sábado, 31 de maio de 2008

Confronto merecido

Ganhar o Leste é fichinha pra quem jogava playoff no Oeste pela porcaria do Wolves


A gente merecia, né? Dois grandes jogos, um para fechar a Conferência Oeste e, ontem, um para fechar a Conferência Leste. Nada de lavada dessa vez, nada de jogo fácil ou de tanta emoção quanto o Duncan colecionando selos. A última partida entre Pistons e Celtics foi a partida que nos lembraremos dessa série para sempre, em que os dois times se legitimaram como verdadeiros merecedores de estar numa final. E o Boston, depois da vitória de ontem, vai enfrentar o Lakers como o real merecedor da honra.

Depois de falar tão mal do Celtics nesses playoffs, não vou fazer um soneto de amor para o time só porque eles ganharam o Leste, mas vou admitir que eles são realmente a equipe que nos dará a melhor final da NBA possível. O time vive de altos e baixos, mas os altos são realmente altos. Naqueles raros momentos em que o Celtics está passando a bola na medida certa - nem de menos, nem demais - e os arremessos estão caindo, em que o elenco mantém a agressividade nos dois lados da quadra, eles formam de verdade uma potência a ser batida, alguém que encarará de igual para igual o Los Angeles Lakers. Se tivermos sorte, esses momentos de pico no Celtics vão durar bastante para que tenhamos duelos épicos. Se tivermos azar, o Boston afundará novamente num ataque passivo, que vive de isolações, em que os arremessos de 3 pontos não caem, com uma defesa que não acerta uma rotação sequer e com reservas que ora entram e contribuem, ora vão na padaria comprar um cigarro pro técnico Doc Rivers. São essas duas faces do Celtics que me preocupam e que podem comprometer o espetáculo. Tudo que eu quero são confrontos disputados, de alto nível, que levem a um Jogo 7. É pedir demais, Papai Noel? Não custa te lembrar que você ainda está me devendo uma Alinne Moraes, que eu pedi ano passado e ainda não chegou.

Eu também queria um Jogo 7 entre Pistons e Celtics, confesso, mas fiquei feliz com o nível da partida de ontem e com a possibilidade de que aquele Boston seja a regra - e não a exceção - nas Finais. Mas proponho, já que não teremos NBA até quinta-feira que vem, que a Liga faça uma melhor de 5 jogos apenas entre Kevin Garnett e Rasheed Wallace. O confronto entre os dois ontem foi simplesmente insano e eu estava apenas esperando um deles puxar a faca. A marcação de um no outro foi muito, muito intensa, até o limite do que pode ser considerado falta. A brincadeira estava tão divertida que por vários minutos passei a ignorar o resto do jogo, me focando apenas nos dois batalhando por posição no garrafão. Por várias posses de bola consecutivas, tanto Garnett quanto Sheed não tocavam na bola durante o ataque, já que o outro não permitia - negando espaço no garrafão, tomando a frente, desviando os passes. Os times começaram a ignorar os dois lá, já que um anulava completamente o outro. É como dois Cavaleiros de Ouro que se enfrentam: seus poderes se anulam e a batalha durará 1001 dias, ou algo assim. Sempre achei o conceito legal mas nunca entendi porque as batalhas do desenho sempre duravam no máximo uns 2 episódios.

Com os times cuidando das suas vidas e deixando o pau comer solto entre KG e Sheed, a coisa estava satisfatória para ambas as partes. Até os juízes se meterem no meio. Marcaram uma falta do Rasheed Wallace que não fazia sentido, levando em conta tudo que estava acontecendo entre os dois o tempo todo, na quadra inteira. O Sheed foi à loucura, xingou pra burro, ainda que tomando uma falta técnica fosse ficar de fora de um possível Jogo 7. A narração gringa da ESPN criticou muito o Sheed por não calar a boca, mas não é difícil entender o lado dele, já que a marcação da falta foi aleatória, inconsistente e, pior: acabou com a brincadeira. Do outro lado da quadra, os juízes compensaram marcando uma falta em KG e com isso, em segudos, a disputa entre os dois não tinha mais credibilidade, não dava pra saber se eles podiam ou não continuar com o nível de intensidade, os dois começaram a perder minutos com o excesso de faltas e antes que pudessemos falar "paranguaricutirimirruaru" o Sheed perdeu completamente o controle. O jogo havia se tornado uma daquelas besteiras típicas da arbitragem se metendo demais, o Pistons precisava desesperadamente de uma vitória, Sheed sabia que a NBA (e o mundo) queriam ver o Celtics na Final e, pra piorar, nenhum de seus arremessos entrava. A partir daí Sheed se perdeu e quando voltou a ser eficaz de costas para a cesta, no final do jogo, já era tarde demais. Apesar de ter virado o jogo, o Pistons perdeu a liderança no único momento em que não havia mais tempo de correr atrás.

Mais uma vez, muito do mérito do Celtics vai para os coadjuvantes. Quando o time passa bem a bola, ao invés de isolar Garnett e Pierce e rezar para que os arremessos contestados de Ray Allen caiam, sobra muito espaço para o resto do elenco contribuir. Na noite de ontem, a contribuição foi mais defensiva do que qualquer outra coisa. Perkins teve mais uma partida sólida na defesa do garrafão e James Posey não apenas converteu os arremessos na hora certa como também se saiu muito bem na marcação de Billups e garantiu um roubo de bola no minuto final que selou a partida. Ainda me lembro quando o Posey era o melhor jogador daquele "o pior Denver Nuggets de todos os tempos" (que tinha o Nenê novato como titular ao lado de Juwan Howard, o cestinha, e os finados Vincent Yarbrough e Rodney White na armação) em que ele era um grande talento no ataque, disputado por várias equipes da NBA. Nas mãos de Doc Rivers, virou esquentador de banco, assim como o Leon Powe que perde espaço na mesma proporção em que joga cada vez melhor. Mas são eles que, quando contribuem, mantém o Celtics sólido na defesa, consistente no ataque, e deixam as estrelas brilharem.

Rajon Rondo sempre salva um jogo ou outro e muito do sucesso do Celtics acaba nas mãos dele porque ele é sempre o jogador que é deixado livre durante as marcações duplas. Seu nível de agressividade e sua pontaria têm uma importância tão grande no jogo que é complicado pensar que ele acabou de sair das fraldas. Ainda assim, gostaria que ele fosse mais agressivo e fosse com mais frequência para cima da cesta. É muito comum um contra-ataque puxado pelo Rondo ser abortado porque ele não tem culhão de bater para dentro, apenas pára e coloca a bola nas mãos de outra pessoa. Eu sei, se ele fosse para a cesta e errasse, todo mundo cairia matando, eu até entendo. Por enquanto, ele continua comendo pelas beiradas, mas não há dúvidas de que ele será grande um dia. Armador principal, excelente reboteiro, bom nas assistências e com um arremesse bem mequetrefe - é tipo um Jason Kidd que caiu da escada.

Torço para ver Powe, Cassel, Rondo e Posey tendo grandes atuações contra o Lakers, tudo em nome de um grande espetáculo. Vamos esperar ver um time consistente que aprendeu com os erros do passado (por passado, entenda a semana passada) e que esteja disposto a lutar para valer contra Kobe e seus amigos ao invés de se contentar com o título do Leste. Se depender do Garnett, que sequer sorriu com a vitória de ontem, o troféu do Leste vai ser tacado na privada ou então enfiado na orelha de quem se der por satisfeito com ele. O anel de campeão da NBA é o que importa para o Garnett e o que aconteceu até agora foi só aquecimento. Eles terem jogado 7 partidas contra o Hawks foi só pra treinar uns arremessozinhos, sabe como é.

Do lado dos perdedores, torço para que exista muita calma. Sei que deve ser complicado para o Pistons chegar pela zilionésima vez na Final do Leste, perder e ter que começar tuuuudo de novo na temporada seguinte, com aquele ar de "mas que puta tédio, não podemos pular para os playoffs logo de uma vez?". Mas eu confio no Detroit para encarar o tédio e tentar de novo por mais uns 2 ou 3 anos, até que não seja mais tão fácil chegar lá no topo. Até lá, rezo para que o elenco seja mantido, que o Rasheed não seja crucificado por amar demais o jogo, e que talvez eles consigam um técnico que dê mais minutos para Rodney Stuckey, Jason Maxiell e Amir Johnson. Porque eu, pra variar, não consigo entender porque o Maxiell comanda num jogo, sequer entra no outro, o Stuckey passa de titular para garoto da água, e o Amir Johnson sequer entra em quadra enquanto o Ratliff "Mutombo cover" ganha minutos importantes. Doc Rivers, Flip Saunders, Rick Adelman, são todos técnicos famosos e eu sou só um blogueiro na terra do futebol e do samba, eles devem ter razão e eu sou muito burro. Muito. Burro.

Fique colado no Bola Presa nessa semana enquanto esquentamos os motores para a grande final entre Lakers e Celtics, incluindo o novo template para comemorar o confronto tão antecipado. Além disso, colocaremos nossas primeiras previsões para o próximo draft e nossa tradicional coluna de perguntas e respostas "Both Teams Played Hard". Não percam!

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Aproveitem Kobe Bryant

Assista o jogo e depois conte para seus filhos como bom mesmo era a época do Kobe...


Tem dias em que você simplesmente precisa esquecer o lado ruim das coisas e apenas admirar o que tem que ser admirado. Eu sei que tem gente passando fome no mundo, que existem guerras, violência e que as pessoas morrem pelos motivos mais tolos, mas isso não pode te impedir de gostar e de sorrir com um belo quadro na parede, com uma piada boba ou com o envolvente andar de uma garota bonita. É assim, escondemos de nós mesmos as coisas ruins, nem que seja por alguns instantes, para fazer as coisas boas parecerem mais importantes e assim podemos desfrutar do que há de bom na vida.

Esse é um texto para todo mundo que odeia o Kobe Bryant.

Eu sei que são poucas as pessoas que odeiam ele à toa, existem alguns motivos. Alguns odeiam porque dizem que ele se acha bom demais, que é convencido, outros dizem que é porque ele se preocupa muito em ser o novo Jordan e não em ser ele mesmo, alguns dizem odiar porque ele é fominha e só se preocupa com os números. Já vi gente que odeia ele porque é fã do Shaq e que ainda não superou a época de briga dos dois. Todos os argumentos tem seu fundamento, em algum momento da carreira Kobe deu motivo para que pensassem isso dele, além disso soma-se o fato dele jogar em um time que é amado por muitos e odiado por todos os outros, o Lakers, e que ele ganhou três títulos seguidos no começo da sua carreira, todo mundo sabe como os vencedores irritam bastante.

Mas acho que todos os que odeiam o Kobe, que são chamados nos EUA de "Kobe-haters", apesar dos motivos que dizem ter para isso, estão fazendo um grande mal para eles mesmo. Afinal, antes de ser fã do Kobe, do LeBron, do Michael Redd ou do DJ Mbenga, acredito que todos que acompanham NBA têm que ser fãs de basquete. Mas antes de me prolongar mais no assunto, acho melhor deixar claro que existem dois tipos de fãs que odeiam o Kobe, existem os que não gostam dele mas reconhecem seu talento e os que tentam provar que ele não é tão bom assim.
Eu sou contra esse último tipo, o primeiro é até bem comum. Eu vivo zoando o Duncan aqui no blog, por exemplo, mas sou fanático pelo jogo dele, a quantidade de jogadas diferentes que ele consegue fazer de costas pra cesta é algo fora do comum. Até quando jogo minhas peladas por aí uma das jogadas que eu mais faço, principalmente com o jogo nos momentos decisivos (leia-se perto do ponto 21), é um arremesso usando a tabela naquele mesmo ângulo do Duncan, ou seja, na hora de bancar o herói do jogo eu imito o Duncan, não o Kobe, Jordan, Wade ou esses caras mais idolatrados por mim mesmo. É a pura admiração pelo jogo dele, mesmo que quando ele entre em quadra eu torça pra ele errar todos seus arremessos e para o time dele ficar em último e ser humilhado em rede nacional.

Isso acontece porque mais do que odiar o Duncan ou o Spurs, eu sou fã de basquete. Já os caras que odeiam o Kobe e tentam ficar provando que ele é ruim, superestimado (o famosso "Overrated", como eles dizem na América do Norte) ou simplesmente que ele é pior que o Jordan, são caras que perdem a oportunidade de aproveitar a chance de ver um dos melhores jogadores de todos os tempos e o melhor jogador da atualidade em ação. Eu não dou a mínima para saber se o Kobe foi melhor que o Jordan, o Jordan está aposentado, a carreira dele acabou, fique com as lembranças que você tem com carinho na sua cabeça, assista os vídeos que você gravou, compre o DVD, veja os sites que falam da carreira dele, assista vídeos no YouTube de momentos marcantes, mas deixa o Kobe fora dessa, é uma comparação que não faz sentido. A besteira chegou ao ponto de criarem um site chamado KB24overrtated.com, que é um site que diz ter o maior banco de dados de comparações entre Kobe e Jordan em toda internet, com centenas de estátisticas, vídeos, textos e mais. Eu não consigo me conformar que alguém esteja perdendo seu tempo fazendo isso, de verdade. Pra mim já foi revoltante o bastante quando encontrei gente do mundo todo na internet falando mal do Kobe depois do seu jogo de 81 pontos contra o Toronto, eram pessoas condenando a defesa do Raptors, chamando o Kobe de fominha, dizendo que qualquer um faria aquilo em um time fraco se fosse fominha como o Kobe, essas coisas. Eu, desde que fiquei sabendo, trocentos anos atrás, dos 100 pontos do Wilt Chamberlain, sempre fiquei bravo porque sabia que nunca veria nada parecido, que o máximo que víamos em um jogo eram uns 60 pontos de um jogador, e que isso já era fora do comum. Então imagina ver os 60 e mais 21 pontos! 21 pontos era uma média por jogo de alguns ótimos jogadores da liga. Sempre achei impossível. Quando Kobe mostrou que era possível, eu entrei em um êxtase indescritível, senti pela primeira vez que poderia ver a história acontecendo ao vivo e não só em vídeos ou na descrição de pessoas mais velhas, como me acostumei como fã de basquete e futebol, já que tudo era sempre melhor antes, sempre pior agora, bem agora que eu estou vendo.

Eu fico bem triste de não ter assistido o Oscar Robertson jogar, o Bill Russell, o Wilt Chamberlain, o Jerry West, Dr. J, Pete Maravich... são tantos que eu queria ter visto jogar e não vi que até dá pra entrar em depressão. Depois disso vem aquela geração que a maioria do pessoal mais velho até conseguiu acompanhar, com Jordan, Pippen, Bird, Magic Johnson, Hakeem Olajuwon, Barkley, Isiah Thomas e tantos outros. Essa foi uma geração que a TV passou algumas coisas, mas que mesmo assim víamos muito pouco. Hoje em dia, com a maravilha da internet, eu fui capaz de ver praticamente todos os jogos do Lakers na temporada e mais todos os dos playoffs, tudo acompanhando por centenas de sites do mundo todo que nos dão entrevistas, números, análises, curiosidades, ou seja, tudo o que você precisa (e não precisa, mas quer) para aproveitar cada dia da temporada. É uma chance de compensar o passado. Já que não tive tudo isso pra acompanhar todas as outras gerações de grandes jogadores, vou usar para aproveitar a geração de Kobe, LeBron, Duncan e cia.

Não comparar o Kobe com ninguém e apenas assistir aos jogos pra ver ele jogar é um favor que você faz a si mesmo como admirador do basquete. Se quiser torcer contra o Lakers, torça, é só um time, mas não deixe de admirar o que Kobe Bryant está fazendo em quadra, aquilo tudo é raro, são poucos que fazem, são poucos que já fizeram. É simples, aproveitem para assistir enquanto vocês tem a chance, assistam ao vivo, é melhor que viver do passado.

Ontem, no jogo 5 da final do Oeste, Kobe fez sua melhor performance nos playoffs até agora e uma das melhores em toda sua carreira nos playoffs. Foram 39 pontos, acertou 16 dos 30 arremessos que tentou e acertou os 5 lances livres que cobrou. O número de lances livres, aliás, é algo marcante nessa série. Nos últimos três jogos da série, o Kobe cobrou apenas 6 lances livres e conseguiu poucas bandejas, afinal é nas bandejas, geralmente, que ele consegue suas faltas para bater os tiros livres, e mesmo assim Kobe teve médias altíssimas de pontos e alto aproveitamento nos arremessos.

O Spurs fez o que fez com o LeBron no ano passado, fechando o garrafão, grudando o Bowen nele e dizendo "Se você quiser fazer pontos vai ter que ser de longe e com um dos melhores marcadores da NBA na tua frente". Kobe aceitou o desafio e soube superar Bowen, fazer seus pontos e, mais importante, fazer os pontos quando o time mais precisava deles. No jogo de ontem, assim como no jogo 1 e como em outros jogos dos playoffs também, Kobe começou tranquilo, forçando poucas bolas, deixando caras como o Gasol e o Radmanovic marcarem seus pontos nos primeiros quartos. Isso é imporante demais para o resto do time pegar confiança, para engrenar o ritmo de jogo e para o próprio Kobe não cansar. Depois, com o jogo para ser decidido, o Kobe tomou as rédeas da partida e decidiu a favor do Lakers, foram 17 pontos só no quarto período! Algumas jogadas foram de tirar o fôlego, teve bola de 3 na cara do Bowen, um arremesso dificílimo com o Duncan com a mão no rosto do Kobe e uma outra, minha favorita ontem, que foi um giro que ele deu no Bowen e finalizou com a mão esquerda. É categoria pra dar e vender.

O jogo de ontem foi uma obra-prima de Kobe Bryant, um clássico dos playoffs que espero que todos vocês que gostem de basquete tenham aproveitado. Eu sei que o Kobe não fez isso sozinho, o Sasha marcou muito bem o Manu de novo, Gasol foi um monstro nos rebotes (ontem foram 19!) e ainda ajudou com tocos e assistências, Odom foi magnífico e o Jordan Farmar foi quem iniciou a reação do Lakers após um começo destruidor do Spurs, mas pra falar a verdade nós demos muito valor ao Phil Jackson e a todos os outros jogadores do Lakers durante todos os playoffs e até na temporada regular, até o Radmanovic nós elogiamos, hoje era dia de falar de Kobe Bryant.

Ah, mas que fique claro que nem os fãs do Lakers, nem Phil Jackson e nem Kobe Bryant estão satisfeitos com a conquista do Oeste. Phil e Kobe deram entrevistas logo após o jogo em que disseram que eles não ficariam felizes apenas por ganhar o Oeste, que eles querem mais. Phil Jackson, além disso, disse que não há nada pior do que chegar até as Finais, chegar tão perto do título, e perder. Kobe sabe disso e sabe que basta uma série final abaixo da média para todos os críticos acordarem e começarem a dizer que o Jordan faria melhor. São uns chatos!

Para quem não viu ou para quem apenas quer babar um pouco de novo, aqui tem um vídeo com as principais jogadas do Kobe no jogo de ontem, a segunda do vídeo é ao giro e a finalização com a mão esquerda que eu citei acima:





Velho Spurs
















Não podia deixar o Spurs de fora do post, afinal, quando os campeões caem, sempre viram notícia. Eu não gosto de chutar cachorro morto, então nem vou zoar muito o Spurs, até porque eles sempre são classudos o bastante para admitir que o outro time mereceu ganhar, não são como o Rogério Ceni que nunca admite que tomou um frango.

O assunto do momento é que o Spurs precisa renovar, que o time é velho demais. Eu acho que eles tem que fazer isso mas com calma. Um dos diferenciais do Spurs é a experiência, é saber lidar com todo tipo de situação, acho que o ideal é contratar alguns caras novos para ajudar o time mas contratar ou manter alguns veteranos, não cercar o trio Duncan-Parker-Ginobili com pivetes apenas. Uma aquisição que seria importante já foi adiada, era a ida do Splitter. O brasileiro poderia ajudar muito o Spurs na sua renovação e até poderia ser titular lá, mas deve passar mais um ou dois anos na Espanha, uma pena para nós que acompanhamos a NBA bem mais de perto.

Mas acho que os torcedores do Spurs não precisam se preocupar muito, não. O RC Buford, manager do time, junto com o Gregg Popovich, sempre foram ótimos em achar bons Free Agents pouco disputados e em pegar talentos no final do draft. Além disso, não deve faltar veterano doidinho pra ir pro Spurs pra ter chance de ganhar título. E tem mais, todo mundo sabia que o Spurs não ia ganhar esse ano, eles são incapazes de ganhar títulos em anos consecutivos ou em anos pares. Cuidado com eles nos playoffs de 2009!

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Apontando dedos

Só está faltando emoção nos playoffs porque Mark Madsen não se classificou


Tá, os playoffs estão chatos, é verdade. Não como assistir uma aula de Química ou um filme musical com Tim Duncan e um mímico, mas chatos para o que eles poderiam ter sido. As séries até agora, mesmo as disputadas, são sequências de jogos fáceis para um dos lados, e quem tem mando de quadra leva fácil. Não tivemos grandes espetáculos, confrontos, pancadaria e nem quinhentas prorrogações. Então, já que não estou fazendo nada, vou apontar uns dedos. Simplesmente porque tenho dedos.

Antes de mais nada, vale lembrar da reclamação patenteada Bola Presa (tm) e resmungar sobre o tamanho da temporada regular. Então nós tivemos 82 jogos de uma das mais disputadas temporadas de todos os tempos e alguém esperava que desse pra manter o ritmo nos playoffs? É óbvio que os times, principalmente no Oeste, que foi mais parelho, estavam exaustos quando começou a pós-temporada e o nível técnico com certeza sofreu com isso. O tamanho da temporada regular também influencia na quantidade e na intensidade das contusões, o que nos leva a times desfalcados que não podem jogar com sua força máxima. Ou alguém aí acha que teremos grandes playoffs quando o Wizards, por exemplo, entra em quadra sem Arenas e Caron Butler?

E por falar em Wizards, a tal "temporada maravilhosa e mais disputada que a Sula Miranda no mundo dos caminhoneiros" não significa, de modo algum, que o nível foi alto, vide o Leste. Por lá, a temporada foi um campeonato de ver quem fedia menos, e no fundo demos de cara com playoffs que incluiam o Hawks, o Sixers, o Wizards desfalcado, o Raptors em decadência e o Cavs ruim-pra-burro-mas-com-LeBron. Na empolgação do momento a gente acha bacana, divertido, mas depois quando paramos pra pensar, o nível era tão baixo quanto conversa de Big Brother. O que, por sua vez, também não ajuda a definir o nível dos times que realmente importam. Somos obrigados a ver o Celtics e o Pistons nesse clima de "jogam quando bem entendem", ora dando uma sova em times do Oeste, ora não precisando fazer nada além de coçar a bunda contra os times picaretas do Leste. São 82 jogos e a maioria é uma besteira, é o Celtics enfrentando o Heat e o Knicks quinhentas vezes, e quando o negócio é pra valer nos damos de cara com um Boston oscilante, com falhas técnicas e ataque amador, um Pistons sem intensidade, cansado e que às vezes parece até sem saco para jogar esse esporte idiota.

Mesmo no Oeste, em que o nível é alto pra burro, os times oscilam muito. Lembra dos tempos em que o Spurs era uma maquininha, jogava sempre igual e raramente tinha um jogo abaixo da média? Parece quen foram mil anos atrás, quando o Mutombo nem tinha bigode. Até os texanos-cuspidores-em-potes de San Antonio viram agora um time que teve altos e baixos muito discrepantes durante toda a temporada regular, contusões e até inconsistência na rotação, coisa que eu nuca iria pensar em ver o Gregg Popovich fazer. O mesmo aconteceu com a grande maioria dos times e nos playoffs isso fica ainda mais explícito.

É claro que também tem o quesito Acaso, como em tudo na vida. O Spurs teve atuações maravilhosas e atuações patéticas, e o fato de que as atuações maravilhosas não foram ao mesmo tempo em que o New Orleans, por exemplo, teve também uma atuação impecável contra eles, nos tirou o privilégio de ver grandes jogos, disputados e com 10 prorrogações. Mas não vou ser velho e ranzinza e tirar o mérito das lavadas, também são grandes jogos, e se o Spurs ganha um dia por uma diferença de 40 pontos apenas para perder por 40 dois dias depois é sinal de que existem falhas técnicas, defeitos, pontos fracos na equipe, que ao serem percebidos pelo advesário fazem o time desmoronar. Gosto desse jogo de xadrez, desse lance constante de procurar e esconder pontos fracos, mas cometer os mesmos erros dia-sim, dia-não, aí já é incompetência, que temos de sobra.

Eu também gostaria de apontar outro fato, mais polêmico, e que pode gerar ameaças de morte e um ou dois petelecos na orelha se me catarem na rua. Mas é que existem times que tornam a NBA divertida, interessante, emocionante, e times que tornam ela um espetacular jogo de bocha. Eu não tiro os méritos dos times mais chatos, também gosto de vê-los jogar, reconheço todos os seus méritos e, como amante de basquete, aprecio todas as partidas. Mas como ser humano com polegar opositor e paixão descontrolada e espontânea por esse esporte da bola laranja, eu me empolgo e grito e vibro e pulo muito mais com times que são emocionantes por si. Eu perdi o ar assistindo 3 prorrogações entre Nets e Suns, mas eu sequer levantei da cadeira na série entre Pistons e Celtics. Eu sou um fã inveterado do Kevin Garnett e adoro o jogo coletivo do Pistons, mas sabe como é, eu assisto jogo todos os dias de madrugada, acordo cedo e *uaaaaaah*, às vezes dá sono, né? No entanto, nunca pensaria em pescar durante o Warriors e Mavs da temporada passada, e embora eu boceje loucamente em qualquer jogo do Spurs, sempre assisto vidrado seus confrontos com o Suns. Alguns times até tornam os outros legais, e é por isso que vejo com pena o Suns eliminado cedo demais e playoffs cheios de pistões, esporas, águias, e setenta-e-seis.

As limitações técnicas do Celtics me irritam, a falta de intensidade do Pistons às vezes me faz cochilar, mas eu não acho que esses playoffs estão perdidos. E a prova disso são as últimas partidas, tanto do Oeste quanto do Leste. Esses times inconsistentes, que se acostumaram a jogar tirando o pé volta e meia, sabem que, se perderem agora, aqueles 82 jogos chatos pra danar vão ter sido em vão. Então agora, Finais de Conferência, jogos 4 ou 5, é que a coisa começa pra valer. Ontem, por exemplo, tivemos a noite da carreira de Kendrick Perkins e não foi em vão, foi apoiada por grandes atuações de Ray Allen, depois de uma conversa com os Monstars, e de Kevin Garnett, raro consistente. E, pra nossa sorte, foi uma grande noite para o Pistons também, que soube ter intensidade defensiva, viu Rip Hamilton continuar a chutar traseiros e Billlups voltar dos mortos. O problema é que o Rasheed Wallace ainda está com alergia de garrafão (acertou todos os seus 6 arremessos de trás da linha de 3 pontos) e falta intensidade bem ali, dentro da área pintada. Mas foi um grande jogo, algo que nós merecemos depois de aguentar tantos jogos desde o ano passado.

Acho que agora não temos mais que nos preocupar com jogos chatos e lavadas sem graça. Amanhã teremos o Pistons tentando ficar vivo, ainda que talvez sem Rip Hamilton, com uma contusão no ombro. E na noite de hoje, ou o Spurs joga muito ou vai ser eliminado merecidamente depois de uma temporada tão inconstante. Eliminado pelo Lakers, aliás, que deixei fora dessa conversa toda. Ainda que tenham vacilado aqui e ali, são o grande brilho dessa temporada. Aposto minhas fichas no time de Los Angeles como campeão da NBA. Questão de mérito, pura e simplesmente.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Espetáculo

O espetáculo do basquetebol-arte


O Rodrigo Alves fez um texto muito bom no Rebote dizendo como esses playoffs estão chatos, ou pelo menos mais chatos do que a gente esperava depois de uma temporada regular que a revista Dime, em seu novo número, chama de "a melhor temporada de todos os tempos". O que estamos vendo nesses playoffs são muitas séries bem disputadas mas que não são nada mais que sequências de lavadas, de goleadas, uma pra cada time, fazendo sériea disputadas de jogos não-disputados.

Mas ontem vimos uma exceção, um típico e bom jogo de playoff. Um bom jogo de playoff tem que ser disputado, tem que ser definindo no final e, mais importante, tem que nos manter empolgados e acordados até esse final emocionante. Muitos jogos, principalmente do Cavs, são um martírio durante três quartos e só no último é que ficam legais, com o LeBron dominando. Mas o de ontem não, o de ontem teve história em todos os períodos, heróis e vilões diferentes em vários momentos do jogo e, por fim, um final disputado com decisões polêmicas dos juízes. O que mais podemos pedir?

Podemos pedir pro Spurs perder. E perderam.

A história do jogo

Primeiro ato:

Era uma vez um primeiro período. Assim começa a história do jogo, e logo no começo o Lakers resolveu mostrar porque o Phil Jackson e o Kobe estavam tão bem humorados no final do jogo 3, quando tomaram porrada do Spurs. Estavam felizes porque sabiam que iam jogar muito no jogo seguinte. Com uma defesa fulmintante e saídas rápidas para o ataque, o Lakers chegou a abrir uma diferença de 14 pontos logo no começo da partida e, vocês não acreditam, com o Radmanovic jogando bem de novo! Quando a gente ia pensar que o Radmanovic ia ter dois jogos bons contra o Spurs SEGUIDOS? Foi ele o herói do primeiro quarto, basquete é uma caixinha de surpresas mesmo.

Como nada é perfeito, o Spurs resolveu acordar e foi tirando a diferença aos poucos. Tudo porque o herói do Spurs no período foi o Tony Parker, que em contra-ataques resolveu provar pela milésima vez que ninguém, simplesmente ninguém, consegue pará-lo em transição sem uma arma de fogo em mãos. Inclua Chuck Norris e Obina na lista dos que não param o Sr. Longoria.

Segundo ato:
Foi a vez de outra história aparecer. Jogo que é bom sabe trocar de personagem principal várias vezes para manter o interesse do público. Foi a vez do Luke Walton aparecer para o Lakers, e ele deu uma deu uma de cafajeste simpático porque foi herói e vilão, dependendo da posse de bola. Em uma, ele fazia a maior cagada do mundo, na seguinte dava um grande passe, depois errava um arremesso livre e aí resolveu liderar o Lakers nos minutos finais, fazendo a diferença acabar em 6 pontos.

Pelo Spurs, apesar da diferença magra, dois vilões aparecem na história: Manu Ginobili e Robert Horry. O argentino continuou narigudo e chato como no jogo 3, mas ao invés dos 22 pontos no primeiro tempo, não fez nenhum, foi fazer seus dois primeiros pontos só em lances livres e no terceiro período. Já o Horry, bem, o Horry, pra se ter uma idéia, está sendo chamado por um blog do Spurs de "o cadáver de Robert Horry" e tem dois pontos em toda a série até agora.

Terceiro ato:

A gente gosta de jogo com bastante personagem, mas se no fim das contas o jogo é decidido em um duelo épico entre o Linas Kleiza e o Keyon Dooling, é porque alguma coisa está errada. Então no terceiro quarto do jogo Kobe e Duncan foram fazer sua obrigação moral enquanto estrelas e um marcou 10 e o outro 11 pontos, tudo nesse período. E engraçado ver como os dois conseguiram essas cestas. Kobe fez os seus pontos em alguns lindos arremessos de longa distância e com duas enterradas maravilhosas, já o Duncan fez a maioria em tapinhas de rebotes ofensivos e bandejas na tabela. Não tô nem aí pra quem discute quem é melhor, mas quem diz que prefere ver o Duncan jogando deve estar mais drogado que o Joakim Noah.

Destaque nesse quarto para como o Lakers, mais uma vez nessa série de playoff, conseguiu sair de um empate nos minutos finais do quarto para começar o período seguinte com uma vantagem confortável. Foi assim nos jogos em Los Angeles, foi assim no final do segundo quarto e foi assim no final do terceiro também, quando o Sasha Vujacic fez uma jogada de 4 pontos e deixou a liderança do Lakers em sete para o último e decisivo período do jogo.

Quarto ato:
Como bom personagem principal, o Kobe sempre descansa no começo do quarto período, para só depois fazer sua entrada triunfal. E foi com o Kobe no banco que eu sabia que o Lakers ia vencer esse jogo. Explico: estava vendo o jogo pelo site da TNT, com trocentas câmeras ao mesmo tempo. Enquanto duas câmeras mostravam o jogo, uma mostrava só o Parker correndo pra cima e pra baixo, e outra, a do Kobe, apenas mostrava o MVP assistindo o jogo. A expressão dele era a mesma do começo da partida, tranquilo, sereno. Nem parecia que via o seu time ser engolido pelo Spurs e a diferença de sete pontos indo pelo espaço. Aí reparei na cara dos jogadores em quadra, estavam todos focados mas também sem desespero nenhum, simplesmente executando o ataque numa boa e nem esquentando a cabeça depois de turnovers. Epa, epa, epa! O que fizeram com o Lakers de um ano atrás que só faltrava trancar a porta e gritar em baixo do travesseiro depois de um turnover do Smush Parker? Cadê o Kobe que no quarto período nem tocava a bola de tanta falta de confiança nos outros jogadores? Sumiu tudo isso.

O Lakers de hoje não se desespera. Eles ficam com aquele ar de Pistons que sabe que o jogo está sob controle, está onde eles querem, e sabem que a pressão está no outro time. Quando me toquei disso eu soube que o jogo era nosso.

E foi assim mesmo que aconteceu, o Lakers não abaixava a cabeça diante de nada que o Spurs fazia, simplesmente ia lá e fazia melhor. O Kobe, quando voltou pra quadra, foi lá e meteu uns três jumpers seguidos e mostrou que estava no comando, depois foi a vez do Lamar Odom, que tantas vezes foi criticado por ser amarelão e por se desequilibrar emocionalmente nos jogos, decidir a parada com muitos rebotes e bandejas decisivas. Lembro que nessa temporada, depois que o Odom fez uma falta violenta no Ray Allen em uma derrota para o Celtics só porque o jogo estava perdido e o Odom decepcionado e bravo, perguntaram para o Phil Jackson o que fazer para deixar o Odom mais calmo, mais tranquilo, menos emotivo nos jogos. O Phil respondeu que não ia tentar fazer isso porque via mais pontos positivos do que negativos em ter um cara emotivo em quadra. O Zen Master entende das coisas. O Odom simplesmente usa toda sua energia para pegar rebotes como se fosse o Ben Wallace de anos atrás.

Tá, mas se essa merdinha do Lakers é tão bom como você diz, por que o jogo foi decidido na última bola?

Bom, tudo culpa do Brent Barry. Herói da noite em San Antonio.

Primeiro herói para o Spurs, acertou cinco bolas de 3, fez todo mundo esquecer da atuação pífea do Ginobili e fez o máximo de pontos em sua carreira em playoffs, 23 pontos. Toda vez que o Lakers tentava abrir, lá tava o Barry com aquele arremesso feio, parado e que é o gatilho mais rápido do Oeste. É simplesmente injusto e desleal ter um arremessador tão bom ao mesmo tempo em que se tem o Duncan no garrafão, deveria ser proibido.

Depois de tanto lenga-lenga, chegou o esperado minuto final. O Lakers tinha 7 pontos de vantagem e parecia ter a vitória garantida. Mas aí aconteceu tudo o que não tinha acontecido até então. A primeira loucura foi o Gasol errar seus primeiros lances livres no jogo, depois o Ginobili acertou sua primeira bola de 3 do jogo, aí o Kobe forçou uma jogada estúpida ao invés de gastar tempo, fazendo sua primeira cagada no jogo, e então o Parker pegou a bola, correu como um retardado e fez uma bandeja. Não, não foi a primeira bandeja dele no jogo, pelo menos alguma coisa tinha que ter ficado normal nesse último minuto.

Com 28 segundos no relógio, o Kobe decidiu gastar o tempo e nos segundos finais deu a bola pro Fisher, que errou o arremesso. E começou o show da arbitragem.
O primeiro erro foi ter dado airball do Fisher, quando na verdade a bola bateu no aro e, depois de desviar no Horry e cair pra fora, deveria ser posse de bola do Lakers com 24 segundos no relógio de posse. Mas como deram air ball, o Lakers tinha 2 segundos de posse e 4 segundos restavam no relógio. Então Kobe tentou um arremesso, errou, e o Spurs, que parecia morto, tinha 2 segundos para tentar vencer o jogo.

O Barry, depois do jogo, disse que a jogada tinha sido desenhada para o Ginobili, mas como deu tudo errado, caiu na mão dele mesmo. Aí ele pegou a bola e errou seu arremesso, dando a vitória pro Lakers. O problema foi que antes dele errar o arremesso, os juízes cagaram com tudo de novo, não marcando uma falta óbvia do Fisher no Barry. A falta deveria ser para dois arremessos apenas, porque Barry não estava arremessando, mas poderia levar o jogo à prorrogação. Eu não gosto dessa idéia de compensar marcação errada, mas no fundo foi o que aconteceu, uma cagada compensou a outra e o Lakers mereceu a vitória. Mas faltou para o Barry um pouco de malícia, se ao invés de tomar a trombada do Fisher tentando achar espaço para o arremesso ele tivesse tomado o contato ao tentar arremessar, os juízes não iam ter outra escolha senão dar os 3 lances livres para o Barry. Como o Felipe, nosso webdesigner e colaborador aqui do Bola Presa (além de torcedor do Spurs) disse depois do jogo: "A jogada era pro Ginobili. Se fosse ele, ia arranjar um jeito de cair no chão e sangrar depois do contato". A mais pura verdade. Lição de hoje: ensinem seus jogadores a cavar faltas, pode ser decisivo.

Pro jogo 5 não tem muito o que dizer. Para o Lakers tem que ser o ato final dessa série, deixar o Spurs ganhar é dar moral demais para um time muito bom, o negócio é ir lá e ganhar. Para o Spurs, eles não tem lá mais muito a perder, é se jogar pra cima do Lakers e ver no que dá.

Números:

O Spurs liderou em acertos e em aproveitamento de lances livres e bolas de 3 no jogo de ontem. E foi esse jogo que eles perderam e que pode ter decidido a série. Quem liga para os números? São para os tolos.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Máquina de fazer Jason Maxiells

Dois outros Jason Maxiells se enfrentam em quadra


Existe por aí, na NBA, uma máquina capaz de fazer Jason Maxiells em série. São centenas deles, produzidos em linha de montagem, circulando pelas ruas dos Estados Unidos, fazendo compras, comendo Big Macs. No entanto, a grande maioria deles tem empregos menores. Vários, após serem criados pela tal máquina, viraram caixas de supermercado, atendentes de telemarketing e seguranças de boate. Mas alguns estão jogando na NBA, já que felizmente alguns times já perceberam a importância de ter um Jason Maxiell no time.

Não estou falando apenas do Pistons, que teve nele a grande razão da vitória de ontem contra o Celtics, mas também de outras equipes da Liga: Houston, Wolves, Jazz. Meu amado Rockets fez um Jason Maxiell com a máquina de fazer Maxiells e batizou-o de "Carl Landry", um dos principais fatores da sequência de vitórias histórica durante a temporada. Já o Utah Jazz batizou sua cópia de "Paul Millsap", essencial no domínio do garrafão que levou o time dos mórmons chorões para o segundo round dos playoffs. E o Wolves, que amarga os últimos lugares da Liga, também tem sua cópia, chamada por eles de "Craig Smith", e que deve ser importante na recuperação da equipe de Minessota.

Eu adoraria saber o motivo que leva os outros times da NBA a não pegarem a máquina de fazer Maxiells emprestada para criar uma cópia para eles. Várias equipes alegam, seja durante o draft, as summer leagues ou os períodos de contratação, que jogadores assim são baixos demais para o garrafão da NBA, que eles serão dominados por jogadores mais altos e mais físicos. Preferem tentar jogadores mais altos e sem talento, e o que temos é um belo punhado de Patrick O'Bryants e Kwame Browns andando pelos ginásios enquanto cópias rejeitadas do Jason Maxiell engraxam sapatos nas ruas e ganham trocados como figurantes do Teste de Fidelidade do João Kléber. A vida não é fácil para esses alas de força com altura abaixo da média. Mas a vida dos times que apostam em seus talentos é bastante fácil depois de que percebem que tipo de ajuda estão recebendo.

Muita gente, ao apontar os motivos da vitória do Pistons ontem em cima do Celtics, vai falar sobre McDyess e Rip Hamilton, e com certa razão. A defesa-supostamente-poderosa do Celtics deixou McDyess livre para uma infinidade de arremessos de média distância e ele dominou nos rebotes, enquanto Hamilton mostra um jogo cada vez mais agressivo e surpreende mais e mais esse blogueiro que vos escreve. Mas mesmo assim, o real fator decisivo da noite foi o homem feito em linha de montagem. Maxiell trouxe uma intensidade defensiva para o Pistons, desde o primeiro segundo em que enfiou os pés na quadra, que acabou com o jogo imediatamente. Suas jogadas na defesa, sua explosão no ataque e sua paixão à flor da pele, decidiram o jogo logo no começo, deixando apenas uma carcaça de Celtics apodrecendo para o resto do elenco acabar de matar.

O Maxiell e suas cópias são jogadores físicos, intensos, que dão cabeçadas até em disputa de par-ou-ímpar. Contra o ataque desestruturado do Celtics, colocar um cara desses em quadra é uma humilhação, é ter a certeza de que os jogadores de Boston vão fugir, correr, chorar e errar todos seus arremessos. Até o Kevin Garnett, que come carne crua no café da manhã, queria voltar pro colo da mamãe. Duvida? Então dê uma olhada no vídeo abaixo e repare, dá até pra ver umas gotinhas amarelas escorrendo pelas pernas do KG.



E não é como se fosse a primeira vez, vale dar uma olhada no que o Maxiell já fez com o Garnett nessa série. Ele é simplesmente demais para o Celtics, principalmente se dita o ritmo para uma defesa forte de todo o resto do elenco. Aliás, se eu ganhasse um centavo para cada vez que digo que o ataque do Celtics é terrivelmente desorganizado, eu teria, tipo... uns 7 centavos.

O Pistons tira uns cochilos longos, às vezes, e ontem deixou o Celtics vivo no jogo tempo demais, ao invés de acabar logo com a brincadeira dando o golpe final, um "me dê sua força Pégasus" ou um "Cosmic Laser", pra quem lembra do golpe que o Jaspion dava usando o robô Daileon pra liquidar o inimigo. Dava para ter ganhado por uns 50 pontos ao invés de ficar dando mole. E se parece que eu estou puxando muito a sardinha para o lado de Detroit, vale lembrar que eu acho que ficar dando chance para o Celtics ao invés de liquidar a fatura pode custar caro demais. Num possível jogo 7, aposto minhas fichas no Boston simplesmente porque alguém lá pode fazer 80 pontos pra encerrar com tudo. Se o Pistons quer levar essa, é bom que aprenda com o Jason Maxiell e jogue com intensidade total desde o primeiro segundo, todos os jogos. Ou então será tarde demais e só vão ter intensidade no banheiro, em dia de caganeira.

Também torço para que os outros times olhem o Pistons e sua cópia do Maxiell e aprendam a lição. Da próxima vez que um ala de força dominar no basquete universitário e for parar no segundo round do draft porque é "baixo demais", vou vomitar. Mas feliz, porque pelo menos o meu Houston Rockets já garantiu o seu. Carl Landry, eu te amo!

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Mamata - Parte 2

Olha mãe, agora com a mão esquerda!


É, no fundo eu sabia que o Lakers não tinha chance no jogo de ontem. Ninguém simplesmente pega o atual campeão e dá uma varrida nele. Quer dizer, o Bulls fez isso com o Heat no ano passado. Mas veja bem, era outra situação, o Heat é um time bizarro e que foi feito para ganhar aquele título e pronto, o Spurs está na luta por títulos há 10 anos, já venceu as finais 4 vezes e também estamos falando de uma final de conferência, o Heat ainda estava na primeira rodada e sem mando de quadra, não tinha provado nada, o Spurs provou muito derrotando Suns e Hornets.

O que quero dizer é que não tinha jeito mesmo, se tinha um jogo com resultado previsível e que você poderia perder para sair com a namorada era o jogo 3. Não que eu tenha feito isso, assisti, sofri, xinguei todo mundo menos o Radmanovic e só entrei no chat aqui do blog depois que tinha me acalmado. A vitória do Spurs de ontem era anunciada e o Kobe e o Phil Jackson sabiam disso, depois do jogo os dois até deram entrevistas bem humoradas, elogiando o Spurs e principalmente o Ginobili.

Aliás, o narigudo-nojento-safado-canhoto-argentino foi o personagem do jogo. Tá bom que o Duncan fez 22 pontos e pegou 21 rebotes e que o Tony Parker voltou à velha forma de fazer bandejas quando bem entender, mas o Manu Ginobili deu show e foi o responsável pelo Spurs abrir a diferença de 10 pontos no primeiro tempo. O Sasha Vujacic fez tudo o que pode para continuar marcando o Manu bem, mas a verdade é que o cara é imarcável quando está inspirado, o Sasha "The broken machine" uma hora até o obrigou a dar um arremesso de três, de bem longe, com a mão na cara e pulando pra trás, e mesmo assim o Ginobili acertou. Tem jogadas em que não é culpa da defesa, é simplesmente o ataque que funciona à perfeição.

Não foi só o Manu, o ataque inteiro do Spurs funcionou à perfeição. Ou, já que dizemos que eles são frios e sem emoção, podemos dizer que funcionou como uma máquina. Primeiro eles conseguiram entrar mais no garrafão, fizeram mais pontos lá dentro, bateram mais lances livres que o Lakers e, mais importante, as bolas de três caíram. Nos primeiros jogos, o Spurs tinha chutado sempre mais de 20 bolas de 3 e o máximo que tinha caído eram 6 bolas, no jogo 1. No jogo passado, o time precisou chutar menos, apenas 18 tentativas, para acertar 10. Destaque mais uma vez pro narigudo do Ginobili, que tentou 7 e acertou 5.

Na defesa, o Spurs também foi ótimo mas aqui podemos começar aquela discussão que é mais velha que o Brent Barry, que discute o quanto dos resultados é mérito da defesa e quanto é falha dos atacantes. Pra mim, quando o jogo é decidido por pouco até se pode conversar sobre isso, mas se a diferença no placar foi de 20 é bem óbvio, as duas coisas aconteceram. O Spurs marcou muito bem, não deixou o Kobe bater para dentro, forçou o Gasol a tentar vários arremessos de ângulos em que ele não está acostumado a tentar e anulou todo mundo do banco, com exceção do Jordan Farmar, que finalmente superou a série contra o Jazz em que ele parecia uma menina de 3 anos perto do Deron Williams. Um número que traduz um pouco da defesa do Spurs são as assistências do Lakers, apenas 13 no jogo todo, mas só traduz um pouco porque várias vezes o Lakers trocou bons passes mas mesmo assim errou arremessos sem marcação ou bandejas no final, não fazendo contar as assistências, afinal o número de assistências traduz, além da qualidade dos passes, a qualidade da finalização.

Mas já que Odom, Fisher e Sasha foram deprimentes no ataque e por alguns momentos pareciam que não sabiam para onde ir, em compensação foi um dos poucos jogos em que o Vlad Radmanovic jogou muito! Acertou 4 arremessos, pegou 9 rebotes, deu passes, enfim, jogou sem medo e (apesar disso) jogou muito bem. Tem uns caras coadjuvantes que você espera que tenham medo e só toquem a bola de lado pra não acabar dando uma de JR Smith e arremessando bolas do meio da quadra nas posses de bola mais importantes do jogo, e eu sempre fico com medo quando o Radmanovic se empolga muito, mas ontem ele calou minha boca. Espero que ele volte a jogar bem em jogos em que o Lakers tenha alguma chance de vencer.

Para o próximo jogo, eu espero algo mais emocionante, porque é muito chato fazer texto sobre jogo que acabou com 20 pontos de diferença, quando você vai ver está elogiando o Radmanovic e o Brent Barry, o que pode pegar mal depois da atuação deles no próximo jogo, vai saber. Mas não me preocupo com a cabeça dos jogadores do Lakers, acho que vão entrar focados e com consciência de que precisam roubar um jogo em San Antonio para conseguir vencer a série. O que me preocupa é o próprio time do Spurs, que quando quer, joga muito!

Na minha análise da série, eu tinha dito que iria ganhar quem se desse melhor nas bolas de três e quem acertasse mais lances livres. Aqui estão os dados dos três primeiros jogos:

Jogo 1 - Lakers 89 - 85 Spurs

Lakers:
4 acertos em 10 bolas de 3 (40% de aproveitamento)
15 acertos em 18 lances livres (83%)

Spurs:
5 acertos em 20 bolas de 3 (25%)
12 acertos em 17 lances livres (70%)


Jogo 2 - Lakers 101 - 71 Spurs

Lakers:
5 acertos em 18 bolas de 3 (27%)
18 acertos em 20 lances livres (90%)

Spurs:
6 acertos em 23 bolas de 3 (26%)
5 acertos em 10 lances livres (50%)


Jogo 3: Spurs 103 - 84 Lakers

Spurs:
10 acertos em 18 bolas de 3 (55%)
17 acertos em 23 lances livres (73%)

Lakers:
6 acertos em 17 bolas de 3 (35%)
8 acertos em 17 lances livres (47%)


Em termos de aproveitamento, quem tem o aproveitamento mais alto vence. No total, o Spurs teve uma bola de 3 a mais no primeiro jogo e mesmo assim perdeu. Acho bom continuar de olho nesses números até o fim da série.


Maria Juana:

Ontem, o Joakim Noah, do Bulls, respondeu à uma dúvida que muita gente tinha: que jogadores, além do assumido Josh Howard, fumam maconha?
Bom, o Noah foi pego com maconha e foi preso na Florida. Eu não fiquei surpreso, a cara dele já denunciava tudo. E o vídeo abaixo mostra que maconha é pouco para esse menino:

domingo, 25 de maio de 2008

Ganhar quando dá na telha

Feio, mas limpinho


Eu choraminguei um bocado sobre a importância de Sam Cassell nas possibilidades de vitória do Boston Celtics. Bem, aí está, nosso armador com cabeça de alien finalmente está de volta e embora tenha jogado menos de 10 minutos na partida, sua atuação foi sólida o suficiente para deixá-lo com um sorriso na cara. Além de comprovar seu retorno às quadras pelo que, eu espero, seja o restante dos playoffs, trazendo liderança, sangue frio e capacidade ofensiva do banco de reservas, a volta de Cassell foi a coroação de uma noite em que os mais-ou-menos do Celtics é que fizeram a diferença.

Além do velho armador que, para mim, é um dos melhores que existem jogando de costas para a cesta, o Boston teve atuações poderosas de Kendrick Perkins, James Posey e, pra variar, Rajon Rondo. Sério, o Rondo não deveria ser ruim? Na temporada passada ele dava sinais de que seria um armador excelente no futuro, completo, mas mesmo assim ele não deveria estar salvando o Boston durante toda a temporada com arremessos decisivos, bandejas impossíveis e rebotes oportunos, muito menos agora, nos playoffs. É como eu sempre digo, o Rajon Rondo ser bom simplesmente não deveria valer.

O Kendrick Perkins também me assusta às vezes, principalmente no primeiro quarto das partidas. Quantas bilhões de vezes as primeiras jogadas ofensivas do Celtics nos jogos acabam com Perkins pontuando? Se as partidas fossem feitas apenas de "primeiros quartos", o pivô do Celtics seria MVP. Mas na noite de ontem, seu jogo foi eficiente durante toda a partida e sua dedicação na defesa realmente incomodou o Pistons. Enquanto isso, James Posey teve uma partida agressiva tanto na defesa quanto no ataque e aí está, a soma de tudo isso é o bastante para Ray Allen e Paul Pierce poderem feder à vontade.

No entanto, alguém do Mc Trio (lanche, refri e batatas) precisava brilhar para garantir a vitória. Na noite de ontem, o astro foi Kevin Garnett. Ele dominou o jogo no ataque e na defesa e transformou o modo do Celtics jogar, com passes rápidos e precisos, até parecia às vezes que o Boston tinha jogadas ensaiadas. Embora Ray Allen tenha salvado o time um punhado de vezes e Paul Pierce tenha colocado o Jogo 7 contra o Cavs nas costas, o Celtics é mesmo o time do Garnett. É ele quem dita o ritmo na defesa e seu jogo é surrealmente constante. Os erros no quarto período também são constantes, mas se você é fã do cara como eu, você releva.

O quarto período, aliás, é a casa do Pistons. A noite foi terrível para os Pistões, deu tudo errado. Como diriam os Mamonas Assassinas, se desse uma chuva de Xuxa, cairia Pelé no colo do time de Detroit. Mas mesmo tomando um pau e perdendo por mais de 20 pontos, conseguiram encostar no finalzinho. Volto a lembrar, o Corey Brewer foi draftado antes do Stuckey? Estagiário do Bola Presa, confirma aí pra mim, quantos votos pra novato do ano o Stuckey ganhou? Bem, o estagiário está ocupado escaneando a nova Playboy, mas o Rodney Stuckey chuta uns traseiros mesmo. Arremesso inconsistente, alto e veloz para um armador principal, rei de fazer cestas enquanto sofre faltas. Acrescente aí umas "faltas fantasmas" e pronto, temos um Dwyane Wade depois da dengue.

Foi com Stuckey em quadra e mais uma atuação agressiva de Rip Hamilton que a diferença que foi de 24 pontos caiu para 9 nos minutinhos finais. Quem souber que tipo de defesa o Pistons estava usando ganha uma foto da Preta Gil autografada. Você disse "defesa por zona"? Então deixe seu endereço nos comentários para receber a foto. Só para variar, uma defesa aplicada e muito, muito agressiva (às vezes parecia que o Stuckey era amigo do Ryan Gracie) fez o ataque do Celtics parecer amador. Até o Billups, que fedeu o jogo inteiro e passou muito tempo jogando Game Boy no banco, escolheu o quarto período para cravar uma cesta de 3. Tudo flui melhor quando o Pistons joga no dado e decide defender pra valer.

O Billups parece ainda sentir a contusão no pulso, não é o mesmo de sempre, e o Pistons precisa de sua agressividade no ataque. Mas eu não tenho explicação para a agressividade na defesa só aparecer no final do jogo. Nessa série, parece que estamos assistindo dois times que só jogam quando estão afim, tipo garota mimada. A sorte, ao meu ver, é de Lakers e Spurs. Um deles vai para as Finais da NBA querendo jogar todos os jogos pra valer. Para Pistons e Celtics, contra o Oeste, jogar quando der na telha não será o bastante.

sábado, 24 de maio de 2008

Mamata

Fodeu


O jogo 1 teve como momento símbolo o placar de 65-45 para o Spurs, que foi quando a diferença do time do Texas chegou ao máximo e foi quando o Lakers começou, de repente, sua arrancada rumo à virada. No jogo 2, o placar que marcou a virada do jogo foi o 37-37 que o jogo tinha há dois minutos do final do segundo período.

Depois de um arremesso do Duncan usando a tabela (surpresa!), o Spurs empatou o jogo em 37-37 e o comentarista da TNT americana disse exatamente o que eu estava pensando, que pelo andar do jogo o Lakers deveria estar vencendo por pelo menos uns 10 pontos e no fim das contas o Spurs poderia até virar o jogo nos últimos dois minutos de primeiro tempo. Foi então que Kobe achou Gasol para uma bandeja, depois Sasha Vujacic, em outro ótimo jogo, acertou um arremesso de dois e depois outro de três pontos, e por fim Odom deu um toco em Fabricio Oberto e Fisher terminou o contra-ataque com uma bandeja para terminar o período. O placar, que há pouco estava empatado, agora tinha uma diferença de 9 pontos para o Lakers. Se eu soubesse que era só reclamar que o Lakers abria 9 pontos, eu já teria reclamado antes.

No começo do terceiro período, o Kobe quis deixar bem claro para os seus companheiros de time que era a hora de acabar com aquele joguinho sem graça. O Magic Johnson, no intervalo do jogo, disse que por um momento parecia jogo da Conferência Leste, de tão baixo que estava o placar. Aí ofendeu, né, Magic? Então o MVP da temporada foi lá e em uma bandeja e mais dois arremessos, um sofrendo falta do Bowen, fez sete pontos seguidos e liderou o time, que teve mais 7 pontos do Lamar Odom, para um placar de 20-10 na primeira metade do terceiro período. Com isso tinhamos a mesma situação do primeiro jogo, uma liderança de 20 pontos no meio do terceiro período, a diferença é que o Spurs estava nitidamente derrotado e no fim das contas o jogo acabou com o DJ Mbenga em quadra e a diferença em 30.

Eu assisti muito jogo do Lakers nessa temporada, alguns jogos muito bons, vitórias marcantes, e nunca tinha visto a defesa marcar tão bem. Simplesmente toda a cobertura chegava na hora e, tirando em alguns momentos no primeiro tempo, o Spurs não conseguia um arremesso sem marcação. O único que conseguia era o Robert Horry, mas tudo bem, porque ontem se ele acertasse o aro já era grande coisa. Outro irreconhecível foi o Manu Ginobili. Conhecendo o argentino narigudo como a gente conhece, sabíamos que depois de ser anulado pelo Sasha Vujacic ele ia voltar com gana o bastante pra dar uma aula no esloveno do Lakers, mas o que aconteceu foi uma atuação mais pífea ainda, com muitos erros primários. A atuação ruim chegou a um ponto em que o Ginobili andou com a bola de maneira grosseira e depois nem reclamou, pediu falta ou caiu no chão como ele sempre faz, o que aconteceu com o Ginobili?

Não vou falar que eu acho que o time do Spurs está velho porque isso é bobagem, se eles tivessem problema de idade não estariam na final do Oeste, mas ontem parecia que eles estavam bem cansados. Tudo o que o Spurs tentava fazer, o Lakers fazia mais rápido, a humilhação chegou ao ponto do Ime Udoka dar uma de Luke Walton/Reggie Miller e tomar toco do nosso Tayshaun Prince/Ronnie Price, o Jordan Farmar!
Talvez o cansaço seja pelo excesso de jogos em sequência, já que há algum tempo que eles não tem mais de um dia de descanso, mas nada que a necessidade da vitória e uns gritos da torcida não resolvam.

Para o Lakers, o jogo foi bom para ressucitar algumas pessoas. Esses jogos ganhos de lavada são bom pra botar confiança em todo mundo. Quando estava dando tudo certo no jogo, o Farmar entrou e simplesmente acabou com o resto de esperança do Spurs, além do toco citado acima ele meteu algumas bolas de três, bandejas, fez de tudo. O Odom, que já estava jogando muito bem de repente, deu dois tocos lindos seguidos na defesa, o DJ Mbenga acertou arremesso de longe e, finalmelmente, o Trevor Ariza voltou de contusão e fez sua estréia nesses playoffs! De todo mundo que precisava ressucitar, esse era o mais importante, tirando o Bynum, claro, que só vai ressuscitar quando Jesus voltar ou quando o Orkut for pago.

Eu sempre achei que o Ariza ia ser essencial nessa série contra o Spurs porque ele é o melhor defensor de perímetro do Lakers, quer dizer, talvez depois do Kobe, mas como o Kobe geralmente não é colocado sobre o melhor cara do outro time para não cansar demais e nem entrar em problemas de falta, o Ariza acaba sendo o mais útil. E o Spurs tem o Manu Ginobili e o Tony Parker, os dois costumam fazer a festa no perímetro infiltrando o tempo todo, mas até agora Fisher e, quem diria, Vujacic, estão dando conta do recado. Mesmo assim, o Ariza poderá ser bem útil para o caso do mundo voltar ao normal e o Manu começar a humilhar o nosso The Machine.

Mas apesar do Sasha ter feito um ótimo trabalho no Manu e dos tocos do Odom, o grande mérito do Lakers é a defesa inteira, como um time. Achei um vídeo que mostra duas violações de 3 segundos da defesa do Lakers, as imagens mostram a hora que o Lakers exagerou e errou, mas dá pra ver como o time está protegendo o garrafão muito bem e deixando alguns arremessadores do Spurs livres. Em muitos casos o Lakers conseguiu correr e impedir o arremesso livre, na segunda jogada mostrada pelo vídeo é até legal ver como o Kobe fecha a defesa no garrafão e deixa o Bowen livre na linha dos três mas rapidamente sai do corta-luz do Duncan para fechar a visão do Bowen quando o Ginobili ameaça passar para ele.

O Spurs pode começar a mudar isso acertando as bolas de três pontos, já que acertou 5 de 20 tentativas no jogo 1 e apenas 6 de 23 tentativas no jogo 2. Algumas bolas dentro da cesta e o Lakers terá que pensar duas vezes antes de fechar tanto o garrafão. Alguns ajustes e tudo poderá voltar à estaca zero, lembrem do velho deitado que dizia: uma série só começa quando alguém ganha fora de casa.

Aqui está o vídeo com as jogadas:

sexta-feira, 23 de maio de 2008

De volta do além

Duelo de gerações: quando um estava nascendo, o outro já via Castelo Rá-tim-bum


Como coloquei na previsão da série, o duelo entre Hamilton e Ray Allen era uma das grandes diversões do confronto entre Pistons e Celtics. Um Ray Allen envolvido no ataque poderia cansar Hamilton na defesa, enquanto o Hamilton correndo como um hamster em sua gaiola que não tem nada melhor pra fazer da vida além de girar sua rodinha acabaria expondo a idade de Allen e suas limitações defensivas. Para a sorte de nós, seres humanos que assistimos basquete em nossas gaiolas ao invés de correr em rodinhas, tanto Ray Allen quanto Rip Hamilton fizeram de tudo no ataque e deram um show memorável.

Sim, Billups jogou demais e foi muito mais agressivo do que no primeiro jogo da série, embora ainda contundido, Paul Pierce ainda está no clima "eu chutei o traseiro de LeBron James e posso acertar qualquer arremesso quando eu bem entender" e Garnett jogou como MVP mesmo errando arremessos decisivos que serão lembrados por todos aqueles sujeitos que comem meleca e acham ele pior que o Duncan. Mas, ao menos para mim, as histórias da noite foram Hamilton e Ray Allen.

Faça quinhentas temporadas impecáveis e todos vão comentar sobre como, apesar de ter 530 anos, você não mostra nenhum sinal de envelhecimento. Passe duas semanas sem acertar nenhum arremesso e então, repentinamente, todos dirão que a idade enfim te alcançou e você é um velho acabado, destinado a usar boina, fumar cachimbo e assistir Hebe Camargo. Shaquille O'Neal já foi transformado pela mídia em porteiro idoso de boate, e a pós-temporada do Celtics transformou Ray Allen num frequentador de bingos. Todo mundo falando em idade, criando milhares de desculpas, caçando pistas de que os Monstars tenham visitado Boston, mas bastou um pouco de confiança do técnico Doc Rivers, maior envolvimento no ataque e uma mudança na atitude para Ray Allen voltar ao que sempre fora. A partida de Allen não foi impecável, mas fez os olhos de todos os fãs de basquete brilharem simplesmente por mostrar que ele está vivo, que seu talento ainda não é coisa do passado, da época em que todo mundo tinha internet discada do IG e e-mail do BOL. A cesta de três que Ray Allen acertou nos segundos finais, cortando a diferença para 3 pontos mesmo com o Celtics já praticamente não tendo mais chances de empatar, foi um atestado de volta do além: Allen chutou bem marcado, pressionado, com Rasheed em sua cara, sua bola fez um arco surreal que foi contra todas as leis da física e deu só rede, chuá, resultando num Ray Allen feliz, sorridente com o próprio feito. Foi uma das bolas de 3 pontos mais maravilhosas que eu já vi na vida mas acho que ninguém achou isso, afinal, não encontrei no YouTube. E sabe como dizem, se não está na internet, não existe.

Infelizmente, para ele, seu decreto de retorno ao basquete de alto nível foi estragado por uma atuação surpreendente de Rip Hamilton. Já estamos acostumados com o modo com que Rip joga: correndo como um débil-mental pela quadra, recebendo corta-luz de todo mundo, recebendo a bola e arremessando com certa liberdade. Sempre imaginei o Hamilton sendo usado por um técnico burro, que não criasse as condições para ele jogar dessa maneira, e sempre pude vê-lo apodrecendo no banco do Cavs ou do Bucks sendo considerado um jogador mediano. Mas Hamilton ontem tirou a noite para arrancar essa visão da minha cabeça e jogou uma monstruosidade fora do seu esquema padrão de jogo, criando seus próprios arremessos, batendo para dentro, cobrando dezenas de lances livres e acertando uma infinidade de floaters, aquele arremesso com uma mão só em que você só solta a bola por cima da defesa. Como assim o Hamilton domina a arte dos floaters? Talvez eu tenha visto jogos do Pistons de menos, mas juro que não imaginava que ele tivesse essa capacidade. Agora consigo ver Hamilton jogando para um técnico burro, mas o que importa é que ele tem tudo para ser campeão com um técnico inteligente, que lhe dá milhares de opções no ataque. Como diabos o Celtics vai marcar Hamilton criando seu próprio arremesso enquanto Billups é agressivo no ataque?

A defesa do Celtics, aliás, me parece cada vez mais aquelas histórias absurdas que quando se conta pela décima vez, acabamos acreditando, tipo o Sérgio Mallandro ter comido as Mallandrinhas. No fundo, olhando bem, você percebe que o Mallandro não conseguiria nem dar as mãos pra uma delas, e que a defesa do Celtics é distraída e desaparece do jogo por longos períodos. Como caímos no conto do vigário de que essa era a melhor defesa presente na NBA nos últimos anos? Foram as estatísticas, os números? A defesa do Pistons, de ontem e de hoje, dá um pau nessa do Celtics. E mesmo sendo cedo demais para afirmar, não vejo a equipe de Boston sendo capaz de defender todas as armas do Pistons de modo eficiente o bastante para vencer uma partida fora de casa. Ou seja, acho que já era.

O Detroit tem tantas armas ofensivas, somadas a uma defesa tão bem treinada, que uma vitória do Celtics do asno do Doc Rivers seria uma ofensa ao deus do basquete. Nesse Pistons, as coisas são tão bem planejadas e estruturadas que o Rodney Stuckey, quando entra em quadra, parece fazer parte do esquema tático desde o princípio dos tempos e joga com um veterano. Aliás, o Stuckey foi a 15a escolha do draft passado. O que o Wolves de Corey Brewer (7a escolha) deve estar pensando sobre isso, por exemplo?

Do outro lado, o veteraníssimo Sam Cassell parece um novato quando entra em quadra pelo Celtics, um time que não tem um jogo direcionado ao armador principal. Mas mesmo assim, ainda que tenha errado todos os seus arremessos contra o Cavs, Cassell merece uma nova chance. Sequer entrou em quadra nessa série e até o Tony Allen jogou na noite de ontem. O que diabos o Doc Rivers está pensando? O Leon Powe não entra mais, o Sam Cassell tá de castigo e o Tony Allen está jogando. Esse é um mundo bizarro, mesmo. O caso do Cassell lembra o do Ray Allen, já que estão acusando-o de estar velho embora sem aparentar, tipo o falecido Beto Carreiro, que mesmo na cova parece ter 20 anos, e eu adoraria ver o velho armador ter uma noite como a de Allen, dando a volta por cima, mostrando que o talento está lá, apesar de tudo.

Se o Celtics quer ter alguma chance de ser campeão do Leste terá que vencer, pela primeira vez nos playoffs, uma partida fora de casa. Se alguém acha que seria possível fazer isso sem Ray Allen e Cassell, está completamente maluco. Bem, um deles já está de volta. Agora só falta o outro.

Experiência de vida

Lakers parou o Spurs, mas não foi tão fácil assim



O jogo 1 entre Lakers e Spurs, para mim pelo menos, mais que um jogo, foi uma experiência de vida.

Tudo começa pela forma em que eu assisti ao jogo. Estava assistindo normalmente pelos canais online que disponibilzamos os links no nosso chat quando um leitor nosso, o Tiveron, um dos poucos torcedores do Suns que não desistiu de ver NBA, me disse que a TNT, a emissora americana que está transmitindo as finais do Oeste, estava disponibilizando um site com o jogo ao vivo. Mas ao invés do jogo com sua transmissão normal, esse site tem 4 câmeras para você poder escolher e assistir ao jogo sem comerciais, replays ou narração. Era quase como estar na quadra. As câmeras eram duas, uma sobre cada tabela vendo o time atacante por inteiro, de costas. As outras duas acompanhavam um jogador de cada time. A câmera do Spurs acompanhava tudo o que Parker fazia (infelizmente não ele no quarto com a Eva Longoria) e a do Lakers acompanhou o Kobe até amarrando o tênis antes do terceiro período.

Ver o jogo assim foi legal demais. Primeiro, não havia a influência dos narradores, comentaristas, entrevistados, estatísticas que aparecem na tela nem nada assim. Tudo o que eu sentia ou sabia é o que eu via nas câmeras. O placar aparecia de vez em quando em uma das câmeras e o tempo eu via em cima do relógio de 24 segundos mesmo. Outra coisa legal dessa transmissão são os microfones, deu pra ouvir o Gasol reclamando depois de errar uma enterrada, o Fisher pedindo uma andada de um jogador do Spurs e até o ânimo da torcida. Em um momento, o Lakers estava destruindo e o som da torcida estava altíssimo, realmente dava pra sentir a vibração da torcida, e logo depois o Bowen, sempre ele, meteu uma de três e o silêncio foi imediato. A torcida do Lakers precisa aprender com a do Corinthians a gritar ainda mais quando o time está se dando mal.

Mas vamos e convenhamos, o jogo não teria sido uma grande experiência só pelas câmeras. Ver basquete feminino com garotas de 9 anos dando air ball o tempo inteiro não é lá muito legal nem em com as melhores câmeras e nem ao vivo. E eu sei do que estou falando, esse texto só está saindo agora ao invés de sair mais cedo porque eu me meti em uma em que passei o dia vendo jogos de vôlei e basquete de pivetes.

Então chegamos no mais importante, o jogo. O jogo 1 na verdade foi dois, um no primeiro tempo e outro no segundo. No primeiro tempo o Lakers estava meio estranho e o Spurs jogando bem como sempre, se fosse a série anterior do Hornets já ia estar todo mundo falando que era questão de experiência, de nervosismo, porque o Lakers parecia meio submisso ao jogo do Spurs. Para marcar Kobe, o Spurs resolveu colocar o Bowen em cima dele, o que era óbvio, mas tentou, além disso, fazer "traps", que é uma expressão que significa nada mais do que uma armadilha, ou seja, dobrar a marcação no Kobe somente em momentos oportunos, nos momentos em que ele ficaria com os ângulos fechados para a infiltração, forçando ele ao passe.

Isso atrapalhou muito o Lakers e, no fim do primeiro tempo, o Kobe só tinha 2 pontos, em uma bandeja, e o Spurs tinha 10 pontos de vantagem. E a diferença só não foi maior porque os coadjuvantes do Kobe foram muito bem. E com coadjuvantes não estou falando do Gasol, Fisher e Odom, estou falando dos coadjuvtantes dos coadjuvantes, foram Vlad Radmanovic, Jordan Farmar e Sasha Vujacic que deixaram o Lakers na partida.

No segundo tempo eu achei que a diferença de uns 10 pontos estava boa, que o jogo ainda estava aberto e que dava pro Kobe acordar e pro Lakers jogar. Mas não foi bem assim, o Spurs voltou ainda melhor e estava dando um baile (um baile chato com música dos anos 40, claro, é o Spurs) e a diferença chegou a exatos 20 pontos com 5 minutos para o fim do terceiro período.
Nesse momento eu já estava em depressão profunda, já tinha dito "Mas se o Bynum estivesse jogando..." mais de 16 vezes, estava falando que o Duncan é um cara sujo só por usar a tabela pra fazer cestas e estava pensando se seria possível o Lakers roubar um jogo do Spurs em San Antonio pra poder salvar tudo, porque na minha cabeça uma derrota em casa no jogo 1 era o fim da temporada.

Mas de repente tudo mudou. Acho que o placar chegar na marca simbólica de 20 pontos de diferença fez o Kobe pensar "é, agora é melhor não confiar tanto assim nos meus companheiros" e ele resolveu tomar conta do jogo. A partir daquele momento, o Lakers fez 14 pontos seguidos e de repente lá tinhámos um jogo de novo. E engraçado ver como funciona a confiança dos jogadores, foi só o Kobe tomar conta do jogo por uns minutos que rapidinho já começamos a ver o Gasol, Odom e cia. jogando bem também. E acho que foi isso que o Kobe mais evoluiu no jogo dele nesse ano, agora ele sabe quando ele deve ser fominha, quando o time dele precisa que ele mostre que está lá para decidir.

Não se vira um jogo só com ataque e a virada histórica do Lakers passou bastante pela sua defesa. Mais especificamente, na defesa sobre dois jogadores, Tim Duncan e Manu Ginobili. Sim, eu sei que o Duncan fez 30 pontos e pegou 18 rebotes, mas isso não quer dizer que a marcação nele foi ruim, muito pelo contrário, foi muito boa! No dilema entre dobrar ou não a marcação, o Lakers resolveu deixar na opção "random" e isso foi o que mais atrapalhou. Às vezes dobravam, às vezes não. Às vezes era o Turiaf no Duncan, às vezes o Gasol. Às vezes era o Fisher que vinha pra dobra, às vezes o Odom. Simplesmente variaram o máximo possível para o Duncan não se sentir confortável. Se ele fez 30 pontos é só porque é um dos melhores da história mesmo, porque a marcação foi ótima e forçou o Duncan a quatro turnovers.

A marcação sobre o Manu foi simplesmente perfeita. O responsável foi o grande Sasha "The Machine" Vujacic. Ele recebeu o apelido "The Machine" por ser uma máquina de bolas de 3, mas ontem foi uma máquina defensiva que simplesmente não deixou o Ginobili fazer o que mais gosta, que é a infiltração. O próprio Phil Jackson, técnico do Lakers, que não é lá muito de elogiar seus comandados, soltou a frase: "Ofensivamente ele já teve dias melhores, mas defensivamente foi um dos melhores jogos da carreira dele." Tá bom, o Phil aproveitou pra falar mal do ataque do Sasha um pouco, mas é o Phil Jackson, ele não pode só elogiar.

A defesa do Sasha sobre o Manu foi mais importante do que parece. Nas estatísticas, aparece apenas que o Ginobili acertou somente 3 de seus 13 arremessos, mas as suas infiltrações mal-sucedidas acarretam em duas coisas, as duas que eu disse na previsão da série que seriam chaves nessa final: as bolas de 3 e os lances livres. Ginobili chutou apenas 2 lances livres no jogo inteiro, uma aberração, e com isso o Spurs como time chutou 17, um a menos que o Lakers. E são as infiltrações que abrem os espaços para as bolas de 3. Bem marcadas, o Spurs acertou apenas 5 das 20 tentadas, enquanto o Lakers acertou 4, uma a menos, mas chutando a metade, 10.

Outro dado interessante, talvez o número mais legal do jogo inteiro, do Sasha Vujacic, foi o seu +/-. Essa estatística, que chamam de "plus/minus" (algo como "mais/menos") na terra do Bush, é um número que mede o placar do jogo quando certo jogador ou conjunto de jogadores está na quadra. O número pode ser encontrado em qualquer tabela de estátistica de um jogo da NBA e foi explicado por nós em um texto bem no começo da temporada.

No jogo de ontem, o +/- no Kobe Bryant foi de +2, ou seja, nos minutos em que o Kobe estava jogando, o Lakers fez 2 pontos a mais do que tomou, o número do Gasol foi +7 e o do Odom -10 . Com o Bowen em quadra, o Spurs fez +18, com o Duncan +4. O número do Sasha Vujacic foi um impressionante +25!! Nos minutos em que ele jogou, o Lakers simplesmente acabou com o Spurs! Quem viu o jogo e tem a sabedoria de não acreditar cegamente nos números sabe que isso não faz do Sasha melhor do que o Kobe no jogo de ontem, mas mostra pelo menos como o garoto entrou bem no jogo e fez a diferença.

Se antes eu achava que uma derrota em casa logo no Jogo 1 ia fazer com o que o Lakers ficasse com o espírito meio derrotista, achando que não dá pra ganhar do Spurs mesmo, acho que uma vitória desse jeito serve pra animar a garotada. Temos que lembrar que, tirando Fisher e Kobe, o time do Lakers não deixa de ser um time de pivetes inexperientes. Tirando os dois, poucos são os com mais de 25, 26 anos, e só o Radmanovic e o Odom tinham vitórias em séries de playoff, uma pra cada um (Odom no Heat, Radmanovic no Clippers). A vitória foi essencial e foi melhor ainda porque foi de virada, para mostrar para a garotada que eles podem vencer o Spurs sim.

Para o Spurs, a derrota deve ter sido doída, é aquela sensação de ver algo importante escapando pelos dedos, é saber que você tinha a garota loirinha firmeza que você conhece há anos nas mãos com ela doidinha por você e de repente alguma coisa impede você de consumir o ato do amor com a danada. Mas é nessas horas que a média de 78 anos de idade do elenco do Spurs tem que fazer alguma diferença. Se o Lakers sabe que pode virar um jogo, o Spurs tem que ter na cabeça que tem time o bastante pra abrir 20 pontos de diferença sobre o Lakers em Los Angeles e de segurar o Kobe a 2 pontos em um tempo inteiro.

Tudo questão de ponto de vista.


Vídeos

Para quem perdeu o show aqui tem um resumo do jogo:




Para quem quer ver o Kobe atirando uma toalha, sem querer, na cabeça de uma velha, tem esse vídeo aqui:




Para quem não quer perder o hábito de chamar o Bowen de sujo, tem o vídeo dele acertando o Sasha "The Machine" no jogo 1.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Finais de Conferência - Oeste

Os dois jogadores mais amados da NBA


O que o Lakers precisa fazer para vencer a série:
Para começar, o Lakers precisa de concentração. O jogo 7 do Spurs contra o Hornets foi o melhor exemplo possível de como o Spurs sabe manter a calma e usar e abusar dos lapsos psicológicos e táticos do time adversário. O Lakers tem bons jogadores e jogadores entrosados, não podem perder a cabeça com afobação, sob o risco de entregarem o jogo na mão do Spurs.

Com a cabeça no lugar, o Lakers precisa então ser agressivo. O Spurs tem uma das melhores e mais bem entrosadas defesas da NBA mas não é por isso que eles precisam ficar à vontade defendendo, só olhando o outro time desperdiçar arremessos de longa distância. O Lakers precisa estabelecer o Gasol lá embaixo da cesta, conseguir umas faltas do Duncan e, com isso, abrir espaço para que Sasha "The Machine" Vujacic, Vlad Radmanovic e Derek Fisher possam matar suas bolas de 3. A cada bola que eles metem será mais espaço para o Gasol trabalhar lá dentro.

No já comentado dilema eterno de dobrar ou não no Duncan, eu acho que em geral não se deve dobrar. O cara é simplesmente esperto demais e ótimo passador. Além disso, o Spurs tem ótimos arremessadores. Dobrar nele só em situações especiais, em que ele realmente possa ser incomodado, como quando ele estiver mal posicionado ou com o tempo de arremesso nos últimos segundos. O risco de colocar a marcação individual são as faltas, o Lakers não tem muitas opções de garrafão, para marcar Duncan só tem Gasol, Turiaf e Mbenga, o resto seria mais improvisação do que realmente uma marcação correta. Então o 1-contra-1 no Duncan tem que ser feito com cuidado, até porque o Gasol é essencial para abrir espaço no ataque e impedir o Spurs de criar armadilhas para impedir as infiltrações de Kobe e Odom.

No ataque, o Lakers precisa de velocidade, embora isso não queira dizer arremessos precipitados. O que o Lakers deve fazer são passes, movimentação e cortes rápidos. Ataques passivos ficam parecendo times amadores de sexta série contra o Spurs. E na velocidade, com a troca de marcação, é que são criados os famosos "mismatches", que, pra quem não tá manjando de linguagem basquetebolística ianque, é quando um jogador fica sendo marcado por outro de outra posição, por exemplo, se o Fisher está marcando o Duncan, é um mismatch. O Sr. Mismatch da NBA é o Lamar Odom, que é grande demais para alguns alas que o marcam e rápido demais para uns pivôs grandes. Isso deve ser usado e abusado pelo Lakers para conseguir pontos fáceis.


O que o Spurs precisa fazer para ganhar a série:
Falando como torcedor do Lakers que viu trocentos jogos do time na temporada regular, eu posso dizer o que mais incomoda o Lakers: times que atacam a cesta. O Lakers tem uma defesa razoável, não é o Denver mas também não é o Pistons, mas essa defesa tem um grande defeito em parar times que jogam muito dentro do garrafão. Foi assim com o Jazz: quando Boozer, Kirilenko e Harpring cortavam para a cesta e recebiam a bola lá embaixo, o Lakers não sabia como pará-los sem falta.

Então, uma estratégia útil para o Spurs é ir com tudo pra cima do Lakers com Manu Ginobili e Tony Parker, tentando conseguir o maior número de lances livres possíveis. Os lances, além de serem pontos fáceis, colocam o time do Lakers em problema de faltas. Como citei acima, as opções para o garrafão são poucas sem Bynum no time e o Spurs, com um dos melhores, senão o melhor, ala de força de todos os tempos, tem que abusar disso.

Na marcação de Kobe Bryant, acho que não tem muito segredo. É colocar o Bowen grudado nele e ficar atento para a cobertura. O Lakers só com o Kobe não vai ganhar uma série de playoff inteira e o Spurs precisa mesmo se concentrar em parar o resto do Lakers e se preocupar em chegar ao final dos jogos com uma superioridade que impeça o Kobe de fazer algum milagre de último minuto.

Outra coisa que sempre influencia muito os resultados do Spurs são as bolas de 3. Quando o time acerta suas bolas, o outro time fica perdidão. O time, além de ter muitas opções de chutadores, tem o Duncan no garrafão e jogadores que infiltram, a soma desses três tipos causa a pior coisa que um jogador de defesa pode ter: dúvida.

Por fim, o Spurs deve tomar cuidado também com o tempo do jogo. O Lakers vai tentar jogar o mais rápido possível, para começar suas linhas de passe antes mesmo da defesa do Spurs se estabelecer. Enquanto isso, o Spurs vai tentar baixar o ritmo para usar e abusar da sua já manjada movimentação ofensiva.

Quem controlar o tempo provavelmente terá a vantagem em oportunidades de bolas de 3 e lances livres, os dois quesitos que acho que vão decidir a série.

terça-feira, 20 de maio de 2008

A ordem do draft

Touro tem rabo grande



E não valeu de nada o Kings levar uma torcedora que venceu uma promoção para representar o time no sorteio da ordem do draft, não adiantou o Nets levar o Jay-Z, o Sonics levar o Kevin Durant, o Memphis levar o Rudy Gay ou o Heat levar o Wade.

Mesmo com apenas 17 chances em 1000 de conseguir a primeira escolha, ela foi parar nas mãos do Chicago Bulls. Apesar das críticas em cima do Kirk Hinrich, acho que vai pesar muito o fato do Bulls buscar há tempos um jogador que faça pontos para eles no garrafão. Eu apostaria que Michael Beasley será a primeira escolha.

Aqui está a lista definitiva das 14 primeiras escolhas que foram sorteadas há pouco. Com o fim da temporada regular, o Bola Presa irá trazer uma cobertura mais detalhada sobre esse draft.


1- Chicago Bulls
2- Miami Heat
3- Minnesota Timberwolves

4- Seattle Supersonics
5- Memphis Grizzlies
6- New York Knicks
7- Los Angeles Clippers
8- Milwaukee Bucks
9- Charlotte Bobcats
10- New Jersey Nets
11- Indiana Pacers
12- Sacramento Kings
13- Portland Trail Blazers
14- Golden State Warriors



O resto da lista, até a posição 30, e uma explicação do que foi esse tal sorteio da ordem do draft, pode ser visto neste texto.