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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Para entender o fascínio por Rubio

Rubio enfia o dedo na bola para que ela o obedeça. Funciona.

Podemos criticar quando há expectativas demais sobre um jovem atleta, mas às vezes não há como evitar. Como ignorar o Neymar jogando tudo o que joga com menos de 20 anos? Sabemos que ele é jovem, que não tem cabeça e que ainda pode melhorar muito ou empacar, como já empacaram tantos talentos promissores e precoces. Mas gostamos de futebol, queremos ver o próximo gênio, é difícil controlar a excitação e a empolgação.

No basquete não é diferente. O assunto mais comentado desse começo de temporada no Bola Presa e qualquer outro site de NBA no mundo é o novato Ricky Rubio. O armador espanhol tem nos encantado e não poupamos elogios para as primeiras 10 partidas do espanhol no Minnesota Timberwolves. Mas por que tanta babação de ovo, né? O que ele faz de tão especial além de dar passes lindos, curar o câncer e ajudar velhinhas a atravessar a rua?

O mundo ficou boquiaberto quando o armador espanhol levou a seleção de seu país ao título Europeu Sub-16 em 2006 com os seguintes números na final contra a Rússia: 51 pontos, 24 rebotes, 12 assistências, 7 roubos e uma bola de 3 do meio da quadra que levou o jogo para a prorrogação. Sim, Ricky Rubio fez tudo isso. Liderou o torneio em todos esses quesitos, registrou 3 triple-doubles ao longo da competição e um quadruple-double. Nesse mesmo ano ele já jogava entre os profissionais e no ano seguinte era o líder da ACB Espanhola em roubos de bola. Dois anos depois foi titular da sua Seleção Adulta na final Olímpica contra os EUA. E pior, jogou bem aquela partida. Tem como não criar expectativas enormes?

A comparação com o Neymar que fiz no começo tem também outra razão. Os dois começaram chamando a atenção não só pelo talento, mas pelas jogadas de efeito. O Rubio adolescente adorava um passe diferente, um enfeite que rendeu comparações (exageradas e precoces, como sempre) com o lendário Pete Maravich, cara que foi grande jogador mas ficou mais famoso por dar os passes mais malucos da história da NBA. Porém, assim como cobraram que Neymar aprendesse a chutar, ser objetivo e amadurecer, pediram o mesmo de Rubio. E para sobreviver no basquete europeu isso era essencial. Assim, Rubio, com míseros 18, 19 anos, era um armador cauteloso, cerebral e eficiente. Bem mais chato do que a gente esperava, mas conquistava seu espaço.

Aí de repente ele empacou. Desde que foi draftado em 2009, quando decidiu ficar na Espanha por mais algum tempo, pareceu não evoluir mais. Virou, com razão, coadjuvante no Barcelona e na seleção espanhola. Era difícil explicar sem teorias inventadas como "Deve ser algo na vida pessoal" ou "Ele sentiu a pressão e a expectativa". Sei lá, mas estava mal e burocrático demais nas suas últimas temporadas europeias.

Mas como uma boa palestra motivacional que é a vida, isso parece ter feito bem para o Rubio. Em entrevista ao Adrian Wojnarowski do Yahoo!, Rubio disse que foi uma temporada em que "o jogo me testou e eu precisava disso". E, falando sobre seus vídeos na adolescência, o jovem adulto falou com certa nostalgia: "Eu vejo aquele jogador e ele não parece se incomodar com o que os outros dizem. Não se importa com o que vai acontecer caso cometa um erro. Naqueles jogos de quando eu era jovem pareço não me importar com nada". 

E as coisas pareciam não melhorar com ele indo para a NBA. Ao contrário de Luis Scola, Pau Gasol, Dirk Nowitzki ou, indo mais para trás, Vlade Divac e até jogadores mais consagrados como Arvydas Sabonis, nenhum outro europeu chegou na NBA com tanta expectativa. Nem Andrew Bogut e Andrea Bargnani, que foram escolhas 1 de Draft, tiveram tanta mídia em cima quanto Rubio. O único gringo de atenção comparável antes de sua estreia foi Yao Ming, e sabemos como ele sofreu com a pressão no seu começo de vida nos EUA.

O curioso é que acabou sendo o oposto. Ricky Rubio também sentia muita pressão na Europa, até demais. E segundo ele na mesma entrevista já citada, o tempo que ele passou treinando na Califórnia durante o locaute foi essencial para que ele se transformasse. Lá ele pode treinar sozinho, sem outros assistindo e julgando, poderia errar, arriscar, relaxar e voltar a ser o Rubio adolescente. Também aproveitou o locaute para treinar com outros jogadores da NBA (a matéria cita Kevin Garnett, Paul Pierce, Derek Fisher e Chauncey Billups) e ganhar tranquilidade e confiança para essa nova fase da carreira.

O que vimos até agora nesses primeiros jogos é muito mais o Rubio de 17 anos do que o do ano passado. A apreciação que a NBA dá a quem joga bonito, o incentivo para que se arrisque, é justamente o que ele precisava. Na Europa (e no Brasil, diga-se de passagem) as jogadinhas bonitas recebem aplausos quando dão certo, claro, mas é uma frescura, não um recurso, e os técnicos pegam no pé de quem se arrisca demais. Claro que na NBA as coisas precisam dar resultado e os técnicos cobram vitória, mas uma enterrada ou ponte aérea que não dê certo não é motivo de bronca ou punição. E quando dá certo vira notícia, vídeo mais visto do YouTube e os companheiros de time te amam e te respeitam mais.

O Ricky Rubio estava com vontade de mudar e não foi só para um liga onde a mudança seria mais aceita, mas para o time que buscava isso. Contei esse causo no nosso último Podcast, mas repito aqui. O David Kahn, criticadíssimo General Manager do Wolves, disse que uma das coisas que ele busca é fazer da franquia um lugar onde os jogadores queiram ir. Ele sabe que o time não tem tradição, fama e nem fica em uma cidade onde todos querem viver. Então para compensar eles querem tratar bem os jogadores, ter um ambiente agradável de trabalho e ter um estilo de jogo que os atletas sintam prazer em atuar. Por isso que eles trocaram o Jonny Flynn, que ficaria sem espaço no time e precisava jogar. Por isso contrataram o Rick Adelman como técnico também. O experiente treinador sabe lidar com jovens e sempre dirigiu os times mais velozes, criativos e ofensivos da NBA.

A entrevista completa em que o David Kahn explica isso é justamente para um de seus maiores críticos, o Bill Simmons da ESPN, e vale a pena ser ouvida. Lá ele também comenta sobre o Rubio e de como não se assustava com ele jogando mal na Europa, que uma má fase era normal para um garoto tão jovem. A aposta deu muito certo. O Wolves voltou a aparecer positivamente na mídia, o time joga bonito, com velocidade e não é difícil imaginar Free Agents cogitando ir para lá para poder atuar sob o Rick Adelman, jogar ao lado do Kevin Love e parecer bom por receber passes de Ricky Rubio. Assim como Channing Frye e Jared Dudley devem seus contratos a Steve Nash, e Kenyon Martin e Richard Jefferson sua fama a Jason Kidd, Rubio vai fazer uns companheiros milionários também.

Entender como os três, Adelman, Love e Rubio, se encaixam é essencial para explicar esse sucesso. Rick Adelman incentiva seus times a correr. Logo após o rebote (do Love, claro) já é possível ver Rubio batendo palmas para receber logo a bola e partindo em velocidade para o ataque. Lá ele encontra jogadores que podem se posicionar em qualquer lugar da quadra: Wayne Ellington, Michael Beasley, Derrick Williams e até Anthony Tolliver, todos, são velozes, sabem infiltrar e tem um arremesso de longa distância. Eles podem se espalhar pela quadra e só esperar que a visão de jogo do Rubio faça o resto. Ou melhor, quase todo o resto. Depois de enxergar é preciso que o passe chegue na medida e nisso Rubio é excepcional. Poucos na NBA, só caras do nível de Steve Nash e Rajon Rondo, conseguem dar passes com uma só mão, na corrida, com a mesma precisão de Rubio. E falo isso sem exagero, por observação pura.

A habilidade de passar a bola assim deixa o time mais rápido. Ele só precisa ver para quem quer passar e um segundo depois a bola está lá, um armador mais comum precisa diminuir a velocidade, colocar as duas mãos na bola e se esforçar para fazer o passe chegar na altura certa.

Outros detalhes fazem Rubio chamar tanta atenção, e isso temos que creditar a seus anos de rigidez na Europa. Ele tem paciência. Quer correr, é incentivado a correr, mas para no meio do caminho se não existe boa oportunidade. Sua paciência também tem dado resultado na outra jogada essencial do Rick Adelman, os intermináveis pick-and-rolls. Por entender bem o jogo, sabe reconhecer quando não passar para o Darko Milicic se o garrafão está congestionado, ou passa a bola do outro lado da quadra se a defesa adversária se fechou toda para evitar a jogada. Também sabe usar bem o pick-and-pop com o Kevin Love e o espaço no garrafão que essa jogada abre. E, pasmem, até está fazendo a defesa pagar quando não o defendem na jogada, indo por baixo do bloqueio. Se o deixam livre ele chuta mesmo de 3 pontos e tem 50% de aproveitamento na temporada.

Outra coisa muito Steve Nash (um dos maiores elogios que um armador pode receber) do Rubio é que ele não desiste do drible por qualquer coisa. Isso, junto com a ótima visão de jogo, são essenciais para que os times sempre pensem mil vezes antes de tentar pressionar ou dobrar a marcação sobre ele. E aí acontece o mesmo que com Rajon Rondo: quanto mais espaço dão, mais passes incríveis ele acha.

Os arremessos, que todos achavam que ele não acertaria, já vimos que estão caindo. Outra coisa que achavam que ele não saberia fazer bem é defender, mas até agora ele tem se saído bem. Nada fora de série, não anula ninguém, mas já enfrentou gente de alto nível, mais forte e mais rápida, e ele se garantiu. Curioso que isso se explica porque ele entende o jogo e sabe se posicionar. E pensem bem, compensar deficiências técnicas ou físicas com entendimento de jogo não é o tipo de comentário que fazemos para caras com 35 anos e uma vida de experiência na NBA? O NBA Playbook fez uma análise tática completa dos primeiros jogos do Rubio e postou um vídeo rápido de jogadas em que ele defende o Russell Westbrook e o Brandon Jennings. Não se sai nada mal.

Ricky Rubio não é perfeito, mas merece todos os elogios que recebeu até agora e em breve deve curar o câncer.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Avaliação anual de pivetes

- Agora segurar novato com as duas mãos é falta, professor?


Ontem foram divulgados os times de novatos e dos sophomores (os jogadores de segundo ano) que irão se enfrentar na noite de sexta-feira do fim de semana das estrelas. Os times são os seguintes:

Novatos: Stephen Curry (Warriors), Jonny Flynn (Wolves), Brandon Jennings (Bucks), Tyreke Evans (Kings), James Harden (Thunder), Taj Gibson (Bulls), Omri Casspi (Kings), Jonas Jerebko (Pistons) e DeJuan Blair (Spurs)

Sophomores: Derrick Rose (Bulls), Russell Westbrook (Thunder), Eric Gordon (Clippers), OJ Mayo (Grizzlies), Danilo Gallinari (Knicks), Michael Beasley (Heat), Kevin Love (Wolves), Marc Gasol (Grizzlies) e Brook Lopez (Nets)

A primeira parte da nossa função de pitaqueiro é ver quem faltou. No time dos novatos eu senti falta do Ty Lawson, que vem jogando muito como reserva do Billups no Nuggets, ele está sendo melhor que o James Harden como sexto homem do Thunder, por exemplo. Sua ausência, porém, é facilmente explicada. O draft de 2009 teve armadores demais! O time já tem Curry, Flynn, Jennings e Evans. Além do Lawson podemos apontar ainda o Darren Collison, Eric Maynor, Jrue Holiday e AJ Price com boas temporadas até agora! Esses últimos nem estão jogando tão bem para merecer uma vaga no jogo, mas é assustador o número de bons armadores desse ano, e isso porque o Rubio amarelou e ficou na Espanha!

O excesso de armadores acabou prejudicando também os ala-armadores, os jogadores da posição 2. Provavelmente Curry e Evans vão dividir essa posição no jogo e com isso arrancaram a vaga de outros bons novatos como Wesley Matthews, DeMar DeRozan e Terrence Williams. Os três tem sido bons mas nem chegam perto do nível dos armadores, os dois últimos farão falta por causa do show, mas não mereciam mesmo uma vaga. Em compensação o DeRozan estará lá no intervalo do jogo para disputar uma vaga no campeonato de enterradas com o Eric Gordon.

Nada contra o Eric Gordon, mas ele é só um ótimo arremessador e não deveria estar lá. Ele mesmo disse que só esperava ser chamado para o campeonato de três pontos! Essa disputa deveria ser apenas entre novatos, com o DeRozan enfrentando o Terrence Williams. Vocês viram as duas enterradas dele na vitória (VITÓRIA!!!) do Nets sobre o Clippers (ah, era o Clippers...)?


Já o time dos sophomores é muito forte. Muito forte! Forte mesmo, tipo raios gama. A gente não botava tanta fé na classe dos novatos do ano passado mas eles saíram melhor que a encomenda. Se considerarmos o time titular com Rose, Mayo, Gallinari, Love e Lopez, isso quer dizer que o time reserva seria Westbrook, Gordon, Beasley e Gasol. São só 4 jogadores porque só 9 são chamados para o jogo, mas garanto que só os 4 em quadra já venceriam os novatos. Pela qualidade dos jogadores e por ter jogadores de mais de uma posição, acho que os sophomores vão manter a tradição e levar o jogo.

Entre as principais ausências do time dos sophomores estão a dupla do Kings Jason Thompson e Donte Greene, o Roy Hibbert, que é forte candidato a jogador que mais evoluiu na temporada, o George Hill do Spurs e até a Lady GaGa da NBA, o Ersan Ilyasova.

E já que estamos falando dos caras que foram novatos na temporada passada, é hora de relembrar de um post meu do ano passado. Na verdade eu nem lembrava que eu tinha feito essa porcaria, mas o nosso leitor João Inácio lembrou e me avisou. O post é esse aqui. Nele eu crio várias categorias para medir a qualidade dos atletas (desde Mega Estrelas até Pedaços de Carne Desformes e Imprestáveis) e digo onde cada novato irá se encaixar dentro de 5 anos.

Como sei que vocês não vão clicar pra ler o post antigo, vou postar aqui as partes mais importantes, onde explico as categorias e depois coloco os novatos do ano passado em cada uma delas.

.....
"1.Mega Estrelas: São aqueles jogadores que vão jogar bem todo dia, que vão liderar franquias, que vão vender doces, biscoitos, tênis e celulares com seu nome, serão entrevistados pela Angélica e vão participar de vários All-Star Games.
Exemplos: LeBron James, Kobe Bryant, Tim Duncan, Chris Paul.

2. Estrelas Light: Sem áçucar, a estrela de soja só é uma estrela dependendo do desempenho do time na temporada. O cara só é cotado para participar do All-Star Game se o time está bem. Geralmente esse atleta é mais discreto e não é unanimidade entre os fãs, apesar de serem excelentes.
Exemplos: Antawn Jamison, David West, Pau Gasol, Stephen Jackson.

3.Caolho em terra de cego: Caolho em terra de cego é rei, mas ainda é caolho e não pega mulher. Esse tipo de jogador é muito melhor que a maioria da NBA mas ainda não pode se achar tudo isso.

São os jogadores que obviamente tem muito talento mas que nunca vão ser cogitados para liderar um time a uma campanha vitoriosa como uma primeira opção, são aqueles caras que só funcionam sendo a terceira opção do time. Em geral são jogadores que sofrem um certo preconceito porque um dia acharam que eles seriam Estrelas Light, ou sofrem pressão porque são novos e acham que podem virar uma Mega Estrela.
Exemplos: Lamar Odom, Rajon Rondo, Josh Howard, Richard Jefferson, Jose Calderon.

4. Role Player Integral: Cheio de gordura mas sem ser o Zach Randolph são aqueles caras que têm um papel específico no time e que sempre fazem esse papel muito bem. Eles são os jogadores limitados mas que, o que sabem fazer, fazem com perfeição. Costumam ser o sexto-homem de um bom time.
Exemplos: Shane Battier, Eddie House, Travis Outlaw, James Posey, Roger Mason

5. Role Player Desnatado: Se não tiver integral vai desnatado mesmo. Têm a mesma função dos role players integrais mas são incompetentes demais para serem regulares e confiáveis. É o tipo de jogador que joga bem em casa e mal fora ou bem contra time ruim e mal contra time bom.(Edit: Hoje eu chamo esses jogadores simplesmente de Radmanovics.)
Exemplos: Sasha Vujacic, Jared Jeffries, DeSagana Diop, JJ Barea

6. Zé Alguém: São aqueles caras que você sabe que estão na NBA, que participam dos jogos, mas que em um jogo disputado e que vale alguma coisa nunca vão estar em quadra nos momentos finais a não ser que algo bizarro aconteça (muitas contusões, muitos jogadores eliminados por falta, chantagem atômica).
Exemplos: Hilton Armstrong, Ryan Hollins, Charlie Bell, Trenton Hassell

7. Pedaço de carne desforme e imprestável: É aquele tipo de jogador que entra ano, sai ano e por algum milagre divino o cara continua com contrato. Na prática é só um pedaço de carne desforme e imprestável que nunca entra em quadra, só esquenta banco, entrega gatorade, aplaude e depois da temporada arranja outro time pra fazer a mesma coisa. Eles estão na liga mas não jogam.
Exemplos: Sean Marks, Mark Madsen, Brian Cardinal, Lorenzen Wright

Só saberemos ao certo onde cada um dos novatos desse ano vai se encaixar daqui um tempo, mas eu como blogueiro isento da responsabilidade de falar coisa com coisa, posso dar meus palpites de como será o status dos jogadores draftados em 2008 daqui umas 5 temporadas baseado no que vi nessa de 2008-09.

1. Mega Estrelas: Derrick Rose e OJ Mayo
2. Estrelas Light: Brook Lopez, Michael Beasley, Russell Westbrook, DJ Augustin, Greg Oden
3. Caolhos em terra de cego: Kevin Love, Eric Gordon, Jason Thompson, Jerryd Bayless, Rudy Fernandez
4. Role Player integral: Danilo Gallinari, Courtney Lee, George Hill, Nicolas Batum, DeAndre Jordan, Mario Chalmers, Marc Gasol
5. Role Player desnatado: Brandon Rush, Mareese Speights, Roy Hibbert, JaValle McGee, Ryan Anderson, Darrell Arthur, Luc Mbah a Moute, Mike Taylor, Anthony Morrow
6. Zé Alguém: Joe Alexander, Robin Lopez, Anthony Randolph, Donte Greene, Chris Douglas-Roberts, Kyle Weaver
7. PCDI: Kosta Koufos, Goran Dragic
0. Estarão fora da NBA: Alex Ajinca, DJ White, JR Giddens
................

A minha previsão era para os próximos cinco anos, então não posso dizer o que acertei e o que errei com toda a certeza, mas bastou um ano para que eu, um cara de opiniões fortes, mudasse totalmente de idéia sobre vários jogadores.

Acho, por exemplo, que subestimei Jason Thompson e Kevin Love. Os dois alas de força são melhores do que eu imaginava e tem tudo para subir um nível e virarem Estrelas Light a base de soja. Já o Michael Beasley causa cada vez mais duvidas em mim, o cara obviamente tem muito talento mas desaparece das partidas mais do que o saudoso Souza que jogava no meio campo do Corinthians nos anos 90.

Um que está em baixa mas que eu acho que não errei é o DJ Augustin. Ele tem cada vez menos espaço na rotação do Bobcats (que, convenhamos, nem tem banco de reservas!) mas é só porque ele é treinado pelo Larry Brown e com o Larry Brown ou você defende bem ou você vale menos que um absorvente usado. O Disque Jóquei Agostinho não é um grande defensor mas é rápido, tem bom passe, ótimo arremesso de três e se estivesse no Knicks estaria jogando muito. Ainda tem muita carreira pela frente.

Errei feio com o Danilo Gallinari. Achei que ele acabaria sendo só um arremessador mas agora que seus problemas nas costas são passado, o galináceo tá jogando muito bem. Sabe puxar contra-ataque, controla bem a bola e sabe até infiltrar bem. No fim das contas o Knicks agradece quando ele resolve jogar como um cara completo e não só como um clone branco do Rashard Lewis. Gallinari, assim como o surpreendente Marc Gasol (quem diria que aquele desengonçado faz mais que pegar rebotes?), também subiram um nível na minha lista.

Mas onde errei mesmo foi na previsão dos "Zé Alguém". Donte Greene está se saindo um ótimo defensor e importante peça do Kings, o Anthony Randolph parece que vai ser um bom jogador quando se livrar das garras do Don Nelson, o Chris Douglas-Roberts finalmente conseguiu começar a jogar na NBA o que jogava na universidade, e o Robin Lopez, para minha surpresa, não é só um Brook Lopez ruim de um universo paralelo onde todo mundo é cabeludo (lembram do episódio do South Park onde todo mundo no universo paralelo tinha barba? Aquilo era humor.)

Por fim, errei também com o Goran Dragic. Aquele moleque inseguro que parecia que ia se mijar a cada vez que entrava em quadra hoje é a arma mais confiável do banco do Phoenix Suns. Bastaram alguns jogos razoáveis para ele se sentir mais confortável e jogar o que prometiam que ele iria jogar há um ano e meio atrás. Outro dia meteu 24 pontos só no primeiro tempo contra o Jazz. Ele é, no mínimo, um role player desnatado.

Se em um ano eu errei tanta coisa, nem quero ver daqui a quatro anos! Mas tudo bem, o importante é que vocês leitores esqueçam de todas as bobagens que a gente fala e continuem nos lendo porque somos engraçadinhos e temos o abdome definido. Vamos agora brincar de prever o futuro dos novatos dessa temporada? Afinal, pisou na merda, abre os dedos.

1. Mega Estrelas: Tyreke Evans e Brandon Jennings
2. Estrelas Light: Stephen Curry
3. Caolhos em terra de cego: Ty Lawson, Jonny Flynn, Omri Casspi, James Harden
4. Role Player integral: Jordan Hill, DeMar DeRozan, Hasheem Thabeet, Terrence Williams, Chase Budinger, Jonas Jerebko, DeJuan Blair
5. Role Player desnatado: Earl Clark, Jrue Holiday, Tyler Hasnbrough, Rodrigue Beaubois, Wesley Matthews, Marcus Thornton, Darren Collison, Eric Maynor, Jeff Pendegraph
6. Zé Alguém: James Johnson, Jon Brockman
7. PCDI: Gerald Henderson, Austin Daye
0. Estarão fora da NBA: BJ Mullens

Não coloquei Blake Griffin e Ricky Rubio na lista porque eles nunca jogaram na NBA, mas boto muita fé no futuro dos dois. Aqui ainda tenho um pouco de dúvidas sobre o Brandon Jennings, mas acredito que seus altos e baixos são mais porque ele é um novato do que por falta de talento. Com Flynn, Harden e Casspi fui cauteloso mas gostaria de ver pelo menos um deles continuar melhorando seu jogo para ganhar pontos de experiência e subir de level antes do último chefão.

Entre os desnatados ainda precisamos de tempo para ver Earl Clark e Tyler Hansbrough na NBA, os dois são os mais cotados para subirem nessa lista até o ano que vem.

Sobre o Tyreke Evans eu falo mais tarde no post em que vamos comentar os reservas do All-Star Game que serão divulgados hoje à noite. Sim, é isso mesmo o que vocês estão pensando, já confessei um dos meus votos.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Nova geração de armadores

Cadeiras vazias para ver Chris Paul e Deron Williams, duas peças de museu


Houve um tempo, muito distante, em que a rivalidade entre dois armadores dominava os debates sobre NBA. As donas de casa fofocavam sobre eles na calçada, os bêbados escolhiam o prefererido e ficavam defendendo o queridinho nas mesas de bar, e o pessoal que acompanha basquete e comenta nos fóruns jogava a vida na privada teorizando sobre qual dos dois era melhor sempre que dava um tempinho no Ragnarok. Os armadores eram Deron Williams e Chris Paul, e mesmo que ficar alegando que um era melhor do que o outro fosse a mair perda de tempo (assim como nós dizemos, desde o começo do blog, que é uma perda de tempo surreal comparar dois jogadores diferentes), a rivalidade era muito divertida de se acompanhar.

Os dois foram draftados em sequência, com o Williams indo para o Jazz com a terceira escolha e o Chris Paul indo para o Hornets com a quarta. Por algum tempo Paul pareceu o jogador mais completo enquanto Deron era o melhor pontuador e arremessador, mas os dois foram mostrando mais e mais aspectos de seus jogos até que não dava mais para dizer o que um fazia melhor do que o outro. O que podemos dizer, sim, é que o Chris Paul sempre tinha seu traseiro chutado quando os dois se enfrentavam e, no entanto, começou a receber mais atenção do público com sua atuação monstruosa nos playoffs. Foi parar no All-Star Game duas vezes, muitos consideram o rapaz o melhor armador da NBA, e o Deron Williams foi ficando um pouco de lado e ainda não foi parar no jogo das estrelas, o que é um crime tão grande quanto deixar a Alinne Moraes tetraplégica.

Mas essa rivalidade agora é velharia, tipo Kinder Ovo que custava 1 real. Os dois armadores estão fora das quadras por uns tempos e seus reservas, dois novatos, estão chutando traseiros. Todo aquele papo de que o draft desse ano tinha uma boa safra de armadores não era só papo pra te comer, temos Brandon Jennings marcando 55 pontos e transformando o Bucks, Tyreke Evans assumindo a armação do Kings e tornando o time bizarramente bom, tem o Stephen Curry quebrando um galho no Warriors sem Stephen Jackson e tentando sobreviver ao circo, o Ty Lawson fazendo miséria no Nuggets quando o Billups vai pro banco, o Toney Douglas sendo um dos poucos aspectos positivos do Knicks e jogando melhor do que o titular Chris Duhon, o Jonny Flynn impedindo o Wolves de ter a pior campanha da NBA apesar das contusões (o Nets também ajuda o Wolves a não ter a pior campanha) e além de todos eles temos os novatos que substituem Chris Paul e Deron Williams: são o Eric Maynor e o Darren Collison.

Os dois também foram draftados em sequência, também com o Jazz escolhendo primeiro. Mas ao invés da terceira e quarta escolha, foram draftados na vigésima e na vigésima primeira. Mas, nessa safra de armadores abençoada por deus e bonita por natureza mas que beleza, os dois chutam traseiros como não se imaginaria de escolhas tão altas, principalmente levando em conta que armadores costumam levar mais tempo para pegar as manhas da NBA do que jogadores de outras posições.

Quando o Chris Paul torceu o pé, a impressão que deu foi a de que o time estava fedendo tanto que ele até preferiu se contundir pra ir assistir ao filme do Pelé. Das dez partidas que disputou, Chris Paul venceu apenas três, e isso enquanto marcava quase 24 pontos por jogo. Era bem claro que ele estava tendo que pontuar completamente sozinho, e como o Tracy McGrady aprendeu nos seus tempos de Orlando, dá pra fazer 60 pontos num jogo e ainda perder se o teu time não souber nem amarrar o cadarço. Sem o Chris Paul, quem assumiu a responsabilidade de armar esse time incapaz de acertar a cesta foi o Darren Collison, e o pirralho já ganhou três partidas - e só tendo disputado cinco. A derrota de ontem para o Heat, por exemplo, só veio nos segundos finais depois de um arremesso certeiro do Udonis Haslem, o que mostra que o rapaz não apenas está no caminho certo mas também está tornando seu time mais eficiente sem carregar tanto o fardo ofensivo. Com 15 pontos e 6 assistências de média nas partidas como titular, Collison está abrindo espaço para outros jogadores aparecerem, como o também novato Marcus Thornton, escolha de segunda rodada, que marcou 22 pontos por jogo desde que o Chris Paul foi passear. A verdade é que esse time fede, fede muito, e fedia mesmo quando o Paul levou a equipe aos playoffs e impressionou todo mundo a ponto da gente não perceber o tamanho da bomba (tipo um cara feio com uma namorada gostosa, você acaba pensando algo como "ele não deve ser tãaaaao feio assim). Se ele continuar segurando o rojão sozinho, o time não apenas vai estagnar como vai acabar torrando os últimos traços de paciência do armador, que pode, no maior estilo "Tropa de Elite", simplesmente pedir pra sair.

Enquanto isso, em Utah, parece existir uma espécie de maldição que aflige as filhas dos armadores do Jazz. Assim como o Fisher enfrentou problemas com a saúde de sua filha que, por fim, acabaram gerando um acordo que permitiu ao armador voltar a Los Angeles (e ao Lakers) para poder estar perto dos maiores centros médicos, Deron Williams também pediu dispensa do Jazz por uns tempos para lidar com problemas de saúde de sua filhota. Ficamos na torcida de que não seja nada sério, que o Deron Williams possa voltar às quadras feliz e tranquilo, e que essa maldição não seja tão séria quanto a que faz o Clippers sempre feder ou o Wizards sempre ter alguém contundido. Nas duas partidas em que o Eric Maynor teve que assumir a armação titular da equipe, suas atuações foram incríveis. Contra o Sixers foram 13 pontos e 11 assistências, e contra o Cavs foram 24 pontos e 4 assistências. Mais do que isso, Maynor mostrou domínio nas jogadas de "pick-and-roll" que tanto fizeram a fama de Stockton e Deron Williams, apresentando um grande entrosamento com o Carlos Boozer. Parte disso parece ser culpa do Jerry Sloan, porque parece que se um anão de biquini for colocado pra armar o jogo no Jazz vai dar tudo certo, lembro de ver jogadores bizarros assumindo a posição em momentos de desespero e funcionando bem, como Gordan Giricek, o Raja Bell por quase uma temporada inteira, e até o Kirilenko, todos bem fora de sua posição natural.

Para o Jazz, saber que o Maynor se deu tão bem na função e que o Sloan deixa a vida dos armadores tão fácil é uma descoberta essencial. Esse começo de temporada não está sendo fácil para a equipe e Carlos Boozer e Paul Millsap são como pistoleiros de faroeste, ou seja, a cidade é pequena demais para os dois juntos. Ambos precisam de minutos, mas os dois precisam de bons armadores que permitam o "pick-and-roll" para que possam render satisfatoriamente. Se Millsap entrar em quadra acompanhado do Maynor, o Jazz ganha um banco de reservas que não deve muito à dupla titular Boozer-Deron, e isso não é pra qualquer um. Além de ser uma base para o futuro, já que a equipe se comprometeu com o Millsap pelos próximos anos, é uma garantia de que as mesmas jogadas podem ser usadas pelo escalão reserva, que sempre foi um dos grandes pontos fracos do Jazz.

Da próxima vez que Jazz e Hornets se enfrentarem, e provavelmente o Hornets vai estar fedendo bem mais do que o Jazz, ninguém mais vai estar de olho no duelo entre Chris Paul e Deron Williams. Todo mundo vai querer ver Eric Maynor e Darren Collison se pegando, porque as duas equipes parecem destinadas a ter uma tradição de armadores rivais. O universo conspira para que sejam draftados em sequência, para que tenham chances no time titular ao mesmo tempo, e vai conspirar para grandes partidas entre os dois pelos próximos anos. Tudo graças à melhor safra de armadores puros que a NBA já viu, e olha que nem temos o Ricky Rubio nessa brindadeira ainda. Se bobear, é sorte dele: no meio de tanto, tanto talento, ele teria que suar as pitangas para fazer jus aos seus companheiros de posição. Afinal, armadores que substituem Chris Paul e Deron Williams à altura tem que ser espetaculares - e olha que nenhum deles fez 55 pontos. Ainda.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Foi namorar, perdeu o lugar

Ricky Rubio dá em si mesmo um belo de um abraço por trás


Todo mundo sabe dos apuros pelos quais passa um homem apaixonado por uma garota que não lhe dá bola. Por parte do rapaz, há sempre muito esforço, cuidado e uma certa dose de humilhação. O poder está todo nas mãos da garota, que pode fazer o que quiser com a decisão que lhe cabe. Por fim, o homem apaixonado consegue o que queria ou então toma uma porta na cara e segue a vida, como se nada tivesse acontecido.

Não tem como não nos identificarmos com os derrotados que não conseguem as menininhas e que tomam portadas no nariz (até porque eu ainda me lembro da vez em que você bateu a porta na minha cara, garota!), a gente dá aquele sorriso cheio de pena e perdoa todos os erros desses sujeitos, todas as humilhações e a perda de tempo de cada um dos que tentaram e falharam em suas consquistas amorosas.

Na lista de fracassados, podemos acrescentar agora um novo nome: David Kahn, engravatado responsável pelo Wolves. Após três viagens para a Espanha num período de dois meses tentando conquistar o coraçãozinho de Ricky Rubio, Kahn volta para casa como um dos nossos, um fracassado de coração partido e mãos abanando. Essas ninfetas são sempre as mais difíceis mesmo, deveriam ter avisado o pobre do Kahn, que foi pensando ser capaz de conquistar o ingênuo pirralho espanhol. Não deu certo.

Na época do draft, a multa da recisão de contrato do Rubio já era uma preocupação para todas as equipes. Saía por uma bagatela de 8 milhões de dólares, sendo que as equipes da NBA só podem entrar com 500 mil mangos para ajudar nesse valor. Basicamente, o que se pede é que Ricky Rubio tire 7 milhões e meio de dólares das próprias orelhas.

Foi por isso que David Kahn, todo galanteador, foi tentar provar para o menino que esse dinheiro surge fácil quando se está na NBA. O Rubio pensava em ser a primeira escolha do draft, o que aumentaria seu salário e lhe daria um marketing inacreditável. Draftado apenas na quinta escolha por um time horrível, desconhecido, enfiado em Minessota, sem visibilidade, com um salário menor, e pior de tudo, dividindo minutos com outro armador draftado logo depois dele, Jonny Flynn, ficou difícil para o Rubio acreditar que seria capaz de bancar a multa para interromper seu contrato.

Kahn é um homem apaixonado. Falou em carta aberta aos fãs, explicando que Rubio e Flynn jogariam juntos. Além disso, jurou de pé junto que o armador espanhol seria o titular absoluto da equipe desde o primeiro dia, o que é o equivalente a prometer para uma garota que ela será a titular do harém (irrecusável, vai!). Conseguiu negociar um abatimento na multa pela recisão do contrato, deixando em apenas 5 milhões. Garantiu um amistoso do Wolves contra a equipe que detém o contrato, o Joventut, com toda a renda adquirida indo para financiar a multa. Arrumou uma série de patrocinadores que bancariam o Rubio nos Estados Unidos, através de investimentos e empréstimos, permitindo ao jogador apenas um mínimo de gastos e deixando que ele mantivesse grande parte do seu salário bem gordinho de 15 milhões por 4 anos.

Cada um desses mimos, que foram como versões de Itu de bombons recheados, vieram com muito esforço e negociação. Foi um processo lento e gradual, e só em viagens para a Espanha o David Kahn poderia ter pagado umas trezentas multas contratuais. Quando o Ricky Rubio estava cercado de presentes, segurança e um amor incondicional, foi dormir e acordou no dia seguinte com certeza de que não iria pra NBA. Resolveu dar um pé na bunda do Kahn.

O Barcelona topou pagar a multa reduzida de 5 milhões pelo armador-ninfeta mais cobiçado do planeta, e o guri simplesmente resolveu ficar por lá quando tudo estava pronto para que ele fosse pra NBA. Alegou que sempre quis jogar na NBA, mas que essa mudança nesse momento complicaria demais a sua vida e blá, blá, blá. É a versão esportiva de "o problema não é você, sou eu, acabei de sair de um relacionamento e quero um tempo para mim".

O motivo pode até ter sido financeiro, já que no Barcelona o Ricky Rubio vai poder enfiar seus milhões de euros nas orelhas e comprar seu primeiro carro, casa, piscina e cartucho do Pokémon, enquanto no Wolves receberia um dinheiro mais modesto. No entanto, Rubio seria free agent em 2014, com apenas 23 anos, e estaria apto a assinar um contrato biliardário. Seu primeiro contrato na NBA sempre terá o mesmo valor mais-ou-menos, não importa quanto ele espere, e correr agora para o Wolves apenas encurta sua espera por se tornar realmente endinheirado.

A única explicação que realmente faz sentido para o jovem Rubio ficar na Espanha é medo. Talvez ele ache que não está pronto para a NBA nesse momento, que não tem físico ou maturidade, e que sua imagem ficará arrasada se ele feder no Wolves. Provavelmente ele teme ter uma temporada mais-ou-menos num time que ninguém acompanha, não conseguir assinar um novo contrato bom o bastante e não cair nas graças da mídia. Tudo a maior burrice: o Wolves lhe garantiu a melhor escola que um jogador de basquete pode querer.

O time vai jogar um basquete de pura correria, o que mostraria os talentos do Rubio em seu explendor. Ele seria titular desde o começo, comandado por um técnico que tem ordem para deixar a pirralhada em quadra aprendendo, mesmo que isso custe a eles algumas derrotas a mais. O time tem pouca visibilidade e, portanto, Rubio teria que lidar com pouca pressão - seus acertos apareceriam no Top 10 da NBA.com, mas seus erros estariam meio camuflados. E tudo isso durante quatro anos, tempo o bastante para ele se tornar um jogador melhor e, aí sim, encontrar um time que lhe dê toda a visibilidade que ele quer (Knicks, alguém?).

Dá pra imaginar situação mais perfeita para um pirralho-sensação? Mas não, Rubio preferiu não mudar de ares, ficar num basquete mais fraco, não trabalhar seu físico, não ter minutos garantidos. Pior que isso: Rubio deixou Kahn de coração partido e o engravatado, com a elegância digna dos grandes fracassados, partiu para outra e ameaçou sua ex-paixão com o típico desdém dos rejeitados. Ou seja, Kahn avisou que Jonny Flynn será o titular absoluto e que, quando Rubio decidir ir para a NBA, Flynn já terá a vaga e estará muito adiantado em questão de aprendizado.

O armador espanhol ficará ao menos 2 anos no Barcelona, quando então a multa de recisão cai um pouco e fica mais pagável. Mas pode acabar ficando lá por 3 anos, se quiser, enquanto o Flynn vai certamente consagrar-se como um dos grandes armadores da NBA. Já chutou traseiros nas Ligas de Verão, de que o Rubio já não participou, e só tem a crescer no Wolves, que é a melhor escola de pirralhos atualmente da NBA: conjunto de incentivo, tempo de quadra, e pressão zero.

Mas Kahn não parou por aí em sua esnobada: no maior estilo "você não me quer, mas olha quem tá ligadão na minha!', o Wolves acabou de assinar Ramon Sessions com um contrato de 16 milhões por 4 anos. Sessions saiu de "quem diabos é esse maluco" para tornar-se um dos armadores com mais potencial na NBA, capaz de reger qualquer time, correr como um maluco, e colocar a bola nas mãos de quem precisa. Desde que ele não tenha que arremessar, tudo sempre ficará bem e é uma delícia ver o garoto jogar. Pois bem, depois de ser disputado por Knicks, Heat e outras equipes, tem tudo para ir diretamente para o Wolves. O Bucks ainda pode cobrir a proposta para ficar com o armador, mas levando em conta o fato de que eles draftaram Brandon Jennings (mais um armador-ninfeta-sensação) e já têm no elenco Luke Ridnour e o surpreendentemente bom Roko Ukic, não vejo muito motivo para que eles o façam.

Ramon Sessions tem tudo para brilhar em Minessota. Quando lhe deram minutos e a bola nas mãos no Bucks, fez jogadas incríveis e colecionou alguns recordes de assistências. Com tempo de quadra e carta branca, Sessions e Flynn formarão uma dupla que atormentará a NBA. Se Kahn mantiver seu critério, os dois devem inclusive jogar juntos em quadra, ao mesmo tempo, durante boa parte das partidas. Será maravilhoso de ver e um motivo para, desde já, arrumar um modo de acompanhar alguns jogos do Wolves (alguém aí vu o Wolves jogar desde os tempos do Kevin Garnett?).

Quando o Ricky Rubio chegar na NBA, em dois ou três anos, encontrará um time jovem com dois excelentes armadores, padrão de jogo, time entrosado, e um Kahn puto da vida e ressentido que simplesmente continuou a vida, ao invés de chorar pelos cantos. É isso aí, Kahn, mostra pra essas ninfetas metidas à besta do que você é capaz. Esse namorinho do Rubio com o Barcelona pode sair caro demais para sua carreira. Talvez sua grande chance tenha sido jogada fora e não haja mais espaço quando ele quiser entrar na brincadeira. Torço pelo garoto, de verdade, mas vejo suas chances de dar certo na NBA seriamente comprometidas. O Kahn fez o que deu, e com a consciência limpa pode um dia cantar o sucesso da Kelly Key, "isso é para você aprender a nunca mais me esnobar, baba baby, baby baba", ou algo assim. Filosofia pura, a Kelly Chave manja das coisas.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Uma carta aos fãs (se é que eles existem)

Infelizmente o Kurt Rambis não será tão estiloso no banco do Wolves

Não é sempre que vemos isso, mas o novo General Manager do Timberwolves, David Kahn, fez uma carta aos torcedores da equipe em que explica como e porque escolheu Kurt Rambis como novo técnico da equipe.

O Kahn, apesar de algumas coisas já questionáveis que fez, do nome de vilão do Mortal Kombat e de goleiro alemão, está se saindo um dos managers mais comunicativos e interessantes dos últimos tempos. Ele não tem Twitter, não tem blog, mas sempre que questionam alguma atitude sua ele vai à imprensa dar a resposta. Logo no dia do draft explicou porque pegou tantos armadores, depois sempre foi atualizando a situação do Ricky Rubio e divulgou até as promessas de titularidade e minutos por jogo que tem feito para o espanhol.

Não sei exatamente se isso é bom ou ruim. Pra gente é bom, vendo as justificativas dos caras que tomam as decisões fica mais fácil dar uma opinião. Mas para ele não sei se essa super exposição é boa. Responder às críticas e questionamentos implicam em mais críticas e mais questionamentos que podem um dia transformar questões triviais em assuntos grandes. Para sorte dele, ele faz isso no Wolves e ninguém tá lá se importando muito com o que o Wolves faz ou deixa de fazer. Ter a mesma atitude no Knicks poderia ser mais problemático.

A primeira atitude questionável do David Kahn no comando do Wolves foi quando draftou Ricky Rubio e Jonny Flynn, ambos armadores, no draft. A sua justificativa era que ele achava que os dois, apesar de só jogarem na posição 1, poderiam jogar juntos, como jogavam Joe Dumars e Isiah Thomas no Pistons do começo dos anos 90.

Na teoria tá beleza, na prática não agradou muito o Ricky Rubio, que, receoso, talvez prefira passar mais tempo na Europa se enchendo de grana e sendo um jogador importante em seu time. Outra coisa é que na época o Wolves não tinha técnico e tinha dificuldade para achar um que agradasse, depois dessa escolha e das declarações do Kahn, a busca teria que ser por um técnico que também acreditasse que dois armadores jogando juntos pudesse dar certo. Pelo número de times que fazem isso regularmente na NBA, não seria tão fácil.

A busca durou meses e meses. Passou por inúmeros nomes até chegar em três finalistas: Mark Jackson, ex-armador do Pacers que atualmente é comentarista na TV, Elston Turner, ex-jogador dos anos 80 e assistente técnico do Houston Rockets, e por fim Kurt Rambis, ex-jogador do Lakers multi-campeão dos anos 80 ao lado de Magic, Kareen e cia. e que até a temporada passada trabalhava como assistente técnico do Phil Jackson no Lakers.

Até uma semana atrás o Mark Jackson parecia liderar a corrida. Eu não acreditava no Rambis porque, como o Danilo disse um tempo atrás, dizia-se que ele poderia herdar o cargo de técnico do Lakers na temporada que vem se o Phil Jackson se aposentasse, o que é bem provável.

Porém, o David Kahn conseguiu convencer o Rambis a abandonar a expectativa de treinar um time pronto pela chance de ser o responsável por erguer uma franquia quase que do zero. Nas palavras de Kahn em sua carta:

"Estou completamente confiante de que Kurt é o homem certo para ajudar a nos transformar em um time que possa brigar pelo título. Kurt foi treinado pelo Pat Riley e trabalhou com o Phil Jackson, os dois melhores técnicos da história da NBA. Ele está preparado para isso."

Depois disso o Kahn lista as três coisas que o candidato à vaga teria que preencher para ganhá-la. Curiosamente acho que essa era a única vaga no mundo que não pedia "pró-atividade", "saber trabalhar em grupo" e "Pacote Office".

Vamos analisar as três coisas que ele diz na carta:

1- Eu quero que nossa franquia se torne líder em desenvolvimento de jogadores, e o desenvolvimento do jogador começa com o técnico. É seu trabalho executar essa função.

Mesmo se o Rubio não vier agora, o time ainda se baseia em Al Jefferson, Kevin Love, Jonny Flynn e Corey Brewer. Ou seja, alguém que não se comprometesse a desenvolver jovens jogadores estaria entrando numa completa fria.

2- Nós seremos um time rápido, de velocidade. Sim, haverá momentos em que teremos que confiar no Al Jefferson e em um ataque de meia-quadra, mas nossa identidade será a de um time de velocidade e contra-ataque.

Como jogador, Kurt foi membro do Lakers dos tempos do "Showtime". Aquele time era veloz e mesmo assim sabia usar o jogo de meia-quadra quando necessário. Eles também jogavam uma defesa espetacular. Kurt está comprometido a colocar esse estilo de jogo.

Na teoria é perfeito. Usar como base um dos times de mais sucesso na história da NBA, um time que venceu 5 títulos nos anos 80 e que tinha defesa forte, velocidade e jogo de meia-quadra. Para a velocidade eles tem Flynn, Rubio e até o Kevin Love, que fez um tremendo sucesso no basquete universitário com seu "outlet pass", aquele passe que o cara dá quando pega o rebote e já liga direto o ataque lá na frente.

O jogo de meia quadra passa todo nas mãos do Al Jefferson, um dos melhores pivôs da NBA atualmente. Uns bons arremessadores do lado dele podem fazer um bom estrago também (de arremessador nato eles tem o Quentin Richardson, mas estão dizendo que o Q-Rich pode ser trocado de novo nessa semana, seria a quarta vez que ele seria trocado desde a temporada passada!).

Achei bem legal o time se basear no Lakers dos anos 80. É realmente admirável que um time coloque um padrão tão alto como parâmetro. Pode parecer e ser um objetivo bem irreal, mas melhor se espelhar em um time espetacular e não conseguir do que se contentar em ser um time mediano. Se não desanimar com as derrotas e com a distância astronômica que estão hoje de um título, vai ser um desenvolvimento legal de assistir.

3- Os minutos distribuídos entre nosso núcleo jovem nos próximos dois anos devem ser feitos pensando no futuro e não apenas no curto prazo. Isso quer dizer que o técnico deve colocar os jovens jogadores para jogar constantemente e deixá-los aprender com seus erros, mesmo que isso signifique sacrificar uma vitória ou duas no caminho.

Essa é a parte mais importante de toda a carta e deve ter sido a que recebeu mais ênfase nas entrevistas para a vaga. Quando um pivete faz muita bobagem em quadra é normal uma chiadeira da torcida, o desespero no técnico e a falta de confiança do jogador. Mas quando se tem um time jovem é importante deixar eles lá se virando na fria que criaram.

Acho que o Rambis não deve ter problema com isso porque o Phil Jackson, com quem trabalhava até outro dia, é um grande adepto da filosofia de deixar os jogadores se virarem. No Lakers ele não pede tempo depois de tomar enterrada ou bola de três e não substitui a cada burrada. Ele gosta de ver como cada jogador se vira em situações adversas. E isso será importante para a pivetada do Wolves.

O Kahn só foi simpático e mentiroso demais ao dizer que essa insistência em jogar sempre os garotos podem render "uma derrota ou duas". Na verdade vão resultar em umas 20 derrotas ou 30, mas tudo bem, ele não pode ser tão sincero assim em uma carta para a torcida.

Ano passado já dizia que, entre os piores, o Wolves era o de futuro mais promissor. Será mais ainda se o Ricky Rubio vier logo, mas de qualquer forma, com o espanhol ou não, ainda mantenho a minha opinião. Dos times fracos é o único que tem um pivô que domina jogos e um dos únicos com um plano de desenvolvimento organizado e com um técnico que, ao menos pelo que parece, não será mandado embora se vitórias não aparecerem logo de cara.

Vingança
Curiosamente o Kurt Rambis herdará a vaga de técnico deixada pelo Kevin McHale. Os dois eram rivais mortais nos anos 80 quando McHale jogava pelo Celtics e Rambis pelo Lakers. Você quer saber o quanto eles eram rivais? Dê uma olhada então na página Anti-McHale criada no site kurtrambis.com e no vídeo abaixo:

terça-feira, 21 de julho de 2009

Retrô

Quentin Richardson mostra onde foi parar
sua carreira depois que saiu do Suns



Desde que o Suns trocou Shawn Marion por Shaquille O'Neal, criou-se um vortex espaço-temporal que engoliu a carreira de todos os envolvidos. Marion descobriu que não rende tão bem longe do Nash (ou, pra não sermos tão pentelhos, em times que não joguem na correria) e acabou de ir parar no seu terceiro time desde então, Shaq prometeu um título no Suns que não chegou nem perto de ser possível e agora já foi despachado pro Cavs, o Heat fede um bocado e tem sérias chances de não conseguir manter Dwyane Wade temporada que vem, e o Suns parece ter mergulhado de cabeça num processo de reconstrução.

Ao menos, essa era a impressão que tínhamos ao olhar para a equipe de Phoenix. Shaq trocado, Ben Wallace aposentado, dinheiro sendo economizado, boatos do Amar'e indo pro Warriors, declarações de amor para o armador Goran Dragic como futuro da equipe, e apostas em Leandrinho e Robin Lopez, que são fedelhos com potencial. Esse ano o Suns não vendeu suas escolhas de draft como sempre faz, ficou com dois novatos, e assinou o Channing Frye, pirralho que já foi intocável no Knicks mas que foi saindo de moda por não ter uma posição definida em quadra. É um elenco novo, jovem, cheirando a talco, em um time com coragem de não ficar para sempre no mais-ou-menos e disposto a começar do zero e feder por uns tempos.

Mas aí surge a notícia de que o Steve Nash assinou uma extensão contratual de dois anos por mais de 10 milhões por ano. O Nash já ganha 13 milhões de doletas, mas seu contrato acabaria na próxima temporada, permitindo ao Suns brincar de contratar uma das grandes estrelas que estarão disponíveis na maior leva de Free Agents do último milênio. Mas não, optaram por manter o canadense enfiando dinheiro em suas orelhas. Que diabos de processo de reconstrução é esse que mantém os mesmos jogadores com salários similares? Algum engravatado em Phoenix pipocou, amarelou, deu pra trás e todas essas gírias que eram tão comumente usadas com o time do São Paulo. Não teve coragem de desmanchar o time e tentar um troço novo, achou melhor renovar com o Nash mesmo por uma grana preta e sabendo que o armador não está mais no seu auge e nem nas mãos do técnico que fez sua carreira, Mike D'Antoni. O time também renovou com Grant Hill, que já está com 37 anos de idade, provavelmente pra poder ficar conversando sobre a série "Armação Ilimitada" com o Nash, que vai fazer 36. Vai ser a primeira vez que um time em reconstrução vai ter uma noite de bingo e um clube de tricô.

Talvez manter o mesmo núcleo por mais uns anos seja uma tentativa de amenizar o processo de renovação do time, treinando a pirralhada por baixo dos panos sem que ninguém perceba enquanto os veteranos tentam segurar as pontas e garantir uma oitava vaga nos playoffs. Se for o caso, seria uma decisão um tanto medrosa mas compreensível. No entanto, não acho que seja isso A renovação do contrato de Nash vem acompanhada por discursos sobre como o Suns vai voltar a jogar na correria, com relatos alegando que o armador canadense só topou continuar no Suns quando garantiram que a equipe jogaria em velocidade. O Nash é esperto e sabe o que lhe convém, num time lento sua carreira estaria acabada, ele precisa garantir que suas melhores qualidades estejam sendo utilizadas na melhor situação possível para que possa ser relevante na liga. Mas para o Suns, parece apenas a decisão de um saudosista, um arrependimento tolo por ter desfeito aquele time veloz com a troca do Shaq. Oras, aquele time era rápido, divertido, interessante e cheiroso, mas não ia ganhar nem campeonato de gamão. Se arrepender de ter destruído aquele time deve ser medo de morrer e ser julgado pelo Deus do Basquete Bonito, porque fora isso aquele time tinha mais é que tentar coisas novas e recomeçar mesmo. Não tem nada pior do que saudosismo fora de hora, como podemos perceber facilmente com essa moda horrível de retrô anos 80. Pior que isso, só quando estiver na moda o retrô anos 90 (e o Spurs de Duncan aposentado tendo nostalgia de montar uma retranca). Se aquele Suns não funcionou, não adianta insistir na mesma fórmula mas agora com peças estranhas de reposição. Ao invés de chances reais, o que esse Suns está conseguindo é atrasar o processo de reconstrução que dava bons sinais com o sangue novo que chegou ao elenco.

Aliás, outro membro daquele Suns de ouro também está sendo assunto hoje, no que parece mesmo uma moda retrô. Quentin Richardson, conhecido como "o homem que atira primeiro e pergunta depois", acaba de ser trocado pela terceira vez desde que a temporada terminou. Passeando pelo Grizzlies, Clippers e agora o Wolves, o Quentin Richardson está fazendo uma turnê nacional pelos piores times da liga. Boatos indicam que em breve ele deverá ser trocado para o Kings, só pra conhecer todo tipo de fedor.

O que acontece é que, por jogar ao lado de Steve Nash no papel bem específico de arremessador de três pontos, Quentin Richardson pareceu um jogador de verdade e conseguiu um contrato gigantesco oferecido por um babaca que não percebeu a lorota (no caso, quem assinou o cheque foi o Isiah Thomas, profissional gabaritado da arte de pagar contratos gigantes para jogadores que só parecem bons de longe, no escuro, e na neblina). Engraçado é que o Joe Johnson, que tinha a mesma função do Quentin e também conseguiu um contrato monstro com ajuda do Nash, acabou dando realmente muito certo - provavelmente só porque não foi o Isiah quem o contratou.

Agora, depois do conto do vigário, o contrato de quase 10 milhões do Quentin Richardson vai se encerrar e todos os times querem a chance de liberar teto salarial para brincar de tentar contratar LeBron, Wade, Bosh, Nowitzki ou Boozer em 2010. Passando de mão em mão, ele já foi trocado pelo Darko, depois pelo Randolph, e agora foi para o Wolves em troca de Sebastian Telfair, Craig Smith e Mark Madsen. Para o Wolves, isso simplesmente significa que eles realmente acreditam que vão manter seus dois armadores escolhidos no draft, Jonny Flynn e Ricky Rubio, apesar de toda a polêmica de que o Rubio deve permanecer na Europa. Se livrando do Telfair, que fez um trabalho decente em toda sua estadia com a equipe, o Wolves fica sem armador reserva a não ser que os dois novatos realmente topem jogar juntos. Espero sinceramente que alguém no Wolves saiba o que está fazendo (pouco provável, convenhamos) e que isso signifique que o Rubio vai mesmo pra NBA, depois de tantos dirigentes irem até a Espanha para tentar convencê-lo e negociar exaustivamente a recisão contratual. Tanto trabalho assim, crianças, só pra pedir a mão da Alinne Moraes, e olhe lá, que nem ela pode ficar regulando mixaria.

Para o Clippers, a troca volta a deixar o garrafão forte e povoado demais. Como pivôs, Chris Kaman, Marcus Camby e DeAndre Jordan, que arrasou na Summer League que terminou agora. Na ala de força, o novato e primeira escolha do draft Blake Griffin, que também chutou traseiros na Summer League, e agora Craig Smith, que sempre foi o clone que o Wolves tinha do Jason Maxiell, algo de que todo time precisa. Telfair chega para fazer dupla com o ex-novato Mike Taylor na armação reserva, mas como o titular é o Baron Davis - que se machuca até tirando meleca do nariz e ainda por cima está no Clippers, que é amaldiçoado por natureza - o time precisa ter dois reservas sempre dispostos a jogar muitos minutos. Esse circo que o Clippers está montando desde a temporada passada, esse Frankenstein basquetebolístico com partes aleatórias que não se encaixam, parece cada vez mais atraente. Não dá pra botar fé, até porque "fé" e "Clippers" não podem estar juntos na mesma frase, mas com a saída do Randolph o time parece mais sexy, charmoso, e agora tem até um banco de reservas. Vale ficar de olho: pode não ser o melhor elenco do mundo, mas pelo menos eles não estão se enganando e tentando voltar no tempo, como um certo time de Phoenix por aí. É como diz o filósofo, tem horas em que é preciso saber feder para poder sair da merda. Se o Pistons parece não curtir muito a ideia, o Suns parece aceitar ainda menos. Ao menos talvez eles façam uns 140 pontos por jogo e nos entretenham um pouco quando a NBA estiver chata, o Baron Davis e o Camby tiverem se contundido, e o Clippers estiver tendo que usar torcedores sorteados pra tapar buraco no time titular.

sábado, 27 de junho de 2009

A Análise do Draft - Parte 1

Bem, pessoal, chegou a esperada hora de analisar time a time quem se deu bem, quem se deu mal e quem saiu igual da noite do draft. Vamos dividir em partes para ter a liberdade de analisar os 30 times sem nos preocupar em fazer um post maior que a Bíblia.


Os posts vão sair grandes, claro, a gente não consegue se controlar, mas será mais agradável ler aos pedaços. Sem mais enrolações, vamos apresentar o nosso sistema de avaliação dos times dessa temporada. No Draft 2007, analisamos usando boas e velhas notas em algarismos arábicos, ano passado fizemos os "selos de qualidade Bola Presa" usando mulheres como objetos-nota para avaliar os times.

Nesse ano, como o dia do draft será sempre conhecido como "O dia em que o Michael Jackson morreu", os selos desse ano levam a marca do cantor-dançarino-performer-pedófilo mais querido do mundo. Vamos aos selos de avaliação desse ano:


Thriller: Sucesso absoluto, ótima escolha! O time com selo Thriller pode sair tranquilo e feliz do draft.



Black or White: O jogador draftado pode causar alguma dúvida por causa de sua posição, histórico ou situação do time, mas tem tudo pra dar certo.


Jackson 5: O jogador escolhido não deve passar de um role player, um jogador de equipe. Dependendo da posição onde foi escolhido isso pode ser bom ou ruim.


Moonwalk: Pareceu legal na hora mas olhando bem ele só está andando pra trás. Esse jogador não vai levar o time a lugar nenhum.


Plásticas no nariz branco: Ninguém vai reconhecer esse jogador daqui um tempo. Promessa falida, escolha horrível.



Finalmente, a análise time por time.


Los Angeles Clippers
Blake Griffin, PF


O Clippers só tinha uma escolha e pegou o que todos acreditam ser o melhor jogador do draft, Blake Griffin. Fizeram o que tinha que ser feito, correram o menor risco possível. Claro que por ser o Clippers, tudo pode dar errado ainda. Na última vez que tiveram uma primeira escolha conseguiram o feito de pegar o Michael Olowokandi, então nem uma primeira escolha aclamada pela crítica é segura por lá.

O que eles precisam fazer agora é dar uma geral no time. Afinal, quem vai ser titular e quem vai ser reserva entre os alas e pivôs, já que eles tem Griffin, Randolph, Kaman e Camby? Com Shaq e Dwight no Leste deve ter um monte de time por lá que não recusaria o Camby ou o Kaman, talvez fosse uma boa hora de trocar um dos dois e começar a montar um banco de reserva.

O time com Baron Davis, Eric Gordon, Al Thornton, Blake Griffin e Marcus Camby é bacana, mas simplesmente não existem reservas nas posições 1, 2 e 3 e, como todo mundo sabe, haverá contusões nesse time.


Memphis Grizzlies
Hasheem Thabeet, C
DeMarre Carroll,
Sam Young,

A primeira escolha do Grizzlies, o Hasheem Thabeet, pivô de UConn vindo da Tanzânia, foi correta, acho que faria a mesma coisa no lugar deles, mas draftar pivôs gigantescos nas primeiras escolhas do draft é sempre arriscado. O Thabeet não é o primeiro negão gigante a ser comparado ao Mutombo e praticamente todos os que vieram antes não se saíram tão bem quanto o velho Dikembe.

O Thabeet dominou os garrafões da NCAA, média de 4 tocos por jogo, 2,22m de altura e ótimo posicionamento defensivo. Mas sabe quem fez a mesma coisa? Greg Oden. Quem garante que o Thabeet não será também uma máquina de fazer faltas e sem jogo ofensivo? Acho que o Thabeet pode acabar sendo daqui uns anos o novo Mutombo, o novo Dalembert ou o que vimos do Oden nesse seu primeiro ano de NBA. E dependendo desse desfecho poderemos julgar melhor essa escolha.

Mas o Grizzlies precisava correr esse risco. Com Conley, que terminou muito bem a temporada passada, OJ Mayo e Rudy Gay, eles tem um bom trio ofensivo e precisavam de uma força no garrafão, alguém comprometido na defesa. O Marc Gasol quebrou um galhão na temporada passada e pode ser titular em muitos times, mas nunca vai ser o jogador dominante na defesa que o Thabeet pode vir a ser. E quem sabe o Gasol não joga um pouco na posição 4 nessa temporada, a posição mais carente do time?

Já com a escolha 27 o Grizz escolheu o DeMarre Carroll, um ala que joga nas posições 3 e 4 e que parece que está destinado a ser reserva. Se render nos minutos que jogar já é lucro, mas acho que eles poderiam ter pego o Toney Douglas, que é um especialista em defesa de perímetro ou qualquer jogador da posição 4 disponível. Com sua última escolha, a 36, eles pegaram o Sam Young, um cara que pula muito, é bem atlético, diz que está melhorando o arremesso e parece mais velho que o Greg Olden.


Oklahoma City Thunder
James Harden, SG
BJ Mullens, C
Robert Vaden, SG

Alguns podem achar que o Thunder foi meio cagão ao pegar o James Harden na terceira posição. Afinal, eles poderiam ter pego o Rubio, usado o Russell Westbrook na posição 2 e ter um time ousado, muito veloz e ofensivo. Mas o Thunder melhorou a cada mês na temporada passada e não é a hora de mudar tudo.

James Harden é um jogador talentoso, que sabe atacar a cesta mesmo sem ser muito veloz e que chega na NBA já feito, sem aqueles rótulos de "precisa ficar mais forte", "precisa aprender a arremessar" ou "precisa aprender a jogar basquete". Assim ele chega pronto para ser titular, colocar o Kevin Durant na sua posição original de ala e garantir de vez que o Thunder jogará num small ball, com o Jeff Green como um ala de força sem tanta força. Escolha segura e que dará resultados!

Em uma das trocas mais tolas do draft, o Thunder conseguiu o pivô BJ Mullens. O Dallas pegou o Mullens na escolha 24 e mandou para o Thunder em troca do francês Beaubois que foi a escolha 25 do Thunder. Foi só uma artimanha do Mavs pra conseguir uma escolha de segunda rodada extra. Mas no resultado o Thunder pegou um jogador na posição mais carente do time, a de pivô, em que só tem o Nenad Krstic. O Mullen é o terceiro pivô em três anos a sair de Ohio State (Oden, Koufos) e possivelmente é o pior ou o menos preparado dos três para a NBA. Deve sair do banco, fazer suas cestas em pick and rolls ou rebotes ofensivos e voltar pro banco, mas pode dar resultado a longo prazo.

Na segunda rodada o Thunder pegou outro jogador que cobre uma falha do time, os arremessos dos 3 pontos. Robert Vaden seria trilhões de vezes mais legal se chamase Robert Vader, mas vale assim mesmo. Já fez 7 bolas de 3 em um tempo da NCAA e deve vir do banco para tentar ser um Eddie House da vida, mas não duvide se acabar virando um The Machine.


Sacramento Kings
Tyreke Evans, PG/SG
Omri Casspi, SF
Jon Brockman, PF

Pelo o que eu li por aí o Kings foi um dos times mais criticados do Draft. Meteram o pau neles por terem tido a chance de pegar o Rubio, o Flynn e o Stephen Curry e terem deixado passar pelo Tyreke Evans. Mas eu tô apostando que vai dar certo!

Minha maior dúvida era se o Evans poderia jogar como armador principal ao lado do Kevin Martin, já que pra mim ele era mais um jogador da posição 2, mas vários especialistas que assistiram ele de perto garantem que ele vai render e render muito bem como armador principal. Acreditando nisso aposto que foi a escolha correta, porque esse moleque parece bom demais.

Em treinos na última semana antes do draft o Evans foi o melhor jogador de todos os Top 10 e impressionou todo mundo que tinha uma escolha. E o Kings tem tradição em escolher jogadores baseados em seus treinos e não em seus nomes, foi assim que escolheram o Jason Thompson na 12º posição no ano passado e acertaram em cheio. Também gostei do Evans ser escolhido ao invés do Rubio porque o Kings precisa de jogadores que marcam pontos e o Evans é mais pontuador que o espanhol dos Jonas Brothers.

Com a sua escolha 23 o Kings pegou o que pode ser o primeiro israelense a jogar na NBA, Omri Casspi. Eu vi pouco dele, mas parece que ele é um mix de Rudy Fernandez e Turkoglu. O Rudy pelo jeito de jogar mesmo, o Turkoglu porque ele joga de ala mesmo com quase 2,08m de altura. A escolha não é ainda certeira porque esses gringos sempre correm o risco de demorar pra ir pra NBA, mas se for agora o Kings tem um bom jogador pra posição 3.

Por último uma escolha divertida. Jon Brockman tem nome de lenhador e é parceiro de faculdade do Spencer Hawes, que vai tirar sarro do seu novato e divertir o vestiário. Só isso.


Minnesota Timberwolves
Ricky Rubio, PG
Jonny Flynn, PG
Wayne Ellington, SG
Henk Norel, C

O Wolves foi o primeiro time a ter quatro escolhas de primeiro round no mesmo ano e não tiveram criatividade nenhuma na hora de escolher: três armadores nas suas três primeiras escolhas, em Rubio, Flynn e Lawson.

Todo mundo sabia que se o Ricky Rubio sobrasse lá eles não iam perdoar e fizeram muito bem em apostar nele, mas a escolha do Jonny Flynn depois causou uma baita confusão digna de filme da Sessão da Tarde. O Rubio falou logo depois do draft que não estava confortável com o fato do time ter draftado outro jogador da mesma posição logo depois e disse que por isso consideraria passar mais um ano na Espanha. Com isso começaram a chover propostas e rumores sobre o Rubio ir para o Knicks, Rockets, Suns e trocentos outros times. Para terminar, o Rubio não apareceu na coletiva de imprensa de apresentação dos jogadores.

Para baixar a poeira o novo General Manager do time, David "Gengis" Kahn, afirmou que entende a situação do Rubio mas que garante que ele será o armador titular da equipe a partir do momento que entrar lá. E, para não agradar só um irmãozinho, que o Flynn também pode ser titular. Será que cola e o Rubio aparece lá? Um mal entendido pode custar um ano sem o espanhol.

Apesar dos dois armadores serem nanicos à lá falecido Pitoco, o GM Kahn acredita em um esquema com dois armadores baixos como titulares e para isso citou formações famosas da idade da pedra como Isiah Thomas e Joe Dumars, Jerry West e Gail Goodrich e Danny Ainge e Dennis Johnson. Todos exemplos que o Rubio nem sabe que existem porque não era vivo quando a maioria deles jogava.

Eu gosto de times com dois armadores juntos. Gostava quando o Dallas usava Nash e Van Exel ou quando o Kings usava Bobby Jackson e Bibby. Até gosto hoje quando o Bobcats usa Felton e Augustin, mas isso são reservas atuando alguns minutos. Os dois como titulares implica em muitos minutos juntos e um dos dois marcando jogadores bem mais altos. Imaginam Rubio ou Flynn marcando o Kobe, o Ginobili ou até uns mais baixos como o Brandon Roy? Não tem como dar certo. Ou um vai dar o fora ou um vira um reserva insatisfeito.

Pra terminar, o time não tem técnico ainda! Seja lá quem eles vão contratar, vai ter que ser alguém que também acredita nessa teoria de que dois armadores baixos juntos podem dar certo. Mas o que salva o Wolves é que os dois são muito bons e que na pior das hipóteses eles podem conseguir uma boa troca. Foram escolhas boas pelo talento e péssimas pelas consequências que isso trouxe.

Ty Lawson, que pareceu uma piada na hora que foi draftado por ser mais um armador, acabou sendo trocado para o Denver Nuggets em troca da escolha do draft do Bobcats do ano que vem. Negócio bom para o Wolves, os melhores jogadores disponíveis nesse pedaço do draft eram armadores e ao invés de ter mais um, conseguiram uma posição parecida a essa (18º) no draft do ano que vem.

Com a escolha de Wayne Ellington, na segunda rodada, o Wolves tem finalmente um bom arremessador de 3 pontos, para o NBADraft.net é o melhor desse draft. Como não parece ter muito além disso, deve ter minutos limitados no time, mas é sempre bom ter um arremessador. Por fim, Henk Noel é um pivô holandês com cara de psicopata destinado a tomar enterradas na cabeça, se é que um dia vai jogar na NBA.


Golden State Warriors
Stephen Curry, PG


Eu adorei a escolha do Warriors. O Stephen Curry é um daqueles armadores que não são de organizar o time, é um armador finalizador, agressivo. Mesmo assim tem um bom arremesso e é um dos poucos, se não o único, armador desse Top 10 a ter um confiável arremesso de 3 pontos. Ou seja, ele tinha que sair pro Warriors ou para o Knicks para jogar na correria.

A torcida de Nova York só faltou chorar ao ver que ele chegou perto de NY e escapou pelos dedos, já a do Warriors deve estar dividida. Por um lado o Stephen Curry é ideal para deixar o Monta Ellis na posição onde ele joga melhor, na 2, e fazer uma das duplas de armação mais rápidas e difíceis de ser marcada na NBA. E ao contrário do Wolves, não importa quem eles vão ter que defender depois porque ninguém defende lá, simples assim.

Por outro lado, porém, o Don Nelson disse que o Curry é tão perfeito para o Warriors que eles não vão trocá-lo de jeito nenhum. "Ele pode desfazer as malas e até comprar uma casa", segundo o técnico pirado. Mas isso quer dizer que a troca que estava quase feita com o Suns pelo Amar'e Stoudemire está mais melada que Playboy. O Curry é bom e vai fazer pontos até explodir nesse Warriors, mas será que vale a perda da chance de ter o Amar'e? Talvez eles se arrependam disso um dia.


New York Knicks
Jordan Hill, PF
Toney Douglas, SG

Primeiro time a receber o selo Jackson 5. Isso porque os dois jogadores do Knicks, apesar de parecerem bons, não vão mudar a cara do time como, por exemplo, Stephen Curry iria. Curry entraria para ser o armador que conduziria o time, já Jordan Hill vai ser ou um pivô para deixar o David Lee de ala de força ou o cara que irá herdar a posição do Lee caso ele seja realmente trocado.

Comparam o Jordan Hill com o Chris Bosh, mas como o próprio Bosh disse, é só por causa do cabelo. Tirando isso eles não tem nada a ver. O Bosh tem muito mais recursos ofensivos e arremesso, o Hill vai se garantir na NBA por ser um bom reboteiro. Se é pra comparar com algum cabeludo, ele é o Joakim Noah menos desengonçado no ataque e menos drogado.

Se o Knicks quisesse ousar, poderiam ter ido de Jennings para ser o armador do time, mas se eles querem o LeBron no ano que vem talvez não seja a hora de arriscar, mas sim de pegar alguns jogadores mais sólidos para criar um ambiente melhor pro King Crab. Mais um ano de sofrimento para o Knicks com um time de medianos.

A escolha 29, que era do Lakers e o Knicks comprou por singelos 3 milhões de dólares, rendeu o armador Toney Douglas. Douglas parece ser um bom jogador, daqueles pra vir do banco dando um gás e marcando o melhor jogador adversário. Mais um bom role player para a coleção de ótimos role players que o Knicks tem.

...
Acabamos essa primeira parte antes que isso vire a Bíblia que eu prometi que isso não viraria. Encerro por hoje. Amanhã tem mais times, possivelmente mais 8 e depois os 14 que sobraram pra terminar. Os últimos 14 não vão render um post tão grande porque tem times como os finalistas Lakers e Magic, que somam uma única escolha de draft, a do genial Chinemelu Elonu na posição 59. Quem já leu tudo e quer ler mais pode conferir nosso glorioso Mock Draft da Força Nominal.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Amado e odiado

Rubio olha para o céu e reza para não ir para o Grizzlies


Não tem assunto que rende mais discussão nesse draft do que o Ricky Rubio, certo? Salvo alguma troca surpresa envolvendo jogadores mega conhecidos, o grande nome da noite do draft será o espanhol.

Não porque ele será a primeira escolha, claro, já é mais do que certo que o número um será Blake Griffin. O coitado pode estar chorando ao pensar que está condenado a derrotas e contusões no Clippers, mas não há o que fazer para evitar, o negócio é pegar o boné no dia do draft e treinar algumas vezes para mostrar que já merece ser titular no lugar do Zach Randolph.

É tão certo que o Griffin será o primeiro escolhido que ele deverá passar despercebido pelo dia do draft, voltando a ser o centro das atenções apenas quando for fazer sua estréia nas summer leagues e posteriormente na NBA. Falaremos mais do Griffin no decorrer da offseason, mas adianto que pelo o que eu vi do garoto não tem como errar com ele, na pior das hipóteses não vira uma superestrela, mas bom jogador vai ser com certeza.

Por outro lado, o Rubio não é garantido na escolha número 2 como se acreditava há algum tempo, e nem na escolha 3. Notícias de hoje dizem que não é nem na escolha número 4.

Primeiro era certo que ele iria para o Grizzlies com a segunda escolha, mas aí o agente dele disse que não queria ver o Rubio em Memphis. Aí ele caiu para o Thunder, que primeiro disse que estava interessado, depois que não, e agora diz estar de novo. No meio do vai-não-vai do Thunder, o Rubio caiu para a quarta escolha, do Kings, mas alguns fofoqueiros/informantes disseram que o Kings estava mais a fim de escolher o armador Jonny Flynn, fazendo o Rubio cair para a quinta escolha, que agora é do Wolves.

Pra completar a confusão, dizem que o Knicks estaria disposto a trocar com qualquer time da segunda até a quinta escolha só para ter o Rubio. Ou seja, a opinião dos times sobre o Rubio é bem parecida com a dos especialistas e fãs: sem nenhum padrão.

Um olheiro de um time, que não quis se identificar em um entrevista para o site HoopsHype, já disse que o Rubio é o novo Pete Maravich, a lenda do basquete dos anos 70 que se você não conhece deve correr para o YouTube nesse exato segundo. Outro olheiro, no entanto, disse que Rubio é "um Steve Nash sem ataque", o que é o mesmo que dizer que o Rubio é um pedaço de almôndega mal cozido e estragado.

A chegada do Rubio está me lembrando a do Yao Ming, quando ninguém sabia ao certo se o china era o novo Olajuwon ou o novo Shawn Bradley. No fim das contas eu prevejo uma carreira parecida para os dois. O Yao começou sofrendo enormes dificuldades, precisou ganhar físico, velocidade, ser muito bem treinado mas no fim das contas acabou sendo uma ótima escolha. O Rubio deve ter dificuldade no começo, deve precisar melhorar muito, mas duvido que ele seja um zé ninguém na NBA.

Os que são contra o espanhol dizem que ele não tem arremesso de longa distância e que fisicamente irá ser engolido vivo na NBA. Os que são a favor dizem que ele tem uma visão de jogo absurdamente acima da média e uma liderança e qualidade de passe que pouquíssimos jogadores com a sua idade tem.

Quem tem razão nisso a gente, óbvio, só vai saber com o tempo. Mas não custa dar o nosso pitaco pra quebrar a cara depois. Eu acho que ele vai ser um jogador fantástico e o draftaria sem pensar duas vezes! Ter um armador bom é um primeiro passo fantástico para ter um time vencedor, ajuda bem mais do que ter um cara da posição 3 ou 4. Claro que tem uns LeBrons e Duncans que são exceções, mas no geral se você tem um time limitado e quer levá-lo a seu limite, contrate um armador bom. Armadores bons conseguem fazer jogadores limitados parecerem espetaculares, principalmente se forem daqueles que pensam primeiro coletivamente e depois em fazer seus pontos, o que é o caso do Ricky Rubio.

Tudo o que os críticos dizem, eles dizem com base. Vendo ele jogar, mesmo naquela bela atuação nas Olimpíadas do ano passado, ele pareceu sem arremesso e com um físico limitado, mas isso, sinceramente, é o de menos. Bota o moleque na academia, manda ele puxar uns ferros, contrata um preparador físico só pra ele e manda o garoto chutar umas 800 bolas de 3 por dia. Pronto, na pior das hipóteses ele fica com um arremesso e um físico padrão na NBA.

Podemos usar como exemplo do caso do arremesso um outro armador espanhol, o Jose Calderon. Ele chegou na NBA sendo criticado por não ter arremesso. Então treinou, treinou, treinou e hoje é mortal na linha dos 3 e acabou de terminar a temporada com o melhor aproveitamento de lances livres da história da NBA! Foi ele mesmo quem disse que só se dedicou tanto ao arremesso depois que chegou nos EUA e percebeu que precisaria desenvolver isso para evoluir na liga. Já o crescimento físico é comum, todo pivete que vinha do colegial quando isso ainda era permitido chegava magricelo e depois de uma ou duas temporadas estava com "corpo de NBA".

Então, repito, os críticos tem razão. E não estou aqui pra defender o Rubio dizendo que ele vai sair por aí enterrando na cabeça de pivô de 2,10m ou quebrando recordes de arremessos de 3. Mas é melhor draftar um cara com visão de jogo, liderança e bom passe e ensinar a melhorar arremesso e físico do que fazer aquilo que a maioria dos times faz, que é draftar aquele cara com um corpo perfeito, alto pra diabo, rápido, de ótima impulsão e que não tem noção de como se joga o basquete. Esses sim são difíceis de ver uma evolução, como Darius Miles, Stromile Swift, Gerald Green, Ndudi Ebi, Kwame Brown e tantos outros não podem negar.

Pensando no que tenho lido ultimamente, apostaria que se não acontecer nenhuma troca envolvendo as primeiras posições do draft, o Rubio vai, no pior dos casos, sair em quinto lugar no Wolves. Creio que se tiverem a chance vão pegar Rubio e o muito bom Tyreke Evans para ter uma dupla de armação novinha em folha pra jogar com Ryan Gomes, Kevin Love e Al Jefferson. Mas, como disse antes, o Knicks estaria pronto pra fazer uma troca e pegá-lo. Imagina o Rubio naquela correria? A crítica que fazem sobre ele defender mal ficaria irrelevante no Knicks.

Vamos descobrir tudo hoje à noite, às 21h, com acompanhamento ao vivo no chat do Bola Presa. E não deixem de ver também o nosso novo layout para o draft que o nosso glorioso Felipe fez, se ainda está com a imagem do Kobe aí em cima é só carregar no "atualizar" do seu navegador que você verá o novo trabalho.

E mande aí nos comentários o que você acha do Rubio. Prometemos que vamos ler e até dar um pouquinho de atenção. Aproveite o embalo no teclado e participe também da nossa promoção do Draft.