quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Filtro Bola Presa - Um resumo sazonal

Querer continuar parecendo um dinossauro não faz mais sentido agora

Depois de uma pausa maior do que deveria ocorrer, o Filtro está de volta. Para os novatos, o Filtro é o post onde a gente comenta assuntos menores, que não viraram post, ou em que linkamos coisas interessantes em outros sites e onde postamos as estatísticas mais desimportantes dos últimos tempos. Em resumo, é tudo o que ficou no coador, não passou no filtro para virar um texto grande.


- Para a alegria de 95% de quem acompanha NBA começamos falando mal de LeBron James, os outros 5% que torcem para o Heat vão ter que aguentar. Quer dizer, na verdade não é exatamente falar mal, explico: O site Psychology Today publicou um estudo bem grande em duas partes feito pelo psicólogo Leon Seltzer fazendo um diagnóstico de quem é LeBron James. A óbvia conclusão é que ele é um narcisista, mas o caminho para chegar a esse resultado é bem interessante e vale a leitura. Aqui os links para a Parte 1 e Parte 2.

Digo que não é exatamente falar mal porque é um diagnóstico baseado em alguns preceitos da psicologia, é uma interpretação, não necessariamente um julgamento. E também não é falar mal porque falamos sobre as mesmas coisas aqui outras vezes e nos acusaram de estar defendendo o LeBron. Entre muitas coisas abordadas chama a atenção como o LeBron parece não ter parâmetro, todos o colocam em um pedestal desde sempre e ele não tem contato com quem não o endeusa: Seus amigos na escola o chamavam de King James, sua mãe ia assistir aos seus jogos no colegial e provocava as outras mães na arquibancada dizendo que seu filho era melhor, a mídia babava ovo (foi capa da SportsIllustrated com 17 anos de idade e a chamada "O Escolhido") e no fim das contas o LeBron não criou nada disso, apenas abraçou a idéia com força. Vale muito a leitura, pra quem gosta e não gosta de psicologia e do LeBron.


- No último Filtro eu tinha postado a então "Foto do Ano" com o LeBron James e o Dwyane Wade. A foto é realmente fantástica, mas demorou pouco para ela ser superada. Dá um ligue nessa tirada logo depois que o Paul Pierce fez o arremesso da vitória contra o Knicks no Madison Square Garden:


Tem tudo. Paul Pierce com cara de fodão, Kevin Garnett zoando com a torcida, Nate Robinson com cara de dor depois de um epic fail na comemoração e o Ray Allen, sempre o mais sóbrio do trio, só curtindo. Pegaram o momento exato e perfeito.

- Eu estava me esforçando para sempre colocar no Filtro a melhor frase da semana, mas essa semana tava foda, foram muitas pérolas. Merece um ...
Top 5 - As melhores frases da semana quinzenal dos últimos 20 dias

5. "O cara do bar me perguntou se eu já tinha visto o Danny Granger jogar basquete. Eu respondi 'Não, mas ouvi dizer que ele é muito bom' ". - Danny Granger

4. "Isso não é álgebra chinesa. Se você defende e executa direito no ataque, normalmente o time vence" - Tony Allen (O que eu aprendi com Tony Allen? Que realmente existe álgebra chinesa)

3. "Toda vez que você perde um jogo por 30 pontos algo está errado" - O RLY, Paul Silas? Bem-vindo ao Bobcats

2. "Eu nunca ganhei 10 jogos seguidos antes, estou muito feliz!" - Chris Bosh. CB são as iniciais de outro grande vencedor

1. "Eu acho que a filosofia do Popovich é não me dar minutos no quarto período com a gente ganhando ou perdendo. Eu acho que ele pensa que nosso time é melhor comigo fora. Estou tentando provar que ele está errado, quanto mais tempo eu fico fora, mais chato no banco de reservas vou ser, pentelhando até ele me botar de volta em quadra. Esse é meu objetivo." - Tim Duncan


- Essa é pra você pensando em pular a faculdade no maior estilo Kobe e Garnett para se aventurar na NBA do telemarketing. Talvez uma matéria faça você decidir ir para a escola. Não, não é álgebra chinesa, mas sim "Cultura do Basquete". A aula é nova e pode ser feita na Universidade de Michigan por qualquer aluno atrás de alguns bons créditos.

O professor Dr.Santiago Colás explica o que pretende no curso: "A partir do basquete podemos pegar idéias de raça, classe, gênero, geografia e também sobre questões de egoísmo, trabalho em equipe, individualismo... a lista é enorme. E podemos colocar tudo isso dentro de histórias reais."

E sabem qual o livro que ele vai usar? O de história do basquete recém-lançado pelo blog FreeDarko, que é meu atual sonho de consumo. Seria a primeira vez na minha vida acadêmica que eu compraria o livro pedido pelo professor. "Eles tratam de áreas importantes como o jogo de rua versus jogo escolar e o profissional, além de expressão individual versus resultados coletivos além de conflitos étnicos e globalização". Poderia até ser melhor que o curso de astronomia que eu fiz na faculdade! Ah, a vida acadêmica!

- Mas chega de coisas legais! Sabem os prêmios Bola Presa de fim de temporada? Pois é, o "Jogada Bola Presa do Ano" já tem um provável vencedor, vai ser difícil superar Andray Blatche.



Alguém faz o favor de fazer uma montagem desse vídeo com o Keyboard Cat? Ele merece.

- Eu queria muito ter o talento artístico para ser capaz de fazer coisas lindas como esse infográfico que explica todos os números de camiseta usados na carreira do Ron Artest. Vale uma olhada no site inteiro, uma pena que é feito para beisebol e não para o basquete.

- O site Bullets Forever sobre o Washington Wizards fez uma série de posts espetacular sobre a saída do último grande ídolo do time, Gilbert Arenas. São vários posts e vocês devem ir lá ler todos, Sr. Hibachi merece.

- As 5 melhores cestas de último segundo de Gilbert Arenas
- 5 estatísticas que mostram como o Arenas era subestimado
- Os fatos que fizeram as todos esquecerem as boas memórias sobre Arenas
- Top 10 com pérolas da Gilbertologia
- As melhores pegadinhas feitas por Arenas com os seus companheiros de time
- 10 frases de outras pessoas sobre Gil Zero

Meu arremesso favorito do Arenas? O contra o Jazz que está abaixo. A melhor parte não está nem no arremesso, mas pelo o que ele disse antes do jogo, "Vou fazer 37 pontos e mais o arremesso da vitória". Ele errou, fez 51 pontos e a cesta da vitória.



- Outro dia perguntaram sobre o novato Landry Fields no nosso formspring, dizendo que não é possível que ele seja tão bom na NBA e não era assim no basquete universitário. Bom, é possível. E uma matéria do DraftExpress explica tudo:

"Ele quase não jogou nos dois primeiros anos de faculdade em Stanford e não chamou muita atenção quando começou a jogar mais no terceiro. Quando começou a produzir de verdade no último ano ele não chamava a atenção por estar no meio de uma conferência fraca nesse ano, a Pac-10. Não estava na lista de nenhum olheiro por aí.


Fields não era considerada um possível futuro jogador da NBA mesmo depois do seu ótimo último ano, como foi comprovado por ele não ter sido um dos 53 jogadores convidados para o Pré-Draft Camp oficial da NBA, o que significa geralmente um adeus da liga para os jogadores americanos.


Fields jogou no Portsmouth Invitational Tournament, mas não chamou a atenção lá também. Nem conseguiu ser um dos 12 escolhidos para a seleção do torneio (nenhum deles está na NBA agora). Ele também não liderou o seu time em pontuação, quem fez isso foi Reggie Holmes, de Michigan State, que hoje joga em Marrocos. "

No nosso formspring também nos ensinaram a chamar ele de Leandro Campos. Vamos adotar a nomenclatura daqui pra frente.


8 ou 80 - O cantinho das estatísticas desnecessárias
As estatísticas são colhidas em todo canto da Internet. Algumas em blogs, outras em sites, algumas na marra por conta própria. Mas a grande parte é coletada nas divulgações do Elias Sports Bureau e Basketball-Reference.com

- Simplesmente lindo esse estudo do ShootHoops sobre o aumento do número de jogadores com aproveitamento superior a 50% de arremesso nos últimos anos. Em 2003-04 só 4 jogadores passaram dessa marca, ano passado foram 26 e nessa temporada podemos acabar com mais de 30!

Em resumo, as razões são as mudanças de regras impostas pela NBA para facilitar a vida dos jogadores em marcar pontos. Hoje é mais fácil infiltrar, mais fácil conseguir faltas (o que deixa os defensores mais cautelosos) e ainda houve uma mudança de cultura, como o nascimento do Phoenix Suns do Mike D'Antoni que conseguiu aliar ataque veloz, time baixo, alto aproveitamento e muitas vitórias. Mesmo equipes que não levam ao extremo como aquele Suns começaram a ver os benefícios de jogar num ritmo mais rápido e ofensivo.

- Ontem o Mavs perdeu para o Raptors sem Nowitzki. E não um Raptors qualquer, mas um que estava fora de casa, sem Bargnani, sem Calderon, sem Reggie Evans e que teve Linas Kleiza expulso e Jerryd Bayless saindo machucado. Surpreendente, né? Sim, mas olhem os números do Mavs com e sem o alemão nessa temporada.

Diferença de pontos por 48 minutos
Com: + 13.3  / Sem: -13.7
Pontos por 48 minutos
Com: 104.7  / Sem: 83.9
Pontos sofridos por 48 minutos
Com: 91.4   / Sem: 97.6
Aproveitamento de arremessos
Com: 49,9% / Sem: 42%
Aproveitamento de bolas de 3 pontos
Com: 38,5%  / Sem: 29%

- Aos entusiastas de Lakers x Heat na final: Nunca uma partida disputada no Natal foi repetida na Final da mesma temporada. Lakers e Celtics se enfrentaram nas finais de 07/08 e 09/10 e só se pegaram no Natal de 08/09, a zica é braba.

- No massacre do Spurs sobre o Lakers ontem, o Duncan marcou 2 pontos em 29 minutos. Igualou a pior marca de sua carreira, mas nas outras duas vezes ele tinha jogado menos de 12 minutos. No mesmo jogo Kobe fez apenas 21 pontos. Agora são 6 jogos seguidos contra o Spurs em que Kobe não passa dos 25, é a maior sequência desse tipo contra qualquer time para o Black Mamba.

- Com a derrota de ontem para o Spurs, foi apenas a quinta vez em toda a história da franquia que o Lakers perdeu três jogos seguidos por 15 pontos ou mais.

- O Rockets está com 50% de aproveitamento depois de ter começado a temporada com 4 vitórias e 11 derrotas. É o primeiro time da história a estar mais de cinco jogos abaixo dos 50% depois de 15 jogos e voltar aos 50% nas 15 partidas seguintes.

- Com um jogo de 22 pontos, 13 assistências, 6 rebotes e 5 roubos, o Chris Paul conseguiu seu nono jogo na carreira com pelo menos 20-10-5-5. Desde que CP3 entrou na liga ele é o líder nesse tipo de jogo, seguido em segundo por LeBron James e Allen Iverson, ambos com 3.

- Larry Brown foi mandado embora do Bobcats, é a quarta vez que o técnico é mandado embora no meio de uma temporada. O maior número entre todos os treinadores na história da NBA.

- Ben Wallace jogou a sua partida número 1.000 de temporada regular na última semana. Ele é o 95º jogador da história a alcançar esse número e o único da lista a nunca ter marcado mais de 25 pontos em um jogo de temporada regular (ele já fez 29 em uma partida de playoff). O recorde da carreira do Big Ben é 23, marcado no começo de dezembro e com direito a bola de três pontos, a sua sexta na carreira em 46 tentativas.

- Efeito Kevin Love: Nos últimos nove meses os jogadores que tiveram pelo menos 20 pontos e 20 rebotes em um jogo perderam 17 das 21 partidas em que conseguiram esse feito. Nos 21 jogos anteriores os 20/20 tinham 19 vitórias e 2 derrotas.

- Apesar do Wade ter o grande momento da sua carreira na final de 2006 contra o Mavs, na temporada regular eles são o nêmesis de Wade. Ele já enfrentou o Dallas 11 vezes e perdeu 10, já seu companheiro LeBron James tem um recorde de 6 vitórias e 10 derrotas contra o time de Nowitzki, o pior aproveitamento de Bron contra qualquer oponente.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Funeral

Basta que Greg Oden e Yao Ming olhem um para o outro para que se lesionem

Já escrevi minha despedida ao Yao Ming faz tempo, mais de um ano atrás. Na época, a lesão no tornozelo adquirida na série de playoff contra o Lakers já havia se mostrado mais problemática do que se esperava, tudo indicava que ele perderia toda uma temporada da NBA e que, quando voltasse, teria minutos limitados em quadra. Era o decreto de que sua carreira não guardava mais surpresas, e lhe restava apenas um papel secundário no mundo do basquete. Sua função de unir o mercado americano e o chinês, derrubar fronteiras culturais entre os dois países e voltar os olhos do mundo para a NBA numa época em que o interesse do público diminuia mais e mais já estava completa. Yao Ming parecia se despedir aos poucos das quadras deixando como legado uma NBA que lucra horrores com consumidores chineses, e uma China que vê o resultado de um longo processo de reconstrução de sua própria imagem. Seu lugar na história independe, portanto, de seu rendimento nas quadras a partir de agora. Basta aquilo que ele apresentou no pouco tempo em que esteve saudável o bastante para competir em alto nível. Mas é impossível não ficar triste com sua aposentadoria. Que se dane a história, seu papel na cultura chinesa, seu legado para o mercado, a camiseta dele que eu comprei aqui no Brasil. O que realmente importa é outra coisa: o Yao jogou basquete a vida inteira, ama o basquete, e é o que ele sabe fazer de melhor. Nunca é legal, não importa qual tenha sido seu papel na história, ser obrigado a parar de fazer aquilo que você ama.

É por isso que recebi com alegria os relatos de que sua recuperação havia sido fantástica. Ele voltou a treinar novamente, recebeu um lugar garantido na equipe para essa temporada e não sentia mais nenhum rastro da lesão. Era possível imaginar que o Yao seria uma versão bizarra do Ilgauskas, que também sofreu lesões similares e que nunca mais foi estrela em quadra, se movimenta como se estivesse correndo dentro de uma piscina, mas consegue ajudar e muito qualquer equipe em que estiver com seus arremessos. Mas quanto nos aproximamos do começo da temporada, surgiu a notícia de que os minutos de Yao Ming seriam limitados a 24 por partida, no máximo. Não porque ele estivesse fora de ritmo, preocupado com a lesão ou cansado dos trabalhos nas férias, mas sim porque finalmente os médicos de Houston foram capazes de enxergar a verdade: um ser humano não deveria correr de um lado para o outro por 82 partidas inteiras por temporada tendo 2,29m de altura. Nenhuma estrutura óssea foi concebida para essas proporções.

É claro que tentamos esconder essa verdade. Queremos que os jogadores corram, se esforcem, joguem com garra e potência, alcancem um aro colocado lá no alto, e nos entretenham enquanto fazem isso por 82 vezes em um ano, fora os playoffs. Poucos corpos podem suportar esse tipo de coisa, independente de sua altura. No caso de Yao, isso é ainda mais terrível. Rapidamente os 24 minutos por partida mostraram que não seriam suficientes para salvar sua carreira e a lesão combatida por mais de um ano voltou novamente. Essa é, então, uma despedida final - e eu não vou ter nenhuma vergonha de ficar brega nela, combinado?

Com Yao jogando minutos limitados, meu Houston Rockets não iria muito longe na NBA, provavelmente chegaria aos playoffs mas não teria reais chances de título. Yao sabia disso e reclamava constantemente da limitação, queria ficar mais em quadra, sabia que podia render mais se ficasse mais tempo em jogo - e o time, como já comentei aqui, pararia de sofrer com uma terrível falta de padrão de jogo. Pelo modo como estava jogando, realmente poderia levar o time nas costas se tivesse mais oportunidades. Mas seu fisico não permitiria e sabotou novamente sua temporada na primeira oportunidade. Yao não queria ser o Ilgauskas, queria quebrar o limite de minutos, não queria ficar mofando no banco. Como ele será capaz de lidar, então, com uma aposentadoria inevitável?

"Eu não morri", foi sua resposta. "Nesse momento estou bebendo uma cerveja e comendo frango frito. O que vocês estava esperando, um funeral?"

Seu contrato termina nessa temporada e nenhuma equipe lhe dará milhões apenas para frequentar o departamento médico. Mesmo que ele ainda sonhasse com mais minutos, que ele quisesse mais oportunidades, sua aposentadoria será praticamente forçada. No entanto, não há nenhum funeral. Yao já havia dito que o mais importante é que ele pudesse levar uma vida saudável fora das quadras, brincar com sua filha, sair com sua esposa. Sim, ele tem uma filha. É claro que quando se sente saudável a história é outra, ele quer entrar em quadra e produzir mais e mais, mas não lhe falta a consciência de que o basquete está em segundo plano frente à saúde necessária para seguir uma vida normal. Yao agora é um homem casado, com um filhinha que não tem nem 1 aninho ainda, e construiu uma vida fora das quadras. É triste que ele não possa jogar basquete, ele se esforçará para voltar, mas durante todos esses anos de carreira ele construiu uma vida adulta na qual pode se escorar.

O Houston Rockets não é bobo nem nada. Sabe que Yao tem uma das personalidades mais cativantes da NBA nas últimas décadas e conhece bem os lados positivos de ser bem visto pelo mercado chinês (que compra qualquer coisa com a marca do Rockets, até tênis do Shane Battier ou do cocô do Rafer Alston), então já avisou que manterá Yao por perto. Ele pode até ter seu contrato renovado por uma ninharia só pra estar no banco, mas deve mesmo é virar assistente técnico, auxiliar, engravatado, burocrata, garoto da água, qualquer coisa que exista ao redor do basquete. A vida continua, e Yao teve a sorte de ter sido capaz de construir uma vida por entre as frestas que a NBA permite a seus funcionários que nunca descansam.

Não podemos dizer o mesmo de todos os jogadores, no entanto. Greg Oden, por exemplo, sofre com lesões desde seu primeiro minuto na NBA e não teve tempo de construir coisa nenhuma. Assim como Blake Griffin, Oden não jogou uma única partida sequer em sua primeira temporada, então estreiou como novato apenas em seu segundo ano de NBA. O Blake Griffin voltou voando, pulando até a Lua para dar uma passeada, mas o Oden voltou com muitas dificuldades. Primeiro pelo físico, com o joelho que ainda incomodava. E depois pela sua personalidade, tão insegura dentro e fora das quadras. Ainda no hospital depois de sua primeira cirurgia no joelho, Greg Oden pediu desculpas em prantos para o dono do Blazers, prometendo que ele não se arrependeria de tê-lo draftado. Oden tem medo de não conseguir ser aquilo que esperavam dele, tem medo de não levar ao campeonato um time que só precisava dele para ter chances reais de título. Admitiu que as críticas lhe comiam o cérebro, e que as reações da torcida de Portland lhe tiravam completamente a cabeça do jogo. Quando começou a pegar confiança devagarinho, se contundiu de novo. E de novo. Esperava voltar às quadras nessa temporada mas constantemente viu as previsões sendo adiadas, até que teve que fazer nova cirurgia e perderá toda essa temporada. Não será, como no caso do Yao, uma impossibilidade de sua estrutura física? Mas Oden tenta ao máximo escapar dessa teoria:

"Me perguntam bastante: você acha que seu corpo simplesmente não foi feito pra isso, ou você é só azarado? Mas tem que ser que eu sou só azarado."

Greg Oden se agarra como pode ao azar, e fico feliz que seja assim. Afinal, nos últimos anos sua tendência foi sentir-se culpado, como se ele tivesse algum controle sobre as lesões que sofre. As pessoas criticaram tanto o coitado por não conseguir ficar saudável que ele começou a acreditar que era um merda e responsável pelo que acontecia com ele. Procurou uma série de especialistas para saber se fazia algo errado, se seu corpo era mal formado, se havia alguma questão óssea. No final, o único especialista que o ajudou foi um psicólogo, alguém para lhe explicar que um garoto de sua idade não deveria lidar com esse tipo de culpa ou pressão. Agora ele acha apenas que é azarado e vai continuar se reabilitando até que seu corpo desista de ficar lhe puxando o tapete. Mas a pergunta é: e se o corpo dele continuar se desintegrando?

Greg Oden tem apenas 22 anos. Não tem uma vida formada e nem fez nada relevante na NBA. Não receberá ofertas para cargos técnicos ou executivos, e nem tem um povo que lhe apoia incondicionalmente. Não tem muitos amigos, está sempre isolado dos seus companheiros de equipe porque treina em separado, e não tem nada no que se segurar caso não possa mais jogar basquete. Enquanto isso, o Blazers simplesmente se esfarela embaixo dos seus pés, porque o time reuniu talento demais, jovem demais, e a falta de um grande pivô podou as chances reais da equipe nos playoffs antes que os egos se chocassem. Agora, os jogadores do Blazers querem mais dinheiro, mais minutos, mais arremessos, mais a bola nas mãos, e parece que a chance de ganhar um anel com esse elenco se perdeu nas lesões do Greg Oden.  O grupo virou um barril de pólvora e o Oden continua lá se sentindo o pior dos mortais, o homem em que se colocou todas as fichas e não conseguiu sequer entrar em quadra. É tipo o Kwame Brown, mas ao invés de feder, foi o corpo que lhe deixou na mão - o que pode ser ainda mais frustrante.

Se já é injusto o tipo de ódio e agressividade que o Kwame recebe por ser ruim, ignorando todas as suas questões psicológicas e as dificuldades que passou na vida, o tipo de coisa que se diz sobre jogadores que estão constantemente lesionados é mais injusta ainda. Como se o Oden, ou o Yao, ou qualquer um, preferissem andar de muleta do que estar chutando traseiros nas quadras. Eu sei que, nos minutos que teve, o Greg Oden não era nenhum gênio e cometia uma falta toda vez que tentava coçar o nariz, mas não temos sequer como imaginar como ele seria se tivesse um pouco de tranquilidade, padrão de jogo e consistência de minutos. Talvez fedesse, talvez fosse uma estrela, sei lá. As exigências físicas da NBA não permitirão que possamos ter um julgamento sobre o pobre do Greg Oden.

Só sei que a NBA seria mais divertida com Yao Ming e Greg Oden. Finalmente vemos a retomada do jogo de garrafão na NBA, com uma nova e habilidosa geração de pivôs chutando traseiros todas as noites, mas Oden e Yao apenas acrescentariam a esse grupo. As lesões não apenas retiram das quadras jogadores divertidíssimos de acompanhar, elas também limitam jogadores que continuam competindo. Estrelas jovens como Brandon Roy e Tyreke Evans já estão caindo aos pedaços, e já não consigo lembrar qual foi a última vez que Kobe Bryant entrou em quadra completamente saudável. Mesmo os que continuam atuando em alto nível estão baleados, como o Kobe e seu dedo que daqui a pouco vai desistir dele e transformar o Kobe no Lula. Eu, como fã, estou disposto a diminuir o número de jogos de uma temporada para poder ver mais jogadores capazes de jogar com todas as suas forças, mais gente saudável no ápice de sua forma física, e mais jogadores que de outra forma abandonarão as quadras. O espetáculo agradeceria o menor número de jogos em uma temporada ao ver Yao Ming e Oden se enfrentando, e um Kobe saudável marcando 81 pontos numa partida. E, se deixarmos o espetáculo de lado e notarmos que os jogadores são pessoas, gente comum com dores e medos e vidas dedicadas a um esporte que lhes toma todo o tempo, a redução do tamanho da temporada é ainda mais urgente.

Já levantamos aqui a questão de um novo modo de estrutura salarial para a NBA, em que o jogador seria pago por minutos jogados e que leva os técnicos a colocarem sempre seus melhores em quadra, independente de quem sejam, e cada jogador receberia por sua importância na equipe. O Denis acabou de levantar a questão sobre a diminuição do número de times na Liga, o que aumentaria a qualidade das equipes restantes. Lavantemos também, já que estamos nessa utopia inofensiva, uma temporada de NBA em que todos os times se enfrentassem apenas duas vezes, em regime de ida e volta. Seriam 58 partidas por temporada, com mais tempo para descanso e sem as temíveis partidas em dias seguidos que o Denis já apresentou com detalhes. Às vezes, é preciso repensar toda uma estrutura que parece funcionar porque algumas coisas dentro dela não funcionam. Temos jogos demais, não há como questionar esse verdade.

A falta de Yao Ming me enche de tristeza, e nem quero discutir suas qualidades técnicas com os odiadores por aí. Só acho importante direcionar o ódio por esses jogadores constantemente lesionados para o lugar certo. Greg Oden diz que as pessoas lhe olham com raiva e perguntam, indignadas, se ele está lesionado "outra vez". Sim, ele está, e não pode controlar. Essa agressividade idiota deveria se voltar para o exagero no calendário do esporte que amamos, e que o torna cada vez mais e mais desfalcado, diluído, porque insistimos em colocar cada vez mais água no feijão.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Resto do peru - A rodada do Natal

Essa alegria contagia, parem!


A rodada de Natal foi marcada mais pelos comentários sobre ter que jogar no Natal do que pela real qualidade dos jogos. Fechando o assunto de ter que jogar no feriado eu só preciso registrar aqui o que o Stan Van Gundy disse antes da partida contra o Celtics. Lembra que ele tinha sido multado no ano passado por comentários contra os jogos de Natal e que nesse ano não pretendia fazer o mesmo? Pois ele não resistiu e para fugir da multa apelou para a sempre saborosa ironia: "Eu acho que a NBA é tão importante para o Natal que precisamos aumentar o número de jogos de 5 para 10. E precisamos que eles comecem assim que der meia-noite na véspera de Natal, assim não teremos um minuto de Natal sem um jogo na TV. A NBA é o Natal". Como o Shaq conseguiu se desentender com esse cara? Era porque ele tinha piadas melhores?

O primeiro jogo do dia foi um divertido e desastrado Knicks-Bulls, que valeu por algumas jogadas lindas do Derrick Rose e pela emoção, mas foi um desengonçado jogo que quase somou 50 turnovers entre as duas equipes! Foi legal para o Knicks ganhar um jogo contra um time forte tendo como destaque a defesa no fim do jogo, mas muito foi culpa do Bulls que fez um último quarto péssimo no ataque, passando mais da metade dele sem marcar um ponto sequer enquanto assistia Kurt Thomas e Omer Asik fazendo falta atrás de falta no Amar'e Stoudemire. Como bem disse o cara do blog ShamSports, um torcedor fanático do Bulls: "O Bulls sentiu falta essa noite de bom passe, um segundo jogador para segurar a bola além do Rose, defesa, energia e alguém para marcar o Amar'e. Joakim Noah faz tudo isso". Eu concordo.

O segundo jogo não foi muito bonito também, mas impressionante. Dwight Howard não se encontrou no ataque, Jason Richardson e Gilbert Arenas foram quase nulos, a defesa do Celtics fez o nunca treinado ataque do Magic parecer um time de pelada e mesmo assim o Magic venceu. Eu vi todos os minutos do jogo e ainda não entendi. Simplesmente eles conseguiram na defesa manter o placar apertado e no final contaram com Jameer Nelson e JJ Redick acertando bolas decisivas. Vou falar mais do Magic daqui um tempo quando eles tiverem o mínimo de um padrão de jogo, mas quando você vence Spurs e Celtics em sequência sem nunca ter treinado junto e jogando feio é porque a coisa está boa pro seu lado.

Mas o jogo mais esperado da noite era mesmo Lakers e Heat. O Lakers está no terceiro lugar do Oeste, mas depois de perder por quase 20 pontos em casa para o Bucks (sem contar o vareio que levaram do Earl Boykins) está começando a assustar os torcedores, já o Heat está destruindo quase todo mundo e o 'quase' machuca porque as derrotas são justamente para os grandes concorrentes como Magic, Celtics e Mavs. No fim das contas o Lakers conseguiu manter o ritmo e tomar outra surra em casa e o Heat passeou com muita facilidade e em um dos melhores jogos do Chris Bosh no Heat, venceram por 16.

Como eu sempre defendo aqui no blog, vitórias elásticas nunca são só mérito de um time e nunca só desgraça do perdedor. Em uma liga forte como a NBA tem que acontecer as duas coisas para um time vencer bocejando como foi o caso desse jogo. O Lakers entrou em quadra com um plano defensivo bem claro, era fechar o garrafão e dobrar a marcação sempre que necessário em Dwyane Wade e LeBron James para tirar a bola das mãos deles. A estratégia não é novidade para o Miami, que mesmo tendo dois dos melhores (senão os dois melhores) jogadores em infiltração da NBA é o último colocado da liga em arremessos tentados próximos à cesta, bandejas ou enterradas, com 16 por jogo, 10 a menos que os líderes Denver e Chicago.

No começo da temporada a resposta do Miami para essa estratégia era continuar insistindo em infiltrar, o que gerava toneladas de erros, ou em arremessar bolas de três, o que causava estranhas estatísticas como ver James Jones e Eddie House arremessando mais vezes que o Chris Bosh ou decidindo bolas importantes ao invés de Wade e LeBron. Com o passar do tempo a estratégia mudou e eles decidiram arremessar longas bolas de dois. Embora ao redor da NBA os tenebrosos long-2s sejam considerados (com apoio estatístico) os arremessos com menor porcentagem de acerto no basquete, eles se encaixam bem nesse caso do Miami. LeBron, Wade e Bosh são melhores nesse tipo de arremesso do que quando tentam se aventurar na linha dos três pontos, assim como Udonis Haslem, Zydrunas Ilgauskas e Carlos Arroyo. Então se a defesa não abre eles arremessam longas bolas de dois e os times que não querem tomar um show de enterradas pagam pra ver.

O Dallas Mavericks pagou pra ver e viu o LeBron passar boa parte do jogo zerado, o Lakers pagou e viu todo mundo meter um arremesso atrás do outro. O LA só no segundo tempo assumiu que a estratégia não estava dando certo e passou a pressionar mais a bola, mas aí o resultado foi uma embaraçosa lição de como não defender um pick-and-roll. Com cortas simples, LeBron, Wade e principalmente Bosh puderam atacar a cesta e marcar os pontos perto do aro que o Phil Jackson tentou evitar no primeiro tempo. Segundo a ESPN.com o Heat fez um terço dos seus pontos em jogadas de pick-and-roll sem cometer nenhum turnover nessas tentativas. Foi um ótimo exemplo do cobertor curto que pode ser enfrentar o Miami Heat quando os seus arremessos de média e longa distância estão caindo. Detalhe que o Lakers apanhou desse jeito mesmo conseguindo outro sucesso defensivo, segurar o Heat a apenas 4 pontos de contra-ataque em toda partida.

No começo da sequência de vitórias do Miami Heat foi divulgado pelos jogadores (e visto por quem assistiu aos jogos) que o técnico Erik Spoelstra resolveu ir pelo caminho mais fácil, ele treinou incansavelmente a defesa e no ataque deu liberdade para LeBron e Wade correrem, era contra-ataque por merecimento: Se um dos dois conseguisse um roubo de bola, toco ou rebote tinha autorização para correr e improvisar. Isso fez o time se empenhar mais na defesa e rendeu pontos fáceis no ataque, tudo para não ficar naquela estagnação ofensiva que eles tinham nas primeiras semanas.

Outro fator importante para a melhora do Heat foram as duas mudanças no elenco, Zydrunas Ilgauskas e Mario Chalmers ganharam muito mais tempo de quadra. O Big Z não é rápido na defesa, mas o trio formado por Wade, LeBron e o ótimo defensor Chalmers faz com que o o pivô lituano não precise lidar muito com armadores rápidos e jovens batendo para cima dele. E no ataque o Chalmers está acertando os arremessos que Arroyo não conseguia e Ilgauskas é um dos que tiram proveito da tática que os outros times usam de forçar o Miami a ganhar os jogos com os chutes de longe. Volta e meia eles ainda tem momentos péssimos e os passes voando no meio do nada em direção à arquibancada ainda estão lá, mas aos poucos o Heat está descobrindo como usar os talentos que cada jogador levou para South Beach. Mesmo com todas as dificuldades desse começo eles já tem, no ranking de pontos por 100 posses de bola, o sexto melhor ataque e segunda melhor defesa da NBA.

Mas chega de elogiar o time mais odiado da NBA, afinal quem aqui quer ver eles terem sucesso? Ninguém! Vamos falar do Lakers e tentar entender porque eles estão jogando tão mal. Mas antes de eu tentar me arriscar acho que o Kobe tem mais moral e entende mais o que acontece lá dentro. Tá aqui o que ele disse depois do jogo contra o Miami Heat:

"Nossa filosofia é que temos que estar todos na mesma página, nós somos tão fortes quanto o mais fraco no nosso time. Temos que nos juntar e seguir lutando, estamos jogando como quem já tem dois anéis de campeão. Não vai ser fácil, se fosse veríamos muitas equipes vencendo três vezes seguidas. Para conseguir você precisar trabalhar e ralar demais. (...) O jogo é a parte mais importante, você precisa se concentrar e jogar todos como se fossem o último, o negócio é sério. Você não pode ganhar dois títulos e ficar satisfeito com isso. Eu não estou e não vou deixar as coisas ficarem assim". 

Outro que estava nos dois últimos títulos, Lamar Odom, concorda e deu uma declaração bem sincera: "Parte do nosso problema é que estamos muito convencidos e achando que não vamos e nem deveríamos perder. Acho que nessa temporada estamos com excesso de confiança e foi assim que começamos, desde o período de treinos". 

Isso explica basicamente porque o Lakers tem perdido. Contra times fracos o time é preguiçoso, contra os mais fortes parece que acha que o resultado virá naturalmente, aí acaba fazendo tudo do jeito mais simples e quando não dá certo simplesmente ficam nervosos ou com cara de bunda ao invés de ralar para mudar as coisas. E eles não podem se dar ao luxo de fazer isso.

Essa equipe do Lakers é provavelmente a menos dominante a ter vencido três vezes seguidas o Oeste e a menos espetacular a ter sido bi-campeã em muito tempo. E isso é um grande elogio ao espírito de luta e de superação desses jogadores. Acompanhamos essas temporadas de perto e não só escrevemos aqui como lemos ao redor da internet muita gente apontando vários defeitos do time nessas últimas temporadas. Era sempre uma das melhores, mas faltava defesa, depois um armador, depois jogadores explosivos, banco de reservas, arremessadores de três, etc, etc. O segredo foi que o time sempre jogou bem quando precisava. No ano passado estava tomando sufoco do OKC Thunder e do Phoenix Suns nos playoffs e chegou a empatar as duas séries em 2 a 2 antes de jogar com o coração no jogo 5 e dar uma aula de basquete no jogo 6. Foi exatamente a mesma coisa que aconteceu na final do Oeste de 2009 contra o Nuggets, durante boa parte da série parecia que o Denver tinha o melhor time, mas aí o Lakers venceu o jogo 5 com uma atuação heróica do Lamar Odom e o jogo 6 foi possivelmente o melhor do Lakers desde o saída do Shaquille O'Neal em 2004. Na final contra o Orlando Magic, Trevor Ariza e Odom resolveram aprender a arremessar de três, contra o Celtics foi Ron Artest que salvou o time no jogo 7. Defeitos do time que foram superados quando a água bateu na bunda.

Foi por isso que eu achava que esse jogo contra o Miami Heat seria diferente. Sim, o Lakers estava com problemas, mas sempre esteve e conseguia superá-los nos jogos importantes e nesse Natal, um jogo para mostrar quem ainda manda na NBA, jogou como time pequeno e foi dominado como se fosse um Grizzlies da vida. Mostrou as mesmas deficiências dos jogos anteriores, como falta de movimentação, excesso de jogadas individuais, baixo aproveitamento dos arremessos de três e um banco de reservas que nem parece o mesmo grupo de jogadores que estava ganhando jogos por conta própria nas primeiras semanas da temporada. Sem contar a defesa que já comentamos acima.

Com o elenco mais forte do que nos anos anteriores, mesmo técnico e mesmo tudo só dá pra colocar a culpa no fator psicológico mesmo. Vai ser interessante ver como isso se desenvolve sob o comando do Phil Jackson, que por anos foi considerado o melhor em justamente motivar seus atletas e por Kobe Bryant, que beira a loucura de tão tarado por basquete e por vitórias. Sabe no Natal quando ninguém queria jogar? Kobe também disse que está cansado de sempre seu Lakers jogar no feriado todos os anos, mas mesmo assim chegou 3 horas antes de todo mundo para ficar treinando seus arremessos e depois foi o último a sair, sozinho e esfriando aos poucos a cabeça quando até sua família já tinha voltado sozinha pra casa.
Sim, ele é workaholic. "Vou chutar uns traseiros nos próximos treinos. Vou bater com umas coisas na cabeça de todo mundo até eles entenderem".

Bônus do Natal
Um vídeo com uma raridade: Marcaram 10 segundos na cobrança do lance livre do Dwight Howard. Garanto que muita gente nem conhecia essa regra de tão rara que ela é! Se o jurássico Hubie Brown ficou surpreso durante a transmissão é porque é realmente bem difícil de ser marcado.



"E os outros jogos? Nenhuma palavra sobre Ellis e Durant?"
- Boas vitórias de Warriors e Thunder nos jogos que não deveriam ter acontecido. Jogaram bem, estão de parabéns! Esses garotos tem futuro!

domingo, 26 de dezembro de 2010

Vencedor da Promoção de Natal

A nossa combinação de prêmio bom com um jeito fácil de participar foi um sucesso, nunca tivemos tanta gente concorrendo em uma promoção do Bola Presa com a Adidas! Beiramos os 900 e-mails e isso contando todos os repetidos que a gente deletou para deixar a competição justa. Espero que o mesmo número não se repita no nosso tradicional bolão do All-Star Weekend, se isso acontecer é capaz da gente só divulgar o resultado no dia do jogo 7 da Final.

Mas pensaremos num jeito mais inteligente de analisar os resultados até lá, por enquanto está fácil e simplesmente usamos o Google Docs e o Random.org para definir os vencedores por sorteio. E entre os 900 candidatos o site escolheu aleatoriamente o leitor Harrison Faccin. Quer dizer, ele assinou só como Harrison, mas pelo e-mail eu deduzo que esse é seu sobrenome.


Parabéns, Harrison, além de ter um nome de Beatle você é o sortudo que vai levar pra casa a camiseta Authentic do Dwight Howard. O modelo é novo, o tecido é novo e essa versão dos uniformes nem é vendida no Brasil. Então considere-se um sortudo ou considere-se um rico se você decidir colocar pra vender no Mercado Livre.


Sabemos que provavelmente você não trabalha em um asilo, não dá todo o seu salário para ajudar crianças carentes e não faz trabalho voluntário em uma clínica para reabilitação de viciados, logo você não merece o prêmio, porém ele é seu!!! Iremos enviar um e-mail para você ainda hoje pedindo a confirmação do seu endereço para o envio. Parabéns!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Para refletir no Natal

Jogadores da NBA a-d-o-r-a-m trabalhar no Natal


A rodada de Natal é considerada a mais importante da NBA na temporada regular. Reserva-se para esses jogos os duelos que todo mundo queria assistir desde a temporada anterior, nos últimos dez anos foi o momento para rever clássicos dos playoffs como Lakers/Kings, Suns/Spurs e Lakers/Celtics. Nos anos 90 era o dia de Bulls/Pistons, Jazz/Rockets ou Bulls/Knicks e por aí vai. Nos anos 80 e 70 alguns jogos nem tão esperados também aconteciam, mas Natal sem NBA? Só durante a greve de 1999.

O sucesso é, claro, imenso entre o público. Seria em qualquer dia do ano se o jogo fosse bom, mas no Natal é a chance de assistir em casa, tranquilão, com a família, comendo um banquete e sem se preocupar em acordar cedo no dia seguinte. Quem aqui não gostaria de um clássico do futebol no dia de Natal para não ter que aguentar um dia inteiro daquele tio insuportável tentando ser engraçado? Eu não só toparia como no Natal sempre dou um jeito de escapar para ver um joguinho de Natal. Mas o engraçado é os outros familiares que não acompanham basquete e me veem assistindo o jogo e perguntam "Mas é ao vivo? Eles não tem família?" e completavam com "Você tem, volta pra sala".  O que me lembra uma declaração do Stan Van Gundy no ano passado que, insatisfeito em trabalhar no Natal disse que "fica triste pelas pessoas que não tem nada mais a fazer no Natal além de assistir NBA". David Stern, um doce democrático, o multou por dizer isso. Nesse ano ele só disse "Eu disse o que tinha que dizer no ano passado e o dono do time pagou a minha multa, não vou fazê-lo pagar de novo".

Se para o público é legal, para os envolvidos não é tanto. O Phil Jackson, técnico do Lakers, um dos que nunca tem medo de peitar a NBA, disse nessa semana que está cansado de jogar no natal e que essa deveria ser uma data para os jogadores curtirem com quem eles querem e não trabalhando. "É como se os feriados religiosos não significassem mais nada. Apenas vá lá, jogue para entreter os outros na TV. É estranho mas é assim, temos que jogar". 

Surpreendentemente quem concordou com ele foi o LeBron James, o King James, que também é rei das entrevistas-lugar-comum resolveu finalmente dizer algo relevante e disse "Todo mundo preferia estar em casa com a família, é dia de acordar cedo com as crianças e abrir presentes". Não podemos esquecer que os jogadres da NBA também jogam em outros feriados importantes dos Estados Unidos como o dia de Ação de Graças e o Martin Luther King Day, feriado importante principalmente para a comunidade negra, que é dominante entre os atletas da liga.

É a velha história dos "Escravos Milionários": A NBA dá fama, status, dinheiro, mais dinheiro, um pouco mais de dinheiro e a oportunidade de fazer a vida por jogar basquete, mas em compensação você tem que dizer o que eles querem que você diga, se vestir da maneira que eles acham certo e não fazer fora das quadras nada que eles não achem apropriado. Além disso você joga quando eles acham que você deve jogar, seja quatro vezes em um intervalo de cinco dias ou no meio de um feriado importante.

Essa é a opinião de dois jogadores que estão um bocado cansados de jogar nesses dias. Desde que o Phil Jackson chegou em Los Angeles eles jogaram em todos os natais! Já o LeBron James é tão grande para a NBA atualmente que colocariam um jogo do seu time nessa data mesmo que estivessem em último lugar na D-League. O LeBron tem dois filhos novinhos desde o nascimento deles nunca passaram um natal sem ver o pai trabalhando. O Zydrunas Ilgauskas sugere uma solução diplomática, continuam os jogos no Natal, mas deixe alguns times em paz, se jogam em um Natal, não jogam na mesma data na temporada seguinte.

Em compensação eu lembro da reação do Gilbert Arenas quando um jogo do seu então time, o Washington Wizards, havia sido programado para a noite do dia 25 de dezembro, ele estava se gabando de ter levado o Wizards de volta a um posto de relevância na liga. A estratégia é velha e usada em todos os ambientes de trabalho, para convencer o trabalhador a fazer um trabalho que ninguém quer ou em um dia que ninguém quer trabalhar você cria um status, falando que só os melhores e mais bem preparados serão aproveitados nessa situação.

A ganância da NBA e das TVs que transmitem os jogos no Natal, porém, começaram a causar problemas. Nas mesmas entrevistas citadas antes, Phil Jackson e LeBron James questionaram a quantidade de jogos de Natal, antigamente era mais fácil convencer que era um dia diferente porque era um jogo importante no Leste, outro no Oeste e acabou. Mas amanhã teremos uma maratona de cinco jogos, é um terço dos times da liga sendo "premiados" e entre essas partidas temos coisas como Golden State Warriors x Portland Trail Blazers. Por que? Um time que não vai para os playoffs há anos contra outro que não passa da primeira rodada e é infestado por contusões. Aí vem a questão, qual das duas coisas está incomodando mais? Ter que trabalhar no Natal ou a perda do status de estrela? Um pouco dos dois, acho.

Outra questão interessante tratada pelo LeBron na sua entrevista é em relação a competitividade da NBA. Ele lembra que nos anos 80, quando a NBA tinha 23 times era comum uma mesma equipe ter três ou até quatro super-estrelas no mesmo time, como tem o seu Heat hoje, e que ninguém falava nada sobre isso. E é verdade, ninguém chama o Magic Johnson ou Larry Bird de coadjuvantes ou apelões porque eles jogavam ao lado de vários jogadores espetaculares. LeBron também argumenta que naquela época a NBA tinha mais audiência porque existiam mais times bons, e que hoje, pelo excesso de equipes, é difícil todas serem de bom nível e a distância entre os melhores e piores é maior. Para ele a solução seria simples, reduzir o número de equipes.

Isso implicaria em algo muito estranho, que seria a NBA admitir que a expansão foi um erro e é difícil imaginar o David Stern assumindo qualquer tipo de erro. Também causaria um bom número de jogadores sem emprego na NBA e precisando sair do país para ganhar seu dinheiro. O LeBron fica na NBA, claro, mas com seis times a menos e uma média de 13 jogadores por time seriam mais ou menos 78 atletas a menos. Em um exercício de imaginação é interessante assassinar seis franquias e distribuir seus jogadores através da liga, realmente o nível dos times iria subir demais. Imaginem times pouco populares ou em crise financeira como Hornets, Grizzlies, Wolves, Raptors, Clippers e Pacers desaparecessem; de repente toda a NBA estaria saindo no tapa para ter Chris Paul, David West, Blake Griffin, Kevin Love, Michael Beasley, Danny Granger, Andrea Bargnani, Zach Randolph, Rudy Gay e mais um monte de gente, imagina a revolução que seria! Empolgante para alguns, mas dá ânsia de vômito se você tem simpatia por qualquer um desses times.

Se a união dos atletas pensar em agradar a maioria, não apoia essa idéia, se pensar no bem estar dos poucos que vão ficar é possível que apoiem. Com menos jogadores seria menos gente para dividir os lucros da NBA, além de menos times em crise para sugar recursos, assim uma possível solução para manter os salários altos como são hoje. A diminuição é apoiada também por aqueles que não vêem cidades como New Orleans, Memphis e Minneapolis sequer empolgadas o bastante em ter um time profissional. Não seria, para alguns, traumático como foi para Seattle perder o Sonics. O problema é que muita gente diz isso baseado em número de torcedores dispostos a pagar os ingressos e ir assistir os jogos, e às vezes são crises financeiras da cidade, localização do ginásio e outros problemas que podem ser temporários ou corrigíveis. Eu daria uma opinião mais definitiva sobre isso ouvindo a opinião de moradores dessas cidades, para saber como os times são vistos por lá. Mas mesmo sem saber com certeza, não consigo apoiar a extinção de times assim do nada para fazer a liga mais competitiva ou para cortar gastos, as pessoas criam laços afetivos com os times, não é um assunto tão simples assim.

Outro problema seria deixar a temporada regular ainda mais idiota do que já. Se jogar 82 jogos contra outros 29 times já é um exagero, contra 23 é um absurdo de tanta inutilidade!

Nada indica que esse encolhimento esteja perto de acontecer, assim como os jogos de Natal devem continuar existindo por um bom tempo, mas são temas relevantes quando jogadores de peso como o LeBron James colocam o assunto em pauta meses antes das reuniões entre jogadores e a liga que devem mudar muita coisa na NBA. É bom discutir esses temas agora porque podem ser relevantes em algum tempo.

Atualização 25/12: Os comentários do LeBron sobre a diminuição dos times rendeu comentários hoje. Primeiro foi um agente de jogadores que preferiu não se identificar e disse para o Yahoo! "Como ele diz isso logo antes da negociação com a liga? Ele sabe que está defendendo algo que trará menos empregos para os jogadores? O LeBron não tem idéia do que acontece quando ele diz coisas desse tipo". 

Já o Derek Fisher, presidente da associação dos jogadores, foi mais diplomático: "Eu particularmente não concordo com o LeBron, mas entendo que não é sempre que todos os 460 jogadores vão concordar em tudo. Eu não sei se as declarações dele prejudicam nossa luta com a NBA, mas eu fiquei surpreso com o que ele falou". 

Pois é, o LeBron vive sua fase Gilbert Arenas: É só abrir a boca ou fazer qualquer coisa que a repercussão é a pior possível. Pelo menos dentro de quadra ele ainda dá conta do recado.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

A outra troca

Sasha Vujacic e seus carangos: estudar pra quê? Aprenda a arremessar de três


A gente acabou enrolando para comentar a troca entre Rockets, Lakers e Nets e alguns dias depois fomos engolidos pelas trocas bombásticas que o Orlando Magic fez, criando um novo time. Demos a atenção necessária àquelas trocas e só agora vamos falar de como o meu Lakers sobreviverá na era pós-Vujacic.

A troca completa foi assim: o Lakers mandou Sasha "The Machine" Vujacic e uma escolha de primeira rodada de Draft (2011) para o Nets e recebeu Joe Smith. O Rockets mandou uma escolha de primeira rodada (2012) também para o Nets e recebeu em troca o armador Terrence Williams.

O Lakers estava um bocado desesperado para conseguir um jogador de garrafão. Nas últimas semanas o Pau Gasol estava com média de 39 minutos por jogo e frequentemente lidando com jogadores mais pesados do que ele, o que desgasta ainda mais. Embora o espanhol seja um dos melhores jogadores da NBA quando atua de pivô, é bom lembrar que ele é originalmente um ala de força e está mais acostumado a jogar longe da cesta, sem apanhar muito. É assim até que, pelo menos pra mim, ele joga melhor. A causa do improviso e dos minutos exagerados eram as contusões de Andrew Bynum e Theo Ratliff, além do despreparo do novato Derrick Caracter. Não foram poucas as vezes em que o Gasol parecia sem fôlego no segundo tempo dos jogos, errando bolas fáceis e sendo batido na defesa.

As coisas melhoraram quando o Bynum voltou da sua contusão na última semana, mas mesmo assim nada garante que ele estará inteiro amanhã, o cara é feito de porcelana remendada, então a procura por um jogador de garrafão estava ainda na ativa. Ao mesmo tempo, ter o Vujacic no time não fazia mais sentido. Ele foi muito útil no time vice-campeão de 2008 e eu, como torcedor, tinha uma relação de amor e ódio com ele; o cara é um personagem divertido (faz pose de mala, parece um perdedor e é irritante a ponto dos próprios companheiros de time se irritarem com ele regularmente), um excelente arremessador de três e fez os lances livres que concretizaram a vitória no jogo 7 da final contra o Celtics. Mas também é capaz de falhas absurdas na defesa e é um jogador de função única, se as bolas de três dele não caem é o mesmo que jogar comigo lá, eu também posso ser branco, usar uma fitinha no cabelo e errar arremessos. Não posso casar com a Sharapova, mas não me incomodaria em tentar.

Sem contar que o banco do Lakers tem Shannon Brown, Matt Barnes e o promissor novato Devin Ebanks, os três ou jogam ou podem quebrar um galho na posição do Vujacic. O Shannon Brown até melhorou absurdamente o seu arremesso e ajuda a abrir espaços na quadra como o esloveno fazia. Por fim, deixando a troca mais óbvia ainda, esse é o último ano do contrato do Vujacic, um monte de time por aí não se incomodaria de ter um arremessador de três por dois terços de temporada e depois não estar mais preso a ele. O estranho seria se o Machine acabasse a temporada no Lakers, tudo conspirava para ele sair.

A chegada do Joe Smith deve ser bem proveitosa para o Lakers. Ele nunca vai merecer ter sido a primeira escolha no Draft de 1995 (Antonio McDyess, Jerry Stackhouse, Rasheed Wallace e Kevin Garnett também estavam no Top 5 e tiveram carreiras melhores) mas pelo menos ninguém fica lhe destruindo moralmente como fazem com o pobre Kwame Brown. Ao longo da carreira ele tem sido um bom arremessador de meia distância, pega seus rebotes e dificilmente faz bobagem. É o tipo de veterano para entrar no jogo e deixar as estrelas descansarem sem deixar o time na mão. E convenhamos que depois de um começo de temporada avassalador, os reservas do Lakers estão precisando de uma ajudinha ultimamente.

Outra coisa, o Lakers é o time que mais dá lucro na NBA atualmente, mas não vai fazer nenhum mal a economia que essa troca traz. Já contando as multas, o Lakers irá economizar 8 milhões de dólares em salários com a saída do Sasha.

O Rockets eu considero que fez uma antecipação do draft do ano que vem. Eles deram a sua escolha de primeira rodada, que tem tudo para ser alguma entre a posição 12 e 16, e em troca pegaram um jogador muito jovem que é bem possível que fosse escolhido em uma dessas posições se participasse do draft de novo, é talento de metade do Draft. O Rockets, lutando para entrar no grupo dos oito classificados dos playoffs depois de um começo de temporada patético, precisa de ajuda agora, não em junho do ano que vem.

Mas pensando por outro lado, o Rockets precisa de mais gente no elenco deles? Um jornalista americano que agora eu não lembro o nome uma vez comentou que um dos problemas do Houston era o mesmo do Blazers nos últimos anos, excesso de jogadores bons. Parece absurdo, mas é verdade. É como ter muitas namoradas bonitas, parece bom no começo, mas eventualmente vai te dar muita dor de cabeça. O Blazers tinha tanto jogador bom que nunca deu o espaço que o Martell Webster precisava pra desenvolver seu jogo, viu o Travis Outlaw reclamando dos minutos por jogo, o Brandon Roy reclamando de dividir a armação do time com o Andre Miller e o Rudy Fernandez implorando para ser trocado para um time onde pudesse ser titular.

O Rockets tem tantos jogadores bons, principalmente no perímetro, que não dá chance de ninguém jogar por  muito tempo e às vezes parece que o time não engrena por causa disso. Era uma reclamação recorrente na seleção brasileira de basquete, acho que vocês devem lembrar. Quando o time titular começava a jogar bem
entravam os reservas para quebrar o ritmo. Para dar os minutos merecidos por Aaron Brooks, Kyle Lowry, Ish Smith, Courtney Lee e Kevin Martin, todo mundo acaba jogando pouco. E agora eles ainda tem o Terrence Williams para brigar pelos mesmos minutos.

O primeiro a rodar nessa deve ser o Ish Smith, novato que fez bons jogos quando o Brooks estava machucado, o pobre novato deve ser o último da rotação e ter seu desenvolvimento travado. A chance de ver Brooks e Lowry jogando juntos, uma das minhas combinações favoritas, também é mínima pela quantidade de shooting guards no elenco. O Terrence Williams é rápido, ótimo em contra-ataques e na defesa, mas o Courtney Lee não tem as mesmas qualidades? Concordo com a idéia do Rockets trocar sua escolha de draft para buscar ajuda imediata, mas não vejo com o que o T-Will vai contribuir de diferente além de algum dinheiro extra em descontos no salário por atraso nos treinos e talvez uma participação no campeonato de enterradas. Sou fã do General Manager do time, o Daryl Morey, mas essa eu não entendi.

Nos Estados Unidos eles tem o costume de tentar achar quem foi o vencedor da troca. Talvez seja fruto da cultura competitiva deles, é um conceito estranho já que os times tem realidades e objetivos diferentes e o conceito de vitória não me parece tão óbvio. Mas entendo o que eles querem dizer quando falam que Nets foi  vencedor dessa troca.

Eles perderam dois jogadores que não farão falta. O Joe Smith é um veterano em um time que busca jovens talentos, o Terrence Williams era um jovem talento que estava dando mais dor de cabeça do que resultados. Os constantes problemas de disciplina já tinham tirado toda a confiança do técnico Avery Johnson nele. Então perder esses dois caras mal utilizados por duas escolhas de Draft e mais um contrato expirante foi uma jogada de mestre.

Escolhas de draft parecem ser peças decisivas nos negócios entre Nets e Nuggets nas eternas discussões por Carmelo Anthony. O Denver parece estar pedindo Derrick Favors, contratos que estejam acabando (Troy Murphy, provavelmente) e o máximo de escolhas de draft possíveis. Então quanto mais escolhas, mais chances de ter Carmelo. E até mesmo se a troca não rolar, as escolhas podem ser usadas para trocar por outros jogadores ou até mesmo, óbvio, para draftar bons jogadores. O Nets tem, nos próximos anos, além das suas próprias escolhas, as do Lakers, Rockets e a valiosa escolha de primeira rodada do Warriors de 2011. Se o Nets continuar mal e o Warriors continuar do jeito que está, o time pode ter duas escolhas de Top 10 no ano que vem.

O Nets não tem esperanças para essa temporada, o projeto é a longo prazo, talvez para quando já estiverem realocados em Nova York, e até lá precisam achar novos jogadores, seja por troca ou draft, e essa movimentação foi um passo importante. Sem contar que talvez o Sasha Vujacic acabe até sendo bom nessa temporada e reassine por pouca grana no ano que vem. Em dois jogos pelo time ele fez duas boas partidas, especialmente o de ontem contra o Grizzlies. Com Brook Lopez no garrafão e Devin Harris infiltrando, o Nets é um time que cria bons espaços para arremessadores, nos dias em que ele estiver calibrado vai ser uma boa. É mais um chutador irregular para um time que já tem o Travis Outlaw e Anthony Morrow. 

Uma notícia de hoje diz que o Dallas Mavericks está tentando com todas as forças levar o Carmelo Anthony em uma troca e nem cobraria do Melo a garantia de extensão de contrato, seria um aluguel por meia temporada. O Rockets também já se mostrou interessado em ou pegar Anthony ou participar da troca como um terceiro time, para facilitar o ajuste de salários e conseguir levar alguma coisa no caminho. O Nets todo mundo já sabe que está babando pelo Melo. São dois dos três times citados nesse post envolvidos. Gastamos tantos parágrafos e provavelmente foi só o começo.

...
Como bônus um vídeo enviado pelo Twitter pelo @Vitoow. É do programa Sport Science, que tem o interessante objetivo de analisar o esporte sob uma perspectiva científica mas que na prática é só um bando de experimentos idiotas e sem embasamento algum. Por que posto esse vídeo? Porque quem participa do vídeo é, nas palavras do narrador, o "NBA superstar Sasha Vujacic". E é sua única chance de ver o The Machine arremessando lances livres vendado, usando salto plataforma e luvas de borracha. Sério.



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- Atualizamos a nossa planilha de elencos com as últimas trocas e alterações nos times titulares. É 99% de chance que esquecemos de alguma coisa, então é só avisar nos comentários.
- Não esqueça de participar da nossa promoção de Natal com a Adidas para concorrer a uma camiseta do Dwight Howard!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Divergências sobre o Bulls

Toda geração tem seu Tim Duncan (tirinha do Garbage Time All-Stars)
Cole Slaw = salada de repolho (N.T.)


Acalmem-se torcedores do Bulls. Pela primeira vez em um bom tempo quem vai falar do time de vocês não é o Danilo, então podem ficar tranquilos que eu não vou pegar tanto no pé do Derrick Rose quanto o meu parceiro de blog. Nós dois costumamos concordar na maioria dos assuntos quando se trata de NBA, seja logo de cara ou até um conseguir convencer o outro, mas com o Chicago Bulls acho que não tem jeito, é onde temos mais diferenças.

A primeira delas vocês já conhecem, é o Derrick Rose. Enquanto o Danilo não acha ele o deus que muita gente por aí considera, eu me impressiono cada vez mais com o garoto. Sempre foi muito rápido, compete com o Russell Westbrook pelo título de armador com mais impulsão (e mais enterradas fora de série) e desde que foi para a seleção americana no mundial aprendeu a arremessar como se fosse um Ray Allen de bigode. Sério, olha esses números: em bolas de três pontos o aproveitamento dele era de 22% no seu primeiro ano, 26% no ano passado e hoje é de 42%! O Ray Allen tem 1% a mais, 43. Tá bom que o Ray Ray tenta bolas mais complicadas e tem marcação especializada para pará-lo da linha dos três, mas mesmo assim é impressionante.

Curioso que embora às vezes tenhamos uma impressão diferente durante os jogos, o aproveitamento do Rose em todas as outras posições da quadra é basicamente o mesmo de antes ou não mudou o bastante para ser relevante. Seus arremessos tentados por jogo subiram em 3 em relação à temporada passada e as bolas de 3 tentadas subiram de pouco mais de 0 para 4 por jogo. Ou seja, em termos de pontuação o Derrick Rose é o mesmo jogador do ano passado mas agora tentando (e acertando) bolas de três pontos.

Mas chamo mais a atenção para outra estatística, que mostra uma melhora do Rose no quesito que ele mais me incomoda, os passes. Ele melhorou de 6 assistências por jogo para 8.3, o que o coloca no top 10 da NBA pela primeira vez na carreira. Chamo a atenção para isso porque eu sempre achei que o maior problema do Rose é que ele era bom demais, mas não conseguia transformar esse talento em um time melhor, o Bulls era um time estagnado no ataque que vivia de umas infiltrações e do tipo de assistência mais básico que existe, o kick-out, que é quando o armador entra no garrafão e toca para alguém arremessar de fora. Todo time precisa disso, mas é pouco.

Nessa temporada, porém, com um novo técnico, Tim Thibodeau, o Bulls começou a ameaçar novas movimentações ofensivas. Foi aos poucos, o técnico está mais preocupado com a defesa (atualmente a quinta melhor da NBA), mas o ataque está mudando. Além da contribuição do técnico, estão contribuindo os novos jogadores, em especial Kyle Korver e agora Carlos Boozer.

O Korver me chamou a atenção quando chegou na NBA em 2003 primeiro porque parecia o Ashton Kutcher, depois porque poucas vezes tinha visto um novato ser tão bom nos arremessos de três, e por fim porque o Marcel (sim, o ex-jogador da seleção brasileira) o odiava. Naquela época a NBA era transmitida na TV aberta pela RedeTV, com comentários do Marcel, jogadas-show, a delícia da Cristina Lyra fazendo parte do programa, e por algum motivo estranho todo mundo aparecia na transmissão com um PSP na mão. Sempre que tinha jogo do Sixers (e tinha bastante, pelo horário favorável da costa leste americana e pelo Allen Iverson) era um festival de ódio ao Korver. Não sei se é birra que um arremessador tem com o outro ou se o Marcel tinha medo que as pessoas achassem que se ele tivesse jogado na NBA teria sido só um reserva em um time médio, sei lá, o psiquiatra dele que explique, mas pra mim era motivo para prestar mais atenção no novato branquelo.

Nos anos seguintes foi possível ver o Korver melhorar em muita coisa, até na sua pouco conhecida defesa, mas ele virou mestre mesmo em se movimentar sem a bola. Vindo da escola Reggie Miller de correr como um rato num labirinto, ele aprendeu a sempre achar um lugar para arremessar e hoje vive não só das bolas de três, mas de chutes de todos os cantos da quadra. Ele é o jogador perfeito para a "Motion Offense", o sistema de ataque que o Bulls usa e que, embora tenha um milhão de variações, todas tem os mesmos princípios: Poucas jogadas desenhadas para serem seguidas à risca, espaçamento entre os jogadores, muitos passes e movimentação constante dos jogadores. Se um está correndo para o seu lado você não pode ficar lá e embolar tudo, todo mundo precisa dar espaço um para o outro. É isso que faz o Rose ter espaço para driblar e infiltrar, os arremessadores ficam longe dele, os jogadores de garrafão saem da frente e tudo fica mais fácil.

E é aí que eu volto para os problemas do Derrick Rose com os passes. Ano passado tinha a desculpa do ataque que tinha correntes nas pernas, mas nesse ano com todo mundo se mexendo ainda acho que o Rose segura demais a bola. Ele não é ruim por causa disso, não tiro ele da briga de MVP e nem nada do tipo, mas é algo que eu não consigo ver sem me incomodar. Às vezes eu tenho a impressão de que o time mesmo pára de se mexer de tanto que o Rose fica driblando pra lá e pra cá, e ele dribla tão bem que eu faria o mesmo se jogasse lá, parece que o maior problema do cara é excesso de talento. Mas falando sério, o Bulls tinha que dar um jeito de balancear isso. Deixar tudo nas mãos do Rose em um quarto período de um jogo apertado ou quando o time está mal e precisa dar uma empolgada é normal, estrelas estão aí pra isso, mas acontecer durante o jogo todo só serve para deixar outros jogadores fora de ritmo e o Rose cansado.

E o pior é que eu acho que essa situação só tende a ficar ainda mais evidente. Tudo porque o Joakim Noah ficará fora do time por 2 meses depois de operar o dedo, pelo jeito ele não é nenhum Kobe Bryant ou Lula para fazer seu trabalho do jeito que quer mesmo com dedos a menos. Ele reclamou que não conseguia fazer as coisas do mesmo jeito, que não estava jogando no nível que ele esperava e decidiu perder esses meses ainda na temporada regular para operar. Embora ele seja um pivô, pareça desengonçado e tenha o único arremesso da NBA que pode ser comparado ao do Shawn Marion, é bizarramente o melhor passador do time depois de Derrick Rose.

Abaixo um vídeo com o "Tornado", a estranhíssima mecânica de arremesso do Noah, que melhorou consideravelmente o seu arremesso de meia-distância.



O Noah era o cara que depois de fazer o corta-luz para o Derrick Rose podia receber a bola e não parar a jogada, é tipo raro e útil de pivô. A maioria ou recebe a bola pra enterrar, pra arremessar ou para chorar por não saber o que fazer com aquele estranho objeto laranja, mas o Noah tem esse arremesso que é bom (mas não deveria) e uma visão de jogo acima da média para encontrar companheiros livres para o arremesso.

Para compensar, o Bulls finalmente tem o Carlos Boozer, que passou o começo da temporada machucado e não chegou a disputar 10 partidas ao lado do seu parceiro de garrafão. Boozer vai compensar um dos talentos do Noah, os rebotes, além de ter um arremesso melhor e 100 vezes mais bonito. Mas em compensação ele não tem o mesmo tamanho, defesa e passe. Boozer recebe a bola pra definir.

Mas falando da defesa do Boozer, esse é outro ponto chave em que eu e o Danilo discordamos. Ele acha que o Carlitos é um peso morto na defesa, eu acho que ele tem alguns talentos que precisam ser reconhecidos, como o esforço, a dedicação em bolas perdidas e principalmente os rebotes de defesa. Uma defesa só é boa de verdade quando todo o esforço para forçar o erro adversário resulta em um rebote na sua mão, se eles pegam de novo não serve pra nada. E o Boozer é excelente na proteção do rebote defensivo.

Mas ele está longe de ser perfeito, eu sei. Uma jogada do último jogo deles contra o Clippers, quando foram destruídos pelo Blake Griffin, mostra como é o Boozer. Ele voltou mais rápido que toda a defesa do Bulls de um ataque mal sucedido para interceptar um passe e jogar a bola para lateral. Esforço inteligente e digno de aplausos, longe de ser um JR Smith desinteressado que vemos por aí. Mas em compensação, assim que o Clippers botou a bola em quadra o Boozer foi abusado pelo DeAndre Jordan, que deu uma enterrada impressionante. Vai ser por falta de tamanho e capacidade, mas não de vontade, que o Bulls deve piorar na sua defesa sem Noah.

Vai ser complicado pra eles manter essa posição no Top 5 da NBA em defesa improvisando Boozer ou Taj Gibson de pivô ou dando minutos demais para o Omer Asik. Mas no ataque eles devem se dar bem, se perdem o passe do Noah, ganham algo que não têm desde... desde... alguém lembra a última vez que o Bulls teve um jogador bom ofensivamente no garrafão? Ah, Elton Brand há exatamente 10 temporadas atrás!
Ter um cara com bom jogo perto da cesta deixa tudo mais simples, ele faz meia dúzia de ganchinhos fáceis, umas enterradas, uns arremessos de média distância e dois minutos depois já está recebendo marcação dupla e liberando alguém para um arremesso sem marcação. Tá bom que o Derrick Rose não sabe o que é ter um cara com essas características no seu time, mas tá na hora de aprender e é mais uma oportunidade para soltar a bola um pouquinho mais, até porque ele mesmo pode receber a bola de volta para um chute limpo e claro de três.

É uma pena a gente ter que demorar tanto tempo para poder analisar o Bulls completo, com seu quinteto ideal em quadra, mas o começo de temporada do time foi pra deixar otimista e o Boozer só fez bons jogos depois da estréia patética. Para eles as críticas não são mais estruturais, do tipo "precisam de um jogador com tal característica", agora os comentários são focadas nos detalhes. Têm defeitos, são capazes de perder em casa para o Clippers, por exemplo, mas é o melhor time do Bulls em muito tempo. Tem o técnico, os jogadores, um sistema definido de ataque e defesa, então é esperar as contusões darem uma trégua pra ver se estão um pouco ou muito longe atrás de Miami Heat e Boston Celtics. Do Orlando eu não sei porque nem consigo falar o elenco deles de cabeça agora, eles ainda jogam de azul, né?


- Apesar do que está escrito abaixo, o post foi feito por mim, Denis, não pelo Danilo, que não é esquizofrênico. 

domingo, 19 de dezembro de 2010

Bagos gigantes

Sam Cassell mostra o tamanho das bolas do Magic, 
que trocou dois de seus jogadores titulares

O Magic sempre mostrou que é um time disposto a arriscar. Quando o elenco parecia ter futuro e os comentários eram de que, com um grande arremessador de três pontos, eles seriam capazes de lutar pelo título, juntaram todas as moedinhas e ofereceram tudo que tinham disponível para o Rashard Lewis - na época um dos arremessadores mais badalados da NBA. O contrato foi ridículo, somando 124 milhões de dólares em 6 anos, e dá pra ter ideia do absurdo fazendo uma visita a esse site aqui, que calcula em tempo real quanto o Rashard Lewis ganhou no mundo real a partir do momento em que você entrou na página (adianto, é mais de 1 dólar por segundo). O jogador não vale tudo isso, nunca fez grandes coisas pela equipe, mas quanto você estaria disposto a pagar por um jogador que pode ser a última peça para vencer um anel? Na temporada seguinte à sua contratação, o Magic se tornou campeão do Leste e perdeu na Final da NBA para o Lakers. Não dá pra criticar a decisão.

Com a derrota, vieram novos papos. Supostamente o que faltava para ganhar o título era, então, alguém capaz de criar o próprio arremesso, decidir os jogos no final, encontrar uma bola de segurança que não fosse um arremesso de três forçado. Fizeram uma troca para conseguir Vince Carter, jogador longe de seu auge e com fama de fominha. Foi arriscado, mas o Magic preferiu apostar na imagem que o Carter construíra no ano anterior como tutor da pirralhada do New Jersey Nets. O sucesso do Carter foi moderado, por vezes parecia estragar o ritmo da equipe, por outras salvava o jogo, mas o Magic com ele chegou novamente à final do Leste - desse vez perdendo para o Celtics.

Não é estranho, portanto, que um time que chegou a duas finais de Conferência em anos consecutivos esteja sempre envolvido em tantos boatos de troca. Estão sempre dispostos a arriscar, a acrescentar uma peça final, a mudar o elenco vencedor para conseguir dar um passo a mais. É por isso que a resposta a uma fase de derrotas nessa temporada foi trocar vários jogadores - aquisições, como as de Carter e Lewis, arriscadas mas inteligentes. O Magic não tem aquela postura bizarra do Cavs da era LeBron, que trocava apenas por trocar e formou um circo de horrores, em Orlando as trocas tem uma visão de conjunto, um plano definido de qual é a identidade do time. Só trocam por quem se encaixa na brincadeira.

O primeiro passo do Magic nessa maratona de trocas anunciadas hoje foi se livrar do Rashard Lewis. Não que ele feda, como muita gente anda sugerindo recentemente. Longe disso, ele é um bom jogador, mas seu contrato vai até 2013 lhe pagando mais de 20 milhões por temporada bem quando o Magic não precisa mais de arremessadores. Todo mundo no elenco, até o garoto da água e a mãe do Dwight Howard, arremessam de três mesmo durante o sono. O processo de montar um elenco eficiente no perímetro que teria o Rashard Lewis como peça final deu tão certo, mas tão certo, que agora o Lewis é descartável. Já não fará nenhuma falta.

Em seu lugar, o Wizards manda nosso canalha favorito, Gilbert Arenas. Nos últimos anos Arenas sofreu com uma lesão, depois com a lesão resultante dele tentar voltar cedo demais para as quadras, depois com a lesão resultante dele treinar demais para se reabilitar mais rápido, e depois com a punição por ter feito uma piada com armas de fogo no vestiário (que ele ainda não engoliu muito bem e diz ter sido julgado injustamente). Faz tanto tempo que ele não pisa numa quadra de basquete que até dá pra esquecer que, uns anos atrás, ele era um dos jogadores mais fodões da NBA, cotado para ser MVP, marcando 60 pontos nos times com os quais tinha birra, e dando mais de 10 assistências por jogo em sua volta às quadras só pra provar que, se quisesse, teria fácil média de double-double como armador. Arenas era tão bom que recebeu um contrato de 111 milhões e um elenco de apoio de respeito para tentar um título do Leste, mas todo mundo do elenco se lesionou numa hora ou em outra (e quando estavam saudáveis perdiam pro Cavs de LeBron nos playoffs) e agora já era, desistiram do projeto, desmontaram o time, e já é tarde demais para o Arenas voltar e tentar fazer valer o contrato gigantesco Ele merecia esse contrato quando o Wizards queria ganhar naquela hora e acreditava em títulos, agora estão reconstruindo em volta do John Wall e o Arenas não apenas ganha dinheiro demais e é bom demais, mas também rouba minutos do novato John Wall porque jogam basicamente na mesma posição. Para o Wizards é melhor se livrar do Arenas por qualquer outro jogador que seja de outra posição e dê ideia de recomeço, de que o John Wall é a estrela, e se tiver um contrato mais curto é brinde. O Rashard Lewis tem um contrato um ano mais curto, não é metido a estrela (nem nunca foi, tem "jogador secundário" escrito na testa), e não vai roubar minutos do John Wall, pronto, tá ótimo. Enquanto isso o Arenas está jogando cada vez melhor, recuperando a forma, e pode criar o próprio arremesso como se esperava que o Carter fizesse na temporada passada. Fora que, como já provou que sabe passar a bola como armador principal, pode substituir Jameer Nelson numa das trocentas contusões anuais do garoto.

É claro que o Arenas pode pregar uma peça e envenenar a água de Orlando, exagerar e querer dar todos os arremessos finais do meio da quadra enquanto grita algo absurdo como "Colher!", e segurar demais a bola, mas é mais um risco para o Magic que simplesmente vale a pena. O Arenas tenta começar de novo e deixar as polêmicas para trás, vai querer ser bom moço na nova equipe, está cada vez em melhores condições de jogo e tem potencial para voltar a ser jogador digno de papo sobre MVP. Se fizer merda e forçar muito o jogo, não vai ser nada que o Carter já não tenha feito tantas vezes no último ano, com a vantagem de que o Arenas é mais versátil e pode jogar nas duas posições de armação.

Essa troca, além disso, permitiu que o Orlando fosse ainda mais além com seus bagos gigantes. Com a chegada do Arenas, ficaram livres para enviar o Carter para o Suns. Aproveitaram para enviar dois jogadores de valor mas que, assim como Rashard Lewis, eram cada vez mais inúteis na equipe: Mickael Pietrus e Marcin Gortat. O Pietrus era importante na equipe graças à sua defesa e às bolas de três, mas desde que o JJ Redick passou a defender o bastante para conseguir ficar em quadra e teve atuações memoráveis nos playoffs, tem tido prioridade. Já o Gortat nunca foi muito usado mesmo, mas ele teve alguns momentos brilhantes em quadra, mesmo que raros, e o Magic resolveu lhe dar um salário gordinho só para impedir que os outros times interessados contratassem o rapaz (sabe como é, pivô é raro hoje em dia). No Magic faltam oportunidades porque o Dwight Howard é o dono absoluto do garrafão e o Brandon Bass joga cada vez melhor, em especial porque ele tem um arremesso de média distância consistente e aí não bate cabeça com o Dwight. No fim, valeu a pena investir no Gortat porque ele agora virou moeda de troca, só isso. Nenhum desses jogadores, no momento, fará falta para o Magic. O risco está mesmo é no que eles recebem em troca.

Em troca de Gortat, Pietrus, Carter e uma escolha de primeiro round no draft, o Suns mandou Jason Richardson e Hedo Turkoglu, além do Earl Clark (que só vai junto porque deve ter entrado no avião sem querer). Pra mim, Jason Richardson é o jogador perfeito para o Magic atual. Sua temporada pelo Suns tem sido fantástica, seus arremessos andam precisos, seu basquete anda eficiente como nunca, ele cria o próprio arremesso, e tudo isso sem exigir a bola nas mãos. Até chega a forçar o jogo, especialmente no primeiro período (dizem que se ele domina o primeiro quarto, é certeza de que terá um jogo fodão), mas nunca segurando demais o jogor. J-Rich joga bem sem a bola em mãos, se posiciona bem no perímetro e está sempre cortando para a cesta. É o jogador ideal para continuar a tradição de arremessos de três do Magic, um especialista no quesito que já liderou a NBA mais de uma vez em bolas de 3 convertidas, mas capaz de se virar quando o perímetro não estiver funcionando - e tudo isso sem comprometer a rotação de bola e o ritmo da equipe. Com o Hedo Turkoglu o negócio é diferente, ele também arremessa bem de três mas segura muito mais a bola, gosta de jogar como armador, e agora o Magic parece ter excesso de gente assim. Mas mesmo que o turco tenha minutos limitados, já deve valer a pena. Postei no começo da temporada sobre como o estilo do Turkoglu não se encaixava com o Suns de modo algum, que ele não tinha como render lá, e que sofrera com a mesma questão em Toronto. No estilo do Magic, pelo contrário, o Turkoglu parece um bom jogador, usa suas principais qualidades. Então mesmo que seus minutos fiquem restritos pela presença de Brandon Bass, Jameer Nelson, Jason Richardson e Gilbert Arenas, será no mínimo um jogador que pode render um pouco ao invés daquela lástima que ele era no Suns, em que não rendia nada. O jogador foi salvo e o Magic ganha de volta um reforço que deve estar muito grato e já conhece todo o andamento da equipe. É arriscado porque o contrato do turco é enorme e ele pode bater cabeça com outros jogadores, mas é tentador conseguir por um preço baixo um jogador que você sabe que vai render muito mais justamente no estilo de jogo da sua equipe - e que não rende nada em nenhum outro lugar.

Pro Suns, é um alívio se livrar do Turkoglu e receber o Marcin Gortat é um motivo para ver alegria na vida outra vez. Hakim Warrick quebra um belo galho no garrafão ofensivo mas falta alguém que possa sequer se fingir de pivô desde que o Robin Lopes se contundiu. Se o Gortat for mesmo aquilo que se supunha e puder dominar na defesa enquanto contribui no ataque com enterradas e jogo físico, o Suns nem fica com tanta saudade do Amar'e e para de tomar um pau de qualquer jogador com mais de um metro e meio de altura. E se o Gortat for um jogador limitado e souber apenas levantar os braços, o garrafão do Suns também já fica imediatamente melhor - estavam numa situação tão ruim que se um torcedor sorteado fosse jogar de pivô, seria lucro. Para isso perdem J-Rich numa temporada magistral, o que é uma pena, mas o Carter tem ao menos em teoria a possibilidade de tapar o buraco. Precisa de entrosamento com o Nash, soltar a bola, correr um bocado, mas o Carter já começa se encaixando no time em um aspecto básico: ele nunca defendeu bulhufas mesmo.

O Wizards deu o último passo necessário em sua reconstrução - que pra mim foi, até agora, impecável e relâmpago - se livrando de seu melhor jogador e dando espaço para John Wall, e o Suns ainda se debate para conseguir um garrafão pós-Amar'e e vai tentar tapar o buraco do J-Rich enquanto tenta descobrir se pode sonhar com alguma coisa enquanto ainda possuem o Nash. São todas mudanças significativas, mas quem mais tinha a perder com tudo isso era o Magic, porque o Suns e o Wizards fediam enquanto o Magic é um timaço que vem de duas finais de Conferência. A equipe de Orlando tem testículos de jumentinho para arriscar a esse ponto, e pra mim só apostou em coisas que valem a pena - mesmo se derem errado.

Jameer Nelson já está confirmado como titular (enquanto não se contundir, ele nunca joga mais de 70 partidas numa temporada), Arenas já avisou que está sussa de vir do banco, então o resto do quinteto inicial deve ter Jason Richardson (no papel de Vince Carter) e Turkoglu (no papel de Rashard Lewis), com o garrafão reforçado por Brandon Bass. Subitamente o time mantém as características usuais, sua identidade como um time de arremessadores, mas todo mundo sabe criar o próprio arremesso e o garrafão fica mais forte. Gilbert Arenas pode vir do banco armando o jogo e, claro, criando as próprias situações de cesta, ao lado de JJ Redick, e nos momentos cruciais de jogo o quinteto pode ter Jameer Nelson, Arenas, J-Rich, Turkoglu de ala (como teve que jogar no Suns) e Dwight no garrafão. Lembra quando ninguém no Magic queria decidir? E a bola parecia batata quente? O Turkoglu passou a criar cestas mesmo que a contragosto, o Jameer Nelson aprendeu a bater para dentro e forçar pontos, Arenas tem história como um dos jogadores mais decisivos de sua geração, e o Jason Richardson sabe muito bem criar espaço para si mesmo. É um Magic irreconhecivel.

Passei muito tempo não levando esse Magic a sério, meio como se eles fossem um Mavericks do Leste, sabendo que eles poderiam chegar a uma Final de NBA e esfregar minha cara no troféu e mesmo assim eu sempre iria achar que tudo ia dar merda. É que acho difícil ter medo de times que se baseiam nos arremessos de três porque eles são inconstantes e é preciso ter uma bola de segurança pra quando tudo o mais falha, pra quando a água bate na bunda. Pois agora eles tem, ao menos no papel, tudo o que é necessário. Devem chegar a mais uma final de Conferência, mesmo com os inevitáveis problemas de entrosamento que surgirão nos próximos meses. E, mesmo se der tudo errado, aplaudo os bagos dos engravatados de Orlando. Essa equipe que arrisca e inova já tem, pra mim, muito mais valor do que qualquer equipe de sucesso que bate na trave e não tem coragem de mudar os rumos. Quero ser igual ao Magic quando eu crescer.

Outras equipes, como Lakers, Nets e Rockets, fizeram trocas recentemente e vamos comentar delas nos próximos dias (sei que estamos meio devagar, prometo que a gente engrena ainda esse ano). Mas pegar um time vencedor, com chances de título, e mandar embora peças tão importantes para trazer jogadores polêmicos é coisa para poucos. Só por isso, já merecia que desse certo. Bem que o Arenas poderia tentar não andar nos vestiários armado dessa vez só pra ajudar um pouco.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O prêmio de consolação que deu certo


A gente tem o poder de elogiar um time e vê-lo perder na rodada seguinte. Ou falar mal de um jogador e ele meter 30 pontos no mesmo dia. Não costumamos estar tão errados assim, às vezes é só naquele dia mesmo, pra tirar uma com a nossa cara. Foi o que aconteceu com o Mavs que perdeu do Bucks bem quando o Danilo fez um post explicando a espetacular sequência de 12 vitórias seguidas do time de Dallas. Mas não se preocupem torcedores do Mavs, nossa zica dura pouco e perder do Bucks não é tão ruim quanto parece. Os veadinhos tem a quinta melhor defesa da NBA! Seu recorde negativo de 10 vitórias e 13 derrotas só existe porque são o segundo pior ataque. Quando conseguem colocar a bola dentro daquele anel laranja que fica pendurado num quadrado de vidro, eles são um ótimo time. Dá pra reclamar que jogaram uma vantagem de 18 pontos no lixo (em casa!), que sofreram com o Hack-a-Haywood e que fizeram uma cesta contra, mas nem tudo é perfeito, né?

Tem time muito mais satisfeito e com números piores na tabela, como o NY Knicks, e é deles que vamos falar e zicar hoje. A satisfação da torcida do Knicks, eufórica ultimamente mesmo sendo uma das mais pentelhas dos Estados Unidos, é explicado pelo enorme fracasso da franquia nos últimos 10 anos. Em 1999 eles se classificaram em sétimo para os playoffs mas mesmo assim venceram o Leste e foram até a final, em que tomaram de 4 a 1 para o Spurs. Nos anos seguintes, de 2000 até hoje, possuem o pior aproveitamento da NBA (perderam 62% dos seus jogos) ao mesmo tempo em que foram o time que mais gastou dinheiro com salários e técnicos. É como pagar mais que todo mundo por um videogame e levar pra casa um 3DO.

Com um desastre atrás do outro eles resolveram se focar em LeBron James. Passaram as últimas temporadas só acumulando contratos expirantes para chegar em 2010 com chance de levar o jogador mais humilde da NBA para a cidade mais humilde dos EUA. Não deu certo. Perderam para Miami não só LeBron como Wade, mas levaram um prêmio de consolação que muito time venderia a mãe para ter: Amar'e Stoudemire. E no desespero por um armador pagaram mais do que qualquer um pagaria pelo Raymond Felton. Essa offseason era pra ser a virada do Knicks, mas acabou sendo um "Fizemos o nosso melhor e ainda estamos em obras".

Mas a verdade é que o resultado tem saído maior do que muita gente (eu estou nessa!) esperava. Explico todas as razões.

Em uma matéria da faculdade, ainda no Brasil, fiz um projeto de como seria uma revista Bola Presa de basquete. Ficou bem legal e a matéria principal, que fiz só para o meu professor que não sabe nada de basquete ler, era sobre o Amar'e Stoudemire. Questionava se valeria a pena um time investir nele e colocava em questão os argumentos daqueles que acham que ele é um dos melhores jogadores da NBA e os que acham que ele é mais um produto da Steve Nash Ltda. Eu, desinteressante como sou, me colocava no meio termo. Ninguém tem mais de 25 pontos por jogo em uma temporada (como ele já teve duas vezes) só porque tem um armador bom. E era só ver os jogos dele (a segunda metade da temporada passada tem vários exemplos bons) pra ver como nem tudo o que ele fazia era produto de jogada do Nash. A maioria era, claro, mas quando se joga com o Nash é assim!

Mas eu ficava ainda em cima do muro porque achava que ele não era muito eficiente quando segurava muito a bola ou tentava comandar o jogo sozinho. É o tipo de jogador que tem que fazer cortas e brigar por um bom posicionamento para então receber a bola e fazer o que ele sabe fazer, pontos. Portanto, não era que Amar'e precisava do Nash, mas sim de um bom armador, qualquer um, não necessariamente um gênio.

No começo da temporada os meus medos se mostraram verdade, o Amar'e estava fazendo sua tonelada usual de pontos mas do pior jeito possível. Recebia a bola longe da cesta e demorava um tempão até conseguir infiltrar ou arremessar. Era um ataque sem padrão tático e sem a velocidade que o técnico Mike D'Antoni gosta de ver em seus times. O resultado numérico foi um Knicks que não assustava ninguém e que tinha melhores números quando Amar'e estava fora de quadra. Mesmo quando ele marcava 30 pontos acabava com -5 ou -10 nos "net points" ou "plus/minus", o número que conta o placar do jogo só quando certo jogador está em quadra. Era um típico caso de buraco-negro que lembrava os tempos de Zach Randolph no Blazers e no mesmo Knicks.

Mas com o tempo a coisa foi mudando, bem aos poucos, jogo a jogo. No começo os números do "plus/minus" ainda não favoreciam muito o Amar'e, mas ele já estava fazendo a diferença no quarto período dos jogos e o Knicks começou a vencer e não parou mais. São hoje oito vitórias seguidas e 13 nos últimos 14 jogos, e nesses oito jogos seguidos o STAT marcou mais de 30 em todos as partidas, um recorde da franquia e o primeiro jogador da NBA a conseguir pelo menos 8 jogos seguidos com mais de 30 desde que Kobe Bryant conseguiu 9 vezes seguidas na temporada 2005-06.

As duas últimas partidas foram simbólicas também para o Amar'e, ele não só fez jogadas decisivas no fim dos jogos como os números começaram a contribuir também. Na difícil vitória contra o Nuggets, o time esteve +16 com Amar'e em quadra e -12 com ele fora, antes, contra o Wizards, +13 com e -7 sem ele. Mas não vamos ficar presos nos números, o time agora consegue procurar ele em quadra mas sem se prender a isso. Eles fazem suas jogadas e não jogam em função do seu pivô. Ao invés de assistir ao Amar'e, jogam o basquete veloz que devem jogar e o acionam quando é a melhor opção. Eu outras palavras, estão entrosados.

E já que estão entrosados temos que falar dos outros jogadores que fizeram possível a gente falar bem do Knicks pela primeira vez em tanto tempo. Tudo começa com Raymond Felton, o armador que, nas sábias palavras de um analista do site FanHouse, "parece melhor jogador em 20 jogos pelo Knicks do que em 5 anos pelo Bobcats". Isso define o que é o Felton nessa temporada. Esqueça tudo o que já comentamos sobre ele nos últimos anos, é um novo jogador, mais agressivo (+4 arremessos tentados em relação ao ano passado), melhor arremessador (melhor marca na carreira em arremessos de quadra e segunda melhor em três pontos) e melhor em pontos, 18 por partida, 4 a mais que no ano passado. Também tem os melhores números em assistências, 8,7, contra 5,6 na temporada anterior, e em roubos, 2 por jogo, 8º melhor em toda a NBA. O aumento no número de assistências e de arremessos tentados mostra como ele tem uma função muito mais importante e que fica mais com a bola na mão no Knicks. No Bobcats ele distribuía a responsabilidade de armar as jogadas com Stephen Jackson e Boris Diaw, que são bons passadores, mas em New York ele tem a chance de comandar o show por conta própria e ainda pode jogar em velocidade. Ele não é nenhum Ty Lawson correndo mas se sente mais confortável no jogo de transição do que no basquete burocrático de meia quadra que o técnico Larry Brown usava em Charlotte.

Outra coisa que o Felton tem no Knicks que não tinha em Charlotte? Sorte:



Algumas pessoas tem criticado o Danilo Gallinari nessa temporada, mas acho que o jogo dele só tem muito problema pra quem tinha a expectativa de que ele seria um jogador completo e espetacular. Ele não é isso e acho que nunca vai ser, mas é um ótimo arremessador e até melhorou levemente o seu aproveitamento em arremessos perto do aro. É um role player que faz bem o seu papel e que não compromete porque quando está em um mal dia pode ser rapidamente substituído pelo Wilson Chandler, que faz a melhor temporada da sua carreira. Chandler é um dos vários bons candidatos ao prêmio de 6º homem da temporada com média de 17,5 pontos, 6 rebotes e 37% de aproveitamento nos três pontos, quase 10% melhor que na temporada passada! Ele dobrou o número de tentativas de três por jogo em relação ao ano passado, deixou de atacar o aro como antes e tem se estabelecido no time como um arremessador, usando o espaço que ter um pivô dominante como o Amar'e Stoudemire abre.

Por fim merece muito destaque o Landry Fields. Ele foi escolhido no segundo round do Draft e até dissemos aqui que ele deveria mofar na D-League. Não é à toa, os dois maiores sites que analisam universitários que vão para a NBA, o NBADraft.net e o DraftExpress, não colocavam o Fields nem entre os 60 draftados. O NBADraft.net dizia que ele era o 93º melhor jogador inscrito! 6 meses depois ele está recebendo o prêmio de novato do mês na frente de Evan Turner e John Wall. Pode-se questionar o prêmio, mas só de estar na discussão é uma surpresa, ele estar na NBA é uma surpresa, oras!

Ele tinha todas as características de jogadores que fracassam na NBA: Com 2,01m ele tem altura para jogar em diversas posições, na universidade jogava nas posições 2, 3 e 4, mas assustou alguns scouts da NBA ao se destacar mais na 4, como ala-pivô. Sem chance dele entrar num garrafão da NBA com esse tamanho. Também tinha o problema dele ter tido três anos discretos antes de brilhar no basquete universitário como Senior e, por fim, era bom em tudo mas não era especialista em nada. No segundo round do Draft os times costumam buscar especialistas (defensor, arremessador, reboteiro) ou algum cara de 19 anos que possa ser preparado para o futuro. Fields não era ruim em nada mas não era espetacular em nada e já tinha 22 anos. Ele tinha tudo pra dar errado.

Porém, observar talentos juvenis não é uma ciência exata e surpreendentemente ele está conseguindo repetir as atuações "all-around" em nível profissional. 10 pontos por jogo, 7,6 rebotes (excelente número para alguém de sua posição) e um roubo por jogo, sem contar os 52% de aproveitamento. Ele não força arremessos, é muito bom nos rebotes, erra pouco, defende muito bem e faz o trabalho sujo que o David Lee fazia até o ano passado como corta-luz, rebotes ofensivos, acompanhar o contra-ataque para aproveitar uma bola que sobre na sua mão, recuperação de bolas perdidas, etc.

Com a ascensão de todos esses jogadores, o Knicks saiu do nível de mediocridade que lhe era característico na última década e hoje parece um legítimo time de playoff no Leste. Mas depois disso aparecem duas perguntas:
1. Essa sequência de vitórias foi algo real ou um golpe de sorte?
2. O time precisa ainda de uma mudança drástica para realmente ir longe?

1. Eu não acredito que tenha sido um golpe de sorte, eles jogaram realmente um bom basquete, mas também abusaram de um calendário que os ajudou. Durante as 13 vitórias em 14 jogos, enfrentaram times em má fase como Clippers, Kings, Nets, Wolves, Raptors, Wizards e Bobcats. Além de pegar os bons Warriors e Hornets em seus piores momentos na temporada. Vitória impressionante mesmo foi a última sobre o Nuggets! Não é culpa do Knicks pegar esses adversários um atrás do outro e isso não desvaloriza o feito deles, a primeira sequência de 8 vitórias da franquia desde 1995, mas se nos próximos 14 jogos eles ficarem com 7-7 não vejam como uma aberração também.

2. O Donnie Walsh, presidente do Knicks, disse essa semana: "Se você acha que o time é bom o bastante você não faz nenhuma troca bombástica, se achar que não é o bastante você faz. Eu ainda não decidi o que eu acho sobre o nosso time".

Ele provavelmente vai se decidir até o fim do mês. Hoje o Knicks pega o Celtics e até o fim do mês enfrenta o Miami Heat, Orlando Magic e o Chicago Bulls, todos os times do Leste que estão hoje à frente do Knicks. Se o time tiver sucesso contra todos esses, talvez eles não façam nenhuma loucura atrás de Carmelo Anthony, mas se tomar um sarrafo atrás do outro é possível que alguma coisa mude, eles não parecem estar satisfeitos em voltar a ser um time de playoff, o plano do Knicks é mais ambicioso.

Um plano poderia ser esperar até a temporada terminar e simplesmente assinar com o Carmelo Anthony, que já deixou bem claro pra todo mundo que gostaria de jogar no Knicks. Parece o cenário perfeito porque assim eles não perdem nada fazendo uma troca, só ganham o Melo por nada. Mas a coisa não é tão fácil quanto parece. Primeiro porque o Nets está se equipando para continuar atrás de Melo, hoje já conseguiu mais duas escolhas de 1º round (de Lakers e Rockets, em uma troca que vamos analisar mais pra frente e enviou Joe Smith para o Lakers, Terrence Williams para o Rockets e Sasha Sharapova para o Nets) para mandar para o Denver junto com Derrick Favors em troca do ala. Depois porque o Carmelo quer assinar a sua extensão de contrato antes da temporada acabar, para não correr o risco de ganhar menos do que podia com o novo acordo financeiro entre a liga e os jogadores. O jogador prefere o Knicks sobre o Nets, mas entre ganhar muito mais dinheiro no Nets e menos no Knicks ele pode mudar de idéia.

Tem também uma terceira questão importante: O time pode precisar de mais peças para brigar com os times do topo do Leste, mas esse cara é o Carmelo Anthony? Afinal, o que ele traria para o Knicks são pontos e um poder de decisão no quarto período. Mas o Knicks é o quarto melhor ataque da NBA em pontos a cada 100 posses de bola, o segundo em total de pontos e Felton e Amar'e estão se virando mais do que bem nos quarto períodos fazendo o bom e velho pick and roll. Eles tem vários pontuadores, já falamos aqui de Gallinari e Chandler, não seria melhor buscar outro tipo de jogador?

O Knicks ainda é uma defesa fraca, é apenas o 24º melhor time da liga em pontos sofridos a cada 100 posses de bola e é o terceiro time que mais sofre pontos no garrafão, atrás apenas dos patéticos Raptors e Suns, que nem deveriam contar na lista porque eles não tem idéia do que é defender um garrafão. Entre Melo e um bom ala de força ou pivô para jogar ao lado de Amar'e, o que o Knicks precisa mais? É uma questão pra pensar durante o jogo de hoje contra o Celtics. Sim, eu sei que somar nossa zica de falar de um time e ele perder logo no dia que esse time enfrenta o melhor time do Leste é apelação. Mal aê, Knicks.