sábado, 31 de dezembro de 2011

8 ou 80 Diário
Dwight Howard não gosta do Bobcats

Bobcats? Já comi.

- Dwight Howard engoliu o Charlotte Bobcats mais uma vez na sua carreira. Já são 28 vitórias e apenas 9 derrotas desde que o pivô entrou na liga em 2004. Desses 28 jogos, em 26 ele passou dos 10 rebotes e em 7 deles, como ontem, teve pelo menos 20.

- Foram exatamente 24 rebotes na noite de ontem, mesmo número alcançado na noite anterior. Dwight é o primeiro jogador a conseguir tantos rebotes em jogos consecutivos desde Dennis Rodman em 1997. Foi também o 50º jogo do pivô na carreira com pelo menos 20 rebotes, entre os jogadores ainda na ativa ele é o líder, Ben Wallace é o segundo com 42.

- O Danny Granger marcou 9 pontos na prorrogação contra o Cavs na noite de ontem, é um novo recorde pessoal. Sua melhor marca anterior tinha sido 7 pontos em um jogo realizado em 2007.

- Jermaine O'Neal foi o cestinha do Celtics na noite de ontem com 19 pontos. Foi a primeira vez que o pivô liderou os verdinhos em pontos desde que entrou no time na temporada passada.

- Ontem Andrea Bargnani se tornou apenas o terceiro pivô a conseguir marcar 30 pontos contra o Dallas Mavericks nas últimas 3 temporadas. Os outros foram Andrew Bogut (32, em Janeiro de 2010) e Al Jefferson (30, em Fevereiro de 2011).

- Apesar do jogo parecer bem disputado, o Chicago Bulls venceu os 4 períodos do jogo contra o Los Angeles Clippers na última noite. Foi apenas a segunda vez que isso aconteceu nessa semana inicial da NBA, a outra foi na vitória do Houston Rockets sobre o San Antonio Spurs. 

- Com a derrota de ontem do seu Pistons, o técnico Lawrence Frank tem agora 20 derrotas seguidas na carreira. Ele havia sido demitido do Nets depois de perder 17 seguidas há duas temporadas. O único outro técnico a conseguir pelo menos 20 derrotas seguidas nos últimos 10 anos foi Byron Scott, que sofreu 26 revezes seguidos na temporada passada com o Cleveland Cavaliers.

- Ryan Anderson continua liderando estatísticas dia após dia. Na rodada de ontem ele foi o jogador que mais acertou bolas de 3 pontos, foram 5. Seu companheiro Hedo Turkoglu e mais um monte de gente aparece em seguida com 3.

- Ontem Blake Griffin foi o segundo jogador que mais acertou arremessos de quadra, 14. Apenas LeBron James fez mais, com 16. Mas Griffin foi o líder em cestas "at the rim", aquelas juntas ao aro, embaixo da tabela. Das 14 bolas que acertou, 10 foram assim. Dessa vez LeBron foi o segundo, com 9.

- LeBron James liderou nos arremessos longos de dois pontos, aqueles com só um pezinho dentro da linha dos 3. Ele acertou 6 arremessos assim, mesmo número de Andrea Bargnani. Ontem, no último quarto de jogo, LeBron tentou o seu primeiro arremesso de três nessa temporada, mas errou a tentativa.

- Ricky Rubio fez ontem seu primeiro double-double com 12 pontos e 12 assistências. Dentre os tipos de assistência computados pelo HoopData, ele fez um pouquinho de tudo. Foram 3 passes para jogadores embaixo da cesta, 1 para arremessos curtos de 2 pontos, 1 para arremesso de meia distância, 2 para arremessos longos de 2 pontos e mais 5 assistências para bolas de 3 pontos.

- Quem também foi bem nas assistências foi Derrick Rose. As 16 que distribuiu contra o Clippers foi a segunda melhor marca de sua carreira, perdendo apenas para as 17 que deu contra o Bucks na última temporada. Dessas 16, 5 foram para cestas embaixo da cesta, 4 para arremessos longos de 2 pontos e 4 para chutes de 3.

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Sobre o 8 ou 80 diário:
Uma coluna diária que analisa apenas os números da rodada. São estatísticas colhidas nos sites da ESPN, NBA, Elias Sports Bureau, HoopData, 82games.com e Basketball-Reference.com.

Resumo da rodada
O dia dos armadores

A NBA está infestada de grandes armadores. Desde experientes até uma renca de novatos, eles não param de chegar. A rodada de ontem chamou a atenção especialmente por quatro deles. Kyrie Irving, Ricky Rubio, Chris Paul e Derrick Rose.


No bom jogo entre Cleveland Cavaliers e Indiana Pacers, Irving mostrou um bom arsenal de jogadas de ataque (teve arremesso de média e longa distância, bandejas) e ótima visão de jogo. Em determinado momento do jogo ele só não teve umas três assistências seguidas porque Anderson Varejão sofreu uma falta flagrante quando ia para a enterrada e porque Antawn Jamison não estava lá tão inspirado na hora de finalizar os passes. O jogo foi amarrado e o primeiro da temporada a ir para a prorrogação, cortesia também do lado ruim do novato Irving. Ele costurou a defesa do Pacers com um corte seco em Roy Hibbert quando este vinha cobrir o bloqueio, mas na hora de fazer a bandeja de esquerda o armador do Cavs errou a pontaria mesmo sem marcação. Seria sua primeira cesta no estouro do cronômetro logo na sua semana de estreia, mas não deu. No tempo extra foi a hora de David West chamar a responsa e finalizar o jogo para o invicto time da casa.

O ataque do Pacers até já merece um post especial. Se forem assistir a um jogo deles em breve reparem em como o time joga sem posições definidas (uma espécie de Flex Offense) quando o Roy Hibbert e o Darren Collison não estão em quadra, dando espaço para George Hill e Tyler Hansbrough. É bem legal de acompanhar.

Em Minneapolis o Miami Heat continua sua rotina de sofrer para bater times fracos. Depois de precisar de um arremesso no final de Dwyane Wade para bater o Bobcats, repetiram a dose contra o Wolves. De novo LeBron James dominou o jogo do começo ao fim (34 pontos, 8 rebotes, 10 assistências) e Chris Bosh jogou bem com seu novo estilo mais agressivo, mas coube a Wade, que quase não jogou, machucado, fechar o negócio. Primeiro mandou um arremesso longo de 2 pontos para virar o jogo e a 4 segundos do fim recebeu um passe do lateral de LeBron em uma jogada maravilhosa desenhada por Erik Spoelstra. Todos estavam esperando uma jogada de isolação na linha dos 3 pontos, já que ainda havia muito tempo no relógio, e eles executaram uma jogada típica de quando se tem menos de 1 segundo sobrando. A estratégia deu certo, mas também deu tempo para o Wolves quase empatar em um arremesso de Wayne Ellington, jovem que pela primeira vez na temporada entrou em quadra e mandou muito bem com 11 pontos.

Mas o Wolves ficou perto da vitória graças a um jogo esplêndido do Ricky Rubio, o novo amor da minha vida já competindo com a Alinne Moraes. O jogo dele foi tão bom que não foram só 12 assistências, mas também acertou as duas bolas de 3 pontos que tentou e iluminou o jogo com jogadas de efeito. A minha favorita foi quando apontou para Kevin Love pedindo um bloqueio e meio segundo depois estava mandando uma ponte aérea do outro lado da quadra para o Anthony Randolph. O moleque está tão à vontade que teve uma jogada que ele deu um passe bizarro que não deu em nada, Randolph então virou para ele com uma cara de "era pra mim essa porra?" e Rubio disse que não, apontando para Anthony Tolliver que estava embaixo da cesta e com a uns 4 marcadores de distância. Retardado. Abaixo todos os bons momentos de Rubio no jogo:


Mas já que o tema da noite são armadores, que tal um Chris Paul versus Derrick Rose? CP3 mandou 15 pontos, 14 assistências e 5 roubos, mas perdeu o duelo com Rose, que foi para um simpático 29 pontos, 16 assistências e 8 rebotes. O técnico do Bulls Tom Thiboudeu disse que foi "como assistir dois pesos pesados se enfrentando com um soco atrás do outro". Os dois costumam usar muitos bloqueios para evitar o confronto direto nas infiltrações, mas se marcaram o jogo inteiro e foi realmente um duelo de altíssimo nível que merece, um dia, uma série de playoff inteira. 

 O Clippers ainda não está funcionando bem como um time, e nada como a defesa do Bulls para expor isso. Isolar o Blake Grifin (34 pontos, 13 rebotes) deu muito certo, mas no quarto período o time  teve um momento ruim e bastou para o Bulls abrir uns 10 pontos de vantagem e fechar o jogo. Parece piada, mas esperem o Clippers melhorar demais quando Reggie Evans voltar de contusão para, além de apertar o saco alheio e cobrar os piores lances-livres do Universo conhecido, consertar o problema de rebotes que eles tem.  

No resto da rodada tivemos o Mavs e o Celtics finalmente ganhando um jogo. O Mavs chegou a estar perdendo, em casa, para o Raptors no terceiro período, mas com uma partidaça do Ian Mahinmi (claro, quem não esperava isso?) e de Rodrigue Beubois conseguiu assegurar a vitória. Já o Celtics fez a gente nos sentir de volta em 2002 com o Jermaine O'Neal em forma sendo o cestinha do jogo com 19 pontos. O que ainda não sabemos, porém, é se a vitória é mais pelo bom jogo de O'Neal, pela volta de Paul Pierce ou só porque enfrentaram o Detroit Pistons mesmo. 

Quem também ganhou pela primeira vez foi o Utah Jazz, que está vendo o Derrick Favors finalmente mostrar um pouco do basquete que o fez ser a terceira escolha do Draft do ano passado. Ele começou o jogo de pivô e deu certo, vamos ver no que dá. Mas sério, o que me surpreende mesmo é a atuação do Spencer Hawes pelo Sixers. Mesmo perdendo para o lixo do Jazz ele teve mais um jogaço com 15 pontos, 13 rebotes e 3 tocos. Quem é esse cara e o que ele fez com o Hawes que eu conheço?

No resto da rodada o Dwight Howard continua fazendo os melhores jogos da sua vida contra o Charlotte Bobcats, o Suns se vingou do Hornets, o garrafão do Grizzlies engoliu o Rockets com uma pitada de azeite e molho de mostarda com mel e o Wizards conseguiu a façanha de tomar mais de 60 pontos do Bucks antes do intervalo. O momento Bola Presa da rodada, no entanto, ficou com o novato Marshon Brooks, do Nets, que em jogo apertado que seu time perdeu para o Hawkspediu um tempo quando o time não tinha mais nenhum. Resultou em falta técnica e bola para o adversário, o que minou qualquer chance de reação.


Fotos da rodada

E você achando que ele não se importa com a  aparência

Tem hora que a gente só quer deitar no peito de alguém e se sentir protegido

Griffin consegue finalizar o Boozer com essa pegada, Belfort?

A famosa defesa break-dance de Rip Hamilton

Shane Battier senta em uma cadeira invisível para assistir Rubio jogar

Norris Cole não teve a mesma paciência

BoLAdA nO QUeiXo - Hausahusahsahsa

Volta aqui, bróder


Sobre o resumo da rodada:
São pitacos diários sobre a rodada da noite anterior da NBA. É uma seção que não chega para substituir nada, nem nossos textos gigantes e analíticos sobre as equipes. "Não cheguei para tirar a vaga de ninguém, só vim adicionar ao grupo", disse o Resumo em sua entrevista coletiva de apresentação no Bola Presa.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O campeão dançou


O Tyson Chandler tem uma mão esquerda que flutua sozinha

Assim que o Tyson Chandler foi para o Knicks por um contrato de 14 milhões por ano, coisa de estrela, comparei seu caso com o de Kendrick Perkins no Celtics: o valor pago não é tanto para aquilo que o jogador pode fazer de verdade, mas por aquilo que ele representa, para a importância que pode ter na transformação de uma equipe. A saída de Perkins de Boston simbolizou o fim de uma família, de uma mentalidade, e a equipe perdeu uma âncora defensiva que antes de sua saída nem sequer tínhamos certeza de que existia. A chegada de Perkins no Thunder (e do Tony Allen no Grizzlies) foi como a chegada simbólica de uma nova atitude. Ambos instituíram em suas equipes um regime de reuniões de vestiário, de implicação de responsabilidades, e de ajuda mútua constante. Quando o Knicks suou as pitangas para conseguir Chandler, era isso que julgava estar adquirindo.

O lado do Knicks foi amplamente analisado por aqui. Eu só não imaginava que, assim como o Celtics sentiu a saída do Perkins, o Mavs sentiria a saída do Chandler. Então é hora de analisar o lado dos atuais campeões, até agora incapazes de conseguir uma vitória na temporada sem o seu antigo pivô no elenco.

Antes de mais nada, é importante lembrar que o Mavs não foi uma dessas super-equipes montadas de repente para disputar o título e que se sagrou campeã só porque conseguiu gastar mais grana do que as outras. A grana a ser gasta sempre esteve aí, desde que o bilionário nerd Mark Cuban assumiu a franquia, mas o elenco tem sido montado há uma década com resultados diversos. Às vezes, o excesso de grana até atrapalha um pouco: houveram tempos em que qualquer jogador bom dando sopa recebia um contrato do Mavs, que acabava adicionando peças bastante aleatórias e tinha que se virar para dar minutos para todo mundo. Adições de uma temporada para a outra nunca faltaram, aparecem às dúzias, mas não é sempre que elas aparecem com algum critério, tentando assumidamente arrumar algum buraco da equipe. Antes da temporada passada começar o Mavs tinha a consciência de que precisava de um pivô defensivo para segurar as pontas, e aí - porque o dinheiro não falta - acabou adicionando tanto o Brandon Haywood quanto o Tyson Chandler. O Haywood se mostrou um quebra-galho, mas o Chandler acabou por tornar real algo que a franquia sabia possível mas não sabia como executar: uma defesa matadora.

O DNA do Mavs está ligado ao pai bizarro Don Nelson, então é uma equipe em que o primeiro instinto é de jogar na  velocidade, no contra-ataque e abusar dos arremessos do perímetro. Só com a defesa instituída pelo técnico Avery Johnson, no entanto, o jogo ofensivo de velocidade adquiriu consistência. Times como os do Don Nelson ou do Mike D'Antoni abusam da velocidade em todas as situações, repondo a bola o mais rápido possível, correndo para o ataque e tentando pegar os adversários com a defesa desprevenida ou desorganizada. É comum que, impondo esse ritmo de jogo, eventualmente um armador esteja sendo marcado por um pivô, e com decisões rápidas no ataque é possível se aproveitar desses deslizes. O problema é que trabalhar em tanta velocidade aumenta o número de erros, de desperdícios de bola, de arremessos forçados, e ainda cansa os jogadores fisicamente. É complicado manter esse ritmo no ataque e ainda ter disposição física para defender, e quando forçados a jogar em meia-quadra por equipes que conseguem diminuir a velocidade do jogo, essas equipes não sabem como pontuar e acabam se baseando apenas em jogadas forçadas do perímetro. Os times do Don Nelson sempre foram pragueados por decisões ruins tomadas especialmente nos momentos cruciais das partidas, quando é importante saber diminuir o ritmo e ter uma bola de segurança. Já as equipes do Mike D'Antoni, que tomavam boas decisões porque contavam com o Steve Nash, sempre tiveram problemas contra as equipes como o Spurs, que impõe um ritmo mais lento de jogo e forçam os adversários a ter que trabalhar uma jogada.

O Mavs, então, nunca foi um desses times que rouba a bola na defesa e se aproveita do contra-ataque. A correria independia da defesa, era constante, e no caso do Mavs sempre terminou em bolas rápidas de 3 pontos. Quando Avery Johnson melhorou a defesa da equipe, começou uma tímida cultura de contra-ataques, mas ainda assim sempre houve muita dificuldade em jogar sem ser na velocidade. Em geral, quando forçado a jogar na meia-quadra, o Mavs sempre usou jogadas simples de isolação, quase sempre com o Nowitzki. É por isso que o Jason Kidd teve tanta dificuldade em se encaixar no Mavs: sem uma defesa capaz de gerar contra-ataques constantes, como aqueles em que estava acostumado nos tempos de Nets, grande parte da sua função era apenas passar a bola para o lado até que alguém fosse isolado. Definitivamente não era a melhor maneira de usar suas habilidades.

Nowitzki é o jogador perfeito para um basquete lento, cadenciado, mas incapaz de defender de maneira sólida; Jason Kidd  é perfeito para um basquete de velocidade, focado nos contra-ataques, e que depende de uma defesa feroz que cause erros do adversário. O Mavs nunca foi um time que se encaixa muito bem, como podemos ver, as peças sempre chegaram aleatoriamente e o Kidd não foi exceção, mas jogadores talentosos sempre dão um jeito de funcionar juntos.

Tyson Chandler foi mais uma peça aleatória, mas sua capacidade atlética no garrafão e sua mentalidade defensiva permitiu que o Mavs se concentrasse na defesa do perímetro, afunilando os adversários para o miolo do garrafão, onde o Chandler cuidava do resto. De repente o Mavs tinha um plano defensivo eficiente contra todas as equipes, os jogadores adversários passaram a ter medo de infiltrar no garrafão, e até o Kobe fez xixi nas calças e passou uma série inteira dos playoffs arremessando do meio da quadra pra não ter que se aproximar do aro. O Mavs se tornou um time orgulhoso defensivamente, solícito, forte, e que viu seu ataque em velocidade ser finalmente eficiente de verdade. Com mais rebotes, mais tocos, mais erros forçados, o Mavs conseguia impor mais correria, encaixar mais bolas de 3 pontos e não ter que depender tanto das jogadas de isolação. Aquilo que a equipe procurou desde o primeiro segundo em que o Don Nelson foi mandado embora só se consolidou com a chegada do Chandler, e aí o time foi campeão. Grana pra burro, dá pra contratar todo mundo do planeta, mas a coisa só funciona de verdade quando um plano de quase uma década ganha de repente as peças certas, e quando aquela semente do Don Nelson pode ser usada em toda sua potência com uma defesa que a permitiu florescer.

É uma história linda, pode virar filme com o Selton Mello ou novela do SBT, mas pelo jeito o Mark Cuban não entendeu muito bem a situação. Parece ter considerado que suas adições aleatórias à equipe podem continuar, que quem for embora pode ser substituído por outros jogadores aleatórios que estiverem disponíveis. Não percebe como a caminhada do Mavs ao título não foi por causa da grana, mas sim um longo processo até que os jogadores certos tornassem possível o plano tático certo. Deixando Tyson Chandler sair e trazendo outros caras nada a ver, como o Vince Carter, todo aquele longo processo foi para o saco.

Eu nem tenho nada contra o Vince Carter, pelo contrário. Acho o Carter um exemplo de jogador que foi capaz de se reinventar quando tantos outros, supostamente mais talentosos, não conseguiram. Todo mundo deve se lembrar daquela anedota do Carter nos tempos de Raptors, enfrentando o Celtics. Puto da vida querendo ser trocado, insatisfeito com seu time, Carter perdia o jogo por apenas um ponto com um par de segundos sobrando no cronômetro e pediu um tempo técnico para que sua equipe montasse uma jogada. Ao voltar do tempo técnico, o Carter passou na frente do banco do Celtics e falou algumas palavras. Diz a lenda que aquelas palavras eram exatamente qual jogada o Raptors iria fazer naquele arremesso final, o Celtics então defendeu aquela jogada como se soubesse o que iria acontecer e o Raptors perdeu o jogo. A anedota queimou o Carter feio, ficou conhecido como jogador vendido, marrento, estrelinha e causador da fome na África. Quando foi para o Nets jogar com Jason Kidd, deu uma caralhada de arremessos imbecis no final dos jogos, querendo ganhar tudo sozinho. Mas os poucos foi se acalmando, entendendo seu papel na equipe, e quando o Nets resolveu mandar todo mundo embora para se reconstruir, o Carter acabou sobrando por lá. Nem por um segundo reclamou de nada, não pediu para ser liberado ou trocado, não reclamou de passar longos períodos no banco de reservas para que os novatos da equipe jogassem, e o mais importante: não dedou mais nenhuma jogada nos segundos finais. Pelo contrário, todas as notícias vindas de New Jersey dizem que Carter tornou-se um líder no vestiário, ajudava os novatos, passou a obedecer o polêmico esquema tático (que era medonho, admito) e liderava pelo exemplo. Vince Carter ainda está na NBA, mesmo velho e muito longe do potencial que um dia teve, quando era uma das grandes estrelas da liga. Enquanto isso, companheiros da sua época como Marbury, Steve Francis e Allen Iverson, todos tão bons ou melhores do que ele, viraram farofa porque foram incapazes de mudar suas imagens perante a liga. O Carter é bom moço, maduro, focado e tem um emprego. Como isso aconteceu eu não sei, mas é mérito total dele numa época que expurgou como câncer todos os jogadores que ousavam querer brilhar mais do que os outros.

Mas esse Carter, por mais bacana que tenha se tornado, não traz nada de que o Mavs precise. No máximo o Mark Cuban deveria sair com o Carter para tomar um suco e comer um sanduíche, não precisa contratar o sujeito. Muitos dizem que o Carter é tão amaldiçoado quanto o Clippers, e que nenhum time em que ele pise jamais conseguirá ser campeão. Mesmo se não for o caso e o Carter não tiver sido amaldiçoado pelo Valdemort, ainda assim não é uma aquisição que supra os buracos que o Mavs enfrenta. Falta à equipe um pivô à altura do Chandler, capaz de intimidar a infiltração dos adversários, e falta também um jogador capaz de segurar a bola e costurar a defesa agora que JJ Barea escafedeu-se. O JJ Barea não é nenhum gênio, aliás sempre desconfiei que ele jogava melhor justamente nas vezes em que esquecia o cérebro na geladeira de casa, então é fácil substituí-lo - o próprio Roddy Beaubois, que volta de lesão, tem tudo para cumprir bem esse papel descerebrado. Mas sabe quem não tem condições de ficar costurando defesas e atacando a cesta? Vince Carter e seus joelhos de farinha. No máximo será um arremessador de luxo na equipe, algo que o Mavs já tem aos montes.

Mesmo a aquisição do Lamar Odom, que foi praticamente de graça depois que a troca do Lakers com o Hornets foi anulada, simplesmente não funciona - e por vários motivos. Primeiro, o Lamar Odom tem sérias dificuldades em se focar em quadra. Quando está concentrado e motivado, ele é um dos jogadores mais completos da NBA e um perigo constante no ataque porque seu tamanho e sua velocidade não casam com nenhum marcador adversário - ou os jogadores são muito menores do que ele, ou são lentos demais para acompanhar suas infiltrações rumo à cesta. O problema é que os torcedores do Lakers sabem muito bem quão difícil é o Odom estar com a cabeça no jogo, ele facilmente parece desinteressado, toma decisões estúpidas e se torna quase invisível em quadra. Trocado da equipe em que passou os últimos anos, sentindo-se indesejado, mandado para a equipe rival, e além de tudo para longe da cidade em que vive sua nova esposa, a Khloe Kardashian. Como diabos alguém esperava comprometimento do Odom frente a tudo isso? Não é de se espantar que ele tenha chegado tão fora de forma que foi obrigado pelo Mavs a treinar por duas horas, sozinho, no único dia que o time teve de descanso desde que a temporada começou. E não foi só isso: também foi obrigado a chegar algumas horas antes de seus companheiros no jogo contra o Thunder para continuar seus treinamentos físicos. O Odom está uma bolinha desmotivada, não serve pra nada.

O segundo motivo pro Odom não dar certo nesse Mavs é que não existe posição em que ele possa jogar. Em sua posição natural joga o Nowitzki, que deve sentar o mínimo possível. Como reserva do Nowitzki, o Odom teria como função ser isolado e arremessar, justamente o ponto fraco do seu jogo. Caso jogue como ala de força e o Nowitzki seja rebaixado para pivô, o Mavs passa a ser uma equipe ainda mais medonha em parar e intimidar infiltrações adversárias, comprometendo na defesa. Se jogar apenas como ala, Odom terá que defender grande parte das estrelas da NBA, algo que não conseguiria fazer e que atualmente é função de Shawn Marion. Vindo do banco, o papel de pontuador e de armador vai para o Jason Terry, e o Odom seria apenas um reserva secundário. Cabe a ele, então, uma função ainda menor do que tinha no Lakers ou então uma função enorme que vai comprometer o garrafão e o funcionamento da equipe que foi campeã da temporada passada.

O Lamar Odom veio de graça e é um belo jogador, Playboy dada não se olha os dentes, mas às vezes você dá de frente com a Playboy da Mara Maravilha e percebe que é melhor ter cautela se não quiser ter sua infância traumatizada por toda a vida (experiência própria). Odom só terá espaço nesse Mavs se houver um chato trabalho de reconstrução do funcionamento tático, algo que não aconteceu sequer quando o Jason Kidd chegou. Será que Odom é talentoso e focado o bastante para se adequar à equipe, ao que precisam que ele faça, e conquistar seus minutos? A resposta veio rápido: em seu primeiro jogo com o Mavs, completamente fora de forma, Odom reclamou do juíz e foi expulso rapidinho. No segundo jogo, errou as 5 bolas de três pontos que tentou (acertando só um de dez arremessos de quadra). No terceiro jogo, errou as 4 bolas de três que tentou (acertando 2 dos seus 11 arremessos de quadra). Temos então um Odom fora de forma que só arremessa uns tijolos do perímetro sem parar.

Mas também não é como se o resto da equipe estivesse fazendo muito diferente. Com uma defesa que não força erros, não tapa o aro e não consegue rebotes, o Mavs acaba dependendo de novo de jogadas de isolação e de arremessos de três pontos forçados. Contra o Heat, o Mavs tomou 44 pontos no garrafão, pegou 20 rebotes a menos do que o adversário, e tentou 28 bolas de três pontos (acertando 9). No segundo jogo, pequena melhora: foram "apenas" 40 pontos tomados no garrafão contra o Nuggets, acertando 8 das 27 bolas de três pontos que tentou.

O terceiro jogo, comentado pelo Denis no resumo da rodada de ontem, foi mais promissor: o Mavs conseguiu apertar mais a defesa e forçou muitos erros do Thunder. O problema é que o Thunder já mostrou que basta forçar o Westbrook a jogar em velocidade para que ele cometa 8 bilhões de erros por jogo, colocando tudo a perder, então há pouco mérito do Mavs. No resto, tudo igual: levou 36 pontos no garrafão e acertou 9 das 26 bolas de três pontos que tentou.

O ataque tenta se arrumar como pode, Delonte West entrou bem no time titular e foi capaz de girar mais a bola e criar algum espaço para os arremessos. Nowitzki continua sendo isolado, criando seus pontos, e encontrando companheiros livres no perímetro. Mas não se fala em outra coisa nos vestiários a não ser na defesa do Mavs que foi embora: teve o Nowitzki recentemente dizendo que é difícil jogar em velocidade quando não se consegue rebotes ou erros adversários, teve o técnico Rick Carlisle dizendo que terá que ensinar defesa tudo de novo para sua equipe, melhorar seu próprio trabalho, começar de novo.

Um time campeão capaz de começar a temporada com 3 derrotas seguidas, parecendo perdido em quadra e regredindo quase uma década em seu estilo de jogo? É pra já. Ficamos então com uma lição valiosa: Tyson Chandler não é gênio, não vai descobrir a cura da AIDS, não é o melhor defensor da NBA; mas se você finalmente monta um elenco capaz de colocar em prática um estilo de jogo que foi campeão da NBA, agarre esse elenco com unhas e dentes e dinheiros. Porque acreditar que dinheiro é capaz de trazer outras peças, reposições quaisquer, e que ninguém vai sentir falta dos jogadores que forem embora, isso é furada. Vimos com o Clippers que dá pra formar um bom time mesmo sem depender da grana. Agora vimos com o Mavs como dá pra jogar um time no lixo apesar de ter grana saindo pelas orelhas. Se não houver um reforço nesse garrafão, se o Mavs não encontrar um modo de retomar a defesa que lhe levou ao título, essa será uma temporada perdida para Nowitzki e seus amigos.

8 ou 80 Diário
Hino de Durant

Você, eu, Durant e Terry sabemos onde essa bola vai cair

- O Thunder conseguiu sua quarta vitória seguida na noite de ontem, contra o Mavs. Mas isso não é necessariamente uma boa notícia. Eles foram apenas o sexto time na história a conseguir 4 vitórias nas 5 primeiras noites da temporada. Desses, o único a ganhar um título foi o New York Knicks de 1969-70.

- Antes do arremesso de 3 da vitória de Durant, Vince Carter havia chutado uma bola certeira de longa distância. Foi apenas a primeira vez desde Janeiro de 2009 que dois jogadores diferentes acertaram arremessos de 3 pontos nos últimos 5 segundos de jogo. Na última vez o mesmo Thunder enfrentou o Nuggets, mas daquela vez foi Durant quem acertou a primeira bola antes de ver Carmelo Anthony sair com a vitória.

- Até agora Kevin Durant marcou 125 pontos na temporada, o resto do elenco do Thunder soma 135. Durant é apenas o quarto jogador nos últimos 30 anos a começar a temporada com 30 pontos nos 4 primeiros jogos da temporada, os outros foram Adrian Dantley (Jazz, 85), Michael Jordan (Bulls, 87) e Kobe Bryant (Lakers, 2005). 

- O Lakers segurou Jazz e logo depois o Knicks abaixo de 33% de aproveitamento nos arremessos. Foi a primeira vez desde que a franquia se mudou de Minneapolis para Los Angeles que o time segurou oponentes abaixo dessa marca por dois jogos consecutivos. Pau Gasol ajudou essa marca liderando a rodada em faltas de ataque sofridas, com duas.

- No ano passado o San Antonio Spurs liderou por pelo menos um segundinho em todos os 82 jogos da temporada. Ontem, porém, a marca foi batida. O Rockets venceu o jogo contra o seu rival do Texas de ponta a ponta.

- O Nuggets perdeu para o Blazers, mas no caminho se tornou o primeiro time desde 1997 a conseguir pelo menos 15 roubos de bola em 3 jogos seguidos.

- No resumo da rodada estava falando sobre a importância da marcação dupla no homem de garrafão para abrir espaço para os arremessadores. Sabem quem foi o líder de ontem em assistências para bolas de 3? Dirk Nowtizki, com 4. LaMarcus Aldridge aparece empatado com outros jogadores em segundo, com 3.

- O MySynergySports tem uma estatística chamada "pontos por posse de bola", que faz uma estimativa de quantos pontos o jogador faz a cada posse de bola em que ele é utilizado. Atualmente o 4º lugar dessa lista é Ryan Anderson, do Magic, que ontem liderou a rodada em jogadas de falta-e-cesta, com 3. 

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Sobre o 8 ou 80 diário:
Uma coluna diária que analisa apenas os números da rodada. São estatísticas colhidas nos sites da ESPN, NBA, Elias Sports Bureau, HoopData, 82games.com e Basketball-Reference.com.

Resumo da rodada
Kevin Durant é um bom arremessador

O Kevin Durant brincou de imitar o Dirk Nowitzki antes da temporada começar, fazendo seu tradicional arremesso de uma perna só, caindo para trás. Mas agora a brincadeira está indo longe demais. Ontem, contra o Mavs do próprio Dirk, Durant resolveu ser tão igual ao alemão que falhou na defesa em jogadas decisivas e logo depois compensou com um arremesso que ganhou o jogo. O melhor jogo do Dallas nesse começo de temporada quase foi coroado com um herói improvável, Vince Carter, que acertou um arremesso de 3 a pouco mais de um segundo do fim do jogo, quando Durant o deixou livre. Mas na jogada seguinte foi Shawn Marion, o especialista defensivo do time, que não conseguiu acompanhar KD nos bloqueios e deixou o ala livre para fazer a bola de 3 que deu não só a vitória ao Thunder como também foi o 4º jogo seguido com pelo menos 30 pontos para Durant. Veja os lances do jogo aqui.

Mas para o Mavs a impressão pode ser até de alívio. Vince Carter e Jason Terry acertaram arremessos decisivos, Delonte West entrou bem no time titular, Dirk está chegando a seu nível e eles forçaram o Thunder a 26 erros. Enfrentaram um timaço e perderam só porque, bem, porque o Brendan Haywood fez uma cesta contra.



Ontem tivemos mais uma partida assassinada pelo calendário da NBA. O San Antonio Spurs estava no jogo contra o Houston Rockets graças a jogadas de video game (com gameshark, Konami Code e controle turbo juntos) do Manu Ginóbili, mas aí o Kevin Martin resolveu começar a acertar bolas de 3 pontos, o Kyle Lowry sei lá como se tornou um dos melhores armadores da NBA e o Rockets abriu uma diferença grande. O Greg Popovich, sentindo seu time exausto e longe no placar, tirou todos os titulares e abriu mão da partida. A decisão foi  aprovada até mesmo pelos próprios jogadores, que sabem que não vale a pena se matar à toa sendo que em poucas horas já estão jogando de novo. Mais uma prova de como esse calendário poderia muito bem ter sido feito pela CBF.

Temos que prestar muita atenção no Marcus Thronton, do Kings. Ele está metendo pontos de tudo que é canto da quadra há muito tempo e todo mundo tem a sensação de que é uma fase, de que ele está numa situação de sorte e coisas do tipo. É uma coisa meio Eric Gordon, demoramos para nos tocar o quanto o cara é bom de verdade. Thornton pode não ser uma mega estrela, um jogador completo, mas hoje em dia é um dos grandes pontuadores da NBA inteira e ontem passou dos 20 de novo. Não que tenha sido o bastante contra o Bulls ontem, claro. Ele, Tyreke Evans e qualquer outro que tentou ficar na frente de Derrick Rose foi devidamente costurado. O Kings tem potencial para ir longe, DeMarcus Cousins está bem no começo da temporada, mas sofrer menos bandejas parece um passo essencial para ser um time ao menos respeitável. O quanto é patético ter que dizer isso? É como dizer que o estagiário da firma precisa apenas fechar o zíper da calça para ser menos zoado pelos colegas.

Preciso me corrigir. Outro dia disse que o Detroit Pistons deveria ser o grande saco de pancadas da liga, especialmente do Leste, mas me enganei. Esqueci completamente do New Jersey Nets, que são ruins com o Brook Lopez e quase não são um time de basquete sem ele. Pobre Deron Williams que tinha um time melhor na Turquia. O Nets é hoje, depois desses três jogos, o time com pior aproveitamento de arremessos, apenas 36%. Tá bom que o segundo melhor é o Toronto Raptors e isso anula a validade desses números, mas...

Do outro lado da mesma estatística, sabe quem está em segundo nas estatísticas de aproveitamento do adversário? O Lakers. Mike Brown pode ser um imbecil em muitas coisas, mas seus times sabem defender. Depois de segurar o ataque do Jazz a um aproveitamento patético no garrafão, ontem eles destruíram com o Amar'e Stoudemire e venceram o jogo na defesa. O trio branquelo do Lakers com Gasol, McRoberts e Murphy daria uma boa comédia de fim de tarde sobre basquete, mas estão jogando bem demais na defesa. Claro que alguns arremessos insanos do Kobe e seu jogo de pernas de um dançarino de tango ajudaram, mas não foi ele sozinho.

Um dos jogos mais interessantes da noite foi entre o Denver Nuggets e o Portland Trail Blazers, dois times que fizeram excelente primeira semana. O jogo foi bem disputado e os dois times mostraram suas muitas forças, mas uma coisa acabou fazendo a diferença: o jogo de costas para a cesta. O zilionário Nenê não conseguiu comprar talento o bastante para ser efetivo contra Marcus Camby e LaMarcus Aldridge, enquanto este último jogou muito bem e no final do jogo atraiu marcação dupla quando foi acionado. Bastou ele soltar a bola para Jamal Crawford e Wesley Matthews matarem o jogo de longa distância. O brazuca é bom, mas pergunta pro Tim Duncan e o Spurs como faz diferença a vida atraindo marcação dupla ou não.


Fotos da rodada

Sou bom pra caralho, velho...

Merchan no meio do jogo? A QUE PONTO CHEGAMOS?

(não se desespere, não se desespere, não se desespere)

Me Gusta!

Jamal Crawford é atual MVP da Liga Zumbi de basquete

Devin Ebanks viu uma aranha na tabela

A velha tática da casca de banana funciona novamente para o Rockets

E quem disse que Tim Duncan não joga com sentimento?

Sobre o resumo da rodada:
São pitacos diários sobre a rodada da noite anterior da NBA. É uma seção que não chega para substituir nada, nem nossos textos gigantes e analíticos sobre as equipes. "Não cheguei para tirar a vaga de ninguém, só vim adicionar ao grupo", disse o Resumo em sua entrevista coletiva de apresentação no Bola Presa.

Contra uma maldição


- Eu juro tacar a bola pra cima.
- Eu juro enterrar a bola, então.

Quem acompanha a NBA há pouco tempo nem imagina que o Los Angeles Clippers seja a franquia mais amaldiçoada da liga, mas quem é velho de guerra sabe que o Clippers foi fundado em cima de um cemitério indígena e usa a expressão "que Clippers" para designar qualquer coisa que deu muito errado sem nenhum motivo aparente. Guardou a chave direitinho no bolso e ela sumiu mesmo assim? Deixou o bolo o tempo certo no forno e ele virou carvão? Puxa, que Clippers!

Basta voltarmos um pouco ao passado recente da equipe para vermos o festival de horrores. São falhas de planejamento, escolhas táticas ruins, mas tem também muito azar puro e simples: escolhas de draft que pareciam geniais e foram horríveis, contusões sérias que terminaram carreiras, times talentosos que não se entrosaram, e uma caralhada de jogadores que simplesmente fugiram da equipe assim que tiveram chance.
Michael Olowokandi, escolhido em 1998, foi sem sombra de dúvidas a pior primeira escolha de um draft na história da humanidade. Se você acha que o Kwame Brown fede, então lembre que ao menos o Kwame continua arranjando emprego na NBA enquanto o Olowokandi coça o saco em casa. Já Shaun Livingston, que foi a quarta escolha do draft de 2004, era genial mas teve o joelho desmontado como se fosse construído com peças de Lego, e tudo numa jogada completamente banal. Dá pra ver o lance no vídeo abaixo, mas primeiro tire as crianças da sala:



O próprio Blake Griffin, que é uma das sensações da NBA e tem tudo para ganhar o campeonato mundial de seres humanos, não jogou toda sua primeira temporada de NBA graças a uma lesão adquirida numa jogada fantástica antes da temporada começar. Acabou fazendo sua estreia como novato apenas um ano depois, na temporada 2010-11. Já que o Griffin era a salvação da franquia, a maldição do Clippers deu um jeito de adiá-la ao menos por um ano com a lesão que acontece no vídeo abaixo:



Ao menos o Griffin é uma salvação que deu certo, apesar do susto da lesão inicial. Outros jogadores que carregaram promessa semelhante na franquia não conseguiram se estabelecer: Darius Miles nunca conseguiu render ao ser afastado do seu amigo de infância Quentin Richardson (há até mesmo um documentário fantástico sobre a dupla, chamado "The Youngest Guns") e depois se lesionou gravemente; Chris Kaman tinha tudo para ser o pivô mais dominante da sua geração mas nunca conseguiu consistência graças às lesões constantes;  e até o Al Thornton, que não se contundiu e teve ótima temporada de novato, acabou sendo trocado por um pacote de bolachas graças a problemas de vestiário que nunca foram completamente esclarecidos.

Em 2006, o Clippers enfim foi aos playoffs e venceu sua primeira partida de pós-temporada em 13 anos, chegando até uma semi-final de conferência histórica. Acabou perdendo aquela semi-final para o Suns num jogo 7 dramático, numa série cheia de prorrogações, e desde então foi ladeira abaixo - na temporada seguinte, o joelho do Shaun Livingston viraria farofa. Um ano após isso, seria a vez da então estrela Elton Brand perder a temporada com uma lesão gravíssima (da qual, aliás, ele nunca parece ter se recuperado).
Tirando o azar, os novatos e as contusões (que ocorrem apesar de um dos melhores centros de treinamento de toda a NBA), o Clippers sempre teve problemas para contratar ou manter seus jogadores. Todos os jogadores sem contrato ignoravam as propostas do Clippers, enquanto os jogadores da franquia pareciam apenas aguardar o fim dos seus contratos para fugir para as colinas em liberdade. Elton Brand, estrela do Clippers durante anos, foi mantido à força na equipe quando virou free agent restrito, mas fugiu para o Sixers quando seu segundo contrato terminou. Os elencos no Clippers são notoriamente formados por descontentes, jovens jogadores que sentem-se ignorados pela NBA, presos na franquia mais amaldiçoada e ignorada das últimas décadas. É uma espécie de Sibéria do basquete.

O Clippers é um excelente exemplo de como funciona a distribuição de estrelas na NBA. Apesar de estar num dos chamados "grandes mercados", cercado por uma grande economia, ter bom público, ser economicamente viável e se situar em uma localidade em que qualquer jogador gostaria de viver, nenhuma estrela importante aceita jogar no Clippers - franquia perdedora, com poucas aparições na televisão gringa e, por isso mesmo, com pouquíssima exposição na mídia. Nos Estados Unidos, dá pra acompanhar pela televisão todos os jogos da sua equipe local, de onde você mora, mas para assistir aos jogos das equipes do resto do país depende-se das redes nacionais, como a TNT, a ABC e a ESPN, que passam poucos jogos por semana e sempre com as equipes mais badaladas do momento. Hoje em dia, o Elton Brand joga no Sixers - em uma equipe que supostamente montou-se para disputar o Leste - e é motivo de piada por não jogar bulhufas e estar num time meia-boca. Ou seja, Elton Brand gastou seus anos de ouro, em que foi um dos melhores alas de força da NBA (por vezes o melhor) e fazia 20 pontos com 10 rebotes com a facilidade com que se cutuca o nariz, num time que não tinha qualquer tipo de exposição. A gente até ouvia falar que tinha um cara fodão lá no Clippers, mas ele nunca teve o reconhecimento que merecia. Num exemplo mais recente, podemos citar o Chris Bosh, que chutava traseiros no Raptors mas ninguém nunca viu, afinal a televisão nunca passava jogos da equipe. Agora que está no Heat e não é sombra do que foi, todo mundo pode dizer com propriedade que o Bosh "nunca foi grandes merdas". Aí está, o jogador punido por ter jogado seu melhor basquete em Toronto, e motivo suficiente para demais jogadores pensarem três vezes antes de assinar com a equipe canadense.

É normal alegar-se que jogador nenhum quer morar no Canadá, ou em Milwaukee, ou em Minessota, assim como eu não quero ir morar em Tangamandápio, mas jogadores vão topar qualquer coisa por uma franquia vencedora, com chances de título, e com ampla exposição na televisão. Ninguém quer gastar seus melhores anos na NBA sendo ignorado pela mídia ou, como foi o caso do LeBron por exemplo, tendo seus recordes desdenhados pela falta de um título no currículo. Exposição na tevê, no entanto, não precisa ter a ver necessariamente com vitórias: pode ser simplesmente uma boa história, um time que as pessoas queiram assistir, a presença de uma ou mais estrelas juntas.

Nessa temporada, por exemplo, a ESPN gringa passará 16 jogos do Heat, 15 do Bulls, 15 do Lakers, 14 do Celtics, 14 do Knicks e 12 do Mavericks. O Knicks reconstruído com Amar'e e Carmelo, mais a chegada do Tyson Chandler, é história melhor e mais vendável do que o Mavs campeão mas com elenco desfeito. Já na TNT os times com mais aparições serão Celtics e Lakers, com 10 cada, o Heat com 9, e Knicks e Mavs com 8 jogos cada um.

Mas eis que, olhando mais pra baixo nas tabelas, encontramos finalmente o Clippers: são 3 jogos na TNT, 10 jogos na ESPN e 9 jogos na NBATV, que também é uma rede nacional. Ao todo são 22 jogos na televisão, recorde absoluto da história da franquia. É porque o Clippers é uma equipe vencedora, com chances de títulos? Vale lembrar que a programação das televisões saiu antes da troca do Chris Paul. Então a resposta é não: a presença do Clippers na televisão nacional se deve ao Blake Griffin.

Depois de tantas escolhas frustradas de draft, lesões e dificuldades de sequer chegar aos playoffs, Blake Griffin passou a colocar constantemente o Clippers na TV de um modo inusitado: através das melhores jogadas do dia. Foi uma tonelada de enterradas, bagos na cara de defensores desavisados, faltas-e-cestas, e até um tipo de "melhores momentos" que nunca existira antes: as melhores enterradas que não aconteceram, aquelas em que o Griffin pula por cima de todos os defensores dando uma pirueta e acaba enterrando no aro. De repente todo mundo queria ver os jogos do Clippers graças a essas jogadas, as vitórias são o de menos.

Ainda assim, quando Billups foi liberado pelo Knicks usando a regra de anistia, deixou claro que queria ir para algum time com chances de título e ficou puto da vida de ser chamado pelo Clippers. A NBA deixou claro que pelas regras o Billups não poderia negar o chamado, mas não queria ir nem a pau. É a história eterna do Clippers, o pessoal só fica por lá se for amarrado, se for dopado, se receber uma grana absurda que não se pode negar ou se for alguma brecha legal como no caso do Billups. Mas eis que a troca por Chris Paul, que comentamos aqui, acabou rolando e o Clippers ganhou subitamente chances de título. Escassas, é verdade, o elenco não está terminado, não teve tempo de treinar junto, não teve pré-temporada de verdade, não tem identidade tática. Mas a chegada de Chris Paul consolidou algo tão importante quanto: ao receber a notícia de que o armador fora trocado para o Clippers, Blake Griffin afirmou: "vai ser a cidade do lob", ou seja, a cidade do passe para o alto, a cidade de jogar a bola para cima para que alguém venha enterrar. Além de Griffin e suas enterradas fantásticas, DeAndre Jordan é um pivô fantasticamente atlético que, na impossibilidade intelectual de criar o próprio arremesso (em palavras menos nobres: é uma anta), ao menos consegue pular até a Lua e enterrar os passes que chegam para ele.

Por enquanto, o Clippers não pode ser considerado verdadeiramente como um time de elite no Oeste. Ainda são apenas jogadores aleatórios, reunidos um tanto ao acaso. Chris Paul e Billups estão jogando ao mesmo tempo em quadra, então não há ainda uma definição sobre quem inicia as jogadas, quem finaliza, os armadores estão muito presos no perímetro, há pouca agressividade e muitos passes para o lado, tudo normal para quem ainda tenta se acostumar com um sistema tático meio feito às pressas. Ainda há indecisão nos contra-ataques e muitas jogadas de isolação, também comuns nos ataques em que as movimentações não foram aprendidas (ou que não existem, algo que só vamos descobrir se é o caso com o tempo). Mas mesmo com tantas indefinições, falta de entrosamento evidente e dúvidas sobre quem exerce a liderança da equipe (Billups pode arremessar 20 bolas num jogo como fez, Chris Paul deve segurar a bola, ou Blake Griffin deve ser o foco do ataque?), uma coisa é certa: o Clippers está consolidado como uma equipe que todos querem assistir. As ponte-aéreas têm presença garantida em todas as partidas, tanto para Griffin quanto para DeAndre Jordan, os contra-ataques quando funcionam geram jogadas espetaculares, e a presença na televisão vai ser cada vez maior. Para a próxima temporada, com certeza os jogos mostrados na íntegra serão vários, talvez no mesmo nível de equipes como Lakers, Heat, Knicks e Mavs.

Frente a esse tipo de exposição, com tanta atenção da mídia, com certeza Chauncey Billups está repensando seu desgosto em ter sido contratado - na marra - pelo Clippers. Do mesmo modo, Chris Paul vai ter muitas dificuldades em escolher deliberadamente abandonar a equipe ao fim da temporada, quando se encerra seu contrato. O Clippers, claro, não estava nos planos de nenhum dos dois. Mas depois de uma pré-temporada arrasadora com jogadas fantásticas, e de uma estreia contra o Warriors em que o Clippers conseguiu impor seu ritmo, a atenção da mídia - e os papos de que a equipe pode ter mais vitórias do que o Lakers, algo que não acontece desde a temporada 2004-05 e só havia acontecido antes em  93 - com certeza deixou os dois recém-chegados com água na boca. A derrota para o Spurs, que veio em seguida, veio apenas para mostrar em definitivo que a equipe tem muito a arrumar, mas o potencial dessa equipe é inegável.

Como convencer jogadores como Chris Paul e Billups a ficarem numa equipe fracassada? Fazendo trocas ousadas, arriscando, ganhando espaço na mídia com jogadas de efeito, e tendo um novato capaz de atrair a atenção de todo o planeta. Se o Clippers der certo nessa temporada, mais jogadores importantes vão querer entrar nessa brincadeira. Se der errado, se não chegar nem aos playoffs, ainda assim os jogadores que já estão lá serão obrigados a encarar a atenção que receberam, e as possibilidades futuras da franquia. Esse é o tipo de reconstrução que equipes desconsideradas pelos free agents precisam planejar, porque simplesmente abrir espaço salarial - que é a estratégia que toda equipe pequena usa - não serve para nada. De que adianta poder oferecer todo o dinheiro do universo se ninguém vai topar jogar no seu time porque ele não aparece na televisão e não tem chances de título? Por sorte, o Heat abriu o espaço salarial e convenceu a ficar e trazer seus amiguinhos. Mas se Wade fosse embora, o que o Heat iria fazer com aquela grana toda? Que jogador iria topar jogar numa franquia como o Heat, apesar das gostosas nas praias de Miami?

O Clippers está no caminho certo porque seus jogadores sabem fazer pontes-aéreas. É estranho de ouvir e pouco ortodoxo, mas é a mais absoluta verdade. E continuará funcionando até que a maldição retorne, puxe o pé do Blake Griffin enquanto ele dorme, e o avião da equipe caia no oceano. São 30 equipes, 66 jogos nessa temporada, uma caralhada de viagens de avião, e se um avião tiver que cair, já sabemos qual será. Na pior das hipóteses, se ninguém morrer e nenhum avião cair, o Clippers pode chegar à beira do título e aí estaremos em 2012: o mundo acaba e vamos todos pro saco. Esse Clippers fez tudo certo, mas não ignorem a maldição. Ela está à espreita.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

8 ou 80 Diário
Nenê esmaga

Nenê é recordista de alguma coisa quando se fuça até o fundo do mundo das estatísticas


- Kevin Durant não faz força para arremessar e mesmo assim acerta demais da conta. Em 3 jogos nessa temporada ele passou de 30 pontos em todos e sempre teve mais de 50% de aproveitamento. Os únicos outros jogadores a conseguirem começar a temporada com esses números foram Shaquille O'Neal em 1993-94 e Ray Allen em 2001-02.

- Um número de recordistas estranhos. Tristan Thompson, novato do Cavs, passou dos 10 pontos em seus dois primeiros jogos e tem mais de 60% de aproveitamento nos arremessos. O único outro novato nos últimos 20 anos a conseguir a mesma coisa foi Thabo Sefolosha pelo Bulls em 2006.

- Ontem, contra o Jazz, o Nenê fez 25 pontos em apenas 23 minutos em quadra e teve 76% de aproveitamento nos seus arremessos. Apenas outros dois jogadores na história do Nuggets conseguiram tantos pontos com tão bom aproveitamento em menos de 25 minutos disputados. Foram Mike Evans (26 pontos, 10-11, 22 minutos) em 1984 e JR Smith (29 pontos, 10-13, 24 minutos) em 2007.

Nenê tentou 8 arremessos próximos ao aro ontem. Acertou todos e apenas metade deles foram com assistências, nos outros ele criou o próprio chute. O Nuggets conseguiu tantos arremessos próximos à cesta que os dois líderes do dia em assistências para cestas nessa situação foram Rudy Fernandez com 7 e Andre Miller com 6. No jogo do Clippers, por outro lado, das 9 assistências de Chris Paul6 foram para arremessos de 3 pontos.

- Amar'e Stoudemire e Carmelo Anthony juntos acertaram apenas 8 de 27 arremessos tentados contra o Warriors. Foi a pior porcentagem de uma dupla de alas contra o Warriors nos últimos 5 anos. Defesa, amigos, defesa.

- O Miami Heat pegou 23 rebotes a menos que o Charlotte Bobcats e mesmo assim venceu a disputada partida de ontem à noite. Foi apenas a primeira vez na história do time que eles venceram um jogo que pegaram tantos rebotes a menos que o adversário. Desde o começo da temporada 2005-06 times que pegaram pelo menos 23 rebotes a menos que seus oponentes tem um recorde de 9 vitórias e 95 derrotas.

- Desde que o Miami Heat virou o time do Big 3 as suas três estrelas já tentaram arremessos decisivos como o de Dwyane Wade ontem, mas a taxa de sucesso não é muito alta. Em situações para empatar ou vencer o jogo, com 24 segundos ou menos no relógio, Wade tem aproveitamento de 2-5, LeBron de 1-8 e Bosh de 0-2.

- Russell Westbrook conseguiu um terrível aproveitamento de 0-13 arremessos na noite de ontem contra o Grizzlies. Foi a 10ª vez desde a temporada 1985-86 que um jogador tentou pelo menos 13 arremessos e errou todos. A pior marca é de Tim Hardaway, com 0-17 em 27 de dezembro de 1991. Jogar no fim do ano não parece bom para a concentração dos atletas. A lista completa dos fracassados é essa.

...
Sobre o 8 ou 80 diário:
Uma coluna diária que analisa apenas os números da rodada. São estatísticas colhidas nos sites da ESPN, NBA, Elias Sports Bureau, HoopData, 82games.com e Basketball-Reference.com.

Resumo da rodada
Samardo Samuels dominante

Todos sabemos que o Miami Heat é o vilão da NBA, então como criticar mesmo com eles vencendo seus três primeiros jogos? Bom, precisaram de um arremesso quase no último segundo do Wade para ganhar do lixo do Bobcats, e o LeBron, amarelão, nem encostou na bola quando o jogo estava para ser decidido. Vão perder para o Pacers nos playoffs, escreve aí! Acreditou? Eu não. E mesmo o Heat não tendo feito um bom jogo ontem, temos sempre que lembrar que tudo escrito aqui e em qualquer lugar durante um bom tempo vai vir com um asterisco indicando "É começo de temporada, ninguém teve tempo de treinar e o calendário é absurdo". O Heat jogou uma partida difícil e cansativa contra o Celtics e menos de 24 horas depois estava em Charlotte, tá fácil pra ninguém.


O jogo além de disputado, teve jogadas divertidíssimas. A mais simbólica foi um toco do Bosh que só não foi para fora porque o LeBron se jogou pra fora da quadra para salvar, atirando a redonda na mão do Wade que, do outro lado da quadra, não teve dificuldades para enterrar. Quando os três assinaram em Miami era isso que a gente imaginava acontecendo todos os dias. Também tivemos um toco criminoso do LeBron James no Derrick Brown, o Chris Bosh pulando por cima da defesa do Bobcats e, claro, o arremesso vitorioso do Wade. Até agora nem o Clippers está vencendo o Heat em grandes jogadas. A maioria pode ser vista no resumo do jogo, nesse link.

Uma que não entrou nos melhores momentos já é fortíssima candidata e Jogada Bola Presa do Ano. Não vou estragar contando nada aqui, assistam:


Legal é o comentário do vídeo no YouTube. "Porra, juiz, é claro que valeram os dois pont... espera, foi o LeBron? Boa, juiz. Toco claro e ele andou". 

Pelo Bobcats temos que destacar o Gerald Henderson, que está se saindo muito melhor que a encomenda e garantindo os pontos que todo mundo achou que iria faltar nesse elenco. O Kemba Walker também tem tido bons momentos e o Boris Diaw está voltando a ser aquela máquina bizarra e gorda de triple-doubles que ele já foi um dia muitos anos atrás. Será que é porque é o último ano de seu contrato e ano que vem é um Free Agent? Será? Não vamos pensar o pior das pessoas, galera, eu acho que é porque agora ele está mais feliz na vida pessoal, com paz de espírito e leva isso pra quadra. 

O jogo da TV aqui no Brasil foi outro decidido no final, entre Grizzlies e Thunder. Nada de 3 prorrogações dessa vez. Mas o Zach Randolph fazendo cestas absurdas no fim do jogo, o Kevin Durant fazendo cestas sem suar e o Russell Westbrook (0-13 arremessos, muita frustração e discussão no banco de reservas) fazendo asneira estavam todos lá como nos playoffs da última temporada. Diferente mesmo só o peso do anoréxico Kendrick Perkins. O jogo foi bom e admito que me surpreendi muito com o armador Jeremy Pargo, que jogou bastante na ausência do machucado Mike Conley. Quando eles trocaram o Greivis Vásquez achei que foi algo apressado demais, sem testar o novato em quadra, que parecia bom-mas-não-tudo-isso. Mas pelo menos ontem deu certo.

O Pistons é o grande candidato a saco de pancadas da temporada. Mesmo com o novato Brandon Knight metendo 23 pontos e 7 assistências e o Ben Gordon em dia de bolas caindo (25 pontos, 4 bolas de 3) o Pistons conseguiu perder, em casa, para o Cavs por 16 pontos de diferença. E não é só isso, pegaram 14 rebotes a menos que o adversário e o cestinha do Cavs foi o SAMARDO SAMUELS com 17 pontos. Samardo Samuels. Vocês devem lembrar dele. Quem também está tomando surra é o Suns, quem diria que eles estariam do outro lado da moeda e perderiam por 20 pontos de diferença, sofrendo 34 pontos de contra-ataque? E qual terá sido a última vez que nenhum titular do Suns acertou uma bolinha de 3 sequer?

O Spurs ontem foi o velho Spurs. Enfrentou um time jovem, veloz e que adora fazer jogadas bonitas e os derrotou de maneira impiedosa. Não só venceram o Clippers com gosto, também não nos deixaram ver jogadas bonitas de Chris Paul e Blake Griffin. Aliás, o Clippers está jogando todo errado. Isolar o Grififn de costas pra cesta e usar o Billups e o Butler só como arremessadores não vai dar certo, o Chris Paul mesmo está todo burocrático sem atacar a cesta. E antes de jogarem a culpa no pobre Vinny Del Negro, que nem acho tão ruim como pintam, vamos esperar. Esse time foi montado na semana que começou a temporada! Desculpa, aliás, que não serve para o Celtics, que perdeu do Hornets (sem Eric Gordon!!!!) e levou baile de Carl Landry. Quem ouviu nosso podcast de preview da temporada sabe como eu amo o Landry, acho que ele merece um apelido legal. Afinal o "Rhino" deveria ser ele, não o Craig Smith. Lição de casa para vocês, sejam criativos.


Fotos da rodada

O segredo do Warriors? Carinho.

Eu, sinceramente, não sei de quem é cada braço

MINHA BARBA É DEMAIS, PORRA!

Enquanto o Celtics usar Greg Stiemsma como pivô, merece perder

Sempre vou postar fotos da careca do Ginóbili

(colocar uma piada relacionada com "bolas" depois)

Ariza em itálico

Acho que nem no UFC pode um negócio desse, confere?

Tiroteio em Detroit acaba com dois baleados


Sobre o resumo da rodada:
São pitacos diários sobre a rodada da noite anterior da NBA. É uma seção que não chega para substituir nada, nem nossos textos gigantes e analíticos sobre as equipes. "Não cheguei para tirar a vaga de ninguém, só vim adicionar ao grupo", disse o Resumo em sua entrevista coletiva de apresentação no Bola Presa.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

8 ou 80 diário
A rodada em números idiotas

LeBron James sopra a torcida em um estranho ritual de comemoração


- LeBron James é um bom jogador de basquete. Ele é apenas o terceiro cara na história a começar uma temporada com duas vitórias em que conseguiu pelo menos 25 pontos, 5 rebotes e 5 assistências. Os outros foram Grant Hill em 1997 e Carmelo Anthony em 2007.

- O Lakers foi apenas o segundo time da história a começar uma temporada com 3 jogos nas 3 primeiras noites do campeonato. O outro foi o Hawks em 1999, a última temporada encurtada por um locaute.

- Ontem Kevin Love conseguiu seu quinto jogo de pelo menos 30 pontos e 20 rebotes na carreira. Todos aconteceram desde novembro de 2010. Dentre os jogadores em atividade apenas Tim Duncan tem mais, com 6. Love empatou o recorde de mais 30/20 conseguidos no período de duas temporadas, empatando com o Shaq de 99/00 e 00/01.

- Existe outro tipo de 30/20, que é feito com 20 assistências. Esse tipo só foi alcançado por três jogadores: Magic Johnson, Mahmoud Abdul-Rauf e Kevin Johnson, que o fez duas vezes.

- O Mavs foi o primeiro time da história a ser campeão em um ano e perder os dois primeiros jogos em casa na temporada seguinte.

- O Jazz tentou 36 arremessos embaixo da cesta contra o Lakers e acertou apenas 17. Al Jefferson foi o pior de todos com 0-9 em aproveitamento, seguido de Enes Kanter que teve 1-5. O único com aproveitamento positivo foi Derrick Favors com 4-5. O time sofreu 9 tocos na partida.

- Das 12 assistências que Rajon Rondo deu na partida de ontem, apenas duas foram para jogadores sob o aro. Das outras 10, 6 foram para arremessos de 3 pontos e 4 para arremessos longos de 2 pontos. Em contra partida, das 8 assistências de Dwyane Wade, 5 foram para companheiros que estavam embaixo da cesta.

- Apesar de termos LeBron James, Dwyane Wade e Kobe Bryant atuando ontem, os líderes em falta-e-cesta na rodada foram menos previsíveis: Paul Millsap, Michael Beasley, LaMarcus Aldridge e o novato Jon Leuer conseguiram duas cestas seguidas de falta, liderando o dia no quesito.

- Não existe meio termo para Gerald Wallace. De seus 12 arremessos, 8 foram bandejas ou bolas embaixo do aro (acertou 7) e 4 foram bolas de 3 pontos (acertou 1). Não tentou nada de meia distância.

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Sobre o 8 ou 80 diário:
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Resumo da Rodada
Wade, James e Cole: Big 3

Desde o dia do último Draft que muita gente manda a gente ficar de olho no novato Norris Cole, do Miami Heat: "O moleque é bom e a qualquer hora vai roubar a vaga do Mario Chalmers no time titular". Mas precisava ser tão ejaculação precoce? Segundo jogo da temporada, contra o Boston Celtics em rede nacional, e o moleque marcou 14 de seus 20 pontos no último período e ainda ouviu a torcida gritar "MVP" para ele. O Celtics pagou para ver, apertou a marcação para cima do LeBron James que confiou cegamente no pirralho e deu certo. Como no jogo contra o Knicks, o Celtics tomou na cabeça antes de reagir na marra (leia-se "bolas de 3 do Ray Allen") e encostar na partida. Ajudou também a ótima defesa por zona, que o técnico Erik Spoelstra admitiu que anulou o Heat até as bolas do Cole começarem a cair.

O Heat está enfiando velocidade e contra-ataque até depois que sofre cestas, não é fácil encaixar uma zona contra eles, mas o Celtics fez bem a transição defensiva durante um período do jogo e deu resultado. O problema dos verdinhos nos dois jogos até agora, contra Knicks e Heat, foi manter a defesa forte durante todo o jogo, pra não precisar ficar correndo atrás. Um longo caminho a ser melhorado pelo Celtics, mas enquanto Rajon Rondo (22 pontos, 12 assistências e 8 rebotes) e Brandon Bass (13 pontos, 5 rebotes, 2 tocos) jogarem o que estão jogando tudo fica mais fácil.

O resto da rodada foi bem morna. Tivemos em New Jersey um ótimo exemplo de como os técnicos vão encarar esse calendário corrido e com jogos o tempo todo em todos os lugares. Depois de tomar uma saraivada de 28 a 11 no primeiro quarto do Hawks, o Avery Johnson abriu mão do jogo e ficou só com os reservas em quadra, mesma coisa feita por Larry Drew com seu time. Nos dois times nenhum titular jogou mais de 25 minutos e relatos locais dizem que as vaias ouvidas no ginásio eram na verdade roncos vindos da platéia.

Outras vitórias tranquilas aconteceram em Portland e Los Angeles. Na primeira o Blazers bateu o Kings com uma defesa sufocante, cortesia do trio Gerald Wallace, Wes Matthews e Nicolas Batum, que não deram nenhum espaço para os arremessadores do Kings. Gerald Wallace é forte candidato a melhor defensor dessa temporada já que Dwight Howard está fazendo charme. E Nicolas Batum desanimou todos os animados com o bom começo do Blazers ao dar uma entrevista em que afirmou que às vezes sente que o Blazers não precisa dele. Quando não é o joelho é o cérebro do pessoal de Portland que não funciona direito. Ontem ele jogou 28 minutos, o terceiro que mais atuou no time atrás apenas de Wallace e Aldridge.

Em Los Angeles vimos um massacre. O Jazz jogou uma partida pífia que pode ser resumida por um número de Al Jefferson: 0-9 arremessos embaixo da tabela. Sério. E o Bynum ainda não jogou, foram bolas em que estava sendo marcado por Pau Gasol, Josh McRoberts ou Troy Murphy.

No único outro jogo que foi disputado o Wolves quase bateu o Bucks, que passaria a vergonha histórica de estrear contra Bobcats e Wolves e sair sem nenhuma vitória. Deixaram escapar uma vantagem de 20 pontos, é verdade, mas pelo menos venceram. No final uma jogada de falta e cesta do novato Jon Leuer, que já havia feito boa pré-temporada, salvou o dia e tirou um pouco do brilho dos 31 pontos e 20 rebotes de Kevin Love. 


Fotos da rodada

Uma enterrada pela Paz Mundial

Norris Cole e Jermaine O'Neal fazem dança sincronizada

Ampliem a foto para ver as gotinhas de suor pulando do Garnett. Pura poesia.

Marcus Camby sabia que estava saindo na foto

Um no Rondo...

... e um no Ray Allen para o pivô Dwyane Wade

Sobre o resumo da rodada:
São pitacos diários sobre a rodada da noite anterior da NBA. É uma seção que não chega para substituir nada, nem nossos textos gigantes e analíticos sobre as equipes. "Não cheguei para tirar a vaga de ninguém, só vim adicionar ao grupo", disse o Resumo em sua entrevista coletiva de apresentação no Bola Presa.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Resumo da rodada - Rubio é demais

O Dallas Mavericks será o novo Chicago Bulls? O Bulls depois do tri-campeonato em 97-98 foi para uma temporada de locaute, venceu só 13 jogos e teve o pior recorde da história de um atual campeão. Claro que eles tinham perdido o elenco inteiro, o Mavs é o mesmo menos só o Tyson Chandler. Estou exagerando, claro, mas já são duas surras consecutivas. Surras para mulher de malandro achar que o que ela sofre é carinho. Ontem contra o Denver, o time tomou uma sequência de 20-0 no segundo período e o time foi vaiado pela própria torcida. Em determinado momento o Jason Kidd fez uma bandeja tão preguiçosa de treino que o Nenê (O NENÊ!) deu um toco violento no idoso. Tá bom que time campeão passa a ser blasé em jogo que não é playoff, mas não precisa ser humilhado pelo Ty Lawson na frente da torcida.

Meu novo time queridinho, o Pacers, estreou ontem e meteu bala pra cima do Pistons. O time nem jogou tão bem e estava descalibrado, mas se garantiram nos rebotes. Tyler Hansbrough, Roy Hibbert e David West todos passaram de 12 rebotes na partida, sendo 5, 4 e 7 rebotes de ataque respectivamente. Pelo lado do Pistons o  único ponto positivo foi a boa partida do sueco Jonas Jerebko, com 17 pontos e 5 rebotes. Olho no loirinho, tudo para ser o loiro mais valioso da temporada (novo prêmio alternativo do Bola Presa).

Uma renca de armadores novatos estrearam ontem. Kemba Walker acertou lances livres decisivos e ajudou o Bobcats a se salvar de uma temporada de 66 derrotas, o foco é conseguir vencer mais uma antes de março de 2012. Kyrie Irving tomou arremesso na cara do Jose Calderon e teve um aproveitamento péssimo (2-12)  na derrota do seu time para o Raptors. Já Ricky Rubio continua com seu no-stats-show: Números baixos e a torcida chorando de felicidade ao vê-lo jogar. O cara deu meia dúzia de assistências e fez um punhadinho de pontos, mas são tantos passes precisos, criatividade e nenhum erro que não tem como não impressionar. Lembra muito o Rajon Rondo antes dele começar a apelar também nas estatísticas. O Rubio chegou a virar o jogo para o Wolves contra o Thunder, mas no final o Kevin Durant continuou metendo bolas de video game e o Michael Beasley, apesar dos 24 pontos, se afobou e fez uma asneira atrás da outra para não conseguir empatar.

No dia 25 vimos Derrick Rose matar 4 de 5 bolas de 3 pontos. Ontem acertou uma única em 8 tentativas. A mudança também veio no adversário, o Warriors, que no dia anterior viu Steph Curry e Monta Ellis em dia ruim e ontem ambos chutaram o traseiro da forte defesa do Bulls. Em temporada com 5 jogos em 6 noites vamos ter muitas reviravoltas diárias fazendo o inferno dos críticos de resultado. Quem mostrou regularidade foi o Lakers, perdendo de novo um jogo apertado. Ontem foi contra o Kings, que viu DeMarcus Cousins passar por cima do Pau Gasol no segundo tempo enquanto Marcus Thornton e Tyreke Evans faziam chover de 3 pontos. Sim, o Tyreke ganhou um arremesso de mais longe da cesta: temam, adversários.

Destaque positivo da noite a motivação do recém-trocado Eric Gordon. Enquanto tem gente desanimada até em Dallas, o armador estava com sangue nos olhos e meteu 20 pontos na cara do Suns, em Phoenix,  incluindo o arremesso da vitória a 4 segundos do fim, ignorando a marcação do Jared Dudley. Outro destaque positivo (e bizarro) foi lembrado nos nossos comentários: O Spencer Hawes (não o LeBron James ou o Rajon Rondo) quase fez um triple double com 10 pontos, 14 rebotes e 9 assistências! Agradeça ao universo infinito por tudo ser possível.

Ontem também teve esse singelo lance:




Fotos da rodada

Matt Barnes e DeMarcus Cousins jogam basquete cego

Tim Duncan é marcado por um goleiro de handebol

Bola Presa (marca registrada)

Kobe, recém-separado, assiste jogo de mãos dadas com seu novo affair

Markieff Morris é feio

Joakim Noah é mais feio

Chris Kaman é tão feio que Sebastian Telfair prefere abraçar a bola voadora

Sobre o resumo da rodada:
São pitacos diários sobre a rodada da noite anterior da NBA. É uma seção que não chega para substituir nada, nem nossos textos gigantes e analíticos sobre as equipes. "Não cheguei para tirar a vaga de ninguém, só vim adicionar ao grupo", disse o Resumo em sua entrevista coletiva de apresentação no Bola Presa.