terça-feira, 29 de junho de 2010

Análise do Draft - Parte 4 (e final!)


Não espere a mesma felicidade em Rautins quando ele estiver no Knicks



Finalmente a parte final da análise do Draft 2010. Aqui vamos analisar as escolhas (ou a falta delas) de Knicks, Lakers, Heat, Cavs, Nuggets, Suns, Bobcats e Mavericks.

Para ver a análise de outros times, é só ver os textos publicados nos últimos dias:


Relembrando os gloriosos e tradicionais selos de qualidade:


Brasil de 70: Jogo bonito, eficiente, cheio de estrelas. Sucesso absoluto, não dava pra ser melhor. Selo para os times que acertaram em cheio no Draft!




Brasil de 94: Não é nenhuma obra-prima, não encantou, passou alguma insegurança, mas venceu. Para times que fizeram o que estava a seu alcance, mas não vão brilhar.




Brasil de 78: Tinha jogadores talentosos, era uma equipe boa e foi longe, mas nunca vai entrar para a história. Selo para os times que conseguiram um role player, um jogador de equipe.



Brasil de 50: Pode ter parecido um pouco legal na hora, até tem seus lados positivos, mas vai ser lembrado para o resto da existência como um fracasso traumático. Selo para escolhas duvidosas.




Brasil de 90: O Silas era o camisa 10. Precisa dizer mais? Desastre total. Escolha jogada no lixo.





...
New York Knicks
Andy Rautins (38) SG
Landry Fields (39) SF
Jerome Jordan (40) C


Quando chegou a vez do Knicks draftar, o Madison Square Garden foi à loucura. Fazia anos que a torcida de Nova York não tinha que esperar tanto para o seu time escolher. Com as campanhas pífias, eram sempre Top 10. Seriam também nesse ano, é verdade, mas por uma troca acontecida há muitos anos, calhou dela ser do Jazz.

A torcida que vaia 95% dos jogadores escolhidos pelo seu time no Top 10 agora estava prontíssima para vaiar algum mané coitado escolhido na 38ª escolha. Como agradar alguns dos torcedores mais exigentes do mundo do basquete com uma escolha tão baixa? Simples, pegaram Andy Rautins, queridinho da universidade de Syracuse na região de Nova York. Aplausos para o garoto, mesmo no fundo sabendo que ele não vai fazer nada. Na escolha seguinte, também do Knicks, algumas vaias como esperado. Landry Fields, para muitos, será figura batida na D-League pelos próximos anos.

Por um lado achei bom o Knicks não ter escolhas de 1º round, assim não precisaria se comprometer com ninguém. Afinal, escolhas de 2ª rodada não são garantidas, se eles não quiserem mais podem desistir antes da temporada começar, e assim deixariam mais espaço salarial para assinar suas estrelas. Por outro lado, essa era uma boa chance de completar o elenco com jogadores baratos. Eles tinham também essa chance na segunda rodada mas não escolheram bem, na 38ª escolha já não tinha muita gente que passasse a segurança de que vai contribuir logo de cara e ainda pegaram dois que ninguém acredita que vão dar certo, poderiam ter apostado em Ebanks, Stephenson ou Hangrody . Resta esperar que Andy Rautins seja mesmo um bom arremessador na NBA e seja útil como uma das últimas opções do banco de reserva.

Depois do Draft, o Knicks se mexeu e pegou mais uma escolha, a 44, em uma troca pequena com o Bucks. O escolhido foi o pivô Jerome Jordan. Pivôs chamados Jerome não trazem boas memórias para os torcedores do Knicks, Jerome James conseguiu ser mais gordo e inútil que Eddy Curry na sua passagem pelo time. Também não sei a intenção dessa troca, o rapaz parece ser muito limitado. Talvez seja interessante apenas tê-lo assinado por pouco pra ocupar espaço no elenco e depois mandá-lo para a D-League para aprender a jogar basquete.

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Los Angeles Lakers
Devin Ebanks (43) SF
Derrick Caracter (58) PF



Alguns analistas chegaram a dizer que o Lakers foi o melhor time da segunda rodada. Nada mal para o meu time! Era importante ir bem nessa segunda rodada porque o Lakers tem muitos Free Agents deixando o time nessa temporada: Jordan Farmar, Adam Morrison, Josh Powell e DJ Mbenga têm grandes chances de deixar o time, já Shannon Brown tem uma opção pessoal de encerrar o contrato, mas disse que quer continuar no Lakers.

Com esses buracos em um banco de reservas que já é limitado e a maior folha salarial da NBA (mesmo já contando esses jogadores fora), fica difícil mudar muito a cara do time e fazer contratações. Conseguir jogadores que possam contribuir alguns minutos e sejam baratos é uma mão na roda para o atual campeão.

Devin Ebanks foi chamado pelo glorioso site Sham Sports de "Uma espécie de Ariza nos seus tempos de Lakers" um dia antes do Draft, até ele ficou surpreso de ver que ele caiu justamente em LA. Pode ser bem útil como reserva do Artest ou em dias de problemas de falta entre os titulares. No ataque parece ser meio inútil, mas pelo menos dizem que ele tem consciência disso e não força muito o jogo. Melhor assim, prefiro jogador ruim e inteligente a jogador bom e burro (Luke Walton > JR Smith).

Com a antepenúltima escolha o Lakers pegou o Derrick Carter. Não deve ser grande coisa, é verdade, mas se o Josh Powell já era uma alternativa mais barata e bem parecida com Ronny Turiaf, o Carter é uma opção mais barata ao Powell. Daqui a pouco sou eu jogando de ala de força do Lakers por 10 reais a temporada, mas tá beleza, não vão exigir muitos minutos dele em quadra mesmo.

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Miami Heat Dexter Pittman (32) C
Jarvis Varnado (41) PF
Da'Sean Butler (42) SF



Os últimos rumores (sempre eles nos cercando na offseason) dizem que o Heat tem boas e reais chances de assinar o trio de ferro dos Free Agents. Sim, Dwyane Wade, LeBron James e Chris Bosh no mesmo time. Eu ainda acho que cedo ou tarde o trio irá se tocar de como isso seria sem graça para a NBA e para eles mesmos, que sempre atuam tão bem e com vontade extra quando vão um contra o outro (os duelos LeBron x Wade costumam ser épicos). Mas vá lá, que eles estejam desesperados por títulos e achem legal tomar a liga de assalto por vários anos em sequência. Nesse caso o Heat irá gastar uma nota preta e terá que correr atrás de pessoas para fechar o elenco. Aliás, foi pensando nessa grana que vão ter que gastar que despacharam a escolha 18, junto com Daequan Cook, para o Thunder.

Não faltaram veteranos babando para faturar anéis às custas desse trio, mas é bem possível que precisem de alguns novatos para fazer número e quebrar um galho, para isso as três escolhas devem ser úteis. Nada além disso. Existe algum potencial em Dexter Pittman, o pivô escolhido na posição 32. Talvez possa vir a ser um bom reserva, mas existem grandes preocupações com seu peso e forma física. Varnado é um especialista em defesa, mas tão útil quando meu pinguim de pelúcia no ataque (considerando LeBron e Wade juntos no ataque, isso não é problema, porém)

Vou prestar mais atenção, no entanto, no escolhido por último: Da'Sean Butler. Dizem que aquilo que ele mostrava antes de uma contusão mais grave era digno de ser um Top 20, mas a dúvida sobre a questão física dele lhe fez despencar na tabela. No ano passado houve um caso parecido de um jogador bom que sobrou por dúvidas quanto à sua questão física, era o DeJuan Blair, um dos melhores novatos da última temporada. Para um time mais preocupado com Free Agents do que com o draft e tendo só uma escolha 42 para gastar, foi uma boa aposta do Heat.

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Cleveland Cavaliers
Sem escolhas

Como o Heat, a grande preocupação do Cavs é com as contratações de Free Agent, em especial manter LeBron James. Até acho que algumas movimentações no dia do Draft poderiam tentar vender a ideia de que o time está tentando de tudo para melhorar, mas no fundo não faria grande diferença. Os repórteres americanos dizem que o Cavs tentou se envolver, principalmente oferecendo o Delonte West como moeda de troca, mas ninguém se interessou e eles saíram de mão abanando.

Lembrando, por curiosidade apenas, que a escolha do Cavs nesse ano seria a 30, mas ela estava com o Wizards graças à troca do Antawn Jamison. Perder uma escolha tão longínqua para aumentar a chance de título foi esperto, pena que deu terrivelmente errado.

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Denver Nuggets
Sem escolhas

Não dá pra fazer nada sem escolhas de draft, mas será que eles tentaram? No ano passado eles também não tinham nada mas gastaram uma graninha e escolhas futuras com o Wolves para conseguir o excelente Ty Lawson. De qualquer forma, o Nuggets precisa de jogadores e técnicos bem de saúde para ir longe, não de pirralhos.

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Phoenix Suns
Gani Lawal (46) PF
Dwayne Collins (60) PF




Difícil conseguir alguma coisa nessa altura do draft, mas o Phoenix tentou apostando em dois jogadores bem parecidos, vai que um dá certo, né? Ambos são bem incompetentes no ataque, mas monstros nos rebotes.

O time precisa de rebotes, é verdade, mas o Suns já tentou outras vezes ir atrás de jogadores grandes, defensivos e reboteiros e eles geralmente ficam 5 minutos em quadra e vão embora por não serem úteis no ataque. Jarron Collins está aí para provar meu ponto! Talvez se Lawal for bom mesmo em arremessos de meia distância como um de seus relatórios dizem, ele possa aparecer de vez em quando no Suns na próxima temporada.

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Charlotte Bobcats
Sem escolhas

O Bobcats tentou também conseguir algumas coisas. Draft é sempre bom para esses times que gostam de gastar pouco e atraem pouco interesse das grandes estrelas, mas fica para uma próxima.

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Dallas Mavericks
Dominique Jones (25) SG




O Dallas fez um ótimo draft. Tinha uma tardia escolha de 2ª rodada que virou Solomon Alabi e foi enviada para o Raptors em troca de várias escolhas futuras. E depois o time comprou (só grana, sem enviar nenhuma escolha ou jogador) a posição 25 no Draft do Grizzlies para conseguir o bom ala-armador Dominique Jones.

Ele não parece ser bom o bastante para arrancar uma vaga de titular num time que tem Caron Butler, mas com um vasto talento ofensivo pode entrar no jogo ao lado de Rodrigue Beaubois e/ou JJ Barea e transformar o Mavs numa potência rápida e ofensiva de uma hora para a outra dentro do jogo. Jones é o típico jogador que poderia passar despercebido se fosse esquecido em um time fraco, mas acho que poderá fazer a diferença em alguns jogos do Mavs e ganhar destaque na NBA por isso. Nada mal ter um bilionário como dono do seu time, não?

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É isso, pessoal. Desculpe se fui meio vago às vezes, mas foi proposital. Não quero bancar o futurologista com essas análises. Falamos sobre o que cada time fez baseado no que sabemos de cada jogador, nas suas características e na dos times. Prever como cada um irá reagir assim que chegar na NBA é impossível. Por isso as notas para o dia do Draft são essas, baseadas no que sabemos agora, mas notas dadas um ano depois podem ser bem diferentes e nem sempre são culpa dos times.

Ainda teremos posts comentando algumas várias pequenas trocas que aconteceram na NBA nos últimos dias, mas nossa próxima cobertura mais extensa será a partir do dia 5 de julho com as Summer Leagues, as ligas de verão onde muitos desses novatos irão entrar em ação.

Copa do Mundo - por Dwight Howard

Acabei de receber esses dois vídeos da adidas e achei que são divertidos o bastante para ser um bom passatempo para ver antes que Japão e Paraguai se matem na prorrogação.


No primeiro o Dwight Howard comenta que o seu time favorito para a Copa é o Brasil! O apelão deve ter visto o time que tinha mais título e foi atrás. E curioso isso, porque o Brasil nem é uma seleção da adidas! O mais interessante do vídeo, no entanto, é como ele fala "Brasil" direitinho no fim do vídeo.


O segundo vídeo é mais palhaçada, a cara do D-Ho. Aqui é curioso comparar com o vídeo anterior. Se ele fala português direitinho lá, aqui é o maior desastre da década na tentativa de falar espanhol, francês ou alemão. Vale pelo figurino.


Aproveitem o passatempo enquanto eu finalizo o último post sobre o Draft, que deve ir ao ar hoje à noite.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Análise do Draft - Parte 3



Babbitt, com boné do Wolves, já é do Blazers. Típica troca de dia de draft


Ontem postamos a segunda parte da análise do Draft, com a análise de 8 times (Pistons, Clippers, Jazz, Pacers, Hornets, Grizzlies, Raptors e Rockets.) Antes disso, na parte 1, analisamos outros 6 (Wizards, 76ers, Nets, Wolves, Kings e Warriors) de 30 times da NBA! Hoje vão ser mais oito.

Mas antes de começar, um repeteco da explicação dos Selos de Qualidade Bola Presa. Em 2008 foram mulheres, em 2009 Michael Jackson, nesse ano é Copa do Mundo!


Brasil de 70: Jogo bonito, eficiente, cheio de estrelas. Sucesso absoluto, não dava pra ser melhor. Selo para os times que acertaram em cheio no Draft!




Brasil de 94: Não é nenhuma obra-prima, não encantou, passou alguma insegurança, mas venceu. Para times que fizeram o que estava a seu alcance, mas não vão brilhar.




Brasil de 78: Tinha jogadores talentosos, era uma equipe boa e foi longe, mas nunca vai entrar para a história. Selo para os times que conseguiram um role player, um jogador de equipe.



Brasil de 50: Pode ter parecido um pouco legal na hora, até tem seus lados positivos, mas vai ser lembrado para o resto da existência como um fracasso traumático. Selo para escolhas duvidosas.




Brasil de 90: O Silas era o camisa 10. Precisa dizer mais? Desastre total. Escolha jogada no lixo.





Estou colocando ao lado do nome dos jogadores escolhidos a posição em que foram draftados e logo depois a posição em que jogam, sendo:

PG - Armador principal, posição 1
SG- Segundo armador, posição 2
SF- Ala-armador, ala-menor, posição 3
PF - Ala-de-força, ala-pivô, posição 4
C- Pivô, pivô central, aquele-gigante-lá-no-meio, posição 5

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Milwuakee Bucks
Larry Sanders (15) C
Darrington Hobson (37) SF
Tiny Gallon (47) PF


Essas escolhas devem ser avaliadas pensando em duas outras trocas que o Bucks fez, uma logo antes e uma logo depois do Draft. Primeiro mandou Charlie Bell e Dan Gadzuric, dois jogadores que nem entravam em quadra, para o Golden State Warriors em troca de Corey Maggette. Depois mandou uma escolha de 2ª rodada (de 2012) para o Nets em troca de Chris Douglas-Roberts. Digo que essas trocas devem ser levadas em consideração porque só com elas dá pra entender porque o Bucks não foi atrás de um pontuador.

O Bucks teve uma das melhores defesas da última temporada mas teve sérios problemas para marcar pontos. Eles foram parcialmente resolvidos na troca pelo John Salmons, mas ele está de saída também. Para o seu lugar veio Corey Maggette (que será melhor analisado em um post futuro) e Douglas-Roberts deve ajudar vindo do banco.

Com essas garantias, o Bucks se sentiu mais à vontade para arriscar menos no Draft e ao invés de arriscar um jovem talento obscuro, foi na segurança de conseguir um bom reserva para Andrew Bogut. O Larry Sanders é aquele cara para jogar poucos minutos por jogo mas manter a eficiência defensiva do time mesmo com o pivô australiano no banco. Sanders ainda parece precisar encorpar para ser um cara de garrafão mais útil na NBA, mas sua habilidade defensiva parece bastar para ele ser um reserva decente.

Quem precisa perder peso é Tiny Gallon, o pequeno galão em brasileiro. Ele não parece ser de todo mal, mas a melhor definição dele veio do site NBADraft.net: "Ele é um Antoine Walker mais alto. Com as características boas e as ruins". Se as boas se destacarem pode ser bem útil vindo do banco na posição 4, uma das mais carentes da equipe. Curiosamente o mesmo site compara a outra escolha, Darington Hobson, ao recém-contratado Chris Douglas-Roberts. Não me empolguei muito com ele e com as novas contratações vai ter que ralar nas ligas de verão para conseguir um lugar no time.

O Bucks preferiu não arriscar e fez um draft bem ao estilo do seu técnico Scott Skiles. Buscou jogadores que não são espetaculares mas que podem fazer o trabalho sujo e deixar o elenco do Bucks mais completo.

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Chicago Bulls
Trocou a escolha 17 + Kirk Hinrich + 3 milhões em dinheiro para o Wizards por uma escolha de 2ª rodada



A grande coisa que o Bulls fez nesse draft foi ficar fora dele. Ao mandar a sua escolha 17, junto com Hinrich e umas verdinhas, liberou ainda mais grana da sua folha salarial e agora tem espaço para assinar o contrato máximo de dois jogadores.

O Bulls é um time atraente nessa offseason. A cidade é grande, recebe atenção, o time tem uma história rica e no atual elenco tem jogadores muito bons, como Derrick Rose, Luol Deng e Joakim Noah, que fazem brilhar os olhos de estrelas como Dwyane Wade e Chris Bosh, que há anos lutam com coadjuvantes de nível infinitamente inferior.

O único risco que o Bulls corre é o de se desesperar. Eles não podem querer assinar um contrato máximo com caras que não merecem como Joe Johnson e Carlos Boozer caso percam a chance de ter Wade, LeBron ou Bosh. Eles precisam lembrar que esse espaço salarial pode ser preservado para o ano que vem, quando outros jogadores (Carmelo Anthony, por exemplo) estará disponível.

Também acho que eles não perderam nada de mais com essa escolha 17. Poderiam conseguir um bom reserva, apostar em alguém, mas sem dúvida, pelos planos ambiciosos do time, valeu a pena abrir espaço salarial. Quem pode fazer mais falta em caso de fracasso nas contratações é Hinrich, mas eles já não estavam satisfeitos com o contrato milionário do armador faz tempo.

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Oklahoma City Thunder
Cole Aldrich (11) C
Tibor Pleiss (31) C
Latavious Williams (48) PF
Ryan Reid (57) PF
Trocaram a escolha 18 para o Clippers em troca de uma escolha de 1ª rodada

O Thunder foi um dos times mais ativos na noite do Draft. Ficaram tentando trocar com todo mundo a noite inteira e acabaram envolvidos em duas trocas. Mandaram as escolhas 21 e 26 pela 11 do Hornets e depois trocaram a sua escolha 18 por uma escolha futura do Clippers, o que é sempre garantia de uma escolha alta!

Com a 11ª posição foram atrás do pivô que o time tanto sofreu para achar nos últimos anos, escolhendo Cole Aldrich. Só esperamos que eles não tenham herdado o hábito de achar péssimos pivôs que o finado Sonics tinha. Tudo o que Thunder não precisa é do novo Robert Swift ou Saer Sene. Mas o Aldrich parece ser diferente. Não vai ser nunca o principal jogador do time, mas é bom o bastante para marcar os seus pontos com agilidade sempre que Kevin Durant e Russell Westbrook costurarem a defesa adversária. Teve média de 3.5 tocos por jogo e deve ajudar também na defesa, coisa que o antigo titular do time, Nenad Krstic, não conseguia. Sua presença também vai deixar o Thunder usar Nick Collison e Serge Ibaka como alas de força, suas posições naturais. Em um time com tantas estrelas jovens, o Aldrich só precisa ser regular e bom para se destacar.

As outras escolhas não devem ter o mesmo impacto, longe disso. Tibor Pleiss é um pivô alemão muito jovem, muito magricelo e só deve ser aproveitado pelo time daqui uns bons anos. Latavious Williams, apesar do nome legal, vai ter sorte se conseguir contrato para o ano que vem, e Ryan Reid, segundo o site DraftExpress, é "o pior jogador já escolhido desde que o Draft da NBA só tem duas rodadas". Sem comentários.

O selo é bom para o Thunder porque estou ignorando esses jogadores, o que valeu foi conseguir subir no draft para achar seu novo pivô e ainda conseguir uma boa escolha do Clippers para o futuro.

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Boston Celtics
Avery Bradley (19) SG
Luke Hangrody (52) SF



Não é comum um time que foi para a final da NBA ter uma escolha antes da casa dos 20, mas por ter recebido essa escolha via troca um tempo atrás, o Celtics se deu muito bem. Apesar do título do Leste, é sabido por todos que eles estão sedentos por uma renovação.

A primeira escolha foi Avery Bradley que, se der certo, tem tudo para ser o que o Nate Robinson foi algumas vezes. Um cara para entrar no jogo, colocar o banco de reservas pra correr e pontuar com facilidade. Ele é bem rápido, sabe infiltrar e arremessar, marcando pontos de qualquer jeito. Comete erros infantis no ataque, porém, por isso não deve poder ser muito usado como reserva de Rondo, mas ao lado dele podem ser ótimos para pressionar o adversário na defesa. Pode ter muito sucesso como sexto homem em um time já bem montado.

Na segunda rodada lá no finalzinho do Draft o Celtics arranjou o Luke Hangrody, que tem uma das caras mais engraçadas da classe de 2010. Ele teve média superior a 20 pontos nos últimos dois anos de universidade, mas corre o risco de ficar naquele limbo sem posição na NBA. É muito baixo e fraco para jogar na posição 4, mas lento demais para marcar na posição 3. É conhecido, porém, por treinar muito e melhorar seu jogo ano a ano. Com um pouco mais de velocidade pode ser um reserva útil para Paul Pierce no futuro. É bom não contarem com isso, mas é possível.

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San Antonio Spurs
James Anderson (20) SG
Ryan Richards (49) PF



O Spurs conseguiu um jogador que só precisa provar ser um bom defensor para garantir sua vaga de titular. James Anderson não tem a altura ideal para jogar na posição 3, é verdade, mas é um arremessador muito bom. Acertando arremessos com constância e defendendo bem, já é tudo de que o Spurs precisa. Melhor ter um jogador baixo do que o Richard Jefferson, que na temporada passada não defendeu e nem arremessou. O James Anderson tem problemas para criar seu próprio arremesso, dizem que dribla com a cabeça abaixada até, mas em um time completo e com estrelas em outras posições ele não precisa ser perfeito. Foi uma escolha conservadora que pode dar resultados.

Na segunda rodada o Spurs tentou fazer sua mágica de novo. Eles já acharam o DeJuan Blair perdido na segunda rodada, o Manu Ginobili no fim do Draft, o Tony Parker numa das últimas escolhas de primeira rodada, o George Hill de uma universidade obscura e agora estão draftando um ala inglês (eles jogam basquete na Inglaterra?) que tem passagens rápidas por times da Suíça e da Bélgica. Se fosse qualquer outro time escolhendo eu tiraria sarro, como é o Spurs eu aguardo com confiança. Mas também dizem que ele treinou para vários times nesse período antes de começar o draft (duas vezes para o Spurs) e que impressionou muita gente. Há uma esperança mesmo!

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Portland Trail Blazers
Luke Babbitt (16) SF/PF
Elliot Williams (22) SG
Armon Johnson (34) PG/SG



O Blazers surpreendeu todo mundo ao anunciar, no dia do Draft, que o seu General Manager tinha sido mandado embora. Kevin Pritchard virou ídolo cult em Portland nos últimos anos pelo time que conseguiu montar com trocas geniais. Mas mesmo assim o time achou que era a hora de mudar e ele foi pra rua. Curiosamente ele sabia que seria demitido mas teria no draft o seu último dia de trabalho. Será que não ficaram com medo que ele fizesse um monte de cagada de propósito? Bonito sinal de confiança.

E deu tempo de mais uma grande troca. Mandou o Martell Webster, que, apesar de bom jogador, foi uma decepção pelo que se esperava dele, em troca do novato Luke Babbitt e de Ryan Gomes, que logo depois foi dispensado. Babbitt, se cumprir tudo o que promete ser, pode ser mais completo que Webster: É bom arremessador como o antigo dono da posição mas é melhor reboteiro e joga com mais energia e vontade. Pode fazer uma boa rotação na posição 3 com o Nicolas Batum e ainda jogar na posição 4 (coisa que o Webster não pode fazer) para deixar o time mais leve e com mais arremessadores.

As outras duas escolhas, porém, me deixaram com um pé atrás. Na temporada passada o time já sofreu para agradar o quarteto Andre Miller, Brandon Roy, Jerryd Bayless e Rudy Fernandez achando minutos pra todo mundo. A situação só se acalmou porque foram tantas contusões que acabou sobrando tempo pra todo mundo, mas é uma questão delicada lidar com egos de quatro jogadores para duas posições com todos achando que devem ser titulares. Por isso achei bizarro eles draftarem Elliot Williams e Armon Johnson, ambos jogam na posição 1, na 2 ou nas duas. O problema do time não era no garrafão, precisando usar o Juwan Howard e seus cabelos brancos?

Não questiono a qualidade dos dois. Williams parece ter poder para ser um bom sexto homem e Johnson um bom armador reserva, mas o Blazers precisava disso? O talento dos dois era tão superior a de outros no draft para justificar a escolha de atletas de posições tão bem preenchidas? Sei não. O que está se dizendo nos EUA é que o Blazers deve trocar o Rudy Fernandez, que está insatisfeito por lá, se ele sair mesmo e for em troca de um cara de garrafão a escolha faz mais sentido, mas será que os planos de trocar o espanhol ainda estão de pé com essa estranha mudança de General Manager? Questões demais nesse time do Blazers e nem começamos a falar dos joelhos de Greg Oden.

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Atlanta Hawks
Jordan Crawford (27) SG
Pape Sy (53) SF



Se eu tivesse que escolher um jogador para colocar de comparação com o Jordan Crawford seria o seu parceiro de Hawks que também tem um nome que começa com J e Crawford como sobrenome, o Jamal. Veja algumas das definições sobre o rapaz: "Pode criar arremessos para si mesmo em quase todas as posses de bola", "Excelente em jogadas de isolação" ou ainda "parece ter só uma função em quadra, só funciona para fazer pontos e quando tem a bola nas mãos". Que tal? Não é definição do Jamal Crawford? Assim o Jordan teria espaço na NBA como um bom sexto homem, aparecendo para vir do banco, criar arremessos para si mesmo, marcar uma porrada de pontos e voltar pro banco. O que o Hawks vai fazer com dois desses? Eles realmente acham que o Jamal pode virar titular, substituir o Joe Johnson e tudo vai ficar bem? Claro, e o Felipe Melo não vai entrar solando.

Eu nunca tinha ouvido falar desse Pape Sy para ser honesto e quando fui atrás de informações dele no site NBADraft.net li a seguinte declaração: "Nem temos ele no nosso banco de dados. Só posso dizer que na última temporada ele jogou 14 minutos por jogo em um time ruim da França". Caso encerrado.

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Orlando Magic
Daniel Orton (29) C
Stanley Robinson (59) SF



Gostei dessa escolha do Magic, foi uma boa aposta. Eles poderiam ter ido atrás de algum jogador que no geral fosse mais talentoso, como Terrico White ou Lance Stephenson, mas preferiram apostar num pivô, o Daniel Orton. Como todo bom pivô, recebeu muito auê um tempo atrás, com gente achando que ele deveria sair no Top 15. Não é pra tanto, mas também parece não ser um caso perdido. Considerando que o Magic tem Dwight Howard como pivô, Orton tem tempo e gente para o treinar (além de Dwight, o assistente técnico Patrick Ewing) e assim virar um jogador mais completo. Caso a aposta dê resultado o Magic pode então se dar ao luxo de trocar Marcin Gortat, um jogador muito desejado por outros times e que pode render grandes talentos em uma eventual troca.

Com a penúltima escolha selecionaram Stanley Robinson, um daqueles caras típicos de segunda rodada que tem um físico assustador, muita impulsão e força mas pouco talento nato para o basquete. Não dava pra fazer muito mais do que isso nessa altura do draft, é esperar as ligas de verão e ver se o rapaz surpreende.

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Ufa! Foram mais 8, completando 22 times! Agora só faltam mais 8 para a quarta e última parte da análise do Draft 2010. No próximo post é a vez de Knicks, Lakers, Heat, Cavs, Nuggets, Suns, Bobcats e Mavericks.

E já que o post do Draft tem selos de qualidade da Copa do Mundo, que tal a partir de agora ler o Bola Presa como se você estivesse em um jogo da Copa do Mundo? É só clicar aqui e sentir a emoção.

domingo, 27 de junho de 2010

Análise do Draft - Parte 2

Gervis Vasquez realiza seu sonho de conhecer Davis Stern

Ontem fizemos a primeira parte da análise do Draft. Foi só o começo de um longo caminho, analisamos 6 times (Wizards, 76ers, Nets, Wolves, Kings e Warriors) de 30 times da NBA! Hoje vão ser mais oito.

Mas antes de começar, um repeteco da explicação dos Selos de Qualidade Bola Presa. Em 2008 foram mulheres, em 2009 Michael Jackson, nesse ano é Copa do Mundo!


Brasil de 70: Jogo bonito, eficiente, cheio de estrelas. Sucesso absoluto, não dava pra ser melhor. Selo para os times que acertaram em cheio no Draft!




Brasil de 94: Não é nenhuma obra-prima, não encantou, passou alguma insegurança, mas venceu. Para times que fizeram o que estava a seu alcance, mas não vão brilhar.




Brasil de 78: Tinha jogadores talentosos, era uma equipe boa e foi longe, mas nunca vai entrar para a história. Selo para os times que conseguiram um role player, um jogador de equipe.



Brasil de 50: Pode ter parecido um pouco legal na hora, até tem seus lados positivos, mas vai ser lembrado para o resto da existência como um fracasso traumático. Selo para escolhas duvidosas.




Brasil de 90: O Silas era o camisa 10. Precisa dizer mais? Desastre total. Escolha jogada no lixo.





Não deixei claro no outro post, mas explico aqui. Estou colocando ao lado do nome dos jogadores escolhidos a posição em que foram draftados e logo depois a posição em que jogam, sendo:

PG - Armador principal, posição 1
SG- Segundo armador, posição 2
SF- Ala-armador, ala-menor, posição 3
PF - Ala-de-força, ala-pivô, posição 4
C- Pivô, pivô central, aquele-gigante-lá-no-meio, posição 5

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Detroit Pistons
Greg Monroe (7) PF/C
Terrico White (36) PG/SG



Não dá pra condenar o Pistons por ter escolhido um jogador de garrafão, nisso eles foram perfeitos. O time já tem Stuckey, Gordon, Hamilton e Prince para jogar longe da cesta e até o homem sem sobrancelhas, Charlie Villanueva, que deveria ser um jogador de garrafão, tem alergia à área pintada como o recém-aposentado Rasheed Wallace. Portanto, a diferença de um Selo Copa de 70 para um Selo Copa de 78 está na análise que você faz do futuro de Greg Monroe. E na dúvida não escolhemos nem um, nem outro.

Pelo o que eu já vi do Greg Monroe acredito que ele vá ser um bom jogador. Não a ponto de brigar por vagas em All-Star Game ou para liderar seu time em muitas estatísticas, mas tem tudo para ser titular desde já. Ele é bem habilidoso para um cara com a alutra dele (2,10m), sabe jogar um pouco longe da cesta e criar situações de pontos enfrentando os outros pivôs de frente. A minha grande dúvida sobre ele é se consegue jogar de pivô na NBA. Ele tem altura pra isso, mas seu jogo de costas pra cesta não é o ideal e se ficar muito lá dentro deve receber menos a bola e assim não pode usar seu passe, outra grande habilidade sua. Acho que sua melhor posição é a 4, de ala de força, mas como o Pistons está desesperado por um pivô, não sei se isso irá acontecer.

No fim das contas acho que o Pistons achou um bom jogador e um titular para o seu garrafão pelos próximos anos, mas ele não vai revolucionar o time.

A outra escolha está sendo vista como piada pela imprensa americana. Não que Terrico White seja ruim, muito pelo contrário, mas é que ele é um armador baixinho, muito forte, com boa impulsão, defesa agressiva e que pode jogar nas posições 1 e 2. Exatamente as características do General Manager Joe Dumars, o mesmo que já contratou outros clones seus, Rodney Stuckey e Will Bynum. Foi mais uma escolha boa, e narcisista, de Dumars para deixar o seu banco de reservas um pouco mais forte.

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Los Angeles Clippers
Al-Farouq Aminu (8) SF
Eric Bledsoe (18) PG
Willie Warren (54) PG/SG


O Clippers precisa de jogadores. Qualquer um! Para a próxima temporada eles só tinham 5 jogadores sob contrato: Baron Davis, Eric Gordon, Blake Griffin, Chris Kaman e DeAndre Jordan. E é ilusão pensar que um time sem técnico e com histórico de fracassos irá atrair muitos bons Free Agents nos próximos meses.

Com esse cenário acho que eles escolheram muito bem. O Al-Farouq Aminu, além de ter nome de um cantor de R&B, é um bom jogador e dependendo das contratações pode ser titular desde o seu primeiro dia como um Clipper, já que joga na única posição que o time não tem ninguém sob contrato, a de ala. Ele não é nenhum gênio e tem vários defeitos no seu jogo, como não ter um arremesso confiável e nem um bom drible para criar seu próprio arremesso, mas tem um bom físico e se movimenta bem sem a bola, deve marcar muitos pontos se aproveitando da velocidade e criatividade de Baron Davis e de Eric Gordon e da atenção que a defesa vai dar para Blake Griffin e Chris Kaman no garrafão. Na teoria a escolha 8 é para se escolher um grande jogador, não só um cara para fechar o time titular, mas esse draft não estava tão recheado de super talentos para o Clippers ir atrás de uma escolha mais baixa.

A 18ª escolha não era do Clippers, mas veio em troca de uma escolha futura com o Thunder. Foi uma boa. Bledsoe provavelmente nunca será bom o bastante para ser titular na NBA, mas é um armador bem veloz e que pode dar um ritmo diferente ao jogo quando vier do banco. É uma boa escolha para ser o sexto-homem do Clippers ou até para atuar mais minutos nos dias menos inspirados (que acontecem cada vez com mais frequência) do Baron Davis.

A última escolha foi bem caseira: Willie Warren foi companheiro de time do Blake Griffin na universidade. Os dois jogaram muito bem juntos e o Warren se destacou como segunda opção ofensiva. No ano seguinte, sem Griffin, ele não se destacou da mesma forma e foi mais apagado, fazendo com que fosse escolhido só na 54ª escolha. Mas é um bom pontuador, pode ter seu espaço no time vindo do banco e sem dúvida terá todo o apoio do seu bróder Griffin para ganhar um contrato. Esses General Managers agradam suas estrelas como maridos com ficha suja agradam esposas.

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Utah Jazz
Gordon Hayward (9) SF/PF
Jeremy Evans (55) SF/PF



O Utah Jazz estava numa situação bem diferente dos outros times nesse Top 10 do Draft 2010. Enquanto a maioria está desesperada atrás de talento para poder voltar a ter um time bom, o Jazz já tem uma boa equipe formada que tem ido aos playoffs com regularidade nos últimos anos. E o time é tão bom que tem tudo para continuar forte mesmo se perder Carlos Boozer, que é Free Agent.

Em um time já completo, arrisco dizer que o grande buraco que a equipe precisava fechar é na posição de ala. O suposto titular é Andrei Kirilenko, mas ele tem sido irregular, se machucou muito na última temporada, e o técnico Jerry Sloan até prefere ele vindo do banco. Sem contar que ele está envolvido em muitos rumores de troca com o Nets, que tem como novo dono um bilionário russo que sonha em ter o compatriota na sua equipe.

Para essa posição, as melhores opções na escolha 9 eram Luke Babbitt, Paul George ou Gordon Hayward. Para sustentar por mais um ano de piadas sobre o Jazz, eles escolheram o branquelo de família com cara de bonzinho, Hayward. Amém! No Draft da Força Nominal eles escolheriam o "Lado Branco", no draft real escolheram o único branco do Top 10. Valeu por sustentar o estereótipo, Jazz, a gente agradece!

Mas falando sério, acho que o Hayard é o que melhor se encaixaria no Jazz entre esses três. Ele tem um bom arremesso de longa distância (uma necessidade do time, que precisava improvisar o CJ Miles na posição para ter um arremessador) e também porque sabe se movimentar sem a bola e é um bom passador. Num time como o Jazz que funciona basicamente de movimentação sem a bola, você precisa de gente assim. Hayward deve ser capaz de achar os companheiros bem posicionados e meter suas bolas de longe para desafogar o garrafão. Ótima escolha!

Vi gente que pedia o Ed Davis, para ser um ala de força e cobrir o buraco que o Boozer vai deixar. Acho que o Millsap é o cara para essa função, foi para essa eventual saída que eles bancaram a cara proposta que o Blazers fez há um ano. Melhor cobrir o outro buraco com o Hayward.

O jogador escolhido na segunda rodada, Jeremy Evans, parece bem limitado, mas dizem que é um bom defensor. Pode ser útil para atuar alguns minutos por jogo, vamos descobrir mais sobre ele nas ligas de verão que começam em julho.

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Indiana Pacers
Paul George (10) SF
Lance Stephenson (40) SG
Magnum Rolle (51) PF



Nada contra o Paul George, como comentaram no nosso chat durante o jogo, tem que se respeitar um cara que tem dois Beatles no nome! Mas não é meio inútil ter ele e o Danny Granger no mesmo time? O jogo dos dois parece ser bem igual!

A princípio a escolha fomentou muitos rumores de troca, ou envolvendo o próprio George ou o Granger, que era pretendido pelo New Jersey Nets, mas até agora nada passou de especulação. O próprio Larry Bird, presidente do Pacers, disse que o Granger pode até sair, mas vai ser muito caro. Vamos então tentar entender essa escolha redundante: o que o Pacers precisa desesperadamente é de um armador e não havia nenhum grande armador naquela altura do Draft, nesses casos vale mesmo a pena pegar o melhor jogador disponível, formar um elenco de talento e aí ir atrás de trocas. Deve ser isso.

Não dá pra dar nota máxima para a escolha porque não vai fazer o time melhor de cara, mas na situação foi o que deu para o Pacers fazer. Nota final mesmo daremos ao fim da offseason, dependendo dos outros movimentos da equipe para melhorar o elenco.

Na segunda rodada o Pacers foi com um jogador que era famosíssimo nos seus tempos de colegial: Lance Stephenson. Ele é daqueles que se tivesse a cabeça no lugar estaria no Top 10 desse draft com certeza. Mas ao entrar na faculdade não correspondeu, estava sempre reclamando com os juízes, com seu técnico, com os companheiros e muitas vezes parecendo desinteressado durante os jogos. Sua passagem pela polícia também não ajudou a sua imagem, assim ele caiu para a segunda rodada. Mas ao mesmo tempo ele é atleticamente perfeito para a NBA e, quando dedicado, pode ser um defensor fora de série.

Como os contratos de segunda rodada não são garantidos como os da primeira, foi uma boa aposta. Bota o moleque pra jogar nas ligas de verão, nos treinamentos do time, e faça o teste. Se ele parecer com a cabeça no lugar ou for tão bom que valha a dor de cabeça, assinem, se não valer, rua. E se tem um time que vai ficar bem de olho no comportamento do Stephenson é o Pacers, eles já tiveram Ron Artest, Jamaal Tinsley e Stephen Jackson no passado recente para saber como é difícil lidar com esses caras.

Outra informação legal que veio no nosso chat no dia do Draft é que o Stephenson estudou em Nova York na mesma escola do Stephon Marbury e do Sebastian Telfair, parece ser um lugar perfeito em criar excelentes jogadores desregulados.

A última escolha foi a de um cara que eu nunca ouvi falar. Mas ele se chama Magnum Rolle. Magnum fucking Rolle. Precisa de mais alguma coisa? Aposto que se ele não ficou em 1º no nosso draft da força nominal é porque o Sbub também não sabia que ele existia.

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New Orleans Hornets
Craig Brackins (21) PF
Quincy Pondexter (26) SF



A escolha do Hornets não era a 21 e nem a 26, era a 11. Mas eles resolveram fazer uma troca que resolvesse os seus problemas de elenco e de grana. Então mandaram o contrato horrível do Morris Peterson junto com a escolha 11 para o Thunder em troca dessas duas escolhas mais no fim da primeira rodada.

A questão do elenco é que eles tem uma rotação muito reduzida. São poucos os jogadores com contrato, muitas contusões (Chris Paul, Okafor), muitos sem condição técnica de atuar bem na NBA (Stojakovic, Morris Peterson, Sean Marks, Julian Wright) e as opções de escalação eram escassas. E também financeira porque com a troca do Mo Pete o Hornets foge das multas por ultrapassar o teto salarial. Sendo um dos times com mais problemas financeiros nos últimos anos, a troca fez muito sentido.

Eu acho que a escolha 11, o pivô Cole Aldrich, era perfeita para o Hornets. Sem ele vão ter que confiar de novo no Emeka Okafor, que já se mostrou irregular tanto em qualidade de jogo como na saúde. Mas em compensação os dois jogadores escolhidos pelo Hornets são apostas seguras, dois jogadores que não terão problemas em se adaptar na NBA.

Craig Brackins tem tudo para ser o Taj Gibson desse ano. Um ala para vir do banco, acertar alguns arremessos de meia distância, garantir uns rebotes e dar um descanso para o seu titular, no caso do Hornets o David West. Vai deixar o banco do time mais profundo. Já o Quincy Pondexter está, para muitos, pronto para assumir a posição 3 no time titular. Ele não tem arremesso bom de longa distância, mas nada que não possa ser compensado por outra boa escolha do ano passado, Marcus Thornton. Só o fato do Pondexter ter um nome bacana e poder criar o próprio arremesso já é um alívio ofensivo para o time.

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Memphis Grizzlies
Xavier Henry (12) SG
Gervis Vasquez (28) PG/SG



O Grizzlies montou um bom time com o quinteto de Conley, Mayo, Gay, Randolph e Marc Gasol, mas eles precisavam desesperadamente de qualquer tipo de ajuda vinda do banco de reservas. No ano passado tinham que contar com momentos de inspiração dos fraquíssimos Sam Young e DeMarre Carroll para ter qualquer pontuação vinda do banco. E quando o garrfão tinha problemas eles tinham que apelar para o ainda cru (eterno sushi?) Hasheem Thabeet. Sério, qualquer talento de qualquer posição estava valendo e Xavier Henry é um bom jogador.

Essa escolha, porém, pode parecer um pouco equivocada daqui alguns meses. O ala Rudy Gay é um Free Agent restrito, o que quer dizer que ele pode assinar com outro time e o Grizzlies tem a chance de igualar a oferta e ficar com ele. Mas sendo um time sem muita grana, há dúvidas de que o time mantenha Gay caso ele assine um contrato muito gordo. Sem o seu ala e cestinha no time fica um buracão no time titular, que Luke Babbitt poderia ser mais capaz de preencher. Henry parece ser muito baixo para jogar no lugar de Gay e será provavelmente reserva de OJ Mayo.

Mas também não é segredo que o Grizzlies já tentou trocar o Mayo algumas vezes. Pode ser que Henry tenha sido escolhido para cobrir o buraco de alguma troca que está nos planos. Muitos segredos e indecisões ainda para poder julgar o Grizzlies, mas na dúvida pegaram bons jogadores que poderão ser úteis desde já, o que é importante considerando que no ano passado eles gastaram a escolha número 2 com um projeto longínquo.

Greivis Vasquez é um jogador venezuelano e parece ser um bom armador. Mas mesmo que o Grizzlies não confie sua armação a ele, é um jogador que pode contribuir mesmo na posição 2. Dizem que ele joga com muita vontade e raça, parece ser um bom cara para acompanhar na próxima temporada.

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Toronto Raptors
Ed Davis (13) PF
Solomon Alabi (50) C



O Chris Bosh insiste em dizer que existe uma possibilidade dele voltar para o Raptors, mas depois da horrível temporada passada e do desastre que foi a contratação do Turkoglu, é bem seguro afirmar que o máximo que o time canadense pode conseguir é um sign-and-trade para não sair com as mãos abanando, mas Bosh não joga mais lá.

Pensando nisso foi fácil escolher Ed Davis. Ele não fica devendo em nada para os jogadores que estavam próximos a ele nessa faixa entre as escolhas 12 e 18 do Draft e é exatamente o tipo de jogador que o Raptors vai precisar com a saída do Bosh. Davis foi só um reserva de North Carolina quando eles foram campeões em 2009, mas era porque seu titular era o Tyler Hansbrough, estrela universitária e pirado. Nesse ano, com Psycho-T na NBA, Ed Davis foi titular e melhorou sua média de 7 para 14 pontos. Também beirou os 10 rebotes e 4 tocos por jogo. Ao contrário de Bosh, imagino que Ed Davis deva ter mais impacto na defesa do que no ataque. Apesar de nunca poder ser tão bom quanto seu predecessor (não vai ser ele que vai transformar o Raptors num time vencedor!), Ed Davis não vai fazer feio na NBA.

A única chance dessa escolha parecer ruim daqui um tempo é se o ala de força que foi escolhido logo depois, Patrick Patterson, acabar sendo melhor que Davis, o que é uma possibilidade real.

Com a escolha de segunda rodada o Raptors draftou Solomon Alabi. Como foi praxe na segunda rodada desse ano, pegaram um pivô qualquer com a esperança que ele se torne alguma coisa no futuro. Alabi tem 2,16m de altura e uma envergadura de quase 2,25m! Como ponto positivo o Alabi tem a seu favor uma média baixa de faltas (2 por jogo), o que é incomum para jogadores tão altos.

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Houston Rockets
Patrick Patterson (14) PF




Por alguns segundos eu pensei que seria melhor para o Rockets pegar o Larry Sanders, um pivô essencialmente defensivo, com essa escolha. Mas seria uma escolha covarde. Sanders não passaria de um reserva decente para o Yao Ming, enquanto o Patrick Patterson é um jogador bem mais completo e que pode contribuir com muito mais coisas para o Rockets, mesmo que tenha que dividir espaço com Luis Scola e Jordan Hill.

O Patterson é aquele tipo de ala de força que nunca joga de frente para a cesta, que recebe a bola e usa da força e da técnica para chegar o mais próximo do aro e fazer os seus pontos. Se o Scola continuar no Houston (ele pode sair como Free Agent restrito) poderá ensinar alguns movimentos clássicos do argentino e transformar o Pat Pat num jogador ainda mais completo. Com os dois fazendo uma boa dupla na posição 4, o Rockets pode continuar improvisando, o que deu certo durante alguns momentos na temporada passada. Quando Yao for para o banco descansar o seu pé cansado (à lá música nova da Sandy), Chuck Hayes e o próprio Jordan Hill podem ir lá cobrir o buraco.

Pelo menos 3 sites que fazem análises de draft colocaram Pat Pat como um dos 10 melhores jogadores do Draft, fazendo essa escolha do Houston na posição 14 um acerto digno de Copa de 70.

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Ufa, já foram 14! Amanhã mais 8 times serão analisados aqui: Bucks, Bulls, Thunder, Celtics, Spurs, Blazers, Hawks e Magic.

sábado, 26 de junho de 2010

Análise do Draft - Parte 1

Evan Turner está ansioso para saber como seu Philadelphia 76ers foi ranqueado

Essa é uma tradição do blog desde que ninguém lia ainda. Fizemos uma enorme análise do Draft de 2007 mesmo quando a gente só estava testando o Bola Presa, sem ele ter leitores. Coisa de doido, não? Mas naquela época éramos menos criativos e demos notas normais, como se fôssemos professores chatos de geometria analítica. A partir de 2008 começamos a dar selos de qualidade para as escolhas de cada equipe. No primeiro ano os selos eram de mulheres, sendo o da Alinne Moraes o mais valioso. No draft de 2009 usamos coisas relacionadas ao Michael Jackson, que morreu no exato dia do Draft. Nesse ano, mantendo essa onda temática, falaremos do Draft dando selos de qualidade relacionados à história do Brasil na Copa do Mundo.

Vejam só:

Brasil de 70: Jogo bonito, eficiente, cheio de estrelas. Sucesso absoluto, não dava pra ser melhor. Selo para os times que acertaram em cheio no Draft!




Brasil de 94: Não é nenhuma obra-prima, não encantou, passou alguma insegurança, mas venceu. Para times que fizeram o que estava a seu alcance, mas não vão brilhar.




Brasil de 78: Tinha jogadores talentosos, era uma equipe boa e foi longe, mas nunca vai entrar para a história. Selo para os times que conseguiram um role player, um jogador de equipe.



Brasil de 50: Pode ter parecido um pouco legal na hora, até tem seus lados positivos, mas vai ser lembrado para o resto da existência como um fracasso traumático. Selo para escolhas duvidosas.




Brasil de 90: O Silas era o camisa 10. Precisa dizer mais? Desastre total. Escolha jogada no lixo.





Nesse primeiro post vamos analisar os primeiros times a terem escolhido no Draft. Como são os que pegaram os jogadores de mais impacto, rendem textos maiores, então começamos analisando só 6 times: Wizards, 76ers, Nets, Wolves, Kings e Warriors. Nos próximos dias vamos continuar até ter analisado todas as equipes que participaram do Draft 2010.

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Washington Wizards
John Wall (1) PG
Kevin Seraphin, (17) C
Trevor Booker (23) PF
Hamady N'diaye (56) C


Fiquei tentado a dar um selo de 94 para o Wizards porque não gostei tanto assim das últimas três escolhas que eles fizeram, mas acho que não dá pra dar uma nota baixa depois que eles saíram do Draft com o melhor jogador disponível na noite. Estou planejando (e não prometendo, diga-se de passagem) um post só sobre o John Wall, o rapaz merece. Ele é muito talentoso, dribla como poucos, é absurdamente rápido e eficaz nos contra-ataques. Mais ou menos como o Derrick Rose, o último armador a ser a primeira escolha, e tantos outros, John Wall chega na NBA sem um arremesso confiável. Mas no esquema tático certo deve fazer a diferença a favor do Wizards desde o primeiro jogo.

A questão-chave era "Mas ele pode jogar ao lado do Arenas?". Eu acho que até pode, mas isso só iria atrapalhar os dois. O Wall não precisa de nenhum fominha do seu lado para incomodar a sua armação e o Arenas vai render bem menos se virar um mero arremessador. O ideal para o Wizards é trocar um deles e devido ao histórico recente do Arenas não é difícil saber quem vai embora. Depois do draft de ontem eu comecei a achar que o rumor de que o Arenas pode ir para o Pacers em troca do Danny Granger um pouco mais real, mas pra falar a verdade eu acho que o Wizards vai demorar um bocado até achar alguém que tope essa troca. Até lá jogam os dois juntos, fazer o quê?

O Wizards fez uma troca importante ontem com o Chicago Bulls. Recebeu Kirk Hinrich e a escolha 17 e em troca mandou um pacote de Trakinas sabor morango. Com essa troca o Bulls ganhou espaço na folha salarial para assinar dois jogadores com contrato máximo (alô Bosh, Wade!) e o Wizards deu mais um indício de que não quer Arenas por lá. Hinrich faz exatamente o que o Arenas poderia vir a fazer: jogar improvisado como segundo armador ao lado do Wall e ser o substituto dele quando o novato for para o banco. Kirk também pode ser o primeiro jogador do Wizards nos últimos 5 anos a realmente atuar na defesa!

Com a tal escolha 17 o Wizards escolheu o pivô francês Kevin Seraphin. Ele é aquele típico pivô que acabou de chegar na NBA: pouquíssimo talento no ataque, desengonçado. Mas ao mesmo tempo gigante e muito veloz. Pode ser útil para ser um daqueles pivôs que entram pra vir do banco, tentar dar toco em todo mundo, correr para o ataque para tentar uma ponte aérea e sair depois de 10 minutos com 6 faltas. Todo time precisa de um cara assim, é verdade, mas é para isso que existem as escolhas de 2ª rodada. Gastar a escolha 17 com isso quando tinha tanta gente boa ainda disponível pareceu exagero.

Mesma coisa para a escolha 23, o Trevor Booker. Alguns analistas do Draft colocavam ele no final da segunda rodada ou até fora do Draft. O consenso é que ele é um carregador de piano, com poquíssimos recursos técnicos. É o típico cara para ser fim de banco e o Wizards, pegando ele na primeira rodada, tem um contrato garantido de pelo menos dois anos com o rapaz. Desperdício.

Antes de ontem os armadores do Wizards eram Arenas e Randy Foye, hoje são John Wall e Kirk Hinrich, e no caminho para isso não perderam nada. O time sai reforçado e leva o selo máximo, mas poderia ter sido bem melhor. A nota geral da sua offseason, no entanto, depende de como vão lidar com a questão do Gilbert Arenas.

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Philadelphia 76ers
Evan Turner (2) SG




A princípio a escolha parece ruim. E pareceu pra muita gente: O Sixers já tem o Andre Iguodala como jogador de perímetro e no garrafão o fracasso do projeto Elton Brand implorava por um bom jogador de garrafão como Derrick Favors ou DeMarcus Cousins, mas o Sixers resolveu escolher o caminho do melhor jogador e não do jogador para a posição que o time precisa.

Eu acho que eles estão certos. É mais importante você pegar o cara mais talentoso e a partir daí fazer as trocas necessárias em volta desse cara. Exceção apenas para times que já estão fortes e montados, precisando de poucas peças para ficarem competitivos. O Sixers iria virar um timaço com o elenco que tem hoje e mais o Favors? Não. O Sixers pode ser ótimo daqui uns anos se montarem um time em volta do Evan Turner? Eu aposto que sim!

Um manager da NBA que não quis ser identificado em uma matéria do RealGM disse que ter Iguodala e Turner no mesmo time "é uma redundância", já que os dois fazem as mesmas coisas e precisam da bola para serem efetivos. Eu discordo. Acho que seria redundante ter o Evans no mesmo time do Tyreke Evans, do Brandon Roy ou do Kobe Bryant, não do Iguodala. Não é que o Iguodala precisa ter a bola em mãos para ser efetivo, o Sixers é que não tem outra opção! Só lembrar de como o Iggy jogava muito quando quem comandava o show era o Andre Miller.

Com um trio de Jrue Holiday, Evan Turner e Andre Iguodala, o Sixers pode ter o que faltou na temporada passada, jogo de meia quadra. O Iguodala é ótimo nos contra-ataques, mas comete muitos erros e força muitas bolas com a defesa montada, já Turner é ótimo para construir seu próprio arremesso e até dar a chance para outros pontuarem. Holiday ainda está se desenvolvendo, mas no ano passado mostrou uma melhora enorme no seu aproveitamento de 3 pontos. Pode então ajudar na armação e ainda ser útil, como arremessador, quando Turner comandar o jogo.

Sem precisar ficar bancando o líder no ataque, o Iguodala pode também se focar mais onde é muito bom, na defesa.

O time não melhora logo de cara e durante toda a temporada vamos sentir falta do jogo de garrafão e dos rebotes, a não ser que o Elton Brand arranje um Delorean e volte a ser o mesmo de 2005. Mas foi um ótimo começo para a reconstrução do Sixers.

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New Jersey Nets
Derrick Favors (3) PF
Damion James (24) SF




O Nets não tinha o problema que o Sixers teve ao pensar nas características de seus jogadores e do seu elenco na hora de escolher um jogador. Afinal o time fede e o único com lugar garantido para o ano que vem é Brook Lopez. Outros como Yi Jianlian e Devin Harris estão sendo envolvidos em propostas de trocas e podem sair a qualquer momento. Por isso bastava para o Nets escolher o melhor jogador disponível na terceira escolha e ir pra casa. Pegaram Derrick Favors.

O Favors é ainda bem novo, nasceu em 91, mas já é um jogador muito bom, um daqueles alas de força que combinam bem a força física com a técnica, sem se destacar muito em uma coisa e sem deixar a desejar também. Não sou um especialista em analisar pivetes, longe disso, mas vê-lo jogando me fez lembrar os bons tempos do Chris Webber, uma combinação bem legal de velocidade, técnica e explosão física. Acho que na pior das hipóteses deve acabar sendo um daqueles alas de força que não ganham jogos sozinhos mas são bons coadjuvantes, como LaMarcus Aldridge ou Al Horford. Sendo Webber, Horford ou qualquer coisa no meio disso deve formar, sem dúvida, um bom garrafão ao lado de Brook Lopez.

O Damion James veio de uma troca. O Nets mandou as escolhas 27 e 31 para o Hawks em troca dessa 24 e saiu com o Jones. A comparação dele no site NBADraft.net é hilária, dizendo que o rapaz é um Shawn Marion/Ryan Humprey. Mais ou menos como dizer que um jogador de futebol pode ser comparado a Ronaldo/Souza. O que diabos isso quer dizer? Que ele é um ala que pega rebotes? Que bizarro! Comparar esses pivetes com profissionais é pedir pra falar bobagem, como posso ter falado sobre o Webber acima, mas pelo menos tem uma função educativa de contar como é o estilo de um jogador. Mas tem que ter cuidado nessa hora, se for pegar dois como parâmetro não coloque um que é inteligente, tem técnica e já foi um All-Star com outro que só fazia figuração em quadra.

No fim das contas, o que ele tem do Shawn Marion é a impulsão do começo da carreira do Matrix, a velocidade e a habilidade para ser um bom reboteiro mesmo jogando na posição 3. O que ele não tem é a defesa fora de série do atual ala do Mavs e nem a sua inteligência dentro da quadra. O consenso entre os analistas do Draft é que o James tem total condição de ser um dos principais reservas do time nos próximos anos, mas não deve ter vaga entre os titulares.

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Minnesota Timberwolves
Wesley Johnson (4) SF
Lazar Hayward (30) SF
Nemanja Bjelica (35) SF
Paulo "Paulão" Prestes (45) C
Via troca: ganharam Martell Webster e perderam Ryan Gomes e Luke Babbit (16) SF

No ano passado eu fui bem legal com o GM do Wolves, o David Kahn. Entendi que ele não foi burro ao draftar 3 armadores porque ele queria usar dois ao mesmo tempo no seu time e trocou o terceiro. Mas já comecei a perder a paciência com ele quando tudo começou a dar errado com esses armadores: Jonny Flynn não é tão confiável como parecia, Ricky Rubio ainda está longe da NBA e Ty Lawson, o trocado por mixaria, arrasava em Denver.

Nesse ano ao invés de draftar três armadores o que ele faz? Escolhe 4 alas, todos da posição 3!!! E aí troca um deles (junto com um ala da mesma posição) por outro ala. Meu deus, alguém avisou ele que você pode variar posição no mesmo draft? Tá parecendo aqueles drafts de fantasy em que você aperta um botão para só ver os jogadores disponíveis em certa posição e depois esquece de desmarcar essa opção. Para de usar o Yahoo!, David Kahn!

Mas pelo menos ele não escolheu uma posição a esmo, era realmente o maior buraco no elenco da equipe. A dupla de armação deve continuar sendo Flynn e Corey Brewer. O garrafão tem Al Jefferson, Kevin Love (apesar dos dois não se entenderem) e a provável volta do Darko Milicic, que parece ter desistido de voltar pra Europa. Sobrava aquele miolo, a posição três. E nessa posição eles precisavam de alguém com bom arremesso, já que ninguém no elenco é bom nisso. Wesley Johnson é, assim como Martell Webster. O curioso é que os dois tem características muito parecidas: São bons arremessadores, nem tão bons na defesa e pecam por confiarem até demais nos seus arremessos, deixando de atacar a cesta e variar no ataque. Se conseguiram Wes Johnson no draft, pra que Webster? Completamente desnecessário.

E no caminho perderam o bom Ryan Gomes e uma escolha valiosa, a 16. Essa escolha acabou sendo o Luke Babbitt, que eu acho que só será um reserva razoável na NBA, mas o Wolves poderia ter usado ela para qualquer outra coisa, não precisava jogar fora para ter uma versão (provavelmente piorada) de um jogador que eles tinham acabado de pegar.

Pra compensar essas escolhas e trocas questionáveis, o Wolves vai montando o melhor time da NBA na Europa. Eles já tem o Rubio jogando por lá, agora pegaram mais dois gringos que devem passar um tempo evoluindo seu jogo à la Pokémon no Velho Mundo antes de se renderem à NBA. São eles Nemanja Bjelica, um bom ala sérvio que alguns scouts consideravam o melhor gringo desse draft, e o outro é o brasileiro Paulão, um pivô muito forte de atuações de muito respeito nas categorias de base da seleção e que vem melhorando ano após ano na liga espanhola. Acho que o Paulão precisa ganhar mais velocidade e agilidade para se dar bem no garrafão da NBA, mas ele chega lá!

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Sacramento Kings
DeMarcus Cousins (5) PF/C
Hassam Whiteside (33) C




O Sr. Lado Branco não saiu para o Jazz, uma pena! Mas está no Kings, formando um garrafão completamente novo ao lado do badalado DeMarcus Cousins. No fim da última temporada o garrafão do Kings era uma piada. Jason Thompson é bom mas joga muito longe da cesta, mesma coisa do pivô branquelo Spencer Hawes. Então em poucos dias eles trocaram, draftaram e agora a rotação deles deve ter Jason Thompson, DeMarcus Cousins, Samuel Dalembert e Hassam Whiteside. Completamente novo e posso dizer com alguma certeza que bem melhor!

Um fato curioso dessa dupla é que o Cousins é muito comparado com o Eddy Curry, enquanto o Whiteside é comparado com o Tyson Chandler e os dois veteranos jogaram também juntos quando chegaram à NBA, no Chicago Bulls. Só esperamos que a dupla do Kings não faça o mesmo papelão!

Cousins é comparado ao Curry porque é um pivô muito habilidoso, que sabe o que fazer embaixo da cesta mas que passa alguma insegurança por não ser muito bom fisicamente. Muitas vezes parece lento e pesado. Mas eu não concordo muito com essa comparação, o DeMarcus Cousins tem mais habilidade com as mãos, não comete tantos erros e sabe jogar um pouco mais longe da cesta. Se querem comparar ele com um gordinho talentoso, que seja com Zach Randolph. Ele é tão parecido com o Z-Bo que muitos questionam sua vontade em quadra, sua dedicação na defesa e sua obediência às ordens táticas do técnico. É a descrição perfeita do nosso mascote!

Agora entenderam porque eu não condeno Sixers, Nets e Wolves por deixarem o Cousins passar? Talento ele tem de sobra, mas o Curry também tem e praticamente nunca usou. O Randolph tem e demorou uns 8 anos para render finalmente tudo o que podia. De qualquer forma, é uma aposta válida. O Jason Thompson é bom no garrafão mas não é intocável, pode ser trocado caso Cousins seja muito bom e prefira jogar como ala de força, assim como os dois podem se complementar caso o novato se dê melhor como pivô.

Enquanto Cousins descobre a sua posição, vai ter como apoio o Samuel Dalembert, que está no seu último ano de contrato e veio de uma troca com o Sixers, e o Hassam Whiteside, que pode usar a camiseta do Dalembert quando ele sair e ninguém vai perceber. O negócio dos dois é o mesmo: rebote, rebote, toco e rebote. É o tipo de jogador que por ser limitado deixa dúvidas para ser pego no começo do draft, mas na posição 33 foi uma escolha fácil para o Kings. O draft dele me lembrou o do DeAndre Jordan dois anos atrás. Ambos eram bem cotados como pivôs defensivos mas vinham com um sinal de alerta dizendo "PODE SER O PRÓXIMO PATRICK O'BRYANT" e isso os fez sobrar para a segunda rodada. DeAndre Jordan se deu bem no Clippers e hoje é um ótimo reserva, acredito que Whiteside terá bons momentos no Kings também.

Finalmente o garrafão da equipe de Sacramento poderá perder a imagem de fraco, frágil e leve.

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Golden State Warriors
Ekpe Udoh (6) PF





O Udoh é um ala de força que pode jogar de pivô. É muito veloz e um baita especialista em tocos. Seu poder defensivo lhe fez ganhar o apelido de "O Pesadelo".

Agora o que o Warriors faz escolhendo um pivô que defende? Sei lá! A história é repetida, eles usam o Draft para pegar um jogador que possa, ao mesmo tempo, solucionar o problema deles de falta de presença no garrafão mas sem perder a velocidade, característica do time. Já tentaram Andris Biendris (que até deu certo por uma temporada), Anthony Randolph (nem tanto) e Brendan Wright (muito menos). Agora tentam de novo com o Udoh. Sem dúvida que ele vai dar uns tocos e fazer algumas enterradas em contra-ataques, mas nada que vá mudar a cara do time, Udoh não é tão bom assim. Draftar um role player com a sexta escolha foi um erro ridículo do Golden State Warriors.

Pessoas com informações internas do Draft dizem que nenhum time no Top 10 (outros falaram até Top 15) planejavam pegar o Udoh! Ou seja, o Warriors poderia fazer duas coisas mais inteligentes: pegar um jogador melhor que o Udoh (acho que Aminu era perfeito para jogar ao lado de Steph Curry e Monta Ellis) ou trocar sua escolha com um outro time que tivesse a escolha 10, 11 ou 12, por exemplo. Conseguiriam o jogador que eles queriam e ainda poderiam levar alguma coisa extra em retorno.

Uma dessas duas atitudes poderiam dar um chacoalhão maior no elenco do Warriors, um time que com a aquisição de Udoh vai continuar empolgante, veloz, com jogadas de impacto e com a mesma (longa) distância dos playoffs.
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Por enquanto é só pessoal, amanhã tem a continuação com a segunda parte com 8 times: Pistons, Clippers, Jazz, Pacers, Hornets, Grizzlies, Raptors e Rockets.