Mostrando postagens com marcador duncan. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador duncan. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Spurs retocado

Splitter não se assusta com as enormes narinas de JJ Hickson

Podemos ficar oficialmente com medo do San Antonio Spurs? Desde sempre eles são aquele time que você pensa mil vezes antes de deixar fora da briga pelo título, e quando você toma coragem e afirma "é um bando de velho" eles aparecem lá para encher o saco. Ano passado o time surpreendeu acabando a temporada regular em 1º lugar no Oeste, mas caíram logo de cara nos playoffs. O que esperar da versão 2012 do Spurs que atualmente está em 2º na conferência, vêm de 9 vitórias seguidas e perdeu apenas 1 jogo em casa?

No ano passado os números de ataque eram absurdos, o segundo mais eficiente de toda a NBA. Mas ver o time correndo tanto e mandando bolas de 3 na cabeça de todo mundo era não só esquisito demais como também falhou na hora H, nos playoffs. Nessa temporada algumas coisas parecem diferentes, estão com um jogo mais consistente e vencendo com coisas mais confiáveis e resistentes que bolas de 3 de Matt Bonner. Ao invés disso eles tem Tim Duncan em boa forma, Tony Parker imparável nas infiltrações e, isso é bem importante, Tiago Splitter envolvido no ataque.

Quem nos lê há algum tempo sabe que não somos nem um pouco patriotas. Tipo, nem um pouco mesmo. Não gosto mais ou menos do Leandrinho do que gosto do Anthony Morrow, por exemplo. Por isso nada de patriotada em reconhecer a importância de Tiago Splitter nesse time do Spurs. Há anos que eles estão a procura de um parceiro de garrafão para Tim Duncan, e não só não encontram como veem Duncan envelhecendo e piorando cada vez mais. O Duncan de hoje em dia não tem metade dos recursos ofensivos que tinha até 2005, por exemplo. Até um tempo atrás a vontade era ter um jogador de garrafão que pudesse liberar Duncan para jogar na posição 4, de ala de força, mas hoje isso nem importa tanto. Duncan até rende melhor de pivô mesmo e apenas precisa de outro jogador que pegue rebotes e que o deixe descansar. Com menos minutos em quadra ele tem parecido menos cansado, mais veloz e, portanto, mais decisivo. Splitter tem tido valor duplo: Joga ao lado de Duncan ou na posição dele.

A presença de Splitter também é importante porque, nas palavras de Gregg Popovich, ele tem "uma inteligência para o basquete fora do comum". Ao saber se posicionar no pick-and-roll ele tem feito a vida de Tony Parker bem mais fácil nas infiltrações. Não que o francês não infiltre mesmo no meio de um corredor polonês, mas qualquer ajuda é bem vinda. E se aos poucos Splitter vai pegando pontinhos no ataque, na defesa ele também tem ajudado. Ele é um dos vários responsáveis pelo Spurs tomar 3 pontos a menos, em média, dentro do garrafão em comparação a temporada passada. Parece pouco, mas na média faz bastante diferença e a evolução de Splitter faz diferença nessa conta.

Contando os pontos marcados e feitos a cada 100 posses de bola, resultados parecidos em relação ao ano passado. O ataque marca 4 pontos a menos, a defesa sofre 4 pontos a menos. Como esses números se repetem em muitos times e até nas estatísticas gerais da liga, acho que podemos colocar isso na equação locaute + calendário + falta de training camp. Mas mais importante que os números totais é como o Spurs consegue ou evita esses pontos. Como citei acima, a defesa pode ter eficiência parecida no geral, mas melhorou no garrafão, justamente onde perdeu a série para o Memphis Grizzlies nos playoffs do ano passado.

No ataque alguns números ainda são bem parecidos. O time ainda marca 23% de seus pontos em bolas de 3 pontos, marca altíssima, a 5ª da liga, atrás apenas de atiradores pirados como Magic, Warriors, Nets e Clippers. Os pontos no garrafão ainda são os mesmos 42 por jogo, maior parte deles cortesia de Tony Parker, não tanto dos pivôs. Onde finalmente vemos um número que chama atenção pela mudança é nos pontos de contra-ataque. Ao invés de 15 por jogo como no ano passado, agora são só 11. O time não tem menos jogadores capazes de jogar assim, pelo contrário, mas simplesmente escolheu correr menos e tomar mais conta da bola. Não à toa o time subiu de 8º para 2º no ranking de turnovers por posse de bola, só o Sixers erra menos.

Com tantos chutadores de 3 pontos, como Gary Neal, Danny Green e mesmo Manu Ginóbili, o Popovich não tem muita opção senão usar o que tem e esperar que as bolas caiam. Mas por experiência em vencer o Suns ele sabe que somar bolas de 3 e correria já é suicídio demais, então baixou um pouco o ritmo da equipe e cortou erros. Ele Spurizou um pouco seu Spurs, pra não perder a identidade, acho. Outra coisa que mudou em relação ao ano passado é a distribuição de minutos. Na temporada passada 3 jogadores (Parker, Jefferson e Ginóbili) tinham mais de 30 minutos por jogo, com outros 5 tendo mais de 20. Nesse ano apenas Parker passa dos 30 e são 10 jogadores no total jogando pelo menos 20 minutos por jogo.

Com o time confiando em mais gente e poupando melhor seus jogadores, ao mesmo tempo que joga num ritmo menos alucinado, podemos esperar o Spurs pelo menos mais inteiro e com pernas nos playoffs, algo que pareceu faltar no ano passado. Mas a conclusão que podemos ter mesmo é que no fundo esse é o mesmo time de 2011, com alguns pequenos e pontuais ajustes. Embora isso possa soar desanimador, não é. O Spurs do ano passado teve muito azar. Pegou na pós-temporada um time que sempre o deu problemas, que estava em ótima fase e mesmo assim a série foi disputada. Todos os times venceram seus jogos em casa com exceção do Jogo 1, que o Spurs jogou sem Manu Ginóbili.

Se você pensar bem e com calma, lembrará que aquele time era sim muito bom. Apenas teve azar e alguns defeitos expostos naquela série. Mas ao invés do time entrar no desespero e querer tacar tudo para o alto, atacaram na medida do possível esses problemas. O ritmo é mais lento, o time erra menos, chuta duas bolas de 3 a menos por jogo (embora a porcentagem de pontos vindos desse tipo de chute seja a mesma, como vimos) e Tiago Splitter tem sido trabalhado para melhorar a defesa de garrafão. Somente na hora do vamos ver, de novo, saberemos se foi o bastante. Mas fizeram o possível e são o time em melhor forma na NBA no momento. Quer dizer, não que isso importe para eles, segundo o Richard Jefferson: "Em San Antonio sequências de vitórias não significam nada. Popovich ainda quer que a gente melhore e vai estar muito bravo a cada pedido de tempo".

quinta-feira, 28 de abril de 2011

O Spurs sempre será o Spurs

O Denis analisou o jogo 5 entre Spurs e Grizzlies, comentando sobre as mudanças táticas no Spurs nessa temporada, a defesa do Grizzlies e o arremesso final de Gary Neal que levou o jogo à prorrogação - e então à vitória do Spurs. Mas o site NBA Playbook fez um trabalho tão genial analisando as últimas posses de bola da equipe de San Antonio que é impossível não compartilhar aqui algumas conclusões que essa análise nos traz num mini-post de sobremesa para quem leu o post anterior, prato principal.

1) O Spurs sempre causa medo com as bolas na zona morta

A análise da jogada no NBA Playbook está aqui. Com 14 segundos no cronômetro, o Spurs optou por não tentar uma bola de 3 pontos. Ao invés disso, Duncan recebe a bola no perímetro e dá um passe certeiro para o Ginóbili finalizar com uma bandeja simples. Tony Allen estava marcando o Ginóbili e ele opta por proteger uma possível bola de 3 do argentino, liberando o jogador do Spurs para uma corrida rumo à cesta. Mas porque a ajuda defensiva não bloqueia o caminho do Ginóbili? Porque o Shane Battier, responsável por essa ajuda, está se borrando de medo de deixar alguém (no caso Gary Neal) livre na zona morta. É justo, o banco do Spurs é o banco que mais converte bolas de 3 na NBA, e a zona morta sempre foi uma das principais armas da equipe na época de Bruce Bowen. Quantos jogos o Suns não perdeu por culpa de uma maldita bola de 3 pontos na zona morta? Mas, como o Denis indicou, o Spurs está tentando apenas metade dos arremessos na zona morta que tentou na temporada regular, estão bem marcados e nenhum jogador mais é especialista na área. Mas é isso, os arremessos daquele região vencendo jogos para o Spurs fazem parte do nosso imaginário, e então o Shane Battier preferiu permitir a bandeja do que desgrudar do Gary Neal.

2) O Duncan sempre causa medo mesmo sendo velho e tendo cara de bobo

A análise da jogada no NBA Playbook está aqui. Com menos de 2 segundos no cronômetro e precisando de uma bola de 3 pontos, o Spurs faz uma série de corta-luzes na cabeça do garrafão para liberar alguém pra receber a bola e o Grizzlies faz a escolha correta: ao invés de lutar contra cada corta-luz, os marcadores fazem a troca, ou seja, quem parar no corta-luz passa a marcar o adversário que fez o corta, e quem estava marcando esse jogador passa para o próximo adversário em movimento, evitando assim o corta-luz. Tudo lindo e maravilhoso, até que Shane Battier - de novo - decide que não vai fazer a troca de marcação. Porque para isso ele teria que sair do Tim Duncan, ali paradinho na linha de lance livre, e todos nós sabemos do que o Duncan pode ser capaz quando está livre nos segundos finais de um jogo, né? Mas por ter ficado no Duncan, Shane Battier deixa Gary Neal livre, e graças às trocas seria ele o responsável por fechar no armador do Spurs. Neal arremessa uma bola de 3 com bastante espaço, converte e leva o jogo para a prorrogação, enquanto o Duncan (que só poderia fazer uma bola inútil de dois pontos) estava muito bem marcado. Pois é, na hora final dá cagaço de deixar o Duncan livre, mas era a única coisa inteligente a se fazer.

3) O Spurs sempre recebe ajuda de algum jogador aleatório

O Battier errou nas duas marcações e ele é simplesmente um dos melhores defensores da NBA. Ele tem responsabilidade pelo erro, claro, mas o peso do Spurs, a fama do Spurs, acaba tendo um papel fundamental em como os jogadores reagem ao time na hora de defender uma posse de bola fundamental. Mas no fim das contas, erro de marcação ou não, quem acertou a bola final foi Gary Neal - mais um para a imensa lista de jogadores eleatórios que já salvaram o Spurs em jogos decisivos de playoffs. Mas quão aleatório é o Gary Neal, afinal? Basta dar uma lida nessa história que o Denis publicou um mês atrás no seu filtro semanal:

Vocês sabiam que o Gary Neal, o novato-sensação (como diria a RedeTV!) do Spurs, teve um caminho complicado pra diacho pra chegar na NBA? Eu não sabia. No seu segundo ano de faculdade foi acusado de estupro e perdeu sua vaga no time. No fim ele foi inocentado, pelo jeito foi um caso de sexo entre bêbados em uma festa, mas mesmo com a inocência oficial não foi recebido de volta e teve que caçar outro lugar pra jogar.

Ele acabou indo para uma faculdade bem pequena e sem renome, Towson, onde passou por zilhares de entrevistas para ser aceito. Depois dessa história é claro que passou em branco pelo Draft da NBA e aí foi para Turquia, Espanha e depois Itália, onde milagrosamente recebeu uma chance do Spurs. Aliás, milagrosamente não, por méritos dele e dos melhores olheiros do planeta. Neal é uma das razões para o Spurs ser um dos melhores time da NBA em bolas de 3 pontos nessa temporada. A história dele tem mais detalhes nesse link do Spurs Nation.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Critérios para o All-Star

Não não, Nenê


Saiu ontem finalmente a escolha dos reservas para o All-Star Game. Como sempre, tem muita gente indignada com as decisões e falando em complô, teoria da conspiração, alienígenas e na culpa do Justin Bieber (que no fundo é só um adolescente com cara de panaca e todas as ninfetas que quiser, igualzinho a todo mundo quando era adolescente, quer dizer, tirando a parte das ninfetas, claro). O problema é que todas as pessoas descontentes com a escolha dos reservas, achando um absurdo que o Duncan foi escolhido ou que o Nenê vai ficar em casa comendo pipoca, não pararam pra pensar que não existem critérios definidos para chamar os reservas. Isso quer dizer que todos os técnicos da NBA, que participam da votação, precisam bolar critérios próprios que não coincidem entre si. Quando alguém diz que o Nenê merecia ir para o All-Star, com certeza está usando critérios bem diferentes da maioria dos técnicos. Vamos então dar uma olhada em alguns dos critérios possíveis para convocar reservas e quais jogadores ficariam ou não de fora se eles fossem empregados.


Critério "É ritmo de festa": escolher os jogadores mais legais, engraçados e divertidos

Se o All-Star Game não vale bulhufas e é uma festa para agradar os torcedores e trazer mais audiência para a NBA, então muita gente acha que apenas os jogadores que se encaixam nesse perfil Sessão da Tarde de festa, azaração e curtição deveriam ser chamados. No fundo, faz sentido. É meio ridículo usar a convocação para o All-Star como se fosse uma espécie de prêmio para os melhores jogadores sendo que esses prêmios já existem na forma de MVP, melhor quinteto da temporada, jogador que mais evoluiu, essas coisas. Então o All-Star seria algo único, que premiasse os jogadores mais divertidos e voltados para a torcida.

Pra mim, isso funciona muito bem para os titulares do All-Star, que são definidos pelos votos públicos na internet. Aí a galerinha vota nos "mais legais" e pronto, a festa está garantida. Para os reservas, que são definidos pelos técnicos, não acho que esse critério funcione porque provavelmente os técnicos são chatos e acham legal o Shane Battier e o Joel Anthony, pra fazer corta-luz.

Para os que usam esse critério, Vince Carter e Shaquille O'Neal deveriam ter cadeira cativa no All-Star Game. Da nova safra, muita gente estava exigindo que o Blake Griffin fosse chamado não pelos seus números, mas por aquilo que ele pode fazer na festança, enterrando na cabeça de todo mundo. Na minha opinião ninguém usa esse critério, só os torcedores mais românticos, mas foi ele que levou Blake Griffin para o All-Star esse ano. A imprensa cobrou, os técnicos ouviram, viram as enterradas no YouTube, e acharam que fazia sentido. Caso raro, mas os fãs da festa agradecem.



Critério "Um por todos e todos por um": escolher os jogadores que fazem parte dos times que estão no topo da tabela de classificação

É desse modo que a mente da maioria dos americanos funciona: os melhores jogadores são aqueles que fazem seus times vencerem. Isso gera distorções bizarras, como um Pistons que não tinha nenhuma estrela tendo quase o elenco todo chamado para o All-Star porque o time estava no topo da tabela. Esse critério é usado também na escolha do vencedor do prêmio de MVP, e nós insistimos que ele é um absurdo. Funciona assim: o jogador, para receber o prêmio, tem que ser muito bom, ter bons números. Mas ele também precisa estar num time vencedor, de preferência no alto da tabela. Mas se ele está num time no alto da tabela, com certeza é porque o resto do elenco também é espetacular. Mas se o resto do elenco também é espetacular, o jogador então é menos necessário do que se estivesse num time ruim, então corre o risco de não ganhar o prêmio. Ué, então o cara precisa ser bom, jogar num time bom, mas o time não pode ser bom demais, senão ele perde? Afinal, o prêmio é para o melhor jogador ou para o jogador mais importante para sua equipe? É um prêmio individual ou um prêmio coletivo, para o jogador-símbolo de uma equipe com um elenco bom e vencedor?

No All-Star Game, não tem esse lance do prêmio de MVP de que apenas um pode ganhar, então a  mentalidade gringa faz com que vários dos jogadores que estão nos times do topo sejam agraciados com o prêmio. No Leste, todos os reservas estão nos 4 primeiros times da conferência: Celtics, Heat e Hawks (apenas o Bulls ficou de fora). O Celtics, líder da conferência, teve 4 jogadores convocados dentro das 7 vagas, mais da metade. Todos eles merecem? Apenas se você levar o critério do "time vencedor" em conta, premiando o líder da tabela. A ideia é que, se o Celtics é bom o bastante para ser o líder do Leste, deve ter os melhores jogadores e então o maior número possível deles deve ser chamado para a festa.

No Oeste, 5 dos reservas estão nos 4 primeiros times da conferência (Spurs, Lakers, Mavs e Thunder). O Spurs, que é o líder do Oeste, levou dois jogadores como reserva. O Duncan está tendo uma temporada mais fraca, é velho, está longe dos seus melhores dias de All-Star, mas a mentalidade de quem usa esse critério é essa: "como levar um reserva só do time que é o melhor da temporada até agora?" O Duncan não vai pelo nome que tem, mesma coisa com o Garnett, não é isso. Não é questão de fama ou cadeira cativa. Eles vão por jogarem nos dois melhores times da NBA no momento. Eu acho ridículo, All-Star não é um prêmio para os melhores times, um cara jogar num time vencedor não deveria lhe favorecer na escolha dos melhores jogadores, mas essa é a mentalidade que predomina na imprensa e nos técnicos. Duncan e Garnett jogam no All-Star porque seus times chutam traseiros, e Kevin Love, Zach Randolph e LaMarcus Aldridge ficam de fora porque seus times fedem. O Kevin Love é ignorado porque sua habilidade "não gera vitórias", assim como o Monta Ellis, enquanto os próprios técnicos admitem que a vitória depende do conjunto, já que chamam 4 jogadores do Celtics e 2 do Spurs. Paradoxal, inconsistente, mas é o mesmo critério que se usa para o prêmio de MVP e para dizer que "um jogador é melhor porque ganhou mais anéis de campeão". Se você está bravo porque o Duncan foi convocado mas é daqueles que dizem que o Kobe é melhor porque tem mais anéis, está misturando tudo. O critério, em todos os casos, é de que as vitórias são mais importantes do que tudo para definir a qualidade de um jogador - mesmo que as vitórias dependam do resto do elenco.


Critério "Nerd de estatística": escolher os jogadores com as melhores estatísticas na temporada

Com esse critério, os jogadores chamados são aqueles que estão tendo o melhor ano estatisticamente. Seria um prêmio para as melhores performances, não teria nada a ver com seus times vencerem ou não. O resultado também é uma certa distorção, porque acaba priorizando jogadores que jogam sozinhos em times ruins, onde é mais fácil pilhar estatísticas, mas pra mim faz mais sentido. O Kevin Love não vai ganhar prêmios individuais ou coletivos ao fim da temporada, nada mais justo então que ele seja escolhido para jogar o All-Star em homenagem às suas atuações na temporada. Chamar reservas apenas de times bons é uma punição a mais para aqueles que estão em times sem chance de nada, é ser jogado definitivamente no limbo, na privada. O cara só perde, que participe ao menos da festa e coma de graça se está jogando bem o bastante. Quando o LaMarcus Aldridge foi informado que não tinha sido convocado, ele disse que já sabia, que já tinha avisado os companheiros que não seria chamado. Isso porque seu Blazers hoje está apenas na oitava posição do Oeste, de modo que passa invisível pelos técnicos se esse critério aqui não for usado. E ele não foi. Zach Randolph, nosso gordinho favorito, passou anos e anos sendo ignorado no All-Star porque seus times eram uma droga (e todo mundo dizia que o Randolph era o culpado por isso). O único jogador que pode mostrar que esse critério foi usado é o Blake Griffin, que tem médias espetaculares e seu Clippers amarga a terceira pior campanha do Oeste, mas ainda acho que ele foi chamado apenas pela cobrança da imprensa de que ele se encaixa na festança do All-Star, critério que vimos acima.



Critério "A primeira vez a gente nunca esquece": escolher os jogadores que ainda não estiveram no All-Star ou estão tendo a melhor temporada da carreira

Tem gente que acha que perde a graça ficar todo ano indo os mesmos sujeitos para o All-Star Game. A repetição acontece porque os jogadores continuam a ser os favoritos da torcida, ou continuam em times vencedores, ou mantém os mesmos bons números. Mas e se o All-Star levasse sempre sangue novo, os caras que estão se destacando agora e não tiveram oportunidade de ir no ano passado? 

Acho esse critério bem idiota, mas ele sempre acaba sendo usado todo ano. Alguém que poderia ser considerado para o All-Star mas nunca é lembrado ganha comentários como "mas ele quase foi na temporada passada", "ele ainda não teve uma chance", e acaba indo jogar. Em geral são jogadores meio mequetrefes ou que ainda não estão em nível de All-Star, como aconteceu com o David West um tempo atrás. Foi também o que no ano passado finalmente levou o Zach Randolph, que merecia há um tempão mas não ia porque seus times sempre fedem. Nesse ano, apenas dois jogadores foram chamados pela primeira vez para o All-Star, Russell Westbrook e Blake Griffin, e eles não se encaixam nesse critério. Mas aqueles que afirmam que o Josh Smith deveria ter sido chamado se encaixam aqui, e o mesmo se aplica ao Nenê. Ele tem um ano melhor estatisticamente do que Kevin Love, LaMarcus Aldridge ou Zach Randolph? Não. Ele joga num time que está no topo da tabela? Não. Ele é um jogador divertido para a festa e vai cravar na cabeça de todo mundo? Não, aliás é por isso que nunca chamam pivôs se podem chamar alas no lugar. O que está do lado do Nenê é que seu ano está sendo muito bom para os seus próprios padrões e não existem muitos pivôs no Oeste, mas isso não é o bastante. Sei que todo mundo queria ver o Nenê indo para o All-Star, eu entendo, mas ele só iria pela falta de pivôs e, após as votações populares, esse lance de posição não importa mais. Como vimos, os critérios usados são outros (melhores times, melhores estatísticas, show) e o Nenê não se encaixa neles. Resta então para os que insistem que o brasileiro vá (e por que, mesmo?) que a imprensa choramingue muito que o Nenê merecia, que ele teve um bom ano, que ele sempre foi ignorado, para que o David Stern o escolha como substituto do Yao Ming, machucado. Mas não vai acontecer simplesmente porque a choramingação por outros jogadores, melhores, é maior. Provavelmente será escolhido alguém de um time entre os 8 melhores, com boas estatísticas. Como o Randolph já foi All-Star, ele não se encaixa nesse critério, então a choramingação deve ser por Love e Aldridge mesmo. 

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Preview 2010-11 / San Antonio Spurs

 Ele é como qualquer um de nós


Objetivo máximo: Mais um título. O ano é ímpar, afinal.
Não seria estranho: Chegar longe mas perder para Lakers ou Mavs
Desastre: Cair na primeira rodada e ver os cabelos brancos nascerem na cabeça do Duncan

Forças: Time entrosado, técnico espetacular, defesa bem montada e Tim Duncan
Fraquezas: Parte do time está ficando velha demais e a outra parte ainda parece muito inexperiente

Elenco:








.....
Técnico: Gregg Popovich


Eu sempre entro na nossa página da semana dos técnicos para ver o que podemos aproveitar de novo aqui. E o texto do Popovich feito pelo Danilo está perfeito! Como a gente tinha bem menos leitores naquela época e já faz dois anos, acho que vale a pena a reciclagem completa:


"O técnico que todos amam odiar, o técnico que não cansa de ganhar, que faz os nerds das pranchetas terem orgasmos múltiplos e coloca para dormir todo o resto da civilização ocidental contemporânea. Tudo porque Popovich foca seus esforços na defesa enquanto tem fama de ser um dos técnicos mais severos e controladores no ataque (ele é tipo mulher ciumenta). Tente dar um arremesso que Popovich não planejou com antecedência de 48 horas e você será colocado no banco. Para conseguir arremessar uma simples bola, Tony Parker precisa preencher um formulário e autenticar em três vias - seja lá o que isso significar. Mas a verdade é que os jogadores no Spurs apenas obedecem o que está instituído, colocando em prática um ataque maquinal e absurdamente funcional. Duncan estará sempre em posição para seu clássico arremesso usando a tabela, Tony Parker sempre poderá infiltrar e passar a bola para a zona morta e Bruce Bowen sempre estará livre por aquelas bandas, pronto para arremessar de três e ser um bundão. Apenas Ginóbili é inesperado porque ele faz as mesmas coisas de modos extraordinários, com aquelas passadas malucas e destrambelhadas que, segundo o próprio Popovich, matam ele do coração.

Quando falo do Popovich, sempre uso como exemplo sua relação com Tony Parker. O francês tinha uma cota máxima de arremessos que podia dar de trás da linha de 3 pontos (sem brincadeiras!) e, quando começou sua sua carreira no Spurs, era obrigado a passar a bola para fora do garrafão ao invés de fazer as bandejas que hoje lhe são marca registrada. Com o tempo, foi ganhando mais liberdade com o técnico - o que equivaleria a uma mãe dizer que a filha não pode ir para a balada, mas que agora pode passar maquiagem dentro de casa. Para nós, fracassados que perdemos para o Spurs a torto e a direito, sua relação ditatorial com o time, respostas mal humoradas e cara de quem está com uma eterna apendicite nos fazem odiar Gregg Popovich como poucos no mundo. Mas tem mais: "Pop" (como alguém tão mal encarado pode ter um apelido tão fofucho?) era dirigente do Spurs, demitiu injustamente o técnico do time e se auto-proclamou o novo treinador, cargo que exerce desde então. Se ele não fosse um branquelo em um time texano, provavelmente o presidente Bush iria colocar o exército para intervir na questão. E o mais engraçado é que Popovich disse que deve se aposentar assim que acabar o contrato de Tim Duncan, ou seja, provavelmente não quer testar como seriam seus resultados sem um dos melhores jogadores de todos os tempos ao seu lado. Bem, se pudesse escolher, eu também não testaria.

E não adianta me dizer que estou com dor de cotovelo porque sim, estou com dor de cotovelo. O Gregg Popovich ganhou demais na vida, deixa pelo menos um blog na internet dar a entender que o cara é fracassado, tá legal?"


O que eu posso acrescentar é que nos últimos dois anos anos o Popovich ganhou um desafio novo. Ele teve que lidar com jogadores muito jovens que, por serem jovens, oras, não tinham a disciplina e inteligência tática que todos os comandados do Spurs nos últimos 10 anos tiveram. Ele precisou de paciência extra e voltou aos seus tempos de professor para conseguir lidar com DeJuan Blair, George Hill e Roger Mason, que de uma hora para outra viraram peças fundamentais em um time sem a profundidade que já tivera no passado. Mas ele fez um bom trabalho e a pivetada está dando resultado, é de se esperar que ele também tenha paciência e sucesso com o Tiago Splitter, que não é pirralho mas precisa de tempo para se adaptar ao jogo americano.

......
O sucesso na evolução dos pivetes que eu citei acima e o fato do Splitter ser um jogador já bem rodado são os motivos que me fazem pensar que essa temporada é a que o Spurs tem mais chance de voltar ao título desde que disputaram a final do Oeste contra o Lakers em 2008. As últimas duas temporadas serviram apenas para o Duncan parecer mais velho, para o Ginobili e o Parker se machucarem várias vezes e para a pivetada errar bastante e deixar o Pop louco da vida vendo o Roger Mason forçar bolas de três.

Mas depois de dois anos parece que está tudo certo. O Tony Parker chegou a ser envolvido em boatos de troca e falaram por aí que ele estava interessado em ir para o Knicks, mas ele sempre foi bem fiel ao Spurs e acredito que não tenha nenhum problema em ficar lá. Sem contar que pode ir para o Knicks quando for Free Agent e quando o time de NY estiver um pouco melhor, melhor jogar ao lado de Duncan e Manu enquanto ainda pode. O argentino já havia melhorado muito na segunda metade da temporada passada e depois de descansar durante toda a offseason ele deve estar inteiro fisicamente, é o que basta pra ele ser o homem do quarto período no time.

Já Duncan recebeu muitos elogios de Gregg Popovich. "Ele está mais magro e mais bem condicionado. Mais magro do que estava no meio da temporada passada". E completou com as razões para esse esforço extra, "Ele está levando tudo isso muito a sério. Ele quer voltar a vencer". Por mais cara de bundão que o Duncan tenha, ele não é bundão. Ele até foi legal e sincero o bastante para dizer que essa nova regra sobre as faltas técnicas é um exagero e um erro da NBA. A derrota para o Suns no ano passado marcou apenas a segunda vez na carreira que Duncan passou três temporadas em sequência sem título! E caras acostumados a ganhar não encaram muito bem derrotas, muito menos depois de tomar uma varrida de um time que até pouco tempo atrás era seu maior freguês. Vamos ver o Duncan a fim de jogar como há tempos não vemos.

Com o trio em forma e motivado o Spurs vai longe, não há dúvida em relação a isso. Mas até aí nada de mais, o Lakers tem seu trio, o Mavs tem elenco forte, assim como Blazers, Nuggets (pelo menos até o Carmelo parar de dar piti) e pelo menos três ou quatro times do Leste. A diferença vai ser nos detalhes: entrosamento, preparo físico e principalmente o elenco de apoio.

Eu fiquei bem encafifado quando o Spurs pagou uma boa grana para reassinar o Richard Jefferson mesmo depois dele milagrosamente ter optado por sair do seu contrato milionário. Talvez tenha sido um pensamento de "ruim com ele, pior sem ele" ou talvez um voto (caro) de confiança. Quando o Richard Jefferson jogou bem no ano passado o Spurs era um time difícil de parar, como foi na série contra o Mavs, mas muitas vezes ele era um Bruce Bowen que não defendia e nem acertava bolas de três, ou seja, um pedaço de carne que se movia. Qual será o que vai entrar em quadra nesse ano? Não sei, mas na pré-temporada ele tem jogado muito bem, inclusive acertando 50% das suas bolas de 3! Se ele for um arremessador de três confiável o Spurs já pode comemorar por ter feito a decisão certa em mantê-lo. Outro que pode ajudar nesse quesito que fez falta no ano passado é o novato James Anderson, embora também não seja nenhum especialista.

No garrafão o Duncan vai contar com a ajuda de Tiago Splitter e DeJuan Blair. O brazuca, em teoria, deixaria o TD jogar mais fora do garrafão, onde eu acho que ele é melhor e daria mais altura para o time, valorizando o lado defensivo. Já o DeJuan Blair deixa o time mais veloz, muito mais forte no rebote ofensivo (o cara nasceu pra fazer isso), mas obriga o Duncan a jogar na posição 5 e às vezes compromete na defesa. Na pré-temporada o Splitter não jogou e o Blair empolgou com médias de 13 pontos e quase 9 rebotes em míseros 25 minutos por jogo. Por isso acho que o brasileiro começa a temporada no banco, mas isso vai ser irrelevante ao longo da temporada, os dois devem revezar nas duas posições do garrafão junto com Duncan e Antonio McDyess e eventualmente até jogar juntos. Tudo depende de treino, de entrosamento e do adversário que vão enfrentar.

Richard Jefferson e James Anderson podem ser a resposta para os problemas de arremesso de três da equipe, Blair e Splitter para o garrafão, mas o Spurs não arranjou ninguém para atuar como defensor de perímetro. Alguns especialista em basquete universitário até apontaram o James Anderson como alguém que pode virar um grande defensor em nível profissional, é esperar para ver. No ano passado eles às vezes colocavam o baixo George Hill para marcar jogadores da posição 2 e 3 só porque ele é o melhor defensor de perímetro do elenco. Era melhor que nada, mas não é solução de problema. Se cruzarem nos playoffs com pontuadores mais altos como Kobe Bryant e Kevin Durant, a coisa pode engrossar pra eles.

No ano passado o Spurs pagou toda aquela grana para o Richard Jefferson e passaram pela primeira vez em muito tempo do limite salarial. Como justificativa disseram que queriam usar os últimos anos de carreira do Duncan e do Ginobili para ir com força total atrás de outro título. Estão certos. Com os dois em forma e com a ajuda do resto do time, que tem chance de ser o melhor elenco de apoio nas últimas 3 temporadas, as chances de voltarem a ser o time chato, pentelho, sonolento e vencedor que a gente conhece são bem grandes. Como disse nessa análise bem mais detalhada sobre o Spurs há uns dois meses, o Spurs ainda não voltou, mas pode voltar.

E pra quem acha que o Spurs não é empolgante, saca só que show é o Duncan!!! Showtime, baby!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Por pouco de novo

Scola quer seu abraço, vai lá, campeão!


Eu gostaria muito de ter escrito aqui antes do jogo entre Brasil e Argentina a conversa que tive com o Felipe, nosso webdesigner. Saímos para bater um basquete na segunda-feira e conversando sobre o jogo da seleção eu disse: "Acho que o Brasil ganha. Mas pra isso a gente tem que abrir uma vantagem e administrar ela no final. Se chegar no fim do jogo empatado, o Scola vai acertar tudo pra Argentina e o Leandrinho vai errar pro Brasil".

Juro por Lady Gaga que eu disse isso. Deveria ter postado aqui para pagar de adivinho, porque foi isso o que aconteceu. O jogo foi disputadíssimo desde o primeiro segundo até o último, mas quando era para decidir, o Scola simplesmente não errou. Seja bem marcado, mal marcado, contestado, no arremesso, na bandeja e por fim, pra fechar o caixão, até quando tentou errar um lance livre.

Sobre a Argentina, não achei que fizeram nada de novo, fizeram o que a gente disse desde o começo. Todo o time é inteligente, todo mundo sabe o que fazer em quadra, cometem poucas bobagens e compensam a falta de pontuadores com o Luis Scola. Eventualmente o Carlos Delfino tem boas noites de pontuação e para o azar dos brazucas, o jogo de ontem foi uma delas. Outra zica brasileira foi ter a volta do Fabricio Oberto, que apesar de bem mais lento e velho do que em seu auge, quebra um galho enorme para o Scola com seu bom passe e aproveitamento embaixo da cesta.

O Ruben Magnano tentou parar o Scola usando o Tiago Splitter, o Anderson Varejão, o Guilherme e até o Marquinhos. Tentou trocar a marcação no pick-and-pop, tentou não trocar, tentou macumba e só não apelou para as armas de fogo porque é um gentleman. Tem dias em que não dá certo mesmo. Em algumas jogadas a gente vacilou, é verdade, mas no geral não perdemos o jogo porque marcamos mal o Scola.

Aliás, perder esse jogo não foi nenhuma desgraça. Foi um jogo disputado em que a grande estrela da partida, o melhor jogador em quadra, resolveu a parada nos minutos decisivos, nada mais natural no basquete. Sem contar que nos classificamos em terceiro no nosso grupo e eles em segundo, apesar dos times em nível técnico parecido, não foi absurdo perder o jogo, na teoria eles eram mesmo os favoritos. Mas no que devemos pensar não é só nesse jogo, mas no total do torneio. O Brasil venceu 3 jogos e perdeu outros 3. Os três vencidos foram lavadas, abrimos diferença e matamos o jogo. As três derrotas foram resultados apertados, jogos decididos no último minuto. Quando acontece três vezes em uma semana não é coincidência. O que faltou para o Brasil nesse mundial foi saber decidir jogos. Só.

A defesa do Brasil não é perfeita, mas não consigo imaginar nada melhor desse elenco. Até jogadores que sempre foram criticados (por nós também) por serem defensores fracos tiveram momentos ótimos, como Marcelinho Huertas, o Machado e o Leandrinho. Reafirmo aqui que nunca vi (e provavelmente nunca vou ver) o Barbosa marcando tão bem quanto naquele jogo contra os EUA. O ataque também esteve do jeito que sempre sonhamos. Não temos o nosso Scola/Nowitzki/Durant para colocar a bola na mão e esperar os dois pontos acontecerem de alguma forma, mas o lado bom é que dessa vez sabíamos disso. Em campanhas passadas ficávamos esperando milagres ofensivos de Leandrinho, Marcelinho e Tiago Splitter e eles não apareciam. Dessa vez colocamos a mão da nossa grande estrela no torneio, Huertas, e executamos um ataque coletivo e bem pensado. Quase chorei hoje quando vi que em todo o primeiro tempo a seleção havia cometido apenas 3 erros no ataque. Antigamente eram 3 erros a cada 5 minutos de jogo, geralmente tentando forçar alguma jogada individual idiota.

Temos um bom elenco que demonstrou muita vontade, raça e disciplina. Um técnico que entende de basquete, tem comando sobre o grupo e que melhorou o ataque e a defesa do time. Parece piada dizer isso, mas é verdade: o time melhorou em tudo, agora só falta ganhar.

Saber ganhar jogos apertados é difícil. Até porque muitas vezes é uma questão individual, não de treino coletivo, instrução do técnico. Claro que ter um mongolóide no banco não vai ajudar, mas é o momento do jogo com a defesa mais apertada, jogadores mais tensos e juízes dispostos a deixar o jogo rolar. Não é à toa que os jogos costumam ser decididos em jogadas simples, como uma isolação, um pick-and-roll ou um bloqueio para arremesso. A Argentina usou muitas jogadas durante o jogo inteiro, tanto que no último quarto vimos até Oberto e Jasen aparecerem no ataque, mas quando o bicho pegou foi só pick-and-pop com o Scola ou a isolação dele contra algum marcador brasileiro. Já o Brasil parecia não saber o que decidir, e errou dando a bola na mão de Leandrinho, que tem muitos talentos, mas definitivamente decidir que jogada fazer não é um deles. Quanto menos ele tem a bola na mão, melhor.

Outro que não pode decidir jogos é o Tiago Splitter, e o Brasil também tentou ele na hora H. Geralmente jogadores de garrafão só conseguem decidir jogos em equipes que tem arremessadores muito bons em volta deles. Pensa bem, o Splitter está empurrando o Oberto para perto da cesta e você está marcando o Marquinhos ou o Alex, o que você faz? Corre para forçar um erro do Splitter ou deixa ele marcar a cesta só para não deixar os dois livres? Deixa livre, claro! Se o Splitter conseguir dar o passe, dane-se, qual a chance do Alex acertar uma bola de três? E pior, qual a chance dele acertar com a pressão do fim do jogo? Quase zero. Quem acompanha NBA pode ver isso muito bem. Às vezes o pivô do time é a estrela, mas quem decide é o cara do perímetro. Até porque em fim de jogos os juízes costumam deixar a pancadaria rolar um pouco mais e isso só dificulta o trabalho dos pivôs, que também têm aproveitamento pior nos lances livres. No Lakers o Shaq recebia pouco a bola no fim dos jogos porque ele sofria faltas de propósito, já que fede na linha de lance livre.

Claro que existem exceções, mas todas tem explicação. O Scola e o Nowitzki são jogadores completos. Eles podem receber e bola em fim de jogo porque se precisar eles nem entram no garrafão e resolvem a parada com um arremesso de longe, além de serem bons no lance livre. Outros como o Duncan e o Garnett são passadores acima da média e costumam ter bons arremessadores no time. É só buscar vídeos de qualquer título do Spurs e ver os jogos, quando se arriscavam a dobrar a marcação no Duncan no fim dos jogos ele entregava a bola para Steve Kerr, Stephen Jackson, Manu Ginobili, Bruce Bowen ou qualquer outro grande arremessador que o acompanhou na carreira. O Brasil não tem esses arremessadores, Splitter não é um grande passador e ele não é efetivo quando recebe a bola longe da cesta.

Para a partida de hoje em especial, acho que a melhor decisão teria sido deixar o Marcelinho Huertas trabalhando com vários bloqueios para achar espaço no garrafão. Ele estava com a mão calibrada, confiante e claramente muito motivado. Fez a partida da sua vida e eu esperava ver a paz no Oriente Médio antes de ver ele fazer 32 pontos num jogo, mas foi o que aconteceu. De qualquer forma, seria uma solução para hoje, isso não vai acontecer sempre.

Falando em momentos decisivos, lembrei de um caso interessante na NBA, o Los Angeles Clippers. Infelizmente não tenho mais os números, mas vale pelo caso. Na temporada 2004-05, o Clippers liderou a liga em jogos perdidos por 5 pontos ou menos (ou eram 3 pontos? Jogos apertados, enfim). Era um número assustador de derrotas no fim do jogo. Aquele time tinha o Marko Jaric (o puto que é CASADO com essa deusa) na sua melhor temporada na NBA, Bobby Simmons no único ano em que foi decente, Corey Maggette, Chris Kaman bem pivete e Elton Brand na época em que ainda fazia 20 pontos e 10 rebotes todo jogo. Parecia bom, mas não vencia no final.

No ano seguinte conseguiram a pechicha de trocar Jaric-Lima pelo muso Sam Cassell. Aproveitaram e conseguiram uma troca por Cuttino Mobley, o experiente arremessador que fez história como parceiro e amigo de Steve Francis no Houston Rockets. Com a dupla experiente o Clippers passou a ser um dos times que mais venceu jogos apertados na NBA. E assim chegou aos playoffs, à semi-final do Oeste, e só foi eliminado no jogo 7 pelo Phoenix Suns. Era dito por todos os jogadores e era óbvio para quem via os jogos que a razão da mudança era a presença de dois jogadores experientes e bons na decisão. Quando precisava armar, Cassell armava, no fim do jogo, quando precisavam de pontos, ele ia lá e fazia seu arremesso tradicional, o step back, e matava a parada.



Falta para o Brasil ter esse Sam Cassell para matar as partidas decisivas. Ele poderia ter vencido Argentina, a Eslovênia e os EUA. E ele não é Leandrinho, Huertas, Marquinhos ou qualquer um que estava no elenco desse Mundial. Acho que o Brasil tem seu melhor time em muito tempo, talvez o melhor dos últimos 15 anos, mas com esse pequeno e muito decisivo defeito.

Citando o gênio Dunga, qual o legado dessa seleção? Podemos ver por dois lados, o do time, pensando em resultados; e o social. Para o lado do time não tem legado, foi só o primeiro campeonato importante e serviu para mostrar na prática nossos defeitos e qualidades. Deu pra ver que sonhar com medalha é demais mas com Olimpíada é bem real.

Pelo lado social foi mais importante, mas ainda pequeno. Aquela quase-vitória sobre os EUA deve ter feito muita gente que ignorava o basquete desde o Oscar falar sobre o esporte, e motivado algumas pessoas até a bater uma bolinha. Isso é uma grande coisa. Lembro que comecei a querer jogar tênis quando as TVs começaram a passar jogos do Guga. Não precisei de muito tempo para começar a gostar mais do esporte do que do Guga, aliás torcia até mais para o Patrick Rafter, por ser fã de um bom saque-e-voleio. Mas foi com um brasileiro na mídia que eu tive o primeiro contato com o esporte.

Acredito que a seleção ter bons resultados seja importante para isso. Não torço para o Brasil vencer por amor à nossa pátria, sei que incomoda muita gente mas não dou a mínima pra isso, torço pelo efeito que esses bons resultados podem trazer para o esporte. Gostaria, por exemplo, de descobrir na próxima temporada da NBA um leitor do blog que está começando a acompanhar a liga americana depois de ter se encantando com o Scola na partida de ontem. A presença da seleção nacional chama a atenção e depois o basquete bem jogado por alguém (seja lá em que território esse cara nasceu) conquista o torcedor. É uma fórmula simples e que parece bem encaminhada. Sem contusões e pensando em uma solução para não perder todos os jogos apertados, o Brasil deve estar na briga com os grandes em todas as próximas grandes competições.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Jogadores Estudiosos


Vince Carter na universidade Smurf


Nós recebemos toneladas de perguntas todos os dias no nosso glorioso Both Teams Played Hard. Algumas são pura trollagem, outras perguntas de iniciante, muitos pedidos de comparação entre jogadores, perguntas de relacionamento, música e até perguntas interessantes de verdade! Uma delas eu achei tão legal, mas tão legal, que achei que renderia um texto, não uma resposta.

Olha o que algum anônimo mandou, foram duas perguntas, na verdade:

"1. Vocês sabem de algum site em que diz o que os jogadores da nba se formaram na universidade? não precisa ser todos, só as estrelas e tal

2. como é a relação dos jogadores universitários que são cotados pra ir pra NBA e a universidade? eles realmente estudam e tal, tipo o Jeremy Lin ou simplesmente estão lá pra jogar e os professores fazem vista grossa sobre a nota deles?"

São questões pouco abordadas e que vale uma discussão, um ótimo tema para um post nesse momento complicado da offseason em que a maioria das contratações já foi comentada e faltam umas duas semanas para começar o Mundial da Turquia.

Muitas estrelas da atualidade nem passaram pela faculdade. No passado alguns jogadores pularam o basquete universitário, como o grande Moses Malone já nos anos 70, mas eram casos raros. No meio dos anos 90, porém, começou a virar febre. E com o sucesso de jogadores como Kevin Garnett e Kobe Bryant, explodiu. Tanto que podemos observar no começo da década de 2000 um fato muito curioso e que hoje parece impossível, de 2001 até 2006, apenas um jogador universitário foi a primeira escolha do Draft! Em 2001 Kwame Brown foi direto do colegial, assim como LeBron James em 2003 e Dwight Howard em 2004. Em 2002 Yao Ming foi o primeiro direto da China e em 2006, Andrea Bargnani, direto da Itália. Somente em 2005 o Andrew Bogut foi o escolhido. Ele, apesar de ser gringo, australiano, jogava basquete universitário nos EUA.

Logo depois disso surgiu a regra de que os jogadores deveriam jogar pelo menos um ano de basquete fora do colegial e ter pelo menos 19 anos antes de poder jogar na NBA. Tirando Brandon Jennings, que foi jogar um ano de basquete profissional na Itália, a maioria opta por fazer o "one-and-done", jogar um ano de basquete universitário e depois ir para a NBA. Dizem que é por facilitar e não reclamar de quem faz esse tipo de escolha que a Universidade de Kentucky tem conseguido tantas estrelas do colegial em suas equipes. Ou seja, a atividade tanto já virou rotina que até tem seus especialistas.

Entre as novas estrelas da NBA é bem comum ver várias que jogaram só um ano de NCAA, como Kevin Durant, Derrick Rose, Greg Oden, OJ Mayo, Kevin Love, Eric Gordon e Tyreke Evans. No draft desse ano foram 7 jogadores de apenas um ano de faculdade a serem escolhidos na primeira rodada, incluido dois do Top 3, John Wall e Derrick Favors.

Em teoria isso quer dizer que a maioria dos jogadores mais conhecidos vão para a NBA longe de ter um diploma, que em geral só sai depois de 4 anos de estudo. Mas na prática só quer dizer que os diplomas são conseguidos de maneira diferente. Tem virado tendência nos últimos anos os jogadores voltarem para a faculdade entre uma temporada e outra para as chamadas "summer classes", cursos de verão para quem não pode frequentar a faculdade no ano letivo comum. Alguns também fazem cursos à distância. Pelo o que o New York Times apurou, 45 jogadores da NBA (10% da liga) voltaram para a faculdade nos últimos meses, os times campeões foram o Warriors e o Thunder, dois dos times mais jovens da liga, com 3 cada. Um deles, Russell Westbrook, disse que são duas as principais razões: primeiro dar um bom exemplo para os mais jovens, no exemplo dele, um irmão mais novo. E depois para se prevenir, já pensando em um futuro emprego após a carreira no basquete.

A primeira reação de quem lê isso é "Futuro emprego? Mas os caras são milionários!" e esse pensamento faz todo o sentido, já que a média da liga é de 5,8 milhões de dólares por jogador a cada temporada. Mas a NBA Players Association fez um estudo que indica que 60% dos jogadores acabam falindo 5 anos após a sua aposentadoria. O principal motivo, claro, é a irresponsabilidade. Eles querem gastar a grana que ganham em coleções de carros, casas e jóias. Depois é a vontade de ser super-herói. A maioria é de família pobre ou de centros urbanos menos desenvolvidos, aí querem aproveitar que se deram bem na vida para arrumar a vida de todo mundo. Além da sua casa de luxo e do seu Mercedes, querem dar carros importados e casas de muitos dormitórios para os irmãos, mãe, avó, para o grupo de amigos do ginásio e etc. Sustentar essa vida por um tempo é fácil, mas depois não dá mais. Como disse o ala Jason Kapono, "A carreira de um jogador vai em média até uns 30 e poucos anos, a expectativa de vida até os 80. O dinheiro precisa durar mais 50 anos".

Um exemplo do gasto absurdo que esses jogadores tem foi dado pela própria associação de jogadores, que disse que o Shaq gasta 18 mil dólares por ano só com as contas de TV a cabo de todas suas casas. Claro que ele está bem acima da média, já que por anos ganhou mais de 20 milhões de dólares por temporada, mas mesmo assim mostra bem como estamos tratando de cifras insanas. Também não dá pra esquecer de dois jogadores que já foram dos mais bem pagos da NBA e voltaram da aposentadoria para jogar só pelo dinheiro, Antoine Walker assinou com um time de Porto Rico e Scottie Pippen disputou alguns jogos com um time da Finlândia.

Esse medo de ficar sem dinheiro deve aumentar o número de jogadores da NBA com um diploma, hoje são apenas 21% dos jogadores que terminaram a faculdade. Entre eles existem duas histórias mais comuns. O primeiro grupo é daqueles que continuou a faculdade mesmo depois de entrar na NBA. Como dissemos antes, eles fazem aulas na offseason, online, e vão completando o curso aos poucos. O segundo grupo tem principalmente os jogadores menos conhecidos, são aqueles caras que entraram em uma universidade sem ter muito nome e precisaram usar os 4 anos de faculdade para conseguir chamar a atenção da NBA e entrar no Draft.

O exemplo mais famoso de um jogador com diploma é o do Tim Duncan. Ele chegou na Universidade de Wake Forest reconhecido como um grande jogador e lá se consagrou, poderia ter pulado para a NBA após qualquer ano de faculdade, mas não o fez por uma promessa. Um dia antes de Duncan completar 14 anos sua mãe morreu de câncer de mama, mas não antes de ter feito o filho garantir que iria para a faculdade e a faria até o fim.

O Duncan é formado em psicologia. Apesar das obrigações e viagens que o time tinha que fazer, frequentou todas as aulas, teve boas notas e até fez aulas extras que não precisaria, como literatura chinesa. É um exemplo claro do que diz Debbie Rothstein Murman, diretora de carreira da União dos Jogadores da NBA. Ela afirma que ao serem obrigados a fazer pelo menos um ano de faculdade, os jogadores são forçados a conhecer outras coisas, outras áreas e eventualmente encontram outras paixões além do basquete. Depois do exemplo para os mais jovens e o dinheiro existe um terceiro fator que talvez seja o mais importante, alguns gostam da coisa e querem aprender.

Para os que gostam do ambiente universitário talvez o ideal fosse fazer os 4 anos diretos, como o Duncan, sem precisar de aulas na offseason, mas aí a história do Jerry Stackhouse serve como bom exemplo para entendermos as motivações dos atletas. Durante o segundo ano de faculdade do Stack, sua mãe foi diagnosticada com câncer de mama e a família não tinha dinheiro para pagar o tratamento. Ele então foi para o Draft da NBA, foi escolhido e usou o dinheiro do seu primeiro salário para pagar o tratamento. Não deve ser fácil para eles ver a família passando por dificuldades financeiras ao mesmo tempo em que recusam a chance de ganhar milhões por ano.

O Stackhouse foi um dos que voltou para se formar. Ele e seu companheiro de North Carolina Antawn Jamison se formaram em Estudos Afro-Americanos, uma das formações mais comuns entre os atletas da NBA. Também são corriqueiros os diplomas em Gerenciamento Esportivo e Comunicação, seguido depois por Negócios. Todos, porém, estão perdendo espaço para o cada vez mais usado "Estudos Gerais".

O curso de Estudos Gerais não existe em todas as faculdades, mas foi criado para facilitar a vida dos atletas que querem se dedicar mais à vida esportiva. De todos os alunos da Universidade de Michigan, por exemplo, apenas 3% são atletas. Ao mesmo tempo, entre os formados em Estudos Gerais, 49% são jogadores das mais diversas modalidades. Essa formação pede que o aluno cumpra um certo número de créditos e horas de aula, mas sem nenhum direcionamento em especial, basicamente ele faz as aulas que quiser. Muita gente critica esse formato porque os atletas acabam escolhendo apenas as aulas mais fáceis e as que tem professores (geralmente membros do conselho atlético) que liberam os jogadores de diversas atividades de sala. Seria, para os críticos, um diploma ganho sem merecimento e sem valor.

A história mais interessante que eu conheço de jogadores da NBA e sua relação com as universidades é a do Vince Carter. Ele saiu da Universidade de North Carolina (a mesma de Stackhouse e Jamison) para a NBA, mas continou fazendo aulas para conseguir se formar também em Estudos Afro-Americanos. Ele conseguiu se formar em 2001, mas a cerimônia de formatura acabou ficando para o dia 20 de maio, mesma data do jogo 7 da semi-final de conferência entre o Philadelphia 76ers e o Toronto Raptors de Carter. Foi uma bafafá para saber se ele iria mesmo receber o diploma entre a imprensa e até dentro do time, mas para ele nunca foi uma dúvida. Foi para a cerimônia, recebeu o canudo e de lá saiu correndo para pegar um vôo até a Philadelphia.

E detalhe, não estamos falando de uma série de playoff normal, mas de uma das melhores da última década e talvez de todos os tempos. O duelo Carter-Iverson daquele ano está na história da NBA como um dos mais intensos e impressionantes já vistos. Vale a pausa no tema universitário para vocês entenderem do que estamos falando.

No jogo 1 foram 35 pontos de Carter e 36 de Iverson, com vitória do Raptors na Philadelphia. O Sixers respondeu vencendo o jogo 2 com 54 pontos do Iverson. A partida 3 teve o Carter acertando 8 bolas de 3 seguidas e marcando 50 para dar a vantagem de 2-1 para o Toronto. Ficou 2-2 depois que o Iverson liderou uma virada histórica marcando 30 pontos fora de casa. No dia do jogo 5 o Iverson recebeu seu troféu de MVP da temporada e marcou 52 pontos, 3-2. Empatou de novo depois que o Carter respondeu com 39 pontos no jogo 6. Logo depois veio o anúncio de que o Carter iria mesmo para a formatura no dia do jogo final.

Imaginem como estavam os ânimos nas duas equipes e em todos os jogadores antes do jogo 7. E mesmo assim o Vince Carter teve a frieza de conseguir dividir seu dia entre a formatura e o jogo. A partida acabou sendo bem truncada, nervosa e Carter marcou apenas 20 pontos, já Iverson recebeu marcação dupla o jogo todo e respondeu com seu recorde de assistências na carreira, 16. Mas o grande momento foi o fim da partida, quando Vinsanity teve a chance de transformar aquele 20 de maio no maior dia da sua vida. O diploma e um arremesso no último segundo em um jogo 7 fora de casa. Foi por pouco e até hoje ele ouve que jogou mal porque não se concentrou para aquela partida.


Os detalhes desse duelo épico podem ser vistos num especial da NBA TV em duas partes: Parte 1 e Parte 2. Vale a pena!

Não achei nenhum site que indicasse em quê cada jogador da NBA é formado, mas pesquisando fui achando aos poucos. Segue a lista dos que descobri:

Josh Howard - Fez a mesma Wake Forest onde o Tim Duncan se formou e onde Chris Paul ainda faz aulas. O único jogador a admitir que fuma maconha entre uma temporada e outra é formado em Sociologia. Um típico maconheiro dos cursos de humanas.

Michael Jordan - Apesar de também ter ido a North Carolina não se formou em Estudos Afro-Americanos, mas sim em Geografia.

Shaquille O'Neal - Ele fez 3 anos na LSU e depois foi para a NBA, mas acabou concluindo o curso depois, se formando em Artes e faltando a um jogo da temporada 2000-01 (com permissão do Phil Jackson) para ir à formatura. Na cerimônia ele falou ao público "Agora eu finalmente vou poder arranjar um emprego de verdade". Em 2005 ele conseguiu um MBA online na Universidade de Phoenix e disse que um dia vai ter um trabalho das 9 às 5 como todo mundo.

Juwan Howard - Esse é nerd. Se formou em Comunicação e foi o primeiro jogador a sair da faculdade para a NBA antes de acabar o curso e mesmo assim conseguir se formar no mesmo ano que o resto da sua classe. A motivação dele foi uma promessa feita a sua avó, que achava que o neto não poderia desperdiçar a chance de poder estudar de graça numa faculdade grande como a Michigan State.

Emeka Okafor - Talvez o maior gênio da NBA na atualidade. Ele saiu da UConn depois de 3 anos, mas foi tempo suficiente para ele fazer e passar em todas as matérias necessárias e se formar com honras em Finanças. O seu então companheiro de time Ben Gordon dizia que ele não saía em uma viagem com o time sem levar dezenas de livros e passava a viagem inteira estudando.

Danny Granger - Ele jogou os 4 anos de faculdade, mas foi dividido. Os dois primeiros em Bradley e depois na Universidade do Novo México. Se formou em Engenharia Civil!

Grant Hill - Assim como Tim Duncan, poderia ter saído antes da faculdade, mas vivendo o melhor momento da história de Duke resolveu passar os 4 anos na faculdade e se formou em Ciências Políticas. Curiosidade política sobre o Hill: sua mãe foi companheira de quarto de Hillary Clinton na faculdade e as duas mantiveram contato. No dia em que foi escolhido no Draft, Grant Hill recebeu um telefonema do então presidente e marido de Hillary, Bill Clinton.

Shane Battier - Outro formado em Duke como Grant Hill. Ele chegou a ganhar prêmios dentro da Universidade como um dos melhores alunos e se formou em Estudos Comparativos de Religião, uma área que procura semelhanças e diferenças entre mitos, rituais e conceitos em religiões ao redor do mundo.

Devin Harris - Está fazendo aulas no verão para terminar o curso de Sociologia.

David Robinson - A outra torre gêmea ao lado de Tim Duncan também se formou e era muito bom nos estudos. Teve uma nota absurda nos SATs, uma espécie de vestibular americano e escolheu ir para a Academia da Marinha, onde se formou em Matemática. Tá aí outro motivo para odiar o Spurs, eles eram campeões com um garrafão que não era só melhor que o do seu time, mas também mais culto e inteligente. O outro odiado do Spurs, Bruce Bowen, é formado em Comunicação.

John Salmons - Ok, esse é bizarro. Ele se formou na Universidade de Miami em Criminologia e Sociologia, mas diz que quando parar com a NBA quer trabalhar como fashion designer. Faz algum sentido? Que comecem as piadinhas do estilista que joga no time do veadinho.

Chris Bosh - Ele ainda não acabou a faculdade, mas prometeu para sua mãe que ainda vai ir até o fim. Sua formação é em Design Gráfico.

Aaron Brooks - Formado em Ciências Políticas pela Universidade do Oregon.

Kenyon Martin - Sabe aquele doido de pavio curto, cara de mal e tatuagens pelo corpo? Formado em Justiça Criminal. Será que ele conversa sobre isso com Carmelo Anthony, JR Smith e Chris Andersen? Só perguntando...

Pau Gasol - O espanhol chegou a passar numa faculdade de medicina antes de decidir que iria ser somente jogador profissional de basquete. Mas quem sabe ele não faz depois que se aposentar, imagina que bizarro ser atendido por um médico de 2,16m!

Brandon Roy - O armador do Blazers deve se orgulhar de ter se formado. Ele precisou fazer quatro SATs para conseguir a nota mínima para entrar na universidade, tamanha era sua dificuldade nos estudos. Ele cursou os 4 anos na Universidade de Washington e se formou em Estudos Étnicos Americanos.

Atualização!
Ron Artest - Atendendo a pedidos, colocamos o Ron Ron. Ele é formado em Matemática pela Universidade de St.John. Aproveitando sua especialidade, ele criou o A.R.T.E.S.T (Arithmetic Reaches Tomorrow's Exemplary Students Today), um programa de ensino de matemática na escola Felix Cook Jr que ensina crianças de 3ª a 5ª série questões de matemática usando estatísticas do Ron Artest na NBA.

É isso, esse post é uma homenagem a todos que na nossa pesquisa estão pedindo por textos menores.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Spurs em busca do equilíbrio

Splitter já sorriu mais que o Duncan em sua carreira pelo Spurs


O Spurs já foi o time mais odiado de muita gente. Eu, por exemplo, já torci mais contra o time do Texas do que a favor de outros durante anos. Os motivos eram, basicamente, três:

1- Eles ganhavam demais. A gente sempre quer ver o time mais forte perder para algum que seja mais fraco e simpático.
2- Na época que eles eram o grande time da NBA eu não era lá muito fã de times muito defensivos, fui começar a ver graça nisso um tempo depois.
3- O Tim Duncan, a estrela do time e um dos melhores jogadores da história do basquete, não é lá o cara mais carismático e que dá espetáculo. Preferia ver meus outros ídolos ganhando campeonatos.

Com o tempo isso foi caindo por tabela. Apesar do Duncan ainda não ser tão carismático, ele passou a ter mais graça dentro dessa nova geração de jogadores que gostam tanto de tatuar os próprios nomes nas costas e usar correntes com cifrão pendurados no pescoço. Ele é tão diferente do padrão da liga que passou a ser mais legal. Também passei a gostar muito mais dele quando foi um dos poucos jogadores a se revoltar contra a decisão do David Stern, em 2005, de criar um código de vestimenta na NBA, obrigando todos os jogadores a abandonarem as roupas que costumavam usar (incluindo aí até as correntes com cifrão que o Duncan nem usava) para se apresentarem sempre com roupas sociais. Paul Pierce, Allen Iverson e Stephen Jackson também se manifestaram contra, mas deles eu esperava a revolta, do Duncan não. Ele mostrou, finalmente, a pessoa que existe por trás da poker face.

Hoje também não dá pra odiar eles por vencerem demais. Não ganham um título desde 2007 e nos últimos três campeonatos só chegaram uma vez perto, indo para as finais do Oeste em 2008. Estão sempre entre os melhores, mas não ganham, aí viraram o Dallas e ninguém odeia o Dallas, seria como odiar a Portuguesa.

Por fim, tem a questão da defesa. No seu auge o Spurs era um time defensivo que servia apenas para arruinar com nossos sonhos de ver times lindos como o Suns vencer um título, era o bastante para nos irritar. Hoje acho até bem legal ver como um time monta sua defesa e não me incomodo com times focados nesse lado da quadra. E mesmo se ainda me incomodasse, o Spurs não é mais aquele ferrolho. Nos últimos três anos, na média de pontos a cada 100 posses de bola, eles caíram do terceiro lugar para o quinto, e ano passado foram oitavos. Nesse tempo Bruce Bowen se aposentou, o Duncan não consegue ser mais efetivo como antes e eles até usaram o Matt Bonner como titular.

Em plena decadência, com muitos jogadores acima de 30 anos e com outros se aposentando, o Spurs chegou à hora de tomar uma decisão difícil. Sai trocando todo mundo e monta um time jovem ou tenta juntar mais gente velha em torno dos antigos jogadores para montar um time que se perder vai ser chamado de velho e se ganhar, de experiente?

Não dá pra dizer qual das duas formas é certa e qual é errada, as duas já deram todo tipo de resultado. Depende de quem são os veteranos, quem são os pivetes por onde passa a renovação, se os treinadores sabem lidar com esse tipo de time e muitas outras coisas. Não existe roteiro para a vitória.

O Spurs tentou primeiro a opção dos veteranos. Na temporada 2008-09 tinha Kurt Thomas, Fabricio Oberto, Michael Finley e Bruce Bowen no elenco. Não deu certo. No ano passado ainda insistiu nos mais velhos, afinal usava Antonio McDyess sempre que podia ao lado de Tim Duncan, mas o time só melhorava quando tinha bons momentos dos novinhos George Hill e DeJuan Blair.

Quando para muitos essa era a mensagem de que o time deveria ir pelo caminho da renovação, o Spurs entendeu que a mensagem era de que era hora de misturar. Afinal George Hill estava jogando bem, mas manteria o mesmo nível sem Ginobili e Duncan do seu lado? Os mais novos não são tão bons para bancar uma renovação (como seria o Rondo para o Celtics, se eles quisessem) e os mais velhos não dão conta do recado sozinhos. Era hora de misturar.

Mesmo antes do fim da temporada passada o time já fez um novo contrato com o Manu Ginobili, que quando esteve saudável na temporada passada mostrou que ainda pode alcançar o sétimo sentido durante alguns minutos de jogo e se tornar o melhor jogador da galáxia. Acontece com menos frequência do que antes, mas quando ele está pegando fogo não existe arma de fogo que possa pará-lo.

Depois disso veio o presente dos deuses. No ano passado o Spurs aceitou pela primeira vez em anos ultrapassar o limite salarial e pagar multas por excesso de salário. A extravagança foi para contar com Richard Jefferson, o ala que parecia ser o que faltava para o time. Parecia, acabou tendo a pior temporada da carreira, foi um zero à esquerda em muitos jogos e ainda tinha mais um ano de contrato ganhando 15 milhões de dólares. E não é que ele desistiu do contrato? Por motivos bem explicados pelo Danilo nesse post, preferiu sair dos 15 milhões para conseguir um contrato mais longo, e conseguiu: 38 milhões de dólares por 4 anos com o próprio Spurs.

Apesar do Jefferson não ser uma maravilha, eles não tinham conseguido ninguém para a posição dele entre os Free Agents. Então até que acabou sendo bom negócio manter o mesmo jogador mas pagando 8 milhões ao invés de 15.

Depois de manter o quarteto de Tony Parker, Manu Ginobili, Richard Jefferson e Tim Duncan, estava na hora da renovação. Ainda tem George Hill e DeJuan Blair, um ano mais experientes, e buscaram no draft o promissor James Anderson. Depois da Summer League, assinaram com o bom arremessador Gary Neal. A cereja do bolo foi trazer, finalmente, o brasileiro Tiago Splitter.

Muita gente fazia piada nos Estados Unidos dizendo que o Splitter não existia. Falam dele ir pra NBA desde que ele tem uns 18 anos e ele só foi agora, com 25! Uma vez ele desistiu de ir pro draft, depois adiou, depois foi escolhido mas decidiu ficar na Europa, foi uma novela gigantesca, mas podemos afirmar hoje que valeu a pena. O brasileiro ficou mais forte fisicamente, aprimorou sua técnica e até a liderança (era capitão no Caja Laboral) e ganhou mais nome ao sair da Espanha como MVP do campeonato nacional e campeão. Ele é a síntese do que o Spurs quer ser na próxima temporada: é novo, afinal é até um novato na NBA, mas tem mais bagagem e talento que muito veterano da liga.

E como diria o Polishop, não é só isso. Splitter também é o primeiro jogador em sei-lá-quantos anos a deixar o Tim Duncan voltar para a posição 4. É um bocado ridículo ter o melhor ala de força de todos os tempos no elenco e usá-lo fora de posição! Agora vão poder deixar o Splitter na posição cinco e o Duncan poderá sair mais do garrafão, onde poderá usar seu arremesso de meia distância usando a tabela (marca registrada) e onde tem mais opção, liberdade e espaço para usar seu arsenal infinito de jogadas ofensivas.

Dá pra dizer dessa vez com certeza que o Spurs voltou como dissemos no ano passado com o Richard Jefferson? Não, mas dá vontade.

Se eu fosse listar 5 coisas que o Spurs precisava melhorar do ano passado para esse, seriam defesa de perímetro, arremessos de 3, pivô, tocos e movimentação ofensiva.

A defesa de perímetro não melhora nada até o James Anderson provar o que alguns analistas dizem, que ele pode vir a ser um especialista na área. Mas se isso não acontecer nesse ano, não vai ser com Richard Jefferson ou Manu Ginobili que eles vão parar grandes jogadores de ataque. O arremesso de três deve melhorar com o próprio Anderson e o Gary Neal. Os dois são novatos, mas eu confio mais nos olheiros do Spurs do que na minha mãe. Sério, os caras não erram nunca. São muito bem pagos, viajam o mundo inteiro atrás de grandes talentos e não à toa o Spurs sempre acha alguém escondido no fim do draft, já foi assim com Tony Parker, Manu Ginobili, Luis Scola, Goran Dragic, Leandrinho, Tiago Splitter, DeJuan Blair, Beno Udrih, John Salmons, todos escolhidos depois da posição 20 em drafts recentes.

A parte do pivô é resolvida com o Tiago Splitter, que dá segurança para a posição, deixa o Duncan sair do garrafão e é um bom defensor, também dando uma ajuda nos tocos. O Spurs era um garrafão muito vulnerável quando tinha McDyess ou Matt Bonner em quadra.

A movimentação ofensiva ainda é um mistério. Deve melhorar com Duncan participando mais do jogo e Richard Jefferson deu sinais nos playoffs, em alguns jogos, de que pode ser muito útil quando se mexe ao invés de ficar parado para ser o arremessador que não sabe ser, mas vai entender a cabeça do Tartaruga Ninja.

O Spurs poderia ter tentado uma troca por um dos alas que estavam dando sopa e não saíram caro, como Ronnie Brewer, Josh Howard ou Matt Barnes, todos seriam mais úteis que o Richard Jefferson, então não dá pra dizer que a offseason foi perfeita. Também dava pra ter cogitado e feito propostas envolvendo o Tony Parker, que já deu sinais de que não ficaria nada ofendido com uma troca. Não foi perfeito, mas com bons nomes muito jovens para dar um gás nos veteranos, tem tudo para ser um time melhor que o do ano passado. O Spurs não voltou, mas pode voltar.

...
Duas novidades no Bola Presa
1- Temos uma promoção nova valendo uma camiseta do Leandrinho e uma bola. Confira aqui.

2- Finalmente colocamos no ar nossa pesquisa para saber quem são os jogadores frustrados que leem o Bola Presa. É mais legal que o Censo e pode ser vista e respondida aqui.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Preview (e Review) dos Playoffs - Suns x Spurs

Você de novo!


Tá, eu sei, a série já começou, a gente é atrasado, não cumpre promessas, tem pinto pequeno e blá, blá, blá. Mas como todo homem idiota, a gente compensa nossa ausência e falta de caráter com presentes. Então participe agora da promoção que está dando um camiseta do Tim Duncan e uma do Leandrinho! Compensamos também não só com um preview dos playoffs, mas um review da história dessa longa rivalidade.

A promoção é uma homenagem à grande rivalidade entre Suns e Spurs, um confronto que muita gente acha que começou nos últimos anos mas que já mexe com os corações dos torcedores desde o começo dos anos 90. O primeiro duelo foi na primeira rodada do Playoff de 1992, quando o Suns, time de quarta melhor campanha no Oeste, bateu o quinto colocado Spurs por 3 a 0 (na época a primeira rodada era melhor de 5), um resultado que não surpreendeu já que o San Antonio não contava com David Robinson, machucado.

A chance da revanche veio no ano seguinte na semi-final do Oeste, quando o Suns, então time de melhor campanha do Oeste e da NBA, enfrentou o Spurs, mais uma vez quinto colocado. A série foi tensa, mas com cada time vencendo o seu jogo em casa até o jogo 6 em San Antonio, que foi o melhor da série e, segundo os que viram de perto, um dos melhores dos playoffs daquele ano. Querem ver como era o Barkley jogando? Ele nem sempre foi o gordinho engraçado da TNT, antes ele era um ala de força destruidor capaz de fechar um jogo com 28 pontos, 21 rebotes e a cesta de vitória e da classificação. O vídeo não pode ser postado aqui no blog, mas dá pra ser visto aqui. Recomendo que vejam o vídeo porque tem todos os últimos 5 minutos do jogo, não só é uma partida legal como é uma chance de ver como era diferente o basquete da NBA do começo dos anos 90.

Pois é, duas vitórias seguidas do Suns em dois anos seguidos, nem sempre foram fregueses! Mas pra não ficarem mal acostumados, tomaram um 3 a 1 na primeira rodada dos playoffs de 96 quando a Era Barkley já chegava ao fim. É engraçado como esses times sempre se encontram, às vezes um é o melhor time da NBA, outras vezes um está em alta e o outro em baixa ou os dois no meio da tabela, não importa, mas eles sempre se contrastam de um jeito que faça com que se cruzem nos playoffs. Foram 9 encontros desde 1992 até hoje. Eu, sinceramente, não lembro de outros dois times que se enfrentaram mais vezes nesse período. Nos anos 90 ainda teve mais um confronto em 1998, quando o então novato Tim Duncan liderou o Spurs a uma vitória de 3 a 1 na primeira rodada.

Na década de 2000 veio uma avalanche de confrontos épicos. O primeiro uma reprise da derrota de 92, o Suns venceu de novo, mas dessa vez ao invés de Robinson, era Duncan o machucado. Em 2003 veio o duelo em que o novato Amar'e Stoudemire engoliu vivo o Tim Duncan.

Ainda era o Suns do Stephon Marbury e eles não tinham chance contra o time que viria a ser campeão, mas a série rendeu: foi um 4 a 2 complicado, o Marbury destruiu todos os marcadores que viu na frente e o Amar'e mostrou pela primeira vez que ninguém sabe atacar o Duncan como ele. Desse ano ficará marcado o jogo 1, em que o Suns empatou o jogo nos último segundos com a cesta de 3 mais imbecil da história:



Por que o Amar'e fez isso? Ele era um novato, ainda tinha muito tempo no relógio e ele nunca tinha arremessado de 3! Eddie House e JR Smith poderiam passar 20 minutos conversando de como esse arremesso foi forçado, mas deu certo e o jogo foi para a prorrogação. E lá o Marbury escreveu seu nome, tão manchado hoje, na história dos grandes momentos dos playoffs:



Em 2005 eles se pegaram no estágio mais avançado que podem se enfrentar, a final do Oeste. O Suns tinha feito a melhor campanha do Oeste e o Spurs a segunda melhor, o Spurs tinha o trio Duncan-Manu-Parker no seu auge e o Phoenix vivia sua primeira temporada com o MVP Steve Nash, acompanhado pelo seu melhor grupo de apoio: Amar'e Stoudemire, Shawn Marion, Joe Johnson, Quentin Richardson e Jim Jackson. Mas não deu, apesar dos jogos disputados o Spurs venceu por 4 a 1 e foi aí que começou a mostrar que era o time que melhor sabia lidar com a correria imposta pelo técnico Mike D'Antoni. Muitos torcedores do Suns, porém, irão lembrar que Joe Johnson não jogou toda aquela série, machucado, e quando voltou, jogou sem total condições físicas.

Aí veio o confronto de 2007, um clássico.
-No jogo 1, vitória apertada do Spurs em Phoenix quando o Nash não conseguiu jogar boa parte do minuto final por um nariz sangrando. Sem dúvida alguma um dos momentos mais angustiantes da história da NBA foi ver o Suns, 100% dependente do seu armador, tendo que jogar o fim da partida com o Nash no banco porque o seu nariz sangrava sem parar.



-Jogo 2, a revanche: com uma vitória de 20 pontos de diferença para o Suns. 20 pontos e 16 assistências para Steve Nash.

- Partida 3, já em San Antonio, teve joelhada do Bowen no saco do Nash, o Ginobili com o olho sangrando e, claro, uma vitória do Spurs. Ninguém bate no Ginobili sem ver ele entrar em modo berserk logo depois.

- Jogo 4. Bom, o jogo 4: virada espetacular do Suns, falta dura do Horry, que foi expulso, invasão de quadra dos jogadores do banco de reserva, suspensões, gente xingando a mãe, gás lacrimogênio. Épico!



Com a série empatada em 2 a 2 o jogo 5 era essencial para o Suns, que tinha que vencer em casa e forçar, no mínimo, um jogo 7 também em Phoenix. Mas essa confusão toda rendeu a suspensão de Amar'e Stoudemire e de Boris Diaw, a alternativa bizarra que o D'Antoni usava no pivô. Sobrou então um time titular de Nash, Raja Bell, Leandrinho, Shawn Marion e Kurt Thomas. Do banco, quase ninguém: James Jones jogou 28 minutos e só, mais ninguém. E mesmo assim o Suns liderou por 16 pontos, mas entregou a rapadura e perdeu por 88 a 85 com uma bola de 3 do Bruce Bowen, justamente dele.

A partida 6 foi uma mera formalidade, o Spurs venceu sem dificuldades um Suns completamente traumatizado da última derrota e chorão até demais em relação às suspensões do jogo 5.

Para terminar a freguesia houve o confronto na primeira rodada de 2008, quando o Suns já contava com Shaquille O'Neal. Aliás, a presença dele foi assunto: primeiro porque tudo indicava que o Suns o tinha contratado só para parar Tim Duncan e a força do garrafão do Spurs, tem elogio melhor ao adversário do que uma contratação só para enfrentá-lo? Depois porque de arma a favor ele acabou virando arma contra, quando o técnico Greg Popovich usou e abusou do polêmico Hack-a-Shaq em toda a série.

O resultado? Vitória do Spurs. O jogo 1 resume todo o confronto entre as duas equipes desde 2002: bola de 3 do Finley no último segundo para levar o jogo para a prorrogação, bola de 3 do Duncan (sim, do Duncan, a única dele na temporada) nos últimos segundos para levar o jogo para a segunda prorrogação e bandeja do Ginobili a um segundo do fim para a vitória.

Não adiantava o Suns fazer nada, sempre dava Spurs. Será esse ano o ano da mudança?

O que o Suns precisa fazer para a vencer a série:
Antes de mais nada, se benzer. Não acredito nessas coisas mas é melhor apelar pra tudo quando a zica (e a freguesia) é tão grande. Mas analisando todas essas séries passadas, sabe que essa é a que eu enxergo o Suns com mais chance de vencer?

Primeiro porque uma das armas do Spurs sempre foi usar muito o Bruce Bowen marcando o Nash. Era um confronto terrível para o canadense que, como vocês viram, quase já renderam algumas bolas a menos. Hoje o melhor marcador que o canadense pode enfrentar é o George Hill, que está longe de ser o Bowen. Outro ponto importante são as presenças de Grant Hill e Jason Richardson no time, nenhum é gênio, mas são decentes no jogo de meia quadra. Forçar o Suns a jogar menos no seu ritmo sempre foi uma das armas do Spurs nas suas vitórias.

E, por fim, o Suns nem joga tão mais na correria assim! Claro que é um time veloz, que prefere o contra-ataque, mas não é tão dependente assim da velocidade e é um time mais comum do que era antes. Embora pareça a príncipio um comentário negativo, tira um dos trunfos do Spurs.

O que o Spurs precisa fazer para vencer:
O Nash é a alma do Suns, se você para o armador, para o resto do time. Então para isso serve tudo o que eles já usaram, como colocar o Parker o atacando o tempo inteiro e também vale colocar todo mundo em cima dele pra ver se freia o cara. Parker, Ginobili, Hill, os três juntos vestidos de palhaço, qualquer coisa! Se alguma formação chegar perto de incomodar o Nash como o Bowen incomodava, o Spurs está perto da vitória.

Outro matchup complicado para o Spurs é entre Amar'e e Duncan. Como disse antes o Amar'e é um dos poucos no planeta a saber enfrentar o ala do Spurs, muitas vezes deixando o Duncan com problemas de falta. Uma das soluções encontradas nos anos anteriores era deixar outro jogador marcando o quatro olhos do Suns durante um pedaço do jogo, mas quem faria isso hoje? Blair? McDyess? Não custa tentar.

Com os dois jogadores minimizados na defesa é hora de partir para o ataque, lá é fazer tudo o que eles fizeram contra o Dallas. Estabelecer o Duncan no garrafão, Ginobili e Parker atacando a cesta quando possível e rezar para que Richard Jefferson e/ou George Hill contribuam com os arremessos de longe. Nos poucos minutos que o ataque balanceado do Spurs funcionou no jogo 1 a defesa do Suns entrou em colapso e o ataque, forçado a ficar mais lento, ficou também menos eficiente. Nunca achei que ia dizer isso, mas para o Spurs a melhor defesa é o ataque.

...
Palpite: Suns 4 x 2 Spurs. Tá bom, hoje tem Corinthians na Libertadores então acordei sonhador, fazer o quê? Mas realmente acho que as mudanças de elenco e de postura das duas equipes nos últimos anos favorecem o Suns, que está sangrando pelos olhos de desejo de eliminar seu maior rival.

Mas palpito com medo da freguesia. Mudam os times, fica a mística. Ou ninguém lembra do que aconteceu no confronto da temporada regular nesse ano?

sábado, 24 de abril de 2010

Mavs desesperado

Duncan olha para a bunda de Parker

Tive a mesma empolgação que o Danilo teve no nosso Twitter quando estava vendo ontem o jogo entre Dallas e San Antonio e percebi que o Mavs estava usando um bom e velho small ball, com Jason Kidd, JJ Barea e Jason Terry em quadra ao mesmo tempo. A empolgação passou um pouco depois quando eu parei e pensei em quantas vezes eu tinha visto o Dallas fazer isso durante a temporada: nenhuma.

A formação exata era Kidd, Barea, Terry, Nowitzki e Haywood. Deve ser o único small ball com dois jogadores de 2,13m, mas ainda assim era um small ball, tinham três armadores com menos de 1,90m em quadra e foi a forma do técnico Rick Carlisle marcar o Spurs com Tony Parker, Manu Ginobili, George Hill, Tim Duncan e Antonio McDyess.

O fato do Rick Carlisle ter que montar uma formação que nunca usou antes na vida para marcar o Spurs e não obrigar o adversário a usar um time diferente mostra quem está mandando atualmente na melhor série dessa primeira rodada. Depois do primeiro jogo em que o Nowitzki destruiu com todos os marcadores que colocaram na frente dele, parecia que ninguém ia conseguir pará-lo e que o Mavs ia ganhar fácil, a primeira parte é verdade, mas não está sendo o bastante. Sobre a atuação abaixo da média de Nowitzki no jogo 2 o Greg Popovich, técnico do Spurs, disse "A gente não fez nada de diferente". E não fizeram mesmo, continuaram trocando de marcadores o tempo inteiro e foi só o alemão que não estava numa noite boa.

No jogo 3 houve sim uma pequena mudança na marcação do Nowitzki, ocorreram mais dobras na marcação. Mas como o Dirk é um ótimo passador, as dobras não aconteceram o tempo todo, mas sim em momentos certeiros do jogo e das jogadas. Quando a posse de bola estava acabando, dobravam, quando ele estava de costas para algum marcador, dobravam, quando ele parava de bater a bola, dobravam de novo. Foi impressionante ver a inteligência dos jogadores do Spurs ao saber exatamente quando era bom para eles deixar alguém livre para incomodar mais o Dirk. E a maior prova de que o Dirk não é amarelão é que mesmo muito bem marcado ele marcou 16 pontos só no 3º período, liderou a volta do Dallas depois de estar perdendo por mais de 10 pontos e foi o cestinha do jogo com 35 pontos.

Sem conseguir parar o Nowitzki, o Spurs partiu para o resto do time e tem tido enorme sucesso em parar todo o resto da equipe. O Jason Kidd está fazendo uma série irreconhecível, não ataca a cesta, não arremessa e passa pouco tempo com a bola na mão organizando o time. Está parecendo o Kidd de quando chegou a Dallas e encontrou um sistema ofensivo feito para o Devin Harris, não para ele. Criticamos a ida dele para o Mavs por causa disso mas hoje reconhecemos que ele fez uma ótima temporada, porque o time se adaptou ao seu estilo. No desespero e na marcação do Spurs, estão abandonando o esquema tático que deu certo por 82 jogos.

O desespero também ficou claro na ação do Carslile em montar essa formação bizarra que mencionamos no começo do texto. E não foi só isso, essa formação ficou quase o segundo tempo inteiro em quadra, o Caron Butler não jogou um minuto sequer de partida nos dois últimos quartos! Por pior que o Butler tenha sido no primeiro tempo, ele não é o tipo de jogador que você deixa de fora de um tempo inteiro de um jogo de playoff disputado. Assim como o small ball, barrar o Butler do time foi inédito em toda temporada.

Não saber lidar com a adversidade é culpa do Mavs, causar a adversidade é mérito só do Spurs. Não desanimaram com a derrota no jogo 1 e começaram a jogar como o time que era candidato ao título antes da temporada regular. Tem coisa mais Spurs do que fazer uma defesa tão chata que obriga o outro time a tentar as formações e esquemas táticos que elas menos gostam? É só lembrar do Suns tentando jogar basquete de meia quadra e tomando surra do Spurs, ou o Nets na final de 2003 sem seu contra-ataque, o Cavs sem conseguir isolar o LeBron na final de 2007 e tantas outras situações.

Se o Spurs não achou quem deve marcar o Dirk, o Mavs não tem idéia de quem deve marcar o Ginobili e nem Kidd, nem Terry, nem Barea e nem tiros de bala de prata estão conseguindo parar as infiltrações do Parker. Junte isso ao Duncan vencendo o duelo contra Dampier e Haywood e teremos o Spurs dos tempos vencedores. E lembra que passamos o ano inteiro pedindo a ajuda de mais alguém além dos três? No jogo 2 foi o Richard Jefferson que fez seu melhor jogo como atleta do Spurs, ontem foi a vez do George Hill ser a força além das três estrelas a ajudar o Spurs a vencer. E pra falar a verdade eu acho que o time é melhor quando o George Hill está inspirado do que quando o Richard Jefferson está, com o Hill o time fica melhor na defesa, com o Jefferson, no ataque. Mas do jeito que o Ginobili e Parker estavam atacando ontem, eles só precisam de defesa.

A torcida do Spurs já está super animada e achando que o time já é candidato a título de novo, assim como a torcida do Celtics, diga-se de passagem, mas os dois tem que tomar cuidado. Os dois times passaram a longa temporada regular inteira tentando se acertar e só foram times medianos e irregulares, é pensamento mágico achar que só porque é playoff todos os problemas acabaram. Essa série contra o Dallas tem tudo pra ser ainda muito longa e vão ter que continuar jogando bem como jogaram os últimos dois jogos para provar que houve mesmo uma evolução.

Minha maior expectativa para o jogo 4 é ver como o Dallas vai agir nos momentos mais complicados do jogo. Será que de novo o Rick Carslile vai achar um quinteto e manter ele por mais de um período inteiro achando que é o único que pode dar certo? Será que o Caron Butler volta para o jogo 4 motivado em mostrar que é titular de direito ou está bravinho com o treinador e não vai querer jogar? E na hora do aperto vão jogar a bola no Dirk e assistir ou jogar como jogaram o ano inteiro? Ou eles se acertam ou vai começar uma longa temporada de piadinhas com a cor amarela.

Ontem tivemos também o primeiro arremesso da vitória no último segundo, do Paul Pierce. Acho que foram os piores 10 segundos da história do Heat, não foram? Primeiro o Wade erra o arremesso da vitória e, ao cair, machuca a perna, aí ele sai do jogo, o Paul Pierce faz uma cesta no último segundo e agora eles perdem a série por 3 a 0. Lembra como uma semana atrás a série entre Heat e Celtics era a que todos consideravam a com mais chance do time sem mando de quadra vencer? As coisas mudam rápido!

Abaixo o vídeo com a cesta do Pierce.


Achei muito vacilo do Dorrell Wright nessa bola. O moleque jogou demais ontem, foi o principal ajudante do Wade até o Michael Beasley acordar e fazer 8 pontos seguidos no quarto período, mas vai ficar marcado por essa bola no fim do jogo. Em todas (TODAS!) as vezes que o Paul Pierce precisa de um arremesso, não necessariamente no fim do jogo, ele pega a bola de frente pra cesta, vai para a direita e dá um arremesso na parte direita da cabeça do garrafão. É a sua bola de segurança, como é a infiltração pela esquerda do Ginobili ou o pick-and-roll entre Nash e Amar'e para o Suns.

Pra quem duvida, olha o arremesso dele contra o Bulls nos playoffs do ano passado. E contra o Hawks nessa temporada. Sempre saindo do meio para a direita e soltando um fade-away. Não é fácil marcar, mas não precisa dar de graça!

E não é que o Dorrell Wright não só não evita essa jogada, ele também praticamente pede por ela! Ele dá o lado direito para o Pierce e fica assistindo ele ir para o arremesso, como se estivesse com medo de uma infiltração que nem tinha tempo para acontecer. E o Heat ainda tinha uma falta para fazer sem render lance livre, ou seja, poderia ter feito uma falta faltando 2 segundos para o fim do jogo e deixava o Celtics na situação de arranjar um arremesso em 2 segundos vindo de um lateral. Terrível atuação do Wright nessa posse de bola e agora o Celtics pode conseguir a primeira varrida dos playoffs.

Atualização!
O nosso leitor Leonardo Miranda colocou nos comentários um texto do DallasBasketball.com que diz que o Rick Carlisle usa a formação com Kidd, Barea e Terry ao mesmo tempo desde o ano passado. Eu nunca tinha visto essa formação ser usada além de em alguns momentos bem específicos, como o último minuto final de um quarto, e jamais por mais de 5 minutos em sequência, muito menos por quase um tempo inteiro, como ontem, mas os números mostram que é um pouquinho mais comum do que eu pensava. Foram 193 minutos de uso desse trio ao mesmo tempo na temporada passada e 195 nessa, uma média de 2 minutos por jogo.

Segundo a análise do site, a formação não deu muitos resultados no ano passado mas foi melhor nesse, e funciona melhor quando existe uma compensação: se é muito pequeno de um lado, não abre mão de Dirk e de um pivô do outro. Mas os números apesar de mostrarem isso, ainda são poucos. A formação com três armadores e um pivô no meio atuou por apenas 44 minutos em toda a temporada!

Agradeço ao Leonardo pelo link, quem quiser ler tudo é só clicar aqui!