sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Como enlouquecer seu técnico

Mão na cabeça e documento, rapá


Um dia estava assistindo a um jogo do Denver Nuggets, um daqueles em que o George Karl, técnico do time, nem pensa em colocar o JR Smith na quadra. Foi quando um pessoal que estava comentando o jogo perguntou: "Por que não trocam ele logo de uma vez?". Foi aí que começou a discussão sobre para onde ele poderia ir, quem ele poderia ajudar e o que o Denver poderia ganhar em troca. O primeiro time em que eu pensei foi o Warriors, time de correria, bolas de três, criatividade. Então mandei pra um colega torcedor do Golden State: "Ei, o que você acharia do JR Smith no seu time?"

A resposta disse tudo: "Ele é muito louco. Até para os padrões do Golden State".

Essa resposta me assustou. Ela veio de um cara fanático pelo Baron Davis e pelo Stephen Jackson, um cara que vai ao êxtase quando outros times provocam o Golden State ou quando os juízes erram alguma marcação "porque assim o Warriors começa a jogar pra valer". Se um cara desse acha que o JR Smith é doido demais até para jogar no Warriors, que praticamente não tem regras dentro de quadra (exagerei, claro, mas estão longe de ser o Spurs), é porque o garoto ou é doido demais ou a imagem dele está bem arranhada.

A história do JR Smith começou no New Orleans Hornets. Lá ele surgiu como um jovem jogador cheio de talento, com o físico perfeito para se tornar uma estrela na liga. Teve ótima atuações, até de campeonato de enterrada ele participou. Mas aí começou a ter problemas com o técnico do Hornets, que dizia que ele não o obedecia e acabou sendo mandado para o Chicago Bulls junto com PJ Brown em troca de Tyson Chandler. E, pouco depois, foi do Bulls para o Denver em uma troca para machucar o ego do garoto: foi para o Colorado em troca de Howard Eisley e duas escolhas de segundo round.

Isso deve ter mexido com o JR, seu começo de carreira no Nuggets foi destruidor. Todos diziam que ele não daria certo lá porque o Nuggets precisava de alguém que chutasse de três e ele não fazia isso. Pois de repente começou a fazer! Foi um começo de temporada arrasador, todos achavam que o Melo finalmente tinha seu parceiro. Todos menos o técnico George Karl.

Aos poucos ele foi saindo da rotação do Nuggets e a gota d'água foi quando ele se envolveu na famosa briga no jogo do Denver contra o Knicks. Depois disso ele tomou uma suspensão de 10 jogos e nunca mais voltou a ser titular, até porque, quando voltou, Allen Iverson estava na equipe.
Foi então a época de questionar o motivo que levava Karl a não usar o trio Iverson, JR e Melo juntos, já que, na teoria, seria um dos melhores trios ofensivos da NBA. E Karl sempre foi bem claro nas respostas. "JR Smith não obedece", "JR se recusa a defender", "JR perde o controle na quadra".
Nos playoffs, contra o Spurs, o Nuggets perdeu por 4 a 1 na primeira rodada e JR Smith tomou boa parte da culpa. Primeiro por ser incapaz de acertar uma mísera bola de 3 pontos durante os primeiros 4 jogos da série. Depois por ignorar por completo as ordens do técnico mais uma vez.
Faltavam 50 segundos para o fim do jogo e a ordem era pra ele dar a bola para Iverson ou Carmelo. Ao invés disso, ele foi sozinho e arremessou uma bola de 3 de muito, muito longe e, claro, errou. George Karl foi à loucura e disse que pra ele acabava ali, JR Smith não jogaria mais com ele.

Não foi bem assim, o Nuggets não trocou o jogador e ele voltou para essa temporada. Não sem antes se envolver em uma polêmica, claro. Estava envolvido em uma briga numa baladinha de Denver e o time o suspendeu por alguns jogos.

Aí estavam todos contra JR. Ele era briguento dentro da quadra, briguento fora da quadra, não obedecia o técnico e não tinha se dado bem em nenhum dos times pelos quais passou. Pra responder, ele fez o que mais sabe: começou a arremessar sem parar.
Volta e meia você vê o JR Smith liderando o time em pontos com uma tonelada de bolas de três. Foram 7 de 8 bolas contra o Cavs, 4 contra o Kings e, nas últimas semanas, mais 6 bolas de novo contra o Cavs, 8 contra o Miami e mais 8 contra o Chicago. Quando o cara começa, é difícil fazer ele parar!

No jogo contra o Miami eu fiquei assustado de ver. Primeiro assustado em ver que ele não errava, a marcação grudava nele e ele metia na cara mesmo, depois fiquei assustado como ele perdeu completamente o controle dentro da quadra. Na defesa ele não marcava, quando pegavam a bola ele simplesmente saia correndo e olhava pra quem tinha a bola nas mãos e começava a bater palmas exigindo a bola, como se dissesse "Pelo amor de deus! Estou pegando fogo que nem no NBA Jam, toquem pra mim rápido!". E quando tocavam ele arremessava sem pensar duas vezes. Acertou algumas e quando começou a errar George Karl o arrancou da quadra.

Sou completamente contra quem julga os jogadores pelo que eles fazem fora da quadra. Pra mim, eles podem andar armados em boates, ter dúzias de mulheres, podem torcer para o Palmeiras, gostar de jogar vôlei, qualquer coisa. Não tô nem aí! Como fã de basquete, me interessa o que eles fazem na quadra de basquete! Por isso me irrito um bocado quando vejo que as críticas ao JR Smith envolvem seu comportamento explosivo fora da quadra. Ele tem problemas dentro da quadra que muitas vezes atrapalham o seu time, mas ele ser de qualquer jeito fora da quadra deve ser ignorado.

Sobre o comportamento dele dentro da quadra, acho que o técnico fica numa situação difícil. Por um lado ele tem um jogador talentoso e um esquema que prima pela velocidade e pela criatividade, mas por outro lado o cara monopoliza o jogo de uma maneira que toda a criatividade e velocidade dos outros 4 jogadores em quadra fica anulada. O que fazer com um talento desse nas mãos? Ser ditador, duro, punir e tentar controlá-lo? Ou ser liberal e deixar ele fazer o que der na telha e ver se dá certo?
Eu não sei a resposta, mas confiaria em uma pessoa pra cuidar do garoto: Don Nelson. É, não acho ele doido demais até para os padrões do Golden State, aliás não acho ele doido, não. Chamar de doido um cara assim é chamar o instinto, a espontaneidade, de loucura. Ele, como tantos outros jogadores (Ben Wallace, Larry Hughes, Monta Ellis, Leandrinho, Kyle Korver) só precisa achar o time em que seu jogo encaixe. E eu, ainda, apostaria no Warriors.

Fica a idéia pro ano que vem.

...

- O texto foi inspirado por uma matéria da revista Dime que fala que o George Karl tem uma cara que ele faz sempre quando o JR Smith está na quadra, a "JR face". A cara é essa:

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Os novos elencos

Big Ben nem ouve LeBron, apenas pensa num plano para matar Pavlovic e poder jogar de novo com a camisa número 3


Mal deu tempo de decorar todas as trocas que aconteceram, foram trocentas e as mais importantes se concretizaram de repente, no último minuto, sem sequer terem sido cogitadas na mídia antes. Isso torna nossa vida lendo sites de boatos um bocado inútil, mas agora é tarde, o vício já está feito. A brincadeira da moda, agora, além de namorar pelado e lembrar direitinho de todas as trocas, é assistir os times com suas novas caras.

Dei uma olhada no Mavs de Jason Kidd para ver como estão as coisas. Foram 15 assistências contra o Grizzlies e 17 assistências contra o Wolves, resultando numa média de 11 assistências por jogo e incrívels 4 roubos de bola por partida vestindo a camiseta do Dallas. Assisti a partida contra o Wolves e nos minutos iniciais, fiquei me perguntando se aquele careca perdendo a bola e se confundindo inteiro no ataque era mesmo Jason Kidd ou se era seu filho cabeçudo que resolveu ir trabalhar no lugar do papai que estava doente. Mas aí bastaram quatro assistências em quatro posses de bola seguidas, ainda no primeiro quarto, para que a suspeita desaparecesse. Jason Kidd ainda é o mesmo, só demora um pouco para esquentar e às vezes fica um bocado de escanteio. O Dallas está acostumado a não ter um armador principal, chama muitas jogadas em que Kidd sequer participa, mas durante todo o jogo o talento fala mais alto, os passes vão surgindo com naturalidade, ensaiados ou não, e a vida de todo mundo fica mais fácil. Nowitzki e Jason Terry estão fazendo a festa, tendo arremessos livres que antes nem imaginavam, mas curiosamente é o pivô destrambelhado Erick Dampier quem mais se favoreceu com a chegada do armador. Aquela cara de bocó e a falta de talento são famosas na NBA e ele é constantemente deixado sem marcação. Com a presença de Kidd, falhas de marcação viram enterradas fáceis. Eis aí como Kenyon Martin e Mikki Moore pareciam ser grandes merdas no Nets.

Minha única preocupação com o experimento Kidd, que por enquanto é um sucesso absoluto, é o que diabos o Dallas vai fazer contra os armadores adversários. Kidd foi engolido vivo por Chris Paul em seu primeiro jogo pelo Dallas, mas contra o Wolves também passou bastante vergonha sendo incapaz de parar Sebastian Telfair, o primo menos desmiolado do Marbury. Na hora dos playoffs, Kidd enfrentará Chris Paul, Deron Williams, Tony Parker, Baron Davis. E aí, vão colocar quem para marcar esses caras? Dá para imaginar que tipo de atrocidade Tony Parker e Manu Ginobili fariam sendo defendidos por Kidd e Jason Terry? Fica aí algo no que se pensar. Talvez mandar Trenton Hassel para o Nets não tenha sido uma idéia tão boa assim.

Outro time que estreiou elenco novo foi o Cavs. LeBron está cercado de amiguinhos novos para brincar e eu, pelo menos, gostei muito do resultado. Assisti Cavs e Grizzlies e fiquei muito impressionado com a inteligência e entrosamento imediato do time de Cleveland. Mas pode ter sido só uma ilusão de ótica porque o Grizzlies é tão ruim que até queimou minhas retinas. Ainda assim, Delonte West se saiu bem apesar de não ser um armador tradicional, Wally Szczczczcz(...) fez bem o seu papel apesar de não acertar os malditos arremessos e o Joe Smith mostrou porque era um dos melhores jogadores do Bulls, matando bolas fáceis e sendo consistente. Mas o negócio foi bom mesmo é pro Ben Wallance. Algo a se pensar: o Cavs foi campeão do Leste na temporada passada por ser uma das melhores defesas da NBA, certo? Por ser o time líder em rebotes ofensivos, certo? E o que acontece quando você coloca Big Ben num time voltado para a defesa e para os rebotes ofensivos? Se fosse o Show do Milhão e você respondesse "casamento perfeito", ganharia os parabéns do Seu Sílvio.

Ben Wallace parece que nasceu para esse esquema, jogou sentindo que pertencia, empolgado, feliz de ter sido trocado. Não forçou um arremesso sequer, passou a bola (ele é melhor passador do que se dá crédito, mesmo nos tempos de Chicago Bulls) e até acertou os lances livres. Depois do jogo, soltou:

"A torcida foi ótima! Não me vaiaram. Isso é novo para mim."

Pelo contrário, a torcida vibrou loucamente. Ele e Ilgauskas são um par perfeito e vão ter lindos filhinhos brancos com cara de sono e cabelo black power. Eu considero o Ilgauskas o melhor reboteiro ofensivo de toda a NBA. Ele pode não agarrar os rebotes, mas ele está sempre no lugar certo para dar um tapa, atrapalhar, manter a bola viva. É inteligente, salva bolas dando tapinhas para companheiros e isso não está nas estatísticas. Com Big Ben agarrando os rebotes com sua força costumeira, aí está um time assustador com umas quinhentas posses de bola a mais por jogo. Que tal?

Além disso, acho que vale a pena mencionar o Devin Brown. Ele não veio nesse mar de trocas, está no elenco desde o começo da temporada, mas sempre gostei dele desde que foi campeão com o Spurs. E olha que para eu gostar de alguém do Spurs o negócio tem que ser sério. Mas é que Devin Brown ataca a cesta, defende, acerta arremessos importantes e é tipo o avião invisível da Mulher-Maravilha, parece tão idiota que todo mundo esquece que está lá, mas pode salvar a pele da galera na hora do aperto. Pra mim, deveria se manter como titular do Cavs. Até porque a concorrência é mamata: Damon Jones (o auto-entitulado "melhor arremessador do mundo") está acertando seus arremessos, pode ser mortal às vezes, mas não defende, não arma, não come, não respira - só arremessa.

Como não sou de ferro, resolvi assistir e comentar a nova cara do Houston Rockets. Não porque ele foi transformado por trocas, mas por contusões. Com Yao Ming fora, meu Houston entrou em quadra com Mutombo titular. O resultado? São agora 13 vitórias seguidas, dessa vez em cima do Wizards que, mesmo muito desfalcado, acabara de vencer o Hornets. Tudo isso com plaquinhas na torcida do tipo "Ainda acreditamos" e "13-0, façam pelo Yao!". Tocante.

Muita gente por aí disse que o Houston deveria assinar o Jamaal Magloire para substituir o Yao Ming. Deixa eu dizer uma coisa: ninguém no mundo precisa do Magloire a não ser que seja para trocar uma lâmpada muito alta ou levar um rodízio de carnes à falência. Acreditem ou não, o Rockets tem banco de reservas para ter uma rotação grande, versátil e sólida. Os pontos no garrafão, meu maior medo sem Yao, não viriam com Magloire, de qualquer jeito. Então, para o bem da geladeira do meu time, é melhor deixar ele para lá.

Para continuar a sequência de vitórias, o Houston teve que encontrar espaços que sumiram sem Yao em quadra. O chinês recebe marcação dupla o tempo todo, gerando muitos arremessos livres de trás da linha de três pontos. Sem ele, a movimentação de bola foi fator fundamental e o Houston passou a bola de forma veloz e inteligente. Os piores momentos do time foram justamente quando T-Mac resolveu forçar o jogo e os passes, até então impecáveis, pararam. Mas o Rockets ganhou o jogo foi mesmo na defesa. Sem poder afunilar o garrafão na direção de Yao, cada um apertou mais seu homem no perímetro e Mutombo mostrou para o que veio.

Lembrem bem disso: nunca desconsiderem Dikembe Mutombo Mpolondo Mukamba Jean-Jacques Wamutombo só porque ele tem 4.000 anos de idade. Ele jogou pouco, foi bastante poupado, mas enquanto esteve em quadra (pouco mais de 20 minutos) deu quatro tocos, um para fora da quadra, e por três vezes fez o clássico sinal de "não" com o dedinho, ganhando uma falta técnica numa dessas vezes porque a NBA é um troço chato e o David Stern come meleca de nariz.

Mutombo deu seus tocos, o novato Carl Landry pegou uma chuva de rebotes ofensivos e acertou arremessos de fora do garrafão que deixaram Yao orgulhoso (o chinês não parou de dar conselhos para o novato no banco de reservas), Chuck Hayes defendeu muito bem cavando faltas e Scola acertou todos os seus arremessos. Aí está o garrafão do Houston. Não é um sonho mas não pode ser desconsiderado. Jogando entrosado como está, com velocidade, se mostrando de repente um dos melhores times da Liga em contra-ataques, talvez a ida aos playoffs aconteça de modo mais fácil do que eu imaginava. Para então sermos comidos vivos por Duncan, Boozer, Gasol, esses caras grandinhos por aí que, como o mundo é injusto, não quebraram o pé esses dias.

Mas nesses tempos em que até o Heat conseguiu uma vitória, tudo é possível.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

A maldição do Houston Rockets

Made in Taiwan


Então é isso, meninos e meninas. Foi até que uma boa campanha até agora. Foram 15 vitórias nas últimas 16 partidas, sendo 12 vitórias seguidas. Finalmente meu amado Houston Rockets alcançou a sétima posição do Oeste, três jogos atrás do líder Lakers, se posicionando bem na briga pelos playoffs. O time mais quente da NBA, embalado, que acabou de adicionar Bobby Jackson como uma peça ofensiva importante vinda do banco, um dos jogadores favoritos de Rick Adelman na época do Kings e que entrou muito bem em quadra sem sequer ter que aprender o esquema tático. Ah, foram bons momentos esses. Cheios de alegria e esperança. As árvores ficaram mais verdes, o céu mais azul, minha camiseta do Yao Ming mais vermelha. Deu pra sonhar com finalmente passar da primeira rodada nos playoffs, chutar uns traseiros, ir lutar pelo título da Conferência mais disputada de todos os tempos.

Mas eu tenho pânico de contusão. Escrevi um post em novembro passado que explica bem o pavor que mora dentro de mim de que T-Mac ou Yao Ming virem farofa de um segundo para o outro. Meu terapeuta olha para minha cara depressiva e já sabe: "alguém do Houston se machucou de novo?" Pois é, doutor. E quando não tem ninguém machucado, há sempre a enorme possibilidade de que alguém se arrebente. O ginásio do Houston está em cima de um cemitério indígena, é uma maldição terrível, e nem é do tipo engraçadinho dos filmes da Sessão da Tarde em que a Lindsey Lohan é amaldiçoada e troca de corpo com a mãe. Não, não. Em Houston a maldição quebra pernas, costas, joelhos. Nem o padre Quevedo explica.

Confesso que nessa sequência de 12 vitórias seguidas em que misteriosamente o time aprendeu a passar a bola, puxar contra-ataques, Rafer Alston parecia um jogador de verdade e Carl Landry parecia um veterano, acabei me empolgando e achando que os tempos de contusões estavam no passado. Esqueci que nunca se deve confiar na durabilidade de produtos chineses.

Yao Ming está fora da temporada com uma fratura no pé. A fratura, por stress, deve ter acontecido aos poucos. Ainda não sairam informações mais detalhadas a respeito mas ele estava muito bem na última partida, o que parece estranho. Espero que ele não tenha se quebrado naquelas máquinas de dança nos fliperamas, nem chutando a parede porque seu personagem de Ragnarok morreu. Sabe, essas coisas meio amarelas.

Talvez a culpa seja do Tracy Mcgrady. Há algo no Universo que o impede de ganhar uma série de playoffs e, como dessa vez as chances eram boas, o cosmos contundiu o Yao. Até porque se o contundido fosse o próprio T-Mac, o Houston teria mais chances de passar da primeira fase do que sem o Yao. Se não fosse isso, o cosmos teria dado outro jeito, o ginásio do Houston seria engolido pela terra, cairiam meteoros, ou então Isiah Thomas seria contratado pela equipe. Alguma catástrofe tinha que acontecer.

O Houston ainda tem chances, o Oeste está completamente embolado, mas parece agora impossível segurar Nuggets, Warriors e até o Centro de Educação Infantil Portland Trail Blazers. Com 36 vitórias e 20 derrotas, daria para ter uma vaguinha quase garantida nos playoffs em qualquer outro ano que não fosse esse, com essa temporada mítica, épica e que eu agora odeio. O time tem talento mas Yao era uma peça fundamental demais para ser substituída. Se meu Houston tivesse mandando três laranjas e duas bananas maduras para o Grizzlies pelo Pau Gasol, talvez as coisas fossem diferentes. O jeito, claro, é tirar a poeira de Mutombo. Na temporada passada, quando Yao passou seis semanas fora, Mutombo teve médias de double-double, com mais de 10 pontos e 10 rebotes por partida. Essa é sua última temporada na Liga porque sua idade vai chegar aos 4 dígitos e isso daria um pau no sistema de computadores da NBA, tipo o bug do milênio. Prestes a se aposentar, aí está a chance de Mutombo deixar as quadras em grande estilo.

O único problema é que Mutombo vinha jogando cada vez menos e até mesmo saiu da rotação para abrir espaço para Carl Landry. Minha suspeita é de que o novato Landry seja titular ao lado de Scola, com Mutombo vindo do banco e dando muitos minutos para Chuck Hayes e Steve Novak. "Mas quem vai fazer pontos no garrafão?", você pergunta. Ninguém. A não ser que Luis Scola se espelhe em seu amigo narigudo Ginobili (dois jogos com mais de 40 pontos e dois jogos com mais de 30, só nesse mês) e comece a fazer chover no Texas.

Eu, pessoalmente, não acredito. Se acontecesse um milagre, o Houston poderia até pegar a oitava vaga e aí tomar pau de seja lá quem for. Baita esporte idiota esse, é só colocar uma esfera laranja num aro suspenso no ar, é patético! Pra que assistir essa porcaria, pra que ter um blog sobre isso? Baita coisa de fracassado, vou mudar de vida, abandonar o Houston, ler mais livros, ver mais filmes, ir ao teatro, fazer yoga, parar de comer carne, fazer um curso de produção de velas com tomates!

Mas se a sequência de vitórias do Houston continuar, esqueçam tudo isso e lembrem-se: eu sempre disse que ia dar certo! E com T-Mac MVP, claro.

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Vocês, dois torcedores do Houston, precisam relaxar, pensar em outra coisa! Aproveite então para comentar e fazer perguntas na nossa coluna Both Teams Played Hard logo abaixo! Vocês, torcedores de outros times rindo da nossa desgraça, façam perguntas e tirem sarro. Aproveitem enquanto meu Houston ainda está amaldiçoado (e enquanto a coluna Both Teams Played Hard está quentinha!).

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

"Both Teams Played Hard"

Rasheed não cometeu nenhuma falta técnica no All-Star Game, mas cabulou a coletiva de imprensa


Para quem teve o saco de esperar, aqui está mais uma coluna "Both Teams Played Hard", o seu espaço no Bola Presa para perguntar aquilo que te der na telha. Só não pergunte nada urgente porque, como deve ter dado para reparar, a coluna é semanal mas na verdade só aparece cada vez que o Tim Duncan dá um sorriso. Ou seja, às vezes pode demorar.

Esse foi um mês agitado, cheio de trocas, All-Star Game e problemas técnicos (o quê, você não sabia que seus blogueiros favoritos não vivem numa jaula escrevendo apenas para você diariamente?), mas aqui estão as respostas - na medida do possível, claro. Sinta-se livre para encher nossa caixa de comentários com todas as estranhas dúvidas que assolam sua cabeça, trocas imbecis, problemas amorosos ou seu trabalho de escola. Não garantimos que o trabalho esteja certo, que as respostas sejam verdadeiras ou que os conselhos românticos dêem certo. Mas responder, a gente sempre responde.

Nessa semana, gente não draftada, David Stern, Lakers e palpite para o BBB. Divirtam-se e até o próximo ano bissexto!

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Carlos:
1 - Quem foi a 68º escolha do draft de 1974?
2 - Quem era o terceiro pivô do syracuse nationals de 1956?
3 - Como é o nome da prima de segundo grau por parte de pai do Yao Ming?
4 - O que o David West tá fazendo no All Star Game?
5 - Por que o Isiah Thomas teve a camisa abençoada se o Alvin Robertson foi melhor que ele?

Danilo:
1 - Nosso leitor Linelson respondeu para você:
NY Roy Ebron
SW Louisiana

Pronto, mudou tua vida?

Denis:
2 - Não sei. Mas aposto que já foi dar um alô pro Mário Covas.
3 - Não sei. Mas aposto que come arroz, cachorro e costura tênis da Nike.
4 - Não sei. Mas, como disse o Arenas, é engraçado um uniforme escrito "West" atrás e na frente.

Danilo:
5 - Nosso leitor Renan respondeu essa aqui:
"Quanto a pergunta 5, eu comentei esse assunto no meu blog, mas é Avery Johnson, não Isiah Thomas, e é camisa aposentada, não camisa abençoada, hahaha..."

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Renan:
Por que diabos o Toronto Raptors escolheu o Andrea Bargnani na primeira escolha? O GM de nome esquisito pode ser inteligente por buscar elenco fora do país, mas também eles exageram...

Denis:
Na época, ser parecido com o Nowitzki era legal, ele era um ala moderno, diferente, inovador, revolucionário. Um cara que era impressionante porque mesmo com mais de 2,10m ele arremessava de longe. Agora, depois das finais contra o Heat e da derrota pro Warriors, o Dirk é ridículo porque ao invés de ir pra baixo da cesta ele insiste em arremessar de longe mesmo tendo mais de 2,10m, que idiota!

Danilo:
O mundo é bastante volúvel.

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enriquefsd:
Jogadores como Ben Wallace,Walter Herrmann,Reggie Evans,Louis Amundson não participaram do draft e mesmo assim entraram na nba.
Como isso aconteceu?
Existe outra maneira de entrar na nba
sem ser pelo drat?

Denis:
Isso é até bem comum. Aconteceu também com o Brad Miller e, nesse ano, com o Jamario Moon. Acontece dos caras se inscreverem no draft e acabarem não sendo draftados. A saída é correr atrás de times de ligas de verão ou de testes em equipes, alguns convencem e ganham uns contratos de um ano ou só aqueles de 10 dias mesmo, e acabam entrando na liga.
Com os gringos acontece às vezes deles passarem do limite de idade. Não se pode entrar no draft com 30 anos, por exemplo. Então se o cara vira sucesso na Europa e só chama a atenção da NBA depois de mais velho (Sarunas Jasikevicius, por exemplo), ele pode assinar com o time que quiser, quem oferecer o que ele procura leva.

Danilo:
Todos os caras da And 1, por exemplo, por em geral não terem conseguido participar do basquete universitário (más notas, má vontade, problemas pessoais, outras oportunidades melhores) ficam sempre naquele esperança de um dia serem chamados para a NBA através de atenção na mídia. Com o Rafer Alston, maldito seja, funcionou.

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Guilherme:
Um texto sobre a sequência de vitórias do Jazz incluindo D-Will colocando CP3 no bolso seria bem vindo.
Sim, eu sei que isso não é uma pertunta

Danilo:
Você sabe que isso não é uma pergunta? Parabéns, já aprendeu frases interrogativas na escola, né? Em todo caso, atendemos o pedido e o post saiu faz um tempo.

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Cassyus:
ae galera se tiver separados no nascimento semana que vem tem que ser do sandro goiano e do drew gooden

Denis:
Cassyus, você mandou essa sugestão no e-mail da promoção e eu te respondi lá. Estou pensando em um post com todos os separados no nascimento sugeridos por leitores, porque se forem ruins a culpa não cai em cima de mim.

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Diego:
1 - O lakers com a contratação do gasol esta acima do salaty cap ?????
2 - O lakers deveria tentar com lamar odom na 3 pra ver se ele volta a render ou fazer uma nova troca ???
3 - vcs consideram o time favorito ao titulo ???

Denis:
1 - Nessa temporada o salary cap é de 55,6 milhões de dólares. Somente Hawks, Bobcats e Grizzlies não ultrapassam esse número. O Lakers já estava acima antes da troca do Gasol e continua acima depois. O Lakers é o nono time que mais paga salário na NBA. O Dallas é o primeiro e o Knicks é o segundo.
2 - O Odom nasceu pra ser terceira opção! Não vale a pena trocá-lo.
3 - Sim. Mas o Suns, Spurs, Dallas, Celtics e Pistons também são. Então isso não quer dizer tanta coisa assim.

Danilo:
3 - Cada vez mais o Lakers me impressiona, e se eu tivesse que chutar um time para ser campeão nesse momento, chutaria a equipe de Los Angeles. E olha que o Bynum nem voltou. E olha que meu Houston ganhou 12 seguidas. A troca do Gasol não deveria ter valido, foi tipo no Street Fighter prender na parede dando hadouken, ou bater quando o boneco tá tonto. Ou seja, apelação. Parece troca de NBA Live. Ridículo.

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eric:
qual seria o parentesco entre jason kidd e lincoln burrows, de prison break(Dominic Purcell)?

Denis:
Como eu disse, vou fazer um post só com Separados no Nascimento sugeridos por leitores. Mas que bom que você assiste Prison Break, eu adoro! O T-Bag é o melhor personagem!

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Anônimo:
1. Quem vai ganha o bbb
2. em buraco de cobra, tatu caminha dentro?
3. qual o aumentativo de dacueba?

Denis:
1 - Eu apostaria no Rafinha. Mas muita gente gosta da Gyselle, então não sei.
2 - Biologia não é meu forte.
3 - Português também não. Só idiota faz faculdade de Letras.

Danilo:
1 - Não conheço ninguém do BBB, a não ser a tal da Natália porque ela já saiu pelada e eu não sou de ferro e dei uma espiada.

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JC:
Larry Brown falou que quer voltar a treinar, será q rola 1 repeteco no Pistons?

Denis:
Não falavam que os jogadores do Pistons não se davam bem com ele? Sei lá, só se eles estiverem dispostos a ter um técnico chato de novo só pra voltar a ganhar títulos.

Danilo:
Mais chato que o Flip Saunders?

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Di-w:
1 - Só eu que acho o Calderon parecido com o Zachary Quinto [que faz o Sylar de Heroes]?

2 - Será que Isiah Thomas tá planejando ser o ultimo colocado da liga pra pegar o Beasley ? Se for eu pago minha lingua né
Quem mais é realmente bom para o proximo Draft?


Denis:
1 - Orra! Essa foi boa! Realmente o Calderon parece o Sylar do Heroes. Mas Prison Break é melhor que Heroes...

Danilo:
1 - ... há controvérsias!

Denis:
2 - O Isiah Thomas não é tão esperto assim. Ele planejou ter a primeira escolha do draft desde que chegou no Knicks e mandou todas as trocas que eles tinham para o Bulls.
No próximo draft tem todos os amiguinhos de colégio do Beasley, dizem que é uma das melhores turmas de colegial dos últimos anos e que se ainda fosse permitido ir direto, todos já estariam na Liga. Entre eles estão OJ Mayo, Eric Gordon e Derrick Rose. Da gringolândia tem o Danilo Gallinari da Itália e o Nicolas Batum da França. Pra mais informações vá nos nossos links aí do lado e clique sempre no nbadraft.net.

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CaioJF:
1.Acho q o desconhecido do mes deve ser Carl Landry do houston rockets como vc mesmo cito ele e a surpresa do ano no time.

2.vcs (sendo ou nao a mesma pessoa) poderiam ao menos dizer a cidade em q vcs moram,ja q nao querem revelar a identidade,eh q e meio estranho eu posso ter jogado com vcs e nem ter percebido.

3.cara meu primo ta enchendo o saco com a lista dos melhores filmes da silvya saint tu podia po ai so pra sacia a vontade do muleke!

4.bem e como eu to de ferias(hj eu estou de ferias mas no dia q o post for pro ar nao estarei,talvez ate esse dia tenha terminado o ano letivo[feliz 2009])fico imaginando um monte de coisa ridicula q nao tenho coragem de conta pra alguem de tao besta q eh,mas hj me veio ate algo criativo:uma pulsera com os dizeres "O q sheed faria" acho q se existissem pulseras assim haveriam menos guerras no mundo!

1 - O Carl Landry só não é surpresa para o Houston, que (dizem) fez o que conseguiu para draftar o homem, já sabendo de seu potencial. Para mim ele é uma grata surpresa e veio em excelente hora, já que Mutombo deve se aposentar porque é mais velho que a Dercy Gonçalves. Dia desses eu faço um post sobre o Landry mas aqui no Bola Presa temos uma regra interna de não colocar novatos como "Desconhecidos do Mês", porque em geral todo novato é meio desconhecido mesmo.

2 - Quem disse que não queremos revelar nossa identidade? Em todo caso, você já foi completamente humilhado em quadra, tomando dezenas de enterradas na cabeça? Você já foi constrangedoramente anulado defensivamente por alguém? Já saiu de quadra chorando de vergonha? Não? Então você não jogou com a gente.

3 - Teu primo tá enchendo o saco, né? Sei, sei, primo, cla-aro. Se você quer os melhores, a lista deve ter o "Private Life of Silvia Saint" e todos os em que ela atua com o Rocco, como o primeiro "Rocco's Best Buttfucks" (clássico!) e o segundo "Rocco's Private Fantasies 2".

4 - Com pulseiras "O que Sheed faria", o mundo estaria cometendo muitas faltas técnicas por aí. Eu e o nosso amigo-leitor Sbubs vamos começar uma campanha para o Sheed cometer uma falta técnica no próximo All-Star Game, se você quiser uma pulseira ou uma camiseta da campanha, vá abrindo seus bolsos!

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Pedrowsky:
Pq que o Sheed é o garoto propaganda do Both teams played hard?

Denis:
Porque foi ele quem disse a frase "Both teams played hard". Leia a historinha e veja o vídeo no primeiro post da série.

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Renzo:
1.David Stern é o Ricardo Teixeira da NBA?
2.Quem colocou ele na chefia?
3.Não há mandato? Ele sai quando quiser? Os times podem tirá-lo?
4.Por que é chamado de "comissário"?
5. E a mais intrigante de todas as perguntas, talvez "irrespondível":
Afinal, por que diabos David Stern é quem convoca os substitutos de all stars contundidos?
Não seria essa uma tarefa para o técnico, quiçá para o público?

Denis:
Confesso que não entendo muito sobre como funciona tudo isso. Sei que o primeiro presidente da NBA foi Maurice Podoloff (o nome do troféu de MVP) e ele foi presidente (presidente mesmo, não "comissário"). Depois veio Walter Kennedy, que foi presidente até 1967, quando virou comissário. Agora qual a diferença entre uma coisa e outra e quem decide ou tira o comissário eu não sei e nem consegui descobrir. Se alguém souber, por favor ajude!

Danilo:
Eu só sei que o comissário da NBA é escolhido através de uma eleição em que só votam os donos dos times. Suspeito que o mandato seja vitalício ou até dar no saco, e que se os donos podem colocar o cara lá, também devem poder tirar. Fora isso, o poder do comissário parece bem irrestrito e todas as principais decisões caem no seu colo: suspensões, multas e até convocação para o All-Star Game em casos de contusão. O que é bem imbecil porque muito poder na mão de alguém sempre gera merda (proibições nas vestimentas, multas absurdas por qualquer besteira, suspensões risíveis) mas se eu falar demais vão achar que sou comunista e como criancinhas. Dia desses até podemos fazer um post sobre o David Stern e ver tudo que ele já aprontou na NBA, só pra ter alguém pra odiar mais do que o Isiah Thomas e o Bruce Bowen.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Desconhecido do mês

Não tire os olhos da bola


Esse mês foi agitado. Primeiro com a maior sequência de trocas de all-stars que essa liga já viu, depois com o All-Star Weekend e, pra terminar, eu trabalhando mais do que nunca. Tudo isso somado resulta nisso aqui: o primeiro texto do desconhecido do mês saindo no fim do mês.

Mas tudo bem, ele é só um desconhecido mesmo. E vai dar pra fazer uns dois posts, o que não é ruim para um mês tão curto quanto este.

Mas então vamos parar de enrolar e ir direto ao assunto. O Desconhecido desse mês é o recém trocado Trenton Hassell, do New Jersey Nets. Eu sou fã desse cara e já queria falar sobre ele faz um tempo, a troca foi uma boa desculpa pra conseguir isso. Então nesse primeiro post falarei sobre a vida e carreira dele, para no segundo e último texto, falar desse mês que ele começou no Dallas e acabou em New Jersey.

Sua carreira na NBA começou no famoso draft de 2001. Famoso por ser cheio de caras grandes, de talento e que nunca renderam tudo o que podiam: Kwame Brown, Eddy Curry, Zach Randolph, Eddie Griffin, Brendan Haywood, Sam Dalembert.
Mas também tinham os jogadores de talento que, cedo ou tarde, mostraram que tinham lugar na NBA: Richard Jefferson, Pau Gasol, Tyson Chandler, Tony Parker. Teve também um que fica nos dois grupos, Troy Murphy. Ele já foi muito bom e hoje parece que não sabe usar esse talento, ou os Monstars passaram na casa dele.

E no meio desse emaranhado de jogadores conhecidos, lá, na primeira escolha do segundo round, a trigésima escolha, apareceu um discreto jogador de nome estranho. Era Trenton Hassell.
Escolhido pelo Bulls, ele estava em maus lençóis. O time estava em uma reconstrução (mal-sucedida). Tinham acabado de trocar Elton Brand pelo novato Tyson Chandler que, em toda sua carreira no Bulls, não jogou metade do que joga no Hornets hoje. Além disso tinham acabado de escolher Eddy Curry na primeira posição do draft e, acreditem, ele era pior antes do que é agora.

Nesse Bulls, que sofreu muito na temporada 2001-02, Hassell foi titular em 47 jogos, o que não é nada mal para um novato, mas que também não é grande coisa para um novato em um time em completa reconstrução, que aposta puramente em novatos para se reerguer. Nessa temporada ele teve média de 8,7 pontos, 3,3 rebotes e 2,2 assistências. O engraçado é que ele é uma espécie de Channing Frye, já que no primeiro ano teve seus melhores números em rebotes e assistências na carreira, além da segunda melhor média de pontos. Ele nunca foi tão bom quanto foi quando novato.

Mas na verdade, a não ser na parte dos números, o auge de sua carreira, quando até teve alguma atenção da mídia, foi nos seus anos de Timberwolves. Antes da temporada de 2003-04, o Bulls dispensou Hassell e ele foi para Minneapolis jogar com Kevin Garnett, Latrell Spreewell e Sam Cassell. Ou seja, foi para o lugar certo na hora certa. O Wolves, como o T-Mac, não passava nunca da primeira fase dos playoffs e para superar isso chamou Spree e Cassell pra dar uma força pra Garnett, o que foi uma bela de uma força. O time ficou em primeiro no Oeste e só foi eliminado pelo Lakers de Shaq, Kobe, Payton e Malone nas finais de conferência.

Como eu disse em um post na semana passada sobre Kyle Korver, os chamados "role players" só ganham devida atenção quando suas pequenas coisas, pequenos talentos, trabalham a favor de uma equipe vencedora. E o talento defensivo de Hassell, inútil no fraco Bulls, se tornava parte essencial no Wolves. Foram 74 partidas como titular e muitas vezes sobrava pra ele, como melhor defensor e também shooting guard, marcar caras como Kobe, T-Mac, Carter, Iverson e etc. Profissão ingrata mas que ele fez com talento.

Na temporada seguinte, por exemplo, a de 2004-05, ele até chegou a receber votos de primeiro lugar na votação de melhor jogador de defesa da temporada. Acabou mais para trás, com um voto para primeiro lugar, um para segundo e quatro para terceiro, mas estava lá, entre os melhores da liga. E talvez ele tenha aprendido a defender no colegial, afinal seu companheiro de escola era um cara chamado Shawn Marion.

Para se ter uma idéia da importância do Hassell para aquele Wolves de sucesso, aqui estão algumas frases do Kevin Garnett sobre ele:

"Trenton é muito importante, ele é nosso melhor jogador defensivo. Ele joga com intensidade na defesa e muitos times nem dão importância pra ele".

"Eu não o chamaria de "role player", ele é nosso principal jogador de defesa, se precisamos parar alguém, colocamos Trenton nele. Ele é um presente de Deus pra gente"

"Estou tão feliz de ter alguém como ele no time. Precisávamos muito de um cara assim! Ele é nosso Ron Artest, nossa versão baixa do Mutombo."



É o Garnett quem disse tudo isso! Imagina que você é dispensado do time que o draftou e que por um tempo pensou que não ia ter lugar na NBA. Depois tem o Garnett falando tudo isso de você. Surreal. Mas o Hassell é corinthiano da Zona Leste e por isso é humilde. Sempre que falavam pra ele dos jogadores que tinham ido mal contra ele, ele dizia: "Eles só tiveram uma noite ruim."

Bom, as noites ruins daquela memorável temporada incluiam 10 pontos (3 de 12 arremessos) para o Carmelo, 15 pontos (6 de DEZOITO arremessos) para o Paul Pierce e um dos piores jogos da carreira do T-Mac, 2 de 10 arremessos para marcar 4 pontos. Nada mal pra um cara que nunca se viu como um defensor.
Ele diz que na faculdade era um jogador de ataque, tanto que chegou a ter média de mais de 20 pontos na faculdade de Austin Peay, mas disse que precisava achar seu nicho na NBA e achou na defesa.

Quando o Wolves começou a se desmontar, com toda aquela polêmica do Spreewell recusar um contrato de 7 milhões por ano porque tinha que alimentar a família e depois com a troca do Cassell pelo Marko Jaric, Hassell ficou envolvido em rumores de troca também. Diziam que o Nuggets estava de olho nele, queriam um defensor forte no time para completar a equipe que já tinha Andre Miller e Carmelo Anthony, mas não conseguiram. O Wolves segurou Hassell e ele ficou lá, marcando caras bons mesmo com um time ruim por trás. Assim, como todo bom defensor em times ruins, caiu no esquecimento.

Para sua sorte, teve outra chance de ir para um time vitorioso, o Mavericks, em uma troca por Greg Buckner, mas a verdade é que o Dallas nunca usou muito ele. Ele era o cara que deveria entrar para parar um grande jogador adversário, mas na hora do aperto o Avery Johnson preferia colocar na quadra alguém mais fraco na defesa mas que desse conta do recado no ataque, como Jason Terry ou Jerry Stackhouse. Para finalizar essa triste decadência, ele foi o escolhido para o lugar de Devean George para ir para o Nets em troca de Jason Kidd. Agora em um time mais ou menos e reserva de Carter e Jefferson é que ele não deve jogar nada. Ou não? Bom, veremos no próximo texto, quando analisaremos seus primeiros jogos como um membro do New Jersey Nets.

(Nota: Na troca, nosso primeiro desconhecido do mês, Antoine Wright, foi para o Mavs. Será que lá ele terá mais sorte que Hassell? Suas características são parecidas.)

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Trocas de último segundo

LeBron comemora a vinda de Ben Wallace ou a ida de Larry Hughes?


Como tornar um post desatualizado em apenas uma lição básica: finalize-o uma hora antes do horário limite para trocas na NBA. Foi ali, na horinha final, que a maior troca da temporada até agora aconteceu. Não maior em importância, veja bem. Maior em quantidade de jogadores: tem mais gente envolvida do que o Pelé tem de filhos.

Pra não tacar os 11 nomes de uma vez e dar a todos nós um tempo pra respirar, vamos comentar a troca por partes, falando de um time de cada vez. A começar, porque eu quero que seja assim, com o Chicago.

O Bulls tem um problema crônico antigo que incomodou um pouco na temporada passada e simplesmente aniquilou o time nessa temporada. Falta à equipe uma força ofensiva no garrafão e todo mundo que veste um uniforme dos tourinhos fica bem longe do aro chutando de 3 pontos o dia inteiro. Ben Wallace é um jogador espetacular, mas só vai ser efetivo na parte ofensiva no dia em que air ball valer 1 ponto no placar (que tal sugerir essa regra para o David Stern?). A aquisição de Joe Smith foi até motivo de piada na época, porque se ele era a solução dos problemas do time, eu seria a solução para o Grizzlies. Mas a verdade é que o Joe Smith se saiu muito melhor do que se esperava e foi, por longos períodos de tempo, o melhor jogador do Bulls. Não que isso queira dizer alguma coisa, claro. Joe Smith faz pontos mas sua praia não é ficar de costas pra cesta.

Com Tyrus Thomas e Joaquim Noah, caras grandes e de mentalidade defensiva, Ben Wallace e seu contrato tão gordo quanto a pança do Eddy Curry eram dispensáveis - desde que em troca do jogador certo. No caso, talento para o garrafão. Então alguém me explica porque o Bulls mandou o Big Ben junto com um dos poucos pontos positivos dessa temporada, Joe Smith, em troca de Larry Hughes, Drew Gooden, Shannon Brown e Cedric Simmons.

Vamos aos poucos. Shannon Brown mostrou que pertence à NBA quando LeBron saiu machucado, mas seu talento é moderado e ele deve morar no banco de reservas. Cedric Simmons é um cara grande que não causa impacto algum, é só um corpo a mais para abrir o pote de picles, alcançar a panela em cima do armário e fazer faltas no Dwight Howard na hora dos playoffs. Larry Hughes até está em alta, mas é que simplesmente conseguir quicar uma bola de basquete já é alta para ele. Se o sujeito não consegue acertar um arremesso sequer no Cavs há anos, como é que vai acertar arremessos num time que está justamente com a menor porcentagem de aproveitamento nos arremessos em toda a Liga?

E então chegamos ao Drew Gooden. Eu gosto do cara, sabe, desde os tempos de Orlando Magic. Mas jura pra mim que o Bulls acha que o Gooden é o que faltava no garrafão? Um cara que fica dando arremessos de meia distância e que não é tão diferente assim do Joe Smith? Bem, assim é a vida. Uns levam Pau Gasol, outros levam Drew Gooden. Uns tem a Preta Gil, outros a Alinne Moraes. O ruim é se contentar com o Gooden e fingir que, agora, está tudo bem.

Para o Cavs, é tudo um paraíso. Se livrar do Hughes é tipo ganhar na loteria e, fora o Gooden, o Cavs mandou apenas peças de segunda linha de quem ninguém vai se lembrar em alguns meses. Com Gooden indo para o Cavs e Donyell Marshall indo para o Sonics, o Cavs fica com duas duplas interessantes no garrafão: Ben Wallace com Ilgauskas e Varejão com Joe Smith. Ou seja, duplas em que sempre um defende e o outro ataca. Acho muito difícil que Varejão e Big Ben estejam juntos em quadra (seriam recordistas em air ball de lances livres!), mas as quatro peças formam boas combinações, bem equilibradas.

Como se não bastasse, o Cavs ainda recebe o Wally Szcscjlshderbiak e o Delonte West. Vai por mim, o West vai ser titular ainda antes da Sabrina Sato tirar a pinta da testa. O Gibson que me perdoe, mas ele tem "reserva" tatuado na testa em Times New Roman tamanho 20. E o Pavlovic, que desde aquela polêmica com a renovação do contrato vem fedendo pra burro, deve perder mais e mais minutos para o Wally. Apesar de ter uns 70 anos, o veterano acerta arremessos de três pontos até dormindo e vai ser útil pacas no Cavs, além de ser legal ter uma camiseta com um sobrenome ilegível e impronunciável. Agora, LeBron, me escuta: o Kidd não veio mas teu elenco agora é mais completo e profundo do que jamais foi. Hora de ganhar um título!

Assim como naqueles grupos de cinco sujeitos coloridos de roupa colada japoneses, tipo os Power Rangers, em toda a troca tem que ter um participante babaca. Nessa troca, o babaca da vez é o Sonics. Receberam do Cavs o Ira Newble e o Marshall, e do Bulls o Adrian Griffin. O Griffin pode contar para os novatos boas histórias sobre os tempos em que os continentes da Terra ainda eram apenas um, porque o sujeito tem uns 60.000 anos. O Ira Newble fede, e do Marshall eu gosto bastante, mas ele precisa de esquemas favoráveis para seu jogo e de uns 5 anos a menos, coisas que só acontecem em filmes ruins da Sessão da Tarde. Essa troca para o Sonics significa apenas uma coisa: estamos nos livrando de quem não quer ficar, de quem é veterano, vamos perder o máximo possível e pegar uns bons novatos na temporada que vem. Bem, é um plano melhor do que trocar pelo Randolph, convenhamos.

Com toda essa bagunça acontecendo em Chicago e Cleveland, é bem fácil se esquecer de que o Raptors também fez algo para ficar melhor. Sem nenhum pivô reserva desde que draftaram o Baby (provavelmente foi um castigo divino, ou uma maldição indígena) o time da terra do hockey vem improvisando o Humphrey no garrafão. Ele até faz um bom trabalho, mas o Brezec veio do Pistons (e acabara de vir do Bobcats, coitado, deve ter cansado de se mudar) e é um pivô de verdade, capaz de acertar seus arremessos quando necessário. Em troca, o Raptors mandou para Detroit o armador Juan Dixon, amigo do Steve Blake, que é um bom reserva e estava descontente no Canadá, provavelmente porque lá só tem guarda florestal e urso. Ótimo, agora todo mundo fica feliz, mas na minha opinião é a equipe de Toronto que saiu ganhando nessa e agora é ainda mais profundo.

Como nota de rodapé, interessando apenas a mim e ao nosso leitor Rena McGrady, que comentou no post anterior, o Houston mandou o Kirk Snyder em troca do Gerald Green. O Snyder não é tão ruim, sabe? Digamos que ele fede moderadamente, sabe infiltrar e defender melhor do que uma chinchila, por exemplo. Não havia lugar para ele no Rockets mas ele pode ser um bom décimo-segundo reserva em algum lugar por aí, possivelmente na Europa. Já Gerald Green ia ser o novo Kobe uns anos atrás, ganhou conselhos do Bryant em pessoa, então acho que ter ele no time não vai fazer mal a ninguém, vai que de repente ele marca 81 pontos. Na pior das hipóteses, o Green pode ficar brincando de enterrar nos treinos e deixar os outros jogadores entretidos. Já é alguma coisa.

Em breve, vamos dar uma olhada mais uma vez em como cada time se sai com suas caras novas. E lembrando, claro, que o Houston ganhou sua décima partida seguida. O que tem isso a ver com o resto do post? Nada, mas deixa eu ser feliz, tá bom? Meu time não conseguiu nem o Kidd e nem o Gasol, poxa.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Novas caras

Ninguém usa o dedo mindinho mesmo...


A data limite para trocas nessa temporada está para se concretizar em poucas horas e vários times já mudaram de cara até agora. Continuo aguardando a troca LeBron para o Houston em troca de Steve Francis e 32 escolhas de draft. Enquanto isso não acontece, como se saíram os times que apresentaram suas caras novas?

Ontem, Shaq estreou pelo Suns enfrentando seu antigo coleguinha e rival, Kobe Bryant (parece coisa saída diretamente da novela mexicana Rebeldes, ou ainda da falecida Amigas e Rivais). Para os que aposentaram o Shaq antes da hora, Diesel mostrou que ainda tem fôlego e que não atrapalhou o jogo correria do Suns como se imaginava. O único detalhe, coisinha pouca, é que Shaq não saiu de quadra com a vitória, o que sempre pode atrapalhar as tentativas de deixar uma boa impressão (Nowitzki que o diga). Kobe Bryant jogou pra burro e aquele tal mindinho machucado que podia vir até a precisar de cirurgia parece a maior balela dos últimos tempos. Quem faz 41 pontos com um dedo machucado? Kobe acertou arremessos de todos os lugares e engoliu vivo o time do Suns, não havia muito a se fazer. Shaq demorou um pouco para pegar o jeito mas se saiu assustadoramente bem, correndo bastante, se tacando no chão atrás de bolas perdidas e, curiosamente, começou a se sair realmente bem no jogo só no quarto período, justamente quando seu fôlego deveria estar acabando. "Estou em melhor forma física do que eu imaginava", soltou o pivô. Isso me lembra uma afirmação recente no departamento médico do Suns, dizendo que as lesões do Shaq não eram problemas estruturais das pernas e joelhos, e sim tecido "não exercitado". Ou seja, chamaram na cara dura, ao mesmo tempo, os médicos do Heat de burros, o departamento físico do Heat de incompetente, e o Shaq de gordo preguiçoso! Mas quem se importa, os homens que salvaram o Grant Hill de uma vida de contusões agora fizeram Shaq correr para cima e para baixo na quadra em um quarto período.

O mais importante sobre o Suns é que eles continuam capazes de marcar 124 pontos por jogo, mesmo sem Shawn Marion e com a presença de Shaq em quadra. O problema é ter tomado 130 pontos do Lakers, claro, mas a presença de O'Neil no garrafão deve ajudar na defesa quando todos estiverem entrosados. Além disso, Shaq exige atenção redobrada de seus marcadores, o que libera Amaré para agir. Seus 37 pontos mostram o que ele pode fazer quando não é marcado pelos pivôs adversários.

O início do Shaq em Phoenix foi tão divertido que por uns segundos ele até pareceu aquele dos velhos tempos. Que tal essa bela cravada na cabeça?



O Suns só não saiu vencedor porque o Lakers também resolveu mudar de cara e Pau Gasol parece que joga com Kobe desde os tempos do Rá-tim-bum na TV Cultura. Ele parece dominar o conceito dos triângulos e o maior favorecido é, estranhamente, Lamar Odom. Como terceira opção ofensiva ele parece florescer e agora não creio que ninguém em Los Angeles pense em trocá-lo. Pelo menos não nessa temporada, até porque não dá mais tempo.

Outro time com jogador novo é o Hawks, que já jogou duas partidas com Mike Bibby como armador principal. Contra o Lakers, Bibby jogou pouco graças a vários problemas com faltas, mas sua atuação no primeiro quarto me deixou empolgado. Ele dá passes simples e eficientes e parece que instaura no time uma calma, uma vontade de dar um passe a mais. É uma coisa quase sobrenatural que muita gente vai dizer que andei bebendo, claro. Enfrentando seu ex-time na noite de ontem, Bibby esteve mais preocupado em arremessar e foi mortal, acertando 6 dos 10 arremessos que tentou, incluindo 4 bolas de três pontos. Acho que era bem o que o Hawks esperava, alguém que acertasse seus arremessos de fora e soubesse tranquilizar o time no ataque. Do outro lado, o Kings não pareceu sentir muito a falta do Bibby, afinal eles passaram tanto tempo com o Bibby contundido que não deviam nem mais lembrar da cara do sujeito, e seu armário devia ser usado para guardar as meias sujas do resto da equipe. O esloveno Beno Udrih, que o Spurs trocou por uma bolacha de água e sal, tomou as rédeas do Kings com 18 pontos e 10 assistências. E o Artest, que por alguma razão não acha o Bibby um sujeito muito camarada, está tão feliz que até deve ter esquecido do fracasso de seu CD de rap. Artest tem, nos últimos 5 jogos, médias de 25 pontos, 7 rebotes, 4 assistências e 3 roubos, além de estar aproveitando mais de 50% de seus arremessos de dois e de três pontos. Será mesmo que o Kings pretende trocar alguém que está jogando nesse nível e que, sem o Bibby, parece estar feliz em Sacramento? Aliás, quais as chances de deixar o Artest feliz?! Melhor aproveitar enquanto dura.

Ontem também foi a estréia do Kidd no Mavs. Dirk estava todo contente e disse que, ao jogar com Nash, aprendeu a importância das assistências precisas que trazem a bola no momento certo, e que isso enfim voltaria com Kidd na equipe. O começo foi promissor, com a ponte-aérea de Kidd para Josh Howard logo no primeiro lance do jogo. Mas o Kidd se atrapalhou um bocado na defesa. Não que Devin Harris seja um grande defensor, mas ser jovem e rápido certamente ajudaria a não ser massacrado sem piedade por Chris Paul: foram 31 pontos, 11 assistências e 9 roubos de bola. Kidd teve mais desperdícios de bola (6) do que assistências (5) e colocar Eddie Jones como titular ao lado de Jason Kidd começa a parecer uma boa idéia para ao menos dar uma apertada na defesa. Mas que tal alguém com menos de 82 anos no Mavs capaz de defender um armador adversário? Acho que Kidd, Eddie Jones e Devean George não se encaixam nessa descrição...

O Nets sem Jason Kidd botou o barco nas mãos do Marcus Williams, que teve 25 pontos, 4 rebotes e 4 assistências. O garoto sempre chutou uns traseiros e muita gente dizia que ele seria titular ainda como novato em qualquer time que não contasse com Kidd ou Nash no quinteto titular. É hora do fedelho passar Hipoglós e provar que só jogou 2 minutos nos últimos anos porque Jason Kidd é um alienígena. Eu aqui, pessoalmente, torço para que Marcus Williams e Devin Harris joguem juntos, sem um ser o reserva do outro. Devin Harris talvez seja o jogador mais veloz de toda a NBA, bate para dentro como um débil mental, mas ao ouvir a frase "passe a bola" seu cérebro compreende "esconda a bola dentro da camiseta e corra para a cesta". Com os dois armadores juntos, acredito que o Nets ficaria mais balanceado. O problema é que colocar Carter e Jefferson junto com eles em quadra tornaria o time muito baixo. Talvez seja uma idéia para o futuro, quando o Carter estiver vendendo churros na rua, aposentado (diz a lenda que mais da metade dos jogadores da NBA que se aposentam vão à falência).

Com tantas caras novas que mudaram consideravelmente times importantes, o Warriors certamente vai ganhar o prêmio de aquisição mais inútil da temporada. Que diabos de diferença Chris Webber está fazendo para o time de Golden State? Quando ele está em quadra, o time piora significativamente. Quando ele vai para o banco, o time subitamente melhora. Pra mim, isso é um clássico caso clínico conhecido como Complexo de Marbury e Webber deveria ser afundado no banco antes que o pior aconteça. Sorte do Warriors que todo o resto parece funcionar perfeitamente. Baron Davis meteu a cesta da vitória contra o Celtics e Monta Ellis continua a ser um monstro. Ele tem médias de 26 pontos por jogo nesse mês de fevereiro e o mais absurdo: sem acertar uma única bola de 3 pontos. Existe algum armador na Liga capaz de fazer tantos pontos sem nunca sequer arremessar de fora do arco?

Outras trocas aconteceram agora há pouco. O Spurs mandou Brent Barry e Francisco Elson, além de uma escolha de draft, em troca do Kurt Thomas do Sonics. Desde que o Damon Stoudemire chegou, Brent Barry havia se tornado dispensável. Kurt vem para fazer parte do sensacional Clube de Pivôs Veteranos Role-Players do Spurs, um clube cheio de jogadores mais-ou-menos que se saem muito bem e acabam sendo campeões. Kurt Thomas defende, faz o trabalho sujo, pega rebotes e acerta cirurgicamente os arremessos de meia distância depois de fazer o corta-luz. Para o Sonics também é uma boa porque o time é novo e o Thomas é velho, o que não dá muito certo. Se você já teve que dançar com uma velha num baile de terceira idade, sabe do que eu estou falando. Além disso, nessa semana a diretoria do Sonics anunciou que Robert Swift iria ganhar progressivamente mais e mais minutos, rumo à vaga de titular. Loucura ou não, Kurt Thomas estava no caminho do pirralho mais estiloso da NBA.

Para finalizar, meu Houston acabou de se livrar do Mike James! Está ouvindo esses fogos de artifício? Está ouvindo esses gritos de felicidade? Está ouvindo essa rolha voando? Sou eu. Mike James e Bonzi Wells vão para o Hornets em troca de Bobby Jackson, um reserva mais do que decente para a armação do meu Rockets. Mas, como fã, dessa troca eu comento mais depois.

A festa de trocas é sempre divertida e o LeBron não está contente de estar de fora dessa. Depois de alegadamente ter cravado na cara do Dirk como punição por terem levado o Kidd para Dallas, LeBron fez triple-doubles em 100% dos jogos pós-All-Star. Foram dois triples seguidos até agora. Se eu fosse o Cavs, não trocava ninguém não. É melhor um LeBron puto da vida que faça triple-doubles todos os dias do que um reforço meia-boca, tipo o Larry Hughes.

Resultados da Promoção do All-Star Game

57% dos participantes acertaram LeBron como MVP do All-Star Game, mas apenas um infeliz acertou seu amiguinho Gibson como MVP do jogo dos novatos


Finalmente temos os vencedores da nossa sensacional promoção do All-Star Game! Sim, você leu direito: vencedores! Tivemos três participantes com 6 pontos cada e os três levarão para casa um DVD da NBA! Os ganhadores são os seguintes:

Diego Werpel
n3t1nh088

Diogo Costa


Como diria toda boa atendente de telemarketing, estaremos entrando em contato para estarmos podendo estar enviando os prêmios. Ainda estamos pensando num sistema como em caso de separação de pais com filhos, em que um vencedor ficará com o DVD durante a semana, outro ficará com o DVD aos sábados e domingos e o terceiro ficará com o DVD aos feriados. Se der briga e não pudermos perguntar ao DVD com quem ele prefere ficar, vamos ter que mandar três prêmios mesmo.

Lembremos que cerca de 70.000 e-mails foram desclassificados por não conter o título "Promoção", por conter fotos de pedofilia ou por falar mal do Yao Ming.

Agora que já conhecemos os vencedores, vale dar uma olhada em como se dividiram as opiniões dos leitores do Bola Presa. Quais opções foram concenso e quais foram absurdas? Quem levará o prêmio de escolhas mais originais em nosso bolão? Veremos a seguir com nosso maravilhoso Sistema de Porcentagem patenteado que quase nunca tem um total de 100% simplesmente porque não gostamos de ficar contando os quebradinhos e somos péssimos na hora de arredondar.

Rookie Challenge
Sophomores (93%)
Rookies (7%)

MVP
Roy (45%)
Gay (39%)
Durant (6%)
Aldridge (6%)
Bargnani (1%)
Navarro (1%)
(nosso excelentíssimo amigo Sbubs, único a votar no Navarro, entrou no clima All-Star e quis é se divertir com as escolhas!)
Gibson (1%)
(o leitor Artur Rauen foi o único a votar no Gibson e merecia um prêmio só por isso! Responda para a gente, Artur: no que diabos você estava pensando?!)

Skills - PRIMEIRO
Wade (50%)
Paul (30%)
Deron (16%)
Kidd (4%)

Skills - VICE
Wade (32%)
Paul (23%)
Deron (23%)
Kidd (16%)

3pt - PRIMEIRO
Kapono (37%)
Nash (25%)
Peja (21%)
Dirk (10%)
Kobe (7%)
Gibson (3%)
Rip (3%)

3pt - VICE
Peja (41%)
Kapono (20%)
Nash (10%)
Kobe (10%)
Gibson (5%)
Dirk (1%)
Rip (1%)

Dunks - PRIMEIRO
Moon (43%)
Dwight (29%)
Gay (23%)
Green (4%)

Dunks - VICE
Dwight (30%)
Moon (27%)
Gay (23%)
Green (14%)

ASG
Leste (59%)
Oeste (41%)

MVP
LeBron (57%)
Melo (11%)
Kobe (9%)
Wade (7%)
Iverson (5%)
C.Paul (5%)
Dwight (1%)
Duncan (1%)

E aí, como você se saiu? Acha que amargou o último lugar? Teve a cara de pau de votar no Duncan para MVP do All-Star Game? Justifique-se na caixa de comentários! E aguarde mais uma promoção do Bola Presa com prêmios surpreendentes. Aliás, tão surpreendentes quanto a regularidade da nossa coluna "Both Teams Played Hard"...

Fiquem ligados e até a próxima!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Um jogo para os saudosistas

LeBron não sabe brincar


Antes de começar o All-Star Game, neste domingo, estava assistindo o "abre o jogo" da ESPN Brasil com comentários do Eduardo Agra e do nosso amigo Zé Boquinha. O Zé, como já virou clássico dele em All-Star Games, estava mostrando saudade dos tempos de Magic Johson, Larry Bird, Michael Jordan, Isiah Thomas e companhia. Mais de uma vez ele comentou como os jogos eram antes mais disputados, tinham mais rivalidade e que de uns tempos pra cá tudo ficou mais voltado para o show, para a diversão, sem a mesma intensidade.

Se era assim, agora não é mais.

Talvez sentindo falta dos jogadores que costumavam dar show nos últimos anos, todo mundo no All-Star Game resolveu jogar um pouco mais sério. Afinal, se você for ver as grandes jogadas dos últimos 5 ou 6 anos de jogo das estrelas, você verá muito Kobe Bryant, Shaquille O'Neal, Tracy McGrady e, principalmente, Vince Carter. Nesse ano somente Kobe estava lá e, como tinha dito antes, só deu um alô e já sentou no banco com o dedo machucado.
Para dar show não faltava gente, claro. Ainda estavam lá LeBron, Wade, Dwight, Nash, Paul. Mas não ia ser a mesma coisa. E não ia porque LeBron e Wade em especial parecem não gostar muito de jogar só pelo show. Eles fazem suas jogadas mais lindas quando os jogos estão mais tensos e disputados. Quando o jogo está fácil, só pra festa, eles parecem pegar mais leve. Mas pode ser só impressão minha também.

O Leste começou o jogo bem melhor. Fazendo as jogadas mais fáceis e finalizando bem. Enquanto isso, o Oeste estava com aproveitamento bem fraco nos arremessos e o Yao parecia mais sonolento que o de costume. Assim não foi difícil para o Leste abrir uma boa vantagem, que se manteve até o quarto período. O lógico seria pensar que nesse meio tempo, entre a vantagem aberta logo no início e o final do jogo, seria onde aconteceriam as jogadas mais marcantes do jogo. Mas não foi exatamente assim.

Teve um momento, de pouco mais de um minuto, feito de jogadas fora do comum. Ponte aérea do Kidd pro LeBron que ao invés de enterrar deu uma de Fernanda Venturini pro Howard. Depois foi o Howard que mandou pro LeBron. No meio disso o Chris Paul mandou uma ponte aérea pro Amaré Stoudemire e ainda sobrou tempo para uma outra ponte aérea do LeBron para o Howard. Foi de tirar o fôlego. Mas mais legal do que isso, mais marcante e mais empolgante, foi o quarto período.

O Oeste resolveu que não ia se entregar e que era hora de uma virada. Liderados por Chirs Paul e Nash e depois por Chris Paul e Brandon Roy, o Oeste começou a diminuir a diferença. Até, em uma bandeja de Dirk, virar a partida. Engraçado que depois do jogo o Paul disse que ele e o Roy, no ônibus indo para o ginásio, pareciam duas crianças, de tão nervosos que os dois estavam. Mas na hora não pareciam. Jogaram muito e com a ajuda de uma equipe alta, empataram o jogo. Ao lado dos dois armadores jogaram primeiro Dirk, Boozer e Amaré e depois Dirk, Duncan e Amaré. Enquanto isso, o Leste ia com um time pequeno com Kidd, Wade, Ray Allen, LeBron e Dwight. Tanto que duas vezes seguidas o Dirk foi marcado pelo Jason Kidd. Cena bizarra!

Quando faltavam pouco mais de 3 minutos para o fim do jogo, o placar estava empatado mas o clima estava a favor do Oeste. Quem mudou isso foi um cara que, se não fosse pela contusão do Caron Butler, estaria nas Bahamas descansando na hora da partida: Ray Allen.
Nesses 3 minutos ele marcou 14 pontos somando lances-livres e 3 bolas de três para acabar com o jogo. Também foi ele quem sofreu uma decisiva falta de ataque de Chris Paul com menos de um minuto no relógio. Agora me diga, que tipo de juiz é esse que marca uma falta de ataque em um corta-luz com o jogo em dois pontos de diferença no último minuto de um All-Star Game? Deixa os caras jogarem!

Essa jogada definiu o jogo e Ray Allen só não foi o MVP porque LeBron quase fez um triple-double com 27 pontos, 8 rebotes e 9 assistências e, também, porque ele deu a enterrada mais animal do jogo quando a partida estava empatada em 125 e com menos de um minuto no relógio. Também no finalzinho do jogo Wade fez uma jogada de 3 pontos maravilhosa; não estou tão doido assim em achar que eles jogam melhor quando o jogo está sério e disputado, estou? Foi o segundo troféu de MVP para LeBron e o outro tinha sido dois anos atrás em outra vitória bem apertada do Leste.

Eu, particularmente, estava torcendo para o Oeste. Nada contra o Leste e nada a ver com o fato do Lakers está no Oeste. Era porque queria ver a virada terminar em vitória e porque sabia que o MVP do jogo, caso o Oeste vencesse, seria o garoto da casa Chris Paul. Com muita personalidade, habilidade, velocidade, passes lindos à la Pete Maravich e até bolas de 3, o garoto merecia o troféu. 16 pontos e 14 assistências em seu primeiro All-Star não é pra qualquer um.

Pro ano que vem espero mais do que vi ontem. Jogadas de efeito, muitas enterradas e, no final, a rivalidade, disputa e desejo de ganhar. E não falo isso só pra agradar o Zé Boquinha não, aposto que todo mundo gostou de ver o Garnett, mesmo de terno atrás do banco, vibrando como se fosse um jogo de playoff.

Abaixo, um vídeo com quase todas as jogadas que você precisa ver: as pontes aéreas, os passes do Chris Paul, a bandeja de costas do Wade e, claro, a enterrada do Amaré em cima do Dwight Superman.

Só duas jogada que mereciam ser vistas não estão nesse vídeo. A primeira é a bola de três que o Rasheed fez usando a mão esquerda (depois de tentar várias vezes) e a segunda é o giro e fake do Yao Ming, no maior estilo Hakeen Olajuwon, pra cima do Howard, uma pena que ele apelou e fez a falta. Ninguém gosta de ser zoado por um branquelo no All-Star.



Amanhã sai o resultado da nossa promoção! Aguardem!

Preço de banana

Mike Bibby agradece por ter sido trocado por um pacote de Trakinas


Algumas trocas na NBA já são mais manjadas do que engravidar do Mick Jagger. O Bibby está para ser trocado do Kings desde que o ICQ ainda era moda. E foi bem no meio do fim de semana do All-Star que, na miúda, ele foi parar no Atlanta Hawks. Coisas de time que tem vergonha do que está fazendo e quer passar despercebido.

No meio da nossa cobertura do All-Star não havia tempo para criticar o Kings, mas em plena segunda-feira, com aquele mal-humor desgraçado de quem foi dormir tarde pra burro vendo o LeBron ser coroado MVP, me sinto no direito de soltar alguns impropérios. Ou seja, mas que troca de merda! Acho que eu não via uma troca tão estapafúrdia desde quando o Nets mandou Kerry Kittles para o Clippers em troca de dinheiro e nada mais. Pô, não tinha nenhum novato pé-de-chinelo que podia ser mandando em troca? Ser trocado por dinheiro é uma baita ofensa, é tipo ser chamado de pé de alface.

Não me importa se o Bibby está em decadência, fora de ritmo, acabando de voltar de contusão. Mike Bibby teve uma péssima temporada passada, desmotivado, sentindo que o time pelo qual tanto lutara havia sido completamente desmontado. Não me importa se ele tinha problemas de relacionamento com o Artest, se ia dar o fora dali quando o contrato acabasse. Só o que me importa é que Bibby é um baita de um armador e, se trocá-lo era tão essencial assim, o Kings deveria tirar algum proveito disso.

Para quem ainda não viu, a troca foi Mike Bibby para o Hawks e Shelden Williams, Lorenzen Wright, Anthony Johnson, Tyronn Lue e uma escolha de draft de segundo round para o Kings. Ou seja, um jogador jovem e grande que só sabe pegar rebotes em Shelden Williams, um contrato que vai expirar esse ano em Wright, e dois armadores com "reserva" escrito na testa em Johnson e Lue. O Kings, então, vai ter dois armadores reservas novos e vai dar o barco para o Beno Udrih comandar. Pelo jeito, eles devem ter gostado mesmo do esloveno esnobado pelo Spurs.

Fora isso, a equipe tem um reserva para o garrafão que não deve acrescentar muito e, principalmente, espaço pra burro no limite salarial. Pra mim, isso significa que eles devem querer manter o Ron Artest, que aliás já disse que agora pretende mesmo ficar em Sacramento. Parece que ele odiava mais o Bibby do que se imaginava.

Minha tristeza é que esse Kings não teve tempo para funcionar com todas as peças saudáveis. Quando um estava saudável, o outro estava morrendo de dengue. Quando um finalmente lembrou como é que se joga basquete, o outro foi trocado. Era muito difícil deixar o elenco junto, sem contusões, pelo menos mais esse fim de temporada? A pressa não permitiu. Mas agora me diz uma coisa: será que nenhum outro time ofereceu algo melhorzinho do que Shelden e Tyronn Lue? Nenhum time ofereceu sequer um Big Mac caprichado?

Para o Hawks, a troca parece um assalto a mão armada de tão sacana. O time cansou de ficar sofrendo com a pirralhada e, ao menor sinal de que eles finalmente poderiam ir para os playoffs, arranjou um armador experiente, pontuador e que sabe botar ordem na casa. Taí, o Hawks que já era uma surpresa passa a ser uma certeza para os playoffs no Leste. Não que isso signifique alguma coisa, claro. Hoje em dia, estar nos playoffs do Leste é mais fácil do que não estar. Para ficar de fora da disputa, só fazendo pior do que propaganda do Guaraná Dolly.

Enquanto isso, a troca do Kidd continua sendo mais confusa do que a última temporada do Lost. Parece que vai rolar mesmo, mas o Stackhouse (que na troca original iria para o Nets mas seria mandado embora para voltar ao Mavs após o prazo obrigatório de 30 dias) vai ficar no Mavs mesmo e em seu lugar vai o defensor-e-nada-mais Trenton Hassel. Como o Devean George vetou a troca, arranjaram outro mané em seu lugar. Trata-se de Keith Van Horn, aquele cara que tinha um topete engraçado, meias até os joelhos e era tão amarelão que fazia o Nowitzki parecer o Reggie Miller. Além disso, o cara é tão preguiçoso que abandonou a NBA faz um tempo enorme mas não se deu ao trabalho de assinar os papéis de aposentadoria. Levantar uma caneta é tã-a-ao desgastante...

Portanto, Van Horn ainda não está oficialmente aposentado e deve ser reassinado pelo Dallas só para que o valor dos contratos sejam equilibrados na hora da troca. O único problema é que a NBA não quer que esse bando de cara semi-morto fique sendo envolvido em trocas, então obriga que os jogadores envolvidos pelo menos compareçam aos times para os quais foram trocados, tipo o Aaron McKie que tem 420 anos, tem os pés fossilizados, mas teve que aparecer lá em Memphis na troca do Pau Gasol.

A dúvida agora é a seguinte: o sujeito que nem se deu ao trabalho de se aposentar vai conseguir levantar do sofá, vestir suas pantufas e comparecer a New Jersey? Acho que vai depender da graninha que rolar por fora. Se ele também não topar, a troca não rola.


Para o Nets, é bom que a troca aconteça mesmo. Faz muito tempo que todos nós samemos que o Nets atingiu um máximo e que dali não passa. Foram algumas finais da NBA mas ainda faltava algo para o anel chegar. Lapidaram aqui, rebocaram ali, mas o negócio é que o Nets sempre foi piorando aos poucos apesar de ser sempre bom. Esse time não ia ser campeão nunca e era óbvio que tava na hora de parar de ficar concertando, tem que tacar tudo fora e começar de novo. É melhor feder por uns tempos e ter chances de crescer do que ficar para sempre sendo meia-boca sem conseguir novatos decentes no draft, como aquele Wolves que tinha o Garnett.

Em breve o Carter não vai conseguir mais nem ir ao banheiro e o Nets será de Devin Harris e Richard Jefferson, com um banco razoável. Pelo menos muda um pouco os ares e o pessoal pára de bocejar em New Jersey. Lembrando sempre que pior do que o vizinho New York não tem como ficar.

Para o Mavs, eu sei que o preço pode ser um pouco alto mas eu nunca negaria o Kidd no meu time. Ele não sabe arremessar, não vai pontuar loucamente, mas não tem problema. Coloca ele em qualquer time e assista o experimento dar certo, não tem como ficar pior do que estava. Coloque ele numa jaula com gorilas e todos trabalharão em equipe e terão a mesma quantidade de bananas. Se o Dallas com ele vai ganhar um título, aí é outra história. Mas depois do fracasso em Golden State na temporada passada, tentar uma coisa nova não faz mal a ninguém.

E se nenhum desses motivos convencer os torcedores do Mavs, basta lembrar que agora está na moda no Oeste fazer trocas por jogadores all-star, deixando a conferência tão forte que o Leste inteiro deveria se mudar para a liga de basquete do Canadá. Pensando assim, levar o Kidd para casa pega bem. E deixa o All-Star Game da temporada que vem ainda mais disputado.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Sabadão com o Gugu

Se o Superman dos quadrinhos fosse assim, eu até leria mais HQ


Já acabou. Campeonato de enterrada de novo só no ano que vem. Eu sei, também estou deprimido e vou ficar assim muito tempo ainda. Por um dia pra ser exato. Até o jogo das estrelas, aí fico bem de novo.

Mas não estou aqui para desabafar sobre minhas tristezas, estou aqui para falar de tudo o que aconteceu ontem na noite de sábado. Então vamos logo, sem enrolar, para uma passada em cada um dos eventos!


Haier Shooting Stars

Esse foi o único evento que não participou do bolão. O motivo é que estávamos com medo de que, como em anos anteriores, os participantes fossem revelados muito em cima da hora. Até que não foi assim mas, quando saíram, a promoção já estava no ar.

Mas de qualquer forma, não importa, ninguém ia acertar mesmo! Quem acreditaria que dois caras com mais de 2,10m de altura iriam vencer uma competição de arremessos? O negócio é que se você junta o Tim Duncan e o David Robinson, algo de bom acontece e eles vencem. Acho que se eles participassem do campeonato de NBA Live, já era pro Tony Parker e era capaz até de algum deles ganhar a Eva Longoria. Estou com a maioria dos que votaram na última enquete e não sou muito fã do Spurs, não gosto do Bowen, do Ginobili cavando faltas e de ver eles ganhando em cima do meu Lakers, mas do Duncan, apesar da cara de sonso, eu gosto. E ver ele e o David Robinson vencendo foi divertido.

E se você quer saber, acho que ontem a maioria das pessoas torceu para o San Antonio. O motivo não é nenhuma das torres gêmeas, mas sim aquela delícia da Becky Hammon! É o que eu sempre digo, por que deus é tão injusto e dá talento e beleza pra mesma pessoa? Ela podia ser só mais uma burra bonita, mas não, é uma puta jogadora de basquete. Quantas baranguinhas por aí não gostariam de ter o talento dela pra, pelo menos, descontar a raiva de ser feia na quadra? Mundo cruel.

Destaque para o time de Chicago que, se tivesse mais pontaria no arremesso do meio da quadra, teria levado o título. Mas pra NBA foi melhor ter Duncan e Robinson ganhando do que o Chris Duhon, que só foi bom uma vez na vida, semanas atrás quando meteu 34 pontos no Warriors. Seu dia de Gilert Arenas, comentaram por aí.

E a decepção do torneio foi o Mr. Big Shot, Chauncey Billups. Errou muitas e muitas bolas seguidas em seu primeiro local de arremesso. Pior que ele só a bola que o Laimbeer jogou na torcida.

Aqui os melhores momentos:




Playstation Skills Challenge

Aqui era o duelo de um veterano já campeão, Jason Kidd; o atual bi-campeão, Wade; e a melhor rivalidade da NBA, Deron Williams e Chris Paul.

Pra começar, o vovô Kidd. Ele mostrou ao Dallas o que pode fazer se for pra lá. Muitos dribles, velocidade, pontaria nos passes e NENHUM arremesso. Foi naquele arremesso da cabeça do garrafão que ele perdeu a chance de ir pra final do desafio. Ele nunca foi conhecido por seus arremessos, mas parece que ele está piorando com a idade. Mas nada contra ele, como dizem alguns (e eu concordo), ele é um dos únicos jogadores da NBA a conseguir dominar um jogo sem arremessar uma bola sequer. Ben Wallace era o outro que era capaz disso nos seus bons tempos.

Tinha grande expectativa para ver D-Wade atuar. Ele tem tido problemas físicos mas ainda é o "Flash" e tem seu orgulho a defender. Até apostei nele como MVP do All-Star Game porque acho que ele vai jogar bem sério para conseguir ter algo de bom nessa temporada. Mas até agora não tem nada de bom.O cara está zicado até o osso.
Primeiro errou um drible que ele nunca deve ter errado na vida, depois não conseguia acertar um arremesso sequer e, pra terminar, errou bandejas que nem aquele seu primo de 10 anos que você chama pra jogar com você quando está entediado erraria. Foi feio.

Na primeira rodada, tanto Chris Paul quanto Deron Williams foram bem, nada espetacular, mas já os garantiu na final. E quando o assunto é CP3 contra Deron, o cara de Utah sempre vence. É assim desde a primeira temporada dos dois. Paul pode até ser melhor no geral, regularmente, mas na hora do duelo de um contra o outro, o Deron Williams SEMPRE vence. Votei no Deron para esse Skills Challenge só porque sei do prazer que ele tem em vencer seu rival.

E, pelo menos nessa, eu acertei. Deron foi impecável e não deu chances ao garoto da casa. Uma bela e divertida vitória que você pode assistir abaixo.




FootLocker 3 point Shootout

Eu cheguei a pensar duas ou até mais vezes antes de colocar meu voto no bolão. Primeiro pensei que nunca é bom apostar contra o Kobe, depois pensei que o Hamilton sempre vence o Kobe nos duelos Pistons-Lakers e que ele poderia repetir a dose, depois pensei que o Nash nunca erra arremessos livres nos jogos. Mas depois vi esse vídeo e lembrei: ninguém arremessa como Jason Kapono.

E foi assim mesmo, Kapono não foi lá pra brincar e simplesmente destruiu os outros oponentes. Ontem nem Larry Bird era capaz de parar o Novak Djokovic do basquete. Por outro lado, a disputa pelo segundo lugar foi bem emocionante!

Rip Hamilton foi o primeiro a arremessar e, depois que esquentou, foi espetacular, teria feito 17 pontos se não tivesse pisado na linha nos arremessos finais. Depois foi a vez de Daniel Gibson arremessar muito bem, embora, como Hamilton, tenha demorado pra pegar o ritmo. Ele também fez 17, mas sem pisar na linha. Nowitzki, que tem o arremesso que eu vou ensinar para os meus filhos, foi bem parecido com os outros e só pegou o embalo depois de ouvir a torcida ameaçar uma risada depois de uma airball. 17 pro alemão.

A vergonha foi Steve Nash. Além de demorar uns mil anos pra arremessar cada uma das bolas, andou na velocidade de seu novo companheiro Shaq entre uma sequência e outra de bolas. No fim acertou apenas 9! Até o amigo do César, leitor do Bola Presa, que outro dia meteu 12, se sairia melhor. Já Peja não foi ruim, mas também não foi bom o bastante. Foi, como gosto de dizer, bege.

Espero ano que vem ver o Hamilton de volta pra não pisar na linha, o Kobe mostrando o que pode fazer, quero ver o Leandrinho e, claro, quero ver o Kapono ser o primeiro jogador a não errar nenhum arremesso em um campeonato de três pontos!

O resumo da disputa você pode ver aqui:




Sprite Slam Dunk Contest

Primeiro um desabafo: Rudy Gay, por que você pediu ajuda no YouTube se você não usou nenhuma daquelas idéias?! Ou, se usou, foi uma das mais chatas, porque eu vi coisas absurdas por lá e você foi o pior competidor de ontem! Uma vergonha!
Pronto, falei o que queria falar sobre o Rudy Gay e não vou mais tocar no seu nome porque ele não merece. A ponte aérea vinda do Kyle Lowry foi legal mas não convenceu.

Minha segunda revolta é contra os juízes. Eles não foram tão injustos como no ano passado com Dwight Howard mas nesse ano, por um ponto, deixaram o Jamario Moon de fora das finais.

A primeira cravada do jogador do Toronto merecia um 50! O problema da enterrada foi que ela não desceu forte no chão, ela bateu um pouco no aro e isso causou uma impressão pior para a plástica da ação, mas mesmo assim eu daria um dez. Já a segunda enterrada dele foi muito legal, mas quem ferrou ela não foram os juízes, mas ele mesmo. Primeiro por colocar o Kapono pra dar o passe. Com Calderon e TJ Ford no time, ele vai me escolher o Kapono pra dar o passe só porque ele já estava lá? Pagou o preço, o passe saiu bem mais ou menos.
Outro ponto negativo foi que ele passou longe DEMAIS daquela linha que ele mesmo colocou antes da linha do lance-livre. Quero acreditar que se ele colocou aquela linha lá é porque ele consegue pular de tão longe. Gostaria de ver ele de volta à ação no ano que vem, pulando daquele lugar e usando um bom passador para a enterrada.

Falando dos dois finalistas, Gerald Green foi o que mais tentou inventar. Primeiro foi aquele apagar de velas que me fez morrer de rir. Depois usou Rashad McCants segurando a bola na escada que, não foi uma enterrada pra 50, mas mostrou o quanto aquele maluco consegue pular!
Na final ele cometeu um erro que até é comum em concursos de enterradas: ao invés do mais bonito, ele foi para o mais difícil. Enterrar descalço não é fácil, dói, você não pega a mesma impulsão e nem a mesma velocidade. Mas quem é que se importa com isso se o resultado é uma enterrada que já vimos várias vezes antes?
Sua melhor enterrada, porém, veio na final. Foi aquele passe que veio do McCants (depois de mil tentativas) por trás da tabela e que ele pegou, passou por baixo das pernas e enterrou. Aquela foi linda demais!

Sobre a polêmica dele ter jogado o tênis na mesa dos jurados, achei aquilo invenção, não vi nada demais. Ele deu uma de mala só, qual o problema? Faz parte do personagem que está no campeonato de enterradas.

Agora, o que falar de Dwight Howard? Ele abusou da criatividade em todas as suas enterradas. Nos fez rir ao mesmo tempo que nos impressionávamos com suas fortes cravadas. Foi fabuloso.

Ele começou com aquela jogando a bola atrás da tabela, que, merecidamente, recebeu um 50. Depois fez a enterrada que é a imagem que ficará guardada desse campeonato de enterradas: a enterrada do Superman! Por um instante achei que ele ia tentar pular do lance-livre e enterrar com as duas mãos, como o Carter fez em 2000 e que recebeu o nome de "Superman Dunk", mas não, ele só pulou de muito longe e arremessou a bola na cesta! Nem enterrou, ARREMESSOU! Foi o máximo!!! Respondendo à enquete aí do lado, eu deixava a Jessica Alba de lado fácil fácil pra poder ver um campeonato de enterradas!

Na final, D-Ho usou uma enterrada que só não era nova pra quem viu o vídeo dele treinando. Aquele tapinha na tabela antes de enterrar, já no ar, foi algo lindo demais e que nunca tinha sido feito em um campeonato de enterradas! Coisa de doido! E pensar que hoje ele disse que começou a preparar as enterradas há duas semanas apenas. Haja criatividade!
Depois da enterrada da meia do Gerald Green, o Howard só precisava de uma boa enterrada pra garantir o título. E fez até mais do que isso. Fiquei um pouquinho triste com o fato dele não ter colocado a cestinha pequena em um lugar mais alto, como na altura de 2,60m que ele tinha pedido. Mas mesmo assim foi uma bela enterrada para finalizar um belo campeonato. Campeonato este que você pode ver os melhores momentos aqui:



Espero, do fundo do coração, ver Dwight Howard de volta no ano que vem para defender seu título. Por enquanto vamos ver se ele, pelo menos, garante umas boas enterradas hoje no All-Star Game.

Ah, e o Bibby foi para o Hawks em troca de uma escolha de segundo round, Shelden Williams, Tyronn Lue, Anthony Johnson e Lorenzen Wright. Mas falamos disso a fundo quando o All-Star Weekend acabar.

Bom All-Star game para todos e boa sorte na nossa promoção!