segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Males da idade

Aos 68 anos, os joelhos não aguentam mais mesmo


Todo mundo levantando a plaquinha "eu já sabia", pra variar. Greg Oden vai perder sua temporada de novato na NBA graças a uma cirurgia reconstrutiva em seu joelho que irá reparar um dano na cartilagem. Ele estará longe do basquete de 8 a 14 meses. Digamos que será por um ano. O novato vai ter uns 69 anos quando estiver de volta mas ainda terá uma longa carreira na NBA pela frente.

Tá todo mundo, agora, com as plaquinhas levantadas, metendo o pau na organização do Blazers por ter escolhido o Greg Oden com a primeira escolha do draft de 2007. Tudo porque o homem não consegue ficar saudável. Jogou na NCAA com uma lesão no pulso que exigiu cirurgia. Na summer league, jogou apenas uma partida com uma inflamação nas amígdalas que também precisaram de cirurgia. E agora, depois de uma dor sentida enquanto estava sentado no sofá de casa (vamos ter a sutileza de não nos perguntar o que diabos ele devia estar fazendo naquele sofá) irá sofrer uma das cirurgias mais problemáticas e que exigem maior tempo de recuperação do mundo dos esportes.

'O cara é de vidro, troca ele por uma second round e "cash considerations" o mais rápido possível'. Calma, calma. Eu não apenas acho que o Greg Oden foi uma escolha genial como também acredito que sua contusão foi a melhor coisa que poderia ter acontecido com o Blazers. E antes de você, fã do time de Portland, começar a procurar meu endereço no Google, vou me justificar.

Primeiramente, a contusão mostrou o caráter de Greg Oden. Quando acordou de sua cirurgia no joelho ao lado de sua mãe e de seu chefe, o GM do Blazers Kevin Pritchard (aliás, quem quer acordar com o chefe ali, te olhando?), a primeira coisa que Oden fez foi pedir desculpas para o patrão. E continuou pedindo desculpas, o tempo todo, sem parar. Digam o que quiser, mas o garoto-que-parece-velho se importa com o time que o draftou. Ele sente que deixou o time na mão e irá fazer tudo que for possível para voltar e tornar o Blazers competitivo. Será que o cara que pede desculpas quase chorando por ter se contundido é o tipo de jogador que pede, no meio da temporada, para ser trocado? O Blazers conseguiu um pivô para a vida.

Além disso, o restante da equipe terá um ano para arrumar as peças. Darius Miles deve voltar às quadras em dezembro depois de não ter jogado necas na temporada passada e o Blazers terá vários jogos de teste para se decidir se mantém Miles ou o troca por um punhado de feijões mágicos. Os outros jogadores, principalmente LaMarcus Aldridge, também serão alvos de testes e poderão ganhar experiência sem nenhuma pressão de vencer no momento, mas sabendo que terão grandes reforços na temporada seguinte: além de Greg Oden, Rudy Fernández deve voltar da Europa.

Enquanto ganham experiência, esperam os reforços e fazem os testes necessários, o Blazers de brinde consegue algo essencial: uma boa escolha no draft. Que tal um Michael Beasley para complementar Greg Oden?

Se a contusão de Oden não tivesse ocorrido, a temporada do Blazers seria mediana. Oden teria seus momentos de dificuldade e seria imediatamente atacado por não estar levando o Blazers para um outro nível. As críticas às primeiras escolhas do draft acontecem desde o primeiro minuto, como bem sabem os fãs de Yao Ming. (quem quiser criticar o chinês vai ter que sair comigo na porrada!)
Graças à contusão, Oden estará de volta motivado, disposto a provar para o Blazers que eles fizeram a escolha certo em contratá-lo. Estará rodeado por mais talento, mais experiência, com menos chances de se queimar logo de cara. E não adianta se preocupar com o fato de que Oden pode não render como antes da cirurgia. Hoje em dia isso não existe mais, passar pela faca é muito mais seguro e a recuperação é espetacular. Amaré Stoudemire e Zach Randolph tem joelhos perfeitos (a culpa do Randolph não conseguir pular é da gravidade, não do joelho!) embora a recuperação leve cerca de um ano.

Mas, num time tão jovem quanto esse, qual é o motivo de pressa mesmo?

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Eurobasket 2007 e o Pré-olímpico Mundial

A ESPN Brasil está trasnsmitindo o Eurobasket 2007 que vai dar duas vagas olímpicas para países da Europa e mais um punhado de vagas para o Pré-Olímpico Mundial que nossa gloriosa seleção irá disputar no ano que vem. O jogo de hoje foi Grécia e Sérvia. O jogo foi bem disputado, emocionante e, apesar do baixo aproveitamento dos arremessos, foi bom de assistir. Mas foi estranho também.
No primeio quarto o armador Theo Papaloukas puxou um contra-ataque mas quando olhou para o lado não havia uma boa opção de passe, então ele parou na linha de três e... esperou. Depois de duas semanas vendo jogo de Estados Unidos, Brasil e Porto Rico na TV, a última coisa que eu ia esperar é que um armador livre na linha de 3 não chutasse. Depois do susto lembrei que estava vendo basquete europeu.

Vendo o jogo imaginei o Brasil enfrentando essas duas equipes e desanimei. As duas têm jogadas desenhadas, são calmas, defendem muito e tem um banco com muitas opções. O Brasil nunca venceria nenhuma delas. E se vencer uma não vence a outra e no pré-olimpico mundial temos que vencer muitos jogos. Ainda não vi muitos outros jogos do Eurobasket mas só de ver tanto time bom já desanimo. Tentei me animar imaginando o que poderia ser tirado de bom do pré-olimpico das Américas mas a única coisa que eu achei foi algo que a gente já sabia: nossos jogadores são talentosos.

Parece ridículo dizer isso mas individualmente acho que a seleção não foi mal. Leandrinho foi um dos cestinhas, Nenê foi forte no garrafão mesmo ainda lento, Valtinho teve ótimos momentos, Guilherme mostrou que ainda pode contribuir muito e até o Murilo jogou bem. Ficou óbvio que existe talento em quadra mas que ninguém sabe o que diabos fazer com ele, a desorganização consegue ser maior que a testa do Nezinho.

Uma notícia diz que o Rio quer organizar o pré-olimpico mundial do ano que vem. Gostaria que não por dois motivos. O primeiro é que eu moro em São Paulo e não conseguiria ver nada lá ao vivo. E o segundo é que os jogos em casa nos encheriam de falsas esperanças de novo, pensaríamos que o time ainda é fraco mas que em casa irá se superar. Não vai.
Espero que em 2012 dê para ir porque se o Leandrinho se aposentar sem uma Olimpíada jogada, o basquete brasileiro deveria simplesmente acabar.

Fedeu

"Vou fingir que tá doendo pra escapar dessa furada!"


Todo mundo levantando a plaquinha "Eu já sabia". É claro que todos sonharam com a vaga Olímpica mas a cada jogo ficava mais óbvio que seríamos incapazes de derrotar a seleção B da Argentina. (Bê!) Talvez nossa única chance fosse o Scola ter se machucado no lugar do Nenê, mas até isso era improvável. Afinal, o Scola estava treinando há tempos enquanto o Nenê apareceu no susto e gastou mais tempo processando o ex-empresário do que treinando nas quadras brasileiras com o resto da seleção. (Mas também, coitado do Nenê! Ele tem 60 milhões, o empresário roubou uma graninha, ele tem que lutar pra ter esse dinheiro de volta para sustentar as crianças!)

Torcemos bastante no "Jogo da Década" como torcedores amantes de basquete, mas como seres humanos dotados de racionalidade e polegares opositores era bem claro que tudo estava prestes a desabar. E desabou.

Ao invés de ficar apontando dedos (até porque já apontei mais dedos do que tenho nas mãos, e meu bonequinho de vudu do Marcelinho já tem alfinetes demais), o melhor a se fazer é tentar encontrar um lado positivo com o mesmo afinco que o Zach Randolph procura doces:

O Lula caiu.

Se não caiu ainda, vai cair. É inevitável. O Grego é burro, teimoso e come meleca, mas nem sequer ele vai ter coragem de manter Lula no comando da seleção como fez depois do desastre do último Mundial.

Ah, o Alex também foi chamado pelo próprio Greg Popovich para ficar no Spurs por um período de testes por lá. E isso é tudo. É tudo de positivo que podemos encontrar. O Grego vai continuar não importa quantos bonecos de vudu dele assolem a minha casa. A moral dos jogadores da seleção vai continuar do tamanho do Boykins. O Marquinhos não deve voltar nunca mais. E o clima geral de "tem crise, não tem crise, tem motim, não tem motim" vai demorar muito tempo pra sair da cabeça dos jogadores. Com isso em mente, desde já temos que ter consciência de que vamos para o pré-olímpico mundial passar vergonha. Mas, convenhamos, passar vergonha é a única coisa que o basquete brasileiro fez com que a gente se acostumasse.

Grego e Lula devem papear e comer bolachas em breve para decidir o fim, e a próxima discussão será sobre o novo técnico da seleção. Algo me diz que o Grego prefere a morte a colocar um técnico extrangeiro e deve acabar colocando o Hélio Rubens de volta. Mas talvez ele perceba a quantidade de olhos sobre ele, a pressão, e tome uma atitude um pouco mais ousada. Com tantas críticas surgindo, mais agora do que nunca, sobre a gestão do Grego, talvez ele nos dê a fantástica honra de ter um gringo no comando da equipe.

Essa talvez seja a única chance de jogar dignamente no pré-olímpico mundial. Mas para participar de uma Olimpíada de verdade, ainda falta muito. Falta muito trabalho, base, o Grego ir embora e surgir alguém menos boçal no lugar. Falta muito e a esperança é pouca.

Pra escapar dessa realidade cruel e vergonhosa, prefiro pensar em outra coisa: o Scola reina, chutou um bocado de traseiros, foi o MVP do pré-olímpico e está no Houston Rockets.
Segura meu time ano que vem, segura!

sábado, 1 de setembro de 2007

Jogo da Década

Um post para dialogar com a discussão iniciada no rebote.org

O Brasil já se ferrou várias vezes nos últimos 10 anos e isso não serviu pro Grego dar o fora ou o basquete virar algo decente no Brasil, então por que isso iria acontecer agora?

Acho que uma vitória hoje daria muita moral para os jogadores, daria visibilidade a eles e poderiam usar isso para começar as mudanças. As mudanças são cobrar uma comissão técnica decente, talvez com uns gringos que eles conhecem, (o Nenê já sugeriu um cara lá de Denver, não sugeriu?) e ao mesmo tempo seriviriam de inspiração para massificar o esporte. O vôlei pode ser considerado mais bem administrado, não sei ao certo, não acompanho, mas sei que hoje tem tanto jogador de vôlei no Brasil porque eles tinham ídolos nos quais se espelhar, e só se criam ídolos com resultados positivos. Ir pra Olimpíada seria o primeiro desses resultados positivos.

Hoje é o jogo da década.