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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O campeão dançou


O Tyson Chandler tem uma mão esquerda que flutua sozinha

Assim que o Tyson Chandler foi para o Knicks por um contrato de 14 milhões por ano, coisa de estrela, comparei seu caso com o de Kendrick Perkins no Celtics: o valor pago não é tanto para aquilo que o jogador pode fazer de verdade, mas por aquilo que ele representa, para a importância que pode ter na transformação de uma equipe. A saída de Perkins de Boston simbolizou o fim de uma família, de uma mentalidade, e a equipe perdeu uma âncora defensiva que antes de sua saída nem sequer tínhamos certeza de que existia. A chegada de Perkins no Thunder (e do Tony Allen no Grizzlies) foi como a chegada simbólica de uma nova atitude. Ambos instituíram em suas equipes um regime de reuniões de vestiário, de implicação de responsabilidades, e de ajuda mútua constante. Quando o Knicks suou as pitangas para conseguir Chandler, era isso que julgava estar adquirindo.

O lado do Knicks foi amplamente analisado por aqui. Eu só não imaginava que, assim como o Celtics sentiu a saída do Perkins, o Mavs sentiria a saída do Chandler. Então é hora de analisar o lado dos atuais campeões, até agora incapazes de conseguir uma vitória na temporada sem o seu antigo pivô no elenco.

Antes de mais nada, é importante lembrar que o Mavs não foi uma dessas super-equipes montadas de repente para disputar o título e que se sagrou campeã só porque conseguiu gastar mais grana do que as outras. A grana a ser gasta sempre esteve aí, desde que o bilionário nerd Mark Cuban assumiu a franquia, mas o elenco tem sido montado há uma década com resultados diversos. Às vezes, o excesso de grana até atrapalha um pouco: houveram tempos em que qualquer jogador bom dando sopa recebia um contrato do Mavs, que acabava adicionando peças bastante aleatórias e tinha que se virar para dar minutos para todo mundo. Adições de uma temporada para a outra nunca faltaram, aparecem às dúzias, mas não é sempre que elas aparecem com algum critério, tentando assumidamente arrumar algum buraco da equipe. Antes da temporada passada começar o Mavs tinha a consciência de que precisava de um pivô defensivo para segurar as pontas, e aí - porque o dinheiro não falta - acabou adicionando tanto o Brandon Haywood quanto o Tyson Chandler. O Haywood se mostrou um quebra-galho, mas o Chandler acabou por tornar real algo que a franquia sabia possível mas não sabia como executar: uma defesa matadora.

O DNA do Mavs está ligado ao pai bizarro Don Nelson, então é uma equipe em que o primeiro instinto é de jogar na  velocidade, no contra-ataque e abusar dos arremessos do perímetro. Só com a defesa instituída pelo técnico Avery Johnson, no entanto, o jogo ofensivo de velocidade adquiriu consistência. Times como os do Don Nelson ou do Mike D'Antoni abusam da velocidade em todas as situações, repondo a bola o mais rápido possível, correndo para o ataque e tentando pegar os adversários com a defesa desprevenida ou desorganizada. É comum que, impondo esse ritmo de jogo, eventualmente um armador esteja sendo marcado por um pivô, e com decisões rápidas no ataque é possível se aproveitar desses deslizes. O problema é que trabalhar em tanta velocidade aumenta o número de erros, de desperdícios de bola, de arremessos forçados, e ainda cansa os jogadores fisicamente. É complicado manter esse ritmo no ataque e ainda ter disposição física para defender, e quando forçados a jogar em meia-quadra por equipes que conseguem diminuir a velocidade do jogo, essas equipes não sabem como pontuar e acabam se baseando apenas em jogadas forçadas do perímetro. Os times do Don Nelson sempre foram pragueados por decisões ruins tomadas especialmente nos momentos cruciais das partidas, quando é importante saber diminuir o ritmo e ter uma bola de segurança. Já as equipes do Mike D'Antoni, que tomavam boas decisões porque contavam com o Steve Nash, sempre tiveram problemas contra as equipes como o Spurs, que impõe um ritmo mais lento de jogo e forçam os adversários a ter que trabalhar uma jogada.

O Mavs, então, nunca foi um desses times que rouba a bola na defesa e se aproveita do contra-ataque. A correria independia da defesa, era constante, e no caso do Mavs sempre terminou em bolas rápidas de 3 pontos. Quando Avery Johnson melhorou a defesa da equipe, começou uma tímida cultura de contra-ataques, mas ainda assim sempre houve muita dificuldade em jogar sem ser na velocidade. Em geral, quando forçado a jogar na meia-quadra, o Mavs sempre usou jogadas simples de isolação, quase sempre com o Nowitzki. É por isso que o Jason Kidd teve tanta dificuldade em se encaixar no Mavs: sem uma defesa capaz de gerar contra-ataques constantes, como aqueles em que estava acostumado nos tempos de Nets, grande parte da sua função era apenas passar a bola para o lado até que alguém fosse isolado. Definitivamente não era a melhor maneira de usar suas habilidades.

Nowitzki é o jogador perfeito para um basquete lento, cadenciado, mas incapaz de defender de maneira sólida; Jason Kidd  é perfeito para um basquete de velocidade, focado nos contra-ataques, e que depende de uma defesa feroz que cause erros do adversário. O Mavs nunca foi um time que se encaixa muito bem, como podemos ver, as peças sempre chegaram aleatoriamente e o Kidd não foi exceção, mas jogadores talentosos sempre dão um jeito de funcionar juntos.

Tyson Chandler foi mais uma peça aleatória, mas sua capacidade atlética no garrafão e sua mentalidade defensiva permitiu que o Mavs se concentrasse na defesa do perímetro, afunilando os adversários para o miolo do garrafão, onde o Chandler cuidava do resto. De repente o Mavs tinha um plano defensivo eficiente contra todas as equipes, os jogadores adversários passaram a ter medo de infiltrar no garrafão, e até o Kobe fez xixi nas calças e passou uma série inteira dos playoffs arremessando do meio da quadra pra não ter que se aproximar do aro. O Mavs se tornou um time orgulhoso defensivamente, solícito, forte, e que viu seu ataque em velocidade ser finalmente eficiente de verdade. Com mais rebotes, mais tocos, mais erros forçados, o Mavs conseguia impor mais correria, encaixar mais bolas de 3 pontos e não ter que depender tanto das jogadas de isolação. Aquilo que a equipe procurou desde o primeiro segundo em que o Don Nelson foi mandado embora só se consolidou com a chegada do Chandler, e aí o time foi campeão. Grana pra burro, dá pra contratar todo mundo do planeta, mas a coisa só funciona de verdade quando um plano de quase uma década ganha de repente as peças certas, e quando aquela semente do Don Nelson pode ser usada em toda sua potência com uma defesa que a permitiu florescer.

É uma história linda, pode virar filme com o Selton Mello ou novela do SBT, mas pelo jeito o Mark Cuban não entendeu muito bem a situação. Parece ter considerado que suas adições aleatórias à equipe podem continuar, que quem for embora pode ser substituído por outros jogadores aleatórios que estiverem disponíveis. Não percebe como a caminhada do Mavs ao título não foi por causa da grana, mas sim um longo processo até que os jogadores certos tornassem possível o plano tático certo. Deixando Tyson Chandler sair e trazendo outros caras nada a ver, como o Vince Carter, todo aquele longo processo foi para o saco.

Eu nem tenho nada contra o Vince Carter, pelo contrário. Acho o Carter um exemplo de jogador que foi capaz de se reinventar quando tantos outros, supostamente mais talentosos, não conseguiram. Todo mundo deve se lembrar daquela anedota do Carter nos tempos de Raptors, enfrentando o Celtics. Puto da vida querendo ser trocado, insatisfeito com seu time, Carter perdia o jogo por apenas um ponto com um par de segundos sobrando no cronômetro e pediu um tempo técnico para que sua equipe montasse uma jogada. Ao voltar do tempo técnico, o Carter passou na frente do banco do Celtics e falou algumas palavras. Diz a lenda que aquelas palavras eram exatamente qual jogada o Raptors iria fazer naquele arremesso final, o Celtics então defendeu aquela jogada como se soubesse o que iria acontecer e o Raptors perdeu o jogo. A anedota queimou o Carter feio, ficou conhecido como jogador vendido, marrento, estrelinha e causador da fome na África. Quando foi para o Nets jogar com Jason Kidd, deu uma caralhada de arremessos imbecis no final dos jogos, querendo ganhar tudo sozinho. Mas os poucos foi se acalmando, entendendo seu papel na equipe, e quando o Nets resolveu mandar todo mundo embora para se reconstruir, o Carter acabou sobrando por lá. Nem por um segundo reclamou de nada, não pediu para ser liberado ou trocado, não reclamou de passar longos períodos no banco de reservas para que os novatos da equipe jogassem, e o mais importante: não dedou mais nenhuma jogada nos segundos finais. Pelo contrário, todas as notícias vindas de New Jersey dizem que Carter tornou-se um líder no vestiário, ajudava os novatos, passou a obedecer o polêmico esquema tático (que era medonho, admito) e liderava pelo exemplo. Vince Carter ainda está na NBA, mesmo velho e muito longe do potencial que um dia teve, quando era uma das grandes estrelas da liga. Enquanto isso, companheiros da sua época como Marbury, Steve Francis e Allen Iverson, todos tão bons ou melhores do que ele, viraram farofa porque foram incapazes de mudar suas imagens perante a liga. O Carter é bom moço, maduro, focado e tem um emprego. Como isso aconteceu eu não sei, mas é mérito total dele numa época que expurgou como câncer todos os jogadores que ousavam querer brilhar mais do que os outros.

Mas esse Carter, por mais bacana que tenha se tornado, não traz nada de que o Mavs precise. No máximo o Mark Cuban deveria sair com o Carter para tomar um suco e comer um sanduíche, não precisa contratar o sujeito. Muitos dizem que o Carter é tão amaldiçoado quanto o Clippers, e que nenhum time em que ele pise jamais conseguirá ser campeão. Mesmo se não for o caso e o Carter não tiver sido amaldiçoado pelo Valdemort, ainda assim não é uma aquisição que supra os buracos que o Mavs enfrenta. Falta à equipe um pivô à altura do Chandler, capaz de intimidar a infiltração dos adversários, e falta também um jogador capaz de segurar a bola e costurar a defesa agora que JJ Barea escafedeu-se. O JJ Barea não é nenhum gênio, aliás sempre desconfiei que ele jogava melhor justamente nas vezes em que esquecia o cérebro na geladeira de casa, então é fácil substituí-lo - o próprio Roddy Beaubois, que volta de lesão, tem tudo para cumprir bem esse papel descerebrado. Mas sabe quem não tem condições de ficar costurando defesas e atacando a cesta? Vince Carter e seus joelhos de farinha. No máximo será um arremessador de luxo na equipe, algo que o Mavs já tem aos montes.

Mesmo a aquisição do Lamar Odom, que foi praticamente de graça depois que a troca do Lakers com o Hornets foi anulada, simplesmente não funciona - e por vários motivos. Primeiro, o Lamar Odom tem sérias dificuldades em se focar em quadra. Quando está concentrado e motivado, ele é um dos jogadores mais completos da NBA e um perigo constante no ataque porque seu tamanho e sua velocidade não casam com nenhum marcador adversário - ou os jogadores são muito menores do que ele, ou são lentos demais para acompanhar suas infiltrações rumo à cesta. O problema é que os torcedores do Lakers sabem muito bem quão difícil é o Odom estar com a cabeça no jogo, ele facilmente parece desinteressado, toma decisões estúpidas e se torna quase invisível em quadra. Trocado da equipe em que passou os últimos anos, sentindo-se indesejado, mandado para a equipe rival, e além de tudo para longe da cidade em que vive sua nova esposa, a Khloe Kardashian. Como diabos alguém esperava comprometimento do Odom frente a tudo isso? Não é de se espantar que ele tenha chegado tão fora de forma que foi obrigado pelo Mavs a treinar por duas horas, sozinho, no único dia que o time teve de descanso desde que a temporada começou. E não foi só isso: também foi obrigado a chegar algumas horas antes de seus companheiros no jogo contra o Thunder para continuar seus treinamentos físicos. O Odom está uma bolinha desmotivada, não serve pra nada.

O segundo motivo pro Odom não dar certo nesse Mavs é que não existe posição em que ele possa jogar. Em sua posição natural joga o Nowitzki, que deve sentar o mínimo possível. Como reserva do Nowitzki, o Odom teria como função ser isolado e arremessar, justamente o ponto fraco do seu jogo. Caso jogue como ala de força e o Nowitzki seja rebaixado para pivô, o Mavs passa a ser uma equipe ainda mais medonha em parar e intimidar infiltrações adversárias, comprometendo na defesa. Se jogar apenas como ala, Odom terá que defender grande parte das estrelas da NBA, algo que não conseguiria fazer e que atualmente é função de Shawn Marion. Vindo do banco, o papel de pontuador e de armador vai para o Jason Terry, e o Odom seria apenas um reserva secundário. Cabe a ele, então, uma função ainda menor do que tinha no Lakers ou então uma função enorme que vai comprometer o garrafão e o funcionamento da equipe que foi campeã da temporada passada.

O Lamar Odom veio de graça e é um belo jogador, Playboy dada não se olha os dentes, mas às vezes você dá de frente com a Playboy da Mara Maravilha e percebe que é melhor ter cautela se não quiser ter sua infância traumatizada por toda a vida (experiência própria). Odom só terá espaço nesse Mavs se houver um chato trabalho de reconstrução do funcionamento tático, algo que não aconteceu sequer quando o Jason Kidd chegou. Será que Odom é talentoso e focado o bastante para se adequar à equipe, ao que precisam que ele faça, e conquistar seus minutos? A resposta veio rápido: em seu primeiro jogo com o Mavs, completamente fora de forma, Odom reclamou do juíz e foi expulso rapidinho. No segundo jogo, errou as 5 bolas de três pontos que tentou (acertando só um de dez arremessos de quadra). No terceiro jogo, errou as 4 bolas de três que tentou (acertando 2 dos seus 11 arremessos de quadra). Temos então um Odom fora de forma que só arremessa uns tijolos do perímetro sem parar.

Mas também não é como se o resto da equipe estivesse fazendo muito diferente. Com uma defesa que não força erros, não tapa o aro e não consegue rebotes, o Mavs acaba dependendo de novo de jogadas de isolação e de arremessos de três pontos forçados. Contra o Heat, o Mavs tomou 44 pontos no garrafão, pegou 20 rebotes a menos do que o adversário, e tentou 28 bolas de três pontos (acertando 9). No segundo jogo, pequena melhora: foram "apenas" 40 pontos tomados no garrafão contra o Nuggets, acertando 8 das 27 bolas de três pontos que tentou.

O terceiro jogo, comentado pelo Denis no resumo da rodada de ontem, foi mais promissor: o Mavs conseguiu apertar mais a defesa e forçou muitos erros do Thunder. O problema é que o Thunder já mostrou que basta forçar o Westbrook a jogar em velocidade para que ele cometa 8 bilhões de erros por jogo, colocando tudo a perder, então há pouco mérito do Mavs. No resto, tudo igual: levou 36 pontos no garrafão e acertou 9 das 26 bolas de três pontos que tentou.

O ataque tenta se arrumar como pode, Delonte West entrou bem no time titular e foi capaz de girar mais a bola e criar algum espaço para os arremessos. Nowitzki continua sendo isolado, criando seus pontos, e encontrando companheiros livres no perímetro. Mas não se fala em outra coisa nos vestiários a não ser na defesa do Mavs que foi embora: teve o Nowitzki recentemente dizendo que é difícil jogar em velocidade quando não se consegue rebotes ou erros adversários, teve o técnico Rick Carlisle dizendo que terá que ensinar defesa tudo de novo para sua equipe, melhorar seu próprio trabalho, começar de novo.

Um time campeão capaz de começar a temporada com 3 derrotas seguidas, parecendo perdido em quadra e regredindo quase uma década em seu estilo de jogo? É pra já. Ficamos então com uma lição valiosa: Tyson Chandler não é gênio, não vai descobrir a cura da AIDS, não é o melhor defensor da NBA; mas se você finalmente monta um elenco capaz de colocar em prática um estilo de jogo que foi campeão da NBA, agarre esse elenco com unhas e dentes e dinheiros. Porque acreditar que dinheiro é capaz de trazer outras peças, reposições quaisquer, e que ninguém vai sentir falta dos jogadores que forem embora, isso é furada. Vimos com o Clippers que dá pra formar um bom time mesmo sem depender da grana. Agora vimos com o Mavs como dá pra jogar um time no lixo apesar de ter grana saindo pelas orelhas. Se não houver um reforço nesse garrafão, se o Mavs não encontrar um modo de retomar a defesa que lhe levou ao título, essa será uma temporada perdida para Nowitzki e seus amigos.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Bagos gigantes

Sam Cassell mostra o tamanho das bolas do Magic, 
que trocou dois de seus jogadores titulares

O Magic sempre mostrou que é um time disposto a arriscar. Quando o elenco parecia ter futuro e os comentários eram de que, com um grande arremessador de três pontos, eles seriam capazes de lutar pelo título, juntaram todas as moedinhas e ofereceram tudo que tinham disponível para o Rashard Lewis - na época um dos arremessadores mais badalados da NBA. O contrato foi ridículo, somando 124 milhões de dólares em 6 anos, e dá pra ter ideia do absurdo fazendo uma visita a esse site aqui, que calcula em tempo real quanto o Rashard Lewis ganhou no mundo real a partir do momento em que você entrou na página (adianto, é mais de 1 dólar por segundo). O jogador não vale tudo isso, nunca fez grandes coisas pela equipe, mas quanto você estaria disposto a pagar por um jogador que pode ser a última peça para vencer um anel? Na temporada seguinte à sua contratação, o Magic se tornou campeão do Leste e perdeu na Final da NBA para o Lakers. Não dá pra criticar a decisão.

Com a derrota, vieram novos papos. Supostamente o que faltava para ganhar o título era, então, alguém capaz de criar o próprio arremesso, decidir os jogos no final, encontrar uma bola de segurança que não fosse um arremesso de três forçado. Fizeram uma troca para conseguir Vince Carter, jogador longe de seu auge e com fama de fominha. Foi arriscado, mas o Magic preferiu apostar na imagem que o Carter construíra no ano anterior como tutor da pirralhada do New Jersey Nets. O sucesso do Carter foi moderado, por vezes parecia estragar o ritmo da equipe, por outras salvava o jogo, mas o Magic com ele chegou novamente à final do Leste - desse vez perdendo para o Celtics.

Não é estranho, portanto, que um time que chegou a duas finais de Conferência em anos consecutivos esteja sempre envolvido em tantos boatos de troca. Estão sempre dispostos a arriscar, a acrescentar uma peça final, a mudar o elenco vencedor para conseguir dar um passo a mais. É por isso que a resposta a uma fase de derrotas nessa temporada foi trocar vários jogadores - aquisições, como as de Carter e Lewis, arriscadas mas inteligentes. O Magic não tem aquela postura bizarra do Cavs da era LeBron, que trocava apenas por trocar e formou um circo de horrores, em Orlando as trocas tem uma visão de conjunto, um plano definido de qual é a identidade do time. Só trocam por quem se encaixa na brincadeira.

O primeiro passo do Magic nessa maratona de trocas anunciadas hoje foi se livrar do Rashard Lewis. Não que ele feda, como muita gente anda sugerindo recentemente. Longe disso, ele é um bom jogador, mas seu contrato vai até 2013 lhe pagando mais de 20 milhões por temporada bem quando o Magic não precisa mais de arremessadores. Todo mundo no elenco, até o garoto da água e a mãe do Dwight Howard, arremessam de três mesmo durante o sono. O processo de montar um elenco eficiente no perímetro que teria o Rashard Lewis como peça final deu tão certo, mas tão certo, que agora o Lewis é descartável. Já não fará nenhuma falta.

Em seu lugar, o Wizards manda nosso canalha favorito, Gilbert Arenas. Nos últimos anos Arenas sofreu com uma lesão, depois com a lesão resultante dele tentar voltar cedo demais para as quadras, depois com a lesão resultante dele treinar demais para se reabilitar mais rápido, e depois com a punição por ter feito uma piada com armas de fogo no vestiário (que ele ainda não engoliu muito bem e diz ter sido julgado injustamente). Faz tanto tempo que ele não pisa numa quadra de basquete que até dá pra esquecer que, uns anos atrás, ele era um dos jogadores mais fodões da NBA, cotado para ser MVP, marcando 60 pontos nos times com os quais tinha birra, e dando mais de 10 assistências por jogo em sua volta às quadras só pra provar que, se quisesse, teria fácil média de double-double como armador. Arenas era tão bom que recebeu um contrato de 111 milhões e um elenco de apoio de respeito para tentar um título do Leste, mas todo mundo do elenco se lesionou numa hora ou em outra (e quando estavam saudáveis perdiam pro Cavs de LeBron nos playoffs) e agora já era, desistiram do projeto, desmontaram o time, e já é tarde demais para o Arenas voltar e tentar fazer valer o contrato gigantesco Ele merecia esse contrato quando o Wizards queria ganhar naquela hora e acreditava em títulos, agora estão reconstruindo em volta do John Wall e o Arenas não apenas ganha dinheiro demais e é bom demais, mas também rouba minutos do novato John Wall porque jogam basicamente na mesma posição. Para o Wizards é melhor se livrar do Arenas por qualquer outro jogador que seja de outra posição e dê ideia de recomeço, de que o John Wall é a estrela, e se tiver um contrato mais curto é brinde. O Rashard Lewis tem um contrato um ano mais curto, não é metido a estrela (nem nunca foi, tem "jogador secundário" escrito na testa), e não vai roubar minutos do John Wall, pronto, tá ótimo. Enquanto isso o Arenas está jogando cada vez melhor, recuperando a forma, e pode criar o próprio arremesso como se esperava que o Carter fizesse na temporada passada. Fora que, como já provou que sabe passar a bola como armador principal, pode substituir Jameer Nelson numa das trocentas contusões anuais do garoto.

É claro que o Arenas pode pregar uma peça e envenenar a água de Orlando, exagerar e querer dar todos os arremessos finais do meio da quadra enquanto grita algo absurdo como "Colher!", e segurar demais a bola, mas é mais um risco para o Magic que simplesmente vale a pena. O Arenas tenta começar de novo e deixar as polêmicas para trás, vai querer ser bom moço na nova equipe, está cada vez em melhores condições de jogo e tem potencial para voltar a ser jogador digno de papo sobre MVP. Se fizer merda e forçar muito o jogo, não vai ser nada que o Carter já não tenha feito tantas vezes no último ano, com a vantagem de que o Arenas é mais versátil e pode jogar nas duas posições de armação.

Essa troca, além disso, permitiu que o Orlando fosse ainda mais além com seus bagos gigantes. Com a chegada do Arenas, ficaram livres para enviar o Carter para o Suns. Aproveitaram para enviar dois jogadores de valor mas que, assim como Rashard Lewis, eram cada vez mais inúteis na equipe: Mickael Pietrus e Marcin Gortat. O Pietrus era importante na equipe graças à sua defesa e às bolas de três, mas desde que o JJ Redick passou a defender o bastante para conseguir ficar em quadra e teve atuações memoráveis nos playoffs, tem tido prioridade. Já o Gortat nunca foi muito usado mesmo, mas ele teve alguns momentos brilhantes em quadra, mesmo que raros, e o Magic resolveu lhe dar um salário gordinho só para impedir que os outros times interessados contratassem o rapaz (sabe como é, pivô é raro hoje em dia). No Magic faltam oportunidades porque o Dwight Howard é o dono absoluto do garrafão e o Brandon Bass joga cada vez melhor, em especial porque ele tem um arremesso de média distância consistente e aí não bate cabeça com o Dwight. No fim, valeu a pena investir no Gortat porque ele agora virou moeda de troca, só isso. Nenhum desses jogadores, no momento, fará falta para o Magic. O risco está mesmo é no que eles recebem em troca.

Em troca de Gortat, Pietrus, Carter e uma escolha de primeiro round no draft, o Suns mandou Jason Richardson e Hedo Turkoglu, além do Earl Clark (que só vai junto porque deve ter entrado no avião sem querer). Pra mim, Jason Richardson é o jogador perfeito para o Magic atual. Sua temporada pelo Suns tem sido fantástica, seus arremessos andam precisos, seu basquete anda eficiente como nunca, ele cria o próprio arremesso, e tudo isso sem exigir a bola nas mãos. Até chega a forçar o jogo, especialmente no primeiro período (dizem que se ele domina o primeiro quarto, é certeza de que terá um jogo fodão), mas nunca segurando demais o jogor. J-Rich joga bem sem a bola em mãos, se posiciona bem no perímetro e está sempre cortando para a cesta. É o jogador ideal para continuar a tradição de arremessos de três do Magic, um especialista no quesito que já liderou a NBA mais de uma vez em bolas de 3 convertidas, mas capaz de se virar quando o perímetro não estiver funcionando - e tudo isso sem comprometer a rotação de bola e o ritmo da equipe. Com o Hedo Turkoglu o negócio é diferente, ele também arremessa bem de três mas segura muito mais a bola, gosta de jogar como armador, e agora o Magic parece ter excesso de gente assim. Mas mesmo que o turco tenha minutos limitados, já deve valer a pena. Postei no começo da temporada sobre como o estilo do Turkoglu não se encaixava com o Suns de modo algum, que ele não tinha como render lá, e que sofrera com a mesma questão em Toronto. No estilo do Magic, pelo contrário, o Turkoglu parece um bom jogador, usa suas principais qualidades. Então mesmo que seus minutos fiquem restritos pela presença de Brandon Bass, Jameer Nelson, Jason Richardson e Gilbert Arenas, será no mínimo um jogador que pode render um pouco ao invés daquela lástima que ele era no Suns, em que não rendia nada. O jogador foi salvo e o Magic ganha de volta um reforço que deve estar muito grato e já conhece todo o andamento da equipe. É arriscado porque o contrato do turco é enorme e ele pode bater cabeça com outros jogadores, mas é tentador conseguir por um preço baixo um jogador que você sabe que vai render muito mais justamente no estilo de jogo da sua equipe - e que não rende nada em nenhum outro lugar.

Pro Suns, é um alívio se livrar do Turkoglu e receber o Marcin Gortat é um motivo para ver alegria na vida outra vez. Hakim Warrick quebra um belo galho no garrafão ofensivo mas falta alguém que possa sequer se fingir de pivô desde que o Robin Lopes se contundiu. Se o Gortat for mesmo aquilo que se supunha e puder dominar na defesa enquanto contribui no ataque com enterradas e jogo físico, o Suns nem fica com tanta saudade do Amar'e e para de tomar um pau de qualquer jogador com mais de um metro e meio de altura. E se o Gortat for um jogador limitado e souber apenas levantar os braços, o garrafão do Suns também já fica imediatamente melhor - estavam numa situação tão ruim que se um torcedor sorteado fosse jogar de pivô, seria lucro. Para isso perdem J-Rich numa temporada magistral, o que é uma pena, mas o Carter tem ao menos em teoria a possibilidade de tapar o buraco. Precisa de entrosamento com o Nash, soltar a bola, correr um bocado, mas o Carter já começa se encaixando no time em um aspecto básico: ele nunca defendeu bulhufas mesmo.

O Wizards deu o último passo necessário em sua reconstrução - que pra mim foi, até agora, impecável e relâmpago - se livrando de seu melhor jogador e dando espaço para John Wall, e o Suns ainda se debate para conseguir um garrafão pós-Amar'e e vai tentar tapar o buraco do J-Rich enquanto tenta descobrir se pode sonhar com alguma coisa enquanto ainda possuem o Nash. São todas mudanças significativas, mas quem mais tinha a perder com tudo isso era o Magic, porque o Suns e o Wizards fediam enquanto o Magic é um timaço que vem de duas finais de Conferência. A equipe de Orlando tem testículos de jumentinho para arriscar a esse ponto, e pra mim só apostou em coisas que valem a pena - mesmo se derem errado.

Jameer Nelson já está confirmado como titular (enquanto não se contundir, ele nunca joga mais de 70 partidas numa temporada), Arenas já avisou que está sussa de vir do banco, então o resto do quinteto inicial deve ter Jason Richardson (no papel de Vince Carter) e Turkoglu (no papel de Rashard Lewis), com o garrafão reforçado por Brandon Bass. Subitamente o time mantém as características usuais, sua identidade como um time de arremessadores, mas todo mundo sabe criar o próprio arremesso e o garrafão fica mais forte. Gilbert Arenas pode vir do banco armando o jogo e, claro, criando as próprias situações de cesta, ao lado de JJ Redick, e nos momentos cruciais de jogo o quinteto pode ter Jameer Nelson, Arenas, J-Rich, Turkoglu de ala (como teve que jogar no Suns) e Dwight no garrafão. Lembra quando ninguém no Magic queria decidir? E a bola parecia batata quente? O Turkoglu passou a criar cestas mesmo que a contragosto, o Jameer Nelson aprendeu a bater para dentro e forçar pontos, Arenas tem história como um dos jogadores mais decisivos de sua geração, e o Jason Richardson sabe muito bem criar espaço para si mesmo. É um Magic irreconhecivel.

Passei muito tempo não levando esse Magic a sério, meio como se eles fossem um Mavericks do Leste, sabendo que eles poderiam chegar a uma Final de NBA e esfregar minha cara no troféu e mesmo assim eu sempre iria achar que tudo ia dar merda. É que acho difícil ter medo de times que se baseiam nos arremessos de três porque eles são inconstantes e é preciso ter uma bola de segurança pra quando tudo o mais falha, pra quando a água bate na bunda. Pois agora eles tem, ao menos no papel, tudo o que é necessário. Devem chegar a mais uma final de Conferência, mesmo com os inevitáveis problemas de entrosamento que surgirão nos próximos meses. E, mesmo se der tudo errado, aplaudo os bagos dos engravatados de Orlando. Essa equipe que arrisca e inova já tem, pra mim, muito mais valor do que qualquer equipe de sucesso que bate na trave e não tem coragem de mudar os rumos. Quero ser igual ao Magic quando eu crescer.

Outras equipes, como Lakers, Nets e Rockets, fizeram trocas recentemente e vamos comentar delas nos próximos dias (sei que estamos meio devagar, prometo que a gente engrena ainda esse ano). Mas pegar um time vencedor, com chances de título, e mandar embora peças tão importantes para trazer jogadores polêmicos é coisa para poucos. Só por isso, já merecia que desse certo. Bem que o Arenas poderia tentar não andar nos vestiários armado dessa vez só pra ajudar um pouco.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Ódio

Momento "Onde está o Wally": quantos dedos do meio levantados
 você consegue encontrar nessa foto? Eu contei seis.

Quem esperava uma vitória do Cavs contra o Heat na noite de quinta provavelmente ainda achava que o LeBron jogava pelo Cavs. Não havia qualquer possibilidade de que tivéssemos um bom jogo, disputado ou interessante, simplesmente porque o Cavs fede. Resultado de uma equipe montada ao redor de LeBron por anos e que, mesmo em seu auge, tinha jogadores que nunca fizeram sentido uns com os outros, o que restou da equipe é uma vergonha para o basquete. Alguns jogadores possuem momentos de talento, o Byron Scott é um técnico genial (que, curiosamente, teria tornando LeBron um jogador melhor), então o Cavs até engana um pouco às vezes, tipo mulher feia porém maquiada. O Heat, no entanto, tem umas espinhas na cara e provavelmente não tem uma perna ou um braço, mas ainda assim é um mulherão.

O espetáculo da partida de ontem não estava, certamente, dentro da quadra. Até mesmo porque LeBron teve a decência de tratar o jogo como se fosse qualquer outro de sua vida - ou seja, com profissionalismo. Foi uma partida comum entre um time ruim e um time bom, com lances bonitos e uma tonelada de airballs, que jamais teria chamado a atenção do público. O espetáculo estava, sim, fora da quadra, na arquibancada. Os torcedores, como adolescentes ainda apaixonados por uma mulher que os deixou, deixaram que LeBron soubesse que estavam magoados. As placas, os cantos e as reações foram tolas como só um adolescente de coração partido consegue ser, ouvindo NX Zero no quarto enquanto briga com os seus pais. Mas mostram, também, como a relação de amor e ódio por um jogador pode ser paradoxal. Para falar sobre isso, vamos dar uma olhada em alguns vídeos das reações na partida de quinta:


No vídeo acima, a torcida canta "asshole" ainda durante o aquecimento de LeBron. Numa tradução Google, "asshole" seria algo como bundaburaco. Numa tradução livre, seria o nosso "seu cuzão de merda". 


Nesse outro vídeo, acima, vemos dois gritos. O primeiro é "Akron odeia você", e é pra machucar mesmo. Akron é a cidade em que o LeBron nasceu, significa muito para ele, e LeBron já disse esperar que sua cidade não lhe julgue traidor como Cleveland faz. O segundo, mais bem humorado, é "Delonte", em referência ao boato ridículo de que o Delonte West teria comido a mãe do LeBron (não num sentido "Walking Dead") e que isso teria criado uma fissura no grupo que levou à eliminação nos playoffs na temporada passada. 


O vídeo acima, último, é um documentário de dois adolescentes de Cleveland e mostra a rotina dos dois antes do jogo, entrevista com alguns torcedores no ginásio e registra todos os cantos contra o LeBron durante o jogo, além dos torcedores do Heat tomando um monte de copos de cerveja na cabeça e sendo expulsos do ginásio. Nele podemos ouvir cantos como "Scottie Pippen" (coitado do Pippen, sempre sobra pra ele essa fama de não ter sido estrela, de ter sido apenas secundário, que é tão injusta), "sidekick"(algo como "ajudante", tipo o Robin é do Batman, em referência ao papel do LeBron frente ao Wade no Heat) e "who is your dad" ("quem é seu pai", em triste referência ao LeBron ter sido criado só pela mãe). 

Apesar do cunho agressivo de muitos dos cantos para o LeBron, não achei nada tão absurdo assim. Principalmente porque fica implícito que ninguém no ginásio acredita realmente naquilo. Levanta um cara puto da vida, dizendo que o LeBron é um cuzão e que o Delonte comeu sua mãe, enquanto veste uma camiseta do LeBron com o número 23 nas costas, riscado. Fica tão óbvio que o cara era completamente fã do LeBron que não dá pra acreditar que ele esteja puto com o jogador, está puto é com o fato de que ele foi embora. Ódio de ex não dá pra levar a sério, porque ele quer dizer exatamente o contrário do que realmente diz. Os cantos de ódio ao LeBron significam apenas que queriam que ele estivesse ali, mas que ele não está. É o ódio que se joga em cima do morto durante um funeral, aquele ódio que só significa que amamos muito alguém que não podemos mais ter de volta. 

Justamente por isso, durante o jogo me surpreendi com a baixa intensidade das vaias quando o LeBron tocava na bola. É como se o pessoal, consciente de que o LeBron sabe o quanto é amado naquela arena, nem se esforçasse tanto para mostrar o contrário. Comentei na hora, no nosso Twitter, que o Vince Carter tinha sido muito mais vaiado no seu primeiro retorno a Toronto - e olha que canadense só assiste basquete se tiver entrado no ginásio por engano, achando que ia ser jogo de hóquei. Hoje, Morris Peterson confirmou meu comentário. Ele, que jogava no Raptors na época, disse que as vaias ao Carter foram mesmo mais intensas que as contra o LeBron. O motivo é simples: Carter pediu para ser trocado e chegou a boicotar o time para que acatassem sua vontade. Além de começar a dar migué durante os jogos, chegou ao absurdo de dedar para o banco do Celtics qual jogada o Raptors faria para tentar empatar um jogo nos segundos finais. Com a jogada previamente dedada, a defesa do Celtics foi perfeita e o Raptors perdeu o jogo. Nunca mais o Carter seria visto de outro modo que não vilão, inimigo. Sua camiseta nunca será aposentada por lá, porque a reação da torcida é de puro e verdadeiro ódio.

Em Cleveland a torcida não tem motivo para odiar LeBron a não ser pelo fato de que ele foi embora. Claro, há um ou outro caso de etiqueta desrespeitada, como dar o pé na bunda do seu ex em rede nacional (quem fez isso por Orkut sabe que dá merda), mas não foi nada absurdo. Os torcedores falam que foi traição, que ele é um cagão, mas no fundo todo mundo sabe que não há nada de errado em ele ter escolhido jogar com dois de seus melhores amigos e aumentar suas chances de conseguir um anel - principalmente porque a torcida do Cavs sabe muito bem como o LeBron toma porrada injustamente graças a comparações injustas e aleatórias (que porra ele tem a ver com o Jordan?), e que essas críticas sempre caem no fato de que ele ainda não foi campeão. Se ele faz ritual antes do jogo como trocentos jogadores fazem, é porque é estrelinha. Se ri durante o jogo, é mala. E tudo sempre recai no fato de que ele só poderia fazer essas coisas se fosse campeão. Então beleza, no fundo todo torcedor do Cavs sabe que o LeBron foi para o Heat ter mais chances de ser campeão e pronto. Dói, dá raiva, mas no fundo tá tudo bem. Pra mim é bem óbvio que, assim que o Cavs arrumar um novo namorado (uma ou duas estrelas vindas de draft e que tornem o time relevante de novo), a relação com o ex volta a ser de boas memórias. Não tenho a menor dúvida de que sua camiseta será aposentada em Cleveland, porque faltam ainda muitos e muitos anos e essa bobagem toda vai esfriar inteiramente até lá. Diferentemente do ódio de Toronto pelo Vince Carter, por exemplo. Lembram que o Shaq, por exemplo, era vaiado em Los Angeles quando falou merdas sobre Kobe e o resto do elenco e ganhou um anel de campeão pelo Heat falando que o Wade era o melhor jogador do planeta? Pois bem, aquilo durou 15 minutos. Alguém em sã consciência acharia que a camiseta de Shaq não será aposentada em Los Angeles?

Chego até a deixar a hipótese de que o LeBron será sempre muito mais vaiado quando for para Chicago do que ele é em Cleveland. Isso porque a torcida do Bulls, ressentida com o fato de que LeBron (e Wade, e Bosh) não toparam jogar lá nessas férias, não têm como barreira o fato de tê-lo amado, de ter suas camisetas, de tê-lo como ídolo. Ele é um jogador mais fácil de odiar em Chicago, e as vaias de desdém por alguém com quem não se tem uma história são mais simples, violentas e barulhentas.

A história sempre dói, é claro que o LeBron se sente magoado de ter que ouvir tanta merda num lugar em que sempre deu tudo de si, em que nasceu, cresceu e se tornou um homem de barba na cara. Mas ele também está consciente de que a reação dos torcedores é só ruído, calor do momento e piada. Eu sou fã do LeBron e teria mijado fácil num dos seus bonequinhos que foram atirados nos mictórios do ginásio por torcedores mais fanáticos, simplesmente porque é uma reação caricatural, comicamente exagerada, inofensiva - muito longe das provocações completamente cruéis que acontecem regularmente nos jogos do Utah Jazz, por exemplo. O pessoal foi pra lá, gritou bobagem, cantou que o Delonte comeu a mãe do cara, mas quando o LeBron jogou seu pó de magnésio para cima antes do jogo, a maioria achou o máximo e estava fotografando com o celular. Sabem que estão vendo história - e esse é um sentimento delicioso que só podemos ter com os melhores jogadores, os Kobes e LeBrons da vida. Seria muita perda de tempo perder a história sendo feita fazendo birra, e acho que por isso a reação do povo de Cleveland não deve durar, eles sabem bem quão especial LeBron é. Vamos dar a eles então dois drafts, deixemos que o LeBron volte pra casa, e vamos ver se não vão estar todo sorrisos novamente.

Para o próprio LeBron, voltar a Cleveland também vai deixar de doer. Porque agora dói, claro, a gente esquece que o cara é um ser humano que foi trabalhar - trabalho, tipo a gente, embora não esperemos ser chamados de cuzão por 20 mil pessoas quando vamos no almoxerifado da firma - e tem que se preocupar se vão tacar uma cadeira em sua cabeça depois de tudo que fez por esses malucos. Mas uma hora passa, fica ameno para todas as partes. E a dor vai ser outra: "será que tomei a decisão certa?"

Assim que LeBron foi para o Heat, Tracy McGrady veio a público dizer que invejava LeBron, que ele próprio nunca tivera um companheiro tão talentoso quanto LeBron teria em Wade (com exceção de Grant Hill, mas com o qual pouco jogou graças às contusões constantes dos dois), e que se arrependia de ter passado boa parte da carreira tentando levar times sozinho. Garnett também fizera discurso similar para o LeBron quando alegou que ir para o Celtics jogar com outras estrelas foi a melhor coisa que poderia ter feito em sua vida, ao invés de ficar numa franquia fracassada e apagada (a gente mal lembra do Garnett no Wolves, quando ele era fácil o melhor jogador da NBA). Mas agora, depois que a decisão óbvia foi tomada, o pessoal volta com outro discurso. O Tracy Mcgrady veio a público de novo dizer que LeBron e Wade não se complementam (o que é fato, porque nenhum deles gosta de arremessar), que o time não vai funcionar porque eles dois querem segurar a bola, e que a química que o LeBron tinha no Cavs era espetacular e não deveria ser trocada por nada no mundo. E é esse o peso que o LeBron terá que carregar: ir para o Heat era fácil, parecia genial, apelação, gerou inveja, mostrou uma nova mentalidade de jogadores que deixam o ego de lado e topam jogar juntos para vencer. Mas jogar num time na vida real é diferente, significa enfrentar contusões, más decisões do técnico, jogadores que não combinam, gente com chulé, abrir mão de muitas coisas. O Celtics foi campeão porque soube apanhar, soube feder, e soube como sair disso tudo. Depois quase entrou em crise, mas eles dão um jeito, sabem unir as forças e começar de novo. Falta ainda para o Heat isso, se lascar no começo de temporada e saber sair melhor disso, com contusões ou não, jogadores que encaixam ou não. Agora é fácil de criticar dizendo que vai dar merda, antes era fácil dizer que o LeBron e o resto do Heat tavam apelando.

Contra o Cavs, vimos um Heat unido tentando proteger o LeBron de uma ex-namorada furiosa. Esse é o tipo de coisa que pode salvar um time e fazer com que superem as limitações. Ou que pode não servir para nada, e apenas aumentar o peso das expectativas - que já começa a fazer ruir, pouco a pouco, as bases desse Miami Heat muito mais do que os egos muito bem contidos de todo o elenco. Quem diz que Wade, Bosh e LeBron perdem porque seus egos entram em conflito se encaixa naquele ódio fácil do Chicago Bulls, por exemplo, aquele ódio de quem quer odiar e pronto. Porque quem odeia o LeBron com seu coração partido sabe: montar um time que funciona não é fácil pra ninguém, eles viram que em Cleveland levou tempo - e que mesmo assim não funcionou a ponto de trazer um anel. Quanto tempo será que os críticos darão a esse time para se acertar até que a imagem dos jogadores envolvidos esteja permanentemente manchada por ódio e ignorância?

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Preview 2010-11 / Orlando Magic

Sorriso pra conquistar as mina, essas linda


Objetivo máximo: Voltar à final da NBA, dessa vez sem parecer zebra, e vencer o campeonato
Não seria estranho: Parar na final de conferência
Desastre: Ser eliminado por qualquer time do Leste que não seja Heat ou Celtics

Forças: Melhores opções de bolas de três e o melhor pivô da liga no mesmo time
Fraquezas: Desde a saída de Turkoglu não tem ninguém que seja o líder do time em quartos períodos

Elenco: 









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Técnico: Stan Van Gundy

Como acontece hoje com o Erik Spoelstra, Stan Van Gundy foi uma criação de Pat Riley no Miami Heat, o próximo grande jovem técnico da NBA. O pizzaiolo oficial da NBA foi eleito para o cargo do Heat quando eles tinham um time jovem e sem identidade, tinham o Dwyane Wade novato, Lamar Odom ainda como promessa mal sucedida, Caron Butler no seu segundo ano e os experientes e já em decadência Eddie Jones e Brian Grant. Com esse time limitado eles foram até a segunda rodada do Leste e tinham um time muito bem montado, funcionando só na armação do Lamar Odom, um timaço pela falta de recursos.

No ano seguinte o Heat conseguiu Shaquille O'Neal, viraram o centro das atenções do mundo do basquete e Pat Riley começou a ficar com a mão coçando para assumir o time. Bastou perder uma série de playoffs bem difícil contra o fortíssimo Pistons em 2005 e algumas reclamações do Shaq no ano seguinte para dar um pé na bunda do Van Gundy. O curioso foi que oficialmente o técnico não foi demitido, mas pediu para sair alegando que precisava passar mais tempo com a família. Claaaaro, e eu li os termos de uso antes de instalar o programa. Pat Riley assumiu o time, venceu o título de 2006 e entrou para a história.

Já Van Gundy foi para o outro time da Florida e começou a montar outro bom time. Curiosamente esse Orlando é muito diferente do Miami Heat de Lamar Odom e do Heat de Shaq. O bigodudo monta times bons e não tem um esquema que ele usa sempre, apenas sabe interpretar o elenco que tem nas mãos e montar o melhor time possível. O seu experimento de colocar o maior número possível de arremessadores de três ao lado de Dwight Howard tem dado certo há anos e agora estão a alguns detalhes de disputar o título.

Talvez o lado ruim do treinador seja a sua atitude no banco de reservas. Está sempre gritando (embora sempre pareça estar sem voz) e não parece passar a confiança necessária nos momentos mais difíceis dos jogos. O Shaq, por exemplo, já o chamou de "Mestre do Pânico" e disse que era por causa dessa atitude que ele não iria ganhar nada na NBA. Abaixo um vídeo com o melhor das gritarias, caras e bocas do Super Mario.


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O Orlando Magic não mudou muito em relação ao ano passado. Eles perderam o Matt Barnes, é verdade, e com isso alguma defesa de perímetro, mas conseguiram trazer Quentin Richardson e pelo menos a qualidade nas bolas de três continua intacta. E com Mickael Pietrus ainda no elenco eu acho que nem vão perceber que o Barnes saiu. O resto do elenco é o mesmo, dois novatos sem nome, Daniel Orton e Stanley Robinson, chegaram, junto de Chris Duhon, que era ruim demais para ser titular no Knicks mas como reserva está muito mais do que bom.

A grande questão para o time está nos pequenos detalhes. Foi o que faltou para ganhar do Lakers na final de 2009 e o que faltou para bater o Celtics em 2010. Como fazer listas é o jeito mais fácil e amador de escrever, vamos fazer uma com os detalhes que o Magic precisa cuidar para chegar ao título.

- O Celtics provavelmente vai se poupar na temporada regular pela idade dos seus jogadores e pelos problemas físicos que tem tido ano após ano, o Heat talvez demore para embalar enquanto acha o entrosamento certo com o time totalmente reformulado. O Magic precisa se aproveitar disso para pular na frente e ganhar vantagem na tabela. Em séries disputadas de playoff o mando de quadra pode acabar decidindo tudo. Eu, por exemplo, acho que o Celtics teria vencido no ano passado se o jogo 7 da final tivesse sido em Boston.

- A gente critica muito o Dwight Howard, em geral por dois motivos. O primeiro é porque colocamos o padrão muito alto e se ele não for tão bom quanto Patrick Ewing, Shaq ou Hakeem Olajuwon, é um fracassado que só tem força física. A outra razão é porque somos todos jogadores fracassados cansados de falar "Ah, se eu tivesse essa altura eu tava na NBA", só respeitamos os baixinhos.

Dwight Howard não é o pivô mais técnico, não é o melhor no ataque, mas juntando todas as características é o mais completo e o que mais obriga os outros times a fazer ajustes. Ele é ótimo e ponto. Mas talvez precise de mais aulas com o The Dream para melhorar ainda mais, é muito raro um time ser campeão sem ter uma superestrela jogando muito acima da média. Dwight é o cara que precisa ser ainda melhor do que já é.

- Eu não gosto de como o Orlando Magic joga os quartos períodos. Eles evitam colocar a bola na mão do Dwight Howard porque sabem que ele vai sofrer a falta e errar os lances livres, então concentram tudo na mão do Vince Carter, que não é dos caras que toma as melhores decisões nesse momento. O Vinsanity nunca procura o passe, não funciona muito bem no pick-and-roll e o time que chega onde chega pelo jogo coletivo e movimentação de bola constante vira um time parado e individualista no momento mais difícil do jogo.

Acho que eles deveriam confiar a bola no Jameer Nelson, eventualmente, em caso de nada funcionar, deixar o Carter brincar com sua individualidade e não ter medo de dar a bola no Dwight. Lembro do Shaq sempre acertando os arremessos livres importantes no tri-campeonato do Lakers e dizendo "quando importa eu acerto". Dêem a chance para o Dwight mostrar que sabe fazer o mesmo, ele tem que pelo menos tentar, senão tirem o cara de quadra de uma vez.

Se o Magic conseguir o mando de quadra por todo playoff, tiver Dwight Howard jogando melhor do que está acostumado a jogar e eles não cagarem com tudo no fim dos jogos eu coloco o Orlando Magic com mais chances que Celtics ou qualquer time do Oeste que não seja o Lakers na briga pelo título, é um timaço.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Jogadores Estudiosos


Vince Carter na universidade Smurf


Nós recebemos toneladas de perguntas todos os dias no nosso glorioso Both Teams Played Hard. Algumas são pura trollagem, outras perguntas de iniciante, muitos pedidos de comparação entre jogadores, perguntas de relacionamento, música e até perguntas interessantes de verdade! Uma delas eu achei tão legal, mas tão legal, que achei que renderia um texto, não uma resposta.

Olha o que algum anônimo mandou, foram duas perguntas, na verdade:

"1. Vocês sabem de algum site em que diz o que os jogadores da nba se formaram na universidade? não precisa ser todos, só as estrelas e tal

2. como é a relação dos jogadores universitários que são cotados pra ir pra NBA e a universidade? eles realmente estudam e tal, tipo o Jeremy Lin ou simplesmente estão lá pra jogar e os professores fazem vista grossa sobre a nota deles?"

São questões pouco abordadas e que vale uma discussão, um ótimo tema para um post nesse momento complicado da offseason em que a maioria das contratações já foi comentada e faltam umas duas semanas para começar o Mundial da Turquia.

Muitas estrelas da atualidade nem passaram pela faculdade. No passado alguns jogadores pularam o basquete universitário, como o grande Moses Malone já nos anos 70, mas eram casos raros. No meio dos anos 90, porém, começou a virar febre. E com o sucesso de jogadores como Kevin Garnett e Kobe Bryant, explodiu. Tanto que podemos observar no começo da década de 2000 um fato muito curioso e que hoje parece impossível, de 2001 até 2006, apenas um jogador universitário foi a primeira escolha do Draft! Em 2001 Kwame Brown foi direto do colegial, assim como LeBron James em 2003 e Dwight Howard em 2004. Em 2002 Yao Ming foi o primeiro direto da China e em 2006, Andrea Bargnani, direto da Itália. Somente em 2005 o Andrew Bogut foi o escolhido. Ele, apesar de ser gringo, australiano, jogava basquete universitário nos EUA.

Logo depois disso surgiu a regra de que os jogadores deveriam jogar pelo menos um ano de basquete fora do colegial e ter pelo menos 19 anos antes de poder jogar na NBA. Tirando Brandon Jennings, que foi jogar um ano de basquete profissional na Itália, a maioria opta por fazer o "one-and-done", jogar um ano de basquete universitário e depois ir para a NBA. Dizem que é por facilitar e não reclamar de quem faz esse tipo de escolha que a Universidade de Kentucky tem conseguido tantas estrelas do colegial em suas equipes. Ou seja, a atividade tanto já virou rotina que até tem seus especialistas.

Entre as novas estrelas da NBA é bem comum ver várias que jogaram só um ano de NCAA, como Kevin Durant, Derrick Rose, Greg Oden, OJ Mayo, Kevin Love, Eric Gordon e Tyreke Evans. No draft desse ano foram 7 jogadores de apenas um ano de faculdade a serem escolhidos na primeira rodada, incluido dois do Top 3, John Wall e Derrick Favors.

Em teoria isso quer dizer que a maioria dos jogadores mais conhecidos vão para a NBA longe de ter um diploma, que em geral só sai depois de 4 anos de estudo. Mas na prática só quer dizer que os diplomas são conseguidos de maneira diferente. Tem virado tendência nos últimos anos os jogadores voltarem para a faculdade entre uma temporada e outra para as chamadas "summer classes", cursos de verão para quem não pode frequentar a faculdade no ano letivo comum. Alguns também fazem cursos à distância. Pelo o que o New York Times apurou, 45 jogadores da NBA (10% da liga) voltaram para a faculdade nos últimos meses, os times campeões foram o Warriors e o Thunder, dois dos times mais jovens da liga, com 3 cada. Um deles, Russell Westbrook, disse que são duas as principais razões: primeiro dar um bom exemplo para os mais jovens, no exemplo dele, um irmão mais novo. E depois para se prevenir, já pensando em um futuro emprego após a carreira no basquete.

A primeira reação de quem lê isso é "Futuro emprego? Mas os caras são milionários!" e esse pensamento faz todo o sentido, já que a média da liga é de 5,8 milhões de dólares por jogador a cada temporada. Mas a NBA Players Association fez um estudo que indica que 60% dos jogadores acabam falindo 5 anos após a sua aposentadoria. O principal motivo, claro, é a irresponsabilidade. Eles querem gastar a grana que ganham em coleções de carros, casas e jóias. Depois é a vontade de ser super-herói. A maioria é de família pobre ou de centros urbanos menos desenvolvidos, aí querem aproveitar que se deram bem na vida para arrumar a vida de todo mundo. Além da sua casa de luxo e do seu Mercedes, querem dar carros importados e casas de muitos dormitórios para os irmãos, mãe, avó, para o grupo de amigos do ginásio e etc. Sustentar essa vida por um tempo é fácil, mas depois não dá mais. Como disse o ala Jason Kapono, "A carreira de um jogador vai em média até uns 30 e poucos anos, a expectativa de vida até os 80. O dinheiro precisa durar mais 50 anos".

Um exemplo do gasto absurdo que esses jogadores tem foi dado pela própria associação de jogadores, que disse que o Shaq gasta 18 mil dólares por ano só com as contas de TV a cabo de todas suas casas. Claro que ele está bem acima da média, já que por anos ganhou mais de 20 milhões de dólares por temporada, mas mesmo assim mostra bem como estamos tratando de cifras insanas. Também não dá pra esquecer de dois jogadores que já foram dos mais bem pagos da NBA e voltaram da aposentadoria para jogar só pelo dinheiro, Antoine Walker assinou com um time de Porto Rico e Scottie Pippen disputou alguns jogos com um time da Finlândia.

Esse medo de ficar sem dinheiro deve aumentar o número de jogadores da NBA com um diploma, hoje são apenas 21% dos jogadores que terminaram a faculdade. Entre eles existem duas histórias mais comuns. O primeiro grupo é daqueles que continuou a faculdade mesmo depois de entrar na NBA. Como dissemos antes, eles fazem aulas na offseason, online, e vão completando o curso aos poucos. O segundo grupo tem principalmente os jogadores menos conhecidos, são aqueles caras que entraram em uma universidade sem ter muito nome e precisaram usar os 4 anos de faculdade para conseguir chamar a atenção da NBA e entrar no Draft.

O exemplo mais famoso de um jogador com diploma é o do Tim Duncan. Ele chegou na Universidade de Wake Forest reconhecido como um grande jogador e lá se consagrou, poderia ter pulado para a NBA após qualquer ano de faculdade, mas não o fez por uma promessa. Um dia antes de Duncan completar 14 anos sua mãe morreu de câncer de mama, mas não antes de ter feito o filho garantir que iria para a faculdade e a faria até o fim.

O Duncan é formado em psicologia. Apesar das obrigações e viagens que o time tinha que fazer, frequentou todas as aulas, teve boas notas e até fez aulas extras que não precisaria, como literatura chinesa. É um exemplo claro do que diz Debbie Rothstein Murman, diretora de carreira da União dos Jogadores da NBA. Ela afirma que ao serem obrigados a fazer pelo menos um ano de faculdade, os jogadores são forçados a conhecer outras coisas, outras áreas e eventualmente encontram outras paixões além do basquete. Depois do exemplo para os mais jovens e o dinheiro existe um terceiro fator que talvez seja o mais importante, alguns gostam da coisa e querem aprender.

Para os que gostam do ambiente universitário talvez o ideal fosse fazer os 4 anos diretos, como o Duncan, sem precisar de aulas na offseason, mas aí a história do Jerry Stackhouse serve como bom exemplo para entendermos as motivações dos atletas. Durante o segundo ano de faculdade do Stack, sua mãe foi diagnosticada com câncer de mama e a família não tinha dinheiro para pagar o tratamento. Ele então foi para o Draft da NBA, foi escolhido e usou o dinheiro do seu primeiro salário para pagar o tratamento. Não deve ser fácil para eles ver a família passando por dificuldades financeiras ao mesmo tempo em que recusam a chance de ganhar milhões por ano.

O Stackhouse foi um dos que voltou para se formar. Ele e seu companheiro de North Carolina Antawn Jamison se formaram em Estudos Afro-Americanos, uma das formações mais comuns entre os atletas da NBA. Também são corriqueiros os diplomas em Gerenciamento Esportivo e Comunicação, seguido depois por Negócios. Todos, porém, estão perdendo espaço para o cada vez mais usado "Estudos Gerais".

O curso de Estudos Gerais não existe em todas as faculdades, mas foi criado para facilitar a vida dos atletas que querem se dedicar mais à vida esportiva. De todos os alunos da Universidade de Michigan, por exemplo, apenas 3% são atletas. Ao mesmo tempo, entre os formados em Estudos Gerais, 49% são jogadores das mais diversas modalidades. Essa formação pede que o aluno cumpra um certo número de créditos e horas de aula, mas sem nenhum direcionamento em especial, basicamente ele faz as aulas que quiser. Muita gente critica esse formato porque os atletas acabam escolhendo apenas as aulas mais fáceis e as que tem professores (geralmente membros do conselho atlético) que liberam os jogadores de diversas atividades de sala. Seria, para os críticos, um diploma ganho sem merecimento e sem valor.

A história mais interessante que eu conheço de jogadores da NBA e sua relação com as universidades é a do Vince Carter. Ele saiu da Universidade de North Carolina (a mesma de Stackhouse e Jamison) para a NBA, mas continou fazendo aulas para conseguir se formar também em Estudos Afro-Americanos. Ele conseguiu se formar em 2001, mas a cerimônia de formatura acabou ficando para o dia 20 de maio, mesma data do jogo 7 da semi-final de conferência entre o Philadelphia 76ers e o Toronto Raptors de Carter. Foi uma bafafá para saber se ele iria mesmo receber o diploma entre a imprensa e até dentro do time, mas para ele nunca foi uma dúvida. Foi para a cerimônia, recebeu o canudo e de lá saiu correndo para pegar um vôo até a Philadelphia.

E detalhe, não estamos falando de uma série de playoff normal, mas de uma das melhores da última década e talvez de todos os tempos. O duelo Carter-Iverson daquele ano está na história da NBA como um dos mais intensos e impressionantes já vistos. Vale a pausa no tema universitário para vocês entenderem do que estamos falando.

No jogo 1 foram 35 pontos de Carter e 36 de Iverson, com vitória do Raptors na Philadelphia. O Sixers respondeu vencendo o jogo 2 com 54 pontos do Iverson. A partida 3 teve o Carter acertando 8 bolas de 3 seguidas e marcando 50 para dar a vantagem de 2-1 para o Toronto. Ficou 2-2 depois que o Iverson liderou uma virada histórica marcando 30 pontos fora de casa. No dia do jogo 5 o Iverson recebeu seu troféu de MVP da temporada e marcou 52 pontos, 3-2. Empatou de novo depois que o Carter respondeu com 39 pontos no jogo 6. Logo depois veio o anúncio de que o Carter iria mesmo para a formatura no dia do jogo final.

Imaginem como estavam os ânimos nas duas equipes e em todos os jogadores antes do jogo 7. E mesmo assim o Vince Carter teve a frieza de conseguir dividir seu dia entre a formatura e o jogo. A partida acabou sendo bem truncada, nervosa e Carter marcou apenas 20 pontos, já Iverson recebeu marcação dupla o jogo todo e respondeu com seu recorde de assistências na carreira, 16. Mas o grande momento foi o fim da partida, quando Vinsanity teve a chance de transformar aquele 20 de maio no maior dia da sua vida. O diploma e um arremesso no último segundo em um jogo 7 fora de casa. Foi por pouco e até hoje ele ouve que jogou mal porque não se concentrou para aquela partida.


Os detalhes desse duelo épico podem ser vistos num especial da NBA TV em duas partes: Parte 1 e Parte 2. Vale a pena!

Não achei nenhum site que indicasse em quê cada jogador da NBA é formado, mas pesquisando fui achando aos poucos. Segue a lista dos que descobri:

Josh Howard - Fez a mesma Wake Forest onde o Tim Duncan se formou e onde Chris Paul ainda faz aulas. O único jogador a admitir que fuma maconha entre uma temporada e outra é formado em Sociologia. Um típico maconheiro dos cursos de humanas.

Michael Jordan - Apesar de também ter ido a North Carolina não se formou em Estudos Afro-Americanos, mas sim em Geografia.

Shaquille O'Neal - Ele fez 3 anos na LSU e depois foi para a NBA, mas acabou concluindo o curso depois, se formando em Artes e faltando a um jogo da temporada 2000-01 (com permissão do Phil Jackson) para ir à formatura. Na cerimônia ele falou ao público "Agora eu finalmente vou poder arranjar um emprego de verdade". Em 2005 ele conseguiu um MBA online na Universidade de Phoenix e disse que um dia vai ter um trabalho das 9 às 5 como todo mundo.

Juwan Howard - Esse é nerd. Se formou em Comunicação e foi o primeiro jogador a sair da faculdade para a NBA antes de acabar o curso e mesmo assim conseguir se formar no mesmo ano que o resto da sua classe. A motivação dele foi uma promessa feita a sua avó, que achava que o neto não poderia desperdiçar a chance de poder estudar de graça numa faculdade grande como a Michigan State.

Emeka Okafor - Talvez o maior gênio da NBA na atualidade. Ele saiu da UConn depois de 3 anos, mas foi tempo suficiente para ele fazer e passar em todas as matérias necessárias e se formar com honras em Finanças. O seu então companheiro de time Ben Gordon dizia que ele não saía em uma viagem com o time sem levar dezenas de livros e passava a viagem inteira estudando.

Danny Granger - Ele jogou os 4 anos de faculdade, mas foi dividido. Os dois primeiros em Bradley e depois na Universidade do Novo México. Se formou em Engenharia Civil!

Grant Hill - Assim como Tim Duncan, poderia ter saído antes da faculdade, mas vivendo o melhor momento da história de Duke resolveu passar os 4 anos na faculdade e se formou em Ciências Políticas. Curiosidade política sobre o Hill: sua mãe foi companheira de quarto de Hillary Clinton na faculdade e as duas mantiveram contato. No dia em que foi escolhido no Draft, Grant Hill recebeu um telefonema do então presidente e marido de Hillary, Bill Clinton.

Shane Battier - Outro formado em Duke como Grant Hill. Ele chegou a ganhar prêmios dentro da Universidade como um dos melhores alunos e se formou em Estudos Comparativos de Religião, uma área que procura semelhanças e diferenças entre mitos, rituais e conceitos em religiões ao redor do mundo.

Devin Harris - Está fazendo aulas no verão para terminar o curso de Sociologia.

David Robinson - A outra torre gêmea ao lado de Tim Duncan também se formou e era muito bom nos estudos. Teve uma nota absurda nos SATs, uma espécie de vestibular americano e escolheu ir para a Academia da Marinha, onde se formou em Matemática. Tá aí outro motivo para odiar o Spurs, eles eram campeões com um garrafão que não era só melhor que o do seu time, mas também mais culto e inteligente. O outro odiado do Spurs, Bruce Bowen, é formado em Comunicação.

John Salmons - Ok, esse é bizarro. Ele se formou na Universidade de Miami em Criminologia e Sociologia, mas diz que quando parar com a NBA quer trabalhar como fashion designer. Faz algum sentido? Que comecem as piadinhas do estilista que joga no time do veadinho.

Chris Bosh - Ele ainda não acabou a faculdade, mas prometeu para sua mãe que ainda vai ir até o fim. Sua formação é em Design Gráfico.

Aaron Brooks - Formado em Ciências Políticas pela Universidade do Oregon.

Kenyon Martin - Sabe aquele doido de pavio curto, cara de mal e tatuagens pelo corpo? Formado em Justiça Criminal. Será que ele conversa sobre isso com Carmelo Anthony, JR Smith e Chris Andersen? Só perguntando...

Pau Gasol - O espanhol chegou a passar numa faculdade de medicina antes de decidir que iria ser somente jogador profissional de basquete. Mas quem sabe ele não faz depois que se aposentar, imagina que bizarro ser atendido por um médico de 2,16m!

Brandon Roy - O armador do Blazers deve se orgulhar de ter se formado. Ele precisou fazer quatro SATs para conseguir a nota mínima para entrar na universidade, tamanha era sua dificuldade nos estudos. Ele cursou os 4 anos na Universidade de Washington e se formou em Estudos Étnicos Americanos.

Atualização!
Ron Artest - Atendendo a pedidos, colocamos o Ron Ron. Ele é formado em Matemática pela Universidade de St.John. Aproveitando sua especialidade, ele criou o A.R.T.E.S.T (Arithmetic Reaches Tomorrow's Exemplary Students Today), um programa de ensino de matemática na escola Felix Cook Jr que ensina crianças de 3ª a 5ª série questões de matemática usando estatísticas do Ron Artest na NBA.

É isso, esse post é uma homenagem a todos que na nossa pesquisa estão pedindo por textos menores.

sábado, 29 de maio de 2010

A vitória de Nate Robinson


Em 2003 o San Antonio Spurs estava em uma das partes mais difíceis de seu caminho para o título quando enfrentava o Dallas Mavericks de Steve Nash, Michael Finley e Dirk Nowitzki na final da conferência Oeste. Era o jogo 6 e eles podiam fechar a série em Dallas ou ter um perigoso jogo 7 em casa. O jogo estava disputado, com os dois times jogando em alto nível e o Spurs tinha dificuldade na armação de jogadas já que Tony Parker só tinha jogado 13 minutos de jogo e não conseguia voltar para a quadra por estar com dor de barriga. Seu substituto Speedy Claxton não estava numa noite inspirada e restou à Manu Ginobili virar o armador da equipe. Mas com ele na armação, faltava quem arremessasse e colocasse a bola na cesta, acertasse umas bolas de 3 e abrisse a quadra.


Foi então que o técnico Gregg Popovich resolveu tirar do banco o veteraníssimo Steve Kerr. Loirinho branquelo que tanto ajudou Michael Jordan em seus títulos e que jogava sua última temporada na NBA. Em quadra pela primeira vez desde o início dos playoffs, Kerr entrou e jogandoa apenas o último quarto acertou 4 bolas de 3 em 4 bolas tentadas e garantiu o título do Oeste para o Spurs.


Foi nessa história que eu pensei ontem quando o Nate Robinson entrou em quadra. Ele havia jogado apenas 44 minutos somados em todos os 15 jogos que o Celtics disputou nesses playoffs e só entrava em quadra como última opção dos armadores, depois de Rajon Rondo, Marquis Daniels e Tony Allen. Mas com Daniels fora, machucado e Rajon Rondo, que estava arrasando no jogo, fora depois de um tombo feio no começo do 2º quarto, Doc Rivers não tinha outra opção senão colocar o KryptoNate em quadra.

E parece que o Nate Robinson é um personagem de video game, que quanto mais tempo você deixa descansando mais ele carrega suas energias e se você guarda ele por um tempão ele fica super poderoso. Depois de tanto tempo guardado no banco ele entrou em quadra e parecendo uma criança hiper-ativa, não parou um segundo de se mexer, de pular, de marcar e de acertar arremessos. Nos seus poucos minutos de ação ele anulou o Jameer Nelson, acertou arremessos em sequência e marcou 13 pontos em cerca de 8 minutos. Segundo o técnico do Orlando Magic Stan Van Gundy, foi o momento crucial da partida.

O Doc Rivers deve ter aprendido com o Mike D'Antoni. No Knicks, o Nate Robinson ficou mais de um mês sem pisar na quadra depois de brigar com o técnico e quando finalmente voltou marcou 41 pontos contra o Atlanta Hawks, estão lembrados?


Mas o mais estranho dessa história foi ter acompanhado o pré-jogo da ESPN norte-americana. Durante a discussão sobre o que cada time deveria fazer para vencer o jogo, todos os comentaristas falavam as coisas mais óbvias, quando de repente o Magic Johnson disse que achava que quem deveria aparecer mais no jogo era o Nate Robinson! Sério, da onde o Magic tirou essa? O cara nem tava entrando em quadra e provavelmente jogaria pouquíssimos minutos se o Rondo não tivesse se machucado, por que sequer citar o cara? Mas ele citou, disse que sua energia, seus arremessos e sua capacidade de infiltração poderiam e deveriam fazer a diferença. O cara já foi um dos melhores jogadores de todos os tempos e ainda palpita melhor que todo mundo? Apelação.

Outro que acertou na previsão foi o técnico Doc Rivers. Que certa vez questionado por não usar muito o Nate Robinson disse "Ele ainda vai ganhar um jogo pra gente nesses playoffs". E ganhou um dos mais importantes! Mas o Doc está bem certo, o Nate Robinson não é bom ou regular o bastante para ser titular na NBA, ele é impulsivo demais e não sabe jogar em equipe. Se você coloca ele em quadra por 40 minutos todo jogo ele vai te ganhar 3 jogos e perder 10, não vale a pena. Mas sabendo controlar seu tempo em quadra e lendo as situações de jogo dá pra usar ele só nas situações onde ele ganha jogos e todo time que quer ser campeão precisa ter no banco um desses caras que te arranjam uma vitória do nada.

O Magic não tem do reclamar do jogo de ontem, eles perderam essa série quando perderam os dois primeiros jogos em casa. A partida de ontem foi um típico jogo em Boston, com a defesa do Celtics mordendo forte e Paul Pierce acertando seus arremessos sempre que o Magic ameaçava uma reação. Eles tentaram, se esforçaram, mas é difícil vencer 4 jogos seguidos contra uma forte defesa. Basta um dia as bolas de longe não caírem (e eles criaram boas situações para esses arremessos!) e já era. Se tivessem vencido um daqueles dois jogos em Orlando poderiam estar se preparando para um jogo 7 agora, mas já foi, o negócio é pensar no futuro.

Vale a pena pagar quase 40 milhões de dólares por ano pela dupla Rashard Lewis e Vince Carter depois que os dois oscilaram tanto nos playoffs? E, mais, dá pra trocar um dos dois? Vão manter Brandon Bass e Marcin Gortat, que querem ser trocados? Que trocas fazer para conseguir manter o Free Agent JJ Reddick? Pronto, vários problemas futuros para o Magic esquecer os do passado recente.

Para o Celtics o momento é de ligar para o David Stern e agradecer quem fez o calendário das finais. O primeiro jogo (que será em Los Angeles ou Phoenix, já que ambos tem campanha melhor que a do Celtics) será só na próxima quinta-feira, no dia 3 de junho. Quase uma semana de folga para o Celtics descansar o seu time que foi se desmontando em dores e contusões nessa série. Na partida de ontem o Marquis Daniels não entrou, o Rasheed Wallace não jogou o fim da partida com fortíssimas dores nas costas e o Rondo teve o seu homérico tombo de costas no chão. Imagina se eles chegam assim sem banco de reservas para enfrentar aquela correria do banco do Suns? Seria caótico, será um descanso essencial para o Celtics lutar pelo título.

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Kevin Durant x Hasheem Thabeet
Achei essa história muito engraçada e tive que postar aqui mesmo não tendo nada a ver com os playoffs. O Bill Simmon, colunista da ESPN, postou na sua última coluna uma mensagem que foi enviada pra ele por email por um fã, que traduzo aqui embaixo:

"Bill, achei que você ia gostar dessas mensagens enviadas em sequência no Twitter:

15:50, Hasheem Thabeet - Almoço tarde antes de tirar uma soneca! Mhmmm yummy!
16:00, Kevin Durant - Acabei um ótimo treinamento. Trabalhei o controle de bola, finalização com contato, arremessos, pick and rolls e arremessos com marcação.

Agora você consegue dizer qual dos dois jogadores que foram escolhidos como número 2 no draft passou um tempo na D-League?
Brian Seboly, Memphis, Tenn"

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O pássaro do Leandrinho
Outra história para postar aqui e encerrar o texto é sobre o sinal que o Leandrinho tem feito com a mão depois de acertar seus arremessos. Eu achei estranho, me lembrou a campanha "Sou da Paz" e fiquei perdido. Aí, talvez com medo de multas, já que alguns jogadores já foram suspensos por terem feitos "sinais de gangue", ele resolveu explicar logo o que era isso aqui:


"É um pássaro, um pássaro branco. Significa que minha mãe ainda está por perto, estou fazendo para ela. Eu sonhei com isso por algum motivo e então comecei a fazer". Para quem não lembra, a mãe do Leandrinho morreu em novembro de 2008.

terça-feira, 25 de maio de 2010

De castigo

"JJ é Redickulo"..."samente gay". Tá certo, quem
faz trocadilho merece mesmo cadeira elétrica


Depois de ganhar trocentos prêmios de "melhor jogador do ano" no basquete universitário, JJ Redick foi escolhido pelo Magic com a décima primeira escolha do draft. O contrato tinha duração de dois anos, com o Magic escolhendo se manteria o pivete por um terceiro ou até um quarto ano. Na sua temporada de novato, até que ele entrou bastante em quadra, mas ficou bem claro que era incapaz de defender, fraco demais fisicamente para fazer qualquer coisa além de arremessar, e os seus arremessos sequer entravam. No segundo ano quase não entrou em quadra, ficou apodrecendo no banco, e quando entrou passou pouquíssimo tempo. Estava bem claro que o Magic não se interessava pelo garoto, não iria optar por mantê-lo por mais dois anos, e o JJ Redick estaria livre para procurar outro time, jogar na Europa ou vender pipoca com provolone. E foi aí que o Magic extendeu o contrato do JJ Redick, que ficou com cara de bunda. Rá, pegadinha do Mallandro! Glu, glu, glu!

E não é como se tivessem mantido o JJ Redick para finalmente colocar o cara pra jogar. Não entrou em várias partidas, tinha minutos limitados, papel limitadíssimo, e começou a pedir uma troca. Lembro perfeitamente bem de ler os comentários dos engravatados do Magic afirmando categoricamente que uma troca não iria acontecer: o Redick iria continuar no time a todo custo. O próprio técnico, Stan Van Gundy, disse que era difícil manter um jogador bom no banco o tempo todo, mas que ele ainda não estava pronto para jogar e que o time estava dando certo sem ele. Para a gente entender o que aconteceu, o Magic é uma guria e o JJ Redick é um sapato: pode ser que ela nunca vá usar esse modelo, mas como não está quebrado é melhor manter no armário, mesmo que tenha custado 2 milhões de dólares. A mesma coisa aconteceu com o Marcin Gortat: o Magic sabia que ele não teria muitos minutos com o Dwight e o Brandon Bass no time, o Mavs ofereceu uma fortuna pra ele, mas mesmo assim o time de Orlando fez questão de cobrir a proposta e manter o sapato no armário. Com a diferença de que ele custa 7 milhões de verdinhas. O Magic não sabe usar direito o cartão de crédito do pai: todos nós sabemos o que eles também aprontaram com o Rashard Lewis e seu monstruoso contrato de 118 milhões, só porque era a blusinha que faltava naquele "look matador" - que no fim não fez tanto sucesso assim na baladinha.

Por isso está todo mundo tão confuso de ver o JJ Redick saindo de seu castigo que durou anos para liderar o ataque do Magic em momentos cruciais desses playoffs. Na partida de ontem, primeira vitória do Magic em cima do Celtics nessa série, o JJ Redick não apenas ficou em quadra como acabou tomando o lugar de Vince Carter, que foi pro castigo em seu lugar: colocou o bumbum no cantinho da disciplina (a "Super Nanny" pediria um minuto de castigo por ano de idade, mas o Carter deve ter ficado um minuto por arremesso errado, porque pareceu uma eternidade). Ver o Redick tanto tempo em quadra não é assim tão bizarro, porque desde que sua defesa melhorou um pouquinho (agora ele pelo menos finge que defende, e a farsa é sempre um bom começo) tem ganhado mais minutos nessa temporada. Com mais minutos e mais jogos (pela primeira vez entrou em todas as partidas do Magic na temporada), voltou a ganhar ritmo nos arremessos e se tornou ao menos um arremessador confiável. Mas liderar o ataque do Magic é um tanto demais mesmo.

Esse tipo de aberração às vezes acontece: já vimos jogadores aleatórios levando o Spurs a ganhar um anel com atuações-surpresa que nunca mais se repetiriam em suas carreiras. No caso do Redick, no entanto, vem acontecendo em toda a série e as atuações do rapaz sequer são impressionantes, não passam de uns arremessos certos aqui ou ali - é o time que está se focando nele porque não sabe mais pra onde olhar. Sempre batemos nessa tecla aqui no Bola Presa: mudar drasticamente seu estilo de jogo nos playoffs é sinal de burrice ou de desespero. Tem gente que acha que "playoff é diferente" e que por isso precisa mudar a rotação dos jogadores ou o esquema tático, o que é burrice. Mas tem vezes em que nada mais dá certo e você precisa tentar um troço completamente diferente, um jogador completamente esquecido, e aí é desespero. Acho que podemos considerar o Magic oficialmente desesperado.

As bolas de três pontos são parte essencial da tática da equipe, mas o Rashard Lewis é uma versão anêmica do Dirk Nowitzki de uns anos atrás: basta ser marcado de perto, com contato físico, e ele não consegue um arremesso sequer. Matt Barnes não é um gênio nos arremessos, mas tem que ficar em quadra o máximo possível para marcar Paul Pierce. E Mickael Pietrus está tendo uma série horrível no ataque a ponto de não valer a pena colocá-lo só pra defender. Na noite de ontem, errou dois arremessos seguidos, o Van Gundy quase teve um derrame cerebral, e lá foi apodrecer no banco. Nessas horas em que os arremessos não caem, em que as armas estão anuladas, deveria ser a hora do Vince Carter. Pena que ele fede.

Vale aqui uma pequena recapitulação: o Carter é aquele sujeito que dedou a jogada final do próprio time, quando estava no Raptors, para que a equipe perdesse e ele fosse trocado. É o cara fominha que não leva o time à vitória mas abandona o barco se não estiver dando certo. Até que o Nets trocou todo mundo, menos ele, e vimos um novo Vince Carter. Aquele Nets fedia mais do que fede hoje, era terrível, mas o Carter segurou as pontas, não reclamou, não pediu para ser trocado, virou líder da pirralhada, figura mais importante dos vestiários da equipe, passou a treinar os novatos e a tentar salvar os jogos no final depois de envolver o resto dos companheiros. Foi esse Carter, maduro e líder em quadra, que o Magic contratou. Sua temporada no Nets salvou sua carreira de um modo que o Iverson precisava desesperadamente mas não conseguiu aceitar. Não tenho medo de dizer: o Magic é um time melhor com Carter do que era com Turkoglu. Sei que Carter prejudicou o Magic muitas vezes na temporada por segurar demais a bola e por não querer decidir alguns jogos, mas ele é uma presença inestimável no vestiário e traz uma confiança em jogos decisivos que o Turkoglu nunca traria (vai, nem a mãe do turco acreditava que o rapaz decidiria alguma coisa, mesmo que ele sempre acertasse). Só que os jogos decisivos estão aí, e o Carter fede. Não é do meu feitio ficar dando desculpa para salvar um jogador, mas o caso do Vince Carter é quase todo mérito da defesa do Celtics, aquela que anulou LeBron James. E o Carter, crianças, não é nenhum LeBron James. Frustrado e sem saber como atacar a cesta, depois de ter perdido dois lances livres cruciais que poderiam ter tornado a série competitiva, parece que ele não acredita mais na vitória e não vê motivo em ficar dando cabeçada na parede. A partida de ontem foi terrível para ele, e aí o Magic tem que olhar para quem está interessado em ganhar, para quem quer arremessar. Sobra apenas um arremessador ultra-confiante, mas nem tão eficiente: JJ Redick. Se ele quer arremessar e o Carter não quer, então o Carter vai pro banco e o Redick fica em quadra. O time fica completamente diferente, é mais fraco, mais previsível, mas no desespero a gente fica com aquilo que tem. Parece que a estadia em New Jersey não deixou apenas Carter mais maduro, também o tornou mais incrédulo, como se a vitória pouco importasse, como se não fosse responsabilidade dele. De fato, não é. Carter não quer mais esse posto de líder da equipe no ataque, e ninguém pode impor esse papel a ele. O problema é que o Magic pagou a massagem completa sem saber que não rolava sexo no final.

Para o Magic, então, vai o que tem. Assim, Rashard Lewis não acertando nada por causa do jogo físico e o Dwight Howard incapaz de jogar de costas para a cesta abriram espaço para Brandon Bass e Marcin Gortat. Os dois conseguem jogar melhor nessas circunstâncias? Então coloca os dois em quadra. O Magic é um time irreconhecível, muito diferente, bizarro. Mas é melhor ser irreconhecível e ganhar uma partida do que insistir nos mesmos defeitos e ser varrido dos playoffs. O Magic desesperado, como vimos ontem, é um time muito melhor do que o time calmo, confiante e preso ao plano de jogo que enfrentou o Celtics nos primeiros jogos. O desespero ensinou coisas muito bacanas para a equipe de Orlando: o Dwight não pode receber a bola de costas pra cesta, tem que recebê-la no ar para enterrar, ou em movimento depois de um corta-luz. O Jameer Nelson tem que atacar a cesta em toda bola, passando a bola para o Dwight por cima dos defensores, cavando faltas e pontuando em bandejas. E o time precisa correr como louco para nunca, jamais, em hipótese alguma, enfrentar a defesa de meia quadra do Celtics montadinha e preparada. O resultado foram 30 pontos do Dwight, uma ótima partida de Jameer Nelson, e várias posses de bola em que Perkins acabou marcando o Rashard Lewis e o Garnett acabou marcando o Dwight, por causa da correria. Em todas, o Celtics foi punido.

Correria, menos bolas de 3, infiltrações, acionando menos o Dwight fora do garrafão, jogo baseado em pick-and-rolls, e JJ Redick na quadra. É um Magic do mundo bizarro, mas a vitória veio. E veio mais fácil do que parece, a prorrogação só aconteceu porque esse Magic tem memória curta. De vez em quando o Howard foi acionado de costas pra cesta, e claro que errou tudo. Nos minutos finais, o Jameer Nelson parou de correr como um retardado e passou a enfrentar a defesa do Celtics arrumada. E o armador do Magic resolveu também, no final, só arremessar de três ao invés de cavar mais faltas e atacar o aro como vinha fazendo. Esses momentos em que o Magic é o velho time de sempre foram um fracasso. Os momentos de desespero absoluto e histérico, digno de mulher vendo barata, com Carter no banco e outro estilo de jogo foram um sucesso.

Esperava, claro, um 4 a 0 para o Celtics nessa série. Mas tudo porque não tinha como imaginar um Magic desesperado, fazendo qualquer coisa que venha a dar certo e deixando em quadra quem quer arremessar, não quem ganha o maior salário ou foi contratado para decidir. Baita coragem do Van Gundy de deixar Pietrus e Carter no banco por tanto tempo, baita sacada de tirar JJ Redick e Brandon Bass do castigo. Só falta agora tirar o Rashard Lewis da quadra e colocar o Ryan Anderson. Vamos combinar que depois do Carter, o Rashard também tá merecendo um castigo lá no cantinho da disciplina.

Não sei mais o que pensar dessa série. No desespero, é bem provável que o Magic prolongue esse embate muito mais do que poderíamos sonhar. O jogo de ontem foi um dos mais físicos, brigados e divertidos jogos desses playoffs, e a primeira prorrogação até agora. Ou seja, vamos torcer para que o Van Gundy - famoso por ser "o técnico do desespero", no sentido de que na hora que importa não sabe o que fazer - continue apostando apenas naquilo que der certo. Seja o que for. Colocar o Dwight na armação e o Jameer Nelson de pivô? Por que não? O legal de ver nesse Magic é que, perdendo por 3-1, eles não tem muito a perder.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Verde e amarelo

Juízes tendenciosos deram falta do Dwight Howard nesse lance. Roubo!

O Boston Celtics não consegue mais perder. São 5 vitórias seguidas no geral e 4 vitórias seguidas fora de casa, um número que já é impressionante na temporada regular, mais ainda nos playoffs e assustador quando se pensa que as vítimas foram os dois melhores times do Leste na temporada regular.

Quando o Celtics venceu o Cavs, muita gente ainda não queria acreditar que os verdinhos estavam de volta pra valer. Era mais fácil (ou mais divertido) jogar toda a culpa em cima do LeBron James e de seus companheiros de time. Eu acho que toda vitória e toda derrota tem contribuições dos dois lados, por um o Cavs jogou mesmo mal, num nível muito abaixo do que eles mesmo se mostraram capazes na temporada regular, e por outro o Celtics se superou e fez uma série ótima, não dá pra dizer que uma coisa elimina a outra. Mas para os que ignoram isso, bastaram esses dois jogos em Orlando para deixar bem claro: o Celtics está de volta e é, hoje, o melhor time do Leste.

Durante a temporada regular eu lembro de ter feito um post sobre Cavs ou Orlando, não lembro, mas que terminava dizendo que quando todos os times do Leste jogavam o seu máximo o Celtics era o melhor deles. Se você pegar o jogo perfeito de cada time do Leste, o melhor é o Celtics, mas afirmei na época que o mesmo time do Boston era o que menos vezes chegava perto desse potencial. Até o Hawks, que era o mais limitado time do Top 4 do Leste, jogou melhor mais vezes e não a toa se classificou em terceiro, deixando o time do Doc Rivers em quarto. Apostar no Celtics durante a temporada regular era apostar em um potencial escondido lá no fundo e que, agora, voltou a aparecer.

Eu não acredito nesses papos de que um time liga e desliga um botão para querer jogar bem ou mal, não acho que o Boston Celtics sofreu tantas derrotas humilhantes em casa durante a temporada a toa. Eles não estavam jogando bem e não era por falta de interesse. Em entrevista recente Paul Pierce disse que foram dois motivos que levaram à campanha ruim na temporada reuglar: o primeiro foram as contusões e dores que muitos jogadores importantes sofreram durante a temporada, e o segundo o tempo excessivo que reservas passavam em quadra, dando experiência para eles e descanso para os titulares.

Mas acho que foi algo mais do que isso. Primeiro um fator emocional, já que existe uma motivação extra por ser playoff, o momento da decisão. Mas mais importante do que isso acho que o Celtics aceitou a idade do seu elenco e suas limitações. O Paul Pierce tem flashes de excelência em que lembra o melhor jogador dos playoffs de 2008, mas não consegue ser assim todo jogo. Até a metade da série contra o Cavs ele tinha média de 12 pontos por jogo! Ray Allen também não brilha em todo jogo, assim como Garnett, que só se destaca quando encara no mano a mano jogadores muito inferiores a ele.

O que víamos na temporada regular era o Garnett tentando ir pra cima de todo mundo, o Paul Pierce querendo ganhar períodos por conta própria e o Ray Allen arremessando de três o tempo todo mesmo que estivesse errando tudo. Agora não, quem está num dia ruim faz seu papel como coadjuvante, aparece só quando chamado e se dedica o triplo na defesa. Então se Paul Pierce só marcava 12 pontos por jogo, compensou isso fazendo parte daquela defesa magnífica que parou LeBron James.

Aquele Boston Celtics que foi campeão em 2008 era um time completamente dedicado à defesa e que no ataque apelava para o mais simples possível. Parecia que treinava tanto na defesa que não dava tempo de ensaiar uma jogada no ataque, compensando isso com o talento individual do chamado "Big 3". Como nesse ano esse talento individual não estava dando conta do recado, achamos, com bons argumentos, que o Celtics já era. Mas eis que surgiu um rapaz chamado Rajon Rondo. Em 2008 ele era talvez o quinto ou sexto melhor jogador do time, atrás de Pierce, Allen, Garnett, Posey e, talvez, Perkins. Dois anos depois precisamos garimpar a NBA inteira para achar um ou dois armadores melhores do que ele.

A resposta para a queda de produção dos jogadores mais velhos foi deixar Rajon Rondo 42 minutos por jogo em quadra nos playoffs, o máximo entre todos os jogadores. É ele quem decide para quem vai a bola, se o time corre ou para. Ontem, por exemplo, houve um momento impressionante em que o Paul Pierce segurava a bola na mão enquanto o Rondo gritava com outros 3 jogadores indicando onde cada um deveria ir. Ao fim da jogada o próprio Rondo marcou dois pontos em um arremesso. Alguma pessoa conseguiria imaginar, dois anos atrás, que o Rondo estaria mandando nesse time de veteranos e ainda mais acertando arremessos? Acho que eles precisaram chegar nos playoffs e sentir o desespero de aceitar qualquer coisa por uma vitória para oficialmente entregar o time nas mãos do Rondo, é ele quem deve ser regular e decisivo, o resto do time defende e, nos dias bons, ajuda o armador no ataque.

Essa dedicação defensiva também conseguiu resolver um dos maiores problemas do Boston na temporada regular, os rebotes defensivos. Eles passaram o ano todo figurando entre os três piores times nesse quesito em toda a NBA. Sério, nas estatísticas o Wizards, o Nets e o Wolves são considerados times de verdade e participam do ranking e alguns deles tinham médias melhores do que a do Celtics! Nos playoffs, em compensação, o Celtics é o quarto melhor time no mesmo quesito. Contra o Orlando pegou mais rebotes defensivos que o adversário nos dois jogos.

Mas será que alguém imaginava que mesmo com o Celtics de volta aos trilhos daria para bater o Magic duas vezes seguidas em Orlando? Eu não. O Magic, que desde os últimos meses da temporada regular é um dos ataques que melhor funcionam na NBA, pareceu sem opções nos dois primeiros jogos da série. Rashard Lewis parece que nem estava em quadra, Jameer Nelson só arremessava bolas forçadas e toda tentativa de infiltração do Vince Carter acabava sendo, no fim das contas, um arremesso caindo para trás com uma mão na sua cara. Sem saber o que fazer vendo suas três armas de perímetro não funcionando, o Magic ficou jogando a bola na mão do Dwight Howard sem parar, esperando que ele dominasse o jogo. A única exceção, vale a pena dizer, foi JJ Redick que se esforçava para continuar movimentando a bola no perímetro. Ele foi tão bem no ataque nos dois primeiros jogos que os principais marcadores do Pierce, Matt Barnes e Mickael Pietrus, ficaram mofando no banco.

O Dwight Howard fez uma ótima partida, com 30 pontos, mas não dominou a partida em nenhum momento. Deu pra enjoar de ver o Magic cometer erros e mais erros ao ficar buscando o melhor ângulo para dar o passe para Dwight. Até ontem o Magic era o time que tinha muitos recursos ofensivos de perímetro que, de tão vastos, abriam espaço para Dwight Howard fazer seus pontos. Ontem foi o caminho inverso, eles estavam tentando fazer o D-Ho dominar o garrafão para ver se abria um espaço no perímetro. Mas o Celtics confiou na defesa individual dentro do garrafão e mesmo os pontos marcados por Dwight não serviram para embalar qualquer outro jogador ofensivamente. Foi uma tortura assisti-los tentando furar a defesa verde.

Nós já falamos aqui de times que mudam drasticamente o seu jeito de jogar durante os playoffs, é o primeiro sinal de desespero. O segundo sinal são erros fáceis em momentos decisivos. O que falar, então, dos lances livres errados de Vince Carter a 33 segundos do fim do jogo? Se o Celtics é o time verde, o Magic, ontem, foi o amarelo.


Outro vacilo monstruoso foi do do JJ Redick que não pediu tempo a 7 segundos do fim do jogo quando o seu time poderia ter mais uma chance para empatar a partida. Redick tinha três opções: a primeira era pedir tempo assim que pegasse o rebote do arremesso de Ray Allen, assim o Magic iria repor a bola no campo de ataque e teria 7 segundos para executar um ataque. A segunda era pegar o rebote e correr para o campo de ataque e lá pedir tempo. Se você bate a bola depois de pegar o rebote a reposição só é no campo de ataque se você passar da linha do meio da quadra. A terceira era correr para o ataque e tentar arremessar logo, pegando a defesa do Celtics desprevenida.

Pois é, na dúvida entre essas opções o Redick pegou o rebote, bateu a bola, correu, não passou do meio da quadra e só aí pediu tempo. Ou seja, não pegou a defesa desprevenida, gastou 4 segundos preciosos de tempo e mesmo assim o time teve que começar o novo ataque do campo de defesa. Acabou não dando em nada e o time perdeu o jogo.

Dá pra dizer com tranquilidade que apesar de mais um bom jogo do Celtics, não faltaram chances para o Magic virar o jogo, mas nada como o desespero de ver que o seu time é o pior da série, não é? Paul Pierce sabe disso e garantiu, com direito a piscadinha de xavequeiro malandro, que irão fechar a série em 4 a 0 em Boston.


Alguém duvida? Levanta a mão quem acha que o Magic ainda tem alguma chance. Alguém?

Eu não acho, mas queria achar, não aguento mais lavadas nesses playoffs! Será que alguma série não vai ter um time obviamente superior desde o jogo 1? Ainda dá tempo para uma série histórica ou a temporada vai acabar com Thunder x Lakers sendo a série mais emocionante dos playoffs? Que a grande final nos salve.