quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O novo Spurs

Josh Smith aprova este texto


Quando eu comecei esse blog pra falar de NBA com o Danilo, nunca pensei que um dia iria escrever isso, mas vai lá: o Atlanta Hawks é melhor que o San Antonio Spurs. Pronto, falei! Mudamos para o mundo bizarro da NBA e ninguém percebeu porque estávamos muito ocupados dizendo #comofas no Twitter.

Não queria admitir, ia esperar mais tempo pra dizer, mas não resisti a falar a verdade. Hoje o Spurs é ainda um time forte, cheio de talentos, mas que não mete medo em ninguém e está recheado de defeitos óbvios. O ataque é lento nas trocas de passes e acabam forçando jogadas individuais no fim da posse de bola, a defesa não chega nem perto da fortaleza que já foi e as contusões insistem em encher o saco. Não temos nem um mês completo de temporada e tanto Duncan quanto Ginobili e Parker já perderam jogos por lesão.

Não sou doido de dizer que eles não tem chance de título nesse ano. Qualquer time com um bom elenco, histórico vencedor e um bom técnico não pode ser deixado de fora depois de menos de um mês de temporada, mas se caírem na primeira rodada dos playoffs de novo eu vou achar bem normal.

Enquanto isso, o Atlanta Hawks é um time sólido, regular, de boa defesa e agora até com banco de reservas. Até banco de reservas! Vocês tem noção que em 12 jogos o Hawks venceu 10 e no meio disso tem duas vitórias sobre o Blazers, uma sobre o Nuggets e até uma sobre o Celtics em Boston? Bizarramente uma das duas derrotas deles foi para o Bobcats, a outra foi para o Lakers.
O time foi o Clippers do Leste por tanto tempo e agora eles tem banco de reserva. E eu achando que ver o São Caetano na final da Libertadores tinha sido a maior aberração esportiva da década.

A história desse time do Hawks é rara nos dias de hoje. Eles montaram essa equipe na base de Free Agency, draft e muita, muita paciência. Josh Smith, Al Horford e Marvin Williams vieram em draft. Mike Bibby e Jamal Crawford foram trocas, o Bibby foi para Atlanta numa troca com o Kings e o Crawford numa troca com Warriors. O Joe Johnson foi para lá quando virou free agent.

Não são poucos os times que sabem escolher jogadores bons no draft mas não tem saco para montar o time em volta deles. Ou então não montam um ambiente animador para o pivete, que na primeira chance parte para um contrato milionário com outra equipe. Mas o Hawks não, foi visionário ao ver que o Joe Johnson poderia sim liderar uma equipe. Decidir quem é o franchise player não é fácil para esses times menores, eles costumam pegar o melhor jogador que têm, pagar uma nota e não vêem que muitas vezes o cara é só bom, não espetacular. Só ver o Bucks com o Michael Redd, Warriors com o Monta Ellis ou o Kings com o Kevin Martin.
O Joe Johnson, ao contrário desses todos que citei, acabou se tornando um líder dentro do elenco, evoluiu para se tornar mais que só um arremessador e hoje é daqueles caras que pode ganhar um ou outro jogo sozinho, como já fez até nos playoffs.

Esse processo todo foi lento. O JJ não chegou do Suns já sendo uma estrela, ele não evoluiu mais rápido que Pokémon como o LeBron James. E nessa lentidão quem o acompanhou foi o Josh Smith, que de aberração física se tornou bom defensor, bom reboteiro e, mais importante, um jogador inteligente. Em entrevista recente à revista Dime, ele disse que não está mais chutando de 3 nessa temporada porque não é a área dele. Como não estava com bom aproveitamento, resolveu se focar no que é de verdade, um ala de força. Também disse que não liga em não ser o principal jogador do time, que apenas quer vencer e ajudar. Um cara com o ego do tamanho do mundo exigiria uma troca para ser uma estrela, afinal potencial pra isso o Josh Smith tem, mas ele foi esperto o bastante para sacar que pelo menos hoje em dia ele não é tão bom assim e que ganha mais ficando no Hawks. Ganha mais experiência, mais (e melhor) visibilidade, mais jogos.
Nessa temporada até o Al Horford está melhorando. Depois de ser ótimo como novato, ele desanimou todo mundo na temporada passada quando parecia ter estagnado. Foi só comodismo de segunda temporada, porque nessa temporada ele já está fazendo muitos pontos, com ótimo aproveitamento de arremessos (até porque quase nunca força o que não sabe) e até tocos está dando. Nada mal para um cara que nitidamente é improvisado como pivô.

Do Bibby acho que até comentamos algumas vezes na temporada passada. Não é o mesmo jogador que fazia muito estrago na época do Kings mas chegou para livrar o Joe Johnson de ter que bater o escanteio e ir cabecear (inventei essa agora!). O Bibby arma o jogo, dificilmente faz alguma asneira e ainda sabe arremessar de três, coisa que foi bem problemática para o Hawks por anos a fio.

A cereja no bolo foi a adição do Jamal Crawford. O banco do Hawks já tinha o esforçado (eufemismo para “ele compensa a falta de talento com vontade”) Maurice Evans e a piada pronta Zaza Pachulia para dar um gás na equipe, cobrir buraco. Mas não tinha alguém que chegasse pra mudar a cara de um jogo amarrado ou para simplesmente marcar pontos quando o Joe Johnson não estivesse na quadra.

O Jamal Crawford pode ter dificuldade para fazer mil coisas: para passar a bola, para ser bonito, para ter relações amorosas estáveis, para fechar Goldeneye 007 no nível "00 Agent", para chamar a amiguinha da sala pra ir no cinema e tudo mais, mas não tem dificuldade em marcar pontos. Deus chamou ele antes dele vir pra Terra e disse “Você vai à terra para marcar pontos em uma atividade humana chamada basquete. Sim, sua vida é patética”.

Jamal topou o desafio e veio aqui fazer a vontade divina. O cara marca muito ponto, dribla fácil (Top 5 em dribles mais devastadores da NBA) e faz isso todo jogo. Por fazer só isso e nada além disso, no Bulls, no Knicks e no Warriors era visto mais como um câncer fominha do que como um bom jogador. Mas na verdade ele só estava na função errada. Colocar o Jamal Crawford para liderar o seu time é pedir para o Eddie House pensar antes de arremessar, nunca vai dar certo!
No Hawks a função dele é jogar poucos minutos, ser fominha, arrasar com os reservas adversários. Ele é a principal razão para que o Hawks seja o time que mais evoluiu em pontos por jogo em relação à temporada passada. Em 2008-09 eram 97 pontos por jogo, agoram são 107.

Os titulares então fazem tudo aquilo que estamos vendo há uns 3 anos pelo menos. Movimentação de bola bem lenta no jogo de meia quadra, jumpers de meia distância e infiltrações do JJ e do Josh Smith. Na defesa, agressividade e contra-ataque rápido, essa sim a melhor arma ofensiva deles. Se você viu o Hawks só naquela série contra o Boston Celtics dois anos atrás você sabe do que estou falando. Não mudaram em nada, a diferença é que agora não tem tantos altos e baixos entre um jogo e outro.

Paciência, evolução da meninada, um jogador principal calmo e técnico e um doido agressivo como sexto homem. O Hawks não é só melhor que o Spurs, é o Spurs do Leste.

Dos arremessos de três

Kobe Bryant resolveu ser o melhor pivô do Oeste, só porque ele pode


A pirralhada resolveu, nessa temporada, provar que sabe arremessar de três pontos. É uma série de caras novas, a maioria ainda cheia de espinhas, ganhando a vida bem longe do garrafão. O Danilo Gallinari, por exemplo, que é o líder em bolas de três convertidas por partida, tenta mais de 7 bolas de longa distância por jogo. Dois terços dos arremessos que ele deu até agora foram bolas de três, o que constitui uma fobia de garrafão tão grande que o Rasheed Wallace fica até parecendo um sujeito normal. Sorte do Gallinari que ele joga no Knicks, onde fazer uma bandeja dá prisão perpétua (no Warriors dá cadeira elétrica), porque se ele jogasse no Spurs já estaria esquentando banco.

A lista de bolas de três pontos convertidas por jogo tem, além do Danilo liderando a parada, uma renca de outros garotinhos sem pêlos no saco, como Channing Frye, Brandon Jennings (o novato dos 55 pontos), Eric Gordon e o Ryan Anderson, que substituiu o Rashard Lewis (suspenso no exame anti-doping) tão bem, mas tão bem, que já já vão ter que obrigar ele a mijar num potinho.

Na lista de bolas de três pontos convertidas na temporada, o líder é o Channing Frye, seguido pelo Gallinari. Ou seja, a criançada está realmente convertendo os arremessos de fora. As duas listas se complementam para afirmar essas caras novas, mas também para indicar quais times estão mais focados nos arremessos de três.

Além do Frye, o Jason Richardson aparece entre os que mais convertem arremessos de três por partida. O resultado é que o Suns é o time que mais chuta de longe e tem o melhor aproveitamento. É uma volta aos bons e velhos tempos de correria, pontuação alta, bilhões de assistências e bolas de três pontos. Talvez o plano do Suns tenha sido fingir que estavam enterrando a tática do "run and gun" até o Spurs começar a feder, para só então retomar a estratégia e tentar ganhar um anel. Pode até dar certo, e nós que acreditamos no Papai Noel e na virgindade da Sandy botamos uma fé no Suns, mas se eles passarem de uma defesa como a do Celtics eu sou um mico de circo. Ainda assim, esse Suns parece um tanto mais voltado para os arremessos de fora do que aquele que conhecíamos. Se não bastasse até jogador da safra "figurante do Chaves no episódio do suco de tamarindo" acertar as bolas de três, como é o caso do Jared Dudley, o pivô da equipe agora também chuta de longe e está no topo das listas que citamos. Ninguém acreditava muito no Frye, alertamos aqui antes da temporada começar que essa seria sua última chance na NBA, mas ele alterou seu estilo de jogo para casar perfeitamente com o Suns e está sendo uma grata surpresa. Se ele for pro campeonato de três pontos do All-Star Game vai ser hilário e poderemos acrescentar o rapaz para a lista de jogadores bons que o Knicks tinha mas trocou por pipoca.

Continuando na lista de bolas de três pontos convertidas na temporada, o terceiro lugar pertence ao Trevor Ariza, enquanto o sexto lugar é do Aaron Brooks. A sensacional lógica matemática do "Instituto 8 ou 80 de Estatísticas Bola Presa" aponta, então, que o Houston arremessa de três pra caralho. Nenhum dos dois está tendo uma temporada espetacular, são muito inconsistentes, as bolas volta e meia não caem, mas o trabalho em conjunto da equipe segura as pontas quando alguém está fedendo e isso permite que todo mundo possa continuar chutando de fora sempre que surgir a oportunidade. Isso é acreditar no sistema, saber que você faz o seu papel mesmo quando não funciona, e que os companheiros de equipe fazem o papel deles e concertam se tudo o mais der errado.

Mas nada se compara com o Cavs. Assim como o Suns, o time de LeBron está acertando acima de 46% dos seus arremessos de três pontos na temporada, o que é débil mental. O bizarro é que na lista de arremessos de fora convertidos na temporada, o Mo Williams figura em quarto e o Anthony Parker em sexto, o que significa que eles arremessam pra burro. Como dá pra manter uma porcentagem tão grande de aproveitamento se os dois arremessam tanto? Ainda mais quando sabemos que o Mo Williams não tem qualquer critério para arremessar e que para ele o conceito de "estar livre" significa estar sendo marcado por menos de 7 pessoas. O motivo para o alto aproveitamento da equipe está justamente nas mãos desses dois: Mo Williams está convertendo 51% das bolas de fora, enquanto o Anthony Parker acerta surreais 57%! Tudo bem, o Cavs está meio capenga, o Shaq pode não ter casado muito bem com a equipe, mas o Anthony Parker foi uma sacada de mestre! Com o Delonte West fora com seus problemas de depressão, Parker está convertendo os arremessos, abusando do espaço que surge das marcações duplas no LeBron e até fingindo que defende. E quando o Mo Williams está acertando os arremessos, o Cavs é simplesmente imbatível porque o LeBron pode deitar e rolar com o espaço criado no perímetro. Mesmo que contratar o Shaq tenha sido uma decisão um pouco "água na Carol", o perímetro do Cavs tem tudo para fazer o mundo esquecer do garrafão, basta manter esse ritmo. O engraçado é que o ritmo é tão bizarro que o Mo Williams está acertando mais as suas bolas de três do que as suas bolas de dois pontos, então não tem motivo para parar de arremessar. É bem capaz dele ficar livre no garrafão e preferir dar um passinho para trás antes da tentativa.

Mas há um jogador na NBA fazendo o caminho contrário. Enquanto a pirralhada arremessa cada vez mais de três pontos, enquanto vários times passam a se focar nesse aspecto do jogo depois que o Orlando Magic provou na temporada passada que era possível chegar longe nos playoffs assim, um jogador está aos poucos abandonando os arremessos de três que sempre lhe foram tão úteis. Trata-se de Kobe Bryant.

Foi assim, sem alarde, sem aviso, tipo a Britney Spears ficando gorda. De uma temporada para a outra, Kobe simplesmente decidiu que seu jogo no perímetro era coisa do passado e que a moda agora era namorar pelado. Nos 19 jogos até agora, contando também os de pré-temporada, Kobe passou quatro partidas sem arremessar uma única bolinha de três. Em outras duas ocasiões, arremessou apenas uma bola.

Pode parecer pouco, foram apenas seis partidas, mas se a gente comparar com o Kobe de antes, vemos o quanto isso é absurdo. Durante toda a temporada passada e mais os playoffs, não houve um único jogo em que Kobe não chutasse de três pontos. Na verdade, durante todas essas partidas ele arremessou apenas uma bolinha de três durante um jogo em 8 partidas apenas, mantendo uma média de mais de 4 arremessos de três pontos na temporada. Esse ano o número caiu pela metade e em algumas ocasiões ele nem se dá ao trabalho de tentar qualquer coisa no perímetro. Gregor Sansa acordou um dia depois de sonhos intranquilos, no livro "Metamorfose", e havia se tornado um enorme inseto. O Kobe Bryant acordou um dia depois de sonhos intranquilos e tinha se tornado o melhor jogador de garrafão do planeta. É como se ele simplesmente tivesse decidido, de uma hora para a outra, que seria um ala de força. O único indicio que tínhamos disso está no vídeo abaixo, em que Kobe treina com Hakeem Olajuwon durante suas férias:



Foram apenas duas horas de treino com um dos melhores pivôs de todos os tempos aprendendo uns macetes, que o próprio Hakeem disse que se encaixariam perfeitamente bem no jogo do armador do Lakers. A gente sabe que o Kobe é um nerd de basquete que estuda o jogo profundamente e que aprende muito rápido os movimentos que ele disseca nos treinos, mas virar um jogador monstruoso de garrafão nessa velocidade é débil mental. O LeBron James pode evoluir mais rápido do que Pokémon, mas ninguém estuda o jogo e evoluiu tecnicamente tão rápido quanto Kobe Bryant. Fico imaginando ele na Matrix dizendo "operador, me carrega um programa de pilotar helicópteros", porque pela velocidade que ele aprende parece que é exatamente assim que funciona.

Cada vez mais dentro do garrafão, jogando de costas para a cesta, Kobe está desfilando um arsenal de giros, ganchos, bandejas fáceis. Está dando dor de cabeça para os marcadores gigantes, cobrando mais lances livres do que nunca, pontuando mais. E o mais importante: se antes ele criava o próprio arremesso, mantendo a bola nas mãos por muito tempo, agora mais da metade de seus pontos saem de assistências dos outros jogadores do Lakers, porque ele está no garrafão pedindo a bola para finalizar. O time está mais envolvido no ataque e assim não percebe a falta de Pau Gasol no garrafão. Aliás, o líder em pontos no garrafão nessa temporada é exatamente Kobe Bryant. O segundo colocado? É Andrew Bynum, que aos pouquinhos está se tornando o melhor pivô do Oeste - se a gente não contar o Kobe, claro. Algumas derrotas aparecem, mas ninguém está percebendo que o Gasol ainda está fora. Ron Artest está jogando mais no perímetro, iniciando as jogadas, mas ele também pode jogar no garrafão se quiser (onde ele até rende melhor) e o Lakers pode virar uma máquina embaixo da cesta.

Muito se fala sobre a evolução do jogo de Michael Jordan, que com o passar dos anos foi marcando cada vez menos pontos no garrafão, cobrando menos lances livres, e arremessando mais de longa distância. Foi uma evolução inteligente que protegeu o corpo de Jordan e que foi tornando-se mais praticável conforme seus arremessos foram ficando mais e mais mortais. Kobe parece estar fazendo o caminho inverso, afastando-se da rota estabelecida pelo seu ídolo. Já faz um tempo que o Kobe está na elite dos arremessadores da NBA, convertendo arremessos de qualquer lugar da quadra. A decisão de se aproximar da cesta parece simplesmente primar pelo aproveitamento, pela vantagem que ele pode tirar de seus defensores maiores e mais lentos. É a conclusão de alguém que estudou, tentou, assistiu, praticou, e parece ter percebido que sua contribuição é maior quando pertinho do aro. A marcação que ele exige abre o perímetro para os companheiros da equipe, ele troca de função no triângulo tático do Lakers garantindo que o esquema não fique batido, não precisa trazer a bola para o ataque e armar as jogadas, e tira proveito de uma técnica primorosa que nenhum outro jogador de garrafão da atualidade parece ter. É como se ele percebesse que todo mundo nesse trabalho fede e que, então, ele pode fazer melhor e ganhar uma vantagem. Em terra de cego, o Kobe tem os dois olhos e pode passar a mão em quem quiser.

Quando Gasol voltar à equipe, talvez Kobe passe a variar mais seu posicionamente em quadra, para não criar uma redundância no triângulo ofensivo. Ainda assim, sua decisão pela eficiência apresentada pelo jogo de garrafão deve perdurar um bocado. Não há sequer sinal de que esteja sendo prejudicial para seu físico, já que tanto do que ele faz é baseado em habilidade, movimentos precisos e inteligência. Quando ele começar a apanhar demais, quando virar um saco de pancadas tipo o Allen Iverson nos tempos de Sixers (vamos esperar para ver se o Iverson ainda vai ser um saco de pancadas em algum outro time, agora que o Grizzlies e ele romperam o contrato), então Kobe poderá voltar ao perímetro como sempre fez.

Esse passo para longe de Michael Jordan, essa decisão oposta ao jogo do maior de todos os tempos, me deixa simplesmente eufórico. Num esporte em que há tanta comparação, em que os caminhos parecem já ditados e os jogadores têm pouco espaço para suas vozes particulares, Kobe encontrou sua própria trilha e está tendo um sucesso absurdo com ela. Ele não é uma cópia, um jogador genérico. Ele é nerd, estudioso, criativo, inovador e corajoso. Seu passo para longe de Michael Jordan, portanto, está fazendo justamente o contrário: trazendo Kobe para perto de Jordan - não no estilo de jogo, mas no palco dos maiores de todos os tempos.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Para amar ou odiar Ron Artest

A cena abaixo é do jogo de domingo entre Lakers e Rockets. O Trevor Ariza pode se lembrar desse jogo como o seu primeiro em Los Angeles desde que saiu do Lakers, como o jogo em que recebeu seu anel de campeão, como o jogo em que bateu o atual campeão em seus domínios ou ainda como o jogo em que perdeu seu tênis e o Ron Artest o jogou pra longe só de sacanagem. Pois é, tem o vídeo pra provar.



Isso não é insano? Tem coisa menos fair play que essa? Ao mesmo tempo, teve alguma cena mais engraçada na NBA desde que o próprio Ron Artest fez isso aqui com o Paul Pierce?



Por essas que eu já disse que o Artest não é meu jogador favorito na NBA (prefiro o Ariza a ele, por exemplo), mas é o meu personagem favorito.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Liberdade ainda que tardia

Stephen Jackson quebra suas correntes


Antes da temporada começar, Stephen Jackson havia pedido para ser trocado do Warriors. O time perdera Baron Davis, conseguiu o Maggette no lugar, e aparentemente o Stephen foi o único que sobrou no elenco capaz de levar basquete a sério. Era o responsável por defender as estrelas adversárias, fossem armadores ou pivôs, o responsável por decidir os jogos, por arremessar de longe, e inúmeras vezes por iniciar as jogadas ofensivas no papel de armador principal. Já jogou em todas as posições, topou todas as furadas que o técnico Don Nelson bolou, já foi para os playoffs com a equipe e já foi o pior time da liga. Ao ver que o Warriors virou um circo, um laboratório de ciências, que os jogadores entram e saem da escalação de um dia para o outro, cada hora com uma função, Stephen Jackson quis é dar o fora. Como o Denis escreveu um tempo atrás, ele pediu para ser trocado quando falava com a imprensa, foi multado por isso, e desde então parou de tocar no assunto, sem no entanto tentar esconder sua frustração em quadra. O problema é que ele só pediu para ser trocado depois de topar uma extensão milionária de contrato com o Warriors, o que não apenas é um pouco sacana como também torna mais difícil encontrar algum time disposto a abraçar o salário do rapaz.

Mas existe um time na NBA que nunca desiste de fazer trocas, um time que está decidido a transformar o elenco inteiro com uma visão em mente. Esse time é o Bobcats, que deu ao técnico Larry Brown carta branca para montar o time como ele bem entender. O velhinho pentelho se livrou do Okafor, do Jason Richardson, do Matt Carroll, e montou um time focado na defesa e sem espaço para o individualismo. O resultado é uma equipe que estreiou na temporada marcando 59 pontos contra o Celtics, com claras dificuldades de passar dos 80 pontos a cada jogo. O time agora tem Raja Bell e Boris Diaw, jogadores capazes de pontuar, mas nenhum deles é um pontuador nato. O papel do Bell é defender e converter seus arremessos de três pontos, função que ele desempenhava muito bem. Mas, para ter um jogador capaz de defender múltiplas posições e que seja capaz de pontuar constantemente, Larry Brown resolveu abrir mão até mesmo do seu queridinho.

Stephen Jackson chega ao Bobcats mantendo o foco da equipe, se focando na defesa e pontuando sem ser estrelinha. Ele sabe o que é ser jogador secundário graças ao tempo que passou no Spurs, se orgulha de defender mesmo jogando no Warriors (que provavelmente dá umas surras depois das partidas nos jogadores que ousaram tentar defender) e tem tudo para se dar bem com o Larry Brown. Do jeito que o técnico odeia os armadores da equipe (tanto Raymond Felton quanto o anão do DJ Augustin), é bem possível que o Stephen Jackson até assuma a posição em alguns momentos durante os jogos (se até o boris Diaw já foi armador nesse Bobcats!). Mas também é possível, dizem os fofoqueiros por aí, que ele seja trocado rapidinho para outro time. Não dá para descartar essa possibilidade, afinal o Bobcats está insatisfeito com o que tem e cansado de feder esperando uma boa escolha de draft. Já faz uns anos que todo mundo espera eles finalmente acordarem no tranco e irem aos playoffs, então não tem mais desculpa pra ficar tendo o traseiro chutado por aí. Stephen Jackson se encaixa nessa postura, no planejamento, na filosofia de jogo, e tem tudo para se encaixar bem na equipe. Não deve dar muito resultado, convenhamos, mas o Bobcats continua tentando. Ao menos eles sabem o que querem e se movimentam com uma intenção, não é a porra-louquisse do Warriors que parece trocar só por esporte, pra ver se vem de brinde um Mega Tazo.

Em troca do Stephen Jackson e do Acie Law, que é um armador que nunca deu certo e que o técnico Larry Brown deve comer com granola no café da manha, o Warriors recebeu Raja Bell e o Vlad Radmanovic, que nem fede nem cheira. O Bell traz defesa para o Warriors, e depois dessa afirmação vamos todos tirar uns minutinhos para rir à vontade. Até parece que alguém que cuida dessa equipe mequetrefe se preocupa em instituir uma filosofia defensiva, mas provavelmente eles estão dispostos a pelo menos fingir um pouquinho.

Contra o Brandon Jennings, que marcou 55 pontos, o negócio foi muito feio. Ao rever a partida no meu League Pass (calma, calma, a gente resenha o serviço ainda essa semana), percebi que a maioria dos pontos do Jennings saiu em uma jogada simples de corta-luz na linha de três pontos. Não havia ninguém do Warriors capaz de grudar no garoto, a jogada funcionou à exaustão, e quando eles ficaram muito desesperados de passar vergonha, começaram a dobrar nele depois do corta-luz e o resultado foi o Andrew Bogut recebendo uns passes para ponte-aérea, já que o pivô do Warriors durante quase toda a partida foram o Stephen Jackson ou o Maggette. Aliás, grande parte do mérito pela atuação do Jennings tem que ser dado ao Bogut, que atormentou tanto o garrafão do Warriors que a linha de três ficou completamente livre. Quer dizer, a linha de três do Warriors já é completamente livre, mas ficou pior a ponto de render 55 pontos para o novato. Para critérios estatísticos, a pontuação do Jennings deveria valer só a metade - quando ele tentar algo assim contra o Celtics a gente faz uma estátua e uns sacrifícios humanos pro guri.

Quem ganha com a troca é o Stephen Jackson, que agora terá um técnico capaz de apreciar o que ele traz para as quadras, mas o problema é que o time fede pacas e rapidinho é bem capaz que ele comece a ficar insatisfeito de novo (ou que o time continue insatisfeito e troque de novo). O Warriors deve piorar um pouco com a sua saída, mas o que é um peido para quem já está cagado? Outros jogadores podem continuar pontuando como malucos e talvez o Raja Bell seja capaz de impedir outros jogadores de fazer 50 pontos, o que por si só já seria um lucro, evitando que o Warriors se torne essa anedota estilo Ari Toledo que tem sido nos últimos anos. Da próxima vez que o Jennings for enfrentar o Warriors e tentar quebrar seu recorde de pontos, o Raja Bell estará lá. Sozinho, é verdade, mas lá.

domingo, 15 de novembro de 2009

8 ou 80 - Brandon Jennings

Nem a técnica de fazer poses constrangedoras conseguiu atrapalhar Jennings ontem


Só a noite de ontem valeu todo o dinheiro investido no League Pass. Depois de assistir a um bom jogo entre Pistons e Wizards, que teve showzinho do Ben Gordon no final e a volta de Earl Boykins à NBA, eu tinha que decidir que jogo ver. Pensei em ver o Thunder ganhar do Spurs ou o esquisito Jazz e Cavs com a torcida local massacrando o Boozer. Mas aí pensei "quer saber, vou ver o Brandon Jennings!".

Não pensei "Vou ver o Bucks" e nem "Vou ver o Warriors", os dois times são secundários pra mim, eu só queria ver o melhor novato do começo de temporada em ação. E não poderia ter escolhido dia melhor pra isso.

Quando liguei na partida, ela estava no comecinho do terceiro período e o Jennings tinha 10 pontos, todos que ele tinha marcado no segundo quarto, depois de ter zerado o primeiro. Aquele mesmo terceiro quarto acabou com eu pulando sozinho no meu quarto e o Jennings com 39 pontos! Depois de um quarto período cheio de trocas de liderança, o Bucks conseguiu a vitória no final e Jennings fez mais 16 pontos, 55 no total.

Depois do jogo não se falava em outra coisa, o Twitter estava bombando e "Brandon Jennings" era o primeiro colocado nos Trending Topics do site. Em teoria isso não quer dizer nada, mas acho que podemos chamar os TT de Oscar da Vida Cotidiana, já que todo prêmio tem que ser explicado como sendo o Oscar de alguma coisa.

Alguns meses atrás, quando o Lamar Odom re-assinou com o Lakers, ele disse que as pessoas começaram a ligar pra ele pra dizer que ele estava nos TT do Twitter e não para dar parabéns pelo seu novo contrato.

Mas vamos ao que interessa. Primeiro o vídeo com o show do pivete, depois alguns números:



- Os 55 pontos de Jennings foi o máximo marcado por um novato no Bucks. O antigo recorde era de 51 pontos por Lew Alcindor, um novatinho que anos depois seria chamado de Kareem Abdul-Jabbar.

- Na história do Bucks, contando todos os jogadores, não só os novatos, o Jennings foi o terceiro jogador a marcar pelo menos 50 pontos. O Kareem fez isso várias vezes e o Michael Redd marcou 57 pontos em uma derrota para o Utah Jazz em 2006.

- Jennings teve o quinto maior número de pontos em um jogo por um novato na história da NBA. Em primeiro e segundo lugar está Wilt Chamberlain, que fez 58 pontos duas vezes em sua primeira temporada, contra Knicks e Pistons. Em terceiro está Rick Barry, que fez 56 em um jogo contra o Knicks em 1965. Em quarto aparece Earl Monroe, que fez 56 contra o Lakers em 1968. Jennings é o quinto e, portanto, o máximo marcado por um novato nos últimos 40 anos.

- Brandon Jennings, com 20 anos e 52 dias, é o segundo jogador mais novo a marcar 55 pontos em um jogo. O mais novo foi LeBron James, que fez 56 em março de 2005. Aquela temporada era, porém, a segunda temporada de LeBron na NBA.

- Brandon Jennings é o jogador mais novo a acertar 7 bolas de 3 em uma partida (ele acertou 7 de 8 tentadas). LeBron, DJ Augustin, Gallinari, JR Smith e Quentin Richardson completam a lista de únicos jogadores a acertar pelo menos 7 bolas de 3 em um jogo tendo menos de 22 anos completos.

- Os 29 pontos de Jennings no terceiro quarto foi o máximo já marcado sobre o Golden State Warriors em um período na história. O antigo recorde era de Voshon Lenard, que marcou 26 pontos num jogo em 2006.

- O último novato do Bucks a conseguir pelo menos 30 pontos em partidas seguidas foi Glenn Robinson em 1996.

- As atuais médias de Jennings são de 25 pontos e 5 assistências por jogo. Se ele conseguir manter a média até o final da temporada será apenas o terceiro jogador a conseguir pelo menos 25 pontos e 5 assistências de média em seu primeiro ano de NBA. Os outros foram Michael Jordan e Oscar Robertson.

- Se sua média de pontos diminuir e ele ficar 'apenas' na casa dos 20, a lista aumenta um pouco mais e ganha LeBron James e Allen Iverson.

...
Don Nelson, técnico-maluco do Warriors:
"Foi a melhor atuação de um novato que eu já presenciei em 30 anos de NBA."

Scott Skiles, técnico-mala do Bucks:
"É estranho falar isso depois que ele fez 29 pontos só em um quarto, mas ele não foi fominha. Ele estava livre e acertando seus arremessos. Ele acertou 3 de 4 arremessos em sequência e logo depois deu um passe para o Charlie Bell marcar dois pontos. Ele estava lá jogando basquete, tentando nos ajudar a vencer."

sábado, 14 de novembro de 2009

Enterradas da semana

Costumo postar vídeos legais no nosso Tumblr, mas esse vídeo eu faço questão de colocar aqui. É um Top 10 com as melhores enterradas da semana. Sim, só dessa SEMANA! Eu posso jurar que já vi Top 10 de melhores enterradas de temporadas que não chegam nesse nível. Coloca no Full Screen, pegue a pipoca (ou um pedaço de bacon) e aproveite.