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terça-feira, 8 de março de 2011

Fetiche por gigantes

Se o Brooks já era porra-louca, imagina quantas mães ele vai arremessar no Suns


Com a chegada da data limite para trocas na NBA, trocentos times resolveram fazer mudanças importantes. Alguns resolveram que era época de reconstruir, outros conseguiram peças importantes para tentar chegar ao título. Desde então sentamos e analisamos todas essas trocas, Jeff Green para o Celtics, Hinrich para o Hawks, Mo Williams para o Clippers, Deron Williams para o Nets, Carmelo para o Knicks e Gerald Wallace para o Blazers, além dos jogadores que foram dispensados e trocaram de time após as trocas, como o Mike Bibby indo para o Heat e o Troy Murphy indo para o Celtics. Só faltaram duas trocas, que são a parte que me cabe neste latifúndio. Como bom torcedor do Houston, é meu dever de cidadão analisar a troca que mandou Aaron Brooks para o Suns pelo Goran Dragic mais uma escolha de draft e a troca que mandou Shane Battier de volta para o Grizzlies pelo Thabeet e uma escolha de draft. Legal, vamos voltar do carnaval (em que você passou o dia inteiro atrás de atualizações do Bola Presa clicando com cara de fracasso vendo sua lista vazia no MSN, ou então estava bêbado demais para se importar com basquete) e nos deparar com mais um texto sobre o Houston escrito pelo lambedor de bolas oficial do Yao Ming. Ah, não é uma delícia fazer o que a gente bem entende?

No post sobre a troca do Blazers, lembramos do processo de reconstrução da equipe que começou mandando embora Zach Randolph, então melhor jogador da equipe. Mesmo sem outras trocas, escolhas de draft ou contratações, o Blazers já melhorou imediatamente só de não ter o Randolph em quadra. Em parte porque ele era um buraco negro (quando a bola chegava nele, nunca mais escapava), em parte porque ele produzia bons números mas não defendia bulhufas, mas o motivo principal da melhora da equipe foi que  a saída do Randolph abriu espaço para outros estilos de jogo e deu oportunidade para outros jogadores mais jovens. Cada caso é um caso, não é sempre que funciona, o Cavs sem seu melhor jogador virou um dos piores times da NBA, mas às vezes vale a pena perder uma peça que parece essencial e dar minutos ao resto do elenco. Curiosamente é o que está acontecendo com o Nuggets, por exemplo, que sem o Carmelo agora pode se dedicar a um sistema de jogo defensivo e dar minutos a um elenco bastante profundo. Com o Houston aconteceu algo parecido, mas em menor grau.

Desde que o Tracy McGrady foi boicotado e mandado embora, o time continua com sua política de manter um jogo coletivo e sem estrelas que consegue fazer estrago, mas que sem Yao Ming provou que não vai a lugar nenhum. Aaron Brooks foi um dos melhores jogadores da equipe nas duas últimas temporadas, foi líder da NBA em bolas de 3 pontos, deu sufoco para o Lakers nos playoffs e assumiu a responsabilidade nos momentos decisivos de inúmeras partidas - mas ele ainda era apenas mais um armador em uma equipe cheia até as orelhas de outros armadores. Rapidamente ele foi de jogador mais importante para jogador mais desnecessário - e a equipe melhorou muito sem ele.

Isso aconteceu porque a defesa do Houston desmontou inteira sem Yao Ming. Tendo que usar um garrafão muito baixo e com limitações defensivas graves (jeito simpático de dizer que todo mundo fede), a tática de afunilar a defesa para o centro do garrafão virou farofa. Os jogadores de perímetro passaram a ser responsáveis por impedir os adversários de infiltrar, e não de forçar a infiltração pelo meio como antigamente. O problema é que Kevin Martin e Aaron Brooks são simplesmente terríveis na defesa mano-a-mano, é de dar vergonha. Com os dois em quadra como titulares, a defesa da equipe virou uma peneira, mais aberta do que passista bêbada de escola de samba, e vários jogos foram perdidos por pouco no começo da temporada justamente porque o Houston não conseguia impedir pontos nos minutos mais importantes. A temporada foi pro saco bem no começo, com os jogos perdidos por pouco, e desde então o time não fez outra coisa além de correr atrás do prejuízo em busca de uma vaga nos playoffs.

Quando o Brooks se machucou e Kyle Lowry assumiu a armação da equipe, as coisas melhoraram muito. Lowry é um excelente defensor, um dos melhores na posição, e bastou que tivesse mais minutos (e se recuperasse da própria lesão que sofreu) para se acostumar com as funções do Brooks e começar a acertar os arremessos de três pontos que eram característica do antigo dono do cargo. A profundidade do elenco também apareceu com a contusão do Brooks: o Courtney Lee, também excelente defensor, joga muito bem quando tem minutos decentes. Chase Budinger se destaca nas bolas de três se o armador não arremessar tanto. Ish Smith, que teve minutos quando todos os outros armadores estavam lesionados, mostrou que consegue segurar as pontos. E Terrance Williams, que anda destruindo nos treinos da equipe, só não entra em quadra pra pontuar como um maluco porque ele é essencialmente igual ao Brooks no que tange à defesa.

Ou seja, não deu pra sentir falta do Brooks enquanto ele esteve contundido. Tem armador de baciada para entrar no seu lugar, incluindo um armador que sequer tem espaço para ser utilizado e que faz as mesmas coisas que ele. O time ainda tem suas dificuldades, continua perdendo, mas é melhor com Kyle Lowry armando e o resto dos armadores tendo oportunidade em quadra. O Brooks é bom, isso é inegável, mas Lowry é um armador mais experiente com uma carreira inteira em que foi reserva e merecia ser titular, é bonito ver ele finalmente morder a vaga e não largar mais.

Quando voltou de contusão, o Brooks foi pro banco de reservas. Sua vaga como titular estava tomada em definitivo, não adiantava chorar. Seu contrato acaba nessa temporada, então era bem óbvio que o Houston não iria reassinar o armador por uma bagatela e que o Brooks iria procurar outros ares. Seria normal perder o armador por nada e respirar aliviado com o espaço criado pela sua partida, coisa de elenco profundo e nenhuma chance de título, mas o Houston conseguiu trocá-lo numa jogada de mestre. Porque o Suns não sabe o que faz.

O Goran Dragic não estava jogando bem em Phoenix, é verdade, mas ele comandou o ataque do Suns nos playoffs passados com algumas partidas simplesmente espetaculares e é disparado o melhor defensor da equipe na posição (o que não quer dizer nada num time que tem o Nash, claro). Faz tempo que o armador esloveno está sendo cuidadosamente criado para assumir o time numa possível saída do Nash, mas parece que o Suns simplesmente encheu o saco. Mandaram o armador embora, junto com uma escolha de draft (do Suns, se eles não forem para os playoffs, ou do Magic, caso eles consigam ir) e pegaram o Brooks para assumir a reserva e o Ish Smith pra segurar as pontas quando Nash e Brooks jogarem ao mesmo tempo em quadra numa formação mais baixa. Caso a equipe tenha esperanças de se dar bem nos playoffs, o Brooks pode ser uma boa - ele fez chover contra o Lakers, é mais rápido que o Dragic, arremessa melhor e tem experiência levando um time nas costas na pós-temporada. Mas para assumir o lugar do Nash, a troca não faz sentido. O contrato do Brooks vai acabar nessa temporada e não há garantia de que ele vá reassinar com o Suns. A troca pareceu apenas um empréstimo para ver se a equipe consegue ir bem nos playoffs nessa temporada, o que é ridículo. Desde quando o Suns deveria se importar com essa temporada? Tudo bem que o time deveria feder mas nunca fede, que eles continuam ganhando mesmo quando a gente espera que eles desmontem, mas alguém realmente acredita que essa equipe que depende do Channing Frye e do Vince Carter vai a algum lugar? Quando finalmente achamos que o Suns vai se tocar, entrar em reconstrução e trocar o Nash, eles insistem em vencer uns jogos bizarros, continuam com chances de ir pros playoffs e fazem uma troca que não pensa em nada no futuro. Não entendo esse time nem lascando. Pra mim foi a troca mais desequilibrada da data limite, o Houston cometeu um assalto à mão armada e o Suns tá lá, feliz da vida, achando que dá pra vencer o Spurs nos playoffs e mandar o futuro às favas. Legal. Se eles forem campeões com esse time mequetrefe, sendo que não conseguiram com Amar'e e Jason Richardson, façam favor de jogar esse mundo fora porque não vou querer viver nele.

A outra troca do Houston tem muito em comum com a primeira. Os jogadores que ganharam espaço com a lesão do Aaron Brooks, como Courtney Lee e Chase Budinger, não apenas se mostraram competentes com os minutos como também são o futuro do Houston, que não tem motivo para pensar no agora. Shane Battier é um gênio, continua sendo um dos melhores defensores da NBA e é mais obediente do que cachorro de cego, respeita toda e qualquer instrução tática, lê bem o jogo e executa bem todas as pequenas coisas como se jogar no chão e dar cabeçadas em muros de concreto. Mas ele é o tipo de jogador essencial para equipes que querem ser campeãs, não para equipes que estão formando elencos profundos baseados em pirralhada. Ele era a peça final para levar Yao e Tracy McGrady ao titulo, o Houston até abriu mão do Rudy Gay novato porque não tinha paciência para esperar o pirralho amadurecer. Mas o título não veio, as lesões não deixaram, o Rudy Gay virou estrela no Grizzlies e o Battier agora não é mais necessário. Com o contrato expirante do Yao Ming, o Houston vai ter grana para decidir quais jogadores jovens manter e quem trazer para dar uma força, mas está longe de ter chances reais pelos próximos anos. O Battier estava sendo pouco aproveitado. Isso ficava óbvio quando o Houston vencia jogos graças às bolas de três pontos do Battier, não graças à sua defesa. Toda vez que ele entrava em quadra com a mira calibrada, as chances de vitória da equipe eram muito maiores. Pronto, agora o Houston pode usar o Chase Budinger de titular que é especialista nas tais bolas de três e o Courtney Lee pode brilhar na defesa arremessando muito melhor do que o Battier jamais arremessará. Ponto pra meninada.

No Grizzlies a situação é inversa. Agora o time se leva a sério, a reconstrução feita aos trancos e barrancos que começou com a troca do Pau Gasol deu resultado, e eles realmente acreditam que podem surpreender nos playoffs. O projeto do Grizzlies teve um monte de tropeços, o OJ Mayo deu dor de cabeça e foi deixando de ser usado, o Hasheem Thabeet veio com a segunda escolha do draft mas não está pronto para a NBA, o Rudy Gay se contundiu no meio dessa temporada (e só volta agora no final de março), e mesmo assim o Grizzlies continua impressionando todo mundo com uma defesa sufocante e vencendo jogos que não deveria vencer. É um time de verdade capaz de garantir uma vaga nos playoffs e surpreender qualquer adversário através da defesa. Quão bizarro é isso num time que tem Zach Randolph como titular? É maluco mas é real, e agora o Grizzlies precisa acreditar que pode vencer imediatamente, preparando terreno para a inevitável evolução da equipe. Tony Allen encontrou nova vida após o Celtics com a sua forte defesa individual, então Shane Battier com certeza vai se encaixar no esquema defensivo, quebrar um galho nos rebotes enquanto Rudy Gay está fora, e fazer as pequenas coisas que o time precisa nos playoffs. Ainda que o contrato do Battier também seja expirante como o do Brooks, tudo leva a crer que o Battier vai ter muitos movitos para continuar na equipe após essa temporada e terá um papel importante na campanha da equipe nos playoffs e no futuro.

Para conseguir Battier, o Grizzlies teve apenas que desistir de uma escolha de draft futura (provavelmente de 2013, quando eles esperam estar na elite da liga) e de uma cagada, o pivô Hasheem Thabeet. Todo mundo sabia que o pivô estava mais cru do que sashimi quando foi draftado, mas o Grizzlies insistiu em gastar uma segunda escolha com o rapaz. Agora que precisam vencer hoje mesmo, não dá pra esperar mais 10 anos até que o pivô aprenda a amarrar os próprios cadarços. O Houston pode ter essa paciência numa boa, e está tão desesperado por um pivô que vale até a pena arriscar um jogador que precisa de ajuda para se limpar quando vai ao banheiro. O lado positivo pro Houston é que o Thabeet não foi um fracasso completo como novato. Ele teve média de mais de um toco por jogo mesmo ficando em quadra por pouco mais de 10 minutos. Ele é um poste gigantesco com 2,21m de altura capaz de alterar muitos arremessos e bloquear outros tantos, mas com dificuldade para correr de um lado para o outro, técnica nenhuma no ataque e físico inferior ao do Justin Bieber. Se o Houston quer voltar a ter uma presença defensiva no garrafão para que a defesa do perímetro afunile em sua direção, como fazia com Yao e com o Mutombo, o Thabeet é uma esperança. O Grizzlies foi ficando bom e aí não fazia mais sentido dar minutos para o pirralho que só sabe dar tocos, o Houston pode esperar mas é bem capaz que também fique bom demais antes do pivô deslanchar, e aí não vai fazer sentido usá-lo. Por enquanto o Houston está sendo cauteloso, avaliando o Thabeet nos treinos, ainda vendo se a nova formação da equipe se encaixa e se tem chances de lutar por uma oitava vaga. Em breve ele vai ganhar mais chances e minutos, coisa de time com fetiche por pivôs com mais de 2,20m de altura. É legal ganhar um pivô com potencial em troca de um jogador que não era mais tão útil e cuja partida abrirá espaço para outros jovens promissores, mas convenhamos: ficar dependendo de pivôs gigantes mostra que o Houston definitivamente não aprendeu uma lição importante sobre a saúde desses jogadores-aberrações. Aposto que o Grizzlies agora respira aliviado por não ter que lidar com essa bomba, mesmo que no futuro o pivô venha a render alguma coisa. É melhor garantir umas vitórias agora do que ter que carregar o fardo de uma péssima escolha de draft pra vida toda. O fardo agora é do Houston, mas é mais leve porque é só uma pequena aposta que custou pouco - desde que a equipe não morra de amores pelo pivô e deposite todas as suas fichas nele. Mas como ele mal entrou em quadra desde que a troca aconteceu, não acho que seja o caso. Como torcedor, também não vou esperar grandes merdas, vou só ficar de olho porque, né, vai que dá certo?

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Reconstrução ideal

O Perkins gosta de dançar valsa

Em novembro do ano passado, num post sobre o Thunder, o Denis escreveu o seguinte:

"Para o Oklahoma City Thunder se tornar a potência do Oeste que a gente sonhava antes da temporada começar, algumas coisas tem que mudar. A primeira é a defesa, que não pode ser tão fraca, isso é o ponto central. E a segunda é o próprio elenco. O Jeff Green é um jogador versátil e muito bom, mas completamente dispensável nesse time. Ele é bom demais para ser um reserva com poucos minutos, sua presença como ala de força só atrai mais ataque ao garrafão e mina os minutos do promissor Ibaka. Na posição três já tem Durant. Deveriam aproveitar que o Green é muito bom e simplesmente trocá-lo. Eles podem muito bem usar esse ótimo talento como isca para buscar mais arremessadores de três e uma presença defensiva no garrafão, talvez até um cara com mais experiência."

Pois bem, foi exatamente o que o Thunder fez. Com a evolução do Ibaka, Jeff Green se tornou dispensável. A forte defesa que vimos o Thunder empregar contra o Lakers nos playoffs passados, baseada no jogo coletivo e na defesa por zona, simplesmente desapareceu agora que o time se leva a sério e não é mais uma zebra em quadra jogando pela sua vida. Cole Aldrich, pivô defensivo draftado pela equipe, chegou tão cru que foi mandado para a D-League. Então o Thunder foi atrás de uma presença defensiva para o garrafão, um cara com mais experiência, usando o Jeff Green como moeda de troca - exatamente como o Denis sugeriu.

Em seu texto sobre novas estatísticas (aquele que deu polêmica porque questionou-se a fama do Kobe na hora de fechar jogos), o Denis constatou que a fama do Kendrick Perkins de ótimo defensor é justificada no aproveitamento dos adversários perto do aro, mas não no aproveitamento dos pivôs que jogam mais longe da cesta. Não é acaso, então, que o Celtics é o time que menos toma pontos no garrafão nessa temporada - e o Thunder é, justamente, o terceiro que mais toma pontos no garrafão! Se o Celtics procura, sei lá porquê, alguém para defender os pivôs que tem fobia de garrafão, tipo o Chris Bosh, vão encontrar alguma ajuda no Jeff Green. Mas para o Thunder, nada poderia casar tão bem com suas necessidades como Kendrick Perkins: ele é experiente, bem rodado nos playoffs, sua maior qualidade é justamente a defesa próxima ao aro, e ele não exigirá a bola no ataque, permitindo que Durant e Westbrook continuem monopolizando o sistema ofensivo. O casamento do time com o jogador é tão perfeito que basta algum sucesso nos playoffs para que Perkins passe a considerar com carinho uma extensão de contrato no Thunder, que pode oferecer bem mais grana do que o Celtics jamais poderia. O Nate Robinson complica um pouco mais as finanças (são mais de 4 milhões por ano), mas deve ajudar o ataque do time em minutos limitados e não compromete um futuro contrato para o Perkins. Seja lá qual for a água que o Danny Ainge bebeu e quais os medos que ele tivesse à noite do Celtics tomando um pau do Chris Bosh, a troca foi um sonho de debutante para o Thunder e torna a equipe imediatamente uma potência do Oeste. Pode não ser campeã agora, mas não tem problema. A única coisa que importa é convencer o Perkins a continuar no time e esperar alguns poucos anos até que equipes com artrite como Spurs e Celtics - e até o Lakers - não possam mais competir em alto nível. O Thunder é agora uma equipe para dominar a NBA por uma década, e que pode se dar ao luxo de esperar alguns anos antes de chegar ao topo. Até lá, deve manter todo mundo motivado com os estragos que farão nos playoffs, e com essa possibilidade constante e real de vencerem agora mesmo a qualquer momento, bastando um deslize adversário. O Thunder é montado para vencer agora mas pode esperar se necessário. É o plano perfeito, e o Perkins parece perceber. Já deu todas as indicações de que sua prioridade é assinar uma extensão com o Thunder, jogou no lixo seus tênis verdes a pedido dos companheiros de equipe, e se negou a usar uma bola verde no seu treino de fisioterapia, dizendo que não quer mais pensar no Celtics, que isso é passado (parece inclusive estar meio puto com a troca, mas disposto a abraçar seus novos companheiros). Ele deve ficar fora mais umas duas ou três semanas em reabilitação, mas o Thunder não tem pressa - ao mesmo tempo em que faz de tudo para manter o time competitivo e funcionando.

Isso fica ainda mais claro com a outra troca da equipe na data limite. Como o Thunder mandou o Nenad Krstic (além do Jeff Green e de uma escolha de primeira rodada) na troca pelo Perkins, foram atrás de outro pivô para tapar o buraco imediatamente. Poderiam improvisar o Nick Collison, poderiam esperar o Cole Aldrich amadurecer, mas o Thunder quer estar constantemente pronto para ganhar um título desde já - sem no entanto comprometer as chances de futuro colocando todas as fichas no agora. Por isso mandaram o contrato expirante do Morris Peterson e o pirralho DJ White em troca do pivô Nazr Mohammed. Eu sei que é bizarro, mas eu sou muito fã do Mohammed. Ele fazia estrago no Knicks de muitos anos atrás, foi campeão com o Spurs, é obediente taticamente, bom nos rebotes e pode fazer muito estrago se o ataque passar por ele graças aos seus movimentos embaixo do aro. Nunca foi muito aproveitado desde os tempos de Knicks, mas sempre rende quando recebe minutos. No Thunder ele ajudará imediatamente nos rebotes defensivos e poderá render no ataque quando a equipe quiser se impor no garrafão. Mas como seu contrato é expirante, o Thunder deixa seu garrafão mais forte sem ter que se comprometer financeiramente, podendo reassinar com o Mohammed por pouca grana depois ou apenas usar o dinheiro em outros jogadores ou renovar com a pirralhada. Time pronto pra vencer agora, mas sem estragar as finaças futuras.

Essa troca deixa o Thunder ainda mais forte e ela só é possível por um motivo muito estranho: o Bobcats desistiu. Vida de time que nasceu em expansão é uma droga, o time começa só com os jogadores que os outros não querem, não consegue convencer ninguém a ir jogar lá, e fica dependendo só de escolhas de draft. O Bobcats capengou especialmente no draft, escolhendo jogadores que nunca renderam aquilo que se esperava, mas há anos sempre flertam com uma vaga nos playoffs. A crença de que o time uma hora iria ficar maduro e chegar nos playoffs com tudo levou a trocas por jogadores veteranos como Stephen Jackson e Boris Diaw, e os pirralhos foram ficando de lado em nome da perseguição de uma vaga na pós-temporada. Talvez o que faltasse fosse um bom técnico como Larry Brown, pensava-se, mas as limitações do elenco ficaram ainda mais evidentes com o esquema rígido e defensivo do técnico vovô. O flerte com uma vaga pros playoffs continua, mas para quê? A equipe fede, o time não tem estrelas, os novatos não dão certo, então de que adianta conseguir uma oitava vaga nos playoffs do Leste pra tomar um cacete, não conseguir uma boa escolha de draft e ficar nesse limbo eterno? Depois de uma série de cagadas em anos de draft e contratações, o Jordan resolveu fazer o que está tão na moda com equipes que não fedem e nem cheiram e não dão lucro por causa disso: apertar o botão do apocalipse. Começou se livrando do Mohammed, que nem tinha tantos minutos assim, para conseguir um pirralho cheio de potencial, o DJ White, que o Thunder nunca teve espaço para usar.

E o plano de apocalipse do Bobcats deu seu passo mais decisivo quando mandou Gerald Wallace, provavelmente o melhor jogador da equipe, para o Blazers em troca do pirralho Dante Cunningham, o contrato expirante de Sean Marks e Przybilla e duas escolhas de draft (a do Hornets em 2011 e a do Blazers em 2013), além de grana. O plano é conseguir jogadores novos, escolhas de draft e contratos expirantes, pra não ter que pagar o salário do Gerald Wallace em um time em reconstrução. É claro que o Wallace vale mais do que isso, mas várias propostas foram feitas e nenhum time quis pagar pelo salário de um jogador que está numa temporada pior do que as últimas e que vive se machucando. Outros jogadores como Stephen Jackson e Boris Diaw também não encontraram recebedores por enquanto, mas devem ser trocados o mais rápido possível. São tempos de economizar e se focar na pirralhada e no draft. A crise econômica e os times fortes demais no topo das Conferências tornaram essa postura comum demais na NBA, mas não dá pra criticar. Depois de fazer muita merda, finalmente Michael Jordan tem um pouco de bom senso e tira o pé do acelerador em Charlotte.

Quem se deu bem com isso foi o Blazers, que já estava ameaçando ver seu plano de reconstrução virar farofa. Eu tinha um post preparado sobre isso, sobre o Blazers, mas acho que algumas das informações contidas nele são essenciais para entender a importância dessa troca para eles.

Não faz muito tempo, o Blazers fascinou todo mundo na NBA com um plano de reconstrução corajoso, fantástico e eficiente. O primeiro passo foi se livrar de seu melhor e mais caro jogador, Zach Randolph, em troca de quase nada. A equipe tinha chances de playoffs, e mesmo assim o Randolph foi simplesmente mandado embora. Os minutos começaram a ir para a pirralhada, o jogo deixou de ser centralizado nas mãos de um jogador só, a defesa virou foco principal sem o Randolph que não defendia nem ponto de vista, e o Blazers começou a se dedicar ao draft. Além das próprias escolhas e das escolhas recebidas em trocas, passou a comprar com dindim escolhas de primeira rodada de times que lutavam por um título e não tinham espaço para novos jogadores.

A tática para o draft também foi constante: escolher os melhores jogadores disponíveis, não importando os receios com lesões ou posição em quadra. O resultado foi incrível: o Blazers de repente era uma equipe com trocentos jogadores talentosos em tudo quanto é posição e ganhando experiência rápido. Chegou ao absurdo de ter tanto jogador novo e bom que não havia mais espaço para todos, começaram a surgir os descontentes com os minutos ou o número de arremessos por partida. Isso criou fortes moedas de troca, espaço salarial e - vejam que legal - um time forte nos playoffs.

Quando Travis Outlaw reclamava que queria arremessar mais e Steve Blake era apenas um de uma série de oitocentos armadores jovens na equipe, o Blazers mandou seus contratos expirantes em troca do Marcus Camby, substituto para o Greg Oden em caso de lesões. Agora, fizeram a mesma coisa: usaram o contrato expirante do Joel Przybilla (que foi conseguido às pressas com a lesão do Camby) e umas escolhas futuras de draft para trazer Gerald Wallace. O plano de reconstrução do Blazers, focado em se livrar dos melhores jogadores e dar espaço para a pirralhada, permitiu que o time tivesse as possibilidades e as ferramentas para trazer veteranos como Camby, Andre Miller e agora Gerald Wallace. Trazendo veteranos e se livrando de escolhas de draft, podemos entender finalmente o processo de reconstrução do Blazers como terminado. Agora eles se focam nas chances de ganhar já, não mais no futuro distante.

O problema é que esse processo de reconstrução tão eficiente que nos deixou tão apaixonados (e que gerou tantos clones por aí, tipo o Bobcats de agora) chegou a um ponto estranho em que me sinto seguro de dizer que ele está à beira de fracassar. Eu sei que os engravatados encerraram a reconstrução e agora estão se focando em vitórias, mas pra mim esse processo não levou a um plano de vitórias, levou a desespero e, agora, improviso.

Brandon Roy é uma estrela inegável. Chutou traseiros nos playoffs, foi All-Star em seu segundo ano, e levou o Blazers à relevância de novo. Sua altura permite que ele possa jogar tanto de ala quanto de armador, mas ele rende melhor quando joga de PG, de armador principal. No final de todos os jogos é ele quem chama as jogadas, executa e distribui a bola, e o Blazers é muito mais eficiente quando isso ocorre. Assim que o Andre Miller chegou, um armador cerebral e que mantém a bola nas mãos, ele e Brandon Roy já começaram a bater cabeça. O descontentamento dos dois gerou brigas nos vestiários e boatos sobre trocas. Tudo enquanto Rudy Fernandez, com minutos limitados graças ao elenco jovem e profundo da equipe, pedia incansavelmente para ser libertado e poder voltar pra casa. São questões que desapareceriam em um time com chances de título, mas essas chances viraram farofa com as lesões de Greg Oden, que ainda não conseguiu uma temporada sem ter os joelhos desmontados como Lego.

A reconstrução do Blazers trouxe jogadores demais que começaram a bater cabeça quanto ao seu espaço na equipe. A chegada dos veteranos, essenciais para consolidar as chances nos playoffs, complicaram o andamento da equipe. E os bagos do Blazers para draftar ou contratar jogadores com riscos de lesão viraram cagada quando Przybilla, Camby, Jeff Pendergraph, Greg Oden e Brandon Roy estavam todos juntos no hospital jogando dominó. Gerald Wallace, que nunca teve uma temporada sem lesões sérias, chega à equipe para reforçar a jogatina de dominó, provavelmente.

Greg Oden nunca esteve saudável, jogou uma temporada inteira na faculdade com apenas uma das mãos antes de ser draftado pelo Blazers. Mas o caso do Brandon Roy parece ainda pior. O jogador foi draftado pelo Wolves, que tentou trocá-lo imediatamente minutos depois após alertas dos médicos da equipe. O Blazers topou na hora e se deu muito bem, mandaram o Randy Foye e receberam um futuro All-Star. Mas agora Brandon Roy já passou por três cirurgias nos joelhos desde que entrou na NBA. Nos playoffs passados ele passou por uma cirurgia nos dois joelhos dias antes do início da primeira rodada contra o Suns, e voltou a tempo de entrar no Jogo 4 - nitidamente lento e com dores. Na época, ele já tinha sido avisado que não tinha mais qualquer traço de menisco nos joelhos, era apenas osso com osso. Não conseguiu render nada nessa temporada, constantemente com dores, e então resolveu passar por nova cirurgia nos dois joelhos. Menos de um mês depois, já voltou às quadras.

É claro que o Roy quer voltar logo a jogar, ele é altamente competitivo e quer levar o Blazers aos playoffs, mas inúmeras entrevistas com seus médicos apontam que ele não tem mais condições de jogar em alto nível em tempo integral. O recomendado é que ele atue por no máximo 70 partidas por temporada, e isso com minutos bastante limitados. E o pior: ainda assim, os médicos alertam que ele não será mais capaz de jogar basquete dentro de 2 anos.

A notícia é terrível para o Brandon Roy, um dos jogadores mais fantásticos dessa geração. Seus joelhos já eram motivo de preocupação, passaram por várias lesões e cirurgias, e o retorno às quadras sempre foi o mais rápido possível para ajudar o time. O Blazers sabia que o jogador não tinha mais meniscos, que não duraria muitos anos em quadra, e mesmo assim lhe colocou pra jogar uma série de playoff praticamente perdida - e lhe ofereceu um contrato máximo de 83 milhões de dólares por 5 anos.

O que sobrou para o Blazers ainda é um time incrivel, com chances de incomodar os grandes e fazer estrago nos playoffs. LaMarcus Aldridge passou a pegar rebotes e deixou de jogar tão longe da cesta, com médias de mais de 25 pontos e mais de 10 rebotes por jogo sem Brandon Roy na equipe. Andre Miller e Marcus Camby são veteranos que ainda jogam em alto nível, Wesley Matthews é um excelente jogador que substitui Roy em muitas coisas dentro da quadra (e que o Blazers conseguiu roubar do Jazz porque a equipe de Utah é pobre, tadinha) e Nicolas Batum é um excelente defensor que faz todas as pequenas coisas para uma equipe vencer. Gerald Wallace ajudará nos rebotes defensivos e na defesa, pode marcar múltiplas posições, jogava constantemente como ala de força no Bobcats e só passou a jogar mais no perímetro nessa temporada, arremessando cada vez mais, porque cansou de se contundir tanto dentro do garrafão. É um time forte, cheio de especialistas e com veteranos capazes de segurar as pontas nos playoffs.

Mas Brandon Roy ocupa a maior parte do espaço salarial da equipe e não deve durar mais de um par de anos. Quando estiver em quadra, baterá cabeça com Andre Miller. Greg Oden está fora de toda essa temporada novamente graças aos joelhos, mesma coisa com o pirralho Pendergraph. Marcus Camby acaba de voltar de uma cirurgia no joelho também, tentando ganhar ritmo. É um time com chances muito pequenas de título e que depende de uma série de jogadores que estão constantemente lesionados dando como finalizado um processo de reconstrução. Será que estava nos planos trazer Gerald Wallace? Marcus Camby? O Blazers deixou de construir uma equipe coesa porque se apaixonou por si mesma como nós nos apaixonamos quando eles chegaram aos playoffs. Devem ter pensado "é isso, dá pra ser campeão agora", enquanto todo mundo quebrava o joelho nos bastidores, jogadores pediam pra sair, contratos exigiam extensão e a grana acabava. Aí o plano foi pro saco porque querem ganhar agora, estão arriscando uma reconstrução inteira trazendo veteranos caros como o Gerald Wallace para tentar vencer os playoffs. Vencer Lakers, Thunder, Celtics? Sério?

O Thunder está pronto para vencer e não comprometeu seu futuro. O Bobcats desistiu das chances de playoffs e vai começar de novo. E o Blazers, esse time legal que vimos ser montado do zero, começa a arriscar para vencer imediatamente - mesmo dependendo de jogadores que não conseguem ficar saudáveis e de bagunça nos vestiários. Wesley Matthews e LaMarcus Aldridge chutam traseiros e vão receber atenção especial em outro post, mas o time precisa ser repensado em volta deles, sem contratações no improviso. O Thunder, que soube esperar e não se desesperou atrás de um pivô - lembra que eles chegaram a trocar pelo Tyson Chandler e devolveram porque os médicos avisaram que havia risco sério de lesão? - conseguiu o pivô perfeito, o Perkins, graças à flexibilidade financeira da equipe. Já pensou que legal se esse Blazers tivesse se negado a contratar jogadores com risco de lesão e tivesse usado o espaço salarial aguardando os jogadores certos? Por mais carinho pelo Blazers e por mais que eu adore ver o time jogando, o Thunder assumiu o posto de projeto de reconstrução ideal, algo que o Bobcats precisa olhar, espiar e aprender.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Família separada

Eu fiz a mesma cara quando soube que o Perkins tinha sido trocado


Ontem postei a lista com todas as trocas que aconteceram na data-limite de transações na NBA e logo depois aproveitei para comentar uma delas, a troca de Baron Davis por Mo Williams. Eis que dos 26 comentários do post, 149 são na verdade sobre o Boston Celtics. Não tem jeito, foi mesmo o assunto do dia e não tem como não comentar! Com mais informações sobre a  troca e tendo um dia de descanso para digerir tudo, é hora de tentar explicar que porra é essa que o Boston Celtics fez.

Rememorando, foram três trocas envolvendo o time:

Boston Celtics envia: Kendrick Perkins e Nate Robinson
Oklahoma City Thunder envia: Nenad Krstic, Jeff Green e uma escolha de 1º round de Draft (a escolha eu só descobri hoje também!)

Boston Celtics envia: Luke Harangody e Semih Erden
Cleveland Cavaliers envia: Uma escolha de 2ª rodada de Draft

Boston Celtics envia:Marquis Daniels
Sacramento Kings envia: Grana (e uma escolha de 2º round, descobri hoje)
......

A primeira delas é a que abalou o mundo do basquete. Ninguém esperava que o Kendrick Perkins, tantas vezes chamado de xerife da defesa do Boston, fosse ser trocado, ainda mais no meio da temporada. Todo mundo lá dentro amava ele, o Doc Rivers é fanático por sua defesa, os jogadores são seus amigos e há poucas semanas eles até ofereceram uma extensão de contrato pra ele, que foi recusada. O Perkins deixou claro que gostava do Celtics e que pretendia continuar, mas acho que em um mundo onde o Brendan Haywood recebe contrato de 46 milhões por 6 anos ele poderia recusar um de 22 milhões por 4 anos, fez sentido.

E no fim das contas esse problema financeiro acabou pesando na decisão. O Celtics percebeu que com a folha de pagamentos alta, o limite salarial possivelmente diminuindo no ano que vem e um monte de time atrás de um pivô jovem e bom como ele, seria impossível manter o cara no time. Aí adotaram a tática de que é melhor trocar antes por alguma coisa do que perder por nada ao fim da temporada. Outra justificativa foi dada pelo técnico Doc Rivers na noite de ontem, ele afirmou que o Celtics estava tendo muitas dificuldades contra times que jogavam no small ball (quinteto com jogadores baixos e velozes) ou contra times que tinham pivôs ou alas de força muito velozes, como era o Orlando com Rashard Lewis e é o Heat com Chris Bosh. Ainda segundo Rivers, eles queriam a opção de ter um ala que pudesse jogar na posição quatro e deixar o Garnett de pivô por alguns minutos durante o jogo, a inspiração veio do time que foi campeão em 2008, que muitas vezes (acho que em todos os jogos da Final, por exemplo) fechava o quarto período com o James Posey no lugar do Kendrick Perkins.

Uma outra razão seria a atual realidade da NBA, em que os grandes times não tem ótimos pivôs ofensivos a serem parados pelo Kendrick Perkins. No Leste Amar'e Stoudemire, Chris Bosh, Al Horford e Carlos Boozer são os grandes nomes de garrafão nos rivais, mas são na verdade alas de força que podem ser marcados pelo Garnett. O Joakim Noah não é nenhuma ameaça ofensiva e o Dwight Howard é que poderia virar um problema, já que vê o seu melhor marcador indo para a outra conferência. Como comentaram ontem no Twitter, "Essa troca mostra que o Celtics não acredita que o Magic chega longe". O General Manager Danny Ainge, que se disse muito triste de ter trocado o Perkins (embora acredite que fez a coisa certa, claro), afirmou que eles venceram todos os grandes times enquanto o Perkins estava machucado, e que isso deu uma confiança maior para eles executarem a troca.

Por fim, o que adocicou o pacote foi a escolha de 1º round de Draft oferecida pelo Thunder que é, na verdade, do Clippers. É a de 2012 (a de 2011 é a que foi para o Cavs), mas é protegida, só vai mesmo para o Celtics quando o Clippers não tiver uma escolha dentro do Top 10, talvez em 2052.

Essas foram as explicações dadas pelo Celtics, todas com bom argumento e razões, eles não estavam bêbados e ligaram para o Thunder de zoeira. Agora, elas terem um embasamento não quer dizer que tenham sido certas, muito pelo contrário. Geralmente essas trocas que revoltam as pessoas logo de cara não são tão burras assim e tem um objetivo por trás, como dissemos há um tempo atrás, até a do Pau Gasol por Kwame Brown acabou fazendo sentido para o Grizzlies. Então nesse caso a crítica ao Celtics não é feita no impulso da revolta, é mesmo depois de compreender os seus motivos.

Na mesma entrevista do Doc Rivers que eu citei antes, ele diz que agora que não tem mais o Perkins, vão ter que confiar mais no Shaquille O'Neal e que ele terá que estar saudável durante os playoffs. O Shaq tem se machucado o tempo todo e já tem quase 40 anos de idade, é nas costas dele mesmo que vocês querem colocar suas chances de título? Imagina se ele se machuca no meio da final do Leste como não vai chover crítica na cabeça do Danny Ainge. Apostar no outro O'Neal, o Jermaine, é bobagem, já que ele talvez só volte, ainda sem ritmo, nos playoffs. E o outro pivô, o novato Semih Erden, foi trocado por (quase) nada. Ou seja, eles vão apostar no Shaq como pivô e nos minutos em que ele não jogar provavelmente vão apelar para um quinteto baixo, com Glen Davis ou Jeff Green como alas de força e Kevin Garnett como pivô.

A força do garrafão do Celtics, que era o que eu mais admirava no time nessa temporada, foi enfraquecida para que o time ficasse mais semelhante aos seus adversários de conferência. Adversários esses que, é essencial ressaltar, o Boston estava enjoando de tanto vencer! Por que fazer referência ao Chris Bosh quando diz que o Celtics estava tendo dificuldades contra alas de força mais baixos se o Heat não chegou nem perto de bater o Boston até agora? E um dos motivos é porque eles não sabem lidar com o tamanho da linha de frente verde, não fazem tantos pontos no garrafão como queriam, não cavavam suas faltas e viviam de bolas de três. Eu considerava o garrafão pesado e cheio de opções do Celtics o seu ponto forte, algo que lhes deixariam quase imbatíveis na pós-temporada, mas a mesma característica foi o que o Danny Ainge e o técnico Doc Rivers viram como uma fraqueza. Uma dica, senhores, quando o seu time está em primeiro no Leste e tem o segundo melhor recorde da NBA e derrota todos os seus principais adversários pelo título, provavelmente não é uma fraqueza.

A questão do contrato também não me convence. Tá bom que eles tinham uma grande possibilidade de perder o Perkins ao fim da temporada, mas isso não era garantido e ele era peça fundamental no time. Mesmo que tenham vencido sem ele na temporada regular, o cara já estava fazendo a diferença quando voltou. E não dá pra ignorar o fato de que o time é um asilo, quanto mais opções para se prevenir contra contusões, melhor. Eles não estavam na situação do Denver Nuggets que poderia perder o Carmelo Anthony por nada e não tinham mais ambições nesse ano, o Celtics está lutando por mais um título de campeão, era hora de fazer sacrifícios pelo campeonato ao invés de ficar com medinho de perder um jogador sem receber outro em troca. Jeff Green é novo e dá uma renovada no elenco, mas e daí? Não é hora de fazer planejamento para o futuro, Ray Allen, Paul Pierce e Kevin Garnett ainda estão aí jogando bem e juntos, era hora de continuar junto e vencendo. Pra mim seria como o Lakers trocar o Lamar Odom por um pirralho "com potencial" ou o Orlando Magic trocar o Jason Richardson por medo de perdê-lo ao fim da temporada.

Vale citar também a presença de Nate Robinson e Nenad Krstic na troca. Eu não considero o pivô sérvio muita profundidade no garrafão porque sua defesa é ridícula, acho que vai ter minutos limitadíssimos. E perder o Nate Robinson tira um pouco da força do banco de reservas dele, mas vamos ver como eles repõe essa peça, já que eles devem contratar mais gente. Explico: O Celtics que pensa tanto no futuro com medinho de perder o Perkins é o mesmo que usou o imediatismo para justificar a saída dos outros jogadores. O bom pivô reserva Semih Erden foi para o Cavs com outro novato, Luke Harangody, em troca de uma escolha de Draft. O mesmo recebido por Marquis Daniels que, machucado (grave lesão no pescoço), provavelmente não jogaria mais nessa temporada. A razão para essas trocas foi abrir espaço no elenco do time para conseguir contratar os jogadores que provavelmente estarão recebendo um buyout (quando um time paga para poder dispensar um jogador) nos próximos dias, caras como Leon Powe (Cavs, que já está bem próximo de voltar ao Celtics), Troy Murphy (Warriors, está em dúvida entre Celtics, Magic e Heat), Joel Pryzbilla (Bobcats, nada confirmado ainda) e Jason Kapono (ia ser engraçado ver ele tentar defender). Mas últimas notícias dizem que podem até aparecer mais nomes, como Jared Jeffries (esse mais perto do Knicks) e Mike Bibby.

Então metade das trocas foi para se prevenir para o futuro e metade para abrir espaço para novos jogadores que chegam imediatamente. No total, 5 jogadores de um elenco de 15 jogadores, 1/3, trocados no time de segunda melhor campanha da NBA. Algo inédito, sem dúvida. É quase o que o Orlando Magic fez no começo da temporada, mas sem estar jogando mal antes de jogar tudo pro alto, um pequeno detalhe.

Não é que as mudanças não podem dar certo, elas podem. Jeff Green é muito bom, o time realmente era bem bacana quando usava o quinteto com James Posey como ala de força e o Shaq, se saudável, dá conta de qualquer pivô por aí. Mas tudo isso pode acontecer, pode, é uma possibilidade, um risco, nada com certeza. E em uma liga tão competitiva, tão difícil e com times tão bons por aí, para quê arriscar se você já tem algo funcionando perfeitamente na mão? Isso é que eu nunca vou entender ou aceitar. Como disse Paul Pierce ontem, "Química e entrosamento são tudo. Não importa o talento que você tem e leva para o time, as pessoas não dão o valor devido à química entre os jogadores".  

Peguei essa frase do Paul Pierce em uma matéria da ESPN gringa que tem uma coleção de frases dos jogadores do Celtics que mais parecem tiradas de um funeral. O clima está pesadíssimo por lá, o Perkins era muito querido e a sensação da família ter perdido um membro parece ter afetado todo mundo. Entre elas tem o Garnett dizendo que "é uma noite triste para se jogar basquete" e que "perdemos um membro da nossa família hoje". Só do Rondo que não tem frase porque ele se recusou a dar entrevistas antes e depois da derrota apática para o Denver Nuggets. Vale lembrar que em 2010 o Rajon Rondo recusou um convite de treino da seleção americana porque se fosse iria perder o casamento do amigo Kendrick Perkins.

Lembro nos playoffs da temporada passada, quando todos estavam surpresos com a melhora do Celtics em relação à temporada regular, e os jogadores responderam dizendo que era assim mesmo, "Que esse quinteto nunca perdeu uma série de playoff". E era verdade, em 2008, primeiro ano deles, venceram tudo. Em 2009 perderam para o Magic, mas com Kevin Garnett machucado. Em 2010 só perderam para o Lakers, mas foi no jogo 7 e jogaram esse jogo (e mais da metade do jogo 6) sem Perkins, que machucou o joelho. Ou seja, com Rondo, Allen, Pierce, Garnett e Perkins juntos e saudáveis eles nunca foram derrotados na pós-temporada, e nem vão ter a chance disso acontecer de novo.

Na noite de ontem Garnett também ressaltou as características do time como uma unidade, dizendo que são todos amigos, que fazem coisas juntos, que é possível encontrar os 15 jogadores fazendo atividades juntos, todos próximos. Eles compraram a idéia do trabalho em equipe, se entenderam e se chamam de família, só faltou o Felipão pra comandar o time no lugar do Doc Rivers. Mas esse laço emocional, pelas declarações, parece ter sentido um ataque forte dos princípios frios e pragmáticos que regem a direção de um time de basquete. Ver todo o discurso de família em um dia e no outro um dos familiares ser mandado para outro lado do país em troca de peças importantes para um futuro distante não deve ser fácil de engolir.

O Boston Celtics, que para mim estava pau a pau com o Spurs como melhor time da temporada (talvez com um pouco de vantagem por ser uma defesa mais forte), que tinha o melhor garrafão da NBA, a defesa mais infernal e o elenco mais unido de todos foi abalado por uma troca que é um risco que eles não precisavam correr. Esse é o resumo da ópera. O Danny Ainge teve uma boa idéia, visualiza um time que pode dar certo e não mente quando diz que o time foi bom mesmo sem o Perkins. Mas ignorou que são ainda melhores com ele e já sabiam disso. No maior estilo horário político, por que trocar o certo pelo duvidoso?

Já que eu adoro uma analogia, é como um bilionário que resolve vender tudo o que tem e apostar a bolada toda em um cassino. O resultado pode ser fantástico no final, mas se você já é um bilionário (em um mundo de miseráveis, diga-se de passagem), pra que sequer cogitar a aposta? Só Danny Ainge sabe. E o Thunder agradece. Próximo passo da nossa empreitada é explicar o lado do Oklahoma City nessa história, aguardem!

Update: Vale a pena ler essa ótima análise do Bill Simmon na ESPN.com. Por duas razões, primeiro porque ele fala bastante sobre como a saída do Tony Allen e depois a contusão do Marquis Daniels deixou o time muito fraco na ala. Depois de Paul Pierce (que precisa respirar de vez em quando) não tinha ninguém. E aí imagina nos playoffs onde podem enfrentar LeBron, Carmelo, Luol Deng e etc. É o oposto do Perkins que só tem quem marcar em série contra o Magic.

Mas também comenta que podiam ter feito uma troca menor (por Anthony Parker, Mickael Pietrus ou Shane Battier, por exemplo). E por fim ressalta um pouco do que eu disse aqui, por mais que a troca tenha suas boas razões no papel, o jogo é mais do que isso. Depois de discorrer sobre o clima pesadíssimo entre os jogadores do Boston e como os torcedores tinham um carinho especial pelo seu quinteto titular, contou o que seu pai, fã do Celtics desde o período paleolítico, disse:

"Meu pai ficou ainda mais arrasado do que eu. Ele compra os season-tickets do Celtics desde 1973 e ainda vai a pelo menos 25 jogos do Celtics por temporada. Ele disse ontem 'Eu sentava perto do banco, assisti ele crescer. Não acredito que o esporte é só sobre ganhar e perder. Nós podemos estar melhores agora, mas eu não ligo. Eu gostava do elenco que tinhámos, não parece certo ele não estar no nosso time'".

......
Se você agora odeia o Danny Ainge, pode usar uma camiseta que diz isso!
Até o próprio já usou! Em 1987, quando ele era jogador do Celtics, ele foi disputar uma partida em Detroit e alguns torcedores da casa tinham uma camiseta com os dizeres "I hate Danny Ainge" (Eu odeio Danny Ainge). Ele, bem humorado, viu os torcedores e pediu uma para ele, e a usou durante o aquecimento daquele jogo.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Pai rico, pai pobre

"Essa cidade é pequena demais para nós dois", aí os dois foram embora.

Comentamos bastante aqui sobre a saída do Jerry Sloan do Jazz. O técnico já teve desentendimentos com inúmeros jogadores durante sua longa carreira, bateu cabeça com o Deron Williams nos últimos meses, e dessa vez resolveu dar o fora, estava cansado. Não acho, de verdade, que o Deron tenha feito algo tão horripilante a ponto de tirar do time um técnico que passou metade da sua vida discutindo com armadores, mas a torcida de Utah não concorda comigo. Nas três partidas sem Jerry Sloan, três derrotas para o Jazz, Deron Williams foi bastante vaiado pelos torcedores. Defendemos aqui que o Sloan passou tempo demais no comando do time, sempre nesse limbo em que o time vai para os playoffs mas não tem chance de títulos, e de que era hora de mudar. Por mais difícil que seja, todos os torcedores precisam entender que o objetivo é ganhar títulos e que, volta e meia, é preciso abortar um time bom simplesmente porque ele não será bom o bastante.

Aparentemente, o Jazz estava realmente disposto a mudar as coisas. Negociou silenciosamente possíveis cenários de troca pelo Deron Williams ainda enquanto ele batia cabeça com o Jerry Sloan. Após a saída do técnico, no entanto, as negociações não pararam. Até que, sem nenhum aviso, Deron acabou de ser mandado para o Nets em troca de Devin Harris e Derrick Favors, além de duas escolhas de primeira rodada (uma do Nets, outra do Warriors) e 3 milhões de verdinhas. Definitivamente a negociação já está rolando há muito tempo, apenas aguardando que o Carmelo não fosse para o Nets (aliás, leia tudo sobre a troca do Carmelo para o Knicks em nosso post aqui), mas ninguém sabia dela. Não é legal que o mundo da boataria seja a maior perda de tempo do planeta?

Como todas as trocas do Jazz, temos sempre que levar em conta primeiro os motivos financeiros. O Jazz é o time que mandou Ronnie Brewer e Eric Maynor em trocas por nada apenas para liberar espaço salarial porque Utah é um mercado pequeno e limitado. O contrato do Deron Williams era de gordos 14 milhões, e seria de 16 milhões na temporada que vem, última do seu contrato. No meio desse ano, Deron seria liberado para assinar uma extensão se quisesse, e os boatos já começaram a aparecer de que ele não assinaria a extensão para manter aberta a possibilidade de jogar no Knicks, com Carmelo e Amar'e, caso o Jazz não tivesse chances de título até lá. Bem, o time não tinha muitas chances antes com Sloan e Carlos Boozer, está caindo pela tabela sem os dois e tem problemas financeiros, limitando muito as possibilidades de contratações. Na cabeça dos engravatados do Jazz, o Deron ganharia 16 milhões na temporada que vem (aquela que pode ser encurtada por uma greve e que vai piorar a situação financeira das franquias) apenas para sair da equipe na temporada seguinte, em troca de nada - ou forçando mais uma dessas trocas absurdas, como a do Carmelo. Caso o Deron ficasse no time, os engravatados precisariam decidir se vale a pena extender um contrato e pagar quase 20 milhões de dólares num mercado minúsculo para o armador de um time que, com novo técnico e sem padrão de jogo, precisa pensar em algum tipo de reconstrução. Pensando no bolso, na provável greve da temporada que vem, na situação do Carmelo e em perder uma estrela para o Knicks, o Jazz resolveu fazer a troca agora. Aproveitou as negociações provindas do desentimento do Sloan com o armador, aproveitou que o Nets estava disposto a abrir mão de muita coisa para não sair de mãos vazias depois de perder Carmelo, e aproveitou que a saida do Jerry Sloan é uma boa hora para reconstruir a equipe e pensar na pirralhada. Pirralhada barata, de preferência. Com o contrato de 17 milhões do Kirilenko, que vira farofa ao fim dessa temporada, e escolhas de draft do Nets e do Warriors, o Jazz pode respirar em paz com dinheiro nos bolsos e crianças para criar. O time não vai ser relevante por um bom tempo, mas vai ser uma reconstrução divertida de acompanhar.

Derrick Favors andou sendo muito criticado pelo seu começo de carreira no Nets e esteve em todas as propostas de troca que o time fez por Carmelo Anthony. Favors foi colocado em tantas propostas que não dava mais pra tentar enganar o rapaz e dizer que ele estava nos planos do Nets, ele tinha que ser trocado obrigatoriamente, não havia clima para ele ficar. Para o Jazz, foi uma boa. O rapaz é um excelente defensor, mas está tendo dificuldades de se acostumar com a NBA, comete muitas faltas e ainda não tem o físico necessário para defender em alto nível. No ataque, ainda falta muito para conseguir contribuir com regularidade. Mas dá pra ver que isso é apenas questão de tempo. Favors é um excelente reboteiro, se posiciona bem, é esforçado na defesa e não tenta demais no ataque. Em um ou dois anos, pode ser um grande jogador se tiver os minutos necessários para evoluir. Curiosamente, o Nets - mesmo fedendo e em total reconstrução - não estava disposto a lhe dar esses minutos, talvez preocupado em impressionar Carmelo ou em fugir do pior recorde do Leste de novo. No Jazz, Favors vai bater cabeça com Al Jefferson e Paul Millsap, mas talvez funcione se ele for reserva dos dois jogadores (e o Okur for mandando pra rua, como se cogita), assim como acontecia com o trio Boozer, Okur e Millsap. Na pior das hipóteses, o Jazz tem agora três jogadores de garrafão jovens, talentosos e com potencial pra burro para fazer alguma troca. A única certeza é que o Favors fica: por estar no contrato de novato, ele é o mais barato.

A única coisa estranha para o Jazz nessa troca é colocar a armação do time nas mãos do Devin Harris. Ele tem mais 3 anos de contrato, ganha mais de 8 milhões nas três temporadas, e está longe de ser um líder como Deron. É um dos armadores mais rápidos da NBA, chuta traseiros, mas sua ênfase é em pontuar - e se machucar. Como os grandalhões do Jazz vão reagir a um armador menos disposto a fazer os pick-and-rolls, marca registrada do time por décadas? Será preciso uma mudança completa no esquema tático, mas talvez funcione. Al Jefferson e Millsap mostraram nessa temporada, ao contrário do que se pensava, que rendem muito melhor embaixo da cesta do que nos arremessos de média distância como fazia Carlos Boozer. Talvez as infiltrações de Harris abram espaço para Millsap e Al jogarem bem próximos ao aro, finalizando de frente para a cesta, mas será uma mudança drástica de um esquema de jogo que está em vigor há uns 20 anos. Ou seja, finalmente o Jazz vai ser um time realmente diferente, com um armador muito distinto de todos os outros que jogaram sob comando do Jerry Sloan. Pode demorar, mas as mudanças vão fazer bem para a equipe e as trocas forçam o time a se repensar por completo, evitando o risco de que a mudança de técnico fosse apenas aparente, com o mesmo modelo tático sendo mantido pelo técnico substituto. Por um lado foi um modo de se obrigar a arriscar, a tentar algo novo. Por outro, foi uma mudança bastante controlada e medrosa de quem não quer ficar se preocupando com finanças nos próximos anos.

O Nets, por sua vez, só se preocupa é justamente com os próximos anos. Desde que comprou o time, o milionário russo Mikhail Prokhorov não fez outra coisa além de tentar garantir que o Nets tivesse estrelas relevantes ao se mudar para o Brooklyn daqui a 2 anos. A primeira intenção era ter Carmelo Anthony e o time tentou dar as calças por ele, o único jogador intocável era o Brook Lopez, porque pivôs são raros mesmo que o talento dele de pegar rebotes tenha sido roubado pelos Monstars do Space Jam. Como o Knicks fez de tudo para tirar o Carmelo do Nets e conseguiu porque, no fundo, o Carmelo queria mesmo era jogar com Amar'e, o milionário russo foi tentar outra estrela. O Deron Williams foi uma excelente oportunidade de mandar todas as escolhas de draft e o Derrick Favors que o Nets estava juntando há meses para o Carmelo. Parando pra pensar, o Nets provavelmente seria mais inteligente se mantivesse as escolhas e reconstruísse esse time aos poucos, mas é tudo uma questão de mercado. O time precisa chegar com alguma estrela no Brooklyn para vender ingressos e camisetas, mesmo que não tenha chances de titulo. A reconstrução foi agora colocada um pouco de lado em nome de Deron Williams, tantas vezes ovacionado como um dos melhores armadores da liga. O Favors era novinho e cheio de potencial, seria uma ótima para o futuro, mas Deron e Brook Lopez devem fazer uma dupla mais eficiente desde o primeiro dia - e devem vender mais ingressos e criar barulho, agitação, interesse. É claro que o Deron não ficou feliz em ir para o Nets, ele tinha esperanças de ir longe com o Jazz, adorava Utah por ser um lugar calmo e poder se dedicar à família, e estava flertando com a ideia de ir para o Knicks jogar com os amiguinhos. Agora vai para o primo pobre de New York jogar por um time de merda sem nenhuma chance de playoff nem no Leste, parece castigo! Mas esse descontentamento vai durar pouco: Mikhail não poupou esforços por uma estrela até agora, voou para a casa do LeBron para tentar convencê-lo, se encontrou com o Carmelo e fez trocentas promessas, e agora fará tudo de novo pelo Deron. O milionário vai prometer um elenco de apoio, vai pagar as taxas por extrapolar o teto salarial, vai convencer gente a ir jogar lá usando o nome do Deron, vai fazer campanhas de marketing violentas e tornar o Deron um dos jogadores mais famosos da NBA. O armador vai sair de um time que se livrava de gente boa porque não podia pagar e vai cair num lugar em que todo mundo vai querer jogar porque dinheiro não é um problema. Vai ser ovacionado como um dos maiores da NBA porque todas as oportunidades lhe serão dadas e todas as câmeras estarão apontadas. É outra realidade, e não há vontade de vida calma que vá resistir a isso. Deron agora vai poder fazer o que quiser com os jogadores que quiser,sem bater boca com o Jerry Sloan ou se preocupar com elenco de apoio e finanças. O Nets paparicou o primeiro jogador importante, que era o mais difícil. Agora vai atrás dos outros, nos próximos dois anos, mas deve ser tudo muito mais fácil - nos mesmos moldes de Celtics, Heat e Knicks.

A primeira parte da construção do elenco de apoio em volta do Deron Williams veio hoje mesmo. O Nets mandou o contrato expirante do Troy Murphy e uma escolha de draft de segunda rodada em troca de outros dois contratos expirantes: Dan Gadzuric e Brandan Wright. O primeiro é um pivô reserva para quebrar um galho na defesa, até melhor do que muita gente pensa porque comete poucas faltas e tem bom tempo de bola nos tocos. O segundo, Brandan Wright, pode jogar nas duas posições de ala e foi draftado com muita expectativa, mas ficou preso como refém do maluco do Don Nelson. Mesmo com a saída do técnico, o ala não teve minutos, se contundiu o tempo inteiro, mas ainda se espera que ele possa brilhar com a situação certa e os minutos necessários. Com a saída do Favors, o titular ao lado de Brook Lopez deve ser o Kris Humphries, que passou a jogar muito bem desde que começou a dar uns amassos na Kim Kardashian (vai ver o talento roubado do Brook Lopez foi pra ele). Mas o time precisa de um reserva, e Brandan Wright vai ter esses minutos à disposição para tentar mostrar alguma evolução, qualquer que seja. Já é um começo e garante que o time não fique muito esburacado com a chegada do Deron Williams. Para o Warriors, apenas foi uma questão de abrir espaço salarial se livrando de gente pouco usada, devem até mesmo mandar o Troy Murphy embora antes dele sequer pisar no ginásio.

Essas trocas foram uma boa demonstração de como funcionam os pequenos e os grandes mercados da NBA. O Nets, que se aproxima cada vez mais de um grande mercado em New York, só precisa de uma estrela para então começar a assinar cheques, pagar taxas e montar um bom elenco ao seu redor com veteranos e mais estrelas querendo ganhar títulos. É o que tenta também o Knicks com Carmelo, e o Nets se esforça para não ficar muito atrás da franquia vizinha. Já o Jazz precisa constantemente monitorar os gastos, cortar jogadores e salários, e agora finalmente aceita uma mudança grande para tentar criar um time competitivo e mais barato. Mas, por um tempo, vai ser hora de focar na pirralhada e nas escolhas de draft, e esperar a crise e a ameaça de greve ir embora. Numa liga movida pelo dinheiro, na hora da crise econômica apenas alguns times podem respirar tranquilos. Os outros precisam humildemente ficar um pouco de escanteio.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Perguntas e respostas: a troca do Carmelo Anthony

Carmelo e Amar'e: trutas

A troca do Carmelo Anthony é a troca com mais assuntos paralelos que eu já vi na minha vida. Mais de 200 dias depois da primeira notícia de que ele estava querendo ir para o New York Knicks, Melo finalmente conseguiu ter seu desejo atendido. No meio do caminho estão envolvidos o futuro do Knicks, do Nuggets, outros 11 jogadores, o Minnesota Timberwolves, Isiah Thomas, a relação entre o presidente do Knicks James Dolan com o manager Donnie Walsh e o técnico Mike D'Antoni, e o homem mais misterioso da NBA, William Wesley. Ou seja, como uma boa novela ela dura quase um ano e tem diferentes núcleos e personagens, é a NBA aprendendo com Manoel Carlos.

São tantas perguntas e questões para entender essa megalomania que decidimos que só com um FAQ para responder tudo. Tudo relacionado ao Knicks fui eu, Denis, quem respondeu. Ao Nuggets e ao Wolves foi o Danilo. A decisão foi feita por sorteio e aprovada por nossos advogados (adoramos eles!).



Q: Amigos do Bola Presa, quem foram todos os envolvidos na troca? Abs 


New York Knicks recebe: Carmelo Anthony, Chauncey Billups, Shelden Williams, Anthony Carter, Renaldo Balkman (Denver Nuggets) e Corey Brewer (Minnesota Timberwolves)

Denver Nuggets recebe: Raymond Felton, Danilo Gallinari, Timofey Mozgov, Wilson Chandler (NY Knicks) e Kosta Koufos (Minnesota Timberwolves). Também recebem uma escolha de 1º round de Draft do Knicks (2014) e duas 2º round (2012, 2013, do Warriors que estavam com o Knicks). O Nuggets também recebe 17 milhões de dólares em "trade exceptions"

Minnesota Timberwolves recebe: Eddy Curry, Anthony Randolph (NY Knicks). Também recebem uma escolha de 2º round do Denver Nuggets.



Q: Epa, mas o que é essa tal de "Trade Exception" que você citou? É de comer? Aposto que você já explicou dez vezes mas eu nunca leio os posts inteiros. 

Uma trade exception é um "Vale Salary-Cap" que pode ser usado pelo time para usar em outras trocas para igualar salários. Se o Nuggets quiser mandar um jogador que ganha 5 milhões por outro que ganha 7 milhões eles podem deixar tudo igual usando essa trade exception. É uma mão na roda para times que estão planejando movimentações no elenco e foi criada no governo Lula.

Q: Carmelo Anthony e Amar'e Stoudemire juntos? Como isso vai dar certo?

Essa é uma excelente pergunta, amigo assinante. Dependendo de como você enxergar pode parecer uma idéia bisonha e por outro lado parece perfeita, tudo depende de como o Mike D'Antoni vai montar o time, qual vai ser o esquema tático e tudo mais. Tanto Amar'e como Carmelo são bons o bastante para simplesmente receber a bola em uma jogada de isolação e tirar pontos disso, mais ou menos como o Heat faz de vez em quando (47 minutos por jogo) com Wade e LeBron. É o jeito mais fácil e apelão de conseguir pontos, mas quando não dá certo com o Heat eles tem uma puta defesa para compensar, já o Knicks e o Carmelo...

E o problema das isolações é que o esquema tático do Mike D'Antoni é justamente o oposto disso tudo! Ele é o cara que gosta de ver o seu time rodar muito a bola, de passar ao invés de individualizar e de só concentrar a bola na mão de um jogador se ele for o armador do time, sempre com ele se movimentando entre corta-luzes.

Q: Então o Carmelo vai se adaptar ao D'Antoni ou o contrário? Quem manda na relação?

É o que eu quero saber também! Como já vimos na seleção americana, o Carmelo Anthony pode ser muito útil para o seu time mesmo quando não concentra a bola na sua mão o tempo todo. Nas Olimpíadas de 2008 muitas vezes a gente mal percebia ele em quadra, com a bola controlada por Kidd, Kobe, Wade e LeBron, e no fim das contas ia ver as estatísticas e ele era o cestinha. Com boa movimentação e sabendo pontuar de todos os lugares da quadra ele estava sempre contribuindo com ótimo aproveitamento.

O problema é que na seleção ele tinha todos esses nomes de peso para jogar enquanto ele só pontuava, no Knicks vai ser quem? Corey Brewer, Toney Douglas e Landry Fields? Amar'e Stoudemire também não é nenhum Tim Duncan na hora de encontrar seus companheiros livres para o arremesso, só faz o óbvio. Carmelo vai precisar tocar mais na bola e quando ele faz isso ele não movimenta a bola como seu técnico idealiza. A última opção é Chauncey Billups comandando o show e distribuindo a bola.

Q: Billups? Você está ousando insinuar que o cerebral Chauncey Billups, o coração do Pistons de 2004, o time mais em câmera lenta da história, irá ser o líder de um Run and Gun?

A minha primeira reação também foi de "é mais fácil a Deborah Secco ganhar o Oscar por 'Surfistinha'", mas para e pensa: Embora nossa memória do Billups sempre remeta ao Pistons campeão de 2004, ele está faz tempo no Nuggets e eles também são um time que jogam com extrema velocidade. O Knicks, aliás, é o segundo com mais posses de bola por jogo e o Nuggets vem logo atrás em terceiro. E em termos de eficiência ofensiva, onde o Knicks é oitavo, o Nuggets é o primeiro. Eu lembro de quando o Billups foi trocado para o Nuggets e eu disse aqui que a troca só daria certo se houvesse um entendimento das duas partes. Ou Billups se adaptaria à correria do Nuggets, ou o time aprenderia a lidar com o fato de ter um armador que gosta de mandar no jogo. Acabou sendo um pouco dos dois, Billups mandava e segurava a bola, principalmente logo no começo quando chegou, mas não deixou de impôr a velocidade. Bisonhamente deu certo. Só temos que lembrar que nesse ano o Billups não está jogando tão bem assim e que cedo ou tarde a idade pesa.

Então por mais estranho que seja, acho que sim, o Billups pode comandar esse ataque sem fazer o time perder tanta velocidade como a gente imagina. Se o D'Antoni confiar o time a ele e deixar Melo e Stoudemire não jogarem tanto assim sozinhos (talvez só no último período), o time pode manter a identidade do seu técnico e ter suas estrelas rendendo ao mesmo tempo.


Q: Tá bom, estou começando a me animar com o Knicks, mas não foi uma aquisição muito cara?

Sim, foi MUITO cara, um asburdo de cara. É daquelas compras em que o produto é bom, de qualidade, funciona, mas mesmo assim bate aquele peso na consciência toda vez que você lembra o quanto custou. Eles mandaram 3/5 de um time titular que estava atuando muito bem junto e mais um bom reserva, todos jovens, com bons contratos e vivendo o melhor momento de suas carreiras por uma estrela e o Billups em fim de carreira. Eles abandonaram tudo isso por esse sonho de ter mais uma superestrela ao lado do Amar'e Stoudemire, sem dúvida vivemos uma era em que os times estão montando elencos na estratégia do "mande até a alma por uma estrela e pesque veteranos depois".

Q: Soa como algo terrível, mas não está dando certo por aí?

Se você considerar que os principais adversários do Knicks no Leste são o Celtics e o Heat, que fizeram a mesma coisa, dá pra entender a inspiração. Mas a grande diferença no caso do Knicks é que talvez não precisasse ser tão caro. Desde o começo da novela o Carmelo deixou bem claro que queria jogar no Knicks, não em Nova York com o Nets, queria o Knicks. Recusou todas as ofertas do Nets e não levou muito a sério propostas do Rockets, Warriors ou Mavericks. Eu acredito que em qualquer um desses times ele iria deixar seu contrato acabar e então virar Free Agent, a pressão dele mesmo (e de outras partes, que veremos depois) para ele jogar no Knicks era enorme, eu acho que ele iria mesmo que isso significasse um salário menor.

No fim das contas o Knicks perdeu para o próprio desespero, pressa e história recente de fracassos. Preferiram mandar até as calças pela certeza de ter o Carmelo Anthony, não quiseram correr mais riscos esperando. Imagina perder o Melo porque não quiseram incluir o Timofey Mozgov ou uma escolha de 2º round na troca, eles nunca iriam se perdoar.

Q: Polêmica no Mesa Redonda, é verdade que o Mike D'Antoni não queria que o time fosse desmontado assim?

O que foi divulgado pela imprensa americana é que o D'Antoni não estava nem um pouco satisfeito em ver o time que ele montou ser dilacerado em nome de uma estrela. E se você ver como o George Karl, técnico do Nuggets, não parecia lá muito triste de ver o Melo ir embora dá pra entender a posição do técnico. Ele tinha feito o Felton jogar o melhor basquete da sua vida, foi quem fez, pouco a pouco, o Wilson Chandler um jogador completo em relação ao cara cru que chegou na NBA; e foi influência direta na escolha do Danilo Gallinari no dia do Draft. Era um time com sua identidade que foi desfeito enquanto sua voz não foi ouvida na hora de dar a confirmação na troca.


Q: Então foi o General Manager Donnie Walsh o responsável por essa limpeza no elenco?

Aí que entra a parte divertida da coisa: Também não! A negociação tinha entrado em mais um impasse porque o Nuggets estava pedindo o Timofey Mozgov além de todo o resto e o Knicks estava se sentindo assaltado, o Donnie Walsh, com o apoio do D'Antoni, não queria enviar o russo até porque mesmo o resto dos jogadores já era demais pra eles. Aí o presidente da equipe James Dolan interviu dizendo para colocar o russo e mais qualquer coisa que pedissem para conseguir o Carmelo de uma vez por todas.

Não é nada comum ver presidentes interferindo assim no trabalho do General Manager, muito menos no trabalho de um cara como o Donnie Walsh, que pegou o Knicks afundado em contratos horripilantes da Era Isiah Thomas (Jerome James, Eddy Curry, Jamal Crawford, Stephon Marbury, nenhuma escolha de Draft) e conseguiu zerar as contas da equipe, abrir espaço salarial, contratar Amar'e Stoudemire e começar uma boa reconstrução. E o pior, segundo informações do repórter Adrian Wojnarowski do Yahoo!, uma das influências na cabeça do presidente James Dolan é o mesmo Isiah Thomas, que planeja voltar ao time!!!


Q: Que porra é essa? Isiah Thomas de volta para o Knicks depois de toda merda que já fez?

O James Dolan é muito próximo do Isiah Thomas, que já quase conseguiu um emprego no Knicks na temporada passada e só desistiu por pressões de Walsh e de outras pessoas lá dentro, mas o contrato do General Manager acaba ao fim dessa temporada e James Dolan pode decidir não renovar e achar um novo nome. Isiah Thomas espera que seja ele.

Segundo Wojnarowski, Walsh, por exemplo, nunca quis colocar Felton, Gallinari e nem mesmo Billups na troca, mas foi forçado a isso pelo presidente. Ele, por sua vez, tem usado Isiah Thomas como um consultor informal, os dois são bem amigos e fontes próximas dizem que é Isiah quem dita as coisas de fundo. A contratação de Carmelo, a saída de Gallinari e Felton seriam vitórias de Isiah Thomas para voltar ao poder em Nova York.

Q: E, por favor, quem poderá impedir essa desgraça?!

A oposição que também quer mandar no Knicks é um dos nomes mais misteriosos da NBA, William Wesley, conhecido (mas não muito) pelo apelido de Worldwide Wes. Já se referiram mais de uma vez a ele como "o homem mais poderoso do basquete", o que é bizarro já que pouquíssimas pessoas conhecem ele! Eu não sabia até um ano atrás quando um leitor nosso mandou um e-mail com uma história sobre o cara.

Ele é a definição de low profile e oficialmente não está associado a nada e nem a ninguém, mas tem seus contatos em todos os cantos, o mais importante deles é o seu amigo Leon Rose, empresário de Carmelo Anthony, Chris Paul, Eddy Curry e LeBron James. Lembram da minhoca plantada na cabeça do CP3 no começo da temporada dizendo para ele exigir uma troca? Wes teve sua influência lá. Curry no Knicks? Também. Carmelo no Knicks? Com certeza absoluta, seu empresário Leon Rose não queria ver seu jogador em qualquer outra franquia e usou a negação da extensão de contrato para podar as melhores ofertas enviadas ao Nuggets.

Q: E como Worldwide Wes influencia o Knicks?

Como eu disse ele nunca se envolve diretamente com as coisas, apenas conhece todo mundo e influencia suas decisões. Como disse o jornalista Henry Abbott depois de uma extensa pesquisa sobre um cara que recusa qualquer entrevista, "Se você olhar de perto todas as forças do mundo do basquete em todos os níveis - AAU (Associação de Atletas Universitários) que leva os jogadores às universidades, agentes interessados em achar clientes, as empresas de calçados interessadas em garotos propaganda, técnicos, donos de times, executivos, jogadores - todos tem uma coisa em comum: William Wesley".

E no Knicks ele tem Mark Warkentien como consultor de Donnie Walsh e Allan Houston, ex-jogador e atual assistente do General Manager do time. Worldwide Wes quer um desses dois assumindo no lugar de Walsh, não Isiah Thomas.

Q: Entre os dois, qual é melhor para o Knicks?

O Isiah Thomas já teve sua chance como técnico e como General Manager e teve, nos dois casos, a passagem mais desastrada de qualquer pessoa que eu já vi na NBA. Resultados patéticos, trocas que nunca fizeram sentido, relação péssima com torcida e atletas, um desastre do começo ao fim.

Por outro lado Worldwide Wes é daqueles caras que só pensam no benefício próprio e em agradar à sua panelinha. Ele vai botar toda sua turma de influência e seus jogadores onde quiser. Canalha, cafajeste ou só mais um megalomaníaco na NBA, não sei, mas ele tem muita influência sobre o Chris Paul. Talvez isso fale mais alto que qualquer outra coisa.

Q: Tudo isso para falar de uma troca! E eu aqui com preguiça de ler esses posts gigantes. Dá uma resumida aí, valeu a pena para o Knicks?

A troca valeu para conseguir o Carmelo Anthony, só. A história da NBA mostra que times com só um ou nenhum jogador fora de série, estrelas, ganham uma vez a cada dez milhões de anos, então eles foram para o home run. Trocaram a base sólida, os bons jogadores, o médio, pela chance do espetacular. Combina com o espírito nova-iorquino de se achar o centro do mundo e não se contentar em ser um bom time, dão tudo só pela chance de ser o melhor.

Mas sem dúvida é um risco. Hoje o elenco é raso, tem um banco de reservas ridículo e terão que trabalhar para descobrir o que Melo e Amar'e precisam a mais para funcionar juntos e ir buscar isso na próxima temporada. Aí vem a questão de quem irá procurar, já que eles arruinaram o clima entre a direção do time e o General Manager e isso talvez possa até levar o técnico Mike D'Antoni embora em um futuro próximo. Para os que não gostam dele é um alívio, para os que gostam fica o medo do que vem a seguir: Talvez Isiah Thomas escolhendo ele mesmo como o mais preparado disponível (de novo!) ou o Worldwide Wes retribuindo algum favor a alguém que não esteja a altura do cargo.

O New York Knicks voltou a ser relevante de novo nessa temporada, com essa troca volta a ser o centro das atenções no mundo do basquete. Os próximos meses irão dizer se pelo motivo certo.

...


Q: E o Nuggets, não podia conseguir um troço melhor em troca do Carmelo, tipo uma superestrela?

Na verdade o Nuggets teve é muita sorte de conseguir o que conseguiu. Quando se troca uma estrela que está encerrando seu contrato, é muito difícil conseguir valor igual em troca. Em geral o time troca sua estrela admitindo a derrota e tendo que aceitar apenas jogadores secundários e escolhas de draft. Mas, ainda que o Nuggets tenha recebido propostas melhores pelo Carmelo, o time não podia aceitar o que mais lhe interessasse. Isso porque qualquer time só faria a troca com o Nuggets se houvesse a confirmação de que o Carmelo assinaria um novo contrato ou uma extensão, ou seja, era o Carmelo quem decidia para onde ser trocado.

Q: Então o Carmelo é um safado filho de uma quenga?

Danilo: Na verdade não, a única safadeza aqui é do Nuggets. Para o Carmelo, a coisa é simples: seu contrato termina e, se ele não quer continuar jogando pelo Nuggets, sai ao fim da temporada e assina com o time que ele preferir. É isso que está previsto nas regras e é isso que deveria acontecer - acaba o contrato do Carmelo, ele assina com o Knicks e todos vivem felizes para sempre. O Nuggets, no entanto, ficaria sem sua estrela (assim como aconteceu com o Cavs) e apenas o espaço salarial para contratar outro jogador, mas quem iria querer jogar num Nuggets sem estrelas? O que o Nuggets fez, então, é uma brecha no sistema, um migué, um jeitinho brasileiro: trocar o Carmelo antes do fim do contrato e receber qualquer merda em troca pra não ficar de mãos abanando. Nada mais justo, no entanto, que o Carmelo escolha o time para o qual quer ir como seria o normal.

Q: Mas por que o Nuggets não trocou só o Carmelo e enfiou o Billups junto na troca?

Danilo: O Nuggets era um dos 5 times que mais gastava com salários na NBA, ou seja, tinha gastos de time que quer ser campeão. Sem o Carmelo, o time admite implicitamente que não dá pra manter o time com o mesmo rendimento e não faria sentido então manter os mesmos gastos. Apenas parte do salário do Billups é garantido para a próxima temporada (3 milhões), então o time que quiser se livrar dele pode pagar esse grana e pronto. Para mantê-lo, o salário seria de mais de 14 milhões, algo impensável para o Nuggets agora. Então eles aproveitam e mandam o Billups embora agora, poupando a grana que teriam que pagar para ele até o fim da temporada. Por estar acima do limite salarial, o Nuggets já paga mais de 13 milhões de taxas. Mandando o Billups junto com o Carmelo eles ficam abaixo do limite e chegam a economizar quase 25 milhões de dólares só esse ano! Para um time que não tem mais chances de ser campeão e passou os últimos 5 anos endividando até as calças para tentar um título, é uma economia que não dá para ignorar.

Q: É verdade que o Nuggets vai trocar os jogadores que conseguiu com o Knicks?

Danilo: Existe a possibilidade, mas ela é muito difícil. Os engravatados do Nuggets se mostraram muito tristes de não conseguir uma extensão com o Carmelo, mas estão felizes com os jogadores jovens e baratos que conseguiram. Wilson Chandler é uma versão light do Carmelo Anthony, aprendeu a arremessar de três nessa temporada, sabe jogar dentro do garrafão de costas para a cesta, e é melhor defensor do que o Carmelo. Danilo Gallinari é um excelente arremessador que vem mostrando ser capaz em outras áreas, Tomfey Mozgov e Kosta Koufos são pivôs com potencial para um futuro projeto de reconstrução, e Raymond Felton é bom o bastante para garantir que Ty Lawson possa continuar vindo do banco de reservas e prosseguir em seu desenvolvimento gradual. O mais importante é que são todos jogadores muito baratos - o mais caro é o Felton e seus 7 milhões de salário que duram apenas até o fim da próxima temporada. O Nuggets agora tem talento, várias escolhas de draft para reconstruir o time, vários role players competentes, e espaço salarial para tentar uma nova estrela ou economizar dinheiro até que o time possa render alguma coisa.

Q: Sou brasileiro com muito orgulho e com muito amor e quero saber se o Nenê agora vai ter um papel central no Nuggets

Danilo: O Nenê disse esperar uma extensão de contrato, já que ele só continua no Nuggets na temporada que vem se ele quiser, o próximo ano do contrato é escolha do jogador. É capaz que o Nuggets até extenda o contrato, mas ao ver a folha salarial do Nuggets percebemos que os únicos jogadores mais caros do que o Raymond Felton e seus 7 milhões de salário são o Kenyon Matin (16 milhões injustos, mas que acabam nessa temporada) e o Nenê (11 milhões). Se o time feder e entrar em processo de reconstrução total, cuidando da pirralhada e esperando as escolhas de draft, não faz sentido pagar o maior salário da equipe para o Nenê. Meu palpite é de que ele só terá o contrato renovado e um papel importante na equipe se o time se sair, desde já, muito melhor do que o esperado e acharem que não precisa fazer uma reconstrução total. Vamos descobrir isso, e analisar a fundo o modo de jogo do novo Nuggets, assim que os jogadores fizerem sua estreia pela equipe.

Q: Para quê o Nuggets vai usar as player exceptions, que parecem vale-CD?

Danilo: Com elas o Nuggets pode mandar um jogador muito barato, com salário risível, em troca de um jogador muito caro. Uma delas, de 17 milhões, permite mandar qualquer mané com salário de novato em troca do jogador mais caro do planeta. Mas esse tipo de troca só acontece se algum time quiser se livrar de seu jogador caro para começar um processo de reconstrução, o que é raro. Se o próprio Nuggets estiver em processo de reconstrução, para quê vai querer um jogador caro pra burro? Essas player exceptions são mais para fazer a troca funcionar do ponto de vista burocrático do que úteis de verdade. Serão usadas caso os jogadores adquiridos sejam trocados, o Nets está interessado, mas por enquanto parece bastante improvável de acontecer.

Q: Por que o Wolves entrou na troca?

Danilo: O Knicks não tinha espaço salarial para receber o Carmelo, então tinha que se livrar do contrato expirante do Eddy Curry de mais de 10 milhões. O Wolves, abaixo do teto salarial, agarrou a chance de receber o jogador - e o Knicks ainda mandou um incentivo financeiro para o Wolves usar e pagar uma parte do seu salário nessa temporada (caso queiram mandar o Curry embora, após um regime que lhe permitisse ao menos passar pela porta de saída). Pela ajudinha do Wolves, outras trocas aconteceram: o Knicks mandou o Anthony Randolph, que eles conseguiram nessa temporada achando que seria um jovem gênio e sequer recebeu minutos de jogo, e o Wolves mandou o Corey Brewer, que é um defensor atlético excelente para ser role player em time vencedor, mas que era cada vez mais desnecessário no Wolves. Além disso, o Nuggets mandou uma escolha de segunda rodada do draft em troca do Kosta Koufos, o pivô que eles nunca usavam porque são apaixonados pelo Darko. Ou seja, o Wolves se aproveitou da brincadeira apenas para dar uma chance ao Anthony Randolph, jogador de potencial que estava apodrecendo no Knicks, do mesmo modo que eles já fizeram com o Darko Milicic e têm orgulho disso.

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Se você tiver mais alguma pergunta pode mandar nos comentários. Só não prometemos responder logo, afinal temos uma troca do Deron Williams já comentada e agendada para entrar no ar amanhã de manhã!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

A outra troca

Sasha Vujacic e seus carangos: estudar pra quê? Aprenda a arremessar de três


A gente acabou enrolando para comentar a troca entre Rockets, Lakers e Nets e alguns dias depois fomos engolidos pelas trocas bombásticas que o Orlando Magic fez, criando um novo time. Demos a atenção necessária àquelas trocas e só agora vamos falar de como o meu Lakers sobreviverá na era pós-Vujacic.

A troca completa foi assim: o Lakers mandou Sasha "The Machine" Vujacic e uma escolha de primeira rodada de Draft (2011) para o Nets e recebeu Joe Smith. O Rockets mandou uma escolha de primeira rodada (2012) também para o Nets e recebeu em troca o armador Terrence Williams.

O Lakers estava um bocado desesperado para conseguir um jogador de garrafão. Nas últimas semanas o Pau Gasol estava com média de 39 minutos por jogo e frequentemente lidando com jogadores mais pesados do que ele, o que desgasta ainda mais. Embora o espanhol seja um dos melhores jogadores da NBA quando atua de pivô, é bom lembrar que ele é originalmente um ala de força e está mais acostumado a jogar longe da cesta, sem apanhar muito. É assim até que, pelo menos pra mim, ele joga melhor. A causa do improviso e dos minutos exagerados eram as contusões de Andrew Bynum e Theo Ratliff, além do despreparo do novato Derrick Caracter. Não foram poucas as vezes em que o Gasol parecia sem fôlego no segundo tempo dos jogos, errando bolas fáceis e sendo batido na defesa.

As coisas melhoraram quando o Bynum voltou da sua contusão na última semana, mas mesmo assim nada garante que ele estará inteiro amanhã, o cara é feito de porcelana remendada, então a procura por um jogador de garrafão estava ainda na ativa. Ao mesmo tempo, ter o Vujacic no time não fazia mais sentido. Ele foi muito útil no time vice-campeão de 2008 e eu, como torcedor, tinha uma relação de amor e ódio com ele; o cara é um personagem divertido (faz pose de mala, parece um perdedor e é irritante a ponto dos próprios companheiros de time se irritarem com ele regularmente), um excelente arremessador de três e fez os lances livres que concretizaram a vitória no jogo 7 da final contra o Celtics. Mas também é capaz de falhas absurdas na defesa e é um jogador de função única, se as bolas de três dele não caem é o mesmo que jogar comigo lá, eu também posso ser branco, usar uma fitinha no cabelo e errar arremessos. Não posso casar com a Sharapova, mas não me incomodaria em tentar.

Sem contar que o banco do Lakers tem Shannon Brown, Matt Barnes e o promissor novato Devin Ebanks, os três ou jogam ou podem quebrar um galho na posição do Vujacic. O Shannon Brown até melhorou absurdamente o seu arremesso e ajuda a abrir espaços na quadra como o esloveno fazia. Por fim, deixando a troca mais óbvia ainda, esse é o último ano do contrato do Vujacic, um monte de time por aí não se incomodaria de ter um arremessador de três por dois terços de temporada e depois não estar mais preso a ele. O estranho seria se o Machine acabasse a temporada no Lakers, tudo conspirava para ele sair.

A chegada do Joe Smith deve ser bem proveitosa para o Lakers. Ele nunca vai merecer ter sido a primeira escolha no Draft de 1995 (Antonio McDyess, Jerry Stackhouse, Rasheed Wallace e Kevin Garnett também estavam no Top 5 e tiveram carreiras melhores) mas pelo menos ninguém fica lhe destruindo moralmente como fazem com o pobre Kwame Brown. Ao longo da carreira ele tem sido um bom arremessador de meia distância, pega seus rebotes e dificilmente faz bobagem. É o tipo de veterano para entrar no jogo e deixar as estrelas descansarem sem deixar o time na mão. E convenhamos que depois de um começo de temporada avassalador, os reservas do Lakers estão precisando de uma ajudinha ultimamente.

Outra coisa, o Lakers é o time que mais dá lucro na NBA atualmente, mas não vai fazer nenhum mal a economia que essa troca traz. Já contando as multas, o Lakers irá economizar 8 milhões de dólares em salários com a saída do Sasha.

O Rockets eu considero que fez uma antecipação do draft do ano que vem. Eles deram a sua escolha de primeira rodada, que tem tudo para ser alguma entre a posição 12 e 16, e em troca pegaram um jogador muito jovem que é bem possível que fosse escolhido em uma dessas posições se participasse do draft de novo, é talento de metade do Draft. O Rockets, lutando para entrar no grupo dos oito classificados dos playoffs depois de um começo de temporada patético, precisa de ajuda agora, não em junho do ano que vem.

Mas pensando por outro lado, o Rockets precisa de mais gente no elenco deles? Um jornalista americano que agora eu não lembro o nome uma vez comentou que um dos problemas do Houston era o mesmo do Blazers nos últimos anos, excesso de jogadores bons. Parece absurdo, mas é verdade. É como ter muitas namoradas bonitas, parece bom no começo, mas eventualmente vai te dar muita dor de cabeça. O Blazers tinha tanto jogador bom que nunca deu o espaço que o Martell Webster precisava pra desenvolver seu jogo, viu o Travis Outlaw reclamando dos minutos por jogo, o Brandon Roy reclamando de dividir a armação do time com o Andre Miller e o Rudy Fernandez implorando para ser trocado para um time onde pudesse ser titular.

O Rockets tem tantos jogadores bons, principalmente no perímetro, que não dá chance de ninguém jogar por  muito tempo e às vezes parece que o time não engrena por causa disso. Era uma reclamação recorrente na seleção brasileira de basquete, acho que vocês devem lembrar. Quando o time titular começava a jogar bem
entravam os reservas para quebrar o ritmo. Para dar os minutos merecidos por Aaron Brooks, Kyle Lowry, Ish Smith, Courtney Lee e Kevin Martin, todo mundo acaba jogando pouco. E agora eles ainda tem o Terrence Williams para brigar pelos mesmos minutos.

O primeiro a rodar nessa deve ser o Ish Smith, novato que fez bons jogos quando o Brooks estava machucado, o pobre novato deve ser o último da rotação e ter seu desenvolvimento travado. A chance de ver Brooks e Lowry jogando juntos, uma das minhas combinações favoritas, também é mínima pela quantidade de shooting guards no elenco. O Terrence Williams é rápido, ótimo em contra-ataques e na defesa, mas o Courtney Lee não tem as mesmas qualidades? Concordo com a idéia do Rockets trocar sua escolha de draft para buscar ajuda imediata, mas não vejo com o que o T-Will vai contribuir de diferente além de algum dinheiro extra em descontos no salário por atraso nos treinos e talvez uma participação no campeonato de enterradas. Sou fã do General Manager do time, o Daryl Morey, mas essa eu não entendi.

Nos Estados Unidos eles tem o costume de tentar achar quem foi o vencedor da troca. Talvez seja fruto da cultura competitiva deles, é um conceito estranho já que os times tem realidades e objetivos diferentes e o conceito de vitória não me parece tão óbvio. Mas entendo o que eles querem dizer quando falam que Nets foi  vencedor dessa troca.

Eles perderam dois jogadores que não farão falta. O Joe Smith é um veterano em um time que busca jovens talentos, o Terrence Williams era um jovem talento que estava dando mais dor de cabeça do que resultados. Os constantes problemas de disciplina já tinham tirado toda a confiança do técnico Avery Johnson nele. Então perder esses dois caras mal utilizados por duas escolhas de Draft e mais um contrato expirante foi uma jogada de mestre.

Escolhas de draft parecem ser peças decisivas nos negócios entre Nets e Nuggets nas eternas discussões por Carmelo Anthony. O Denver parece estar pedindo Derrick Favors, contratos que estejam acabando (Troy Murphy, provavelmente) e o máximo de escolhas de draft possíveis. Então quanto mais escolhas, mais chances de ter Carmelo. E até mesmo se a troca não rolar, as escolhas podem ser usadas para trocar por outros jogadores ou até mesmo, óbvio, para draftar bons jogadores. O Nets tem, nos próximos anos, além das suas próprias escolhas, as do Lakers, Rockets e a valiosa escolha de primeira rodada do Warriors de 2011. Se o Nets continuar mal e o Warriors continuar do jeito que está, o time pode ter duas escolhas de Top 10 no ano que vem.

O Nets não tem esperanças para essa temporada, o projeto é a longo prazo, talvez para quando já estiverem realocados em Nova York, e até lá precisam achar novos jogadores, seja por troca ou draft, e essa movimentação foi um passo importante. Sem contar que talvez o Sasha Vujacic acabe até sendo bom nessa temporada e reassine por pouca grana no ano que vem. Em dois jogos pelo time ele fez duas boas partidas, especialmente o de ontem contra o Grizzlies. Com Brook Lopez no garrafão e Devin Harris infiltrando, o Nets é um time que cria bons espaços para arremessadores, nos dias em que ele estiver calibrado vai ser uma boa. É mais um chutador irregular para um time que já tem o Travis Outlaw e Anthony Morrow. 

Uma notícia de hoje diz que o Dallas Mavericks está tentando com todas as forças levar o Carmelo Anthony em uma troca e nem cobraria do Melo a garantia de extensão de contrato, seria um aluguel por meia temporada. O Rockets também já se mostrou interessado em ou pegar Anthony ou participar da troca como um terceiro time, para facilitar o ajuste de salários e conseguir levar alguma coisa no caminho. O Nets todo mundo já sabe que está babando pelo Melo. São dois dos três times citados nesse post envolvidos. Gastamos tantos parágrafos e provavelmente foi só o começo.

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Como bônus um vídeo enviado pelo Twitter pelo @Vitoow. É do programa Sport Science, que tem o interessante objetivo de analisar o esporte sob uma perspectiva científica mas que na prática é só um bando de experimentos idiotas e sem embasamento algum. Por que posto esse vídeo? Porque quem participa do vídeo é, nas palavras do narrador, o "NBA superstar Sasha Vujacic". E é sua única chance de ver o The Machine arremessando lances livres vendado, usando salto plataforma e luvas de borracha. Sério.



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- Atualizamos a nossa planilha de elencos com as últimas trocas e alterações nos times titulares. É 99% de chance que esquecemos de alguma coisa, então é só avisar nos comentários.
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