sinal!) Jason Kidd percebeu o problema e pediu pessoalmente que Arenas conseguisse uma segunda opinião no joelho. Como esse novo exame não deu em nada, o Agente Zero se sentiu seguro para voltar ao mundo das grandes apresentações. Teve duas partidas em alto nível, alegadamente forçando o joelho, e então a dor voltou. Resultado: menisco rompido, carburador queimado ou seja lá o que for, essas coisas que não deixam o cara funcionar direito e que a gente não entende, tudo por excesso de esforço. Agora são 3 meses fora e os médicos obrigaram ele a não treinar o joelho até lá. Tá legal, é melhor algemarem ele na cama, então.

Descansar o joelho é algo que não passou pela cabeça de Arenas na primeira contusão. Ele pode até ter bastante tempo livre, mas apenas nos intervalos de seus 3 treinos diários, algo que o joelho não aguentou.

Para se ter idéia do grau de loucura do Arenas com relação aos treinos, ele decidiu após a primeira cirurgia no joelho que, para voltar à forma, converteria 100.000 arremessos em 73 dias. Segundo suas contas, ele estava com 69.7% de aproveitamento da linha de 3 e com 79.3% da linha de 3 universitária. Em menos de 30 dias teve que interromper o plano com apenas 50.000 arremessos convertidos porque o excesso de arremessos estava lhe causando tendinite. Eu tenho tendinite de passar tempo demais no computador clicando em boxscore e brigando com o SopCast, eu sou um retardado vagabundo. O Agente Zero é só retardado.

Outro fato surreal é que o Gilbert Arenas tem em seu porão uma tenda hiperbárica (?!) que simula a altitude do Colorado. Ele dorme lá de vez em quando para se acostumar com a altitude e melhorar seu condicionamente e seu fôlego. Que tal uma dessas para acostumar nossos jogadores de futebol a jogar na altitude da Bolívia, por exemplo? Aposto que o sonho do Arenas é uma tenda que aumente a gravidade, tipo Dragon Ball Z, e ele pode até conseguir. Ele tem o dinheiro e a débil mentalzisse necessária para isso.

Lembro-me que o próprio Arenas admitiu que a primeira coisa que fez quando seu companheiro Caron Butler veio para Washington na troca do Kwame Brown foi perguntar para ele como é que o Kobe e o Dwyane Wade treinavam, já que ele havia jogado tanto no Heat quanto no Lakers. "O que eles fazem de especial? Como eles ficaram assim?" (aliás, ao ver os 39 pontos do Butler ontem, como os fãs do Lakers se sentem em ter o Kwame e suas mãos de criança de 3 anos?)

Na temporada seguinte, Arenas contratou um cara do exército para treiná-lo todos os dias. O Agente Zero disse que queria acabar com o maldito que quase o matava com tantos exercícios, mas que valeu a pena. Rá, eu não ia durar nem no Tiro de Guerra...

E você aí, jogador frustrado, se perguntando por que diabos não conseguiu chegar na NBA. "Oras, eu sou como o Arenas: tenho uma boca grande, sou engraçado, tenho um blog, jogo videogame, fiz exército e tenho um joelho bichado!" Ah, mas você já converteu 50.000 arremessos na sua vida INTEIRA? Que tal em 30 dias? Tá, foi o que eu pensei.

Enquanto o Assassino do Leste fica de fora, o Wizards vai quebrando um galho com o Antonio Daniels de titular e reserva nenhum na armação (sem contar reserva nenhum de pivô, claro). O time de Washington perdeu as 5 primeiras partidas que disputou na temporada mas, desde então, ganhou 6 jogos seguidos. Desses 6, apenas 3 jogos tinham Arenas em quadra: duas atuações de alto nível (contra Wolves e Pacers) e uma mais ou menos (contra o Hawks). Sem o Gilbert jogando, o Wizards já ganhou do Blazers, do Sixers e do Bobcats ontem na prorrogação. Tá bom que esses times são um bando de pé-rapado, mas quando você começa a vencer sem sua maior estrela, é hora de começar a repensar as coisas. É como o Blazers, na temporada passada, que só ganhava quando o Randolph machucava, apesar das médias de 20 pontos e 10 rebotes dele. Agora, veja só, o Randolph mantém as suas médias mas seu Knicks só perde. Isso significa algo, não?

Em todo caso, torço para o Wizards aguentar sem o Arenas e torço para o time melhorar ainda mais quando o Arenas voltar. Eles têm que ir para os playoffs de qualquer jeito: Cavs e Wizards na pós-temporada já virou um clássico moderno do Leste.

Para terminar, deixo com vocês um trechinho traduzido do blog do Arenas de outubro do ano passado. Pretendo fazer mais isso, mas vocês têm que me prometer que não vão dizer nada para ninguém. Não quero nenhum advogado da NBA batendo na minha porta dizendo que tradução é violação de direitos autorais. É só ninguém me dedar que, quando perguntarem pra mim, vou dizer que já estava assim quando eu cheguei!

"Não sei o que estava pensando quando comprei um quebra-cabeças de 18.000 peças. A mulher me disse que eu levaria 4 anos para montar inteiro, eu fiquei tipo "rá, tá bom, eu posso montar em uns dois meses". Acho que não encontrei duas peças que tenham se encaixado ainda."

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Leandrinho All-Star

"Pô, Leandrinho, sei que no Brasil vale tudo, mas será que dá pra tirar a mão daí?"


Quem quer votar no Leandrinho para o All-Star Game sempre inventa uma tonelada de desculpas para esconder o absurdo. "Ele é mais rápido que o Allen Iverson, mais destro do que o Michael Redd, mais brasileiro do que o Baron Davis!" O que não falta é campanha "vamos colocar o brazuca lá na marra" justamente quando ele está cada vez mais perto de merecer ir sozinho. Por enquanto, são 20 pontos, 3 assistências, 3 rebotes e 1,8 roubos de bola por jogo. O mais impressionante, no entanto, não é nada disso. Assustador mesmo é a média de aproveitamento de seus arremessos: 49%, beirando o número mágico cabalístico dos 50.

Quando você estiver sóbrio e ler isso (caso você fique sóbrio, às vezes) vai acabar admitindo que mesmo esses números não são capazes de levar o Leandrinho para o All-Star. Talvez, com muita macumba, um jeitinho brasileiro e uma visitinha do BOPE aos escritórios da NBA, o Leandrinho fosse convocado como reserva. Mas mesmo assim fica difícil não parecer armado quando alguns da lista Iverson, T-Mac, Baron Davis, Nash, Chris Paul, Deron Williams, Tony Parker e Kevin Martin ficarem de fora.

Mas calma, nem tudo está perdido para nós, os comedores de arroz-feijão (assim mesmo, com hífen). Nós, brasileiros, temos grandes chances de ver o Leandrinho no All-Star graças a outro número: o de bolas de 3 pontos convertidas.

São 30 bolas de longa distância em 11 partidas, suficiente para a 3a posição no ranking da NBA, lembrando que os dois primeiros lugares (Rashard Lewis e Peja Stojakovic) têm uma partida a mais que o corinthiano sofredor. E nem sei o que pensar ao ver que o 4o lugar, logo atrás de Leandrinho, é do Daniel Gibson. Pô, o cara tinha o cargo de Assistente de Rodapé de Parede Número 2 e agora é titular do Cavs metendo uma bola de 3 atrás da outra. Vai entender.

Mas isso não vem ao caso. O que estamos falando é que esse número pode dar uma vaga ao Leandrinho no All-Star. Não no domingo, a atração principal, mas sim no sábado. Há uma chance dele participar do Campeonato de 3 pontos. Que tal? Quem é que não gostaria de ver o sorridente brasileiro levar seu esquisitíssimo arremesso para o campeonato e deixar a gente feliz de saber que pelo menos ele não arremessa como o Shawn Marion?

Nos resta torcer para que, com seus números, Leandrinho ganhe o convite. E é muito mais sensato do que ficar votando nele sem parar como se você fosse um chinês com internet entediado em seu regime comunista que passa NBA em uns 5 canais diferentes pra te deixar anestesiado. (Nós, que só podemos ver pela ESPN na TV, somos só moderadamente anestesiados.)

Sempre que alguém no seu trabalho ou no Orkut começar uma corrente de "vamos arrumar uns milhões de votos para o Leandrinho" (ao invés das mais comuns "não deixe o celular em cima do carro quando for abastecer", ou "cuidado, você pode acordar numa banheira de gelo sem um rim", ou ainda "se essa corrente chegar nos 10.000 e-mails, vamos ganhar um abridor de latas"), lembre-se de que quando a criança não sabe usar o brinquedo, o papai tira dela! A NBA deve ter pensado assim: "Os chineses votam aos milhões até se um panda estiver na lista do All-Star? Então tira todo e qualquer chinês safado da lista que não tenha médias de 20 pontos." Ainda bem que nessa meu Yao Ming se safou.

Então, vamos saber brincar: entre aqui, vote, e faça o FAVOR de não votar no Leandrinho. E nem no Baron Davis, ele vai estar machucado até o All-Star e o David Stern é um mongolóide na hora de escolher os substitutos...

Adeus, Brian Cook!

Digitei cook e peguei a primeira imagem, vocês acham que eu ia perder tempo atrás de uma foto daquele mané?


Como torcedor do Lakers, não me aguentei e cá estou para comentar a troca que aconteceu nesta noite. O Lakers mandou para o Orlando o Brian Cook e o Maurice Evans em troca do Trevor Ariza.

Acho que foi uma troca boa para os dois times. O Orlando dispensou um jogador que eles pouco usavam e em troca conseguiram reservas para as duas posições em que são mais carentes.
Maurice Evans traz para a posição de SG a defesa que impede JJ Redick de ter seus minutos e ao mesmo tempo ele tem um jumper razoável que o faz não ser totalmente dispensável no ataque, será a quinta opção, mas não é inútil.

Cook não defende, não pega rebote e tem um contrato que ainda vai demorar pra acabar. Como manager do Lakers eu trocaria ele, com o perdão da piada vagabunda, por um pacote de cookies. Sério. Com um pacote de cookies o Lakers continuaria igual mas pelo menos eu comeria algo gostoso enquanto vejo o jogo. O lado bom é que ele é um bom arremessador de 3 e, com o Dwight no garrafão abrindo espaço, o que mais sobra é gente livre de 3.

Com o Ariza o Lakers ganha um cara dedicado na defesa e físico no ataque (como o Evans), mas pelo o que eu já vi dele no Knicks e principalmente antes de se contundir no ano passado o Ariza é bem mais jogador.

Fiquei triste de perder o Evans mas estou empolgado de ver o Ariza. Como li num fórum por aí, o Lakers tá mandando todo mundo que devia embora, o Aaron McKie já foi, o Brian Cook já foi, o Smush Parker já foi, o Kwame Brown a enfermaria já levou e só falta o Vujacic. Se o Manager do Lakers conseguisse ter trocado Vujacic e Cook por Ariza ele já teria seu lugar como meu herói pessoal pro resto da vida!

ps: O Cook foi bem simpático de ir assistir ao jogo do Lakers contra o Pacers agora à noite pra dar uma força pro time antes de ir embora. Até fiquei meio emocionado mas preciso superar isso, adeus Brian Cook e boa Disney World pra você em Orlando!

terça-feira, 20 de novembro de 2007

"Tá olhando o quê, amigo?" - Uniforme pra quê?

Nem a ridiculeza do uniforme antigo do Rockets conseguiu parar Barkley



Esta é uma coluna (coluna?) nova, fui incumbido de falar sobre tudo que é visual na NBA, desde os desenhos dos logos até a maravilha que é a Eva Longoria. Divirtam-se, critiquem, cuspam ou simplesmente ignorem e nem leiam, já estou acostumado. Agora vamos ao primeiro assunto da coluna "Tá olhando o quê, amigo?"

Um assunto que quase ninguém discute é o visual da NBA. Ok, ok, muitos de vocês repararam, elogiaram e até cagaram em cima dos novos uniformes, principalmente os "retrôs". Mas já discutiram com alguém? Sabem de onde vieram ou por que vieram? É lógico que não, isso não tem relevância nenhuma para o jogo, por isso estou aqui para iluminá-los. Como eu disse, e muitos já perceberam, há mais ou menos 3 anos houve uma explosão, uma modinha de novos uniformes e principalmente uniformes clássicos e retrôs. A principal causa desta mudança e inovação é que, além de dar uma melhorada, ou piorada (aí vai do gosto de cada um), o mercado mundial e nacional da NBA aumentou drasticamente, o que rende lucros. Quanto maior a demanda, maior a oferta, assim times como Nuggets, Mavs, Spurs, Pacers e mais alguns, bobos que são, foram logo desenvolvendo novos uniformes para abocanhar uma fatia maior do bolo. Mas ná é tão simples, mexer com o retrô pode dar merda, muita merda, e poucos se salvaram neste quesito. O Spurs por exemplo cagou e sentou em cima. Não mudou o logo e jogou o prateado. Parece que o Duncan está vestido para o baile do colégio, só faltou porpurina. Em compensação, o uniforme retrô do Nuggets aqui ao lado, filé! Eu compraria se vendesse por aqui.

Porém, a NBA não é só dinheiro, os outros 2% levam o jogo em consideração e no que se vê em quadra, assim, outros
times procuraram reformular seus uniformes, não para venderem mais - aham! como se não fosse por isso também -, mas porque os anteriores eram muito feios ou estavam fora de moda, desatualizados. Fazendo parte deste grupo, está novamente o Denver Nuggets, que
trocou o velho uniforme branco e marrom pelo simpático azul geladeira e amarelinho bebê (lembrando que em anos anteriores já havia trocado o ancestral colorido "viva o movimento gay" com aquela montanha bizarra). Na minha opinião, não havia necessidade, mas aprovado.

Outro time que embarcou neste grupo e, diga-se de
passagem, precisava e muito, foi o Houston Rockets. Convenhamos, aquele uniforme listrado, com o foguete explodindo na camisa, parecia um pijama. Ou foi desenhado pelo chato do sobrinho do dono ou foi uma piada de muito mal gosto. Críticas à parte, o novo é muito bem feito! Gostei do vermelho, do "R" representando uma plataforma de lançamento com um foguete, simples, funcional e bonito. Vende que nem água - graças ao Yao Ming. Há outros que mudaram seus uniformes com a mesma necessidade que o Houston, como o Memphis, Washington, Warriors e o Suns, mas este mudou pouca coisa.

A necessidade, junto com a divina oportunidade de as equipes beliscarem uns dólares a mais, deram esta atualizada no visual da NBA e deixou os jogos de certa forma mais bonitos, o que pra mim está ótimo, já que tem tido uns joguinhos bem feios ultimamente.
Agora lanço o desafio: tem uniforme que fique bem no gordo do Eddie Curry?

Magic Killer

Ao contrário da foto, ontem foi Nelson que botou o Pargo pra correr no fim do jogo



Estava vendo ontem o jogo entre Magic e Hornets em que o Jannero Pargo foi o armador do time de New Orleans no lugar do Chris Paul, que está machucado. Logo no começo do jogo já estavam chamando o Pargo de "Magic Killer" e eu não conseguia entender o motivo, o jogo tinha acabado de começar, ninguém estava matando ninguém!

Com o tempo eles explicaram tudo. O fato é que o Pargo tem suas melhores médias na carreira contra o Orlando Magic. Seja quando ele estava no Lakers, no Bulls ou no Hornets e seja contra o Orlando que tinha Grant Hill, T-Mac ou Dwight Howard, não importa, Pargo sempre acabou com a raça do Magic. Eu sei, eu sei, não faz um puto de um sentido mas são o que os números dizem. Em todos esses anos de confronto, a média de Pargo contra o Magic é de 15 pontos por jogo contra sua média de 6,3 pontos que ele tem na carreira. E nos dois jogos que Hornets e Magic fizeram na temporada passada, a média de Pargo foi de 20 pontos por jogo! O que acontece com esse cara? Será que não deixaram ele ir pra Disney e ele foi se vingar do jeito mais bisonho?

Ontem a sua vingança contra o Mickey ficou pela metade. Ele jogou bem, liderou o time, fez 18 pontos, deu 7 assistências, mas na hora H foi ele quem falhou. O Jameer Nelson passeou pra cima dele e no último minuto em uma bola que poderia colocar o Hornets de volta no jogo ele tomou um toco do Centauro Dwight Howard. Fim de jogo.


Mas saibam que assim como o Pargo se inspira contra o Magic, vários outros jogadores se inspiram (ou simplesmente não conseguem jogar) contra certos times. O caso mais famoso deve ser o do Jordan que constantemente massacrava o Knicks, principalmente no Madison Square Garden, coisa que hoje em dia é função de outro cara de Chicago, Ben Gordon, ou melhor, Ben Jordon como alguns fãs o chamam por aí (se bem que pra mim ele lembra mais outro Michael, o Redd).

Um que não consegue jogar bem na cidade do Ben Jordon é Dwayne Wade. Ele é de Chicago (ou melhor, da região de Chicago, mais especificamente de Robbins, Illinois) e quando vai enfrentar o Bulls por lá o seu jogo não encaixa. Ano passado colocaram a culpa na marcação do Sefolosha nos playoffs, mas a má atuação de Wade em sua cidade natal vem desde seu ano de novato mesmo.

Você pode estar se perguntando aí que diabos é esse negócio do Wade, aquele cara que ganhou um título quase sozinho anos atrás, ser parado por um suiço de nome esquisito tipo esse Sefolosha. Mas o que acontece é que do mesmo modo que jogadores jogam bem ou mal contra alguns times, eles conseguem jogar bem ou mal contra certos jogadores.

Certa vez em uma transmissão de TV falando sobre esse mesmo assunto o Charles Barkley falou que no tempo dele quem mais o incomodava era o Popeye Jones! Sim, o orelhudo que parece o Sloth e que só a mãe dele e o cara do "My wife and kids" ("Eu a Patroa e as Crianças"no SBT) tem a camiseta. Acho que caso mais estranho que esse do orelhudo com o Sir Charles foi só nos playoffs de 2004 quando o Lakers botou o Mark Madsen pra marcar o Garnett e, mesmo ele não anulando o KG, foi de longe o marcador que mais incomodou. No ano seguinte o Wolves até tirou ele do Lakers e o levou pra treinar do lado do KG. E estamos falando do Mark Madsen, estamos falando de um cara que quase cai no chão tomando crossover do Matt Bonner!

Um caso famoso é o das finais de 2001 entre Lakers e Sixers em que o grande trunfo do Phil Jackson foi grudar o Tyronn Lue no Iverson pra parar o homem. Até que deu certo, embora o Iverson tenha acusado o Lue de pegar em algumas bolas que não eram laranjas durante o jogo para irritá-lo. Na mesma final, o Larry Brown, então técnico do Sixers, respondeu botando um cara novinho, um tal de Raja Bell para marcar o Kobe. Foi lá o início da rivalidade entre os dois. Pena que o Todd McCullogh e o Matt Geiger não foram a resposta certa para parar o Shaq e o título foi facinho pra mão do Lakers...

Apesar de todo mundo ver na prática que o Bruce Bowen e o citado Raja Bell são os melhores marcadores do Kobe na liga, não são eles que têm o apelido de Kobe-Stopper. Quem tem o apelido é o Ruben Patterson. Apelido dado por ele mesmo, claro. Pra quem duvida que o Kobe não costumava ter problemas ao passar por cima do Portland de Patterson, aqui está um vídeo em que o Kobe marcou 37 pontos incluindo dois arremessos de último segundo (um para empatar o jogo no tempo normal e outro pra ganhar o jogo na segunda prorrogação).

Vídeo AQUI

O vídeo é uma matéria da ESPN sobre o último jogo da temporada regular em que Lakers e Kings disputavam pra ver quem vencia a divisão do Pacífico. Aproveitem pra ver também os melhores momentos do jogo do Kings com o Mike "lex luthor" Bibby liderando aquele belíssimo time do Kings.

Lembra de mais algum caso? É só nos escrever nos comentários!

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

O poder de um coração partido

Dwight Howard e a falta de mulher


Foi perto do final da temporada passada. Em uma entrevista, perguntaram ao Kevin Garnett o que ele achava de Dwight Howard. A resposta foi em um tom incomum ao Garnett, ofensivo, quase como se ele estivesse se vingando do cara que roubava o lanchinho dele na escolinha. Informou ao repórter que o Dwight tinha muito a aprender, que seus problemas quando recebia marcação dupla mostravam uma clara necessidade de evoluir e que ele tinha que fazer a lição de casa caso quisesse tornar os companheiros melhores ao invés de apenas a si mesmo. Algo, no mínimo, deselegante de se dizer. Imagine só se tivessem perguntado o que ele acha do Eddy Curry ou do Baby! Anos de derrotas no Wolves tornaram o Garnett um sujeitinho um tanto amargo...

O Dwight Howard, assim que soube das declarações de Garnett, ficou incrivelmente surpreso e também deu uma entrevista. Ele disse estar profundamente triste porque o Garnett sempre fora seu maior ídolo dentro do basquete, o cara em que ele tinha espelhado seu jogo e que um poster do KG ainda estava pendurado em sua casa em Atlanta. Também explicou que devia ser o único jogador de apenas 21 anos a receber marcações duplas durante jogos inteiros, de modo que estava se adaptando aos poucos ao processo. Lá dentro de seus 2,11 de altura e 120 kg, o pobre coraçãozinho do Dwight se quebrava em milhões de pedacinhos. Em casa, deve ter ouvido música brega, comida sorvete direto do pote, chorado por horas, rasgado as fotos do Garnett e jogado fora as camisetas do ídolo. Imagine só aquele monstro chorando ao som de Pitty. Bizarro.

Todo mundo sabe até onde vai um coração partido em busca de vingança. O Centauro ("metade homem, metade animal", como diz o pessoal da DimeMag) teve muitos meses de ódio e rancor para preparar um plano que fizesse Garnett engolir o que disse, como uma garota gorda que resolve fazer dieta e malhar para esfregar na cara de alguém. A diferença é que as gordas em geral não conseguem e acabam comendo mais ainda para desforrar, mas isso não vem ao caso. O Centauro treinou como um monstro e tinha sua vingança preparada: desfilaria na cara do Garnett, esfregando seu talento bem no nariz dele!

Na pré-temporada, a determinação do Dwight já começava a ficar clara. Seu jogo de animal que consegue passar por cima de todo mundo para cravar uma bola começou a ficar mais diversificado, cheio de ganchinhos e arremessos e bolas na tabela que antes o Centauro nunca devia ter cogitado. Imagino um técnico tentando ensinar para ele como cobrar lances-livres no colegial e ele respondendo: "Pra quê, professor? Eu vou é enterrar!" enquanto pulava da linha de lances livres. Deve ter levado anos para ele entender que as regras não permitem isso...

Ontem, Celtics e Magic se enfrentaram. Toda a força-bruta de Dwight Howard, aliada a seu novo jogo sutil de ganchos, estava pronta para colocar a vingança em prática. Ataque após ataque o Centauro mostrava seu lado animal, dominando o garrafão. Não demorou muito até que ficasse óbvio que o único jeito de parar o monstro seria enchendo ele de porrada. O Celtics fez um revezamento de gente para descer a pancada no negão. Todo mundo teve que participar, batendo pelo menos um pouquinho. Se o Artest estivesse em quadra, teria esfaqueado o Dwight sem ressentimento.

O Garnett, subitamente indefeso, também teve que descer a lenha na cabeça daquele que antes havia criticado. Quando o Centauro foi fazer uma ponte-aérea, Garnett parou a jogada no maior estilo apelão, tipo aquele cara que puxa o fio da tomada quando vai perder no videogame. Puto da vida o Dwight foi tirar satisfação, resultando em falta técnica para ambas as partes. Clima quente digno de ex-namorados.

O Magic chegou a estar ganhando por 20 pontos mas quanto mais enchiam o Dwight de pancadas, mais ele parecia desestabilizado e começava a errar lances livres. Chegou a errar 6 seguidos e o Celtics passou à frente. Foi o Turkuglu que, com ciuminho do Rashard Lewis há vários jogos, resolveu de novo mostrar que merece mais grana que o companheiro multi-milionário. Duas bolas de 3 e o Magic estava na frente de novo. Enquanto isso, o Centuro continuou dominando e apanhando até que Kevin Garnett saiu com 6 faltas. Os olhos do Dwight brilhavam, ali estava feita a vingança: eliminar por faltas o cara que partiu seu coração. "Toma essa, otário!"

Para finalizar a noite, bastava apenas vencer o jogo. Uma bola de 3 pontos do Ray Allen colocou o Celtics no jogo nos segundos finais. Perdendo por apenas dois, o time verde tinha a última posse de bola.

Imediatamente meu cérebro meio adormecido na madrugada se lembrou de duas coisas:

1 - Certa vez lembro de ter visto alguém falar sobre arremessos de último segundo quando se está perdendo por dois pontos. O cara, seja lá quem for, criou uma regra que faz muito sentido. Se você é o time da casa e perde por dois pontos, faça uma bola simples de dois. Leve o jogo para a prorrogação porque, em casa, você jogará o tempo extra com moral e o apoio da torcida. Caso você seja o time visitante perdendo por dois pontos, faça uma bola de 3. Perder fora de casa não é tão feio assim e é possível se dar ao luxo de tentar roubar a vitória com uma bola dessas.

2 - O Gilbert Arenas, em um post sobre o Celtics, falou sobre quem marcar no Boston durante a última posse de bola de um jogo disputado. Segundo o Arenas, era óbvio que a bola iria para as mãos do Paul Pierce porque ele era o dono do time e Kevin Garnett, o provável MVP, prefere envolver os outros jogadores ao invés de dar o último arremesso.

Depois dessa viagem (sóbria!) do meu cérebro, assisti a última posse de bola do Celtics. Como o Arenas disse, a bola foi para as mãos de Paul Pierce. E, obedecendo a regra de jogar fora de casa, Pierce tentou um arremesso forçado de 3 pontos. Errou, Garnett envergonhou-se no banco e Dwight Howard encerrou seu plano com sucesso absoluto.

Nada de 82-0 para o Celtics, mas no duelo pessoal entre KG e o Dwight Howard, vamos abrir a contagem: por enquanto, 1-0 para o Centauro. E que venha o próximo round!

domingo, 18 de novembro de 2007

Como se divertir vendo um jogo da NBA - Parte 2

Até o fim do texto eu vou falar mal do Eddy Curry de novo, aguardem...



Estou carente de NBA. Nesses últimos dois dias, por causa de uns problemas aqui, não consegui assistir aos jogos e fiquei tendo que saber de tudo o que aconteceu nas gordas rodadas de sexta e sábado em melhores momentos e boxscores. Isso acaba comigo. Estou mal acostumado, é como tirar a bebida de um bêbado por um fim de semana.

Sem confiança para falar dos jogos que aconteceram e eu não vi e pensando no que eu poderia ter visto, vou continuar meu texto sobre como se divertir vendo um jogo da NBA.


Lição 2: Acompanhe apenas um jogador ou tipo de jogador.

No último texto falamos sobre acompanhar um duelo. Como muita gente até concordou, é divertido demais, mas o ruim é que não dura o jogo inteiro. Já vi por exemplo tanto Kobe como T-Mac não marcarem um ao outro em duelos Lakers x Rockets para não se desgastarem fisicamente na defesa e nem correrem risco de entrar em problemas de falta. Eu não gosto muito dessa tática, principalmente quando o Lakers pegava o Heat e o Phil Jackson mandava o Smush Parker marcar o Wade. Não dava nadinha certo...

Mesmo no duelo Kaman-Ilgauskas que eu citei no texto anterior. Durante um grande período do jogo um dos dois estava no banco e eu fiquei sem duelo pra ver. Para resolver isso, você escolhe apenas um jogador pra ver, ou melhor ainda, um tipo de jogador. Vamos aos exemplos:


A. Escolha seu jogador favorito e olhe só para ele

Ninguém vai achar que você é viado só porque você não tira o olho daquele negão sarado com os músculos marcados. Pode olhar à vontade. Se você gosta do Dwight Howard, não tire o olho dele. Veja se é ele que cobra o lateral quando o time toma a cesta, veja em que velocidade ele parte para o ataque, veja se ele se preocupa primeiro em se postar no garrafão para receber a bola ou se ele se preocupa em usar seu corpo para fazer um corta-luz para outro arremessador. Veja se ele faz as duas coisas de maneira alternada. Garanto, se você é fã do Dwight, você vai se divertir.

Se você gosta de um scorer como Kobe, Arenas, Melo ou Kevin Martin (ele é um dos cestinhas da NBA, não posso fazer nada) veja como eles se comportam para conseguir todos esses pontos. Eles se movimentam só para buscar arremessos (Melo), pegam a bola e fazem tudo sozinhos (Kobe, Arenas) ou simplesmente têm jogadas desenhadas das quais eles participam e acabam em arremessos seus (Kevin Martin)?

Uma observação que eu recomendo é o Shawn Marion. Afinal, como um cara que não tem jogadas desenhadas para ele consegue 20 pontos por jogo? Vendo de perto você vai ver como em alguns contra-ataques, alguns rebotes ofensivos, alguns arremessos que acabam em sua mão, ele consegue, discretamente, ter médias altíssimas de pontos.


B. Escolha um jogador em uma situação diferente

Essa é a opção em que você escolhe um "tipo" de jogador. Com "tipo" quero dizer um jogador que tem uma situação que não é comum aos demais na quadra. Pode ser um estrangeiro acostumado a jogar na Europa, um novato ou até um jogador voltando de longa contusão.

Assistir novatos é uma diversão enorme pra mim. É interessante ver a adaptação, o nervosismo e o talento bruto brotando desses jogadores. Outro dia assisti Lakers x Wolves e acompanhei o drama de Corey Brewer. Na universidade da Florida deu pra ver que o cara é talentoso e um ótimo defensor, mas em LA ele foi incumbido de marcar ora Kobe Bryant, ora Lamar Odom. Pobre novato. Kobe abusou de dribles, depois jumpers, depois inflitrações. Depois de algumas posses de bola Brewer não sabia mais o que marcar em Kobe e acabou substituído. Voltou depois pra marcar Odom, que com caracteristicas bem diferentes de Kobe, deixou o Brewer mais perdido ainda tentando marcar seu jogo de garrafão. Deu dó em algumas horas mas fiquei feliz, obviamente foi um dia marcante pra Brewer e já no segundo tempo, quando ele tinha como adversários jogadores como Maurice Evans, ele já parecia bem mais confiante.

Estrangeiros são interessantes de assistir mesmo, acho muito parecido com acompanhar jogadores que passam anos em um time e depois mudam. Dá pra ver que eles sabem jogar mas simplesmente se sentem fora de casa. O desconforto é tanto que algumas vezes eles erram coisas simples, vejam só quantos jogos o Juan Carlos Navarro e o Luis Scola demoraram pra desencantar nessa temporada. Foram ter grandes jogos só nessa última sexta-feira. É, o dia que eu não vi os jogos... merda.


C. Escolha alguém que jogue na sua posição de jogo

Essa é para os jogadores frustrados como eu. Se você não joga uma peladinha, essa dica não tem tanto valor assim. Eu com meus enormes 1,78 de altura só pude jogar como armador principal ou segundo armador, o SG. Me sentia mais à vontade como SG porque simplesmente não sabia o que fazer quando era armador. Pra resolver isso pensei em assistir só os armadores em vários jogos da NBA, desde Jason Kidd até Earl Watson, não ia tirar o olho deles.

Isso não me fez virar um grande armador, óbvio, já disse que sou um jogador ruim e frustrado. Mas me fez ver a posição de armador com outros olhos, comecei a entender mais os pré-requisitos, o que eles fazem a cada jogo e como a função do armador varia de esquema pra esquema. Em times como o Suns, por exemplo, o armador é essencial. Botar o Marcus Banks pra correr lá põe tudo a perder. Já o Lakers, cujos triângulos se baseiam no posicionamento e no toque de bola de toda a equipe, pede um tipo de armador muito diferente, com mais arremesso de fora e sem a necessidade de velocidade.

Se você é pivô ou ala de força você TEM QUE assistir outros de sua posição. O garrafão não é um lugar fácil de se jogar e só com tamanho você não vai se garantir. É só ver como o Yao se saia em sua primeira temporada e hoje em dia; o tamanho é o mesmo mas os recursos dele é que mudaram. Hoje ele tem jumper, gancho, velocidade nas pernas, sabe se posicionar mais perto da cesta. Observe tudo isso em um jogo e garanto que você vai aprender alguma coisa e se divertir, quanto mais você entende de basquete mais você gosta. Garanto.


Notas
Mesmo sem ter assistido aos jogos, não resisto e tenho alguns comentários a fazer:

- Com medo de Yi Jianlian roubar a vaga de LeBron, KG ou Paul Pierce no All-Star Game por causa da votação chinesa, a solução da NBA foi bem simples: ele não está na cédula de votação.

- Kidd está com médias de 11 pontos, 9,3 rebotes e 10 assistências. Com mais jogos como o de sexta-feira, pegando 19 rebotes, ele garante uma média de triple-double por pelo menos uns dias.

- Eu até falei de pivôs nesse texto e nem xinguei o Eddy Curry! O que está acontecendo comigo? Só pra não perder o hábito, vai: contra o Nuggets ontem, Curry pegou DOIS rebotes contra VINTE do Marcus Camby.