sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Novo endereço do Bola Presa

Se você caiu aqui nesse Bola Presa é porque provavelmente usa o nosso domínio do Blogspot para nos acessar, o famoso e antigo bolapresa.blogspot.com. Mas agora mudamos de endereço.
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Aviso
O servidor é novo e ficou assustado com a quantidade de pessoas tentando entrar no novo site ao mesmo tempo. Deem um tempo para o coitado que nas próximas horas tudo vai se acertar.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Para falar de Lin, não da Linsanity

Mais famoso que John Lennon, que era mais famoso que Jesus Cristo, que...

A imprensa, ou a mídia em geral, sabe como destruir um assunto interessante. Ela faz isso o tempo inteiro, aliás. Se uma música faz sucesso, tocam até ela se tornar a que você mais odeia na vida. Se alguém faz algo de interessante, tudo o que essa pessoa faz vira notícia, até se cutuca o nariz ou almoça salada com frango. Pensando nisso hesitei muito em começar esse post sobre o Jeremy Lin, que acaba de aparecer pela segunda semana seguida na capa da revista Sports Illustrated, a mais importante sobre esportes nos EUA. Ele também já foi capa da TIME e aqui no Brasil até na Globo já apareceu. Outro dia até vi uma notícia rápida sobre ele naquela TV Minuto que fica passando manchetes dentro do Metrô de São Paulo. Sobre LeBron James ou Kobe Bryant não lembro de ter visto nada.

Essa atenção exagerada quase me fez desistir de falar sobre Linsanity. Ou melhor, me fez desistir sim, ao invés de falar sobre a Linsanity, vou falar apenas sobre Jeremy Lin. Nade de fanatismo, histórias curiosas, o passado diferente da maioria dos jogadores ou tudo o que eu sei que vocês já leram. É hora de uma análise basquetebolística: Por que esse novo armador fez o New York Knicks voltar a vencer? Continuará a dar certo?

Antes vamos entender por que estava dando errado. Para isso ajuda ler esse post que fiz um tempo atrás, falando de Knicks e Lakers. Nele tento deixar claro que por mais que se tente colocar a culpa das falhas do Knicks no técnico Mike D'Antoni, não acho que ele seja de todo mal. É limitado, não sabe se adaptar aos diferentes tipos de elenco, mas o contrataram sabendo disso e não deram pra ele o que precisava. Pelo contrário, parece que deram o oposto. Talvez não haja na NBA jogador que menos combine com D'Antoni do que Carmelo Anthony.

O famoso "7 seconds or less" que D'Antoni usou no Phoenix Suns não existe no Knicks, mas alguns dos princípios são parecidos. Entre eles o de fazer muitos bloqueios para quem controla e bola e o desejo de espaçamento da quadra, evitando aglomeração no garrafão e obrigando a defesa a abrir para cobrir todos os arremessadores do time. Não podemos esquecer do detalhe de que esses arremessadores não podem ficar em qualquer lugar, uma das bolas mais mortais daquele Suns eram as da zona morta. De Joe Johnson até Leandrinho, passando por Raja Bell, muitos se consagraram com o chute lá do cantinho. Ela obriga a defesa a abrir mais que o normal, dando espaço para a infiltração ou liberando o arremesso em caso de ajuda. Isso não é nem exclusividade de D'Antoni, é um princípio básico de qualquer esquema baseado em abrir espaço na quadra. O Spurs usou muito isso com Bruce Bowen, era o cara que sobrava sempre que dobravam a marcação sobre Tim Duncan.

E o que tudo isso tem a ver com Carmelo Anthony? Um olheiro da NBA entrevistado pelo Eye on Basketball lembra bem que o lugar onde Carmelo mais gosta de atuar é o menos indicado para espaçar a quadra. É na diagonal da cesta, não muito perto do garrafão e nem na linha dos 3 pontos, mas no meio termo. Não tem espaço para o pivô receber a bola e embola o arremessador da zona morta. Sem Melo, contra o Mavs, o Knicks acertou 5 bolas de 3 pontos da zona morta e errou 3, contra o Nets, com o time completo, foram 3 erros e só um acerto.

Mas não que Melo seja burro ou se posicione mal, é uma posição mortal e perfeita para as jogadas de isolação. Carmelo pode jogar de costas pra cesta, de frente, driblar, arremessar na cara, infiltrar para os dois lados e até dar um step back e chutar de 3 pontos. Nesse ponto da quadra ele vira imprevisível e perigoso.

O problema é que o Knicks não queria isso, queria outras jogadas, queria os bloqueios para poder envolver Amar'e Stoudemire e Tyson Chandler no jogo. E aí vinham outros problemas: Se Amar'e virar o homem do bloqueio no pick-and-roll, onde fica Chandler? Embolando o garrafão para impedir Stoudemire de infiltrar? Ou longe da cesta, onde é inútil? A solução foi fazer a maior parte dos bloqueios com Chandler e deixar Amar'e no chamado "weak side" da quadra, no lado oposto dos bloqueios, esperando o colapso da defesa para receber a bola. Ou seja: Carmelo e Amar'e faziam coisas que não eram suas melhores armas só para se encaixar no esquema. Lógico que estava dando errado.

Aí chegou Jeremy Lin. Pouco depois Carmelo Anthony se machucou e Amar'e Stoudemire se afastou devido ao falecimento de seu irmão. Isso fez com que D'Antoni pudesse acabar com todas as improvisações, era só seu armador comandar o show, o pivô fazer os bloqueios e os outros jogadores se posicionarem bem abertos na quadra, com eventuais cortes em direção à cesta. Com isso Landry Fields, que tem ótimo senso de posicionamento, começou a pontuar mais, Tyson Chandler passou a receber um bom passe atrás do outro embaixo da cesta e Steve Novak passou a ser arma mortal dos 3 pontos. Até Iman Shumpert se beneficiou mesmo indo para o banco, ao invés de causar impressão ruim por más decisões tomadas com a bola passou a chamar a atenção pela excelente defesa.

Nas palavras do próprio D'Antoni, o segredo do sucesso de Lin no time é simples: "Ele pensa como armador e joga como armador". A defesa do Knicks, por mais estranho que isso seja se levarmos em consideração os últimos anos, já estava bem, bastou o ataque se organizar que tudo passou a fluir com eficiência assustadora. Some isso à confiança absurda de Lin, a forma com que o time abraçou a Linsanity de maneira positiva e temos um caso de sucesso.

Tem outras coisas interessantes nesse êxito do Jeremy Lin. Todo time que tem sucesso nesse tal espaçamento da quadra tem que ter uma ameaça no garrafão. É assim com o Magic e Dwight Howard, era assim com todo time que o Shaquille O'Neal jogou, foram assim os bons times do Spurs com Tim Duncan. Mas o Phoenix Suns que matava todo mundo de 3 pontos não era assim por causa de Amar'e Stoudemire, tanto que manteve sucesso mesmo quando ele se machucou e usaram o Boris Diaw de pivô, a grande ameaça ao garrafão adversário era o Steve Nash. A capacidade do Nash de usar múltiplos bloqueios e manter o drible vivo obrigava os adversários a sempre mandar ajuda para cobri-lo. Ele é bom arremessador, tem boa bandeja com qualquer uma das mãos e forçava o outro time a correr pra cima dele, aí era só distribuir os passes e os arremessos caíam.

Nesse Knicks agora acontece a mesma coisa. Amar'e Stoudemire não era ameaça porque jogava longe da bola, Chandler não é grande jogador ofensivo e Carmelo Anthony tem jogo baseado na meia distância. Nesse novo time Jeremy Lin passou a ser o homem do garrafão, suas impressionantes infiltrações não estão conseguindo ser paradas por ninguém. Por mais que não pareça, ele tem muita força e é capaz de finalizar mesmo sofrendo marcação bem pesada fisicamente. Entre todos os armadores da NBA, ele é o 5º em porcentagem de seus pontos marcados no garrafão. Apenas caras como Derrick Rose e Tony Parker estão à sua frente. Basta ele passar por seu marcador que a defesa tem que se mexer e aí a máquina do D'Antoni funciona do jeito que ele sempre quis.

Agora vamos tentar dar umas respostas menos óbvias do que as lidas por aí para algumas perguntas que estão pipocando pela internet:

- Jeremy Lin vai dar certo por mais tempo ou é fogo de palha?


Tem jogadores que atuam bem por uma temporada inteira antes de cair muito de produção. Lembram do Channing Frye, que era "introcável" no seu primeiro ano no mesmo Knicks? É divertido até ficar brincando de prever o futuro às vezes, eu costumava fazer posts de Mãe Dinah sobre os novatos, mas no fundo não é mais do que uma adivinhação com só um pouquinho de base racional. Não dá pra saber no que vai dar. O próprio Jeremy Lin é uma prova de como coisas improváveis podem acontecer.

O que sabemos é que até agora ele mostrou características de jogadores que costumam dar certo na NBA: Treina bastante, tem cabeça para lidar com pressão e expectativas, boa visão de jogo e capacidade para criar o próprio arremesso. Dá pra dizer com alguma certeza que ele tem lugar na liga por um bom tempo, com que nível e responsabilidade dentro do time é melhor esperar mais tempo antes de responder.

- Não estão exagerando com o Lin? Ele comete muitos turnovers!


Até agora a média de Jeremy Lin é de 3.4 desperdícios de bola por jogo. É bastante? Sim, mas não absurdo. Russell Westbrook lidera a NBA com 4.2 turnovers por jogo, empatado com John Wall e Deron Williams. Pouco abaixo deles aparecem Kobe Bryant, Steve Nash, LeBron James e, empatado com Lin, Ricky Rubio. 

Todos tem em comum o fato de serem jogadores espetaculares. O Russell Westbrook é fora de série, talentosíssimo e é sua função e característica controlar a bola durante boa parte do tempo pelo Thunder, além de tentar costurar a defesa adversária sempre que possível. Ele é ótimo nisso, mas eventualmente erra. Em alguns jogos esses erros custam mais caro, alguns podem ser bobos, mas olhando o geral vale a pena. Não é à toa que o Thunder nem cogita trocar Westbrook, pelo contrário, já ofereceu uma extensão de contrato bem grande e gorda. O mesmo vale para Kobe Bryant, volta e meia ele tem jogos com 7 ou até 10 desperdícios. Acontece. Ele é o começo, meio e fim do ataque do Lakers, tudo passa por ele em todas as situações de jogo, erros vão acontecer.

O estranho nessa história toda é o Lin ser, de repente, tão importante para o ataque do Knicks, não que cometa erros por ser tão importante. Alguns anos atrás, John Hollinger, um dos grandes especialistas em estatísticas na ESPN gringa, escreveu um texto sobre armadores jovens. Ele dizia que apesar de todo o hype em cima do OJ Mayo e de Derrick Rose, ele apostava que Westbrook seria o melhor depois de alguns anos. E dizia, "Ele tem mais turnovers que os outros dois, mas por incrível que pareça jogadores com mais erros como novatos costumam ter evolução maior nos anos seguintes".

Curioso pelo lado estatístico dessa afirmação, o Ian Levy, do Hickory-High, foi fazer uma pesquisa com números sobre o tema. Ele encontrou dificuldades porque é algo difícil de medir. Hoje claramente Kobe protege melhor a bola do que quando era um jovem jogador, mas não necessariamente isso se reflete só no número de turnovers cometidos. De qualquer forma ele fez um levantamento com vários jogadores, comparando seus anos de novato com a média da carreira. Nenhum grande padrão se revelou exatamente como Hollinger afirmou, mas é bem claro que boa parte dos jogadores passaram a ter um número de erro por posse de bola bem menor com o passar dos anos. Em outras palavras, o óbvio: Lin erra bastante, mas não muito mais ou menos que qualquer outro armador jovem na NBA. A afirmação de Hollinger não pode ser totalmente comprovada por números, mas a história mostra que muitos armadores que começaram a carreira cometendo muitos erros não deixaram de ser grandes jogadores por isso.

O que talvez seja mais importante e que Ian também fez em seu post é descobrir que erros ele comete. Ele compara os erros de Jeremy Lin com o de outro novato que perde bastante a bola, Kyrie Irving.



Jeremy Lin é bem cuidadoso com as faltas de ataque para alguém que infiltra tanto, também erra até menos em passes que Kyrie Irving. Seu problema mesmo está no controle do drible. As infiltrações em lugares complicados, tentar manter o drible vivo mesmo dentro do garrafão, essas tem sido as maiores fontes de erros para o armador do Knicks. Nada muito preocupante, acho. Fazer isso é difícil para qualquer armador e é bem mais fácil de treinar e ganhar experiência do que o passe, esse um talento mais difícil de aprender. Daqui uns anos Irving e Lin podem muito bem serem provas vivas da teoria de Hollinger.

- Lin é previsível, bate sempre para a direita!


Essa eu ouvi bastante semana passada e acho uma bobagem sem tamanho. Só ver alguns jogos dele, ou até só os melhores momentos, para ver como ele tem capacidade e talento para cortar e infiltrar para os dois lados. Tem apenas uma preferência. Mas até aí o Tim Duncan prefere receber a bola do lado direito do garrafão, o Ginóbili gosta de cortar para a esquerda, o Ricky Rubio prefere receber o bloqueio no seu lado esquerdo, o Paul Pierce gosta de arremessar driblando para a direita, o Tyreke Evans usa e abusa do Euro-Step e por aí vai. Todo mundo tem preferências e a liga inteira sabe quais são, parar elas é que é um trabalho muito mais difícil. E até agora ninguém parou Lin.


- Tá bom, mas ele pode jogar ao lado de Carmelo Anthony?

Eu acho que pode, mas alguns ajustes devem ser feitos. O primeiro deles é que se D'Antoni é o técnico e ele só sabe montar o time de um jeito, que seja esse. O sistema está dando certo para Lin, Novak, Chandler, Jeffries, Fields e Shumpert. Todos melhoraram individualmente com ele e as vitórias apareceram. Cabe a Melo e Stoudemire se adaptarem.

Para Melo é só ele aceitar que não precisa agir como macho alfa para ser a estrela do time. Todo mundo sabe que ele é o jogador com mais talentos e recursos no elenco, mas não é por isso que ele deve controlar a bola o tempo todo e chutar mais que o resto do mundo inteiro. Carmelo é tão completo que eu acho ele um dos poucos jogadores na NBA que podem ser cestinha de um time mesmo arremessando pouco, e deveria usar isso a seu favor. Lembra na seleção americana como várias vezes o jogo acabava com show de Kobe ou LeBron e no fim das contas o cestinha do time tinha sido Carmelo Anthony? Um arremesso de 3 aqui, um contra-ataque ali, uma bola que sobrou ali e ele mata todas, fazia 20 pontos sem ninguém nem citar o nome dele.

Já que comparamos tanto esse Knicks ao velho Suns de D'Antoni, Melo seria o Shawn Marion: Tem pouquíssimas jogadas desenhadas pra ele mas mesmo assim faz 20 pontos por jogo. Melo nem precisa ser tão extremo, já que tem cem vezes mais recursos de ataque que Marion, mas pode usar sua versatilidade ofensiva para se movimentar com liberdade no ataque e fazer pontos de qualquer canto da quadra. Mais produtivo, veloz e eficiente do que ficar isolando ele o tempo todo.

A situação de Amar'e Stoudemire é mais delicada porque não consigo lembrar de uma vez que ele tenha jogado ao lado de um pivô e que tenha dado certo. Lembra quando ele jogou com o Shaq no Suns? Os dois reclamavam de não ter espaço, do garrafão embolado e o time nunca embalou. Amar'e não gosta de jogar de costas para a cesta, prefere se virar e bater pra dentro, para isso precisa de espaço e ninguém na cobertura de seu defensor. Com Chandler lá é o contrário que acontece. A solução de usá-lo do lado oposto do pick-and-roll é até funcional porque ele tem bom arremesso de meia distância, mas isso é função de um Udonis Haslem da vida, não de um cara caro e completo como é Stoudemire. Sei que mesmo quando não está em seus melhores dias e mesmo quando não é tão bem aproveitado, o pivô é bom o bastante para conseguir seus pontos. Acho que é um problema que pode ser resolvido ou contornado sem que o time perca muitos jogos por causa disso. Será que é ousadia demais pensar em usar Amar'e numa espécie de time reserva com Baron Davis e JR Smith, enquanto Chandler passa mais tempo com Carmelo e Lin no time titular?

Não é de surpreender que falem tão pouco do lado do basquete na história de Jeremy Lin. É simples demais. O Mike D'Antoni não sabia como contornar sua necessidade de um armador agressivo que se tornasse a ameaça ao garrafão adversário, achou um jovem que se destacou na Liga de Desenvolvimento da NBA e o contratou. Deu certo. Sem falar de nomes de faculdade ou etnia a história não parece tão boa assim, mas a revolução dentro da quadra é enorme e merece, também, toda atenção do mundo.

8 ou 80
As estatísticas bizarras de Jeremy Lin

- Jeremy Lin é o jogador que mais marcou pontos em seus primeiros 8 jogos como titular na NBA. Apenas Michael Jordan, Bernard King, Shaquille O'Neal e Brandon Jennings marcaram mais que os 200 de Lin. Em assistências, nem Magic Johnson ou Isiah Thomas conseguiram números melhores que os de Lin em seus primeiros 8 jogos como titular.

- Voltando aos turnovers. Lin foi o primeiro jogador da história a ter pelo menos 6 desperdícios de bola em 6 jogos seguidos. Se compensa, seu time venceu 5 dessas partidas.

- O Knicks marca apenas 40% de seus pontos no garrafão quando Jeremy Lin está fora da quadra, o número sobre para 47% quando ele está jogando. Outro número que sobe é o aproveitamento de arremessos: 48% com ele jogando, 41% com Lin fora da quadra.

Novidade no Bola Presa para o All-Star Weekend

Resumo da Rodada: O Spurs tira uma folga, Hibbert não é piada

Bem-vindos de volta do Carnaval, ó viajantes desavisados! Na cobertura desses dias de festança, chegamos agora à rodada do dia 21 em nossa missão divina de deixar todo mundo inteirado do que andou acontecendo na NBA enquanto nosso hemisfério mergulhava em caipirinha. Até amanhã alcançaremos a linha de espaço-tempo correta e poderemos nos dedicar integralmente ao All-Star Weekend. O Bola Presa terá muitas novidades nesse fim de semana especial, então vamos cuidar logo das rodadas passadas pra pular no All-Star sem medo de ser feliz. Yay!

Comecemos com Heat e Kings, que foi um jogo inesperadamente difícil levando em consideração que o Heat costuma matar os seus jogos ainda no meio do primeiro quarto. O Isaiah Thomas continua chutando traseiros desde que virou titular e é parada obrigatória no League Pass de qualquer um, ontem ele manteve o Kings no ritmo certo para ficar perto do Heat no placar o jogo inteiro, meteu 5 bolas de três e acabou o jogo com 24 pontos. Mas o mais fantástico a respeito do Isaiah é que o Tyreke Evans vai aos poucos se acostumando a jogar na sua posição natural, de segundo armador, e vai voltando a ser capaz de tirar proveito da sua força, do seu tamanho e da sua visão de jogo. Tyreke teve uma partida fantástica com 21 pontos, 7 rebotes e 10 assistências, e ninguém no Heat conseguiu diminuir o ritmo da dupla de armação. Mas é claro que ninguém no Kings também conseguiu parar o pessoal de Miami: Wade teve provavelmente a sua melhor partida da temporada com 30 pontos, 10 assistências, 3 roubos e 2 tocos, Bosh teve 20 pontos e 10 rebotes, e Mario Chalmers meteu 6 bolas de três para acabar o jogo com 20 pontos. Aliás, foi a primeira vez na temporada que três jogadores do Heat marcaram pelo menos 20 pontos e um deles não era o LeBron - que teve "apenas" 18 pontos, 8 assistências, 2 bolas de três e 2 tocos fenomenais.

Quem acabou vencendo o jogo, no entanto, foi o banco do Heat. No começo do último quarto, com todo mundo cansado pelo ritmo acelerado de jogo, os dois bancos entraram em quadra e os reservas do Miami deram um pau. Norris Cole, Shane Battier e Mike Miller cuidaram do jogo e aí não deu pro Kings correr atrás quando os titulares voltaram. O Kings é um bom time, talentoso, mas precisa de mais profundidade e principalmente precisa saber como se manter no jogo durante o quarto período. Se não bastassem as decisões imbecis nos minutos finais, ainda falta fôlego para a pirralhada.

O Sixers é outro que não deixa de fazer merda no final dos jogos. Perderam todos os jogos da temporada que foram decididos por 4 pontos ou menos e o Iguodala não marcou um único ponto em quartos períodos durante os últimos seis jogos. Seis! Não é à toa que são 4 derrotas seguidas. Na partida contra o Grizzlies, mesmo com o time de Memphis visivelmente exausto, Iguodala voltou a não pontuar no quarto período, Jrue Holiday também não marcou unzinho sequer, e Marc Gasol acabou selando a vitória. Aliás, o Grizzlies fez bem em insistir num garrafão alto apesar da correria, porque quando sofreu contra o meu Houston e tentou uma formação mais baixa, tomou mais pau ainda.

O garrafão alto também garantiu a vitória do Pacers em cima do Hornets, ainda que tenha sido na prorrogação. O Hornets anda dando trabalho pra todo mundo, tornando os jogos difíceis e brigados, mesmo com esse elenco todo lesionado e furado. Mas não conseguiram sobreviver ao Roy Hibbert, com 30 pontos, 13 rebotes, e uma tonelada de pontos na prorrogação vindos de rebotes de ataque. O Hibbert virou piada por ir para o All-Star Game, mas é um dos melhores pivôs da NBA. O problema é seu jogo inconsistente, a mania de jogar como se fosse nanico contra alguns times, querendo só arremessar de fora, mas cada vez mais ele está topando as trombadas e está virando uma versão estranha do Jermaine O'Neal de uns anos atrás. Lembram quando o Brad Miller virou piada por ir para o All-Star no Leste, também pelo Pacers, e depois disso virou estrela e passou a colecionar triple-doubles? Pois dá pra esperar algo bem parecido do Hibbert. Outro membro do Pacers que vai estar no All-Star Game e chutou traseiros foi o Paul George: ele vai jogar com novatos e segundo-anistas na sexta e estará no campeonato de enterradas no sábado. Contra o Hornets foram 20 pontos, 6 rebotes, 6 assistências e uma demonstração de porque estará na competição de enterradas:



Pistons e Cavs, que se enfrentaram, também vão levar um monte de gente para o All-Star na partida de novatos e segundo-anistas. Mas sabe quem com certeza não vai? Ben Gordon. Eu sei, ele teve algumas partidas simplesmente geniais pelo Bulls, já ganhou jogos impossíveis sozinho, mas também já perdeu jogos fáceis sozinho. Essa fama de "cara que sabe decidir" acaba fazendo mal demais para a carreira dele e comeu um pedaço do seu cérebro. Contra o Cavs, no final do jogo, Brandon Knight tinha metido 2 bolas de três seguidas (marcou 24 pontos, acertando 4 de 5 bolas de três), Greg Monroe estava passeando no garrafão (foram 17 pontos, 11 rebotes e 7 assistências), mas com o jogo apertado no final é claro que o Ben Gordon resolveu que iria arremessar todas as bolas sozinho e jogou a partida pela privada. Do outro lado, o Cavs vai se tornando um time fantástico em quartos períodos: Kyrie Irving parece o "Coração Gelado" dos Ursinhos Carinhosos, contra o Pistons ele acertou os lances-livres da vitória pelo que parece ser a centésima vez nessa temporada. Pra termos uma ideia, Irving fez sozinho 17 pontos no quarto período - enquanto Alonzo Gee fez 13 pontos no mesmo período (acabou o jogo com 16 e 11 rebotes). Ou seja, os dois juntos marcaram 30 pontos na fase final enquanto Ben Gordon se achava o fodão. O Pistons tem potencial, mas é preciso se livrar do passado e aceitar algumas verdades. Tayshaun Prince errou 12 arremessos seguidos durante a partida, será que ele não deveria assumir um papel diferente?

Pra fechar, o jogo mais "bleh" da rodada. Com 11 vitórias seguidas e enfrentando um Blazers que anda despencando pela tabela, o Spurs (já desfalcado de Ginóbili e Splitter) resolveu descansar Duncan e Parker e colocou um time de reservas em quadra. Era o oitavo jogo de uma longa viagem de 9 partidas fora de casa, fez sentido deixar as duas estrelas velhinhas no banco, mas o Blazers entrou mordendo e venceu a partida nos primeiros minutos. Fato importante: Raymond Felton tinha acertado um máximo de 2 bolas de três no mesmo jogo durante a temporada, algo que Jamal Crawford - que agora começou como titular - repetiu nos primeiros 4 minutos de jogo. Acabou a partida com 5 bolas de três, todo mundo no Blazers jogou muito e até o Felton desencantou e meteu 4 bolas do perímetro. De bom para o Spurs, apenas mais minutos para a pirralhada: Kawhi Leonard terminou o jogo com 24 pontos, 10 rebotes e 5 roubos de bola. Como diabos esse time sabe draftar tão bem? É ofensivo.

...

Fotos da rodada:

 Drible da foca

 Cara de cachorrinho pego fazendo bobagem

Cabaninha para os recém-casados 

 Roy Hibbert com sua tradicional cara de PhD em Física Nuclear

Camby dá um passe espírita em Leonard

Resumo da Rodada: Deron Williams chuta traseiros, Nuggets ama prorrogações

Estamos de volta com os resumos dos jogos que ninguém viu, os da semana de Carnaval. Porque, claro, doze horas de trânsito, calor e música capaz de ser ouvida da Lua sempre acabam dando um jeito de ser mais importantes do que a simplicidade deliciosa de sentar a bunda numa cadeira e assistir ao esporte que amamos. Mas ao voltar pro mundo real, o Bola Presa garante que todo mundo possa saber o que andou acontecendo na NBA nesses dias. Dessa vez, então, vamos falar da rodada do dia 20.

Primeiro, um segredo: ao ter um blog de basquete, somos obrigados por lei a assinar um contrato e falar sobre o Jeremy Lin em todo post, sob pena de pagar multa ou ser obrigado a ver 20 jogos do Bobcats. Então vamos acabar logo com isso: contra o Nets, Lin jogou bem, marcou 21 pontos e deu 9 assistências. Pronto, contrato cumprido. Agora, para os outros assuntos.

Lin foi totalmente secundário na partida entre Knicks e Nets basicamente porque Deron Williams entrou em quadra disposto a chutar todos os traseiros do mundo. Aliás, Deron Williams merece um post-tese-de-mestrado só pra ele mais tarde, porque é o exemplo perfeito de como mesmo um dos melhores jogadores da NBA consegue sair completamente dos olhos do público e da mídia por estar num time pequeno. Agora que todo mundo estava vendo, com a atenção voltada para o armador cheirando a carro novo, Deron lembrou o mundo de quão bom ele é e praticamente garantiu a vitória do seu time sozinho. Foram 38 pontos e 8 bolas certas de três, e o mais fantástico foram os 18 pontos no terceiro período - 10 deles marcados num período de 47 segundos! Deron Williams é uma força da natureza e, com um time melhor em mãos, pode fazer milagre. Contra o Knicks, bastou uma defesa que soube defender bem o pick-and-roll de forma física e agressiva e Lin e seus amigos começaram a se afastar cada vez mais do garrafão, voltando a ser uma equipe que se contenta em dar arremessos idiotas de longe. Aí, do ataque, Deron cuidou sozinho.

A defesa física do Nets acabou gerando um jogo bastante brigado. Pra se ter ideia, Anthony Morrow perdeu 4 dentes e os dois times tiveram problemas em conseguir chegar perto da cesta. Nessas horas o Knicks precisa de seus arremessadores, mas JR Smith errou as 5 bolas de três que tentou e Steve Novak estava num dia terrível. De consolo, apenas o primeiro jogo do Baron Davis pelo Knicks (foram apenas 10 minutos, mas ao menos ele consegue usar as duas pernas!), e o retorno do Carmelo Anthony, que com 6 assistências mostrou que está disposto a rodar a bola agora que não precisa ser o armador dessa budega.

Agora, o resto da rodada fora do nosso contrato. Começo com a indignação: quantas prorrogações o Nuggets consegue jogar em sequência? Depois de uma prorrogação sensacional na partida anterior, agora foi a vez de mais uma prorrogação contra o Wolves. O garrafão da equipe de Minessota, que anda comendo vários times da NBA vivos, sofreu com a saída de Pekovic, lesionado, e o Nuggets se aproveitou disso para usar uma escalação de anões: colocou Al Harrington como pivô e partiu para a correria. O incrível é como o Al Harrington se sai bem quando joga dentro do garrafão ao invés de no perímetro, como ele insiste em jogar - parece que tem complexo de Rasheed Wallace (que, pra quem não sabe, disse que aprendeu a arremessar de três porque estava ficando entediado de dominar jogos no garrafão). Al Harrington teve 31 pontos e 9 rebotes, dominou o Wolves e segurou as pontas mesmo quando o Nuggets ficou sem armador nenhum, já que Ty Lawson torceu o pé e Andre Miller foi expulso por dar piti. Nessa escalação de anões, Faried continua quebrando um galhão, dessa vez com 14 rebotes. Agora que o George Karl disse que o Nenê provavelmente não vai conseguir entrar em forma durante essa temporada, é bom que o Nuggets esteja disposto a usar todos os outros grandalhões e saiba improvisar Faried e Al Harrington lá embaixo para fazer o serviço.

O jogo foi uma correria biruta, bem disputado, teve prorrogação, mas o tempo extra foi uma calamidade: as duas equipes passaram 3 minutos sem conseguir uma cesta sequer, e o final do jogo foi pior ainda. Perdendo por 3 pontos, Martell Webster conseguiu roubar uma bola faltando 4 segundos no cronômetro. Ele parou na linha de 3 pontos e aí o que ele fez? Merda. Continuou correndo e deu uma enterrada fácil, cortou a diferença para 1 ponto mas aí já não dava mais tempo de ter outra posse de bola. Uma anta. Depois do jogo ele disse que achava que poderia sofrer uma falta, migué de quem fez cagada e não quer admitir. São coisas de time jovem que nunca passou por isso antes, é claro que na próxima vez todo mundo do elenco vai parar e arremessar de três, é o peso da experiência. Menos o Kings, que daqui há 20 anos vai cometer exatamente os mesmos erros.

A anti-matéria do Kings é o Spurs, que faz sempre as coisas certas nas horas certas há mais de 15 anos, sem brincadeira. Mesmo sem Ginóbili, o esquema continua impecável com Tony Parker mais agressivo do que nunca, dessa vez foram 23 pontos e 11 assistências. E mesmo sem o Splitter, o garrafão continua funcionando com o Matt Bonner, que aliás acertou 5 das 6 bolas de três que tentou no jogo. Mesmo o Richard Jefferson, que errou todos os arremessos que deu durante o jogo inteiro, acertou uma bola de três da zona morta (marca registrada do Spurs desde que me conheço por gente) no final do jogo para garantir a vitória em cima do time-do-qual-não-falamos.

A fama do Spurs de fazer tudo certo nos momentos decisivos é a mesma que Monta Ellis anda recebendo ultimamente. Muita gente está dizendo que ele é o melhor "fechador de jogos" da NBA nessa temporada. Dá pra colocar o jogo contra o Clippers nesse currículo: perdendo por 2 pontos nos minutos finais, o Warriors fez 9 a 0 liderados pelos 32 pontos de Monta Ellis e uma defesa simplesmente impecável do armador em cima do Chris Paul, que só conseguiu marcar 4 pontos no segundo tempo inteiro. O Warriors sempre é liderado por Ellis ou Stephen Curry, eles sabem revezar bem e de vez em quando funcionam juntos, mas as vitórias só aparecem mesmo quando o garrafão dá uma força. Contra o Clippers foi a vez do David Lee fazer a parte dele, com 24 pontos e 13 rebotes, mas a surpresa mesmo é o Ekpe Udoh, que ganhou a vaga de titular, teve 19 pontos e 8 rebotes (6 deles ofensivos) e tornou o garrafão do time muito mais ativo e atlético.

Falando em garrafão, o Blazers acabou de saber que Greg Oden vai precisar de OUTRA cirurgia no seu joelho. O instituto médico do Bola Presa estima que a volta do pivô deve acontecer lá por 2025. Enquanto isso, o garrafão do Lakers engoliu o Blazers com azeite e sal: só o Bynum teve 14 pontos e 19 rebotes e fez o Blazers inteiro se cagar de medo de entrar no garrafão. Kobe marcou 28 pontos, anda com a mira calibradíssima, mas está puto da vida com os boatos de troca do Gasol - ele quer que o time garanta que não vai trocá-lo, para que o espanhol se tranquilize e possa se dedicar integralmente ao time, ou então que o  Lakers troque o Gasol de uma vez e pare com esse lenga-lenga. Em termos técnicos, o que o Kobe quer dizer é "fode ou sai da moita", o que faz sentido, mas é natural que o Lakers só possa ter uma resposta segura depois de estudar bem o mercado. Enquanto isso, Steve Blake acordou e meteu 5 bolas de três pontos em 6 tentativas vindo do banco, tudo que o time precisa para ganhar. Se ele fizesse isso sempre, uma troca do Gasol sequer precisaria ser cogitada.

Mais papo de garrafão (que alias parece nome de programa de entrevista com jogadores de basquete, apresentado por, sei lá, a Magic Paula): Dwight Howard foi anulado no jogo contra o Bucks pelo Larry Sanders. Constantemente isolado contra o Sanders, no mano-a-mano, Dwight tomou tocos, perdeu a bola em 3 jogadas consecutivas e teve problemas terríveis para ser eficaz no ataque. Mas ele é fantástico na defesa e, de um modo indireto, acabou garantindo a vitória: JJ Redick errou a bola da vitória no que deveria ser uma cesta fácil, mas Dwight conseguiu um tapinha no rebote que colocou a bola nas mãos do Jameer Nelson, que achou Ryan Anderson livre para uma bola de 3 pontos. Perdendo por 3 faltando pouco mais de 10 segundos é claro que o Bucks não soube o que fazer e errou algo como uns 4 arremessos seguidos ridículos. Pra se ter ideia, é a terceira derrota do Bucks para o Magic em 10 dias, as três com o Bucks vencendo o jogo no quarto período mas tomando uma virada porque não sabe o que fazer no final.

Larry Sanders acabou o jogo com 13 pontos, 12 rebotes, 2 roubos de bola e 3 tocos, e é a prova de que Dwight é um monstro, um dos melhores da NBA, mas não pode ficar sendo isolado no garrafão. Enquanto isso, Ersan "Lady Gaga" Ilyasova garantiu mais 15 rebotes (9 deles ofensivos) e ele sequer precisa sair do chão pra isso. Bizarro.

Ainda no assunto garrafão, tivemos uma rara demonstração da importância do Perkins para o Thunder. O pivô, que é uma parede de tijolos, tem pouco envolvimento na correria do Thunder, mas continua sendo genial para parar pivôs grandões em esquemas táticos lentos de meia-quadra. Contra o Hornets, Perkins simplesmente humilhou Chris Kaman e sua jornada rumo a uma troca digna. Perkins teve 6 tocos e 13 rebotes, e o coitado do Kaman só acertou 4 dos 17 arremessos que tentou. Quando o foco central de um ataque é anulado desse jeito, basta que Durant e Westbrook façam sua parte - cada um fez 31 pontos e aí o jogo foi pro saco. Quando o ritmo dos jogos diminui nos playoffs e o foco no garrafão é maior, Perkins vai voltar a ser essencial para esse Thunder.

Essencial, aliás, como Rajon Rondo e Garnett são para o Celtics. O Garnett continua fora por razões pessoais, e Rondo ficou de fora contra o Mavs porque cumpriu o primeiro dos dois jogos de suspensão por ter jogado a bola num juiz. Não preciso nem dizer que o Celtics parecia um time amador e que a movimentação ofensiva foi medonha. Me permito não falar do jogo, então, e no lugar abro um pequeno "8 ou 80" para suprir a falta do Denis, que está viajando:

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8 ou 80 relâmpago sem o Denis que está viajando

Com 26 pontos, 16 rebotes e 2 tocos, Dirk Nowitzki se tornou ao mesmo tempo o vigésimo maior pontuador da história e também apenas o terceiro jogador da NBA a ter em sua carreira mais de 1000 tocos e mais de 1000 bolas de três pontos (os outros dois foram nosso amado Rasheed Wallace e também Clifford Robinson).

Além disso, Jason Kidd também subiu para o segundo lugar na história em roubos de bola: agora ele está apenas atrás de John Stockton tanto em assistências quanto em roubos na carreira.

...

Agora, o restinho final da rodada do dia 20. Derrick Rose finalmente voltou às quadras depois de tanto tempo fora com problemas nas costas, pareceu estar em ótima forma física, dominou o Hawks do começo ao fim do jogo, teve 23 pontos, 5 rebotes, 6 assistências, mas parece ter demonstrado sinais de dor no final do jogo. O Suns ganhou mais uma num dos jogos mais fáceis da equipe na temporada, contra o Wizards, tão fácil que até o Michael Redd passou um tempão em quadra sem precisar de cadeira de rodas. E pra fechar, meu Houston manteve a novíssima defesa forte de garrafão com Greg Smith e Patrick Patterson contra o Grizzlies, anulando Marc Gasol especialmente no quarto período, Kyle Lowry continua chutando traseiros com 24 pontos e 9 assistências, mas dessa vez Kevin Martin recebeu a bola desde o começo do jogo, foi super eficiente, seus companheiros confiaram no seu arremesso, e deu pra ter esperança num Rockets que não troque o rapaz. Por favor, mantenham Kevin Martin no meu time! Eu imploro!

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Fotos da rodada:

 À esquerda, gente feliz; à direita, o Perkins

 Deron Williams mostra que o Lin tomou no fiofó

 Monta Ellis corre com cocô nas calças

 No fundo da foto, a imagem da derrota

 Ilyasova e sua defesa extravagante

 Mo Williams vítima de bala perdida

Acidente de carro

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Resumo da Rodada: Dois jogos fantásticos (sem spoilers), e o primeiro do draft enfrenta o último

O Carnaval continua e todo mundo que não está foragido nas colinas continua fingindo que está se divertindo de montão, mesmo que ninguém saiba explicar o porquê. Enquanto isso a NBA também continua à toda, ainda que eu só perceba volta e meia, quando a internet me deixa. Ainda assim mantemos a promessa de cobrir todos os jogos dessas rodadas pra quem retornar da festança louco pra saber o que andou acontecendo no mundo real. No capítulo de hoje, vamos dar uma olhada - ainda que atrasada - nos jogos do dia 19.

A parte legal de ter League Pass é que você não é mais obrigado a obedecer as leis do espaço-tempo, pode ver os jogos onde estiver e quando quiser, mesmo com alguns dias de atraso. Por isso, se você é dono dessa maravilha e acabou de retornar à civilização depois do feriado, faça um favor a você mesmo e assista a dois jogos da rodada de ontem: Thunder contra Nuggets e depois Knicks contra Mavs. Se você é daqueles que não gosta de spoilers e prefere ver os jogos sem saber o que aconteceu, quem venceu, ou porque foram jogos tão especiais, então pode pular os próximos parágrafos. Pra quem não se importa, lá vai o resumo das duas partidas que, mesmo assim, merecem ser assistidas na íntegra.

[spoilers abaixo]

Primeiro, Thunder e Nuggets. Foi um jogo em alto nível, disputado, com as duas equipes abrindo vantagens que desapareciam logo em seguida. O Nuggets manteve seu jogo coletivo que já é marca registrada, botando todo mundo pra jogar e distribuindo a bola. A equipe de Denver dominou completamente o garrafão, mesmo sem Nenê: Chris Andersen jogou muito bem e até o Kosta Koufos, que só jogou 13 minutos, saiu de quadra com 13 pontos e 9 rebotes. No perímetro, Affalo assumiu a responsabilidade no ataque que seria do contundido Gallinari e acabou o jogo com 25 pontos.
Mas a parte surreal das estatísticas cabe ao Thunder: Kevin Durant saiu de quadra com 51 pontos, recorde da carreira (acertou 19 de 28 arremessos, 5 das 6 bolas de três pontos que tentou, além de 8 rebotes e 4 roubos de bola), Westbrook marcou 40 pontos (além de 9 assistências) e Ibaka conseguiu um triple-double que já se anunciava, com 14 pontos, 15 rebotes (oito deles no ataque) e 11 tocos. Para o Ibaka sequer é estranho dar mais de 10 tocos num jogo, ele está fazendo isso com uma constância bizarra, o estranho mesmo é ele conseguir mais de 10 pontos - quando isso ficar comum, os triple-doubles vão acontecer a rodo.

Essa combinação bizarra de um jogador com 50 pontos, outro com 40 e um um terceiro com um triple-double nunca aconteceu na história da NBA, ver o jogo é como presenciar o nascimento de um cabrito de 4 cabeças. E o mais legal é que o Thunder precisou dessa combinação bizarra de estatísticas para conseguir uma vitória no sufoco, então foi um jogão. Al Harrington meteu duas bolas seguidas de 3 pontos e aumentou a vantagem do Nuggets para 9 pontos no quarto período. O Thunder foi aos poucos cortando a vantagem e, quando perdia por 5 pontos, Durant acertou uma bola de 3 pontos a 30 segundos do final. Posse de bola do Nuggets, defesa completamente impecável do Thunder em todos os sentidos, e eis que o Durant tem então a chance de empatar o jogo com 7 segundos no relógio. Resultado? Foi brincadeira de criança: corta-luz do Ibaka, Durant partiu para a cesta e deu a enterrada mais fácil da carreira. O garrafão do Nuggets até segura as pontas no ataque, mas na defesa sente falta do tamanho de lua pequena do Nenê. Na prorrogação, depois desse balde de água fria, o Nuggets não conseguiu correr atrás de Durant e Westbrook, que marcaram literalmente todos os pontos do Thunder no período extra.

Ainda estou devendo meu post gigante sobre Westbrook e Derrick Rose, que um dia terminarei quando finalmente puder sentar a bunda tranquilo na frente de uma internet que funcione (mudar de casa é um inferno), mas o mais importante é isso: quando Westbrook está num desses dias fantásticos, o resto do Thunder é um time infinitamente melhor e o Durant tem espaço para marcar quantos pontos ele bem entender.

O outro jogo obrigatório no League Pass é Knicks e Mavs, basicamente porque Jeremy Lin voltou a alcançar o Sétimo Sentido e JR Smith finalmente entrou em quadra pelo D'Antoni, o técnico dos seus sonhos. O Knicks chegou a marcar 17 pontos seguidos no primeiro quarto com Lin chutando traseiros e JR Smith metendo 3 bolas de três pontos assim que pisou em quadra, todas bolas idiotas e fantásticas que renderiam surras de chibata de técnicos mais conservadores. JR Smith é o melhor no que faz: dar arremessos de longe pra burro com oito marcadores na sua cara, e dar enterradas violentas contra defesas em que não se deve infiltrar no garrafão. Ele não obedece a desenhos táticos, levou o técnico do Nuggets George Karl à loucura, arremessa quando bem entende, mas ele pode vencer o jogo para um técnico que sabe quando colocá-lo em quadra e quando tirá-lo. Nasceu para vir do banco de reservas e ser comandado por um técnico legal que se limite a controlar seus minutos. É bem simples entender o motivo de ter escolhido o Knicks ao invés de Mavs ou Lakers: JR Smith disse que jogar para o D'Antoni era um sonho antigo, e como se não bastasse ele ainda tem familiares em New York e é amigo do Carmelo. Dá pra perceber logo de cara que esse casamento deu certo: JR Smith jogou minutos limitados, tentou 16 arremessos (só acertou 6), D'Antoni disse que enquanto ele esteve em quadra o Knicks não chamou jogadas, apenas jogou no improviso passando pra ele e vendo a bola ser arremessada sem critério, e que o técnico simplesmente adorou essa possibilidade. Que outro técnico da NBA admitiria que um jogador destrói o sistema tático e ficaria feliz da vida com isso? Coisas de Mike D'Antoni.

Jeremy Lin cuidou do resto quando JR Smith sentou: nossa amante oriental favorita acabou o jogo com 28 pontos (11 de 20 arremessos certos, 3 bolas de três pontos certas em 6 tentadas), 14 assistências, 5 toubos de bola. A parte negativa é que foram 7 turnovers, ele continua perdendo demais a bola especialmente quando força demais as infiltrações usando o pick-and-roll, mas contra o Mavs ele gerou poucos contra-ataques e forçar o pick-and-roll significa que o ataque do Knicks já é duzentas vezes melhor do que era semanas atrás.

Mas o jogo não teve só Knicks: Dirk Nowitzki fez chover com 34 pontos e a defesa do Mavs, se ainda não é consistente como era na temporada passada em que garantiu um anel de campeão, ao menos consegue funcionar em toda sua capacidade durante trechos das partidas. Contra alguns adversários é o bastante, contra o Knicks quase foi. No terceiro quarto o Knicks não conseguiu jogar, a defesa do Mavs sufocou, Shawn Marion fez um bom trabalho em cima do Lin, e parecia que os atuais campeões iriam vencer fácil. Só não conseguiram manter a intensidade defensiva no final do jogo, quando Steve Novak meteu 4 bolas de três pontos e Jeremy Lin meteu outras duas, uma delas na cara do Shawn Marion. O Novak é um dos melhores arremessadores de três da NBA, acompanhei ele muito tempo no meu Houston, mas ele faz apenas isso - é um especialista assim como Jason Kapono e, por isso, ganha poucos minutos de quadra. Mas com o D'Antoni (e um bom armador) qualquer grande arremessador vira um gênio, e o Novak vai se aproveitar disso e deixar todo mundo impressionado. Com um armador de verdade finalmente veremos o que o D'Antoni faz com suas equipes, o elenco inteiro vai crescer muito e carinhas zé-ninguém vão ganhar jogos. O ponto sempre será a defesa e o jogo de garrafão, mas a defesa parece estar funcionando nessa temporada. Parece finalmente um bom momento de ser torcedor do Knicks.

[fim dos spoilers]

Pronto, os dois grandes jogos da rodada já foram, agora você pode jogar tudo para o alto e ir assistí-los no seu League Pass o mais rápido possível. Foi?

Se você ainda não foi é porque não tem League Pass ou então é muito fã do Bola Presa, mora numa cracolândia virtual do basquete, e deveria me dar uns trocados. De todo modo, vamos para o resto da rodada, que também foi bem legal.

Por exemplo, tivemos no dia 19 o fantástico duelo entre a primeira escolha do draft (o armador Kyrie Irving) e a última escolha do draft, a 60 (o armador Isaiah Thomas). Foi apenas o segundo jogo do Isaiah como titular, a equipe técnica já está apaixonada por ele, e agora Tyreke Evans pode finalmente jogar na sua posição natural, que é de SG. Quer saber o porquê de tanta babação no nanico? Esse é um jogo bom para entender: Isaiah teve 23 pontos , 8 rebotes, 11 assistências e controlou muito bem o ritmo do jogo, enquanto Irving teve 23 pontos, 3 rebotes e apenas uma assistência.

Ou seja, o Isaiah ganhou o duelo pessoal, o Cavs está desfalcado do Varejão, DeMarcus Cousins continua jogando muito bem desde que o Paul Westphal foi demitido, e até fez a cesta que colocou o Kings um ponto na frente com menos de 3 segundos para o fim do jogo. Mas, senhoras e senhores, esse é o Kings: Irving teve a última posse de bola, estava batendo todo descontrolado para a cesta, e aí o Tyreke Evans tentou roubar a bola e cometeu uma falta com 0.4 segundos sobrando no relógio. Irving cobrou e converteu os dois lances-livres e o Cavs venceu o jogo. Funhé. O problema dessa Kings sempre foi cabeça, o Cousins é um dos jogadores mais descontrolados da NBA e o Tyreke Evans não fica muito atrás. Eles simplesmente não sabem vencer. Do lado do Cavs, as vitórias improváveis continuam vindo, e com a lesão do Varejão pelo menos está surgindo o Tristan Thompson, jogando cada vez melhor. Dessa vez foram 15 pontos, 12 rebotes e 3 tocos.

Outro time que adora perder no finalzinho é o Sixers. Contra o Wolves foi a terceira derrota seguida (seria culpa do nosso post, na já clássica "Maldição Bola Presa"?), e o mais bizarro, foi a quinta derrota nos 5 jogos decididos por 4 pontos ou menos. Basta o jogo estar realmente disputado e o Sixers não faz a menor ideia do que fazer. O Wolves, por exemplo, estava perdendo por 1 ponto na última posse de bola, Kevin Love bateu para dentro para uma bandeja e o Iguodala fez uma falta muito boba - faltando 0.1 segundos para o fim! O Love começou absurdamente mal, acertou apenas 2 dos primeiros 15 arremessos, mas engrenou no quarto período, fez 12 pontos seguidos e é claro que converteu os dois lances-livres para virar o jogo. Acabou com 20 pontos e 15 rebotes, enquanto o Pekovic teve 17 pontos e 9 rebotes. Mesmo nos dias ruins, um garrafão desses pode vencer o jogo. E é claro que nossa esposa atual, Ricky Rubio, fez a parte dele: na "Jogada Rubio do Dia", vale dar uma olhada em quão simples ele faz esse passe biruta parecer.



Agora para o resto da rodada. O garrafão do meu Houston, que foi engolido pela dupla Love-Pekovic no último jogo, resolveu chamar de volta da D-League o pirralho Greg Smith para dar uma força na defesa embaixo do aro, e dar mais minutos para o Patrick Petterson mostrar sua capacidade como defensor. Deu certo: o Houston tomou 30 pontos no garrafão contra Al Jefferson e Paul Millsap no primeiro tempo, mas apenas 10 pontos no segundo quando a defesa dos dois engrenou. Para selar a vitória, Kyle Lowry meteu 7 bolas de três pontos: foram 32 pontos e 9 assistências. Kevin Martin também jogou bem, mas continua sendo ignorado pela movimentação ofensiva do time e quase não recebe a bola, vai acabar sendo trocado mais cedo ou mais tarde.

Roy Hibbert, o jogador-criticado-da-vez-por-ser-All-Star, chutou o traseiro do Bobcats com 18 pontos e 14 rebotes, e foi uma força defensiva junto com Danny Grenger para fazer o Bobcats passar vergonha. Para se ter ideia, o técnico do Pacers, Frank Vogel, pediu um tempo técnico com só 2 minutos de jogo porque estava descontente com a defesa e o resultado foi que o Pacers começou o jogo vencendo por 21 a 2. O Bobcats chegou a estar perdendo por 44 pontos (quarenta e quatro!) e os titulares da equipe marcaram apenas 25 pontos. Eles meio que fedem.

Outro pivô do Leste ganhou atenção ontem por finalmente voltar às quadras, aliás consideravelmente antes do que se esperava. Trata-se de Brook Lopez, também conhecido como "a chance ambulante do Nets trocar pelo Dwight Howard". Já falei isso num longo post sobre o Magic, acho que o Lopez se daria melhor no Magic do que o Dwight mesmo não tendo sua capacidade atlética ou defensiva, mas dá medo de que ele tenha sido apressado de volta às quadras apenas para que o Magic considere trocar por ele. Ao menos nesse primeiro jogo, em que esteve em quadra por 20 minutos, pareceu não estar sentindo nenhuma lesão: errou muitos lances-livres (sinal de falta de ritmo) e pegou apenas 2 rebotes (sinal de que ele é o mesmo jogador de sempre).

Mas toda a incapacidade de pegar rebotes do Lopez é compensada na balança do Universo pelo Ersan "Lady Gaga" Ilyasova. O ala do Bucks é o jogador mais estranho da NBA, tudo a seu respeito é pouco ortodoxo: a cara de branquelo psicótico, as meias altas, o arremesso torto, os pulos desequilibrados, a intensidade com que joga, mas ele é um defensor espetacular, sabe se posicionar para o rebote, e consegue arrumar pontos na marra de todos os lados da quadra. Contra o Nets foram 29 pontos e 25 rebotes. Vinte. E. Cinco. Treze desses rebotes foram de ataque e garantiram por si só a vitória do Bucks, mesmo que a intensidade necessária para conseguí-los tenha tirado o Ilyasova do jogo com 6 faltas. O Nets precisa ensinar o Brook Lopez a levantar os braços e pegar alguns rebotes, mas o Shelden Williams vai quebrando um belo galho: a menor cabeça do Universo pegou 15 rebotes dessa vez.

Tão ridículos quanto os dois rebotes do Brook Lopez, só a derrota do Celtics para o Pistons - a segunda do Celtics para o Pistons em 5 dias! São agora 3 vitórias seguidas para o Pistons e 3 derrotas seguidas para o Celtics, o bastante para o Universo sair do equilíbrio e morrer de vergonha. O Pistons está mais agressivo, Greg Monroe está fazendo estrago no garrafão (dessa vez foram 17 pontos e 10 rebotes) e aquela filosofia "não temos ninguém muito bom, mas juntos podemos chegar lá" está voltando à cabeça dos jogadores, mas nada disso é motivo para o Celtics tomar pau duas vezes. Dá pra ver que o desespero está batendo em Boston conforme a temporada passa e está faltando cabeça pra lidar com esse trem descarrilhando: sem Garnett, fora por motivos pessoais, o Rondo saiu esbravejando com os juízes até ser expulso no terceiro quarto e jogar na privada as chances do Celtics. Quanto pior vão as coisas por lá, mais desespero bate no time e pior eles jogam. É bola de neve.

Já o Suns não tem desespero nenhum, já que não tem chance nenhuma de coisa nenhuma. Volta e meia eles encaixam uns jogos fantásticos em que dá pra ver o que esse time foi na última década. Dessa vez foi contra o Lakers: Gortat continua um bom cosplayer de Amar'e Stoudemire com 21 pontos e 15 rebotes, Jared Dudley foi bom cosplayer de Joe Johnson com 25 pontos, e a marcação dupla em cima do Kobe (quase sempre feita pelo Grant Hill) foi impecável. Nós já comentamos aqui, o Kobe odeia o Suns e sempre vence os jogos contra eles sozinho, dessa vez foram 32 pontos, 7 rebotes e 5 assistências, mas a marcação dupla tirou ele da zona de conforto, obrigou a bola a rodar e fez com que Kobe cometesse 10 turnovers (foi um double-double maligno). Gasol e Bynum jogaram bem (Bynum com 16 pontos, 10 rebotes, 4 tocos, e Gasol com 17 pontos, 12 rebotes e 6 assistências), mas na correria do Suns não receberam nem metade das bolas que poderiam, o banco do Lakers apagou outra vez e os dois armadores principais (Fisher e Blake) somaram juntos 2 pontos e 4 assistências. Contra um Suns funcionando direitinho, não dá pro cheiro.

Pra terminar o resumo, tivemos o Heat jogando empolgado como sempre e, pra variar, acabando com o jogo logo no primeiro quarto. O Magic até tentou resistir, mas se você começa sendo atropelado desse jeito não tem mais volta e o jogo acaba mais cedo. Não ajudou o fato do Dwight Howard errar 8 dos 10 lances-livres que tentou. Depois tem gente perguntando por que é que ele não recebe mais bolas nos minutos finais de um jogo. Funhé.

...
Fotos da rodada
Especial Jeremy Lin:


 O Elvis asiático

 Lin escapa da famosa "Defesa Losango"

 Kidd faz com Lin aquilo que todo mundo faz com o irmão mais novo

 Shawn Marion tem nojo de contato

 Lin chora como a Chiquinha

 Lin dobra o joelho na área

 Lin corre fazendo cara de desenho animado

Trocadilho e pornografia: "Jeremy, quero você dentro de mim".

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Resumo da Rodada duplo:
Lin perde o Sétimo Sentido, Chris Paul faz cagada

Ah, o Carnaval! Aquela gloriosa época do ano em que todo mundo fica preso no trânsito por dias, reclama da chuva, escuta música em volumes que dedam surdez crônica, bebe cerveja até pelas orelhas e acha super normal as mulheres estarem peladas mas usarem penas coloridas na cabeça. Umas quatro pessoas sensatas até resistem e dedicam seus preciosos dias de feriado à nobre tarefa de assistir a todos os jogos das rodadas da NBA, mas todos os outros do planeta voltarão de viagem cheios de areia entre os dedos e desesperados para saber como andou o mundo do basquete nos últimos dias. Não temam então, ó mortais: o Bola Presa vai manter os resumos da rodada para que todos possam retornar às suas vidas e se interar do que andou acontendo nas quadras da NBA. Mas como não somos de ferro, também fomos viajar: o Denis e eu, cada um para um canto, demos um jeito de fugir para as colinas - literalmente. Então pode ser que não consigamos manter os resumos diários, mas mesmo que tenhamos um ou outro dia de intervalo, cobriremos todos os dias de NBA. Combinado? Para provar que não estamos mentindo, o resumo de hoje abrange dois dias para correr atrás do prejuízo!

Vamos começar com os jogos do dia 17, sexta-feira:

Em Cleveland, o Cavs recebeu seu inimigo público número 1, LeBron James. Como todos sabemos, o LeBron abandonou o Cavs, cuspiu no prato que comeu, empurrou velhinhas escada abaixo, trocou todos os potes de manteiga da região por margarina, e além de tudo isso ainda é o culpado pela fome na África. Com tudo isso, é fácil entender o motivo das visitas do Heat a Cleveland serem tão espetaculares: LeBron é vaiado o tempo todo, do aquecimento ao fim do jogo, com as vaias piorando toda vez em que toca na bola. LeBron disse antes da temporada começar que essas vaias constantes tinham feito com que ele acabasse adotando uma postura de vilão de luta-livre, atiçando a torcida, forçando o jogo e saindo do seu natural, da sua zona de conforto. Seu desejo era deixar isso para trás e não cair mais na provocação, não aceitando essa personalidade que tentam lhe enfiar goela abaixo. Dá pra ver que LeBron, e o Heat como um todo, estão realmente mais tranquilos e simplesmente jogando o jogo deles o tempo todo. Mas em Cleveland não é tão fácil manter essa tranquilidade e, embaixo das vaias, o elenco todo jogou com sangue nos olhos. LeBron começou a partida como se quisesse beber o sangue de seus antigos companheiros e o Heat fez 25 a 5 no placar logo de cara. Massacre absoluto e depois disso nunca mais olharam pra trás. Mas que o LeBron esteja avisado de que só foi fácil assim porque o Varejão não jogou, hein? O brazuca não vai precisar de cirurgia, mas mesmo assim só volta no finalzinho de março, na melhor das hipóteses. Depois disso, LeBron James tremerá!

A rodada do dia 17 também foi o fim do Sétimo Sentido do cavaleiro de bronze Jeremy Lin. O Lin até jogou bem, com 26 pontos, 5 assistências e 4 roubos, mas cometeu 8 desperdícios de bola só no primeiro tempo contra o Hornets. Gerando tantos contra-ataques, não deu para o Knicks segurar a onda. No segundo tempo Lin só cometeu um turnover, mas aí o estrago já estava feito. Nossa amante oriental favorita admitiu que é justo que lhe culpem pela derrota assim como lhe culparam pelas outras 7 vitórias seguidas desde que começou a jogar pela equipe, e que precisará tomar mais cuidado com a bola. A verdade é que Lin continua agressivo, inteligente e se entendendo bem com Amar'e Stoudemire (que fez 26 pontos com 12 rebotes), mas cada vez mais parece empolgado com a própria lenda. Antes ele precisava se firmar no time e era mais cuidadoso, agora está confiante e nem sempre isso dá resultados tão bons. Mas o Lin é inteligente, vai saber encontrar um meio termo e continua sendo um excelente Cavaleiro do Zodíaco. O futuro do Knicks agora é subitamente mais brilhante: JR Smith chega à equipe quando acabar a liga chinesa e tanto Carmelo quanto Baron Davis podem jogar já na segunda-feira. Vai caber ao Lin envolver toda essa galera, mas por outro lado essa gente vai tirar um pouco da pressão das costas do armador e permitir que ele realmente possa se concentrar em tomar mais conta da bola.

Pelo Hornets continua a surpresa de Gustavo "Olé" Ayon, que vem chutando traseiros e fez mais um double-double, com 13 pontos e 11 rebotes. Nesse time sem Okafor e Carl Landry, lesionados, Ayon tem sido uma ajuda importante. Além dele, o garrafão teve ajuda de Chris Kaman, que está jogando como se sua vida dependesse disso para que possa ser trocado logo e ir jogar num time minimamente decente. Kaman é um dos melhores pivôs da NBA mesmo que a gente não se lembre disso porque ele se machuca cortando as unhas, mas agora que voltou de contusão está jogando pra valer. Contra o Knicks, mesmo sofrendo com a correria da equipe de D'Antoni, foram 12 pontos, 8 rebotes e 6 assistências. Uma hora ele será trocado de uma vez e libertado desse Hornets amaldiçoado. Pra se ter noção, além das contusões de Landry e Okafor, Eric Gordon não tem previsão de volta e sequer existem dados sobre a gravidade da sua lesão. Dizem as más línguas que ele pode até estar com a carreira em risco.

Por falar em lesões, o Nuggets sem Nenê (que deve saber esses dias qual é a gravidade da sua lesão no calcanhar) e sem Gallinari (fora por no mínimo um mês) quase conseguiu uma virada histórica: perdiam por 23 pontos para o Grizzlies mas reagiram e passaram à frente nos segundos finais. Culpa basicamente de Corey Brewer, que parece estar se aproximando do potencial que todo mundo sabia que ele tinha, e que meteu 26 pontos com 5 bolas de três. Mas aí na posse de bola final Rudy Gay foi tentar o seu milésimo arremesso da vitória (ele é um dos melhores finalizadores da NBA), errou e Dante Cunningham estava lá para dar o tapinha no rebote ofensivo para virar o jogo e vencer por um pontinho. Vale ver o lance no vídeo abaixo:



Como diria Ivan Zimmerman em seus gloriosos dias de transmissão de NBA na ESPN, "dói, um tapinha não dói". É duro para o Nuggets, numa fase tão complicada, perder um jogo porque não conseguiu impedir um rebote ofensivo desses. O pirralho Kenneth Faried está quebrando um bom galho no garrafão, acabou o jogo com 18 pontos e 10 rebotes, mas falta força física para lidar com o garrafão do Grizzlies. Mesmo sem Randolph (que deve voltar no começo de março), Marc Gasol teve 16 pontos, 14 rebotes, 8 assistências e 3 tocos. Engoliu o Nuggets vivo, é All-Star e um dos melhores no que faz. Vamos voltar no tempo e tentar não rir na minha cara quando eu disse que ele seria foda?

Ainda no tema de garrafões que engolem times vivos, que tal o Kevin Love e Nikola Pekovic somando 63 pontos e 29 rebotes na vitória do Wolves em cima do meu Houston? Tá bom que o Scola é a maior mãe na defesa, ele serve biscoitinhos e pede para seus adversários vestirem casacos quentinhos, mas Love e Pekovic merecem crédito pelo que estão fazendo. O Wolves sente bastante falta do Darko Milicic na defesa, por mais estranho que essa frase pareça, mas no ataque o Pekovic é genial e abre muito espaço para o Love. Quando o jogo estava apertado, Rick Adelman começou a colocar a bola nas mãos dos dois, às vezes perto da cesta, às vezes longe, e a defesa do Rockets quebrou em mil pedacinhos. Foram 33 pontos (e 17 rebotes) para o Love e 30 pontos (e 12 rebotes) para o Pekovic. Tudo, claro, orquestrado pelo nosso marido Ricky Rubio. Pra ele não ficar com ciúmes da nossa babação no Lin, vamos todos juntos dar as mãos e pagar pau para esse passe do espanhol:



No resto da rodada, o Al Jefferson engoliu o Wizards sozinho com 26 pontos no primeiro tempo e 34 pontos totais na partida. Esse garrafão do Jazz dá trabalho pra qualquer um e é prova de que não importa o seu time, suas deficiências ou suas limitações, ter um garrafão de ponta simplesmente estraçalha outros times menores. Já na partida entre Lakers e Suns, o garrafão de Gasol e Bynum até fez sua parte, mas quem acabou com o jogo foram os 36 pontos do Kobe, que continua sendo o maior inimigo do Suns, e os 17 pontos do Matt Barnes vindo do banco. Isso é oitenta vezes mais do que o banco inteiro do Lakers costumava fazer em 10 partidas! Se o banco engrenar, a equipe de Los Angeles vira outro time.

No duelo "B" entre Raptors e Bobcats, o Leandrinho conseguiu perder a bola duas vezes em bandejas que deveriam ter sido fáceis no final do jogo e, apesar dos 16 pontos, deu a vitória para a equipe de Charlotte - que vinha de 16 derrotas seguidas. O Raptors está sem a Dedé Bargnani, mas nada justifica perder para o Bobcats, mesmo que Reggie Williams esteja voltando aos seus bons tempos de Warriors (foram 22 pontos com 4 bolas de três) e que Bismack Biyombo esteja virando um monstro na defesa (foram 13 rebotes e 7 tocos). O Raptors deveria ficar de castigo e passar uma semana jogando NBB até aprender a fazer melhor.

O Kings também merecia alguma punição por perder para o Pistons. Foram 23 pontos e 10 assistências do novato Brandon Knight e 36 pontos do Rodney Stuckey, ou seja, o Kings oficialmente não defende nem ponto de vista. DeMarcus Cousins continua um monstro que come ônibus escolares no café da manhã, foram 26 pontos e 15 reboets, mas o Kings precisa respirar fundo e pensar em mudanças táticas rápido. Tomar duas bolas de três seguidas nos segundos finais (uma de Knight, outra de Stuckey) para perder o jogo é falta de qualquer esquema defensivo.

Pra fechar a rodada, o Thunder venceu o Warriors no jogo da porra-louquice mesmo sem o Westbrook, com Durant (23 pontos, 10 rebotes) e James Harden (25 pontos) dando conta sozinhos de todo o ataque da equipe. O Magic venceu o Bucks marcando 17 pontos seguidos sem tomar nenhum para terminar o jogo, com 26 pontos e 20 rebotes do Dwight Howard, mas só venceram mesmo porque o ataque do Bucks - que passou a ser genial nos últimos tempos - não sobrevive a um dia em que o Jennings só acerta 4 de 20 arremessos tentados. E pra terminar, o Mavs venceu o Sixers após estar perdendo por 14 no intervalo mas só tomar 8 pontos no 3o quarto e 16 pontos no último período. Dirk está voltando à forma, foram 28 pontos e 12 rebotes, mas o que está fazendo a diferença é a defesa do Mavs que volta a funcionar aos poucos depois de ter sido aniquilada pela saída de Tyson Chandler.



Agora a micro-rodada do dia 18. Vamos começar com o Spurs, que vem de uma fase fantástica analisada no post do Denis, fase tão boa, mas tão boa, que até vence quando não deveria. Com a vitória em cima do Clippers são agora 10 vitórias seguidas, mas essa vitória simplesmente não fez nenhum sentido! O Clippers vencia por 3 pontos faltando 9 segundos para o fim do jogo, e ainda por cima tinha a posse de bola, repondo um lateral. Bastava que Chris Paul recebesse a bola para sofrer uma falta e cobrar os lances-livres, ou então que ele recebesse a bola na quadra de defesa para sair driblando um pouco e queimar segundos do cronômetro. Mas na prática deu tudo errado: Chris Paul passou correndo para receber o passe do Ryan Gomes na quadra de defesa para queimar uns segundos, mas Ryan Gomes passou a bola cedo demais, quando Paul ainda estava na quadra de ataque. No embalo da corrida, Chris Paul percebeu que iria acabar indo parar na quadra de defesa e seria uma violação, então ele soltou a bola como um idiota nas mãos de Gary Neal, do Spurs, que meteu uma bola fácil - e livre - de três pontos. Funhé. Nas palavras do Chris Paul, a pior jogada de sua vida, prorrogação para a partida e derrota vinda na prorrogação para - adivinhem! - outra bola de 3 pontos do Gary Neal.



Chris Paul é um dos jogadores mais decisivos da NBA, Randy Foye está - como previu o Denis - tapando muito bem o buraco do Billups (ontem foram 21 pontos para ele), Blake Griffin teve o primeiro vinte-vinte da sua carreira (foram 22 pontos e 20 rebotes), Tiago Splitter jogou 2 minutos e logo machucou o calcanhar, Ginóbili também saiu contundido apenas 4 jogos depois de voltar da fratura na sua mão, Duncan foi dominado na defesa por Kenyon Martin, mas nada disso foi o bastante para dar a vitória para o Clippers. A fase do Spurs é absurdamente boa, a cagada na cobrança de lateral deu uma chance para o Gary Neal (que agora é a mistura do Bruce Bowen com o Robert Horry), e não tem ninguém na NBA jogando melhor do que o Tony Parker nesse momento. Foram 30 pontos e 10 assistências para ele, que voltou a jogar como se nenhuma defesa existisse. Gênio.

Se o Clippers não vai engolir essa derrota tão cedo, o que dizer então do Bulls, que perdeu ontem para o - irgh! - Nets? Foi a primeira vitória da equipe de New Jersey nesse mês. Deron Williams marcou 29 pontos, Kris Humphries continua chutando traseiros mesmo sem ser notado com 23 pontos, 18 rebotes e 5 assistências, e até o Shelden Williams (dono da menor cabeça da NBA desde Nesterovic) pegou 14 rebotes. Eu até gosto do Shelden, acho ele bom reboteiro e defensor, mas se um zé ninguém desses pega 14 rebotes contra o Bulls é porque o troço tá feio. É claro que o Bulls ainda sente falta de Derrick Rose, lesionado, mas no começo é mais fácil suprir a falta de uma estrela. Armadores genéricos taparam bem o buraco, Luol Deng cumpre oito papéis ao mesmo tempo, mas quanto mais tempo passa mais os jogadores vão sentindo a pressão e sentindo falta do Rose. Aliás, curiosidade aleatória do dia: na lista de armadores genéricos o Bulls já usou John Lucas III e agora acabou de chamar Mike James, ou seja, estão colecionando ex-armadores do Houston Rockets. Será que o próximo será meu "queridinho" Rafer Alston?

No jogo entre Grizzlies e Warriors, tivemos repeteco do jogo anterior do Grizzlies, pode ir lá ler o resumo no começo do post. Rudy Gay errou de novo o arremesso da vitória mas tinha um jogador do Grizzlies lá para um tapinha no rebote para virar o jogo - dessa vez foi o Tony Allen! (Allen é raça!) Dá pra ver o lance nas melhores jogadas da rodada de ontem. O garrafão do Grizzlies de novo vai ganhando jogos e OJ Mayo está voltando a liderar o banco de reservas, o que faz muita diferença para eles. Foi o bastante para vencer o Warriors apesar de ser um jogo em que tanto Ellis quanto Curry ganharam no palitinho: foram 36 pontos e 6 assistências para Stephen Curry e 33 pontos e 6 assistências para Monta Ellis, somando 10 bolas de três pontos com os dois. Sem garrafão não dá.

No último jogo da rodada, o Blazers saiu da pindaíba vencendo fácil o Hawks. Batum marcou 22 pontos, comandando de vez o ataque do Blazers, e LaMarcus Aldridge, que deveria ficar um tempo fora lesionado, voltou pra quadra e mandou 19 pontos e 10 rebotes. Será que ele é tão bom que ficou imune à maldição de jogadores de garrafão lesionados do Blazers? Com ele de volta, Camby saudável e Batum de titular, o Blazers é não apenas um time super versátil, mas também um time enooorme, alto pra valer. Josh Smith jogou bem pelo Hawks, foi um quase-triple-double com 14 pontos, 10 rebotes e 9 assistências, mas ele tentou duas bolas de 3 pontos ridículas (duas focas foram mortas em represália) e não conseguiu lidar com o tamanho do Blazers.

Ufa, foi isso. Voltamos nos próximos dias com o resumo das próximas rodadas! Usem camisinha!

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Fotos da(s) rodada(s):

 É só comparar, Shelden Williams tem a menor cabeça do planeta

 Nem interessa se jogam bem, Yao e Lin são importantes 
para trazer à NBA a torcida mais biruta do universo

 É fácil confundir a cabeça do Taj Gibson com a bola, mas a cabeça 
minúscula do Shelden Williams no fundo é inconfundível 

 Deron Williams: fotogênico

 Todo homem só quer colo de mãe

 Agradeço a deus a graça alcançada

Lionel Hollins, técnico do Grizzlies, quebra um dedo sozinho no banco 

Flopar, verbo intransitivo: agir como Manu Ginóbili 

Jogo de vôlei: um dá de manchete, o outro tenta um bloqueio

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Spurs retocado

Splitter não se assusta com as enormes narinas de JJ Hickson

Podemos ficar oficialmente com medo do San Antonio Spurs? Desde sempre eles são aquele time que você pensa mil vezes antes de deixar fora da briga pelo título, e quando você toma coragem e afirma "é um bando de velho" eles aparecem lá para encher o saco. Ano passado o time surpreendeu acabando a temporada regular em 1º lugar no Oeste, mas caíram logo de cara nos playoffs. O que esperar da versão 2012 do Spurs que atualmente está em 2º na conferência, vêm de 9 vitórias seguidas e perdeu apenas 1 jogo em casa?

No ano passado os números de ataque eram absurdos, o segundo mais eficiente de toda a NBA. Mas ver o time correndo tanto e mandando bolas de 3 na cabeça de todo mundo era não só esquisito demais como também falhou na hora H, nos playoffs. Nessa temporada algumas coisas parecem diferentes, estão com um jogo mais consistente e vencendo com coisas mais confiáveis e resistentes que bolas de 3 de Matt Bonner. Ao invés disso eles tem Tim Duncan em boa forma, Tony Parker imparável nas infiltrações e, isso é bem importante, Tiago Splitter envolvido no ataque.

Quem nos lê há algum tempo sabe que não somos nem um pouco patriotas. Tipo, nem um pouco mesmo. Não gosto mais ou menos do Leandrinho do que gosto do Anthony Morrow, por exemplo. Por isso nada de patriotada em reconhecer a importância de Tiago Splitter nesse time do Spurs. Há anos que eles estão a procura de um parceiro de garrafão para Tim Duncan, e não só não encontram como veem Duncan envelhecendo e piorando cada vez mais. O Duncan de hoje em dia não tem metade dos recursos ofensivos que tinha até 2005, por exemplo. Até um tempo atrás a vontade era ter um jogador de garrafão que pudesse liberar Duncan para jogar na posição 4, de ala de força, mas hoje isso nem importa tanto. Duncan até rende melhor de pivô mesmo e apenas precisa de outro jogador que pegue rebotes e que o deixe descansar. Com menos minutos em quadra ele tem parecido menos cansado, mais veloz e, portanto, mais decisivo. Splitter tem tido valor duplo: Joga ao lado de Duncan ou na posição dele.

A presença de Splitter também é importante porque, nas palavras de Gregg Popovich, ele tem "uma inteligência para o basquete fora do comum". Ao saber se posicionar no pick-and-roll ele tem feito a vida de Tony Parker bem mais fácil nas infiltrações. Não que o francês não infiltre mesmo no meio de um corredor polonês, mas qualquer ajuda é bem vinda. E se aos poucos Splitter vai pegando pontinhos no ataque, na defesa ele também tem ajudado. Ele é um dos vários responsáveis pelo Spurs tomar 3 pontos a menos, em média, dentro do garrafão em comparação a temporada passada. Parece pouco, mas na média faz bastante diferença e a evolução de Splitter faz diferença nessa conta.

Contando os pontos marcados e feitos a cada 100 posses de bola, resultados parecidos em relação ao ano passado. O ataque marca 4 pontos a menos, a defesa sofre 4 pontos a menos. Como esses números se repetem em muitos times e até nas estatísticas gerais da liga, acho que podemos colocar isso na equação locaute + calendário + falta de training camp. Mas mais importante que os números totais é como o Spurs consegue ou evita esses pontos. Como citei acima, a defesa pode ter eficiência parecida no geral, mas melhorou no garrafão, justamente onde perdeu a série para o Memphis Grizzlies nos playoffs do ano passado.

No ataque alguns números ainda são bem parecidos. O time ainda marca 23% de seus pontos em bolas de 3 pontos, marca altíssima, a 5ª da liga, atrás apenas de atiradores pirados como Magic, Warriors, Nets e Clippers. Os pontos no garrafão ainda são os mesmos 42 por jogo, maior parte deles cortesia de Tony Parker, não tanto dos pivôs. Onde finalmente vemos um número que chama atenção pela mudança é nos pontos de contra-ataque. Ao invés de 15 por jogo como no ano passado, agora são só 11. O time não tem menos jogadores capazes de jogar assim, pelo contrário, mas simplesmente escolheu correr menos e tomar mais conta da bola. Não à toa o time subiu de 8º para 2º no ranking de turnovers por posse de bola, só o Sixers erra menos.

Com tantos chutadores de 3 pontos, como Gary Neal, Danny Green e mesmo Manu Ginóbili, o Popovich não tem muita opção senão usar o que tem e esperar que as bolas caiam. Mas por experiência em vencer o Suns ele sabe que somar bolas de 3 e correria já é suicídio demais, então baixou um pouco o ritmo da equipe e cortou erros. Ele Spurizou um pouco seu Spurs, pra não perder a identidade, acho. Outra coisa que mudou em relação ao ano passado é a distribuição de minutos. Na temporada passada 3 jogadores (Parker, Jefferson e Ginóbili) tinham mais de 30 minutos por jogo, com outros 5 tendo mais de 20. Nesse ano apenas Parker passa dos 30 e são 10 jogadores no total jogando pelo menos 20 minutos por jogo.

Com o time confiando em mais gente e poupando melhor seus jogadores, ao mesmo tempo que joga num ritmo menos alucinado, podemos esperar o Spurs pelo menos mais inteiro e com pernas nos playoffs, algo que pareceu faltar no ano passado. Mas a conclusão que podemos ter mesmo é que no fundo esse é o mesmo time de 2011, com alguns pequenos e pontuais ajustes. Embora isso possa soar desanimador, não é. O Spurs do ano passado teve muito azar. Pegou na pós-temporada um time que sempre o deu problemas, que estava em ótima fase e mesmo assim a série foi disputada. Todos os times venceram seus jogos em casa com exceção do Jogo 1, que o Spurs jogou sem Manu Ginóbili.

Se você pensar bem e com calma, lembrará que aquele time era sim muito bom. Apenas teve azar e alguns defeitos expostos naquela série. Mas ao invés do time entrar no desespero e querer tacar tudo para o alto, atacaram na medida do possível esses problemas. O ritmo é mais lento, o time erra menos, chuta duas bolas de 3 a menos por jogo (embora a porcentagem de pontos vindos desse tipo de chute seja a mesma, como vimos) e Tiago Splitter tem sido trabalhado para melhorar a defesa de garrafão. Somente na hora do vamos ver, de novo, saberemos se foi o bastante. Mas fizeram o possível e são o time em melhor forma na NBA no momento. Quer dizer, não que isso importe para eles, segundo o Richard Jefferson: "Em San Antonio sequências de vitórias não significam nada. Popovich ainda quer que a gente melhore e vai estar muito bravo a cada pedido de tempo".

Resumo da Rodada
Bulls vence sem Rose, Chris Paul decide no último quarto

Pela segunda vez na semana tivemos um confronto entre Chicago Bulls e Boston Celtics. Derrick Rose, que diziam que poderia voltar ontem, acabou não jogando por ainda sentir dores nas costas, mas não foi problema. O Bulls se vingou da derrota do último confronto e agora tem 7 vitórias e só 2 derrotas nos jogos que Rose não atuou na temporada.

Assim como na última partida do Bulls, muito do ataque passou pelas mãos do Luol Deng, que tem se mostrado simplesmente bom em tudo. Como disse o técnico Tom Thibodeau essa semana, Deng faz qualquer coisa que pedirem pra ele: defesa, rebotes, pontos, assistências, qualquer posição, qualquer estilo. É a prostituta que pedimos aos céus. Ontem ele fez 23 pontos (com 3 bolas de 3 pontos) e 10 assistências. Outro que foi muito bem foi Carlos Boozer, com 25 pontos em 11/15 arremessos. Confesso que fazia algum tempo que eu não via o Boozer tão à vontade e confiante atacando a cesta, mesmo marcado pelo Kevin Garnett ele não teve medo e se contentou com seu arremesso de meia distância, bom de ver e importante demais para o time.

O estranho desse jogo foi a discrepância entre os quartos. O Celtics perdeu o jogo por 9 pontos, mas venceu o 1º e 3º quarto por 24-18 e 24-16, respectivamente. Se não tivesse tomado uma surra nos outros, tinha levado esse jogo pra casa.

Um jogo muito esperado em New Jersey: O Nets vinha de 7 derrotas seguidas e enfrentava o Pacers, que tinha 5 derrotas seguidas. Já dá pra sentir o gostinho de playoff no ar, né? No fim das contas deu Pacers, que venceu do seu jeitinho todo especial. Jogo amarrado, acertou apenas 39% de seus arremessos (29% no 2º tempo), mas saiu com a vitória. Devem muito ao Danny Granger, que voltou de contusão e fez 32 pontos, sem ele dava pra imaginar um dia de Orlando Magic para o Pacers. Alguma coisa esse time precisa fazer para ajeitar esse ataque, não vão jogar contra o Nets todas as noites. Do lado perdedor, os destaques de sempre: 29 pontos para Deron Williams, 24 pontos, 10 rebotes e 3 tocos para Kris Humphries. O pobre ex-Kardashian poderia ser uma sensação da liga se jogasse em um time um pouco mais relevante.

O jogo foi tão feinho que até momento de basquete amador teve:



O último jogo da curtinha rodada de quinta-feira foi entre o Los Angeles Clippers e o Portland Trail Blazers. Esse não foi muito mais bonito que o jogo do Nets, mas pelo menos bem emocionante. O Blazers, jogando em casa seu 3º jogo de um back-to-back-to-back, começou inspirado e mesmo sem o machucado LaMarcus Aldridge chegou a abrir 18 pontos de vantagem. Até enterrada do zé ninguém Elliot Williams na cara do Kenyon Martin tava rolando.



Mas aí começou o 4º período e o espírito amarelão que havia desaparecido na vitória de quarta-feira sobre o Warriors voltou à tona. O ataque foi um lixo no último período, tomaram de 22-11 o quarto final e perderam o jogo por 74-71. Em todo o último período apenas Wes Matthews (7 pontos) e Jamal Crawford (4 pontos) marcaram para o Blazers, foram 4 arremessos acertados e dois lances-livres. Na última posse de bola o Wes Matthews sofreu a falta, acertou o 1º lance-livre, errou o 2º, pegou o próprio rebote e teve a chance de empatar, mas o arremesso forçado não entrou.

Eu avisei nesse post que o Chris Paul era decisivo, lembram? Ontem ele não jogou nada por 3 períodos, estava zeradíssimo, aí chegou no último quarto e fez todos os seus 13 pontos e conseguiu 2 de seus 4 roubos. De algum jeito, sei lá como, ele sempre acorda quando o jogo importa. É o anti-Blazers.

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Fotos da Rodada
Especial: Qual seu estilo de técnico favorito?

"Eu grito vocês fingem que obedecem" de Vinny Del Negro?

"Vou parecer magoado para vocês correrem por mim" de Doc Rivers?

"O pai bravo" de Tom Thibodeau?

ou o "Carmen Miranda" de Avery Johnson?
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Em nome do pai, do filho e de Kenyon Martin, amém. 

Tem hora e lugar pra dança contemporânea, Asik

Tudo sem querer

Luol Deng faz tudo e ainda beija a bola. Sem frescura.

"Ele é nosso e vocês não podem tê-lo de volta"
Com a foto do Scalabrine.
Atrás do banco do Celtics.
Usando um terno.
Benny The Bull é o MVP dos mascotes.