segunda-feira, 30 de março de 2009

Milagre, Arenas voltou!

Arenas machuca a mão ao cumprimentar companheiros


Finalmente o Gilbert Arenas voltou!!! Ufa, demorou mais que o Fenômeno para fazer sua estréia na temporada mas finalmente sábado, contra o Detroit Pistons, o Agent Zero fez seu primeiro jogo oficial desde os playoffs da temporada passada. E pode-se dizer que com sucesso: apesar do arremesso ainda descalibrado, foram 15 pontos e 10 assistências.



Como nos finais de semana eu tento deixar de ser um fracasso completo e ter uma vida social, não consegui ver o jogo inteiro, mas vi o suficiente para ver que ele está de volta. E, mais importante, está diferente.

A primeira mudança importante é que agora o Arenas é um blogueiro aposentado. Ele anunciou semana passada que não atualizará mais o seu blog, o que deixa o Bola Presa oficialmente na condição de blog mais sensacional sobre NBA em toda o universo conhecido.
Mas sério, para o Arenas foi um passo grande abdicar do blog. Foi com ele que ele saiu do status de "apenas" ótimo jogador para o de super estrela e foi com o blog que ele conseguiu milhões de fãs que antes nem assistiam jogos do Washington mas que acabaram se divertindo com os causos e opiniões. Além disso, foi por lá que ele conseguiu não ser esquecido mesmo passando duas temporadas inteiras praticamente sem jogar.

Mas apesar de toda essa importância do blog pra ele, acho que foi importante ele ter desistido. Chegou um ponto na carreira dele que o blog estava mais dando trabalho do que rendendo bons frutos. Cada vez era mais comum ele ter que gastar muito espaço de um post novo só justificando o que ele tinha dito no post anterior e que tinha causado polêmica. Coisas divertidas como as provocações contra o Portland (quando ele jurou fazer 50 pontos), contra o Richard Jefferson (que ele tirou sarro por ir jogar na chata cidade de Milwaukee) ou mesmo seu desabafo quando foi cortado da seleção americana. Tudo o que era o máximo para nós leitores era cada vez mais dor de cabeça para o Arenas. Nas palavras dele mesmo:

"No começo era legal, mas depois virou uma faca de dois gumes. Suas palavras podem ser usadas contra você."

Com a fama que ele criou logo apareceram os caras odiando ele, claro. Ninguém odeia o Antoine Wright ou o Pops Mensah-Bonsu, as pessoas preferem odiar o Kobe, o LeBron e o Arenas, por algum motivo acham que isso faz sentido. Então a cada derrota do Wizards, a cada jogo ruim do Arenas e a cada mês machucado, já vinham dizendo que era para ele blogar menos e jogar mais. Como se tirar umas horinhas por semana pra escrever fosse o que deixasse o seu joelho pior ou a defesa do Wizards mais furada.

Por isso, por um lado a aposentadoria bloguística do Arenas é uma derrota do bom humor para os críticos esportivos chatos. A pressão de implicarem com tudo o que ele fala certamente deve ter ajudado o Arenas na hora de tomar a decisão de não escrever mais. Invariavelmente os blogs acabam porque as críticas são tão pesadas que tiram a diversão de blogar (que tem que ser divertido, afinal em 99% não é remunerado) ou porque não têm visitas e caem no esquecimento, o que não era o caso do Arenas. Em alguns casos, quando o blog é mais velho, ele também acaba porque o cara cansou de escrever tanto, mas o Arenas sempre disse gostar de postar, então essa não cola.

Mas já por outro lado a aposentadoria bloguística do Arenas foi uma boa jogada para ele. Depois de dois anos parado com uma contusão e em um time que é o pior da NBA, tudo o que ele não precisa é de mais pressão e de holofotes em cima dele. E o blog estava sendo isso, um holofote do tamanho do Glen Davis. No momento ele só precisa de preparo físico, de ritmo de jogo, precisa pegar confiança no joelho, em bater pra dentro e no arremesso, quase nada. Então, mais inteligente é se esconder num canto e usar esse último mês de temporada e a offseason para poder voltar com tudo na temporada que vem.

No começo do texto disse que o Arenas estava um jogador diferente, primeiro porque não é mais um jogador-blogueiro, e a segunda coisa que pareceu diferente no jogo de ontem é que agora ele está parecendo (baseado em um jogo ainda, eu sei) um armador de verdade.

Na partida de ontem ele foi um cara que tomou mais conta do jogo, não forçou tanto a barra em busca de arremessos e procurou os companheiros para o passe, por isso as 10 assistências. O que me lembrou um post do Arenas no blog dele em que ele diz que, se quisesse, poderia dar 10 assistências por jogo, que era algo bem fácil, mas que ele não dava porque não era a característica dele.

Segundo o Arenas, e na época eu concordei, pra quê pedir pro Kobe dar 10 assistências por jogo se o negócio dele é marcar pontos? Ou para quê exigir um arremesso de Ben Wallace se o negócio dele é defender? O negócio do Arenas é marcar pontos e é assim que ele iria jogar.

Como criador da ONG "Pintores pintam, arremessadores arremessam" que defende arremessadores chamados de fominhas mundo afora, como Ben Gordon, Sasha Vujacic e Marcelinho Machado, eu tive que concordar. Cada jogador faz o que sabe e o técnico que seja bom o bastante para encaixar essas peças em um time que funcione.

Acontece que o Arenas fazia o quê? Pontos usando sua velocidade de infiltração e arremessos com o espaço que ele tinha por causa de seu drible. Agora com o joelho zoado, cadê essa velocidade e esse drible? Será que vão voltar?

O Amar'e e o Nenê são bons exemplos de jogadores que voltaram bem depois de contusões sérias, o Grant Hill já é um exemplo da maioria que nunca mais volta a ser a mesma coisa. Considerando que o Arenas dificilmente voltará a ter a mesma explosão física de antes, já que sua sequência de contusões lembra mais o caso do Hill, talvez fosse a hora dele aproveitar que acha fácil dar 10 assistências por jogo e virar o armador-organizador de que o Wizards tanto precisa.

Com a pior campanha na temporada regular, o time da capital americana tem sérias chances de ficar com a primeira escolha do draft e levar o espetacular Blake Griffin pra casa. Com um garrafão com o Griffin de ala de força e Brendan Haywood voltando de contusão como pivô, o Wizards terá um forte garrafão (que ainda terá o promissor JaValle McGee no banco) e poderá usar o Jamison na posição 3, com o Butler na dupla de armação com o Arenas. É, no papel, um time que pode fazer estrago no Leste.

O Arenas foi diferente ontem, foi esse armador puro que eu acho ser aquilo de que o Wizards mais precisa, mas não sei se ele planeja continuar assim. Vamos saber assistindo aos jogos dele, não lendo seu blog.


Seleção Brasileira (do outro esporte)

Vocês viram a meleca que foi o jogo da seleção brasileira contra o Equador ontem? Irgh! Que time asqueroso. Eu não só convocaria melhor que o Dunga como eu já convoquei.

O Blog A Marca da Cal, do nosso leitor Kei, pediu para que eu convocasse minha seleção brasileira de futebol com seus 23 jogadores e eu fiz o difícil serviço. Complicado escolher o reserva de lateral-esquerda, complicado também chamar o Ronaldinho Gaúcho por falta de bons meias mas acho que montei um bom meio-campo com Lucas, Hernanes, Ramires e Kaká. E aí, o que você acha? Veja a minha seleção e me xingue no blog de lá e aqui também.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Os brazucas

Shaq deve estar dizendo que é o "Big Samba"
ou alguma outra frase shaquiana

Vendo outros sites brasileiros de basquete e até no Orkut, nossa fonte inesgotável de sabedoria, percebi que muita gente vive comentando sobre como estão indo os nossos brazucas na NBA. E então me dei conta que nessa temporada falamos muito pouco do desempenho deles aqui no Bola Presa. Nada de anti-patriota nisso, quer dizer, eu sou anti-patriotismo, acho que se definir pela linha imaginária onde você nasceu é estupidez, mas isso inclui amar o Brasil e odiar o Brasil. Não odiamos, não amamos, vivemos aqui e convivemos com o que tem dentro.

Dentro dessa linha imaginária existe o que chamamos cientificamente de "Seleção Brasileira" que se divide entre "A seleção", que é a de futebol, "seleção de basquete" e a "seleção feminina de vôlei". O resto é resto. O que importa em um país não é sua religião, política ou sua economia, são suas seleções. É ou não é?

Para o bem dessa instituição vale a pena ficar de olho bem aberto sobre nossos atletas. Então vamos dar uma geral nos três brasileiros da NBA, beleuza? Justificada minha vontade de falar dos brasileiros? Não? Ok, continuo mesmo assim.


Anderson Varejão

Posso dizer que a temporada do Varejão é simplesmente irretocável! Tá bom que ela ainda não acabou, mas acho que só se ele cometer algum erro crucial em um jogo 7 nos playoffs ou se ele se machucar é que essa temporada parecerá perdida. Se não acontecer nenhuma desgraça, ele tem uma temporada para se orgulhar e contar para os netos.


Antes da temporada 2008-09, o Varejão era o cabeludo que melhor cavava faltas de ataque e que era uma negação ofensiva. Alguns meses depois e ele não tem mais medo de arremessar, é capaz de finalizar os pick-and-rolls que faz com o LeBron e não faz parecer que o Cavs ataca só com 4 jogadores. Podem colocar o Varejão como um dos responsáveis pela evolução do Cavs sem sombra de dúvida! Claro que o Mo Williams ajuda, o Delonte West ajuda e tudo o que o Danilo já explicou ontem ajuda, mas o Varejão é parte essencial desse time.

E foi mais essencial do que se planejava porque ele jogou praticamente metade da temporada como titular! Não parece, mas dos 71 jogos que ele disputou até agora foram 32 como titular. Primeiro por causa da contusão do Zydrunas Ilkgauskas, depois por causa da contusão do Ben Wallace. O que deixa a temporada do Vareja ainda mais impressionante, afinal ele foi eficiente jogando como pivô ao lado do Ben Wallace, esse sim a maior negação ofensiva da década, e depois deu certo jogando de ala de força ao lado de um cara completamente diferente que é o Big Z.

Então nosso cabeludo ainda defende bem, ataca melhor, joga nas posições 4 e 5 e joga bem ao lado de qualquer tipo de parceiro de garrafão. Ele é praticamente o Tim Duncan do hemisfério Sul, o Hakeem Olajuwon latino, o Shaq dos trópicos ou qualquer uma dessas comparações que falham miseravelmente na hora de querer dizer alguma coisa. Falando sério, isso quer dizer que o Varejão é bom, tem lugar garantido na NBA e que vai ser disputado ao fim dessa temporada, quando virar Free Agent.

E é aí que começa o drama do brasileiro. O que fazer? Ele pode ficar no Cavs, continuar a ter chances de ser campeão e ganhar a vaga do primeiro titular do garrafão a perder a dura batalha contra a osteoporose. Mas e se o LeBron sai do Cavs em 2010? Temos que considerar que é uma possibilidade. E se o Varejão se compromete a uns 5 anos de contrato com um Cavs sem LeBron? São anos de carreira sem chance alguma de algo relevante. Será que não é melhor assinar com um time mais estável e que precisa de um jogador como o Varejão no garrafão para ter chances mais reais de ir longe nos playoffs, como o Spurs, Hornets ou algum time do tipo?

Mas minha sensação é essa, a atual temporada para o Varejão não tem erro, o perigo está em onde ele vai escolher jogar no ano que vem, um ano onde os times não devem oferecer muita grana para ninguém: primeiro pela crise econômica que atingiu em cheio a liga, e em segundo porque muitos estão economizando para a vinda do messias, também conhecida como a off-season de 2010.


Nenê

A batalha contra o Danny Granger e o Devin Harris não será nada fácil, mas o Nenê tem que ser considerado forte candidato a jogador que mais evoluiu na temporada. Ainda tem o Millsap, o Bargnani, e todos têm bons argumentos a seu favor, mas se o prêmio fosse levado ao pé da letra o Nenê levava o troféu pra casa.

O Devin Harris evoluiu de um jogador bom para um jogador ótimo, o Granger de um bom jogador para um dos cestinhas da NBA, o Nenê evoluiu de um cara que não conseguia jogar basquete de jeito nenhum para um dos melhores pivôs do Oeste.

Acho que a chegada do Billups foi tão importante para o Nuggets que ofuscou um pouco o quanto o Nenê ajudou o Denver para dar aquele salto de qualidade da temporada passada para essa. O Nenê deu ao Nuggets uma força ofensiva dentro do garrafão que o Camby nunca conseguiu dar, e depois de até já terem brigado, o brazuca e o Kenyon Martin formaram uma dupla bem entrosada de garrafão.

Mas nem tudo é perfeito. Depois de beirar os 17 pontos por jogo em novembro e dezembro, o Nenê está com média de pouco mais de 14 nos últimos meses, enquanto ele caiu um pouco de produção o Denver caiu junto e não dá pra saber direito quem puxou quem pra baixo.
E já que é pra falar dos defeitos, meu desabafo: alguém também acha que o Nenê é meio buraco negro* às vezes?

*Buraco Negro - Um buraco negro clássico é um objeto com campo gravitacional tão intenso que a velocidade de escape excede a velocidade da luz. Nem mesmo a luz (aproximadamente 300.000 km/s, o equivalente à 1.079.252.848,8 Km/h) pode escapar do seu interior, por isso o termo negro. Também usado para jogadores de basquete que, depois de receberem a bola, não a compartilham com mais ninguém.

Acho que às vezes o Nenê tá com uma gana de fazer cesta que ele não toca a bola nem quando é óbvio que ele não tem uma boa opção de arremesso. Dá pra encarar pelo lado bom e dizer que ele joga com muita vontade, o que é verdade, mas a vontade atrapalha demais quando mal usada. Outro dia vi um jogo em que ele tomou uma cesta do pivô adversário e queria devolver a cesta de qualquer jeito, forçando umas três bolas horríveis seguidas, foi patético.

Mas minha crítica acaba por aí, nem vou falar nada da tal cabeçada que ele deu no Louis Amundson. Essa garota do Suns enche muito o saco de quem ele marca e é normal perder a cabeça, e nem achei que o que o Nenê fez foi agressivo o bastante para dois jogos de suspensão. Dá uma técnica pra ele e tá ótimo, acabou e vamos jogar bola.
Um pouco mais de cabeça no lugar e alguns movimentos de garrafão a mais e ano que vem não tenho dúvidas de que o Nenê continuará nas discussões para reserva de All-Star como estava já nesse ano.


Leandrinho Barbosa

Como dizer isso? Hum, que tal um sonoro 'pior não fica'?
Primeiro tem o Nash já em decadência fazendo com que ele jogue mais tempo na posição 1, depois foi mais de meia temporada com um técnico que obviamente não ia muito com a cara do brazuca e tinha um esquema de jogo que não aproveitava em absolutamente nada as qualidades do Leandrinho. Pra fechar com chave de merda o trauma enorme da perda da mãe logo no começo da temporada. É um ano pra se esquecer mesmo.


O trauma não se resolve, claro, mas podemos dizer que um pouco de sucesso no trabalho faria o tempo passar mais rápido. Pareceu que o Leandrinho estava melhor quando o Terry Porter tomou um pé na bunda e o Alvin Gentry assumiu o time. O Leandrinho, junto com o Amar'e, pareciam dois animais que viveram livres a vida inteira e que, de repente, tinham passado meses enjaulados. Eles corriam, corriam, faziam cestas, corriam e estavam contentes.

Não sei se foi mandinga do Terry Porter mas foram exatamente esses dois que se machucaram e estão fora do Suns. O Amar'e até o fim da temporda, o Leandrinho dizem que não, mas vi lugar dizendo que sim também. Nada confirmado. Pelo jeito o Leandrinho, que está com um problema no joelho, só volta em caso de playoff. Mas quer uma dica, Barbosa? Essa temporada foi uma merda pra você e para todo o time do Suns, não dá uma de Arenas forçando o joelho, descanse e temporada que vem você volta.

Aquelas semanas com o Gentry antes da contusão foram ótimas para mostrar que o Leandrinho não esqueceu como joga basquete, fez ponto adoidado pegando a defesa desarrumada na velocidade, mete bola de 3 o tempo todo e pareceu o velho Leandrinho de sempre. Ano que vem espero ver ele assim de novo, pra esse ano deixa quieto, não vamos ter Suns nos playoffs mesmo.

E como estamos sempre falando dos jogadores da NBA com namoradas digamos, talentosas, não dá pra não comentar do Leandrinho com a Samara Felippo, a eterna Érica da Malhação. A Priscila Fantim fazia mais meu tipo mas não dava pra negar que a Samara era uma das musas daqueles bons tempos da novela juvenil. Aposto até que alguns leitores devem achar a Samara Felippo mais gata que a superestimada Eva Longoria, tô certo?

Afinal quem não se encantava com a Érica dizendo "Sai daqui, garota!", pedindo um suco na lanchonete, e quem não sofreu quando descobriu que ela tinha AIDS? O Leandrinho está com uma mulher e tanto! E vão ter uma filha agora, ela está de barriga há 7 meses e em breve teremos um Leandrinho fumando charuto em homenagem ao filhote. Pelo menos alguma coisa pra salvar a temporada do Leandrinho, o sorriso mais simpático da NBA.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Vida boa

Digam "fotolog"!


Constância, bom-humor e compromisso com o fã: coisas que você não encontrou aqui no Bola Presa nos últimos dias - mas que, em compensação, é possível encontrar no Cleveland Cavaliers a todo momento. A gente deu uma sumida vergonhosa porém necessária nos últimos dias, afinal somos humanos e de vez em quando precisamos usar o banheiro, assistir Big Brother e sair com supermodelos - como a nova namorada do Kidd, por exemplo - para distrair um pouco. Mas o Cavs não dá folga e agora já são dez vitórias seguidas, todas em grande estilo. Por mais que escrever no Bola Presa seja sensacional, que a gente dê autógrafo na rua e que modelos pulem no nosso colo a todo instante, jogar no Cavs é atualmente o melhor emprego do planeta. Não há nenhuma dúvida quanto a isso, os motivos são tantos que vou até fazer um Top, hã, sete, só porque posso.

1) Qualquer coisa vira história

O Cavs é um time que não tem exatamente uma grande tradição na NBA, apesar do sucesso considerável no começo dos anos 90 e no meio lá dos anos 70. O resultado é que há muito espaço para que história seja feita: LeBron James já é o líder da franquia em todos os tempos em arremessos feitos e tentados, lances livres feitos e tentados, pontos e roubos. Até o Ilgauskas, que é bom mas parece estar jogando debaixo d'água, é o líder da história da franquia em rebotes, rebotes ofensivos, tocos e até faltas cometidas. Basta passar um tempo na equipe e os recordes começam a aparecer, nem que seja pelo maior número de vezes que você gritou para o LeBron durante uma partida.

O elenco, como um todo, está escrevendo seu nome nos livros - e, ao contrário da década passada, não é nos livros do Ari Toledo. Cada partida é uma oportunidade para um feito histórico, seja o menor número de turnovers cometidos (foram dois!) até o maior número de vitórias de um time do Cavs em uma temporada (que já foi alcançado agora, mesmo faltando mais de 10 partidas para o início dos playoffs). Até o grosso do Varejão tem a sorte de estar num lugar assim, ele faz parte de recordes históricos e pode cravar seu nome em estatísticas individuais como "maior número de lances livres errados" ou "maior número de anões que podem ser escondidos dentro de uma cabeleira".

2) Não há dúvida sobre quem é o dono do barco

Existem times sem estrela, em que não há uma figura capaz de chamar a responsabilidade quando a água bate na bunda, como era o caso do Chicago Bulls de uns anos atrás (lembra quando eles não fediam?). Por outro lado, existem times com grandes estrelas que são questionadas por seus companheiros: "como assim o Michael Redd vai receber a última bola, vou arremessar eu mesmo", já diria o Mo Williams. Mesmo quando o cara é nitidamente o melhor do time, como Dwight Howard ou Chris Bosh, por exemplo, não quer dizer que ele possa chutar o traseiro de qualquer um e que, portanto, você sempre confiaria a bola para o sujeito quando o negócio aperta. Apenas alguns poucos casos, como Dwyane Wade, Kobe Bryant e (dã!) LeBron James, são respeitados dentro de suas equipes por serem os melhores do planeta, da galáxia, do Universo Conhecido! O time, portanto, joga para o LeBron, obedece a tudo que o LeBron mandar, mas não porque um técnico engravatado mandou na prancheta: é uma relação de admiração porque o cara é uma lenda vida. Jogar num lugar desses, além de te dar a chance de ver um dos melhores de todos os tempos em quadra todos os dias, tira dos ombros muita pressão e fornece tranquilidade nos momentos mais complicados: deixa que o LeBron arruma.

3) A estrela não engole a bola

O que nos leva ao terceiro motivo para o Cavs ser o melhor emprego do mundo: jogar com um dos maiores, poder contar com ele, mas saber que ele não vai querer colocar a bola no bolso e brincar sozinho o tempo todo. Poucos caras têm tanto tesão em compartilhar a bola como LeBron James, é praticamente patológico e às vezes até exagerado. Assim, todo mundo pode se divertir, todo mundo tem chance de participar, e até o Varejão que é sempre uma airball esperando para acontecer consegue dar seus 6 arremessos por jogo. Sem que, no entanto, ele seja obrigado a arremessar nos momentos decisivos, em que o LeBron passa a mão na cabeça de todo mundo e cuida do que for necessário.

4) Porque é mais jovem, mesmo

O Cleveland Cavaliers é um dos times com mais clima de molecada na NBA. O Grizzlies pode ser mais jovem, o Glen Davis pode ser mais infantil, mas nada parece mais um filme de Sessão da Tarde sobre acampamento de verão do que a pivetada do Cavs. Desde os tempos de Damon Jones (que dizia ser o melhor arremessador do mundo mas ninguém acreditou), o que não falta na equipe são apertos de mão esquisitos, que aliás o LeBron levou - com grande sucesso - para a seleção americana nas Olimpíadas. Agora, outra piada interna do Damon Jones tomou grandes proporções: a simulação das fotos de família. O que era antes um simples cumprimento virou encenação em todos os jogos, reunindo todo o elenco. O próprio Ben Wallace, que é meio carrancudo, disse que, nesse grupo de jogadores, todo mundo ri das coisas juntos, eles se entendem perfeitamente dentro e fora da quadra. Por mais que as lendárias noites de pôquer com o Duncan e o pessoal do Spurs pareçam tentadoras, desconfio que iria me divertir muito mais com as palhaçadas em Cleveland:



5) Levanta defunto

O bom humor do Cavs faz milagres e salva jogadores, tanto na vida pessoal quanto na carreira no basquete. Alguém se lembra dos problemas do armador Delonte West com sua depressão no começo da temporada? Algumas idas ao analista deram uma mão, é verdade, mas fica difícil imaginá-lo recuperando o tesão por jogar numa equipe chata, sem graça, em que tudo é milimetricamente planejado ou que, simplesmente, fedesse e estivesse perdendo pra burro. Se estivesse no Wizards ou no Kings, o Delonte West nesse segundo estaria balançando com o pescoço pendurado numa forca. No Cavs ele pôde jogar em sua posição favorita, não tem muita responsabilidade, é uma peça fundamental da equipe, vence pra burro, coloca o nome na história e se diverte. Não há nem sinal de depressão nesse Delonte West que, nas rotinas pré-jogo simulando as fotografias, pula no colo de todo mundo. Talvez, isso lá é verdade, haja um pouco de carência afetiva.

6) Tática Fresh Prince

Com tantas peças importantes na equipe, não há problema nenhum em feder um pouquinho, principalmente se for na parte ofensiva. Afinal, o ataque se baseia na criatividade, nos jogadores se entendendo entre eles, na movimentação de bola, e na famosa tática Fresh Prince: bola pro LeBron e sai da frente. No fundo, tudo isso são apenas modos diferentes de dizer que o Cavs não tem jogadas planejadas. O Mike Brown mantém seu posto de técnico mais picareta da NBA, mas sua experiência defensiva certamente deu ao Cavs a defesa espetacular que eles têm hoje. Na parte ofensiva, ele arrumou um assistente técnico melhorzinho mas não faz idéia do que está fazendo, o que significa menos jogadas para decorar, menos coisas para treinar, e mais tempo para sair com a namorada do Kidd. Ou seja, é o emprego perfeito.

7) Em grande fase

Até relacionamento ruim fica bom quando um dos dois ganha na loteria. Mesmo se o elenco do Cavs fosse uma merda, o time parece que está em transe: entraram numa fase tão boa, mas tão boa, que nem o Mo Williams consegue desperdiçar a bola. Tudo parece que dá certo, o clima no vestiário mantém todo mundo jogando em alto nível, e o LeBron James está vivendo o que é provavelmente a melhor fase da sua carreira. Os números são absurdos: nos últimos 10 jogos (10 vitórias), as médias de LeBron são de 29.2 pontos, 9.2 rebotes, 9.1 assistências, 2.2 roubos e 1.6 tocos. Foram 4 triple-doubles nas últimas 10 partidas, 3 deles em jogos seguidos, sem contar os 4 jogos em que LeBron ficou a apenas duas assistências ou dois rebotes de um triple. Como diria a Dercy com toda elegância, "puta merda, caralho!". Atuações assim, dele e de todo o elenco, tornam o trabalho cada vez mais e mais fácil. Jogar no Cavs é quase como ser funcionário público, mamar nas tetas do estado e não ter que se esforçar muito. Quase tão bom quanto ser blogueiro e não ganhar um centavo.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Por que ignoramos o March Madness

Torcedor apaixonado é torcedor doido
(montando em cima de velhos mal-humorados)


Estamos no meio do grande momento do basquete universitário norte-americano. A parte final da temporada, o Tournament, já começou com seus 64 times e depois dos jogos de ontem chegamos aos 16 melhores, o chamado "Sweet Sixteen", depois disso tem o "Elite 8" e então o famoso "Final Four" em que tudo é decidido.

Isso signfica que nos EUA ninguém está dando a mínima para o basquete profissional. Ontem o Houston ultrapassou o Spurs, assumiu a segunda posição no Oeste e todos estão pouco se lixando, o que querem saber é quem passou e quem caiu fora na NCAA. A atenção da imprensa para o torneio é infinitamente maior para os pivetes, deixando a gente, que depende das informações vindas de lá, caçando coisas escassas no meio de uma cobertura intensa do mata-mata juvenil. O momento lá é tão importante que até o Obama divulgou na televisão quais são suas apostas para o torneio.

É nessa época do ano que aparecem muitos fãs de basquete que vão além do Obaba e dizem com todas as palavras que preferem acompanhar a NCAA à NBA.

Eu daqui sempre acompanhei a NCAA meio de longe. Fico informado de quem são os grandes nomes que podem vir pra NBA, fico sabendo de algum grande jogo, sei mais ou menos como as universidades estão ranqueadas e pego uns joguinhos do mata-mata decisivo. Não acompanho mais de perto porque nunca me interessei a esse ponto. Os jogos são bem jogados, o nível é bom, mas se eu não acompanho nem a Euroliga de tão perto, por que razão acompanharia a NCAA? E por que alguém que até pode ir a jogos da NBA prefere ficar vendo um bando de universitário jogar?

Fiquei matutando sobre o assunto um tempo e a resposta é até bem fácil da gente entender e interessante de analisar: o basquete universitário é para os americanos como o futebol nacional é para nós. Enquanto a NBA é para eles como o futebol europeu é hoje para nós.

Pense, você tem o seu time do coração. Todo mundo tem um time do coração em todo canto do país. Volta e meia aparecem uns caras mandando e-mail na ESPN Brasil xingando os caras porque ninguém fala de alguma emocionante semi-final do campeonato de Roraima onde uma torcida fanática faz festa.

Esse time do coração tem uma relação muito próxima com a dos brasileiros, faz parte da nossa identidade. Quando conhecemos alguém novo perguntamos seu nome, profissão (ou faculdade) e logo depois queremos saber para que time torce. Quando não temos características que batem com a identidade do nosso time, nos incomodamos e tentamos incorporá-las a nós, afinal o time é quem nós somos.

Ninguém é Grêmio por ser Grêmio, o cara é de uma família gremista, de pai, avô e tio que cultivaram o Grêmio no guri desde sempre, faz parte da identidade familiar. Decidimos um time em um momento chave da definição da nossa personalidade, a infância, e usamos características da nossa equipe para incorporarmos a nós, para nos moldar de acordo com o que gostamos. Se é o meu time, não pode ser algo errado, não pode ser condenável. No Brasil o time que você torce ajuda a definir a sua personalidade e o seu jeito de encarar as relações sociais.

Tudo isso faz com que o amor pelo time seja algo imenso e indiscutível. Nenhum apaixonado pela sua equipe deixa de ver os seus jogos porque a qualidade técnica está ruim ou porque não tem ídolos. Pode ir menos ao estádio ou não comprar a camiseta nova, isso é outra coisa, mas o torcedor não deixa de torcer ou de se importar diante de uma má fase.

Dos anos 90 pra cá o futebol brasileiro começou a ter ídolos de aluguel. No começo os jogadores passavam uns anos por aqui e iam para o exterior, hoje passam meses, um ano no máximo. Então vimos nos últimos tempos 1 ano de Tévez, uns 6 meses de Alexandre Pato, 2 anos de Robinho e depois todos debandam para o exterior, onde continuamos acompanhando a carreira deles, mas torcendo mais por eles do que pelas suas equipes.

Com o basquete americano acontece quase a mesma coisa. Os grandes ídolos universitários passam um ano em algum lugar, alguns passam dois e quase nenhuma super estrela fica os quatro anos que poderia passar na universidade. Muitos recordes universitários são de jogadores que passaram 4 anos na equipe porque não tinham chance de conseguir vaga na NBA. Kevin Durant é para os torcedores de Texas, por exemplo, o que o Pato é para os torcedores do Inter. Tem orgulho de ter sido formado lá, rendeu atenção, mídia, mas foi um amor de verão.

Porém, assim como o futebol brazuca, o basquete universitário sobrevive à saída dos ídolos porque existe o amor e a relação de identidade com a universidade. O curioso é como essa identidade nasce, que é diferente do futebol brasileiro.

Vou falar generalizando agora porque o objetivo não é um texto complexo sobre as relações dos americanos com as universidades, claro.

Nos EUA, primeiro existe um número muito grande de universitários, lá ter um diploma não é tão raro quanto aqui. O sistema educacional deles não é perfeito, tem muita gente que não consegue bancar os estudos, mas o número de universitários e graduados é gigantesco. Esse número existe também porque existem muitas universidades, espalhadas em todos os lugares do país.

E enquanto aqui no Brasil temos muito a cultura de estudar perto de casa, na cidade em que moramos, lá é bem comum fazer faculdade fora de casa. Sair para a faculdade é um passo no caminho da independência do jovem. Mesmo alguns que moram perto de alguma universidade vão para outra mais distante em busca dessa independência ou, ainda mais importante no caso do nosso texto, atrás de uma universidade que tenha o seu perfil.

Aqui no Brasil pegamos algumas faculdades (federais e estaduais em geral) que dizem que são as melhores e tentamos entrar nelas. Se é bom mesmo eu quero ser formado lá e fim de papo, não é nem discutido as características históricas de cada uma das faculdades. Lá nos EUA, diferentemente, as universidades tem perfis.

Todos os sites americanos que dão dicas sobre como escolher uma universidade nos EUA dizem a mesma coisa: você tem que se identificar com a escola. Seja pelo clima do lugar, pelo fato dela ser conservadora, alternativa, seja por ela aceitar melhor diferentes grupos étnicos ou até pelo tipo de gente que já frequenta o lugar. Eles, em geral, claro, vêem a faculdade como um relacionamento, você não precisa achar a garota mais bonita de todas ou a mais inteligente, você precisa achar uma que seja da maneira certa pra você, para que os 4 anos não sejam uma tortura.

Todo esse processo de jovem se tornando adulto acontece dentro da universidade, sofrendo influência dela, e, obviamente, cria um vínculo de uma vida inteira com a escola. Os próprios americanos brincam com isso em filmes e seriados onde um pai fanático por sua escola não quer que o filho estude em uma escola rival ou algo assim. Durante o March Madness dessa temporada está passando um comercial muito engraçado em que um pai de uma menina não aceita o namorado da guria porque ele estuda na UConn, faculdade que ele odeia por um motivo que o próprio vídeo mostra, um jogo que aconteceu a 11 anos atrás:



Então, assim como temos uma identificação emocional gigantesca com nossos clubes de futebol por eles terem sido "escolhidos" durante a nossa infância, quando começamos a ter alguma identidade, nos EUA funciona de maneira parecida com as universidades. Mas ao invés da fase ser a infância, é outro momento da vida onde se definem personalidades: a passagem da adolescência para a vida adulta.

E é na faculdade que os americanos torcem pelo seu time, criam rivais, decidem para quem é legal torcer e para quem é impensável perder. Isso cria um laço tão forte que não importa se é o JJ Redick, o Carlos Boozer, o Elton Brand ou o Greg Paulus que estão em quadra, se você estudou em Duke é inaceitável perder para North Carolina. Pura paixão.

Porém, como fãs de basquete, ninguém consegue ignorar uma liga que tem jogadores do nível de Kobe Bryant, LeBron James, Tim Duncan e mais uma renca de caras bons. Mas muitos deles assistem como nós assistimos o futebol europeu, escolhendo o jogo que vão ver em razão da estrela que vai jogar e torcendo para quem tem o jogador de que mais gosta. Às vezes essa torcida até cresce a ponto de você torcer para o time mesmo quando o ídolo vai embora, eu, por exemplo, torço para o Barcelona porque gostava do Hrsto Stoichkov e o gosto pelo time sobreviveu até hoje, mas sobrevive de um jeito estranho, sem ódio pelo Real Madrid e nem me revolto quando o time perde.

Outra razão que leva a essa maior paixão dos americanos pelo basquete universitário sobre a NBA é que é difícil o cara morar em um lugar que tenha um time da NBA. Afinal, são apenas 29 cidades premiadas com uma franquia da liga, algumas em cidades nem tão grandes como Sacramento e Orlando. Ou seja, muito do público da NBA assiste só pela TV sem ter nenhuma relação com a história do time, com a cidade ou com a vivência do ginásio. Sem contar o lado business da coisa, em que um time que poderia ter milhões de apaixonados muda de cidade porque não dá lucro. Foi assim com o Sonics e é bem possível que seja, em breve, com o Pacers.

Um artigo do Ian Thosen na SportsIllustrated indica 5 mitos que correm os EUA sobre coisas em que o basquete universitário é melhor do que a NBA: defesa, jogadores com fundamentos, jogadores que se importam com o jogo, menos importância para o dinheiro e o papel mais importante do técnico. O autor arrasa com esses cinco mitos, mas isso não faz com que eles deixem de correr o país inteiro convencendo mais e mais pessoas. Isso me lembra dos mitos que muitos jornalistas esportivos saudosistas gostam de espalhar dizendo que o futebol europeu não é interessante, que é muito quadradinho e que essa meninada valoriza muito os pernas de pau que jogam lá tipo esse tal de Gerrard ou aquele grosso do Ibrahimovic que nenhum desses jornalistas viu jogar.

Por esses mitos, por essa relação de amor e identificação pessoal com as universidades, é que o basquete universitário sempre vai ocupar um lugar muito especial no jeito de torcer do público americano. E pelo mesmo motivo, nós, vendo de longe, continuamos a acompanhar de perto apenas a NBA e a NCAA só com o canto do olho.

Não tenho relação com nenhuma universidade e minha única relação com o basquete é pelo talento, vejo a liga com os melhores jogadores e pronto. Entre um jogo apaixonado entre Duke e North Carolina ou um bom jogo valendo a oitava vaga no Leste entre o Bucks e o Bulls eu fico entre o duelo dos veadinhos e dos touros. Coisa que, ainda bem, nenhum americano faz. O dia em que um brazuca deixar de ver um Fla-Flu pra ver a disputa de vaga na Champions League entre Bolton e Arsenal é sinal de que o mundo está acabando.


Jogo das Estrelas NBB

Esse assunto remete ao basquete brasileiro. Assim como não temos identificação com times da NCAA, não temos com times da NBB. Eu sou de São Paulo e como não tenho 30 mil reais sobrando no caixa, não tenho histórico pessoal nenhum com os clubes Paulistano ou Pinheiros, logo não tenho relação com nenhum time da capital paulista. Mas com a NBB fui em alguns jogos dos times pra ver como estava a liga e gostei, fui e vou mais vezes.

O jogo das estrelas é um artifício para criar esse vínculo dos torcedores com alguns times ou jogadores. Faz você conhecer e admirar mais quem participa do campeonato. Alguns times da NCAA e do futebol brasileiro têm mais de 100 anos enquanto uns times da NBB são caçulas e podem morrer a qualquer momento, é difícil, claro. Mas é só com a relação pessoal e carinhosa dos torcedores com os times que o basquete nacional pode superar o abismo técnico que o separa de campeonatos do resto do mundo.

E nesse aspecto o jogo foi um sucesso. Não teve tanto público assim, o campeonato de três pontos e de enterradas não teve os melhores participantes mas o jogo foi bem divertido. Marcelinho, Duda, Marquinhos, Larry e Dedé deram seu show e valeu como oportunidade de ver alguns jogadores mostrando algum talento de verdade sem estarem presos a esquemas táticos jurássicos e companheiros de time sofríveis como vemos alguns no dia-a-dia da liga.

sábado, 21 de março de 2009

Quem fede mais?

O Michael Redd se contunde mas nem a torcida percebe


Ao contrário da Conferência Oeste, que já tem os oito times que vão para os playoffs praticamente definidos (apenas um milagre coloca o Suns na busca pela oitava vaga), a Conferência Leste parece uma piriguete: todo mundo pode tirar uma casquinha se quiser. A luta parece ser para ver quem fede menos, mas às vezes tenho a impressão de que é justamente o contrário: para que serve conseguir a oitava vaga, enfrentar o Cavs e ser humilhado ao invés de conseguir uma escolha melhor no draft? É por isso que de vez em quando tenho quase certeza de que a briga é pra ver quem fede mais, e que se classificar para os playoffs é a punição máxima para o último colocado nesse concurso de horror.

Na disputa ao contrário, Bulls, Bobcats, Bucks, Knicks, Nets e Pacers lutam para não se classificar para a pós-temporada. Pacers e Knicks parecem largar na frente, mais inconstantes e um pouco atrás na tabela, perigando conseguir a oitava vaga apenas em caso de desastre. O Nets corria o perigo de escalar a tabela, mas então o Devin Harris sofreu uma lesão e está fora pelo resto da temporada, o bastante para os teóricos da conspiração acharem que ele sentou de propósito para que não acabem ganhando uns jogos sem querer. O Vince Carter, de quem infelizmente ninguém jamais se lembra nesses tempos pós-Clodovil, está garantindo uma vitória aqui e outra ali, mas acho que não será o suficiente para manter o ritmo necessário para a equipe. Perdendo essa competição do Mundo Bizarro, então, temos três times bastante curiosos: o Bobcats, favorito do Denis para agarrar a oitava vaga já há muito tempo; o Bulls, atualmente um jogo à frente e potencial classificado; e o Bucks, o time que não consegue perder nem sem suas principais estrelas.

Além do nome dos três times começar com a letra "B", o que não pode ser simples acaso (compre já o livro "Nada é fruto do acaso" e ganhe grátis "A vida fora da matéria", ligue já!), há outras coisas que eles têm em comum. As três equipes, por exemplo, contrataram técnicos novos para essa temporada após terem fedido na anterior.

No Bobcats, como o próprio Gerald Wallace reclamou, quando o time finalmente estava entendendo o esquema do técnico Larry Brown e adquirindo uma química defensiva, alguém era trocado e o time se transformava por completo. O Larry Brown reconstruiu o time quase por completo de modo que a equipe refletisse suas crenças táticas, uma liberdade que só tem aquele técnico com certeza de que seu trabalho será de longa duração e que o apoio dos dirigentes será total - algo que não aconteceu na sua curta estadia no Knicks, aliás. Além dessa constante alteração do elenco, o próprio Gerald Wallace virou farofa nas mãos do Bynum (que agora provavelmente acredita em "karma") e voltou só agora, aliás jogando bem pra burro. A temporada não foi fácil, completamente atípica, e arrisco dizer que não apenas eles merecem mais ir para os playoffs como também parecem ser os mais interessados. Não tenho dúvidas de que o Larry Brown receberia isso como uma prova de que seu trabalho foi recompensado e aproveitaria a oportunidade para dar experiência para a pivetada, que há tantos anos sempre acha que "agora vai" e nunca consegue nem ganhar campeonato de peteca.

O Bulls, além de um técnico novo como o Bobcats, também fez um punhado de trocas para reformular o elenco. No entanto, parecem não ter muita certeza do que estão fazendo, qual será o núcleo do time, o que pretendem em quadra. A única certeza é que o Derrick Rose é de verdade, joga pra burro, vai liderar esse time pelo próximo século e algum blogueiro por aí está engolindo um pé por ter dito que o Bulls deveria ter draftado o Beasley. Confesso, nunca achei que o Rose fosse ser tão bom assim tão rapidamente, e o Beasley supria uma posição muito mais deficiente na equipe de Chicago. Mas o Universo estava certo e eu errado, com o Derrick Rose comandando a brincadeira não tem como esse circo dar errado muito tempo, basta apenas que decidam como será o time que ele irá controlar. A primeira decisão deverá ser manter ou não o danado do Ben Gordon. Pessoalmente, isso me tira o sono às vezes. Não faço idéia de quem ele é, num jogo pode fazer 43 pontos em 8 bolas de três (contra o Heat), mas no seguinte pode fazer 4 pontos acertando apenas um dos 10 arremessos que tentou (contra o Magic). Muitos torcedores do Bulls dizem que o Gordon atrapalha o ritmo ofensivo da equipe, mas eu concordo com o Denis e sua opinião de que "um cozinheiro cozinha, um arremessador arremessa". O Ben Gordon tem mais é que arremessar como um louco, fazer 40 pontos às vezes, 4 pontos em outras, mas não dá para confiar num cara assim para carregar seu time para sempre. Arrisco dizer que, ainda que muito menos talentoso e sem o poder mutante de pontuar como um louco no quarto período, o John Salmons é muito mais eficiente e constante do que o Ben Gordon. Sei que é meio bizarro, mas acho que o Bulls ganhou muito ao recebê-lo na troca com o Kings e deveriam mantê-lo por lá enquanto o Gordon vai tentar ganhar bilhões em outro time e acabar lavando pratos. O John Salmons, inclusive, jamais reclamou de desempenhar o papel de sexto homem em Sacramento, embora tenha resmungado - e com razão - que, nas oportunidades que recebeu como titular, tinha jogado muito melhor mas era como se ninguém estivesse olhando. Acho que um time vencedor precisa muito mais de um Salmons do que de um Ben Gordon, e muito mais de um Leon Powe, por exemplo, do que de um Charlie Villanueva. Consistência é algo subestimado, mas essencial na NBA.

O que me leva imediatamente ao Bucks, que por tanto tempo ficou meio sem querer com a oitava vaga no Leste e agora está em nono lugar. Sem dúvida a equipe tem grandes jogadores, como o próprio Villanueva e o Michael Redd. Só que, para mim, os dois são excelentes exemplos de jogadores sensacionais que não te levam a lugar nenhum. Me dói muito dizer isso, aliás, porque sou um enorme fã dos dois: acho o Redd um jogador genial, muito mais completo do que as pessoas costumam imaginar, e o Villanueva por vezes é um monstro no ataques e nos rebotes, além de ser muito jovem. Mas colocá-los como foco de um ataque é suicídio. O Michael Redd, em especial, precisa que o time jogue exclusivamente para ele ou suas maiores qualidades não serão exploradas. Na temporada passada, todo o ataque do Bucks se baseava em um corta-luz atrás do outro, em geral dos pivôs na cabeça do garrafão, para que o Redd pudesse usar seu arremesso de fora. O resultado era um time lento e terrível nos rebotes, porque o garrafão estava sempre vazio. Com o técnico Scott Skiles, que veio do Bulls para pentelhar os veadinhos roxos, o ataque ficou mais distribuído e veloz e o Redd passou a ser apenas mais um jogador em quadra, um daqueles especialistas que em geral vêm do banco - só que ele é espetacular. É aquele jogador que parece ser fadado a ver seu talento mal utilizado por não se encaixar em lugar nenhum (Iverson, alguém?). Quem daria um contrato máximo para um arremessador cuja maior especialidade é ficar bem longe da cesta e que, eventualmente, terá seus dias ruins e não poderá compensar isso com outros fundamentos? Se o Ben Gordon está errando tudo, dá pra sentar sua bunda no banco, mas não tem como sentar o Redd se ele deveria ser justamente a estrela e a alma do time. O resultado é o dinheiro mais mal gasto desde a plástica de nariz do Michael Jackson e uma grande lição para os times interessados em assinar cheques a torto e a direito.

Esse Bucks do Skiles me lembra obviamente um pouco o Pistons do Iverson. A equipe de Detroit joga melhor sem o Iverson, mantendo o estilo de jogo coletivo que deu tão certo nos últimos anos. Já o Bucks sequer percebe se o Redd está ou não na quadra. Um arremessador pode mudar completamente um jogo, é verdade, mas se ele é a principal arma de ataque, pode apostar que sua equipe está encrencada. Num jogo mais focado na defesa, na velocidade e na coletividade, o Redd tem mais cara de sexto homem do que tem de All-Star. Acho que o Bucks nem notou que o Redd se contundiu, o elenco continuou fazendo a mesma coisa e também não deu a mínima para o Andrew Bogut estar contundido também, afinal ele passou quase toda a temporada com uma lesão ou outra e fedeu nos intervalos entre suas contusões (e ferrou meu time de fantasy). É com uns caras nada a ver que o Bucks segurou as pontas, como o reserva Luc Mbah a Moute defendendo bem pra burro e pegando rebotes mesmo quando joga no garrafão, fora da sua posição natural. O ex-novato sensação Ramon Sessions joga cada vez melhor e é mais um jogador vindo do nada, escolhido na segunda rodada do draft, que mostra ser o futuro da equipe, exatamente como aconteceu com o Redd. O Sessions controla bem o ritmo do jogo, arremessa cada vez com mais consistência e defende bem melhor do que o Luke Ridnour (eu também defendo melhor do que ele, afinal sei ficar em posição ereta em cima das minhas duas pernas). Só espero, por favor, que o Bucks não assine um contrato máximo com o Sessions também, ou seja, que eles não tenham um estranho fetiche por enriquecer jogadores da casa que de repente deslancham.

Com tantas contusões, o Charlie Villanueva acabou ganhando espaço na equipe e a fama de ter o estranho poder mutante de chutar traseiros quando joga em Milwaukee, o que provavelmente faz dele o único mamífero do mundo que gosta de estar lá. Fora de casa, no entanto, ele tem uma tendência a feder. Mas seja em casa ou fora, ele nunca defende, só que seus arremessos de três pontos, sua capacidade de atacar a cesta, mecânica sólida de lance livre e tempo nos rebotes ofensivos são fantásticos. O problema é que ele segura a bola demais, monopoliza o ataque e tem um complexo de Rasheed Wallace, ou seja, uma certa alergia de garrafão. Joga muito, mas parece desencaixado nesse time tão carente de alguém perto da cesta e de um elenco todo capaz de abraçar o jogo coletivo. É um daqueles casos estranhos em que o time seria melhor com jogadores piores: o pau-pra-toda-obra Leon Powe seria mais útil no garrafão, e o John Salmons poderia substituir o Redd sem que houvesse muita comomoção.

Muito provavelmente o Bucks vai ganhar a disputa inversa e não ir para os playoffs. Richard Jefferson é mais um que precisa mandar uma porcentagem do salário para o Jason Kidd, sendo óbvio que ele não pode carregar um time sozinho (apesar do salário para carregar uns três times e ainda lavar a roupa de todo o elenco). O Luke Ridnour é um tapa-buraco eterno, tem reserva escrito na testa e parece ser o real sucessor do Tyronn Lue no papel de reserva que acaba virando titular em todo lugar que vai porque os outros fedem mais do que ele. Ou seja, um time desses não tem como ir muito longe e parece só segurar as pontas por obra mágica do Scott Skiles, que eu tanto critico por ser um pentelho mas que é um dos melhores do planeta em montar um elenco do nada, sem estrelas, e fazê-lo chegar a algum lugar. O melhor para a equipe seria uma reconstrução, nos moldes do Bobcats, trocando o Michael Redd e arriscando a idéia de um time sem estrela alguma, que afinal de contas deu certo no Bulls do Skiles algumas temporadas atrás (e que levou o Sixers a fazer barulho nos playoffs passados). Mas quem seria louco de aceitar o contrato do Redd, o especialista mais bem pago da história da humanidade?

Deixo minha sugestão de fã, porque estou repetindo isso há anos: o Michael Redd é o parceiro ideal para o Yao Ming, eles são almas gêmeas, pão e manteiga, Claudinho e Bochecha. Nada de T-Mac, senhoras e senhores! Com Artest e Redd o meu Houston Rockets só não seria campeão se pegasse o Spurs em ano ímpar. Mandem para Milwaukee o Shane Battier, que defende como ninguém e seria tipo o filho favorito do Scott Skiles. O pobre do Redd precisa se encaixar em algum lugar, e eu tenho a solução: ajudem meu time a ser campeão!

quinta-feira, 19 de março de 2009

Lucha Libre

O Artest sabe como mexer com a torcida


Já faz um tempinho desde que o Ron Artest ficou provocando o Kobe no último período da vitória do Lakers em cima do meu pobre Houston Rockets - que, aliás, acaba de perder Carl Landry graças a um tiro na perna (já se foi o tempo em que dava para brincar de pião na rua, se bem que ninguém está exatamente atrás de piões quando está na rua às 4 da manhã, claro).

O vídeo do bate-boca entre Kobe e Artest pode ser visto no post do Denis sobre a partida e a discussão entre os dois gerou muita atenção por aí, afinal esse tipo de coisa fica cada vez mais e mais rara na NBA. Um jogo sem muita importância acabou ganhando um outro clima, e no fundo um outro desfecho, porque o Kobe acabou chutando o traseiro do Houston depois das provocações. É o tipo de coisa que transforma completamente o esporte que conhecemos, nos faz penser por alguns segundos que aquilo é um combate, uma batalha, e que os adversários se odeiam e reagem uns aos outros espontâneamente.

Na linha de lances livres, o Artest grita "Você não está pronto pra mim", ao que Kobe responde, com cara de surpresa e deboche: "Quê? Não estou pronto pra você? Agora você é um comediante, é?" O Artest faz então a ameaça, prometendo dar o troco no próximo jogo entre as duas equipes, lá em Houston: "Espere por mim." Há confronto, um par de empurrões, nenhum dos dois calou a boca um segundo e os olhares foram ameaçadores. Mas uma provocação do Artest, feita em quadra com ar jocoso, estava no fundo dedando a verdade - batendo no peito e apontando para o Kobe, ele repetia: "Eu te amo, eu te amo."

Ali no palco estava a luta, o duelo, mas nos bastidores não poderia haver outra coisa além de amor - não quero dizer que o Artest quer levar o Kobe para cama, até porque o senhor Bryant parece mais interessado em baranguinhas de 19 anos - mas um amor de respeito, de admiração. Bem-vindos ao mundo da luta livre, do telecatch, dos Gigantes do Ringue, do filme O Lutador: inimigos na arte do espetáculo, admiradores fora da brincadeira. E a prova surgiu para mim justamente procurando o bate-boca da partida entre Lakers e Houston: encontrei o Artest entrevistando o Kobe, pouco depois do prêmio de MVP ter sido entregue na temporada passada.



Por diversas vezes durante a entrevista, Artest diz que o Kobe é seu jogador favorito, e relembra a vez que jogaram, um contra o outro, ainda adolescentes:

"Falaram pra mim que eu podia marcá-lo. Me colocaram em você, e você acabou comigo. Foi bem legal, sempre vou ser um grande fã."

O Artest ganhou fama sendo briguento, polêmico e encrenqueiro, mas bastam alguns segundos de entrevista para que ele deixe aparecer toda sua humildade. Ele está feliz e emocionado de entrevistar o Kobe, e por vezes parece até que está constrangido e envergonhado como uma garotinha perto de um Backstreet Boy (principalmente aquele loiro que a mãe não deixava tirar a camiseta nos clipes). A admiração óbvia pelo Kobe é explicada pelo próprio Artest:

"Você é um dos caras que nunca desistem. Você e o LeBron deveriam ser os caras que eu não gostaria de enfrentar, mas eu não gosto dos caras que não competem! Você tem o estilo de assassino, se o cara não compete você marca 100 pontos nele!"

Um dos jogos em que o Artest mais se divertiu foi quando ele estava enfrentando o Matt Harpring, ou seja, ele só está interessado em caras que não desistem mesmo (os leitores do Bola Presa que torcem para o Jazz indicam no post abaixo justamente que tipo de jogador o Harpring é, embora não gostem muito do CJ Miles, provavelmente porque ele é negro). Ele prefere ser humilhado num jogo espetacular e ficar provocando o adversário do que participar de um jogo porcaria sem qualquer emoção, sem ninguém que ele possa respeitar. O tipo de coisa que anima o Artest chega a ser engraçado, como ele diz pro Kobe, com um sorriso na cara: "Uma vez você falou que esperava ancioso pra jogar contra mim e eu pensei, diabos, ele vai marcar 50 em cima de mim!"

Eu me divirto quanto o basquete deixa entrever as vidas que correm por baixo dele, quando percebemos que o espetáculo acontece por cima de um outro espetáculo: o da vida. Eles são seres humanos, afinal de contas, e é natural que dois jogadores que levam a sério suas paixões discutam animadamente em quadra, principalmente quando ninguém sai com o olho roxo. Por causa do Kobe, pela sua admiração, Artest quer ser um jogador melhor:

"O Wade perguntou por que eu estava lhe marcando tão duro, e eu respondi: estou me preparando para o Kobe Bryant!"

Os olhinhos do Artest brilham o tempo todo, principalmente quando ele parabeniza o Kobe por ter sido escolhido para o Time de Defesa da NBA, que ele afirma ser um prêmio "mais importante do que o de MVP" que o jogador do Lakers recebeu. A humanidade do Artest fica explícita não apenas na conversa sobre a arte que eles compartilham, com as dicas de como envolver o resto do elenco e o foco na defesa ao invés de no ataque, mas também na comparação de suas vidas pessoais. Kobe tem uma filha de 6 anos, Artest uma de 11 anos, e eles trocam experiências sobre serem abordados por fãs quando estão passando um tempo escasso com suas crianças. Eles são de carne e osso, vejam só, e por isso mesmo eu jamais me atreveria a lhes pedir um autógrafo. Como disse a filha do Kobe, "é só um pedaço de papel" e eles têm mais o que fazer da vida. Seja na vida pessoal, seja na quadra de basquete, o que eles fazem é para eles mesmos, é uma piada interna, uma arte compartilhada entre artistas, uma expressão pura e simples, mas há um pouco que é direcionado para nós, fãs. Há um pouco de espetáculo que nos leva aos ringues de luta livre, amando e odiando quem somos levados a amar e odiar, e que estão ali para nos entreter.

Pra mim, a NBA é um pouco confusa com relação a isso. Tenta inibir a expressão pessoal dos jogadores, qualquer ato humano, espontâneo, qualquer ato de fúria ou desconcerto, na desculpa de que a NBA tem que ser espetáculo e "dar bom exemplo". Mas ao mesmo tempo o espetáculo está morrendo junto com a expressão de seus atletas, não há mais gente batendo no peito e chamando a torcida, não há ninguém interpretando vilões para que possam existir heróis. Agora, tudo é por baixo dos panos, quase inexistente, velado, sem graça. Legal, existem punições e multas terríveis para faltas, xingamentos, gente que levanta do banco de reservas e usa roupas não definidas, mas isso deveria melhorar o espetáculo? Quando foi a última vez que dois jogadores realmente competiram de forma espetacular (ainda que cômica) um contra o outro, chamando a torcida e despertando paixões? Confesso que estou com saudade do Gilbert Arenas falando demais, incitando os torcedores e seus adversários. Mas a NBA faz de tudo para evitar as transgressões e o espetáculo morre junto.

Dia desses, Stephen Jackson e seu técnico-cientista-maluco Don Nelson foram expulsos com três faltas técnicas em questão de segundos. O caso do Don Nelson, gravado com direito a close pelas câmeras de televisão, beira o ridíclo: ele olhou para o juiz, encarou, falou alguma coisa e foi mandado para o chuveiro. Não se deve falar com juízes, não se deve sair da linha, muito embora algumas estrelas possam papear com os juízes quanto quiserem. As regras são burras, idiotas e subjetivas. No basquete universitário, recentemente, um jogo começou com a cobrança de uma falta técnica, na linha do lance livre. Tudo porque um dos jogadores deu uma enterrada durante o aquecimento, o que é proibido pelas regras. Deviam proibir os dois times de fazer cestas também, quem sabe o jogo não fica bem legal? O vídeo das expulsões no Warriors vocês podem conferir aqui.

Aguardo feliz o próximo confronto entre Kobe e Artest, não apenas porque é o nosso semi-consagrado "Bola Presa Bowl" em que o meu time enfrenta o time do Denis, mas porque é uma das poucas relações de respeito na NBA que se transformam em paixão e espetáculo para nós, torcedores. O esporte é apaixonante mas cada vez temos menos jogadores para admirar porque, quando ninguém pode abrir a boca, todos acabam sendo iguais. E se todos são iguais, qual é a graça da brincadeira?

O próprio Artest diz gostar de poucos jogadores, como fala pro Kobe: "Eu tenho 28 anos, você tem 29, e você é um dos meus heróis! O LeBron tem 23, ele é o meu favorito depois de você, e depois tem o Tim Duncan e acaba por aí."

Ou seja, o Artest respeita três jogadores na NBA e só. Mas o mais engraçado é o Tim Duncan estar nessa lista, parece que não tem ninguém que jogue basquete e não admire o maldito. Não abre a boca, não mexe os músculos faciais, mas temos que admitir que ele é um pintor que domina o pincel como nenhum artista de sua geração, mesmo que só pinte em preto e branco. Mas acho que vou ficar com o Artest: atualmente, ele deixa a NBA colorida. O vídeo abaixo, por exemplo, não mente:



Ron Artest canta "Paul, eu sinto muitíssimo por ter humilhado você na televisão baixando sua bermuda, não farei isso de novo!" e depois explica que Paul Pierce estava acabando com ele desde o começo do jogo e que abaixar suas calças não serviu pra nada, já que tomou uma bola de três pontos na cara mesmo assim. Da próxima vez, acrescenta, "vou ter que tirar tudo dele, bermuda, meias, tênis, tudo!" Longe de ser um desrespeito, Artest oferece um espetáculo de certa forma lisongeiro para Pierce e a regra poderia tê-lo punido com prisão perpétua. Parece que eu reclamo das regras da NBA uma vez por semana, mas é que por diversas vezes elas são uma barreira que nos separam da diversão que o basquete deveria nos proporcionar. Quem gosta do esporte precisa saber quando jogá-las fora e agradecer, todas as manhãs, pelo Ron Artest. E pelo Tim Duncan também, vai, eu também sei dar meu braço a torcer.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Comentando as respostas

Falei que ia postar aqui alguns comentários bons sobre as respostas de quem cada um odeia em seu time mas eu gostei tanto das respostas que vou postar um trecho da maioria e comentar. Sem enrolações sobre best-sellers hoje, vamos aos comentários:



O primeiro a comentar foi o João Paulo, de São José dos Campos: ele gosta do Andre Miller e odeia o Willie Green.

"Quando o Iverson foi para Denver não sabia o que viria pela frente com o Iguodala jogando sozinho, mas depois de uns 15 jogos o Miller já tinha total noção da equipe e fez a equipe terminar a temporada muito melhor do que se esperava. Sua liderança e paciência em quadra levaram o 76ers aos playoffs do ano passado, é muito criticado por não saber arremessar e não ser atlético"

Eu estou completamente de acordo. Como disse no meu post sobre o Iverson, sempre que ele saiu de uma equipe, essa equipe melhorou assim que ganhou um armador que organiza o time, e o Andre Miller é esse cara no Sixers. Só acho que ele não é tão subestimado como dizem. Ele é bom mas não é cara pra ser All-Star mesmo, ele está naquele limbo entre os caras regulares e os All-Stars, ele é simplesmente muito bom. Nada mais, nada menos.

Sobre o Willie Green, com apoio do Danielzão e do Mestre (estes fãs do tarado Reggie Evans), ele diz com todo o carinho:

"Esse querido humanóide não tem os requisitos de ser titular nem no Clippers. Muito apressado em arremessar, aproveitamento muito baixo e além disso sua defesa compara-se com a da Vó do Steve Nash. Ele tenta se movimentar em quadra mas nunca consegue se desmarcar facilmente, não sabe criar os próprios arremessos e ainda mais não sabe fazer uma boa assistência. Mas a coisa que me deixa mais puto da vida com esse cara é a sua insistência em perder bandejas estúpidas."

Que ódio no coração, meu filho! Eu não tinha essa visão do Willie Green. Acho ele limitado demais para ser titular na maioria dos times da NBA, mas no Clippers ele seria assim que o titular se machucasse. Eu vejo o Willie Green como um cara para vir do banco, fazer uns pontos, esquentar o jogo e ir embora. Será que esse comprometimento dele ao time é mais culpa da sua falta de talento ou é o técnico que o coloca tempo demais em quadra? Eu aposto na segunda opção, mas fazer o que no lugar dele? Colocar o Royal Ivey?


O Régis e o Holandez comentaram sobre o Jazz e entraram de acordo com seus amados e odiados. Eles gostam do Matt Harpring, que eles chamam de Tombo-Man (perguntem pra eles, não pra mim), e odeiam o CJ Miles.

"O cara arremessa qlq bola que chega na mão dele, quando é pra fazer a bandeja ele tenta se consagrar e erra a enterrada, nunca conseguiu cavar uma falta de ataque. Enfim, ele é péssimo."

Por essa eu não esperava mesmo! Eu gosto bastante do CJ Miles. Acho que a presença dele no time tira a responsabilidade do Korver de ser o único arremessador da equipe e a velocidade dele é que permite para o Jazz ter um contra-ataque tão rápido junto com o Ronnie Brewer e o Deron Williams. Mas quem sou eu pra falar contra os torcedores do Jazz, né? Eles já me odeiam!

Sobre o Harpring ele diz:

"ele joga poucos minutos, mas sempre entra com uma puta energia na defesa, tromba com todo mundo, irrita os jogadores adversários e sempre sai de um corta luz pra um arremesso certeiro de meia-distância."

Para concordar com isso basta assistir dois minutos do Harpring em quadra. Ele tá o tempo inteiro trombando em alguém. Seja pra fazer um corta-luz, para passar de um corta-luz ou simplesmente marcando um adversário. Tudo o que ele faz parece falta mesmo quando não é! É um dos caras mais chatos de toda a NBA, sem dúvida alguma. É um daqueles caras à la Ginobili e Varejão, que os torcedores do seu time amam e o resto do planeta odeia.

O Régis ainda diz depois que gosta bastante do Brevin Knight, que segurou as pontas quando o Deron Williams estava de fora. Embora ele não tenha idéia de como se faça um arremesso, o cara é bom armando o jogo mesmo, com bons jogadores em volta dele o Knight dá conta do recado.


Agora, quem me deixou encucado foi o Gnomo. Ele veio dizer que no seu Bulls ele odeia o Ben Gordon e gosta do Luol Deng. Eu não poderia discordar mais!!! Eu responderia justamente o oposto: eu adoro o Ben Gordon e me irrito com o Luol Deng. Mas vamos ao que ele disse, primeio sobre o Ben Jordon:

"Joga bem de vez em quando mas não adianta, ele tem 'crazy shooter' escrito na testa e só se destaca porque tem um jump shot mais do que fantástico. Além de atrapalhar todo o ritmo ofensivo do time ainda é baixo pra sua posição e naum defende nada."


Eu não sou torcedor do Bulls como ele e talvez me falte olhos tão críticos, mas eu não acho o Ben Gordon um arremessador sem critério. Ele força algumas bolas mas nem tantas quanto forçava no ano passado, quando não tinha o Derrick Rose no time. E temos que considerar que ele é o melhor arremessador em um time que até o ano passado vivia basicamente de seus arremessos, não tinha infiltração ou jogo de garrafão. Ele tinha que arremessar!

Eu sou daqueles que seguem a linha de que os músicos fazem música, jogadores jogam, os lutadores lutam, os velhos velham (primeira e última referência a Guimarães Rosa em um blog de NBA que vocês vão ver na vida) e arremessadores arremessam. Se a função do cara no time é arremessar, e é o caso do Ben Gordon, ele tem que arremessar quando aparece a oportunidade. O técnico e o armador (depende da responsabilidade que cada um tem na hora de chamar jogadas) é que têm que ser espertos o bastante para saber quando envolver os arremessadores no jogo. Se dão a bola nele o tempo inteiro é óbvio que ele vai acabar arremessando bastante.

Sobre o Luol Deng o leitor Gnomo diz:

"Ele muitas vezes é chamado de soft ou de não ser agressivo o suficiente, mas o fato é que ele se importa mais com o jogo coletivo mais do que com os seus próprios arremessos. Num sistema decente, onde todo mundo compartilha a bola, ele se destaca, como na temporada 2006/2007 onde foi o nosso principal jogador."

Bom, pelo menos ele concorda comigo que o Luol Deng não atravessa boa fase. Mas aí fica a dúvida, o Luol Deng não tá jogando nada porque o sistema do Del Negro atrapalha ele, porque ele se acomodou depois de ganhar um salário monstruoso, ou são só as contusões que estão o atrapalhando?

Eu prefiro acreditar que ele não se acomodou com o contrato novo e que as contusões estão incomodando, mas acho que o sistema não atrapalha ele não. Não existe um esquema tático na NBA em que um ala com um arremesso consistente (e bonito!) de meia distância não se encaixe. O Luol Deng tem lugar em qualquer time e provou que tem lugar no Bulls em alguns poucos jogos nessa temporada, mas hoje é o jogador que mais me incomoda na equipe.

O fato é que do jeito que o John Salmons tá jogando (38 pontos ontem contra o Celtics), ou Deng ou Gordon devem estar de saída do Bulls. Como o Deng está amarrado em um contrato enorme e o Gordon é Free Agent, acho que o nosso leitor Gnomo terá seu maior desafeto em outro time na próxima temporada.


O Luiz disse que no seu Spurs ele gosta do novato Malik Hairston e não gosta do sempre elogiado Fabricio Oberto. Eu vi poucos jogos do Spurs em que o Hairston entrou, mas vi um onde ele entrou com uma baita energia em quadra, deu enterrada de rebote ofensivo e fez bastante diferença. Já o Oberto carrega toda a fama de suas atuações fenomenais na seleção argentina e até de seus primeiros anos no Spurs, não é à toa que as pessoas pensem duas vezes antes de falar mal dele, o cara tem talento. Mas é fato que não faz boa temporada.


O Manguxi fala do Hornets, o que eu achei demais! Tem realmente alguém que torce pro Hornets! Sempre achei que as pessoas só tivessem pochetes e bonés do Hornets dos anos 90. Bem, ele diz que gostava do Bonzi Wells. Eu também gostava dele, tem um talento ofensivo acima da média. Mas a fama de bad boy dos tempos de Portland Jail Blazers e o jogo às vezes muito egoísta acabaram com a carreira dele. Hoje ele está marcando uns 50 pontos por jogo lá na China.


Um que tem toda razão embora eu não queira admitir é o Henrique, torcedor do Mavs. Ele diz que não gosta do Josh Howard:

"O Dallas fica sem ele uma penca de jogos, e o aproveitamento é o mesmo. Alem dele fazer basicamente a mesma coisa q o Nowitzki, q é ficar arremessando de media distância, só que pior."

Eu acho que a contribuição do Josh Marley é maior que isso quando ele está bem. Ele é um grande reboteiro ofensivo e bom defensor, o problema é que nessa temporada ele não tem feito nada disso. Aliás, não faz desde o fim da temporada passada, época das suas declarações emaconhadas. Outro torcedor do Mavs, o Joao_Mavs, diz que gosta do Brandon Bass. Eu acho que o Bass é o Maxiell-Powe-Landry do Mavs e todo time precisa de um desse tipo. O problema são seus minutos limitados atrás do Dirk, mas o cara é bom demais. Além de ser forte pra diabo, ele deve comer carros de passeio no café da manhã.



O Lucas, que até escreve em um blog só do Nuggets, tem como um favorito um dos caras com "Secundário" tatuado com sangue bem no meio da testa, o Anthony Carter:

"é notório o aproveitamento e a eficiência de Carter quando ele e o Billups aparecem juntos na armação. Carter não precisa pensar tanto, e ambos podem se movimentar a vontade. Na defesa, ambos são ótimos defensores, e é aí que Carter se destaca. Ele rouba muita bola, atrapalha os atacantes, não deixa espaços. Talvez ele seja um dos jogadores com mais roubos por 48 minutos."

Entre os jogadores com mais de 20 minutos por jogo, o Anthony Carter é o 14° colocado em roubos de bola a cada 48 minutos de jogo, realmente nada mal e bem útil para o Nuggets.
Eu não acho ele ruim e ele tem seu talento defensivo mesmo, mas não acho que Denver perderia nada se ele desaparecesse de repente. Sério, se ele fosse abduzido por aliens eu duvido que alguém perceberia.

No lado do ódio, o Lucas escolheu o Linas Kleiza:

"Ele domina os ações ofensivas, bate pra dentro e não tem visão alguma do que possa fazer depois disso. Resultado, um caminhão de faltas ofensivas, perdas de bola, e um aproveitamento infiltração/pontos/tiros livres muito baixo."

Nisso ele tem toda razão, é essa a impressão que eu tenho do Kleiza. Assisti muito jogo dele quando o Kleiza ainda era do meu time do fantasy e tudo o que eu queria era que ele arremessasse de três pra eu vencer nessa categoria. Mas ao invés disso ele tentava bater pra dentro e só contribuía em um quesito: turnovers. Pro lado ruim, claro.

E o pior é que, como o próprio Lucas disse, o cara é um puta arremessador, era só se focar no que sabe e pronto. Culpa dele e culpa do George Karl também.

E temos mais odiados:

O W odeia o Corey Maggette:
" pior contratação de FreeAgent dessa temporada, sem dúvida. Não defende nada, fominha, some na hora que precisa."

Esse aí era fácil, hein W? O Maggette é uma farsa. No máximo ele tinha que ser a terceira ou quarta opção em um time pra render alguma coisa e tá lá ganhando uma fortuna no Warriors. Ele deveria ter aceitado a proposta barata para ser titular lá no Spurs.

O Rodrigo Zani odeia o Travis Outlaw:
"O Outlaw me irrita pela quantidade de arremessos que tenta quando entra em quadra (tudo bem que algumas vezes ele até consegue salvar o time) e pelo individualismo excessivo."

O Outlaw eu gosto e gosto principalmente pelo jeito que o Nate McMillan usa ele. Não é titular, não joga 40 minutos por jogo e quando entra é justamente para colocar o seu lindo arremesso em ação. Sem contar que ele tem um sangue frio fora de série. Cansei de ver jogo que ele e o Roy sozinhos vencem fazendo todos os pontos do time no quarto período.

E o Pamplona, para minha total surpresa, odeia o Hedo Turkoglu:
"Odeio com toda a minha raiva o maldito Hedo Turkoglu - o Marcelinho da NBA. Esse gordo fominha feladaputa chuta todas as bolas que vêm a sua mão, força infiltrações e ainda mata a armação do time, porque nunca deixa o armador conduzir - ele é o dono da bola. O pior é que o cara tem toda a confiança do Van Gundy, pois quase sempre tem o mesmo tempo de quadra que o D12. Turko é, no máximo, um ótimo reserva, já que é muito versátil e, quando tá com a mão quente, faz chover. Mas não pode ser titular nem ter responsabilidade de ser o pontuador do time."

Sério que você odeia o Turkoglu? Ele não é o auge do basquete-arte, não vai estar sempre no Top 10 de belas jogadas, mas o cara é essencial para o Magic. Depois do Nelson ele é a principal arma do Magic no quarto período, muito melhor que o amarelão do Rashard Lewis. Sem contar que é um grande passador, sempre encontra o Dwight embaixo da cesta e por alguns minutos até pode armar o jogo.

Não dá pra imaginar o Magic no nível que está sem o Turkoglu jogando bem.


Gostei da experiência de ouvir os torcedores de cada time falar. No geral ficou meio a meio: concordo com vários, acho que outros não assistem os mesmos jogos que eu, mas vale pela graça da discussão.

Agora de volta ao formato normal do blog, com a gente falando um monte de coisas que vocês não concordam. Vou lá ver o jogo do Bucks porque se eles continuarem ganhando tudo eu vou ser obrigado a postar sobre aquele time maluco.

terça-feira, 17 de março de 2009

Queria doce e tomou bala!

Acabo de ver a notícia de que o Carl Landry foi baleado! Eu não acompanho NFL tão de perto então não estou acostumado a ver notícias de jogadores atirando ou "sendo atirados". Mas o porte de armas livre nos EUA rende essas notícias.

A polícia diz que o carro do Landry foi atingido por um outro carro com dois homens. Quando o Landry saiu do carro para ver os estragos, ele foi atingido. Os atiradores deram dois tiros, um deles acertou de raspão a perna esquerda do ala. Por sorte não aconteceu nada de mais e o Landry já foi liberado do hospital.

Mesmo dispensado do hospital ele não poderá jogar agora. Deve ficar de fora de uma a três semanas. Uma perda imensa para o Rockets! O Landry é uma das grandes ajudas do banco de reservas junto com o Wafer e o Lowry. Lembrando que o Oeste está pau a pau e qualquer vitória pode significar acabar em sétimo ou terceiro.

Em outras notícias policiais, o Sean Williams, o primeiro Sr.Maconha antes do título ser roubado pelo Josh Howard, foi detido pela polícia de Denver depois de discutir com um vendedor em uma loja de celulares na cidade. Não foi divulgado o motivo da discussão mas ela acabou com o ala do Nets destruindo um monitor de computador dentro da loja. Nada de mais.

Voltamos em breve com mais informações policiais no Aqui Agora.

Continue respondendo no post abaixo quem você mais ama e quem você mais odeia no seu time, eu estou adorando as respostas.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Quem você odeia?

Saudades do Smush Parker, Kobe?

Sempre achei aquela merda de "O Segredo" a maior palhaçada do mundo, mas não conseguia tirar muito sarro porque não tinha lido o livro e nem visto o filme. Sabia o que eu sabia por ler sobre esse fenômeno de vendas na internet, então assisti ao filme.

Uma hora e meia da minha vida que não voltam mais, em resumo. Mas até que tem algumas coisas que fazem sentido lá: eu passei um tempão mentalizando a imagem do filme terminando e uma hora ele realmente acabou. Não com o DVD explodindo depois de um raio laser sair dos meus olhos como no meu sonho, mas acabou.

Uma das palhaçadas do Segredo é transformar a idéia do "Seja otimista, encare as coisas bem e sua vida ficará mais facil de levar" em "Pense em coisas boas e o universo inteiro irá conspirar para que isso aconteça, a física quântica garante!". E por isso não deveríamos ficar pensando em coisas ruins, para não atraí-las.

Do contra que sou, passei o dia inteiro pensando em coisas ruins e coisas que eu odeio, só para saber no que eu não deveria pensar. O universo deve estar se arranjando para me trazer lagartixas, techno, comédias pastelão e o Smush Parker de volta no Lakers. Sim, o Smush Parker.

Percebi que quando minha mente viajou até o basquete, eu não odiava nada no meu Lakers atual, não queria que nada mudasse lá, não odiava ninguém no meu time. E isso é muito estranho! No Corinthians eu odeio o Cristian, o Souza, o Otacílio Neto e principalmente o lixo do Jorge Henrique. Até no Lakers tri-campeão do começo da década eu odiava o Medvedenko e o Rick Fox, por exemplo. Como posso não odiar ninguém agora?

Tá certo que tenho uma relação de amor e ódio com o Sasha Vujacic e com o Odom, não estamos sempre de bem, mas não quero eles fora de L.A. Todos os caras que eu odiava mesmo saíram no ano passado: Smush Parker, Brian Cook e Kwame Brown. Até o Radmanovic que era o que eu menos gostava nesse ano deu o fora!

A minha surpresa acontece porque acho que todo real torcedor odeia alguém no seu time. De assistir tantos jogos, os defeitos (e as qualidades também, claro) ficam muito perceptíveis e com o tempo começam a irritar; é como um namoro ou um casamento. Isso ficou mais claro pra mim quando no começo da temporada o Danilo fez um post elogiando o grande elenco do Portland Trail Blazers. Assim como eu, o Danilo é fã de carteirinha do Steve Blake e o elogiou no post.

Eis que alguns dias depois o Grande Irmão da internet, o Google Analytics, dedou que tivemos muitas visitas vindas do orkut. Fomos lá fuçar e era um tópico na comunidade do Blazers comentando o texto. Nem xingaram muito a gente, mas ficaram inconformados que nós (e muito mais gente, segundo eles) adoravam o Steve Blake. Para eles, que assistem oito vezes mais jogos do Portland que eu e o Danilo juntos, o Blake estava longe de ser tudo isso.

Na hora associei com o Rafer Alston, que eu nunca achava tão ruim quanto o Danilo dizia que ele era no Houston. Mais uma vez, quem via mais de perto sabia o tamanho da encrenca. Passei pela mesma coisa quando xingava o Smush Parker e algumas pessoas diziam que ele não era tãaao ruim assim. Eles não sabiam o quanto ele comprometia a equipe em toda jogada!

A mesma coisa acontece no sentido oposto. Aquele cara que você sabe que é bom mas que no boxscore só faz 5, 6 pontos e ninguém reconhece como um grande jogador. Não é todo mundo que se convence de primeira que o Luke Walton e o Trevor Ariza são grandes jogadores, preciso falar muito e argumentar muito pra mudar a idéia de alguns. O Danilo passa o mesmo com todos os odiadores do Yao Ming que não assistem aos jogos em que ele domina o garrafão adversário.

Eu até daria mais exemplos aqui de histórias que eu conheço mas não seria a mesma coisa, estaria me metendo em times onde não sou chamado. Então peço a vocês, leitores do Bola Presa, que contem quem no seu time de coração vocês amam e odeiam. Mas não vale falar que ama David Lee e odeia o Eddy Curry . Tem que ser aquele cara que você gosta mas que os torcedores do outro time não reconhecem, e os que você odeia mesmo com os torcedores do outro time não achando o cara tão ruim.

Deu pra sacar? Então manda bala. Quem escrever bem pode até ter o comentário publicado no blog, mas não prometemos nada porque não vamos publicar coisa mais ou menos, beleza?

E não esqueçam de visitar nosso Tumblr, estou colocando maravilhas fotográficas lá todos os dias. E hoje tem a cravada monstro do Shawn Marion no Granny Danger.