Objetivo máximo: Chegar, suando, aos playoffs
Não seria estranho: Acabar em último do Oeste
Desastre: Não ter a primeira escolha do próximo draft
Elenco:
Golden State Warriors | ||||
Titulares | Reservas | Resto | ||
PG | Stephen Curry | Jeremy Lin* | ||
SG | Monta Ellis | Charlie Bell | Rodney Carney | |
SF | Dorrell Wright | Reggie Williams | Brendan Wright | |
PF | David Lee | Ekpe Udoh* | Vlad Radmanovic | |
C | Andris Biendris | Dan Gadzuric | ||
Técnico: Keith Smart
Uma das coisas que mais nos perguntam no formspring do Bola Presa é quando o Don Nelson vai se aposentar. Há uma sensação constante, por entre os três ou quatro torcedores do Warriors que existem por aí, de que a única coisa que impede a equipe de ser campeã é o técnico louquinho. Agora ele está oficialmente dando o fora, demitido por uma franquia desesperada por um novo começo, e os torcedores poderão finalmente respirar aliviados. Quer dizer, até perceberem que o Warriors vai continuar mais ou menos a mesma coisa sem ele.
Na temporada passada, o Denis escreveu um perfil fantástico sobre Don Nelson, o gênio que inova sem parar na quadra de basquete, enlouquecendo seus adversários enquanto enlouquece também seus próprios jogadores ao não lhes dar padrões ou critérios. Suas constantes experimentações, cada vez mais ousadas conforme os resultados foram piorando nos últimos anos, tornaram o Warriors motivo de piada. Ao invés de parecer inovador, enfrentar pela décima vez um time que não defende e tem armadores improvisados no garrafão dá a impressão de vitória fácil, de que o outro time está fazendo piada ao invés de tentando a vitória. Tudo, claro, é simples questão de resultado: se o time vence com um armador jogando de pivô, é genialidade do técnico; se perde diversas vezes seguidas, inventando outras táticas ainda mais estranhas, é maluquice do técnico. É tipo naquele filme "Bud, o cão amigo": se você sai vencedor usando um cachorro em quadra, vai virar até filme da Disney, caso contrário é apenas a ideia mais idiota que alguém já teve depois de um cão que é policial. Nesse Warriors com péssimos resultados e assolado por lesões, as instromissões do Don Nelson pareciam, por isso, brincadeira de cientista maluco ou de Feira de Ciências de sétima série. Ao perderem a efetividade, as táticas deixaram de trazer vitórias e ajudaram a desmoralizar o time. Apesar de sua genialidade, há tempos não fazia sentido mantê-lo, o estranho mesmo é que tenha durado por tanto.
Para substituí-lo, o escolhido foi seu assistente técnico Keith Smart. Sua pequena experiência como técnico principal inclui um dos piores times de todos os tempos, o Cavs de 2002-03, com Smush Parker, Dajuan Wagner, Ricky Davis e Darius Miles - aquele time que os torcedores, de verdade, levavam cartazes de "Percam por LeBron" para o ginásio. É difícil saber como será ter um elenco um pouco melhor em mãos, mas dá para supor que o Warriors não será muito diferente. Keith Smart já era o responsável por organizar a defesa (ou seja, tomar uma cafezinho), coordenava a maioria dos treinos e aprendeu todo o sistema de Don Nelson nos últimos 6 anos. Terá uma chance de mostrar que pode ser o técnico do futuro e provavelmente deve dar aos jogadores papéis mais definidos e colocar a pirralhada para jogar, mas em matéria tática deve ficar muito próximo do velhinho maluco - e agora desempregado.
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O elenco do Warriors é interessante e bastante versátil. Stephen Curry provou com a seleção americana que é um dos melhores arremessadores do planeta, enquanto Monta Ellis é um dos melhores armadores vivos quando se trata de finalizar perto da cesta. No ataque, quando estão um ao lado do outro, tornam a equipe um pesadelo para as defesas adversárias e são o segundo melhor motivo para ver todos os jogos Warriors (o primeiro melhor motivo é que os jogos do Warriors costumam ser os últimos da rodada a começar e quem tem League Pass - e insônia - não tem outra opção a não ser dar uma olhada). A princípio Ellis achou que seria ridículo jogar ao lado de Curry, já que os dois são anões de circo, externou seu desgosto para seu companheiro de equipe e não escondeu a frustração quando compartilharam da mesma quadra. No entanto, Stephen Curry foi ganhando a confiança de Ellis aos poucos, mostrou que é um dos mais promissores armadores da liga, e agora os dois sabem que podem jogar juntos e estão ansiosos por uma temporada inteira lado-a-lado pontuando como malucos. O problema é que essa união mostra de forma bem clara o motivo por trás das táticas doidas de Don Nelson.
Pra mim, Don Nelson se encaixa naquele mesmo saco de farinha do Mike D'Antoni, em que o esquema tático parece ruim apenas porque ele esconde um elenco que seria ainda pior sem ele. Esse Warriors joga com tanta velocidade e ignora tanto a defesa simplesmente porque não tem os jogadores adequados para um basquete eficiente ou defensivo. Colocar Monta Ellis e Stephen Curry ao mesmo tempo em quadra é pedir para não ter qualquer defensor no perímetro, o que obriga o time a correr mais e tentar compensar no ataque. O garrafão do Warriors agora é composto por Andris Biedrins, Dan Gadzuric, Luis Amundson e David Lee, todos jogadores com limitações ofensivas muito sérias, especialistas em rebotes, mas que não são exatamente grandes defensores, o que deve aumentar ainda mais a necessidade de um ataque que marque muitos pontos e que, por falta de gente capaz de jogar de costas para a cesta com regularidade, deve ficar arremessando trocentas bolas de três pontos.
O Don Nelson criou um Dallas Mavericks sensacional que só sabia correr e atacar e Avery Johnson, seu assistente, tornou o time uma defesa impecável assim que o Don Nelson saiu. Não acho que possa ser o caso com esse Warriors. Faltam as peças necessárias para que seja possível uma mudança tática séria ou uma defesa de verdade, não adianta apenas mudar a mentalidade e o técnico, é preciso repensar essa equipe inteira para se encaixar a um novo esquema. Mais fácil será implementar o mesmo esquema e torcer para que as contusões constantes deixem o elenco em paz e que as novas aquisições como David Lee e os novatos Jeremy Lin e Ekpe Udoh não sejam fracassos totais. Se esse time tiver todo mundo saudável e souber, com perfeição, quem estará em quadra todas as noites e por quantos minutos, acredito que chegar aos playoffs não seja absurdo. O problema é que o Warriors costuma ter tantas lesões que o pessoal da D-League já mora lá no ginásio, e é preciso criar alguma constância que não seja apenas a certeza de que alguém vai quebrar o pé.
A tática do Don Nelson de mudar sempre as escalações e os minutos dos jogadores cria times versáteis, confunde os adversários e funciona bem em times maduros. Quando o grupo acredita no técnico e no plano e as vitórias aparecem, todo mundo tem a sensação de estar participando de uma equipe criativa e divertida, Baron Davis sempre adorou o fato de que a equipe treinava pouco e improvisava muito. Mas assim que as derrotas aparecem todo mundo começa a questionar o método e sua participação no grupo. Nos playoffs de 2006, o Warriors inteiro amava o Don Nelson, mas bastou a desclassificação para o Baron Davis reclamar da falta de constância. Além disso, o grupo tem jogadores muito novos, já que os anos de fracasso levaram a equipe a colecionar novatos no draft, e a pirralhada precisa de minutos e constância para evoluir. Muitos jogadores fraldinha se afundaram no Warriors simplesmente porque a situação era terrível para eles, precisavam ganhar níveis de experiência para virarem novos Pokémon enquanto o Don Nelson estava apenas preocupado em misturar todos os ingredientes para ver se alguma coisa dava certo. Cenário terrível para iniciantes, e motivo pelo qual Don Nelson sempre odiou novatos. Só que num time que fede, é preciso colocá-los para jogar o máximo possível, como bem sabe o Timberwolves.
É por isso que acredito que a constância será muito positiva para esse elenco, desde que os esquemas táticos do Don Nelson sejam mantidos pelo novo técnico - aliás, manter o assistente técnico já é alguma constância, já que ele é respeitado pelos jogadores e está por perto há quase uma década. A vontade de mudar tudo deve ser evitada: não dá pra inovar com um perímetro que não defende e um garrafão que não ataca, além de jogadores como Dorrell Wright e Rodney Carney que só sabem jogar no contra-ataque. Então, é preciso manter o mesmo plano (o famoso "corra pela sua vida"). Por outro lado, todos nós sabemos nesses anos todos (Mavs, Suns, Warriors) que esse plano é deficiente, expões várias fraquezas da equipe e não seria um absurdo ver o Warriors desistindo no meio da temporada, depois de apanhar um pouco, para tentar uma primeira escolha no draft do ano que vem. Finalmente sem o Don Nelson, há a novíssima possibilidade de colocar a pirralhada pra jogar e apostar no draft, pensando em uma pequena reconstrução em volta de Monta Ellis e Stephen Curry (ou qualquer um dos dois). Provavelmente, isso dependerá mais do sucesso que esse elenco vai ter no começo da temporada do que dos gostos dos engravatados. Se a campanha começar a afundar, será abandonada rapidinho. Caso contrário, trocas e ajustes serão feitos para tentar de verdade chegar aos playoffs, porque apesar de esburacado, o elenco é bastante talentoso e poderia chegar lá com uma forcinha.









