segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Novos ares

Vergonha eterna dessas fotos de estúdio


Um dos lados ruins do blog estar crescendo (o único, talvez) é que tem mais gente cobrando posts. Vocês não tem noção de como isso é chato! Não que as pessoas não tenham razão em muitos dos assuntos propostos, mostra que tem muita gente atenta ao que está acontecendo na NBA, o que é bom, mas não dá pra só um blog falar de tudo. Também é chato essa idéia de que posts são homenagens, coisas do tipo "O time X está jogando bem, merece um post". Tá, ele está jogando bem, mas tem uma história legal por trás disso? Tem algo que merece ser estudado, questionado ou explicado? Se não tem, acho que não vale a babação de ovo virtual.

Outro tema muito pedido é sobre jogadores que estão tendo atuações abaixo ou acima do esperado. A cada boxscore bizarro surge a vontade de saber se aquilo foi uma aberração, se o cara vai ser All-Star ou se é só o outro time que vacilou grandão. Eu acho que um post inteiro para falar de um jogo ou de uma sequência de jogos de que não estamos acostumados é demais, mas eu gosto de comentar sobre como os jogadores mudaram e tentar descobrir da onde veio essa mudança. Nada muda assim simplesmente por mudar e tentar descobrir a razão é bem interessante. Afinal, pode ser treino (como foi com o Richard Jefferson), mudança de ambiente, técnico, esquema tático, pintura do cabelo, esposa, sei lá! 

Durante essa semana e a próxima vou aos poucos falando de vários casos de jogadores diferentes, hoje vamos começar com os jogadores que mudaram de time, explicando como a mudança de ambiente fez o cara subir de nível. 

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Todo mundo, em qualquer área que trabalhe, sabe como um ambiente ruim pode estragar o desempenho. Se você é motivo de fofoca em volta do bebedouro da firma é normal que trabalhe sem o mesmo empenho ou que simplesmente faça o que tem que fazer com cara de bunda enquanto procura um trabalho novo. Na NBA não é diferente, um jogador pode não se adaptar à cidade, aos companheiros de time, técnico ou esquema tático e não ficar à vontade por lá. 

O Antawn Jamison, por exemplo, é um caso extremo de fracasso. Nunca entendeu o sistema defensivo do Cavs no ano passado, dizem que era meio excluído dentro de um grupo bem fechado e nesse ano fica de lado porque é um veterano caro em um time que tenta se reconstruir. Por fim até passou a arremessar cada vez pior. Poucas vezes vi um cara perder tanto valor em tão pouco tempo, é o jogador errado no lugar errado e com possibilidades remotíssimas de troca. Jogadores não esquecem como jogar basquete, mas podem cair muito de produção quando estão num time que não os valorize.

O oposto também acontece. Quem melhorou por estar no lugar certo na hora certa é o ex-Cavs Shaquille O'Neal. Duas coisas mostram bem essa evolução e a sua razão: Na semana passada ele teve seu primeiro jogo com 25 pontos e 10 rebotes em mais de dois anos, finalmente, e antes disso foi divulgado que ele disse para o Kevin Garnett algo como "Vocês levam esse negócio de jogar em equipe bem sério aqui, né?".

Dizem que o Shaq está encantado com a maneira que as coisas são levadas no time do Boston e tem se dado bem com todo mundo. Naturalmente se dedica mais e quando o Shaq está motivado ele é um dos melhores, sempre. Mesmo que hoje em dia só tenha físico para aguentar ser o melhor por uns 20 minutos por partida, mas não importa, é o que o Celtics precisa. Ele também disse antes do último jogo contra o Hawks que cogitou seriamente ir para o Hawks por gostar da cidade de Atlanta, mas que decidiu pelos verdes pela chance maior de título. O Larry Drew, técnico do Hawks, disse que concordava com o Shaq e que até achava que, embora não fosse nada mal tê-lo por lá, ele não ia se dar bem com um time tão jovem e com uma mentalidade tão diferente da dele. Embora muita gente tenha feito piadinha com o fato do Hornets ter trocado pelo Jarrett Jack, amigo do Chris Paul, para agradá-lo, é essencial que um jogador tenha amizades dentro do clube. Eles passam muito tempo junto, qualquer briguinha pode arruinar uma temporada.

Outro que foi para o lugar certo na hora certa foi o Dorrell Wright. Eu não sei explicar bem porque o Heat não era o lugar certo pra ele, mas a coisa não tava rolando. Afinal, o técnico Erik Spoelstra queria montar um time com uma defesa fortíssima e cada um que não se adaptasse ficava mofando no banco batendo palma e entregando toalhas. O Heat também queria alguém que tivesse um bom arremesso para se aproveitar do espaço criado pelas infiltrações do Dwyane Wade. O Wright não é o Ray Allen ou o Ron Artest, mas faz um pouco das duas coisas, não sei porque jogava tão pouco, eles também não tinham outras opções muito melhores. Alguns acham que é porque ele causou uma má impressão nos seus primeiros anos na NBA, passou muito tempo machucado, não se posicionava bem na quadra e foi naturalmente sendo última opção. Às vezes jogava bem, mas não conseguia embalar uma sequência de jogos bons e voltava a ser resto.

O Golden State Warriors foi atrás dele porque era barato, ninguém mais queria e eles estavam com falta de jogadores para a ala: a disputa de posição estava entre Ekpe Udoh, novato que está machucado, a eterna promessa Brendan Wright, e o Reggie Williams, que pra mim tem nome de jogador de futebol americano e foi uma daquelas descobertas bisonhas do Don Nelson no ano passado. Com adversários tão discretos, deram para o Dorrell a chance de jogar mais tempo e ele começou a corresponder. Só precisavam que ele acertasse bolas de três e de vez em quando corresse junto nos contra-ataques, nada mais. 

Mas ele tem feito mais do que isso. Com seus roubos de bola e dedicação defensiva tem sido um dos fatores para o Warriors sair da última posição da liga em defesa (embora ainda sejam um dos piores). Mas ele tem contribuído mesmo é com as bolas de longa distância. No jogo contra o Wolves no fim de semana ele acertou 9 bolas de longa distância, recorde da história do Warriors. E lembrem que nos últimos 5 anos do time e no timaço que eles tinham nos anos 90, com Chris Mullin e Tim Hardaway, muitos bons chutadores passaram por lá, é um feito gigantesco um cara com só um mês de time bater esse recorde. 

Esse desempenho bem acima do que até o Warriors poderia imaginar (nem a mãe dele deveria sonhar com o cara jogando tanto!) é razão também dele estar em um esquema tático que o favorece. Apesar das mudanças que o técnico Keith Smart tenta impôr em relação à doideira dadaísta de Don Nelson, o time ainda é baseado em contra-ataque, infiltrações e jogadas individuais. Wright sabe criar seu próprio arremesso, acerta seus arremessos quando a marcação corre para tentar defender Monta Ellis e Stephen Curry e ele ainda tem se entrosado muito bem com o David Lee.

Lee veio do Knicks com a função de melhorar o rebote da equipe mas tem sido bem útil no ataque. Faz o pick-and-roll com perfeição com todos os jogadores e quando tem a bola  no garrafão sabe distribuir, a inteligência dele em quadra merecia mais atenção de todos. Nos jogos em que o David Lee joga, o Wright tem médias de 17,8 pontos, 47% de aproveitamento, 3.9 arremessos de três feitos e 56% de aproveitamento nas bolas de longe. Nos jogos em que o Lee ficou de fora, machucado, as médias de Wright despecaram para 12,9 pontos, 34% de aproveitamento nos arremessos e 0,8 bolas de três por jogo com 18% de acerto. 

Os talentos do Dorrell Wright até poderiam ser aproveitados no Heat, mas nunca o foram e depois de até correr o risco de ficar sem time, achou o ambiente perfeito para exercer o seu jogo. É um dos motivos para a gente pensar duas vezes antes de sair tendo certeza absoluta que um jogador é ruim mesmo tendo visto ele jogar só em uma situação.


Quem a gente já viu em várias ocasiões e nunca foi o bastante para convencer era o Darko Milicic. Ele passou por Pistons, Magic, Grizzlies e Knicks antes de ir para o Wolves. Em todos os times virou motivo de piada e sempre insistem em lembrar que ele foi escolhido no Draft antes de Chris Bosh, Dwyane Wade e Carmelo Anthony. Ok, ele foi, não foi melhor que nenhum deles, mas e daí? Pensando além do Draft, ele foi realmente ruim? No Pistons não dá pra saber porque nem entrava, era o "Human Victory Cigar", no Magic jogou bem (8 pontos, 4 rebotes e 2 tocos em 20 minutos por partida) e manteve o mesmo nível de jogo no Grizzlies. Nada espetacular, clara afobação e nervosismo em situações de pressão, mas ainda assim, um cara com talento de sobra para jogar na NBA. Pivôs como o Marcin Gortat estão no mesmo nível ou mostraram até menos coisas do que ele e são adorados simplesmente porque não esperavam nada deles. Mesmo passados 7 anos desde o Draft de 2003, Darko ainda sofre com a maldição da expectativa. 

Mas aí veio o Wolves, o time dos renegados, para tentar resolver tudo isso. Lá ele recebeu a garantia de que seria titular e que iria jogar bastante, tirando o nervosismo e o medo de que iria para o banco depois de uma bobagem em quadra. Pelo Wolves ser uma porcaria, também ficou longe da imprensa e da pressão de torcidas mais fanáticas. Aos poucos ele foi se sentindo mais à vontade em quadra e esse ano tem sido sua redenção. Ele chegou lá no meio da temporada passada, não nesse ano como os outros casos desse post, mas mesmo assim considero que a melhora foi causada pela mudança de ambiente em fevereiro desse ano.

Foi nessa temporada que ele ganhou a responsabilidade de ser o pilar defensivo do Wolves e hoje lidera a NBA em tocos, com 2,9 por partida. Seus rebotes poderiam ser melhores, mais que os 6 que pega, mas pra quem joga ao lado do ímã Kevin Love até que não está mal. No ataque a média de 9,1 pontos por jogo pode indicar que ele não é bom o bastante, mas isso tem mudado também. 

Nos primeiros 10 jogos da temporada ele tentou se impor, chamar jogadas, forçar o jogo e não deu nada certo, estava tentando ser mais do que deveria. Não sei se por conta própria ou se por ordem do técnico Kurt Rambis, ele passou a arremessar só quando a chance parecia realmente boa e com isso seus números e aproveitamento cresceram. A confiança subiu ao ponto dele conseguir, pela primeira vez na carreira, três jogos seguidos com mais de 20 pontos: 23 pontos, 16 rebotes e 6 tocos contra o Lakers, 21 pontos, 4 rebotes e 3 tocos contra o Thunder e 22 pontos, 8 rebotes, 4 assistências e 5 tocos contra o melhor time da temporada, o Spurs

Nos perguntaram se a gente ficou surpreso com esses números ou se era mais um sinal do fim do mundo, e a resposta é não para as duas coisas. Eu ficaria surpreso se ele fizesse isso durante todos os jogos de uma temporada completa, mas acho comum e normal um jogador bom ter algumas sequências acima da média quando joga durante 6 meses seguidos. Darko é hoje um jogador veterano, com lugar garantido em um time e com algumas qualidades óbvias. Nada mais e certamente nada menos que isso. É bom nos acostumarmos a vê-lo misturar jogos comuns, medianos, com outros muito bons. Ele é um cara normal no fim das contas. Ou quase

Está ao lado de Darko no Wolves o maior exemplo de como às vezes basta uma mudança de time para o cara mostrar o que sabe: Michael Beasley. Ele me lembra um pouco o caso do Tracy McGrady, que parecia ser muito bom no Toronto Raptors mas que não conseguia se destacar jogando ao lado do seu primo Vince Carter. A grande diferença entre os dois é o Efeito Darko: T-Mac foi a 9ª escolha do Draft de 1997, Beasley foi a 2ª escolha do Draft de 2008. Ver o T-Mac indo mais ou menos rendia comentários do tipo "Imagina quando ele tiver o seu espaço. Tem futuro o garoto!", ver o Beasley indo mais ou menos ganhava um nervoso "Bust! E ainda tinha gente que achava que ele poderia ser melhor que o Derrick Rose!". 

Depois de anos crescendo sem pressão no Raptors, o T-Mac foi para o Orlando Magic como Free Agent ser o cestinha da NBA por dois anos seguidos, o Beasley foi trocado por uma escolha de segundo round e feijões mágicos para o Minnesota Timberwolves. Com apenas três minutos a mais por jogo ele tem 7 pontos a mais de média, pulou de 14 para 21 por partida. Os arremessos de três melhoraram de 27% para 45%! E hoje você até pode ver ele rindo em quadra:

- sup


Dava pra ver no Heat como ele não se encaixava lá. O Spoelstra morria um pouco a cada falha defensiva do Beasley e o jogador parecia completamente desinteressado na partida e fora de ritmo porque não suportava ver o Dwyane Wade chutar 25 bolas antes dele ter a chance de tentar a sua. No Wolves o ataque passa por ele, as jogadas são desenhadas para que Beasley finalize e desde o começo do jogo ele pega o ritmo da partida, participa e toma a iniciativa. Ainda não sou um dos que vai dizer isso do LeBron James, mas não é todo mundo que consegue render ao lado de gente como o Dwyane Wade que concentra tanto o jogo na mão dele. 

Nada contra o Wade, muito pelo contrário, é o estilo de jogo dele e foi assim que ele foi o melhor jogador dos playoffs de 2006 levando o Heat ao título, mas não é fácil encontrar gente que combine com esse jeito de jogar. E também o Beasley não é coitadinho, ele nunca parecia sequer interessado quando estava no Heat, claramente incomodado por não ser muito acionado. Com um pouco de vontade e treino ele poderia ter rendido bem mais em Miami. A mudança de time e ambiente não é sempre a libertação de um jogador coitado que estava preso nas amarras de um técnico do mal, às vezes o próprio jogador não tem o talento ou vontade de se adaptar. Esperto foi o o General Manager David Kahn de perceber a chance de levar o Beasley para o Wolves, saiu barato e já está dando muito resultado. 

Ainda tem muita gente que está subindo de nível nesse começo de temporada, por outros motivos, e vamos continuar nesse assunto em breve! 

domingo, 28 de novembro de 2010

Duas promoções

Duas promoções hoje. Um post só para divulgar o resultado da promoção TECHFIT da adidas e também uma nova, oferecida pela Blockland, loja virtual de roupas inspiradas no basquete e que está anunciando aqui no blog.

O vencedor do conjunto TECHFIT da adidas é o leitor Horácio Sant'Anna Cardoso da Silva. Embora a força nominal dele seja bem forte e seu sobrenome de poeta seja valioso, ele venceu por sorteio mesmo. O Google Docs organizou os e-mails e sorteamos o número pelo site random.org. 
Para saber mais do TECH FIT e da promoção, leia esse post aqui. 

Entraremos em contato com você ainda hoje, Horácio, para conseguir os dados necessários para o envio do produto. Parabéns!



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Promoção Blockland
Mesmo esquema aqui. Coloque seu nome e o seu e-mail na caixa abaixo e concorra a uma camiseta oferecida pela Blockland, essa que está na foto abaixo. Para conhecer melhor a Blockland é só clicar no banner deles na barra lateral, valorizem o nosso primeiro anunciante depois de mais de três anos de blog!






O resultado da promoção Blockland sai no próximo domingo, dia 5 de dezembro!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Filtro Bola Presa - Um resumo semanal

Não tenta negar, Turko

Nada de tretas nos comentários dessa semana, certo? Vocês fazem sua parte entendendo que o Filtro é o nosso post semanal em que postamos tudo o que não é tão importante, que não passou no nosso filtro para virar post enorme e complicado, e a gente faz nossa parte não chamando ninguém de tonto. Combinado, bando de tonto? Bora!

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- Vocês lembram da história postada nesse filtro há alguns meses que uma mulher de 62 anos que tinha um tipo raro de câncer era fanática pelo Dwight Howard e acabou conhecendo ele? Pois é, ela morreu. Ela tinha falado que queria estar viva para conseguir ver ele estrear nessa temporada e conseguiu, mas não muito mais do que isso. Pelo menos eles se conheceram e ficaram brothers. Pra quem quer ler a história completa com o amor incondicional da vovó pelo Dwight, é só clicar aqui. 

- Já que o assunto é funeral, vamos falar de Michael Jackson. Nessa semana o Kobe Bryant deu uma entrevista para o Adrian Wojanorwski do Yahoo!Sports e contou uma história absurdamente bizarra. Em uma tarde qualquer, 14 anos atrás, quando Kobe tinha 18 aninhos e era uma estrela juvenil recém-draftada na NBA, ele recebeu um telefonema de Michael Jackson e eles conversaram por horas e horas. (pausa de 5 minutos para todas as piadas sobre o Michael Jackson ligar para um moleque de 18 anos que ele não conhece) 

Kobe acabou indo visitar Neverland algumas vezes e os dois criaram uma amizade. Nas palavras do Black Mamba:

"Ele percebeu tudo o que eu estava passando por ser diferente. E sei que soa estranho, mas eu fui inspirado pela preparação do Michael Jackson". Ele explica, "Nós sempre conversamos sobre como ele se preparava para fazer sua música, como ele se preparava para os shows. Ele me mostrou como fazia, como fez o "Thriller", o "Bad" e todos os detalhes necessários. Era a aprovação que eu precisava para me focar no meu trabalho e não vacilar. Porque o que ele fez - e como ele fez - foi psicótico. Ele me ajudou a chegar no nível que alcancei"

Também descobri que o Magic Johnson foi amigo bem próximo do Michael Jackson. De repente fez muito mais sentido ele e o Kobe estarem presentes do Showneral no MJ no ano passado. A matéria completa está aqui (em inglês), é boa para ter mais alguns exemplos de (como já dissemos aqui anos atrás) que o Kobe é o maior nerd do basquete.


- Eu já disse aqui como acho que seguir os Twitteres dos jogadores da NBA é um porre de notícias geográficas (Alô, Phoenix!) e comentários de futebol americano universitário. Mas o "Ball Don't Lie" tem feito um bom trabalho encontrando algumas pérolas ditas por atletas da liga. Descobrimos, por exemplo, que o Brandon Rush vai na pedicure porque "meus pés estão horríveis" e que a vó do novato Al-Fariq Aminu vai reclamar com o Clippers porque as cheerleaders dançam na quadra usando só calcinha e sutiã. Um absurdo, meu senhor! Alguém aí também é inspirado pela beleza da vida cotidiana do jogador da NBA? Às vezes há tanta beleza no mundo que eu acho que não vou aguentar.

- Quem aí consegue lembrar do Kirk Snyder? Foi uma escolha de primeiro round em 2004 pelo Utah Jazz e jogou na NBA até 2008, passando também por Hornets, Rockets e Wolves. Ele era um bom jogador e até chegou a ser titular durante um tempo em New Orleans, mas não manteve o bom nível e aos poucos foi sumindo da liga. Jogou um ano na China e nesse ano estava de volta nos EUA para... invadir uma casa, agredir o dono (quebrou o maxilar e uma costela) e roubar algumas coisas! Faz sentido? Parece que não, e por enquanto ele não foi condenado porque foi diagnosticado com transtorno bipolar, mas pode pegar até 18 anos de cadeia. Roubo, agressão, transtorno bipolar e até basquete na China! Tem uns juntando inimigo e outros juntando dinheiro, cara, vida loka.

Mas finalmente alguma coisa para lembrar do Kirk Snyder além dessa enterrada na cabeça do Von Wafer:



- Vocês viram o passe do Carmelo Anthony para o Nenê no último jogo entre Nuggets e Blazers? Jason Williams deve ter ficado orgulhoso.

- E só para vocês não se acostumarem com jogadas bonitas, um Epic Fail do Joel Anthony. Essa jogada sozinha diz mais que um post inteiro sobre o elenco de apoio do Heat.



- O blog Nets Are Scorching sobre o New Jersey Nets criou um conceito genial, daqueles que dá raiva porque você não pensou nisso antes! Eles descobriram quem é o terceiro cestinha do time. Depois de Devin Harris e Brook Lopez quem mais faz pontos no ataque do Nets é o Tranthony Morrlaw. Ele é a personificação da incapacidade de Anthony Morrow e Travis Outlaw de jogarem bem no mesmo jogo! Se um faz 18 pontos o outro tem que fazer 2. Como dito no blog, antes do jogos eles batem um papo "Cara, acho que hoje vou fazer mais de 20 pontos", e o outro responde "Beleza, estou afim de só fazer uns 4 mesmo, não vou te atrapalhar". 

Pegando os números da época do post, uma semana atrás, se contar sempre só o melhor entre dois nos jogos, Tranthony Morrlaw tem média de 18,9 pontos por jogo com 56% de aproveitamento. Já Anvis Outrrow, a personificação de qual dos dois tem o jogo ruim da noite, tem média de 5 pontos por jogo e 24% de aproveitamento. Fantástico!

- Alguns dos motivos para odiar o Spurs são que eles fazem tudo direitinho, são inteligentes e corretos. E agora estão querendo levar isso para além da NBA. Estão sendo o primeiro time da liga a realmente levar a sério a D-League, a liga de desenvolvimento, e estão investindo pesado no Austin Toros. Ajudaram a bancar o novo ginásio e centro de treinamento, estão trabalhando em conjunto com a equipe técnica do time para que eles usem o mesmo padrão de jogo do Spurs, com jogadas iguais, para que os jogadores chamados para a NBA já estejam preparados e até estão testando uma nova e secreta dieta para atletas que depois pode ser promovida para o Spurs. O projeto deles é tão bom que o técnico do Toros recusou trabalhos na NBA (como assistente do Doug Collins no Sixers) para assumir a equipe. Parem de ser bons, Spurs, isso dá sono!


Frase da Semana: Agora realmente semanal!
"Eu não me importo, pode até ser o James Naismith me marcando. Se bem que isso seria assustador porque ele está morto. Mas é, eu não ligo pra quem está me marcando"
Rudy Gay depois de acertar o arremesso da vitória contra o Heat enquanto era marcado por LeBron James
(e se você não sabe quem é James Naismith merece o trabalho de ir até o Google descobrir)

- Mas que fique claro que não foi a única coisa marcante desse Grizzlies x Heat! No minuto final de jogo aconteceu um evento histórico: Zach Randolph deu um toco em LeBron James! Agora já são 2 tocos em 11 jogos na temporada. Boa, gordinho!



- Tony Parker e Eva Longoria gravaram um vídeo imitando a famosa cena do filme Grease. Nem precisa de comentário engraçadinho.

Das musas dos blogs de basquete brasileiros
O Bala na Cesta do grande Balassiano conseguiu entrevistar a sua musa, a Meghan Gardler, uma jogadora americana (filé!) que atuou pela imbatível UConn. A entrevista ficou muito legal e pode ser lida aqui. E a pergunta que não quer calar: Quando o Bola Presa vai conseguir entrevistar a sua musa Alinne Moraes? Tá difícil! Acho que o Rodrigo Alves do Rebote entrevista a sua Paola Oliveira antes! Bando de tarado esses blogueiros, mas pelo menos o Bala tinha a desculpa da musa dele ser uma jogadora de basquete.

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Especial Blake Griffin!
Os feitos


Se você não assistiu 15 vezes seguidas você não gosta tanto assim de basquete.

A homenagem
























A ode à Blake Griffin

A humanização da pobre vítima

A aprovação do Mestre


Os números:
Nessa partida contra o Knicks foram 44 pontos, 15 rebotes e 7 assistências.
O único novato a ter conseguido alcançar esses números antes havia sido Oscar Robertson na época quando ainda se brincava de peão na rua e não tinha essa violência toda.
Desde a temporada 1986-87, apenas três jogadores conseguiram pelo menos 44 pontos, 15 rebotes e 7 assistências em um jogo (não estou contando só os novatos!): Além de Blake Griffin, Vince Carter em 2007 pelo Nets e Hakeem Olajuwon pelo Rockets em 1996.

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8 ou 80 - O cantinho das estatísticas desnecessárias
As estatísticas são colhidas em todo canto da Internet. Algumas em blogs, outras em sites, algumas na marra por conta própria. Mas a grande parte é coletada nas divulgações do Elias Sports Bureau, que merece o crédito que eu só havia dado uma vez no ano passado. 

- O Miami Heat é duas caras. Uma vitória, seis derrotas, 94 pontos por jogo e 42% de aproveitamento contra times com aproveitamento acima de 50% na temporada. Sete vitórias, uma derrota, 106 pontos por jogo e 50% de acerto nos arremessos contra times com aproveitamento abaixo de 50% na temporada.

- Shaq fez 25 pontos e 11 rebotes contra o Nets na última quarta-feira. Embora tenha sido a 432º vez que tenha feito pelo menos um 25-10 na carreira (é o líder entre os jogadores em atividade), foi só a primeira vez desde março de 2009!

- Kevin Love é o Reggie Evans branco. Depois dos 31 pontos e 31 rebotes da semana passada ele conseguiu 32 pontos e 22 rebotes contra o Spurs. Entre os jogadores ainda em atividade apenas 5 conseguiram pelo menos dois jogos de 30-20 em uma mesma temporada. Além de Love nesse ano, Shaq (dois jogos em 92/93 e três em 93/94), Tim Duncan (dois em 00/01), Kevin Garnett (dois em 02/03) e Zach Randolph (dois na temporada passada). Detalhe: Love fez isso antes do fim do primeiro mês da temporada!

- Com as duas vitórias da semana sobre o Bobcats, o New York Knicks agora tem uma sequência de 5 vitórias seguidas. É a primeira vez que conseguem isso desde 2006.

- Os amarelões da NBA: Sixers, Heat e Bucks são os times que ainda não venceram jogos decididos por 3 pontos ou menos. Cada time disputou 3 jogos decididos por essa diferença de pontos e perderam todos.

- No começo da semana o Hornets, então com 11 vitórias e 1 derrota, perdeu para o Clippers, que entrou no jogo com 1 vitória e 13 derrotas. Foi a 19ª vez na história da NBA que um time com mais de 90% de aproveitamento enfrentou um time com menos de 10%.  De todos esses jogos só um também acabou com uma zebra, quando o Wolves (0-6) bateu o Warriors (5-0) em 1994.

- Na última segunda-feira Tony Parker teve 24 pontos e 10 assistências e Manu Ginobili 25 pontos e 9 assistências. Foi a segunda vez em 15 anos que uma dupla de armadores acabou o mesmo jogo com pelo menos 24 pontos e 9 assistências cada. Antes da dupla do Spurs apenas Robert Pack e Michael Finley pelo Mavs em 1999.

- No último fim de semana o Al Horford se tornou o primeiro jogador da história da NBA a conseguir um jogo de 20 pontos e 20 rebotes sem cometer nenhum turnover e sem bater nenhum lance livre.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Dwight Howard e eu: um caso de amor

Dwight é pego pelos bagos

Já faz muito tempo que não tenho medo de descer a lenha no Dwight Howard. Seus movimentos perto do aro são estabanados, lhe falta uma jogada de segurança, é completamente ineficaz fora do garrafão, incapaz de passar a bola para companheiros livres, tem dificuldade em se desmarcar, é um defensor muito fraco no mano-a-mano e tem escolhas bastante questionáveis de posicionamento nos rebotes defensivos. Mas o que mais incomoda não são todas as limitações, naturais para um jogador que chegou à NBA completamente cru, pirralho de tudo, mas sim sua incapacidade de evoluir. Durante as férias sempre surge um ou outro vídeo do Dwight treinando com alguém, de Patrick Ewing a Hakeem Olajuwon, mas é sempre algo curto, raro, e os movimentos que Dwight aprende nunca são utilizados durante as partidas de verdade. Vez ou outra ele dá um arremesso usando a tabela e todo mundo molha as calças de alegria de ver como ele evoluiu e se tornará o novo Tim Duncan, mas então ele passa o jogo inteiro sem tentar de novo. Sua cota de arremessos usando a tabela foi cumprida, aí ele pode voltar a ser o jogador sem habilidade que conhecemos até que volte a dar esse arremesso mais uma vez no ano seguinte.

Agora, finalmente, sou obrigado a mudar de ideia. Dwight voltou bastante diferente para essa temporada depois de uma série intensiva de treinamentos com o Olajuwon. Os arremessos usando a tabela são mais frequentes, os ganchos mais eficientes, e embora todos os times da NBA ainda tentem empurrá-lo para fora do garrafão, Dwight já consegue render nessas situações. Está conseguindo receber mais a bola e agora não é completamente ignorado no quarto período, quando o Magic inteiro se borrava de medo de entregar a bola em suas mãos e ver ele perdendo a bola de forma idiota vez após vez. Os problemas nos rebotes defensivos e sua dificuldade em passar a bola ainda estão lá, mas ver que Dwight evoluiu seu jogo me enche de alegria. Não tem nada mais ridículo do que um jogador que pode ser espetacular mas se considera "trabalho terminado" e quer dominar a NBA do jeito que está. Saber que ele, enfim, está treinando é o bastante para que eu lhe trate com um pouco mais de carinho.

Ontem, contra o Heat, pude comprovar a evolução no jogo do Howard, como se movimenta mais no ataque, recebe mais a bola e tem uma maior gama de possibilidades com a bola em mãos. Sorri de orgulho do meninão, até que o jogo se encaminhava para o final e desceram a porrada nele uma vez. Duas vezes. Três vezes. E o Dwight errou lance livre atrás de lance livre, enquanto a cada posse de bola o Heat chegava um pouco mais perto no placar. O que fazer, se você é um jogador do Magic? Dwight está chutando traseiros, destruindo o garrafão do Heat, e está completamente livre embaixo do aro. Mas se você passar a bola para ele, algum jogador do Miami vai pular no seu pescoço e o pivô do Magic vai cobrar mais lances livres, provavelmente errando as duas tentativas ou no máximo acertando uma delas. Se o Heat for para o ataque e converter, a diferença cairá novamente em pelo menos 1 ponto. E agora?

Quando a água começou a bater na bunda, o Magic simplesmente passou a fingir que o Dwight Howard não estava em quadra. Nada de lhe passar a bola no fim do jogo! Antes era porque ele fazia merda com a bola em mãos, agora é porque lhe enchem de porrada, ele não consegue finalizar com o contato e vai errar todos os lances livres. Sério, parece que um time com o Dwight sempre será punido por colocar a bola em suas mãos. A vitória em cima do Heat veio quando o Jameer Nelson resolveu colocar a bola no bolso, ignorar o pivô, e infiltrar naquele garrafão de manteiga do adversário.

É legal ver que o Dwight andou aprendendo e é um melhor jogador do que era na temporada passada, mas insisto: o Magic é muito melhor quando não passa a bola para ele. Deixem que ele se foque na defesa, nos rebotes ofensivos, no corta-luz para outros jogadores, em congestionar o garrafão. Quanto mais ele toca na bola, menos ela roda para os arremessadores do Magic e maior a chance de que ou cometa um desperdício ou sofra a falta. Talvez contra alguns times seja até legal que o Dwight sofra faltas para que o garrafão adversário tenha que se poupar no banco (como aconteceu com o Pacers, que estava se segurando na atuação fantástica do Roy Hibbert até que ele cometeu a quarta falta e teve que sentar), mas contra o Heat não adianta. Como todo o garrafão da equipe de Miami fede, tanto faz se estão em quadra Joel Anthony, Ilgauskas, Magloire ou Juwan Howard, então todo mundo ficou livre para dar uns pontapés no Dwight. Todo time que for esperto fará o mesmo, e o Heat só não empatou o jogo nos minutos finais porque se negou algumas vezes a fazer falta intencional toda vez que o Dwight tocasse na bola em qualquer lugar da quadra.

O pivô do Magic ainda é um grande jogador, mas nos jogos importantes e nos momentos decisivos ele torna seu time pior quando não se limita às coisas mais básicas. O Heat deveria ter explorado isso ainda mais, mas no momento estão preocupados demais em jogar algo que lembre minimamente basquete. Arrisco dizer que eles tem a pior defesa de pick-and-rolls de toda a NBA na atualidade, e se o Dwight tivesse ficado em quadra apenas fazendo o "pick" com o Jameer Nelson, o jogo teria sido muito mais fácil. Como aprendizado para o Magic, ao menos, tivemos Brandon Bass. Seus arremessos de média distância e seu ataque a cesta tornam o time mais versátil. Não importa se o Dwight é estrela ou não, simpático ou não,aprendendo ou não: seu papel precisa ser limitado, especialmente nos fins de jogos, e o Brandon Bass precisa ganhar mais espaço e mais minutos. A não ser, é claro, que o Dwight apareça na temporada que vem acertando tudo quanto é lance livre. Apenas me garanto o direito de não acreditar em contos-de-fada.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Não farei uma piada com a frase "Houston, nós temos um problema"

Facepalm!

Quando o Houston Rockets, na temporada passada, estava chutando uns traseiros e surpreendendo todo mundo apesar da ausência de Yao Ming, o maior pânico do técnico Rick Adelman era que Tracy McGrady ficasse saudável novamente. Não importava que T-Mac fosse uma estrela, e que pudesse vencer um ou outro jogo sozinho - a dúvida diária sobre ele entrar em quadra ou não, dadas suas lesões constantes, não valia a pena. Nada é tão eficiente para acabar com um time do que lhe tirar a certeza da rotação, dos papéis em quadra e do padrão de jogo. Uma equipe que tem que jogar de um jeito diferente todas as noites não aguenta o tranco. Aquele Warriors do Don Nelson, em que os jogadores nunca sabiam se iam jogar, por quantos minutos, e em qual posição, era um pesadelo kafkaniano. Aposto que jogadores como o Marco Belinelli até hoje acordam chorando no meio da noite após um pesadelo em que o Don Nelson é contratado para treinar o Hornets. O Belinelli agora está muito bem obrigado, e o próprio Warriors é um time bastante diferente só de saber quem vai entrar em quadra.

Mesmo estando supostamente saudável, o Houston se livrou do T-Mac o mais rápido que conseguiu. Agora ele está lá no Pistons e mesmo jogando cada vez mais minutos ainda é uma dúvida constante, nunca dá pra saber se ele estará em condições de jogo. Somando isso ao fato que o Pistons não faz ideia se está tentando vencer ou se está reconstruindo o time, temos casos bizarros como o Austin Daye ser titular num dia e sequer entrar em quadra no outro. E os resultados são sempre catastróficos.

O Houston da temporada passada, sem T-Mac, não foi para os playoffs - mas foi por pouco. Com Kevin Martin na melhor forma física da carreira, as chances de se sair melhor nesse ano eram grandes. Mas aí o Houston passou a lidar com a volta de Yao Ming. Seria ridículo achar que o time piora com sua presença em quadra, pelo contrário, só de estar lá existindo e respirando, sem nem levantar os braços, o Yao Ming já faz o Houston um time melhor. Seu tamanho por si só altera infiltrações no garrafão defensivo e cria espaços ao ser marcado no garrafão ofensivo. Mas seus minutos limitados por ordens médicas (sempre os sugestivos 24 minutos por jogo) e a proibição de jogar em dias seguidos trouxe para o Houston aquele fantasma de Tracy McGrady.

Quando Yao está em quadra, o time precisa aproveitá-lo ao máximo, afinal ele terá que ir para o banco em breve. E isso é até bom, porque os passes chegam em sua mão e o time é realmente melhor quando as jogadas ofensivas se focam nele e em sua capacidade de passar a bola para o perímetro. Mas quando ele senta e não pode mais entrar em quadra, é como se o time inteiro precisasse encontrar um outro modo de jogar que tivesse esquecido durante o jogo. Os jogadores não estão envolvidos, as movimentações de bola precisam ser diferentes, é como começar um novo jogo no meio de outro. E aí, no jogo seguinte, caso seja um jogo em dia seguido, Yao está fora desde o começo da partida, então é preciso se acostumar com Brad Miller em quadra. Mas no jogo seguinte é o Yao Ming quem joga, e aí a bola tem que ir pra ele. E assim o Houston não tem padrão nem ofensivo, nem defensivo.

É claro que os problemas se extendem: com a saída de Trevor Ariza para dar espaço para Kevin Martin, a defesa de perímetro do time sofre um absurdo. Tirando Yao Ming, nenhum jogador do elenco é capaz de dar um único toco, então impedir infiltrações é ainda mais essencial - coisa que Kevin Martin e Aaron Brooks não conseguem fazer. Kyle Lowry, que é um defensor melhor na armação, passou todo o começo de temporada contundido. Quando voltou, Aaron Brooks já estava fora e assim permanecerá por mais um mês. E o próprio Yao Ming, quando começou a reclamar que deveria no mínimo voltar a jogar partidas em dias seguidos para não ferrar com a química do time, acabou torcendo o pé e ficando fora pra valer. E com o Yao nunca tem lesão simples, a torção deixou uma lasca de osso no pé dele, e o tempo de recuperação foi mais longo do que o esperado. O retorno deve ser no comecinho de dezembro.

Mas dentre todos esses problemas, o que mais afeta o Houston é mesmo a impossibilidade de criar uma rotação e um padrão de jogo definidos. As primeiras derrotas da equipe foram todas por muito pouco, nos minutos finais, em bolas decisivas. Era preciso manter um ritmo e deixar que o time aprendesse a fechar os jogos. Mas não, a rotação mudou tanto que a equipe não sabe mais o que precisa fazer para mudar o placar da noite anterior. Uma hora joga com Brad Miller, que arremessa de três e não defende, na outra joga com Chuck Hayes, que só defende mas é nanico, aí coloca o Jordan Hill em quadra, que consegue pular mas é desmiolado. Não seria surpresa uma hora dessas o Tiririca entrar em quadra e passarem a bola pra ele normalmente, como se nada estivesse acontecendo. Não basta apenas ficar esperando o Yao Ming voltar de contusão e rezar pra ele não se contundir de novo - o que já é difícil o bastante - porque quando ele estiver em quadra ainda haverá incerteza, minutos limitados, padrões diferentes de jogo. Nessas circunstâncias, a temporada do meu Houston provavelmente foi pelo ralo.

As coisas no Miami Heat são um tanto parecidas. Não tem ninguém com minutos limitados, mas assim que o time começou a mostrar fraquezas e precisava buscar um ritmo para engrenar, começou a ficar claro que quase todo mundo lá é quebra galho e não tem, ainda, papel definido. Culpa, em parte, das contusões. Mario Chalmers poderia ser titular na vaga do Carlos Arroyo, mas se machucou nas férias e ainda está fora de forma. Mike Miller poderia jogar de SF para que finalmente o LeBron pudesse ser escalado oficialmente como PG e resolveria, em parte, as dificuldades da equipe com o arremesso de três pontos, mas ele só volta no fim de dezembro. Udonis Haslem, que não decidiram ainda se é reserva do Bosh ou se joga ao lado dele, sofreu uma lesão séria no pé e agora pode estar fora por toda a temporada. E para tapar o buraco no garrafão, o Heat acaba de contratar Erick Dampier, que pega a temporada no meio e vai ter que correr tanto na parte física quanto na parte tática.

Todo mundo tinha aquela pergunta básica sobre o Heat, "quem é que vai decidir os jogos?", mas essa é menor das preocupações do elenco. Wade e LeBron continuam batendo cabeça no perímetro porque nenhum deles é um arremessador consistente de três pontos, e a resposta para isso nunca aparece porque uma hora o James Jones está em quadra, outra hora é o Eddie House quem tem mais minutos, tem hora que o Arroyo é que arremessa mas sempre com a incerteza sobre ter a posição porque ele não defende nem tem a função de armar o jogo, tem hora que é o Wade o responsável pela armação, o Mario Chalmers é sempre um dúvida se vai entrar ou não, e o Mike Miller continua lá lesionado e com cara de menina. Sabe como o Pacers deu um pau no Heat? Toda vez que LeBron e Wade fizeram o pick-and-roll, a marcação da equipe de Indiana deixou o armador livre e seguiu os jogadores de garrafão, fechando o caminho para a cesta. Pronto! Não requer prática tampouco habilidade! O treinador do Pacers, Jim O'Brien, chegou a dizer que se o Heat tivesse acertado alguns dos seus arremessos teria dado uma surra no Pacers, porque é sempre uma tática arriscada deixar jogadores tão bons constantemente livres para arremessar. Mas nessa equipe em que os coadjuvantes não têm papéis e rotações definidas, sem arremessadores de três designados, dá pra arriscar numa boa.

O meu Houston vai ter que tomar decisões duras que vão definir, agora, a carreira de Yao Ming. Quando voltar da nonagésima contusão de sua vida, jogará em dias seguidos? Continuará jogando apenas 24 minutos? Vale a pena arriscar a saúde de um jogador numa temporada praticamente perdida? Pior: vale a pena manter um jogador que pode arriscar sua saúde num time de temporada perdida? Como o contrato do Yao termina ao fim dessa temporada, o Houston precisa decidir até onde está disposto a seguir com essa bagunça - e começar a dar as respostas agora, o quanto antes, para definir o que fará mais para frente.

No caso do Heat, parte da solução para o problema é aguardar os jogadores voltarem de contusão, mas o mais importante é tomar um banho de água bem gelada. O time precisa de estabilidade na rotação e nas funções em quadra, mas como esperava estar vencendo tudo logo de cara e todo mundo quer arrancar o coitado do técnico Erik Spoelstra de lá para colocar seu chefe Pat Riley no lugar, cada hora o time acaba tentando um troço novo pra ver se funciona. Não dá pra criar um padrão se o técnico precisa fazer qualquer coisa pra vencer ou seu emprego vai pro saco, o cara nunca vai pensar em criar uma equipe a longo prazo, ele vai pensar é em pagar o leitinho das crianças. O Spoelstra é um bom técnico, ele só está com a cabeça a prêmio, um elenco cheio de buracos, lesões pra burro, e muita dificuldade de coordenar o ataque. E o problema é que, pra consertar o ataque, ele deixa de se focar na sua especialidade, que é a defesa, e aí o Heat se ferra ainda mais por culpa das falhas defensivas. É preciso respirar e se concentrar em coisas específicas e transformá-las em padrão. Vamos ganhar os jogos com a defesa e se focar só nisso? Vamos. Vamos tornar o James Jones o arremessador designado e deixar ele em quadra o tempo todo? Vamos. O buraco no garrafão ainda vai continuar, LeBron e Wade ainda vão sofrer com o arremesso, e o Mike Miller ainda vai ter cara de menina lesionado no banco de reservas, mas as coisas já iriam melhorar um bocado.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Tudo por um amigo

Bromance

Sempre que tem uma troca aqui a gente gosta de meter o bedelho, dar palpite, analisar as causas e possíveis consequências. E não é que com menos de um mês de temporada já temos uma grande que envolve cinco jogadores? O Toronto Raptors mandou David Andersen, Marcus Banks e Jarrett Jack em troca de Peja Stojakovic e Jerryd Bayless do New Orleans Hornets. Um detalhe curioso (que não muda nada) é que Bayless, por ter sido adquirido há pouquíssimo tempo pelo Hornets, não poderia ser envolvido em nenhuma troca que envolvesse mais de 2 jogadores até o dia 23 de dezembro. Então, oficialmente, foram duas trocas: Bayless por Andersen e outra envolvendo os outros três atletas.

Foi uma troca bem secundária, dos cinco jogadores só um era titular nessa temporada, Jarrett Jack, e mesmo assim ele só joga 26 minutos por jogo. A média dos cinco envolvidos na troca é de 15 minutos por partida. A questão é, portanto, pra que se deram ao trabalho de fazer a troca se não tem ninguém importante nela?

O Raptors está pensando no futuro. O time que eles tem hoje não tem talento para ir longe e a solução para melhorar nos próximos anos está em conseguir jovens talentos no Draft (bem encaminhado com a campanha ruim), desenvolver alguns jogadores bons e jovens (Sonny Weems, Andrea Bargnani e DeMar DeRozan) e, é aí que entra a troca, conseguir alguns jogadores via Free Agency ou trocas.

Nessa troca o Raptors se livra dos contratos já expirantes de Andersen e Banks e o contrato do Jarrett Jack, que ainda durava mais dois anos com 5 milhões por ano por mais duas temporadas além dessa. Em troca eles recebem a pechincha do Bayless e os 14 milhões do Stojakovic que acaba ao fim dessa temporada. Além de economizar o dinheiro do Jack, que vai poder ser usado para renovar com o Weems, eles tem duas peças valiosas para troca. O próprio contrato do Stojakovic e a trade exception que eles receberam quando mandaram o Chris Bosh para o Miami Heat. Uma trade exception é mais ou menos um pedaço do seu salary cap que pode ser trocado. Ele é usado muitas vezes para fazer funcionar trocas entre jogadores de salários diferentes, como mandar um jogador que ganha 5 milhões por outro que ganha 12.

Portanto a gente espera que esse movimento do Raptors seja a primeira parte de um plano maior. Não é garantia que dê certo, como vimos o Bobcats não conseguindo trocar o contrato não garantido do Erick Dampier é capaz que o Raptors morra com a exception e o Peja na mão, mas eles vão estar ativos nas discussões de troca visando os times que estão interessados em contratos expirantes ou em se livrar de jogadores caros.

Se a troca pelo sérvio foi unicamente econômica, a do Bayless tem um fundo basquetebolístico. O jogador mostrou algum talento no Blazers (vocês lembram daquele jogo com quase 30 pontos contra o Spurs que a ESPN transmitiu?) e ainda é bem jovem, é um projeto que vale a aposta, até porque é uma aposta barata. Devem colocar ele de reserva do José Calderon, entrando para botar fogo no jogo e ver o que acontece, vai que ele resolve explodir e jogar o que poderia bem agora! O sucesso dessa troca vai ser medido pelo o que eles fazem com o contrato do Peja e como o Bayless joga. Vai ser uma temporada movimentada nos bastidores do Raptors.

O lado do Hornets é bem menos econômico e mais afetivo. O Jarrett Jack, jogador mais importante da troca, é amigo bem próximo do Chris Paul e eles sabem a importância que uma amizade pode ter em quadra. Existe um documentário chamado "The Youngest Guns" que acompanha os primeiros anos de carreira de dois jovens jogadores, Darius Miles e Quentin Richardson, na época jogando juntos no Los Angeles Clippers. É um filme ótimo para ver o lado psicológico do jogo: os dois são amigos bem próximos, fazem tudo juntos, descobrem o mundo da NBA, como é ter dinheiro, e não se desgrudam nunca. Até que Miles é trocado para o Cavs e sua carreira vai para o ralo, ele se sente sozinho em Cleveland, sente saudade do amigo, não tem com quem compartilhar as alegrias e as dificuldades e deixa de jogar o bom basquete que o havia transformado em grande promessa do começo da década.

Outro exemplo famoso é o de Steve Francis e Cuttino Mobley. Quando jogava ao lado de Mobley, seu melhor amigo, ele era o Stevie Franchise, um All-Star que era um dos melhores armadores da NBA. Quando foi trocado para o Orlando Magic ao lado do seu amigo ainda jogava muito bem, mas aí quando foi para o NY Knicks sozinho deixou de jogar basquete. Muitos analistas e até o próprio Francis colocam a falta do parceiro para justificar a queda de qualidade. Francis nunca foi dos jogadores com mais cabeça no lugar dentro do mundo da NBA.

São dois casos extremos, eu sei, mas que mais uma vez mostram que ao montar um time existem muitos outros fatores além de só amontoar talento. Eles viajam juntos, treinam juntos, conversam, quanto mais entrosamento tiverem fora de quadra mais fácil fica para jogar, para se apoiar nas derrotas e coisas assim. Se você não gosta do seu companheiro de time é bem fácil jogar a culpa nele depois de uma sequência de derrotas durante a temporada, por exemplo. Com o Chris Paul enchendo o saco para ser trocado antes da temporada começar, o Hornets tem feito de tudo para manter a sua estrela calma, conseguiram primeiro Trevor Ariza, depois o surpreendente Marco Belinelli e agora um grande amigo de Paul. É tudo para manter ele lá jogando bem e feliz.

O problema da troca está quando pensamos nos resultados práticos em quadra. O Jarrett Jack é um armador que pode jogar também na posição dois. Ou seja, ele só vai entrar em quadra quando o Paul descansar ou quando o técnico Monty Williams achar que ele rende mais do que Willie Green, Marco Belinelli e Marcus Thornton como armador de apoio. Isso vai dar o quê, uns 15 minutos por jogo? 20 no máximo. Valeu abandonar o Jerryd Bayless (que veio em troca de uma escolha de 1º round há poquíssimo tempo), e mais o valioso contrato expirante do Peja, só por um amigo e um armador reserva? E o contrato do Jack é longo, quem quer pagar 5 milhões por ano, durante três anos, para um cara que joga tão pouco? O cara é bom, mas ganha demais para ter um papel tão pequeno. Não foi o negócio dos sonhos.

Os outros dois que vieram no pacote não me incomodam. O Marcus Banks vai ficar batendo palmas no banco até seu contrato acabar no fim da temporada e o David Andersen deve até ser bastante usado. Ele é inteligente dentro da quadra e podemos dizer grosseiramente que ele é uma versão piorada do David West. Não tem a mesma capacidade de criar seu arremesso, mas pode passar o dia brincando de pick-and-pop com o Chris Paul e terá números expressivos quando seu arremesso estiver calibrado. Essa foi uma boa adição para ter mais opções no banco. O Andersen tem um Team Option na próxima temporada, isso quer dizer que o Hornets decide se mantém ele para a temporada que vem ou o libera, esse sim foi um bom negócio.

Mais trocas devem acontecer nessa temporada, menos vezes por amiguinhos e mais pelos contratos expirantes. Dêem uma olhada nos valiosos contratos expirantes dessa temporada e como vários envolvem times que estão atrás de mudanças. Michael Redd, Troy Murphy, Kenyon Martin... até fevereiro muita coisa rola.

sábado, 20 de novembro de 2010

Quase lá (Quase!)

Essas crianças...

No preview que fizemos do Oklahoma City Thunder alertamos sobre a maldição do técnico do ano. Sempre quem ganha o prêmio é demitido pouco tempo depois. Os fantasmas já começaram a assustar nas primeiras semanas da temporada quando o Thunder, candidato de muita gente a ser Top 3 no Oeste, não parecia empolgar tanto assim. Nos primeiros 9 jogos foram 5 vitórias e 4 derrotas, entre esses jogos alguns resultados bem desanimadores: Ganharam do Detroit Pistons só com uma cesta no último segundo, foram o único time a conseguir perder para o Clippers até agora, tiveram derrotas elásticas para Spurs e Jazz e sofreram mais do que um time de elite deveria para passar pelo Sixers.

A primeira questão que me passou pela cabeça foi se estávamos analisando o real Oklahoma City Thunder, aquele que se classificou em oitavo no ano passado e praticamente não mudou o time para esse ano, ou o Thunder que a gente esperava ver nesse ano. Precisamos separar as nossas expectativas e ver o que é uma piora do time em relação ao time do ano passado e o que é simplesmente coisa da nossa cabeça. Afinal, um dos grandes motivos de demissão de técnicos após o prêmio de melhor do ano é a expectativa de crescimento. Geralmente o vencedor leva o maior número de votos por fazer muito com um time limitado e depois não é capaz de ir além desse limite.

Uma coisa que parece ter atingido o seu limite é o ataque do Thunder. Desde a temporada passada eles são muito limitados na criação das jogadas. As variações são:
1. Isolar o Kevin Durant e deixar ele fazer o que quiser.
2. Deixar o Russell Westbrook segurando a bola até o Durant conseguir espaço para o arremesso
3. Infiltração do Westbrook
4. Alguém fica livre para arremessar depois que o outro time descobre que só precisa marcar dois jogadores

Não que dê exatamente errado. Foi assim que tiveram o 12º melhor ataque da temporada passada e tem o 6º melhor nesse ano, com a dupla Durant/Westbrook sendo a que mais pontua na NBA, à frente de outras potências como Ellis/Curry, Kobe/Gasol e LeBron/Wade. O problema está na previsibilidade e no problema que uma contusão poderia causar. Imagina se o Durant se machuca? Pois bem, ele se machucou e ontem eles pegaram o Celtics fora de casa, parecia uma derrota certa. Até Jeff Green, o terceiro cestinha do time com impressionantes 18 pontos por jogo, está machucado. Mas bizarramente venceram. Foi um jogo estranho: no primeiro tempo eles jogaram pela primeira vez como um time, envolvendo todos os outros jogadores e até executando jogadas. Mas no segundo tempo voltaram ao seu normal e só derrotaram os verdes porque estes fizeram o seu pior jogo no ano, conseguiram perder mesmo com o Thunder não fazendo nenhuma cesta nos últimos 9 minutos de jogo! Foram 9 longos minutos assistindo o Westbrook forçar arremessos que até o JR Smith perceberia que são idiotas. Eram 23 segundos batendo bola no meio da quadra esperando o nada acontecer. Infelizmente esse quarto período estático é mais comum do que o primeiro tempo inspirado e coletivo.

Não esqueçamos de algumas culpas individuais também: James Harden, terceira escolha no Draft do ano passado, teve um ano de novato bem discreto mas eficiente, já nesse ano, ao invés de melhorar, despencou de qualidade. Não tem acertado as suas bolas de longe e é inseguro e afobado nas infiltrações. Não é o desafogo ofensivo do banco de reservas que o técnico Scott Brooks esperava e ontem, na primeira vez que foi titular na carreira, teve uma atuação horrível.

O grande trunfo deles para conseguir ter um ataque tão bom mesmo com um sistema tão pobre tem sido os lances livres. Eles cobram 31 lances livres por jogo, lideram a NBA nesse aspecto e, o mais surpreendente, lideram também em aproveitamento de lances livres, com 87,6%! Sério, eu nunca vi um time acertar tanto na minha vida! O recorde da história da NBA é 83% pelo Celtics de 1989-90. Ontem foi esse o segredo para bater o Celtics, cobraram 32 lances livres, acertaram 27 e só daí tiraram seus pontos na segunda metade do terceiro quarto e no decisivo último período. O time inteiro é agressivo e procura o contato, coloca os adversários em problemas de falta logo e todo mundo, do armador ao pivô, tem bom aproveitamento. A velha teoria do "faça faltas, não dê bandejas de graça e faça eles merecerem os pontos no lance livre" que tanto treinador e comentarista por aí prega não funciona direito contra o Thunder.

Uma grata surpresa no ataque do Thunder tem sido o Air Congo, o ala de força Serge Ibaka. Ele foi draftado há dois anos, passou uma temporada na Europa por ser ainda muito cru para a NBA e no ano passado entrou para a NBA. Rendia bem nos poucos minutos que atuava mas ainda era fim de banco, se destacou na série de playoff contra o Lakers e nesse ano ganhou uma chance de ouro quando seus dois concorrentes por minutos, Jeff Green e Nick Collison, se machucaram. Como titular tem tido médias de 13 pontos, 8,5 rebotes e 2,7 tocos por jogo! A média geral dele de tocos, contando os jogos como reserva, é de 2,4, o que o coloca em sétimo lugar em toda a NBA, na frente de caras como Emeka Okafor e Tim Duncan.

Antes de entrar na NBA comparavam o Ibaka com o lendário Shawn Kemp. A comparação era, acima de tudo, pelas enterradas. E abaixo está um ótimo exemplo.



Essa impulsão e abertura de pernas não lembra muito a famosa "Lister Blister", a primeira enterrada do insano vídeo abaixo do Kemp? (Ela é, diga-se de passagem, a minha enterrada favorita em todos os tempos)



Mas mesmo com as enterradas sendo a parte mais empolgante do seu jogo, Ibaka ganhou seus minutos em quadra com seus tocos e seus arremessos de meia distância. O pivô Nenad Krstic só é titular porque dá essa opção de arremesso, mesmo sendo inútil no resto do jogo, imagina como foi a grata surpresa de todos ao ver que esse cara que todo mundo só via como uma máquina de enterrar desenvolveu um toque suave para arremessos também. São impressionantes 67% de aproveitamento em bolas longas de 2, muito acima dos 39% do ano passado. Ele ainda acerta 57% dos arremessos curtos e 73% (contra 61% do ano passado) das finalizações no aro. É o jogador perfeito para sobrar livre e arremessar depois dos ataques de Westbrook e Durant, ontem o Celtics pagou um preço caro por deixá-lo arremessar quando bem entendesse.

Dá pra dizer com alguma certeza que a presença do Ibaka no time titular e a calma do time em decidir jogos mesmo quando estão jogando mal é a razão para eles estarem com 8 vitórias e 4 derrotas. Estranho e impressionante um time tão jovem ter essa qualidade de vencer mesmo quando não está jogando o seu melhor basquete.

O problema do Thunder que não é herança do ano passado é a defesa. Na temporada passada foram a 9ª mais eficiente da NBA, mas depois desses primeiros 12 jogos são a 6ª pior! Eu cheguei a achar que o ataque muito precipitado e mal armado pudesse proporcionar muitas chances de contra-ataque, mas não é isso, eles são um dos melhores times da NBA em evitar pontos assim. Em compensação são o 5º pior time em ceder pontos dentro do garrafão. A presença de Serge Ibaka no lugar de Jeff Green ajudou a melhorar essa situação, mas ainda é muito confortável para os adversários atacar Nenad Krstic, sem contar que Ibaka às vezes é meio Marcus Camby, imperssiona nos tocos mas nem sempre se posiciona no lugar certo e sua afobação por conseguir o próximo bloqueio às vezes só atrapalha.

O Thunder é o terceiro time que mais toma pontos em cestas de dois pontos e o quinto que menos toma cestas de três. Essa disparidade tem duas razões: Westbrook e Thabo Sefolosha, os melhores defensores da equipe, jogam no perímetro. E depois porque quando se tem espaço no garrafão o natural é até tentar menos cestas de três e ganhar os pontos lá dentro, é contra o Thunder que os times menos tentam arremessos de longe, 14 tentativas de bolas de 3 por jogo. Não coloco Durant na lista dos bons defensores do time porque acho que ele não tem feito um bom trabalho nesse ano, tem um número que mostra como o time defende melhor sem o KD e de como mesmo assim ele é indispensável: Com ele em quadra o Thunder toma 18 pontos a mais a cada 100 posses de bola se comparado com as outras formações que tem o Durant no banco. Em compensação quando ele joga o time faz 27 pontos a mais no ataque. É uma senhora compensação.

Um dos jogadores que fazia a diferença no ano passado no setor defensivo e que fez falta até agora foi o Nick Collison. Ele faz, pelo menos na minha opinião, junto com Anderson Varejão e Glen Davis, a trinca de melhores cavadores de falta de ataque da NBA. Eles estão sempre no lugar certo na hora certa para tomar a trombada, em um time que sofre com tantas infiltrações ele é essencial. Sem contar que tem o QI defensivo que o Ibaka ainda está longe de encontrar.

Para o Oklahoma City Thunder se tornar a potência do Oeste que a gente sonhava antes da temporada começar, algumas coisas tem que mudar. A primeira é a defesa, que não pode ser tão fraca, isso é o ponto central. E a segunda é o próprio elenco. O Jeff Green é um jogador versátil e muito bom, mas completamente dispensável nesse time. Ele é bom demais para ser um reserva com poucos minutos, sua presença como ala de força só atrai mais ataque ao garrafão e mina os minutos do promissor Ibaka. Na posição três já tem Durant. Deveriam aproveitar que o Green é muito bom e simplesmente trocá-lo. Eles podem muito bem usar esse ótimo talento como isca para buscar mais arremessadores de três e uma presença defensiva no garrafão, talvez até um cara com mais experiência.

O Nuggets está cada vez mais próximo de trocar o Carmelo Anthony, mas o Melo quer ir para Nova York e uma troca direta com eles não vai acontecer, eles estão apenas procurando um terceiro time para fechar a conta. Como o Denver quer um cara para repôr Melo, que tal Jeff Green? Jovem, talentoso, pode fazer 20 pontos por jogo numa boa. Aí era só caçar algum jogador de garrafão no Nuggets e/ou no Knicks para fortalecer a defesa do Thunder. É só uma idéia no ar, mas o Thunder pode estar a um bom defensor de garrafão da elite em que a gente imaginava que eles já estavam.

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Curiosidade tola: Lembram que o Dikembe Mutombo, o congolês mais famoso da história da NBA, tinha um nome gigantesco? Era Dikembe Mutombo Mpolondo Mukamba Jean-Jacques Wamutombo. O seu compatriota Ibaka não fica muito longe, seu nome completo é Sergeballu LaMu Sayonga Loom Walahas Jonas Hugo Ibaka. Transborda de tanta força nominal! Arrasa lá, Hugão!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Filtro Bola Presa - Uma bobagem semanal

Perdemos de novo?

Para os marinheiros de primeiro Bola Presa: O Filtro é uma coluna semanal que comenta todo o tipo de bobagem, notícia ou história que não passou pelo nosso filtro na hora de virar um post grande e detalhado. É um espaço dedicado ao resto.

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- Foi uma semana matrimonial. Uns casamentos começam, outros acabam, é o ciclo da vida e do amor representada no microcosmo da NBA. O bafão do momento é que o Tony Parker está se separando da atriz-modelo-e-delícia Eva Longoria. Isso é fato. O que ainda é só boato é que pelo jeito o motivo foi que ele estava a traindo com a esposa de um ex-jogador do Spurs, o Brent Barry. O causo já seria de novela mexicana e para encher os sites de fofoca se o Parker fosse casado com uma qualquer, mas ele pega uma celebridade hollywoodiana que todos acham uma das mulheres mais sexys do mundo. É assunto para uns seis meses no mínimo! Daqui um mês já vai ter um E! True Hollywood Story sobre o casal.


Essa super-exposição é o que pode ser importante para quem está interessado em basquete e não em quem o Tony Parker coloca seu pênis francês. Ele vai sentir a pressão? Entrar em depressão? Seus companheiros, alguns amigos de Brent Barry, vão criar um clima estranho no vestiário? No primeiro jogo depois que a notícia vazou no TMZ, a New York Times das celebridades, o Parker foi o cestinha do Spurs com 21 pontos na vitória sobre o Bulls. Jogou bem e pareceu tranquilo.

Agora a história romântica. O Anthony Tolliver, famoso por zoar o LeBron com o seu próprio The Decision, contratou um fotógrafo e um cinegrafista para fazer um ensaio com a sua namorada. Para ela era um trabalho profissional, para uma revista ou algo do tipo, em que iriam tirar fotos primeiro em um parque e depois em um dos ginásios do Wolves. No ginásio eles tirariam fotos juntos usando uniformes do Wolves personalizados. Mas para a surpresa da noiva, nas costas do seu uniforme não estava seu nome, Jessica Svoboda, mas sim "Sra. Tolliver" e foi quanto o jogador se ajoelhou e a pediu em casamento. Awwwwwnn!!! S2 pra eles!

O Tolliver também é famoso pela cravada que tomou do Amar'e Stoudemire no ano passado e vai ficar mais ainda pela que tomou do Blake Griffin na última quarta-feira. O vídeo das duas marretadas abaixo:






- Seguir jogadores no Twitter geralmente é um porre. Ou eles postam suas opiniões sobre futebol americano universitário ou dão status geográficos do tipo "Olá! Acabei de chegar em Atlanta". Mas às vezes vale a pena, como quando o Derrick Brown do Charlotte Bobcats postou a foto abaixo dizendo que havia pedido dois ovos no hotel. Cinco estrelas, galera.



Frase da semana
- Muita gente pede a volta da frase da semana, então aqui ela está, toda semana no Filtro. A dessa semana vai para o Paul Pierce logo após a segunda vitória do Celtics sobre o Heat, dessa vez em Miami: "Foi um prazer trazer os meus talentos para South Beach, agora para Memphis". 

Para quem não tem cultura popular, foi uma piada com a já clássica frase "Bring my talents to South Beach" que o LeBron James usou quando disse que estava indo para o Miami Heat.

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- E falando em cultura popular, o South Park já está zoando o LeBron James. Lembram do comercial da Nike que ganhou até uma resposta da população de Cleveland? Então assistam a esse episódio do South Park e esperem até mais ou menos o minuto 4:20.

Ok, o episódio não está mais no ar, não sei porque. Mas dá pra ver essa cena (por enquanto) no YouTube e ainda outra piada com o mesmo tema nesse vídeo.

- Às vezes lucro pode ser notícia ruim. A NBA tinha projetado uma queda de 2.5% até 5% nas receitas para a temporada passada, mas acaba de divulgar que na verdade houve um crescimento de 3.5%, alcançando os números mais altos da história. E por que é má notícia? Com esses números altos, como eles vão convencer os jogadores a cortar até em 30% os salários para o próximo ano como o David Stern havia dito antes de começar a temporada? Alguns times estão mesmo mal das pernas, mas será difícil convencer todo mundo que a NBA precisa cortar gastos. O que eles precisam mesmo é de donos que não joguem dinheiro no lixo (ou no bolso do Brian Cardinal).

- Vocês querem saber como NÃO se marca um pick-and-roll? Andray Blatche ensina como se fosse o Zach Randolph dos dias mais preguiçosos. Ele não corre atrás do Rondo, não acompanha o Garnett e só não deita porque não tem uma cama.



- Muito legal o post que o próprio Kevin Love escreveu sobre a sua partida de 31 pontos e 31 rebotes. Ele comenta como um torcedor que passou o primeiro tempo inteiro gritando que ele deveria ser trocado o motivou a jogar tudo aquilo no segundo tempo. Depois conta de como acabou encontrando o mesmo torcedor após o jogo e que recebeu 114 mensagens de texto no celular além de telefonemas e e-mails de gente que ele não via há anos para parabenizá-lo pelo feito.

- No final ele comenta do vídeo que ficou famoso na internet entre ele o Wesley JohnsonO vídeo é esse, o cumprimento mais embaraçoso da NBA. Mas melhor ainda é o que o próprio site do Wolves fez depois tirando sarro da situação.



- No TrueHoop tem o melhor texto sobre a contusão do Greg Oden, que o tira de toda a temporada pela terceira vez em 4 anos. É uma recapitulação de todas as vezes que ele se machucou e uma constatação assustadora: Sempre são coisas diferentes. Não é como o Grant Hill que sempre machucava o mesmo tornozelo ou o T-Mac e seus intermináveis problemas nas costas, cada vez aparece algo diferente para estragar o Oden. Daqui a pouco o coitado machuca a orelha.

- Até o New York Times se rendeu e agora eles tem, no blog de basquete do seu site, a colaboração de um cara que analisa a NBA apenas através de números e estatísticas. É escrita por Justin Kubatko, o criador da meca das estatísticas de basquete, o Basketball-Reference. Vale a pena uma lida, lá eles explicam alguns dos termos que só quem está no mundo do NerdBall está acostumado, como os SRS, Win Shares e Total Rebound Percentage. A importância e evolução da análise estatística no basquete é até um tema para um post maior, passou no filtro, mas decidi postar pelo link.

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8 ou 80
O cantinho das estatísticas desnecessárias

- Com os 35 pontos no jogo contra o Suns, o Chris Bosh se tornou o terceiro jogador diferente do Heat a passar dos 30 pontos na temporada. Quem não sabe quem foram os outros dois está no blog errado. O Heat é o primeiro time desde 1997 a ter 3 jogadores diferentes marcando 30 pontos nos primeiros 11 jogos da temporada. O último time foi o Lakers, com Eddie Jones, Nick Van Exel e Shaquille O'Neal.

- Depois de passar três jogos sem alcançar pelo menos 10 pontos pela primeira vez na carreira, Tim Duncan voltou ao normal. Contra o Bulls fez 16 pontos e 18 rebotes. Foi a 202ª vez que ele conseguiu pelo menos 15 pontos e 15 rebotes na carreira, somente Shaq (235) e Garnett (204) tem mais entre os jogadores em atividade.

- Na última segunda-feira o Clippers entrou em quadra com Eric Bledsoe, Eric Gordon, Al-Farouq Aminu, Blake Griffin e DeAndre Jordan. A escalação com três novatos é a mais jovem da história da NBA, com média de 21 anos e 143 dias. A antiga marca era do Hawks em 2004 com Joe Johnson, Josh Childress, Marvin Williams, Josh Smith e Zaza Pachulia.

- Para calar os críticos (só por um dia): Darko Milicic conseguiu 13 pontos, 12 rebotes, 5 assistências e 4 tocos na última segunda-feira. Tais mínimos só foram alcançados uma vez nessa temporada, pelo Gerald Wallace, e na temporada passada apenas Tim Duncan, Pau Gasol e LeBron James tiveram jogos com esses números.

- Na partida contra o Nuggets na última semana o Knicks venceu a batalha estatística em arremessos convertidos, bolas de três feitas, rebotes, assistências, tocos e ainda tiveram menos turnovers. E mesmo assim perderam o jogo por dois pontos! O motivo foram os 8 lances livres a mais que o Nuggets acertou.
Nas últimas 266 vezes que um time venceu todas essas categorias, saiu com a vitória, o Knicks foi o primeiro desde o Cavs em 2006 a conseguir perder nessa situação.

- Esse jogo em Denver foi também a quarta vez seguida que o Knicks vence o adversário se contados apenas os minutos em que Amar'e Stoudemire NÃO está em quadra. Ele saiu com -11 contra o Nuggets.

- O jogo de 31 pontos e 31 rebotes do Kevin Love foi o primeiro de pelo menos 30-30 desde Moses Malone (um assustador 38-32) em 1982. E o primeiro de pelo menos 30 pontos, 30 rebotes e 5 assistências desde 1979.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A importância do descanso

Robin Lopez só precisa de uma soneca


Muito tem se falado sobre os últimos jogos do Utah Jazz, as viradas contra Clippers, Heat, Magic, Hawks e Bobcats depois de estar perdendo no intervalo e por mais de 10 pontos em algum momento de todos esses jogos. Alguns nos Estados Unidos chegaram a dizer que foi uma das mais impressionantes sequências da história da NBA. Tá bom que depois perderam em casa do Thunder, mas tudo bem, acontece, diz a lenda na NBA que o primeiro jogo em casa depois de uma longa viagem é sempre um dos mais complicados. Ninguém explica porque, só é assim.

Eu concordo com quem chama de "os jogos mais impressionantes". Não são os melhores cinco jogos de um time, não são os cinco piores e nem os cinco mais bizarros, é simplesmente impressionante. Impressiona eles conseguirem perder por 10 pontos para o Clippers e para o Bobcats mesmo sendo um time bem superior, impressiona terem força para virar contra os três dos melhores times do Leste nessas primeiras semanas, Heat, Magic e Hawks. E, o que mais me assustou e pouco foi mencionado, impressiona como eles tiveram fôlego para correr atrás do placar mesmo estando no meio da maior aberração do calendário da NBA, os temidos "4 in 5".

Quando a gente analisa o resultado de um jogo a gente costuma simplesmente olhar para a qualidade dos dois times e algumas atuações individuais. Se alguém jogou mal é porque foi marcado e pronto, mas acho que somos injustos com os atletas quando ignoramos o calendário. Não é fácil jogar dois jogos disputados, competitivos e corridos em noites consecutivas, imagina os caras que fazem jogos seguidos no Texas. É um dia marcando o Tony Parker e no outro o Aaron Brooks, ou em um o Tim Duncan e no seguinte o Luis Scola, não é pra qualquer um.

Pois se dias consecutivos são difíceis, os "4 in 5s" são quatro jogos em cinco noites. Sempre no formato de dois jogos consecutivos, um de descanso (ou de desmaio) e mais dois jogos em sequência. E eu achando que duas sem tirar era cansativo. Quer mais? Geralmente isso é feito para apressar as viagens, ou seja, é tudo isso fora de casa. O Jazz jogou na terça e na quarta contra Heat e Magic e depois sexta e sábado contra Hawks e Bobcats, sempre bem longe de Salt Lake City. Como eles tiveram fôlego para virar esse último jogo só no último quarto eu não tenho noção. Curiosamente, na temporada passada o Jazz foi o único time a não ter nenhum 4in5 durante todos os 82 jogos. Para comparar, na mesma semana passada o Golden State Warriors também teve um 4in5 pelo Leste. Pegaram Pistons e Raptors no domingo e segunda, depois Knicks e Bulls na quarta e quinta. No último jogo em Chicago o time simplesmente estava sem forças e tomaram uma surra de 120 a 90. Quem viu o jogo deve ter percebido que não era o Warriors-correria com que estamos acostumados.

Sabendo que o caso do Jazz é uma aberração histórica e o caso do Warriors o mais comum, é normal se perguntar: quantos 4in5s cada time joga por temporada? Pega adversários descansados? E o caso menos extremo e mais comum, os back-to-backs (jogos em dias seguidos), com que frequência acontecem? E quando o seu time é o descansado e quando é o cansado?

Pensando em todas essas questões é que o sempre espetacular Basketbawful, o melhor blog gringo de basquete, preparou uma planilha que mostra tudo isso no calendário dessa temporada. E se você for ler o post em inglês eu já explico, o termo "SEGABABA", que parece tirado de algum dialeto africano, significa "SEcond GAme in a BAck-to-BAck", ou seja, o segundo jogo em sequências de dois jogos em dois dias.

Para ver a planilha é só clicar aqui!

Mas para ler a planilha direito você precisa saber o que cada uma das siglas significa, então vamos lá:

HH B2B - Home/Home, quando o time joga os dois jogos seguidos em casa, acontece só 15 vezes em 601 oportunidades.
VH B2B - Visitor/Home, o time joga o primeiro jogo fora de casa e está mais desgastado para a partida nos seus domínios.
HV B2B - O contrário, joga primeiro em casa e depois viaja.
VV B2B - Os dois jogos são fora de casa.
Any B2B - É a soma de todas as variações.
4in5 - Os temidos 4 jogos em 5 noites.

As cores na planilha simbolizam se o time está acima ou abaixo da média em cada quesito.

Only B2B - O time joga o segundo jogo da sequência contra um adversário descansado
Opp B2B - O adversário está no segundo jogo de uma sequência
OppOnly B2B - Todas as vezes que o adversário está no segundo jogo e o time em questão está descansado. Ou seja, se deu bem!
Both B2B - Os dois times estão no segundo dia, o jogo da preguiça.
Opp 4in5 - O adversário está no meio de um 4in5
OppOnly 4in5 - O adversário está no meio de um 4in5 e o time que o enfrenta está descansado. Apelação!
Both 4in5 - Os dois times estão no meio de um 4in5, virou pelada!

Eles só erram quando comentam do "computador que faz os calendários". Como vocês que são bonzinhos e lêem todos os nossos posts sabem, não é um computador que faz o calendário, mas sim o glorioso Matt Winick, um maluco que define os 1.230 jogos sozinho. Leia o perfil dele e do seu trabalho aqui.

O resultado é que não é um calendário justo e igual para todos como estamos acostumados a ver em outros esportes. O Phoenix Suns se destaca jogando apenas 16 jornadas duplas enquanto enfrenta 20 adversários que estarão no segundo dia de suas maratonas, cansados e nada afim de correr atrás de um dos times mais velozes da NBA. Já Bulls, Hawks e Bucks são os times que mais jogam back-to-backs, 23, com o Bulls tendo o alívio de pelo menos 4 dessas vezes serem com os dois jogos em casa, sem precisar viajar. Nos 4in5 quem se deu bem foi o time mais velho da temporada, o Celtics, que só tem uma maratona dessas na temporada e enfrenta 4 times nessa situação.

Mas é importante deixar claro que duas coisas obrigam essas aberrações na liga. A primeira é que são 82 malditos jogos, não dá pra organizar tanta partida de uma maneira muito organizada sem precisar de uma temporada que dure o ano inteiro, tem que forçar a barra às vezes. E outra coisa é a geografia dos Estados Unidos, que é um país gigantesco. Quando um time do Oeste vai para o Leste é melhor já jogar o máximo possível de uma vez só pra não precisar ficar viajando o tempo todo, então geralmente vai para uma costa e volta aos poucos para a sua conferência de jogo em jogo. É por isso que Lakers, 76ers e Knicks são os times que menos enfrentam times no segundo dia de uma rodada dupla. Geralmente os times chegam em Nova York, Philadelphia (extremo leste) ou Los Angeles (extremo oeste) para começar as suas excursões pela conferência oposta.

Outro dado muito legal que os gênios do Basketbawful coletaram é que o número de back-to-backs é basicamente o mesmo desde sempre. Eles pegaram os dados desde o ano 2000 e viram que toda temporada tem entre 570 a 600 jogos assim, cerca de 19 ou 20 por time. Mas o número de 4in5s está diminuindo, era 100 em 2000 e são 67 nessa temporada. E como os gringos de lá são metidos a engraçadinhos como o Bola Presa, eles selecionaram os jogos imperdíveis dessa temporada, as quatro ocasiões raríssimas quando dois times que estão terminando os seus 4in5s se enfrentam. Mais pelada que isso é impossível:

Bobcats x Bulls - 18 de janeiro
Pacers x Bucks - 12 de fevereiro
Knicks x Mavs - 10 de março
Cavs x Bucks - 9 de abril

Alguém ousa perder um Cavs / Bucks com os dois times exaustos e nos últimos dias da temporada regular? Vai ser um clássico! Ou um 120 a 119 sem nenhum rastro de defesa ou um 60 a 59 com os dois times beirando os 30% de aproveitamento.

Já o NBA Stuffer, um ótimo site de estatísticas, mostra dados detalhados de como os times atuam em relação aos dias que tem de descanso:



Os dados são da temporada passada, então não tem nada a ver com a amostragem pequena que temos desse comecinho de 2010-11. Dá pra ver que no quarto jogo em cinco noites a eficiência ofensiva dos times despenca, mas, de alguma forma, é quando eles defendem melhor! Será que é pra compensar o ataque que piora tanto?  Não sei, mas sei que no fim das contas, se levarmos em consideração só a temporada passada, podemos até dizer que os 4in5 são melhores que os back-to-back! Na média geral da liga, contando eficiência ofensiva menos eficiência defensiva, os 4in5s tem um saldo positivo de 0,2 em comparação ao recorde geral ao fim da temporada. O melhor número é +0,9 dos 3 dias ou mais de descanso e o pior é do back-to-back, que tem -1,6.

Já o "pace", o ritmo de jogo, cai muito no quarto jogo em cinco noites e é bem mais rápido quando o time tem pelo menos 3 dias de descanso. Óbvio, mas para a gente ter certeza de que o calendário influencia mesmo os jogos.

Um estudo mais aprofundado foi feito pelo Departamento de Estatística da Universidade da Pennsylvania, que analisou dados da temporada 2004-05 e 2005-06 para saber a importância do descanso para um time da casa na hora de enfrentar um visitante que está no meio de uma viagem. O estudo chega à conclusão de que jogar o segundo jogo de um back-to-back nessas duas temporadas significou uma média de 1,7 pontos a menos do que os visitantes que jogam descansados. Pouco, mas decide jogos e mostra uma tendência.

Toda essa análise pra quê? Pra saber que o calendário influência o físico dos jogadores e que algumas zebras estão muito bem explicadas por isso. Mas que os números, embora existam, são sempre discretos e o Wolves ainda tem 99% de chance de perder pro Celtics mesmo se estiver muito bem descansado. Acho que todo mundo já sabia disso e esse post não serviu pra nada, mas espero que o caminho até essa conclusão tenha sido divertido.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Um turco sem lar

Turkoglugluglu bota um ovo

Quando o Suns, meio desacreditado, venceu 54 jogos na temporada passada e eliminou nos playoffs o Spurs em 4 jogos, chegando à Final do Oeste e dando sufoco no Lakers, era inegável que o maior responsável pelo feito era Amar'e Stoudemire. Seu começo de temporada havia sido discreto, forrado de relatos sobre seu desentendimento com companheiros de equipe e boatos de que seria trocado. Mas depois do All-Star Game, Amar'e deixou tudo para trás e foi, quase de forma unânime, o MVP da segunda metade da temporada. Ou ele ficou mais tranquilo depois de saber que não seria trocado, ou então resolveu jogar pra valer porque seu contrato acabaria ao fim da temporada e ele precisava garantir o interesse dos outros times (a famosa "Síndrome de Jerome James", antiga "Síndrome de Erick Dampier").

Por isso, a reação natural à ida do Amar'e para o Knicks foi de desespero em Phoenix. Quando finalmente deu pra levar o time a sério e eles venceram seus arqui-inimigos, causando uma ruptura no espaço-tempo, o jogador que carregou muitas das partidas nas costas deu o fora. Mas como o Nash continua por lá, nenhum dos engravatados da franquia vai ter coragem de tacar o time na privada e começar do zero, então tentaram tapar o buraco. E a principal aposta para manter o time jogando em alto nível foi o Turkoglu.

Minha opinião sobre o turco depende da fase da lua. Em geral gosto do seu estilo de jogo e admito que ele é um jogador muito talentoso, mas não consigo lidar com a ideia de que times acham que ele seja uma estrela e ofereçam trilhões de dólares pra ele enfiar na orelha. O Turkoglu se encaixava muitíssimo bem no esquema tático do Orlando Magic e mesmo assim o time não sofreu muito com sua saída, é um absurdo achar que ele pode transformar um time e lhe oferecer muitas verdinhas. O Blazers cometeu uma cagada absurda tentando contratar o jogador, e deu a sorte de que o turco preferiu ir jogar em Toronto. Azar do Raptors, que percebeu rapidinho que o Turkoglu é um cara talentoso mas que não vai ganhar jogos sozinhos nunca. Tentaram de tudo pra ele render por lá mas o cobertor era curto demais: se ele segurava demais a bola o ataque do Raptors que é pura velocidade não funcionava, se ele não tinha a bola em mãos desaparecia do jogo e ficava frustrado.

Ou seja, quem viu o turco jogando no Raptors sabia que jogar no Suns não seria tarefa fácil. Os problemas enfrentados para se adequar e render na equipe seriam parecidos, e embora o Suns seja um time mais inteligente e o Nash sempre dê um jeito de deixar todo mundo feliz, não dava pra esperar nenhum milagre. É simples assim: o Turkoglu não pode levar o Suns até onde o Amar'e conseguiu levar nas últimas temporadas. O próprio turco disse que não veio para substituir ninguém, e com razão, mas ele teve que tapar o buraco deixado pelo Amar'e na marra, mesmo que todo mundo saiba que não pode dar muito certo.

O Turkoglu volta e meia jogava como ala de força no Magic, mas os jogadores da posição por lá são Rashard Lewis e Ryan Anderson, dois sujeitos com fobia de garrafão. Faz parte da estratégia do Magic deixar o Dwight embaixo do aro e abrir o ala de força para arremessar de três, então o Turkoglu quebrava bem o galho nessa função. No Suns, ao contrário, o ala de força sempre foi a única posição que jogava embaixo da cesta, já que o pivô costuma ser o Channing Frye. Não é a área do Turkoglu e seria absurdo tentar, então é claro que o turco faz a mesma função que executava no Magic e evita ao máximo o jogo de costas para a cesta. O resultado é bizarro: cheguei a ver um quinteto do Suns em quadra composto por Nash, Josh Childress, Jason Richardon, Turkoglu e Channing Frye. Parecia um time de handball, em que ninguém pode pisar dentro da linha de três pontos.

O Turkoglu funciona muito bem com a bola nas mãos porque ele sabe armar o jogo e usa bem a sua altura para conseguir criar espaço e dar os passes certos. Mas no Suns, a bola sempre vai para o Nash, que sempre cola no cangote do turco e pede a bola imediatamente, não deixa o coitado nem ter o gostinho de levar ela um pouco para o ataque. O que o Turkoglu pode fazer, então, já fica limitado. Ele acaba passando a bola apenas depois de recebê-la, mas em geral ele já recebe em condições de arremesso e acaba desistindo do arremesso livre para acionar outro jogador. O Suns sofre jogo após jogo com a falta de agressividade, porque todo mundo no elenco se acha arremessador, do gigante Channing Frye ao campeão de enterradas Jason Richardson, então quando o Turkoglu deixa de dar arremessos livres ou atacar o aro, o time perde muito. Mas o turco não sabe ser agressivo sem armar o jogo, e costuma ser bonzinho demais ao invés de arremessar sempre que tem oportunidade.

Já que sua passagem pelo Raptors foi desastrosa e resultou em pedido de troca imediata, tem gente achando que o Turkoglu vai pedir para sair do Suns rapidinho, já que as dificuldades são as mesmas e ele não tem rendido bulhufas nos jogos até aqui. Mas Turkoglu abriu mão de 5 milhões de seu salário só pela chance de escapar do Toronto e ir jogar com o Nash. Os dois se admiram, sabem da inteligência um do outro, e estão seguros de que conseguirão jogar muito bem juntos.

A resposta do turco para que isso possa acontecer tem sido treinar, todos os dias, os arremessos de três pontos. Ele tem um regime de treinamentos particular em horários diferentes dos outros jogadores do Suns apenas para calibrar suas bolas de fora. Quando receber a bola para armar poderá atacar mais a cesta, mas esses momentos são muito raros: com Nash no time, é bom que ele se acostume a dar arremessos sozinho o tempo inteiro. É um modo de ajudar a equipe, de render bem, e as bolas de três foram a arma que venceu o Lakers ontem. Mas na defesa o negócio ainda é muito feio e não tem previsão de melhorar. Turkoglu sempre foi um defensor muito fraco e agora só piorou por ter que marcar jogadores bem mais fortes do que ele no garrafão. O turco alegou que nunca teve que fazer isso na vida e está sofrendo para se acostumar, mas a verdade é que ele nunca defendeu ninguém em posição nenhuma, deve ser difícil até se acostumar com levantar os braços.

O técnico Alvin Gentry já avisou que ele não será usado contra os alas mais fortes e pesados do que ele, ou seja, todo mundo na NBA. O Turkoglu já está sendo relegado ao banco de reservas para não comprometer em excesso a defesa, e no ataque já está virando só mais um arremessador de três pontos. É triste ver que um jogador tão competente, que poderia ser a peça final numa série de equipes que brigam por título, não consegue encontrar uma casa que possa usar seus talentos. O Raptors não era o local certo, e o Suns também não é. Com tempo, costume e inteligência, o Turkoglu vai encontrar companheiros livres, atacar mais a cesta, armar o jogo de vez em quando, acertar muitas bolas de três. Vai parar de ter medo de dar arremessos livres, mal que também assolou Channing Frye quando ele chegou no Suns. Mas ainda assim não vai ser natural para o turco, não vai ser tudo aquilo que ele pode fazer, porque jogando de ala de força o seu tamanho não é um bônus, seu peso é um problema, e ele não tem a velocidade necessária para explorar seus marcadores. Ele não tapa os buracos do Suns, e acaba tendo que ser um jogador que ele não é.

Enquanto isso, engole minutos do Hakim Warrick, o único jogador realmente agressivo do elenco. É verdade que o Jason Richardson tem visto a necessidade e cada vez mais ataca a cesta, mas Warrick traz aquela sensação de "puta merda, ele vai enterrar na minha cabeça a qualquer momento" que o Amar'e trazia. Ele nem é forte o bastante, não tem recursos o bastante, mas sabe trabalhar com Steve Nash e finaliza perto do aro. Ele supre as necessidades do Suns muito melhor do que o Turkoglu nesse elenco em que até o faxineiro sabe arremessar de três pontos. É um desperdício deixar o turco no banco, mas também é um desperdício deixá-lo em quadra limitando seu jogo e podar o Warrick, que é verdadeiramente útil em quadra para esse equipe. Por enquanto, eles podem vencer qualquer time em dias felizes da linha de três. Mas nos playoffs, precisarão de jogo fisico e bolas de segurança, coisa que o Turkoglu jamais será capaz de dar.

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