domingo, 29 de novembro de 2009

8 ou 80 - Evolução das equipes

Um post sobre cheerleaders gostosas? Não, sobre números! Yeah!


O primeiro mês de temporada já se foi, a maioria dos times está beirando os 20 jogos disputados. Acho que já dá pra ter uma idéia da cara de cada equipe para essa temporada. Ainda tem muito tempo para trocas, para evoluções, para contusões, para brigas, para um monte de coisa, mas não dá pra negar que com 20 jogos já dá pra conhecer as equipes.

Farei aqui uma comparação dos números das equipes nessa temporada com a anterior, para ver onde elas melhoraram, pioraram e assim tentar ver qual será o destino de cada uma nesse ano.

Pontos

O time que mais melhorou em pontos em relação à temporada passada foi o Memphis Grizzlies. Claro que isso não tem nada a ver com os três jogos do Allen Iverson, mas sim com a presença do nosso gordinho favorito, o Zach Randolph! São 8,3 pontos para o Grizz a mais que na temporada passada. O Zach Randolph tem vários defeitos mas se tem uma coisa que ele sabe fazer é pontua, ainda mais se comparado ao Darrell Arthur, titular do ano anterior.

Mas não é só isso, o time está fazendo mais pontos também porque arremessa mais a cada jogo. São, em média, 5 arremessos a mais a cada partida, talvez reflexo dos 4 rebotes ofensivos a mais que a equipe pega por jogo. E nessa conta dos rebotes pode-se colocar não só o gordinho, mas também a evolução do Marc Gasol, que sem ninguém perceber tem jogado demais e feito aquela troca do Pau Gasol para o Lakers fazer um tiquinho a mais de sentido.

Em relação à temporada passada, Marc Gasol é o sexto jogador que mais evoluiu no ranking de eficiência.

Atrás do Grizzlies aparecem o Atlanta Hawks e o Toronto Raptors, com pouco mais de 6,5 pontos de evolução. O Atlanta está aí pela aquisição do Jamal Crawford e o Toronto um pouco pelo Turkoglu e um pouco pela evolução do Andrea Bargnani. Curioso que desses três times, apenas o Hawks teve uma melhora bastante significativa no nível geral de jogo, o Grizzlies apenas deixou de ser o maior saco de pancadas do Oeste e o Toronto está muito abaixo do esperado e hoje não estaria indo para os playoffs. Não basta fazer mais um punhado de pontos para ser um time melhor.

Do outro lado da tabela a resposta é óbvia. O time que mais piorou em número de pontos foi o New Jersey Nets, que encerra o primeiro mês de temporada sem uma vitória sequer. São 12,4 pontos a menos em relação à temporada 08-09. O segundo pior coloca um sorriso na cara de Duncan do Ben Gordon: é o Chicago Bulls. Depois de não querer pagar uma nota preta pelo seu cestinha, o time faz 12,4 pontos a menos a cada jogo mesmo com número quase igual de arremessos por partida.

Rebotes

Nos rebotes mais uma vez o Memphis é o primeiro colocado. Dos 5,5 rebotes que pegam a mais, 3,3 vêm da melhora do Marc Gasol. Logo depois aparecem o Sacramento Kings, Atlanta Hawks e Milwaukee Bucks. Tirando o Grizzlies, que já comentamos, os outros três são times que realmente melhoraram muito em relação à temporada passada, não só em estatísticas mas também em número de vitórias e qualidade do jogo em geral. Rebotes são, então, melhor forma de definir se um time melhorou seu jogo do que o número de pontos feitos?

Parece que sim. Dos 30 times da NBA, apenas 4 (Pistons, Grizzlies, Nets e Wolves) não tem recorde positivo em partidas que conseguiram pegar mais rebotes do que o adversário. Analisar apenas o número de pontos feitos por jogo engana porque ele só é importante quando analisado juntamente com a média de pontos sofridos e aproveitamento dos arremessos.

Essa é uma temporada mais reboteira que a passada. Das 30 equipes, 18 pegam mais rebotes que na temporada passada e só 5 tem mais de 1 rebote a menos de média. São Sixers, Cavs, Knicks, Warriors e Celtics. Desses, o Warriors tem a desculpa de que seu único pivô nato, Andris Biendris, quase não jogou por estar machucado. O resto não tem esse argumento. O Sixers teve a volta de Elton Brand, o Knicks deixou passar o Jennings no draft pra pegar o reboteiro Jordan Hill, o Cavs agora tem Shaq e o Celtics tem a volta de Garnett e a contratação de Rasheed Wallace.

O Celtics, aliás, é o time que mais piorou nesse quesito. Sao 4,1 rebotes a menos do que na temporada anterior. Embora o número chame bastante atenção, eles ainda estão entre os melhores times do Leste, tem a melhor eficiência defensiva da NBA e só Blazers e Bobcats tomam menos pontos por jogo na liga.

Contando apenas os rebotes defensivos, o time que mais evoluiu é o Bucks, e o Rockets é o que mais piorou. Contando apenas os ofensivos, o Grizzlies é o de melhor evolução
(o Rockets é o segundo) e o que piorou mais é o Warriors (seguido de Celtics e Cavs).

Assistências
Se fosse para eu adivinhar, erraria 100% de quais são os times que mais melhoraram em número de assistências. Em um ano com tantos novos armadores em times ruins, apostaria que Kings e Bucks, por exemplo, fossem os times que mais melhoraram, mas não, o Bucks dá 0,5 assistências a menos do que antes e o Kings dá menos 0,4.

O time que mais melhorou é o Houston Rockets, que sem suas estrelas foi obrigado a jogar um basquete mais coletivo e hoje dá 2,6 mais assistências do que na temporada passada. E, que fique claro, um basquete coletivo que dá certo, porque para contar a assistência na estatística o arremesso deve entrar na cesta depois do passe, não adianta basquete coletivo sem aproveitamento de arremesso.

Depois deles aparece o Celtics, talvez por estar confiando mais a bola em Rajon Rondo e menos em jogadas individuais. Em terceiro está o Hornets, que achei que estaria lá longe na lista porque o Chris Paul estava até tentando arremessar mais e passar menos antes de se machucar, de tão ruim que o time estava. Em quarto está lá, de novo, o Grizzlies. Será que eles eram tão ruins que mesmo sendo um dos times que mais melhorou em pontos, assistências e rebotes eles ainda são ruins? Que absurdo!

Fechando o Top 5 está o Lakers, com 1,8 assistências a mais. Outro dado que eu não esperava, já que nesse primeiro mês, com o Gasol de fora de grande parte dos jogos, o Lakers viu o Kobe assumir as rédeas do ataque e ter várias atuações em que ele segurava muito a bola em sua mão. 10 a 0 para os números em cima das minhas impressões nesse quesito.

O time que mais caiu em número de assistências é, claro, o Nets, eles são os piores em tudo, não tem nem o que questionar. Logo atrás está o Detroit Pistons. Com jogadores como Stuckey, Ben Gordon e Villanueva na equipe, é de se esperar um time recheado de jogadas individuais e sem muitas assistências.

Roubos
Wolves, Warriors, Celtics, Rockets e Bobcats são os times com evolução considerável em roubos. O Wolves, com 2,4, é o com mais destaque e muito disso pode ser colocado na conta do novato Jonny Flynn e principalmente na evolução significativa do Corey Brewer, um cara de que todo mundo esperava muita coisa e que só agora começou a render na NBA. Ele é o terceiro jogador que mais evoluiu em roubos, com 1,1 a mais do que no ano passado e sexto colocado geral em média de roubos por jogo.

Tocos
Aqui o time que mais cresceu foi o Indiana Pacers, com 2,3 tocos a mais do que na temporada passada. A princípio pensei que fosse porque nesse ano estamos presenciando uma evolução enorme no jogo do pivô Roy Hibbert, mas na verdade o Hibbert corresponde a só 0,8 toco desse crescimento. Outros 0,8 aparecem das mãos do surpreendente Danthay Jones e o resto está nos outros jogadores como Troy Murphy e até do Luther Head.

Com essa evolução, o Pacers é hoje o time que mais dá tocos na NBA, 7,6 por jogo. Seguido pelo Atlanta Hawks com 6,4. O Atlanta é também o segundo na evolução em relação ao ano passado, com 1,9 a mais, impulsionado principalmente pelo Josh Smith, atual líder da NBA com 2,56 tocos por jogo.

Arremessos

Impulsionado pelo fato de ser um dos principais times em rebotes ofensivos, o Rockets é o time que mais cresceu em número de arremessos tentados por jogo. Hoje arremessam 7,6 bolas a mais do que no ano passado. Um número essencial para uma equipe com armas ofensivas limitadas. Como não poderia deixar de ser, Hawks e Grizzlies estão também no Top 5. O Memphis, inclusive, é o time que mais cresceu no número de arremessos certos (+4,3) e aproveitamento de arremessos (+2,4%).

Em tentativas de arremesso de três o time que mais cresceu foi o Phoneix Suns. A volta do run'n'gun fez com o que Suns tentasse 5,5 bolas de longe a mais do que na temporada anterior, acertando 3,5 a mais. O time do Nash também é o líder em evolução do aproveitamento das bolas de longe, melhorando seu número em 6,3%.

Em todos os números citados nesse quesito o Nets é, disparado, o que mais piorou.

Turnovers e faltas

Falando em Nets, vamos falar de coisas ruins. O time que quer atrair o LeBron James é o time que mais cresceu em número de erros, 2,9 a mais do que no ano passado. Com 2,4 está seu parceiro de merda, o Wolves. Quem mais cortou erros foi o Oklahoma City Thunder, que tem 1,3 erros a menos. A parte mais interessante desses números é que só 6 times (Thunder, Celtics, Suns, Bobcats, Nuggets e Bulls) tem menos erros do que na temporada passada, o resto piorou. Provavelmente reflexo do começo de temporada.

O Toronto Raptors é o time que mais cresceu em número de faltas por jogo. São 5,1 a mais do que na temporada passada. Em segundo está o Spurs com 3,7. Do outro lado da tabela está o Celtics, que faz 2,1 faltas a menos do que na temporada 08-09.
...

Claro que esse é apenas um balanço do primeiro mês e será muito mais significativo fazer tudo isso de novo quando a temporada regular estiver mais próxima do seu final, mas creio que tenha ajudado a dar uma olhada em como é essa NBA da nova temporada. Se der tempo e eu tiver paciência, em breve faço análise parecida olhando para os números individuais e não os das equipes.

sábado, 28 de novembro de 2009

Muito ajuda quem não atrapalha

Aqui jaz um McGrady


Enquanto Allen Iverson decidiu se aposentar e provavelmente apenas vai tirar um ano de folga pra fazer umas cruzadinhas em casa, outra estrela se segura pelas beiradas para não se aposentar: Tracy McGrady. A diferença principal é que, ao contrário do Iverson, McGrady está sendo aposentado, não se aposentando.

Os problemas de saúde do T-Mac são antigos, desde seus tempos de Orlando Magic. Sempre sentiu dores terríveis nas costas, o que era bastante simbólico já que ele carregava a equipe inteira sozinho sendo o cestinha da NBA. No Houston, as dores nas costas começaram a dar as mãos para uma dor no joelho. Toda vez que um chinês espirrava no mundo, McGrady perdia um jogo graças a alguma contusão. As partidas que jogou ao lado de Yao Ming foram pouquíssimas ao longo dos anos, porque sempre um dos dois tinha virado farofa - McGrady, sozinho, perdeu 125 partidas ao longo de suas 6 temporadas em Houston. Aos poucos, a equipe teve que aprender a se virar sem os dois. Mas o que sempre estragou as coisas era aquele ar de dúvida, "será que o McGrady vai ou não vai jogar essa noite?", porque ninguém sabia que papel teria em quadra e como enfrentaria o outro time até o último segundo, quando o estado do T-Mac era liberado. Alguns jogos ele entrava, outros não, e o time inteiro ficava refém de sua condição. Nem sei se o Houston tinha "Síndrome de Gilbert Arenas", aquele fenômeno que faz o Wizards jogar melhor sem sua estrela (e o Kings chutar traseiros sem o Kevin Martin), o que importa é que o time jogava muito melhor tendo certeza de que o T-Mac não iria entrar em quadra do que quando ficava na dúvida.

Conforme o Houston foi pegando mais as manhas do esquema do técnico Rick Adelman e abraçando um basquete mais coletivo, começou a ficar meio óbvio que o McGrady não era tão importante assim. Foi sem ele que o time passou da primeira rodada dos playoffs, foi sem ele que o time surpreendeu todo mundo e se mantém na elite do Oeste mesmo sem nenhum sinal de estrela. Mas o tempo passa, o tempo voa, a poupança Bamerindos foi à falência, e eis que a reabilitação de Tracy McGrady está completa: ele pode voltar a jogar.

A verdade é que, depois da temporada passada, T-Mac foi liberado para treinar em Chicago, no paraíso dos ratos de ginásio, com o sujeito responsável por fazer Dwyane Wade voltar de contusão e quase ser MVP. T-Mac passou todas as suas férias treinando com o próprio Wade e com o Devin Harris em regime integral, sem falar nos outros jogadores que sempre dão uma passadinha para torrar suas verdinhas e tentar se manter em forma. Para participar dos treinos, McGrady foi liberado por um cirurgião fodástico - ainda havia dor, mas o corpo estava recuperado.

Quando a temporada começou, no entanto, o Houston preferiu não liberar o T-Mac para jogar. Sequer deixaram que ele participasse dos jogos de pré-temporada. Disseram que dessa vez ele precisava voltar com o corpo impecável e sem qualquer sinal de dor, ou seja, disseram que ele precisava nascer de novo ou trocar de corpo com a mãe, tipo aquele filme com a Linsey Lohan. Juntos, marcaram uma data para sua volta, mas desde então continuam adiando à espera de mais e mais exames, alegando que os resultados ainda não são suficientes. O Iverson percebeu que não era querido no Grizzlies em apenas um jogo, ele precisa dar uns toques para o McGrady perceber que o pessoal em Houston não parece gostar muito do sujeito.

Os motivos são bem óbvios e não muito nobres: após perder 41 jogos seguidos, a NBA passa a devolver para o time até 80% do salário do jogador bichado. É quase um seguro para jogadores com defeito de fabricação e acredito que, secretamente, essa regra deve chamar "Cláusula Tracy McGrady", porque nenhum jogador de basquete passa mais tempo contundido na história do esporte do que ele. Com um time funcionando bem pra burro, temores reais (e bem válidos) de que seu jogo interrompa a química do time e o jogo mais coletivo da NBA até agora, e o maior salário da NBA na temporada (são mais de 23 milhões de doletas!) podendo ser devolvido em grande parte para os cofres da equipe, não é surpresa nenhuma que estejam empurrando T-Mac com a barriga. Todo mundo por lá quer mais é que ele encha o saco e aposente, como o Iverson, e como seu contrato acaba ao fim da temporada, ele pode voltar ano que vem e arrumar outra equipe que tope lidar com suas contusões.

Mas o McGrady não está muito interessado em se aposentar, deve ter enjoado de fazer cruzadinhas nesse tempo todo que passou lesionado. Quando ele cansou de perder, de jogar em times que fediam, de ter dores terríveis nas costas, falou para os jornalistas que jogaria apenas mais alguns anos, ganharia um título e daria o fora desse esporte idiota. Mas o título, que parecia tão plausível no Rockets, foi ficando cada vez mais distante, a maldição de não passar da primeira rodada dos playoffs foi pegando cada vez pior pro currículo, e agora o papo de aposentadoria deixou de vir à tona. Com o fim do seu contrato, é bem possível que T-Mac aposente, principalmente se apenas o Grizzlies se interessar em lhe oferecer um contrato mequetrefe, mas o mais provável é que ele ainda tenha muita energia para tentar mudar a fama que adquiriu nos últimos anos. Sem dores pela primeira vez desde que chegou a Houston, tendo aprendido a centralizar menos o jogo, atacar menos a cesta e a armar as jogadas da equipe, McGrady quer mostrar que pode vencer, que pode se encaixar, que ele só se lasca porque está doendo ou porque seu time fede. Ou seja, ainda não está preparado para assumir a responsabilidade pelos seus fracassos.

Então, com isso em mente e de saco cheio de ficar sendo deixado de escanteio (prática conhecida como "a técnica ninja Jamaal Tinsley de ignorar um jogador tempo o suficiente para ver se ele desaparece sozinho"), T-Mac vestiu seu uniforme mesmo sem ter sido liberado pela equipe e foi se aquecer normalmente como se estivesse listado para a partida. Sentou no banco de reservas, torceu pelos companheiros, e a torcida ficou mesmo achando que ele entraria em quadra. Ele próprio sabia que não entraria, mas a ação foi o bastante para gerar uma discussão épica com o técnico Rick Adelman nos bastidores e alertar o planeta inteiro de que ele quer e pode jogar, é o time que não deixa.

Estou me divertindo muito com o Houston nessa temporada, o time fede mas funciona, o jogo é bonito de se assistir, o banco de reservas é cheio de energia, o elenco é recheado de especialistas e todo mundo está disposto a dar um passe a mais. Mas no final do jogo contra o Spurs, ontem de noite, faltou alguém para decidir o jogo no finalzinho - Kyle Lowry estava no fim da bateria e o Trevor Ariza não é particularmente decisivo, nem anda com a pontaria boa. Contra o Mavs foi ainda pior, sem uma jogada de segurança quando as coisas estavam dando errado, o Houston tomou um pau vergonhoso. A previsão para a equipe continua: vão ganhar muitos jogos, ir para os playoffs, mas não tem como ganhar dos times grandes de verdade, principalmente em uma série de 7 jogos. Ninguém vai querer enfrentar o Houston, isso é verdade, porque os jogos vão ser brigados, suados e censurados para menores de 18 anos, mas a vitória seria difícil.

Aquele Tracy McGrady que participou da sequência de 22 vitórias seguidas do Rockets se encaixaria nesse time. Jogaria de armador, abusaria nos passes, arremessaria de longe mas sem forçar arremessos. Já o McGrady de antes afundaria esse time, todo mundo iria parar para ver a estrelinha jogar e todo o coletivo iria para o buraco. É por isso que eu confio no T-Mac: ele sabe se adaptar, sabe mudar seu jogo, é capaz de jogar pelo coletivo - só não consegue assumir a responsabilidade nas horas decisivas, mas certamente consegue pontuar quando ninguém mais está tendo sucesso. Só não sei se, nos moldes do Iverson no Grizzlies, ele toparia jogar só uns 20 minutos por jogo para continuar dando espaço para toda a pirralhada que está mantendo o Houston vivo. Sou a favor de sua volta, e é bem claro que ele quer voltar, mas não sabemos do que ele está disposto a abrir mão para isso.

Assim como o Jamaal Tinsley foi ignorado no Pacers até desaparecer e agora tem nova chance no Grizzlies (sempre o Grizzlies, pegando essas estrelas em decadência), que aliás está aproveitando muito bem, McGrady pode passar a temporada ignorado no Houston e ano que vem arrumar espaço em outra equipe para aproveitar o pouco que sobra no seu tanque (e no seu saco). Só esperamos que ele não seja aposentado antes da hora contra sua própria vontade apenas por razões financeiras. No Houston, a política é que o T-Mac ajuda quando não estraga o time e quando devolve seu salário para os engravatados, mas se isso levar McGrady a se aposentar será uma enorme tristeza. Ele e Iverson podem ter papeis secundários na NBA, mas ainda são capazes de transformar partidas, adaptar seus jogos e iluminar esse nosso esporte que já tem saudade dessas estrelas. Quer dizer, o Grizzlies não tem saudade de nada - e o Houston, se receber o dinheiro de volta, também não.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Mais Allen Iverson

Um dia essa foto vai ser raridade

Eu gosto muito do Jeff Van Gundy como comentarista. Como técnico ele era um chato mau humorado que montava times entediantes e defensivos, fazendo comentários ele é um palhaço que sabe o que diz. Quer dizer, às vezes ele chuta o pau da barraca como quando diz que a NBA não deveria ter limites de faltas pessoais! Se isso acontece, ia ser um festival de pauladas a cada infiltração e veríamos um campeonato de lances livres. Mas quando ele acerta, acerta em cheio, como quando disse que não existe pior tipo de jogador para se treinar do que a estrela em decadência.

Ele sabe disso porque treinou várias dessas estrelas decadentes, o caso mais marcante foi quando foi técnico do Patrick Ewing em fim de carreira. O cara era um dos melhores pivôs da história do basquete e de repente a idade o pegou de jeito e ele não conseguia ser mais do que um um role player ordinário.

Para o Van Gundy é muito difícil para o jogador entender e depois aceitar que não é mais o jogador que era antes. Mas por mais habilidoso e talentoso que um jogador seja, se perde a parte física, o jogo como um todo é comprometido e ele não consegue fazer o que fazia antes. Isso já deve ser difícil pra qualquer um, mas considerando o ego e a auto confiança que costumam ter essas super estrelas, para eles deve ser pior ainda.

É o que aconteceu agora com o Allen Iverson. Ele não conseguiu aceitar que não é mais o mesmo cara de antes, ainda acha que pode ser cestinha e melhor jogador da NBA e por isso ficou desempregado e agora anuncia a aposentadoria. Fiquei um pouco triste quando li a notícia, mas pensando bem não é nenhuma novidade, já tínhamos visto filmes parecidos outras vezes, a situação do Iverson pode ser vista como um misto de Stephon Marbury, Latrell Spreewell e Antoine Walker.

Stephon Marbury jogava muito no Nets mas nunca conseguia levar o time muito longe, aliás não levou nem um pouco longe, aquela porcaria de time só não fedia menos do que o Nets de hoje, que tem tudo para ter o pior começo de temporada da história da NBA. Então o Starbury foi mandado para o Suns em troca do Jason Kidd, o que culminou no Suns sendo eliminado na primeira rodada dos playoffs e o Nets com dois títulos seguidos do Leste. Impossível não associar com o Nuggets, que era um time de primeira rodada de playoff com o Iverson e que virou finalista do Oeste com o Chauncey Billups. Nos dois casos a diferença foi tanta com apenas a troca de uma peça que não tinha como não culpar os antigos jogadores. Marbury e Iverson logo ficaram com fama de estragar equipes. Nos EUA já tinha pessoas mudando o apelido do Iverson de The Answer para The Cancer.

Já no caso do Sprewell a questão foi a grana. Ele vinha de duas boas temporadas com o Timberwolves e virou um Free Agent. O Wolves ofereceu uma extensão de contrato de 3 anos com um salário de 7 milhões por temporada que foi respondido com um "Não vou aceitar esse contrato, tenho uma família para alimentar". Ninguém ofereceu mais nada pra ele, nem o mínimo, sua carreira acabou e hoje está atolado em dívidas. O Iverson fez quase isso, mas não com dinheiro, com status. Ou alguém dá pra ele um status de estrela ou ele não joga. Não joga.

O Antoine Walker com sua cabeça de lego foi um All-Star, liderou o primeiro bom time do Celtics depois da era Larry Bird junto com o Paul Pierce e era considerado um dos jogadores mais completos da liga, um dos grandes point fowards (alas que jogam armando os times, tipo o Lamar Odom) da NBA. De repente ele foi trocado milhões de vezes, virou reserva, moeda de troca à la Quentin Richardson e acabou por ser dispensado do seu último time, o Grizzlies (coincidência!), encerrando sua carreira. O declínio de craque para piada foi tão grande e rápido quanto o do Iverson de super estrela e futuro Hall da Fama para um câncer que estraga equipes.

Embora haja tantas semelhanças, existe uma diferença básica: Iverson é bem melhor do que os três juntos. Spree, Walker e Marbury eram bons mas não sei se, depois do desgaste que tiveram e dos problemas que causavam, valiam o risco. Imagina a dor de cabeça de um general manager depois de contratar um desses? Precisa de coragem. O Iverson, no entanto, é bom o bastante para valer algum risco e é por isso que eu aposto todos os pés do Danilo que essa aposentadoria anunciada não será definitiva.

O próprio Iverson já disse que ainda acha que pode jogar bem (confiança nunca foi problema pra ele) e que não queria deixar o esporte agora, então é meio impensável que ele nunca mais jogue basquete. Uma solução para ele seria ir jogar na Europa, de onde vieram propostas na última offseason, mas como ele sempre comentou que queria passar mais tempo com a família eu acredito no famoso "ano sabático", um ano de folga para pensar na vida, tipo Jason Williams e Glória Maria, mais do que em experiência no exterior.

O ano fora da liga tem tudo para dar certo. É um tempo pra ele perceber que as suas duas únicas opções são aposentar ou ter um papel menor em um time com chances de título, como fazem hoje Shaq e Rasheed Wallace, dois caras de idade parecida com a de Iverson. O tempo também será bom para as pessoas esquecerem um pouco do papelão que foi essa sua passagem pelo Grizzlies, limpando um pouco sua imagem. E não podemos esquecer que a temporada que vem é a grande offseason em que a NBA terá 20.000 jogadores espetaculares com a opção de trocar de equipe.

Na muvuca de trocas de jogadores vai ter muito time buscando peças para virar candidato a título e muito time desesperado porque prometeu estrelas à sua torcida e não conseguiu (não dá pro LeBron ir para todos os times que o querem). O mercado estará bem mais aberto do que nesse ano e pelo menos uma oportunidade boa deve aparecer. Paciência e um ano de férias é o que eu daria para o Iverson se eu mandasse nele.

Mas como não mando nem no Kobe (o meu cachorro, não o Bryant), é possível que o Iverson seja mais apressadinho. O destino cuidou para que na semana da aposentadoria do Iverson o Philadelphia 76ers, time onde ele jogou quase a carreira inteira, perdesse seu armador titular Louis Williams por dois meses, contundido. O Louis já não tinha a confiança de todo mundo em Phila, imagina agora que estão usando o Jrue Holiday, que nem barba na cara tem!

Confesso que seria bem divertido e emocionante vê-lo de volta ao Sixers, não iria perder isso por nada, mas por mais bonito que seja não sei se é o melhor para o Iverson. Com a cabeça quente que ele demonstrou na sua longa passagem pelo Grizzlies (3 jogos, maior só do que o Rasheed no Hawks, com 1 jogo), ainda acho que o descanso de uma temporada faria melhor pra ele. E pra gente também, que não aguenta mais comentar o seu caso complicado. Espero falar dele de novo só depois de junho do ano que vem!

Para terminar, a passagem do Iverson no Grizzlies me lembrou muito esse texto aqui do site Trivela. AI na camisa feia do Memphis vai ficar tão marcado na memória do torcedor como Renato Gaúcho no São Paulo, Paulo Nunes no Corinthians, Rivaldo no Cruzeiro...

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Mais Ron Artest

Sei que não faz muito tempo que fiz um mini post mostrando o Ron Artest jogando o tênis do Ariza pra longe, e alguns meses atrás contei algumas histórias bizarras dele. Mas aqui estou eu pra comentar sobre o cara mais uma vez. Mas não é de graça, o Artest tá sempre aprontando uma nova. Nessa semana ele foi ao programa do Jimmy Kimmel na TV dos EUA para dar uma entrevista usando apenas cuecas!!!


O Jimmy Kimmel faz um talk show no estilo David Letterman e Jay Leno que aqui no Brasil é copiado pelo Jô Soares. Em todos os programas as entrevistas são meio ensaiadas, não tem muito valor jornalístico mas costumam ser divertidas quando tem entrevistados divertidos. No caso do Artest, claro que foi.

O Artest apareceu de cuecas para fazer referência a uma história que logo é contada na entrevista: no dia do jogo 7 entre Lakers e Rockets na temporada passada ele se atrasou, perdeu o primeiro ônibus que saiu do hotel com os jogadores, perdeu o segundo ônibus com a comissão técnica e, correndo de cuecas, conseguiu alcançar o terceiro ônibus, que tinha o dono do Rockets, amigos dos jogadores e convidados do time. Na entrevista o Artest argumenta a seu favor dizendo que não eram cuecas, eram shorts, com bolso e tudo. Doido.

Na continuação da conversa sabemos mais algumas coisas sobre o Artest, como que foi ele quem apresentou a Khloe Kardashian ao Lamar Odom. Para quem não sabe, a Khloe é uma riquinha que ficou famosa na TV americana quando sua família ganhou um reality show terrível que aqui passa no canal E!. Ela não é tão gostosa quanto sua irmã Kim, mas é celebridade o bastante para ter tornado seu casamento com o Odom, pouquíssimo tempo depois dos dois terem se conhecido, um evento de Los Angeles. Acho que aqui seria o equivalente da Nana Gouvêa casar com o Diego Souza (e bem menos trash do que o Leonardo Moura pegar a Perla)

Mas o fato mais bizarro mesmo é saber que o Artest é formado em matemática! Se formar em matemática é mais maluco do que brigar com torcedores e ir de cueca na televisão! O próprio Jimy Kimmel pediu para o Artest voltar lá toda semana, o cara é um universo de boas histórias.

A entrevista pode ser vista no vídeo abaixo:


E como desgraça pouca é bobagem, que tal uma música do Artest em homenagem às mulheres afegãs? Acabou de sair do forno o clipe...


...
ps. Ontem morreu Abe Pollin, dono do Washington Wizards. Ele era o dono de time que há mais tempo tinha uma equipe da NBA. Já estou preparando um Dono da Bola sobre o vovô.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Brilha brilha estrelinha

Vince Carter é marcado por três mãos


O jogo da última sexta-feira entre Orlando Magic e Boston Celtics teve como personagem principal um dos poucos jogadores que não estavam presentes na emocionante série de 7 jogos que os dois times protagonizaram alguns meses atrás: Vince Carter. Ser o principal não quer dizer que ele foi o melhor naquele dia, nem que a torcida só tinha olhos pra ele, apenas quer dizer que tudo de mais importante passou pela sua mão e foi ele quem decidiu a parada.

Essa predominância de Carter num jogo com tanta gente boa, em uma situação normal, chamaria a atenção, mas não seria um absurdo. No Magic, porém, fica esquisito. O time nunca foi de concentrar arremesso na mão de ninguém, nem o Dwight Howard que domina os garrafões da NBA arremessa tanto! Não é muito incomum ver Dwight, Rashard Lewis e outros jogadores de nome acabarem um jogo com número de arremessos bem parecidos com coadjuvantes como Mickael Pietrus ou Ryan Anderson.

Fugindo completamente dessa distribuição democrática, no jogo contra o Celtics o Carter arremessou 29 bolas. Depois dele quem mais arremessou foi o Rashard Lewis, com 11 tentativas. O Dwight Howard tentou só 4 chutes! Tá bom que ele enfrentou o seu nemesis, o Kendrick Perkins, mas mesmo assim é pouco demais. Durante esse show pessoal do Carter, passei por três sensações: a primeira óbvia de estranhamento, a segunda de indignação e a terceira de admiração.

A primeira é óbvia, achei muito Nets o Carter arremessar tanto. Quem deveria mudar nesse casamento de Carter com Magic é o Carter, que deveria emular o Turkoglu, não é o Magic que deveria fingir que é o Nets. Depois veio a indignação de não ver ninguém no time tomando uma atitude a respeito. O Stan Van Gundy até pode ter tentado mudar algo, mas como ele perde a voz quando grita, ninguém percebeu. O Dwight foi apático e não ficou pulando desesperado pedindo a bola no estilo JR Smith de ser. Assim, depois de um tempo o resto do time inteiro aceitou e começou a assistir o Carter jogar. E jogar mal, diga-se de passagem. Chegou ao cúmulo do arremesso a uns 5 passos da linha dos três com o relógio ainda com mais de 10 segundos de posse bola. Dos 29 arremessos, o VC acertou apenas 10 e o seu terceiro quarto pareceu muito com eu e o Danilo jogando sexta passada no Parque Villa-Lobos, um lixo.

Mas aí veio a admiração. Veio a hora em que a gente vê porque o cara se acha tanto: porque ele é. No quarto período, em que o time do Magic inteiro só esperava que o Carter fizesse alguma coisa para parar a reação do Celtics, ele fez. Acertou uns arremessos absurdos mesmo sendo muito bem marcado pelo Paul Pierce e fechou o caixão. Saldo positivo, pose de herói, torcida apaixonada pelo seu novo craque.

Só acho que esse resultado acabou sendo péssimo para o Magic. Tudo o que eles não precisavam era acreditar que o Carter é o salvador da pátria. Um cara para assistir e ver levar o time nas costas. Eles foram longe na temporada passada por acreditar no jogo de equipe, por movimentar bem a bola e deixar sempre o jogador mais bem posicionado arremessar. Tudo bem que no final dos jogos a bola ficava mais na mão do Turkoglu (e do Jameer Nelson na temporada regular), mas era só isso, no fim dos jogos.

O que o Magic precisa fazer é parar de se deslumbrar com o talento exuberante do Carter e tratar ele como um jogador normal durante toda a partida. Quando chegar nos minutos finais, aí é bola na mão dele. É hora de confiar no talento individual do cara. Não é fácil fazer isso, porém. A NBA tem uma cultura de confiar demais e idolatrar demais os grandes jogadores. Até entre os próprios atletas e juízes existe uma aura criada em volta dos super jogadores e se espera que deles aconteça tudo.

Muito desse pensamento tem algum fundamento. Não é coincidência que os últimos 10 títulos estão basicamente divididos entre Shaq, Kobe, Duncan e Garnett. Não se ganha um título sem um cara desse nível. Mas embora pareça óbvio que não é só isso pra quem vê de longe, na hora é natural um jogador ficar inibido ao ter um cara talentoso do lado e deixar ele jogar ao invés dele próprio tomar alguma iniciativa. Acabam por fazê-lo apenas quando a estrela, por algum motivo, não joga.

Exemplos que provam isso são fartos nos últimos anos e até nessa temporada. O Wizards que se superou sem Arenas, o Rockets sem Yao Ming e Tracy McGrady e mais recentemente o Kings sem Kevin Martin. Em todos os casos os jogadores menos talentosos perceberam que pra vencer sem as estrelas teriam que correr mais, lutar mais, defender mais, jogar um basquete mais coletivo, ter mais raça e, surpresa, quando se faz tudo isso, aparecem mais vitórias.

Quando se acha o equilíbrio entre quando usar o talento individual e quando usar o basquete coletivo um time está pronto para ir longe nos playoffs. Só ver o Lakers, que volta e meia tem o Kobe caminhando pela quadra nos dois primeiros períodos, quando Gasol e Bynum tomam conta do jogo, para depois, no último período, deixar o Kobe fazer sua mágica. Não tenho dúvida que o Magic está a esse equilíbrio de distância de se consolidar como o melhor time do Leste.


Mini 8 ou 80
Querem saber a diferença do Turkoglu da temporada passada para o Carter dessa temporada?

Hedo Turkoglu 08-09
16,6 pontos por jogo
5,1 rebotes por jogo
4,9 assistências por jogo
0,8 roubos por jogo
2,7 turnovers por jogo
13,1 arremessos tentados por jogo
4,5 arremessos de 3 tentados por jogo
5 lances livres tentados por jogo

Vince Carter 09-10 (primeiro mês)
18,7 pontos por jogo
4,5 rebotes por jogo
2,2 assistências por jogo
0,6 roubos por jogo
1,7 turnovers por jogo
16,5 arremessos por jogo
6 arremessos de 3 por jogo
3 lances livres tentados por jogo

O resultado é que o Carter arremessa mais, faz mais pontos, mas distribui muito menos a bola e por incrível que pareça, infiltra menos do que o Turko, ficando mais nos jumpers de longe.

Nova geração de armadores

Cadeiras vazias para ver Chris Paul e Deron Williams, duas peças de museu


Houve um tempo, muito distante, em que a rivalidade entre dois armadores dominava os debates sobre NBA. As donas de casa fofocavam sobre eles na calçada, os bêbados escolhiam o prefererido e ficavam defendendo o queridinho nas mesas de bar, e o pessoal que acompanha basquete e comenta nos fóruns jogava a vida na privada teorizando sobre qual dos dois era melhor sempre que dava um tempinho no Ragnarok. Os armadores eram Deron Williams e Chris Paul, e mesmo que ficar alegando que um era melhor do que o outro fosse a mair perda de tempo (assim como nós dizemos, desde o começo do blog, que é uma perda de tempo surreal comparar dois jogadores diferentes), a rivalidade era muito divertida de se acompanhar.

Os dois foram draftados em sequência, com o Williams indo para o Jazz com a terceira escolha e o Chris Paul indo para o Hornets com a quarta. Por algum tempo Paul pareceu o jogador mais completo enquanto Deron era o melhor pontuador e arremessador, mas os dois foram mostrando mais e mais aspectos de seus jogos até que não dava mais para dizer o que um fazia melhor do que o outro. O que podemos dizer, sim, é que o Chris Paul sempre tinha seu traseiro chutado quando os dois se enfrentavam e, no entanto, começou a receber mais atenção do público com sua atuação monstruosa nos playoffs. Foi parar no All-Star Game duas vezes, muitos consideram o rapaz o melhor armador da NBA, e o Deron Williams foi ficando um pouco de lado e ainda não foi parar no jogo das estrelas, o que é um crime tão grande quanto deixar a Alinne Moraes tetraplégica.

Mas essa rivalidade agora é velharia, tipo Kinder Ovo que custava 1 real. Os dois armadores estão fora das quadras por uns tempos e seus reservas, dois novatos, estão chutando traseiros. Todo aquele papo de que o draft desse ano tinha uma boa safra de armadores não era só papo pra te comer, temos Brandon Jennings marcando 55 pontos e transformando o Bucks, Tyreke Evans assumindo a armação do Kings e tornando o time bizarramente bom, tem o Stephen Curry quebrando um galho no Warriors sem Stephen Jackson e tentando sobreviver ao circo, o Ty Lawson fazendo miséria no Nuggets quando o Billups vai pro banco, o Toney Douglas sendo um dos poucos aspectos positivos do Knicks e jogando melhor do que o titular Chris Duhon, o Jonny Flynn impedindo o Wolves de ter a pior campanha da NBA apesar das contusões (o Nets também ajuda o Wolves a não ter a pior campanha) e além de todos eles temos os novatos que substituem Chris Paul e Deron Williams: são o Eric Maynor e o Darren Collison.

Os dois também foram draftados em sequência, também com o Jazz escolhendo primeiro. Mas ao invés da terceira e quarta escolha, foram draftados na vigésima e na vigésima primeira. Mas, nessa safra de armadores abençoada por deus e bonita por natureza mas que beleza, os dois chutam traseiros como não se imaginaria de escolhas tão altas, principalmente levando em conta que armadores costumam levar mais tempo para pegar as manhas da NBA do que jogadores de outras posições.

Quando o Chris Paul torceu o pé, a impressão que deu foi a de que o time estava fedendo tanto que ele até preferiu se contundir pra ir assistir ao filme do Pelé. Das dez partidas que disputou, Chris Paul venceu apenas três, e isso enquanto marcava quase 24 pontos por jogo. Era bem claro que ele estava tendo que pontuar completamente sozinho, e como o Tracy McGrady aprendeu nos seus tempos de Orlando, dá pra fazer 60 pontos num jogo e ainda perder se o teu time não souber nem amarrar o cadarço. Sem o Chris Paul, quem assumiu a responsabilidade de armar esse time incapaz de acertar a cesta foi o Darren Collison, e o pirralho já ganhou três partidas - e só tendo disputado cinco. A derrota de ontem para o Heat, por exemplo, só veio nos segundos finais depois de um arremesso certeiro do Udonis Haslem, o que mostra que o rapaz não apenas está no caminho certo mas também está tornando seu time mais eficiente sem carregar tanto o fardo ofensivo. Com 15 pontos e 6 assistências de média nas partidas como titular, Collison está abrindo espaço para outros jogadores aparecerem, como o também novato Marcus Thornton, escolha de segunda rodada, que marcou 22 pontos por jogo desde que o Chris Paul foi passear. A verdade é que esse time fede, fede muito, e fedia mesmo quando o Paul levou a equipe aos playoffs e impressionou todo mundo a ponto da gente não perceber o tamanho da bomba (tipo um cara feio com uma namorada gostosa, você acaba pensando algo como "ele não deve ser tãaaaao feio assim). Se ele continuar segurando o rojão sozinho, o time não apenas vai estagnar como vai acabar torrando os últimos traços de paciência do armador, que pode, no maior estilo "Tropa de Elite", simplesmente pedir pra sair.

Enquanto isso, em Utah, parece existir uma espécie de maldição que aflige as filhas dos armadores do Jazz. Assim como o Fisher enfrentou problemas com a saúde de sua filha que, por fim, acabaram gerando um acordo que permitiu ao armador voltar a Los Angeles (e ao Lakers) para poder estar perto dos maiores centros médicos, Deron Williams também pediu dispensa do Jazz por uns tempos para lidar com problemas de saúde de sua filhota. Ficamos na torcida de que não seja nada sério, que o Deron Williams possa voltar às quadras feliz e tranquilo, e que essa maldição não seja tão séria quanto a que faz o Clippers sempre feder ou o Wizards sempre ter alguém contundido. Nas duas partidas em que o Eric Maynor teve que assumir a armação titular da equipe, suas atuações foram incríveis. Contra o Sixers foram 13 pontos e 11 assistências, e contra o Cavs foram 24 pontos e 4 assistências. Mais do que isso, Maynor mostrou domínio nas jogadas de "pick-and-roll" que tanto fizeram a fama de Stockton e Deron Williams, apresentando um grande entrosamento com o Carlos Boozer. Parte disso parece ser culpa do Jerry Sloan, porque parece que se um anão de biquini for colocado pra armar o jogo no Jazz vai dar tudo certo, lembro de ver jogadores bizarros assumindo a posição em momentos de desespero e funcionando bem, como Gordan Giricek, o Raja Bell por quase uma temporada inteira, e até o Kirilenko, todos bem fora de sua posição natural.

Para o Jazz, saber que o Maynor se deu tão bem na função e que o Sloan deixa a vida dos armadores tão fácil é uma descoberta essencial. Esse começo de temporada não está sendo fácil para a equipe e Carlos Boozer e Paul Millsap são como pistoleiros de faroeste, ou seja, a cidade é pequena demais para os dois juntos. Ambos precisam de minutos, mas os dois precisam de bons armadores que permitam o "pick-and-roll" para que possam render satisfatoriamente. Se Millsap entrar em quadra acompanhado do Maynor, o Jazz ganha um banco de reservas que não deve muito à dupla titular Boozer-Deron, e isso não é pra qualquer um. Além de ser uma base para o futuro, já que a equipe se comprometeu com o Millsap pelos próximos anos, é uma garantia de que as mesmas jogadas podem ser usadas pelo escalão reserva, que sempre foi um dos grandes pontos fracos do Jazz.

Da próxima vez que Jazz e Hornets se enfrentarem, e provavelmente o Hornets vai estar fedendo bem mais do que o Jazz, ninguém mais vai estar de olho no duelo entre Chris Paul e Deron Williams. Todo mundo vai querer ver Eric Maynor e Darren Collison se pegando, porque as duas equipes parecem destinadas a ter uma tradição de armadores rivais. O universo conspira para que sejam draftados em sequência, para que tenham chances no time titular ao mesmo tempo, e vai conspirar para grandes partidas entre os dois pelos próximos anos. Tudo graças à melhor safra de armadores puros que a NBA já viu, e olha que nem temos o Ricky Rubio nessa brindadeira ainda. Se bobear, é sorte dele: no meio de tanto, tanto talento, ele teria que suar as pitangas para fazer jus aos seus companheiros de posição. Afinal, armadores que substituem Chris Paul e Deron Williams à altura tem que ser espetaculares - e olha que nenhum deles fez 55 pontos. Ainda.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O novo Spurs

Josh Smith aprova este texto


Quando eu comecei esse blog pra falar de NBA com o Danilo, nunca pensei que um dia iria escrever isso, mas vai lá: o Atlanta Hawks é melhor que o San Antonio Spurs. Pronto, falei! Mudamos para o mundo bizarro da NBA e ninguém percebeu porque estávamos muito ocupados dizendo #comofas no Twitter.

Não queria admitir, ia esperar mais tempo pra dizer, mas não resisti a falar a verdade. Hoje o Spurs é ainda um time forte, cheio de talentos, mas que não mete medo em ninguém e está recheado de defeitos óbvios. O ataque é lento nas trocas de passes e acabam forçando jogadas individuais no fim da posse de bola, a defesa não chega nem perto da fortaleza que já foi e as contusões insistem em encher o saco. Não temos nem um mês completo de temporada e tanto Duncan quanto Ginobili e Parker já perderam jogos por lesão.

Não sou doido de dizer que eles não tem chance de título nesse ano. Qualquer time com um bom elenco, histórico vencedor e um bom técnico não pode ser deixado de fora depois de menos de um mês de temporada, mas se caírem na primeira rodada dos playoffs de novo eu vou achar bem normal.

Enquanto isso, o Atlanta Hawks é um time sólido, regular, de boa defesa e agora até com banco de reservas. Até banco de reservas! Vocês tem noção que em 12 jogos o Hawks venceu 10 e no meio disso tem duas vitórias sobre o Blazers, uma sobre o Nuggets e até uma sobre o Celtics em Boston? Bizarramente uma das duas derrotas deles foi para o Bobcats, a outra foi para o Lakers.
O time foi o Clippers do Leste por tanto tempo e agora eles tem banco de reserva. E eu achando que ver o São Caetano na final da Libertadores tinha sido a maior aberração esportiva da década.

A história desse time do Hawks é rara nos dias de hoje. Eles montaram essa equipe na base de Free Agency, draft e muita, muita paciência. Josh Smith, Al Horford e Marvin Williams vieram em draft. Mike Bibby e Jamal Crawford foram trocas, o Bibby foi para Atlanta numa troca com o Kings e o Crawford numa troca com Warriors. O Joe Johnson foi para lá quando virou free agent.

Não são poucos os times que sabem escolher jogadores bons no draft mas não tem saco para montar o time em volta deles. Ou então não montam um ambiente animador para o pivete, que na primeira chance parte para um contrato milionário com outra equipe. Mas o Hawks não, foi visionário ao ver que o Joe Johnson poderia sim liderar uma equipe. Decidir quem é o franchise player não é fácil para esses times menores, eles costumam pegar o melhor jogador que têm, pagar uma nota e não vêem que muitas vezes o cara é só bom, não espetacular. Só ver o Bucks com o Michael Redd, Warriors com o Monta Ellis ou o Kings com o Kevin Martin.
O Joe Johnson, ao contrário desses todos que citei, acabou se tornando um líder dentro do elenco, evoluiu para se tornar mais que só um arremessador e hoje é daqueles caras que pode ganhar um ou outro jogo sozinho, como já fez até nos playoffs.

Esse processo todo foi lento. O JJ não chegou do Suns já sendo uma estrela, ele não evoluiu mais rápido que Pokémon como o LeBron James. E nessa lentidão quem o acompanhou foi o Josh Smith, que de aberração física se tornou bom defensor, bom reboteiro e, mais importante, um jogador inteligente. Em entrevista recente à revista Dime, ele disse que não está mais chutando de 3 nessa temporada porque não é a área dele. Como não estava com bom aproveitamento, resolveu se focar no que é de verdade, um ala de força. Também disse que não liga em não ser o principal jogador do time, que apenas quer vencer e ajudar. Um cara com o ego do tamanho do mundo exigiria uma troca para ser uma estrela, afinal potencial pra isso o Josh Smith tem, mas ele foi esperto o bastante para sacar que pelo menos hoje em dia ele não é tão bom assim e que ganha mais ficando no Hawks. Ganha mais experiência, mais (e melhor) visibilidade, mais jogos.
Nessa temporada até o Al Horford está melhorando. Depois de ser ótimo como novato, ele desanimou todo mundo na temporada passada quando parecia ter estagnado. Foi só comodismo de segunda temporada, porque nessa temporada ele já está fazendo muitos pontos, com ótimo aproveitamento de arremessos (até porque quase nunca força o que não sabe) e até tocos está dando. Nada mal para um cara que nitidamente é improvisado como pivô.

Do Bibby acho que até comentamos algumas vezes na temporada passada. Não é o mesmo jogador que fazia muito estrago na época do Kings mas chegou para livrar o Joe Johnson de ter que bater o escanteio e ir cabecear (inventei essa agora!). O Bibby arma o jogo, dificilmente faz alguma asneira e ainda sabe arremessar de três, coisa que foi bem problemática para o Hawks por anos a fio.

A cereja no bolo foi a adição do Jamal Crawford. O banco do Hawks já tinha o esforçado (eufemismo para “ele compensa a falta de talento com vontade”) Maurice Evans e a piada pronta Zaza Pachulia para dar um gás na equipe, cobrir buraco. Mas não tinha alguém que chegasse pra mudar a cara de um jogo amarrado ou para simplesmente marcar pontos quando o Joe Johnson não estivesse na quadra.

O Jamal Crawford pode ter dificuldade para fazer mil coisas: para passar a bola, para ser bonito, para ter relações amorosas estáveis, para fechar Goldeneye 007 no nível "00 Agent", para chamar a amiguinha da sala pra ir no cinema e tudo mais, mas não tem dificuldade em marcar pontos. Deus chamou ele antes dele vir pra Terra e disse “Você vai à terra para marcar pontos em uma atividade humana chamada basquete. Sim, sua vida é patética”.

Jamal topou o desafio e veio aqui fazer a vontade divina. O cara marca muito ponto, dribla fácil (Top 5 em dribles mais devastadores da NBA) e faz isso todo jogo. Por fazer só isso e nada além disso, no Bulls, no Knicks e no Warriors era visto mais como um câncer fominha do que como um bom jogador. Mas na verdade ele só estava na função errada. Colocar o Jamal Crawford para liderar o seu time é pedir para o Eddie House pensar antes de arremessar, nunca vai dar certo!
No Hawks a função dele é jogar poucos minutos, ser fominha, arrasar com os reservas adversários. Ele é a principal razão para que o Hawks seja o time que mais evoluiu em pontos por jogo em relação à temporada passada. Em 2008-09 eram 97 pontos por jogo, agoram são 107.

Os titulares então fazem tudo aquilo que estamos vendo há uns 3 anos pelo menos. Movimentação de bola bem lenta no jogo de meia quadra, jumpers de meia distância e infiltrações do JJ e do Josh Smith. Na defesa, agressividade e contra-ataque rápido, essa sim a melhor arma ofensiva deles. Se você viu o Hawks só naquela série contra o Boston Celtics dois anos atrás você sabe do que estou falando. Não mudaram em nada, a diferença é que agora não tem tantos altos e baixos entre um jogo e outro.

Paciência, evolução da meninada, um jogador principal calmo e técnico e um doido agressivo como sexto homem. O Hawks não é só melhor que o Spurs, é o Spurs do Leste.

Dos arremessos de três

Kobe Bryant resolveu ser o melhor pivô do Oeste, só porque ele pode


A pirralhada resolveu, nessa temporada, provar que sabe arremessar de três pontos. É uma série de caras novas, a maioria ainda cheia de espinhas, ganhando a vida bem longe do garrafão. O Danilo Gallinari, por exemplo, que é o líder em bolas de três convertidas por partida, tenta mais de 7 bolas de longa distância por jogo. Dois terços dos arremessos que ele deu até agora foram bolas de três, o que constitui uma fobia de garrafão tão grande que o Rasheed Wallace fica até parecendo um sujeito normal. Sorte do Gallinari que ele joga no Knicks, onde fazer uma bandeja dá prisão perpétua (no Warriors dá cadeira elétrica), porque se ele jogasse no Spurs já estaria esquentando banco.

A lista de bolas de três pontos convertidas por jogo tem, além do Danilo liderando a parada, uma renca de outros garotinhos sem pêlos no saco, como Channing Frye, Brandon Jennings (o novato dos 55 pontos), Eric Gordon e o Ryan Anderson, que substituiu o Rashard Lewis (suspenso no exame anti-doping) tão bem, mas tão bem, que já já vão ter que obrigar ele a mijar num potinho.

Na lista de bolas de três pontos convertidas na temporada, o líder é o Channing Frye, seguido pelo Gallinari. Ou seja, a criançada está realmente convertendo os arremessos de fora. As duas listas se complementam para afirmar essas caras novas, mas também para indicar quais times estão mais focados nos arremessos de três.

Além do Frye, o Jason Richardson aparece entre os que mais convertem arremessos de três por partida. O resultado é que o Suns é o time que mais chuta de longe e tem o melhor aproveitamento. É uma volta aos bons e velhos tempos de correria, pontuação alta, bilhões de assistências e bolas de três pontos. Talvez o plano do Suns tenha sido fingir que estavam enterrando a tática do "run and gun" até o Spurs começar a feder, para só então retomar a estratégia e tentar ganhar um anel. Pode até dar certo, e nós que acreditamos no Papai Noel e na virgindade da Sandy botamos uma fé no Suns, mas se eles passarem de uma defesa como a do Celtics eu sou um mico de circo. Ainda assim, esse Suns parece um tanto mais voltado para os arremessos de fora do que aquele que conhecíamos. Se não bastasse até jogador da safra "figurante do Chaves no episódio do suco de tamarindo" acertar as bolas de três, como é o caso do Jared Dudley, o pivô da equipe agora também chuta de longe e está no topo das listas que citamos. Ninguém acreditava muito no Frye, alertamos aqui antes da temporada começar que essa seria sua última chance na NBA, mas ele alterou seu estilo de jogo para casar perfeitamente com o Suns e está sendo uma grata surpresa. Se ele for pro campeonato de três pontos do All-Star Game vai ser hilário e poderemos acrescentar o rapaz para a lista de jogadores bons que o Knicks tinha mas trocou por pipoca.

Continuando na lista de bolas de três pontos convertidas na temporada, o terceiro lugar pertence ao Trevor Ariza, enquanto o sexto lugar é do Aaron Brooks. A sensacional lógica matemática do "Instituto 8 ou 80 de Estatísticas Bola Presa" aponta, então, que o Houston arremessa de três pra caralho. Nenhum dos dois está tendo uma temporada espetacular, são muito inconsistentes, as bolas volta e meia não caem, mas o trabalho em conjunto da equipe segura as pontas quando alguém está fedendo e isso permite que todo mundo possa continuar chutando de fora sempre que surgir a oportunidade. Isso é acreditar no sistema, saber que você faz o seu papel mesmo quando não funciona, e que os companheiros de equipe fazem o papel deles e concertam se tudo o mais der errado.

Mas nada se compara com o Cavs. Assim como o Suns, o time de LeBron está acertando acima de 46% dos seus arremessos de três pontos na temporada, o que é débil mental. O bizarro é que na lista de arremessos de fora convertidos na temporada, o Mo Williams figura em quarto e o Anthony Parker em sexto, o que significa que eles arremessam pra burro. Como dá pra manter uma porcentagem tão grande de aproveitamento se os dois arremessam tanto? Ainda mais quando sabemos que o Mo Williams não tem qualquer critério para arremessar e que para ele o conceito de "estar livre" significa estar sendo marcado por menos de 7 pessoas. O motivo para o alto aproveitamento da equipe está justamente nas mãos desses dois: Mo Williams está convertendo 51% das bolas de fora, enquanto o Anthony Parker acerta surreais 57%! Tudo bem, o Cavs está meio capenga, o Shaq pode não ter casado muito bem com a equipe, mas o Anthony Parker foi uma sacada de mestre! Com o Delonte West fora com seus problemas de depressão, Parker está convertendo os arremessos, abusando do espaço que surge das marcações duplas no LeBron e até fingindo que defende. E quando o Mo Williams está acertando os arremessos, o Cavs é simplesmente imbatível porque o LeBron pode deitar e rolar com o espaço criado no perímetro. Mesmo que contratar o Shaq tenha sido uma decisão um pouco "água na Carol", o perímetro do Cavs tem tudo para fazer o mundo esquecer do garrafão, basta manter esse ritmo. O engraçado é que o ritmo é tão bizarro que o Mo Williams está acertando mais as suas bolas de três do que as suas bolas de dois pontos, então não tem motivo para parar de arremessar. É bem capaz dele ficar livre no garrafão e preferir dar um passinho para trás antes da tentativa.

Mas há um jogador na NBA fazendo o caminho contrário. Enquanto a pirralhada arremessa cada vez mais de três pontos, enquanto vários times passam a se focar nesse aspecto do jogo depois que o Orlando Magic provou na temporada passada que era possível chegar longe nos playoffs assim, um jogador está aos poucos abandonando os arremessos de três que sempre lhe foram tão úteis. Trata-se de Kobe Bryant.

Foi assim, sem alarde, sem aviso, tipo a Britney Spears ficando gorda. De uma temporada para a outra, Kobe simplesmente decidiu que seu jogo no perímetro era coisa do passado e que a moda agora era namorar pelado. Nos 19 jogos até agora, contando também os de pré-temporada, Kobe passou quatro partidas sem arremessar uma única bolinha de três. Em outras duas ocasiões, arremessou apenas uma bola.

Pode parecer pouco, foram apenas seis partidas, mas se a gente comparar com o Kobe de antes, vemos o quanto isso é absurdo. Durante toda a temporada passada e mais os playoffs, não houve um único jogo em que Kobe não chutasse de três pontos. Na verdade, durante todas essas partidas ele arremessou apenas uma bolinha de três durante um jogo em 8 partidas apenas, mantendo uma média de mais de 4 arremessos de três pontos na temporada. Esse ano o número caiu pela metade e em algumas ocasiões ele nem se dá ao trabalho de tentar qualquer coisa no perímetro. Gregor Sansa acordou um dia depois de sonhos intranquilos, no livro "Metamorfose", e havia se tornado um enorme inseto. O Kobe Bryant acordou um dia depois de sonhos intranquilos e tinha se tornado o melhor jogador de garrafão do planeta. É como se ele simplesmente tivesse decidido, de uma hora para a outra, que seria um ala de força. O único indicio que tínhamos disso está no vídeo abaixo, em que Kobe treina com Hakeem Olajuwon durante suas férias:



Foram apenas duas horas de treino com um dos melhores pivôs de todos os tempos aprendendo uns macetes, que o próprio Hakeem disse que se encaixariam perfeitamente bem no jogo do armador do Lakers. A gente sabe que o Kobe é um nerd de basquete que estuda o jogo profundamente e que aprende muito rápido os movimentos que ele disseca nos treinos, mas virar um jogador monstruoso de garrafão nessa velocidade é débil mental. O LeBron James pode evoluir mais rápido do que Pokémon, mas ninguém estuda o jogo e evoluiu tecnicamente tão rápido quanto Kobe Bryant. Fico imaginando ele na Matrix dizendo "operador, me carrega um programa de pilotar helicópteros", porque pela velocidade que ele aprende parece que é exatamente assim que funciona.

Cada vez mais dentro do garrafão, jogando de costas para a cesta, Kobe está desfilando um arsenal de giros, ganchos, bandejas fáceis. Está dando dor de cabeça para os marcadores gigantes, cobrando mais lances livres do que nunca, pontuando mais. E o mais importante: se antes ele criava o próprio arremesso, mantendo a bola nas mãos por muito tempo, agora mais da metade de seus pontos saem de assistências dos outros jogadores do Lakers, porque ele está no garrafão pedindo a bola para finalizar. O time está mais envolvido no ataque e assim não percebe a falta de Pau Gasol no garrafão. Aliás, o líder em pontos no garrafão nessa temporada é exatamente Kobe Bryant. O segundo colocado? É Andrew Bynum, que aos pouquinhos está se tornando o melhor pivô do Oeste - se a gente não contar o Kobe, claro. Algumas derrotas aparecem, mas ninguém está percebendo que o Gasol ainda está fora. Ron Artest está jogando mais no perímetro, iniciando as jogadas, mas ele também pode jogar no garrafão se quiser (onde ele até rende melhor) e o Lakers pode virar uma máquina embaixo da cesta.

Muito se fala sobre a evolução do jogo de Michael Jordan, que com o passar dos anos foi marcando cada vez menos pontos no garrafão, cobrando menos lances livres, e arremessando mais de longa distância. Foi uma evolução inteligente que protegeu o corpo de Jordan e que foi tornando-se mais praticável conforme seus arremessos foram ficando mais e mais mortais. Kobe parece estar fazendo o caminho inverso, afastando-se da rota estabelecida pelo seu ídolo. Já faz um tempo que o Kobe está na elite dos arremessadores da NBA, convertendo arremessos de qualquer lugar da quadra. A decisão de se aproximar da cesta parece simplesmente primar pelo aproveitamento, pela vantagem que ele pode tirar de seus defensores maiores e mais lentos. É a conclusão de alguém que estudou, tentou, assistiu, praticou, e parece ter percebido que sua contribuição é maior quando pertinho do aro. A marcação que ele exige abre o perímetro para os companheiros da equipe, ele troca de função no triângulo tático do Lakers garantindo que o esquema não fique batido, não precisa trazer a bola para o ataque e armar as jogadas, e tira proveito de uma técnica primorosa que nenhum outro jogador de garrafão da atualidade parece ter. É como se ele percebesse que todo mundo nesse trabalho fede e que, então, ele pode fazer melhor e ganhar uma vantagem. Em terra de cego, o Kobe tem os dois olhos e pode passar a mão em quem quiser.

Quando Gasol voltar à equipe, talvez Kobe passe a variar mais seu posicionamente em quadra, para não criar uma redundância no triângulo ofensivo. Ainda assim, sua decisão pela eficiência apresentada pelo jogo de garrafão deve perdurar um bocado. Não há sequer sinal de que esteja sendo prejudicial para seu físico, já que tanto do que ele faz é baseado em habilidade, movimentos precisos e inteligência. Quando ele começar a apanhar demais, quando virar um saco de pancadas tipo o Allen Iverson nos tempos de Sixers (vamos esperar para ver se o Iverson ainda vai ser um saco de pancadas em algum outro time, agora que o Grizzlies e ele romperam o contrato), então Kobe poderá voltar ao perímetro como sempre fez.

Esse passo para longe de Michael Jordan, essa decisão oposta ao jogo do maior de todos os tempos, me deixa simplesmente eufórico. Num esporte em que há tanta comparação, em que os caminhos parecem já ditados e os jogadores têm pouco espaço para suas vozes particulares, Kobe encontrou sua própria trilha e está tendo um sucesso absurdo com ela. Ele não é uma cópia, um jogador genérico. Ele é nerd, estudioso, criativo, inovador e corajoso. Seu passo para longe de Michael Jordan, portanto, está fazendo justamente o contrário: trazendo Kobe para perto de Jordan - não no estilo de jogo, mas no palco dos maiores de todos os tempos.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Para amar ou odiar Ron Artest

A cena abaixo é do jogo de domingo entre Lakers e Rockets. O Trevor Ariza pode se lembrar desse jogo como o seu primeiro em Los Angeles desde que saiu do Lakers, como o jogo em que recebeu seu anel de campeão, como o jogo em que bateu o atual campeão em seus domínios ou ainda como o jogo em que perdeu seu tênis e o Ron Artest o jogou pra longe só de sacanagem. Pois é, tem o vídeo pra provar.



Isso não é insano? Tem coisa menos fair play que essa? Ao mesmo tempo, teve alguma cena mais engraçada na NBA desde que o próprio Ron Artest fez isso aqui com o Paul Pierce?



Por essas que eu já disse que o Artest não é meu jogador favorito na NBA (prefiro o Ariza a ele, por exemplo), mas é o meu personagem favorito.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Liberdade ainda que tardia

Stephen Jackson quebra suas correntes


Antes da temporada começar, Stephen Jackson havia pedido para ser trocado do Warriors. O time perdera Baron Davis, conseguiu o Maggette no lugar, e aparentemente o Stephen foi o único que sobrou no elenco capaz de levar basquete a sério. Era o responsável por defender as estrelas adversárias, fossem armadores ou pivôs, o responsável por decidir os jogos, por arremessar de longe, e inúmeras vezes por iniciar as jogadas ofensivas no papel de armador principal. Já jogou em todas as posições, topou todas as furadas que o técnico Don Nelson bolou, já foi para os playoffs com a equipe e já foi o pior time da liga. Ao ver que o Warriors virou um circo, um laboratório de ciências, que os jogadores entram e saem da escalação de um dia para o outro, cada hora com uma função, Stephen Jackson quis é dar o fora. Como o Denis escreveu um tempo atrás, ele pediu para ser trocado quando falava com a imprensa, foi multado por isso, e desde então parou de tocar no assunto, sem no entanto tentar esconder sua frustração em quadra. O problema é que ele só pediu para ser trocado depois de topar uma extensão milionária de contrato com o Warriors, o que não apenas é um pouco sacana como também torna mais difícil encontrar algum time disposto a abraçar o salário do rapaz.

Mas existe um time na NBA que nunca desiste de fazer trocas, um time que está decidido a transformar o elenco inteiro com uma visão em mente. Esse time é o Bobcats, que deu ao técnico Larry Brown carta branca para montar o time como ele bem entender. O velhinho pentelho se livrou do Okafor, do Jason Richardson, do Matt Carroll, e montou um time focado na defesa e sem espaço para o individualismo. O resultado é uma equipe que estreiou na temporada marcando 59 pontos contra o Celtics, com claras dificuldades de passar dos 80 pontos a cada jogo. O time agora tem Raja Bell e Boris Diaw, jogadores capazes de pontuar, mas nenhum deles é um pontuador nato. O papel do Bell é defender e converter seus arremessos de três pontos, função que ele desempenhava muito bem. Mas, para ter um jogador capaz de defender múltiplas posições e que seja capaz de pontuar constantemente, Larry Brown resolveu abrir mão até mesmo do seu queridinho.

Stephen Jackson chega ao Bobcats mantendo o foco da equipe, se focando na defesa e pontuando sem ser estrelinha. Ele sabe o que é ser jogador secundário graças ao tempo que passou no Spurs, se orgulha de defender mesmo jogando no Warriors (que provavelmente dá umas surras depois das partidas nos jogadores que ousaram tentar defender) e tem tudo para se dar bem com o Larry Brown. Do jeito que o técnico odeia os armadores da equipe (tanto Raymond Felton quanto o anão do DJ Augustin), é bem possível que o Stephen Jackson até assuma a posição em alguns momentos durante os jogos (se até o boris Diaw já foi armador nesse Bobcats!). Mas também é possível, dizem os fofoqueiros por aí, que ele seja trocado rapidinho para outro time. Não dá para descartar essa possibilidade, afinal o Bobcats está insatisfeito com o que tem e cansado de feder esperando uma boa escolha de draft. Já faz uns anos que todo mundo espera eles finalmente acordarem no tranco e irem aos playoffs, então não tem mais desculpa pra ficar tendo o traseiro chutado por aí. Stephen Jackson se encaixa nessa postura, no planejamento, na filosofia de jogo, e tem tudo para se encaixar bem na equipe. Não deve dar muito resultado, convenhamos, mas o Bobcats continua tentando. Ao menos eles sabem o que querem e se movimentam com uma intenção, não é a porra-louquisse do Warriors que parece trocar só por esporte, pra ver se vem de brinde um Mega Tazo.

Em troca do Stephen Jackson e do Acie Law, que é um armador que nunca deu certo e que o técnico Larry Brown deve comer com granola no café da manha, o Warriors recebeu Raja Bell e o Vlad Radmanovic, que nem fede nem cheira. O Bell traz defesa para o Warriors, e depois dessa afirmação vamos todos tirar uns minutinhos para rir à vontade. Até parece que alguém que cuida dessa equipe mequetrefe se preocupa em instituir uma filosofia defensiva, mas provavelmente eles estão dispostos a pelo menos fingir um pouquinho.

Contra o Brandon Jennings, que marcou 55 pontos, o negócio foi muito feio. Ao rever a partida no meu League Pass (calma, calma, a gente resenha o serviço ainda essa semana), percebi que a maioria dos pontos do Jennings saiu em uma jogada simples de corta-luz na linha de três pontos. Não havia ninguém do Warriors capaz de grudar no garoto, a jogada funcionou à exaustão, e quando eles ficaram muito desesperados de passar vergonha, começaram a dobrar nele depois do corta-luz e o resultado foi o Andrew Bogut recebendo uns passes para ponte-aérea, já que o pivô do Warriors durante quase toda a partida foram o Stephen Jackson ou o Maggette. Aliás, grande parte do mérito pela atuação do Jennings tem que ser dado ao Bogut, que atormentou tanto o garrafão do Warriors que a linha de três ficou completamente livre. Quer dizer, a linha de três do Warriors já é completamente livre, mas ficou pior a ponto de render 55 pontos para o novato. Para critérios estatísticos, a pontuação do Jennings deveria valer só a metade - quando ele tentar algo assim contra o Celtics a gente faz uma estátua e uns sacrifícios humanos pro guri.

Quem ganha com a troca é o Stephen Jackson, que agora terá um técnico capaz de apreciar o que ele traz para as quadras, mas o problema é que o time fede pacas e rapidinho é bem capaz que ele comece a ficar insatisfeito de novo (ou que o time continue insatisfeito e troque de novo). O Warriors deve piorar um pouco com a sua saída, mas o que é um peido para quem já está cagado? Outros jogadores podem continuar pontuando como malucos e talvez o Raja Bell seja capaz de impedir outros jogadores de fazer 50 pontos, o que por si só já seria um lucro, evitando que o Warriors se torne essa anedota estilo Ari Toledo que tem sido nos últimos anos. Da próxima vez que o Jennings for enfrentar o Warriors e tentar quebrar seu recorde de pontos, o Raja Bell estará lá. Sozinho, é verdade, mas lá.

domingo, 15 de novembro de 2009

8 ou 80 - Brandon Jennings

Nem a técnica de fazer poses constrangedoras conseguiu atrapalhar Jennings ontem


Só a noite de ontem valeu todo o dinheiro investido no League Pass. Depois de assistir a um bom jogo entre Pistons e Wizards, que teve showzinho do Ben Gordon no final e a volta de Earl Boykins à NBA, eu tinha que decidir que jogo ver. Pensei em ver o Thunder ganhar do Spurs ou o esquisito Jazz e Cavs com a torcida local massacrando o Boozer. Mas aí pensei "quer saber, vou ver o Brandon Jennings!".

Não pensei "Vou ver o Bucks" e nem "Vou ver o Warriors", os dois times são secundários pra mim, eu só queria ver o melhor novato do começo de temporada em ação. E não poderia ter escolhido dia melhor pra isso.

Quando liguei na partida, ela estava no comecinho do terceiro período e o Jennings tinha 10 pontos, todos que ele tinha marcado no segundo quarto, depois de ter zerado o primeiro. Aquele mesmo terceiro quarto acabou com eu pulando sozinho no meu quarto e o Jennings com 39 pontos! Depois de um quarto período cheio de trocas de liderança, o Bucks conseguiu a vitória no final e Jennings fez mais 16 pontos, 55 no total.

Depois do jogo não se falava em outra coisa, o Twitter estava bombando e "Brandon Jennings" era o primeiro colocado nos Trending Topics do site. Em teoria isso não quer dizer nada, mas acho que podemos chamar os TT de Oscar da Vida Cotidiana, já que todo prêmio tem que ser explicado como sendo o Oscar de alguma coisa.

Alguns meses atrás, quando o Lamar Odom re-assinou com o Lakers, ele disse que as pessoas começaram a ligar pra ele pra dizer que ele estava nos TT do Twitter e não para dar parabéns pelo seu novo contrato.

Mas vamos ao que interessa. Primeiro o vídeo com o show do pivete, depois alguns números:



- Os 55 pontos de Jennings foi o máximo marcado por um novato no Bucks. O antigo recorde era de 51 pontos por Lew Alcindor, um novatinho que anos depois seria chamado de Kareem Abdul-Jabbar.

- Na história do Bucks, contando todos os jogadores, não só os novatos, o Jennings foi o terceiro jogador a marcar pelo menos 50 pontos. O Kareem fez isso várias vezes e o Michael Redd marcou 57 pontos em uma derrota para o Utah Jazz em 2006.

- Jennings teve o quinto maior número de pontos em um jogo por um novato na história da NBA. Em primeiro e segundo lugar está Wilt Chamberlain, que fez 58 pontos duas vezes em sua primeira temporada, contra Knicks e Pistons. Em terceiro está Rick Barry, que fez 56 em um jogo contra o Knicks em 1965. Em quarto aparece Earl Monroe, que fez 56 contra o Lakers em 1968. Jennings é o quinto e, portanto, o máximo marcado por um novato nos últimos 40 anos.

- Brandon Jennings, com 20 anos e 52 dias, é o segundo jogador mais novo a marcar 55 pontos em um jogo. O mais novo foi LeBron James, que fez 56 em março de 2005. Aquela temporada era, porém, a segunda temporada de LeBron na NBA.

- Brandon Jennings é o jogador mais novo a acertar 7 bolas de 3 em uma partida (ele acertou 7 de 8 tentadas). LeBron, DJ Augustin, Gallinari, JR Smith e Quentin Richardson completam a lista de únicos jogadores a acertar pelo menos 7 bolas de 3 em um jogo tendo menos de 22 anos completos.

- Os 29 pontos de Jennings no terceiro quarto foi o máximo já marcado sobre o Golden State Warriors em um período na história. O antigo recorde era de Voshon Lenard, que marcou 26 pontos num jogo em 2006.

- O último novato do Bucks a conseguir pelo menos 30 pontos em partidas seguidas foi Glenn Robinson em 1996.

- As atuais médias de Jennings são de 25 pontos e 5 assistências por jogo. Se ele conseguir manter a média até o final da temporada será apenas o terceiro jogador a conseguir pelo menos 25 pontos e 5 assistências de média em seu primeiro ano de NBA. Os outros foram Michael Jordan e Oscar Robertson.

- Se sua média de pontos diminuir e ele ficar 'apenas' na casa dos 20, a lista aumenta um pouco mais e ganha LeBron James e Allen Iverson.

...
Don Nelson, técnico-maluco do Warriors:
"Foi a melhor atuação de um novato que eu já presenciei em 30 anos de NBA."

Scott Skiles, técnico-mala do Bucks:
"É estranho falar isso depois que ele fez 29 pontos só em um quarto, mas ele não foi fominha. Ele estava livre e acertando seus arremessos. Ele acertou 3 de 4 arremessos em sequência e logo depois deu um passe para o Charlie Bell marcar dois pontos. Ele estava lá jogando basquete, tentando nos ajudar a vencer."

sábado, 14 de novembro de 2009

Enterradas da semana

Costumo postar vídeos legais no nosso Tumblr, mas esse vídeo eu faço questão de colocar aqui. É um Top 10 com as melhores enterradas da semana. Sim, só dessa SEMANA! Eu posso jurar que já vi Top 10 de melhores enterradas de temporadas que não chegam nesse nível. Coloca no Full Screen, pegue a pipoca (ou um pedaço de bacon) e aproveite.



sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Tá quente, mas não fervendo

enterrada na cara > mão na cara


O leitor Jarson nos mandou um e-mail outro dia reclamando que ainda não tínhamos falado do Miami Heat, que vive ótimo momento e é um dos destaques do começo de temporada. Respondi que não dá pra falar do começo de todo mundo. Começo de temporada tem muito assunto e não dá tempo de falar de tudo, precisamos escolher uma coisa e, logo, excluir outra. Mas não dá pra culpar o cara, o Heat deve ser até agora, talvez junto com o Mavs, o time que mais superou expectativas nas primeiras semanas de temporada.

Esperei então o jogo de ontem entre Heat e Cavs. O duelo de LeBron e Wade seria um baita desafio para o time do Miami poder provar se está mesmo evoluindo para a elite do Leste ou se o bom começo era apenas uma fase.

O melhor do jogo foi o primeiro quarto. Os dois times estavam jogando como se fosse playoff, com os titulares em quadra até o final do período, vibração, discussão, pressão da torcida e jogadores agressivos. Essa última característica, aliás, foi a que mais me impressionou. Todo mundo que pegava a bola, Wade e LeBron em especial, ia pra cima com uma sede de jogo de 7 de final. E as defesas não aliviaram, indo para os tocos como se a teoria do Jeff Van Gundy estivesse valendo. Pra quem não viu no nosso Twitter, o ex-técnico e atual comentarista/comediante disse na última quarta-feira que achava que não deveria ter limites de faltas individuais na NBA. “As pessoas pagaram para ver o Dwight Howard jogar, não para vê-lo no banco”. Um argumento americano demais para o meu gosto, mas divertido.

Ainda no primeiro quarto, o Dwyane Wade destruiu a moral e honra do Anderson Varejão. Depois de um toco do Jermaine O’Neal no LeBron, o Wade puxou o contra-ataque e simplesmente ignorou a presença do brazuca por lá. Não temos nem um mês de temporada e essa enterrada, junto com a do Andre Iguodala e com a do Travis Outlaw já formam três fortes candidatas a enterradas do ano.


O primeiro quarto então acabou com uma infiltração do LeBron, uma bola de 3 do Wade e uma bola no estouro do cronômetro do LeBron. Um espetáculo, os melhores 18 segundos da temporada, provavelmente. Tá bom que nenhum time se dispôs a dobrar a marcação nas duas estrelas em momento algum, mas tá beleza, perdoamos em prol do show.

A partir do segundo quarto o jogo foi esfriando aos poucos com o Cavs no comando. É muito difícil ganhar do Cavs quando, além do LeBron, o Mo Williams está inspirado. Se ele continuar acertando bolas de longa distância como acertou nos últimos dois jogos já podem dar o troféu pra eles. Nunca vi o cabeça de azeitona jogando tanto como nos últimos dois jogos.

E foi por causa da qualidade do Cavs que o Heat não venceu. Apesar da derrota o Heat não jogou mal. No nosso preview da temporada dissemos que o Heat só tinha chances de melhorar em relação ao ano passado se seus jovens jogadores se superassem, já que não há nenhum nome novo no elenco. Pois o Michael Beasley, depois de uma offseason pra lá de tumultuada, digna de Delonte West e Golden State Warriors, está jogando muita bola. Parece que já está sabendo melhor como jogar sem ter tanto a bola na sua mão como tinha na faculdade.

Além dele o Mario Chalmers é um armador mais seguro do que no ano passado, embora muitas vezes ele seja discreto demais para poder dar espaço (e a bola) para o Dwyane Wade brilhar. Às vezes acho que o Heat poderia usar mais o Arroyo ao lado do Wade, para ser uma ajuda e deixar o Super Mario junto dos reservas, para comandar o show. Ele tem boa visão de jogo, sabe infiltrar, tem bom passe, é um desperdício deixar ele sem a bola.

Além dos dois, os veteranos estão mostrando um jogo melhor em relação ao da temporada passada. Não apostaria um centavo nisso há algumas semanas, mas Jermaine O’Neal, Udonis Haslem e Quentin Richardson estão mil vezes melhores do que no ano passado. O Haslem já fez 4 doubles-doubles em 8 jogos nessa temporada. Seus números são melhores nessa temporada, em que sempre atuou como reserva, que os da temporada passada, em que sempre foi titular e jogava até mais minutos.

O Jermaine O’Neal está corrigindo o grande problema do Heat na temporada passada, a defesa de garrafão. Ano passado ele tentou isso e acabou sendo o jogador que mais tomou enterradas na cabeça em toda a temporada, nesse ano está com mais sucesso e parece bem fisicamente, pelo menos até sua próxima contusão.

Por último o Quentin Richardson é candidato forte, ao lado do Erick Dampier, ao troféu Bobby Simmons de jogador que só joga em ano de contrato. Depois de ter passado por mais mãos que minha amiga Amanda do colégio, o Quentin finalmente ficou no Heat e agora parece que quer provar que tem algum valor na liga além de ser um salário expirante. Embora tenha ido bem mal no jogo de ontem (ir mano a mano com o LeBron não é matchup ideal para o rapaz), ele tem jogado bem.

O saldo final é que o Heat está vivendo a sua temporada pornô se formos seguir nosso método de preview da temporada. Mas como já dissemos lá, mesmo esse melhor caso só significa, no fim das contas, uma vaga na segunda rodada dos playoffs. O time é bom, joga bem, o Wade foi feito à imagem e semelhança do todo-poderoso (tem jogada mais mortal do que quando ele recebe a bola na linha de 3 e um nanossegundo depois está na cesta?), mas nem isso basta para o Heat brigar por coisa muito grande.

Nota: Coisa parecida com tudo isso que falamos do Heat pode ser dita sobre o Phoenix Suns. Eles estão bem, melhoraram mais que o esperado, mas ainda não estão a ponto de ameaçar nenhum dos grandes de cada conferência. O Suns não tem chance contra ninguém que tenha um pivô bom e que não caia na armadilha da correria. Ontem contra o Lakers foi um massacre com direito a show do Andrew Bynum.