quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Por amor
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Danilo
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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Para entender o fascínio por Rubio
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| Rubio enfia o dedo na bola para que ela o obedeça. Funciona. |
Podemos criticar quando há expectativas demais sobre um jovem atleta, mas às vezes não há como evitar. Como ignorar o Neymar jogando tudo o que joga com menos de 20 anos? Sabemos que ele é jovem, que não tem cabeça e que ainda pode melhorar muito ou empacar, como já empacaram tantos talentos promissores e precoces. Mas gostamos de futebol, queremos ver o próximo gênio, é difícil controlar a excitação e a empolgação.
No basquete não é diferente. O assunto mais comentado desse começo de temporada no Bola Presa e qualquer outro site de NBA no mundo é o novato Ricky Rubio. O armador espanhol tem nos encantado e não poupamos elogios para as primeiras 10 partidas do espanhol no Minnesota Timberwolves. Mas por que tanta babação de ovo, né? O que ele faz de tão especial além de dar passes lindos, curar o câncer e ajudar velhinhas a atravessar a rua?
O mundo ficou boquiaberto quando o armador espanhol levou a seleção de seu país ao título Europeu Sub-16 em 2006 com os seguintes números na final contra a Rússia: 51 pontos, 24 rebotes, 12 assistências, 7 roubos e uma bola de 3 do meio da quadra que levou o jogo para a prorrogação. Sim, Ricky Rubio fez tudo isso. Liderou o torneio em todos esses quesitos, registrou 3 triple-doubles ao longo da competição e um quadruple-double. Nesse mesmo ano ele já jogava entre os profissionais e no ano seguinte era o líder da ACB Espanhola em roubos de bola. Dois anos depois foi titular da sua Seleção Adulta na final Olímpica contra os EUA. E pior, jogou bem aquela partida. Tem como não criar expectativas enormes?
A comparação com o Neymar que fiz no começo tem também outra razão. Os dois começaram chamando a atenção não só pelo talento, mas pelas jogadas de efeito. O Rubio adolescente adorava um passe diferente, um enfeite que rendeu comparações (exageradas e precoces, como sempre) com o lendário Pete Maravich, cara que foi grande jogador mas ficou mais famoso por dar os passes mais malucos da história da NBA. Porém, assim como cobraram que Neymar aprendesse a chutar, ser objetivo e amadurecer, pediram o mesmo de Rubio. E para sobreviver no basquete europeu isso era essencial. Assim, Rubio, com míseros 18, 19 anos, era um armador cauteloso, cerebral e eficiente. Bem mais chato do que a gente esperava, mas conquistava seu espaço.
Aí de repente ele empacou. Desde que foi draftado em 2009, quando decidiu ficar na Espanha por mais algum tempo, pareceu não evoluir mais. Virou, com razão, coadjuvante no Barcelona e na seleção espanhola. Era difícil explicar sem teorias inventadas como "Deve ser algo na vida pessoal" ou "Ele sentiu a pressão e a expectativa". Sei lá, mas estava mal e burocrático demais nas suas últimas temporadas europeias.
Mas como uma boa palestra motivacional que é a vida, isso parece ter feito bem para o Rubio. Em entrevista ao Adrian Wojnarowski do Yahoo!, Rubio disse que foi uma temporada em que "o jogo me testou e eu precisava disso". E, falando sobre seus vídeos na adolescência, o jovem adulto falou com certa nostalgia: "Eu vejo aquele jogador e ele não parece se incomodar com o que os outros dizem. Não se importa com o que vai acontecer caso cometa um erro. Naqueles jogos de quando eu era jovem pareço não me importar com nada".
E as coisas pareciam não melhorar com ele indo para a NBA. Ao contrário de Luis Scola, Pau Gasol, Dirk Nowitzki ou, indo mais para trás, Vlade Divac e até jogadores mais consagrados como Arvydas Sabonis, nenhum outro europeu chegou na NBA com tanta expectativa. Nem Andrew Bogut e Andrea Bargnani, que foram escolhas 1 de Draft, tiveram tanta mídia em cima quanto Rubio. O único gringo de atenção comparável antes de sua estreia foi Yao Ming, e sabemos como ele sofreu com a pressão no seu começo de vida nos EUA.
O curioso é que acabou sendo o oposto. Ricky Rubio também sentia muita pressão na Europa, até demais. E segundo ele na mesma entrevista já citada, o tempo que ele passou treinando na Califórnia durante o locaute foi essencial para que ele se transformasse. Lá ele pode treinar sozinho, sem outros assistindo e julgando, poderia errar, arriscar, relaxar e voltar a ser o Rubio adolescente. Também aproveitou o locaute para treinar com outros jogadores da NBA (a matéria cita Kevin Garnett, Paul Pierce, Derek Fisher e Chauncey Billups) e ganhar tranquilidade e confiança para essa nova fase da carreira.
O que vimos até agora nesses primeiros jogos é muito mais o Rubio de 17 anos do que o do ano passado. A apreciação que a NBA dá a quem joga bonito, o incentivo para que se arrisque, é justamente o que ele precisava. Na Europa (e no Brasil, diga-se de passagem) as jogadinhas bonitas recebem aplausos quando dão certo, claro, mas é uma frescura, não um recurso, e os técnicos pegam no pé de quem se arrisca demais. Claro que na NBA as coisas precisam dar resultado e os técnicos cobram vitória, mas uma enterrada ou ponte aérea que não dê certo não é motivo de bronca ou punição. E quando dá certo vira notícia, vídeo mais visto do YouTube e os companheiros de time te amam e te respeitam mais.
O Ricky Rubio estava com vontade de mudar e não foi só para um liga onde a mudança seria mais aceita, mas para o time que buscava isso. Contei esse causo no nosso último Podcast, mas repito aqui. O David Kahn, criticadíssimo General Manager do Wolves, disse que uma das coisas que ele busca é fazer da franquia um lugar onde os jogadores queiram ir. Ele sabe que o time não tem tradição, fama e nem fica em uma cidade onde todos querem viver. Então para compensar eles querem tratar bem os jogadores, ter um ambiente agradável de trabalho e ter um estilo de jogo que os atletas sintam prazer em atuar. Por isso que eles trocaram o Jonny Flynn, que ficaria sem espaço no time e precisava jogar. Por isso contrataram o Rick Adelman como técnico também. O experiente treinador sabe lidar com jovens e sempre dirigiu os times mais velozes, criativos e ofensivos da NBA.
A entrevista completa em que o David Kahn explica isso é justamente para um de seus maiores críticos, o Bill Simmons da ESPN, e vale a pena ser ouvida. Lá ele também comenta sobre o Rubio e de como não se assustava com ele jogando mal na Europa, que uma má fase era normal para um garoto tão jovem. A aposta deu muito certo. O Wolves voltou a aparecer positivamente na mídia, o time joga bonito, com velocidade e não é difícil imaginar Free Agents cogitando ir para lá para poder atuar sob o Rick Adelman, jogar ao lado do Kevin Love e parecer bom por receber passes de Ricky Rubio. Assim como Channing Frye e Jared Dudley devem seus contratos a Steve Nash, e Kenyon Martin e Richard Jefferson sua fama a Jason Kidd, Rubio vai fazer uns companheiros milionários também.
Entender como os três, Adelman, Love e Rubio, se encaixam é essencial para explicar esse sucesso. Rick Adelman incentiva seus times a correr. Logo após o rebote (do Love, claro) já é possível ver Rubio batendo palmas para receber logo a bola e partindo em velocidade para o ataque. Lá ele encontra jogadores que podem se posicionar em qualquer lugar da quadra: Wayne Ellington, Michael Beasley, Derrick Williams e até Anthony Tolliver, todos, são velozes, sabem infiltrar e tem um arremesso de longa distância. Eles podem se espalhar pela quadra e só esperar que a visão de jogo do Rubio faça o resto. Ou melhor, quase todo o resto. Depois de enxergar é preciso que o passe chegue na medida e nisso Rubio é excepcional. Poucos na NBA, só caras do nível de Steve Nash e Rajon Rondo, conseguem dar passes com uma só mão, na corrida, com a mesma precisão de Rubio. E falo isso sem exagero, por observação pura.
A habilidade de passar a bola assim deixa o time mais rápido. Ele só precisa ver para quem quer passar e um segundo depois a bola está lá, um armador mais comum precisa diminuir a velocidade, colocar as duas mãos na bola e se esforçar para fazer o passe chegar na altura certa.
Outros detalhes fazem Rubio chamar tanta atenção, e isso temos que creditar a seus anos de rigidez na Europa. Ele tem paciência. Quer correr, é incentivado a correr, mas para no meio do caminho se não existe boa oportunidade. Sua paciência também tem dado resultado na outra jogada essencial do Rick Adelman, os intermináveis pick-and-rolls. Por entender bem o jogo, sabe reconhecer quando não passar para o Darko Milicic se o garrafão está congestionado, ou passa a bola do outro lado da quadra se a defesa adversária se fechou toda para evitar a jogada. Também sabe usar bem o pick-and-pop com o Kevin Love e o espaço no garrafão que essa jogada abre. E, pasmem, até está fazendo a defesa pagar quando não o defendem na jogada, indo por baixo do bloqueio. Se o deixam livre ele chuta mesmo de 3 pontos e tem 50% de aproveitamento na temporada.
Outra coisa muito Steve Nash (um dos maiores elogios que um armador pode receber) do Rubio é que ele não desiste do drible por qualquer coisa. Isso, junto com a ótima visão de jogo, são essenciais para que os times sempre pensem mil vezes antes de tentar pressionar ou dobrar a marcação sobre ele. E aí acontece o mesmo que com Rajon Rondo: quanto mais espaço dão, mais passes incríveis ele acha.
Os arremessos, que todos achavam que ele não acertaria, já vimos que estão caindo. Outra coisa que achavam que ele não saberia fazer bem é defender, mas até agora ele tem se saído bem. Nada fora de série, não anula ninguém, mas já enfrentou gente de alto nível, mais forte e mais rápida, e ele se garantiu. Curioso que isso se explica porque ele entende o jogo e sabe se posicionar. E pensem bem, compensar deficiências técnicas ou físicas com entendimento de jogo não é o tipo de comentário que fazemos para caras com 35 anos e uma vida de experiência na NBA? O NBA Playbook fez uma análise tática completa dos primeiros jogos do Rubio e postou um vídeo rápido de jogadas em que ele defende o Russell Westbrook e o Brandon Jennings. Não se sai nada mal.
Ricky Rubio não é perfeito, mas merece todos os elogios que recebeu até agora e em breve deve curar o câncer.
Defenestrado por
Denis
por volta das
01:23
10
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quinta-feira, 10 de março de 2011
O recorde de Kevin Love
Na noite de ontem, Kevin Love bateu o recorde da história da NBA de double-doubles seguidos. Para quem não sabe, um double-double (que só não chamamos de "duplo" pra não confundir com o lanche do McDonald's) é quando um jogador consegue dígitos duplos em dois quesitos do basquete: pontos, rebotes, assistências, tocos ou roubos. O recorde pertencia ao Moses Malone, o melhor em rebotes ofensivos da história da NBA (não confundir com o Karl Malone, o melhor em cotoveladas ofensivas da história da NBA), e foi quebrado quando Kevin Love conseguiu seu 52o jogo consecutivo com um double-double de pontos e rebotes. Com uma média de quase 21 pontos e 16 rebotes por jogo, não é de se espantar que os double-doubles venham a rodo. O que é espantoso é que o Kevin Love sequer precisa sair do chão para conseguir esses números constantes e consegue ser levado a sério mesmo tendo "amor" escrito na camiseta, coisa de filho de pais hippies. Mas é claro que esse recorde vai ter um asterisco tipo o "campeonato Mundial" do Corinthians porque tem gente que acha que nenhuma marca do planeta é relevante se o jogador está num time ruim. "Ah, descobriu a cura para o câncer? Grandes merdas, ele joga no Wolves, lá até eu conseguia". Vai nessa.
Para dar o valor merecido à marca do Señor Amor, resolvemos usar a única ferramenta que resiste ao teste do tempo - o Paint - e imortalizar o momento do recorde do mesmo modo que imortalizamos o recorde do Ray Allen. Mas dessa vez ninguém vai ficar bravinho porque finalmente essa piada não é relacionada ao Jazz, ao Celtics ou ao Kobe. Ah, está ouvindo esse barulho? É o som da tranquilidade.
Depois de toda a emoção indescritível de um sujeito fazendo aquilo que ele sempre faz num time que todo mundo finge que não existe, vamos abaixar a adrenalina e em breve voltamos com nossa programação normal.
Defenestrado por
Danilo
por volta das
02:15
30
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Perguntas e respostas: a troca do Carmelo Anthony
A troca do Carmelo Anthony é a troca com mais assuntos paralelos que eu já vi na minha vida. Mais de 200 dias depois da primeira notícia de que ele estava querendo ir para o New York Knicks, Melo finalmente conseguiu ter seu desejo atendido. No meio do caminho estão envolvidos o futuro do Knicks, do Nuggets, outros 11 jogadores, o Minnesota Timberwolves, Isiah Thomas, a relação entre o presidente do Knicks James Dolan com o manager Donnie Walsh e o técnico Mike D'Antoni, e o homem mais misterioso da NBA, William Wesley. Ou seja, como uma boa novela ela dura quase um ano e tem diferentes núcleos e personagens, é a NBA aprendendo com Manoel Carlos.
São tantas perguntas e questões para entender essa megalomania que decidimos que só com um FAQ para responder tudo. Tudo relacionado ao Knicks fui eu, Denis, quem respondeu. Ao Nuggets e ao Wolves foi o Danilo. A decisão foi feita por sorteio e aprovada por nossos advogados (adoramos eles!).
Q: Amigos do Bola Presa, quem foram todos os envolvidos na troca? Abs
New York Knicks recebe: Carmelo Anthony, Chauncey Billups, Shelden Williams, Anthony Carter, Renaldo Balkman (Denver Nuggets) e Corey Brewer (Minnesota Timberwolves)
Denver Nuggets recebe: Raymond Felton, Danilo Gallinari, Timofey Mozgov, Wilson Chandler (NY Knicks) e Kosta Koufos (Minnesota Timberwolves). Também recebem uma escolha de 1º round de Draft do Knicks (2014) e duas 2º round (2012, 2013, do Warriors que estavam com o Knicks). O Nuggets também recebe 17 milhões de dólares em "trade exceptions"
Minnesota Timberwolves recebe: Eddy Curry, Anthony Randolph (NY Knicks). Também recebem uma escolha de 2º round do Denver Nuggets.
Q: Epa, mas o que é essa tal de "Trade Exception" que você citou? É de comer? Aposto que você já explicou dez vezes mas eu nunca leio os posts inteiros.
Uma trade exception é um "Vale Salary-Cap" que pode ser usado pelo time para usar em outras trocas para igualar salários. Se o Nuggets quiser mandar um jogador que ganha 5 milhões por outro que ganha 7 milhões eles podem deixar tudo igual usando essa trade exception. É uma mão na roda para times que estão planejando movimentações no elenco e foi criada no governo Lula.
Q: Carmelo Anthony e Amar'e Stoudemire juntos? Como isso vai dar certo?
Essa é uma excelente pergunta, amigo assinante. Dependendo de como você enxergar pode parecer uma idéia bisonha e por outro lado parece perfeita, tudo depende de como o Mike D'Antoni vai montar o time, qual vai ser o esquema tático e tudo mais. Tanto Amar'e como Carmelo são bons o bastante para simplesmente receber a bola em uma jogada de isolação e tirar pontos disso, mais ou menos como o Heat faz de vez em quando (47 minutos por jogo) com Wade e LeBron. É o jeito mais fácil e apelão de conseguir pontos, mas quando não dá certo com o Heat eles tem uma puta defesa para compensar, já o Knicks e o Carmelo...
E o problema das isolações é que o esquema tático do Mike D'Antoni é justamente o oposto disso tudo! Ele é o cara que gosta de ver o seu time rodar muito a bola, de passar ao invés de individualizar e de só concentrar a bola na mão de um jogador se ele for o armador do time, sempre com ele se movimentando entre corta-luzes.
Q: Então o Carmelo vai se adaptar ao D'Antoni ou o contrário? Quem manda na relação?
É o que eu quero saber também! Como já vimos na seleção americana, o Carmelo Anthony pode ser muito útil para o seu time mesmo quando não concentra a bola na sua mão o tempo todo. Nas Olimpíadas de 2008 muitas vezes a gente mal percebia ele em quadra, com a bola controlada por Kidd, Kobe, Wade e LeBron, e no fim das contas ia ver as estatísticas e ele era o cestinha. Com boa movimentação e sabendo pontuar de todos os lugares da quadra ele estava sempre contribuindo com ótimo aproveitamento.
O problema é que na seleção ele tinha todos esses nomes de peso para jogar enquanto ele só pontuava, no Knicks vai ser quem? Corey Brewer, Toney Douglas e Landry Fields? Amar'e Stoudemire também não é nenhum Tim Duncan na hora de encontrar seus companheiros livres para o arremesso, só faz o óbvio. Carmelo vai precisar tocar mais na bola e quando ele faz isso ele não movimenta a bola como seu técnico idealiza. A última opção é Chauncey Billups comandando o show e distribuindo a bola.
Q: Billups? Você está ousando insinuar que o cerebral Chauncey Billups, o coração do Pistons de 2004, o time mais em câmera lenta da história, irá ser o líder de um Run and Gun?
A minha primeira reação também foi de "é mais fácil a Deborah Secco ganhar o Oscar por 'Surfistinha'", mas para e pensa: Embora nossa memória do Billups sempre remeta ao Pistons campeão de 2004, ele está faz tempo no Nuggets e eles também são um time que jogam com extrema velocidade. O Knicks, aliás, é o segundo com mais posses de bola por jogo e o Nuggets vem logo atrás em terceiro. E em termos de eficiência ofensiva, onde o Knicks é oitavo, o Nuggets é o primeiro. Eu lembro de quando o Billups foi trocado para o Nuggets e eu disse aqui que a troca só daria certo se houvesse um entendimento das duas partes. Ou Billups se adaptaria à correria do Nuggets, ou o time aprenderia a lidar com o fato de ter um armador que gosta de mandar no jogo. Acabou sendo um pouco dos dois, Billups mandava e segurava a bola, principalmente logo no começo quando chegou, mas não deixou de impôr a velocidade. Bisonhamente deu certo. Só temos que lembrar que nesse ano o Billups não está jogando tão bem assim e que cedo ou tarde a idade pesa.
Então por mais estranho que seja, acho que sim, o Billups pode comandar esse ataque sem fazer o time perder tanta velocidade como a gente imagina. Se o D'Antoni confiar o time a ele e deixar Melo e Stoudemire não jogarem tanto assim sozinhos (talvez só no último período), o time pode manter a identidade do seu técnico e ter suas estrelas rendendo ao mesmo tempo.
Q: Tá bom, estou começando a me animar com o Knicks, mas não foi uma aquisição muito cara?
Sim, foi MUITO cara, um asburdo de cara. É daquelas compras em que o produto é bom, de qualidade, funciona, mas mesmo assim bate aquele peso na consciência toda vez que você lembra o quanto custou. Eles mandaram 3/5 de um time titular que estava atuando muito bem junto e mais um bom reserva, todos jovens, com bons contratos e vivendo o melhor momento de suas carreiras por uma estrela e o Billups em fim de carreira. Eles abandonaram tudo isso por esse sonho de ter mais uma superestrela ao lado do Amar'e Stoudemire, sem dúvida vivemos uma era em que os times estão montando elencos na estratégia do "mande até a alma por uma estrela e pesque veteranos depois".
Q: Soa como algo terrível, mas não está dando certo por aí?
Se você considerar que os principais adversários do Knicks no Leste são o Celtics e o Heat, que fizeram a mesma coisa, dá pra entender a inspiração. Mas a grande diferença no caso do Knicks é que talvez não precisasse ser tão caro. Desde o começo da novela o Carmelo deixou bem claro que queria jogar no Knicks, não em Nova York com o Nets, queria o Knicks. Recusou todas as ofertas do Nets e não levou muito a sério propostas do Rockets, Warriors ou Mavericks. Eu acredito que em qualquer um desses times ele iria deixar seu contrato acabar e então virar Free Agent, a pressão dele mesmo (e de outras partes, que veremos depois) para ele jogar no Knicks era enorme, eu acho que ele iria mesmo que isso significasse um salário menor.
No fim das contas o Knicks perdeu para o próprio desespero, pressa e história recente de fracassos. Preferiram mandar até as calças pela certeza de ter o Carmelo Anthony, não quiseram correr mais riscos esperando. Imagina perder o Melo porque não quiseram incluir o Timofey Mozgov ou uma escolha de 2º round na troca, eles nunca iriam se perdoar.
Q: Polêmica no Mesa Redonda, é verdade que o Mike D'Antoni não queria que o time fosse desmontado assim?
O que foi divulgado pela imprensa americana é que o D'Antoni não estava nem um pouco satisfeito em ver o time que ele montou ser dilacerado em nome de uma estrela. E se você ver como o George Karl, técnico do Nuggets, não parecia lá muito triste de ver o Melo ir embora dá pra entender a posição do técnico. Ele tinha feito o Felton jogar o melhor basquete da sua vida, foi quem fez, pouco a pouco, o Wilson Chandler um jogador completo em relação ao cara cru que chegou na NBA; e foi influência direta na escolha do Danilo Gallinari no dia do Draft. Era um time com sua identidade que foi desfeito enquanto sua voz não foi ouvida na hora de dar a confirmação na troca.
Q: Então foi o General Manager Donnie Walsh o responsável por essa limpeza no elenco?
Aí que entra a parte divertida da coisa: Também não! A negociação tinha entrado em mais um impasse porque o Nuggets estava pedindo o Timofey Mozgov além de todo o resto e o Knicks estava se sentindo assaltado, o Donnie Walsh, com o apoio do D'Antoni, não queria enviar o russo até porque mesmo o resto dos jogadores já era demais pra eles. Aí o presidente da equipe James Dolan interviu dizendo para colocar o russo e mais qualquer coisa que pedissem para conseguir o Carmelo de uma vez por todas.
Não é nada comum ver presidentes interferindo assim no trabalho do General Manager, muito menos no trabalho de um cara como o Donnie Walsh, que pegou o Knicks afundado em contratos horripilantes da Era Isiah Thomas (Jerome James, Eddy Curry, Jamal Crawford, Stephon Marbury, nenhuma escolha de Draft) e conseguiu zerar as contas da equipe, abrir espaço salarial, contratar Amar'e Stoudemire e começar uma boa reconstrução. E o pior, segundo informações do repórter Adrian Wojnarowski do Yahoo!, uma das influências na cabeça do presidente James Dolan é o mesmo Isiah Thomas, que planeja voltar ao time!!!
Q: Que porra é essa? Isiah Thomas de volta para o Knicks depois de toda merda que já fez?
O James Dolan é muito próximo do Isiah Thomas, que já quase conseguiu um emprego no Knicks na temporada passada e só desistiu por pressões de Walsh e de outras pessoas lá dentro, mas o contrato do General Manager acaba ao fim dessa temporada e James Dolan pode decidir não renovar e achar um novo nome. Isiah Thomas espera que seja ele.
Segundo Wojnarowski, Walsh, por exemplo, nunca quis colocar Felton, Gallinari e nem mesmo Billups na troca, mas foi forçado a isso pelo presidente. Ele, por sua vez, tem usado Isiah Thomas como um consultor informal, os dois são bem amigos e fontes próximas dizem que é Isiah quem dita as coisas de fundo. A contratação de Carmelo, a saída de Gallinari e Felton seriam vitórias de Isiah Thomas para voltar ao poder em Nova York.
Q: E, por favor, quem poderá impedir essa desgraça?!
A oposição que também quer mandar no Knicks é um dos nomes mais misteriosos da NBA, William Wesley, conhecido (mas não muito) pelo apelido de Worldwide Wes. Já se referiram mais de uma vez a ele como "o homem mais poderoso do basquete", o que é bizarro já que pouquíssimas pessoas conhecem ele! Eu não sabia até um ano atrás quando um leitor nosso mandou um e-mail com uma história sobre o cara.
Ele é a definição de low profile e oficialmente não está associado a nada e nem a ninguém, mas tem seus contatos em todos os cantos, o mais importante deles é o seu amigo Leon Rose, empresário de Carmelo Anthony, Chris Paul, Eddy Curry e LeBron James. Lembram da minhoca plantada na cabeça do CP3 no começo da temporada dizendo para ele exigir uma troca? Wes teve sua influência lá. Curry no Knicks? Também. Carmelo no Knicks? Com certeza absoluta, seu empresário Leon Rose não queria ver seu jogador em qualquer outra franquia e usou a negação da extensão de contrato para podar as melhores ofertas enviadas ao Nuggets.
Q: E como Worldwide Wes influencia o Knicks?
Como eu disse ele nunca se envolve diretamente com as coisas, apenas conhece todo mundo e influencia suas decisões. Como disse o jornalista Henry Abbott depois de uma extensa pesquisa sobre um cara que recusa qualquer entrevista, "Se você olhar de perto todas as forças do mundo do basquete em todos os níveis - AAU (Associação de Atletas Universitários) que leva os jogadores às universidades, agentes interessados em achar clientes, as empresas de calçados interessadas em garotos propaganda, técnicos, donos de times, executivos, jogadores - todos tem uma coisa em comum: William Wesley".
E no Knicks ele tem Mark Warkentien como consultor de Donnie Walsh e Allan Houston, ex-jogador e atual assistente do General Manager do time. Worldwide Wes quer um desses dois assumindo no lugar de Walsh, não Isiah Thomas.
Q: Entre os dois, qual é melhor para o Knicks?
O Isiah Thomas já teve sua chance como técnico e como General Manager e teve, nos dois casos, a passagem mais desastrada de qualquer pessoa que eu já vi na NBA. Resultados patéticos, trocas que nunca fizeram sentido, relação péssima com torcida e atletas, um desastre do começo ao fim.
Por outro lado Worldwide Wes é daqueles caras que só pensam no benefício próprio e em agradar à sua panelinha. Ele vai botar toda sua turma de influência e seus jogadores onde quiser. Canalha, cafajeste ou só mais um megalomaníaco na NBA, não sei, mas ele tem muita influência sobre o Chris Paul. Talvez isso fale mais alto que qualquer outra coisa.
Q: Tudo isso para falar de uma troca! E eu aqui com preguiça de ler esses posts gigantes. Dá uma resumida aí, valeu a pena para o Knicks?
A troca valeu para conseguir o Carmelo Anthony, só. A história da NBA mostra que times com só um ou nenhum jogador fora de série, estrelas, ganham uma vez a cada dez milhões de anos, então eles foram para o home run. Trocaram a base sólida, os bons jogadores, o médio, pela chance do espetacular. Combina com o espírito nova-iorquino de se achar o centro do mundo e não se contentar em ser um bom time, dão tudo só pela chance de ser o melhor.
Mas sem dúvida é um risco. Hoje o elenco é raso, tem um banco de reservas ridículo e terão que trabalhar para descobrir o que Melo e Amar'e precisam a mais para funcionar juntos e ir buscar isso na próxima temporada. Aí vem a questão de quem irá procurar, já que eles arruinaram o clima entre a direção do time e o General Manager e isso talvez possa até levar o técnico Mike D'Antoni embora em um futuro próximo. Para os que não gostam dele é um alívio, para os que gostam fica o medo do que vem a seguir: Talvez Isiah Thomas escolhendo ele mesmo como o mais preparado disponível (de novo!) ou o Worldwide Wes retribuindo algum favor a alguém que não esteja a altura do cargo.
O New York Knicks voltou a ser relevante de novo nessa temporada, com essa troca volta a ser o centro das atenções no mundo do basquete. Os próximos meses irão dizer se pelo motivo certo.
...
Q: E o Nuggets, não podia conseguir um troço melhor em troca do Carmelo, tipo uma superestrela?
Na verdade o Nuggets teve é muita sorte de conseguir o que conseguiu. Quando se troca uma estrela que está encerrando seu contrato, é muito difícil conseguir valor igual em troca. Em geral o time troca sua estrela admitindo a derrota e tendo que aceitar apenas jogadores secundários e escolhas de draft. Mas, ainda que o Nuggets tenha recebido propostas melhores pelo Carmelo, o time não podia aceitar o que mais lhe interessasse. Isso porque qualquer time só faria a troca com o Nuggets se houvesse a confirmação de que o Carmelo assinaria um novo contrato ou uma extensão, ou seja, era o Carmelo quem decidia para onde ser trocado.
Q: Então o Carmelo é um safado filho de uma quenga?
Danilo: Na verdade não, a única safadeza aqui é do Nuggets. Para o Carmelo, a coisa é simples: seu contrato termina e, se ele não quer continuar jogando pelo Nuggets, sai ao fim da temporada e assina com o time que ele preferir. É isso que está previsto nas regras e é isso que deveria acontecer - acaba o contrato do Carmelo, ele assina com o Knicks e todos vivem felizes para sempre. O Nuggets, no entanto, ficaria sem sua estrela (assim como aconteceu com o Cavs) e apenas o espaço salarial para contratar outro jogador, mas quem iria querer jogar num Nuggets sem estrelas? O que o Nuggets fez, então, é uma brecha no sistema, um migué, um jeitinho brasileiro: trocar o Carmelo antes do fim do contrato e receber qualquer merda em troca pra não ficar de mãos abanando. Nada mais justo, no entanto, que o Carmelo escolha o time para o qual quer ir como seria o normal.
Q: Mas por que o Nuggets não trocou só o Carmelo e enfiou o Billups junto na troca?
Danilo: O Nuggets era um dos 5 times que mais gastava com salários na NBA, ou seja, tinha gastos de time que quer ser campeão. Sem o Carmelo, o time admite implicitamente que não dá pra manter o time com o mesmo rendimento e não faria sentido então manter os mesmos gastos. Apenas parte do salário do Billups é garantido para a próxima temporada (3 milhões), então o time que quiser se livrar dele pode pagar esse grana e pronto. Para mantê-lo, o salário seria de mais de 14 milhões, algo impensável para o Nuggets agora. Então eles aproveitam e mandam o Billups embora agora, poupando a grana que teriam que pagar para ele até o fim da temporada. Por estar acima do limite salarial, o Nuggets já paga mais de 13 milhões de taxas. Mandando o Billups junto com o Carmelo eles ficam abaixo do limite e chegam a economizar quase 25 milhões de dólares só esse ano! Para um time que não tem mais chances de ser campeão e passou os últimos 5 anos endividando até as calças para tentar um título, é uma economia que não dá para ignorar.
Q: É verdade que o Nuggets vai trocar os jogadores que conseguiu com o Knicks?
Danilo: Existe a possibilidade, mas ela é muito difícil. Os engravatados do Nuggets se mostraram muito tristes de não conseguir uma extensão com o Carmelo, mas estão felizes com os jogadores jovens e baratos que conseguiram. Wilson Chandler é uma versão light do Carmelo Anthony, aprendeu a arremessar de três nessa temporada, sabe jogar dentro do garrafão de costas para a cesta, e é melhor defensor do que o Carmelo. Danilo Gallinari é um excelente arremessador que vem mostrando ser capaz em outras áreas, Tomfey Mozgov e Kosta Koufos são pivôs com potencial para um futuro projeto de reconstrução, e Raymond Felton é bom o bastante para garantir que Ty Lawson possa continuar vindo do banco de reservas e prosseguir em seu desenvolvimento gradual. O mais importante é que são todos jogadores muito baratos - o mais caro é o Felton e seus 7 milhões de salário que duram apenas até o fim da próxima temporada. O Nuggets agora tem talento, várias escolhas de draft para reconstruir o time, vários role players competentes, e espaço salarial para tentar uma nova estrela ou economizar dinheiro até que o time possa render alguma coisa.
Q: Sou brasileiro com muito orgulho e com muito amor e quero saber se o Nenê agora vai ter um papel central no Nuggets
Danilo: O Nenê disse esperar uma extensão de contrato, já que ele só continua no Nuggets na temporada que vem se ele quiser, o próximo ano do contrato é escolha do jogador. É capaz que o Nuggets até extenda o contrato, mas ao ver a folha salarial do Nuggets percebemos que os únicos jogadores mais caros do que o Raymond Felton e seus 7 milhões de salário são o Kenyon Matin (16 milhões injustos, mas que acabam nessa temporada) e o Nenê (11 milhões). Se o time feder e entrar em processo de reconstrução total, cuidando da pirralhada e esperando as escolhas de draft, não faz sentido pagar o maior salário da equipe para o Nenê. Meu palpite é de que ele só terá o contrato renovado e um papel importante na equipe se o time se sair, desde já, muito melhor do que o esperado e acharem que não precisa fazer uma reconstrução total. Vamos descobrir isso, e analisar a fundo o modo de jogo do novo Nuggets, assim que os jogadores fizerem sua estreia pela equipe.
Q: Para quê o Nuggets vai usar as player exceptions, que parecem vale-CD?
Danilo: Com elas o Nuggets pode mandar um jogador muito barato, com salário risível, em troca de um jogador muito caro. Uma delas, de 17 milhões, permite mandar qualquer mané com salário de novato em troca do jogador mais caro do planeta. Mas esse tipo de troca só acontece se algum time quiser se livrar de seu jogador caro para começar um processo de reconstrução, o que é raro. Se o próprio Nuggets estiver em processo de reconstrução, para quê vai querer um jogador caro pra burro? Essas player exceptions são mais para fazer a troca funcionar do ponto de vista burocrático do que úteis de verdade. Serão usadas caso os jogadores adquiridos sejam trocados, o Nets está interessado, mas por enquanto parece bastante improvável de acontecer.
Q: Por que o Wolves entrou na troca?
Danilo: O Knicks não tinha espaço salarial para receber o Carmelo, então tinha que se livrar do contrato expirante do Eddy Curry de mais de 10 milhões. O Wolves, abaixo do teto salarial, agarrou a chance de receber o jogador - e o Knicks ainda mandou um incentivo financeiro para o Wolves usar e pagar uma parte do seu salário nessa temporada (caso queiram mandar o Curry embora, após um regime que lhe permitisse ao menos passar pela porta de saída). Pela ajudinha do Wolves, outras trocas aconteceram: o Knicks mandou o Anthony Randolph, que eles conseguiram nessa temporada achando que seria um jovem gênio e sequer recebeu minutos de jogo, e o Wolves mandou o Corey Brewer, que é um defensor atlético excelente para ser role player em time vencedor, mas que era cada vez mais desnecessário no Wolves. Além disso, o Nuggets mandou uma escolha de segunda rodada do draft em troca do Kosta Koufos, o pivô que eles nunca usavam porque são apaixonados pelo Darko. Ou seja, o Wolves se aproveitou da brincadeira apenas para dar uma chance ao Anthony Randolph, jogador de potencial que estava apodrecendo no Knicks, do mesmo modo que eles já fizeram com o Darko Milicic e têm orgulho disso.
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Se você tiver mais alguma pergunta pode mandar nos comentários. Só não prometemos responder logo, afinal temos uma troca do Deron Williams já comentada e agendada para entrar no ar amanhã de manhã!
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Denis
por volta das
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sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Preview 2010-11 / Minnesota Timberwolves
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Técnico: Kurt Rambis
Quando assumiu o Wolves, Rambis sabia que era um projeto a longo prazo. Passaria ao menos 4 anos à frente da equipe, cuidando do desenvolvimento dos pirralhos e colocando em prática o complexo sistema de triângulos tão famoso graças ao sucesso do Lakers de Phil Jackson. A ideia era não se importar com vitórias, focar apenas no amadurecimento de cada jogador em particular e fazê-los jogar como um time. Mas Kurt Rambis teve muitas dificuldades em colocar em prática os triângulos. Al Jefferson e Kevin Love não conseguiram executar as movimentações juntos, batiam cabeça, ocupavam os mesmos espaços, e Kurt Rambis foi obrigado a colocar Love no banco, limitando um pouco os seus minutos - justamente o contrário do que foi proposto quando contrataram o técnico, que era dar minutos à pirralhada. Após 60 jogos com o novo técnico, Kevin Love não teve medo de colocar a culpa do péssimo desempenho do Wolves nas costas do treinador, já que a temporada estava acabando e não tinha um único jogador sequer que tivesse conseguido compreender o tal do esquema dos triângulos. Uma coisa é conhecer a fundo a tática, como é o caso de Kurt Rambis, e outra completamente diferente é saber explicar isso de um modo compreensível. Phil Jackson tem anos e anos de experiência e mostrou-se um excelente professor, enquanto Rambis está lidando apenas agora com o fardo de um elenco inteiro de crianças cheirando a talco, com inteligências limitadas, tentando aprender um dos esquemas táticos que mais dependem do entendimento e da reação dos jogadores.
Ainda no final de sua temporada de estreia, o Wolves já abandonava lentamente os triângulos em nome de um jogo mais veloz de contra-ataques. Nas ligas de verão, em que o técnico se viu obrigado a lidar apenas com novatos ou jogadores muito novos, os triângulos foram para as cucuias e o foco foi na velocidade e no contra-ataque. Não faz sentido ignorar os triângulos por completo, já que são a especialidade do Rambis, mas ficou bem claro que não dá pra pegar um elenco de novatos e fazê-los compreender o estilo. A abordagem deve ser mais lenta e Rambis deve colocar a molecadinha para correr mais. Os triângulos exigem criatividade enquanto os novatos assustados precisam de jogadas mais fixas e pré-estabelecidas, então o meio-termo será um jogo corrido, que use a velocidade e o atleticismo do time, com alguns elementos dos triângulos no jogo de garrafão.
...
Quando Al Jefferson foi mandado para o Jazz, ficaram claras as intenções do Wolves e escrevi um post a respeito que valhe a pena citar aqui:
"Quando o Wolves resolveu finalmente trocar o Kevin Garnett, parabenizei a franquia. Não tem nada mais horrível para um time da NBA do que ser exageradamente mediano, ter um elenco grotesco, uma baita estrela que consegue segurar as pontas, brigar desesperado por uma classificação para os playoffs e perder sem chances na pós-temporada. O formato da NBA é brutal com os medianos, com os times que não estão brigando por título e nem são ruins o bastante para conseguir bons jogadores no draft. (...)
Se o David Stern tem razão e nenhuma equipe da NBA conseguiu ter lucro nos últimos tempos, não faz sentido manter uma equipe que não vencerá títulos, te dá prejuízo e não tem esperanças de melhora. A melhor saída é feder bastante para conseguir boas escolhas de draft, encerrar todos os contratos longos e imbecis que foram assinados, esperar a pirralhada amadurecer, e então assinar grandes estrelas para formar um elenco decente. (...)
Imaginei que o Wolves, ao trocar o Garnett, conseguiria um núcleo bastante jovem com uma futura estrela em Al Jefferson, e que a reconstrução duraria pouco tempo. Era só esperar a pirralhada pegar o jeito e depois conseguir um ou outro jogador para fechar algumas posições. Mas não funcionou.
Por um lado, promessas como Corey Brewer demoraram demais para se firmarem na NBA. Por outro, Al Jefferson tornou-se uma estrela rápido demais, num elenco incapaz de acompanhá-lo. Como todo time apostando em novatos, algumas escolhas não deram muito certo, alguns jogadores não souberam jogar juntos. Foi então que o engravatado David Kahn apareceu para pisar no freio e fazer todo mundo entender que reconstruções não podem ser feitas às pressas. Basta ver o Pistons: ao demolir acertadamente um time em declínio que não ganharia mais nada, assinou correndo dois jogadores disponíveis na hora para não ficar com um elenco furado e deu no que deu, o time fede, não tem flexibilidade para assinar outros jogadores porque torrou tudo em dois meia-bocas, e está fadado a ficar entre os medianos por muito, muito tempo. Falha épica, já diriam os gringos. É melhor assumir a bosta, no famoso "pisou na merda abre os dedos", e deixar o time fedendo com calma do que correr e assinar qualquer um."
O Wolves virou exemplo de que não dá pra ter pressa. Se o Al Jefferson ficou bom demais, rápido demais, tem que mandar embora mesmo, não adianta ter um jogador fodão em meio a um elenco que ainda precisa de tempo demais para ficar sólido. Se o esquema de triângulos não entra na cabeça dos jogadores, use menos, seja mais maleável, e vá ensinando aos poucos. Se os times da NBA só dão prejuízo e não há perspectiva de ser campeão, pague salários pequenos, para jogadores jovens, e espere bons novatos. A única merda é que o Wolves drafta mal, mas isso é outra história.
Esse clima de "não pode ter pressa" foi perfeito para o Darko Milicic, que finalmente recebeu atenção, carinho, esperança e até desistiu de voltar para a Europa. Será o parceiro de garrafão do Kevin Love, que finalmente pode ser titular, é muito mais indicado para o sistema de triângulos, está destruindo na pré-temporada e já mostrou que valeu a pena se livrar do Al Jefferson. Outro que jogou bem na pré-temporada foi o Michael Beasley, que sofreu muita pressão no Heat porque o time queria vencer nos playoffs sob comando de Dwyane Wade e o pobre pirralho não tinha estrutura nenhuma, metido na erva idiota lá e incapaz de manter a defesa que o técnico Erik Spoelstra exigia. Sem esse tipo de pressão, conseguiu estufar o peito, recuperar a confiança e ser o líder do Wolves mostrando como é um fominha safado que se pudesse nunca passaria a maldita da bola.
O legal da ida do Al Jefferson para o Jazz é que a bola pode passar mais tempo nas mãos do resto da pirralhada, que precisa de experiência para subir de nível e virar outro Pokémon, então jogadores como o Corey Brewer podem evoluir seu jogo ofensivo e tentar conseguir um arremesso consistente. Só esperemos que o Beasley não vire um buraco-negro no ataque e acabe com isso. Se o Wolves quer vencer, o Beasley precisa arremessar muito, mas como vimos o objetivo do time ainda não é a vitória, e sim a criação de um padrão, de identidade, e a evolução dos jogadores. Na ala temos Beasley, Webster, Corey Brewer, o novato Wesley Johnson e até o armador Wayne Ellington, o importante é que alguém daí adquira as qualidades para ser titular absoluto da equipe. Até lá, as vitórias e as derrotas não importam.
Enquanto isso, a armação continua sendo muito limitada e tem sonhos eróticos com o Ricky Rubio. Com o Jonny Flynn contundido e fora da rotação por uns tempos, os únicos armadores puros da equipe são o Luke Ridnour, que é basicamente uma criança de 12 anos com anemia, e o Sebastian Telfair, que é um anão que acha que está numa quadra de rua. Os dois são divertidíssimos de ver em quadra, mas não defendem nem ponto de vista e têm como forte a correria. Me diverti bastante com o Wolves na pré-temporada porque o Ridnour corre e sabe dar os passes certos nos contra-ataques, Beasley é um fominha talentoso, o elenco é cheio de gente explosiva que só sabe correr para frente como o Corey Brewer, e o Kevin Love é um dos melhores passadores da NBA - de qualquer posição, não só de pivô. Se eles não ficarem tentando levar os triângulos muito a sério, podem ao menos ser um time divertido, que vale acompanhar em noites sem sono no League Pass, enquanto todo mundo vai amadurecendo, esperando outros novatos, o Ricky Rubio e um padrão de jogo. Meu único medo é que o Kevin Love fique também bom demais rápido demais, o que abortaria de novo o projeto. O Wolves agora tem uma espécie de luta contra o tempo: conseguir um elenco sólido antes que o Love dê o fora dali ou encha o saco. Veremos quão longe o Wolves está disso com o amadurecimento dos novatos nessa temporada, porque o Love já larga na frente: tem tudo para já ser All-Star agora, imediatamente.
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Danilo
por volta das
09:41
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terça-feira, 27 de julho de 2010
Novos começos
A saída de LeBron James não significa para o Cavs apenas a perda de sua maior estrela, ela também explicita quão desastrosa foi a montagem desse elenco com o passar dos anos e como todo o time está impossibilitado de fazer qualquer coisa em quadra sem LeBron. Não há como negar que o time funcionava perfeitamente e era um dos mais fortes da NBA, mas sempre foi óbvio que o Cavs conseguia jogadores aleatoriamente apenas para rodear LeBron, sem qualquer critério ou esquema tático em vista. Quando Mo Williams foi contratado, era um jogador fominha que havia levado seus companheiros de Bucks à loucura, não existia motivo algum para que ele se encaixasse no Cavs. Suas limitações na armação sempre forçaram LeBron a iniciar a maior parte das jogadas, seus arremessos precipitados sempre forçaram LeBron a manter a bola pouco em suas mãos. Com essas rédeas Mo Williams rendeu muito bem, enlouqueceu pouca gente, ganhou vários jogos, fez poucas cagadas. Agora, de repente, tornou-se um dos únicos pontuadores da equipe e o único armador capaz de carregar a bola. É como se a Preta Gil fosse a única mulher da Terra e não houvesse outra solução além de casar com ela, mas seus desastres físicos ficassem por isso mesmo mais evidentes. Como dizemos por aqui, em terra de cego quem tem um olho é caolho.
Os engravatados do Cavs sabem da merda que os espera. Depois de chorar muito na cama, tomar sorvete direto no pote, ouvir muita música emo, xingar muito no Twitter e dizer que o Cavs vai ganhar um anel de campeão antes do LeBron, a primeira coisa que fizeram foi ir atrás de um armador puro. Se esse time ficar sob responsabilidade da armação de Mo Williams, será um desastre terrível - apenas ampliado pela falta de qualidade do resto do elenco. O primeiro armador que tentaram contratar foi, acertadamente, Kyle Lowry. Como torcedor do Houston sei muito bem como ele chuta traseiros, defende como poucos na liga, tem uma visão incrível de jogo e toma sempre as decisões mais simples possíveis, sem frescura. Ele é indicado para treinador que não quer ficar de saco cheio e nem derramar uma única gota de suor, Lowry não precisa receber ordens, vai sempre colocar a bola nas mãos do jogador certo, só vai arremessar se fizer sentido, só vai bater pra dentro se houver espaço. Apesar de ser reserva no Houston porque o titular Aaron Brooks é o mais perto que o time tinha de um pontuador, bastou que o Lowry se contundisse para que o Rockets entrasse numa triste sequência de derrotas humilhantes. É simples assim, o time não funciona sem ele. Suei frio com a possibilidade de sua saída, tive pesadelos em que o Ilgauskas vinha em câmera lenta e roubava o Lowry de mim (pensando melhor ele não estava em câmera lenta, o Ilgauskas se move nessa velocidade na vida real), mas o Houston fez a coisa certa e igualou o contrato. Obrigado, time querido!
Não sobraram muitos armadores puros por aí, mas o Wolves está sempre disposto a fazer uma troca bizarra que ninguém entende. Ontem, mandaram Ramon Sessions, Ryan Hollins e uma escolha de segunda rodada do draft em troca de Delonte West e Sebastian Telfair. É até um pouco engraçado: na prática o Cavs mandou dois armadores problemáticos e incapazes de assumir a armação de uma equipe em troca de um armador que, no mínimo, merece uma chance de tentar.
Falamos bastante por aqui do Delonte West, sempre torcendo para que ele conseguisse passar por cima de seus problemas pessoais. Há anos luta contra sua depressão crônica, falou bastante sobre ela - clamando para que as pessoas entendam que depressão não é escolha, é doença - e volta e meia está envolvido com problemas em seu bairro natal, cheio de pobreza, drogas e criminalidade. Foi preso recentemente por portar uma porção de armas enquanto andava de triciclo por aí (caso que abordamos longamente num post da época) e somente agora saiu sua condenação, que envolve prisão domiciliar, horas de serviço comunitário e tratamento psicológico. A NBA deve suspendê-lo por vários jogos, nessa mania imbecil de botar a colher na vida pessoal dos jogadores, mas a prisão comum lhe permitirá participar dos jogos normalmente. O problema é que o Cavs cansou dessa bagunça toda. Deram todo o apoio possível, inclusive financeiro, e arcaram com a encrenca toda vez que o Delonte se auxentava graças à depressão ou algum outro problema pessoal. No fim, entenderam que não dá para vencer a realidade. O jogador é quem ele é, nasceu onde ele nasceu, e não há nada que possa ser feito para arrancá-lo bruscamente da realidade que o sufoca. Muito progresso foi feito, mas muitos passos para trás também ocorreram. Numa NBA cada vez mais aterrorizada com a ideia de mostrar a origem dos jogadores e os problemas reais fora das quadras, Delonte West não tem muitas chances. Comentamos no post do link acima que os problemas de Jamaal Tinsley com armas fizeram com que não arrumasse mais emprego na NBA e torcemos para que o mesmo não ocorresse com o West. Com informações chegando de que o Wolves mandou o armador embora (seu contrato não era inteiramente garantido caso fosse despedido antes de agosto), parece que Delonte West é mais um para as estatísticas de jogadores soterrados por seus problemas pessoais. Uma pena, porque jogava bem, era inteligente, bom arremessador. Vamos torcer para que arrume um time e não tenha que ir vender pipoca.
Sebastian Telfair não fica muito longe disso. Era um gênio nos seus tempos de colegial, um dos melhores armadores que já vi, mas resolveu não ir para a universidade, pulou direto pra NBA, teve problemas de imaturidade e postura em quadra, brigas com companheiros, desentendimentos com técnicos, falta de vontade nos treinos, prisões por armas e por drogas, e no fim nenhum time lhe deu os minutos necessários para que pudesse fazer alguma coisa. Na única temporada em que jogou pra valer estava no Wolves e chutou muitos traseiros, embora tenha mostrado que é incapaz de defender qualquer um. Mereceria uma vaga de reserva em qualquer time da NBA, mas quem está disposto a lhe dar essa chance? Seu tempo no Cavs foi curto e, dizem, cheio de desgosto de ambas as partes. Sua volta ao Minessota também tem planos de ser passageira, com o Wolves querendo mandá-lo embora ou trocá-lo imediatamente. O coitado não vai ter, de novo, a chance de mostrar que joga bem pra burro.
Eu defendi longamente o Kahn dia desses, dizendo que era cedo demais pra chamar o engravatado do Wolves de burro, mas o cara não ajuda. O que ele fez foi basicamente se arrepender de ter assinado um contrato grande com o Ramon Sessions (motivado por aquela vontade doente de usar dois armadores puros em quadra ao mesmo tempo) e então trocá-lo junto com o Ryan Hollins, que é um belo pivô quebra-galho, por dois jogadores que ele só queria mandar embora para liberar mais teto salarial. Uma troca apenas para desfazer sua cagada e começar o Wolves de novo pela milésima vez. Tem até certa razão, esse lance de usar o Flynn e o Sessions juntos nunca funcionou, ele ainda espera que o Ricky Rubio venha jogar na temporada que vem, acabou de contratar o Luke Ridnour, então tinha que se desfazer do contrato que assinou com o Sessions. Mas trocá-lo por coisa nenhuma não vai fazer com que ele ganhe nenhum Nobel da Física, diabos! A política do Wolves continua clara: perder bastante, não ter vergonha disso, e pagar o mínimo possível de salário enquanto isso acontece.
Para o Cavs, foi um presentão de graça, tipo a Larissa Riquelme no Paparazzo. O Ramon Sessions é aquele armador que era reserva do Mo Williams no Bucks e, quando o Mo se machucou, o Sessions assumiu a vaga de titular e deu 24 assistências num jogo, marcou 44 pontos em outro, fez um triple-double com 16 assistências em outro, e assim por diante. Chutou traseiros pra valer, o elenco do Bucks sentiu o gostinho de finalmente tocar na bola, e aí a situação do Mo Williams fominha ficou insustentável por lá, com ele sendo praticamente expulso do time pelos companheiros. Curiosamente, o Sessions - que assinou com o Wolves pra ser titular mas não teve muitas chances de jogo porque a ordem da casa era deixar o Flynn aprender na marra - vai agora para o Cavs jogar de novo com o Mo Williams. Apenas espero que não seja para ser reserva outra vez! O Sessions não é um arremessador maravilhoso, mas sabe quando arremessar, infiltra bem, é excelente reboteiro, bom nos contra-ataques e tem uma visão de jogo simplesmente espetacular, dá pra confiar as jogadas de um time em suas mãos. Se jogar ao lado do Mo Williams, vai pelo menos limitar um pouco o tempo que o Mo passa com a bola nas mãos e impedir que ele arremesse em exagero. Se for reserva do Mo, então podemos esperar que em breve o Cavs ame o Sessions de paixão e dê uma sova no Mo Williams, expulsando ele do time pra aprender a não ser otário.
Conseguir o Sessions foi enorme para o Cavs, mas também não deve fazer milagre. O time precisa entender que a melhor saída agora é simplesmente feder por uns tempos. Assinar o Varejão por 7 milhões de dólares pareceu uma boa ideia quando significava manter o elenco intacto em volta de LeBron (quer dizer, para alguns foi cagada mesmo na época), mas agora fica evidente o tamanho da merda. Trocar por Jamison foi legal quando era a peça final pra ganhar um título, agora é só um contrato de mais de 13 milhões que vai durar ainda dois anos. Mo Williams rendeu e foi até All-Star quando estava controlado, agora é um fominha que ganha 9 milhões de dólares. É um time muito caro com jogadores limitados, aleatórios, que não combinam, e não adianta gastar qualquer grana que eles tenham tentando contratar mais alguém. Resta dar a armação pro Sessions, estabelecer o estilo de jogo do novo técnico Byron Scott (altamente focado na armação e no cadenciamento do jogo), criar um time organizado, e perder. Imagina que legal se eles conseguem a primeira escolha do draft do próximo ano, o cara se torna uma estrela, e aí encerram-se os contratos de Jamison, Mo Williams e Varejão. Se o time for organizado e Byron Scott tiver feito um bom trabalho, conseguirão contratar um novo elenco em volta de seu novato e terão seu novo LeBron James. Na temporada de 2002, os torcedores do Cavs iam para o ginásio com placas "Percam por LeBron", foi o que o Cavs fez, e deu tudo certo. Agora, começa a tática de novo, mais uma vez. Em uns 10 anos, devem ter que fazer de novo quando o tal novato-estrela for jogar com os amiguinhos em outro time, mas de todo modo é melhor do que ficar tentando remendar o estrago com mais contratos horríveis e apressados. É a lição definitiva, crianças: não sejam o Detroit Pistons.
O plano do Wolves também deve ser perder sem medo por uma boa escolha de draft, mas como tudo dá sempre errado para os lobinhos, a troca idiota já começou mal: ao trocar Sessions, que não ia ser usado mesmo, por dois armadores que devem ser mandados embora para economizar dinheiro, o Jonny Flynn foi pra cirurgia e deve perder vários meses na recuperação. Ou seja, agora o Wolves não tem armador reserva (o Ridnour vai ter que assumir a armação quando a temporada começar) e talvez tenha que manter o Telfair a contragosto. Nem as cagadas que eles fazem dá certo, é incrível. Mas vejam pelo lado positivo: pelo menos o Wolves não paga milhões e milhões por Jamison e Varejão. Às vezes, é melhor economizar.
Defenestrado por
Danilo
por volta das
19:00
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quinta-feira, 22 de julho de 2010
Aceitando feder
Quando o Wolves resolveu finalmente trocar o Kevin Garnett, parabenizei a franquia. Não tem nada mais horrível para um time da NBA do que ser exageradamente mediano, ter um elenco grotesco, uma baita estrela que consegue segurar as pontas, brigar desesperado por uma classificação para os playoffs e perder sem chances na pós-temporada. O formato da NBA é brutal com os medianos, com os times que não estão brigando por título e nem são ruins o bastante para conseguir bons jogadores no draft. Basta uma ou duas cagadas com contratações desesperadas para sair desse limbo e uma equipe pode ficar trancada por anos a fio nesse grupo intermediário que não fede nem cheira. É preciso muito culhão para desmontar um time desses, no entanto. Uma equipe que vai aos playoffs todo ano, mesmo sem chances de fazer estragos por lá, tem dificuldades em explicar para os torcedores que o time vai feder de vez por uns tempos. Pior ainda é quando a equipe quase vai para os playoffs mas não consegue por uma ou duas posições, e fica aquela impressão de que só falta um jogador para que eles cheguem lá. Mas se chegarem finalmente aos playoffs, vão conseguir ganhar por lá? Essas equipes ficam condenadas à uma esperança que não se transforma em nada até que alguém jogue tudo fora e resolva começar de novo.
Se o David Stern tem razão e nenhuma equipe da NBA conseguiu ter lucro nos últimos tempos, não faz sentido manter uma equipe que não vencerá títulos, te dá prejuízo e não tem esperanças de melhora. A melhor saída é feder bastante para conseguir boas escolhas de draft, encerrar todos os contratos longos e imbecis que foram assinados, esperar a pirralhada amadurecer, e então assinar grandes estrelas para formar um elenco decente. Trocentas equipes da NBA seguiram esse plano especialmente esse ano, com vários times liberando muito espaço salarial para assinar grandes estrelas em elencos formados por novatos e outros jogadores baratinhos, como o Heat ou o Knicks. Algumas outras franquias apostam nos novatos para formar um elenco jovem e forte, até que possam contratar alguma estrela consagrada para levar o time ao campeonato, como é o caso do Bulls e do Nets, por exemplo. Outras apostam inteiramente no draft e em trocas por jogadores inexperientes e montam um time do nada, como o Blazers e o Thunder, fazendo contratações maiores e trocas por jogadores caros apenas para dar uma arrumadinha no elenco bem depois. Imaginei que o Wolves, ao trocar o Garnett, conseguiria um núcleo bastante jovem com uma futura estrela em Al Jefferson, e que a reconstrução duraria pouco tempo. Era só esperar a pirralhada pegar o jeito e depois conseguir um ou outro jogador para fechar algumas posições. Mas não funcionou.
Por um lado, promessas como Corey Brewer demoraram demais para se firmarem na NBA. Por outro, Al Jefferson tornou-se uma estrela rápido demais, num elenco incapaz de acompanhá-lo. Como todo time apostando em novatos, algumas escolhas não deram muito certo, alguns jogadores não souberam jogar juntos. Foi então que o engravatado David Kahn apareceu para pisar no freio e fazer todo mundo entender que reconstruções não podem ser feitas às pressas. Basta ver o Pistons: ao demolir acertadamente um time em declínio que não ganharia mais nada, assinou correndo dois jogadores disponíveis na hora para não ficar com um elenco furado e deu no que deu, o time fede, não tem flexibilidade para assinar outros jogadores porque torrou tudo em dois meia-bocas, e está fadado a ficar entre os medianos por muito, muito tempo. Falha épica, já diriam os gringos. É melhor assumir a bosta, no famoso "pisou na merda abre os dedos", e deixar o time fedendo com calma do que correr e assinar qualquer um.
O projeto de reconstrução do Wolves começou do zero. Primeiro um técnico novo, o Kurt Rambis, para usar o sistema de triângulos do Lakers. Depois, escolhas de draft com o sistema em vista. O problema é que vai levar anos para os pirralhos entenderem o sistema, criarem consistência, amadurecerem ao lado do técnico - que também é meio iniciante. A suposta estrela do time, Ricky Rubio, só deve vir na próxima temporada porque preferiu ficar na Europa do que jogar num time lixo. O processo é lento, o Wolves tem que ir com calma testando todos os jogadores, dando minutos para os novatos apanharem e aprenderem, aguardar o Rubio, consolidar o sistema de jogo. Mas enquanto isso lá está o Al Jefferson, estrela consolidada, querendo vencer agora, querendo um time de verdade. Foi trocado mais rápido do que o SBT cancela seus telejornais.
Pelas escolhas duvidosas no draft, em que pega vários jogadores de uma mesma posição, David Kahn está ganhando fama de ser uma anta, quase um Isiah Thomas que pelo menos sabe contar usando os dedos. A troca do Al Jefferson não ajudou muito sua causa. Mas a lógica está bem clara: ele não tem pressa nenhuma. Se o time vai perder, feder, ser uma droga, tudo enquanto espera a pirralhada ganhar uns pelos no saco, por que ficar pagando o contrato monstruoso do Al Jefferson? Quando o Wolves se tornar um time decente, o Al Jefferson já teria dado o fora por conta própria mesmo. O melhor a se fazer é economizar umas verdinhas até lá.
O plano lembra um pouco o Grizzlies, que ia para os playoffs todos os anos mas nunca ganhou uma partida sequer de pós-temporada. Ao trocar o Pau Gasol por escolhas futuras e feder pra burro, criou um time muito jovem, cheio de novatos, levou uns anos para que começassem a render juntos, e aí contratou um ou outro veterano para ajudar. Sem estourar o teto salarial, economizando uma grana, o Grizzlies tem grandes chances de ir para os playoffs na próxima temporada apesar de todo mundo ter chamado a troca de burrada. Ter mantido o Gasol seria cagada, o salário era grande demais e ele queria vencer imediatamente enquanto o time precisava feder um pouco durante uns anos para se reconstruir. E não dá pra feder muito se você tem o Gasol, claro.
Como sabemos, a troca do Gasol para o Lakers desequilibrou a liga. A troca do Al Jefferson, que vai permitir que o Wolves feda de verdade enquanto espera seus pirralhos virarem estrelas, não deve desequilibrar tanto. Mas com certeza tornou o Jazz um time muito melhor que vai fazer mais estrago do que nunca nos playoffs. Ou seja, podem esperar uma legião de torcedores do Jazz fazendo muito barulho por aqui, torrando nosso saco e eventualmente descobrindo onde eu moro e queimando minha família na fogueira, amém.
Eu adoro o Carlos Boozer, acho seu arremesso espetacular e ele funciona perfeitamente bem com Deron Williams. Mas como maluco que sou por perder vários dias da minha vida acompanhando os jogos do Wolves, posso afirmar que o Al Jefferson vai ser ainda mais útil para o Jazz. O cara é um monstro embaixo da cesta, justamente onde o Boozer era menos efetivo. Seu arremesso é consistente, vai funcionar perfeitamente bem nas jogadas com o Deron Williams, mas seu trabalho de pernas e pés muito rápidos vai simplesmente dominar o garrafão ofensivo. Ele é um monstro refinadíssimo, do tipo que bebe sangue mas arrota em francês, e vai pontuar horrores com muitos movimentos diferentes no esquema tático rígido e cadenciado do Jazz. Quando o Wolves corria demais, o Al Jefferson ainda rendia bem, mas é de costas para a cesta num jogo lento que ele mostra que pode vencer jogos sozinho. Na defesa também é muito inteligente, tem bom tempo de bola, distribui seus tocos e não compromete muito - algo que já é um avanço frente ao Boozer, que é um dos piores defensores da NBA, disparado.
É cedo demais para chamar o Kahn de burro. Ao menos ele tem os bagos de deixar o time fedendo sem ficar pagando salários absurdos desnecessariamente. Vai se focar na pirralhada, ir com calma, esperar o Rubio e não vai deixar ninguém descontente por lá. Veteranos que querem vencer só devem chegar muito depois, quando o elenco já estiver maduro o bastante. E o Jazz aproveitou essa barbada para conseguir um assalto a mão armada nos moldes do Gasol-para-o-Lakers, capaz de fazer muito estrago se o resto do time jogar bem. Levante a mão quem é o doido que viu o Al Jefferson jogar nas temporadas passadas. Se você não levantou, pode ter certeza de que ele é um dos melhores jogadores de garrafão da NBA, muito mais versátil do que o Boozer, muito mais físico embaixo da cesta, e vai chutar muitos traseiros. Se você levantou a mão, então já sabe o tamanho da encrenca que o Jazz vai causar na liga. Os mórmons foram abençoados, vai ver rezar dá resultado.
No Wolves, o garrafão agora tem Kevin Love e Darko Milicic - por mais bizarro que seja, é um dos garrafões que mais valerá a pena acompanhar na temporada que vem. O Love é um dos jogadores mais inteligentes da NBA, faz cruzadinhas no nível "Putaquemepariu", passa a bola como poucos armadores e é famoso por dar assistências de um lado da quadra para o outro, é espetacular. Arremessa também de todos os cantos, inclusive da linha de três (e até da quadra de defesa).
Além disso, sempre toma a decisão certa, é até chato. Vai ser uma estrela na liga, sem dúvidas, e tendo muito mais minutos em quadra sem Al Jefferson, nos dará mais chances de vê-lo atuando. Seu parceiro de garrafão será o Darko, também conhecido como "um dos maiores fracassos da história do draft". Desde que foi escolhido com a segunda escolha do melhor draft de todos os tempos, passou de um time para o outro sem nunca render grandes coisas. Mas isso depende do que se espera dele, claro. Todo time que contrata o Darko espera um jogador que domine o garrafão e mostre o potencial que justificou sua segunda escolha no draft, mas o que todo time encontra é um jogador de apenas 25 anos, excelente defensor, com problemas para manter a calma dentro de quadra. A maior dificuldade do Darko sempre foi sua cabeça, ele precisava ouvir o pagodinho "deixa acontecer naturalmente", porque desde que entrou na NBA - novo demais para conseguir sequer cortar as próprias unhas - queria mostrar que merecia ter sido escolhido tão cedo no draft no lugar do Carmelo Anthony. Dê a bola para Darko e ele vai tentar fazer milagre, errar uma bola, ficar puto da vida, forçar uma outra bola para compensar, errar de novo porque está nervoso e forçando o jogo, se desesperar porque esperam mais dele, forçar de novo, e assim por diante. Ele fica tão puto consigo mesmo que chegou até a rasgar a própria camiseta:
Também deu aquela clássica entrevista jogando pela sua seleção nacional, em que afirma que vai foder as mães dos três juízes que "lhe roubaram o jogo" (e foder a filha deles se tiverem também). Mesmo tão descontrolado, nas poucas vezes em que ganhou minutos e conseguiu manter a calma em quadra mostrou seu talento defensivo e seu jogo refinado perto da cesta. Se tivesse sido escolhido na segunda rodada, teria jogado a vida toda, nunca teria sido trocado e seria tido com uma baita sorte do time que o pegou. Para ele, assim como para Kwame Brown, a merda é o medo da expectativa dos outros. O David Kahn disse recentemente que convenceu Darko a ficar na NBA ao invés de voltar para a Europa, como pretendia, dando-lhe estabilidade, segurança, um papel limitado em quadra (puramente defensivo) e muita confiança. Deu uma longa entrevista apenas falando sobre o que ele vê no Darko que os outros não percebem. É difícil imaginar que aquele jogador afoito e nervoso pra burro renderá no Wolves com carinho e paciência, mas é nisso que o Kahn aposta e é mais um motivo para acompanharmos esse garrafão. Love e sua genialidade nos passes, Darko e sua cabeça-de-bagre tentando não arrancar sua própria cabeça. Não vai ser tão legal quanto o Al Jefferson destruindo com o Deron Williams, mas é um dos poucos motivos para acompanhar a pirralhada do Wolves na temporada que vem. E se der certo, pelo menos vão parar de xingar tanto o Kahn. Ele, ainda, não merece.
Defenestrado por
Danilo
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quinta-feira, 11 de março de 2010
Deu tudo errado
Ninguém na liga chega perto de Clippers e Blazers na hora do azar, isso é claro, mas se hoje existe um time que luta pelo terceiro lugar é o Timberwolves. Eles também entram no clube dos times que tem talento, que parecem fazer a coisa certa, mas que depois, por qualquer razão, essas decisões parecem as mais erradas possíveis.
Vamos resgatar o Wolves ao fim da temporada passada. Mais uma temporada ridícula, mas que serviu para consolidar Al Jefferson como um dos melhores pivôs da NBA (ano passado houve quem defendesse que o pivô só não foi para o All-Star Game pelas poucas vitórias do Wolves, mais ou menos o que houve com Brook Lopez nesse ano). Depois de vir como uma mera aposta na troca de Kevin Garnett, um cara que ninguém sabia se conseguiria render como pivô ou só como ala de força, Jefferson provou não só que era bom mas que conseguia ser bom toda noite. O time fedia e perdia, mas sempre com uma boa atuação do pivô. No caminho ele até desenvolveu um dos melhores "fakes" de um pivô na NBA. O fake não é aquele perfil ridículo que você tem no Orkut, é quando o jogador finge que vai arremessar mas não arremessa, um bom exemplo está nesse vídeo, onde ele engana o Yao Ming umas três vezes.
Sem contar que o cara tem um grande coração, vocês já viram quando ele beijou o Tim Thomas na boca depois que o Thomas, seu adversário, acertou uma bola de 3? Al Jefferson, o último romântico.
Além da ascenção e consolidação de Jefferson, a temporada passada serviu para todo mundo perceber que Kevin Love seria um dos poucos americanos brancos a vingar na liga. No começo pareceu uma decisão estranha ter trocado OJ Mayo por ele no dia do draft, mas alguns meses depois e Kevin Love já estava sendo a máquina de rebotes que é até hoje. Ao lado de outro branquelo, o David Lee, é um dos jogadores que você já conta com um double-double antes do cara pisar na quadra.
Essa temporada era para simbolizar uma nova franquia. Eles tinha uma dupla de garrafão bem sólida com Jefferson e Love para construir um time em volta, tinham escolhas boas de draft e ainda trocaram de General Manager, mandando embora Kevin McHale e contratando David Kahn, e um novo técnico, Kurt Rambis. Jogadores bons, jovens, garrafão forte e novo técnico era tudo para apostar no Wolves para ser o que Thunder e Grizzlies estão sendo.
Eu não conhecia o Kahn, mas gostei dele por ele ser o manager mais aberto que já apareceu na NBA. Lembro que não economizou entrevistas quando chegou, no dia do draft, e ainda mandou uma carta aos fãs do time (aquela meia dúzia de viúvas do Garnett) explicando todas as suas ações. E, para nossa surpresa, elas até que faziam sentido.
Uma dessas decisões era a contratação do Kurt Rambis, o cara mais brega da história da NBA. Ele tinha sido assistente técnico do Phil Jackson por anos e era muito cotado para ser o herdeiro do Zen Master no Lakers quando ele se aposentasse, mas preferiu assumir o risco de pegar um time que estava começando do zero. A escolha de Rambis, pelo o que Kahn disse (alguém consegue ler esse nome sem lembrar do Gengis Khan ou do Shao Khan?), foi porque se interessava em implantar o sistema de triângulos que o Rambis ajudava a aplicar no Lakers. Porém, ao mesmo tempo, o novo Manager disse que no dia do draft escolheu dois armadores, Jonny Flynn e Ricky Rubio, porque queria copiar a combinação de Isiah Thomas e Joe Dumars que o Pistons do fim dos anos 80 usava.
Essa indecisão entre estilos de jogo parecia o primeiro sinal de que a temporada do Wolves poderia não dar certo, mas acabou não dando em nada porque outra coisa deu errado. Não dá pra usar os dois armadores juntos se eles nem estão no mesmo país. Ter a sorte de conseguir draftar o jogador mais esperado dos últimos anos veio seguida do azar de o pirralho espanhol decidir passar mais tempo na Espanha. O experimento Flynn-Rubio ficou adiado por pelo menos um ano, talvez dois e talvez para nunca, já que dizem que é possível que o Wolves troque os direitos do Rubio antes que ele vá para os EUA.
Kahn, Love, Jefferson, Rambis e Flynn. Tudo parecia lindo e promissor até começar a cheirar mal. Vamos por partes:
Al Jefferson: Mesmo talentoso e romântico, ele fedeu nessa temporada. Começou muito devagar e por um tempo achamos que era porque ele não fez pré-temporada, afinal estava voltando de contusão e parecia ainda fora de forma. Mas o tempo foi passando, passando e agora, a um mês do fim da temporada, ele só jogou no mesmo nível da temporada passada um punhado de vezes, uma decepção. Só não vai ganhar o prêmio Monstars de jogador que mais involuiu na temporada porque o outro Jefferson, o Richard, conseguiu ser pior. Se ano passado ele era talvez o melhor pivô do Oeste, nessa temporada ficou atrás de, no mínimo, Nenê, Kaman e Bynum.
David Kahn: Errou ao chegar no dia do draft antes de ter escolhido um técnico, depois falhou (tá bom que não foi só culpa dele, mas falhou) ao não conseguir trazer Rubio para a NBA. Depois ainda deu o azar de a sua outra escolha, Jonny Flynn, não estar nem perto de ser o melhor armador do draft. Muitos acreditavam nisso na época da escolha e até por isso não dá pra jogar toda a culpa no Kahn, mas é no mínimo um baita azar que, alguns meses depois, Flynn seja cotado para ter um futuro menos promissor que Steph Curry, Brandon Jennings, Ty Lawson e Darren Collison, todos outros armadores principais escolhidos depois de Flynn. Lawson chegou até a ser escolhido pelo Wolves e trocado por uma escolha futura.
Jonnt Flynn: Como acabei de dizer, está longe de ser o melhor armador do draft, mas nem é pelo ranking entre os novatos que ele decepciona. Mesmo sem comparar com outros e só olhando a sua atuação no Wolves, parece que ele não se achou dentro da equipe. Às vezes segura demais a bola, às vezes quer ser herói no final dos jogos e por muitas vezes lembra o lado ruim do TJ Ford por ter uma velocidade absurda e não saber usar isso para mudar o jogo. Talvez acabe sendo melhor que outros armadores de sua classe, mas é hoje, ao lado de Jrue Holiday, o armador mais cru, despreparado para a NBA, do Draft 2009.
Kevin Love: Até o que está dando certo, dá errado. Love continua jogando bem, sendo um ótimo passador, reboteiro e tudo mais, mas não conseguiu se entrosar direito com Al Jefferson e acabou sendo opção do técnico para o banco de reservas. Com isso Love divide menos tempo com Jefferson e deixa o quinteto que vem do banco um pouco mais forte. Uma solução até inteligente, mas até onde vai o Wolves se Love e Jefferson não sabem jogar juntos? Em entrevista recente Love jogou boa parte da culpa no técnico Kurt Rambis.
Kurt Rambis: Sempre sobra para o técnico. Como havíamos previsto no começo da temporada, aplicar o sistema de triângulos em um time jovem como o Wolves seria um desafio. O Señor Amor jogou a culpa no técnico porque disse que hoje, depois de mais de 60 jogos na temporada, o time ainda não sabe direito o que fazer em quadra. Não sabe como se movimentar, quando vão receber a bola, nada, um bando de gente perdida como vestibulandos em dúvida entre Direito, Artes Plásticas e Engenharia Química.
Como se não bastasse o ataque ser perdido, a defesa é um lixo. Em pontos sofridos a cada 100 posses de bola o time tem a 3ª pior defesa da NBA. Para se ter uma idéia de como o Rambis não sabe mais o que fazer com esse time, no último jogo contra o Nuggets ele mandou Kevin Love marcar o Carmelo Anthony! Love olhou assustado para o treinador e respondeu "Você tem certeza?". Carmelo Anthony acabou cestinha do jogo e o Nuggets venceu.
Se haviam expectativas altas para tanta gente e tudo deu errado, é ainda mais irônico que o lado positivo dessa temporada tenha sido um jogador por quem não se dava mais nada, Corey Brewer. O ala foi espetacular naquele time da Florida bi-campeão universitário e esperava-se muito dele na NBA. Acabou passando anos sendo um cara apenas mediano e nessa temporada explodiu. Enterrou na cabeça do Derek Fisher, teve muitos jogos acima dos 20 pontos e começou a mostrar um pouco do potencial defensivo que tinha na sua carreira universitária.
Com essa temporada do Wolves no lixo fica a pergunta para a próxima temporada. Dará certo da próxima vez? Difícil prever, tudo depende do time entender melhor seu esquema tático, defender melhor e da vinda de Rubio para os EUA. Mas o futuro não é tão negro assim, na pior das hipóteses eles tem todos esses jovens bons jogadores para trocar e começar tudo de novo, dessa vez torcendo para que a medalha de bronze da maldição da NBA já tenha mudado de mãos.
Defenestrado por
Denis
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terça-feira, 8 de setembro de 2009
Foi namorar, perdeu o lugar
Todo mundo sabe dos apuros pelos quais passa um homem apaixonado por uma garota que não lhe dá bola. Por parte do rapaz, há sempre muito esforço, cuidado e uma certa dose de humilhação. O poder está todo nas mãos da garota, que pode fazer o que quiser com a decisão que lhe cabe. Por fim, o homem apaixonado consegue o que queria ou então toma uma porta na cara e segue a vida, como se nada tivesse acontecido.
Não tem como não nos identificarmos com os derrotados que não conseguem as menininhas e que tomam portadas no nariz (até porque eu ainda me lembro da vez em que você bateu a porta na minha cara, garota!), a gente dá aquele sorriso cheio de pena e perdoa todos os erros desses sujeitos, todas as humilhações e a perda de tempo de cada um dos que tentaram e falharam em suas consquistas amorosas.
Na lista de fracassados, podemos acrescentar agora um novo nome: David Kahn, engravatado responsável pelo Wolves. Após três viagens para a Espanha num período de dois meses tentando conquistar o coraçãozinho de Ricky Rubio, Kahn volta para casa como um dos nossos, um fracassado de coração partido e mãos abanando. Essas ninfetas são sempre as mais difíceis mesmo, deveriam ter avisado o pobre do Kahn, que foi pensando ser capaz de conquistar o ingênuo pirralho espanhol. Não deu certo.
Na época do draft, a multa da recisão de contrato do Rubio já era uma preocupação para todas as equipes. Saía por uma bagatela de 8 milhões de dólares, sendo que as equipes da NBA só podem entrar com 500 mil mangos para ajudar nesse valor. Basicamente, o que se pede é que Ricky Rubio tire 7 milhões e meio de dólares das próprias orelhas.
Foi por isso que David Kahn, todo galanteador, foi tentar provar para o menino que esse dinheiro surge fácil quando se está na NBA. O Rubio pensava em ser a primeira escolha do draft, o que aumentaria seu salário e lhe daria um marketing inacreditável. Draftado apenas na quinta escolha por um time horrível, desconhecido, enfiado em Minessota, sem visibilidade, com um salário menor, e pior de tudo, dividindo minutos com outro armador draftado logo depois dele, Jonny Flynn, ficou difícil para o Rubio acreditar que seria capaz de bancar a multa para interromper seu contrato.
Kahn é um homem apaixonado. Falou em carta aberta aos fãs, explicando que Rubio e Flynn jogariam juntos. Além disso, jurou de pé junto que o armador espanhol seria o titular absoluto da equipe desde o primeiro dia, o que é o equivalente a prometer para uma garota que ela será a titular do harém (irrecusável, vai!). Conseguiu negociar um abatimento na multa pela recisão do contrato, deixando em apenas 5 milhões. Garantiu um amistoso do Wolves contra a equipe que detém o contrato, o Joventut, com toda a renda adquirida indo para financiar a multa. Arrumou uma série de patrocinadores que bancariam o Rubio nos Estados Unidos, através de investimentos e empréstimos, permitindo ao jogador apenas um mínimo de gastos e deixando que ele mantivesse grande parte do seu salário bem gordinho de 15 milhões por 4 anos.
Cada um desses mimos, que foram como versões de Itu de bombons recheados, vieram com muito esforço e negociação. Foi um processo lento e gradual, e só em viagens para a Espanha o David Kahn poderia ter pagado umas trezentas multas contratuais. Quando o Ricky Rubio estava cercado de presentes, segurança e um amor incondicional, foi dormir e acordou no dia seguinte com certeza de que não iria pra NBA. Resolveu dar um pé na bunda do Kahn.
O Barcelona topou pagar a multa reduzida de 5 milhões pelo armador-ninfeta mais cobiçado do planeta, e o guri simplesmente resolveu ficar por lá quando tudo estava pronto para que ele fosse pra NBA. Alegou que sempre quis jogar na NBA, mas que essa mudança nesse momento complicaria demais a sua vida e blá, blá, blá. É a versão esportiva de "o problema não é você, sou eu, acabei de sair de um relacionamento e quero um tempo para mim".
O motivo pode até ter sido financeiro, já que no Barcelona o Ricky Rubio vai poder enfiar seus milhões de euros nas orelhas e comprar seu primeiro carro, casa, piscina e cartucho do Pokémon, enquanto no Wolves receberia um dinheiro mais modesto. No entanto, Rubio seria free agent em 2014, com apenas 23 anos, e estaria apto a assinar um contrato biliardário. Seu primeiro contrato na NBA sempre terá o mesmo valor mais-ou-menos, não importa quanto ele espere, e correr agora para o Wolves apenas encurta sua espera por se tornar realmente endinheirado.
A única explicação que realmente faz sentido para o jovem Rubio ficar na Espanha é medo. Talvez ele ache que não está pronto para a NBA nesse momento, que não tem físico ou maturidade, e que sua imagem ficará arrasada se ele feder no Wolves. Provavelmente ele teme ter uma temporada mais-ou-menos num time que ninguém acompanha, não conseguir assinar um novo contrato bom o bastante e não cair nas graças da mídia. Tudo a maior burrice: o Wolves lhe garantiu a melhor escola que um jogador de basquete pode querer.
O time vai jogar um basquete de pura correria, o que mostraria os talentos do Rubio em seu explendor. Ele seria titular desde o começo, comandado por um técnico que tem ordem para deixar a pirralhada em quadra aprendendo, mesmo que isso custe a eles algumas derrotas a mais. O time tem pouca visibilidade e, portanto, Rubio teria que lidar com pouca pressão - seus acertos apareceriam no Top 10 da NBA.com, mas seus erros estariam meio camuflados. E tudo isso durante quatro anos, tempo o bastante para ele se tornar um jogador melhor e, aí sim, encontrar um time que lhe dê toda a visibilidade que ele quer (Knicks, alguém?).
Dá pra imaginar situação mais perfeita para um pirralho-sensação? Mas não, Rubio preferiu não mudar de ares, ficar num basquete mais fraco, não trabalhar seu físico, não ter minutos garantidos. Pior que isso: Rubio deixou Kahn de coração partido e o engravatado, com a elegância digna dos grandes fracassados, partiu para outra e ameaçou sua ex-paixão com o típico desdém dos rejeitados. Ou seja, Kahn avisou que Jonny Flynn será o titular absoluto e que, quando Rubio decidir ir para a NBA, Flynn já terá a vaga e estará muito adiantado em questão de aprendizado.
O armador espanhol ficará ao menos 2 anos no Barcelona, quando então a multa de recisão cai um pouco e fica mais pagável. Mas pode acabar ficando lá por 3 anos, se quiser, enquanto o Flynn vai certamente consagrar-se como um dos grandes armadores da NBA. Já chutou traseiros nas Ligas de Verão, de que o Rubio já não participou, e só tem a crescer no Wolves, que é a melhor escola de pirralhos atualmente da NBA: conjunto de incentivo, tempo de quadra, e pressão zero.
Mas Kahn não parou por aí em sua esnobada: no maior estilo "você não me quer, mas olha quem tá ligadão na minha!', o Wolves acabou de assinar Ramon Sessions com um contrato de 16 milhões por 4 anos. Sessions saiu de "quem diabos é esse maluco" para tornar-se um dos armadores com mais potencial na NBA, capaz de reger qualquer time, correr como um maluco, e colocar a bola nas mãos de quem precisa. Desde que ele não tenha que arremessar, tudo sempre ficará bem e é uma delícia ver o garoto jogar. Pois bem, depois de ser disputado por Knicks, Heat e outras equipes, tem tudo para ir diretamente para o Wolves. O Bucks ainda pode cobrir a proposta para ficar com o armador, mas levando em conta o fato de que eles draftaram Brandon Jennings (mais um armador-ninfeta-sensação) e já têm no elenco Luke Ridnour e o surpreendentemente bom Roko Ukic, não vejo muito motivo para que eles o façam.
Ramon Sessions tem tudo para brilhar em Minessota. Quando lhe deram minutos e a bola nas mãos no Bucks, fez jogadas incríveis e colecionou alguns recordes de assistências. Com tempo de quadra e carta branca, Sessions e Flynn formarão uma dupla que atormentará a NBA. Se Kahn mantiver seu critério, os dois devem inclusive jogar juntos em quadra, ao mesmo tempo, durante boa parte das partidas. Será maravilhoso de ver e um motivo para, desde já, arrumar um modo de acompanhar alguns jogos do Wolves (alguém aí vu o Wolves jogar desde os tempos do Kevin Garnett?).
Quando o Ricky Rubio chegar na NBA, em dois ou três anos, encontrará um time jovem com dois excelentes armadores, padrão de jogo, time entrosado, e um Kahn puto da vida e ressentido que simplesmente continuou a vida, ao invés de chorar pelos cantos. É isso aí, Kahn, mostra pra essas ninfetas metidas à besta do que você é capaz. Esse namorinho do Rubio com o Barcelona pode sair caro demais para sua carreira. Talvez sua grande chance tenha sido jogada fora e não haja mais espaço quando ele quiser entrar na brincadeira. Torço pelo garoto, de verdade, mas vejo suas chances de dar certo na NBA seriamente comprometidas. O Kahn fez o que deu, e com a consciência limpa pode um dia cantar o sucesso da Kelly Key, "isso é para você aprender a nunca mais me esnobar, baba baby, baby baba", ou algo assim. Filosofia pura, a Kelly Chave manja das coisas.
Defenestrado por
Danilo
por volta das
11:31
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