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terça-feira, 8 de março de 2011

Fetiche por gigantes

Se o Brooks já era porra-louca, imagina quantas mães ele vai arremessar no Suns


Com a chegada da data limite para trocas na NBA, trocentos times resolveram fazer mudanças importantes. Alguns resolveram que era época de reconstruir, outros conseguiram peças importantes para tentar chegar ao título. Desde então sentamos e analisamos todas essas trocas, Jeff Green para o Celtics, Hinrich para o Hawks, Mo Williams para o Clippers, Deron Williams para o Nets, Carmelo para o Knicks e Gerald Wallace para o Blazers, além dos jogadores que foram dispensados e trocaram de time após as trocas, como o Mike Bibby indo para o Heat e o Troy Murphy indo para o Celtics. Só faltaram duas trocas, que são a parte que me cabe neste latifúndio. Como bom torcedor do Houston, é meu dever de cidadão analisar a troca que mandou Aaron Brooks para o Suns pelo Goran Dragic mais uma escolha de draft e a troca que mandou Shane Battier de volta para o Grizzlies pelo Thabeet e uma escolha de draft. Legal, vamos voltar do carnaval (em que você passou o dia inteiro atrás de atualizações do Bola Presa clicando com cara de fracasso vendo sua lista vazia no MSN, ou então estava bêbado demais para se importar com basquete) e nos deparar com mais um texto sobre o Houston escrito pelo lambedor de bolas oficial do Yao Ming. Ah, não é uma delícia fazer o que a gente bem entende?

No post sobre a troca do Blazers, lembramos do processo de reconstrução da equipe que começou mandando embora Zach Randolph, então melhor jogador da equipe. Mesmo sem outras trocas, escolhas de draft ou contratações, o Blazers já melhorou imediatamente só de não ter o Randolph em quadra. Em parte porque ele era um buraco negro (quando a bola chegava nele, nunca mais escapava), em parte porque ele produzia bons números mas não defendia bulhufas, mas o motivo principal da melhora da equipe foi que  a saída do Randolph abriu espaço para outros estilos de jogo e deu oportunidade para outros jogadores mais jovens. Cada caso é um caso, não é sempre que funciona, o Cavs sem seu melhor jogador virou um dos piores times da NBA, mas às vezes vale a pena perder uma peça que parece essencial e dar minutos ao resto do elenco. Curiosamente é o que está acontecendo com o Nuggets, por exemplo, que sem o Carmelo agora pode se dedicar a um sistema de jogo defensivo e dar minutos a um elenco bastante profundo. Com o Houston aconteceu algo parecido, mas em menor grau.

Desde que o Tracy McGrady foi boicotado e mandado embora, o time continua com sua política de manter um jogo coletivo e sem estrelas que consegue fazer estrago, mas que sem Yao Ming provou que não vai a lugar nenhum. Aaron Brooks foi um dos melhores jogadores da equipe nas duas últimas temporadas, foi líder da NBA em bolas de 3 pontos, deu sufoco para o Lakers nos playoffs e assumiu a responsabilidade nos momentos decisivos de inúmeras partidas - mas ele ainda era apenas mais um armador em uma equipe cheia até as orelhas de outros armadores. Rapidamente ele foi de jogador mais importante para jogador mais desnecessário - e a equipe melhorou muito sem ele.

Isso aconteceu porque a defesa do Houston desmontou inteira sem Yao Ming. Tendo que usar um garrafão muito baixo e com limitações defensivas graves (jeito simpático de dizer que todo mundo fede), a tática de afunilar a defesa para o centro do garrafão virou farofa. Os jogadores de perímetro passaram a ser responsáveis por impedir os adversários de infiltrar, e não de forçar a infiltração pelo meio como antigamente. O problema é que Kevin Martin e Aaron Brooks são simplesmente terríveis na defesa mano-a-mano, é de dar vergonha. Com os dois em quadra como titulares, a defesa da equipe virou uma peneira, mais aberta do que passista bêbada de escola de samba, e vários jogos foram perdidos por pouco no começo da temporada justamente porque o Houston não conseguia impedir pontos nos minutos mais importantes. A temporada foi pro saco bem no começo, com os jogos perdidos por pouco, e desde então o time não fez outra coisa além de correr atrás do prejuízo em busca de uma vaga nos playoffs.

Quando o Brooks se machucou e Kyle Lowry assumiu a armação da equipe, as coisas melhoraram muito. Lowry é um excelente defensor, um dos melhores na posição, e bastou que tivesse mais minutos (e se recuperasse da própria lesão que sofreu) para se acostumar com as funções do Brooks e começar a acertar os arremessos de três pontos que eram característica do antigo dono do cargo. A profundidade do elenco também apareceu com a contusão do Brooks: o Courtney Lee, também excelente defensor, joga muito bem quando tem minutos decentes. Chase Budinger se destaca nas bolas de três se o armador não arremessar tanto. Ish Smith, que teve minutos quando todos os outros armadores estavam lesionados, mostrou que consegue segurar as pontos. E Terrance Williams, que anda destruindo nos treinos da equipe, só não entra em quadra pra pontuar como um maluco porque ele é essencialmente igual ao Brooks no que tange à defesa.

Ou seja, não deu pra sentir falta do Brooks enquanto ele esteve contundido. Tem armador de baciada para entrar no seu lugar, incluindo um armador que sequer tem espaço para ser utilizado e que faz as mesmas coisas que ele. O time ainda tem suas dificuldades, continua perdendo, mas é melhor com Kyle Lowry armando e o resto dos armadores tendo oportunidade em quadra. O Brooks é bom, isso é inegável, mas Lowry é um armador mais experiente com uma carreira inteira em que foi reserva e merecia ser titular, é bonito ver ele finalmente morder a vaga e não largar mais.

Quando voltou de contusão, o Brooks foi pro banco de reservas. Sua vaga como titular estava tomada em definitivo, não adiantava chorar. Seu contrato acaba nessa temporada, então era bem óbvio que o Houston não iria reassinar o armador por uma bagatela e que o Brooks iria procurar outros ares. Seria normal perder o armador por nada e respirar aliviado com o espaço criado pela sua partida, coisa de elenco profundo e nenhuma chance de título, mas o Houston conseguiu trocá-lo numa jogada de mestre. Porque o Suns não sabe o que faz.

O Goran Dragic não estava jogando bem em Phoenix, é verdade, mas ele comandou o ataque do Suns nos playoffs passados com algumas partidas simplesmente espetaculares e é disparado o melhor defensor da equipe na posição (o que não quer dizer nada num time que tem o Nash, claro). Faz tempo que o armador esloveno está sendo cuidadosamente criado para assumir o time numa possível saída do Nash, mas parece que o Suns simplesmente encheu o saco. Mandaram o armador embora, junto com uma escolha de draft (do Suns, se eles não forem para os playoffs, ou do Magic, caso eles consigam ir) e pegaram o Brooks para assumir a reserva e o Ish Smith pra segurar as pontas quando Nash e Brooks jogarem ao mesmo tempo em quadra numa formação mais baixa. Caso a equipe tenha esperanças de se dar bem nos playoffs, o Brooks pode ser uma boa - ele fez chover contra o Lakers, é mais rápido que o Dragic, arremessa melhor e tem experiência levando um time nas costas na pós-temporada. Mas para assumir o lugar do Nash, a troca não faz sentido. O contrato do Brooks vai acabar nessa temporada e não há garantia de que ele vá reassinar com o Suns. A troca pareceu apenas um empréstimo para ver se a equipe consegue ir bem nos playoffs nessa temporada, o que é ridículo. Desde quando o Suns deveria se importar com essa temporada? Tudo bem que o time deveria feder mas nunca fede, que eles continuam ganhando mesmo quando a gente espera que eles desmontem, mas alguém realmente acredita que essa equipe que depende do Channing Frye e do Vince Carter vai a algum lugar? Quando finalmente achamos que o Suns vai se tocar, entrar em reconstrução e trocar o Nash, eles insistem em vencer uns jogos bizarros, continuam com chances de ir pros playoffs e fazem uma troca que não pensa em nada no futuro. Não entendo esse time nem lascando. Pra mim foi a troca mais desequilibrada da data limite, o Houston cometeu um assalto à mão armada e o Suns tá lá, feliz da vida, achando que dá pra vencer o Spurs nos playoffs e mandar o futuro às favas. Legal. Se eles forem campeões com esse time mequetrefe, sendo que não conseguiram com Amar'e e Jason Richardson, façam favor de jogar esse mundo fora porque não vou querer viver nele.

A outra troca do Houston tem muito em comum com a primeira. Os jogadores que ganharam espaço com a lesão do Aaron Brooks, como Courtney Lee e Chase Budinger, não apenas se mostraram competentes com os minutos como também são o futuro do Houston, que não tem motivo para pensar no agora. Shane Battier é um gênio, continua sendo um dos melhores defensores da NBA e é mais obediente do que cachorro de cego, respeita toda e qualquer instrução tática, lê bem o jogo e executa bem todas as pequenas coisas como se jogar no chão e dar cabeçadas em muros de concreto. Mas ele é o tipo de jogador essencial para equipes que querem ser campeãs, não para equipes que estão formando elencos profundos baseados em pirralhada. Ele era a peça final para levar Yao e Tracy McGrady ao titulo, o Houston até abriu mão do Rudy Gay novato porque não tinha paciência para esperar o pirralho amadurecer. Mas o título não veio, as lesões não deixaram, o Rudy Gay virou estrela no Grizzlies e o Battier agora não é mais necessário. Com o contrato expirante do Yao Ming, o Houston vai ter grana para decidir quais jogadores jovens manter e quem trazer para dar uma força, mas está longe de ter chances reais pelos próximos anos. O Battier estava sendo pouco aproveitado. Isso ficava óbvio quando o Houston vencia jogos graças às bolas de três pontos do Battier, não graças à sua defesa. Toda vez que ele entrava em quadra com a mira calibrada, as chances de vitória da equipe eram muito maiores. Pronto, agora o Houston pode usar o Chase Budinger de titular que é especialista nas tais bolas de três e o Courtney Lee pode brilhar na defesa arremessando muito melhor do que o Battier jamais arremessará. Ponto pra meninada.

No Grizzlies a situação é inversa. Agora o time se leva a sério, a reconstrução feita aos trancos e barrancos que começou com a troca do Pau Gasol deu resultado, e eles realmente acreditam que podem surpreender nos playoffs. O projeto do Grizzlies teve um monte de tropeços, o OJ Mayo deu dor de cabeça e foi deixando de ser usado, o Hasheem Thabeet veio com a segunda escolha do draft mas não está pronto para a NBA, o Rudy Gay se contundiu no meio dessa temporada (e só volta agora no final de março), e mesmo assim o Grizzlies continua impressionando todo mundo com uma defesa sufocante e vencendo jogos que não deveria vencer. É um time de verdade capaz de garantir uma vaga nos playoffs e surpreender qualquer adversário através da defesa. Quão bizarro é isso num time que tem Zach Randolph como titular? É maluco mas é real, e agora o Grizzlies precisa acreditar que pode vencer imediatamente, preparando terreno para a inevitável evolução da equipe. Tony Allen encontrou nova vida após o Celtics com a sua forte defesa individual, então Shane Battier com certeza vai se encaixar no esquema defensivo, quebrar um galho nos rebotes enquanto Rudy Gay está fora, e fazer as pequenas coisas que o time precisa nos playoffs. Ainda que o contrato do Battier também seja expirante como o do Brooks, tudo leva a crer que o Battier vai ter muitos movitos para continuar na equipe após essa temporada e terá um papel importante na campanha da equipe nos playoffs e no futuro.

Para conseguir Battier, o Grizzlies teve apenas que desistir de uma escolha de draft futura (provavelmente de 2013, quando eles esperam estar na elite da liga) e de uma cagada, o pivô Hasheem Thabeet. Todo mundo sabia que o pivô estava mais cru do que sashimi quando foi draftado, mas o Grizzlies insistiu em gastar uma segunda escolha com o rapaz. Agora que precisam vencer hoje mesmo, não dá pra esperar mais 10 anos até que o pivô aprenda a amarrar os próprios cadarços. O Houston pode ter essa paciência numa boa, e está tão desesperado por um pivô que vale até a pena arriscar um jogador que precisa de ajuda para se limpar quando vai ao banheiro. O lado positivo pro Houston é que o Thabeet não foi um fracasso completo como novato. Ele teve média de mais de um toco por jogo mesmo ficando em quadra por pouco mais de 10 minutos. Ele é um poste gigantesco com 2,21m de altura capaz de alterar muitos arremessos e bloquear outros tantos, mas com dificuldade para correr de um lado para o outro, técnica nenhuma no ataque e físico inferior ao do Justin Bieber. Se o Houston quer voltar a ter uma presença defensiva no garrafão para que a defesa do perímetro afunile em sua direção, como fazia com Yao e com o Mutombo, o Thabeet é uma esperança. O Grizzlies foi ficando bom e aí não fazia mais sentido dar minutos para o pirralho que só sabe dar tocos, o Houston pode esperar mas é bem capaz que também fique bom demais antes do pivô deslanchar, e aí não vai fazer sentido usá-lo. Por enquanto o Houston está sendo cauteloso, avaliando o Thabeet nos treinos, ainda vendo se a nova formação da equipe se encaixa e se tem chances de lutar por uma oitava vaga. Em breve ele vai ganhar mais chances e minutos, coisa de time com fetiche por pivôs com mais de 2,20m de altura. É legal ganhar um pivô com potencial em troca de um jogador que não era mais tão útil e cuja partida abrirá espaço para outros jovens promissores, mas convenhamos: ficar dependendo de pivôs gigantes mostra que o Houston definitivamente não aprendeu uma lição importante sobre a saúde desses jogadores-aberrações. Aposto que o Grizzlies agora respira aliviado por não ter que lidar com essa bomba, mesmo que no futuro o pivô venha a render alguma coisa. É melhor garantir umas vitórias agora do que ter que carregar o fardo de uma péssima escolha de draft pra vida toda. O fardo agora é do Houston, mas é mais leve porque é só uma pequena aposta que custou pouco - desde que a equipe não morra de amores pelo pivô e deposite todas as suas fichas nele. Mas como ele mal entrou em quadra desde que a troca aconteceu, não acho que seja o caso. Como torcedor, também não vou esperar grandes merdas, vou só ficar de olho porque, né, vai que dá certo?

sábado, 29 de maio de 2010

A vitória de Nate Robinson


Em 2003 o San Antonio Spurs estava em uma das partes mais difíceis de seu caminho para o título quando enfrentava o Dallas Mavericks de Steve Nash, Michael Finley e Dirk Nowitzki na final da conferência Oeste. Era o jogo 6 e eles podiam fechar a série em Dallas ou ter um perigoso jogo 7 em casa. O jogo estava disputado, com os dois times jogando em alto nível e o Spurs tinha dificuldade na armação de jogadas já que Tony Parker só tinha jogado 13 minutos de jogo e não conseguia voltar para a quadra por estar com dor de barriga. Seu substituto Speedy Claxton não estava numa noite inspirada e restou à Manu Ginobili virar o armador da equipe. Mas com ele na armação, faltava quem arremessasse e colocasse a bola na cesta, acertasse umas bolas de 3 e abrisse a quadra.


Foi então que o técnico Gregg Popovich resolveu tirar do banco o veteraníssimo Steve Kerr. Loirinho branquelo que tanto ajudou Michael Jordan em seus títulos e que jogava sua última temporada na NBA. Em quadra pela primeira vez desde o início dos playoffs, Kerr entrou e jogandoa apenas o último quarto acertou 4 bolas de 3 em 4 bolas tentadas e garantiu o título do Oeste para o Spurs.


Foi nessa história que eu pensei ontem quando o Nate Robinson entrou em quadra. Ele havia jogado apenas 44 minutos somados em todos os 15 jogos que o Celtics disputou nesses playoffs e só entrava em quadra como última opção dos armadores, depois de Rajon Rondo, Marquis Daniels e Tony Allen. Mas com Daniels fora, machucado e Rajon Rondo, que estava arrasando no jogo, fora depois de um tombo feio no começo do 2º quarto, Doc Rivers não tinha outra opção senão colocar o KryptoNate em quadra.

E parece que o Nate Robinson é um personagem de video game, que quanto mais tempo você deixa descansando mais ele carrega suas energias e se você guarda ele por um tempão ele fica super poderoso. Depois de tanto tempo guardado no banco ele entrou em quadra e parecendo uma criança hiper-ativa, não parou um segundo de se mexer, de pular, de marcar e de acertar arremessos. Nos seus poucos minutos de ação ele anulou o Jameer Nelson, acertou arremessos em sequência e marcou 13 pontos em cerca de 8 minutos. Segundo o técnico do Orlando Magic Stan Van Gundy, foi o momento crucial da partida.

O Doc Rivers deve ter aprendido com o Mike D'Antoni. No Knicks, o Nate Robinson ficou mais de um mês sem pisar na quadra depois de brigar com o técnico e quando finalmente voltou marcou 41 pontos contra o Atlanta Hawks, estão lembrados?


Mas o mais estranho dessa história foi ter acompanhado o pré-jogo da ESPN norte-americana. Durante a discussão sobre o que cada time deveria fazer para vencer o jogo, todos os comentaristas falavam as coisas mais óbvias, quando de repente o Magic Johnson disse que achava que quem deveria aparecer mais no jogo era o Nate Robinson! Sério, da onde o Magic tirou essa? O cara nem tava entrando em quadra e provavelmente jogaria pouquíssimos minutos se o Rondo não tivesse se machucado, por que sequer citar o cara? Mas ele citou, disse que sua energia, seus arremessos e sua capacidade de infiltração poderiam e deveriam fazer a diferença. O cara já foi um dos melhores jogadores de todos os tempos e ainda palpita melhor que todo mundo? Apelação.

Outro que acertou na previsão foi o técnico Doc Rivers. Que certa vez questionado por não usar muito o Nate Robinson disse "Ele ainda vai ganhar um jogo pra gente nesses playoffs". E ganhou um dos mais importantes! Mas o Doc está bem certo, o Nate Robinson não é bom ou regular o bastante para ser titular na NBA, ele é impulsivo demais e não sabe jogar em equipe. Se você coloca ele em quadra por 40 minutos todo jogo ele vai te ganhar 3 jogos e perder 10, não vale a pena. Mas sabendo controlar seu tempo em quadra e lendo as situações de jogo dá pra usar ele só nas situações onde ele ganha jogos e todo time que quer ser campeão precisa ter no banco um desses caras que te arranjam uma vitória do nada.

O Magic não tem do reclamar do jogo de ontem, eles perderam essa série quando perderam os dois primeiros jogos em casa. A partida de ontem foi um típico jogo em Boston, com a defesa do Celtics mordendo forte e Paul Pierce acertando seus arremessos sempre que o Magic ameaçava uma reação. Eles tentaram, se esforçaram, mas é difícil vencer 4 jogos seguidos contra uma forte defesa. Basta um dia as bolas de longe não caírem (e eles criaram boas situações para esses arremessos!) e já era. Se tivessem vencido um daqueles dois jogos em Orlando poderiam estar se preparando para um jogo 7 agora, mas já foi, o negócio é pensar no futuro.

Vale a pena pagar quase 40 milhões de dólares por ano pela dupla Rashard Lewis e Vince Carter depois que os dois oscilaram tanto nos playoffs? E, mais, dá pra trocar um dos dois? Vão manter Brandon Bass e Marcin Gortat, que querem ser trocados? Que trocas fazer para conseguir manter o Free Agent JJ Reddick? Pronto, vários problemas futuros para o Magic esquecer os do passado recente.

Para o Celtics o momento é de ligar para o David Stern e agradecer quem fez o calendário das finais. O primeiro jogo (que será em Los Angeles ou Phoenix, já que ambos tem campanha melhor que a do Celtics) será só na próxima quinta-feira, no dia 3 de junho. Quase uma semana de folga para o Celtics descansar o seu time que foi se desmontando em dores e contusões nessa série. Na partida de ontem o Marquis Daniels não entrou, o Rasheed Wallace não jogou o fim da partida com fortíssimas dores nas costas e o Rondo teve o seu homérico tombo de costas no chão. Imagina se eles chegam assim sem banco de reservas para enfrentar aquela correria do banco do Suns? Seria caótico, será um descanso essencial para o Celtics lutar pelo título.

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Kevin Durant x Hasheem Thabeet
Achei essa história muito engraçada e tive que postar aqui mesmo não tendo nada a ver com os playoffs. O Bill Simmon, colunista da ESPN, postou na sua última coluna uma mensagem que foi enviada pra ele por email por um fã, que traduzo aqui embaixo:

"Bill, achei que você ia gostar dessas mensagens enviadas em sequência no Twitter:

15:50, Hasheem Thabeet - Almoço tarde antes de tirar uma soneca! Mhmmm yummy!
16:00, Kevin Durant - Acabei um ótimo treinamento. Trabalhei o controle de bola, finalização com contato, arremessos, pick and rolls e arremessos com marcação.

Agora você consegue dizer qual dos dois jogadores que foram escolhidos como número 2 no draft passou um tempo na D-League?
Brian Seboly, Memphis, Tenn"

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O pássaro do Leandrinho
Outra história para postar aqui e encerrar o texto é sobre o sinal que o Leandrinho tem feito com a mão depois de acertar seus arremessos. Eu achei estranho, me lembrou a campanha "Sou da Paz" e fiquei perdido. Aí, talvez com medo de multas, já que alguns jogadores já foram suspensos por terem feitos "sinais de gangue", ele resolveu explicar logo o que era isso aqui:


"É um pássaro, um pássaro branco. Significa que minha mãe ainda está por perto, estou fazendo para ela. Eu sonhei com isso por algum motivo e então comecei a fazer". Para quem não lembra, a mãe do Leandrinho morreu em novembro de 2008.

sábado, 27 de junho de 2009

A Análise do Draft - Parte 1

Bem, pessoal, chegou a esperada hora de analisar time a time quem se deu bem, quem se deu mal e quem saiu igual da noite do draft. Vamos dividir em partes para ter a liberdade de analisar os 30 times sem nos preocupar em fazer um post maior que a Bíblia.


Os posts vão sair grandes, claro, a gente não consegue se controlar, mas será mais agradável ler aos pedaços. Sem mais enrolações, vamos apresentar o nosso sistema de avaliação dos times dessa temporada. No Draft 2007, analisamos usando boas e velhas notas em algarismos arábicos, ano passado fizemos os "selos de qualidade Bola Presa" usando mulheres como objetos-nota para avaliar os times.

Nesse ano, como o dia do draft será sempre conhecido como "O dia em que o Michael Jackson morreu", os selos desse ano levam a marca do cantor-dançarino-performer-pedófilo mais querido do mundo. Vamos aos selos de avaliação desse ano:


Thriller: Sucesso absoluto, ótima escolha! O time com selo Thriller pode sair tranquilo e feliz do draft.



Black or White: O jogador draftado pode causar alguma dúvida por causa de sua posição, histórico ou situação do time, mas tem tudo pra dar certo.


Jackson 5: O jogador escolhido não deve passar de um role player, um jogador de equipe. Dependendo da posição onde foi escolhido isso pode ser bom ou ruim.


Moonwalk: Pareceu legal na hora mas olhando bem ele só está andando pra trás. Esse jogador não vai levar o time a lugar nenhum.


Plásticas no nariz branco: Ninguém vai reconhecer esse jogador daqui um tempo. Promessa falida, escolha horrível.



Finalmente, a análise time por time.


Los Angeles Clippers
Blake Griffin, PF


O Clippers só tinha uma escolha e pegou o que todos acreditam ser o melhor jogador do draft, Blake Griffin. Fizeram o que tinha que ser feito, correram o menor risco possível. Claro que por ser o Clippers, tudo pode dar errado ainda. Na última vez que tiveram uma primeira escolha conseguiram o feito de pegar o Michael Olowokandi, então nem uma primeira escolha aclamada pela crítica é segura por lá.

O que eles precisam fazer agora é dar uma geral no time. Afinal, quem vai ser titular e quem vai ser reserva entre os alas e pivôs, já que eles tem Griffin, Randolph, Kaman e Camby? Com Shaq e Dwight no Leste deve ter um monte de time por lá que não recusaria o Camby ou o Kaman, talvez fosse uma boa hora de trocar um dos dois e começar a montar um banco de reserva.

O time com Baron Davis, Eric Gordon, Al Thornton, Blake Griffin e Marcus Camby é bacana, mas simplesmente não existem reservas nas posições 1, 2 e 3 e, como todo mundo sabe, haverá contusões nesse time.


Memphis Grizzlies
Hasheem Thabeet, C
DeMarre Carroll,
Sam Young,

A primeira escolha do Grizzlies, o Hasheem Thabeet, pivô de UConn vindo da Tanzânia, foi correta, acho que faria a mesma coisa no lugar deles, mas draftar pivôs gigantescos nas primeiras escolhas do draft é sempre arriscado. O Thabeet não é o primeiro negão gigante a ser comparado ao Mutombo e praticamente todos os que vieram antes não se saíram tão bem quanto o velho Dikembe.

O Thabeet dominou os garrafões da NCAA, média de 4 tocos por jogo, 2,22m de altura e ótimo posicionamento defensivo. Mas sabe quem fez a mesma coisa? Greg Oden. Quem garante que o Thabeet não será também uma máquina de fazer faltas e sem jogo ofensivo? Acho que o Thabeet pode acabar sendo daqui uns anos o novo Mutombo, o novo Dalembert ou o que vimos do Oden nesse seu primeiro ano de NBA. E dependendo desse desfecho poderemos julgar melhor essa escolha.

Mas o Grizzlies precisava correr esse risco. Com Conley, que terminou muito bem a temporada passada, OJ Mayo e Rudy Gay, eles tem um bom trio ofensivo e precisavam de uma força no garrafão, alguém comprometido na defesa. O Marc Gasol quebrou um galhão na temporada passada e pode ser titular em muitos times, mas nunca vai ser o jogador dominante na defesa que o Thabeet pode vir a ser. E quem sabe o Gasol não joga um pouco na posição 4 nessa temporada, a posição mais carente do time?

Já com a escolha 27 o Grizz escolheu o DeMarre Carroll, um ala que joga nas posições 3 e 4 e que parece que está destinado a ser reserva. Se render nos minutos que jogar já é lucro, mas acho que eles poderiam ter pego o Toney Douglas, que é um especialista em defesa de perímetro ou qualquer jogador da posição 4 disponível. Com sua última escolha, a 36, eles pegaram o Sam Young, um cara que pula muito, é bem atlético, diz que está melhorando o arremesso e parece mais velho que o Greg Olden.


Oklahoma City Thunder
James Harden, SG
BJ Mullens, C
Robert Vaden, SG

Alguns podem achar que o Thunder foi meio cagão ao pegar o James Harden na terceira posição. Afinal, eles poderiam ter pego o Rubio, usado o Russell Westbrook na posição 2 e ter um time ousado, muito veloz e ofensivo. Mas o Thunder melhorou a cada mês na temporada passada e não é a hora de mudar tudo.

James Harden é um jogador talentoso, que sabe atacar a cesta mesmo sem ser muito veloz e que chega na NBA já feito, sem aqueles rótulos de "precisa ficar mais forte", "precisa aprender a arremessar" ou "precisa aprender a jogar basquete". Assim ele chega pronto para ser titular, colocar o Kevin Durant na sua posição original de ala e garantir de vez que o Thunder jogará num small ball, com o Jeff Green como um ala de força sem tanta força. Escolha segura e que dará resultados!

Em uma das trocas mais tolas do draft, o Thunder conseguiu o pivô BJ Mullens. O Dallas pegou o Mullens na escolha 24 e mandou para o Thunder em troca do francês Beaubois que foi a escolha 25 do Thunder. Foi só uma artimanha do Mavs pra conseguir uma escolha de segunda rodada extra. Mas no resultado o Thunder pegou um jogador na posição mais carente do time, a de pivô, em que só tem o Nenad Krstic. O Mullen é o terceiro pivô em três anos a sair de Ohio State (Oden, Koufos) e possivelmente é o pior ou o menos preparado dos três para a NBA. Deve sair do banco, fazer suas cestas em pick and rolls ou rebotes ofensivos e voltar pro banco, mas pode dar resultado a longo prazo.

Na segunda rodada o Thunder pegou outro jogador que cobre uma falha do time, os arremessos dos 3 pontos. Robert Vaden seria trilhões de vezes mais legal se chamase Robert Vader, mas vale assim mesmo. Já fez 7 bolas de 3 em um tempo da NCAA e deve vir do banco para tentar ser um Eddie House da vida, mas não duvide se acabar virando um The Machine.


Sacramento Kings
Tyreke Evans, PG/SG
Omri Casspi, SF
Jon Brockman, PF

Pelo o que eu li por aí o Kings foi um dos times mais criticados do Draft. Meteram o pau neles por terem tido a chance de pegar o Rubio, o Flynn e o Stephen Curry e terem deixado passar pelo Tyreke Evans. Mas eu tô apostando que vai dar certo!

Minha maior dúvida era se o Evans poderia jogar como armador principal ao lado do Kevin Martin, já que pra mim ele era mais um jogador da posição 2, mas vários especialistas que assistiram ele de perto garantem que ele vai render e render muito bem como armador principal. Acreditando nisso aposto que foi a escolha correta, porque esse moleque parece bom demais.

Em treinos na última semana antes do draft o Evans foi o melhor jogador de todos os Top 10 e impressionou todo mundo que tinha uma escolha. E o Kings tem tradição em escolher jogadores baseados em seus treinos e não em seus nomes, foi assim que escolheram o Jason Thompson na 12º posição no ano passado e acertaram em cheio. Também gostei do Evans ser escolhido ao invés do Rubio porque o Kings precisa de jogadores que marcam pontos e o Evans é mais pontuador que o espanhol dos Jonas Brothers.

Com a sua escolha 23 o Kings pegou o que pode ser o primeiro israelense a jogar na NBA, Omri Casspi. Eu vi pouco dele, mas parece que ele é um mix de Rudy Fernandez e Turkoglu. O Rudy pelo jeito de jogar mesmo, o Turkoglu porque ele joga de ala mesmo com quase 2,08m de altura. A escolha não é ainda certeira porque esses gringos sempre correm o risco de demorar pra ir pra NBA, mas se for agora o Kings tem um bom jogador pra posição 3.

Por último uma escolha divertida. Jon Brockman tem nome de lenhador e é parceiro de faculdade do Spencer Hawes, que vai tirar sarro do seu novato e divertir o vestiário. Só isso.


Minnesota Timberwolves
Ricky Rubio, PG
Jonny Flynn, PG
Wayne Ellington, SG
Henk Norel, C

O Wolves foi o primeiro time a ter quatro escolhas de primeiro round no mesmo ano e não tiveram criatividade nenhuma na hora de escolher: três armadores nas suas três primeiras escolhas, em Rubio, Flynn e Lawson.

Todo mundo sabia que se o Ricky Rubio sobrasse lá eles não iam perdoar e fizeram muito bem em apostar nele, mas a escolha do Jonny Flynn depois causou uma baita confusão digna de filme da Sessão da Tarde. O Rubio falou logo depois do draft que não estava confortável com o fato do time ter draftado outro jogador da mesma posição logo depois e disse que por isso consideraria passar mais um ano na Espanha. Com isso começaram a chover propostas e rumores sobre o Rubio ir para o Knicks, Rockets, Suns e trocentos outros times. Para terminar, o Rubio não apareceu na coletiva de imprensa de apresentação dos jogadores.

Para baixar a poeira o novo General Manager do time, David "Gengis" Kahn, afirmou que entende a situação do Rubio mas que garante que ele será o armador titular da equipe a partir do momento que entrar lá. E, para não agradar só um irmãozinho, que o Flynn também pode ser titular. Será que cola e o Rubio aparece lá? Um mal entendido pode custar um ano sem o espanhol.

Apesar dos dois armadores serem nanicos à lá falecido Pitoco, o GM Kahn acredita em um esquema com dois armadores baixos como titulares e para isso citou formações famosas da idade da pedra como Isiah Thomas e Joe Dumars, Jerry West e Gail Goodrich e Danny Ainge e Dennis Johnson. Todos exemplos que o Rubio nem sabe que existem porque não era vivo quando a maioria deles jogava.

Eu gosto de times com dois armadores juntos. Gostava quando o Dallas usava Nash e Van Exel ou quando o Kings usava Bobby Jackson e Bibby. Até gosto hoje quando o Bobcats usa Felton e Augustin, mas isso são reservas atuando alguns minutos. Os dois como titulares implica em muitos minutos juntos e um dos dois marcando jogadores bem mais altos. Imaginam Rubio ou Flynn marcando o Kobe, o Ginobili ou até uns mais baixos como o Brandon Roy? Não tem como dar certo. Ou um vai dar o fora ou um vira um reserva insatisfeito.

Pra terminar, o time não tem técnico ainda! Seja lá quem eles vão contratar, vai ter que ser alguém que também acredita nessa teoria de que dois armadores baixos juntos podem dar certo. Mas o que salva o Wolves é que os dois são muito bons e que na pior das hipóteses eles podem conseguir uma boa troca. Foram escolhas boas pelo talento e péssimas pelas consequências que isso trouxe.

Ty Lawson, que pareceu uma piada na hora que foi draftado por ser mais um armador, acabou sendo trocado para o Denver Nuggets em troca da escolha do draft do Bobcats do ano que vem. Negócio bom para o Wolves, os melhores jogadores disponíveis nesse pedaço do draft eram armadores e ao invés de ter mais um, conseguiram uma posição parecida a essa (18º) no draft do ano que vem.

Com a escolha de Wayne Ellington, na segunda rodada, o Wolves tem finalmente um bom arremessador de 3 pontos, para o NBADraft.net é o melhor desse draft. Como não parece ter muito além disso, deve ter minutos limitados no time, mas é sempre bom ter um arremessador. Por fim, Henk Noel é um pivô holandês com cara de psicopata destinado a tomar enterradas na cabeça, se é que um dia vai jogar na NBA.


Golden State Warriors
Stephen Curry, PG


Eu adorei a escolha do Warriors. O Stephen Curry é um daqueles armadores que não são de organizar o time, é um armador finalizador, agressivo. Mesmo assim tem um bom arremesso e é um dos poucos, se não o único, armador desse Top 10 a ter um confiável arremesso de 3 pontos. Ou seja, ele tinha que sair pro Warriors ou para o Knicks para jogar na correria.

A torcida de Nova York só faltou chorar ao ver que ele chegou perto de NY e escapou pelos dedos, já a do Warriors deve estar dividida. Por um lado o Stephen Curry é ideal para deixar o Monta Ellis na posição onde ele joga melhor, na 2, e fazer uma das duplas de armação mais rápidas e difíceis de ser marcada na NBA. E ao contrário do Wolves, não importa quem eles vão ter que defender depois porque ninguém defende lá, simples assim.

Por outro lado, porém, o Don Nelson disse que o Curry é tão perfeito para o Warriors que eles não vão trocá-lo de jeito nenhum. "Ele pode desfazer as malas e até comprar uma casa", segundo o técnico pirado. Mas isso quer dizer que a troca que estava quase feita com o Suns pelo Amar'e Stoudemire está mais melada que Playboy. O Curry é bom e vai fazer pontos até explodir nesse Warriors, mas será que vale a perda da chance de ter o Amar'e? Talvez eles se arrependam disso um dia.


New York Knicks
Jordan Hill, PF
Toney Douglas, SG

Primeiro time a receber o selo Jackson 5. Isso porque os dois jogadores do Knicks, apesar de parecerem bons, não vão mudar a cara do time como, por exemplo, Stephen Curry iria. Curry entraria para ser o armador que conduziria o time, já Jordan Hill vai ser ou um pivô para deixar o David Lee de ala de força ou o cara que irá herdar a posição do Lee caso ele seja realmente trocado.

Comparam o Jordan Hill com o Chris Bosh, mas como o próprio Bosh disse, é só por causa do cabelo. Tirando isso eles não tem nada a ver. O Bosh tem muito mais recursos ofensivos e arremesso, o Hill vai se garantir na NBA por ser um bom reboteiro. Se é pra comparar com algum cabeludo, ele é o Joakim Noah menos desengonçado no ataque e menos drogado.

Se o Knicks quisesse ousar, poderiam ter ido de Jennings para ser o armador do time, mas se eles querem o LeBron no ano que vem talvez não seja a hora de arriscar, mas sim de pegar alguns jogadores mais sólidos para criar um ambiente melhor pro King Crab. Mais um ano de sofrimento para o Knicks com um time de medianos.

A escolha 29, que era do Lakers e o Knicks comprou por singelos 3 milhões de dólares, rendeu o armador Toney Douglas. Douglas parece ser um bom jogador, daqueles pra vir do banco dando um gás e marcando o melhor jogador adversário. Mais um bom role player para a coleção de ótimos role players que o Knicks tem.

...
Acabamos essa primeira parte antes que isso vire a Bíblia que eu prometi que isso não viraria. Encerro por hoje. Amanhã tem mais times, possivelmente mais 8 e depois os 14 que sobraram pra terminar. Os últimos 14 não vão render um post tão grande porque tem times como os finalistas Lakers e Magic, que somam uma única escolha de draft, a do genial Chinemelu Elonu na posição 59. Quem já leu tudo e quer ler mais pode conferir nosso glorioso Mock Draft da Força Nominal.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Ninguém quer o Grizzlies

Alguma coisa tinha que valer a pena em Memphis (mas as do Heat são melhores)


Curto e grosso: Se você fosse um excelente e jovem jogador que estivesse prestes a entrar na NBA, você gostaria de jogar no Grizzlies? Mas pense que você é um ótimo jogador, você não é um mané que se tiver dois minutos em quadra estará feliz, você pode ser uma estrela. Ainda assim ia querer jogar no time de Mayo e Gay?

Se você disse sim, pelo jeito é uma exceção. Primeiro foi o Ricky Rubio, seu agente disse que não queria ver seu garoto no Grizzlies. Não sabemos se o Rubio pensa o mesmo, mas se pensa não foi a público desmentir o que seu agente colocou no ventilador pra todo mundo ouvir. Depois foi o Stephen Curry, que nem está cotado pra ser uma escolha tão alta (o Grizzlies tem a escolha número 2), que afirmou que não gostaria de jogar em Memphis.

Por fim, o Hasheem Thabeet, pivozão de de 2,22m que virou a nova escolha certeira do Grizzlies depois do depoimento do agente do Rubio, não foi treinar hoje com o time. A primeira história é que ele tinha tido um problema no ombro, a segunda história é que familiares iam visitá-lo em Nova York e ele não poderia ir para Memphis treinar. A terceira história, a que está fazendo mais sucesso, é a que esse foi o jeito do Thabeet mostrar que não quer jogar por lá.

O saldo do Grizzlies por enquanto é que eles não podem ter o Blake Griffin, que é certo no Clippers, o Rubio, o Curry e o Thabeet não querem jogar lá, e a outra opção entre os mais bem cotados, o James Harden, fez um treino péssimo para eles. Agora eles pegam os que não querem jogar lá ou o que jogou mal? Se eu fosse do time eu estaria pensando agora que o cara fedeu nos treinos só para se boicotar, tipo falar um monte de asneira para uma mulher feia que fica te dando mole só pra ela dar o fora.

Alguns agentes disseram que não querem que seus principais jogadores vão jogar no Grizzlies porque o time não tem dinheiro, ou seja, não vão gastar uma nota preta para assinar um contrato milionário depois que o contrato de novato acabar. Também porque com essa economia toda eles talvez não consigam nem manter os grandes jogadores bons que tem agora e então continuem com um time fedorento por muito tempo. Pra fechar o desastre com merda de ouro, a cidade é pequena e não tem nenhum apelo comercial. Camisetas do Grizzlies não vendem como as do Knicks nem se um dia ganharem um título.

Não é à toa que dizem que o time mais cotado a desaparecer na NBA é o Memphis. É bem possível que daqui uns anos a equipe seja comprada e mude para Seattle, para fazer renascer o Seattle Supersonics.

Eu sou um dos que torce para que isso ocorra. Nada contra o Grizzlies, muito pelo contrário, era minha Portuguesa/Ameriquinha da NBA uns anos atrás quando tinham jogadores que eu gostava como Shane Battier, Pau Gasol e Jason Williams. Mas pra ter um time que não tem dinheiro pra investir, não tem história e nem jogadores interessados em fazer história para o time, é melhor que os fãs que torcem para o Sonics há 40 anos voltem a ter uma equipe na cidade. Sem contar que um jogo entre Sonics e Thunder seria histórico!

Corrijo só uma coisa que disse. Na verdade o Grizzlies tem história sim, tem história no que diz respeito a jogadores fazendo de tudo para não jogar lá. O caso mais famosos desses de jogadores se recusarem a jogar em um time aconteceu quando o Grizz ainda estava em Vancouver, foi quando eles draftaram o Steve Francis e ele se recusou a atuar no time então canadense. Ele citou a distância de sua cidade-natal, alguma questão de impostos e até a "vontade divina". Já teve gente apelando pra deus pra não jogar no Grizzlies!

Uma solução que o time tem pra isso é draftar o cara de qualquer jeito e dizer "você não manda em nada, pivete, joga e cala a boca". Mas será que isso daria certo? O Bucks fez isso com o Yi Jianlian e com o Charlie Bell e nenhum dos dois rendeu nada por lá. E nem precisa ir tão longe, só lembrar do fim da passagem do Vince Carter pelo Raptors pra saber como acaba prejudicando o time ter um jogador que não quer estar lá.

Dada todas essas situações, o Grizzlies tem duas opções: a primeira é ignorar todos esses depoimentos, pegar quem eles acharem melhor e acreditar que mesmo preferindo outros lugares, o jogador escolhido não vai boicotar o time. A outra opção é a que eu faria, trocar a segunda escolha no draft por jogadores veteranos.

O time de agora já tem duas estrelas em potencial, Rudy Gay e OJ Mayo, e eles, mesmo que possam pensar diferente quando virarem Free Agents, nunca disseram nada sobre querer sair de Memphis. Tá bom que o OJ Mayo fez uma cara de cu antológica quando foi anunciado como jogador do Grizzlies, mas na quadra sempre jogou bem e sem fazer corpo mole. Então pra quê mais um pivete metido a estrela?

Não seria melhor ao invés de pegar um outro novato metido trocar essa valiosa escolha por jogadores veteranos de algum talento que possam dar alguma identidade e confiança para a equipe? Mesmo que Thabeet seja um pivô espetacular no futuro, o Grizzlies não fica sem nada porque tem Marc Gasol, e na armação eles não vão ter Rubio mas terão Mike Conley que fez um final de temporada ótimo. Falta um ala de força e banco de reservas, afinal o Marko Jaric-Lima como armador é só um grande galanteador mesmo.

A única resposta que o Memphis Grizzlies pode dar a esse bando de pivetes que não quer jogar lá é montar um time vencedor. Se daqui um ano, pouco antes do draft de 2010, estivermos falando do Grizzlies como um dos times que mais evoluiu na temporada anterior, com um futuro promissor nas mãos de Mayo, Gay e outros, provavelmente teremos menos rejeição ao que hoje é o time mais odiado pelos jogadores da NBA.

Mas, embora ache necessário que todo time deva fazer tudo o que for preciso para parecer um bom destino para futuros jogadores que não querem jogar suas carreiras no lixo, os jogadores tem que parar com essa frescurite de ficar anunciando que não jogam por tal lugar. Que joguem logo por onde forem escolhidos e se no fim das contas for ruim mesmo, que peçam uma troca.

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Tem curiosidade de saber como é um treino para o draft? Tem um vídeo bem bacana do armador Tyreke Evans, que fez faculdade em Memphis, treinando no Grizzlies. Só um site (o da SportsIllustrated) coloca ele como sendo draftado pelo Grizzlies, mas vale pela curiosidade: