terça-feira, 26 de julho de 2011

A grande rivalidade

Yao, Shaq e Chritina Aguilera. Infelizmente só um deles continua na ativa, você sabe bem quem. 


"Vamos sair de férias, irmão, eu e você?". Com esse convite Shaquille O'Neal encerra um vídeo postado há alguns dias no YouTube. O destinatário da mensagem é, como Shaq, um gigante recém-aposentado e com o rosto reconhecido em todos os cantos do mundo: Yao Ming. O caminho até esse convite tem a trajetória de dois dos melhores pivôs da última década.

Shaquille O'Neal não só era consagrado quando Yao Ming chegou na NBA, ele era o poder supremo do universo conhecido. Em 2002, quando o chinês foi a primeira escolha do Draft pelo Houston Rockets, Shaq vinha de três títulos seguidos com o Lakers, onde foi MVP da liga uma vez (2000) e melhor jogador de finais nas três conquistas. Não havia um pivô em todo o planeta que fizesse algo que chegasse perto de parar aquela força brutal. Na época, nas enfadonhas discussões de melhores da história, muitos ainda relutavam em colocar Shaq no rol dos melhores pivôs ou jogadores de todos os tempos, mas mesmo esses admitiam que aquela era provavelmente a primeira vez que nenhum time tinha uma resposta para o poder ofensivo de um jogador, até na época de Wilt Chamberlain fazendo 50 pontos por jogo pelo menos havia Bill Russell para para-lo.

Esse é um conceito difícil de entender, mas vou tentar explicar: Claro que Michael Jordan também dominou o seu tempo, conquistou títulos em sequência e parecia impossível de se marcar, mas bons marcadores faziam o MJ suar. Ele tinha partidas onde até parecia humano e muitas vezes precisava acertar bolas impossíveis para se consagrar. Com o Shaquille O'Neal não havia a necessidade dessas bolas difíceis, daqueles arremessos doidos que faz você questionar as leis da física para saber como a bola caiu, não, com o então pivô do Lakers tudo parecia brincadeira. Ele recebia a bola, passava por cima de quem o estivesse marcando e fazia pontos como se fosse um treino. Os que questionavam sua presença nos melhores de todos os tempos também traziam outra questão, faltava um outro pivô de alto nível para defendê-lo, depois das aposentadorias de Patrick Ewing e Hakeem Olajuwon e com o envelhecimento de David Robinson, a NBA estava fraca na posição e Shaq podia deitar e rolar.

Foi nesse cenário que Yao Ming pisou entre os profissionais americanos. Atrás dele aquela história que já contamos muitas vezes: uma carreira de sucesso na China, um governo que depositava nele as fichas de embaixador cultural e esportivo do país no ocidente e uma legião de milhões de fãs ávidos por ver um nativo na maior liga de basquete do mundo. A NBA já era transmitida na China há muitos anos e tinha seus fãs, mas foi a chegada de Yao que enlouqueceu os antigos torcedores e conquistou outros tantos, cada novo grande duelo do Rockets se tornava o jogo de basquete com maior audiência da história, o basquete era uma febre no país do tênis de mesa.

A pressão sobre Yao Ming era brutal e sua preparação, complicada. Por dificuldades burocráticas e contratuais ele não pode sair da China a tempo de participar de Summer Leagues ou pré-temporada como a maioria dos novatos normais, ao invés disso chegou em Houston só 10 dias antes da temporada começar e fez sua estréia sem nenhum preparo, não à toa saiu de quadra zerado em pontos. Essa pressão vinha de todos os lados, não só do seu país natal como da imprensa americana. A liga estava dominada pelo tri-campeão Lakers e poucos pareciam capazes de ameaçar o domínio da equipe de Kobe e Shaq. O New Jersey Nets não tinha alguém para parar Shaq, o Sacramento Kings não ganhava nem quando tinha chances claras e o San Antonio Spurs, que veio a eliminar o Lakers em 2003, não dava sinais de tanta força antes da temporada começar. No desespero por novas perspectivas e histórias os jornalistas dos EUA abraçaram o conto bizarro do chinês de quase 2,30m que chegou do outro lado do mundo para jogar basquete. Seria ele tudo o que dizem? Ele vai revolucionar a posição? Ele é tão bom assim? O Houston o escolheu apenas para explorar o mercado chinês? Ele fala inglês? E, mais importante, será que ele pode ser o grande rival de Shaquille O'Neal?

Foi só em Janeiro de 2003, no terceiro mês de temporada, que Shaq e Yao se encontraram pela primeira vez. A preparação para aquele jogo foi fora do normal, pelo o que eu me lembro da minha vaga memória até a ESPN aqui do Brasil transmitiu a partida em um dia onde eles normalmente não passavam jogos de basquete, era uma ocasião especial. Na China uma legião de pessoas acordaram cedo e foram para bares acompanhar a partida com expectativa, essa é, aliás, uma das melhores cenas do ótimo documentário "The year of the Yao" que acompanha a primeira temporada do chinês na NBA. Aquele era o grande teste de Yao; não importava o que ele fazia contra o resto dos pivôs da NBA, importava o que faria naquele jogo. E ajudou bastante o tempero que o próprio Shaq colocou na disputa meses antes quando Yao havia sido draftado, perguntaram para ele como seria enfrentar Yao a resposta foi: "Tell Yao Ming, 'ching-chong-yang-wah-ah-soh.".

Não precisa ser muito esperto para imaginar o fuzuê que ficaram os jornais americanos na época com isso e como todo mundo tratou de lembrar da declaração na época do jogo entre os dois. Acusaram o Shaq de racismo, fizeram discursos calorosos sobre a soberba do pivô do Lakers e correram atrás do Yao Ming para a resposta que colocaria fogo na partida daquela semana. Yao, porém, decepcionou quem queria uma resposta polêmica e irritada. Disse que ele sabia que a diferença cultural entre os países era gigantesca e que algumas coisas são difíceis de entender, mas que ele sabia que Shaq estava brincando, apenas achava que outros asiáticos não iriam pensar o mesmo. E, para fechar, disse o que conquistou Shaquille O'Neal: "O chinês dele que não foi muito bom, mas é uma língua difícil, eu mesmo tinha dificuldades quando pequeno". Cada um do seu jeito, cada um com sua cultura, mas além do basquete, o humor os unia.

O jogo do dia 17 de Janeiro de 2003 entre Lakers e Rockets foi um dos melhores Bola Presa Classics que eu já vi, não só pela aura de jogo importante que é tão raro na temporada regular, mas porque a partida foi disputada em altíssimo nível. Logo na primeira posse de bola o Shaquille O'Neal usou toda sua força para empurrar Yao Ming e pedir a bola, recebeu, partiu para cima e... toco. No ataque Yao respondeu com um arremesso gancho. Nos primeiros quatro minutos e meio de jogo foram três tocos em Shaq, ele ainda daria mais um no fim do primeiro período e um último, muito bonito, no terceiro período. Em 26 partidas até então naquela temporada Shaq havia sofrido 12 tocos, nesse jogo foram 5 só de Yao.



Depois do começo impressionante do Yao, Shaq se acalmou, viu que a coisa era um pouco mais difícil do que ele pensava e aí dominou o jogo. Só não foi o bastante para vencer. Aquela partida foi para prorrogação e lá Shaq fez 10 dos seus 31 pontos (e dos 12 do Lakers no tempo extra) mas viu Steve Francis coroar sua apresentação épica de 44 pontos e 11 assistências e assim garantir a vitória do Rockets. A jogada que confirmou a vitória ainda foi um lindo passe de Francis para enterrada de Yao, que acabou com 11 pontos, 11 rebotes e 6 tocos. Abaixo um vídeo para rememorar essa apresentação do Stevie Franchise, no minuto 9:50 a enterrada de Yao que resolveu a parada.



Como bem disse o jornalista Jack McCallum da SportsIllustrated, depois desse jogo Yao Ming foi aceito pelo clube da NBA. Não só entre jornalistas e fãs, mas mesmo entre os jogadores haviam aqueles desconfiados do real talento desse gigante lerdo que chegou roubando as atenções. Mas nesse jogo ele mostrou que mesmo com a atenção exagerada ele pertencia ao grupo, tinha talento para jogar lá. Após a partida, mesmo no calor da derrota apertada, Shaq sorriu, apertou a mão de Yao, o abraçou e ainda apresentou para ele o seu pai, que assistia ao jogo na primeira fileira. Era a primeira vez que Shaquille O'Neal era simpático com um rival que fosse da sua geração ou mais novo, antes disso os raros elogios que ele dava para algum pivô eram para Olajuwon e Ewing, mais ninguém.

O Shaq foi conquistado pelo Yao quando viu que o cara estava lá pelo talento, quando respondeu sua piada com outra piada e, isso dito pelo próprio pivô do Lakers no dia do seu primeiro jogo contra o chinês, por ele jogar basquete sem frescuras. Naquele primeiro jogo, além de tocos, Yao tomou enterradas homéricas na cabeça, foi empurrado e tomou algumas cotoveladas, mas em momento algum se jogou no chão pedindo falta ou choramingou com os juízes. Para Shaq, que odiava o Vlade Divac, Arvydas Sabonis e outros pivôs estrangeiros por esses motivos, Yao era um não-americano diferente, especial.

A partir de então os dois tomaram caminho distintos, Yao só evoluiu e Shaq começou a sua decadência. Claro que Shaq estava tão no topo que sua decadência passou por alguns bons anos de ainda ótimo aproveitamento e como um dos melhores jogadores da NBA, mas a melhor fase estava atrás dele, provado pela maneira com que ele foi parado não por Yao, mas por Ben Wallace nas finais de 2004 e como dividiu o protagonismo do título de 2006 com Dwyane Wade. Enquanto isso o Yao lutava para fazer com que sua titularidade nos All-Star Games, garantidas pelo voto do público chinês, tivesse algum valor de verdade. Demorou, é verdade, mas aos poucos ele discretamente começou a dominar jogos. No período de 2002 até a sua última contusão em 2009, nenhum outro pivô fez tantos pontos como Yao, nem mesmo Shaq. Ele refinou tanto o seu arsenal de jogadas de costas para a cesta, as chamadas "post plays", que no seu último ano marcou 964 pontos em jogadas assim, a maior marca da NBA nos últimos 8 anos.

Essas linhas em caminhos diferentes pode ser bem observada no histórico de duelos dos dois rivais. No segundo jogo entre os dois, ainda em 2003, Shaq marcou 39 pontos contra 6 de Yao, mas em 2006 foi a vez do chinês mandar 34 para cima de Shaq, que fez 15. Entre altos e baixos de ambos as médias são parecidas, 22 pontos e 9.5 rebotes para Shaq e 18 pontos e 10 rebotes para Yao, que venceu mais jogos, 7 contra 6 em 13 partidas de temporada regular entre os dois.

Mas o mais legal do Yao ter ficado tão bom é que isso finalmente justificou toda a atenção que ele já tinha antes de se tornar esse pivô fora de série. O Henry Abbott da ESPN comenta que um dia, ainda em 2002, foi fazer uma matéria com Yao para a revista oficial da NBA e iria o encontrar em um hotel em San Antonio, onde o Rockets enfrentaria o Spurs. Segundo Abbott, "se Yao tivesse parado para dar autógrafos para todas as pessoas que estavam lá ele ainda estaria no lobby daquele hotel até agora". Tanta atenção para um novato em fase de adaptação é absurdo, mas anos depois as fotos tiradas e os autógrafos finalmente faziam sentido. O curioso é como Yao foi ficando cada vez mais discreto e ganhando menos atenção do público e da imprensa com o passar dos anos, quanto melhor jogador, menos atenção. Alguma dúvida que o que as pessoas querem é espetáculo, boas histórias, e não só ouvir de quem está jogando bem?

Mas os duelos contra Shaq ainda ganhavam atenção e o motivo era fácil de entender, foi o duelo individual mais interessante dos últimos 10 anos. Ao contrário da maioria dos duelos anunciados e vendidos pela imprensa como Kobe Bryant contra LeBron James, os jogadores realmente se enfrentavam e se marcavam durante todo o jogo. Não tem um outro jogador que marca um deles para poupar o outro do cansaço e do risco de faltas, como tinha Ron Artest marcando LeBron e Anthony Parker segurando Kobe naqueles Cavs/Lakers, era Shaq marcando Yao o jogo inteiro, com o contrário acontecendo no outro lado da quadra. Também foi importante que os dois levavam a sério o confronto e chamavam o jogo para eles sempre que possível, não era, por exemplo, como Kevin Garnett e Tim Duncan, que também se marcavam mas tinham uma abordagem bastante coletiva para o jogo, deixando os confrontos entre um e outro menos emocionantes do que poderiam ser.

Na questão da atenção recebida em relação ao talento, com Shaq aconteceu o oposto de Yao, quanto mais ele piorava, mais chamava a atenção pelas gracinhas, piadas e entrevistas polêmicas/interessantes/hilárias. No último ano de Heat a dancinha com LeBron e Dwight Howard foi a melhor coisa que fez na temporada, no Celtics, seu último time na carreira, vai ficar marcado mais pela aparição como estátua em Harvard e pelo nascimento de seu lado feminino Shaqueeta do que pelo pouco que fez em quadra. No Phoenix Suns as cenas que ficam para a história são as dele mergulhando na torcida (e do time com medo de um novo mergulho no jogo seguinte, a famosa cena do Shaq-Moisés).



Não digo que foi um fim de carreira melancólico, isso seria clichê e um exagero, mas certamente não a altura do que foi o resto da carreira de Shaq. Se Yao tem alguns números importantes para mostrar nas suas 7 boas temporadas de NBA, Shaq tem 19 anos de liga, 13 deles com média de pelo menos 20 pontos e 10 rebotes (recorde da história), 4 títulos, é o quinto maior pontuador da história, o único pivô desde 1994 a ter média de mais de 28 pontos por jogo, além de ser responsável até por mudanças de regras. A liberação da defesa por zona, dizem, foi apressada para que os times tivessem alguma resposta para aquele jogador que não podia ser parado só com defesa 1-contra-1. Aliás o que mais assusta na carreira do Shaq é como ele conquistou tanto e mesmo assim pensamos que poderia ter feito muito mais. Se tivesse aprendido a arremessar lances-livres e não tivesse brigado com Kobe Bryant, qual poderia ser o número de títulos desse cara? Assustador só de imaginar.

Embora pivôs de alto nível sejam raros, apareçam em média uns três ou quatro realmente bons a cada década, não vai ser só por isso que Shaq vai fazer falta. Caras com o carisma e bom humor aliados ao talento dele são ainda mais raros. A NBA.com fez um vídeo com os 10 momentos mais engraçados dos All-Star Games entre erros e palhaçadas, Shaq está lá arremessando de três, driblando e beijando a careca do Tracy McGrady. Ele também já beijou câmeras, se deu os mais diferentes apelidos, falava palavrões em entrevistas quando queria e quando não queria era capaz de dar as coletivas de imprensa mais interessantes da história. E olha que coletivas de imprensa são feitas para serem chatas e insossas!Os 10 melhores momentos de Shaq fora da quadra feito pela ESPN é algo único, só Ron Artest chega perto de algo assim.

Shaq é uma rara combinação de talento, bom humor, inteligência e vontade de ser os centro das atenções. Temos caras com todas essas características na NBA, mas nunca na mesma pessoa. LeBron James quer aparecer mas não sabe dar uma entrevista tão inteligente como a do Andrew Bogut, por exemplo, Steve Nash é engraçado mas não é o egocêntrico que chama toda a atenção para ele como Kobe Bryant. O Jared Dudley é um cara divertidíssimo e inteligente, mas não é bom o bastante para ser relevante para a maioria dos fãs. Cada um tem um pouco, Shaq tinha tudo.

O Yao tinha algumas dessas características. É um cara bem inteligente e tem seu bom humor, mas definitivamente não gosta de ser o centro do mundo como o seu rival, é bem mais discreto. Isso deixou a rivalidade dos dois ainda mais interessante, eles tinham personalidades diferentes, quase opostas, estilos de jogo absurdamente diferentes e ao mesmo tempo se gostavam e levavam os seus duelos bem a sério. Ver a força de Shaq contra os ganchos sutis de Yao era ver o confronto de duas escolas de pivôs. No começo a rivalidade foi um pouco fabricada, mas rendeu o duelo individual mais interessante dos últimos tempos que, infelizmente, não rendeu grandes duelos de pós-temporada.

Eu sempre insisto na história de que para nós, espectadores, a NBA não é nada mais do que uma grande novela. Ou, já que é dividida em temporadas, uma série de TV. Temos nossos favoritos, elegemos heróis, vilões e adoramos um grande drama. Mais do que só assistir basquete queremos saber um pouco da vida de cada um e assim decidir de quem gostamos ou não. Choramos com a história do Chris Paul e a morte do seu avô e criticamos o estrelismo do LeBron James e seu "The Decision". Tudo isso compõe junto com os jogos em si, a série de TV que assistimos todas as temporadas. A perda de Shaquille O'Neal e Yao Ming ao mesmo tempo é a aposentadoria de dois dos atores mais conhecidos dessa série, de rostos conhecidos até por quem só assistia um episódio por ano, meio sem querer. E é a saída de dois dos personagens mais queridos, odiados ou simplesmente discutidos dos últimos 10 anos.

Insisto nessa história dos personagens e da rivalidade porque é o que havia sobrado dos dois, em termos esportivos a coisa não muda muito. Shaq foi pouco relevante no Suns, menos ainda no Cavs e passou mais da metade da temporada machucado pelo Celtics. O Yao já não joga há dois anos e, para ser bem sincero, já tínhamos um post sobre sua aposentadoria feito há um ano, pelo Danilo. Mas acho legal que os dois tenham anunciado a aposentadoria ao mesmo tempo, é um jeito de pontuar historicamente o fim da última década quando o assunto são pivôs. Shaq marcou mais do que essa última década, claro, mas teve em Yao Ming o seu rival mais interessante nos últimos 10 anos e com ele nos fez reviver os grandes duelos de pivôs que marcaram os anos 90. Agora é esperar que Andrew Bynum, Dwight Howard (que toma um vareio do Yao nesse vídeo) e a nova geração de pivôs mantenham o núcleo de pivôs da novela da NBA interessante como foi quando Shaq e Yao estavam em seu auge.

Para quem gostava do duelo como eu, o YouTube está cheio de vídeos legais. Aqui tem em mais detalhes aquele primeiro duelo de 2003, com algumas enterradas legais do Shaq no meio. Em 2004 tem um vareio do Rockets sobre o Lakers com 27 pontos do Yao, que dominou o jogo. E por fim algumas jogadas de um Rockets e Suns de 2008, o vídeo acaba com o Shaq dando um toco em Yao e os dois fazendo piada sobre o lance.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Tudo sobre Mike Brown

Mike Brown com cara de sedutor (VC QUER EU SEI)

Quando o Los Angeles Lakers estava atrás de um técnico me mandaram uma pergunta no nosso formspring querendo saber o que eu achava de uma possível contratação do Mike Brown para a posição. Eu disse que não aprovava, óbvio, afinal torço para o sucesso da franquia! Eis que poucos dias depois estava lá Mike Brown sorridente sendo apresentado para o seu novo trabalho à frente do Lakers. Enquanto todo mundo ficava me zoando e rindo da minha cara fui atrás de mais informações sobre ele, vi suas entrevistas e comecei a tentar ter um pingo de esperança de que a decisão não tivesse sido ruim assim. Vamos ver o que eu descobri.

A primeira coisa que me chamou a atenção foi a velocidade com que o Lakers decidiu seu novo comandante. O time foi eliminado dos playoffs em meados de maio e a próxima temporada, ignorando uma greve demorada, só começaria com o período de treinos no finalzinho de setembro, começo de outubro. Então para quê a pressa? Muitos argumentam com razão que é importante ter um técnico logo para poder direcionar as contratações e escolhas de Draft de acordo com o tipo de jogo que o novo treinador quer implantar, mas isso não fazia muito sentido para o Lakers. Eles não tinham escolhas de destaque no Draft (a primeira era a 41) e o General Manager Mitch Kupchak já tinha deixado claro desde sempre que nenhuma loucura seria feita para desmontar o elenco com trocas.

Acho que essa história das trocas até pesou levemente, já que com a greve todas as trocas deveriam ser feitas até o Draft, agora estão proibidas até que tudo se resolva. Mas pode ter pesado ainda mais o fato de muitos outros times estarem também no mercado atrás de novos líderes. Entre eles times de elenco interessante como Rockets e Warriors, além de times mais confusos como o Wolves e Pistons e alguns outros que não tinham confirmado a permanência dos que terminaram a temporada passada como Jazz e Pacers. Claro que na teoria a maioria dos técnicos daria preferência ao Lakers, uma franquia mais conhecida, que paga salários maiores e tem um elenco pronto para disputar títulos, mas ninguém por aí é louco de ficar recusando outras propostas só pela chance mínima de treinar um time. Quem demora, como está demorando o Pistons (eles enrolaram até para oficializar a demissão do John Kuester!), fica com cada vez menos opções.

Baseado nisso tudo o Lakers fez uma maratona de entrevistas. Conversou com Brian Shaw, antigo assistente de Phil Jackson, Mike Dunleavy, ex-Clippers, Rick Adelman, ex-Rockets, e o atual comentarista Jeff Van Gundy. Depois desses entrevistaram Mike Brown e não demoraram para anunciá-lo como a escolha final. Ele não é o meu favorito entre os cotados, mas entendo a decisão.

O Brian Shaw seria como continuar com o Phil Jackson mas sem a confiança e imponência que o Zen Master passava ao time e aos adversários. O ex-armador tem experiência e conhecimento para o trabalho, mas escolhê-lo seria apostar na manutenção do sistema de triângulos no ataque, uma tática que o próprio Phil Jackson estava usando cada vez menos nos últimos tempos. Kupchak queria mudanças em um time que pareceu muito previsível no ano passado e é compreensível que não tenha tido vontade de dar essa continuidade na escola de Phil Jackson. O que foi triste foi que Shaw tinha história no Lakers, como jogador e assistente, e parece ter sido tratado meio mal pela franquia, que o deixou sem resposta e sem feedback até que se anunciasse a contratação de Brown. Shaw, porém, já está empregado, acabou de ser contratado para ser assistente de Frank Vogel, efetivado como técnico do Indiana Pacers.

O curioso é que quando Shaw assumiu no Pacers, disse que estava ressentido com o fato dos assistentes de Phil Jackson não ganharem tanto espaço e admiração como os assistentes de Gregg Popovich, treinador do San Antonio Spurs. Segundo ele todo mundo faz careta quando ele começa a falar do seu tempo com Phil Jackson e suas experiências com os triângulos, enquanto qualquer assistente de Popovich ganha empregos por aí. É fato que o Phil Jackson ganha méritos sozinho por aquilo que toda uma equipe faz, Kurt Rambis no Wolves foi um dos poucos casos de assistentes de Phil Jackson a conseguir vaga como treinador principal nos últimos anos. De Popovich atualmente temos Monty Williams (Hornets) e o próprio Mike Brown com empregos de treinador na NBA além de uma dúzia de assistentes espalhados por aí, o último sendo Quin Snyder que está a caminho do 76ers para auxiliar Doug Collins (correção: Snyder estava no Sixers mas agora saiu do time para ir justamente para o Lakers, leia mais sobre ele nesse artigo do Lakers.com). Pode ser exagero até, mas queria saber mais dessas caretas que os times fazem por aí quando se comenta dos triângulos. Será que a imagem não é boa ao redor da liga? Estranho isso.

Pelo que Mitch Kupchak comentou no anúncio de Mike Brown podemos tirar duas razões para a não contratação de Rick Adelman. O Manager do Lakers disse que queria um treinador focado em defesa e que pudesse ficar na franquia por um longo período de tempo, Adelman é famoso por seu ataque e já está na idade em que diz que toda temporada pode ser sua última. Seria muito interessante ver ele implementando seu ataque veloz em um time com tantos bons passadores, mas a defesa era uma exigência de Kupchak que o histórico de Adelman não cobria. Já o Jeff Van Gundy é o oposto, é capaz de criar defesas fortíssimas mas tem dificuldade em fazer seus times jogarem um basquete minimamente gostoso de assistir no ataque. Sem contar que dizem por aí que o irmão do técnico do Orlando Magic está bem feliz na sua vaga de comentarista de TV e não planeja voltar para o stress da vida de treinador tão cedo.

Sobrou então Mike Brown. Ele é um especialista defensivo que colocou o Cavs como uma das quatro melhores defesas da NBA em duas das quatro temporadas que dirigiu o time e embora o ataque daquele time fosse bastante questionado, estatisticamente esteve entre os seis melhores da liga nos seus últimos dois anos de trabalho. Mike Brown também é jovem o bastante para passar anos no time ao mesmo tempo que não é inexperiente como Brian Shaw, treinou o Cavs por quatro anos e chegou em uma Final de NBA. Alguns ainda apontam que pesou a seu favor os anos de experiência lidando com o ego de LeBron James, o que seria um bom aperitivo para lidar com Kobe Bryant (que publicamente apoiava Brian Shaw), mas será mesmo que o Mike Brown soube lidar com o LeBron James? Não é porque eles estavam juntos e que o Cavs teve uns bons anos que o Brown teve sucesso no assunto, de qualquer forma parece ter sido um argumento que pesou.

Entendemos então o motivo que levou o Lakers a contratar o técnico: Idade, experiência, foco defensivo e calejo em lidar com egos maiores do que a Ásia, África e 24 territórios a sua escolha. Mas e então, o que sua história indica que ele pode trazer de concreto para o Lakers? E ele pode mesmo conseguir tudo isso?

Ele foi contratado para ter como o foco a defesa, um reflexo de um defeito que o Lakers deixou muito claro quando viu Chris Paul dilacerar Derek Fisher na primeira rodada dos playoffs e principalmente quando JJ Barea, Dirk Nowitzki e Peja Stojakovic fizeram o Lakers parecer um time amador na rodada seguinte. Mas aí temos, antes de mais nada, que lembrar que dois desses jogadores que infernizaram o Lakers são armadores velozes e talentosos, coisa que o Derek Fisher a essa altura da carreira nunca vai conseguir parar seja lá quem o estiver treinando. O outro problema é a defesa de pick-and-roll, usada exaustivamente tanto por Hornets quanto por Mavericks para acabar com o Lakers, e isso é algo que um técnico pode sim ajudar a resolver, é só ver como Erik Spoelstra e Tom Thibodeau duelaram muito bem nesse aspecto na última série entre Heat e Bulls.

Mas pera aí, o Mike Brown sabe fazer isso? O Cavs tinha mesmo números impressionantes na defesa, mas perderam aquela série para o Orlando Magic em 2009 justamente porque falharam miseravelmente na marcação de pick-and-roll. Quando o Hedo Turkoglu controlava a bola e recebia o corta-luz do Dwight Howard toda a defesa do Cavs ficava exposta e o Mike Brown não tinha idéia de como responder. No ano seguinte, em 2010, a mesma coisa. Eles foram eliminados pelo Boston Celtics com uma overdose de pick-and-roll entre Rajon Rondo e Kevin Garnett. O KG primeiro começou triturando o Antawn Jamison, que realmente é um péssimo defensor individualmente, e como resposta o técnico colocou o Shaq em cima do Garnett, sendo então destruído pelos arremessos de longa distância do ala do Celtics. Sem saber mais o que fazer, foram presas fáceis. Não parece que o Mike Brown possa resolver esse problema em LA.

Pode-se argumentar que pelo menos o Cavs tinha uma defesa boa no geral, e que essas falhas eram menores e só foram expostas porque eles enfrentaram bons times nos playoffs. Tudo bem, até é verdade, mas o mesmo vale para o Lakers do ano passado, então o time fica na mesma. A última impressão que ficou foi a de que o time angelino tinha uma defesa fraca, mas eles acabaram a temporada regular passada com a sexta melhor marca de pontos sofridos por 100 posses de bola entre os 30 times da NBA, à frente do campeão Dallas Mavericks (8º) e sua invejada defesa por zona. Segundo Chuck Person, que será assistente do Mike Brown na próxima temporada, a estratégia defensiva do Lakers não vai mudar em relação ao ano passado:

"O esquema defensivo será o mesmo. Iremos tirar a bola do meio da quadra e forçar o uso dos cantos, da zona morta. Então a ajuda poderá vir do outro lado, dobrar e manter a bola fora do garrafão. Isso não mudará em nada em relação ao ano passado. O que irá mudar é que os jogadores serão mais cobrados pela defesa, o Mike (Brown) vai perdoar alguns erros no ataque, mas vai cobrar bastante do outro lado da quadra"


Então o tal especialista defensivo irá simplesmente cobrar mais do que Phil Jackson. Isso quer dizer que dependem de Kobe Bryant, Ron Artest e os outros de abraçar tudo o que o Mike Brown cobra para que se veja alguma diferença. E com o elenco ficando na mesma, até por falta de opção, as limitações individuais continuam as mesmas e o Lakers pode contar com vários armadores costurando sua defesa como sempre.

Se a defesa não vai mudar muito, vamos ver então o ataque. A princípio eu fiquei assustado porque a gente lembra como era aquele time do Cavs que o Brown comandou, certo? O famosos "Fresh Prince of Bel-Air Offense" onde o LeBron James era o Will Smith e os outros quatro jogadores eram o Carlton mas sem a dancinha divertida. Era intrigante ver um time com um ataque tão amarrado, forçado e pouco criativo ter tanto sucesso, mas quando chegavam os playoffs e eles enfrentavam boas defesas por sete jogos em sequência tudo ficava mais claro e eles perdiam. Claro que ofensivamente aquele time do Cavs não tinha muitas opções, mas faltava criatividade também, explorar algumas outras coisas que os jogadores poderiam oferecer. Só ver como nesse último ano até o Anderson Varejão, com mais liberdade ofensiva, conseguiu contribuir bastante até se machucar.

O Lakers até que se daria melhor que o Cavs se jogasse com tantas jogadas individuais, por ter Kobe Bryant, Lamar Odom, Pau Gasol e Andrew Bynum que são quatro jogadores capazes de criar seu próprio arremesso, mas os momentos em que eles eram individualistas eram justamente os piores do time nos últimos anos. Eles apelavam para isso quando tudo dava errado e aí é que a coisa ia para o ralo mesmo, é uma das explicações de porque o Lakers, quando perdia, era de lavada.

Mas eu me animei um pouco quando vi a entrevista que o Mike Brown deu assim que assumiu o time, isso porque ele não disse uma palavra sobre seu tempo de Cavs. Disse que aspectos defensivos você pode levar de um time para o outro mas que de ataque não, que você deve se adaptar ao elenco que tem. E para esse time do Lakers ele iria usar mais o que aprendeu quando foi assistente de Gregg Popovich no Spurs de 2000 até 2003. Aquele time tinha sua força no garrafão com dois jogadores muito altos e muito bons, Tim Duncan e David Robinson, sua idéia é usar boa parte daquele estilo de jogo para explorar Pau Gasol e Andrew Bynum, uma dupla que há anos o resto da NBA tem dificuldade de parar.

Depois que Brown disse isso, o blog NBA Playbook, especialista em tática, fez um apanhado de como funcionava esse ataque do Spurs e destacou alguns pontos que podem ser aproveitados pelo Lakers do próximo ano.

Posicionamento
Naquele Spurs, como no Lakers de agora, os dois pivôs podem atuar nas posições 4 e 5. Então assim como Tim Duncan e David Robinson alternavam quem ficava mais perto da cesta e quem ficava mais longe, Bynum e Gasol farão o mesmo. Claro que Duncan e Gasol tem um arremesso de meia distância mais treinado, o que indica que eles ficarão longe mais vezes, mas nada fixo ou pré-determinado.

O Spurs, quando pegava os rebotes, sempre tentava um jogo de transição, mas não era correria. Era apenas um ataque um pouco mais veloz na tentativa de pegar um de seus jogadores de garrafão lá perto da cesta antes da defesa se posicionar. Mas ao contrário de times conhecidos pela velocidade, o Spurs não queimava passes para executar tudo em velocidade, se não havia a chance de jogada eles paravam e faziam o jogo de meia-quadra. E enquanto um dos pivôs tinha corrido para se colocar embaixo da cesta o outro pivô corria em outro ritmo para chegar, mais tarde, na cabeça do garrafão. Isso não só possibilitava o jogo high-low, entre os dois pivôs como era uma opção de pick-and-roll longe da cesta, jogada básica para iniciar uma movimentação de meia-quadra.

Essa facilidade de adaptação dos dois jogadores possibilita uma transição natural e fácil entre o jogo de velocidade e o de meia quadra, pode dar muito certo com os dois versáteis pivôs do Lakers. O elenco do Lakers, aliás, combina muito bem com esse estilo de jogo que é veloz mas que não é necessariamente de contra-ataque.

Ataque de meia quadra
O ataque do Spurs daquela época se baseava totalmente na habilidade de sempre colocar a bola em pelo menos um de seus dois pivôs em toda posse de bola. Para isso usavam duas estratégias. A primeira era deixar um pivô na cabeça do garrafão (geralmente Duncan) e outro mais perto da cesta, os passes altos entre os dois sobre uma defesa mais baixa eram um caminho fácil para a cesta. A segunda opção era deixar cada um de um lado do garrafão e então rodar bastante a bola até acha o ângulo certo de passe.


A jogada abaixo tem um pouco de tudo o que comentamos: Tim Duncan corre mais rápido e David Robinson espera, o último então espera um pouco na cabeça do garrafão até perceber que o melhor era se posicionar no lado oposto de Duncan no garrafão. Ao receber a bola então ele usa o passe alto para acionar Duncan que se livrou de seu marcador.



Ter duas ameaças no garrafão é essencial para que esses pivôs sofram menos com dobras na marcação e tenham espaço para agir, mas é importante ressaltar que o Spurs do começo da última década tinha ótimos arremessadores, o que é sempre importante para abrir espaço para os jogadores de garrafão, o Lakers não tem esses especialistas em longa distância no atual elenco.

Entrosamento
Gasol e Bynum já tem um grande entrosamento e ambos são bons passadores, os mesmos talentos eram encontrados na dupla do Spurs. Essas habilidades impediam que o marcador do outro pivô dobrasse a marcação no jogador que tivesse a bola. Essa jogada separada pelo NBA Playbook mostra bem como isso funciona.



O jogo entre os dois gigantes do Spurs, porém, ia além, eles até faziam pick-and-rolls usando os dois pivôs! Colocar os dois jogadores de garrafão tão próximos é muito raro em qualquer esquema, mas aqui está uma prova de como pode dar certo com os jogadores certos. Me lembra, de uma maneira um pouco distante, aqueles corta-luzes duplos que o Mavs fez nos playoffs com Dirk Nowitzki e Tyson Chandler, outra situação onde juntar os pivôs no mesmo lugar pode confundir toda a defesa adversária. Coincidência ou não, Mike Brown foi assistente técnico do campeão Rick Carlisle, então no Pacers, em 2004, logo depois que saiu do Spurs. Abaixo o pick-and-roll gigante:



O NBA Playbook fez outro post analisando o ataque de Mike Brown, dessa vez vendo como ele usava LeBron James no Cleveland Cavaliers e como ele poderia adaptar isso a Kobe Bryant. Importante que ele usou vídeos da temporada 2008-09 que foi, disparada, a melhor do Cavs ofensivamente. Naquele ano eles usaram como assistente e coordenador de ataque o John Kuester, que vai participar da comissão técnica do Lakers na próxima temporada. Kuester ganhou notoriedade após esse ano, quando dinamizou o ataque do Cavs e fez o Mo Williams render mais do que nunca na vida, mas depois foi contratado para ser treinador principal do Detroit Pistons e lá ele falhou completamente, até mais no relacionamento com os atletas do que taticamente. Com um elenco bizarro e sem armadores até dá pra perdoar más campanhas, mas foi ainda pior do que isso. Porém, o que vale para a gente nesse post é o que fez como assistente e especialista em ataque, que é o que irá fazer em Los Angeles.

Uma das jogadas que Kuester e Brown tentaram implementar naquele ano foi usar LeBron James no garrafão, jogando de costas para a cesta. O LeBron tem tamanho para isso, mas nunca foi um grande fã da jogada e prefere jogar de frente para a cesta. Aos poucos tem se rendido mais a essa jogada, mas ainda é pouco. Kobe, ao contrário, adora jogar de costas para a cesta e até era o principal alvo das jogadas de pivô do Lakers naquele período no começo da temporada retrasada quando o Pau Gasol estava machucado. Durante um bom pedaço daquele ano Kobe Bryant foi um dos líderes da NBA em pontos no garrafão, a maioria vindo desse tipo de jogada. Sem dúvida essa será uma jogada explorada pelo novo treinador.

Dentre as maneiras usadas para colocar LeBron embaixo da cesta uma das mais simples é a de tirar um dos pivôs de perto da cesta e colocar LeBron no lugar aberto. Isso daria muito certo com Kobe usando o espaço aberto por Gasol, que seria o próprio passador. Até vimos isso acontecer algumas vezes no ataque do Lakers dos últimos anos e não teria porque mudar. Curioso ver no vídeo abaixo como o LeBron muitas vezes tinha o posicionamento para jogar de costas pra cesta e mesmo assim decide se virar e jogar de frente.



Mas o que eu mais gostava desse Cavs de 2008-09 era como o LeBron James jogava mais sem a bola nas mãos, se movimentando sem ela e assim agindo mais como um pontuador e menos como armador. O NBA Playbook comentou também as jogadas "off the ball" do LeBron e elas serão importantes demais para o Lakers. Kobe gosta de jogar com a bola na mão, mas já não tem mais idade, físico e velocidade para fazer seus 25 pontos por jogo assim. Em um time que tem bons jogadores para controlar a bola e passar, como Lamar Odom, Gasol e Derek Fisher, Kobe pode se dar ao luxo de se movimentar mais e assim conseguir uns pontos mais fáceis.



A jogada acima é muito bem feita, com três jogadores ocupando um lado da quadra e atraindo a defesa do adversário enquanto LeBron ganha espaço do outro. O problema é que quandoo King James recebe a bola ele resolve parar, esperar o marcador e estragar tudo ao invés de só fazer o arremesso. Kobe, bem mais confiante no seu chute de meia distância, não terá problemas com isso.

A última jogada mostrada é a que foi apelida de "Kraken" pelo Cavs Blog, em referência ao polvo gigante e devastador das mitologias nórdica e grega. A jogada é realmente impressionante e arrasadora, muito difícil de ser marcada. Claro que funciona melhor com LeBron James do que com Kobe, pelo aspecto físico de cada jogador, mas o Lakers tem a vantagem de poder executar a jogada com jogadores diferentes. O próprio Kobe pode fazer a função do cara que infiltra e chama a defesa enquanto Lamar Odom pode ser o jogador que sai da cabeça do garrafão e corta em direção à cesta.



Apesar de LeBron James ser usado menos como armador nessa temporada, como essas últimas jogadas mostram, isso não quer dizer que ele era usado pouco, a comparação com os outros anos é que era injusta. Por isso e pela idade de Derek Fisher dá para esperar Kobe sendo utilizado como armador muitas vezes, mas por ter menos visão de jogo que LeBron James devemos ver mais de Steve Blake em quadra e muito de Lamar Odom na posição 1 também.

Já falamos de Chuck Person e John Kuester na comissão técnica do Lakers, mas falta mais um nome importante: Ettore Messina. O italiano é um dos técnicos com maior fama e sucesso no basquete europeu, venceu a Euroliga duas vezes com Virtus Bologna e mais duas com o CSKA Moscou. Lá também foi considerado um dos 10 melhores treinadores da Europa em todos os tempos. Passou os últimos anos no Real Madrid e agora decidiu tentar a sorte na NBA contribuindo com Mike Brown no Los Angeles Lakers.

O blogueiro Os Davis, do BallinEurope, comentou as características de Ettore Messina como técnico para saber como ele poderia ajudar o Lakers. Uma das primeiras coisas que ele deixou claro foi a preferência de Messina em usar jogadores de garrafão nos seus ataques, então o foco na dupla Gasol e Bynum que já havia sido deixado claro por Mike Brown deve realmente ganhar muita atenção. Segundo Davis muitos jogadores de garrafão sem muito destaque melhoraram muito sob o comando de Messina, com isso ele prevê melhoras no jogo de Bynum, Gasol e até de Derrick Caracter. O jogo lento que o italiano usava na Europa (com exceção de algumas temporadas no CSKA) também combinam com o elenco e idade do Lakers.

Sobre a mudança de estilo entre o basquete europeu e americano o próprio Messina já deixou claro que terá dificuldades e irá precisar de tempo. Nas palavras do Italiano, "Eu preciso primeiro ir lá descobrir se posso ser um bom assistente antes de tirar o emprego de alguém como técnico".  Mas quem entende e estuda basquete aprende com o tempo, será muito interessante acompanhar como um treinador europeu pode ajudar e mudar o basquete americano. A chegada dos jogadores estrangeiros já mudou muita coisa, legal que a mudança tenha chegado aos bancos de reservas.

O Mike Brown tem história em times bons e de qualidade defensiva, vimos como tem boas idéias para usar a dupla de garrafão do Lakers, o maior diferencial em relação aos outros times, e até como seu tempo em Cleveland mostra boas maneiras de aproveitar o talento de Kobe Bryant. Mas também não dá pra esquecer que ele já falhou feio nos playoffs nos seus anos de Cavs e que muitas vezes não soube como evitar que seu time fosse previsível no ataque. Ruim ele não é, mas tem muito o que provar para convencer a gente e todo mundo de que é um treinador capaz de tomar boas decisões na pressão dos playoffs para levar o time ao título. E pensando nisso é que o alto e bom investimento do time na comissão técnica pode fazer a diferença na próxima temporada.

......
Curiosidade tola: Mike Brown morou na gringolândia quando jovem. Fez o colegial e se formou em um colégio em Würzburg, na Alemanha. Dentre tantas cidades européias foi se meter justamente naquele onde nasceu e cresceu Dirk Nowitzki!

domingo, 17 de julho de 2011

Análise do Draft 2011 - Parte 6 (e final!)

Morris e Goudelock, nas pontas, podem ter lugar no Lakers. Motek foi barrado pelo cabelo de Neymar


Chegamos, finalmente, na última parte da análise do Draft 2011. Conseguimos terminar antes que o Draft fizesse um mês de aniversário, nada mal hein?

Para ler as partes anteriores da análise do Draft, estes são os links:

Parte 1 - Cavs, Wolves, Jazz
Parte 2 - Raptors, Bobcats, Wizards e Pistons
Parte 3 - Kings, Warriors, Suns, Rockets, Pacers e Sixers
Parte 4 - Knicks, Bucks, Blazers, Nuggets, Bulls e Thunder
Parte 5 - Nets, Celtics, Heat, Spurs, Magic e Clippers

Os selos de qualidade para essa temporada são tolos memes de internet:

Fuck Yea - É o personagem convencido, que se gaba de qualquer coisa (qualquer uma mesmo) que tenha dado certo. É o selo para os times que fizeram a coisa certa na hora certa e saíram do Draft com essa pose de fodão. (conheça mais do fuck yea)




Close Enough - É o meu meme favorito. Um cara que quer uma coisa, não consegue exatamente o que deseja mas "cheguei perto o bastante" e empina o nariz. É o selo para os times que não brilharam, mas fizeram a coisa certa. (conheça mais do close enough)



Okay - É o personagem  derrotado que abaixa a cabeça e aceita qualquer coisa. Fácil de se identificar com ele nas nossas frustrações cotidianas. É o selo para os times que não pegaram nenhum grande jogador mas fizeram o que dava na hora. (conheça um pouquinho mais do Okay)



Trollface - Esse é um dos mais famosos, o troll, é o cara que faz as coisas de sacanagem, que irrita, que comenta coisas idiotas no Bola Presa só para nos irritar. É o selo para o time que foi trollado, que está achando que fez uma coisa boa mas vai quebrar a cara em breve. (conheça mais do Troll)



Rage Guy - Esse todo mundo já viu, é o famoso "ffffuuuu", expressão que você pode usar no dia-a-dia quando bater o dedinho na quina, derrubar uma bandeja cheia de comida no chão, perder o ônibus só porque parou pra amarrar o tênis e coisas do tipo. Selo para os times que erraram feio. (conheça mais do Rage Guy)


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Atlanta Hawks
(48) Keith Benson, C




O Hawks só tinha uma escolha muito no fim do Draft e resolveu apostar em um pivô que tem tudo para não conseguir uma vaga no time. Pivôs são difíceis de achar, mas é possível conseguir achar um ruim que tenha algum talento útil, a maior prova disso é o Jarron Collins no próprio Hawks, que por muito tempo teve espaço por ser um bom defensor, mesmo que sua defesa fosse mais pela vontade e posicionamento do que pelo físico, tocos ou rebotes. Era um jogador limitado mas com um talento importante que garantiu alguns bons milhões pra ele. Keith Benson em compensação tem como única qualidade um jogo ofensivo levemente refinado, mas sendo muito leve e sem características defensivas tem tudo para ser triturado no garrafão por seus oponentes e não passaria mais de 5 minutos em quadra se tivesse uma chance.

Em situações como essa, uma escolha no fim da segunda rodada e nenhum jogador promissor, não vejo porque escolher um cara que tem tanta chance de não dar em nada. Claro que sempre pode acontecer alguma coisa e a gente quebrar a cara, mas a chance é tão baixa que se ele der certo seria mais mérito do deus Acaso do que do Hawks. Nesses casos não é melhor escolher um desses gringos e esperar pra ver no que dá? Melhor 5% de chance de ter um bom jogador um dia do que a certeza de ter um cara inútil agora. Sem contar que com Al Horford, Zaza Pachulia e Hilton Armstrong o Hawks nem estava no desespero para qualquer reservazinho na posição.


Dallas Mavericks
via troca: Rudy Fernandez e Petteri Koponen





O Mavs trocou as suas duas escolhas nesse draft e mesmo sem escolher ninguém foi um dos times que saiu da noite com mais talento em mãos. Rudy Fernandez tem seus altos e baixos, às vezes ignora qualquer planejamento para querer ser herói e pode ser bem reclamão se não tiver minutos em quadra, mas ele também é um baita jogador. Tem ótimo arremesso de três, velocidade e é um dos melhores da NBA na movimentação sem a bola. Em relação aos jogadores que o Mavs poderia ter conseguido com as trocas que pegou o Rudy também tem a vantagem de já estar mais rodado na liga americana mesmo sendo ainda jovem.

A contratação de Rudy será mais comentada depois por ter menos a ver com o Draft, mas já deixo aqui claro que foi ela que deixou a noite do Mavs com gostinho de sucesso. Com DeShawn Stevenson, Caron Butler e JJ Barea possivelmente deixando a equipe é bom que eles tenham um pontuador para vir do banco de reservas.

O outro jogador envolvido na troca foi o finlandês Petteri Koponen, escolha 30 no Draft de 2007 pelo Portland Trail Blazers. Ele parecia promissor na época, mas era muito novinho e certamente iria se queimar na NBA. Ficou na Europa, atualmente joga no Virtus Bologna, e nos EUA apenas fez alguns bons jogos em uma Summer League de 2008, não o bastante para entrar no inflado elenco do Blazers, porém. Algumas incertezas mantém o finlandês longe da NBA: Não se sabe quando a greve termina e nem qual o futuro de JJ Barea, se o porto-riquenho continuar no Mavs o time terá ele, Jason Kidd e Rodrigue Beubois como armadores, deixando o finlandês sem espaço. A peça mais importante da troca é certamente Rudy Fernandez, mas Koponen pode se tornar relevante na liga em alguns anos, vamos esperar.



Los Angeles Lakers
(41) Darius Morris, PG
(46) Andrew Goudelock, PG/SG
(58) Ater Majok, PF


As duas últimas escolhas do Lakers não devem dar em nada. Ater Majok é um daqueles caras grandes com um físico que impressiona e sem muito talento no basquete propriamente dito, tipo de jogador que costuma ter espaço em times menores, com elencos menos inflados e que apostam em qualquer coisa, o Lakers não quer gastar mais dinheiro do que já gasta e se é pra ter alguém limitado no garrafão é só continuar com Derrick Caracter. Já Andrew Goudelock pode até ter alguma chance de virar um reserva se Shannon Brown realmente deixar o time, pode ter sorte se Mike Brown for mais legal com novatos do que era Phil Jackson.

Só não foi um draft discreto e irrelevante para o Lakers porque, de alguma maneira, sobrou nas mãos do time o Darius Morris. Para os analistas do NBADraft.net Morris é o melhor passador de todo esse Draft, já a CBS o chama de o melhor armador ofensivo depois do Top 10. Se isso for verdade é estranho que tenha caído tanto, mesmo com os comentários de que ele ainda precisa desenvolver o seu arremesso e que sua defesa é só mediana. Mas para o Lakers tudo bem, nada disso é novidade. Nos últimos os seus armadores foram Derek Fisher, Jordan Farmar e Steve Blake, todos com suas qualidades, especialmente Fisher, mas certamente com uma lista gigantesca de falhas e defeitos que incomodaram bastante. Com as novas regras salariais é possível que contratações de peso sejam impossíveis para o Lakers, que tem o maior gasto com salários em toda a liga, por isso conseguir no meio da segunda rodada um cara com talento para participar da rotação e com potencial para eventualmente crescer dentro do time é uma grande vitória.


Memphis Grizzlies
(49) Joseph Selby, PG/SG




Uma aposta com poucas chances de dar certo por um time pouco preocupado com o Draft. Isso resume a escolha de Joseph Selby pelo Grizzlies. O time xodó de todo mundo nos playoffs vai gastar sua longa offseason tentando manter o time da temporada passada, especialmente assinando uma extensão com Marc Gasol e Shane Battier. Com essas preocupações financeiras eles nem se deram ao trabalho de tentar trocar por uma escolha mais alta e se contentaram com a 49ª posição que tinham. Lá escolheram Selby, que fez algum barulho no mundo do basquete quando estava no colegial mas que até hoje ainda vive mais do seu potencial do que do seu jogo.

Como o Grizzlies tem uma história recente de fazer jogadores esquecidos brilharem, vale a aposta e um baixo investimento no jogador com a maior impulsão do Draft 2011, mas que não se alimente muito a esperança em cima do rapaz.  Essa combinação de auê no colegial, impulsão extraordinária e falta de preparação em outras áreas do jogo me lembram o Gerald Green, que no fim das contas só marcou seu nome na liga pelas participações no campeonato de enterradas. Foi barato e certamente não um erro, mas não deve dar em nada.

New Orleans Hornets
Trocou sua única escolha no Draft 2011 por dinheiro





Como vocês devem lembrar, o Hornets estava em dificuldades financeiras no ano passado e precisava ser vendido, na falta de um comprador é a própria liga que está tomando conta da franquia. E como se isso não bastasse, eles estão desesperados tentando juntar dinheiro e espaço salarial para oferecer uma boa extensão de contrato para David West e assim não perdê-lo. Ver o principal parceiro de Chris Paul ir embora seria como dar adeus ao próprio CP3, que certamente deixaria o time na primeira oportunidade. Por isso quando apareceu a proposta do New York Knicks de 1 milhão de dólares pela escolha 45 eles aceitaram na hora. Um milhão a mais em caixa e nenhum novo contrato para ocupar espaço na folha salarial parece um presente dos céus.

Só uma coisa: Tem time dando um milhão de doletas em uma escolha no meio da segunda rodada! Segunda rodada, minha gente! A primeira regra do novo acordo salarial deveria proibir times de jogar dinheiro no lixo, esse é um ótimo jeito de evitar prejuízos.
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Acabou o Draft pra gente agora. Depois disso vamos começar a falar de outras coisas aqui no blog, tem as aposentadorias de Shaquille O'Neal e Yao Ming, algumas trocas (Ray Felton, Andre Miller, Stephen Jackson, Rudy Fernandez, por exemplo) e, claro, muita greve. Se além disso vocês tiverem alguma sugestão de tema é só pedir, o que acharmos legal vira post. Sugestões serão essenciais para sobrevivermos a esses meses sem ação.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Análise do Draft 2011 - Parte 5

Kawhi Leonard fazendo cara de Tim Duncan no seu primeiro dia de Spurs

Estamos nos aproximando do fim, hoje é o penúltimo post onde analisamos como cada time se portou no Draft 2011. Já passamos por todos os times que tiveram escolhas altas e agora é hora de ver os times que lá de baixo, diversão para quem gosta de basquete alternativo. Para ler as outras partes e pegar o espírito da coisa é só usar esses links:

Parte 1 - Cavs, Wolves, Jazz
Parte 2 - Raptors, Bobcats, Wizards e Pistons
Parte 3 - Kings, Warriors, Suns, Rockets, Pacers e Sixers
Parte 4 - Knicks, Bucks, Blazers, Nuggets, Bulls e Thunder

Os selos de qualidade para essa temporada são tolos memes de internet:

Fuck Yea - É o personagem convencido, que se gaba de qualquer coisa (qualquer uma mesmo) que tenha dado certo. É o selo para os times que fizeram a coisa certa na hora certa e saíram do Draft com essa pose de fodão. (conheça mais do fuck yea)




Close Enough - É o meu meme favorito. Um cara que quer uma coisa, não consegue exatamente o que deseja mas "cheguei perto o bastante" e empina o nariz. É o selo para os times que não brilharam, mas fizeram a coisa certa. (conheça mais do close enough)



Okay - É o personagem  derrotado que abaixa a cabeça e aceita qualquer coisa. Fácil de se identificar com ele nas nossas frustrações cotidianas. É o selo para os times que não pegaram nenhum grande jogador mas fizeram o que dava na hora. (conheça um pouquinho mais do Okay)



Trollface - Esse é um dos mais famosos, o troll, é o cara que faz as coisas de sacanagem, que irrita, que comenta coisas idiotas no Bola Presa só para nos irritar. É o selo para o time que foi trollado, que está achando que fez uma coisa boa mas vai quebrar a cara em breve. (conheça mais do Troll)



Rage Guy - Esse todo mundo já viu, é o famoso "ffffuuuu", expressão que você pode usar no dia-a-dia quando bater o dedinho na quina, derrubar uma bandeja cheia de comida no chão, perder o ônibus só porque parou pra amarrar o tênis e coisas do tipo. Selo para os times que erraram feio. (conheça mais do Rage Guy)


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New Jersey Nets
(25) Marshon Brooks, SG
(31) Bojan Bogdanovic, SF/PF
(36) Jordan Williams,  PF



O Sasha Vujacic é Free Agent e talvez vá para a Europa, é claro que o Nets estava chorando em desespero atrás de um novo jogador para sua posição! Pior que não é tão brincadeira assim, na última temporada o Nets basicamente se virou com Vujacic e Anthony Morrow na posição 2, não precisa ser um gênio para saber que é um dos pontos fracos dessa fraca equipe. Os dois são bons arremessadores, mas às vezes um time precisa mais do que isso e é o que Marshon Brooks pode tentar oferecer. O jogador de Providence se destacou por ser um bom pontuador, por saber criar o próprio arremesso e ter boa capacidade de infiltração na defesa. Apesar de ser destaque do seu time, chamou a atenção por ser muito fominha, forçar jogadas sem necessidade e deixar o time parado só olhando ele jogar, mas nada que um pouco de maturidade, treino e jogar ao lado do Deron Williams não resolva. Sempre difícil prever, mas pode ser um dos destaques desse fim de primeiro round pela combinação de talento e necessidade do time.

A análise feita por especialistas americanos de Jordan Williams, escolha 36, o colocam como um ala de força com boa capacidade de rebotes, estilo de jogo agressivo mas pouca inteligência em quadra. Pode ser um Kris Humprhies mas sem o charme de estar pegando a Kim Kardashian. Mas como o garrafão do Nets anda bem fraco é possível que sobre uma vaga no banco de reservas para ele, se o Brook Lopez o ensinar alguns movimentos ofensivos e o Humphries a pegar belas mulheres o futuro pode ser bom para o menino.

Uma escolha polêmica foi a 31, o croata Bojan Bogdanovic. Ele foi escolhido pelo Wolves e mandado para o Nets e só então vazou uma informação de que o atleta tem contrato na Turquia e só poderá ir para a NBA daqui dois anos. Algumas pessoas falaram que o Wolves não sabia disso, outras que sabiam mas não avisaram o Nets, que hoje diz que sempre soube de tudo desde o começo. Sei que ninguém quis admitir erro nenhum e hoje todos falam que sabiam de tudo o tempo todo, meio que um Lula do mundo bizarro. De qualquer forma não faz muito sentido para o Nets, desesperado para sair dessa fase horrível que está e querendo colocar o máximo de talento em volta do Deron Williams, escolher um gringo que só poderá jogar daqui dois anos enquanto haviam outros bons atletas ainda disponíveis. Troca estranha e mal contada, mas pelo menos o tal do Bogdanovic parece ser ótimo. Foi segundo cestinha da Euroliga ano passado, teve boas atuações no Mundial Sub-19 e até mesmo entre os mais velhos, marcou 17 pontos contra o time principal dos EUA no último mundial, mesmo sendo marcado  de perto pelo Andre Iguodala. Quem sabe a espera não vale bastante a pena?


Boston Celtics
(27) JaJuan Johnson, PF
(55) E'Twan Moore, PG/SG



Há alguns anos que se fala do JaJuan Johnson ir para a NBA e os amantes da força nominal o esperavam ansiosos. Agora é a hora de aproveitar esse belo nome entre os profissionais, como vamos o chamar? Triple J? Eu gosto. O pouco que vi desse épico da força nominal me lembra muito o velho Stromile Swift (ou, na NBA atual, o Hakim Warrick), um cara que chama a atenção de todo mundo por ser um ala de força leve, de impulsão extraordinária e com tocos e enterradas que volta e meia dão as caras no Top 10 de melhores jogadas. Mas a frieza de um jogo normal denunciam que antes da enterrada ele mostrou não ter arremesso e depois do toco ele foi feito de bobo pelo cara que estava marcando. Sem físico e jogo defensivo provavelmente nunca vai ser titular na NBA, mas pode vir do banco como o chamado "energy guy", que joga poucos minutos com intensidade para colocar time e torcida de volta no jogo. Como o garrafão do Celtics está bem mais vazio do que na última temporada ele deverá ter espaço para atuar e mostrar tudo o que sabe e o que não sabe.

Com E'Twan Moore o Celtics vence oficialmente a competição de Força Nominal no Draft 2011, estão todos de parabéns! Moore fez um bom trabalho na universidade de Purdue justamente ao lado de JaJuan Johnson, ele não é nenhum monstro fisicamente mas tem "as manha das bagaça" pra marcar bem e se destacar como defensor, tem também um arremesso confiável. Se o Celtics não desandar a assinar veteranos pode sobrar uma vaga pra ele como um dos reservas de Rajon Rondo.


Miami Heat
(28) Norris Cole, PG




Não é surpresa para ninguém que o Miami Heat precisa de um armador. Mesmo nos jogos em que LeBron James e Dwyane Wade até cuidavam bem da armação ficava aquela vontade de ver os dois sendo bem servidos por um armador de verdade. Mike Bibby tentou ser esse cara mas já está em um ponto da carreira onde virou um só um arremessador que erra arremessos, tipo de jogador carinhosamente apelidado por nós como PDCDI : Pedaço de carne desforme e imprestável.

O Mario Chalmers até poderia assumir a titularidade do time, mas ele é um Free Agent restrito e com alguma proposta mais gorda é possível que o Heat não possa ou não queira mantê-lo. De qualquer forma um armador era necessário, em especial um com as características de Norris Cole. Ele tem um bom (não excelente) arremesso de longa distância, boa movimentação lateral na defesa e médias impressionantes de roubos de bola. A única coisa que pode atrapalhar é que todos dizem que ele costuma render muito mais quando tem o controla da bola e pode reger o time, será que Erik Spoelstra, LeBron e Wade vão dar essa chance a ele? Se for só pra ficar de canto arremessando é melhor deixar o Eddie House por lá mesmo. Foi uma boa escolha, falta ser bem usado.


San Antonio Spurs
(15) Kawhi Leonard, SF
(29) Cory Joseph, PG
(42) Davis Bertans, SF
(59) Adam Hanga, PG/SG
via troca: Erzam Lorbek, C

Quem sou eu para questionar o que o Spurs vai em um Draft, certo? Manu Ginobili, Tony Parker, George Hill, Tiago Splitter e DeJuan Blair foram parte importante do time de melhor campanha no Oeste ano passado e todos foram escolhas de fim de primeiro ou segundo round feitas pelo Spurs. O aproveitamento dos caras é assustador. Mas dessa vez eu não gostei muito da atuação deles no Draft, mas sabe que nem foi das escolhas, mas da troca para consegui-las e por seus confusos planos para o futuro.

Eles só tiveram as escolhas 15 e 42 a ganharam em troca enviaram o armador George Hill para o Indiana Pacers. Hill ainda é jovem mas já com experiência na NBA, melhorou ano a ano, é ótimo defensor e pode jogar nas posições 1 e 2. Todo mundo comentava antes que eles queriam trocar o Tony Parker, mas pelo jeito o seu alto salário cortou qualquer boa negociação, sobrou para Hill. Com isso o Spurs mantém o armador mais velho para jogar ao lado dos também veteranos Manu Ginóbili e Tim Duncan. Pelo núcleo do time ser velho eles disseram nos últimos anos que iriam investir em outros caras rodados para usar os últimos anos de talento do seu elenco para brigar por mais títulos, mas se é assim por que trocar um cara que estava tão bem no elenco por dois novatos?

O Kawhi Leonard até parece bom, certamente vai ajudar o Spurs a recuperar um pouco da sua identidade defensiva perdida na última temporada, mas também vai fazer eles perderem o título de time com mais arremessos de três na liga. E perder qualidade ofensiva bem agora que Tim Duncan está na sua pior fase da carreira no ataque não parece uma boa coisa. Se o Spurs ainda acha que pode ganhar o título na próxima temporada a explicação aceitável é que eles acreditam que podem voltar a vencer com jogo feio, placares baixos e que para isso precisavam, mais do que qualquer coisa, de um bom marcador de perímetro. Mas eles sabem que perderam outro bom defensor para isso, né? Outra explicação é que na verdade eles estão meio que desistindo de ganhar um título com essa geração e simplesmente querem começar a estocar bons jovens atletas para os próximos anos. Sinceramente não sei o que o Spurs tem em mente para o futuro e assim é complicado demais julgar se o Draft foi bom ou ruim para eles.

A escolha 29, Cory Joseph, é para repor a posição de armador reserva aberta por George Hill. Joseph é bom pontuador do perímetro e tem um arremesso bom de três pontos, mas só fez um ano de universidade e ainda é um jogador bastante cru, especialmente para comandar um ataque por conta própria. Segundo o NBADraft.net, Joseph só decidiu entrar nesse draft porque o nível não estava muito alto e ele poderia garantir um contrato de primeira rodada, se não fosse isso ele teria ficado mais tempo na Universidade do Texas desenvolvendo mais o seu jogo, principalmente a distribuição de bola e as infiltrações, seu maior defeito (mais oposto que o Tony Parker, impossível). Já o HoopsHype aposta no Joseph como um dos grandes armadores desse Draft, mas que só vai começar a dar frutos daqui uns bons anos.

Para não perder a característica dos três pontos que eu citei antes eles apostaram no letão Davis Bertans, um dos melhores arremessadores desse Draft. Mas não sei se será o bastante, ele parece ser meio como o Matt Bonner, excelente nos arremessos de longe, bom para abrir espaço no ataque, mas em todo o resto é fraco e até compromete. Se com o passar dos anos melhorar na velocidade e na movimentação sem a bola pode se destacar, senão será um Bonner sem o charme do cabelo ruivo. Na penúltima escolha geral do Draft o Spurs selecionou o húngaro Adam Hanga. Nunca ouvi falar, achei poucas coisas a respeito dele na internet, nenhum outro time cogitou pegá-lo e é um gringo escolhido lá no fim pelo Spurs. É isso, será o novato do ano.

Não podemos esquecer que eles também conseguiram, via troca, os direitos sobre o pivô Erzam Lorbek. Ano passado o esloveno jogou bem pelo Barcelona e há uma chance dele ir para a NBA já na próxima temporada (seja lá qual vai ser a próxima). Já vimos com o nosso Splitter que essa transição Europa-EUA pode ser bem complicada, mas se der certo pode fechar uma boa rotação de garrafão com Duncan, Blair e o brasileiro. Futuro complicado e confuso para o Spurs, mas bons jogadores eles tem.


Orlando Magic
(32) Justin Harper, PF
(53) DeAndre Liggins, SG



Para um time que só tinha duas escolhas de segunda rodada o Orlando Magic até que se saiu bem. O ala Justin Harper é a tara histórica do Magic, um ala de força com bom arremesso de média e longa distância, Ryan Anderson, Brandon Bass e Rashard Lewis deixam bem claro o tipo de jogador que eles gostam de deixar ao lado de Dwight Howard. Aliás o ideal para eles era escolher um reserva para Dwight para compensar a saída de Marcin Gortat, mas pivô bom em segunda rodada é mais difícil que achar que mulher bonita, inteligente, divertida e interessada em você ao mesmo tempo. Compreensível sair do Draft sem um pivô.

Depois escolheram DeAndre Liggins, especialista em defesa de perímetro. O Magic não tem um defensor confiável nessa posição desde a saída de Courtney Lee e pode se aproveitar de Liggins, mas este precisa melhorar muito o seu arremesso para ser aproveitado com mais frequência no time. Importante que tanto Liggins como Harper, por serem escolhas de segunda rodada, podem receber contratos bem pequenos, coisa importante para o Magic e sua gorda folha salarial.


Los Angeles Clippers
(37) Trey Thompkins, PF
(47) Travis Leslie, SG/SF



A análise do LA Clippers é meio parecida com a do Orlando Magic. Para um time com duas escolhas tão tardias eles até que fizeram bem em apostar em jogadores que tem as características necessárias para encaixar no time. Escolhas de segundo round não costumam dar em nada (geralmente pouco mais de duas ou três se destacam mesmo por ano) mas é um bom começo apostar em alguém que pode trazer o que o time quer e precisa. É diferente dos talentos maiores da primeira rodada onde geralmente a melhor coisa é simplesmente pegar o melhor jogador independente da característica ou posição.

O Trey Thompkins é o anti-Blake Griffin. É ala de força, como a estrela do time, mas mais focado em arremessos de longe, ganchos e um jogo mais finesse (soft, pra quem quer falar mal). Precisará melhorar sua velocidade para causar algum impacto na defesa, mas talvez já seja bom o bastante para jogar uns 10 minutos por jogo na reserva do melhor novato da última temporada.

Para muita gente o Travis Leslie é o cara com o melhor físico de todo esse Draft e nem estou falando que ele é gatinho. É rápido, ágil, boa movimentação lateral e impulsão fora do comum. Mas não tem nenhum tipo de arremesso, o drible é fraco e não consegue criar o próprio arremesso. Se o seu papel limitado no Clippers for de defesa e contra-ataques ele pode chamar a atenção por algumas boas jogadas e entrar na rotação (depende também da evolução de Al-Farouq Aminu), deu sorte de cair em um time de elenco magro e que no último ano foi um dos que mais brilhou em jogadas velozes e de contra-ataque.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Análise do Draft 2011 - Parte 4

Ninguém sabe como os braços de Reggie Jackson couberam na foto

Já estamos na parte 4 da nossa análise anual do Draft. Estou passando tanto tempo lendo, analisando e discutindo desempenho de pirralhos que já estou me sentindo uma professora do primário. Mas infelizmente sou aquela professora gorda, feia e de óculos fundo de garrafa, não a substituta gostosinha e recém-formada. Sorte de vocês que os posts não são em vídeo.

Para entender o espírito da coisa eu recomendo que leiam as partes anteriores, os links estão abaixo:

Parte 1 - Cavs, Wolves, Jazz
Parte 2 - Raptors, Bobcats, Wizards e Pistons
Parte 3 - Kings, Warriors, Suns, Rockets, Pacers e Sixers

E aqui, para ajudar na memória, os selos de qualidade baseado nas piadinhas já batidas da internet mundial:

Fuck Yea - É o personagem convencido, que se gaba de qualquer coisa (qualquer uma mesmo) que tenha dado certo. É o selo para os times que fizeram a coisa certa na hora certa e saíram do Draft com essa pose de fodão. (conheça mais do fuck yea)




Close Enough - É o meu meme favorito. Um cara que quer uma coisa, não consegue exatamente o que deseja mas "cheguei perto o bastante" e empina o nariz. É o selo para os times que não brilharam, mas fizeram a coisa certa. (conheça mais do close enough)



Okay - É o personagem  derrotado que abaixa a cabeça e aceita qualquer coisa. Fácil de se identificar com ele nas nossas frustrações cotidianas. É o selo para os times que não pegaram nenhum grande jogador mas fizeram o que dava na hora. (conheça um pouquinho mais do Okay)



Trollface - Esse é um dos mais famosos, o troll, é o cara que faz as coisas de sacanagem, que irrita, que comenta coisas idiotas no Bola Presa só para nos irritar. É o selo para o time que foi trollado, que está achando que fez uma coisa boa mas vai quebrar a cara em breve. (conheça mais do Troll)



Rage Guy - Esse todo mundo já viu, é o famoso "ffffuuuu", expressão que você pode usar no dia-a-dia quando bater o dedinho na quina, derrubar uma bandeja cheia de comida no chão, perder o ônibus só porque parou pra amarrar o tênis e coisas do tipo. Selo para os times que erraram feio. (conheça mais do Rage Guy)


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New York Knicks
(17) Iman Shumpert, PG/SG
(45) Josh Harrellson, PF/C



Para um time com tantas histórias desastradas na última década até que o NY Knicks atua bem nos Drafts, uma pena que eles raramente tem boas escolhas. É assim, o time é ruim e teria que ter escolhas no Top 10 por isso, mas sempre as envolve em trocas malucas por caras ruins e caros, foi assim que conseguiram Eddy Curry, Jamal Crawford, Steve Francis e toda essa renca que não fez nada em NY. Porém as mesmas trocas renderam escolhas lá no fim do primeiro round, onde o Knicks conseguiu Wilson Chandler,  David Lee, Landry Fields e Trevor Ariza. Com Danilo Gallinari sendo a isolada exceção, o Knicks tem o hábito de pegar caras ruins em posições boas e jogadores bons e posições ruins.

O que acontece então quando eles tem uma escolha quase no meio do primeiro round? Pegam um jogador mais ou menos, claro! Uma pena que para esse Knicks os menos pesam muito mais que o normal. Explico, Iman Shumpert tentou ser armador principal na universidade, mas falhou feio nisso, não conseguia distribuir bem a bola e nem era um grande pontuador. Ficou no time porque é um defensor muito acima da média, um carrapato. E aqui eu reproduzo o texto escrito pelo NBADraft.net a seu respeito: "Ele vai ser capaz de defender muito bem, mas já existiu na NBA um time com um especialista em defesa que pega na bola em toda a jogada e inicia o ataque como armador? Existe uma razão para isso não existir".

Pois é, na NBA não há espaço para armadores especialistas em defesa que não sabem como armar o jogo, a solução poderia ser colocar ele na posição 2 no ataque, mas alguma vez o Mike D'Antoni já usou um cara nessa posição que não tivesse o mínimo de arremesso de longa distância? O jogador até tem seus méritos e talentos, mas os defeitos machucam o Knicks de um jeito muito profundo que me faz acreditar que ele terá papel limitadíssimo no time até que aprenda a arremessar muito bem. Se não melhorar nesse aspecto tem tudo para ser uma escolha jogada no lixo.

No segundo round eles pegaram o Josh Harrellson, um jogador de garrafão que se destaca pelos rebotes e as jogadas de "hustle", termo usado pelos americanos para se referir àquelas bolas brigadas, vencidas na raça. Se tiver espaço no elenco pode ser usado para descansar os pivôs por alguns minutos, gastar umas faltas e tomar enterradas do Blake Griffin.


Milwuakee Bucks
(19) Tobias Harris, SF/PF
(40) Jon Leuer, PF
via troca: Shaun Livingston, Stephen Jackson e Beno Udrih


O Bucks acredita que tem um elenco para brigar nos playoffs do Leste, por isso preferiram abrir mão da escolha número 10 (além de Corey Maggette e John Salmons) para tentar jogadores prontos e experientes. Foi assim que se envolveu na troca com Bobcats e Kings e saiu com a escolha 19, Shaun Livingston, Stephen Jackson e Beno Udrih. Acho que a troca foi boa pra eles. Primeiro porque Maggette nunca se adaptou perfeitamente à equipe, não sendo a força ofensiva que foi contratado para ser, já John Salmons não repetiu ano passado as boas atuações do ano anterior. Para o lugar deles chega Stephen Jackson, que acrescenta mais ao elenco que os outros dois juntos: apesar de Maggette e Salmons se destacarem no ataque, nenhum dos dois o faz com bolas de longa distância, coisa que faltou ao Bucks e que Jackson oferece. Sem contar que Stephen Jackson tem mais capacidade de distribuição de bola que os outros dois, meros finalizadores, resolvendo outro defeito do time. Na defesa é bem claro que o novo contratado é mais eficiente, embora no sistema do técnico Scott Skiles os antigos jogadores nunca tenham comprometido.

A chegada de Beno Udrih e Shaun Livingston tiram um pouco do peso das costas de Brandon Jennings, que teve problemas na armação do jogo na última temporada e poderia passar algum tempo jogando como segundo armador.

De novatos mesmo eles conseguiram o Tobias Harris, ala que atuou na posição 4 na sua universidade mas que acredita-se que deve atuar na posição 3 na NBA. Se insistir em jogar no garrafão, porém, o rapaz pode se destacar com velocidade e bom controle de bola para a posição e usar isso como um trunfo. Só não sabemos se vamos tirar essas dúvidas tão cedo, algumas declarações do pessoal do Bucks dão a entender que Harris, assim como o segundo-anista Larry Sanders, estão sendo preparados com calma para o futuro da franquia, sem preocupações de jogar bastante agora.

Na segunda rodada eles escolheram o ala de força Jon Leuer, mas pelos motivos expostos acima ele não deve conseguir ficar no time para a temporada. O elenco está cheio, ele é muito jovem e com potencial menor do que os outros pirralhos trabalhados pela equipe. O Bucks foi bem no Draft se avaliarmos de acordo com a sua estratégia a longo prazo, queriam veteranos e fizeram uma troca que o levaram a isso. Mas você pode avaliar o todo negativamente se discordar dessa abordagem. O já citado NBADraft.net, por exemplo, acredita que misturar Stephen Jackson e Brandon Jennings no mesmo vestiário é pedir para dar confusão, e preferiam que nenhuma troca tivesse sido feita e Klay Thompson, bom arremessador escolhido pelo Warriors, tivesse sido escolhido na posição 10. Eu aprovo as mudanças feitas pelo Bucks, mas dá pra entender os riscos deles estarem se trollando também.


Portland Trail Blazers
(21) Nolan Smith, PG/SG
(51) Jon Diebler, SG
(57) Tanguy Ngombo, SF
via troca: Raymond Felton

No primeiro Draft do Blazers em muito tempo sem o famosos General Manager Kevin Pritchard eles foram um pouco mais discretos, mas mesmo assim não passaram em branco e fizeram uma troca que chamou a atenção. Fizeram uma troca grande com Mavs e Nuggets onde perderam Andre Miller e Rudy Fernandez e ganharam Raymond Felton, este a grande aquisição da noite do Draft em Portland.

O Nolan Smith, escolhido na posição 21, não parece acrescentar muita coisa em um elenco talentoso e numeroso. Como muitos jogadores formados em Duke ele parece destinado a ser um atleta bom e que joga com inteligência, mas nada além de um role player. Dizem que ele pode jogar na posição 2, mas em um elenco com Wesley Matthews, Nicolas Batum e mesmo o bichado Brandon Roy é difícil que sobre minutos para ele aí, ele ficaria mesmo como armador principal, onde no time titular deve ficar Raymond Felton, com Brandon Roy quebrando um galho por alguns minutos. Pode soar questionável um time que precisa tanto de um pivô escolher um armador reserva, mas nessa altura do Draft os melhores pivôs já tinham ido embora, então era Nolan Smith ou algum ala de força como Kenneth Faried. E tudo o que o Blazers não precisa é de mais alas de força improvisados na posição 5.

O Jon Diebler (que me lembra Jusitn Bieber sempre que leio) foi escolhido no fim da segunda rodada e é um baita de um arremessador, talvez ganhe espaço no elenco por isso, mas irá brigar com Armon Johnson e Patrick Mills por uma vaga. O último escolhido, Tangu Ngombo, é uma aposta para o futuro, o escolhendo ele fica ligado ao Blazers para um futuro distante quando talvez seja bom o bastante para ir para a NBA. Não deve dar em nada, mas vale pela excelente força nominal e por ser possivelmente o primeiro jogador a atuar no Qatar a ter sido escolhido no Draft.


Denver Nuggets
(22) Kenneth Faried, PF
(26) Jordan Hamilton, SG/SF
(56) Chukwudiebere Maduabum, PF
via troca: Andre Miller

Num primeiro momento a troca por Andre Miller pareceu meio sem sentido, afinal eles estão satisfeitos com o Ty Lawson na armação e o Ray Felton pelo menos poderia atuar como segundo armador, mas o que fazer com Miller? Tudo fez mais sentido quando a escolha 26 foi incluída na troca e quando se lembra que esse é o último ano do contrato de Andre Miller. Os contratos de Miller e Felton acabam no mesmo ano e tem um valor parecido, ambos não seriam aproveitados pelo Nuggets depois, com o dinheiro aberto sendo usado provavelmente para a renovação de contrato com Danilo Gallinari e/ou Wilson Chandler. Então já que é pra manter um armador que só vai durar um ano, que seja o Miller, que veio com uma escolha de Draft de bônus.

A escolha foi usada em Jordan Hamilton, um desses nomes repetidos que a máquina de fazer nomes da NBA cria usando jogadores velhos. Ele pode jogar nas posições 2 ou 3, é um bom arremessador e ótimo reboteiro para a sua posição, o Nuggets sonha com ele sendo o Landry Fields dessa temporada. Deve ter pouco espaço pela presença de Arron Afflalo e Wilson Chandler, mas pode ser uma aposta mais barata caso um dos dois seja trocado por um jogador de garrafão, a verdadeira necessidade do Nuggets atualmente.

Com Kenyon Martin e Nenê virando Free Agents ao mesmo tempo o Nuggets estava desesperado por um jogador de garrafão e na escolha 22 pegaram Kenneth Faried, considerado por alguns o melhor reboteiro desse Draft. É fraco na maior parte do resto do jogo, mas pelo menos é alguma coisa para reforçar a posição mais carente da equipe. O Nuggets fez o possível com suas escolhas de fim de primeira rodada, mas precisa se mexer mais para remontar um time que animou no fim da última temporada mas já está se desmanchando.

O charme das escolhas do Nuggets foi, na verdade, a da segunda rodada: Chukwudiebere Maduabum. O vulcão islandês dos jogadores da NBA é, por algum motivo, chamado apenas de Chu Chu. Ele só é marmelada porque é nigeriano, mesma nacionalidade do General Manager do Nuggets, Masai Uriji. Você não pode escolher um conterrâneo de nome estranho lá no fim do Draft e tudo ficar assim normal, ele deve ser agente do cara e agora o valorizou para transferir para a Europa. A CBF e o Ricardo Teixeira estão envolvidos e todo mundo sabe! Falando um pouco mais sério (só um pouco), Chu Chu já jogou 3 partidas na D-League, liga de desenvolvimento da NBA e na única em que ficou mais de 10 minutos em quadra saiu com 0 pontos, 1 rebote e 3 tocos.


Chicago Bulls
(23) Nikola Mirotic, SF/PF
(30) Jimmy Butler, SF



O Bulls trocou suas escolhas 28 e 43 com o Wolves para poder subir para a 23 e pegar um cara que não vai para a NBA tão cedo: Nikola Mirotic joga no Real Madrid e tem uma multa milionária para sair. Mas nada que não estivesse nos planos, o Bulls já tem um elenco cheio, salários altos e contratos fechados para praticamente todo o elenco, há pouco espaço para novos talentos. Escolher Mirotic é ter um bom jogador na manga para daqui vários anos quando os atuais contratos de Ronnie Brewer, Kyle Korver e afins estiverem acabando. Eles fizeram o mesmo com Omer Asik há alguns anos e a espera rendeu bons frutos.

Com Jimmy Butler na 30ª escolha eles conseguiram o menor salário garantido de todo o Draft, já que os valores vão caindo desde o primeiro até o último da primeira rodada, então não deve pesar em nada na folha salarial da equipe. Mas se financeiramente a escolha foi boa, não penso o mesmo da parte técnica. Butler é bom no jogo de transição e deve se adaptar ao estilo defensivo do Bulls, mas eles já não tem o Ronnie Brewer para isso? Onde está o arremessador que eles queriam? Kyle Singler, que caiu para a segunda rodada, é um defensor com arremesso de três pontos e se resolveria melhor as deficiências do time. O Draft não foi ruim, mas na prática o Bulls vai para a próxima temporada com o mesmo time. Daqui alguns anos que Mirotic nos prove que o selo de troll foi um erro.


Oklahoma City Thunder
(24) Reggie Jackson, PG




O Thunder tem bons jogadores em todas as posições, então na hora de usar sua única escolha no Draft eles pensaram "Hum, que tal pegar uma aberração da natureza?" e chamaram Reggie Jackson. O rapaz tem 1,92m de altura e, atenção, 2,13m de envergadura!!! Putaquemeupariu! Jesusmariajosé! É isso aqui mas sem ser piada.

O problema dele é o mesmo do Iman Shumpert, escolhido pelo Knicks, é um armador que não é lá tão bom na distribuição de bolas e quando joga de segundo armador não pode ajudar nos arremessos de longa distância. O que muda nesse caso é que o Thunder é um time que usa menos os arremessos de longe que o Knicks e que não considera ter um não-arremessador como um defeito imperdoável, como acontece no esquema do Mike D'Antoni em Nova York. Para o Thunder vale mais a pena ter um excelente defensor com ótimo físico que pode marcar mais de uma posição, roubar bolas e puxar contra-ataques. Apesar de defeitos serem defeitos em qualquer time, estes em especial podem passar mais despercebidos no Thunder do que no Knicks.

A questão que se abre aqui é o que fazer com o Eric Maynor. Quando Russell Westbrook teve dificuldades contra o Grizzlies e o Mavs, foi Maynor que comandou o ataque do Thunder, aliás muita gente até preferia o Maynor armando com o Westbrook de segundo armador em alguns momentos da partida. A chegada de Jackson vai tirar espaço do Maynor? Seria estupidez, já que o time já tem um armador sem cabeça de armador e com habilidades físicas fora do comum. E se for para jogar na posição dois, onde arranjar minutos entre a boa combinação de Thabo Sefolosha e James Harden? O jogador parece ter seus talentos e deve ser divertido ver ele jogar e tropeçar nos seus braços de Lamar Odom, mas atualmente não vejo muito espaço para ele atuar no Thunder. Que o treinem bastante para que ele possa aproveitar as chances que aparecerem no futuro, seja com alguma troca ou contusão.