terça-feira, 29 de setembro de 2009

Uma temporada longa

Se você está contente bata palmas

Ontem foi o enfadonho Media Day na NBA. A idéia do projeto é até bacana, um dia inteiro dedicado à imprensa antes de começarem os trabalhos para a próxima temporada, com dezenas de entrevistas, apresentações, coquetéis, coxinhas de frango engorduradas e etc.

Porém, se você pensar bem, ninguém tem muito a dizer porque não aconteceu nada. Estava todo mundo de férias e voltaram para o trabalho ontem com um microfone no meio da cara para dizer alguma coisa. O máximo que eles podem fazer é uma redação chamada "Minhas Férias" como a gente fazia na escola.

Alguns times que quase não mudaram de elenco, como o Kings, Nuggets e Knicks, não podem responder nada além do clássico "estamos ansiosos para a próxima temporada", a frase mais falada do dia. Times que mudaram pouco, como o Lakers, o Cavs ou o Magic, só podem dizer "O nosso jogador-novo é um grande jogador e estamos ansiosos para jogar ao lado dele".

As entrevistas um pouco mais interessantes são as dos times que passaram por alguma mudança maior no elenco, porque aí temos alguma previsão do que vai acontecer. O Alvin Gentry, técnico do Suns, por exemplo, disse que o garrafão titular da temporada será com Amar'e Stoudemire e Channing Frye. E até disse que o pivozão número 5 será o Amar'e, mas que na escalação ele aparecerá na posição 4 para não ficar bravo e começar a dizer que não gosta de jogar improvisado.

No Clippers o técnico Mike Dunleavy disse que o Blake Griffin começa a temporada vindo do banco de reservas e no Bulls foi dito que não mantiveram o Ben Gordon porque acham o John Salmons um jogador mais completo. Todas essas declarações até interessantes mas que podem virar farofa depois que os treinos pra valer começarem.

Mas no meio de entrevistas enfadonhas e outras levemente interessantes, tem o Warriors. A organização mais desorganizada da NBA é sempre um show à parte quando os seus atletas tem um microfone para falar.

No último dia 28 de agosto o Stephen Jackson, em um evento em Nova York, disse: "Não acho que serei um Warrior no ano que vem, estou tentando sair". E foi ridiculamente multado em 25 mil dólares por "declarações públicas em detrimento da liga", um jeito pomposo de dizer "Pareça feliz para as visitas, filho".

Ontem os jornalistas foram perguntar o que ele tinha a dizer sobre a multa e se ele ainda pensava da mesma maneira. A resposta foi a mais óbvia possível: "Não me façam perguntas que vocês já sabem a resposta". É óbvio que como nada mudou, ele ainda quer sair. E completou dizendo que muitos jogadores, incluindo o Kobe dois anos atrás, já tinham pedido publicamente por trocas e que ninguém foi multado, mas "não posso vencer a NBA, tenho que conviver com isso".

O capitão do Warriors mediu um pouco as palavras para não ser multado mas explicou a sua insatisfação com o time. Disse que faltava mentalidade vencedora na equipe, que eles só deram passos para trás desde aquela vitória contra o Dallas em 2007 e, mais importante, "a nossa defesa é sempre um problema, eu não posso marcar todo mundo sozinho". Se vocês lembrarem, na temporada passada o Stephen Jackson era sempre o responsável por marcar o melhor jogador adversário, não importa sua posição. Em um jogo contra o Hornets chegou ao patético de marcar em uma jogada o Chris Paul e na seguinte o David West.

Sem dúvida ele tem razão em todas as suas reclamações, o Warriors é hoje uma franquia destinada à derrota e como todo torcedor do Fluminense sabe, perder cansa. O detalhe é que o nosso Conca da NBA tinha uma chance de ter sido Free Agent e pulado fora ao fim dessa temporada, mas meses antes tinha assinado uma extensão de contrato. Ele disse que já naquela época, em novembro do ano passado, estava insatisfeito com o time mas que apesar de não ter feito faculdade não era burro o bastante para recusar 28 milhões de dólares.

Eu estava do lado do Stephen Jackson até essa declaração. Se ele é competitivo, quer vencer e não acha que o time está buscando isso, que dê o fora ou lute internamente para que isso mude. Mas não, ele resolve ficar só pelo dinheiro e ao invés de tentar mudar a filosofia do time só pede pra sair. O Warriors até tentou trocar ele, mas não é fácil trocar um cara de contrato longo (até 2013) que ganha 7 milhões de dólares atualmente e mais de 10 no último ano, em uma época de crise em que todos os times estão economizando para a temporada de Free Agents do ano que vem.

Só essas declarações do Jackson já seriam o bastante para o Warriors ter o pior Media Day da NBA. Mas não, pisou na merda então abre os dedos. O Monta Ellis deu uma entrevista onde diz com todas as palavras que é impossível ele jogar ao lado do novato Stephen Curry: "Nós, juntos? Não dá, simplesmente não dá."

Surpresos, alguns jornalistas então perguntaram se ele estava sabendo que desde o draft o General Manager do Warriors dizia que os dois iam jogar juntos na armação titular do time. Ele então respondeu que podem até achar que vai dar certo, mas não vai. Segundo o Monta, ele e o Curry são pequenos demais para jogarem um ao lado do outro e que juntos eles não irão conseguir lidar com armadores maiores.

Se o Monta Ellis estivesse falando de um time que defende eu até daria razão para ele, mas desde quando o Don Nelson manda alguém marcar? Imagino que na cabeça do GM Larry Riley a dupla de baixinhos apesar de sofrer na defesa vai fazer sofrer no ataque com tamanha velocidade e agressividade. Era um risco que poderia dar certo se bem aplicado e que tem tudo, absolutamente tudo, pra dar errado se nem os jogadores envolvidos acreditam que pode funcionar.

Os dois melhores jogadores estão insatisfeitos, o técnico ainda é o Don Nelson e o promissor novato será ou reserva ou terá um companheiro que não acredita nele. E foi só o primeiro dia da pré-temporada do Golden State Warriors. Deve ter gente lá torcendo pra temporada acabar logo.

domingo, 27 de setembro de 2009

Mundo real

Delonte West se finge de morto pra não levar pipoco


Há um bom tempo atrás, postei aqui sobre a depressão do Delonte West e sua luta contra ela. Após explodir contra um juiz aleatório nos treinos de pré-temporada, o armador resolveu procurar ajuda para seu transtorno bipolar e, com remédios, terapia em grupo e individual, alegou voltar a ter prazer em jogar basquete. Transformar uma coisa que se ama em trabalho, em obrigação, é sempre um passo perigoso e Delonte West precisou de ajuda para voltar a render em quadra, deixando um pouco de lado as pressões de se jogar em um time que busca o anel de campeão todos os anos.

Infelizmente, no entanto, os problemas do West parecem um pouco mais complicados do que isso. Recentemente, ao dirigir uma motocicleta de três rodas (chamar de triciclo parece que ele tem 3 anos de idade), o armador do Cavs fechou um policial e foi parado. Assim que o policial se aproximou, West disse para o "seu guarda" que estava com uma arma na cintura, coisa pouca. Ao ser revistado, o cenário era outro: Delonte West tinha uma Beretta na cintura (coisa de quem mata zumbis em Racoon City), uma Ruger amarrada na perna (coisa de quem é xerife no Velho Oeste), e uma shotgun guardada numa daquelas malas para guitarra (coisa de gângster do século XXI), colocada em suas costas. Na Dime, um leitor que mora na mesma região de Maryland em que o Delonte foi preso disse, meio-que-brincando, que é assim que as pessoas se armam para ir na biblioteca, ou seja, a região lá é barra pesada.

Em todo caso, é bem claro que ninguém coloca uma shotgun nas costas se estiver indo comprar pão na esquina. Talvez o salário do Cavs seja uma droga e o West precise complementar a renda da família sendo um exército mercenário de um homem só durante meio-período. Talvez ele esteja vingando a morte da esposa, morta pelo Coringa. Ou então ele está metido em coisas pesadas: gangues, drogas, ameaças de morte ou invasões alienígenas. Seu pai contou que recentemente o West anda com muito medo, olhando por cima do ombro e preocupado com a própria segurança. Pra mim, um sujeito que fecha um policial e se explica com "olá, boa noite, eu tenho uma arma na cintura" ou não consegue mentir (no maior estilo "O Mentiroso", com o Jim Carrey) ou então acha mais seguro passar a noite na cadeia do que nas ruas. Pareceu a ação de um homem desesperado por segurança.

Antes de assinar com o Cavs, o Delonte West já tinha sido preso com maconha e prometido para a direção do time se afastar dessas coisas para poder fechar o contrato. Mas não é questão de falar com um cara, engravatado, e dizer que para ganhar milhões no novo emprego ele precisa ser um rapaz diferente. Por mais que a NBA procure esconder e disfarçar, seus jogadores são pessoas reais com problemas reais que nem sempre dá pra simplesmente deixar de lado. Na NBA rola até código de vestimenta, em que todo jogador que não entrará em quadra precisa estar de terno e parecendo um vendedor de seguros, tudo para que a gente esqueça que a maioria dos jogadores vem de regiões muito pobres dos Estados Unidos, da periferia, passaram dificuldades extremas e mantém em sua personalidade o lugar em que viveram. Uma coisa é ter que se preocupar em treinar basquete e tirar boas notas, outra completamente diferente é se preocupar em levar pipoco no caminho para casa e levar uma shotgun pra conseguir chegar na biblioteca. Quando escapam dessa realidade através do basquete, muitos jogadores não apenas fazem questão de não esquecer como também participam, ajudam, voltam. Ou simplesmente não deixam essa realidade de lado mesmo ganhando milhões e tendo vida boa. O Jamaal Tinsley foi baleado umas trocentas vezes, ele continua fazendo hoje em dia o que ele fazia quando era adolescente, alegando que tem dívidas com as pessoas de lá, que o ajudaram e o protegeram. O resultado é que ele não tem mais um emprego, time nenhum da NBA quer o sujeito no elenco (o fato dele nunca na vida ter pulado sequer uma gilete também não ajuda), mas não dá pra simplesmente exigir que um jogador deixe sua história de lado, sua vida, seus amigos, a realidade em que ele cresceu e que, muitas vezes, é a única que conhece. Não há contrato no mundo capaz disso, e muito menos um código de vestimenta, que não faz nada além de tentar enganar a torcida, fazendo o público acreditar que todos os jogadores são brancos, ricos e estudados, com infâncias felizes e novelinha "Carrossel", sonhando com a Maria Joaquina (que, aliás, ficou grandinha).

O Cavs disse que quer ajudar o Delonte West, e espero que não seja com multas, ameaças e punições, que não vão adiantar nada. Precisam é construir uma fortaleza para ele dormir seguro, contratar um exército de guarda-costas e dar para o West uma identidade falsa e um novo nome como parte do programa de proteção a testemunhas.

O Heat, por exemplo, se comprometeu a ajudar o Michael Beasley. Ainda novato, sem ter jogado uma partida sequer, ele foi pego fumando maconha durante o programa de treinamento para os recém-draftados, com dicas para gerenciar o dinheiro, se portar dentro e fora das quadras e - tã dã! - ficar longe das drogas. A multa na época foi de 50 mil verdinhas, e olha que o rapaz não tinha sequer recebido seu primeiro salário. A punição não adiantou de nada, Beasley continuou tendo problemas com drogas e com as pessoas envolvidas na brincadeira, até que a situação ficou um pouco impraticável. Michael Beasley se internou numa clínica de reabilitação com todo o apoio possível por parte do Miami Heat, que bancou as contas, arrumou os melhores médicos e ainda mandou uma equipe de treinadores para que ele pudesse continuar treinando basquete durante o processo, ainda que no máximo por 90 minutos diários.

Com essa história, aprendemos principalmente que não dá para misturar uma pessoa em reabilitação com o Twitter (ao saber que sua reabilitação duraria um mês a mais do que o planejado, Beasley soltou no Twitter mensagens de desespero um tanto suicídas), mas também aprendemos que existem modos mais eficazes de ajudar alguém do que tacando punição na cabeça. O Beasley se sentiu aceito e querido pelo Heat, depois de uma temporada em que enfrentou muitas críticas e teve seu papel relegado ao banco de reservas. Agora ele sente que faz parte de uma organização que o deseja, que acredita nele, que estará lá quando ele precisar. Sente que faz parte de algo maior e que, portanto, tem motivos para cuidar da própria saúde. Esperamos que o Delonte West receba também a atenção e o apoio necessários para sentir-se como parte de algo maior do que ele próprio, de modo que possa escapar dos buracos em que se enfiou. Nas entrevistas, ele é sempre muito divertido e engraçado, mas assim como o código de vestimenta trata-se apenas de um modo de disfarçar a origem, o que está por trás das coisas. O basquete que se lasque, o mais importante é o Delonte West conseguir dar um jeito na própria vida. Mas como vimos com Beasley e o Miami Heat, o basquete pode ajudar o West - assim como ajudou tantos outros garotos que, no esporte, encontraram apoio e refúgio. E, claro, alguns milhões de verdinhas.

sábado, 26 de setembro de 2009

Dono da Bola - Boston Celtics

Ray Allen, seu patrão e duas cocotas no casamento do RayRay


Como anunciado ontem, começamos hoje uma de nossas colunas, a "Dono da Bola". Nela vamos conhecer o dono de cada um dos times da NBA. Começo re-postando algo que já coloquei no BasketBrasil, o perfil de Wyc Grousbeck, dono do Boston Celtics.

Wyc Grousbeck
Temporadas no comando: 7
Playoffs: 5
Títulos de divisão: 3
Títulos de conferência: 1
Títulos da NBA: 1

Riqueza estimada: 360 milhões de dólares
Comprou o time por: 360 milhões de dólares (2002)
Valor atual da equipe: 447 milhões de dólares
Maior contrato oferecido: Paul Pierce (US$59 milhões, 2006)
Técnicos contratados: 3 (Jim O’Brien, John Carroll e Doc Rivers)

O pai de Wyc Grousbeck, Irving, foi o co-fundador da gigante da TV americana Continental Cablevision, empresa que foi vendida anos atrás por míseros 11,5 bilhões de doletas. O dinheiro era bom e o filho Wyc também estava bem de vida. Em 1992 estava casado e teve um filho. Porém, depois de algum tempo, Wyc e sua mulher Corinne perceberam que o filho era cego. Decidiram então levá-lo à Perkins School of Blind, nas proximidades de Boston. A escola era reconhecida como a melhor do mundo para cegos e se gabava de ter sido o local de estudos de Helen Keller, famosa e importante escritora e feminista que era surda-muda.

Apenas pela necessidade do filho e pela vontade deles de colocá-lo na melhor escola do país, eles abandonaram a Califórnia em direção a Boston. E somente por isso o desejo da família de comprar o Oakland Athetics (time de baseball) ou o San Francisco Giants (de futebol americano) se transformou no desejo de comprar o Boston Celtics. O basquete era a terceira opção nos sonhos da família, no âmbito pessoal talvez ficasse ainda mais atrás. Na universidade o esporte pelo qual Grousbeck mais se dedicou foi o remo, em que até ganhou títulos.

Wyc Grousbeck comprou a equipe ao lado de seu pai e do investidor Steve Pagliuca (não o goleiro da Itália!). Os três foram atrás de outros endinheirados e formaram o fundo de investimento “Banner 17″, em referência aos banners (bandeiras, painéis) que se penduram nos ginásios a cada título de uma equipe da NBA. O objetivo do grupo era óbvio: comprar a equipe e conseguir o 17º título para o Celtics depois de mais de 20 anos de fila.

Foi Grousbeck quem foi atrás de Danny Ainge para ser o General Manager da equipe. A decisão pareceu duvidosa após inúmeras trocas questionáveis feitas por Ainge, incluindo o bizarro fato de Antoine Walker sair do time num ano, voltar em outro e então ser trocado de novo.

A insistência em Ainge, porém, rendeu frutos. Foi o mesmo Ainge que montou o time com Pierce, Allen e Garnett que rendeu o sonhado 17º título em 2008. Esse time, porém, não foi barato. Todos os salários deixavam o Celtics acima do teto salário e um valor alto em multas deveria ser pago, Ainge não poderia ter feito nada sem o aval financeiro de Grousbeck, como disse o próprio Danny Ainge:

"O grupo de investidores que me contratou sempre me encorajou a gastar dinheiro. Wyc e os outros caras são muito competitivos. Acho que os outros times de Boston (Patriots e Red Sox) estão reestabelecendo o padrão de nível dos times daqui e eles não querem ficar pra trás"

Abaixo um vídeo onde o Grousbeck conta sobre o processo de design do anel de campeão de 2008 e conta que a idéia para colocar a assinatura do Red Auerbach no interior do anel foi dele. Rico, bem-sucedido, dono do Celtics e ainda dá pitacos em design de jóias. Meio gay, mas o cara é um sucesso absoluto.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Mais do Bola Presa versão 2009-10

Shaq liga para o Kobe para contar as novidades no Bola Presa


Outro dia comentaram com saudade da seção "Desconhecido do Mês" aqui nos comentários. Eu mesmo já disse que gostava de fazê-la mas que estava sem tempo. Mas me prometi que nessa temporada, em nome da minha diversão em caçar a história oculta de jogadores de qualidade duvidável, vou arranjar tempo. O 'Desconhecido' será uma das inúmeras seções esporádicas que teremos aqui no Bola Presa.

Tivemos várias idéias para séries legais de posts mas que evitamos pela falta de tempo para fazer uma semana só desse assunto (como já fizemos a Semana dos Técnicos), ou então não fazemos para não ficar prometendo prazos e datas sem a chance de cumprir.

Então resolvemos prometer as colunas mas não prometer quando, mais ou menos como fazemos como nossa seção mais conhecida, a "Both Teams Played Hard", melhor coisa que acontece a cada 76 anos desde o cometa Halley. Então veja aí as seções que você verá esporadicamente, sem data prevista ou definida, aqui no Bola Presa:


Both Teams Played Hard - Vocês fazem perguntas sobre qualquer coisa e respondemos qualquer coisa. Perguntas estúpidas tem respostas estúpidas, perguntas legais tem respostas legais e perguntas sobre se tal garota é mais bonita que a Alinne Moraes são ignoradas.

Desconhecido do Mês - Um jogador ruim escondido no fim do boxscore muitas vezes tem uma história bonita por trás dele. Aqui ela é revelada até se não for tão bonita assim.

8 ou 80 - Números, números, estatísticas, contas, multiplicação, raiz quadrada. A parte mais legal do basquete é no 8 ou 80. A coluna antes ficava no BasketBrasil, mas sem a chance de poder contribuir regularmente como o desejado, voltei pra cá. Aqui posso fazer um trabalho ruim sem me sentir culpado.

Sessão da Tarde - A sétima arte no Bola Presa. Space Jam, Homens Brancos Não Sabem Enterrar, Kazaam, filmes bizarros com o Dennis Rodman. Liberaremos o Rubens Ewald Filho dentro de nós (não, não nosso lado feminino).

Double Drible - Uma seção de games no Bola Presa. Todo mundo sempre jogou e ainda joga games sobre NBA, é o mais próximos de ser o Kobe que já chegaremos. Então é aqui que falaremos desde Lakers x Celtics até NBA2k10 passando por NBA Jam e pelo jogo fantástico que inspirou o nome da coluna, lembram desse?

Dono da bola - Vocês conhecem quem são os donos de cada equipe, os caras que são os donos da bola e nunca vão catar no gol? Ou só conhecem o Mark Cuban? Vão conhecer aqui. Comecei também essa série no BasketBrasil e irei terminar por aqui.


Muitos times tem objetivos para a temporada. Tipo chegar nos playoffs, ganhar mais jogos que na temporada anterior, não passar vergonha, ter a melhor defesa e etc. O nosso é fazer essas colunas com alguma regularidade. Como muitos times não cumprem suas metas, não é garantido que consigamos isso também, mas é uma idéia que estamos compartilhando. Com sucesso ou não nessa empreitada, pelo menos as colunas diárias cornetando e opinando a NBA descompromissadamente estarão aqui sempre!

Estamos tentando fazer um blog mais interessante mas sem perder a essência do que sempre fomos, todas essas idéias são para acrescentar conteúdo, não colocar uma coisa no lugar da outra.

Se você tem sugestões para novas colunas é só usar os comentários. Mas não prometemos levar em consideração.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Nova cara

Houve uma época em que o Raptors de Marcus Camby
precisava desesperadamente de um trato no visual



O Bola Presa completou dois anos e o antigo visual já estava dando no saco. Não que não fosse bonito, elegante, simples, arrojado e com donos super simpáticos, mas tem hora em que é preciso dar uma mudada. O marido chega do trabalho e nem dá atenção, nem liga pro jantar caprichado, então a gente percebe que é hora de mudar o cabelo. Afinal, o Bola Presa sempre foi uma dona de casa dedicada.

Com o trato no visual, agora fica mais fácil acessar os filhotes do Bola Presa através da barra superior: no Twitter você encontra comentários curtos (como a gente consegue postar em menos de 20 parágrafos ainda é um mistério), participação dos leitores, dicas de links, avisos de atualizações do blog e até papos com a Alinne Moraes; no Tumblr você encontra fotos, vídeos e links para matérias que encontramos por aí; nas Ligas de Fantasy você acompanha as temporadas do nosso basquete de fantasia e fica de olho nas vagas que volta e meia acabam surgindo para participar por lá.

Na barra lateral, há também as últimas atualizações do Twitter, pra quem quiser acompanhar, além das já tradicionais seções como o "Both Teams Played Hard", em que você faz perguntas que são respondidas todo ano bissexto, e o "Chat do Bola Presa", em que você pode papear com outros fãs e compartilhar links para acompanhar os jogos da NBA, além das estatísticas, colunas e todo o histórico do blog até agora.

No topo do blog contamos agora também com um espaço publicitário, já que ninguém é de ferro e a gente adoraria bancar o leitinho das crianças. Nesse espaço você também encontrará banners bem-humorados com personagens da NBA, que atualizaremos constantemente para dar uma animada. Se você quer anunciar seu produto, é só entrar em contato através do bolapresa@gmail.com, só não vale vender coisa do Spurs. Prometemos que não vamos deixar o dinheiro subir às nossas cabeças, continuaremos postando mesmo que for diretamente dos nossos iates.

A mudada de visual foi com a gente, mas agora o negócio é com vocês. Usem a caixa de comentários para dizer o que acharam da mudança, dar sugestões, enviar fotos para usarmos no topo do blog e também para deixar o telefone da irmã gostosinha. Em época de crise, o que vier é lucro.

Esperamos que vocês tenham gostado da mudança, que a navegação esteja um pouco mais prática, e que a temporada regular não demore muito pra começar porque a mão da gente já tá coçando. Mas fiquem tranquilos, que temos ainda algumas surpresas, além do novo visual, até a temporada começar...

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Os substitutos

Vida de juiz é tranquila


Se tem um assunto que ninguém gosta de falar é de juiz. Às vezes vendo algumas mesas redondas de futebol pode parecer o contrário, mas se você ver bem a cara de desgosto de cada um daqueles comentaristas irá ver que eles sofrem quando fazem aquilo. Juiz só é assunto quando erra e tem vida pior que vida de goleiro.

Mas não tem jeito, o assunto mais importante atualmente da NBA é uma possível e iminente paralisação dos árbitros da liga, os da National Basketball Referees Association. Assim como os jogadores, de tempos em tempos os árbitros negociam com a NBA um contrato que define o quanto eles vão ganhar e seus benefícios em relação aos lucros totais da NBA. O último contrato venceu no início do mês e os dois lados não chegaram a um novo acordo.

Não é a primeira vez que isso acontece, já houve uma paralisação semelhante em 1995. Naquela época a NBA foi obrigada a buscar árbitros de outras ligas para cobrir o buraco e não precisar adiar a temporada. O resultado foi desastroso mas com lados bons também. O começo foi terrível: os jogadores questionaram muito as atitudes dos novos árbitros e duvidavam de todas suas marcações, Charles Oakley chegou a dizer que precisavam de cinco árbitros novos para dar um antigo.

Depois de 68 dias de paralisação um acordo foi definido e os juízes voltaram para o seu trabalho, ganhando um sonoro "Aleluia" do jovem Chris Webber, feliz de poder voltar a xingar os juízes com quem tinha mais intimidade.

Para se ter idéia da preparação dos árbitros que herdaram a NBA naquele momento, um dia um juiz disse ao Chris Mullin que tinha apitado pouco tempo antes um jogo de seu irmão, Terrence Mullin, jogador de uma liga amadora de basquete.

Mas estranhamente a paralisação foi também boa. Hoje, 12 dos 60 árbitros ativos na NBA entraram para a liga durante essa paralisação de 95. Outros entraram como substitutos durante outras paralisações e greves, que já ocorreram em 83 e 77. As paralisações, apesar das dores de cabeça, acabaram sendo, na história da NBA, o momento em que houve mais renovação no quadro de árbitros.

Isso tudo aconteceu com paralisações em que os substitutos vieram de tudo quanto é lugar, agora é diferente. Se em 95 foram caçados caras até em ligas amadoras, dessa vez a grande maioria dos 60 escolhidos tem experiência na D-League, a liga de desenvolvimento da NBA, e na WNBA. Duas ligas que tem a chancela da NBA e que contam com programas rígidos de treinamento de árbitros. Também foram atrás de juízes experientes da NCAA. Joel Litvin, presidente de operações de basquete da NBA, disse que se os árbitros da NBA são os 60 melhores do mundo, os subsitutos são os 60 seguintes.

A declaração tem até fundamento, considerando a origem desses substitutos, mas é incoerente já que nessa lista está Michael Henderson, árbitro demitido da NBA em 2004. O Denver vencia por dois pontos o Los Angeles Lakers a 27 segundos do fim, e depois de um arremesso errado do Andre Miller o Carmelo Anthony pegou o rebote ofensivo que mataria o jogo. Porém, o Henderson não viu a bola batendo no aro e deu violação de 24 segundos. O Lakers então ganhou a posse de bola e virou o jogo num arremesso de 3 do grande Kareen Rush.

Na época foi uma polêmica grande essa demissão porque erros acontecem sempre e nunca haviam sido punidos de tal forma. Como protesto, dias depois, 28 dos 30 árbitros em ação naquele dia usaram suas camisetas do avesso com o número 67, usado pelo Henderson, desenhado nas costas.

Como resposta, Litvin disse simplesmente que convidou Henderson por ser um cara com experiência em arbitrar jogos da NBA. Comentários sobre essa e outras atitudes só de parte dos jogadores; a NBA proibiu donos de times e General Managers de comentarem qualquer coisa relacionada à paralisação.

Entre os jogadores, a opinião sobre o uso de substitutos é dividida. O Chris Paul disse que acha que não vai mudar em nada, seu rival de armação Jason Kidd acha que haverá um tempo de ajustes que pode render algumas polêmicas. Outro armador, o Derek Fisher, disse que os fãs da NBA merecem o melhor produto que se pode oferecer e por isso merecem os melhores árbitros.

Dos jogadores concordo mais com o Fisher. Não é que os 60 novos não podem dar conta do recado por um tempo, parece que são capacitados, mas se a NBA se orgulha de ser a melhor liga do mundo e o próprio Joel Litvin acha que os 60 atuais juízes são os melhores, deve fazer de tudo para mantê-los e não usar os 60 seguintes.

Como disse antes, é nas paralisações que se renovaram sempre o quadro de árbitros. E não é que isso seria uma boa agora? Claro que não é o jeito ideal, mas de alguma forma pode ser bom para a NBA. Assistindo aos jogos você percebe que muitos juízes estão condicionados a fazer a mesma coisa: marcar faltas em cada infiltração do Wade, faltas a cada movimento corporal do Oden, não marcar andadas óbvias do LeBron e por aí vai. Reclamações sobre a arbitragem estavam a toda na temporada passada, será que caras novas não podem mudar isso? Vale a tentativa.

Só vale a pena ressaltar que essa necessidade de paralisações para se buscar novos juízes é um bocado estúpida.

Talvez o lado mais decisivo dessa questão toda seja o lado financeiro, afinal é o que desencadeou todo o processo de paralisação. Pelo o que eu pesquisei, os números do antigo acordo eram de que um árbitro novato ganha em média 80 mil dólares por ano e um veterano chega a ganhar entre 300 e 400 mil dólares.

Eles também ganham muita grana a cada rodada de playoff que são escolhidos para apitar, mas essa é uma tarefa difícil. A NBA chega a esperar um juiz ter quase uma década de experiência para liberá-lo para os playoffs. Além disso tudo, os juízes tem na faixa as viagens, hospedagem, refeições e uniformes.

Dinheiro pouco obviamente não é, mas se você pensar que os juízes são parte fundamental de um jogo que movimenta números zilionários, faz sentido eles pedirem um pouco mais. Os dados das negociações que estão empacadas não foram divulgados por ninguém, mas o que dizem é que eles chegaram em um acordo sobre o salário mas que têm divergências ainda na área de pensões e indenizações. Não sei ao certo o que isso quer dizer no mundo dos juízes profissionais mas é o que está ainda em aberto.

Como em quase toda greve, o que piora o problema é a falta de comunicação. Dizem que a NBA tinha feito uma proposta que os árbitros tinham aceitado em parte, mas depois de uma contra-proposta da liga, os árbitros voltaram atrás em coisas que já tinham aceitado, o que deixou o David Stern furioso. A associação dos árbitros então ficou mais brava ainda com uma "proposta irrisória" do David Stern e a briga ficou pessoal, com nenhum dos lados querendo ceder.

A proposta irrisória é, segundo o Stern, fruto da crise econômica, que fez com que todos na liga tivessem cortes financeiros, portanto os juízes teriam que entrar na onda dos cortes.

Vimos que isso é verdade com o desespero de vários times em não pagar multas por ultrapassar o limite salarial. Também foi óbvio que jogadores disponíveis como Allen Iverson, Raymond Felton, Lamar Odom e Ron Artest teriam conseguido salários bem maiores em um tempo em que os times não estivessem com o dinheiro tão contado.

A sugestão de algumas pessoas é que os juízes façam o que alguns desses jogadores fizeram. Assim como o Felton fez ontem mesmo com o Bobcats, os juízes poderiam topar a proposta do Stern mas por um período curto, de um ou dois anos, e depois voltar para cobrar mais quando a crise não for mais desculpa.

Embora esse conselho faça sentido, é difícil comentar esse lado financeiro sem saber de cifras ao certo. O que dá pra saber é que para o bem da imagem da NBA era bom o Stern arranjar um jeito de agradar os juízes. Ver resultados questionados com árbtiros substitutos não é o tipo de manchete que o Stern quer ver sobre sua liga. Para os árbitros também é melhor chegar em um acordo rápido. Eles obviamente precisam do trabalho para continuar com suas vidas e estão com esses substitutos babando por suas vagas.

Por fim há os jogadores e nós, torcedores. Para esses o melhor é ter a melhor das arbitragens, sejam os titulares ou os substitutos. Mas só saberemos se vamos ter saudade daqueles que xingávamos até alguns meses atrás quando observarmos os substitutos em ação.

E tudo começa já no dia 1 de outubro, com o início da pré-temporada. Quem diria que além de novas escalações estaríamos ansiosos para ver os árbitros? A história de que ninguém paga pra ir assistir ao juiz foi para o ralo.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Vale-Tudo

Ontem, falamos sobre a aposentadoria do Bruce Bowen e seu uso de qualquer método em quadra para alcançar seus objetivos. Hoje, vamos dar uma olhada em vídeos que mostram exatamente quais eram esses métodos usados por Bowen. Preparem-se para o espetáculo ou, dependendo de para qual time você torce, preparem-se para o show de horrores. Coloquem as crianças na sala, porque molecada curte uma sangria.

Para começar, vamos dar uma olhada numa tática muito comum no jogo de Bowen, deixando o pé embaixo de um jogador que pulou para o arremesso, fazendo com que torça o tornozelo.



No vídeo acima, Bowen usa sua técnica ninja contra o Steve Francis. Mas o pior de tudo é que nem é o Francis dos tempos de Houston, é o Francis na sua fase no Knicks, ou seja, é tipo chutar cachorro morto! Em outra oportunidade, Bowen repete exatamente a mesma tática contra o Jamal Crawford, também no Knicks (vai ver ele tem algum tipo de ódio especial pela equipe).



Como o Francis tinha passado um tempão fora das quadras com a contusão causada pelo Bowen e o Knicks estava fedendo pra burro, o então técnico Isiah Thomas ficou puto da vida com a tentativa de contundir o Crawford, mesmo ele não tendo se machucado. Mas o Isiah tem razão, o time já era uma droga, o técnico uma porcaria, a coisa tava feia, e o Bowen ainda tenta dar cabo do único cara que sabia potuar na equipe? Será que ele não tem piedade?

Os vídeos que veremos a seguir até têm cara de acidente, mas como o que acontece é justamente o pé do Bowen acabar embaixo de alguém que pulou para o arremesso, gerando uma contusão, somos levados a pensar que foi proposital depois de ver os vídeos anteriores. No primeiro, quem se lasca é o Anthony Parker:



O Parker tem que brincar de saci até sair da quadra, mas como ele joga no Raptors ninguém nem percebeu que ele se contundiu e o Bowen sempre se safa (quem sabe agora no Cavs alguém perceba quando o Anthony Parker for assassinado). Outro vídeo nos mesmos moldes é o do Iverson "pedindo pra sair":



Pra quem ainda acha que foi sem querer e não está vendo um padrão surgindo aqui, vamos passar então para as coisas mais explícitas do que a Monica Mattos dando para um cavalo. Que tal a legendária voadora de videogame na cara do Szczerbiak?



O Bowen foi suspenso por esse nocaute, ganhou uma faixa preta, cinturão dos médio-ligeiros e ficou tudo bem. Se fosse nosso querido Ron Artest, teria sido deportado pra Malásia. Outro vídeo famoso com chute tem como vítima o Amar'e Stoudemire:



Na rua, isso é chamado de "chutinho de cuzão" e em geral acaba em pancadaria. Mas não foi a única agressão em cima do Amar'e, tem também uma cotovelada no peito que quase deu briga. Reparem, no replay, como o Bowen percebe segundos antes que vai receber um corta-luz e prepara o cotovelo para o impacto:



O Amar'e apanhou bastante, mas a verdade é que o Suns inteiro sofreu nas mãos do Bowen. Se o estilo "run and gun" não ganhou um campeonato é apenas porque o Spurs comanda e o Bowen infernizou a vida de todo mundo no Suns, principalmente do Nash. Vamos conferir o canadense tomando bordoada:



A jogada é legal, a finalização do Amar'e é bacanuda, mas reparem em como após o passe o Bowen dá uma pernada no Nash, tirando seu equlíbrio. Só dá pra ver no Youtube mesmo, bater sem ninguém ver é uma arte, meus amigos. Tem também o Nash sofrendo o tradicional pé embaixo na hora do arremesso, marca registrada do Bowen (não seria legal se desse pra usar isso nas simulações de videogame como se fosse uma habilidade especial dele?)



Mas o que não pode, nem em videogame, é joelhada no saco!



Quando uma coisa é proibida até em vale-tudo, no UFC, no octógono, a gente sabe que o Bowen foi longe demais. Parte legal da brincadeira? O Bowen não foi sequer advertido. Mas, pelo menos, não marcaram falta de ataque do Nash, como aconteceu no vídeo a seguir:



Enquanto Chris Paul e Bowen lutam pela bola, a gente até fica pensando "ah, é uma jogada normal, é uma jogada normal, não foi nada demais", até que quando você já desistiu da jogada o Bowen dá um chute na cabeça do Chris Paul. Que, fazer o quê, coitado, tem que levantar e voltar pro jogo. Exatamente como o Sasha Vujacic, que toma a porrada, espana a poeira e volta pra partida:



Essa é uma das minhas pancadas favoritas dessa coleção, consigo imaginar perfeitamente o Bowen tacando o Vujacic contra as cordas de um ringue e depois recepcionando ele na volta com a cotovelada, no melhor estilo Telecatch ou Gigantes do Ringue! Mas o meu vídeo favorito mesmo é o abaixo, do duelo do Bowen contra o Vince Carter.



O vídeo mostra os 43 pontos do Carter no que poderia ter sido a melhor noite de sua carreira. Mas em um de seus arremessos, Bowen usa sua marca registrada, deixando o pé embaixo do Carter no arremesso, e o titio Vince fica furioso. A partir daí, os dois passaram a se empurrar durante toda a partida, até que o Bowen fez de novo. E fez pior, passando uma espécie de rasteira tipo Blanka do Street Fighter quando o Carter dá um jeito de se desvencilhar do pé dele depois de arremessar. Como os juízes não fizeram nada, o Carter foi pra cima do Bowen e foi expulso. Lembro de ver esse jogo ao vivo e ficar com vontade de vomitar. Infelizmente não achei um vídeo que mostrasse os lances do Bowen com mais atenção, mas dá pra ter uma ideia. Também não encontrei o famoso chute do Bruce "Lee" Bowen nas costas do Ray Allen, quando os dois estão caídos, e nem a voadora do Bowen na sua época de Heat que ilustrou o post passado. Quem encontrar os vídeos, por favor me avise que eu edito aqui, com os devidos créditos. Vale mandar vídeos que eu não sei que existem também.

Mas, mesmo sem alguns vídeos essenciais, essa coleção já é o bastante para lembrar quem foi Bruce Bowen: o homem, o mito, o campeão dos médios-ligeiros. Ou algo parecido.

domingo, 20 de setembro de 2009

Bate que eu gosto

Voadora estilo "Mortal Kombat"


No início do mês, Bruce Bowen anunciou sua aposentadoria das quadras de basquete. E se não falei nada na ocasião, era somente porque eu estava ocupado demais comemorando o fato, estourando champagne. Vou sentir tanta falta do Bowen quanto sentiria falta de uma apendicite, mas a verdade é que ele deixa o basquete com três anéis de campeão nos dedos e oito seleções para os melhores times de defesa da NBA. Mais do que uma carreira vencedora, Bowen nos deixa uma clara imagem do que é, hoje, o basquete de resultado. Do que uma pessoa que fede pode fazer para ter sucesso e ser alguém na vida.

A infância do Bowen não teve "Xou da Xuxa", não. Sua mãe vendeu a TV pra comprar drogas e o pai era alcoólatra, o que não constitui exatamente o kit criança feliz. Jogando basquete, Bowen conseguiu certo destaque, uma bolsa de estudos e salvou seu futuro, dando o fora de casa. Mas não era grandes coisas e, ao entrar no draft de 93, não foi escolhido. Acabou indo jogar na França, além de ligas de basquete genéricas nos Estados Unidos como a CBA (o equivalente basquetebolístico das pilhas Durabell), e ralou um bocado antes de conseguir ter uma chance na NBA de verdade. Quando conseguiu não fez nada demais, era um jogador extremamente limitado e não arrumava um contrato. Ficou passeando de um lado para o outro sem fazer nada de relevante, tipo a Mari Alexandre depois da "Casa dos Artistas". Foi parar no Heat, no Celtics, no Sixers e no Bulls, mas foi apenas em sua segunda passagem pelo Miami que acabou destacando-se como um bom jogador defensivo. Toda equipe pode aproveitar um desses caras que não tem habilidade mas sabe defender, jogando um punhadinho de minutos por jogo só, para não comprometer. Em geral, esses especialistas em defesa ficam no time titular, segurando a estrela adversária, e vão sentar assim que a equipe precisa de poder ofensivo, quando as estrelas saem da quadra. É o caso do Dahntay Jones no Nuggets, Antoine Wright no Dallas, Trenton Hassel no Nets e do Nicolas Batum no Blazers. Foi assim que, focando-se na defesa, dedicando-se a cumprir esse papel em quadra, Bruce Bowen garantiu alguns minutinhos em quadra, de modo que seu ataque medonho e sua porcentagem de aproveitamento nos lances livres (que faz até o Shaq apontar e dar risada) não chegassem a comprometer muito as equipes dispostas a acolhê-lo.

Foi então que o Bowen foi parar na situação perfeita. Um time com potencial para ser campeão precisava apenas de alguém obediente, capaz de fazer o que fosse necessário pela equipe, defender as estrelas rivais e acertar arremessos de três pontos dos cantos da quadra. A descrição parece feita sob medida para Bruce Bowen, que foi contratado pelo Spurs e imediatamente abraçou sua função inteiramente. Seus arremessos de três da zona morta tornaram-se uma arma essencial da equipe, mas foi sua defesa que permitiu que atingissem outro nível. O Duncan reina, blablablá, o Parker chuta traseiros, blablablá, Whiskas sachê, mas foi a marcação de Bowen que permitiu que essas estrelas enfiassem tantos anéis nos dedos. Foram três desde 2001, quando ele chegou à equipe, sempre como titular absoluto e peça essencial do elenco.

Genial que um garoto numa realidade tão ruim tenha encontrado a situação ideal em que foi capaz de realizar-se, ter sucesso e deixar seu nome na história, tudo através de muito esforço, dor e trabalho duro. É a história perfeita para um filme com o Will Smith que emocionará milhões ao redor do mundo. Quer dizer, até que nos lembramos quais meios Bruce Bowen usou para honrar suas obrigações com aquilo que lhe era pedido em quadra.

Às vezes nos esquecemos que a NBA é um negócio, uma forma de gerar e ganhar dinheiro como qualquer outro. Com exceção de um punhado de fãs apaixonados malucos, como o Mark Cuban, a maioria dos donos de times da NBA estão interessados em lucros, regendo suas equipes como se fossem empresas. É assim que vemos jogadores importantes sendo mandados embora apenas para economizar dinheiro, é a crise, tudo corte de desespesas, moçada. Quando uma empresa precisa de alguém para fazer um serviço sujo e imoral, vai atrás de um funcionário que tope a brincadeira. Alguém sempre topa, mesmo que não seja bonito. Assim, por mais que a história de Bruce Bowen seja bonita porque ele escapou de seu destino através do basquete, para mim ele sempre será o cara que topou fazer o trabalho sujo sem questionar. O funcionário que usa de quaisquer recursos, limpos ou não, para fazer seu trabalho. Na vida real, certamente acharíamos terrível um engravatado tentar acabar com a carreira de outro apenas para se dar bem na empresa, conseguir atingir suas metas, seus sonhos. Então por que acharíamos isso legal no esporte?

Em sua primeira temporada no Spurs, Bruce Bowen deu aquela legendária voadora no rosto do Szczerbiak que lhe rendeu o apelido de Bruce "Lee" Bowen (o coitado do Bruce Lee teria vomitado com a comparação). A partir de então, sua trajetória no Spurs já estava traçada. Para alcançar seus objetivos, tornou-se um especialista em deixar o pé embaixo dos advesários que pulam para o arremesso, causando contusões. Aprendeu a bater, chutar e irritar por debaixo dos panos, quando os árbitros não estão olhando. E, com isso, tornou-se um vencedor.

Tudo que ele fez está previsto, faz parte do basquete. Bater sem que o juiz veja é também uma arte, que exige treinamento, esforço e dedicação. Bowen ralou pra tornar-se um campeão apesar das limitações físicas e técnicas. Fez o melhor que poderia dentro de suas dificuldades. Mas eu adoraria ensinar para os meus filhos que não são os fins que realmente importam, mas os meios. Não importa os campeonatos que o Bowen alcançou, mas sim o modo como ele atingiu esses objetivos. Para quem acha que, no esporte, vale qualquer coisa em busca da vitória, volto a lembrar que o esporte é apenas um dos aspectos de nossas vidas e, portanto, reflete os valores que mantemos diariamente. Não há espaço para o Bruce Bowen no esporte que amamos, ao qual dedicamos nossas vidas e através do qual assistimos o mundo. Não há espaço para o Bowen num local que deveria ser constituído pelo respeito entre pessoas que expressam-se através da mesma arte. Mas há espaço para o Bowen no basquete que só visa os resultados, o lucro, a vitória. Há espaço para ele na Era do Spurs.

A queda do time de San Antonio, portanto, casa perfeitamente com a queda de rendimento do Bruce Bowen. Sem suas capacidades defensivas o time fica debilitado (o Suns teria sido campeão um par de vezes sem o Bowen pra arrebentar o Nash de porrada), mas ficou bem claro que ele não tem mais fôlego pra acompanhar a moçada. Foi perdendo minutos, o Spurs caiu de produção, sentiu a falta de outros jogadores também, e foi eliminado na primeira rodada dos playoffs na temporada passada. Ime Udoka foi contratado e treinado para substituir Bowen há anos, mas ele simplesmente não é tão eficiente - defende bem, mas nada fora de série, e nem fora das regras. Para o seu lugar, o Spurs conseguiu Richard Jefferson, cuja especialidade é pontuar, atacar a cesta. Frente à decadência de Bowen e à necessidade de uma mudança no time e na mentalidade ofensiva da equipe, não houve qualquer exitação em abrir mão de um funcionário diretamente responsável pela conquista de três anéis de campeão. Para trazer Jefferson do Bucks, o Spurs mandou o Bowen sem arrependimentos e não fez questão de recontratá-lo quando surgiu a oportunidade. É o auge do basquete de resultados: quando não presta mais, vai pro lixo.

Talvez o maior legado de Bowen ao basquete, para nós, seja o fim da ingenuidade com que lidamos com o esporte. Por vezes, imersos em nossa paixão pelo basquete, somos levados a acreditar que os jogadores estão em quadra por paixão, amor, testando seus próprios limites e ajudando a expandir os limites dos outros. Respeitando, admirando e compartilhando a mesma linguagem, o mesmo esporte. Com o Bowen lembramos que trata-se de dinheiro, de lucro, de empresas, de resultado. Ele bate, desce o braço, lesiona, contunde, o time vence, a torcida fica feliz e a franquia lucra zilhões. Pior do que a defesa dos torcedores cegamente apaixonados sempre foi a defesa da NBA, que sempre se negou a suspender ou coibir. Na verdade, sempre premiou Bowen com menções nas eleições de melhores defensores da liga, compreendendo que aquilo que importa é quem levanta o caneco no final do dia. Eficiência.

Amanhã, teremos uma coletânea de vídeos do Bowen, com seus momentos mais polêmicos, engraçados, e as contusões mais explícitas. Mas hoje, ficamos apenas com a constatação de que Bowen deixa para traz um esporte maculado. Antes que possamos dizer "parangaricutirimirruaru", ele estará comentando basquete na TNT ou na ESPN, e deve ser um baita sujeito engraçado (como dá pra ver na série de comerciais que o Denis postou), vou me divertir com ele e dar risada. Mas o que ele deixou em quadra é prova ainda maior de caráter, de visão de mundo, do que ser simpático quando não há nada em jogo. O desesperador é que ele é apenas um exemplo, um ícone mais fácil de ver, apontar o dedo e criticar. Mas não se trata de um fenômeno isolado, nem nas quadras nem nas ruas. Formamos uma cultura bitolada pela ideia de vencer, seja no emprego, no esporte ou no vestibular. Mas no mundo em que o Bowen venceu, vocês me desculpem, mas eu quero é ser fracassado. Se pra chegar lá em cima é preciso bater, eu prefiro ficar aqui e apanhar.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Os melhores comerciais da NBA - EspecYao

É isso, me rendi ao mundo dos trocadilhos. É o que a falta de basquete faz com a gente, faz um cara de princípios como eu me entregar ao submundo dos trocadilhos sem graça. Mas juro que parou no título, não resisti.


Para finalizar essa semana dos comerciais eu fiz uma seleção com os 10 melhores comerciais com o Yao Ming. O cara é uma lenda viva na China e no resto da Ásia e não faltam empresas pagando milhões para usar sua imagem de quase deus para vender produtos para os novos ricos vindos do leste. Simbora para mais um Top 10!
...

10- Lixo
Você tem um minuto e meio sobrando? Porque se não tiver pode começar a ler o post pelo número 9. Esse deve ser um dos piores comerciais de todos os tempos. O Yao Ming, nossa estrela, aparece só no final. Antes disso é só o Jackie Chan sendo idiota uma vez atrás da outra e sem o Chris Tucker do lado para salvá-lo. Um desastre. O sorriso do Jackie Chan no fim do vídeo pede um soco na fuça por ter me feito jogar um tempo precioso da minha vida no lixo; com um minuto e meio eu faço muita coisa na minha fazendinha do Facebook.


9 - Coca-Cola unindo povos
Para uma pessoa comum é um comercial divertido. Um LeBron e um Yao virtuais batalham usando seus símbolos nacionais até perceberem que duas culturas tão distintas tem em comum uma coisa: a Coca-Cola.

Divertido, bonitinho e a música gruda na cabeça. Mas vendo sob um prisma diferente essa peça pode ser vista no futuro como um símbolo da época em que as grandes corporações começaram a tomar o lugar das identidades nacionais. Sabiam que até antes da crise, 51 das 100 maiores economias do mundo eram grandes corporações e não países? Bola Presa também é conhecimento.


8- Gostinho de decepção
Yao Ming é um porco capitalista que joga para os dois times. Então já fez propaganda para a Pepsi também. Um sábio chinês, que não era o Yao, disse certa vez que "Pepsi tem sabor de decepção", e não poderia ter mais razão. Pepsi não é ruim, longe disso, mas 90 em cada 100 pessoas só bebem quando não tem Coca-Cola como opção.

E honrando a fama da empresa, esse comercial é uma bela de uma decepção. Um lixo sem sentido onde o Yao Ming dribla (dribla!) e tem uma relação extracorporal com um DJ que arrota.


7- Propaganda abstrata
Vocês tem familiaridade com a indústria publicitária chinesa? Se vocês já assistiram muitos jogos pela internet usando aqueles links amarelos devem saber que as propagandas de lá estão fora do nosso alcance. Algumas nem tem textos em chinês, são só imagens, e mesmo assim não dá pra saber o que eles estão vendendo. Outras, ou melhor, a maioria, tem dragões, pessoas voando, magias, fogos e/ou super-humanos fazendo absurdos para conseguir algum produto. Ou seja, não espere muito sentido. Espere um "Tigre e o Dragão" sem um enredo e sem a Zhang Ziyi.

O vídeo abaixo exemplifica tudo isso. A história começa com gente jogando basquete sobre um trem-bala, depois eles estão num cânion correndo pelas paredes e acabam numa metrópole passando a bola para uma chinesinha magrela executiva. Dança contemporânea faz mais sentido.


6- Yao na terra do Ragnarok
O Ha-Seung Jin, também conhecido por aqui como "O Homem Mais Feio do Mundo", foi o único coreano na NBA e, surpresa, não vingou. Por isso a indústria publicitária coreana teve que apelar para a vizinha China em busca de um ídolo, Yao Ming. Para os fãs da globalização temos aqui uma propaganda coreana estrelada por um chinês para promover uma empresa norte-americana. Para os não-fãs da globalização tem a satisfação da propaganda ser uma merda.

Espero que o McDonald's nunca adote o cardápio-origami em coreano por aqui.


5- André Albertini
Não sei o que aconteceu nessa propaganda mas tudo o que posso dizer é que o Yao acabou de dar um anel de diamantes para um travesti muito gato. Te cuida, Ronaldo!


4- Baba, baby
Claro que uma propaganda sobre superação na China não poderia ter só uma música emocionante e um cara treinando. Tem que ter uma placenta gigante entre o Yao Ming e a cesta! E por que diabos ele baba tanto ao tomar um gole de Gatorade Chinês? Mas tudo bem, a estrela do comercial é o gritinho dublado que o Yao dá ao pular para a enterrada. Um clássico.


3- Circo
Finalmente de volta à propaganda ocidental da qual estamos tão acostumados a ser escravos. Nesse comercial o pessoal da Apple fez o que todos no mundo queriam fazer: colocar o Yao do lado de um anão famoso para podermos apontar e dar risada das aberrações.


2- Aristóteles
Nada de pensamento chinês que a gente não entende. Aqui a NBA usou do bom e velho (bem velho) pensamento grego para fazer um de seus vídeos mais bonitos.

"Excelência não é um ato, mas um hábito"


1- Yo!
O melhor comercial que o Yao Ming já participou e se não me engano foi o primeiro que ele gravou depois de sua chegada na NBA. É uma brincadeira simples com a falta de comunicação entre dois falantes de línguas diferentes e basta isso para ser uma obra-prima!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Os melhores comerciais da NBA - parte 2

Ontem começamos a nossa lista com os 20 melhores comerciais da NBA e hoje vamos do número 10 ao número 1. Lembro que há tanto critério nessa lista quanto há naqueles caras que dão 10 pra todas as escolas no carnaval. Aqui não há métodos e nem quesitos, são 20 comerciais que achamos legais e queremos compartilhar! Fiquem à vontade para discordar nos comentários!


10- Duplas dinâmicas
Assim como outros que vimos ontem, é um comercial da TNT, o canal de TV mais legal dos EUA quando se trata de basquete. Eles tem os comentários hilários do Charles Barkley e do Kenny Smith, bons narradores, bom comentaristas e até acertaram ao contratar o Chris Webber para substituir o Barkley quando ele estava fora. Você nem precisa concordar com tudo o que eles falam (às vezes parece que exageram só para gerar polêmica) para se divertir.

Nesse comercial vemos jogadores no vestiário assistindo à TNT e ouvindo comentários sobre eles mesmos. O Nash fica se achando a última Trakinas de limão do pacote ao ouvir que ele é o melhor armador da NBA, mas o Amar'e não fica nem um pouco satisfeito quando colocam até o Greg Oden na frente dele.


Da mesma coleção: T-Mac e Yao também entram na brincadeira. Eu pagaria pra ver o T-Mac falando chinês mais vezes.

9- Freestyle
Na época em que o Vince Carter era uma estrela pop, o Jason Williams também era. Bons tempos do basquete moleque, basquete malandro. Foi nessa época que a Nike fez seu comercial "Freestyle", possivelmente o mais conhecido até hoje, mesmo entre os que não são basqueteiros.

A música feita com sons de tênis freando na quadra e bolas batendo ainda é um hit e duvido que ninguém aqui tenha visto esse vídeo e depois não tenha ido pra quadra tentar imitar as palhaçadas que esses caras faziam. Não é à toa que ninguém mais treina os fundamentos...

A estrela da propaganda é o Jason Williams, que tem um domínio de bola de outro planeta. Mas além dele podemos ver os novinhos Paul Pierce, Baron Davis, Vince Carter, Darius Miles, Lamar Odom e Rasheed Wallace. Representando a WNBA e não devendo nada ao J-Will em termos de controle de bola está a Dawn Stanley. Além disso estão presentes alguns streetballers famosos nos EUA, como o The Future, Trickz e A-Train.


8- Shaq x Kobe
Essa campanha do "There can only be one" ("só pode haver um") foi uma das mais legais usadas para promover um playoff da NBA. Ela tinha textos bacanas e colocava dois jogadores de times que iriam se enfrentar para falar. Mas antes dos playoffs começarem, quando ainda não tinham confrontos definidos, lançaram o vídeo abaixo, com Kobe e Shaq dividindo a tela.

A rivalidade Kobe/Shaq já não era tão grande como na época do Shaq no Heat mas mesmo assim ver os dois lado a lado dias antes de começarem os playoffs foi de arrepiar.



Para os que faltaram na aula da teacher teenager gostosinha da escola de inglês do bairro, aqui está o que os dois falam:
"Existem tantas emoções ao fim de uma temporada e ninguém gosta de falar disso. Uma delas é o medo, medo de que você veio tão longe e pode tudo terminar. O sonho pode acabar. Mas eu, eu gosto do medo. Significa que eu estou perto, significa que eu estou preparado."

7- La escuela de la verdad
Ontem eu falei sobre essa série de comerciais da TNT mas deixei um de fora, o mais legal. O motivo é que merecia uma posição melhor e aqui está o Shaquille O'Neal dando aulas de espanhol, ensinando expressões como "Jogador mais valioso" e "O pivô mais dominante de todos os tempos".


6- Poooost Season, Kobe Bryant!
Nós já postamos alguns comerciais dessa série da Nike, mas não conseguimos deixar esse de fora. A série inteira com os bonequinhos do Kobe e do LeBron morando juntos é ótima, mas esse em especial é o mais engraçado. Se eles realmente morassem junto eu imagino que isso aconteceria, o LeBron todo empolgado porque chegaram os playoffs e o Kobe com cara de "ahã Claudia, senta lá".



5- Fracasso
"Eu errei mais de 9 mil arremessos na minha carreira. Perdi quase 300 jogos. 26 vezes confiaram em mim para o último arremesso e eu errei. Ao longo da vida, eu falhei, falhei e falhei seguidas vezes. E é por isso que venci."


4- Rivalidades nunca morrem
Se eu já tinha ficado embasbacado com o comercial do Kobe e do Shaq dividindo a tela, esse aqui foi para dar arrepios mesmo: Larry Bird e Magic Johnson lado a lado falando de rivalidades a poucos dias da primeira final entre Lakers e Celtics em quase 20 anos. Uau.

Não é força de expressão, fiquei arrepiado mesmo, com os pêlos em pé. Ver esse vídeo naquele clima excitante de playoffs é algo que todo cara que gosta de NBA não vai esquecer nunca: "Os nomes na história podem mudar, mas o que importava naquela época, importa agora. Rivalidades nunca morrem". Melhor definição para uma rivalidade é impossível.


Claro que impressiona um pouco negativamente ver como esses caras estão velhos, mas quando eles eram novinhos não sabiam fazer comerciais tão legais.

3- Deixe seu jogo falar por você
O único pecado dessa obra-prima é deixar aparecer o Jordan no final do vídeo. Todo mundo sabia que o vídeo era sobre ele, não precisava ter explicado no final. De qualquer forma é difícil achar um comercial sobre basquete tão emocionante.


Esse é o último comercial do Jordan da nossa lista. Tem uma outra campanha chamada "Become Legendary" que merecia várias menções nessa lista, mas como já fizemos um post especialmente para ela, fica aqui apenas o link: são 4 vídeos fantásticos e traduzidos pelo Danilo.

2- Eu sou como você, mas 10 vezes melhor
Postei esse vídeo outro dia no nosso Tumblr. Acho que nunca vai haver um comercial tão engraçado envolvendo um jogador da NBA. Steve Nash paga de Zoolander e diz pérolas como "eu sou como você, mas 10 vezes melhor", "Eu, Kobe, LeBron, estamos em outra estratosfera" e a melhor, "Quando você pensa no Michael Jordan você pensa em quem? Em mim, eu sei".


1- De Robbins, Illinois
Baseado em uma carta de amor que o Dwyane Wade escreveu para o basquete, o Spike Lee fez uma série de vídeos para a Converse usando o Wade. A carta pode ser ouvida nesse vídeo aqui, mas o melhor da série acabou sendo o com menos palavras. O melhor comercial sobre basquete de todos os tempos não tem uma cesta, uma enterrada e nem um texto emocionante.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Os melhores comerciais da NBA - parte 1

Depois de um tempinho sem posts (tá tudo parado na NBA e movimentado na nossa vida!) voltamos com um post que deveria nos render alguns dólares pelo jabá, mas não rende nenhum. Vamos mostrar, de grátis, os melhores comerciais da NBA.

Na verdade o título deveria ser "melhores comerciais envolvendo jogadores da NBA" já que nem todos são feitos pela liga ou para promovê-la, mas acho que vocês sacaram. Aqui temos uma compilação que tem comerciais da TNT, HEB, ESPN, EA Sports, Converse, Nike, Adidas, American Express, tem de tudo.

Dividi em três partes porque achei muita coisa boa. Hoje posto do número 20 até o 11, amanhã posto do 10 até o 1 e depois posto uma terceira parte especial que fica de surpresa.
E também não esqueçam de me xingar na caixa de comentários dizendo que eu esqueci desse ou daquele comercial! Simbora!


20- O bigode de Adam Morrison
Antes de entrar na NBA, quando tinha acabado de ser draftado como a 3ª escolha no draft de 2004, o Adam Morrison fez uma série de comerciais para a EA Sports divulgando o novo NBA Live. Assim como o jogo, o Adam Morrison fede, o que deixa o vídeo mais sem graça do que deveria ser.

Mas ele era uma promessa boa, é simpático e seu bigode é um dos visuais mais engraçados da NBA desde a aposentadoria do Dennis Rodman. Sem esquecer o Scott Pollard, claro.

No comercial o Adam Morrison fala sobre voltar aos grandes tempos do bigode na NBA, os saudosos tempos de Pistol Pete, Kurt Rambis e Clyde Frazier. Depois diz que na offseason vai entrar em um furgão e resolver mistérios. Genial!


Da mesma coleção: Adam Morrison diz que chorou em rede nacional e na NBA irá fazer outros chorarem. Só não disse que era de desgosto.

19- Duncan, Manu e Bowen - Yoga
Só por ser um vídeo com o Ginobili, o Duncan e o Bowen fazendo yoga já merecia entrar em qualquer lista de bons vídeos, nem precisava ser de comerciais.

A propaganda é para a H-E-B, uma empresa de alimentação que opera exclusivamente no Texas e no México, portanto esse comercial é regional. Pelo tamanho da loja imagino que o cachê nem seja tão alto, ainda mais considerando o salário que os três ganham, então não dá pra entender por que diabos eles se sujeitaram a isso, mas agradecemos.


Da mesma coleção: Dessa vez o Duncan lê um poema que é dramaticamente interpretado por Bruce Bowen e Brent Barry, que é a estrela da propaganda.

18- The Run
Comercial bem bacana da Adidas mostrando uma pelada. A pelada, claro, envolve Garnett, Billups, McGrady, Duncan, Josh Smith, Dwight Howard e até o Jordan (Farmar). O comercial é tão bem feito que até dá pra acreditar que eles realmente se encontram durante a offseason para bater uma bolinha descompromissada. Mas o vídeo vale a pena mesmo pelo diálogo entre Garnett e Dwight, onde o KG se recusa a chamar o pivô do Orlando de Superman.


Imagino que vocês tenham percebido que o rachão cheio de enterradas, dribles e jogadores fora de série acabou com o Duncan fazendo o jumper sem graça da vitória. Tem gente que não sabe brincar.

17- LeBron James canta Cindy Lauper
Essa série de comerciais com o ônibus de turistas passeando por dentro da NBA foi uma idéia fantástica mas que rendeu poucos bons comerciais. A maioria é bem sem graça e passou mais do que a propaganda do Pato Purific na AXN ou da Tec Pix no TV Fama.
O que salvou a série foi essa cena do LeBron James cantando "Time after time" com uma empolgação bem sincera.


16- Vince Carter Superstar
Ah, bons tempos em que o Vince Carter recebia até mais atenção que o Kobe. Eram enterradas fantásticas, o Raptors indo longe nos playoffs e todo mundo o colocava lá em cima como o melhor novo-Jordan que nunca será o Jordan da NBA. O tempo passou e tudo isso foi por água abaixo. A imagem de marrento que boicotou a estadia em Toronto ainda prevalece e faz um tempão que não brilha na pós-temporada. Ele só pode se conformar de ainda ter mais moral que o Iverson.

Mas lembrando os tempos do Carter como a maior estrela pop da NBA, um comercial dele salvando o dia. Hoje em dia a cena do ladrão fazendo falta de ataque ficaria boa com o Varejão.


15- Jason Kidd tudo sabe e tudo vê
Todo mundo sabe, ou deveria saber, que a melhor idéia que a American Express poderia ter para promover sua marca sempre será a de juntar o Seinfeld com o Superman. Mas tirando essa sacada fantástica, fazer comerciais com caras da NBA foi o que rendeu as melhores propagandas pra eles até agora. Tem duas na nossa lista, está é a primeira.


14- Cara de Tim Duncan
Esta é a outra. Por que outra empresa não teve a idéia de zoar a cara de bunda do Duncan antes?!?! Ele é bem humorado o bastante (embora sua cara não mostre isso) para topar qualquer coisa. Está na hora de um desses sites de poker parar de pagar o Boris Becker e colocar como garoto propaganda o único ser humano que já nasceu com uma poker face.


13- Kevin Garnett x Tim Duncan
Parece piada, mas realmente tem muitos comerciais bons com o Tim Duncan. Para a super estrela menos carismática da história da NBA ele até que fez umas coisas bem divertidas. A falta de carisma está mesmo no jogo burocrático dele. Aqui, pelo menos, só vemos o Garnett jogando.


12- As crianças podem ser más
A série de propagandas da "School of Truth" é a melhor que a TNT americana já fez. Trata de uma escola onde é dita e vista a mais pura e crua verdade. Então as crianças dão risada porque o Kidd não tem um título, do LeBron por ele não ter ido para os playoffs (a propaganda é de quando o LeBron só tinha 1 ano de carreira) e até do Carmelo não ter sido um All-Star. Além disso tem o Shaq fazendo o que todos já fizemos no banheiro da escola.

Mas da série toda, o vídeo que ganha o nosso 12º lugar é o Ron Artest mostrando que sabe rir de si mesmo.


11- Ali G x NBA
Hoje existe o Brüno e antes dele o Borat. Mas o primeiro personagem do Sascha Baron Cohen foi o Ali G. Um mano firmeza zona leste que fazia perguntas absurdas ao entrevistar celebridades ou especialistas em qualquer assunto, como o feminismo. Ali G irritou muitos entrevistados que achavam que estavam falando para programas sérios com perguntas preconceituosas e ignorantes.

Nessa série feita pela TNT ele faz a mesma coisa entrevistando caras com o Nash ("eu não entendo nada com você falando canadense"), Wade ("Quem é você? Você se vestiu assim e entrou aqui para aparecer ao lado do Shaq?") e o Richard Jefferson ("Você entrou na NBA por que é parente do Thomas Jefferson?"). A série seria ainda mais legal se tudo isso tivesse sido de verdade, com os jogadores não sabendo que seriam zoados, mas aí é pedir demais.

Abaixo um vídeo de 7 minutos com a série completa, vale a pena.