terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Resumo da Rodada
Rose se vinga do mundo, Griffin serve chá de novo

Depois de errar dois lances livres decisivos contra o Heat (e o arremesso final, forçado porque o Boozer não seguiu a jogada devida), Derrick Rose avisou que iria se redimir com o planeta Terra na partida contra o Wizards. O armador foi o mais agressivo que conseguiu, chutou o traseiro do John Wall, chegou até a levar falta técnica apesar da cara-de-Duncan e acabou o jogo com 35 pontos, 8 assistências e 3 tocos. Lembra quando o Rose era fantástico, maravilhoso, tudo-de-bom?  Pois bem, temos que criar outros adjetivos desde que ele despertou seu Sétimo Sentido e passou a acertar floaters que fariam Tony Parker morrer de inveja. Sem uma defesa coletiva como a do Heat, é impossível parar o Rose com um arsenal tão completo no ataque. O Wizards ainda manteve o jogo respeitável no começo porque John Wall e JaVale McGee seguraram as pontas no ataque, mas não deu pra segurar a represa por muito tempo.

Outro time que manteve o jogo respeitável foi o Magic contra o Sixers, mas quando a represa começa a rachar (e eventualmente racha, em todos os jogos), a equipe de Orlando perde a cabeça e taca o jogo na privada. O jogo estava bem disputado até que o Magic perdesse o 3o período por 21 a 9. Nove! E esse ataque medonho que só faz nove pontos dessa vez esteve nas costas de Dwight Howard.

Nas últimas derrotas, achei que o Magic estivesse passando mais a bola para ele horas em que o time está na merda para ver se  resolve, se ele salva o time de ter que continuar com um ataque em que as bolas não caem. Mas agora estou começando a achar que não é desespero, que é algo deliberado. O Magic parece estar insistindo no Dwight como se fosse alguma espécie de lição para o pivô que insiste em cobrar seus companheiros publicamente, se acha a última bolacha no pacote e não para de pedir para ser trocado. Ontem, contra o Sixers, Howard foi muito acionado e - pasmem! - recebeu a bola em uma infinidade de jogadas de pick-and-roll, coisa que sempre cobramos que acontecesse nessa equipe. Mas eis que o Dwight se mostrou bastante ruim para finalizar essas bolas em movimento, perdeu muitos pontos fáceis e seus companheiros continuaram insistindo. Quer dizer, menos o Turkoglu, que achou mais divertido tentar arremessos impossíveis de longa distância, teve hora em que eu achei que ele ia tentar de costas só pela diversão descompromissada.  O Dwight acertou 6 dos 17 arremessos que tentou, o experimento pick-and-roll é um fracasso, e já não sei mais o que sugerir para essa equipe. O pior de tudo é que o Sixers teve um jogo completamente meia-boca, sem sal, não fizeram nada demais e erraram quinhentos arremessos fáceis também. Imagina se tivessem jogado bem.

Mas a atuação ofensiva do Dwight não foi a pior da noite: na partida entre Grizzlies e Spurs, Rudy Gay conseguiu sair de quadra com um mísero pontinho, errando todos os 7 arremessos que tentou. A equipe de Memphis estava cansada, frustrada e o ataque não tem muitas válvulas de escape sem Zach Randolph para arrumar pontos na marra ou Rudy Gay nas jogadas de isolação. O Spurs, por outro lado, mostrou que tem quinhentas armas e impôs o estilo de jogo que bem quis. O senso comum diria que, com o garrafão do Grizzlies desfalcado do Randolph, o ideal seria abusar do jogo de garrafão do Spurs para vencê-los. Mas o Popovich fez exatamente o contrário: limitou os minutos do Splitter, colocou o pessoal para correr e deixou gente mais baixa em quadra. A ideia foi essa: já que não temos que defender ninguém no garrafão, vamos aproveitar. Deu muito certo, e ao mesmo tempo deu muita raiva do Spurs: tem equipe que se saia melhor no draft do que eles? Chega a ser ridículo. Podendo jogar mais na velocidade e com jogadores mais baixos, o Spurs usou Danny Green (11 pontos, 2 bolas de três pontos, 4 roubos de bola) e Kawhi Leonard (12 pontos, 10 rebotes, 2 roubos) para atropelar o Grizzlies. Os dois juntos somaram 6 roubos de bola, mas como o Denis tão bem mostrou em seu post de ontem sobre como identificar bons defensores (leitura obrigatória, corre lá!), isso não é nem a ponta do iceberg do que foi a defesa impecável dos dois durante a noite. O único jogador do Grizzlies que conseguiu fazer alguma coisa no ataque foi o OJ Mayo, de novo cestinha da equipe com 17 pontos. Se alguém por lá queria mesmo trocar o garoto, com certeza já respirou fundo e tacou a ideia pela janela.

Por falar em troca, os dois times que trocaram de treinador um com o outro, Houston e Wolves, se enfrentaram de novo ontem. No primeiro confronto o Rockets ganhou em Minessota, agora foi a vez do  Wolves ganhar em Houston. E tudo porque o Wolves teve um dos períodos mais sensacionais da história da humanidade conhecida! O Houston estava jogando bem e se saiu melhor durante todo o jogo, mas no terceiro período tomou 42 pontos (!!!) e fez "apenas" 25. Foi um quarto impecável para o Wolves, forrado de cestas de 3 pontos, passes perfeitos do Ricky Rubio, bolas absurdas do Kevin Love e movimentação inteligente de bola. Aliás, quem foi o gênio que resolveu unir Ricky Rubio e o técnico Rick Adelman? Prêmio de melhor ser humano para o cara que uniu os dois. Rubio faz com perfeição as infiltrações seguidas de passe para a linha de 3 e agora o Wolves inteiro pegou o jeito da jogada, sabendo dar um passe a mais em busca de uma bola de 3 melhor ou então cortando o defensor para um arremesso de 2 pontos. Essa jogada simples rendeu boa parte dos 34 pontos do Beasley ontem (acertou 10 de 14 arremessos e todos os seus 12 lances-livres), que está conseguindo render sem ter que arremessar todas as bolas - até porque ele não recebe todas quando existem armadores inteligentes e um esquema de jogo consistente. O Rubio, por sua vez, acabou com 18 pontos, 8 rebotes e 11 assistências - uma pena que esses 8 rebotes possam ter sido responsáveis por evitar um double-double do Kevin Love, que dessa vez só pegou 7 rebotes (mas marcou 29 pontos). Nem é questão de quão orgasmático é ver o Rubio jogar, simplesmente não tem equipe na NBA que passe tão bem a bola coletivamente quanto o Wolves. Como diabos isso aconteceu? Por experiência própria, acompanhando de perto meu Houston, sei como as equipes demoram para entender o ataque do Rick Adelman e como costumam fazer muita merda até pegar o jeito. Não é o caso em Minessota.

A parte triste da rodada vem agora, na partida entre Jazz e Blazers. E nem é porque o time-do-qual-não-falamos ganhou, isso está ficando comum e pela milésima vez foi porque o Millsap ficou doido no fim do jogo. O Jazz conseguiu outra vez sua primeira liderança do jogo no quarto período, e dessa vez nem tinha o Al Jefferson lá, contundido, para pegar os rebotes ofensivos do Millsap ou abrir espaço para os rebotes ofensivos do Millsap. O Derrick Favors quebrou o galho com 8 pontos e 6 rebotes (4 ofensivos) e o Blazers não resistiu ao garrafão do Jazz no final. Quer dizer, quase resistiu, e essa é a parte triste. O Batum meteu 3 bolas de três pontos seguidas no quarto período e aí roubou uma bola faltando 35 segundos pra o fim do jogo, com chance de empatar a partida. E aí o que ele fez? Estava com a mão quente, liderando a equipe, e partiu para dentro para tentar uma bandeja. Errou o arremesso? Tentou um passe e falhou? Cometeu falta de ataque? Não. O joelho dele simplesmente torceu quando ele tocou uma perna na outra, ele caiu como cocô e a bola ficou lá no chão para o Jazz recuperar. Esse é o Blazers amaldiçoado que conhecemos, em que as lesões nunca vão deixar o time em paz.

No resto da rodada, o Mavs foi liderado por Vince Carter e Delonte West e venceu um Suns sem Steve Nash (fuja, Nash, corra enquanto é tempo), sinal de que as novas contratações do Mavs podem estar pegando o jeito da coisa. Em Milwaukee, o Buchs venceu o saco-de-pancada Pistons usando o que é agora, de repente, um baita ataque de respeito com Brandon Jennings e Mike Dunleavy, que estão se entendendo desde que o armador começou a ser mais agressivo como queria seu técnico. Em Miami, o LeBron James também se vingou dos lances-livres que errou contra o Bulls ajudando a vencer fácil o Hornets, mas como é o Hornets simplesmente não vale.

Para acabar, mas com chave de ouro, o Clippers venceu o Thunder após 4 bolas de três pontos seguidas para encerrar o segundo quarto, num 12 a 0 que simplesmente acabou com o jogo ali. Mas o melhor de tudo foi a enterrada espetacular do Blake Griffin em cima do muro-de-tijolos Kendrick Perkins. Lembra daquela enterrada do Griffin em cima do Mozgov em que ele, hã, despejou seu "saquinho de chá" na "xícara" que era a cara do pivô? Pois bem, digamos que o Griffin serviu chá de novo, agora numa xícara de tijolos. Absurdo.



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Fotos da rodada

 Stuckey dá uma bitoca em Delfino


 - Supimpa!


 Dança contemporânea


 LeBron James senta na torcida após ser atingido por Gyoday


 Foto de fim de festa


 Blake Griffin é a primeira vítima de um vírus zumbi


 Brandan Wright dá o toco e ainda puxa a orelha do Frye pra ensinar uma lição


Sam Young dá um abraço em sem amigo imaginário

Como identificar um bom defensor

É fácil, se o Garnett faz está certo

Uma das perguntas que recebemos com alguma frequência no nosso formspring é "Fulano é um bom defensor?". Talvez não seja tão perguntado como coisas sobre sexo (sério!) e possíveis trocas, mas é um assunto bem recorrente. Descobrimos que isso acontece porque as pessoas não sabem identificar um bom defensor, não é tão fácil e óbvio quanto ver um bom jogador ofensivo.

Percebemos isso também nas discussões ridículas de fim de temporada em que sempre aparecem caras defendendo um ou outro jogador para o prêmio de melhor defensor com argumentos do tipo "ele tem 3 tocos por jogo" ou contra um cara dizendo "ele nem rouba bolas!". Então resolvi fazer um pequeno guia que pode ajudar você a usar esse cérebro que a natureza te deu para reconhecer um bom defensor por conta própria e assim não precisar nos torrar com essas perguntas.

Não se apegue a números

Olha que é raro eu falar isso! Sou tarado por números e uso eles para consultar, justificar e analisar qualquer coisa relacionada a basquete. Mas mesmo assim eu reconheço que a defesa é o ponto em que as estatísticas ainda não alcançaram todo seu potencial. Quando se analisa um bom defensor costuma-se olhar principalmente para roubos e tocos, e esse é um erro enorme. Explico. Roubos são raros em uma partida de basquete, os líderes da NBA não costumam passar de 3 por jogo. Nessa temporada o primeiro colocado é Mike Conley com 2.5 por partida, isso nas 92 posses de bola que o Grizzlies disputa por jogo. Não quero menosprezar esse talento, que é realmente algo que poucos jogadores tem e não é à toa que são sempre os mesmos no topo da tabela todo ano, mas habilidade em roubar a bola só mostra que o cara é... como dizer, bom em roubar bolas, não necessariamente que é um bom defensor.

Se em duas ou três posses de bola Conley sai com o roubo, o que acontece em todas as outras? Ele sempre tenta o roubo, a interceptação? Se sim, isso é um mau sinal. Tentar interceptar um passe e falhar é deixar o caminho para o adversário que ficou com a bola livre para um chute ou infiltração. Mesma coisa acontece quando se vai seco roubar a bola em um drible, o adversário pode simplesmente te cortar e ir pra cesta. "Não vai seco, caralho, só cerca", já gritaria o zagueiro do mesmo time para esse tipo de jogador. Um número que mostraria melhor quem é um ladrão de bola eficiente seria o de roubos por tentativa de roubo, mas não é lá algo fácil de perceber e calcular, precisamos admitir.

Com tocos a coisa é parecida. Já perceberam que muitos pontos de rebote ofensivo acontecem porque o pivô do time defensor foi seco para o toco e não protegeu o rebote do adversário? É por isso que infiltrar e atacar a cesta é uma boa ideia mesmo quando o cara não acerta a bandeja, é um tipo de ataque que gera mais possibilidades de cesta que um simples arremesso de meia distância, por exemplo. Por isso que os bons pivôs sabem quando ir para o toco, quando só atrapalhar, quando só levantar os braços. Talvez isso renda menos tocos nas estatísticas finais, mas a longo prazo pode render uma defesa mais eficiente.

O mesmo vale para a direção dos tocos. Uma vez li uma matéria muito boa (não lembro onde, infelizmente) que contava a direção dos tocos de Dwight Howard e os de Tim Duncan. O pivô do Magic era especialista nos tocos que viram jogada de Top 10, ou seja, aqueles que são mandados para a arquibancada e fazem a galera ir ao delírio. Mas sabe o que acontece com esses tocos? A posse de bola volta para o time que tomou o toco. Já a maioria dos tocos de Tim Duncan era mais discreto e caia nas mãos do seus companheiros de time, recuperando a posse de bola para o Spurs de Duncan. Na estatística de tocos Dwight Howard pode liderar por, sei lá, 4 a 2, mas em posses de bola recuperadas é 2 a 0 para Duncan. Quem é o melhor defensor?

Em compensação existe um número que costuma ser deixado de lado, o de rebotes defensivos. Até comentam, claro, mas não com a devida importância. O Jeff Van Gundy sempre comenta nos jogos que transmite, "é preciso finalizar a defesa". Depois de marcar bem um time por 24 segundos e forçar um arremesso errado é necessário assegurar o rebote defensivo. Caso isso não aconteça o outro time tem outra chance e foi tudo em vão. Por isso que nunca digo que o Carlos Boozer é um completo zero a esquerda na defesa, como bom reboteiro ele faz um bom trabalho terminando o que seus companheiros fizeram antes dele. No resto ele é ruim, isso é claro, mas os rebotes são essenciais. Torcedores do Celtics sabem disso e lembram toda vez que se fala sobre o jogo 7 das finais de 2010. Da mesma forma pode-se dizer que Anderson Varejão é um dos jogadores ofensivos mais importantes do Cavs só pelas posses de bola extra que consegue com rebotes ofensivos, e daí que ele não sabe arremessar?

Outro número em que Varejão se destaca são as faltas de ataque. Saber se posicionar para sofrer a falta de ataque do adversário é equivalente a um roubo de bola, tira a posse de bola do adversário, passa para o seu time e ainda dá uma falta para o oponente. Deveria ser, aliás, até levado mais em conta que os roubos de bola. Nessa temporada, por curiosidade, Ricky Rubio é o 3º da liga em roubos por jogo e o primeiro em "charges", as faltas de ataque cavadas.

Atenção aos números avançados

Tá, mas e os tais números avançados que estão causando a revolução nerd na NBA? Sim, alguns são muito precisos em relação a defesa, mas não temos acesso à maioria deles. Alguns medem quantos pontos um jogador sofreu em jogadas de isolação contra jogadores de cada posição, por exemplo. Coisa de outro mundo, mas ainda restrita aos scouts da NBA. Para nós, meros nerds mortais, nos resta alguns outros números, como o +/- (que mede o placar do jogo enquanto o jogador estava em quadra) e alguns dados que volta e meia são divulgados como a média de pontos marcados e sofridos a cada 100 posses de bola (ou por posse de bola) de cada quinteto da liga.

É assim que descobrimos, por exemplo, que o qualquer quinteto do Bulls que contenha o garrafão reserva deles, Taj Gibson e Omer Asik, está entre os que menos sofrem pontos na NBA. O problema desses números é que eles geralmente são coletivos. Se o Asik está em todos os quintetos com bons números defensivos, ok, dá pra deduzir alguma coisa, mas nem sempre é tão óbvio. E ajuda Asik e Gibson que eles estão em um dos melhores times defensivos da NBA, como identificar um bom defensor no Warriors ou no Kings, por exemplo? Temos que ir além das estatísticas.

Alguns outros números subjetivos

Uma coisa que pode ajudar um pouco na hora de observar se um jogador é um bom defensor é ver o desempenho de quem ataca contra ele. Mas já aviso que isso é muito perigoso e deve ser feito com cautela. No último jogo entre Milwuakee Bucks e Los Angeles Lakers, por exemplo, o Luc Mbah a Moute, do Bucks, passou um tempão do jogo, especialmente o primeiro tempo, marcando o Pau Gasol. Na segunda etapa, porém, foi o responsável por defender Kobe Bryant. Se oficialmente Mbah a Moute é o Small Forward (posição 3), como saber que ele passou metade do jogo marcando um Power Forward (4) e a outra metade marcando um Shooting Guard (2)? Ou seja, ver os números do outro até vale, mas você antes precisa ter certeza do duelo, que nem sempre foi o mesmo durante todo o tempo.

Outra coisa é que quanto melhor o técnico acha que um cara defende, mais trabalhoso será seu serviço. Só ver o quanto Mbah a Moute sofreu nesse jogo! O mesmo vale para o Shawn Marion, por exemplo, nos playoffs do ano passado. Ele marcou, em sequência, Brandon Roy, Kobe Bryant, Kevin Durant e LeBron James. Nas inúmeras trocas que o Rick Carlisle promovia, às vezes tinha a sorte de cair defendendo Dwyane Wade ou Russell Westbrook. Ele fez um ótimo trabalho, a gente viu, mas se você pegar os números dos adversários verá que ele tomou muitos pontos na cabeça o tempo inteiro. Mais que o Dirk Nowitzki, provavelmente, o que não quer dizer que o alemão defenda mais que ele. Quando se enfrenta jogadores de alto nível vai se tomar muitos pontos mesmo que se faça tudo direitinho, faz parte do basquete.

Vendo os jogos

Por mais que os números ajudem ou indiquem um talento ou outro, na hora de analisar um defensor nada melhor do que sentar e ver o cara jogar. Muitas vezes, se possível. Para isso, outras dicas. Antes de mais nada verifique os matchups, os confrontos pessoais. Basta uma ou duas posses de bola para verificar quem está marcando quem. Às vezes, na distração, não percebemos que não é armador marcando armador e pivô pegando pivô o tempo todo. Perceber isso é essencial antes de qualquer julgamento.

Também tente identificar o tipo de defesa. Na NBA os times costumam usar defesa individual o tempo todo, mas é importante perceber quando e contra quem usam a defesa por zona. Na individual também ajuda perceber se os times estão trocando a marcação nos bloqueios ou se, por exemplo, estão passando por cima ou por baixo do bloqueio para acompanhar quem fica com a bola. É necessário ficar perto de quem arremessa e evitar a infiltração de quem bate para dentro nesses casos.

Reconhecer tudo isso é importante para saber como o time pensou em defender cada jogador, assim dá pra saber o que é culpa individual e o que é culpa coletiva. Por exemplo: Um desavisado poderia achar que no último Lakers/Clippers o Pau Gasol foi preguiçoso ao marcar o Blake Griffin, nunca encostando muito nele longe do garrafão. Mas na verdade essa é uma estratégia do Lakers e da maioria dos times ao enfrentar Griffin. Não deixe ele entrar no garrafão, corte as pontes aéreas e deixe ele chutar de média e longa distância.  Prova disso é que apesar do aproveitamento ser o mesmo do ano passado, Griffin tem chutado muito mais de longe, é o que dá pra fazer. O pivô espanhol, aliás, fez bom trabalho em Griffin naquele jogo, como costuma fazer sempre. Apesar de não ter a fama de bom marcador, Gasol é ótimo em usar bem seu tamanho, deixar os braços na posição correta e cometer poucas faltas. Dificilmente ele sai do chão e cai nas fintas dos adversários.

Conhecer o adversário

Outra boa maneira de identificar um bom defensor é conhecendo quem está atacando. Se você enjoou de ver o Manu Ginóbili cortando para o lado esquerdo e percebe que tem um marcador que faz de tudo para mandá-lo para o outro lado, esse é um bom sinal. Mesmo que não tenha tanto sucesso, mostra que o cara sabe quem está enfrentando. É difícil parar grandes jogadores da NBA, por isso os bons defensores trabalham com porcentagens. Pega-se aquilo em que o atacante é bom, em que se sente confortável e força-se o atacante a fazer diferente, eventualmente ele vai acertar, mas até o fim do jogo terá feito menos que o de costume.

E muitas vezes tudo isso acontece longe da bola. Às vezes é legal se focar em apenas um confronto e ignorar um pouco o que acontece com a bola, usar sua atenção apenas para ver como dois caras se enfrentam. Afinal, para ser um bom defensor do Ray Allen é preciso evitar que a bola chegue até ele, não marcá-lo bem no mano a mano. Ou forçar o LeBron James a receber a bola lá atrás da linha dos três ou na zona morta ao invés de na cabeça do garrafão. Um bom defensor pode ser aquele que impede o Dwight Howard de pegar rebotes de ataque. Ou aquele cara que corre a quadra inteira só pra ficar entre o Amar'e Stoudemire e a cesta depois do pick-and-roll para forçá-lo a dar um drible antes de ir para a cesta. Se ele gosta de pegar e enterrar de cara, sempre preste atenção em quem o impediu de fazer isso, quem o tirou da zona de conforto.

Jogo de equipe

Isso já ficou implícito durante o texto, mas não custa repetir. Defender, mais do que atacar, é algo coletivo no basquete. Não importa para que lado o Ginóbili faça seu drible, se não tiver ninguém na cobertura vai ser cesta. Times que conversam entre si e estão entrosados acabam compensando falhas individuais. Se um cara é lento e não tem pernas para ficar na frente de seu atacante, um bom time defensivo terá cobertura atrás para livrar sua cara, um time ruim tomará enterradas na cabeça sem parar. É preciso observar o time como um todo e saber a função defensiva de cada um antes de sair apontando quem é bom e quem é ruim. Quando você entende o sistema defensivo em funcionamento dá pra perceber quem vai e quem não vai para o lugar certo, quem vacila deixando o cara livre e quem está sempre lá atrapalhando o adversário.

Uma outra dica que eu dou é fazer toda essa análise com o time que você torce, ou escolher um time para torcer por uma noite. Porque é diferente você ver um jogo por ver, como diversão, ou mais envolvido. Quando eu vejo meu Lakers jogar, por exemplo, se não tomar cuidado vejo tudo pela perspectiva do meu time, é que agora já me treinei a tomar esse cuidado. Mas mesmo assim eu me pego assistindo o Andrew Bynum defender ao invés de ver o Dwight Howard atacar, entendem? Minha atenção está na defesa porque quero que meu time não sofra pontos. Em um Lakers/Heat ao invés de ficar falando "Olha, vamos ver o Bosh arremessar" eu fico "Vai Gasol, não deixa ele bater pra dentro por trás da cesta, fecha esse lado. Vai pra cima que ele vai chutar" e coisas do tipo. Torcer pela defesa é um ótimo jeito de reparar nos detalhes defensivos que fazem a diferença entre um marcador bom e ruim na NBA.

Ah, e outra coisa: Aprender a reconhecer boa defesa é um jeito de conseguir se divertir até naqueles jogos pegados que acabam 65 a 60. Não precisar de 120 pontos pra achar um jogo de basquete bom é sinal que você está amadurecendo.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Resumo da Rodada
Grandes jogos, texto grande

Volta e meia reclamamos de umas rodadas bem mequetrefes que passam por aqui, às vezes precisamos de um dia com 13 jogos para ter um ou dois bons de verdade. Mas ontem não, foram 8 jogos e a maioria de ótima qualidade. Parabéns a todos os envolvidos (que provavelmente terão jogos péssimos já hoje e amanhã, acontece).

O dia começou com a matinê entre Miami Heat e Chicago Bulls. Aconteceu muita coisa interessante nesse jogo e até antes dele. Com uma maratona acontecendo em Miami e o trânsito todo modificado e complicado, LeBron James foi de bicicleta, no maior estilo Leandrinho, para o jogo. Como comentaram no Twitter, o Kobe provavelmente iria ao próximo jogo de monociclo só para provar que é melhor. Com a bola já rolando o interessante foi ver como o Heat sabe defender o Derrick Rose, assim como nos playoffs do ano passado souberam marcar o pick-and-roll, dobraram a marcação, usaram zona, fizeram de tudo para que ele não conseguisse pontos fáceis. Se você assistir ao resumo do jogo, verá as bolas que caíram, bandejas magníficas de outro planeta, mas que escondem o aproveitamento de 11/28 que o armador teve no jogo.

Por outro lado o Bulls também soube defender o Heat. Não nos contra-ataques, que é simplesmente impossível, mas soube limitar os pontos na transição para apenas 15 (um pouco abaixo da média do time), principalmente no segundo tempo. E quando se enfrenta LeBron James e cia. deve-se saber que vai tomar cestas como essa na cabeça, é entender e seguir em frente:



O jogo foi decidido no minuto final, e lá a coisa ficou estranha. Tivemos bolas pulando de um lado para o outro, times nervosos e Derrick Rose, podendo virar o jogo a 22 segundos do fim, errou dois lances-livres!  O Bulls então fez falta em LeBron e... ele errou os dois lances-livres! Show de horror. Na última posse de bola o Bulls teve a chance de ganhar, mas vacilou. O Tom Thibodeau desenhou uma jogada idêntica à que fez contra o Hawks um tempo atrás, mas no lugar de Luol Deng estava Rip Hamilton e no lugar de Joakim Noah, Carlos Boozer. Fez diferença. Boozer amarelou na hora de fazer o passe e devolveu a bola para Derrick Rose, que na individualidade não conseguiu chegar até o garrafão e forçou um arremesso errado. Nessa bola Udonis Haslem tentou cavar uma falta de ataque e sobre isso Shane Battier comentou após o jogo: "Eles nunca marcam falta de ataque nessas jogadas. Nunca. A não ser que você cometa um ato de violência com animaizinhos ou algo bem depravado eles não marcam nada". Boa, Shane.

Vale a pena comparar as duas jogadas e ver como faz diferença ter um bom passador como Noah e um jogador mais alto para receber o passe, como era Luol Deng.





Eu iria dar o prêmio de jogo bizarro da noite para o Celtics e Cavs, mas acho que eles ainda foram mais normais do que o clássico do Texas entre Spurs e Mavs. Esse foi um jogo de doido. O Mavs, com Dirk Nowitzki de volta e jogando em casa, estava passeando na partida e abriu 18 pontos de vantagem. Foi então que, no fim do 3º período, Greg Popovich tirou todos os titulares de quadra e jogou com Gary Neal, James Anderson, Danny Green, Matt Bonner e Tiago Splitter, só reservas. Uma bola de 3 de Bonner aqui, outra de Neal, uma de Anderson e o Spurs virou o jogo! Popovich, técnico divertido que é, deixou os reservas em quadra até o final. E quase venceram. Tiago Splitter (8 pontos, 7 rebotes) fez uma bandeja a 37 segundos do fim para deixar a vantagem em 4 pontos, mas logo depois Rodrigue Beubois fez uma bandeja e a vantagem voltou a 2. O Spurs errou um arremesso em sua posse de bola e Jason Terry (34 pontos) empatou o jogo a 0.6 do final do jogo. Já dissemos que ele tem pós-graduação em quarto período? Pois é. Foi então que com com meio segundo restante Danny Green pegou a bola, virou e arremessou. Cesta. Tim Duncan corre para abraçar o garoto, o Spurs vibra, a torcida se cala e os juízes vão ver o replay. A bola ainda estava nos dedos de Green quando o tempo acabou. Prorrogação.

No tempo extra o Mavs tinha a vantagem de 3 pontos a 12 segundos do fim quando Gary Neal bate pra dentro, faz a bandeja e toma a falta. Mas sofrendo da síndrome de Rose-James, ele erra a bola que empataria o jogo. O Spurs imediatamente faz falta em Ian Mahinmi que, adivinhem, errou seus dois lances-livres. Mais uma chance para empatar e aí uma jogada bizarra. O lateral é cobrado para Matt Bonner, que fica parado sofrendo com a marcação de Vince Carter e não faz nada. Nada! A bola então cai da sua mão e vai indo em direção a lateral, é aí que aparece Danny Green para salvar a redonda, atropelar o árbitro que estava lá e soltar um arremesso de 3 no último segundo. Não deu, ele errou, e assim acabou um dos jogos mais bizarros da temporada.

Vocês devem estar se perguntando como o jogo entre Celtics e Cavs competiu com essa doideira de reservas, lances-livres errados e bolas de último segundo do Spurs. Eu explico. Assisti ao jogo do Celtics sabendo do resultado, a derrota do Celtics por 1 ponto de diferença. No último quarto vejo os reservas do Cavs cortarem a diferença de 10 pontos dos verdinhos e penso "Ah, foi aí então, deram uma de Spurs". Mas não. Um minuto depois o Celtics faz uma sequência de 8-0 e abre grande diferença de novo. O jogo vai indo pro final e nada de parecer que o Cavs iria ganhar. Que diabos? Acontece que o Celtics não fez nenhum ponto nos últimos 4 minutos e 25 segundos de partida! Nada. Nem um arremesso, bandeja, enterrada, lance-livre. Nada. E a vantagem de 11 pontos que tinha então foi caindo aos pouquinhos até que Kyrie Irving fez uma bandeja magnífica e venceu a partida.



Até então o Celtics estava jogando como nas últimas boas partidas. Ataque simples, sem inventar, Paul Pierce criando situações boas no ataque, Brandon Bass acertando seus arremessos de meia distância. Do nada tudo acabou. Por melhor que tenha sido a defesa do Cavs, nada explica não fazer cesta nos últimos 5 minutos de jogo, nada.

Quem também estava jogando muito bem e entregou a rapadura foi o Denver Nuggets. Durante 3 períodos eles deram show pra cima do Los Angeles Clippers. Andre Miller em especial estava inspirado e distribuindo passes para Danilo Gallinari e Al Harrington, outros que tiveram excelente jogo. A jogada que terminou o terceiro período dava a entender que era mesmo o dia do Nuggets.



Mas não foi bem assim. Mesmo jogando melhor o Nuggets não abriu vantagem boa o bastante. Quando ameaçavam engrenar o ex-Nugget Chauncey Billups (32 pontos) metia uma bola de 3 para manter o Clippers no jogo. E assim, de pouco em pouco, eles deslancharam e com Chris Paul inspirado no ataque, viraram a partida. Uma falta de ataque de Nenê sobre Chauncey Billups (beeeem forçada, diga-se de passagem) matou as chances do Denver no jogo. E não tem jeito, sempre que perderem um jogo no finalzinho vai vir um mané lembrando que isso acontece com times sem estrelas. Que provem o contrário da próxima vez.

Domingo também foi dia do Lakers acabar com uma palhaçada. Foram até Minneapolis pegar o Wolves e mesmo jogando fora uma liderança de 18 pontos, venceram apenas seu segundo jogo fora de casa e pela primeira vez em 14 jogos passaram dos 100 pontos. Não, o banco de reservas não ajudou, é que fica mais fácil quando Kobe Bryant (35 pontos, 14 rebotes), Pau Gasol (28 pontos) e Andrew Bynum (21 pontos) somam 84 pontos. Pelo Wolves Ricky Rubio fez o de sempre, mas errou muitos arremessos e o Wolves não conseguiu as bolas que queria no final.

Fechando essa bela rodada e o extenso resumo, o Hawks bateu o Hornets sem dificuldades com 24 pontos de Jeff Teague, que tinha saído da última partida com o tornozelo torcido sem saber se iria jogar ontem. O Toronto Raptors venceu o Nets, em New Jersey, por 20 pontos de diferença para encerrar a invencibilidade do Nets em dias que Deron Williams faz pelo menos 24 pontos. DeMar DeRozan usou toda sua Força Nominal para marcar 27. Em Orlando o Magic mais uma vez teve um segundo tempo pífio e tomou uma surra de pau mole do Indiana Pacers. Está sendo sofrido assistir a esse time nessa temporada, dá vontade de mandar parar tudo e deixar eles irem pra casa chorar.

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Fotos da Rodada

-Te trouxe aqui de zoeira, nem a pau que você volta pro jogo

Andre Miller segura a bola como se fossem limões

Cotovelos-do-Bynum™

Alguém errou o passe para o Teague (porra, Josh Smith!)

Esse é o Orlando Magic - Parte 1

Esse é o Orlando Magic - Parte 2

Esse é o Orlando Magic - Parte 3

domingo, 29 de janeiro de 2012

Resumo da Rodada
Jimmer quase faz história, Bobcats é pobre mas limpinho

Ok, ok, está atrasado, mas tudo pela invencibilidade. Vamos falar da rodada desse sábado que ninguém assistiu porque os jogos foram ridículos e tinha UFC rolando. Por incrível que pareça o jogo mais legal do dia foi o Washington Wizards enfrentando o Charlotte Bobcats desfalcado. Pois é, eu só fui assistir porque o Sixers só precisou pisar em quadra para abrir 20 pontos de vantagem sobre o Pistons e porque os outros jogos ainda não tinham começado, mas valeu a pena.

Pelo Wizards, que venceu o jogo no finalzinho, o grande destaque foi JaValle McGee. Pra mim ele sempre foi um símbolo desse time, o cara que faz tudo por um toco ou uma enterrada de efeito, mas entrega a rapadura em todo o resto. Mas tenho que admitir que aos poucos ele tem melhorado. Tem tido mais noção de quando atacar a cesta e seu repertório que era único, a enterrada, agora até tem uns ganchos do topo do garrafão. De todos esses cabeças oca do Wizards talvez um ou outro tenha uma carreira digna e McGee pode ser um deles, ontem ele liderou o time com 22 pontos e 10 rebotes. Pelo Bobcats destaque para todo o time que conseguiu fazer um jogo competitivo mesmo sem Corey Maggette, DJ Augustin, DJ White e o surpreendente Gerald Henderson. Gosto quando times fracos reconhecem a fraqueza e compensam com dedicação e jogo coletivo, sou daqueles que torce para o mais fraco fazer algo digno e virar filme brega.

É nesses casos que alguns jogadores perdidos por aí se destacam. Nesse ano o maior exemplo é Byron Mullens, o desconhecido que passou o locaute treinando em presídios tem surpreendido todo mundo e foi cestinha do time ontem de novo. Ele sabe atacar a cesta e tem bom arremesso de média distância, muitos times gostariam de ter ele no elenco atualmente, meu Lakers ofereceria o banco de reservas inteiro por um cara como ele, que ainda tem o bônus de não ser mal caráter como o Josh McRoberts! Destaque também para o novato Kemba Walker. Fez 20 pontos, 10 rebotes, 11 assistências e conseguiu o terceiro triple-double da história do Bobcats, todos feitos no último ano (os outros foram de Stephen Jackson e Boris Diaw). Walker também acertou a bola de 3 que colocou o Bobcats no jogo no minuto final, mas não conseguiu receber a bola para tentar o empate. Foi realmente um bom jogo com uma última posse de bola trágica.

Outro jogo decidido no final não foi tão bonito. O Phoenix Suns acertou apenas 36% de seus arremessos, mas mesmo assim derrotou o Memphis Grizzlies, que fez só 32 pontos no primeiro tempo. Coisa feia de dar desgosto. Mas esquecemos os milhares de turnovers quando o jogo é decidido no finalzinho. Jared Dudley foi o herói com dois lances-livres que colocaram o Suns na frente, logo depois Rudy Gay empatou com uma bandeja, mas a 3 segundos do fim Mike Conley fez falta boba em Dudley, que venceu o jogo na linha do lance-livre. O armador do Grizzlies ainda tentou uma bola de 3 no estouro, mas não chegou nem perto.

Foi o dia das bolas de 3 pontos erradas no último segundo. O Bobcats não conseguiu, o Grizzlies não conseguiu e o Kings também não teve sorte. E no caso deles teria sido uma vitória fantástica. Eles estavam perdendo para o Jazz no último período quando de repente começaram a cortar a diferença nos minutos finais. Coisas de times com pontuadores como Tyreke Evans e Marcus Thornton. Aí, na posse de bola final, perdendo por 2 pontos, o Kings fez uma jogada para o novato Jimmer Fredette, que não foi para o empate, mas para a vitória na linha dos 3 pontos. Errou. Fredette não é só um novato comum, ele foi uma das maiores sensações do basquete universitário nos últimos anos e fez carreira, fama e virou ícone do basquete em Salt Lake City, cidade do Jazz e da BYU, universidade onde Fredette estudou e quebrou recordes. Durante o Draft todos queriam que o Jazz usasse a escolha em que pegaram Alec Burks para pegar o queridinho local, mas ele foi escolhido uma posição antes pelo Kings e estragou a fantasia.

Antes de ontem os jogos do Jazz anunciavam os futuros confrontos dizendo coisas do tipo "Venham ver o Jazz enfrentar LeBron James e o Heat, Kobe Bryant e o Lakers e Jimmer Fredette e o Kings". A graça do jogo de ontem era ver o Jimmer-Fever e ele quase ganhou o jogo no último segundo. Teria sido um dos grandes momentos da temporada se tivesse dado certo.

Mantendo a tradição, três resultados que estão virando rotina para fechar a rodada: O Sixers contou com um triple-double de Andre Iguodala para atropelar o Pistons. O Knicks jogou mal mais uma vez e não fez sombra para o Houston Rockets. E o Lakers chegou a seu 13º jogo seguido sem alcançar 100 pontos e perdeu para o Bucks, fora de casa. O Lakers tem apenas uma vitória, sobre o Jazz, fora de casa na temporada. Dentro de seu ginásio, porém, tem 10 vitórias e só 2 derrotas. O ataque que não chegar a 100 pontos nem já tendo enfrentado Kings, Suns e outras babas é um problema, mas em casa o time tem ainda uma das melhores campanhas da NBA. Fora, em compensação, apenas Wizards, Pistons e Bobcats tem aproveitamento pior. Se fosse time de pirralho diríamos que era a idade, mas que explicação dar para o Lakers?


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Fotos da Rodada

Alguém tem melhores caras e bocas que Gasol?

-NÃO!!!
Jeremy Lin não é um bom goleiro

Registro de um dos dois segundos em que Kobe parou de falar

Para colar ao lado da palavra "Bullying" no dicionário

Idade mental: Dou risada de árbitros caindo no chão

sábado, 28 de janeiro de 2012

Resumo da Rodada
Celtics e Nuggets continuam quentes, Knicks e Magic nem tanto

Os dois times mais quentes do momento entraram em quadra na rodada de 13 jogos da sexta-feira e venceram mais uma. O Boston Celtics venceu sua quarta partida seguida e finalmente está com 50% de aproveitamento na temporada, com 9 vitórias e 9 derrotas. O adversário dessa vez não foi o Orlando Magic, mas o Indiana Pacers. Curioso é que essa boa fase ainda acontece sem o trio Rondo, Allen e O'Neal, três titulares de um time que não é conhecido por ter um banco muito profundo. Quem tem compensado tudo é Paul Pierce, que ontem fez 28 pontos, 10 rebotes, 8 assistências e marcou 17 de seus pontos no 3º período, quando o Celtics abriu a vantagem que deu a vitória aos verdinhos. Méritos também para Chris Wilcox, que jogou bem e fez 14 pontos.

Sim, eu lembro que no começo da temporada estávamos falando mal de Pierce, mas com razão. Em seus primeiros jogos ele parecia perdido, desinteressado, lento e comprometia o time nos momentos em que estava em quadra, sem exagero. Aos poucos ganhou ritmo de jogo e nessa sequência de 4 jogos parece o Pierce imparável de sempre. Ver ele destruindo o Pacers com um elenco mais ou menos do lado foi como ver um jogo do Celtics de 10 anos atrás! Quem não lembra de um dos trash talks mais legais da última década entre ele e Al Harrington?



Não sei se é porque o time depende só de Paul Pierce ou se foram as matérias na mídia sobre o fim do Big 3 ou até mesmo se foram as declarações do General Manager Danny Ainge de que cogita trocar alguns jogadores até o meio da temporada. Ou talvez tenha sido tudo isso junto que fez Pierce acordar desse jeito, mas poucos jogadores funcionam tão bem sob pressão como o 34 do Celtics, dá gosto de ver e o Pacers deu azar de ficar na frente dele ontem.

O outro time quente é o Denver Nuggets, que conseguiu sua 6º vitória seguida para assegurar a segunda melhor campanha no Oeste. Foi contra o Toronto Raptors e o jogo teve vários duelos internacionais. O Denver tem o trio ítalo-brazuca-espanhol com Gallinari, Nenê e Rudy Fernandez, o Raptors tem seu próprio trio ítalo-brazuca-espanhol com Bargnani, Leandrinho e Calderón. Mas como a parte italiana do Raptors estava machucada de novo, o jogo foi mais tranquilo. Rudy foi o cestinha com 23 pontos e é outro que melhorou muito desde que entendeu que o Nuggets joga rápido mas não de qualquer jeito, e Nenê teve ótima partida com 20 pontos e 10 rebotes. Mas a jogada da partida foi de Andre Miller, ele se esforçou para fazer esse arremesso? Ele se esforça alguma vez?



Falando em esforço, o Pistons parece que tenta e joga bem duro para perder. Da mesma maneira que lideravam o jogo contra o Miami Heat na quarta-feira até o último minuto, ontem tinham vantagem de 6 pontos sobre o Hawks a 33 segundos do final. Mas aí tomaram uma cesta de 3 pontos de Marvin Williams, perderam a bola e tomaram outra de Joe Johnson, espetacular, no segundo final. É nessas horas que os técnicos malas que mandam sempre fazer falta quando o outro time precisa de 3 pontos dizem "eu avisei!". Respeito a decisão do Lawrence Frank de resolver na quadra, uma pena que foi punido. E sempre piora para o Pistons, né? Na prorrogação conseguiram sofrer 20 pontos do Hawks! Isso é fazer em 5 minutos o que o Orlando Magic faz em 24.

E o que dizer do Magic? É certamente uma das piores semanas que esse time já teve. Primeiro tiveram um dos piores jogos da história marcando apenas 56 pontos, depois tomaram uma virada de 27 pontos contra o Celtics e ontem marcaram apenas 67 pontos e perderam para o lanterninha do Oeste, o Hornets, que vinha de 9 derrotas seguidas! O Magic agora tem 6 períodos consecutivos sem conseguir marcar mais de 20 pontos. Alguma coisa precisa acontecer pra chacoalhar esse time, mentalmente eles estão destruídos. Cadê aqueles banners de palestra do Oscar Schmidt quando se precisa deles?

Em um dos jogos mais aguardados da noite, o Miami Heat teve Dwyane Wade de volta para enfrentar o New York Knicks, que está sem Carmelo Anthony. Sem Melo o time tentou jogar mais em equipe, até porque forçar o jogo em Amar'e Stoudemire está difícil, ele não aparece para o jogo, não bate pra dentro, se contenta em ser um role player. Nunca vi ele assim e não sei como tentar explicar. O jogo coletivo deu certo enquanto os arremessos caiam, Bill Walker acertou 7 bolas de 3 pontos e chegou a dar a liderança para o Knicks no terceiro período. Mas no quarto final é mais difícil ter essa frieza e você precisa de alguém mais talentoso para comandar o show, aí o Knicks errou demais e o Heat saiu na correria para marcar pontos na transição e venceu por 10 de diferença. Jogo dos 7 erros: Qual a diferença entre o resumo do jogo do Heat e o Top 10 do dia? Parecem que tem as mesmas jogadas nos dois vídeos...

O Nets venceu dois jogos seguidos pela primeira vez na temporada. Depois de passar pelo Sixers, foi até Cleveland bater o Cavs. Foi um lindo duelo entre os dois armadores, o veterano Deron Williams teve 27 pontos e 10 assistências, o novato Kyrie Irving marcou 32 pontos, 21 deles no último período. Não foi o bastante porque Deron fez todas aquelas cestas absurdas típicas dele no final para frear a reação do Cavs. Dado curioso: O Nets tem 5 vitórias e nenhuma derrota nos jogos que Deron faz 24 pontos ou mais na temporada.

No resto da rodada o Sixers engoliu o Bobcats e fez a diferença de 20 pontos ainda no começo do 2º quarto, eles não tem dó de times fracos. O Bulls, sem Rip Hamilton e Luol Deng, não defendeu como de costume e sofreu 100 pontos do Bucks, mas marcaram 107 e se safaram dessa vez. O Bucks jogou sem Andrew Bogut, que pode estar fora do resto da temporada. Em Houston o Rockets atropelou o Wizards, que voltou ao normal após a empolgação pós-demissão de Flip Saunders. Outra surra aconteceu em Portland onde o Suns perdeu por impressionantes e humilhantes 38 (!!!!) pontos de diferença para o Blazers, 109-71. Mais pontos que o Blazers, só dois times fizeram na rodada, um deles o Thunder, que fez 120 pra cima do Warriors, 37 deles de Kevin Durant, seu máximo na temporada. Russell Westbrook contribuiu com 28 pontos, 11 assistências e 7 roubos de bola. Podem criticar o Westbrook o quanto quiserem, mas essa dupla é a melhor da temporada. Fácil.

O outro time a marcar muitos pontos foi o Mavs, que recebeu o Jazz e jogou sem seus veteranos. Nowitzki ainda está fora, machucado, e Jason Kidd saiu ainda no começo do jogo depois de se contundir em uma trombada com Devin Harris, o cara que foi trocado por ele anos atrás. O Jazz dominou os pontos no garrafão como esperado, mas não conseguiu o mesmo impacto nos rebotes, o que facilitou muito a vida do Mavs. Foi então a hora dos baixinhos compensarem a diferença no perímetro. Rodrigue Beubois teve o melhor jogo dele na temporada com 22 pontos, 7 rebotes e 6 assistências, Jason Terry marcou 18 e Lamar Odom contribuiu com mais 19 (e 3 bolas de 3 pontos!) para dar a vitória para o Mavs.

Jogão aconteceu em Minneapolis onde o Wolves venceu o Spurs pela segunda vez na temporada. Ricky Rubio fez 18 pontos, deu 10 assistências e marcou 9 de seus pontos no último quarto. O jogo estava empatado a menos de 2 minutos do fim quando Rubio acertou um arremesso de longe, logo depois Wes Johnson deu um toco em Tim Duncan e na jogada seguinte Kevin Love acertou um arremesso à la Duncan para abrir 4 pontos e decidir o confronto. Estranho demais ver o time jovem jogando com mais frieza no final.  E não foi só isso, mesmo quando o Wolves jogou em velocidade cometeram apenas 9 desperdícios de bola, além de também dominaram nos rebotes ofensivos, 10 a 2. Tem dias que esse time é demais. Pelo Spurs o brazuca Tiago Splitter manteve as boas atuações dos últimos jogos, 12 pontos, 7 rebotes e 2 tocos, e só Tony Parker, Duncan e Richard Jefferson passaram mais tempo do que ele em quadra.

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Fotos da Rodada

Talvez se eu me esconder aqui ninguém perceba que é culpa minha

A prefeita de Oakland, Jean Quan, se diverte no jogo do Warriors

Rudy Fernandez aprende na marra que quem mais apanha é quem separa a briga

Nada deixa Yi Jianlian mais feliz do que brigar por um rebote

Joakim Noah está cagando e andando (ou pelo menos é o que o rosto dele indica)

Rubio chora por ter que fazer a bandeja ao invés de passar a bola

Aproveitamos todas as fotos em que Tim Duncan demonstra emoção

E é isso que "Kiss my ass" significa, crianças

Roddy Beubois levanta os dedinhos para tomar chá

A foto que resume o Orlando Magic

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Resumo da Rodada:
Magic e Celtics fazem história de novo

Primeiro o Orlando Magic tem uma das piores partidas da história da humanidade conhecida, com trocentos recordes negativos. Depois, entra em quadra na noite seguinte contra o Pacers e joga um basquete veloz, coletivo, ultra-agressivo e de defesa impecável capaz de dar um pau na equipe de Indiana. Ontem, contra o Boston Celtics, o Magic conseguiu unir esses dois jogos em um só: no primeiro tempo, chegaram a estar vencendo por 27 pontos, tão agressivos que até o JJ Redick estava atacando a cesta e criando com isso milhões de rebotes ofensivos para o Dwight Howard; no segundo tempo, conseguiram tomar uma surra de pau mole vergonhosa que teve seu ponto alto quando o Magic marcou apenas 8 pontos (oito!) no último período.

A bipolaridade do Magic já é conhecida de longa data e é muito comum em times que dependem de bolas de 3 pontos, é muito fácil abrir largas vantagens quando as bolas de longe estão caindo e, de repente, quando elas param de entrar, a vantagem vai embora rapidinho. Por isso sempre duvidei dessa equipe, falta uma jogada de segurança quando as bolas longas estão num momento ruim. Mas ontem o transtorno bipolar do Magic foi muito além das bolas de 3 pontos, foi um desastre em todos os outros aspectos do jogo e um descontrole mental que faria Rasheed Wallace parecer monge budista. O Celtics voltou para o segundo tempo decidido a provar que não estava morto, acertou a defesa, acertou a rotação no garrafão, e o Magic se descontrolou. Cada hora um jogador aleatório queria salvar a pátria com uma jogada imbecil, e quando a diferença foi sumindo, sumindo, sumindo e o Magic começou a perceber a vergonha em que estava envolvido, começou a querer colocar a bola nas mãos do Dwight Howard, deixar a bomba com ele para o pivôzão decidir. Não preciso nem dizer que não funcionou: o Dwight foi bem marcado (Garnett, em especial, fez um trabalho espetacular), o Magic parou de rodar a bola, todas os passes para o garrafão foram forçados e o Celtics transformou muitos deles em contra-ataques. Foi mais o menos o que aconteceu quando o Pacers parou de jogar o que sabia para forçar bolas para o Roy Hibbert embaixo do aro, deu merda.

Quanto mais perto da derrota, mais o Magic se desesperava e mais merda fazia. O último quarto foi um festival de reclamações e faltas técnicas de um time fustrado, assustado e que não sabe o que fazer nos dias ruins. O Celtics, pelo contrário, mostrou que mesmo com o elenco defasado (Ray Allen está com o tornozelo torcido e talvez volte hoje à noite, Jermaine O'Neal ainda não sabe quando volta de sua lesão no joelho, Rajon Rondo disse que vai perder mais alguns dias com sua dor no punho) e colecionando derrotas, nunca se intimida com um momento ruim ou um jogo atrapalhado. Se tem uma coisa que diferencia esses dois times é a cabeça, os dois já passaram dos seus grandes momentos, mas um está lidando com isso bem melhor do que o outro. O Celtics ainda está longe dos melhores times da liga, mas talvez uma troca ou duas de voltar a competir, já o Magic parece precisar de uma reformulação total. Derrotas como a de ontem são aquelas simbólicas onde todo mundo senta de cabeça baixa no vestiário e diz "Não dá mais".

Melhor momento da partida foi após a partida. Mais uma entrevista pirada do Kevin Garnett. Quando ele está assim todo animado é que você percebe que ele se alimenta de sangue de crianças:



No segundo e último jogo da micro-rodada de ontem, o Memphis Grizzlies vestiu um uniforme dos anos 70 da seleção brasileira de vôlei e foi enfrentar o Los Angeles Clippers, que usou um azul bebê básico supertendência para o verão 2012. Na verdade era uma homenagem a velhos times da ABA, a outra liga americana que veio a se unir à NBA nos anos 70. O uniforme amarelo é o do Memphis Tams e o azul do Los Angeles Stars. 

O LA Stars começou o jogo bem melhor e abriu boa vantagem no primeiro quarto, a maior razão foi o garrafão estupidamente atlético que eles tem. Em certos momentos do jogo que o adversário precisa de muita técnica, calma e cabeça para lidar com DeAndre Jordan e Blake Griffin pulando em cima de tudo e correndo como doidos. Marc Gasol soube melhorar durante a partida, Marrese Speights continuou perdidinho e passou pouco tempo em quadra. A solução para o Tams foi colocar Rudy Gay marcando Griffin na posição 4 e deu bem certo. Tirando uma enterrada do ala do Clippers depois de um bonito giro, nada que mostrasse muita dominância no garrafão ofensivo. Ele jogou bem até, mas deveria ter engolido o Gay vivo para mostrar que não se deve colocar caras improvisados para o defender.

Depois que o Grizzlies empatou o jogo ainda no segundo quarto, a partida foi disputada até o final, quando mais uma vez o herói foi Mo Williams. Sua habilidade de entrar em modo NBA Jam em determinados momentos do jogo tem sido decisivas para o Clippers, especialmente quando isso acontece no último quarto. Lembram do Eric Bledsoe, armador novinho que corre na velocidade de John Wall (Veja a jogada 5 desse vídeo para entender)? Ele está indo para a D-League disputar uns jogos e retomar ritmo de jogo, para depois voltar para o elenco normal do Clippers. Quando isso acontecer, terá que dividir espaço com Mo Williams, Randy Foye, Chris Paul e Chauncey Billups. A imprensa americana cogita que Mo Williams seja o escolhido para ser trocado por um jogador de garrafão. Será que vale a pena? Ele tem sido bem útil até agora.

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Fotos da Rodada


 Glen Davis espia por baixo da saia e descobre que meninos tem pipi, meninas tem vagina


 - Aí um surdo falou pro outro "quê?", e o outro respondeu "hã?"


 - Garçom, vê a conta dessa budega.


 Blake Griffin é marcado por um jogador da seleção brasileira de vôlei


 Bolada no queixo

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Resumo da Rodada - Mais uma batalha de Los Angeles, Calderon herói

Ah, como não amar essas rodadas retardadas com 13 jogos? Que coisa de louco. Pelo menos assim é mais chance de vermos jogos bons, o que tem sido raro em alguns dias. O meu jogo favorito de ontem foi mais um capítulo da Batalha de Los Angeles entre Lakers e Clippers. Se existir um deus do basquete ele está nos preparando para uma série de playoff entre os dois times nessa temporada. Vamos orar!

O jogo de ontem foi o melhor do Lakers na temporada e um dos que mais teve clima de playoff até agora no ano. O Clippers começou melhor, com Caron Butler fazendo 11 pontos nos primeiros 3 minutos de jogo e dando a entender que seria outra lavada do Clippers. Mas aos poucos o Lakers voltou para a partida e empatou tudo ainda no primeiro quarto. Méritos não só da defesa, que melhorou, mas do ataque. O armador novato Andrew Goudelock entrou no jogo durante o primeiro período e já meteu 10 pontos, incluindo duas bolas de 3 pontos, que era tudo o que o Lakers precisava no ataque. Destaque também para Pau Gasol, que foi ultra agressivo no primeiro tempo e não parou de atacar a cesta e fazer grandes jogadas.

Mas passar à frente do Clippers estava difícil. Chris Paul estava de volta e embora não agressivo e atacando como no último jogo entre as duas equipes, estava distribuindo bem o jogo entre as milhares de armas ofensivas que o Clippers tem. Uma hora era Butler fazendo pontos, depois Blake Griffin começou a acertar arremessos de meia distância, Randy Foye de 3 pontos, Mo Williams de qualquer lugar imaginável. Ufa, é difícil demais parar o ataque do Clippers. E pior, quando erram ainda tem DeAndre Jordan, o próprio Griffin e o chato do Reggie Evans atrás de todos os rebotes ofensivos.

Como o Clippers era claramente o melhor time em quadra, o Lakers foi para vencer na raça e na vontade, coisa de time pequeno, mas que funciona. Às vezes exageraram e irritaram os jogadores do Clippers, que naturalmente já são todos nervosinhos. Em uma jogada Josh McRoberts e Reggie Evans se empurraram, se xingaram e tomaram faltas técnicas. Na posse de bola seguinte McRoberts soltou o cotovelo contra Evans e foi expulso. Era certeza que iria acontecer algo assim, misturar esses dois é como colocar dois lutadores em um octógono, eles vão brigar porque acham que o esporte deles funciona assim. Com a diferença que os lutadores estão certos, claro.

A raça que fez diferença foi do jogador outrora conhecido como Ron Artest. Além de bizarramente liderar o time em assistências (7), ele acertou uma bolinha de 3 pontos num momento decisivo e fez todas as jogadas decisivas no último quarto. Roubou bola de Griffin, ganhou bola ao alto, deu toco em Chris Paul e levantou a galera quando batia no peito como King Kong após cada grande jogada. No finalzinho, com o jogo apertado ainda, foi Andrew Bynum quem decidiu a parada. Primeiro recebendo bom passe de Kobe Bryant para fazer uma cesta e depois dando um tocaço em DeAndre Jordan para selar o resultado. Mais uma coisinha para apimentar a rivalidade? Até Pau Gasol e Chris Paul se desentenderam no final! Gasol passou a mão na cabeça de CP3 após um trash talk básico e o armador ficou maluco. Depois do jogo Paul disse que não é filho do espanhol para ele ficar passando a mãozinha na cabeça. Chega, playoff, chega!

Outros dois jogos também foram recheados de emoção e até renderam prorrogações. O Raptors foi até Salt Lake City pegar o Jazz e não é que inesperadamente foi um jogaço? Andrea Bargnani liderou o Raptors, mas aí voltou a se machucar, saiu da partida e ficou com uma cara de cu no banco. Foi então a vez de Linas Kleiza e Jose Calderon acertarem arremessos decisivos nas duas prorrogações que decidiram a parada. O armador espanhol acertou um arremesso de 3 no estouro dos 24 segundos no segundo tempo extra que matou com quase todas as chances do Jazz. Digo quase porque eles ainda poderiam empatar com Devin Harris, mas ele errou 3 lances-livres no último minuto. Assim não pode, champs. Pegue aulas de "decisibilidade" (valeu, Tite) com o Paul Millsap, por favor.

A outra partida com prorrogação foi New Jersey Nets e Philadelphia 76ers. O Sixers entrou no jogo muito sonolento e depois teve que correr atrás. Conseguiu levar para o tempo extra, mas lá pecou muito na defesa (um erro pouco comum para eles) e deixou Deron Williams (34 pontos) tomar conta do jogo. Inexplicavelmente o Sixers aceitou as trocas de marcação nos bloqueios para Williams, então o armador acertou as duas cestas que deram a vitória para o Nets sendo marcado por Jodie Meeks ao invés de Andre Iguodala. Na segunda bola, de 3 pontos, não dá pra entender porque não dobraram a marcação nele para obrigá-lo a passar a bola. Custou muito caro.

Enquanto o Nets vai melhorando, o Bobcats aos poucos se torna o pior time da liga. Nada mais simbólico do que perder um jogo para o Wizards para receber essa afirmação. E pior, perderam por quase 20 pontos de diferença marcando apenas 72 pontos. Depois de algumas boas semanas no começo da temporada o Bobcats vai tendo os resultados que a gente esperava ver. Com esse elenco vai ser difícil ir muito longe. Outro que vai de mal a pior é o New York Knicks. Depois de uma animadora vitória na rodada anterior eles agora perderam para o Cavs! E mais uma prova de que o ataque é o problema deles é que fizeram apenas 81 pontos, acertando 42% dos arremessos. Carmelo Anthony, com 5/14 arremessos, vive uma das piores fases que eu já vi em sua carreira. E nem dá pra colocar a derrota nas costas do Kyrie Irving, o novato-estrela do Cavs fez apenas 7 pontos e não jogou bem.

Um jogo emocionante aconteceu em Detroit, onde o Pistons recebeu o Heat. Era difícil esperar algo disputado já que o Pistons fede mais que esgoto e ainda estava sem Tayshaun Prince. Mas não é que colocar a pivetada (como todo mundo no mundo inteiro pede faz tempo) deu certo? Nos melhores momentos do Pistons no jogo, em especial quando tomaram a liderança no último quarto, o time era quase juvenil: Brandon Knight, Rodney Stuckey, Austin Daye, Jonas Jerebko e Greg Monroe. Por alguns minutos parecia que o Pistons até tinha um futuro pela frente! Mas tudo foi por água abaixo quando eles tremeram na hora H. Vencendo por 3 pontos, Brandon Knight errou dois lances-livres. Logo depois eles tomaram 4 pontos seguidos de lances-livres de LeBron James porque não tinham ideia de como marcá-lo. E em um arremesso decisivo o Austin Daye, que estava com 28 pontos, máximo de sua carreira, deu um airball. O pivô Greg Monroe, um dos jogadores que mais faz ponto no garrafão nessa temporada, também errou bolas importantes no final. Que pelo menos o técnico Lawrence Frank continue dando tempo de quadra para a pirralhada, eventualmente eles aprendem a fechar jogos.

No resto da extensa rodada o Indiana Pacers fez um jogo impecável na defesa para bater o Chicago Bulls. O time do MVP Derrick Rose até teve chance de empatar o jogo no final com uma bola dele, Brian Scalabrine, mas o arremesso sem marcação saiu curto. Bizarro que o White Mamba estava em quadra por causa de sua defesa em David West. Sim, Carlos Boozer perdeu a vaga no time nos momentos finais do jogo para o Scalabrine. Fim de carreira. Em Houston o Rockets finalmente parou de ganhar e foi estranhamente em um jogo contra o Bucks! Pela primeira vez em séculos o Bucks teve um ataque balanceado e produtivo, passando dos 100 pontos, e viraram um jogo que parecia nas mãos do Rockets após o segundo quarto. Tem de tudo acontecendo nessa temporada da NBA.

Com bocejos o Thunder nem precisou suar tanto assim para vencer o New Orleans Hornets e continua o time mais regular da temporada até agora. Sem jogos emocionantes, simbólicos e eletrizantes (a não ser contra o Grizzlies) eles vão se encaminhando para ter mando de quadra contra todo mundo na pós-temporada. Em Dallas o Mavs-Sem-Nowitzki aproveitou a visita de JJ Barea e fez finalmente sua cerimônia de entrega do anel de campeão. Mas em quadra não sobreviveu a Kevin Love (31 pontos), que arrasou mais uma vez e provou merecer cada milhão de seu novo contrato. Já o Spurs venceu o Hawks (que contou com a estreia de Kirk Hinrich na temporada) com mais um bom jogo de Tiago Splitter (16 pontos, 8 rebotes). Está virando rotina, tava na hora, né? Já o Nuggets atropelou sem dó o Kings por 122 a 93. Danilo Gallinari fez todos os seus 23 pontos no primeiro tempo e liderou 7 jogadores do Nuggets com dígitos duplos. É o ataque mais versátil da liga hoje em dia.

No último jogo da rodada o Golden State Warriors bateu o cambaleante Portland Trail Blazers. Vencer o Blazers não está tão difícil como há algumas semanas, mas o estranho foi fazer isso com Monta Ellis marcando apenas 4 pontos! Algumas vez vocês já haviam visto Ellis dar mais assistências (12) do que arremessos tentados (9)? Fato histórico. Os pontos foram compensados por Steph Curry (32) e David Lee (21). Lee precisa de um armador puro para jogar, disso a gente sabia, mas que ele seria o eterno fominha Monta Ellis é uma surpresa. Ellis está com média de 7.2 assistências por jogo após ter média de apenas 4 no resto da carreira.

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Fotos da Rodada

Aqui é paz mundial, caralho!

Hands down, man down!

DeAndre Jordan tenta estragar o aro de STAPLES Center na sua 90ª enterrada do dia

Splitter até ameaça sorrir e irrita Greg Popovich

Noah foge de um terrível monstro de muitos braços

Tony Parker e sua homenagem a Bruce Lee Bowen

Erik Spoelstra é da Independente

Em nome de Duncan, Robinson e Popovich, amém. 

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Por amor

Vinde a mim as criancinhas

Kevin Love
, o jogador que fez 18 double-doubles em suas última 19 partidas, que venceu o Clippers num arremesso de último segundo, que marca 25 pontos por jogo (quarto melhor da NBA) e que pega 14 rebotes por partida (segundo melhor da NBA), acaba de aceitar uma extensão de contrato de 60 milhões de doletas por 4 anos com o Wolves. Com o Wolves, crianças, aquele time que fica em Minessota, lugar em que nem os ursos querem viver. Aquele time que era motivo de piada e vergonha desde que Garnett saiu de lá. Aquele time de que os jogadores deveriam fugir desesperados assim que seus contratos acabassem. 

A extensão de contrato de Kevin Love é muito mais do que um jogador bom aceitando continuar em sua franquia, ela é também a vitória do General Manager David Kahn e de todos os mercados pequenos da NBA. Hoje em dia, basta um jogador se destacar numa franquia porcaria para começar a aguardar com ansiedade o fim do seu contrato e assinar com, adivinha, Lakers, Knicks, Mavs, Heat. Todo mundo quer jogar nos grandes mercados, nas grandes equipes, ter chance de título. É normal, todos nós vimos como jogadores fantásticos são tratados como cocô caso não ganhem títulos (LeBron, alguém?) ou como são completamente esquecidos quando jogam em pequenos mercados (Bosh em Toronto, Elton Brand no Clippers). Muito se falou, durante as negociações entre donos e jogadores no locaute, de novas regras que favorecessem as equipes pequenas, que incentivassem os jogadores a não ir parar todos em Los Angeles ou  em New York. Mas insistimos aqui: os jogadores querem ir jogar nas cidades mais legais, algo que independe das regras do basquete, e querem também equipes com chances de título, algo que varia muito de tempos em tempos. Já houve uma época em que todo mundo queria ir jogar em Sacramento só porque o Kings da década passada chutava traseiros, e agora todas as estrelas já estão colocando o Clippers como eventual possibilidade de destino. 

Minessota nunca vai convencer ninguém a ir lá curtir o turismo, e também não pode oferecer chances de título a curto prazo. Equipes assim acabam perdendo suas jovens estrelas, draftadas com tanto esforço, para equipes melhor estabelecidas. Mas aí é que entra David Kahn e sua política com o Wolves. Desde que assumiu a brincadeira, instituiu uma comunicação clara tanto com a imprensa quanto com seus jogadores. Explica porque está contratando cada jogador, o que espera deles, deixa que façam cagadas em quadra para aprender, e insiste em ter um time rápido e veloz. Trocou jogadores insatisfeitos ou que mereciam mais espaço em quadra como Al Jefferson e Jonny Flynn para deixar o elenco contente e ficar com fama de que trata bem seus jogadores, nem que seja liberando eles para ir jogar em outros lugares. Ao invés de fazer como o Clippers, que era uma prisão de jovens estrelas que só queriam dar o fora dali assim que pudessem, Kahn apostou em criar um lugar legal para se jogar, chamou o Rick Adelman para ser o técnico e colocar em prática seu esquema ofensivo livre e criativo, e segurou com unhas e dentes o novato Ricky Rubio. O armador choramingou quando foi draftado pelo Wolves, quis ficar na Espanha, dizem que pediu para ser trocado para o Knicks, mas Kahn insistiu em mantê-lo mesmo tendo que esperar anos para que o armador voltasse da Europa, e durante esse tempo manteve contato constante com o pirralho, acompanhou treinos e jogos, cuidou da papelada e tranquilizou o menino com definições claras de qual seria seu papel em quadra, quantos minutos teria e qual seria o estilo de jogo da equipe. Agora temos o fenômeno Ricky Rubio, que o Denis explicou tão bem em um post recente, o Wolves se tornou um time obrigatório de se assistir mesmo que não ganhe bulhufas, e o Kevin Love está feliz por lá: dando espaço aos trocadilhos panacas, Love agora ama sua equipe e vai ficar justamente por isso, por amor. Poderia ir para outra equipe melhor, mas está satisfeito lá, num mercado pequeno e sem chances de título, ao menos por enquanto.

Os mercados pequenos precisam ser bem gerenciados, precisam criar estruturas funcionais e que respeitem seus jogadores. Com o Wolves tem funcionado, e até o Clippers agora é um time respeitado. Kevin Love continuará na sua equipe, enchendo as orelhas de grana, e o Wolves pode voltar aos playoffs em breve com um elenco divertidíssimo de acompanhar, lembrando os tempos em que Garnett (nesse mesmo mercado pequeno) levava o Wolves às finais do Oeste. E olha que ele nem tinha Ricky Rubio. Os mercados grandes possuem vantagens naturais, é claro, mas as outras equipes estão dando um jeito e o Wolves deu, hoje, seu maior passo rumo aos grandes.