sexta-feira, 31 de outubro de 2008

As diferenças

As faltas técnicas são as mesmas, mas a camisa... quanta diferença!


Agora sim a temporada pode ser dada como iniciada de verdade, com os jogos de quinta. Não porque foi a primeira rodada dupla da rede americana TNT, nem porque foram dois clássicos sensacionais, o Rockets contra o Mavs e o Suns contra o Hornets. Também não foi porque no outro jogo da noite o Larry Brown perdeu seu nono jogo consecutivo no comando do Bobcats (os outros oito foram na pré-temporada) e por algum motivo estranho não ouviu os meus conselhos. Nada disso.

A temporada começou na quinta porque Ron Artest tomou sua primeira falta técnica com a camisa do Houston Rockets. Até que isso acontecesse, a veracidade dos jogos poderia ser colocada em dúvida, poderia ser apenas uma simulação feita no computador, tipo quando a Globo faz aparecer uma lata de cerveja gigante no meio de um campo de futebol durante os intervalos. Poderia ser uma versão paraguaia com jogadores mexicanos sósias dos jogadores da NBA, o que aliás explicaria o bom humor do Popovich. O Artest tomando sua primeira falta técnica é como um selo de qualidade que comprova a autenticidade do produto. Ou seja, a partir de agora podemos levar a NBA a sério. Para os que precisam de mais provas, vale esperar o Rasheed Wallace tomar uma falta técnica em breve.

Se eu já defendia o Artest há muito tempo, agora que ele joga no Houston eu praticamente sacrifico ovelhas em seu nome durante rituais pagãos. Ou seja, se eu já era chato, agora vou ficar mais pentelho do que a mistura da Sonia Abrão com o João Kléber. Em todo caso, vamos fingir que eu sou imparcial e acreditar: a primeira falta técnica do Artest foi completamente injusta. Como diria o célebre Silvio Luiz, "confira comigo no replay"!



Para começar, o Josh Howard poderia lembrar que eu defendi suas férias e ter a decência de não descer a mão em ninguém do meu time, né? Mas na verdade foi um lance duro porém normal, e depois que o Yao deu uma trombadinha de malandro (ou ele abraçou muito o espírito americano ou ele é alto demais e nem viu o Josh Howard lá embaixo) o Artest achou melhor tirar o chinês do meio da confusão. Dá pra perceber que ele foi em direção ao Yao, ele só queria separar, apaziguar, pregar a boa vontade entre os homens. Só marcaram falta técnica porque estavam esperando ele puxar uma faca e cortar a cabeça de alguém a qualquer momento. Baita preconceito.

A fama do Artest, portanto, continua intocada. Mas algumas coisas mostraram-se completamente diferentes, o que indica que a temporada começou, mas que será bem diferente da temporada anterior. Pelo Rockets, por exemplo, agora quem chama as jogadas são os próprios jogadores, não o técnico Rick Adelman. Na maioria das vezes, na temporada passada, o Adelman chamava as jogadas do banco porque faltava aos jogadores a naturalidade de lidar com o complexo sistema tático. Trata-se de um enfoque livre, criativo, em que o Houston deveria simplesmente reagir aos movimentos da defesa, mas isso exige costume e domínio da proposta. Agora, os jogadores enfim entraram no clima, estão com o domínio das decisões e fizeram um monte de merda. Mas também acertaram bastante e ao longo da temporada tudo deve ficar praticamente automático. Porque, como diria o Maguila, "pensar é mó trampo".

Também fiquei bastante surpreso em ver que a função de armador rodou mais do que fita do Lagoa Azul durante a partida. Em momentos diferentes, armaram o jogo Rafer Alston, Tracy McGrady, Aaron Brooks, Brent Brarry e Ron Artest. O Artest, aliás, foi armador em várias posses de bola consecutivas no último período, quando o jogo estava apertado. Ou seja, logo de cara já existe muita responsabilidade em suas mãos. Fiquei feliz porque o Rafer Alston é um armador terrivelmente inconstante e fanático pelo próprio arremesso, e com sua função distribuída entre muitas mãos, ele teve como passar mais tempo no banco. Seu reserva direto, Aaron Brooks, foi inclusive o responsável por ganhar o jogo nos minutinhos finais. Ele é tão inconstante e amalucado quanto o Rafer Alston, mas ao invés de arremessar sem critério ele bate para dentro do garrafão sem critério. Saiu de quadra com 14 pontos e 5 assistências, mas me deixou uma nítida impressão de que tinha exagerado um pouco na cerveja antes da partida, porque estava sem nenhuma amarra social, fazendo o que bem entendia. Cometeu uns erros grosseiros, fez umas bandejas lindas e depois provavelmente tentou beijar uma garota bastante gorda.

Pelo Mavs, algumas modificações colocadas em prática pelo novo técnico Rick Carlisle ficaram imediatamente perceptíveis. A bola passa agora muito mais tempo nas mãos de Jason Kidd, o que é sempre uma boa idéia. Na temporada passada ele ficava muito tempo só olhando o jogo, em geral livre para arremessar. Mas como ele arremessa como uma velha reumática, é melhor deixar a bola em suas mãos e um arremessador livre por perto, não é mesmo? Outra mudança foi Dirk Nowitzki, que parece ter sido instruído para segurar mais a bola e jogar dentro do garrafão. Isso é uma coisa que me irrita, aliás. O cara é grande, refinado, então ele tem que jogar dentro do garrafão e ficar enterrando a bola na cabeça de todo mundo? O forte do cara é o arremesso, é ficar atrás da linha de 3 pontos. Ele odeia tanto qualquer tipo de contato físico que deveria até mesmo estar jogando vôlei. É a mesma coisa com o Yao, exigir que ele enterre em todas as bolas sendo que seu talento é o arremesso, o gancho, a sutileza - foram 30 pontos contra o Mavs sem nenhum esforço. Saber usar um jogador de modo que possa usar suas melhores características é muito mais inteligente do que forçá-lo a uma situação desconfortável. O Nowitzki marcou 36 pontos, é verdade, mas em nenhum momento pareceu confortável, era como se tivesse perdido uma aposta e estivesse sendo obrigado a jogar usando uma saia de bailarina, e até mesmo prejudicou a fluência do ataque da equipe por segurar demais a bola. No final do jogo, desapareceu. Se ele faz 36 pontos num estilo que não é o seu, talvez fizesse 50 jogando onde gosta. É algo para o Carlisle pensar.

No outro jogo da rodada dupla, mais coisas indicaram que essa temporada será diferente da anterior. O Suns correu menos em quadra, o Nash segurou mais a bola e trabalhou mais como pontuador (em parte pela própria defesa do Hornets, que estava mais interessado em impedir os passes do canadense do que seus pontos) e o Leandrinho teve a pior partida que eu já presenciei do brasileiro. Sou um fã do Barbosa, não se enganem, mas ter que decidir entre ir pela direita ou pela esquerda não é com ele. O negócio dele é correr para frente e deixar todo mundo para trás. No basquete um pouco mais lento do Suns na noite de quinta, o Leandrinho sofreu muito e eu arriscaria dizer que deve ser sua pior temporada na NBA. Não por suas condições, mas porque o estilo do time agora lhe favorece bem menos.

Já pelo Hornets, o jogo estava apertado, suado, disputado, e aí no finalzinho o James Posey acertou três bolas seguidas de 3 pontos para garantir a vitória. Nessa temporada, o Hornets tem um banco de reservas, um jogador frio e versátil para fechar os jogos, e um Chris Paul que poderia andar sobre as águas se quisesse. Se há algum infiel que ainda não acredita no Hornets, cuidado, a futura igreja que louvará o atual MVP irá lhe queimar na fogueira.

Por enquanto é apenas o começo da temporada, os mesmos times e situações que estamos acostumados a amar, mas o que salta aos olhos são justamente as diferenças, aquilo que renova a experiência infinita do basquete para o nosso prazer. Espero que as faltas técnicas do Artest continuem as mesmas, mas que um anel de campeão no dedo seja, em breve, a grande diferença. Mas desde já, tenho medo do Hornets. Muito, muito medo.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

O jogo certo

Se depender do Spurs, essa imagem vai ficar gravada na sua retina


Ontem, segundo dia da temporada regular, foi realmente o início para a grande maioria dos times. Foram doze jogos na rodada e, com a saudade de NBA apertando o peito, a vontade era assistir a todas as partidas. Impossível, claro. Foi-se a época em que a escolha de que jogo assistir ficava delimitada às decisões das televisões brasileiras (o que em geral significava que o jogo a se assistir era "nenhum"), já que a internet permite muitas possibilidades. Mas então, com trocentas partidas rolando em horários muito próximos, qual diabos eu iria escolher?

Na última semana, fizemos os previews para ajudar nessa árdua escolha, apontando os motivos para assistir ou não assistir cada um dos times. Ponderei um pouco com isso em mente e resolvi que veria o maior clássico do basquete moderno, Suns e Spurs, que começaria em pouco.

Verdade seja dita, a saudade era tanta que assisti um bom pedaço de Sixers e Raptors só porque foi o primeiro jogo a começar. Respirei aliviado apesar do jogo meia boca. Para se ter noção, até das propagandas idiotas de comida, carros, cortadores de grama e empréstimos eu estava com saudade (só não fiquei muito feliz com uma propaganda nova da Nike que é nitidamente um plágio do nosso primeiro vídeo, os advogados do Bola Presa estarão entrando em contato com eles, safados - mas quero só ver a Nike ter os bagos necessários para plagear nosso próximo vídeo, atualmente em fase de edição).

Resolvi assistir ao Spurs enfrentado o Suns em seguida, e como resposta à afirmação de Shaq de que "Gregg Popovich e o Spurs vão pagar muito caro nessa temporada por fazerem faltas intencionais" o Popovich mandou o Finley fazer uma falta intencional em Shaq logo na primeira bola do jogo. Ninguém entendeu nada e então o técnico Gregg Popovich acenou bem-humorado no banco de reservas. Como assim o Spurs demonstrou senso de humor? Tantos jogos acontecendo mas eu preciso ver esse, é capaz até que em algum momento da partida o Duncan venha a dar algo que lembre de longe um sorriso!

Ah, quem estou querendo enganar? Escolher um jogo para assistir é uma tarefa impossível, basta alguns segundos sem acontecer nada e você começa a se perguntar o que estará acontecendo nas outras partidas. Cesta chata do Duncan, lance livre do Shaq... diabos, meu Houston vai estrear em minutos. Um ser humano não deveria ser obrigado a fazer escolhas desse tipo. Decidir se um ser humano deve ou não morrer nem se compara às nuances de um fã de NBA frente a uma rodada diversa. Vozes silenciosas ecoam dentro da cabeça, tentando seduzir. Deve ser como descrevem abstinência de cocaína.

E foi assim que eu não vi o Suns finalmente vencer o Spurs, que sentiu muito a falta de Ginóbili. Não vi o Warriors usar o Stephen Jackson como armador principal o tempo inteiro, justo contra o Chris Paul, e a experiência quase dar certo o bastante para roubar uma vitória. Não vi a Guerra Fria de Pacers e Pistons, com o "Granny Danger" chutando traseiros e o Pistons saindo com a vitória aos bocejos. Não vi o Knicks porra-louca do D'Antoni ter uma partida sensacional, com Zach Randolph e David Lee jogando cada vez mais e Marbury e Curry fazendo tricô no banco de reservas, contra um Heat em que Mario Chalmers jogou como profissional e o Beasley demorou para engrenar. Ao invés, eu vi meu Houston Rockets enfrentar a porcaria do Grizzlies.

É claro que eu estava ciente do absurdo, talvez fosse o jogo mais esquecível de toda a rodada. Estava me sentindo um fraco, um tolo, até que na primeira posse de bola do Grizzlies o Artest roubou uma bola e fez uma bandeja no contra-ataque. Na segunda posse de bola, outro roubo do Artest. Então eu fiquei de pé, gritei algumas coisas em uma língua arcaica e não me arrependi mais nem por um segundo de ter escolhido aquele joguinho meia boca.

Estamos muito acostumados com o futebol, com ter um time desde que nascemos e para o qual torcemos sem nunca nos perguntarmos realmente o porquê. Mas com NBA, a coisa é um pouco diferente. Nenhum de nós nasceu no Texas ou em Chicago, nossos pais não nos levaram para ver o Magic Johnson jogar. Nossas mães não compraram macacões para nenê com o símbolo do Sonics, nenhum de nós alopra torcedores do Grizzlies quando vai para a escola como alopraria torcedores do Corinthians na época do rebaixamento. Na esmagadora maioria dos casos, a NBA não está em nossa cultura, em nossa criação. Quando começamos a assistir aos jogos, não tínhamos time algum.

O engraçado é que eu assisto jogos do São Paulo, sou moderadamente informado sobre futebol. Mas não assistiria uma partida entre Ameriquinha e Guarani. O gosto pelo meu time é maior do que o gosto pelo futebol em si. No caso da NBA, eu não perderia um jogo entre Grizzlies e Wolves de modo algum se fosse o único à disposição. Qualquer partida é fascinante, todo jogo é imperdível. Se não fosse assim, provavelmente eu não teria um blog sobre basquete e NBA.

Seja nos lendários tempos das transmissões de basquete na Bandeirantes, na finada Globo.com ou na persistente ESPN, os jogos são impostos e não há como acompanhar um time a fundo. Um torcedor do Bulls pode ter passado os últimos anos sem ver seu time jogar, por exemplo. Mas nem por isso deixa de acompanhar a NBA. Há algo mágico em simplesmente acompanhar o esporte. Quando perguntam pra mim por quem estou torcendo num duelo entre Bucks e Nets, a resposta é que não estou torcendo por ninguém. E mesmo assim eu vibro, aplaudo, degusto e me emociono.

Ou seja, eu não precisava ter escolhido um time para torcer. Mas escolhi. Eu não nasci em Houston, meus pais acham que basquete é aquela coisa em que eu desperdiço minha vida, meus colegas acham que NBA é uma pronúncia errada para "Master in Business Administration". Mas escolher um time torna as coisas mais intensas, mais doídas, mais pessoais. O que antes fora uma decisão consciente de "torcer praquele time vermelhinho do Olajuwon" agora me faz perder os melhores jogos da rodada para acompanhar a porcaria de um Houston Rockets contra Memphis Grizzlies.

Por isso, sempre digo que a competição dentro do esporte é - apesar de um fator fundamental do próprio conceito - totalmente secundária. O esporte pode ser apreciado sem que haja torcida, sem que haja competição, você pode amar e idolatrar o esporte no andamento de uma partida sem querer que nenhum lado em particular saia vitorioso. Mas a competição, adotar um time e vibrar e sofrer por ele, é um tempero a mais, um gostinho diferente em toda a brincadeira. Eu estava mais interessado em saber como T-Mac, Artest e Yao Ming jogariam juntos do que em qualquer outra coisa no mundo. A Alinne Moraes me ligou algumas vezes durante a partida, mas tive que mandá-la esperar. Coitada, até que é uma boa moça.

Quando alguém defende o hack-a-Shaq, a técnica de fazer faltas intencionais no Shaquille O'Neal para levá-lo para a linha de lances livres - onde ele fede -, diz que o importante é a vitória, que está dentro das regras. Isso é fato. É uma visão justa para um torcedor do Spurs, alguém que abraça o time intensamente, que torce e sofre e vibra pela equipe. O hack-a-Shaq enfeia o jogo, é coisa de criança, não deveria valer, é uma tática trazida por alienígenas malignos, deus castiga, coisa e tal. Mas como mostrar isso para alguém que não nasceu em San Antonio mas adotou o time para chamar de seu? Como argumentar para mim, na noite de ontem, que era muito mais importante ver outros jogos bacanudos ao invés do Yao fazendo 21 pontos com 10 rebotes, Artest com 16 pontos e 3 roubos e T-Mac com 16 pontos e 5 assistências? Não dá.

Mas é importante tentar manter a consciência de que existe algo maior do que isso: o basquete em si. Estamos no segundo dia de uma temporada que terá dezenas de jogos porcaria com o Bucks, por exemplo. Eu verei muitos deles, por amor ao basquete. Não deixemos que algumas atitudes, portanto, prejudiquem o esporte. Torço para que, pela temporada enorme que nos aguarda, o hack-a-Shaq continue só na piada. E que o Popovich não corte a barba, porque de algum modo ele está me lembrando uma versão grisalha do Capitão Haddock, do Tintin.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Está valendo

"Pela união dos seus poderes, eu sou Brian Scalabrine!"


Finalmente começou! Estou tão feliz, mas tão feliz que finalmente estamos na temporada regular que até vou comentar um pouquinho de todos os jogos de ontem. Mas não se acostumem, hoje à noite tem uma caralhada de jogo e aí não dá pra ficar comentando de tudo, tenho mais o que fazer, ausência de pauta é cortesia de primeiro dia da temporada.


Boston 90 x 85 Cleveland

O jogo não foi lá uma obra-prima do basquete bem jogado, do basquete moleque, basquete menino. Pra falar a verdade foi um joguinho bem arrastado, que ficou interessante mais pela vontade de vencer dos dois times, que ainda estavam em um clima de playoff e rivalidade, do que pela qualidade técnica.

Pelo Celtics o Ray Allen pensou que no ano passado deu sorte jogar mal contra o Cavs, então jogou mal de novo. O Garnett, como comentaram no nosso chat, deve ter deixado o anel de campeão cair no chão e ficou o tempo todo procurando por ele, esquecendo de ir jogar. Sobrou então tudo nas costas do Paul Pierce, que arrebentou com aquela budega.

Como vocês lembram, o Paul Pierce disse após as finais da última temporada que ele era o melhor jogador do mundo. Acho que ele está mesmo achando que isso é verdade e que chegou a hora de fazer o resto das pessoas concordarem com ele. Ontem foi um bom começo, ele simplesmente ignorou qualquer tentativa de marcação do LeBron James, que se esforçou, mas ainda não é um primor na defesa como é no ataque.

Falando em LeBron, ele teve seu típico jogo apagado: 22 pontos, 7 rebotes e 6 assistências contra a melhor defesa da NBA. Falando sério, não dá pra acreditar nos números desse cara, ele realmente esteve apagado ontem, o jogo não fluiu, ele errou demais mas mesmo assim ele teve números que muito cara bom no auge da carreira não tem, não dá pra acreditar.

No final do jogo o LeBron teve a chance de diminuir a diferença do Boston para 1 ponto com dois lances livres mas errou um deles, depois teve mais uma chance e errou outro. Até chamaria ele de amarelão, mas como ele vai calar a minha boca nos próximos 81 jogos, deixo quieto.

A estréia do Mo Williams foi discreta, não estragou e nem salvou o Cavs, mas foi só uma estréia e justo enfrentando o entrosado e forte Celtics, vamos dar um tempo antes de pegar no pé do cara. Aliás, nem sei se vamos pegar tanto no pé dele, já que ontem ele me surpreendeu.

Lembro de um jogo do Bucks no ano passado em que Mo arremessou as primeiras 5 ou 6 bolas do Bucks na prorrogação e errou todas. Ele nem cogitou passar a bola pro Michael Redd ou pro Bogut, foi patético. Ontem o Cavs estava abaixo por três no finalzinho e ele obedeceu a tática "Fresh Prince of Bel-Air" do técnico Mike Brown, só entregou a bola na mão do LeBron James antes de ir se esconder num cantinho escuro da quadra pra não atrapalhar. Mo Williams passando a bola e Scott Pollard usando um anel de campeão no mesmo dia, ai ai, que dia doido.

Falando em anel, nada mal a tal de cerimônia de entrega dos anéis de campeão. Quer dizer, nada mal se você gosta de um filme meloso e torce para o Celtics. Ver um bando de negão de 2 metros chorando porque ganharam do meu time na final não é o que eu chamo de diversão. Mas tá, tudo bem, eu fiquei um pouquinho emocionado ao ver o Paul Pierce daquele jeito. Mas não chorei junto, era só um negocinho que eu tinha no olho.


Bulls 108 x 95 Bucks

A graça do jogo era a volta do Scott Skiles a Chicago. Pra quem não lembra, o Skiles era técnico do Bulls até a temporada passada, quando num ato pouco cristão os dirigentes do Chicago o mandaram embora na véspera de Natal. História que daria, sem dúvida, um terrível filme de Sessão da Tarde. Diziam que o clima dele com os jogadores era péssimo, era o Skiles que proibia todo mundo de usar aquelas faixas na cabeça, o que revoltava os jogadores.

A volta dele não teve tanta graça porque os jogadores do Bulls não usaram faixas na cabeça só para provocar. Esse fair play é o tipo de coisa que estraga o esporte. Dentro de quadra era a estréia oficial do Derrick Rose pelo Bulls. Que foi armador titular e fez dupla com o Thabo Sefolosha. Isso significa que o banco do Bulls tinha Hinrich, Ben Gordon, Nocioni e Joakim Noah. Isso não foi o time titular deles em muitos jogos no ano passado? Bizarro.

Mas deu certo. Rose foi bem com 11 pontos, 9 assistências e, pelo que disseram, liderança. Parece que ele está tentando mesmo ser o líder dentro de quadra de que o Bulls tanto precisa. Mas vamos com calma que foi só o primeiro jogo e foi só contra o Bucks, que teve problemas com o que poderia ser sua grande arma, Andrew Bogut.

Bogut terminou a temporada passada em excelente forma e teve ótimos jogos na Olimpíada de Pequim (alguns jogos horríveis também, diga-se de passagem) e o jogo deveria ser em cima dele para tirar proveito da dupla Gooden e Tyrus Thomas, obviamente menos talentosa que o australiano. Mas Bogut passou o jogo inteirinho com problemas de falta e a estratégia não deu certo, mais uma vez ficou tudo na mão canhota do Michael Redd e eles perderam.


Lakers 96 x 76 Blazers

O dia não foi bom para os pivôs. Bogut teve problemas de falta, Bynum foi discreto e o Greg Oden foi um desastre. O vovô-novato do Blazers jogou 12 minutos, errou os 4 arremessos que tentou, acabou zerado e saiu, adivinhem, contundido. Parece que a torção no pé direito não foi nada de mais, mas já dá a impressão de que o pivozão é bichado mesmo.

Falando em pivô bichado, essa estréia me lembrou a do Yao Ming pelo Houston, que também começou na liga cheio de holofotes sobre sua cabeça e zerou na primeira partida. A diferença é que o Yao teve problemas na imigração para os EUA e nem pré-temporada ou Liga de Verão jogou, ele só chegou e fez sua estréia na NBA.

Pelo lado do Blazers, dois jogadores deram um showzinho à parte, Rudy Fernandez, com ótima estréia, e o Travis Outlaw, o cara que mais ama o próprio arremesso no universo. Ele não disse com essas palavras, mas ele faria sexo com o próprio jump shot se isso fosse possível.
Tirando isso, o time foi esmagado pela defesa do Lakers. O Portland é muito novo e tem algumas caras novas, é possível que a gente veja algumas sapecadas dessa até eles pegarem entrosamento, mas vou demorar pra perder as esperanças nesse Blazers.

Já o Lakers foi uma beleza! Gasol muito mais eficiente na posição 4, Kobe sem ser fominha, Ariza acertando até bolas de 3, Jordan Farmar melhor do que nunca e, mais importante do que isso tudo, o time jogou bem na defesa! Pressionou, fechou o garrafão e segurou o Blazers a 76 pontos! Incrível começo do time do Phil Jackson.

Destaque também para a boa partida do Lamar Odom, que já começa a temporada como principal candidato a melhor 6° homem da NBA. Ele foi ótimo vindo do banco, foi o líder dos reservas, jogou praticamente como armador e foi importantíssimo para manter a alta velocidade do time. Em inúmeras vezes ele mesmo pegava o rebote e já saia na correria pra frente, algo meio Jason Kidd.

O que não foi nada Jason Kidd foi o passe que ele deu para o Sasha Vujacic. O passe foi preciso, foi exatamente na mão do esloveno, que estava livre. Uma pena que ele estava no banco de reservas. O Lakers precisa de agasalhos menos amarelos.


terça-feira, 28 de outubro de 2008

O primeiro vídeo do Bola Presa

Lembra quando chamamos vocês leitores para um projeto ambicioso do Bola Presa?

Foi nesse post aqui.


O projeto nem é tão ambicioso assim, mas gostamos de fingir que o Bola Presa é mais importante do que é, assim fica mais fácil impressionar as garotas. O projeto consistia de filmar os primeiros vídeos do Bola Presa, que até servem para nos promover, mas que servem ainda mais para serem engraçados e divertidos, que é o que nós gostamos de fazer por aqui.

A idéia é pegar pessoas comuns, botar uma camiseta de um jogador da NBA nela e fazer, na rua, uma situação típica da NBA. Para nossa primeira missão convocamos dois leitores, o Vítor e o Victor. Os dois foram muito legais, prestativos, levaram suas camisetas e, apesar de um ser torcedor do Spurs e o outro trabalhar como transportador de cocô, foram de grande ajuda.

Nesse primeiro vídeo só aparece o Vítor. E que ele sirva de inspiração e vocês possam nos mandar seus próprios vídeos, filmados em qualquer lugar, com uma situação da NBA na vida cotidiana. Quanto mais idiota e ridículo, melhor.





Os vídeos podem ser enviados via e-mail: bolapresa@gmail.com

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Preview da Temporada - Divisão Noroeste

Se eu fosse de Utah essa seria uma de minhas 8 esposas


Eba!!! Falta só um dia para começar a temporada! Juro que não sabia mais o que fazer nesse blog. Nem uma enquete nova eu sou capaz de criar, mas tudo bem, tudo acaba amanhã quando começa a coisa mais maravilhosa do planeta depois da Alinne Moraes, a temporada regular da NBA! 82 jogos de amor, ódio, intrigas e traição num enredo de tirar o fôlego.

Mas cumprimos nossas obrigações morais de terminar nosso preview da temporada. Como já explicamos, somos obrigados pela União Internacional dos Sites de Basquete de fazer um preview da temporada. A única liberdade que eles dão é de como fazer as previsões, pode ser no chute, tarô, borrão de café e, se você tiver contatos, leitura da mão dos jogadores.

Eu, como não sou bobo, fui atrás de mesma mulher que fez a amarração que fez minha namorada voltar pra mim depois da minha última cagada, e ela deu desconto na hora de fazer as previsões. Ela me garantiu que nesse ano o Kobe vai jogar bem, o Dwight Howard vai enterrar, o Rasheed vai tomar falta técnica, o Josh Howard vai falar besteira e que eu estou com mal olhado.

Mas vamos ao que interessa:


Utah Jazz

Motivos para assistir:
O Jazz é o mesmo há uns 20 anos. Por um lado isso é bom, porque é um estilo de jogo bem eficiente e que rende jogadas bonitas, mas é sempre mais do mesmo. Um mesmo que eu adoro, principalmente por causa do Deron Williams, que não me importa se é melhor, pior ou igual ao Chris Paul, o que interessa é que o moleque é muito, muito bom e dá gosto de ver.

Sou fã de armadores, acho que por ser um armador frustrado, com menos visão de jogo que o saudoso Gilmar Fubá do Corinthinas e um passe tão bom quanto o do Zach Randolph (essa é pegadinha, porque ele não passa a bola, pegou, malandro?). Mas mesmo preferindo os baixinhos, sobra tempo para assistir uns grandalhões mostrarem o que sabem fazer. E entre os gradalhões, dois em especial são de encher os olhos: Tim Duncan e Carlos Boozer. Nada contra Yao, Amaré, Garnett e Dwight, e nada a favor do Spurs, mas eu ainda fico impressionado em ver como o Duncan e o Boozer, apesar de serem muito fortes, conseguem jogar tão bem com tanta finesse, tanto estilo. O Boozer consegue ser um trombador brutamonte e uma lady ao mesmo tempo dentro do garrafão, é até difícil de explicar e eu não vou me dar ao trabalho de desenhar.

Mas se você não entendeu, melhor, mais um motivo para você ver o Jazz jogar e ficar de olho aberto para cada jogada do Homem do Alasca, Carlos Boozer.

Motivos para não assistir:
Algumas coisas na vida não enjoam nunca. Entre elas estão Coca-Cola, sexo, mortadela e Pink Floyd. Mas o Utah Jazz, infelizmente, não está na lista e eu entenderia perfeitamente se você disser que se ver mais um pick-and-roll vai vomitar.

Se você é daqueles entusiastas do streetball também não espere enterradas mirabulantes, as jogadas bonitas serão, no máximo, um daqueles crossovers secos que o Deron sabe fazer muito bem ou um toco do Kirilenko, se ele estiver afim de jogar, claro, porque tem dia que parece que ele prefere ficar em casa comendo Danoninho.


Portland Trail Blazers

Motivos para assistir:
Depois de tantos textos lambendo o saco do Blazers eu ainda preciso dar motivos para ver o Blazers jogar? Bom, o Rudy Fernandez vai ser o estrangeiro favorito de muito americano com aquele estilo de jogo agressivo e plástico. Ele já é um show à parte.

O Brandon Roy, depois de só dois anos de profissional, já está na elite da elite dos jogadores da NBA e só ele estar presente em quadra já é motivo para ver o Blazers jogar. E ainda tem o Greg Oden, que mesmo que não seja tudo o que dizem, e eu acho que vai ser, vale a pena nem que seja só pela curiosidade de ver como o vovô joga.

E depois de tanto puxa-saquismo Blazeriano do Bola Presa, você TEM QUE assistir eles jogarem, nem que seja para secar os caras e dizer que você sempre soube que não ia dar em nada.

Motivos para não assistir:
Se você é daqueles do contra que não gostam de alguma coisa só porque está na moda, então não assista.

Antes que qualquer um venha falar que o Blazers não está na moda porque é tradicional, digo que no ano 2000, no auge do hype daquele álbum "1", Beatles era modinha. Estar na moda é ser o queridinho de todo mundo, seja lá por qual motivo, não tem nada a ver com ter história, tradição ou merdas do tipo.

Então se for um desses malas que não sabe abraçar uma boa modinha e que deixa de gostar de alguma coisa só porque está na capa da Capricho, Veja, Carta Capital e Superinteressante ao mesmo tempo, não perca tempo vendo o Blazers, vai te dar coceira e você não vai conseguir aproveitar o bom basquete que eles vão jogar.


Denver Nuggets:

Motivos para assistir:
O Nenê parece que está saudável e fez isso com o pobre Jamario Moon:



O Kenyon Martin é uma máquina programada para enterrar. O Carmelo faz 30 pontos por jogo mesmo com dor de barriga, o Iverson é um dos melhores jogadores de todos os tempos e o JR Smith, volta e meia, ilumina nossa vida com seus mometos de brilhantismo:




Ver o Denver jogar é celebrar a esperança. Você sabe que pode ver muita bobagem, muito turnover, um técnico ignorado, mas no meio disso tudo estão jogadores fora de série.


Motivos para não assistir:
Se o Blazers está naquela fase de encantamento, onde só se enxerga um futuro promissor, o Nuggets está naquela fase onde todo mundo está perdendo as esperanças. O time parecia ter um elenco fora de série e ano após ano só passa vergonha nos playoffs. Depois ainda mandaram o Marcus Camby em troca de um Toddynho vencido. Se você disser que não vai ver o Nuggets porque suas esperanças de ver o time vencedor foram para o ralo e você cansou de sofrer, vou entender perfeitamente.


Minnessota Timberwolves

Motivos para assistir:
Tá, vou forçar a barra. Mas se você gosta de um bom jogador de garrafão, vai gostar de ver o Al Jefferson em ação. Mas não prometo nada, porque o time é tão ruim que às vezes a bola nem chega redonda nele e o time apanha demais, deixando o jogo sem graça.

Mas você também pode apelar para a esperança. O Kevin Love parece que vai ser muito bom e o Randy Foye tá pegando as manhas da coisa, talvez junto com o Al Jefferson formem um jovem trio empolgante. Que perdem de todo mundo e são companheiros de time do Brian Cardinal, mas empolgante.

Você também pode ver o Wolves contra o Suns. Inexplicavelmente no ano passado foi contra o Suns que o Wolves fez seus melhores jogos, vencendo acho que 2 dos 3 duelos entre as equipes.

Motivos para não assistir:
Repito, são companheiros de time do Brian Cardinal. Pra que dar moral pra um time que tem ele no elenco? Pra mim já basta, mas se você quer mais eu posso mostrar esse vídeo do Corey Brewer. Nada em especial contra ele, mas é o tipo de coisa que você vê em jogos do Wolves hoje em dia:




Oklahoma City Thunder

Motivos para assistir:
O Kevin Durant foi novato do ano na temporada passada com todos os méritos e nesse ano deve passar facilmente dos 20 pontos por jogo. O Jeff Green terminou bem a temporada passada e o Russell Westbrook é um armador, digamos, promissor.

Pronto, acaba aí. Eles tem alguns bons jogadores novos, se você quiser ver eles num time desorganizado e perdendo, fique à vontade. Eu não vou ver, até porque mesmo o Durant, que é talentoso pra diabo, não é daqueles que dá gosto de ver jogar, como o Brandon Roy que eu citei hoje mesmo.

Você pode ver o primeiro minuto do primeiro jogo, só pra dizer que viu a estréia do Thunder para o seu filho. Mas eu vou dizer que boicotei a estréia do Thunder, sou um homem de princípios.

Motivos para não assistir:
É o Thunder!!! Eles afanaram o simpático Sonics. Precisa de mais motivos? Como defensor da moral, dos bons costumes e da família brasileira hoje no Brasil, eu não vou ficar dando audiência (pirata via internet) para esse afanadores de time!
Em nome de Gary Payton, amém.

Tá, vou falar a verdade. Se os afanadores de time tivessem o Kobe, o Amaré, o Chris Bosh e o Wade no elenco eu até abandonava um pouco do meu orgulho. Mas isso fica entre nós.



Revista Eletrônica é o Brasil na Libertadores

O Bola Presa foi formalmente convidado e aceitou fazer uma coluna na Revista Eletrônica "Lance Livre". A revista está ainda tomando formas, tem seus erros e acertos mas tem futuro promissor.

Entre no site deles, baixe o primeiro número, leia nossa coluna e diga para eles o que acharam da revista e para nós o que acharam da coluna Bola Presa.

E que comece a temporada logo!

domingo, 26 de outubro de 2008

Preview da temporada - Divisão Central

Se olhar muito, o Rasheed Wallace toma falta técnica em casa


Estamos de volta com mais um preview da próxima temporada, apresentando agora os times da Divisão Central. Entregamos de bandeja todos os motivos para assistir e não assistir a cada um dos times, para você não ter que pensar e conseguir escolher com mais facilidade quem vai acompanhar. Afinal, hoje em dia dá pra ver qualquer partida que você quiser, basta dizer as palavras mágicas - e ter uma conexão de internet decente. Como a temporada começa na terça-feira, é hora de acompanhar as última análises, em clima de contagem regressiva.

Como sempre, começamos com o time que deve ser campeão de sua Divisão e acabamos com quem deve ficar no vergonhoso último lugar. E é vergonhoso mesmo, afinal ser o pior time da Divisão Central significa que o time fede tanto que não há mais motivos para viver. Se você é torcedor de algum desses times, prepare o calmante e vamos lá!


Detroit Pistons

Motivos para assistir:
O jogo coletivo e a enorme quantidade de estrelas (ou aspirantes a estrelas, depende de pra quem você pergunta) é sempre um tesão e um motivo indiscutível para ver o Pistons jogando. E se todo mundo já está de saco cheio de assistir sempre ao mesmo Pistons chutando traseiros, jogando do mesmo modo e eventualmente perdendo o ânimo pela vida em pleno tédio da temporada regular, esta é a temporada para voltar a acompanhar a equipe. O técnico Michael Curry acabou de assumir o posto, prometeu mudar um pouco o estilo de jogo da equipe, enfiou o Rasheed dentro do garrafão e prometeu mais de 30 minutos por partida para o reserva Rodney Stuckey, que está andando sobre as águas e multiplicando pães na pré-temporada. Além disso, colocou o McDyess no banco junto com Jason Maxiell e proclamou a "estrela de treinos" Amir Johnson como titular. Por enquanto não rendeu nada, mas não há muita cobrança, já que o banco é profundo, e ele terá tempo para provar seu valor.

O mais importante para o Pistons ser um time delicioso de ver nessa temporada é o ânimo da equipe. Toda vez o Pistons fica entre os líderes do Leste e se lasca nos playoffs, tudo com o mesmo elenco e as mesmas premissas táticas. Fica difícil para eles próprios levar a temporada regular a sério, todo mundo boceja e os jogos são completamente mornos. Com as pequenas mudanças e um técnico severo a quem os jogadores respeitam, o Pistons deve entrar com vontade, liderar a porcaria do Leste e garantir que nada vai sair errado dessa vez.

Motivos para não assistir:
Talvez as mudança não sejam o bastante para injetar ânimo no Pistons e eles continuem aquele time de saco cheio, cochilante, com cara de quem está fazendo exame de próstata ao invés de jogar basquete. Aquele Pistons defensivo e desanimado não é das coisas mais divertidas de se ver no mundo, e garanto que vai ter coisa muito mais legal para assistir lá no Oeste. Salvo os grandes clássicos contra o Celtics ou o Cavs, por exemplo, dá para passar batido pelo Pistons e esperar o momento em que eles tentam jogar de verdade, que é quando os playoffs começam.

Outra coisa: Kwame Brown. Não que ele seja tão ruim assim, mas é que suas limitações são muitas, seu psicológico é digno do Charlie Brown (o personagem das tiras, não a banda do Chorão) e não dá pra levar a sério um time disposto a lhe dar uma chance. Quando o Kwame entra em quadra, o jogo parece uma piada e será um ótimo motivo para mudar de canal e deixar o Pistons pra lá.


Cleveland Cavaliers

Motivos para assistir:
Daniel Gibson. Ele é um dos jogadores mais sensacionas da... rá, é claro que eu estou brincando! Pegadinha do Mallandro, glu glu glu, olha pra câmera lá, rapá! Se existe um motivo nesse Universo para assistir a porcaria do Cavs jogar, esse motivo é LeBron James. Não me importa se você é um odiador do sujeito, se continua achando que ele é superestimado, se acha que ele deveria acabar com a fome na África antes de se comparar ao Jordan. O que interessa é que qualquer jogo com LeBron James é interessante simplesmente porque ele pode surtar a todo momento e vencer a partida sozinho.

O resto do elenco de apoio é questionável, o esquema de jogo é excessivamente defensivo, mas LeBron já provou que, em seus melhores dias, pode pontuar de qualquer lugar da quadra e penetrar no garrafão mais fácil do que seria na Bruna Surfistinha. Além do mais, todo ano o Cavs faz alguma coisa para mudar o elenco, na esperança de entregar para LeBron um time capaz de finalmente ganhar um anel. Trata-se de um time sempre em transformação, em constante metamorfose, e dessa vez o novo membro é Mo Williams. Ver como um dos maiores fominhas da NBA vai se sair ao lado de LeBron é imperdível, quer dê certo, quer não.

E se você curte ver um brasileiro (como se andar pelas ruas não fosse o suficiente), o Varejão teve uma boa pré-temporada e tem tudo para ter um papel importante no time. Com o bônus de que a qualquer momento uma família de anões pode sair do seu cabelo reclamando que cortaram a água encanada, o que certamente será um barraco interessante.

Motivos para não assistir:
Um time puramente defensivo, de ataque estático e que ganha jogando feio. Precisa de algum motivo a mais para fugir? O time é cheio de peças interessantes que não combinam e está sempre fazendo trocas simplesmente pela graça da coisa, sem nunca tentar (e sem nunca conseguir) montar um time coerente e coeso.

Algumas pessoas gostam do novo ingrediente do bolo, o Mo Williams, e ele é um jogador em que todo mundo deveria realmente dar uma olhada. Quando jogava no Bucks, ficava difícil ver o sujeito em ação, porque assistir ao Bucks sempre significa que você está levando seu vício por basquete longe demais. Agora, no Cavs, é uma chance de analisar o Mo Williams de perto. Mas acredite, ele parecerá bom a princípio e, em um punhado de partidas, se transformará num grande motivo para não assistir ao time nunca mais. Sua abordagem do jogo é enervante, dá dor de estômago e o LeBron vai querer esganar o cara em 15 minutos. Ele corre com a bola, o que supostamente seria a tática ideal para o Cavs (que sempre achei que deveria jogar no contra-ataque), mas ele é destrambelhado e não sabe ler o jogo, arremessa quando dá na telha e enlouquece os fãs. Afaste-se.


Chicago Bulls

Motivos para assistir:
Derrick Rose. Eu sei, defendi desde o princípio que o Bulls fez uma cagada draftando o garoto no lugar do Beasley, aloprei as atuações medíocres no rapaz nas Summer Leagues, falei que ele comia meleca de nariz. Mas não é nada pessoal com o garoto, eu é que sou muito chato. Na pré-temporada o Derrick Rose teve atuações dignas da estrela que se tornará, mostrando maturidade e um poder mutante de adentrar o garrafão quando bem entende que lembra muito seu colega de profissão, Chris Paul. Embora o Bulls esteja com aquele cheiro de novela do SBT (você até vê as boas intenções, mas sabe que vai dar muito errado), o Rose tem tudo para dar muito certo. E não tem coisa mais bacana do que acompanhar uma futura grande estrela da NBA desde seu primeiro jogo, assistindo de camarote ao seu desenvolvimento. Para os que viram o LeBron evoluindo seu jogo desde o começo, a sensação de vê-lo jogar agora é incrível e as histórias para contar para os netos se avolumam. Os que viram o Jordan começando sua carreira na NBA, por exemplo, têm bilhões de histórias para contar pros seus bisnetos.

Esse ano veremos trocentos novatos que renderão histórias quando você for velho, então será preciso um bom planejamento para manter sempre um olho em cada um deles. Certifique-se de que o Derrick Rose receba atenção especial.

O resto do time também não é de se jogar fora, com muita gente jovem, talentosa, descontraída, disposta a muita azaração! Vale a pena ver como o armador Kirk Hinrich vai se acostumar com seu novo papel, já que Rose assumiu sua antiga função, como Luol Deng vai produzir depois do seu novo contrato giga-milionário, que espaço será dado para Nocioni, como será o desenvolvimento do garrafão "fede-mas-há-esperança" de Tyrus Thomas e Joaquim Noah. Mas o mais divertido para os Nelson Rubens da vida será analisar a situação do Ben Gordon, que tentará mostrar que é o governante da Terra para garantir um contrato na temporada que vem, já que dessa vez ninguém deu bola para o moçoilo.

Para finalizar, tem também o técnico com nome de estrela de luta-livre, Vinny Del Negro, que é um técnico novato e, portanto, você sempre vai querer ver ele fazendo merda para criticar na frente dos seus amigos.

Motivos para não assistir:
O Bulls da temporada passada era um pesadelo de se assistir. Todo mundo ficava atrás da linha de 3 pontos arremessando como malucos, num estranho caso clínico de "fobia de garrafão". Tirando o Drew Gooden, que é um bom jogador mas que não dá pra levar muito a sério, ninguém ainda é especialista em jogar perto da cesta. Se o Derrick Rose feder por uns tempos, o que é até bem normal para novatos, acredito que não deve haver muita melhora na equipe. O técnico novo deve levar um tempo para compreender do que se trata esse tal de basquete, e para construir um modo de jogo que mude realmente a cara do Bulls vai demorar bastante. Ou seja, tudo leva a crer que, principalmente no começo da temporada, aturar os jogos desse time vai ser pior do que aula de Química. Para os desbravadores do desconhecido (também conhecidos como "aqueles que não tem bom senso"), aconselho sempre se certificar de que o Derrick Rose está saudável e vai jogar antes de escolher um jogo do Bulls.


Milwaukee Bucks

Motivos para assistir:
Um estranho fetiche por veados roxos, talvez? Bem, talvez exista algo que realmente possa me fazer dar uma olhada no Bucks, e trata-se do "Complexo de Zach Randolph". Lembra quando o Blazers fedia e o Randolph era uma grande estrela com seus 20 pontos e 10 rebotes de sempre, mantendo a bola em suas mãos o tempo todo? O Blazers então teve os bagos necessários para mandar sua estrela embora e, como mágica, o time melhorou instantaneamente de rendimento. Com o Bucks, não aconteceu exatamente isso, afinal a estrela da equipe é Michael Redd, que continua por aquelas bandas. Mas acontece que a bola mal fica em suas mãos, ele é um arremessador, alguém deve armar o jogo para seus arremessos, e o Mo Williams se tornou uma espécie de estrela na temporada passada com números surpreendentes de pontos e, até, de assistências. Trocado para o Cavs, agora Mo Will pode levar seus bons números para Cleveland e, se o "Complexo de Zach Randolph" entrar em ação, o Bucks deve melhorar sua produção. Luke Ridnour é facilmente o pior defensor mano-a-mano da NBA e o Ramon Sessions não consegue acertar arremessos, mas mesmo assim são armadores muito mais voltados para a equipe. Por motivos científicos, talvez seja legal ficar de olho.

Mandar o Yi Jianlian embora para o Nets também é um bom sinal. O Bucks ficou famoso por ser o time que só contrata os jogadores que não querem jogar por lá, e o Yi Jianlian era prova viva, quase que o chinês desiste de jogar na NBA só porque não queria ir parar em Milwaukee. Melhorar o clima da equipe costuma melhorar os resultados, o ala Richard Jefferson tem tudo para se tornar uma estrela com mais responsabilidades nas mãos e talvez o time nem fique em último no Leste.

Motivos para não assistir:
Ter uma vida. Vá ler um livro, leve o cachorro para passear, saia com a namorada, conte os azulejos da cozinha, estude a presença da dialética hegeliana na evolução dos videogames pós-Tetris. O Bucks fede, deve continuar fedendo por um bom tempo, e só deve receber qualquer atenção se o Michael Redd começar a fazer 50 pontos por jogo, Richard Jefferson dominar as partidas e o Ramon Sessions voltar aos números do fim da temporada regular, em que tinha por volta de 15 assistências de média. Mas veja bem, tem que acontecer as três coisas ao mesmo tempo, e constantemente, para que você tenha razões para sair de sua hibernação e ir acompanhar os roxinhos.


Indiana Pacers

Motivos para assistir:
Ser masoquista. O Pacers até deu sinais de que não seria uma tortura completa na temporada passada, mas agora o plano é jogar tudo fora e começar de novo. Time começando de novo é um sofrimento para acompanhar, é melhor ignorá-los por alguns anos, fechar os olhos e torcer bastante para que eles se tornem o novo Blazers (segundo "O Segredo", funciona).

O time até tem seus atrativos, veja bem. O armador TJ Ford corre pra burro e costuma sempre ter umas jogadas espetaculares, o "Granny Danger" cheira a estrela, o Mike Dunleavy vem da melhor temporada de sua carreira e talvez realmente seja o próximo Larry Bird, só que com dengue e duas mãos esquerdas. Mas se você realmente quer um motivo para dar uma espiada no Pacers, eu apontaria o Roy Hibbert. Ele é o pivô novato que surpreendeu todo mundo chutando traseiros na pré-temporada, e pivôs bons definitivamente não nascem em árvores. Acompanhar a evolução dele deve ser divertido.

Outra coisa: as cheerleaders do Pacers estão entre as mais maravilhosas da NBA. Quase coloquei o time em primeiro da Divisão só para poder colocar uma foto delas no topo do post. Então, se você estiver na seca, pode assistir ao Indiana Pacers e ignorar o jogo, prestando bastante atenção nos intervalos.

Motivos para não assistir:
Ter amor pela vida. Acompanhar uma equipe em que os pivôs são o Nesterovic, o Jeff Foster e um novato? Uma equipe sem estrelas, sem conjunto, sem objetivo? Um experimento fracassado que tentou se livrar de todos os jogadores bons mas "problemáticos" e montar um mosteiro de frades franciscanos que não vão ganhar uma partida sequer?

O Leste é uma porcaria e eles até podem ter alguma chance se evoluírem muito num ritmo absurdo, se despertarem o Sétimo Sentido e começarem a se mover na velocidade da luz. Fora isso, devem ser os últimos colocados não apenas da Divisão, mas de toda a Conferência. Vergonha.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Preview da temporada - Divisão Atlântica

E você se perguntando porque Kevin Garnett joga tão motivado


Continuando com nossa análise do que vale a pena ver na próxima temporada, analisamos dessa vez a Divisão Atlântica, muito provavelmente uma das mais divertidas para assistir. Seja para torcer a favor, seja para torcer contra, todo mundo vai querer dar uma espiadinha nesses times jogando.

Daqui a pouquinho teremos mais uma Divisão, correndo como uns loucos para repor o tempo perdido e entrar com tudo na temporada regular, que começa nessa terça-feira. Mande as crianças para a casa da vó, brigue com a namorada, repita no colégio. É hora de ler uma tonelada de posts no fim de semana e depois devorar os primeiros jogos da temporada, tudo enquanto amaldiçoa o horário de verão que aumentou em uma hora o fuso horário. Idiotas.


Boston Celtics

Motivos para assistir:
Os atuais campeões conseguem satisfazer a todos os fetiches do planeta. Para quem gosta de estrelas, três jogadores (Garnett, Ray Allen e Paul Pierce) serão futuros membros do Hall da Fama e são alguns dos mais talentosos seres humanos a já tentar brincar desse esporte. Para quem gosta de jogadores secundários mas esforçados, o time perdeu James Posey mas manteve Leon Powe, cada vez mais essencial nos momentos decisivos das partidas de pré-temporada. Se o fetiche é jogador jovem com potencial, Rajon Rondo dá os sinais de cada vez mais ser um clone do Jason Kidd (ou seja, corre pra burro, passa bem a bola, pega rebotes e não faz a menor idéia de como dar um arremesso), sem esquecer também de Tony Allen que teve uma pré-temporada sensacional. Para os que tem fetiche por jogadores jovens com potencial mas que fedem, tem o Patrick O'Bryant, o pivô que nunca jogou no Warriors desde que foi draftado porque o Don Nelson só coloca em quadra gente com menos de um metro e meio. Se o fetiche são apenas jogadores ruins, tem o Scalabrine. E se o fetiche é por pés, bem, tem um monte de pés por lá, isso eu garanto.

O Celtics é um time para todos os gostos, uma mistura muito eclética de talentos unida por um ideal (e pelos gritos de Kevin Garnett) que dá tudo de si em todos os jogos. O ataque é meio estático, a defesa é meio confusa, mas como não gostar de ver um ataque tão cheio de talento e uma defesa tão intensa com o Garnett escorrendo sangue noite após noite? Aliás, como não gostar de ver o Garnett jogando, sempre com aquela impressão de que será o último jogo de sua vida e basquete fosse a coisa lógica a se fazer no leito de morte?

Pode confessar, eu sei que você costumava falar que o Duncan era o melhor ala da história do planeta mas mal tinha visto o Garnett jogar porque o Timberwolves não é um time de verdade. Então aí está um motivo, veja o Celtics jogar porque um dos melhores alas de todos os tempos vai eventualmente se aposentar e você perdeu a maior parte de sua carreira, só porque ele estava na porcaria do time dos timberlobos.

Motivos para não assistir:
Bem, eles são os atuais campeões, o que já é motivo para ser boicotado por muita gente. Em parte porque assistimos mais jogos do Celtics na temporada passada do que vimos matérias sobre a Eloá, então uma hora enjoa. O time é interessante, cheio de talento, mas não joga de maneira especialmente atraente para os olhos, enfrenta milhões de adversários do Leste que fedem demais para que o jogo tenha graça e em geral as partidas são tão fáceis que os titulares acabam jogando poucos minutos. No fim da temporada, as estrelas se dão ao luxo de ficar no banco de reservas cutucando o nariz - um prazer secreto compartilhado por todos os seres humanos (ou você tem dúvidas de que o polegar opositor só serve para fazer bolinhas de meleca?). Ou seja, a temporada regular não vale nada para o Celtics, que deve ser o primeiro colocado absoluto do Leste, e já tendo em mente que veremos trocentos jogos deles nos playoffs, talvez seja melhor não esgotar nossa cota de paciência com o time logo de cara.


Philadelphia 76ers

Motivos para assistir:
Na temporada passada, compreender como um time completamente mediano conseguia resultados surpreendentes era o motivo que fez todos os fãs de basquete prestarem atenção no Sixers, afinal a equipe tinha sido completamente ignorada por todo mundo até então. Era quase playoffs quando alguém percebeu que o Sixers estava chutando traseiros e a mensagem foi se espalhando, no boca-a-boca, tipo "telefone sem fio". A mensagem final que chegou aos meus ouvidos foi "o zíper peida", o que depois compreendi ser uma versão de "o Sixers reina" - sempre tem uma velha da Praça é Nossa para estragar o telefone sem fio. Aqui no Bola Presa, assistimos a muitos jogos tardios do Sixers para tentar resolver o mistério, escrevi um punhado de posts a respeito e nunca compreendi inteiramente. O técnico era ruim (os fãs pediam sua demissão), o elenco era fraco, e não havia nenhuma estrela; de repente o técnico era chamado de gênio, os fãs pediram para ele uma extensão de contrato (que veio), o elenco era sólido e profundo e Andre Iguodala firmou-se como algo que lembra vagamente uma estrela. Como diabos isso aconteceu? Não dá pra perder jogo algum desse time com um fenômeno desses acontecendo, principalmente se você for ufólogo.

Mas o que se dizia desse time é que faltava um pontuador de verdade dentro do garrafão, um cara que exigisse marcações duplas. Bem, Elton Brand foi vira-casaca e topou jogar pelo time mais intrigante da NBA. (Perceba que intrigante é a palavra que você usaria para definir uma garota bonita que talvez seja um homem.) Por via das dúvidas, pretendo ver muito esse time jogar e analisar como Elton Brand irá interferir na química da equipe. Eu recomendo.

Motivos para não assistir:
Bem, eles não são exatemente um time empolgante com várias estrelas dominando jogos. Iguodala tem "ajudante" escrito na testa, todos os outros são peças sólidas mas que não fazem muito barulho, e o Elton Brand é provavelmente a estrela mais silenciosa da NBA. Ele tem passado a vida fazendo 20 pontos, pegando 10 rebotes e dando 2 tocos todos os jogos (tudo com apenas 2,06m de altura), mas faz isso de uma forma tão discreta que não seria sequer reconhecido na rua. O Duncan é famoso por não ser famoso, ele é descolado por não ser descolado, ele é louvado por ter um estilo que não é louvável. Ou seja, um paradoxo que atormentará a filosofia ocidental pelos próximos anos. Mas o Elton Brand não é famoso por não ser famoso, ele simplesmente não é famoso e pronto. Passar a última temporada inteira contundido não ajudou muito também. Então, no fundo o Sixers não tem ninguém que chame atenção, ninguém que será certeza de emoção e de vitórias. O jogo mais coletivo nas mãos de jogadores ditos "de apoio", que é como o Pistons costumava ser antes de todo mundo por lá ser chamado de estrela, pode não ser uma das coisas mais tesudas de assistir e talvez não dê pra competir com o Superpop. Mas para quem gosta ou, ao menos, tem a curiosidade, esse motivo é uma besteira.


Toronto Raptors

Motivos para assistir:
Depois da novela mexicana "O Favorito" estrelada por Jose Calderon e TJ Ford, o Raptors finalmente escolheu deixar o time nas mãos do armador espanhol e se livrar do TJ o mais depressa possível. O Calderon joga demais, tem um dos arremessos mais tecnicamente impecáveis da NBA e nunca deperdiça a bola, foi cotado para ser All-Star na temporada passada e dessa vez terá todos os minutos que quiser. Perder isso na TV seria loucura, essa temporada é a grande chance de ver o Calderon finalmente alcançar a fama que merece.

Enquanto isso, o Chris Bosh vai poder pela primeira vez em sua existência deixar de jogar como pivô, posição da qual ele nunca foi lá muito fã. Isso porque Jermaine O'Neal está saudável e assumindo imediatamente o garrafão do Raptors. Os dois formam, pelo menos no papel, uma das melhores duplas de garrafão da NBA, atlética, técnica e, portanto, imperdível. Um time com novidades interessantes na armação e no garrafão tem nossa atenção garantida por uns tempos, no mínimo, só pelo fator novidade. Copiar um pouco o estilo veloz do antigo Suns também conta.

Além disso, o ala Andrea Bargnani teve uma ótima pré-temporada e dessa vez deve até mesmo ficar alguns segundos em quadra quando o jogo estiver valendo, já pensou? Para quem acha que os italianos são bigodudos de macacão vermelho que comem uns cogumelos e começam a achar que precisam salvar princesas das garras de dinossauros verdes, o Bargnani é um ótimo motivo para acompanhar o Raptors, principalmente se ele se tornar realmente o novo Nowitzki, só que menos feio.

Motivos para não assistir:
Bosh e Jermaine é uma das duplas mais bacanudas da NBA, fato, mas também é uma das mais amaldiçoadas desde Pepê e Neném. O Bosh sempre tem problemas no pé e o Jermaine O'Neal era saudável na época em que o Atari tinha gráficos de ponta (quem não exclamou, fascinado em plenos anos 80, que o céu do jogo Enduro era "foto-realista"?). Então eventualmente um dos dois (ou os dois) vai acabar virando farofa, o que vai tirar muito a graça do time.

Por mas divertido que o Raptors seja, sem Bosh ou Jermaine o time volta a ser basicamente o que era na temporada passada, ou seja, um time instável e frágil, perdendo jogos tolos e nunca sendo realmente empolgante de assistir. A culpa deve ser provavelmente do Sam Mitchell, o pior técnico da NBA, e quem diabos quer ver o pior técnico fazendo merda sentado num pinico? Bem, talvez seja um fetiche do qual nem mesmo o Celtics pode dar conta, consigo imaginar uns malucos mais escatológicos assistindo ao Sam Mitchell trabalhar só pelo prazer da coisa. Mas com todo mundo saudável, acho que não tem como o resultado ser uma merda completa e vale ao menos uma assistida esporádica. Assista enquanto estão saudáveis. Ou seja, assim que a temporada começar, depois estamos nas mãos do Acaso.


New York Knicks

Motivos para assistir:
A raça humana, depois da Guerra Fria, se divide em dois pólos: os que estão torcendo a favor do novo Knicks e os que estão torcendo contra. Eu, por exemplo, estou torcendo a favor, mas não sou um militante fanático, veja bem. Já vi o novo Knicks jogar e achei uma porcaria, mas o time vem melhorando aos pouquinhos, entendendo o esquema de jogo e ficando mais capacitados fisicamente para aguentar a correria (menos o Eddy Curry, claro, que está ficando mais capacitado para aguentar a crise dos alimentos, estocando comida debaixo da pele). Eu pessoalmente não acho que o Knicks vá dar certo, ao menos não nos moldes atuais, mas aí está o maior motivo para assistir aos jogos: descobrir se eles vão feder ou se vão se recuperar.

Não tem erro, não importa para qual lado você esteja torcendo, não dá para perder os jogos dos pupilos do técnico Mike D'Antoni. O Suns já era uma das coisas mais insanamente divertidas de se ver, então se o Knicks der certo a diversão está garantida. Se der errado, bem, todo mundo vai querer dar uma olhada na piada para poder criticar e ter o que falar nas conversas de bar enquanto não começa o novo Big Brother Brasil e não rola nenhum sequestro ou criança voando pela janela.

Motivos para não assistir:
Quem não gostava do estilo do Suns não tem muitos motivos para ver o Knicks jogar. É como não gostar do Elvis e ir assistir a um show de um cover gordinho do sujeito, sofrimento puro. É que o Suns não defendia e parecia jogar no ataque sem pensar muito, coisa que ofende o pessoal que tem fetiche por basquete lento e defesa forte. É justo, nos tempos modernos a gente respeita todo mundo, pode até comer cocô.

Se o Knicks começar a perder, aí é que surgem mais motivos ainda para deixar esse estilo porra-louca para lá na hora de escolher que jogo ver. A graça da coisa é que com um basquete veloz os jogos variam muito, diferenças gigantes de pontos são abertas e perdidas em questão de poucos minutos, toda partida está aberta e é emocionante. Se o Knicks faz isso e perde sempre, os jogos vão ser um porre. E o Marbury vai pirar de um dia para o outro, dizer que quer jogar na Finlândia e sumir uns dias, só pra deixar o clima da equipe bem bacana, bem "Família Scolari".


New Jersey Nets

Motivos para assistir:
Em geral, times em reconstrução são a coisa mais chata da Terra, só perdendo para shows de mímica. É estranho, então, dizer que o maior motivo para assistir ao Nets é justamente eles serem um time em reconstrução. Sem Kidd e com Richard Jefferson recentemente trocado para o Bucks, quem sobrou no barco (furado) foi o Vince Carter, que parece atrair esse tipo de situação, coitado. Mas acontece que o Carter parece ter abraçado bem o papel de estrela experiente que ajuda a pirralhada, e o berçário de New Jersey é um dos mais interessantes e divertidos da NBA. O Devin Harris tem tudo para ser um All-Star e pode levar esse time nas costas, Vince Carter ainda é um excelente pontuador, Yi Jianlian costuma feder mas tem toneladas de potencial, os homens de garrafão são todos talentosos mas ainda não fazem a barba, e até o novato da equipe, Brook Lopez, é um poço de talento bruto e destruiu na pré-temporada.

Pode ser questão de gosto pessoal, mas enquanto fujo de times ruins que estão tentando reconstruir a equipe, estou ansioso para ver o Nets jogar. Eles vão feder, vão ter seus traseiros chutados, mas o elenco é irresistivelmente jovem e inegavelmente cheio de talento. É tipo ficar amarradão naquela garota gorda sabendo que, por trás de todo aquele tecido adiposo, existe uma garota maravilhosa escondida. E eu tô amarradão. No Nets, por favor, não numa gorda.

Motivos para não assistir:
Por mais simpático que seja acompanhar um monte de crianças talentosas buscando seu lugar num mundo de gente grande (parece roteiro de Seção da Tarde), uma hora enche o saco ver um time que só apanha. Os caras talentosos começam a parecer burros porque vão sempre cometendo os mesmos erros, o excesso de derrotas vai acabando com o ânimo da equipe e aí fica aquele clima de "preferia ter um caso com a Preta Gil do que estar aqui nessa budega". E de deprimente basta a vida, ninguém quer ficar vendo um time fracassado lamentando pelos cantos, a não ser depois de acabar namoro porque aí é hora de curtir uma fossa, ouvir música emo e assistir ao Nets choramingar as derrotas.

Outro motivo para fugir do Nets é seu técnico, o Lawrence Frank. Ele é um nerd de basquete, estudioso e bem preparado, que não consegue fazer nada que funcione e tem as rotações mais idiotas possíveis. Então é bem provável que vários jogadores com potencial fiquem sentados no banco, contra toda a lógica e o bom senso, e assistir ao Nets seja uma completa tortura.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Preview da temporada - Divisão Pacífico

Kobe, Bynum e Gasol não são os reais três
motivos para assistir ao Lakers



Continuamos com nossa série de previews, apontando o que vale assistir e do que vale a pena fugir em cada um dos times da NBA nessa temporada. A ordem em que são apresentados é a mesma que acredito que ficarão classificados em cada Divisão. E se você vai reclamar que eu, como torcedor do Lakers, coloquei eles em primeiro lugar, a caixa de sugestões está no fim do corredor. Obrigado.


LA Lakers

Motivos para assistir:
Eu sei, eu sou suspeito, mas acho que o Lakers está entre os times mais legais de se ver jogar em toda a NBA. Você pode preferir a correria do Suns, o Chris Paul, a defesa do Celtics, tudo bem, mas ninguém soma tantas qualidades como o Lakers. Se você gosta de assistir a grandes estrelas, o Lakers tem o Kobe Bryant. Uma vez por jogo, pelo menos, ele vai fazer alguma jogada insana que você não achava possível de acontecer. Se você gosta de ver jogadores de garrafão, o Lakers não tem o Duncan ou o Garnett, mas tem a dupla Gasol e Bynum, que volta e meia presenteiam o público com algum giro, gancho, enterrada ou ponte aérea, e vai ser legal ver como eles aprendem a se entrosar. E, por fim, o Lakers tem a coisa mais legal de todas, que é o jogo em equipe. Quando o Lakers está inspirado, trocando passes e mais passes, principalmente quando o Odom está inspirado, ninguém ganha do Lakers e ninguém dá mais show que o time de LA.

Se você não torce para o Lakers, pode ser legal assistir porque a defesa do Lakers não é lá uma muralha, então os jogos costumam ser de pontuação alta. E vamos ser sinceros, para que odiar o Lakers? O Kobe é um cara tão humilde e simpático!

Motivos para não assistir:

Eu acho que não tem nenhum, mas forçando a barra acho que um bom motivo é a exaustão. Já assistimos muitos jogos do Lakers na temporada passada e pode ter enchido o saco. Eu acho que time que joga bonito nunca cansa, mas se for pra achar uma desculpa esfarrapada, que seja essa.
Ou diga que você é invejoso e não aguenta ver meu Lakers ganhar, ganhar e ganhar! Ah, a confiança de um torcedor é incrível.


Phoenix Suns

Motivos para assistir:
O Nash vai estar em quadra e os neguinhos vão correr como doidos, precisa de mais? Se precisar, tem o Amaré Stoudemire, um dos melhores jogadores ofensivos de toda a NBA e uma garantia certa de enterradas hulkianas a cada partida (e ele disse que vai usar óculos à la Kurt Rambis, isso vale tantos pontos quanto o bigode do Adam Morrison!).

Alguns jogadores podem não empolgar de cara, como Matt Barnes, Boris Diaw, Alando Tucker e o novato Robin Lopez, mas o segredo é confiar no Nash. Ele faz todo mundo jogar bem, aparecer no Top 10 do NBA Action e ganhar um contrato em outro time depois que o Suns perde para o Spurs nos playoffs.

Se você é um cara nostálgico, tem mais dois motivos. Afinal, Shaquille O'Neal, o Jardel da NBA, tamanha a quantidade de frases marcantes do cara, está em sua penúltima temporada na NBA, e Grant Hill sempre pode estar jogando o seu último jogo da carreira, tudo depende do tornozelo/joelho/nariz/pâncreas do cara. Uma última chance de acompanhar a carreira de dois dos maiores jogadores dos últimos 15, 20 anos da NBA.

Também é uma chance para ficar torcendo pro Leandrinho, mesmo que você não seja daqueles caras "Ame-o ou deixe-o" a respeito de nossa área territorial delimitada por linhas imaginárias chamada Brasil, o cara é bom e ver ele em contra-ataques é uma beleza.

Motivos para não assistir:

Você pode usar a desculpa do Lakers, de que já viu o Suns até cansar nos últimos anos. Mas essa desculpa não cola, porque o Mike D'Antoni foi embora e o Shaq finalmente teve tempo para se adaptar ao elenco, assim como o elenco teve tempo para se adaptar ao Diesel.

Tirando isso, acho que o único motivo para não ver um jogo do Suns seria... torcer para o Suns. Porque se um time que eu torço defende tão mal e vira freguês justamente do Spurs, ah, eu não ia ter coração forte pra ver jogo desses caras. Prefiro só ver o resultado depois e não ter um infarto.


Los Angeles Clippers

Motivos para assistir:
Eu ainda vou me arrepender de achar que o Clippers vai se dar melhor que o Warriors, mas tudo bem, preview de temporada é momento para otimismo, para ser feliz, para achar que crise econômica pode ser comparada a ondas no mar. Eu sou tão otimista que acho que o Baron Davis não vai se machucar (a contusão dele parece que não é séria e ele não vai perder jogos) e com isso o time vai dar relativamente certo.

Se o Baron Davis não jogar, você não tem motivo algum para ver o Clippers, a não ser que você queira ver como diabos o Kaman e o Camby vão dividir o mesmo garrafão, situação que deveria render um reality show. Com o Baron Davis, aí o time é correria e com o Ricky Davis e o Eric Gordon a correria pode ganhar bons resultados, como dava com Stephen Jackson e Monta Ellis.

Motivos para não assistir:

Se o Baron Davis não jogar, não assista de jeito nenhum! A não ser que você seja a mãe do Jason Hart ou tem o Mike Taylor no seu time de fantasy, porque os dois são os que vão ganhar minutos com o Baron Davis contundido.

Se o Baron Davis jogar, você deveria assistir, mas tem bons motivos para não ver também. Um deles é ser supersticioso, afinal vai que a zica do Clippers passa pra você? Imagina só se você machuca o joelho, sua namorada te troca pelo Warriors, digo, pelo melhor amigo, sua mãe corta a ajuda financeira e você tem que vender limonada na rua. Seria um desastre. Se você acredita nisso, assista ao Spurs, você vai ser um chato, mas um chato de sucesso.


Golden State Warriors

Motivos para assistir:
Se você gosta de streetball, tem motivos para assistir ao Warriors jogar. O Warriors jogando é como uma menina bêbada com 18 anos de idade, completamente sem compromisso, atraente e que vale pelo menos uma noite de dedicação. O Warriors cansa se você assiste sempre, pelo menos pra mim, mas de vez em quando é legal, é como ver uma comédia depois de muitos filmes pesadões.

Além disso, tem o show pessoal do Monta Ellis, que não sabe andar de lambreta mas que joga muito bem basquete! Enquanto ele não volta, é legal ver para descobrir o que o Don Nelson vai fazer. Não duvida se um dia ele aparece com 5 pivôs no time titular e manda todos arremessarem de 3 enquanto dançam a dança do quadrado.

Também vale a pena assistir porque os jogos deles costumam terminar 135 a 120 ou coisa do tipo, seja com eles ganhando ou perdendo. Pra ver a banalização da pontuação na sociedade do século XXI, veja o Warriors.

Motivos para não assistir:

Se você admira um basquete bem jogado, vibra com variações de motion offense e adaptações contra defesas de zona 3-2 e tem orgasmos múltiplos quando vê um corta-luz bem dado, então não assista ao Warriors. Eles até fazem corta-luz, mas só se der na telha ou se o armador exigir enquanto bate na cabeça, não é pensado, garanto.

Também não vale a pena ver eles jogarem se a nova fase sem Baron Davis não der certo, nada é mais nojento do que um time que tem correria sem um armador decente. Vira streetball, mas não da And1, vira streetball da pracinha do bairro que tem dois caras que sabem jogar, um mendigo, um anão e várias crianças que emprestaram a bola pros tios jogar.


Sacramento Kings:

Motivos para assistir:
É.. hum. Veja bem. A cidade de Sacramento é a capital do rico estado da Califórnia. Lá acontece muita coisa legal e tem muita gente bonita. É a cidade em que nasceram muitas pessoas famosas e interessantes que eu não vou citar. E... a torcida é uma maravilha, é demais. E a cerveja é barata no ginásio. Tá, desisto. Não sei porque alguém assistiria a um jogo do Kings a não ser que torça para o time.

Se você torce, você assiste, não tem jeito, eu assisti ao Corinthians ser rebaixado no ano passado com um time que me fez perder o tesão por futebol, mas não perdia um jogo. Então que mal faz (para um torcedor!) assistir a uns joguinhos do time e ficar alimentando a idéia de que um dia Beno Udrih, Donte Greene, Spencer Hawes e Jason Thompson possam ser tão bons quanto a estrela solitária Kevin Martin? Um sonho a mais não faz mal.

Motivos para não assistir:

É um time ruim, desinteressante e que o melhor jogador, mesmo sendo espetacular, não é daqueles que salva uma partida chata só com o seu talento especial. O Kevin Martin é daqueles que faz 35 pontos num jogo, quase não erra arremessos mas não entra no Top 10 da semana e nem te faz saltar da cadeira.

Embora tenha colocado eles em último, foi só um chute, acho que será a consequência de perder o Artest, mas eles têm muitas chances de acabar na frente do Warriors. Isso porque o Kings é capaz de fazer boas apresentações, tem dia em que o Brad Miller lembra que sabe jogar basquete e que o John Salmons até parece bom. Mas é temporário e mesmo essas boas vitórias não são empolgantes.

Sei que vou perder muita audiência de viúva do Chris Webber, mas a verdade é que hoje em dia o Kings é um dos times mais beges da NBA.