quarta-feira, 28 de julho de 2010

Em busca do pivô perfeito


Consegue apoiar uma bola no pescoço? Então está contratado pelo Mark Cuban

O Mark Cuban, dono bilionário do Dallas Mavericks, conseguiu um milagre desde que chegou no time há mais de 10 anos. Transformou uma franquia que era uma das maiores piadas da NBA em um time respeitado, vencedor e o único a conseguir furar o domínio de Spurs e Lakers no Oeste desde 1999. Muitos vão questionar a falta de um título e algumas derrotas traumáticas nos playoffs, é verdade, mas analisando um pouco mais de longe, não deixam de ser vitórias. Era impossível ver o Mavs dos anos 90 e pensar que 10 anos depois eles estariam quebrando recordes de temporadas seguidas com mais de 50 vitórias, é como pensar hoje em ver o Pacers ou o Wolves dominando a próxima geração da NBA.

Porém, se ele teve sucesso em mudar o time, falhou em um dos seus grandes sonhos: ter um grande pivô. Nos últimos 10 anos o Mavs teve um dos melhores alas de força da história, Dirk Nowitzki, os dois melhores armadores da década, Jason Kidd e Steve Nash, além de outros grandes jogadores como Nick Van Exel, Antawn Jamison, Michael Finley e Josh Howard. Mas pivô ele nunca conseguiu, e não foi por falta de tentativa!

Eu sempre digo que foi o Mark Cuban que tentou e não nenhum dos General Managers que passaram pelo time nesses anos todos porque o Cuban é o dono que mais interfere nos negócios do time em toda a NBA, de longe. Ele nunca contrataria um cara que quer independência para resolver tudo sem consultá-lo. Como Mark Cuban usa de sua fortuna pessoal para bancar muita coisa lá dentro, ele quer ter o direito de dar palpites. Uma atitude questionável, mas se em quase todo lugar quem tem dinheiro manda, nos EUA isso não é só verdade como também é bem aceito.

Cuban foi o primeiro a caçar na China um de seus pivôs gigantes. Antes de aparecer Yao Ming, a estrela era Wang Zhizhi, que apesar de não ser tão ruim, era fraco demais para a NBA. Ainda no exterior o Mavs foi atrás de Obinna (melhor que Eto'o e Shaq) Ekenzie, Mamadou N'diaye e outras aberrações. A de história mais curiosa é o russo Pavel Podkolzin. Ele apareceu do nada para a imprensa americana e no dia em que foi descoberto foi para a primeira (PRIMEIRA!) posição naquele site NBADraft.net, que faz uma aposta de como serão os drafts dos anos seguintes. Os depoimentos sobre um pivô de 2,26m que sabia bater bola, driblar, chutar de 3 pontos e jogar de costas para a cesta encantaram a todos. Alguns vídeos e treinos depois e perceberam que não era tudo isso, mesmo assim ele foi a escolha 21 do Draft de 2004 (antes de caras como Kevin Martin, Beno Udrih e Anderson Varejão). Ao mostrar que era ridículo nos treinos, participou de apenas 6 jogos em dois anos na NBA, marcou 4 pontos e decidiu voltar para a Rússia.

Depois disso ainda passaram por lá aqueles típicos jogadores que só servem para fechar elenco e aumentar a média de altura: DJ Mbenga, Evan Eschmeyer, Scott Williams, Ryan Hollins e um dos jogadores mais feios da história da NBA, Calvin Booth. Além, claro, do antológico Shawn Bradley, que deixou esse legado em Dallas:


Entre os de mais destaque, o Mavs apostou no Raef LaFrentz, um pivô bem ágil e com bom arremesso, que parecia ser a solução para o time não ficar baixo demais e ao mesmo tempo continuar a correria imposta pelo então técnico Don Nelson. Não é que deu errado, mas não solucionou o problema principal, ano após ano o Mavs enfrentava Tim Duncan, Shaquille O'Neal, Kevin Garnett, David Robinson, Brad Miller, Vlad Divac, Yao Ming e não havia uma alma capaz de detê-los. Tanto que no meio do caminho até apelaram para especialistas defensivos que não sabiam nem segurar a bola no ataque, como DeSagana Diop. Confesso que durante alguns jogos achei que ninguém marcou tão bem o Duncan quanto o Diop, mas o cara era uma parede com pernas, não um jogador de basquete.

Uma das grandes derrotas do Mark Cuban foi o verão de 2004, quando o Shaquille O'Neal tinha decidido junto ao Lakers que não continuaria em Los Angeles, buscando times para troca. O Mavs logo se apresentou: ofereceu qualquer pacote com qualquer jogador no elenco, apenas Dirk Nowitzki não poderia ser incluído. De resto o Lakers poderia pedir o time inteiro! Não querendo enfrentar o Shaq sempre nos playoffs e na temporada regular, o Lakers preferiu mandar o Shaq para a outra conferência, disse que só toparia uma troca com o Mavs se envolvesse Nowitzki.

Foi então que em 2005 o Mark Cuban decidiu que não iria gastar os seus milhões para manter o Free Agent Steve Nash, ao invés disso investiu grana parecida para tirar do Warriors o Erick Dampier. Desesperado por um pivô e sem ter conseguido Shaq, que revolucionou o Miami Heat naquele ano, foi atrás do Damp, que tinha feito uma boa temporada no Warriors. Mas mal ele sabia que o Dampier é o típico homem de contrato, que só joga bem no último ano de seus acordos para se valorizar para o ano seguinte. Essa armadilha também pode responder pelo nome de Bobby Simmons, Larry Hughes, Sasha Vujacic...

O Dampier não foi horrível na sua passagem pelo Mavs, mas não foi bom como o esperado e nem tão bom quanto o que sua folha salarial poderia sugerir. É um cara que faz poucas bobagens, pega seus rebotes, mas não faz questão nenhuma de chamar o jogo e pode passar despercebido por jogos inteiros. Não é facilmente batido na defesa, mas também nem nos melhores dias pode parar um grande jogador adversário. Ou seja, o Mavs dava um de seus maiores salários para um cara que tinha tudo pra ser um reservão. Típico da tara histórica de Mark Cuban por pivôs, que sempre achou que eles mereciam receber mais por serem mais raros e a chave para os títulos.

Na temporada passada o Mavs fez sua melhor manobra para ganhar um pivô. Mandaram um monte de porcaria para o Wizards para ter em troca Caron Butler e Brendan Haywood. Não precisou passar um mês da troca para ser óbvio como o Haywood, apenas por ser bem ativo nos rebotes e na defesa, era o melhor pivô do time em 10 anos. Ele também pareceu funcionar bem com o Jason Kidd e Caron Butler em suas infiltrações, era capaz de se posicionar para receber passes embaixo da cesta e marcar seus pontos sem precisar pensar, que não é o forte dele.

E o que aconteceu quando o Mavs finalmente achou um grande pivô? Enfrentaram o Spurs nos playoffs, que tantas vezes haviam lhes eliminado usando Tim Duncan e antes David Robinson, mas que dessa vez lhes bateu usando a tática do Mavs, o small ball. Ao invés de usar os pivôs (que nem tinha, pra falar a verdade), o técnico Popovich entupiu o Spurs com jogadores rápidos e baixos, como George Hill e Tony Parker e assim bateu o Dallas, que até afundou o Haywood no banco para tentar igualar a velocidade do Spurs sem sucesso.

Mais um fracasso não parou o Mark Cuban, que satisfeito com o Haywood, resolveu torná-lo mais um dos vários pivôs que vão pagar a faculdade dos bisnetos com o dinheiro do bilionário. Haywood assinou um contrato de 55 milhões de dólares por 6 temporadas!

Eu achei um bom negócio manter o Haywood, que é o melhor pivô que eles já tiveram, mas mesmo sendo o melhor, não é um cara completo. Se com ele o Mavs tem a defesa que sempre sonhou, ainda não tem presença de garrafão, já que Nowitzki trabalha bem apenas da meia distância pra trás. E ainda gastou uma nota preta, provavelmente porque o agente do Haywood sabe que do Mark Cuban dá pra arrancar muito dinheiro.

Talvez pensando nessa questão ofensiva, o Mavs não deu por encerrada a busca por mais um pivô. Por um lado é legal ver que o time é incansável na hora de tentar melhorar, mas foi esquisito vê-los correndo atrás de Shaquille O'Neal e Al Jefferson dias depois de pagar aquele caminhão de dinheiro para o Haywood. São 55 milhões para deixá-lo no banco, é isso? Faz algum sentido? Porque titular na frente desses dois ele não seria nem se a mãe do Haywood fosse a treinadora.

As negociações com Shaq, porém, não caminharam bem e o foco do time se tornou Al Jefferson. Mesmo ele não sendo um pivô nato, Big Al atuou com sucesso nessa posição pelo Wolves e se destaca justamente por ser um dos jogadores mais completos quando o assunto é atacar. Ele sabe se posicionar embaixo da cesta, tem bom movimento de pés e um dos fakes mais traiçoeiros da NBA. Seria o parceiro ideal para Nowitzki, que com ele do lado até teria mais espaço para atacar a cesta, coisa que ele tem tentado mais nos últimos anos.

As negociações estavam bastante avançadas porque o Dallas começou essa offseason com uma das moedas de troca mais valiosas do mercado, Erick Dampier. Não que ele seja bom, mas é que o seu contrato de 13 milhões (deus salve as criancinhas com fome!) não é garantido para a próxima temporada! Ou seja, um time poderia despachar para o Dallas alguém de salário enorme, receber em troca o Dampier e simplesmente dispensá-lo antes da temporada começar, sem precisar pagar toda essa bagatela. Muitos times estavam babando para se livrar de contratos ruins com uma troca pelo Dampier e o Wolves era um deles.

Mas como vocês sabem e já foi comentado aqui, o Al Jefferson foi trocado para o Utah Jazz, não para o Dallas Mavericks, e vocês sabem o motivo? Simples, o Dallas queria aproveitar a troca para se livrar também do contrato de quase 5 milhões de dólares do DeShawn Stevenson, que nem está sendo usado. O Wolves não aceitou, a troca empacou, ninguém cedeu e o Jazz aproveitou para entrar em ação.

Preciso comentar o nível de burrice dessa decisão? Eles estiveram a um "sim" de ter o pivô que o Mark Cuban sonha há 10 anos, um cara que mesmo jogando improvisado é melhor que Dampier, Haywood, LaFrentz e toda aquela renca junta! Mas não fizeram isso porque queriam se livrar do contrato do Stevenson? Por dinheiro? Depois de pagar tão caro por tantos pivôs eles não quiseram pagar um pouquinho a mais pelo DeShawn por um ano para ter o Al Jefferson? Porra, Mark Cuban, merece sofrer sem pivô por mais 10 anos!

No fim das contas o contrato não-garantido do Erick Dampier acabou sendo enviado para o Charlotte Bobcats em troca de não um, mas dois pivôs! Tyson Chandler e Alex Ajinca. O Ajinca é um desastre total! Falei mal do Johan Petro aqui outro dia mas acho que em um duelo 1-contra-1 o Petro vai parecer o Kevin McHale perto do Ajinca. Já o Tyson Chandler não é ruim, é muito bom quando não está machucado (o que tem sido raro), mas seus talentos são na defesa: toco, rebote e, no máximo, rebotes ofensivos e pontes-aéreas. Não é exatamente o que o Haywood faz? Gastaram o valioso contrato do Dampier para ter mais do mesmo.

Ah, e para não perder o hábito, o Mavs fecha suas ações de Off-Season contratando o glorioso Ian Mahinmi. Brendan Haywood, Tyson Chandler, Alex Ajinca e Ian Mahinmi, está satisfeito ou a busca continua, Mark Cuban?

terça-feira, 27 de julho de 2010

Novos começos

Ramon Sessions precisa levantar mesmo esses cotovelos pra 
impedir que o Mo Williams arranque a bola das suas mãos


A saída de LeBron James não significa para o Cavs apenas a perda de sua maior estrela, ela também explicita quão desastrosa foi a montagem desse elenco com o passar dos anos e como todo o time está impossibilitado de fazer qualquer coisa em quadra sem LeBron. Não há como negar que o time funcionava perfeitamente e era um dos mais fortes da NBA, mas sempre foi óbvio que o Cavs conseguia jogadores aleatoriamente apenas para rodear LeBron, sem qualquer critério ou esquema tático em vista. Quando Mo Williams foi contratado, era um jogador fominha que havia levado seus companheiros de Bucks à loucura, não existia motivo algum para que ele se encaixasse no Cavs. Suas limitações na armação sempre forçaram LeBron a iniciar a maior parte das jogadas, seus arremessos precipitados sempre forçaram LeBron a manter a bola pouco em suas mãos. Com essas rédeas Mo Williams rendeu muito bem, enlouqueceu pouca gente, ganhou vários jogos, fez poucas cagadas. Agora, de repente, tornou-se um dos únicos pontuadores da equipe e o único armador capaz de carregar a bola. É como se a Preta Gil fosse a única mulher da Terra e não houvesse outra solução além de casar com ela, mas seus desastres físicos ficassem por isso mesmo mais evidentes. Como dizemos por aqui, em terra de cego quem tem um olho é caolho.

Os engravatados do Cavs sabem da merda que os espera. Depois de chorar muito na cama, tomar sorvete direto no pote, ouvir muita música emo, xingar muito no Twitter e dizer que o Cavs vai ganhar um anel de campeão antes do LeBron,  a primeira coisa que fizeram foi ir atrás de um armador puro. Se esse time ficar sob responsabilidade da armação de Mo Williams, será um desastre terrível - apenas ampliado pela falta de qualidade do resto do elenco. O primeiro armador que tentaram contratar foi, acertadamente, Kyle Lowry. Como torcedor do Houston sei muito bem como ele chuta traseiros, defende como poucos na liga, tem uma visão incrível de jogo e toma sempre as decisões mais simples possíveis, sem frescura. Ele é indicado para treinador que não quer ficar de saco cheio e nem derramar uma única gota de suor, Lowry não precisa receber ordens, vai sempre colocar a bola nas mãos do jogador certo, só vai arremessar se fizer sentido, só vai bater pra dentro se houver espaço. Apesar de ser reserva no Houston porque o titular Aaron Brooks é o mais perto que o time tinha de um pontuador, bastou que o Lowry se contundisse para que o Rockets entrasse numa triste sequência de derrotas humilhantes. É simples assim, o time não funciona sem ele. Suei frio com a possibilidade de sua saída, tive pesadelos em que o Ilgauskas vinha em câmera lenta e roubava o Lowry de mim (pensando melhor ele não estava em câmera lenta, o Ilgauskas se move nessa velocidade na vida real), mas o Houston fez a coisa certa e igualou o contrato. Obrigado, time querido!

Não sobraram muitos armadores puros por aí, mas o Wolves está sempre disposto a fazer uma troca bizarra que ninguém entende. Ontem, mandaram Ramon Sessions, Ryan Hollins e uma escolha de segunda rodada do draft em troca de Delonte West e Sebastian Telfair. É até um pouco engraçado: na prática o Cavs mandou dois armadores problemáticos e incapazes de assumir a armação de uma equipe em troca de um armador que, no mínimo, merece uma chance de tentar.

Falamos bastante por aqui do Delonte West, sempre torcendo para que ele conseguisse passar por cima de seus problemas pessoais. Há anos luta contra sua depressão crônica, falou bastante sobre ela - clamando para que as pessoas entendam que depressão não é escolha, é doença - e volta e meia está envolvido com problemas em seu bairro natal, cheio de pobreza, drogas e criminalidade. Foi preso recentemente por portar uma porção de armas enquanto andava de triciclo por aí (caso que abordamos longamente num post da época) e somente agora saiu sua condenação, que envolve prisão domiciliar, horas de serviço comunitário e tratamento psicológico. A NBA deve suspendê-lo por vários jogos, nessa mania imbecil de botar a colher na vida pessoal dos jogadores, mas a prisão comum lhe permitirá participar dos jogos normalmente. O problema é que o Cavs cansou dessa bagunça toda. Deram todo o apoio possível, inclusive financeiro, e arcaram com a encrenca toda vez que o Delonte se auxentava graças à depressão ou algum outro problema pessoal. No fim, entenderam que não dá para vencer a realidade. O jogador é quem ele é, nasceu onde ele nasceu, e não há nada que possa ser feito para arrancá-lo bruscamente da realidade que o sufoca. Muito progresso foi feito, mas muitos passos para trás também ocorreram. Numa NBA cada vez mais aterrorizada com a ideia de mostrar a origem dos jogadores e os problemas reais fora das quadras, Delonte West não tem muitas chances. Comentamos no post do link acima que os problemas de Jamaal Tinsley com armas fizeram com que não arrumasse mais emprego na NBA e torcemos para que o mesmo não ocorresse com o West. Com informações chegando de que o Wolves mandou o armador embora (seu contrato não era inteiramente garantido caso fosse despedido antes de agosto), parece que Delonte West é mais um para as estatísticas de jogadores soterrados por seus problemas pessoais. Uma pena, porque jogava bem, era inteligente, bom arremessador. Vamos torcer para que arrume um time e não tenha que ir vender pipoca.

Sebastian Telfair não fica muito longe disso. Era um gênio nos seus tempos de colegial, um dos melhores armadores que já vi, mas resolveu não ir para a universidade, pulou direto pra NBA, teve problemas de imaturidade e postura em quadra, brigas com companheiros, desentendimentos com técnicos, falta de vontade nos treinos, prisões por armas e por drogas, e no fim nenhum time lhe deu os minutos necessários para que pudesse fazer alguma coisa. Na única temporada em que jogou pra valer estava no Wolves e chutou muitos traseiros, embora tenha mostrado que é incapaz de defender qualquer um. Mereceria uma vaga de reserva em qualquer time da NBA, mas quem está disposto a lhe dar essa chance? Seu tempo no Cavs foi curto e, dizem, cheio de desgosto de ambas as partes. Sua volta ao Minessota também tem planos de ser passageira, com o Wolves querendo mandá-lo embora ou trocá-lo imediatamente. O coitado não vai ter, de novo, a chance de mostrar que joga bem pra burro.

Eu defendi longamente o Kahn dia desses, dizendo que era cedo demais pra chamar o engravatado do Wolves de burro, mas o cara não ajuda. O que ele fez foi basicamente se arrepender de ter assinado um contrato grande com o Ramon Sessions (motivado por aquela vontade doente de usar dois armadores puros em quadra ao mesmo tempo) e então trocá-lo junto com o Ryan Hollins, que é um belo pivô quebra-galho, por dois jogadores que ele só queria mandar embora para liberar mais teto salarial. Uma troca apenas para desfazer sua cagada e começar o Wolves de novo pela milésima vez. Tem até certa razão, esse lance de usar o Flynn e o Sessions juntos nunca funcionou, ele ainda espera que o Ricky Rubio venha jogar na temporada que vem, acabou de contratar o Luke Ridnour, então tinha que se desfazer do contrato que assinou com o Sessions. Mas trocá-lo por coisa nenhuma não vai fazer com que ele ganhe nenhum Nobel da Física, diabos! A política do Wolves continua clara: perder bastante, não ter vergonha disso, e pagar o mínimo possível de salário enquanto isso acontece.

Para o Cavs, foi um presentão de graça, tipo a Larissa Riquelme no Paparazzo. O Ramon Sessions é aquele armador que era reserva do Mo Williams no Bucks e, quando o Mo se machucou, o Sessions assumiu a vaga de titular e deu 24 assistências num jogo, marcou 44 pontos em outro, fez um triple-double com 16 assistências em outro, e assim por diante. Chutou traseiros pra valer, o elenco do Bucks sentiu o gostinho de finalmente tocar na bola, e aí a situação do Mo Williams fominha ficou insustentável por lá, com ele sendo praticamente expulso do time pelos companheiros. Curiosamente, o Sessions - que assinou com o Wolves pra ser titular mas não teve muitas chances de jogo porque a ordem da casa era deixar o Flynn aprender na marra - vai agora para o Cavs jogar de novo com o Mo Williams. Apenas espero que não seja para ser reserva outra vez! O Sessions não é um arremessador maravilhoso, mas sabe quando arremessar, infiltra bem, é excelente reboteiro, bom nos contra-ataques e tem uma visão de jogo simplesmente espetacular, dá pra confiar as jogadas de um time em suas mãos. Se jogar ao lado do Mo Williams, vai pelo menos limitar um pouco o tempo que o Mo passa com a bola nas mãos e impedir que ele arremesse em exagero. Se for reserva do Mo, então podemos esperar que em breve o Cavs ame o Sessions de paixão e dê uma sova no Mo Williams, expulsando ele do time pra aprender a não ser otário.

Conseguir o Sessions foi enorme para o Cavs, mas também não deve fazer milagre. O time precisa entender que a melhor saída agora é simplesmente feder por uns tempos. Assinar o Varejão por 7 milhões de dólares pareceu uma boa ideia quando significava manter o elenco intacto em volta de LeBron (quer dizer, para alguns foi cagada mesmo na época), mas agora fica evidente o tamanho da merda. Trocar por Jamison foi legal quando era a peça final pra ganhar um título, agora é só um contrato de mais de 13 milhões que vai durar ainda dois anos. Mo Williams rendeu e foi até All-Star quando estava controlado, agora é um fominha que ganha 9 milhões de dólares. É um time muito caro com jogadores limitados, aleatórios, que não combinam, e não adianta gastar qualquer grana que eles tenham tentando contratar mais alguém. Resta dar a armação pro Sessions, estabelecer o estilo de jogo do novo técnico Byron Scott (altamente focado na armação e no cadenciamento do jogo), criar um time organizado, e perder. Imagina que legal se eles conseguem a primeira escolha do draft do próximo ano, o cara se torna uma estrela, e aí encerram-se os contratos de Jamison, Mo Williams e Varejão. Se o time for organizado e Byron Scott tiver feito um bom trabalho, conseguirão contratar um novo elenco em volta de seu novato e terão seu novo LeBron James. Na temporada de 2002, os torcedores do Cavs iam para o ginásio com placas "Percam por LeBron", foi o que o Cavs fez, e deu tudo certo. Agora, começa a tática de novo, mais uma vez. Em uns 10 anos, devem ter que fazer de novo quando o tal novato-estrela for jogar com os amiguinhos em outro time, mas de todo modo é melhor do que ficar tentando remendar o estrago com mais contratos horríveis e apressados. É a lição definitiva, crianças: não sejam o Detroit Pistons.

O plano do Wolves também deve ser perder sem medo por uma boa escolha de draft, mas como tudo dá sempre errado para os lobinhos, a troca idiota já começou mal: ao trocar Sessions, que não ia ser usado mesmo, por dois armadores que devem ser mandados embora para economizar dinheiro, o Jonny Flynn foi pra cirurgia e deve perder vários meses na recuperação. Ou seja, agora o Wolves não tem armador reserva (o Ridnour vai ter que assumir a armação quando a temporada começar) e talvez tenha que manter o Telfair a contragosto. Nem as cagadas que eles fazem dá certo, é incrível. Mas vejam pelo lado positivo: pelo menos o Wolves não paga milhões e milhões por Jamison e Varejão. Às vezes, é melhor economizar.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Chance perdida


Arremesso: Travis Outlaw está fazendo errado


Já até nos encheram o saco no formspring querendo saber quando vamos tirar aquele bando de "Calma ae" na coluna de links da nossa planilha de Free Agents. Calma, pessoal! Passamos um período com muitas mudanças, muitos contratos novos e tentamos dar atenção para o que era mais importante, como o trio de Miami, Carlos Boozer e Amar'e Stoudemire e para o que não poderia ficar para depois, como a análise das Summer Leagues. Agora, aos poucos, vamos falando de algumas contratações de menos nome ou menos impacto, mas que merecem ser comentadas.

Hoje falaremos de um time que começou o verão americano com grana sobrando o bastante para dar uma festa em um iate, mas que preferiu gastar para resolver umas dívidas e no máximo passar um fim de semana no Guarujá. Ou, em termos de basquete, começaram sonhando com LeBron James e se deram por satisfeitos depois com Travis Outlaw:  o New Jersey Nets.

O Nets começou a offseason deixando para trás vários resquícios da temporada mais fracassada da sua história: tem um novo dono, um bilionário russo de história estranha (Mikhail Prokhorov, sobre quem estou pesquisando para fazer um post da série "Dono da Bola"), não paga mais 8 milhões de dólares para o Bobby Simmons mostrar que não sabe jogar basquete, trocou de técnico, General Manager e não seria nenhuma surpresa se aparecessem com novos logos e uniformes só para esquecer do ano passado.

Quem acompanha o futebol inglês como eu já estava esperando que bilionário russo era sinônimo de gastos absurdos e contratações de jogadores de mais nome que talento, os homens do dinheiro da Premier League parecem gostar mais de manchetes anunciando contratações e euros do que de vitórias. Mas eis que o Nets então, ao perder LeBron James, fez algumas das contratações mais discretas e xoxas da liga, a primeira delas sendo Travis Outlaw.

O ala, que eu não vou chamar de fora-da-lei como ato em homenagem à ATO, Anti-Trocadilhos Organizados, chega para ser o que sempre quis ser na carreira: titular. Ele chegou na NBA no famoso draft de 2003 e direto do colegial. Tinha se destacado nos anos anteriores com boa técnica de arremesso, velocidade, boa altura e uma forma física alucinante. Relatos da época dizem que ele colocava moedas no topo da tabela! Com bom potencial, mas ainda meio cru, foi a 23ª escolha. O Blazers foi bem em não queimar o garoto nos seus primeiros anos e apenas trabalhava o rapaz em treinos. Seus minutos de jogo subiram de 2 minutos por partida no ano de novato para 13, depois 16, 22, 26, até chegar no auge, 27, na temporada retrasada.

No ano passado, porém, caiu de novo para 20 minutos e seu jogo, pela primeira vez, regrediu. No começo era legal ver que Outlaw, que além de uma aberração física, estava também refinando seu arremesso e se tornando um bom reboteiro. Durante sua melhor temporada ele até começou a ser chamado de "Sr. 4º período" em Portland, todas as bolas do time na reta final do jogo eram na mão dele. Em vários jogos ele arremessava mais que o Brandon Roy quando o time precisava de uma cesta urgente. Depois de se tornar um exímio arremessador ele mesmo disse que é apaixonado pelo seu arremesso e que é viciado em treiná-lo. O que parecia bom, no entanto, virou vício. Não demorou muito para o Travis Outlaw virar um buraco negro e arremessar toda bola que chegava nele, o que passava por ele não voltava, e também se tornou um jogador previsível, já que nunca infiltrava, enterrava ou procurava um companheiro livre, era só arremesso, arremesso e arremesso. Não à toa perdeu espaço para jogadores mais completos como Nicolas Batum e Rudy Fernandez.

A graça de acompanhar o Travis Outlaw no Nets vai ser ver como ele encara o seu papel e como o técnico Avery Johnson vai usá-lo. Eles estão contratando um jogador para ser uma das estrelas do time, alguém para confiar a bola com regularidade, ou é só mais um arremessador? Gostar ou não do Outlaw e da sua contratação depende exclusivamente do que você espera dele e de como se usa o seu talento.

No melhor dos cenários ele pode ser uma espécie de Luol Deng do Nets. Recebe pouco a bola, mas quando recebe tem a luz verde para arremessar. Deng, porém, tem aprendido a infiltrar, é ótimo em contra-ataque e um excelente reboteiro para sua posição. Também tem ao seu lado Derrick Rose, que sabe mais do que Devin Harris quando acionar seus companheiros. O pior dos cenários é o Travis Outlaw ser um novo Ricky Davis. Tem a luz verde para pontuar porque tem talento para isso mas sempre toma as decisões erradas: quer ser herói quando não deve, acha que é o melhor do time só porque é um pontuador, não ajuda em mais nada porque aceitou o rótulo de "scorer" e acha que pegar rebote, defender e essas frescura é função dos outros.

O salário médio de 7 milhões anuais pelos próximos 5 anos indica que eles estão esperando algo mais próximo da primeira opção, claro, mas achei uma contratação arriscada. Outlaw não deu indícios no passado recente de maturidade e de boas decisões em quadra, se nem com Roy e Andre Miller controlando o ritmo de jogo ele era obediente, imagina com o porra-louca do Devin Harris! A possibilidade do bom cenário existe, mas eu não me animaria demais com essa contratação se torcesse para o Nets. O Ronnie Brewer poderia exercer a mesma função e ser melhor em muito mais coisas e saiu bem mais barato para o Bulls. O Wesley Matthews, que precisou de só uma temporada para ser melhor do que o Outlaw em sete, saiu pelo mesmo preço do Jazz para o Blazers.

A segunda contratação foi de Johan Petro. Sim, Johan Petro. Na NBA você pode ser uma eterna promessa, não aprender a jogar mesmo depois de 6 anos entre os profissionais, não ter médias superiores a 6 pontos e 5 rebotes por jogo, nunca dar um pequeno indício de que pode melhorar o seu jogo, nunca ter tido uma partida boa sequer e mesmo assim ganhar um contrato de 10 milhões de dólares distribuídos em 3 temporadas. Tá bom que o Brook Lopez precisa de um descanso e eles não precisavam ir atrás de um gênio, mas precisava chutar o pau da barraca assim? Salários parecidos irão ganhar outros dois pivôs reservas e gringos, Nikola Pekovic no Wolves e Timofey Mozgov no Knicks. Os dois podem acabar sendo tão inúteis quanto Petro, mas pelo menos a gente ainda não sabe disso! Eles também tem uma história recente de algum sucesso para justificar a aposta, o Petro fez o que? Quando até a contratação só para fechar o elenco é ruim é que a coisa tá fedendo.

A terceira contratação até que não foi das piores, embora eu já tenha xingado muito esse ser humano nos últimos anos: Jordan Farmar. Com algumas diferenças de importância e de relevância no seu meio, o Farmar é o Robinho da NBA. Robinho surgiu bem em 2002, melhorou até 2004 e aí resolveu que queria ser o melhor do mundo. Não queria sair do Santos para qualquer time porque queria ir para um lugar onde pudesse ser o melhor do mundo. Foi para o Real Madrid porque queria ser o melhor do mundo. Saiu do Real Madrid porque na reserva não dava para ser o melhor do mundo. Foi para o Manchester City porque lá o projeto novo poderia alavancá-lo para ser o melhor do mundo. Voltou para o Santos porque virou reserva na Inglaterra e não poderia perder espaço na Copa do Mundo, afinal ser o melhor da Copa é o melhor atalho para ser o melhor do mundo. Robinho, em resumo, foi reserva em seus dois times na Europa, não é metade do que poderia ter sido, hoje é, forçando a barra a seu favor, o terceiro melhor jogador do Santos e mesmo assim ele insiste nesse papo imbecil de ser o melhor do mundo. A quantidade de vezes que eu escrevi "melhor do mundo" nesse parágrafo é o número de tapas na orelha que o Robinho precisava pra acordar pra vida.

Jordan Farmar fez uma excelente carreira universitária pela UCLA, começou bem na NBA em 2006, chegou a ser colocado lado a lado com Rajon Rondo como dois promissores jovens armadores no começo de 2007 e desde então insiste que quer ser titular na NBA. Ele ignora que o Phil Jackson preferiu usar o Smush Parker (e tinha jurado que nunca mais diria esse nome) ao Farmar no seu primeiro ano e que nunca pensou em tirar o Derek Fisher da posição nos anos seguinte. Também esquece que em 2007-08 já tinha virado o terceiro armador do time, perdendo a vaga de reserva para o Javaris Critentton (sim, o da confusão com o Arenas) e só foi salvo porque o Critentton foi para o Grizzlies na troca-doação do Pau Gasol. O Grizzlies nem pediu ele na troca! O Grizzlies! Sem contar os inúmeros jogos em que o Sasha Vujacic e o Shannon Brown usaram os minutos que seriam do Farmar só por defender ou arremessar melhor.

Robinho, se você é reserva no Manchester City, você nunca vai ser o melhor do mundo. Farmar, se você está disputando (e perdendo) vaga com Critentton, Vujacic e Shannon Brown, você nunca vai ser titular. Vou entrar na dança e estabelecer como objetivo do Bola Presa ter mais acessos que o UOL, quem será que consegue primeiro, nós, o Farmar ou o Robinho?

Depois de tanto falar que só ficaria no Lakers se virasse titular ou que iria mudar para um time onde começasse os jogos, Farmar não recebeu nenhum telefonema quando seu contrato acabou. Aí acho que alguém deu um toque de brother no rapaz, que aceitou o contrato de 12 milhões por 3 temporadas pelo Nets. Lá ele vai fazer o que é capaz de fazer, ser reserva. Ele tem velocidade, eventualmente tem grandes momentos e é um arremessador de três decente, obviamente tem espaço na NBA, mas precisou tomar um gelo para se tocar de que espaço é esse. Para o Nets foi importante ter um armador reserva que mantenha o ritmo rápido de jogo do Devin Harris, mas não vai ser algo que vai mudar os rumos da equipe.

A última contratação do Nets nessa offseason foi o glorioso Anthony Morrow, um dos melhores achados do Don Nelson nos últimos anos. O Morrow está, sem dúvida, na lista dos cinco melhores arremessadores de três da atualidade e não ficaria surpreso se algumas pessoas o considerassem O melhor, nem diria que essa pessoa deve ser a mãe dele. Seu aproveitamento é de 45,5% nas duas temporadas que jogou, o que é um absurdo para o número de bolas que ele arremessa.

Tudo o que um arremessador quer da vida é espaço. E para isso ele precisa que o seu marcador fique distraído ou ocupado com outra coisa, o que dá mais certo costuma ser um jogador de garrafão forte que chama a marcação dupla ou um driblador, que força a infiltração, passa pelo seu marcador e exige que outro largue a sua responsabilidade para tapar o buraco. Em seus bons dias esses dois tipos podem ser chamados de Brook Lopez e Devin Harris. Se os dois jogarem bem nessa temporada é possível que levem o Anthony Morrow nas costas, mas não será o contrário. É mais uma contratação para ajeitar o time, não para revolucioná-lo. Até porque a não ser que o Anthony Morrow mostre, de repente, que é um excelente marcador (quem conseguiria provar isso no Warriors?) e tem um jogo ofensivo além dos seus arremessos, ele deve ser reserva do ótimo Courtney Lee.

Com dinheiro de sobra para contratar uma grande estrela, o Nets chega perto do fim do período de contratações mantendo boa parte do time que foi o pior do ano passado e mais três reservas e um titular de passado recente duvidoso. E isso sem contar que eles mesmo admitiram que o Derrick Favors, terceira escolha do Draft 2010, ainda não está pronto para fazer muito estrago na NBA, é um projeto futuro. Será que em 2015 o Nets vira um grande time? Já tamo chegando, paiê? E agora?

Você sabe porque o Nets chama Nets? Apenas para rimar com os outros times da região, o New York Mets e o New York Jets. Merece o último lugar ou não merece?

sábado, 24 de julho de 2010

Summer Leagues - O resto


Chegou a hora de conhecer Jeremy Lin


Chegou a última parte da análise das Summer Leagues. Na primeira contamos um pouco do propósito desses campeonatos onde ninguém olha o placar final do jogo e falamos um pouco do desempenho dos recém-draftados. Na segunda parte falamos de quem se destacou entre os que já jogam na NBA e hoje, finalmente, falaremos do resto. Aqueles que já foram da NBA mas estão sumidos, os caras que jogavam na Europa e vieram tentar a sorte na liga americana e os caras que saíram da universidade mas passaram pelo draft sem terem sido escolhidos por ninguém.

Não quero enrolar mais do que já enrolo, mas queria dizer o motivo para não estarmos falando nada do Chris Paul, que parece ter pedido para sair do Hornets: até agora o único fato consumado é que ele está insatisfeito com o elenco do time e quer conversar disso com o novo General Manager. Eles ainda vão ter uma reunião na segunda-feira e só a partir daí pode acontecer alguma coisa de concreto. Desde o começo da offseason a gente se focou em comentar contratações e trocas, nunca boatos. E ficar dizendo o que a saída do Chris Paul significaria para o Hornets sem isso ter acontecido parece uma perda de tempo gigantesca sendo que aconteceram tantas outras mudanças reais que ainda não ganharam seus textos.

Isso dito, vamos voltar aos campeonatinhos de verão:

Os Outros
Gary Neal (SG - San Antonio Spurs) - Depois de uma boa temporada no basquete italiano, o Gary Neal foi tentar a sorte nos Estados Unidos. Fez cinco jogos pelo Spurs e convenceu a equipe do Greg Popovich. E convenceu por um único motivo, algo que faltou ao Spurs na temporada passada, as bolas de longa distância. Neal acertou bolas de três em todos os jogos e mesmo chutando bastante e com arremessos difíceis, acabou a Summer League de Las Vegas com 50% de aproveitamento. Na última partida, contra o Grizzlies, tentou 10 bolas e acertou 6, fechando o jogo com 25 pontos.

Com as infiltrações sempre perigosas do Tony Parker e Manu Ginobili e a marcação dupla que o Tim Duncan costuma exigir, o Spurs foi sempre um time que conseguiu produzir muitas situações para bolas de longa distância, mas no ano passado não estava conseguindo transformar essas boas jogadas em pontos. Se meter algumas bolinhas dessas por jogo, o Neal já terá sido uma contratação que valeu a pena.

Morris Almond (SG - Chicago Bulls) - Lembram no post passado quando eu contei que o Joe Alexander era um dos poucos jogadores na história da NBA a terem sido dispensados após apenas dois anos de seus contratos de novato? E lembram que naquela lista tinha um mané chamado Morris Almond? Pois é, ele estava jogando em Las Vegas.

O Almond foi dispensado após duas temporadas improdutivas no Jazz. Depois disso continuou nos EUA e jogou muito na D-League, onde simplesmente arrebentou com tudo, incluindo jogos com mais de 50 pontos. Ele é um excelente arremessador, às vezes fominha, é verdade, mas que faz pontos com facilidade. O problema é que na NBA parece ser abatido por um nervosismo que faz com que suas bolas não caiam. E arremessadores que não acertam arremessos são tão úteis quanto um açogueiro com nojo de carne.

Na Summer League ele fez um bom trabalho, acabou com 13 pontos de média mas no seu dia mais inspirado chegou a fazer 22 pontos. Ele não faz nada além disso, claro, mas pode ser uma boa para o Chicago Bulls que está em busca de arremessadores. Eles conseguiram o Korver mas não o Redick, então talvez sobre um espaço para ele. Tudo deve depender da contratação do Tracy McGrady, que já treinou com o Bulls e espera uma resposta do time.

Sofoklis Schortsanitis (PF/C - Los Angeles Clippers) - Tá, não vou mentir, dei um Ctrl+C - Ctrl+V para escrever o nome dele aqui, mas alguém aqui faria diferente? Todo mundo conhece o pivô grego apenas como "Baby Shaq", e seus 142kg bastam como justificativa para o apelido.

Ele ganhou alguma fama nos EUA quando foi escolhido pelo Clippers na segunda rodada do agora longínquo Draft de 2003, impressionou pelo corpo gigantesco mas foi deixado na Europa. Três anos depois, no Mundial de 2006 no Japão, ele foi peça importante do time vice-campeão da Grécia e foi um dos melhores jogadores da seleção grega durante a semi-final contra os Estados Unidos. Ele e o Vassilis Spanoulis, que teve uma boa, mas discreta, passagem pelo Rockets, aniquilaram a defesa americana com seus pick-and-rolls. Aliás, vale a pena ver os melhores momentos daquele jogo histórico:


Depois dessa partida parecia claro que o Baby Shaq teria uma chance na NBA, mas acabou recebendo ofertas mais lucrativas na própria Grécia e ficou por lá. Quatro anos depois, às vésperas de outro mundial, ele finalmente tenta ir para a NBA. Hoje o grego tem 25 anos, poderia ter sido uma boa idéia esperar, como foi com Tiago Splitter, mas a carreira do "Sofo" teve um caminho diferente. Depois de brilhar 4 anos atrás na Grécia e no Olimpyacos, seus minutos por quadra e produtividade foram caindo aos poucos. Hoje não é tão badalado dentro do seu time como já foi quando mais novo.

Talvez até por isso tenha ido tentar a sorte nos EUA, mas não foi bem na Summer League de Las Vegas. Jogou apenas 13 minutos por jogo, pouco mais de um período (nesse torneio cada quarto tem 10 minutos, como na FIBA) e teve médias ridículas de 2.5 pontos e 3.8 rebotes por partida. Os rebotes até que foram bons para o tempo jogado, é verdade, mas ele não conseguiu render bem no ataque como esperado e participou pouco dos jogos. O Clippers acabou de manter o Craig Smith no time e ainda tem Blake Griffin, Chris Kaman e DeAndre Jordan no garrafão, não sei se existe um interesse real em levar o Baby Shaq para a NBA. Aposto mais que ele volte para a Summer League do ano que vem para tentar de novo.

Jaycee Carroll (SG - Boston Celtics/New York Knicks) - Esse deve ter sido o jogador que mais atuou nas ligas de verão. Jogou tanto a de Orlando, pelo Celtics, quanto a de Las Vegas, essa pelo Knicks. E jogou bem pelos dois times.

O Carroll fez uma boa carreira universitária pela Utah State University, mas não chegou a ser draftado. Atuou nas Summer Leagues de 2008, 2009, e jogou a última temporada pelo Gran Canaria da Espanha. Antes disso atuou no Teramo Basket da Itália, onde virou lenda ao marcar duas bolas de 3 nos últimos 7 segundos de um jogo decisivo.

Com o sonho de atuar na NBA, veio de novo jogar as ligas de verão e finalmente teve sucesso. Ele teve média de 15 pontos por jogo na Summer League de Orlando, onde foi eleito para a segunda seleção do torneio. Pelo Knicks em Las Vegas não jogou tanto, mas 8 pontos de média em 14 minutos por partida não é nada mal! Com as más atuações de Andy Rautins pelo Knicks, é possível que eles estejam atrás de contratos pequenos com jovem jogadores da posição. Alguém para ser testado, para contribuir vindo do banco e não comprometer as finanças do time. Jaycee Carroll não é tão inexperiente como Rautins e serve a todos esses objetivos, pode ser uma opção.

Curioso ver como a história de Carroll é uma boa prova do quanto é difícil entrar na NBA. Carreira universitária boa, boas temporadas na Europa, destaque nas ligas de verão e mesmo assim ele tem uma chance remotíssima de conseguir ser apenas o último cara do banco de um time da NBA. Tem que ser espetacular, não basta ser bom.

Pooh Jeter (PG - Cleveland Cavaliers) - Eugene Jeter III é uma força nominal absurda, mas ele prefere usar o apelido de ursinho dele, vai entender! O armador batalha por um lugar na NBA há muito tempo. Ele jogou na D-League em 2006-07, depois jogou na Ucrânia, Espanha e Israel. Na liga de desenvolvimento ele era um dos líderes em assistência com mais de 7 por jogo, mas não chegou a ter grandes chances na NBA. Já havia voltado para disputar Summer Leagues, mas só agora pelo Cavs é que ele se destacou. Foi o quarto líder em assistências do torneio e ainda meteu 14 pontos por jogo.

Não foi páreo para caras como Jrue Holiday e John Wall, mas entre os que não tinham contrato garantido foi disparado o melhor armador. Apesar de apenas 1,80m de altura, sabe das suas limitações e se destaca por comandar o jogo, por tomar boas decisões em quadra, talento que, dizem (não vejo o campeonato ucraniano), cresceu com a sua passagem pela Europa. Finalmente pronto para a NBA acaba de assinar um contrato com o Sacramento Kings, onde provavelmente será reserva imediato de Beno Udrih.

Jeremy Lin (PG - Dallas Mavericks) - Finalmente a estrela da liga! Ele não foi o melhor jogador, mas teve a atuação mais impressionante e a história que mais chamou a atenção. Tudo em Jeremy Lin é diferente do padrão da NBA, absolutamente tudo.

Lin é americano, nascido em Palo Alto na California, descendente direto de família Taiwanesa, sem qualquer sangue americano na família. É o primeiro jogador americano de origem asiática a chegar na liga desde Wataru Misaka, um americano de origem japonesa que foi o primeiro jogador não-branco a atuar na NBA há 63 anos. Na NCAA, apenas 0,5% dos jogadores tem origem asiática.

O armador também é diferente pelo desenho da sua carreira. Começou a jogar basquete quando criança em uma YMCA (é uma rede de clubes que deu origem à música que todo mundo conhece) de Palo Alto por incentivo de seu pai, que mesmo quando ainda morava em Taiwan caçava algumas jogadas da NBA na TV para saciar sua vontade de basquete. Nas suas palavras, "Não sei porque gosto de basquete, apenas gosto". Na terra do basquete não teve dúvidas e levou os filhos para jogar, mas Jeremy apenas ficava no meio da quadra chupando o dedo como uma criança desinteressada. Depois de alguns jogos sua mãe deixou de ir assistir, Jeremy viu aí um incentivo e pediu para ela voltar no próximo jogo, para ele resolver parar de chupar o dedo e ir brincar com as outras crianças. Por "brincar" entenda "fazer todos os pontos do jogo".

No colegial ele liderou a Palo Alto High School, uma escola sem tradição no basquete, ao título da Divisão II estadual, sendo considerado o melhor jogador do torneio por diversas publicações locais, mas mesmo assim não recebeu nenhuma bolsa de estudos dos times da primeira divisão da NCAA. Foi recusado pela UCLA e em entrevista à CAL U até o chamaram pelo nome errado. Foi então para o outro lado do país para uma universidade muito conhecida, embora nunca pelo seu basquete: Harvard. Membro da Ivy League, que concentra 8 das melhores unversidades americanas, entre elas Yale, Columbia e Princeton, Harvard não pode oferecer bolsas de estudo para atletas. Jeremy Lin, porém, nunca escolheu entre estudar ou jogar, fez os dois.

Uma pessoa de origem asiática em uma das mais renomadas instituições de ensino é até um clichê, existiam 23 alunos com o sobrenome Lin em Harvard quando ele entrou, mas Jeremy foi além, foi um esportista, e no seu último ano (ele jogou os 4 e se formou em Economia), levou a universidade para a sua melhor campanha na história. Com atuações impressionantes, como a do vídeo abaixo contra a tradicional UConn, fora de casa, começou a ficar conhecido e até foi finalista para o Bob Cousy Award, prêmio dado ao melhor armador universitário do ano.


Não bastava ser um jogador de destaque em escolas que nunca tinham ouvido falar de basquete, ele queria quebrar mais alguns dos estereótipos do jogador de basquete. Não foi o basqueteiro que ignorava o estudo para jogar, nem o que só queria saber de festas, nem o que se envolveu com drogas e nem aquele que só queria saber de usar a fama do basquete universitário para pegar mulher. Também não tinha uma família desequilibrada para responsabilizar por se envolver com o crime e nem faltava dinheiro para ele se envolver no mundo das drogas. Dedicava todo o seu tempo livre do basquete para o estudo e principalmente para a Bíblia.

Lin criou um grupo de leitura da Bíblia e chegou a levar alguns de seus companheiros de time para lá, se organizando semanalmente para rezar e discutir o livro. Como acontece com quase todo atleta que se envolve demais com religião, começou a misturar as coisas: ele diz que lidera o time de uma maneira cristã, que joga para a glória de Deus e por Deus, e que não se foca tanto em ganhar ou perder, mas sim em ter fé no plano perfeito de Deus.

Eu sou ateu e confesso que pessoas que falam de Deus o tempo todo me irritam profundamente, mas elas existem e eventualmente algumas gostam de jogar basquete, outras, como Lin, não só gostam como são boas nisso. O esporte parece não combinar com religião, mas ele é feito de pessoas e elas tem suas características, sejam elas agradáveis para os outros ou não. Lembro de quando o Dwight Howard chegou na NBA e perguntou para o David Stern se poderia colocar uma cruz no seu uniforme, o que foi proibido. Stern estava certo nisso, o esporte é um lugar onde se juntam pessoas de qualquer tipo que tem em comum a atividade esportiva que praticam, mas ficar divulgando e colocando para fora parece mais propaganda do que fé. Jeremy Lin ser um cristão tão devoto é curioso e deixa a NBA com mais um personagem diferente, mas em algumas entrevistas ele pareceu tão bitolado que eu fico com a sensação de que em breve poderemos ter na NBA alguns dos exageros religiosos que vemos tantas vezes no futebol. Agora ele é um personagem diferente, exótico, interessante, mas isso pode mudar.

Na Summer League o Jeremy Lin jogou 4 partidas pelo Mavs. Fez 12 pontos em 18 minutos na primeira, somou 12 nas duas partidas seguintes e apenas no seu último jogo brilhou de verdade. Enfrentou mano a mano a estrela John Wall e marcou 13 pontos em 17 minutos. No vídeo abaixo dá pra ver o que fez a torcida ir ao delírio com o jovem: velocidade, dribles, bons roubos e uma capacidade impressionante de infiltrar na defesa adversária.


Apesar de estar jogando pelo Mavs, Lin não tinha vínculo nenhum com o time, e ganhou o interesse também do Lakers e do Warriors. Em entrevista ainda na faculdade já havia dito que o seu sonho era de jogar pelo time do coração, o Golden State, e acaba de finalizar um contrato de dois anos com eles. Com contrato assinado, Lin passa a ser o primeiro jogador a sair da Ivy League em 8 anos e segundo jogador da história da NBA a ter saído de Harvard, o último foi Ed Smith em 1953.

Difícil saber o quanto ele irá render na NBA, mas sua contribuição já começou com essa história pouco comum. Ele disse ter superado anos e anos de piadas racistas em quadras de basquete e na NCAA até chegar na NBA, o que é, Bíblia a parte, uma história fantástica. Eu imagino que no sistema veloz do Golden State Warriors ele tenha boas chances de se destacar. Provavelmente nunca vai ser titular, mas dá pra enxergar ele fazendo muitos pontos em alguns jogos isolados durante a temporada. A torcida do Warriors, tradicionalmente uma das mais fiéis (ao time, não necessariamente ao deus do Jeremy Lin) e apaixonadas da NBA, certamente irá ao delírio com o garoto da casa.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Summer Leagues - Os veteranos


Holiday jogou sem Christmas dessa vez


No último post sobre as ligas de verão tratamos dos novatos de 2010. Para saber um pouco mais da história e para que servem esses pequenos torneios realizados no verão americano é só ver a introdução do mesmo post.

Nesse eu vou falar de outros tipos de jogador que atuaram em Orlando em Las Vegas, os veteranos. São os jogadores com experiência de NBA, a maioria novatos do ano passado, que estão lá para ganhar experiência ou apenas para colocar o que estão fazendo em treinos na prática. Como essa lista ficou também muito grande, a outra categoria, a criativa "outros", com os não-draftados e jogadores vindos da gringolândia, fica para o próximo post.

Veteranos
DeMar DeRozan e Sonny Weems (SG e SF - Toronto Raptors) - As vitórias nas Summer Leagues não querem dizer nada, mas as do Raptors animaram uma meia dúzia de torcedores do que estavam chorando a saída de Chris Bosh. Isso porque foram comandadas por dois dos mais jovens jogadores do elenco canadense, DeMar DeRozan e Sonny Weems, que tem tudo para ser a dupla titular em Toronto na próxima temporada. DeRozan briga por vaga com Leandrinho e Weems com Kleiza, mas os dois americanos tem a vantagem do bom entrosamento. Durante os jogos da liga de verão um sempre procurou o outro nos contra-ataques e nas pontes aéreas, formando a dupla mais mortal de Las Vegas.

Em entrevista o DeRozan foi bem humilde e admitiu que não estava totalmente pronto para a NBA no ano passado, mas que desde o fim da temporada passada está treinando sua defesa, suas bolas de três (tentou apenas 18 bolas de 3 em toda temporada apesar de ser um segundo armador) e seu arremesso após o drible, para poder criar mais arremessos para si mesmo.

Curioso que na temporada passada, sabendo dessas falhas em seu jogo, DeRozan era bem passivo durante os jogos, arriscava pouco, o que gerou algumas críticas. Mas foi essa consciência dos seus limites que fizeram com que acabasse a temporada 2009-10 com aproveitamento de 48% dos arremessos e menos de 1 turnover por jogo. Nas ligas de verão conseguiu colocar seus novos talentos em quadra e os números continuaram bons: 21 pontos por jogo, 58% de aproveitamento dos arremessos (espetacular!), 40% de acerto nas bolas de três e só 1 turnover por partida. Esperem grandes coisas dessa dupla para a próxima temporada, especialmente de DeMar DeRozan, que finalmente vai fazer jus à sua força nominal.

Marreese Speights (PF - Philadelphia 76ers) - Está sendo citado aqui porque foi muito bem na Summer League de Orlando, mas não fez nada de novo. Usou sua velocidade pouco comum para um jogador da posição 4 para fazer pontos na transição e foi agressivo nos rebotes, liderando a liga de Orlando com 9.2 rebotes por partida. Mas apesar do bom basquete apresentado não acho que seja um risco para a titularidade de Elton Brand. Se não roubou a sua vaga nem no esquema feito de contra-ataques que o Sixers tinha até o ano passado, não vai ser agora.

Jrue Holiday (PG - Philadelphia 76ers) - Apesar do Sr.Feriado não estar no mesmo time do Dionte Christmas nesse ano (Sr. Natal jogou a Summer League pelo Kings), rendeu bastante. Aliás, mais do que o esperado. Holiday, ao lado de Jonny Flynn, foram duas exceções em uma classe de draft cheia de armadores talentosos. Enquanto a maioria (Evans, Jennings, Curry, Lawson) arrebentava com tudo e todos, os dois pareciam irregulares e despreparados para o basquete profissional. Holiday, porém, animou um pouco a torcida do Sixers ao melhorar nos últimos 2 meses de temporada, e confirmou a evolução nas ligas de verão.

Liderou a Summer League de Orlando com 19.3 pontos e 6 assistências por partida. Mesclou bem momentos de atacar a cesta e distribuir o jogo e foi bem agressivo nos roubos de bola, especialmente cortando linhas de passe. Talvez alguns defeitos em seu jogo apareçam quando enfrentar jogadores de alto nível, afinal ele tem apenas 20 anos, mas é o armador do futuro para o 76ers.

Terrence Williams (PG/SG - New Jersey Nets) - Eu estou pouco me ferrando para o que o T-Will faça em quadra, desde que esteja no próximo campeonato de enterradas. Mas como está longe, podemos falar um pouco de basquete. Ele foi bem, teve boas médias de 18 pontos, 3 rebotes e 5 assistências, mas deixou bem claro pra todo mundo que apesar de ter tamanho de armador, não é um. Forçou muito o jogo individual e foi um dos motivos para que Derrick Favors arremessasse tão pouco nos primeiros jogos. Em compensação soube criar boas jogadas atacando a cesta. Jogando na posição dois, sem a obrigação de criar para os outros, e pegando os minutos que eram de Chris-Douglas Roberts, deve se destacar na próxima temporada.

James Harden (SG - Oklahoma City Thunder) - A barba mais legal da NBA sofre por ter sido escolhido antes do Tyreke Evans no draft. Não é porque um melhor veio depois que ele é ruim, pessoal. Muita gente esperava mais dele, mas o cara faz o que pedem: aparece do banco no Thunder defendendo bem, tem bom aproveitamento nos arremessos e faz um pouco de tudo. Jogou a Summer League de Orlando como um ótimo veterano e só não tem números mais expressivos na NBA porque joga na sombra de Kevin Durant.

BJ Mullens (C - Oklahoma City Thunder) - O Thunder tinha um dos melhores elencos dessa Summer League. Além de Harden tinha Eric Maynor, Kyle Weaver, Serge Ibaka, DJ White e BJ Mullens. Não à toa só perdeu um jogo e este por um ponto de diferença! Embora todos tenham jogado bem, meu destaque vai para o Mullens, que foi o que surpreendeu. O resto fez, com os números um pouco mais expressivos, pela qualidade dos adversários, o que já fazia na NBA no ano passado. Menos Mullens, que mal jogou na temporada passada e finalmente apareceu em Las Vegas, com 16 pontos e 6.3 rebotes por partida. Foi interessante ver ele atacar a cesta e conseguir ir para a linha do lance livre nos dias em que seus arremessos não estavam caindo. Pode ser uma ameaça à titularidade do novato Cole Aldrich que parecia tão certa no dia do draft.

Kosta Koufos (C - Minnesota Timberwolves) - O pivô que foi envolvido na troca de Al Jefferson para o Jazz foi parar no Wolves e terá concorrência de Darko Milicic, queridinho do GM David Kahn, e do recém-chegado Nikola Pekovic. Não será fácil ganhar uns minutos, mas ele começou bem com sólidas atuações nas ligas de verão. Depois de estrear mal com apenas 4 pontos, embalou três jogos com 13, 19 e 14 pontos. Destaque para o jogo contra o Magic em que teve, além dos 13 pontos, 11 rebotes e 4 tocos. Ainda é pouco, mas começa a lembrar um pouco o pivô que brilhou em Ohio State e foi MVP do campeonato europeu sub-18 de 2008 (quando jogou pela Grécia, apesar de ter nascido em território americano).

Gerald Henderson e Derrick Brown (SG - Charlotte Bobcats) - Com a perda de Raymond Felton para o New York Knicks, o Bobcats precisava mesmo é de um armador novo, já que o Larry Brown nunca confiou muito no DJ Augustin (lembram do "Ele não está jogando porque não defende e não arma jogadas, só isso"?), mas se esse problema ainda não foi resolvido, pelo menos Henderson e Brown podem suprir outra necessidade do Bobcats, o banco de reservas.

Nenhum vai chegar perto de ameaçar a vaga de titular do Stephen Jackson, mas será um bom desafogo ter caras que sabem marcar pontos no banco. Ambos até atuaram bem juntos em alguns jogos e a dupla deve também substituir Gerald Wallace durante os jogos. Brown terminou seus 5 jogos com média de 15 pontos e 7 rebotes, Henderson passou dos 20 pontos nas duas primeiras partidas e a partir daí atuou menos minutos, acabando com média de 14 pontos por jogo.

Reggie Williams (SG/SF - Golden State Warriors) - Em um post recente eu comentei que volta e meia o Don Nelson, técnico do Warriors, acha uns jogadores que ninguém nunca ouviu falar por aí e eles começam a jogar bem. Reggie Williams é um exemplo. Apareceu do nada na temporada passada para cobrir o lugar de algum contundido, jogou 24 partidas e saiu com média de 15 pontos por jogo, excelente para um novato. Foi para as ligas de verão e só não fez mais pontos que John Wall, com 22.6 por partida. Apesar de dividir espaço com outros achados de Don Nelson, além de Monta Ellis e Steph Curry, deve continuar fazendo seus pontos na orgia ofensiva do Warriors.

Omri Casspi (SF - Sacramento Kings) - Não sei porque ele estava lá. Provou mais de uma vez na temporada passada que já é um jogador formado e tem espaço garantido na NBA. Vai ver que jogar ligas de verão no basquete profissional americano é mais uma tradição milenar judaica que a gente nunca vai entender, nunca se sabe. Garantiu seus 14 pontos de média em apenas 24 minutos por partida.

JJ Hickson (PF - Cleveland Cavaliers) - A hora é de urgência em Cleveland, qualquer ser humano capaz de fazer pontos, pegar rebotes, dar assistências e/ou dar enterradas lindas o bastante para vender ingressos são bem vindos. Hickson teve bons momentos na temporada passada, mas eles eram sempre ao lado de LeBron, que cansava de dar assistências para o negão ir lá dar suas enterradas avassaladoras. Como seria sem 'Bron do lado?

Na Summer League de Las Vegas ele foi muito bem! Acabou com 19 pontos de média em 58% de aproveitamento e as duas médias foram prejudicadas por um jogo péssimo contra o Miami Heat (trauma da saída do LeBron, provavelmente). Até essa última partida ridícula, em que fez 4 pontos, estava com média de 24,3 pontos por jogo, o que bastaria para ele ser o cestinha do torneio. Ainda falta técnica, mas ele ataca a cesta como poucos, em um ritmo de ataque veloz ele pode se destacar.

Earl Clark (SF/PF - Phoenix Suns) - Earl Clark não se destacou tanto assim para merecer ser citado aqui, é verdade. Podem argumentar que o Jermaine Taylor do Rockets, por exemplo, jogou mais. Mas é que os 14 pontos e 5 rebotes do Clark são significativos pelo seu histórico.

O Clark foi a 14ª escolha do último draft e muitos apostavam que ele iria fazer chover no Suns. Afinal era um jogador alto, veloz e com visão de jogo que poderia ser um Boris Diaw melhorado. Alguns críticos gringos chegaram ao ponto de dizer que ele era completo o bastante para futuramente estar na briga de MVP da NBA! Exageros a parte, o mínimo que ele deveria ter conseguido era entrar na rotação do Phoenix Suns, mas o Jarron Collins entrava antes dele ver um minuto de jogo.

Como é até normal ter um pivete que só pega no tranco depois do segundo ano, fiquei atento ao Clark em Las Vegas e deu para ver uma evolução. Ainda está longe de brilhar, mas já chamou mais o jogo e pareceu mais à vontade em quadra. Sempre tenho dó desses caras que sofrem com as expectativas e espero que com mais tempo de quadra ele comece a se soltar. Quem já viu ele jogar bem torce por isso também.

OJ Mayo (SG (ou PG) Memphis Grizzlies) - Se o Casspi jogar já não fazia sentido, o que dizer de OJ Mayo? Mas calma, a explicação é boa. Um dos planos para a próxima temporada é usar Mayo como armador principal. Ele pegaria alguns dos minutos do pouco confiável Mike Conley na armação e abriria espaço para o recém-contratado Tony Allen e o novato Xavier Henry jogarem na posição 2. Ele estava em Las Vegas apenas para brincar de cosplay de Jason Kidd.

Só jogou duas partidas e deu três assistências em cada uma, não foi lá grande coisa, mas serviu pelo menos para tirar a poeira. Nas palavras do próprio OJ, "Hoje devo ser horrível nessa posição porque não jogo com a bola na mão o tempo todo há 3 anos, mas com treino e repetição eu posso ser bom". Vamos descobrir só na temporada regular, mas não colocaria meu dinheiro nessa aposta.

JR Smith (SG - Denver Nuggets) - E o JR Smith, o que estava fazendo lá? Quer virar armador? Tradição judaica? Não, "Estou aqui por amor ao basquete. Melhor vir aqui do que jogar em uma quadra qualquer". Boa, campeão.

...
Veteranos que não jogaram na Summer League
Joe Alexander (Chicago Bulls) - Sabia que todo novato tem um contrato garantido de apenas dois anos? A partir do terceiro é uma opção do time de manter o pivete ou não. Pouca gente sabe disso porque 99% dos novatos tem a opção do seu terceiro ano aprovada assim que possível. Apenas 7 (sete!) jogadores na história da NBA não tiveram essa opção aceita, são eles: Patrick O'Bryant, Yaroslav Korolev, Julius Hodge, o campeão Shannon Brown, JR Giddens, Morris Almond (que estava em Las Vegas) e, finalmente, Joe Alexander.

Ele começou a jogar basquete tarde, só no fim da adolescência e passou boa parte do seu colegial jogando basquete na China onde se mudou com o pai, que foi transferido para a filial chinesa da Nestlé. Voltou para os EUA para jogar basquete na universidade de West Virginia, onde ficou três anos. Apesar de parecer sem muitos fundamentos, era espetacular fisicamente (apesar de ser branco!) e baseado basicamente nisso, acabou virando a 8ª escolha do Draft de 2008 pelo Bucks, em que nunca fez absolutamente nada. No ano passado foi para o Bulls na troca do John Salmons e lá não fez nada também.

Estava inscrito na Summer League pelo Bulls mas não entrou em um jogo sequer, não achei uma notícia explicando a situação. Nada disso é sequer um pouco relevante para o blog, mas que carreira, hein?

Jonny Flynn (Minnesota Timberwolves) - Stephen Curry, Tyreke Evans e Brandon Jennings não jogaram as ligas de verão porque não precisam mais convencer ninguém, Flynn não jogou por uma contusão no quadril. De todos os armadores escolhidos no Top 10 do ano passado foi o que menos convenceu. Ainda acho o rapaz muito bom, a sensação de decepção vai mais do sucesso dos companheiros de draft do que pelas atuações dele em quadra. Ser irregular durante o ano de novato é comum, as exceções são os outros.

DeJuan Blair (San Antonio Spurs) - Geralmente um jogador toma como um elogio quando o seu time pede para ele não jogar uma Summer League. Ainda mais quando você foi um novato na temporada passsada. O gostinho é ainda mais especial quando se foi uma escolha de 2ª rodada como foi com Blair. Mas mesmo com o Spurs implorando para ele descansar e evitar o risco de uma contusão, ele insistiu e disse que queria jogar de qualquer jeito. Até foi inscrito, mas de última hora aceitou o pedido do time e não entrou em quadra. Greg Popovich agradece a vontade de jogar, mas fica mais feliz com a obediência.

...
Eu sei que tinha prometido os "outros" para esse post também, mas ficou grande demais, fica para o próximo. Nele irei falar de alguns jogadores que faltaram, inclusive o tão comentado e badalado Jeremy Lin, estrelinha da Summer League de Las Vegas que está bem próximo de acertar um contrato com o Golden State Warriors. Até lá!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Aceitando feder

Al Jefferson e sua cara de alegria ao conhecer os torcedores do Jazz


Quando o Wolves resolveu finalmente trocar o Kevin Garnett, parabenizei a franquia. Não tem nada mais horrível para um time da NBA do que ser exageradamente mediano, ter um elenco grotesco, uma baita estrela que consegue segurar as pontas, brigar desesperado por uma classificação para os playoffs e perder sem chances na pós-temporada. O formato da NBA é brutal com os medianos, com os times que não estão brigando por título e nem são ruins o bastante para conseguir bons jogadores no draft. Basta uma ou duas cagadas com contratações desesperadas para sair desse limbo e uma equipe pode ficar trancada por anos a fio nesse grupo intermediário que não fede nem cheira. É preciso muito culhão para desmontar um time desses, no entanto. Uma equipe que vai aos playoffs todo ano, mesmo sem chances de fazer estragos por lá, tem dificuldades em explicar para os torcedores que o time vai feder de vez por uns tempos. Pior ainda é quando a equipe quase vai para os playoffs mas não consegue por uma ou duas posições, e fica aquela impressão de que só falta um jogador para que eles cheguem lá. Mas se chegarem finalmente aos playoffs, vão conseguir ganhar por lá? Essas equipes ficam condenadas à uma esperança que não se transforma em nada até que alguém jogue tudo fora e resolva começar de novo.

Se o David Stern tem razão e nenhuma equipe da NBA conseguiu ter lucro nos últimos tempos, não faz sentido manter uma equipe que não vencerá títulos, te dá prejuízo e não tem esperanças de melhora. A melhor saída é feder bastante para conseguir boas escolhas de draft, encerrar todos os contratos longos e imbecis que foram assinados, esperar a pirralhada amadurecer, e então assinar grandes estrelas para formar um elenco decente. Trocentas equipes da NBA seguiram esse plano especialmente esse ano, com vários times liberando muito espaço salarial para assinar grandes estrelas em elencos formados por novatos e outros jogadores baratinhos, como o Heat ou o Knicks. Algumas outras franquias apostam nos novatos para formar um elenco jovem e forte, até que possam contratar alguma estrela consagrada para levar o time ao campeonato, como é o caso do Bulls e do Nets, por exemplo. Outras apostam inteiramente no draft e em trocas por jogadores inexperientes e montam um time do nada, como o Blazers e o Thunder, fazendo contratações maiores e trocas por jogadores caros apenas para dar uma arrumadinha no elenco bem depois. Imaginei que o Wolves, ao trocar o Garnett, conseguiria um núcleo bastante jovem com uma futura estrela em Al Jefferson, e que a reconstrução duraria pouco tempo. Era só esperar a pirralhada pegar o jeito e depois conseguir um ou outro jogador para fechar algumas posições. Mas não funcionou.

Por um lado, promessas como Corey Brewer demoraram demais para se firmarem na NBA. Por outro, Al Jefferson tornou-se uma estrela rápido demais, num elenco incapaz de acompanhá-lo. Como todo time apostando em novatos, algumas escolhas não deram muito certo, alguns jogadores não souberam jogar juntos. Foi então que o engravatado David Kahn apareceu para pisar no freio e fazer todo mundo entender que reconstruções não podem ser feitas às pressas. Basta ver o Pistons: ao demolir acertadamente um time em declínio que não ganharia mais nada, assinou correndo dois jogadores disponíveis na hora para não ficar com um elenco furado e deu no que deu, o time fede, não tem flexibilidade para assinar outros jogadores porque torrou tudo em dois meia-bocas, e está fadado a ficar entre os medianos por muito, muito tempo. Falha épica, já diriam os gringos. É melhor assumir a bosta, no famoso "pisou na merda abre os dedos", e deixar o time fedendo com calma do que correr e assinar qualquer um.

O projeto de reconstrução do Wolves começou do zero. Primeiro um técnico novo, o Kurt Rambis, para usar o sistema de triângulos do Lakers. Depois, escolhas de draft com o sistema em vista. O problema é que vai levar anos para os pirralhos entenderem o sistema, criarem consistência, amadurecerem ao lado do técnico - que também é meio iniciante. A suposta estrela do time, Ricky Rubio, só deve vir na próxima temporada porque preferiu ficar na Europa do que jogar num time lixo. O processo é lento, o Wolves tem que ir com calma testando todos os jogadores, dando minutos para os novatos apanharem e aprenderem, aguardar o Rubio, consolidar o sistema de jogo. Mas enquanto isso lá está o Al Jefferson, estrela consolidada, querendo vencer agora, querendo um time de verdade. Foi trocado mais rápido do que o SBT cancela seus telejornais.

Pelas escolhas duvidosas no draft, em que pega vários jogadores de uma mesma posição, David Kahn está ganhando fama de ser uma anta, quase um Isiah Thomas que pelo menos sabe contar usando os dedos. A troca do Al Jefferson não ajudou muito sua causa. Mas a lógica está bem clara: ele não tem pressa nenhuma. Se o time vai perder, feder, ser uma droga, tudo enquanto espera a pirralhada ganhar uns pelos no saco, por que ficar pagando o contrato monstruoso do Al Jefferson? Quando o Wolves se tornar um time decente, o Al Jefferson já teria dado o fora por conta própria mesmo. O melhor a se fazer é economizar umas verdinhas até lá.

O plano lembra um pouco o Grizzlies, que ia para os playoffs todos os anos mas nunca ganhou uma partida sequer de pós-temporada. Ao trocar o Pau Gasol por escolhas futuras e feder pra burro, criou um time muito jovem, cheio de novatos, levou uns anos para que começassem a render juntos, e aí contratou um ou outro veterano para ajudar. Sem estourar o teto salarial, economizando uma grana, o Grizzlies tem grandes chances de ir para os playoffs na próxima temporada apesar de todo mundo ter chamado a troca de burrada. Ter mantido o Gasol seria cagada, o salário era grande demais e ele queria vencer imediatamente enquanto o time precisava feder um pouco durante uns anos para se reconstruir. E não dá pra feder muito se você tem o Gasol, claro.

Como sabemos, a troca do Gasol para o Lakers desequilibrou a liga. A troca do Al Jefferson, que vai permitir que o Wolves feda de verdade enquanto espera seus pirralhos virarem estrelas, não deve desequilibrar tanto. Mas com certeza tornou o Jazz um time muito melhor que vai fazer mais estrago do que nunca nos playoffs. Ou seja, podem esperar uma legião de torcedores do Jazz fazendo muito barulho por aqui, torrando nosso saco e eventualmente descobrindo onde eu moro e queimando minha família na fogueira, amém.

Eu adoro o Carlos Boozer, acho seu arremesso espetacular e ele funciona perfeitamente bem com Deron Williams. Mas como maluco que sou por perder vários dias da minha vida acompanhando os jogos do Wolves, posso afirmar que o Al Jefferson vai ser ainda mais útil para o Jazz. O cara é um monstro embaixo da cesta, justamente onde o Boozer era menos efetivo. Seu arremesso é consistente, vai funcionar perfeitamente bem nas jogadas com o Deron Williams, mas seu trabalho de pernas e pés muito rápidos vai simplesmente dominar o garrafão ofensivo. Ele é um monstro refinadíssimo, do tipo que bebe sangue mas arrota em francês, e vai pontuar horrores com muitos movimentos diferentes no esquema tático rígido e cadenciado do Jazz. Quando o Wolves corria demais, o Al Jefferson ainda rendia bem, mas é de costas para a cesta num jogo lento que ele mostra que pode vencer jogos sozinho. Na defesa também é muito inteligente, tem bom tempo de bola, distribui seus tocos e não compromete muito - algo que já é um avanço frente ao Boozer, que é um dos piores defensores da NBA, disparado.

É cedo demais para chamar o Kahn de burro. Ao menos ele tem os bagos de deixar o time fedendo sem ficar pagando salários absurdos desnecessariamente. Vai se focar na pirralhada, ir com calma, esperar o Rubio e não vai deixar ninguém descontente por lá. Veteranos que querem vencer só devem chegar muito depois, quando o elenco já estiver maduro o bastante. E o Jazz aproveitou essa barbada para conseguir um assalto a mão armada nos moldes do Gasol-para-o-Lakers, capaz de fazer muito estrago se o resto do time jogar bem. Levante a mão quem é o doido que viu o Al Jefferson jogar nas temporadas passadas. Se você não levantou, pode ter certeza de que ele é um dos melhores jogadores de garrafão da NBA, muito mais versátil do que o Boozer, muito mais físico embaixo da cesta, e vai chutar muitos traseiros. Se você levantou a mão, então já sabe o tamanho da encrenca que o Jazz vai causar na liga. Os mórmons foram abençoados, vai ver rezar dá resultado.

No Wolves, o garrafão agora tem Kevin Love e Darko Milicic - por mais bizarro que seja, é um dos garrafões que mais valerá a pena acompanhar na temporada que vem. O Love é um dos jogadores mais inteligentes da NBA, faz cruzadinhas no nível "Putaquemepariu", passa a bola como poucos armadores e é famoso por dar assistências de um lado da quadra para o outro, é espetacular. Arremessa também de todos os cantos, inclusive da linha de três (e até da quadra de defesa).



Além disso, sempre toma a decisão certa, é até chato. Vai ser uma estrela na liga, sem dúvidas, e tendo muito mais minutos em quadra sem Al Jefferson, nos dará mais chances de vê-lo atuando. Seu parceiro de garrafão será o Darko, também conhecido como "um dos maiores fracassos da história do draft". Desde que foi escolhido com a segunda escolha do melhor draft de todos os tempos, passou de um time para o outro sem nunca render grandes coisas. Mas isso depende do que se espera dele, claro. Todo time que contrata o Darko espera um jogador que domine o garrafão e mostre o potencial que justificou sua segunda escolha no draft, mas o que todo time encontra é um jogador de apenas 25 anos, excelente defensor, com problemas para manter a calma dentro de quadra. A maior dificuldade do Darko sempre foi sua cabeça, ele precisava ouvir o pagodinho "deixa acontecer naturalmente", porque desde que entrou na NBA - novo demais para conseguir sequer cortar as próprias unhas - queria mostrar que merecia ter sido escolhido tão cedo no draft no lugar do Carmelo Anthony. Dê a bola para Darko e ele vai tentar fazer milagre, errar uma bola, ficar puto da vida, forçar uma outra bola para compensar, errar de novo porque está nervoso e forçando o jogo, se desesperar porque esperam mais dele, forçar de novo, e assim por diante. Ele fica tão puto consigo mesmo que chegou até a rasgar a própria camiseta:



Também deu aquela clássica entrevista jogando pela sua seleção nacional, em que afirma que vai foder as mães dos três juízes que "lhe roubaram o jogo" (e foder a filha deles se tiverem também). Mesmo tão descontrolado, nas poucas vezes em que ganhou minutos e conseguiu manter a calma em quadra mostrou seu talento defensivo e seu jogo refinado perto da cesta. Se tivesse sido escolhido na segunda rodada, teria jogado a vida toda, nunca teria sido trocado e seria tido com uma baita sorte do time que o pegou. Para ele, assim como para Kwame Brown, a merda é o medo da expectativa dos outros. O David Kahn disse recentemente que convenceu Darko a ficar na NBA ao invés de voltar para a Europa, como pretendia, dando-lhe estabilidade, segurança, um papel limitado em quadra (puramente defensivo) e muita confiança. Deu uma longa entrevista apenas falando sobre o que ele vê no Darko que os outros não percebem. É difícil imaginar que aquele jogador afoito e nervoso pra burro renderá no Wolves com carinho e paciência, mas é nisso que o Kahn aposta e é mais um motivo para acompanharmos esse garrafão. Love e sua genialidade nos passes, Darko e sua cabeça-de-bagre tentando não arrancar sua própria cabeça. Não vai ser tão legal quanto o Al Jefferson destruindo com o Deron Williams, mas é um dos poucos motivos para acompanhar a pirralhada do Wolves na temporada que vem. E se der certo, pelo menos vão parar de xingar tanto o Kahn. Ele, ainda, não merece.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

NBA Cares no Brasil




O NBA Cares é um programa criado pela NBA que visa a cuidar de questões sociais usando o basquete e a imagem da liga e de seus jogadores. O programa foi criado em 2005 e, segundo o site do programa, desde então já foram doados pela liga e pelos jogadores mais de 140 milhões de dólares (cerca de um Joe Johnson + um Darko Milicic) e 1.1 milhões de horas de trabalho comunitário.

Claro que o David Stern criou esse programa não só para ajudar quem precisa, mas para também melhorar a imagem da NBA ao redor do mundo. Não creio que seja coincidência que o NBA Cares tenha nascido uma temporada depois da desastrosa briga entre jogadores e torcedores do Pacers e do Pistons no Palace of Auburn Hills em 2004. Mas beleza, o Stern e a NBA não precisam ser santos, desviando um pouco dos seus zilhões de dólares para a caridade já tá bom.

Estou falando desse programa porque depois de rodar os EUA, de ir para a África e para a Ásia, ele chega pela primeira vez ao Brasil nesse fim de semana. O evento irá acontecer nesse sábado, dia 24/07, na Vila Olímpica da Mangueira no Rio de Janeiro. Será uma clínica ministrada pelo Nenê e pelo Anderson Varejão para 80 crianças da comunidade e aberto para o público assistir (e mendigar umas fotos e autógrafos depois, claro!).

Eu e o Danilo, como bons paulistanos sem verba, não vamos poder ir, mas o Bruno, nosso contato na Adidas, vai estar lá para tirar umas fotos, fazer uns vídeos e iremos postar aqui depois. Quem for carioca da gema e quiser ir lá e nos mandar fotos depois, postaremos com prazer.

Essa, que eu saiba, é a primeira ação oficial da NBA no Brasil. E pelo que nos contaram, é a primeira de várias. A liga está planejando outras ações por aqui (um jogo de pré-temporada seria o ápice, mas ainda meio distante) e assim que soubermos delas avisaremos aqui no blog.

Tem uns vídeos do NBA Cares no YouTube. O primeiro é uma compilação de momentos meigos com música tocante de fundo, vale pra sacar o espírito das ações do programa.


O segundo é sobre o evento anual que o Charlotte Bobcats organiza com deficientes físicos e mentais. Para quem não lembra, cobrimos as Paraolimpíadas de 2008  por sermos fãs do basquete sobre rodas.


Mas o meu favorito é a clínica de Yoga organizada pelo LeBron James! YOGA. LeBron James! E não é que o puto ainda parece manjar da coisa? Odeio quem é melhor que eu em tudo. Esse vídeo não pode ser postado no blog, mas dá pra ver aqui.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Summer Leagues - Os novatos

Se eu não contar na legenda ninguém vai saber quem é esse cara


Acabou na última semana a Summer League de Las Vegas, a mais longa e importante do calendário de verão americano. Antes dela foi disputado outro torneio, menor, em Orlando. Atualmente essas são as duas competições de verão disputadas pelos times da NBA, mas até pouco tempo atrás era diferente.

Antes existiam várias ligas ao redor dos EUA e alguns grupos de times da NBA iam se encaixando onde mais convinha. Então vários times do Leste disputavam a de Orlando, os do Oeste disputavam uma em LA e ainda tinham outras espalhadas por aí, como Rocky Mountain Revue, em Salt Lake City. A liga de Los Angeles nem tinha só times da NBA pra você ter uma idéia do nível amador da coisa! Além de Lakers, Clippers, Warriors e outros times da região, tinham uns combinados amadores que juntavam jogadores não draftados e veteranos da região, uma bagunça.

De uns anos para cá a NBA começou a dar mais atenção para os eventos e passou a dar sua chancela. Então hoje só existem duas, a de Orlando e uma em Las Vegas. Ambas com cobertura no site da NBA (antes você tinha que caçar box scores em PDF para saber de alguma coisa) e transmissão ao vivo pela NBA TV, o que é um avanço absurdo se você pensar que até o ano passado tinham apenas algumas transmissões e elas eram feitas com apenas uma câmera! Para saber o placar era só no intervalo, quando a câmera focalizava o painel eletrônico do ginásio. Mas valia a pena porque os jogos eram comentados por dois caras hilários que passavam a tarde vendo os jogos e contando piada, com a transmissão oficial fomos reféns do Rick Kamla, Chris Webber e outros malas da NBA TV. Em compensação, foi um alívio poder assistir ao resumo de todos os jogos e ver as estatísticas no site oficial da NBA, ficou bem mais fácil de acompanhar.

As ligas de verão são uma criação que visa apenas a testar jogadores, simples assim. Não tem campeão e a vitória nos jogos pouco importa, é um campo de testes. Times com o elenco já formado jogam lá seus jogadores mais novos para que ganhem ritmo de jogo e testem na prática o que fazem nos treinos. Times que ainda buscam por novos jogadores para fechar o time observam alguns jogadores sem contrato para ver quem se encaixa. A maioria dos jogadores que disputam os torneios nunca terá vaga na NBA, é fato, mas alguns conseguem aí sua oportunidade na liga. As estrelas do torneio são os que já estão dentro da NBA, os jogadores que já disputaram a temporada passada e seus times querem vê-los jogando por mais tempo ou espiar os novatos draftados há menos de um mês que terão seu primeiro gostinho de NBA.

Sabendo disso, explico como vou fazer a minha análise das ligas de Orlando e Las Vegas: vou separar os jogadores nos grupos "novatos", que engloba os recém-draftados, "veteranos", que tem os que atuaram na NBA no ano passado e "Outros", que pegam aqueles que nem foram escolhidos no draft ou que já tentaram a sorte na NBA mas estavam de fora. Hoje falo dos novatos, que são muitos, e no próximo post falo do resto.

...
Novatos
John Wall (PG - Washington Wizards) - Foi eleito o melhor jogador da Summer League de Las Vegas, a única que disputou, e com razão. Fez 23.5 pontos por jogo (cestinha do torneio), 7.3 assistências (também líder em assistências) e dominou quase todos os seus jogos, apenas foi mal contra o Dallas Mavericks. Estava claramente um nível acima de todos que disputaram a Summer League. Por outro lado, já deixou claro dois aspectos que vai precisar cuidar até começar sua carreira oficialmente: desperdiçou muitas bolas tentando forçar infiltrações e errou muitos arremessos de média e longa distância.

As duas coisas estão relacionadas. Com um arremesso ruim os times vão dar espaço para ele e só vão fechar quando ele tentar infiltrar. Penetrar no garrafão adversário fica muito mais difícil quando sabem que é só isso que você sabe fazer. Um bom arremesso de meia distância já será o bastante para desafogar o seu jogo, um pouco de ritmo de jogo e entrosamento com os companheiros também deve fazer o número de erros (5.2 por jogo em Las Vegas) cair bastante.
Podem preparar as piadas e trocadilhos que vamos falar muito do João Paredão na próxima temporada.

Evan Turner (SG - Philadelphia 76ers) - Nada de elogios para a segunda escolha do draft. Tirando uma partida decente em que marcou 13 pontos, o resto foi uma droga. Ele mesmo admitiu que suas atuações estavam um lixo depois das duas primeiras partidas. Mas apesar de perceber o fedor, não soube contorná-lo. Ele só teve 9 pontos de média por jogo e 33% de aproveitamento nos arremessos. Pra fechar, o número de assistências, 2.8, foi menor que o de erros, 3.4.

Em defesa do Turner, pareceu que ele estava bem fora de forma e sem ritmo de jogo. O garoto já mostrou muito talento no basquete universitário e é melhor deixar ele ter tempo de treinar e melhorar o condicionamento antes de sair chamando ele de Darko 2.0.

DeMarcus Cousins (PF/C - Sacramento Kings) - Quando se é uma escolha Top 5 no Draft como foi Cousins, vive-se uma experiência bizarra: ao mesmo tempo que é sua estréia no mundinho da NBA, todo mundo sabe quem você é e de brinde até ganha marcação dupla, pelo menos na Summer League. Foi assim com Wall, Evans, Favors, e não seria diferente com Cousins. Mas ele, como poucos, gostou do papel de estrela do time.

O ataque do Kings passou muito pelas mãos de Cousins e ele soube o que fazer na maior parte das vezes. O aproveitamento ficou nos 33% assim como o de Turner e os turnovers foram até mais altos que o armador do Sixers, 4.8 por jogo. Mas não dá pra medir o impacto dele no jogo, sempre começando a rotação da bola do lado certo quando a marcação dobrava nele, acertou bons arremessos de meia distância, abrindo o garrafão para os companheiros, e foi um líder dentro do jogo. Quem estava lá disse que ele comandou vocalmente o time de dentro da quadra. Para ter pelo menos um ponto numérico e mensurável ao seu lado, liderou as Summer Leagues com média de 9.8 rebotes por jogo.

Hassam Whiteside (C - Sacramento Kings) - O "Lado Branco" também se destacou em Las Vegas, apesar de confirmar que ainda precisa aprender muito de basquete e que é uma negação ofensiva. Mas pelo menos compensou com rebotes e muitos tocos. Um crítico americano até o chamou de "a presença de garrafão mais intimidante do campeonato". Aprendendo com Samuel Dalembert no Kings tem tudo para melhorar ainda mais nos tocos e nunca fazer uma cesta na vida.

Derrick Favors (PF - New Jersey Nets) - O Favors jogou mal na maior parte dos jogos, mas acabou com uma atuação tão impressionante que apagou quase tudo de ruim que fez antes. Depois de 4 jogos só tinha alcançado uma vez a marca de 12 pontos e em um dos jogos acabou com mais faltas, 7 ( não há limites de faltas nas ligas de verão), do que pontos, 4. Mas no último jogo, contra o Celtics, fez 23 pontos, pegou 11 rebotes, acertou 10 dos 17 arremessos que tentou e não cometeu nenhum erro.

Antes do draft muitos diziam que o Nets havia escolhido um grande talento, mas ainda incapaz de contribuir com regularidade em alto nível. Isso sim é scout bem feito.

Damion Jones (SG - New Jersey Nets) - Ao contrário do seu parceiro Favors, Jones foi o jogador mais regular do Nets nas Summer Leagues. Acabou com média de 18.8 pontos e quase um roubo por jogo, além de uma atuação espetacular de 30 pontos, uma das melhores de todas da competição. Ele ataca muito bem a cesta, cobrando trocentos lances livres. Todo time precisa de um Maggette e o Nets parece ter achado o seu.

Indiana Pacers - O Pacers levou três novatos para a Summer League de Orlando e todos tiveram atuações fantásticas. A escolha de 1º round Paul George (SF) fez 15.8 pontos por jogo e pegou 7.2 rebotes, além de ser o homem que decidiu todos os jogos apertados que o time fez no torneio.

Lance Stephenson (SG), o cara que a gente avisou que era bom mas que tinham medo da sua "atitude", se mostrou um excelente defensor e atacou a cesta com segurança e velocidade. Magnum Rolle (SF/PF), o campeão nominal da NBA inteira, conseguiu sólidos 13 pontos e 7 rebotes por jogo e tem jeitão daqueles bons jogadores de garrafão que vem do banco para mudar o jogo. As ligas de verão foram o primeiro momento de alegria e esperança dos torcedores do Pacers desde que Ron Artest subiu na arquibancada do Palace of Auburn Hills para bater em uns torcedores folgados.

Ed Davis (PF - Toronto Raptors) - O coitado vai sofrer por um bom tempo as comparações com o Chris Bosh, já que chegou no time logo depois que o Bosh saiu, mas se depois de um tempo esquecerem disso ele deve se dar bem. Teve média de 12 pontos e 6 rebotes por jogo em apenas 25 minutos e mostrou bastante técnica no ataque. Ainda falta juntar força com essa técnica, ganhar experiência e mais muitas outras coisas, mas vejo ele como titular desde seu primeiro dia em Toronto.

Luke Harangody (SF/PF - Boston Celtics) - Eu acho que o Harangody tem cara de jogador de rugby, apostaria 100 pratas nisso se o visse na rua, mas perderia feio. O cara joga basquete e joga bem! Apesar de ter sido só a 52ª escolha no draft, se destacou em todos os jogos do Celtics. Teve média de quase 17 pontos por jogo, 6.6 rebotes e um aproveitamento assustador de 50% nas bolas de três pontos. Para um time que já chegou a colocar o Scalabrine em quadra para ter mais opções de bolas de longe, o Harangody cai como uma luva.

Los Angeles Lakers - Com a maior folha salarial da NBA e todo o Mid-Level Exception gasto com Steve Blake, era essencial que o Lakers conseguisse bons jogadores no draft para suprir as possíveis saídas de Jordan Farmar, Shannon Brown, Adam Morrison, Josh Powell e DJ Mbenga do banco de reservas. David Ebanks (SF) não conseguiu manter o ritmo durante todos os jogos, mas foi ótimo em alguns momentos. Quem o comparou com o Trevor Ariza pela primeira vez merece um prêmio, até o jeito de correr e de arremessar é o mesmo, é assustador! Para o garrafão o Lakers tem agora a ajuda de Derrick Caracter (PF), que fez double-double em 3 dos 5 jogos que disputou e acabou com média de 15 pontos e 8 rebotes.

O técnico do Lakers na Summer League, Chuck Person, disse em entrevista que a Summer League para o time não era para vencer ou perder, era pra descobrir quem sabia jogar dentro do esquema dos triângulos. Quem sabia quando cortar em direção à cesta, quem sabia passar a bola e quem só queria saber de jogar individualmente. Segundo ele, tanto Ebanks quanto Caracter passaram no teste, mas nem falou nada do Gerald Green, ex-campeão de enterradas que jogou pelo Lakers e pouco se destacou. Mais uma vez deve ficar de fora da NBA apesar de todo o talento que tem, mais uma vez por falta de cérebro. Esse é o exemplo desse ano de como os times usam a Summer League, no ano passado o melhor exemplo foi o Wizards, em que cada jogador desempenhava o papel de outro que não estava lá, lembro do Nick Young dizendo "Eu sou o Arenas e sei lá quem é o Jamison", pareciam crianças brincando de faz-de-conta.

Dominique Jones (SG - Dallas Mavericks) - O Mavs já tem Kidd, Barea, Beoubois e Butler. Não sei onde diabos vão achar espaço e tempo para o Dominique Jones jogar na próxima temporada, mas deveriam dar um jeito. Ele teve momentos ótimos na Summer League, não só atacando (fez 17 pontos por jogo), mas também defendendo. Na melhor partida que fez, contra o Wizards, marcou 28 pontos e forçou John Wall à sua pior partida na competição. Ah, e ele é o cara da foto do topo do post.

Greg Monroe (PF/C - Detroit Pistons) - Falaremos mais do Detroit no próximo post, que viu muitos de seus jogadores de segundo ano terem ótimas atuações, mas hoje basta falar de Greg Monroe. Depois de um primeiro jogo péssimo, passou dois jogos sendo ignorado por seus companheiros de time, mas respondeu com duas atuações memoráveis nos últimos jogos: 20 pontos e 6 rebotes contra o Heat e 28 pontos e 14 rebotes contra o Knicks.

Apesar de bons momentos, ele ainda não pode ser um pivô na NBA. Não é aceitável um cara que quer jogar lá embaixo da cesta dar apenas 2 tocos em 5 jogos. Já seria um número ruim para um ala de força, para um pivô é digno de pagar suicídio no próximo treino.

Larry Sanders (C - Milwuakee Bucks) - O garrafão do Bucks fica cada vez mais com a cara do Scott Skiles. Feia e babando por defesa! Eles trocaram para ter o brucutu Jon Brockman com o Kings ontem e o segundo-anista chega para brigar por minutos com Larry Sanders, que além dos rebotes e dos tocos que todo mundo esperava ainda fez 14 pontos por jogo. Ele era tudo, absolutamente tudo, que o Bucks queria no ano passado quando o Andrew Bogut quebrou o braço. Sanders foi o líder das Summer Leagues com 3.2 tocos por partida!

Landry Fields (SF/PF - New York Knicks) - Nem citei o Fields e nem outro novato do Knicks no meu post de ontem sobre o time porque nenhum deles tem contrato garantido. Mas Fields saiu na frente para conseguir o seu salário mínimo e poder comprar pão com mortadela para as crianças. Ele se destacou pela raça, pela vontade, por fazer o trabalho sujo e cometer pouquíssimos erros. O Mike D'Antoni já teve jogadores assim antes e acho que vai gostar de tê-lo no banco de reservas.

Al-Farouq Aminu (SF - Los Angeles Clippers) - O Clippers começou a Summer League com um buraco na posição três em seu elenco oficial, era a chance de Aminu provar que poderia ser titular desde o primeiro dia. Mas depois de ver suas atuações e da contratação de Ryan Gomes pelo time 2 de LA, acho que fica pra próxima. Aminu não jogou mal, longe disso, mas não pareceu pronto para ser titular. Gomes é um jogador mais inteligente, mais completo e o Aminu deve fazer mais estrago vindo do banco de reservas. Ele ainda parece tomar más decisões com a bola na mão. Compensou os arremessos ruins batendo pra dentro e ganhando pontos fáceis na linha de lance livre, é verdade, mas tem muito o que aprender ainda.

Apesar das críticas estou mais empolgado com a escolha do Clippers hoje, depois de vê-lo em ação em Las Vegas, do que no dia do Draft. Ele tem futuro e não duvido de que ganhe a posição de titular sim, mas só mais perto do fim da temporada.

Clippers é Clippers, né? Aminu teve sua melhor partida no último jogo contra um combinado de jogadores da D-League. No mesmo jogo o armador Eric Bledsoe teve seu jogo mais completo. Mas não só o Clippers perdeu como foi do jeito mais dolorido, vejam o vídeo. E, claro, foi a única vitória do combinado da D-League no torneio.

Novatos que não jogaram
Cole Aldrich (C- Thunder) - Foi draftado pelo Hornets para ser mandado para o Thunder, mas como a troca só poderia ser finalizada no dia 8 de julho, não teve tempo de ser inscrito.
Xavier Henry (SG - Grizzlies) - O Grizzlies e o jogador estão com discussões sobre bônus no contrato e por isso ele ainda não foi assinado, sem contrato o ala não pode jogar.
Ekpe Udoh (PF - Warriors) - Com uma cirurgia no pulso não pode jogar e talvez fique fora até o começo da temporada.
Wesley Johnson (SF - Wolves) - Até começou uma partida, mas logo machucou a coxa e não jogou mais.
Avery Bradley (SG - Celtics) - Com uma contusão no tornozelo está fora de ação pelos próximos meses.

...
Top 10 - As melhores enterradas das Ligas de Verão