quarta-feira, 31 de março de 2010

Montanha Russa (Canadense)

Vestido para dar o fora desse time bizarro, Bosh?


O Raptors é um dos times mais esquisitos da temporada. No ano passado eles foram uma espécie de Nets, tinham um elenco decente (ainda mais para o Leste) e federam bem fedido. Para essa temporada abriram a carteira e levaram o Hedo Turkoglu pra lá, era o parceiro de perímetro que o Chris Bosh precisava.

Começou a temporada e o Raptors não. As primeiras semanas do time canadense foram desastrosas! Pra começar temos o próprio Turkoglu, que teve alguns jogos em que mal arremessou a bola e não chegava nos 10 pontos, ficou durante muito tempo aquela dúvida entre se ele estava com dificuldade de se adaptar ao novo esquema tático ou se era mais um caso de Erick Dampiers e Bobby Simmons que desistem de jogar basquete depois de assinar um contrato grande e gordo.

Se fosse só isso tava bom, mas ele não era o único a começar mal. Ao contrário de aberrações como Brandon Jennings e Tyreke Evans, o novato do DeMar DeRozan demorou um bom tempo para começar a se acertar na liga. Ainda hoje ele tem dificuldades de se destacar, mas pelo menos ele participa mais das jogadas, acerta arremessos de meia distância, no começo ele só fazia pontos em enterradas de contra-ataque, nada mais.

Agora imagina o que era um trio com Hedo Turkoglu, DeMar DeRozan e Jose Calderon! O armador espanhol se destaca pelos passes, pelo controle de jogo, pelos poucos erros, nunca pelo número de pontos que marca. Se ele não faz ponto, o Turkoglu também não e nem o DeRozan, dá pra imaginar a carga que ficou nas costas do Chris Bosh e da garotinha Andrea B. O Bosh lidou bem com isso, claro, ele é monstruoso. Mas ficou na sua vidinha de Marbury, fazendo 25, 30 pontos e vendo seu time perder. A Andrea não dominou jogos como o Bosh, mas foi uma das poucas gratas surpresas do time no começo da temporada, melhorando nos rebotes e sendo uma ameaça constante nas bolas de 3.

Uma contusão do Jose Calderon forçou o técnico Jay Triano a trocar de armador, no lugar dele colocou o Jarret Jack. Foi quando o time começou a se acertar no ataque, o estilo mais agressivo e pontuador do Jack funcionou melhor para um time que precisava de pontos vindo de seus jogadores mais baixos e a equipe ameaçou uma reação. Só ameaçou, porque não dá pra fazer muita coisa tendo a pior defesa de toda a NBA. Sério, a menina desse vídeo faria cestas no Raptors de olhos vendados. Era impressionante como eles não tinham resistência nenhuma a infiltrações (nem Bosh e nem Bargnani são grandes bloqueadores) e qualquer armador mais rapidinho já costurava o time inteiro.

Mas defesa é algo que pode ser treinado. Mesmo sem grandes especialistas em defesa um time esforçado, dedicado e principalmente entrosado pode sair do status de medíocre para regular, e foi o que o Raptors fez para começar a crescer na temporada. Junto disso o Turkoglu começou a jogar bem melhor, foi quando ele deu a fatídica entrevista em que respondeu "Bola".

Para quem não lembra, vou colar aqui o escrevi no dia que postei da primeira vez esse episódio:

"-Depois de três meses de temporada o Turkoglu finalmente jogou uma partida boa. Tá bom que foi contra o Knicks e não contra o Cavs ou o Celtics, mas é um começo. Marcou 26 pontos, seu máximo na temporada, e foi entrevistado ao fim do jogo.

Repórter: Você ditou o ritmo do jogo desde o começo nessa noite, o que aconteceu de diferente?
Turkoglu: Bola."


Meus anos de estudo e de dedicação à interpretação de textos, aliados ao conhecimento do estilo de jogo do Turkoglu me fizeram interpretar essa aberração de entrevista da seguinte maneira: Ele quer a bola na sua mão, não quer ficar assistindo o Jack e o Calderon armarem enquanto ele fica quieto esperando um arremesso, ele precisa ter a bola com ele para criar seu próprio arremesso e armar jogadas para outros jogadores. Algo como ele fazia no Magic na temporada passada, em especial nos quartos períodos.

A gente nunca vai ter certeza disso porque ele só disse "bola", mas beleza, vamos com a minha interpretação porque ela até faz bastante sentido. Tanto que durante algum tempo o Raptors jogou assim, com mais atenção para o Turko e foi quando eles tiveram mais sucesso. Emendaram uma sequência de vitórias, ganharam do Lakers e de outros times grandes e alcançaram o quinto lugar do Leste. Durante algumas boas semanas eu tinha certeza que com esse elenco e com a melhora deles durante o ano era certeza que ficariam em quinto até o fim da temporada regular, podendo até engrossar contra o Hawks ou o Celtics na primeira rodada dos playoffs.

Então, do nada, a defesa entrou em colapso de novo. No começo de março eles tiveram uma sequência de 7 jogos em que perderam 6, veja o número de pontos sofridos nas derrotas: 114, 109, 113, 124, 109 e 115. A única e solitária vitória veio quando conseguiram tomar "apenas" 105 do Atlanta Hawks. O Raptors tem hoje, oficialmente e numericamente, a pior defesa da NBA mais uma vez. São 112 pontos sofridos a cada 100 posses de bola! Nets, Wizards, Warriors, Clippers, Wolves, todo mundo consegue ser melhor que o Raptors, é assustador!

O recorde do time por mês mostra como foi essa temporada montanha russa:

Novembro: (6 vitórias, 10 derrotas)
Dezembro: (9 vitórias, 6 derrotas)
Janeiro: (10 vitórias, 5 derrotas)
Fevereiro: (5 vitórias, 5 derrotas)
Março: (5 vitórias, 10 derrotas)

Como se não bastasse a queda do time desde novembro agora eles lidam com problemas disciplinares. O Turkoglu pediu para não jogar uma partida porque estava com dores fortes no estômago e foi poupado, o time perdeu e horas depois da partida ele estava numa balada de Toronto jogando seu xaveco ("Bola") para todas as canadenses firmeza de Toronto.

Os próprios torcedores do time dedaram o Turko para os dirigentes do Raptors, que puniram o jogador deixando-o no banco de reservas no jogo seguinte. Quando questionado sobre a situação o Turko foi bem humorado mas pareceu também de saco cheio:

"Tá tudo bem. Eu tenho lidado com isso o ano todo. Eles tem ficado em cima de mim sobre esse negócio de sair à noite desde que eu cheguei aqui. Mesmo se eu não estivesse doente eles falariam alguma coisa do mesmo jeito. Eu que não vou falar nada, temos 10 jogos até o fim da temporada e vou tentar terminar jogando bem".

Ele falou bem mais que "Bola" dessa vez, mas já que eu sou o intérprete oficial do Turkoglu no Brasil, vou dizer o que eu li disso tudo:

"Tá tudo bem, eu não me importo com o que esse bando de guarda florestal fala de mim. Eu saio quando eu quero e jogo quando eu quero, a temporada regular tá acabando e no fim das contas só vão lembrar do que eu fiz nos playoffs. Bola".

O problema no que esse Turkoglu estilizado que eu criei falou é que eles estão correndo sérios riscos de não irem para os playoffs. Depois de chegar ao quinto lugar e parecer um time bom, estão em oitavo e apenas uma vitória na frente do Chicago Bulls. Sim, o Bulls!!! O time do Derrick Rose trocou um monte de cara bom, perdeu jogadores machucados, chegou a perder 10 jogos seguidos e mesmo assim está na boca dos playoffs. Isso é o Leste, senhoras e senhores. No Oeste bastou uma sequência de 6 derrotas seguidas do Houston e do Grizzlies para que os dois dessem adeus a qualquer chance de classificação, são conferências muito desiguais.

Eu ainda aposto no Raptors para essa última vaga porque o Bulls está muito mal e porque o Raptors tem a vantagem no confronto direto e se classifica em caso de empate, mas se classificar será apenas algo simbólico, um jeito menos humilhante de acabar essa temporada. Na prática qualquer um dos times que passar para a pós-temporada tem tudo pra ser varrido sem dó nem piedade pelo Cavs. Um final melancólico para um ano cheio de expectativas altas e que, embora estejamos longe de qualquer definição, pode ser o último de Bosh por lá.

terça-feira, 30 de março de 2010

Double Drible - A história do NBA2K

Finalmente chegou a hora de começar nossa seção "Double Drible", sobre videogames de basquete. Nosso primeiro post será sobre um confronto tão problemático quanto israelenses e palestinos, Lakers e Celtics, ou os torcedores do Jazz e o bom gosto. Vamos lá!

Naquela época, o Iverson valia mais do que um sapato velho

No Brasil, muita gente lembra do Mega Drive. Mesmo tendo perdido naquela época para o Super Nintendo (todo mundo queria o jogo do encanador bigodudo em cima de um dinossauro verde), o Mega foi um enorme sucesso nos Estados Unidos e no Brasil. Por aqui, o grande responsável por isso foi a Tec Toy, que lançou o videogame a preços acessíveis e traduziu uma série de títulos (muita pirralhada entrou no gênero "RPG" jogando "Phantasy Star" em português, enquanto a geração seguinte começou com "Final Fantasy VII" no Playstation sem entender uma maldita palavra e achando que era o melhor jogo do mundo porque tinha uns videozinhos com caras de cabelo espetado). Nos Estados Unidos, o sucesso do Mega foi por outro motivo: jogos de esporte. Uma parceria com a EA permitiu que o console da Sega recebesse as primeiras entradas de franquias como "Fifa" (futebol), "Madden" (futebol americano), "NHL" (hockey) e "NBA Live" (basquete, ou ao menos algo que de longe no escuro lembrava vagamente um troço mais ou menos parecido com basquete). Naquela época a maior parte dos jogos era feita no Japão e, como bem sabemos, o gosto dos orientais para jogos é um troço altamente questionável. Fazer um videogame estourar nos Estados Unidos exigia algo com que os americanos pudessem se identificar mais do que magia e espadas, e a resposta para isso foram os esportes.

Quando o Mega Drive já estava morto e enterrado (menos no Brasil, onde ele continuaria a receber consoles novos com 4 milhões de jogos do Sonic na memória e títulos novos como "Show do Milhão"), a Sega resolveu lançar um console novo chamado Dreamcast. Como parte da estratégia de lançamento nos Estados Unidos, a Sega sabia que precisava de jogos de esporte que chutassem traseiros. Quando encontraram uma empresa chamada "2K", que havia desenvolvido uma tecnlogia muito avançada em simulações esportivas, compraram rapidinho e prepararam versões de NBA, futebol americano, hockey e até baseball. Os responsáveis pelo console nos Estados Unidos botaram tanta fé na "2K" que começaram a colocar mais e mais dinheiro na empresa e resolveram que seus jogos sairiam no lançamento do console. A grande sacada do Dreamcast é que ele vinha com acesso à internet, e nada melhor para mostrar o poder da jogatina online do que enfiar um jogo de esporte nessa brincadeira.

No entanto, a EA não ficou muito feliz de saber que teria concorrência. O sucesso no Mega Drive tinha deixado a EA empolgada, então eles resolveram avisar a Sega de que não lançariam nada para o videogame se eles insistissem na ideia idiota de apoiar a tal de "2K". O problema é que os jogos da EA iam muito além da área esportiva, com sucessos em quase todos os gêneros. Perder todos os jogos da EA seria uma cagada para qualquer console do planeta, mas o pessoal da Sega confiava tanto nos jogos da "2K" que acharam que valia a pena.

Quando o Dreamcast foi lançado com o jogo "NBA 2K", eu fiquei biruta. Muitos anos haviam me acostumado com aquele lixo que a EA lançava sob o nome de "NBA Live", mas bastaram 5 minutos com o jogo da "2K" para que eu vomitasse ao lembrar daquilo que eu vinha jogando antes. É claro que o Dreamcast era um videogame poderoso que chutava traseiros e não dava para comparar com o que a EA estava lançando para o Playstation, que era tecnicamente muito inferiro, mas o cuidado da "2K" com os detalhes era pra ficar impressionado. Eu falava tanto no Dreamcast e no "NBA 2K" que colegas meus que foram para os Estados Unidos não resistiram e compraram uma versão do console que vinha junto com o "NBA 2K1", a sequência do título. Não demorou muito para, jogando isso toda semana, o Denis e eu comprarmos um Dreamcast cada para inicar longas jornadas, madrugadas adentro, nos enfrentando no jogo de basquete da 2K.

Infelizmente, o mundo conspirou um tanto contra o Dreamcast. Não ter apoio da EA (apoio esse que foi parar no Playstation 2, lançado pouco depois) machucou muito as vendas do videogame, além do fato de que o Playstation 2 era o leitor de DVD mais barato da época e rapidamente começou a inundar os lares japoneses junto com a onda de filmes piratas no país. Com tantas unidades vendidas, rapidamente as produtoras começaram a lançar exclusivamente para o videogame da Sony e a Sega foi se lascando. O videogame anterior deles, o Sega Saturn, tinha sido um fracasso gigantesco fora do Japão (os jogos eram muito esquisitos!), então a Sega estava cheia de dívidas e precisava que o Dreamcast desse certo rápido. Nos Estados Unidos ele até que se saiu bastante bem, no Brasil ele foi novamente um sucesso nas mãos da Tec Toy, mas no Japão ele vendia menos do que a Playboy da Mariana Kupfer (que é uma bela Playboy, aliás, mas o maior fracasso da revista no Brasil). Não demorou muito para a Sega precisar começar a lançar jogos para outras plataformas para tentar acalmar as dividas, mas é claro que as outras empresas (em especial a Microsoft, com seu recém-lançado Xbox) exigiram o fim do Dreamcast para que os jogos fossem lançados para seus consoles.

O Xbox acabou herdando uma série de jogos que sairiam para o Dreamcast, numa clara tentativa da Microsoft de dominar o mercado americano. Baita visão de mercado: em alguns anos, o mercado japonês tornou-se secundário perto das vendas nos Estados Unidos e Europa e a Microsoft conseguiu se consolidar mesmo sem convencer os japoneses, principalmente através de uma rede de jogatina online - que antes pertencia ao videogame da Sega.

O último NBA lançado no Dreamcast foi o "NBA 2K2", mas a maior parte das pessoas que jogava na internet migrou para o Xbox, que passou a receber as continuações da franquia. A EA continuou lançando a série "NBA Live" em todos os consoles e muita gente ainda comprava porque não tinha ouvido falar da "2K" (e nem do Dreamcast!), mas aos poucos a diferença entre as franquias ficou tão gritante que não havia como ignorar. Quem jogou "NBA Live" na última década simplesmente não conhecia a franquia rival, que era melhor em todos os aspectos possíveis. Quando a EA parou de lucrar apenas com a própria fama, resolveu soltar um comunicado admitindo que a série "NBA 2K" era mesmo melhor e que, portanto, iriam tacar o "NBA Live" na privada e começar de novo. O resultado não foi nada bom, mas pelo menos foi uma tentativa de melhorar e correr atrás da concorrente. A evolução da EA é evidente ano a ano e agora, finalmente, o "NBA Live 10" e o "NBA 2K10" são mais próximos do que jamais foram na última década, ainda que a 2K continue mantendo uma clara vantagem.

A abordagem da EA sempre foi a de criar jogos de esporte em estilo "arcade", ou seja, um esporte divertido e irreal que atraia jogadores de todas as idades e interesses. No futebol é possível driblar todo mundo, no basquete todas as jogadas terminam com enterradas. Quando a 2K apareceu no basquete e a Konami no futebol com "Winning Eleven", a tentativa era de criar jogos de esporte em estilo "simulação", o mais perto possível das possibilidades e complexidades do esporte de verdade. Obviamente, quem é apaixonado por algum esporte quer jogar algo complexo que lembre ao máximo sua paixão real, e foi assim que a EA sentou na própria fama e perdeu espaço brutalmente para as novas franquias.

A série "Fifa" teve que correr atrás de "Winning Eleven" e com muito dinheiro e a decisão de tornar o futebol uma simulação perfeita, conseguiu se colocar novamente como a líder do mercado (e não tem nem como questionar, "Fifa 10" é bilhões de vezes melhor do que a nova entrada da série "Winning Eleven"). A série "NBA Live" também está gastando uma grana absurda para virar um clone dos jogos da 2K. E o mesmo só não aconteceu com o futebol americano, em que o "Madden" da EA ainda reina absoluto, porque eles conseguiram assinar um contrato de exclusividade com a NFL. Na época do Dreamcast, o "NFL 2K2" já era superior ao Madden, mas sem a licensa para os jogadores e times ficou impossível competir com o rival. A solução da 2K foi colocar no jogo apenas atletas aposentados e permitir a os jogadores montar seus próprios times, mas é claro que isso é muito mais chato do que jogar com sua equipe favorita e, portanto, não deu certo. Mas pergunte para qualquer fã do esporte que tentou esses jogos da "2K" e ele te dirá que Madden ainda é inferior, apenas tem os direitos. E é assim que eles querem: lançar jogos com poucas inovações e esforço perto do zero, gastar pouco dinheiro, atualizar os elencos e relançar o jogo para vender milhões. Malditos safados, não vejo a hora da "2K" poder lançar jogos da NFL de novo apenas para forçar a EA a fazer um trabalho decente.
Não existe por aqui, no Bola Presa, nenhuma birra em particular com a EA, eu por exemplo sou um grande fã da série "Fifa" (e recentemente fiquei muito impressionado com a atenção dada aos detalhes em "Dead Space"), mas é ridículo o descaso com que eles tratam os títulos de esporte em geral.

O trabalho só é bem feito quando a água bate na bunda, parece o Lakers que só joga bem quando precisa. A atitude de tentar um monopólio na época do Dreamcast, se negando a enfrentar qualquer competição, ou de pegar os direitos da NFL apenas para si (algo que eles já tinham feito em maior grau com os "Fifas" anteriores), é típico de quem não quer ter que gastar um centavo para melhorar o jogo a menos que seja obrigado.

Basta jogar um pouquinho de "NBA 2K10" e de "NBA Live 10" para qualquer fã de NBA ter o bom senso de ficar com o jogo da "2K". É legal que a EA esteja investindo, correndo atrás, e não há dúvidas de que a gente vai jogar quando eles tiverem o melhor jogo de NBA do mercado. Mas, por enquanto, quem jogar "NBA Live" vai ser queimado na fogueira pelo Bola Presa (mesmo destino de quem não concordar que o Dreamcast foi o melhor videogame de todos os tempos). A série de NBA da "2K" continua muito a frente, e estamos até pensando em montar um encontro em São Paulo para jogar basquete virtual com os adoradores da franquia e, ao mesmo tempo, tentar converter os infiéis. Em breve falamos mais sobre essa ideia, e aí aproveito para escrever um pouco mais sobre o "NBA 2K10" em si e o que ele inovou na jogabilidade. Mas isso fica pra depois, porque agora vou religar o meu Dream e jogar com o Michael Jordan no Wizards do meu "NBA 2K2"!

segunda-feira, 29 de março de 2010

Filtro Bola Presa - Um resumo fenomenal

Benny The Bull conseguiu um terno digno de Craig Sager para entrevistar Craig Sager


E aí pessoal, tudo certo? Semana passada não tive tempo de fazer o Filtro Bola Presa, um apanhado de todas as notícias e estatísticas relevantes que não viraram posts, o que quer dizer que tenho muita coisa para postar no Filtro de hoje. Então vamos lá, sem enrolar muito nessa introdução, nem vou perder linhas e linhas comentando do desfecho do Jorge na novela. Vocês acreditam que ele deve acabar com a Ariane e não com a Mirna ou a Paixão? Um absurdo! Ele devia ficar com a Mirna e casar com ela no último capítulo junto com o casório da Luciana com o Miguel, só pra mãe deles assistir um filho casando com uma puta e o outro com a aleijada.


- A EA Sports vai lançar um novo NBA Jam! É, aquele jogo onde duplas de jogadores da NBA se enfrentam, pulam até o teto para enterrar, a bola pega fogo, todo mundo tem a cabeça maior que a do Shelden Williams e o narrador grita BOOM SHAKALAKA! Tirando o saudosismo de quem jogou isso com 10 anos de idade no seu Mega Drive, por que alguém jogaria esse jogo?


- Veja essa notícia sobre o Stephon Marbury e sua aventura no basquete profissional chinês. Não é um triste resumo de toda sua carreira?
"Marbury foi eleito o MVP do All-Star Game da Liga Chinesa de Basquete com uma partida de 30 pontos e 10 assistências. Em 15 jogos com o Shanxi Zhongyu Kyllins ele também atingiu o recorde de assistência do campeoanto com média de 9.6 por jogo. Contudo o seu time não conseguiu uma vaga para os playoffs".

No nosso Tumblr eu já tinha postado na semana passada um trecho do All-Star Game Amarelo onde o Marbury acerta 3 bolas de 3 seguidas de muito longe!


- No último sábado o novato Rodrigue Beaubois do Mavs destruiu o Warriors com 40 pontos. Ele acertou 9 bolas de 3 na partida, foi apenas o terceiro jogador a temporada a acertar tantas bolas de 3 num jogo. Os outros dois foram do Nuggets, JR Smith acertou 10 contra o Hawks e o Chauncey Billups fez 9 em uma partida contra o Lakers.

Foi a segunda maior pontuação de um novato na temporada. O líder ainda é Brandon Jennings, que fez 55 pontos também contra a fortíssima defesa do Warriors.

- Os 55 pontos do Jennings ainda são a maior marca de toda a temporada para todos jogadores, e apenas um dos três que passou de 50 nesse ano. Os outros são Andre Miller, que marcou 52 contra o Mavs e Carmelo Anthony, que fez 50 contra o Knicks.

Essa marca de apenas 3 partidas com um jogador marcando 50 pontos é muito baixa para os padrões da NBA. Em 08-09 foram 11 jogos com mais de 50 pontos, em 07-08 tivemos 5 e na temporada 06-07 foram simplesmente 18 partidas com alguém fazendo pelo menos 50 pontos.

- O Atlanta Hawks conseguiu na última semana não ser varrido pelo Orlando Magic na temporada. E fez isso com uma enterrada no último segundo do Josh Smith! O jogo também marcou a classificação matemática do Hawks para os playoffs, o que significa a primeira aparição do Jamal Crawford na pós-temporada em toda a sua carreira. Coincidência macabra que essa classificação aconteceu no jogo número 666 da carreira do Crawford! Não precisamos de mais provas para concluir que ele vendeu a alma para o diabo para ter o talento que tem.

Mas o melhor momento do Hawks nas últimas semanas foi esse momento Serginho entre Josh Smith e Mike Bibby. Alguém consegue explicar esse vídeo?


- Já perguntaram uma centena de vezes no nosso Both Teams Played Hard se houve um fim de carreira tão melancólico como o do Allen Iverson. Para quem quer saber, o site streetlevel fez uma lista com as aposentadorias mais decepcionantes da história da NBA.

- Acho que o Gilbert Arenas concorda comigo que "O homem da pistola de ouro" é um dos melhores filmes do 007 apesar do nome parecer mais uma produção do Brasileirinhas. Olha só a arma que ele tinha no vestiário!



- O Phoenix Suns é líder da NBA em produção de vídeos. Já tivemos Avatar, o Leandrinho cantando Lionel Richie e até um vídeo mostrando que o Jared Dudley tem "as mãos mais atléticas da história". O mais novo trabalho deles é sobre estatística, eles contaram quantos "high-fives", como eles chamam o nosso "toca aí", ele dá durante um jogo.

Pra quem não pode ver o vídeo porque está no trabalho chato, eu conto: Ele deu 239 'tocaís' numa partida! O Leandrinho chega a dizer no vídeo que machucou o pulso por culpa de tantos cumprimentos durante o jogo, genial.



- Mas não vamos ser ridículos, o melhor vídeo da semana que o Phoenix Suns produziu foi essa enterrada do Amar'e Stoudemire no Anthony Tolliver.


- Na ótima música "Empire State of Mind" o Jay-Z canta um verso que chamou a atenção de muita gente que gosta da NBA. Ela diz "If Jeezy is paying LeBron, I'm paying Dwyane Wade", em português "Se Jeezy está pagando LeBron, eu estou pagando Dwyane Wade".

No nosso Both Teams Played Hard um cara comentou que isso tinha a ver com o preço que os caras pagam por cocaína, mas fui mais longe pra saber mais. Acontece que usam lá nos EUA o número das camisetas dos jogadores da NBA para dizer quanto pagam pelo quilo de cocaína no mercado. Quilo esse que, segundo o último World Drug Report da ONU, tem o preço médio de 28 mil dólares.

O rapper Jeezy, em sua horrível música 24-23, diz que "antes pagava Kobe (24) e agora pago LeBron (23)". Usando a gíria para dizer que antes pagava 24 mil mas comoé malandro agora paga 23 mil pelo quilo. Como resposta o Jay-Z, fodão como sempre, diz que paga só um Dwyane Wade, um mísero número 3. Achei até um gráfico muito engraçado que comenta a situação:



8 ou 80 - O cantinho das estatísticas desnecessárias
Hoje estou com uma coleção gigantesca de números imbecis, vamos lá!

- Em uma coluna "8 ou 80" que postei um tempão atrás ainda no BasketBrasil, mostrei as estatísticas que colocavam o Carmelo Anthony como um dos melhores, senão O melhor, arremessador em bolas decisivas. Na época ele tinha 13 bolas vencedoras nos segundos finais! Mas o curioso é que nenhuma das bolas era um buzzer-beater (aquela bola que entra com o cronômetro já encerrado, leia mais sobre esse e outros termos em inglês aqui)!

Mas nessa semana o Melo conseguiu seu primeiro buzzer da carreira, vencendo o Toronto Raptors no estouro do cronômetro depois de um rebote ofensivo heróico do Nenê. Veja o vídeo aqui.

- Na última quarta-feira o Rajon Rondo empatou com o Nate Archibald pelo recorde de mais jogos com pelo menos 15 assistências em uma temporada na história do Celtics. No jogo seguinte ele igualou o máximo de sua carreira com 18 assistências e agora detém o recorde sozinho. E olha que pra ter recordes no Celtics não é fácil, já passou muita gente boa por lá!

- Na derrota para o Lakers na semana passada o Tim Duncan acertou apenas 2 de 11 arremessos que tentou. Foi a terceira vez nos últimos 20 jogos que o Duncan acertou menos de 20% de seus arremessos, coisa que ele só tinha feito 6 vezes em 947 jogos na sua carreira. Alguém imaginou que ele ia ficar velho tão rápido?

- Essa derrota para o Lakers foi a 40ª partida entre Tim Duncan e Kobe Bryant em temporadas regulares. É o maior número de confronto entre dois jogadores pelos mesmos times. Em seguida aparecem os confrontos Duncan-Nowitzki, com 39 jogos e Kobe-Nowitzkicom 38. Nesses 40 jogos o Spurs venceu 21 e o Lakers 19.

- Semana passada o Gerald Wallace fez um jogo de 17 pontos e 19 rebotes, foi a 7ª vez na temporada que ele conseguiu pelo menos 15 pontos e 15 rebotes numa partida. Nenhum outro jogador com a sua altura, 2,01m, ou menor conseguiu sequer um jogo com esses números nessa temporada.

- Na segunda-feira passada o Spurs venceu o Thunder, mas no caminho tomou 45 pontos do Kevin Durant. Foi a primeira vez que um jogador marcou pelo menos 45 pontos contra o Spurs desde 1999, quando Allen Iverson marcou 46. Foi a sequência mais longa da história da NBA sem deixar um jogador marcar 45 ou mais pontos.

Agora o Pistons, com 617 jogos, tem a maior sequência em atividade. A última vez que eles tomaram pelo menos 45 pontos foi quando T-Mac marcou 46 no natal de 2002.

- Essa é pra quem tem saudade da gente zoando os gordinhos do Bola Presa! O Brook Lopez conseguiu a proeza de marcar 26 pontos e pegar apenas um mísero rebote na derrota do Nets para o Heat na semana passada. A última vez que um pivô tinha marcado mais de 20 pontos e pego só um rebote em um jogo tinha sido em 2007 com, claro, o saudoso Eddy Curry! Ah, ele era um especialista em não pegar rebotes!

- Na derrota de ontem do Kings para o Cavs o Beno Udrih se tornou o segundo jogador a conseguir um triple-double ao enfrentar LeBron James. Curiosamente o primeiro havia sido também um armador do Kings, Mike Bibby, em 2005.

- O novato Darren Collison se tornou ontem o segundo jogador na temporada a conseguir um jogo tentando pelo menos 10 arremessos e não errando nenhum. Ele chutou 10 bolas na derrota para o Blazers e acertou todas, o primeiro tinha sido Dwight Howard com aproveitamento de 11-11 contra o Rockets. A pergunta que não quer calar é porque não tentaram mais arremessos...

sábado, 27 de março de 2010

O pior do ano (mas não da história!)

Você também usaria se torcesse para o Nets. Ou se fosse feio como o Calvin Booth.

Não sei explicar direito o porque, mas assisti vários jogos do Nets nessa temporada. Não sei se é porque eu me sinto culpado por ser um pecador e acho que mereço ser punido, se é pra rir da desgraça alheia ou se é pra tentar entender como um time com um elenco daqueles consegue lutar até as últimas semanas da temporada para não ter a pior time de todos os tempos.

Talvez seja um pouco das três coisas, mas mais pela última. O Devin Harris está longe de ser o melhor armador da NBA e vai estar na lista do prêmio Monstars de jogadores que mais desaprenderam a jogar na temporada, mas ainda assim é um tremendo jogador, o Brook Lopez tem vaga garantida como pivô no All-Star Game todo ano, é só jogar em um time que não vença menos jogos que o Washington Generals. E sem contar jogadores bons e legais de assistir como Chris Douglas-Roberts, Courtney Lee, Yi Jianlian e o novato Terrence Williams, que dá algumas das enterradas mais legais da NBA atualmente. Tudo isso junto monta um time interessante, preciso assistir pra tentar achar uma explicação para o fato deles serem mais fedidos que o Rio Pinheiros.

Mas antes de explicar porque o time é ruim, gostaria de achar uma explicação sobre porque as pessoas vão até o ginásio do Nets, o IZOD Center, que dizem que fica perto de um lixão e longe de tudo, e pagam para assistir esse lixo de time (um time lixo do lado de um lixão, que mundo irônico, não?)? Eu estou em casa, entediado e sem muitas opções do que fazer, mas e eles? Será que o Nets tem uma Gaviões da Fiel que está com o time em qualquer situação (desde que o preço dos Tacos dentro do ginásio ainda seja bom)? Pode ser, mas toda torcida apaixonada assim cedo ou tarde vai começar a reclamar.

No começo da temporada ficou conhecida a foto de dois torcedores do Nets que apareceram em um jogo com um saco de papel na cabeça com os dizeres "0-18", indicando as 18 derrotas e nenhuma vitória do time no campeonato, e escondendo a cara de vergonha por ser um fã do Nets. Veja a foto aqui.

E eis que no jogo contra o Heat, três jogos atrás, apareceu mais um cara com um saco na cabeça, mas dessa vez sem nada escrito. É a foto que ilustra nosso post. Apenas ficou parado assistindo ao jogo e escondendo sua cara para que ninguém soubesse que ele torce para o Íbis da NBA. O episódio teria passado em branco se não fosse por um cara chamado Brett Yomark, o CEO do New Jersey Nets. Bravo com a atitude do torcedor, foi até ele e perguntou "Por que você está com um saco na cabeça?", a resposta foi curta, seca: "Porque é o Nets é tãaao bom". O cara de terno e gravata, chefe de operações e executivo importante do time perdeu a compostura, mostrou o dedo do meio para o torcedor e foi embora. Tudo do lado de um monte de jornalistas e outros torcedores.

Mas não é que a cobrança do torcedor e a polêmica em torno da reação do CEO foram seguidas de duas vitórias? Faltava motivação? Reclamação? Acho que o fato serviu para lembrar todos os jogadores que a temporada estava chegando no fim, a água estava chegando na bunda e que daqui a pouco quem teria que usar sacos na cabeça seriam eles, por estarem no pior time de todos os tempos.

Analisando o monte de jogos que eu assisti do Nets, a minha conclusão mais clara é a de que eles não são sempre ruins, mas não tem idéia de como ganhar um jogo. Durante três quartos eles são ruins como qualquer outro time ruim do Leste, como o Sixers ou o Knicks, mas no quarto período eles fazem uma bobagem atrás da outra e perderiam até para o time meu e do Danilo que disputava os saudosos Jogos Escolares de São Bernardo. Cansei de pensar que ia presenciar uma vitória do Nets e só ver eles forçando arremessos de três em horas impróprias e tomando cestas fáceis e bobas no minuto final. Qual a solução para um time assim?

O Bucks, que tinha sérios problemas ofensivos em quartos períodos, se arrumou trocando pelo John Salmons, que começou a tomar conta dos jogos nos minutos finais. Mas como o Nets não tinha a defesa do Bucks e nem tentou contratar ninguém, a solução era mais complicada, era vencer o jogo em três quartos. Foi o que fizeram contra o Kings.

Faltavam 12 jogos para o fim da temporada e nesses jogos eles precisavam de 2 vitórias para igualar a marca do Sixers de 1973, o time com menos vitórias em uma temporada na história, ou 3 para se livrar dessa sina. O jogo era em casa e o Kings estava sem Tyreke Evans, machucado, a chance era de ouro e eles aproveitaram. Jogaram os três primeiros períodos com uma baita vontade, com medo da marca histórica e bastou esse empurrãozinho para que entrassem no último quarto vencendo por 9. Com essa vantagem, em casa e contra um time que estava sem o jogador que faz tudo no último período não tinha como perderem.

O jogo seguinte foi contra o Detroit Pistons. Um jogo que eu não assisti porque tenho amor à vida. No nosso Twitter até desafiei as pessoas a assistirem os 48 minutos de jogo, sem trocar de canal e sem vomitar, duvido que alguém tenha conseguido. A partida era novamente em casa e contra um time que está numa fase horripilante. Dessa vez não vencerem em três quartos, muito pelo contrário, o melhor período foi justamente o último! Marcaram 38 pontos no período final, o Yi Jianlian dominou o fim da partida e eles defenderam tão bem durante todo o jogo que marcaram 21 pontos de contra-ataque, quase 10 a mais do que a média deles na temporada. E não dá pra não mencionar os 37 pontos do Brook Lopez, marca máxima da sua carreira.

Tá bom que o adversário foi um lixo, mas o mínimo que a gente esperava do Nets na temporada era isso, que eles tivessem um time bom o bastante para ganhar de outros times ruins. Só isso! Nada nunca vai explicar porque eles perderam de tantos times horríveis durante essa temporada, porque entregaram tantos jogos nos minutos finais. E essas duas vitórias seguidas contra times ruins só mostram que a maior parte do problema estava na cabeça dos jogadores, bastou um pouco de vontade, aquele "sentido de urgência" por vitórias que todo mundo buscou o melhor do seu jogo.

A melhora do Nets foi acompanhada da melhora de humor do CEO que mostrou o dedo para o fã com o saco na cabeça. Já na partida seguinte ele fez uma promoção no IZOD Center: Todo torcedor que tivesse um saco na cabeça seria abordado por funcionários do ginásio e ofereceriam para eles um pacote de presentes que tinha um poster do time, um pacote com cards da NBA e uma mensagem dizendo "Obrigado por nos deixar ver a sua cara. Esperamos vê-la mais vezes em partidas do New Jersey Nets". Quem tirasse o saco, levava o presente. Podem levar o case para suas aulas de marketing, crianças.

Hoje tem mais um jogo e mais um adversário em fase lamentável, o Bulls. Eu aposto em mais uma vitória do Nets, assim como aposto em mais vitórias deles até o fim da temporada. Nos seus jogos finais ainda pegam o Bulls mais uma vez e o Wizards, dá pra ganhar numa boa. Também apostaria que eles poderiam vencer o Pacers, mas não vou falar nada porque, sem ninguém perceber, o Pacers tem 5 vitórias seguidas! Atualmente é a maior sequência de vitórias do Leste e a segunda maior da NBA, perdendo apenas para as 6 seguidas do Suns.

Explicar a mini-ressurreição do Nets não foi fácil, mas eu tentei nesse post. A do Pacers eu nem me arrisco a chutar! O Indiana tem o segundo ritmo de jogo mais rápido da liga (perde só para o Warriors), mas tem só o 3º pior ataque da NBA, ou seja, é um Warriors que não sabe atacar. Além disso de uma zica Clipperiana que faz com que trocentos jogadores fiquem se machucando um atrás do outro e de maneira bizarra, foi primeiro o Mike Dunleavy, depois o TJ Ford, Jeff Foster e o Roy Hibbert conseguiu machucar a mandíbula!

Mas o destaque na área médica vai para o Tyler Hasnbrough. Ele só jogou 29 jogos na temporada, sua última partida foi em 16 de janeiro e desde então ninguém sabe o que ele tem. Alguns médicos dizem que é uma infecção no ouvido, mas ninguém tem certeza, o cara não pode ser curado porque não sabem o que tratar. Rumores dizem que o Dr. Foreman acha que é câncer, o Taub acha que é uma doença auto-imune, o House acha que o Hansbrough está mentindo e todo mundo sabe que não é Lúpus.

Para vocês que estão afim de um jogão entre dois times quentes, anotem aí, dia 10 de abril tem Nets x Pacers, você ousa perder essa partidaça? Tá, confesso, não conseguir manter a cara séria enquanto escrevia isso.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Basquete de mentira

O post de hoje é pequeno e nem é sobre NBA, mas vale a pena mesmo assim. Eu estou produzindo na faculdade um documentário sobre Futebol de Mesa, o famoso jogo de botão que ganhou esse nome pomposo quando virou oficialmente um esporte (pode procurar lá no Conselho Nacional de Desportos!) e durante uma pesquisa sobre os botões, encontrei um vídeo sobre Basquete de Mesa! Sim, um jogo de botão onde ao invés de você acertar o gol, faz uma cesta. Saca só o vídeo!



Eu não sei se quem fez o vídeo é a única pessoa que joga isso, mas quem sabe ele não fica sabendo do post e comenta, não é? Tentei entrar em contato mas não consegui. Sei que eu, com todo meu talento no futebol de botão, que só é parecido com o meu talento em física nuclear, nunca que ia conseguir acertar essa cesta! Acho que é um jogo que só daria certo pra quem manja muito da coisa, alguém mais já tinha ouvido falar nisso?

E curioso que levando além essa pesquisa ainda descobri mais uma coisa: Esse jogo já foi até patenteado! Sacá só a descrição do site Patentes Online:

Basquetebol de Mesa, é um brinquedo semelhante ao Futebol de Mesa, ("botão") para ser jogado manualmente através de uma mesa composta por face rígida revestida por espuma fina, esta revestida por um tecido com as marcações de quadra impressas e contendo tabelas de basquete pequenas com aro e cestas com diâmetros aproximado de um copo. Os jogadores são fichas de plásticos ou acrílico, chatos e com bordas arrendondadas. A bola é uma ficha menor da mesma forma.
Procede-se o jogo com jogadas alternadas e a movimentação é feita pressionando-se um dos jogadores sobre a bola que saltará devido a pressão sobre a espuma e tecido, assim disputa-se os lances seguindo as devidas regras de basquetebol de mesa semelhantes as do oficial, gerando assim um empolgante jogo que exige habilidade e precisão de pontaria, ideal para crianças, jovens e adultos.

Tá bom, o texto é mal escrito e confuso, ainda precisei alterar umas coisas pra ele fazer sentido e ninguém ficou convencido com o "empolgante", mas vale a intenção. Resumindo, a coisa é igual ao futebol de mesa, cada um joga uma vez e o botão bate embaixo da bola feita de espuma, que sobe a acerta a cesta, fazendo dois pontos para a equipe.

Mas quem fez essa patente tem um jogo desse em casa? Foi a mesma pessoa que fez o vídeo? O username de quem fez o upload do vídeo é casilpinto, o da patente é Leozi Santos, não parece que são a mesma pessoa, mas na internet, onde a Maria Joaquina pode ser a Dark_Princess33, ninguém pode ter certeza.

É importante não confundir esse jogo com outro basquete de mesa, o Basketoy, que foi um dos finalistas do Domingão da Invenção, mais um quadro que o Faustão criou copiando um reality show gringo. Dá pra ver nesse vídeo que esse jogo é bastante diferente e, convenhamos, um bocado bizarro.

Cansaram de basquete de mesa? Então recomendo a todos que saiam da mesa para irem arremessar umas bolas de verdade. Ou quase isso, na verdade arremessar umas bolas de borracha em aros do tamanho do peitinho da Sandy (disse "peitinho da Sandy" pra ganhar uns acessos!). Estou falando daqueles arcades de basquete que tem em qualquer Playland por aí, aqueles que você tem tantos segundos para fazer cestas impossíveis e ganhar meia dúzia de tíquetes, que quando você juntar um trilhão poderá trocar por uma pistola d'água quebrada.

Quem fala desse basquete-arcade com bolas de borracha é o sempre genial Basketbawful. Para quem não lê muito em inglês, no post ele conta que quando saiu da cidade para disputar um torneio de boliche (!!!), encontrou essa incrível máquina que temos por aqui. A diferença é que lá a máquina era licenciada pela NBA e simbolizava o duelo Californiano entre Kings e Warriors, mas o lado do Kings estava quebrado, semelhanças com o time de verdade são mera coincidência. Leia o texto inteiro da saga do Basketbawful aqui.


Para terminar, e ainda falando em produtos oficiais da NBA, alguém mais além de mim já jogou o pinball oficial da NBA que tem no Lord's, uma casa famosa de fliperama próxima da Praça Sílvio Romero no Tatuapé, Zona Leste de São Paulo? É um pinball bem antigo e complexo demais para o meu gosto, mas pareceu bem legal pra quem entender. E sabe que eu até comecei a sacar melhor como funciona o negócio depois de ver o vídeo oficial do lançamento do jogo?

Foi o primeiro (e me arriscaria a dizer o último) pinball oficial da liga. Aposto que o David Stern tem um na mansão dele.



E você, conhece algum outro jogo de basquete que não seja o jogo de verdade e nem no video game? Manda bala nos comentários que a gente quer se divertir mesmo que o jogo seja ruim.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Ma engrish two bad - As respostas

Silêncio, crianças! Hora de aula de inglês com a professora Juliana Silveira


Os leitores mais antigos devem lembrar dessa foto, postamos no nosso primeiro post didático, que explica o que são Free Agents. Então aqui estamos de volta com a professora mais deliciosa do bairro para uma aulinha de inglês.

Depois de pouco mais de uma semana, aqui estão as respostas do nosso primeiro Ma Engrish two bad. No post anterior as pessoas postaram termos gringos que são usados no basquete e que elas não sabiam o significado, aqui a gente separou por categoria, explicou todos e ainda colocou alguns outros.

Nos comentários vocês podem colocar mais, explicaremos em breve!

Posições dos jogadores
Point Guard (PG)
- A palavra "guard" é a que designa o que chamamos aqui no Brasil de armador. Entre os dois guards, o point é o armador principal ou, na nossa denominação numérica, o número 1. Claro que existem diversos sistemas ofensivos, mas esquecendo um pouco as exceções podemos dizer que o armador principal, o point guard, é aquele cara que comanda o ataque, é o que chama as jogadas, é a cabeça do técnico dentro da quadra. Também costuma ser o jogador mais baixo do time.

Exemplos de jogadores: Jason Kidd, Chris Paul, Steve Nash, Rajon Rondo e John Stockton.

Utilização em uma frase: O Chuck Hayes é um pivô com tamanho de point guard. / Leandrinho é ótimo jogador, mas não é um point guard.

O termo "Point" é usado para se referir à armação do jogo. Quando se diz que em determinado momento do jogo o LeBron James está "running the point" quer dizer que é ele quem está ditando o estilo de jogo do seu time.

Shooting Guard (SG) - Na denominação numérica é o número 2 e aqui no Brasil chamamos também de segundo armador ou ala-armador. Algumas pessoas até já usam a tradução ao pé da letra de armador arremessador.

Na concepção mais clássica do basquete o shooting guard é o cara que faz pontos, daí o nome de arremessador. Ainda hoje grande parte dos cestinhas da NBA jogam nessa posição e tem como características serem mais altos que os armadores principais mas ainda com bastante habilidade no controle da bola, coisa que vai se perdendo quando entrarmos no mundo dos alas.

Hoje existem muitos shooting guards que não marcam pontos, que vivem da sua defesa, como o Arron Afflalo ou o Anthony Parker, por exemplo. É uma variação da posição, fugindo da sua função clássica de ser a posição do cara que marca pontos, mas ainda com o mesmo nome.

Exemplos de jogadores: Kobe Bryant, Joe Johnson, Ray Allen, Brandon Roy e Michael Jordan.

Utilização em uma frase: Como o Kobe é o melhor jogador da história se não é nem o melhor shooting guard da história?

Small Forward (SF) - Na denominação numérica é o jogador da posição 3. Apesar do nome small ('pequeno' em inglês), os jogadores dessa posição não são tão baixos assim, muito pelo contrário, já nessa posição podemos encontrar caras na faixa dos 2,05m. Aqui no Brasil podem ser chamados de alas, ala-pequeno, ala-menor, escolta ou lateral. A palavra "Forward" sozinha é como os gringos chamam os alas.

No time da escola onde eu, com meu tamanho todo, era o small forward, costumávamos dizer que a posição 3 era daquele que não tinha característica nenhuma. Geralmente os jogadores dessa posição são rápidos e baixos demais para jogar no garrafão mas altos e sem a habilidade o suficiente para a armação. Nesse limbo eles podem ser considerados uns zé ninguém ou, se quiser agradar, diga que é nessa posição que se encontram os jogadores mais completos do basquete.

Exemplos de jogadores: LeBron James, Trevor Ariza, Tayshaun Prince, Grant Hill e Larry Bird.

Utilização em uma frase: Você acha que o Kevin Durant rende mais jogando como shooting guard ou small forward?

Power Forward (PF) - Nos números é a posição 4 e se você for o piadista da turma pode dizer que os power forwards são os jogadores que jogam de quatro. Aqui no Brasil são chamados de alas-pivô ou, na tradução literal, alas de força.

Os jogadores dessas posições costumam ser enormes, alguns até mais altos que muitos pivôs, mas costumam ser também mais habilidosos que estes longe da cesta. Jogadores como o Tim Duncan viraram power forwards e não pivôs porque mesmo com o tamanho para jogar lá dentro, faziam mais diferença usando o seu talento no jogo de meia distância.

Exemplos de jogadores: Tim Duncan, Dirk Nowitzki, Kevin Garnett, Chris Bosh e Karl Malone.

Utilização em uma frase: O Amar'e Stoudemire deveria jogar apenas como power forward.


Center (C) - Aqui chegamos na posição 5. Também chamado de pivô, pivozão, gigante ou montanha.

Costuma ser o jogador mais alto da equipe. Ao contráro do power forward, ele nunca se distancia muito da cesta (a não ser nas raras exceções, como Mehmet Okur e Zydrunas Ilgauskas) e, se bem treinado, desenvolve um jogo importante de costas para a cesta, seja em movimentos de ataque ou até na visão do jogo. Muitas vezes é o único jogador da equipe a não estar de frente para o alvo.

Interessante observar que em português podemos dizer que qualquer jogador joga "no pivô", é uma situação de jogo. Então dizemos que durante a rotação ofensiva do Lakers o Kobe acaba no pivô e joga lá de costas para a cesta. Nos termos em inglês nunca se usa o termo Center para designar alguém que está jogando, momentâneamente, naquela posição. O Center é o jogador que sempre joga de pivô e estar lá embaixo da cesta é estar no "post".

E dentro do termo post existem dois tipos, o "high post", que é o topo do garrafão e o "low post" que é a área do garrafão próxima à cesta.

Exemplos de jogadores: Shaquille O'Neal, Zydrunas Ilgauskas, Andrew Bynum, Dwight Howard e Bill Russell.

...
Essas foram as cinco posições clássicas e principais, mas ainda existem outras que são bastante usadas para se referir a alguns jogadores em especial.

Combo Guard - Como disse antes, guard é o termo para armador, um Combo Guard é um jogador que pode jogar nas duas posições de armador, tanto como point guard (1) quanto como shooting guard (2). Dois bons exemplos são Kirk Hinrich ou o novato Tyreke Evans.

Point Forward - Essa aqui é só juntar as peças, criançada. Lembra que o "running the point" era para alguém que estava na armação? E lembram que "forward" é para ala? Um Point Forward é um ala que joga armando o jogo. Não é algo muito comum no basquete, mas os dois times com melhor campanha na NBA usam: o Cavs com LeBron James e o Lakers com Lamar Odom. Volta e meia o Jazz também usa o Andrei Kirilenko como Point Forward quando o Deron Williams está descansando.

Swingman - Embora tenha nome de jogo trash do Nintendinho ou de filme de lambada da Sessão da Tarde, um swingman é um jogador que pode mudar da posição de shooting guard para a de small forward quando bem entender. Geralmente é um jogador com altura o bastante para jogar de SF mas com a habilidade de um SG. Kobe Bryant e Kevin Durant são dois bons exemplos.

Gírias iradas da galera do Gigabyte
Trey - Ao contrário do que falaram nos comentários, não é o nome de um rapper. Quer dizer, também é, mas no mundo do basquete é um termo para se referir à bola de 3 pontos.

Dime - Além de ser o nome da revista bem legal, dime é um termo usado para se referir à assistência. O termo "dime", originalmente, é como os americanos chamam a moeda de 10 centavos, uma história não comprovada diz que a moeda virou assistência por causa de pessoas que entregavam outras para a polícia! Os telefones públicos costumavam custar 10 centavos, um dime, e aí a pessoa ligava e entregava alguém para os homi, ou seja, assistia (no sentido de ajudar) a polícia a prender a pessoa.

Board - A palavra pode significar várias coisas, como tabuleiro, tábua, prancha, quadro e mais um monte de coisa, mas no basquete significa rebote.

Jam/Slam/Flush/Dunk - Tudo isso para dizer a boa e velha enterrada. A primeira palavra para se referir a enterrada foi "dunk", que significa embeber, ensopar. É um termo usado para quando alguém, por exemplo, afunda um biscoito em um copo de leite e é o verbo que batizou os deliciosos "Dunkin' Donuts".

Slash - Além de ser um guitarrista, o termo pode significar cortar, acho que todo mundo que jogou Pokémon sabe disso. No basquete slash é cortar para dentro da defesa e um jogador "slasher" é um jogador que tem como base do seu jogo a infiltração. O Dwyane Wade é um slasher.

Adjetivos
Clutch - É um dos termos que você mais vai ler e ouvir por aí. Um jogador clutch é um jogador que sempre joga bem nos momentos decisivos de um jogo. Então quando o Kobe acerta aquele arremesso difícil com o jogo empatado a 7 segundos do fim você irá ouvir que foi um "clutch shot" do Kobe. Um jogador pode ser clutch em um jogo ou ganhar fama de ser clutch na carreira, como foi o caso do Robert Horry.

Overrated / Underrated - A palavra "Rate" significa classificar, avaliar. "Over" significa superior, acima e "Under" significa inferior, abaixo. Assim, um jogador "overrated" é um jogador que é classificado como sendo acima do que deveria. Quando todos diziam que o Antoine Walker era um baita jogador quando na verdade ele era uma peça de Lego gigante que arremessava de 3, ele vira um jogador overrated. Já quando ninguém lembra que o Joe Johnson existe mesmo ele sendo um All-Star, ele vira um jogador underrated.

Nos fóruns sobre NBA da gringolândia é bem comum abrirem tópicos apenas para discutir quem é overrated e underrated na NBA. E essas discussões costumam ser tão vazias e vagas como qualquer uma do tipo "Quem é melhor?", por favor não caia nessa.

Overpaid / Underpaid - O princípio é o mesmo do item anterior, mas ao invés de se avaliar a qualidade do jogador, é analisado o seu salário. "Paid" quer dizer pago. Então o Nenê pode ser um baita pivô, mas se você acha que ele não é bom o bastante para ganhar 10 milhões por temporada você diz que ele é overpaid.

Highflyer - "High" pode ser chapado e "Fly" pode ser mosca, mas isso não tem nada a ver. "High" também pode ser alto e "Fly", voar. Um jogador highflyer é aquele que pula muito alto e costuma sair enterrando por aí. Durante boa parte da sua carreira todo mundo se referia ao Vince Carter como um grande highflyer.

Conquistas individuais
Double-Double- O famoso duplo-duplo. É quando um jogador consegue pelo menos 10 em dois quesitos diferentes das estatísticas, o mais comum é conseguir pelo menos 10 pontos e 10 rebotes.

Triple-Double- Ao invés de dois, três quesitos. O mais comum são pelo menos 10 pontos, 10 rebotes e 10 assistências, mas volta e meia um pivô faz um triplo-duplo com tocos.

Double-Trible-Double- Esse aqui é uma raridade. É conseguir pelo menos 20 em três quesitos diferentes. Na história da NBA aconteceu apenas um vez: Wilt Chamberlain (o céu é azul) fez 22 pontos, 25 rebotes e 21 assistências em um jogo contra o Pistons em 1961.

Five-by-Five (High-5) - Os dois termos são pouco usados mas existem, assim como o feito em si. Ele consiste em conseguir pelo menos 5 nos 5 quesitos principais do basquete: 5 pontos, 5 rebotes, 5 assistências, 5 roubos e 5 tocos. Atualmente quem mais tem flertado com essa marca é o brazuca Nenê. No passado recente, que eu me lembre, apenas o Andrei Kirilenko conseguiu completar um five-by-five.

Termos de jogo, Jogadas
Tear Drop/Floater - O Danilo explicou muito bem o Tear Drop (que também pode ser chamado de Floater ou Runner) no Both Teams Played Hard, mas infelizmente o site está com problemas e não está dando para ver as respostas mais antigas. De qualquer forma, explico aqui rapidamente: esse arremesso é quando um jogador, geralmente mais baixo, solta a bola antes e com um arco mais alto do que a bandeja comum. Por ser diferente da bandeja ela costuma enganar os pivôs e é marca registrada de jogadores como Tony Parker e Chris Paul.

Não achei o ótimo vídeo que o Danilo tinha postado antes, mas por enquanto vale esse bonito tear drop do Rajon Rondo:


Backdoor - A porta de trás, na tradução literal, é quando um jogador consegue cortar para receber um passe por trás da defesa sem ela perceber. O Utah Jazz vive brincando de correr por trás da defesa, no backdoor, até alguém aparecer livre embaixo da cesta para marcar pontos fáceis.

Inside Score - São todos os pontos marcados dentro do garrafão. Quando dizem que um time precisa de mais "inside score" é porque estão dizendo que a equipe precisa jogar mais perto da cesta.

Basketball IQ - É o "Q.I. de basquete". Às vezes um cara não sabe ler, escrever e nem qual é a fórmula de bhaskara, mas dentro de uma quadra de basquete ele entende tudo, saca o posicionamento de todo mundo e sempre toma a decisão certa. Quer dizer que ele tem um alto Q.I. de basquete. Por outro lado tem jogadores que sabem arremessar, são atléticos, pulam, driblam bem mas não sabem o que fazer com a bola e estão sempre ferrando com o seu time, são os caras com baixo Q.I. de basquete. Alô, Stromile Swift, tudo beleza?

Down the stretch - Vamos testar seus conhecimentos até agora. "O Dwyane Wade é um shooting guard slasher que é clutch down the stretch". Sacou, turminha do CCAA? "Down the stretch" é o termo para se referir à partida em seus momentos decisivos.

Footwork - É o termo deles para se referir ao jogo de pernas de um jogador. Aquele pivô paradão que não consegue se movimentar não tem bom footwork.

Turnover - Um turnover é um erro, é a perda da posse de bola. Um time que cometeu 20 turnovers em um jogo é aquele que por 20 vezes cometeu algum tipo de erro e ficou sem a bola, pode ter sido ter jogado a bola pra fora, ter estourado os 24 segundos de posse, ter tido a bola roubada ou qualquer coisa do tipo.

Buzzer-Beater / Game Winner - "Game Winner" é a bola que ganhou o jogo, é o arremesso decisivo, o último do jogo. Já o "buzzer beater" é aquele que foi exatamente no estouro do cronômetro. O arremesso do Kobe a 6 segundos do fim contra o Celtics foi o game winner porque o Celtics não conseguiu virar depois, já o seu arremesso contra o Heat, quando o tempo acabou com a bola no ar, foi um buzzer-beater.

Screen - Esse é simples, o screen é o corta-luz. E o famoso "Illegal screen" é o corta ilegal, com o jogador se mexendo, impedindo e acertando o adversário.

Fade Away - O verbo "to fade away" quer dizer desaparecer, mas no basquete é o termo utilizado para se referir àqueles arremessos que o jogador faz enquanto joga o corpo para trás. Michael Jordan foi o grande mestre nesse arremesso e hoje ninguém faz tão bem quanto o Kobe Bryant.

O fade away não é o tipo de arremesso que você vai aprender do seu técnico nos primeiros treinos de basquete. Logicamente pensando, não é inteligente pular para trás na hora de arremessar, pra que ficar ainda mais longe da cesta? Mas em algumas situações, para evitar o toco e marcadores mais altos, acaba sendo uma boa opção. Abaixo um vídeo do Jordan sobre o seu principal arremesso.


Matchup - No basquete a palavra é usada para se referir a um confronto individual. Quando jogam Cavs e Celtics, por exemplo, o matchup mais importante é o duelo entre LeBron James e Paul Pierce.

Já no confronto de playoffs do ano passado entre Magic e Cavs, o Rashard Lewis, rápido e jogando fora do garrafão, venceu o seu matchup contra o Anderson Varejão. Esses matchups onde um jogador tem alguma característica, física ou técnica, que não bate com as características de seu defensor é o chamado Mismatch. Dizem na NBA que o Lamar Odom é um mismatch ambulante, porque ele pode ser rápido e jogar longe da cesta contra marcadores altos ou perto da cesta usando sua altura contra os mais baixos.

Pick-and-roll- Perguntaram de "pick and run" no post, mas como não conheço esse, imagino que estava tentando se referir ao famoso pick-and-roll. Essa é a jogada mais básica do basquete, onde um jogador, geralmente um pivô, faz um corta-luz para o jogador que está com a bola e logo em seguida corta em direção à cesta para receber a bola. Abaixo a dupla que mais faz pick-and-rolls na NBA, Steve Nash e Amar'e Stoudemire:


Pick-and-pop- O princípio é o mesmo do pick-and-roll, mas depois do corta, ao invés de correr em direção à cesta, o jogador que fez o bloqueio fica parado para fazer o arremesso. No próprio Phoenix Suns essa jogada é bem comum entre o Nash e o Channing Frye, mas acho que ninguém faz tanto essa jogada quanto Chris Paul e David West.

Estilos e estratégias de jogo
Tempo- Esquisito ver uma palavra nossa sendo usada pelos gringos, mas em inglês a palavra "tempo" é usada para se referir a andamento, ritmo.

Up-tempo system- Um sistema de up-tempo é aquele que usa um andamento de jogo rápido. O New York Knicks e o Golden State Warriors, por exemplo, são um time de estilo up-tempo.

Run and Gun- É o sistema de jogo (up-tempo) que ficou famoso nas mãos do Mike D'Antoni quando ele comandava o Phoenix Suns. Trata-se de uma estratégia onde o time tenta sempre jogar em velocidade, correndo (run) e arremessando (gun) o mais rápido possível, aproveitando os primeiros segundos de posse de bola, momento em que a defesa adversária ainda não se postou de maneira adequada.

Diamond - Em tradução literal quer dizer "diamante" e no basquete pode ser várias coisas. Tem treinos chamados de diamantes, além de posicionamentos defensivos e até algumas jogadas de ataque. Creio que o uso mais comum, no entanto, seja a defesa "Diamond and 1" que é quando 4 jogadores formam um losango (um diamante) dentro do garrafão e um jogador fica livre para marcar um jogador em especial, geralmente o armador adversário. Essa é uma imagem da defesa "Diamond and 1".

Motion Offense - É um sistema ofensivo de jogo baseado em muita movimentação dos jogadores e cortas para deixar esses jogadores livres. O conceito básico foi criado pelo técnico Henry Iba, mas ficou famoso no basquete universitário com o lendário Bob Knight. Hoje em dia existem muitas variações da Motion Offense, algumas baseadas em drible e infiltração dos armadores, outras com um Power Forward (posso falar em ingreis agora?) aberto e muitas e muitas outras. Em comum todas tem a contínua movimentação dos jogadores (daí o nome 'motion', movimento), mas grande parte do resto pode ser adaptado.

Frases e Expressões
"Nice Jay" (Nice J) - Os americanos usam muito a primeira letra das palavras para dizer a palavra toda. Então J é jumper (arremesso), W é win (vitória), D é defense (defesa) e por aí vai. Já "nice" quer dizer bom, então um "nice J" é um bom arremesso.

"Pierce |nox| down"- A grafia correta é "Pierce knocks it down". "Knock it down" quer dizer derrubar, é algo como "Pierce derruba a bola", é uma expressão para dizer que algum jogador acertou seu arremesso.

Tough Guy - "Tough" é uma das palavras mais difíceis de traduzir para o português. Alguns dicionários traduzem como "forte", outras como "valentão" ou "brigão". No fim das contas é um misto disso tudo, se fosse um nome de filme da Sessão da Tarde "Tough Guy" viraria "Um cara duro na queda".

From Downtown - Um arremesso "from downtown" é um arremesso de longe, de 3 pontos. E nos comentários contaram uma história divertida que eu não conhecia sobre a história da expressão. Com a palavra, nosso leitor Derica:
"Downtown, ao pé da letra, significa 'centro da cidade'. Ouvi uma história antiga de que "fulano from downtown" é porque a maioria das quadras se concentravam na periferia e antigamente diziam que o arremesso foi lá do centro da cidade, dando a entender de tão longe que foi."

back-to-back - É o termo para se referir a coisas em sequência. Back-to-back games são jogos em dias consecutivos, back-to-back titles são títulos em sequência, um bi-campeonato.

"Finger road"- O termo correto é "Finger roll". Finger é dedo, roll é fazer rolar. É aquela bandeja, inventada pelo grande George Gervin, em que a bola vai rolando pelas pontas dos dedos até sair da mão e ir para a cesta, é uma das jogadas mais bonitas do basquete.

Procurei um vídeo do Gervin para mostrar aqui, mas preferi mostrar esse do Jordan, olhem que obra-prima!


Sag-off - Esse é uma expressão usada para dizer quando um jogador deixa outro livre de propósito. Quando você deixa o Sasha Vujacic livre para dobrar a marcação no Kobe você sag-off o The Machine (e com razão!)

Sink or swim- Sério que alguém já viu esse termo em jogos de basquete? Essa é uma expressão que quer dizer algo como "É tudo ou nada". Ao pé da letra quer dizer "afundar ou nadar".

Termos de contrato
Mid-Level exception - O sistema de teto salarial da NBA não é rígido, então permite algumas exceções para que os times possam ultrapassar esse teto. O Mid-Level é uma dessas exceções. Nesse caso o time pode oferecer um contrato com o salário médio da NBA para um jogador mesmo que o limite já tenha sido atingido pela equipe. O salário médio é definido somando todos os salários pagos nos últimos anos de liga e dividindo por 13,2. (pois é, faz tanto sentido quanto jogos de video game japoneses)

Buyout - É quando um jogador e o seu time entram em um acordo para que uma certa quantia do salário do jogador seja paga de uma vez e esse atleta seja dispensado da equipe sem mais nenhuma obrigação contratual.

Pornô
POV- Até aqui fazem pergunta de coisa pornô? Que obsessão! Mas tudo bem, fui correr atrás para descobrir. POV é uma sigla para "Point of View" ou "Ponto de Vista". Um pornô POV é um filme com o ponto de vista do próprio cara que está fazendo sexo, são aqueles filmes em que o ator come a guria com uma câmera na mão e a gente fica assistindo como se fosse ele.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Pergunte ao Google

Tem gente que, sem querer, acaba com uma bola presa


Através de um serviço do Google, o Analytics, todo mundo pode ter acesso a uma série de informações a respeito do seu próprio blog. Quase três anos atrás, no comecinho do Bola Presa, já ficamos chocados em saber que tipo de coisa as pessoas digitam no Google para acabar caindo aqui. Hoje em dia, com o Bola Presa muito maior do que era e com mais e mais visitantes aparecendo, volta e meia dou uma olhada de leve nesses dados apenas pra me matar de rir. Seria impossível ler tudo que as pessoas digitaram para serem levadas até aqui, é muita coisa, mas basta bater o olho para que um dia de mal humor seja salvo por completo. Foi por isso que separei as mais divertidas de uma imensa lista de mais de duas mil palavras ou frases, digitadas só nesse mês, que levaram alguém do Google até nosso blog.

As buscas mais comuns são, claro, variações de "Bola Presa": escrito junto, separado ou com a adição de alguns outros termos, como "blog" ou "NBA". Essas buscas rendem a maior parte dos nossos visitantes do Google, mas constituem apenas cerca de 5 opções de um total que ultrapassa as 2.000! Fiz um apanhado geral, meio desatento, mas encontrei várias coisas dignas de nota. Para facilitar nossos comentários, resolvi dividir em alguns temas abaixo. Vamos lá!


Pornô
(A imensa maioria das buscas que levam ao nosso blog. É impressionante a quantidade (e a criatividade) da pornografia que remete ao Bola Presa. Devemos ter mais visitas desse tipo do que muito site de sexo por aí...)

1. fotos de mulheres gostosa peladinha armadoras

Esse babaca caiu aqui porque não sabe escrever "amadoras". Deve ter dado de cara com uma foto do Nash ou do Kidd.

2. fotos de sexos praticados por mendingos

Aqui vemos que a curiosidade chegou longe demais. Acostumados com todo mundo mostrando a intimidade no Orkut e no Chatroulette, nem mendigo pode trepar em paz.

3. fotos da sandy pelada
video da sandy pelada

Graças a um post bem velho sobre o Hornets chamado "Fotos da Sandy Pelada", até hoje recebemos visitantes atrás da famosa ex-ninfeta, ex-virgem, ex-Sandy & Junior. Ela saiu de moda a tempo o suficiente para os infelizes descobrirem que ela não tirou fotos pelada por aí. No entanto, dou certo crédito para o mané que tentou procurar por um vídeo dela ao invés das fotos. Vai que todos esses anos tem um vídeo dela nua por aí e a gente só não estava sabendo porque ninguém teve a audácia de procurar no Google por algo além de imagens estáticas?

4. com a pik atolada no fundo da garganta da gostosa

Não sei dizer se esse cara estava procurando pornografia ou se estava escrevendo um conto pornô. A grafia de "pik" coloca ele como um imediato escritor do gênero na internet, vai encontrar seu público. Quem escreve direito não tem futuro no ramo.

5. filme porno peituda jogando tenis

Errou até de esporte, como veio parar aqui? De todo modo, se a peituda está jogando tênis, isso não é pornô, é softporn barato.

6. fotos mara maravilha pelaa

Esse aqui a culpa é minha. Volta e meia comento aqui no blog sobre como a Playboy da Mara Maravilha me traumatizou anos atrás. Esse infeliz está prestes a ter o mesmo destino.


Basquete
(Muitas das visitas querem entender algum termo, em português ou inglês, ou até mesmo saber o que diabos é uma bola presa. Espero que descubram logo o "Both Teams Played Hard", para as perguntas, e nossa coluna "Ma Engrish two bad", para os termos de basquete em inglês)

1. força nonimal

Legal que ainda tenha gente querendo saber o que é a Força Nominal, um conceito essencial para a crítica basquetebolística pós-moderna e cunhado por nosso amigo e leitor Sbub. Todos os novatos precisam ler o post que define o termo para poder pagar de entendido nas rodas cult e depois aproveitar anualmente os palpites do Sbub para o draft da NBA baseados unicamente nos nomes dos candidatos.

2. ben wallace e rasheed sao irmaos ?

Uma das perguntas mais geniais da história do Bola Presa. Que pena que não está no "Both Teams Played Hard".

3. como fazer ponte aerea no nba 2k10

Disparada, a pergunta mais feita no "Both Teams Played Hard" em todos os tempos. Se eu fosse a 2K, estamparia os comandos de ponte-aérea na maldita capa do jogo da próxima vez, parece que é tudo que as pessoas querem fazer com a merda do jogo! Poderiam lançar um jogo inteiro só com ponte-aérea, que tal?

4. darren collison é bom

Pois é.

5. como pau gazol aumentou de altura

Pensei que todos os mamíferos bípedes aumentassem de altura progressivamente depois do nascimento.

6. doping nba kobe bryant

Eu sei, o Kobe joga muito, até parece dopado. É tipo quando você dá numa boa um cacete em alguém jogando alguma porcaria online e te chamam de "cheater", é quase um elogio.

7. o que é sindrome de clipper

Mais alguém procurando um termo que cunhamos! Para os novatos, a Síndrome de Clippers é quando você faz tudo direitinho, com carinho, do jeito certo, e dá merda mesmo assim. É tipo a lendária "Maldição do garrafão do Blazers", mas com o time inteiro.

8. neblon james jogos

O Neblon James deve ser o camisa 23 do Cabaliers em algum jogo não-oficial da NBA, assim como tivemos que aturar muitos "Ronaldeenyo" quando só o "Fifa" tinha direito dos nomes dos jogadores.

9. nba oq é issu?

Não se ache novato, tem sempre alguém mais perdido do que você.

10. quem ganho o jogo de basquete de otem

Não é adorável como as pessoas acham que o Google vai saber quando diabos foi "ontem", ou qual foi o jogo de basquete?

11. tem como mudar salary cap nba live 10

Mudar o salary cap para contratar ainda mais estrelas num jogo que já é fácil demais e ridículo por natureza? Quem procurou isso aqui acabou, pelos dados, passando mais de meia hora lendo o Bola Presa. Espero que ao final dessa jornada ele tenha tacado o "NBA Live" na privada e ido jogar o "NBA 2K10".

12. fotos do george hill nu

Foram várias visitas com buscas similares. O George Hill é a Paris Hilton dos blogs de NBA.


Fail
(A-há!)

boalrepsa
boal preas
bolapersa

E você achando que podia digitar nosso endereço errado numa boa e ninguém iria ficar sabendo, né? Funhé!


Oráculo
(As buscas do Google nos ensinam rapidamente que as pessoas não tratam o site como um simples buscador, mas sim como um oráculo, um ser consciente com quem é possível conversar, contar histórias e pedir conselhos.)

1. gostaria ver algo sobre nelson was a great admiral,mais quero o texto em portugues

Esse aqui pensou em voz alta, mas pelo menos o "gostaria" foi bastante polido, o Google estaria orgulhoso.

2. imagina um toto humano onde eles prendiao ums prisioneiros em uma madeira com os braços abertos, ai ums caras fortes o suficiente pra puxar d acordo com as ordes dos jogadores

Imagino, e depois?

3. pedro está escolhendo um sorvete de uma bola com um tipo de cobertura ,mais as opçôes sâo muitas de quantas maneiras diferentes pedro pode montar o sorvete? como faço para resolver esse problema de matematica?

É oficial: as crianças usam o Google para fazer o dever de casa. Ao invés de proibir, deveriam ensiná-las que o buscador não é um robô.

4. devo deixar minha namorada mais presa?

Não sei, mas você definitivamente não deveria perguntar isso para um buscador na internet!


Recados
(Por muitas vezes, parece que as pessoas não estão perguntando nada, e nem querendo encontrar alguma coisa no Google. Apenas colocaram uma frase aleatória, uma espécie de recado místico e sem rosto para os malucos que fuçarem os dados de seus blogs, amém.)

1. o melhor lugar du mundo nao presisa ser perfeito, so presisa ter ele voce

Só precisa ter ele ou só precisa ter eu? Será que ele topa essa poligamia?

2. sabado 20/03/10 campeonato de pokemon na liberdade em sp

Beleza, tá avisado.

3. clark kent tem q ser fort

Mas tem que parecer fraco. Nada que um par de óculos não resolva.


Dúvidas
(Algumas dúvidas são legítimas, eu só queria saber como diabos vieram parar no Bola Presa, já que a maioria não tem nada a ver com nosso conteúdo.)

1. big brother 2010 quem foi eliminado ontem

As pessoas precisam começar a entender que "ontem" é um conceito um tanto vago.

2. como acecar para criancafazer novela

Alguém querendo botar os filhos pra trabalhar, patético.

3. comida tipica e como se vestem em barbados

Essa até me deixou curioso, onde raios é Barbados?

4. como se pega o transtorno bipolar

Nesses tempos de Aids e gripe suína, galera acha que até transtornos psiquiátricos são transmissíveis. Então usem camisinha.

5. desenho da quadra de queimada

Como se existisse quadra de queimada, é só um improviso com uma linha no meio de uma aula de educação física em que o professor não sabe jogar basquete!

6. espinhas que parecem bolas de tão grande

Irch! Não exprema!

7. fabricade chocolate que tapegando temporarios

Ficamos na torcida para essa fábrica de chocolate não exigir testes escritos.

8. macunba pra derrota um irmao

Que coisa horrível, passando a perna num irmão, sangue do seu sangue! Baita novela mexicana.

9. tele sena o resultado do 14 02 2010 quem fez menos pontos

Aposto quanto vocês quiserem que esse cara deve ter ido parar num post sobre o Nets.

10. porque as brasileiras tenhem o cabelo mais bonito

"Tenhem", o famoso plural de "tem". E mais bonito do que quem?


As melhores perguntas
(Essas são as melhores perguntas. Nos sentimos honrados de ter recebido essas visitas.)

1. sua equipe está ganhando por um gol de diferença e faltam dois minutos para terminar o jogo.vocês combinam de trocar passes até zerar o cronômetro,mas,de repende,o árbitro e dá a posse de bola para a equipe adversária.o que ele marcou?

Não sei, mas me conta! O que ele marcou? Que juiz safado! Quanto foi o jogo?

2. sera que o dollar canadiano ainda vai ganhar mais contra o euro

Nada nessa pergunta faz sentido, mas a partir de agora só chamo o Nash de "canadiano".

3. por onde anda aquele ator loiro que fez o filme com chuk norris em unidos para vencer

MELHOR-PERGUNTA-DE-TODOS-OS-TEMPOS

4. por que a midia naotransmite a paraolimpiada

Também queria saber. Fizemos a cobertura do basquete brasileiro nas Paraolimpíadas mas não conseguimos assistir jogo algum, porque a transmissão é praticamente inexistente. Vamos encher o saco de alguém para que em 2012 seja melhor, basquete de cadeirantes chuta traseiros! (ou não chuta, mas pelo menos soca! - insira barulho de bateria aqui -)

domingo, 21 de março de 2010

Punidos

O Rose só está sorrindo porque ainda não olhou pra trás


Com a data limite para trocas se aproximando, o Chicago Bulls foi um dos times que se mexeu para conseguir dinheiro e tentar contratar uma estrela na temporada que vem. São tantas estrelas terminando contratos ao fim dessa temporada que até minha mãe está juntando uns trocados pra ver se consegue trazer alguma delas para ajudar na cozinha. O plano, no entanto, é bastante complicado. Já escrevi aqui sobre como o Knicks, que está apostando todas as suas fichas nas próximas contratações, tem grandes chances de ficar chupando o dedo (e chance nenhuma de contratar o LeBron, por exemplo). Não é das melhores ideias confiar tanto numa grande contratação, especialmente quando você tem algo a perder. Se for o Nets, aí tudo bem, deixa eles até demolirem o ginásio pra tentar contratar alguém que saiba jogar basquete. Mas quando você se livra de um jogador bom, que ajuda o seu time, apenas para ganhar umas verdinhas e investir temporada que vem, colocando em risco essa temporada que acontece agora, aí o deus do basquete pune.

O Jazz, por exemplo, se livrou do ótimo novato Eric Maynor e do então titular Ronnie Brewer só para salvar umas moedas no porquinho. Eles vão para os playoffs, é bem possível que até tenham mando de quadra, mas esse lance de se livrar de jogadores a troco de nada não vai sair barato. Se não rolar uma eliminação na primeira rodada dos playoffs, pode apostar que o Boozer vai embora na temporada que vem e o Jazz não vai conseguir contratar ninguém com o dinheiro, pra aprenderem a não ser idiotas (e a não ter torcedores tão chatos, mas isso não vem ao caso). Já o Bulls está sendo punido pelo deus do basquete de maneira mais imediata: sequer vai aos playoffs esse ano.

Primeiro foi a troca do Tyrus Thomas, que mesmo tendo enfrentado várias contusões ao longo da temporada, pelo menos era um corpo atlético no garrafão do Bulls distribuindo tocos e enterradas a torto e a direito. No seu lugar, vieram dois armadores (Flip Murray e Acie Law) que não seriam nem figurantes na "Turma do Didi". Depois veio a troca que merecia mais punição: John Salmons foi para o Bucks enquanto o Bulls recebeu os contratos expirantes de Hakim Warrick e Joe Alexander. O Warrick é até bom, não me entendam mal, mas ele é um tanto baixo e não defende bulhufas, enquanto o Joe Alexander sequer jogou na temporada graças a uma série de contusões. O coitado do John Salmons não merecia ser mandado embora só pra economizar 5 milhões, dinheiro que hoje em dia não compra nem um Big Mac com batatas grandes e um suco de frutas vermelhas (o McDonald's fica cada vez mais caro, é ridículo, e só paro de difamá-los quando resolverem mandar dinheiro para minha conta - é tipo quando a máfia cobra por proteção, só que na área da propaganda).

O John Salmons já pode fazer parte oficialmente do "Clube Drew Gooden" para bons jogadores que, apesar de serem valiosos para qualquer time, são mandados de time para time como se fossem uma gonorreia que ninguém quer pegar. O Salmons tinha chutado traseiros no Kings com a contusão do Kevin Martin na temporada passada, mas assim que o Martin voltou lá foi o Salmons de volta para o banco, quase nem entrando mais em quadra. Lembro de ler uma reclamação do Salmons na imprensa, ele não pedia mais minutos, exigia simplesmente "respeito". Bonito. Loguinho foi mandado para o Bulls com uma cartinha de "era um ótimo jogador mas nossos planos são outros". Porque, claro, os planos do Kings são perder.

No Bulls o Salmons foi a garantia de que o time poderia manter o poder ofensivo mesmo com a saída da porcaria do Ben Gordon, que agora foi feder em outro lugar, e ainda tinha o bônus do Salmons saber defender, pegar rebotes e passar a bola (ou seja, ele é um mamífero bípede que joga basquete, não um anão com compulsão por arremessos). Não é espetacular em nada, mas é um bom pontuador e tem atuações sólidas, constantes. Nem que fosse pra ter no banco, era uma peça valiosa para o elenco muitas vezes inconstante e cheirando a bunda de bebê do Bulls. Mas não, apesar de jogar bem durante toda a temporada, foi mandado para o Bucks que precisava de alguém para substituir o Redd, contundido.

Desde que o Salmons chegou no Bucks, o time ganhou 14 partidas e perdeu apenas duas, disparando com certa folga para o quinto lugar do Leste. O Denis escreveu sobre como o Bucks é uma das maiores surpresas do ano e um dos times mais embalados dessa fase final de temporada (o que contrasta com a gente, que nesse final de temporada fica desinteressado, esperando os playoffs, e o Bola Presa ganha algumas teias de aranha porque a vida aperta - somos como formigas fazendo as coisas correndo antes do inverno dos playoffs chegar, com a diferença que ao invés de trabalhar juntando comida, em geral vamos dormir. Talvez a melhor comparação fosse com ursos hibernando, mas enfim, deixa pra lá).

Já o Bulls sem Salmons e Tyrus Thomas tomou em cheio uma punição divina: Luol Deng (que poderia ser substituído pelo Salmons) se contundiu e deve ficar fora o resto da temporada; Joaquim Noah, último pivô da equipe, após a saída do Tyrus Thomas, com menos de 400 anos de idade (Brad Miller, estou olhando pra você) passou 9 jogos contundido; e como cereja do bolo de merda o Derrick Rose ainda passou 4 jogos fora.

O Bulls perdeu todos os 4 jogos sem o Derrick Rose e todos os 9 jogos sem o Noah. Ao todo, foram 10 derrotas seguidas, algo que não acontecia desde 2001, quando o Eddy Curry ainda era novinho e não tinha engolido as Torres Gêmeas do World Trade Center (ele engoliria no final daquele ano, os aviões foram só computação gráfica). O recorde total sem o John Salmons é de 5 vitórias e 11 derrotas, o bastante para que eles sejam chutados para fora da zona de playoff sem muitas chances de retorno - principalmente porque o Salmons está num concorrente direto ganhando partida atrás de partida.

Alguém precisa me explicar porque jogadores tão valiosos, que cumprem bem suas funções, são tão menosprezados e mandados embora de seus times o tempo inteiro. Parece que a NBA se tornou um pouco obcecada demais com estrelas. Mais do que montar bons times e ganhar dinheiro indo para os playoffs, lotando ginásios com times vencedores, a NBA agora prefere investir em grandes estrelas que rendam camisetas, outdoors, lotem ginásios - e percam mesmo assim. Até mesmo do ponto de vista empresarial, pensem em quanta grana o Bulls não vai perder ao deixar de ir para os playoffs. Seriam várias transmissões de TV, ginásios lotados, torcedores empolgados comprando produtos e enfiando cachorro-quente nas orelhas (costuma acontecer depois da terceira cerveja). O Bobcats pode ser o time mais sem graça do mundo, mas eles provavelmente estarão nos playoffs e sua maior estrela é o dono, na arquibancada, balançando a cabeça em desaprovação com as cagadas da equipe (vi o Jordan no ginásio, indignado, nas últimas duas partidas da equipe - duas derrotas). O Houston sem estrelas estaria nos playoffs se estivesse no Leste, mas aí é só dor de cotovelo mesmo, que meu time não vai conseguir alcançar o Blazers no Oeste nem fodendo. Mas o ponto aqui é que nesse desespero por tornar as equipes da NBA rentáveis em período de crise, talvez fosse mais prudente montar times sólidos com bons carregadores de piano e um bom técnico do que ficar economizando grana para dar um contrato biliardário para alguém na temporada que vem e torcer para ganhar dinheiro com propaganda de suco com bolhas dentro. Isso, claro, se as estrelas que querem contratos biliardários toparem ir jogar por lá. Se fosse pra escolher um time, eu iria preferir o Bucks (com um jovem núcleo e experiência nos playoffs) do que o Bulls, capengando pela tabela. O mesmo vale para o Knicks, claro, por que uma estrela se sujeitaria a um time tão pelado, sem jogador nenhum em nenhuma área? A essas equipes, resta apostar no poder da cidade, do mercado, do jogador querer ganhar uma grana com propagandas, lotar ginásios mesmo com um time que fede. Essa seria a única chance do Knicks, afinal, como mostra esse vídeo aqui, Cleveland é uma cidade tão porcaria que virou até piada. Mas, como diz o vídeo, ao menos eles não são Detroit. O mesmo vale na NBA: pior do que ter dinheiro guardado e rezar para uma estrela ir jogar pra você, é ter gastado todo o dinheiro num par de jogadores mequetrefes. Pois é, Bulls e Knicks: pelo menos vocês não são o Detroit.