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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Estando bom para todas as partes

Kevin Martin e Artest agora têm algo em comum além do sorriso bobo:
deixaram de ser estrela para ser coadjuvante em Houston


Nessa temporada, o Houston Rockets não é o time de Yao Ming ou de Tracy McGrady: ele é o time do técnico Rick Adelman. Pela primeira vez em sua carreira, Adelman tem um time inteiro nos seus moldes, capaz de executar com perfeição suas loucuras tática, um elenco profundo, recheado de especialistas e sem uma estrela sequer. A equipe surpreendeu no começo da temporada chutando um punhado de traseiros, escalando rumo ao topo do Oeste e provando que a filosofia de jogo do Adelman poderia levar à vitória um time visto como mais-ou-menos. Mas esses não são os Jogos Escolares de São Bernardo, e sim a conferência Oeste da NBA. O nível é cada vez mais alto, os times mais emparelhados, e uma sequência simples de vitórias ou derrotas é a diferença entre ser líder da conferência e estar fora dos playoffs. Sem um líder em quadra, sem uma estrela capaz de trazer tranquilidade ao time e garantir cestas fáceis e decisivas nos finais dos jogos, o Houston foi de fininho escorregando para fora da zona de classificação. De repente, o Rick Adelman não parecia mais tão genial - e nem tão feliz - assim.

Por essa razão, o técnico do Houston foi entregando cada vez mais liberdade e responsabilidade nas mãos de Aaron Brooks e Carl Landry. O armador Brooks é o único disposto a arremessar sem parar nos finais de partida, e o Landry é simplesmente o líder em pontos no quarto período de toda a NBA. No entanto, abrir essa exceção tática para os dois deixava Rick Adelman cada vez mais frustrado, tudo porque o Brooks não tem muito cérebro e dá arremessos bastante idiotas, enquanto o Landry compromete o time na defesa. Ainda assim, parecia melhor do que deixar Tracy McGrady entrar em quadra com sua falta de ritmo, falta de defesa e postura de estrela. Não importa que T-Mac tivesse treinado como um maluco nas férias com os melhores treinadores do mundo, ao lado de Dwyane Wade. Não importa que T-Mac estivesse se dizendo saudável pela primeira vez em anos. Rick Adelman não queria comprometer sua visão de um time coletivo e perfeito, não queria sujeitar seu elenco de carregadores de piano à dúvida de McGrady jogar ou não jogar todas as noites, graças às suas incessantes contusões. Preferiu tentar salvar a temporada desde o começo retirando o mal pela raíz. Sobrou pro T-Mac, que não tinha nada com isso.

Sua troca era inevitável. Tracy McGrady está no último ano de um contrato que lhe paga 23 milhões de doletas, ou seja, deixa salivando qualquer time interessado em liberar espaço salarial para a temporada que vem com poluções noturnas pelo LeBron James. Mas a troca não poderia ser por alguma outra estrela, por um jogador que comprometesse o trabalho do Adelman. Os engravatos de Houston acreditam no técnico, o elenco de ajudantes de luxo em quadra acredita nele, então o poder está nas mãos do homem. Durante vários dias, os boatos indicavam que T-Mac seria trocado por mais uma série de ajudantes de luxo: se fosse para o Knicks traria Jared Jeffries e Al Harrington, se fosse para o Sixers traria Iguodala e Dalembert. Chega a ser engraçado imaginar uma equipe com Trevor Ariza, Shanne Battier e Andre Iguodala, três dos melhores defensores da NBA, capazes de se encaixar em qualquer equipe e ajudar uma estrela a ser campeã. Mas conseguiriam ganhar alguma coisa ajudando apenas uns aos outros? Seria um excelente experimento sociológico, quase tão bom quanto Big Brother, mas sem sexo debaixo do edredom.

Na última hora, o Sixers vetou a troca. Parece que eles ainda estão convencidos de que o Iguodala pode ser campeão sozinho, sem uma estrela, e preferiram viver em seu mundo de fantasia com o Coelhinho da Páscoa, o Papai Noel, a Alinne Moraes e todas essas coisas que não existem. Restou então mandar o T-Mac para o Knicks, mas aí o Kings apareceu.

O Sacramento virou um dos meus times favoritos nessa temporada. Sempre fui fanático pelo jogo pouco ortodoxo do Kevin Martin (por "pouco ortodoxo", é claro que eu quero dizer "ridiculamente bizarro") e fiquei muito interessado em descobrir o porquê do time vencer com ele fora, contundido. Foi aí que o Tyreke Evans começou a jogar um absurdo, cravou seu nome como o calouro do ano antes mesmo do meio da temporada, conquistou o coraçãozinho do Denis e transformou o Kings numa das equipes mais divertidas de se assistir em toda a NBA. Declarei em outro post meu amor súbito pelo Kings e como abandonei jogos do Houston para acompanhar a equipe do Evans (mas não contem pra ninguém!), e depois assisti atento ao Kevin Martin voltar de contusão e tentar se encaixar com o futuro novato do ano. Eu não fiquei convencido de que a dupla não funciona, ficou bem claro que os dois têm problemas para se encaixar em quadra mas pareciam estar aprendendo aos poucos. Mas a verdade é que os dois jogam melhor quando não estão juntos, tendo o jogo armado pelo Beno Udrih, e é compreensível que com as derrotas acontecendo em massa desde a volta do K-Mart, o Kings não quisesse sentar e ficar assistindo ao apocalipse. Até porque, poucas semanas atrás, eles estavam indo para os playoffs, exatamente como o Houston.

A troca então foi a seguinte: o Kings mandou o Kevin Martin para o Houston e o Sergio Rodriguez para o Knicks. O Knicks mandou o Jared Jeffries, o Larry Hughes e o Jordan Hill para o Houston. E o Houston mandou o Tracy McGrady para o Knicks e Carl Landry e Joey Dorsey para o Kings.

Pro Knicks, a troca é simples. O contrato gigante do Larry Hughes ia acabar mesmo, o essencial era se livrar do Jared Jeffries. Não que ele seja ruim, pelo contrário, o Mike D'Antoni sempre disse que o Jeffries foi o jogador que mais lhe deixou impressionando quando ele chegou em New York. Mas é que o burro do Isiah Thomas deu pro Jeffries um contrato de quase 7 milhões por ano apesar dele ser simplesmente um jogador secundário, versátil porque pode jogar em todas as posições (todas mesmo, de armador a pivô), bom defensor, mas irrelevante no ataque. No Knicks que não defende, que fede inteiro, de que serve um carregador de piano que ganha uma fortuna? Seu contrato duraria ainda mais uma temporada, e se livrando dele o Knicks fica finalmente pelado como queria, pronto para oferecer toda a grana disponível para as estrelas desempregadas na temporada que vem. Restaram apenas 4 jogadores com contratos para a próxima temporada no Knicks: o Danilo Gallinari, o Toney Douglas, o Wilson Chandler e o gordo do Eddy Curry, que o time tentou desesperadamente trocar mas ele está tão gordo que não passou pela porta e não conseguiu sair do ginásio. Como o contrato do T-Mac termina também, o Knicks abriu mão do novato Jordan Hill (que o D'Antoni odiava) e de uma escolha de primeira rodada para se livrar do Jeffries e nadar em dinheiro para a próxima temporada. Dá pra oferecer dois contratos máximos, ou seja, segundo a política do Isiah Thomas dá pra oferecer dois contratos com valores máximos para gênios como o Kwame Brown e o Sasha Vujacic.

Para o Kings, a troca foi um belo jeito de se livrar do contrato gigante do Kevin Martin, dar o time inteiro nas mãos do Tyreke Evans, contratar outro jogador que se encaixe melhor com ele na temporada que vem, e de quebra ainda levar o Carl Landry. Já faz um tempão que o Kings tem problemas para pontuar no garrafão, já que o pivô Spencer Hawes prefere arremessar de três e o James Thompson é genial mas prefere o arremesso de média distância. O Landry é um cara que não defende, não pega rebotes, não assobia, não lava a louça, não conta até dez, mas se você lhe der a bola debaixo da cesta, ele dará um jeito de pontuar. Chega a ser surreal, ele arruma um jeito dando porrada, na força, no jeitinho, com ganchos, na marra, reverses, pagando propina para o juíz, qualquer coisa, mas ele consegue. Será perfeito para vir do banco do Kings assim como fazia no Houston e pontuar no quarto período, momento em que o Kings tem perdido a imensa maioria dos seus jogos. O time é imediatamente melhor agora, dá espaço pra molecada e arruma um antigo problema. É com dor no coração e lágrimas nos olhos que eu vejo o Carl Landry ir embora, mas ele estará numa equipe que precisa dele e que, com sua presença, só tende a melhorar.

Mas para o Houston a troca tem tudo para dar certo também. Dia desses me perguntaram que estrela poderia ir para o Rockets sem lascar com a química e a visão do Adelman, e sugeriram o Joe Johnson por ser um armador completo e pontuador que não é individualista. Eu sempre achei que o jogador perfeito para o Houston seria o Michael Redd, que ele seria o par perfeito para o Yao, que permite tão bem que os seus companheiros arremessem livres de três pontos. Na falta dele, não consigo imaginar um jogador melhor do que o Kevin Martin para cumprir esse papel. Não só é um dos meus jogadores favoritos, ele também é um excelente arremessador de três pontos, quieto, discreto, sem problemas com ego ou com companheiros de equipe, e é especialista em cavar faltas e cobrar lances livres quando o time precisa de pontos fáceis ou não tem nada caindo. Se o K-Mart jogar minutos limitados e sempre estiver em quadra ao lado de Ariza ou Shane Battier (ou até de Jared Jeffries, mais um grande defensor nesse time cada vez mais defensivo e versátil), sua defesa patética não será um problema tão grande, ele será muito útil impedindo que o Aaron Brooks arremesse tanto, tornará o perímetro mais perigoso e cavará mais faltas nos momentos de pânico, quando o Houston não consegue manter o plano do Adelman porque os arremessos não caem e o Brooks se desespera. É exatamente o que o Rick Adelman queria: um jogador secundário, especialista, disposto a cumprir uma simples função em quadra ao invés de ser uma estrela, cargo que o Martin nunca quis assumir em Sacramento. É um ajudante perfeito para um time formado por ajudantes, com a diferença de que ele ganha quase 10 milhões de doletas por ano. No Kings pagavam e esperavam que ele fosse o líder da equipe, assim como no Knicks pagavam para o Jeffries e esperavam que ele evoluísse ano a ano. No Houston, os dois podem encher as orelhas de dinheiro para ser simples coadjuvantes, do mesmo modo que o todo o resto da equipe. Sem essa cobrança, os dois vão logo se sentir em casa, o coitado do Kevin Martin nunca quis ser nada além de coadjuvante e o Kings resolveu lhe pagar um contrato de 55 milhões, completamente inesperado, achando que ele levaria a franquia para algum lugar - justo ele, o cara menos vocal do mundo, o único cara do planeta que não gostaria de ser líder no Big Brother. Além disso, se o Jordan Hill souber pontuar um pouco e não der motivos para o Aldeman odiá-lo tanto quanto o D'Antoni odiava, a troca terá sido perfeita, com mais um carregador de piano para substituir o Landry nem que seja um pouquinho. Até o Larry Hughes tem jogado bem e, se tiver minutos bem limitados, pode quebrar um baita de um galho enquanto o Kyle Lowry está contundido. Aliás, a troca terá sido perfeita para todas as partes. Até para o Knicks, que com tanto nome e fama vai conseguir levar duas estrelas de peso na temporada que vem. Pode não ser o LeBron, mas alguém topa a brincadeira. Afinal, eles não são o Clippers. E o Kings continua sendo um dos times mais divertidos de acompanhar, dessa vez com o líder de pontos no quarto período. Será o bastante para levar a pirralhada para os playoffs?

EDIT: Pois é, ao contrário do que algumas fontes apontaram, o Larry Hughes foi para o Kings e não para o Houston. Então ao invés de ser um reserva quebra-galho pro Lowry, ele vai ser só um contrato de 13 milhões que expira e deixa o Kings com grana pra fazer o que quiser, gastar com estrelas, jogos, bebidas ou mulheres. Se ele entrar em quadra, ainda mais depois que o Francisco Garcia está de volta de contusão, é porque alguém tomou um tiro em quadra.

sábado, 27 de junho de 2009

A Análise do Draft - Parte 1

Bem, pessoal, chegou a esperada hora de analisar time a time quem se deu bem, quem se deu mal e quem saiu igual da noite do draft. Vamos dividir em partes para ter a liberdade de analisar os 30 times sem nos preocupar em fazer um post maior que a Bíblia.


Os posts vão sair grandes, claro, a gente não consegue se controlar, mas será mais agradável ler aos pedaços. Sem mais enrolações, vamos apresentar o nosso sistema de avaliação dos times dessa temporada. No Draft 2007, analisamos usando boas e velhas notas em algarismos arábicos, ano passado fizemos os "selos de qualidade Bola Presa" usando mulheres como objetos-nota para avaliar os times.

Nesse ano, como o dia do draft será sempre conhecido como "O dia em que o Michael Jackson morreu", os selos desse ano levam a marca do cantor-dançarino-performer-pedófilo mais querido do mundo. Vamos aos selos de avaliação desse ano:


Thriller: Sucesso absoluto, ótima escolha! O time com selo Thriller pode sair tranquilo e feliz do draft.



Black or White: O jogador draftado pode causar alguma dúvida por causa de sua posição, histórico ou situação do time, mas tem tudo pra dar certo.


Jackson 5: O jogador escolhido não deve passar de um role player, um jogador de equipe. Dependendo da posição onde foi escolhido isso pode ser bom ou ruim.


Moonwalk: Pareceu legal na hora mas olhando bem ele só está andando pra trás. Esse jogador não vai levar o time a lugar nenhum.


Plásticas no nariz branco: Ninguém vai reconhecer esse jogador daqui um tempo. Promessa falida, escolha horrível.



Finalmente, a análise time por time.


Los Angeles Clippers
Blake Griffin, PF


O Clippers só tinha uma escolha e pegou o que todos acreditam ser o melhor jogador do draft, Blake Griffin. Fizeram o que tinha que ser feito, correram o menor risco possível. Claro que por ser o Clippers, tudo pode dar errado ainda. Na última vez que tiveram uma primeira escolha conseguiram o feito de pegar o Michael Olowokandi, então nem uma primeira escolha aclamada pela crítica é segura por lá.

O que eles precisam fazer agora é dar uma geral no time. Afinal, quem vai ser titular e quem vai ser reserva entre os alas e pivôs, já que eles tem Griffin, Randolph, Kaman e Camby? Com Shaq e Dwight no Leste deve ter um monte de time por lá que não recusaria o Camby ou o Kaman, talvez fosse uma boa hora de trocar um dos dois e começar a montar um banco de reserva.

O time com Baron Davis, Eric Gordon, Al Thornton, Blake Griffin e Marcus Camby é bacana, mas simplesmente não existem reservas nas posições 1, 2 e 3 e, como todo mundo sabe, haverá contusões nesse time.


Memphis Grizzlies
Hasheem Thabeet, C
DeMarre Carroll,
Sam Young,

A primeira escolha do Grizzlies, o Hasheem Thabeet, pivô de UConn vindo da Tanzânia, foi correta, acho que faria a mesma coisa no lugar deles, mas draftar pivôs gigantescos nas primeiras escolhas do draft é sempre arriscado. O Thabeet não é o primeiro negão gigante a ser comparado ao Mutombo e praticamente todos os que vieram antes não se saíram tão bem quanto o velho Dikembe.

O Thabeet dominou os garrafões da NCAA, média de 4 tocos por jogo, 2,22m de altura e ótimo posicionamento defensivo. Mas sabe quem fez a mesma coisa? Greg Oden. Quem garante que o Thabeet não será também uma máquina de fazer faltas e sem jogo ofensivo? Acho que o Thabeet pode acabar sendo daqui uns anos o novo Mutombo, o novo Dalembert ou o que vimos do Oden nesse seu primeiro ano de NBA. E dependendo desse desfecho poderemos julgar melhor essa escolha.

Mas o Grizzlies precisava correr esse risco. Com Conley, que terminou muito bem a temporada passada, OJ Mayo e Rudy Gay, eles tem um bom trio ofensivo e precisavam de uma força no garrafão, alguém comprometido na defesa. O Marc Gasol quebrou um galhão na temporada passada e pode ser titular em muitos times, mas nunca vai ser o jogador dominante na defesa que o Thabeet pode vir a ser. E quem sabe o Gasol não joga um pouco na posição 4 nessa temporada, a posição mais carente do time?

Já com a escolha 27 o Grizz escolheu o DeMarre Carroll, um ala que joga nas posições 3 e 4 e que parece que está destinado a ser reserva. Se render nos minutos que jogar já é lucro, mas acho que eles poderiam ter pego o Toney Douglas, que é um especialista em defesa de perímetro ou qualquer jogador da posição 4 disponível. Com sua última escolha, a 36, eles pegaram o Sam Young, um cara que pula muito, é bem atlético, diz que está melhorando o arremesso e parece mais velho que o Greg Olden.


Oklahoma City Thunder
James Harden, SG
BJ Mullens, C
Robert Vaden, SG

Alguns podem achar que o Thunder foi meio cagão ao pegar o James Harden na terceira posição. Afinal, eles poderiam ter pego o Rubio, usado o Russell Westbrook na posição 2 e ter um time ousado, muito veloz e ofensivo. Mas o Thunder melhorou a cada mês na temporada passada e não é a hora de mudar tudo.

James Harden é um jogador talentoso, que sabe atacar a cesta mesmo sem ser muito veloz e que chega na NBA já feito, sem aqueles rótulos de "precisa ficar mais forte", "precisa aprender a arremessar" ou "precisa aprender a jogar basquete". Assim ele chega pronto para ser titular, colocar o Kevin Durant na sua posição original de ala e garantir de vez que o Thunder jogará num small ball, com o Jeff Green como um ala de força sem tanta força. Escolha segura e que dará resultados!

Em uma das trocas mais tolas do draft, o Thunder conseguiu o pivô BJ Mullens. O Dallas pegou o Mullens na escolha 24 e mandou para o Thunder em troca do francês Beaubois que foi a escolha 25 do Thunder. Foi só uma artimanha do Mavs pra conseguir uma escolha de segunda rodada extra. Mas no resultado o Thunder pegou um jogador na posição mais carente do time, a de pivô, em que só tem o Nenad Krstic. O Mullen é o terceiro pivô em três anos a sair de Ohio State (Oden, Koufos) e possivelmente é o pior ou o menos preparado dos três para a NBA. Deve sair do banco, fazer suas cestas em pick and rolls ou rebotes ofensivos e voltar pro banco, mas pode dar resultado a longo prazo.

Na segunda rodada o Thunder pegou outro jogador que cobre uma falha do time, os arremessos dos 3 pontos. Robert Vaden seria trilhões de vezes mais legal se chamase Robert Vader, mas vale assim mesmo. Já fez 7 bolas de 3 em um tempo da NCAA e deve vir do banco para tentar ser um Eddie House da vida, mas não duvide se acabar virando um The Machine.


Sacramento Kings
Tyreke Evans, PG/SG
Omri Casspi, SF
Jon Brockman, PF

Pelo o que eu li por aí o Kings foi um dos times mais criticados do Draft. Meteram o pau neles por terem tido a chance de pegar o Rubio, o Flynn e o Stephen Curry e terem deixado passar pelo Tyreke Evans. Mas eu tô apostando que vai dar certo!

Minha maior dúvida era se o Evans poderia jogar como armador principal ao lado do Kevin Martin, já que pra mim ele era mais um jogador da posição 2, mas vários especialistas que assistiram ele de perto garantem que ele vai render e render muito bem como armador principal. Acreditando nisso aposto que foi a escolha correta, porque esse moleque parece bom demais.

Em treinos na última semana antes do draft o Evans foi o melhor jogador de todos os Top 10 e impressionou todo mundo que tinha uma escolha. E o Kings tem tradição em escolher jogadores baseados em seus treinos e não em seus nomes, foi assim que escolheram o Jason Thompson na 12º posição no ano passado e acertaram em cheio. Também gostei do Evans ser escolhido ao invés do Rubio porque o Kings precisa de jogadores que marcam pontos e o Evans é mais pontuador que o espanhol dos Jonas Brothers.

Com a sua escolha 23 o Kings pegou o que pode ser o primeiro israelense a jogar na NBA, Omri Casspi. Eu vi pouco dele, mas parece que ele é um mix de Rudy Fernandez e Turkoglu. O Rudy pelo jeito de jogar mesmo, o Turkoglu porque ele joga de ala mesmo com quase 2,08m de altura. A escolha não é ainda certeira porque esses gringos sempre correm o risco de demorar pra ir pra NBA, mas se for agora o Kings tem um bom jogador pra posição 3.

Por último uma escolha divertida. Jon Brockman tem nome de lenhador e é parceiro de faculdade do Spencer Hawes, que vai tirar sarro do seu novato e divertir o vestiário. Só isso.


Minnesota Timberwolves
Ricky Rubio, PG
Jonny Flynn, PG
Wayne Ellington, SG
Henk Norel, C

O Wolves foi o primeiro time a ter quatro escolhas de primeiro round no mesmo ano e não tiveram criatividade nenhuma na hora de escolher: três armadores nas suas três primeiras escolhas, em Rubio, Flynn e Lawson.

Todo mundo sabia que se o Ricky Rubio sobrasse lá eles não iam perdoar e fizeram muito bem em apostar nele, mas a escolha do Jonny Flynn depois causou uma baita confusão digna de filme da Sessão da Tarde. O Rubio falou logo depois do draft que não estava confortável com o fato do time ter draftado outro jogador da mesma posição logo depois e disse que por isso consideraria passar mais um ano na Espanha. Com isso começaram a chover propostas e rumores sobre o Rubio ir para o Knicks, Rockets, Suns e trocentos outros times. Para terminar, o Rubio não apareceu na coletiva de imprensa de apresentação dos jogadores.

Para baixar a poeira o novo General Manager do time, David "Gengis" Kahn, afirmou que entende a situação do Rubio mas que garante que ele será o armador titular da equipe a partir do momento que entrar lá. E, para não agradar só um irmãozinho, que o Flynn também pode ser titular. Será que cola e o Rubio aparece lá? Um mal entendido pode custar um ano sem o espanhol.

Apesar dos dois armadores serem nanicos à lá falecido Pitoco, o GM Kahn acredita em um esquema com dois armadores baixos como titulares e para isso citou formações famosas da idade da pedra como Isiah Thomas e Joe Dumars, Jerry West e Gail Goodrich e Danny Ainge e Dennis Johnson. Todos exemplos que o Rubio nem sabe que existem porque não era vivo quando a maioria deles jogava.

Eu gosto de times com dois armadores juntos. Gostava quando o Dallas usava Nash e Van Exel ou quando o Kings usava Bobby Jackson e Bibby. Até gosto hoje quando o Bobcats usa Felton e Augustin, mas isso são reservas atuando alguns minutos. Os dois como titulares implica em muitos minutos juntos e um dos dois marcando jogadores bem mais altos. Imaginam Rubio ou Flynn marcando o Kobe, o Ginobili ou até uns mais baixos como o Brandon Roy? Não tem como dar certo. Ou um vai dar o fora ou um vira um reserva insatisfeito.

Pra terminar, o time não tem técnico ainda! Seja lá quem eles vão contratar, vai ter que ser alguém que também acredita nessa teoria de que dois armadores baixos juntos podem dar certo. Mas o que salva o Wolves é que os dois são muito bons e que na pior das hipóteses eles podem conseguir uma boa troca. Foram escolhas boas pelo talento e péssimas pelas consequências que isso trouxe.

Ty Lawson, que pareceu uma piada na hora que foi draftado por ser mais um armador, acabou sendo trocado para o Denver Nuggets em troca da escolha do draft do Bobcats do ano que vem. Negócio bom para o Wolves, os melhores jogadores disponíveis nesse pedaço do draft eram armadores e ao invés de ter mais um, conseguiram uma posição parecida a essa (18º) no draft do ano que vem.

Com a escolha de Wayne Ellington, na segunda rodada, o Wolves tem finalmente um bom arremessador de 3 pontos, para o NBADraft.net é o melhor desse draft. Como não parece ter muito além disso, deve ter minutos limitados no time, mas é sempre bom ter um arremessador. Por fim, Henk Noel é um pivô holandês com cara de psicopata destinado a tomar enterradas na cabeça, se é que um dia vai jogar na NBA.


Golden State Warriors
Stephen Curry, PG


Eu adorei a escolha do Warriors. O Stephen Curry é um daqueles armadores que não são de organizar o time, é um armador finalizador, agressivo. Mesmo assim tem um bom arremesso e é um dos poucos, se não o único, armador desse Top 10 a ter um confiável arremesso de 3 pontos. Ou seja, ele tinha que sair pro Warriors ou para o Knicks para jogar na correria.

A torcida de Nova York só faltou chorar ao ver que ele chegou perto de NY e escapou pelos dedos, já a do Warriors deve estar dividida. Por um lado o Stephen Curry é ideal para deixar o Monta Ellis na posição onde ele joga melhor, na 2, e fazer uma das duplas de armação mais rápidas e difíceis de ser marcada na NBA. E ao contrário do Wolves, não importa quem eles vão ter que defender depois porque ninguém defende lá, simples assim.

Por outro lado, porém, o Don Nelson disse que o Curry é tão perfeito para o Warriors que eles não vão trocá-lo de jeito nenhum. "Ele pode desfazer as malas e até comprar uma casa", segundo o técnico pirado. Mas isso quer dizer que a troca que estava quase feita com o Suns pelo Amar'e Stoudemire está mais melada que Playboy. O Curry é bom e vai fazer pontos até explodir nesse Warriors, mas será que vale a perda da chance de ter o Amar'e? Talvez eles se arrependam disso um dia.


New York Knicks
Jordan Hill, PF
Toney Douglas, SG

Primeiro time a receber o selo Jackson 5. Isso porque os dois jogadores do Knicks, apesar de parecerem bons, não vão mudar a cara do time como, por exemplo, Stephen Curry iria. Curry entraria para ser o armador que conduziria o time, já Jordan Hill vai ser ou um pivô para deixar o David Lee de ala de força ou o cara que irá herdar a posição do Lee caso ele seja realmente trocado.

Comparam o Jordan Hill com o Chris Bosh, mas como o próprio Bosh disse, é só por causa do cabelo. Tirando isso eles não tem nada a ver. O Bosh tem muito mais recursos ofensivos e arremesso, o Hill vai se garantir na NBA por ser um bom reboteiro. Se é pra comparar com algum cabeludo, ele é o Joakim Noah menos desengonçado no ataque e menos drogado.

Se o Knicks quisesse ousar, poderiam ter ido de Jennings para ser o armador do time, mas se eles querem o LeBron no ano que vem talvez não seja a hora de arriscar, mas sim de pegar alguns jogadores mais sólidos para criar um ambiente melhor pro King Crab. Mais um ano de sofrimento para o Knicks com um time de medianos.

A escolha 29, que era do Lakers e o Knicks comprou por singelos 3 milhões de dólares, rendeu o armador Toney Douglas. Douglas parece ser um bom jogador, daqueles pra vir do banco dando um gás e marcando o melhor jogador adversário. Mais um bom role player para a coleção de ótimos role players que o Knicks tem.

...
Acabamos essa primeira parte antes que isso vire a Bíblia que eu prometi que isso não viraria. Encerro por hoje. Amanhã tem mais times, possivelmente mais 8 e depois os 14 que sobraram pra terminar. Os últimos 14 não vão render um post tão grande porque tem times como os finalistas Lakers e Magic, que somam uma única escolha de draft, a do genial Chinemelu Elonu na posição 59. Quem já leu tudo e quer ler mais pode conferir nosso glorioso Mock Draft da Força Nominal.