domingo, 31 de maio de 2009

Da arte de morder a língua

"Oi, meu nome é LeBron e eu tenho um problema."


Como as Finais da NBA entre Lakers e Magic só começam na quinta-feira e ninguém gosta de morder a língua e admitir que a equipe de Orlando existe de verdade (ao contrário do que diz o Padre Quevedo), deu pra se render àquela preguicinha gostosa e deixar o blog juntando moscas um pouquinho. Agora, voltamos à programação normal, retomando alguns assuntos que deixamos de lado nos últimos dias. Mas, antes de mais nada, é preciso tentar encarar uma verdade inconveniente: o Orlando Magic é o campeão do Leste.

Apesar das grandes atuações na temporada regular (e de, inclusive, ter chutado o traseiro gordo do Lakers), o Denis apostou o meu pé (que gentil) de que o Magic ia apenas ficar no "quase". Quando analisamos nossos palpites feitos durante toda a temporada, ainda batemos o pé de que o Magic não tinha muitas chances de ir longe, mesmo que fosse apenas graças à contusão do Jameer Nelson. Parecia bastante seguro que aquele time limitado, tendo a armação comandada pelo panaca do Rafer Alston, iria morrer antes do que fama de participante de Big Brother. Acontece que, pelo jeito, o Magic é a Grazi e a gente não sabia.

Ando tendo problemas todas as manhãs quando acordo e penso que vivo num mundo em que o Rafer Alston está numa final de NBA. Alguma coisa deu muito errado e eu não percebi, estava muito ocupado assistindo basquete (perda de tempo). Quando jogava no meu Houston Rockets, ele era uma máquina de tomar más decisões, burocrático em grande parte do tempo mas excessivamente agressivo nos arremessos de três pontos, sem muito critério, quando ele achava que podia mudar a história do jogo. No Magic, Jameer Nelson tinha a função essencial de contar com o drible, penetrando no garrafão, quando as coisas não estavam dando certo e o time precisava de qualquer traço de criatividade. Alston, pelo contrário, tem os pés amarrados no perímetro, tipo o Rasheed Wallace e sua fobia de garrafão. Colocar mais um arremessador de três pontos num time em que até o faxineiro arremessa de fora parece não fazer muito sentido. Se a equipe tem falhas, não seria melhor tentar saná-las ao invés de conseguir alguém para fazer algo que já é feito direito por todo mundo no elenco?

A opção foi tornar o Magic um time bitolado em uma coisa só, ao invés de tentar equilibrá-lo. De certa forma, é uma abordagem meio Phoenix Suns dos velhos tempos: "nós não sabemos defender nem ponto de vista, então ao invés de conseguir alguém para defender e treinar os fundamentos da defesa, vamos contratar jogadores que ataquem ainda melhor e nos concentrar em pontuar". O foco naquilo que o time faz de melhor dá à equipe identidade, uma arma certeira, e uma tremenda fragilidade. O Suns que o diga, não é mesmo? Parece uma coisa meio videogame, em que o personagem só dá porrada mas é lento e burro, ou o mago solta magias, é nerd, tem um iPhone, e não consegue nem levantar os próprios braços sem que o nariz comece a sangrar.

Todos nós conhecemos dois tipos diferentes de Orlando Magic: aquele quando as bolas de três estão caindo, e aquele quando as bolas de três não estão caindo. Como os arremessos de longa distância nunca são exatamente muito confiáveis, o time parece meio aleatório. Claro, vimos eles chutarem o traseiro de Cavs, Lakers, Celtics. Mas também vimos as coisas dando errado, a péssima movimentação de bola, a falta de variações ofensivas, e parece que os jogos ganhos foram apenas questão de "um dia bom". Nos playoffs, quando as séries são decididas em melhor de 7 jogos, não dá pra contar com o acaso, tem que existir regularidade.

Pelo menos é o que a gente imaginava, mas esse mito foi pelo ralo. Irregular, incapaz de manter as vantagens que abria no placar (as bolas, questão de acaso, uma hora têm que parar de cair), limitado e com fraquezas óbvias, o Orlando Magic passeou pela Final do Leste e engoliu o Cavs com azeite e sal. Passei os playoffs inteiros esperando o momento em que o Magic iria feder, dar errado, virar farofa, se transformar de novo em abóbora. Mas, ao invés disso, vi LeBron James ser eliminado de forma vexaminosa. Como diria o Nelson, "ha-ha" pra eles.

O que diabos aconteceu? Primeiramente, do mesmo modo que o Houston Rockets era um time porcaria que por sorte tinha o perfil ideal para vencer o Lakers (e, mesmo assim, fedia demais e não foi o suficiente), o Magic também tinha todos os traços certos para pisar nos calos do Cavs. O garrafão da equipe de Cleveland é forte e bom em rebotes ofensivos, mas nem um pouco atlético ou veloz. Ou seja, não tinha ninguém pra pegar o Rashard Lewis na corrida (diz a lenda que se ele chegar muito perto da cesta, um terrorista matará sua mãe) e ninguém pra pegar o Dwight Howard no muque. Até o desfalcado Boston Celtics tinha o Kendrick Perkins, ruim mas ideal para segurar o Dwight e deixar clara sua falta de habilidade ao redor da cesta. Com Ilgauskas e Varejão, Dwight só tinha que conseguir sair do chão. Nenhum dos dois sabe pular, basta que o Dwight seja agressivo para passar o dia cobrando lances livres.

Além disso, o Cavs não tem uma defesa muito forte no perímetro e o elenco não é profundo o bastante para lidar com o número de arremessadores do Magic. Para piorar, os arremessadores do Cavs são defensores terríveis, então quando a equipe de Cleveland começa a ficar atrás no placar graças às bolas de três pontos do Magic e quer devolver na mesma moeda, acaba colocando em quadra jogadores incapazes de defender. O resultado são mais bolas de três pontos do Magic, o que prova que não dá pra vencer o time de Orlando tentando ser melhor do que eles na única coisa que eles fazem bem.

Chamar o Magic de limitado é obviamente um desdém da nossa parte, é como chamar uma mulher de "siliconada" ao invés de chamar de "gostosa". O Magic é, na verdade, um time especialista. Empolgados com os outros times especialistas da NBA, como o Warriors e o Knicks, e desdenhando esse basquete focado na linha de três pontos que nos lembra do nosso basquete brasileiro e nos dá arrepios, esquecemos que estamos diante do time especialista de mais sucesso dos últimos anos. Quando a gente achava que tinha aprendido que times que não são equilibrados vão necessariamente ter seus traseiros chutados, o improvável Magic vem e carrega a tocha dos times desequilibrados. De certo modo meio bizarro, eles são os sucessores do Phoenix Suns, enquanto antítese do basquete completo e cadenciado do Spurs da última década. O Orlando Magic é mais do que um azarão, do que um time menosprezado: a equipe está remando contra a maré da NBA, e chegando mais longe do que qualquer outro time ruim chegou em muito tempo. Na Dime, lembraram do Houston Rockets campeão em 1994 com Hakeem Olajuwon no garrafão e uma tonelada de arremessadores de três pontos em volta como os únicos a terem chegado ao campeonato sendo especialistas em arremessos de fora. Esse Orlando é mais assustador porque o Dwight não é nenhum Olajuwon, e porque o time arremessou duas vezes mais bolas de três do que aquele Rockets durante a temporada. Então, estamos vendo algo único e que, talvez, mostre novas possibilidades na hora de montar elencos na NBA. Quem sabe, apesar do que o Suns nos ensinou, seja possível ser campeão fazendo algo muito bem feito e atendo-se somente a isso.

Mas é claro que o Dwight Howard tem uma importância fundamental no título do Leste, não dá pra esquecer. A ideia sempre havia sido cercar o jovem pivô com grandes arremessadores, mas virou fetiche e eles nunca souberam quando parar de colecionar. O Rashard Lewis, tido como "a peça que faltava", ganha 17 milhões de dólares e vai terminar seu contrato ganhando 23 milhões, facilmente um dos salários mais altos da NBA. Nitidamente é um preço exagerado, mas às vezes gasta-se demais numa figurinha que vai completar sua coleção. Ah, esses colecionadores - uns com selos, outros com arremessadores de três pontos. A gente sempre vai criticar o salário dele, o exagero do Magic, mas Rashard Lewis e seus amigos permitem que Dwight não tenha que ser um monstro no garrafão todas as noites, principalmente porque ele tem problemas com fundamentos e uma clara dificuldade em finalizar ao redor da cesta. Mas quando o titio Dwight Howard é, de fato, um monstro, as bolas de três pontos tornam-se apenas o golpe final. E um golpe final bastante cruel, por sinal.

No último jogo entre Cavs e Magic, toda vez que LeBron e seus amigos pareciam diminuir a diferença alcançada com o jogo de garrafão do Dwight, as bolas de três pontos começavam a entrar e a diferença voltava a crescer. Podia ter dado errado, as bolas poderiam não cair, ou elas poderiam apenas servir para tentar alcançar o Cavs. Mas quando o Magic já está na frente do placar, as bolas de três podem servir para definir por completo a partida e LeBron se vê obrigado a começar a arremessar de fora, no desespero de cortar a diferença. Ou seja, entra no jogo do Magic, onde eles não podem ser vencidos. Caiu uma bola atrás da outra de três pontos por parte do Orlando, beirou o videogame, e não foi como se o Cavs estivesse cometendo um erro muito brutal na marcação. Na verdade, optaram pela defesa individual no Dwight justamente para se focar na marcação dos arremessos de três, mas o Dwight fez estrago e os arremessos continuaram caindo mesmo assim - não dava pra vencer. É de encher os olhos de lágrimas a perfeição com que o Magic, agora, roda a bola para achar arremessadores livres. É meio obsessivo, exagerado e quando dá errado o plano B é sentar e chorar, mas ainda assim é muito bonito.

Quando o Dwight virou para o Super Mario (também conhecido entre os que não tem senso de humor como "técnico Stan Van Gundy") e disse que queria receber mais a bola, deu medo. Focar o jogo no garrafão seria fugir da principal característica do time e colocar responsabilidade nas mãos de um fedelho que não consegue dar um ganchinho com a mão esquerda. Mas é um modo de proteger, de fininho, os arremessadores da equipe. O Dwight não precisa ficar sabendo que ele é secundário, coloca a bola na mão dele, deixa ele pensar que é o foco do time, e os arremessadores continuam ganhando tudo. Seu papel principal é na defesa (embora ele seja um defensor bem meia-boca na marcação individual), mas no ataque é bacana deixar ele feliz e, nos dias em que seus lances livres estão caindo, o Magic é um time que arremessa ainda melhor de fora, porque os marcadores ganham novas coisas com as quais se preocupar.

O Cavs não teve as armas necessárias para correr atrás quando o Magic abriu vantagem no placar simplesmente porque, às vezes, todas as bolas do time de Orlando estão caindo. E, com o Dwight dominando o garrafão de um modo que raras vezes tínhamos visto, eventualmente o Cavs teve que dobrar a marcação e deixar o Magic chutar ainda mais. Um time tão limitado acabou fazendo a defesa do Cavs se tornar um cobertor curto demais, que não sabia se defendia dentro ou fora. Os dias em que não é preciso defender nem dentro nem fora ficaram em Boston, em que o Magic teve problemas sérios para vencer o Celtics. Com o perfil certo, a movimentação bem executada de quem faz isso desde o começo da temporada sempre do mesmo modo, e as bolas simplesmente caindo nas horas certas, o Magic sequer teve que depender de bolas decisivas do Turkoglu (tão confiáveis quanto as pilhas "Durabell") ou da criatividade do Jameer Nelson. O Rafer Alston, que fedeu bastante, teve um bom jogo 4 e isso bastou, de tanto que o Magic sobrou na série.

Destaque também para o Mickael Pietrus, claro, que encheu o saco do LeBron sem, no entanto, deixar a desejar na parte ofensiva. O problema do Magic na temporada passada era que ou eles usavam o Keith Bogans, que só defendia, ou o JJ Redick, que só ataca (na verdade, ataca coisa nenhuma, retiro o que eu disse). O Pietrus, que já tinha pedido para ser trocado do Warriors alegando que ele era o único lá interessado em defender (e em vencer), é uma mistura dos dois, amálgama em laboratório: arremessa de três pontos, sabe pontuar, e defende muito bem. Manteve a característica do Magic inteiro, que é chutar de fora, mas mostrou que defende melhor do que qualquer um no elenco. Manda o Pietrus passar na casa do Dwight Howard e pegar pra ele aquele troféu de "Melhor Defensor do Ano", que todo mundo sabe quem é que merece mais.

Aliás, um pensamento aleatório me veio à cabeça agora: lembra quando o Magic trocou o Trevor Ariza pelo Brian Cook porque, bem, ele era um cara alto de garrafão que arremessava de três pontos? Alguém na franquia levou o ato de colecionar longe demais e achou que o Cook era um Rashard Lewis mais barato. O problema é que o Rashard Lewis, por si, já não é grandes coisas, a versão mais barata, então, não ficou no elenco nem por duas semanas. Imagina o Trevor Ariza nesse time, defendendo e girando bem a bola. Verdade que ele se encaixa muito melhor no Lakers, onde pode usar melhor suas capacidades, mas no Magic ele seria muito útil e teria marcado o LeBron quando o Pietrus fosse sentar pra tomar suflê. Dá pra aplaudir e dizer que os engravatados de Orlando montaram o Magic muito bem, de um jeito estranho mas eficiente, mas não dá pra dizer que eles não fizeram sua cota de cagadas. Como nas bolas de três e na vida de qualquer time azarão e remando contra a maré da NBA, há uma bela fatia de sorte nesse bolo.


Agora, cabe analisar a posição do Cavs, que se mostrou um time chulé e corre o risco de perder LeBron James, e as chances do Magic enfrentando o Lakers, sem esquecer de comentar sobre a vitória da equipe do Denis em cima do Nuggets e o que esperar deles na grande Final. Teremos muito tempo para tudo isso até o primeiro jogo da Final que começa na quinta-feira, mas desde já podemos confirmar uma coisa: esses playoffs estão legais demais, mas todo mundo fede. Não há favoritos, não há dominância, e estamos vendo os melhores piores times de todos os tempos chegarem a uma final. Vai ser divertido, vai ser emocionante, mas nem sempre vai ser muito bonito: o Rafer Alston está jogando.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Último suspiro?

Mo Williams estava com o cu na mão, mas LeBron o salvou

O LeBron Ororo Monroe fez chover de novo.

O quarto período começou com o Cavs perdendo por um e acabou com eles vencendo por 10. No meio do caminho ninguém tocava na bola além de LeBron James: todos os últimos 32 pontos do Cavs na noite de ontem vieram do LeBron, seja em pontos próprios ou em assistências. A palavra domínio tinha que vir com uma foto do Crab James do lado.

Estão comparando a atuação de ontem com a do próprio LeBron nos playoffs de 2007 contra o Pistons, onde ele marcou 29 dos últimos 30 pontos do time. Ontem foi espetacular, mas nem chega aos pés daquela de dois anos atrás. Naquela ocasião LeBron tinha um time pior à sua volta, enfrentou o Pistons que tinha uma defesa muito superior a essa do Orlando e, finalmente, o jogo era fora de casa.

Que fique claro que a atuação de ontem foi uma das melhores dos playoffs desse ano e tem seu lugarzinho no armário mofado da história da NBA para todo o sempre, não quero parecer aqueles caras chatos que sempre acham mais legal o que é mais velho e que se ofendem pessoalmente se alguém for comparado ao Jordan ou ao Bill Russell.

Para os torcedores do Cavs era a vitória necessária pra jogar toda a pressão do mundo nas costas do Orlando Magic. Porque imagina como ficará a cabeça dos jogadores do Magic se eles falham no jogo 6 e se vêem em um jogo 7 fora de casa depois de perder duas seguidas? Para o Magic, o jogo de amanhã é o jogo 7.

Mas como eu já disse em outro post, o Magic está ganhando essa série com a cabeça e por isso acho que o desespero não será problema na partida 6. No jogo de ontem ficou claro mais uma vez que nessa série quem tem mais time é o Orlando Magic. No decorrer da temporada o Cavs foi muito, mas muito melhor, nos últimos 5 jogos, porém, o Cavs pareceu o time limitado carregado por uma estrela e o Magic pareceu um time experiente e pronto para a final da NBA.

A terceira vantagem de 20 pontos desperdiçada em três jogos em casa pelo Cavs foi mais uma prova disso. Fica parecendo coisa ensaiada até, se não soasse tão imbecil eu diria que faz parte da estratégia do Orlando começar o segundo período perdendo por 20.

Para o Orlando conseguir fechar a série em casa, além da calma que tem sido características nos primeiros jogos, precisa apenas fazer duas coisas: defender com menos faltas e ter menos apagões no ataque.

O Magic não está defendendo mal, mas as faltas atrapalharam bastante ontem alguns matchups essenciais pra eles. O Dwight Howard não pode sair do jogo o tempo todo com faltas porque nessa série ele tem sido essencial no ataque. Também o Mickael Pietrus, o melhor marcador do LeBron James que eu já vi na minha vida, tem que conseguir ficar o máximo de tempo possível em quadra. As suas 3 faltas em poucos minutos ontem atrapalharam bastante.

Também é importante saber em quem gastar as faltas. Se é pro D12 fazer falta, que seja para tirar o LeBron das bandejas, não ficar gastando só porque chegou atrasado em uma bandeja do Varejão.

Os apagões no ataque do Orlando acontecem quando todo mundo fica parado até alguém resolver dar um drible pro lado e arremessar de 3. Nem meu time da escola tinha jogadas tão vazias (meu time da escola, aliás, usava jogadas tiradas do livro de jogadas do Phil Jackson, babem, crianças). O Magic é eficiente quando troca bolas, dribla pouco e explora os matchups do Dwight com qualquer um no garrafão e do Rashard Lewis com o Varejão.

Conseguindo fazer isso, o time deve conseguir fechar a série. A não ser que aconteça algo fora do comum, algo como as LeBronzetes aparecerem pra jogar. Ontem, confesso, o Mo Williams fez um jogo bom. Não foi espetacular, não foi o Mo Williams da temporada regular que carregava a bola, deixava o LeBron com menos responsabilidade de armar jogadas e que acelerava o ritmo do time, esse não aparece faz tempo. O Mo de ontem foi uma emulação muito bem feita e com a cabeça mais arredondada do Boobie Gibson, que também fez seu papel de acertar arremessos.

Para o Cavs ganhar, o time inteiro tem que jogar bem e jogar bem é muito mais do que ficar parado no canto da quadra pra acertar bolinhas de 3. Eles tem que se movimentar e criar jogadas para o LeBron, ao invés do contrário.

Falando no LeBron, ele deu uma declaração curiosa depois do jogo. Disse que sentiu mais pressão na final olímpica do que na partida de ontem. Durante muito tempo os jogadores da NBA pareciam valorizar muito mais o título da NBA, muito mais difícil, do que o das Olimpíadas. Mas ele disse que jogar em nome de um país e não de uma cidade acabou sendo uma pressão maior. Queria saber se mais jogadores pensam assim também.

Para fechar, os vídeos das duas atuações monstro do LeBron. Primeiro a de 2007 contra o Pistons (ainda não acredito naquelas enterradas) e depois o do jogo de ontem contra o Magic. E não deixem de ver no nosso Tumblr todos os vídeos dos comerciais da Nike com LeBron James e Kobe Braynt dividindo o mesmo quarto.



quinta-feira, 28 de maio de 2009

O pior melhor jogador da NBA



Provavelmente eu fui apenas um em 100 milhões de pessoas que ontem, mais uma vez, pensou: por que diabos o Lamar Odom não joga assim todo dia? O título é uma frase do Danilo sobre o Odom que eu sou obrigado a concordar.

Pra quem não viu o jogo de ontem, o Kobe não estava em um dia dos mais inspirados e no quarto período se limitou a dar a bola para Gasol e Odom, que venceram o jogo para o Lakers. Odom em especial, com seus 19 pontos, 14 rebotes, 3 assistências e 4 tocos.

Já virou lugar comum dizer que o Lamar é um jogador que não usa todo o talento que tem, mas esse é um dos lugares comuns que mais fazem sentido. Porque não é que ontem ele estava iluminado e tudo o que jogava pra cima caia, não foi um caso especial de ser muito mal marcado, foi um jogo normal onde ele fez jogadas que ele faz todos os jogos, só que fez mais vezes e não ficou apático e apagado do jogo.

Depois dos times empatarem o primeiro, segundo e terceiro períodos, a impressão era de que o quarto iria ficar pau a pau até o finalzinho, mas não foi bem assim. O Lakers venceu o jogo no começo do último quarto quando abriu 11 pontos de diferença. O bom momento veio desde o fim do terceiro período, quando cortaram uma diferença de 7 pontos, o momento da revanche contra o Birdman.

Lembram que no jogo 4 o Chris Andersen deu uma cortada Marcelo Negrão em uma bandeja do Shannon Brown? Ontem ele tentou outro tocaço, mas o Nate Robinson da costa Oeste não foi pra bandeja, foi para uma enterrada. Podemos colocar o Birdman naquela lista de jogadores que não tem medo de subir pra dar tocos mesmo que isso signifique ficar na parte ruim do vídeo no YouTube.



Shannon Brown foi um dos personagens do jogo de ontem. Entrou apenas no segundo tempo, jogou poucos minutos mas foi ele quem começou a virada com essa enterrada insana e depois fez um ótimo trabalho defendendo o Billups no quarto período. Trocar o Radmanovic por esse garoto foi a melhor troca desde a do Brian Cook pelo Trevor Ariza (a troca do Gasol não vale porque provavelmente só deu certo porque se o GM do Grizzlies não fizesse a troca iriam dedurar que ele trai a mulher com a secretária).

Quem também estava devendo uma para o Chris Andersen era o Lamar Odom. Ele tinha tomado esse toco em uma tentativa de enterrada no primeiro tempo e no quarto período tentou de novo e dessa vez conseguiu. Os dois lances estão no vídeo abaixo.



O Denver, assim como no jogo 1, conseguiu chegar no quarto período de um jogo fora de casa com o placar empatado e falhou miseravelmente na hora de conseguir vencer. Foram muitos turnovers em passes simples, arremessos errados de todo mundo que você pode imaginar (JR Smith estava num dos dias em que ele não funciona) e, como sempre, o fator decisivo acabou sendo os rebotes. Odom e Gasol tomaram conta dos rebotes no período final e assim o Lakers tomou conta do jogo. Os dois também deram um show nos tocos, assim como Andersen e K-Mart tinham dado no jogo 4.

Só que esses tocos não deixaram os jogadores do Denver muito animados não, acharam que poderiam ter conseguido mais faltas do que conseguiram e que os juízes estavam favorecendo o Lakers. A reclamação chegou ao extremo nessa coluna do site do jornal Denver Post onde o jornalista diz que um dos jogadores do Nuggets, que, claro, não quis o nome divulgado, teria dito que o Lakers pagou 50 mil pela vitória de ontem.

O colunista, em cima do muro, diz primeiro que o Denver errou arremessos demais e que teria perdido de qualquer forma, depois diz que o Lakers já ter estado em 29 finais de NBA a mais que o Denver dá a entender que o Lakers é favorecido. Sei lá, esse colunista já escreveu merdas antes e não dúvido que esse tal jogador nem exista.

Os juízes estão fedendo um bocado nesses playoffs, isso é verdade. Eles também favorecem algumas estrelas também, fato. Mas é ridículo pensar que eles fazem isso pensando em fazer um time se classificar e outro não. Eles marcam falta no LeBron o tempo inteiro porque são ruins e por hábito.

O LeBron apanha tanto em infiltrações que nas vezes que não toma um tapa, o juiz apita do mesmo jeito imaginando que tenha sido uma jogada igual às outras. Isso acontece em futebol um bocado também, o juiz fica condicionado a marcar alguma coisa e deixa de olhar o jogo direito. Por isso nunca marcam falta no Jorge Henrique mesmo quando ele apanha de verdade, de tão cai-cai que ele é.

Em resposta a essa teoria da conspiração de que a NBA quer favorecer o Lakers (assim como todo ano quer que tal final em especial aconteça), o David Aldridge, jornalista da TNT e que escreve na NBA.com, fez um texto bem bacana explicando porque ele não acredita nisso. Claro que ele não poderia dizer o contrário escrevendo para o site oficial da NBA, mas os argumentos dele são bem válidos.

O principal deles é que o Spurs disputou quatro finais de NBA e ganhou 4 títulos nos últimos 10 anos. O Spurs não tem nenhum jogador idolatrado pela torcida, tem audiências patéticas e ainda foi o pior pesadelo do Phoenix Suns, o time ofensivo, bonito e veloz que cativava torcedores de todos os outros times e rendia audiências altíssimas.

O Aldridge continua seu texto fazendo uma lista de como os times das cidades com mais telespectadores segundo uma pesquisa da Nielsen se sairam nos últimos anos.

A cidade com o maior mercado é Nova York, do Knicks, e não precisa dizer como eles fracassaram desde a última aparição na final em 99, depois vem Los Angeles, esse com uma história recente de mais sucesso mas que perdeu suas duas últimas finais, o Bulls, terceiro maior público, só teve sucesso em toda sua história nos anos de Jordan, San Francisco, onde fica o Warriors, é a sexto maior público e o time fede desde que me conheço por gente.

Boston fica em quinto na lista e antes da final no ano passado tinha passado mais de duas décadas sem dar as caras em uma final. Dallas, sétimo maior mercado, deve ser um dos times que mais reclama de arbitragem na NBA inteira. San Antonio é apenas a cidade de número 37 nessa lista. Salt Lake City, do Jazz, a número 36.

Acredito sim que para o bem da imagem da liga e da audiência, o David Stern queira uma final entre o Lakers do Kobe contra o Cavs do LeBron. E quer que a final seja decidida em um jogo 7 com 3 prorrogações e com 60 pontos para as duas estrelas. Mas pensar que ele manipula resultados é demais, se alguém realmente acredita nisso não deveria nem estar assistindo aos playoffs. Carinha do Denver Post, seu argumento é inválido.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

A vitória garantida de Mo Williams

Táaaa chegando a hora...


Todo ano são as mesmas estatísticas que mesmo vendo todo ano a gente esquece. x% dos times que venceram o jogo 1 vencem a série, y% dos times que venceram os dois primeiros jogos vencem a série, nunca um time venceu uma série depois de estar perdendo por 3 a 0 e por aí vai, até chegar na que mais assusta o Cavs: em toda a história da NBA, apenas oito times viraram uma série que estava sendo perdida por 3 a 1.

Nas duas últimas vezes, as que acompanhamos mais de perto, foi o caso de um time cabeça-de-chave número 7 quase surpreender o número 2 na primeira rodada. Foi quando o Orlando do T-Mac abriu 3 a 1 contra o Pistons do Billups em 2003 e quando o Lakers de Kobe e Kwame tomou a virada do Suns de Nash e Amar'e em 2006.

Nesses dois casos era bem óbvio que o Suns e o Pistons eram times melhores. Muito óbvio. Aconteceu que as melhores equipes começaram as séries mal, não se adaptaram ao adversário e demoraram pra pegar no tranco pra colocar ordem na casa.

Agora a situação não é nada assim. O Cavs parecia sim o melhor time da série antes dela começar mas a diferença nunca foi considerada abissal como entre Lakers (tinha o Kwame Brown!!!) e o Suns de 2006, por exemplo. Em uma série parelha como essa, com o Cavs perdendo até jogos com vitória garantida pelo Mo Williams, arrisco dizer que o Cavs já era.

Achei o texto na íntegra do Mo Williams garantindo a vitória antes do jogo de ontem. Dêem uma lida:

"Eles merecem respeito. Eles são um bom time. Mas nós somos o melhor time da liga. Garantia de vencer a série? Claro, claro. Estamos perdendo por 2 a 1 mas ninguém no nosso time e definitivamente eu não vou dizer que não vamos vencer a série. Sim, vai ser difícil, nós sabemos disso. Mas se nós vencermos o jogo hoje (ontem), vamos para casa e teremos de volta o mando de quadra. Não nos vejo perdendo dois de três jogos em casa."

Ouch! Ai! Dor! Desprezo! Quanta bobagem! Melhor time? Garantir a vitória da série? Depois do time ter perdido o jogo de ontem que tinha garantia de vitória, falta só perder a série e perder com uma derrota em casa, seria motivo o bastante pro Mo Williams se esconder numa caverna até a próxima temporada. Como o Rodrigo Alves previu no Rebote, ele está sendo mesmo o nome da temporada: decisivo a favor na temporada regular e contra nos playoffs.

Mo Will ontem começou muito bem. Não conseguia acertar muitos arremessos mas pelo menos cavou muitas faltas, acertou os lances livres e fez um primeiro tempo de nível de temporada regular. Depois do intervalo, o nosso cabeça de azeitona voltou a ser o cara mais fedido do Cavs. Se foi ele quem garantiu a vitória, o mínimo que deveria conseguir é fazer sua parte e não acertar só 5 em 15 arremessos.

Apesar do Magic estar com tudo nas mãos pra fechar a série, quem tem que pensar com otimismo são os torcedores, não eles. Uma paçoquinha de presente para o Stan Van Gundy que foi perfeito no vestiário logo depois do jogo, dizendo que não irá aceitar que o time jogue mais ou menos no jogo 5 só porque sabem que tem o jogo 6 em casa. Eles não podem ser o Lakers.

Queria muito que o Danilo estivesse escrevendo o post hoje. Porque se o Mo Williams foi a piada da noite, o herói, o mito, o salvador foi Rafer Alston. O cara que foi xingado pelo Danilo em TODOS os posts que ele já fez sobre o seu Houston agora foi herói em plena final de conferência. O Magic começou o segundo tempo perdendo por 8 e foi ele quem sozinho levou o time ao empate.

Sozinho porque o Cavs o ignorou por completo. Algumas bolas ele foi obrigado a arremessar porque não apareceu uma alma viva pra ir lá marcar o cara, sério, ele ficou batendo bola na linha de três sem nenhum marcador em um raio de uns 5 metros. Foi a maior falta de respeito que eu vi numa quadra de basquete desde que o próprio Alston bancou o "Skip to my lou" contra o Sasha Machine.

Desrespeito também foi o que o Dwight Howard fez com o Varejão na prorrogação. 10 pontos, 3 enterradas e o brazuca fora com faltas. Destruidor. Pela primeira vez ele realmente me lembrou o Shaquille O'Neal (que estava lá assistindo a partida) jogando, só me fez esquecer o Shaq quando acertou lances livres! Ele não pode se tornar um pivô dominante e ainda acertar lances livres. Como disse o Shaq sobre seu mais famoso defeito, "foi o jeito de Deus dizer que ninguém é perfeito". Nas frases o Dwight ainda está longe do Superman original.

Mas Dwight só pode fazer sua atuação de gala na prorrogação porque o Rashard Lewis acertou uma bola decisiva de 3 pontos no final do tempo normal. O arremesso foi tão bonito, tão suave e tão decisivo que por alguns segundos eu realmente achei que ele valia os 18 milhões que o Magic paga por ele. Sábio o comentarista esportivo (não tenho idéia qual) que há 2 anos disse que o Orlando estava "a um Rashard Lewis de disputar o título do Leste". Profético.

Claro que o correto seria dizer que estava a um Rashard Lewis, um Pietrus, um Courtney Lee e um bom armador, mas tudo bem, não deixa de ser uma previsão acertada.

Parando de lamber o saco do Magic pra falar mal do Cavs agora. Declaração do LeBron James depois do jogo de ontem sobre estar na situação de 3 a 1 contra:

"Estamos ansiosos pelo desafio. Eu sei que eu estou, eu estou animado pelo desafio e acho que o meu jogo, minha liderança diz isso. Então estou pronto e acho que nossos jogadores também estão."

Ou numa tradução mais livre:

"Estou puto de estar perdendo. Eu sei que estou jogando pra caralho e carregando essa porra de time nas costas, dá pra ver isso. Então eu estou pronto e espero que esse bando de pivete que joga comigo resolva aparecer pra jogar."

As LeBronzetes estão jogando sem confiança alguma, o time continua sem se movimentar (tirando por um período no primeiro tempo) e está tudo nas mãos do LeBron. Embora às vezes pareça que dê, ele não consegue sempre vencer tudo sozinho. Ontem, cansado e perturbado com a defesa do Pietrus, o LeBron cometeu 7 turnovers: 3 nos últimos 4 minutos de tempo normal e mais 3 na prorrogação. Ele não tem ajuda nem para perder o jogo.

Por último: quem era esse puto que estava na primeira fileira do ginásio ontem? Se ele encontrar o Craig Sager, o universo explode.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Tudo igual no placar

- Agora sem olhar, mãe


Finalmente conseguimos respirar. O jogo 4 entre Lakers e Nuggets foi o primeiro nas finais de conferências que não foi decidido no último minuto, ufa. Claro que eu estou bravo pra caralho com o Lakers, mas pelo menos não morri do coração. Vou morrer de vez na quarta-feira com o monitor dividido entre um jogo 5 decisivíssimo (se é que essa palavra existe) entre Lakers e Nugets ao mesmo tempo em que assisto o Todo-Poderoso Timão sem Fenômeno enfrentar o Vasco na Copa do Brasil. Quinta-feira apareço aqui pra dizer se estou vivo.

O Denver fez o primeiro jogo fácil da série quando, pela primeira vez, conseguiu dominar os rebotes com sobra, e é no garrafão que eles podem vencer essa série mesmo tendo seus melhores jogadores no perímetro. Assim como eu disse que o Orlando sabe que vai tomar muito ponto do LeBron, o Denver tem que saber que vai tomar muita cesta na cabeça do Kobe, vai e tem que saber ignorar isso e continuar jogando. O Nuggets às vezes parece desesperado demais marcando o Kobe, principalmente o pobre Danthay Jones, que depois de um empurrão à la Junior Baiano no jogo 3 (uma falta tão delicada quanto o Maguila dançando ballet) ontem deu uma rasteira tão discreta e sem querer como a do Miranda no Diego Souza para se consagrar como o Bruce Bowen dos playoffs 2009.

O Nuggets jogou tão bem ontem que nem precisou no Carmelo, que fez provavelmente o seu pior jogo em todos os playoffs. Em compensação, o Billups foi decisivo (fez 6 pontos seguidos no único momento em que o Lakers esboçou uma reação no quarto período) e o JR Smith finalmente jogou em alto nível, o que já era algo anunciado.

Quando se decidiu que Lakers e Nuggets iam se enfrentar, já dava pra saber desde antes pelo menos três coisas:

- Em algum momento o JR Smith vai feder muito e em outro vai decidir algum jogo sozinho como se fosse o cara mais talentoso do mundo

- Em algum momento o trio Andersen-Nene-KMart iria fazer o garrafão do Lakers parecer as meninas super-poderosas (sem os poderes e o Bynum disse que quer ser a Docinho)

- O Kobe vai decidir pelo menos um jogo com uma atuação monstro no quarto período

Até agora as três coisas já aconteceram e a série está praticamente de volta à estaca zero com um empate e com os dois times já tendo provado que podem ganhar jogos fora de casa. E digo "praticamente" não porque estou imitando o Zé do Caixão, mas porque depois de quatro jogos a série só está igual ao começo por causa do empate, na verdade agora os times tem uma bagagem de conhecimento sobre o adversário que faz muita diferença.

Então vamos lá, que ajustes os dois times têm que fazer para essa mini-série de 3 jogos que irá começar?

Lakers
Primeiro eles tem que tentar depender um pouco menos do Kobe nos primeiros três quartos do jogo. O Mamba disse depois do jogo 3 que nunca tinha se sentido tão cansado depois de uma partida e que ao chegar no hotel dormiu 10 horas seguidas. O que pra mim é rotina, pra ele é muito.

Com o Kobe descansado fica mais fácil pra ele atacar a cesta no período decisivo e aí sim fazer a diferença. Para que isso possa acontecer, o time precisa que mais armas ofensivas apareçam. Se o JR Smith finalmente chegou para essa série, que tal o Sasha Vujacic e o Derek Fisher voltarem no tempo e reverem aquela história de vender seu talento em troca da felicidade eterna ou qualquer merda fútil do tipo?

Os arremessos dos dois são importantes porque até agora a estratégia do Nuggets para sobrecarregar o Kobe é a de não deixar a bola chegar no Gasol e no Bynum. O espanhol está com aproveitamento superior a 60% na série mas só arremessa 11 bolas por jogo. A defesa adversária se esforça o máximo que pode para fechar os ângulos de passe pra ele e deixar a bola no perímetro, onde o Lakers tenta, tenta, tenta e não acerta nada de três.

O Bynum consegue receber a bola ainda menos porque não sai tanto do garrafão quanto o Gasol, mas ontem ele até que fez um jogo decente, digno de 1% do salário que irá receber ano que vem. Mas o Bynum é daqueles que se não marca pontos pode compensar de outrar formas, talvez não deixando com que os três jogadores de garrafão adversários consigam mais de 10 rebotes.


Nuggets
Antes de mais nada eles precisam do Carmelo Anthony bom de novo. Esse lixo de jogador que possuiu o corpo dele a partir do segundo tempo do jogo 3 não serve pra nada. Ontem o Billups e o JR Smith deram conta do recado, mas não vão vencer 2 dos próximos 3 jogos, um necessariamente fora de casa, sem o Melo fazendo uma renca de ponto.

Se já era esperado que o JR Smith fizesse um jogo bom, não seria nada mal para o Nuggz se ele fizesse pelo menos mais um até o fim da série. O time tem sido um fracasso nas bolas de 3 pontos e seu melhor arremessador na série, o Linas Kleiza, raramente está em quadra nos momentos decisivos, a responsa fica nas mãos do insano Smith no quarto período.

Por fim eles tem que fazer o que fizeram ontem: jantar o garrafão do Lakers com molho rosé e batatas. Quando Nenê, Kenyon Martin e Andersen (viram o filminho sobre sua carreira ontem na ESPN) dominam Gasol e Bynum pegando todos os tipos de rebote, fica muito díficil para o Lakers ganhar e o Nuggets até se dá ao luxo de se arriscar mais no ataque sabendo do sempre possível rebote ofensivo.

Palpite: Se o Lakers ganhar eu acho que teremos jogo 7, o time é muito acomodado pra conseguir vencer o jogo 6 sabendo que tem um jogo 7 quentinho esperando em casa. Se o Nuggets ganhar, aí acho que eles fecham na partida 6.


Mas jogo decisivo mesmo vamos ter hoje em Orlando. Esse pra mim tem valor de jogo 7. Pensa bem, se o Magic ganha, eles abrem 3 a 1 e colocam a confiança do Cavs num bueiro sujo e cheio de merda. Se o Cavs ganha, eles se vêem de volta pra casa com a vantagem do mando de quadra depois de quase chegar no fundo do poço, seria a reviravolta necessária para as LeBronzetes (os coadjuvantes do Cavs) voltarem a jogar como se fosse temporada regular.

E falando em LeBronzetes, o Mo Williams garantiu vitória do Cavs hoje. Veremos se ele tem o mesmo poder do Rasheed Wallace que nunca perdeu uma partida que tivesse uma garantia de vitória dele, a famosa guaranSheed victory.

Bem interessante uma discussão nos comentários do post de ontem. Concordo perfeitamente com quem celebra o fato do LeBron não ter medo de tomar enterrada na cabeça como as que tomou do Courtney Lee. Sem dúvida são poucas as estrelas na NBA que aceitam correr o risco de ser Mbengado. Coloco nessa lista ainda o Dwyane Wade, o Josh Smith e o Jermaine O'Neal, todos eles sempre pulam para o toco mesmo quando as chances de sucesso são mínimas.

Em homenagem a esses nobres atletas, você pode conferir aqui o Wade tomando uma enterrada do Ronny Turiaf



O Wade (dessa vez no lado bom do vídeo) enterrando sobre o Josh Smith



E por fim, um mix com uma dúzia de negos enterrando sobre o Jermaine O'Neal. Destaque para a do Kenyon Martin, a enterrada na cabeça mais forte que eu já vi alguém não chamado Shawn Kemp fazer.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

O ruim e velho Cavs

Se você ligar agora vai levar não apenas um, mas dois tocos de Marcin Gortat.


Alguém aí lembra dos longínquos playoffs do ano passado? Lakers sem o Ariza pra roubar bolas decisivas, Bynum de muleta, Spurs ainda chegando longe, as crianças brincando de pipa na rua, de peão, não tinha violência, o Boston vencia seus jogos 7... tantas histórias pra contar. Se você lembra disso tudo, deve lembrar do Cavs do ano passado também.

Aquele Cavs era um time razoável. Bom na defesa, um inferno para o adversário por causa da quantidade de rebotes ofensivos, mas um time limitado no ataque: sem boa movimentação e sem jogadores de alto nível, eles se limitavam ao que o LeBron James poderia oferecer a cada noite.

Durante a temporada regular esse antigo time ficou distante. O Cavs contratou o Mo Williams, evoluiu seus pokémons de razoáveis para bons e de repente o time tinha um dos melhores ataques da NBA inteira. Não era raro o LeBron fazer uns 20, 25 pontos e o time vencer por 30 de vantagem.

Então, quando o time de 2008 parecia tão distante, ele reapareceu agora bem nas finais de conferência. Já se foram 3 jogos e o Cavs está numa situação difícil, perdendo por 2 a 1 e com mais dois jogos pra fazer fora de casa.

Em todos os jogos a gente só assistiu o LeBron dar show. E por "a gente" eu quero dizer eu, você, o Zé Boquinha, o Everaldo Marques, o Mo Williams, o Varejão, o Delonte West, o Ilgauskas. Todos tivemos em comum o fato de assistir o LeBron dar show, bater palmas e não fazer nada pra ajudar.

Ontem, por incrível que pareça, foi o melhor jogo do Mo Williams na série e mesmo assim ele fedeu um bocado (15 pontos em 16 arremessos, 5 turnovers). Errou arremessos decisivos, se escondeu quando deveria ajudar o LeBron e não compensou a falta de pontos sendo bom em alguma outra área do jogo. Ter o desaparecido Daniel Gibson (quem achá-lo ligue para a mãe dele que está preocupada) no lugar dele não faria tanta diferença, pra falar a verdade.

O Delonte West não está sendo genial e o Ilgauskas naquela insistência idiota de ficar arremessando de três pontos também não ajuda, claro, mas a responsabilidade deles é bem menor que a do Mo Williams, ele era o cara pra levar o Cavs para o nível de um time campeão. E pareceu ser esse cara durante toda a campanha da temporada regular, mas agora, quando interessa mais, ele não está correspondendo.

O LeBron se tiver a bola nas mãos vai fazer 40 pontos todo jogo, mas isso não quer dizer nada. O Kobe com média de mais de 35 pontos por jogo não levou o Lakers a lugar algum há poucos anos atrás. Por isso acho que a melhor estratégia na hora de marcar esses caras imarcáveis é deixar eles fazendo o que sabem e fechar o resto do time. Então, se não tem jeito do LeBron não fazer 40 pontos, que o resto do time, que não é tão espetacular, não consiga jogar.

Italic
A estratégia tem dado certo, créditos ao Super Mario-Pizzaiolo-Ratinho Stan Vun Gundy que fez exatamente isso. Vejam essas duas declarações do desesperado Mo Williams:

"Eles estão me marcando de perto, duro. Se eu faço um arremesso eu consigo ouvir o Stan na lateral gritando 'fiquem em cima deles, marquem mais de perto, mais de perto!'. Então eles estão se esforçando bastante para que eu não tenha bons arremessos"

"Às vezes eles fazem eu apressar meu arremesso. Eu sinto que preciso de uma grande cesta para tirar a pressão do LeBron mas eles me marcam muito forte."

Uma única estatística para provar como essa tática dá certo: ontem o Cleveland Rests (todos menos o LeBron) arremessou 50 bolas. Acertaram 18.

Agora fica o dilema Tostines: os coadjuvantes do LeBron estão se movimentando mal, vendo o LeBron jogar porque o Orlando está marcando eles bem, ou parece que o Orlando está marcando bem porque eles estão se movimentando mal?
Eu aposto que a defesa forte veio primeiro e executou a confiança dos outros jogadores, que agora se sentem mais à vontade confiando tudo nas mãos do LeBron. Tem horas que ser um time jovem não ajuda em nada.

Se não bastasse tudo isso, o Orlando já é naturalmente um pesadelo para o Cavs nos confrontos pessoais. O Rafer Alston está longe de ser um deus do basquete mas dá conta do Mo Williams, o Courntey Lee é um defensor muito bom que dá conta do Delonte West, Sasha Pavlovic ou qualquer um que inventem de jogar na posição 2. O Turkoglu não dá conta do LeBron mas tem a ajuda do espetacular Mickael Pietrus, que está se consagrando nessa série ao marcar tão bem o LeBron.

E pra fechar, o garrafão é um caso à parte. O Varejão não tem a menor idéia de como marcar o Rashard Lewis e o Ilgauskas e nem mais ninguém tem resposta para a velocidade e a agressividade do Dwight Howard, que sozinho pendurou todo o garrafão do Cavs ontem.

Aliás, esse jogo 3 foi o jogo da arbitragem, não sei porque mas resolveram apitar tudo! Colocaram o Orlando na linha de lances-livres 51 vezes. CINQUENTA E UM lances-livres, isso é insano, o jogo teria durado uma hora a menos se os juízes tivessem sido mais liberais. Já o LeBron, sozinho, arremessou 24 lances-livres. Ele apanhou um bocado, mas os juízes marcaram coisas absurdas como na decisiva jogada abaixo, um arremesso de 3 no minuto final, a sexta falta do Dwight Howard.


O Orlando, porém, se salvou mesmo depois dessa marcação e manteve a liderança no placar até o final. Engraçado dizer isso do Magic, mas eles estão ganhando essa série com a cabeça.

Sempre achei que o fator psicológico estaria a favor do Cavs, já que o LeBron é sempre super confiante e o resto da pivetada tá sempre empolgada, pulando e se achando o máximo. Enquanto o Orlando tem um técnico que o Shaq, que trabalhou com ele no Heat, chamou de "mestre do pânico". A frase do Shaq inteira, na verdade, foi:

"Eu sei que ele é um mestre do pânico e quando chegar a hora do seu time ir para a pós-temporada e precisar fazer algumas coisas ele vai desapontar seu time por causa do seu pânico."

O que está acontecendo na verdade é o oposto. Nas imagens que mostram do Vun Gundy no vestiário e nos pedidos de tempo ele está sempre pedindo calma para os jogadores dizendo que eles já passaram por situações difíceis nessa temporada e que sairam delas jogando com calma e sempre lembrando eles de não reclamar por causa de faltas porque sabem que os juízes vão marcar coisas a favor do LeBron e que vão ter que ganhar os jogos mesmo assim.

O Orlando está focado, é paciente e está na frente. O Cavs parece desesperado, tem muitos jogadores com atuações pífeas e está na incômoda posição de correr atrás. A coisa está muito, muito feia para o Cavs.

Lembram dessa enterrada do Courtney Lee no LeBron no jogo 1? Ontem o Crab James tomou outra. Como já diria o sábio Milton Leite: Que faaaaase...

domingo, 24 de maio de 2009

Fazendo chover

Maroto, Rashard Lewis pede um passe
do
LeBron, que não caiu na artimanha



Torcer contra o LeBron James é como protestar contra o tempo ruim: você pode gritar o quanto quiser para as nuvens, arrumar uns malucos para te acompanhar numa passeata, mas o céu vai continuar nublado e chovendo na sua cabeça.

Mas eu até entendo essa gente que critica o LeBron e gosta de diminuir seus feitos. Afinal, o sujeito nunca se deu mal na vida, nunca fedeu. Ainda no colegial, já dominava por completo as partidas e era nitidamente um gigante entre formiguinhas. Nunca houve dúvida sobre em que escolha ele seria chamado na noite do draft, com placas reais de "Percam por LeBron" tomando aos poucos o ginásio de Cleveland desde o meio da temporada de 2003. Sua primeira partida de pré-temporada foi espetacular, acima das expectativas, e saiu-se ainda melhor em sua primeira partida oficial na temporada regular. Na primeira partida dele em playoffs, saiu de quadra com um triple-double. Dois anos depois, foi campeão da Conferência Leste. Quando entrou na NBA, não tinha mão esquerda, mas hoje é ambidestro. Não decidia partidas no final, mas agora é fominha. Não tinha arremesso, e agora domina os arremessos de meia-distância, subindo no meio da passada. Não acertava lances livres, e agora tem uma mecânica confiável. Não arremessava de três pontos, e agora acerta com constância. Diabos, é como a garota linda que sai com o capitão do time de futebol americano, é eleita a rainha do baile de formatura, forma-se em Harvard, é milionária, poliglota e indicada ao Oscar. Ou seja, não adianta aquela gordinha passar a vida inteira torcendo contra, nada pode dar errado: o LeBron James é a Natalie Portman da NBA.

Fica até chato mesmo. LeBron James nunca teve que enfrentar as adversidades. Michael Jordan foi draftado com a terceira escolha, teve que provar que seus críticos estavam errados, e fedia no começo de sua carreira com o esporte. LeBron nunca passou por coisas assim - a não ser o fato de ser duramente criticado simplesmente por ser espetacular e não chamar Jordan, claro. Provavelmente dono do físico mais privilegiado para tomar parte de uma partida de basquete em toda a história da humanidade, ninguém teve tanta sorte quanto LeBron. É por isso que, desde o primeiro segundo, temos que lidar com propagandas, marcas de refrigerante com a sua cara, comerciais de camisinha, comentaristas babando sem parar, cobertura insana dos meios de comunicação. Se não é a Alinne Moraes, uma hora tanta exposição enche o saco mesmo, e muita gente odeia LeBron por isso, alegando que ele é fruto da mídia. É o tipo de gente que assiste o canal do tempo e acha que chuva não existe, mesmo quando a porcaria do telhado de casa tá com goteiras. Prefere achar que são duendes mijando lá do alto (a Xuxa, por exemplo, acredita).

Com tanta facilidade, tanto favoritismo, o melhor elenco que o Cavs já conseguiu entregar a LeBron James, uma campanha sensacional na temporada regular e invictos nos playoffs, era de se esperar um domínio total na Final de Conferência, ainda mais porque o Magic é um time um tanto limitado. Na prática, não foi o que ocorreu, com a equipe de Orlando vencendo o primeiro jogo da série. No jogo dois, mais ou menos a mesma história ocorreu: Cavs muito à frente, dominando a partida, abrindo uma larga vantagem e, então, mudando o modo de jogar e permitindo ao Magic passar à frente nos minutos finais. Foi uma das raras vezes em que pudemos ver, portanto, LeBron James lutando contra adversidades. Depois de passar pelos playoffs invicto, começar a final perdendo os dois primeiros jogos em casa seria catastrófico, inaceitável.

Graças a mais uma atuação decisiva de Hedo Turkoglu e, dessa vez, uma partida impecável de Mickael Pietrus dos dos lados da quadra (ele é "o Jordan francês", já diziam as análise da época do seu draft), o Cavs viu-se 2 pontos atrás no placar com apenas um segundo para o fim do jogo. O resultado? O YouTube virou um lugar mais feliz.



Destaque, por favor, para a cara de "fiz cocô" que o Jeff Van Gundy, sósia do Mario, faz após o arremesso. Também vale a cara do Mo Williams de "salvaram meu emprego" depois dele ter passado o jogo inteiro arremessando sem critério.

O essencial dessa jogada é que existe uma regra silenciosa que funciona na NBA na miúda: perdendo por 2 pontos na jogada final, o time atrás no placar deve
a) dar um arremesso de dois pontos, para empatar o jogo, caso esteja jogando em casa; ou
b) dar um arremesso de três pontos, para vencer o jogo, caso esteja jogando fora de casa.

A ideia, claro, é o fato de sempre ser mais vantajoso para o time que está dentro de casa jogar uma prorrogação, enquanto o time que está fora de casa não tem mesmo muito a perder e, se sair com a vitória, está no lucro. Seguindo essa regra, o plano original era colocar a bola nas mãos do LeBron no garrafão, com um passe alto em direção à cesta para que houvesse um tapinha ou algo similar. Não deu certo, o Turkoglu se posicionou muito bem, e então LeBron correu como um maluco para receber a bola e acabou vencendo a partida. Se tivesse que apostar meu pé, diria que o técnico Mike Brown não desenhou essa jogada, foi apenas o desespero do LeBron de receber a bola que tornou essa vitória possível, porque teve a maior cara de improviso e por muito pouco o Mo Williams não levou 5 segundos para repor a bola causando, desse modo, uma violação que teria perdido o jogo.

O Instituto "8 ou 80" de Estatísticas do Bola Presa (também conhecido como "o Denis quando ele tem algum tempo livre") me alertou que o arremesso certeiro de LeBron James foi a bola mais decisiva para uma série desde a bola do Horry em 2002, que empatou a série quando o Kings tinha mando de quadra e estava prestes a abrir 3 a 1. Outro dado coletado aponta que, das 6 derrotas que o Orlando Magic sofreu nesses playoffs, quatro delas foram em arremessos de último segundo: Iguodala, Thaddeous Young, Glen Davis e, agora, LeBron James.

Ou seja, o Magic é bom em perder grandes lideranças no quarto período mas é melhor ainda em perder no segundo final. Não é o tipo de coisa de que a gente se orgulha por aí, mas se o Magic chegou à Final do Leste é porque essas derrotas bizarras acontecem com menos frequência do que as vitórias. A fragilidade do time, na verdade, acaba mostrando as similaridades da equipe com o próprio Cavaliers: as duas equipes são limitadas, cercaram uma estrela com um grande conjunto de arremessadores de três pontos e gostam de jogar no contra-ataque. O Magic finaliza seus contra-ataques com bolas de três e não tem uma estrela capaz de monopolizar o jogo, o que por sua vez é ao mesmo tempo bom e ruim. O Cavs usa LeBron demais quando tudo está dando certo, mas usa em excesso quando tudo está dando errado. Ele é capaz de decidir o jogo sozinho quando marcado individualmente, mas com o colapso no garrafão e a ajuda defensiva no perímetro, LeBron é obrigado a passar a bola com frequência para os companheiros livres. A capacidade de Mickael Pietrus de segurar LeBron sozinho, cavando faltas de ataque cruciais no quarto período e incomodando com sua marcação, permitiu que a defesa do Magic se focasse mais no resto do elenco e LeBron teve que cada vez mais jogar sozinho - ao mesmo tempo em que era cada vez menos efetivo contra sua marcação. Foi uma grande surpresa para o Magic e quase trancou o Cavs numa situação impossível de sair. Quase: o LeBron, já percebemos faz tempo, não consegue perder.

O técnico Stan Van Gundy se arrependeu da marcação efetuada na última bola, provavelmente porque o homem que correu atrás de LeBron foi Turkoglu, não Pietrus. Além disso, não houve ajuda defensiva e, se bem executada, a defesa poderia ter impedido LeBron de chegar ao perímetro. Era melhor, para o Magic, correr o risco de tomar uma bola de 2 pontos ao invés de simplesmente perder o jogo. Mas o irmão do Luigi já garantiu que, caso a situação se repita ao longo da série, fará a defesa que deveria ter feito nessa partida. Ou seja, agora que ele avisou, nunca mais vai precisar usar.

LeBron James foi para os playoffs 4 vezes: na primeira, perdeu para o Pistons; na segunda, ganhou do Pistons com atuações históricas e foi campeão do Leste; na terceira, perdeu para o Celtics na Final, com momentos memoráveis. Agora, na sua quarta participação, já queimou na nossa retina esse arremesso que devolveu ao Cavs a chance de não ser uma porcaria. Trata-se de uma bela coleção de momentos decisivos para um moleque tão novo. Sem conhecer muitas adversidades, LeBron poderia ser tranquilo, desencanado ou até mesmo desencantado, ficar gordo como Eddy Curry ou ignorar os treinos como sempre fez Allen Iverson. Mas não, LeBron James é um biruta que não sossega um segundo sequer e quase teve um aneurisma cerebral de tanto comemorar o arremesso convertido.

O Magic, confesso, até pode ganhar essa série. Pode surpreender com uma defensa inteligente, a marcação de Pietrus, os arremessos certeiros contra o garrafão do Cavs que é lento e tem dificuldades de proteger a linha de três pontos. O Magic pode chutar o traseiro do Cavs se tiver um pouquinho de sorte jogando em casa e não desperdiçar as lideranças que, invariavelmente, vai conseguir. O Cavs pode até ser eliminado, voltar com as mãos abanando, e algumas pessoas poderão criticar duramente LeBron James por ser uma ilusão de óptica, exagero midiático. Mas ele, como tão bem nos mostrou, vai continuar chovendo.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Terrível Simetria


Peguem tudo o que eu disse do jogo 1 entre Lakers e Nuggets e um pouco do que eu disse entre o jogo 1 entre Cavs e Magic, acrescente farinha, água, o Linas Kleiza, tirem ataques surpresa do Darth Vader e vocês terão o que foi o jogo 2 da final do Oeste.

Na análise do jogo 1 da série do Oeste eu coloquei aqui vários números do jogo, como número de rebotes, pontos em contra-ataque, pontos no garrafão, turnovers e o caramba. Em todos, ou houve um empate ou o Nuggets venceu. Ontem todos os números foram a favor do Lakers, e como no jogo anterior, quem teve os melhores números não levou a partida. Não é ridículo? É como você ser o cara mais bonito, mais interessante, mais rico e ter o melhor carro e mesmo assim não levar a garota.

A disputa Melo e Kobe também inverteu: No jogo 1 o Kobe precisou de 28 arremessos pra fazer um ponto a mais que o Melo, que chutou 20 bolas. Ontem foi o Melo que precisou de 29 arremessos pra fazer apenas 2 pontos a mais que o Kobe, que chutou 20. Isso sem contar os pivôs, Bynum fez 6 pontos no jogo 1 e ontem o Nenê é que fez 6. Terrível simetria.

O ritmo do jogo, porém, foi mais parecido com o do Cavs e Magic. O time da casa dominou o primeiro quarto por completo, dando a entender que poderia acontecer uma lavada daquelas e de repente o time visitante se recuperou e tomou conta do jogo no final. A diferença foi que o Magic se recuperou com mais lentidão. Depois de apanhar no primeiro quarto, eles apenas empataram o segundo período, mantendo a diferença de mais de 10 pontos, e só no segundo tempo é que conseguiram a arrancada rumo à virada.

Já o Nuggets foi mais veloz e já acabou o segundo quarto perdendo por apenas um pontinho. Depois de um terceiro período bem disputado, foi o melhor time do quarto período e matou o jogo. De qualquer forma, não importa quem seja campeão, não está absolvido das acusações de ser um time irregular, não temos um Spurs nesse ano.

No primeiro quarto, dominado pelo Lakers, parecia que o Denver estava jogando um amistoso beneficente com artistas globais e uma cobertura enriquecedora do Régis Rosing. Ninguém corria, ninguém ia pegar rebote e o ataque parecia aqueles que a gente faz na pelada de sábado quando já tá cansado, dá um drible pro lado e joga a bola pra cima (e ainda sai no trash talk se o arremesso, por milagre, cai).

Aproveitando-se disso, o Lakers jogou na velocidade, com contra-ataque, infiltração e rebote ofensivo. Esquema que é o que mais tem funcionado para o time na pós-temporada, já que contar com as bolas de 3 não está dando, Derek Fisher e Sasha Vujacic estão competindo pra ver quem mais amassa o aro. Juro que trocava os dois por um clone com defeito do Eddie House.

O Nuggets voltou para o jogo quando, quem diria, Linas Kleiza entrou no jogo. Só no primeiro tempo ele fez os 11 pontos em bolas de 3 que o JR Smith deveria estar fazendo e pegou os 8 rebotes que o Kenyon Martin ficou devendo. Se o lituano não mete umas bolinhas de 3 nos momentos certos, o Lakers poderia muito bem ter aberto 20 pontos no primeiro tempo.

Com o jogo pau a pau no final da partida, o Nuggets conseguiu tudo o que não tinha conseguido no jogo 1: a bola na mão do Billups e do Carmelo pra resolver a parada. O Melo acertou alguns arremessos no começo do quarto período e o Billups terminou o serviço acertando um milhão de lances livres. E não foi exclusividade dele, os dois times, somados, cobraram 72 lances livres. Haja paciência pra assistir tanto cara parado.

Teve muita falta questionável para os dois lados, na hora do jogo dá vontade de estrangular os juízes, mas não acho que eles tenham decidido tanto assim. Eles erraram em um momento decisivo do jogo, porém: Uma bola presa há menos de um minuto do final do jogo entre Gasol e Billups. Quando a bola é jogada para cima, antes de qualquer jogador tocar na bola, o JR Smith cruza o circulo onde os dois jogadores estão e muda de posição para atrapalhar o Trevor Ariza, que pega a bola mas acaba se atrapalhando e entregando o ouro. O JR Smith não poderia ter feito isso e se fosse marcado seria lateral para o Lakers.

Embora tenha sido um erro crucial, o Lakers teve outras inúmeras chances de fazer pontos ou de parar o Nuggets e não conseguiu. No fim das contas ganhou quem jogou melhor o final do jogo, como no jogo 1. Kobe Bryant definiu esses dois primeiros jogos da série dizendo que poderia estar 2 a 0 pra qualquer um dos times e que provavelmente os jogos em Denver vão ser a mesma coisa.

Eu discordo. Dos dois jogos em Utah, o Lakers jogou bem em apenas um. Dos três em Houston, jogou bem em apenas um. Já o Denver arregaçou nas 6 partidas que fez em casa até agora nos playoffs. Acho que o Denver ganha fácil pelo menos um dos jogos, mas o Lakers só precisa vencer um por lá pra recuperar o mando de quadra.

Momento Jogada-Show agora, em homenagem aos bons tempos de NBA na RedeTV. A enterrada do Kobe no Bridman, e a cravada fenômenal do Ariza sobre o Danthay Jones, foram fantásticas. Mas nada supera a malandragem à brasileira do Billups, ah muleque!





O assistente técnico mais feio do mundo

O novo técnico do Wizards, como vocês devem saber, é o Flip Saunders. Ele assume o time na temporada que vem e terá ao seu lado como assistentes técnicos o ex-técnico do Wolves Randy Wittman (demitido no meio dessa temporada) e o Sam Cassell, que foi jogador do Saunders naquela campanha do Wolves que chegou a final do Oeste em 2004. Já é o assistente técnico mais feio de todos os tempos.

E quem sabe não veremos o Arenas fazer a famosa "Big Balls Dance" do Cassell.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

O melhor nunca vence

Tem que ter coração, brother

Acho que a NBA está virando futebol. Pelo segundo dia seguido, ser o melhor time em quadra não quer dizer absolutamente nada. Não adiantou dominar o jogo por três períodos, o Cavs jogou como se estivesse liderando por uns 30 pontos de vantagem mas na verdade o Orlando sempre ficou perto. E acabou roubando a liderança no quarto período.

O primeiro tempo foi um massacre a favor do Cavs. Na defesa eles anularam o Magic, Turkoglu e Lewis não faziam cestas enquanto o Dwight Howard, único que realmente estava funcionando, acabou cometendo duas faltas de ataque. Pra completar, no ataque estava tudo dando certo. Tudo mesmo, desde os jumpers de meia distância do Joe Smith até arremessos do garrafão de defesa no estouro do cronômetro do Mo Williams. A cada bola dessas que entrava, a torcida ia ao delírio e o olhar dos jogadores do Magic indicava uma derrota humilhante.



Mas assim como no jogo 1 entre Lakers e Nuggets, o time que dominou o jogo nunca foi capaz de conseguir aquela arrancada final para abrir a diferença para perto da casa dos 20 pontos e matar o jogo.

Com a diferença ficando sempre na casa dos 10 pontos, o Magic acabou ficando mais confortável em quadra. Aos poucos Mickael Pietrus, Rafer Alston e Turkoglu foram acertando os seus arremessos e a diferença foi para o espaço. Quem também acertou uma bela cesta foi o Courtney Lee, que conseguiu uma enterrada insana sobre o LeBron. Só não sei como ele teve coragem de tentar a enterrada com o LeBron vindo como um demônio atrás dele, eu fingiria torcer o pé e não pularia.

Chegou então o quarto período e aqui o problema para o Cavs foi que o LeBron estava jogando bem demais.

Vou explicar: é que ele estava em seus dias de Video Game James, quando ao invés de parecer um ser humano ele parece ser um jogador do NBA Jam com a bolinha pegando fogo. Absolutamente tudo o que ele jogava para o alto dava certo. Enterradas, arremessos de perto, de longe, de mais longe, de direita, de esquerda. Sem contar os roubos de bola, as inúmeras assistências e até os dois tocos em tentativas de enterrada do Dwight Howard (ele não teve a mão decepada).

Com ele jogando tão bem, o time foi para o período decisivo com a tática Fresh Prince of Bel-Air. Ou seja, bola na mão do King James e o resto abre para arremessar caso o rei decida se livrar da bola. Isso já deu certo inúmeras vezes, mas o Cavs deixou de ser um time bom para ser o melhor da NBA porque nesse ano finalmente teve um ataque de verdade, com movimentação de bola, passando por Delonte West, Mo Will e pelos pivôs.

O LeBron não fez feio no quarto período, claro, ele teve uma das atuações mais impressionantes desses playoffs, mas já não era o mesmo do começo do jogo. O Mike Brown pediu um tempo faltando dois minutos para o fim do jogo só para descansar o LeBron, que estava visivelmente exausto.

O ataque estagnado do Cavs era tudo o que o Magic queria pra conseguir sair na velocidade e fazer suas bolas de 3 na transição. Como comentaram perfeitamente na transmissão gringa do jogo, o Magic não faz contra-ataques para acabar em bandejas, eles correm para a linha dos 3 e, em um time de arremessadores, em algum momento do jogo as bolas caem.

A discussão que surgiu depois do jogo era para saber o motivo que fez o Cavs não conseguir definir a partida. O excesso de tempo sem jogar entre a série passada e essa atrapalhou? A falta de desafio nas outras séries fez o Cavs ficar perdido no final? Ou o Cavs não é tudo isso e eles só pareciam bons porque pegaram moscas mortas até agora?

Tempo demais sem jogar poderia ser a desculpa se o Cavs tivesse começado o jogo mal, mas depois daquele primeiro tempo destruidor isso não é desculpa.

A falta de desafio nas outras séries até é um argumento válido, fazendo parecer que o time não estava tão preparado para momentos decisivos. Mas eles jogaram uma temporada de 82 jogos em que resolveram trocentos jogos no último minuto, essa desculpa não rola.

O Cavs é tudo isso sim. O time falhou ontem no segundo tempo ao atacar mal e dar a chance do Orlando voltar ao jogo, mas na hora de decidir a equipe foi bem. Delonte West, Mo Williams e LeBron James acertaram arremessos difíceis e importantíssimos, só perderam mesmo porque o Rashard Lewis fez, pelo menos durante alguns minutos, parecer que realmente vale os 18 milhões que pagam por ele.

Aliás, o arremesso da vitória do Rashard Lewis a 14 segundos do final foi o exemplo mais claro de como ter ele na posição 4 é um terror para a defesa adversária. O Varejão acabou ficando na sua marcação e não foi capaz de detê-lo no perímetro. Mas, se tivessem colocado alguém menor, o Rashard poderia ter batido pra dentro como já fez algumas vezes.

O Cavs é o melhor time da série e não é nada impossível para eles conseguirem ao menos uma vitória em Orlando. Mas acho que já está bem claro que ser o melhor time não quer dizer tanta coisa assim numa fase tão avançada dos playoffs. Agora mais do que ser melhor e jogar bem, tem que saber ganhar.

Aqui um resumo do jogo com o que de melhor aconteceu: enterradas do LeBron, tocos do LeBron em todo mundo, a bola de 3 do Mo Williams, os arremessos decisivos do Rashard Lewis, a bola presa a 1 segundo do fim do jogo e até o Dwight Howard enterrando tão forte que derrubou o relógio de 24 segundos.


quarta-feira, 20 de maio de 2009

Os números do jogo 1

Carmelo foi melhor. Kobe fez um ponto a mais.


Não sei se já deu pra perceber mas eu sempre fui fanático por números dentro do basquete. Fico buscando estatísticas estranhas, números que mostrem quem é bom, ruim, especialista, útil, decisivo, bonito. E uma das brincadeiras mais legais com números é pegar os números do jogo e tentar adivinhar quem ganhou.

Vamos fingir que você não sabe quem ganhou o jogo de ontem e tentaremos adivinhar o resultado. Os números estão sempre na ordem Nuggets/Lakers.

Turnovers: 15/15
Pontos de contra-ataque: 7/7
Maior liderança: 13/4
Pontos no garrafão: 46/40
Rebotes: 34/46
Assistências: 24/25
Lances-Livres cobrados: 35/24
Tocos: 8/9
Roubos: 9/7
Aproveitamento dos arremessos de quadra: 48%/41%

Com esses dados em mãos, você diria que quem venceu?
Eu apostaria todo meu dinheiro, minha casa, esposa e pé do Danilo no Nuggets. Números como turnovers, contra-ataques, assistências, tocos e roubos se anulam. O Denver teve uma liderança maior, cobrou muito mais lances livres e fez mais pontos no garrafão. O Lakers venceu a batalha dos rebotes, mas os arremessos a mais não parecem ter sido bem aproveitados com os 7% a menos de aproveitamento dos chutes.

Pois é, como sabemos não foi exatamento isso o que aconteceu. O Lakers arrancou na marra, no grito, na magia negra, uma vitória importantíssima. Mas os números dizem algumas boas verdades do jogo: o Denver jogou melhor, defendeu melhor e arremessou melhor. Estou pensando seriamente em pegar uma das reprises do jogo no League Pass pra saber como diabos o Lakers conseguiu sair com a vitória. Alguém errou no placar tipo naquele jogo do Brasil no Pan-Americano ?

Curiosamente, ontem eu iria fazer um preview do jogo dizendo o que eu achava que poderia decidir os jogos a favor dos dois times. Iria dizer que seria essencial o Fisher (ou o Vujacic) voltar a acertar as bolas de 3 para liberar um pouco o garrafão (Fisher acertou 3 bolas de 3, incluindo a da virada no quarto período), que seria congestionado, com os pivôs recebendo poucas bolas (Gasol e Bynum juntos chutaram 13 bolas). E iria dizer que o número-chave da série seriam os rebotes, quem vencesse os rebotes iria vencer a série (o único número que o Lakers venceu com sobra).

Mas diabos, eu não fiz esse post! Saí com o Danilo, ficamos jogando conversa fora, cheguei em casa na hora do sorteio do draft e não vim aqui falar tudo isso que realmente acabou acontecendo. Ainda ia falar que acreditava que o Phil Jackson iria colocar o Kobe para marcar o Billups. Era meu dia de consagração no mundo dos adivinhos e ia ficar aqui me gabando com uma cara de convencido pior que a do Kobe, mas não escrevi nada e fiquei como vidente com um dia de atraso. Go, Mãe Dinah!

De qualquer forma, não só ia comentar essa mudança do Phil Jackson porque achava ela possível, mas porque ela fazia muito sentido. O Fisher não consegue mais marcar ninguém e ninguém ele estaria marcando se ficasse encarregado do Danthay Jones, o Ariza ficaria no Carmelo e o Kobe usaria seu talento defensivo e tamanho para incomodar o Billups.

Só que não deu muito certo. O Carmelo comeu o Ariza com feijão e farofa e o Billups ameaçou colocar o Kobe em problemas de faltas algumas vezes. Os dois melhores defensores do Lakers não estavam funcionando nem um pouco. A solução veio só no segundo tempo, quando o Ariza foi marcar o Billups e o Kobe ficou encarregado do Melo.

O Ariza foi muito mais efetivo com seus longos braços atrapalhando os passes do Billups e foi o responsável pela jogada da partida ao roubar um passe de lateral no último minuto do jogo. O Kobe não conseguiu parar o Melo, ninguém iria conseguir ontem, mas pelo menos fez um melhor trabalho ao cortar as linhas de passe, fazendo o cestinha do Nuggets, que estava numa das melhores noites de sua carreira, receber bem menos bolas do que deveria. Se a bola chegasse nele era cesta na certa.

A defesa do Kobe culminou em algumas situações patéticas como o Anthony Carter e o Chris Andersen sendo responsáveis por ataques cruciais para a partida. Mesmo com Melo e o Mr.Big Shot no time, faltou para o Denver saber terminar o jogo, só isso. Os números estão lá para provar que o Denver foi um time mais completo, mas estão lá também para mostrar uma vitória por 4 pontos do Lakers no quarto período de um jogo decidido por 2.

Não é momento de desespero para o Nuggets. Pode parecer meio aterrorizante a sensação de ter jogado um jogo-chave no lixo mas eles tem que se focar no fato de que o time foi melhor no jogo 1 e que não há razão para não ser melhor mais vezes. Até porque ontem o Nuggets não contou com os pontos de seu terceiro cestinha, o JR Smith, que fez um jogo digno de Sasha Vujacic: 2 acertos em 7 chutes (5 da linha dos três) e só 8 pontos.

Aliás, o banco de reserva foi um ponto a favor do Lakers, 27 a 16. O Nuggets, por mais opções ofensivas que tenha, precisa do banco de reserva para pelo menos segurar as pontas quando os titulares estiverem descansando. A imensa liderança de 13 pontos do primeiro tempo virou farofa quando os reservas do Nuggets enfrentaram os reservas do Lakers.

Poderia passar mais um tempão falando do jogo de ontem que foi emocionante e cheio de pequenos detalhes decisivos, mas hoje uso um pouco do bom senso que me resta e paro por aqui. Fica pra quinta-feira quando teremos um jogaço de novo. Previsão feita antes da partida dessa vez!

Nota triste: DJ MBenga jogou exatos 22 segundos e tomou uma enterrada na cabeça. Agradecemos se alguém achar o vídeo. Valeu, Anônimo!

Time de sorte

Nem com cheerleadres gostosas o Clippers agrada


É engraçado ver o sorteio do draft porque os representantes de cada time ficam em uma situação meio patética. Eles só ficam sentados em uma bancada em rede nacional esperando o resultado de umas bolinhas sorteadas. Aí fazem uma cara de bunda quando não conseguem o que querem e se contém para não sair pulando quando vencem.

Os times variam em quem chamam para os representar. Mas tirando algumas exceções, a brincadeira varia entre técnico, presidente, general manager ou algum jogador, geralmente alguém que acabou de acabar a temporada de novato.

Como eles não tem que fazer nada a não ser ter sorte, alguns levam pulseiras da sorte, blusa da sorte, cueca da sorte, pedaço de bife da sorte e coisas assim. Mesmo sem acreditar, dá pra entender, se lá é só acaso, o que custa levar alguma coisa?

Pois ontem o Kings e o Knicks chutaram o pau da barraca e foram para o caminho oposto. Quiseram ter azar! Os dois chamaram ex-jogadores: o Kings chamou o Chris Webber e o Knicks o Allan Houston. Um conhecido por amarelar em momentos decisivos e o outro um talento estragado por contusões. Dois representantes de Murphy, senhor do azar.

Deu no que deu. Os sonhos do Knicks de ter Ricky Rubio foram por água abaixo e o Kings, o time com mais chance de ficar com a primeira escolha, ficou só com a quarta. Que aprendam e levem amuletos da sorte no ano que vem, quando certamente estarão na mesma situação.

Por mais incrível que pareça essa frase, o time sortudo da noite foi o Clippers, que leva a primeira escolha pra casa. O Grizzlies tem a segunda e o Thunder a terceira. O Mike Dunleavy, técnico do Clippers, que estava ontem na Espanha acompanhando o Rubio de perto, disse que o time não tem dúvida de que vai escolher o ala de força Blake Griffin com a escolha número 1.

Provavelmente teremos mudanças à vista. O garrafão com Zach Randolph, Blake Griffin, Chris Kaman e Marcus Camby deve render algumas trocas, é um mar de possibilidades. E aí, na hora de escolher as trocas, provavelmente eles tomam as decisões erradas. Mesmo depois de uma noite de sorte, o Clippers é o Clippers.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Com sobras

Paul Pierce de carrinho no maior estilo Sandro Goiano

O jogo 7 de Lakers e Rockets serviu apenas para uma coisa: enchermos o peito e gritarmos "Como o Lakers deixou essa mamata chegar a esse ponto?". O Aaron Brooks foi ótimo nas vitórias do Houston, claro, ele merece aplausos, a vaga garantida de armador titular por anos, um carro zero e um beijo no rosto, mas deixar um armador de segundo ano levar um time nas costas até o jogo 7 é motivo de vergonha para um time que almeja um título.

Ontem o Lakers defendeu o Houston como o time que eles são, uma equipe sem os dois principais jogadores de ataque e que depende de jogadores limitados para pontuar. Ou seja, bota pressão no Brooks, no Scola, e deixa Battier e Hayes se matarem pra fazer uma cesta. A defesa foi esmagadora e o Lakers mesmo sem muita inspiração ofensiva venceu com muita facilidade. Desde o primeiro minuto o jogo já estava decidido.

Também usaram e abusaram de Pau Gasol, melhor jogador da partida, e do Bynum, ambos destruiram na defesa e nos rebotes ofensivos, o mínimo que eles deveriam fazer contra um time que usa o Chuck Hayes de pivô. Continuo com a minha tese de que se o Lakers joga o seu melhor jogo, é o melhor time da NBA, mas dentre os melhores times é provavelmente o mais irregular, seja de um jogo para outro ou mesmo dentro de uma mesma partida.

Se serve de consolo, no ano passado o Celtics também precisou de jogos 7 contra times mais fracos (contra dois times mais fracos, na verdade) e só depois disso é que embalou rumo ao título. No ano passado o Ray Allen demorou duas rodadas pra finalmente pegar no breu, quem sabe o Bynum não é o Ray Ray desse ano? Ridículo, mas que serve para os torcedores do Lakers se animarem um pouco depois de uma série que expôs tantos defeitos da equipe.

Falando em Celtics, estes protagonizaram a 21ª derrota de um time da casa em jogo 7 na história da NBA em 104 jogos 7 na história.

O jogo do Celtics contra o Magic ontem foi bem estranho. Tudo o que eu esperava do Boston, não aconteceu: o Paul Pierce não foi o melhor jogador em quadra, o Rondo não foi tão agressivo, o Eddie House não estava nos seus melhores dias e o time não parecia pilhado como se fossem 12 Garnetts sob efeito de cocaína.

Pelo lado do Magic também aconteceu tudo do avesso: o Alston não entregou o ouro, o Turkoglu fez seu melhor jogo na série e o melhor período deles no jogo foi o quarto. Foi um jogo 7 do mundo bizarro, se eu não tivesse mudado de universo ao apertar o botão vermelho teria visto o Celtics vencer.

O jogo não foi um primor técnico e nem de emoção, mas foi surpreendente e encheu de esperanças os torcedores e os jogadores do Magic. Com a palavra, Dwight Howard:

"A primeira vez que falei que iríamos lutar pelo título, todos riram. Eu acredito que podemos ser campeões. Nós não vamos parar até conseguirmos. Nós temos o time certo, temos o talento, temos a comissão técnica. É só irmos lá e jogarmos duro. Ainda temos muito pela frente e eu ainda estou faminto."

Não tenho dúvida de que vontade não vai faltar para o Magic. Não faltou quando eles perderam o Jameer Nelson, quando sofreram contra o Sixers, não faltou quando precisaram se recuperar de um déficit de 10 pontos no último período do jogo 6 e não faltou ontem de novo. Vontade eles têm de sobra, o resto que o Dwight falou é que pode não ser verdade.

Será que eles tem elenco e talento o bastante pra passar pelo Cavs? Duvido. Para pelo menos não serem varridos como foram todos até agora? Aí sim.

Na temporada regular o Orlando foi um dos times que mais incomodou o Cavs. O LeBron liderou o time à vitória no único jogo realizado em Cleveland, um apertado 97 a 93 com direito a virada no último período. O Orlando venceu os dois jogos em casa, um por 99 a 88 e venceu aquele jogo que a ESPN aqui do Brasil passou no fim da temporada por 116 a 87, uma humilhação que poucas vezes vi o Cavs sofrer. Mas até aí o Lakers tinha varrido o Rockets na temporada regular, então não é garantia de nada.

Os dois jogos 7 não foram tão emocionantes quanto eu esperava, é verdade. O do Orlando até foi emocionante até aqueles primeiros minutos do quarto período quando eles deslancharam, mas de qualquer forma os dois vitoriosos foram os dois times que deixam as finais de conferência mais interessantes. O Celtics não teria chance contra o Cavs e o Houston seria trucidado pelo Nuggets. Perdemos jogos 7 emocionantes mas ganhamos finais de conferência espetaculares.


Os derrotados
Esquecendo um poucos dos vencedores e dando um pouco de atenção aos derrotados que são jogados no lixo dos corredores da NBA, lembramos que amanhã tem o sorteio para se definir a ordem do Draft 2009.

Para quem mora em Marte, o sorteio do draft decide que times terão a primeira, segunda e terceira escolha no draft. Da escolha 4 até a 30 irão os times não sorteados com a ordem inversa de classificação. Mas os times que foram para os playoffs não têm chance de ganhar uma das três primeiras escolhas, apenas os 14 fracassados que não foram para a pós-temporada participam do sorteio de amanhã.

Neste link da NBA.com você pode ver quais são as chances de cada time que não foi para os playoffs de conseguir a primeira escolha e qual é a ordem do resto do draft.